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A fé vem pelo ouvir

A FÉ PODE DUVIDAR? I André Reinke I Palestra Café Teológico 2026

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Palestra do André Daniel Reinke em Joinville/SC

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Legendas automáticas:

Eu
não não acredito que eu atropelei o
alemão de sunga, né? O Alex Struf, que
é anterior no Bibotal, que eu acho que
ele que deveria ser o primeiro nessa
nova série aqui, mas
>> Ah, bom, aí fechou, então deu certo. Eh,
fico muito honrado. Eh, e eu realmente
sou batista, não sou luterano, mas já
frequento a Milk há muito tempo. No ano
passado tive fazendo o a atualização
teológica, isso, dos pastores lá na FLT.
E também esse ano, aliás, esse vai ser o
ano luterano, né? que eu já vou dar uma
palestra para um retiro de uma igreja
luterana lá no Rio Grande do Sul. Eh,
pastores do trânsito de lá também.
Então, no final das contas, eh, o
pessoal que me confundia com luterano
vai ficar mais confuso ainda, porque é
nome alemão de Juí
já achavam que era luterano. Digo, pô,
lamento da decepção, mas eu não sou
luterano, né? E dejuí também, né? O fato
marcante, todo mundo que é de juí
carrega um sentimento ambíguo, né? tem
um orgulho danado de ser de lá e ao
mesmo tempo um pavor absoluto de voltar
algum dia a morar lá. Então a gente
carrega este este orgulho à distância,
né?
Pessoal de Juiz que estiver assistindo
não leve a mal, mas é é a regra dos
imigrantes, é assim que funciona, né? Eu
vou falar hoje, o Bibo me pediu para
trazer esse assunto que é do livro eh
que vai sair agora pela série da
Teologia para todos da Bibotalk, é o
livro sobre a fé. E essa série, ela
sempre parte de uma pergunta. E a
pergunta é o seguinte: a fé pode
duvidar?
É porque a questão da dúvida ela ela
apareceu várias vezes, né? Para mim, eh,
em um dado momento, em algum BTD, eu
acho, não me lembro aonde, eu comentei
que, eh, eu sofri uma certa tentação ao
ateísmo
por causa do comportamento dos crentes.
A hora que eu olhava assim, eu acho que
essa coisa não tá dando muito certo.
e começava a me vir alguma ideia assim,
olha, será que isso tudo que eu creio
não é na verdade uma grande fantasia?
Uma fantasia bonita, mas uma fantasia?
Então, tem momentos que a gente dá uma
balançada na fé. Aí eu comentei isso uma
vez na palestra e algumas pessoas vieram
me comentar isso. Olha, eh quando você
falou da dúvida, isso me bateu forte
porque eu tenho dúvidas e muitas vezes
eu me sinto mal porque eu tô onde eu
estou numa comunidade que é baseada na
fé, que surgiu por causa da fé.
Você entra nessa comunidade, faz parte
dela a partir de um evento de fé, né?
Nós cremos nessa fé como essencial paraa
entrada nessa nossa comunidade, nesse
reino de Deus e a manutenção no reino de
Deus, né? A gente continua presente
nessa nessa comunidade, nessa igreja,
nessa ideia de reino de Deus a partir de
uma perspectiva de fé. Nós cremos que
Deus está agindo. Nós cremos. tem uma
série de de do conjunto de ideias, de
pensamentos, de esperança que nós temos,
que é fundamentado na fé, que não são
coisas que a gente vê, é uma experiência
exclusiva de fé. E aí a questão toda,
né, que vem nesse momento é como é que
funciona
essa fé que envolve certeza na certeza
de coisas que você não vê, mas como é
que isso funciona eh na no cotidiano do
crente? Como é que ele lida com essa fé?
Ela é sempre igual? Ela pode ter
momentos de vacilo, ela tem dúvida? Essa
fé pode duvidar. Então, muitas pessoas
até jovem faz isso lá no Instagram, né?
Joga a caixinha de pergunta. Se sair um
livro sobre dúvida, você interessa? Ah,
quero ver sobre dúvida. E o pessoal
mandava muita coisa. Eu fui fazendo
print para ver quais eram as dúvidas,
quais eram os temores, como é que isso
funcionava. Vamos escrever então algo
sobre isso. E aí acabou que encaixou ali
no bibotal sem material, né? Eu comentei
da ideia de escrever isso. Aí me
passaram a regra do livro, no máximo
20.000 palavras. Eu fiquei um pouco
aterrorizado
porque 20.000 palavras é mais ou menos
um capítulo de um livro meu. E
aí o livro inteiro era para ser isso.
Bom, é um artigo melhorado, mas vamos
lá. Então, a gente tentou elaborar
alguma coisa sobre isso. Eu trago para
vocês aqui algumas reflexões que eu
trago nesse livro que não tem nenhum
cunho de dar uma regra mágica para
resolver esse problema, mas ele tem um
caráter mais de confissão.
Então, eh eh primeira coisa, eu sou um
camarada que gosto demais da Bíblia
e a Bíblia nos apresenta esses elementos
da dúvida lá também. E a gente, eu quero
pegar um texto inicial pra gente ler
para abrir que tá lá em Marcos, capítulo
9 versículo 14 a 27. É um episódio
famoso. Os irmãos podem abrir cada
Bíblia ou no celular.
Marcos 9 14 a 27 diz assim: "Quando
chegaram ao lugar onde estavam os outros
discípulos, viram uma grande multidão ao
redor deles e os mestres da lei
discutindo com eles. Logo que todo o
povo viu Jesus, ficou maravilhado e
correu para saudá-lo. Jesus perguntou:
"O que vocês estão discutindo?"
