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A fé vem pelo ouvir

A Glória revelada no Amor (João 13.31-35) | Rev. Thiago Santos

A Glória revelada no Amor (João 13.31-35) | Rev. Thiago Santos

A Glória revelada no Amor (João 13.31-35) | Rev. Thiago Santos

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
+55 (62) 3213-3320 ou 98113-0461‬ (WhatsApp)
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Legendas automáticas:

Graça e paz a todos. Vamos abrir a
palavra de Deus em João 13,
Evangelho de Jesus, segundo escreveu
João, capítulo 13.
Nós vamos ler do verso 31
ao verso de número 35.
João 13
do verso 31 ao verso 305.
Ouça com fé, ouça com atenção a leitura
da palavra de Deus.
Quando ele saiu, disse Jesus:
"Agora foi glorificado o filho do homem
e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi
glorificado nele, também Deus o
glorificará nele mesmo e glorificá-lo há
imediatamente.
Filhinhos, ainda por um pouco estou
convosco. Buscar-me ei o que eu disse
aos judeus também agora vos digo a vós
outros. Para onde eu vou, vós não podeis
ir. Novo mandamento vos dou, que vos
ameis uns aos outros, assim como eu vos
amei, que também vos ameis uns aos
outros. Nisto conhecerão todos que sois
meus discípulos, se tiverdes amor uns
aos outros. Pai, nós estamos diante do
Senhor e da tua palavra e queremos tão
somente ouvir a tua voz e a tua direção,
discutindo os nossos ouvidos. Prepara o
solo do nosso coração e que a tua
palavra venha perfazer todo o nosso ser,
vem gerar em nós vida, arrependimento,
transformação.
Venha nos incomodar, ó Pai, naquilo que
precisamos mudar. e que possamos sair
daqui edificados,
fortalecidos.
O Senhor conhece cada um que aqui se
encontra, sabe da necessidade, do
anseio, da luta, da dificuldade que cada
um tem passado. Então, não permita que
ninguém saia daqui dessa noite sem ouvir
a tua voz, sem ser edificado por ela,
sem ser tocado, ó Deus. Mas que a tua
palavra nos edifique e que o teu nome
seja glorificado e exaltado. Pedimos a
tua iluminação. Fala conosco, ó Pai. É o
que te pedimos em nome de Jesus. Amém.
Meus irmãos, o que que é glória para
você?
O que que é glória para o mundo?
Todo ser humano busca glória de alguma
forma. O atleta busca glória no pódio, o
estudante busca glória no seu diploma, o
profissional busca glória na sua
promoção, o artista busca glória no seu
palco. A glória do mundo, se formos
observar e analisar, ela tem um endereço
certo: fama, poder, dinheiro,
reconhecimento e sucesso. O ser humano
quer ser notado, ele quer ser admirado,
ele quer ser reconhecido.
E a glória do mundo se perfça nesse
sentido em subir, vencer, aparecer. É
uma busca insensante por validação e por
um sentido de propósito. No entanto, há
uma insatisfação nessa busca. A
celebridade do momento, ela é
substituída pela próxima. O atleta que
descobre e que vence descobre que aquela
vitória ela acabou sendo efêmera. O
estudante que conquista o seu diploma
acaba de perceber que aquilo não
preenche o seu vazio existencial
e o profissional que chega ao topo da
sua carreira ainda não é capaz de
satisfazer. A glória humana é como
névoa. é algo substancial, é algo que
parece sólido, mas ao toque ela se
dissipa, ao toque ela se acaba. A glória
do mundo, ela é limitada, ela é
passageira, ela é incompleta, é uma
glória que no seu auge parece promover
algo no nosso coração, mas traz sobre
nós um vazio ensurdecedor.
Todavia, quando nós olhamos aqui pro
texto bíblico, nós vemos Jesus
apresentando uma definição de glória que
define o mundo ou que transforma o mundo
de cabeça para baixo. Ele vai mostrar
para nós que a verdadeira glória não é
ser encontrado na conquista, na vitória
e no poder, mas no amor que se entrega.
E essa glória se torna o fundamento
dessa nova comunidade, dessa igreja
marcada agora por um amor tão radical
que o mundo não pode ignorar e que vai
definir quem de fato é discípulo do
Senhor. Para nós entendermos o texto,
nós temos que entender o ambiente. Nós
estamos aqui na última refeição da
Páscoa presencial de Cristo, a
celebração da libertação de Israel do
cativeiro Egito. um evento selado pelo
sangue de um cordeiro que apontava para
uma redenção. Então, nessa festa de
celebração redentora, Jesus aqui agora,
o cordeiro de Deus, está preste a ser
sacrificado para promover a redenção
final. E Jesus acabou de demonstrar um
dos atos mais humilhantes de serviço.
