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A fé vem pelo ouvir

Epitáfio – Vida sem Adiamentos – 2 Timóteo 4:7 | Josemar Bessa

Epitáfio – Vida sem Adiamentos – 2 Timóteo 4:7 | Josemar Bessa

Epitáfio – Vida sem Adiamentos – 2 Timóteo 4:7 | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Segunda Timóteo 4:7
diz: "Combati no bom combate, terminei a
carreira, guardei a fé".
O mundo sabe lamentar tarde, sabe olhar
para trás, sabe contar o que deveria ter
feito, deveria ter amado mais, deveria
ter chorado mais, deveria ter arriscado
mais, deveria ter complicado menos,
deveria ter vivido de outro modo. Mas há
uma tragédia escondida nesse tipo de
lamento.
Ele costuma chegar quando a vida já não
pode ser refeita. Chega quando as
oportunidades já foram gastas, quando as
portas já se já se fecharam, quando as
pessoas já partiram, quando o corpo já
enfraqueceu, quando o tempo já cobrou
aquilo que parecia distante.
O homem passa a vida
distraído, depois quer morrer profundo.
Passa a vida adiando, depois quer
terminar, pronto. Passa a vida
negociando com o chamado de Deus. depois
quer um epitáfio de fidelidade. Mas a
morte não transforma uma vida
desperdiçada em vida fiel.
Ela apenas revela o que a vida foi. O
fim não cria substância. O fim descobre
substância. O epitáfio não redime a
história. Ele apenas tenta resumir, em
poucas palavras, o peso de uma
existência
inteira.
Há epáfios irônicos, há epáfios
melancólicos, há epáfios cínicos, há
epáfios desesperados,
a epáfios religiosos, a epáfos que
tentam sorrir diante do abismo, mas
todos encostam na mesma pergunta: o que
ficou quando a vida acabou?
Não o que parecia grande por um tempo,
não o que recebeu aplauso, não o que
ocupou agenda, não o que consumiu
energia, não o que brilhou diante dos
homens, mas o que permaneceu quando a
respiração ficou curta, quando as mãos
já não podiam segurar, quando a vaidade
perdeu o palco, quando o corpo voltou ao
pó.
A escritura não nos permite brincar com
isso. Ela diz: "Da mesma forma como o
homem está destinado a morrer uma só vez
e depois disso enfrentar o juízo." A
vida não é um círculo de tentativas
infinitas, não é um ensaio sem fim, não
é um jogo que reinicia quando falhamos.
Há uma vida, há uma morte, há um juízo.
Há um Deus diante de quem tudo será
pesado. Por isso, Moisés
ora, ensina-nos a contar os nossos dias
para que o nosso coração alcance
sabedoria,
contar os dias, não como quem vive
assombrado, mas como quem acorda.
Contar os dias é lembrar que o tempo não
é nosso Deus, é dom, é mordomia, é campo
de obediência, é lugar onde a fé
combate, a corrida avança, a verdade é
guardada, Cristo é servido, o evangelho
é confessado, o pecado é mortificado, o
amor é praticado, a cruz é carregada. O
problema é que o coração humano odeia
contar os dias. Ele prefere imaginar que
sempre haverá mais tempo. Mais tarde
para obedecer, mais tarde para servir,
mais tarde para confessar, mais tarde
para mudar, mais tarde para romper com o
pecado, mais tarde para amar Cristo com
inteireza.
Mas Thago pergunta: "Que é a sua vida?
Vocês são como a neblina que aparece por
um pouco de tempo e depois se dissipa.
Neblina, não montanha, não coluna de
ferro, não fortaleza, neblina aparece,
depois se desfaz.
Essa imagem humilha toda arrogância. Nós
fazemos planos com voz firme, mas somos
frágeis. Falamos do amanhã como
proprietários, mas não possuímos sequer
o próximo fôlego. Adiamos a obediência
como se o futuro estivesse guardado
em nosso bolso. Mas o amanhã pertence ao
Senhor e então vem o contraste. Paulo
chega perto do fim. Ele sabe que sua
partida está próxima. Ele não está
sentado em conforto, não está coroando
uma vida fácil, não está olhando para
trás para uma história sem perdas, sem
prisões, sem açoite, sem lágrimas, sem
perseguições, sem noites escuras, sem
abandono, sem dor. E ainda assim ele não
canta o epitáfio do arrependimento
vazio. Ele diz: "Combati o bom combate,
terminei a corrida, guardei a fé". Que
palavra combati. Terminei, guardei.
Não porque a vida foi leve, mas porque a
vida teve centro. Não porque o caminho
foi seguro, mas porque Cristo foi
precioso. Não porque Paulo controlou os
resultados, mas porque pertenceu ao
Senhor. Ele não chega ao fim dizendo:
"Eu deveria ter servido mais". Ele
serviu. Não diz eu deveria ter sofrido
com mais fidelidade. Ele sofreu. Não diz
eu deveria ter pregado quando tive
oportunidade. Ele pregou. Não diz eu
deveria ter guardado a fé. Ele guardou.
Isso não é vanglória, é testemunho de
graça. Paulo sabia que tudo era
misericórdia. sabia que eh fora
alcançado por Cristo, sabia que o
perseguidor só se tornou apóstolo porque
a graça o derrubou no caminho e o
levantou
para o serviço. Mas graça verdadeira não
produz uma vida vazia, produz combate,
produz corrida, produz perseverança,
produz prontidão.
Ninguém poderá dizer: "Combati no fim se
passa a vida recusando a guerra agora".
Ninguém dirá: "Terminei a corrida se
hoje está sentado à beira do caminho".
Ninguém dirá: "Guardei a fé se hoje
negociei a fé com o mundo".
Essa é a pergunta que chega antes do
epitáfio.
Você está pronto agora? Não, um dia.
Agora não a vida aliviar. Agora, não
quando houver menos pressão, menos
cansaço, menos oposição, menos eh risco
agora. Não quando a fé for mais
conveniente, agora
o rico insensato disse a própria alma
que tinha muitos bens guardado para
muitos anos.
Queria descanso sem Deus, segurança sem
eternidade, futuro sem juízo. Mas Deus
lhe disse: "Insato, esta mesma noite, a
sua vida lhe será exigida. Esta noite a
palavra corta porque destrói a ilusão do
adiamento.
O homem planejou anos, Deus falou em
horas.
O homem chamou seus celeiros de
segurança. Deus chamou sua alma para
prestação de contas.
Assim será com todo aquele que ajunta
tesouros para si mesmo, mas não é rico
para com Deus. Então, não espere o
epitáfico para descobrir a pergunta. Não
espere a cama final para desejar uma
vida fiel. Não espere a morte se
aproximar para perguntar se Cristo era
mesmo o centro. Não espere a corrida
acabar para perceber que você nunca
correu. Não espere o combate terminar
para admitir que você nunca entrou na
guerra.
A misericórdia de Deus nos acorda antes,
hoje, enquanto há fôlego, enquanto há
palavra, enquanto há chamado, enquanto
Cristo ainda é pregado como Salvador e
Senhor. A pergunta
não é que frase você gostaria que
escrevessem sobre você depois da morte?
A pergunta é: que verdade está sendo
escrita agora pela sua vida diante de
Deus?
Quem quer morrendo? Eh, quem quer morrer
dizendo combatir precisa parar de viver
dizendo um dia.
É Atos 204
diz: "Todavia não me importo, nem
considero a minha vida de valor algum
para mim mesmo, se tão somente puder
terminar a corrida e completar o
ministério que o Senhor Jesus me confiou
de testemunhar do evangelho da graça de
Deus."
Saulo cai, Cristo fala, o perseguidor é
vencido. E naquele caminho para Damasco,
a vida inteira muda de de eixo. Não foi
apenas uma crise religiosa, não foi
apenas uma mudança de opinião, não foi
apenas a troca de um sistema por outro,
de uma convicção por outra, de uma
tradição por outra. Foi uma
rendição.
O homem que caminhava seguro de si foi
lançado ao chão diante de Cristo que ele
perseguia.
Saulo, Saulo, por que você me persegue?
Essa pergunta rasgou o céu e abriu a
alma. Saulo pensava estar servindo a
Deus, mas perseguia o filho de Deus.
