Davar Live – 08/05
09/05/2026
Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
Fala pessoal, boa noite aí. Boa noite para vocês que estão a, quem está acompanhando a nossa live. Bem-vindos aí a mais uma live. E vamos lá, gente. É, estava pensando algumas coisas para essa live aqui. Queria comentar algumas coisas. Coisas meio que de notícias. Que tem a ver com o tema do canal de alguma forma, né? Um pouco atrasado a, as notícias que eu vou comentar, mas acho que vale a pena ainda. É, e comentar algumas coisas também que foram colocadas aqui no, durante a semana no canal. Boa noite para o Carlos que já está por aí. Mateus Dornelas. O Mateus até falou, estou com uma questão aqui que achei interessante. Pode jogar aí. E aí Ezequiel, tudo bom? Elaine Souza, boa noite. Deixa eu abrir aqui, aqui. Teve um outro comentário também essa semana que eu acho que vale a pena a gente, comentar junto também, né? Nossa, o meu óculos não sei como eu estou enxergando. Espera aí. Aqui a gente tem um, um, um vídeo aqui que é um corte da live, que diz o seguinte: O ritual não muda Deus, mas muda você. É o nome do, do, do vídeo, né? E aí uma pessoa comentou, né? O João. Eu tinha três rituais das quais deixei dois. Orar pela manhã, orar nas refeições e orar antes de dormir. Agora só oro nas, nas refeições. De fato preciso ser mais grato. Interessante isso, né? A gente tem esses rituais que eles, a gente dá significado para eles, eles não necessariamente, são rituais mágicos, né? Aliás, não necessariamente não, eles nunca são rituais mágicos, mas eles são importantes para a gente, que é o que a gente comentou aquele dia, né? Esses rituais são importantes porque eles nos ajudam a marcar coisas importantes para a gente, né? Eh, por isso que a gente faz aniversário para filho, é por isso que Dia das Mães todo mundo se reúne. Não que se reunir naquele dia traga alguma coisa, sei lá, sobrenatural, especial, mística, não, mas o ato, a repetição do ato, ela tem um efeito em nós, né? A ideia de repetição é uma ideia interessante, né? Eh, Jesus fala para nós orações não não não fazer vãs repetições como fazem os gentios, que é uma coisa no sentido de que os gentios ficavam falando diversas vezes a mesma coisa, né? Eh, a a o nas religiões pagãs e tal, então se você queria uma coisa, você ficava repetindo assim sem parar quase um mantra, né? A própria ideia de mantra vem de um pensamento que tem do ponto de vista bíblico seria considerado um um pensamento pagão, né? E >> [limpando a garganta] >> a ideia de repetição não é nesse sentido. A ideia de repetição são atos que acontecem no cotidiano. Essas coisas são importantes, né? Quando quando você tem uma vida mais organizada, quando você tem uma cabeça mais organizada, você vai ter mais rotina e vão ter coisas que você vai fazer todos os dias. E as coisas que você faz todos os dias, elas têm a ver com coisas que você acha importante. Se uma coisa você acha importante, mas você nunca faz nada em relação a ela, não ela não faz parte do seu ritual, então ela não é de fato importante, né? Do do do do da sua rotina, né? Do seu ritual do dia a dia. Mesmo que não seja todos os dias, né? Por exemplo, eu vou às igrejas, minha avó vai na igreja uma vez por semana. Então é uma coisa rotineira, é uma coisa que tem a sua repetição. Não é todos os dias, mas é uma coisa que eu considero importante e ela está dentro da minha rotina, ainda que não da rotina diária. Então essas coisas são são interessantes, né? A gente pensar em como as ações que a gente repetem moldam a gente. As ações que a gente repete, que a gente faz todos os dias, não são só uma manifestação do que a gente pensa, mas elas também influenciam o que a gente pensa. É uma via de mão dupla aí. É uma coisa interessante, né? O que você pensa, você faz e o que você faz também altera o que você pensa. Então rituais que a gente está usando aqui, os rituais no sentido coisas que você faz todos os dias, também vai incluir os rituais religiosos, mas é a gente está pensando aqui em rituais no sentido mais amplo, né? Essas coisas nos afetam e nós afetamos elas também, né? Daniel Algo Verde, boa noite. Algo Verde, boa noite. FH Batista, Gil Pederiva. O Mateus Dornas vai falar: "É, Herodes Antipas é idomita, descendente de Esaú. Jesus é descendente de Jacó. Você acha que dá para traçar um paralelo igual fazem com Abraão e Isaque? Jacó sobreviveu a Esaú, mas seu descendente foi morto pelo descendente de Esaú". Hum, não sei, Mateus. Eu >> [limpando a garganta] >> É, assim, eu precisaria dar uma olhada antes para para fazer essa esse tipo de relação. É, mas assim, a gente tem uma coisa que a gente costuma separar o que é exegese, né? Do que é homilética. Então, de um ponto de vista homilético daria para fazer essa relação no sentido de ah, eu quero tirar uma lição do texto, então vou fazer uma relação livre aqui, né? E tal, dá para fazer esse tipo de relação. Não necessariamente o texto estabelece isso, não necessariamente assim do meu ponto de vista mais exegético você vai conseguir esses esses paralelos e tal, mas do ponto de vista homilético é válido, é válido fazer esse tipo de comparação sim. Boa noite aí para o Edinho, né? Aí ó, a Elaine comenta aqui: "Gosto do tocar dos sinos nas igrejas nas igrejas católicas, fazem a gente parar naquele momento e lembrar de Deus. Gosto desse ritual". É, pois é, é interessante, né? >> [tosse] >> Eu não sei se naquele vídeo a gente chegou a comentar isso mas dentro do catolicismo existe mais apreço pelos rituais. Me parece que o protestantismo ele vem também protestar contra talvez um um exagero do do do do valor que se dá aos rituais, mas aí a gente acabou indo para o lado contrário, não tem ritual nenhum. É, nenhum ritual é válido. É, tudo tem que ser espontâneo. É, as tradições tem que ser sobrepujadas pela espontaneidade. Também acho que não é por aí, daria para se chegar num num meio termo, sabe? É, e eu vejo muitos rituais católicos que eu acho também acho admiráveis. Apesar de não de não fazer parte da minha tradição religiosa, mas eu acho bonito, são gestos bonitos, né? O próprio sinal da cruz, quando você passa na frente de uma igreja, ou seja, você manifesta no seu corpo numa ação do seu corpo um apreço por algo que você viu, por algo que você passou na frente que é que é a na e tal. Eu acho, eu gosto dessas, dessas desses pequenos rituais, né? Dessas pequenas tradições que fazem manter viva alguma coisa específica dentro da nossa mente, né? Mais um comentário que alguém comentou aqui sobre a a nossa série de Jó, né? É, é uma das séries que eu mais gosto. É, inclusive eu tenho que rever ela, porque eu vou comentar sobre Jó na minha igreja esses dias aí. É. Mas é isso. Os comentários essa semana foram basicamente isso, comentários assim que teria algo para a gente comentar aqui. E aí o Mateus Dornelles fala aqui: "Meu problema hoje com ir à igreja é que quando eu vou, eu acho as pregações rasas, muitas das vezes apelam para o medo das pessoas. Cria aí, mas me sinto que na internet eu me alimento mais do que indo". É, então, Mateus, é difícil é difícil encontrar uma igreja aqui que faça sentido para a gente. É, essa é uma questão. Eu acho, na minha opinião, as igrejas estão passando por um momento meio de crise, no sentido de que muita gente está saindo das igrejas, isso a gente está vendo no nas pesquisas que tem lá no último censo já se já conseguiu se registrar um aumento aí dos não religiosos. É, o censo de 2022. É, e e as igrejas não estão sabendo se adaptar a isso, entender como se tornar mais relevante para as pessoas. Ter uma pregação boa todo sábado, quer dizer, todo sábado, no meu caso é todo sábado, mas toda semana, toda vez que você vai à igreja, é uma coisa que exige muito esforço da liderança da igreja. Uma pregação boa e nova que não é só o que que você já viu, né, um tempo atrás, exigiria que o pregador, primeiro, não é qualquer pessoa, tem que ser uma pessoa que tenha um conhecimento, é uma pessoa que saiba articular as ideias e saiba falar. E essa pessoa tem que se dedicar durante a semana para preparar esse sermão. Muitas vezes, os pregadores acabam não separando esse tempo, por exemplo, ah, sei lá, é, hoje, quinta-feira, é dia de preparar sermão, eu não posso fazer mais nada, é é o é um dia, é, que é a minha, a minha profissão como pastor, né, ou mesmo que não seja a única profissão, mas essa ocupação de pastor me exige que eu separe esse dia para preparar um sermão, vou passar o dia estudando, refletindo, durante a semana já vou pensando em algumas coisas. Então, esse, exige muito, imagina, uma vez por semana, um dia por semana, só ter que se dedicar a estudar profundamente um tema, é uma coisa que é difícil. Existe, eu conheço pessoas que fazem isso, é, pastores que fazem isso, mas não é comum, é dif, e assim, normalmente, o pastor só sendo carismático, ele já, as pessoas já tão satisfeitas com o sermão. Então, para quem é um pouco mais exigente, fica mais difícil, sabe? Sabe uma coisa? A gente comentou bastante no, a gente comentou bastante no, no, um tempo atrás, na última live, de algumas crises que eu passei e tal na igreja, mas uma coisa que fez diferença para mim é, quando eu comecei a frequentar faculdade e ter boas aulas de assuntos profundos, as, as coisas da igreja perderam um pouco interesse para mim, sabe? É, as coisas da igreja, não as coisas da igreja em geral, mas normalmente as exposições de temas, quando alguém tá pregando, alguém tá fazendo uma palestra, eu começava a achar mais raso, porque aí eu sabia que que era um professor universitário, uma pessoa que se dedicou, fez lá o seu mestrado, doutorado, preparou a aula e e tem uma prática naquilo, dá o dando uma boa aula, quando eu chegava na igreja, eu pensava que esse cara tá me enrolando. Ele não Ele ele ele tá improvisando agora, ele não não parou para estudar o que ele tá falando, né? Ele não se aprofundou no assunto que ele tá expondo. Então, normalmente, quem tem mais escolaridade, na minha percepção, acaba sendo mais exigente por causa dessas coisas. Ele percebe, tendo referências do que é uma exposição de um tema de alguém que conhece bem o assunto, estudou aquele assunto, se preparou, tendo essa referência, as pessoas se tornam mais exigentes dentro da igreja. Então, no geral, é mais difícil frequentar a igreja quando você tem e e não é só frequentar a universidade não, quando você tem um senso crítico, aqui a universidade é um meio de você desenvolver esse senso crítico, né? Existem outros também. Mas, normalmente, quando você se torna um pouco tem um pouco mais de senso crítico, é um pouco mais difícil, né? E e é claro, eh, às vezes o pregador é bom, mas não agrada a todo mundo, ele tem um estilo que agrada algumas pessoas, tem um jeito de abordar um tema que agrada umas pessoas, mas não outras. Tem questões que deveriam na igreja ir para além de de só se agradar com o sermão, mas nem toda igreja oferece um tipo de liturgia, um tipo de culto que você consegue sentir que você tá fazendo parte de um diálogo e não só indo assistir uma programação, sabe? Isso é uma coisa de que é que também é difícil uma igreja conseguir proporcionar isso. Né? Eu não sei, nunca frequentei uma igreja católica para ver como que é. Mas eu ouço, acho que eu eu tenho a impressão que eu ouço mais de católicos que eu costumo ir à missa, eu gosto da missa e tal. Então nem sempre é a exposição do padre, né? Da pessoa que tá falando, que é o que torna aquilo dá sentido àquilo ou não, mas é o culto em si que em tese, né? A gente deveria ir para a igreja prestar um culto e não assistir um culto. Mas normalmente as igrejas acabam organizando a a a programação delas mais no sentido de ser um um algo para você assistir, quase um entretenimento do que de fato ser algo que você participa, né? E é difícil fazer um um culto participativo com muita gente, né? É, eu já frequentei por um tempo uma comunidade, segui uma uma liturgia judaica. Que eu achei muito interessante. É que tem muita leitura responsiva e tal e a leitura responsiva ela é bonita, o texto da da leitura do do do seder, né? Do do do sidur, do do do livro de rezas. É um texto bonito, é um texto que faz um sentido, ele tá saindo de um lugar e indo para