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A fé vem pelo ouvir

Quando todo Prazer é Vaidade | Josemar Bessa

Quando todo Prazer é Vaidade  | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Ecclesiastes 2:1 diz:
"Eu disse a mim mesmo, venha,
experimente a alegria, descubra as
coisas boas da vida. Mas isso também se
revelou inútil, vaidade.
A dor nos faz perguntar por Deus, mas o
prazer também deveria fazer. A dor
grita, o prazer seduz. A dor entra pela
porta arrombando, o prazer entra
sorrindo. A dor parece problema, o
prazer parece solução. Por isso, quase
todo mundo entende quando alguém diz:
"Eu tenho dificuldade de crer em Deus
por causa do sofrimento."
O sofrimento pesa, a injustiça
escandaliza, a morte fere. A maldade do
mundo levanta perguntas profundas, mas
quase ninguém diz: "Eu tenho dificuldade
de entender Deus por causa do prazer". E
no entanto deveria, porque o prazer
também é um mistério. Porque ele existe?
Porque é tão forte? Porque nos promete
tanto? Porque parece abrir uma fresta
para algo maior?
Porque uma música pode ferir a alma de
saudade, porque o amor parece carregar
peso de eternidade,
porque uma beleza criada pode nos deixar
por alguns segundos em silêncio. Porque
uma alegria pequena parece sussurrar uma
alegria maior. E por depois de tudo isso
ela passa? Porque o prazer chega como
promessa e vai embora como vapor?
Porque aquilo que parecia tão cheio logo
se revela
insuficiente. Porque depois de rir,
desejar, conquistar, provar,
comprar, tocar, viajar, ouvir, comer,
amar, celebrar, a alma ainda pergunta. É
só isso. Esse é o problema. Não que o
prazer seja mal em si. Não que Deus
odeie alegria. Não que a vida cristã
seja chamada para desprezar os dons. Não
que comida, vinho, música, amor,
amizade, trabalho, descanso, corpo e
beleza sejam inimigos da alma. Não. O
problema é outro. O problema é que o
coração humano pede ao prazer aquilo que
só Deus pode dar.
O mestre já olhou para a vida, já buscou
sabedoria, já investigou, já examinou o
que se faz debaixo do céu, já aplicou o
coração a entender, já perguntou pelo
sentido, já encarou o cansaço,
já viu a repetição, já percebeu que se
esta vida é tudo, as grandes perguntas
ficam abertas como feridas.
Para que estamos aqui? O que permanece,
o que é bom, o que é verdadeiro, o que
sobra no fim, o que significa viver,
trabalhar, amar, sofrer, envelhecer e
morrer. Debaixo do sol, a sabedoria
encontra limites.
A mente vai longe, mas não chega ao
repouso. O pensamento cava, mas não
encontra por si mesmo um chão eterno.
Então, o coração tenta outro caminho.
Venha, experimente alegria, descubra as
coisas boas da vida.
Essa não é a fala de um homem
superficial, não é a fala de alguém que
nunca pensou, não é a fala de alguém que
só quer diversão barata, não é a fala de
um tolo que nunca encarou a gravidade da
existência, é o contrário. É a fala de
alguém que pensou muito e talvez,
justamente por ter pensado muito, tenta
ver se o prazer pode carregar o peso que
a sabedoria não conseguiu sustentar.
Quando a mente não encontra respostas
finais debaixo do sol, o coração procura
anestesia.
Quando não há sentido objetivo, o homem
tenta fabricar sentido subjetivo.
Quando não há eternidade reconhecida, um
instante precisa fingir que é eterno.
Quando não há Deus acima da vida, o
prazer vira substituto de
transcendência.
É por isso que o prazer nunca é apenas
prazer. Ele carrega mais peso do que
deveria. A comida não é só comida, vira
consolo. O sexo não é só corpo, vira
validação. A música não é só, vira
promessa. A viagem não é só descanso,
vira tentativa de renascer. A compra não
é só objeto, vira identidade. A festa
não é só celebração, vira fuga. O
coração tenta escutar no prazer
uma palavra que o prazer não tem
autoridade para pronunciar. Você é
amado, você é inteiro, você é seguro,
você é importante, sua vida vale alguma
coisa.
Há algo que não passa, mas o prazer não
pode dizer isso. Ele pode sugerir, pode
tocar, pode alegrar, pode aliviar, pode
ser recebido como dom, mas não pode
salvar, não pode redimir, não pode
justificar, não pode dar eternidade, não
pode sustentar a alma, não pode
preencher o abismo que só Deus preenche.
E quando o coração força o prazer a ser
Deus, o prazer se torna cruel, porque
ele promete descanso e entrega
repetição.
Promete plenitude e entrega necessidade
demais. Promete liberdade e cria
dependência. Promete vida e deixa a alma
cansada.
É como cavar cisternas rachadas.
A água entra, mas não permanece. A alma
bebe, mas continua seca. Jeremias expõe
essa loucura quando Deus acusa seu povo
de cometer dois pecados. Abandonar a
fonte de água viva e cavar cisternas
próprias, cisternas rachadas que não
retém água. Esse é o retrato do prazer
transformado em ídolo. Não é apenas
buscar coisa errada, é abandonar a
fonte. É trocar Deus por algo que não
consegue guardar água. é pedir a uma
criatura que faça o trabalho do criador.
É colocar peso eterno em coisas que não
foram feitas para suportar eternidade.
Por isso, o prazer é um problema
espiritual, porque ele revela a fome da
alma. Se fôssemos apenas animais,
bastaria satisfazer o apetite, mas não
basta. Se fôssemos apenas corpo, o corpo
saciado, encerraria a questão, mas não
encerra. Se fôssemos apenas extinto, a
sensação bastaria, mas não basta.
Há eternidade no coração. Há uma
abertura para o infinito. Há uma sede
que nenhum copo criado
consegue resolver. Isso não é acidente,
é sinal. O prazer aponta, mas não é o
destino. Ele é a flecha, mas não é o
alvo. Ele é o eco, mas não é a voz
final. Ele é o perfume, mas não é a
flor. Ele é o dom, mas não é Deus. Por
isso, não trate este tema como leve. Não
diga depressa: "Eu não vivo para
prazer". Talvez você não viva para
prazeres grosseiros, mas talvez viva
para conforto, para estabilidade, para
reconhecimento, para beleza, para
controle, para experiências, para
alívio, para a sensação de que sua vida
tem valor. A pergunta não é apenas o que
você faz para se divertir. A pergunta é
onde você busca vida? Onde você corre
quando o vazio aparece?
O que precisa acontecer para que você
consiga dizer: "Agora a minha vida vale
alguma coisa. Ali está o altar".
Eclesiastes não nos proíbe de rir. Ele
nos impede de fazer do riso um salvador.
Não nos proíbe de desfrutar. Ele nos
impede de fazer do desfrute uma
religião. Não nos proíbe de receber os
dons. Ele nos chama a parar de exigir
que os dons sejam o doador. Porque o
prazer vira problema quando deixa de ser
dom.
Eclesiastes 2:3 diz: "Decidi entregar-me
ao vinho e a extravagância.