Ele lavou os pés dos seus discípulos,
incluindo lavou os pés de Judas,
demonstrando para nós que a grandeza do
reino não se mede por status, não se
mede por privilégio, mas se mede por
entrega, se mede por amor, se mede por
humildade, se mede por alguém que
reconhece o seu lugar, fazendo aquilo
que é paraa glória do Senhor. Ele acabou
de anunciar em seguida o traidor. Ele
acabou identificar Judas com um gesto de
honra. Ele deu um pedaço de pão molhado
e dispensou ele a escuridão. E João
termina essa parte no verso de número 30
do capítulo 13, dizendo que ali já era
noite, não apenas marcando um momento
exato no relógio, mas a condição
espiritual daquele que abandonou a luz
do mundo. E agora que esse elemento de
incredulidade, assim vamos dizer, de
traição é removido, o círculo agora está
fechado. Jesus está com seus discípulos.
E o que que Jesus vai dizer aqui é
contracultural.
É o início, vamos assim dizer, do seu
testamento. É o início aqui das últimas
palavras de Jesus, instruindo os seus
discípulos antes de morrer na cruz. E
Jesus vai declarar para nós que a glória
dele agora é revelada no amor,
tornando-se então um distintivo, um
qualificador e um testemunho que os seus
verdadeiros discípulos devem seguir. Nós
vamos ver aqui em resumo nessa noite que
a glória que o mundo não vê é revelada
no amor que Cristo demonstra na cruz e
que os discípulos são chamados a
refletir, trazendo não só sentido, mas
também propósito para nossa vida. E nós
vamos ver isso em duas lições bem
práticas. A primeira lição que nós
encontramos aqui é a glória sacrificial.
Quando nós nos aproximamos do texto,
essa esse termo glória que o mundo
oferece, ela é desafiada diante nós.
Aquilo que muitas vezes nós nutrimos e
nós trazemos conosco como demonstração
de glória é questionada aqui. Quando o
Senhor Jesus olha pra cruz, ele diz:
"Aqui está a minha glória". De modo que
glória para Jesus é amar
sacrificialmente e obedientemente.
E assim também tem que ser a
demonstração do nosso amor, do nosso
compromisso e faz parte também da nossa
identidade. Note como que a atmosfera do
texto vai mudar. Olha o verso 31 e o
verso 32.
Quando ele saiu, disse-lhe Jesus: "Agora
foi glorificado o filho do homem e Deus
foi glorificado nele. Se Deus foi
glorificado nele, também Deus o
glorificará nele mesmo e glorificá-lo há
imediatamente."
Quem é que saiu? Judas. Desde o lavapés,
nós temos aqui Jesus alertando que havia
um traidor, um elemento estranho, algo
que não fazia parte dos seus discípulos.
E este momento agora então chegou, o
traidor é indicado, ele sai e ele sai
para cumprir o propósito de Deus, a
traição de Jesus, cumprindo aquilo que
as escrituras prescrevia. E então o
discurso de Jesus agora muda. Antes era
um discurso incrementado, assim, vamos
dizer, de acusações, um discurso pesado,
um discurso duro. Agora passa a ser um
discurso de consolo, de conforto pros
seus discípulos, trazendo para eles
agora o que vai marcar desde esse verso
até o capítulo 17, os últimos momentos
de Jesus antes da sua crucificação. E
então, já que esse elemento já saiu, já
que esse corpo estranho saiu, Jesus
agora vai dizer: "Agora foi glorificado
o filho do homem e Deus foi glorificado
nele." Jesus agora vai retomar um
assunto que ele havia dito antes, lá no
capítulo 12, quando os gregos quiseram
ver o Senhor Jesus. E Felipe então foi
dizer ao Senhor. E ele então responde
naquele exato momento: "Agora chegou a
hora de ser glorificado o filho do
homem". É como se o relógio, a partir
desse exato momento, passasse as contar
as horas, as últimas horas antes da
crucificação do Senhor. E aqui, mais uma
vez Jesus aponta para o seu sacrifício.
