Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 08/05

Davar Live – 08/05

Davar Live – 08/05

Legendas automáticas:

Fala pessoal, boa noite aí. Boa noite
para vocês quem tão quem tá acompanhando
a nossa live.
Bem-vindos aí a mais uma live. E vamos
lá gente, eh tava pensando algumas
coisas para essa live aqui. Queria
comentar algumas coisas,
coisas meio que de notícias
que tem a ver com o tema do canal de
alguma forma, né? um pouco atrasado a as
notícias que eu vou comentar, mas acho
que vale a pena ainda. Eh, e comentar
algumas coisas também que foram
colocadas aqui no
durante a semana no canal. Boa noite pro
Carlos que já tá por aí. Mateus
Dornelas.
Mateus até falou: "Tô com uma questão
aqui que achei interessante. Pode jogar
aí". E aí, Oel, tudo bom?
Elane Souza, boa noite.
Deixa eu abrir aqui que teve um outro
comentário também essa semana que acho
que vale a pena a gente comentar junto
também, né? Nossa, o meu óculos não sei
como tô enxergando. Pera aí.
Aqui a gente tem um um
vídeo aqui que é um corte da live que
diz o seguinte: "O ritual não muda Deus,
mas muda você. É o nome do do
vídeo, né?
E aí uma pessoa comentou, né, João, eu
tinha três rituais das quais deixei
dois, orar pela manhã, orar nessas
feições e orar antes de dormir. Agora só
oro nas nas refeições. De fato, preciso
ser mais grato. É interessante isso, né?
A gente tem esses rituais que eles
a gente dá significado para eles. Eles
não necessariamente
são rituais mágicos, né? Aliás, não
necessariamente não, eles nunca são
rituais mágicos, mas eles são
importantes pra gente, que é o que a
gente comentou aquele dia, né?
Esses rituais são importantes porque
eles nos ajudam a marcar coisas
importantes pra gente, né? Eh, por isso
que a gente faz aniversário para filho.
É por isso que Dia das Mães todo mundo
se reúne. Não que se reunir naquele dia
traga alguma coisa, sei lá,
sobrenatural, especial, mística, não.
Mas
o ato, a repetição do ato,
ela ela tem um efeito em nós, né? A
ideia de repetição é uma ideia
interessante, né? Eh, Jesus fala para
nas orações não não fazer v repetições
como fazem os gentios, que é uma coisa
no sentido de que os gentios ficavam
falando diversas vezes a mesma coisa,
né? Eh, a nas religiões pagãs e tal.
Então, se você queria uma coisa, você
ficava repetindo assim, sem parar quase
um mantra, né? A própria ideia de mantra
vem de um pensamento que, desde do ponto
de vista bíblico, seria considerado um
pensamento pagão, né?
E
[limpando a garganta]
a ideia de repetição não é nesse
sentido. A ideia de repetição são atos
que acontecem no cotidiano. Essas coisas
são importantes, né? Quando quando você
tem uma vida mais organizada, quando
você tem uma cabeça mais organizada,
você vai ter mais rotina e vão ter
coisas que você vai fazer todos os dias.
E as coisas que você faz todos os dias,
elas têm a ver com coisas que você acha
importante.
Se uma coisa você acha importante, mas
você nunca faz nada em relação a ela,
não, ela não faz parte do seu ritual,
então ela não é de fato importante, né,
do do da sua rotina, né, do seu ritual
do dia a dia, mesmo que não seja todos
os dias, né, por exemplo, eu vou às
igrejas, eu vou na igreja uma vez por
semana. Então é uma coisa rotineira, é
uma coisa que tem a sua repetição. Não é
todos os dias, mas é uma coisa que eu
considero importante e ela tá dentro da
minha rotina, ainda que não da rotina
diária. Então essas coisas são são
interessantes, né? a gente pensar em
como
as ações que a gente repetem moldam a
gente. As ações que a gente repete, que
a gente faz todos os dias, não são só
uma manifestação do que a gente pensa,
mas elas também influenciam o que a
gente pensa. É uma via de mão dupla. Aí
é uma coisa interessante, né? O que você
pensa você faz e o que você faz também
altera o que você pensa. Então os
rituais que a gente tá usando aqui, os
rituais no sentido coisas que você faz
todos os dias também vai incluir os
rituais religiosos,
mas eh a gente tá pensando aqui em
rituais no sentido mais amplo, né? Essas
coisas nos afetam e nós afetamos elas
também, né?
Daniel Algo Verde, boa noite. Algo
Verde, boa noite. FH Batista. Gil
Pederiva,
o Mateus Dornas vai falar: "Eh, Herodes
Antípas é Edomita, descendente de Esaú."
Jesus é descendente de Jacó. Você acha
que dá para traçar um paralelo igual
fazem com Abraão e Isaque?
A Jacó sobreviveu a Isaú, mas seu
descendente foi morto pelo descendente
de Isaú.
Hum. Não sei, Mateus. Se eu
[limpando a garganta] é assim, eu
precisaria dar uma olhada antes para
fazer esse tipo de relação.
Eh, mas assim, a gente tem uma coisa que
a gente costuma separar o que é exegese,
né, do que é omilética.
Então,
de um ponto de vista omilético, daria
para fazer essa relação no sentido de,
ah, eu quero tirar uma lição do texto,
então eu vou fazer uma relação livre
aqui, né, e tal. Dá para fazer esse tipo
de relação. Não necessariamente o texto
estabelece isso. Não necessariamente
assim, do ponto de vista mais exegético,
você vai conseguir esses esses paralelos
e tal, mas do ponto de vista domilético
é válido. É válido fazer esse tipo de
comparação. Sim.
Boa noite aí pro Aid, né?
Aí, ó, a Elane comenta aqui: "Gosto de
tocar dos sinos nas igrejas nas igrejas
católicas fazem a gente parar naquele
momento, lembrar de Deus. Gosto desse
ritual". É, pois é. É interessante, né?
[tosse]
Eu não sei se naquele vídeo a gente
chegou a comentar isso, mas dentro do
catolicismo existe mais apreço pelos
rituais.
Me parece que o protestantismo ele vem
também protestar contra
talvez um um exagero do do do valor que
se dá aos rituais, mas aí a gente acabou
indo pro lado contrário. Não tem ritual
nenhum. Eh, nenhum ritual é válido. É
tudo tem que ser espontâneo. Eh, as
tradições têm que ser sobrepujadas pela
espontaneidade.
Também acho que não é por aí. daria para
se chegar num num meio termo, sabe? Eh,
e eu vejo muitos rituais católicos que
eu acho também acho admiráveis, apesar
de não fazer parte da minha tradição
religiosa, mas eu acho bonitos, são
gestos bonitos, né? próprio sinal da
cruz, como se passa na frente de uma
igreja, ou seja, você manifesta no seu
corpo, num numa ação do seu corpo, um
apreço por algo que você viu, por algo
que você passou na frente, que é que é a
igreja e tal. Eu acho, eu gosto dessas
dessas
desses pequenos rituais, né, dessas
pequenas tradições que fazem manter vivo
alguma coisa específica dentro da nossa
mente, né?
Mais um comentário que
alguém comentou aqui sobre a a nossa
série de Jó, né? Eh, é uma das séries
que eu mais gosto.
Eh, inclusive eu tenho que rever ela
porque eu vou comentar sobre Jó na minha
igreja esses dias aí. Eh, mas é isso. Os
comentários dessa semana foram
basicamente isso, os comentários assim
que teria algo pra gente comentar aqui.
E aí o Mateus Dornelas fala aqui: "Meu
problema hoje com ir à igreja é que
quando eu vou, eu acho pregações rasas
muitas das vezes apelam pro medo das
pessoas. Queria ir, mas me sinto que na
internet eu me alimento mais do que
indo.
É, então, Mateus, é difícil,
é difícil encontrar uma igreja que que
faça sentido pra gente. Essa é uma
questão. Eu acho, na minha opinião,
as igrejas estão passando por um momento
meio de crise, no sentido de que muita
gente tá saindo das igrejas. Isso a
gente tá vendo no
nas pesquisas que tem na no último senso
já se já conseguiu se registrar um
aumento aí dos não religiosos.
É o censo de 2022.
Eh, e
as igrejas não estão sabendo se adaptar
a isso, entender como se tornar mais
relevante para as pessoas, ter uma
pregação boa todo sábado, quer dizer,
todo sábado, no meu caso é todo sábado,
mas toda semana, toda vez que você vai à
igreja, é uma coisa que exige muito
esforço da liderança da igreja. Uma
pregação boa e nova, que não é só o que
que você já viu, né, um tempo atrás.
Exigiria que o pregador, primeiro, não é
qualquer pessoa, tem que ser uma pessoa
que tem um conhecimento, é uma pessoa
que saiba articular as ideias e saiba
falar.
E essa pessoa tem que se dedicar durante
a semana para preparar esse sermão.
Muitas vezes os pregadores
acabam não separando esse tempo, por
exemplo, ah, sei lá, eh, hoje,
quinta-feira, é dia de preparar sermão.
Eu não posso fazer mais nada. É o é um
dia e que a minha a minha profissão como
pastor, né? ou mesmo que não seja a
única profissão, mas essa ocupação de
pastor me exige que eu separe esse dia
para preparar um sermão. Vou passar o
dia estudando, refletindo, durante a
semana já vou pensando em algumas
coisas. Então esse exige muitos, imagina
uma vez por um dia por semana a pessoa
ter que se dedicar a estudar
profundamente um tema. É uma coisa que é
difícil. Existe, eu conheço pessoas que
fazem isso, eh, pastores que fazem isso,
mas não é comum. É, e assim, normalmente
o pastor só sendo carismático, ele já as
pessoas já tão satisfeitas com o sermão.
Então, para quem é um pouco mais
exigente,
fica mais difícil, sabe? Sabe uma coisa?
A gente comentou bastante no,
a gente comentou bastante no, num um
tempo atrás,
na última live
de algumas crises que eu passei e tal na
igreja, mas uma coisa que fez diferença
para mim é quando eu comecei a
frequentar a faculdade e ter boas aulas
de assuntos profundos,
as as coisas da igreja perderam um pouco
o interesse para mim, sabe?
Eh, as coisas da igreja, não as coisas
da igreja em geral, mas normalmente as
exposições de temas, quando alguém tá
pregando, alguém tá fazendo uma
palestra, eu começava a achar mais raso,
porque aí eu sabia que que era um
professor universitário, uma pessoa que
se dedicou, fez lá o seu mestrado,
doutorado, preparou aula e tem uma
prática naquilo, dá dando uma boa aula.
Quando eu chegava na igreja, eu pensava
que esse cara tá me enrolando. Ele ele
ele ele tá improvisando agora. Ele não
ele não parou para estudar o que ele tá
falando, né? Ele não se aprofundou no
assunto que ele tá expondo. Então,
normalmente quem tem mais escolaridade,
na minha percepção,
acaba sendo mais exigente por causa
dessas coisas. Ele percebe, tendo
referências do que é uma exposição de um
tema de alguém que conhece bem o assunto
e estudou aquele assunto, se preparou,
tendo essa referência, as pessoas se
tornam mais exigentes dentro da igreja.
Então, no geral,
é mais difícil frequentar a igreja
quando você tem
e e não é só frequentar a universidade,
não, quando você tem um senso crítico.
Aqui a universidade é um meio de você
desenvolver esse senso crítico, né?
Existem outros também, mas normalmente
quando você se torna um pouco, tem um
pouco mais de senso crítico, é um pouco
mais difícil,
né? E e é claro, eh, às vezes o pregador
é bom, mas não agrada todo mundo. Ele
tem um estilo que agrada algumas
pessoas, tem um jeito de abordar um tema
que agrada umas pessoas, mas não outras.
Tem questões que deveriam na igreja ir
para além de de só se agradar com o
sermão, mas nem toda a igreja oferece um
tipo de liturgia, um tipo de culto que
você consegue
sentir que você tá fazendo parte de um
de algo e não só indo assistir uma
programação, sabe? Isso é uma coisa que
que também é difícil uma igreja
conseguir proporcionar isso, né? Eu não
sei, eu nunca frequentei uma igreja
católica para ver como que é.
Mas eu ouço, acho que eu eu tenho a
impressão que eu ouço mais de católicos
que eu costumo ir à missa, eu gosto da
missa e tal. Então nem sempre é a
exposição do padre, né, da pessoa que tá
falando que é o que torna aquilo, dá
sentido aquilo ou não, mas é o culto em
si. Em tese, né, a gente deveria ir pra
igreja prestar um culto e não assistir
um culto,
mas normalmente as igrejas acabam
organizando a a programação delas mais
no sentido de ser um um algo para você
assistir, quase um entretenimento do que
de fato ser algo que você participa, né?
E é difícil fazer um um culto
participativo com muita gente, né? Eu já
frequentei por um tempo uma comunidade
seguir uma uma liturgia judaica, o que
eu achei muito interessante, é que tem
muita leitura responsiva e tal. E a
leitura responsiva, ela é bonita. O o
texto da da leitura do do Seder, né, do
do Sidur, do do livro de rezas, é um
texto bonito, é um texto que faz um
sentido, ele tá saindo de um lugar e tá
indo para outro. Então, o formato do
culto tem uma explicação lógica. chega
em algum lugar, sai de um lugar e chega
em algum lugar, tem o porqu agora essa
oração é feita nesse lugar e não depois,
sabe? Então isso é bacana, mas as
igrejas protestantes não costumam ter
esse tipo de liturgia muito organizada.