Mantendo, porém, a mente orientada pela
sabedoria. Eu queria descobrir o que
vale a pena fazer debaixo do céu nos
poucos dias da vida humana.
Debaixo do sol. Essa expressão pesa, não
é apenas uma localização, é uma
prisão.
Debaixo do sol é a vida fechada no
visível, fechada no agora, fechada no
corpo, fechada no desejo, fechada na
experiência,
fechada no nascimento e na morte. É a
vida sem horizonte eterno, sem céu
acima, sem trono acima, sem palavra
acima, sem juízo acima, sem glória
acima. sem Deus como chave
interpretativa de todas as coisas.
Debaixo do sol, o homem olha para a vida
apenas daqui, do chão, da poeira, do
tempo, do desgaste, da repetição,
da finitude.
E quando olha assim, as grandes
perguntas começam a desmoronar. Por que
estou aqui? O que é certo? O que é
verdade? O que permanece? Porque minha
vida importa? O que resta quando eu
morrer? Se tudo começa no acaso e
termina no esquecimento, como sustentar
o peso da vida? Se não há Deus, porque a
justiça pesa tanto? Se não há
eternidade, porque o coração exige
permanência. Se não há glória, porque a
beleza nos fere. Se não há alma, porque
o amor parece maior que química.
Se não há destino, porque a morte nos
parece tão errada debaixo do sol? Não a
resposta final robusta.
robusta.
Há tentativas, há discursos, há slogans,
há anestesias, há pequenas filosofias
para atravessar a semana, a frases
bonitas para decorar o vazio, mas não
achão. Então a cultura diz: "Não pense
tanto, alivie, distraia-se, coma, beba,
viaje, consuma, beije, compre, assista,
trabalhe, curta, experimente,
reinvente-se,
procure sensações, colecione momentos,
acumule histórias, faça seu próprio
sentido, não pergunte demais, porque se
perguntar demais a estrutura começa a
ranger.
Imagina uma criança descobrindo que no
fim tudo acabará em cinza, que o
universo não se importa, que seu corpo
vai morrer, que seus amores serão
engolidos pelo tempo, que sua memória
desaparecerá, que seus feitos serão
esquecidos e que não há Deus, não há
eternidade, não há juízo, não há
propósito último.
A criança pergunta: "Então, para quê?"
E a sociedade não sabe responder. Então,
oferece distração. Tome um sorvete,
jogue alguma coisa, veja uma tela, ri um
pouco, apaixone-se, compre algo, viva o
momento.
Não porque isso responda, mas porque
isso adia. O prazer se torna a grande
anestesia do homem que não tem resposta.
E mais do que anestesia, torna-se
religião.
Porque quando não há causa pela qual
morrer, prazer vira a causa pela qual
viver.
Quando não há glória acima do homem, o
homem tenta extrair glória da
experiência.
Quando não há eternidade, um instante
precisa carregar um peso eterno que ele
não foi feito para suportar. É por isso
que o prazer moderno é tão ansioso.
Não é apenas desejo, é desespero
espiritual com roupa de liberdade.
Não queremos apenas comer. Queremos
sentir que a vida é boa. Não queremos
apenas viajar. Queremos sentir que
existimos de modo especial. Não queremos
apenas sexo, queremos confirmação,
valor, escolha, identidade. Não queremos
apenas entretenimento. Queremos fugir do
silêncio. Não queremos apenas luxo.
Queremos comprar uma versão mais
suportável de nós mesmos. Não queremos
apenas novidade. Queremos vencer a
sensação de que tudo envelhece. O homem
moderno não corre atrás de prazer apenas
porque ama prazer. Ele corre porque teme
parar. Teme aude. Teme o quarto
silencioso. Teme a madrugada sem ruído.
Teme a pergunta que volta quando a
música acaba.
Tem descobrir que sua vida está cheia de
estímulos e vazia de significado.
Por isso, tudo precisa ser intenso, mais
rápido, mais bonito, mais caro, mais
raro, mais sensual, mais personalizado,
mais fotografável, mais compartilhável.
O prazer precisa provar que a vida vale
a pena, mas ele não consegue. Ele pode
dar sensação, não pode dar fundamento.
Pode dar riso, não pode dar eternidade.
Pode dar arrepio, não pode dar redenção.
Pode dar uma pausa no vazio, não pode
curar a raiz do vazio. Eclesiastes
entende isso. O mestre não se volta ao
prazer como um homem ingênuo. Ele já
passou pela sabedoria, já investigou, já
olhou para a vida. Já viu a canceira? Já
percebeu que debaixo do sol
o pensamento sozinho aumenta a tristeza.
Então ele diz: "Venha, experimentarei a
alegria". É o movimento natural do homem
sem resposta. Se não posso encontrar
sentido, tentarei sentir sentido. Se não
posso conhecer o fim, tentarei
aproveitar um instante. Se não sei para
onde tudo vai, tentarei tornar o caminho
agradável ou bastante para não
perguntar.
Essa é a lógica. E ela continua viva. O
mundo diz: "Relaxe, você merece". Mas
muitas vezes isso significa: "Não encare
o abismo." O mundo diz: "Viva sua
verdade". Mas muitas vezes isso
significa construa uma narrativa
subjetiva, forte o suficiente para não
precisar da verdade.
O mundo diz: "Faça o que te faz feliz".
Mas muitas vezes isso significa:
"Transforme prazer em Senhor e chame a
escravidão de autenticidade."
Aqui está tragédia. Quando Deus
desaparece, o prazer não fica leve, fica
pesado demais. Ele deixa de ser dom e
vira um altar. Deixa de ser descanso e
vira identidade. Deixa de ser bênção
recebida e vira sentido fabricado.
O corpo precisa dar transcendência. O
copo, né,
precisa dar transcendência.
A cama precisa dar valor.
A viagem precisa dar renascimento. O
aplauso precisa dar substância. A
estética precisa dar salvação. A
experiência precisa dizer: "Você não
viveu em vão." Mas nenhuma criatura pode
dizer isso com autoridade final. Somente
Deus pode. Por isso Paulo diz: "Se os
mortos não ressuscitam, comamos e
bebamos, porque amanhã morreremos." Sem
ressurreição, o prazer vira argumento.
Sem eternidade, o banquete vira
filosofia.
Sem Deus, o corpo tenta resolver aquilo
que pertence à alma, mas há uma
misericórdia terrível
em Eclesiastes.
Ele não deixa o prazer mentir sem ser
interrogado. Ele não permite que a
diversão esconda a sua função religiosa.
Ele pergunta: "Você está desfrutando um
dom ou tentando fabricar uma vida? Você
está recebendo com gratidão ou buscando
salvação? Você está provando algo bom
diante de Deus ou correndo de Deus por
meio de algo bom? Porque é uma diferença
infinita entre prazer recebido como
dádiva e prazer usado como Deus. O
primeiro conduz à gratidão, o segundo
conduz a escravidão, o primeiro aponta
para o doador, o segundo compete com o
doador. O primeiro alegra sem exigir
adoração, o segundo exige o coração
inteiro e ainda assim não o satisfaz.
