Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 08/05

Davar Live – 08/05

Davar Live – 08/05

Legendas automáticas:

Fala pessoal, boa noite aí. Boa noite
para vocês que estão a, quem está
acompanhando a nossa live.
Bem-vindos aí a mais uma live.
E vamos lá, gente.
É,
estava pensando algumas coisas para essa
live aqui. Queria comentar algumas
coisas.
Coisas meio que de notícias.
Que tem a ver com o tema do canal de
alguma forma, né? Um pouco atrasado a,
as notícias que eu vou comentar, mas
acho que vale a pena ainda.
É, e comentar algumas coisas também que
foram colocadas aqui no,
durante a semana no canal.
Boa noite para o Carlos que já está por
aí.
Mateus Dornelas.
O Mateus até falou, estou com uma
questão aqui que achei interessante.
Pode jogar aí. E aí Ezequiel, tudo bom?
Elaine Souza, boa noite.
Deixa eu abrir aqui, aqui.
Teve um outro comentário também essa
semana que eu acho que vale a pena a
gente,
comentar junto também, né?
Nossa, o meu óculos não sei como eu
estou enxergando.
Espera aí.
Aqui a gente tem um, um,
um vídeo aqui que é um corte da live,
que diz o seguinte: O ritual não muda
Deus, mas muda você. É o nome do, do,
do vídeo, né?
E aí uma pessoa comentou, né? O João. Eu
tinha três rituais das quais deixei
dois. Orar pela manhã, orar nas
refeições e orar antes de dormir. Agora
só oro nas, nas refeições. De fato
preciso ser mais grato. Interessante
isso, né? A gente tem esses
rituais que eles,
a gente dá significado para eles, eles
não necessariamente,
são rituais mágicos, né? Aliás, não
necessariamente não, eles nunca são
rituais mágicos,
mas eles são importantes para a gente,
que é o que a gente comentou aquele dia,
né?
Esses rituais são importantes porque
eles nos ajudam a marcar coisas
importantes para a gente, né?
Eh, por isso que a gente faz aniversário
para filho, é por isso que Dia das Mães
todo mundo se reúne.
Não que se reunir naquele dia traga
alguma coisa,
sei lá,
sobrenatural, especial, mística, não,
mas
o ato, a repetição do ato,
ela
tem um efeito em nós, né? A ideia de
repetição é uma ideia interessante, né?
Eh, Jesus fala para nós orações não não
não fazer vãs repetições como fazem os
gentios,
que é uma coisa no sentido de que os
gentios ficavam falando diversas vezes a
mesma coisa, né? Eh, a a
o nas religiões pagãs e tal, então se
você queria uma coisa, você ficava
repetindo assim sem parar quase um
mantra, né? A própria ideia de mantra
vem de um pensamento
que
tem do ponto de vista bíblico seria
considerado um um pensamento pagão, né?
E
>> [limpando a garganta]
>> a ideia de repetição não é nesse
sentido. A ideia de repetição são atos
que acontecem no cotidiano. Essas coisas
são importantes, né?
Quando
quando você tem uma vida mais
organizada, quando você tem uma cabeça
mais organizada, você vai ter mais
rotina e vão ter coisas que você vai
fazer todos os dias.
E as coisas que você faz todos os dias,
elas têm a ver com coisas que você acha
importante.
Se uma coisa você acha importante, mas
você nunca faz nada em relação a ela,
não ela não faz parte do seu ritual,
então ela não é de fato importante, né?
Do do do do da sua rotina, né? Do seu
ritual do dia a dia.
Mesmo que não seja todos os dias, né?
Por exemplo, eu vou às igrejas, minha
avó vai na igreja uma vez por semana.
Então é uma coisa rotineira, é uma coisa
que tem a sua repetição. Não é todos os
dias,
mas é uma coisa que eu considero
importante e ela está dentro da minha
rotina, ainda que não da rotina diária.
Então essas coisas são são
interessantes, né? A gente pensar em
como
as ações que a gente repetem moldam a
gente. As ações que a gente repete, que
a gente faz todos os dias,
não são só uma manifestação do que a
gente pensa, mas elas também influenciam
o que a gente pensa.
É uma via de mão dupla aí. É uma coisa
interessante, né? O que você pensa, você
faz e o que você faz também altera o que
você pensa.
Então rituais
que a gente está usando aqui, os rituais
no sentido coisas que você faz todos os
dias,
também vai incluir os rituais
religiosos,
mas é
a gente está pensando aqui em rituais no
sentido mais amplo, né? Essas coisas nos
afetam e nós afetamos elas também, né?
Daniel Algo Verde, boa noite.
Algo Verde,
boa noite. FH Batista, Gil Pederiva.
O Mateus Dornas vai falar: "É, Herodes
Antipas é idomita, descendente de Esaú.
Jesus é descendente de Jacó. Você acha
que dá para traçar um paralelo igual
fazem com Abraão e Isaque?
Jacó sobreviveu a Esaú, mas seu
descendente foi morto pelo descendente
de Esaú".
Hum, não sei, Mateus. Eu
>> [limpando a garganta]
>> É, assim, eu precisaria dar uma olhada
antes para
para fazer essa esse tipo de relação.
É,
mas assim, a gente tem uma coisa que a
gente costuma separar o que é exegese,
né? Do que é homilética.
Então,
de um ponto de vista homilético daria
para fazer essa relação no sentido de
ah, eu quero tirar uma lição do texto,
então vou fazer uma relação livre aqui,
né?
E tal, dá para fazer esse tipo de
relação. Não necessariamente o texto
estabelece isso, não necessariamente
assim do meu ponto de vista mais
exegético você vai conseguir esses esses
paralelos e tal, mas do ponto de vista
homilético é válido, é válido fazer esse
tipo de comparação sim.
Boa noite aí para o Edinho, né?
Aí ó, a Elaine comenta aqui: "Gosto do
tocar dos sinos nas igrejas nas igrejas
católicas, fazem a gente parar naquele
momento e lembrar de Deus. Gosto desse
ritual". É, pois é, é interessante, né?
>> [tosse]
>> Eu não sei se naquele vídeo a gente
chegou a comentar isso
mas
dentro do catolicismo existe mais
apreço pelos rituais.
Me parece que o protestantismo ele vem
também protestar contra
talvez um um exagero do do do do valor
que se dá aos rituais, mas aí a gente
acabou indo para o lado contrário, não
tem ritual nenhum.
É, nenhum ritual é válido.
É, tudo tem que ser espontâneo.
É, as tradições tem que ser sobrepujadas
pela espontaneidade.
Também acho que não é por aí, daria para
se chegar num num meio termo, sabe?
É, e eu vejo muitos rituais católicos
que eu acho também
acho admiráveis.
Apesar de não de não fazer parte da
minha tradição
religiosa, mas eu acho
bonito, são gestos bonitos, né? O
próprio sinal da cruz, quando você passa
na frente de uma igreja, ou seja, você
manifesta no seu corpo numa ação do seu
corpo
um apreço por algo que você viu, por
algo que você passou na frente que é que
é a na e tal.
Eu acho, eu gosto dessas, dessas
desses pequenos rituais, né? Dessas
pequenas tradições que fazem manter viva
alguma coisa específica dentro da nossa
mente, né?
Mais um comentário que
alguém comentou aqui sobre a a nossa
série de Jó, né?
É, é uma das séries que eu mais gosto.
É, inclusive eu tenho que rever ela,
porque eu vou comentar sobre Jó na minha
igreja esses dias aí.
É.
Mas é isso. Os comentários essa semana
foram basicamente isso, comentários
assim que teria algo para a gente
comentar aqui.
E aí o Mateus Dornelles fala aqui: "Meu
problema hoje com ir à igreja é que
quando eu vou, eu acho as pregações
rasas, muitas das vezes apelam para o
medo das pessoas. Cria aí, mas me sinto
que na internet eu me alimento mais
do que indo".
É, então, Mateus, é difícil
é difícil encontrar uma igreja aqui que
faça sentido para a gente.
É, essa é uma questão. Eu acho, na minha
opinião,
as igrejas estão passando por um momento
meio de crise, no sentido de que
muita gente está saindo das igrejas,
isso a gente está vendo no
nas pesquisas que tem lá no último censo
já se
já conseguiu se registrar um aumento aí
dos não religiosos.
É, o censo de 2022.
É, e
e as igrejas não estão sabendo se
adaptar a isso, entender como se tornar
mais relevante para as pessoas.
Ter uma pregação boa todo sábado, quer
dizer, todo sábado,
no meu caso é todo sábado, mas toda
semana, toda vez que você vai à igreja,
é uma coisa que exige muito esforço da
liderança da igreja.
Uma pregação boa e nova que não é só o
que que você já viu,
né, um tempo atrás,
exigiria que o pregador, primeiro, não é
qualquer pessoa, tem que ser uma pessoa
que tenha um conhecimento, é uma pessoa
que saiba articular as ideias e saiba
falar.
E essa pessoa tem que se dedicar durante
a semana para preparar esse sermão.
Muitas vezes,
os pregadores
acabam não separando esse tempo, por
exemplo, ah, sei lá,
é,
hoje, quinta-feira, é dia de preparar
sermão, eu não posso fazer mais nada, é
é o é um dia,
é, que é a minha, a minha profissão como
pastor, né, ou mesmo que não seja a
única profissão, mas essa ocupação de
pastor me exige que eu separe esse dia
para preparar um sermão, vou passar o
dia estudando, refletindo, durante a
semana já vou pensando em algumas
coisas. Então, esse, exige muito,
imagina, uma vez por semana, um dia por
semana, só ter que se dedicar a estudar
profundamente um tema, é uma coisa que é
difícil. Existe, eu conheço pessoas que
fazem isso,
é, pastores que fazem isso,
mas não é comum, é dif, e assim,
normalmente, o pastor só sendo
carismático, ele já, as pessoas já tão
satisfeitas com o sermão.
Então,
para quem é um pouco mais exigente,
fica mais difícil, sabe?
Sabe uma coisa? A gente comentou
bastante no,
a gente comentou bastante no, no, um
tempo atrás,
na última live,
de algumas crises que eu passei e tal na
igreja, mas uma coisa que fez diferença
para mim é,
quando eu comecei a frequentar faculdade
e ter boas aulas de assuntos profundos,
as, as coisas da igreja perderam
um pouco interesse para mim, sabe?
É,
as coisas da igreja, não as coisas da
igreja em geral, mas normalmente as
exposições de temas, quando alguém tá
pregando, alguém tá fazendo uma
palestra,
eu começava a achar mais raso, porque aí
eu sabia que que era um professor
universitário, uma pessoa que se
dedicou, fez lá o seu mestrado,
doutorado, preparou a aula
e
e tem uma prática naquilo,
dá o dando uma boa aula,
quando eu chegava na igreja, eu pensava
que esse cara tá me enrolando. Ele não
Ele ele ele tá improvisando agora, ele
não
não parou para estudar o que ele tá
falando, né? Ele não se aprofundou no
assunto que ele tá expondo.
Então, normalmente, quem tem mais
escolaridade, na minha percepção,
acaba sendo mais exigente por causa
dessas coisas. Ele
percebe, tendo referências do que é uma
exposição de um tema de alguém que
conhece bem o assunto, estudou aquele
assunto, se preparou,
tendo essa referência, as pessoas se
tornam mais exigentes dentro da igreja.
Então,
no geral,
é mais difícil frequentar a igreja
quando você tem
e e não é só frequentar a universidade
não, quando você tem um senso crítico,
aqui a universidade é um meio de você
desenvolver esse senso crítico, né?
Existem outros também.
Mas, normalmente, quando você se torna
um pouco tem um pouco mais de senso
crítico, é um pouco mais difícil,
né? E
e é claro,
eh, às vezes o pregador é bom, mas não
agrada a todo mundo, ele tem um estilo
que agrada algumas pessoas, tem um jeito
de abordar um tema que agrada umas
pessoas, mas não outras.
Tem questões que deveriam na igreja ir
para além de de só se agradar com o
sermão,
mas nem toda igreja oferece
um tipo de liturgia, um tipo de culto
que você consegue
sentir que você tá fazendo parte de um
diálogo e não só indo assistir uma
programação, sabe?
Isso é uma coisa de que é que também é
difícil uma igreja conseguir
proporcionar isso.
Né? Eu não sei, nunca frequentei uma
igreja católica para ver como que é.
Mas eu ouço, acho que eu eu tenho a
impressão que eu ouço mais de católicos
que eu costumo ir à missa, eu gosto da
missa e tal. Então nem sempre é a
exposição do padre, né? Da pessoa que tá
falando, que é o que torna aquilo
dá sentido àquilo ou não, mas é o culto
em si que em tese, né? A gente deveria
ir para a igreja prestar um culto e não
assistir um culto.
Mas normalmente as igrejas acabam
organizando a a a programação delas mais
no sentido de ser um
um algo para você assistir, quase um
entretenimento do que de fato ser algo
que você participa, né? E é difícil
fazer um um culto
participativo com muita gente, né?
É, eu já frequentei por um tempo
uma comunidade, segui uma uma liturgia
judaica.
Que eu achei muito interessante.
É que tem muita leitura responsiva e tal
e a leitura responsiva ela é bonita, o
texto da da leitura do do
do seder, né? Do do do sidur, do do do
livro de rezas.
É um texto bonito, é um texto que faz um
sentido, ele tá saindo de um lugar e
indo para outro. Então o formato do
culto tem uma explicação lógica.
Chega em algum lugar, sai de um lugar e
chega em algum lugar. Tem o porquê agora
essa oração é feita nesse lugar e não
depois, sabe?
