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A fé vem pelo ouvir

Chamado e Insatisfação | Josemar Bessa

Chamado e Insatisfação | Josemar Bessa

Chamado e Insatisfação | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Amém, queridos. Não sou eu que escolho
os hinos que vão cantar, né? Eh, mas se
eu pudesse escolher, certamente eu
escolheria esse. Talvez eu não
lembrasse, mas
porque eu quero falar, eu esqueci do que
quero ser, não é? Eh, eu vou viver por
Jesus, viver por Jesus morrer. Nós
cantamos coisas sérias demais, né,
queridos? Viver por Jesus, morrer por
Jesus. Uma das coisas que mais
característicam eh eh caracterizam a
vida do mundo, do nosso mundo, é
insatisfação.
Ninguém está satisfeito.
Ninguém é verdadeiramente satisfeito e
feliz no mundo. Paulo disse que isso é
assim porque o homem, tendo conhecido
Deus, trocou Deus pela criatura. Então,
um homem colocou uma expectativa nas
criaturas para lhe dar eh tudo aquilo
que a sua alma grita, não é? Então, é
óbvio que ele acredita finalmente que o
casamento vai entregar isso para ele,
que as amizades vão, que o trabalho vai
ou que a carreira vai. E é óbvio que
todo mundo vive insatisfeito,
porque
eh essas coisas não podem fazer pelo
homem o que ele espera. Então é um mundo
de insatisfeitos. Não importa em que
classe social a pessoa está, em que
situação está passando na vida. Ela
pensa: "Eu preciso de mais. Isso não é o
suficiente. Isso não está fazendo o que
eu esperava.
Eh, se isso caracteriza o mundo, o que
devia nos caracterizar? Se o que faz o
mundo ser assim é exatamente ter
colocado expectativas
eh na criatura que só pertencem ao
criador. Então, como é que o cristão
devia ser? O que devia caracterizá-lo
mais? O oposto.
Ele nunca esperar. Quase sempre quando
eh no meio cristão você conversa, é as
mesmas coisas. As pessoas não estão
felizes no seus casamentos. Por quê? Não
é porque seu casamento é um horror. Tem
o casamento que é um horror, né? Mas na
maioria das vezes não é isso. É
simplesmente porque aquela pessoa tinha
mil ideias de que o casamento faria na
vida dela, no coração dela, na mente
dela. E o casamento não faz isso. Ele
não pode fazer isso. Então uma pessoa
não é feliz no casamento.
Ela pode não ser infeliz, mas é não é
satisfatório.
E nem na carreira e nem nas nas amizades
e nem na igreja e nem com as pessoas. Há
uma insatisfação constante. Ela acha que
pode ser por uma razão diferente do
mundo, mas é óbvio que não é. Ela também
fez da criatura eh o seu coração
insensato, fez da criatura aquilo que só
o criador pode dar. E é óbvio que ela
começa a cobrar das pessoas, dos amigos,
dos irmãos, do cônjuge, eh que aquelas
pessoas fossem para ela o que elas não
podem ser. E elas estão vivendo assim,
exatamente como Romanos 1 descreve, como
a humanidade vive. Então, o resultado
natural disso é insatisfação.
Paulo, por exemplo, diz assim: "Eu não
estou dizendo isso porque esteja
necessitado, mas ele tava, né? Porque
aprendi a adaptar-me a toda e qualquer
circunstância. Sei o que é padecer fome,
sei o que é ter fatura. Aprendi o
segredo de viver contente em toda e
qualquer situação.
Isso era óbvio, porque Paulo não
colocava na expectativa de como a igreja
ia ser para ele estar satisfeito, porque
a igreja falhou muito com o apóstolo
Paulo e nem com seus com cidadãos,
porque eles falharam muito e nem com o
seu governo, porque o governo dele era
horrível. Por mais que a gente tenha
governo, governos ruins e temos, eh,
nós, Pedro, Paulo, foram governados por
gente como Herodes, Pilatos,
eh,
eh, Césares, né, Nero,
eles não tinham nenhuma expectativa de
que o governo ia mudar para um governo
melhor. Era algo tirânico, mas ele sabia
estar satisfeito em todo em qualquer
situação. Quer eu esteja bem alimentado,
quer eu esteja com fome, tendo muito ou
passando necessidade. Se cada uma dessas
coisas que ele disse que estava
faltando, ele tivesse colocado nelas a a
condição de fazer só o que Deus pode
fazer, trazer satisfação, paz, deleite
por Jesus viver e por Jesus morrer, é
óbvio que ele não podia estar contente
numa cadeia.
Ah, você vê então o que faz a diferença
entre o mundo insatisfeito,
triste, sem felicidade. E Paulo é pelo
que eles vivem. Paulo podia cantar esse
hino, como eu disse, não sabia que ia
ser esse hino, por Jesus viver e por
Jesus morrer. Ele chegou e dizer assim
em Atos 20:24, não faço questão, não
tenho minha vida por preciosa, contanto
que eu cumpra
o propósito de Deus na minha vida. E a
insatisfação eh eh eu acho que é uma das
coisas que mais vão condenar as pessoas.
Jesus diz assim: "Pelas suas palavras
vocês serão condenados".
Quando a gente, nossas palavras sempre
falam de insatisfação, insatisfação na
vida, no trabalho, no casamento,
insatisfação. Nada tá bom. Nada é um
motivo de agradecimento, não é? De
gratidão. Não sei se está contente em
qualquer situação. Vai ser essas
palavras que a gente fala muito, às
vezes até espiritualizando. Eu não tô te
contando problema para você orar só, né?
Eh, é que vai ser usado contra longe.
Você nunca nunca experimentou outra
coisa. Deus vai dizer. E ele disse, eu
não tenho minha vida por preciosa. Vida
não é só a vida biológica, o instante
biológico que ele está. A vida é tudo
que compõe a vida. O que que compõe a
vida? Compõe a vida é amizades, é
família, é comida, eh as coisas da vida.
Paulo disse, não tem nada disso como de
suprema importância. Com tanto, isso é
viver para Cristo. Mas sobre Paulo que
eu quero falar, eu quero falar sobre
como João Batista fere a nossa
imaginação. Porque o que acontece,
queridos, que quase sempre as pessoas
dizem assim: "Ah, eu quero viver para
Deus. Eu sinto que Deus tem um chamado".
Mas ela normalmente é insatisfeita com
isso. Ou seja, nós conseguimos
insatisfação até com supostamente aquilo
que eu queria viver de maneira mais
direta para o reino de Deus, aquilo que
eu chamo de ministério, qualquer coisa
desse tipo, porque eu também fiz de algo
que é não é o criador, aquilo que eu
acho que devia me dar alguma coisa que
eu acho que não me deu. Então, muitas
pessoas dizem que sente que Deus chamou
ela para isso, chamou ela para aquilo,
chamou aquela para outro, para aquilo
que Deus chamou, ela fala pouco, mas ela
está insatisfeita.
Então você vê que a insatisfação é uma
coisa tão tão eh marcante do mundo, que
até as coisas que supostamente seriam as
mais santas gerem satisfação. Paulo diz:
"Eu não me importo se vou viver e
morrer. Com tanto que quando eu tiver
preso para morrer, eu eu eh dê
testemunho de Cristo assim. Isso sim.
Você vê, ele está satisfeito com o
ministério dele na cadeia e fora da
cadeia. Ele está. E João Batista oferece
e algo incrível. Ele fere a nossa
imaginação. Fere porque quase tudo em
nós aprendeu a chamar de grande aquilo
que parece visível.
E João nasceu para poucas coisas. A
maioria das pessoas, uma vez alguém tava
conversando comigo e falou assim: "Eu,
como é que eu eu eu eh eh eh
Paulo ou o João podiam ser pessoas
plenas? Eles não casaram, não tinham
filhos, não tinham isso e aquilo e essa
pessoa tinha isso tudo. Mas ela tava ali
exatamente reclamando da vida para mim.
Eu falei: "Você é,
você é satisfeito?
Você é mais satisfeita que Paulo?
Mais satisfeito que João?
Só mostra que o que você tá falando não
faz sentido.
Você passou a última hora falando em
quão insatisfeito você é com tudo e você
diz que acha que eles não poderiam ser
plenos porque eles não tinham as coisas
que você tem. [roncando]
E João é assim, ele fere porque quase
tudo em nós aprendeu a chamar de grande.
Até aquilo que a gente fala aqui é o
chamado.
Eh, todos nós temos um chamado de aquele
chamado de Paulo, né? [tosse]
não tem minha vida por eh, com tanto que
eu eh cumpra o meu chamado de fazer
conhecido o evangelho. E a gente pensa
que aquilo que cresce, aquilo que se
expande, aquilo que nunca deixa, aquilo
que deixa uma marca. Nós queremos deixar
uma marca, aquilo que constrói o nome,
aquilo que prolonga a nossa presença no
mundo, quando não estamos presentes ou
quando estivermos definitivamente
ausentes, aquilo que pode ser exibido.
Nós gostamos
de coisas assim, né, queridos. grandeza
eh com arquitetura, grandeza com volume,
grandeza, grandeza com eh eh eh
extensão, grandeza com legado
reconhecível, grandeza com memória
consolidada. João não, ele veio esse
mundo só para ser alguém que
introduziria Cristo.
E isso e eh eh faz a gente ver como João
surgiu como um clarão, um clarão muito
repentino na vida.
vem como uma voz, uma voz que clama
assim, sabe? E aparece com uma
intensidade das coisas que não vieram
para durar muito,
mas para cumprir exatamente o que Deus
determinou. Mostrando que para cumprir
exatamente o que Deus determinou em
nossa vida ser plena, não precisamos que
ela dure muito.
Não parece interessado Jó em construir
para si uma permanência. eh, não parece
inclinado a organizar a própria
importância, não parece movido pelo
impulso de deixar para trás uma obra
humana que seja lembrada. Ele entra, ele
diz a frase para a qual ele nasceu,
aponta para onde ele devia apontar e
some.
Some aparentemente por um motivo banal,
porque uma adolescente dançou
sensualmente
e porque então o rei disse que ela podia
fazer um pedido. Você pode pensar, como
assim uma pessoa que um chamado incrível
pode morrer por algo tão banal? a dança
de um adolescente.