Um homem da multidão respondeu: "Mestre,
eu trouxe a ti meu filho, que está com
um espírito que o impede de falar. Onde
quer que se apodere dele, joga-o no
chão. Ele espuma pela boca, range os
dentes e fica rígido. Pedi aos teus
discípulos que o expulsassem, mas eles
não conseguiram." Jesus respondeu: "Ó
geração incrédula, até quando estarei
com vocês? Até quando terei que
suportá-los?
Tragam-me um menino. Então eles o
trouxeram. Quando o espírito viu Jesus,
imediatamente causou uma convulsão no
menino. Ele caiu no chão e começou a
rolar espumando pela boca. Jesus
perguntou ao pai do menino: "Há quanto
tempo ele está assim?"
Desde a infância, respondeu, muitas
vezes esse espírito tem lançado no fogo
e na água para matá-lo.
Mas se podes fazer alguma coisa, tem
compaixão de nós e ajuda-nos.
Se podes, disse Jesus,
tudo é possível aquele que crê.
Imediatamente o pai do menino exclamou:
"Eu creio, ajuda-me a vencer a minha
incredulidade."
Quando Jesus viu que uma multidão estava
se ajuntando, repreendeu o espírito
imundo, dizendo: "Espírito mudo e surdo,
eu ordeno que deixe nunca mais entre
nele". O espírito gritou, agitou
violentamente e saiu. O menino ficou
como morto, a ponto de muitos dizerem:
"Ele morreu". Jesus, porém, tomou-o pela
mão e o levantou e ele ficou em pé. Esse
texto eu acho por demais emocionante,
triste,
da perspectiva do pai.
A gente quando tem filho, as coisas
começam a mudar as perspectivas. Ele
começa a enxergar a realidade de outra
forma, né? Muitos irmãos sabem que ele
tá falando. E de repente esse pai se
confronta com uma situação em que ele
encontra Jesus
e já ouviu falar dos milagres de Jesus e
tudo que podia fazer e aí
pede para Jesus ajudar o filho. E ali
ele solta essa essa palavra, se podes,
tem compaixão e faz alguma coisa. E
Jesus devolve uma palavra difícil para
um pai. É o quê? Se podes, se eu posso,
tudo é possível a quem? Ao que crê. E aí
o pai responde: Eu creio, mas me ajuda
na minha incredulidade.
Eu creio até um ponto,
mas eu não sei se eu creio suficiente
para isso acontecer.
E é mais ou menos o que a gente sente. E
aí eu fico pensando aqui o esse pai, o
que não passa na cabeça dele?
Será que o meu filho não vai ser curado
porque eu não tive fé suficiente?
Já pensaram a situação do pai?
Quer dizer, agora o futuro do que vai
acontecer com o meu filho depende de eu
ter crido
ou do tamanho da minha fé. Você pensa o
tamanho do peso um pai para viver isso.
Graças a Jesus, ele cura e a fé do Pai
ali, pela insuficiência,
ela acaba sendo correspondida e ele é
curado, mas pelo compaixão de Jesus.
Sempre é a compaixão de Jesus, na
verdade sempre é. Mas fica aqui essa
pergunta do pai e que para mim me marca
muito essa pergunta dele, né? Porque
essa é basicamente a nossa resposta, as
propostas de fé que Deus nos faz quando
Deus nos nos pergunta dessa fé se podes,
né? A gente tem sempre essa resposta. E
assim, eu creio, mas ao mesmo tempo eu
sei que é pouco.
Eu sei que a minha fé é muito pequena
para isso que eu quero.
Então, me resta fazer o quê nessa hora?
Eu quero ver outras experiências de fé
também. E a Bíblia apresenta essas
experiências. Então, nós temos alguns
personagens bíblicos que vivem essa
experiência de fé. E eu quero começar
pelo primeiro que é chamado pai da fé.
Quando você pega Abraão, a história de
fé dele, e ele é apresentado na Bíblia
como um modelo de fé, é o pai de todos
os que creram, é aquele por onde começa
a história da salvação.
Aí a gente tem que olhar as narrativas,
porque a Bíblia ela não apresenta apenas
um modelo teórico de fé, ela nos
exemplifica como essa fé funciona na
prática, né? Então você tem lá o Abraão.
Aí vamos lembrar das histórias. Qual foi
a promessa de Deus para Abraão? que
levou ele a ser chamado pai da fé.
Vai ter um filho,
só é isso. Basicamente é isso. Vai ter
um filho. Desse filho vai vir uma grande
nação e Deus vai abençoar todos os povos
da terra.
Aí a história do Abraão, o que que ela
nos mostra? Ele creu, mas ele não sabia
o como.
[limpando a garganta]
E quase sempre é assim com a gente. A
gente crê em algo de Deus, mas a gente
não sabe o como. E nesse como
vai entrar às vezes o nosso jeito, nosso
jeitinho, a nossa empurrada para Deus
fazer isso acontecer. Alguma coisa nesse
sentido. O Abraão, quando a gente olha a
história dele, o que que ele faz? Recebe
a promessa do filho. Como é que vai ser?
Não sei, demora. O filho não vem ano
após ano e nada do filho. Eles estão
envelhecendo.
Aí o que que ele faz? Eu vou ter um
herdeiro. Meu empregado vai ser meu
herdeiro. Então Deus vai resolver o
problema do filho dessa maneira. Deus
aparece para Abraão, diz: "Não, vai ser
um filho natural, não vai ser o teu
empregado, o teu filho adotivo, vai ser
um filho na carne. Demora, demora,
demora. O que que ele faz? Vou dar um
jeito do filho na carne. Como é que
resolve? Agar
beber inseminação, né? Beber e de
proveta por inseminação natural.