Então isso é bacana, mas as igrejas
protestantes não costumam ter esse tipo
de liturgia muito organizada. Eu vejo
inclusive uma tendência a
até a
a a exclusão total de liturgia.
>> [limpando a garganta]
>> É uma tendência que eu vejo hoje, né? Eu
não sei se é uma tendência que
permanece.
E eu sei que não são todas as igrejas
protestantes que são assim e não
necessariamente também essa ausência
total de liturgia é uma coisa ruim, né?
A liturgia é um dos meios de fazer as
pessoas se envolverem
sentirem que estão prestando um culto e
não indo só assistir uma programação,
né?
Eh, mas é isso.
O Daniel Gouveia ah
algo algo verde, né?
Rituais se lembram mais do Antigo
Testamento pela lei de Moisés do que no
Novo Testamento.
É que os
No Antigo Testamento
o tipo de literatura do Antigo
Testamento é o tipo de literatura que
registra os rituais.
O Novo Testamento é cheio de rituais se
você prestar atenção, mas já são rituais
que são rituais judaicos, dados pelo
Antigo Testamento.
Então, sei lá,
quando fala "Ah, então eles se aram,
fizeram uma benção e comeram".
É.
Falando assim, escrito assim,
não parece muito ritualístico.
Parece que só que você fez uma má oração
falando "Senhor, abençoe esse alimento,
amém".
Sendo que não, esse fazer uma benção é
se refere a um ritual judaico de
Inclusive, essa é uma uma diferença
interessante, né?
A gente pensa normalmente em
pedir para Deus abençoar o alimento,
pelo menos na tradição religiosa que eu
que eu fui criado. A gente ora "Senhor,
abençoe esse alimento" e tal.
E aí você come.
Sendo [limpando a garganta] que a origem
da ideia de
provavelmente essa ideia de de
pedir a benção de Deus pelo alimento
vem desse texto do Novo Testamento que
eles fizeram uma benção e comeram.
Mas o o pensamento judaico é meio que o
oposto.
Aliás, ele é interessante aqui, né?
Quando você vai comer,
por exemplo, você vai comer o pão, você
vai falar "Baruch atah Adonai Eloheinu
melech haolam hamotzi lechem min
haaretz".
Bendito és tu, Senhor nosso Deus, rei do
universo,
que faz brotar o pão da terra.
Então, você não tá pedindo para Deus
abençoar o alimento,
mas
é um é uma é uma coisa que até o
próprio judaísmo entende como ousado,
você está abençoando Deus
porque ele te deu o alimento. Senhor,
bendito és tu, Senhor,
nosso Deus. Você é bendito, Deus. Você
declara
ah,
que Deus é bendito
por ter te dado o alimento. Então, não é
pedir que ele abençoe o alimento, mas é
reconhecer que o alimento é uma benção e
que o Deus que fez o alimento é uma
benção, é abençoado, é bendito, né?
Então, é mais,
é,
agradecer pela benção que é o alimento
do que pedir para ser abençoado o
alimento. Eu, para mim, isso faz mais
sentido. Eu gosto dessa lógica
da do do pensamento judaico, né? O
pensamento judaico é cheio de bençãos
para todos os
a todas as ações cotidianas. Então, tem
a ver com isso de você reconhecer que
Deus é bendito em todos os atos que você
faz. Então, mais do que pedir bençãos
pelas coisas, é reconhecer que as coisas
em si são bençãos, né? Se você for
pensar no sentido de benção, né, que é
algo que é bom, que é algo que é que que
é
não só algo que é bom, é difícil, é, a
explicar o o o
o sentido né, da palavra, a definição da
palavra benção.
Mas normalmente quando você abençoa
alguém, está desejando bem para ela,
de um ponto de vista religioso, né?
É,
e uma benção é uma coisa que em si é
algo bom que você recebe. Então,
em vez de pedir para Deus tornar o
abençoar o alimento, ou seja, tornar ele
bom, é você agradece porque já é bom
você ter recebido o alimento, porque ele
é uma dádiva, né? Então,
Deus te deu essa dádiva. Inclusive,
dentro do da da da ritual ali da da
liturgia do do
da sinagoga,
dependendo da tradição que você é, eu
não sei se é o asquenazitas ou ou
sefaraditas, mas você se curva quando
você fala essa essa frase, né? Baruch
Adonai, bendito és tu, Senhor nosso
Deus.
Porque entende-se que é uma ousadia o
homem abençoar a Deus, né? Mas é mais do
que você estar abençoando a Deus, você
está reconhecendo que Deus é um Deus
bendito, que é um Deus de bênçãos, né?
Então, eu gosto desse jeito de pensar,
né? Eh,
eh, por isso,
no Antigo Testamento,
normalmente você vê o estabelecimento
desses rituais,
e o Novo Testamento, ele vai descrever
assim, muito superficialmente, porque
não é o a ênfase,
pessoas que vivem num con nós num
contexto de uma sociedade onde tem
aqueles rituais, não do mesmo jeito
necessariamente que tem no Antigo
Testamento,
mas é de uma tradição religiosa que bebe
do Antigo Testamento, né? Essas bênçãos
que tem, eh, bendito és tu, Senhor, que
faz brotar o pão da terra, bendito és
tu, Senhor, criador criador do fruto da
vide, e tal, que são bênçãos
tradicionais do judaísmo, elas não
são bênçãos veterotestamentárias, você
não tem no essas fórmulas no Antigo
Testamento, mas elas vêm de uma tradição
religiosa que está fundamentada no
Antigo Testamento, né?
Então,
eh, é importante pensar isso, né? O
os judeus do Novo Testamento, incluindo
aqui Jesus e os apóstolos,
eles vivem uma religião de uma tradição
que vem do Antigo Testamento, eles não
vivem necessariamente
uma religião
do Antigo Testamento, vocês entendem o
que eu quero dizer?
Eh,
é uma tradição religiosa que foi formada
com o tempo, e o próprio Antigo
Testamento são várias coisas, né?
A religião, a prática da religião na
época de Moisés é diferente do que na
prática de Davi, é diferente do que na
prática do pós-exílio ou do exílio.
Então, o Antigo Testamento também não é
uma coisa só.
Não é um uma maneira,
uma tradição religiosa só, né? Você tem
uma história que vai se mudando e aí o
povo vai se adaptando à sua situação e
tal.
E o Novo Testamento incorpora outras
tradições que que foram
eh que foram ali acomodadas nesse tempo
todo, né? Inclusive nesse período
intertestamentário.
Então, você tem um
>> [limpando a garganta]
>> uma descrição de pessoas vivendo num
contexto religioso que tem esses rituais
no Novo Testamento.
Eh mas vocês veem, né?
É um tipo de literatura diferente.
No Antigo Testamento você tem mais esse
esse tipo de literatura
que são listas,
né? Ou explicações de coisas, né? Ou o
próprio texto que é jurídico,
basicamente, né? Falando o que você deve
ou não fazer e tal.
O Novo Testamento já é um outro tipo de
literatura
que são os os evangelhos, as epístolas,
né? Que tem uma outra pegada, um outro
jeito de descrever as coisas, né? Então,
os rituais estão lá.
As pessoas
elas
tinham muitos rituais,
mas não necessariamente o texto do Novo
Testamento está ali explicando
detalhadamente esses rituais, né?
Ah, estou vendo aqui a pessoa que
inclusive tinha comentado sobre a série
de Jó, né? Está aqui esse DJ, né? "Boa
noite, professor. Estou vendo a série
sobre Jó. É ótima. Eu vejo um paralelo
entre Jó e os magos do Oriente em termos
tipológicos. Jó é um sábio, ou seja, um
mago no sentido mais geral do Oriente.
Além de do livro ser, por assim dizer, o
mais universal do Antigo Testamento". é
interessante, né?
>> [tosse]
[limpando a garganta]
>> O
O livro de Jó, realmente, ele é
interessante, por quê?
É um livro do Antigo Testamento e o
Antigo Testamento, ele tá falando de uma
tradição religiosa específica. E o livro
de Jó, ele fica meio que no meio do
caminho.
Porque você não tem uma descrição
genealógica de como Jó tá inserido
dentro do do do do povo de Israel. Não
fala de quem ele é filho, de quem ele é
descendente, quem descendeu dele, como é
a tradição do Antigo Testamento,
basicamente, como eu acho que com quase
todas as suas histórias.
Eh,
então, parece que ele nem israelita é.
Mas, por outro lado,
ele tá amparado dentro do de uma
religiosidade israelita. Então, ele tá
[limpando a garganta] falando do Deus de
Israel, né? Eh,
tem citações mais indiretas sobre
termos, sobre coisas, né, de de
tradições bíblicas do Antigo Testamento.
Mas Jó, também, parece ser um livro
muito antigo.
Ele parece ser um livro muito antigo,
porque os paralelos literários de Jó,
que são textos ali egípcios antigos,
eles são muito antigos.
Então,
eu já ouvi pessoas comentarem que,
talvez, Jó seja um dos livros mais
antigos da Bíblia e tal,
né? É difícil datar Jó, até onde eu
saiba.
Eh,
é muito difícil, por justamente porque
ele não tem esses elementos ancoradores,
assim, fala: "Ah, isso aconteceu depois
do exílio da
Dá pra saber que ele ele faz referência
ao santuário, mas o santuário tá
destruído, então, ele tá no período do
exílio".
Ele não tem muito essas esse tipo de
referência, então,
ele é um parênteses.
Tá contando a história de um homem justo
e é bem o que que a pessoa comentou
aqui. É um livro bem universal
do Antigo Testamento, né?
Não sei dizer se é o mais universal, né?
É difícil comparar essas coisas.
É porque eu também, né, gosto muito de
Eclesiastes e acabo também
também é um livro bastante universal,
né?
O Mateus vai comentar aqui: "Concordo,
tenho um podcast que fala sobre a Bíblia
e às vezes sinto que me preparo mais do
que os pregadores, sem querer ser
arrogante". Ah, falando sobre a questão
lá que a gente tava falando, né, Mateus?
É
exato, então
é difícil achar um lugar onde você vê
que as pessoas realmente se preparam,
né, para trazer a mensagem.
FH Batista: "Por que Jesus disse: 'É
chegada a hora de ser glorificado o
filho do homem, se o grão de trigo não
morrer, quando os gregos desejam vê-lo,
seriam aqueles
quando os uh
por que Jesus diz tal
que é que é glo é
Deixa eu ler de novo. Vamos lá, vamos
lá. FH Bati
FH Bati Ba
FH Batista diz:
"Por que Jesus diz: 'É chegada a hora de
ser glorificado o filho do homem, se o
grão de trigo não morrer, etc e tal,
quando os gregos desejam vê-lo,
seriam aqueles estóicos?"
Então, é
eu não sei se isso tem a ver
necessariamente com o com a escola grega
específica, sabe? Eh
FH Aliás, FH, se você
quiser colocar aí qual é o teu nome, se
é Felipe Henrique ou alguma coisa assim.
Eh
>> [limpando a garganta]
>> eu acho que tem mais a ver com a ideia
de que Jesus
ele fez uma pregação restrita à Judeia.
Né? Ele
eh em em diversos momentos ele fala que
ele
a a
a mensagem dele é dirigida primeiramente
para os judeus.
Mas parece que quando a mensagem começa
a ir para além dos judeus,
é porque é chegado o tempo
de de se cumprir tudo o que estava
previsto, da crucificação, da morte e
ressurreição de Jesus.
Então, quando a mensagem começa a ir
para além da Judeia,
então
é um um
o que parece esse texto indicar é que é
um sinal de que chegou o momento da da
da gente ir para o próximo passo agora.
Que com a morte e crucificação de Jesus
e a ressurreição,
a mensagem de Cristo vai para além dos
judeus e se torna uma mensagem
é para os gentios também, se tornando
universal.
Então, eu acho que é mais nesse sentido.
Eu não sei se tem necessariamente a ver
com o estoicismo
essa ideia de de
da glorificação através da morte,
né? Inclusive,
é
todo o conceito da glorificação através
da morte
de Jesus e tal,
ele é todo esquisitão para o pensamento
grego, né? Independente da escola que
você for seguir.
É, mas mas é por aí.
O Luís Fernando fala: "Os hinos e
louvores têm sido um alento muito mais
muitas vezes maior do que o próprio
sermão". Pois é.
>> [tosse]
>> É é que a gente
a gente se acostumou com essa ideia de
que o sermão é o centro do culto.
Isso vem de uma liturgia que tem um
fundamento bíblico,
né? A liturgia
vocês veem, não tem uma indicação
litúrgica de culto na Bíblia. A Bíblia
não fala: "Olha, você deve começar o
culto com uma oração, depois uma
mensagem musical, depois um hino, depois
não tem isso na Bíblia".
A liturgia vai se formando através de
tradições, como a gente estava
comentando aqui.
Então, existe existe uma lei bíblica que
está lá em Deuteronômio, que é
que
é,
essa lei, é ele está se referindo ao
próprio Pentateuco, né? Essa lei deve
ser lida, acho que de cinco em cinco
anos, que que Moisés fala.
Então, existe um ritual aí estabelecido
em torno da leitura da lei, ela deve
acontecer de tempos em tempos.
>> [limpando a garganta][tosse]
>> Essa leitura da lei, depois ela passa a
acontecer anualmente.
E depois ela passa a acontecer todas as
semanas, mas não se consegue ler a lei
inteira toda a semana, então o que que
você faz?
Você quebra ela em pedaços e você lê.
Então, o o culto começa a se organizar
em torno desse ritual de leitura
da lei,
leitura do Pentateuco.