Deus não criou um mundo sem beleza. Ele
fez tudo apropriado ao seu tempo. A pão,
a vinho, a amor, a música, a amizade, a
corpo, a riso, a descanso, a mesa, a sol
sobre a pele, há momentos bons na terra
dos aflitos.
Mas ele também colocou eternidade no
coração humano. E é por isso que nada
debaixo do sol basta como fim último. O
coração é grande demais para caber num
instante. A alma é profunda demais para
ser preenchida por consumo. O homem foi
feito para mais do que sensação. Foi
feito para Deus. Então, quando não há
céu, o prazer vira religião. Mas quando
Deus é reconhecido, o prazer volta ao
seu lugar. Dom, sinal, gratidão, eco.
Não, Senhor, não Salvador, não
fundamento. Quando o céu desaparece, o
homem tenta fazer do instante uma
eternidade que ele não consegue
sustentar.
Provérbios
27
diz: "O cheol a destruição são
insaciáveis, a morte, como insaciáveis
são os olhos do homem." O prazer
raramente é só prazer.
O sexo não é apenas corpo. A música não
é apenas som. O luxo não é apenas
conforto, a comida não é apenas sabor. A
viagem não é apenas deslocamento. A
estética não é apenas aparência. Há uma
fome espiritual escondida nessas coisas.
Há uma busca mais funda, há uma sede que
usa a língua do do desejo, mas está
perguntando por significado.
O homem pensa que está apenas querendo
sentir, mas muitas vezes está querendo
ouvir uma sentença. Sou amado, sou
desejado, sou importante, sou alguém.
Minha vida tem brilho, minha existência
não é pequena. Há algo certo no mundo,
há algo que me confirma. Algo que me
tira, por alguns instantes, da sensação
de ser apenas pó caminhando para o
esquecimento.
Esse é o peso secreto do prazer.
Ele promete mais do que prazer, promete
identidade, promete consolo, promete
transcendência, promete valor, promete
uma pequena salvação sem arrependimento.
Por isso o coração humano se prende a
ele com tanta força,
não porque o corpo sente demais apenas,
mas porque a alma espera demais.
Eclesiastes mostra isso quando o mestre
diz que buscou vinho, alegria, projetos,
casas, vinhas, jardins, parques, servos,
rebanhos, prata, ouro, música e delícias
humanas. Não era uma busca pequena, não
era apenas distração, era uma tentativa
de descobrir o que vale a pena fazer
debaixo do sol nos poucos dias da vida
humana. Ou seja, prazer como
investigação do sentido, prazer como
experimento existencial, prazer como
tentativa de responder a pergunta que a
sabedoria sozinha deixou aberta.
É assim que o coração funciona. A
sexualidade, por exemplo, nunca é apenas
sensação. A pessoa não busca apenas o
corpo do outro. Busca ser vista,
escolhida, desejada, confirmada,
afirmada, recebida. Busca ouvir mesmo
que ninguém diga em voz alta, você
importa. Você é desejável. Você não está
sozinho, você tem valor. Por isso, o
sexo, o divorciado de Deus, torna-se um
altar tão poderoso, porque promete
comunhão sem aliança, intimidade sem
entrega, êxtase sem santidade,
validação, sem verdade, união, sem cruz.
Mas quando o prazer termina, a alma
continua perguntando: "O corpo pode ter
sido tocado, mas o coração continua sem
casa." E a idolatria sexual se torna
cruel, porque quanto mais promete
identidade, mais fragmenta a pessoa.
Quanto mais promete ser vista, mas
transforma o outro em espelho. Quanto
mais promete amor, mais treina o coração
para consumir.
E há também a beleza, a arte, a música,
a melodia que parece abrir por alguns
minutos uma janela para uma ordem que
não sabemos explicar.
A música pode fazer a alma sentir que há
harmonia escondida no caos, que algo se
encaixa, que o mundo não é apenas ruído,
que existe uma coerência mais profunda
que nossa rotina
cansada.
Uma canção pode fazer o coração quase
lembrar de uma casa onde nunca esteve.
E isso não é desprezível, é sinal. Mas a
música não é Deus. A arte não é Deus. A
beleza criada não é destino final da
alma. Ela pode apontar, mas não pode
salvar. Ela pode ferir de saudade, mas
não pode curar a saudade que ela mesma
despertou. Se você fizer da beleza um
Deus, ela quebrará seu coração, porque
ela passa, a nota termina, a imagem
envelhece, a emoção desce, o arrepio
some, o quadro continua na parede, mas
aquela sensação de eternidade não
obedece.
ao seu comando. O prazer é vento. Belo
às vezes, mas vento. E há ainda o luxo,
o consumo, a imagem. O objeto comprado
não é apenas objeto, muitas vezes é
sonho. É uma versão de si mesmo. A
promessa de pertencimento, a tentativa
de entrar em uma história mais
brilhante.
Não se compra apenas uma roupa,
compra-se uma identidade, não se compra
apenas uma casa. compra-se sensação de
que a vida finalmente chegou a algum
lugar. Não se compra apenas tecnologia,
compra-se domínio, atualização,
relevância, controle.
Não se compra apenas beleza, compra-se a
esperança de ser desejado, notado,
invejado, reconhecido. O objeto vira
sacramento falso, sinal visível de uma
graça que ele não pode dar. A loja vira
templo, a marca vira liturgia, a imagem
vira salvação pequena, mas o coração
continua famento porque a alma não foi
feita para ser justificada por coisas,
nem por corpos, nem por sons, nem por
aplausos, nem por experiências, nem por
refinamento. E [roncando] aqui
precisamos enxergar uma diferença
importante. Há o hedonismo de rua e há o
hedonismo de salão. Um se embriaga de
excessos grosseiros, o outro se embriaga
de cultura, estética, conforto,
reputação, bom gosto e sofisticação. Um
parece vulgar, o outro parece elegante.
Um busca prazer em noites desordenadas.
O outro busca prazer em vinhos caros,
livros raros, viagens bonitas, ambientes
refinados, conversas inteligentes,
corpo disciplinado, imagem impecável e
círculos seletos. Mas diante de Deus, a
pergunta não é se o ídolo é grosseiro ou
refinado. A pergunta é: ele ocupa o
trono? Porque tanto o excesso vulgar
quanto o refinamento sofisticado podem
nascer do mesmo centro. Eu preciso
sentir que minha vida vale a pena sem me
render a Deus. Isso é a idolatria. Não
apenas desejar algo criado, mas exigir
que algo criado prove que minha
existência tem peso último. O prazer
vira ídolo quando deixa de ser recebido
com gratidão e passa a ser usado como
fundamento.
Quando não é mais dom, mas salvador,
quando não aponta para Deus, mas compete
com Deus.
Gênesis mostra esse padrão desde o
começo. A mulher viu que o fruto era bom
para comer, agradável aos olhos e
desejável para obter discernimento.
O fruto prometia mais do que sabor,
prometia elevação, prometia autonomia,
prometia vida fora da dependência.
Todo pecado segue essa lógica.