[roncando] Pensava defender a verdade,
mas lutava contra a verdade encarnada.
pensava enxergar, mas era cego. Pensava
estar em pé, mas precisou cair para
descobrir quem era o Senhor. Então ele
pergunta: "Quem és tu, Senhor?" Essa é a
primeira grande pergunta da alma
quebrada.
Antes de perguntar o que fazer, ela
precisa saber quem está falando. Antes
de pensar em missão, precisa se render a
majestade.
Antes de eh pedir direção, precisa
reconhecer o senhorio.
E a resposta vem: "Eu sou Jesus a quem
você persegue." Cristo não envia
primeiro uma ideia, revela a si mesmo,
não começa dando um projeto, começa
tomando o trono. A conversão verdadeira
não é o homem convidando Jesus para
melhorar sua vida, é Cristo invadindo a
vida do homem para governá-la por
inteiro.
Depois disso, tudo muda. O perseguidor
se torna servo, o acusador se torna
testemunha. Aquele que respirava ameaça
passa a respirar evangelho. Aquele que a
eh prendia discípulos passa a ser preso
por Cristo. Aquele que tentava apagar o
nome de Jesus passa a carregar esse nome
diante de povos, reis e filhos de
Israel.
E quase imediatamente a pergunta da alma
muda. Não mais quem posso perseguir,
não mais como posso defender meu nome,
não mais como posso preservar minha
posição, não mais como posso
continuar sendo o centro da minha
própria história. Agora a pergunta é
outra. Senhor, o que queres que eu faça?
Essa é a pergunta que marca uma vida
rendida. Não o que eu quero fazer com
Cristo, mas o que Cristo quer fazer
comigo.
Não como o evangelho pode servir meus
planos, mas [roncando] como minha vida
pode servir ao evangelho.
Não como posso continuar sendo dono de
mim mesmo com linguagem cristã, mas como
posso pertencer completamente àquele que
me comprou?
Paulo não foi salvo para continuar no
centro, foi salvo para pertencer.
A graça que o alcançou não apenas
removeu sua culpa, removeu o seu trono.
Cristo não se tornou um detalhe sagrado
dentro da agenda de Paulo. Tornou-se o
valor central da existência.
Por isso, logo ele pregava Cristo nas
sinagogas, afirmando que Jesus é o filho
de Deus. Logo, não depois de organizar
uma vida confortável, não depois de
esperar aplauso, não depois de consultar
a carne, não depois de calcular todas as
perdas, a graça havia acendido nele uma
urgência nova. Cristo era verdadeiro.
Cristo era Senhor, Cristo era digno.
Esse Cristo era digno, a vida de Paulo
já não podia pertencer a Paulo.
Esse é o coração da prontidão. A
prontidão não nasce primeiro da
personalidade, não nasce do temperamento
corajoso,
não nasce da disciplina natural, não
nasce da energia humana, nasce de uma
vida capturada por uma glória maior. O
homem fica pronto quando para de viver
como proprietário de si mesmo.
Paulo diz isso com uma clareza que nos
humilha. Todavia, não me importo, nem
considero a minha vida de valor algum
para mim mesmo, se tão somente puder
terminar a corrida e completar o
ministério que o Senhor Jesus me
confiou, de testemunhar do evangelho da
graça de Deus. Que frase!
Ele não diz que a vida não tem valor.
Diz que sua vida não tem valor para si
mesmo como bem supremo. Não é desprezo
pela
existência, é consagração. Paulo não
odiava a vida, apenas encontrou algo
maior do que a vida.
Não era homem sem afeto. Tinha amigos,
chorava, sofria, amava igrejas, sentia
angústias, carregava preocupações, tinha
humanidade
real, mas sua humanidade havia sido
tomada por Cristo. A vida de Paulo tinha
um valor, completar o ministério
recebido do Senhor Jesus. Não o
ministério inventado pela ambição,
recebido. Não a carreira construída para
sua glória, recebida.
Não a missão usada para afirmar seu nome
confiada. Isso muda tudo. Quando a vida
é recebida das mãos de Cristo, ela deixa
de ser plataforma de autopromoção e se
torna um instrumento de obediência.
Quando o ministério é recebido do
Senhor, não pode ser abandonado porque
ficou difícil,
não pode ser negociado porque ficou
impopular, não pode ser adaptado para
proteger a carne, não pode ser usado
para servir ao ego. Paulo
era homem de uma só coisa, esquecendo-me
das coisas que ficam para trás e
avançando. para as que estão adiante,
prossigo para o alvo, a fim de ganhar o
prêmio do chamado celestial de Deus em
Cristo Jesus. Uma coisa, não porque era
pequeno, mas porque Cristo era grande.
Não porque sua alma fosse estreita, mas
porque a glória de Cristo havia se
tornado larga demais para dividir o
trono com ídolos menores.
Aqui está o problema de muitos de nós.
Não é que não queiramos Cristo. Queremos
Cristo, mas queremos Cristo e conforto,
Cristo e reputação. Cristo e controle,
Cristo e segurança, Cristo e aplauso,
Cristo e a aprovação da cultura, Cristo
e nossos projetos intactos. Cristo e
nosso direito de não sofrer. Cristo e
nossa velha identidade preservada.
Queremos seguir, mas sem perder. Servir,
mas sem ser gastos.
Obedecer, mas sem sermos contrariados.
Crer, mas sem sermos deslocados. Por
isso somos tão instáveis.
Uma alma com muitos centros não
descansa. Ela é puxada em direções
diferentes. Um dia quer o reino, no
outro quer o mundo. Um dia diz: "Seja
feita a tua vontade". No outro se
desespera porque a própria vontade foi
ferida.
Um dia canta que Cristo é tudo. No outro
vive como se Cristo fosse pouco, sem
mais alguma coisa.
Paulo conhecia outra matemática.
Fui crucificado com Cristo. Assim já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em
mim. Já não sou eu. Essa é a frase que a
carne
odeia. A carne quer Cristo como auxílio,
não como vida. Quer perdão sem
crucificação. Quer salvação sem perda de
senhoria. que é céu no futuro e
autonomia no presente. Mas o evangelho
não oferece Cristo como acessório
religioso, oferece Cristo como Senhor
crucificado e ressuscitado.
E quando Cristo vive em homem, o centro
muda, a pergunta muda, o valor muda, o
medo muda, a ambição muda, o futuro
muda. Paulo podia dizer: "Para mim, o
viver é Cristo e o morrer é lucro. Não
porque a morte fosse pequena, mas porque
Cristo era maior. Não porque a vida
fosse inútil,
mas porque a vida só fazia sentido nele.
Viver era Cristo. Morrer era estar com
Cristo. Servir era para Cristo. Sofrer
era pelo nome de Cristo. Pregar era
anunciar Cristo. Terminar a carreira era
chegar a Cristo. Tudo nele convergia.
Essa é a vida pronta. Não uma vida sem
fraqueza, não uma vida sem lágrimas, não
uma vida sem medo sentido no corpo, mas
uma vida sem múltiplos tronos, uma vida
atravessada por uma lealdade superior,
uma vida que sabe dizer: "Minha vida não
é preciosa demais para ser gasta se
Cristo for glorificado".
Então a pergunta nos encontra: Qual é o
valor central da sua vida? Aquilo que
você protege a qualquer custo revela seu
Deus.
Aquilo que você teme perder acima de
tudo revela seu tesouro. Aquilo que você
sacrifica eh eh
obediência revela quem governa.
Não basta dizer que Cristo é importante.
Muitos dizem. A pergunta é se ele é
supremo.
Cristo é parte da sua vida ou é o valor
da sua vida? Porque a alma só fica
pronta quando Cristo deixa de ser parte
da vida e se torna o valor da vida.
Romanos 1, 15
diz: "Por isso estou disposto a pregar o
evangelho também a vocês que estão em
Roma. Não me envergonho do evangelho,
porque é o poder de Deus para a salvação
de todo aquele que crê. Primeiro do
judeu, depois do grego." Paulo diz:
"Estou disposto". e logo depois, não me
envergonho.
Essas duas frases caminham juntas. Ele
estava pronto para pregar porque não
estava envergonhado da mensagem que
pregava.
A prontidão dele não era apenas energia
missionária, era convicção profunda,
era fogo doutrinário, era certeza santa,
era a alma inteira presa a uma verdade
que não precisava pedir licença ao mundo
para existir.
