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Makários – Romanos | A. 17 | Há diferença entre judeus e gentios? (10.1-13) | Ákilla Nascimento

Makários – Romanos | A. 17 | Há diferença entre judeus e gentios? (10.1-13) | Ákilla Nascimento

Makários – Romanos | A. 17 | Há diferença entre judeus e gentios? (10.1-13) | Ákilla Nascimento

Módulo Avançado: Romanos
Aula 17
Há diferença entre judeus e gentios?
Romanos 10.1-13
Ákilla Nascimento

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[música]
>> Opa, muito boa noite a todos que já
chegaram aqui para mais uma aula do
nosso curso de teologia Macários. Muito
bem-vindo, muito bem-vinda. Esse que já
é o nosso 17º encontro, eh, tratando do
livro a de Paulo aos Romanos, a carta de
Paulo aos Romanos, nesse longo argumento
que Paulo tem apresentado a respeito do
evangelho e da revelação da justiça de
Deus que acontece
com os propósitos do Senhor revelados a
partir da pessoa de Jesus. Esse é um
encontro que trata do capítulo 10 de
maneira especial, mas a gente vai
retornar um pouquinho para conseguir
falar do final do capítulo 9, que é
fundamental pra gente entender as
palavras iniciais a do capítulo 10. E
entre hoje e quinta-feira a gente deve
concluir o capítulo 10 de Romanos.
Então, a gente tá nesse terceiro bloco
retomando aí algumas coisas que a gente
já disse. Romanos é dividido em quatro
partes. Capítulo 1 ao capítulo 4, depois
do capítulo 5 ao 8, depois do 9 ao 11 e
depois do 12 ao 16. Então, a gente está
no meio da terceira parte, do terceiro
bloco. E essa é uma parte importante por
alguns motivos, tanto pelo fato de que a
gente tem a sequência do argumento do
que Paulo vinha apresentando desde o
começo da carta.
Essa é uma característica que a gente
reforça eh com muita frequência nas
nossas aulas aqui do Macaros em Romanos,
que é a carta de Paulo em Romanos não é
só muito densa, mas ela é muito coesa. É
impossível compreender adequadamente
aquilo que ele está tratando nos
capítulos 9 a 11, sem compreender muito
bem a discussão que ele traz nos
capítulos 4 e 5 e 7 e 8 em especial. E a
gente vai apontar as razões pelas quais
isso é tão importante, é tão necessário
voltar para relembrar os argumentos
desse trecho. Então, a gente tá num
trecho que é importante porque é o
desenvolvimento natural de tudo aquilo
que Paulo vinha apresentando antes, mas
também é um trecho importante porque
levanta questões e trata de alguns
pontos que são eh questionamentos de
muita dúvida dos leitores e intérpretes
de Romanos quando se deparam com
declarações às vezes muito duras ou eh
esperanças pouco intuitivas a respeito
do povo judeu, por exemplo, que é é o
que aparece no capítulo 11 de Romanos.
Da mesma forma, o inverso parece ser
verdade em algumas coisas que Paulo fala
aqui no capítulo 10. A gente vai tentar
entender de que forma isso que Paulo
está apresentando é algo coerente com o
restante da expectativa bíblica para
judeus e gentios e com aquilo que ele
afirmou antes e aquilo que ele vai
afirmar em breve no próximo capítulo
também. Então, muito bem-vindo, muito
bem-vinda para esse nosso 17º encontro,
nossa aula 17 aqui do Macários, ah,
tratando da carta aos romanos. E a gente
então dá o boa noite pro pessoal que
também já interagiu aqui no chat. A
Fernanda, a Sandra, a Mari Lúcia, a
Terezinha, o Paulo, Fred, eh, o Vittor,
a Carla, Manuel ou perdão, a Manuela, o
Manuel Alves, poderia ser Manuela, mas
acredito que é Manuel Alves. Eh, boa
noite a todos vocês. Bem-vindos também
aqueles que chegarem um pouquinho depois
aqui das 19 horas, que é o horário
religioso em que a gente começa as
nossas aulas. Eu vou compartilhar os
slides com vocês, mas eu já vi que eu eh
configurei um pouquinho errado. Eu vou
só ajustar uma coisa aqui no
compartilhamento de tela e acredito que
a gente vai agora conseguir compartilhar
adequadamente
eh os slides com vocês.
Compartilhar a tela inteira. Beleza?
Opa, acho que tá aparecendo aí para
vocês, mas não era esse o propósito. Vou
pedir um pouquinho só de paciência que a
gente vai acertar aqui em um segundo
essa janela aqui. Compartilhar essa
janela. Beleza, agora foi. Vamos lá.
Romanos 9:30, que é o final do capítulo,
eh, 9, como a gente colocou, até o
versículo 33, até o meio do capítulo 10,
versículo 13. A diferença entre judeus e
gentius? Bom, essa imagem aqui de uma
pedra fundamental vai fazer muito
sentido quando a gente recuperar o
texto. Hoje eu vou ler diretamente o
texto aqui como aparece na NVI. Vou
pedir para você também abrir a sua
Bíblia. Eu não repliquei esse texto no
slide, mas eh você pode acessá-lo
facilmente. Eu vou pedir então para que
você acompanhe aí. Romanos 9:30.
Que diremos? Então, os gentios não
buscavam a justiça, a obtiveram. Perdão.
Os gentios que não buscavam a justiça, a
obtiveram. Uma justiça que vem da fé.
Mas Israel, que buscava uma lei que
trouxesse justiça, não a alcançou. Por
que não? Porque não a buscava pela fé,
mas como se fosse por obras. Eles
tropeçaram na pedra de tropeço, como
está escrito, eis que ponho em Sião uma
pedra de tropeço em uma rocha que faz
cair, e aquela que n aquele que nela
confia jamais será envergonhado.
Capítulo 10. Irmãos, o desejo do meu
coração e a minha oração a Deus pelos
israelitas é que eles sejam salvos.
Posso testemunhar que eles têm zelo por
Deus, mas o seu zelo não se baseia no
conhecimento, porquanto ignorando a
justiça que vem de Deus e procurando
estabelecer a sua própria justiça, não
se submeteram à justiça de Deus, porque
o fim da lei é Cristo, para a
justificação de todo o que crê. Moisés
descreve desta forma a justiça que vem
da lei. O homem que fizer estas coisas
viverá por meio delas. Mas a justiça que
vem da fé diz: "Não diga em seu coração:
"Quem subirá aos céus?" Isto é, para
fazer Cristo descer, ou quem descerá ao
abismo, isto é, para fazer Cristo subir
dentre os mortos. Mas o que ela diz, a
palavra está perto de você, está em sua
boca e em seu coração. Isto é, a palavra
da fé que estamos proclamando. Se você
confessar com a sua boca que Jesus é o
Senhor e crê em seu coração que Deus o
ressuscitou dentre os mortos, será
salvo. Pois com o coração se crê para a
justiça e com a boca se confessa para a
salvação. Como diz a Escritura, todo que
nele confia jamais será envergonhado.
Não há diferença entre judeus e gentios,
pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e
abençoa ricamente todos os que o
invocam, porque todo aquele que invocar
o nome do Senhor será salvo. E assim ele
conclui o versículo 13. Como é que a
gente pode entender essa passagem
que apresenta vários desafios pra gente?
Essa é uma imagem que aparece no final
do capítulo
a pedra de tropeço, que também é
colocado como uma pedra fundamental.
Qual é a questão que Paulo está tentando
responder aqui? Essa é uma questão de
fato muito perturbadora, em especial
para um judeu do primeiro século,
contemporâneo a Paulo, contemporâneo aos
apóstolos e a Jesus, que era perceber
como o evangelho foi crescendo para o
mundo gentílico, enquanto muitos judeus
não reconheceram Jesus como Messias. E
aí Paulo apresenta essa questão. As
nações que não aspiravam, que não
desejavam se tornar membros da aliança,
alcançaram esse pertencimento.
Mas um pertencimento baseado na fé.
Israel, que por sua vez, embora ansiando
pela lei que definia a aliança, não
alcançou tal pertencimento
a partir do momento da chegada do
Messias. Israel, que desejando ser
reconhecido aqueles que eram zelosos
pela lei como membros verdadeiros e
fiéis a essa aliança, não foram
reconhecido como tais. Por quê? Porque
esses não buscaram com base na fé, mas
baseado nas obras. E o que é que isso
quer dizer? Não necessariamente é porque
essas pessoas estavam tentando comprar a
salvação por meio das obras. Mas a
questão, ao meu ver, é um pouco
diferente e a gente vai entender
como é que essa relação se estabelece ao
longo da nossa conversa. Aqui o que
Paulo está colocando desde o começo é
eles tropeçaram na pedra de tropeço.
Vejam, estou colocando em Sião uma pedra
que fará as pessoas tropeçarem, uma
pedra que fará com que as pessoas caiam
e aquele que crê nele jamais será
envergonhado. Romanos 9:33.
