Romanos 15:32 nem tudo que parece é!
25/05/2026
Romanos 15:32 nem tudo que parece é!
Romanos 15.32
Fonte: Missão na Íntegra
Legendas automáticas:
para prestar ao Senhor nosso Deus o culto que lhe é devido. Amém. Amém. >> Nosso texto hoje é Romanos, capítulo 15 versículo 32, que diz o seguinte: "E assim, se Deus quiser, >> chegarei em Roma, cheio de alegria, e lhes farei uma visita que me dará um novo ânimo. E assim, se Deus quiser, chegarei aí em Roma, cheio de alegria, e lhes farei uma visita que me dará um novo ânimo. Amém. >> Amém. Bom, Romanos 15:32 é um texto que parece muito tranquilo, mas ele tem de ser lido com muito cuidado, porque nele Paulo não está apenas expressando o seu desejo piedoso de viagem. Ele está revelando o desenho espiritual de seu próprio plano missionário. Ele tem um plano missionário. E aí ele diz: "Para que pela vontade de Deus chegue a vós com alegria e possa recriar-me convosco." Ele está escrevendo aos irmãos de Roma que ele não conhece e que ele pretende conhecer. E já escreveu uma carta se apresentando, apresentando a sua mensagem e já dizendo aos irmãos que depois de visitá-los, ele quer chegar na Espanha, levar o evangelho até a Espanha. E aí essa é a fala dele. Pela vontade de Deus. chegue a vós com alegria e possa recriar-me convosco. O texto no original concentra uma esperança nessas palavras. A esperança é que ele venha aos romanos em alegria pela vontade de Deus e seja juntamente reanimado com eles. Essa é a ideia. Esta frase quando isolada pode parecer apenas uma expressão religiosa, tipo se Deus quiser, chegarei mas quando colocada ao lado de Romanos 15 30 e 31, que diz: "Eu peço, irmãos, pelo nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor que o Espírito dá, que me ajudem. orando com fervor por mim. Orem para que eu escape das pessoas da Judeia que não creem em Cristo e também para que a ajuda que eu vou levar a Jerusalém seja bem aceita pelo povo que vive ali. E assim, se Deus quiser, chegarei aí em Roma, cheio de alegria, e lhes farei uma visita que me dará um novo ano. Então, quando você junta o 32 aos dois versículos anteriores, que são os versículos 30 e 31, a fala de Paulo se torna muito mais dramática. Orem por mim, me ajudem, me ajudem em oração. Paulo pede aos irmãos de Roma que lutem com ele em oração para que seja livre dos desobedientes da Judeia. Ele vai paraa Judeia levar a oferta que ele recolheu. Pessoal tá com fome e ele decidiu suscitar nas igrejas da Ásia uma oferta para ajudar os irmãos em Jerusalém. E a igreja, as igrejas da Ásia correspondem e mandam as ofertas para ajudar Jerusalém. Então ele vai para Jerusalém para levar essa oferta. Mas ele sabe que em Jerusalém as coisas não são fáceis. Não são fáceis. Então ele pede oração para quê? para que a sua ministração em Jerusalém seja bem aceita pelos santos, pelos irmãos e irmãs. E então para que ele possa chegar a Roma com alegria. Portanto, a chegada alegre a Roma não era no coração de Paulo o que aconteceu. Ou seja, não era uma chegada de um preso arrastado por processos, acusações falsas, abandono e violência. Lembra que nós visitamos o versículo lá de Atos em que Paulo chega a Jerusalém e aí o Tiago diz para leva leva a oferta. O Thaiago diz para ele que os irmãos judeus estão achando que o Paulo não obedece mais a lei. E aí o Tiago pede pro Paulo ir com mais quatro irmãos pro templo para fazer a purificação. E ele vai e quando ele chega lá, os judeus da Ásia o reconhecem. o reconhecem e dizem que ele está desvirtuando a lei, que ele está desvirtuando os judeus e o cercam e ele é preso. Ele é preso. E aí para não ser morto ali, ele apela para Roma, porque ele era cidadão romano. Então, preso, ele vai eh ser atendido pelo rei Festo. E aí o rei Festo vai sugerir para ele voltar a Jerusalém. Ele diz: "Não, não vou. Eu apelo para César". Que era um direito dele como cidadão romano. E aí começa então a ida dele para Roma. Ou seja, ele vai para Roma, mas vai. Não foi isso que ele pediu. Não foi isso que ele pediu. Ele não pediu para chegar lá preso. Ele não chegou, não pediu para chegar lá arrastado por processos, por acusações falsas, por abandono e por violência. Ele queria que fosse a chegada de um missionário que depois de cumprir a missão delicada de levar levar as ofertas pros gentios, dos gentios aos santos pobres de Jerusalém, depois de fazer esse trabalho, que não era um trabalho fácil, porque quando Paulo chega, ele já está numa situação, Israel já tá numa situação brava. Por quê? Porque os elotes já estão se rebelando. Em alguns lugares, os elotes não permitem mais a circulação da moeda da moeda romana. Então eles estão já fomentando o que depois vai virar a guerra eh que começa no ano 66 e vai terminar no ano 70, que é Roma destruindo Jerusalém. Então, quando o o Paulo chega em Israel com as ofertas em Jerusalém, a situação lá já tá muito tensa. E aí ele vai tentar agradar o Thago. E aí na tentativa de agradar o Thiago ele é preso. E depois disso, nunca mais, nunca mais o Paulo estará sem estar acorrentado. >> Depois que ele sai de lá preso, nunca mais até a sua morte, nunca mais ele deixará de estar acorrentado. Ele apela para César e chega em Roma para morrer e morre como criminoso. E ele nem sabe por ele tá sendo eh morto como criminoso. Mas é porque os judeus da Ásia disseram que ele estava subvertendo os judeus porque tava convencendo os judeus de que eles não precisavam seguir a lei. E é essa é a situação, uma situação tensa. Então ele esperava chegar em Roma como um missionário. que depois de cumprir essa delicada missão de levar oferta dos gentios aos irmãos pobres de Jerusalém, ele então esperava chegar em Roma e lá em Roma encontrar descanso, comunhão e renovação para prosseguir a sua obra no ocidente, sua obra de pregação do evangelho. E isso não aconteceu. O que aconteceu? foi que ele foi preso em Jerusalém, acusado pelos judeus de est subvertendo a lei. Aí para não morrer em Jerusalém, ele apelou como cidadão romano para ser eh julgado como cidadão romano. E aí quando o rei Festo sugeriu que ele voltasse a Jerusalém para ser julgado em Jerusalém, ele disse: "Não, eu apelo para Roma, eu apelo para César, que era um direito dele como cidadão romano. E aí começa a viagem dele paraa Roma e ele vai passar anos assim esperando julgamento, preso em Roma, anos até ser decaptado. Nunca mais, a partir de dessa viagem dele a Jerusalém, nunca mais ele saberá o que é estar sem correntes nos pés. Então aqui a gente precisa ler com cuidado, porque muita gente trabalha tudo que aconteceu com Paulo, o fato dele ter sido eh confundido em Roma, acusado eh em Jerusalém, acusado falsamente, ah, fustigado, eh, Ah, tentaram matá-lo. Muita gente diz, é a vontade, foi a vontade de Deus para ele ir para Roma. Vamos trabalhar isso com calma. Primeiro, isso, essa afirmação não é necessária nem teologicamente, nem de forma alguma. Não é saudável dizer que o que Paulo sofreu em Jerusalém simplesmente foi a vontade de Deus. Como se cada engrenagem da injustiça, cada manipulação religiosa, cada omissão dos irmãos e cada violência do sistema fosse uma peça moralmente querida por Deus para fazer Paulo chegar a César. Tem que tomar cuidado com isso. Romanos 15:32 aponta para um plano apostólico legítimo, feito em oração, apoiado pela comunidade em um plano missionário. Mais Atos de 21 a 28 mostra como este plano foi atravessado por advertências ignoradas, por decisões ambíguas, por pressões institucionais, por injustiça religiosa e por uso defensivo dos direitos civis, que foi tudo que aconteceu lá. A providência de Deus aparece sim, mas não como necessidade divina da injustiça. Ela aparece como redenção do que a injustiça produziu e não como quem utiliza a injustiça. Tem que tomar muito cuidado com isso, porque senão a gente não vai entender como é que Deus age na história. E pior, a gente vai atribuir a Deus todas as mazelas da história. E isso não é verdade. Não é verdade. Os seres humanos vão pro inferno com suas próprias pernas. >> É uma escolha humana. Então, a providência de Deus apareceu sim, mas não como se Deus estivesse necessitando da injustiça. Não, ela aparece justamente para curar essa situação. Então ela aparece como redenção do que a injustiça produziu. Deus não precisa que seres humanos mintam. Deus não precisa que seres humanos manipulem. Deus não precisa que seres humanos se acovardem. Deus não precisa que seres humanos