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A fé vem pelo ouvir

A Fé Pode Duvidar? – Café Teológico 001 (André Reinke)

A Fé Pode Duvidar? – Café Teológico 001 (André Reinke)

A Fé Pode Duvidar? – Café Teológico 001 (André Reinke)

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Muito bem, muito bem, muito bem! Está o primeiro Café Teológico! Neste episódio, Rodrigo Bibo e Fabrício Arendt recebe André Reinke para uma conversa honesta, profunda e necessária sobre uma pergunta que atravessa a história do cristianismo: a fé pode duvidar? Existe espaço para perguntas dentro da caminhada cristã? A dúvida é sinal de fraqueza espiritual ou pode ser parte do amadurecimento da fé? Ao longo deste episódio, Bibo e André conversam sobre crises espirituais, silêncio de Deus, desconstrução, certeza, angústia e a tensão entre confiança e questionamento.
Partindo das Escrituras, da tradição cristã e também das experiências comuns da vida, este papo mostra que a dúvida nem sempre é o oposto da fé — muitas vezes, ela é o caminho pelo qual a fé se torna mais sincera, humilde e madura. Pegue sua xícara, sente-se à mesa e venha refletir com a gente sobre uma fé que não ignora perguntas difíceis, mas aprende a atravessá-las.

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Legendas automáticas:

André, eu quero começar te provocando.
Tem a palestra do André aqui também no
nosso canal. Ah, mas eu quero, você fala
que a fé pode duvidar, é o tema, né, da
é a pergunta. Essa pergunta vai estar,
né, num livro do André pela coleção
Teologia para Todos. Uma coleção que eu
criei para Thomas Nelson, que sempre
procura responder alguma dúvida acerca
da fé. Então, já tem mais de nove livros
publicados nessa coleção. E em especial
agora esse kit que o André está saindo,
eu tô muito feliz porque é um kit com
todos os amigos muito próximos que estão
nesse kit com o André. Então, nós temos
o livro do André, a fé pode duvidar.
Depois nós temos o livro do Miloranza,
né, sobre o que é que significa voltar
ao primeiro amor. Eu não lembro como é
que ficou o título do do livro agora,
mas é sobre o que é voltar ao primeiro
amor. O Mílio vai explicar um pouquinho
sobre isso, né? O que que é voltar ao
primeiro amor? E o Alex, já mencionado
aqui, eh, vai falar sobre qual é o papel
da igreja, né? O que é a igreja, né?
Para que serve a igreja. Então, três
amigos que estão lançando livros nessa
coleção que eu criei. E é uma coleção
que eu criei justamente para isso, para
que os meus amigos lancem livros, né?
Então, eh, eu tô muito feliz que o
André, o Alex e o Milo estão nessa
coleção. A Vic também, que é uma
luterana, ah, está agora se formando na
FLT, lançou um livro muito desafiador
sobre o pastorado feminino, né?
Inclusive paga um preço alto por ter
lançado esse livro, justamente por conta
daquilo que o André eh falou um pouco na
sua palestra, no que diz respeito a
pastorado feminino, as pessoas têm
muitas certezas, né? E às vezes é um
pouco dá um pouco de eh eh de medo
assim, as pessoas têm tanta certeza que
elas, né, demonizam e queimam, né?
>> O maior problema são as certezas que
elas têm, não as incertezas.
>> Exato. Mas aí que tá, André, eu ia te
provocar com isso assim, porque eh as
incertezas fazem parte da jornada, né? E
na sua palestra você fala que a dúvida
ela fez parte da história de grandes
personalidades, grandes personagens da
Bíblia. O próprio Abraão, pai da fé, né,
tem a sua crise de fé, né, dá o seu
jeitinho humano, porque não tem uma fé
suficiente para acreditar na promessa de
Deus e tantos outros personagens que
você trouxe na sua palestra. Mas e a
dúvida, então, faz parte da fé, né? A fé
pode duvidar? Você responde na sua
palestra: "Sim, a fé pode duvidar, mas
até que ponto, né? Até que ponto a fé
pode duvidar?" Porque nós temos o
contrário da fé. Aliás, incredulidade ao
contrário da fé, porque às vezes parece
que a dúvida é, muitas vezes a gente
entende que a dúvida, ah, eu tô
duvidando logo, eu não tenho fé. Você
disse na sua palestra que não. Na
verdade, eu vou te fazer outra pergunta,
essa é boa também que eu acabei de
fazer, mas eu vou fazer uma, vou voltar
um pouco. O que é fé? Se a dúvida pode
fazer parte da fé, tá? O que que é fé?
Então, beleza. A dúvida não é o o oposto
da fé, é a incredulidade.
Mas então, o que que é fé?
>> Começar pela
>> É muita, entenderam? É que agora eu eu
tomei o remédio hoje. Eu tô Tá, mas é
que agora eu fiquei pensando aqui. Dá
pra gente ir por essas duas partes?
Vamos lá. O que é fé? Se a dúvida não é
o oposto da fé, eu duvido, mas eu creio.
Como é que isso é possível na fé cristã?
>> Paulo usa a o termo fé, o pistes, né?
Ele usa de três formas diferentes. Ó, eu
fiz o jeito alemão de fazer o três, né?
Você estão ligado?
>> Bastardos em Glórias não ensinou isso
aí.
