Makários – Romanos | A. 23 | Julgar e Ser Julgado (Rm 14.1-23) | Ákilla Nascimento
20/05/2026
Makários – Romanos | A. 23 | Julgar e Ser Julgado (Rm 14.1-23) | Ákilla Nascimento
Julgar e Ser Julgado
Rm 14.1-23
Ákilla Nascimento
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เฮ [música] >> [música] [música] >> เ >> [roncando] >> Muito boa noite para todo mundo que já chegou aqui paraa nossa aula do curso Macários. Bem-vindo, bem-vinda. A gente tá hoje compartilhando a 23ª aula desse curso na carta aos romanos. E esse é um curso que tem uma duração de 3 meses. Isso significa que a gente tem a aula de hoje e mais três aulas para concluir essa jornada que a princípio parecia longa, mas no fim das contas não está sendo tão longa assim para discutir a para discutir a carta aos romanos. falo que não está sendo tão longa porque a minha sensação é que apesar de estar quase completando 3 meses, a gente ainda está arranhando a superfície da carta de Romanos. Eh, e talvez fosse necessário muito mais tempo pra gente ganhar aquela sensação de que, de fato, conseguiu ligar a maior parte dos pontos do que Paulo está argumentando aqui. Mas mesmo tendo sido uma caminhada não tão longa quanto eu imagino que algum momento a gente vai precisar fazer, seja no próximo curso, outro módulo do Macários, enfim, essa tem sido uma experiência, talvez eh inédita para muitas pessoas. para mim também de dedicar tanto tempo para ler e entender a mesma carta. Então, bem-vindo para mais um encontro, bem-vindo para mais um estudo que a gente vai partilhar aqui de Romanos e hoje falando do capítulo 14. É muito importante a gente perceber que o capítulo 14 de Romanos tem uma continuidade natural com os 13 primeiros versículos do capítulo 15. Então, compreender Romanos 14 necessariamente exige a leitura sequencial do capítulo 15, percebendo que alguns dos argumentos que Paulo apresenta aqui se sustam por si mesmos, mas outras partes são dependentes do que ele vai falar na sequência do capítulo 15. Então, a gente convida você para iniciar esse estudo já mostrando o caminho para aquilo que deve ser a continuidade dessa aula na próxima quinta-feira, tá bom? Então, boa noite, Rose, boa noite Fred, boa noite Carla, boa noite Elice, boa noite Sandra, boa noite Tita, o Manuel, o Paulo, a Terezinha, algumas figuras carimbadas que sempre estão aqui no começo da aula e eu tenho certeza que muitas outras pessoas que também estão acompanhando o curso, mas não podem fazer ao vivo, boa noite, boa tarde, bom dia para vocês. Vamos iniciar lendo o texto de Romanos, capítulo 14, e depois eu vou compartilhar a apresentação com vocês também. Vamos lá. Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um treque pode comer de tudo. Já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come. E aquele que não come de tudo não deve condenar. aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai e ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar. Há quem considere um dia mais sagrado do que outro. Há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial para o Senhor, assim o faz. Aquele que come carne come para o Senhor, pois dá graças a Deus. E aquele que se abstém para o Senhor se abstém e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si. E nenhum de nós morre apenas para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor. E se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Por esta razão, Cristo morreu e voltou a viver para ser senhor de vivos e de mortos. Portanto, você por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos comparecemos diante do tribunal de Deus. Porque está escrito: "Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, diante de mim todo o joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus". Assim cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere. Para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido a você, devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, porque em Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e a edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova, mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé. E tudo que não provém da fé é pecado. Eu vou só agora a adicionar aqui a apresentação um segundinho, que eu não consigo eh compartilhar as duas ao mesmo tempo, mas já tá no ponto aqui. Então, beleza, já apareceu aí a apresentação para vocês. Então, a gente vai tratar desse tema julgar e ser julgado, conforme o texto que a gente acabou de ler de Romanos, capítulo 14. Que que acontece? Paulo está falando desse assunto que está ligado a comidas permitidas e alimentos proibidos e o fato de que algumas pessoas decidiram ser na prática vegetarianos dentro da comunidade cristã em Roma. Como é que a gente pode entender esse tipo de atitude no contexto do primeiro século comparando com aquilo que é a nossa forma de lidar com a mesma eh decisão hoje em dia, tendo em vista que essa também é uma discussão bastante contemporânea, mas motivada por um contexto muito diferente do que Paulo tá tratando aqui. Por quê? No tempo de Paulo, o vegetarianismo raramente tinha uma motivação ética. As pessoas elas viviam próximas à produção de alimentos e não se preocupavam com a morte de animais. Hoje, muito do que eh justifica a decisão de alguns vegetarianos é o tratamento inadequado com os animais, a forma muitas vezes cruel de realizar o abate. Para o primeiro século, essa não era uma discussão para as pessoas. O problema era outro, que é garantir o tipo certo de carne que um cristão, que um judeu cristão ou que um judeu não cristão poderia comer. Será que essa carne que está sendo vendida no mercado é pura? Teria sido sacrificada da maneira apropriada? foi cozida da forma certa, sem um açogueiro que conhecia todas as diretrizes da Torá sobre como o animal deveria ser abatido, preparado, e a comida também eh preparada já no ambiente de casa, não era possível ter total garantia que essa carne ela passou por todos os processos da cozinha cocher, que é essa cozinha que se adequa as legislações que são apresentadas na Torá. Eh, em especial nesse ponto entre o abate do animal até a chegada no mercado, a não ser que seja um açogueiro judeu e que você tenha garantia de que segue todos os procedimentos estabelecidos na Torá, não dava para saber que tipo de carne era aquela. Por isso, a melhor opção para alguns cristãos judeus e também, apesar de não ter escrito aqui, para alguns cristãos gentios, a melhor alternativa era abster-se de toda a carne, não apenas da carne de porco, mas qualquer tipo de