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A fé vem pelo ouvir

A Doutrina da Reprovação – O Início de um Grande Mistério | Josemar Bessa

A Doutrina da Reprovação – O Início de um Grande Mistério  | Josemar Bessa

A Doutrina da Reprovação – O Início de um Grande Mistério | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Efésios 11:11 é um verso famoso, né,
profundo.
Diz: "Nele fomos também escolhidos,
tendo sido predestinados conforme o
plano daquele que faz todas as coisas
segundo o propósito da sua vontade."
O senhorio de Deus não foi revelado para
inflar teólogos, mas para consolar
filhos.
Essa é uma correção necessária, porque
há verdades que, por serem grandes
demais, podem ser tratadas
de duas formas erradas. Alguns fogem
delas como se fossem perigosas demais
para a alma simples. Outros se aproximam
delas com orgulho, como se fossem
troféus para os intelectualmente
superiores. Mas as doutrinas do senhorio
de Deus, né, eh não foram dadas à igreja
para produzir medo servil nos humildes,
nem vaidade nos instruídos. Elas foram
dadas para que o povo de Deus adore
melhor, confie mais profundamente,
descanse com mais firmeza, não é, no
Deus que reina sobre todas as coisas.
Decreto, soberania, onipotência,
providência, predestinação. Para muitos
crentes, essas palavras
formam uma espécie de neblina teológica.
parecem dizer a mesma coisa, parecem
pertencer ao mesmo grande pacote de
ideias
difíceis. Parecem termos reservados para
debates entre estudiosos, discussões de
seminários, brigas doutrinárias, livros
densos e conversas que muitos preferem
evitar. Então, alguém ouve a palavra
decreto e pensa em predestinação. Ouve
soberania e pensa apenas em poder. Houve
onipotência e pensa que Deus pode fazer
qualquer coisa sem distinção alguma.
Houve providência. Imagina apenas que
Deus transforma coisas ruins em coisas
boas.
Houve predestinação e já se eh já sente
que entrou em terreno perigoso, como se
a próxima frase inevitavelmente
eh gerasse divisão polêmica ou frieza
espiritual.
E assim, muitos colocam tudo na mesma
gaveta, mas essas palavras não são
idênticas. Elas se
relacionam sim, não é? Mas não são a
mesma coisa. Cada uma revela um aspecto
precioso da glória de Deus. Cada uma nos
ajuda a enxergar com mais clareza quem
Deus é, o que Deus decretou, como Deus
governa, com que poder Deus age, com que
direito Deus reina e com que propósito
Deus conduz todas as coisas. A confusão
não é pequena. Muitos pensam que crer
nessas verdades é sinal de uma
espiritualidade
eh intelectual ou quem sabe fria, como
se o crente que fala da soberania de
Deus fosse alguém sem lágrimas, sem
compaixão, sem oração, sem evangelismo,
sem calor pastoral. Outros pensam que
quem se importa com doutrina é alguém
viciado e em disputa, interessado apenas
em vencer argumentos,
corrigir irmãos e marcar posição. Ah,
até quem
trate essas doutrinas como distintivo de
uma elite, como se somente crentes mais
fortes pudessem lidar com isso. como se
o cristão comum devesse viver de
verdades mais simples, enquanto alguns
poucos se aventuram nas profundezas. Mas
isso é completamente errado. O senhorio
de Deus não é um brinquedo para mentes
curiosas, não é uma espada para ferir.
Não é um troféu para quem gosta de
vencer discussões. Não é uma senha de
entrada para uma elite espiritual.
Não é um assunto para alimentar
superioridade.
É pão para a alma.
É âncora para os aflitos, é descanso
para os cansados, é segurança para os
que sofrem, é reverência para os que
adoram,
é humildade
para os que foram salvos pela graça.
Essas verdades foram dadas para
sustentar a fé dos santos. Elas são o
coração, as doutrinas da graça são o
coração do evangelho. Quando o crente
está em aflição, ele precisa saber que
Deus não perdeu o controle. Quando o
mundo parece desmoronar, ele precisa
saber que Deus não está improvisando.
Quando o mal parece avançar, ele precisa
saber que Satanás não governa a
história. Quando a dor chega sem
explicação, ele precisa saber que existe
uma mão santa acima das causas visíveis.
Quando a salvação é contemplada, ele
precisa saber que sua esperança não
repousa na fragilidade da vontade
humana, mas no propósito eterno de Deus.
Isso consola, isso fortalece, isso
humilha, isso levanta a alma. Porque
essas doutrinas são altas, elas devem
ser tratadas com cuidado. Não falamos de
coisas e temas leves e inconsequentes.
Não estamos mexendo com curiosidades
periféricas.
Estamos diante do trono de Deus, do
propósito eterno de Deus. Estamos
falando da vontade eterna de Deus, do
decreto de Deus, do poder de Deus, da
providência de Deus, da autoridade de
Deus, do mistério da salvação, da
relação entre soberania divina e
responsabilidade humana, da maneira como
um Deus santo governa um mundo cheio de
pecado, sem jamais ser autor do pecado.
Essas coisas exigem precisão.
Não podemos falar de modo descuidado.
Uma palavra mal usada pode gerar
confusão. Uma ênfase desequilibrada pode
ferir consciências. Uma verdade sem a
outra pode produzir caricatura. Se
falamos do poder de Deus sem sua
santidade, criamos uma imagem falsa. Se
falamos da soberania de Deus, sem sua
sabedoria, geramos medo errado. Se
falamos do decreto de Deus sem sua
bondade, parecemos apresentar um Deus
frio. Se falamos da predestinação sem
humildade, transformamos glória em
arrogância.
Essas doutrinas devem ser tratadas com
prudência, como toda verdade deve ser,
como Deus deve ser. Há momentos em que o
coração precisa ser conduzido devagar.
Há pessoas feridas que não precisam de
uma resposta dura, mas de uma verdade
aplicada com sabedoria. Há irmãos fracos
que não precisam de slogans, mas de
paciência. Há crentes confusos que não
precisam ser esmagados por termos
técnicos, mas guiados a contemplar o
Deus das Escrituras.
A verdade não deixa de ser verdade,
porque precisa ser manuseada com
cuidado. Uma lâmina pode curar nas mãos
de um cirurgião ou ferir nas mãos de um
imprudente. A doutrina é santa. O uso
dela também deve ser santo. Essas
doutrinas devem ser tratadas com
reverência. Não estamos falando de Deus
como se ele fosse um conceito. Deus não
é uma ideia para ser dominada pela mente
humana. Deus não é um sistema que cabe
em nossos esquemas. Deus se revelou
verdadeiramente, mas não se esgotou
diante de nós. Podemos conhecer o que
ele revelou, mas não podemos
aprisioná-lo
em categorias que nós mesmos inventamos.
A criatura deve estudar o Criador com
joelhos dobrados.
A mente deve pensar diante de Deus. A
boca deve falar como quem será julgado
por cada palavra que diz. O coração deve
se aproximar com o temor, porque
conhecimento de Deus, sem temor de Deus,
é uma coisa perigosa. A pessoa pode
saber dizer palavras corretas e ainda
assim falar delas como quem não treme.
Pode defender a doutrina de Deus sem se
submeter a ela. Pode explicar a
providência sem descansar e ter paz
nela. Pode falar da predestinação sem
gratidão, mas com orgulho. Pode usar a
doutrina da graça sem ser graciosa.
Isso é uma tragédia.
O alvo não é ganhar vantagem em
discussões. O alvo é admirar mais a Deus
e realmente se certificar de que as
pessoas compreenderam o verdadeiro
evangelho. O alvo é olhar para as
escrituras e dizer: "Grande é o Senhor".
O alvo é enxergar que Deus é mais alto
do que nossos medos, mais firme do que
nossas circunstâncias, mais sábio do que
nossas interpretações, mais poderoso do
que nossos inimigos, mais livre do que
nossas limitações, mais santo do que
nossas suspeitas,
mais gracioso
do que nossos méritos, se é que temos
algum, não temos, né? A doutrina correta
deve conduzir a louvor correto. Se o
estudo do Senhor e de Deus não produz
adoração, algo está errado no modo como
estamos estudando. Se a soberania de
Deus nos torna mais duros e não mais
humildes, algo está errado. Se a
predestinação nos torna frios diante dos
perdidos e não mais gratos
a glória da graça de Deus e não mais
evangelísticos, algo está errado. Se o
decreto de Deus nos torna fatalistas e
não reverentes, algo está errado. Se a
providência nos torna indiferentes ao
sofrimento e não confiantes em meio ao
sofrimento, algo está errado. Essas
verdades devem produzir louvor mais
elevado,
deleite mais profundo em Deus. Porque o
Deus da Bíblia não apenas observa a
história, ele reina sobre ela.
Devem produzir reverência mais profunda
em nós essa verdade, porque não há um
único momento em que Deus esteja
reagindo como criatura.
devem produzir confiança, mas firme,
porque aquilo que Deus decretou, ele tem
poder para cumprir. Devem produzir
descanso essas doutrinas maior, porque a
vida dos santos não está entregue ao
acaso ou a eles mesmos, ao caos ou ao
diabo, às nações, aos homens ou as
circunstâncias.
Essas doutrinas devem produzir submissão
mais santa, porque o Deus que governa
todas as coisas tem direito sobre todas
as coisas, inclusive sobre nós. Então,
antes de avançar para definições,
definições e mistérios, o coração
precisa ser colocado no lugar certo.
Não nos aproximamos dessas verdades como
curiosos querendo dominar um assunto.
nos aproximamos como filhos diante do
pai, como adoradores diante do rei, como
criaturas diante do Criador, como
pecadores salvos diante do Deus que nos
alcançou por pura graça soberana, como
peregrinos que precisam de consolo, como
servos que precisam de humildade, como
santos que precisam de temor. Que toda a
palavra sobre a soberania, o senhorio de
Deus, diminua a nossa soberba. Que toda
doutrina profunda nos torne mais
quebrantados.
Que toda definição correta se transforme
em confiança viva, verdadeira.
que cada distinção teológica nos leve
para mais perto da verdadeira adoração.
Porque quando o senhor de Deus é
entendido corretamente, a alma não sobe
em arrogância, ela se curva em adoração.
Então vimos que Efésios 11 diz: "Nele
fomos também escolhidos, tendo sido
predestinados conforme o plano daquele
que faz todas as coisas segundo o
propósito da sua vontade.
Antes que qualquer coisa acontecesse no
tempo, tudo estava diante da vontade
eterna de Deus.
antes do primeiro amanhecer, antes da
primeira estrela, antes do primeiro
homem, antes da primeira lágrima, antes
do primeiro pecado, antes da primeira
queda, antes da primeira cruz carregada
por um filho de Adão, antes que a
história tivesse voz, caminho, dor,
alegria, ruína ou redenção,
Deus já não estava vazio de propósito.
Deus não começou a pensar quando o mundo
começou a existir. Deus não começou a
planejar quando criaturas começaram a
agir ou caíram. Deus não entrou na
história como alguém que observa os
acontecimentos, calcula riscos e ajusta
estratégias no meio da história. Deus
decretou.
O decreto de Deus é a determinação da
sua vontade acerca de tudo o que
aconteceria. é o propósito eterno,
sábio, santo, livre e imutável, pelo
qual Deus ordenou tudo o que vem a
passar.
Não algumas coisas, não apenas as coisas
grandes, não apenas os eventos
espirituais,
não apenas os momentos que chamamos de
milagres, não apenas os acontecimentos
que conseguimos explicar com facilidade.
Tudo, tudo que acontece no tempo esteve
eternamente debaixo do conselho da
vontade de Deus. Isso não significa que
Deus seja autor do pecado. Não significa
que Deus seja moralmente culpado pelo
mal que criaturas praticam. Não
significa que a responsabilidade humana
desapareça. Não significa que homens e
anjos sejam máquinas sem vontade, sem
escolha, sem culpa, sem prestação de
contas.
Essas distinções precisam ser
preservadas com temor, mas significa que
nada existe fora do governo eterno de
Deus e do seu decreto. Nada surpreende
Deus. Nada obriga Deus a revisar seu
plano. Nada surge na história como um
acidente absoluto. Nada coloca Deus em
posição de reação.
