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A fé vem pelo ouvir

Santidade que Mata e Graça que Salva | Josemar Bessa

Santidade que Mata e Graça que Salva  | Josemar Bessa

Santidade que Mata e Graça que Salva | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Davi reuniu novamente todos os melhores
soldados de Israel num total de 30.000
homens.
Ele e todos os que estavam com ele
partiram para Bala de Judá para buscar a
arca de Deus que leva o nome, o nome do
Senhor dos Exércitos entronizado entre
os querubins. Segunda Samuel 6 1 e 2.
Davi cria Deus no centro, no centro da
cidade, no centro do reino, no centro da
vida pública, no centro da sua própria
alma.
Não queria apenas uma capital forte,
queria uma capital ajoelhada. Não queria
apenas estabilidade política, queria
presença santa. Não queria apenas reunir
tribos, organizar exércitos, consolidar
poder, fortalecer fronteiras,
estabelecer governo. Ele queria que o
trono visível de Israel ficasse debaixo
do trono invisível
do Senhor. Por isso ele vai buscar a
arca. E precisamos entender isso. A arca
não era um objeto mágico, não era
amuleto nacional, não era relíquia
religiosa,
não era ornamento sagrado para dar
prestígio à cidade, não era símbolo
vazio de uma tradição antiga, não era
peça de museu espiritual. A arca estava
ligada à presença de Deus.
era o lugar eh chamado pelo nome, o
lugar associado ao trono do Senhor entre
os querubins,
o centro do Santo dos Santos, o ponto
mais solene da adoração de Israel. Ali
de algum modo misterioso e tremendo,
Deus ensinava ao seu povo que ele
habitava no meio deles, mas não podia
ser tratado como
comum.
Próximo, mas santo, presente, mas
perigoso, misericordioso, mas não eh
manipulável.
A arca pregava sem palavras, pregava que
Deus reina, pregava que Deus eh se
aproxima, pregava que Deus não é
domesticado, pregava que há uma
distância terrível entre a santidade do
Senhor e a impureza do homem. pregava
que a presença de Deus é a maior bênção
de um povo e também
o maior risco para quem se aproxima sem
reverência. Davi queria essa presença em
Jerusalém, que isso era grande, porque
Jerusalém não deveria ser apenas a
cidade de Davi, deveria ser a cidade
onde a glória de Deus ocupasse o centro.
Davi entendia que o reino não lhe
pertencia em primeiro lugar. Israel não
era propriedade do rei. O povo era do
Senhor. A terra era do Senhor. A vitória
era do Senhor, a coroa era do Senhor. O
trono de Davi só era legítimo
se estivesse subordinado ao trono de
Deus.
Essa é uma verdade que todo coração
precisa
reaprender, porque o homem sempre quer
governar a própria Jerusalém. Quer Deus
por perto, mas não no centro.
Quer Deus abençoando, mas não reinando.
Quer Deus protegendo, mas não
confrontando.
Quer Deus confirmando
projetos, mas não derrubando ídolos.
Quer Deus como presença decorativa na
cidade que o próprio homem construiu?
Mas a arca não podia ser decoração. A
presença de Deus não pode ser usada como
enfeite espiritual de ambições humanas.
Deus no centro é outra coisa. Quando
Deus vem para o centro, ele reorganiza
tudo. Reganiza poder, reorganiza desejo,
reorganiza culto, reorganiza medo,
reorganiza alegria, reorganiza culpa,
reorganiza governo, reorganiza a própria
ideia de grandeza. O homem não
acrescenta a Deus a vida, como quem
acrescenta um detalhe religioso na
agenda.
Deus entra como Senhor. E quando o
Senhor entra, nada fica neutro. A casa
deixa de ser apenas casa, o trabalho
deixa de ser apenas trabalho. O dinheiro
deixa de ser apenas dinheiro. A política
deixa de ser apenas política. A família
deixa de ser apenas família. A cidade
deixa de ser apenas cidade. Tudo passa a
perguntar: Quem reina aqui?
Quem é adorado aqui? Quem recebe o
centro? Quem define o bem? Quem governa
a alma?
Davi queria que essa pergunta fosse
respondida diante de todo Israel. O
Senhor reina, não Davi. O Senhor
governa, não a coroa. O Senhor está no
centro, não a força militar, não a
estratégia política, não a honra do rei,
não a segurança nacional, Deus.
Mas há uma coisa que Davi ainda
precisava aprender.
Querer Deus no centro é glorioso, mas
também
é perigoso. Porque Deus não vem ao
centro como energia religiosa
controlável, ele vem como o santo. E o
santo não pode ser conduzido como objeto
nas mãos humanas. O santo não pode ser
administrado como ferramenta de governo.
O santo não pode ser carregado sem
temor. O santo não pode ser aproximado
sem mediação.
Davi ainda não sabia o peso disso. Ele
reúne homens, organiza procissão,
celebra com instrumentos. Há entusiasmo,
à música, a força nacional, a movimento
religioso,
a emoção pública, mas entusiasmo não
substitui reverência. Boa intenção não
substitui obediência. Celebração não
substitui santidade. Música não cobre e
irreverência. Um povo pode cantar muito
e tremer pouco, pode celebrar muito e
discernir pouco,
pode falar de presença e ainda tratar
Deus como se ele coubesse em nossos
métodos.
Essa é a primeira tensão do texto. Davi
quer Deus perto, mas ainda precisa
aprender quem é esse Deus. Ele quer
trazer a arca, mas ainda precisa
descobrir que ninguém traz Deus para o
centro sem ser primeiro confrontado por
sua santidade.
Então vem a pergunta que corta tudo.
Depois da morte de usar, Davi teme e
diz: "Como a arca do Senhor virá a mim?"
Essa pergunta é o coração espiritual da
história. Não é apenas pergunta
logística, não é apenas como faremos o
transporte, quem carregará, qual caminho
tomaremos, onde colocaremos a arca. Não.
A pergunta é mais profunda.
Como a presença do Deus santo pode vir a
mim? Como o Senhor dos exércitos pode
habitar no meio de um povo impuro?
Como o trono de Deus pode chegar à
cidade de um rei pecador? Como Deus pode
aproximar-se sem consumir? Como a glória
pode entrar sem destruir?
Como o santo pode vir ao centro da vida
humana?
Essa pergunta atravessa toda a
escritura. O salmo pergunta:
"Quem poderá subir ao monte do Senhor?
Quem poderá entrar no seu santo lugar?
Aquele que tem as mãos limpas.
E o coração puro que não recorre aos
ídolos, nem jura por deuses falsos. Mãos
limpas, coração puro. Quem tem? Quem
pode subir? Quem pode trazer Deus para o
centro sem ser exposto? Quem pode dizer:
"Senhor, vem para minha vida e permanece
eh eh eh eh
permanecer tocado?"