outro. Então o formato do culto tem uma explicação lógica. Chega em algum lugar, sai de um lugar e chega em algum lugar. Tem o porquê agora essa oração é feita nesse lugar e não depois, sabe? Então isso é bacana, mas as igrejas protestantes não costumam ter esse tipo de liturgia muito organizada. Eu vejo inclusive uma tendência a até a a a exclusão total de liturgia. >> [limpando a garganta] >> É uma tendência que eu vejo hoje, né? Eu não sei se é uma tendência que permanece. E eu sei que não são todas as igrejas protestantes que são assim e não necessariamente também essa ausência total de liturgia é uma coisa ruim, né? A liturgia é um dos meios de fazer as pessoas se envolverem sentirem que estão prestando um culto e não indo só assistir uma programação, né? Eh, mas é isso. O Daniel Gouveia ah algo algo verde, né? Rituais se lembram mais do Antigo Testamento pela lei de Moisés do que no Novo Testamento. É que os No Antigo Testamento o tipo de literatura do Antigo Testamento é o tipo de literatura que registra os rituais. O Novo Testamento é cheio de rituais se você prestar atenção, mas já são rituais que são rituais judaicos, dados pelo Antigo Testamento. Então, sei lá, quando fala "Ah, então eles se aram, fizeram uma benção e comeram". É. Falando assim, escrito assim, não parece muito ritualístico. Parece que só que você fez uma má oração falando "Senhor, abençoe esse alimento, amém". Sendo que não, esse fazer uma benção é se refere a um ritual judaico de Inclusive, essa é uma uma diferença interessante, né? A gente pensa normalmente em pedir para Deus abençoar o alimento, pelo menos na tradição religiosa que eu que eu fui criado. A gente ora "Senhor, abençoe esse alimento" e tal. E aí você come. Sendo [limpando a garganta] que a origem da ideia de provavelmente essa ideia de de pedir a benção de Deus pelo alimento vem desse texto do Novo Testamento que eles fizeram uma benção e comeram. Mas o o pensamento judaico é meio que o oposto. Aliás, ele é interessante aqui, né? Quando você vai comer, por exemplo, você vai comer o pão, você vai falar "Baruch atah Adonai Eloheinu melech haolam hamotzi lechem min haaretz". Bendito és tu, Senhor nosso Deus, rei do universo, que faz brotar o pão da terra. Então, você não tá pedindo para Deus abençoar o alimento, mas é um é uma é uma coisa que até o próprio judaísmo entende como ousado, você está abençoando Deus porque ele te deu o alimento. Senhor, bendito és tu, Senhor, nosso Deus. Você é bendito, Deus. Você declara ah, que Deus é bendito por ter te dado o alimento. Então, não é pedir que ele abençoe o alimento, mas é reconhecer que o alimento é uma benção e que o Deus que fez o alimento é uma benção, é abençoado, é bendito, né? Então, é mais, é, agradecer pela benção que é o alimento do que pedir para ser abençoado o alimento. Eu, para mim, isso faz mais sentido. Eu gosto dessa lógica da do do pensamento judaico, né? O pensamento judaico é cheio de bençãos para todos os a todas as ações cotidianas. Então, tem a ver com isso de você reconhecer que Deus é bendito em todos os atos que você faz. Então, mais do que pedir bençãos pelas coisas, é reconhecer que as coisas em si são bençãos, né? Se você for pensar no sentido de benção, né, que é algo que é bom, que é algo que é que que é não só algo que é bom, é difícil, é, a explicar o o o o sentido né, da palavra, a definição da palavra benção. Mas normalmente quando você abençoa alguém, está desejando bem para ela, de um ponto de vista religioso, né? É, e uma benção é uma coisa que em si é algo bom que você recebe. Então, em vez de pedir para Deus tornar o abençoar o alimento, ou seja, tornar ele bom, é você agradece porque já é bom você ter recebido o alimento, porque ele é uma dádiva, né? Então, Deus te deu essa dádiva. Inclusive, dentro do da da da ritual ali da da liturgia do do da sinagoga, dependendo da tradição que você é, eu não sei se é o asquenazitas ou ou sefaraditas, mas você se curva quando você fala essa essa frase, né? Baruch Adonai, bendito és tu, Senhor nosso Deus. Porque entende-se que é uma ousadia o homem abençoar a Deus, né? Mas é mais do que você estar abençoando a Deus, você está reconhecendo que Deus é um Deus bendito, que é um Deus de bênçãos, né? Então, eu gosto desse jeito de pensar, né? Eh, eh, por isso, no Antigo Testamento, normalmente você vê o estabelecimento desses rituais, e o Novo Testamento, ele vai descrever assim, muito superficialmente, porque não é o a ênfase, pessoas que vivem num con nós num contexto de uma sociedade onde tem aqueles rituais, não do mesmo jeito necessariamente que tem no Antigo Testamento, mas é de uma tradição religiosa que bebe do Antigo Testamento, né? Essas bênçãos que tem, eh, bendito és tu, Senhor, que faz brotar o pão da terra, bendito és tu, Senhor, criador criador do fruto da vide, e tal, que são bênçãos tradicionais do judaísmo, elas não são bênçãos veterotestamentárias, você não tem no essas fórmulas no Antigo Testamento, mas elas vêm de uma tradição religiosa que está fundamentada no Antigo Testamento, né? Então, eh, é importante pensar isso, né? O os judeus do Novo Testamento, incluindo aqui Jesus e os apóstolos, eles vivem uma religião de uma tradição que vem do Antigo Testamento, eles não vivem necessariamente uma religião do Antigo Testamento, vocês entendem o que eu quero dizer? Eh, é uma tradição religiosa que foi formada com o tempo, e o próprio Antigo Testamento são várias coisas, né? A religião, a prática da religião na época de Moisés é diferente do que na prática de Davi, é diferente do que na prática do pós-exílio ou do exílio. Então, o Antigo Testamento também não é uma coisa só. Não é um uma maneira, uma tradição religiosa só, né? Você tem uma história que vai se mudando e aí o povo vai se adaptando à sua situação e tal. E o Novo Testamento incorpora outras tradições que que foram eh que foram ali acomodadas nesse tempo todo, né? Inclusive nesse período intertestamentário. Então, você tem um >> [limpando a garganta] >> uma descrição de pessoas vivendo num contexto religioso que tem esses rituais no Novo Testamento. Eh mas vocês veem, né? É um tipo de literatura diferente. No Antigo Testamento você tem mais esse esse tipo de literatura que são listas, né? Ou explicações de coisas, né? Ou o próprio texto que é jurídico, basicamente, né? Falando o que você deve ou não fazer e tal. O Novo Testamento já é um outro tipo de literatura que são os os evangelhos, as epístolas, né? Que tem uma outra pegada, um outro jeito de descrever as coisas, né? Então, os rituais estão lá. As pessoas elas tinham muitos rituais, mas não necessariamente o texto do Novo Testamento está ali explicando detalhadamente esses rituais, né? Ah, estou vendo aqui a pessoa que inclusive tinha comentado sobre a série de Jó, né? Está aqui esse DJ, né? "Boa noite, professor. Estou vendo a série sobre Jó. É ótima. Eu vejo um paralelo entre Jó e os magos do Oriente em termos tipológicos. Jó é um sábio, ou seja, um mago no sentido mais geral do Oriente. Além de do livro ser, por assim dizer, o mais universal do Antigo Testamento". é interessante, né? >> [tosse] [limpando a garganta] >> O O livro de Jó, realmente, ele é interessante, por quê? É um livro do Antigo Testamento e o Antigo Testamento, ele tá falando de uma tradição religiosa específica. E o livro de Jó, ele fica meio que no meio do caminho. Porque você não tem uma descrição genealógica de como Jó tá inserido dentro do do do do povo de Israel. Não fala de quem ele é filho, de quem ele é descendente, quem descendeu dele, como é a tradição do Antigo Testamento, basicamente, como eu acho que com quase todas as suas histórias. Eh, então, parece que ele nem israelita é. Mas, por outro lado, ele tá amparado dentro do de uma religiosidade israelita. Então, ele tá [limpando a garganta] falando do Deus de Israel, né? Eh, tem citações mais indiretas sobre termos, sobre coisas, né, de de tradições bíblicas do Antigo Testamento. Mas Jó, também, parece ser um livro muito antigo. Ele parece ser um livro muito antigo, porque os paralelos literários de Jó, que são textos ali egípcios antigos, eles são muito antigos. Então, eu já ouvi pessoas comentarem que, talvez, Jó seja um dos livros mais antigos da Bíblia e tal, né? É difícil datar Jó, até onde eu saiba. Eh, é muito difícil, por justamente porque ele não tem esses elementos ancoradores, assim, fala: "Ah, isso aconteceu depois do exílio da Dá pra saber que ele ele faz referência ao santuário, mas o santuário tá destruído, então, ele tá no período do exílio". Ele não tem muito essas esse tipo de referência, então, ele é um parênteses. Tá contando a história de um homem justo e é bem o que que a pessoa comentou aqui. É um livro bem universal do Antigo Testamento, né? Não sei dizer se é o mais universal, né? É difícil comparar essas coisas. É porque eu também, né, gosto muito de Eclesiastes e acabo também também é um livro bastante universal, né? O Mateus vai comentar aqui: "Concordo, tenho um podcast que fala sobre a Bíblia e às vezes sinto que me preparo mais do que os pregadores, sem querer ser arrogante". Ah, falando sobre a questão lá que a gente tava falando, né, Mateus? É exato, então é difícil achar um lugar onde você vê que as pessoas realmente se preparam, né, para trazer a mensagem. FH Batista: "Por que Jesus disse: 'É chegada a hora de ser glorificado o filho do homem, se o grão de trigo não morrer, quando os gregos desejam vê-lo, seriam aqueles quando os uh por que Jesus diz tal que é que é glo é Deixa eu ler de novo. Vamos lá, vamos lá. FH Bati FH Bati Ba FH Batista diz: "Por que Jesus diz: 'É chegada a hora de ser glorificado o filho do homem, se o grão de trigo não morrer, etc e tal, quando os gregos desejam vê-lo, seriam aqueles estóicos?" Então, é eu não sei se isso tem a ver necessariamente com o com a escola grega específica, sabe? Eh FH Aliás, FH, se você quiser colocar aí qual é o teu nome, se é Felipe Henrique ou alguma coisa assim. Eh >> [limpando a garganta] >> eu acho que tem mais a ver com a ideia de que Jesus ele fez uma pregação restrita à Judeia. Né? Ele eh em em diversos momentos ele fala que ele a a a mensagem dele é dirigida primeiramente para os judeus. Mas parece que quando a mensagem começa a ir para além dos judeus, é porque é chegado o tempo de de se cumprir tudo o que estava previsto, da crucificação, da morte e ressurreição de Jesus. Então, quando a mensagem começa a ir para além da Judeia, então é um um o que parece esse texto indicar é que é um sinal de que chegou o momento da da da gente ir para o próximo passo agora. Que com a morte e crucificação de Jesus e a ressurreição, a mensagem de Cristo vai para além dos judeus e se torna uma mensagem é para os gentios também, se tornando universal. Então, eu acho que é mais nesse sentido. Eu não sei se tem necessariamente a ver com o estoicismo essa ideia de de da glorificação através da morte, né? Inclusive, é todo o conceito da glorificação através da morte de Jesus e tal, ele é todo esquisitão para o pensamento grego, né? Independente da escola que você for seguir. É, mas mas é por aí. O Luís Fernando fala: "Os hinos e louvores têm sido um alento muito mais muitas vezes maior do que o próprio sermão". Pois é. >> [tosse] >> É é que a gente a gente se acostumou com essa ideia de que o sermão é o centro do culto. Isso vem de uma liturgia que tem um fundamento bíblico, né? A liturgia vocês veem, não tem uma indicação litúrgica de culto na Bíblia. A Bíblia não fala: "Olha, você deve começar o culto com uma oração, depois uma mensagem musical, depois um hino, depois não tem isso na Bíblia". A liturgia vai se formando através de tradições, como a gente estava comentando aqui. Então, existe existe uma lei bíblica que está lá em Deuteronômio, que é que é, essa lei, é ele está se referindo ao próprio Pentateuco, né? Essa lei deve ser lida, acho que de cinco em cinco anos, que que Moisés fala. Então, existe um ritual aí estabelecido em torno da leitura da lei, ela deve acontecer de tempos em tempos. >> [limpando a garganta][tosse] >> Essa leitura da lei, depois ela passa a acontecer anualmente. E depois ela passa a acontecer todas as semanas, mas não se consegue ler a lei inteira toda