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A fé vem pelo ouvir

Conversas sobre Cristo – BTCast 652

Conversas sobre Cristo – BTCast 652

Conversas sobre Cristo – BTCast 652

Muito bem, muito bem, muito bem! Está começando mais um BTCast! Diretamente da Conferência Escola Bibotalk de Teologia, Rodrigo Bibo recebe Victor Fontana e Alex Stahlhoefer para uma conversa profunda sobre Cristo.

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Preencha o formulário do lançamento do Igreja Sob Medida aqui: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdl9Px6TVLC3rQrDBpK6gQ0Hcblc5xp-9FU18pbwfxJPO58bQ/viewform?usp=dialog

Vivemos em um tempo em que diferentes grupos tendem a enfatizar apenas alguns aspectos da pessoa e da obra de Jesus. Para uns, Cristo é apenas um mestre de moral; para outros, um revolucionário social; há quem o veja somente como Salvador individual ou apenas como Rei glorioso. Mas será que é possível compreender Jesus de forma fragmentada?
Neste episódio, os convidados mostram como as Escrituras apresentam um Cristo pleno: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador, Senhor, Profeta, Sacerdote e Rei. Ao longo da conversa, eles exploram como reduzir Jesus a apenas uma de suas funções empobrece o evangelho e afeta diretamente a vida da igreja, a missão e o discipulado cristão.
Como a igreja pode recuperar uma visão integral de Cristo? Quais são os perigos de moldarmos Jesus à nossa imagem? E o que significa, na prática, viver à luz daquele que é plenamente suficiente para a salvação e para toda a vida cristã?
Dê o play e contemple conosco a beleza do Cristo completo.

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Playlists legais para você maratonar:

– Série Gigantes: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAK7V6Bz-YUuESPPiCi6Gy2B
– Série Os Outros: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALUz4ZnUbe1id7GI4BVDs-O
– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
– Série Origens Cristãs: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALjBXZp2y9551ayHWhdKBS5
– BTCasts MC: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAInhfKseQ-DMuNBW1V081oF
– BTCasts ABC2: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAJQRa75AUS1NKO-lWMikCot
– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9

Legendas automáticas:

Começa agora o BTC.
Teologia é nosso esporte.
>> Muito bem, muito bem, muito bem. Começa
mais um BTC de número
>> 652.
>> Eu sou Rodrigo Bibo e devemos pregar a
Cristo e este ressurreto,
viu? Não que Paulo, eu não quis mudar
Paulo, mas eu sou estou ampliando Paulo,
atualizando a Bíblia. Mentira. [risadas]
Essa parte acho que a gente corta, né,
Rafa? Melhor não, né? Mas mentira, eu
estou estou brincando com Não, só piora.
É isso aí. A gente pega Cristo. Pronto.
>> Eu sou o Alex e
Deus que não morre não é o Deus cristão.
>> Tá muito bom, viu? Que humilhante as
minhas entradas. Deus livre. Agora até o
cronômetro ficou diferente aqui, meu.
Nem sei voltar pro Enfim. Vai, continua,
Víor.
>> E eu sou o Víor Fontana.
Esse é o meu canal. Ele pode ser um
pouquinho seu.
Desculpa, foi mal.
>> Mas você curtia esse
>> melhor canal do YouTube.
>> Não acho, mas tudo vou ter uns canal
legal, mano.
>> Tem tem muito canal bom. Paulo Escola do
Discípulo, o Dois em Teologia.
>> Casé TV.
>> Casé TV. [risadas]
Ah, é de esporte, né? O que que é o G?
Eu vejo da Globo. Eu vejo isso. É a
tentativa da Globo de campear o casador.
>> Deu certo, porque quando eu vou assistir
futebol, tipo, uma vez um ano, é nesse
que eu caio aí. Não, G. É.
>> É isso aí. É, foi mal. Eu acho o
narrador mais legal.
>> Jorge Igor.
>> Não sei quem é.
>> É o narrador mais legal que você acha.
>> É. Ah, então viu? É que eu eu gosto do
Galvão, né? É terra.
>> Mas o Jorge é Mas Jorge Igor é irmão.
Ele é irmão. Ele é irmão. Irmão do
Galvão.
>> Não, irmão nosso.
>> Ah, é crente
>> em Cristo. Que legal. ressurreto.