E esse coração de João estranha estranha
e eh profundamente estranho para nós,
para a nossa cultura, porque mesmo
quando servimos a Deus, quase sempre
queremos permanecer um pouco, não
queremos ser um flash. O último que nós
cantamos disse: "Eh, eu quero que meu
nome seja esquecido." Hã, queremos
obedecer, sim, mas queremos deixar uma
assinatura.
Por isso que, como eu disse, até no
servir a Deus, a pessoa tá insatisfeita,
porque ela pensou que Deus chamou ela
para isso, para aquilo, para aquilo
outro. Não foi exatamente como ela
queria. Queremos servir, mas queremos
ser notados, queremos ser fiéis, mas sem
desaparecer demais. E queremos apontar
para Cristo, mas não precisamos ficar
completamente fora de cena ao apontarmos
para ele, não é? Pode sobrar um
pouquinho de brilho aí. João desmonta
tudo isso
e sua vida é uma afronta a qualquer ego
mesmo espiritual, sabe?
uma denúncia contra toda espiritualidade
que usa o nome de Deus, mas que está
insatisfeito ou não, dependendo de como
seu nome também está e seus planos, né,
estão funcionando ali. E
ele é uma crítica a todos nós que somos
chamados por Deus e temos planos para
esse chamado. Quando na verdade, quando
somos chamados, não temos nenhum plano,
não é? João era só uma voz, era só um
brilho rápido, um flash. Ah, e João vive
como quem sabe isso.
E ele sabe, a luz não me pertence, a
história não é sobre mim. E ele vive
como alguém que não nasceu para se
explicar ao mundo, para deixar a sua
marca no mundo. Ele nasceu para não para
elaborar o nome. E
isso lhe bastava
só ser uma voz, uma voz breve, dizer uma
frase e sair do palco. E há uma pureza
rara nisso. Há uma liberdade incomum
nisso. É uma liberdade em comum em
Paulo. Há uma liberdade em comum em João
e uma santidade que ofende
os nossos reflexos que querem servir a
Deus
na conservação eh do nosso eu de alguma
forma e que conseguimos estar
insatisfeitos com quase tudo na vida que
Deus dá, família, amigos, casamento,
igreja, porque nós como mundo fizemos
dessas coisas mais do que elas deviam
ser para a satisfação do coração. Porque
o homem quer ser mais que uma voz.
O homem quer ser uma presença, uma
referência. eh quer ser lembrado, quer
durar no imaginário, eh, alheio, quer
deixar algo de si no mundo, de si mesmo.
João parece satisfeito em deixar apenas
uma direção, apontar, ser uma voz
rápida, breve e sair. Ele não pede que
os homens o contemplem longamente.
Ele só exige que as pessoas olhem para
outro. E é nisso que está a majestade da
sua vida. Então, vivemos num mundo que
mede todas as coisas por acúmulo.
Acúmulo de influência, acúmulo de
presença, de alcance, de obras, de
ministério. Alcance, alcance. Quanto
mais alcance tivermos, é mais na era,
né, da da do do mundo digital, mais
alcance, melhor acúmulo de memória,
acúmulo de resultados que possam ser
vistos, narrados, celebrados, não eh
apontar para alguém, mas que como nós
fizemos isso de tal maneira que isso
sobre nós algo grande para o mundo,
para o nosso mundo, para a nossa cultura
é aquilo que se impõe, né, se destaca o
que ocupa espaço.
é o que deixa a sua marca, deixar a
minha marca é o que se torna
incontornável, não é? É sem poder ser
deixar de ser visto. É o que consegue
permanecer. João parece
exatamente da maneira oposta. Ele
aparece para dizer que essa medida está
torta. Ah, porque sua grandeza não se
explica pela extensão visível que João
teve. Ele foi só uma voz, só um flash.
Não se explica pela sua biografia larga
e longa. Ela não foi. Não se explica por
uma arquitetura impressionante de feitos
humanos. Jesus mesmo disse: "João não
fez nenhum milagre, nenhum.
Não se explica por permanência histórica
no molde que a carne admira. Ele aparece
como aquele clarão, como relâmpago,
abrupto, breve, quase duro, eh,
mais no deserto do que na multidão, mas
com esse peso eterno, com essa
diferença. Há vidas longas e leves
e há presenças extensas que são
totalmente ocas.
Ah, eu queria ter feito isso. Eu acho
que Deus tinha me chamado para aquilo
outro. Então, com as mesmas os mesmos
desejos e, eh, transformando criatura em
criador, aquelas coisas melhores que
Deus dar, é, eh, família, casamento,
irmãos, amigos, enfim, carreira, as
histórias celebradas na terra que não
tem nenhuma densidade no céu. Certamente
há histórias muito maiores na terra do
que a de João Batista. João, porém, tem
densidade, não porque ele eh eh se
protegeu bem, criou uma marca, não
porque administrou com inteligência a
própria permanência,
mas porque se organizou em torno
de uma só coisa, como Paulo, João e
Paulo pode dizer a mesma coisa. Não tem
minha vida por preciosa e tudo que
compõe a vida, com tanto que eu cumpra
aquilo, essa é a sua grandeza. Ele não
vive para durar, vive para cumprir o que
eu vim fazer. Depois que fez podia
partir. Não vive para ser lembrado, vive
para apontar. E isso exige uma santidade
raríssima,
porque
esse é o tipo de coisa que só é criado
por algo que não tem nada a ver com a
nossa cultura, com o nosso mundo, com o
que Paulo chama do presente século mal.
Porque aceitar ser instrumento parece
belo na teoria.
mas fere profundamente o ego na prática.
Ser instrumento significa não ser a
origem
e não ser aquilo que dura. Ah, que
maravilhoso ser igual João. Será? Morrer
com 30 e poucos anos, não ter casado,
não ter filhos,
não ser o centro, não ser destino, ser
apenas uma voz, uma seta, uma
testemunha, ser apenas aquele que diz
com clareza o que precisa ser dito e que
jamais estaria no coração da igreja de
hoje dizer se pudesse dizer uma única
coisa a respeito de Cristo. Então, pouca
coisa ofende tanto a carne quanto isso.
A carne aceita servir, desde que também
possa permanecer,
aceita apontar desde que aquilo tem um
destaque no meio da humanidade.
Ah, eu quando sou insatisfeito com o que
Deus faz na minha vida, quase sempre não
é porque eu não tenho podido falar,
apontar para Cristo, é porque eu queria
que isso tivesse uma visibilidade que
não tem, ou um sucesso, enfim, uma
marca.
aceitar obedecer desde que não seja
eclipsado demais.
João rompe com essa lógica. Ele mostra
que a grandeza mais alta não está em
conseguir que o mundo gire ou olhe para
você ou veja a sua marca. está em
conseguir sair do centro sem amargura,
sem autopiedade,
exatamente por não colocar em nada que
não é o criador
aquilo que eh satisfaz
sem drama, sem ressentimento.
sem ressentimento, mesmo quando sabe que
vai morrer, porque um adolescente fez
uma dança sensual.
João não se impõe,
não constrói monumentos, não ergue uma
plataforma. Ele sabe que a sua função é
preparar o caminho do Senhor. E isso lhe
basta,
porque como Paulo
lhe basta a fidelidade, a razão pela
qual Deus lhe chamou.
Essa é a glória dele. Não a glória da
presença que se alastra,
mas a glória de quem abre espaço, a
glória de quem retém os olhos, a glória
de quem se desvia para o lugar certo.
Ah, agora você imagina, como eu disse,
nós temos tido a capacidade de como o
mundo ser insatisfeito com tudo. E às
vezes somos insatisfeitos até
supostamente naquilo que nós supomos ser
o nosso chamado para alguma coisa, para
ver como a insatisfação infiltra em
tudo. E
o coração humano quer deixar esse rastro
naturalmente, não é?
Mesmo quando fala de Deus, mesmo quando
serve a Deus, mesmo quando se convence
de que está apenas querendo ser útil ao
reino, ainda assim lá no fundo quer
permanecer, quer deixar uma impressão.
Isso é particularmente perigoso
espiritualmente, mais ainda do que
aquilo que o mundo enfrenta ou nós em
tantas áreas, porque ali o ego aprende a
vestir uma roupa santa. A minha
insatisfação, minha falta de deleite em
Deus, parece ser porque eu queria, eu
queria eh eh deixar uma marca ao servir
a Deus, mas só por causa de Deus, não
por causa de mim. Então, é um mal que se
esconde,
aprende a procurar permanência sobre uma
aparência de zelo.
E João, ele desmascara isso porque ele
parece satisfeito em deixar apenas uma
frase e depois ir embora. Imagina se
todo o teu papel na peça fosse só
entrar, falar uma frase embora. Você
pensa, puxa, que papel ridículo. Eu não
dependo nem de tempo para decorar a
frase. Não posso nem colocar toda a
minha minha a riqueza artística minha.
Você só tem uma frase, eu decoro isso em
um minuto. Que tipo de homem vive assim?
Eu vou dizer um homem livre.
Que tipo de homem diz o que Paulo disse?
Não tenho minha vida por preciosa. Que
tipo de homem que diz isso? Um homem
livre,
um homem cuja identidade não depende de
nada que ele faz, nem do seu suposto
e eh eh serviço para Deus. Um homem que
não precisa fazer da própria vida um
monumento, nem deixar uma marca, mas
levar, por exemplo, o hino que cantamos
a sério, né? Eh, eu quero que o meu nome
seja esquecido. Só quero proclamar ti o
homem que sabe que a palavra recebida é
maior do que todas as pessoas que a
carregaram.
A palavra recebida por Moisés é maior
que Moisés. A palavra recebida por Paulo
é maior que Paulo. E assim por diante.
Isso é pureza de intenção. Porque a
intenção impura sempre quer misturar
duas coisas. Isso que é impureza, né?
Quando você diz que uma coisa não tá
pura, ela pode até ficar não ficar feia,
mas misturou algo, não tá puro. Mas aqui
é coisa feia. Duas coisas. A glória de
Deus e a continuação do eu não podem ser
misturados.