Eu vejo inclusive uma tendência a até a
a a exclusão total de liturgia.
[limpando a garganta] É uma tendência
que eu vejo hoje, né? Eu não sei se é
uma tendência que permanece e eu sei que
não são todas as igrejas protestantes
que são assim. E não necessariamente
também essa ausência total de liturgia é
uma coisa ruim, né? A liturgia é um dos
meios de fazer as pessoas se envolverem,
sentirem que estão prestando um culto e
não indo só assistir uma programação,
né? Eh, mas é isso.
O Delgo a Algolverde,
né? Rituais se lembram mais no Antigo
Testamento pela lei de Moisés do que no
Novo Testamento.
É que os no Antigo Testamento,
o tipo de literatura do Antigo
Testamento é o tipo de literatura que
registra os rituais.
O Novo Testamento é cheio de rituais se
você prestar atenção, mas já são rituais
que são rituais judaicos dados pelo
Antigo Testamento. Então, sei lá, quando
falar, então eles searam, fizeram uma
bênção e comeram. Eh, falando assim,
escrito assim, não parece muito
ritualístico.
Parece que só que você fez uma uma
oração falando: "Senhor, abençoe esse
alimento". Amém. sendo que não, esse
fazer uma bênção é se refere a um ritual
judaico de inclusive essa é uma
diferença interessante, né?
A gente pensa normalmente em pedir para
Deus abençoar o alimento, pelo menos na
tradição religiosa que eu que eu fui
criado, a gente ora abençoa esse
alimento e tal e e aí você come,
[limpando a garganta] sendo que a origem
da ideia de provavelmente essa ideia de
de pedir a bênção de Deus pelo alimento.
Vem desse texto do Novo Testamento que
eles fizeram uma bênção e comeram. Mas o
o pensamento judaico é meio que o
oposto. Aliás, ele é interessante aqui,
né? Quando você vai comer,
por exemplo, você vai comer o pão, você
vai falar:
"Bendito és tu, Senhor, nosso Deus, rei
do universo, que faz brotar o pão da
terra". Então você não tá pedindo para
Deus abençoar o alimento,
mas é um é uma é uma coisa que até o
próprio judaísmo entende como ousado.
Você está abençoando Deus porque ele te
deu o alimento. Bendito és tu, Senhor,
nosso Deus. Você é bendito, Deus. Você
declara a que Deus é bendito por ter te
dado um alimento. Então não é pedir que
ele abençoe o alimento, mas é reconhecer
que o alimento é uma bênção e que o Deus
que fez o alimento é uma bo, é bendito,
né?
Então, é mais eh
agradecer pela bênção que é o alimento
do que pedir para se abençoar o
alimento. Eu, para mim, isso faz
sentido. Eu gosto dessa lógica da do do
pensamento judaico, né? O pensamento
judaico é cheio de bênçãos para todos os
para todas as ações cotidianas. Então,
tem a ver com isso de você reconhecer
que Deus é bendito em todos os atos que
você faz. Então, mais do que pedir
bênçãos pelas coisas, é reconhecer que
as coisas em si são bênçãos, né? Se você
for pensar no sentido de bênção, né, que
é algo que é bom, que é algo que é que a
eh não só algo que é bom, é difícil eh a
explicar o o o
sentido, né, da palavra, a definição da
palavra bênção. Mas normalmente quando
você abençoa alguém, você está desejando
o bem para ela de um ponto de vista
religioso, né?
Eh, e uma bênção é uma coisa que em si é
algo bom que você recebe. Então, em vez
de pedir para Deus tornar o abençoar o
alimento, ou seja, tornar ele bom, é,
você agradece, porque já é bom você ter
recebido um alimento, porque ele é uma
dádiva, né? Então, Deus te deu essa
dádiva, inclusive dentro do da da ritual
da da liturgia do do da sinagoga,
dependendo da tradição que você é, eu
não sei se é as kinagitas ou ou
sefaraditas, mas você se curva quando
você fala essa essa frase, né? Barur
atadonai, bendito és tu, Senhor, nosso
Deus.
Porque entende-se que é uma ousadia o
homem abençoar a Deus, né? Mas é mais do
que você estar abençoando a Deus, você
está reconhecendo que Deus é um Deus
bendito, que é um Deus de bênçãos, né?
Então eu gosto desse jeito de pensar,
né? Eh, eh, por isso no Antigo
Testamento,
normalmente você vê o estabelecimento
desses rituais
e o Novo Testamento, ele vai descrever
assim muito superficialmente, porque não
é o a ênfase, pessoas que vivem num num
contexto de uma sociedade onde tem
aqueles rituais, não do mesmo jeito
necessariamente que tem no Antigo
Testamento, mas é de uma tradição
religiosa que bebe do Antigo Testamento,
né? essas bênçãos que tem. Eh, bendito
és tu, Senhor, que faz brotar o pão da
terra. Bendito és tu, Senhor, criador,
criador do fruto da vida e tal, que são
bênçãos tradicionais do judaísmo, elas
não são bênçãos veterotestamentárias.
Você não tem no essas fórmulas no Antigo
Testamento, mas elas vêm de uma tradição
religiosa que tá fundamentada no Antigo
Testamento, né? Então, eh, é importante
pensar isso, né? O
os judeus do Novo Testamento, incluindo
aqui Jesus e os apóstolos, eles vivem
uma religião de uma tradição que vem do
Antigo Testamento. Eles não vivem
necessariamente uma religião
do Antigo Testamento. Vocês entendem o
que eu quero dizer? Eh, é uma tradição
religiosa que foi formada com o tempo e
o próprio Antigo Testamento são várias
coisas, né? A religião, a prática da
religião na época de Moisés é diferente
do que na prática de Davi, é diferente
do que na prática do pós exílio ou do
exílio. Então, o Antigo Testamento
também não é uma coisa só, não é uma
maneira, uma tradição religiosa só, né?
Você tem uma história que vai se mudando
e e o povo vai se adaptando à sua
situação e tal.
E o Novo Testamento incorpora outras
tradições que que foram eh que foram ali
acomodadas nesse tempo todo, né,
inclusive nesse período
intertestamentário.
Então você tem um [limpando a garganta]
uma descrição de pessoas vivendo num
contexto religioso que tem esses rituais
no Novo Testamento.
Eh, mas vocês vem, né, é um tipo de
literatura diferente. no Antigo
Testamento você tem mais esse esse tipo
de literatura que são listas, né, ou
explicações de coisas, né, ou o próprio
texto que é jurídico, basicamente, né,
falando que você deve ou não fazer e
tal. O Novo Testamento já é um outro
tipo de literatura que são os
evangelhos, as epístolas, né, que tem
uma outra pegada, um outro jeito de
descrever as coisas, né? Então, os
rituais estão lá, as pessoas elas tinham
muitos rituais, mas não necessariamente
o texto do Novo Testamento tá ali
explicando detalhadamente esses rituais,
né?
Ah, tô vendo aqui a pessoa que inclusive
tinha comentado sobre a série de Jó, né?
Tá aqui esse DJ, né? Boa noite,
professor. Estou vendo a série sobre Jó.
É ótima. Eu vejo um paralelo entre Jó e
os magos do Oriente em termos
tipológicos. Jó é um sábio, ou seja, um
mago no sentido mais geral do Oriente,
além de do livro ser, por assim dizer, o
mais universal do Antigo Testamento. É
interessante, né? [tosse]
[limpando a garganta] O
o livro de Jó, realmente ele é
interessante porque é um livro do Antigo
Testamento. E o Antigo Testamento ele tá
falando de uma tradição religiosa
específica. E o livro de Jó, ele fica
meio que no meio do caminho, porque você
não tem uma descrição genealógica de
como Jó tá é inserido dentro do do do
povo de Israel. Não falo de quem ele é
filho, de quem ele é descendente, quem
descendeu dele, como é a tradição do
Antigo Testamento, basicamente com acho
que com quase todas as suas histórias.
Eh,
então parece que ele nem israelita é,
mas por outro lado ele tá amparado
dentro do de uma religiosidade
israelita. Então ele
[limpando a garganta] tá falando do Deus
Israel, né? Eh, tem citações mais
indiretas sobre termos, sobre coisas,
né, de de tradições bíblicas do Antigo
Testamento.
Mas Jó também parece ser um livro muito
antigo.
Ele parece ser um livro muito antigo,
porque os paralelos literários de Jó,
que são textos ali egípcios antigos,
eles são muito antigos.
Então,
eu já ouvi pessoas comentaram que talvez
Jó seja um dos livros mais antigos da
Bíblia e tal. É, é difícil datar Jó, até
onde eu saiba. Eh, é muito difícil por
justamente porque ele não tem esses
elementos ancoradores assim. Falou: "Ah,
isso aconteceu depois do exílio." Dá, dá
para saber que ele ele faz referência ao
santuário, mas o santuário tá destruído.
Então, ele tá no período do exílio. Ele
não tem muito essas esse tipo de
referência. Então ele é um parênteses,
tá contando a história de um homem
justo. E é bem o que que a pessoa
comentou aqui. É um livro bem universal
do Antigo Testamento, né? Não sei dizer
se é o mais universal, né? É difícil
comparar essas coisas. É porque eu
também, né? Gosto muito de Eclesiastes e
acabo também é um livro bastante
universal, né?
O Mateus vai comentar aqui. Concordo.
Tem um podcast que fala sobre a Bíblia,
às vezes sinto que me preparo mais do
que os pregadores, sem querer ser
arrogante. Ah, falando sobre a questão
lá que a gente tá falando, né, Mateus? É
exato. Então, é difícil achar um lugar
onde você vê que as pessoas realmente se
preparam, né, para trazer a mensagem.
FH Batista. Porque Jesus disse: "É
chegada a hora de ser glorificado o
filho do homem. Se o grão de trigo não
morrer, quando os gregos desejam vê-lo,
seriam aqueles
quando os
por que Jesus diz tal que eh deixa eu
ler de novo. Vamos lá, vamos lá. FH FH
FH Batista diz por que Jesus diz, é
chegada a hora de ser glorificado o
filho do homem, se o grão de trigo não
morrer, etc e tal, quando os gregos
desejam vê-lo, seriam aqueles estoóicos.
Então, eh,
eu não sei se isso tem a ver
necessariamente com o com a escola grega
específica, sabe? Eh,
FH, aliás, FH, se você quiser colocar aí
qual é o teu nome, se é Felipe Henrique,
alguma coisa assim. Eh,
[limpando a garganta]
eu acho que tem mais a ver com a ideia
de que Jesus
ele fez uma pregação restrita à Judeia,
né? ele eh em em diversos momentos ele
fala que ele a a
mensagem dele é dirigida primeiramente
para os judeus, mas parece que quando a
mensagem começa a ir para além dos
judeus é porque é chegado o tempo de de
se cumprir tudo o que estava previsto da
crucifix da morte, ressurreição de
Jesus.
Então, quando a mensagem começa a ir
para além da Judeia, então é um o que
parece esse texto indicar que é um sinal
de que chegou o momento da da gente ir
pro próximo passo agora, que com a morte
e crucifessição,
a mensagem de Cristo vai para além dos
judeus e se torna uma mensagem eh para
os gentios também, se tornando
universal.
Então, eu acho que é mais nesse sentido.
Eu não sei se tem necessariamente a ver
com o estoicismo,
essa ideia de de da glorificação através
da morte, né? Inclusive,
eh,
todo o conceito da glorificação através
da morte de Jesus e tal, ele é todo
esquisitão pro pensamento grego, né?
Independente da escola que você for
seguir, né? Mas mas é por aí.
O Luís Fernando fala: "Os hinos e
louvores têm sido um alento muito mais,
muitas vezes maior do que o próprio
sermão". Pois é.
[tosse]
É, é que a gente
a gente se acostumou com essa ideia de
que o sermão é o centro do culto.
Isso vem de uma liturgia que tem um
fundamento bíblico, né? A liturgia,
vocês vem, não tem uma indicação
litúrgica de culto na Bíblia. A Bíblia
não fala: "Olha, você deve começar o
culto com uma oração, depois uma
mensagem musical, depois um hino, não
tem isso na Bíblia".
A liturgia vai se formando através de
tradições, como a gente estava
comentando aqui. Então, existe existe
uma lei bíblica que tá lá em
Deuteronômio, que é que eh essa lei, ele
tá se referindo ao próprio peitateuco,
né? Essa lei deve ser lida, acho que de
cinco em c anos, que que Moisés fala.
Então, existe um ritual aí estabelecido
em torno da leitura da lei. Ela deve
acontecer de tempos em tempos.
[limpando a garganta][tosse]
Essa leitura da lei, depois ela passa a
acontecer anualmente
e depois ela passa a acontecer todas as
semanas, mas não você consegue ler a lei
inteira toda semana. Então o que que
você faz? Você quebra ela em pedaços e
você lê. Então o culto começa a se
organizar em torno desse ritual de
leitura da lei, leitura do Pentateuco.