Ele apresenta algo criado e sussurra:
"Aqui está a vida". Aqui está o valor,
aqui está a plenitude, aqui está a
palavra que você precisa ouvir. Mas Deus
já falou. E só Deus pode pronunciar a
palavra final sobre a alma. Só Deus pode
dizer quem você é. Só Deus pode dar
valor que não evapora. Só Deus pode amar
sem consumir. Só Deus pode satisfazer
sem escravizar. Só Deus pode fazer o
prazer voltar ao seu lugar. Dom, não,
Deus. sinal, não destino, gratidão, não
prisão. Por isso,
examine seus prazeres, não apenas os
escandalosos, os respeitáveis também,
aquilo sem o qual você não consegue se
sentir vivo, aquilo que quando ameaçado
faz sua alma entrar em pânico. Aquilo
que quando recebido parece finalmente
dizer: "Agora eu sou alguém.
Ali talvez esteja o altar e o altar
precisa cair, porque o prazer se torna
ídolo quando a alma tenta ouvir nele a
palavra que só Deus pode
pronunciar.
Eclesiastes 2:10 diz: "Não me neguei
nada que os meus olhos desejaram.
Não me recusei a dar prazer algum ao meu
coração. Na verdade, eu me alegrei em
todo o meu trabalho. Essa foi a
recompensa de todo o meu esforço.
Contudo, quando avaliei tudo o que as
minhas mãos haviam feito e o trabalho
que eu tanto me esforçara para realizar,
percebi que tudo foi inútil. Foi correr
atrás do vento. Não há nenhum proveito
no que se faz debaixo do sol.
Não me neguei nada que os meus olhos
desejaram. Quase ninguém pode dizer
isso. A maioria de nós vive na ilusão de
se apenas, se apenas eu tivesse mais
dinheiro,
se apenas eu tivesse mais liberdade, se
apenas eu tivesse aquele relacionamento,
se apenas eu tivesse aquela casa, se
apenas eu tivesse aquele corpo, se
apenas eu tivesse aquela beleza, se
apenas eu tivesse aquela carreira,
se apenas eu tivesse aquele nível de
sucesso,
se apenas eu pudesse ir mais longe no
caminho do desejo,
Então eu descansaria, então eu seria
inteiro, então a vida finalmente teria
peso. Essa é a mentira que sustenta
grande parte da nossa busca. Nós
culpamos à distância. Dizemos que ainda
estamos vazios porque ainda não chegamos
lá, ainda não ganhamos o bastante, ainda
não fomos amados do jeito certo,
ainda não provamos o prazer suficiente,
ainda não tivemos experiências
suficientes, ainda não moramos no lugar
certo, ainda não fomos e reconhecidos
pelas pessoas certas, ainda não vencemos
a insegurança do corpo, ainda não
alcançamos a versão ideal de nós mesmos.
E enquanto o desejo ainda está longe, a
ilusão permanece viva. O coração diz:
"Continue, falta pouco, mais um passo,
mais uma conquista, mais uma pessoa,
mais um prazer, mais um aumento, mais
uma mudança, mais um sonho realizado."
Mas Eclesiastes remove essa desculpa,
porque aqui não fala um homem que apenas
imaginou o prazer de longe, não fala
alguém do lado de fora da festa
ressentido por nunca ter entrado. Não
fala alguém sem recursos, sem
oportunidades, sem acessos, sem poder,
tentando diminuir aquilo que nunca pôde
experimentar.
Fala alguém que chegou. Ele teve
recursos, projetos, casas, vinhas,
jardins, parques, reservatórios, servos,
rebanhos, prata, ouro, música, mulheres,
delícias.
Ele não ficou na porta, ele entrou, não
olhou a vitrine, comprou, não sonhou
apenas com o banquete, sentou-se à mesa,
não contemplou de longe a vida que
tantos desejam, ele a possuiu. Não me
neguei nada. que os meus olhos
desejaram. Essa frase é terrível, porque
ela mata a nossa fantasia mais querida,
a fantasia de que o problema é a falta
de acesso. O mestre diz: "Eu tive
acesso". A fantasia de que o problema é
falta de intensidade. Ele disse: "Eu não
me recusei a prazer algum. A fantasia de
que o problema é falta de escala. Ele
diz: "Eu me engrandeci mais do que todos
antes de mim em Jerusalém". A fantasia
de que o problema é falta de
sofisticação. Ele teve vinho, arte,
arquitetura, música, beleza, luxo,
natureza domesticada, erotismo, poder,
abundância, projetos grandiosos. E
depois de tudo isso, ele olha para trás,
avalia, pesa, examina e diz: "Tudo foi
inútil, correr atrás do vento". Que
frase devastadora.
Correr atrás do vento. Não é ficar
parado, é correr. Não é ausência de
esforço, é suor. Não é falta de desejo,
é desejo em movimento. Não é vida sem
energia, é energia derramada. Mas no
fim, quando a mão fecha,
não há nada. vento.
Sentido por um momento impossível de
guardar. Passa pelo rosto, não permanece
na mão. Pode refrescar por alguns
segundos, não pode se tornar fundamento.
O prazer é assim quando vira destino,
ele passa e o coração permanece. Ele
entrega sensação, mas não entrega
salvação. Entrega distração, mas não
entrega eternidade.
Entrega riso, mas não entrega redenção.
Entrega êxtase momentânea, mas não
entrega Deus. E aqui está a denúncia de
Eclesiastes. Quando estamos vazios,
pensamos que o problema é não termos ido
longe o bastante, mas o problema é o
caminho. O caminho inteiro está errado
quando o prazer recebe a missão de ser
Deus. Você pode trocar o cenário e
continuar com a mesma alma faminta. Pode
mudar de casa e continuar sem lar. Pode
trocar de corpo ao seu lado e continuar
sem amor que cure. Pode aumentar o saldo
e continuar pobre por dentro. Pode
viajar mais e continuar fugindo do mesmo
vazio. Pode ser admirado e continuar
precisando de mais admiração para não
desabar. Pode chegar onde tantos sonham
e descobrir que você chegou carregando a
si mesmo. Essa é uma das verdades mais
humilhantes da vida. O lugar muda, mas o
coração vai junto.
A conta muda, mas a fome vai junto. O
prazer muda, mas a ferida vai junto. A
fama muda, mas a insegurança vai junto.
O quarto muda, mas o vazio acorda na
mesma cama.
É por isso que tantos que chegam ao fim
da estrada do desejo não parecem mais
leves, parecem mais cansados.
Eles não estão tristes porque tiveram
demais. estão tristes porque tiveram
demais e descobriram que o demais não
bastou.
Nós ainda podemos sonhar, eles já
provaram. Nós ainda dizemos: "Se apenas,
eles já chegaram ao apenas e encontraram
vento".
Essa é a misericórdia severa do texto.
Ele nos permite escutar alguém que foi
até onde nossos ídolos prometem nos
levar. E ele volta dizendo, não é lá.
Não é na casa maior, não é no corpo
perfeito, não é na experiência mais
intensa, não é na sexualidade sem
limites, não é no luxo, não é no
aplauso, não é na coleção de prazeres,
não é na liberdade de nunca dizer não ao
coração.
