A Fé Pode Duvidar? – Café Teológico 001 (André Reinke)
02/06/2026
A Fé Pode Duvidar? – Café Teológico 001 (André Reinke)
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Muito bem, muito bem, muito bem! Está o primeiro Café Teológico! Neste episódio, Rodrigo Bibo e Fabrício Arendt recebe André Reinke para uma conversa honesta, profunda e necessária sobre uma pergunta que atravessa a história do cristianismo: a fé pode duvidar? Existe espaço para perguntas dentro da caminhada cristã? A dúvida é sinal de fraqueza espiritual ou pode ser parte do amadurecimento da fé? Ao longo deste episódio, Bibo e André conversam sobre crises espirituais, silêncio de Deus, desconstrução, certeza, angústia e a tensão entre confiança e questionamento.
Partindo das Escrituras, da tradição cristã e também das experiências comuns da vida, este papo mostra que a dúvida nem sempre é o oposto da fé — muitas vezes, ela é o caminho pelo qual a fé se torna mais sincera, humilde e madura. Pegue sua xícara, sente-se à mesa e venha refletir com a gente sobre uma fé que não ignora perguntas difíceis, mas aprende a atravessá-las.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
André, eu quero começar te provocando. Tem a palestra do André aqui também no nosso canal. Ah, mas eu quero, você fala que a fé pode duvidar, é o tema, né, da é a pergunta. Essa pergunta vai estar, né, num livro do André pela coleção Teologia para Todos. Uma coleção que eu criei para Thomas Nelson, que sempre procura responder alguma dúvida acerca da fé. Então, já tem mais de nove livros publicados nessa coleção. E em especial agora esse kit que o André está saindo, eu tô muito feliz porque é um kit com todos os amigos muito próximos que estão nesse kit com o André. Então, nós temos o livro do André, a fé pode duvidar. Depois nós temos o livro do Miloranza, né, sobre o que é que significa voltar ao primeiro amor. Eu não lembro como é que ficou o título do do livro agora, mas é sobre o que é voltar ao primeiro amor. O Mílio vai explicar um pouquinho sobre isso, né? O que que é voltar ao primeiro amor? E o Alex, já mencionado aqui, eh, vai falar sobre qual é o papel da igreja, né? O que é a igreja, né? Para que serve a igreja. Então, três amigos que estão lançando livros nessa coleção que eu criei. E é uma coleção que eu criei justamente para isso, para que os meus amigos lancem livros, né? Então, eh, eu tô muito feliz que o André, o Alex e o Milo estão nessa coleção. A Vic também, que é uma luterana, ah, está agora se formando na FLT, lançou um livro muito desafiador sobre o pastorado feminino, né? Inclusive paga um preço alto por ter lançado esse livro, justamente por conta daquilo que o André eh falou um pouco na sua palestra, no que diz respeito a pastorado feminino, as pessoas têm muitas certezas, né? E às vezes é um pouco dá um pouco de eh eh de medo assim, as pessoas têm tanta certeza que elas, né, demonizam e queimam, né? >> O maior problema são as certezas que elas têm, não as incertezas. >> Exato. Mas aí que tá, André, eu ia te provocar com isso assim, porque eh as incertezas fazem parte da jornada, né? E na sua palestra você fala que a dúvida ela fez parte da história de grandes personalidades, grandes personagens da Bíblia. O próprio Abraão, pai da fé, né, tem a sua crise de fé, né, dá o seu jeitinho humano, porque não tem uma fé suficiente para acreditar na promessa de Deus e tantos outros personagens que você trouxe na sua palestra. Mas e a dúvida, então, faz parte da fé, né? A fé pode duvidar? Você responde na sua palestra: "Sim, a fé pode duvidar, mas até que ponto, né? Até que ponto a fé pode duvidar?" Porque nós temos o contrário da fé. Aliás, incredulidade ao contrário da fé, porque às vezes parece que a dúvida é, muitas vezes a gente entende que a dúvida, ah, eu tô duvidando logo, eu não tenho fé. Você disse na sua palestra que não. Na verdade, eu vou te fazer outra pergunta, essa é boa também que eu acabei de fazer, mas eu vou fazer uma, vou voltar um pouco. O que é fé? Se a dúvida pode fazer parte da fé, tá? O que que é fé? Então, beleza. A dúvida não é o o oposto da fé, é a incredulidade. Mas então, o que que é fé? >> Começar pela >> É muita, entenderam? É que agora eu eu tomei o remédio hoje. Eu tô Tá, mas é que agora eu fiquei pensando aqui. Dá pra gente ir por essas duas partes? Vamos lá. O que é fé? Se a dúvida não é o oposto da fé, eu duvido, mas eu creio. Como é que isso é possível na fé cristã? >> Paulo usa a o termo fé, o pistes, né? Ele usa de três formas diferentes. Ó, eu fiz o jeito alemão de fazer o três, né? Você estão ligado? >> Bastardos em Glórias não ensinou isso aí. >> Não, mas eu já sabia em casa da minha mãe que ela fazia três assim. [risadas] Então são três, vamos botar o jeito britânico aqui, três formas de eh eh falar