Uma coisa que a gente precisa perceber é
os judeus, os gentios, perdão, não
buscavam a aliança, mas alcançaram por
meio da fé com um pertencimento pleno à
família de Deus. Enquanto Israel, que
ansiava pela aliança, mas buscava essa
participação na aliança por meio das
obras, tropeçou na pedra que o próprio
Deus colocou. Eu não sei se você
percebeu isso, mas no versículo 33 de
Romanos, que é uma citação do texto de
Isaías, que a gente vai explorar no
próximo slides, no próximo slide, fica
muito claro que o próprio Deus colocou a
pedra no qual Israel tropeça. E é muito
claro pelo contexto que essa pedra
fundamental, que também é uma pedra de
tropeço, é o próprio Messias, o
fundamento do novo edifício de Deus. E é
a salvação para aquele que crê ao mesmo
tempo, que é a base da rejeição para
aquele que não crê no Messias. A
condenação será justa para aquele que
não reconhece Jesus como Messias. Como é
que a gente pode entender essa eh
citação de Paulo, que é uma citação de
dois textos diferentes de Isaías? A
gente primeiro precisa perceber que ele
está juntando textos que, ainda que seja
do mesmo livro e autor, são de contextos
diferentes dentro da revelação que
Isaías nos apresenta.
E perceber como ele está conectando dois
pontos que não era necessariamente a
conexão que os leitores de Isaías faziam
quando se deparavam com esse texto.
Paulo, a partir da revelação da pessoa
de Jesus, quando volta para aquele texto
de Isaías e para as várias partes
diferentes daquela profecia, percebe que
tanto Isaías 28 quanto o texto anterior
de Isaías capítulo 8 estavam tratando do
mesmo evento, o evento tanto de salvação
quanto de condenação,
estavam concentrados
no mesmo ato salvador de Deus. E o que é
que o texto de Isaías, capítulo 281
apresenta pra gente? Ele fala de uma
pedra que é a fundação do novo templo.
Esse novo templo que será construído em
algum momento do futuro. Só que o
profeta parece muito claramente ter em
mente ali o rei que será o fundamento
humano para essa grande comunidade que
Deus vai constituir e que vai organizar,
que vai centralizar em torno do templo
que o profeta está fazendo referência.
Paulo aplica essa promessa ao Messias e
todo aquele que crê
nesse Messias, nesse fundamento humano,
nesse fundamento do templo que Deus iria
construir, não seria envergonhado.
Então, Isaías capítulo 28 é um texto de
esperança e de promessa. Tem muita
relação os textos nos evangelhos em que
a gente percebe que Jesus tem uma
confrontação direta com o templo de
Jerusalém.
Porque não só o templo foi esvaziado do
seu significado e do seu valor real,
como o templo foi esvaziado
da glória de Deus. A glória de Deus já
não habitava mais o Santo dos Santos
desde queda do primeiro templo de
Jerusalém, apesar do templo ter sido
reconstruído. Não existe qualquer
evidência a partir dos profetas de que a
glória de Deus a Shequiná voltou a
habitar no Santo dos Santos. Como o
próprio povo passou a ter a sua
esperança concentrada no fato de que o
templo permanecia de pé. E Jesus
confronta essa falsa esperança e essa
falta expectativa de que Deus viria a
vindicar, a revelar como justa e
verdadeira as esperanças daqueles judeus
que acreditavam que, pelo fato de que o
templo está de pé, o Senhor nos dará
vitória contra o povo opressor, que na
época de Jesus, dos apóstolos de Paulo,
era o império romano.
Então, a gente percebe muito claramente
que há uma certa razão de ser para
algumas das expectativas dos judeus do
primeiro templo que discordavam de Jesus
quando eles liam textos como Isaías
capítulo 28 e acreditavam e percebiam
que aquilo estava falando de um templo
do ponto de vista físico literal.
E Paulo está apresentando uma outra
interpretação aqui para Isaías capítulo
28. Por quê? Ele conecta Isaías capítulo
28 com Isaías capítulo 8. Lá na passagem
de Isaías 8:14, a pedra não é mais um
símbolo da esperança do que Deus viria a
fazer por meio desse rei, que seria o
fundamento do templo a ser construído.
Mas ali o profeta declara que o próprio
Deus colocará à frente do povo rebelde,
o povo de Israel,
uma pedra sobre a qual as pessoas
tropeçarão e cairão.
[limpando a garganta]
Isso é parte do juízo de Deus sobre
Israel. Até mesmo quando Deus faz algo
de bom para os inclinados à rebelião,
isso se torna uma armadilha. Então, Deus
faz algo que é verdadeiramente bom,
autenticamente,
eh, um ato de graça e de amor em relação
ao seu povo, que é enviar esse rei, que
seria a base da construção desse novo
templo. Só que esse evento de salvação
por parte de Deus, devido à rebelião do
coração do seu próprio povo, se tornaria
um ato também de juízo e de condenação,
porque eles tropeçariam, eles não
reconheceriam ou não agiriam em acordo
com esse ato de revelação do Deus que
enviou o Messias para seu Salvador. E a
síntese de Paulo na conexão entre essas
duas passagens é: ao reunir essas duas
passagens, Paulo declara que a fundação
do novo edifício já está posta. O tempo
de Isaías 8:28 chegou.
Aqueles que não creram no Messias
tropeçarão nessa pedra.
O fracasso de Israel em crer em Jesus
não representa a falha do plano de Deus,
mas um inesperado cumprimento do que
Deus vinha planejando. E isso é algo que
merece uma pausa e uma reflexão um pouco
mais ponderada e e reconhecendo
a profundidade um pouco da da do
paradoxo do que Paulo está apresentando
a gente aqui. Deus ama o seu povo. Deus
irá enviar o resgatador pelo seu povo.
Deus sabe que boa parte do seu povo vai
rejeitar esse resgatador, esse redentor
que trará libertação para os escravos.
E ainda assim Deus não só envia esse
redentor que será recusado por boa parte
de Israel, mas Paulo está apresentando
pra gente que esse era o propósito de
Deus, tanto em relação a Israel quanto
em relação ao Messias, que deveria
trazer libertação para o povo de Israel,
mas também para todas as outras nações.
No plano de Deus em derramar salvação
sobre todos os povos, Israel deveria
desempenhar essa função de tropeçar na
pedra que deveria ser o fundamento da
sua própria salvação. Então, não é
simples a interpretação que Paulo está
fazendo de Isaías 28, Isaías capítulo 8.
E também não é simples, não só no
sentido da complexidade do raciocínio,
mas da dureza daquilo que Paulo está
apresentando pra gente, novamente dessa
relação paradoxal que Deus estabeleceu
que Israel deveria cumprir.
Onde é que nós estamos na jornada?
Quando a gente chega nesse ponto de
Isaías, perdão, de Romanos 9:30, 33, mas
também nas primeiras palavras do
capítulo 10, a gente tá no cerne da
argumentação de Paulo dentro desse
terceiro bloco que vai do capítulo 9 ao
capítulo 11, mais ou menos como um guia
turístico, um guia de uma caminhada
muito longa, ele tá explicando pra gente
exatamente onde nós nos encontramos.
Após nos seguirmos a história de Abraão,
como ele apresentou eh no começo do
capítulo 9, do versículo 9 até o 26, que
foi o assunto da última aula com a
professora Suzi, nós chegamos ao ponto
em que podemos compreender o que já
vinha acontecendo. Os gentios têm
entrado como membros da família da
aliança de Deus prometida a Abraão. Isso
é um ponto que Paulo já apresentou muito
claramente desde o primeiro bloco, desde
a primeira parte da sua correspondência,
enquanto muitos judeus têm tomado o
caminho errado e falhado em exercitar a
fé. Por quê? Como é que as coisas vieram
a chegar no ponto em que chegaram? Por
que que tantos judeus, e Paulo está
falando da época em que ele estava
vivendo, isso não necessariamente era um
decreto do que deveria acontecer durante
todas as gerações ou ao longo de todas
as gerações seguintes. De forma nenhuma.
Os argumentos que nós estamos
apresentando aqui, porque na nossa
compreensão são os argumentos que Paulo
está colocando, é um veredito sobre a
condição do judeu hoje, mas a análise
que Paulo estava fazendo seu próprio
tempo.
O que Paulo então está colocando pra
gente é como é que o povo que foi
chamado por Deus chegou ao ponto de, em
sua maioria negar a realidade do próprio
Deus que se encarnou diante de nós. Esse
é um dos objetivos principais e
certamente isso está no coração do
argumento que nós vamos encontrar no
capítulo 10 de Romanos. Mas pra gente
compreender como é que isso aconteceu, a
gente precisa entender a relação que
essa passagem tem com as passagens
anteriores. Os gentios têm entrado como
membros da família da aliança de Deus
prometida a Abraão, enquanto muitos
judeus têm tomado o caminho errado e
falhado em exercitar a fé. Como é que
ele chega nesse ponto do argumento? É
preciso voltar para as primeiras aulas
aqui do nosso curso. Romanos 3:21 a 425
trata do assunto eh da verdadeira
família de Abraão. Esse para mim é um
dos capítulos mais impressionantes de
Romanos, que é o capítulo 4 de Romanos.