E aí, eh, quando as pessoas se reuniam
para ler o Pentateu, para esse ritual,
você começa a criar apêndices. A gente
tá aqui reunido, então a gente faz uma
oração e vai ler. A gente faz uma oração
e vai cantar uma música e vai ler. E aí
você vai criando uma liturgia em torno
daquilo que seria o centro, que é a
leitura, a exposição do texto bíblico,
que é a palavra de Deus. Com o tempo, no
ritual da sinagoga,
isso aqui já é pós exílio, né? Eh, no
exílio você tem muito essa ideia de que
agora a gente não tem mais o santuário,
a gente vai ter que fazer
esses rituais em outros lugares. Aí se
cria a ideia de sinagoga, são lugares
onde as pessoas se reúnem
e mantém uma liturgia viva para se
relembrar da sua tradição religiosa que
foi interrompida com a destruição do
templo. Lembra? Tudo era muito
centralizado no templo, né? até a
destruição do do do santuário.
Então, se adaptaram fazendo reuniões em
pequenas casas e depois casas de oração,
lugares dedicados a você manter esse
ritual. E quando eles voltam do exelho,
esse hábito continua.
Eh, e aí você tem junto da explan da da
leitura do texto, você tem um comentário
que se fazia. A gente tem uma referência
a essa tradição quando Jesus lê o texto
de Isaías e todo mundo fica parado
olhando para ele, esperando qual vai ser
o comentário que ele vai fazer sobre o
texto, né?
E com o passar do tempo, a própria
leitura do texto foi tirada da liturgia
da igreja. Porque eh as pessoas não, por
que que era importante a leitura pública
do texto? As pessoas não tinham a Bíblia
em casa, né? Você não tinha lá a a
prensa de tipos móveis do Gutemberg
antes de 1500. Então você não tinha um
livro em casa, a Bíblia inteira em casa.
Ninguém tinha a Bíblia em casa. Então a
Bíblia era uma coisa que exigia muito
trabalho de se manter e ela ficava
guardada na sinagoga,
né? O o Pentateu e os outros livros do
Antigo Testamento, né? o o a Torá,
neviem, que é tuvim, a Torá, os profetas
e os escritos.
Então, normalmente [limpando a garganta]
você tem lá ali um rolo da Torá, você
tem os rolos dos livros dos profetas e
rolos de livros dos escritos. Então,
você tem alguns rolos lá guardados na
sinagoga e você lia isso. Então, para
você ter algum conhecimento bíblico,
você tinha que participar da liturgia,
você tinha que ir na sinagoga e ouvir as
pessoas lendo o texto bíblico, entende?
Então isso era a exposição do texto
bíblico. A pessoa lêu o texto para você
conhecer ele.
Depois que foi, você tornou muito comum
as pessoas terem o livro dentro de casa,
né? Todo mundo hoje tem uma Bíblia. Hoje
você tem Bíblia online, você não precisa
nem ter a Bíblia para você acessar ela.
A a ideia de você ler publicamente o
texto também vai se perdendo o sentido.
Então as pessoas,
a parte que era o comentário sobre o
texto bíblico, acaba tomando o lugar da
da própria leitura do texto bíblico. E a
gente vai tendo, então o que era o
centro da liturgia, que era a leitura do
texto, acaba dando lugar pra explanação
sobre o texto e aí vira o sermão. sermão
acaba virando o centro do do eh o centro
da da da liturgia do culto.
E se a gente for parar para pensar
também, nem isso necessariamente é uma
coisa assim fechada, dogmática na
Bíblia. Você pode fazer um um culto que
nem tem explanação do texto. Você pode
fazer um culto só musical, pode fazer um
culto só de oração, né? né? Então essa
ideia de trazer um uma explicação sobre
o texto, que seria o sermão, também é
uma ideia que é construída pela tradução
religiosa posteriormente. Não é uma
ideia ruim, mas eh não é uma coisa assim
escrita em pedra que a gente não pode
variar. Isso não. Isso já é uma variação
do da leitura do pública do texto que
tinha antes, entende?
Então assim, a gente fica nessa
situação.
É difícil você ter bons sermões, porque
um sermão exige trabalho, um sermão
exige cultura, conhecimento da pessoa
que tá fazendo o sermão, eh dedicação e
tal, né? E por outro lado também o
sermão ainda é o grande paradigma que a
gente tem de culto. Você vai no na
igreja para ouvir um um bom sermão, né?
né? A nossa experiência religiosa na no
contexto de igreja se dá muito através
dessa ideia do sermão. Então, é difícil
a gente fugir disso e a gente fica nesse
dilema, né? Quem é um pouco mais
criterioso
com o sermão, com as explanações
públicas, fica se sente mais eh menos a
vontade de ir na igreja, sente menos
vontade de ir na igreja, né? sente mais
que quando tá na igreja fala: "Puxa, a
pessoa nem se preparou, nem precisava
estar aqui". Que acho interessante
inclusive a ideia de a igreja em si é
uma ideia que é meio não é muito comum
na nossa época. Você não tem muitos
lugares onde você entra e são vários
bancos virados pro mesmo lugar e lá na
frente tem uma pessoa que tá falando e
todas as outras estão em silêncio
ouvindo essa pessoa falar.
A gente hoje tem tanta informação, tanta
gente com com tanta bagagem, podendo
falar na internet, a gente podendo ouvir
que
se você for parar para pensar, você sair
da sua casa e sentar em um lugar para
ouvir uma pessoa falar, então essa
pessoa tem que estar muito bem
preparada, né? Então, realmente, eu acho
que talvez a igreja não tenha
acompanhado a exigência que se impôs
pela forma que a gente vive hoje pro
próprio formato da igreja, né? Exigiria
muito você ir sentar e ouvir uma pessoa
falar, todo mundo em silêncio ouvindo
uma pessoa falar e essa pessoa nem tá
falando algo muito interessante. Você
começa a se questionar por que que eu
saí de casa, né? Difícil.
OF Batista diz aqui sobre o livro de Jó,
o que acho mais interessante é ele ter
praticamente cumprido o Novo Testamento
vivendo na antiga aliança. Suas defesas
são praticamente tudo que Jesus fala no
sermão do monte em outro em outros,
né? Eh, pois é, né? O livro de Jó,
nossa, já deixei, tem um monte de
comentário que já já mais para frente
aqui. O livro de Jó, ele é interessante
porque ele é a discussão sobre um tema
que é a justiça retributiva divina.
Então esse é o tema central de Jó, que é
o seguinte:
vive a pessoa vive bem porque ela,
porque Deus tá recompensando e tá
acontecendo coisas ruins com ela porque
Deus tá punindo, né? O que em alguns
textos do Antigo Testamento parece ser
essa lógica que tá sendo colocada, o
livro de Jó vai questionar, né? E o
grande questionamento de Jó é: "Eu não
mereço estar passando pelo que eu tô
passando. Eu sou uma boa pessoa, não fiz
nada para para merecer uma coisa tão
horrorosa. Minha vida tá sendo destruída
na minha frente." E os amigos de Jó, o
livro inteiro falaram: "Não, Joel, olha,
você tem que você tem que eh falar que
que você fez de errado, né? Eh, você tem
que eh confessar o seu pecado e tal e
pedir perdão, porque eh por isso que
alguma coisa aconteceu para você tá
passando por tanto problema, né?
E Jó, o livro inteiro falou: "Não, eu
não é isso, não é isso. Eu quero uma
explicação de Deus, porque dentro dessa
lógica não tá fazendo sentido." E no
final do livro, Deus fala para Jó, eh,
Deus aparece para Jó, fala com ele e
fala pros amigos dele: "Olha, vocês vão
ter que pedir perdão e Jó vai interceder
por vocês, porque vocês não falaram o
que é justo sobre mim". Ou seja, o livro
todo é um é um grande argumento no
sentido de que a justiça retributiva
divina
não é o mecanismo pelo qual Deus Deus se
relaciona com a humanidade. Você tá
passando por um problema muito ruim,
isso não é uma punição divina, tá dando
tudo certo para você. Isso não é
necessariamente uma uma
um um presente divino, porque você foi
uma boa pessoa. Então
esse é um tema interessante em Jó. Aí o
Novo Testamento vai falar isso mais
claramente, né? Tem até o texto que
Jesus fala: "Olha, os discípulos
chegaram, essa pessoa aqui tem essa
deficiência, quem pecou foi ele ou os
pais dele, né?" Jesus falou: "Ó, nenhum
dos dois, isso aqui é é para pra glória
de Deus se revelar através dele, né?"
Então, é um eh essa passagem ela tem bem
a ver com o espírito do livro de Jó, né?
Eh, a gente tá imerso em um mundo de
mistério. A gente não sabe o que tá
acontecendo. O que que tava acontecendo
com Jó tava muito além da compreensão
dele. Não fazia ideia de que o que tava
acontecendo tava em um era um evento
cósmico além dessa dessa esfera de
realidade, né? Eh, então a explicação
dele não tinha a ver com esse mundo, né?
Então a gente também lembra, tem que ter
uma questão de humildade também que, né,
porque no final Deus faz uma série de
perguntas para Jó. Jó tá o livro inteiro
pedido uma resposta para Deus. E quando
Deus aparece, Deus faz um monte de
pergunta e Jó fica sem resposta nenhuma.
E aí Jó admite, é agora, agora eu ouvia,
[limpando a garganta] eu conhecia Deus
só de ouvir falar, agora eu tô vendo ele
com meus próprios olhos. Então é na
dúvida, é na falta de respostas que você
tem o contato com o divino, muito mais
do que quando tem um monte de certezas
escancaradas na sua cara, né?
Eu gosto bastante do livro de Jó, livro
bem interessante. O Carlos coloca aqui:
"O protestantismo em geral desritualizou
a celebração. Precisamos reconhecer
isso. Sem dúvida. Sem dúvida, Carlos. E
fez isso assim propositalmente, né? Eh,
isso faz parte do do
do do pensamento ali do do
protestantismo.
Gente, eu tô ficando cada vez mais
escuro ou é impressão minha? Ah, sim, eu
tô ficando essa luz aqui tá apagando
porque ela tá fora do da fonte de
energia.
Pronto.
Tava mais clarinho um pouquinho, eu tô
ficando mais escuro.
Aí o BR raiz 96 disse: "Boa noite". Eu
achei muito engraçado esses nomes, né,
que a gente tem na internet, porque é
uma pessoa que tá lá colocou um nome por
algum motivo. Eu tinha um e-mail muito
tempo atrás que também era um nome que
na época fez sentido para mim, né?
E e às vezes a gente vai colocar o nosso
nome e obviamente já tem outra pessoa
com o nosso nome que pôs antes, né? O BR
Riz 96. Boa noite, sou inscrito no canal
já faz um já um tempo e te recomendo a
leitura do livro O mundo. Ah, tá.
Sou inscrito no canal já há um tempo e
te recomendo a leitura do livro O mundo
assombrado pelos demônios do calce, né?
Escrito pelo cientista calce. Vale a
pena a leitura. Então, eh, eu nunca li
esse livro, mas eu conheço muitas ideias
que tem nele
e são interessantíssimas, né? O dragão
da garagem, né, e tal, eh,
a maneira como ele se relaciona com o
pensamento científico. Isso é
interessante até por causa do seguinte,
eh, pô, isso daqui é uma coisa boa. Se
eu ler esse livro um dia, eu vou trazer
para cá essa essa série de
questionamentos.
Antigamente o o pensamento religioso ele
residia no mistério físico, vou eu vou
chamar assim. Ou seja, você tá sentado à
noite lá na sua aldeia, na sua tribo, na
sua no seu acampamento, e você vê o mato
se mexendo e você não sabe o que é.
Então você atribui um valor religioso
aqui, lá aquilo são demônios. Eu vejo um
vulto voando, eu não sei o que é. Ah,
isso daqui são demônios, são espíritos,
são seres sobrenaturais.
Então, se atribuía muito o valor
espiritual das coisas a elementos que
eram não explicados.
Então, elementos que você físicos,
naturais, mas que não tinham explicação.
A própria natureza é porque
no pensamento antigo a natureza era
sobrenatural. Por mais, por mais
contraditório que é essa frase, a
natureza ser sobrenatural, porque não
existia essa divisão de natural e
sobrenatural, porque você não tinha
explicações pros fenômenos físicos da
forma como a gente tem hoje. Então, você
viu um fenô, por exemplo, você viu o
sol, uma bola de fogo flutuando no céu,
você fala: "Bom, não tem bolas de fogo
flutuando por aí". Então aquilo é uma
exceção
ao mundo natural, aquilo é sobrenatural.
Então aquilo é uma manifestação divina,
aquilo é um Deus, né? Aí cada cultura
vai ter lá o Ra, vai ter o Shameh, vai
ter o Hélios. Dependendo da cultura que
você tá, você atribui o sol a um Deus
diferente.
Porque os fenômenos naturais eh você não
encontrava uma lógica por trás deles,
então você não conseguia prever eles.
Então tudo parecia uma manifestação de
uma pessoalidade,
eh, uma manifestação pessoal. Então, eu
tô parado aqui, tá tudo bem. Aí daqui a
pouco eu vejo que o céu tá mudando e vem
uma tempestade falando, olha, Zeus tá
bravo, tá jogando os raios lá de cima
com a mão dele, né? E também depende da
cultura. Ou Zeus, né, que é um é um deus
da tempestade, ou Baal, que é um deus da
tempestade, eh, ou o Thor, um deus da
tempestade, né? Então, os fenômenos
naturais estavam associados a a
divindades,
porque o fenômeno natural em si era
enigmático, era um mistério. Então você
você não pode desvendar, tá para além do
pens da lógica humana. Então, aquilo é
sobrenatural, aquilo é divino, o mundo é
divino.
