ACONSELHAMENTO A PARTIR DA CRUZ – GILSON SANTOS | PODCAST VIDA NOVA #94
08/06/2026
ACONSELHAMENTO A PARTIR DA CRUZ – GILSON SANTOS | PODCAST VIDA NOVA #94
🎙️ Chegou mais um episódio do Podcast Vida Nova!
Neste episódio, conversamos com Gilson Santos sobre o livro Aconselhamento a partir da cruz, de Elyse M. Fitzpatrick e Dennis E. Johnson.
Ao longo da conversa, exploramos temas centrais da obra, como:
✝️ O que torna o evangelho e a cruz de Cristo essenciais para o aconselhamento cristão?
❤️ Como ajudar pessoas que enfrentam culpa, sofrimento e lutas espirituais à luz da obra de Cristo?
📖 Qual é a diferença entre o aconselhamento bíblico e outras abordagens de cuidado emocional?
🌱 Como a mensagem da cruz promove transformação real na vida cristã?
Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/aconselhamento-a-partir-da-cruz
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
E aí, eu sou Saor Lucena e seja bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. Você já aconselhou alguém? Você já foi aconselhado? Afinal de contas, como é que nós deveríamos aconselharmos uns aos outros? Como nós devemos nos aconselharmos, como a Escritura [música] nos ensina a fazer no livro Aconselhamento a partir da cruz, conectando pessoas ao poder curador do amor de Cristo, a Elise Fitz Patrick e o Dennis Johnson nos trazem algumas ênfases importantes que nós não podemos deixar de lado quando nós falamos do aconselhamento e menos [música] ainda quando nós o praticamos. Afinal, como é que nós deveríamos conduzir uma sessão de aconselhamento? Quais são as questões centrais [música] que devem estar presentes em todo o aconselhamento que nós fazemos? Quando olhamos para uma sociedade que cada dia mais nos define por sopas de letrinhas, como TDH, como toque, como bipolaridade e outros rótulos a mais, como é que a cruz deveria ser aquela onde nós encontramos a nossa identidade? Se você quer aprender mais sobre como colocar o evangelho no centro do seu aconselhamento e entender de forma prática como isso acontece, esse livro e a conversa de hoje sobre ele vai ser uma bênção na sua vida. Então, se você gosta de conteúdos assim, já deixa aí o seu like, seu comentário, seu feedback pra gente. Se inscreva na sua plataforma de podcast preferida para que você não perca nenhum dos episódios que vem por aí e também dê uma olhada nas outras dezenas que nós já gravamos. Mas agora vamos à conversa de hoje e quem vai nos ajudar é o pastor Gilson Santos. Gilson, seja muito bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. É uma alegria ter você aqui com a gente. >> É um prazer saor estar com vocês. É um prazer estar com todos que eh desfrutam, né, desse podcast. É muito bom estarmos juntos. >> E o senhor tá aí em Portugal, né? É muito legal esse esse essa oportunidade que a tecnologia nos dá de podermos gravar mesmo nessa distância. Mas isso tem a ver inclusive com a próxima pergunta que eu quero que o senhor responda, que é quem é o Gilson, que o senhor se apresente um pouco mais pra gente, apresente um pouco do seu ministério e até o que é que o senhor tá fazendo aí em Portugal agora. >> Muito bem, Sa. Eu sou pastor Batista, tenho quase 60 anos, eu sou na turma de casado com dono Nadia, tenho duas filhas, tenho dois netos. Estou há quase 40 anos no Ministério Pastoral. Eh, servi no servi do Rio de Janeiro, de onde eh o estado em que nasci, também pastoreei no Espírito Santo. E nos últimos 27 anos pasturei a Igreja Batista da Graça em São José dos Campos. Ah, é uma igreja que cresceu bastante, tornou-se bem consolidada, com liderança forte. Ao longo dos anos tenho trabalhado com pregação, com aconselhamento, com formação de liderança, com plantação de igrejas. E o meu contato com Portugal eh teve início em 2001. Eh, desde então venho aqui com alguma frequência. Nos últimos anos venho atuando como professor também do seminário Martin Booster. Aqui fui, tenho sido professor eh no seminário Martin Boer no Brasil, que aliás nasceu em nossa igreja. E aqui, desde que o seminário teve início, aqui em Portugal, hã, eu tenho servido como um dos professores. Isto eu vinha servindo no Brasil como um professor à distância e vindo aqui para módulos eh frequentes, inclusive na área de aconselhamento para os alunos do seminário. Isso aqui quanto no Brasil, >> nos últimos anos, surgiu a oportunidade de virmos trabalhar como missionários, missionários de nossa igreja. A nossa igreja então entrou num processo de sucessão ministerial me recomendando ao ministério missionário aqui. De tal maneira que hoje aqui em Portugal estou ligado a três a três instituições. Primeiro, como pastor associado da Primeira Igreja Batista de Lisboa, em cujas instalações eu me encontro aqui. O seminário, na verdade, está na >> instalações da da igreja. Essa biblioteca, parte dela que você vê aqui atrás de mim, é parte da biblioteca do nosso seminário. H integro, então, a, sou hoje vice-presidente do seminário Martinbal e também integro o Conselho da Rede Reformada aqui em Portugal. É uma instituição eh cooperativa. Atualmente é essa instituição juntamente com o Ministério Fiel no Brasil, que que organiza a conferência fiel aqui em Portugal. Aliás, não sei se se todos estão cientes, mas a edições Vida Nova teve início aqui em Portugal, não é? >> Que legal. Éou aqui e é bom é muito bom perceber essa essa coincidência, esse esse essa confluência de fatores. Então, Dr. Chat esteve aqui, Dr. Chat conheceu esse país, serviu esse país. Algum dos líderes mais antigos de edições Vida Nova estiveram aqui, serviram aqui como a Lampan Palista e outros, não é? Enfim, é muito bom e falar de aconselhamento para mim particularmente é muito entusiasmante, viu? >> Muito bom. Que Deus continue abençoando o seu ministério, essa nova etapa na sua vida, né, que já vinha surgindo, mas que agora realmente se tornou o foco do seu ministério. Que Deus o abençoe aí em Portugal, o Senhor, a sua família, a igreja, o seminário, tudo aí que eh vocês têm se envolvido. E obrigado por mesmo em meio a essa correria, né? Foi agora a pouco que o senhor se mudou. Mesmo em meio a essa correria, dá um jeito de arranjar um tempo pra gente conversar, né? >> Um mês atrás. >> É isso. >> Olha aí. pouquinho, pouquinho. Tá ainda desempacotando as coisas. >> Exatamente. O que eu estou fazendo hoje é servindo ao ministério e a minha esposa. [risadas] Exatamente. >> Muito bom. Muito bom. Faz parte. Que Deus o abençoe. >> Exatamente. >> E vamos então falar do assunto que eh tanto anima, tanto empolga, que é um assunto importantíssimo pra igreja, o assunto do