Makários – Romanos | A. 17 | Há diferença entre judeus e gentios? (10.1-13) | Ákilla Nascimento
29/04/2026
Makários – Romanos | A. 17 | Há diferença entre judeus e gentios? (10.1-13) | Ákilla Nascimento
Módulo Avançado: Romanos
Aula 17
Há diferença entre judeus e gentios?
Romanos 10.1-13
Ákilla Nascimento
Comunidade Saudável. Cidade melhor!
Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7
Conheça mais:
contato@ibnu.com.br
Siga-nos:
/ ibnusaopaulo
/ ibnusp
Fonte: Com IBNU
Legendas automáticas:
[música] เฮ [música] >> [música] [música] >> Opa, muito boa noite a todos que já chegaram aqui para mais uma aula do nosso curso de teologia Macários. Muito bem-vindo, muito bem-vinda. Esse que já é o nosso 17º encontro, eh, tratando do livro a de Paulo aos Romanos, a carta de Paulo aos Romanos, nesse longo argumento que Paulo tem apresentado a respeito do evangelho e da revelação da justiça de Deus que acontece com os propósitos do Senhor revelados a partir da pessoa de Jesus. Esse é um encontro que trata do capítulo 10 de maneira especial, mas a gente vai retornar um pouquinho para conseguir falar do final do capítulo 9, que é fundamental pra gente entender as palavras iniciais a do capítulo 10. E entre hoje e quinta-feira a gente deve concluir o capítulo 10 de Romanos. Então, a gente tá nesse terceiro bloco retomando aí algumas coisas que a gente já disse. Romanos é dividido em quatro partes. Capítulo 1 ao capítulo 4, depois do capítulo 5 ao 8, depois do 9 ao 11 e depois do 12 ao 16. Então, a gente está no meio da terceira parte, do terceiro bloco. E essa é uma parte importante por alguns motivos, tanto pelo fato de que a gente tem a sequência do argumento do que Paulo vinha apresentando desde o começo da carta. Essa é uma característica que a gente reforça eh com muita frequência nas nossas aulas aqui do Macaros em Romanos, que é a carta de Paulo em Romanos não é só muito densa, mas ela é muito coesa. É impossível compreender adequadamente aquilo que ele está tratando nos capítulos 9 a 11, sem compreender muito bem a discussão que ele traz nos capítulos 4 e 5 e 7 e 8 em especial. E a gente vai apontar as razões pelas quais isso é tão importante, é tão necessário voltar para relembrar os argumentos desse trecho. Então, a gente tá num trecho que é importante porque é o desenvolvimento natural de tudo aquilo que Paulo vinha apresentando antes, mas também é um trecho importante porque levanta questões e trata de alguns pontos que são eh questionamentos de muita dúvida dos leitores e intérpretes de Romanos quando se deparam com declarações às vezes muito duras ou eh esperanças pouco intuitivas a respeito do povo judeu, por exemplo, que é é o que aparece no capítulo 11 de Romanos. Da mesma forma, o inverso parece ser verdade em algumas coisas que Paulo fala aqui no capítulo 10. A gente vai tentar entender de que forma isso que Paulo está apresentando é algo coerente com o restante da expectativa bíblica para judeus e gentios e com aquilo que ele afirmou antes e aquilo que ele vai afirmar em breve no próximo capítulo também. Então, muito bem-vindo, muito bem-vinda para esse nosso 17º encontro, nossa aula 17 aqui do Macários, ah, tratando da carta aos romanos. E a gente então dá o boa noite pro pessoal que também já interagiu aqui no chat. A Fernanda, a Sandra, a Mari Lúcia, a Terezinha, o Paulo, Fred, eh, o Vittor, a Carla, Manuel ou perdão, a Manuela, o Manuel Alves, poderia ser Manuela, mas acredito que é Manuel Alves. Eh, boa noite a todos vocês. Bem-vindos também aqueles que chegarem um pouquinho depois aqui das 19 horas, que é o horário religioso em que a gente começa as nossas aulas. Eu vou compartilhar os slides com vocês, mas eu já vi que eu eh configurei um pouquinho errado. Eu vou só ajustar uma coisa aqui no compartilhamento de tela e acredito que a gente vai agora conseguir compartilhar adequadamente eh os slides com vocês. Compartilhar a tela inteira. Beleza? Opa, acho que tá aparecendo aí para vocês, mas não era esse o propósito. Vou pedir um pouquinho só de paciência que a gente vai acertar aqui em um segundo essa janela aqui. Compartilhar essa janela. Beleza, agora foi. Vamos lá. Romanos 9:30, que é o final do capítulo, eh, 9, como a gente colocou, até o versículo 33, até o meio do capítulo 10, versículo 13. A diferença entre judeus e gentius? Bom, essa imagem aqui de uma pedra fundamental vai fazer muito sentido quando a gente recuperar o texto. Hoje eu vou ler diretamente o texto aqui como aparece na NVI. Vou pedir para você também abrir a sua Bíblia. Eu não repliquei esse texto no slide, mas eh você pode acessá-lo facilmente. Eu vou pedir então para que você acompanhe aí. Romanos 9:30. Que diremos? Então, os gentios não buscavam a justiça, a obtiveram. Perdão. Os gentios que não buscavam a justiça, a obtiveram. Uma justiça que vem da fé. Mas Israel, que buscava uma lei que trouxesse justiça, não a alcançou. Por que não? Porque não a buscava pela fé, mas como se fosse por obras. Eles tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito, eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço em uma rocha que faz cair, e aquela que n aquele que nela confia jamais será envergonhado. Capítulo 10. Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é que eles sejam salvos. Posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento, porquanto ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus, porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê. Moisés descreve desta forma a justiça que vem da lei. O homem que fizer estas coisas viverá por meio delas. Mas a justiça que vem da fé diz: "Não diga em seu coração: "Quem subirá aos céus?" Isto é, para fazer Cristo descer, ou quem descerá ao abismo, isto é, para fazer Cristo subir dentre os mortos. Mas o que ela diz, a palavra está perto de você, está em sua boca e em seu coração. Isto é, a palavra da fé que estamos proclamando. Se você confessar com a sua boca que Jesus é o Senhor e crê em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa para a salvação. Como diz a Escritura, todo que nele confia jamais será envergonhado. Não há diferença entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam, porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. E assim ele conclui o versículo 13. Como é que a gente pode entender essa passagem que apresenta vários desafios pra gente? Essa é uma imagem que aparece no final do capítulo a pedra de tropeço, que também é colocado como uma pedra fundamental. Qual é a questão que Paulo está tentando responder aqui? Essa é uma questão de fato muito perturbadora, em especial para um judeu do primeiro século, contemporâneo a Paulo, contemporâneo aos apóstolos e a Jesus, que era perceber como o evangelho foi crescendo para o mundo gentílico, enquanto muitos judeus não reconheceram Jesus como Messias. E aí Paulo apresenta essa questão. As nações que não aspiravam, que não desejavam se tornar membros da aliança, alcançaram esse pertencimento. Mas um pertencimento baseado na fé. Israel, que por sua vez, embora ansiando pela lei que definia a aliança, não alcançou tal pertencimento a partir do momento da chegada do Messias. Israel, que desejando ser reconhecido aqueles que eram zelosos pela lei como membros verdadeiros e fiéis a essa aliança, não foram reconhecido como tais. Por quê? Porque esses não buscaram com base na fé, mas baseado nas obras. E o que é que isso quer dizer? Não necessariamente é porque essas pessoas estavam tentando comprar a salvação por meio das obras. Mas a questão, ao meu ver, é um pouco diferente e a gente vai entender como é que essa relação se estabelece ao longo da nossa conversa. Aqui o que Paulo está colocando desde o começo é eles tropeçaram na pedra de tropeço. Vejam, estou colocando em Sião uma pedra que fará as pessoas tropeçarem, uma pedra que fará com que as pessoas caiam e aquele que crê nele jamais será envergonhado. Romanos 9:33. Uma coisa que a gente precisa perceber é os judeus, os gentios, perdão, não buscavam a aliança, mas alcançaram por meio da fé com um pertencimento pleno à família de Deus. Enquanto Israel, que ansiava pela aliança, mas buscava essa participação na aliança por meio das obras, tropeçou na pedra que o próprio Deus colocou. Eu não sei se você percebeu isso, mas no versículo 33 de Romanos, que é uma citação do texto de Isaías, que a gente vai explorar no