Mas João não mistura. Não mistura. Há
nele é uma austeridade quase dolorosa,
uma dureza santa, uma simplicidade
cortante. Ele não quer deixar algo de si
na cena, nada.
Portanto, não importa o tamanho da do
papel dele. Ele quer apenas que Cristo
seja visto. E da maneira que Deus quer
que Cristo seja visto no mundo, o que
vai gerar problemas.
Quero apenas que a frase cumpra sua
função. Quero apenas que a voz
desapareça, porque ele é só uma voz
mesmo. Isso nos fere porque revela o
quanto até nossa espiritualidade é
autocentrada.
Esperamos do própria coisa que a gente
faz para Deus. O que só Deus pode nos
dar. As coisas que supostamente fazemos
para Deus não pode nos dar o que Deus
nos dá. Nosso chamado para servir a
Cristo do mundo não é Deus.
Deus é Deus.
>> [roncando]
>> Podemos falar de Cristo e ainda querer
alguma margem de de contemplação
para nós mesmos e o nosso ânimo ou
desânimo ter a ver com isso e não
simplesmente por poder cumprir
o propósito da vida. Podemos apontar
para o cordeiro e ainda desejar que a
nossa mão,
pelo menos, seja admirada, a mão que
aponta.
Podemos anunciar a verdade e
secretamente esperar que a própria
condição de mensageiro produza uma
admiração que flua da verdade para nós.
E João não quer isso. Ele não eh
compete, nunca concentro, não infla a
sua própria importância com a
proximidade do Messias, não usa o
privilégio da vocação para construir uma
presença. Isso é belíssimo, mas é
humilhante.
Porque você vê que João é um profeta que
continua no nosso meio,
porque mostra que há uma forma de servir
a Deus que é centrada no eu e que todos
nós quando falamos dos nossos desânimos,
estamos na verdade confessando ela.
Ou quando todas as áreas da vida não
somos o que devemos ser, porque o
casamento não é o que devia ser, o
trabalho não é o que devia ser, as
pessoas não são o que devia ser.
Estamos confessando que estamos buscando
nas coisas algo que elas não podem nos
dar. Uma forma de pureza. A gente vê
aqui que não está só no conteúdo
proclamado,
mas no modo como João proclamou. Quer
dizer, ele proclamou conteúdo puro. Mas
a maneira que ele fez isso está de
acordo com o que ele proclama. Um homem
quer ser lembrado pelo que fez. dele
não. João quis que Cristo fosse visto. E
se ele já tinha feito isso, era hora de
de sair. João, então não é apenas um
personagem. Eu acho que João para nós,
ele é um protesto que tá é uma pena que
quando a gente vê João falando, a gente
pensa: "Cara, como João eh eh confrontou
os fariseus, hipócritas, raças de
víboras, João era assim, né? Mas a gente
acaba esquecendo que a gente não tá aqui
para causa dos fariseus. Os fariseus já
morreram há 2000 anos.
João é um protesto para nós contra toda
igreja que fala de Cristo ou pessoa sem
realmente sair da frente dele.
Ou fala de Cristo, mas tá tentando
encontrar o a a a razão final e a
felicidade final em outras coisas. Ainda
que belas, casamento, trabalho, amizade,
irmãos, então vivem satisfeito igual o
mundo. Nunca vai poder dizer: "Eh, estou
satisfeito em qualquer situação." Porque
achamos como mundo que tem coisas que
devem dar coisas para nós que elas não
podem, mas a gente acha que pode. Então,
João permanece como um juízo. Eu
profético. Ele permanece porque ele não
suaviza a mensagem para torná-la
aceitável. Se muitas pessoas tivessem
que dizer uma coisa só para Cristo, a
pessoa pensaria em dizer algo que o
mundo não ficasse ou não olhasse para
ela de maneira muito ruim ou que ficasse
mais de acordo com eh você não ficar tão
mal na fita. Por que que a igreja
deturpa tanta verdade? Porque ela tá
preocupada de como as pessoas vão
receber o que Deus disse.
Porque não há essa essa essa coisa de
João Batista de que olha, eu vim aqui
para falar isso e é isso que eu vou
dizer. Não importa o que vai acontecer.
João, eh,
eh, nós queremos carregar uma palavra
sem desaparecer atrás dela.
Queremos ser uma voz
como João foi. João foi uma voz.
Queremos ser uma voz, mas queremos ser
uma voz memorável. Queremos ser uma voz
que muitos ouçam. Queremos ser uma voz
que se destaque em meio às vozes da
multidão. João desmantela essa lógica. A
sua fidelidade ensina que o mensageiro
só permanece puro quando nunca rivaliza
com a mensagem. De tal maneira que se
aquilo é bem ou mal recebido, por
exemplo, isso não faz a menor diferença.
Há um momento em que toda a verdade e
toda a verdadeira voz precisa aceitar
sua própria redução.
Se vai ser realmente uma voz verdadeira.
Precisa saber que quando o centro
aparece, a nossa função está terminada.
Sabe esses caras que anunciavam a
entrada do rei? Ele depois não ficava
ali na frente do rei, ele saía, não é?
Ele não é o rei.
Mas sem isso nós nos corrompemos.
Sem isso a igreja no mundo se corrompe.
Passa a tratar a verdade como algo que
precisa da sua própria grandeza,
da sua própria voz para funcionar.
Porque de alguma maneira nós acreditamos
pouco na mensagem e começamos a
acreditar muito na voz. E João mostra o
contrário. A força está justamente em
jamais competir. A pureza está
justamente em não se interpor entre eh
Cristo, a verdade. Talvez a igreja
precise eh repreender
eh eh exatamente esse espírito e
reaprender essa forma de grandeza.
Assim, nós teríamos todos os filhos de
Deus satisfeitos.
eh em ser o que são chamados para ser.
Não tenho minha vida por preciosa,
contanto que eu proclame. Não coloco
minhas esperanças de satisfação, como o
mundo fez, da na criatura ou nas coisas
criadas, por mais belas que elas sejam.
E João Batista não está diante de nós
apenas, então, como um personagem, ele
está como um profeta. está diante de
nós, como ele estava diante dos fariseus
da sua época e as pessoas e o povo. Eu
acho que é uma das brevidades mais
majestosas da história. Não porque seja
romântica, não porque seja trágica, não
porque seja exótica,
mas porque é pura.
É pura. Sua vida não pede contemplação
de si, não implora a memória de si, não
organiza um legado, ele aponta
e sai. Isso basta. É isso que ele chama
de
vida. Agora nós chegamos à frase curta
que ele veio falar no mundo. Depois que
ele diz isso, hora de sair do palco.
Ele disse assim em João 1:29, eis o
cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo.
Acabou.
Ele cumpriu a razão pela qual ele
nasceu. Ele não vai viver muito mais.
está próximo de sair do mundo. Essa foi
a frase. Ele veio, viveu aqueles 30 e
poucos anos para dizer isso quando viu
Jesus se aproximando diante de toda a
multidão. Eis o cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo. Agora, há nessa
frase mais do que um título. Sabe quando
você vai introduzir alguém, você dá um
título: "Eis o cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo." Há muito mais. Há
mais do que uma imagem bonita, há mais
do que uma fórmula devocional, há um
diagnóstico, há uma interpretação divina
de condição humana, há uma revelação de
que Deus, que problema Deus considera na
tua vida? Que problema realmente Deus
considera na minha vida? Que problema
Deus considera na nossa cultura? Que
problema Deus considera na igreja? Qual
é o problema que Deus identifica?
Isso é decisivo, porque toda a
apresentação de Cristo carrega também
uma leitura do homem, do ser humano, uma
leitura de mim, de você. Toda forma de
anunciar Jesus se pressupõe alguma
resposta para esta pergunta final. O que
é mais grave sobre nós? O que é mais
importante paraa nossa cultura? O que é
mais importante para cada homem? Qual é
a coisa mais importante?
Se o problema central do homem for
apenas interioridade ferida, então ele
diria: "Eis aí o terapeuta que vai
cuidar das suas feridas emocionais".
Hoje a igreja estaria muito mais feliz
em dizer isso.
Se o problema central do homem for
apenas colapso social, você diria: "Eis
aí o reformador da sociedade".
Se o problema central do homem for
apenas carência, então Cristo será
apresentado como provedor. Eis aí o
provedor de todas as carências. Seria
bom? Não seria? A igreja estaria muito
mais interessada hoje em falar
eh slogans assim. Se o problema central
do homem for apenas falta de direção,
então a frase poderia ser: "Eis aí o
mestre que o mundo precisava". Mas ele
escolhe outra palavra.
Eis aí o cordeiro,
não terapeuta,
não psicólogo,
não reformador,
não provedor. Eis aí o cordeiro.
E quando o céu escolhe essa palavra,
quando o céu escolhe que palavra lá na
eternidade vai introduzir Cristo no
mundo e escolhe cordeiro, a todo
toda o ensino por trás disso. Porque
cordeiro pertence a outro universo. O
cordeiro não pertence ao universo da
autoajuda,
dos meus dramas emocionais.
Não pertence ao universo do simples
aconselhamento para melhorar a vida. O
cordeiro não pertence, não é isso que o
cordeiro faz, mas eh ele não pertence ao
universo da reorganização emocional que
está muito bagunçada para eu ser quem eu
devo ser. O cordeiro não pertence ao
universo da melhoria da minha
performance espiritual que já existe.
O cordeiro não pertence ao universo da
educação moral como solução suficiente
para nós. O cordeiro pertence ao altar.
O altar fala de sangue,
fala de substituição,
fala de expiação, fala de culpa,
fala de juízo suportado,
fala de iniquidade removida no lugar de
outro.
É o peso moral de um homem que não está
apenas sofrendo no mundo,
mas que sua condição grave diante de
Deus,
que faz com que ele faça das coisas,
coloque no lugar do Criador aquilo que
ofende infinitamente Deus é o seu
pecado. É sobre isso que o cordeiro
fala,
é sobre isso que o altar fala, o sangue
fala. E esse é o escândalo, queridos.