aconselhamento. E vamos fazer isso a partir do livro Aconselhamento a partir da cruz, conectando pessoas ao poder curador do amor de Cristo, da Elise Fitz Patrick e do Denis Johnson. E eu acho que a gente poderia começar falando um pouco dos autores. Eles já são relativamente conhecidos aqui no Brasil. Esse livro, inclusive já é um livro muito recomendado para aconselhamento, mas vale a pena a gente apresentar para os nossos ouvintes quem são esses autores e o que é que os traz, o que é que os levou a escrever um livro como esse, né? >> A Elise Fitspetrick, ela eh ela é conselheira e tem já escrito e palestrado, já penso que já esteve no Brasil. Eh, >> sim, >> ela ela é conselheira ligada ao CCF, que é uma instituição eh eh muito muito importante, muito crucial aí para o aconselhamento bíblico e a autora de uma obra chamada Ídolos do Coração, uma obra bem conhecida, bem influente, >> também da vida nova, né? também de vida nova, bem influente para a o aconselhamento, em que o foco eh já aí nesse livro, ela chama-nos não para apenas uma reorientação de de comportamento, não é? aquilo que seria uma uma proposta mais moralista, mais brievurista, mas chamando-nos para um aconselhamento que considere o coração, né? Ah, e essa ênfase tem sido muito importante dentro do aconselhamento bíblico. Então, ela é autora bastante conhecida, palestrante bastante conhecida. O outro é é o Denis Johnson, não é? ele já é um um professor na área de teologia prática, que é uma área, aliás, também com a qual me identifico profundamente. E ele é professor no seminário eh teológico Westminster na Califórnia, ou seja, na costa oeste. A o seminário está na costa leste, na costa oeste. Ele é professor então da unidade da Califórnia. E a teologia prática eh envolve o ministério pastoral, envolve as dimensões do ministério pessoal ah na igreja e e nesse campo eh se inclui aí o aconselhamento. >> Perfeito. E é interessante porque o tema aconselhamento, graças a Deus, tem se tornado mais influente. As pessoas têm procurado saber mais sobre essa que é uma prática que a escritura nos chama a fazer, né? Aconselharmos uns aos outros. Mas aqui nós temos uma proposta específica, aconselhamento a partir da cruz. Esse é o título do livro e é a ênfase. Agora, o que é que isso quer dizer? Por que esse nome para esse livro, para esse tipo de aconselhamento? >> A impressão que tenho assim a a pela leitura do livro é que o livro não quer a eh primeiro, o aconselhamento é uma área do cuidado, não é? é uma área do cuidado mútuo na no Novo Testamento, expresso basicamente em dois conceitos. Por exemplo, o conceito de paracleses, que é o conceito de caminhar junto, né? Caminhar ao lado, eh, traduzido normalmente em nossas versões por eh aconselhar, admoestar, encorajar. Por exemplo, quando se fala de Barnabé, eh, José, não é filho da consolação, a palavra consolação ali é tem a ver com paracléses. Jesus fala que enviará outro consolador. O apóstolo João, por exemplo, traduz eh Paráclito como advogado. Aquele está ao lado. Então, no Novo Testamento, essa é uma ideia muito forte, ou seja, a ideia de nós nos aconselharmos mutuamente, não é? de nós nos admoestarmos mutuamente, os mandamentos mútuos, não é? Também uma outra ideia muito muito importante para o conceito de aconselhamento é a ideia de notesia, ou seja, a ideia de admoestação, de correção, de repreensão, como o pai que ama repreende ou corrige o filho, não é? Jesus Cristo insere a admoestação no contexto da disciplina. Ou seja, o aconselhamento está nesse trabalho eh de nós cuidarmos uns dos outros no contexto do povo de Deus. E no caso do ministério pastoral, eh, faz parte do cuidado pastoral. O pastor cuida e porque cuida, oferece cuidado, não é? Eh, esse Deus é a grande matriz de do cuidado, ele é o grande cuidador. E o aconselhamento então perpassa no Antigo Testamento uma ênfase muito importante, é o tema da sabedoria, não é? Eh, é um tema muito crucial ao aconselhamento na teologia do Velho Testamento, a o a sabedoria, não é? eh valorizando essa esta palavra eh no temor de Deus, em medida, em discernimento, não é? Eh, em em compreensão, ah, ou seja, eh a a imprudência, não é? E aí, tomando todo esse acervo, nós temos então a a esse conceito eh de aconselhamento, que é uma palavra que está muito mais ligado aí a a uma palavra moderna, mas que é usada para traduzir esses conceitos bíblicos. E quando os autores trazem aqui para nós aconselhamento a partir da cruz, o que eles propõem não é apenas um manual de técnicas, ou seja, de técnicas pastorais, de técnicas de aconselhamento, mas uma um esforço, um uma tentativa de recentrar o cuidado das almas, o cuidado múo, o ministério pessoal na totalidade do evangelho de Cristo. Ou seja, o livro me parece mover-se em torno de uma tese fundamental. Muitos modelos de aconselhamento cristão ainda utilizam a Bíblia, alguns às vezes utilizam a Bíblia como buscando versos isolados, eh respostas, apenas citação de versículos ou por vezes apenas funcionalmente, ou seja, apenas apenas reorientando o comportamento, como eu disse lá atrás, eh afastando, entretanto, o aconselho ou o aconselhados preferidos da centralidade contínua de Cristo crucificado, desse Cristo ressurreto, desse Cristo assunto aos céus, desse Cristo presente. Então, eu penso que o que o que os autores pretendem com esse livro é trazer para nós o Evangelho como o o habitate do aconselhamento, a cruz como o paradigma do aconselhamento. >> Maravilha. com quão profundo é. Eh, tem a ver inclusive com esse foco que a própria Eliz tem também com ídolos do coração, né? Não fazer algo meramente externo, meramente eh focado em comportamento, né? Perfeitamente. Alguns inclusive t assim às vezes uma leitura do aconselhamento bíblico, especialmente na fase inicial, como sendo muito ligado ao isso não é uma leitura unânime, é de alguns, muito ligado a a a ao aos mandamentos e e muito ligado à ética mais comportamentalista e essa ênfase no coração, que aliás foi uma ênfase do Dr. David Paulinson, não é? de quem é pesquis é uma é uma legatária, não é? Essa ênfase no coração que ele trouxe a partir de 2009, 2010, 2011, que então vem marcando o aconselhamento bíblico. Não que antes não houvesse, talvez estamos aqui a falar muito mais de ênfases, entende? De de momentos, de enfoques. Ah, mas desde então isso tem sido algo muito marcante, não é? hã, eh, essa ênfase em em não apenas eh não desprezando a obediência, não é isso? >> Mas sim trazendo essa obediência para o coração, para o foco no coração, para os afetos, não é? Para aquilo que para aquilo