violentem para realizar a sua vontade. Deus não precisa da maldade para fazer a sua vontade. Contudo, quando os homens mentem, manipulam, se acovardam e violentam e violentam, Deus é poderoso para entrar nessa história ferida e transformá-la em testemunho, sem transformar o pecado em virtude, nem a injustiça em vontade santa. Tem que tomar cuidado com isso, porque senão você vai começar a ser tentado a dizer que toda a maldade aconteceu, porque Deus quer, Deus vai usar a maldade. Deus não usa a maldade. Deus não precisa. As escrituras dizem que Deus é o pai das luzes, que nele não há sombra de mudanças e nem variação. E as escrituras dizem que Deus não é tentado e não tenta a ninguém. Tem de saber isso com muita clareza, porque muita gente trabalha pensando que o mal, ah, é mal, mas é a vontade de Deus. Deus não precisa do mal para fazer a vontade dele. Deus não precisa da maldade para fazer a vontade dele. Ele não precisa da violência para fazer a vontade dele. Ele não precisa da mentira para fazer a vontade dele. São coisas diferentes. Agora ele entra na história e transforma a história em testemunho, sem transformar pecado em virtude, nem justiça em vontade santa. Outra coisa que esse texto nos leva a entender, a advertência de Ágabo em Atos 21 é um ponto decisivo. Lembra de Ágapo, o profeta que vai até Paulo, pega o cinto do Paulo, amarra as próprias mãos dele e diz assim: "Vão os judeus vão tratar este o dono desse cinto, ele vai ser manietado, vai ser preso e vai ser entregue aos gentios". Foi palavra de Ágar. Agora eu quero que vocês prestem atenção nisso. Você não pode ouvir um profeta do Novo Testamento do mesmo jeito que você ouve um profeta do Velho Testamento. O profeta do Velho Testamento que tá registrado nas Escrituras, o profeta do Velho Testamento, que tá registrado nas Escrituras, trouxe uma palavra normativa. Os profetas do Novo Testamento trazem profecias que precisam ser julgadas e interpretadas. Se você não souber fazer diferença entre o que aconteceu no Velho Testamento e o que acontece no Novo Testamento, você vai pensar que os profetas do Novo Testamento t o mesmo peso dos profetas do Velho Testamento. Não é verdade? Porque os profetas do Velho Testamento estavam sendo usados por Deus para escrever as Sagradas Escrituras. Tá certo? Jeremias, Isaías, Ezequiel, Daniel, os profetas menores, Naum, Abacu, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, eles estavam escrevendo a Bíblia. Amós, Oséias, eles estavam escrevendo a Bíblia, profetizando que haveria de vir e a chegada de Jesus, o Redentor. profetas do Novo Testamento. A Bíblia diz que as profecias deles precisam ser julgadas, porque a Bíblia já está escrita, a revelação já está dada. Então, tudo que eles disserem tem de ser conferido com as escrituras. E quando eles falam, eles falam paraa gente interceder, a gente buscar o Senhor. Então, quando o Ágabo falou, ele falou nessa perspectiva, ó, vai acontecer isso. O que que ele tá dizendo? Comece orar. Que que ele tá dizendo pro Paulo? Toma cuidado. Presta atenção no que vai acontecer lá. Não entre, não entre naquilo que eles vão sugerir a você, porque se você entrar, você vai ser preso. Ou seja, presta atenção, dissirna. Então, quando você ouviu uma profecia agora nos nossos tempos, no Novo Testamento, é para você discernir, é para você orar, é para você buscar o Senhor, é para você avaliar, entendeu? A primeira conferência é óbvio, é se o que a pessoa tá dizendo bate com a com a palavra de Deus. Nós temos profetas entre nós. Graças a Deus, os nossos profetas estão sempre falando de acordo com a palavra de Deus. Aleluia. Mas eu já vi profetas que não falaram sobre a palavra a partir da palavra de Deus e e que não aguentavam a palavra de Deus como conferência. Aqui não tem problema. Todas as irmãs e irmãos que tem aqui, que tem o dom de profecia, eu nunca os vi falar qualquer coisa que a palavra de Deus não sustenta. Mas é preciso sempre saber que o que nós estamos ouvindo é para nós orarmos, para nós discernirmos, para nós avaliarmos. Tá certo? Então, antes mesmo do ágabo entrar em cena, o Lucas já havia narrado que em Tiro os discípulos diziam a Paulo pelo Espírito Santo que ele não fosse a Jerusalém. Depois, em Cesareia, Ágapo, como eu disse, tomou o cinto do Paulo, amarrou os seus próprios pés e mãos e disse: "Assim diz o Espírito Santo: Desta maneira, os judeus em Jerusalém, em Jerusalém, amarrarão o homem a quem pertence esse cinto e o entregarão na mão do nas mãos dos gentios." Então, muita gente lê isso, eh, e pensam que essa palavra é uma profecia inexorável, não é verdade? Jesus Cristo, quando falou dos do abominável da desolação, ele disse: "Orem." Ele diz: "Quando vocês virem o abominável da desolação no lugar onde ele não deveria estar, orem, fujam e orem. Orem para que não aconteça nem no sábado e nem no inverno. Ou seja, interfiram na na na história. Peçam para Deus não permitir que isso aconteça numa época em que não dá para fugir. Então isso é que dá o tom das profecias a partir do Novo Testamento. A própria palavra de Jesus. Jesus deu uma profecia e disse: "Orem sobre isso". Orem sobre isso. Esse é o tom das profecias no Novo Testamento. Então vamos orar sobre isso. Então não é inexorável como é um a profecia do Antigo Testamento. Então, Paulo estava determinado a ir, mas a profecia não dizia que ele estava determinado a ser preso, não disse: "Ó, presta atenção, o que aguarda você é isso. Quando chegar lá, toma atento, perceba o que tá acontecendo e tome a melhor decisão." Então, todos os acontecimentos seguintes não foram simplesmente o cumprimento inevitável de uma decisão divina fechada. Não, não, essa não é a melhor leitura do texto. É preciso ter uma leitura a partir do caráter pastoral das advertências proféticas. No Novo Testamento, as advertências proféticas são pastorais. Sabe o que é uma advertência pastoral? É cuidado com o que você vai fazer com a sua vida. Cuidado com as decisões que você vai tomar. Se você tomar a decisão errada, as consequências ser são estas, estas e estas. É o Senhor dando um um uma prévia para você, uma prévia para nós. Presta atenção. É isso mesmo que você vai fazer? Tem certeza? Se você fizer desse jeito, vai ser assim, assim, assim, assim. Qual é a orientação divina? Ore. Decida com o que você já recebeu do Espírito Santo. Discirna. Peça discernimento ao Senhor. Peça discernimento aos irmãos cuja sabedoria você conhece e reconhece. Essa é a ideia de viver em comunidade. Então, a profecia bíblica não é uma fotografia do futuro no Novo Testamento apenas. É também uma intervenção de Deus no presente para provocar arrependimento, oração, vigilância. e discernimento. Então, quando Deus adverte, ele não está dizendo, ó, isso acontecerá de modo inevitável. Não, muitas vezes o que o Senhor está dizendo é: "Veja o perigo, despertem, orem, vigiem, não caminhem ingenuinamente, ingenuamente dentro da armadilha". Como foi que Jesus disse? Seja sagaz como a serpente, mas continue simples como a pomba. Não entra ingenuamente para dentro da armadilha. Presta atenção. Essa distinção é fundamental. Se a palavra de Ágabo for lida como uma advertência misericordiosa e não como um decreto fatalista, então a atitude correta diante dessa palavra não é de resignação, mas de intercessão. Intercessão. Nós temos muitas pessoas entre nós que têm a palavra profética. Você vai falar com elas e elas dizem para você: "Ó, o senhor tá dizendo isso, isso, isso, isso." O que que o senhor tá dizendo para você? O senhor tá dizendo, "Presta atenção, ore, dissirna, veja logo o que você vai fazer. Tô te dando uma prévia dos riscos que você tá correndo, porque graças à vitória de Jesus Cristo e a habitação do Espírito Santo em você, coisa que os irmãos do Antigo Testamento não tinha, você tem o Espírito pronto para decidir segundo a vontade de Deus. Além do que, e acima de tudo, você tem as escrituras sagradas. Pelo amor de Deus, você tem as escrituras sagradas, você lê, você conhece as escrituras? Pois devia. Então, não veja como um decreto fatalista. A atitude não é de resignação, mas de intercessão, de revisão de rota e discernimento comunitário. Por isso é importante você ter irmãos e irmãs cuja sabedoria você reconhece para te ajudar a discernir o que você ouviu. A própria reação dos irmãos em Cesareia, inclusive sugere isso. Quando ouviram a palavra, eles rogaram a Paulo que não subisse a Jerusalém. Eles