a semana, então o que que você faz? Você quebra ela em pedaços e você lê. Então, o o culto começa a se organizar em torno desse ritual de leitura da lei, leitura do Pentateuco. E aí, é, quando as pessoas se reuniam para ler o Pentateuco, para esse ritual, você começa a criar apêndices, a gente tá aqui reunido, então vamos a gente faz uma oração e vai ler, aí a gente faz uma oração e vai cantar uma música e vai ler, e aí você vai criando uma liturgia em torno daquilo que seria o centro, que é a leitura, a exposição do texto bíblico, que é a palavra de Deus. Com o tempo, no ritual da sinagoga, isso aqui já é pós-exílio, né? É, é, no exílio você tem muito essa ideia de que agora a gente não tem mais o o santuário, a gente vai ter que fazer esses rituais em outros lugares, aí se cria a ideia de sinagoga, são lugares onde as pessoas se reúnem e mantém uma liturgia viva para se relembrar da sua tradição religiosa que foi interrompida com a destruição do templo. Lembra, tudo era muito centralizado no templo, né? Até a destruição do do do do santuário. Então, se adaptaram fazendo reuniões em em pequenas casas, depois casas de oração, lugares dedicados a você manter esse ritual, e quando eles voltam do exílio esse hábito continua. É, e aí você tem junto da explana, da leitura do texto, você tem um comentário que se fazia. A gente tem uma referência a essa tradição quando Jesus lê o texto de Isaías e todo mundo fica parado olhando para ele esperando qual vai ser o comentário que ele vai fazer sobre o texto, né? E com o passar do tempo, a própria leitura do texto foi tirada da liturgia da igreja, porque eh, as pessoas não, por que que era importante a leitura pública do texto? As pessoas não tinham a Bíblia em casa, né? Você não tinha lá a a prensa de tipos móveis do Gutenberg antes de 1500. Então, você não tinha um livro em casa, a Bíblia inteira em casa, ninguém tinha a Bíblia em casa. Então, a Bíblia era uma coisa que exigia muito trabalho de se manter e ela ficava guardada na sinagoga. É, o o Pentateuco e os outros livros do Antigo Testamento, né? O o a Torá, Nevi'im e Ketuvim. Torá, os profetas e os escritos. Então, normalmente [limpando a garganta] você tem lá ali um rolo da Torá, você tem os rolos dos livros dos profetas e rolos de livros dos escritos. Então, você tem alguns rolos lá guardados na sinagoga e você lia isso, então, para você ter algum conhecimento bíblico, você tinha que participar da liturgia, você tinha que ir na sinagoga e ouvir as pessoas lendo o texto bíblico. Entende? Então, isso era a exposição do texto bíblico, a pessoa lê o texto para você conhecer ele. Depois que foi, você se tornou muito comum as pessoas terem o livro dentro de casa, né? Todo mundo hoje tem uma Bíblia, hoje você tem Bíblia online, você não precisa nem ter a Bíblia para você acessar ela. A a ideia de você ler publicamente o texto também vai se perdendo o sentido. Então, as pessoas a parte que era o comentário sobre o texto bíblico acaba tomando o lugar da da própria leitura do texto bíblico e a gente vai tendo, então, o O era o o centro ali de da liturgia, que era a leitura do texto, acaba dando lugar pra explanação sobre o texto. E aí vira o sermão. O sermão acaba virando o centro do do eh do centro da da da da liturgia do culto. E se a gente for parar pra pensar também, nem isso necessariamente é uma coisa assim fechada, dogmática na Bíblia. Você pode fazer um um culto que nem tem explanação do texto. Você pode fazer um culto só musical, pode fazer um culto só de oração. Eh, então essa ideia de trazer um uma uma explicação sobre o texto, que seria o sermão, também é uma ideia que é construída pela tradição religiosa posteriormente. Não é uma ideia ruim. Mas eh não é uma coisa assim escrita em pedra, que a gente não pode variar isso. Não, isso já é uma variação do da leitura do pública do texto que tinha antes, entende? Então assim, a gente fica nessa situação. É difícil você ter bons sermões, porque um sermão exige trabalho, um sermão exige cultura, conhecimento da pessoa que tá fazendo o sermão, eh dedicação e tal, né? E por outro lado também, o sermão ainda é o grande paradigma que a gente tem de culto. Você vai no na igreja pra ouvir um um bom sermão, né? Eh a nossa experiência religiosa na no contexto de igreja se dá muito através dessa ideia do sermão. Então é difícil a gente fugir disso e a gente fica nesse dilema, né? Quem é um pouco mais criterioso com o sermão, com as explanações públicas, fica se sente mais eh menos à vontade de ir na igreja, sente menos vontade de ir na igreja, né? Sente mais que quando tá na igreja fala: "Puxa, a pessoa nem se preparou, não nem precisava tá aqui". Que eu acho interessante inclusive a ideia de a igreja em si é uma ideia que é meio não é muito comum na nossa época. Você não tem muitos lugares onde você entra e são vários bancos virados para o mesmo lugar e lá na frente tem uma pessoa que está falando e todas as outras estão em silêncio ouvindo essa pessoa falar. A gente hoje tem tanta informação, tanta gente com com tanta bagagem podendo falar na internet, a gente podendo ouvir que se você for parar para pensar você sair da sua casa e sentar em um lugar para ouvir uma pessoa falar, essa pessoa tem que estar muito bem preparada, né? Então realmente eu acho que talvez a igreja não não tenha acompanhado a exigência que se impôs pela forma que a gente vive hoje, pelo próprio formato da igreja, né? Exigiria muito você ir sentar e ouvir uma pessoa falar, todo mundo em silêncio ouvindo uma pessoa falar e essa pessoa nem está falando algo muito interessante, você começa a questionar por que que eu saí de casa, né? Difícil. O FH Batista diz aqui: "Sobre o livro de Jó, o que acho mais interessante ele ter praticamente cumprido o Novo Testamento vivendo na Antiga Aliança. Suas defesas são praticamente tudo que Jesus fala no Sermão do Monte e em outro e em outros". É, é, pois é, né? O livro de Jó, nossa, já deixei ter um monte de comentário aqui já já mais para frente aqui. O livro de Jó ele é interessante porque ele é a discussão sobre um tema que é a justiça retributiva divina. Então esse é o tema central de Jó, que é o seguinte: vive, a pessoa vive bem porque ela porque Deus está recompensando e está acontecendo coisas ruins com ela porque Deus está punindo, né? O que em alguns textos do Antigo Testamento parece ser essa lógica que está sendo colocada, o livro de Jó vai questionar, né? E o grande questionamento de Jó é: eu não mereço estar passando pelo que eu estou passando. Eu sou uma boa pessoa, não fiz nada para para merecer uma coisa tão horrorosa. Minha vida está sendo destruída na minha frente. E os amigos de Jó, o livro inteiro falando: "Não, Jó, se tu, olha, você tem que, você tem que, é, falar o que que você fez de errado, né? É, você tem que, é, confessar o seu pecado e tal e pedir perdão, porque, é, por isso, alguma coisa aconteceu para você estar passando por tanto problema, né?" E Jó, o livro inteiro falando: "Não, eu, não é isso, não é isso. Eu quero uma explicação de Deus, porque dentro dessa lógica não está fazendo sentido". E no final do livro Deus fala para Jó, é, Deus aparece para Jó, fala com ele e fala para os amigos dele: "Olha, vocês vão ter que pedir perdão e Jó vai interceder por vocês, porque vocês não falaram o que é justo sobre mim". Ou seja, o o livro todo é um, é um grande argumento no sentido de que a justiça retributiva divina não é o mecanismo pelo qual Deus Deus se relaciona com a humanidade. Você está passando por um problema muito ruim, isso não é uma punição divina. Está dando tudo certo para você, isso não é necessariamente uma, uma uma um, um, um presente divino porque você foi uma boa pessoa. Então, esse é um tema interessante em Jó aí o Novo Testamento vai falar isso mais claramente, né? Tem até o texto que Jesus fala: "Olha, é, os discípulos chegam: "Essa pessoa aqui tem essa deficiência, quem pecou foi ele ou os pais dele, né?" E Jesus falou: "Olha, nenhum dos dois, isso aqui é, é para, para a glória de Deus se revelar através dele, né?" Então, é um, é, essa passagem, ela tem bem a ver com o espírito do livro de Jó, né? É, a gente está imerso em um mundo de mistério, a gente não sabe o que está acontecendo. O que que estava acontecendo com Jó estava muito além da compreensão dele, não fazia ideia de que o que estava acontecendo estava em um, era um evento cósmico, além dessa, dessa esfera de realidade. Né, é, então a explicação dele não tinha a ver com esse mundo, né? Então a gente também lembra da, tem que ter uma questão de humildade também, que não é porque no final Deus faz uma série de perguntas para Jó, Jó estava o livro inteiro pedindo uma resposta para Deus, e quando Deus aparece Deus faz um monte de pergunta e Jó fica sem resposta nenhuma e e aí Jó admite, agora, agora eu ouvia >> [limpando a garganta] >> eu conhecia Deus só de ouvir falar, agora eu estou vendo ele com meus próprios olhos. Então é na dúvida, é na falta de respostas que você tem um contato com o divino muito mais do que quando tem um monte de certezas escancaradas na sua cara, né? Eu gosto bastante do livro de Jó, livro bem interessante. O Carlos coloca aqui, o protestantismo em geral dessitualizou a celebração, precisamos reconhecer isso, sem dúvida. Sem dúvida, Carlos, e fez isso assim, propositalmente, né? É é, isso é, faz parte do, do do, do, do pensamento ali do, do protestantismo. Gente, eu estou ficando cada vez mais escuro ou é impressão minha? Ah, sim, eu estou ficando porque essa luz aqui está apagando porque ela está fora da, da fonte de energia. Pronto. Estava mais clarinho um pouquinho, eu estou ficando mais escuro. Aí o BR Raízes 96 diz, boa noite. Acho muito engraçado esses nomes, né, que a gente tem na internet porque é uma pessoa que está lá, colocou um nome por algum motivo, eu tinha um e-mail muito tempo atrás que também era um nome que na época fez sentido para mim. Né, é, e às vezes a gente vai colocar o nosso nome e obviamente já tem outra pessoa com o nosso nome que pôs antes, né? O BR Raiz 96. Boa noite, sou inscrito no canal já faz um já um tempo e te recomendo a leitura do livro O Mundo As, ah, tá. Eh, sou inscrito no canal já um tempo e te recomendo a leitura do livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios do Carl Sagan, né? Escrito pelo cientista Carl Sagan. Vale a pena a leitura. Então, eh, eu nunca li esse livro, mas eu conheço muitas ideias que tem nele. E são interessantíssimas, né? O Dragão da Garagem, né? E tal. Eh, a maneira como ele se relaciona com o pensamento científico, isso é interessante até por causa do seguinte. Eh, por isso daqui é uma coisa boa, eh, se eu ler esse livro um dia eu vou trazer ele para cá essa essa série de questionamentos. Antigamente o o o pensamento religioso, ele residia no mistério físico, vou eu vou chamar assim. Ou seja, você tá sentado à noite lá na sua aldeia, na na sua tribo, na sua no seu acampamento e você vê o mato se mexendo e você não sabe o que é. Então, você atribui um valor religioso àquela àquilo são demônios. Eu vejo um vulto voando, eu não sei o que é. Ah, isso daqui são demônios, são espíritos, são seres sobrenaturais. Então, se atribuía muito o valor espiritual das coisas a elementos que eram não explicados. Então, elementos que você físicos, naturais, mas que não tinham explicação. A a própria natureza, é porque a no pensamento antigo, a natureza era sobrenatural, por mais por mais contraditório que é essa frase, a natureza ser sobrenatural, porque não existia essa divisão de natural e sobrenatural, porque você não tinha explicações para os fenômenos físicos da forma como a gente tem hoje. Então, você via um fenômeno, por exemplo, você via o sol, uma bola de fogo flutuando no céu. Você fala: "Bom, não tem bolas de fogo flutuando por aí. Então, aquilo é uma exceção ao mundo natural, aquilo é sobrenatural. Então, aquilo é uma manifestação divina, aquilo é um Deus". É, aí cada cultura vai ter lá o Rá, vai ter o Shamash, vai ter o Hélios. Dependendo da cultura que você está, você atribui o sol a um Deus diferente. Porque os fenômenos naturais, é, você não encontrava uma lógica por trás deles. Então, você não conseguia prever eles. Então, tudo