Ele queria pregar em Roma. Roma não era
um lugar qualquer, era o coração visível
do poder, o centro do império, o lugar
onde a força se vestia de glória, onde o
culto ao imperador disputava o coração
dos homens, onde o paganismo tinha
templos, onde a cultura se orgulhava de
sua grandeza, onde a cruz parecia
loucura, fraqueza, vergonha e escândalo.
Roma para pregar Cristo era levara uma
mensagem crucificada ao centro da
arrogância humana. Era anunciar um rei
pregado em madeira diante de um império
que adorava
domínio.
Era proclamar salvação pela graça diante
de uma cultura intoxicada por mérito,
poder, honra e conquista. Era dizer que
o homem não é salvo por Roma, nem por
filosofia, nem por moralidade, nem por
sangue, nem por religião, nem por força,
mas pelo evangelho de Jesus Cristo. E
Paulo diz: "Estou pronto, não
envergonhado, pronto." Essa é a
diferença entre uma alma governada por
Cristo e uma alma ainda negociando com a
aprovação dos homens.
Paulo não queria ser abraçado pela
cultura, não queria fazer o evangelho
parecer menos estranho, não queria
retirar a ofensa da cruz, não queria
suavizar a ruína humana para parecer
mais compassivo.
Não, não queria esconder o juízo para
parecer mais equilibrado. Não queria
diminuir a santidade para parecer mais
acessível. Ele não pregava para ser
aceito por Roma. pregava porque Roma
precisava ser salva.
Esse ponto precisa descer fundo
em nós.
Há uma forma de falar de Cristo que já
nasce pedindo desculpas.
Desculpas pela exclusividade do
evangelho. Desculpas pela cruz.
Desculpas pelo pecado. Desculpas pelo
arrependimento. Desculpas pelo inferno.
Desculpas pela santidade, desculpas pelo
Senhorio de Jesus. desculpas pela
verdade que não se dobra ao gosto do
século. E quando a igreja começa a pedir
desculpas pelo evangelho, ela já começou
a trocar de Senhor. Paulo sabia que a
mensagem era ofensiva.
Ele escreveu que a palavra da cruz é
loucura para os que estão perecendo, mas
para os que estão sendo salvos é o poder
de Deus. Sabia que Cristo crucificado
era pedra de tropeço para os judeus e
loucura para os gentios. sabia que a
cruz humilhava todos os sistemas humanos
de glória. Ela humilha o religioso
porque diz que sua justiça não basta.
Humilha o moralista porque diz que suas
obras não compram Deus. Humilho sábio,
segundo o mundo, porque diz que sua
filosofia não atravessa morte. O milho
poderoso porque diz que seu império é
pó. Humilhe o pecador autônomo, porque
diz que ele não precisa apenas de
melhora, mas de ressurreição. A cruz não
pede permissão ao orgulho humano, ela o
crucifica.
Por isso, o evangelho sempre será
escândalo para a carne. Não porque seja
irracional, não porque seja feio, não
porque seja cruel, não porque retira do
homem eh eh mas porque retira do homem
toda vanglória.
Ele diz ao pecador: "Você é pior do que
imagina, porque nada menos que o sangue
do filho de Deus poderia salvá-lo."
E diz também: "Você é mais amado que os
a sonhar, porque esse filho foi entregue
por pecadores."
Isso não é mensagem palatável para a
carne. A mensagem
é mensagem poderosa para salvar. A
igreja perde força quando tenta remover
aquilo que Deus colocou
no centro. Um evangelho sem cruz pode
ser aceito mais facilmente,
mas já não é evangelho. Um Cristo sem
senhoria pode agradar mais a cultura,
mas não é o Cristo das Escrituras. Uma
graça sem arrependimento pode soar doce
aos ouvidos modernos, mas não cura,
apenas anestesia.
Uma mensagem que nunca confronta o
pecado pode encher auditórios, mas não
ressuscita mortos. O evangelho que não
pode ofender também já não pode salvar.
Mas precisamos entender isso com temor.
Não somos chamados a ser ofensivos por
temperamento.
Não há santidade em ser grosseiro. Não
há fidelidade em falar com arrogância.
Não há coragem espiritual em usar a
verdade como pedra para ferir pessoas
que deveríamos amar. Paulo não se
gloriava em sua dureza, ele se gloriava
na cruz.
A ofensa deve estar na mensagem,
não na vaidade do mensageiro. A pedra de
tropeço deve ser Cristo crucificado, não
nosso orgulho, nossa imprudência, nossa
brutalidade, nossa sede de vencer
debates.
O servo de Deus não prega a si mesmo.
Paulo disse: "Pois não pregamos a nós
mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e
a nós como escravos de vocês, por causa
de Jesus.
Não pregamos a nós mesmos. Essa frase
também nos julga. Porque há quem use a
verdade para construir uma imagem de
coragem. A quem pareça ousado, mas só é
vaidoso. A quem diga coisas duras, não
porque ama a glória de Deus e a salvação
dos homens, mas porque ama a sensação de
estar acima dos outros. Isso não é
prontidão apostólica,
é carne usando doutrina.
A verdadeira coragem não nasce da
vontade de parecer forte, nasce da
convicção de que Cristo é verdadeiro. Os
homens estão perdidos. O evangelho é o
poder de Deus. E a aprovação do mundo
não vale a alma de ninguém. Por isso
Paulo poôde dizer: "Não me envergonho".
Ele não se envergonhou em Jerusalém, não
se envergonhou em Atenas, não se
envergonhou diante de filósofos, não se
envergonhou diante de autoridades,
não se envergonhou diante de prisões,
não se envergonhou diante da
possibilidade de morte. Ele sabia que o
mundo podia chamá-lo de louco, podia
chamá-lo de perigoso, podia chamar sua
mensagem de fraqueza, blasfêmia,
ignorância, ameaça, atraso ou escândalo.
Mas Paulo não media a verdade pelo risco
dos homens, media tudo pelo Cristo
ressuscitado que o havia chamado. Aqui
está a nossa
ferida.
Muitos querem defender Cristo sem serem
rejeitados por causa de Cristo. Querem
apologética sem cruz, ortodoxia sem
custo, presença pública sem vergonha,
relevância sem arrependimento. Querem
ser conhecidos como cristãos, mas não
desprezados como cristãos. querem falar
de Jesus, mas de um Jesus
suficientemente domesticado para não
ferir os ídolos do tempo. Mas Paulo não
estava pronto para pregar outro
evangelho. Não estava pronto para
escondê-lo, não estava pronto para
diminuí-lo. Não estava pronto para
torná-lo mais aceitável à custa de
torná-lo falso. Ele estava pronto para
pregar o evangelho de Cristo inteiro,
claro, crucificado, poderoso,
necessário,
porque não há outro poder de Deus para a
salvação.
Não há outro nome, não há outra justiça,
não há outro sangue, não há outra
esperança para judeus, gregos, romanos,
religiosos, pagãos, filósofos,
pobres, reis, escravos, cultos,
ignorantes, moralistas e impuros.
Todo homem precisa do mesmo Cristo. Todo
[roncando] homem precisa da mesma cruz,
todo homem precisa da mesma graça.
Então, a pergunta vem para nós.
>> Temos vergonha?
Talvez não digamos isso. Talvez chamemos
de prudência, de sensibilidade, de
estratégia, de equilíbrio, de cuidado
com a imagem, de diálogo cultural, mas
às vezes por baixo dessas palavras
bonitas apenas medo. Medo de parecer
antiquado, medo de perder respeito, medo
de ser excluído, medo de ser chamado de
fanático, medo de que Cristo custe caro
demais. Por isso Paulo diz a Timóteo:
"Portanto, não se envergonhe de
testemunhar acerca de nosso Senhor, nem
de mim, prisioneiro dele, mas suporte
comigo os sofrimentos pelo evangelho
segundo o poder de Deus." Não se
envergonhe, suporte.
O evangelho não precisa de nossa
maquiagem, precisa de nossa fidelidade.
Cristo não nos chamou para tornar a cruz
aceitável ao homem natural. Chamou-nos
para anunciá-la como única esperança
para homens mortos.
Roma ainda existe em muitos formatos.
existe no orgulho cultural, na idolatria
do poder, na busca por aceitação, na
pressão para que a igreja se cale, se
adapte, se desculpe, se torne
inofensiva,
mas o chamado permanece. Pregue Cristo
sem pedir desculpas pela cruz, sem
esconder o pecado, sem envergonhar-se da
graça, sem trocar poder por
palatabilidade,
porque um evangelho que não pode ofender
também já não pode salvar. Romanos 1:15
diz: "Por isso estou disposto a pregar o
evangelho também a vocês
que estão em Roma."