que governa o nosso coração. Isso é muito importante, não é? E o que governa o nosso coração governa a nossa vida. E aí que entram entram então essas essas hermenêuticas dos do coração, essas arqueologia do coração e e também essa preocupação que alguns conselheiros têm t demonstrado em em chamar para o fato de que o coração a acolhe ídolos. Aliás, baseando-se numa numa expressão do João Calvino, que o coração humano é uma fábrica de ídolos. >> Ah, ou seja, o que é o ídolo? O ídolo é aquilo que eu amo tanto que não consigo deixar. O ídolo é aquilo que está acima de tudo. É, é, é a grande questão que é o grande motor, não é? Que conduz a minha vida. >> É o que nós priorizamos acima de todas as outras coisas, né? >> Perfeito. Perfeito. Eu amo tanto que não consigo deixar. E o aconselhamento precisa chegar aí. Esse é um ponto importante, ou seja, o aconselhamento precisa precisa chegar a esse ser com os os seus amores, os seus afetos, entende? Neste terreno aí tão tão >> tão é de onde brota a vida, as fontes da vida, aliás, como a palavra de Deus diz. Perfeito. Então, no final das contas, nós vemos várias vantagens nesse método, que não olha apenas para o que é externo, não apenas a ações morais, mas também para o coração, para lembrar-nos da importância do evangelho, como aquilo que nos norteia, que nos guia, nos capacita tudo isso, né? E porém, por que que é tão comum, é tão fácil mesmo dentro da igreja nós cairmos em um aconselhamento moralista, muito focado apenas em comportamentos, muito focado em isso não pode e isso pode, ao invés de nós voltarmos a um aconselhamento como esse descrito no livro, ou melhor, até como o aconselhamento descrito na palavra, melhor dizendo. Eh, bem, nós temos uma tendência muito grande à justiça própria, né? Tem uma citação que eu considero bastante assim importante, eh, do autor na apresentação. Será que eu poderia fazer uma uma breve leitura? Com toda certeza. >> Eh, ele, na verdade, na introdução do livro, ele cita o Bibi Warfare, que foi um teólogo de Princeton, eh, do século XIX. E o Bib escreveu assim: "Não há nada em nós ou feito por nós em qualquer estágio do nosso desenvolvimento terreno que nos torne aceitáveis a Deus. Devemos sempre ser aceitos por causa de Cristo ou não podemos ser aceitos de forma alguma. Esse fato a nosso respeito. Agora, observe aqui que eu acho que isso isso é muito crucial porque e eh aqui eh ela descreve ele o autor, perdão, descreve uma tese central. Nós somos aceitos diante de Deus. exclusivamente por causa de Cristo. E aqui ele ele chama para isso. Ou seja, esse fato a nosso respeito não é verdadeiro somente quando cremos. Ele continua a ser verdadeiro depois que tivermos crido >> e permanecerá sendo verdadeiro enquanto vivermos. Nossa necessidade de Cristo não cessa quando passamos a crer. Sem a natureza da nossa relação com Ele ou Deus, por meio dele jamais se altera. Nem a natureza da nossa relação com ele ou com Deus por meio dele jamais se altera. Não importa quais possam ser nossas conquistas nas graças cristãs ou nossas realizações no comportamento, é sempre somente em seu sangue e justiça que nós podemos confiar. Ou seja, isso aqui, isso aqui chama a para algo importante, ou seja, o a força que é mostrar que o evangelho continua verdadeiro mesmo depois que nós cremos. Ou seja, >> o livro parece querer impedir que a santificação se torne ou se transforme em uma tentativa sutil de nós nos autojustificarmos numa reconstrução da nossa autojustificação, entende? Que aliás foi o problema dos Gálatas, não é? Lembra-se, eles começaram crendo em Cristo, confiando em Cristo e em algum momento eles eles passaram a confiar na carne, que Paulo, aliás, chama de de outro evangelho, não é? >> Uhum. Então o o que penso é que eles trazem aqui a necessidade de que o aconselhamento Saul se norte por esse princípio. Ou seja, o aconselhamento na medida em que contempla esse indivíduo crente, esse homem, esta mulher, esse jovem, essa criança, esse idoso, eh, precisa levar para a confiança em Cristo o tempo todo, para a dependência da justiça de Cristo e não tanto para uma dependência das nossas obras, dos nossos feitos, da nossa moralidade, do nosso comportamento. Ou seja, o os o seu menino não é aceito diante de Deus porque ele hoje é mais obediente, ele é obediente aos pais. Ou seja, isso é uma expressão do amor de Cristo. Isto a obediência é importante, mas a gente não pode inverter esses polos. Não sei se entende. Ou seja, >> Sim, sim. Isso, isso é muito importante. Ou seja, nós não podemos transformar como pastores e como conselheiros a nossa abordagem e aconselhamento numa abordagem moralista que no final das contas era o problema dos, foi o problema dos gartas, foi o problema dos fariseus, não é? de de inverter essa polaridade. Isso é o princípio da justiça própria, que aliás é um tema bastante significativo para o aconselhamento. Então, sim, ah, ao trazer a cruz, eles, os autores trazem a eles colocam aqui, né, conectando pessoas ao poder curador do amor de Cristo. Eh, a cruz é a expressão máxima desse amor. cruz. Então aqui aparece como centro hermenêutico, o centro interpretativo do aconselhamento. Ou seja, >> a cruz não aparece apenas como doutrina da salvação, >> mas como chave para para quê? para interpretar o sofrimento, ah, a o pecado, a culpa, a vergonha, o medo, o fracasso, a transformação humana, ou seja, o aconselhamento construído eh a partir da cruz, isto é, a partir da obra objetiva de Cristo, não é meramente uma reorganização. comportamental da vida. >> Então aqui eles trazem um um conceito basilar para a doutrina do aconselhamento e sim eh perder esse foco e no final das contas eh eh assumir um atalho, uma via, não é? eh colateral, eh moralista, eh legalista, eh no final das contas, é nós fugirmos dessa cruz e caminharmos por uma por uma via de justiça própria, de autojustificação. >> E por isso a cruz precisa se manter no meio aí desse desse método, no princípio, no meio e no fim. Faz sentido? Bom, precisa ser oito aí interpretativo do aconselhamento. >> A medida que o senhor tava falando, eu tava lembrando aqui, né, como as pessoas não colocam isso numa frase, elas não dizem eu penso assim, mas elas agem em conformidade com isso. Que isso é esse? >> Eh, a ideia de que, ah, o evangelho ele me salva pela graça, certo? Mas uma vez salvo eu tenho que continuar me provando, né? Uma vez salvo agora eu tenho que me provar. É como se Cristo tivesse pago os pecados anteriores à conversão, mas não os posteriores. Isso tem a ver com uma teologia que vai eh trazer esse foco paraa