parecia uma manifestação de uma personalidade. É, uma manifestação pessoal. Então, eu estou parado aqui, está tudo bem, aí daqui a pouco eu vejo que o céu está mudando e vem uma tempestade. Falo: "Olha, Zeus está bravo, está jogando os raios lá de cima com a mão dele, né?" É, e também depende da cultura. Ou Zeus, né, que é um é um Deus da tempestade, ou Baal, que é um Deus da tempestade, é, ou o Thor, um Deus da tempestade, né? Então, os fenômenos naturais estavam associados a a divindades. Porque o fenômeno natural em si era enigmático, era um mistério. Então, então você você não pode desvendar, está para além do pensar da da lógica humana. Então, aquilo é sobrenatural, aquilo é divino. O mundo é divino. A gente tem um povo muito interessante que tem uma crença, que surge com uma crença. E é interessante porque é uma crença mesmo, que é o que é o são os gregos, que tem a crença de que você desvenda a natureza através da lógica. Isso é uma crença que tem que ser anterior ao desvendar da natureza através da lógica, né? Porque os gregos nem chegaram perto do de como a gente conseguiu desvendar a natureza através da lógica hoje em dia. Então, eles tinham essa crença, eh, muitas coisas eles entendiam, eles começavam a ver uma lógica no mundo, isso tem a ver com estoicismo, que que foi comentado aqui um pouco antes, né? Ou seja, eles entendem que existe uma grande lógica, um logos, né? Existe um um um uma harmonia no mundo. Tudo faz parte de uma harmonia, né? A natureza é harmoniosa, por mais que ela não pareça à primeira vista, mas existe uma grande lógica por trás de tudo, né? Eh, mais para frente, nossa, eu tô fazendo um apanhado aqui geral, né? Então, vou pular muitas coisas, né? Eu não sou um um um filósofo de formação. Mais para frente, a gente vai ter a ideia desses pressupostos, mas agora adaptado a um pensamento cristão, onde a gente tem lá no no iluminismo a ideia de que ao eu desvendar a natureza, a lógica da natureza, eu tô entendendo o pensamento de Deus, né? Que é mais ou menos como Newton pensava, que é o maior cientista que teve, né? Eh, então, para ele, o ato de desvendar o universo era um ato de relacionamento com o divino. Então, daí começa a surgir uma ideia diferente, de que a natureza em si não é daí que vem, né? A Bíblia já tem essa essa separação, mas ela não passa pelo pensamento científico, como aconteceu nessa época, que é a ideia de que existe uma divisão entre a natureza e o divino. O divino não é a natureza, né? A Bíblia é muito interessante, que a Bíblia vai se encaixar bem com esse pensamento, porque na Bíblia Deus é incorpóreo. Você não pode representar Deus para cultuar ele com algum elemento da natureza, isso é proibido, né? Então, a gente tem lá no livro de Deuteronômio, quando fala, né? Deus fala: "Olha, não, não, não tenha tentação de olhar para o sol, para a lua, para as estrelas, para os animais e se curvar diante deles, né? Vocês lembram quando eu apareci lá no Sinai, eu não tinha forma nenhuma desses animais, ou seja, a gente tem na Bíblia que isso é muito interessante, é uma dissociação entre o divino e a natureza. O divino, ele não tá na natureza, o divino está para além da natureza. Isso abre caminho para a ideia de que a natureza não é um mistério sobrenatural em si, entende? Tem uma lógica por trás disso. Que é o jeito que esse pessoal lá do iluminismo vai pensar, que é eu consigo desvendar os fenômenos naturais, é e e ainda assim manter a minha fé, porque o fato de eu entender a natureza como um grande mecanismo, é, não é um problema, porque a natureza em si não é divina, o divino está para além da natureza, o divino é ele, é o que criou esse grande mecanismo, que é a natureza. Entende? Então, esse pensamento vai se formando depois. E a gente tem essa situação hoje, onde a gente tem é, não, não tem muito mais espaço para o Deus das é, não lembro como que é a expressão em em português, que é God of the Gaps. O Deus dos é, ah, como que é o o Gap? É o do o o o Ah, gente, eu vou precisar pesquisar essa essa essa expressão. God of the Gaps. Português. >> Deus das lacunas, o pessoal fala, né? O que essa expressão Deus das lacunas, né? O que que significa essa expressão o Deus das lacunas? Que é o seguinte, eh Beleza, eu entendi que a Terra, eh a Terra gira em torno do Sol por causa da força da gravidade, tal, mas eu não sei como o Sol se mantém queimando o tempo todo, tá vendo? É Deus. Ou seja, em toda lacuna de conhecimento, eu coloco Deus. Tudo aquilo que eu não sei sobre a natureza, eu falo: "Ah, então é Deus, tá vendo aí? A prova é que é Deus", tal. O problema é que quanto mais você conhece, mais você adquire conhecimento sobre a natureza, menos espaço sobra para você colocar Deus, entende? Ah, porque ah, olha só, né? A Bíblia faz um um argumento desse, eu acho que é no livro de Provérbios, né? Você não sabe como os ossos se formam no ventre da mãe, né? E falar isso, é um mistério, Deus conhece, tal. Eh mas a nossa fé não não pode depender desse tipo de lógica hoje em dia, porque a gente sabe como os ossos se formam dentro do ventre da mãe. A gente tem imagens de ressonância, a gente conhece doenças que influenciam os mecanismos das doenças, a gente consegue manipular isso. Então, eh agora, a forma como eu entendo a religião a religiosidade, [limpando a garganta] pelo menos, é o seguinte: Eu olho para o meu cachorro, eu entendo que é um mecanismo biológico vivo ali, diversos mecanismos, né? Aliás, incompreensivelmente complexos ali. Eh mas existe algo de sobrenatural para além daquilo, de um de um animal estar vivo, de eu me relacionar com ele, de poder abraçar o meu cachorrinho, fazer carinho nele, né? Eu tô usando um exemplo banal aqui, né? Mas a gente pode falar de outras coisas, né? Quando você olha para um pôr do sol, você tá vendo aquela beleza, você tem um senso de de de de de sobrenatural, de extraordinário. E se alguém sentar do teu lado e começar a explicar: "Então, as nuvens causam essa essa coloração por causa do hélio, de não sei o quê, e de qual lugar". Você vai falar: "Meu, cala boca, deixa eu só apreciar esse pôr do sol, que ele tá muito bonito". É, eu posso até também ter esse tipo de apreciação na própria explicação em si. Mas o fenômeno natural em si, ele já causa essa sensação no homem, essa sensação de de que há algo a mais, além do meca do do mecanismo natural, que antecede o mecanismo natural. E é nisso que a minha religiosidade tá tá baseada, né? Eu não fico aqui pensando: "Olha, tá vendo? Deus existe, tá vendo o buraco negro? Ninguém explica o buraco negro, tá vendo? Então, só só Deus mesmo". Um dia talvez expliquem o buraco negro, e aí, aonde que eu vou colocar Deus quando vier essa explicação? Então, não é isso. O fato do buraco negro ser como ele é já é extraordinário. Isso me me faz ter uma uma uma apreciação de de de de com elementos religiosos sobre aquele fenômeno, independente da explicação que tenha ou não sobre ele, entende? Então, passa a ser não a a o mistério por trás dos fenômenos que são sobrenaturais, mas é o mistério que antecede todos os fenômenos, que é onde reside o sobrenatural, entende? Então, eu me relaciono com um Deus, não é o Deus que existe porque eu não consigo explicar x coisa, mas é o Deus que existe porque eh eh que que antecede a existência dessas coisas. Essas coisas existem porque existe algo sobrenatural. Né? É assim que eu vou que eu vou pensar, pelo menos. Eu li isso tudo porque ele só citou o livro aqui do Carl Sagan. Eu eu tenho vontade de ler esse livro porque vai muito no combate exatamente esse tipo de religiosidade. Da natureza misteriosa. De eu ver demônios e seres celestiais na natureza, ensina aquilo que eu não consigo explicar. Né? Porque esse tipo de pensamento realmente ele perde espaço. Né? A Bíblia exis Por que é que a religião bíblica tá aí persistindo até hoje? Porque a Bíblia fez essa separação. A natureza é uma coisa. Deus não é a natureza. Deus não é um peixe. Deus não é um boi. Deus não é o sol. Deus não é a lua. Deus não pode ser corporificado. Ele tá para além de tudo isso, né? Então, é por isso que essa religião persiste. Porque existe esse caminho que tá para além da explicação dos dos mecanismos dos fenômenos naturais. Bendi Bendiz minha alma ao Senhor, Salmo 103. É é louvor e gratidão a Deus. Ah, é o que a gente tava falando no começo, né? A minha alma bendiz a Deus. Exato, né? Roseli Parreira, é possível acontecer conosco o que aconteceu com Jó? Roseli, em certa medida, acontece conosco todos os dias o que acontece com Jó, que é a gente sofrer algum tipo de injustiça que parece inexplicável. Não nas proporções do que aconteceu com Jó, entende? Mas quando você passa por uma questão e fala: "Não, pera aí, eu eu quero que Deus apareça aqui na minha frente, porque eu Eu ter perguntas que não vai ter como ele responder, porque qual a resposta para isso aqui? Né? É. Todo mundo passou por alguma situação que que teve esse sentimento de Jó. Né? Eu queria que tivesse um juiz entre eu e Deus. Porque ele, esse juiz ia me dar razão. O que tá acontecendo comigo não é justo. Né? Cadê o Deus que é justo? Deus não é justo? O que tá acontecendo comigo não é justo. Qual a explicação? É, então nesse sentido acontece todos os dias o que aconteceu com Jó, com a gente, né? Talvez não uma tragédia tão grande quanto ele perder tudo o que ele tinha de um dia para noite. Mas tem pessoas hoje perdendo tudo do dia para noite, né? Tem pessoas aí, sei lá, no Sudão. Onde tá acontecendo um massacre. Um sujeito tá lá, é fiel a Deus. Faz tudo o que que é certo, de repente vem um exército inimigo, entra, mata todo mundo, destrói toda a vida dele, desaparece. Qual a explicação? Como que eu vou dar uma explicação para isso? Não faz nenhum sentido. Né? Então nesse sentido, sim, a gente tá passando diariamente a a a a história de Jó passa diariamente na vida de alguém, né? E às vezes na nossa. Infelizmente, né? Ninguém quer passar pelo que Jó passou. Né? Mas todo mundo quer também a recompensa. Existe uma coisa interessante no livro de Jó, né? No final ele é recompensado. O que eu acho, na minha opinião, que enfraquece um pouco a mensagem do livro de Jó. Mas tem um outro livro da Bíblia que passa pela mesma ideia e é mais e é mais amargo, que é o livro de Habacuque. Ou seja, você vai sofrer, você nem tá sofrendo ainda, mas Deus vem avisar o seguinte: você vai sofrer, viu? Vai sofrer demais. Mas tudo vai ser destruído e e e todo mundo vai morrer, tá bom? E é isso. O justo vive pela fé. E vai embora. E aí não sabe o que dizer. E Habacuque, depois que ele entende que o justo vive pela fé, ele vai falar: "Então, ainda que a figueira não dê o seu fruto, ainda que a chuva não caia do céu", não lembro como que é o texto lá do último capítulo de Habacuque, mas ainda que dê tudo errado, ainda assim eu vou louvar a Deus, porque ele é Deus e eu sou só um ser humano. Isso não muda, independente do que acontecer comigo. Eh, essa relação de divindade ainda existe. Eu vivo pela fé. Né? Então, o livro de Habacuque, eu acho que ele dá um passo a mais do que o livro de Jó, que é não necessariamente vai dar tudo certo no final também, viu? Hum, às vezes vai ser igual o Jó, que vai no final dar tudo certo, mas às vezes é pior. E não, eu já estou Você nem está sofrendo ainda, mas você já está ouvindo trazer a mensagem: "Você vai sofrer e não vai ter nenhum sentido e você vai morrer e desaparecer e acabou". Né? E a o a o verdadeiro reconhecimento do viver pela fé é numa situação dessa falar: "Tá bom. OK. Continuo louvando a Deus". Essa fé teimosa, né? Eh, que é é um tipo de fé difícil de ser cultivado, mas a a Bíblia traz para a gente esse aspecto da fé também, né? Muito boa essa série do Jó mesmo. Mandei o para um monte de gente da minha família. Ah, legal, Fernando. Luís Fernando. Legal. "Poderia rolar uma série de vídeos comentando capítulo por capítulo de Daniel", diz aqui o Mateus Dornelas. Olha, Mateus, tem muita coisa muito legal no livro de Daniel. Mas seria complicado para a gente aqui, porque o livro de Daniel, eu sou adventista e a a igreja adventista tem uma interpretação muito específica e doutrinária de Daniel, que não é muito o foco do nosso canal, entende? Então, aqui normalmente quando eu falo