Jesus aponta para o seu sofrimento como
um momento de glória. Ele já havia dito
antes, agora ele repete, mostrando que
glória é reservada tão somente não
aqueles que são vitoriosos, mas aqueles
que não tinham do que se envergonhar.
Daqueles que conseguiam olhar pra cruz e
enxergar o maior objeto de glória e de
amor, de alguém que se entrega, de
alguém que se rende, de alguém que
obedece, de alguém que ama genuinamente
em prol daqueles que precisavam. Porém,
algo nos chama atenção no texto. O verbo
glória está no passado. Como, meus
irmãos, essa ação já havia completado, a
cruz não havia ainda acontecido. O falso
julgamento de Jesus ainda não ocorrera,
os guspes, as bofetadas, a coroa de
espinho ainda não foi dada. Como que
isso então é um elemento já de glória na
pessoa do Senhor?
Como que depois de Judas sair dando
início à traição, prisão, julgamento e
por fim crucificação como dos crimes
mais idiomos,
sem ter acontecido já era um momento de
glória já bem concretizada.
Nós encontramos essa resposta olhando
para aquilo que nós vemos nos decretos
de Deus. da cruz não era uma
possibilidade, não era um plano B, era a
vontade de Deus, uma ação certa,
concreta, absoluta que tinha que
acontecer. É a linguagem divina humana,
olhando para o futuro, mas já como um
presente concreto e realizado na pessoa
do Senhor. O que nós temos aqui nada
mais é do que a inevitabilidade
da cruz do Salvador. Ela não poderia ser
evitada. A saída de Judas deu o pontapé
inicial. a um processo que já não tem
mais volta, que vai se concretizar, que
vai se firmar. Então, agora a cruz vai
brilhar com tanta glória, com tanto
fugor, de tal maneira que agora pode ser
dada como um ato completo, concreto e
conquistado.
E quando nós olhamos isso para as
palavras de Jesus lá no Getsemman, em
Mateus 26, pedindo: "Pai, se possível,
passe de mim esse cá. Se talvez a gente
pensa que seja um tubeteado Senhor, um
momento de fraqueza, um momento de
desânimo, mas quando nós olhamos aqui
para João, nós vemos que não era um
momento de fraqueza, não era um momento
de desânimo, era ação do próprio
redentor, cumprindo aquilo que o Pai já
havia decretado e que ele não deixaria
de realizar.
Jesus completar a obra, ele iria passar
pela tempestade, mas diferente de nós,
ele não evita. Ele caminha em direção a
ela. Outro elemento que nós olhamos pro
texto não é apenas a ação do verbo no
passado. Há também um elemento
interessante. O verbo encontra-se na voz
passiva. Jesus aqui ele não se
autoglorifica. Quem glorifica é o Pai.
Deus Pai é o agente da passiva. A cruz é
apenas o palco, aonde que essa glória,
essa glória da humilhação, essa glória
da entrega, da submissão do filho, à
vontade do pai vai ser concretizada. E é
nesse exato momento que a gente vê uma
harmonia intertrinitária acontecendo na
obra redentora, da qual desfruta o pai
com filho, o filho com o espírito, o
espírito com o pai, mas especificamente
focada aqui nas pessoas do pai e do
filho. É por isso que Jesus declara
glória foi glorificado o filho do homem
e Deus glorificado nele. Uma vez que a
cruz vai a correr, a glória do filho
certamente será exibida e será exibida
também na glória do próprio pai, na
exaltação do próprio Senhor. E o que que
é glória, meus irmãos? Glória nada mais
é do que exibição de atributos, exibição
de qualidades. É a publicidade de quem
Deus é. Calvino vai dizer que aqui nós
estamos diante do teatro da glória de
Deus. A cruz é o marco e Deus dentro
desse teatro promove a sua glória e a
sua grandeza. A glória do Pai será
exibida, meus irmãos. E será exibida de
que forma? Na sua justiça satisfeita.
Justiça essa que não pode ser abafada.
Justiça essa que não pode ser calada,
não pode ser negociada. O Deus todo-
poderoso exige que a sua lei seja
cumprida nos mínimos detalhes e até o
fim. Ou seja, a sua santidade exige que
o pecado seja punido. E para pecadores
debaixo da ira, somente o redentor
poderia cumprir aquilo que o pacto das
obras exigia. De maneira exata e
concreta, a infidelidade de Adão
precisava encontrar a fidelidade na
pessoa do redentor e em ninguém mais.