>> Ah, que bacana. Que legal. Gente, para
quem não sabe, o Víor, ele sabe muito de
futebol, tá? Ele não é só inteligente na
teologia. A gente estava em Londres,
desculpa. E ele estava, a gente tinha 40
minutos para chegar até o, a gente tava
meio que no mato lá e era 40 minutos
para chegar até a cidade e tal. Ele e o
Cacau ficavam 40 minutos às vezes
conversando. Um dos papos que eu
consegui prestar atenção por 5 minutos
era os melhores centroavantes do futebol
nos últimos, sei lá, 40 anos. Eu nem sei
o que é um centroavante, mas eles
estavam, passaram 40 minutos falando
sobre um monte e era, não era só do
Brasil, é do mundo inteiro, centroavante
e tal. É um é um nível de de expertise
assim que é meio assustador. E depois
era sobre música popular brasileira.
Mano, eu só conheço o cálice do que nem
sei o nome do cantor do É esse aí é
>> Milton Nascimento Chico Boarque. Chico
Boarque. Eu só conheço esse cara,
entendeu? E aí os cara 40 minutos esse
car pai
>> é que a música da ditadura lá,
>> tá?
>> Enfim,
>> eu sou Víor Fontana e essa é
oficialmente a entrada mais longa da
história do Betcast.
>> Boa, boa, boa. Muito bem, nós estamos
aqui ao vivo na primeira conferência
teológica EBT. A galera tá curtindo
[aplausos]
>> e hoje pela manhã nós tivemos palestra
novamente do Alexander Star Refa falando
sobre o Cristo crucificado e o Víor
Fontana falou sobre o Cristo ressurreto.
Alex resume e em uma frase a sua
pregação que está disponível para os
alunos da escola Bibotal de Teologia.
>> Deus morreu.
>> Tá bom. Resume tu agora, Víor.
>> Deus ressuscitou. [risadas]
>> Pronto. Sensacional. Muito bom.
[aplausos]
E nos recados paroquiais dessa semana,
segura aí que você já volta para este
podcast gravado na conferência Escola
Bibotalque de Teologia, aliás, uma baita
conferência que vai acontecer todo ano,
tá? Tivemos esse ano, foi um sucesso pra
glória de Deus. Ano que vem já marca aí
na sua agenda. Eh, depois do dia das
mães tem conferência da Escola Bibotal
de Teologia, tá? A escola Bibotal
Teologia vai ter a segunda edição em
maio do ano que vem, depois do Dia das
Mães. Já pode comprar passagem a Éric,
se Deus quiser e se permitir, a gente
vai estar aqui, tá bom? Aliás, se você
quiser estudar na Escola Bibotal de
Teologia, a Turma 07 ainda está de
portas abertas, só até o dia 30, tá bom,
gente? Para de ficar vendo vídeo solto
na internet, ah, eu vejo um vídeo aqui,
um tema lá. Não, vem estudar na nossa
escola. Por quê? Porque você vai ter
várias disciplinas da teologia com
professores da turma do Bibotal. E cara,
e você vai estudar de forma organizada,
sem contar que vai ter um grupo no
WhatsApp para você tirar dúvidas. O
Luiz, que é o nosso mentor e monitor, tá
lá para te atender. Tem aulas ao vivo.
Sério, não esquece, aplica o cupom EBT30
no plano anual. Mais instruções estão
aqui na descrição deste podcast, tanto
no YouTube quanto em bibotal.com. No
nosso site, tá? no eh no Spotify dá para
clicar talvez nesse primeiro link ali
ainda e tal, mas no YouTube você tem a
descrição mais completa. Eu te espero na
Escola Bibotal de Teologia e eu te
espero também saber onde. Atenção você
de São Paulo, dia 1eo de agosto vai ter
o lançamento do livro Igreja Sob Medida,
um livro que eu escrevi com o Luís,
nosso monitor da EBT e meu amigo, onde a
gente fala sobre o que é uma igreja à
medida do evangelho. Será que eu tô na
igreja certa? Como saber se a minha
igreja é bíblica? Como escolher uma boa
igreja? Como construir uma boa igreja?
Esse livro fala sobre tudo isso e no dia
primeiro de agosto a gente vai ter um
lançamento em São Paulo. E eu quero
saber se você vai, porque eu preciso
comprar os livros para poder vender lá
por um preço bem legal na nossa pré no
nosso lançamento em São Paulo. Dia 1eiro
de agosto vai ter um formulário aqui.
Sega de São Paulo e você quer ir no dia
1eo de agosto, é um sábado, sábado à
noite às 19 horas, quero saber, preenche
o formulário só pra gente ter uma ideia
de quantos livros a gente vai comprar
nessa nesse lançamento aí no dia 1eo de
agosto em São Paulo. Eu espero vocês, de
verdade, dia 1eo de agosto em São Paulo,
se você puder ir nesse lançamento, vai
deixar a gente muito feliz. Vai ser lá
na ICC, nossa igreja parceira, onde a
gente sempre faz o BTD, no bairro
Tucuruvi, se eu não me engano, tá bom?