não ouviram a profecia como quem diz: "Nada pode ser feito". Não ouviram na como quem percebe percebe um perigo real e tenta impedir que o servo de Deus entre nesse perigo. É verdade que muitos intérpretes distinguem revelação espiritual do perigo da conclusão humana que Paulo não deveria ir. Sim, tem gente que acha, não era a vontade de Deus. Não, não, não, não. Errado. Errado. Deus não precisa da maldade para que a sua vontade seja feita. Cuidado para não cair no desvio de julgar a injustiça como vontade de Deus, de julgar a maldade como vontade de Deus, de julgar o assassinato como vontade de Deus. Cuidado com isso. Cuidado com isso, porque isso é irresponsabilidade na história. Então, ah, claro que a advertência era divina e a insistência paulina de ir para Jerusalém era uma decisão dele. Agora, sabendo tudo que sabia. Muito bem. Os irmãos acharam que ele não deveria ir. Ele achou que deveria. Então essa distinção é importante. A grande pergunta é sempre quando você recebe como Paulo recebeu uma advertência espiritual. E se essa advertência espiritual estiver sendo dada para que eu não trate esse caminho como inevitável, mas como algo que pode ser discernido e deve ser discernido à luz da minha missão. Tem um bocado de gente que recebe palavras e aí pensa que então vai ser assim. Não vai ser assim. pergunta: "Isso tem a ver com a missão que o Senhor me deu? Isso tem a ver com o que diz as escrituras? Se eu tomar essa decisão, o que é que isso vai fazer com a missão que Deus me deu?" Esse é o ponto. Então, o problema aqui não é negar a coragem do Paulo. Paulo é um sujeito de uma coragem assustadora. E o Paulo tava disposto a sofrer e até morrer pelo nome do Senhor Jesus. o que o Espírito Santo espera produzir em todos nós. O problema é confundir a disposição para sofrer por Cristo com a obrigação de entrar em toda situação perigosa, inclusive quando o perigo nasce de uma trama religiosa que desviaria o apóstolo do centro da sua mensagem, porque foi isso que aconteceu. Paulo não era covarde. A história prova o contrário, mas a coragem, quando não é acompanhada de discernimento, pode se aproximar perigosamente da obstinação. É preciso ter discernimento. O mártir cristão não procura o sofrimento como se sofrimento em si fosse sacramento de fidelidade. Não, essa elergia, esse apego ao sofrimento é um jeito romano de ver a fé cristã. Por isso que você vê mais gente indo na procissão do Senhor morto do que indo na celebrar a ressurreição. É um estilo, é um jeito. Porque para os romanos o sofrimento é um sacramento. Porque os romanos entendem que quando você recebe o batismo infantil, o pecado original sai de você. E aí agora você tem de continuar cristão. Bom, então como é que você continua cristão se você não precisa ter um encontro pessoal com Cristo? Então como é que você continua cristão? Você obedece os sacramentos. Ponto. O principal deles é estar em todas as missas e participar da Eucaristia. Porque os romanos acreditam que a eucaristia é sacrificar Jesus de novo pelos pecados dos que confessaram os pecados na sacristia. OK? É o jeito romano. Nós não vemos assim nas escrituras. Nós entendemos que Jesus Cristo morreu de uma vez por todas, como diz Hebreus. >> Amém. que ele não pode ser sacrificado de novo, não pode ferir a rocha duas vezes, como Deus disse para Moisés, na primeira vez você fere a rocha, na segunda vez você fala a rocha e depois o Paulo explica que a rocha era Cristo. Então ele feria a rocha que se que tipificava Cristo uma vez que é a cruz. Na segunda vez ele não pode ferir de novo. Ele tem de falar a rocha. E aí ele perdeu a paciência, o povo acoçando ele. Ele perdeu a paciência, foi lá e feriu. Feriu, terminou de fazer a água jorrou. O Senhor o chamou e disse: "Sobe pro Monte Nebro. Prepara o Josué para te substituir e sobe pro Monte Nebro. De lá você vai ver a terra prometida e de lá você não desce mais. Porque eu disse para você: "Fala e você feriu. Você sobe no Monte Neba, vê a terra prometida. e avisa os teus irmãos que de lá você não desce mais. acabou aqui. Então não é uma coisa pra gente não levar a sério. Então o Paulo é um homem corajoso, mas sofrimento não é sacramento de fidelidade, não. Claro que ele aceita sofrer, eh, quando a obediência o exige. Todo mártir cristão é assim. Quando a obediência ao Senhor exige sofrimento, exige sofrimento. Paciência, paciência na tribulação. Mas nem todo sofrimento que sobrevém a um servo fiel decorre de uma obediência bem discernida. Às vezes o servo sofre porque obedeceu. Aleluia. Outras vezes sofre porque entrou numa circunstância que a própria graça tentou advertir-lo de que evitasse: "Não faça, presta atenção. Se você fizer, vai acontecer isso. Cuidado, cuidado. Seu adversário está andando ao derredor de você, procurando quem possa tragar. Então, a tese, claro, aqui não diminui o Paulo, só humaniza o Paulo, que, aliás, é o óbvio o Lulante. Ele é um homem eh como todos nós. Ele é um ser humano. Ele não é uma máquina infalível de indecisões apostólicas. Ele é um homem real, santo e falível, profundamente comprometido com Cristo e ainda assim vulnerável à pressão, a expectativa institucional e ao desejo de preservar a unidade a qualquer custo, que foi o que pegou o Paulo quando o Thiago disse para ele, olha, tá todo mundo falando que você não obedece mais Moisés, que você não segue a lei e que Você ainda fica dizendo pros irmãos que não é para obedecer a lei, que não precisa mais da lei para ser salvo. E é verdade, não precisa mesmo mais da lei para ser salvo. É salvo pela graça. Ah, então para não ter problema, você faz o seguinte, vai pro templo junto com os outros quatro irmãos que vão fazer a purificação e pronto. Aí você dá um testemunho de que você não é um cara que desobedece a lei. Só que a ir pro templo, fazer a a purificação era contra o que o Espírito Santo tinha dito pro Paulo. O Senhor Jesus disse pro Paulo, não tem mais nada a ver com a lei. O templo não tem mais nenhuma função. Inclusive Jesus Cristo disse que do templo não ficaria pedra sobre pedra. Mas o Paulo, pressionado pelo grande Tiago, decidiu fazer tudo pela unidade. Não pode haver unidade que não seja em torno da cruz de Cristo. Não pode haver unidade que não seja em torno da cruz de Cristo. Tem de lembrar que antes de qualquer coisa nós somos adoradores de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. >> Amém. >> Então, nós não fazemos concessões a aquilo que desafia a cruz. aquilo que tira a cruz do centro. Pela graça sois salvos mediante a fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie. Ponto. Então, é nesse ponto que o episódio com Tiago e Jerusalém se torna central no na história do Paulo. Quando Paulo chega, ele se reúne com Tiago. A gente já falou isso aqui, Tiago e os demais presbíteros. E aí eles glorificam a Deus pelo que havia sido feito entre os gentios com a mensagem de Paulo, de Tiago, de Banabé, de Marcos, de Lucas. e de tantos. Mas imediatamente apresentam a Paulo uma preocupação. Milhares de judeus, crentes, zelosos da lei, haviam ouvido dizer que Paulo ensinava os judeus entre os gentios, a abandonar Moisés, a não circuncidar os filhos e a não andar segundo os costumes da lei. A proposta de Tiago e dos presbíteros, como nós já vimos, é que Paulo se associasse a quatro irmãos que iam que iam cumprir os seus votos, iam fazer as purificações e que ele fosse com eles e pagasse as despesas do templo para que todos soubessem que os rumores eram falsos e que ele também vivia guardando a lei. Mas ele não vivia guardando a lei, porque a lei de Cristo é superior à lei de Moisés. Moisés diz: "Não matarás". Cristo diz: "Se você ficar com raiva de alguém, já matou". Moisés diz: "Não cobiçarás a mulher do próximo". que tá totalmente certo. Só que aí em Moisés a mulher ainda é a mulher do próximo. Mas em Jesus não. Jesus é: "Se você olhar para qualquer mulher, transformando-a num objeto, você pecou e você já cometeu pecado contra Deus e você já é réu do inferno." Primeira coisa que a lei de Jesus faz, dignifica a mulher e transforma a mulher na personagem de si mesma. Ela não é mais a esposa do fulano, do ciclano ou do trajano. Ela é fulana. Verdade. >> Pronto. Filha de Deus, serva de Deus, criatura de Deus. olhar para ela como se ela fosse um objeto. Fere Deus e Deus vai fazer você saber que foi ferido. Simples assim. E eu não aconselho ninguém a ter de ouvir Deus dizer: "É, meu