Deus não apresenta seu filho em primeiro
lugar pelas urgências que você acha que
tem na sua vida, que o mundo acha, que a
cultura acha, infelizmente que a igreja
acha.
Ele não apresenta o seu filho com a
palavra que fala da urgência que
naturalmente achamos. Não começa
dizendo: "Eis aí o curador das suas
doenças, eis aí o curador das dos seus
casamentos. Eis aí o libertador social.
Eis aí o restaurador emocional, o
curador dos seus traumas. Eis aí o
reorganizador da vida.
Eis aquele que vai resolver primeiro o
que o homem sente ser o que o faria
feliz.
Não, ele diz: "Eis aí o cordeiro".
Ou seja, o homem está pior do que
imagina. Ele não é infeliz por causa do
seu casamento, por causa do seu
trabalho, por causa da não valorização,
por causa disso, daquilo, daquilo outro.
O homem está muito mais comprometido
com o que o destrói, do que ele admite.
Sua dor é real, mas sua culpa é muito
central. Seu sofrimento é verdadeiro,
mas sua alienação moral diante de Deus é
muito mais funda do que as suas
aflições.
Sua ruína principal não está apenas no
que ele acha que padece,
está no que ele é diante de Deus.
Deus, ao olhar para o homem pensa: "O
que eles precisam?
Eles precisam de um cordeiro.
É o que eles precisam. E é por isso que
essa frase fere. É por isso que essa não
é principal mensagem da igreja. Hoje
se fala no mesmo Jesus, mas ele é um
terapeuta, ele é um aconselhador, ele é
um resolvedor de problemas, ele não é o
cordeiro.
Então se hoje a gente pudesse falar uma
frase para o mundo, ela não falaria o
cordeiro, porque isso vai ofender até as
pessoas, vai deixar elas de culpa.
Porque o homem aceita mais facilmente
ser visto como alguém machucado do que
como um pecador rebelde.
Mas se você falar que o homem está muito
machucado e ferido pela vida, ele está
pronto a verdade. Mas se você falar que
ele é culpado, ele vai falar: "Não, não,
não, não, não, não". Então você vê, o
homem está pronto a aceitar a linguagem
do trauma. Se eu passar aqui toda semana
a falar sobre traumas, sofrimento que as
pessoas impuseram, pessoas tóxicas,
pessoas horríveis, todo mundo vai se
identificar. Todo mundo que eu falo é
todo mundo mesmo, né? No mundo todo. O
homem aceita que você fale sobre sua
fragilidade.
O homem gosta da linguagem da crise,
aceita linguagem do vazio, da exaustão,
do Bernaldo,
bornal, colapso, opressão, carência, eh,
enfim,
colapso. Mas a linguagem do pecado rompe
outra camada.
Ele tira o homem do lugar do mero
sofredor e coloca ele como um réu diante
do céu.
Eis aí o cordeiro de Deus.
E sem isso, o cordeiro nunca será
entendido.
Pode ser usada. A pessoa pode achar que
aquilo ali é uma ponte para alguma
coisa, mas não vai ser entendido. Pode
ser citado, pode até ser cantado e ficar
melhor nos hinos do que na pregação e na
vida, mas não ser visto como a maior
necessidade que o homem tem. Eis aí o
cordeiro que tira o pecado do mundo.
Nunca apresentamos Jesus de forma
neutra.
A gente pode dizer: "Ah, eu acredito que
Jesus veio tirar o pecado". Mas não como
Deus está falando. Deus tá falando, ele
veio para isso, porque é isso que é a
única coisa que faz
todo o teu coração não ter o deleite que
devia ter.
Mas quando você como o mundo inteiro,
quando nossa cultura diz que eu não sou
o que devia ser por causa disso, por
causa daquilo, por causa daquilo outro,
por causa do casamento, por causa
daquelas pessoas, por causa daqueles
outros, por daquilo, você vê, eu não
acho que Jesus devia ter sido
introduzido como João realmente o
introduziu.
Se eu não sei Cristo prioritariamente
como um terapeuta da alma, eu estou
dizendo que a grande crise humana é a
sua interioridade ferida,
machucada.
Se eu anuncio que principalmente como um
reformador do mundo, eu estou dizendo
que o problema principal do mundo é a
sociedade, não você.
Se eu não se Jesus sobretudo como um
exemplo moral, eu estou dizendo que o
homem precisa de inspiração, que ele
mesmo tem capacidade de fazer coisas que
o espem diante de Deus ou que Deus
aceite. Se eu anuncio Cristo como
organizador da vida, eu estou dizendo
que a ruína da sua vida é porque tudo
não está organizado, não porque você é
culpado.
Toda cristologia traz consigo uma
antropologia. Como eu não sei o Cristo,
eu estou dizendo como o homem é.
Quando eu digo que ele é um terapeuta,
eu tô dizendo que o homem é alguém
ferido, emocionalmente perturbado.
E é por isso que a frase de João é tão
decisiva, porque nela Deus mesmo toma
palavra sobre seu filho. João não criou
a frase, não criou a expressão, ele é
uma voz, ele não é o criador da fala,
né?
E ao fazê-lo, ele mostra também
o que Deus diz sobre nós. Eis aí o
cordeiro de Deus. É o que Deus mandou
para o mundo.
Isso não é aleatório. Não é só uma
imagem forte, não é só um símbolo belo,
é uma chave do que somos.
nosso mundo, nossas insatisfações, uma
chave que abre o universo moral da
revelação bíblica.
Porque o cordeiro não entra em cena onde
o problema é falta de equilíbrio,
é ansiedade, porque a vida é muito
corrida. Não, o cordeiro não entra
nisso. O cordeiro não se torna central,
onde a crise é apenas motivacional.
O cordeiro pertence ao mundo do altar,
da substituição, da culpa, da oferta, do
juízo, da reconciliação.
Quando Deus apresenta Cristo assim, ele
está dizendo: "A situação humana é
moralmente séria,
é judicialmente grave
e tudo que a sociedade ou você
naturalmente acha que é o seu problema,
não é o seu problema, senão eu
mandaria".
Eis aí o
terapeuta de Deus que cuida dos seus
dramas emocionais.
A situação humana não pode ser resolvida
apenas com ensino, direção, acolhimento.
Acolhimento, né? palavra tão repetida
hoje ou reorganização. O homem precisa
de mais do que ajuda. O homem precisa de
expiação.
O sacrifício
que
eh satisfaz a ira de Deus sobre o
pecado. Mas do que reparo, precisa de
reconciliação diante de Deus. Isso
reposiciona tudo. Porque agora Jesus não
pode mais ser tratado apenas como um
recurso útil para a vida.
Ele aparece como resposta à questão mais
profunda
que Deus está dizendo para nós. Não a
tristeza, não apenas a confusão, não a
opressão, mas a culpa. Palavra tão
odiada
por um mundo psicologizado. A culpa, a
iniquidade, a condenação que o pecado
trouxe para a relação entre o homem e
Deus.
Deus poderia ter escolhido outros
aspectos verdadeiros do ministério de
Cristo. Poderia ter dito: "Eis aí o
curador".
Porque ele foi.
Ninguém fez milagres como ele. Mas ele
não vai ser apresentado assim, porque
não é o que ele veio fazer. Ou a Bíblia
podia dizer: "Eis aquele que restaura ou
eis aquele que alimenta com cinco pães a
multidão.
Eis aquele que vence os poderes do caos
e reorganiza a sociedade,
mas ele não foi isso. Eh, eh, não foi
isso que ele veio fazer de verdade aqui.
Essa não era aquilo que ele falava
quando falava da sua hora. Ele veio como
cordeiro de Deus.
Como o cordeiro, ele veio para caminhar
em direção ao altar.
E isso significa que para Deus o grande
problema do homem, meu, teu, que a gente
fala muito de humanidade, cultura,
igreja e começa a pensar coletivamente,
né? Não, não começa onde o homem sente
mais dor, onde ele sente mais barulho.
Começa onde Deus vê mais profundamente o
coração do homem. E Deus diz: "O homem
precisa de uma coisa". Sabe? A gente
sabe ver Davi dizendo uma coisa peço ao
Senhor. Aqui é diferente. Deus tá
dizendo, o homem precisa de uma coisa.
Uma coisa. Ele precisa de um cordeiro.
Se ele realmente tiver o cordeiro, ele
pode estar satisfeito em toda e qualquer
situação.
Ele pode ser apenas uma voz.
O homem costuma começar pela sua dor.
Deus nunca começa pela tua dor.
Queridos. Comecei falando hoje sobre o
inverno, a dor, a aflição.
E é terrível aflição, não é terrível.
Todos nós sabemos disso. E o homem
costuma começar pela sua dor. Deus
costuma pelo seu pecado. Deus começa
pelo seu pecado, nunca pela sua dor.
Deus nunca acha a nossa dor mais
importante que o nosso pecado.
Então, se nós começarmos pela nossa dor,
nós sempre estaremos começando pelo
lugar errado.
O homem lê a sua vida a partir da sua
carência. Ele sente carência de algo.
Então ele lê a sua vida e sente o que
vai dar ele satisfação. Por isso ele
vive insatisfeito. [roncando]
Deus lê a partir da sua culpa
real. O homem quer uma resposta para
aquilo que mais incomoda ele na
superfície. Deus envia seu filho para
tratar daquilo que condena o seu
coração, o seu centro,
que faz dele trevas e não luz. O título
dado ao filho de Deus expõe a nós. Ah,
tão lindo o cordeiro de Deus. Mas esse
título tá expondo a nós. Ele veio, ele
veio, é um cordeiro para o altar para
ser morto.
Expõe porque mostra que se o filho é o
cordeiro,
então nós não somos vítimas
necessitadas,
nós somos culpados.
Culpados.
E sempre que você lembrar que Cristo é o
cordeiro, sempre que você lembrar a
única frase que João veio dizer no
mundo, eis o cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo, você reorganiza toda a
sua vida na sua mente. Não é tão difícil
guardar João 29, não é? Eis o cordeiro
de Deus que tira o pecado do mundo. Isso
precisa ser dito sem hesitação, sem
frieza, sem simplificação cruel. Por
quê? Porque fome é real, doença é real,
luto é real, exploração é real,
violência é real, miséria é real, ah,
colapso é real, opressão é real,
exaustão é real, a escritura não nega
isso, Cristo não é indiferente a isso,
Paulo não é, o evangelho não manda
dizer que todas essas coisas são meras
ilusões. Pelo contrário, a morte é real,
mas a questão
nunca foi
essas dores existem.