Deus não reage. Deus decreta. O decreto
de Deus afirma que o mundo não está
solto. A história não está entregue ao
acaso. A vida não é um conjunto de
acontecimentos sem trono. O universo não
é governado por sorte destino cego,
forças impessoais, demônios autônomos ou
vontade humana soberana, livre arbítrio,
soberano. O Deus vivo reina antes, acima
e por trás de tudo que acontece. Por
isso, quando falamos de decreto, estamos
falando de algo mais amplo do que
predestinação.
Predestinação é uma verdade gloriosa e
tremenda. Ela trata especialmente do
destino eterno dos homens em eleição e
reprovação. Fala da decisão soberana de
Deus em relação à salvação e à
condenação. Fala de misericórdia
concedida livremente e de justiça
aplicada retamente.
Fala de eternidade, graça, culpa,
redenção
e julgamento.
Mas o decreto de Deus é uma categoria
mais ampla. Predestinação está dentro do
decreto, mas o decreto não se limita à
predestinação. O decreto envolve tudo
que Deus ordenou que viesse acontecer.
Envolve a criação, envolve a queda,
envolve a história das nações, envolve o
nascimento e a morte de reis, envolve
calamidades naturais e decisões humanas,
envolve a cruz de Cristo, envolve eh a
ressurreição, envolve a expansão do
evangelho, envolve a salvação dos
eleitos, envolve a derrota final dos
inimigos de Deus, envolve o novo céu e a
nova terra. Tudo está debaixo da vontade
eterna do Senhor.
Isso precisa ser dito com reverência,
porque a mente humana tenta diminuir
Deus para caber dentro de seus medos.
Nós queremos um Deus grande, o
suficiente para nos ajudar, mas não tão
grande que nos humilhe. Queremos um Deus
soberano quando sofremos, mas
questionamos sua soberania quando ela
fere nossa ilusão de controle.
Queremos consolo em sua providência, mas
resistimos ao seu decreto. Queremos que
ele governe o mal, mas ficamos
desconfortáveis quando descobrimos que
nada jamais esteve fora do alcance do
seu plano. Mas a escritura não nos
apresenta um Deus reduzido. Ela nos
apresenta o Deus que faz todas as coisas
segundo o propósito da sua vontade. Essa
frase é imensa. todas as coisas, não
apenas algumas, segundo o propósito, não
segundo o improviso de sua vontade, não
segundo pressão que vem de fora, nas
decisão eterna de dentro. O decreto é a
execução da vontade de Deus no plano
eterno. Deus planeja todas as coisas
antes que elas venham a existir.
Ele não espera a história acontecer para
depois dar significado a ela. Ele não
recolhe fragmentos quebrados e tenta
montar um resultado razoável,
aceitável.
Ele não depende do acaso para depois
transformar o acaso em bênção. Antes que
o tempo se abrisse, Deus já havia
determinado o fim desde o princípio.
Nada surge como surpresa. Nada o força a
adaptar sua glória às circunstâncias.
Nada o constrange a abandonar uma
intenção anterior. Deus não sofre
interrupções em seu propósito.
Essa doutrina não existe para satisfazer
curiosidade, ela existe para dar chão à
alma. Porque se Deus não decreta todas
as coisas, então existe alguma parte da
realidade sem governo último. Se alguma
coisa escapa ao decreto de Deus, então
alguma coisa pode ameaçar
definitivamente os filhos de Deus. Se há
eventos fora da vontade soberana do
Senhor, então há zonas da história onde
Deus não reina de fato, onde ele não é
Deus, mas não há. Nosso Deus está nos
céus e faz tudo o que lhe agrada. Ele
age conforme sua vontade entre os
exércitos do céu e entre os habitantes
da terra e os homens.
Ninguém pode determ
dizer a ele: "O que fizeste?"
A criatura pode perguntar com humildade,
pode lamentar em dor, pode clamar em
confusão, mas não pode sentar-se acima
de Deus como juiz do Altíssimo.
Deus é Deus. E a vontade de Deus é um
tema profundo. Muitas confusões surgem
porque a expressão vontade de Deus é
usada de maneiras diferentes. Às vezes
falamos da vontade de Deus como aquilo
que ele ordena que façamos.
Essa é a vontade de Deus.
a santificação de vocês. Nesse sentido,
a vontade de Deus pode ser desobedecida,
porque homens pecam contra seus
mandamentos. Outras vezes falamos da
vontade de Deus como aquilo que ele
decretou realizar. Nesse sentido, a
vontade de Deus nunca falha. Ninguém a
impede, ninguém a frustra, ninguém a
torna incerta. Aquilo que Deus decidiu
realizar, ele realizará.
A Bíblia usa palavras, expressões que
envolvem conselho, disposição, atitude,
propósito e plano. Por isso, distinções
são necessárias, não por amor à
complicação, mas por amor à verdade. Uma
fé sem definições se torna confusa. Uma
doutrina sem precisão pode se tornar
perigosa. Quando misturamos tudo,
falamos de Deus de modo impreciso e
acabamos criando problemas que a própria
escritura não cria.
Nós precisamos dizer isso com clareza.
Não há várias vontades em Deus como se
Deus fosse dividido. Deus não é composto
de partes em conflito. Deus não deseja
uma coisa em um sentido e é frustrado em
outro como uma criatura instável.
Deus não é fragmentado. Deus não tem uma
vontade brigando com outra vontade
dentro de si mesmo.
Metafísicamente, há uma só vontade em
Deus. Deus é simples, perfeito, íntegro,
sem divisão, sem conflito interior, sem
mudança, sem estabilidade.
Mas a escritura nos permite enxergar
aspectos distintos dessa única vontade.
Assim como a luz, ao passar por um
prisma, revela cores sem deixar de ser
luz. Por isso, quando falamos aqui da
vontade do decreto, falamos daquele
aspecto da vontade divina pelo qual Deus
determinou tudo o que haveria de
acontecer. Essa vontade também é chamada
de vontade soberana, porque ela reina, é
chamada de vontade secreta, porque
muitas vezes não é conhecida por nós
antes dos acontecimentos.
Nós conhecemos os mandamentos revelados
de Deus, mas não conhecemos todos os
detalhes do seu decreto antes que ele os
traga a luz.
Não sabemos tudo o que Deus fará amanhã.
Não sabemos todos os caminhos da
providência. Não sabemos quais dores ele
permitirá, quais portas abrirá, quais
perdas santificará, quais livramentos
dará, quais propósitos ocultos estão
sendo conduzidos por sua mão. Muitas
vezes percebemos essa vontade apenas em
retrospecto.
O crente olha para trás e diz: "Eu não
entendia, mas Deus governava. Eu não
via, mas Deus conduzia. Eu chorava, mas
Deus sustentava. Eu pensava que tudo
estava perdido, mas o Senhor estava
cumprindo um propósito mais alto. Não
foi assim o sábado dos discípulos?
Essa vontade também é chamada de vontade
do beneplácito de Deus, porque nasce do
agrado santo do propósito de Deus, do
próprio Deus. Não da pressão externa,
não do conselho recebido de criaturas,
não de permissão concedida por poderes
maiores. Deus não consulta a criação
para decidir o que fará com a criação.
Ele não pede autorização ao homem para
dirigir a história do homem. Ele não
precisa da aprovação dos anjos para
ordenar o destino dos anjos. Ele age
conforme o conselho da sua vontade.
E essa vontade de Deus realiza
diretamente eh ou por meio de coisas
secundárias o que ele quer. Às vezes
Deus age de modo imediato, sem mediação
visível. às vezes age por meios comuns,
decisões humanas, processos naturais,
circunstâncias políticas, encontros
aparentemente simples, portas que se
fecham, portas que se abrem, dores que
nos quebrantam, caminhos que não
escolhemos. As causas secundárias são
reais. Os homens agem, a natureza opera,
as decisões têm consequências, mas acima
de tudo está Deus governando sem ser
manchado pelo mal. dirigindo sem
violentar a natureza das coisas,
cumprindo o seu propósito sem perder sua
santidade.
Isso exige humildade,
porque há mistério aqui, não o mistério
contra a razão, mas acima da razão
criada. A mente humana não consegue
sondar plenamente como Deus decreta
tudo, governa tudo, cumpre tudo. E ainda
assim criaturas permanecem
responsáveis por seus atos. Nós sabemos
que em qualquer ato, não é, há
a causa próxima e ela é pecaminosa e há
o ato e a a vontade decretiva de Deus
daquele ato. Mas Deus decretou ele por
motivos santos. Portanto, no mesmo ato
em que o diabo está querendo destruir
Jó, Deus está edificando seu servo. O
diabo tem a intenção destruidora. Deus
tem uma um um uma decisão, né, uma
vontade sendo feita que vai levar Jó a
conhecê-lo melhor.
Vai santificar Jó. Você vê que o
propósito de Deus é um propósito santo.
O propósito de Satanás, que é a causa
próxima, é um propósito diabólico.
Satanás, então, é responsável, porque
ele não está fazendo aquilo para ajudar
Jó a ficar santo. Ele quer destruir Jó.
Então, Deus tem um propósito santo na
mesmo evento. Já os sabeus e os os
ladrões que roubaram o gado de Jó, eles
eram ladrões. Eles sempre roubaram. Eles
viviam de roubar, não foram obrigados a
roubar. Eles eram ladrões. E eles não
roubaram nem para agradar Satanás
diretamente,
nem para fazer a vontade de Deus em
santificar Jó. Eles eram ladrões e
queriam o gado para tomar o que era dos
outros para benefício próprio. Então
eles são responsáveis
porque o ato deles é mau em seu
propósito.
O ato de Satanás é mal em seu propósito.
E o ato de Deus, o decreto de Deus é
santo em seu propósito. Então você vê na
mesma coisa, Satanás, os eh Sabeus e
Deus estão agindo, não é? Deus nunca é a
causa eh próxima do pecado, né? Mas ele
tem que ter decretado.
É a vontade soberana dele que Jó seja
provado e Jó seja santificado. Já a
vontade eh eh de Satanás
eh é destruir Jó. E a vontade dos sabeus
é roubar Jó. Satanás é responsável. Os
sabeus são responsáveis e Deus é santo.
Mas a fé não precisa diminuir uma
verdade para proteger outra, como as
pessoas querem fazer. A fé recebe tudo o
que Deus revelou. Deus decreta, o homem
responde. Deus governa, o homem é
responsável.
[tosse]
Desculpa, como o diabo também. Deus
realiza a sua vontade. O pecado continua
sendo pecado.
A santidade de Deus permanece intacta. A
culpa da criatura permanece real.
>> [tosse]
>> Deixa eu tomar aqui um
um líquido. Não é nem falar que líquido
é, porque senão começam a dizer: "Isso
faz mal, isso faz bem, isso isso é
totalmente sem importância". Então, a
santidade de Deus permanece intacta, a
culpa da criatura permanece real, a
glória do Senhor permanece suprema
e o crente descansa. Descansa porque
nada está solto. Descansa porque a
história não é um acidente. Descansa
porque a dor não é soberana. Descansa
porque o mal não é final. Descansa
porque Satanás não está no trono.
Descansa porque a vontade humana não é o
fundamento último da realidade.
Descansa porque antes de tudo acontecer
no tempo, tudo já estava diante da
vontade eterna do Deus que é sábio,
santo, livre e imutável. O decreto de
Deus significa que nada entra na
história antes de ter estado eternamente
debaixo do conselho da sua vontade.
Então, o texto de Efésios diz: "Nele
fomos também escolhidos, tendo sido
predestinados conforme o plano daquele
que faz todas as coisas segundo o
propósito da sua vontade." Deus nunca
improvisa diante daquilo que nos
surpreende. Nós improvisamos. Nós somos
surpreendidos, nós reagimos, nós mudamos
planos porque não vimos algo chegando.
Recebemos notícias que nos
desestabilizam.
Enfrentamos perdas que não estavam em
nossa agenda. Fazemos escolhas limitadas
por ignorância, medo, pressa, pressão e
fraqueza.
Somos criaturas. Não conhecemos o fim
desde o princípio. Não vemos todas as
causas. Não controlamos todas as
consequências.
Não conseguimos segurar a história nas
mãos. Mas Deus não é como nós.