da fé. Fé, primeiro lugar, esse conjunto de crenças, doutrina. Então, fé primeiro esse conjunto de coisas que você acredita. Você crê que Deus criou o mundo do nada? Você crê que Deus controla o mundo? Você crê na existência de Deus? É isso. >> Então nós temos umas, nós podemos ter convicções. >> Tem que ter, >> senão não tem fé. Você tem isso. Você já crê no que não é visível, >> né? O que que ele diz? O que que não é visível? Não é visível que eh todas as coisas que existem vieram da inexistência, né? Então é esse primeiro princípio. Então, né? A fé de que Deus existe, que é criador e tudo mais. Esse é um conjunto de crenças, que é o primeiro eh forma de fé. Segunda forma de fé é vinculada ao Antigo Testamento, que é fidelidade. Por isso que a gente diz: Deus é fiel. Então, Deus é fiel. É uma relação de fé, né, de ser fiel, de fidelidade dele conosco, mas principalmente de nós com Deus. No Antigo Testamento, quando fala em fé, eles estão falando em fidelidade. É a história lá dos amigos de, aliás, em Abacu, né? Abacuk aparece, né, o texto lá, o justo viverá pela fidelidade, que Paulo traduz como fé, né? Entende? Essa fidelidade é o quê? O mundo tá desmoronando, mas eu continuo ao lado de Deus. Tá dando tudo errado na minha vida, mas eu continuo crendo e andando com Deus. é fidelidade. Então essa é a fé do Antigo, porque Antigo Testamento tudo deu errado, né? Geral com Minar. Então ele continua em, né? Eh, eh, em Deus, apesar da ruína do reino. O Abacu termina com isso, né? Os campos não deram mais fruto, a videira falhou, os currais estão vazios. Eu, porém, me alegro no Senhor, Deus da minha salvação. Pá, os amigos de Daniel. Ó rei, nós cremos que o Deus pode nos libertar da fornalha, porém se ele não quiser, nós não vamos se ajoelhar para esse negócio aí. fidelidade, quer dizer, crê que Deus pode, mas pode não querer. Então, eu vou morrer apesar de eu continuo crendo em Deus. Então, o segundo elemento é fidelidade. >> O primeiro é um conjunto de crenças. >> O segundo é a tua resposta de fidelidade a Deus. >> Esse primeiro e esse segundo eles podem conversar entre si, ou seja, a minha fidelidade, esse meu compromisso tem a ver com as coisas que eu sei sobre Deus. Por isso que é importante saber algumas coisas sobre Deus, porque isso >> isso é fundamental paraa emergência. por exemplo, na crença da ressurreição, que é lá na época dos Macabeus, por exemplo. Porque qual é a crise? A crise de Macabeus é que o seguinte, eles agora finalmente eram fiéis à Torá, a lei de Deus. Só que a Torá diz o seguinte: "Ba e maldição. Seja fiel, você vai ser abençoado. Não obedeça, vai ser amaldiçoado, vai ser espalhado as nações, etc, etc." E o que que tava acontecendo? Veio o imperador, o antigo Epifanes, e saiu matando o judeu adoidado pela fidelidade. E eles estavam morrendo. E aí vem esse elemento do quê? Da fidelidade. E a crença na ressurreição, que é baseado na crença. Quer dizer, Deus é justo. Deus cumpre o que ele lhe disse e ele disse que eu seria abençoado se obedecesse a lei. Eu tô obedecendo e não tô sendo abençoado. Eu tô morrendo. Onde é que vai est a benção? O Deus que criou o mundo pode me trazer da morte e me ressuscitar. Então vem ali o elemento da fidelidade que tá vinculado à crença de que Deus criou o mundo. >> E o terceiro, >> E aí o terceiro que Paulo usa com mais frequência é a fé como confiança. Então ela é uma relação de que tem a crença, tem a fidelidade, mas eu ando com Deus numa relação de confiança. Deus é fiel a mim porque ele me prometeu, né, a salvação e tudo mais. E eu sou fiel a Deus. eu ando com ele no meu cotidiano, no meu dia a dia. Então, a fé, nesse terceiro elemento, é como uma confiança, como uma relação de e reciprocidade, de um caminhar junto é experi é de você viver a experiência com Deus. Aí é essa fé. Essa é a terceira forma, né, que eu acho que é mais profundo. >> E daí então a gente definiu o que que é fé, né? É fidelidade, confiança, é um conjunto de crenças. E aí, beleza, a dúvida pode fazer parte. Então eu posso titubeiar entre uma coisa e outra. Às vezes eu não confio, às vezes eu não sou fiel e às vezes eu tenho algumas crenças complicadas também. Mas qual é o o oposto então da fé, se não é a dúvida? >> Então então o oposto, >> até onde eu posso duvidar? >> Então o oposto da fé é a incredulidade. A incredulidade não é dúvida. A incredulidade é uma firme convicção de que nada disso é real e verdade. É, é um rejeitar essa ideia, essa fé e tudo mais. Isso é incredulidade. >> Algumas obras teológicas dizem e falam justamente do orgulho, né, com uma contraposição da fé, mais ou menos nessa >> também poderia ser, né? Tá, tá. Temos aqui uma uma pergunta do Clemens Bret que ele pergunta: "Andreia, poderias entrar em mais detalhes sobre a ideia de que as dúvidas são como