Quando o mal serve ao propósito de Deus (João 13.21-30) | Rev. Thiago Santos
04/05/2026
Quando o mal serve ao propósito de Deus (João 13.21-30) | Rev. Thiago Santos
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
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Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, do nosso Senhor Jesus Cristo. Abra sua Bíblia em João, capítulo 13 e mantenha aberta. João capítulo 13, nós vamos ler do verso 21 ao verso 30. Quando o mal serve ao propósito divino, todo o nosso culto, meus irmãos, tem por finalidade glorificar o nome do Senhor e preparar o nosso coração para esse exato momento em que vamos abrir a palavra, ler a palavra e meditar sobre ela. João capítulo 13, nós vamos ler do verso 21 ao verso de número 30. Ouça com fé e com atenção à leitura da palavra de Deus que nos diz: "Dita estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: "Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá". Então os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia. Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava. E esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: "Pergunta: "A quem ele se refere?" Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: "Senhor, quem és?" Respondeu Jesus: "É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado." Tomou, pois, um pedaço de pão e, tendo molhado, deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. E logo após o bocado, imediatamente entrou nele Satanás. Então disse Jesus: "O que pretendes fazer, faz-o depressa." Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu a quem, a que fim lhe dissera isso. Pois como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: "Compra o que precisamos para a festa" ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres. E tendo recebido bocado, saiu logo e era noite. Pai, nós te damos graças e louvamos ao Senhor pela tua palavra. Rogamos a ti, ó Pai, através do nome que está acima de todo nome, o nome de Cristo, teu filho amado, pedindo ao Senhor que discutine os nossos ouvidos e que torne apto o nosso coração e que a tua palavra possa perfazer todo o nosso ser, gerando fruto, práticas condizentes de uma fé real, verdadeira e que glorifica o Senhor. Fala conosco. Nós carecemos, ansiamos, precisamos ouvir a tua voz. Edifica a tua igreja e o teu povo. Usa-nos como um mero instrumento. E que as palavras dos meus lábios e que o meditar do meu coração sejam agradáveis a ti, ó Senhor, rocha minha e redentor meu. Assim oramos em nome de Jesus. Amém. Meus queridos, uma das dores mais agudas que um coração humano pode experimentar é a traição. Ela possui um veneno particular, não nasce da oposição de um inimigo declarado, mas da quebra da confiança de alguém que tinha acesso aos lugares mais íntimos do nosso coração. E essa traição, ela deixa um rastro de cicatrizes ao longo da história. Quando Júlio César, por exemplo, no Senado romano, viu brutos entre seus algozes, a sua dor não foi apenas do aço das adagas perfurando o seu ser, mas o colapso de uma amizade traída, resumida inclusive em um lamento que diz: "Até tu, brutos". Ou seja, a dor, a traição é algo que nos perturba e quebra toda a estrutura da nossa comunhão. Ela nos faz questionar a realidade realmente e a esperança de todos os nossos relacionamentos, sejam eles no âmbito íntimo, seja eles no âmbito de fora do trabalho. E nesta manhã, meus irmãos, nós vamos ver que o evangelho de João vai nos conduzir entre os bastidores dessa traição mais infame da história. Nós estamos dentro de uma sala onde que a tensão ela é bem palpável, ela é bem clara quando percebida em seus detalhes. E nós veremos que um amigo agora vai se tornar um inimigo mortal sobre o olhar daquele que tudo conhece. Entretanto, nós vamos descobrir à luz desse texto que esse relato aqui deixa bem claro o plano divino. A vontade do Senhor. Não é um plano que deu errado, não