Então, a cruz glorifica o Pai, porque a
justiça de Deus é demonstrada e cumprida
no Filho. O filho não tá inerte a
podridão do pecado. Ele não está inerte
aqui diante do poder destrutivo que a
humanidade está. O pecado vai encontrar
a sua barreira final e a a sua
destruição completa na cruz de Cristo. O
amor fiel e pactual do Senhor. Aqui nós
temos o justo morrendo pelos injustos. A
principal ansiedade de uma humanidade
caída, encontrando o seu ponto final
consumado na cruz, na grandeza dessa
esperança de todo aquele que crê na
pessoa de Cristo, na pessoa do Senhor.
Então, a cruz ela continua revelando
essa esse aspecto mútuo entre o Pai e o
Filho. Se nós temos essa glória já
apontando para esse aspecto do passado,
Jesus também aponta para essa glória
como um aspecto também futuro. No texto,
ele diz para nós, trazendo para nós, que
essa glória com a qual o pai será
glorificado, é a glória com a qual o pai
também vai o exaltar, o pai também vai o
colocar nas regiões celestes, o pai
também vai entronizá-lo.
uma perfeita harmonia, uma perfeita
relação entre o Pai e o Filho, nada mais
do que a demonstração de um amor
sacrificial, o cumprimento de um decreto
bem estabelecido, bem cumprido na pessoa
do Redentor. É por isso que no verso 32
ele diz: "Se Deus foi glorificado nele,
também Deus o glorificará nele mesmo e
glorificá-lo há imediatamente."
O ele obedece o pai até a morte e o pai
glorifica o filho demonstrando a
grandeza e a majestade da sua pessoa. É
interessante olhar pro texto, ele diz:
"Glorificá-lo há imediatamente.
Há um aspecto único, um ato concreto de
um ato de glorificação.
aquilo que João 17 verso 5 vai dizer
agora glorifica-me, ó Pai, contigo
mesmo, com a glória que eu tive junto de
ti, antes que houvesse mundo. E em que
momento isso acontece? No domingo da
ressurreição, as ciladas, os ardis de
Satanás, por mais que sejam tão
bem-sucedidos, na realidade sofreram
aqui um baque, uma derrota esmagadora na
cruz de Cristo. Satanás foi apenas um
argente na salvação do Deus todo-
poderoso. O filho do homem crucificado
vai demonstrar misericórdia e amor para
com pecadores que deveriam
sofrer eternamente
longe de Deus.
É aqui que nós vemos Paulo dizer em
Romanos 5 verso 8: Deus prova o seu amor
para conosco pelo fato de Cristo Jesus
ter morrido na cruz quando nós ainda
éramos pecadores. Jesus revela essa
glória sacrificial. E perceba o quanto
somos tolos quando nós eh reduzimos ou
somos seduzidos pela glória desse mundo,
por aquilo que o mundo chama de glória,
por aquilo que o mundo chama de
reconhecimento. Quão reducionistas somos
quando nós minimizamos a ideia de
glória, não apenas a vitórias, a nomes
escritos, a recordes quebrados. Se houve
algum recorde quebrado, é a cruz do
redentor, a humilhação, a entrega. É
isso que Jesus chama de glória. Será que
é isso que você chama de glória paraa
sua vida?
É isso que é glória para você? Porque a
glória da qual Cristo aponta é uma
glória e destinada para pecadores aqui
que agora são salvos e remidos. A glória
de Cristo é revelada em nós quando nós,
independente da situação, somos
obedientes a Deus. A glória da cruz é
revelada em nós quando nós obedecemos a
palavra de Deus. A glória da cruz é
revelada em nós quando diante de uma
discussão entre marido e esposa, você se
cala para que não seja mais um momento
de briga e de discussão, mas que tudo
seja resolvido em paz. Esse é o momento
de glória. É a glória daquele que se
rebaixa para exaltar ao outro. É a
glória daquele que obedece para que
outro seja edificado. Para que a glória
do Senhor seja vista em nossos atos.
Esse é o motivo pelo qual nós gloriamos
na cruz de Cristo. E Paulo diz em
Gálatas 6:14, "Longe esteja de mim
gloriar-me, senão na cruz de nosso
Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo
está crucificado para mim e eu para o
mundo." A cruz é o próprio trono dessa
glória. E esse amor de Jesus é glorioso
porque ele é sacrificial.
Não contemple apenas a glória dessa
cruz, meus irmãos. Contemple também o
amor. Não se envergonhe desse amor de
Jesus. Não envergonhe também esse amor.