Deus não descobre. Deus não se adapta
por necessidade.
Deus não é empurrado pelas
circunstâncias. Deus não olha para a
história como alguém que precisa
consertar um plano ameaçado pelo
inesperado.
O Senhor não governa como quem reage,
ele governa como quem decretou. Essa
verdade é fundamental para entendermos o
decreto de Deus. O propósito divino não
começou dentro do tempo, não nasceu
quando o mundo nasceu, não surgiu depois
da queda, não foi montado aos poucos,
conforme homens e anjos tomavam
decisões.
Não foi remendado depois que o pecado
entrou na criação. Não foi uma resposta
emergencial ao caos. O plano de Deus
existia antes da criação. O reino foi
preparado desde a fundação do mundo.
Antes que os santos entrassem nele, Deus
já o havia preparado para eles.
[roncando] Antes que houvesse história
redimida, havia propósito redentor.
Antes que houvesse crentes caminhando
pela fé, havia uma herança preparada
pelo Pai. O destino final dos filhos de
Deus não foi improvisado no caminho, foi
preparado desde a fundação do mundo.
Cristo foi conhecido antes da fundação
do mundo. O cordeiro não foi uma solução
tardia. A cruz não foi uma tentativa
divina de recuperar o controle. O sangue
precioso de Cristo não entrou na
história com resposta desesperada a um
fracasso imprevisto.
Antes que houvesse pecado cometido no
tempo, o filho já estava designado no
propósito eterno de Deus. Antes que Adão
caísse, Cristo já era conhecido. Antes
que a serpente enganasse, o redentor já
estava no conselho eterno.
Isso não diminui a gravidade do pecado,
não torna a queda menos culpada, como
vimos Satanás, os sabeus, não transforma
a rebelião humana em inocência, mas
exalta a soberania de Deus. Mostra que o
mal jamais surpreendeu o santo. Mostra
que a história da redenção não é um
plano B. mostra que a cruz não é
remendo, é centro. Ela sempre foi o
propósito. O cordeiro que foi morto
antes da fundação do mundo. Mostra que
Deus não reagiu ao pecado com pânico,
mas governou a história para manifestar
sua glória em justiça, graça,
misericórdia e juízo. E ele vai
manifestar sua glória em justiça, graça,
misericórdia e juízo. O propósito de
Deus é eterno. E ser eterno não depende
do tempo. Não precisou esperar o tempo
para saber, não precisou observar para
decidir. Não precisou consultar escolhas
futuras de criaturas para então formular
seu decreto.
Ele não olhou para o corredor da
história para descobrir o que anjos e
homens fariam e com base nisso ajustou
seu plano. Se fosse assim, Deus
dependeria da criação para definir seu
propósito.
O decreto eterno seria condicionado pela
criatura, pelo tempo. O plano divino
seria a resposta à vontade de outros e
não à vontade dele. Não seria segundo o
beneplácito da sua vontade. Mas Deus não
é dependente.
Deus não constrói seu plano com base nas
escolhas futuras de anjos ou homens.
Anjos não determinam a vontade de Deus,
nem homens, nem o plano de Deus. Quando
ele fez o universo, ele já tinha um
plano,
um plano eterno. Homens não determinam a
vontade de Deus. Reis não determinam a
vontade de Deus. Nações não determinam a
vontade de Deus. Satanás não determina a
vontade de Deus. O pecado não determina
a vontade de Deus. A história não
determina a vontade de Deus. A vontade
de Deus determina a história. Isso
precisa ser afirmado com firmeza. Deus
não é pressionado por fatores externos.
Ele não age sob compulsão. Ele não se vê
obrigado a alterar uma rota porque algo
saiu do controle. Ele não é como um
comandante assustado, reorganizando
tropas depois de uma derrota inesperada.
Ele não é como um arquiteto corrigindo
erros porque a construção fugiu do
projeto. Ele não é como um pai limitado
que faz o melhor que pode depois que
tudo desandou.
Deus age segundo seu beneplácito,
segundo sua vontade, segundo o seu santo
conselho, segundo sua sabedoria
perfeita.
Seus decretos dependem apenas dele, não
de nós. Seus decretos são livres porque
Deus os decretou sem necessidade
externa.
Nada fora de Deus o obrigou a fazer
nada.
Nada acima de Deus o constrangeu. Nada
ao lado de Deus o aconselhou como igual.
Ele não decretou por carência, não
decretou por pressão, não decretou para
completar algo que lhe faltava.
Deus é pleno em si mesmo, é bendito, é
bem-aventurado, é feliz, é macários. Ele
decretou segundo o prazer santo da sua
própria vontade.
São imutáveis
os seus decretos porque Deus não muda. O
plano de Deus não envelhece, não se
desgasta, não precisa ser atualizado,
não passa por revisão, não sofre
correção. Aquilo que Deus decretou na
eternidade permanece firme no tempo.
Porque o tempo existir já é um decreto
de Deus na eternidade. O que Deus
determinou não pode ser frustrado por
criatura alguma. As criaturas foram
decretadas por ele e toda a história. O
conselho do Senhor permanece para
sempre. Os planos do seu coração, de
geração em geração, são incondicionais
no sentido de que dependem apenas da
vontade de Deus. Da vontade de Deus
somente.
Isso não quer dizer que Deus não use
meios, ele usa. Não quer dizer que
criaturas não ajam, elas agem. Não quer
dizer que decisões humanas são
ilusórias, elas são reais. Pilatos é
responsável pela morte de um inocente,
mas Deus decretou: "Aquele era o
cordeiro morto antes da fundação do
mundo." Mas nós sabemos os motivos de
Pilatos
e sabemos os motivos do decreto santo de
Deus.
Então, elas são reais, não é? Não quer
dizer que decisões humanas sejam
ilusórias, elas são reais, mas quer
dizer que o fundamento último do decreto
não está na criatura, está em Deus. A
causa suprema não está no homem, está em
Deus. O motivo decisivo não está no
tempo, está na eternidade. Deus decreta
o fim. Deus decreta os meios. Deus
governa os caminhos. Deus cumpre o
propósito. E a história de José nos
ajuda a contemplar isso com temor e
beleza.
José sofreu. Sofreu de modo profundo.
Foi odiado por seus irmãos, foi lançado
numa cova, foi vendido como escravo, foi
arrancado de sua casa, foi levado ao
Egito, foi acusado injustamente, foi
preso, foi esquecido. Sua vida parecia
uma sequência de injustiças, perdas,
humilhações e atrasos. Se olhássemos
apenas por baixo, veríamos fragmentos.
O ódio dos irmãos, a caravana passando,
a escravidão, a mentira, a prisão, a
fome, o reencontro. Mas José ao final
enxergou mais alto. Ele disse aos
irmãos: "Vocês planejaram o mal contra
mim, como Satanás contra Jó, como os
judeus contra Cristo, mas Deus o tornou
em bem". Essa frase é uma das janelas
mais claras para o governo de Deus sobre
a história. Os irmãos intentaram mal.
Deus intentou bem. Não é que os irmãos
fizeram o mal e Deus apenas tentou
remediar depois o mal. Não é que o
pecado deles tomou a história de
surpresa e Deus improvisou em cima.
Então, encontrou uma forma, Deus
encontrou uma forma criativa de
transformar aquela ruína em utilidade.
Não é que havia dois planos
independentes competindo, um humano e
outro divino, e Deus conseguiu vencer no
final. Ufa!
O mesmo acontecimento tinha intenções em
níveis diferentes. Os irmãos agiram com
culpa real. O mal deles era mal. A
inveja era pecado, a traição era pecado,
a venda de José era pecado. Eles
responderam moralmente por aquilo. Deus
não foi autor da maldade deles. Deus não
pecou neles. Deus não manchou sua
santidade. Mas Deus governava. Por trás
da intenção pecaminosa dos homens, havia
o propósito santo de Deus.
A mão humana vendeu José. A mão divina
estava enviando José. Os irmãos queriam
se livrar dele. Deus estava preservando
muitos em vida.
Os homens naquele mesma ato história,
agiram em rebelião. Deus conduziu a
história em sabedoria. José também
sofreu uma calamidade natural. A fome no
Egito e nas regiões ao redor. Aquela
fome não era apenas um fenômeno isolado
da natureza. Ela estava dentro do plano
maior de Deus. foi anunciada antes, foi
usada para colocar José em posição de
governo. Foi usada para preservar a
família da promessa.
Foi usada para conduzir Jacó e seus
filhos ao Egito. Foi usada dentro de uma
linha de aliança que Deus já havia
estabelecido.
Havia calamidade natural, havia
calamidade moral e ambas estavam debaixo
do decreto de Deus. A fome não fugiu de
Deus.
A traição não fugiu de Deus. A prisão
não fugiu de Deus. A injustiça não fugiu
de Deus. O esquecimento de José não
fugiu de Deus. A dor de José não fugiu
de Deus. Isso é belo e isso é terrível.
Belo porque significa que a dor dos
santos não está solta. terrível, porque
nos coloca diante de um Deus
infinitamente maior do que a nossa
capacidade de controlar
explicações.
O Senhor governa não apenas aquilo que
chamamos de bênção imediata, mas também
caminhos escuros que ele usa para
cumprir propósitos que ainda não vemos.
Deus decreta tudo o que acontece na
história. Não apenas grandes eventos,
não apenas impérios, não apenas guerras,
não apenas reis, não apenas nascimentos
extraordinários, não apenas avivamentos,
livramentos e milagres, também
calamidades naturais, também males
morais sem ser autor do pecado, também
detalhes que parecem dispersos, também
[roncando] encontros pequenos, também
atrasos, também perdas, também lágrimas,
também portas fechadas, também acusações
injustas como as de José, também
períodos de espera, também aquilo que
aos nossos olhos parece apenas acidente.
Essa doutrina não foi dada para
satisfazer a curiosidade de quem quer
explicar cada detalhe da providência.
Muitas vezes não saberemos porque Deus
ordenou certo caminho. José não entendeu
tudo enquanto estava na cova. Não
entendeu tudo enquanto estava preso. Não
entendeu tudo enquanto era esquecido. A
fé não exige que vejamos tudo ou todo o
desenho antes de confiar no artista. A
fé se curva e diz: "Deus sabe. Deus
governa. Deus decretou. Deus não foi
surpreendido. Deus não está reagindo.
Deus não está remendando a história.
Deus está cumprindo seu propósito
eterno.
Isso é consolo para o crente. Não um
consolo superficial como se a dor não
doesse. A dor dói. A traição fere. A
fome assusta. A injustiça pesa, a prisão
humilha. O abandono machuca. Mas nenhuma
dessas coisas é soberana. Nenhuma delas
está acima de Deus. Nenhuma delas tem a
palavra final. Nenhuma delas pode
separar os filhos de Deus do propósito
eterno do Senhor. O Deus que decretou
todas as coisas, não é frio, ele é
sábio. Não é impulsivo, é imutável. Não
é fraco, é soberano. Não é surpreendido,
é eterno. Não é forçado pela história.
Ele governa a história. Portanto,
descanse no Deus que não é surpreendido
pelo mal, pela dor ou pelo tempo.
Descanse sem tentar transformar mistério
em explicação barata. Descanse sem negar
a responsabilidade humana. Descanse sem
acusar Deus de pecado. Descanse sabendo
que o mesmo Senhor que governou a fome e
a traição na vida de José governa também
as sombras que você ainda não entende.
Aquilo que para nós parece acidente,
para Deus nunca esteve fora do seu
propósito
eterno.
No Salmo 115 verso 3 diz: "O nosso Deus
está nos céus e pode fazer tudo o que
lhe agrada". Deus não é apenas Senhor
porque tem vontade. Ele é senhor porque
tem poder infinito para cumprir tudo o
que ele quer. Um decreto sem poder seria
apenas intenção, não é? Eu poderia
decretar coisas, não tenho capacidade de
que elas aconteçam. Então, não é
decreto, é só uma intenção. Um plano sem
força seria apenas desejo. Uma vontade
sem capacidade seria apenas frustração
antecipada. Mas Deus não é como nós. Nós
planejamos e falhamos. Nós desejamos e
não conseguimos. Nós prometemos e somos
impedidos por coisas maiores do que nós.