de Daniel, eu falo assim, elementos que são mais universais, que não dependem de uma de uma interpretação muito particular, né? De um todo um sistema interpretativo de escatologia para dar para dar sentido, entende? Então, eu evito esses temas que são muito doutrinários adventistas aqui porque eh que não é essa pegada do canal em si, mas a gente pode comentar eventualmente algumas coisas. Tem, por exemplo, os primeiros capítulos de Daniel que normalmente as pessoas não comentam tanto, né? Porque a gente fica mais ali nas profecias e tal, mas o o Daniel do capítulo 1 até o capítulo 6 é demais, é demais. É bem legal. A gente pode falar um dia sobre Daniel, sim. Ah, o FH, Fernando Henrique. É, Felipe Henrique não faz muito sentido, né? Fernando Henrique Batista, legal. É. Deuteronômio 31:10 a 13. A Torá deveria ser lida publicamente a cada 7 anos durante o Sucot. Obrigado, Carlos. O Carlos é eh basicamente o meu consultor aqui. Sempre quando tem um texto que eu não lembro direito, eh e eu comento aqui, o Carlos vem e traz a referência. Então, para a gente tava falando antes lá do texto que que que fala sobre a tradição de se ler a Torá. Tá aqui, Deuteronômio 31:10 a 13. Eh a Torá deve ser lida publicamente a cada 7 anos durante o Sucot, a festa dos tabernáculos, né? Ou das tendas aí, das cabanas, depende da tradução. Ronaldo Cota coloca aqui Shabbat Shalom. Shabbat Shalom. Eh nossa geração tem a a barda de ser servida em tudo também, né? Eh digo por mim mesmo isso. O Luís Fernando aqui acho que a gente acho que a gente tava falando de da igreja, né? Também tem isso. A ideia de igreja, de você sentar e assistir um sermão e participar de um culto, de um de uma de um de uma liturgia e tal, ela não combina muito com gente que cresceu com um aparelhinho chamado controle remoto. Que a gente senta e a gente vê alguém falando uma coisa, mas se a gente não tá mais interessado, a gente só faz esse movimento. Com a pontinha do dedo. E a gente muda e vai ver outra coisa. Então, é claro que isso vai ser poten- potencializado milhões de vezes quando chega as as redes sociais, o TikTok da vida e tal. Ou seja, a gente tem o controle total dos estímulos que a gente recebe para não ficar entediado. Então, a própria ideia de igreja acaba sendo difícil para essa geração. É é muito difícil. Mas é o que é. A gente precisa também desse tipo de coisa, né? A gente precisa de um pouco de de calor humano, de sentar do lado de pessoas que a gente discorda, de ter que resolver problemas juntos, eh, de ouvir às vezes uma coisa que a gente fala: "Nossa, nada a ver isso". Aí você olha para o lado, a pessoa tá chorando, fala: "Olha, para ela fez sentido, né? Né? Será que eu tô sendo muito duro ou será que essa pessoa também é um coração mole?" Então, esse tipo de convívio com as pessoas, lidando com questões que são importantes, morais e tal, que é o que a igreja faz, é um é um é um tipo de convívio que eu acho importante. Apesar de ficar difícil na sociedade que a gente vive, do jeito que a gente se educou com com controle remoto, a mudar o controle remoto é só um símbolo, né? O dedo no TikTok é muito mais poderoso do que o controle remoto, né? Que o controle remoto, que é a gente conseguir controlar todos os estímulos que a gente tem para não se entediar. Né? Muito difícil mesmo frequentar a igreja nessa época. Eu só não consigo entender porque o amigo mais jovem lá de Jó não precisou dessa oração do dia dessa oração que Jó fez. Porque ele foi bem arrogante igual os outros amigos. Pois é, Mateus, esse último amigo de Jó, não lembro o nome dele agora, ele é bem enigmático. É, é o lá na minha quando eu fiz a série eu fui por uma linha de interpretação sobre qual é o significado desse amigo de Jó, mas eu lembro de ter lido outras coisas também que eu falei, isso aqui também faz sentido. Então é difícil. É difícil. É, a festa rolando firme e o Roni resguardado na live. Ah, é, não, não é festa, é porque o pessoal tá jogando bola lá fora. Eu moro num condomínio e aí tem uma quadra aqui. Então é é o pessoal tava jogando aí. Isso porque tava tendo zumba na quadra a meia hora atrás. Zumba termina às 8:00. E 8:30 começa a nossa live. Se a zumba ficasse mais tarde eu ia ter que mudar o horário da live, porque não dá, é impossível. O pessoal aqui falando do lacunas, né? O God of the Gaps, o Deus das lacunas, é isso mesmo, né? É, aí o Mateus comentando aqui, eu gosto dessa visão, os gregos antigos tinham isso. Eles não estavam só pisando no chão, mas estavam pisando em Gaia. O sol não era só um astro, mas era o próprio Apolo aquecendo o seu povo, né? É, e acho que aquilo que você falou sobre tudo ser espiritual é uma maneira de a gente tentar resgatar essa visão. O pão não é só um pão, mas uma benção que Deus nos deu para poder me manter vivo. Pois é, então, é, é isso, né, Mateus? É tudo é espiritual no sentido de que tudo tem a sua origem em um Deus espiritual. Por outro lado, eh, quando, sei lá, tô tentando pensar num, se eu vejo uma nuvem em forma de um, de um, de alguma coisa, aquilo não é necessariamente um sinal divino para mim, entende? Então, aquilo pode ser só um mecanismo natural. Então, é importante ter essas duas perspectivas ao mesmo tempo, né? A gente falou de paradoxos um tempo atrás. Esse é um paradoxo. A natureza é só natureza, é só um mecanismo natural, tem nada de, de extraordinário na natureza, não, de extraordinário não. Extraordinário tem, mas não tem nada de sobrenatural na natureza, mas ao mesmo tempo tudo é espiritual, no sentido de que eu vejo espiritualidade nesses fenômenos normais, naturais da natureza, entende? Então, é uma perspectiva dupla, de que tudo é espiritual e ao mesmo tempo esse mundo aqui físico, ele é só um, um grande mecanismo. Ele não é, ele não é sobrenatural, ele não é divino, entende? É, é as duas coisas ao mesmo tempo, né? Eh, boa noite. A Lilith existiu de verdade ou é uma especulação? Então, Marcos, eh, se você acredita no texto bíblico, então a Lilith é só uma tradição bem posterior. Na verdade, isso independe de você acreditar no texto bíblico ou não, né? A Lilith é uma tradição bem posterior que surge no judaísmo, né? Eh, ela não aparece na Bíblia em lugar nenhum, não tem nenhuma, sequer nenhuma indicação, eh, o que o pessoal chamaria de fanfic, né, hoje na internet. Ou seja, você pegou um um tema bíblico e se criou uma história a partir disso, né? Bem posterior. Eh mas do ponto de vista bíblico, não. Na na Bíblia em si, não. Não existe nada de Lilith. Existe a palavra Lilith, acho que é a citada, se não me engano, em Isaías, que é um nome de um de um animal, acho que é uma coruja, alguma coisa assim. Eh mas não existe essa essa mulher de Adão que existiu. Então, sim. Na minha na minha religiosidade, da forma que eu vejo que que é baseada em na Bíblia em si, não. Lilith é só uma tradição de um povo criada baseada no no texto bíblico, entende? Mas vai ter gente que vai acreditar nisso, né? Então, depende de onde você tá. Depende do que você escolheu acreditar com o depende do que você escolheu como seus pressupostos aí na sua na sua crença, entendeu? Você citou que participou de uma comunidade que seguia o sidur, livro de orações judaica. É a igreja adventista messiânica? Olha, Daniel, eu não conheço uma igreja adventista messiânica, mas acho que você tá querendo dizer que a que eu participei é de uma comunidade judaico-adventista, que é uma é uma igreja adventista que segue uma liturgia judaica para membros que são de uma origem judaica, né? Tem que ter uma função dupla aí, para as pessoas que são de origem judaica, elas poderem eh poderem criar os filhos dentro da da tradição do povo deles. Então, a a a existe uma liturgia judaica adaptada, porque ela tem uma adaptação com a a a doutrina adventista. Então, tipo, você frequenta lá, não tem nada que é contraditório à doutrina adventista. Eh mas tem elementos culturais judaicos ali. Então, é é que real é essa comunidade que eu frequentei. A igreja adventista tem algumas igrejas assim culturais, né? Tem a igreja árabe adventista, tem a igreja nipônica, tem a igreja coreana, tem a igreja hispânica e tal, que é para pessoas de etnias diferentes poderem aí frequentar uma igreja que conversa mais com a sua com a sua com a cultura em que você foi criado, né? Ah, o Carlos acho que frequenta, né? É, ele é ele é do Rio, né? Colocou aqui: "Templo judaico adventista. Sou do sou membro no Rio". Né? O Golem é muito mais divertido que a Lilith. É, pois é, Carlos. O Golem é uma uma história bem interessante no judaísmo. É, a gente comentou aqui há um tempo atrás, acho que sim, né? Que é uma lenda ali de Praga, da né, da República Checa, né, de um um rabino que cria um um um guarda-costas com as artes místicas dele lá, um um monstro feito de pedra para guardar para proteger a comunidade judaica ali, né, que que estava sendo atacada na época e tal. Então esse era o Golem. Quem joga esses jogos de RPG já já viu o Golem em algum lugar. Então a origem do Golem é essa essa lenda judaica aí, do do do rabino de Praga. Mas é bem mais mexe, pelo menos comigo, mexe muito mais com a minha imaginação, né? Um monstro gigante de pedra, né, pro acho que acho que o Golem original não é de pedra, é de barro, né? Porque ele é tem uma um paralelo com a criação do ser humano e tal. É, tem que escrever em met na testa para ele ter vida. Exato. É, é, é. É, eu já fui para Praga, para a cidade de Praga, lá na República Checa, e tem é eu lembro que lá tinha uma um um um, um roteiro turístico do Golem e tal, que acabava na, na sinagoga, que é do século 12, se eu não me engano, a sinagoga mais antiga da Europa, que é lá em Praga, é uma sinagoga antiquíssima e tal. E o pessoal diz que é, um rabino, que foi um, um dos rabinos lá, uma vez disse que o cara já chegou para ele, ó, cara um cara muito rico falou, ó, te ofereço essa grana toda, se você deixar eu entrar lá no porão da sinagoga e ver o Golem, que eu sei que ele tá lá, né, e tal. Aí o pessoal falou, nossa, o rabino devia ter montado um bonecão de barro lá, de qualquer jeito, né? Para ganhar essa grana aí. Mas tem toda, a cidade tem todo um roteiro baseado aí na lenda do Golem, né? >> [roncando] >> É, o, o Coisa, do Quarteto Fantástico, é baseado no Golem e o Ben Grimm ajudou. É verdade, é interessante, legal. >> [risadas] >> É bem isso mesmo, né? O, gente, então é o seguinte, agora que a gente conseguiu dar uma pausa aqui nos assuntos o que que eu queria falar com vocês? Hoje a gente já tá aqui no finalzinho da, da live, mas é um assunto que eu não queria deixar passar, porque foi um assunto aí semana, na outra semana e é uma coisa que eu falei, ah, pô, eu queria comentar isso em live. O eu não sei se vocês viram aí essa semana de que tá tendo uma onda, ficou famoso um vídeo, mas não é só um vídeo que, que aconteceu, tá tendo meio que uma onda de pessoas pregando dentro de aviões. Vocês viram isso? Então ficou famoso um, um caso de uma menina menina, menina mesmo, criança, que começou a pregar no meio do avião, o, o pessoal lá da tripulação maior esforço para tentar conter a menina, a menina não, Deus me falou que eu tenho que pregar isso e tal. Né, e parece que o pai vai ser responsabilizado legalmente, inclusive, porque dentro do voo ainda tem uma questão que é uma questão de segurança, né? Tudo que sai para além do que é o o o dia a dia, o comum, o esperado dentro do voo, principalmente das das atitudes da tripulação, pode envolver uma questão de segurança. Porque se você tá lá voando a não sei quantos mil pés de altura, a menina tá pregando e de repente levanta alguém que começa a discutir e fala: "Não, isso daí que você tá falando é besteira". Aí o outro começa uma briga dentro de um avião a 10.000 m de altura e de repente chega uma turbulência e todo mundo tem que se Vocês entendem como isso tem um potencial de virar um problema de segurança para todo mundo que tá no voo, né? Então, eh, por esse motivo parece que o pai vai ser responsabilizado legalmente por ter inclusive incentivado a menina a pregar dentro do avião. Mas isso só acontece com uma certa frequência. Se você procurar na internet, você vai ver mais vídeos de pessoas aí pregando dentro de aviões. E eu tava vendo algumas pessoas falarem sobre isso