nossa responsabilidade e acaba tirando de ênfase a soberania de Deus em tudo isso, né? E eu eu vejo, perdão, fica à vontade. >> E não e não estabelece a doutrina da justificação como fundante, não apenas não apenas uma doutrina eh e ela é ela é certamente uma doutrina forense, ou seja, estabelece lá de desde início a nossa a nossa convicção de que a a nossa justiça não está em nós, não é? não está nem fusa em nós. Ela está a ela está fora de nós, ela está em Cristo. Eh, ela é como vestes, né? Mas também ela é uma doutrina fundante na medida em que eu caminho nessa confiança, ou seja, eu vou adiante em confiança nessa justiça de Cristo. E o grande lema é que eu posso acordar todo dia. Eh, eu geralmente faço isso, talvez não não sei quanto isso é forte na sua experiência, mas é na minha. E penso que na experiência de nossos pecadores muito arraigada, que é nós começarmos a em algum momento exatamente por essa via aí de confiarmos em nós mesmos, de perdermos a confiança em Cristo e no final das contas trazermos a eh a pra doutrina da santificação um conceito moralista, legalista. E aí, de fato, nós estamos nos desviando do da centralidade do evangelho, da cruz de Cristo. >> Perfeito. A santificação não é para que sejamos aceitos diante de Deus, mas porque já fomos aceitos, né? Eu acho que isso precisa ser enfatizado. E eu vejo que ah muitas vezes esse foco moralista ele tem a ver com a causa, né, com o problema. As pessoas vem problemas morais surgindo como decorrência de diversos fatores na vida. Então, ah, eu quero um aconselhamento porque eu estou com problema no casamento. Eu quero um aconselhamento porque eu estou lutando contra um pecado, com uma pornografia ou outro. Eu quero aconselhamento por causa de problemas. Então, elas chegam pra gente para que nós aconselh as aconselhemos e elas querem não resolva meu problema. E aí às vezes a gente chega e diz: "Mas pera aí, como é que seu coração está descansando nas verdades do evangelho?" E a pessoa parece até ser surpreendida e dizer: "Não, mas minha questão não é evangelho. Eu continuo crente, eu quero que resolva o meu problema no casamento. Eu quero que resolva esse problema, não é verdade?" >> E ela ex ela desconecta, não é? >> O evangelho do problema da vida. >> Exato. >> E aqui, Saul tem a essa esse ponto da nossa conversa aqui traz a gente a uma lembrança importante. >> Uhum. Em aconselhamento, nós precisamos entender o seguinte, que não há como divorciar aconselhamento de teologia, entende? >> OK? Ah, no final das contas, a minha perspectiva teológica, perspectiva teológica sua, daquele que assiste a gente agora nesse nesse podcast, daqu de de de todos, não é? do pastor, do crente, a perspectiva sempre chega ao aconselhamento. Ou seja, se se a teologia é é carismática, é pentecostal, é fundamentalista, é reformada, é é católico romana, ou seja, não é liberal, não imaginemos que eh aconselhamento e teologia podem se divorciar. Não é possível isto. Ou seja, a matriz do aconselhamento é teológica sempre. OK? Então, nós sempre vamos eh eh encontrar ali no aconselhamento a os princípios hermenêuticos, os as os grandes pontos teológicos, a compreensão, eh, as ênfases, às vezes as superênfases, por vezes as omissões, por vezes as distorções, por vezes as heresias, por vezes a as compreensões, eh, a em algumas delas oriundas de cosmovisões que antagonizam com a palavra de Deus, não é? Ah, então sim, ah, isso que que você está trazendo agora é muito importante, ou seja, nós precisamos conectar o evangelho a todas as dimensões da nossa vida, não é? O evangelho está no centro da nossa fé, mas não apenas no centro da nossa fé enquanto eh enquanto eh um mosteiro, não é? Ah, isolando a nossa fé do mundo, eh, apenas na dimensão religiosa. Aqui é um ponto dos autores, não é? O que os autores querem é é não fazer do aconselhamento apenas uma um departamento religioso da vida. entende? O que eles querem não é apenas uma visão monástica do aconselhamento, ou seja, é uma é uma compreensão que traga o aconselhamento para o tecido da vida. Ou seja, o evangelho não é nem apenas uma um departamento, não é? a um segmento, uma dimensão, um recorte, como também não é apenas a eu acho que esse é uma, essa é uma outra ênfase importante desses autores, não é apenas uma alguma coisa etérea, apenas um conjunto, >> mera mera teoria, né? mera teoria, mera abstração. Ou seja, o evangelho precisa chegar eh e ser interlocutor necessário. Espelho, martelo, água, fogo, precisa ser vida em todas as questões da nossa existência. E isso diz respeito ao aos temas que são frequentes no aconselhamento. Quais alguns que você já acabou de introduzir? casamento, eh criação de filhos, finanças, adições, vícios, eh o que mais? Eh eh a a questão da sexualidade de um modo geral, a todas estas questões são atinentes ao evangelho. Todas essas questões dizem respeito a à cruz. Então, eh, eu penso que talvez esse seja o grande mérito desses autores. E nesse sentido, e esse é um livro Saor que traz pra gente uma espécie de resgate de uma compreensão reformada do cuidado das almas, entende? Ou seja, na medida em que traz e também eu diria que podemos colocar esse livro como situando-se dentro desse grande movimento mais recente de de eh gospel cent de de evangelho no centro, não é? de evangelho centrado, do evangelho, eh esse centro no evangelho. Então, sim, se pudermos situar esse livro dentro desse contexto, podemos, penso que podemos situá-lo adequadamente, porque o que o que esses autores querem trazer para nós é novamente essa centralidade do evangelho em assuntos como pornografia, eh depressão, divórcio, abatimento, eh, emocional, crises relacionais, são coisas no chão da igreja, do dia a dia da igreja. Então, é a pergunta implícita é como a encarnação de Cristo, a morte de Cristo, a ressurreição de Cristo, a ascensão de Cristo, o fato de que Cristo é hoje reina, é cabeça da igreja, como essas coisas, como essas realidades, melhor dizendo, alcançam concretamente as nossas vidas, essas dores humanas. Eh, eu penso que esse seja um um grande um grande ponto, não é, desses autores aqui neste livro. >> Com certeza. A ideia de que as nossas crenças moldam as nossas ações, né? O que nós cremos a influenciam o nosso agir e às vezes um bom aconselhamento vai acabar até mesmo se focando em antes de resolver o problema em si. Vamos lá, vamos abrir a Bíblia aqui. Vamos meditar no Evangelho, vamos aprender boa teologia, vamos desfazer essas crenças teológicas erradas, que parecem tão inocentes na sua mente, mas que estão sendo fundamento para ações que estão