Aí o que acontece, né? A barriga de
aluguel lá nasceu o Ismael. Deus vem e
diz: "Não é esse". de novo foi o jeito
dele. Observem como a fé, desculpa,
observem [limpando a garganta] como a fé
dele, ela não é uma fé absoluta do jeito
que a gente imagina. É uma fé que
vacila, que tem dúvidas, que não sabe
como Deus vai cumprir esse negócio, mas
ele tá no processo, ele tá caminhando.
Aí finalmente vai vir o filho nascido,
não vai ser da vai da da tua esposa
mesmo, da Sara. Aí nasce finalmente o
filho. A história dele continua. Temos
lá o evento do sacrifício de Isaque.
Esse é um evento impressionante de fé,
né? O autor de Hebreus diz o que aqui
ele crê que Deus pode até ressuscitar o
filho, né? Porque Deus prometeu, é esse
aqui o prometido. Deus deixou muito
claro que era aquele, mas Deus vem e
pede: "Agora vou te tomar". Pô, mas toda
promessa vem abaixo, que que vai
acontecer? Você pode até ressuscitar ele
depois de matar. Aí Deus impede, pronto,
ele entregou o filho para Deus. Ele
entende a partir dali que todo esse
processo do que Deus está fazendo não
depende dele, é de Deus. É Deus que tá
fazendo. E o que eu acho mais legal do
ciclo da história de Abraão é o final
dele.
Porque lá no final,
quando Abraão vai escolher
a pessoa que vai casar com o filho dele,
isso tá diretamente ligado à promessa,
né? Porque a promessa não é apenas o
filho, é a descendência inteira. Quer
dizer, agora é aquela que vai gerar o
neto e que vai dar progressão à
promessa. Nessa hora, o que que ele faz?
Se fosse o Abraão lá do início da
história, ele ia pessoalmente escolher a
dedo a mulher que vai ser a continuação
da linhagem. Mas o que que ele faz? Ele
manda um empregado.
Com que regra? Nenhuma.
Só vai lá na terra dos meus parentes.
Única regra, quando chegar lá, o que que
vai acontecer? Deus vai te mostrar.
Deus vai te mostrar. O Abraão do final é
outro camarada em relação ao Abraão do
início.
É a mesma experiência de fé, mas olha
como a fé foi se desenvolvendo.
O Abraão do início
desconfia.
Ele tenta dar jeito. O Abraão do final
confia.
Esse é um problema de Deus. Não é
comigo. É Deus que vai resolver. Aí você
vê uma fé amadurecida
naquele que é o pai da fé. Olha como ela
desenvolve.
Então não é a mesma fé. Esse é o legal
do personagem bíblico. Quando você olha,
ele cresce, ele amadurece. Às vezes ele
piora.
Davi é o contrário.
Davi é o cara que lá na juventude ele
vai com umas pedrinha para derrubar um
gigante.
No final da vida, na hora de passar o
trono pro filho Salomão, ele arma todo
um esquema político para colocar Salomão
no trono. Ele começa confiando, ele
termina desconfiando.
Ele não deixa na mão de Deus para Deus
resolver a sucessão.
Ele resolve em vida. Então, a fé ela é
e ela tem um desenvolvimento. A fé ela
tem altos e baixos. Isso é natural da
vida. Então, João Batista, João Batista
é um personagem fantástico. Ele é o
aquele que aponta para Jesus. Pois esse
João Batista que apontou para ele, esse
é o cordeiro de Deus. Quando tá preso,
ele manda perguntar: "Escuta, eh, tu
mesmo ou eu me enganei?"
João Batista.
Ele tem dúvida. E Jesus manda dizer: "Ó,
os cegos estão vendo, os coxos estão
pulando, sou eu, sim". Aí é ótimo.
Quando pergunta pro João Batista: "Tu é
a voz que clama no deserto?" Sabe o que
ele diz? Não.
Aí perguntam para Jesus, ele é o quê?
Ele é a voz que clama no deserto.
Olha que interessante.
Eu fico com a comunhão de Jesus.
Jesus Jesus entendia melhor o João
Batista do que ele mesmo na sua relação
com Deus. Então, olhem como esses
personagens nos mostram uma fé que é
diferente de uma idealização nossa. A
gente idealiza a fé como algo invencível
e ela não é assim na vida prática. E a
Bíblia é profundamente real sobre isso.
Por isso aí você tem lá a história do
Novo Testamento, que é outro outra
história clássica sobre a dúvida e a fé.
que é do Tomé, aquele que é tantas vezes
acusado
porque ele duvidou, né? Mas é
interessante que o Tomé, o que ele pediu
ali para Jesus é para apenas fazer o que
todos os outros já tinham feito.
[roncando] Ele não pede nada especial
porque Jesus tinha aparecido no dia
anterior
pros 10 que estavam lá. Ele não estava.
Todo mundo abraçou Jesus, todo mundo
apalpou, todo mundo botou dedinho na
ferida, poxa, tá vivo mesmo, etc. Ele
não. Quando ele chega no outro dia, nós
vimos, nós tal, etc. Abraçamos. Eu não
acredito se eu também não fizer isso
tudo.
E aí vem aquela aquela frase famosa.
Jesus, Jesus não nega. Vem cá, coloca a
mão do lado, coloca aqui, sou eu mesmo.
Confirma. OK. você é uma testemunha da
ressurreição agora. Ele, e aí Jesus diz
uma coisa muito interessante.
Bem-aventurados
os que não viram e creram. E a gente
pega esse texto e usa para criticar o
Tomé.
Esse texto não é uma crítica a Tomé.