E aí,
é,
quando as pessoas se reuniam para ler o
Pentateuco, para esse ritual,
você começa a criar apêndices, a gente
tá aqui reunido, então vamos a gente faz
uma oração e vai ler, aí a gente faz uma
oração e vai cantar uma música e vai
ler, e aí você vai criando uma liturgia
em torno daquilo que seria o centro, que
é a leitura, a exposição do texto
bíblico, que é a palavra de Deus.
Com o tempo, no ritual da sinagoga,
isso aqui já é pós-exílio, né? É,
é, no exílio você tem muito essa ideia
de que agora a gente não tem mais o o
santuário, a gente vai ter que fazer
esses rituais em outros lugares, aí se
cria a ideia de sinagoga, são lugares
onde as pessoas se reúnem
e mantém uma liturgia viva para se
relembrar da sua tradição religiosa que
foi interrompida com a destruição do
templo.
Lembra, tudo era muito centralizado no
templo, né? Até a destruição do do do do
santuário.
Então, se adaptaram
fazendo reuniões em em pequenas casas,
depois casas de oração,
lugares dedicados a você manter esse
ritual, e quando eles voltam do exílio
esse hábito continua.
É,
e aí você tem junto da explana, da
leitura do texto, você tem um comentário
que se fazia.
A gente tem uma referência a essa
tradição quando Jesus lê o texto de
Isaías e todo mundo fica parado olhando
para ele esperando qual vai ser o
comentário que ele vai fazer sobre o
texto, né?
E com o passar do tempo,
a própria leitura do texto
foi tirada da liturgia da igreja, porque
eh, as pessoas não, por que que era
importante a leitura pública do texto?
As pessoas não tinham a Bíblia em casa,
né? Você não tinha
lá a a prensa de tipos móveis do
Gutenberg antes de 1500.
Então, você não tinha um livro em casa,
a Bíblia inteira em casa, ninguém tinha
a Bíblia em casa.
Então, a Bíblia era uma coisa que exigia
muito trabalho de se manter e ela ficava
guardada na sinagoga.
É, o
o Pentateuco e
os outros livros do Antigo Testamento,
né? O o
a Torá, Nevi'im e Ketuvim. Torá,
os profetas e os escritos.
Então, normalmente [limpando a garganta]
você tem lá ali um rolo da Torá, você
tem
os rolos dos livros dos profetas e rolos
de livros dos escritos. Então, você tem
alguns rolos
lá guardados na sinagoga e você lia
isso, então, para você ter algum
conhecimento bíblico, você tinha que
participar da liturgia, você tinha que
ir na sinagoga e ouvir as pessoas lendo
o texto bíblico.
Entende?
Então, isso era a exposição do texto
bíblico, a pessoa lê o texto para você
conhecer ele.
Depois que foi, você se tornou muito
comum as pessoas terem o livro dentro de
casa, né? Todo mundo hoje tem uma
Bíblia, hoje você tem Bíblia online,
você não precisa nem ter a Bíblia para
você acessar ela.
A a ideia de você ler publicamente o
texto também vai se perdendo o sentido.
Então, as pessoas
a parte que era o comentário sobre o
texto bíblico acaba tomando o lugar da
da própria leitura do texto bíblico e a
gente vai tendo, então,
o O era o o centro ali de da liturgia,
que era a leitura do texto, acaba dando
lugar
pra explanação sobre o texto. E aí vira
o sermão. O sermão acaba virando o
centro do do
eh
do centro da da da da liturgia do culto.
E se a gente for parar pra pensar
também, nem isso necessariamente é uma
coisa assim fechada, dogmática na
Bíblia.
Você pode fazer um um culto que nem tem
explanação do texto. Você pode fazer um
culto só musical, pode fazer um culto só
de oração.
Eh, então essa ideia de trazer um uma
uma explicação sobre o texto, que seria
o sermão, também é uma ideia que é
construída pela tradição religiosa
posteriormente. Não é uma ideia ruim.
Mas eh não é uma coisa assim escrita em
pedra, que a gente não pode variar isso.
Não, isso já é uma variação
do da leitura do
pública do texto que tinha antes,
entende?
Então assim, a gente
fica nessa situação.
É difícil você ter bons sermões,
porque um sermão exige trabalho, um
sermão exige cultura, conhecimento da
pessoa que tá fazendo o sermão,
eh dedicação e tal,
né? E por outro lado também, o sermão
ainda é o grande paradigma que a gente
tem de culto. Você vai no na igreja pra
ouvir um um bom sermão,
né? Eh
a nossa experiência religiosa na
no contexto de igreja se dá muito
através dessa ideia do sermão.
Então é difícil a gente fugir disso e a
gente fica nesse dilema, né? Quem é um
pouco mais
criterioso
com o sermão, com as explanações
públicas,
fica se sente mais
eh menos à vontade de ir na igreja,
sente menos vontade de ir na igreja, né?
Sente mais que quando tá na igreja fala:
"Puxa,
a pessoa nem se preparou, não nem
precisava tá aqui".
Que eu acho interessante inclusive a
ideia de
a igreja em si é uma ideia que é meio
não é muito comum na nossa época.
Você não tem muitos lugares onde você
entra
e são vários bancos virados para o mesmo
lugar e lá na frente tem uma pessoa que
está falando e todas as outras estão em
silêncio ouvindo essa pessoa falar.
A gente hoje tem tanta informação, tanta
gente com
com tanta bagagem podendo falar na
internet, a gente podendo ouvir que
se você for parar para pensar você sair
da sua casa e sentar em um lugar para
ouvir uma pessoa falar, essa pessoa tem
que estar muito bem preparada,
né?
Então realmente eu acho que talvez a
igreja não não tenha acompanhado a
exigência
que se impôs
pela forma que a gente vive hoje,
pelo próprio formato da igreja, né?
Exigiria muito você ir sentar e ouvir
uma pessoa falar, todo mundo em silêncio
ouvindo uma pessoa falar e essa pessoa
nem está falando algo muito
interessante, você começa a questionar
por que que eu saí de casa, né? Difícil.
O FH Batista diz aqui: "Sobre o livro de
Jó, o que acho mais interessante ele ter
praticamente cumprido o Novo Testamento
vivendo na Antiga Aliança.
Suas defesas são praticamente tudo que
Jesus fala no Sermão do Monte
e em outro e em outros".
É, é,
pois é, né? O livro de Jó, nossa, já
deixei ter um monte de comentário aqui
já já
mais para frente aqui. O livro de Jó ele
é interessante porque ele é a discussão
sobre um tema
que é a justiça retributiva divina.
Então esse é o tema central de Jó,
que é o seguinte:
vive, a pessoa vive bem porque ela
porque Deus está recompensando
e está acontecendo coisas ruins com ela
porque Deus está punindo,
né?
O que em alguns textos do Antigo
Testamento parece ser essa lógica que
está sendo colocada, o livro de Jó vai
questionar, né? E o grande
questionamento de Jó é: eu não mereço
estar passando pelo que eu estou
passando. Eu sou uma boa pessoa, não fiz
nada para para merecer uma coisa tão
horrorosa.
Minha vida está sendo destruída na minha
frente.
E os amigos de Jó, o livro inteiro
falando: "Não, Jó, se tu, olha, você tem
que, você tem que,
é, falar o que que você fez de errado,
né? É, você tem que, é, confessar
o seu pecado e tal e pedir perdão,
porque, é, por isso, alguma coisa
aconteceu para você estar passando por
tanto problema, né?"
E Jó, o livro inteiro falando: "Não, eu,
não é isso, não é isso. Eu quero uma
explicação de Deus, porque dentro dessa
lógica não está fazendo sentido". E no
final do livro Deus fala para Jó,
é,
Deus aparece para Jó, fala com ele
e fala para os amigos dele: "Olha, vocês
vão ter que pedir perdão
e Jó vai interceder por vocês, porque
vocês não falaram o que é justo sobre
mim".
Ou seja, o o livro todo é um, é um
grande argumento no sentido de que
a justiça retributiva divina
não é o mecanismo pelo qual Deus
Deus se relaciona com a humanidade. Você
está passando por um problema muito
ruim, isso não é uma punição divina.
Está dando tudo certo para você, isso
não é necessariamente uma, uma
uma
um, um, um presente divino porque você
foi uma boa pessoa.
Então,
esse é um tema interessante em Jó aí o
Novo Testamento vai falar isso mais
claramente, né? Tem até o texto que
Jesus fala: "Olha,
é, os discípulos chegam: "Essa pessoa
aqui tem essa deficiência, quem pecou
foi ele ou os pais dele, né?" E Jesus
falou: "Olha, nenhum dos dois, isso aqui
é,
é para, para a glória de Deus se revelar
através dele, né?"
Então, é um,
é, essa passagem, ela
tem bem a ver com o espírito do livro de
Jó,
né?
É, a gente está imerso em um mundo de
mistério, a gente não sabe o que está
acontecendo. O que que estava
acontecendo com Jó estava muito além da
compreensão dele, não fazia ideia
de que o que estava acontecendo estava
em um, era um evento cósmico, além
dessa, dessa esfera de realidade.
Né, é, então a explicação dele não tinha
a ver com esse mundo, né?
Então
a gente também lembra da, tem que ter
uma questão de humildade também, que não
é porque
no final Deus faz uma série de perguntas
para Jó,
Jó estava o livro inteiro pedindo uma
resposta para Deus, e quando Deus
aparece Deus faz um monte de pergunta
e Jó fica sem resposta nenhuma e e aí Jó
admite, agora, agora eu ouvia
>> [limpando a garganta]
>> eu conhecia Deus só de ouvir falar,
agora eu estou vendo ele com meus
próprios olhos.
Então é na dúvida, é na falta de
respostas
que você tem um contato com o divino
muito mais do que
quando
tem um monte de certezas escancaradas na
sua cara, né?
Eu gosto bastante do livro de Jó, livro
bem interessante.
O Carlos coloca aqui, o protestantismo
em geral dessitualizou a celebração,
precisamos reconhecer isso, sem dúvida.
Sem dúvida, Carlos, e fez isso assim,
propositalmente, né?
É
é, isso é, faz parte do, do
do, do, do pensamento ali do,
do protestantismo.
Gente, eu estou ficando cada vez mais
escuro ou é impressão minha?
Ah, sim, eu estou ficando porque essa
luz aqui está apagando
porque ela está fora da, da fonte de
energia.
Pronto.
Estava mais clarinho um pouquinho, eu
estou ficando mais escuro.
Aí o BR Raízes 96 diz, boa noite. Acho
muito engraçado esses nomes, né, que a
gente tem na internet porque é uma
pessoa que está lá, colocou um nome por
algum motivo, eu tinha um e-mail muito
tempo atrás que também era um nome que
na época fez sentido para mim.
Né,
é, e às vezes a gente vai colocar o
nosso nome e obviamente já tem outra
pessoa com o nosso nome que pôs antes,
né? O BR Raiz 96.
Boa noite, sou inscrito no canal já faz
um já um tempo e te recomendo a leitura
do livro O Mundo As, ah, tá.
Eh, sou inscrito no canal já um tempo e
te recomendo a leitura do livro O Mundo
Assombrado Pelos Demônios do Carl Sagan,
né? Escrito pelo cientista Carl Sagan.
Vale a pena a leitura.
Então,
eh, eu nunca li esse livro, mas eu
conheço muitas ideias que tem nele.
E são interessantíssimas, né? O Dragão
da Garagem, né? E tal. Eh,
a maneira como ele se relaciona com o
pensamento científico, isso é
interessante até por causa do seguinte.
Eh,
por isso daqui é uma coisa boa, eh,
se eu ler esse livro um dia eu vou
trazer ele para cá essa
essa série de questionamentos.
Antigamente o o o pensamento religioso,
ele residia
no mistério físico, vou eu vou chamar
assim. Ou seja,
você tá sentado à noite lá na sua
aldeia, na na sua tribo, na sua no seu
acampamento
e você vê o mato se mexendo
e você não sabe o que é.
Então, você atribui um valor religioso
àquela àquilo são demônios. Eu vejo um
vulto voando, eu não sei o que é. Ah,
isso daqui são demônios, são espíritos,
são seres
sobrenaturais.
Então, se atribuía muito
o valor espiritual das coisas
a elementos que eram não explicados.
Então, elementos que você físicos,
naturais, mas que não tinham explicação.
A a própria natureza, é porque a
no pensamento antigo, a natureza era
sobrenatural, por mais
por mais contraditório que é essa frase,
a natureza ser sobrenatural,
porque não existia essa divisão de
natural e sobrenatural, porque você não
tinha explicações para os fenômenos
físicos da forma como a gente tem hoje.
Então, você via um fenômeno, por
exemplo, você via o sol, uma bola de
fogo flutuando no céu.
Você fala: "Bom,
não tem bolas de fogo flutuando por aí.
Então, aquilo é uma exceção
ao mundo natural, aquilo é sobrenatural.
Então, aquilo é uma manifestação divina,
aquilo é um Deus".
É, aí cada cultura vai ter lá o Rá, vai
ter o Shamash, vai ter o Hélios.
Dependendo da cultura que você está,
você atribui o sol a um Deus diferente.
Porque os fenômenos naturais,
é, você não encontrava uma lógica por
trás deles.
Então, você não conseguia prever eles.
Então, tudo parecia
uma manifestação
de uma personalidade.
É, uma manifestação pessoal. Então, eu
estou parado aqui, está tudo bem, aí
daqui a pouco eu vejo que o céu está
mudando e vem uma tempestade. Falo:
"Olha,
Zeus está bravo, está jogando os raios
lá de cima com a mão dele, né?"