Quando Deus vem ao centro, ele não vem
apenas para confortar, vem para
purificar, não vem apenas para dar
sentido, vem para reivindicar, não vem
apenas para fortalecer nossas
estruturas, vem para julgar o que
construímos sem ele. Muitos querem Deus
como bênção periférica. Um Deus para
momentos de crise, um Deus para proteger
planos, um Deus para dar paz emocional,
um Deus para
legitimar família, carreira, nação,
projeto, sonho. Um Deus que fique
próximo o suficiente para socorrer, mas
distante o suficiente para não governar.
Mas o Deus vivo não aceita
essa posição. Cristo não entra para
ocupar um canto. Ele é o próprio. Ele é
o princípio, ele é o é o centro.
Ele é o primogênito dentre os mortos.
Ele é aquele que deve ter a supremacia
em tudo. Ele é antes de todas as coisas
e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do
corpo, que é a igreja. é o princípio e o
primogênito dentre os mortos para que em
tudo tenha a supremacia. Em tudo, não em
alguns cultos, não em algumas emoções,
não em algumas decisões religiosas, em
tudo. Cristo não é acessório da vida
espiritual,
ele é o centro de todas as coisas. E se
Cristo ocupa o centro, não há área
autônoma, não há quarto fechado, não há
trono reservado, não há parte da cidade
onde o rei não entra. Ele governa a
adoração, governa o corpo, governa a
sexualidade,
governa o dinheiro, governa a ambição,
governa a língua, governa os afetos,
governa o modo como usamos poder,
governa o modo como tratamos fracos,
governa o modo como lidamos com a
própria culpa, governa o modo como
celebramos, governa até nossa alegria.
Por isso, desejar Deus no centro não é
coisa pequena. É pedir que tudo seja
submetido.
É pedir que a presença santa atravesse o
coração e mostre o que está fora do
lugar. é pedir que o Senhor derrube o
que parecia estável, mas estava
construído sobre o orgulho.
Eu pedi que ele purifique o culto, a
cidade, o rei, o povo,
a alma. Davi queria Deus no centro, mas
ainda precisava aprender que Deus no
centro não é Deus controlado.
A presença não obedece a nossa
coreografia. A santidade não se curva ao
nosso entusiasmo. A glória
não é carregada por métodos humanos sem
temor. O Senhor não é conduzido como
objeto. Ele conduz. Não é sustentado,
sustenta. Não é usado para engrandecer o
rei. Humilhe o rei até que o rei aprenda
a dançar como alguém salvo pela graça.
Essa é a beleza e o temor da história.
Davi não queria apenas uma cidade mais
religiosa, queria Deus no centro. Mas
quando Deus vem para o centro, o homem
descobre que não controla a presença.
E
um rei comum protege sua imagem. Davi
perde a imagem diante de Deus.
Um rei comum exige distância. Davi se
mistura com o povo. Um rei comum vive de
honra. Davi dança diante da graça. Essa
é a cena.
A arca entra na cidade, o povo grita, as
trombetas soam, os sacrifícios são
oferecidos, a presença do Senhor se
aproxima do centro e o rei não fica
parado em uma varanda frio, distante,
calculado, intocável, David dança, não
com uma dignidade cuidadosamente
administrada, não com um gesto moderado
para preservar majestade.
Não, com uma celebração
protocolar de chefe de estado. Ele dança
com todas as suas forças diante do
Senhor. Davi, vestindo uma
um colete sacerdotal de linho, foi
dançando com todas as suas forças
perante o Senhor. Segunda Samuel 6:14.
com todas as suas forças, não metade do
coração, não uma liturgia sem sangue,
não uma formalidade sem espanto. Davi
está inteiro, corpo, alma, alegria,
vergonha, reputação, coroa, tudo
diante de Deus. Isso mostra que ele é um
homem transformado, porque reis não
agiam assim. Reis antigo antigos não
desciam demais, não se misturavam
demais, não se expunham demais, não
mostravam vulnerabilidade demais.
O poder precisava ser remoto, a
dignidade precisava ser protegida, a
honra precisava ser defendida, a imagem
precisava ser guardada. Um rei fraco
convidava desprezo. Um rei acessível
demais parecia comum. Um rei que se
igualava ao povo parecia perder a
autoridade. Mas Davi está vivendo sob
outra lógica. Ele sacrifica, ele abençoa
o povo, ele distribui alimento não
apenas aos homens principais, não apenas
aos chefes, não apenas às famílias
nobres, a homens e mulheres, a todos.
Então ele deu a cada israelita, tanto
homem como mulher, um pão, um bolo de
tâmaras e um bolo de passas.
E todo o povo voltou para casa. Segunda
Samuel 6:19. O rei abençoa, o rei
reparte, o rei se aproxima, o rei
celebra com o povo. O rei não usa o povo
apenas como plateia para sua grandeza.
Ele compartilha alegria.
Isso é estranho.
E Mical vê, ela observa da janela essa
posição já diz muito. Davi está na rua,
Mical está na janela. Davi está no meio
do povo, Mical está acima olhando. Davi
está celebrando, Mical está julgando.
Davi está diante do Senhor. Mica está
presa à lógica da velha casa de Saul.
Ela vê o rei dançando, vê a alegria, vê
a exposição, vê o abandono e despreza.
Quando a arca do Senhor estava entrando
na cidade de Davi, Mical, filha de Saul,
observava de uma janela. Ao ver o rei
Davi dançando e saltando diante do
Senhor, elo desprezou em seu coração.
Segunda Samuel 6:16.
Ela o desprezou.
Não apenas achou estranho, não apenas
ficou desconfortável, desprezou. Porque
Mical entendia a realeza de outro modo.
Ela era filha de Saul, foi criada dentro
da velha lógica do poder, a lógica da
aparência, da distância, da imponência,
da honra preservada, do trono que exige
temor humano,
do rei que precisa aparecer maior do que
todos para não perder controle. para
Mical.
Davi estava se rebaixando, estava
manchando a majestade, estava rompendo o
protocolo do poder, estava agindo como
um homem comum, estava descendo demais,
estava eh eh descendo. Então, ela fala
com sarcasmo. Como o rei de Israel se
destacou hoje, tirando o manto na frente
das escravas de seus servos, como um
homem vulgar. Segunda Samuel 6:20. Que
frase
amarga. Ela não consegue enxergar
adoração, só enxerga a perda de status,
não consegue enxergar liberdade, só
enxerga humilhação social, não consegue
enxergar graça, só enxerga indecoro.
Isso revela algo
profundo. Quem adora a própria dignidade
sempre desprezará quem foi liberto dela.
Quem vive para preservar imagem não
entende o coração que se derrama diante
de Deus.
Quem precisa parecer grande não suporta
ver alguém se tornar pequeno diante do
Senhor.
Micael está escandalizada porque Davi
não está ajoelhado diante da própria
coroa.
Mas Davi responde com teologia, não
responde apenas com emoção. Não diz
apenas eu estava feliz.
Não diz, esse é o meu jeito. Não diz,
você precisa aceitar minha
espontaneidade.
Não, ele diz, foi perante o Senhor que
eu dancei, perante aquele que me
escolheu em vez de seu pai ou de
qualquer outro da família dele, quando
me designou soberano sobre o povo do
Senhor, sobre Israel, perante o Senhor,
celebrarei.