Esse texto é um elogio ao irmão que tá
sentado aqui.
Esse texto é um elogio a vocês
dizendo que não viram, não encostaram,
mas estão crendo.
Ele é um elogio a todos nós. Ele é um
elogio a todas essas comunidades que não
foram testemunhas oculares, mas creram.
Vão dizer esses, olha a dimensão da fé
desses
que estão para vir por aí. Então, tomem
esse texto de Tomé como um elogio a
vocês e não uma crítica a Tomé. Então, a
gente vê esses heróis bíblicos, né, nos
mostrando essa relação com a fé que é
encarnada na realidade. É uma fé que
tropeça, é uma fé que tem medo, é uma fé
que tem dúvida. Por quê? Porque faz
parte da caminhada, faz parte da
jornada.
Então, trazendo essa essa memória da
dúvida dos heróis bíblicos, aí eu trago
um pouquinho das minhas dúvidas aqui e
eu vou começar mencionando algumas
dúvidas que aparecem por aí, eh,
inclusive dizendo que às vezes não me
pegam muito. Por exemplo, nós temos
dúvidas que nos atacam
que tem a ver na disputa com a ciência.
A questão religião e fé
pega forte às vezes, principalmente a
gurizada quando vai entrar na na escola,
vai entrar na faculdade, vai começar a
ter alguns embates naquilo que você crê
e aquilo que aprende,
né? Então, muita gente às vezes entra em
crise nesse nessa questão da ciência.
Para mim, pessoalmente, não pega. Talvez
porque eu já seja macaco mais velho. A
gente, eu já tenho, já tenho mais
passado que futuro, né? Então
54, tá gente? Eu não vou viver mais do
que 108 anos. Então, eh, eu já tenho
mais passado e futuro. A gente já não é
pego mais por qualquer argumento a
qualquer momento. A gente já rolou muita
água para você perceber que opiniões
mudam, que descobertas vão surgindo e
que a própria ciência vai mudando e a
própria teologia também vai mudando.
Então, a gente aprende com o tempo, né,
que essa disputa entre ciência e
religião, entre fé e e ciência, ela é um
tanto superficial, na verdade, porque
eles estão às vezes falando de eh
expectativas ou análises diferentes da
realidade, né? Enquanto a ciência trata
de como as coisas funcionam,
né, a fé ela trata eh do que as coisas
significam.
Que que eu vou trazer? Eu quero trazer
aqui o exemplo da história, que é a área
da ciência que eu que eu domino mais. A
Bíblia, ela apresenta lá os as listas de
reis, por exemplo, ela apresenta eh reis
bons e maus, tá? Então, nós temos lá um
rei muito bom, que é o rei Ezequias.
E temos o filho dele, o Manassés, que é
o pior de todos. Manassés é aquele que a
Bíblia assim desanca como o pior de
todos e reinou 55 anos. E qual é o
critério da Bíblia para dizer que um rei
é bom ou mau? Critério da Bíblia é o
quê? O culto a Deus, a relação com Deus,
com Yahé.
Não é o PIB,
não é a política externa,
não é a economia, não é nada disso.
Quando você vai paraa história, você
descobre que Ezequias é o responsável
pelo fracasso internacional de Israel,
porque ele rejeitou a submissão ao
império assírio por motivos piedosos,
para confiar apenas em Deus. Ele tem o
reino devastado pelos assírios. Eles
cercam Jerusalém e Deus salva Jerusalém,
mas sobra Jerusalém, o resto é
devastado. Manassés, o filho dele, é o
cara que faz a aliança com a Síria,
torna o reino submisso à Síria, né? Paga
imposto, tributo paraa Síria e floresce
em termos econômicos. Ele entra na na
linha de comércio de toda Palestina ali
com o Egito e tudo mais. E o PIB
dispara. É o tempo de maior riqueza. Se
você pegasse qualquer historiador ou
analista de política internacional hoje
e tivesse esses dois rendos, o que que
ele diria?
Que o bom rei, o excelente rei, o cara
que pensou no povo e trouxe prosperidade
pra nação foi Manassés.
Já o Ezequias misturou religião com
política e deu no que deu.
Basicamente isso. Nós estamos lidando
com perspectivas diferentes da mesma
realidade. Apenas um exemplo da
história. Aí podem ir para outras. Então
eu não vejo assim, na minha perspectiva,
um problema tão grande entre a ciência e
a história, simplesmente porque são duas
eh eh entre a ciência e a teologia,
simplesmente porque são duas formas de
abordar a realidade que podem ser
perfeitamente complementares, mas
algumas pessoas estão em crise nisso.
Então podem avançar e tentar entender
com funcionam essas duas realidades.
Outra dúvida que aparece às vezes é com
detalhes da doutrina,
né? A gente tem às vezes uma crise sobre
determinadas questões que nós mesmos
cremos. Às vezes falar sobre um inferno
pode ser difícil. É uma doutrina
difícil. Às vezes tentar explicar,
compreender como é que Deus se torna
carne na pessoa de Jesus de Nazaré não é
uma coisa fácil.
Surgem elementos complicadores que nos
dificultam.
E aí nós temos também de novo que ter o
quê? Uma humildade de compreender que a
revelação de Deus é algo de uma
realidade absolutamente
incognocível
e que vem a nós
para tentarmos assimilar isso de uma
maneira racional que por vezes vai ser
extremamente complicado. Elaboramos uma
doutrina que tenta se aproximar o máximo
da revelação bíblica, mas que não é
absolutamente perfeita. Por isso que vão
ter doutrinas diferentes em cada
denominação, não tem uma variação
doutrinária. E às vezes a gente tem uma
crise sobre determinada doutrina. Faz
parte. faz parte simplesmente porque a
gente está lidando com algo absurdamente
acima da nossa capacidade.