carne, porque obviamente a carne de porco era completamente proibida pela Torá. Mas se você era um cristão, seja você judeu, seja você não judeu, mas que acredita que as orientações da Torá sobre essa questão precisavam ser mantidas, se você não sabia como é que aquela aquele animal foi abatido ou preparado, a melhor coisa se fazer era se abster completamente do consumo de carne. Por isso que Paulo está tratando de pessoas. E é interessante observar que aqui ele não está fazendo a distinção entre judeus e gentius, mas entre os fracos na fé e os fortes na fé. Eh, por isso que alguns haviam se ah afastado completamente, tinham estabelecido essa abstinência absoluta de consumo de carne. E qual era o problema da carne sacrificada? A gente vê uma questão muito parecida também em Primeira Coríntios, capítulo 8. A questão girava em torno de carne oferecida a ídolos. Ali o problema não era que você não sabia como a carne foi preparada, você sabia como a carne havia sido preparada e o fato de que aquela carne que foi vendida no mercado havia sido dedicada a um ídolo ou a vários ídolos. Então, a questão gerava em torno de carne oferecida a ídolos, morta como sacrifício em templo pagão e depois vendida no mercado, como era a prática do paganismo em Corinto e em muitas outras regiões do Império Romano. Na verdade, a norma para muitas localidades do Império Romano era esse o caminho. Animal abatido, oferecido no templo ou abatido enquanto era oferecido como sacrifício no templo e depois encaminhada para o mercado para o consumo da população. Nenhum judeu devoto sonhava em consumir esse tipo de carne. E aí a discussão lá em Corinto é: "E nós cristãos, gentios, porque a comunidade era a basicamente constituída de cristãos gentios em Corinto. O que é que nós devemos fazer? Seguir o procedimento como os nossos ancestrais judeus ou como os nossos irmãos judeus? ou nós devemos eh ter uma outra interpretação sobre a questão. Em Romanos 14, essa discussão é ampliada. Por quê? Os cristãos judeus tornavam-se vegetarianos. Novamente aqui está cristãos judeus, mas também, provavelmente, alguns cristãos gentius tornavam-se vegetarianos por não conseguirem garantir a carne cócha. Paulo insiste: "Ah, toda a carne é boa em si mesmo ou em si mesma. Por que toda a carne é boa em si mesma? Porque foi Deus quem criou todos os animais e permitiu que o homem consumisse esses animais. Mesmo os animais que eram considerados impuros originalmente são criação divina. E fora desse contexto da Torá, e aqui a gente, por todas as aulas que a gente já teve, todos os capítulos que estudamos juntos, percebemos que a Torá já não é mais aquilo que deve delimitar o tipo de relação e a única forma de entender a conduta que o cristão deve tomar, a Torá, então, já não poderia ser utilizado como justificativa para dizer que aquela carne era algo ruim em si mesmo, seja ela oferecida a ídolos ou não, seja ela carne de porco ou não. E B, quem ferir a consciência do outro deve abster-se. Esses são os dois pontos principais de Paulo ou dois dos pontos fundamentais que Paulo coloca aqui no capítulo 14, que é toda a carne é boa em si mesma. e B queem ferir a consciência do outro deve abster-se. A questão aqui não era apenas teológica, era profundamente prática e cultural, enraizada na identidade étnica e religiosa de cada grupo, tanto dos cristãos judeus quanto dos cristãos gentius. Eu vou abrir um parêntese antes de eh prosseguir com um argumento, que é a divisão que geralmente nós apresentamos na carta aos Romanos ou encontramos nos comentaristas estudiosos é Romanos capítulo 1 até o capítulo 11 a parte teológica da carta e o capítulo 12 até o capítulo 16 são as orientações práticas ou discussões éticas, perdão, [limpando a garganta] que Paulo apresenta. Essa divisão é bastante artificial. O que a gente vai encontrar, por exemplo, no capítulo 14, que obviamente está no meio desse bloco supostamente ético prático de Paulo, a gente vai encontrar uma discussão profundamente enraizada nas questões teológicas que ele acabou de concluir, digamos assim, na sua explicação mais detalhada no capítulo 11. Mas de certa forma o que ele está apresentando agora é quando essa doutrina que ele tão amplamente discutiu que a justificação pela fé senta na mesa junto com cristãos judeus e cristãos gentius. Quando essa doutrina se apresenta no seu contorno concreto, como é que ela se apresenta? Quais são as implicações dessa doutrina? Então veja que a questão não é simplesmente teologia versus pensamento prático, mas é o pensamento prático que decorre, que é consequência direta de uma reflexão teológica profunda e adequada. Nenhuma igreja, por mais comprometida que seja com levar o evangelho a sério e viver as consequências práticas da sua fé, consegue fazer isso com toda sinceridade e boa vontade, sem a devida reflexão teológica. É isso que a gente aprende com Paulo. Às vezes a gente pensa que uma carta como Romanos, que de fato é bastante desafiadora, é para as pessoas que têm maior interesse ou capacidade de refletir sobre essas coisas. Enquanto outras pessoas mais simples, menos dotadas supostamente de inteligência ou de instrução, devem se preocupar com questões práticas da evangelização, da ação social ou coisas dessa natureza. Isso é um equívoco, porque Paulo escreve essa carta, a carta aos Romanos, não para a Universidade de São Paulo, pro Departamento de Filosofia. Ela não escreve isso para um seminário preenchido de pessoas que estão sendo eh formadas no labor teológico. Ele escreve essa carta paraa igreja e ele escreve essa carta para uma igreja que é constituída em sua maioria de pessoas simples, muitas delas. A maior parte do império romano era constituída de escravos. Então, seja Romanos, seja Gálatas, seja Efésios, seja Colossenses, todas cartas profundamente teológicas e ao mesmo tempo profundamente práticas, eh, são cartas que exigem tudo que nós podemos dar, mas que naquele contexto também exigia daquelas pessoas tudo que elas podiam dar de compreensão, interpretação e dedicação para pessoas simples, escravos. Outros eram sim pessoas de posses, como a gente encontra a carta de Filemon. A carta de Filemon era para uma pessoa que era senhor de escravos, talvez uma pessoa que tivesse desfrutado de bastante instrução, tinha acesso à educação formal de sua época, mas Onésimo não era. E aquela, apesar de ser muito breve a carta de Filemon, é uma carta fundamental para entender o pensamento paulino. Tudo isso para eh tentar desafiar um pouco esse paradigma que prevalece de que Paulo divide claramente sua