A questão é: essas dores são a raiz
última da crise humana. Essas dores que
fazem o homem ser miserável. Essas dores
que fazem o homem ser insatisfeito.
Essas dores é que faz o homem não ter
paz. Essas dores é que faz o homem viver
ansioso.
São essas dores que faz o homem ter
medo? A resposta bíblica é não. São
terríveis, mas não são.
Podem devastar, mas não são centro. São
apenas sintomas,
expressões, cenários em que a queda
mostra a sua feiura.
Cada sepultura,
abaixo delas há algo muito mais profundo
que é a causa delas. A ruptura do homem
com Deus. E essa ruptura não é apenas
existencial,
não é um desequilíbrio da alma,
nem da da do cérebro. Não é apenas uma
sensação de distância, é culpa real, não
é um desencontro emocional, é rebelião.
Não apenas desordem ambiental, é
desordem interior diante do criador.
Esse é o ponto que fere, porque o homem
moderno aceita ser visto como sofredor.
O homem moderno gosta de passar muito
tempo falando sobre suas dores.
Ele sabe passar muito tempo falando,
narrando seus traumas. Se você puder, aí
fica o dia inteiro falando sobre suas
dores e seus traumas e seus
O homem moderno sabe descrever muito bem
suas carências,
sabe reconhecer sua fragilidade,
sabe admitir colapso, vazio, crise,
opressão, cansaço, estresse, mas resiste
violentamente à outra linguagem, a
linguagem da culpa.
A linguagem que automaticamente aparece
quando a frase é dita: "Eis o cordeiro
de Deus".
Porque ser sofredor preserva alguma
inocência, preserva alguma bondade. Ser
sofredor pode fazer de nós vítimas
diante de mim, ã, diante dos outros.
Ser sofredor permite que eu permaneça
diante de mim mesmo como alguém
basicamente que é ferido por todo mundo,
que não é ajudado por ninguém, que não é
eh eh eh compreendido.
Mas a palavra pecado vai além. Ela diz:
"Você não é apenas machucado pela quebra
do mundo, você é parte dela."
As pessoas não são tudo que deviam ser.
Nem você é.
Você
não é apenas vítima de um mundo
desordenado. Você é o mundo desordenado.
Você não apenas sofre o mal, você abriga
o mal no coração.
Você não é só fruto dos desejos maus de
outras pessoas. Você é fruto dos seus
desejos maus.
Isso desestabiliza profundamente a
autoimagem humana, a sua autoestima.
Sabe?
Tô em moda. Agora ele precisa reconhecer
que a fonte mesma do seu viver foi
comprometida. A fonte, o seu coração, lá
está o problema, que a mente não pensa
em plena luz. Sua mente não está
funcionando em consonância com a luz que
Cristo é, que Deus é, que a vontade não
está se inclinando espontaneamente para
o bem, não está adorando Deus, mas está
fazendo da criatura
e colocando ela no lugar do criador,
que todos os seus afetos foram
contaminados pelo pecado. Não há uma
pureza essencial em seus afetos, nem em
seus desejos, nem em sua vontade.
que a imaginação tua costuma fabricar
ídolos. O meu próximo ídolo vai me fazer
feliz. O meu próximo ídolo vai me
satisfazer. Quando aquele ídolo não
fizer, você vai ficar com raiva dele.
Mas vai criar outro ídolo, porque tua
imaginação é boa de criar ídolos.
E é por isso que a palavra pecado é tão
ofensiva, não porque seja seja gerada,
mas porque ela é certa demais. Ela
atinge demais onde mais dói em nós e
aquilo que nós menos queremos admitir.
Ela nos arranca da posição confortável
de quem apenas padece.
Ela nos força a encarar o fato de que há
algo objetivamente errado entre eu e
Deus. Não é a igreja em Deus, não o
mundo em Deus, não a sociedade em Deus.
Entre eu e Deus há algo profundamente
errado.
Minha insatisfação está fluindo daí.
João está chamando cada um de nós num
cantinho assim. Esquece os fariseus que
estavam naquele dia lá. Multidão. Pensa
em você. João tá te chamando num
cantinho dizendo para você assim no teu
ouvido: "Eis o cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo.
Essa é a tua necessidade.
Algo que não será resolvido apenas por
consolo, terapia, ambiente melhor,
disciplina, educação.
Um homem suporta ser visto como ferido,
mas quase sempre se revolta quando é
visto como culpado.
Porque culpa exige algo que a mera
linguagem do sofrimento não exige. Culpa
exige o quê? Compreensão,
abraço,
terapia. Não, culpa exige
arrependimento, expiação, perdão,
reconciliação, mas precisa de um
cordeiro preso numa cruz.
E é exatamente o que a frase de João se
torna
aí, que ela se torna incontornável, não
é? Se o filho de Deus é apresentado como
cordeiro, então nossas dores, por mais
reais que sejam, não são o nosso maior
problema.
O fato das pessoas não serem tudo que
elas deviam ser não são o nosso grande
problema. O fato de o casamento não ser
uma história encantada não são o nosso
grande problema.
A palavra mais funda na nossa vida é
pecado e ninguém peca por nós.
O cordeiro não é a decoração teológica,
não é um símbolo suave para embelezar.
Quando você tomar da Santa Ceia, você
está dizendo que essa é a verdade que tá
dominando a sua vida, que você realmente
viu Jesus como ele é o cordeiro de Deus
que tira o pecado do mundo. Não é uma
imagem dócil para expirar ternura. O
cordeiro carrega peso. Peso de altar,
peso de sangue, de substituição, de
culpa real transferida. Pela suas chagas
nós fomos curados. O castigo que nos
traz a paz estava sobre ele. Pelas suas
pisaduras, nós fomos sarados. É isso que
cordeiro quer dizer. Essa é a é a
mensagem. Não para pros fariseus lá, não
para pro mundo, não para nós, para nós
todo dia.
É por isso que Lutero dizia: "Deus tirou
o meu pecado, então não importa o quanto
ele male este corpo.
Ele está só sendo coerente.
peso de uma realidade tão grave que nada
menor
Jesus não morreria
pelos efeitos do pecado. Ele morreu por
causa dos pecados.
Ele não morreria para consertar seu
casamento.
O fato dele morrer pelo meu pecado já é
incrível, mas achar que ele morreria por
essas outras coisas
que são consequências de um mundo
horrível, que é consequência do nosso
pecado.
Se o problema humano fosse ignorância,
então bastava o que já tinha, Deus já
tinha dado os seus mandamentos.
Se fosse apenas desorientação,
bastaria um consolador. Por que que em
vez de mandar Cristo, Deus não mandou só
um consolador?
O Espírito Santo tem o consolador. Por
que não veio só um consolador?
Se fosse apenas falta de exemplo,
bastaria um modelo. Ele vinha, vivia,
vivia, vivia, depois acendia ao céu.
Isso significa que a situação é pior,
mas funda, mais séria, mais irreparável.
Não há recurso humano para o problema. O
cordeiro entra em cena não onde o
problema é informacial, né?
Mas onde o problema é judicial,
onde há um juiz, onde há uma sentença,
onde há uma culpa, onde a necessidade
não emocional, mas moral,
espiritual,
não onde falta apenas reorganização, mas
aonde existe condenação.
Isso humilha o homem porque diz que sua
condição não é apenas difícil, é
impossível.
É totalmente impossível solucionar todos
os dramas do coração e trazer satisfação
para o homem.
Não basta instrução, não basta esforço,
não basta reorganização,
não basta nova chance, não basta eh
remendo religioso, não basta autoajuda,
não basta terapia, não basta, não basta,
não basta nada disso. O mal do homem é
profundo demais para essas coisas.
O mal no seu coração, o mal no coração
da humanidade que faz ela ser
insatisfeita em todas as situações.
É muito mais profundo. Se Cristo é o
cordeiro, então o homem está muito pior
do que ele imagina. Essa é a mensagem do
João. Se aquele é o cordeiro de Deus,
então nós estamos numa situação muito
pior.
Há uma escuridão em nós.
Mas a outra metade, se Cristo é o
cordeiro, então Deus foi mais
misericordioso do que poderíamos
esperar.
Imagine se Jesus tratasse dessas outras
coisas e não tratasse do nosso pecado,
nós seríamos tão miseráveis como tu
sempre fomos. Não importa. Não importa.
Por isso que Paulo tá dizendo, eu sei
estar
feliz em qualquer condição, porque na
verdade no fundo não importa se essas
outras coisas funcionassem e eu
continuasse em meus pecados, não
importa.
onde a culpa era tão séria, Deus não
respondeu com silêncio, onde o homem
estava tão fundo, eh Deus não enviou
apenas instrução, enviou provisão,
enviou um substituto, enviou um
cordeiro.
Então, não pense numa imagem bonitinha
quando você pensar num cordeiro, imagine
qual é a mensagem que o fato dele ser um
cordeiro, que o cordeiro fala do altar,
fala de sangue, fala sobre você, sobre
mim, sobre nossa cultura, sobre nossos
filhos. O cordeiro é a união da
gravidade máxima. Quando Deus foi
mostrar a gravidade, a a misericórdia
máxima e mostrar a nossa máxima maldade,
a qual a sua misericórdia iria tocar
para mostrar a glória da sua graça, ele
enviou um cordeiro.
Misericórdia máxima. Porque mostra que
Deus mesmo proveu aquilo que o homem
jamais poderia produzir, o mal que ele
costuma sequer reconhecer.
Por isso o cordeiro deixa de ser símbolo
quando a culpa se torna séria diante dos
nossos olhos. Por isso que nós somos
felizes só de poder tomar do cálice e
comer do pão.