Seja de fato obediente. Obedeça
sacrificialmente
ao Senhor. Ama como Jesus ama e ama até
o fim. A glória de Jesus não é medida
por conquistas, mas é medida por
disposição de alguém que se entrega em
prol do outro. Isso é glória para você?
Essa é a glória que Cristo nos mostra,
uma glória sacrificial. Mas há uma
segunda lição para nós, meus queridos,
que é a glória abnegada. Se antes a
glória do Senhor evidencia esse amor
mútuo entre o Pai e o Filho
sacrificialmente,
obedientemente. Agora nós vemos o amor
de Cristo evidenciado nessa glória multa
entre o filho e a sua igreja
abnegadamente.
Jesus agora literalmente inicia seu
discurso de despedida, algo que vai
marcar agora deste momento até o
capítulo 17. E olha o que que diz o
verso 33. Filhinhos, ainda por um pouco
estou convosco. Buscar-me eii. E o que
eu disse aos judeus também agora vos
digo a vós outros. Para onde eu vou, vós
não podeis ir. Olha a mudança de Tom.
Agora ele sai de uma proclamação de
glória redentora e ele se volta agora
pros discípulos com a ternura que parte
o coração. É a linguagem de um pai para
com o filho. É a primeira e a única vez
que Jesus usa esse termo filhinhos aqui.
Ou seja, mesmo perto da morte, a sua
preocupação não é consigo. A sua
preocupação é com o bem-estar dos seus
discípulos. É como um pai que sabe que o
filho vai errar. Mas ele chama o filho
para perto de maneira amorosa, de
maneira carinhosa, para instruir, para
abrir o coração, para mostrar para ele
como deve proceder. E esse exemplo aqui
é tão marcante que João vai imitar em
todas as suas cartas. E vale destacar,
meus irmãos, que não é somente uma forma
carinhosa, uma forma amorosa, mas também
serve para chamar atenção, para exortar
os seus discípulos, para reforçar o que
ele vai dizer depois. É o que tá na
parte B do verso 33. Para onde eu vou,
vós não podeis ir. O caminho para o qual
Cristo vai é a sepultura, é a
crucificação, é a ressurreição, é a
ascensão à destra do trono de Deus. E
ali eles não poderiam acompanhá-lo, não
naquele momento.
Muitos já haviam abandonado Jesus por
conta do seu discurso duro. Pedro o
negaria. muitos dos discípulos o
abandonariam em breve. E agora Jesus tá
dizendo para esses homens, para esses
líderes, olha, vocês vão me procurar,
mas não poderão ir aonde eu estarei.
A mesma linguagem que ele usa para
judeus incrédulos em João capítulo 37,
mas com a nuância diferente. Lá no
capítulo 7, ele vai usar numa ideia de
condenação para judeus incrédulos. Mas
aqui pros seus discípulos, ele vai usar
como um aspecto de conforto, de
separação temporária, mais necessária.
Ou seja, vocês precisam cumprir a missão
de vocês. Perceba aqui, meus irmãos, que
a despedida de Jesus, ela não é
abandono, ela é uma preparação, um
interlúdio, assim, vamos dizer, para
aquilo que vem depois. Ele vai preparar
o caminho. A gente vê no capítulo 14,
ele vai enviar o Espírito Santo para
estar com eles para sempre. um aspecto
de glória também que nós vamos ver
posteriormente, ou seja, a ausência
física vai abrir um espaço gigantesco no
coração deles, mas Jesus vai descrever
para eles que agora eles vão ter uma
relação íntima ainda mais profunda,
agora marcada na pessoa do do Espírito
Santo, naquele em que vai concluir a
obra que Jesus realizaria. Então Jesus
tinha apenas pouco tempo aqui antes da
sua crucificação. É como se ele dissesse
assim: "Portanto, escutem.
Mesmo que vocês não possam ir, mesmo que
para onde eu vou possam realizar, vocês
têm uma missão e a missão de vocês é
demonstrar um amor abnegado. Esse é o
coração de todo o discurso de Jesus que
tá no verso 4, que ele diz: "Olha, novo
mandamento vos dou, que vos ameis uns
aos outros, assim como eu vos amei, que
também vos ameis uns aos outros."
Mesmo que Jesus estivesse partindo,
vamos assim ver, os discípulos deveriam
amar uns aos outros e certamente os
discípulos ficariam admirados com isso,
uma vez que a grande maioria era judeu.