Segunda Samuel 6:21. foi perante o
Senhor. Essa frase
decide tudo. Davi não dançava para
impressionar o povo. Não dançava para
construir uma imagem de rei popular. Não
dançava para provocar Mical. Não dançava
por
teatilidade religiosa. Dançava perante o
Senhor. E diante do Senhor a dignidade
humana encontra seu lugar. Davi sabe
quem ele é, mas sabe quem Deus é. Ele é
rei, mas Deus é senhor.
Ele está acima de Israel, mas Deus está
acima dele. Ele recebeu coroa, mas não é
fonte da própria coroa. Ele governa o
povo, mas o povo é do Senhor. E por isso
Davi pode se humilhar, porque sabe que
sua grandeza não nasceu nele, foi dada.
O Senhor me escolheu. Essa é a chave.
Davi não diz: "Eu conquistei, eu mereci.
Eu me fiz, eu subi por minha força, eu
era de linhagem nobre, eu tinha sangue
real, eu venci porque era superior. Não,
ele sabe de onde veio. Veio do campo,
veio das ovelhas, veio do esquecimento,
veio de uma casa onde nem foi chamado
para a primeira apresentação diante de
Samuel. Quando Samuel olhou para Eliabe,
Deus disse: "Não considere sua
aparência. nem sua altura, pois eu o
rejeitei. O Senhor não vê como homem. O
homem vê a aparência, mas o Senhor vê o
coração. Aí em Primeira Samuel 16:7,
Davi foi escolhido pela graça, não pelo
olhar humano, não por protocolo real,
não por aparência, não por pedigri,
não porque todos o apontaram como óbvio.
Deus o chamou. Deus o tirou de trás das
ovelhas. Deus colocou olho sobre sua
cabeça. Deus lhe deu o trono. Davi sabe
disso. E quem sabe que recebeu tudo por
graça, não precisa fingir que gerou a
própria glória.
A grata, a a graça mata a pose.
A graça fere a vaidade. A graça desmonta
a encenação. A graça torna ridícula a
necessidade de parecer autossuficiente
diante de Deus. Davi pode dançar porque
não precisa mais sustentar uma dignidade
teatral.
Ele já foi visto por Deus no campo, já
foi escolhido por Deus quando homens não
o consideravam, já foi trazido por Deus
até o trono. Então, diante da arca não
há motivo para proteger a imagem, como
se a imagem fosse sua
salvação.
Ele diz ainda: "Não tenho vergonha de me
rebaixar ainda mais e me humilharei aos
meus próprios olhos, mas serei honrado
por essas escravas de quem você falou."
Segunda Samuel 6:22.
Eu me rebaixarei ainda mais. Isso não é
autodprezo carnal, é liberdade. Davi não
está dizendo que a honra não importa em
sentido nenhum. Ele está dizendo que
diante de Deus a honra humana não pode
ser um ídolo.
Ele não precisa ser grande aos próprios
olhos. Não precisa ser intocável. não
precisa ser temido como os reis das
nações. Não precisa administrar cada
gesto para proteger uma imagem
fabricada. Ele pode se humilhar diante
do Senhor, porque a verdadeira adoração
mata a escravidão da reputação. Aquilo
que adoramos nos controla. Se você adora
poder, verá com medo de parecer fraco.
Você adora reputação, viverá preso aos
olhos humanos. Se adora beleza, morrerá
mil vezes diante do envelhecimento.
Se adora sucesso, tremerá diante da
queda. Se adora controle, entrará em
pânico diante do imprevisto.
Se adora inteligência, terá medo
constante de ser disposto como
insuficiente.
Se adora aprovação, cada crítica será
uma pequena condenação.
Os ídolos prometem grandeza, mas
produzem escravidão. O Senhor diz, os
ídolos deles são prata e ouro, feitos
por mãos humanas. Tem boca, mas não
podem falar. Olhos, mas não podem ver.
Tem ouvidos, mas não podem ouvir. Nariz,
mas não podem sentir cheiro. Tem mãos,
mas nada podem apalpar. Pés, mas não
podem andar. Não emitem som algum com a
garganta. Tornem-se como eles aqueles
que os fazem e todos os que neles
confiam.
Salmo 115.
Tornam-se como eles. Essa é a lei da
adoração. Você se torna semelhante ao
que adora. Se adora um ídolo morto, sua
alma endurece. Se adora poder, torna-se
desconfiado. Se adora imagem, torna-se
superficial.
Se adora controle, torna-se ansioso. Se
adora a própria dignidade, torna-se
incapaz da alegria verdadeira. Mas se
contempla o Senhor, a alma começa a
mudar. E todos nós que com a face
descoberta contemplamos a glória do
Senhor segundo a sua imagem, estamos
sendo transformados
com glória cada vez maior, a qual vem do
Senhor, que é o Espírito. Segunda
Coríntios 3:18.
Davi foi transformado porque adorou, não
porque teve apenas uma emoção forte, não
porque música o agitou por um momento,
não porque a atmosfera pública produziu
entusiasmo. Ele foi transformado porque
viu algo de Deus. Viu que Deus era mais
santo do que imaginava.
Viu que Deus era mais gracioso do que
usava crer. Viu que sua coroa era graça.
Viu que a presença do Senhor valia mais
que a própria imagem. E quando isso
acontece, o homem começa a ser livre.
Livre para celebrar, livre para servir,
livre para dar, livre para se humilhar,
livre para não viver como escravo da
janela de Micalu. Porque sempre haverá
uma janela, sempre haverá alguém
observando, sempre haverá alguém
julgando sua devoção, sempre haverá
alguém chamando sua entrega de exagero,
sempre haverá alguém dizendo que você
deveria preservar mais a imagem, ser
mais moderado, mais digno, mais
aceitável, mais sofisticado, mais
protegido.
Mas quem vive diante do Senhor não pode
ser governado pela janela. Davi diz:
"Foi perante o Senhor".
Essa frase deveria curar muita coisa
em nós. Foi perante o Senhor que eu
cantei, foi perante o Senhor que eu
servi, foi perante o Senhor que eu me
humilei, foi perante o Senhor que eu
confessei pecado.
Foi perante o Senhor que eu perdi
reputação. Foi perante o Senhor que eu
obedeci quando ninguém entendeu. Foi
perante o Senhor. A adoração verdadeira
nos coloca diante de um olhar maior. E
quando o olhar de Deus pesa mais que o
olhar dos homens, a alma começa a se
libertar.
Mas há algo ainda mais profundo. Davi,
de algum modo aponta para outro rei, um
rei maior, um rei que não apenas perdeu
dignidade em uma dança, mas esvaziou-se.
O filho
eterno não se apegou à glória como algo
a ser usado em benefício próprio.