carta em aspectos teológicos e práticos e que essas questões teológicas não são para todo mundo. Na verdade, Paulo parece entender que reflexão teológica, nos termos em que ele faz teologia, em todas as suas cartas, não só é para todos, mas é uma exigência que o cristianismo faz a todos os discípulos de Jesus. A sobrevivência da igreja depende disso. Voltando aqui para o argumento especificamente de Romanos capítulo 14. Então a gente tem aqui não apenas uma questão teológica do ponto de vista da compreensão, mas uma questão que tem implicações práticas diretas. E Paulo vai apresentar pra gente que a realidade da justificação pela fé e a realidade do evangelho desafia e na verdade exige que todas as barreiras étnicas sejam superadas e sejam quebradas. O mais fascinante é que Paulo não diz aqui: "Cristãos judeus não comem carne, cristãos gentios comem carne. Porque havia cristãos judeus que eram fortes, que comiam de tudo, e havia cristãos gentios que abraçavam as rígidas regras judaicas". Como a gente colocou, a estratégia de Paulo ao dizer simplesmente alguns fazem assim, outros fazem assado, ao invés de dizer alguns cristãos judeus fazem assim, outros cristãos gentios fazem assado, ao evitar isso, ele eh pula fora de uma armadilha que ele estava durante todos os primeiros 11 capítulos de Romanos eh procurando desconstruir. Ele evita reforçar as barreiras étnicas que tentava demolir. A questão principal não é se você é judeu ou se você é gentil. A questão é se você entende o que é a realidade do evangelho e todas as suas consequências práticas. por isso você é um cristão forte ou se você é um cristão fraco, que a gente vai definir com um pouco mais de clareza logo adiante. Ah, então Paulo está desafiando não as questões eh étnicas, mas a compreensão que as pessoas tinham do evangelho e das consequências práticas do evangelho. Qual é o objetivo mais profundo de Paulo aqui? educar os cristãos a se enxergarem, não como judeus ou gentios, mas companheiros e servos do mesmo Senhor. Uma das consequências mais diretas da doutrina da justificação pela fé é a comunhão pela fé. Se todos nós fomos justificados igualmente pela fidelidade do Messias ao propósito do Pai, se todos fomos justificados pelo fato de que Deus foi fiel à suas promessas e pelo fato de que nós respondemos com fé a essa convocação que Deus nos faz, nós cremos que Jesus Cristo é o Senhor e que ele ressuscitou dentre os mortos. Então isso significa que todos nós, independente de sermos judeus ou gentius, homem ou mulher, bárbaro, cita ou qualquer outro tipo de divisão étnica, de gênero ou de qualquer outra maneira de identidade, todas essas barreiras são abolidas para estabelecer uma só família no Messias. Justificação pela fé significa comunhão pela fé. Todos nós que partilhamos a mesma fé, partilhamos a mesma família. O clímax daquilo que Paulo vai colocar se encontra não no capítulo 14, mas no capítulo 15. Porque é só no capítulo 15 que a intenção dele se torna clara. O que ele está fazendo é um apelo direto para que todos os cristãos em Roma adorem juntos como um só povo. A gente vai falar um pouco mais a respeito disso adiante e também na aula que vem. Justificação pela fé e respeito múo. Esse trecho é uma consequência direta da doutrina da justificação pela fé. Judeus e gentius que creem em Jesus são acolhidos igualmente, identificados única e exclusivamente por sua crença. E eu acrescentarei aqui também por sua fidelidade de que ele é o Senhor ressurreto e a sua fidelidade a esse Senhor ressurreto. a gente encontra tanto na discussão de Paulo sobre fé entre a Romanos capítulo 3, versículo 21 até até o 425, como a gente também encontra entre Romanos 9 e Romanos 10. Aqueles cristãos precisavam aprender a conviver sem olhar uns para os outros de nariz empinado, ou sugerir que Deus se agrada mais de um estilo de comportamento do que outro, seja falando dos cristãos fortes ou daqueles que são fracos na fé. A situação aqui em Romanos ou a situação da igreja em Roma não parece ser tão grave quanto o relato de Paulo que a gente encontra em Gálatas, capítulo 2, do versículo 11 até o 21. que é a situação da igreja que se reunia em Antioquia. É nesse capítulo que a gente tem o relato de Paulo da confrontação que o próprio próprio Paulo faz a Pedro, porque Pedro comia com cristãos gentius. Mas quando chegaram alguns dos judeus que foram enviados ou se diziam enviados da parte de Tiago que vieram de Jerusalém para Antioquia, Pedro se afasta da mesa que comia com os gentios e passa a comer apenas com os judeus. Porque pelo costume, pela tradição judaica, os gentios não podem partilhar a mesa com os judeus. Por que não? Porque os gentios são impuro por natureza. É um povo que não recebeu a lei, logo não segue a lei, logo é marcado pela impureza dos alimentos e tantas outras práticas. Então, mesmo depois de Jesus ter morrido e ressuscitado, Pedro não parece ter entendido as implicações que isso causou para a comunhão entre judeus e gentios. Por isso, ele se afasta da mesa dos gentios e come na mesa com os judeus por medo de ser julgado e condenado por aqueles judeus que vieram de Jerusalém. E o que Paulo está dizendo é eles aqui em Roma, eles precisam entender que eles são um só povo. Essa compreensão de que a situação de Roma não era tão grave quanto a situação de Antioquia é um equívoco. Por quê? Porque na verdade em Roma, provavelmente esses cristãos já nem se reuniam na mesma casa, lembrando que não existia a primeira igreja batista de Roma, não existia a igreja metodista em Roma, não existia eh esses salões que reuniam 1000, 2000, 3.000 pessoas. As pessoas se reuniam, se reuniam em casa. a igreja era pequena e as reuniões aconteciam nas casas dos membros daquela comunidade. Então, o que aconteceu provavelmente é que esses cristãos que Paulo está chamando de fortes na fé e os cristãos que ele também chama de fracos na fé se reuniam em lugares completamente diferentes, fazendo suas práticas, realizando a sua adoração, lendo as escrituras, adorando a Deus de maneira completamente divorciada um do outro. grupos para usar a palavra que já parece ser praticamente eh desgastada e quase inutilizada no nosso tempo, polarizadas em posições completamente distintas. Em Antioquia, pelo menos, eles se reuniam no mesmo lugar. E o problema que aconteceu foi justamente porque existia a mesa dos judeus de um lado, a mesa dos gentios do outro e Pedro saiu de uma para sentar na outra e Paulo chama ele na hora. e confronta ele publicamente. Eh, então, pelo menos, aquelas pessoas estavam convivendo no