filho, você me feriu. E agora nós vamos conversar. Não sugiro isso para ninguém. Se eu posso se eu posso dar uma sugestão do do longo, ao longo dos meus 70 anos, mais de 50 como pastor e quase 60 como cristão. Não faça isso. >> Não faça isso. não cri uma situação em que a trindade tenha de dizer para você, senta aqui que nós vamos conversar. >> Pastor, eu eu vejo assim que seguir a Jesus a gente às vezes pensa na lei, mas é ultrapassar essas coisas, não é? É quando a gente segue Jesus, o espírito do Senhor nos leva ao padrão do Cristo. O padrão do Moisés é ótimo para segurar o povo, tirar o povo da barbárie. Mas o padrão de Cristo é para fazer o ser humano semelhante a Jesus Cristo. Porque em Jesus Cristo a gente vê a gente como gente, como gente deve ser. >> Então, como gente deve ser? Como Jesus Cristo, como Jesus de Nazaré. Simples assim. >> Como é que chega lá? Pelo poder espírito santo? É óbvio. >> É um padrão altíssimo. >> É, graças a Deus. Melhor arrancar um olho, pastor. >> É, pode arrancar um, dois, faz diferença. Contanto vai, >> contanto que você não tenha de ouvir o senhor chamar você para conversar. >> Então, >> eu nunca vi um pastor, >> eu também não. Aliás, eu não vi pastor fazer um montão de coisa. Eu não vou nem entrar nesse assunto porque se eu for entrar nesse assunto os irmãos vão dizer que eu saí do texto. Vou ficar aqui. Então a primeira vista aquilo que o Paulo quis fazer era uma estratégia diplomática, uma espécie de gesto de pacificação, mas não deu certo. Como Moisés tentou fazer com faraó. A primeira vez o Senhor disse pro Moisés: "Chega lá pro faraó e diz o seguinte: Israel é meu primogênito. Você deixa o meu primogênito embora. Se você não disse o meu primogênito embora, eu levo o seu primogênito." Pronto, foi direto pra última praga, acabou. Chegou lá na frente do do faraó, Moisés amarelou. E aí tentou uma saída diplomática. Qual foi a saída de Moisés? Olha, eh, deixa a gente ir três, três dias pro deserto para prestar culto para Deus, porque o Deus dos Hebreus nos encontrou no deserto? Porque se a gente não for, ele vai ferir a gente com peste, vai, a gente vai ficar doente, a gente vai morrer e você vai perder a sua mão de obra. Então, para você não perder a sua mão de obra, a gente vai três dias dentro do deserto, adora a Deus, depois volta. Essa é a proposta. Claro que quando chegasse lá, ele ia mandar outro recado pro faraó. Mas Deus não tem nada a ver com isso, meu filho. Não foi isso que eu mandei você falar. E aí, claro que o faraó respondeu como um um politeísta. Falou: "Eu não sei quem é esse Deus que você tá falando". Ele se achava um deus. do faraó tinha mais 10 deuses com ele, pelo menos, ou que ele julgava serem deuses. Aí vem o o o Moisés que diz: "E Yahé, o Deus dos hebreus, disse para você deixar a gente adorá-lo no deserto". O faraó disse: "Não sei quem é Yahé". Quem é Yahvé? para que eu faça o que ele tá pedindo. Eu não conheço esse Deus. Para ele era mais um Deus qualquer, um Deus tribal, que tinham muitos deuses tribais. Aí manda piorar a situação dos hebreus. Os anciãos hebreus ficam com raiva de Moisés. O que salvou toda a situação foi que Moisés pensou que Deus ia ficar muito bravo com ele, mas Deus não é pego de surpresa. Então Deus disse para Moisés: "Olha, faraó pediu para eu me apresentar. Eu vou me apresentar para ele. Volta lá. Faz as proesas que eu fiz você fazer no monte, lá no monte Oreb, e diz para ele que eu só vou parar quando ele perceber que só há um Deus. Ele não pediu para me apresentar. Eu vou me apresentar. Então, as escrituras são fartas em dizer isso pra gente. Então essa parece uma estratégia diplomática, um gesto de pacificação, uma tentativa de evitar escândalo, mas era uma situação muito grave pro próprio Paulo, porque o Paulo não estava sendo convidado apenas a receber uma a respeitar uma sensibilidade cultural. Ele estava sendo pressionado a participar de uma encenação pública, cujo efeito seria provar sua ortodoxia perante os zelosos da lei. E ele não era um ortodoxo da lei, ué. E é aqui que a gente pode falar com a dureza que a tese exige da esparrela de do Thiago. Depois, inclusive, eu acho que o Thiago muda depois disso, porque o Thiago que vai escrever a carta de Thiago depois é outro. Então, a impressão que eu tenho é que a a situação foi tão dramática que o próprio Thago mudou. E aí quando você lê a carta de Thago, ele mudou totalmente. É outro homem que escreveu aquela carta. Isso é a história da igreja, irmãos. Vocês têm de lembrar que a história da igreja é a história que vem sendo escrita pelo Espírito Santo e que o único herói das Escrituras Sagradas chama-se Jesus de Nazaré. verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem que veio em carne para nos libertar. É o único herói nas escrituras. Todos os demais, de Moisés até o último cristão, estão em torno de Jesus Cristo. Jesus Cristo é o Senhor. >> Ponto. Todo o joelho se dobrará diante dele e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai. Ponto. E os três apóstolos quando estavam com Jesus no monte da transfiguração e o Senhor e e disseram para Jesus: "Nós vamos construir três tendas, uma pro Senhor, outra para Elias, outra para Moisés". ouviram o Pai dizer: "Este é o meu filho amado. A ele ouviste >> ponto. Então o Paulo eh caiu numa esparrela sutil, né? Porque o o Thiago não queria prejudicar o Paulo de jeito nenhum. Ele também achava que tava fazendo o melhor e aí ele muda porque não era o melhor. Então é uma solução institucional que que parecia prudente, mas era espiritualmente perigosa. Uma tentativa de administrar tensões internas sacrificando a clareza do evangelho. Nunca sacrifique o evangelho, porque o evangelho é o poder de Deus pra salvação de todo aquele que crê. Glória a Deus. É verdade. >> Não tem como facilitar isso. Não tem. A pior coisa que pode acontecer para qualquer um de nós é no dia do juízo, o Senhor Jesus disse: "Ô, ô, ô, Ari, vem cá." Sim, senhor. Sim, senhor. Ó, esse moço aqui tá dizendo que você falou para ele que ele tá salvo, mas eu nunca o conheci. Por que que você falou que ele tava salvo? Você tinha autoridade para isso ali? Você não olhou para o que ele tava vivendo. Você não disse para ele que quem nasce de novo não vive desse jeito? Você não contou para ele o que é ser pleno do Espírito Santo? Você não falou para ele? Agora ele tá aqui dizendo que ele tá salvo porque você falou. Mas eu nunca conhecia esse moço. Por que que você falou? Então, a clareza do evangelho não pode ser negociada. >> Ponto. Então, a mensagem recebida por Deus, pronto, não pode ser ambígua. O Paulo caiu numa situação em que ele foi convencido a ir contra tudo que ele tava pregando. Paulo recebeu uma mensagem clara que dizia: "Em Cristo, judeus e gentios são reconciliados pela fé, não pelas obras da lei. A justiça de Deus se manifesta à parte da lei, fora da lei. é testemunhada pela lei e pelos profetas. A circuncisão não é fundamento de pertencimento ao povo messiânico. Os gentios não devem ser submetidos ao julgo judaizante. O próprio projeto da oferta para Jerusalém em Romanos 15 tinha o propósito de manifestar a comunhão entre cristãos, gentios e judeus, não de submeter a a missão gentílica a uma validação ritual judaica. coisas diferentes. >> A questão, portanto, não é se Paulo podia em algum em algum contexto tornar-se como judeu para ganhar judeus, como ele mesmo diz em primeiro Coríntios 9. A questão é se naquele contexto específico de Jerusalém, sob acusação pública, diante de uma multidão zelosa da lei e sob orientação dos líderes locais, o gesto proposto não comunicava algo mais profundo e problemático, que Paulo precisava provar sua fidelidade a Deus por meio de uma conformidade ritual pública. Não podia, não devia. >> Ele pensou que a igreja de Jerusalém precisava paziguar os elosos da lei, mas a igreja em Jerusalém precisava corrigir os elosos da lei e dizer para eles: "A lei não salva, só Jesus Cristo salva". A lei foi usada pelo Espírito Santo para trazer vocês até Jesus Cristo. Agora que Jesus Cristo chegou, vocês têm de nascer de novo. E isso só é possível pelo Espírito Santo. Então, não era para paz igualar os velosos da lei, era para defender a verdade do evangelho. A unidade da Igreja só pode ser preservada pelo Espírito Santo e não por performance religiosa, que esconde a verdade escandalosa da graça. Pela graça sois salvos mediante a fé. E isso não vem de vós, é dom