Sábado à noite, a partir das 19 horas,
vai ter o lançamento lá, vai ter um um
podcast gravado ao vivo ali e depois a
gente bate aquela foto, troca aquela
ideia, mas eu preciso saber se você vai
para poder fazer o pedido dos livros e a
gente vai vender com preço bem especial,
tá bom? O link, tá, para você preencher
o formulário tá aqui também na descrição
deste BTC no YouTube e também no nosso
site. E também não quer perder nada,
gente, do que tá rolando do Bibotalk,
quando a gente vai estar na Bienal, se
vai ter lançamento em outro lugar,
simples, entra no nosso grupo de
transmissão do Instagram ou do WhatsApp,
entra nos dois e aí a gente sempre tá
postando as coisas que estão acontecendo
no nosso ministério por lá, tá bom? Deus
abençoe vocês, até a próxima, se ele
quiser, se permitir, e simbora para esse
podcast que tá sensacional. Aliás, as
palestras desse podcast, dessa
conferência, vão ser disponibilizadas
pros alunos da EBT. Então, até dia 30, a
nossa porta tá aberta. vem que a gente
tá te esperando.
>> Mas eu quero começar com uma provocação
que o Stot faz, né, na cristologia, que
moldou muitas mentes. E o Stó começa com
uma provocação, e eu queria eh
provocá-los com a mesma provocação dele,
porque nós temos alguns símbolos eh no
cristianismo, como por exemplo, nós
tivemos, né, a o peixe por um tempo era
também um símbolo, a bacia e a toalha eh
também eh poderia ser um bom símbolo do
cristianismo, afinal mostra no lava pés
o Deus que se, né, que se curva para
lavar os nossos pés. a gente poderia ter
inclusive a pedra da ressurreição, quem
sabe, né, um túmulo vazio como símbolo
do cristianismo, mas se popularizou a
cruz como símbolo do cristianismo.
Inclusive, aí eu cito Paulo eh na sua
primeira carta aos Coríntios, no
capítulo 1, versículo 23, se não me
falha a memória. E ele prega Cristo e
este crucificado.
Por que a cruz se tornou o símbolo do
cristianismo? E por que Paulo faz
questão de falar tanto da cruz, ainda
que ele vá falar da ressurreição, né, no
capítulo 15 da sua carta aos Coríntios,
mas ele começa a carta falando: "Olha,
eu prego a Cristo e esse crucificado". E
outra, a cruz é uma loucura, né? A cruz
é uma loucura, né? Para judeus, para os
gentius. Queria entender um pouquinho,
né? essa ideia de Paulo, porque a cruz,
o que que é essa loucura da cruz e por
que ela era a pregação de Paulo?
>> Olha,
a como isso virou símbolo do
cristianismo, eu acho que o Alex é muito
mais qualificado que eu para dar uma
perspectiva da história do cristianismo
ou das origens do cristianismo para
chegar nesse ponto em Paulo. Tem muito a
ver com a minha palestra de hoje à noite
do Jesus apocalíptico, tá? O que que
acontece?
A expectativa que existia a respeito do
Messias era uma expectativa de
restauração cósmica, mas que passava por
uma vitória militar sobre o poder
vigente, sobre o império que estivesse
governando. Então a expectativa é que o
verdadeiro Davi ou o verdadeiro
Zorobabel, o grande líder que remetesse
a uma nova vitória como aquela que nós
tivemos contra os celucidas durante a
revolução.
>> Isso, só para ambientar esse lance, né?
O povo eh foi cativo da volta do
cativeiro, se tem aquele período ali de
400 anos antes do Novo Testamento. E
nesse período o povo cria muitas, tem um
reverdecimento aí da expectativa
messiânica, ou seja, precisamos de um
novo Davi, de um novo Salvador. É esse
período ali, né, entre
>> é esse período e tal. É,
>> é eh eu diria que começa antes, eh, no
pré-esílico existe uma frustração
judaíta
com os reis de Judá.
Se os reis de Judá, que supostamente são
os bons em comparação com Israel, são
essa coisinha aí,
>> ah, você tem alguns reis bons, como
Josias, como Ezequias, tal, mas são
insuficientes. Quando que vai vir um
Davi suficiente? alguém que substitua
Davi, ou seja, o verdadeiro Davi, ou que
mais que isso, que substitua aquilo que
Salomão não foi, saudades daquilo que a
gente não viveu, já diria o poeta, né?
Então, vai se criando uma grande
expectativa
já no pré-esílico,
já numa ansiedade judaíta. Eu e
Miqueias, eu acho que eu tava comentando
com o Alex nos bastidores agora a pouco,
acho que Miqueias é a melhor expressão
disso, que ele tá olhando pra reforma em
Jerusalém
e ele tá dizendo muito legal que vocês
estão fazendo uma reforma espiritual aí
e abandonando a idolatria aí na capital.