A gente tem um povo muito interessante
que tem uma crença, que surge com uma
crença. E é interessante porque é uma
crença mesmo, que que é o são os gregos
que tem a crença de que você desvenda a
natureza através da lógica. Isso é uma
crença que tem que ser anterior ao
desvendar da natureza através da lógica,
né? Porque os gregos nem chegaram perto
do de como a gente conseguiu desvendar a
natureza através da lógica hoje em dia.
Então eles tinham essa crença. Eh,
muitas coisas eles entendiam, eles
começavam a ver uma lógica no mundo.
Isso tem a ver com o estoicismo, que que
foi comentado aqui um pouco antes, né?
Ou seja, eles entendiam que existe uma
grande lógica, um logos, né? existe um
um uma harmonia no mundo. Tudo faz parte
de uma harmonia, né? A natureza é
harmoniosa, por mais que ela não pareça
à primeira vista, mas existe uma grande
lógica por trás de tudo, né? Eh,
mais para frente, nossa, eu tô fazendo
um apanhado aqui geral, né? Então, vou
pular muitas coisas, né? Eu não sou um
um um filósofo de formação. Mais paraa
frente a gente vai ter a ideia desses
pressupostos, mas agora adaptado a um
pensamento cristão,
onde a gente tem lá no no Iluminismo a
ideia de que ao eu desvendar a natureza,
a lógica da natureza, eu tô entendendo o
pensamento de Deus, né, que é mais ou
menos como Newton pensava, que é o maior
cientista que teve, né? Eh, então para
ele, o ato de desvendar o universo era
um ato de relacionamento com o divino.
Então, daí começa a surgir uma ideia
diferente de que a natureza em si, não é
daí que vem, né? A Bíblia já tem essa
essa separação, mas ela não passa pelo
pensamento científico, como aconteceu
nessa época, que é a ideia de que existe
uma divisão entre a natureza e o divino.
O divino não é a natureza, né? A Bíblia
é muito interessante que a Bíblia vai se
encaixar bem com esse pensamento, porque
na Bíblia Deus
é incorpóreo.
Você não pode representar Deus para
cultuar ele com algum elemento da
natureza. Isso é proibido, né? Então a
gente tem lá no livro de Deuteronômio,
quando fala, né? Deus fala: "Olha, não,
não, não tem a tentação
de olhar pro sol, pra lua, paraas
estrelas, pros animais e se curvar
diante deles, né? Vocês lembram quando
eu apareci lá no Sinai, eu não tinha
forma nenhuma desses animais. Ou seja, a
gente tem na Bíblia que isso é muito
interessante, é uma dissociação entre o
divino e a natureza.
O divino ele não tá na natureza. O
divino tá para além da natureza.
Isso abre caminho pra ideia de que a
natureza não é um mistério sobrenatural
em si, entende? Tem uma lógica por trás
disso que é o jeito que esse pessoal lá
do Iluminismo vai pensar que eu consigo
desvendar os fenômenos naturais
eh e ainda assim manter a minha fé.
Porque o fato de eu entender a natureza
como um grande mecanismo, eh, não é um
problema, porque a natureza em si não é
divina. O divino tá para além da
natureza. o divino é o que criou esse
grande mecanismo que é a natureza,
entende? Então esse pensamento vai se
formando depois.
E a gente tem essa situação hoje onde a
gente tem eh não tem muito mais espaço
pro Deus das Ah, eu não lembro como que
é a expressão em em português que é God
of the Gaps, o deus dos
como que é o o gap. É um do o o Ah,
gente, eu vou precisar para pesquisar
essa essa essa expressão. God of the
gaps
português.
Deus das lacunas, o pessoal fala, né? O
que essa expressão o deus das lacunas,
né? O que que significa essa expressão o
Deus das lacunas? que é o seguinte, eh,
beleza, eu entendi que a a Terra eh a
Terra gira em torno do Sol por causa da
força da gravidade e tal, mas eu não sei
como o Sol se mantém queimando o tempo
todo, tá vendo? É Deus. Ou seja, em toda
a lacuna de conhecimento, eu coloco
Deus. Tudo aquilo que eu não sei sobre a
natureza, eu falo: "Ah, então é Deus".
Tá vendo aí? A prova é que é Deus e tal.
O problema é que quanto mais você
conhece, mais você adquire conhecimento
sobre a natureza, menos espaço sobra
para você colocar Deus, entende? Ah,
porque ah, olha, olha só, né? A Bíblia
faz um um argumento desse, acho que era
no livro de Provérbios, né? Você não
sabe como os ossos se formam no ventre
da mãe, né? E falar: "Isso é um
mistério, Deus conhece e tal". Eh, mas a
nossa fé não pode depender desse tipo de
lógica hoje em dia, porque a gente sabe
como os ossos se formam dentro do ventre
da mãe. A gente tem imagens de
ressonância, a gente conhece doenças que
influenciam os mecanismos das doenças, a
gente consegue manipular isso.
Então, eh,
agora, a forma como eu entendo a a
religiosidade, [limpando a garganta]
pelo menos, é o seguinte: Eu olho pro
meu cachorro, eu entendo que é um
mecanismo biológico vivo ali, diversos
mecanismos, né, aliás,
incompreensivelmente complexos ali. É,
mas
existe algo de sobrenatural para além
daquilo de um de um animal estar vivo,
de eu me relacionar com ele, de eu poder
abraçar meu cachorrinho, fazer carinho
nele, né? Eu tô usando um exemplo banal
aqui, né? Mas a gente pode falar de
outras coisas, né? Quando você olha para
um pô do sol,
você tá vendo aquela beleza e você tem
um senso de de de sobrenatural, de
extraordinário.
E se alguém sentar do teu lado e começa
a explicar, então a as nuvens causam
essa essa coloração por causa do hélio,
de não sei o que, de qual lugar, você
vai falar: "Meu, cala a boca, deixa eu
só apreciar esse porol que ele tá muito
bonito, né? Eu posso até também ter esse
tipo de apreciação na própria explicação
em si, mas o fenômeno natural em si, ele
já causa essa sensação no homem, essa
sensação de de que algo a mais além do
do mecanismo natural que antecede o
mecanismo natural. E é nisso que a minha
religiosidade tá baseada, né? Eu não
fico aqui pensando, olha, tá vendo? Deus
existe, tá vendo o buraco negro? Ninguém
explica o buraco negro que tá vendo,
então só Deus mesmo. Um dia talvez
expliquem o buraco negro. E aí, onde que
eu vou colocar Deus quando vier essa
explicação? Então não é isso. O fato do
buraco nego ser como ele é já é
extraordinário. Isso me faz ter uma uma
apreciação
de de de com elementos religiosos sobre
aquele fenômeno, independente da
explicação que tenha ou não sobre ele,
entende? Então, passa a ser não a o
mistério por trás dos fenômenos que são
sobrenaturais,
mas é o mistério que antecede todos os
fenômenos que é onde reside o
sobrenatural, entende? Então, eu me
relaciono com um Deus, não é o Deus que
existe porque eu não consigo explicar X
coisa, mas é o Deus que existe porque eh
que que antecede a existência dessas
coisas. Essas coisas existem porque
existe algo sobrenatural, né? É assim
que eu vou que eu vou pensar pelo menos.
Isso tudo porque ele só citou o livro
aqui do Calegan. E eu eu tenho vontade
de ler esse livro porque vai muito no
combate exatamente esse tipo de
religiosidade
da natureza misteriosa
de eu ver demônios
e seres celestiais na natureza em si,
naquilo que eu não consigo explicar,
né? Porque esse tipo de pensamento
realmente ele perde espaço, né? A
Bíblia, por que é que a religião bíblica
tá aí persistindo até hoje? Porque a
Bíblia fez essa separação. A natureza é
uma coisa. Deus não é a natureza. Deus
não é um peixe. Deus não é um boi. Deus
não é o sol. Deus não é a lua.
Deus não pode ser corporificado. Ele tá
para além de tudo isso, né? Então, é por
isso que essa religião persiste,
porque
existe esse caminho que tá para além da
explicação dos dos mecanismos dos
fenômenos naturais.
Bendiz minha alma ao Senhor. Salmo 103.
Eh, é louvor e gratidão a Deus. Ah, é o
que a gente tá falando no começo, né? A
minha alma bem a Deus. Exato, né?
Roseli Parreira, é possível acontecer
conosco o que aconteceu com Jó?
Roselie, em certa medida acontece
conosco todos os dias o que acontece com
Jó, que é a gente sofrer algum tipo de
injustiça que parece inexplicável,
não nas proporções do que aconteceu com
Jó, entende?
Mas quando você passa por uma questão
falar, não, pera aí, eu quero que Deus
apareça aqui na minha frente porque eu
vou ter perguntas que não vai ter como
ele responder. Porque qual é a resposta
para isso aqui, né? Eh, todo mundo
passou por alguma situação que que teve
esse sentimento de Jó, né? Eu queria que
tivesse um juiz entre eu e Deus, porque
ele, esse juíz ia me dar razão. O que tá
acontecendo comigo não é justo, né? Cadê
o Deus que é justo? Deus não é justo. O
que tá acontecendo comigo não é justo.
Qual a explicação? Eh, então, nesse
sentido, acontece todos os dias que
aconteceu com Jó com a gente, né? Talvez
não uma tragédia tão grande quanto ele
perder tudo que ele tinha de um dia
paraa noite, mas tem pessoas hoje
perdendo tudo do dia paraa noite, né?
Tem pessoas aí, sei lá, no Sudão, onde
tá acontecendo um massacre e o sujeito
tá lá, é fiel a Deus, faz tudo que é
certo, de repente vem um exército
inimigo, entra, mata todo mundo, destrói
toda a vida dele e desaparece. Fala,
qual, como que eu vou dar uma explicação
para isso? Não faz nenhum sentido, né?
Então, nesse sentido, sim, a gente tá
passando diariamente, a a a história de
Jó passa diariamente na vida de alguém,
né? E às vezes na nós, infelizmente, né?
Ninguém quer passar pelo que Jó passou,
né? Mas todo mundo quer também a
recompensa. Existe uma coisa
interessante no livro de Jó, né? No
final ele é recompensado.
O que eu acho, na minha opinião, que
enfraquece um pouco a mensagem do livro
de Jó. Mas tem um outro livro da Bíblia
que passa pela mesma ideia
e é mais e é mais amargo, que é o livro
de Abacuk. Ou seja,
você vai sofrer. Você nem tá sofrendo
ainda, mas Deus vem avisar o seguinte:
você vai sofrer, viu? Vai sofrer demais,
vai tudo vai ser destruído e e e todo
mundo vai morrer, tá bom? E é isso. O
justo vive pela fé e vai embora.
E aí você não sabe o que dizer.
E Abacuk, depois que ele entende que o
justo vive pela fé, ele vai falar: "Ah,
então ainda que a figueira não d seu
fruto, ainda que a chuva não caia do
céu, não lembro como que é o texto lá do
último capítulo de Abacu, mas ainda que
dê tudo errado, ainda assim eu vou
louvar a Deus, porque ele é Deus e eu
sou só um ser humano." Isso não muda,
independente do que acontecer comigo,
eh, essa relação de divindade ainda
existe. Eu vivo pela fé, né? Então, o
livro de Abacuk, eu acho que ele dá um
passo a mais do que o livro de Jó, que
é, não necessariamente vai dar tudo
certo no final também, viu? Hum. Às
vezes vai ser igual Jó, que vai no final
dar tudo certo, mas às vezes é pior. E
não, eu já tô, você nem tá sofrendo
ainda, mas você já estou ouvindo trazer
mensagem, você vai sofrer e não vai ter
nenhum sentido e você vai morrer e
desaparecer e acabou, né? E a o a o
verdadeiro reconhecimento do viver pela
fé é numa situação dessa, fala: "Tá bom,
OK, continuo louvando a Deus". Essa fé
teimosa, né? Eh, que é
é um tipo de fé difícil de ser
cultivado, mas a a Bíblia traz pra gente
esse aspecto da fé também, né?
Muito boa essa série do Jó mesmo. Mandei
para um monte de gente da minha família.
Ah, legal, Fernando. Luiz Fernando,
legal. Poderia rolar uma série de vídeos
comentando capítulo por capítulo de
Daniel, diz aqui o Mateus Dornelas.
Olha, Mateus, tem muita coisa muito
legal no livro de Daniel,
mas seria complicado pra gente aqui,
porque o livro de Daniel, eu sou
adventista e a igreja adventista tem uma
interpretação muito específica e
doutrinária de Daniel, que não é muito
foco do nosso canal, entende?