mesmo ambiente, o que já é muito melhor do que a situação que provavelmente acontecia na igreja em Roma. Então, o que a gente percebe que muito pior do que uma igreja que tem problemas de relacionamento para resolver, é uma igreja que não tem relacionamentos, não tem alguns desses problemas e desses atritos, simplesmente porque as pessoas já desistiram de conviver e de adorar em unidade. Então, a gente precisa também ter uma perspectiva da gravidade do que estava acontecendo na igreja em Roma. E quais são as questões que Paulo está discutindo aqui? Além da questão dos alimentos, existe também a questão dos dias santos. E aí depois ele vai falar da indiferença de um grupo em relação ao outro. Qual é, qual era a realidade dos dias santos? O que a gente tem no Antigo Testamento é que além do Shabat que deveria ser guardado entre no nosso calendário ou na forma como nós dividimos os nossos dias o final da sexta-feira, né, o início da noite da sexta até o início da noite do sábado, o Shabat que deveria ser guardado pelos judeus. Também existiam os dias das festas especiais que o povo judeu deveria guardar ao longo do ano. Então, existia a festa de purim, existia a festa de Páscoa, existia a festa das luzes, como a gente encontra o próprio Jesus celebrando no Evangelho de João. Existiam esses dias, que eram festas não apenas importantes, mas dias sagrados no calendário judaico que todo mundo deveria guardar. Não era só a comida que dividia aquela comunidade, mas a guarda desses dias sagrados também. Alguns cristãos celebravam as festas judaicas. Além dos judeus cristãos, alguns cristãos gentius entendendo que o evangelho exigia dele a observância desses dias e dessas leis alimentares, guardava essas coisas ou guardavam essas coisas. Outros judeus? Não. Para Paulo, isso se torna uma questão indiferente. O que importa é que qualquer que seja a sua decisão, você precisa fazer isso em honra ao Senhor. Se a sua consciência aponta na direção de que comer carne de porco ou comer qualquer carne que foi a vendida no mercado, que pode provavelmente ter sido ou dedicada aos ídolos ou não ter sido preparada de acordo com as leis do Levítico, se isso de alguma forma fere a sua consciência, tudo bem, não coma, mas faça isso em honra ao Senhor. Se você entende que toda a carne foi criada por Deus e que a santidade não está definida pela questão do alimento que você ingere, tudo bem, coma esse alimento, mas faça isso em honra ao Senhor. E aqui é onde a gente começa, talvez a entender mais claramente o que significa fraco na fé. Paulo não está sugerindo que aqueles que são fracos na fé não entenderam o evangelho ou não entenderam as questões centrais da mensagem do evangelho. Como a gente já repetiu em vários momentos aquilo que Paulo coloca em Romanos capítulo 10. Se com o coração você crê que Jesus Cristo é o Senhor e confessar com a sua boca de que que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo. A mensagem do evangelho está fundamentada nesse binômio. Jesus Cristo é o Senhor sobre todas as coisas, sobre toda a criação, e ele ressuscitou dentre os mortos. Claro que a gente pode apresentar o evangelho de outras maneiras, que Deus enviou o seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. Jesus Cristo veio para trazer o perdão dos nossos pecados. Mas de qualquer maneira que a gente apresente o evangelho, a gente precisa reconhecer que tudo isso está fundamentado nesses dois pilares, que no fundo representa a mesma realidade, que Jesus Cristo, ele de fato tem domínio e poder sobre toda a criação, sobre todos os povos da terra e também sobre todas as potestades. Ele tem autoridade sobre o poder do mal e ele ressuscitou dentre os mortos. Ele é a primícia dessa nova criação. Ele é o primeiro que venceu a morte e aquele sobre o qual a morte já não tem mais qualquer poder, domínio e autoridade. Essas pessoas que Paulo chama fracos na fé, essas pessoas entenderam isso. O que elas parecem não ter entendido são as implicações disso, as consequências disso. E aquilo que Paulo está dizendo, tanto em Romanos capítulo 14, quanto também em Gálatas, em outros contextos, é que se Jesus Cristo é o Senhor sobre todas as coisas, se ele é aquele que nos purificou dos nossos pecados e que uma vida de santidade está em viver em semelhança aquilo que o próprio Jesus viveu, então a gente começa a perceber que as questões fundamentais de fé, de santidade e de fidelidade não estão vinculadas a alimentos e dias sagrados, mas estão vinculadas a outras questões que Paulo também vai tratar, enfatizar aqui. Os fracos na fé é essa categoria de pessoas que parecem não ter entendido ainda as implicações do evangelho para questões concretas, como, por exemplo, alimentos e dias sagrados. Romanos 14. Então, nesse segundo bloco do versículo 7 até o versículo 12, vai falar sobre o único juízo que importa. E aí ele trata desses dessas duas categorias, aquele que é forte na fé e aquele que é fraco na fé. E parece que aquele que é fraco na fé tem uma postura muito rígida. E aquele que é forte na fé, ele quer exercer a sua liberdade a despeito do que os outros irmãos na fé vão pensar. Então, um cristão rígido, esse que é fraco na fé, ele sabe que ele é cercado por um mundo pagão e que ele é confrontado por todo tipo de prática e convicção que é contrária ao evangelho e a fé cristã. Ele, por exemplo, vê uma irmã na fé comprando carne no mercado, considera que ela faz mal e o que ela está fazendo faz mal não apenas a ela, mas a família dela e a própria comunidade do povo de Deus. E por isso ele a condena de imediato. Ele provavelmente leva isso paraa discussão no meio da comunidade, a ponto de que aqueles que concordam com ele passam a adorar com esse irmão ou passam a adorar apenas entre aqueles que concordam com essa opinião, enquanto aqueles que discordam desse posicionamento também forma um novo grupo, uma nova, quase que uma nova comunidade. Por outro lado, essa irmã que foi condenado pelo cristão mais rígido, ela sabe que o mundo pertence ao criador. Ela se cansa de ser atacada por quem não aprendeu que regras alimentares nada tem a ver com a santidade genuína. E por isso ela despreza aquele que a condena. em seu coração, ela o trata como alguém que é inferior, que é completamente imaturo, que não precisa ter a sua opinião considerada e que ela não vai mudar sua conduta apenas para agradar os caprichos de uma pessoa que parece não ter entendido aquilo que o evangelho realmente quer dizer. Até certo ponto, esse tipo de reação é natural. E qual é o problema? é justamente a gente fazer