Mas e o resto? Porque eu olho aqui pro
interior e tudo que eu vejo é injustiça.
Quer saber de onde vai sair o rei
verdadeiro? Não é aí da corte, não é
Belém Efrata. Aí você entra em Miqueia
5, né?
Então, eh,
no pré-esílico você já tem essa
ansiedade por um rei.
>> O Antigo Testamento termina com esse
gosto amargo, né?
>> Isso aí a gente vai pro exílico. Essa
ansiedade, esse anseio por um rei
representativo se torna até um sonho,
né? Quando Deus restaurou a sorte de
Sião, ficamos como quem sonha, né? Então
ela vira até um sonho, uma coisa assim
quase
sem condição de pegar.
Volta do exílio sob domínio persa.
E nessa volta do exílio sob domínio
persa, existe um restabelecimento.
Reconstrói o templo, reconstrói o muro,
Esdras e Neemias. Vocês conhecem a
história, mas principalmente a figura
menos dita, porque não tem livro com o
nome do cara, né? A figura de Zorobabel.
Zacarias vai olhar ali para Zorobabel e
vai dizer: "Vocês estavam esperando por
um novo Davi? Zorobabel é esse cara". Só
que você olha pra história de Zorobabel,
ele faz um monte de besteira, faz coisa
certas. é um personagem ambiguo, faz
coisas certas, mas faz também alguma
comete injustiças. Você fala assim: "Pô,
é Zorobabel, não faz sentido".
E mais que isso, Zorobabel nem rei não
é, é governador.
Josué ou Jesua que tá do lado do
Zorobabel até é sumo sacerdote ofords,
mas assim não tem entrada do Espírito no
Santo dos Santos.
O rei é só governador
e os persas têm o verdadeiro rei
até os persas serem depostos pelos
macedônios. Alexandre Grande,
quem sucede Alexandre na região do
Levante é Celeuco. E os Celêucidas
passam a governar aquele pedaço.
E contra o Celêucidas tem uma revolta
militar. Tô fazendo história longa,
curta, mas já tá bem longo.
>> Tem episódios sobre os Macabeus. Tá
muito bom esse episódio do Betqué sobre
os Macabeus.
>> Essa revolta militar judaica contra o
Celeucidas estabelece uma nova dinastia,
que é a dinastia Rasmoneia,
tá?
E dentro desse contexto de uma dinastia
rasmoneia, existe a esperança
de um novo Davi. Esse novo Davi seria o
cara que repetiria contra Roma a vitória
que os judeus conquistaram
em Macabeus contra os celúdas. Então,
existe uma expectativa
de um Messias militarizado que
venceria Roma,
>> que chutaria bundas romanas.
>> Que chutaria a bunda dos romanos. Tal
qual Asterix e Obelix,
sem poção mágica.
>> Aí, ó. Tá vendo? Sempre tem um próximo
livro para você botar alguma coisa. E aí
o que acontece?
Quando Jesus vem, o que Paulo,
respondendo a sua pergunta sobre Paulo,
né? O que Paulo vai enxergar é Jesus
derrotando o império romano
quando ele vence o símbolo de opressão
romano maior
que é a cruz, que não é necessariamente
o a pena de morte mais sofrida, mas ela
é a simbolicamente mais dura. é aquela
que acontece às vistas de todo o povo.
Quem inventou a crucificação até onde a
gente sabe, até onde a gente tem
documento, foram os persas. Mas os
romanos, eles pegam a cruz, não só os
romanos, mas vou ficar só com eles
agora. Os romanos pegam a cruz como um
belíssimo instrumento de execução
pública para fazer aquilo que o Alex nos
disse na palestra dele. Como que a gente
mostra para todo mundo que a gente não
permite perturbadores da paz e da
tranquilidade?
Crucifica essas pessoas. Então, o que se
vê é um
possível Messias
que lideraria uma revolta, uma revolução
contra Roma. E aqueles que estão
assistindo a crucificação dizem:
"Acabou, Deus destruiu meus sonhos".
Deus disse,
>> mas vem o plote agora, vem o plote.
>> E aí Paulo chega e fala o seguinte:
"Não, gente, vocês entenderam o ponto? A
cruz é um grande espetáculo. E você tava
pensando que a cruz ser um espetáculo
sobre principados e potestades era uma
base para você declarar sua autoridade
sobre os demônios regionais que a Rebeca
Brown te ensinou.