Então
aqui normalmente quando eu falo de
Daniel eu falo assim elementos que são
mais universais, que não dependem de uma
de uma interpretação muito particular,
né, de todo um sistema interpretativo de
escatologia para para dar sentido,
entende? Então eu evito esses temas que
são muito doutrinários adventistas aqui,
porque eh que não é essa pegada do canal
em si, mas a gente pode comentar
eventualmente algumas coisas. Tem, por
exemplo, os primeiros capítulos de
Daniel que normalmente as pessoas não
comentam tanto, né? Porque a gente fica
mais ali nas profecias e tal, mas o o o
Daniel do capítulo 1 até o capítulo 6 é
demais. É demais. É bem legal. A gente
pode falar um dia sobre Daniel? Sim.
Ah, o FH é o Fernando Henrique, né?
Felipe Henrique não faz muito sentido,
né? Fernando Henrique Batista. Legal.
Eh,
Deuteronômio 31 10 a 13. Aada deveria
ser lida publicamente a cada 7 anos
durante sucotes. Obrigado, Carlos. O
Carlos é basicamente o meu consultor
aqui. Sempre quando tem um texto que eu
não lembro direito, eh, e eu comento
aqui, o Carlos vem e traz a referência.
Então, pra gente tava falando antes lá
do texto que que fala sobre a tradição
de se ler a Torá, tá aqui, Deutoronio 31
10 a 13. Eh, a Torá deve ser lida
publicamente a cada 7 anos durante os
sucots, a festa dos tabernáculos, né, ou
das tendas aí, das cabanas, depende da
tradução.
Ronaldo Cota coloca aqui Shabat Shalom.
Shabat Shalom.
Eh, nossa geração tem a a barda de ser
servido em tudo também, né? Eh, digo por
mim mesmo. Isso, Luiz Fernando, aqui que
acho que a gente tava falando de da
igreja, né? Também tem isso.
A ideia de igreja, de você sentar e
assistir um sermão e participar de um
culto, de um de uma de um de uma
liturgia e tal, ela não combina muito
com gente que cresceu com um aparelhinho
chamado controle remoto, que a gente
senta e a gente vê alguém falando uma
coisa, mas se a gente não tá mais
interessado, a gente só faz esse
movimento
com a pontinha do dedo e a gente muda e
vai ver outra coisa.
Então, é claro que isso vai ser
potencializado milhões de vezes quando
chega as
as redes sociais, os o TikTok da vida e
tal, ou seja, a gente tem o controle
total dos estímulos que a gente recebe
para não ficar entediado. Então, a
própria ideia de igreja acaba sendo
difícil para essa geração,
né? É muito difícil, mas é o que é. A
gente precisa também desse tipo de
coisa, né? A gente precisa um pouco de
de calor humano, de sentar do lado de
pessoas que a gente discorda, de ter que
resolver problemas juntos, eh, de ouvir
às vezes uma coisa que a gente fala:
"Nossa, nada a ver isso". Aí você olha
pro lado, a pessoa tá chorando, fal:
"Olha, para ela fez sentido, né? Né?
Será que eu tô sendo muito duro? Ou será
que essa pessoa também é um coração
mole?" Então, esse tipo de convívio com
as pessoas, lidando com questões que são
importantes, morais e tal, que é o que a
igreja faz, é um é um tipo de convívio
que eu acho importante,
apesar de ficar difícil na sociedade que
a gente vive do jeito que a gente se
educou com com controle remoto, a mudar.
Controle remoto é só um símbolo, né? O
dedo no TikTok é muito mais poderoso do
que o controle remoto, né? que o
controle remoto, que é a gente conseguir
controlar todos os estímulos que a gente
tem para não se entediar, né? Muito
difícil mesmo frequentar a igreja nessa
época.
Eu só não consigo entender porque o
amigo mais jovem lá de Jó não precisou
dessa oração, dessa oração que Jó fez,
porque ele foi bem arrogante, igual os
os outros amigos. Pois é, Mateus, esse
último amigo de Jó, não lembro o nome
dele agora, ele é bem enigmático.
Eh, eu lá na minha, quando eu fiz a
série, eu fui por uma linha de
interpretação sobre qual é o significado
desse amigo de Jó, mas eu lembro de ter
lido outras coisas também, falar: "Ah,
isso aqui também faz sentido". Então é
difícil, é difícil.
Eh, a festa tá rolando firme e o Ron
resguardado na live. Ah, é. Não, não é
festa. É porque o pessoal tá jogando
bola lá fora. Eu moro no condomínio e
tem uma quadra aqui. Então, eh,
é, o pessoal tava jogando aí isso porque
a tava tendo Zumba na quadra há meia
hora atrás. A Zumba termina às 8 e 8:30
começa a nossa live. Se a Zumba ficasse
mais tarde, eu ia ter que mudar o
horário da live, porque não dá, é
impossível.
O pessoal aqui falando lacunas, né? God
of the Gaps, o deus das lacunas. É isso
mesmo, né?
Aí o Mateus comentando aqui, eu gosto
dessa visão. Os gregos antigos tinham
isso. Eles não estavam só pisando no
chão, mas estavam pisando em Gaia. O sol
não era só um astro, mas era o próprio
polo aquecendo o seu povo, né? Eh, e
acho que aquilo que você falou sobre
tudo, ser espiritual é uma maneira de a
gente tentar resgatar essa visão. O pão
não é só um pão, mas uma bênção que Deus
nos deu para poder me manter vivo. Pois
é. Então, é, é, é isso, né, Mateus? É,
tudo é espiritual no sentido de que tudo
tem a sua origem e um Deus espiritual.
Por outro lado,
eh,
quando, sei lá, tô tentando pensar num,
se eu vejo uma nuvem em forma de um, de
alguma coisa, aquilo não é
necessariamente um sinal divino para
mim, entende? Então, aquilo pode ser só
um mecanismo natural.
Então, é importante ter essas duas
perspectivas ao mesmo tempo, né? A gente
falou de paradoxos um tempo atrás. Esse
é um paradoxo. A natureza é só a
natureza, é só um mecanismo natural. Tem
nada de de extraordinário na natureza.
De extraordinário não. Extraordinário
tem, mas não tem nada de sobrenatural na
natureza. Mas ao mesmo tempo tudo é
espiritual, no sentido de que eu vejo
espiritualidade
nesses fenômenos
normais, naturais da natureza, entende?
Então é uma perspectiva dupla aí de que
tudo é espiritual e ao mesmo tempo esse
mundo aqui físico, ele é só um grande
mecanismo. Ele não é ele não é
sobrenatural, ele não é divino, entende?
As duas coisas ao mesmo tempo, né?
Eh, boa noite. A Lilit existiu
de verdade ou é uma especulação? Então,
Marcos, eh,
se você acredita no texto bíblico, então
a Lilit é só uma tradição bem posterior.
Na verdade, isso independente se você
acreditar no texto bíblico ou não, né? A
Lilit é uma tradição bem posterior que
surge no judaísmo, né? Eh, ela não
aparece na Bíblia em lugar nenhum, não
tem nenhuma, sequer nenhuma indicação.
Eh, o que o pessoal chamaria de fanf,
né, hoje na internet. Ou seja, se pegou
um tema bíblico e se criou uma história
a partir disso, né, bem posterior.
Eh,
mas do ponto de vista bíblico, não. Na
na Bíblia em si, não, não existe nada de
lilit. Existe a palavra lite, acho que é
citada, se não me engano, em Isaías, que
é o nome de um de um animal, acho que é
uma coruja, alguma coisa assim. Eh, mas
não existe essa essa mulher de Adão que
existiu. Então, assim, na minha na minha
religiosidade, da forma que eu vejo que
que é baseada em na Bíblia em si, não.
Lilit é só uma tradição de um povo
criada baseada no texto bíblico,
entende?
Mas vai ter gente que vai acreditar
nisso, né? Então depende de onde você
tá, depende do que você escolheu
acreditar com depende do que você
escolheu como seus pressupostos aí na
sua, na sua crença, entendeu?
Você citou que participou de uma
comunidade que seguiu Sidur, livro de
orações judaica, a igreja adventista
messiânica. Olha, Daniel, eu não conheço
uma igreja adventista messiânica, mas eu
acho que você tá querendo dizer que é o
que eu participei é de uma comunidade
judaico adventista, que é uma é uma
igreja adventista que segue uma liturgia
judaica para membros que são de uma
origem judaica,
né? Eu tenho que ter uma função dupla aí
para as pessoas que são de origem
judaica elas poderem eh poderem criar os
filhos dentro da tradição do povo deles.
Então, a a existe uma liturgia judaica
adaptada porque ela
tem uma adaptação com a a doutrina
adventista. Então, tipo, você frequenta
lá, não tem nada que é contraditório a
doutrina adventista. Eh, mas tem
elementos culturais judaicos ali. Então,
é aí que é essa comunidade que eu
frequentei. A igreja adventista tem
algumas igrejas assim culturais, né? Tem
a igreja árabe adventista, tem a igreja
nipônica, tem a igreja coreana, tem a
igreja hispânica e tal, que é para
pessoas de etnias diferentes poderem
aí frequentar uma igreja que converse
mais com a sua com a sua com a cultura
em que você foi criado, né?
Ah, o Carlos acho que frequenta, né? É,
ele é ele é do Rio, né? Colocou aqui,
tem pro judaico adventista, sou do sou
membro no Rio, né? O Golem é muito mais
divertido que a Lilit. É, pois é,
Carlos. O Golem é uma história bem
interessante no judaísmo. A gente
comentou aqui há um tempo atrás, eu acho
que sim, né,
que é uma lenda ali de Praga da, né, da
República Checa, né, de um rabino que
cria um um guarda-costas com as artes
místicas dele lá, um monstro feito de
pedra para guardar, para proteger a
comunidade judaica ali, né? que que tava
sendo atacada na época e tal. Então,
esse era o Golem. Quem joga esses jogos
de RPG já viu o Golem em algum lugar.
Então, a origem do Golem é essa essa
lenda judaica aí do do rabino de Praga.
Mas é bem mais, pelo menos comigo, mexe
muito mais com a minha imaginação, né?
Um monstro gigante de pedra, né? Acho
que acho que o golem original não é de
pedra, é de barro, né? porque ele é tem
uma um paralelo com a criação do ser
humano e tal.
Eh, tem que escrever em na testa para
ele ter vida. Exato. É, é, é.
Eh, eu já fui paraa Praga, pra cidade de
Praga lá na República Teca e tem, eh, eu
lembro que lá tinha uma um
um roteiro turístico do Golem e tal, que
acabava na na sinagoga, que é do século
XI, se eu não me engano, a sinagoga mais
antiga da Europa, que é lá em Praga, é
uma sinagoga antiquíssima e tal.
O pessoal disse que eh um rabino que foi
um um dos sabinos lá uma vez disse que o
cara já chegou para ele, ó, cara, um
cara muito rico falou: "Ó, te ofereço
essa grana toda se você deixar eu entrar
lá no porão da sinagoga e ver o golem,
que eu sei que ele tá lá, né, e tal". Aí
o pessoal falando: "Nossa, o rabino
devia ter montado um bonecão de barro lá
de qualquer jeito, né, para ganhar essa
grana aí".
Mas tem toda a cidade tem todo um
roteiro baseado aí na lenda do golem,
né? [roncando]
Eh, o coisa defim do quarto fantástico é
baseado no golem e o Ben Green é judeu.
É verdade. É interessante. Legal.
[risadas] É bem isso mesmo, né? O Gente,
então é o seguinte, agora que a gente
conseguiu dar uma pausa aqui nos
assuntos,
o que que eu queria falar com vocês?
Hoje a gente já tá aqui no finalzinho da
live, mas é um assunto que eu não queria
deixar passar porque foi um assunto aí
semana na outra semana e é uma coisa que
eu falei: "Ah, pô, eu queria comentar
isso em live".
O,
eu não sei se vocês viram aí essas
semanas de que tá tendo uma onda, ficou
famoso um vídeo, mas não é só um vídeo
que que aconteceu, tá tendo meio que uma
onda de
pessoas pregando dentro de aviões. Vocês
viram isso? Então, ficou famoso um caso
de uma menina, a menina menina mesmo,
criança, que começou a pregar no meio do
avião, o o pessoal lá da tripulação,
o maior esforço para tentar conter a
menina. A menina, não, Deus me falou que
eu tenho que pregar isso e tal, né? E
parece que o pai vai ser
responsabilizado legalmente, inclusive,
porque dentro do voo ainda tem uma
questão que é uma questão de segurança,
né? Tudo que sai para além do que é o o
o
dia a dia, o comum, o esperado dentro do
voo, principalmente das atitudes da
tripulação, pode envolver uma questão de
segurança, porque se você tá lá voando a
não sei quantos mil pés de altura, a
menina tá pregando e de repente levanta
alguém, começa a discutir, fala: "Não,
isso daí que você tá falando é
besteira". Aí o outro começa uma briga
dentro de um avião a 10.000 m de altura.
Aí de repente chega uma turbulência e
todo mundo tem que ser, vocês entendem
como isso tem um potencial de virar um
problema de segurança para todo mundo
que tá no voo, né? Então, eh, por esse
motivo parece que o pai vai ser
responsabilizado legalmente por ter,
inclusive, incentivado a menina a pregar
dentro do avião. Mas isso acontece com
uma certa frequência. Se você procurar
na internet, você vai ver mais vídeos de
pessoas aí pregando dentro de aviões.
E eu tava vendo algumas pessoas falarem
sobre isso e achei um assunto
interessante, né? Eh, eu cresci, eu
cresci dentro de uma igreja eh de dentro
de uma igreja protestante, né?