é um plano B na história, não é um Salvador sendo pego de surpresa, mas nós vamos perceber como que a soberania de Deus utiliza até o o ato mais sombrio da maldade humana para executar o seu plano redentor. E nós veremos que enquanto o homem trama à escuridão, Deus governa e é capaz de trazer tudo à luz. Nós estamos aqui na última quinta-feira do ministério terreno de Jesus. O cenário é o cenáculo em Jerusalém durante a celebração da Páscoa judaica. Essa não era uma refeição comum, era um ato memorial da libertação, da ação de Deus ao longo da história, arrancando o seu povo da escravidão e trazendo de volta até a terra prometida através do sangue de um cordeiro. E o simbolismo aqui é bem profundo, porque na festa dessa antiga redenção, o verdadeiro cordeiro de Deus, Cristo Jesus, está preste a ser entregue para a morte, para trazer definitivamente a libertação para o povo de Deus. E momentos antes disso acontecer, Jesus realiza um dos atos mais humildes da história. Ele lava os pés dos seus discípulos, inclusive de Judas, quem o trairia. Jesus demonstra para nós que a grandeza do seu reino não está em status, não está naquilo que se recebe, mas na atitude humilde de uma entrega suficiente na presença do Senhor. E a atmosfera aqui desse texto é uma atmosfera de intimidade sagrada, mas ao mesmo tempo atravessada por um relato que vai marcar o coração desses discípulos. É nesse ambiente, vamos assim dizer, de realidade pactual, da graça de Deus, mas ao mesmo tempo de fragilidade humana, que nós vemos a revelação que vai abalar toda a estrutura de uma mesa posta diante do Senhor. E nós veremos, portanto, meus irmãos, em resumo, que o coração humano pode trair até quem ele mais ama, mas a soberania de Deus é capaz de transformar esse mal em triunfo. O coração humano pode trair até quem ele mais ama, mas a soberania de Deus é capaz de transformar esse mal em triunfo. E nós vamos ver isso em três cenas. A primeira cena que nós vemos aqui, que o texto nos apresenta, é a perturbação de Jesus ou essa profunda angústia do Senhor. O texto agora vai revelar o coração do Senhor logo após ter lavado os pés e dado a lição dos discípulos acerca de reino, acerca de serviço, acerca de humildade. Porque olha o que que o texto diz, verso 21 e verso 22. Dita estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: "Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá". Então os discípulos olharam uns para os outros sem saber a quem ele se referia. Olha o estado da alma do nosso Senhor. O texto diz: "Dita essas coisas, angustiou-se em espírito." Aqui tá uma das declarações mais humanamente comoventes da realidade do nosso Senhor. Ele estava profundamente angustiado. Por outro lado, os seus discípulos nem ao menos sabia a quem ele estava se referindo, exceto Judas por por razões óbvias, porque ele sabia que era o traidor. Mas observe que cada um de nós também podemos sentir profunda angústia de vez em quando. E o texto deixa isso bem claro. Verbo que angustiar, meus irmãos, descreve não apenas uma tristeza, mas é uma agonia profunda. É um estado de espírito que abala, que se derrama como um mar agitado diante de uma tempestade. É como se o mais íntimo, o mais profundo do ser de Jesus ficou abalado. E o verbo, inclusive, tá na voz passiva, ou seja, a ação do traidor faz com que o coração de Jesus se abale profundamente, pois foi abalado no próprio espírito. Não é uma angústia superficial, não é uma tristeza assim simples, singela, mas é uma comoção de essência, de profundidade, algo que emerge de dentro para fora. E é fundamental nós entendermos essa a angústia corretamente, porque um pouco mais adiante você vai ver Jesus exortando os seus discípulos diante de uma angústia que eles estão. João capítulo 14 verso 1, vai dizer: "Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, credes também em mim. Não se turbar é a mesma ação verbal. é, não angustie, não