A verdadeira família de Abraão se compõe
de todos judeus e gentius que creem no
evangelho de Jesus, compartilhando a
mesma fé de Abraão. Essa é a única marca
distintiva de quem é a verdadeira
família de Abraão, de quem é o
verdadeiro povo de Deus, a fé no
Messias.
Depois a gente também teve uma passagem
muito interessante que foi o capítulo 7
de Romanos, pegando a primeira parte do
capítulo 8, que aí a gente nem precisa
argumentar muito a respeito da
profundidade e centralidade do do
capítulo 8 de Romanos, mas no capítulo 7
a gente tem aquela longa discussão sobre
como é que a lei produziu, não a vontade
de Deus e a manifestação da bondade de
Deus em relação ao povo que recebe essa
essa dádiva que é a lei, mas fez
produzir ainda mais maldade e pecado do
meio do povo de Israel. A lei serviu a
Israel como uma armadilha deliberada.
Essa talvez seja a parte menos
confortável
da análise que a gente faz do capítulo 7
de Romanos. Deus tinha esse propósito
para paraa lei quando entregou a lei que
é boa e que revela de fato a vontade de
Deus para um povo que tem um coração
obstinado, assim como todos os outros
povos da terra. Mais uma vez a gente
apresentou isso em outros encontros e
precisamos reforçar que nenhum desses
argumentos duro duros que Paulo
apresenta a respeito dos judeus é porque
ele tinha os judeus como um povo mais
pecaminoso do que os outros povos. Paulo
era judeu. E não só isso. Paulo está
tratando o povo judeu como um
representativo da condição humana. Se
eles não são melhores do que os outros
povos, certamente eles não são piores.
Eles são
a parte do problema que deveria ter sido
a parte da solução.
Então a lei serviu a Israel como uma
armadilha deliberada, tornando-se o
lugar no qual o pecado aumentou até a
sua plenitude, para que o Messias, como
representante de Israel, tomasse sobre
si todo o peso desse pecado. Jesus, ele
então chega no momento e por meio da sua
vida há um condensamento, há uma
concentração,
um adençamento
da maldade humana em torno da pessoa de
Jesus, por meio do próprio povo de
Jesus, os judeus. E, óbvio, no ato da
crucificação, não é só isso que está
envolvido, mas judeus e gentius estão
unidos nesse complor para matar um homem
inocente, que na verdade é a presença do
Deus encarnado. Mas Cristo faz isso
conscientemente, a fim de que no corpo
dele todo esse mal concentrado pudesse,
todo o pecado pudesse ser
definitivamente condenado. E aí a gente
chega no ponto em que nós nos
encontramos. A história de Deus e Israel
atingiu seu clímax com a vinda, a morte
e a ressurreição do Messias. Gentius
entram na aliança, judeus tropeçam por
buscarem a lei pelas obras. Outra
ressalva que é necessária nesse ponto da
nossa conversa, quando Paulo está
falando da rejeição dos judeus, ele não
está falando da rejeição de todos os
judeus, mas da maior parte dos judeus.
Como é que a gente sabe disso? Não só
Jesus e Paulo eram judeus, como todos os
apóstolos eram judeus e todos os
primeiros cristãos são basicamente
judeus, com algumas exceções que vão
começar a ser tratadas nos capítulos
seguintes de Atos. Mas nas nos primeiros
capítulos de Atos, nós vemos que a
igreja se expande a partir de Jerusalém,
a partir da Judeia e da Galileia, por
meio dos apóstolos e por meio daqueles
que se convertem em torno da pregação
que é feita no Pentecostes. Então, a
gente percebe que Paulo não está falando
que nenhum judeu reconheceu Jesus como
Messias, mas a sua dor é que boa parte
do povo judeu de fato rejeita a
convicção de que Jesus é o Messias.
Essa observação na base do nosso slide
também é importante. A história de Deus
com Israel não mudou de rumo, atingiu o
seu clímax em Jesus, o que parece ser um
fracasso. É, na verdade, cumprimento
inesperado dos propósitos divinos. Que
fracasso é esse? O fato de que o povo
que deveria reconhecer Jesus como
Messias não reconhece. Por que que isso
não é o fracasso? Mais uma vez, porque
Paulo tá dizendo que isso era parte do
plano divino em levar o evangelho para o
gentios.
Parte do propósito de Deus de derramar o
conhecimento da salvação sobre todos os
povos envolvia a rejeição de Israel.
E um termo muito importante que a gente
tem aqui, ah, nesse capítulo 9, eh,
perdão, nesse capítulo 10, em especial,
que aparece também em capítulos
anteriores, mas que tem um papel muito
importante no capítulo 10, é o termo
grego dicine.
Dicaiocine significa muitas coisas ao
mesmo tempo. Isso acontece em outros
textos bíblicos. Eu posso lembrar com
clareza do texto de Apocalipse capítulo
21, por exemplo, o que significa a nova
Jerusalém. A nova Jerusalém claramente
é o mesmo que a noiva do cordeiro, é o
mesmo que a noiva de Cristo, que é a
igreja. Então, a nova Jerusalém é uma
simbologia, é um símbolo para se referir
à igreja. Mas ao mesmo tempo, a nova
Jerusalém é um espaço, porque a partir
de Apocalipse 21, versículo 8 em diante,
em especial,
João tem uma revelação de como essa nova
Jerusalém. E essa descrição não parece
ser a descrição de uma pessoa, mas de um
lugar, de um espaço com várias
características. Mas ao mesmo tempo, a
nova Jerusalém parece ser também um novo
tipo de relação, um novo tipo de ordem
na relação entre Deus e o seu povo.
Então, um símbolo pode significar muitas
coisas. Da mesma forma, uma palavra não
só pode significar muitas coisas em
contextos diferentes, mas pode ter
muitas nuances dentro do mesmo contexto.
Isso certamente se aplica pra palavra de
caiocine, que é muito carregada dentro
do contexto romanos. Carregada por quê?
Porque Paulo tá fazendo referência a
vários momentos diferentes do povo de
Israel, promessas diferentes que Deus
deu para Abraão, para o povo, prenúncios
daquilo que seria a desobediência, mas a
fidelidade de Deus em cumprir aquele
aquilo que ele havia prometido. Por isso
que algumas traduções possíveis são
justiça, retidão, justificação.
a expressão tão conhecida no nosso meio
protestante, justificação pela fé. A
justificação aí vem dessa raiz de
caiocine.
Mas como é que a gente pode entender? É
bom manter essas traduções em nossa
memória, justiça, retidão, justificação,
mas entender três conceitos diferentes
que Paulo parece estar eh adotando no
momento em que ele utiliza essa palavra.
Paulo explora essa palavra de um modo
que é difícil de reproduzir em português
com uma única tradução, mas ele se
concentra em três elementos
fundamentais. Primeiro conceito, Deus é
fiel à aliança. E esse é o mais
importante de todos. de Caiocini aponta
para a justiça de Deus, não a nossa
justiça. E a justiça de Deus no sentido
de que Deus foi fiel à sua promessa a
Abraão, a sua aliança com a descendência
de Abraão. Isso é uma revelação da
justiça de Deus. O que ocorreu? A vinda
do Messias e a reação de judeus e
gentius era o que Deus tinha em mente o
tempo todo, não só a vinda do Messias,
mas a reação dos judeus e dos gentios. A
falta de compreensão de Israel foi em si
mesma parte desse plano divino, parte
dessa revelação da justiça de Deus, de
caiosineutel,
que é a justiça de Deus.
Em segundo lugar, essa palavra também
evoca a a marca da aliança. Como é que a
gente sabe que uma pessoa pertence ao
povo de Deus? O pertencimento se dá pela
fé. Se alguém quer saber se de fato faz
parte do povo de Deus ou não, essa
pessoa precisa olhar para si mesma e
olhar para os outros a partir daquilo
que é a presença da fé. Acho que, opa,
voltou aqui. O pertencimento à família
da aliança de Deus é assinalado
exclusivamente por esse sinal, não pelas
obras da lei judaica. E é por isso que
os gentios que creem no evangelho são
considerados membros plenos. Não é
preciso que o gentil seja circuncidado.
Não é exigência daquele que é membro
pleno do povo de Deus, sendo gentil, que
guarde o sábado como um cumprimento dos
mandamentos de Deus. e o indicador de
que ele é membro pleno da família de
Deus. Não é exigido do povo de Deus, dos
gentios, que eles guardem as regras
alimentares. Então, tudo aquilo que
Paulo está afirmando, tanto em Romanos
quanto em Gálatas, é que a membresia, a
inclusão, a plena convicção de que eu e
você, que somos gentios, fazemos parte
do povo de Deus, é por meio da fé. E é
assim também com os judeus. Tanto os
judeus quanto os gentios só são
considerados por Deus como parte real do
seu povo quando há fé.