Então, nesses casos, eu recomendo um
pouco mais de humildade,
estudar, ler um pouco mais o que é que
2000 anos de fé estudaram antes e já
refletiram sobre esse assunto, porque
não foi pouco. E pessoas muito melhores
do que eu e do que os irmãos refletiram
muito em cima desses temas. Então, nós
temos aí também um um cabedal de de de
estudos e escritos para nos ajudar
nesses momentos aí. Mas essa doutrina
também não é o que mais me mexe comigo.
Tem gente que sofre com a dúvida diante
do sofrimento.
Quando a coisa pega para valer, aí às
vezes você vai perguntar: "Onde é que tá
Deus?" Agora,
a hora que vem uma doença e às vezes uma
doença terminal,
pode vir uma dúvida, uma crise séria. E
é interessante que para esse sofrimento
muitas vezes eh geralmente
a Bíblia não dá uma resposta muito
clara, muito óbvia.
Jó é um texto em que Deus se apresenta
para ele no final e Deus não explica
nada.
e não dá explicação nenhuma para ele.
Ele vai compreender ali o que que isso
tá acima tá muito acima da possibilidade
dele, né, de de compreensão. E ele só
pode aceitar aquilo que Deus tá propondo
para ele. Nessa questão do sofrimento,
Jesus mesmo diz uma coisa assombrosa lá
no final do do sermão do monte, quando
ele diz o quê? Você não deve andar
ansioso pelo dia de amanhã, não deve
andar ansioso com o que vai comer,
beber, porque Deus tá cuidando, Deus vai
te dar, etc, etc.
Aí ele termina no final com uma frase
que eu acho assim uma bomba nuclear na
cabeça da gente. A cada dia basta o seu
mal.
Ou seja, tem dia que vai ser muito ruim,
tem dia que a coisa vai pesar.
E quem tá falando isso? Jesus é o cara
que teve o pior dia do universo caindo
na cabeça dele.
Mas sabendo desse dia que ia cair na
cabeça dele, ele não deixou de dar
risada e transformar água em vinho lá
num casamento.
Ele não deixou de viver tudo que tinha
que viver até aquele momento. Então ele
sabia. Você vai viver a alegria de hoje,
sabendo que Deus te propôs aquilo e vai
viver a tristeza de amanhã, sabendo que
vai ter um dia ruim. Eles vão vivo.
Então, a gente tá ouvindo sobre o
sofrimento. E essa é a grande resposta
que na minha opinião, a Bíblia dá sobre
o sofrimento, é que Deus decidiu sofrer
por nós e decidiu sofrer conosco na
pessoa de Jesus. Então, nós temos aí não
uma explicação,
mas uma simpatia,
uma empatia.
Deus vem sofrer junto. E nesse sofrer
junto, a gente sabe que tem junto a Deus
alguém que sabe a bucha que ia passar
por esse mundo.
Quando eu tava cuidando com o meu irmão
do meu pai, eh, ele faleceu de fibrose
pulmonar idiopática. Ele já tava com
Alzheimer, né? Então, foram 8, 9 meses
da gente, os irmãos que cuidam de alguém
terminal sabem de você tá velando um
corpo vivo, né? Então, e aí naquele
tempo, eu lembro assim que a oração
ganha outro sentido, porque a oração é
não é mais assim, livra, cura, não sei
quê. A oração é leva, né? Leva que pare
de sofrer. E aí o que fazia diferença,
sabe o que que é? É você saber que
estava orando para alguém que sabia o
que era morrer sufocado.
Essa é a diferença.
Essa é a diferença da da do do
reconhecimento de vocês reconhecerem
outro é a participação física no
sofrimento da pessoa. eu posso
tranquilamente
eh entender o nível do sofrimento de uma
mãe que acabou de perder um filho
recém-nascido. Eu consigo entender isso,
mas eu não posso sentir isso.
Não posso saber na pele. E o meu consolo
para uma mulher acabou de perder o bebê
é um consolo praticamente vazio.
Não explica nada. Agora a minha mãe que
perdeu o primeiro,
quando vai falar para alguém que acabou
de perder o seu filho, aí tem sentido.
Por quê? Eu passei por isso, eu sei como
é. E aí ganha outro sentido. Então nós
temos um Deus que compartilha do
sofrimento com a gente, ele sabe o que
que é. Aí é a grande diferença. Então
assim, embora o sofrimento traga muita
dúvida para várias pessoas, me parece
que ele é aquele que menos agride de
fato, né, a comunidade dos crianças.
Quem passou pelo sofrimento sabe que
você sai,
né, maior desse sofrimento, uma fé mais
aprofundada. Mas finalmente, né, a
dúvida, e agora é uma questão muito
pessoal, a dúvida que me pega mesmo é a
dúvida que vem da igreja.
Essa a dúvida que me que mais me pega é
aquela dúvida que você vê no
comportamento às vezes dos clientes,
principalmente no debate público, né?
Então, eh, é duro às vezes você que tá
trabalhando com ensino bíblico, né? E aí
você faz às vezes um recorte de uma
pregação, uma palavra sua de um minuto,
joga lá no Instagram e vem alguém
embaixo lá e coloca eh, como é que é?
falou pouco, mas transbordou o vaso,
tá? Ou eh limpa a boca com papel
higiênico.
E aí você entra no perfil do cidadão e
tá lá, filho do Deus altíssimo,
pastor da igreja, não sei das quantas.