anticorpos, né? Tu falasse isso na tua mensagem". >> Então, o que que acontece? Eh, o anticorpo, ele só nasce a partir do momento que você teve um invasor no corpo, né? E ele reagiu a esse invasor e aí ele produziu os anticorpos. Então, quer dizer, você já foi vítima de uma doença, superou essa doença e nunca mais vai pegar ela, não é isso, né? Então, tive lá cachumba, produzi os anticorpos da cachumba e nunca mais vou ter cachumba. Então, a a dúvida é isso. Você caminhou, você passou pela dúvida e conseguiu superar pelo menos aquele ponto da dúvida lá. esse troço não vai me pegar mais. Agora eu saí com a fé fortalecida nesse ponto, vai ter outros. Por isso que a dúvida ela não é a mesma, né? As nossas dúvidas não são as mesmas ao longo da vida. Você não tá com a mesma dúvida. Todo mundo que teve uma vida cristã aqui sabe que a dúvida não é mais a mesma. O que você tinha de dúvida lá no passado, hoje você acha uma bobagem. Agora você tem outras, né, novas. Mas é isso, você já criou o anticorpo daquela dúvida lá. E aí a fé sai robustecida, né? Essa a ideia. >> Quando tu colocas ali que a dúvida que nasce de sofrimento, essa acho que para mim, ah, a da igreja também, a gente pode até voltar a conversar um pouco sobre isso, mas o sofrimento parece que como que a gente vence, né, a dúvida no sofrimento, porque, mano, a gente tá ali naquele no calor do momento sentindo aquilo, parece ser muito difícil, mano, acho que Deus não vai fazer nada, né? E quando Deus também não faz. né? >> É muito difícil até consolar alguém numa situação dessa assim, né? >> Pois é, cara. Aí tu vê a Salmos, né? Salmos é impressionante porque Salmos tem Salmo que diz assim: "Onde é que tu tá, Deus?" E ele lamenta, lamenta o salmo inteiro, ele não termina com uma solução. Aguarda o amanhecer que Deus trará a salvação. Não tem. Tem salmo que termina assim: "Eu tô no escuro sozinho." Então, quer dizer, qual é o primeiro passo dessa dessa dúvida do sofrimento? Cara, lembra da fé como confiança, né? É um relacionamento. Tu fala para Deus e aí vem aquela coisa, você diz para Deus a verdade, né? Eu tinha um, tem um primo da minha esposa que é pastor e aí ele ele comentava, ele foi muita, muito tempo capelão de hospital, né? Aí ele disse que tava numa noite, eh, chegou no de manhã para visitar um camarada. E esse camarada, não sei se qual era a doença, o que que era, mas ele disse: "Pastor, eu passei a noite inteira xingando Deus". E aí ele disse: "Não, tu não passou a noite inteira xingando, passou a noite inteira orando." E é isso, porque agora tu tá falando a verdade para Deus, entendeu? >> É o Tente Dan. >> É, é cara aquele perfeito, o T L T, né? O cara tá lá no no mar xingando, gritando, Deus, onde é que tu tá? Derruna, viu? Termina, tá tudo em paz. E ele tá em paz, né? Aí ele começa a viver a vida que Deus propôs para ele depois que ele brigou com Deus. Cara, a história de Jacó, Jacó ele ele ele tem um relacionamento com Deus depois do Valde Jaboque, quando ele se bota numa peleia com Deus lá, tá lutando com Deus. Aí lutou com Deus, ele sai convertido. Então o sofrimento ele te coloca isso. Agora nós vamos falar a verdade. Agora acabou aquele negócio assim de ah Deus é meu chafo, meu meu facho agora não tá sendo sincero com Deus. Então, deu sempre parte do princípio da sinceridade. Tu acha que a espiritualidade moderna de alguma forma coopera para essa compreensão muito astic, essa compreensão muito limpinha da espiritualidade, assim, às vezes não tem essa sensação de uma espiritual limpinha demais, que como se eu não pudesse ter esse tipo de de rompante com Deus, porque como se é como se fosse eh fosse faltar com respeito ou reverência, né, ao sagrado diante, né, porque qual é o até onde eu posso ir também assim ou não existe uma regra para isso? Ah, cara, aí é cada pessoa com Deus, né, cara? Não tem dizer assim, ó, Deus, tu pode xingar até aqui daqui para mim, como é que eu vou, como é que a gente vai botar, porque de novo é uma relação de confiança, é uma relação de é uma questão de relacionamento, né? E a gente crê de fato que a gente tá num relacionamento com uma pessoa que é Jesus de Nazaré. E esse relacionamento, como todo relacionamento, ele implica sinceridade, ele implica a verdade, né? Às vezes você pode começar a orar um dia, ó Deus, eu não sei se tu existe. Abre o jogo, né? Vamos abrir o jogo. Ele tá sabendo, cara. O cara tá sabendo de tudo, né? Vai querer esconder, entendeu? Então, então acho que o sofrimento desses momentos que é é muito difícil, né, de que a gente passa, mas é interessante que quem passa pelo sofrimento, eu tô falando de coisa pesada, tá, gente? Não é assim, ah, eu não passei no vestibular assim, é, sabe, sofrimento para valer, é doente. >> Vamos pensar um câncer, né, por exemplo, assim, que é uma coisa se arrasta