E Paulo não era empurrado
para o serviço. Ele avançava, não
precisava ser arrastado pela culpa, nem
movido por pressão humana, nem
constrangido por [música] olhares de de
cobrança.
Havia nele uma prontidão que vinha de
dentro, mas não nascia dele. Era fruto
de uma vida conquistada por Cristo. como
se a graça tivesse colocado fogo santo
nos seus ossos,
como se a voz que o derrubou no caminho
de Damasco ainda ressoasse dentro dele.
Por isso estou disposto.
Essa frase parece simples, mas carrega
uma vida inteira. Paulo havia pregado na
Ásia, havia atravessado para a Europa,
havia anunciado Cristo na Grécia, havia
falado em sinagogas, ruas, casas,
prisões, praças,
tribunais e diante de autoridades.
Havia enfrentado oposição, zombaria,
açoites, cadeias, naufrágios, fome,
perigo e solidão. E ainda assim, quando
olha para Roma, não diz: "Já fiz o
suficiente". Ele diz: "Estou disposto".
Roma ainda estava diante dele. E onde
havia gente, sem Cristo, havia campo.
Onde havia trevas, havia chamado. Onde
havia alma, havia missão. Onde o nome de
Jesus não era amado, Paulo via uma
oportunidade para anunciar o evangelho
da graça de Deus.
Essa é a prontidão do servo. Não é
agitação vazia, não é ativismo sem
comunhão, não é desejo de aparecer, não
é necessidade de ser necessário, é
obediência
em movimento.
É vida colocada à disposição do Senhor.
É a alma dizendo antes mesmo de saber
todos os detalhes. Se Cristo mandar, eu
vou. Paulo era como alguém retido apenas
pela providência de Deus.
Não pela própria preguiça. Se não
avançava, era porque Deus fechava a
porta, não porque seu coração estivesse
procurando desculpas.
Em Atos, quando o espírito impede certos
caminhos, Paulo não para de servir. Ele
espera a direção. Depois vem a visão,
passe à Macedônia e ajude-nos. E ele
vai, porque o servo pronto não exige que
o chamado caiba no seu conforto. Ele
responde
aqui nossa geração é confrontada.
Muitos querem servir, mas apenas se o
serviço couber dentro da agenda já
construída em torno de si mesmos.
Servir desde que não ameasse o descanso.
Servir desde que não interfira nos
planos. servir desde que seja perto,
conveniente, reconhecido, confortável,
emocionalmente, agradável e compatível
com a vida que já queriam viver.
Queremos missões sem deslocamento,
serviço sem custo, obediência sem
interrupção, chamado sem renúncia. Mas o
evangelho
não nos chama apenas a evitar pecados,
chama-nos a estar disponíveis para Deus.
A vida cristã não é somente deixar de
fazer o que desagrada a Cristo, é também
estar pronto para fazer o que Cristo
manda. Não apenas mãos limpas, mas
oferecidas.
Não apenas pés longe do mal, pés
calçados para ir. Não apenas boca sem
blasfêmia, boca pronta para confessar o
Senhor.
Isaías ouviu a voz do Senhor. Quem
enviarei?
Quem irá por nós? e respondeu: "Eis-me
aqui, envia-me".
Essa é a linguagem da prontidão. Não,
primeiro me explique tudo. Não primeiro
me diga se será seguro. Não, primeiro me
garanta que serei compreendido. Não
primeiro me mostre que não perderei
nada, mas eis-me aqui. Envia-me. A
prontidão verdadeira nasce quando a
vontade de Deus se torna mais importante
do que a preservação
da nossa vida planejada.
O servo não pertence mais ao próprio
calendário como senhor absoluto. Não
pertence aos próprios medos, não
pertence à própria imagem, não pertence
ao conforto que construiu, pertence a
Cristo.
Por isso Paulo escreve a Timóteo:
"Nenhum soldado se deixa envolver pelos
negócios da vida civil, já que deseja
agradar aquele que o alistou".
Essa palavra não despreza o trabalho,
não condena a família,
responsabilidades, profissão, cuidado
com a casa, planejamento, prudência,
sustento. Paulo está chamando crentes a
irresponsabilidade. Está denunciando uma
vida tão embaraçada nos negócios desta
era que já não consegue responder ao
rei. O soldado pode ter necessidades,
mas não pode esquecer o comando. Pode
caminhar pela terra, mas não pode viver
como se viu. Pode lidar com coisas
comuns, mas não pode se embaraçar nelas
a ponto de não ouvir a voz daquele que o
alistou.
Esse é o perigo.
A vida vai enchendo. Um compromisso,
depois outro, um desejo, depois outro,
um projeto, depois outro, uma segurança,
depois outra. E sem perceber, o coração
fica tão amarrado que já não se move
quando Deus chama. Não por falta de
oportunidade, por excesso de ídolos, não
por ausência de dom, por eh presença de
desculpas, não porque Cristo não tem
enviado, mas porque a alma está ocupada
demais, servindo a si mesma.
Menos ídolos, menos desculpas, menos
quando der, menos vida tão cheia de si
que não sobra lugar para o chamado.
Isso precisa descer fundo, porque há
pessoas que dizem está esperando uma
grande missão, mas não estão prontas
para a pequena obediência de hoje.
Esperam Roma, mas não pregam em casa.
Esperam uma porta internacional, mas não
atravessam a rua. Esperam uma
plataforma, mas não servem no secreto.
Esperam um chamado glorioso, mas não
respondem ao dever simples que Cristo já
colocou diante delas.
A prontidão não começa quando tudo fica
grande, começa quando Cristo é obedecido
no que está diante de nós. A grande
comissão não foi dada a uma igreja
confortável, perguntando se o mundo
receberia bem sua mensagem. Jesus disse:
"Foi me dada toda a autoridade nos céus
e na terra. Portanto, vão e façam
discípulos de todas as nações. Vão.
A ordem nasce da autoridade de Cristo,
não da força da igreja, não da aceitação
do mundo, não das condições favoráveis,
não da ausência de risco. Cristo reina,
portanto, vão. Essa é a razão da missão.
O Senhor ressuscitado tem toda a
autoridade. Se ele manda o medo, não tem
a palavra final. Se ele reina, a cultura
não tem a palavra final.
Se ele prometeu estar conosco todos os
dias, a solidão não tem a palavra final.
Se ele comprou povos de toda tribo,
língua e nação, a dureza do campo não
tem a palavra final. Paulo
sabia disso, por isso dizia: "Ai de mim
se não pregar o evangelho". Não era
teatro, era [roncando] necessidade
santa. O evangelho havia sido confiado a
ele e aquilo que Cristo confia não pode
ser tratado como hobby espiritual. Então
a pergunta nos encontra:
você está disponível, não apenas
ocupado, disponível, não apenas
religioso, disponível, não apenas
informado,
disponível. Se Cristo apontar para uma
pessoa difícil, você vai. Se mandar
servir sem aplauso, você serve.
Se abrir uma porta longe do seu
conforto, você obedece. Se pedir
fidelidade, onde ninguém verá, você
permanece.
Se a missão contrariar sua agenda, quem
vence? O chamado ou o ídolo?
O servo pronto não pergunta primeiro
onde é seguro, pergunta onde o Senhor
está chamando.
Atos 21:13
disz. Então Paulo respondeu: "Por que
vocês estão chorando e partindo o meu
coração? Estou pronto, não apenas para
ser amarrado, mas também para morrer em
Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus".
Os irmãos choram, Ágabo anuncia prisão.
A igreja tenta impedir Paulo e Paulo
responde: "Estou pronto não apenas para
pregar, não apenas para viajar, não
apenas para servir. Estou pronto não
apenas para ser amarrado, mas também
para morrer em Jerusalém pelo nome do
Senhor Jesus".
Essa frase não nasceu de frieza. Paulo
não era de pedra. Ele não tratava amor
como obstáculo barato. Ele não olhava
para irmão chorando com desprezo
espiritual. Ele mesmo diz: "Por que
vocês estão chorando e partindo o meu
coração?