e achei um assunto interessante, né? Eh, eu cresci eu cresci dentro de uma igreja, eh, de dentro de uma igreja protestante, né? Eu entendo esse sentimento que as pessoas têm de que eu preciso pregar, né? Eu preciso levar a mensagem do evangelho adiante. Então, quando eu vejo isso, por mais que, eh, vocês já sabem minha posição quem acompanha mais o canal aqui, porque eu já comentei de assuntos parecidos antes, né? Eh, eu sou absolutamente contra e eu vou argumentar nesse sentido aqui nessa nesse finalzinho de live aqui. Mas, apesar de eu ser contra, eu consigo entender o sentimento religioso que levou a pessoa a fazer isso. Dentro de um contexto religioso, eh, o muitas vezes a gente se pergunta: o que que eu deveria estar fazendo para levar essa mensagem que eu não estou fazendo? Será que eu deveria pregar agora? Será que eu deveria puxar assunto com essa pessoa que está sentada do meu lado e tal. Então, muitas vezes quem frequenta igreja já teve esses questionamentos, né? Eh, porque afinal das contas nós temos uma missão: esse evangelho do reino será pregado em todo o mundo, toda tribo, língua e nação e tal. Eh, eh, ide fazei discípulos, né? Ensinando a guardar todas essas coisas e tal. Então, existe um um imperativo no Novo Testamento de você espalhar a mensagem de Cristo, né? Eu não nego isso. O meu questionamento vai em outro sentido. O que significa esse imperativo hoje? Então, assim, eh, você precisa levar o evangelho do reino, você precisa pregar a mensagem, você precisa fazer Jesus ser conhecido, né? No Novo Testamento essa esse era o grande desafio. Eh, imagina porque era uma um punhado de gente ali seguindo uma seita obscura num lugar desconhecido do mundo, eh, desconhecido e desimportante do mundo, eh, era gente pobre que não tinha importância, não tinha influência. Então, como fazer essa mensagem nesse lugarzinho se tornar mundial? Esse era o desafio do cristianismo na época. Então, assim, você fazer você fazer a a a mensagem de Cristo se tornar conhecida era um desafio, porque se você saísse na rua e perguntasse para a pessoa: "Você já ouviu falar em Jesus?" A pessoa ia falar: "Que que é um Jesus? Que que é isso? É um produto que você quer me vender? Nunca ouvi falar isso. Que que Que que palavra? Que que significa essa palavra?" É, esse é o contexto. Jesus não era conhecido, a mensagem de Cristo não era conhecida. É, a a a a Bíblia a tradição bíblica, a tradição religiosa em que Jesus nasceu não era conhecida ali muito além da Judeia. Era conhecida o judaísmo era assim, meio conhecido ali em volta, né? Mas, pô, e essa nova seita obscura surgiu agora? Tipo, como tornar isso conhecido? É, eu já comentei isso daqui antes. Se eu abrir a minha porta agora e pegar uma pessoa aleatória na rua e e perguntar para ela: "Você já ouviu falar em Jesus Cristo?" A pessoa vai falar: "Você está tirando com a minha cara? Você está me chamando de burro? Como assim? Tipo, todo mundo já ouviu falar em Jesus Cristo". A gente não vive em uma sociedade pagã. A gente vive agora numa sociedade que é pós-cristã. É um outro desafio. Todo mundo que estava naquele voo ouviu falar em Jesus Cristo. Provavelmente, como era um voo o o estou falando do voo específico da menina, né? É, como era um voo eu acho que era um voo doméstico no Brasil, né? Então, se a gente seguisse assim a média da população 80% das pessoas eram cristãs. 80%. Dependendo da região 90%. A totalidade é é capaz de do voo ser cristão. Por mais que alguns não sigam a religião e tal, mas existe uma probabilidade de todo mundo que está naquele voo ser cristão. Entende? É, 100% das pessoas. E quem não é cristão sabe o que é cristianismo. Quem não é cristão já viu alguém pregar cristianismo. Não existe no Brasil, a não ser que tenha uma tribo indígena isolada, a não ser que tenha uma comunidade de pessoas que vivem totalmente isolada de toda a sociedade brasileira. Não existem pessoas que não conhecem o que que é a religião cristã. É a principal religião do do do do nosso país, o a nossa aqui é a cidade de São Paulo tem nome de uma figura importante do cristianismo. Eh, a gente tá fundamentado numa história cristã, né? O país ele ele ele a história do país é uma história cristã. Todo mundo sabe o que que é cristianismo. Então, a minha grande pergunta hoje é: qual é o desafio? Porque o desafio não é fazer as pessoas ouvirem falar de Jesus Cristo. Todo mundo já ouviu. E mais do que isso, quando a gente fala que é uma sociedade pós-cristã, grande parte das pessoas já ouviu. E quem não é de igreja, provavelmente já foi de igreja e nunca nem ouviu falar mais de igreja. Então, a gente tem um desafio diferente na na sociedade. Não é fazer uma coisa que é totalmente desconhecida se tornar conhecida. O desafio de fazer as pessoas se tornarem cristãs é elas entenderem uma perspectiva do cristianismo que elas não têm. Que é a nossa perspectiva de quem nós aqui, quem é cristão. Que é de como como esse Deus é bom para mim e pode ser bom para essa pessoa também. Como é o cristianismo pode o cristianismo pode fazer sentido para a vida de como frequentar uma igreja pode ser uma experiência boa também. Então, é difícil você é eu num certo sentido, o desafio de hoje é muito mais difícil. Porque você tornar o cristianismo conhecido, ele não é um desafio intelectual, ele é um desafio, assim, prático. Porque na prática, se você encontrar uma pessoa aleatória na rua e falar: "Olha, deixa eu explicar só uma coisinha para você. Eh, eu sigo uma religião que se chama de cristianismo e Jesus Pronto, você já fez a sua parte, você já espalhou o cristianismo. Como eu faço a minha parte numa sociedade pós-cristã? Como eu consigo fazer as pessoas entenderem essa perspectiva do cristianismo? Ou seja, eu tenho que fazer as pessoas relativizarem a experiência que elas já tiveram com o cristianismo para conseguirem olharem para a minha experiência e considerarem que essa pode ser uma experiência boa. Isso não vai acontecer em hipótese alguma com você gritando uma mensagem aleatória da Bíblia dentro de um avião. Não vai acontecer. Inclusive, você pegar a ideia de pregação pública é uma ideia que faz parte de uma sociedade que não é mais a nossa. Se você quer convencer as pessoas de alguma coisa, você não tem que pegar um megafone e sair gritando na rua sobre essa coisa. Em outras sociedades, na sociedade talvez do antigo do do do Novo Testamento, esse era o meio de se tornar as as a sua mensagem conhecida. Paulo ia fazer isso, ele ia lá debater nas igrejas. Ele ia lá pregar nas ruas. Ele a gente tem diversas pregações nas ruas no Novo Testamento, que é uma maneira de de você eh, de você passar uma mensagem contextualizada naquele tempo e naquela cultura. Entendi. O ato de pregar em si eh, é um ato do das sociedades helenizadas do primeiro século. Não é o a maneira de você disseminar uma uma mensagem no nosso tempo hoje em dia, ainda mais com essa complexidade que eu acabei de falar agora, não é só tornar uma coisa conhecida, é mudar a perspectiva de alguém sobre uma coisa. É o método hoje em dia não é mais sair na rua pregando, gritando, falando uma mensagem para muitas pessoas que estão passando, né? Isso não faz parte mais do do jeito que funciona a nossa sociedade, isso não faz mais sentido, né? É assim como outras coisas também não fazem sentido hoje na nossa sociedade, né? É Ah, para você seguir a Jesus tem que ser pescador de homem, então eu tenho que virar da da da profissão de pescador? Não, a profissão de pescador é a profissão que eles tinham naquele contexto, naquele lugar, né? Ela se torna uma metáfora para seguir Jesus, não se precisa ser pescador literalmente hoje em dia, né? É, ah, antigamente as pessoas tinham o rolo da Bíblia, tinha o o Então eu tenho que usar rolos, eu não posso usar mais Não, não, aquilo era só um hábito da época, né? A gente esquece as de contextualizar coisas, principalmente essas coisas que são é que são maneiras da sociedade se organizar. Então a ideia em si de aproveitar que as pessoas estão sentadas no lugar, levantar e sair falando algo, gritando algo, é eu acho que ou é 100% ou muito próximo de 100% dos casos, você só vai incomodar as pessoas. Eu tenho certeza absoluta, absoluta, né? Sem olhar dado nenhum, que ninguém naquele avião que se converteu. E eu também tenho certeza absoluta que mais gente saiu daquele avião com ranço de crente, falando nossa, mas crente é um um saco mesmo, né? Olha aqui, eu tô só tentando seguir meu voo". Porque o que acontece? É, se eu, se as pessoas estão, sei lá, na praça da Sé e eu começo a falar, se eu me levanto com essa: "Gente, Jesus Cristo", tal, é, as pessoas que não estão a fim de ouvir aquela mensagem, que que elas vão fazer? Elas vão levantar e ir embora. E a grande parte das pessoas vão fazer isso. Mas se eu fizer isso aqui no meu bairro, sair gritando, as pessoas só vão sair do lugar onde tá, porque elas vão se sentir incomodadas. Mas existe uma armadilha quando você entra num avião, você não pode sair dele. E é por isso que tem regras de segurança também, porque as pessoas têm que se manter calmas, elas precisam se manter atentas às instruções, né? Elas não podem ficar ansiosas durante esse percurso do voo. Elas têm que sentar sentadas e calmas, né? Por isso que tem um filminho lá, que você tá sentado, você tá ali só, só tendo um entretenimento, tá tranquilo. Esse é o objetivo, porque se acontece algum problema, você precisa que as pessoas ajam de maneira eficiente, sem histeria, sem, sem nervosismo. Então, se o ambiente já tá tenso, vai dar muito problema, né? Quem, eu, eu esses tempos atrás eu tava vendo uns vídeos daquele canal de aviões, né? Acho que é o Aviões e Músicas, né? Do Lito. E você vê como, de fato, acidentes acontecem, pessoas morrem, só porque a, a tripulação do avião, as pessoas que estavam no avião não tavam preparadas, tavam muito ansiosas, tavam tensas demais. Então, existe um fator de, de, de vida, de salvar a vida das pessoas. Então, é, a pessoa olhar e aproveitar aquele momento onde as pessoas não podem sair de lá e começar a pregar, passa uma mensagem muito negativa, muito negativa, de aproveitamento. Tá se aproveitando da, da, de que as pessoas não tem outra opção, entende? Então é esse vídeo, eu não sei se todo mundo que tá seguindo, acho que a maioria das pessoas que seguem aqui esse canal vai concordar com o que eu tô falando, mas pra quem discorda e acha que tem que se pregar assim, eu só peço que considere esses argumentos que eu tô dando, sabe? É Beleza, você acha que que você tem que levantar e pregar, a pergunta é, isso é eficiente? As pessoas tão se convertendo por causa disso, hã? É O que você quer que é fazer as pessoas se convertem é que isso tá acontecendo quando você simplesmente aproveita que a pessoa que as pessoas estão presas em um lugar e começa a falar, né? Eu acho que não, eu acho que não, eu acho que é o contrário. A gente tá em uma sociedade, o pessoal tá falando muito de sociedade polarizada, tem gente que questiona esse termo, mas existe uma tem uma sociedade tensionada, isso sem dúvida. Onde você tinha de certa forma uma cultura mais compartilhada e hoje em dia essa cultura tá mais fragmentada do que nunca. É Os as pessoas que são evangélicas, elas tão mais isoladas dentro de um meio evangélico, porque elas tem mais, elas conseguem agora ver filmes evangélicos, ouvir músicas evangélicas, frequentar eh escolas evangélicas e criar um um ambiente, uma bolha evangélica pra ela viver. E a pessoa que sei lá que é riponga, que é hippie, eh que acredita na na sei lá nas forças da natureza, gosta de fumar maconha, essas coisas, ele consegue viver aquela vida dele isolado na bolha dele e cada vez mais a gente a gente consegue viver fragmentos, a sociedade totalmente fragmentada em fragmentos que se tornam bolhas isoladas umas das outras. Então nesse contexto, a mensagem eh meu de Cristo é furar as bolhas, que é o o grande desafio. Como eu consigo furar a bolha da outra pessoa? Ou seja, como que eu consigo é fazer aquela pessoa se se sentir à vontade com a minha presença no lugar onde ela tá? Ao ponto de eu conseguir falar uma coisa que ela não considerava, ela passar a considerar. Esse é um desafio muito maior, é muito mais difícil. Né? É muito