Eu entendo esse sentimento que as
pessoas têm de que eu preciso pregar,
né? Eu preciso levar a mensagem do
evangelho adiante.
Então, quando eu vejo isso, por mais que
eh vocês já sabem a minha posição, quem
acompanha mais o canal aqui, porque eu
já comentei de assuntos parecidos antes,
né? Eh, eu sou absolutamente contra e eu
vou argumentar nesse sentido aqui, nessa
nesse finalzinho de live aqui, mas
apesar de eu ser contra,
eu consigo entender o sentimento
religioso que levou a pessoa a fazer
isso dentro de um contexto religioso.
Eh, muitas vezes a gente se pergunta o
que que eu deveria estar fazendo para
levar essa mensagem que eu não estou
fazendo? Será que eu deveria pregar
agora? Mas será que eu devia puxar
assunto com essa pessoa que tá sentada
do meu lado e tal? Então, muitas vezes
quem frequenta a igreja já teve esses
questionamentos, né? Eh, porque afinal
das contas nós temos uma missão. Esse
evangelho do reino será pregado em todo
o mundo, toda tribo, língua e nação e
tal. Eh,
eh,
ide, fazer discípulos,
né, ensinando a guardar todas essas
coisas e tal.
Então, existe um imperativo
no Novo Testamento
de você espalhar a mensagem de Cristo,
né? Eu não isso.
O meu questionamento vai em outro
sentido. O que significa esse imperativo
hoje?
Então, assim,
eh, você precisa levar o evangelho do
reino, você precisa pregar a mensagem,
você precisa fazer Jesus ser conhecido,
né? no Novo Testamento, essa esse era o
grande desafio. Eh, imagina porque era
uma um punhado de gente ali seguindo uma
seita obscura num lugar desconhecido do
mundo, eh, desconhecido e desimportante
do mundo. Eh,
era gente pobre, que não tinha
importância, não tinha influência.
Então, como fazer essa mensagem nesse
lugarzinho se tornar mundial? Esse era o
desafio do cristianismo na época. Então
assim, você fazer você fazer a a
mensagem de Cristo se tornar conhecida
era um desafio. Porque se você saísse na
rua e perguntasse pra pessoa: "Você já
ouviu falar em Jesus?" A pessoa ia
falar: "O que que é um Jesus? Que que é
isso? É um produto que você quer me
vender?" Nunca ouvi falar isso. Que que
que palavra? O que que significa essa
palavra? Eh, esse é o contexto.
Jesus não era conhecido. A mensagem de
Cristo não era conhecida. Eh, a a a
Bíblia,
a tradição bíblica, a tradição religiosa
em que Jesus nasceu, não era conhecida
ali muito além da Judeia, era conhecido,
o judaísmo, era
assim meio conhecido ali em volta, né?
Mas, pô, e essa nova seita obscura que
surgiu agora, tipo, como tornar isso
conhecido?
Eh, eu já comentei isso daqui antes. Se
eu abrir a minha porta agora e pegar uma
pessoa aleatória na rua e e perguntar
para ela: "Você já ouviu falar em Jesus
Cristo?"
A pessoa fala: "Você tá tirando com a
minha cara? Você tá me chamando de
burro? Como assim?" Tipo, todo mundo já
ouviu falar em Jesus Cristo. A gente não
vive em uma sociedade pagã.
A gente vive agora numa sociedade que é
pós-cristã.
É um outro desafio.
Todo mundo que tava naquele voo ouviu
falar em Jesus Cristo. Provavelmente
como era um voo, eu tô falando do voo
específico da menina, né? Eh, como era
um voo, eu acho que era um voo doméstico
no Brasil, né?
Então, se a gente seguisse assim a média
da população,
80% das pessoas eram cristãs.
80%.
Dependendo da região,
90%.
a totalidade é capaz de do voo ser
cristão. Por mais que alguns não sigam a
religião e tal, mas
existe uma probabilidade de todo mundo
que tá naquele voo ser cristão, entende?
Eh, 100% das pessoas. E quem não é
cristão sabe o que é cristianismo. Quem
não é cristão já viu alguém pregar
cristianismo. Não existe no Brasil a não
ser que tenha uma tribo indígena
isolada, a não ser que tenha uma
comunidade de pessoas que vivem
totalmente isolada de toda a sociedade
brasileira. Não existe pessoas que não
conhecem o que que é a religião cristã.
é a principal religião do do do nosso
país, a nossa aqui a a cidade de São
Paulo tem nome de uma figura importante
do cristianismo. Eh, a gente tá
fundamentado numa história cristã, né? O
o o país ele ele ele a história do país
é uma história cristã.
Todo mundo sabe o que que é
cristianismo. Então, a minha grande
pergunta hoje é: qual é o desafio?
Porque o desafio não é fazer as pessoas
ouvirem falar de Jesus Cristo. Todo
mundo já ouviu. E mais do que isso,
quando a gente fala que é uma sociedade
pós-cristã, grande parte das pessoas já
ouviu
e quem não é de igreja, provavelmente já
foi de igreja e nunca nem ouvi falar
mais de igreja.
Então a gente tem um desafio diferente
da na sociedade, não é fazer uma coisa
que é totalmente desconhecida, se tornar
conhecida.
O desafio de fazer as pessoas se
tornarem cristãs é elas entenderem uma
perspectiva do cristianismo que elas não
têm,
que a nossa perspectiva de quem nós
aqui, quem é cristão,
que a de como
esse Deus é bom para mim e pode ser bom
para essa pessoa também. como eh o
cristianismo pode, o cristianismo pode
fazer sentido pra vida como frequentar
uma igreja pode ser uma experiência boa
também.
Então é difícil você
a eu em certo sentido, o desafio de hoje
é muito mais difícil, porque você tornar
o cristianismo conhecido, ele não é um
desafio intelectual, ele é um desafio
assim prático.
Porque na prática, se você
encontrar uma pessoa aleatória na rua e
falar: "Olha, deixa eu explicar só uma
coisa para você. Eh, eu sigo uma
religião chamada cristianismo. Jesus,
pronto, você já fez a sua parte, você já
espalhou o cristianismo. Como eu faço a
minha parte numa sociedade pós-cristã?
Como eu consigo fazer as pessoas
entenderem essa perspectiva do
cristianismo? Ou seja, eu tenho que
fazer as pessoas
relativizarem a experiência que elas já
tiveram com o cristianismo
para conseguirem olharem paraa minha
experiência e considerarem que essa pode
ser uma experiência boa. Isso não vai
acontecer em hipótese alguma com você
gritando uma mensagem aleatória da
Bíblia dentro de um avião. Não vai
acontecer. Inclusive
você pegar a ideia de pregação pública é
uma ideia que faz parte de uma sociedade
que não é a mais a nós. Se você quer
convencer as pessoas de alguma coisa,
você não tem que pegar um megafone e
sair gritando na rua sobre essa coisa.
Em outras sociedades, na sociedade
talvez do antigo do do Novo Testamento,
esse era o meio de se tornar a a sua
mensagem conhecida. Paulo ia fazia isso.
Ele ia lá debater nas igrejas, ele ia lá
pregar na nas ruas, ele
a gente tem diversas pregações nas ruas
no Novo Testamento, que é uma maneira de
você eh de você passar uma mensagem
contextualizada naquele tempo e naquela
cultura, entende?
O ato de pregar em si,
eh, é um ato do das sociedades
helenizadas do primeiro século.
Não é o a maneira de você disseminar uma
uma mensagem no nosso tempo hoje em dia,
ainda mais com essa complexidade que eu
acabei de falar agora. Não é só tornar
uma coisa conhecida, é mudar a
perspectiva de alguém sobre uma coisa.
Eh,
o método hoje em dia não é mais sair na
rua pregando, gritando, falando uma
mensagem para muitas pessoas que estão
passando, né? Isso não faz parte mais do
do jeito que funciona a nossa sociedade.
Isso não faz mais sentido, né? Eh, assim
como outras coisas também não fazem
sentido hoje na nossa sociedade, né? Eh,
ah, para ser seguir a Jesus, eu tenho
que ser pescador de homem. Então eu
tenho que virar da da profissão de
pescador. Não, a profissão de pescador é
a profissão que eles tinham naquele
contexto, naquele lugar, né? Ela se
torna uma metáfora para seguir Jesus. No
precisa ser pescador, literalmente hoje
em dia, né? Eh, ah, antigamente as
pessoas tinham o rolo da Bíblia, tinha o
o, "Etão eu tenho que usar rolos, eu não
posso usar mais". Não, não, aquilo era
só um hábito da época, né? a gente
esquece
as de contex contextualizar coisas,
principalmente essas coisas que são eh
que são maneiras da sociedade se
organizar.
Então, a ideia em si de aproveitar que
as pessoas estão sentadas no lugar,
levantar e sair falando algo, gritando
algo, eh,
eu acho que ou é 100%, é muito próximo
de 100% dos casos, você só vai incomodar
as pessoas. Eu tenho certeza absoluta,
absoluta, né? sem olhar dado nenhum que
ninguém naquele avião se converteu.
E eu também tenho certeza absoluta que
mais gente saiu daquele avião com ranço
de crente falando: "Nossa, crente é um
um saco mesmo, né? Olha aqui, eu tô só
tentando eh seguir meu vou". Porque o
que acontece? Eh,
se eu se as pessoas estão, sei lá, na
Praça da Sé e eu começo a falar, se eu
me levanto com essa gente, Jesus Cristo
e tal, eh, as pessoas que não estão a
fim de ouvir aquela mensagem, o que que
elas vão fazer? Elas vão levantar e ir
embora. E a grande parte das pessoas vão
fazer isso, né? Se eu fizer isso aqui no
meu bairro, sair gritando, as pessoas só
vão sair do lugar onde eu tá, porque
elas vão sentir incomodadas.
Mas existe uma armadilha quando você
entra num avião, você não pode sair
dele.
E é por isso que tem regras de segurança
também, porque as pessoas têm que se
manter calmas, elas precisam se manter
atentas às instruções, né? Elas não
podem ficar ansiosas durante esse
percurso do voo. Elas têm que tá
sentadas e calmas, né? Por isso que tem
o filminho lá que você tá sentado, você
tá ali só tendo um entretenimento, tá
tranquilo. Esse é o objetivo, porque se
acontece algum problema, você precisa
que as pessoas ajam de maneira
eficiente, sem histeria, sem nervosismo.
Então, se o ambiente já tá tenso, vai
dar muito problema, né? Quem eu esses
tempos atrás eu tava vendo uns vídeos
daquele canal de aviões, né? Acho que é
aviões e músicas, né? do lito. E você vê
como de fato acidentes acontecem,
pessoas morrem só porque a tripulação do
avião, as pessoas que estavam no avião
não estavam preparadas, estavam muito
ansiosas, estavam tensas demais. Então,
existe um fator de de vida, de salvar a
vida das pessoas. Então, eh,
a pessoa olhar e aproveitar aquele
momento onde as pessoas não podem sair
de lá e começar a pregar, passa uma
mensagem muito negativa, muito negativa,
de aproveitamento, tá? Se aproveitando
da da de que as pessoas não têm outra
opção, entende?
Então, eh, esse vídeo, eu não sei se
todo mundo que tá se seguindo, acho que
a maioria das pessoas que seguem aqui
esse canal vai concordar com o que eu tô
falando, mas para quem discorda e acha
que tem que se pregar assim, eu só peço
que considere esses argumentos que eu tô
dando, sabe? Eh, beleza. Você acha que
que você tem que levantar e pregar? A
pergunta é: isso é eficiente?
As pessoas estão se convertendo por
causa disso, né? Eh, o que você quer,
quer fazer as pessoas se converterem,
isso tá acontecendo quando você
simplesmente aproveita que a pessoa que
as pessoas estão presas em um lugar e
começa a falar, né? Eu acho que não. Eu
acho que não. Eu acho que é o contrário.
A gente tá em uma sociedade, o pessoal
tá falando muito de sociedade
polarizada, tem gente que questiona esse
termo.
Mas existe uma uma sociedade tensionada,
isso sem dúvida,
onde você tinha, de certa forma uma
cultura mais compartilhada
e hoje em dia essa cultura tá mais
fragmentada do que nunca.
Eh, os as pessoas que são evangélicas,
elas estão mais isoladas dentro de um
meio evangélico, porque elas tem mais,
elas conseguem agora ver filmes
evangélicos, ouvir músicas evangélicas,
frequentar eh escolas evangélicas e
criar um ambiente, uma bolha evangélica
para ela viver. E uma pessoa que, sei
lá, que é hiponga, que é hip, eh, que é
dita na, sei lá, nas forças da natureza,
gosta de fumar maconha, essas coisas,
ele consegue viver aquela vida dele
isolado na bolha dele e cada vez mais a
gente a gente consegue viver fragmento,
a sociedade totalmente fragmentada em
fragmentos que se tornam bolhas isoladas
umas das outras.
Então, nesse contexto,
a mensagem eh a mensagem de Cristo é
furar as bolhas, que é o o grande
desafio. Como eu consigo furar a bolha
da outra pessoa? Ou seja, como que eu
consigo eh fazer aquela pessoa se sentir
à vontade com a minha presença no lugar
onde ela tá,
ao ponto de eu conseguir falar uma coisa
que ela não considerava e ela passar a
considerar.