Se você não entendeu a referência,
agradeça a Deus pela comunidade saudável
que você cresceu. E embora a cruz seja a
autoridade para que você expulse
demônios de fato, e a autoridade para
que você vença a batalha espiritual, ela
não é sua, ela vem da cruz. Embora isso
seja verdade, o que Paulo tá querendo
dizer ali é que a cruz é, na verdade,
não o símbolo de derrota do Messias
frente à disputa dele com o imperador,
mas é o símbolo de vitória desse
Messias. Porque a cruz, que é o símbolo
maior de interrupção de uma revolução,
não impediu que a revolução continuasse.
Então
Paulo vai dizer o seguinte: "O Cristo
crucificado
é o símbolo maior de que todo o poder do
império é insignificante diante do poder
de Deus". Paulo remete a ideia lucana
do caminho de Emaús.
Por que que vocês estão assim tão
tristes? Ah, vai dizer que você é o
único que não sabe o que aconteceu. Nós
preparamos antes. [risadas]
Sabe Jesus de Nazaré, aqueles que uns
diziam que era o Messias, e foi
crucificado, foi morto. Ele perdeu.
Ele perdeu.
Aí Jesus, ah, é, ele perdeu. Deixa eu
contar uma história para vocês. E aí
Jesus faz a sua maior pregação
expositiva em todos os que a gente vê
nos evangelhos, mas é uma pregação
expositiva cujo conteúdo a gente
desconhece. Tudo que Lucas nos conta,
>> sabia que eu tenho tu falou, eu lembrei
agora de um e que eu lembrei que eu
queria fazer um episódio a gente
especulando qual foi essa pregação de
Jesus. Eu acho que teria sido uma
pregação parecida com a de Pedro em Atos
2, mas o que que Jesus pregou para essa
galera? Eu queria especular sobre isso
assim, só pensando, né?
>> Não, e é uma
>> é uma pregação legal. Exercício
interessante, vamos fazer um dia um
podcast. Tudo que Lucas nos conta é que
ele foi contando aqueles discípulos
tudo que o Antigo Testamento dizia a
respeito dele próprio. E esses
discípulos então o convidam para uma
refeição.
E depois dessa refeição tem um desejo de
fica um pouco mais, que é um desejo de
ficar um pouco mais que
ressoa o desejo de fica um pouco mais do
pai da concubina que pede pro levita
ficar um pouco mais, mas isso é cena
pros próximos capítulos. Ouça a pregação
da Helena Raquel, depois eu conto a
minha parte.
>> Meu Deus, é muita informação. Calma,
vai. Aí nós preparamos.
>> Ah, mas nesse eco que eles falam para
Jesus, fica um pouco mais. Jesus, tal
qual o levita, ele vai embora. Mas no
lugar de amaldiçoar todas as tribos e
fazer um sangue contaminado, contaminar
toda a terra de todas as tribos, ele faz
o verdadeiro papel de levita e purifica
Israel. Essa é a grande questão ali do
que Jesus tá fazendo, né?
E depois que ele vai embora, em vez de
colocar no coração dos discípulos um
desejo de revanche que vai provocar uma
guerra civil, que é o que acontece no
final de juízes depois que o levita
amaldiçoa todas as tribos, o ardor no
coração dos discípulos é um pouco
diferente. Não é um desejo militarizado,
mas é porventura não ardiam os nossos
corações quando ele nos expõe as
escrituras?
Então, o que que acontece? A exposição
das Escrituras e a continuidade da
mensagem do Cristo
mostram que um símbolo maior de
autoridade do Império Romano não foi
capaz de determo.
A revolução já tinha começado. E é por
isso que eu estou de acordo nesse ponto
específico com o Tom Wright. Eu acredito
que a cruz é o símbolo do cristianismo
para Paulo, porque a cruz representa
para nós o dia em que a revolução
começou.
Muito bom. Alex, quer falar alguma coisa
sobre isso ou quer explicar quem morre
na cruz? Deus, o homem? Como é que é?
Deus morreu na cruz. Como é que a gente
entende? Que é meio complicado isso, né?
Tipo, Deus morreu na cruz, mas Deus pode
morrer
e aí se morre é Deus. A gente precisa
primeiro que eh olhar de um ponto de
vista dogmático quem é Jesus Cristo, tá?
Para pra gente poder fazer essa
afirmação, Deus morre na cruz, a gente
precisa responder a pergunta: Quem é
Jesus Cristo de um ponto de vista
dogmático? Por que eu tô falando
dogmático? Porque aqui a gente precisa
pensar que é a a pergunta só surge
porque alguém está dizendo: "Não, o cara
que morreu na cruz foi só um ser humano,
foi um o
Jesus não é Deus. Então ele pode morrer
na cruz." É
>> ou Deus saiu fora antes, né? Tipo,
chegou o martelo ali, meu Gibson
levantou, Deus, né?