Partindo o meu coração". Ele sentia, ele
amava, ele sofria com a dor deles, mas
não permitia que o amor humano
governasse sua obediência. Não permitia
que lágrimas santas se tornassem freio
contra a vontade de Deus. não permitia
que o afeto da igreja ocupasse o lugar
do chamado de Cristo. Isso é prontidão
profunda, não é dureza emocional,
é submissão superior.
É um tipo de coragem que é apenas falta
de sensibilidade.
Não é isso que vemos aqui. Paulo tinha
coração, tinha vínculos, tinha amizades,
tinha lágrimas, tinha humanidade,
mas sua humanidade estava ajoelhada
diante de Cristo. Ele não era menos
amoroso por obedecer, era mais livre.
Livre até para entristecer pessoas que
amava quando a fidelidade ao Senhor
exigia seguir. Essa é uma das coisas
mais difíceis
da vida cristã.
Servir já custa, sofrer custa mais.
Muitos querem estar prontos para fazer
algo grande por Deus, desde que esse
algo os fortaleça diante dos homens.
Querem servir se o serviço trouxer
sentido, reconhecimento, utilidade,
respeito, gratidão, expansão.
Querem pregar se houver eh ouvidos
atentos. Querem liderar se houver honra,
querem obedecer se a obediência produzir
admiração. Mas Paulo estava pronto para
algo mais profundo. Estou pronto para
perder. Pronto para ser amarrado, pronto
para ser mal compreendido. Pronto para
entrar numa cidade sabendo que a prisão
aguardava. Pronto para que o nome de
Cristo lhe custasse o corpo. Pronto para
que o evangelho não lhe desse conforto,
mas cadeias.
Aqui o entusiasmo superficial morre.
Porque é fácil dizer: "Eis-me aqui
quando imaginamos frutos visíveis". Mas
difícil é dizer: "Eis-me aqui". Quando o
caminho leva à humilhação. É fácil
cantar consagração quando o custo ainda
é abstrato.
Mas difícil é permanecer consagrado
quando a obediência começa a tirar
coisas reais de nós. Sofrer por Cristo
não é apenas ser lançado em prisões ou
levado ao martírio. Isso pode acontecer.
A igreja conhece essa estrada, mas
muitas vezes o sofrimento pelo nome vem
em formas menos dramáticas, igualmente
reveladoras. Perder amigos por
fidelidade, ser ridicularizado por não
se curvar ao espírito do tempo. Parecer
antiquado porque a escritura governa a
sua consciência. Ser chamado de duro
porque você não chama pecado de
identidade.
Ser chamado de fanático porque Cristo é
mais precioso que aceitação.
Perder oportunidades porque não pode
negociar a verdade. Carregar fidelidade
solitária quando todos preferem
conveniência.
Suportar compreensão dentro da própria
casa, continuar obedecendo quando
ninguém aplaude. Dizer a verdade com
amor e receber desprezo em troca.
Isso também testa a prontidão. Porque há
muitos que dizem estar prontos para
morrer por Cristo, mas não estão prontos
para perder a provação por Cristo. Dizem
que suportariam cadeias, mas não
suportam ser considerados estranhos.
Dizem que dariam a vida, mas não
entregam a reputação. Dizem que amam a
cruz, mas recuam quando a cruz começa a
tocar agenda, conforto, imagem,
relacionamentos e futuro.
A pergunta não é apenas você morreria
por Cristo? A pergunta é: você sofreria
por Cristo hoje?
Perderia por Cristo? Seria diminuído por
Cristo? Seria mal interpretado por
Cristo? obedeceria quando a obediência
não trouxesse nenhuma vantagem
invisível.
Paulo podia responder: "Estou pronto e
não porque a própria vida fosse
desprezível, mas porque ele já tinha
dono."
Esse é o fundamento. Vocês não pertencem
a si mesmos. Foram comprados por alto
preço. Portanto, glorifiquem a Deus com
o corpo de vocês.
Não pertencemos a nós mesmos. Essa frase
destrói a falsa espiritualidade do
controle. O corpo não é nosso, a agenda
não é nossa, a reputação não é nossa, a
segurança não é nossa, o futuro não é
nosso. Fomos comprados e não por preço
pequeno, fomos comprados pelo sangue de
Cristo. Se pertencemos a Cristo, ele tem
o direito sobre tudo. Direito sobre
nossos planos, direito sobre nossas
forças, direito sobre nossa voz, direito
sobre nossa imagem. direito sobre nossos
caminhos, direitos sobre nossa vida.
E isso não é escravidão cruel, é
libertação. Porque antes pertencíamos ao
pecado,
ao medo, ao mundo, à aprovação dos
homens, a tentativa desesperada de
preservar a nós mesmos. Agora
pertencemos à aquele que nos amou e se
entregou por nós. Por isso, Paulo não
estava tentando preservar Paulo. Paulo
já havia sido crucificado com Cristo. A
vida que agora vivia, vivia pela fé no
filho de Deus. Quando a vida deixa de
ser propriedade,
o sofrimento muda de lugar, ele continua
doendo, mas deixa de ser senhor. A
prisão
pode prender o corpo, mas não manda na
alma. A a perseguição pode ferir a
reputação, mas não toca a herança. A
morte pode encerrar a carreira, mas não
rouba Cristo.
Filipenses diz que nos foi concedido não
apenas crer em Cristo, mas também sofrer
por ele. Concedido. A carne odeia essa
palavra. Ela quer que o sofrimento seja
apenas acidente, perda, interrupção,
fracasso. Mas a escritura diz que em
Cristo até o sofrer pelo nome pode ser
dom. Não porque a dor seja boa em si
mesmo, mas porque ser contado digno de
padecer por Cristo é participar, ainda
que de modo pequeno, da comunhão daquele
que sofreu por nós.
O caminho do discípulo nunca foi
separado do caminho do mestre.
Jesus disse: "Se alguém quiser
acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome
a sua cruz e siga-me, pois quem quiser
salvar a sua vida, a perderá, mas quem
perderá a sua vida, por minha causa a
encontrará."
A carne quer salvar a vida, Cristo manda
perdê-la. A carne quer preservar tudo,
Cristo chama a entregar tudo. A carne
diz: "Proteja-se". Cristo diz:
"Siga-me".
E aqui precisamos olhar para ele, porque
Paulo não é o centro da nossa coragem.
Cristo é Paulo só pode dizer: "Estou
pronto porque o Senhor Jesus já havia
dito no Getsemane algo infinitamente
mais profundo: "Não seja feita a minha
vontade, mas a tua
ali estava o filho perfeito diante do
cálice, não diante de uma pequena perda,
não diante de um desconforto passageiro,
diante da cruz, diante da ira, diante da
maldição, diante do peso do pecado
do seu povo. E ele se entregou. Cristo
não foi apenas amarrado, foi pregado,
não foi apenas rejeitado, foi condenado,
não foi apenas ameaçado de morte,
morreu.
E morreu pelo nome dos que não tinham
nome digno diante de Deus. Morreu por
pecadores covardes, instáveis, medrosos,
amantes de si mesmos. morreu para
comprar um povo que agora pode sofrer
sem ser destruído, perder sem se perder,
morrer sem morrer eternamente. Por isso,
a pridão cristã não é heroísmo humano, é
fruto da cruz, é a vida comprada
voltando às mãos de quem comprou.
Então, não estamos prontos enquanto
dizemos sim apenas ao serviço
que nos exalta e não ao sofrimento que
nos humilha. Não estamos prontos
enquanto aceitamos a missão, mas
recusamos a cruz. Não estamos prontos
enquanto queremos o nome de Cristo como
consolo, mas não como causa de perda.
A prontidão mais profunda nasce quando a
vida deixa de ser nossa e volta para as
mãos de Cristo.
Segunda Coríntios 10
4 diz: "As armas com as quais lutamos
não são humanas. pelo contrário, são
poderosas em Deus para destruir
fortalezas.
Destruímos argumentos e toda pretensão
que se levanta contra o conhecimento de
Deus e levamos cativo todo pensamento
para torná-lo obediente a Cristo.
Que estaremos prontos para punir todo o
ato de desobediência, uma vez completada
a obediência de vocês.
Há serviço que
anima, há sofrimento que enobrece, mas
há dever que ninguém quer corrigir,
confrontar, disciplinar, dizer a verdade
quando a verdade pode custar afeto.