Ah, e em terceiro lugar, a lei não
funcionava como muitos dos
contemporâneos de Paulo e antecessores
de Paulo acreditava que ela funcionava.
Os companheiros judeus de Paulo
depositavam confiança em seu próprio
desempenho quanto aos mandamentos da lei
para demonstrar que eram os verdadeiros
filhos de Abraão. Por que que eu falei
no começo que a questão daqueles que
discordavam de Paulo não era obedecer a
lei como uma forma de comprar a
salvação? é que parece que a questão que
estava na cabeça deles era diferente.
Existia sim uma questão meritória, a de
certa maneira existia sim uma questão
ligada a à obediência à lei, obviamente,
mas é o que é que aqueles judeus que
discordavam de Paulo acreditavam que
estavam fazendo quando procuravam
ter segurança por meio da lei. Eles
acreditavam que por meio do seu
desempenho, fidelidade de guardar a lei
de forma geral, mas especialmente essas
três, esses três distintivos
do povo judeu, que era a circuncisão, no
caso dos homens, a guarda do sábado e o
respeito às regras alimentares, eles
estavam indicando para si mesmos,
estavam tendo certeza e segurança
pessoal e também para os outros e
apresentando diante de Deus
o fato de que eles eram os membros do
povo de Deus, que quando Deus viesse e
separasse o joio do trigo para
apresentar uma nomenclatura do Novo
Testamento,
os judeus fiéis e remanescentes, porque
todos os judeus sabiam que existiriam
aqueles que seriam considerados infiéis
e seriam condenados, os judeus fiéis e
remanescentes que celebrariam o retorno
de Yahé para o meio do seu povo, seriam
esses que guardavam a lei,
mas a lei nunca pretendeu funcionar
dessa maneira. E por isso,
aquilo que foi a revelação de fato da
salvação de Deus, que é o Messias, se
tornou uma pedra de tropeço. Eles
mantiveram o seu olhar para a lei de uma
forma que a lei nunca deveria ter sido
compreendida. E quando o objetivo da lei
foi revelado, que é a pessoa do Messias,
eles tropeçaram naquilo que era
revelação do próprio Messias. É isso que
Paulo está apresentando no versículo 4
de Romanos 10. O Messias é o alvo da
lei. Esses eram os estranhos propósitos
de Deus o tempo todo. E aí a gente chega
na segunda parte da nossa eh sessão de
hoje, que é Romanos 10 5 a 13, que vai
tratar do cumprimento
da aliança. Paulo introduz uma nova
sessão com uma técnica literária
bastante sofisticada. Ele trabalha sobre
uma melodia bíblica principal, revelando
depois novas camadas de significado à
medida que ele vai elaborando essa
questão. A melodia principal é um texto
bíblico. É impressionante. pegue aí a
sua Bíblia, se for uma Bíblia impressa,
talvez seja até mais fácil de perceber
isso, que provavelmente vai ter várias
marcações no texto bíblico de Romanos
todo, mas de Romanos 9 e 10, só para
olhar pro texto que nós estamos
analisando desde a semana passada para
cá, vai ter várias marcações
e notas de rodapé vão indicar para você
que Paulo tá fazendo citação de textos
bíblicos eh do Antigo Testamento, que
para ele eram as Escrituras.
Pra gente, Antigo e Novo Testamento é o
que constitui a Bíblia, mas para Paulo
não existia Novo Testamento, até até
porque parte daquilo que ele estava
escrevendo é o que viria se tornar o
Novo Testamento. Mas eh toda a
argumentação de Paulo, ela não só é
fundamentada, mas absolutamente
dependente de vários textos do Antigo
Testamento. E isso acontece mais uma vez
em Romanos capítulo 10, quando ele está
tratando da melodia que é Deuteronômio,
capítulo 30. Então, se você pegar aí a
sua Bíblia, você vai ver que a partir do
versículo 5 ele diz: "O homem que fizer
estas coisas viverá por meio delas".
Isso é uma citação de Levítico 18:5. Mas
depois ele vai dizer, mas a justiça que
vem da fé diz: "Não diga em seu coração
quem subirá aos céus." Isso é
Deuteronômio 30, versículo 12. Isto é,
para fazer Cristo descer. O quem descerá
ao abismo? Versículo seguinte,
Deuteronômio 30:13. Isto é, para fazer
Cristo subir dentre os mortos. Mas o que
ela diz? A palavra está perto de você,
está em sua boca e em seu coração, que
também é uma citação de Deuteronômio,
capítulo 30, no versículo subsequente,
versículo 14. Então, entre Romanos 10 5,
6 e 7, versículos 5, 6 e 7 e 8, Paulo
faz uma citação direta praticamente de
Deuteronômio, capítulo 30, dos
versículos eh
13.
12, 13 e 14. Então a gente começa a
perceber que aquilo que Paulo escreve na
carta aos Romanos em vários outros
trechos, mas especialmente na carta aos
romanos, é basicamente uma exegese
daquilo que ele encontra nos textos
relevantes do Antigo Testamento. Paulo
claramente está fazendo o que ele fez a
vida toda.
interpretar e definir a sua conduta e a
sua vida a partir da Torá, a partir da
lei, dos escritos e dos profetas. Só que
o advento da pessoa, Jesus, a revelação
do Cristo, do Messias, forçou Paulo a
reconstruir toda a sua compreensão a
respeito do que essas profecias, do que
essa lei, do que esses escritos estavam
tratando. E é isso que mais uma vez
acontece aqui. Ele está fazendo uma
exegese, uma interpretação muito
minuciosa de Deuteronômio, capítulo 30.
Muitos judeus contemporâneos de Paulo
estudaram essa passagem em profundidade,
nutrindo esperança, nutrindo a esperança
de descobrir o que Deus faria por ele,
por eles após anos de sofrimento sob o
domínio de um povo pagão. Como é que
funcionava essa sequência na qual está
inserida Deuteronômio capítulo 30?
Deuteronômio 28:29 é o trecho em que
Moisés prediz que Israel desobedecerá e
encorrerá nas maldições. E a pior dessas
maldições será o exílio fora da terra
prometida. Lembra? Aqui estão as
bênçãos. Se vocês obedecerem a lei de
Deus, aqui estão as maldições. As
maldições estão concentradas em Mateus,
em Deuteronômio 28 e 29. Quando a gente
vira a página Deuteronômio, capítulo 30,
muda o tom. Por quê? Deus promete que
mesmo no exílio, e não é se o povo
falhar e se o povo foi enviado para o
exílio, Moisés está anunciando porque
Deus havia revelado que eles vão para o
exílio. Deus promete que mesmo no
exílio, se Israel se voltar para ele,
será resgatado e transformado. A lei
virá ao encontro deles. Esse será um
momento completamente diferente na
relação entre o povo de Israel e a lei
de Deus.
E a gente encontra aqui em Romanos
capítulo 10 a interpretação de Paulo, a
variação dentre as várias interpretações
que os seus antecessores apresentaram.
Paulo aplica essa promessa de
Deuteronômio, capítulo 30, à pessoa de
Jesus. O Messias já desceu e já
ressuscitou. A salvação está perto, está
na boca e no coração. Por isso, a
passagem então conhecida de Romanos,
capítulo 10, versículo 9. Se com a boca
você confessar que Jesus Cristo é o
Senhor e crê em seu coração que Deus o
ressuscitou dentre os mortos, será
salvo. Isso não é uma combinação
arbitrária de Paulo, mas o resgate de um
momento que foi anunciado por Moisés em
Deuteronômio capítulo 30. Colocando uma
lupa nessa sessão, o que que a gente
pode entender melhor dentro desse trecho
e por que é preciso dedicar mais
atenção? Porque na sequência do que
Paulo coloca aqui no versículo 5 e do
capítulo 10 de Romanos, ele está eh
destrinchando esse argumento, que é a
recuperação desse momento final eh em
que Moisés se encontra com o povo na
beira da terra prometida e fala as
palavras que ele registra em
Deuteronômio 28, 2930. ele ou outro
autor, até porque a gente tem no final
do capítulo de Deuteronômio,
narrativa da morte de Moisés. Então,
muitos estudiosos corretamente apontam
que, provavelmente, parte da Torá não
foi redigida por Moisés, mas um redator
final depois colocou aqueles eh
capítulos ali. Mas Deuteronômio 28, 29 e
30 constituem a parte final da
incubência da tarefa e responsabilidade
de Moisés antes de Israel entrar na
terra prometida. Mas perdão,
Moisés prediz solenemente que Israel
desobedecerá e será conduzido ao exílio,
a pior das maldições. Mas Deuteronômio
30 traz uma nova palavra. Quando Israel
já estiver no exílio, Deus promete
resgatá-los e transformar seus corações,
de modo que finalmente poderão cumprir
sua lei da forma como ele planejou. Não
será necessário escalar até os céus, nem
atravessar o oceano, porque a lei mesma
virá ao encontro do povo de Israel. O
que os intérpretes da época de Paulo,
especialmente da época de Paulo, de
Jesus, do primeiro século, um pouco
antes do primeiro século, em especial, e
também durante eh as primeiras décadas
do primeiro século, as perguntas que
eles se faziam é: com que isso se
pareceria quando de fato ocorresse? Como
Israel saberia o que fazer quando sofria
opressão nas mãos de nações
estrangeiras?