É, e também depende da cultura. Ou Zeus,
né, que é um é um Deus da tempestade, ou
Baal, que é um Deus da tempestade, é, ou
o
Thor, um Deus da tempestade, né? Então,
os fenômenos naturais estavam associados
a a divindades.
Porque o fenômeno natural em si era
enigmático, era um mistério. Então,
então você
você não pode desvendar, está para além
do pensar da da lógica humana.
Então, aquilo é sobrenatural, aquilo é
divino.
O mundo é divino.
A gente tem um povo muito interessante
que tem uma crença, que surge com uma
crença. E é interessante porque é uma
crença mesmo, que é o que é o são os
gregos, que tem a crença
de que você desvenda a natureza através
da lógica.
Isso é uma crença que tem que ser
anterior ao desvendar da natureza
através da lógica, né? Porque os gregos
nem chegaram perto do
de como a gente conseguiu desvendar a
natureza através da lógica hoje em dia.
Então, eles tinham essa crença, eh,
muitas coisas eles entendiam, eles
começavam a ver uma lógica no mundo,
isso tem a ver com estoicismo, que que
foi comentado aqui um pouco antes, né?
Ou seja, eles entendem que existe uma
grande lógica,
um logos,
né? Existe um um
um uma harmonia no mundo.
Tudo faz parte de uma harmonia, né? A
natureza é harmoniosa, por mais que ela
não pareça à primeira vista, mas existe
uma grande lógica por trás de tudo, né?
Eh,
mais para frente, nossa, eu tô fazendo
um apanhado aqui geral,
né?
Então, vou pular muitas coisas, né? Eu
não sou um um um filósofo de formação.
Mais para frente, a gente vai ter
a ideia desses pressupostos, mas agora
adaptado a um pensamento cristão,
onde a gente tem lá no no iluminismo a
ideia de que ao eu desvendar a natureza,
a lógica da natureza, eu tô entendendo o
pensamento de Deus, né?
Que é mais ou menos como Newton pensava,
que é o maior cientista que teve, né?
Eh,
então,
para ele, o ato de desvendar o universo
era um ato de relacionamento com o
divino.
Então, daí começa a surgir uma ideia
diferente,
de que a natureza em si não é daí que
vem, né? A Bíblia já tem essa essa
separação, mas
ela não passa pelo pensamento
científico, como aconteceu nessa época,
que é a ideia de que
existe uma divisão entre a natureza
e o divino.
O divino não é a natureza,
né?
A Bíblia é muito interessante, que a
Bíblia vai se encaixar bem com esse
pensamento, porque
na Bíblia
Deus
é incorpóreo.
Você não pode representar Deus
para cultuar ele
com algum elemento da natureza, isso é
proibido, né?
Então, a gente tem lá no livro de
Deuteronômio, quando
fala, né? Deus fala: "Olha,
não, não, não tenha tentação
de olhar para o sol, para a lua, para as
estrelas, para os animais e se curvar
diante deles, né? Vocês lembram quando
eu apareci lá no Sinai, eu não tinha
forma nenhuma desses animais, ou seja,
a gente tem na Bíblia que isso é muito
interessante, é uma dissociação entre o
divino e a natureza.
O divino, ele não tá na natureza, o
divino está para além da natureza.
Isso abre caminho para a ideia de que a
natureza não é um mistério sobrenatural
em si, entende? Tem uma lógica por trás
disso.
Que é o jeito que esse pessoal lá do
iluminismo vai pensar,
que é eu consigo desvendar os fenômenos
naturais,
é
e e ainda assim manter a minha fé,
porque o fato de eu entender a natureza
como um grande mecanismo, é, não é um
problema, porque a natureza em si não é
divina, o divino está para além da
natureza, o divino é ele, é o que criou
esse grande mecanismo, que é a natureza.
Entende? Então, esse pensamento vai se
formando depois.
E a gente tem essa situação hoje, onde a
gente tem
é, não, não tem muito mais espaço para o
Deus das
é, não lembro como que é a expressão em
em português, que é God of the Gaps.
O Deus dos
é,
ah, como que é o o Gap? É o
do o
o o
Ah, gente, eu vou precisar pesquisar
essa essa
essa expressão.
God of the Gaps.
Português.
>> Deus das lacunas, o pessoal fala, né? O
que essa expressão Deus das lacunas, né?
O que que significa essa expressão o
Deus das lacunas?
Que é o seguinte, eh
Beleza, eu entendi que a
Terra, eh
a Terra gira em torno do Sol por causa
da força da gravidade, tal, mas eu não
sei como o Sol
se mantém queimando o tempo todo, tá
vendo? É Deus.
Ou seja, em toda lacuna de conhecimento,
eu coloco Deus.
Tudo aquilo que eu não sei sobre a
natureza,
eu falo: "Ah, então é Deus, tá vendo aí?
A prova é que é Deus", tal. O problema é
que quanto mais você conhece, mais você
adquire conhecimento sobre a natureza,
menos espaço sobra para você colocar
Deus, entende?
Ah, porque ah, olha só, né? A Bíblia faz
um
um argumento desse, eu acho que é no
livro de Provérbios, né? Você não sabe
como os ossos se formam no ventre da
mãe, né? E falar isso, é um mistério,
Deus conhece, tal.
Eh
mas a nossa fé não não pode depender
desse tipo de lógica hoje em dia, porque
a gente sabe como os ossos se formam
dentro do ventre da mãe. A gente tem
imagens de ressonância, a gente conhece
doenças que influenciam os mecanismos
das doenças, a gente consegue manipular
isso.
Então, eh
agora, a forma como eu entendo a
religião a religiosidade,
[limpando a garganta] pelo menos, é o
seguinte:
Eu olho para o meu cachorro, eu entendo
que é um mecanismo
biológico vivo ali, diversos mecanismos,
né? Aliás, incompreensivelmente
complexos ali.
Eh
mas
existe algo de sobrenatural para além
daquilo,
de um de um animal estar vivo, de eu me
relacionar com ele, de poder abraçar o
meu cachorrinho, fazer carinho nele, né?
Eu tô usando um exemplo banal aqui, né?
Mas a gente pode falar de outras coisas,
né? Quando você olha para um pôr do sol,
você tá vendo aquela beleza, você tem um
senso de de
de de de sobrenatural, de
extraordinário.
E se alguém sentar do teu lado e começar
a explicar: "Então, as nuvens causam
essa essa coloração por causa do hélio,
de não sei o quê, e de qual lugar". Você
vai falar: "Meu, cala boca, deixa eu só
apreciar esse pôr do sol, que ele tá
muito bonito". É, eu posso até
também ter esse tipo de apreciação na
própria explicação em si.
Mas o fenômeno natural em si, ele já
causa essa sensação
no homem, essa sensação de
de que há algo a mais, além do meca do
do mecanismo natural,
que antecede o mecanismo natural. E é
nisso que a minha religiosidade tá tá
baseada, né? Eu não fico aqui pensando:
"Olha, tá vendo? Deus existe, tá vendo o
buraco negro? Ninguém explica o buraco
negro, tá vendo? Então, só só Deus
mesmo". Um dia talvez expliquem o buraco
negro, e aí, aonde que eu vou colocar
Deus
quando vier essa explicação?
Então, não é isso. O fato do buraco
negro ser como ele é
já é extraordinário. Isso me me faz ter
uma uma uma apreciação
de de de de com elementos religiosos
sobre aquele fenômeno, independente da
explicação que tenha ou não sobre ele,
entende?
Então, passa a ser não a a o mistério
por trás dos fenômenos
que são sobrenaturais,
mas é o mistério que antecede todos os
fenômenos,
que é onde reside o sobrenatural,
entende?
Então,
eu me relaciono com um Deus,
não é o Deus
que existe porque eu não consigo
explicar x coisa, mas é o Deus que
existe porque
eh
eh que que antecede a existência dessas
coisas. Essas coisas existem porque
existe algo sobrenatural.
Né? É assim que eu vou
que eu vou pensar, pelo menos. Eu li
isso tudo porque ele só citou o livro
aqui do Carl Sagan. Eu eu tenho vontade
de ler esse livro porque vai muito
no combate exatamente esse tipo de
religiosidade.
Da natureza misteriosa.
De eu
ver demônios
e seres celestiais na natureza, ensina
aquilo que eu não consigo explicar.
Né? Porque esse tipo de pensamento
realmente ele perde espaço. Né? A Bíblia
exis Por que é que a religião bíblica tá
aí
persistindo até hoje? Porque a Bíblia
fez essa separação.
A natureza é uma coisa. Deus não é a
natureza. Deus não é um peixe. Deus não
é um boi. Deus não é o sol. Deus não é a
lua.
Deus não pode ser corporificado. Ele tá
para além de tudo isso, né? Então, é por
isso que essa religião persiste.
Porque
existe esse caminho que tá para além da
explicação dos dos mecanismos dos
fenômenos naturais.
Bendi Bendiz minha alma ao Senhor, Salmo
103. É
é louvor e gratidão a Deus. Ah, é o que
a gente tava falando no começo, né? A
minha alma bendiz a Deus. Exato, né?
Roseli Parreira, é possível acontecer
conosco o que aconteceu com Jó?
Roseli,
em certa medida, acontece conosco todos
os dias o que acontece com Jó, que é a
gente sofrer algum tipo de injustiça que
parece inexplicável.
Não nas proporções do que aconteceu com
Jó, entende?
Mas quando você passa por uma questão e
fala: "Não, pera aí, eu eu quero que
Deus apareça aqui na minha frente,
porque eu Eu ter perguntas que não vai
ter como ele responder, porque qual a
resposta para isso aqui?
Né? É.
Todo mundo passou por alguma situação
que
que teve esse sentimento de Jó.
Né? Eu queria que tivesse um juiz entre
eu e Deus.
Porque ele, esse juiz ia me dar razão. O
que tá acontecendo comigo não é justo.
Né? Cadê o Deus que é justo? Deus não é
justo? O que tá acontecendo comigo não é
justo. Qual a explicação?
É, então nesse sentido acontece todos os
dias o que aconteceu com Jó, com a
gente, né?
Talvez não uma tragédia tão grande
quanto ele perder tudo o que ele tinha
de um dia para noite.
Mas
tem pessoas hoje perdendo tudo do dia
para noite, né? Tem pessoas aí, sei lá,
no Sudão.
Onde tá acontecendo um massacre.
Um sujeito tá lá, é fiel a Deus.
Faz tudo o que que é certo, de repente
vem um exército inimigo, entra, mata
todo mundo, destrói toda a vida dele,
desaparece. Qual a explicação? Como que
eu vou dar uma explicação para isso? Não
faz nenhum sentido.
Né? Então nesse sentido,
sim, a gente tá passando
diariamente a a a
a história de Jó passa diariamente na
vida de alguém, né? E às vezes na nossa.
Infelizmente, né? Ninguém quer passar
pelo que Jó passou.
Né? Mas todo mundo quer também a
recompensa. Existe uma coisa
interessante no livro de Jó, né?
No final ele é recompensado.
O que eu acho, na minha opinião,
que enfraquece um pouco a mensagem do
livro de Jó.
Mas tem um outro livro da Bíblia que
passa pela mesma ideia
e é mais
e é mais amargo, que é o livro de
Habacuque.
Ou seja,
você vai sofrer, você nem tá sofrendo
ainda, mas Deus vem avisar o seguinte:
você vai sofrer, viu? Vai sofrer demais.
Mas tudo vai ser destruído e e e
todo mundo vai morrer, tá bom? E é isso.
O justo vive pela fé.
E vai embora.
E aí
não sabe o que dizer.
E Habacuque, depois que ele entende que
o justo vive pela fé, ele vai falar:
"Então, ainda que a figueira não dê o
seu fruto, ainda que a chuva não caia do
céu", não lembro como que é o texto lá
do último capítulo de Habacuque, mas
ainda que
dê tudo errado, ainda assim eu vou
louvar a Deus, porque ele é Deus e eu
sou só um ser humano. Isso não muda,
independente do que acontecer comigo.
Eh, essa relação de divindade ainda
existe. Eu vivo pela fé.
Né? Então, o livro de Habacuque, eu acho
que ele dá um passo a mais do que o
livro de Jó, que é
não necessariamente vai dar tudo certo
no final também, viu?
Hum, às vezes vai ser igual o Jó, que
vai no final dar tudo certo, mas às
vezes é pior. E não, eu já estou
Você nem está sofrendo ainda, mas você
já está ouvindo trazer a mensagem: "Você
vai sofrer e não vai ter nenhum sentido
e você vai morrer e desaparecer e
acabou".
Né? E
a o a
o verdadeiro reconhecimento do viver
pela fé é numa situação dessa falar: "Tá
bom. OK.
Continuo louvando a Deus". Essa fé
teimosa, né?
Eh, que é
é um tipo de fé difícil de ser
cultivado, mas a a Bíblia traz para a
gente
esse aspecto da fé também, né?
Muito boa essa série do Jó mesmo. Mandei
o para um monte de gente da minha
família. Ah, legal, Fernando. Luís
Fernando.
Legal.
"Poderia rolar uma série de vídeos
comentando capítulo por capítulo de
Daniel", diz aqui o Mateus Dornelas.
Olha, Mateus,
tem muita coisa muito legal no livro de
Daniel.
Mas seria complicado para a gente aqui,
porque o livro de Daniel,
eu sou adventista e a a igreja
adventista tem uma interpretação muito
específica e doutrinária de Daniel,
que não é muito o foco do nosso canal,
entende?
Então,
aqui normalmente quando eu falo de
Daniel, eu falo assim, elementos que são
mais universais,
que não dependem de uma
de uma interpretação muito particular,
né? De um todo um sistema interpretativo
de escatologia para dar para dar
sentido, entende?