>> Mas aí aí a questão é quem é Jesus? o
Jesus que morreu na cruz. Então,
teríamos a opção que o o Islã adota,
que não foi Jesus, que foi um outro cara
que foi pregado lá, que parecia Jesus,
tá? Eh, teríamos a opção docética,
>> o qual é o o Brian, né? Ou como é que é
o do do pessoal do daquele humor lá
inglês? Esqueci o Monte Python,
>> a vida de Brian do Monte Python.
>> Ex.
Aí nós teremos a opção docética.
Eh, Jesus é Deus, mas em aparência
humana. Então, ele é um fantasminha.
Então, chega lá na cruz,
>> é um holograma,
>> é um não tem morte porque Deus não pode
morrer. Então, aquá foi um algum tipo de
encenação,
né? Então não tem morte de verdade.
Eh, aí teríamos as opções. Ele é menor,
ele é ele tem em si algo de divino, tipo
adoceanismo,
tá? Que é adotado como filho de Deus,
adotado por Deus,
>> foi dinamizado por Deus, mas super homem
assim. Ex. Aí chega ali na no batismo,
ele é adotado, passa a ser
tomado por Deus no batismo. Quando chega
na cruz, Deus diz: "Valeu, fiz minha
parte.
>> Foi bom usar o seu corpo, agora tô
saindo fora.
>> Agora morre aí pelo que você fez aí, que
eu que a gente se se a gente se vê do
outro lado,
>> né? Eh,
>> eu lavo as minhas mãos." Não, esse foi
outro.
>> É outro.
Então, essas são as opções do mercado
teológico dessa época, que
as escolas de Antioquia e Alexandria
estão debatendo, tá? Então, o que que
são essas duas escolas? A escola
Antioquena de Interpretação é uma escola
que vem de um pano de fundo hebraico,
eh, de um pano de fundo que valoriza a
humanidade de Jesus. Pessoal, quando ele
fala escola antioquena e alexandrina, a
gente tá falando ali dos primeiros, né?
Isso. Então assim, século ali 200, 300
depois de Cristo, né? Ou seja, tinha
pensa, lembra que o Víor falou?
Contingência teológica, maneiras de
pensar diferente. Então tinha uma galera
que era mais voltada pros hebreus, aí
judaic,
>> os antioquenos e os alexandrinos
>> mais voltados à visão
médio e depois neoplatônica. É, então
são essas escolas que pensavam a fé no
início do cristianismo.
>> Exatamente. Então, os antioquenos
focados no ser humano, os alexandrinos
por causa da do logos eh de origens, eh
um a cristologia do logos de origens,
enfim. Daí, eu vou demorar muito tempo
para explicar is é isso aí. É uma coisa
mais etérea, né? Uma galera foca mais na
carne, a outra galera mais no espírito,
por exemplo,
>> mais um espírito, etc. E isso,
explicações são mais platônicas, tá?
Isso.
>> E aí cada um dessas cada uma dessas
escolas tem seus momentos de verdade.
Não é assim que ah, então é qual é a
herética e qual é a certa? Não, pera.
Cada uma delas tem o seu momento de
verdade. Veja bem, um origens é um
exegeta fora de série. Nos legou
instrumentos para a história da
interpretação bíblica sensacionais.
Várias coisas que nós adotamos como
dogma vem de origens. Hum. Mas origens
não é pai da igreja.
Oigens
>> não da ocidental.
>> Não do ocidental, pelo menos. Eh,
origens escorregou em um monte de coisa,
tá? Eh,
eu ia fazer uma piada, mas não ia fazer
uma piada dois desde que é isso. Exato.
Exato. Deixa ele, deixa ele. Eh,
na escola antioquena acontece a mesma
coisa. Doutrina das duas naturezas nasce
de dentro da escola antioquena. Mas o
que que eles fazem? Misturam a natureza
humana e a natureza divina. produzem um
espécie de eh de um de um Jesus Cristo,
onde você não consegue mais distinguir
nele o que é humano, o que é divino.
>> Daí que surgiu união hipostática.
Exatamente. Então, nesse debate entre
essas escolas surge a eh primeiro, em
resposta ário, que Jesus Cristo é da
mesma essência de do pai. Então, ele é
romouzios com o pai, da mesma essência
com o pai e da mesma essência
nossa por causa de Maria.
Então ele é tanto plenamente humano,
homous
eh, topatri e homozius
eh acho que é tu ou toma, se eu não me
engano, eh meu grego não é tão tão bom
como deles,
>> sabe? Sabe esse lance que a gente fala
assim, não, Jesus é 100% homem, 100%
Deus, a gente fala isso direto para
chegar nessa conclusão, olha, foi a
galera suou, tá?
muito. Eh, eh, e, e é um pouquinho mais
quando a gente fala de união
hipostática, ele é 100% homem, ele é
100% Deus, ao mesmo tempo a partir da
encarnação eternamente.