Todas as outras coisas se tornaram muito
pequenas. Quando Paulo diz assim: "Não
tem minha vida por precioso". o
seguinte, é, é óbvio que era precioso
para Paulo viver, comer, ter amigos,
etc. Mas dizendo, comparado ao ao
realmente o qual era o meu problema e
comparado ao que Cristo é, todas essas
coisas são indiferentes. Enquanto o
homem se narrar apenas como ferido, o
altar parece uma linguagem distante. Ele
fala muito de Cristo, toma da Santa
Ceia, mas a ele vai est reclamando que
ele não é feliz porque o casamento não é
como o Hollywood disse, como a sua
carreira não é assim, aquilo lá não é
daquela forma. Ele nem tá sentindo dor,
mas ele pode sentir dor amanhã. Quando a
alienação diante de Deus se torna real,
quando a condenação deixa de ser
conceito e passa a ser um peso, então a
única mensagem que você quer ouvir é a
única que João falou: "Eis o cordeiro de
Deus que tira o pecado do mundo." Davi
era rei. Davi estava no trono ainda.
Davi estava lá com as suas iguarias, com
o seu palácio. Ele diz: "Enquanto eu
calei o meu pecado, envelheci de tão
cansado.
Tudo tava seco dentro de mim.
e se torna necessidade absoluta. O
pecador despertado, não pergunta mais
como Cristo pode ser relevante para o
meu casamento?
O pecador despertado disse: "Eis o
cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo."
Quando Satã vem me acusar, quando
ansiedades vêm, eu aponto para a cruz
ali onde Jesus por mim morreu como
cordeiro de Deus.
que tira o pecado do mundo. A ansiedade
ou aquilo que estava causando ansiedade
fica pequeno, não é?
Aqui o ponto fica fixado.
Cristo não foi apresentado por Deus a
partir das urgências autocentradas do
homem. Se Cristo viesse como aquilo que
o homem acha que é o seu problema, ele
veria como terapeuta, como consolador,
como provedor, como reformador social.
jamais viria como cordeiro, porque o
homem nunca
achou que essa era a sua necessidade.
E
não foi revelado o primeiro, o segundo
aquilo que impressiona a nossa perdã.
Ninguém ficou impressionado. Graças a
Deus, Deus enviou alguém para lidar com
o nosso pecado.
Não, não, não. O homem não achava que
isso era grande coisa. Não vem, em
primeiro lugar moldado pelas categorias
que eh preservam a nossa autoestima.
Graças a Deus, Deus mandou um terapeuta
para finalmente lidar com meus dramas
emocionais.
Veio como um cordeiro. Isso. Decide
tudo. Decide como Deus te lê.
Decide o problema que Deus vê na tua
vida. Decide como Deus nomeia a crise.
Ah, o mundo está em crise. Deus diz: "Eu
sei qual é o problema do mundo.
Ah, eu estou em crise. Eu sei qual é o
seu problema. Eu sei do que você
precisa. Do que eu preciso, Deus? de um
cordeiro.
Você precisa de um cordeiro? Não, não
preciso. Não precisa.
Deus nomeia a nossa crise. Então, Deus
organiza a nossa salvação. Quando ele
vem nos salvar, ele não manda o
terapeuta, o conselheiro, o consolador,
eh, o reformador.
Ele manda o cordeiro.
João disse que quando se virou, ele
olhou. que viu um cordeiro como que
tivesse sido morto. Você vê não um
terapeuta,
não provedor, simplesmente
não milagreiro. Ele viu um cordeiro.
Decide como devemos entender a cruz.
decide como a igreja deve anunciar o
filho. O cordeiro revela que o centro da
crise humana
é o pecado. O centro da tua crise é o
pecado. O centro da tua infelicidade é o
pecado. O centro da tua insatisfação é o
pecado. Aí você pensa: "Não, mas quando
eu faço de qualquer coisa criada aquilo
que ia me dar, o que eu acho que
resolveria meus problemas, isso já é
pecado."
É exatamente a denúncia de Paulo sobre a
humanidade.
Todo o resto é real,
mas
causa pesos, mas não é raiz. Tudo o
resto pode nos quebrar,
mas
não explica porque nós estamos tão
quebrados.
E o que nos explica diante de Deus é
isso. Eu preciso de um cordeiro. Sempre
que você tiver achando que a vida tá
muito difícil, você deve pensar: "Eu
preciso de um cordeiro e eu já tenho um
cordeiro. Eu já estou ouvindo João
dizer: "Eis o cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo".
Então, a maneira de perder o centro sem
parecer que perdemos.
A maneira de continuar falando de Jesus
e ainda assim já não falar dele. Se João
tivesse dito: "Eis aí o terapeuta que
vai tratar vocês emocionalmente, ele
teria falado de Jesus?" "Teria. Era uma
coisa má, não era,
mas ele não estava mais falando a
verdade.
A maneira de conservar palavras cristãs,
vocabulário da fé, atmosfera de devoção,
linguagem de acolhimento,
de amor, de aceitação,
que afasta totalmente da verdade de
Deus. Esse desvio raramente começa com
negações abertas, começa com rearranjos,
com delicadezas estratégicas.
Se eu falar que ele é o cordeiro, todo
mundo vai entender. Eu acho que não é a
melhor maneira de começar.
Então o que acontece? O pecado vai sendo
trocado por categorias aceitáveis,
traumas,
disfunções.
Mas então você não precisa de um
cordeiro.
A culpa vai sendo traduzida por palavras
menos ofensivas.
Não é mais rebelião. A iniquidade vai
sendo reformulada como fragilidade.
As fragilidades humanas.
A queda vai sendo interpretada agora
como ferimento. Como o ser humano é
ferido.
A condenação vai sendo dissolvida em
inadequação,
em ser disfuncional.
A cruz vai deixando de ser necessidade
objetiva e é só um símbolo inspirador.
Não é o lugar do cordeiro.
A graça vai deixando de ser milagre para
culpados. E graça vira uma palavra de
acolhimento genérico.
Ser gracioso. Mas quando na verdade a
graça de Deus é para culpados. Quando
Jesus diz, "Eu não vim para os sãos,"
ele tá dizendo, "Eu vim para os, eu vim
como cordeiro." Se você acha que precisa
de alguma coisa que não é um cordeiro,
eu não vim para você.
O arrependimento vai deixando de ser
porta e vai se tornando um detalhe na
caminhada da restauração. E note, Cristo
ainda tá num discurso.
Esse é o perigo. Ele não é negado
frontalmente. Ele não é retirado do do
vocabulário. Ele não é expulso do
púlpito com violência. Ele é expulso
dizendo que ele é um terapeuta,
não o cordeiro.
Continua sendo celebrado em alguma
medida, continua sendo cantado, mas já
não é quem ocupa o lugar de cordeiro que
tira o pecado.
Quando o homem passa a ser lido,
principalmente como carente, como
ferido, como exausto, como desorganizado
ou como desajustado,
Jesus passa a ser anunciado
prioritariamente, não como um cordeiro
que tira o pecado.
E embora muitas dessas camadas sejam
reais, elas se tornam uma mentira
sobre Deus, sobre Jesus, sobre os
homens.
vai sendo moldado pela sensibilidade do
ouvinte e não pela santidade do céu. As
coisas devem ser moldadas, definidas e
nomeadas pela santidade do céu. Não pela
seu sentimento, não pelas suas
sensibilidades, nem minhas.
Vai sendo construído a partir do homem e
não a partir de Deus. E esses processo
não torna Jesus maior, torna ele uma
farça, uma mentira.
torna o menor, menor na centralidade que
ocupa. Ele veio como um cordeiro.
Ele vai ser lembrado, vai ser cantado. O
hino do cordeiro, o hino do cordeiro.
Ele é o cordeiro morto antes da fundação
do mundo. Ele é o cordeiro.
Mas o cordeiro que responde à culpa real
só pode ser recebido com tremor,
gratidão e adoração e dizendo que nada
mais importa e nem nós temos nossa vida
por preciosa. Se ele é visto como um
cordeiro de verdade.
A dor humana é real. A igreja não
precisa fingir que não vê isso. Não
precisa endurecer o coração, não precisa
olhar para o luto, opressão, doença, e
fome, exaustão,
como se nada disso fosse eh real. e não
importasse.
Cristo chorou, se compadeceu, tocou
feridos, multiplicou o pão, mas a
questão nunca foi se a dor existe. Jesus
sequer precisava vir ao mundo para dizer
que existe dor aqui. A questão é: qual é
a camada última da crise? O que está por
trás de todas as coisas que nós nomeamos
como os mares? Quando a igreja começa a
falar apenas da superfície, ela pode até
parecer mais
eh acolhedora para o mundo, mais atual,
mais acessível, mais facilmente
assimilável, pode parecer mais próxima
das dores que as próprias pessoas
identificam, mas o problema é que elas
não identificam por estarem mortas em
delitos e pecados, que o problema dela
só pode ser resolvido por um cordeiro.
Ao tratar sintomas como se fossem a
raiz,
você perde o evangelho.
Ao começar pelas camadas que o homem já
enxerga, o homem já enxerga que ele é
infeliz. Precisava alguém vir no mundo
dizer que o homem é feliz.
O homem já sabe que é insatisfeito, que
tudo que ele acha que vai resolver o
problema dele, ah, agora, mas eu tô,
minha vida é ruim porque eu sou
solteiro, minha vida é ruim porque eu
não tenho aquela coisa. a vida é ruim
porque aquela pessoa não me quer. O
homem eh eh já sabe essas coisas. E ao
começar pela camada que o homem já
enxerga,
você continua. O homem é cego, não é?
E quando você começa pelas camadas que
ele já enxerga, você não é de nenhuma
ajuda para ele. Ele já sabe, ele já acha
isso.
Então você passa a ouvir as frases
colher sem julgar, aliviar sem expor, eh
passa a tocar a ferida visível sem
descer a fonte da infecção. Ou seja,
Cristo serve como tudo, menos como
cordeiro. Mas ele veio como cordeiro
apenas.
Isso não é amor. Amor é fazer o que João
fez. É olhar paraa multidão, quer elas
sentissem que precisassem ou não disso,
dizer: "Eis o cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo." Não há compaixão
real em deixar o homem pensando que sua
crise é desequilíbrio,
eh eh emocional,
bioquímico,
eh ferimentos e traumas.
e a doença e a morte. Não há fidelidade
em proteger o pecador da verdade que o
humilha, que nos humilha.