Como entrar nessa nova dispensação da
lei, nesse novo tempo em que a lei virá
ao nosso encontro? Essas perguntas
consumiam os pensadores judeus nos
séculos anteriores a Paulo, muitos dos
quais queriam estar ainda sofrendo as
maldições de Deuteronômio 29. Então eles
tinham grande expectativa de virar a
página e começar esse novo capítulo que
era a concretização de Deuteronômio,
capítulo 30.
Eles ansiavam pelo cumprimento da
promessa de renovação da aliança.
Inclusive essa expressão muito
interessante de Deuteronômio, capítulo
30, a circuncisão do coração, para que
Israel pudesse amar verdadeiramente o
Senhor e ser salvo por ele. Como é que a
gente sabe que esse texto era tão
importante assim na época de Paulo e que
não foi uma citação aleatória aquilo que
a gente encontra em Romanos capítulo 10?
É porque não só Paulo cita Deuteronômio,
capítulo 30 aqui em Romanos, mas vários
textos anteriores, aproximadamente 100
anos anteriores a Paulo, já faziam uma
interpretação especificamente de
Deuteronômio, capítulo 30. E não é
difícil de entender porque que esse
texto é tão importante. A gente tá
falando dos capítulos finais da Torá.
Então, a Torá encerra com o livro de
Deuteronômio. Está falando eh dos
momentos finais que Moisés acompanhou o
povo e se Moisés é o maior profeta que
Israel teve. Apenas considerando
a perspectiva anterior, a chegada de
Jesus. Se Moisés é o maior dos profetas
e as suas palavras são dentre todas
algumas das mais importantes, o que é
que essas palavras estão falando? E
essas palavras estão falando da relação
do povo de Deus com a Torá, mas
especificamente a desobediência a lei de
Deus, a misericórdia de Deus que
voltaria para resgatar o seu povo e a
inauguração desse novo tempo em que a
lei como sinônimo de vontade de Deus
estaria perto, a salvação estaria
próxima e o cumprimento e conhecimento
da lei estaria na boca e no coração
desse povo. Então, quando o povo passa a
sofrer durante séculos, como era o caso
do povo de Israel na época em que Jesus
chegou, uma das coisas mais eh
importantes, uma uma das necessidades
mais urgentes era quando é que
Deuteronômio, capítulo 30 vai finalmente
se cumprir e Deus vai fazer aquilo que
ele anunciou ali. Onde é que a gente
encontra outras fontes que demonstram
pra gente que era isso? que se todos,
boa parte dos judeus estavam fazendo
naquela época. Dois documentos, um é um
livro apócrifo e outro é um dos
[limpando a garganta] documentos
encontrados entre os manuscritos do Mar
Morto. Quando a gente cita uma fonte
apócrifa, dentro do contexto em que nós
estamos fazendo aqui, não é porque a
gente considera que esse livro apócrifo,
no caso Baru, é tão importante quanto o
que Paulo está falando em Romanos, o que
é inspirado por Deus.
De maneira nenhuma a gente está
comparando a autoridade dessas duas
fontes. O que a gente tá dizendo ou
apresentando é mais uma fonte histórica
judaica, a da época ou próxima à época
de Paulo, que comprova que esse era o
mundo em que Paulo e a igreja em Roma
habitava. Essa era a expectativa que os
judeus tinham 100 anos antes de Paulo e
também durante a época de Jesus e de
Paulo, reforçando pra gente qual era a
quais eram as questões que Paulo estava
respondendo, quais eram as inquietações,
quais eram as expectativas que aquelas
pessoas tinham e que dão sentido e
significado a muito do que a gente
encontra no Novo Testamento. Por isso é
que a gente apresenta essas duas fontes
aqui. A primeira é Baruk, capítulo 3,
que fala da sabedoria. O escritor faz
mais ou menos o que Paulo está fazendo
aqui, uma exegese e uma interpretação
de Deuteronômio, capítulo 30, em termos
de sabedoria, trabalhando sobre
tradições que a gente encontra em
Provérbios capítulo 8. Israel necessita
alcançar a verdadeira sabedoria que
ninguém pode encontrar escalando até os
céus ou cruzando o oceano. Essa
expressão que aparece em Deuteronômio 30
e reaparece aqui em Romanos capítulo 10.
Deus por si só dará a Israel essa
sabedoria. E quando assim o fizer,
Israel será restaurado, salvo e
resgatado de seu longo exílio.
Essa é uma interpretação não só de
Deuteronômio, capítulo 30, do
significado dele, mas o que é que o povo
de Israel sofrendo debaixo do domínio
pagão, ao longo de gerações, séculos,
precisa. E o que nós precisamos, essa
sabedoria, conforme apresentado em
Provérbios, capítulo 8, que virá
diretamente da parte de Deus. Nós não
podemos escalar os céus ou atravessar os
oceanos para conquistá-la, adquiri-la. O
outro manuscrito, ah, que a gente fez
referência, está especificamente nesse
conjunto de escritos, que é a algumas
obras da lei. Esse é o título desse
manuscrito, algumas obras da lei. Este
escritor também crer que sua geração
verá o cumprimento de Deuteronômio,
capítulo 30. Esse pensamento
escatológico era muito acentuado na
comunidade de Kunhan, que era essa ideia
de que aquela era a última geração. Eles
eram remanescentes do povo de Israel e
eles seriam vindicados por Deus quando
Deus finalmente manifestasse quem era o
povo fiel.
No entanto,
o esse manuscrito entende que a lei que
Deus enviará não era necessariamente a
sabedoria, mas era um conjunto de leis
especiais que deveriam ser observadas no
templo de Jerusalém. A comunidade de
Chan também tinha essa convicção de que
o templo havia sido absolutamente
irrecuperavelmente corrompido. Todo
aquele templo, todo aquele sistema,
todas aquelas autoridades precisavam ser
removidas. E Deus, então, quando
cumprisse Deuteronômio capítulo 30,
entregaria para o seu povo um novo
conjunto de leis que deveriam ser
obedecidas e praticadas no templo de
Jerusalém. Essas serão a verdadeira,
essa será, perdão, tá escrito errado aí,
a verdadeira marca distinta eh do povo
da aliança de Deus. Essas leis que Deus
entregaria é o que constituiria a marca
distintiva do povo da aliança de Deus
nesta era presente, sinal de que são o
povo que Deus justificará
no último dia do juízo. Por que que isso
é tão importante pra gente? Porque Paulo
está respondendo a mesma questão. Quando
chegar esse momento do juízo, que Deus
julgará os justos e o injustos e
revelará aqueles que são justos e
aqueles que foram iníquos, quem será
julgado como justo?
O que os membros da comunidade de Chan
acreditavam é que por meio dessas leis
que Deus irá nos revelar e que nós
deveremos praticar no templo de
Jerusalém e algumas das coisas que eles
já nos revelaram, é por meio da prática
dessas leis que nós podemos ter certeza
que o nosso veredito será de povo justo.
Então, é por meio dessa lei que nós
mantemos a nossa aliança e nossa
fidelidade com Deus. Esse é o
significado, ao meu ver, ou é dentro
desse contexto que Paulo está mostrando
pra gente o real significado da
expressão justificação pela fé. Não que
ele concorde com a comunidade de Curhan,
mas é essa relação escatológica. Quando
chegar o momento do juízo final, quem
será declarado? justo. A justificação
pela fé é a antecipação no tempo
presente do veredito que Deus nos dará
no tempo futuro. É a certeza que temos
no tempo presente, por meio da nossa fé
em Jesus Cristo, que no momento em que o
juízo for realizado, nós seremos
declarados
justos, porque fomos completamente
redimidos e perdoados da nossa culpa e
da nossa impureza mediante o sangue de
Jesus. Então, essas duas fontes, tanto
Barok quanto os manuscritos do mar
morto,
mostram pra gente como esse texto era
tão importante na época de Paulo. E
Paulo, então, apresenta pra gente aqui
uma variação. Obviamente que ele não
concorda nem com Baruk, nem com a os
escritos do mamorto, mas é basicamente
isso que ele está afirmando aqui. Ah,
aquilo que eles estavam afirmando sobre
esse momento de derramamento do
conhecimento de Deus é também algo que
Paulo está afirmando, com a notável
diferença de que no lugar da sabedoria
ou dos novos regulamentos de adoração,
Paulo fala sobre Jesus em pessoa. Você
não tem de subir até os céus, pois o
Messias já desceu até você. Também não
tem de descer até as profundezas, porque
o Messias já foi ressuscitado dentre os
mortos. As misteriosas promessas de
reversão definitiva da maldição do
exílio, como profetizado por Isaías por
Deuteronômio capítulo 30, se tornaram
realidade na pessoa de Jesus. Deus
finalmente desvendou a salvação. Uma
única maneira para todos os povos. A
resposta para a pergunta que é o título
da nossa aula, não há distinção entre
judeu e grego. O mesmo Senhor é Senhor
de todos e é rico para com todos que o
invocam. Deus trouxe a salvação para
perto para todos os povos de uma nova
maneira em que diferentes tipos de
obediência à lei original tornaram-se
irrelevantes. O que que a gente quer
dizer com isso? É que aquilo que foi o
papel da lei até o momento da chegada de
Jesus
já não pode mais ser considerado o mesmo
após a encarnação, a vida, a morte e a
ressurreição de Jesus. práticas que eram
cabíveis ao povo judeu antes da chegada
do Messias, agora já não podem ser mais
interpretadas e praticadas da mesma
maneira, como, por exemplo, os
sacrifícios. E não podem ser impostas
como exigência para os gentios, que
também passaram a fazer parte desse povo
expandido de Deus no conjunto entre
judeus e gentius. A palavra está perto
na boca e no coração. Isso é muito
interessante porque palavra aqui não é
palavra como revelação genérica de Deus,
mas é aquilo que era a palavra que
revelava a vontade de Deus como
manifesta na Torá, que sempre foi a
exigência de Deus do cumprimento e
obediência do povo de Israel e que o
povo de Israel sempre falhou em manter
na sua integridade,
agora é mantida por judeus. O símbolo da
impureza e da rebelião, da ignorância, o
completo desconhecimento do Deus
verdadeiro.