>> Não, mas eu já sabia em casa da minha
mãe que ela fazia três assim. [risadas]
Então são três, vamos botar o jeito
britânico aqui, três formas de eh eh
falar da fé. Fé, primeiro lugar, esse
conjunto de crenças, doutrina. Então, fé
primeiro esse conjunto de coisas que
você acredita. Você crê que Deus criou o
mundo do nada? Você crê que Deus
controla o mundo? Você crê na existência
de Deus? É isso.
>> Então nós temos umas, nós podemos ter
convicções.
>> Tem que ter,
>> senão não tem fé. Você tem isso. Você já
crê no que não é visível,
>> né? O que que ele diz? O que que não é
visível? Não é visível que eh todas as
coisas que existem vieram da
inexistência,
né? Então é esse primeiro princípio.
Então, né? A fé de que Deus existe, que
é criador e tudo mais. Esse é um
conjunto de crenças, que é o primeiro eh
forma de fé. Segunda forma de fé é
vinculada ao Antigo Testamento, que é
fidelidade.
Por isso que a gente diz: Deus é fiel.
Então, Deus é fiel. É uma relação de fé,
né, de ser fiel, de fidelidade dele
conosco, mas principalmente de nós com
Deus. No Antigo Testamento, quando fala
em fé, eles estão falando em fidelidade.
É a história lá dos amigos de, aliás, em
Abacu, né? Abacuk aparece, né, o texto
lá, o justo viverá pela fidelidade,
que Paulo traduz como fé, né? Entende?
Essa fidelidade é o quê? O mundo tá
desmoronando, mas eu continuo ao lado de
Deus. Tá dando tudo errado na minha
vida, mas eu continuo crendo e andando
com Deus. é fidelidade. Então essa é a
fé do Antigo, porque Antigo Testamento
tudo deu errado, né? Geral com Minar.
Então ele continua em, né? Eh, eh, em
Deus, apesar da ruína do reino. O Abacu
termina com isso, né? Os campos não
deram mais fruto, a videira falhou, os
currais estão vazios. Eu, porém, me
alegro no Senhor, Deus da minha
salvação. Pá, os amigos de Daniel. Ó
rei, nós cremos que o Deus pode nos
libertar da fornalha, porém se ele não
quiser, nós não vamos se ajoelhar para
esse negócio aí. fidelidade, quer dizer,
crê que Deus pode, mas pode não querer.
Então, eu vou morrer apesar de eu
continuo crendo em Deus. Então, o
segundo elemento é fidelidade.
>> O primeiro é um conjunto de crenças.
>> O segundo é a tua resposta de fidelidade
a Deus.
>> Esse primeiro e esse segundo eles podem
conversar entre si, ou seja, a minha
fidelidade, esse meu compromisso tem a
ver com as coisas que eu sei sobre Deus.
Por isso que é importante saber algumas
coisas sobre Deus, porque isso
>> isso é fundamental paraa emergência. por
exemplo, na crença da ressurreição, que
é lá na época dos Macabeus, por exemplo.
Porque qual é a crise?
A crise de Macabeus é que o seguinte,
eles agora finalmente eram fiéis à Torá,
a lei de Deus.
Só que a Torá diz o seguinte: "Ba e
maldição. Seja fiel, você vai ser
abençoado. Não obedeça, vai ser
amaldiçoado, vai ser espalhado as
nações, etc, etc." E o que que tava
acontecendo? Veio o imperador, o antigo
Epifanes, e saiu matando o judeu
adoidado pela fidelidade. E eles estavam
morrendo. E aí vem esse elemento do quê?
Da fidelidade. E a crença na
ressurreição, que é baseado na crença.
Quer dizer, Deus é justo. Deus cumpre o
que ele lhe disse e ele disse que eu
seria abençoado se obedecesse a lei. Eu
tô obedecendo e não tô sendo abençoado.
Eu tô morrendo. Onde é que vai est a
benção? O Deus que criou o mundo pode me
trazer da morte e me ressuscitar.
Então vem ali o elemento da fidelidade
que tá vinculado à crença de que Deus
criou o mundo.
>> E o terceiro,
>> E aí o terceiro que Paulo usa com mais
frequência é a fé como confiança.
Então ela é uma relação de que tem a
crença, tem a fidelidade, mas eu ando
com Deus numa relação de confiança. Deus
é fiel a mim porque ele me prometeu, né,
a salvação e tudo mais. E eu sou fiel a
Deus. eu ando com ele no meu cotidiano,
no meu dia a dia. Então, a fé, nesse
terceiro elemento, é como uma confiança,
como uma relação de e reciprocidade,
de um caminhar junto é experi
é de você viver a experiência com Deus.
Aí é essa fé. Essa é a terceira forma,
né, que eu acho que é mais profundo.
>> E daí então a gente definiu o que que é
fé, né? É fidelidade, confiança, é um
conjunto de crenças. E aí, beleza, a
dúvida pode fazer parte. Então eu posso
titubeiar entre uma coisa e outra. Às
vezes eu não confio, às vezes eu não sou
fiel e às vezes eu tenho algumas crenças
complicadas também. Mas qual é o o
oposto então da fé, se não é a dúvida?
>> Então então o oposto,
>> até onde eu posso duvidar?
>> Então o oposto da fé é a incredulidade.
A incredulidade não é dúvida. A
incredulidade é uma firme convicção de
que nada disso é real e verdade. É, é um
rejeitar
essa ideia, essa fé e tudo mais. Isso é
incredulidade.