trazendo problemas na sua vida, né? Isso é muito relevante, muito relevante. Agora, em um dia em que nós vemos as pessoas buscando não só aconselhamento propriamente dito, um aconselhamento bíblico, vamos dizer, mas a todos os tipos de aconselhamento, terapias e coisas do tipo, e onde a terminologias, rótulos, eh, de problemas ah que envolvem a pisquê estão cada vez mais comuns. Então, ah, o que o que é que você tem? Não, eu tenho bipolaridade. E você? Não, TDH. E aí você toque e você e cada um tem o seu rótulozinho, tem a sua sopinha de letrins. A questão é como a cruz é relevante para falar para o cristão sobre a sua identidade, falar da identidade do cristão numa época em que as pessoas se identificam por rótulos como esses? >> Essa essa é uma excelente pergunta. Aliás, é uma pergunta crucial, não é, para esses tempos. E e vamos lá. Por um lado, então, como nós vínhamos a enfatizando até aqui, ah, os autores eles eh eh trabalham aí um risco em transformar o aconselhamento em mera administração de deveres eh espirituais, não é? Ah, mas também agora eles trazem e aqui a a ênfase de que a transformação da vida, e isso é muito importante, nasce da união com Cristo, OK? >> E não apenas de uma intensificação da vontade humana. Isso é muito importante. Ou seja, em termos paulinos, o que os autores parecem trabalhar continuamente é a importância de nós identificarmos quem somos em Cristo. Primeiro isto, quem nós somos em Cristo, chamando-nos para nossa identidade para então em como nós devemos viver. Então, Cristo aqui recebe eh essa centralidade, a intercessão de Cristo, o governo de Cristo, a presença ativa de Cristo, eh, são assim fundamentais eh no no aconselhamento, como nas dimensões do cuidado e particularmente do cuidado pastoral. Mas aqui, e isso é um aspecto, aqui os autores também trazem, né, debaixo dessa mesma luz um outro enfoque que é fazer do ministério eh de aconselhamento um ministério cristocêntrico, isso é importante, e não apenas terapêutico, OK? Ou seja, o livro parece então aqui nesse sentido rejeitar tanto uma uma um psicologismo secularizado, entende? Uhum. Nós abraçarmos a uma cosmovisão, eh, eu nem cosmovisão, nós abraçarmos eh paradigmas das psicologias >> que não encontram fundamento eh em Cristo, não encontram, não alinham-se, não abrigam-se debaixo eh da da obra de Cristo, da verdade de Cristo, da palavra de Cristo. como também, por outro lado, não é, um um aconselhamento que seja de um biblicismo mecanicista. Então, talvez o que a gente possa dizer é o esse livro ele procura situar-se entre essas duas matrizes aqui, que são que são que que aliás são duas abordagens muito comuns em aconselhamento, ou seja, >> uma abordagem em aconselhamento que se submete às vezes até um pouco a de forma acrítica a um psicologismo secularizado, quanto também a uma abordagem em aconselhamento que se degenere num biblicismo mecanicista, entende? >> OK? Então aqui >> e esse é um ponto, o alvo do aconselhamento em rigor não é apenas ou simplesmente reduzir sintomas, não é? Então, e e com quanto eh isso possa ter o seu lugar, também o alvo do aconselhamento não é apenas restaurar eh uma funcionalidade social, mas e esse é o é e esta é uma ênfase dos autores. O o alvo do aconselhamento deve ser reconduzir pessoas à comunhão viva com Cristo. Ou seja, eh e e é na medida em que esta pessoa encontra-se com Cristo, esse Cristo que que transforma, esse Cristo que salva, esse Cristo que reordena o seu universo, esse Cristo que eh reorganiza, oferece uma reinterpretação para toda a sua visão de mundo. É nesse momento que a que o aconselhamento pode se tornar mais fértil. E não apenas quando eu inseriro ali uma um um retalho de uma psicologia secular ou quando eu simplesmente, por outro lado, no outro extremo, ofereço uma recomendação eh mecanicista de um de um mandamento. Cito ali um versículo eh como se isso oferecesse eh resposta às angústias das pessoas. Mas eh, exatamente quando eu trato o problema o o humano, não é problema que o sofrimento humano não apenas como um problema técnico, deu para entender? não apenas com um entrave técnico a ser resolvido, mas quando eu eh busco compreender o sofrimento, o sofrimento humano em sua ampla gama, em suas dimensões as mais variadas, dentro de uma estrutura redentiva e uma estrutura relacional. E aí, >> que que isso é importante? É importante porque coisas, realidades como a dor, não é? Realidades como o medo, realidades como a perda, realidades como a desordem, não são apenas fenômenos psicológicos isolados, >> mas são vistos dentro de uma dentro de um tecido da queda do ser humano caído, não é? Desses desse ser humano que está eh eh criado à imagem de Deus. Entretanto, caiu e está sujeito à idolatria. Eh, esse esse esse esse ser humano que precisa ter a precisa ter a sua a precisa do arrependimento, precisa da fé, precisa chegar a a uma a uma um amor altruísta, a uma fé operosa, a uma esperança firme, ou seja, precisa aportar nessa redenção e nessa restauração em Cristo. Então, eu penso que é nesse contexto que as os autores trazem a cruz para que a cruz não fique em segundo plano. A o evangelho não fique com apenas um adereço, apenas um enfeite. Penso que agora voltamos a que dizemos lá atrás, apenas um detalhe, não é? >> Uhum. >> O evangelho é e a cruz é paradigma da vida. do existir, do viver, do servir, do adorar, do cultuar, eh do estar em família. Nós dois aqui de sermos pastores, nós dois de sermos pais, de sermos esposos, esposas, de sermos membros da igreja, cidadãos deste mundo, ou seja, cidadãos do reino dos céus. Nós, a cruz precisa estar nisso tudo. E eu penso que os autores trazem esse livro, ou seja, >> busca formar conselheiros, mas também confrontar esses conselheiros, eh, a fim de que esses conselheiros adquiram uma mente bíblica para aconselhar e a um alerta contra o risco ministerial. Esse é um ponto de falar continuamente eh sobre mudanças, mas sem permanecer fascinado por Cristo, sem se manter focado em Cristo, entende? E como isso é tentador, nós nós buscarmos um tipo de transformação desprezando Cristo. Então, o ponto não é aqui de eh inteiramente jogar no lixo, jogar na eh jogar na lixeira eh todas as contribuições das ciências eh seculares, das contribuições eh modernas eh para a as dores dos seres humanos, o sofrimento dos seres humanos. Eh, não é esse o ponto. O grande ponto aqui é nós eh darmos atenção a essas coisas eh e tirarmos a cruz disto, entende? Nós >> Sim. Sim. e eh eh lidarmos com aquele pai, por exemplo, que tem um filho, que está eh que tem um problema do autismo, que