fique perplexo, não fique agitado. Só que essa perturbação de João 14 se dá devido à incredulidade dos seus discípulos, a falta de confiança daquilo que Cristo vai fazer na cruz do Calvário. Em contrapartida, a angústia de Jesus é por um amor, é por algo santo, é por saber que um daqueles vai traí-lo. E Hebreus capítulo 4, verso 15, vai nos descrever isso de maneira muito clara, dizendo: "Olha, porque nós não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas. Antes foi ele tentado em todas as coisas, a nossa semelhança, mas sem pecado. Essa angústia que Jesus sente não é pecaminosa em contrapartida, que a angústia que os discípulos vão sentir é uma angústia pecaminosa. E a angústia de Jesus se deve ao fato de que Judas vai traí-lo. Ele não tá angustiado porque sabia que a cruz estava chegando. Ele sabia muito bem desse momento. para esse fim que ele veio, mas a sua dor brota por um amigo que caminha voluntariamente para a perdição. Inclusive, se você for em Mateus, capítulo 26 verso 50, ele chama Judas de amigo. Alguém que de fato esteve bem próximo. E o texto é claro, a dor de Jesus é porque um dentre vós vai me trair. Alguém que tinha caminhado com Jesus durante 3 anos vai traí-lo. Alguém que passou momentos com o Senhor. Alguém que viu milagres. Alguém que viu maravilhas. Alguém que experimentou da ação graciosa do Senhor ao seu lado. Vidas sendo transformadas, pessoas se convertendo, pessoas sendo curadas. Esse um vai traí-lo. A dor dele é uma dor de alguém que ele ama e que resolve escolher o caminho errado. Essa dor é bem parecida com os pais, com os pais que ensinam os seus filhos no evangelho, que trazem eles a casa de Deus, mas que no momento da sua história resolvem seguir por um caminho tortuoso, resolvem seguir por uma trilha totalmente horrível, totalmente má e seguem pelo mundo. Essa é a angústia de um pai e de uma mãe que sabe que seu filho está fazendo uma escolha errada. e caminhando para a perdição. É a dor de um pai e de uma mãe que vê a escolha do filho e o caminho do filho sendo conduzido por aquilo que o mundo não pode oferecer. Essa é a angústia profunda de Jesus, de alguém que está virando as costas para Jesus e que vai macular a sua glória por conta das suas escolhas. Sobretudo aquele que provou de bênçãos, de milagres, de tantas verdades e ainda assim recusa-se a submeter a Jesus com arrependimento e fé. Meus queridos, isso nos ensina que Deus não é um ser indiferente ou distante. Ele conhece a dor da lealdade quebrada. E se você sofre hoje com essa ingratidão ou traição, saiba que você tem um sumo sacerdote que pode compadecer-se exatamente das suas fraquezas. Há uma perturbação santa no sentido de alguém que Jesus tá olhando e tá vendo que está caminhando para autodestruição. E Jesus entende muito bem essas lágrimas. O Senhor nos assegura que mesmo na nossa dor, ele continua sendo soberano sobre a história e que nós devemos entregar e confiar tão somente nele. Essa é a primeira cena, a perturbação de Jesus. Mas há uma segunda cena que nós aqui nos apresenta que é a ponderação de João. Os discípulos estão completamente confusos. O verso 22 diz, eles estão perplexos. Eles não sabem a quem Jesus está se referindo. Nenhum deles, nem mesmo Pedro suspeitava de Judas. Judas aqui é um ator perfeito, é um hipócrita exemplar. Porque diante dessa confusão aqui do reino entre os discípulos, surge um contraste de paz, um contraste de tranquilidade, aonde que João está aos peito de Jesus fazendo as suas ponderações. E olha o que que o texto diz do verso 23 ao 25. Ora, ali estava aconchegada a Jesus, um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava. A esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: "Pergunta a quem ele se refere". Então aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: "Senhor, quem és?" Enquanto que a traição é anunciada, a confusão está reinando entre os discípulos. E aqui não