Seja a atitude de vocês a mesma de
Cristo Jesus, que embora sendo Deus não
considerou que o ser igual a Deus era
algo a que devia apegar-se, mas
esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser
servo, tornando-se semelhante aos
homens. Filipenses 2, 5 e 7. Cristo
desceu, não simbolicamente, realmente,
desceu da glória à carne, da adoração
dos anjos ao desprezo dos homens, do
trono à manjedoura, da majestade visível
à forma de servo, da honra eterna, a
vergonha da cruz. Davi tirou a veste
real diante da arca. Cristo foi despido
diante dos soldados. Davi foi desprezado
por Mical. Cristo foi desprezado pelos
homens. Davi se humilhou em alegria.
Cristo se humilhou até a morte e morte
de cruz. Por isso, a adoração cristã é
mais profunda do que a dança de Davi.
Nós não apenas vemos um rei que se
alegra diante da presença. Vemos o rei
que se humilhou para nos levar à
presença.
E quando essa graça nos alcança, a
escravidão da imagem começa a morrer.
Você não precisa ser o centro. Cristo é.
Você não precisa sustentar uma grandeza
falsa. Cristo se humilhou por você.
Você não precisa viver ajoelhado diante
dos olhos humanos.
O Senhor viu você em sua pobreza e o
chamou por graça. David dançou porque a
graça o libertou da própria coroa.
Quem sabe que foi escolhido por Deus não
precisa viver ajoelhado diante da
própria imagem.
E
usar estendeu a mão.
A arca tremia,
os bois tropeçaram, o impulso parecia
correto, a intenção parecia útil, o
gesto parecia necessário, a mão parecia
poderosa, mas Deus feriu usar e ele
morreu ali ao lado da arca.
A cena interrompe a música, interrompe a
processão, interrompe a alegria
nacional, interrompe o entusiasmo de
Davi. Um momento antes havia celebração,
instrumentos, força, multidão,
movimento, eh, religião pública, o rei
avançando, a cidade esperando, depois
silêncio, morte, temor, ira, confusão.
Davi fica indignado, depois fica com
medo e pergunta: "Como a arca do Senhor
virá a mim?"
Essa pergunta nasce do choque, porque
para nós a primeira impressão é quase
inevitável,
não parece excessivo. O Zar não estava
tentando ajudar, ele não queria impedir
que a arca caísse. A intenção não era
boa, os boos tropeçaram. A arca aparecia
em risco. Ele apenas estendeu a mão e
ainda assim morreu.
Esse texto fere nossa sensibilidade
moderna. Fere porque estamos acostumados
a imaginar Deus como alguém sempre
seguro, sempre manejável, sempre
disposto para aceitar boas intenções
como substituto de reverência.
Mas o texto não nos deixa ali. Ele nos
obriga a encarar algo que a nossa
geração evita. Deus é santo, mais santo
do que imaginamos, mais santo do que
nossos impulsos religiosos conseguem
suportar. Mais santo do que nossas
intenções conseguem administrar, mais
santo do que nossas mãos podem tocar. A
morte de usar não aconteceu porque Deus
perdeu o controle, não aconteceu porque
Deus reagiu com exagero.
Não aconteceu porque uma regra pequena
foi quebrada por acidente e o céu
decidiu punir sem misericórdia. A
questão era maior, muito maior. Todas as
regras já estavam sendo desprezadas. A
arca não deveria estar sendo
transportada daquele modo. Não deveria
estar descoberta. Não deveria estar
sobre um carro novo. Não deveria ser
carregada como os filisteus a haviam
carregado. Não deveria depender de bois.
Não deveria estar exposta à mão comum.
A lei era clara. Depois que Arão e seus
filhos terminarem de cobrir os objetos
sagrados e todos os utensílios do
santuário, quando acampamento estiver
para partir, os coatitas virão para
carregá-los, mas não tocarão nas coisas
sagradas para que não morram. Números
4:15.
Não tocarão para que não morram. A regra
não era uma formalidade vazia, não era
um detalhe litúrgico, não era
tecnicalidade religiosa, sem alma, era
pregação. A arca pregava quem Deus é,
pregava como Deus deve ser abordado,
pregava que sua presença não é comum.
pregava que pecadores não podem se
aproximar do santo por familiaridade,
improviso, entusiasmo ou força própria.
Tudo ao redor da arca era a mensagem, o
modo de carregá-la, quem podia
carregá-la, o fato de não ser tocada, o
fato de ser coberta, o sangue asperdido,
a distância, o santo dos santos, o vé,
tudo anunciava
uma verdade. Deus habita no meio do seu
povo, mas ninguém se aproxima dele de
qualquer maneira.
Se essa mensagem fosse perdida, o
evangelho em figura seria obscurecido. A
arca não era apenas uma caixa dourada.
Dentro dela estavam as tábuas da
aliança, a lei de Deus, o testemunho da
santidade, a palavra que dizia ao homem
o que ele deveria ser diante do Criador.
Não teráis outros deuses além de mim.
Não tomarás o nome do Senhor em vão.
Honrarás pai e mãe. Não mataráis. Não
adulteraráis, não furtarás. Não daráis
falso testemunho. Não cobiçaráis. A lei
estava ali e a lei é santa. Mas diante
do homem pecador, a lei não começa nos
justificando, começa nos expondo.
Ela revela o que Deus exige e revela o
que nós não somos.
Ela exige coração inteiro e encontra
afeições divididas.
Existe amor perfeito e encontra
idolatria. Exige pureza e encontra
impureza. Exige verdade e encontra
mentira. Exige contentamento e encontra
cobiça. Exige adoração e encontra o
homem curvado diante de si mesmo. Por
isso Paulo diz, como está escrito, não
há nenhum justo, nenhum sequer. Não há
ninguém que entenda, ninguém que busque
a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se
juntamente inúteis. Não há ninguém que
faça o bem, não há nenhum sequer.
Romanos 3, a partir do 10. E depois
conclui: "Portanto, ninguém será
declarado justo diante dele, baseando-se
na obediência à lei, pois é mediante a
lei que nos tornamos plenamente
conscientes do pecado." Romanos 3:20. A
lei cala a boca, a lei derruba a defesa.
A lei diz: "Você não é limpo, você não é
inteiro, você não é justo. Você não é
aquilo que foi criado para ser". Então,
tocar a arca era tocar sem mediação. O
testemunho da santidade contra o homem
impuro. Era aproximar a mão pecadora da
lei santa. era agir como se o homem
pudesse, por sua própria iniciativa,
estabilizar aquilo que pregava sua
condenação.
E aqui está o ponto mais profundo. Usá
pensou que o chão contaminaria a arca
mais do que a sua mão. A arca estava
caindo, o solo parecia indigno,
a poeira parecia ameaça, então ele
tocou. Mas pense, o chão sempre,
o chão cumpre a vontade de Deus. A terra
faz aquilo para o que foi criada. A
terra recebe a semente, produz fruto,
sustenta passos, obedece ao criador
dentro da ordem que lhe foi dada. O
problema não era a poeira, o problema
era o pecado. A terra não estava em
rebelião contra Deus. O homem estava. O
chão não era mais impuro que a mão de
usar. A alma humana é que está fora do
lugar. Esse é o escândalo. Nós pensamos
exatamente como usar. Achamos que o
problema está fora na circunstância, na
sujeira visível, no outro, na cultura,
no mundo, naquilo que pode tocar a
religião por fora.