E eles lembrariam de Levítico, capítulo
19, verso 18, que nos diz: "Não te
vingarás, nem guardar a ira contra o
filho do teu povo, mas amará o teu
próximo como a ti mesmo. Eu sou o
Senhor."
Eles já sabiam que deveriam demonstrar
amor. Isso não é novo para eles. Mas
qual que é o elemento novo aqui? Qual
que é o aspecto aqui vai ressoar aqui?
que nós percebemos que é um padrão novo.
Esse amor agora, ele é comparado à
pessoa do redentor, como a forma que ele
ama, como a forma, o exemplo que ele
demonstra, que diz: "Ameis uns aos
outros, assim como eu vos amei, que
também vós ameis uns aos outros". Nós
acabamos de ler na nossa liturgia o que
tá em Primeira João, capítulo 4, verso
10 ao verso 12, que diz: "Olha, nisso
consiste o amor. Não que nós tenhamos
amado a Deus, mas que ele nos amou e
enviou seu filho como propiciação pelos
nossos pecados. Amados, se Deus de tal
maneira nos amou,
devemos amar uns aos outros." Ninguém
jamais iu a Deus.
Se amarmos uns aos outros, Deus
permanece em nós e o seu amor em nós é
aperfeiçoado. Há um novo nível de amor
exigido aqui do Senhor, o nível algo
semelhante, assim, vamos dizer, daquele
que ama perfeitamente.
E a palavra utilizada de amor é amor
ágape, é amor sacrificial, é amor ao
máximo. Aquele que também faz parte do
fruto do espírito. Logo, portanto, meus
irmãos, só pode amar assim
quem teve a sua vida transformada por
Cristo. Só pode amar assim aquele que
realmente foi encontrado e entendeu que
o amor de Cristo encontrou. O descrente
não tem capacidade de amar como Jesus
demonstra aqui. Eis porque, meus
queridos, esse mandamento é novo. Não
porque ele está alicerçado em leis
véotestamentárias,
mas agora ele é exemplificado e descrito
como um novo padrão executado.
A régua aqui mudou, o tom aqui mudou.
Antes, o padrão é: ame ao seu próximo
como a ti mesmo. Havia um padrão humano,
é amar o outro na mesma medida que eu
amo. Mas agora o padrão de amor é você
tem que amar como Cristo ama e como
Cristo ama se entregando pros seus
amigos. Como que ele demonstra isso?
Mesmo sendo o Senhor lavou os pés dos
seus discípulos. Como que ele demonstra
amor? Mesmo sabendo de uma humanidade
pec pecadora, morre por pecadores que
não merece. Esse é o amor que Jesus
exige, sacrificial, obediente, abnegado,
indiscriminado.
Indiscriminado agora, meus queridos,
porque agora ele junta tanto judeus
quanto gentios no mesmo povo que ele
elegeu. Agora, não apenas eles deveriam
amar os seus conterrâneos, mas também
até os piores, como por exemplo, o
samaritano. A gente vê isso em Lucas,
capítulo 10. O próximo jamais é o o
samaritano. Mas Jesus deixa bem claro
que aquele que está próximo é aquele que
demonstra amor para quem está do lado.
Ou seja, foi para todo aquele que nele
crê, meus queridos, que Jesus morreu.
Não há discriminação com a cruz e muito
menos com o amor do Senhor. Em
contrapartida, quando nós olhamos para
isso e olhamos pro mundo e fazemos uma
relação, o amor do mundo se parece mais
com um sentimento, com uma emoção, com
aquilo que você sente quando alguém lhe
agrada, que lhe é útil, que lhe trata
bem. Mas o amor de Jesus não é
sentimento, meus irmãos. é ação, é
entrega, é morte do ego, é esse amor que
ele exige, que também ameis uns aos
outros. Ele não apenas dá o exemplo
dando a vida pelos seus discípulos, mas
também ordena como tem que ser esse
amor. E João, mais uma vez na sua carta,
no capítulo 3, na sua primeira epístola,
verso 16, ele diz: "Nisso conhecemos o
amor que Cristo deu a sua vida por nós e
devemos dar a vida pelos nossos irmãos.
Esse amor não nasce naturalmente no
nosso coração, irmãos.
não produz algo naturalmente. Ele nasce
do amor de Cristo derramado em nosso
coração. É fruto do Espírito Santo em
nós. Porque jamais somos capazes de amar
assim. Jamais conseguiremos amar da
forma como Jesus ama.