de Deus. Então, Paulo sabia por revelação e por convicção teológica que o evangelho não pode ser subordinado a esse tipo de exigência. Por isso dizer que ele consentiu em fazer algo contrário à vontade divina não é acusá-lo de apostasia. Claro que não. Ele não apostatou, mas reconheceu uma falha grave de discernimento no momento de pressão. O apóstolo que resistiu a Pedro em Antioquia, quando este se afastou da mesa com os gentios em Jerusalém, aceitou a solução que o deslocou do foco da sua mensagem. Essa mensagem pode soar dura, mas ela é coerente com a própria maneira como a escritura trata a gente. A Bíblia não precisa proteger seus personagens, não. Toma cuidado com isso. Isso inclusive é que faz hoje um bocado de crente fazer o que quiser e dizer: "É, mas eu sou salvo. >> Eu sou salvo. Jesus é meu Senhor. Eu me lembro de um camarada que tive uma vida desgraçada. Chegou para mim, eu disse: "Ó, filho, você precisa se arrepender. E isso que você tá pedindo para eu fazer, eu não posso, porque se eu for falar lá com a sua esposa, eu vou dizer que ela tá certa. É melhor você não me levar para falar com ela." Falou: "Não, você não pode falar isso para mim porque eu sou cristão". Eu falei: "Não, você tem um erro aqui". Ele falou: "Qual?" Você não pode, vivendo a porcaria de vida que você vive, chegar aqui e sentar-se à mesa e dizer que é cristão. Você não entendeu? Não é você que diz que é cristão. Você não pode viver essa porcaria de vida que você vive, que não dá para confiar em você nem enquanto o diabo pisca o olho. E sentar aqui e dizer que é cristão. Você sabe o que significa ser cristão? Significa, como disse a irmã, ser pequenos Cristos. Eu não consigo ver Cristo em você de jeito nenhum. E olha que eu tô tentando desesperadamente ver onde é que Cristo aparece na sua vida e não consigo ver em nenhum movimento seu Jesus Cristo. Que que aconteceu? Ou Jesus Cristo mudou e eu não fui avisado, ou você nunca andou com Jesus Cristo. Porque os que andam com Jesus Cristo não é que os que andam com Jesus Cristo não não pecam. Mas se arrependem. A fé cristã não é a fé daqueles que nunca pecam, é a fé daqueles que sempre se arrependem. E a cada arrependimento eles crescem. >> Glória a Deus. >> E se tornam mais parecidos com Jesus. Então não pensa que a Bíblia protege os personagens dela, não. O Senhor não faz isso. Abraão creu em Deus e mentiu por medo. Moisés falou com Deus face a face e feriu a rocha em desobediência e morreu. Davi foi homem segundo o coração de Deus, mas caiu em adultério e em homicídio. E pensa que a Bíblia escondeu? Não só não escondeu, como Natã foi lá dizer para ele, você vai voltar paraas cavernas onde Deus te encontrou, porque lá você vai lembrar quem você é e quem você deveria ser. Porque Cristo veio para salvar a gente, não veio para passar a mão na nossa cabeça. O cara tá nas trevas, ele precisa de luz. Não adianta chegar para um cara nas trevas e dizer: "É, as trevas é complicado, hein?" Mas olha, quem sabe tem dá para achar um cantinho aqui mais tranquilo. Não tem cantinho tranquilo nas trevas. O único jeito de sair das trevas é ser arrancado paraa luz. Então o Pedro confessou a Cristo e o negou e depois teve de ser repreendido por Paulo por incoerência prática em relação aos gentios. Por que que Paulo tem de ser visto como infalível em cada decisão dele? Não é como qualquer um de nós. A grandeza de Paulo não informa que não exige que a gente transforme os seus passos em expressão perfeita da vontade de Deus. Pelo contrário, a grandeza da graça aparece mais claramente quando a gente reconhece que Deus sustentou e usou Paulo até quando Paulo se viu preso a consequências de decisões tomadas num ambiente de pressão religiosa. E isso pode acontecer com qualquer um de nós. Autoridade. >> Qualquer um de nós. Eu já vi muito irmão que virou para mim e disse: "Eu não vou ali nesse caminho que você tá indo". Porque eu não vou aguentar aparião. Tá bom. Teve um outro camarada que disse: "Você tá certo, mas se eu for com você, eu não consigo mais sustentar a minha missão." Tá bom. OK. Isso é isso é entre é entre nós e o Senhor Jesus. Não tem quem sou eu para dizer qualquer coisa para você. A prisão de Paulo confirma o caráter injusto da situação. Ele sofreu uma injustiça. Ele entra no templo como parte do acordo proposto, mas os judeus da Ásia o reconhecem. Agitam a multidão, acusam-no de ensinar contra o povo, contra a lei, contra o templo, além de supor falsamente que ele havia introduzido o Trófimo, o Efésio, no templo. Mentira. Ele não fez nada disso. E a acusação é construída sobre uma suspeita, não sobre a verdade. O resultado é tumulto. A cidade se alvoroça, o povo corre. Paulo é agarrado, arrastado para fora do templo. As portas são fechadas, a violência coletiva toma o lugar da justiça. O que começou como uma tentativa de pacificação religiosa termina como explosão de ódio. E nesse momento chama atenção o silêncio narrativo dos irmãos judeus cristãos que não fizeram nada. Onde estão aqueles que deveriam defender Paulo? Onde estão aqueles que haviam recebido a oferta, ouvido seu relato missionário e proposto essa estratégia? Cadê eles? O texto não os mostra protegendo Paulo, explicando a situação ou assumindo publicamente a responsabilidade pelo gesto que ele tava praticando. Ele ficou sozinho. Irmãos, não romantize o ser humano. Pelo amor de Deus, não romantize o ser humano. O ser humano não pode ser romantizado. Ele tem de ser salvo. não romantize o ser humano. Às vezes eu eu tô falando com a a os irmãos e eles dizem: "Ah, que uma camarada é gente boa, apesar de tudo". Falei: "Não, bom é Deus", disse Jesus Cristo. Vamos por etapa aqui. Bom é Deus, disse Jesus Cristo. O irmão é como eu irmão. >> É, o irmão é como eu. Tem dia que acerta e tem dia que erra. Tem dia que tá com as melhores intenções e tem dia que tá tentando só se salvar. E se não fosse a misericórdia de Deus, nenhum de nós chegaria ao fim da estrada. >> Vamos parar com esse romantismo bobo. Somos só seres humanos precisando da misericórdia de Deus. E assim era o Paulo, assim era o Pedro, assim era o Moisés, assim era todo mundo, só gente, pelo amor de Deus, é só gente. É Deus que reveste gente. >> Aleluia. >> Por isso, a honra e a glória pertencem ao Altíssimo. >> Tá certo? Então, Paulo que foi a Jerusalém carregando um sinal concreto de comunhão entre gentios e judeus, ficou só diante da fúria religiosa. Essa solidão é teologicamente significativa. Ela impede que a gente transforme a prisão de Paulo numa cena de providência divina. Não, não tem nada a ver com providência divina. Houve omissão, houve covardia, houve falha comunitária, houve líderes que sugeriram um caminho e não aparece quando o caminho se torne perig se torna perigoso. Houve uma multidão que preferiu o boato, a verdade. Houve autoridades religiosas e civis que trataram Paulo como um problema político. Houve um sistema romano que, embora protegesse Paulo da morte imediata, também o prendeu, interrogou, transferiu e o manteve preso por conveniência. Nada disso deve ser chamado de vontade de Deus. Isso é que eu quero deixar claro para você. Tem um bocado de irmão olhando para tudo quanto é mazela, tudo quanto é injustiça, tudo quanto é mentira, tudo quanto é violência e dizendo: "Ah, é a vontade de Deus". Deus não precisa da maldade para fazer a sua vontade. >> Ponto. Maldade é maldade. Mentira é mentira. Violência é violência. Deus entra para salvar a situação. Graças a Deus, né? Graças a Deus. Mas não é a vontade dele, porque Deus não é tentado e a ninguém tenta, diz as escrituras sagradas. >> Glória a Deus. >> Tá certo? Deus é o pai das luzes, não das trevas. >> Amém. Amém. >> Então, nada disso deve ser chamado apressadamente de vontade de Deus. A gente tem de entender que vontade de Deus é aquilo que expressa o caráter santo de Deus, o caráter justo de Deus, o caráter verdadeiro de Deus. Chamar a injustiça de vontade de Deus pode parecer piedade, mas é apenas uma forma religiosa de absolver os agentes humanos e de endurecer a consciência diante do mal. É só isso. Nunca digam a uma pessoa injustiçada: "Paciência é a vontade de Deus". Não vamos buscar o Senhor para socorrer você em meio a essa injustiça. >> Porque o Senhor é o justo juiz de toda a terra. Então não é para dis absolver os os agentes humanos e endurecer a consciência diante do mal. O mal é o mal. A apelação a César em Atos 25 tem de ser