Esse é o povo que está fazendo aquilo
que Israel não pôde fazer.
E em terceiro lugar, as marcas
distintivas no presente. Todos que
reconhecem, que reconhecerem abertamente
Jesus como Senhor e crerem em seus
corações que Deus o ressuscitou dentre
os mortos, carrega uma marca distintiva
que declara no presente
que são aqueles a quem Deus salvará,
justificará e declarará como seu povo no
futuro, quando o seu juízo tornar isso
evidente para todos os povos. Se você
profear com a sua boca que Jesus é o
Senhor e crê em seu coração que Deus o
ressuscitou dentre os mortos, será
salvo. Romanos 10, versículo 9, como a
gente já havia citado aqui. E por
último, a gente volta a esse tema
central da carta aos Romanos, que é a
justificação pela fé, a questão da
justificação a partir da pessoa de Jesus
e a glória que é devida a Deus. Aqui a
famosa doutrina da justificação pela fé
de Paulo se encontra com vários outros
temas principais de seu pensamento. Pra
gente traçar a conexão entre o evangelho
de Jesus e as promessas de Deuteronômio,
Paulo, como a gente viu, citou Isaías
28:16.
E aqui no final ele também além de
retomar Isaías 28:16 cita Joel 232 no
versículo 13. As marcas distintivas no
presente daqueles que serão salvos são,
primeiro, crer em Jesus, segundo invocar
o nome do Senhor.
E existem esses três elementos que ele
apresenta pra gente nesses versículos
finais. a circuncisão do coração, essa
expressão que aparece originalmente em
Deuteronômio capítulo 30, a palavra de
Deus em Deuteronômio 30, o novo ato da
graça salvadora está na boca e no
coração. Isso combina exatamente com as
duas coisas centrais que acontecem a uma
pessoa alcançada pelo evangelho. Essa
declaração pública de lealdade a Jesus e
a crença interior na ressurreição. A
declaração pública é tão importante
quanto a crença interior. Isso nem
sempre é claro para nós, pra gente hoje,
mas era muito claro para eles no
primeiro século. Porque a declaração
pública de que Jesus Cristo era o Senhor
sobre o mundo tinha todo tipo de
consequência prática e concreta, muitas
vezes a rejeição absoluta dos seus
familiares que não reconheciam se você
era judeu Jesus como Messias. a quebra
de relações comerciais,
a perseguição por parte de autoridades
religiosas, inclusive pessoas como Paulo
antes do encontro com Jesus na estrada
para Damasco. E também se você fosse
gentil. Isso era uma declaração muito
perigosa, como a gente vai enfatizar a
um pouco adiante. Essa é uma declaração
que entra em confronto direto com o
Senhor, o Krios sobre todos os povos,
que supostamente é César. Isso também
traria você para um contexto
completamente de diferente
dentre as práticas civis e religiosas
que eram esperadas de todo o cidadão
romano na época. Você não iria
participar mais das festividades de
adoração ao imperador. Você não
participaria das festividades de
adoração a outros deuses. A participação
de orgias e outras práticas que em
muitos contextos, como na cidade de
Corinto, eram coisas naturais e
esperadas de todos. e você seria visto
como a causa da maldição que
eventualmente caísse naquela cidade.
Então, a declaração pública de Jesus
como Senhor era tão importante quanto a
convicção no coração de que ele
ressuscitou dentre os mortos. Esse
coração transformado é o sinal de que a
pessoa agora é membro da família da
aliança renovada. Em segundo lugar,
Jesus como Senhor apresenta duas
dimensões. No mundo de Paulo, Senhor
Krios era um título de César. Dizer que
Jesus era o Senhor significava, em
última instância, dizer que César não
era Senhor. E quando Paulo cita Joel
2:32, Senhor, muito claramente ali é uma
referência a Yahé, tetragrama sagrado, o
Deus de Israel. Paulo deixa claro que
Jesus, o Messias que morreu e
ressuscitou, era a corporificação
pessoal do Deus de Israel. Isso acontece
em vários momentos importantes da
Bíblia. Um título, uma expectativa, uma
promessa que se esperava que se
cumprisse a partir da pessoa, da
presença direta e pessoal de Yahvé. No
testamento é dito como se cumprindo a
partir da pessoa de Jesus. O que é que
se deseja com essa equivalência? É dizer
que Jesus é a corporificação
do Deus verdadeiro de Israel. E ele veio
para realizar aquilo que o Deus de
Israel sempre prometera que iria
realizar. E em último lugar pra gente
encerrar aqui a nossa aula, essa
observação, como a gente coloca aqui, o
nome de Deus é glorificado nas nações,
em Jesus, revertendo o desastre do
antigo fracasso de Israel. Voltando lá
para Romanos capítulo 2:24,
finalmente esse fracasso é revertido e o
nome do Deus de Israel foi finalmente
glorificado entre as nações do mundo. Os
não judeus são bem-vindos à família da
aliança renovada em termos iguais aos
judeus. Se os judeus querem a salvação
agora ofertada na pessoa de seu próprio
Messias, precisam compartilhar esse
Messias e a família da aliança, conforme
redefinida nele, com uma companhia mais
ampla.
Isso a gente tá colocando aqui em termos
muito eh formais e adequados, mas o
termo que Paulo usa para isso é ciúme.
Deus despertou ciúme em Israel pelo fato
de que ele chamou o povo aqueles que não
eram seu povo e que Deus rejeitou
aqueles que deveriam ter sido os
primeiros a reconhecerem. Mas Paulo vai
chamar a atenção para que essa para que
o fato de que essa não é uma rejeição
absoluta, esse não é o último capítulo
da história entre Deus e Israel. E é
isso que a gente vai ver em Romanos
capítulo 11. O anseio do coração de
Paulo, tudo isso que a gente tá falando
aqui e a oração que ele faz a Deus é que
seus companheiros judeus sejam salvos. O
restante dos capítulos
9 a 11 dedica-se a explicar como isso
pode vir a acontecer. Tudo isso é
fortemente
eh inserido dentro de um
uma expectativa de um lamento e de uma
dor pessoal que Paulo tinha a respeito
do seu próprio povo. Isso não é
simplesmente uma explicação teológica
complexa, como de fato é, profunda e
necessária como de fato é, mas é também
a manifestação de uma dor que Paulo
carregava no seu próprio coração e uma
oração que ele fazia, quase como
querendo fazer por Israel aquilo que o
próprio Cristo fez por Israel e pelos
gentios, quer se entregar em favor dos
seus irmãos. Então, a gente precisa
entender eh com que em que em que
condições, em que disposição do coração
Paulo escreve essas coisas. E é isso que
a gente vai continuar na próxima aula. E
é também isso que a gente vai continuar
no capítulo 11 na semana que vem.
Bom, eh, eu vou voltar aqui pro nosso
chat para ver se nós temos perguntas,
dúvidas, alguma coisa que a gente possa
eh
responder aqui sobre a nossa conversa de
hoje. Ah, deixa eu ver mais.
>> [roncando]
>> Essa mesma referência é o que a carta de
Efésios 2
afirma. Paulo declara que a cruz
derrubou a barreira de separação, a lei
cerimonial que dividia judeus e gentios,
ambos reconciliados.
Olha, Fernanda, a aquilo que era a
barreira de separação entre judeus e
gentios não era apenas a lei cerimonial.
A compreensão dos judeus que Paulo já
possuía muito antes da eh
da chegada, da revelação do Messias, é
que a diferença entre judeus e Messias
era absoluta e profunda. Ah, os judeus
tinham conhecimento do Deus verdadeiro.