por um do anos. A minha prima, quando [limpando a garganta] meu pai entrou na fase da doença dele, ela me liga assim, ó, como é que tu tá? Ah, estamos indo, né? Aí ele diz, tu sabe, né? É o quê que vai piorar, né? Sim, sei. Ela vai piorar cada vez mais, né? Sei. E o final vai ser ele morrendo, né? Sei. Ah, então tá bom. Então tá. Então tu entendeu o jogo, onde você vai? E a aí depois o pai dela ficou doente, né? Aí eu liguei para ela, tu sabe, né? >> Que que consolo. >> Mas quando tu passa, aí que vem a coisa, sabe? É. É quando você passou, claro, tu tá no turbilhão, gente. Quem tá por isso aí sabe. É. choro e ranger de dentes até o fim. Quando passa e você olha para trás e aí para mim ficou muito clara agora a minha experiência do lado do meu pai doente, eh, eu olhei para trás e aí e fica um sentimento estranho, porque você fica um sentimento de uma tristeza. Eu fiquei dois anos que eu pensava no meu pai todos os dias, todos os dias. E aí, eh, fica aquele sentimento assim triste pelo que passou e tal, mas ao mesmo tempo uma satisfação, porque daí você entendeu o que que significa honra teu pai e tua mãe. Aí tu entendeu e aí você sai feliz porque Deus te deu a oportunidade de honrar. É, é, é bizarro. É um sentimento estranho assim. E aí a gente vê entre os irmãos, porque teve irmãos que tiveram junto na fornalha e teve irmão que não participou e os que participaram carregam culto. É incrível os que não participaram. Então, ah, e aí a gente vê a sabedoria de Deus, né? A Jesus, a única vez que ele fala sobre honra pai e mãe, ele fala na circunstância dos pais doentes e os filhos tendo que cuidar deles. É a única vez que ele cita o mandamento. Ele diz assim: "Ah, vocês dizem que os bens de vocês é corbão, oferta do templo e não cuidam dos pais na necessidade deles." É o único momento que eles citam. Aí tu entende o que que é honrar pai e mãe. Não é dizer assim: "Ah, eh, responder pro pai ou mãe. Isso é uma besteira. Isso é coisa de criança, mas é na hora do vamos ver, né? Então essas coisas nos levam, né? Na verdade, o sofrimento, essas coisas, né? Você tem a dúvida no momento, mas quando passou por ele, aí você entende. >> Eu tenho duas manifestações. O Rick Oliveira fala aqui: "Queríamos ter ido, mas deu problema no carro e a >> faltou fé, né? Faltou, faltou fé, no caso. Mentira. >> É, podemos discutir isso aí, né? Eh, e a segunda é justamente a uma pergunta que a Daane faz aqui. Existem milagres condicionados à fé? O que significa quando Jesus dizia após curar a sua fé te curou? >> Bebe uma aguinha. [risadas] >> Não faço ideia, cara. Eu realmente não faço ideia porque tem coisas são tem textos na Bíblia que são misteriosos. Porque tem que eventualmente Jesus diz: "Ó, ele não poôde fazer muitos milagres porque não havia fé naquele lugar". Cara, isso é um texto que te derruba sentido. Cara, como é que isso funciona? Porque tem textos, gente, por exemplo, tem curas de Jesus que o camarada nem sabe quem Jesus era. Não tem fé em jogo, cara. Quem era que te abriu os olhos? Eu não seiada que passou ali. >> É João 8 essa passagem não lembro. >> É do cego >> nascência. >> É aquela que ele faz a babinha lá. Faz >> que ele era eu só sei que agora eu vejo. Cara, não tem fé. Zero fé. Zero. E foi curado. Aí você tem outro episódio lá, o paralítico do lado do do mar. O cara chega lá e Jesus quer uma ajuda? O cara, ah, eu não tenho ninguém para me jogar dentro da água quando balança a água. Ele só tá querendo que Jesus fique lá para jogar ele na água quando balançar. E ele levanta e anda. Zero fé. Que que tu faz com esses texto, cara? >> É, o que que tu faz com esse texto? Também não sei. Mas eu acredito também que, né, o John Piper fala uma coisa legal, >> que tem coisas que de fato Deus não vai fazer na tua vida se você não orar. Tem coisas que você que vai acontecer na sua vida porque você orou. Agora, é claro, né? Acima de tudo, Deus vai fazer se ele quiser também. Mas às vezes algumas coisas não acontecem, talvez na nossa vida, porque a gente nem ora elas e nem fala sobre elas disso com Deus, né? >> Eu acho que isso tá na naquela relação da fé como confiança, sabe? Eu acho que tem, por mais que a reforma defenda que a fé independente de obras, e a gente tem muito a base da ideia da fé passiva, é dom de Deus, ele veio de lá e e não teve nada em mim. Existe um aspecto ativo na fé. Tem um ativo, tem uma relação de resposta a Deus. Eu acho que há momentos na vida em que Deus te chama para participar do ato que ele vai fazer. E aí você tem responsabilidade. E aí a fé como ativa entra em jogo. Como quando aí já é cada um com Deus lá. Mas é eu isso é uma coisa que até o Gupta fala disso no livro dele. Existe um aspecto ativo na fé que tem a participação da pessoa. Por isso que a Bíblia fala de desenvolver a