>> Algumas obras teológicas dizem e falam
justamente do orgulho, né, com uma
contraposição da fé, mais ou menos nessa
>> também poderia ser, né? Tá, tá. Temos
aqui uma uma pergunta do Clemens Bret
que ele pergunta: "Andreia, poderias
entrar em mais detalhes sobre a ideia de
que as dúvidas são como anticorpos, né?
Tu falasse isso na tua mensagem".
>> Então, o que que acontece?
Eh,
o anticorpo, ele só nasce a partir do
momento que você teve um invasor no
corpo, né? E ele reagiu a esse invasor e
aí ele produziu os anticorpos.
Então, quer dizer, você já foi vítima de
uma doença,
superou essa doença e nunca mais vai
pegar ela, não é isso, né? Então, tive
lá cachumba,
produzi os anticorpos da cachumba e
nunca mais vou ter cachumba.
Então, a a dúvida é isso.
Você caminhou,
você passou pela dúvida e conseguiu
superar pelo menos aquele ponto da
dúvida lá. esse troço não vai me pegar
mais. Agora eu saí com a fé fortalecida
nesse ponto, vai ter outros. Por isso
que a dúvida ela não é a mesma, né? As
nossas dúvidas não são as mesmas ao
longo da vida. Você não tá com a mesma
dúvida. Todo mundo que teve uma vida
cristã aqui sabe que a dúvida não é mais
a mesma. O que você tinha de dúvida lá
no passado, hoje você acha uma bobagem.
Agora você tem outras, né, novas. Mas é
isso, você já criou o anticorpo daquela
dúvida lá. E aí a fé sai robustecida,
né? Essa a ideia.
>> Quando tu colocas ali que a dúvida que
nasce de sofrimento, essa acho que para
mim, ah, a da igreja também, a gente
pode até voltar a conversar um pouco
sobre isso, mas o sofrimento parece que
como que a gente vence, né, a dúvida no
sofrimento, porque, mano, a gente tá ali
naquele no calor do momento sentindo
aquilo, parece ser muito difícil, mano,
acho que Deus não vai fazer nada, né? E
quando Deus também não faz. né?
>> É muito difícil até consolar alguém numa
situação dessa assim, né?
>> Pois é, cara. Aí tu vê a Salmos, né?
Salmos é impressionante porque
Salmos tem Salmo que diz assim: "Onde é
que tu tá, Deus?"
E ele lamenta, lamenta o salmo inteiro,
ele não termina com uma solução. Aguarda
o amanhecer que Deus trará a salvação.
Não tem. Tem salmo que termina assim:
"Eu tô no escuro sozinho."
Então, quer dizer, qual é o primeiro
passo dessa dessa dúvida do sofrimento?
Cara, lembra da fé como confiança, né? É
um relacionamento. Tu fala para Deus
e aí vem aquela coisa, você diz para
Deus a verdade, né? Eu tinha um, tem um
primo da minha esposa que é pastor e aí
ele ele comentava, ele foi muita, muito
tempo capelão de hospital, né? Aí ele
disse que tava numa noite, eh, chegou no
de manhã para visitar um camarada. E
esse camarada, não sei se qual era a
doença, o que que era, mas ele disse:
"Pastor, eu passei a noite inteira
xingando Deus".
E aí ele disse: "Não, tu não passou a
noite inteira xingando, passou a noite
inteira orando."
E é isso, porque agora tu tá falando a
verdade para Deus, entendeu?
>> É o Tente Dan.
>> É, é cara aquele perfeito, o T L T, né?
O cara tá lá no no mar xingando,
gritando, Deus, onde é que tu tá?
Derruna, viu? Termina, tá tudo em paz. E
ele tá em paz, né? Aí ele começa a viver
a vida que Deus propôs para ele depois
que ele brigou com Deus. Cara, a
história de Jacó,
Jacó ele ele ele tem um relacionamento
com Deus depois do Valde Jaboque, quando
ele se bota numa peleia com Deus lá, tá
lutando com Deus. Aí lutou com Deus, ele
sai convertido. Então o sofrimento ele
te coloca isso. Agora nós vamos falar a
verdade. Agora acabou aquele negócio
assim de ah Deus é meu chafo, meu meu
facho agora não tá sendo sincero com
Deus. Então, deu sempre parte do
princípio da sinceridade. Tu acha que a
espiritualidade moderna de alguma forma
coopera para essa compreensão muito
astic, essa compreensão muito limpinha
da espiritualidade, assim, às vezes não
tem essa sensação de uma espiritual
limpinha demais, que como se eu não
pudesse ter esse tipo de de rompante com
Deus, porque como se é como se fosse eh
fosse faltar com respeito ou reverência,
né, ao sagrado diante, né, porque qual é
o até onde eu posso ir também assim ou
não existe uma regra para isso? Ah,
cara, aí é cada pessoa com Deus, né,
cara? Não tem dizer assim, ó, Deus, tu
pode xingar até aqui daqui para mim,
como é que eu vou, como é que a gente
vai botar, porque de novo é uma relação
de confiança, é uma relação de é uma
questão de relacionamento, né? E a gente
crê de fato que a gente tá num
relacionamento com uma pessoa que é
Jesus de Nazaré. E esse relacionamento,
como todo relacionamento, ele implica
sinceridade, ele implica a verdade, né?
Às vezes você pode começar a orar um
dia, ó Deus, eu não sei se tu existe.
Abre o jogo, né? Vamos abrir o jogo. Ele
tá sabendo, cara. O cara tá sabendo de
tudo, né? Vai querer esconder, entendeu?