tem um problema com a atenção, que tem um problema com a hiperatividade, que tem um problema com a agitação, que tem um problema com isso, com aquilo outro, ou aquele que está vivendo um quadro lá e que a nozologia chamaria de um quadro depressivo ou que estaria vivendo um quadro eh de de decisão, de de enfim, de de visão da da eh ou seja, seja, do seu psiquismo, eh eh de não de não estar integrado, não é, eh emocionalmente, de estar com relacionamentos feridos, eh relacionamento pais e filhos e nós apanharmos toda essa gama ou ou problema pornográfico, que é que desde os anos 2000 se tornou endêmico, não é, no mundo todo, cresceu, exponenciou, é nós é nós trazermos a a nossa abordagem para todas essas áreas. sem eh não o ponto é não vamos não negamos as contribuições eh seculares eh nesse respeito das ciências e tudo mais. O que a grande questão aqui que me parece, eu posso eh pelo menos essa é a minha leitura que os autores trazem, é que nós precisamos lidar com tudo isto sem desprezar a cruz, sem sem entender que não há verdadeira transformação eh sem a cruz, sem Cristo, e que no final das contas, para a transformação essencial do ser humano. O evangelho basta, não é? >> O, ou seja, no dia que o Senhor nos deu Cristo, nos deu o evangelho, nos deu tudo que precisar, não é? >> A partir daí, eh, eh, podemos a a são arrumações da casa e tudo isso é importante, eh, tem seu lugar, melhor dizendo, mas nós não podemos perder de vista eh Cristo, não é? E o livro então parece querer assim pastorear aqueles que pastoreiam, não é? Ou seja, essa é a ideia, que nós façamos o nosso trabalho mantendo o nosso nosso deleite, o nosso fascínio em Cristo e que isto também esteja eh alcance aqueles que são objetos do nosso trabalho de aconselhamento. >> Excelente. A ideia é que o evangelho deve definir a nossa identidade, não rótulos. do evangelho deve nortear a maneira que nós analisamos as coisas da vida, inclusive essas contribuições que outras ciências seculares possam trazer e não a deveríamos reinterpretar o evangelho ou o que a escritura ensina a partir desses paradigmas externos, né? o que deveria ser a base e o norte é o evangelho, não o contrário. Agora, quando a gente fala dessa desse método de aconselhamento, eh como é que nós podemos fazer isso na prática? Como conduzir uma sessão de aconselhamento centrada na cruz? alguns exemplos que nós poderíamos pensar aqui. >> Penso que algumas sugestões práticas, uma delas é sim, nós nós precisamos sempre como como conselheiros eh ouvir, não é? Eh, acho que esse é o primeiro passo, ouvir. >> Eh, quando nós ouvimos, Saur, nós e ouvir não é um trabalho fácil, >> não. Somente para pastores, viu? Que a gente sempre quer falar. >> Exatamente. Nós, nós pastores, aliás, somos ensinados a falar. >> Uhum. Eu, por exemplo, eh preciso dizer eh com bastante honestidade que fui eh, no seminário, me ensinaram a falar, não sei se aprendi bem, mas pelo menos eles tentaram, >> eh eh ensinaram a falar, a pregar a a tudo isso, mas eh eu não fui ensinado a ouvir. Eu tive bom bom seminário, tive bons professores. E eu devo dizer com bastante com alguma ponta de tristeza que fui aprender a ouvir com os descrentes. Assim, eu acho que um um trabalho importante da cruz é é nós eh nós conselheiros nos mortificarmos, entende? Porque quando eu ouço Saur, quando você me ouve e você aí atrás na sua entrevista tão bem feita, aliás, você dá um passo atrás e e ouve esse pastor aqui, eh eh dá ouvidos. O que é isto? É você permitir que de certa maneira ah você está dizendo assim: "Ah, eu quero ouvir você. Veja Deus, não é? Deus, ele não faz isto. Eh, Deus que tudo sabe, que é onisciente, que é onipotente, que é onipresente, eh, que que, enfim, que que já entende tudo, que que é um Deus de eternidade a eternidade. E ele ele pergunta: "Adão, onde estás? Caim, que fizestes? Eh, mulher, por que choras? João, quem são estes?" Ou seja, eh no caminho de Emaús, o Cristo faz ali pergunta: "O que que vocês vão, o que que vocês estão tratando? À medida que vocês caminham, ele sabe tudo isso. Quando nós ouvimos, >> quando nós ouvimos, estendemos o nosso ouvido, isso é uma expressão de amor. >> Ou seja, nós não ouvimos só porque queremos respostas. Nós ouvimos porque ouvir é uma maneira de ajudar o outro, entende? Então, a, e aqui a cruz está, ou seja, a cruz está em que ela mortifica o meu ego, Gilson Santos, de querer falar o tempo todo, de querer estar no centro. A palavra sempre ativa, a palavra sempre em preeminência, a palavra sempre ah, sempre ditando o ritmo, ditando o tom, ditando a frequência, ditando a melodia, a música da vida. Então, quando eu ouço o outro, eu estou a dar a minha contribuição ao outro, ajudar o outro. Porque quando o outro fala e eu estou ali ouvindo e como você mesmo está aqui, não é? Eu estou falando e você está oferecendo os seus impactos, as suas contribuições, as suas as suas percepções, me ajudando inclusive a formular os meus raciocínios. Quando nós ouvimos o outro, nós estamos ajudando o outro. Então, o aconselhamento, o conselheiro precisa ouvir e não vir com apenas com respostas prontas, pré-formuladas, eh pré-concebidas, porque às vezes pode acontecer de nós não estarmos a oferecer a resposta eh para a dor que está ali real, entende? Eh, nós estamos tratando de uma pessoa que é >> que é fruto muito mais das nossas préconções, mas ela mesma não se expressou, não é? E quando eu ouço como eu como eu eu vou me inteirando da realidade? Então, ouvir, não é? e ouvir também uma um segundo ponto importante nesse evangelho, nesse ouvir eh no paradigma da cruz, ouvir a partir da cruz, não é? Como como os autores colocam aqui, conectando pessoas ao poder curador do amor de Cristo, com esse elementamento a partir da cruz. Eh, eu penso que também é é é eu fazer o reconhecimento daquilo que o meu aconselhando traz, que já é uma expressão de graça, porque às vezes, Saur, ele ele sim, às vezes ele está mal, às vezes ele está ele estar ali vivendo um drama muito grande no casamento, às vezes ele não está a conseguir lidar com o seu vício pornográfico. às vezes ele não está a conseguir lidar com a desejos, não é, que ele sabe que não são concupiscências, não são eh são pecados, ele sabe disso, mas às vezes ele já traz também algumas expressões de graça, movimentos que ele já tem feito, atitudes que ele já tomou, percepções que ele já adquiriu, que são importantes. ao ouvir eh e e ao constatar essas coisas eh e eu reconhecer também aquilo de verdade, ou seja, eh eu eu estar em paz com a verdade quando ele traz, isto é muito importante. Ou