próximo slides, no próximo slide, fica muito claro que o próprio Deus colocou a pedra no qual Israel tropeça. E é muito claro pelo contexto que essa pedra fundamental, que também é uma pedra de tropeço, é o próprio Messias, o fundamento do novo edifício de Deus. E é a salvação para aquele que crê ao mesmo tempo, que é a base da rejeição para aquele que não crê no Messias. A condenação será justa para aquele que não reconhece Jesus como Messias. Como é que a gente pode entender essa eh citação de Paulo, que é uma citação de dois textos diferentes de Isaías? A gente primeiro precisa perceber que ele está juntando textos que, ainda que seja do mesmo livro e autor, são de contextos diferentes dentro da revelação que Isaías nos apresenta. E perceber como ele está conectando dois pontos que não era necessariamente a conexão que os leitores de Isaías faziam quando se deparavam com esse texto. Paulo, a partir da revelação da pessoa de Jesus, quando volta para aquele texto de Isaías e para as várias partes diferentes daquela profecia, percebe que tanto Isaías 28 quanto o texto anterior de Isaías capítulo 8 estavam tratando do mesmo evento, o evento tanto de salvação quanto de condenação, estavam concentrados no mesmo ato salvador de Deus. E o que é que o texto de Isaías, capítulo 281 apresenta pra gente? Ele fala de uma pedra que é a fundação do novo templo. Esse novo templo que será construído em algum momento do futuro. Só que o profeta parece muito claramente ter em mente ali o rei que será o fundamento humano para essa grande comunidade que Deus vai constituir e que vai organizar, que vai centralizar em torno do templo que o profeta está fazendo referência. Paulo aplica essa promessa ao Messias e todo aquele que crê nesse Messias, nesse fundamento humano, nesse fundamento do templo que Deus iria construir, não seria envergonhado. Então, Isaías capítulo 28 é um texto de esperança e de promessa. Tem muita relação os textos nos evangelhos em que a gente percebe que Jesus tem uma confrontação direta com o templo de Jerusalém. Porque não só o templo foi esvaziado do seu significado e do seu valor real, como o templo foi esvaziado da glória de Deus. A glória de Deus já não habitava mais o Santo dos Santos desde queda do primeiro templo de Jerusalém, apesar do templo ter sido reconstruído. Não existe qualquer evidência a partir dos profetas de que a glória de Deus a Shequiná voltou a habitar no Santo dos Santos. Como o próprio povo passou a ter a sua esperança concentrada no fato de que o templo permanecia de pé. E Jesus confronta essa falsa esperança e essa falta expectativa de que Deus viria a vindicar, a revelar como justa e verdadeira as esperanças daqueles judeus que acreditavam que, pelo fato de que o templo está de pé, o Senhor nos dará vitória contra o povo opressor, que na época de Jesus, dos apóstolos de Paulo, era o império romano. Então, a gente percebe muito claramente que há uma certa razão de ser para algumas das expectativas dos judeus do primeiro templo que discordavam de Jesus quando eles liam textos como Isaías capítulo 28 e acreditavam e percebiam que aquilo estava falando de um templo do ponto de vista físico literal. E Paulo está apresentando uma outra interpretação aqui para Isaías capítulo 28. Por quê? Ele conecta Isaías capítulo 28 com Isaías capítulo 8. Lá na passagem de Isaías 8:14, a pedra não é mais um símbolo da esperança do que Deus viria a fazer por meio desse rei, que seria o fundamento do templo a ser construído. Mas ali o profeta declara que o próprio Deus colocará à frente do povo rebelde, o povo de Israel, uma pedra sobre a qual as pessoas tropeçarão e cairão. [limpando a garganta] Isso é parte do juízo de Deus sobre Israel. Até mesmo quando Deus faz algo de bom para os inclinados à rebelião, isso se torna uma armadilha. Então, Deus faz algo que é verdadeiramente bom, autenticamente, eh, um ato de graça e de amor em relação ao seu povo, que é enviar esse rei, que seria a base da construção desse novo templo. Só que esse evento de salvação por parte de Deus, devido à rebelião do coração do seu próprio povo, se tornaria um ato também de juízo e de condenação, porque eles tropeçariam, eles não reconheceriam ou não agiriam em acordo com esse ato de revelação do Deus que enviou o Messias para seu Salvador. E a síntese de Paulo na conexão entre essas duas passagens é: ao reunir essas duas passagens, Paulo declara que a fundação do novo edifício já está posta. O tempo de Isaías 8:28 chegou. Aqueles que não creram no Messias tropeçarão nessa pedra. O fracasso de Israel em crer em Jesus não representa a falha do plano de Deus, mas um inesperado cumprimento do que Deus vinha planejando. E isso é algo que merece uma pausa e uma reflexão um pouco mais ponderada e e reconhecendo a profundidade um pouco da da do paradoxo do que Paulo está apresentando a gente aqui. Deus ama o seu povo. Deus irá enviar o resgatador pelo seu povo. Deus sabe que boa parte do seu povo vai rejeitar esse resgatador, esse redentor que trará libertação para os escravos. E ainda assim Deus não só envia esse redentor que será recusado por boa parte de Israel, mas Paulo está apresentando pra gente que esse era o propósito de Deus, tanto em relação a Israel quanto em relação ao Messias, que deveria trazer libertação para o povo de Israel, mas também para todas as outras nações. No plano de Deus em derramar salvação sobre todos os povos, Israel deveria desempenhar essa função de tropeçar na pedra que deveria ser o fundamento da sua própria salvação. Então, não é simples a interpretação que Paulo está fazendo de Isaías 28, Isaías capítulo 8. E também não é simples, não só no sentido da complexidade do raciocínio, mas da dureza daquilo que Paulo está apresentando pra gente, novamente dessa relação paradoxal que Deus estabeleceu que Israel deveria cumprir. Onde é que nós estamos na jornada? Quando a gente chega nesse ponto de Isaías, perdão, de Romanos 9:30, 33, mas também nas primeiras palavras do capítulo 10, a gente tá no cerne da argumentação de Paulo dentro desse terceiro bloco que vai do capítulo 9 ao capítulo 11, mais ou menos como um guia turístico, um guia de uma caminhada muito longa, ele tá explicando pra gente exatamente onde nós nos encontramos. Após nos seguirmos a história de Abraão, como ele apresentou eh no começo do capítulo 9, do versículo 9 até o 26, que foi o assunto da última aula com a professora Suzi, nós chegamos ao ponto em que podemos compreender o que já vinha acontecendo. Os gentios têm entrado como membros da família da aliança de Deus prometida a Abraão. Isso é um ponto que Paulo já apresentou muito claramente desde o primeiro bloco, desde a primeira parte da sua correspondência, enquanto muitos judeus têm tomado o caminho errado e falhado em exercitar a fé. Por quê? Como é que as coisas vieram a chegar no ponto em que chegaram? Por que que tantos judeus, e Paulo está falando da época em que ele estava vivendo, isso não necessariamente era um decreto do que deveria acontecer durante todas as gerações ou ao longo de todas as gerações seguintes. De forma nenhuma. Os argumentos que nós estamos apresentando aqui, porque na nossa compreensão são os argumentos que Paulo está colocando, é um veredito sobre a condição do judeu hoje, mas a análise que Paulo estava fazendo seu próprio tempo. O que Paulo então está colocando pra gente é como é que o povo que foi chamado por Deus chegou ao ponto de, em sua maioria negar a realidade do próprio Deus que se encarnou diante de nós. Esse é um dos objetivos principais e certamente isso está no coração do argumento que nós vamos encontrar no capítulo 10 de Romanos. Mas pra gente compreender como é que isso aconteceu, a gente precisa entender a relação que essa passagem tem com as passagens anteriores. Os gentios têm entrado como membros da família da aliança de Deus prometida a Abraão, enquanto muitos judeus têm tomado o caminho errado e falhado em exercitar a fé. Como é que ele chega nesse ponto do argumento? É preciso voltar para as primeiras aulas aqui do nosso curso. Romanos 3:21 a 425 trata do assunto eh da verdadeira família de Abraão. Esse para mim é um dos capítulos mais impressionantes de Romanos, que é o capítulo 4 de Romanos. A verdadeira família de Abraão se compõe de todos judeus e gentius que creem no evangelho de Jesus, compartilhando a mesma fé de Abraão. Essa é