>> Isso dali pra frente não muda mais.
Então, ele continua sendo 100% homem lá
no céu também, né?
>> Por isso eu falei do antigo testamento,
ainda não tinha Jesus,
>> porque não tinha encarnação,
>> mas a partir da encarnação e dali paraa
frente até a eternidade é Deus. Esse ser
humano, ponto final. Isso aí. Por isso
que quando ele tá com os discípulos em
Emaús, já ressurreto, ele come peixe.
Isso é
>> aí a pergunta. Ah, ok. Então, como é que
funciona isso? Algumas coisas nós
podemos perceber. Por exemplo, Jesus
ressurr peixe. O
>> atravessa a parede.
>> At. Calma.
>> Nós não sabemos, né? Mas eu gosto de
pensar na
>> Ele tem
>> acho legal, mano.
>> Ele tem necessidades humanas.
Ele tem necessidades humanas, mas ele
pode atravessar a parede. Ele faz
milagres, ele foi ressuscitado, ele
ascendeu aos céus, ele concede dons. Ou
seja, coisas que são próprias da
natureza humana estão presentes e coisas
que são próprias da natureza divina
estão presentes em um único Cristo. O
mesmo o mesmo Jesus que atravessa a
parede tem as feridas que Tomé toca.
Exato.
>> Isso.
>> Então é um único Cristo, o Cristo
completo, que inclusive é o tema da
conferência, o Cristo complet desconto
na IBT, tema da conferência.
>> E aí, ou seja, tudo aquilo que pode
acontecer a natureza humana pode ser
transferido para a natureza divina. Ih,
exato. Por quê? Porque é a união
hipostática. É um Cristo. Porque daí
eles vão dizer assim: "Ah, mas são dois
Cristos dentro de uma única pessoa. São
duas pessoas fundidas.
E aí duas pessoas fundidas quer dizer,
então só a parte humana morre e a divina
não morre. Ih,
não é um Cristo. Portanto, esse um
Cristo morreu. Logo, o que vale para
humana vale para a divina. O que vale
para a divina vale para a humana. Ele
morre de verdade e é ressuscitado de
verdade.
>> Então Deus morreu.
>> Então Deus,
>> a segunda pessoa da trindade morreu.
>> O pai não morreu, o espírito não morreu,
mas o filho morreu.
>> Pois é.
>> É, o povo ficou quieto agora.
>> É que isso é o Guilherme Nunes tá lá até
até o Guilherme Nunes tá lá até começou
a tremer já. [risadas] Guilherme, você
quer vir aqui defender o outro lado? Não
>> é? Você [risadas]
quiser vir aqui que você pode você tá
medicado ou não?
>> Não,
>> não suficiente. Ok. À noite você, você
Mas é é que isso aí é quem que é é o MMA
que vai um pouco nessa pegada também,
né?
>> Vai ser o dogma calcedoniano, na
verdade.
>> Ó, ó. E aí, ó, jogou calcedone na mesa.
>> É 451.
>> Mais ou menos. Mais ou menos. Enfim,
Víor, você quer, você tem, você concorda
com o Alex? Deus morreu sem, ou seja,
Deus morreu na cruz,
>> a segunda pessoa da trindade, no caso.
Mas como é que fica aí a
comunicabilidade com a outras pessoas da
trindade? Se o pai e o filho são um, o
espírito aí é uma rompimento da
trindade. Um abraço pro não, o tá sendo
homenajado. Exatamente.
>> E aí a gente tem que saber que toda
articulação teológica é linguisticamente
contingente.
>> Isso. Ex. Tudo isso, tudo isso que a
gente tá conversando,
a gente tá tentando colocar dentro de
linguagem, dentro de semântica, eh,
categorias que são pertencentes à
transcendência, à eternidade,
a crise. E não existe teologia sem
crise, pelo menos não, pessoal,
>> pelo menos eh, pelo menos não depois de
1914,
assim, eh, o que que eu tô querendo
dizer?
>> Como é que é? Eu fiz uma
alusão à neoortodoxia.
>> Ah, ok. Um abraço pro B.
>> Tá. Mas assim, ó, eh, só para eu colocar
o que eu tô querendo dizer, todas essas
formulações, tanto as alexandrinas
quanto as antioquenas,
elas são profundamente
dependentes de categorias exógenas ao
texto bíblico. Uhum.
>> Tá? Então, onde esses pais da igreja vão
buscar
jeitos de falar a respeito de Deus para
poder ter essas discussões na filosofia
grega e fundamentalmente vão desenvolver
esses dogmas em grego e latim.