Então, eu evito esses temas que são
muito doutrinários adventistas
aqui porque eh
que não é essa pegada do canal em si,
mas a gente pode comentar eventualmente
algumas coisas. Tem, por exemplo, os
primeiros capítulos de Daniel
que normalmente as pessoas não comentam
tanto, né? Porque a gente fica mais ali
nas profecias e tal, mas
o o
Daniel do capítulo 1 até o capítulo 6 é
demais, é demais.
É bem legal. A gente pode falar um dia
sobre Daniel, sim.
Ah, o FH, Fernando Henrique.
É, Felipe Henrique não faz muito
sentido, né? Fernando Henrique Batista,
legal.
É.
Deuteronômio 31:10 a 13. A Torá deveria
ser lida publicamente a cada 7 anos
durante o Sucot. Obrigado, Carlos. O
Carlos é eh basicamente o meu consultor
aqui. Sempre quando tem um texto que eu
não lembro direito,
eh e eu comento aqui, o Carlos vem e
traz a referência. Então, para a gente
tava falando antes lá
do texto que que que fala sobre a
tradição de se ler a Torá. Tá aqui,
Deuteronômio 31:10 a 13. Eh a Torá deve
ser lida publicamente a cada 7 anos
durante o Sucot, a festa dos
tabernáculos, né? Ou das tendas aí,
das cabanas, depende da tradução.
Ronaldo Cota coloca aqui Shabbat Shalom.
Shabbat Shalom.
Eh nossa geração tem a
a barda de ser servida em tudo também,
né? Eh digo por mim mesmo isso. O Luís
Fernando aqui acho que a gente acho que
a gente tava falando de da igreja, né?
Também tem isso.
A ideia de igreja, de você sentar e
assistir um sermão e participar de um
culto, de um de uma de um de uma
liturgia e tal,
ela não combina muito com gente que
cresceu
com um aparelhinho
chamado controle remoto.
Que a gente senta
e a gente vê alguém falando uma coisa,
mas se
a gente não tá mais interessado, a gente
só faz esse movimento.
Com a pontinha do dedo. E a gente muda e
vai ver outra coisa.
Então,
é claro que isso vai ser poten-
potencializado milhões de vezes
quando chega as
as redes sociais, o TikTok da vida e
tal.
Ou seja, a gente tem o controle total
dos estímulos que a gente recebe para
não ficar entediado.
Então, a própria ideia de igreja acaba
sendo difícil para essa geração.
É é muito difícil.
Mas é o que é. A gente precisa também
desse tipo de coisa, né? A gente precisa
de um pouco de de calor humano, de
sentar do lado de pessoas que a gente
discorda, de ter que resolver problemas
juntos, eh, de ouvir às vezes uma coisa
que a gente fala: "Nossa, nada a ver
isso". Aí você olha para o lado, a
pessoa tá chorando, fala: "Olha, para
ela fez sentido, né? Né? Será que eu tô
sendo muito duro ou será que essa pessoa
também é um coração mole?" Então, esse
tipo de convívio com as pessoas,
lidando com questões que são
importantes, morais e tal, que é o que a
igreja faz, é um é um
é um tipo de convívio que eu acho
importante.
Apesar de ficar difícil
na sociedade que a gente vive, do jeito
que a gente se educou
com
com controle remoto, a mudar o controle
remoto é só um símbolo, né? O dedo no
TikTok é muito mais poderoso do que o
controle remoto, né? Que o controle
remoto, que é a gente conseguir
controlar todos os estímulos que a gente
tem
para não se entediar.
Né?
Muito difícil mesmo
frequentar a igreja nessa época.
Eu só não consigo entender porque o
amigo mais jovem lá de Jó não precisou
dessa oração do dia dessa oração que Jó
fez.
Porque ele foi bem arrogante igual os
outros amigos. Pois é, Mateus,
esse último amigo de Jó, não lembro o
nome dele agora, ele é bem enigmático.
É, é o
lá na minha quando eu fiz a série eu fui
por uma linha de interpretação sobre
qual é o significado desse amigo de Jó,
mas eu lembro de ter lido outras coisas
também que eu falei, isso aqui também
faz sentido.
Então é difícil.
É difícil.
É, a festa rolando firme e o Roni
resguardado na live. Ah, é, não, não é
festa, é porque o pessoal tá jogando
bola lá fora. Eu moro num condomínio e
aí tem uma quadra aqui.
Então
é
é o pessoal tava jogando aí. Isso porque
tava tendo zumba na quadra a meia hora
atrás. Zumba termina às 8:00.
E 8:30 começa a nossa live. Se a zumba
ficasse mais tarde eu ia ter que mudar o
horário da live, porque não dá, é
impossível.
O pessoal aqui falando do lacunas, né? O
God of the Gaps, o Deus das lacunas, é
isso mesmo, né?
É, aí o Mateus comentando aqui, eu gosto
dessa
visão, os gregos antigos tinham isso.
Eles não estavam só pisando no chão, mas
estavam pisando em Gaia.
O sol não era só um astro, mas era o
próprio Apolo aquecendo o seu povo, né?
É, e acho que aquilo que você falou
sobre tudo ser espiritual é uma maneira
de a gente tentar resgatar essa visão. O
pão não é só um pão, mas uma benção que
Deus nos deu para poder me manter vivo.
Pois é, então, é, é isso, né, Mateus?
É
tudo é espiritual no sentido de que tudo
tem a sua origem em um Deus espiritual.
Por outro lado,
eh,
quando, sei lá, tô tentando pensar num,
se eu vejo uma nuvem em forma
de um, de um,
de alguma coisa, aquilo não é
necessariamente um sinal divino para
mim, entende?
Então, aquilo pode ser só
um mecanismo natural.
Então,
é importante ter essas duas perspectivas
ao mesmo tempo, né? A gente falou de
paradoxos um tempo atrás. Esse é um
paradoxo.
A natureza é só natureza, é só um
mecanismo natural, tem nada de, de
extraordinário na natureza, não, de
extraordinário não.
Extraordinário tem, mas não tem nada de
sobrenatural na natureza, mas ao mesmo
tempo tudo é espiritual, no sentido de
que eu vejo
espiritualidade
nesses fenômenos
normais, naturais da natureza, entende?
Então, é uma perspectiva dupla, de que
tudo é espiritual e ao mesmo tempo esse
mundo aqui físico, ele é só um, um
grande mecanismo. Ele não é,
ele não é sobrenatural,
ele não é divino,
entende?
É, é as duas coisas ao mesmo tempo, né?
Eh,
boa noite. A Lilith existiu
de verdade ou é uma especulação?
Então, Marcos, eh,
se você acredita no texto bíblico, então
a Lilith é só uma tradição bem
posterior.
Na verdade, isso independe de você
acreditar no texto bíblico ou não, né? A
Lilith é uma tradição bem posterior que
surge no judaísmo, né? Eh, ela não
aparece na Bíblia em lugar nenhum, não
tem nenhuma, sequer nenhuma indicação,
eh,
o que o pessoal chamaria de fanfic, né,
hoje na internet. Ou seja, você pegou um
um tema bíblico
e se criou uma história a partir disso,
né? Bem posterior.
Eh
mas
do ponto de vista bíblico, não.
Na na Bíblia em si, não. Não existe nada
de Lilith. Existe a palavra Lilith, acho
que é a citada, se não me engano, em
Isaías, que é um nome de um de um
animal, acho que é uma coruja, alguma
coisa assim.
Eh mas não existe essa essa
mulher de Adão que existiu. Então, sim.
Na minha
na minha religiosidade, da forma que eu
vejo que que é baseada em na Bíblia em
si, não. Lilith é só uma tradição de um
povo criada baseada no no texto bíblico,
entende?
Mas vai ter gente que vai acreditar
nisso, né?
Então, depende de onde você tá. Depende
do que você escolheu acreditar com o
depende do que você escolheu como seus
pressupostos aí na sua na sua crença,
entendeu?
Você citou que participou de uma
comunidade que seguia o sidur, livro de
orações judaica. É a igreja adventista
messiânica?
Olha, Daniel, eu não conheço uma igreja
adventista messiânica,
mas acho que você tá querendo dizer que
a que eu participei é de uma comunidade
judaico-adventista,
que é uma é uma igreja adventista que
segue uma liturgia judaica
para membros que são de uma origem
judaica,
né? Tem que ter uma função dupla aí,
para as pessoas que são de origem
judaica, elas poderem
eh
poderem
criar os filhos dentro da da tradição do
povo deles.
Então, a a a existe uma liturgia judaica
adaptada, porque ela
tem uma adaptação com a a
a doutrina adventista. Então, tipo, você
frequenta lá, não tem nada que é
contraditório à doutrina adventista.
Eh
mas tem elementos culturais
judaicos ali. Então, é é que real é essa
comunidade que eu frequentei. A igreja
adventista tem algumas igrejas assim
culturais, né? Tem a igreja árabe
adventista, tem a igreja nipônica, tem a
igreja coreana,
tem a igreja hispânica e tal, que é para
pessoas de etnias diferentes
poderem
aí frequentar uma igreja que conversa
mais com a sua com a sua com a cultura
em que você foi criado, né?
Ah, o Carlos acho que frequenta, né? É,
ele é ele é do Rio, né? Colocou aqui:
"Templo judaico adventista. Sou do sou
membro no Rio".
Né?
O Golem é muito mais divertido que a
Lilith. É, pois é, Carlos. O Golem é uma
uma história bem interessante no
judaísmo.
É, a gente comentou aqui há um tempo
atrás, acho que sim, né?
Que é uma lenda ali de Praga, da né, da
República Checa,
né, de um
um rabino que cria um um
um guarda-costas com as artes místicas
dele lá, um um monstro feito de pedra
para guardar
para proteger a comunidade judaica ali,
né, que que estava sendo atacada na
época e tal. Então esse era o Golem.
Quem joga
esses jogos de RPG já já viu o Golem em
algum lugar. Então a origem do Golem é
essa essa lenda judaica aí, do do do
rabino de Praga.
Mas é bem mais mexe, pelo menos comigo,
mexe muito mais com a minha imaginação,
né? Um monstro gigante de pedra, né, pro
acho que acho que o Golem original não é
de pedra, é de barro, né? Porque ele é
tem uma um paralelo com a criação do ser
humano e tal.
É,
tem que escrever em met na testa para
ele ter vida. Exato. É, é, é.
É, eu já fui para Praga,
para a cidade de Praga, lá na República
Checa, e tem é eu lembro que lá tinha
uma um
um um,
um roteiro turístico do Golem e tal,
que acabava na, na sinagoga, que é do
século 12, se eu não me engano, a
sinagoga mais antiga da Europa, que é lá
em Praga, é uma sinagoga antiquíssima e
tal.
E o pessoal diz que
é,
um rabino, que foi um, um dos rabinos
lá, uma vez disse que
o cara já chegou para ele, ó, cara
um cara muito rico falou, ó, te ofereço
essa grana toda, se você deixar eu
entrar lá no porão da sinagoga e ver o
Golem, que eu sei que ele tá lá, né, e
tal.
Aí o pessoal falou, nossa, o rabino
devia ter montado um bonecão de barro
lá, de qualquer jeito, né?
Para ganhar essa grana aí.
Mas tem toda, a cidade tem todo um
roteiro baseado aí na lenda do Golem,
né?
>> [roncando]
>> É, o, o Coisa, do Quarteto Fantástico, é
baseado no Golem e o Ben Grimm ajudou. É
verdade, é interessante, legal.
>> [risadas]
>> É bem isso mesmo, né?
O, gente, então é o seguinte, agora que
a gente conseguiu dar uma pausa aqui nos
assuntos
o que que eu queria falar com vocês?
Hoje a gente já tá aqui no finalzinho
da, da live, mas é um assunto que eu não
queria deixar passar, porque foi um
assunto aí semana, na outra semana
e é uma coisa que eu falei, ah, pô, eu
queria comentar isso em live.
O
eu não sei se vocês viram aí essa semana
de que tá tendo uma onda, ficou famoso
um vídeo, mas não é só um vídeo que, que
aconteceu, tá tendo meio que uma onda
de
pessoas pregando dentro de aviões.
Vocês viram isso?
Então ficou famoso um, um caso de uma
menina
menina, menina mesmo, criança, que
começou a pregar no meio do avião, o,
o pessoal lá da tripulação
maior esforço para tentar conter a
menina, a menina não, Deus me falou que
eu tenho que pregar isso e tal.
Né, e parece que o pai vai ser
responsabilizado legalmente, inclusive,
porque dentro do voo ainda tem uma
questão que é uma questão de segurança,
né? Tudo que sai
para além do que é o o
o dia a dia, o comum, o esperado dentro
do voo, principalmente das das atitudes
da tripulação,
pode envolver uma questão de segurança.
Porque se você tá lá voando a não sei
quantos mil pés de altura,
a menina tá pregando e de repente
levanta alguém que começa a discutir e
fala: "Não, isso daí que você tá falando
é besteira". Aí o outro
começa uma briga dentro de um avião
a 10.000 m de altura e de repente chega
uma turbulência e todo mundo tem que se
Vocês entendem como isso tem um
potencial de virar um problema de
segurança para todo mundo que tá no voo,
né?
Então, eh,
por esse motivo parece que o pai vai ser
responsabilizado legalmente
por ter inclusive incentivado a menina a
pregar dentro do avião. Mas isso só
acontece com uma certa frequência.
Se você procurar na internet, você vai
ver mais vídeos de pessoas
aí pregando dentro de aviões.