fé, né? Então, >> Exato. >> Os luteranos vão falar da fé ativa no amor. >> Ol. Eh, o Felipe faz aqui uma uma pergunta. Ele diz assim: "Como equilibrar uma fé cega e um ceticismo exacerbado nesse mundo de extremos? De um lado, a negação total da fé cristã e de outro, pessoas simples enganadas." Depois, uma outra manifestação também do Charles e diz assim: "Teriam assuntos não recomendados a ter dúvidas? Já fui exortado ao questionar a literalidade do Gênesis. iria em consequência descobrir as principais doutrinas do cristianismo. >> Eh, eu tenho dificuldade, [risadas] eu tenho, é que eu tenho dificuldade, eu tenho dificuldade com checklist, sabe? Eu tenho dificuldade com esse negócio checklist assim, olha isso aqui pode, aqui não pode. Pô, cara, >> eu vou te ajudar um checklist que ajudar pra gente que tu vai concordar comigo. Tem doutrinas basais da fé. O credo nissano Constantinopolitano, por exemplo, ou o credo apostólico, que é para ser um pouco menor. Esse eu penso que são são crenças inegociáveis para qualquer cristão. Não não dá para você abrir mão disso, né? Agora, por exemplo, o pessoal se mata na internet sobre a inerrância das escrituras. Aí discute o termo inerrância, se é isso, se é aquilo e tal. Aí o pessoal se briga todo. Gênesis também, né? A literalidade de Gênesis, você sabe, não são coisas centrais, né? Não são coisas centrais. Não, eu tenho que ler Gênes de maneira literal. Não, isso eu também todo a gente vai ler Gênes de maneira literal. Deus criou as coisas, mas aí o pessoal começa a discutir com a ciência, aí vira uma briga que às vezes não faz muito sentido, porque a gente não aprende a ler teologia e de forma teológica, entende? A gente quer ler Gênesis de maneira literalista, como se lê um livro de história. E aí a gente vai ter um problema. Tu fala disso no teu livro, inclusive, né? Acho que tu podia até falar um pouquinho. Vai. >> Me repete aí a questão. >> Como é que é? >> Me repete a questão que eu tava >> da questão de Gênesis ali. Porque assim, se eu leio a Bíblia de maneira muito historicista, eu posso ter um problema, porque tipo, tá, mas a Bíblia não é um livro de história, mas ao mesmo tempo tem história, né? Então essa relação, né? né? Eu acho que tem outra relação que é mais que é mais produtiva assim, ó. Eu acho que nessa relação toda que a gente vê nesse eh nessa discussão eseticismo, fé e tudo mais, tem um ponto importante para nós que é o é a humildade epistemológica. Que quer dizer isso? É humildade, em outras palavras, é você botar na tua cabeça que tu não sabe todas as coisas. Essa é basicamente isso. Eu não sei todas as coisas, entende? Então, a partir disso, entender como funciona o próprio conhecimento humano, como é que ele vai funcionar, como é que ele vai se construindo, né? O Paul Rcker elef tem uma questão muito legal que ele fala, né? Na eu pego a parte da história, que é onde eu domino, tá? Eh, ou mais ou menos também, sei lá. O, a parte da história, ele diz o seguinte, eh, ele chama de a verdade da história de representância. O que que quer dizer isso? Que é uma representação do fato do passado que o historiador recuperou por meio de documentos, de testemunhos, de arqueologia, de um monte de coisa. Então você tem essa verdade que foi resgatada, que as coisas aconteceram assim e assim por causa disso, por aquilo e resultaram naquilo outro. Beleza? Tá lá. Só que esse é um conhecimento por vestígio. Você não tá vendo o fato do passado na tua frente como um stil. Isso, na verdade, hoje a gente sabe que é para qualquer coisa, né? As testemunhas de um evento vão ter perspectivas diferentes da mesma coisa na hora, não é? Se elas forem todas iguais, elas combinaram a história. Tem problema aí, né? Entende? Não é diferente. Então, mas assim peg passado. Então, o que acontece? O historiador tem essa verdade do passado, só que ele não é sozinho. Existem n historiadores que vão trabalhar e pesquisar. de repente ele faz uma descoberta que faz um ajuste nessa verdade. Olha, de fato, houve eh houve ali uma escravidão de tal forma lá no passado, mas ela tinha determinada válvula de escape em tal lugar que ajudava a manter o controle dos escravizados. Então ele ajustou aquela verdade do passado, mas continua uma verdade, mas ela tá ajustada, tá melhorada. Então ele chama da verdade em suspenso e você vai aprofundando e compreendendo cada vez melhor o passado. Ou seja, é uma ciência em construção. Eu sei que pode haver uma mudança a partir de descobertas a partir desse conhecimento. A teologia é a mesma coisa, tá gente? A gente tem as convicções a partir da verdade bíblica, mas estão em possibilidades de ajustes de acordo com a análise, com descoberta de manuscrito, com análise textual, com uma série de coisas. Quer ver um exemplo bem simples para entender? Se vocês olharem a estátua