a única marca distintiva de quem é a verdadeira família de Abraão, de quem é o verdadeiro povo de Deus, a fé no Messias. Depois a gente também teve uma passagem muito interessante que foi o capítulo 7 de Romanos, pegando a primeira parte do capítulo 8, que aí a gente nem precisa argumentar muito a respeito da profundidade e centralidade do do capítulo 8 de Romanos, mas no capítulo 7 a gente tem aquela longa discussão sobre como é que a lei produziu, não a vontade de Deus e a manifestação da bondade de Deus em relação ao povo que recebe essa essa dádiva que é a lei, mas fez produzir ainda mais maldade e pecado do meio do povo de Israel. A lei serviu a Israel como uma armadilha deliberada. Essa talvez seja a parte menos confortável da análise que a gente faz do capítulo 7 de Romanos. Deus tinha esse propósito para paraa lei quando entregou a lei que é boa e que revela de fato a vontade de Deus para um povo que tem um coração obstinado, assim como todos os outros povos da terra. Mais uma vez a gente apresentou isso em outros encontros e precisamos reforçar que nenhum desses argumentos duro duros que Paulo apresenta a respeito dos judeus é porque ele tinha os judeus como um povo mais pecaminoso do que os outros povos. Paulo era judeu. E não só isso. Paulo está tratando o povo judeu como um representativo da condição humana. Se eles não são melhores do que os outros povos, certamente eles não são piores. Eles são a parte do problema que deveria ter sido a parte da solução. Então a lei serviu a Israel como uma armadilha deliberada, tornando-se o lugar no qual o pecado aumentou até a sua plenitude, para que o Messias, como representante de Israel, tomasse sobre si todo o peso desse pecado. Jesus, ele então chega no momento e por meio da sua vida há um condensamento, há uma concentração, um adençamento da maldade humana em torno da pessoa de Jesus, por meio do próprio povo de Jesus, os judeus. E, óbvio, no ato da crucificação, não é só isso que está envolvido, mas judeus e gentius estão unidos nesse complor para matar um homem inocente, que na verdade é a presença do Deus encarnado. Mas Cristo faz isso conscientemente, a fim de que no corpo dele todo esse mal concentrado pudesse, todo o pecado pudesse ser definitivamente condenado. E aí a gente chega no ponto em que nós nos encontramos. A história de Deus e Israel atingiu seu clímax com a vinda, a morte e a ressurreição do Messias. Gentius entram na aliança, judeus tropeçam por buscarem a lei pelas obras. Outra ressalva que é necessária nesse ponto da nossa conversa, quando Paulo está falando da rejeição dos judeus, ele não está falando da rejeição de todos os judeus, mas da maior parte dos judeus. Como é que a gente sabe disso? Não só Jesus e Paulo eram judeus, como todos os apóstolos eram judeus e todos os primeiros cristãos são basicamente judeus, com algumas exceções que vão começar a ser tratadas nos capítulos seguintes de Atos. Mas nas nos primeiros capítulos de Atos, nós vemos que a igreja se expande a partir de Jerusalém, a partir da Judeia e da Galileia, por meio dos apóstolos e por meio daqueles que se convertem em torno da pregação que é feita no Pentecostes. Então, a gente percebe que Paulo não está falando que nenhum judeu reconheceu Jesus como Messias, mas a sua dor é que boa parte do povo judeu de fato rejeita a convicção de que Jesus é o Messias. Essa observação na base do nosso slide também é importante. A história de Deus com Israel não mudou de rumo, atingiu o seu clímax em Jesus, o que parece ser um fracasso. É, na verdade, cumprimento inesperado dos propósitos divinos. Que fracasso é esse? O fato de que o povo que deveria reconhecer Jesus como Messias não reconhece. Por que que isso não é o fracasso? Mais uma vez, porque Paulo tá dizendo que isso era parte do plano divino em levar o evangelho para o gentios. Parte do propósito de Deus de derramar o conhecimento da salvação sobre todos os povos envolvia a rejeição de Israel. E um termo muito importante que a gente tem aqui, ah, nesse capítulo 9, eh, perdão, nesse capítulo 10, em especial, que aparece também em capítulos anteriores, mas que tem um papel muito importante no capítulo 10, é o termo grego dicine. Dicaiocine significa muitas coisas ao mesmo tempo. Isso acontece em outros textos bíblicos. Eu posso lembrar com clareza do texto de Apocalipse capítulo 21, por exemplo, o que significa a nova Jerusalém. A nova Jerusalém claramente é o mesmo que a noiva do cordeiro, é o mesmo que a noiva de Cristo, que é a igreja. Então, a nova Jerusalém é uma simbologia, é um símbolo para se referir à igreja. Mas ao mesmo tempo, a nova Jerusalém é um espaço, porque a partir de Apocalipse 21, versículo 8 em diante, em especial, João tem uma revelação de como essa nova Jerusalém. E essa descrição não parece ser a descrição de uma pessoa, mas de um lugar, de um espaço com várias características. Mas ao mesmo tempo, a nova Jerusalém parece ser também um novo tipo de relação, um novo tipo de ordem na relação entre Deus e o seu povo. Então, um símbolo pode significar muitas coisas. Da mesma forma, uma palavra não só pode significar muitas coisas em contextos diferentes, mas pode ter muitas nuances dentro do mesmo contexto. Isso certamente se aplica pra palavra de caiocine, que é muito carregada dentro do contexto romanos. Carregada por quê? Porque Paulo tá fazendo referência a vários momentos diferentes do povo de Israel, promessas diferentes que Deus deu para Abraão, para o povo, prenúncios daquilo que seria a desobediência, mas a fidelidade de Deus em cumprir aquele aquilo que ele havia prometido. Por isso que algumas traduções possíveis são justiça, retidão, justificação. a expressão tão conhecida no nosso meio protestante, justificação pela fé. A justificação aí vem dessa raiz de caiocine. Mas como é que a gente pode entender? É bom manter essas traduções em nossa memória, justiça, retidão, justificação, mas entender três conceitos diferentes que Paulo parece estar eh adotando no momento em que ele utiliza essa palavra. Paulo explora essa palavra de um modo que é difícil de reproduzir em português com uma única tradução, mas ele se concentra em três elementos fundamentais. Primeiro conceito, Deus é fiel à aliança. E esse é o mais importante de todos. de Caiocini aponta para a justiça de Deus, não a nossa justiça. E a justiça de Deus no sentido de que Deus foi fiel à sua promessa a Abraão, a sua aliança com a descendência de Abraão. Isso é uma revelação da justiça de Deus. O que ocorreu? A vinda do Messias e a reação de judeus e gentius era o que Deus tinha em mente o tempo todo, não só a vinda do Messias, mas a reação dos judeus e dos gentios. A falta de compreensão de Israel foi em si mesma parte desse plano divino, parte dessa revelação da justiça de Deus, de caiosineutel, que é a justiça de Deus. Em segundo lugar, essa palavra também evoca a a marca da aliança. Como é que a gente sabe que uma pessoa pertence ao povo de Deus? O pertencimento se dá pela fé. Se alguém quer saber se de fato faz parte do povo de Deus ou não, essa pessoa precisa olhar para si mesma e olhar para os outros a partir daquilo que é a presença da fé. Acho que, opa, voltou aqui. O pertencimento à família da aliança de Deus é assinalado exclusivamente por esse sinal, não pelas obras da lei judaica. E é por isso que os gentios que creem no evangelho são considerados membros plenos. Não é preciso que o gentil seja circuncidado. Não é exigência daquele que é membro pleno do povo de Deus, sendo gentil, que guarde o sábado como um cumprimento dos mandamentos de Deus. e o indicador de que ele é membro pleno da família de Deus. Não é exigido do povo de Deus, dos gentios, que eles guardem as regras alimentares. Então, tudo aquilo que Paulo está afirmando, tanto em Romanos quanto em Gálatas, é que a membresia, a inclusão, a plena convicção de que eu e você, que somos gentios, fazemos parte do povo de Deus, é por meio da fé. E é assim também com os judeus. Tanto os judeus quanto os gentios só são considerados por Deus como parte real do seu povo quando há fé. Ah, e em terceiro lugar, a lei não funcionava como muitos dos contemporâneos de Paulo e antecessores de Paulo acreditava que ela funcionava. Os companheiros judeus de Paulo depositavam confiança em seu próprio desempenho quanto aos mandamentos da lei para demonstrar que eram os verdadeiros filhos de