é o mero detalhe. Esse detalhe é importante. Enquanto isso, João está conchegado ou com a cabeça reclinada ao peito do Senhor. Uma ideia de intimidade, uma ideia de segurança, uma ideia de serenidade. Alguém está aos pés diante do Senhor, diante do Salvador. E para nós entendermos essa cena, nós precisamos visualizar o triclínio romano aqui. O que que é isso? É uma mesa bem baixa em formato de U, onde os convidados reclinavam sobre almofadas e para se reclinar ele se apoiava com o cotovelo esquerdo. É como se fosse um tipo de mesa de centro. Sabe aquela mesa de centro que você tem na sala e coloca almofadas ao redor? A ideia é essa. Só que ela é em um formato de U. E bem na centralidade, bem ali no lugar do anfitrião, bem no centro, encontra-se Jesus, enquanto que João estava à sua direita, de modo que naturalmente a sua cabeça, por apoiar com o cotovelo esquerdo, ficaria bem próximo do peito de Jesus. E de onde quer que Pedro estivesse ansioso, inquietuoso, impulsivo, João pergunta: "Olha, pergunta a quem ele tá se referindo?" Ele faz um sinal, ele quer saber, ele é curioso. E João se inclina ainda mais para perguntar ao Senhor a quem ele estava se referindo. E sutilmente o Senhor Jesus vai dizer: "Aquele a quem eu der um pedaço de pão molhado." A gente supõe à luz do texto que Jesus fala isso de maneira bem baixinha, porque os outros discípulos não ouviram, exceto João. Posto que quando Judas vai embora, à luz do verso 29, todos os discípulos acreditam que ele foi ou comprar algo paraa festa, ou ele foi comprar algo para dar aos pobres. E por que que todos esses detalhes no texto, todos esses detalhes revelam que de fato o que João tá escrevendo é de uma testemunha que ouviu, que viu, que estava bem próximo, que realmente sabia o que estava registrando. E nós sabemos muito isso porque um pouco mais adiante, em João capítulo 21 verso 24, o texto diz assim: "Este é o discípulo que dá testemunho a respeito dessas coisas. e que as escreveu e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Nós não estamos aqui lidando com o mito, nós não estamos lidando com uma ficção, nós estamos lidando com uma história real e ela vem de alguém bem próximo de Jesus, de quem o texto diz que o Senhor amava. A razão pela qual ele se autodenomina o discípulo a quem Jesus amava, não é porque Jesus amou mais a João e os outros menos, não. Porque o texto em João capítulo 13 verso 21 diz que ele amou e amou os seus discípulos até o fim. Não é uma ação de que ele ama um mais e outro a menos. O que João se autodenomina aqui não é por arrogância, mas é por um profundo senso de identidade baseada na graça de Deus. Ele não tá baseando em seus próprios méritos, mas é sobre alguém que soube, mesmo diante da notícia mais estarrecedora, mais infame da história, mais angustiante de tudo, soube descansar aos pés do Salvador. E aqui, meus irmãos, em tempos de crise, de incerteza, nós precisamos aprender com João, descansar a nossa vida sobre o peito de Jesus. A clareza espiritual, meus queridos, não vem da da especulação ou de uma análise fria das circunstâncias, mas vem de alguém que é capaz de colocar a cabeça sobre os peitos do Senhor, sobre o coração do Senhor, para ouvir o que o Salvador tem a dizer. E é isso que João faz. João entende que a única resposta suficiente para as escolhas, para toda aquela situação, é ouvir o que o Salvador tinha a dizer. Então, a a segurança nossa, meus queridos, não repousa sobre a ausência de problemas, mas sobre aquele que sabe repousar a cabeça, sobre o peito daquele que governa todas as coisas paraa sua glória, sobre aquele que realmente dirige a história, conduz tudo e todos e pode muito bem usar o mal para promover e glorificar o seu santo nome. Então, se nós vemos a perturbação de Jesus, nós vemos aqui as ponderações de João e como que João, mesmo diante da incerteza, soube descansar no Senhor. Agora nós temos a terceira e a