do Moisés de Michelângelo, ela tem chifres. Vocês já viram? Ele tem dois chifrão assim. Por quê? Porque a Bíblia, no tempo de Michelângelo, a tradução da glória que ele tinha quando descia do monte era chifres, não era glória, era chifre. Por quê? Porque a representação, tanto que a palavra glória e chifre, ela usava as mesmas letras, tá? Uma coisa assim, não vou entrar no detalhe. E porque também na antiguidade chifres na cabeça é representação de glória divina. É símbolo de glória divina. Por isso que as divindades, quando lê o vê os materiais lá da da Mesopotâmia, ela aparece com chifres na cabeça. Olha como é diabólico. Não, gente, é glória divina. É isso que fala. Quer ver uma glória divina que tem hoje na mundo moderno? Estátua da liberdade. Ela tem chifres na cabeça. É o brilho. >> A gente conhece a da Avan. >> Avan. >> É a estátua da Avan, entende? Então ela tem chifo que é a glória. Então o que que acontece? aquele interpretação naquele momento que ele tinha chifres na cabeça. Hoje a gente dá risada disso porque se tem uma outra compreensão. O texto bíblico mudou? Não. A revelação mudou? Não. Mas a nossa compreensão dela mudou. Então nós tivemos uma uma acréscio, uma melhora nessa leitura. E isso vale tanto paraa ciência como paraa teologia. Então, nesses pontos em que dá uma divergência vezes sério entre um e outro, eu só diria o seguinte: mais humildade epistemológica, tanto lá como K. A gente pode estar equivocado em alguns pontos e podem ter alguns pontos de contato em determinado momento, como mesmo na história já houve vários momentos que algumas coisas eram negadas e que hoje são aceitas. >> É, isso é a parte que eu acho muito triste quando você vai estudar a história da igreja, gente, é bom porque isso te traz muita humildade assim. Então, quando você estuda, por exemplo, alguns momentos históricos em que pessoas morreram por causa de suas crenças, ou formular de outra forma, pessoas mataram por causa de suas crenças. Então, a gente teve eh católicos e protestantes matando seres humanos por causa de crenças. E aí a gente percebe como e aí você vai estudar o porque que determinada pessoa foi queimada, porque que determinada foi morta. E hoje em dia nem se acredita mais daquela forma, né? Mas se acreditava por um tempo. Isso não é diferente hoje também. É claro que a gente tem algumas bases doutrinárias são sólidas e tem milênios de solidez teológica, mas outras são mais volúveis e tal. Eu até conversava com a Vic sobre isso, porque assim, toda doutrina nova pode ser meio perigoso mesmo. A doutrina é nova, mas, mano, o que é novo é perigoso e de fato pode ser perigoso. Mas a questão da mulher no ministério é uma discussão muito recente na história da teologia, muito recente. Não tem, talvez, tem 50 anos, talvez essa discussão. E é muito interessante por quê? Porque homens e mulheres muito versados em Bíblia, teologia, história, originais, OK? A gente consegue interpretar Paulo porque numa leitura, né, muito rápida de Paulo, parece assim que mulher não tem vez, não tem voz e fica quieta e aprende em casa numa leitura rápida. É isso. Mas você tem grandes homens, vou citar homens porque é um assunto que toca mais as mulheres. Então é muito interessante que tenha homens que são pessoas que têm voz do mundo teológico. Não, pera aí. É interessante que a gente consegue agora por meio de descobertas, por meio de análise de contexto, dá pra gente entender de outra maneira que o apóstolo Paulo, mas coisa que não se discutia no passado. Então por isso que a gente precisa ter sempre, sabe, essa humildade de fazer a nossa teologia lápis, né? Então assim, que às vezes a gente tem que apagar mesmo e reescrever ela. Então assim, a teologia de certa forma ela é feita a lápis. Algumas coisas impressas na pele, no coração, são inegociáveis, mas o a maioria da do nosso fazer teológico, ele precisa ser feito a lápis. O próprio Lutero teve mudanças teológicas ao longo da sua jornada enquanto reformador. Então, é nesse sentido, a gente precisa ter essa humildade porque pessoas mataram, né? E pessoas morreram por conta das suas crenças. Quando eu termino de ver o em nome do pai, nossa, aquilo lá é é desesperador, é uma comunidade protestante, entendeu? gente sendo enforcada por conta da sua fé, né? E aquele final é muito impactante. Mas isso aconteceu de fato, de verdade, e ainda hoje acontecem, né? Ainda bem que a gente não pode queimar as pessoas, mas se pudesse, eu tenho certeza que tem grupos e movimentos que queimariam. Com certeza. >> Beleza, gente, nós temos 19:2. Vamos pra última pergunta aqui. >> Não, eu tão rápido, eu vi que honrar essa pessoa aqui que mandou um papelzinho. >> Beleza. Então, a penúltima pergunta aqui, depois você já emenda ela, tá? >> Como desenvolver uma fé madura? capaz de reconhecer a