seja, é também um um reconhecimento desse meu trabalho de mortificar, de preparar o caminho do Senhor no aconselhamento, ouvir a pessoa eh com paciência, ver o que que ela traz, o que que movimentos ali ela já faz. Às vezes ela já conta com uma mãe que está ali oferecendo uma ajuda importante, um crente, um irmão, um amigo, entende? Ela já já ela já na noite anterior ela já pensou em orar, ela já pensou ali em em em vir, ou seja, o próprio ato de buscar o aconselhamento, o próprio a a própria iniciativa de buscar um conselheiro já é um ato importante. Então, fazer esses reconhecimentos das expressões de graça que já encontramos no consulente, que já encontramos no conselheiro, é alguma coisa também muito importante em uma sessão de aconselhamento. Uma outra coisa importante é perceber se o ele está muito mais fundado numa confiança em justiça própria, em méritos próprios, em em esforços próprios, eh em do que ele confiar em Cristo, não é? Entende? Ah, ah, e como as como as pessoas chegam assim pro nosso meio. Ah, e penso então que, e ouv, eh, dando atenção a essas coisas, nós fazemos um grande trabalho. Além disto, uma vez que nós identificamos, é preciso nós nós ouvirmos o coração, não é isso? >> O que que está ali essa pessoa? Ela tem medo de quê? E por que que ela tem esse medo? medo de medo de se expor. Ela tem o medo de se expor por quê? Porque ela tem temor dos homens. Porque ela ela ama mais a si. Ela ela ama mais. Ouviste pornográfico, por exemplo, ele ele está ali na sua solidão e aí ele reclama da solidão. Observa, ele reclama. Ah, eu estou sozinho. Ah, vivo sozinho. Não tenho muitos amigos na igreja. As pessoas nesta igreja não se aproximam de mim. Mas é interessante que vamos pensando na pornografia agora como uma situação de caso aqui. É interessante que a pornografia, por exemplo, ela ela ela ela precisa do isolamento, ela precisa da solidão. E quando a pessoa é arrastada para esse pecado, ela é arrastada pra solidão. Então observe, essa mesma pessoa que reclama >> reclama da de uma de não estar em comunhão, de não de estar relacionalmente isolada, ela, por outro lado, pode ser que ela fortaleça de uma maneira ambivalente atitudes em que ela se isola, em que ela se se coloca em um universo isolado. Inclusive, ela ama isso. Observa, ela ama essa condição de estar sozinha em seu pecado quando ela quando ela está ali eh, por exemplo, eh, eh, se deleitando na pornografia, se masturbando, coisa desse tipo. Então observa esse tipo de leitura é muito importante a gente fazer porque o ser o ser humano pecador é um ser de ambivalências, é um ser de contradições, ele não é um ser simples, ele é um ser com as suas complexidades. E esse olhar para as ambiguidades, para as ambivalências, para a e essas esses comportamentos paradoxais, contraditórios do ser humano pecador, é muito importante. E isto geralmente o conselheiro maduro adquire para que ele não caia em simplismos, não é? Muitas vezes aquele adolescente chega e diz: "Aqui nessa igreja ninguém me ama, eh, ninguém fala comigo". E às vezes o problema em algum momento pode acontecer de que no final das contas ele é que se ama tanto, se preserva tanto, é tão narcísico que precisa que todos venham até ele, mas ele não consegue fazer movimentos de transcendência em relação ao próximo. Então, eh, num aconselhamento e esses olhares mais eh esses olhares um pouco mais refinados e não tanto para colher essa primeira queixa, ficou claro essa primeira demanda e eh essa essa primeira narrativa, eh, e essa isso que o consulente às vezes traz é muito importante, >> é ouvir tanto o que ele fala como o que ele não colocou em palavras, mas tá ali no coração dele, né? E as palavras acabam expressando por trás, né? Como diz plano de fundo, né? >> Ex. E é preciso chegar nesse coração, então, para que a gente efetivamente ofereça eh ofereça ajuda, não é? Do contrário, eh, pode ser que nós não não vamos suficiente e simplesmente, eh, vamos dizer: "Faça isso, não faça aquilo, passemos uma tarefa, passamos aquilo outro". E aí podemos não chegar ao coração e aí eh adentramos aquele campo que nos referíamos lá atrás de transformar o aconselhamento em alguma coisa moralista. reverista comportamental. Fica claro? >> Então, nós temos que ouvir com atenção não só as palavras, mas sondando o que é que elas podem guardar ali em seu coração. E então apresentaremos o Evangelho como resposta aquilo e instruções e posteriormente eh instruções práticas, né? Até pegando, por exemplo, o exemplo aí da pornografia. Eu sempre quando vou aconselhar alguém que está lidando com isso, primeira coisa que eu quero tratar são esses afetos, né? Esse amor, o que é que tá dominando o seu coração? Então, primeiro o relacionamento com o Senhor e só depois é que a gente vai tratar questões práticas, como por exemplo, ah, não fique sozinho no seu quarto com o dispositivo, questões práticas assim secundárias, né? Ficou claro exatamente isto? Ou seja, e quando nós lidamos então com pessoas cansadas, pessoas abatidas, pessoas culpadas, pessoas confusas, eh isso isso é muito importante no final das contas. >> E eu eu diria que nunca nunca perdermos que que a nossa relação de aconselhamento, e o aconselhamento é uma relação, não é? Eh, a gente sabe como o aconselhamento começa, a gente nunca sabe muito claramente como ele termina. Verdade. >> Eh, então vamos lá. eh, nunca perdermos nessa relação a clareza de que nós dependemos de Cristo. Por isso, amém, >> orar com aconselhando, >> ler a palavra de Deus com aconselhando. Ontem, por exemplo, estava com alguém e pedi, me você é capaz de lembrar agora uma um texto da Escritura, eh, que foi muito importante no contexto para lidar com essa situação que você me trouxe. Eh, e ele trouxe então o assunto e aí ele me ele me trouxe lá uma ênfase num eh num capítulo do Evangelho de João muito importante, que foi tão tão tão bom para aquele momento. Por quê? Porque naquele momento ah trazia ali alguma coisa a palavra de Deus que vinha bem ao encontro do do da questão que ele me trazia. Então, não perdermos eh no no aconselhamento, não nos tornarmos marinheiros e e perdermos o lugar, mas eh é em todo tempo eh nós ancorarmos a nossa abordagem eh eh poimênica de de cuidado pastoral, é nessa dependência de Cristo. E daí a palavra de Deus e a oração devem estar presentes nos nossos aconselhamentos, não é? E eh eh devem estar presentes porque norteiam, não é? eh delimitam eh não apenas eh estabelecem eh o que é o oxigênio dessa relação de aconselhamento. Então assim, ah aqui penso que é eh é importante isto e e eu diria