Abraão. Por que que eu falei no começo que a questão daqueles que discordavam de Paulo não era obedecer a lei como uma forma de comprar a salvação? é que parece que a questão que estava na cabeça deles era diferente. Existia sim uma questão meritória, a de certa maneira existia sim uma questão ligada a à obediência à lei, obviamente, mas é o que é que aqueles judeus que discordavam de Paulo acreditavam que estavam fazendo quando procuravam ter segurança por meio da lei. Eles acreditavam que por meio do seu desempenho, fidelidade de guardar a lei de forma geral, mas especialmente essas três, esses três distintivos do povo judeu, que era a circuncisão, no caso dos homens, a guarda do sábado e o respeito às regras alimentares, eles estavam indicando para si mesmos, estavam tendo certeza e segurança pessoal e também para os outros e apresentando diante de Deus o fato de que eles eram os membros do povo de Deus, que quando Deus viesse e separasse o joio do trigo para apresentar uma nomenclatura do Novo Testamento, os judeus fiéis e remanescentes, porque todos os judeus sabiam que existiriam aqueles que seriam considerados infiéis e seriam condenados, os judeus fiéis e remanescentes que celebrariam o retorno de Yahé para o meio do seu povo, seriam esses que guardavam a lei, mas a lei nunca pretendeu funcionar dessa maneira. E por isso, aquilo que foi a revelação de fato da salvação de Deus, que é o Messias, se tornou uma pedra de tropeço. Eles mantiveram o seu olhar para a lei de uma forma que a lei nunca deveria ter sido compreendida. E quando o objetivo da lei foi revelado, que é a pessoa do Messias, eles tropeçaram naquilo que era revelação do próprio Messias. É isso que Paulo está apresentando no versículo 4 de Romanos 10. O Messias é o alvo da lei. Esses eram os estranhos propósitos de Deus o tempo todo. E aí a gente chega na segunda parte da nossa eh sessão de hoje, que é Romanos 10 5 a 13, que vai tratar do cumprimento da aliança. Paulo introduz uma nova sessão com uma técnica literária bastante sofisticada. Ele trabalha sobre uma melodia bíblica principal, revelando depois novas camadas de significado à medida que ele vai elaborando essa questão. A melodia principal é um texto bíblico. É impressionante. pegue aí a sua Bíblia, se for uma Bíblia impressa, talvez seja até mais fácil de perceber isso, que provavelmente vai ter várias marcações no texto bíblico de Romanos todo, mas de Romanos 9 e 10, só para olhar pro texto que nós estamos analisando desde a semana passada para cá, vai ter várias marcações e notas de rodapé vão indicar para você que Paulo tá fazendo citação de textos bíblicos eh do Antigo Testamento, que para ele eram as Escrituras. Pra gente, Antigo e Novo Testamento é o que constitui a Bíblia, mas para Paulo não existia Novo Testamento, até até porque parte daquilo que ele estava escrevendo é o que viria se tornar o Novo Testamento. Mas eh toda a argumentação de Paulo, ela não só é fundamentada, mas absolutamente dependente de vários textos do Antigo Testamento. E isso acontece mais uma vez em Romanos capítulo 10, quando ele está tratando da melodia que é Deuteronômio, capítulo 30. Então, se você pegar aí a sua Bíblia, você vai ver que a partir do versículo 5 ele diz: "O homem que fizer estas coisas viverá por meio delas". Isso é uma citação de Levítico 18:5. Mas depois ele vai dizer, mas a justiça que vem da fé diz: "Não diga em seu coração quem subirá aos céus." Isso é Deuteronômio 30, versículo 12. Isto é, para fazer Cristo descer. O quem descerá ao abismo? Versículo seguinte, Deuteronômio 30:13. Isto é, para fazer Cristo subir dentre os mortos. Mas o que ela diz? A palavra está perto de você, está em sua boca e em seu coração, que também é uma citação de Deuteronômio, capítulo 30, no versículo subsequente, versículo 14. Então, entre Romanos 10 5, 6 e 7, versículos 5, 6 e 7 e 8, Paulo faz uma citação direta praticamente de Deuteronômio, capítulo 30, dos versículos eh 13. 12, 13 e 14. Então a gente começa a perceber que aquilo que Paulo escreve na carta aos Romanos em vários outros trechos, mas especialmente na carta aos romanos, é basicamente uma exegese daquilo que ele encontra nos textos relevantes do Antigo Testamento. Paulo claramente está fazendo o que ele fez a vida toda. interpretar e definir a sua conduta e a sua vida a partir da Torá, a partir da lei, dos escritos e dos profetas. Só que o advento da pessoa, Jesus, a revelação do Cristo, do Messias, forçou Paulo a reconstruir toda a sua compreensão a respeito do que essas profecias, do que essa lei, do que esses escritos estavam tratando. E é isso que mais uma vez acontece aqui. Ele está fazendo uma exegese, uma interpretação muito minuciosa de Deuteronômio, capítulo 30. Muitos judeus contemporâneos de Paulo estudaram essa passagem em profundidade, nutrindo esperança, nutrindo a esperança de descobrir o que Deus faria por ele, por eles após anos de sofrimento sob o domínio de um povo pagão. Como é que funcionava essa sequência na qual está inserida Deuteronômio capítulo 30? Deuteronômio 28:29 é o trecho em que Moisés prediz que Israel desobedecerá e encorrerá nas maldições. E a pior dessas maldições será o exílio fora da terra prometida. Lembra? Aqui estão as bênçãos. Se vocês obedecerem a lei de Deus, aqui estão as maldições. As maldições estão concentradas em Mateus, em Deuteronômio 28 e 29. Quando a gente vira a página Deuteronômio, capítulo 30, muda o tom. Por quê? Deus promete que mesmo no exílio, e não é se o povo falhar e se o povo foi enviado para o exílio, Moisés está anunciando porque Deus havia revelado que eles vão para o exílio. Deus promete que mesmo no exílio, se Israel se voltar para ele, será resgatado e transformado. A lei virá ao encontro deles. Esse será um momento completamente diferente na relação entre o povo de Israel e a lei de Deus. E a gente encontra aqui em Romanos capítulo 10 a interpretação de Paulo, a variação dentre as várias interpretações que os seus antecessores apresentaram. Paulo aplica essa promessa de Deuteronômio, capítulo 30, à pessoa de Jesus. O Messias já desceu e já ressuscitou. A salvação está perto, está na boca e no coração. Por isso, a passagem então conhecida de Romanos, capítulo 10, versículo 9. Se com a boca você confessar que Jesus Cristo é o Senhor e crê em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Isso não é uma combinação arbitrária de Paulo, mas o resgate de um momento que foi anunciado por Moisés em Deuteronômio capítulo 30. Colocando uma lupa nessa sessão, o que que a gente pode entender melhor dentro desse trecho e por que é preciso dedicar mais atenção? Porque na sequência do que Paulo coloca aqui no versículo 5 e do capítulo 10 de Romanos, ele está eh destrinchando esse argumento, que é a recuperação desse momento final eh em que Moisés se encontra com o povo na beira da terra prometida e fala as palavras que ele registra em Deuteronômio 28, 2930. ele ou outro autor, até porque a gente tem no final do capítulo de Deuteronômio, narrativa da morte de Moisés. Então, muitos estudiosos corretamente apontam que, provavelmente, parte da Torá não foi redigida por Moisés, mas um redator final depois colocou aqueles eh capítulos ali. Mas Deuteronômio 28, 29 e 30 constituem a parte final da incubência da tarefa e responsabilidade de Moisés antes de Israel entrar na terra prometida. Mas perdão, Moisés prediz solenemente que Israel desobedecerá e será conduzido ao exílio, a pior das maldições. Mas Deuteronômio 30 traz uma nova palavra. Quando Israel já estiver no exílio, Deus promete resgatá-los e transformar seus corações, de modo que finalmente poderão cumprir sua lei da forma como ele planejou. Não será necessário escalar até os céus, nem atravessar o oceano, porque a lei mesma virá ao encontro do povo de Israel. O que os intérpretes da época de Paulo, especialmente da época de Paulo, de Jesus, do primeiro século, um pouco antes do primeiro século, em especial, e também durante eh as primeiras décadas do primeiro século, as perguntas que eles se faziam é: com que isso se pareceria quando de fato ocorresse? Como Israel saberia o que fazer quando sofria opressão nas mãos de nações estrangeiras? Como entrar nessa nova dispensação da lei, nesse novo tempo em que a lei virá ao nosso encontro? Essas perguntas consumiam os pensadores judeus nos séculos anteriores a Paulo, muitos dos quais