aquilo que é natural, aquilo que é eh a nossa intuição, porque a nossa intuição ainda de alguma forma é distorcida pelo nosso pecado, distorcida pela nossa capacidade de priorizar aquilo que é mais importante. A [roncando] verdade que está acima de ambos é: existe um só senhor e é diante dele e somente dele que todo cristão vive, morre, permanece de pé ou cai. O que é que a gente quer dizer com isso? O que a gente quer dizer é: "Ah, nós estamos fazendo as coisas diante do próprio Deus. Nós não devemos nos antecipar no julgamento que cabe apenas a Deus. Então, se o meu irmão faz as coisas da mesma maneira que eu faço, ou se o meu irmão faz as coisas de maneira distinta, diferente da forma como eu compreendo e entendo, eu preciso reconhecer que tanto eu quanto ele vive diante do Senhor e é o Senhor que nos sustenta. Não é a minha compreensão e a minha imposição sobre o meu irmão de viver de uma determinada forma que realmente determina se aquela pessoa está sendo fiel a Deus ou não. É Deus quem sustenta tanto aqueles que têm um entendimento quanto aqueles que têm outro entendimento. Devemos adorar a Deus no sábado ou no domingo? Devemos comer carne de porco ou não? E tem tantas outras questões que a gente poderia discutir que são mais, talvez pertinentes para o nosso contexto e não eram discussões da época de Paulo. A gente entra nessa questão um pouco maior que é como nós podemos distinguir aquilo que são questões indiferentes. Como Paulo está dizendo, é indiferente a questão do alimento, é indiferente a questão do dia sagrado ou questões que são fundamentais. Existem dois exemplos que a gente colocou aqui que são extremos, é, que obviamente tornam o nosso julgamento muito mais fácil, mas é apenas para exemplificar aquilo que a gente tá tratando de questões que são indiferentes e questões que não são indiferentes. Por exemplo, em Primeira Coríntios, Primeira Coríntios 3:21, Paulo afirma: "Todas as coisas são de vocês". A partir apenas dessa afirmação de Paulo, a gente pode dizer que é possível furtar, porque se eu tomar aquilo que é sua propriedade, eu não estarei cometendo pecado. Porque Paulo está dizendo que todas as coisas são minhas. Tudo bem que é sua também, mas é minha. Então, eu não estou tomando algo que é apenas sua propriedade. Isso também é minha propriedade. É óbvio que não é isso que Paulo está eh comunicando quando ele faz essa afirmação de Primeira Coríntios 3:21. Essa afirmação de Paulo não pode servir de fundamento para aquele que toma aquilo que é a propriedade do outro. E todos nós vamos entrar no consenso de que isso é pecado, que o Antigo Testamento condena o furto, condena o roubo. E isso é amplamente amparado pelo Novo Testamento. Não há qualquer razão que nos permita acreditar que isso de alguma forma foi afetado ou alterado pela palavra, pelo ensinamento de Jesus e pela prática de Jesus. Uma outra questão que é indiferente. Essa primeira questão obviamente não é indiferente. Furtar não é indiferente. Eh, se nós discordamos sobre a questão do furto, eh, eu não posso abrir mão da minha posição apenas para dizer: "Ah, tudo bem, você é fraco na fé, eu sou forte na fé, mas eu tenho que aprender a conviver com você". Não, se você acreditar que furtar errado, a gente precisa tomar uma providência muito séria como comunidade, como igreja em relação a isso. Eu não posso concordar que na mesma igreja que eu, na mesma igreja que eu estou, existe uma pessoa que furta e acha que isso está de acordo com a palavra de Deus. Agora, tem outras questões que são muito muito mais secundárias, que são eh questões não fundamentais eh em relação à palavra de Deus, em relação às ordens que a gente encontra na Torá. Por exemplo, a gente tem em Levítico 19:19 a ordem de que não é permitido que um membro do povo de Deus vista uma roupa feita por dois tecidos. Isso era uma ordenança prevista na Torá. Isso significa que nós precisamos observar essa exigência da Torá hoje? Claro que não. Eu estou vestindo agora roupas que são constituídas de algodão e de poliéster. Isso significa que eu estou de alguma maneira eh transgredindo a lei de Deus? Claro que não. A gente entende que isso não tem pertinência, não é uma exigência que nós devemos considerar que permanece válida a partir daquilo que foi a obra de Cristo. E também considerando o fato de que eu sou um gentil, não um judeu. Eh, seria uma eh seria uma imprudência muito grande dividir o corpo de Cristo por uma interpretação tão radical em relação a isso. Se você entende que você não deve usar roupa feita de dois tecidos baseada em Levítico, capítulo 19, tudo bem, eu acho que é um equívoco, mas isso não deve ser um ponto pelo qual nós dividimos o corpo de Cristo. Praticamente todo mundo vai concordar que isso não faz a menor diferença. Agora, nem sempre essa distinção do que é indiferente e do que não é indiferente é fácil de se fazer. Mas muitas vezes, mesmo sendo difícil, a questão é importante. A resposta exige voltar a estudar os evangelhos e todo o Novo Testamento, ponderando caso a caso o que foi dito e as razões pelas quais foi dito. Por que que Paulo falou que todas as coisas são de vocês? E que contexto ele afirmou isso e quais são as implicações dessa frase? O princípio que sempre deve nos nortear é: chegará um momento em que todos prestaremos contas de nossas escolhas e ficará evidente qual era a atitude apropriada em cada situação. É isso que a gente também estava tratando no final do slide anterior. A verdade acima de ambos é que existe um só senhor e é diante dele que todo cristão vive e morre, permanece de pé ou cai. Então, se existem questões, a não ser que sejam questões fundamentais como essa que a gente deu do furto, que está tentando reinterpretar um aspecto muito básico da conduta cristã ou da doutrina cristã, se existem outras questões práticas em que nós discordamos da forma como nós devemos proceder, caminhar, lidar com as questões familiares, lidar com as questões da comunidade. É, eu preciso sempre me lembrar que é diante de Deus que eu recebi a minha vida e é por meio dele que eu sou sustentado. Ele é Senhor sobre todas as coisas. Isso quer dizer que eu vou prestar contas a respeito de todas as atitudes que eu tomo, todas as escolhas que eu faço e você também. Por isso, isso deve me dar até um pouco mais de tranquilidade e paz em conviver com você. mesmo acreditando que você está equivocado. Um pouco de paciência, talvez se eu tiver completa convicção de que é uma questão de imaturidade da sua parte não ter chegado ao entendimento que eu possuo. Eh, ou mesmo uma