Então, então acho que o sofrimento
desses momentos que é é muito difícil,
né, de que a gente passa, mas é
interessante que quem passa pelo
sofrimento, eu tô falando de coisa
pesada, tá, gente?
Não é assim, ah, eu não passei no
vestibular assim, é, sabe, sofrimento
para valer, é doente.
>> Vamos pensar um câncer, né, por exemplo,
assim, que é uma coisa se arrasta por um
do anos. A minha prima, quando
[limpando a garganta] meu pai entrou na
fase da doença dele, ela me liga assim,
ó, como é que tu tá? Ah, estamos indo,
né? Aí ele diz, tu sabe, né? É o quê que
vai piorar, né?
Sim, sei. Ela vai piorar cada vez mais,
né? Sei. E o final vai ser ele morrendo,
né? Sei. Ah, então tá bom. Então tá.
Então tu entendeu o jogo, onde você vai?
E a aí depois o pai dela ficou doente,
né?
Aí eu liguei para ela, tu sabe, né?
>> Que que consolo.
>> Mas quando tu passa, aí que vem a coisa,
sabe? É. É quando você passou, claro, tu
tá no turbilhão, gente. Quem tá por isso
aí sabe. É. choro e ranger de dentes
até o fim. Quando passa e você olha para
trás e aí para mim ficou muito clara
agora a minha experiência do lado do meu
pai doente, eh,
eu olhei para trás e aí e fica um
sentimento estranho, porque você fica um
sentimento de uma tristeza. Eu fiquei
dois anos que eu pensava no meu pai
todos os dias, todos os dias.
E aí, eh, fica aquele sentimento assim
triste pelo que passou e tal, mas ao
mesmo tempo uma satisfação,
porque daí você entendeu o que que
significa honra teu pai e tua mãe.
Aí tu entendeu e aí você sai feliz
porque Deus te deu a oportunidade de
honrar.
É, é, é bizarro. É um sentimento
estranho assim. E aí a gente vê entre os
irmãos, porque teve irmãos que tiveram
junto na fornalha e teve irmão que não
participou
e os que participaram carregam culto.
É incrível os que não participaram.
Então, ah, e aí a gente vê a sabedoria
de Deus, né? A Jesus, a única vez que
ele fala sobre honra pai e mãe, ele fala
na circunstância dos pais doentes e os
filhos tendo que cuidar deles. É a única
vez que ele cita o mandamento. Ele diz
assim: "Ah, vocês dizem que os bens de
vocês é corbão, oferta do templo e não
cuidam dos pais na necessidade deles." É
o único momento que eles citam. Aí tu
entende o que que é honrar pai e mãe.
Não é dizer assim: "Ah, eh, responder
pro pai ou mãe. Isso é uma besteira.
Isso é coisa de criança, mas é na hora
do vamos ver, né? Então essas coisas nos
levam, né? Na verdade, o sofrimento,
essas coisas, né? Você tem a dúvida no
momento, mas quando passou por ele, aí
você entende.
>> Eu tenho duas manifestações. O Rick
Oliveira fala aqui: "Queríamos ter ido,
mas deu problema no carro e a
>> faltou fé, né? Faltou, faltou fé, no
caso. Mentira.
>> É, podemos discutir isso aí, né? Eh, e a
segunda é justamente a uma pergunta que
a Daane faz aqui. Existem milagres
condicionados à fé? O que significa
quando Jesus dizia após curar a sua fé
te curou?
>> Bebe uma aguinha. [risadas]
>> Não faço ideia, cara.
Eu realmente não faço ideia porque tem
coisas são tem textos na Bíblia que são
misteriosos. Porque tem que
eventualmente Jesus diz: "Ó, ele não
poôde fazer muitos milagres porque não
havia fé naquele lugar". Cara, isso é um
texto que te derruba sentido. Cara, como
é que isso funciona?
Porque tem textos, gente, por exemplo,
tem curas de Jesus
que o camarada nem sabe quem Jesus era.
Não tem fé em jogo, cara.
Quem era que te abriu os olhos? Eu não
seiada que passou ali.
>> É João 8 essa passagem não lembro.
>> É do cego
>> nascência.
>> É aquela que ele faz a babinha lá. Faz
>> que ele era eu só sei que agora eu vejo.
Cara, não tem fé.
Zero fé. Zero. E foi curado. Aí você tem
outro episódio lá, o paralítico do lado
do do mar. O cara chega lá e Jesus quer
uma ajuda? O cara, ah, eu não tenho
ninguém para me jogar dentro da água
quando balança a água. Ele só tá
querendo que Jesus fique lá para jogar
ele na água quando balançar. E ele
levanta e anda. Zero fé. Que que tu faz
com esses texto, cara?
>> É, o que que tu faz com esse texto?
Também não sei. Mas eu acredito também
que, né, o John Piper fala uma coisa
legal,
>> que tem coisas que de fato Deus não vai
fazer na tua vida se você não orar. Tem
coisas que você que vai acontecer na sua
vida porque você orou. Agora, é claro,
né? Acima de tudo, Deus vai fazer se ele
quiser também. Mas às vezes algumas
coisas não acontecem, talvez na nossa
vida, porque a gente nem ora elas e nem
fala sobre elas disso com Deus, né?
>> Eu acho que isso tá na naquela relação
da fé como confiança, sabe? Eu acho que
tem, por mais
que a reforma defenda que a fé
independente de obras, e a gente tem
muito a base da ideia da fé passiva, é
dom de Deus, ele veio de lá e e não teve
nada em mim. Existe um aspecto ativo na
fé. Tem um ativo, tem uma relação de
resposta a Deus. Eu acho que há momentos
na vida em que Deus te chama para
participar do ato que ele vai fazer. E
aí você tem responsabilidade. E aí a fé
como ativa entra em jogo.