vontade de Deus, mesmo quando ela é diferente da nossa, sem perder a confiança e a ousadia nas orações. Exemplo, oração por cura. >> O Deus que destrói sonhos. Escrevi um livro para responder exatamente essa pergunta. Eu sei que aqui o André, mas ó, o meu livro não tem para vender ali, mas o meu livro responde exatamente essa pergunta. O Deus que destrói sonhos. Ah, não tenho dinheiro para comprar o livro. Vai no YouTube que eu tenho uma palestra sobre esse, exatamente sobre esse tema, tá bom? >> Responde, cara. >> Qual é a pergunta? Vê tua pergunta. >> A pergunta é sobre como ter fé, >> como desenvolver uma fé madura quando a vontade de Deus diverge da nossa. >> Responde, vai lá. >> Quando a vontade de Deus diverge da nossa. >> É o reconhecer mesmo quando ela é diferente da nossa, sem perder a confiança e a ousadia na na nas orações. >> Entenda quem quem é o servo da história. É, não tem. É quase sempre divergente da nossa. >> Exato. [limpando a garganta] Entenda quem é o servo da história. Que bom, >> cara. É assim, a essa relação de confiança, gente, esse que é o é o detalhe, né, cara? Porque eh graças a Deus não aconteceu as coisas que eu planejei paraa minha vida, cara. Graças a Deus, sabe? Então, pô, vamos confiar no cara, sabe? Aquele que é o Senhor criador de todas as coisas tem alguma coisa para você, vamos confiar, sabe? Então, >> mas essa pergunta, não tô dizendo que é o caso da pessoa que fez a pergunta, né? masse dessa espiritualidade fofa que a gente tem hoje, né? Onde a gente inverte os papéis. Agora não é eu que sigo Deus, é Deus que me segue, né? Então assim, então é o Deus que vai eh vai cumprir os meus sonhos, os meus planos, né? Como os teólogos coaches falam, né? Olha, se cabe no seu bolso não é de Deus, então sonhe grande, porque Deus é grande, né? Você é filho do rei do universo, então tenha ousadia. Tudo que você pedir no nome dele, ele vai te dar. Então, tem essa espiritualidade muito fofa em que Deus é o gênio da lâmpada. Basta você falar as palavras certas que você vai destravar a vontade de Deus ou como diz, né? Destravar o seu futuro, destravar o seu destino. Isso é balela. Isso é muitas vezes a gente tem que entender que às vezes o não de Deus, quer dizer, a caixa do presente vazia pode ser uma bênção na tua vida. Tu não sabe, cara, não tem noção que aquilo que você pediu vai ser uma maldição na tua vida, entende? Então, eh, a gente a gente perde essa, e a dimensão da fé é isso, é uma relação de confiança. É agradecer pelo não, sabendo que um dia você pode olhar para trás, olha, cara, eh, a gente não tem noção, é, é, é que a vida nossa, a gente acha, aí a questão do livre arbítrio, a gente não tem livre arbitro nenhum, nenhum. Quando tu conhece assim, as coisas mais importantes da tua vida, pode ter certeza, elas aconteceram sem que você tivesse controle nenhum. Eu conheci a minha esposa porque nós fomos no mesmo retiro. Quem é que controla isso? A minha prima conheceu o marido dela porque pegaram o mesmo ônibus. Quem controla isso, cara? E essa é uma das coisas mais importantes da vida de alguém. Quando tu vai casar, com quem vai fazer família, que controle tu tem nesse troço, cara? Entende? Então é aquilo que Jesus fala lá do da do sermão do monte, né, cara? Deus te deu a vida, deu o corpo, não vai dar comida, entendeu? Continue em nadar. Sobre as dúvidas surgidas na faculdade. Ah, não poucos, não poucas vezes os jovens de fato não seguem os sete princípios que o André trouxe na palestra dele, que tá disponível no canal aqui. Ah, então jovens não seguem esses sete princípios, essas sete dicas que você deu e abandonam a fé, né? Existe realmente um número muito alto de jovens que acabam abandonando a fé. Como, qual a melhor estratégia ou o que a igreja pode fazer para adotar eh institucionalmente diante desse fato? Ou seja, o que que a igreja pode fazer para, quem sabe diminuir esse número de jovens que abandonam a fé? >> Duas coisas. >> Então, vamos lá. Vamos ver se eu consigo lembrar das duas. Primeira coisa, a igreja lida muito mal, muito mal com a dúvida. Aí eu digo no sentido geral, a gente oferece certezas nos nossos públicos, a gente não permite muita eh muito facilmente a relação com a dúvida, né? Eh, o que que quer dizer isso? O embate teológico, gente, ele a gente tem a convicção, vocês são luteranos, vocês têm o corpo de doutrinas, permaneçam nelas, ensine elas perfeito. Mas quando a gente apresenta a doutrina da igreja, e eu agora falo como um batista, tem as doutrinas da igreja batista, que em alguns pontos são diferentes da luterana, né? Alguns pontos são bem diferentes. >> A quantidade de água, por exemplo, >> é >> quantidade de água, a idade quando tu entra na água, uma série de coisas. Inclusive parênteses aqui, eh, quando eu dei aula de eh teologia da reforma no