Aí quando você começa a olhar essas
coisas e começa vendo, né? Tem uma coisa
que eu parei de fazer, graças a Deus,
foi ler comentários,
porque o comentário é o lugar que você
escancara. a porta do inferno, né? Você
dá uma espiadinha lá e Jesus, aí você
para de olhar. Então já já não leio mais
porque realmente é terrível. Mas é ali
que você vai vendo toda a perversidade
das pessoas afumindo. E aí você vai
vendo quase todos, né? Um monte de gente
crente, mas que tá lá destilando o ódio
um pior do que o outro em nome de uma
defesa da fé e da ortodoxia. Aí eu dou
uma balançada.
Essa foi a hora que várias vezes eu já
assim, cara,
eh, restarta e vamos começar porque esse
troço não deu certo. Beleza. Por quê?
Porque nós temos um grande, a nossa fé é
um grande pacote,
né? Ela não é apenas um conjunto de
coisas que a gente acredita, ela implica
numa transformação.
Quando a gente fala que você se
converteu,
vem junto
um uma transformação de vida. Vocês
olham, eu tô transformado por Jesus. E
aí de repente você olha para esses que
dizem que são tocados por Jesus e você
vê ali apenas perversidade. O cara troço
não deu certo.
Você começa a dar uma balançada. Essa é
a que mais me per. Mas ao mesmo tempo de
novo, a gente volta pra Bíblia, porque
aí a gente vê a função dessas narrativas
da Bíblia. Não é só contar a historinha,
nós estamos falando sobre a dura
realidade da vida. Aí outra vez eu
resolvi dar uma olhada na história do
sacerdócio na Bíblia.
A história do sacerdócio é macabra. Ela
começa com Arão. Qual é o primeiro ato
de Arão como esse sacerdote?
Um bezerro de ouro, cara.
Aí vem a história lá do cara. Você tem
sacerdote sendo engolido, depois você
tem Davi, sacerdote tocando na arca,
sendo fulminado. A história do do dos lá
em Juízes, né? O Eli e os filhos dele. É
uma corrupção, é uma bagunça aquele
negócio. Aí vem o Samuel, agora vai dar
certo os filhos dele tudo corrupto aí
também desanda. E a história lá ao longo
da da eh eh do templo lá, do segundo
templo, é uma história absurda. Um rei
pior que o outro, fazendo o que quer com
o templo, não tem um sacerdote que se
levanta contra e diz: "Não, não vai
entrar ídolo aqui dentro.
Não tem um, aliás, tem um só lá no final
e matam ele, né?" Então, ah, não tem,
chega no Novo Testamento, quem é o
sacerdócio? Saduceus
são os caras que mataram Jesus. Olha a
história do sacerdócio da Bíblia. É um
horror. Mas aí você rebomina e vai pro
início. Ao mesmo tempo que tem isso,
você tem lá um Elias e 7.000 que não se
curvaram a Baal lá em Israel.
Você tem, né, o próprio Samuel que
aparece no meio daquela gandaia, é um
homem piedoso, um homem correto. Você
tem Jeremias que tem o sacerdócio de
Jerusalém, apoiando todo o horror que
acontecia em Jerusalém. E tem Jeremias
com uma voz dizendo: "Não, isso tudo tá
errado". Então, ao mesmo tempo que você
tem esse sacerdócio corrompido, você tem
joelhos que não se dobraram a isso, as
duas coisas. E aí você vai entendendo a
realidade
como ela é. Então, você vai se
aproximando não de um mundo idealizado,
perfeito, mas do mundo concreto e real.
E a Bíblia nos apresenta isso. Então a
gente vai descobrindo nessas dúvidas
que, né, há de tudo de baixo, mas que as
coisas são de fato assim. Ela é assim. E
isso, na minha opinião, ajuda a lidar um
pouco mais com essas dúvidas que eu
tenho quando elas surgem dentro da
igreja. Eu acho que a gente consegue
lidar melhor assim. A gente encontra
isso. Por isso que é tão importante para
mim eh essas viagens que eu faço
eventualmente para eventos presenciais.
Porque é impressionante, né? No porque
quando a gente olha a internet, a gente
fica desanimado, tá gente? Na internet é
desanimador. Você você fica com uma
perspectiva, e esse é o problema do
mundo digital, você tem uma perspectiva
que realmente deu tudo errado, cara.
Essa igreja desandou, não funciona. Mas
aí quando você começa a viajar, você
encontra um pastor aqui, puxa vida, olha
o trabalho que tá fazendo. Você encontra
outra pessoa que diz: "Olha, eh, né,
agindo com bondade, agindo bem, sendo um
bom representando o evangélico, não. O
reino de Deus continua vivo, continua
bem e continua muito bem. Então, graças
a Deus por esses irmãos que são luz
realmente dentro das igrejas e continuam
sendo um grande exemplo do evangelho.
Então, assim, em geral, gente,
o que eu quero dizer com isso tudo é que
a fé sim ela pode duvidar.
A gente pode ter por várias razões
dúvidas, receios, medos, tropeços,
porque a fé ela também é um processo que
a gente vai se desenvolvendo,
a gente vai crescendo em fé, a gente vai
amadurecendo essa fé. E vocês vão notar,
e vocês já devem ter notado isso, que a
dúvida que você tinha quando era um
crente aos 15 anos, não é a mesma dúvida
que você tem aos 50.
As dúvidas mudaram.
Aquela dúvida do passado, você vai
olhar, mas que bobagem eu ter achado
isso uma um problema. Não era uma
bobagem na época, era duro. Mas as
dúvidas vão mudando. E elas vão mudando
por quê? Porque nós amadurecemos, a
gente cresceu. Então a dúvida faz parte
dessa jornada. E eu, pessoalmente, eu
desconfio demais do crente que não tem
dúvida nenhuma.