de mais difícil. A ideia de ocupação de espaços que é a a uma maneira como essa bolha evangélica que a gente vive tá considerando, a gente tem que ocupar esses espaços. É quase como se fosse uma guerra de ocupação, né? Aqui ninguém tá falando de Cristo, nós temos que tomar esse lugar e falar de Cristo. É, isso ajuda ou atrapalha esse desafio de furar bolhas? Que que Cris falou? Pode ter se você pode ter a sensação de que começar a pregar em um avião, você está furando bolhas, mas eu acredito que é o contrário, você tá criando paredes mais sólidas ainda nas bolhas. Porque as pessoas que tem uma uma uma concepção negativa do cristianismo, elas vão consolidar ainda mais, vão cristalizar ainda mais essa essa concepção negativa, né? E quem concorda só vai bater palma. Não vai conseguir ver questionar os nossos problemas, questionar a a a eficiência ou se de fato está se cumprindo o que que a pessoa se propõe a cumprir, que são as palavras de Cristo, né? Que é realmente converter as pessoas, né? Tem um texto que Paulo fala que é um texto polêmico, que Paulo fala: "Olha, eu me fiz de judeu com os judeus e eu me fiz gentil com os gentios para ver se eu conseguia alcançar algum deles, né?" Não que Paulo não tivesse a sua identidade, ele era judeu. E ele tinha uma cultura helênica, né? Ele não mentiu quem ele fosse. Mas ele soube se portar da maneira como é, como é aceito nos lugares para ele conseguir alcançar as pessoas. Né? Ele, ele se portava da maneira correta nos lugares. É, quando ele foi para a Europa, em Aerópago, ele não ficou falando é, do, do Messias que todos esperavam e que foi crucificado. Não, ele foi, falou do Deus desconhecido que estava lá no Aerópago. Quando ele foi nas sinagogas discutir, ele não ficou falando de lendas gregas, da mitologia grega. Então, saber se portar da maneira correta no, em cada lugar é um desafio que o cristianismo desaprendeu. E tá insistindo em em questões que eu acho que tornam essa missão de Cristo ainda mais distante. Né? Bom, era isso que eu queria falar com vocês. Deixa eu ver o que que vocês estão comentando aqui. Aqui o Luís Fernando. Eu vou ler outras mensagens que o Mateus, Mateus colocou umas coisas aqui, eu vou ler depois essas coisas, só para a gente manter o tema aqui, Mateus. É, Luís Fernando coloca: "Isso é contar que é uma moda, né? Não foi um caso isolado publicizado, aí perde muito mais a ideia principal de um bom testemunho cristão". É. É uma coisa que tá acontecendo com mais frequência. O comportamento da menina no avião é reflexo da forma rasa como a mensagem cristã é abordada nas igrejas protestantes. Também, Elane, também. Porque se você for pregar, pegar, ouvir algum, algum minuto o que que ela tá dizendo, a mensagem dela nem sequer faz sentido para quem não é cristão. Entende? Vira uma coisa muito fechada, muito nichada. Ou seja, eu quero falar, eu quero converter uma pessoa que não é cristã e eu vou falar uma história que só quem é cristão conhece. Que não tem apelo nenhum para quem não é cristão. É, esse é um outro problema, né? As igrejas estão acostumadas a falar a sua própria linguagem para os seus próprios membros. Mas se ela quer converter pessoas, o que que deveria ser falado que atingiria uma pessoa que, por exemplo, ela não acredita em Deus? Que que uma igreja tem a dizer para alguém que não acredita em Deus? Tem alguma coisa, é, que, assim, faça sentido para ela, para a pessoa que não acredita em Deus e não só para a igreja? Porque com certeza muita gente vai falar: "Não, fala para para ela que que Jesus te ama, fala para ela que não tem ateu quando o avião está caindo, todo mundo fala: Meu Deus". Vai vir um monte de argumento, mas isso esses argumentos fazem sentido para a pessoa que precisaria ouvir essa mensagem? Então, a a igreja perdeu o foco dela, né? Se a igreja quer converter as pessoas, ela está falhando. E a gente vê isso nos censos, né? É, algumas igrejas conseguem roubar membros de outras. É, roubar não num sentido necessariamente pejorativo, tá, gente? É, mas, sei lá, o os protestantes conseguem converter católicos. Às vezes também acontece católicos converter protestantes. Adventistas às vezes convertem pessoas da Congregação Cristã. Às vezes a pessoa da Assembleia converte alguém que é da Universal. Para mim isso nem conversão é, né? Se você é cristão, você não se converte ao cristianismo. Se você é cristão, você pode mudar de igreja, mas isso não é conversão, né? É. Eu eu acho engraçado, na minha igreja tinha uma uma música, nem sei se o pessoal canta ainda essa essa música, mas é uma música que diz assim, é, "Oh que belos hinos cantam lá no céu, pois se converteu um um pecador". Então, quando a pessoa batizada, se cantava essa música. E eu sempre achei bizarro, porque às vezes a pessoa tá se batizando na igreja adventista, mas a pessoa a vida inteira foi católica ou a vida inteira foi batista. Ou a vida inteira foi, sei lá, da congregação, assembleia, qualquer outra igreja ali que é mais conhecida e tal. Então, como que eu tô falando que esse é um pecador que se converteu? O cara é cristão a vida dele inteira. É um cristão exemplar a vida dele inteira. Ele só mudou ali a crença sobre algumas doutrinas e agora ele faz parte dessa comunidade, não daquela. Não é uma conversão, ele não deixou de abandonou uma vida de pecados. Ele só mudou algumas a compreensão de algumas doutrinas, né? Então, a gente, o o a gente tá muito acostumado a pregar para cristãos. Quando se fala pregação, a gente pensa num jeito de pregar para cristãos. A pergunta é: como você prega para alguém que odeia o cristianismo? Essa é a pergunta. Porque quem gosta do cristianismo, quem é cristão, não precisa de conversão, não precisa de pregação. Ele precisa da pregação do dia a dia, mas ele não precisa ser convertido. Ele não vai ser convertido, ele já é cristão. Como alcançar alguém que tá com ranço da sua religião? Não aguenta mais, tá com raiva da sua religião. Essa é a pergunta. É é é Essa é a pergunta que deveria tá preocupando as pessoas religiosas, né? E não, sem dúvida nenhuma, não pregar nos aviões, né? O comportamento da menina que tá no avião reflete tá da da forma como a a a uma cristã é abordada nas igrejas protestantes. exato, né? Até a gente aqui fica com esse ranço. Pois é, Carlos. Eu tento entender a cabeça da menina, pensando em como eu era uma criança também, dentro de um contexto cristão e a gente ainda ouvia, acho que antigamente era mais comum ouvir algumas coisas mais ingênuas assim, de sair na rua falando: "Ah, Jesus te ama, Jesus te ama". Tipo uma frase que para quem não é cristão, essa frase não tem nenhum sentido, não quer dizer nada. Para quem é cristão é muito significativo. Para quem não é cristão, ela não quer dizer nada. Então, sair na rua falando, eh, isso eu lembro de de acontecer uma vez na minha igreja, né? Sair na rua falando isso não não tem significado para as pessoas. Não tem significado. Se alguém se se converte por causa dessa frase, quer dizer que essa pessoa, para ela já fazia sentido essa frase. Para essa frase, quando for foi falado para ela, ela sentiu vontade de ir para a igreja ou se converter, alguma coisa assim, né? Então, a frase já fazia sentido, ou seja, a gente já tá pescando um peixe que tá aqui pulando para para para fora da da água, né? Eh, como alcançar o peixe que tá lá no meio do lago, né? Aí o Luís comenta aqui: "Entendo e concordo com você. Minha preocupação é nós sentirmos PhD em Deus e querer definir qual método correto. Será que minha discordância da menina no avião não tem um viés próprio? Quando você diz: 'Mesmo sem dar aulas, tenho certeza que ninguém se converteu', não parte de uma arrogância, de uma certeza enviesada do meu próprio conhecimento?" Não discordo de você. Eh, na verdade, eu concordo. Só me preocupo com as certezas. É, sim, sim, eu entendo o que você quer dizer, Luís. Eh, eu não não tô falando dessa minha certeza no sentido arrogante, mas no sentido de o que eu percebo sobre as pessoas com quem eu convivo que não são cristãs, entende? Eu digo nesse sentido. Eh, então, a certeza que eu tenho não é uma certeza religiosa. A certeza que eu tenho é a certeza de como eu acho que as pessoas se portam, né? É a mesma certeza que eu teria de que se um sujeito saísse beijando mulheres à força, se ele ia conseguir muitas namoradas. Eu falaria: "Não, tenho certeza que não". Porque da forma como eu entendo que as pessoas se portam, esse não é o não é a reação que é esperada. Então é mais nesse sentido, mas eu entendo o seu questionamento. Eu também me preocupo em não estar arrogante demais. Eu me preocupo em não estar arrogante demais. E assim, a gente tem as questões, eh, tem um exemplo clássico, né? Eh, Deus usou a a jumenta de Balaão. Isso significa que a jumenta que a jumenta são um método eficaz de evangelismo? Entende? Deus pode usar muitas coisas. Eh, e no final das contas, quem converte é o Espírito Santo. Mas o ponto é: se a nossa função é é fazer a mensagem chegar, de tudo que eu entendo sobre como as pessoas são, de como a a sociedade onde eu tô inserido funciona, esse não é o método correto de fazer a mensagem chegar, entende o que eu quero dizer? Então, beleza. Eu vou vou dar o braço a torcer aqui. Pode ser que alguém ali, naquele momento, estava com alguma ansiedade muito grande, lembrou de quando era criança, frequentava a igreja e aquela menina falando deu um estalo nela e falou: "Nossa, é isso, é Deus falou comigo agora". Então, você tá certo, pode ser que alguém tenha se você conseguiu eh pegar essa pessoa nesse momento específico. O meu questionamento é: a gente a gente faz muito esse tipo de estratégia dentro de igreja. Que é a gente depender das pessoas tá estarem emocionalmente frágeis e abertas a uma mensagem que é meio que aleatória para elas poderem fazer, eh, entender, querer se converter e tal, para aquilo lá de alguma forma tocar elas, aquela mensagem. Eh, então beleza, isso pode pode funcionar tanto quanto eu sair gritando com um tambor batendo na minha própria cabeça e falando "Se convertam, Jesus vai voltar". Né? As pessoas não fazem isso porque é bizarro, ridículo e tal. Pode ser que alguém esteja passando por um momento frágil e veja aquilo e fale "Nossa, mexeu comigo". Então isso é fazer coisas que não fazem sentido esperando que alguma pessoa muito fragilizada tenha um gatilho muito específico com aquela coisa esquisita e aí aquela mensagem toque ela de alguma forma. Mas isso não é man não é de fato levar a mensagem de uma maneira eficaz. Entende o que eu quero dizer? Então assim, eu acho que existem métodos certos e métodos errados. Eu acho que sim, eu acho que eu acho que eu até discordo de você nesse sentido, que a gente é nosso papel entender os métodos melhores e piores de levar essa mensagem, né? Assim como Paulo parou, pensou, eh, questionou e pensou em métodos melhores de de levar a mensagem ali na época, no contexto que ele vivia. Então nesse sentido eu acho que sim, a gente não tem que ser arrogante no sentido que eu sei o método correto, mas eu acho que a gente tem que ser questionador no sentido de não, a gente tem que pensar se esse método é realmente faz sentido ou não, né? Mais ou menos por aí. Então eu concordo também com com algumas coisas que você pôs aqui, Luís. O Ed coloca aqui "Acho que fato que um discurso público é impossível tornar alguém discípulo, o que dá para fazer naquele, é dar aquele movimento inicial, exato Ed, é o que eu tava falando, né? É, isso acho errado. Onde eu congrego realizar, é, rebatizar quem já foi batizado em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, né? É, cada igreja vai ter uma compreensão sobre o batismo em si. Mas eu acho que a própria ideia de tratar alguém que entrou naquela igreja como alguém convertido, né? Dependente da cerimônia de batismo ser aplicada numa, numa igreja ou em outra. É, é o ponto, né? Mas eu concordo com você, Luís Fernando. Questão também é que se dentro do seio dos pregadores que importunam, o senso de aversão causada é interpretado como o mundo odiar vocês por causa do meu nome. Complicado, às vezes importunar como sinal de aprovação divina é psicologicamente reforçado. É, Ed, isso é um grande problema. Isso é um grande problema. Esse é