questão de tranquilidade de mesmo que você não venha a concordar comigo em momento nenhum, é diante de Deus que você vai prestar contas. Não sou eu que tenho que determinar e julgar que a sua atitude precisa ser corrigida, que você precisa de alguma forma ser eh condenado por aquilo que você está fazendo, como se eu tivesse autoridade e autonomia para fazer isso. Novamente, tudo isso depende desse passo anterior de determinar se essa é uma questão fundamental ou não. Existem muitas questões que não são fundamentais e que não deveriam ser justificativa para a divisão dentro do corpo de Cristo. E essa realidade de que você vai prestar contas e eu vou prestar contas diante do mesmo Senhor, deve nos dar a condição de convivência necessária paraa unidade do corpo de Cristo. E a lógica é, Jesus condenou o pecado na cruz. Nós vivemos entre a cruz e esse julgamento final. No momento do julgamento final, cada um dará conta ao Senhor. O fato de que muitas vezes essa é uma realidade difícil de se posicionar. A unidade é uma exigência difícil de se eh uma exigência que Deus nos faz que é difícil de honrar em muitos momentos, é justamente porque nós vivemos entre o fato de que o pecado já foi condenado, mas o juízo final ainda não aconteceu. Nem todas as coisas foram trazidas à luz, nem tudo foi revelado por parte de Deus. E nós precisamos usar o discernimento, o estudo cuidadoso e sensível das escrituras para tomar as nossas decisões. O julgamento final é importante porque Deus tem o compromisso de pôr o mundo de volta em ordem. Nós vivemos entre a cruz e esse julgamento final. E tudo o que fazemos acontece à luz desses fatos. Nós não vivemos para nós mesmos. Nós não morremos para nós mesmos. Depende do Senhor, o Mestre a quem servimos. A nossa decisão sempre deve depender não daquilo que é mais conveniente pra gente, mas do fato de que nós temos convicção de que é isso que Deus está exigindo de nós. Mas se nós temos essa compreensão de que a nossa vida não é mais determinada simplesmente pela nossa própria vontade individual, isso também me coloca em uma posição diferente quando eu vou pensar sobre a maneira como eu vou lidar com as pessoas que discordam de mim. O interesse principal de Paulo nessa sessão final do capítulo 14 é tratar do risco de que alguém limpe o próprio caminho e acabe impossibilitando o próximo de trilhar o seu caminho. Eh, ele afirma: "Não julguem uns aos outros. Usem, porém, seu discernimento para não fazer com que os outros tropecem". Essa é uma questão, talvez a uma das conclusões a que Paulo chega no capítulo 14, que precisam ser mais reforçadas, é o fato de que mesmo que você tenha a liberdade pela compreensão correta e adequada de que você pode comer todos os alimentos, de que você não precisa observar esses dias sagrados como se fosse uma exigência da lei que vale sobre você, você não deve utilizar essa liberdade como pedra de tropeço ou utilizar essa liberdade a ponto de que isso se torne uma pedra de tropeço para o seu irmão que é fraco na fé. Se ele não chegou a esse entendimento ainda, considere a posição do que é mais frágil, do que é mais fraco. Você que já chegou ao entendimento mais maduro, deve se adequar a ele e não o inverso. Ele sim é exigido de continuar refletindo, pensando e adequando a sua própria opinião à luz daquilo que ele pode e deve encontrar nas Escrituras e no ensino dos apóstolos. Mas se ele ainda não chegou nesse momento, é seu dever que é mais forte na fé, agir de tal forma que ele não tropece em sua liberdade, ou seja, se abster. Você pode comer essas coisas. Mas se o seu irmão se escandaliza e Paulo chega a dizer que alguns que são fracos na fé podem chegar ao ponto de blasfemar, de falar contra o próprio Deus pela atitude equivocada desses que são fortes na fé, que supostamente estão do lado certo da discussão. Então você está cometendo um pecado pior do que ele. Você deve se abster daquilo que você tem direito de fazer. Não adianta dizer: "Eles devem amadurecer e parar de fazer tanto barulho." Isso pode facilmente acabar em um caminho livre para nós que somos fortes na fé e cheio de entulho para eles que são fracos na fé. Eles é que estão numa posição de fragilidade. A liberdade que respeita o outro. A questão da pureza dos alimentos também estava intimamente ligada ao julgamento da consciência. Por exemplo, se uma pessoa considerava eh se uma pessoa a considerava impura essas comidas e esses alimentos, para essa pessoa comer esses alimentos passa a ser algo impuro. Ele comete pecado porque no julgamento da consciência dele aquilo deveria ser feito e ainda assim ele fez. Agora, se o outro considera impura, eu considero pura, mas o outro considera impura e eu tenho essa atitude deliberada de comer esse alimento, independente do que o outro vai pensar, isso é uma atitude mais do que impura da minha parte. Isso é uma atitude nociva. Isso é algo que está de alguma forma eh desviando o meu irmão de pensar adequadamente sobre essa questão. Paulo apela principalmente aos cristãos gentios. Como a gente disse no começo, a divisão é entre fracos na fé e fortes na fé. Provavelmente entre os fracos na fé tinha tanto cristãos judeus como cristãos gentios. E entre os fortes na fé cristãos judeus e cristãos gentios. Mas pela força da tradição que acompanhou toda a formação e desenvolvimento dos cristãos judeus, o que provavelmente aconteceu é que a maior parte do que Paulo chama de daqueles que são fortes na fé eram cristãos gentios. E a maior parte daquilo daqueles que eles chamam fracos na fé são cristãos judeus. Lembrando que o próprio Paulo se considera forte na fé e ele é um cristão judeu. É uma exceção em relação a isso que a gente tá tentando supor ou inferir que era a condição geral daquela comunidade. Paulo apela principalmente aos cristãos gentios para que restrinjam a sua liberdade a fim de não afastar os cristãos, os judeus recém retornados a Roma. Nós já falamos isso várias vezes, mas os cristãos judeus pelo édito de Cláudio, eles foram expulsos de Roma. Eh, não só os cristãos judeus, os judeus de forma geral foram expulsos de Roma e depois do ano 54 eles foram permitidos retornar para Roma. Quando eles retornaram, provavelmente esse convívio de cristãos judeus e gentius havia sido prejudicado por posições que se calcificaram enquanto essa separação foi estabelecida. Então, muitas práticas, eh, muitas reflexões e interpretações das escrituras que os cristãos gentios que permaneceram em Roma fizeram, de alguma forma estavam fora do lugar, eh, estavam eh em desacordo com aquilo que era o