Como quando aí já é cada um com Deus lá.
Mas é eu isso é uma coisa que até o
Gupta fala disso no livro dele. Existe
um aspecto ativo na fé que tem a
participação da pessoa. Por isso que a
Bíblia fala de desenvolver a fé, né?
Então,
>> Exato.
>> Os luteranos vão falar da fé ativa no
amor.
>> Ol.
Eh, o Felipe faz aqui uma uma pergunta.
Ele diz assim: "Como equilibrar uma fé
cega e um ceticismo exacerbado nesse
mundo de extremos? De um lado, a negação
total da fé cristã e de outro, pessoas
simples enganadas." Depois, uma outra
manifestação também do Charles e diz
assim: "Teriam assuntos não recomendados
a ter dúvidas? Já fui exortado ao
questionar a literalidade do Gênesis.
iria em consequência descobrir as
principais doutrinas do cristianismo.
>> Eh, eu tenho dificuldade, [risadas]
eu tenho, é que eu tenho dificuldade, eu
tenho dificuldade com checklist, sabe?
Eu tenho dificuldade com esse negócio
checklist assim, olha isso aqui pode,
aqui não pode. Pô, cara,
>> eu vou te ajudar um checklist que ajudar
pra gente que tu vai concordar comigo.
Tem doutrinas basais da fé. O credo
nissano Constantinopolitano, por
exemplo, ou o credo apostólico, que é
para ser um pouco menor. Esse eu penso
que são são crenças inegociáveis para
qualquer cristão. Não não dá para você
abrir mão disso, né? Agora, por exemplo,
o pessoal se mata na internet sobre a
inerrância das escrituras. Aí discute o
termo inerrância, se é isso, se é aquilo
e tal. Aí o pessoal se briga todo.
Gênesis também, né? A literalidade de
Gênesis,
você sabe, não são coisas centrais, né?
Não são coisas centrais. Não, eu tenho
que ler Gênes de maneira literal. Não,
isso eu também todo a gente vai ler
Gênes de maneira literal. Deus criou as
coisas, mas aí o pessoal começa a
discutir com a ciência, aí vira uma
briga que às vezes não faz muito
sentido, porque a gente não aprende a
ler teologia e de forma teológica,
entende? A gente quer ler Gênesis de
maneira literalista, como se lê um livro
de história. E aí a gente vai ter um
problema. Tu fala disso no teu livro,
inclusive, né? Acho que tu podia até
falar um pouquinho. Vai.
>> Me repete aí a questão.
>> Como é que é?
>> Me repete a questão que eu tava
>> da questão de Gênesis ali. Porque assim,
se eu leio a Bíblia de maneira muito
historicista, eu posso ter um problema,
porque tipo, tá, mas a Bíblia não é um
livro de história, mas ao mesmo tempo
tem história, né? Então essa relação,
né? né? Eu acho que tem outra relação
que é mais que é mais produtiva assim,
ó. Eu acho que nessa relação toda que a
gente vê nesse eh nessa discussão
eseticismo, fé e tudo mais, tem um ponto
importante para nós que é o é a
humildade epistemológica.
Que quer dizer isso? É humildade,
em outras palavras, é você botar na tua
cabeça que tu não sabe todas as coisas.
Essa é basicamente isso. Eu não sei
todas as coisas, entende? Então, a
partir disso, entender como funciona o
próprio conhecimento humano, como é que
ele vai funcionar, como é que ele vai se
construindo, né? O Paul Rcker elef tem
uma questão muito legal que ele fala,
né? Na eu pego a parte da história, que
é onde eu domino, tá?
Eh, ou mais ou menos também, sei lá. O,
a parte da história, ele diz o seguinte,
eh, ele chama de a verdade da história
de representância.
O que que quer dizer isso? Que é uma
representação do fato do passado que o
historiador recuperou por meio de
documentos, de testemunhos, de
arqueologia, de um monte de coisa. Então
você tem essa verdade que foi resgatada,
que as coisas aconteceram assim e assim
por causa disso, por aquilo e resultaram
naquilo outro. Beleza? Tá lá. Só que
esse é um conhecimento por vestígio.
Você não tá vendo o fato do passado na
tua frente como um stil. Isso, na
verdade, hoje a gente sabe que é para
qualquer coisa,
né? As testemunhas de um evento vão ter
perspectivas diferentes da mesma coisa
na hora, não é? Se elas forem todas
iguais, elas combinaram a história. Tem
problema aí, né? Entende? Não é
diferente. Então, mas assim peg passado.
Então, o que acontece? O historiador tem
essa verdade do passado, só que ele não
é sozinho. Existem n historiadores que
vão trabalhar e pesquisar. de repente
ele faz uma descoberta que faz um ajuste
nessa verdade. Olha, de fato, houve eh
houve ali uma escravidão de tal forma lá
no passado, mas ela tinha determinada
válvula de escape em tal lugar que
ajudava a manter
o controle dos escravizados. Então ele
ajustou aquela verdade do passado, mas
continua uma verdade, mas ela tá
ajustada, tá melhorada. Então ele chama
da verdade em suspenso e você vai
aprofundando e compreendendo cada vez
melhor o passado. Ou seja, é uma ciência
em construção.
Eu sei que pode haver uma mudança a
partir de descobertas a partir desse
conhecimento.