Desconfio demais. Sabe por quê? Porque
eu eu acho que essa pessoa não foi
tocada existencialmente pela fé,
ou seja, ela não tá comprometendo a vida
dela para valer nisso que crê, porque fé
é um ato de coragem.
Você tem que crer. Você tá colocando a
tua vida,
né, à disposição disso que você crê.
Você tá baseando a tua vida nela. É um
ato de muita coragem.
Então, se você simplesmente leva tudo
assim na flauta, como se diz, você sabe,
não tenho dúvida nenhuma, para mim é
tudo tranquilo, eu não sei o quanto você
realmente colocou isso como um
fundamento da vida. Tenho lá minhas
dúvidas. Então, acho que a dúvida ela de
fato nos acompanha, ela vem junto, né?
Então, eh, acho que o Tim Keller fala
isso, né? Uma fé sem dúvidas é como um
corpo humano sem anticorpos.
é a dúvida que te prepara,
porque na certeza você olha a coisa
superficialmente, passou. Agora, quando
vem a dúvida em cima do texto, você vai
examinar, você vai tentar entender, você
vai aprofundar o pensamento. Nessa
aprofundamento,
você vai ganhar novas convicções. Olha,
não, eu tava errado nesse ponto. Eu aqui
acho que tem base isso aqui. Então você
melhora a tua tela, se aprofunda e ela
vai te dar mais capacidade de passar por
esse mundo que não é fácil. Então, como
vencer as dúvidas, afinal de contas, né?
Eh, como passar por isso? Porque a fé, a
dúvida, gente, embora ela seja esse
elemento que está presente na nossa vida
inteira, na nossa caminhada inteira, ela
não é algo a ser buscado,
tá? A dúvida é aprovação.
A gente não pode propor uma hermenêutica
da dúvida, ou seja, eu tudo tem que
olhar e questionar e botar dúvida. Não é
assim que funciona. A dúvida é o
tropeço. A dúvida é aquilo que te
dificulta a caminhada e que vai te
tornar mais forte a partir disso, mas
você não busca.
Então, dar alguns conselhos aqui que
você poderia dar, né? Eu diria em
primeiro lugar, a gente não deve buscar
a dúvida. Não é algo que você tem que
ficar alimentando.
A dúvida bate e você combate.
Não é algo para ficar alimentando,
né? Ela veio e ok, mas ela não é o
centro da minha existência, eu não vou
focar nela. Então primeiro a questão é
essa. Ela não é algo ser buscado, ela é
ela é a dificuldade do caminho. Segunda
coisa, não tenha medo ao mesmo tempo de
pensar e questionar.
A gente não deve ter também daí o outro
lado. Não, eu não posso duvidar e
perguntar: "Não, não, pera aí. Você é um
ser que Deus criou com racionalidade,
né? lá os bereianos, o que que eles
faziam? O camarada falava algo, eles iam
conferir nas escrituras, se
questionavam, queriam ver, olha, será
que você tem base ou não tem? Então, ao
mesmo tempo, sim, a gente deve, né, eh,
pensionar, pensar e questionar sempre,
mas ele não é
um modo de vida, uma busca constante.
Onde é que eu vou achar um furo, uma
dúvida? Não, mas ele está, tem uma
relação de pensamento.
Terceira dica.
Gente, não se preocupe tanto com as
dúvidas, tá?
Não se leve tão a sério.
A gente precisa de um pouco mais de
leveza, sabe? Então, a dúvida bate, mas,
cara, não deixa ela tomar conta da tua
cabeça, cara. Relaxa, velho, né? Deixa a
vida me levar, a vida leva eu. Já dizia
o, né, o poeta, né? Isso não quer dizer
simplesmente levar tudo trivialmente. A
gente não deixa esse troço te tornar uma
obsessão,
né? Então, né? Não te leva tão a sério.
As tuas dúvidas talvez eu tenham sido
sanada para outra pessoa. Conversa com
outras pessoas, né? Uma vez teve um
camarada me mandou um no directo,
tinha visto um documentário, não sei
aonde, de um camarada, de uma tese, uma
teoria de que toda a história de Jesus
evangelhos foram inventadas pelos
romanos para derrubar um mundo judaico
que tava acabando não sei o que lá. Aí o
cara do céu, fiquei assim, ó, 4 anos de
história na URGs, eu nunca ouvi esse
negócio, né,
cara? Fui dar uma pesquisada, né? Aí
sim. Aí você acaba achando essas
loucuras lá em algum lugar, né? Aí você
acha o negócio, descobre, cara, tró
relevância zero, hipótese completamente
descartada e ridicularizada no meio
acadêmico, assim, um negócio que nada.
Aí eu devolvi para ele assim: "Ah, cara,
desculpa, é, tem dúvida que é problema
sério mesmo, mas isso aqui é uma
bobagem. Isso aqui é uma bobagem. Não
tem base acadêmica, não tem base nenhum
atucha isso aqui, cara. Então, se
comporta.
Aí o camarada respondeu assim: "Bá,
desculpe, fiquei até com vergonha aqui."
É, gente, tem dúvida que você tem que
ter vergonha mesmo, sabe? Tem dúvida,
tem que ter vergonha. Vai conversar com
alguém, um pastor, um especialista de
área, que ele vai te ajudar às vezes a
sanar algumas bobagens, tá? Porque tem
bobagem, tem muita bobagem. Então,
também às vezes, gente, não leva tão a
sério a dúvida que não tem. Pode ser uma
senhora bobagem, tá? Aí, outra questão,
quarta dica, seja cético com a descrença
também.
Por que que o mundo tem que ser somente
aquilo que pode ser medido por uma
régua?