Nós decidimos e descobrimos que não
temos força, tempo, saúde, domínio,
sabedoria ou autoridade para executar o
que pretendíamos.
Nossa vontade esbarra em limites.
Nosso braço se cansa, nossa mente se
confunde, nossas circunstâncias mudam,
nossos recursos acabam, mas Deus é todo
poderoso.
Seu poder é infinito, eterno, imutável.
Nada acrescenta a força a Deus. Nada
retira a força de Deus. Nada cansa, nada
desgasta, nada enfraquece. Deus não
precisa reunir energia para agir. Não
precisa conservar poder para o futuro.
Não está malhando para ficar mais forte.
Não fica mais forte quando opera, nem
menos forte depois de operar.
Ele é eternamente pleno em poder, porque
seu poder não é algo emprestado, não é
algo que ele receba.
Recebido ou acumulado de alguma forma.
Seu poder pertence à sua própria
essência. Deus pode fazer tudo o que não
contradiz sua própria natureza.
Essa frase é importante porque a
onipotência de Deus não é uma força
caótica, não é poder sem sabedoria, não
é capacidade sem santidade, não é
energia divina motivada por capricho.
Deus não é todopoderoso como se pudesse
agir contra quem ele é.
Deus é todo-pereroso, de modo
perfeitamente coerente com sua verdade,
sua santidade, sua justiça, sua
sabedoria, sua imutabilidade e sua
glória. Ele pode tudo o que convém ao
Deus que ele é.
Seu poder aparece desde a primeira
página da Escritura na criação, Deus
fala e o que não existia passa a
existir. Ele não encontra matéria eterna
para organizar. Ele não disputa com
forças antigas. Ele não luta com o caos
como se o caos fosse um rival. Ele não
trabalha como artesão limitado a
recursos anteriores como nós. Ele cria
pela palavra do seu poder. Haja luz e a
luz. Ele chama os céus, a terra, os
mares, as estrelas, os seres vivos. E
tudo obedece ao seu comando.
A criação é um sermão sobre a
onipotência.
Cada estrela existe porque Deus quis.
Cada átomo permanece porque Deus
sustenta. Cada respiração acontece
porque a criatura depende do criador. O
inverso não é autônomo em nada. A
matéria não é soberana. As leis naturais
não são deuses impessoais.
A criação inteira permanece porque o
Deus todo-pereroso a mantém. Seu poder
aparece nos milagres.
O mar se abre. O manacai, a rocha da
água, o fogo desce, o ventre esté
concebe, o leproso é purificado, o cego
vê, o paralítico anda, os mortos
ressuscitam. Cristo fala o vento e o
mar, e eles se calam. Fala Lázaro no
túmulo e a morte solta a sua presa. Não
há distância, doença, demônio,
tempestade, escassez ou sepultura que
possa resistir ao poder de Deus quando
Deus decide agir. Seu poder aparece na
sustentação da história.
Impérios sobem e caem. Reis planejam e
são frustrados. Nações se levantam e
desaparecem. Homens fazem decretos,
assinam leis, organizam exércitos.
constróem tronos, erguem monumentos,
mas Deus governa acima de todos. Ele não
apenas começou a história, ele a
sustenta. Não apenas criou o mundo, ele
conduz o mundo. Não apenas possui o
poder de iniciar todas as coisas. possui
poder para levar todas as coisas ao fim
determinado por sua vontade, segundo o
beneplácito da sua vontade. Seu poder
aparece também na execução da
misericórdia e da justiça. Isso é
essencial porque não basta querer ser
misericordioso, é preciso ter poder para
salvar. Não basta querer perdoar, é
preciso ter poder para redimir. Não
basta querer guardar, é preciso ter
poder para preservar.
Deus não apenas deseja salvar pecadores,
ele pode salvar pecadores. Não apenas
promete sustentar os seus, ele pode
sustentar os seus. Não apenas declara
que julgará o mundo. Ele pode executar
justiça perfeita sobre o mundo. Sua
misericórdia não é impotente. Sua
justiça não é ameaçada. Sua graça não é
fraca. Sua ira não é vazia. Tudo que
Deus é, Deus tem poder para manifestar.
Deus faz tudo o que decretou fazer. Seu
poder está ligado à sua vontade. Deus
não age aleatoriamente.
Ele não usa seu poder como criatura
instável que faz tudo que pode apenas
porque pode. Deus é perfeitamente sábio
no uso da sua capacidade.
Ele tem poder infinito, mas esse poder é
dirigido por vontade santa. Imagine,
Deus criou um mundo.
Deus podia fazer uma montanha a mais.
Podia.
Um Evereste a mais, um oceano a mais.
Podia, mas não é só porque ele podia,
que ele fez, ele fez tudo que ele quis.
Ele fez quantos montes quis, quantos
oceanos quis, quantas estrelas quis,
quantas galáxias quis. Ele podia ter
feito, podia ter feito, mas você não é
só porque ele podia, que ele fez, ele
fez o que sua sabedoria decidiu fazer
com um propósito santo. Ele pode fazer
infinitamente mais do que já fez, mas
não deseja fazer tudo o que poderia
fazer, porque ele pode fazer
infinitamente.
Seu poder é limitado em si mesmo, mas o
exercício do seu poder, ou seja,
desculpa, seu poder é limitado em si
mesmo, mas esse exercício do seu poder é
governado por sua vontade perfeita.
Não uma montanha a mais. Por que não 10
montanhas a mais? Porque essa é a
quantidade de montanhas perfeita.
Deus não é apenas capaz, ele é sábio.
Isso corrige muitas confusões. Há
pessoas que imaginam onipotência como se
fosse a capacidade de fazer qualquer
coisa sem distinção, como se Deus
pudesse agir de modo absurdo,
contraditório, falso, impuro ou
autodestrutivo.
Mas isso não é onipotência bíblica. Isso
não exalta Deus, distorce Deus. Poder
sem coerência, sem sabedoria.
Poder sem coerência com a própria
natureza seria imperfeição, não glória.
Deus não é impedido por nenhuma força
externa.
Como eu disse, ele podia fazer mais
montanhas, mas a sabedoria dele
determinou essa quantidade de montanhas.
Satanás não pode frustrá-lo. O mal não
pode detê-lo. A vontade humana não pode
vencê-lo. Nenhuma lei impessoal governa
acima dele. Ele estabeleceu as leis.
Nenhuma força do universo o limita,
nenhuma criatura o pressiona, nenhum
inimigo o surpreende. O que Deus quer,
Deus faz. Não há batalha entre dos
poderes iguais. Satanás não é o oposto
de Deus. Ele é uma criatura de Deus. É
inimigo de Deus. É como você e eu
nascemos inimigos de Deus. O mal não é
uma força eterna rivalizando com o bem.
A vontade humana não é um trono paralelo
ao trono do Altíssimo. O universo não é
governado por uma disputa incerta entre
Deus e forças concorrentes, demônios,
homens.
Deus reina, Deus decreta, Deus executa,
Deus sustenta, Deus vence. Quando Deus
decide agir, ninguém pode deterre,
ninguém fecha. Quando Deus fecha,
ninguém abre. Quando Deus salva, ninguém
arranca de suas mãos. Quando Deus julga,
ninguém escapa. Quando Deus promete,
ninguém desfaz o que ele prometeu.
Quando Deus decreta, ninguém anula
ninguém. Isso deve produzir consolo
profundo.
O crente não pertence a um Deus que
apenas deseja ajudar, mas não consegue.
Não pertence a um Deus que observa o
sofrimento com boas intenções, mas
braços curtos. fracos.
Não pertence a um Deus que quer salvar,
mas é impedido pela resistência final da
criatura.
Não pertence a um Deus que promete
vitória, mas depois da permissão do
inimigo, o inimigo tem que permitir ele
vencer. Nosso Deus está nos céus. Ele
faz tudo o que lhe agrada,
mas precisamos guardar a verdade
inteira. Onipotência não significa que
Deus possa fazer contradições absurdas.
Deus não pode mentir. Deus não pode
mudar. Deus não pode negar a si mesmo.
Deus não pode agir contra a sua
santidade. Deus não pode ser injusto.
Deus não pode ser infiel. Deus não pode
deixar de ser Deus.
E isso não é fraqueza, é perfeição.
A incapacidade de pecar não diminui
Deus, exalta a sua glória. A
incapacidade de mentir não reduz seu
poder ou liberdade, revela a sua verdade
absoluta.
A ideia de que ele seria livre se
pudesse mentir é uma ideia diabólica.
A incapacidade de mudar não torna Deus
limitado, revela a sua imutabilidade
perfeita. Perfeição. A incapacidade de
negar a si mesmo não é deficiência, é a
glória de um Deus que é eternamente
íntegro, eternamente fiel, eternamente
santo.
Nós
costumamos pensar em incapacidade como
defeito porque somos criaturas caídas.
Não conseguimos fazer muitas coisas
porque somos fracos. Não conseguimos
cumprir tudo porque somos limitados. Não
conseguimos permanecer santos porque
somos pecadores. Em nós, incapacidade
frequentemente revela falta.
Mas em Deus, certas impossibilidades
revelam plenitude. Deus não pode mentir
porque é verdade perfeita. Não pode
mudar porque é perfeição imutável. Não
pode pecar porque é santidade infinita.
Não pode agir tolamente porque é
sabedoria absoluta. Não pode ser injusto
porque é justiça pura.
Pedir que Deus faça algo contrário à sua
natureza não é pedir uma demonstração de
poder, é pedir que Deus deixe de ser
Deus. Isso não seria capacidade, seria
contradição, seria imperfeição, seria
blasfêmia contra a própria glória
divina. Mas Deus faz tudo para sua
glória. Portanto, a onipotência não nos
conduz a imaginar um Deus arbitrário,
capaz de qualquer absurdo.
Ela nos conduz a adorar o Deus cujo
poder infinito sempre age em harmonia
com tudo que ele é. Seu poder é santo,
nunca usado para o mal. Seu poder é
sábio, nunca usado de modo tolo. Seu
poder é fiel, nunca usado contra as suas
promessas. Seu poder é imutável, nunca
enfraquecido, aumentado ou diminuído.
Seu poder é soberano, nunca frustrado
por criatura alguma. Por isso, adore.
O Deus que decretou todas as coisas tem
poder para cumprir tudo o que decretou.
O Deus que prometeu salvar tem poder
para salvar perfeitamente.
O Deus que começou a boa obra tem poder
para completá-la. O Deus que sustenta o
universo tem poder para sustentar seus
filhos.
O Deus que ressuscitou Cristo dentre os
mortos tem poder para vencer a morte,
guardar os santos e consumar
seu reino. Não olhe para a onipotência
como uma ideia abstrata. Olhe para ela
como fundamento de confiança. Se Deus
fosse santo, mas fraco, sua santidade
seria apenas beleza sem triunfo. Se Deus
fosse sábio, mas impotente, sua
sabedoria seria plano sem execução.
Se Deus fosse misericordioso, mas
limitado, sua misericórdia poderia
desejar salvar sem conseguir salvar.
Mas Deus é santo e poderoso, sábio e
poderoso, misericordioso e poderoso,
justo e poderoso, fiel e poderoso,
soberano e poderoso. O poder de Deus não
é uma força cega,
é a energia infinita de um Deus santo,
cumprindo uma vontade perfeita.
E Hebreus 1:3 diz: "O filho é o
resplendor da glória de Deus e a
expressão exata do seu ser, sustentando
todas as coisas por sua palavra
poderosa. O Deus que decretou todas as
coisas não abandonou o mundo depois de
criá-lo. Ele não é como um construtor
que termina a obra e vai embora. Não é
como um reljoeiro, não é? que monta o
mecanismo e deixa as engrenagens
funcionando sozinhas. Não é como um rei
distante que possui o título do trono,
mas não governa os detalhes do reino. O
Deus da Escritura não apenas criou todas
as coisas no princípio, ele sustenta
todas as coisas agora.
O universo não continua existindo por
força própria. O universo não tem força
própria. A criação não possui vida
independente em si mesma. [roncando] A
história não se move por autonomia. Cada
segundo de existência depende da vontade
preservadora de Deus. Cada criatura
respira porque Deus sustenta. Cada átomo
permanece porque Deus mantém.