A teologia é a mesma coisa, tá gente?
A gente tem as convicções a partir da
verdade bíblica, mas estão em
possibilidades de ajustes de acordo com
a análise, com descoberta de manuscrito,
com análise textual, com uma série de
coisas. Quer ver um exemplo bem simples
para entender? Se vocês olharem a
estátua do Moisés de Michelângelo, ela
tem chifres. Vocês já viram? Ele tem
dois chifrão assim. Por quê? Porque a
Bíblia, no tempo de Michelângelo, a
tradução da glória que ele tinha quando
descia do monte era chifres,
não era glória, era chifre. Por quê?
Porque a representação, tanto que a
palavra glória e chifre, ela usava as
mesmas letras, tá? Uma coisa assim, não
vou entrar no detalhe. E porque também
na antiguidade chifres na cabeça é
representação de glória divina.
É símbolo de glória divina. Por isso que
as divindades, quando lê o vê os
materiais lá da da Mesopotâmia, ela
aparece com chifres na cabeça. Olha como
é diabólico. Não, gente, é glória
divina. É isso que fala. Quer ver uma
glória divina que tem hoje na mundo
moderno? Estátua da liberdade.
Ela tem chifres na cabeça. É o brilho.
>> A gente conhece a da Avan.
>> Avan.
>> É a estátua da Avan,
entende? Então ela tem chifo que é a
glória. Então o que que acontece? aquele
interpretação naquele momento que ele
tinha chifres na cabeça. Hoje a gente dá
risada disso
porque se tem uma outra compreensão. O
texto bíblico mudou? Não.
A revelação mudou? Não. Mas a nossa
compreensão dela mudou.
Então nós tivemos uma uma acréscio, uma
melhora nessa leitura. E isso vale tanto
paraa ciência como paraa teologia.
Então, nesses pontos em que dá uma
divergência vezes sério entre um e
outro, eu só diria o seguinte: mais
humildade epistemológica, tanto lá como
K. A gente pode estar equivocado em
alguns pontos e podem ter alguns pontos
de contato em determinado momento, como
mesmo na história já houve vários
momentos que algumas coisas eram negadas
e que hoje são aceitas.
>> É, isso é a parte que eu acho muito
triste quando você vai estudar a
história da igreja, gente, é bom porque
isso te traz muita humildade assim.
Então, quando você estuda, por exemplo,
alguns momentos históricos em que
pessoas morreram por causa de suas
crenças, ou formular de outra forma,
pessoas mataram por causa de suas
crenças. Então, a gente teve eh
católicos e protestantes matando seres
humanos por causa de crenças. E aí a
gente percebe como e aí você vai estudar
o porque que determinada pessoa foi
queimada, porque que determinada foi
morta. E hoje em dia nem se acredita
mais daquela forma, né? Mas se
acreditava por um tempo. Isso não é
diferente hoje também. É claro que a
gente tem algumas bases doutrinárias são
sólidas e tem milênios de solidez
teológica, mas outras são mais volúveis
e tal. Eu até conversava com a Vic sobre
isso, porque assim, toda doutrina nova
pode ser meio perigoso mesmo. A doutrina
é nova, mas, mano, o que é novo é
perigoso e de fato pode ser perigoso.
Mas a questão da mulher no ministério é
uma discussão muito recente na história
da teologia, muito recente. Não tem,
talvez, tem 50 anos, talvez essa
discussão. E é muito interessante por
quê? Porque homens e mulheres muito
versados em Bíblia, teologia, história,
originais,
OK? A gente consegue interpretar Paulo
porque numa leitura, né, muito rápida de
Paulo, parece assim que mulher não tem
vez, não tem voz e fica quieta e aprende
em casa numa leitura rápida. É isso. Mas
você tem grandes homens, vou citar
homens porque é um assunto que toca mais
as mulheres. Então é muito interessante
que tenha homens que são pessoas que têm
voz do mundo teológico. Não, pera aí.
É interessante que a gente consegue
agora por meio de descobertas, por meio
de análise de contexto, dá pra gente
entender de outra maneira que o apóstolo
Paulo, mas coisa que não se discutia no
passado. Então por isso que a gente
precisa ter sempre, sabe, essa humildade
de fazer a nossa teologia lápis, né?
Então assim, que às vezes a gente tem
que apagar mesmo e reescrever ela. Então
assim, a teologia de certa forma ela é
feita a lápis. Algumas coisas impressas
na pele, no coração, são inegociáveis,
mas o a maioria da do nosso fazer
teológico, ele precisa ser feito a
lápis. O próprio Lutero teve mudanças
teológicas ao longo da sua jornada
enquanto reformador. Então, é nesse
sentido, a gente precisa ter essa
humildade porque pessoas mataram, né? E
pessoas morreram por conta das suas
crenças. Quando eu termino de ver o em
nome do pai, nossa, aquilo lá é é
desesperador, é uma comunidade
protestante, entendeu? gente sendo
enforcada por conta da sua fé, né? E
aquele final é muito impactante. Mas
isso aconteceu de fato, de verdade, e
ainda hoje acontecem, né? Ainda bem que
a gente não pode queimar as pessoas,
mas se pudesse, eu tenho certeza que tem
grupos e movimentos que queimariam. Com
certeza.
>> Beleza, gente, nós temos 19:2. Vamos pra
última pergunta aqui.
>> Não, eu tão rápido, eu vi que honrar
essa pessoa aqui que mandou um
papelzinho.