Porque uma das coisas que a fé faz é
ampliar o horizonte da existência.
Ela te permite perceber que existem
realidades que não podem ser medidas
simplesmente pela ciência.
Tem realidades do mundo que não cabem
numa fórmula.
As ciências humanas estão muito mais
perto de entender isso, porque elas
percebem, né, que a realidade humana é
mais do que aquilo que você vê na
matéria. Então, a fé expande a nossa
percepção da realidade, né? Então, você
tem que ser cético também sobre essa
descrença. Por que que eu tenho que
duvidar de tudo? Por que que esse cara
que desacredita de tudo tem que estar
certo? Talvez ele esteja errado também.
Não posso duvidar desse camarada. Você
pode duvidar dele também. Então, não dê
também tanto crédito a descrença de
pessoas que simplesmente aparentam uma
grande sabedoria que no fundo talvez não
tenha. Então, não dê tanto crédito a
eles.
Quinta dica, são sete, tá gente? Sempre
esse número mágico aí. Quinta dica,
pense nas certezas, tá gente?
Porque a gente tem dúvida, mas a gente
tem um monte de certeza.
Nós temos experiências do passado. A
gente tem memórias de coisas que Deus
fez na vida da gente. A gente tem
memórias de livramentos de Deus. A gente
tem memórias de bênçãos de Deus. E no
momento da dúvida, essas memórias são
importantes.
Não é por acaso que o centro da da
questão da Torá toda é o quê? Lembra-te
daquilo que Deus fez. Lembra das coisas
que Deus fez. Lembra do livramento que
Deus te deu quando ele não te permitiu
namorar aquela pessoa quando você era um
adolescente.
Aí você descobre que se tivesse casado
com ela, viria ser um inferno.
Olha só como Deus me livrou. Engraçado,
às vezes Deus nos dá um não, né? E a
gente fica todo triste com o não. Passou
30, 40 anos, você olha o passado diso.
Graças a Deus.
que ele disse não para eu estudar
contabilidade. Tô brincando, tá gente?
[risadas]
Tô brincando, né? Graças a Deus, essa
foi uma experiência minha. Graças a
Deus, eu não passei na seleção para ser
office ser boy do Banco do Brasil quando
eu tinha 14 anos de idade, porque me
faltavam 3 meses para ter idade mínima,
eu não entrei. Se eu tivesse entrado,
minha gente, eu seria bancário até hoje.
E o Banco do Brasil acho que tem o maior
índice de suicídios no Brasil, né?
Então, a o desculpa a brincadeira de
novo, tá, gente? Eh, eu estaria lá,
provavelmente seria um bancário e não
teria feito absolutamente nada. Isso
aqui que é produto das crises pelas
quais eu passei. Graças a Deus pelas
crises que eu passei. Então, há certezas
que eu olho para trás e que eu só posso
concluir o seguinte: Deus conduziu as
coisas até aqui. Então, olha para essa
certeza e as dúvidas vêm. Claro que tem
dúvida junto, mas eu sei que ele tá
conduzindo. E aí entra muito esse
aspecto da fé do relacional. Eu tenho um
relacionamento com Deus, tá? Então,
sexto lugar,
gente, não espere ter todas as
respostas,
gente. Tem um monte de coisas que tu não
vai saber.
Tem um monte de coisas, muitas coisas
que não vai saber e Deus não vai te
dizer. Paulo teve coisa que ele viu,
perguntaram para eles, olha, eu vi umas
coisas lá e eu não posso falar e não vou
falar. Ele não diz.
A gente não tem uma uma teologia
sobre a eternidade.
A gente sabe que vai ser eterno e que
Deus vai transformar todas as coisas. A
gente não sabe uma vírgula de como vai
ser.
Não faz ideia. Tem umas pistas aí. Jesus
aparece com o corpo ressuscitado,
atravessa a parede, come,
voa. Não sei, talvez. A gente não tem
uma teologia simplesmente porque Deus
não nos diz.
Ele apenas diz para crer. Todas as
coisas serão novas. Deus vai vir e vai
transformar tudo. Como vai ser? A gente
não faz ideia. E Deus não diz para nós e
não vai dizer. A gente só vai chegar
saber quando chegar lá no final. Então
eu não sei, mas eu confio em quem tá
conduzindo esse negócio. E esse é um dos
principais elementos da fé. Fé não é
saber tudo. Fé confiar que o camarada tá
conduzindo. O camarada é Deus, tá gente?
Então fé é isso. É a confiança. É uma
relação que você tem com ele, apesar das
dúvidas e junto com as dúvidas.
As duas coisas andam juntas. É nesse
caminhar que funciona a fé junto com a
dúvida. E sétima dica
que vem da filósofa Dori, do Nemo,
continue a Nad.
Ela esquecia tudo, vocês lembram?
Esquece tudo, vai. E o que que eu faço
agora? Diz: "Não, continue a nadar.
Continue a nadar". Tem dúvida, gente?
Continue a nadar. Continue orando.
Continue adorando a Deus. Continue na
igreja. Continue lendo a Bíblia,
continue tuvocional,
apesar da dúvida e apesar de às vezes
você orar e achar, cara, não tem ninguém
vindo lá em cima. Continua,
continua a nadar, porque esse Deus
responde e ele vai acabar trazendo uma
solução para tua dúvida. Com o tempo,
ele vai trazer novas dúvidas, mas vão
ser dúvidas mais amadurecidas,
já vão ser outras, porque você tá numa
caminhada, numa jornada de fé. E a Jesus
que tá do teu lado, tá? OK, gente?
Então, Deus nos abençoe.
>> [aplausos]

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