Mas a escritura diz que o problema é
mais profundo, está na mão, no coração,
na presunção, na familiaridade
reverente, na ilusão de que podemos nos
aproximar de Deus sem sermos
purificados, na ideia de que nossas mãos
podem ajudar Deus sem antes serem
lavadas por misericórdia.
Usar também parece carregar outra
suposição. A ideia de que Deus precisava
da ajuda dele, que se ele não estendesse
a mão, a glória de Deus cairia, que a
presença de Deus dependia de sua
intervenção,
que o homem precisava sustentar Deus.
Essa é uma das formas mais sutis da
irreverência. O homem natural sempre
quer ajudar Deus. Quero ajudar Deus na
providência, como se a promessa divina
dependesse da nossa ansiedade. Quero
ajudar Deus na salvação como se a obra
de Cristo precisasse ser completada por
mãos humanas.
Quer ajudar Deus na religião como se a
glória divina dependesse do nosso
controle. Quer ajudar Deus na justiça
própria como se nossas obras pudessem
erguer o que nosso pecado derrubou. Mas
Deus não precisa das nossas mãos para
sustentar sua santidade.
Nós é que precisamos de mãos lavadas
para nos aproximarmos dele. Deus não
tropeça, nós tropeçamos. Deus não está
em risco, nós estamos. A glória não
precisava de usar. Usar precisava de
graça. Quando Isaías viu o Senhor
assentado num trono alto e exaltado, não
disse: "Como posso ajudar?" disse: "Ai
de mim! Estou perdido, pois sou um homem
de lábios impuros e vivo no meio de um
povo de lábios impuros. Os meus olhos
viram o rei, o senhor dos exércitos."
Isaías 6:5.
Essa é a reação de quem viu a santidade.
Não controle, não autoconfiança, não
familiaridade, terror santo,
quebrantamento, consciência de impureza.
A santidade de Deus não nos chama
primeiro a estender a mão, chama-nos a
cair de joelhos. Isso precisa ser
recuperado.
Há uma irreverência religiosa que nasce
não da ausência de linguagem sobre Deus,
mas do excesso de familiaridade sem
temor. Fala-se de Deus como se ele fosse
leve.
Usa-se o nome de Deus como se eh fosse
pequeno.
Canta-se sobre Deus sem tremor. Serve-se
a Deus sem arrependimento.
Toca-se nas coisas santas com alma
distraída.
Transforma-se culto em técnica,
transforma-se adoração em evento,
transforma-se ministério em palco,
transforma-se presença em produto,
transforma-se Deus em extensão das
nossas intenções.
Mas Hebreus nos adverte. Portanto, já
que estamos recebendo um reino
inabalável, sejamos agradecidos e assim
adoremos a Deus de modo aceitável, com
reverência e temor, pois o nosso Deus é
fogo consumidor.
Hebreus 12, a partir do 28. fogo
consumidor, não fogo decorativo, não
calor emocional, fogo santo. O Deus da
graça continua sendo fogo consumidor.
E a graça verdadeira não nos torna menos
reverentes, torna-nos mais. Porque
sabemos que só estamos vivos diante
desse fogo porque outro foi consumido em
nosso lugar. A morte de usar é uma
misericórdia terrível. Terrível porque
mostra o juízo. Misericórdia porque
impede o povo de esquecer quem Deus é.
Davi precisava aprender. Israel
precisava aprender. Nós precisamos
aprender. Deus é mais santo do que
pensamos.
A presença não se manipula. A lei não se
toca sem maldição e imediação.
A glória não se carrega de qualquer
modo.
Boas intenções
não anulam irreverência. Entusiasmo não
substitui obediência. Religião pública
não cobre pecado privado. Davi descobriu
isso. O Deus que ele queria no centro
não era seguro no sentido superficial.
era santo, perigoso, livre,
majestoso, não cabia na carroça nova,
não cabia na coreografia do rei, não
cabia na mão de usar, não cabe em nossas
mãos. E se ficarmos apenas aqui, haverá
apenas terror. Mas o terror é
necessário, porque ninguém entenderá a
graça enquanto não sentir o peso da
santidade.
Ninguém celebrará o sangue enquanto
achar que suas mãos são limpas. Ninguém
dançará diante da misericórdia enquanto
imaginar que pode tocar a arca e viver.
Usá pensou que a arca precisava de sua
mão, mas sua mão precisava de
misericórdia.
A santidade de Deus não tropeça. Nós é
que caímos diante dela.
E
a arca matou.
Depois abençoou Obediadom, o mesmo Deus,
a mesma presença, santidade terrível,
graça surpreendente.
Esse contraste precisa nos prender.
Porque se parássemos em usar, talvez
pensaríamos apenas isto. Deus é
perigoso. Deus é inacessível. Deus é
fogo. Deus é santidade que mata. Deus é
presença diante da qual o homem não pode
permanecer.
Isso é verdade, mas não é toda a
verdade, porque a arca que trouxe morte
junto à era de Nacom trouxe bênção à
casa de Obediedon.
O Deus que feriu a irreverência também
prosperou a casa de um estrangeiro. O
Deus que mostrou a Davi que sua
santidade não podia ser tratada com
familiaridade, também mostrou
que sua graça não podia ser limitada por
pedigri, sangue, raça, cultura ou
vantagem religiosa.
Davi ficou com medo. A alegria virou,
tremor. A processção parou. A pergunta
lá em seu como a arca do Senhor virá a
mim? E no medo Davi não quis levar a
arca para Jerusalém. Então ela deixou na
casa de Obeded o geteteu.
Essa parte tem uma ironia santa, porque
Obedon era estrangeiro. Não era, ao que
parece o nome que alguém naturalmente
escolheria para receber a arca depois de
uma morte tão súbita. Se até um
israelita caiu morto ao tocar a arca, o
que aconteceria com o estrangeiro? Se
até alguém ligado ao povo da aliança
morreu diante da santidade, o que seria
de um homem de fora? A expectativa
natural seria desastre, medo, ruína,
mais morte. Mas não foi isso que
aconteceu.
A escritura diz: "A arca do Senhor
permaneceu na casa de Obediedom, o
Geteu, durante três meses, e o Senhor o
abençoou e a toda a sua família. Bênção
não destruição, prosperidade, não
maldição, vida, não morte, o mesmo Deus,
a mesma arca, a mesma presença
e uma lição nova começa a descer sobre
Davi. Deus é mais santo do que ele
pensava, mas também é mais gracioso do
que ele imaginava. A primeira lição eh
calou sua presunção. A segunda abriu
seus olhos porque Deus estava
desmontando ao mesmo tempo dois erros
mortais. O primeiro erro é pensar que
Deus é tão santo que só pode destruir. O
segundo é pensar que Deus é tão gracioso
que a santidade não importa.
E o texto não permite nenhum dos dois.
Usar nos impede de brincar com Deus.