>> Beleza. Então, a penúltima pergunta
aqui, depois você já emenda ela, tá?
>> Como desenvolver uma fé madura? capaz de
reconhecer a vontade de Deus, mesmo
quando ela é diferente da nossa, sem
perder a confiança e a ousadia nas
orações. Exemplo, oração por cura.
>> O Deus que destrói sonhos. Escrevi um
livro para responder exatamente essa
pergunta. Eu sei que aqui o André, mas
ó, o meu livro não tem para vender ali,
mas o meu livro responde exatamente essa
pergunta. O Deus que destrói sonhos. Ah,
não tenho dinheiro para comprar o livro.
Vai no YouTube que eu tenho uma palestra
sobre esse, exatamente sobre esse tema,
tá bom?
>> Responde, cara.
>> Qual é a pergunta?
Vê tua pergunta.
>> A pergunta é sobre como ter fé,
>> como desenvolver uma fé madura quando a
vontade de Deus diverge da nossa.
>> Responde, vai lá.
>> Quando a vontade de Deus diverge da
nossa.
>> É o reconhecer mesmo quando ela é
diferente da nossa, sem perder a
confiança e a ousadia
na na nas orações.
>> Entenda quem quem é o servo da história.
É, não tem. É quase sempre divergente da
nossa.
>> Exato. [limpando a garganta] Entenda
quem é o servo da história. Que bom,
>> cara. É assim, a
essa relação de confiança, gente, esse
que é o é o detalhe, né, cara? Porque eh
graças a Deus não aconteceu as coisas
que eu planejei paraa minha vida, cara.
Graças a Deus, sabe? Então, pô, vamos
confiar no cara, sabe? Aquele que é o
Senhor criador de todas as coisas tem
alguma coisa para você, vamos confiar,
sabe? Então,
>> mas essa pergunta, não tô dizendo que é
o caso da pessoa que fez a pergunta, né?
masse dessa espiritualidade fofa que a
gente tem hoje, né? Onde a gente inverte
os papéis. Agora não é eu que sigo Deus,
é Deus que me segue, né? Então assim,
então é o Deus que vai eh vai cumprir os
meus sonhos, os meus planos, né? Como os
teólogos coaches falam, né? Olha, se
cabe no seu bolso não é de Deus, então
sonhe grande, porque Deus é grande, né?
Você é filho do rei do universo, então
tenha ousadia. Tudo que você pedir no
nome dele, ele vai te dar. Então, tem
essa espiritualidade muito fofa em que
Deus é o gênio da lâmpada. Basta você
falar as palavras certas que você vai
destravar a vontade de Deus ou como diz,
né? Destravar o seu futuro, destravar o
seu destino. Isso é balela. Isso é
muitas vezes a gente tem que entender
que às vezes o não de Deus, quer dizer,
a caixa do presente vazia pode ser uma
bênção na tua vida. Tu não sabe, cara,
não tem noção que aquilo que você pediu
vai ser uma maldição na tua vida,
entende? Então, eh, a gente a gente
perde essa, e a dimensão da fé é isso, é
uma relação de confiança. É agradecer
pelo não, sabendo que um dia você pode
olhar para trás, olha, cara, eh, a gente
não tem noção, é, é, é que a vida nossa,
a gente acha, aí a questão do livre
arbítrio, a gente não tem livre arbitro
nenhum, nenhum. Quando tu conhece assim,
as coisas mais importantes da tua vida,
pode ter certeza, elas aconteceram sem
que você tivesse controle nenhum. Eu
conheci a minha esposa porque nós fomos
no mesmo retiro.
Quem é que controla isso?
A minha prima conheceu o marido dela
porque pegaram o mesmo ônibus.
Quem controla isso, cara? E essa é uma
das coisas mais importantes da vida de
alguém. Quando tu vai casar, com quem
vai fazer família, que controle tu tem
nesse troço, cara? Entende? Então é
aquilo que Jesus fala lá do da do sermão
do monte, né, cara? Deus te deu a vida,
deu o corpo, não vai dar comida,
entendeu?
Continue em nadar. Sobre as dúvidas
surgidas na faculdade.
Ah, não poucos, não poucas vezes os
jovens de fato não seguem os sete
princípios que o André trouxe na
palestra dele, que tá disponível no
canal aqui. Ah, então jovens não seguem
esses sete princípios, essas sete dicas
que você deu e abandonam a fé, né?
Existe realmente um número muito alto de
jovens que acabam abandonando a fé.
Como, qual a melhor estratégia ou o que
a igreja pode fazer para adotar eh
institucionalmente
diante desse fato? Ou seja, o que que a
igreja pode fazer para, quem sabe
diminuir esse número de jovens que
abandonam a fé?
>> Duas coisas.
>> Então, vamos lá. Vamos ver se eu consigo
lembrar das duas. Primeira coisa, a
igreja lida muito mal, muito mal com a
dúvida.
Aí eu digo no sentido geral, a gente
oferece certezas
nos nossos públicos, a gente não permite
muita eh muito facilmente a relação com
a dúvida, né? Eh, o que que quer dizer
isso?
O embate teológico, gente, ele a gente
tem a convicção, vocês são luteranos,
vocês têm o corpo de doutrinas,
permaneçam nelas, ensine elas perfeito.
Mas quando a gente apresenta a doutrina
da igreja, e eu agora falo como um
batista, tem as doutrinas da igreja
batista, que em alguns pontos são
diferentes da luterana,
né? Alguns pontos são bem diferentes.