Cada processo natural continua porque a
mão invisível do Senhor conserva a ordem
que ele mesmo estabeleceu.
Isso é providência. Providência é a
atuação contínua de Deus em tudo o que
acontece. É Deus sustentando, dirigindo
e governando todas as coisas segundo o
seu propósito. É o Senhor não apenas
decretando desde a eternidade, mas
conduzindo no tempo aquilo que decretou.
É o Deus que planejou todas as coisas
antes da fundação do mundo, sustentando
todas as coisas enquanto a história
caminha para o fim determinado por ele.
Nada acontece sem a providência de Deus.
Nada existe fora do seu envolvimento.
Nada se sustenta sozinho.
Nada opera de modo independente.
Ele sustenta todas as coisas pela
palavra do seu poder. Não algumas
coisas.
Não apenas as coisas espirituais, não
apenas as coisas que chamamos de
milagres, não apenas os momentos
extraordinários em que claramente
percebemos sua mão, todas as coisas, as
visíveis e as invisíveis, as grandes e
as pequenas, as celestiais e as
terrenas, as naturais e as históricas,
as que nos alegram e as que nos fazem
tremer.
Nós aqui precisamos falar com precisão.
Providência não significa que Deus viole
constantemente a ordem criada. Deus
criou um mundo real com propriedades
reais, causas reais, processos reais.
Ele não governa a criação como se a
criação fosse uma ilusão. Ele não
precisa destruir a ordem natural que ele
mesmo criou para mostrar que reina sobre
ela. Ele não precisa anular o
funcionamento das coisas para provar que
está presente. A providência não é Deus
tratando o mundo como se nada nele
tivesse consistência própria. É Deus
sustentando a consistência da criação
e dirigindo-a ao seu fim.
O fogo queima porque Deus sustenta a
natureza do fogo. A água mole porque
Deus molha porque Deus sustenta a
natureza da água. A semente germina
porque Deus sustenta processos que ele
mesmo ordenou.
O corpo respira, cresce, envelhece e se
move porque Deus mantém a vida segundo a
estrutura que ele estabeleceu.
A providência não destrói a criação, ela
a sustenta.
Também não significa que Deus anule a
vontade das criaturas. Homens decidem,
homens planejam, homens escolhem, homens
obedecem e desobedecem, homens amam e
odeiam, homens constróem e destróem,
homens pecam e prestam contas por seus
pecados. A providência de Deus não
transforma criaturas morais em objetos
sem responsabilidade. O governo de Deus
não apaga a culpa humana. O fato de Deus
dirigir todas as coisas não torna o
pecado inocente, nem torna obediência
irrelevante.
O homem age e Deus governa. O homem
escolhe e Deus dirige. O homem responde
moralmente e Deus cumpre soberanamente o
seu propósito.
Também não significa que Deus destrua as
causas secundárias. As causas
secundárias são os meios pelos quais
muitas coisas acontecem no mundo criado.
A chuva cai por processos atmosféricos
reais. A colheita vem por plantio, solo,
estação, trabalho e crescimento. A
doença pode vir por causas biológicas. A
cura pode vir por meios médicos. A fome
pode vir por fenômenos naturais,
decisões humanas, guerras secas, pragas
e falhas de governo. A providência não
elimina essas coisas, pelo contrário,
estabelece essas causas como instrumento
dentro do governo maior de Deus.
Deus opera com as propriedades da
criação que ele determinou, dirigindo-as
segundo seu propósito. Ele não precisa
escolher entre governar e usar meios.
Ele governa usando meios. Ele não
precisa escolher entre sua vontade
soberana e a realidade das causas
criadas.
Ele ordena a realidade das causas
criadas dentro da sua vontade soberana.
A criatura não se torna autônoma porque
age. O meio não se torna independente
porque é real. A causa secundária não
compete com a causa primeira. Ela existe
debaixo da causa primeira. E acima de
tudo, providência não significa que Deus
seja autor do pecado. Esse ponto deve
ser guardado com temor. Deus governa até
os atos maus das criaturas sem ser
moralmente culpado por eles. Ele ordena
tudo o que acontece sem que sua
santidade seja manchada. Como vimos na
história de Jó, ele dirige a história de
um mundo caído, sem praticar ou
participar da maldade do mundo caído.
Ele usa até o pecado dos homens em seu
plano santo, eterno, né? Seu plano
eterno, santo. Mas o pecado permanece
pecado. A criatura permanece responsável
e Deus permanece absolutamente puro.
Como vimos no caso de Jó, o Deus que
governa o mal não se torna mal. O Deus
que dirige a história de pecadores não
se torna pecador. O Deus que reina sobre
um mundo quebrado não é quebrado pelo
mundo que governa.
Essa é uma das grandezas da providência.
Deus está próximo de tudo, sustentando
tudo, dirigindo tudo sem ser
contaminado. Sem ser contaminado por
nada.
Olhe para a criação.
A órbita da Lua não é autônoma. O
movimento dos corpos celestes não é
independente do Criador. As maréis não
sobem e descem como se a matéria tivesse
soberania própria. A circulação do ar
não acontece fora da mão de Deus. As
chuvas não caem em um universo
abandonado. Os ventos não sopram em
rebelião contra o trono. A divisão
celular no corpo humano, invisível aos
olhos, microscópica, silenciosa,
complexa, também não acontece longe do
governo divino.
A lua em seu curso, o ar em sua
circulação, o oceano em seus movimentos,
a chuva em seu tempo, as células em sua
multiplicação, o coração em suas
batidas, a respiração em seu ritmo, os
processos naturais em sua ordem. Tudo
depende da providência de Deus. Sem
providência nada continuaria a operar. A
criação não tem poder para se preservar
sozinha. A vida não se mantém por uma
força impessoal. A natureza não é uma
máquina autossustentável. Se Deus
retirasse sua mão sustentadora, a ordem
criada não continuaria funcionando por
inércia. Tudo se dissolveria, tudo
cairia, tudo deixaria de ser.
Tudo foi quando ele falou. O mesmo Deus
que disse aja é o Deus que sustenta o
que veio a existir.
Isso da forma como olhamos para a vida
comum.
O crente não deve enxergar apenas
milagre no extraordinário, deve enxergar
providência também no ordinário. Não
apenas quando o mar se abre, mas quando
o sol nasce. Não apenas quando a doença
desaparece de modo inesperado, mas
quando o corpo funciona em silêncio.
Não apenas quando Deus intervém de forma
visível, mas quando ele mantém a ordem
invisível que permite a vida continuar.
O ordinário também depende de Deus. O
comum também é sustentado por Deus. O
natural também está debaixo de Deus. A
estabilidade do mundo é misericórdia
contínua,
mas a providência se torna ainda mais
misteriosa quando olhamos para o mundo
caído. Porque este não é apenas um mundo
criado, é um mundo amaldiçoado pelo
pecado. a morte, a injustiça, a
violência, a mentira, a traição, a
calamidade, a dor, a corpos
adoecendo, a famílias quebradas, a
nações se levantando em arrogância, há
decisões humanas perversas, há
sofrimentos que parecem sem explicação.
Então, surge a pergunta: como um Deus
santo opera um mundo cheio de pecado sem
tornar-se pecador? A providência
responde que Deus governa até um mundo
quebrado, sem ser manchado pelo mal que
governa. Ele não está ausente da dor,
mas também não é culpado pelo pecado.
Ele não perdeu o controle, mas também
não é autor da impiedade. Ele não
abandona a história, mas também não é
contaminado. Não se contamina com a
história.
Ele sustenta criaturas que o
desobedecem. Dá fôlego a pecadores que
usam esse fôlego para blasfemar. Mantém
a mente de homens que usam essa mente
para planejar maldade. Permite ações
mais dentro de um governo santo, sem que
essas ações escapem do seu propósito ou
maculem seu caráter.
Isso nos humilha porque não conseguimos
explicar todos os caminhos da
providência. Não sabemos porque Deus
permite certas dores em certos momentos.
Não sabemos porque alguns sofrimentos
duram mais do que gostaríamos.
Não sabemos porque certas portas se
fecham, certas perdas chegam, certas
injustiças parecem prosperar, certas
orações recebem respostas diferentes do
que esperávamos. Não nos foi dado
enxergar todo o desenho, mas nos foi
revelado quem governa.
Isso basta para a fé, a verdadeira fé. A
providência não nos chama a decifrar
todos os detalhes secretos de Deus. Ela
nos chama a confiar que eh nenhum
detalhe está fora da mão soberana de
Deus. Ela não exige que expliquemos cada
sofrimento. Ela nos ensina que cada
sofrimento está debaixo de um Senhor
sábio, santo e soberano. Nada é
autônomo. Nada se sustenta sozinho. Nada
existe fora do governo presente de Deus.
Nem a lua, nem o ar, nem o mar, nem a
chuva, nem a célula, nem o império, nem
a família, nem o sofrimento, nem o dia
da alegria, nem a noite da aflição. O
Deus que decretou todas as coisas,
sustenta todas as coisas. O Deus que
planejou o fim, governa os meios. O Deus
que criou a ordem, mantém a ordem. O
Deus que reina sobre a história também
reina sobre o coração trêmulo do seu
povo. Por isso, o crente pode descansar.
Não [roncando] porque entende tudo, mas
porque Deus sustenta tudo. Não porque
tudo parece bom, mas porque Deus governa
tudo. Não porque a dor desapareceu, mas
porque a dor não está fora da mão do
Pai.
Providência é o cuidado soberano pelo
qual Deus mantém cada átomo, cada
história e cada sofrimento debaixo de
sua mão.
E no Salmo 103 19 diz que o Senhor
estabeleceu o seu trono nos céus e como
o rei domina sobre tudo o que existe.
Soberania não é apenas dizer que Deus
pode, é confessar que Deus tem direito.
Essa distinção é essencial, porque
muitas pessoas falam de soberania de
Deus como se ela fosse apenas outra
palavra para poder. Dizem: "Deus é
soberano", querendo dizer apenas Deus é
forte. Mas a soberania envolve mais do
que força. Um tirano pode ter força, um
exército pode ter força, um império pode
ter força. Satanás tem força limitada.
Homens maus podem exercer poder real
sobre outros homens, mas força não é a
mesma coisa que autoridade legítima.
Soberania fala do direito, fala da
autoridade, fala do trono, fala da
prerrogativa absoluta de Deus. governar
tudo o que existe, usar seu poder
conforme sua vontade, dirigir seu sua
criação conforme seu decreto e exigir
que toda criatura se curve diante dele.
Onipotência fala do poder de Deus.
Decreto fala da determinação eterna de
Deus. Providência fala do modo como Deus
opera no mundo. Soberania fala da
autoridade de Deus, do seu direito de
governar.
O decreto nos diz que Deus ordenou tudo
o que haveria de acontecer. A
onipotência nos diz que Deus tem poder
infinito para cumprir tudo o que
decretou. A providência nos diz que Deus
sustenta e conduz todas as coisas no
tempo. Mas a soberania nos leva a uma
pergunta ainda mais profunda. Que
direito Deus tem de fazer isso? A
resposta é simples, absoluta e
esmagadora. Deus tem todo o direito,
porque Deus é Deus. Ele é autoridade
suprema acima dos astros, acima dos
tribunais humanos,
acima das nações, acima de reis,
presidentes, ditadores e impérios, acima
da nossa mente, acima de todos os eh
demônios, todos os anjos, acima de
instituições religiosas, acima dos anjos
e demônios, né, como falamos. Não existe
autoridade acima de Deus. Não existe
corte de apelação acima do trono
celestial. Não existe constituição
cósmica que Deus tenha que ler que
limite o Altíssimo. Não existe conselho
de criaturas que possa revisar seus
decretos e dizer a ele o que fazes? Não
existe força moral externa pela qual
Deus precise ser avaliado, como se ele
fosse um governante submetido a uma lei
superior a si mesmo. Deus é a fonte de
toda autoridade. Toda autoridade criada
é derivada, limitada, responsável e
temporária.
Autoridade de pais, governos,
magistrados, pastores, reis, chefes,
professores, juízes e anjos
só existe porque Deus permite que
exista. Nenhuma autoridade criada é
final, nenhuma autoridade criada é
autônoma. Nenhuma autoridade criada tem
direito de se levantar contra o criador.