Porque um coração caído quando recebe
tudo que deseja não se torna
automaticamente livre, muitas vezes se
torna mais escravo. Os olhos desejam e
desejam de novo. O coração prova e exige
mais. O prazer chega e já começa a
perder força. Aquilo que ontem parecia
suficiente, hoje precisa ser aumentado.
O desejo é péssimo, Senhor.
Ele promete vida enquanto aperta
correntes. Promete expansão enquanto
estreita a alma. Promete descanso
enquanto multiplica a necessidade.
Promete liberdade enquanto treina o
coração a não suportar limites. Por isso
Jesus pergunta: "Pois que adiantará o
homem ganhar o mundo inteiro e perder a
sua alma? Ganhar o mundo, não apenas uma
parte, o mundo inteiro,
e perder a alma?" Esse é o cálculo que o
prazer idolatrado nunca nos permite
fazer. Ele mostra o ganho, esconde a
perda, mostra o brilho, esconde a
corrosão. Mostra a taça, esconde a sede
maior depois dela. Mostra o aplauso,
esconde o pavor do silêncio. Mostra o
corpo, esconde a alma. E a alma vale
mais que o mundo, porque a alma foi
feita para Deus. Não para jardins, não
para vinhas, não para música, não para
prata, não para sexo, não para casas,
não para experiências. Tudo isso pode
ser dom, mas nada disso pode ser Deus.
Isaías pergunta: "Por que gastar
dinheiro naquilo que não é pão e o seu
trabalho ádo naquilo que não satisfaz?"
Essa é a pergunta. Por quê? Por que
continuar entregando a alma
ao que já provou não bastar? Por que
insistir em cavar cisternas rachadas?
Por que culpar a quantidade quando o
problema é o objeto? Por que dizer mais
quando a resposta é outro, outro centro,
outro senhor, outra fonte, outro pão?
Cristo não veio para destruir a alegria,
veio para libertá-la da idolatria. Veio
para nos tirar da tirania de se apenas e
nos conduzir ao tenho o Senhor. Porque
só Deus pode ser desfrutado sem se
esgotar. Só Deus pode ser buscado sem
escravizar. Só Deus pode ser amado como
fim último, sem destruir coração. Só
Deus pode receber o peso da eternidade.
Todo prazer criado, quando colocado no
trono se torna vento, mas quando
recebido diante de Deus torna-se dom,
sinal, gratidão.
Pequena janela, pequeno eco, pequeno
lembrete de que a alma foi feita para
uma alegria maior. Então, pare de culpar
a distância. Pare de dizer que ainda
falta apenas mais um degrau. Olhe para o
rei que chegou ao fim do desejo. Ele nos
avisa do outro lado da ilusão. Quem
transforma desejo em destino pode
conquistar o mundo inteiro e ainda assim
voltar para casa carregando
vento. Ecclesiastes 2:11 diz: "Contudo,
quando avaliei tudo o minhas mãos haviam
feito e o trabalho que eu tanto me
esforçara por realizar, percebi que tudo
foi inútil, foi correr atrás do vento.
Não há nenhum proveito no que se faz
debaixo do sol. Minha mente continuou me
guiando com sabedoria. Essa frase é
terrível, porque o mestre tentou o
prazer, mas não conseguiu desligar a
verdade. Tentou o vinho, tentou o riso,
tentou projetos, tentou grandeza, tentou
beleza, tentou música, tentou mulheres,
tentou luxo, tentou jardins,
tentou tudo que seus olhos desejaram,
mas a mente continuou acordada. A
pergunta voltou, o vazio voltou, a
finitude voltou, a morte voltou, a
consciência voltou, a verdade atravessou
a anestesia.
Esse é o primeiro fracasso do prazer.
Quando ele tenta ser Deus, ele não
consegue nos distrair para sempre. Pode
distrair por uma noite, pode distrair
por uma temporada, pode encher a agenda,
pode aquecer o corpo, pode ocupar os
olhos, pode sacudir os sentidos, pode
produzir euforia, pode fazer a alma
esquecer por algumas horas aquilo que
ela não quer encarar,
mas não pode para sempre.
A pergunta volta sempre volta no
silêncio, depois da festa, no quarto,
depois da viagem, na [roncando] manhã,
depois do excesso, no corpo, depois do
prazer, na alma, depois do aplauso, na
mente,
depois da compra, no coração, depois da
música. A verdade volta e diz: "E
agora?"
Porque o prazer, quando usado como
anestesia, precisa lutar contra a
realidade.
E a realidade é teimosa.
Se minha origem é acidente e meu destino
é decomposição,
por minha vida parece tão significativa
para mim? Se o amor é apenas química,
porque ele pesa como eternidade? Se a
música é apenas reação neurológica,
porque ela parece abrir janelas para
outro mundo. Se a beleza é apenas
preferência subjetiva, porque ela fere a
alma com saudade.
Se a justiça é apenas construção social,
porque a injustiça nos parece tão
ofensiva?
Se a morte é apenas processo biológico,
porque ela nos parece uma invasora?
O prazer tenta responder sem palavras.
Ele diz: "Sinta, não pense, beba,
compre, veja, toque, experimente,
distraia-se." Mas o coração humano não
foi feito apenas para sensação, foi
feito para significado, foi feito para
verdade, foi feito para Deus. E por isso
a mente volta, mesmo quando o homem quer
silenciá-la. A sabedoria permanece às
vezes como testemunha incômoda dentro da
própria festa. Ela não deixa o riso ser
absoluto, não deixa o vinho ser
salvação, não deixa o corpo ser
eternidade, não deixa o luxo ser céu.
Ela sussurra no fundo, isso passa, isso
não basta, isso não responde. Isso
não é Deus. E [roncando] aqui está a
misericórdia.
Porque seria juízo terrível se o prazer
conseguisse calar completamente a
verdade. Seria pavoroso se a alma
pudesse ser anestesiada para sempre.
Seria morte se o homem pudesse mergulhar
no finito e nunca mais sentir saudade do
eterno. Mas Deus não permite que os
ídolos satisfaçam totalmente. Ele deixa
rachaduras, deixa o eco, deixa a
pergunta, deixa a fome, deixa a
frustração
que denuncia o falso Deus. O segundo
fracasso do prazer é este. Ele não fica.
É vento bom enquanto passa. Impossível
de guardar, impossível de transformar em
herança final, impossível de colocar num
cofre e dizer: "Agora a tenho para
sempre". O vento pode tocar o rosto, mas
não pode ser possuído pela mão. Pode
refrescar por instantes, mas não pode
ser acumulado para amanhã. Assim é o
prazer quando vira fundamento. Ele vem e
vai. chega com promessa de permanência e
se dissolve.
A refeição termina, a música acaba, o
corpo cansa, a viagem vira lembrança, a
compra envelhece, a imagem perde brilho,
o aplauso diminui, o desejo realizado se
transforma em desejo por outra coisa.
E o coração percebe mais uma vez que não
conseguiu segurar o êxtase.
A alma queria eternidade, recebeu o
momento, queria plenitude, recebeu
fragmento. Queria casa,
recebeu hospedagem curta, queria Deus,
recebeu o dom criado. E quando o dom
criado é colocado no lugar de Deus, ele
se torna cruel, porque exige repetição,
mais estímulo, mais intensidade, mais
novidade, mais frequência. mais risco,
mais refinamento, mais dos, mais
imagens, mais experiências, mais
confirmações e mesmo assim menos
satisfação.