E eu tava vendo algumas pessoas falarem
sobre isso e achei um assunto
interessante, né?
Eh, eu cresci eu cresci dentro de uma
igreja, eh, de dentro de uma igreja
protestante, né?
Eu entendo
esse sentimento que as pessoas têm de
que eu preciso pregar,
né? Eu preciso levar a mensagem do
evangelho adiante.
Então, quando eu vejo isso,
por mais que, eh,
vocês já sabem minha posição quem
acompanha mais o canal aqui, porque eu
já comentei de assuntos parecidos antes,
né?
Eh, eu sou absolutamente contra e eu vou
argumentar nesse sentido aqui nessa
nesse finalzinho de live aqui.
Mas,
apesar de eu ser contra,
eu consigo entender
o sentimento religioso que levou a
pessoa a fazer isso.
Dentro de um contexto religioso,
eh, o muitas vezes a gente se pergunta:
o que que eu deveria estar fazendo
para levar essa mensagem que eu não
estou fazendo? Será que eu deveria
pregar agora? Será que eu deveria puxar
assunto com essa pessoa que está sentada
do meu lado e tal.
Então, muitas vezes quem frequenta
igreja já teve esses questionamentos,
né?
Eh, porque afinal das contas nós temos
uma missão: esse evangelho do reino será
pregado em todo o mundo, toda tribo,
língua e nação e tal.
Eh,
eh,
ide fazei discípulos,
né? Ensinando a guardar todas essas
coisas e tal.
Então, existe um um imperativo
no Novo Testamento
de você espalhar a mensagem de Cristo,
né? Eu não nego isso.
O meu questionamento vai em outro
sentido. O que significa esse imperativo
hoje?
Então, assim,
eh, você precisa levar o evangelho do
reino, você precisa pregar a mensagem,
você precisa fazer Jesus ser conhecido,
né?
No Novo Testamento essa esse era o
grande desafio.
Eh, imagina porque era uma um punhado de
gente ali seguindo uma seita
obscura num lugar desconhecido do mundo,
eh, desconhecido e desimportante do
mundo,
eh,
era gente pobre que não tinha
importância, não tinha influência.
Então, como fazer essa mensagem nesse
lugarzinho se tornar mundial? Esse era o
desafio do cristianismo na época. Então,
assim, você fazer
você fazer a a a mensagem de Cristo se
tornar conhecida
era um desafio, porque se você saísse na
rua e perguntasse para a pessoa: "Você
já ouviu falar em Jesus?" A pessoa ia
falar: "Que que é um Jesus?
Que que é isso?
É um produto que você quer me vender?
Nunca ouvi falar isso. Que que Que que
palavra? Que que significa essa
palavra?"
É, esse é o contexto.
Jesus não era conhecido, a mensagem de
Cristo não era conhecida.
É,
a a a
a Bíblia
a tradição bíblica, a tradição religiosa
em que Jesus nasceu não era conhecida
ali muito além da Judeia. Era conhecida
o judaísmo era
assim, meio conhecido ali em volta, né?
Mas,
pô, e essa nova seita obscura surgiu
agora? Tipo,
como tornar isso conhecido?
É, eu já comentei isso daqui antes. Se
eu abrir a minha porta agora
e pegar uma pessoa aleatória na rua e e
perguntar para ela: "Você já ouviu falar
em Jesus Cristo?"
A pessoa vai falar: "Você está tirando
com a minha cara? Você está me chamando
de burro? Como assim? Tipo, todo mundo
já ouviu falar em Jesus Cristo". A gente
não vive em uma sociedade
pagã.
A gente vive agora numa sociedade que é
pós-cristã.
É um outro desafio.
Todo mundo que estava naquele voo
ouviu falar em Jesus Cristo.
Provavelmente, como era um voo o o estou
falando do voo específico da menina, né?
É, como era um voo eu acho que era um
voo doméstico no Brasil, né?
Então, se a gente seguisse assim a média
da população
80% das pessoas eram cristãs.
80%.
Dependendo da região
90%.
A totalidade é é capaz de do voo ser
cristão.
Por mais que alguns não sigam a religião
e tal, mas
existe uma probabilidade de todo mundo
que está naquele voo ser cristão.
Entende?
É, 100% das pessoas.
E quem não é cristão
sabe o que é cristianismo.
Quem não é cristão já viu alguém pregar
cristianismo. Não existe no Brasil, a
não ser que tenha uma tribo indígena
isolada,
a não ser que tenha uma comunidade de
pessoas que vivem totalmente isolada de
toda a sociedade brasileira.
Não existem pessoas que não conhecem o
que que é a religião cristã. É a
principal religião do do do do nosso
país,
o a nossa aqui é
a cidade de São Paulo tem nome de uma
figura importante do cristianismo. Eh, a
gente tá fundamentado numa história
cristã, né? O
país ele ele ele a história do país é
uma história cristã.
Todo mundo sabe o que que é
cristianismo.
Então,
a minha grande pergunta hoje é: qual é o
desafio?
Porque o desafio não é fazer as pessoas
ouvirem falar de Jesus Cristo. Todo
mundo já ouviu. E mais do que isso,
quando a gente fala que é uma sociedade
pós-cristã,
grande parte das pessoas já ouviu.
E quem não é de igreja, provavelmente já
foi de igreja
e nunca nem ouviu falar mais de igreja.
Então, a gente tem um desafio diferente
na na sociedade. Não é fazer uma coisa
que é totalmente desconhecida se tornar
conhecida.
O desafio de fazer as pessoas se
tornarem cristãs
é elas entenderem uma perspectiva do
cristianismo que elas não têm.
Que é a nossa perspectiva de quem nós
aqui, quem é cristão.
Que é de como
como esse Deus é bom para mim e pode ser
bom para essa pessoa também.
Como é
o cristianismo pode o cristianismo pode
fazer sentido para a vida de como
frequentar uma igreja pode ser uma
experiência boa
também.
Então, é difícil você
é
eu num certo sentido,
o desafio de hoje é muito mais difícil.
Porque você tornar o cristianismo
conhecido,
ele não é um desafio intelectual, ele é
um desafio, assim, prático.
Porque
na prática, se você
encontrar uma pessoa aleatória na rua e
falar: "Olha, deixa eu explicar só uma
coisinha para você. Eh, eu sigo uma
religião que se chama de cristianismo e
Jesus Pronto, você já fez a sua parte,
você já espalhou o cristianismo. Como eu
faço a minha parte
numa sociedade pós-cristã? Como eu
consigo fazer as pessoas entenderem essa
perspectiva do cristianismo? Ou seja, eu
tenho que fazer as pessoas
relativizarem a experiência que elas já
tiveram com o cristianismo
para conseguirem olharem para a minha
experiência e considerarem que essa pode
ser uma experiência boa.
Isso não vai acontecer
em hipótese alguma
com você gritando
uma mensagem aleatória da Bíblia dentro
de um avião.
Não vai acontecer. Inclusive,
você pegar a ideia de pregação pública é
uma ideia que faz parte de uma sociedade
que não é mais a nossa.
Se você quer convencer as pessoas de
alguma coisa, você não tem que pegar um
megafone e sair gritando na rua sobre
essa coisa.
Em outras sociedades, na sociedade
talvez do antigo do do do Novo
Testamento, esse era o meio de se tornar
as as
a sua mensagem conhecida. Paulo ia fazer
isso, ele ia lá debater nas igrejas. Ele
ia lá pregar nas ruas. Ele
a gente tem diversas pregações nas ruas
no Novo Testamento,
que é uma maneira de de você
eh, de você passar uma mensagem
contextualizada naquele tempo
e naquela cultura.
Entendi.
O ato de pregar em si
eh, é um ato
do das sociedades helenizadas do
primeiro século.
Não é o a maneira de você disseminar uma
uma mensagem no nosso tempo hoje em dia,
ainda mais com essa complexidade que eu
acabei de falar agora, não é só tornar
uma coisa conhecida, é mudar a
perspectiva de alguém sobre uma coisa.
É
o método hoje em dia não é mais sair na
rua
pregando, gritando, falando uma mensagem
para muitas pessoas que estão passando,
né?
Isso não faz parte mais do do jeito que
funciona a nossa sociedade, isso não faz
mais sentido,
né? É assim como outras coisas também
não fazem sentido hoje na nossa
sociedade, né? É
Ah, para você
seguir a Jesus tem que ser pescador de
homem, então eu tenho que virar da da da
profissão de pescador? Não, a profissão
de pescador é a profissão que eles
tinham naquele contexto, naquele lugar,
né?
Ela se torna uma metáfora para seguir
Jesus, não se precisa ser pescador
literalmente hoje em dia, né?
É, ah, antigamente as pessoas tinham o
rolo da Bíblia, tinha o o Então eu tenho
que usar rolos, eu não posso usar mais
Não, não, aquilo era só um hábito da
época,
né? A gente esquece
as de contextualizar
coisas, principalmente essas coisas que
são
é que são maneiras da sociedade se
organizar.
Então a ideia em si de aproveitar que as
pessoas estão sentadas no lugar,
levantar e sair falando algo, gritando
algo,
é
eu acho que ou é 100% ou muito próximo
de 100% dos casos, você só vai incomodar
as pessoas.
Eu tenho certeza absoluta,
absoluta,
né? Sem olhar dado nenhum, que ninguém
naquele avião que se converteu.
E eu também tenho certeza absoluta que
mais gente saiu daquele avião com ranço
de crente,
falando nossa, mas crente é um um saco
mesmo, né? Olha aqui, eu tô só tentando
seguir meu voo". Porque o que acontece?
É,
se eu, se as pessoas estão, sei lá, na
praça da Sé e eu começo a falar, se eu
me levanto com essa: "Gente, Jesus
Cristo", tal, é, as pessoas que não
estão a fim de ouvir aquela mensagem,
que que elas vão fazer? Elas vão
levantar e ir embora. E a grande parte
das pessoas vão fazer isso. Mas se eu
fizer isso aqui no meu bairro,
sair gritando, as pessoas só vão sair do
lugar onde tá, porque elas vão se sentir
incomodadas.
Mas existe uma armadilha
quando você entra num avião, você não
pode sair dele.
E é por isso que tem regras de segurança
também, porque as pessoas têm que se
manter calmas,
elas precisam se manter atentas às
instruções,
né? Elas não podem ficar ansiosas
durante esse percurso do voo. Elas têm
que sentar sentadas e calmas, né? Por
isso que tem um filminho lá, que você tá
sentado, você tá ali só, só tendo um
entretenimento, tá tranquilo.
Esse é o objetivo, porque se acontece
algum problema, você precisa que as
pessoas ajam de maneira eficiente, sem
histeria, sem, sem nervosismo. Então, se
o ambiente já tá tenso, vai dar muito
problema, né? Quem, eu, eu
esses tempos atrás eu tava vendo uns
vídeos daquele canal de aviões, né? Acho
que é o Aviões e Músicas, né? Do Lito.
E você vê como,
de fato, acidentes
acontecem, pessoas morrem,
só porque a, a tripulação do avião, as
pessoas que estavam no avião não tavam
preparadas, tavam muito ansiosas, tavam
tensas demais.
Então, existe um fator de, de, de vida,
de salvar a vida das pessoas. Então, é,
a pessoa olhar e aproveitar aquele
momento onde as pessoas não podem sair
de lá e começar a pregar, passa uma
mensagem muito negativa, muito negativa,
de aproveitamento.
Tá se aproveitando
da, da, de que as pessoas não tem outra
opção, entende?
Então é esse vídeo, eu não sei se todo
mundo que tá seguindo, acho que a
maioria das pessoas que seguem aqui esse
canal vai concordar com o que eu tô
falando, mas pra quem discorda e acha
que tem que se pregar assim, eu só
peço que considere esses argumentos que
eu tô dando, sabe?
É
Beleza, você acha que que você tem que
levantar e pregar, a pergunta é, isso é
eficiente?
As pessoas tão se convertendo por causa
disso, hã?
É
O que você quer que é fazer as pessoas
se convertem é que isso tá acontecendo
quando você simplesmente aproveita que a
pessoa que as pessoas estão presas em um
lugar e começa a falar,
né? Eu acho que não, eu acho que não, eu
acho que é o contrário.
A gente tá em uma sociedade, o pessoal
tá falando muito de sociedade
polarizada, tem gente que questiona esse
termo,
mas existe uma tem uma sociedade
tensionada, isso sem dúvida.
Onde
você tinha de certa forma uma cultura
mais compartilhada
e hoje em dia essa cultura tá mais
fragmentada do que nunca.
É
Os as pessoas que são evangélicas, elas
tão mais isoladas dentro de um meio
evangélico,
porque elas tem mais, elas conseguem
agora ver filmes evangélicos, ouvir
músicas evangélicas, frequentar eh
escolas evangélicas e criar um um
ambiente, uma bolha evangélica pra ela
viver.
E a pessoa que sei lá que é riponga,
que é hippie,
eh que acredita na na sei lá nas forças
da natureza, gosta de fumar maconha,
essas coisas, ele consegue viver aquela
vida dele isolado na bolha dele e cada
vez mais a gente a gente consegue viver
fragmentos, a sociedade totalmente
fragmentada em fragmentos que se tornam
bolhas isoladas umas das outras.
Então nesse contexto,
a mensagem eh
meu de Cristo
é furar as bolhas, que é o o grande
desafio.
Como eu consigo furar a bolha da outra
pessoa? Ou seja, como que eu consigo é
fazer aquela pessoa se se sentir à
vontade com a minha presença no lugar
onde ela tá?
Ao ponto de eu conseguir falar uma coisa
que ela não considerava, ela passar a
considerar.