E Tin Keller articula de modo perfeito
isso. Ele diz: "Olha, a religião diz:
"Se eu amar, Deus me aceitará. O
evangelho diz: "Deus me aceitou em
Cristo, portanto, agora eu posso amar".
O amor não é a causa da nossa salvação,
é a consequência dela, é a resposta à
ação graciosa.
E esse amor tem que ser servido de uns
para com os outros. Não é um ideal
abstrato, mas é algo concreto, meus
queridos, dentro da própria comunidade.
É algo que flui dessa comunidade que
está renascendo. Um povo cuja marca é o
amor múto, que vai refletir o próprio
amor de Cristo.
É um chamado a servir quando nós não
queremos servir. É um chamado, meus
queridos, a perdoar quando nós queremos
guardar rancor, a nos doarmos quando nós
queremos reter. Esse é o amor de Cristo.
O amor dele é serviço, é perdão, é
entrega. Ele amou Judas até o fim, lavou
os pés daquele que trairia. Ele morreu
por aqueles que rejeitavam. Este é o
padrão. Esta é a forma como eu e você
temos que amar uns aos outros.
E sabe quando você é conhecido pelos
outros como discípulos de Jesus? O
Senhor vai dizer para nós, quando vocês
amarem assim, olha o verso 35. Nisso
conhecerão todos que sois meus
discípulos, se tiverdes amor uns aos
outros. Uma vez que o padrão é o amor
sacrificial, abnegado, obediente,
indiscriminado de Jesus, ele agora vai
dizer aos seus discípulos que eles serão
conhecidos por praticarem esse mesmo
amor. Não serão conhecidos pela
ortodoxia doutrinária, pela observância
de rituais. Não serão conhecidos pelo
poder de milagres, mas serão conhecidos
pelo amor. O mundo inteiro, crentes,
incrédulos, amigos e inimigos,
reconhecerá que o amor de Jesus existe
no nosso meio. Enquanto que o mundo, o
poder é sinal de distinção, a riqueza é
sinal de distinção, a inteligência é
sinal de distinção. Jesus dizendo:
"Olha, vocês são conhecidos. O que
distingue vocês é o amor.
Não serão conhecidos pelo conhecimento
que vocês têm. Você pode até ter um
conhecimento bíblico e teológico
profundo, mas se você não tiver amor,
você é mais um impostor e não um
discípulo de Jesus. não foram e não são
escolhidos do Senhor. Ou seja, é o que
Jesus deixa claro. Agora, quando você
coloca esse amor em prática, renuncia à
suas vontades para que outro seja
edificado, fortalecido, alcançado por
esse amor, vocês serão conhecidos como
discípulo genuíno. É assim que o mundo
vai reconhecer os discípulos do Senhor.
Não pela perfeição doutrinária, não pela
imponência de seus templos, mas por essa
marca indelével.
O amor
visível, sacrificial, abnegado, que se
entrega, que se doa, que se dá em
relação dos outros. Se por um lado os
discípulos é conhecidos e identificados
quando amam sacrificialmente,
abnegadamente, indiscriminadamente, o
mundo passa a olhar para nós, meus
irmãos, como discípulos realmente do
Senhor. É isso que o texto nos mostra.
Por que que a gente questiona muitas
vezes por que muitas vezes a igreja do
Senhor não goza de tanta credibilidade
no mundo? Talvez a questão esteja aqui,
meus irmãos, porque muitas vezes nós
somos cheios de regras e de normas, como
fariseus da nossa época, mas destituídos
de amor, destituídos de sacrifício,
destituídos de entrega, destituídos de
demonstração visível daquele que
realmente amou e amou até o fim, sem que
nós tivéssemos algo a oferecer a ele,
sem que nós tivéssemos algo a dar para
ele. A glória da igreja, meus irmãos, é
exibida como ama, como Jesus. Jesus é
glorificado, meus irmãos, quando o mundo
reconhece que a igreja ama como ele
amou. E vale ressaltar, meus irmãos, o
texto não diz se tiver amor por todos,
embora isso seja importante, mas o texto
diz: "Se tiverdes amor uns aos outros,
aonde que começa essa credibilidade?
Ela começa aqui dentro.
A credibilidade desse amor começa dentro
da comunidade. Se antes a igreja eh quer
alcançar o mundo, ela primeiro precisa
viver esse amor entre os seus irmãos.