Esse é o caminho do vício. E nem todo
vício parece vulgar. Há vícios
grosseiros e há vícios respeitáveis.
Há o vício da pornografia e há o vício
da aprovação.
Há o vício da bebida e ao vício do
controle.
Há o vício da festa e ao vício do
trabalho. Ao vício do consumo e ao vício
da produtividade.
Ao vício do prazer explícito e ao vício
da imagem refinada. Mas todos seguem a
mesma lógica. A alma se adapta, o prazer
diminui, a fome aumenta. Aquilo que
antes parecia suficiente passa a parecer
comum.
O que antes parecia brilhante perde o
brilho. O que antes parecia
extraordinário
entra na rotina. Então, o coração
procura outra variação, outro grau,
outro rosto, outro palco, outro objeto,
outro estímulo.
Não porque o mundo tenha ficado sem
prazeres, mas porque a alma foi feita
para um prazer que o mundo não possui em
si mesmo. Por isso, Provérbios diz que
os olhos dos homens são insaciáveis. Os
olhos vêm e querem mais. Ovido ouve e
quer mais. O corpo prova e quer mais. O
coração recebe e continua dizendo:
"Ainda não. Essa insatisfação não é
apenas defeito psicológico, é sinal
espiritual. É a eternidade pressionando
dentro de nós. É a marca de que fomos
feitos para mais do que o ciclo de
estímulo e perda. Fomos feitos para
plenitude, fomos feitos para presença,
fomos feitos para a face de Deus. Por
isso as belezas do mundo parecem
prometer algo. Elas realmente apontam,
mas não entregam plenamente.
Uma paisagem pode nos calar, mas não
pode nos redimir. Uma música pode nos
elevar, mas não pode nos justificar. O
amor humano pode nos tocar
profundamente, mas não pode carregar
sozinho o peso da nossa eternidade.
Um prazer legítimo pode ser dom
precioso, mas não pode ser salvação. As
belezas criadas são fragrâncias de uma
flor ainda não encontrada,
eco de uma música ainda não ouvida em
sua plenitude, notícia de uma terra
ainda não visitada, sinal de uma alegria
mais profunda. Por isso, quando
confundimos o sinal com o destino,
quebramos o próprio sinal. A música vira
ídolo, o corpo vira ídolo, o amor vira
ídolo, a comida vira ídolo, o conforto
vira ídolo, a beleza vira ídolo. E todo
ídolo, cedo ou tarde quebra o coração do
seu adorador.
Jeremias chama isso de cisterna rachada.
A água entra, mas vaza. A alma volta,
mas continua seca. Deus, porém, é fonte.
Não cisterna, fonte de água viva. Não
prazer morto acumulado em reservatório
humano. Fonte,
água que procede dele, vida que vem
dele, alegria que não evapora. Por isso,
a frustração do prazer não é apenas
condenação,
é convite. É Deus dizendo: "Não parei,
não adore isso. Não peça a eternidade ao
que foi feito para ser recebido com
gratidão e devolvido em louvor. Vem a
fonte. A criação geme, nós gememos. O
mundo inteiro carrega uma beleza real e
uma insuficiência dolorosa. Há prazer,
mas a vaidade. Há dom, mas a fratura. A
alegria, mas a perda. A beleza, mas a
morte. A resposta não é odiar o prazer,
a resposta é parar de divinizá-lo,
recebê-lo como sinal, agradecer por ele
como dom, usá-lo como ponte de louvor e
buscar acima dele a plenitude que ele
apenas sussurra,
porque o prazer falha como Deus, passa
rápido demais para ser eternidade e é
pequeno demais para ser Deus.
Ecclesiastes 3:11 diz: "Ele fez tudo
apropriado ao seu tempo. Também pôs no
coração do homem o anseio pela
eternidade. Mesmo assim, este não
consegue compreender inteiramente o que
Deus fez. Ele fez tudo apropriado ao seu
tempo. A beleza é real. O mundo não é
apenas cinza. A vida não é só peso, não
é só cansaço, não é só repetição, não é
só túmulo aproximando-se
lentamente.
Não é só suor debaixo do sol, a beleza,
a pão quente sobre a mesa, há vinho que
alegra, a música que atravessa a alma, a
amizade que sustenta, a amor que
consola, a risos limpos, a descanso
depois do trabalho, a cheiro de terra
depois da chuva, a rosto de criança
dormindo, a luz da manhã entrando pela
janela, a arte, a corpo, há trabalho
frutífero, há abraços que parecem
suspender por um instante o peso do
mundo. Isso não é mentira, isso é dom.
O prazer não é falso em si mesmo. A
comida é dom, a música é dom, o amor é
dom, a amizade é dom, a arte é dom, o
trabalho é dom, o descanso é dom, o
corpo é dom. Toda a boa dádiva vem do
alto. O problema não está no dom. Está
em pedir ao dom que seja Deus. está em
exigir que a comida sacia a alma, que o
amor humano vença a morte, que a música
resolva a tristeza, que o corpo sustente
identidade eterna, que o dinheiro
produza segurança final, que a beleza
criada faça aquilo que só a beleza do
criador pode fazer.
O dom é bom, mas não é infinito. O dom é
real, mas não é absoluto. O dom pode
alegrar, mas não pode redimir. O dom
pode consolar por um tempo, mas não pode
ser o lar eterno da alma. Por isso,
Eclesiastes não nos manda desprezar
tudo. Ele nos manda enxergar tudo
corretamente.
A beleza existe, mas ela não é o fim. O
prazer existe, mas ele não é Deus. A
criação canta, mas não deve ser adorada.
O problema do homem não é receber
prazeres, é transformar prazeres em
altares. É pegar aquilo que Deus deu
para conduzir a gratidão e usar como
fuga do próprio Deus.
É receber o presente e esquecer o
doador. É amar o raio e desprezar o sol.
e abraçar o sinal e recusar o destino.
Então vem a segunda frase: "Também pôs
no coração do homem o anseio
pela eternidade. Aqui está o segredo. A
alma humana é grande demais para o
mundo. Não porque seja divina, mas
porque foi feita para Deus.
Há eternidade dentro do coração. Há uma
abertura para o infinito. Há uma saudade
que nenhum objeto criado carregue e
consegue explicar completamente.
O homem quer beleza que não acabe,
alegria que não evapore, amor que não
morra, prazer que não se esgote, casa
que não seja ameaçada pelo tempo,
abraço que não precise terminar.
Música que não desapareça no silêncio.
Festa que não seja interrompida pela
morte. Vida que não se transforme em
lembrança apagada. Por isso, os prazeres
mais profundos nos deixam ao mesmo tempo
alegres e feridos. A beleza nos toca,
mas também nos abre. A alegria vem, mas
trai junto uma espécie de saudade. O
momento é bom, mas justamente por ser
bom dói saber que ele passa. Você vê
algo belo e quer que permaneça.