também, Saur, esse é um tempo em que as pessoas estão é muito tensas. Eh, esse é um tempo de muitos estímulos, >> de muitos eh muita agitação, muita correria, não é? Eh, nós estamos altamente interconectados, eh, altamente demandados. Nós temos esses esses aparelhos que não param de de funcionar. Olha, o meu caso é tão grave que eu tô com três. Olha, olha essa de gravidade que estamos. Então, nós estamos com essas coisas. E eu penso que é muito importante, pastor, você que me ouve, os conselheiros que agora nos ouçam aqui, que nós ofereçamos um setting, quer dizer, um lugar, um ambiente tranquilo. >> Uhum. ah, tranquilo para que a gente consiga desfrutar de um tempo muito positivo no aconselhamento, um tempo sem pressa. Eu penso que aconselhamentos apressados têm feito muito mal. As pessoas já chegam eh eh esgotadas, cansadas. Então, tira o pé do acelerador, eh, vá com calma. Eh, pastor, não não não vá não não se não tente resolver todos os problemas daquela pessoa numa primeira sessão, no primeiro encontro. Às vezes o que é mais importante é um trabalho consistente, é um acompanhamento pastoral metódico, é muito mais é importante a consistência do que a explosão. Ficou claro? É, seja, eu penso que em aconselhamento hoje, eu diria que essa é uma é uma dica aí que eu considero bastante importante, caminhar. Eu fico, eu gosto de de dar aula em aconselhamento, pensar como Deus é paciente ali com Adão, como Jesus é paciente com aqueles dois homens no caminho de Emaú, caminhando aqueles quilômetros todos com aqueles dois homens ali com seus problemas vários. Ah, como Deus caminha conosco, não é? Como como a a escritura é pródiga, é rica em nos em nos lembrar que as benignidades do Senhor duram para sempre, que as longanimidades do Senhor não têm fim, não é? que ele tem uma paciência profunda. Eu penso que estas coisas deveriam estar presentes, iluminando a relação de aconselhamento. Aconselhamentos apressados, precipitados, receitas prontas, diagnósticos muito rápidos, ah, generalistas, superficiais, têm feito muito mal, entende? Por isso, um trabalho mais paciente, mais pastoral, eh é é muito bem-vindo eh nesses tempos. Eh o os autores trazem isso aí em diversos pontos, mas aqui isso é muito mais uma ênfase que estou a trazer pessoalmente. Vamos trazer isto eh vamos fazer do aconselhamento ah um trabalho. Vamos lembrar de Cristo, não é? Lembra? Eh, as pessoas estavam agitadas. Ele diz lá o texto bíblico que vendo ele as multidões, compadeceu-se delas imediatamente começou a ensinar as multidões, não é? E ele teve compaixão delas porque estavam cansadas, aflitas e exaustas ou cansadas e sobrecarregadas, dependendo da da versão, não é? Ou seja, era um mundo de pessoas sobrecarregadas com os seus pecados. Porque o ser humano está sobrecarregado de pecados mesmo. E aí o que que ele faz? Ele disse: "Vinde a mim, vós que estais cansados e oprimidos. Vinde a mim e eu vos aliviarei. Aprendei de mim que porque sou manso e humilde coração, encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu pardo, o meu meu julgo é suave, meu fardo é leve. Eu penso que nós precisamos como conselheiros, traduzir esta esta atitude, essa postura de Cristo em nossos aconselhamentos, entende? Ou seja, e isto, Saul, isto já é a cruz, >> entende? Esse Cristo que faz isto à medida que se encaminha pra cruz. É verdade. Verdade. >> Eu acho que isso é de uma beleza. Então, ou seja, o aconselhamento pastoral, o aconselhamento do membro da igreja na sua medida, nas suas possibilidades, todos podem oferecer a sua cota de ajuda ou como dizem aqui em Portugal, todos podem oferecer os seus 10 cêntimos, não é? Eh, todos podem todos podem contribuir para o crescimento, a promoção, o bem do próximo. Então >> aqui >> eu penso que um aconselhamento que em que o conselheiro reflita Cristo e a cruz esteja ali eh sombreando essa relação fará muito bem a a nosso tempo, ao nosso às nossas igrejas, aos nossos contextos eclesiásticos. >> Muito bom. E para quem o senhor recomendaria então esse livro? Eh, quem poderia realmente aprender com ele um pouco mais sobre como aconselhar dessa forma a partir da cruz? Eu eu diria que em primeiro lugar, se possível, eh, se você que me ouve aqui não é o pastor da igreja ou não é um pastor, não é um dos líderes, eu diria que o ideal é que ah, o pastor, alguém que trabalhe com aconselhamento, com supervisione o aconselhamento, tenha esse acesso. Por quê? Porque nós queremos um aconselhamento, eh, eh, essa orqué integrado a vida da igreja, OK? Então, sim, primeiro lugar, se possível pastores e líderes terem acesso, eh, aceder a esse conteúdo, eh seria muito bom, não é? Eh, para que também possam colocar em questão a sua teologia, eventualmente, um pouco da sua abordagem. eh serem sensíveis, pensarem como isso se tornará prático na vida da igreja. Então, eu recomendaria que isso começasse ali. Mas em segundo lugar, isto isto é para todos. Eu diria que qualquer crente que queira ajudar um outro com um pouco mais de graça, com mais sabedoria, com mais discernimento, com mais sobriedade, com mais eh discernimento, critério e medida, que são as expressões da prudência, da sabedoria, eu diria que eh esse livro poderá ser de boa ajuda, entende? Então, sim, eh, eu não vou reduzir esse livro a um, a classe de seminário. Alunos de teologia, sim, podem ler, pessoas em curso de aconselhamento podem ler, mas eu diria que é um livro para ser considerado por pelos membros da igreja. >> Excelente, pastor Gilson, muito obrigado por esse tempo de conversa. Ainda haveriam muitas outras coisas que nós poderíamos trazer aqui, mas o tempo de gravação aqui não dá, mas foi muito bom. Eh, conselhos valiosíssimos, muito bom contar com a sua experiência aí no aconselhamento, seus insightes, as coisas também que o senhor destacou do livro e que o Senhor continue abençoando a sua vida aí no novo ministério ou melhor, no mesmo ministério, um novo local. Que Deus o abençoe. >> Muito obrigado. Muito obrigado. Obrigado por esse tempo. Obrigado pela oportunidade. Obrigado a todos que participaram conosco aqui. >> E aí, você aí de casa que assistiu essa conversa ou ouviu na sua plataforma preferida de podcast, gostou? Deixa aí um comentário pra gente, um feedback. Fique ligado nas próximas nos próximos episódios que vem por aí. Dê uma olhada nas outras dezenas que nós já gravamos. E também se você gostou desse assunto, quer realmente aprender mais sobre ele, não deixe de adquirir o livro Aconselhamento a partir da Cruz. Tenho certeza que ele vai ser bênção na sua vida. É isso aí, até a próxima. Valeu,