queriam estar ainda sofrendo as maldições de Deuteronômio 29. Então eles tinham grande expectativa de virar a página e começar esse novo capítulo que era a concretização de Deuteronômio, capítulo 30. Eles ansiavam pelo cumprimento da promessa de renovação da aliança. Inclusive essa expressão muito interessante de Deuteronômio, capítulo 30, a circuncisão do coração, para que Israel pudesse amar verdadeiramente o Senhor e ser salvo por ele. Como é que a gente sabe que esse texto era tão importante assim na época de Paulo e que não foi uma citação aleatória aquilo que a gente encontra em Romanos capítulo 10? É porque não só Paulo cita Deuteronômio, capítulo 30 aqui em Romanos, mas vários textos anteriores, aproximadamente 100 anos anteriores a Paulo, já faziam uma interpretação especificamente de Deuteronômio, capítulo 30. E não é difícil de entender porque que esse texto é tão importante. A gente tá falando dos capítulos finais da Torá. Então, a Torá encerra com o livro de Deuteronômio. Está falando eh dos momentos finais que Moisés acompanhou o povo e se Moisés é o maior profeta que Israel teve. Apenas considerando a perspectiva anterior, a chegada de Jesus. Se Moisés é o maior dos profetas e as suas palavras são dentre todas algumas das mais importantes, o que é que essas palavras estão falando? E essas palavras estão falando da relação do povo de Deus com a Torá, mas especificamente a desobediência a lei de Deus, a misericórdia de Deus que voltaria para resgatar o seu povo e a inauguração desse novo tempo em que a lei como sinônimo de vontade de Deus estaria perto, a salvação estaria próxima e o cumprimento e conhecimento da lei estaria na boca e no coração desse povo. Então, quando o povo passa a sofrer durante séculos, como era o caso do povo de Israel na época em que Jesus chegou, uma das coisas mais eh importantes, uma uma das necessidades mais urgentes era quando é que Deuteronômio, capítulo 30 vai finalmente se cumprir e Deus vai fazer aquilo que ele anunciou ali. Onde é que a gente encontra outras fontes que demonstram pra gente que era isso? que se todos, boa parte dos judeus estavam fazendo naquela época. Dois documentos, um é um livro apócrifo e outro é um dos [limpando a garganta] documentos encontrados entre os manuscritos do Mar Morto. Quando a gente cita uma fonte apócrifa, dentro do contexto em que nós estamos fazendo aqui, não é porque a gente considera que esse livro apócrifo, no caso Baru, é tão importante quanto o que Paulo está falando em Romanos, o que é inspirado por Deus. De maneira nenhuma a gente está comparando a autoridade dessas duas fontes. O que a gente tá dizendo ou apresentando é mais uma fonte histórica judaica, a da época ou próxima à época de Paulo, que comprova que esse era o mundo em que Paulo e a igreja em Roma habitava. Essa era a expectativa que os judeus tinham 100 anos antes de Paulo e também durante a época de Jesus e de Paulo, reforçando pra gente qual era a quais eram as questões que Paulo estava respondendo, quais eram as inquietações, quais eram as expectativas que aquelas pessoas tinham e que dão sentido e significado a muito do que a gente encontra no Novo Testamento. Por isso é que a gente apresenta essas duas fontes aqui. A primeira é Baruk, capítulo 3, que fala da sabedoria. O escritor faz mais ou menos o que Paulo está fazendo aqui, uma exegese e uma interpretação de Deuteronômio, capítulo 30, em termos de sabedoria, trabalhando sobre tradições que a gente encontra em Provérbios capítulo 8. Israel necessita alcançar a verdadeira sabedoria que ninguém pode encontrar escalando até os céus ou cruzando o oceano. Essa expressão que aparece em Deuteronômio 30 e reaparece aqui em Romanos capítulo 10. Deus por si só dará a Israel essa sabedoria. E quando assim o fizer, Israel será restaurado, salvo e resgatado de seu longo exílio. Essa é uma interpretação não só de Deuteronômio, capítulo 30, do significado dele, mas o que é que o povo de Israel sofrendo debaixo do domínio pagão, ao longo de gerações, séculos, precisa. E o que nós precisamos, essa sabedoria, conforme apresentado em Provérbios, capítulo 8, que virá diretamente da parte de Deus. Nós não podemos escalar os céus ou atravessar os oceanos para conquistá-la, adquiri-la. O outro manuscrito, ah, que a gente fez referência, está especificamente nesse conjunto de escritos, que é a algumas obras da lei. Esse é o título desse manuscrito, algumas obras da lei. Este escritor também crer que sua geração verá o cumprimento de Deuteronômio, capítulo 30. Esse pensamento escatológico era muito acentuado na comunidade de Kunhan, que era essa ideia de que aquela era a última geração. Eles eram remanescentes do povo de Israel e eles seriam vindicados por Deus quando Deus finalmente manifestasse quem era o povo fiel. No entanto, o esse manuscrito entende que a lei que Deus enviará não era necessariamente a sabedoria, mas era um conjunto de leis especiais que deveriam ser observadas no templo de Jerusalém. A comunidade de Chan também tinha essa convicção de que o templo havia sido absolutamente irrecuperavelmente corrompido. Todo aquele templo, todo aquele sistema, todas aquelas autoridades precisavam ser removidas. E Deus, então, quando cumprisse Deuteronômio capítulo 30, entregaria para o seu povo um novo conjunto de leis que deveriam ser obedecidas e praticadas no templo de Jerusalém. Essas serão a verdadeira, essa será, perdão, tá escrito errado aí, a verdadeira marca distinta eh do povo da aliança de Deus. Essas leis que Deus entregaria é o que constituiria a marca distintiva do povo da aliança de Deus nesta era presente, sinal de que são o povo que Deus justificará no último dia do juízo. Por que que isso é tão importante pra gente? Porque Paulo está respondendo a mesma questão. Quando chegar esse momento do juízo, que Deus julgará os justos e o injustos e revelará aqueles que são justos e aqueles que foram iníquos, quem será julgado como justo? O que os membros da comunidade de Chan acreditavam é que por meio dessas leis que Deus irá nos revelar e que nós deveremos praticar no templo de Jerusalém e algumas das coisas que eles já nos revelaram, é por meio da prática dessas leis que nós podemos ter certeza que o nosso veredito será de povo justo. Então, é por meio dessa lei que nós mantemos a nossa aliança e nossa fidelidade com Deus. Esse é o significado, ao meu ver, ou é dentro desse contexto que Paulo está mostrando pra gente o real significado da expressão justificação pela fé. Não que ele concorde com a comunidade de Curhan, mas é essa relação escatológica. Quando chegar o momento do juízo final, quem será declarado? justo. A justificação pela fé é a antecipação no tempo presente do veredito que Deus nos dará no tempo futuro. É a certeza que temos no tempo presente, por meio da nossa fé em Jesus Cristo, que no momento em que o juízo for realizado, nós seremos declarados justos, porque fomos completamente redimidos e perdoados da nossa culpa e da nossa impureza mediante o sangue de Jesus. Então, essas duas fontes, tanto Barok quanto os manuscritos do mar morto, mostram pra gente como esse texto era tão importante na época de Paulo. E Paulo, então, apresenta pra gente aqui uma variação. Obviamente que ele não concorda nem com Baruk, nem com a os escritos do mamorto, mas é basicamente isso que ele está afirmando aqui. Ah, aquilo que eles estavam afirmando sobre esse momento de derramamento do conhecimento de Deus é também algo que Paulo está afirmando, com a notável diferença de que no lugar da sabedoria ou dos novos regulamentos de adoração, Paulo fala sobre Jesus em pessoa. Você não tem de subir até os céus, pois o Messias já desceu até você. Também não tem de descer até as profundezas, porque o Messias já foi ressuscitado dentre os mortos. As misteriosas promessas de reversão definitiva da maldição do exílio, como profetizado por Isaías por Deuteronômio capítulo 30, se tornaram realidade na pessoa de Jesus. Deus finalmente desvendou a salvação. Uma única maneira para todos os povos. A resposta para a pergunta que é o título da nossa aula, não há distinção entre judeu e grego. O mesmo Senhor é Senhor de todos e é rico para com todos que o invocam. Deus trouxe a salvação para perto para todos os povos de uma nova maneira em que diferentes tipos de obediência à lei original tornaram-se irrelevantes. O que que a gente quer