compreendida nessa mesma fase, nessa mesma chave. Paulo não apela a César porque tenha descoberto finalmente o suposto plano original de Deus de levá-lo ao imperador. Não. Ele apela a César porque ele tá encurralado num processo jurídico injusto, festo, querendo agradar os judeus. Pergunta se Paulo quer subir a Jerusalém para ser julgado ali. O Paulo percebe o perigo. Esse cara vai me matar. E responde que está diante do Tribunal de César. Sou sou cidadão romano. Então é no tribunal de César que eu devo ser julgado. Eu não cometi nenhuma injustiça contra os judeus, como o próprio Festo sabia muito bem. E aí ele declara: "Se eu cometir algum mal crime digno de morte, não recuso morrer. Mas se nada há das coisas que estes me acusam, ninguém pode me entregar a eles. Você não pode me entregar a esses caras que estão me acusando falsamente. Então eu apelo para César." Essa fala é profundamente jurídica e defensiva. Paulo não invoca um oráculo, invoca o seu direito. Ele não tá espiritualizando a injustiça, ele tá resistindo à injustiça e tá usando um instrumento civil que sua cidadania romana lhe oferecia. Portanto, a apelação a César não tem que ser usada para provar que todo o caminho anterior era o plano ideal do Senhor. Não. Ela prova outra coisa. Quando os seus irmãos não o defenderam, quando os seus acusadores mentiram, quando as autoridades locais buscaram conveniência política, Paulo usou o direito que possuía para impedir que fosse entregue à morte. A frase apelo para César não é um suspiro místico de alguém que finalmente entende que a injustiça era necessária. É o recurso de um cidadão romano que sabe que se for devolvido a Jerusalém vai ser morto. Eh, me lembra muito aquela frase, né? Deus permitiu porque ele quer te ensinar alguma coisa nesse nesse processo. >> É, não, não tem nada disso. Não tem nada disso não. O senhor tá dizendo sempre assim, você vai semear isso aí na sua vida, você vai colher. >> Agora você vai poder apelar pro Senhor sempre. Graças a Deus. sempre. E o senhor entrará na história para para salvar o que dá para salvar ali. Mas eu fiz, eu decidi, eu orei, não orei, conversei com gente mais sábia do que eu, não conversei. Eu decidi, o senhor tava onde? ali, ah, assistindo, né? Porque eu não chamei ele para conversa. Muitas vezes ele fala: "Você não quer conversar comigo sobre isso antes? Não, não, pode deixar que eu me defenda." Quem defenda-se. Então, a providência de Deus pode se valer desse recurso. Claro, o Senhor entra na história que está lá, não a história que ele gostaria que estivesse, porque senão, amados, não vai ter juízo. É simples. Eu me lembro que falei com um irmão que dizia assim: "Não, tudo acontece de acordo com a vontade de Deus". É mesmo? É. Então, tudo que acontece é porque Deus quis que acontecesse. É. OK. >> Falei: "Tudo bem, OK. Não vou nem entrar na Bíblia com você, porque nós vamos ficar gastando eh eh vela com defuto ruim. Não vou entrar na Bíblia. Vou só fazer uma pergunta para você. Pode fazer. Quando você peca, você peca porque Deus mandou você pecar. Aí não, isso não. Fala. Pronto. Aí descobrimos uma coisa que você faz que não é da vontade de Deus. >> Acabamos de descobrir uma. Olha aí. Seu argumento acabou de naufragar aqui. Como é que você sustenta seu argumento agora? Tem gente que pensa que Deus sabe tudo porque escreveu tudo. Não, Deus sabe tudo porque é Deus. Ele vê de cima e vê de uma vez só. Isso chama-se onisciência. Soberania é o atributo que permite a Deus entrar na história. A história que a gente fez. e trabalhar com essa história, tendo em vista a redenção. Se ele não fizesse isso, nós nunca chegaríamos a lugar nenhum. E se não fosse assim, baseado em que que o senhor fala em juízo, se todo mundo só tá fazendo o que ele quer? >> Julgar o quê? Imagina que fosse assim, eu chegasse lá diante de Deus ou você chegasse diante de Deus e Deus dissesse: "Muito bonito, hein, seu Ari? O senhor viu que o o o que o senhor fez?" Eu ia dizer: "Mas foi o senhor que quis que eu fizesse o teu desejo. >> A gente não faz só a tua vontade. >> Desejo caral para >> Então o senhor tá me julgando pelo quê? Foi o senhor que quis. Por que que eu tenho de pagar por uma coisa que o senhor que quis? >> Você ficou louco de pensar que você é posto por Deus numa situação dessa em que você pode simplesmente chegar para Deus e dizer: "Ó, não tenho nada a ver com isso. Foi o senhor que quis? Imagina isso. Não, irmãos, não é assim. Você decide e o Senhor vem conversar com você. >> Amém. >> Mas vem sempre com misericórdia. Vamos sair dessa situação. Você tem perdão para você, tem transformação para você. Você precisa reconhecer que você tá fazendo bobagem. >> Mas desde o Éden o homem se justifica desde o Éden >> por causa dos seus desejos, cara. Exatamente. >> Então, os motivos de de a providência de Deus pode se valer disso. Claro que ele entra na história como a história tá lá, como a gente fez a história. Então, os motivos de festo, as acusações judaicas, a estratégia do Thago, que achava que esse era um bom caminho, ah, ou a decisão do Paulo em participar disso, Deus pode transformar tudo isso numa estrada para o para o caminho dele, a estrada torta. Aliás, o Agostinho já dizia que Deus escreve certo por linhas tortas em caminho de testemunho, mas isso não quer dizer que ele declara que a a existiu retidão na tortura moral que entortou aquele caminho. Que Jesus diz é: "Você entortou o caminho, eu vou endireitar para você". Mas foi você que entortou. Então, 1532 de Romanos volta com toda a sua força. Paulo havia pedido oração para chegar em Roma com alegria, pela vontade de Deus, ser reanimado juntamente com os irmãos. O verbo ligado ao descanso é sinana palmai, que significa refrigério, compartilhamento, repouso, companhia dos irmãos, renovação relacional. Então, não é o vocabulário de alguém que chega algemado, não é o como o o desejo de alguém que chega numa cadeia processual. É o vocabulário de uma vocação missionária, de comunhão missionária. Paulo imaginava Roma como um lugar de encontro, descanso e possível apoio pra missão dele paraa Espanha. Ele queria ir para Espanha e nunca foi. Então, a introdução de Romanos reconhece esse cenário. Paulo escrevia quando estava prestes a Jerusalém com uma coleta pros cristãos pobres. Depois disso, pretendia visitar Roma, seguia adiante em sua missão no ocidente. Assim, quando a história de Atos mostra Paulo chegando a Roma como prisioneiro, a gente não pode ler aquilo como se fosse simplesmente a forma normal do cumprimento de Romanos 15:32. Não, a gente tem de perceber atenção. Paulo pediu uma chegada alegre e descansada. Ah, mas não aconteceu isso. Ele chegou preservado, sim, mas marcado por cadeias, atrasos, injustiças, interrogatórios, naufrágio. Essa tensão não enfraquece a providência de Deus. Ela purifica a gente de uma leitura fatalista. A providência bíblica não significa que tudo que acontece é moralmente desejado por Deus. Do mesmo modo, significa que Deus permanece o Senhor da história da redenção. Então, quando a história comum vai ferir a história da redenção, o Senhor entra na história comum para fazer valer a história da redenção. É assim que tem sido desde tempos perdidos na memória. É por isso que o apocalipse fala em juízo das nações. Um Deus que julga não pode ser um Deus que determina. Ele não pode determinar uma coisa e julgar o que ele mesmo determinou. Ele não seria justo. E a primeira verdade que se fala sobre Deus foi Abraão que falou. Deus é o justo juiz de toda a terra. Não foi isso que o Abraão falou quando apelou, orou por por Sodoma? Então, primeira declaração do caráter de Deus significa que Deus é senhor da história da redenção. E quando a história é ferida por pecados humanos, ele entra na história para fazer valer a redenção. Então, há uma diferença entre dizer que Deus quis a injustiça para cumprir o seu plano e dizer Deus entrou na injustiça e a transformou em ocasião de testemunho. >> Isso é outra mudança. A primeira formulação, essa de Deus quis a injustiça para cumprir seu plano, aproxima Deus da necessidade do mal. Deus não precisa do mal. A segunda preserva a santidade de Deus, exalta o seu poder redentor. Se Deus precisasse da mentira dos acusadores, da omissão dos irmãos, da covardia institucional, da manipulação política e da violência romana para cumprir sua vontade, então a injustiça deixaria de ser oposição ao caráter de Deus