Esse é um desafio muito maior. É muito
mais difícil, né? É muito mais difícil a
ideia de ocupação de espaços,
que é a uma maneira como essa bolha
evangélica que a gente vive
tá considerando, a gente tem que ocupar
esses passos. É quase como se fosse uma
guerra de ocupação, né? Aqui ninguém tá
falando de Cristo. Nós temos que tomar
esse lugar e falar de Cristo. Eh, isso
ajuda ou atrapalha esse desafio de furar
bolhas que Cristo falou. Pode ter, você
pode ter a sensação de que começar a
pregar em um avião, você está furando
bolhas, mas eu acredito que é o
contrário. Você tá criando paredes mais
sólidas ainda nas bols, porque as
pessoas que tm uma uma concepção
negativa do cristianismo, elas vão
consolidar ainda mais, vão cristalizar
ainda mais essa essa concepção negativa,
né? E quem concorda só vai bater palma,
não vai conseguir ver, questionar os
problemas. questionar a a
eficiência ou se de fato está se
cumprindo o que que a pessoa se propõe a
cumprir, que são as palavras de Cristo,
né, que é realmente converter as
pessoas, né? Tem um texto que Paulo fala
que é um texto polêmico, que Paulo fala:
"Olha, eu me fiz de judeu
com os judeus e eu me fiz de gentil com
os gentios para ver se eu conseguia
alcançar algum deles, né? Não que Paulo
não tivesse a sua identidade, ele era
judeu e ele tinha uma cultura helênica,
né? Ele não mentiu quem ele fosse, mas
ele soube se portar da maneira como é eh
como é aceito nos lugares para ele
conseguir alcançar as pessoas,
né? ele ele se portava da maneira
correta nos lugares. Eh, quando ele foi
pro aerópago, ele não ficou falando eh
do do Messias que todos esperavam e que
foi crucificado. Não, ele falou do Deus
desconhecido que estava lá no aerópago.
Quando ele foi nas sinagogas discutir,
ele não vou ficar falando de lendas
gregas, da mitologia grega. Então, saber
se portar da maneira correta no em cada
lugar é um desafio que o cristianismo
desaprendeu
e tá insistindo em questões que eu acho
que tornam essa missão de Cristo ainda
mais distante, né?
Bom,
era isso que eu queria falar com vocês.
Deixa eu ver o que que vocês estão
comentando aqui
aqui. O Luiz Fernando, eu vou ler outras
mensagens do que o Mateus, o Mateus
colocou umas coisas aqui. Eu vou ler
depois essas coisas só pra gente manter
o tema aqui. Mateus, eh, o Luiz Fernando
coloca, sem contar que há uma moda, né?
Não foi um caso isolado, publicizado. Aí
perde muito mais a ideia principal de um
bom testemunho cristão.
É, é uma coisa que tá acontecendo com
mais frequência. O comportamento da
menina no avião é um reflexo da forma
rasa, como a mensagem cristã é abordada
nas igrejas protestantes. Também, Elane,
também, porque se você for pregar,
pegar, ouvir alg um minuto o que que ela
tá dizendo, a mensagem dela nem sequer
faz sentido para quem não é cristão,
entende? vira uma coisa muito fechada,
muito nichada.
Ou seja, eu quero falar, eu quero
converter uma pessoa que não é cristã e
eu vou falar uma história que só quem é
cristão conhece, que não tem apelo
nenhum para quem não é cristão.
Eh, esse é um outro problema, né? As
igrejas estão acostumadas a falar a sua
própria linguagem paraos seus próprios
membros. Mas se ela quer converter
pessoas,
o que que deveria ser falado que
atingiria uma pessoa que, por exemplo,
eu não acredito em Deus? Que que uma
igreja tem a dizer para alguém que não
acredita em Deus? Tem alguma coisa eh
que assim faça sentido para ela, pra
pessoa que não acredita em Deus e não só
pra igreja? Porque com certeza muita
gente vai falar: "Não, fala para para
ela que que Jesus te ama. falar para que
não tem atu quando avião tá caindo, todo
mundo fala: "Meu Deus, vai vir um monte
de argumento, mas isso, esses argumentos
fazem sentido pra pessoa que precisaria
ouvir essa mensagem.
Então, a igreja perdeu o foco dela, né?
Se a igreja quer converter as pessoas,
ela tá falhando." E a gente vê isso no
sensos, né? Eh, algumas igrejas
conseguem roubar membros de outras, né?
roubar não num sentido necessariamente
pejorativo, tá gente? Eh, mas sei lá, o
os protestantes conseguem converter
católicos.
Às vezes também acontece católicos
converter protestantes. Adventistas às
vezes convertem pessoas da congregação
cristã. Às vezes a pessoa da assembleia
converte alguém que é da Universal.
Para mim isso nem conversão é, né? Se
você é cristão, você não se converte ao
cristianismo. Se você é cristão, você
pode mudar de igreja, mas isso não é
conversão, né? E eu acho engraçado, né?
Na minha igreja tinha uma uma música,
nem sei se o pessoal canta ainda essa
essa música, mas é uma música que diz
assim: "Eh, ó, que belos hinos cantam lá
no céu, pois se converteu um um
pecador". Então, quando uma pessoa
batizada, você cantava essa música. E eu
sempre achei bizarro porque às vezes a
pessoa tá se batizando na igreja
adventista, mas a pessoa, a vida inteira
foi católica, ou a vida inteira foi
batista, ou a vida inteira foi, sei lá,
da congregação, assembleia, qualquer
outra igreja ali que é mais conhecida e
tal. Como que eu tô falando que esse é
um pecador que se converteu? O cara é
cristão a vida dele inteira, é um
cristão exemplar a vida dele inteira.
Ele só mudou ali a crença sobre algumas
doutrinas e agora ele faz parte dessa
comunidade, não daquela. Não é uma
conversão, ele não deixou de abandonou
uma vida de pecados. Ele só mudou
algumas a compreensão de algumas
doutrinas, né?
Então a gente o o a gente tá muito
acostumado a pregar para cristãos.
Quando se fala pregação, a gente pensa
num jeito de pregar para cristãos. A
pergunta é: como você prega para alguém
que odeia o cristianismo? Essa é a
pergunta. Porque quem gosta do
cristianismo, quem é cristão, não
precisa de conversão, não precisa de
pregação. Eu preciso da pregação do dia
a dia, mas ele não precisa ser
convertido. Ele não vai ser convertido,
ele já é cristão.
Como
alcançar alguém
que tá com ranço da sua religião, que
não aguenta mais, tá com raiva da sua
religião? Essa é a pergunta. Éí, é, essa
é a pergunta que deveria estar
preocupando as pessoas religiosas,
né? E não, sem dúvida nenhuma, não
pregaram os aviões, né?
O comportamento da menina tá no avião,
reflexo, tá? Da da forma como a a
mensagem crist abordada nas igrejas
proteção. Exato, né? Até a gente aqui
ficar com esse ranço. Pois é, Carlos. Eu
tento entender a cabeça da menina
pensando em como era uma criança também
dentro de um contexto cristão. E a gente
ouvia, acho que antigamente era mais
comum ouvir algumas coisas mais ingênuas
assim de sair na rua falando: "Ah, Jesus
te ama, Jesus te ama". Tipo uma frase
que para quem não é cristão, essa frase
não tem nenhum sentido, não quer dizer
nada. Para quem é cristão é muito
significativa, para quem não é cristão,
ela não quer dizer nada. Então, sair na
rua falando, isso eu lembro de de
acontecer uma vez na minha igreja, né?
Sair na rua falando isso não tem
significado para as pessoas,
não tem significado. Se alguém se
converte por causa dessa frase, quer
dizer que essa pessoa para ela já fazia
sentido essa frase, para essa frase
quando for foi falado para ela, ela
sentir vontade de ir pra igreja ou se
converter, alguma coisa assim, né?
Então, a frase já fazia sentido, ou
seja, a gente já tá pescando um peixe
que tá aqui pulando para para fora da da
água, né? Eh, como alcançar o peixe que
tá lá no meio do lago, né?
Aí o Luiz comenta aqui: "Entendo e
concordo com você. Minha preocupação é
nós sentirmos PhD em Deus e querer
definir qual o método correto. Será que
a minha discordância da menina no avião
não tem um viés próprio? Quando você
diz, "Mesmo sem dados, tenho certeza que
ninguém se converteu. Não parte de uma
arrogância, de uma certeza envieszada do
meu próprio conhecimento. Não discordo
de você. Eh, na verdade eu concordo. Só
me preocupa com as certeza. É, sim, sim.
Eu entendo o que você quer dizer, Luiz.
Eh, eu não não tô falando dessa minha
certeza num sentido arrogante, mas no
sentido do de o que eu percebo sobre as
pessoas com quem eu convivo que não são
cristãs, entende? Eu digo nesse sentido,
eh,
então a certeza que eu tenho não é uma
certeza religiosa. A certeza que eu
tenho é a certeza de como eu acho que as
pessoas se portam, né? É a mesma certeza
que eu teria de que se um sujeito saísse
beijando mulheres à força, se ele se ele
ia conseguir muitas namoradas, eu
falaria: "Não, tenho certeza que não,
porque da forma como eu entendo que as
pessoas se portam, esse não é o não é a
reação que é esperada". Então, é mais
nesse sentido. Mas eu entendo o seu
questionamento. Eu também me preocupo em
não est arrogante demais. Eu me preocupo
e não tá arrogante demais. E assim, a
gente tem as questões, eh, tem um
exemplo clássico, né? Eh, Deus usou a a
jumenta de Balaão.
Isso significa que a jumenta, que as
jumentas são um método eficaz de
evangelismo, entende? Deus pode usar
muitas coisas.
Eh, e no final das contas, quem converte
é o Espírito Santo. Mas o ponto é, se a
nossa função é fazer a mensagem chegar
de tudo que eu entendo sobre como as
pessoas são, de como a sociedade onde eu
tô inserido funciona, esse não é o
método correto de fazer a mensagem
chegar. Entende o que eu quero dizer?
Então beleza,
eu vou vou dar o braço a torcer aqui.
Pode ser que alguém ali naquele momento
tava com alguma ansiedade muito grande,
lembrou de quando era criança,
frequentava a igreja e aquela menina
falando, deu um estalo nela e falou:
"Nossa, é isso, é Deus falou comigo
agora". Então você tá certo? Pode ser
que alguém tenha, você conseguiu eh
pegar essa pessoa nesse momento
específico.
O meu questionamento é,
a gente a gente faz muito esse tipo de
estratégia dentro de igreja, que é a
gente depender das pessoas estarem
emocionalmente frágeis
e abertas a uma mensagem que é meio que
aleatória
para elas poderem fazer eh entender,
querem se converter e tal, para que de
alguma forma tocar elas aquela mensagem.
Eh, então beleza, isso pode funcionar
tanto quanto eu sair gritando com um
tambor, batendo a minha própria cabeça e
falando: "Se convertam, Jesus vai
voltar". Né? As pessoas não fazem isso
porque é bizarro, é ridículo e tal. Pode
ser que alguém esteja passando por um
momento frágil e veja aquilo, fala:
"Nossa, mexeu comigo". Então
isso é fazer coisas que não fazem
sentido, esperando que alguma pessoa
muito fragilizada
tenha um gatilho muito específico com
aquela coisa esquisita e aí aquela
mensagem toque ela de alguma forma. Mas
isso não é não é de fato levar a
mensagem de uma maneira eficaz. Entende
o que eu quero dizer? Então assim, eu
acho que existem métodos certos e
métodos errados. Eu acho que sim. Eu
acho que, eu acho que eu até discordo de
você nesse sentido, que a gente é nosso
papel entender os métodos melhores e
piores de levar essa mensagem, né? Assim
como Paulo parou, pensou, eh, questionou
e pensou em métodos melhores de levar a
mensagem ali na época, no contexto que
ele vivia. Então, nesse sentido, eu acho
que sim, a gente não tem que ser
arrogante no sentido que eu sei o método
correto, mas eu acho que a gente tem que
ser questionador no sentido de não, a
gente tem que pensar se esse método é
realmente faz sentido ou não, né? Mais
ou menos por aí. Então eu concordo
também com com algumas coisas que você
pôs aqui, Luiz,
o Ed coloca aqui, acho que fato que um
discurso público é impossível tornar
alguém discípulo, que dá para fazer aqu
eh dar aquele movimento inicial. Exato.
Aí é o que eu tava falando, né? Eh, isso
acho errado. Onde eu congrego realizar
eh rebatizar quem já foi batizado em
nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo, né?
É, cada igreja vai ter uma compreensão
sobre o batismo em si, mas eu acho que a
própria ideia de tratar alguém que
entrou naquela igreja como alguém
convertido, né, independente da
cerimônia de batismo ser aplicada numa
igreja ou em outra, é é o ponto, né? Mas
eu concordo com você, Luís Fernando.
Questão também é que se dentro do seio
dos pregadores que importunam, o senso
de aversão causada é interpretado como o
mundo gerar vocês por causa do meu nome,
complicado. Às vezes importunar como
sinal de aprovação divina é
psicologicamente reforçado. É id isso é
um grande problema. Isso é um grande
problema.