Essa talvez seja uma das formas mais
difíceis de prontidão,
porque muitos estão dispostos a servir
quando o serviço produz gratidão, mas
estão disposto, muitos estão dispostos
até a sofrer quando o sofrimento parece
nobre, visível, admirável,
carregado de algum brilho espiritual. Os
poucos estão prontos para o dever
desagradável.
Poucos querem entrar no lugar onde a
fidelidade parece dureza, onde o amor
parece rejeição, onde a verdade fere
antes de curar, onde obedecer a Deus
pode fazer homens nos chamarem de sem
amor. Paulo estava pronto também para
isso. Ele não estava pronto apenas para
pregar em Roma. Não estava pronto apenas
para ser preso em Jerusalém. Não estava
pronto apenas para morrer, estava pronto
para proteger a igreja de Cristo, ainda
que isso exigisse lágrimas, firmeza,
confronto e disciplina.
A igreja de Corinto estava em perigo.
Havia dons, palavras, movimento,
conhecimento, reuniões, manifestações,
entusiasmo, mas também havia orgulho,
divisão, imoralidade, desordem,
tolerância ao pecado,
desprezo pela autoridade apostólica e
uma espiritualidade que confundia
barulho com maturidade.
A igreja tinha muita boca, mas pouco
quebrantamento.
Muitos queriam falar, poucos queriam se
submeter. E Paulo não tratou isso como
detalhe, porque o pecado tolerado na
casa de Deus nunca permanece pequeno.
Ele cresce, fermenta, espalha-se,
enfraquece a consciência, confunde os
simples, endurece os rebeldes, mancha o
testemunho, deshonra o nome de Cristo. E
quando ninguém confronta o pecado,
começa a parecer permitido.
Por isso Paulo disse que suas armas não
eram humanas. Ele não agia com violência
carnal. Não estava possuído por
temperamento explosivo.
Não tinha prazer em esmagar pessoas, não
confundia autoridade espiritual com
brutalidade,
não fazia a disciplina para preservar
vaidade pessoal. Suas armas eram
espirituais, poderosas em Deus para
destruir fortalezas.
Isso é decisivo.
A correção cristã não é descarga de
irritação, é obediência santa. Não é
desejo de vencer pessoas, é desejo de
resgatar pessoas. Não é carnalidade
usando a verdade como porrete.
É amor usando a verdade como lâmina de
cirurgia, mas a lâmina ainda corta. E
aqui está o problema. Nossa carne
prefere extremos, ou brutalidade sem
mansidão ou mansidão falsa sem verdade,
ou dureza que machuca por orgulho, ou
omissão que abandona por covardia. Mas o
caminho de Cristo não é abuso nem
silêncio, é graça e verdade. É firmeza
com lágrimas. É zelo sem vaidade. É amor
que não chama morte de vida apenas para
ser aplaudido. Paulo estava pronto para
punir toda a desobediência quando a
obediência da igreja fosse completada.
Essa frase pesa.
Ele esperava arrependimento, queria
restauração, desejava obediência. Mas se
a rebelião permanecesse, ele não
fingiria que nada estava acontecendo.
Ele não chamaria tolerância de amor. Não
chamaria a confusão de liberdade, não
chamaria impureza de complexidade
pastoral. Não chamaria covardia de
paciência.
Há um amor que repreende, há uma
misericórdia que confronta, há uma
fidelidade que precisa dizer não. Isso
alcança a igreja, alcança a liderança,
alcança a família, alcança a vida comum,
a pais que não querem confrontar filhos
porque temem perder afeto. Há pastores
que não querem confrontar membros porque
temem perder pessoas. Há crentes que se
calam diante da blasfêmia, mundanismo,
impureza e erro, porque aprenderam a
chamar medo de mansidão.
Há igrejas que preferem paz aparente a
pureza real, mas paz sem santidade não é
paz bíblica, é anestesia.
A escritura diz: "Um pouco de fermento
leveda a toda massa. O pecado tolerado
não fica isolado. Ele ensina, ele
catequiza, ele diz à igreja inteira que
Deus não é tão santo, que a palavra não
é tão séria, que o arrependimento é
opcional, que amor significa nunca
ferir, que unidade vale mais que
verdade. Mas a unidade comprada pela
mentira não é unidade de espírito, é
acordo com as trevas. Por isso Paulo
ordena Timóteo: "Pregue a palavra,
esteja preparado a tempo e fora de
tempo. Repreenda, corrija, exorte com
toda a paciência e doutrina.
Repreenda eh corrija, exorte com
paciência e doutrina.
Veja,
atenção não é repreensão impaciente, não
é correção sem ensino, não é exortação
sem amor, mas também não é paciência sem
repreensão, não é doutrina sem
aplicação, não é amor sem coragem. A
verdade deve vir com lágrimas, mas deve
vir. A ferida deve ser feita com mãos
limpas, mas às vezes precisa ser feita.
Gálatas diz: "Irmãos, se alguém for
surpreendido em algum pecado, vocês que
são espirituais deverão restaurá-lo com
mancidão. Cuide-se, porém, cada um, para
que também não seja tentado. Restaurar
com mansidão." Essa é a palavra.
O objetivo não é humilhar,
não é destruir, não é expor por prazer,
não é provar superioridade, é restaurar.
Mas restauração exige verdade. Ninguém é
restaurado por ser deixado em paz com o
pecado. Ninguém é curado quando todos
fingem que a ferida não cheira mal.
Ninguém é amado quando é abandonado ao
erro em nome de uma bondade covarde.
A mansidão bíblica não é fraqueza, é
força ajoelhada diante de Deus.
Só quem teme a Deus consegue amar assim.
Porque quem teme homem sempre será
escravo do aplauso. Provérbios diz:
"Quem teme o homem cai em armadilhas,
mas quem confia no Senhor está seguro."
O medo de homens arma laços. Laços para
o pai que não corrige. Laços para o
pastor que não disciplina. Laços para o
amigo que não adverte. laço para a
igreja que se torna refém de pessoas que
deveriam ser chamadas ao arrependimento.
Isaías pergunta: "Quem é você para que
tema homens mortais? Os filhos de homens
que não passam de relva e se esqueça do
Senhor, o seu criador?"
Temer homens leva ao esquecimento de
Deus. Esse é o ponto. Quando o olhar
humano fica grande demais, Deus fica
pequeno demais em nossa consciência.
Começamos a calcular reações, perdas,
críticas, rejeições,
comentários, reputação. Enquanto
calculamos a verdade, fica sem voz. O
pecado fica confortável, os fracos ficam
sem proteção, a casa de Deus fica sem
guarda. Mas quem teme Deus pode amar
homens com verdade. Pode falar com
humildade, mas falar. Pode corrigir
tremendo, mas corrigir. Pode confrontar
chorando, mas confrontar. Pode perder o
aplauso e preservar fidelidade. Cristo
fez isso. Ele recebeu pecadores, mas
nunca fez aliança com o pecado. Chorou
sobre Jerusalém, mas denunciou sua
incredulidade.
Restaurou Pedro, mas primeiro expôs sua
queda. Tratou a mulher adúltera com
misericórdia, mas disse: "Agora vá e
abandone sua vida de pecado". O amor de
Cristo não era sentimentalismo, era
santo. E se pertencemos a Cristo,
precisamos aprender essa prontidão. Não
brutalidade, não omissão, não abuso, não
sentimentalismo, fidelidade. O dever
desagradável também é serviço ao Senhor.
Talvez ninguém agradeça, talvez alguns
interpretem mal, talvez custe afeto,
reputação, conforto e tranquilidade. Mas
há momentos em que amar é guardar a
casa. Amar é proteger os pequenos. Amar
é dizer ao rebelde que ele está
caminhando para morte. Amar é não
permitir que destrua acampamento,
enquanto todos fingem que nada está
errado. Peça a Deus essa coragem limpa,
língua firme, coração quebrantado,
verdade sem vaidade, mansidão sem
covardia, zelo sem brutalidade, porque
quem teme perder o aplauso dos homens
nunca estará pronto para guardar a casa
de Deus. Em segunda Timóteo 4 6 e 7
diz: "Eu já estou sendo derramado com
uma oferta de bebida. Está próximo o
tempo da minha partida. Combati o bom
combate, terminei a corrida, guardei a
fé. Paulo está perto do fim. Não fala
como quem desperdiçou a vida. Não fala
como quem acordou tarde demais.