Se é exatamente isso é que faz o
cordeiro ser a sua necessidade.
A igreja começa a se descentrar de Deus
quando a santidade divina deixa de
organizar a maneira como você lê o
homem, como você lê a cultura, como você
lê a sociedade. Se você não lê a
sociedade como Deus lê, a igreja já está
deixando de ser igreja. A igreja deve
olhar o mundo de tal maneira que diga:
"O que o homem precisa? O que o mundo
precisa precisa de um cordeiro.
Quando a dor visível ocupa o lugar da
culpa diante de Deus, quando o eixo não
é como um Deus santo, pode se
reconciliar com um pecador culpado,
a fé pode servir as dores que o homem
mesmo já achava que ela eh
que já tinha. pode falar sobre isso, ser
um paliativo, a igreja, ser igual todos
os paliativos e todas as filosofias
humanistas,
mas desloca tudo. Porque agora o homem
não precisa mais ser arrancado da sua
autoleitura falsa. O homem tem uma
autoleitura falsa dos seus problemas, da
sua infelicidade, da sua insatisfação,
do seu medo da morte. Você só está
confirmando a leitura que ele fez, mas
ela é falsa, ela é errada.
E ele não precisa mais ouvir a sentença
que o desmascara. A sentença é essa.
Você precisa de um cordeiro.
Um cordeiro que sangre, um cordeiro que
seja a propiciação, o sacrifício que a
placa ira de Deus.
E quando isso acontece, a igreja pode
até crescer em aceitação no mundo, mas a
verdade se foi
e
se torna confortável, mas não mais fiel.
Porque a ferida central do homem não é
apenas que ele sofre no mundo. A ferida
central do homem é que ele é culpado
diante de Deus. Tudo o resto é só
sintoma.
Não é compaixão esconder isso. Raramente
a perda do centro chega com barulho.
Não costuma começar com negações a
respeito de Deus. Não entra pela porta
da igreja anunciando vamos demolir o
evangelho
não, não, não. É sutil. É troca de
ênfase. É começar a mostrar Jesus não
como cordeiro, mas como coisas que nós
podemos achar boas.
um grande terapeuta,
um grande consolador, um grande
orientador
pela decisão de conservar a forma cristã
nesse vocabulário, suavizar o peso moral
assim que a redução moderna do evangelho
costuma operar.
E é assim que as pessoas vão dizer: "Não
entendo, o evangelho tem sido pregado.
A cruz continua lá, mas ela mudou de
função. Deixa de ser necessidade
objetiva, não? Deixa de ser um altar e
vira só uma imagem
inspiradora. O arrependimento continua
no discurso, mas ele é enfraquecido,
porque eu enfraqueço aquilo que é a
culpa.
Como o arrependimento pode ser
verdadeiro?
Se eu acho que meus problemas são
traumas,
disfunções,
é que as pessoas não são tudo o que
tinham que ser, o mundo não é o que
tinha que ser, os casamentos não são o
que tinham que ser. Se eu acho que esse
é o problema.
A
confessar a culpa vira um detalhe
menor.
Como eu disse, alguém pode passar o dia
inteiro falando para você sobre os
problemas da vida dela sem nunca
mencionar o pecado e sua culpa.
O perdão também permanece, mas ele é
traduzido
para outra para outra coisa. Não soa
como uma reconciliação objetiva, é Deus
sendo só inclusivo.
Não é a cruz
para onde o cordeiro vai.
É experiência de aceitação e alívio
interior.
A graça também continua sendo celebrada,
mas ela muda de densidade. Deixa de ser
um milagre para culpados que não
merecem,
que merecem o inferno. Nós costumamos
muito repetir que todos nós merecemos o
inferno. A gente tem dor de dente e acha
que não merece dor de dente.
Como você podia merecer um inferno e não
merecia uma dor de dente?
Deixa de ser favor soberano, que invade
a ruína, a moral e justifica o ímpio e
passa a ser uma linguagem terapêutica,
onde todos nós somos vítimas machucados
pela vida, que precisam de compreensão e
um terapeuta.
O que chamamos de acolhimento vira uma
coisa difusa
e Cristo inevitavelmente é deslocado.
Continua falando que ele é o cordeiro,
mas nem pensamos mais o que significa
ser um cordeiro e não. E a denúncia que
ele faz passa a ser um recurso para
restauração pessoal, para a ajuda para
reorganizar os nossos afetos, referência
para nós atravessarmos crises,
modelo de espiritualidade, fonte de
sentido, companheiro de jornada, tudo
parece bonito. Tudo isso pode conter
algum elemento verdadeiro, mas quando
culpa é o centro, você precisa de um
cordeiro. E é isso que Deus enviou ao
mundo.
Porque o evangelho não é destruído
apenas quando você nega o nome de Jesus,
mas quando Jesus é reduzido
a lógica do cordeiro para qualquer outra
lógica.
Quando a culpa não está no centro,
quando a expiação não reorganiza a
mensagem, quando você não o ama, não o
ama de todo coração e está feliz como
aquela mulher que quebrou o jarro, que
lavou o pé dele com as lágrimas, porque
ela era uma pecadora. Ele disse: "Quem
muito foi perdoado, muito ama".
Quando a santidade de Deus deixa de ser
a moldura, quando o homem já não é lido
à luz do juízo, mas apenas à luz do seu
mal-estar, da sua aflição, da sua
depressão.
Esse processo é perigoso justamente
porque ele parece moderado, ele parece
gentil, parece sábio, parece até
pastoral.
Mas se o centro mudou, tudo mudou.
Se a nossa única mensagem não é: "Eis o
cordeiro de Deus". Ou Paulo vai usar uma
outra expressão que é a mesma: "Decidir
nada a saber entre vós, a não ser Cristo
e este crucificado, o cordeiro e este no
altar, na cruz".
Porque o evangelho não é só um conjunto
de palavras cristãs, é é uma ordem, uma
profundidade, uma lógica, uma
necessidade, uma gravidade, uma glória.
E quando a culpa desaparece do centro, a
cruz ainda pode continuar sendo
mencionada,
mas ela não governa a mensagem.
Ela não é a mensagem. Eis o cordeiro de
Deus. Não é.
E um Cristo reduzido ainda pode ser
admirado, pelo contrário, vai ser mais
admirado pelas pessoas. Pode ser
procurado, pode ser apreciado, pode ser
usado com entusiasmo, pode ocupar espaço
grande no imaginário,
mas há uma diferença imensa entre um
Cristo admirado como benefício e Cristo
adorado como necessidade absoluta.
Outro dia alguém me diz assim: "Ah, o
meu problema com o evangelho é que eu
gosto de Cristo, mas eu acho a igreja, a
igreja é feia". Eu falei: "Ah, Jesus
também acha. Por isso que ele morreu".
Você
não tá falando nada demais.
Esse é o evangelho. A igreja é feia.
Ela é composta de homens mortos em
delitos e pecados. É por isso que ele
ficou debaixo da ira de Deus. Porque a
igreja são pessoas que eram filhos da
ira.
Um dia ela vai ser sem mácula, sem
mancha, mas ela não é. Ela não será sem
margem nenhuma, porque ela tá
melhorando, mas por causa daquilo que
Deus tá fazendo, ela não tá se
automelhorando.
Jesus pode ser recebido como ajuda, como
modelo, como consolo, como reforço
emocional,
apoio espiritual.
E você pode pensar, nesse nível ele
ainda é valioso, porque estamos falando
de coisas boas, mas não é o tesouro.
Porque o tesouro, aquele que o cara
vende tudo e pega a pérola, o tesouro é
esse. Quem muito é perdoado, muito ama.
Não é quem muito é compreendido.
O homem gosta muito de um Cristo útil,
porque Cristo útil pode ser integrado
aos projetos e necessidades que eu já
achava. que tinha na minha vida
pode ser acionado mais em tempos de
crise.
Um Cristo útil ainda serve ao homem no
centro. Mas o evangelho revela outro
Cristo, não apenas útil, indispensável,
porque ele é o cordeiro
que tira o pecado do mundo.
Indispensável, porque sem ele o altar
ficaria vazio,
a propiciação seria impossível.
indispensável, porque sem ele a doença
da superfície você podia tentar
administrá-la.
Todos esses sintomas eles nunca vão
passar e no final vão matar. Porque se o
pecador eh se se o se o pecado parece
pequeno, Jesus parece só um complemento.
Por isso que a pessoa não vai poder
dizer: "Minha vida não é importante
perto de Cristo porque ele parece
pequeno e minha vida parece muito
grande.
Se a ruína do homem for tratada como um
desajuste administrável,
eh, social, psicológico, emocional,
Jesus será apresentado como um
facilitador
para você se reconstruir. Se a crise não
for mais, se a grande crise da sua vida
não é culpa diante de Deus, então o
cordeiro não serve para nada.
Mas só o cordeiro pode ocupar o centro.
É por isso que Paulo disse que só
pregaria a Cristo este crucificado,
porque só ele responde aquilo que nenhum
outro
outra coisa poderia responder. Não
existe vários remédios para o seu
problema. Você pode pensar que a sua
vida precisa de muitas coisas para você
finalmente ficar satisfeito, mas não
existe. Você só precisa de uma coisa, do
cordeiro de Deus.
Depois disso, quando você vê ele como
cordeiro e muito ama, porque muito foi
perdoado, você pode ser feliz numa
cadeia como Paulo
estava sendo.
Só ele reconcili o pecador com Deus. O
Cristo reduzido pode ser consumido,
mas só o cordeiro vai ser adorado para
sempre.
Eles vão cantar o cântico do cordeiro.
Tu nos lavaste com o teu sangue.
Tu compraste homem de todas as tribos,
povos, lugares. Com o teu sangue tu os
lavaste. Esse é o cântico da eternidade.
Não é nada sobre problemas emocionais,
terapia,
casamento,
porque
o Cristo pregado, que não é exis o
cordeiro de Deus, pode, como todos os
outros remédios, dar fazer o seu pequeno
efeito momentâneo,
mas só o cordeiro de Deus salva o homem,
porque ele tira o pecado.