última cena, a perdição de Judas. Em todos esses detalhes, além do lugar que nós vemos ocupar por João, a testemunha ocular desse evangelho, o assento que outro ocupa também é especial para nós nessa narrativa. E nós estamos aqui falando de Judas. Olha o que que diz o verso 26. Respondeu Jesus: "É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado." Tomou, pois, um pedaço de pão e tendo molhado, deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. Olha que interessante. Provavelmente Jesus tá falando com João em particular, sem com que os outros ouvissem ou mesmo entendessem por conta da curiosidade de Pedro. E o texto diz no verso de número 29 que eles não sabiam se ele foi comprar algo paraa festa ou se ele foi comprar algo para dar aos pobres. Desse modo, nós podemos inferir que o lugar que Judas está ocupando é um lugar bem próximo do Salvador, talvez a esquerda do Senhor. Porque se a cabeça de Pedro está reclinada sobre o peito de Jesus, logo a cabeça de Jesus com Judas à esquerda, a cabeça do Salvador tá bem próximo de Judas por apoiar-se com o cotovelo. E tudo isso, meus queridos, dentro da cultura oriental faz muito sentido, porque o texto diz: "Aquele a quem eu der um pedaço de pão molhado". Ou seja, há uma identificação de intimidade, de distinção, porque essa era uma demonstração de mais honra, de mais intimidade, pegar um pão, molhar e dar para outra pessoa. A gente vê um exemplo muito claro acerca disso lá em Rute. Quando Boaz, por exemplo, quer honrar Rute, ele a convida ela chegar mais perto, pegar o pão, mergulhar no vinho e participar daquele ato. Judas provavelmente está ali num lugar de honra e recebe este último apelo do Senhor. Timóteo Keller vai chamar isso de humanamente incompreensível. Jesus aqui não expõe Judas a humilhação pública. Ele o identifica através de um ato de amor. Ele estende ajudas a última oferta de comunhão, de arrependimento. Ele está honrando aquele que vai trair, porque o seu amor vai até o fim. Isso aqui nos chama atenção, porque nós devemos oferecer a graça a qualquer um, até mesmo aquele que nos feriu até o último momento. Isso não significa que a gente tem que ser ingênuo ou ignorar o mal diante de nós, mas significa que o padrão da nossa conduta não é de retalhação, mas é de amor redentor, que busca a restauração, mesmo quando a rejeição parece certa. Porque a mesma graça que amolece o coração dos eleitos é aquela que endurece aqueles que o rejeitam. Jesus está profundamente angustiado, sabendo o que vai acontecer, mas o coração de Judas não tá nem um pouco preocupado. O seu coração está entregue às paixões do mundo. Aceitar o pão para Judas era o mesmo que selar a sua própria condenação. Porque depois de tomar o bocado, o texto diz: "Imediatamente entrou nele Satanás. Após celar sua condenação, após saber de tudo aquilo que o redentor fez com ele e que ele resolveu escolher isso por conta própria, ele sai para cumprir. E aqui nós temos atenção, meu irmão e minha irmã, entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Jesus estende a graça, mas o coração de Judas já está cauterizado pela ganância, já está entregue a mamon, já está entregue às coisas desse mundo. E ele rejeita o Senhor. Antes de Satanás entrar no seu coração, nós vemos que ele já tinha sido vencido pelos desejos ambiciosos do seu coração, a ponto do próprio Salvador dizer para ele: "O que tem que fazer, faça o depressa." Judas é 100% responsável pela escolha e escolhe livremente pecar. Deus não força Judas a trair contudo, Deus continua soberano sobre o pecado. Ele usa a escolha livre de Judas, potencializada por Satanás para cumprir o plano eterno. E como que Judas era um ator perfeito, um hipócrita muito exemplar, meus irmãos, porque os discípulos nem sequer duvidavam disso. O texto diz que achava que ele ia comprar algo paraa festa ou algo para dar aos pobres. Agora imagine se um daqueles soubesse, além de