estágio lá na este, e aí eu dei para e eu dei junto com o professor Volds, que era o meu orientador, e aí ele me colocou na disciplina. E aí no dia que era sobre sacramento, eu dei a aula, ele não ia est. E eu digo, você vai dar a aula de sacramento para um Batista? Tem certeza disso? [risadas] >> Virou tudo ordenança. Ele ele dava risada. Digo, mas não, qual é o problema? A gente prepara para enfrentar o mundo a partir do que nós cremos, mas a gente não concede a outras doutrinas que podem ter uma lógica lá. A gente não concede o benefício de que, olha, esse cara pensa diferente e de que outra interpretação é possível. A gente não concede isso, né? A gente não, a nossa verdade, eles estão enganados, estão no erro, problema deles lá, dependendo da tradição, vai dizer que eles estão no inferno. Então, a gente não concede o benefício de que pode haver outras interpretações que são também viáveis. Então, a pessoa já não é preparada para uma dúvida epistemológica sobre uma crença. Isso me aconteceu uma vez num caso bem interessante. Eu tô num num evento da reforma, para variar, uma igreja lá em Santa Maria. Um camarada veio e perguntou para mim no final da palestra assim: "Por que que os presbiterianos batizam criança?" Aí eu expliquei para ele, olha, a doutrina presbiteriana funciona assim, assim, assim, eh, eh, pé do batista, tal e tal. Expliquei a lógica. Ele: "Bah, que legal, tu batizou teus filhos?" Não, mas por que não? Tu me explicou? Eu digo, "Tu me pediu a explicação, eu dei da perspectiva presbiteriana. Mas eu sou um batista. Mas por que que tu não batizou? Não, porque eu sou um credo batista. Aí eu expliquei por isso, por isso, por isso. Ah, tá. As pessoas confundem explicação com apologia. E aí tá a desonestidade do nosso meio na igreja de na hora de explicar a doutrina e dizer: "Nós cremos por isso, por isso e por isso". determinada tradição vai pensar assim, eles não tão louco, eles não são bandereg, mas ele tem uma interpretação diferente. Então, falta um pouco para nós darmos a solidez do que cremos, mas também com um contraditório que não é um espantalho. Esse é o problema. a gente apresenta espantalho. Aí chega lá no outro lugar, o camarada não vai apresentar um espantalho para ti, ele vai apresentar as bases dele. Aí, pronto, mentiram para mim lá atrás. Não, não é que mentiram, ficaram mentindo, ficaram, né? Não deixaram lidar com a dúvida de dentro que olha, pode ter outro jeito, entendeu? Isso não quero dizer agora que vai ter que estudar toda doutrina, não. Quero dizer que nós temos que ter uma relação de respeito com outras formas de interpretação e compreender a realidade. Pega essa questão, por exemplo, de eh do Gênesis que sempre dá um stresse. Cara, existem cristãos que defendem posições diferentes de uma criacionista de terra jovem. A questão nossa é que nós estamos apresentando eles como falsos crentes, como heresges. Não, cara, pera aí, são crentes piedosos. Entende? Então dizer, olha, existem formas diferentes de perceber essas questões dentro da tradição cristã pode fortalecer os nossos jovens a quando chegarem lá fora e apanhar para valer. Ele já sabe que olha existe formas diferentes pensar eu não preciso abandonar minha fé porque aqui se pensa diferente, né? Ou de outra forma de explicação, seja o que for. Então essa é a primeira questão. A segunda que envolve mais a questão de doutrina. A gente trabalha muito na explicação de Deus daquilo que é revelado, mas falta um pouco do que Lutero tinha perfeitamente, que é o deus abscôndidos. Existem coisas de Deus que a gente não vai conseguir explicar plenamente e falta esse deslumbramento nosso dentro das igrejas com as coisas não explicáveis de Deus, né? Entende? O Lutero, para mim, ele ele é muito legal porque ele crê na na predestinação, mas ele não transforma isso num pilar. Eles, ó, isso aqui faz parte do deus abscôndidos. A gente crê, mas isso não se torna um assunto de de estresse teológico nosso. >> Abiscôndito é o que mesmo? Escondido. >> Deus escondido. O Deus que não se revela, porque ele fala do Deus revelatos, né? O Deus que se revela e o deus abscôndidos. O Deus que não se revela. as coisas que ele guarda para ele e tem coisas que ele não nos diz. Então, falta essas duas coisas. Uma de que existem possibilidades diferentes de compreender a própria fé e a relação com o mundo e tudo mais. E dois, que tem coisa que Deus nos revela e tem que ter margem para isso. Então eu acho que isso dá uma solidez melhor para você entrar num mundo do contraditório, porque você já tá acostumado com o contraditório e com ter coisas que você não explica. O problema é tu chegar lá cheio de certeza e o camarada bota abaixo tua certeza com com questões muito bem fundamentadas. Aí é problema, tá? Minha opinião, tá gente? Não, não é uma regra.