Obediadedom nos impede de fugir da
graça. Usá mostra que ninguém se
aproxima por familiaridade. O Obediadom
mostra que ninguém está longe demais
para a misericórdia.
Usá mostra que a santidade é real.
Obediedon mostra que a graça também é
real. E a vida espiritual só começa a
respirar quando essas duas verdades
permanecem
juntas. Separadas, elas deformam a alma.
Se você vê apenas santidade sem graça,
terá terror sem esperança. Vai fugir,
vai esconder, vai imaginar Deus como
ameaça pura, vai pensar que o melhor que
pode fazer é manter a distância. Mas se
você vê apenas graça, sem santidade,
terá levandade sem reverência. vai
brincar, vai tocar, vai manipular, vai
tratar a presença como coisa comum, vai
chamar presunção de intimidade.
A verdade bíblica é mais profunda.
Deus é santo demais para ser tratado com
irreverência e gracioso demais para ser
reduzido à ameaça distante. Ele não pode
ser tocado por mãos impuras, mas deseja
habitar no meio de pecadores. Por meio
da graça. Ele não aceita familiaridade
carnal, mas abençoa estrangeiros que não
possuem vantagem natural alguma. Essa é
a força niveladora da religião bíblica.
Ninguém tem vantagem diante do Deus
santo. Ninguém deve se desesperar diante
do Deus gracioso. O povo da aliança não
pode dizer: "Estamos seguros porque
sangue, tradição, nome, história,
cultura, rito ou proximidade externa. O
estrangeiro não precisa dizer: "Estou
longe demais, impuro demais, fora
demais, quebrado demais, sem história
demais.
A santidade fecha a boca de todos. A
graça abre a porta para qualquer um."
Paulo diz: "Não a diferença. Os todos
pecaram e estão destituídos da glória de
Deus, sendo justificados gratuitamente
por sua graça, por meio da redenção que
há em Cristo Jesus.
Não, a diferença. Essa frase humilha o
religioso
e consola o culpado. Humilha o religioso
porque ele tira toda a presunção. Não há
diferença. Não diante da necessidade de
redenção, não diante da santidade que
exige pureza absoluta. Não diante da lei
que cala toda a boca. Não diante do Deus
que sonda coração, intenção, desejo,
memória, orgulho, cobiça e idolatria,
mas também consola o culpado. Não há
diferença. Isso significa que seu
passado não crie uma categoria especial
de impossibilidade. Seu fracasso não é
maior que a graça. Sua distância não é
mais forte que o chamado de Deus. Sua
impureza não é uma exceção que o sangue
não alcança.
Se todos
estão igualmente condenados fora da
graça, então qualquer um pode ser
igualmente recebido em Cristo pela
graça. O evangelho derruba todo pedestal
e também abre todo cárcere. O Abédão
pregava isso antes que muitos
entendessem. Um estrangeiro abençoado
pela presença, um homem de fora
alcançado pela bondade, uma casa
improvável recebendo vida onde todos
esperavam perigo. Deus
estava dizendo a Davi: "Não pense que
Israel possui a minha presença por
direito natural. Não pense que a arca é
instrumento de privilégio tribal. Não
pense que o sangue humano, a origem, a
posição, a proximidade religiosa ou a
história nacional torna alguém seguro
diante de mim. Mas também não pense que
a minha santidade significa ausência de
misericórdia. Eu abençoo quem quero
abençoar. Eu me aproximo por graça. Eu
faço do estrangeiro casa de bênção.
Eu mostro que a minha presença não
pertence aos fortes, aos puros por si
mesmos, aos de dentro por mérito, aos
respeitáveis por tradição. Pertence
a graça. Isso confronta muito de nós,
porque sempre tentamos dividir o mundo
de modo confortável. Os bons e os maus,
os de dentro e os de fora, os dignos e
os indignos. os religiosos e os
distantes, os limpos e os manchados,
os que parecem ter mais chance com Deus
e os que parecem improváveis demais. Mas
a escritura não deixa essa divisão em
pé. A verdade é mais severa e mais doce.
Todos são pecadores. Todos precisam de
graça e qualquer pecador pode receber
misericórdia. Efésios diz que os gentios
estavam separados de Cristo, excluídos
da cidadania de Israel.
estrangeiros quanto as alianças da
promessa, sem esperança e sem Deus no
mundo.
Mas agora, que palavras? Mas agora em
Cristo Jesus, vocês que antes estavam
longe, foram aproximados mediante o
sangue de Cristo. Longe, agora perto.
Estrangeiros, agora família. Sem
esperança, agora reconciliados. Sem Deus
no mundo, agora edificados. como
habitação do Deus pelo espírito, como
pelo sangue de Cristo. Esse é o caminho.
Não pedigri, não nacionalidade, não
moralidade comparativa, não tradição,
não familiaridade religiosa. Sangue. O
mesmo Deus, cuja santidade não permite
mãos irreverentes, abriu pelo sangue
caminho para estrangeiros.
Isso deveria produzir
humildade profunda. Nenhum cristão pode
olhar para outro ser humano como se
fosse naturalmente superior. Nenhuma
igreja pode olhar para os de fora com
desprezo. Nenhuma tradição pode
transformar a graça recebida em orgulho.
Nenhum povo pode sequestrar Deus para
sua própria identidade cultural. Deus
não faz acepção de pessoas. Pedro
aprende isso mais tarde quando diz:
"Agora percebo verdadeiramente que Deus
não trata as pessoas com parcialidade,
mas de todas as nações aceita todo
aquele que o teme e faz o que é justo."
O Deus da arca não era um deus tribal,
nunca foi, era o Senhor de toda a terra.
E a bênção na casa de Obé de Edom era
uma antecipação, uma fresta de luz, um
anúncio de que a graça alcançaria gente
de fora.
Um sinal
de que a presença de Deus não ficaria
presa a fronteiras étnicas. Um lembrete
de que santidade e misericórdia
caminhavam para um cumprimento maior.
Davi começa a entender: A morte de Usá
lhe ensinou temor, a bênção de Obededom
lhe ensinou esperança. E sem temor, a e
esperança juntos não existe adoração
verdadeira. Só há desespero ou
superficialidade.
Mas quando o homem vê que Deus é santo e
ainda assim deseja abençoar, quando vê
que Deus é fogo e ainda assim faz
caminho, quando vê que a presença não
pode ser manipulada, mas pode ser
recebida pela graça, então algo muda. O
coração deixa de tentar controlar Deus e
começa a adorá-lo. A graça não elimina o
temor, ela o aprofunda. O temor não
elimina alegria, ele a purifica. Por
isso Davi voltará, mas voltará
diferente.
Não com a velha familiaridade, não com a
velha presunção, não com uma arca sobre
um carro novo, como se entusiasmo
bastasse. Voltará com sacrifícios,
voltará com reverência, voltará com
alegria, porque agora começa a entender
que o Deus que mata a irreverência
também abençoa o estrangeiro. que
ninguém se aproxima por direito, mas
ninguém precisa ficar longe se Deus
abrir o caminho.