Não fala como quem
olha para trás e só encontra adiamentos,
desculpas, medos, concessões
e oportunidades enterradas. Ele fala
como homem oferecido. Eu já estou sendo
derramado como uma oferta de bebida.
Está próximo o tempo da minha partida.
Não há romantismo barato nessa frase.
Paulo não está brincando com a morte,
não está usando linguagem bonita para
cobrir o medo. Não está fugindo e
fingindo
que a lâmina de Roma é leve. Ele sabe
que o fim está perto, sabe que sua vida
está sendo derramada, sabe que a partida
se aproxima. Mas há serenidade, não
serenidade de quem escapou da guerra,
serenidade de quem lutou.
Não paz de quem evitou o custo, paz de
quem foi gasto no altar certo. Paulo não
chega à morte como alguém agarrado a um
mundo, tentando negociar mais tempo para
finalmente obedecer. Ele não chega ao
fim dizendo: "Agora entendi".
Não chega dizendo: "Eu deveria ter
servido, eu deveria ter falado, eu
deveria ter sofrido com mais fidelidade,
eu deveria ter guardado a verdade, eu
deveria ter
amado menos minha própria vida". Ele
disse outra coisa: "Combati o bom
combate, terminei a corrida, guardei a
fé". Três frases,
uma vida inteira. Combati, terminei,
guardei.
A fé foi guerra, a vida foi corrida, o
evangelho foi tesouro. Paulo combateu
não contra carne e sangue, como se sua
vida fosse movida por amargura,
rivalidade, o desejo de vencer homens.
Combateu o bom combate. Combateu contra
o pecado, contra a mentira, contra a
vergonha do evangelho, contra os falsos
mestres. contra a carne, contra o medo,
contra o mundo, contra tudo que tentava
diminuir Cristo, corromper a igreja e
calar a verdade. A vida cristã não é
passeio, é combate. Não combate carnal,
não combate movido por ego, não combate
para preservar nome, partido, vaidade ou
influências, mas combate santo, de
joelhos, com palavra, com oração, com
sofrimento, com fidelidade, com amor
pela verdade e com disposição de perder
para que Cristo seja honrado.
Paulo também terminou a corrida. A vida
não foi apenas batalha, foi carreira.
Havia um caminho a completar, havia uma
missão recebida, havia um ministério
confiado pelo Senhor Jesus. E ele correu
às vezes cansados,
cansado, às vezes ferido, às vezes
perseguido, às vezes sozinho, às vezes
abandonado por amigos, às vezes cercado
por inimigos, mas correu. Não correu
atrás de Roma como glória. Não correu
atrás de aplauso, não correu atrás de
segurança. Não correu atrás de uma
biografia agradável. correu atrás do
alvo, correu para cumprir no ministério,
correu para dar testemunho do evangelho,
da graça de Deus. E Paulo guardou a fé.
Essa palavra pesa porque a fé não era
para ele uma opinião religiosa,
era depósito sagrado, era verdade
recebida, era evangelho confiado, era
tesouro que não podia ser vendido,
suavizado, diminuído, envergonhado,
adaptado ou trocado por aceitação. Ele
guardou a fé quando custou, guardou
quando foi chamado de louco, guardou
quando foi preso, guardou quando foi
açoitado. Guardou quando foi abandonado,
guardou quando a cultura desprezou,
guardou quando falsos irmãos
distorceram,
guardou quando a morte se aproximou e
por isso pôde olhar para o fim, sem
precisar inventar uma paz artificial.
Aqui há uma advertência profunda. Muitos
querem morrer como santos, sem viver
como servos. Querem serenidade no leito
final, sem fidelidade no caminho. Querem
uma última frase bonita, sem uma vida
inteira rendida.
Querem coroa sem combate, chegada sem
corrida, descanso sem perseverança.
Desejam a morte de Paulo, mas não querem
a vida de Paulo. Mas ninguém improvisa a
prontidão no último suspiro. A morte
cristã não é teatro final, ela revela a
direção da vida. Quem abandona deveres,
negocia a verdade, desperdiça
oportunidades,
vive para si mesmo e chama conforto de
prudência, não deve esperar esperar
chegar ao fim com a mesma alegria de
quem foi derramado no serviço de Cristo.
Isso não significa que a salvação
dependa do tamanho da nossa obra, não. A
salvação é pela graça, inteiramente pela
graça. Paulo mesmo sabia disso melhor do
que todos. Ele era perseguidor
alcançado, blasfemo perdoado, inimigo
reconciliado, apóstolo, apóstolo pela
misericórdia. Tudo nele era graça. Mas a
graça que salva também ensina a viver. A
graça que perdoa também consagra. A
graça que justifica também coloca o
homem na corrida.
A graça que nos recebe como filhos
também nos alista como soldados. Por
isso, a prontidão para morrer não nasce
de uma coragem natural diante da morte,
nasce de uma vida entregue ao Cristo que
venceu a morte.
Paulo podia dizer: "Para mim, o viver é
Cristo e o morrer é lucro. Não porque
desprezasse a vida, mas porque a vida já
tinha sido tomada por Cristo. Se vivesse
Cristo, se morresse Cristo." A morte não
era perda final, era partida. Está
próximo o tempo da minha partida.
Partida como navio soltando as amarras,
como tenda sendo desmontada, como
peregrino deixando o caminho para entrar
em casa. A morte do cristão não é
pagamento pelo pecado. Cristo já pagou.
Não é queda no vazio. Cristo
ressuscitou. Não é derrota último.
Cristo venceu.
Para o mundo, a morte arranca tudo. Para
Paulo, a morte o levava à presença
daquele que era tudo. Por isso, ele
podia dizer que partir, estar com Cristo
era muito melhor. Não porque a dor fosse
pequena, mas porque Cristo era maior.
Não porque a espada fosse ilusória, mas
porque a comunhão final era real. Não
porque o túmulo fosse bonito, mas porque
o túmulo já havia sido atravessado pelo
Senhor ressuscitado.
Aqui precisamos
olhar para Cristo. Paulo só pode ser
derramado porque Cristo já havia sido
entregue. Paulo só poôde enfrentar a
morte como partida, porque Cristo
enfrentou a morte como substituto.
Paulo só pode dizer: "Guardei a fé
porque Cristo guardou [música]
perfeitamente a vontade do Pai".
Paulo só pôde esperar a coroa porque
Cristo usou primeiro a coroa de
espinhos.
Cristo combateu onde todos nós caímos.
Terminou a obra que nenhum de nós
poderia completar. Guardou a fidelidade
sem uma única rachadura. Foi obediente
até a morte e morte de cruz. Entrou no
juízo, bebeu o cálice, carregou a
maldição, foi derramado não apenas como
oferta de bebida, mas como oferta
perfeita pelo pecado do seu povo. Por
isso, nossa morte mudou de nome. Em
Cristo, morrer não é ser tragado pela
condenação, é partir para estar com o
Senhor.
Em Cristo, o último inimigo já foi
ferido. Em Cristo, a sepultura perdeu
sua vitória. Em Cristo,
o corpo pode descer ao pó, mas a alma
pertence ao redentor. Em Cristo, quem
vive para o Senhor também morre para o
Senhor. Se vivemos, vivemos para o
Senhor. E se morremos, morremos para o
Senhor. Assim, quer vivamos, quer morr,
pertencemos ao Senhor. Pertencemos.
Essa é a palavra que prepara para
morrer. Não pertencemos à carreira, não
pertencemos ao corpo, não pertencemos ao
aplauso, não pertencemos à segurança,
não pertencemos ao tempo, não
pertencemos à própria história,
pertencemos a Cristo. Então, viva como
quem pertence, combata agora, corra
agora, guarde a fé agora.
Não espere o fim para desejar uma vida
que você se recusa a viver no presente.
Não espere a morte para começar a levar
Cristo a sério. Não espere o corpo
enfraquecer para descobrir que
desperdiçou força com ídolos pequenos.
Hoje ainda há combate. Hoje ainda há
corrida, hoje ainda há fé a guardar.
E para os que pertencem a Cristo, há
também promessa. Seja fiel até a morte,
e eu lhe darei a coroa da vida. Ninguém
improvisa uma morte pronta.
Ela nasce de uma vida rendida.
Romanos 12:11 diz: "Nunca falte a vocês
o zelo. Sejam fervorosos no espírito.
Sirvam ao Senhor." O capitão chama e o
servo responde: "Pronto!