dizer com isso? É que aquilo que foi o papel da lei até o momento da chegada de Jesus já não pode mais ser considerado o mesmo após a encarnação, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. práticas que eram cabíveis ao povo judeu antes da chegada do Messias, agora já não podem ser mais interpretadas e praticadas da mesma maneira, como, por exemplo, os sacrifícios. E não podem ser impostas como exigência para os gentios, que também passaram a fazer parte desse povo expandido de Deus no conjunto entre judeus e gentius. A palavra está perto na boca e no coração. Isso é muito interessante porque palavra aqui não é palavra como revelação genérica de Deus, mas é aquilo que era a palavra que revelava a vontade de Deus como manifesta na Torá, que sempre foi a exigência de Deus do cumprimento e obediência do povo de Israel e que o povo de Israel sempre falhou em manter na sua integridade, agora é mantida por judeus. O símbolo da impureza e da rebelião, da ignorância, o completo desconhecimento do Deus verdadeiro. Esse é o povo que está fazendo aquilo que Israel não pôde fazer. E em terceiro lugar, as marcas distintivas no presente. Todos que reconhecem, que reconhecerem abertamente Jesus como Senhor e crerem em seus corações que Deus o ressuscitou dentre os mortos, carrega uma marca distintiva que declara no presente que são aqueles a quem Deus salvará, justificará e declarará como seu povo no futuro, quando o seu juízo tornar isso evidente para todos os povos. Se você profear com a sua boca que Jesus é o Senhor e crê em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Romanos 10, versículo 9, como a gente já havia citado aqui. E por último, a gente volta a esse tema central da carta aos Romanos, que é a justificação pela fé, a questão da justificação a partir da pessoa de Jesus e a glória que é devida a Deus. Aqui a famosa doutrina da justificação pela fé de Paulo se encontra com vários outros temas principais de seu pensamento. Pra gente traçar a conexão entre o evangelho de Jesus e as promessas de Deuteronômio, Paulo, como a gente viu, citou Isaías 28:16. E aqui no final ele também além de retomar Isaías 28:16 cita Joel 232 no versículo 13. As marcas distintivas no presente daqueles que serão salvos são, primeiro, crer em Jesus, segundo invocar o nome do Senhor. E existem esses três elementos que ele apresenta pra gente nesses versículos finais. a circuncisão do coração, essa expressão que aparece originalmente em Deuteronômio capítulo 30, a palavra de Deus em Deuteronômio 30, o novo ato da graça salvadora está na boca e no coração. Isso combina exatamente com as duas coisas centrais que acontecem a uma pessoa alcançada pelo evangelho. Essa declaração pública de lealdade a Jesus e a crença interior na ressurreição. A declaração pública é tão importante quanto a crença interior. Isso nem sempre é claro para nós, pra gente hoje, mas era muito claro para eles no primeiro século. Porque a declaração pública de que Jesus Cristo era o Senhor sobre o mundo tinha todo tipo de consequência prática e concreta, muitas vezes a rejeição absoluta dos seus familiares que não reconheciam se você era judeu Jesus como Messias. a quebra de relações comerciais, a perseguição por parte de autoridades religiosas, inclusive pessoas como Paulo antes do encontro com Jesus na estrada para Damasco. E também se você fosse gentil. Isso era uma declaração muito perigosa, como a gente vai enfatizar a um pouco adiante. Essa é uma declaração que entra em confronto direto com o Senhor, o Krios sobre todos os povos, que supostamente é César. Isso também traria você para um contexto completamente de diferente dentre as práticas civis e religiosas que eram esperadas de todo o cidadão romano na época. Você não iria participar mais das festividades de adoração ao imperador. Você não participaria das festividades de adoração a outros deuses. A participação de orgias e outras práticas que em muitos contextos, como na cidade de Corinto, eram coisas naturais e esperadas de todos. e você seria visto como a causa da maldição que eventualmente caísse naquela cidade. Então, a declaração pública de Jesus como Senhor era tão importante quanto a convicção no coração de que ele ressuscitou dentre os mortos. Esse coração transformado é o sinal de que a pessoa agora é membro da família da aliança renovada. Em segundo lugar, Jesus como Senhor apresenta duas dimensões. No mundo de Paulo, Senhor Krios era um título de César. Dizer que Jesus era o Senhor significava, em última instância, dizer que César não era Senhor. E quando Paulo cita Joel 2:32, Senhor, muito claramente ali é uma referência a Yahé, tetragrama sagrado, o Deus de Israel. Paulo deixa claro que Jesus, o Messias que morreu e ressuscitou, era a corporificação pessoal do Deus de Israel. Isso acontece em vários momentos importantes da Bíblia. Um título, uma expectativa, uma promessa que se esperava que se cumprisse a partir da pessoa, da presença direta e pessoal de Yahvé. No testamento é dito como se cumprindo a partir da pessoa de Jesus. O que é que se deseja com essa equivalência? É dizer que Jesus é a corporificação do Deus verdadeiro de Israel. E ele veio para realizar aquilo que o Deus de Israel sempre prometera que iria realizar. E em último lugar pra gente encerrar aqui a nossa aula, essa observação, como a gente coloca aqui, o nome de Deus é glorificado nas nações, em Jesus, revertendo o desastre do antigo fracasso de Israel. Voltando lá para Romanos capítulo 2:24, finalmente esse fracasso é revertido e o nome do Deus de Israel foi finalmente glorificado entre as nações do mundo. Os não judeus são bem-vindos à família da aliança renovada em termos iguais aos judeus. Se os judeus querem a salvação agora ofertada na pessoa de seu próprio Messias, precisam compartilhar esse Messias e a família da aliança, conforme redefinida nele, com uma companhia mais ampla. Isso a gente tá colocando aqui em termos muito eh formais e adequados, mas o termo que Paulo usa para isso é ciúme. Deus despertou ciúme em Israel pelo fato de que ele chamou o povo aqueles que não eram seu povo e que Deus rejeitou aqueles que deveriam ter sido os primeiros a reconhecerem. Mas Paulo vai chamar a atenção para que essa para que o fato de que essa não é uma rejeição absoluta, esse não é o último capítulo da história entre Deus e Israel. E é isso que a gente vai ver em Romanos capítulo 11. O anseio do coração de Paulo, tudo isso que a gente tá falando aqui e a oração que ele faz a Deus é que seus companheiros judeus sejam salvos. O restante dos capítulos 9 a 11 dedica-se a explicar como isso pode vir a acontecer. Tudo isso é fortemente eh inserido dentro de um uma expectativa de um lamento e de uma dor pessoal que Paulo tinha a respeito do seu próprio povo. Isso não é simplesmente uma explicação teológica complexa, como de fato é, profunda e necessária como de fato é, mas é também a manifestação de uma dor que Paulo carregava no seu próprio coração e uma oração que ele fazia, quase como querendo fazer por Israel aquilo que o próprio Cristo fez por Israel e pelos gentios, quer se entregar em favor dos seus irmãos. Então, a gente precisa entender eh com que em que em que condições, em que disposição do coração Paulo escreve essas coisas. E é isso que a gente vai continuar na próxima aula. E é também isso que a gente vai continuar no capítulo 11 na semana que vem. Bom, eh, eu vou voltar aqui pro nosso chat para ver se nós temos perguntas, dúvidas, alguma coisa que a gente possa eh responder aqui sobre a nossa conversa de hoje. Ah, deixa eu ver mais. >> [roncando] >> Essa mesma referência é o que a carta de Efésios 2 afirma. Paulo declara que a cruz derrubou a barreira de separação, a lei cerimonial que dividia judeus e gentios, ambos reconciliados. Olha, Fernanda, a aquilo que era a barreira de separação entre judeus e gentios não era apenas a lei cerimonial. A compreensão dos judeus que Paulo já possuía muito antes da eh da chegada, da revelação do Messias, é que a diferença entre judeus e Messias era absoluta e profunda. Ah, os judeus tinham conhecimento do Deus verdadeiro. Os gentios não conheciam o Deus verdadeiro. Os judeus eram purificados pela prática da lei. Os gentios eram impuros por definição. Eles não conheciam, logo eles não praticavam aquilo que era a lei cerimonial e tudo aquilo que Deus ordenava para que o povo