Tito diz: "Mas quando se manifestaram a
bondade e o amor pelos homens da parte
de Deus, o nosso Salvador, não por causa
de atos de justiças por nós praticados,
as devidas à sua misericórdia, ele nos
salvou. Não por atos de justiça, por
misericórdia. Essa é a única esperança
para usar, para Obededom, para Davi,
para Israel, para nós.
A santidade fechou a boca de Davi. A
graça abriu seus olhos. Deus era mais
perigoso do que ele pensava e mais
misericordioso do que ele ousava crer.
E
o texto diz: "Quando os que carregavam a
arca do Senhor davam seis passos, ele
sacrificava um boi e um novilho gordo.
Vestido um colete sacerdotal de lim,
Davi foi dançando com todas as suas
forças perante o Senhor. Samuel 6:13,
né?
Davi voltou, mas não voltou do mesmo
jeito. Voltou com temor, voltou com
sacrifício, voltou com alegria, voltou
com reverência no coração e dança nos
pés.
voltou
sabendo que a presença de Deus não se
carrega com mãos irreverentes. Voltou
sabendo que Deus não é conduzido por
entusiasmo humano. Voltou sabendo que a
arca não era objeto
de procissão. Era trono, era sermão,
era juízo, era misericórdia, era o lugar
onde Deus ensinava ao seu povo a única
maneira de pecadores se aproximarem do
santo. Davi aprendeu. Antes a arca
estava sobre um carro novo, agora ela é
carregada. Antes o entusiasmo parecia
suficiente, agora há sacrifício. Antes a
presença foi tratada com familiaridade.
Agora cada passo parece dizer: "Nós nos
aproximamos, não nos aproximamos por
direito,
não entramos por mérito, não tocamos na
santidade com mãos naturais. Só há
caminho se Deus abrir caminho.
E o texto diz: "Quando os que carregavam
a arca do Senhor davam seis passos, ele
sacrificavam um boi e um novilho gordo.
Seis passos, sacrifício. Mais seis
passos, sangue. Mais seis passos, sangue
de novo." A alegria de Davi não era
levendade. Agora, era alegria coberta de
sangue, era festa com temor. dança
diante do Deus que havia mostrado sua
santidade e agora mostrava sua graça.
Porque Davi entendeu algo. A lei estava
dentro da arca. As tábuas da aliança, o
testemunho santo, a palavra que dizia ao
homem o que ele deveria ser.
A lei exigia amor perfeito, obediência
perfeita, pureza perfeita, adoração
perfeita, coração inteiro, mãos limpas,
vida sem mancha. E diante dessa lei,
nenhum homem podia ficar de pé. A lei
dentro da arca condenava, mas sobre a
arca havia o propiciatório, o lugar da
expiação, o lugar onde o sangue era
aspergido,
o lugar onde Deus dizia que se
encontraria com seu povo. Isso era o
evangelho em sombra.
Ali embaixo o sangue por cima, a culpa
exposta, a misericórdia abrindo o
caminho, a santidade exigindo justiça, a
graça oferecendo substituição.
O Deus santo não negava a lei, mas
recebia o sangue. Não porque o sangue de
animais tivesse poder em si mesmo para
resolver definitivamente a culpa humana,
mas porque apontava para outro sangue,
outro sacrifício, outro mediador, outro
cordeiro. A arca pregava que ninguém
chega a Deus pela própria justiça. A
santidade exige perfeição e nós não a
temos. A lei exige obediência e nós a
quebramos.
O coração exige pureza e nós carregamos
idolatria. As mãos deveriam ser limpas e
estão manchadas. Então, Deus abre
caminho por sangue, não por nossas mãos,
não por nossa contribuição, não por
nossa sinceridade, não por nossa emoção
religiosa, por sangue, por substituição,
por graça. Levítico mostrava isso uma
vez por ano. O sacerdote
entrava
com sangue,
não entrava vazio, não entrava com
currículo, não entrava com discurso
sobre boas intenções,
entrava com sangue, porque a aproximação
de pecadores ao Deus santo exige
expiação. E Davi agora caminha sobre
essa lógica. Ele não tenta ajudar Deus,
não tenta proteger a arca com sua
própria força, nem
não tenta colocar a presença do Senhor
em sua cidade como troféu político. Ele
sacrifica, ele reconhece. Se Deus vier
até nós, será por misericórdia. Se Deus
habitar no meio do seu povo, será por
expiação. Se Deus se aproximar de mim,
será porque o sangue cobre aquilo que
minhas mãos jamais poderiam corrigir.
Essa é a mensagem
central. A lei mostrou a distância, o
sangue abriu o caminho. A santidade nos
derrubou, a graça nos levantou. Mas tudo
isso ainda era sombra. A arca era
sombra, o propiciatório era sombra, o
sangue de touros e novilhos era sombra,
o sacerdócio era sombra, o tabernáculo
era sombra. A dança de Davi era alegria
real, mas ainda diante de sinais
incompletos.
Hebreus diz com clareza: "É impossível
que o sangue de touros e bodes tire
pecados". Impossível. Não difícil.
Impossível. O animal podia morrer, mas
não podia carregar a culpa humana de
modo final.
O sangue podia ser aspergido,
mas não podia purificar a consciência
para sempre. O sacerdote podia entrar,
mas precisava sair e precisava voltar
ano após ano, sacrifício após
sacrifício, sangue após sangue, porque o
problema ainda esperava cumprimento.
Então, Cristo veio, o filho eterno tomou
o corpo, o verdadeiro rei veio, o
verdadeiro sacerdote veio, o verdadeiro
cordeiro veio, o verdadeiro lugar de
encontro entre Deus e o homem veio.
Jesus não apenas carregou uma arca, ele
carregou a condenação que a lei
pronunciava contra nós. Não apenas
ofereceu sacrifício, ele se ofereceu.
Não apenas aspergiu sangue alheio,
derramou o próprio sangue. Não apenas
entrou em um santo dos santos feito por
mãos humanas. Entrou na presença do pai
por meio da sua própria obra consumada.
Na cruz,
a lei não foi ignorada, foi cumprida. O
pecado não foi minimizado, foi julgado.
A justiça não foi suspensa, foi
satisfeita. A graça não foi barata,
custou o sangue do filho. Romanos diz
que Deus apresentou Cristo como
sacrifício de expiação mediante a fé
pelo seu sangue para demonstrar sua
justiça.
Justiça, não sentimentalismo, não
esquecimento superficial, não
indulgência barata, justiça. Deus é
justo e justificador. Justo porque o
pecado foi tratado. justificador, porque
o pecador é recebido em Cristo. Essa é a
glória da cruz.
Na cruz, a santidade e a misericórdia
não competem. A santidade é satisfeita,
a misericórdia transborda. A lei diz:
"Culpado", Cristo diz: "Eu respondo por
ele". A justiça diz morte, Cristo diz:
"Tomo a morte sobre mim". A culpa diz:
"Não há acesso", Cristo diz: "Está
consumado". E quando ele morre, o véu se
rasga.