e se tornaria ferramenta indispensável da sua ação. Isso não é a visão bíblica da providência e é uma forma perigosa de determinismo religioso. >> Determin >> é perigosíssima. A escritura oferece uma linguagem melhor na história de José. José viveu isso. Os irmãos venderam ele. Aquilo foi mal. Eles intentaram mal contra ele. Deus por, porém, tornou o mal em bem. Ele mesmo falou isso pros irmãos, preservando muitas vidas. O texto não diz que o mal dos irmãos era bem desde o começo. Não diz que a traição dos irmãos era santa porque Deus a redimiu. Não diz que Deus precisava da inveja e da incrueldade deles como quem depende do pecado para governar. Deus não depende do pecado da gente para governar. O que o texto diz é mais profundo. A intenção humana era amar, mas a ação soberana de Deus foi capaz de sobrepor ao mal com uma finalidade salvadora. entrou na história. Então essa distinção é decisiva para ler Paulo, Tiago, todo mundo. Paulo, Tiago pode ver errado, Paulo pode ter cedido, os judeus podem ter sido injustos, Roma pode ter sido violenta e ainda assim Deus pode transformar tudo isso em bem, levando Paulo a testemunhar diante das autoridades, fortalecendo igrejas, escrevendo cartas, encorajando irmãos. fazendo com que até a prisão se tornasse um público. Entendeu? A própria visita do senhor a Paulo em Atos 23:11 deve ser lida nessa chave redentora, não como absolvição automática de todos os passos anteriores. O Senhor aparece para ele e diz: "Coragem, pois do modo porque deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que o faças em Roma". Pronto. Essa palavra é consolo, é direção no meio do caos. Mas consolo depois do erro não significa aprovação de tudo que levou ao erro. Direção depois da injustiça não significa que Deus é o autor da injustiça. Deus encontra Paulo dentro da história que existe agora. A partir daquele ponto Paulo tá preso, ameaçado, envolvido em processos, conspirações. O senhor não abandona. O senhor não diz: "Ah, Paulo, como você errou, minha missão terminou?" Não, ao contrário, ele entra naquela realidade e redireciona. Você ainda testemunhará em Roma. Ponto. Isso é providência de Deus, providência redentora. Deus não apenas governa trajetórias ideais, ele também resgata a gente das trajetórias danificadas. Essa é a nossa esperança. Então, essa leitura tem consequências pastorais importantes. Muitas vezes, quando a pessoa sofre as consequências de uma decisão precipitada, de uma pressão institucional, de uma manipulação espiritual ou de uma injustiça praticada por outras, a comunidade religiosa tenta resolver tudo isso com uma frase: "Foi a vontade de Deus". Essa frase, quando usada sem discernimento, pode ferir ainda mais. Ela pode fazer a vítima sentir que a violência que sofreu era necessária, que a omissão dos irmãos era sagrada, que a mentira dos acusadores era instrumento santo e que a covardia dos líderes era parte inevitável do plano divino. >> Cuidado com isso. A Bíblia nos permite falar de modo mais verdadeiro e mais santo. tipo, isso foi mal, isso foi injusto, isso não expressa o caráter de Deus, isso não deveria ter acontecido assim e ainda assim Deus não foi derrotado por isso. >> Essa confissão preserva duas verdades ao mesmo tempo. A responsabilidade humana e a soberania redentora de Deus. Também é necessário aplicar essa leitura à figura do Tiago. A tradição cristã tende a tratar os líderes com reverência e essa reverência tem seu lugar. Tiago foi uma liderança importante da igreja em Jerusalém. Atos mostra ele como referência entre os irmãos. Paulo reconhece em todos os contextos como figura significativa, mas nenhuma liderança eclesiástica, nenhuma liderança eclesiástica está acima do evangelho. Quando a liderança para administrar tensões internas conduz um servo de Deus a um gesto que obscurece a mensagem que esse servo recebeu, tem de ser avaliada criticamente. A prudência pastoral pode se tornar pragmatismo religioso. O zelo pela paz pode se tornar medo dos elotes e medo dos zelosos da lei. A tentativa de evitar escândalo pode produzir escândalo maior. A proposta de Thiago talvez tenha parecido uma solução conciliatória, mas terminou colocando Paulo exatamente no lugar onde os inimigos o agarrariam. Isso não prova que Thiago desejava o mal, ele não desejava. Prova que uma estratégia eclesiástica pode ser sinceramente equivocada e espiritualmente desastrosa. Do mesmo modo, é preciso aplicar essa leitura a Paulo, com respeito e honestidade. Paulo não deixa de ser apóstolo porque errou, como Pedro não deixou de ser apóstolo porque errou. Sua mensagem não deixa de ser divina, porque em certo momento ele pode não ter se mantido focado plenamente nela. A autoridade do evangelho não depende da impecabilidade psicológica ou estratégica do mensageiro. Aliás, a própria força do evangelho está em que Deus deposita tesouros em vasos de barro. Paulo continuou sendo servo de Cristo, testemunha fiel, teólogo da graça, instrumento poderoso, mas justamente porque sua teologia era tão clara, sua participação no arranjo de Jerusalém foi tão doloroso. Ele sabia que a justificação não vinha da lei. Sabia que os gentios não deviam ser compelidos a se judaizar. sabia que Cristo havia derrubado a parede da separação. Sabia que sua missão não era pedir autorização simbólica dos elosos da lei, mas anunciar que em Cristo a nova criação havia começado. Por isso, a sua concessão em Jerusalém tem de ser vista como uma queda de foco, não como modelo normativo. Já disse para vocês, tem de entender que o que norm que é normatizado nas escrituras é o que tem a ver com a redenção. Se não tem a ver com a redenção, é porque os apóstolos decidiram resolver o problema de um jeito. Fica lá como exemplo para nós. Mas o que é normativo é disso depende a redenção ou não? Se sim, então é normativo. Se não, é ilustrativo. Tem que saber ler as escrituras, amados. O que que é normativo e o que que é ilustrativo? Ilustrativo é como o irmão resolveu o problema com a igreja grega. Se amanhã eu tiver de enviar missionários para para territórios onde onde o Islam manda, eu vou usar a técnica do Paulo, porque é o único jeito de lidar com aquela cultura, mas é ilustrativo, não tem nada a ver com redenção e é sacrifício misiológico. e não redentor tem de saber ler as escrituras. Então, a grande beleza da história está em que Deus não abandonou Paulo dentro daquele problema. Deus o preservou quando a multidão queria matá-lo. Deus permitiu que sua cidadania romana impedisse abusos maiores. Deus o sustentou diante das autoridades. Deus o livrou de conspirações. Deus o conduziu pelo mar, pelo naufrágio, pela longa espera. Deus esteve com ele na ida a Roma, ainda que não da maneira que Romanos 15:32 queria. E chegando a Roma, Paulo poôde receber irmãos, ser encorajado e continuar anunciando o reino de Deus, embora não conseguiu mais ir à Espanha, porque fazia isso enquanto prisioneiro. Atos termina mostrando Paulo em Roma sob custódia, mas pregando o reino de Deus, ensinando a respeito do Senhor, a ensinando a respeito de Jesus Cristo, o Senhor, com intrepidez, sem impedimento. A palavra final dele não é a cadeia, é o evangelho sem impedimento. Mas isso não significa que as cadeias eram moralmente necessárias. Não eram. Significa que o evangelho é mais forte do que as cadeias. Romanos 15:32. Então, não deve ser usado para suavizar a tragédia de Atos, deve ser usado para iluminá-la. Paulo pediu oração para ser livre dos desobediências da Judeia. Ele não foi livre deles no sentido simples. Foi agarrado por eles, acusado por eles, quase morto por eles. Paulo pediu que seu serviço fosse aceito pelos santos. A narrativa sugere que ele teve uma recepção formal, mas logo revela que a comunhão em Jerusalém estava contaminada por suspeitas, pressão e medo dos legalistas. pediu para chegar a Roma com alegria e descanso. Chegou a Roma sim, mas depois de anos de prisão, processos e naufrágio. Presta atenção nisso para você entender um pouco da sua vida, das suas decisões, das minhas decisões, porque é isso que nos leva ao arrependimento, é poder dizer para Deus: "Fiz muita bobagem. Fiz muita bobagem e quero te agradecer porque o Senhor me salvou apesar das minhas bobagens, >> porque senão eu vou pegar e dizer: "Ah, eu fiz bobagem". Mas foi Deus que quis que eu fizesse bobagem. Desculpa, companheiro. Desculpa, amado irmão. Tem algum problema na sua na sua lógica? Aí tem