Esse é um texto bíblico que é muito é
interpretado muito muito errado, né?
Porque assim, eh, bem-aventurados quando
vocês são perseguidos em meu nome,
isso significa que todo mundo que é
perseguido,
tá sendo perseguido, é bem-aventurado?
Não. Todo mundo que é cristão e é
perseguido tá sendo bem-aventurado. Não.
Às vezes o cara é perseguido porque ele
cometeu um crime
e ele entende: "Ah, estão me perseguindo
porque bem-aventurado aquilo que é
perseguido em nome de Cristo." Tal. Não,
não é outra coisa que então saber
identificar que as pessoas estão te
perseguindo por causa do nome de Cristo,
o que é uma mensagem que fazia muito
sentido dentro de um mundo helenizado,
pagão, na época de Jesus, né, ou dentro
de um contexto judaico onde a mensagem
eh de Jesus como o Messias também não
era bem vista, fazia muito sentido. É
diferente do mundo que a gente vive
hoje, pelo menos aqui dentro do Brasil.
Eu sei que eu eu também concordo que
existe um um certo sentimento de aversão
que cresce em relação aos cristãos, mas
é diferente de dizer que eles estão
sendo perseguidos por causa de Cristo.
Então
a situação se torna complexa mesmo, se
torna complexa, né? Então acho que é bem
isso que você tá falando, né? Que acaba
sendo uma um reforço psicológico aqui
comportamental.
você entender que, ah, se as pessoas não
estão gostando, se elas estão ficando
com raiva, então isso é uma percepção
significa que eu tô fazendo certo, né?
Então você tira qualquer
ferramenta de você perceber se você tá
fazendo certo ou errado. É porque se
você vê aí que as pessoas gostaram e
aplaudiram a sua pregação, você não vai
usar essa mesma lógica, falar: "Não,
pera aí, então tô fazendo errado".
Porque elas tinham que me odiar porque é
bem aventurado como quando o mundo
odiará vocês por causa do meu nome,
entende? A minha lógica é um jogo de
ganha ganha. Se todo mundo te ele te
elogiar, bater palmas, você vai falar:
"Ó, estou fazendo o certo". Se as
pessoas odiarem, falaram: "Não, sai daí
e tal, estou fazendo o certo." Então,
independente da reação das pessoas, ela
sempre vai ser interpretada como eu
estou fazendo certo agora. Eu tenho a
confirmação pela reação das pessoas que
estou fazendo certo, independente qual
for a reação, né? Eh, é um jogo de que
que é impossível perder aí, né? No caso
perder, é impossível você perceber que
você não tá fazendo alguma coisa certa.
Você sempre vai ter a sensação de que
aquilo é o que deveria ser feito,
independente da reação que tiver. Ela, a
reação sempre vai ser interpretada por
você como o sinal de que aquilo é o
certo a se fazer, independente de qual
for a reação, né? [roncando]
Deus usa as coisas loucas para confundir
os sábios e aquilo Exato, né?
Deus usa as coisas loucas para confundir
os sábios. Eh, o que não significa que
todo mundo que é louco é um sábio
escondido. Não, tem gente que é só louca
mesmo, né? Eh, tem loucuras que as
loucuras de Deus são a a sabedoria de
Deus é loucura pro mundo, mas tem
loucuras que não são de Deus, são só
loucuras mesmo. Então, é, [risadas]
esse é o ponto, né?
Eh, também acho que isso é o Espírito
Santo quem converte. Nossa parte é
manter a palavra viva. Isso você faz
muito bem, diz aqui a Elanine. Ah,
bacana. Obrigado, Elane. Pois é. É. Eu
eu tento não perder essa perspectiva de
que o Espírito Santo, ele só para onde
ele quer, ele tá para além da nossa, do
nosso controle e tal, certo? Mas a gente
tem um papel para cumprir e o papel é
essa mensagem.
Então, a gente tem que cumprir esse
papel de de maneira eficaz, né? que é
que é a minha preocupação aqui. Penso
que é importante se ater se foi Deus ou
se veio da alma natural.
É difícil, viu, Lucine? Saber separar
essas coisas, né?
Porque
é importante a gente entender que sempre
tem um pouco de questão de ego e não tem
problema isso. Então, por exemplo, e
esse canal, eu faço esse canal porque eu
acredito que é uma coisa bacana se
fazer, mas eu tenho consciência que tem
um pouco de ego envolvido aqui também.
Eu não posso perder isso de de
perspectiva. Se todo mundo começar a me
xingar, diferente do que a gente tá
falando aqui, falando: "Nossa, nada a
ver esse canal e eu vou me desanimar,
vou parar de fazer". Se as pessoas
começam a me elogiar, falam: "Nossa,
esse canal é muito bom". Como muita
gente elogia, né? Principalmente o
pessoal que frequenta as lives. Eu me
sinto estimulado, falo: "Ó, as pessoas
gostam de mim, eu quero lá, eu quero
ouvir elogios, eu quero ver que as
pessoas gostam de mim, gostam do meu
jeito de pensar. Então eu tô consciente
disso.
Eh, então é, não dá para você achar que
tem zero de ego, porque se você achar
que tem zero de ego, você já tá
confundindo as coisas. É importante você
entender que tem o seu ego envolvido
para você poder separar o que que é puro
ego do que que é algo que você acredita
que é o que é o correto a se fazer,
entende? Então é importante um
reconhecimento de ego que muitas vezes
não acontece. As pessoas acham que elas
pessoas não percebem
essa parte de ego, de muita gente quer
ser protagonista das coisas,
não se inconforma e não ser. E esse
sentimento de protagonista na igreja
muitas vezes se manifesta dessa forma,
não, eu quero fazer o grande milagre, eu
quero ser Moisés que abriu o Mar
Vermelho. Então, a pessoa quer se
colocar à frente para fazer essa grande
coisa, né?
E a gente vê na igreja isso claramente
em muitos casos, serem uma questão de
que a própria pessoa se autopromove
dessa forma, né? Eh, os títulos que ela
usa para ela mesma, a forma como elas
conta as histórias da vida dela mesma e
tal. Então, se a pessoa não tá
consciente do seu próprio ego, aí aí
desanda tudo. Você tem que tá consciente
que tem um pouquinho de ego em tudo que
a gente faz, né? senão você não vai,
você vai ter uma, uma, uma percepção
distorcida do que você tá fazendo, né?
Mas é isso, gente. Eu acho que é isso.
Queria trazer esse assunto para vocês.
Já tô essa live também durou um
pouquinho mais, né? Já vamos fazer 2
horas de live, né? quase 10:19,
mas é bom, é sempre bom compartilhar um
assunto com vocês. Eu gosto, eu gostei
do que o Luiz colocou aqui, que é um
contraponto também, apesar de dele ter
falado: "Ah, eu concordo com você". Mas
tem essa questão. É bom trazer isso pra
gente poder também dar uma abertura
também. Eu eu fico com essa com essa
sensação
da da das minhas impressões e eu quero
compartilhar com vocês. Mas ter esse
feedback também é legal pra gente que eu
gosto de sempre manter aberto a
perspectiva de que os assuntos são
complexos. O ser humano é difícil, o
encontro do humano com o divino é mais
complexo ainda, vai para além da
compreensão e tal. Então é sempre bom
conversar sobre esses assuntos, né?
O João colocou aqui, eu já preguei no
ônibus, não consegui ficar calado. Uma
vez fiz folhetos dos 10 mandamentos e
distribuir na romaria. É interessante,
João. É, pois é. Eu já participei de
coisas na igreja também. Eh, mas aí fica
o questionamento, né? Eu não sei como
foi a sua pregação no ônibus, eu não sei
como foi a sua panfletagem.
Eh, mas da gente pensar na nas coisas
que a gente faz,
se elas estão contribuindo para dar essa
perspectiva diferente das pessoas sobre
o cristianismo ou se às vezes elas
reforçam. Eu convivo com muita gente que
não é cristã
e eu vejo muito reforçamento negativo.
Eh,
eu eu tô falando reforço negativo, tô
lembrando das histórias de berraviorismo
e não é não é o termo técnico correto
falar que é um reforço negativo isso
aqui, mas eu eh muitas vezes se torna um
reforço para as pessoas ficarem ainda
com mais ranço, com mais aversão eh ao a
mensagem cristã.
Então, as que eu conheço pelo menos, né?
Talvez tenham pessoas que essas
mensagens possam fazer sentido, talvez
pode ser, mas na perspectiva que eu
tenho da do que eu conheço, do que eu
entendo sobre como as coisas funcionam,
eh a imensa maioria das pessoas tão
ficando com mais aversão do cristianismo
por causa das suas posturas. Aó a gente
ver também como as pessoas comentam na
internet, né, dessas coisas. Não são
comentários positivos de quem não é
cristão.
Mas é isso, fica aí isso pra gente
pensar.
E boa noite para vocês, gente. Obrigado
por terem acompanhado aí a live, mais
uma live. E
eu vejo aí na na próxima
eh na próxima live se a gente consegue
também algum outro assunto interessante
pra gente trazer aqui.
Eh,
última mensagem aqui da Lucilene, né?
Também já falei, cantei, me expressei
publicamente sobre Jesus. é um
transbordar de algo que vai além da
natureza, né? Hoje não tem feito. No
início era era muito
para reprovar. Hoje é mais para levar as
pessoas a amar a Deus. Ah, interessante
também tem isso, né? Essa é um outro uma
outra questão, né? Que a Luclene colocou
também. Às vezes você fala pras pessoas
de Jesus nem é uma assim, não é uma
estratégia para converter a pessoa, mas
é sobre as pessoas estarem assim com
aquilo. Normalmente quando a pessoa se
converteu há pouco tempo, aquilo é tão
importante para ela se sentir tão feliz
que ela tem vontade de falar, né? Isso
acontece também, é uma expressão das
pessoas, né? Eh, e isso é bacana. Eu
acho legal quando é uma coisa espontânea
da pessoa, porque eh não é uma tentativa
de de conver, mas ela tá falando porque
ela tem vontade, ela tá feliz, ela tá
num momento ali espiritual ótimo e ela
tá querendo falar para as pessoas desse
relacionamento dela com Deus, né? Eh,
também é uma coisa que a gente tem que
tomar cuidado, porque pode ser uma coisa
muito feliz para você, mas pode ser uma
coisa que se você não falar com um jeito
específico, também causa um rançozinho
nas pessoas, né? É difícil essas coisas,
né? É difícil porque a gente tá falando
de questões religiosas que pra gente são
muito caras, às vezes muito profundas,
mas para outras pessoas ou não quer
dizer muita coisa ou às vezes é o
contrário. Para elas é ridículo, para
elas é horrível, para elas lembra de uma
experiência que elas tiveram quando eram
crianças, foram na igreja, foi
horroroso, às vezes sofreram até algum
trauma, alguma coisa. É muito difícil
lidar com essas coisas, né?
Eh,
tu poderia precisar alguma perspectiva
psicológica da parábola das sementes.
Interessante. Posso pensar nisso, Aid?
Não sei se eu tenho
se eu já tenho alguma coisa que seria
interessante para acrescentar nessa
perspectiva, né?
Eh, me fale do Senhor dos Anéis e da
Bíblia. Ô, Mateus, a gente pode falar
disso no próximo, na próxima live. Pode
ser. Você perguntou do RPG, né? Eu tô
jogando em dois grupos hoje em dia. Eh,
eu tô jogando Tormenta 20,
a minha esposa que mestra, e eu tô
jogando eh eh DID
did com um grupo que eu jogava quando
era adolescente. Aí o pessoal se reuniu
de novo para jogar online.
Mas senhores anéis é uma coisa
interessante. Bom, eu acho, não sei se
todo mundo gosta, mas eu posso trazer
aqui, falar algumas coisas de Senhor dos
Anéis, que eu acho que tem alguns
paralelos de ideias interessantes da
Bíblia e tal. A gente pode comentar
disso na próxima live. Uma boa. E o
Kirkard tem um texto e nessa
perspectiva. O Aid sempre traz uns
textos do Kirgard, são legais, né? Ele
até falou de um outro outro dia que eu
perdi ele. Tem que dar uma olhada nos
comentários das lives passadas que eu
disse que eu queria ler, né? as coisas
que eu li de Kirkards extremamente
interessantes e extremamente
densas. Não é um tipo de texto que você
ah relaxar um pouquinho aqui, uns 5
minutinhos e ler um pouco de Kirkard.
Para mim, pelo menos, não é assim, não.
É sentar e prestar muita atenção, ler
duas, três vezes cada parágrafo. É
difícil, para mim é difícil, mas eu
gosto muito. Quando eu entendo alguma
coisa do que falo: "Nossa, que legal".
fala quando ele fala da nossa, isso pode
podia ser um tema aqui outro dia quando
ele fala da da da
ressurreição de Lázaro. Putz, aquilo é
muito bonito. Aí várias ideias. Sempre
quando termino a live, cheio de ideias
pra próxima live, né? E e às vezes
esqueço durante a semana, mas tá bom,
gente. Boa semana. Valeu aí por terem
acompanhado. Obrigado aí.
E e a gente se vê então na próxima live,
provavelmente semana que vem, mas a
gente faz lives aqui de costume à sexta
sextas-feiras 8:30. Valeu, então, um
abraço, gente. Ciao. Ciao.

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