O homem pode possuir cargo, Deus possui
trono eterno. O homem pode governar por
tempo limitado. Deus reina desde sempre
e para sempre.
O homem presta contas. Deus julga a
todos e não presta contas a ninguém. Por
isso, quando falamos da soberania
divina, não estamos apenas dizendo que
Deus consegue realizar tudo o que
deseja. Estamos dizendo que ele tem
direito absoluto de realizar sua
vontade, o o beneplácito de sua vontade.
Ele não usurpa nada, não está fazendo
nada além do que ele tem direito. Não
invade o domínio aleheio, não governa
território que não lhe pertença,
não exerce autoridade sobre algo que
esteja fora da sua posse. Tudo é dele.
Logo, tudo está debaixo dele. A
soberania de Deus é primeiro exclusiva.
Não há outro soberano.
Ninguém se compara, ninguém rivaliza. Os
homens falam de soberania nacional,
soberania política, soberania jurídica,
soberania institucional. Mas toda a
soberania humana é relativa. Um rei
governa um reino, mas não governa seu
próprio fôlego. Um presidente assim
assina decreto, mas não consegue
decretar que seu coração continue
batendo para sempre. O que chova amanhã.
Um juiz emite sentença, mas também será
julgado. Uma nação controla fronteiras,
mas não controla a morte. O império
domina povos, mas não domina o deus que
levanta e derruba impérios. Só Deus é
soberano em sentido absoluto. Ele não
compartilha seu trono como igual. Ele
não governa em parceria com a criatura.
Ele não divide a autoridade suprema com
nenhum ser.
Ele não consulta os astros. Ele não se
submete ao acaso. Ele não é limitado
pela vontade humana. Ele não aguarda a
permissão da história do tempo,
dos seres no tempo e na história. Os
deuses das nações não são deuses. Os
ídolos não falam. Os poderes terrenos
murcham, os reis morrem. Os impérios
viram ruínas, as ideologias envelhecem,
as instituições falham, mas o Senhor
permanece. Entre todos os sábios das
nações e todos os reinos da terra, não
há ninguém como ele, diz a palavra. A
soberania de Deus é incomparável.
A criatura pode resistir a Deus em
rebelião moral, mas não pode rivalizar
com Deus em autoridade.
Pode desobedecer, mas não destronar ou
frustrar Deus. Pode blasfemar, mas não
pode diminuir Deus. Pode tentar fudir,
mas não pode escapar. Pode negar o
Senhor, mas não remover o Senhor do
trono. A soberania de Deus é segundo,
sem impedimentos.
Deus faz tudo o que lhe agrada. Nenhum
propósito seu fracassa, nenhuma criatura
frustra seu governo. Isso não significa
que toda criatura obedeça
voluntariamente aos mandamentos morais
de Deus. Homens pecam, anjos caíram,
nações se rebelam, o mundo se levanta
contra o ungido, mas nenhuma rebelião
consegue derrubar o propósito soberano
do Senhor decretado desde a eternidade.
São parte dele. A desobediência da
criatura não obriga Deus a abandonar seu
decreto. A maldade humana não coloca
Deus em desvantagem.
A fúria das nações não ameaça o céu.
Os povos podem perguntar: "Onde está o
Deus deles? Mas o nosso Deus está nos
céus. Ele faz tudo o que lhe agrada. O
homem pode zombar enquanto Deus
permanece no trono. O rebelde pode
desafiar enquanto seu fôlego depende do
Deus que ele desafia. É em Deus que ele
respira, se move e existe. Satanás pode
acusar, tentar e destruir dentro dos
limites que lhe são permitidos, mas
nunca consegue agir fora do limite da
coleira divina. O mal pode parecer
avançar, mas nunca avança além do que
Deus em sua sabedoria
decreta e governa. A soberania divina
não é frustrável.
Deus não tenta reinar, Deus reina. Deus
não disputa o trono. Deus está sentado
no trono. Deus não aguarda o resultado
da história. Deus conduz a história ao
resultado que ele determinou.
Isso deve esmagar nossa ansiedade e
também nosso orgulho. Nossa ansiedade
porque nada está fora do controle de
Deus. Nosso orgulho porque nós não
estamos no controle. O mundo não depende
da nossa força para continuar existindo.
O reino não depende da nossa capacidade
para chegar ao seu fim. A igreja não é
preservada pelo braço humano como causa
última.
A salvação dos santos não repousa sobre
a instabilidade de qualquer criatura. O
Senhor governa, o seu governo não falha.
A soberania de Deus é terceiro,
inclusiva. Ele governa grandes
acontecimentos e detalhes pequenos.
Essa é uma verdade que muitos aceitam em
teoria,
mas resistem na prática.
É mais fácil dizer que Deus governa
impérios do que dizer que Deus governa
detalhes de cada vida individual.
É mais fácil confessar que ele dirige a
história das nações do que crer que ele
também governa a pobreza, a riqueza, a
humilhação, a exaltação, a vida, a
morte, os passos dos piedosos e a queda
dos ímpios. Mas a escritura não nos
permite limitar o governo de Deus aos
grandes eventos.
O Senhor, o Senhor mata e dá vida. Faz
descer a sepultura e faz subir.
Empobrece e enriquece, humilha e exalta.
Levanta o pobre do pó. Guarda os pés dos
seus santos. Silencia os ímpios nas
trevas. Julga as extremidades da terra.
Fortalece o seu rei, exalta o seu
ungido.
Isso,
essas palavras da Bíblia, né? Isso é
domínio abrangente. Deus não reina
apenas sobre o céu, reina sobre a terra.
Não reina apenas sobre o templo, reina
sobre o campo, a casa, o palácio, a
prisão, o ventre, a mesa, o tribunal, a
guerra, a enfermidade, o sustento, a
perda, a promoção, o esquecimento e o
fim de cada homem.
Nada é grande demais para seu governo.
Nada é pequeno demais para sua atenção.
A soberania de Deus alcança o nascimento
e a morte, a abundância e a escassez, a
honra e a humilhação. O alto e o baixo,
o visível e o invisível, o público e o
secreto, o extraordinário e o comum.
Isso não torna a vida humana mecânica,
torna a vida humana dependente, não
transforma nossas decisões em ilusão,
coloca nossas decisões debaixo de um
governo maior.
Não elimina a responsabilidade, remove
autonomia
absoluta.
A criatura age, mas Deus governa a
criatura que age. O homem planeja, mas o
Senhor dirige seus passos. Reis tomam
decisões, mas o coração do rei está nas
mãos. do Senhor. Nações fazem planos,
mas o conselho do Senhor permanece para
sempre.
A soberania de Deus não é uma moldura
distante ao redor da história. É o
governo real sobre cada parte dela. A
soberania de Deus é quarto imutável.
Ele não precisa conquistar mais domínio
e não perde domínio. Não oscila. Seu
trono é desde a eternidade.
Deus não se torna mais soberano quando a
igreja vence uma batalha. Não se torna
menos soberano quando os ímpios parecem
prosperar.
Não é mais rei em dias de avivamento do
que em dias de perseguição.
Não reina mais quando estamos saudáveis
do que quando estamos enfermos.
Não governa mais quando entendemos do
que quando choramos sem entender. Seu
trono não sobe e desce. Sua autoridade
não aumenta nem diminui. Seu domínio não
se enfraquece com a história.
O Senhor reina revestido de majestade. O
mundo está firme porque ele o sustenta.
Seu trono está estabelecido desde a
antiguidade.
Ele é desde a eternidade. Isso é consolo
profundo.
Porque tudo em nós oscila. Nosso ânimo
oscila. Nossa saúde oscila, nossas
circunstâncias oscilam, nossa
compreensão oscila, nossa força oscila,
nossos planos oscilam, mas o trono de
Deus não oscila.
Em meio à instabilidade da criatura
existe um trono imutável. Em meio à
fragilidade dos homens, existe um rei
eterno. Em meio ao vai e vem das nações,
existe um Senhor que nunca perde
domínio. Em meio aos nossos dias
incertos, existe uma autoridade
absoluta, constante, perfeita e
permanente.
Por isso, a alma precisa se curvar, não
diante de um poder limitado, não diante
de um Deus reativo, não diante de um
Senhor que tenta governar um mundo
resistente, mas diante do Deus que
possui autoridade absoluta sobre tudo.
Essa soberania não deve ser diminuída
para proteger nossa sensação de
controle, não deve ser suavizada para
caber em nossas categorias modernas. Não
deve ser tratada como ameaça à vida
cristã, mas como fundamento dela. Se
Deus não fosse soberano, a oração
poderia eh eh perderia sua segurança. A
providência perderia seu consolo, a
promessa perderia sua firmeza.
A salvação perderia o seu fundamento.
A esperança final perderia a sua
garantia. Mas Deus é soberano,
exclusivamente soberano,
sem impedimentos, soberano sobretudo,
soberano imutavelmente.
Então, adore, tema, descanse,
submeta-se, confie. O Deus que governa a
sua vida não recebeu autoridade de
ninguém. O Deus que conduz a história
não precisa pedir licença a ninguém, não
se explica a ninguém. O Deus que
sustenta a criação não disputa domínio
com ninguém. O Deus que salva pecadores
não depende da autorização de ninguém. O
Deus que julga o mundo não prestará
contas a ninguém.
nós prestaremos contas a ele. Deus não
apenas possui força para governar, ele
possui direito eterno sobre tudo o que
governa.
O Salmo 103 19 diz: "O Senhor
estabeleceu o seu trono nos céus e como
o rei domina sobre tudo que existe. Não
existe 1 cm da realidade sobre a qual
Deus não diga:
"É minha, é meu".
Essa é a extensão da soberania divina.
Deus não governa apenas uma parte da
criação. Não possui autoridade apenas
sobre assuntos espirituais.
Não reina apenas dentro do templo, sobre
a oração, sobre o culto, sobre a
salvação e sobre aquilo que chamamos de
espiritual. O trono de Deus não tem
fronteiras. Seu domínio não termina onde
começam os mares, as galáxias, os
impérios, os tribunais, os exércitos.
os astros, os demônios ou a vontade
humana. Tudo pertence a ele, tudo está
diante dele, tudo responde a ele. Tudo
existe debaixo do seu direito soberano.
A primeira esfera onde vemos essa
soberania é a criação. Deus fez os céus
pela sua palavra. Não precisou de
matéria pré existente, não precisou
pedir licença ao vazio. Não precisou
lutar contra forças eternas que se
opunham à criação. Não encontrou o
universo pronto para apenas organizá-lo.
Ele falou e os céus foram feitos. Pela
palavra da sua boca, todo o exército
deles veio à existência. O mar não é
soberano, as profundezas não são
soberanas, os céus não são soberanos, a
matéria não é soberana. A criação
inteira é propriedade de Deus, porque
foi feita por Deus.
Aquilo que ele cria pertence a ele.
Aquilo que pertence a ele está debaixo
de sua autoridade. Por isso, a terra
inteira e o universo deve temer o
Senhor. Todos os habitantes do mundo
devem tremer diante dele, porque ele
falou e tudo se fez. Ele ordenou e tudo
passou a existir, diz a palavra. Esse é
o fundamento da autoridade divina sobre
o universo material.
Deus não governa o universo material
como invasor, governa como criador. Não
exerce domínio sobre propriedade alheia,
exerce domínio sobre o que é seu. Cada
estrela carrega a assinatura da sua
palavra. Cada montanha se ergue dentro
dos limites da sua vontade. Cada oceano
permanece no lugar que ele determinou.
Cada criatura respira um fôlego que não
pertence a si mesma.
O universo não é uma casa sem dono, é a
criação do Deus vivo. Por isso, o homem
não pode viver como se estivesse em
território neutro. Não existe território
neutro. O chão sobre o qual o rebelde
pisa pertence a Deus contra quem ele se
rebela. O ar que o ímpio respira
pertence ao Deus que ele ignora. O corpo
que o pecador usa para pecar pertence ao
criador diante de quem ele prestará
contas. Tudo é de Deus. E porque tudo é
de Deus, tudo deve se curvar a Deus.