algum problema na sua lógica? Isso me faz lembrar um pastor que eu fui falar uma vez com ele e eu disse: "Não, nós temos de atacar as obras do diabo como Jesus Cristo disse". Ele falou: "Não". Falei: "Ué, não". Falou: "Não, Deus criou o diabo para mostrar a ira dele." Eu falei: "Você ficou louco?" O diabo é um rebelde. Você ficou louco? Jesus Cristo disse que veio para destruir as obras do diabo. Você ficou doido. Da onde você tirou essa teologia aí? Cuidado, irmãos. Deus preservou Paulo, levou o testemunho a Roma, mas a forma histórica dessa cheg dessa chegada carrega erros e injustiças que não devem ser batizadas como vontade ideal de Deus. A resposta de Deus não consentiu em aprovar o mal, mas em vencê-lo do lado de dentro. Ele foi lá dentro da história e venceu o mal. E essa distinção liberta a teologia cristã de uma resignação doenta. Nem tudo que acontece deve ser chamado de vontade de Deus no mesmo sentido. Há vontade moral de Deus que ama justiça, verdade, fidelidade e misericórdia. As permissões divinas misteriosas em uma em uma história onde seres humanos realmente decidem, realmente pecam, não é permissão para pecar, é permissão para decidir. Essa permissão eu tenho e você tem. Então, saiba como decidir. E ação redentora de Deus que não se limita a cenários perfeitos, mas entra nos escombros. E eu sei nos escombros que ele entrou na minha vida e constrói testemunho onde havia ruína. Quando confundimos essas dimensões, a gente corre o risco de chamar Herodes Pilatos, multidões manipuladas, líderes omissos, sistemas injustos de instrumentos necessários no sentido moral, como se Deus fosse dependente deles. Mas o Deus bíblico não é refém da maldade humana. Ele não precisa da injustiça, ele julga a injustiça. Ele não precisa do pecado, ele vence o pecado. Ele não precisa da covardia dos irmãos, ele a expõe. Ele não precisa da violência do império, ele transforma até tribunais imperiais em lugares onde Cristo é anunciado. Por isso, a frase pela vontade de Deus em Romanos precisa ser lida não como um carimbo antecipado sobre todos os acontecimentos posteriores, mas como a submissão do plano de Paulo ao Deus, cuja vontade é boa, santa e redentora. Paulo desejava chegar com alegria. Deus desejava a expansão do testemunho. Entre o desejo apostólico e o testemunho em Roma entraram a advertência de Ágapo, a pressão de Thago, a concessão de Paulo, a violência dos acusadores, a omissão dos irmãos, a custódia romana e a apelação a César. A vontade de Deus não pode ser identificada com isso, não. A vontade de Deus se manifesta antes no fato de que nenhum desses elementos conseguiu destruir a missão de Paulo. Essa é a vitória de Deus. Deus não foi autor daquela esparrela. Foi o redentor do homem que caiu na esparrela. Deus não foi o autor da acusação falsa, foi o defensor do acusado. Deus não foi o autor da omissão fraterna, foi a presença fiel quando os irmãos não apareceram. Deus não foi o autor da cadeia injusta, mas fez da cadeia uma plataforma de testemunho. Isso é sensato, isso é bíblico e isso é pastoral. Nos impede de acusar Deus, de precisar do mal para fazer o bem. nos impede de absolver, Thago de toda responsabilidade, apenas porque Deus continua agindo depois e nos impede de tornar Paulo infalível apenas porque Paulo era apóstolo. Ela nos impede de transformar Roma em instrumento da vontade de Deus apenas porque Paulo chegou a Roma e ao mesmo tempo nos impede de cair no desespero como se o erro humano tivesse o poder de cancelar a missão de Deus. A providência redentora não é determinismo frio, é fidelidade divina em uma história quebrada. E eu tenho que história quebrada, você talvez não, mas eu sei o que é ter uma história quebrada. Deus não chama o mal de bem. Deus não transforma o mal em ocasião de bem. Deus não chama injustiça de justiça. Deus faz justiça avançar apesar da injustiça. Deus não chama confusão de obediência. Deus não encontra seus servos dentro da confusão e ainda lhes diz: "Coragem nessa confusão, né?" E vem salvar. Então, Romanos 15:32 nos torna nos dá uma chave preciosa para reler toda a trajetória. Pelo amor de Deus, o plano original de Paulo era chegar em Roma com alegria, liberdade missionária, descanso comunitário. A história efetiva levou levou a Roma por outro caminho, um caminho que expôs tensões profundas entre Jerusalém e missão gentílica. revelou fragilidade das lideranças, mostrou a violência e por aí vai. Dizer que Deus precisou desse caminho justo para cumprir sua vontade é muito perigoso e eu diria desnecessário. O Deus de Paulo é maior que os erros de Paulo, assim como o seu Deus é maior que os seus erros. O deus da missão é maior do que as estratégias equivocadas de um grande líder como Thago. O Deus do evangelho é maior que a que as multidões enfurecidas, maior que os tribunais convenientes e os impérios violentos. Deus não é cúmplice da injustiça. Ele é o Senhor que entra na história, confronta o mal, preserva os seus servos e faz com que até aquilo que foi planejado para silenciar a palavra de Deus acabe servindo para que a palavra corra. No fim, essa leitura não diminui a soberania de Deus, que é o atributo de Deus entrar na história para fazer valer a redenção. Não, ele engrandece. Um Deus que precisa da injustiça é pequeno porque depende do pecado para realizar seus planos. O Deus bíblico é infinitamente maior. Ele não precisa da injustiça, ele é capaz de vencê-la. Ele não precisa do erro, é capaz de corrigi-lo. Não precisa da omissão, é capaz de suprir o abandonado. Não precisa da cadeia, mas é capaz de transformá-lo em púlpito. E eu tô dizendo isso, eu mando tanto tempo de vocês, porque eu tô ouvindo cada dia mais crentes viverem uma droga de vida. tomarem as piores decisões, jogarem fora o testemunho de Cristo, zombarem da cruz e quererem ser aplaudidos como se eles estão dentro da vontade de Deus. Porque a vontade de Deus não pode ser quebrada, é a vontade de Deus que seja assim. Mentira. Eles estão assim porque desobedeceram, porque mentiram, porque roubaram. É mentira. E todos nós estaremos diante do juízo de Deus. Isso tem de ficar guardado. Deus vai salvar o seu nome e glorificar o seu filho. Ponto. Não existe essa esse fatalismo de tudo tinha de acontecer assim, logo tudo foi vontade de Deus. Não, o que a providência redentora diz é: "Muita coisa não deveria ter acontecido assim, mas Deus foi fiel apesar disso." Ponto. E eu quero dizer claramente para vocês, Deus é santo, Deus é justo, Deus é misericordioso. >> Deus não é o autor do mal. >> Amém. >> Deus é o redentor poderoso de histórias quebradas. Todos nós tomamos decisões certas e decisões erradas. As decisões certas, nós glorificamos a Deus. Nas decisões erradas nós glorificamos a Deus com o nosso arrependimento. Deus não volta para se vingar de nós. Ele volta, ele vem para nos salvar. >> Inclusive das nossas decisões equivocáveis. Por isso ele aceita arrependimento, porque ele sempre vem com perdão, ele sempre vem com misericórdia, ele sempre vem com salvação, ele sempre vem com redenção, mas ele não vem com cumplicidade com o mal, senão não dava para confiar nele. Não dá para confiar naquele que é senhor da sua vida e pode simplesmente jogar você na mão do diabo, pro diabo fazer o que quiser, porque é a vontade dele. Isso não existe nas escrituras. Quando eu fui pras trevas, eu fui com as minhas pernas, mesmo sabendo tudo que eu sabia. A bênção é que o Deus Redentor nunca desistiu de nenhum de nós >> e não desistirá nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Essa esse é o o ódio de Satanás. Deus não vai desistir da gente. >> Amém. >> E ele vai nos buscar onde a gente tiver. >> Amém. e vai nos resgatar de todas as besteiras, inclusive as que nós mesmos fizemos. >> Amém. >> Amém. Glória a Deus. >> Então, tenham paciência comigo, porque hoje eu tinha de dizer para vocês, tende de reaprender a ler a história, inclusive a sua própria história. Senão você vai ser manipulado, isso vai virar uma tragédia. Amém. >> Amém. Amém. >> Então, que a graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a unidade da Trindade, a comunhão maravilhosa do Espírito Santo, a cura de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo seja com cada um dos irmãos e irmãs, com toda a igreja de Deus espalhada pela face e que alcance toda a humanidade como Deus prometeu a Abraão. Amém. Glória a Deus. Tchau. >> Tchau, gente. Paz e graça. Deus abençoe.