papel que os judeus deveriam ter dentro da comunidade cristã e como eles que eram gentius deveriam se relacionar com seus irmãos judeus. Então, o que Paulo está fazendo é provavelmente apelar para esse grupo que era eh preponderantemente constituído de cristãos gentius para que restringissem a liberdade deles. Vocês podem, mas vocês não devem. Vocês têm o direito, mas vocês não devem exercer o direito de vocês. Por uma ofensa contra aqueles cristãos judeus ou aqueles que eram fracos na fé, desconsiderando essa condição de imaturidade deles, era uma ofensa contra o próprio Messias e contra a morte do Messias. Porque a morte do Messias foi feita justamente para superar todas as barreiras que diferenciavam o povo judeu do povo gentil, o homem da mulher e qualquer outra forma de distinção que se estabeleceu dentro da humanidade diante de Deus. Então, essa relação de comunhão com Deus e relação de comunhão entre os seres humanos que foi prejudicada pelo pecado, foi aquilo para o qual Cristo morreu a fim de derrubar. Desconsiderar ou desprezar isso é ofender o próprio Messias. E seria uma inversão de prioridades. Por quê? Aquilo que define a realidade do reino de Deus é justiça, paz e alegria, como ele coloca aqui no versículo 17. Olha lá o que Paulo afirma no versículo 17. Pois o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Isso significa que se concentrar nas questões de comidas sagradas e de dias sagrados é desconsiderar a realidade do reino de Deus, que estabelece que o fato mais importante é a justiça do reino de Deus, é a paz com Deus e a alegria que há no Espírito Santo. Isso é o reino de Deus e não nós entrarmos em concordância ou fazermos prevalecer a opinião de um ou de outro a respeito dessa controvérsia. E a desconsiderar tudo isso que Paulo está tratando é o mesmo que derrubar a casa de Deus. É destruir o que Deus está edificando com todo comunidade, com com todo cuidado que é a comunidade dos santos, que é a comunidade cristã feita a partir de pessoas distintas. que originalmente tinham todas as razões para continuarem vivendo como grupos distintos, como seos que não poderiam ter qualquer tipo de proximidade e relação com aqueles que pensavam e viviam de forma diferente. É para isso que Jesus morreu, para reaproximar, para reconstruir aquilo que o pecado e a morte dividiu e separou. Aquilo que foi estabelecido como eh fonte de condenação entre um grupo e outro foi superado pela morte do Messias. E aí a gente chega nessa a reflexão final, que é um pouco de exercício da nossa parte, eh, dentro de uma realidade que é marcada por todo tipo de fragmentação, de separação e de limites que nos diferenciam um do outro, que é pensar onde é que nós estamos construindo barreiras para as quais Jesus ou a respeito das quais Jesus morreu para destruí-las. Paulo nos remete a um princípio central. O respeito mútuo é um aspecto vital da justificação pela fé. Deus já declarou que tanto esta como aquela pessoa são membros do seu povo. Por isso, cada um deve se examinar em que pontos na igreja atual nos colocamos em risco de julgar uns aos outros por coisa que Paulo consideraria indiferentes? Quais são os motivos que hoje desperta tanto interesse, tanta polêmica e tanta divisão que se nós fôssemos estabelecer o crio de Romanos capítulo 14, muito provavelmente chegaríamos à conclusão de que Paulo tá dizendo que é absolutamente indiferente. E pense a respeito das dos dois exemplos que Paulo está tratando aqui, que era o problema da igreja em Roma. Não são questões pequenas. a questão de dia sagrado, sábado ou domingo, ou todo cristão deve eh continuar guardando essas festas sagradas que o povo judeu guardou ao longo de séculos e também a questão dos alimentos puros e impuros eram questões identidadas profundamente importantes para os judeus. E mesmo isso, Paulo está dizendo que é indiferente. Então, a gente não tem liberdade de achar que os nossos dilemas são provavelmente sobre questões muito mais importantes do que essas questões que Paulo está tratando aqui. Ah, e o aspecto mais claro que a gente percebe é onde é que nós estamos propensos a construir barreiras com base em linhas étnicas ou culturais, onde Paulo insistiria que estamos todos servindo ao mesmo Senhor? E por isso nós devemos encontrar formas de aproximar esses grupos. E aquilo que é uma a uma exigência para o contexto bastante divisivo que nós estamos vivendo é quanto mais nos aplicarmos a compreender o pensamento de Paulo em Romanos capítulo 14, mais equipados nós estaremos para aplicar essas lições às questões atuais. Então, nós temos aqui novamente eh uma aula que, no fim das contas, apesar de importante, ainda é introdutória para todo o valor do que Paulo está discutindo aqui. Tem muito mais do que nós poderíamos pensar sobre essa questão de dias sagrados, de alimentos sagrados e da forma como Paulo trata fortes e fracos na fé e como os fortes devem agir em relação aos fracos do que a gente poôde fazer. Mas isso é um ponto de partida para nós termos uma referência mais objetiva e concreta da forma como nós devemos tratar com os pontos polêmicos e divisivos que enfrentamos hoje dentro da igreja de Cristo. Tá bom? Bom, pessoal, foi a aula que eu preparei para a gente conversar hoje aqui e vamos ver se tem perguntas aqui no chat. Depois que a gente começou, outras pessoas chegaram. O Rócio, a Fernanda, Adriana, a Lubnética, não sei se esse é o seu nome mesmo, mas tá aí sempre com a gente, o Samuel Quintanilha. Eh, opa, eu conheci o Samuel há pouco tempo, é bom vê-lo aqui. Eu sempre vi aqui no no chat de Samuel, mas não sabia que era você. Agora eu sei quem é você. Ah, vamos ver aqui o que mais. As pedras de tropeço não seriam apenas gastronômicas, certo? Com certeza. Ele mesmo trata dos dias sagrados aqui, né, Fernanda? E e certamente eh pensando no nosso contexto, a questão política, por exemplo, que levou muitas igrejas a racharem, a expulsar pessoas que não concordavam com o posicionamento majoritário daquela comunidade, muito provavelmente seria um ponto discutido por Paulo se ele estivesse escrevendo essa carta hoje. Aqui o Samuel fazendo propaganda do nosso Macários presencial. Pois é, a gente tem o Macários presencial em quartas-feiras alternadas. Então, a gente teve quarta-feira passada, não vamos, perdão, a gente teve Macáos presencial há duas semanas atrás e vamos ter outro encontro presencial amanhã. Então, amanhã quem desejar vir aqui na rua Tianguá, número 25, vai poder ter uma aula e a gente vai falar sobre algo relacionado ao que estamos falando aqui, que é curando