A segunda esfera é a natureza, aquilo
que chamamos de leis naturais. Plantas,
flores, nuvens, tempestades, estações,
ordem natural. Nada disso opera como se
estivesse separada do trono ou separado
do trono. As chamadas leis da natureza
não são poderes independentes que
governam o mundo à parte de Deus. São
descrições da regularidade com que Deus
sustenta aquilo que criou.
O homem observa padrões
e chama esses padrões de leis, mas essas
leis não pairam acima de Deus. Elas
existem porque Deus sustenta a ordem da
criação.
Não há uma flor que floresça fora da
providência. Não há uma planta que
cresça sem que a glória de Deus seja
conhecida nela. Não há nuvens que se
levante autonomamente.
Não há tempestade que sopre fora do
governo do trono. As nuvens se formam,
os ventos eh se movem, as as chuvas
caem,
as estações se alternam, as
sementes germinas, os ciclos continuam.
E tudo isso manifesta que a criação é
sustentada por uma autoridade viva. A
natureza não é divina. A natureza não é
mãe. Não existe mãe natureza. A natureza
não é senhora. A natureza é serva. serva
do criador. Ela manifesta a glória de
Deus e responde ao seu comando. Quando o
homem contempla a beleza de uma flor, a
força de uma tempestade,
a estabilidade das estações ou a
delicadeza de uma semente que brota da
terra, ele não deve adorar a criação,
deve adorar o criador. A criação é
teatro da glória divina, não objeto
final de devoção.
Até as tempestades obedecem. Cristo se
levanta no barco, repreende o vento e o
mar e a criação reconhece a voz do seu
Senhor. Os discípulos perguntam: "Quem é
este que até os ventos e o mar lhe
obedecem?" A resposta é: inevitável. É o
Senhor da criação, aquele por meio de
quem todas as coisas foram feitas.
Aquele que tem tudo, não é?
Aquele em quem tudo subsiste,
aquele diante de quem a natureza não tem
autonomia.
O terceiro domínio da soberania de Deus
são as nações. Aqui a nossa geração
precisa ouvir a escritura com temor,
porque os homens se encantam com o poder
político, trem diante de governos,
depositam esperança em sistemas,
temem presidentes, reis, tribunais,
exércitos, ditadores, ideologias e
estruturas de domínio.
vivem como se a última palavra estivesse
nas mãos dos grandes da terra. Mas Deus
frustra o conselho das nações. Ele
desfaz os planos dos povos. O conselho
do Senhor permanece para sempre. Os
planos do seu coração permanecem por
todas as gerações. Nenhuma autoridade
terrena é final. Reis, príncipes,
presidentes, ditadores e impérios estão
debaixo da autoridade de Deus. Podem se
levantar em arrogância. podem perseguir
a igreja, podem assinar decretos
injustos, podem construir máquinas de
opressão, podem se
apresentar como donos da história, mas
são pó diante do Altíssimo. São
autoridades derivadas, limitadas,
temporárias
e julgáveis.
Deus governa os povos, observa reis,
julga governos, derruba tronos, levanta
governantes, humilha impérios,
expõe arrogâncias, frustra projetos
humanos. Nenhum faraó é grande demais
para Deus. Nenhum Nabuco dozor é alto
demais para ser humilhado. Nenhum
Herodes é seguro demais para não ser
julgado. Nenhum César é absoluto,
nenhuma nação pode se exaltar
indefinidamente contra o Senhor sem
prestar contas. Isso não torna os
governos irrelevantes. A escritura
reconhece a autoridade civil, mas toda
autoridade humana é autoridade debaixo
de Deus.
Quando governa justamente, deve temer a
Deus. Quando governa perversamente será
julgada por Deus. Quando exige o que
Deus proíbe ou proíbe o que Deus ordena,
deve ser desobedecida por fidelidade
superior ao Senhor. A igreja não
pertence ao Estado. A consciência não
pertence ao império. A verdade não
pertence ao tribunal, qualquer tribunal
que seja, Cristo é Senhor e todas as
nações são como gota de um balde diante
dele. O quarto domínio é o mundo
espiritual.
Aqui também precisamos de correção
bíblica. Há crentes que falam de Satanás
como se ele fosse quase um segundo Deus.
Vivem com medo supersticioso. Imaginam
demônios como se fossem livres para
fazer qualquer coisa. Tratam guerra
espiritual como se o universo fosse uma
batalha equilibrada entre poderes
equivalentes e Deus estivesse tentando
vencer, mas Satanás também tivesse
chances reais de frustrar
qualquer propósito de Deus. que dirá o
propósito final. Isso não é Bíblia.
Satanás não é rival de Deus.
Os demônios não operam com autonomia
absoluta.
Satanás só tem poder na medida em que
Deus concede
e faz o que Deus permite ou decreta, né,
que é uma palavra melhor.
Decretou permitir. Ele é a criatura
forte, [roncando] sim, em relação a nós,
mas criatura. Astuto, sim, mas criatura.
Maligno, sem dúvida, mas criatura.
antigo,
muito antigo, mas criatura e criatura
alguma rivaliza com o criador. No livro
de Jó, Satanás não age sem permissão.
Ele se apresenta diante de Deus, recebe
limites, não ultrapassa medida
determinada, pode tocar até onde Deus
permite, mas não pode ir além. Sua
maldade é real, sua intenção é
destrutiva, mas sua ação está presa ao
governo soberano de Deus. Nos
evangelhos, os demônios tremem diante de
Cristo. Eles não negociam como iguais.
Eles suplicam, reconhecem a autoridade,
sabem que há juízo, sabem que o filho de
Deus tem domínio sobre eles. Cristo
ordena e eles saem. A voz de Jesus vale
mais do que todas as forças do inferno.
Portanto, o medo supersticioso de
Satanás precisa se curvar diante da
soberania de Deus.
O crente não deve ser ingênuo. Satanás é
inimigo dos homens.
Anda ao redor como leão, buscando quem
possa devorar. Devemos resistir, devemos
vigiar, devemos vestir toda a armadura
de Deus, mas nunca devemos tratá-lo como
se fosse soberano.
O diabo não governa o universo. O diabo
não controla a história. O diabo não
derrota nenhum propósito de Deus.
Todos os propósitos de Deus estão em
Cristo. O diabo não arranca das mãos do
Salvador aqueles que pertencem ao
Salvador desde toda a eternidade. Ele
será julgado, ele será lançado no lago
de fogo. Ele não é senhor do inferno,
será prisioneiro dele. O Senhor governa
o mundo espiritual tanto quanto
material. O quinto domínio é a salvação.
Aqui a soberania de Deus toca o ponto
mais humilhante para o orgulho humano
pecaminoso.
Deus é soberano novo nascimento. Jesus
disse que ninguém pode entrar no reino
de Deus se não nascer da água e do
espírito. O que nasce da carne é carne.
Tudo que nascer do próprio homem, sem a
ação soberana do espírito, nasceu da
carne. O que nasce do espírito é
espírito. O vento só para onde quer.
Você ouve o seu som, mas não sabe de
onde vem, nem para onde vai. Assim
acontece com todos, todos, todos os
nascidos do espírito. A salvação não
nasce da carne, não nasce do sangue, não
nasce da vontade humana como causa
última, não da decisão autônoma de um
homem espiritualmente morto. Nice de
Deus.
Isso fere a pretensão humana de controle
da sua própria eternidade.
Nós gostamos de imaginar que a diferença
final entre o salvo e o perdido está em
alguma superioridade do salvo. Mais
sensibilidade, mais sabedoria, mais
humildade natural, mais disposição
interior, mais inteligência espiritual,
mas a escritura fecha a boca da
vanglória. O novo nascimento é obra
soberana do Espírito. A fé é dom. A
graça é livre. A misericórdia é
imerecida. Deus salva pecadores. O homem
deve crer, deve arrepender-se, deve vir
a Cristo, deve responder ao evangelho.
Mas a causa última da vida espiritual
não está na carne, está no espírito. Um
morto não ressuscita a si mesmo. Um cego
não dá visão a si mesmo. Um coração de
pedra não se transforma em coração de
carne por sua própria capacidade.
Deus precisa agir soberanamente.
Deus precisa vivificar. Deus precisa
chamar eficazmente. Deus precisa abrir
os olhos. Deus precisa conceder
arrependimento.
Se Deus não concede arrependimento, o
coração de todo homem caído é como o
coração de Satanás.
Deus precisa trazer o pecador a Cristo.
E ele faz isso soberanamente, não porque
viu mérito, não porque foi constrangido,
não porque
encontrou algo digno em nós, mas segundo
o benepláto da sua vontade. Isso não
torna a evangelização inútil, torna a
evangelização esperançosa. Se a salvação
dependesse da vontade morta do homem
como causa a última, não haveria
esperança, ninguém seria salvo. Mas
porque Deus é soberano para salvar,
pregamos, oramos, suplicamos, chamamos
pecadores ao arrependimento. Anunciamos
Cristo com confiança, porque o Espírito
sopra onde quer e pode dar vida onde há
apenas morte. A soberana de Deus na
salvação não mata a missão. Ela sustenta
a missão, não esfria a oração. Ela
alimenta a oração. Se ele não é
soberano, a oração não poderia nada. Não
diminui a compaixão.
Ela nos lembra que nós também só estamos
de pé misericórdia. O Senhor governa a
criação, governa a natureza, governa as
nações, governa o mundo espiritual,
governa a salvação. Nada está fora de
seu domínio. Não há esfera neutra, não
há poder autônomo, não há criatura
independente,
não há detalhe solto, não há autoridade
final além dele. O Deus que fez tudo
possui tudo. O Deus que sustenta tudo
dirige tudo. O Deus que determina
limites ao maligno também o julgará.
O Deus que governa reis também salva
pecadores segundo sua graça. Por isso, a
soberania de Deus não é uma ideia
abstrata. Ela alcança o mundo que você
pisa, o ar que você respira, a
tempestade que você teme, o governo que
você observa, o inimigo espiritual que o
tenta e a salvação da qual você depende.
Então, adore, tema, confie, pregue, ore,
descanse. O Senhor governa tudo que
criou, tudo que sustenta, tudo que
permite, tudo que julga e todos aqueles
que salva.
Paulo em Romanos 11:36
33 até o 36 o que ele diz a olhar para
tudo isso? Ó profundidade da riqueza, da
sabedoria e do conhecimento de Deus.
Quão insondáveis são os seus juízos,
inescrutáveis, os seus caminhos. Quem
conheceu a mente do Senhor ou quem foi
seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu
para que ele o recompense?
Pois dele, por ele, para ele são todas
as coisas. A ele seja a glória para
sempre. Amém. A doutrina da soberania só
foi aprendida corretamente quando torna
o crente eh menor, cada vez mais, e Deus
cada vez maior ao seu a sua percepção, a
aos seus olhos. Esse é o teste. Não
basta repetir termos corretos das
doutrinas.
Não basta defender posições corretas.
Não basta saber distinguir decreto,
providência, onipotência, soberania e
predestinação.
Não basta ter respostas prontas para
debates difíceis. Não basta vencer
discussões. Não basta dominar
categorias. Se o conhecimento do Senhor
de Deus não nos humilha, nós ainda não o
conhecemos como deveríamos.
Se a soberania divina nos torna duros,
arrogantes, secos e impacientes, algo
está errado. Se a predestinação nos dá
prazer em esmagar
pessoas confusas, algo está errado. Se o
decreto de Deus vira combustível para
frieza, algo está errado. Se a
providência de Deus nos torna
indiferentes à dor dos outros, algo está
errado. Se a eleição se transforma em
superioridade, nós estamos usando uma
doutrina da graça contra a própria
graça. É um perigo real.
É possível aceitar essas verdades de
modo frio. É possível falar de mistérios
eternos com o coração sem tremor. É
possível tratar a salvação e condenação
como peças de um tabuleiro teológico.
É possível mencionar eleição sem
gratidão,
reprovação sem lágrimas, inferno sem
sobriedade, soberania sem adoração.
Isso é terrível, porque nós estamos
falando de ideias abstratas. Estamos
falando de Deus, de seu trono, de sua
vontade eterna, de seu governo absoluto,
de sua justiça, de sua misericórdia, de
pecadores salvos, de pecadores
condenados, do céu, do inferno,
de graça livre, de juízo santo, de
mistérios que ultrapassam a criatura.
Todas as criaturas.
Não se brinca diante do trono eterno.