um texto bíblico. Que é muito, é interpretado muito, muito errado, né? Porque assim, é, bem-aventurados quando vocês são perseguidos em meu nome. Isso significa que todo mundo que é perseguido. É, tá sendo perseguido, é bem-aventurado? Não. Todo mundo que é cristão e é perseguido tá sendo bem-aventurado? Não. Às vezes o cara é perseguido porque ele cometeu um crime. E ele entende, já, tão me perseguindo porque é bem-aventurado aquele que é perseguido em nome de Cristo, não, não, é outra coisa que, então, saber identificar que as pessoas tão te perseguindo por causa do nome de Cristo, o que é uma mensagem que fazia muito sentido dentro de um mundo helenizado, pagão na época de Jesus, né? Ou dentro de um, de um contexto judaico, onde a mensagem, é, de Jesus como Messias também não era bem vista. Fazia muito sentido, é diferente do mundo que a gente vive hoje, pelo menos aqui dentro do Brasil. Eu sei que eu eu também concordo que existe um certo sentimento de aversão que cresce em relação aos cristãos, mas é diferente dizer que eles estão sendo perseguidos por causa de Cristo. Então, a situação se torna complexa mesmo. Se torna complexa, né? Então, acho que é bem isso que você tá falando, né? Que acaba sendo uma um reforço psicológico aqui, comportamental. Você entender que, ah, se as pessoas não tão gostando, se elas tão ficando com raiva, então isso é uma perseguição, significa que eu tô fazendo certo, né? Então, você tira qualquer ferramenta de você perceber se você tá fazendo certo ou errado. É, porque se você vê aí que as pessoas gostaram e aplaudiram a sua pregação, você não vai usar essa mesma lógica, ela não, pera aí, então eu tô fazendo errado, porque elas tinham que me odiar porque, eh, bem-aventurados quando o mundo odiar vocês por causa do meu nome. Entende a minha lógica? É um jogo de ganha ganha. Se todo mundo te ele te elogiar, bater palmas, você vai falar, estou fazendo certo. Se as pessoas odiarem, falar, não, sai daí, e tal, estou fazendo certo. Então, ele, independente da reação das pessoas, ela sempre vai ser interpretada como eu estou fazendo certo. Agora eu tenho a confirmação pela reação das pessoas que estou fazendo certo, independente qual for a reação, não é? É, é um jogo de, que quem se vou perder aí, né? No caso perder, é impossível você perceber que você não tá fazendo alguma coisa certa. Você sempre vai ter a sensação de que aquilo é o que deveria ser feito, independente da reação que tiver. Ela, a reação sempre vai ser interpretada por você como o sinal de que aquilo é o certo a se fazer, independente qual for a reação, não é? >> [roncando] >> Deus usa as coisas loucas para confundir os sábios, diz aquilo, exato, não é? Deus usa coisas loucas para confundir os sábios. É. O que não significa que todo mundo que é louco é um sábio escondido. Não, tem gente que é só louca mesmo. Né? É, tem loucuras que as loucuras de Deus são a sabedoria de Deus é loucura para o mundo. Mas tem loucuras que não são de Deus, são só loucuras mesmo. Então é é >> [risadas] >> esse é o ponto, né? É, também acho que só o Espírito Santo que converte. Nossa parte é manter a palavra viva. Isso você faz muito bem, diz aqui a Elaine. Ah, bacana. Obrigado, Elaine. Pois é, eu eu tento não perder essa perspectiva de que o Espírito Santo, ele sopra onde ele quer, ele tá para além da nossa do nosso controle e tal. Certo, mas a gente tem um papel a cumprir e o papel é essa mensagem. Então a gente tem que cumprir esse papel de de de maneira eficaz, né? Que é que é a minha preocupação aqui. Penso que a importância se ter se foi Deus ou se veio da alma natural. É difícil, viu, Lucineide, saber separar essas coisas, né? Porque é importante a gente entender que sempre tem um pouco de questão de ego e não e não tem problema isso. Então, por exemplo, é, esse canal, eu faço esse canal porque eu acredito que é uma coisa bacana se fazer. Mas eu tenho consciência que tem um pouco de ego envolvido aqui também. Eu não posso perder isso de de perspectiva. Se todo mundo começar a me xingar, diferente do que a gente tá falando aqui, falando: "Nossa, nada a ver esse canal" e tal, eu vou me desanimar, vou parar de fazer. Se as pessoas começam a me elogiar, falando: "Nossa, esse canal é muito bom", como muita gente elogia, né, o principalmente o pessoal que frequenta as lives, eu me sinto estimulado. Falo: "Nossa, as pessoas gostam de mim, eu quero lá eu quero ouvir elogios. Eu quero ver que as pessoas gostam de mim, gostam do meu jeito de pensar". Então eu tô consciente disso. É, então é não dá para você achar que tem zero de ego, porque se você achar que tem zero de ego, você já está confundindo as coisas. É importante você entender que tem o seu ego envolvido para você poder separar o que que é puro ego do que que é algo que você acredita que é o que é o correto a se fazer, entende? Então, é importante um reconhecimento de ego que é muitas vezes não acontece. As pessoas acham que elas pessoas não percebem essa parte de ego, de de muita gente quer ser protagonista das coisas, não se conforma em não ser. E esse sentimento de protagonista na igreja muitas vezes se manifesta dessa forma. Não, eu quero fazer o grande milagre. Eu quero ser Moisés que abriu o Mar Vermelho. Então, a pessoa quer se colocar à frente para fazer essa grande coisa, né? E a gente vê na igreja isso claramente em muitos casos, sendo uma questão de ego que a própria pessoa se auto promove dessa forma, né? É, os títulos que ela usa para ela mesma, a forma como ela conta as histórias da vida dela mesma e tal. Então, se a pessoa não tá consciente do seu próprio ego, aí aí desanda tudo. Você tem que estar consciente que tem um pouquinho de ego em tudo que a gente faz, né? Se não, você não vai você vai ter uma uma uma percepção distorcida do que você está fazendo, né? Mas é isso, gente. Eu acho que é isso. Queria trazer esse assunto para vocês. Já tô Essa live também durou um pouquinho mais, né? Já vamos fazer duas horas de live, né? Quase 10:19. Mas é bom, é sempre bom compartilhar um assunto com vocês. Eu gosto, eu gostei do que o Luís colocou aqui, que é um contraponto também, apesar de de ele ter falado: "Ah, eu concordo com você, mas tem essa questão". É bom trazer isso para a gente poder também dar uma abertura também. Eu eu fico com essa com essa sensação da da das minhas impressões, eu quero compartilhar com vocês, mas ter esse feedback também é legal. Pra gente que eu gosto de sempre manter aberto a perspectiva de que os assuntos são complexos, o ser humano é difícil. O encontro do irmão do humano com o divino é mais complexo ainda, vai para além da compreensão e tal. Então é sempre bom conversar sobre esses assuntos, né? O João colocou aqui: "Eu já preguei no ônibus, não consegui ficar calado, uma vez fiz folhetos dos 10 mandamentos e distribuí na romaria". É interessante, João. É, pois é, eu já participei de coisas na igreja também. É. Mas aí fica o questionamento, né? Eu não sei como foi a sua pregação no ônibus, eu não sei como foi a sua panfletagem, é. Mas da gente pensar na nas coisas que a gente faz se elas tão contribuindo para dar essa perspectiva diferente das pessoas sobre o cristianismo ou se às vezes elas reforçam. Eu convivo com muita gente que não é cristã. Eu vejo muito reforçamento negativo. É. Eu quando falo reforço negativo estou lembrando das histórias de behaviorismo e não é não é o termo técnico correto falar que é um reforço negativo isso aqui. Mas eu é mas muitas vezes se torna um reforço para as pessoas ficarem ainda com mais ranço, com mais aversão é ao a mensagem cristã. Então as que eu conheço pelo menos, né? Talvez tenham pessoas que essas mensagens possam fazer sentido. Talvez pode ser, mas na perspectiva que eu tenho da do que eu conheço, do que eu entendo sobre como as pessoas funcionam é a imensa maioria das pessoas tão ficando com mais aversão do cristianismo por causa das suas posturas. É só a gente ver também como as pessoas comentam na internet, né, dessas coisas. Não são comentários positivos de quem não é cristão. Mas é isso, fica aí isso pra gente pensar. E boa noite pra vocês, gente. Obrigado por terem acompanhado aí a live, mais uma live. Eh. Eu vejo aí na na próxima. Eh, na próxima live se a gente consegue também algum outro assunto interessante pra gente trazer aqui. Eh. Última mensagem aqui da Lucilene, ela também já falei, cantei, me expressei publicamente sobre Jesus, é um transbordar de algo que vai além da natureza, né? Hoje não tem feito, no início era era muito. Para reprovar. Hoje é mais pra levar as pessoas a amar a Deus. Ah, interessante, também tem isso, né? Essa é um outro, outra questão, né? Que a Lucilene colocou também, às vezes você fala pras pessoas de Jesus, nem é uma, assim, não é uma estratégia pra converter a pessoa, mas é sobre. As pessoas estarem assim com. Aquilo, normalmente quando a pessoa se converteu há pouco tempo, aquilo é tão importante pra ela, se sente tão feliz, que ela tem vontade de falar, né? Isso acontece também, é uma expressão das pessoas, né? Eh, isso é bacana, eu acho legal quando é uma coisa espontânea da pessoa, porque eh, não é uma uma tentativa de de converter, mas ela tá falando porque ela tem vontade, ela tá feliz, ela tá num momento ali espiritual ótimo e ela tá querendo falar pras pessoas desse relacionamento dela com Deus, né? Eh, também é uma coisa que a gente tem que tomar cuidado, porque pode ser uma coisa muito feliz pra você, mas pode ser uma coisa que se você não falar com um jeito específico, também causa um rancozinho nas pessoas, né? É difícil essas coisas, né? É difícil porque a gente tá falando de questões religiosas que pra gente são muito caras, às vezes. Muito profundas, mas para outras pessoas ou não quer dizer muita coisa, ou às vezes é o contrário, para elas é ridículo, para elas é horrível, para elas lembra de uma experiência que elas tiveram quando eram crianças, foram na igreja, foi horroroso, às vezes sofreram até algum trauma, alguma coisa. É muito difícil lidar com essas coisas, né? Eh, tu poderia prestar alguma perspectiva psicológica da parábola dos lançamentos. Ah, interessante, posso pensar nisso, Wade. Não sei se eu tenho se eu já tenho alguma coisa que seria interessante para acrescentar nessa perspectiva, né? Eh, me fale do Senhor dos Anéis e da Bíblia. Ô, Mateus, a gente pode falar disso no próximo, na próxima live, pode ser? Você perguntou do RPG, né? Eu tô jogando em dois grupos hoje em dia. Eh, eu tô jogando Tormenta 20, a minha esposa que é mestre, e eu tô jogando, eh, D&D. D&D com um grupo que eu jogava quando era adolescente, aí o pessoal se reuniu de novo para jogar online. Mas o Senhor dos Anéis é uma coisa interessante, bom, eu acho, não sei se todo mundo gosta, mas aí eu posso trazer aqui, falar algumas coisas de Senhor dos Anéis que eu acho que tem alguns paralelos de ideias interessantes da Bíblia e tal, a gente pode comentar disso na próxima live. Uma boa. Eh, o Kierkegaard tem um texto eh, nessa perspectiva. O Wade sempre traz uns textos do Kierkegaard que são legais, né? Ele até falou de um outro outro dia que eu perdi ele. Tem que dar uma olhada nos comentários das lives passadas que eu disse que eu queria ler, né? As coisas que eu li de Kierkegaard extremamente interessantes e extremamente cheias densas. Não é um tipo de texto que você, ah, vou relaxar um pouquinho aqui uns cinco minutinhos e ler um pouco de Kierkegaard. Para mim, pelo menos, não é assim não. É sentar e prestar muita atenção, ler duas, três vezes cada parágrafo. É difícil, para mim é difícil. Mas eu gosto muito. Quando eu entendo alguma coisa do que ele falou: "Nossa, que legal". Aí depois ele fala da Nossa, isso eu posso, podia ser um tema aqui outro dia. Quando ele fala da, da, da, da ressurreição de Lázaro, putz, aquilo é muito bonito. Aí, várias ideias. Sempre quando termina a live eu chego de ideias para a próxima live, né? E e às vezes esqueço durante a semana. Mas tá bom, gente. Boa semana. Valeu aí por terem acompanhado. Obrigado aí. Eh, e a gente se vê então na próxima live, provavelmente semana que vem. Mas a gente faz lives aqui de costume às sextas, sextas-feiras às 8:30. Valeu então. Um abraço, gente. Tchau, tchau.