Os gentios não conheciam o Deus
verdadeiro. Os judeus eram purificados
pela prática da lei. Os gentios eram
impuros por definição. Eles não
conheciam, logo eles não praticavam
aquilo que era a
lei cerimonial e tudo aquilo que Deus
ordenava para que o povo tivesse
condições de manter essa relação de
proximidade com Deus absolutamente
santo. O que Paulo está apresentando pra
gente é que essa barreira de separação
entre judeus e gentius cai a partir da
pessoa de Jesus, porque ele apresenta
que essa aliança que Deus tinha com o
povo de Israel deveria ser uma aliança
estendida a todos os outros povos. Isso
que era restrito ao povo, agora foi
expandido às outras nações e essa a
barreira foi derrubada. Então, acredito
que a é algo ainda maior do que
simplesmente as leis cerimoniais que
separavam judeus de gentios.
Por que que os gentios eram excluídos de
tudo, inclusive de entrar no templo? Por
esse motivo que a gente apresentou, pela
impureza do gentil. Por exemplo, um
homem gentil incircunciso, era
considerado impuro, não fazia parte da
aliança com Deus, não carregava no seu
corpo a marca da aliança que ele tinha
com Deus. Ah, da mesma forma, uma mulher
que era gentia, primeiro a gente precisa
lembrar que tinha o pátio e o espaço, o
átrio em que mulheres e homens poderiam
entrar, judeus. Depois o ambiente em que
apenas os homens poderiam entrar e
depois o ambiente que apenas os levitas
eram permitidos entrar e depois o santo
dos santos em que o sumo sacerdote
poderia entrar uma vez por ano. A a
percepção era justamente que isso traria
impureza para o tabernáculo, isso traria
impureza para o templo e isso traria
separação entre o próprio povo e Deus,
porque Deus exigiu que aquele fosse um
lugar puro, um lugar santo, purificado,
para que a sua presença permanecesse ali
e para que a partir daquele lugar todo o
povo e toda a toda a terra de Israel
fosse santificada. Se a gente olhar para
os propósitos da presença de Deus a
partir da perspectiva de Paulo, como a
gente viu em Romanos capítulo 4, o que a
gente percebe que a partir dali, do
lugar onde estava a presença de Deus, o
objetivo era que toda a terra, todo o
mundo fosse purificado. Por isso que a
condição de pureza era tão eh era algo
tão importante, tão sério. E por isso
que as penas para um gentil que
ultrapassasse aqueles limites eram tão
duras.
Perdão. Podemos afirmar
que esta situação tratada por Paulo
permanece até hoje na realidade judaico
cristã? Olha, Paulo, em muitos momentos
da história ou na maior parte da
história, nós podemos dizer que sim. a
maior parte dos judeus, eh, que
sobreviveram
tantas sequências lamentáveis de
perseguição, de guerra e de, eh, de
tentativas de erradicação, de
erradicação na palavra adequada, mas é
de aniquilação da sua existência. Esses
judeus que sobreviveram em sua maioria
não reconheceram Jesus como o Messias.
Mais o que muitas pessoas inseridas
dentro do mundo da evangelização aos
judeus, dentro do contexto da
transformação de vida dos judeus pelo
evangelho, tem apontado é que muitos
judeus numa proporção que talvez não se
conhecesse na história recente ou mesmo
numa história eh mais abrangente,
pensando em todo esse intervalo entre a
igreja primitiva e a nossa, eh uma
proporção
significativa de judeus ter encontrado o
evangelho e a salvação na pessoa de
Jesus. Esse certamente continua sendo um
desafio muito grande que nós precisamos
reconhecer eh um trabalho que precisa,
eh, ser tratado assim com com uma
com o valor histórico e com a o dever
teológico que nós temos de reconhecer
como a salvação veio por meio dos judeus
e como desde o começo da igreja o
propósito de Deus foi que esses judeus
também viessem a alcançar o conhecimento
da salvação, o conhecimento do evangelho
na pessoa de Jesus. E percebemos que nós
fazemos parte dessa história que procura
cumprir
essa indicação do texto bíblico de que
haveria reversão dessa condição de
incredulidade por por parte do povo
judeu. Então essa é uma parte muito
importante da nossa missão ainda hoje
também.
Vamos ver o que mais aqui.
Como eles esperavam, estudavam tanto e
não reconheceram que Jesus era o
Messias. Porque ninguém esperava o
Messias da forma como Jesus de fato
revelou que o Messias era. Primeiro,
ninguém esperava que o Messias fosse uma
figura divina.
Ninguém acreditava que as profecias que
falavam do retorno da presença de Yahé
pro meio do seu povo, para o templo de
Jerusalém, seriam as mesmas promessas
que se cumpririam na pessoa do Messias.
Todo mundo reconhecia que havia relação
entre elas, porque o Messias deveria
purificar ou reconstruir o templo de
Jerusalém. E a partir daí, Yahvé
retornaria para habitar em glória no
Santo dos Santos. Mas aquilo que Jesus
está apresentando é uma redefinição
dessas expectativas. E é uma redefinição
tão profunda e tão radical que a gente
olha pros textos do Antigo Testamento e
precisa dizer: "Não dava para deduzir e
esperar que fosse assim". Mas de fato é
isso que aconteceu em plena fidelidade à
aquilo que esses textos estão falando. E
uma coisa que eu me perguntava desde a
época que eu fazia seminário é se essas
profecias não podiam ser interpretadas
da forma como Paulo passou a
interpretar, como o próprio Jesus passou
a revelar que elas indicavam. Eh, qual
era o propósito dessas profecias? Eh, se
se não dava para esperar que Jesus ou
que o Messias seria da forma como Jesus
revelou que ele de fato era, eh o que
que essas profecias deveriam indicar pra
gente? Assim como as profecias do Antigo
Testamento, a gente encontra também
profecias no Novo Testamento,
eh, demonstra pra gente que o objetivo
da profecia não é dizer dizer exatamente
como as coisas vão acontecer, mas de que
maneira nós devemos entender o nosso
lugar dentro do contexto em que Deus vai
cumprir essas profecias. Nós termos o
coração preparado para o momento em que
Deus finalmente revelar como Ele quer
fazer as coisas, nós saibamos
reconhecer, ter a disposição de coração
necessária,
ter a fidelidade às coisas que Deus
falou que nós deveríamos nos manter
fazendo e fazer essas coisas a tal ponto
que quando Deus fizer cumprir aquilo que
ele disse que iria cumprir,
nós tenhamos esse discernimento, essa
sabedoria, essa a capacidade de dizer:
"Aí está o Messias". Porque é verdade
que muitos judeus não reconheceram, mas
tantos outros reconheceram. Ainda que
não fosse a maioria, aqueles apóstolos,
ainda que não tivessem reconhecido de
imediato a grandeza do que estava sendo
revelada na pessoa de Jesus, sabia que
ali estava acontecendo algo que vinha da
parte de Deus. Eles sabiam que ali
estava se cumprindo um capítulo
importante da história de Israel. Esse
rabino não era apenas diferente, mas
falava e revelava coisas que nenhum
outro rabino e nem mesmo qualquer outro
pretendente a Messias havia falado
dentro da história de Israel. Então, me
parece que as profecias produziram no
coração desses apóstolos, desses
primeiros discípulos de Jesus, os frutos
que elas deveriam produzir, que é a
disposição correta no coração para ouvir
a voz de Deus quando ele finalmente
falasse, para perceber a ação de Deus
quando ele finalmente desejasse agir.
Então, acho que é esse foi o problema de
tantos outros
contemporâneos de Paulo, de Jesus e dos
outros apóstolos nos textos que tratavam
da revelação do Messias. Eles não
nutriram no seu coração a disposição e a
expectativa adequada sobre aquilo que
Deus queria do seu povo o tempo todo e o
que Deus faria no momento em que ele
finalmente revelasse a sua vontade.
Grande preocupação deles era a glória do
seu próprio povo, o estabelecimento da
força novamente de Israel como uma
grande monarquia, a certeza de que o
templo era a segurança da salvação que
deveria alcançar Israel e não a
fidelidade de Israel em relação às
ordens que Deus havia estabelecido no
cuidado do pobre, do órfão, da viúva e
do estrangeiro. E Deus já havia por meio
dos profetas falado várias vezes que
esse era o pecado de Israel e não outro.
Então a gente começa a perceber como
simplesmente ter a lei, ter a Bíblia, o
Antigo e o Novo Testamento diante de si,
ter as palavras de Jesus diante de si,
não produz transformação real. Tem
pessoas que passam a Bíblia, a a vida
inteira lendo a Bíblia e não são
absolutamente transformadas pela Bíblia.
Por quê? Porque isso depende da
da disposição do coração. Isso depende
da abertura do coração daquele que lê,
de permitir que essas palavras realmente
produzam os frutos que Deus deseja que
elas produzam, né?
Vamos ver aqui
que mais que a gente tem.
Por que Deus se revelou em progressão
com o tempo?