O primeiro pode ser comparado com outros
recursos para ajudar nessa área, naquela
área, na outra área. O verdadeiro
cordeiro não pode ser comparado com
nada.
O primeiro parece bom, o segundo não
parece bom, parece totalmente
necessário, parece indispensável,
parece o maior tesouro.
Talvez
o outro importante, útil,
mas opcional. Eu não tô com esse tipo de
problema, não tô com aquele tipo de
problema, não sou uma pessoa terrível,
eu não tô passando por esses dramas.
Parece opcional.
Se Cristo é alguma coisa que não um
cordeiro, ele parece opcional. Cada um
vai precisar dele de alguma forma, de
maneiras diferentes. Se Cristo é o
cordeiro, estamos todos nivelados e
precisamos dele igualmente.
Um homem que diz, como Paulo, eu sou o
principal dos pecadores, ele precisa
desesperadamente do cordeiro. Não
importa, é o nivelador.
A perda do centro raramente então
acontece de uma maneira abrupta.
E a maneira como como Jesus, como João
apresentou, Jesus eh, traz tudo para o
centro, concentra todo o evangelho.
No fim, você vê só a severidade de um
cordeiro numa cruz é misericórdia.
Todo o resto não é misericórdia para um
pecador, queridos, porque ele nasceu
debaixo da ira de Deus.
E qualquer outra coisa que você fale
sobre Cristo ou qualquer outra coisa que
você fale que o homem precisa, não vai
tirar ele desse lugar.
Cristo como cordeiro parece uma mensagem
dura, para muitos excessiva, pesada,
mas é a única mensagem salvadora.
Depois que nós falarmos isso, nós não
precisamos falar mais um monte de
coisas.
Depois que João falou: "Eis o cordeiro
de Deus que tira o pecado do mundo, ele
pode ir embora e morrer." Ele não
precisava ficar falando de 1 coisas, mil
problemas da humanidade.
Tinha acabado.
Ele tinha dito tudo que importava nesse
mundo. Paulo diz: "Não tem minha vida
por preciosa, com tanto que eu anuncie
Cristo, o cordeiro de Deus. Não preciso
de outros discursos. Eu já posso morrer.
O mundo não vai perder nada
depois que eu digo o que ele precisa de
verdade.
Deus nomeia nossa ruína porque decidiu
tratá-la. Deus não preserva a nossa
autoestima às custas da verdade que nos
salva. Cristo como cordeiro de Deus. Ele
ama isso. Isso é a sua, isso é o que
mais mostra a sua glória.
Isso nos humilha profundamente, mas não
é sadismo. É a única maneira de nós
vermos o problema e vermos imediatamente
a solução. João tá falando sobre o
pecado, realmente, não sobre todas essas
coisas, mas ele enquanto fala sobre o
pecado, ele está apontando para o
cordeiro que tira o pecado do mundo.
E essa porta não é instrução. Essa porta
não é informação. Essa porta não é um
conselho sofisticado, não é uma terapia
sofisticada, não é um novo método
espiritual, não é uma reorganização
moral do coração, nem um conjunto de
recursos religiosos. Essa porta é o
cordeiro. Jesus não é uma porta como um
terapeuta, ele é a porta como cordeiro
de Deus.
Porque você só pode entrar em comunhão
por essa porta dele como o cordeiro.
Esse é o ponto final. Essa é a palavra
final. Jesus como cordeiro é o fim, é
todo o evangelho. Essa é a palavra
final. Por isso que João pode dizer, era
ele morrer. Ele não tinha mais nada para
dizer que realmente importasse a esse
mundo. Depois que nós proclamamos a
verdade de Cristo, Paulo diz: "Eu posso
morrer". Não tem mais nada importante
para dizer para esse mundo.
A culpa é real, o pecado é profundo. A
condenação não é linguagem antiquada. da
queda não é metáfora.
A ruína, embora grave, só não tem a
última palavra. A ira de Deus como a
pior coisa que existe sobre a criatura
só não tem a última palavra por causa do
cordeiro. Tudo que você falar será
irrelevante.
A única coisa realmente
horrível e destrutiva na vida de um
homem
só pode ser lidado com ela através do
cordeiro, mas nada, mas ninguém, mas
nenhum tipo de sabedoria humana. E essa
é a doçura invencível do evangelho.
Porque a Bíblia não nos conduz ao
desespero, simplesmente
conduz ao desespero de você. Deus quer
que você entre em desespero sobre você
mesmo, sobre a ideia de que o casamento
vai completar a sua vida, o trabalho, a
o nome, o reconhecimento, o abraço, a
organização emocional eh
conduz ao desespero de você mesmo, de
que você vai alcançar de alguma maneira
a a uma vida que vale a pena ser vivida
para depois mostrar que ele é o fim do
desespero.
Mas ele é o fim do desespero de uma
única forma. Eis o cordeiro de Deus.
Ou seja, de quem é o cordeiro, querido?
De Deus. Agora, de quem é o pecado
teu?
Você pode resolver o seu problema.
Você tem um cordeiro?
Não,
o pecado é meu, mas o cordeiro
é de Deus.
Não há nenhuma solução em mim. A solução
vem de um amor infinito, de um
sacrifício infinito, que não sou eu que
fiz.
O pecado é meu. O cordeiro é de Deus. E
aí está toda a salvação. Se você não
quer abraçar totalmente o seu pecado,
Deus não vai te dar o seu cordeiro.
Não há solução.
O cordeiro é dele,
não é seu, você não o merece.
O pecado teu é exatamente contra esse
Deus que também é o cordeiro.
Então, a linguagem do evangelho é mais
forte do que costumamos suportar.
Em nossa suposta fragilidade. João não
diz: "Eis aquele que ajuda o homem a
lidar melhor com o seu pecado". Nem isso
ele diz.
Ah, está aqui alguém que vai lidar com o
seu pecado, te ajudar a lidar com ele.
Não, não, ele não diz isso. Ele diz:
"Ele tira, ele tira".
Não diz e aquele que alivia o peso
emocional da sua culpa. Não diz, "Eis a
eis aquele que ensina uma maneira mais
madura de conviver com as tuas falhas,
de conviver com as suas imperfeições.
Ele diz que tira o pecado do mundo,
tira.
Ele não ajuda
a lhe dar.
Essa palavra é imensa. É imensa. Porque
tirar não é administrar o seu pecado,
não é suavizar seu pecado, não é maquiar
seu pecado, não é dar nomes terapêuticos
para o seu pecado. Tirar não é rebatizar
o seu pecado com outro nome.
Ah, isso aqui não é não é não é pecado.
Mas não, porque eu botei o nome que a
psicologia secular deu para isso aqui.
Isso não é tirar o pecado. Você está
rebatizando ele. Era como eu falar que o
Tomás agora se chama Mário. Ele ainda é
a mesma pessoa.
Tirar é remover. Tirar é carregar para
fora. Tirar é lidar com a realidade da
iniquidade de modo eficaz.
Tirar é tirar tudo que separa você de
Deus, a fonte da vida. E é por isso que
o cordeiro pertence ao altar, pertence
ao sangue, pertence ao sacrifício,
pertence à substituição, pertence ao
juízo suportado, pertence à propiciação
e a expiação.
Há mais para ser dito sobre isso. O
nosso tempo acabou.
Mas você vê quando João tinha uma coisa
para dizer ao mundo, ele disse todo o
evangelho em uma palavra. Hoje a igreja
fala 1 milhão de palavras e não fala o
evangelho.
Depois que a igreja diz tudo que ela tem
para dizer ao mundo, ele fica exatamente
como ele é. Ela dá os mesmos
diagnósticos e resolve que as mesmas
coisas vão poder lidar com essas coisas.
Depois que João falou, ele podia morrer
porque já tinha dito tudo que o mundo
precisava ouvir.
Portanto, você vê que enquanto a igreja
fala milhões de palavras e não fala o
evangelho, João fala uma palavra, uma
frase: "Eis o cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo e todo o evangelho
está lá.
Cristo e este crucificado.
Esse é o que você precisa,
porque como eu disse, tira aquilo que é
teu, teu, teu pecado.
Mas o que faz isso é algo de Deus. É o
cordeiro de Deus. Quando você vê isso,
você muito ama, porque muito foi
perdoado. Vamos ficar de pé. Se tua
graça é um dom, [música]
porque ela tem olhos.
Porque ela me olha de volta.
Eu
[música] tratei tua graça como conceito,
algo que cabia na minha definição.
[música] Mas ela sangra, ela chama, ela
invade, ela tem nome e rompe a
abstração.
Não é ideia, é encontro, [canto]
não é teoria, é presença.
é o infinito se [música] curvando
para habitar minha carência.
E quanto mais eu vejo, [canto]
mais eu deixo de ver a mim.
Cristo,
a forma invisível da graça em mim, o
indivisível se tornando [música]
assim.
Cristo, [música]
[canto]
não há algo que recebo de ti,
mas o próprio Deus vindo [música]
a mim. [canto]
E quando [música] penso que entendi,
tua graça me desfaz outra vez.
Dá-me [música] graça para sentir o
abismo entre eu [canto] e ti. Não para
me perder nele, mas para te ver descendo
até aqui. Dá-me graça [música] para
pedir mesmo quando a voz falhar, porque
até o meu clamor precisa de ti. Para
começar, dá-me graça para colher [canto]
o peso eterno do teu amor, que desmonta
[música] o que eu era e me refaz, meu
criador. [canto]
E quanto mais tu cresces, mais eu
aprendo [canto] assumir
Cristo,
a graça que me encontra antes de mim,
[música] o começo antes do
[canto] meu
ser.
Cristo, [canto]
a resposta antes do clamor. O fim de
mim, o início do amor. [grito]
E tudo em mim que quer permanecer
[canto]
é [música] confrontado pelo teu viver.
Se até minha fome vem [canto] de ti,
[música] então não há parte em mim que
seja livre.
de ti.
Se eu peço, é graça.
Se eu recebo, é graça.
Se eu respiro em [canto] ti
ainda é graça.
>> [canto]

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