tivesse condições de manter essa relação de proximidade com Deus absolutamente santo. O que Paulo está apresentando pra gente é que essa barreira de separação entre judeus e gentius cai a partir da pessoa de Jesus, porque ele apresenta que essa aliança que Deus tinha com o povo de Israel deveria ser uma aliança estendida a todos os outros povos. Isso que era restrito ao povo, agora foi expandido às outras nações e essa a barreira foi derrubada. Então, acredito que a é algo ainda maior do que simplesmente as leis cerimoniais que separavam judeus de gentios. Por que que os gentios eram excluídos de tudo, inclusive de entrar no templo? Por esse motivo que a gente apresentou, pela impureza do gentil. Por exemplo, um homem gentil incircunciso, era considerado impuro, não fazia parte da aliança com Deus, não carregava no seu corpo a marca da aliança que ele tinha com Deus. Ah, da mesma forma, uma mulher que era gentia, primeiro a gente precisa lembrar que tinha o pátio e o espaço, o átrio em que mulheres e homens poderiam entrar, judeus. Depois o ambiente em que apenas os homens poderiam entrar e depois o ambiente que apenas os levitas eram permitidos entrar e depois o santo dos santos em que o sumo sacerdote poderia entrar uma vez por ano. A a percepção era justamente que isso traria impureza para o tabernáculo, isso traria impureza para o templo e isso traria separação entre o próprio povo e Deus, porque Deus exigiu que aquele fosse um lugar puro, um lugar santo, purificado, para que a sua presença permanecesse ali e para que a partir daquele lugar todo o povo e toda a toda a terra de Israel fosse santificada. Se a gente olhar para os propósitos da presença de Deus a partir da perspectiva de Paulo, como a gente viu em Romanos capítulo 4, o que a gente percebe que a partir dali, do lugar onde estava a presença de Deus, o objetivo era que toda a terra, todo o mundo fosse purificado. Por isso que a condição de pureza era tão eh era algo tão importante, tão sério. E por isso que as penas para um gentil que ultrapassasse aqueles limites eram tão duras. Perdão. Podemos afirmar que esta situação tratada por Paulo permanece até hoje na realidade judaico cristã? Olha, Paulo, em muitos momentos da história ou na maior parte da história, nós podemos dizer que sim. a maior parte dos judeus, eh, que sobreviveram tantas sequências lamentáveis de perseguição, de guerra e de, eh, de tentativas de erradicação, de erradicação na palavra adequada, mas é de aniquilação da sua existência. Esses judeus que sobreviveram em sua maioria não reconheceram Jesus como o Messias. Mais o que muitas pessoas inseridas dentro do mundo da evangelização aos judeus, dentro do contexto da transformação de vida dos judeus pelo evangelho, tem apontado é que muitos judeus numa proporção que talvez não se conhecesse na história recente ou mesmo numa história eh mais abrangente, pensando em todo esse intervalo entre a igreja primitiva e a nossa, eh uma proporção significativa de judeus ter encontrado o evangelho e a salvação na pessoa de Jesus. Esse certamente continua sendo um desafio muito grande que nós precisamos reconhecer eh um trabalho que precisa, eh, ser tratado assim com com uma com o valor histórico e com a o dever teológico que nós temos de reconhecer como a salvação veio por meio dos judeus e como desde o começo da igreja o propósito de Deus foi que esses judeus também viessem a alcançar o conhecimento da salvação, o conhecimento do evangelho na pessoa de Jesus. E percebemos que nós fazemos parte dessa história que procura cumprir essa indicação do texto bíblico de que haveria reversão dessa condição de incredulidade por por parte do povo judeu. Então essa é uma parte muito importante da nossa missão ainda hoje também. Vamos ver o que mais aqui. Como eles esperavam, estudavam tanto e não reconheceram que Jesus era o Messias. Porque ninguém esperava o Messias da forma como Jesus de fato revelou que o Messias era. Primeiro, ninguém esperava que o Messias fosse uma figura divina. Ninguém acreditava que as profecias que falavam do retorno da presença de Yahé pro meio do seu povo, para o templo de Jerusalém, seriam as mesmas promessas que se cumpririam na pessoa do Messias. Todo mundo reconhecia que havia relação entre elas, porque o Messias deveria purificar ou reconstruir o templo de Jerusalém. E a partir daí, Yahvé retornaria para habitar em glória no Santo dos Santos. Mas aquilo que Jesus está apresentando é uma redefinição dessas expectativas. E é uma redefinição tão profunda e tão radical que a gente olha pros textos do Antigo Testamento e precisa dizer: "Não dava para deduzir e esperar que fosse assim". Mas de fato é isso que aconteceu em plena fidelidade à aquilo que esses textos estão falando. E uma coisa que eu me perguntava desde a época que eu fazia seminário é se essas profecias não podiam ser interpretadas da forma como Paulo passou a interpretar, como o próprio Jesus passou a revelar que elas indicavam. Eh, qual era o propósito dessas profecias? Eh, se se não dava para esperar que Jesus ou que o Messias seria da forma como Jesus revelou que ele de fato era, eh o que que essas profecias deveriam indicar pra gente? Assim como as profecias do Antigo Testamento, a gente encontra também profecias no Novo Testamento, eh, demonstra pra gente que o objetivo da profecia não é dizer dizer exatamente como as coisas vão acontecer, mas de que maneira nós devemos entender o nosso lugar dentro do contexto em que Deus vai cumprir essas profecias. Nós termos o coração preparado para o momento em que Deus finalmente revelar como Ele quer fazer as coisas, nós saibamos reconhecer, ter a disposição de coração necessária, ter a fidelidade às coisas que Deus falou que nós deveríamos nos manter fazendo e fazer essas coisas a tal ponto que quando Deus fizer cumprir aquilo que ele disse que iria cumprir, nós tenhamos esse discernimento, essa sabedoria, essa a capacidade de dizer: "Aí está o Messias". Porque é verdade que muitos judeus não reconheceram, mas tantos outros reconheceram. Ainda que não fosse a maioria, aqueles apóstolos, ainda que não tivessem reconhecido de imediato a grandeza do que estava sendo revelada na pessoa de Jesus, sabia que ali estava acontecendo algo que vinha da parte de Deus. Eles sabiam que ali estava se cumprindo um capítulo importante da história de Israel. Esse rabino não era apenas diferente, mas falava e revelava coisas que nenhum outro rabino e nem mesmo qualquer outro pretendente a Messias havia falado dentro da história de Israel. Então, me parece que as profecias produziram no coração desses apóstolos, desses primeiros discípulos de Jesus, os frutos que elas deveriam produzir, que é a disposição correta no coração para ouvir a voz de Deus quando ele finalmente falasse, para perceber a ação de Deus quando ele finalmente desejasse agir. Então, acho que é esse foi o problema de tantos outros contemporâneos de Paulo, de Jesus e dos outros apóstolos nos textos que tratavam da revelação do Messias. Eles não nutriram no seu coração a disposição e a expectativa adequada sobre aquilo que Deus queria do seu povo o tempo todo e o que Deus faria no momento em que ele finalmente revelasse a sua vontade. Grande preocupação deles era a glória do seu próprio povo, o estabelecimento da força novamente de Israel como uma grande monarquia, a certeza de que o templo era a segurança da salvação que deveria alcançar Israel e não a fidelidade de Israel em relação às ordens que Deus havia estabelecido no cuidado do pobre, do órfão, da viúva e do estrangeiro. E Deus já havia por meio dos profetas falado várias vezes que esse era o pecado de Israel e não outro. Então a gente começa a perceber como simplesmente ter a lei, ter a Bíblia, o Antigo e o Novo Testamento diante de si, ter as palavras de Jesus diante de si, não produz transformação real. Tem pessoas que passam a Bíblia, a a vida inteira lendo a Bíblia e não são absolutamente transformadas pela Bíblia. Por quê? Porque isso depende da da disposição do coração. Isso depende da abertura do coração daquele que lê, de permitir que essas palavras realmente produzam os frutos que Deus deseja que elas produzam, né? Vamos ver aqui que mais que a gente tem. Por que Deus se revelou em progressão com o tempo? Porque Jesus não veio logo no começo, época de Abraão? Parece que assim muitas pessoas não foram salvas