Não pronto apenas para mar calmo, pronto
para tempestades, não pronto apenas para
ordens agradáveis, pronto, pronto para
ordens difíceis, não pronto apenas
quando o vento ajuda, quando a rota é
clara, quando a tripulação aplaude,
quanto quando o porto está perto e o céu
parece aberto. Pronto. Também quando a
noite desce, quando o conveme, quando as
águas sobem, quando a ordem parece
custosa e o coração gostaria de
permanecer
escondido.
Essa é a prontidão cristã. Não é impulso
de momento, é estado da alma. Não é
entusiasmo de culto, é rendição diária.
Não é uma frase bonita para cantar. É
uma vida inteira colocada nas mãos do
Senhor. O servo pronto não escolhe
primeiro o tipo de obediência. Ele
pertence. E porque pertence, responde.
Porque foi comprado, se apresenta.
Porque Cristo é Senhor, não espera que a
ordem seja confortável para obedecer.
Essa prontidão produz frutos.
Primeiro,
ela evita surpresa. Coração firme no
Senhor não vive como se Deus tivesse
perdido controle sempre que chegam umas
notícias.
Ele sofre, chora, sente o golpe, não é
feito de pedra, não chama dor de ilusão,
mas não desaba como se a providência
tivesse sido destronada.
O salmo diz: "Não temerá mais notícias.
Seu coração está firme, confiante no
Senhor. Mas notícias virão. Notícias
sobre o corpo, sobre a família, sobre o
trabalho, sobre a igreja, sobre o mundo,
sobre pessoas que amamos. A questão não
é se elas virão, a questão é onde o
coração estará quando vierem. O coração
despreparado trata toda a perda como se
Deus tivesse desaparecido.
O coração pronto se curva ainda ferido e
diz: "O Senhor reina também aqui". Não
entendo tudo.
Não entende tudo, mas confia.
Não sente tudo, mas permanece. Não sabe
explicar cada golpe, mas sabe quem
governa.
Segundo, a prontidão evita a perda de
oportunidade.
Quem não está pronto sempre percebe
tarde demais. Tarde dema tarde dema para
confessar, tarde dema para servir, tarde
dema para encorajar, tarde dema para
confrontar, tarde dema para pregar
Cristo naquela conversa que Deus colocou
diante dele. Depois voltam para casa e
diz: "Eu deveria ter dito, eu deveria
ter feito, eu deveria ter orado, eu
deveria ter aproveitado, mas a
oportunidade já passou. A porta se
fechou, a pessoa foi embora, a frase
ficou presa na garganta. Covardia ganhou
mais um dia. A prontidão nos livra dessa
tristeza. Ela mantém a alma desperta,
mantém a boca disponível, mantém as mãos
livres, mantém os olhos abertos para o
dever próximo.
O servo pronto não vive esperando uma
ocasião grandiosa enquanto despreza
fidelidades pequenas. Ele sabe que Deus
muitas vezes coloca obediência diante de
nós em forma simples. Uma palavra, uma
visita, uma repreensão, uma oração, um
perdão, uma conversa, um testemunho, uma
renúncia, uma decisão que ninguém verá.
E ali a alma mostra se está pronta.
Terceiro,
a prontidão da beleza à obediência. Há
uma obediência arrastada. Obedece, mas
resmunga. Obedece, mas demora. Obedece,
mas negocia. Obedece, mas deixa claro
que preferia não obedecer. Essa
obediência pode até cumprir a ordem, mas
não carrega o perfume da entrega.
No céu, a vontade de Deus é feita
imediatamente.
Seja feita a tua vontade, assim na terra
como no céu. No céu não há atraso
rebelde, não há cálculo egoísta, não há
anjos dizendo depois.
Não há servos santos pedindo que Deus
espere até que seja mais conveniente. A
vontade de Deus é feita com alegria, com
reverência, com prontidão.
A obediência pronta tem flor, tem
frescor, tem beleza.
É o fruto colhido no tempo certo, antes
de murchar na mão da demora. Quando Deus
chama e a alma responde logo a um brilho
ali, não brilho
de mérito humano, brilho de submissão,
brilho de amor, brilho de quem considera
o Senhor digno de resposta imediata.
Quarto, a prontidão remove o medo da
morte. Não porque o cristão se torna
indiferente à partida, mas porque quem
vive pronto para servir, sofrer e
obedecer está sendo preparado para
partir. A morte não encontra essa alma
como ladra absoluta. Encontra um servo
que já estava vivendo com as malas
espirituais feitas.
Jesus disse: "Estejam também vocês
preparados, porque o filho do homem virá
numa hora em que não o esperam.
Preparados, com as lâmpadas acesas, com
os lombos cingidos, com o coração
acordado, a alma pronta. Não precisa
fingir que a morte não virá. Ela sabe
que virá, mas sabe também que Cristo
veio antes dela. Cristo entrou na morte,
Cristo venceu a morte, Cristo
ressuscitou. Por isso, para quem
pertence a ele, partir não é cair no
vazio, é estar com o Senhor. Então,
o zelo nasce.
Não zelo nervoso, não zelo vaidoso, não
zelo de quem precisa parecer intenso,
zelo santo. O homem zeloso é homem de
uma coisa. Não vive para parecer
equilibrado aos olhos dos mornos. Não
mede sua fidelidade pela temperatura
espiritual dos distraídos. Não pergunta
primeiro se será chamado de exagerado,
rígido, antigo, intenso demais,
comprometido demais.
Ele quer agradar a Deus se vive ou
morre, se recebe honra ou vergonha, se
tem riqueza ou pobreza, se encontra
aprovação ou desprezo, se [roncando] é
entendido ou mal interpretado. Sua
pergunta é uma só: Cristo será
glorificado? Esse zelo não é fratismo
carnal. Fatismo nasce do ego inflamado.
Zelo santo nasce de uma alma tomada pela
glória de Deus. O fanático quer vencer
homens. O zeloso quer agradar Cristo. O
fanático ama a própria intensidade. O
zeloso esquece de si porque Deus se
tornou grande. Paulo era assim: pronto
para servir, pronto para sofrer, pronto
para confrontar. Pronto para morrer,
pronto porque pertencia.
E aqui está a nossa esperança final. A
prontidão cristã não começa no nosso
heroísmo, começa na graça. O Senhor está
pronto para perdoar pecadores
distraídos, pronto para levantar servos
cansados, pronto para purificar corações
divididos.
Pronto para dar zelo a almas frias.
pronto para transformar gente que vivia
dizendo um dia em gente que agora diz
e-me aqui
então respondo ao capitão não amanhã,
hoje não quando for fácil, agora não
quando houver aplauso, mesmo se houver
cruz. O Senhor está pronto para perdoar.
A pergunta é se estamos prontos para
pertencer.
Paulo disse: "Eu estou pronto".
É o que devemos dizer agora. habita em
mim, [música]
em cada espaço escondido. [canto]
Respira em mim, mesmo onde eu [canto]
tenho [música] ferido.
Faz de mim mais perto do [canto] teu
coração.
Que tudo em mim [canto]
se curve à tua direção.
Se algo em mim [canto] quiser
permanecer, [música]
que não seja eu, mas o teu [canto]
viver.
Se meus [música] passos vacilarem
[canto]
na sombra do que passou,
que [música] tua graça me encontre antes
[canto]
mesmo de onde eu vou.
E se eu [música] tentar me construir
com pedaços do que sobrou,
que tua mão me desconstrua [música]
para formar teu filho em mim. Apaga em
mim o [música][canto] que não leva a
cruz
e acende o que reflete a [música][canto]
tua luz.
habita em mim
em cada [música] gesto calado.
Respira em mim no íntimo [canto]
mais fechado.
Faz de mim um eco da tua voz
que ao me ver encontrem mais de ti,
[música] nada [canto] de mim.
Se algo [música] em mim quiser
permanecer, [canto]
que seja o amor que vem de ti, eu me
rendo teu [canto]
refazer,
mesmo quando dói ceder
cada parte que eu quis guardar, hoje eu
[música][canto] te deixo levar.
Não sou mais meu. Não [música] sou mais
meu. [canto] Teu é o que eu sou.
Vive [música] em mim
sem dividir espaço.
Toma tudo em mim. Cada falha, cada traço
habita em mim. Indo início [música] ao
fim [canto] dos meus dias.

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