Porque Jesus não veio logo no começo,
época de Abraão? Parece que assim muitas
pessoas não foram salvas ainda hoje.
Bom, Judit, eu vou começar pela parte
final da sua pergunta em relação às
pessoas que talvez você esteja se
referindo como aquelas que não foram
salvas, porque viveram antes do tempo da
chegada do Messias, antes do tempo da
revelação de Jesus.
O que a gente percebe é que essa é uma
pergunta relevante, inclusive para
aqueles que são membros autênticos da
aliança com Deus, o povo fiel de Israel.
Como é que a gente sabe que Abraão foi
salvo? Como é que a gente sabe que Davi
foi salvo? Como a gente sabe que Moisés
foi salvo? Como a gente sabe que Raab,
que Rute, como é que a gente sabe que
tantos outras personagens que a Bíblia
faz questão de enfatizar
perdão, a sua fidelidade a Deus, a sua
justiça diante de Deus, vão encontrar
salvação se o Messias veio muito tempo
depois que essas pessoas viveram.
E o texto de Hebreus assinala pra gente
que essas pessoas estavam como que
acenando paraa salvação. Essas pessoas
seram salvas da mesma forma como Abraão
foi salvo
e da mesma forma como Deus estabeleceu
essa relação de justiça com Abraão.
Abraão creu e isso ele foi acreditado
como justiça.
diz: "Serão salvos no tempo final, da
mesma forma que foram salvos enquanto
estavam vivos." Salvos no sentido de
encontrar a ação
graciosa e salvadora de Deus, que é por
meio da fé.
As pessoas que tiveram fé em Deus e
creram na existência e no amor desse
Deus verdadeiro, crendo em esperança de
que Deus, no fim das contas, traria
redenção paraa sua condição de
necessidade, serão salvas. Então, de
certa forma, o sacrifício de Jesus viaja
não apenas paraa frente no tempo, mas
também para trás.
Aqueles que morreram em fé
serão resgatados
no tempo do juízo e da revelação final
de Deus, daqueles que de fato são justos
e aqueles que são iníquos. É claro que
você pode perguntar: "E os gentios que
viveram antes de Jesus? Se Deus trouxe
conhecimento da salvação verdadeira para
os gentios de maneira explícita e plena
a partir da pessoa de Jesus, eu entendo
esses personagens de Israel, de Israel,
porque conheceram o Deus verdadeiro, mas
e os outros povos? E a gente entra aqui
num território que é muito pouco
conhecido porque é muito pouco revelado.
Existem muitas histórias a respeito da
ação e da revelação de Deus. que não são
dadas ao nosso conhecimento. De que
maneira Deus se revelou a cada uma das
pessoas, a cada um dos povos ao longo do
tempo? Eu não sei, eu não sei até que
medida, até que ponto, mas o que eu sei
é que todas elas, antes e depois de
Jesus, se relacionam com o Salvador, se
relacionam com o único Deus verdadeiro
por meio da fé, dessa plena confiança
de que Deus traria a redenção, a
libertação da sua condição de eh de
escravo do mal
e responderiam a essa eh revelação da
parte de Deus com fidelidade aquilo que
Deus venha a ter revelado para cada uma
dessas pessoas e para cada um desses
povos. Essa, obviamente, é uma parte da
história que nós não temos acesso em boa
medida. O que nós sabemos é que a partir
da pessoa de Jesus se inaugura um novo
tempo em que Deus finalmente revelou não
só como os judeus
receberam finalmente da parte de Deus o
cumprimento dessas promessas de resgate
e salvação que ele anunciou que faria,
mas como ele destinou que toda essa
história de Israel sempre fosse o meio
pelo qual ele traria essa salvação para
todos os outros povos. Então, o cenário
muda absolutamente. Nós temos uma
responsabilidade muito maior agora que
recebemos enquanto judeus e gentios o
conhecimento da graça salvadora de Deus
para todos os povos, de levar esse
conhecimento a todas as outras nações.
Mas todas essas perguntas sobre o que
que aconteceu antes da vinda de Jesus,
eh, obviamente é uma coisa que a gente
não consegue acessar diretamente.
E a primeira parte da sua pergunta, por
que esse intervalo? Porque esse tempo?
Eu não sei, eu não sei dar uma, uma
resposta muito bem elaborada, Judite. A
pergunta é muito boa e tem várias coisas
que eh eu consigo imaginar que estão
relacionadas a isso, mas pensar sobre
porque esse intervalo, porque esse tempo
é algo que eh eu vou precisar matutar um
pouquinho mais para conseguir responder
adequadamente, tá?
Deixa eu ver o que mais aqui.
Professor Ála, se gentios e judeus em
Cristos eh são um só corpo, Deus aceita
o culto judaico baseado na fé e na
cerimônia da lei? Olha, Edmilson, como
fica a prática da lei eh para os judeus
que reconhecem Jesus como Messias.
Depois, obviamente, da revelação de
Jesus com o Messias, é uma questão muito
interessante. Certamente que não faz
sentido mesmo para um judeu continuar a
prática dos sacrifícios, até porque o
templo foi destruído. Mesmo que o templo
estivesse de pé, um culto feito por um
judeu que acredita em Jesus não poderia
ser um culto baseado na cerimônia eh da
apresentação desses sacrifícios, porque
a gente acredita que Cristo foi o
sacrifício final e que todos os outros
sacrifícios eram uma preparação e um
anúncio desse sacrifício que de fato tem
o poder de perdoar pecados. Afinal,
sangue de touros e bodes não pode trazer
o perdão de pecados, como apresenta o
livro de Hebreus.
Existem outras leis ceremoniais que
passam a ser ressignificadas. Elas não
são feitas como uma forma de manter a
pureza do tabernáculo, de manter a
pureza do templo, nem de trazer perdão
de pecados. É isso que eu percebo em
muitas cerimônias antigas que são
mantidas por judeus messiânicos hoje,
como por exemplo na celebração da
Páscoa. Tem muitos símbolos que já eram
utilizados antes, que passam a receber
um novo significado, que passam a ser
interpretados de uma nova forma e que os
judeus messiânicos também entendem que
tem outro efeito. já não se cumpre mais
essas leis como uma forma de manutenção
de uma relação de justiça com Deus. Mas
eh se faz isso com reconhecimento que é
o sacrifício de Jesus que dá significado
a essas práticas. E essas práticas
funcionam como uma lembrança daquilo que
aconteceu, mais ou menos como nós, pelo
menos batistas, entendemos que é o
memorial da ceia. A ceia não é, não tem
um poder sacramental, mas tem um poder
memorial. Eh, assim também muitas dessas
práticas que os judeus realizam, eles
não acreditam que estão sendo
purificados por muitos desses ritos e
dessas leis, mas eles estão mantendo uma
tradição antiga que recebeu um
significado novo a partir da pessoa de
Jesus e que de certa forma também mantém
a identidade dessas pessoas. Esse é um
fator que nós desconsideramos muito
rapidamente.
Como muitas das leis que mesmo os judeus
messiânicos ainda praticam hoje, é uma
forma de conectar essas pessoas com os
seus ancestrais. se conectar no sentido
de lembrar como é que nós chegamos aqui,
lembrar e celebrar a forma como Deus
construiu a nossa história por meio dos
nossos pais, dos nossos avós e de todas
as gerações anteriores, também como uma
forma de honrar a Deus que construiu a
história da salvação por meio do nosso
povo, pensando aqui como um judeu.
Então, a existe mais de um motivo pelo
qual um rito pode ser mantido, inclusive
um rito ligado à lei de Moisés. Alguns,
eu acredito que de fato precisam ser
absolutamente banidos, outros são
ressignificados e outros são mantidos
como essa forma de manter a lembrança.
Isso é um aspecto fundamental de tudo
aquilo que Deus operou no meio do nosso
povo. Eh, então, a
questão tão direta e tão óbvia,
Edmilson. Não, não podemos esperar, por
exemplo, que um judeu messiânico
abandone todas essas práticas e e toda a
lei como se não tivesse mais qualquer
relevância. É preciso pensar, até porque
tem muito da lei que é relevante para
judeus e para gentios, né? Ah, bom,
pessoal, acredito que eu respondi a
maior parte das perguntas. a gente vai
chegando ao fim do nosso encontro de
hoje. Como sempre, a gente pede para
você nos ajudar eh compartilhando esse
conteúdo com outras pessoas, divulgando
isso, seja nas suas redes sociais, seja
enviando para uma pessoa que você
acredita que tem o desejo de eh estudar
o livro, compreender o livro de Romanos.
E a gente pede para você voltar aqui na
quinta-feira, porque a gente vai ter a
sequência do capítulo 10 e na semana que
vem a conclusão desse bloco. Então a
gente agradece a você, pede a sua ajuda
para a continuar acompanhando e
divulgando esse trabalho e também para
participar do restante daquilo que a
gente tem preparado pro nosso curso aqui
de romanos. Uma boa noite, boa tarde ou
bom dia para todo mundo. Até o nosso
próximo encontro. Ciao. Ciao.

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