ainda hoje. Bom, Judit, eu vou começar pela parte final da sua pergunta em relação às pessoas que talvez você esteja se referindo como aquelas que não foram salvas, porque viveram antes do tempo da chegada do Messias, antes do tempo da revelação de Jesus. O que a gente percebe é que essa é uma pergunta relevante, inclusive para aqueles que são membros autênticos da aliança com Deus, o povo fiel de Israel. Como é que a gente sabe que Abraão foi salvo? Como é que a gente sabe que Davi foi salvo? Como a gente sabe que Moisés foi salvo? Como a gente sabe que Raab, que Rute, como é que a gente sabe que tantos outras personagens que a Bíblia faz questão de enfatizar perdão, a sua fidelidade a Deus, a sua justiça diante de Deus, vão encontrar salvação se o Messias veio muito tempo depois que essas pessoas viveram. E o texto de Hebreus assinala pra gente que essas pessoas estavam como que acenando paraa salvação. Essas pessoas seram salvas da mesma forma como Abraão foi salvo e da mesma forma como Deus estabeleceu essa relação de justiça com Abraão. Abraão creu e isso ele foi acreditado como justiça. diz: "Serão salvos no tempo final, da mesma forma que foram salvos enquanto estavam vivos." Salvos no sentido de encontrar a ação graciosa e salvadora de Deus, que é por meio da fé. As pessoas que tiveram fé em Deus e creram na existência e no amor desse Deus verdadeiro, crendo em esperança de que Deus, no fim das contas, traria redenção paraa sua condição de necessidade, serão salvas. Então, de certa forma, o sacrifício de Jesus viaja não apenas paraa frente no tempo, mas também para trás. Aqueles que morreram em fé serão resgatados no tempo do juízo e da revelação final de Deus, daqueles que de fato são justos e aqueles que são iníquos. É claro que você pode perguntar: "E os gentios que viveram antes de Jesus? Se Deus trouxe conhecimento da salvação verdadeira para os gentios de maneira explícita e plena a partir da pessoa de Jesus, eu entendo esses personagens de Israel, de Israel, porque conheceram o Deus verdadeiro, mas e os outros povos? E a gente entra aqui num território que é muito pouco conhecido porque é muito pouco revelado. Existem muitas histórias a respeito da ação e da revelação de Deus. que não são dadas ao nosso conhecimento. De que maneira Deus se revelou a cada uma das pessoas, a cada um dos povos ao longo do tempo? Eu não sei, eu não sei até que medida, até que ponto, mas o que eu sei é que todas elas, antes e depois de Jesus, se relacionam com o Salvador, se relacionam com o único Deus verdadeiro por meio da fé, dessa plena confiança de que Deus traria a redenção, a libertação da sua condição de eh de escravo do mal e responderiam a essa eh revelação da parte de Deus com fidelidade aquilo que Deus venha a ter revelado para cada uma dessas pessoas e para cada um desses povos. Essa, obviamente, é uma parte da história que nós não temos acesso em boa medida. O que nós sabemos é que a partir da pessoa de Jesus se inaugura um novo tempo em que Deus finalmente revelou não só como os judeus receberam finalmente da parte de Deus o cumprimento dessas promessas de resgate e salvação que ele anunciou que faria, mas como ele destinou que toda essa história de Israel sempre fosse o meio pelo qual ele traria essa salvação para todos os outros povos. Então, o cenário muda absolutamente. Nós temos uma responsabilidade muito maior agora que recebemos enquanto judeus e gentios o conhecimento da graça salvadora de Deus para todos os povos, de levar esse conhecimento a todas as outras nações. Mas todas essas perguntas sobre o que que aconteceu antes da vinda de Jesus, eh, obviamente é uma coisa que a gente não consegue acessar diretamente. E a primeira parte da sua pergunta, por que esse intervalo? Porque esse tempo? Eu não sei, eu não sei dar uma, uma resposta muito bem elaborada, Judite. A pergunta é muito boa e tem várias coisas que eh eu consigo imaginar que estão relacionadas a isso, mas pensar sobre porque esse intervalo, porque esse tempo é algo que eh eu vou precisar matutar um pouquinho mais para conseguir responder adequadamente, tá? Deixa eu ver o que mais aqui. Professor Ála, se gentios e judeus em Cristos eh são um só corpo, Deus aceita o culto judaico baseado na fé e na cerimônia da lei? Olha, Edmilson, como fica a prática da lei eh para os judeus que reconhecem Jesus como Messias. Depois, obviamente, da revelação de Jesus com o Messias, é uma questão muito interessante. Certamente que não faz sentido mesmo para um judeu continuar a prática dos sacrifícios, até porque o templo foi destruído. Mesmo que o templo estivesse de pé, um culto feito por um judeu que acredita em Jesus não poderia ser um culto baseado na cerimônia eh da apresentação desses sacrifícios, porque a gente acredita que Cristo foi o sacrifício final e que todos os outros sacrifícios eram uma preparação e um anúncio desse sacrifício que de fato tem o poder de perdoar pecados. Afinal, sangue de touros e bodes não pode trazer o perdão de pecados, como apresenta o livro de Hebreus. Existem outras leis ceremoniais que passam a ser ressignificadas. Elas não são feitas como uma forma de manter a pureza do tabernáculo, de manter a pureza do templo, nem de trazer perdão de pecados. É isso que eu percebo em muitas cerimônias antigas que são mantidas por judeus messiânicos hoje, como por exemplo na celebração da Páscoa. Tem muitos símbolos que já eram utilizados antes, que passam a receber um novo significado, que passam a ser interpretados de uma nova forma e que os judeus messiânicos também entendem que tem outro efeito. já não se cumpre mais essas leis como uma forma de manutenção de uma relação de justiça com Deus. Mas eh se faz isso com reconhecimento que é o sacrifício de Jesus que dá significado a essas práticas. E essas práticas funcionam como uma lembrança daquilo que aconteceu, mais ou menos como nós, pelo menos batistas, entendemos que é o memorial da ceia. A ceia não é, não tem um poder sacramental, mas tem um poder memorial. Eh, assim também muitas dessas práticas que os judeus realizam, eles não acreditam que estão sendo purificados por muitos desses ritos e dessas leis, mas eles estão mantendo uma tradição antiga que recebeu um significado novo a partir da pessoa de Jesus e que de certa forma também mantém a identidade dessas pessoas. Esse é um fator que nós desconsideramos muito rapidamente. Como muitas das leis que mesmo os judeus messiânicos ainda praticam hoje, é uma forma de conectar essas pessoas com os seus ancestrais. se conectar no sentido de lembrar como é que nós chegamos aqui, lembrar e celebrar a forma como Deus construiu a nossa história por meio dos nossos pais, dos nossos avós e de todas as gerações anteriores, também como uma forma de honrar a Deus que construiu a história da salvação por meio do nosso povo, pensando aqui como um judeu. Então, a existe mais de um motivo pelo qual um rito pode ser mantido, inclusive um rito ligado à lei de Moisés. Alguns, eu acredito que de fato precisam ser absolutamente banidos, outros são ressignificados e outros são mantidos como essa forma de manter a lembrança. Isso é um aspecto fundamental de tudo aquilo que Deus operou no meio do nosso povo. Eh, então, a questão tão direta e tão óbvia, Edmilson. Não, não podemos esperar, por exemplo, que um judeu messiânico abandone todas essas práticas e e toda a lei como se não tivesse mais qualquer relevância. É preciso pensar, até porque tem muito da lei que é relevante para judeus e para gentios, né? Ah, bom, pessoal, acredito que eu respondi a maior parte das perguntas. a gente vai chegando ao fim do nosso encontro de hoje. Como sempre, a gente pede para você nos ajudar eh compartilhando esse conteúdo com outras pessoas, divulgando isso, seja nas suas redes sociais, seja enviando para uma pessoa que você acredita que tem o desejo de eh estudar o livro, compreender o livro de Romanos. E a gente pede para você voltar aqui na quinta-feira, porque a gente vai ter a sequência do capítulo 10 e na semana que vem a conclusão desse bloco. Então a gente agradece a você, pede a sua ajuda para a continuar acompanhando e divulgando esse trabalho e também para participar do restante daquilo que a gente tem preparado pro nosso curso aqui de romanos. Uma boa noite, boa tarde ou bom dia para todo mundo. Até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.