O rosto amado, a mesa cheia, a tarde
perfeita, a música certa, a criança
pequena, o tempo de paz, um instante em
que tudo parece no lugar, mas passa. E
quando passa a uma percebe que não
queria apenas aquele momento, queria
eternidade. Queria que a beleza não
fosse ameaçada, queria que a alegria não
tivesse data de validade.
Queria que o amor não tivesse despedida.
Queria que o prazer não fosse apenas
visita.
Esse desejo não é
acaso. É Deus colocando eternidade no
coração. É a marca de que fomos feitos
para mais. É a prova dolorosa de que
nenhum prazer criado pode ser nosso lar.
Quando uma beleza nos fere de saudade,
ela não está mentindo, está pregando,
está dizendo: "Eu não sou fim, sou
sinal. Não me adore. Siga a direção para
a qual aponto. A beleza criada é como
perfume. Perfume real, mas perfume é eh
de uma flor maior.
É como eco, eco verdadeiro, mas eco de
uma música ainda não ouvida em
plenitude.
É como notícia, notícia boa, mas notícia
de uma terra que ainda não visitamos com
os olhos abertos da glória. O erro é
tentar morar no eco, tentar abraçar o
perfume como se fosse a flor, tentar
transformar a notícia em pátria. Por
isso o prazer decepciona quando é
absolutizado.
Não porque seja ruim, mas porque é
pequeno demais para a eternidade que
carregamos. O coração humano não foi
feito para menos que Deus. Foi feito
para ver Deus, para amar Deus, para
desfrutar Deus, para descansar em Deus.
Por isso o salmista diz: "Tu me farás
conhecer a vereda da vida, a alegria
plena da tua presença eterna, eterno
prazer à tua direita.
Alegria plena, prazer para sempre. Não
migalhas apenas, não sombras apenas, não
ecos apenas. Na presença de Deus a
plenitude à direita de Deus há prazeres
eternos.
O cristianismo não é inimigo do prazer,
é inimigo da mentira, de que prazeres
finitos podem substituir o prazer
infinito de Deus. Deus não nos chama
para uma vida menor, chama-nos para
fonte. O pecado sempre estreita a
alegria, mesmo quando parece ampliá-la.
Ele pega um prazer criado e o transforma
em prisão. Pega um dom e o transforma em
tirano. Pega uma beleza e a transforma
em vício. Pega uma dádiva e a transforma
em Senhor cruel.
Mas Deus devolve o prazer ao seu lugar.
Quando Deus é o fim, os dons podem
voltar a ser dons. A comida pode ser
recebida com gratidão, sem virar refúgio
final. A música pode ser desfrutada sem
precisar salvar a alma. O amor humano
pode ser amado sem ser obrigado a
carregar o peso de Deus. O trabalho pode
ser feito com zelo, sem se transformar
em identidade absoluta.
O descanso
pode ser descanso sem se tornar fuga da
existência. O corpo pode ser cuidado sem
ser adorado. Essa é a liberdade cristã.
Não odiar a criação, mas deixar de
exigir que ela seja criador. Não
desprezar o prazer, mas parar de
ajoelhar-se diante dele. Não fugir da
beleza, mas deixar que ela conduza a
beleza do Senhor. Uma coisa, pedi ao
Senhor. E é o que procuro, que eu possa
viver na casa do Senhor todos os dias da
minha vida para contemplar a bondade do
Senhor e buscar sua orientação
no seu templo. Uma coisa, o coração
santo é curado da multiplicação
desesperada de salvadores. Uma coisa.
Não porque todas as outras coisas
desaparecem, mas porque todas encontram
seu lugar diante da beleza suprema.
contemplar
a beleza do Senhor. Esse é o destino do
prazer. Esse é o fim da saudade. Esse é
o cumprimento de todo eco. A alma não
quer, no fundo, apenas mais estímulos,
quer Deus. Não quer apenas mais
experiências, quer presença. Não quer
apenas mais beleza criada, quer a face
da beleza eterna. Por isso, recebe os
dons.
Por isso, receba os dons,
mas não os adore.
Desfrute, mas não se escravize.
Agradeça, mas não absolutize. Ame, mas
não transforme criatura em Salvador. E
quando perder, não seja destruído como
quem perdeu Deus, porque você não perdeu
Deus. O dom pode ir, o doador permanece.
A beleza criada pode passar, a beleza do
Senhor não passa. O prazer terreno pode
terminar, à direita dele há prazeres
para sempre. Toda beleza criada vira
ídolo quando vira destino, mas se torna
dom quando nos conduz à face de Deus.
Isaías 53:2 diz: "Ele não tinha qualquer
beleza ou majestade que nos atraísse.
Nada havia em sua aparência para que o
desejássemos.
Como o coração é libertado dos prazeres
que o dominam!
Não apenas por repressão,
não apenas por medo, não apenas por
disciplina externa, não apenas por dizer
não com mais força. É claro que a
renúncia, a guerra, a vigilância, a
mortificação, a fuga de tentações,
há cortes necessários, há portas que
precisam ser fechadas, mas o coração não
é curado apenas pelo vazio. Não se
expulsa o amor profundo, deixando a alma
sem amor nenhum. Não se vence um desejo
menor apenas esmagando o desejo. Não se
liberta o coração de prazeres falsos
apenas dizendo que eles são perigosos. O
coração precisa de uma beleza maior, um
amor menor.
Precisa ser vencido por um amor maior.
Um prazer falso precisa ser deslocado
por uma alegria superior. Um ídolo
precisa cair diante de uma glória mais
pesada.
A alma não foi feita para não desejar.
foi feita para desejar Deus. Não foi
feita para viver sem prazer, foi feita
para encontrar em Deus o prazer final
para o qual todos os prazeres criados
apenas apontam. Então, a resposta
definitiva o problema do prazer não é o
estoicismo, não é frieza, não é
moralismo, não é desprezo pela criação,
não é uma vida seca, apertada, sem
beleza, sem música, sem mesa, sem riso,
sem descanso. A resposta é Cristo, a
beleza de Deus encarnada, o verbo feito
carne, a glória do unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade. Mas aqui
está o escândalo.
Essa beleza veio ao mundo de uma forma
que o mundo não reconheceu. O servo não
veio com aparência irresistível à carne.
Não veio com o tipo de majestade que o
orgulho humano sabe admirar. Não veio
vestido com a glória que os olhos caídos
desejam consumir. Isaías disse: "Ele não
tinha qualquer beleza ou majestade que
nos atraísse. Nada havia em sua
aparência para que o desejássemos.
Que frase estranha, porque Cristo é
infinitamente belo. Ele é o resplendor
da glória de Deus, a imagem do Deus
invisível, aquele em quem habita toda
plenitude, a harmonia perfeita entre
santidade e misericórdia, entre verdade
e graça, entre poder e mansidão, entre
majestade e humildade. Mas na cruz essa
[roncando] beleza foi escondida sob
vergonha. O belo se tornou desprezado. O
santo foi tratado como impuro. O justo
foi contado entre transgressores.
O amado Pai foi rejeitado pelos homens.