Esse é um desafio muito maior, é muito
mais difícil.
Né? É muito de mais difícil. A ideia de
ocupação de espaços
que é a
a uma maneira como essa bolha
evangélica que a gente vive
tá considerando, a gente tem que ocupar
esses espaços. É quase como se fosse uma
guerra de ocupação, né? Aqui ninguém tá
falando de Cristo, nós temos que tomar
esse lugar e falar de Cristo.
É, isso
ajuda
ou atrapalha esse desafio de furar
bolhas?
Que que Cris falou?
Pode ter se você pode ter a sensação de
que começar a pregar em um avião, você
está furando bolhas,
mas eu acredito que é o contrário, você
tá criando paredes mais sólidas ainda
nas bolhas.
Porque as pessoas que tem uma uma
uma concepção negativa do cristianismo,
elas vão consolidar ainda mais, vão
cristalizar ainda mais essa essa
concepção negativa, né?
E quem concorda só vai bater palma.
Não vai conseguir ver
questionar os nossos problemas,
questionar a a
a eficiência
ou se de fato está se cumprindo o que
que a pessoa se propõe a cumprir, que
são as palavras de Cristo, né?
Que é realmente converter as pessoas,
né?
Tem um texto que Paulo fala que é um
texto polêmico, que Paulo fala: "Olha,
eu me fiz de judeu
com os judeus e eu me fiz gentil com os
gentios para ver se eu conseguia
alcançar algum deles, né?" Não que Paulo
não tivesse a sua identidade, ele era
judeu.
E ele tinha uma cultura helênica, né?
Ele não mentiu quem ele fosse.
Mas ele soube se portar da maneira como
é,
como é aceito nos lugares
para ele conseguir alcançar as pessoas.
Né? Ele, ele se portava da maneira
correta nos lugares.
É,
quando ele foi para a Europa, em
Aerópago, ele não ficou falando
é, do, do Messias
que todos esperavam e que foi
crucificado. Não, ele foi, falou do Deus
desconhecido que estava lá no Aerópago.
Quando ele
foi nas sinagogas
discutir, ele não ficou falando de
lendas gregas, da mitologia grega.
Então, saber se portar da maneira
correta no, em cada lugar
é um desafio que o cristianismo
desaprendeu.
E tá insistindo em
em questões que eu acho que tornam essa
missão de Cristo ainda mais distante.
Né?
Bom,
era isso que eu queria falar com vocês.
Deixa eu ver o que que vocês estão
comentando aqui.
Aqui o Luís Fernando. Eu vou ler outras
mensagens que o Mateus, Mateus colocou
umas coisas aqui, eu vou ler depois
essas coisas, só para a gente manter o
tema aqui, Mateus.
É,
Luís Fernando coloca: "Isso é contar que
é uma moda, né? Não foi um caso isolado
publicizado, aí perde muito mais a ideia
principal de um bom testemunho cristão".
É.
É uma coisa que tá acontecendo com mais
frequência. O comportamento da menina no
avião é reflexo da forma rasa como a
mensagem cristã é abordada nas
igrejas protestantes. Também, Elane,
também.
Porque se você for pregar, pegar, ouvir
algum, algum minuto o que que ela tá
dizendo,
a mensagem dela nem sequer faz sentido
para quem não é cristão.
Entende?
Vira uma coisa muito fechada, muito
nichada.
Ou seja, eu quero falar, eu quero
converter uma pessoa que não é cristã e
eu vou falar uma história que só quem é
cristão conhece.
Que não tem apelo nenhum para quem não é
cristão.
É, esse é um outro problema, né?
As igrejas estão acostumadas a falar a
sua própria linguagem para os seus
próprios membros.
Mas se ela quer converter pessoas,
o que que deveria ser falado
que atingiria uma pessoa que, por
exemplo, ela não acredita em Deus? Que
que uma igreja tem a dizer para alguém
que não acredita em Deus?
Tem alguma coisa, é,
que, assim, faça sentido para ela, para
a pessoa que não acredita em Deus e não
só para a igreja? Porque com certeza
muita gente vai falar: "Não, fala para
para ela que que Jesus te ama, fala para
ela que não tem ateu quando o avião está
caindo, todo mundo fala: Meu Deus". Vai
vir um monte de argumento, mas isso
esses argumentos fazem sentido para a
pessoa que precisaria
ouvir essa mensagem?
Então, a a igreja perdeu o foco dela,
né? Se a igreja quer converter as
pessoas,
ela está falhando.
E a gente vê isso nos censos,
né? É, algumas igrejas conseguem roubar
membros de outras.
É, roubar não num sentido
necessariamente pejorativo, tá, gente?
É, mas,
sei lá,
o os protestantes conseguem converter
católicos.
Às vezes também acontece católicos
converter protestantes.
Adventistas às vezes
convertem pessoas da Congregação Cristã.
Às vezes a pessoa da Assembleia converte
alguém que é da Universal.
Para mim isso nem conversão é, né? Se
você é cristão, você não se converte ao
cristianismo. Se você é cristão, você
pode mudar de igreja, mas isso não é
conversão, né?
É.
Eu eu acho engraçado, na minha igreja
tinha uma uma música, nem sei se o
pessoal canta ainda essa essa música,
mas
é uma música que diz assim, é, "Oh que
belos hinos cantam lá no céu, pois se
converteu um um pecador". Então, quando
a pessoa batizada, se cantava essa
música.
E eu sempre achei bizarro, porque às
vezes a pessoa tá se batizando na igreja
adventista, mas a pessoa a vida inteira
foi católica ou a vida inteira foi
batista.
Ou a vida inteira foi, sei lá, da
congregação, assembleia, qualquer outra
igreja ali que é mais conhecida e tal.
Então, como que eu tô falando que esse
é um pecador que se converteu? O cara é
cristão a vida dele inteira. É um
cristão exemplar a vida dele inteira.
Ele só mudou ali a crença sobre algumas
doutrinas e agora ele faz parte dessa
comunidade, não daquela. Não é uma
conversão, ele não deixou de abandonou
uma vida de pecados. Ele só mudou
algumas a compreensão de algumas
doutrinas, né?
Então, a gente,
o o
a gente
tá muito acostumado a pregar para
cristãos.
Quando se fala pregação, a gente pensa
num jeito de pregar para cristãos. A
pergunta é: como você prega para alguém
que odeia o cristianismo? Essa é a
pergunta.
Porque quem gosta do cristianismo, quem
é cristão, não precisa de conversão, não
precisa de pregação.
Ele precisa da pregação do dia a dia,
mas ele não precisa ser convertido. Ele
não vai ser convertido, ele já é
cristão.
Como
alcançar alguém
que tá com ranço da sua religião?
Não aguenta mais, tá com raiva da sua
religião.
Essa é a pergunta. É é é
Essa é a pergunta que deveria tá
preocupando
as pessoas religiosas,
né? E não,
sem dúvida nenhuma, não pregar nos
aviões, né?
O comportamento da menina que tá no
avião reflete tá da da forma como a a a
uma cristã é abordada nas igrejas
protestantes. exato, né?
Até a gente aqui fica com esse ranço.
Pois é, Carlos.
Eu tento entender
a cabeça da menina, pensando em como eu
era uma criança também, dentro de um
contexto cristão e a gente ainda ouvia,
acho que antigamente era mais comum
ouvir algumas coisas mais ingênuas
assim, de sair na rua falando: "Ah,
Jesus te ama, Jesus te ama". Tipo uma
frase que para quem não é cristão, essa
frase não tem nenhum sentido, não quer
dizer nada.
Para quem é cristão é muito
significativo.
Para quem não é cristão, ela não quer
dizer nada. Então,
sair na rua falando, eh, isso eu lembro
de de acontecer uma vez na minha igreja,
né?
Sair na rua falando isso não não tem
significado para as pessoas.
Não tem significado. Se alguém se se
converte por causa dessa frase,
quer dizer que essa pessoa, para ela já
fazia sentido essa frase.
Para essa frase, quando for foi falado
para ela, ela sentiu vontade de ir para
a igreja ou se converter, alguma coisa
assim, né?
Então, a frase já fazia sentido, ou
seja, a gente já tá pescando um peixe
que tá aqui pulando para para para fora
da da água, né?
Eh,
como alcançar o peixe que tá lá no meio
do lago,
né?
Aí o Luís comenta aqui:
"Entendo e concordo com você. Minha
preocupação é nós sentirmos PhD em Deus
e querer definir qual método correto.
Será que minha discordância da menina no
avião não tem um viés próprio? Quando
você diz: 'Mesmo sem dar aulas, tenho
certeza que ninguém se converteu', não
parte de uma arrogância, de uma certeza
enviesada do meu próprio conhecimento?"
Não discordo de você. Eh, na verdade, eu
concordo. Só me preocupo com as
certezas.
É,
sim, sim, eu entendo o que você quer
dizer, Luís. Eh, eu não não tô falando
dessa minha certeza no sentido
arrogante, mas no sentido
de o que eu percebo sobre as pessoas com
quem eu convivo que não são cristãs,
entende? Eu digo nesse sentido.
Eh,
então, a certeza que eu tenho não é uma
certeza religiosa.
A certeza que eu tenho é a certeza de
como eu acho que as pessoas se portam,
né? É a mesma certeza que eu teria de
que
se um sujeito saísse beijando mulheres à
força,
se ele
ia conseguir muitas namoradas. Eu
falaria: "Não, tenho certeza que não".
Porque da forma como eu entendo que as
pessoas se portam,
esse não é o não é a reação que é
esperada.
Então é mais nesse sentido, mas eu
entendo o seu questionamento. Eu também
me preocupo em não estar arrogante
demais.
Eu me preocupo em não estar arrogante
demais. E assim, a gente tem as
questões, eh,
tem um exemplo clássico, né? Eh,
Deus usou a a jumenta de Balaão.
Isso significa que a jumenta que a
jumenta são um método eficaz de
evangelismo?
Entende? Deus pode usar muitas coisas.
Eh, e no final das contas, quem converte
é o Espírito Santo.
Mas o ponto é:
se a nossa função é é fazer a mensagem
chegar,
de tudo que eu entendo sobre como as
pessoas são, de como a a sociedade onde
eu tô inserido funciona, esse não é o
método correto de fazer a mensagem
chegar, entende o que eu quero dizer?
Então, beleza.
Eu vou vou dar o braço a torcer aqui.
Pode ser que alguém ali, naquele
momento, estava com alguma ansiedade
muito grande, lembrou de quando era
criança, frequentava a igreja e aquela
menina falando deu um estalo nela e
falou: "Nossa, é isso, é Deus falou
comigo agora".
Então,
você tá certo, pode ser que alguém tenha
se
você conseguiu eh pegar essa pessoa
nesse momento específico.
O meu questionamento é:
a gente a gente faz muito esse tipo de
estratégia dentro de igreja.
Que é a gente depender das pessoas tá
estarem emocionalmente frágeis
e abertas a uma mensagem que é
meio que aleatória
para elas poderem fazer, eh,
entender, querer se converter e tal,
para aquilo lá de alguma forma tocar
elas, aquela mensagem.
Eh, então beleza, isso pode pode
funcionar tanto quanto eu
sair gritando com um tambor batendo na
minha própria cabeça e falando "Se
convertam, Jesus vai voltar".
Né? As pessoas não fazem isso porque é
bizarro, ridículo e tal.
Pode ser que alguém esteja passando por
um momento frágil e veja aquilo e fale
"Nossa,
mexeu comigo".
Então
isso é fazer coisas que não fazem
sentido esperando que alguma pessoa
muito fragilizada
tenha um gatilho muito específico com
aquela coisa esquisita
e aí aquela mensagem toque ela de alguma
forma. Mas isso não é man não é de fato
levar a mensagem de uma maneira eficaz.
Entende o que eu quero dizer?
Então assim, eu acho que existem métodos
certos e métodos errados. Eu acho que
sim, eu acho que
eu acho que eu até discordo de você
nesse sentido, que a gente é nosso papel
entender os métodos melhores e piores de
levar essa mensagem, né? Assim como
Paulo parou,
pensou, eh,
questionou
e pensou em métodos melhores de de levar
a mensagem ali na época, no contexto que
ele vivia.
Então nesse sentido eu acho que sim, a
gente não tem que ser arrogante no
sentido que eu sei o método correto, mas
eu acho que a gente tem que ser
questionador no sentido de não, a gente
tem que pensar se esse método é
realmente faz sentido ou não, né?
Mais ou menos por aí.
Então eu concordo também
com com algumas coisas que você pôs
aqui, Luís.
O Ed coloca aqui "Acho que fato que um
discurso público é impossível tornar
alguém discípulo, o que dá para fazer
naquele,
é dar aquele movimento inicial, exato
Ed, é o que eu tava falando, né?
É,
isso acho errado.
Onde eu congrego realizar, é,
rebatizar quem já foi batizado em nome
do pai, do filho e do Espírito Santo,
né?
É, cada igreja vai ter uma compreensão
sobre o batismo em si.
Mas eu acho que a própria ideia de
tratar alguém que entrou naquela igreja
como alguém convertido, né? Dependente
da cerimônia de batismo ser aplicada
numa, numa igreja ou em outra.
É, é o ponto, né? Mas eu concordo com
você, Luís Fernando.
Questão também é que se dentro do seio
dos pregadores que importunam, o senso
de aversão causada é interpretado como o
mundo odiar vocês por causa do meu nome.
Complicado, às vezes importunar como
sinal de aprovação divina é
psicologicamente reforçado. É, Ed, isso
é um grande problema.
Isso é um grande problema.
Esse é um texto bíblico.