o individualismo por meio do seu serviço. Como é que a igreja primitiva conseguiu superar todas as condições adversas por meio dessa prioridade do serviço, como a gente encontra no livro de Atos, tá bom? Então, vão ser bem-vindos. Que mais? O encontro é às 20 horas, o encontro presencial. Vamos ver aqui. Tem pessoas que se ocupam de vigiar os outros simplesmente para os condenar. podemos considerar como fracos. Olha, Marília, eh não é possível falar sobre toda a situação e toda questão eh que possa levantar algum tipo de discussão e de uma postura um pouco mais vigilante, porque, por exemplo, o próprio Paulo também era muito vigilante sobre questões doutrinárias fundamentais que tinham consequências práticas que poderiam provocar a divisão do corpo de Cristo. E em relação a esse tipo de ensino perigoso que gerava uma compreensão equivocada a respeito do evangelho da pessoa de Jesus, do significado da morte e da ressurreição e que gerava esse tipo de comportamento divisivo dentro da comunidade. Sobre isso, Paulo era era assim profundamente atento, preocupado e esforçado a ponto de nós encontrarmos em quase todas as cartas alguma motivação relacionado a problemas dessa natureza. Então isso é um contraexemplo daquilo que a gente estava tratando. Mas sim, existem outras questões que são indiferentes, que ainda desperta a angústia, um zelo equivocado de muitas pessoas que estão sempre tentando verificar se você está a apto ou não a passar no julgamento que a pessoa tem a respeito de você e de qualquer outra pessoa sobre eh esse tipo de questão, né? Então, sim, existem pessoas com essa postura que parecem ser muito próximas ao grupo que Paulo está tratando como os fracos na fé, que não entenderam isso e por isso tem uma postura muito rígida, muito rigorosa com outras pessoas. E atualmente as questões de divisões políticas partidárias. Certamente, Mari, eu tenho a compreensão que isso é uma questão que não é de pouca importância. É claro que a realidade política afeta a todos nós. É claro que todos nós somos chamados a ter uma postura eh cívica que seja coerente com as nossas compreensões de fé. Eu mesmo tenho as minhas posições e acho que é muito importante refletir adequadamente sobre isso. Mas eu também vejo que tem pessoas que discordam de mim, que pensam muito diferente de mim, que tomam atitudes que eu acho que vão ser prejudiciais de alguma forma do ponto de vista político e para a convivência da sociedade se essa posição vier a prevalecer. E ainda assim são meus irmãos na fé. ainda assim constitui uma questão indiferente naquilo que define se essa pessoa faz parte da mesma família que eu ou não. Eu sei que essa pessoa faz parte da mesma família que eu. Então, eu preciso encontrar um meio de amar essa pessoa. Eu preciso encontrar o meio de enxergar nela algo que eu sou incapaz de enxergar, olhando apenas para aquilo que nos diferencia ou olhando apenas com os olhos naturais, incapazes de percebê-la à luz daquilo que é ação do Espírito Santo que está produzindo nela uma nova criatura. Então, pode ser que eu esteja errado e ela esteja certa, ou pode ser que eu seja forte na fé, na fé e ela seja fraca na fé e eu preciso agir com amor em relação à pessoa, a essa pessoa em qualquer um dos casos, seja eu o forte ou o fraco na fé, seja ela a forte ou a fraca na fé, eu tenho que eh perceber as obrigações que Cristo me faz, as exigências, perdão, que Cristo me faz. de amá-la e de encontrar uma maneira de demonstrar esse amor por essas pessoas, né? Mas de fato isso está muito distante daquilo que foi a realidade da Igreja Evangélica Brasileira nas últimas duas eleições. A gente tem muito eh feijão para comer, a gente tem muitos desafios para conseguir estabelecer esse ambiente de harmonia, né? Professor, eu tenho uma pergunta. Aquela mulher que tem um espírito de adivinhação faz para que Paulo sentisse orgulho? Eh, por isso ele expulsa passando os dias e o repreende. Eh, eu acho que o meio da pergunta ficou um pouco difícil para eu compreender a Fernanda, mas se eu estiver lembrando bem da situação, é quando ele expulsa o demônio e e e expulsa o espírito de adivinhação. E aquilo era uma fonte de lucro, lucro para os comerciantes da cidade, né? Eh, eu não sei se é esse o contexto. Se foi esse o contexto, eu ainda fico sem entender completamente a pergunta. Eh, eu vou eu vou pedir eu vou pedir para que você eh tente refazer a pergunta para ver se eu consigo responder, tá? Se eu não conseguir responder agora, ainda vai ficar aqui no chat e eu posso responder no próximo no próximo encontro. Mas por que que Paulo expulsa aquele espírito de adivinhação? É essa pergunta, porque gera orgulho nela. Ah, eu acredito que é porque Paulo percebe que aquilo é um é um é um espírito mal, é um espírito demoníaco, não porque aquilo é um dom de profecia que foi dado para aquela mulher, por isso que ele a repreende e a expulsa, né? Ah, e e talvez eu esteja entendendo um pouco melhor agora a pergunta. É, o tipo de revelação que ela tava falando é supostamente elogiosa a respeito de Paulo, mas ele entende que aquilo não vem da parte do Senhor. Mesmo que seja uma palavra supostamente eh positiva sobre o apóstolo Paulo, aquilo de alguma forma está sendo utilizado pelo próprio Satanás para manipular, seja Paulo, seja as outras pessoas, a respeito daquilo que ele desejava que as pessoas acreditassem, que era obviamente diferente daquilo que Paulo estava pregando e anunciando. Então, a eh então eu acredito que essa é a questão principal, que era um espírito mal. E por isso que independente daquilo que ele estava falando, eh, ele foi expulso. Me lembra um pouco a situação, eh, daquilo que é a atitude de Pedro. Pedro supostamente tá tentando proteger Jesus quando Jesus o repreende e fala: "Para atrás de mim, Satanás", né? Então, mesmo que seja uma palavra supostamente positiva a respeito de Jesus ou desejando o bem, não era aquilo que era a vontade de Deus para eles. Bom, eu acho que eu eu perdi alguma coisa aqui no meio do caminho sobre essa pergunta. Vou tentar eh entender melhor depois e responder. Mas, pessoal, a gente tem mais três encontros, quinta e dois encontros na semana que vem para concluirmos Romanos. Então eu encorajo todos vocês que estão acompanhando aqui, seja ao vivo, seja algum momento eh depois, acessando a aula gravada, a permanecerem firmes. Falta pouco e a gente espera poder concluir essa etapa com a companhia de vocês. Muito obrigado pelo tempo de todos vocês. Desejo uma boa noite a todos e até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.