O Senhor da glória foi ferido, moído,
traspassado, desfigurado, não porque
deixou de ser glorioso em si mesmo, mas
porque tomou sobre si a feiura do nosso
pecado, a deformidade da nossa
idolatria, a sujeira das nossas paixões
desordenadas,
a culpa de termos buscado vida fora de
Deus, a vergonha de termos chamado
cisternas rachadas de fonte.
A miséria de termos pedido aos prazeres
criados aquilo que só o criador podia
dar. Cristo perdeu sua beleza diante dos
homens para que pecadores deformados
fossem feitos belos diante de Deus. Esse
é o evangelho.
Não apenas que fomos perdoados, mas que
fomos reconciliados.
Não apenas que a culpa foi removida, mas
que Deus nos apresenta em Cristo santos,
inculpáveis e livres de qualquer
acusação.
Colossenses diz que por meio do corpo
físico de Cristo, mediante a morte, Deus
reconciliou o seu povo para apresentá-lo
diante dele, santo, sem mancha e livre
de acusação.
Sem mancha.
Pense nisso. Nós que manchamos a alma
com falsos prazeres. Nós que deformamos
a beleza do mundo ao transformá-la em
ídolo. Nós que usamos dons de Deus para
fugir do Deus dos dons. Nós que tentamos
arrancar de sexo comida, corpo, imagem,
aprovação, conforto, arte, dinheiro
e experiências. Uma salvação que eles
nunca poderiam dar.
Nós em Cristo somos apresentados belos
diante do Pai, não pela nossa beleza,
pela dele, não pela pureza dos nossos
desejos,
pela pureza do seu sangue. Não pela
nossa capacidade de reorganizar o
coração, pela sua morte em nosso lugar e
pelo seu espírito em nós. Isso muda a
obediência.
A religião diz: "Obedeça para que Deus
não rejeite." O evangelho diz: "Cristo
foi rejeitado para que você fosse
recebido".
Religião diz: "Controle seus prazeres
para ser aceito." O evangelho diz: "Você
foi aceito em Cristo. Agora seus
prazeres podem ser curados".
Religião usa Deus como instrumento de
medo. O evangelho revela a Deus como
beleza que conquista o coração.
Há uma diferença enorme entre uma alma
religiosa e uma alma cristã. A alma
religiosa pode achar Deus útil. Útil
para paz, útil para moralidade, útil
para família, útil para proteção, útil
para ordem, útil para fugir do inferno,
útil para controlar a culpa. Mas o
cristão começa a achar Deus belo, belo
em si. Belo quando consola. Belo quando
confronta. Belo quando dá. Belo quando
tira. Belo quando perdoa. Belo quando
santifica, belo quando humilha nosso
orgulho. Belo enquanto expõe nossos
ídolos. Belo quando nos chama para fora
das sombras.
O religioso obedece para conseguir algo
além de Deus. O cristão obedece porque
viu quem Cristo é. O religioso usa Deus
para alcançar seu verdadeiro prazer. O
cristão descobre que Deus é o prazer
final.
Isso não acontece apenas para conhecer
ideias sobre Cristo. Eu preciso ver
Cristo, olhar para ele nas Escrituras,
ver sua mansidão diante dos quebrados,
sua severidade diante da hipocrisia, sua
pureza diante da tentação,
sua compaixão
diante dos miseráveis, sua autoridade
diante da morte,
sua paciência com discípulos lentos, sua
tristeza no Getsémane, seu silêncio
diante dos acusadores, seu sangue no
Calvário, sua vitória no túmulo vazio.
Era preciso orar, não apenas pedir
coisas, mas buscar sua face, confessar
os desejos, nomear os ídolos, abrir o
coração diante da beleza dele, pedir que
o espírito faça Cristo brilhar
por dentro. Jesus disse que o espírito o
glorificaria. É disso que precisamos.
Não apenas informação, iluminação, não
apenas esforço, visão, não apenas
remorço depois da queda, um coração
impressionado por uma glória maior antes
da tentação. Porque os prazeres falsos
crescem quando Cristo parece pequeno,
mas [roncando] quando Cristo se torna
belo, eles começam a perder poder. Não
desaparecem sem luta, mas perdem
divindade. O sexo volta a ser dom, não
salvador. A comida volta a ser gratidão,
não refúgio final. A música volta a ser
eco, não Deus. O corpo volta a ser
mordomia, não identidade última. A
beleza criada volta a apontar para casa.
E a mesa do Senhor nos ajuda a lembrar.
Deus nos dá sinais visíveis. pão,
cálice, corpo entregue, sangue
derramado. Não é uma ideia distante,
uma beleza dada, um salvador recebido
pela fé. Ali aprendemos novamente.
Cristo se entregou por mim. O belo foi
partido, o santo sangrou. O filho foi
dado para que eu não precise mais
devorar o mundo, tentando provar que sou
amado. Sem Cristo, prazer virar fome sem
fim. Em Cristo o prazer vira dom, sinal
e gratidão. Sem Cristo, beleza
escraviza. Em Cristo, beleza aponta para
casa. O prazer deixa de ser prisão
quando a alma encontra em Cristo a
beleza que todos os prazeres apenas
sussurravam.
Que Deus
nos mostre cada vez mais a sua glória na
face de Cristo.
Amém, queridos.
Amém.
>> Quando o dia asende em mim, antes mesmo
[canto] de existir palavra, que o teu
sopro me aline,
que tua luz me refaça,
que [música] eu não viva [canto] por
reflexo,
nem me perca em quem não sou.
Se minha voz quiser o palco, que o teu
[música] silêncio seja maior.
E se o orgulho me chamar
pelo nome que eu criei, [música]
que eu me esqueça no teu olhar e lembre
quem eu [canto] me tornei. [música]
Desfaz em mim o que não vem de ti.
Crave de novo. O [canto][música] meu
existir
habita em mim, [música]
em cada espaço escondido. [canto]
Respira em mim, mesmo onde eu [canto]
tenho [música] ferido.
Faz [canto] de mim [música] mais perto
do teu coração.
Que tudo em mim [canto]
se curve a tua direção.
E [música] se algo em mim quiser
permanecer, [canto]
que não seja eu, mas [canto] o teu
viver.
Se meus [música] passos vacilarem
[canto]
na sombra do que passou,
que [música] tua graça me encontre
[canto] antes mesmo de onde eu vou.
E se eu tentar me construir [música]
com pedaços do que sobrou,
que tua [canto] mão me desconstrua
[música]
para formar teu filho em mim.
Apaga em mim o [música][canto] que não
leva a cruz
e acende o que [canto] reflete [música]
a tua luz.
Habita em mim
em cada [música][canto] gesto calado.
Respira em mim no íntimo [canto] mais
fechado.
Faz de mim [canto] um eco da tua voz
que ao me ver encontrem mais de [canto]
ti, nada de mim. [música]
Se algo em mim [canto] quiser
permanecer,
que seja o amor que vem de ti, eu me
rendo [canto] teu refazer,
mesmo quando dói ceder
cada parte que eu quis guardar, hoje eu
[canto] te deixo levar.
Não sou mais meu. Não [música] sou mais
meu. Teu é o que eu sou.
Vive [música] em mim
sem dividir espaço.
Toma tudo em mim. [canto][música] Cada
falha, cada traço
habita em mim.
incialo.

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