>> A quantidade de água, por exemplo,
>> é
>> quantidade de água, a idade quando tu
entra na água, uma série de coisas.
Inclusive parênteses aqui, eh, quando eu
dei aula de
eh teologia da reforma no estágio lá na
este, e aí eu dei para e eu dei junto
com o professor Volds, que era o meu
orientador, e aí ele me colocou na
disciplina. E aí no dia que era sobre
sacramento, eu dei a aula, ele não ia
est. E eu digo, você vai dar a aula de
sacramento para um Batista? Tem certeza
disso? [risadas]
>> Virou tudo ordenança. Ele ele dava
risada. Digo, mas não, qual é o
problema? A gente prepara para enfrentar
o mundo a partir do que nós cremos, mas
a gente não concede a outras doutrinas
que podem ter uma lógica lá.
A gente não concede o benefício de que,
olha, esse cara pensa diferente e de que
outra interpretação é possível.
A gente não concede isso, né? A gente
não, a nossa verdade, eles estão
enganados, estão no erro, problema deles
lá, dependendo da tradição, vai dizer
que eles estão no inferno. Então, a
gente não concede o benefício de que
pode haver outras interpretações que são
também viáveis. Então, a pessoa já não é
preparada para uma dúvida epistemológica
sobre uma crença. Isso me aconteceu uma
vez num caso bem interessante. Eu tô num
num evento da reforma, para variar, uma
igreja lá em Santa Maria. Um camarada
veio e perguntou para mim no final da
palestra assim: "Por que que os
presbiterianos batizam criança?"
Aí eu expliquei para ele, olha, a
doutrina presbiteriana funciona assim,
assim, assim, eh, eh, pé do batista, tal
e tal. Expliquei a lógica. Ele: "Bah,
que legal, tu batizou teus filhos?" Não,
mas por que não? Tu me explicou? Eu
digo, "Tu me pediu a explicação, eu dei
da perspectiva presbiteriana. Mas eu sou
um batista. Mas por que que tu não
batizou? Não, porque eu sou um credo
batista. Aí eu expliquei por isso, por
isso, por isso. Ah, tá. As pessoas
confundem explicação com apologia.
E aí tá a desonestidade do nosso meio na
igreja de na hora de explicar a doutrina
e dizer: "Nós cremos por isso, por isso
e por isso".
determinada tradição vai pensar assim,
eles não tão louco,
eles não são bandereg, mas ele tem uma
interpretação diferente. Então, falta um
pouco para nós darmos a solidez do que
cremos,
mas também com um contraditório que não
é um espantalho.
Esse é o problema. a gente apresenta
espantalho. Aí chega lá no outro lugar,
o camarada não vai apresentar um
espantalho para ti, ele vai apresentar
as bases dele. Aí, pronto, mentiram para
mim lá atrás.
Não, não é que mentiram, ficaram
mentindo, ficaram, né? Não deixaram
lidar com a dúvida de dentro que olha,
pode ter outro jeito, entendeu? Isso não
quero dizer agora que vai ter que
estudar toda doutrina, não. Quero dizer
que nós temos que ter uma relação de
respeito com outras formas de
interpretação e compreender a realidade.
Pega essa questão, por exemplo, de eh do
Gênesis que sempre dá um stresse. Cara,
existem cristãos que defendem posições
diferentes de uma criacionista de terra
jovem.
A questão nossa é que nós estamos
apresentando eles como falsos crentes,
como heresges. Não, cara, pera aí, são
crentes piedosos. Entende? Então dizer,
olha, existem formas diferentes de
perceber essas questões dentro da
tradição cristã pode fortalecer os
nossos jovens a quando chegarem lá fora
e apanhar para valer. Ele já sabe que
olha existe formas diferentes pensar eu
não preciso abandonar minha fé porque
aqui se pensa diferente, né? Ou de outra
forma de explicação, seja o que for.
Então essa é a primeira questão. A
segunda que envolve mais a questão de
doutrina. A gente trabalha muito na
explicação de Deus daquilo que é
revelado, mas falta um pouco do que
Lutero tinha perfeitamente, que é o deus
abscôndidos.
Existem coisas de Deus que a gente não
vai conseguir explicar plenamente
e falta esse deslumbramento nosso dentro
das igrejas com as coisas não
explicáveis de Deus, né? Entende? O
Lutero, para mim, ele ele é muito legal
porque ele crê na na predestinação,
mas ele não transforma isso num pilar.
Eles, ó, isso aqui faz parte do deus
abscôndidos.
A gente crê, mas isso não se torna um
assunto de de estresse teológico nosso.
>> Abiscôndito é o que mesmo? Escondido.
>> Deus escondido. O Deus que não se
revela, porque ele fala do Deus
revelatos, né? O Deus que se revela e o
deus abscôndidos. O Deus que não se
revela. as coisas que ele guarda para
ele e tem coisas que ele não nos diz.
Então, falta essas duas coisas. Uma de
que existem possibilidades diferentes de
compreender a própria fé e a relação com
o mundo e tudo mais. E dois, que tem
coisa que Deus nos revela e tem que ter
margem para isso. Então eu acho que isso
dá uma solidez melhor para você entrar
num mundo do contraditório, porque você
já tá acostumado com o contraditório e
com ter coisas que você não explica. O
problema é tu chegar lá cheio de certeza
e o camarada bota abaixo tua certeza com
com questões muito bem fundamentadas. Aí
é problema, tá? Minha opinião, tá gente?
Não, não é uma regra.

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