Que
é muito, é interpretado muito, muito
errado, né? Porque assim, é,
bem-aventurados quando vocês são
perseguidos em meu nome.
Isso significa que todo mundo que é
perseguido.
É, tá sendo perseguido, é
bem-aventurado?
Não.
Todo mundo que é cristão e é perseguido
tá sendo bem-aventurado? Não. Às vezes o
cara é perseguido porque ele cometeu um
crime.
E ele entende, já, tão me perseguindo
porque é bem-aventurado aquele que é
perseguido em nome de Cristo, não, não,
é outra coisa que, então, saber
identificar que as pessoas tão te
perseguindo por causa do nome de Cristo,
o que é uma mensagem que fazia muito
sentido dentro de um mundo helenizado,
pagão na época de Jesus, né? Ou dentro
de um, de um contexto judaico, onde a
mensagem, é, de Jesus como Messias
também não era bem vista.
Fazia muito sentido, é diferente do
mundo que a gente vive hoje, pelo menos
aqui dentro do Brasil.
Eu sei que
eu eu também concordo que existe um
certo sentimento de aversão que cresce
em relação aos cristãos, mas é diferente
dizer que eles estão sendo perseguidos
por causa de Cristo.
Então,
a situação se torna complexa mesmo.
Se torna complexa, né?
Então,
acho que é bem isso que você tá falando,
né? Que acaba sendo uma
um reforço psicológico aqui,
comportamental.
Você entender que, ah, se as pessoas não
tão gostando, se elas tão ficando com
raiva, então isso é uma perseguição,
significa que eu tô fazendo certo, né?
Então,
você tira qualquer
ferramenta de você perceber se você tá
fazendo certo ou errado.
É, porque se você vê aí que as pessoas
gostaram e aplaudiram a sua pregação,
você não vai usar essa mesma lógica, ela
não, pera aí, então eu tô fazendo
errado, porque elas tinham que me odiar
porque, eh, bem-aventurados quando o
mundo odiar vocês por causa do meu nome.
Entende a minha lógica? É um jogo de
ganha ganha. Se todo mundo te
ele te elogiar, bater palmas, você vai
falar, estou fazendo certo. Se as
pessoas odiarem, falar, não, sai daí, e
tal,
estou fazendo certo. Então, ele,
independente da reação das pessoas, ela
sempre vai ser interpretada como eu
estou fazendo certo. Agora eu tenho a
confirmação pela reação das pessoas que
estou fazendo certo, independente qual
for a reação, não é?
É, é um jogo de, que quem se vou perder
aí, né?
No caso perder, é impossível você
perceber que você não tá fazendo alguma
coisa certa. Você sempre vai ter a
sensação de que aquilo é o que deveria
ser feito, independente da reação que
tiver. Ela, a reação sempre vai ser
interpretada por você como o sinal de
que aquilo é o certo a se fazer,
independente qual for a reação, não é?
>> [roncando]
>> Deus usa as coisas loucas para confundir
os sábios, diz aquilo, exato, não é?
Deus usa coisas loucas para confundir os
sábios.
É.
O que não significa que todo mundo que é
louco é um sábio escondido. Não, tem
gente que é só louca mesmo.
Né?
É, tem loucuras que as loucuras de Deus
são a sabedoria de Deus é loucura para o
mundo.
Mas tem loucuras que não são de Deus,
são só loucuras mesmo.
Então é é
>> [risadas]
>> esse é o ponto, né?
É, também acho que só o Espírito Santo
que converte. Nossa parte é manter a
palavra viva. Isso você faz muito bem,
diz aqui a Elaine. Ah, bacana. Obrigado,
Elaine.
Pois é,
eu eu tento não perder essa perspectiva
de que o Espírito Santo, ele sopra onde
ele quer, ele tá para além da nossa do
nosso controle e tal.
Certo, mas a gente tem um papel a
cumprir e o papel é essa mensagem.
Então a gente tem que cumprir esse papel
de de de maneira eficaz, né? Que é que é
a minha preocupação aqui.
Penso que a importância se ter se foi
Deus ou se veio da alma natural.
É difícil, viu, Lucineide, saber separar
essas coisas, né?
Porque
é importante a gente entender que sempre
tem um pouco de questão de ego e não e
não tem problema isso.
Então, por exemplo, é, esse canal, eu
faço esse canal porque eu acredito que é
uma coisa bacana se fazer.
Mas eu tenho consciência que tem um
pouco de ego envolvido aqui também.
Eu não posso perder isso de de
perspectiva.
Se todo mundo começar a me xingar,
diferente do que a gente tá falando
aqui, falando: "Nossa, nada a ver esse
canal" e tal,
eu vou me desanimar, vou parar de fazer.
Se as pessoas começam a me elogiar,
falando: "Nossa, esse canal é muito
bom", como muita gente elogia, né, o
principalmente o pessoal que frequenta
as lives, eu me sinto estimulado. Falo:
"Nossa, as pessoas gostam de mim, eu
quero lá eu quero ouvir elogios. Eu
quero ver que as pessoas gostam de mim,
gostam do meu jeito de pensar". Então eu
tô consciente disso.
É, então é
não dá para você achar que tem zero de
ego, porque se você achar que tem zero
de ego, você já está confundindo as
coisas. É importante você entender que
tem o seu ego envolvido
para você poder separar o que que é puro
ego do que que é algo que você acredita
que é o que é o correto a se fazer,
entende?
Então, é importante um reconhecimento de
ego que é muitas vezes não acontece. As
pessoas acham que elas
pessoas não percebem
essa parte de ego, de de
muita gente quer ser protagonista das
coisas,
não se conforma em não ser. E esse
sentimento de protagonista na igreja
muitas vezes se manifesta dessa forma.
Não, eu quero fazer o grande milagre.
Eu quero ser Moisés que abriu o Mar
Vermelho. Então, a pessoa quer se
colocar à frente para fazer essa grande
coisa, né?
E a gente vê na igreja isso claramente
em muitos casos, sendo uma questão de
ego que a própria pessoa se auto promove
dessa forma, né?
É, os títulos que ela usa para ela
mesma, a forma como ela conta as
histórias da vida dela mesma e tal.
Então, se a pessoa não tá consciente do
seu próprio ego, aí
aí desanda tudo. Você tem que estar
consciente que tem um pouquinho de ego
em tudo que a gente faz, né?
Se não, você não vai você vai ter uma
uma uma percepção distorcida do que você
está fazendo,
né?
Mas é isso, gente.
Eu acho que é isso. Queria trazer esse
assunto para vocês. Já tô Essa live
também durou um pouquinho mais, né?
Já vamos fazer duas horas de live, né?
Quase 10:19.
Mas é bom, é sempre bom compartilhar um
assunto com vocês. Eu gosto, eu gostei
do que o Luís colocou aqui, que é um
contraponto também, apesar de de ele ter
falado: "Ah, eu concordo com você, mas
tem essa questão". É bom trazer isso
para a gente poder também
dar uma abertura também. Eu eu fico com
essa com essa sensação
da da das minhas impressões, eu quero
compartilhar com vocês, mas ter esse
feedback também é legal.
Pra gente que
eu gosto de sempre manter aberto a
perspectiva de que os assuntos são
complexos, o ser humano é difícil.
O encontro do irmão do humano com o
divino é mais complexo ainda, vai para
além da compreensão e tal. Então é
sempre bom conversar sobre esses
assuntos, né?
O João colocou aqui: "Eu já preguei no
ônibus, não consegui ficar calado, uma
vez fiz folhetos dos 10 mandamentos e
distribuí na romaria".
É interessante, João. É, pois é, eu já
participei de coisas na igreja também.
É.
Mas aí fica o questionamento, né?
Eu não sei como foi a sua pregação no
ônibus, eu não sei como foi a sua
panfletagem, é.
Mas
da gente pensar na nas coisas que a
gente faz
se
elas
tão contribuindo para dar essa
perspectiva diferente das pessoas sobre
o cristianismo
ou se às vezes elas reforçam. Eu convivo
com muita gente que não é cristã.
Eu vejo muito reforçamento negativo.
É.
Eu quando falo reforço negativo estou
lembrando das histórias de behaviorismo
e não é
não é o termo técnico correto falar que
é um reforço negativo isso aqui.
Mas eu é mas muitas vezes se torna um
reforço para as pessoas ficarem ainda
com mais ranço, com mais aversão
é ao
a mensagem cristã.
Então as que eu conheço pelo menos, né?
Talvez tenham pessoas que
essas mensagens possam fazer sentido.
Talvez pode ser, mas na perspectiva que
eu tenho da do que eu conheço, do que eu
entendo sobre como as pessoas funcionam
é a imensa maioria das pessoas
tão ficando com mais aversão do
cristianismo por causa das suas
posturas. É só a gente ver também como
as pessoas comentam na internet, né,
dessas coisas.
Não são comentários positivos de quem
não é cristão.
Mas é isso, fica aí isso pra gente
pensar.
E
boa noite pra vocês, gente. Obrigado por
terem acompanhado aí a live, mais uma
live.
Eh.
Eu vejo aí na na próxima.
Eh, na próxima live se
a gente consegue também algum outro
assunto interessante pra gente trazer
aqui.
Eh.
Última mensagem aqui da Lucilene, ela
também já falei, cantei, me expressei
publicamente sobre Jesus, é um
transbordar de algo que vai além da
natureza, né? Hoje não tem feito, no
início era era muito.
Para reprovar.
Hoje é mais pra levar as pessoas a amar
a Deus. Ah, interessante, também tem
isso, né? Essa é um outro,
outra questão, né?
Que a Lucilene colocou também, às vezes
você
fala pras pessoas de Jesus, nem é uma,
assim, não é uma estratégia pra
converter a pessoa, mas é
sobre.
As pessoas estarem assim com.
Aquilo, normalmente quando a pessoa se
converteu há pouco tempo, aquilo é tão
importante pra ela, se sente tão feliz,
que ela tem vontade de falar, né?
Isso acontece também, é uma expressão
das pessoas, né?
Eh, isso é bacana, eu acho legal quando
é uma coisa espontânea da pessoa, porque
eh, não é uma uma tentativa de de
converter, mas ela tá falando porque ela
tem vontade, ela tá feliz, ela tá num
momento ali espiritual ótimo e ela tá
querendo falar pras pessoas desse
relacionamento dela com Deus, né?
Eh, também é uma coisa que a gente tem
que tomar cuidado, porque pode ser uma
coisa muito feliz pra você, mas pode ser
uma coisa que se você não falar com um
jeito específico, também causa um
rancozinho nas pessoas, né? É difícil
essas coisas, né? É difícil porque a
gente tá falando de questões religiosas
que pra gente são muito caras, às vezes.
Muito profundas,
mas para outras pessoas ou não quer
dizer muita coisa, ou às vezes é o
contrário, para elas é ridículo, para
elas é horrível, para elas lembra de uma
experiência que elas tiveram quando eram
crianças, foram na igreja, foi
horroroso, às vezes sofreram até algum
trauma, alguma coisa. É muito difícil
lidar com essas coisas, né?
Eh,
tu poderia
prestar alguma perspectiva psicológica
da parábola dos lançamentos.
Ah, interessante, posso pensar nisso,
Wade.
Não sei se eu tenho
se eu já tenho alguma coisa que seria
interessante para acrescentar nessa
perspectiva, né?
Eh, me fale do Senhor dos Anéis e da
Bíblia.
Ô, Mateus, a gente pode falar disso no
próximo, na próxima live, pode ser? Você
perguntou do RPG, né? Eu tô jogando em
dois grupos hoje em dia.
Eh, eu tô jogando Tormenta 20,
a minha esposa que é mestre, e eu tô
jogando,
eh,
D&D.
D&D com um grupo que eu jogava quando
era adolescente, aí o pessoal se reuniu
de novo para jogar online.
Mas o Senhor dos Anéis é uma coisa
interessante, bom, eu acho, não sei se
todo mundo gosta, mas aí eu posso trazer
aqui, falar algumas coisas de Senhor dos
Anéis que eu acho que tem alguns
paralelos de ideias interessantes da
Bíblia e tal, a gente pode comentar
disso na próxima live.
Uma boa.
Eh, o Kierkegaard tem um texto
eh, nessa perspectiva. O Wade sempre
traz uns textos do Kierkegaard que são
legais, né? Ele até falou de um outro
outro dia que eu perdi ele. Tem que dar
uma olhada nos comentários das lives
passadas que eu
disse que eu queria ler,
né? As coisas que eu li de Kierkegaard
extremamente interessantes e
extremamente cheias
densas. Não é um tipo de texto que você,
ah, vou relaxar um pouquinho aqui uns
cinco minutinhos e ler um pouco de
Kierkegaard. Para mim, pelo menos, não é
assim não.
É sentar e prestar muita atenção, ler
duas, três vezes cada parágrafo. É
difícil, para mim é difícil.
Mas eu gosto muito. Quando eu entendo
alguma coisa do que ele falou: "Nossa,
que legal". Aí depois ele fala da
Nossa, isso eu posso, podia ser um tema
aqui outro dia. Quando ele fala da, da,
da,
da ressurreição de Lázaro, putz, aquilo
é muito bonito.
Aí, várias ideias. Sempre quando termina
a live eu chego de ideias para a próxima
live, né? E
e às vezes esqueço durante a semana. Mas
tá bom, gente.
Boa semana. Valeu aí por terem
acompanhado. Obrigado aí.
Eh, e a gente se vê então
na próxima live, provavelmente semana
que vem. Mas a gente faz lives aqui
de costume
às sextas,
sextas-feiras às 8:30.
Valeu então. Um abraço, gente. Tchau,
tchau.

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