Não se exibe inteligência diante da
eternidade. Não se manuseia o decreto de
Deus como arma de vaidade. Não se fala
de soberania divina como quem segura um
troféu.
Essas verdades devem produzir
reverência, porque Deus é Deus.
Não estamos diante de um assunto que
podemos dominar com facilidade. Estamos
diante do Senhor que faz todas as coisas
segundo o conselho da sua vontade.
Estamos diante daquele que decreta sem
consultar
a criatura. Governa sem ser impedido.
Sustenta tudo sem se cansar. Salva
[roncando] sem dever misericórdia a
ninguém e julga sem jamais cometer
injustiça.
A criatura deve baixar os olhos, a mente
deve pensar com temor, a boca deve falar
com cuidado, o coração deve adorar. A
reverência nasce quando percebemos que
cada palavra sobre Deus está sendo dita
diante de Deus. Não falamos dele como
quem avalia um objeto distante. Falamos
dele como quem vive, respira, pensa e
existe diante da sua face.
O Deus que estudamos é o Deus diante de
quem estamos nuis e patentes.
Por isso, a doutrina profunda exige alma
prostrada.
Essas verdade, [tosse]
desculpa, essas verdades.
[limpando a garganta]
Essas verdades também elevam e devem
produzir humildade,
[tosse]
exatamente por nos elevar
e vermos nossa pequenez. Porque se Deus
é soberano na salvação, não há lugar
para a vanglória e ninguém que foi
salvo. Nossas obras não contribuíram
para a nossa salvação. A nossa
inteligência não nos tornou dignos.
Nossa sensibilidade espiritual não nos
fez melhores.
Nossa vontade não foi a causa última da
graça.
A graça é que operou a nossa vontade.
Nossa resposta não nasceu de uma
superioridade natural. Se fomos tirados
das trevas e transportados para o reino
do filho do seu amor, foi porque Deus
teve misericórdia.
Se cremos, foi porque ele nos deu vida.
Se viemos a Cristo, foi porque o Pai nos
atraiu. Se permanecemos, é porque somos
guardados pelo poder de Deus. Então, de
que podemos nos gloriar? Nada temos que
não tenhamos recebido.
Não somos salvos porque éramos melhores.
Não fomos escolhidos porque éramos mais
dignos. Não fomos alcançados porque
havia em nós algo que obrigasse Deus a
nos amar.
Tudo repousa na boa vontade do Senhor.
Tudo é graça. Graça antes do tempo,
graça no tempo, graça até o fim. A ideia
de que as doutrinas da graça podem ser
tiradas e ainda haver algum evangelho ou
algum conhecimento de Deus
é não é um absurdo. Só pode ser
herética. A doutrina da eleição não
deveria produzir um povo, por exemplo,
soberbo,
deveria produzir o povo mais humilde da
terra. Porque quem entende que foi salvo
pela livre misericórdia de Deus, não
olha para o perdido com desprezo,
mas com temor. Não diz: "Eu sou
diferente por mim mesmo". Diz: "Quem me
fez diferente foi o Senhor."
Toda a glória pertence a Deus. Paulo
diz: "Quem te fez diferente?"
Então, por que você se gloria? Toda
vanglória humana deve morrer.
Todo senso de superioridade deve ser
esmagado. O eleito não é um troféu de si
mesmo, é um monumento da misericórdia
divina.
Essas verdades devem produzir gratidão.
Fomos tirados das trevas, recebemos
misericórdia, fomos alcançados por
graça. O Pai nos escolheu em Cristo. O
Filho nos comprou com sangue. O espírito
nos vivificou da morte. Quando estávamos
mortos em nossos delitos e pecados. O
evangelho chegou até nós. A palavra nos
feriu e nos curou.
Fomos
convencidos do pecado, fomos levados ao
arrependimento, fomos recebidos em
Cristo, fomos adotados como filhos,
fomos selados para o dia da redenção.
Como não agradecer?
A soberania de Deus não deve tornar o
coração seco, deve fazê-lo transbordar.
Se a salvação depende da graça soberana,
então cada dia de fé é misericórdia.
Cada oração é misericórdia. Cada desejo
por Deus é misericórdia. Cada
arrependimento verdadeiro é
misericórdia. Cada vitória sobre o
pecado é misericórdia. Cada passo até o
fim será misericórdia. Não somos
melhores do que os outros. Somos
devedores de misericórdia infinita. E
quem sabe que é devedor não caminha com
arrogância, caminha com gratidão,
canta com gratidão, serve com gratidão,
sofre com gratidão, prega com gratidão,
morre com gratidão. Porque sabe que se
Deus tivesse deixado sua alma entregue a
si mesma, ele teria perecido justamente.
Essas verdades também devem produzir
compaixão.
Não uma compaixão sentimental que
negocia a verdade de Deus e eh chama
Deus de mentiroso para agradar os
homens. Não uma compaixão fraca que
chama pecado de ferida emocional apenas
para evitar confronto.
Não há compaixão mundana que ama a
aprovação dos homens mais do que a
glória de Deus. Mas compaixão bíblica
forte, santa, evangelística,
cheia de verdade, de lágrimas. Se cremos
que o homem está morto em delitos e
pecados, não podemos tratá-lo como se
precisasse apenas de conselhos leves.
Ele precisa de vida. Se cremos que Deus
salva soberanamente, não podemos
abandonar a pregação. Devemos pregar com
esperança, porque Deus pode ressuscitar
mortos. Se cremos que existe condenação
eterna, não podemos falar do evangelho
com indiferença,
mas como a coisa mais importante do que
todas as coisas da vida. Aqui embaixo,
devemos anunciar Cristo como homens que
conhecem o peso da eternidade.
A soberania de Deus não mata o
evangelismo, ela sustenta, porque
sabemos que a salvação não depende da
habilidade do pregador como causa
última. Não depende da eloquência
humana, não depende da força emocional
do apelo,
não depende da inteligência do ouvinte.
Deus usa meios, sim, usa a pregação, sem
dúvida. Oração, com certeza. Testemunho,
usa lágrimas, usa usa a palavra, mas é
ele quem dá vida.
Por isso pregamos, por isso oramos, por
isso insistimos, por isso não desistimos
de pecadores, por [roncando] isso
anunciamos Cristo aos que perecem mais
endurecidos.
O Deus soberano pode salvar. Essas
doutrinas devem produzir prontidão para
perdoar, porque quem recebeu
misericórdia imerecida não deve viver
como credor implacável de ninguém.
devem produzir amor. Essas doutrinas
devem produzir amor pelos perdidos.
Porque quem foi resgatado da perdição
não pode olhar para os que ainda não
estão nela com um desprezo ou
indiferença.
Essas doutrinas devem produzir uma vida
de oração mais rica. Porque se Deus
governa, a oração não é teatro, é meio
real nas mãos do Senhor soberano.
É um meio que ele determinou.
devem produzir estudo da palavra com
mais temor, porque a escritura não é
material para vaidade, mas voz do Deus
vivo. Devem produzir essas doutrinas,
devem produzir
preparo paraa morte como mais eh
sobriedade.
Porque quem sabe que Deus governa a vida
e a eternidade aprende a morrer
descansando no rei. E aqui está um
consolo precioso. Das maiores aflições,
o crente descansa porque Deus governa.
Não porque a dor deixa de doer, não
porque a provação se torna leve em si
mesma, não porque conseguimos explicar
todos os caminhos do Senhor, mas porque
a soberania de Deus nos diz que a
aflição não está solta, não está
governando.
A soberania ordena aprovações, a
soberania as controla, a soberania as
santifica. A soberania sustenta os
filhos de Deus no meio delas. Em
circunstâncias adversas, o filho de Deus
pode dizer: "Meu pai reina". Em perdas
severas pode dizer: "Meu pai não foi
surpreendido".
Em dores longas pode dizer: "Meu pai não
abandonou o trono".
Em tentações fortes, pode dizer: "Meu
pai guarda os seus".
Em portas fechadas
pode dizer: "Meu pai dirige meus
passos". Em noites escuras pode dizer:
"Meu pai não desperdiça sofrimento".
A soberania que ordena a aflição também
a limita. A soberania que permite a dor
também a santifica.
A soberania que nos eh leva pelo vale
também nos conduz para casa. Deus não é
soberano apenas quando a vida é clara.
Ele é soberano quando não entendemos
nada do que está acontecendo. Não é
soberano apenas quando somos livrados da
fornalha. É soberano dentro da fornalha.
Não é soberano apenas quando José é
exaltado no Egito. É soberano quando
José está na cova, na escravidão, na
prisão e no esquecimento.
Essa doutrina deve fazer a alma
descansar e adorar e se se submeter e
confiar. O alvo final não é apenas que
tenhamos definições corretas,
embora definições importem. O alvo é que
a definição se torne devoção, que a
precisão se torne consolo no coração,
paz, descanso, que a teologia se torne
adoração.
Que a mente iluminada conduza a um
coração quebrantado. Que o conhecimento
do trono produza joelhos dobrados.
Não use essas verdades para parecer
maior. Use-as para ver Deus como maior.
Não use eleição para se exaltar. Use-a
para agradecer.
Não use predestinação para endurecer.
Use-a para tremer.
Não use soberania para esmagar.
Use-a para consolar os aflitos.
Não use providência para explicar
friamente a dor dos outros.
Use-a para sustentar os que choram. Não
use o decreto como arma de disputa.
Receba-o como fundamento da verdadeira
adoração.
O Deus que governa todas as coisas não
deve ser estudado como tema de disputa,
mas adorado como Senhor, pai, rei e
refúgio dos seus filhos.
Nós vamos continuar porque nós queremos
falar sobre reprovação,
mas antes temos que percorrer todo o
caminho. Que Deus nos abençoe e nos dê
uma visão cada vez maior dele, uma visão
cada vez menor de nós mesmos e então uma
devoção maior, uma gratidão maior, um
amor que cresce cada vez mais. Paulo
orava pela igreja para que eles fossem
fortalecidos no homem interior para
verem junto com todos os santos, como
nós estamos fazendo aqui, a altura,
largura e profundidade do amor de Cristo
que excede todo entendimento.
Que seja isso, que aconteça no dia de
hoje e por toda a eternidade nas nossas
vidas. Amém, querido. Amém. Se tua graça
é um dom,
porque ela tem olhos.
Porque ela me olha de volta.
Eu
tratei tua graça como [canto][música]
conceito, algo que cabia na minha
definição. [música] Mas ela sangra, ela
chama, ela [canto] invade, ela tem nome
e rompe [música] a abstração.
Não é ideia, é encontro,
não é teoria, [canto] presença.
é o infinito se curvando
para habitar minha [canto][música]
carência.
E quanto mais eu vejo, mais eu deixo de
ver a mim.
[música]
Cristo, [canto]
a forma invisível da graça em mim, o
indivisível se tornando
assim.
>> [música]
>> Cristo,
não há algo que recebo de ti,
mas o próprio Deus vindo
a mim.
E [música] quando eu penso que entendi,
tua graça me desfaz outra [canto] vez.
Dá-me graça [música] para sentir o
abismo entre [canto] eu e ti. Não para
me perder nele, mas para te ver descendo
até aqui. Dá-me graça para pedir mesmo
quando a voz falhar, porque até o meu
clamor precisa de ti. Para começar,
dá-me graça para colher o peso eterno do
[canto] teu amor, que desmonto que eu
era [música] e me refaz, meu criador.
Quanto mais [canto] tu cresces, mais eu
aprendo assumir
Cristo,
a graça que me encontra [canto] antes de
mim,
o começo antes do
[música] meu
ser.
>> [canto]
>> Cristo,
a resposta antes do clamor. O fim de
mim, o início do amor.
E tudo em [música] mim que quer
permanecer é confrontado pelo [canto]
teu viver. Se até minha fome vem de ti,
[música] então não há parte em mim que
seja livre.
>> [música]
>> de [canto]
ti.
Se eu peço, é graça.
Se eu recebo, [canto] é graça.
Se eu respiro em ti,
ainda é graça.
Quando penso que uso tua graça,
sou eu sendo [canto] usado por ela.
Cristo, [música]
a graça que me atravessas,
a graça que me reescreve. Não sou
recipiente.
>> [música]

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