Agora, se você não é capaz de amar quem
está aqui dentro, como que você vai amar
quem está lá fora?
O amor cristão não é apenas um aspecto
vertical meu para com Deus, mas também
horizontal de meu para com meu próximo,
daquele que está do meu lado.
Então, a glória da igreja estar em
imitar o amor de Cristo.
Agora, se o mundo não vê isso em nós,
nós estamos destituídos desse amor.
Agora, se o amor de Jesus não é visto em
sua vida na maneira sacrificial
abnegada, você não é digno de ser
discípulo de Jesus. Se você não
experimenta esse amor renunciando a você
mesmo, à suas escolhas, a sua vontade,
aquilo que a Bíblia deixa bem clara que
aquilo é pecado e você sabe que é
pecado, mas você não ouve, você não é
discípulo do Senhor.
Se você não renuncia aos seus sonhos, à
suas atividades, que agora você sabe que
é completamente inapropriada, esse amor
não caracteriza você. Você não é
discípulo do Senhor.
Se o seu amor não fizer abrir mão para
os seus irmãos de seu tempo, de sua
habilidade, pensando como alguém que
pode ser ajudado, você não é discípulo
do Senhor.
Meus irmãos, o discípulo do Senhor é
conhecido quando ama Jesus como ele nos
ama. Amor que identifica discípulos,
meus irmãos, é o amor semelhante ao
Senhor Jesus.
Então, nós temos que amar como ele amou.
O mundo não sabe e não tem esse amor
para oferecer, meus irmãos. Por isso, eu
e você temos um compromisso não só de
evidenciar, mas de proclamar esse amor,
não lá fora, começando aqui dentro, para
que ele reverbere lá fora e as pessoas
vejam em nós esse amor de Jesus.
Algo que poderia muito ser bem prático
para nós é se você responder essa
pergunta e essa pergunta for algo que te
caracteriza da seguinte forma. Se o
mundo olhasse para você, pra forma como
que você trata as pessoas dentro da
igreja, eles vão concluir que você é
discípulo do Senhor?
Essa é a resposta que vai demonstrar se
você é discípulo ou não do Senhor Jesus.
Por fim, meus queridos, o que que é
glória para você? O que que é glória pro
mundo?
Porque mesmo na hora mais escura, quando
a traição, a negação e a morte estava à
porta, Jesus não falou de derrota,
mas de glória. E ele redefiniu o que
significa ser grande, o que é ter
destaque, mostrando que a verdadeira
glória é encontrada na cruz do Redentor.
Naquele ato sacrificial de amor. Ele não
apenas paga os nossos pecados, mas ele
estabelece o DNA de uma nova comunidade.
A glória da cruz se torna o fundamento
do amor da igreja e o amor da igreja se
torna o testemunho da glória da cruz no
mundo. É um ciclo. Somos amados
sacrificialmente, por isso amamos
sacrificialmente, abnegadamente. E o
nosso amor sacrificial aponta para o
mundo, que nós temos um redentor que não
apenas nos salvou, mas que nos amou e
que nós amamos ele também. Cristo é o
centro de tudo isso, meus irmãos, porque
sua morte gloriosa é a fonte do nosso
amor. A sua ressurreição é o poder para
amarmos. E a sua presença por meio do
espírito é a garantia que esse amor pode
de fato se tornar uma marca registrada
em nós. Será que o mundo reconhece isso?
Será que verdadeiramente, como
Tertuliano, um historiador da história,
diz que os pagãos olhavam para os
cristãos e diz: "Olha como eles amam,
olha a diferença, olha a atitude deles".
Quem é você, meu querido? Um glorioso
discípulo do Senhor ou um impostor?
Um mentiroso que se gloria na sua
impiedade, cujo destino é vergonha
eterna, ou um genuíno discípulo do
Senhor?
O amor do cristão, meus queridos, de um
para o outro não é manipulação e nem
simulação do amor de Cristo. Antes é a
manifestação visível do amor de Cristo
pelo mundo. E esse glorioso amor só é
encontrado em um lugar
no amor sacrificial e abnegado do
Senhor. É pelo amor de Cristo, meus
queridos, que nós somos conhecidos. É
assim que você tem sido definido pelos
seus amigos, familiares e pelo mundo lá
fora? É assim que é glória para você?
Porque glória para nós, meus queridos, é
a humilhação,
mas com a certeza da exaltação, porque
em Cristo nós somos mais do que
vencedores.
Vamos orar.
เฮ

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