João, com certeza Judas, principalmente por Pedro, não deixaria saí-lo vivo daquela mesa. Como que ele é um vilão descarado e um hipócrita menticuloso. E o texto encerra com a frase curta, mas ao mesmo tempo integrante: "Tendo recebido bocado, saiu logo e era noite." Não é apenas uma referência a o estado da escolha de Judas, mas ao mesmo tempo a descrição de quem de fato está andando com Cristo está na luz. João estava sobre o peito de Jesus, enquanto que Judas estava caminhando para as trevas. Ele participou da mesa, ouviu sermões, viu milagres, mas o seu coração nunca pertenceu a Cristo. Em uma única mesa, nós temos dois destinos. O disciplo amado sobre o peito de Jesus descansando e confiando, e o traidor saindo para executar a ação nas trevas. E há uma advertência solene para nós aqui. As nossas ações externas, meus irmãos, podem até enganar as outras pessoas e muitas vezes engana. Mas não tem como nós escondermos a escuridão do nosso coração aos olhos de Cristo. Não tem como. O Senhor sabia quem iria traí-lo. Por fim, meus irmãos, nessa manhã, nós contemplamos aqui os bastidores da traição. Vimos um Salvador profundamente angustiado, alguém humanamente eh triste pela escolha de um amigo que prefere a perdição do que a salvação. Mas Cristo continua reinando. Vimos que a traição de Judas não é um acidente nesse percurso, mas é o gatilho soberano coordenado por Deus para levar o cordeiro ao altar do sacrifício. E nós vemos que a cruz jamais foi uma tragédia ou um plano B na história, mas foi o triunfo realmente planejado na eternidade. A mesma traição que levou Judas para a noite eterna foi o ato que abriu para nós a eternidade naquela manhã preciosa da ressurreição do Senhor. Cristo tomou a traição de Judas para si. Cristo levou também os nossos pecados, aquilo que nos asseparava do Pai para que nós de fato não estivéssemos próximos. Agora Jesus leva para que nós nunca venhamos a provar dessa noite terrível que ele provou. Ele agora nos salva. E a pergunta que fica pro nosso coração é: aonde está realmente o seu coração? Seu coração está inclinado sobre o peito de Jesus, descansando nele? Ou seu coração, ao cumprir rituais externos, se inclina para a noite? Aonde está o seu coração. Não se engane com aparências religiosas. A proximidade que a igreja com culto não te aproxima de uma entrega total de Cristo se você não se render. Então nós precisamos ver isso. O que que a gente pode levar paraa nossa casa, meus queridos? Primeiro, aprenda a enfrentar as dores com a perspectiva correta. Aprenda a redefinir a visão de sofrimento à luz da Bíblia. Se você foi ferido por alguém mais próximo, se você tá angustiado, não permite que essa amargura lhe domine. Faça como Jesus. Entenda a sua dor. Mais do que isso, ele é poderoso até para pegar essas feridas injustas e trabalhar o seu caráter e a sua vida. Segundo, priorize a sua intimidade e não apenas a informação. Em tempos de confusão, a nossa tendência é buscar respostas em todos os lugares, exceto no lugar certo. Muitos conhecem Jesus, mas poucos conhecem a Jesus. João teve essa clareza e reclinou sobre o peito do mestre. Nessa semana, não se contente com a leitura superficial da palavra de Deus. Aplique ela ao seu coração. Busque a presença de Deus em oração silenciosa, na meditação e deixe com que ele fale e conduza a sua vida, acalmando o seu coração, tranquilizando a sua alma. E por fim, meus queridos, faça uma análise do seu próprio coração. Judas deu passos graduais à direção da escuridão antes mesmo dessa noite final. Ao longo da sua vida havia áreas que com certeza ele estava abrindo e permitindo. Não deixe com que essas áreas, essas atitudes, essas escolhas que você tá fazendo te afaste e te leve para o ato final de distanciamento do Senhor. Arrependa-se e volte para a mesa. Volte para aquilo que Cristo nos chama a viver na presença dele. Vamos colocar de pé e vamos orar, meus irmãos. เฮ