Naquele momento, o véu do santuário
rasgou-se em duas partes, de alto a
baixo.
De alto a baixo, não de baixo para cima,
não obra humana, não mão sacerdotal, não
conquista religiosa. Deus abriu o
caminho.
O caminho foi
rasgado por Deus, porque o filho foi
rasgado por nós. A presença que mataria
pecadores sem mediação, agora recebe
pecadores em Cristo. Não porque Deus se
tornou menos santo, mas porque Cristo
carregou a maldição. Não porque a lei
deixou de exigir, mas porque Cristo
cumpriu. Não porque o pecado deixou de
importar, mas porque o cordeiro morreu.
Por isso João registra a palavra final
do crucificado. Está consumado.
Consumado. Não iniciado. Não
parcialmente resolvido. Não entregue à
cooperação humana. consumado, o
sacrifício definitivo, a expiação
perfeita, o caminho aberto, a arca
comprida, o propiciatório revelado, o
sangue final derramado. Agora entendemos
o que Davi via apenas de longe. Ele via
sangue de animais, nós vemos o sangue do
filho.
Ele viu a arca, nós vemos Cristo. Ele
via o propiciatório. Nós vemos Jesus
como lugar onde Deus encontra pecadores
sem negar sua santidade.
Ele via sombras, nós vimos o corpo. Isso
deveria produzir em nós uma alegria
ainda mais profunda que a dele. Porque
quando o homem vê apenas a santidade
entra em terror como Davi, como a arca
do Senhor virá a mim. Quando o homem vê
apenas graça, sem santidade, entra em
leviandade, toca na arca, improvisa
culto, trata a Deus como comum. Mas
quando vê a santidade satisfeita pela
graça no sangue de Cristo, nasce
adoração, nasce temor, nasce humildade,
nce alegria, nasce dança, não dança
vazia, não emoção sem doutrina,
não entusiasmo sem cruz, dança de quem
sabe.
Eu deveria morrer, mas outro morreu. Eu
não podia tocar, mas fui tocado pela
misericórdia.
Eu não tinha acesso, mas o véu se
rasgou. Eu não tinha justiça, mas Cristo
se tornou minha justiça. Isso transforma
o escravo em filho
e o dever em alegria. A obediência deixa
de ser tentativa de comprar Deus,
torna-se resposta de amor. A santidade
deixa de ser currículo religioso,
torna-se fruto
de gratidão. O culto deixa de ser
técnica, torna-se entrega. A vida deixa
de ser defesa da própria dignidade.
Torna-se adoração diante do Senhor.
David dançou porque viu algo. Viu que
Deus era mais santo do que pensava
e mais gracioso do que usava crer. Agora
pense em nós.
Se Davi dançou diante da arca, o que
deveríamos de fazer diante da cruz?
Se Davi celebrou diante de sombras, como
deveríamos viver diante do cumprimento?
Se Davi se humilhou diante de uma
presença ainda velada, como podemos
continuar presos à nossa imagem depois
de ver o filho de Deus despido, ferido,
zombado e crucificado por nós?
Se Davi se libertou da própria coroa
diante da arca, como podemos viver
escravos da nossa reputação diante do
Calvário? Você acha que pode ajudar
Deus, tocar a arca, completar sua
salvação, contribuir com alguma justiça
própria? Então, viverá em orgulho e
medo. Orgulho quando achar que conseguiu
e medo quando perceber que falhou. Mas
se você vê o Deus santo e gracioso
revelado em Cristo, algo muda. Você se
torna reverente porque Deus é fogo
consumidor. Você se torna humilde porque
não trouxe nada. Você se torna alegre
porque recebeu tudo. Você se torna livre
porque não precisa mais sustentar a
própria dignidade como salvação.
O rei verdadeiro já se humilhou. O
sangue verdadeiro já foi derramado. O
caminho verdadeiro já foi aberto. A
presença de Deus já não é ameaça final
para quem está em Cristo. É lá, é
alegria, é vida. Então venha não com
mãos cheias de méritos, venha com mãos
vazias, não com a arrogância de usar.
Venha com o temor de quem sabe que
precisa da misericórdia.
Não com a frieza de Mical. Venha com a
alegria de quem foi escolhido pela
graça, não com a pretensão de tocar a
santidade. Venha coberto pelo sangue.
A lei mostrou a distância, o sangue
abriu o caminho. A santidade nos
derrubou, a graça nos levantou. Davi
dançar diante da arca, nós dançamos
diante da cruz. Ele viu sombras, nós
vimos Cristo e isso deve fazer toda a
diferença.
Olhe para Davi. Olhe para você.
Como estamos? Santo Deus, [canto] eu me
aproximo sem defesa, sem razão.
Tu me vês nos detalhes, no segredo do
coração,
[música] nos pequenos pensamentos,
nas palavras que eu soltei. [música]
Teu espírito me chama,
confessa.
[música]
E eu confessei,
não escondo minha [música][canto] culpa,
não maquio minha dor.
Contra [música][canto] ti eu pequei
contra o teu santo amor. [música] Mas
que [canto] atos minha raiz,
um querer desalinhado.
Eu [música] preciso de limpeza. [canto]
Eu preciso ser
lavado.
[música] Cordeiro, minha justiça,
[canto]
fim do meu tribunal.
Eu largo a autojustiça, [canto]
[música]
me rendo ao teu final.
[canto]
Jesus,
tem misericórdia.
[música][canto]
Jesus,
vem me purificar.
[canto]
Teu sangue fala mais alto que o meu
pecado a gritar. [grito]
Minha [música][canto] única defesa
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça. [canto]
Eu descanso no teu amor.
>> Tua misericórdia [música][canto]
é melhor.
Tua misericórdia [música][canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, eu me prostro. [música]
Tu és luz [canto] e eu sou pó.
Quando eu tento ser [música] meu dono,
eu no terco em mim [canto] só.
Autonomia é mentira, [canto]
autossuficiência
[música] também.
Tu és fonte, tu és vida.
[música] Sem ti nada me sustém.
Eu
não venho com currículo, [música][canto]
venho com mãos sem ter. Não confio no
meu choro, [canto]
nem o meu [música]
vou vencer. Eu confio [canto]
na firmeza do [música] teu pacto, ó
Senhor.
Tua aliança [canto]
é selada no [música] cordeiro
redentor.
Restaura [música][canto] minha alegria,
tua salvação em mim. [música]
Sustenta-me com espírito [canto]
pronto até o [canto] fim.
Jesus [música]
tem misericórdia. [canto]
Jesus [música]
vem me purificar.
Teu sangue fula mais alto [música] que o
meu pecado a gritar.
A minha [música] única defesa
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro
[música] a tua graça.
Eu [canto] descanso no teu amor.
Inclina [música] o meu coração, [canto]
ensina-me a obedecer.
Dá-me um espírito [música] pronto,
[canto] mais doce do meu querer.
Guarda-me na tentação, [música][canto]
na rotina e na aflição.
Tua graça [canto] me carrega,
[música] tua mão me põe de pé. M.

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