Em outras palavras, se se a gente sabe
entre dois idiomas modernos que quando
você traz uma coisa de um idioma para
outro, você já tem perda de sentido e
significado,
que dirá entre categorias eternas e uma
linguagem vai ter perda. E do hebraico e
do grego
para o latim também haverá perda. E
quando a gente começa a discutir essas
coisas em português, tem mais perda
ainda
>> em emoji. Aí, nossa.
>> Então, [risadas]
então ontem a gente estava conversando
se Jesus podia pecar.
Cara, a palavra, o verbo poder em
português tem um campo semântico
diferente da capabilidade que a gente
encontra no latim. que é onde a maioria
dessas doutrinas foram formuladas.
Então, vou exemplificar para ficar mais
fácil. O Maradona podia ter cheirado
antes da Copa de 94? Não podia, gente,
mas cheirou.
Caiu no antidoping.
É diferente
de eu dizer,
o Schumacher podia ter ficado em casa em
vez de esquiar?
podia, mas não ficou também. Mas são
dois jeitos de usar o verbo poder,
porque um deles é o podia no sentido de
poderia, a gente aventa uma
possibilidade. O outro tem a ver com o
poder da capabilidade
relativa a uma norma. São duas coisas
completamente diferentes. Então, do
jeito que a gente formula a pergunta,
condiciona a resposta. E aí, quando a
gente formula a pergunta de um jeito,
>> só queria saber, [risadas]
>> seja bem-vindo à dogmática. Por isso que
eu sou bíblico. Na área bíblica não tem
esses esses problemas não. A gente vai
discutir como que tava na Septoaginta e
como que tava na na no texto
massorético. É muito mais fácil.
[risadas] Agora, dogmática é isso.
>> Mas quem morreu ali, gente,
>> né?
>> Foi tentado ou não, gente? Só me
responde aí, pelo amor de Deus.
>> Sabe aquele negocinho do carro? Vou me
dar um negocinho para segurar aqui,
gente.
>> Mas assim, ó, o que o Fontana tá falando
é que
desde a igreja antiga até hoje, nós
temos uma grande dificuldade de lidar
com o finitum capx infinite, que é o eh
o finito é capaz do infinito.
>> O o presta atenção no KX que ele falou
que é o importante.
>> Aliás, eu adoro esse filme com Kevin
Space, Kpex, adoro. Maravilhoso,
>> filmaço. E aí, eh, essa grande
dificuldade
se liga com a ideia aqui da comunicação
idiomática entre as duas naturezas. é
como se relacionam a natureza humana e
divina em um único Cristo completo.
Aí, se você considera que há essa
possibilidade
de o que é terreno mortal,
finito, conter aquilo que é infinito,
então Cristo
Deus pode morrer.
>> Queenos.
Agora, se você diz: "Não, o finito não é
capaz do infinito, então a consequência
lógica é:
o Cristo Deus não pode morrer, então não
pode haver cisão na trindade.
Só que são duas categorias filosóficas
insolúveis e as nossas tradições se
sindem aqui e cada uma vai tentar
responder de uma maneira. Então a
>> agora entendi, vocês entenderam? Ficou
claro agora para mim que
>> é agora o seguinte, por isso que eu digo
assim, ó, eu sou luterano, eu posso
dizer isso tranquilamente, porque eu
considero que o finito é capaz do
infinito. Aos meus irmãos reformados que
dizem o contrário, vão chegar na
conclusão contrária.
>> Exato.
>> E a gente vai ter que lidar com a
tensão, que é uma tensão de 15 anos na
dogmática,
>> que não resolveu esse problema. É, e a
teologia bíblica vai oferecer uma versão
alternativa, mas não discordante. Isso é
uma coisa interessante.
>> E qual que é a versão bíblica? A gente
quer
>> teologia bíblica. Assim, você quando
você e eh veja só, a teologia bíblica,
que também é uma articulação, às vezes
ela é pretensamente uma coisa assim, ah,
nós somos a exegés, a gente é a Bíblia
de verdade também temologia,
tem várias coisas. Então o que acontece?
A teologia bíblica, ela vai oferecer
uma, vou vou dizer mais, uma teologia,
>> disse é outra, mano. A gente calma, vai
devagar. A teologia da escritura, a
teologia da escritura vai oferecer uma
resposta alternativa e não discordante
nem do luteranismo, nem nem do eh da
teologia reformada nesse nesse quesito,
que é a seguinte: quando a gente olha
pro relato evangélico, pro relato dos
evangelhos, pro pros sinóticos
essencialmente,
Lucas nos oferece uma informação muito
interessante.
de que Jesus foi adquirindo sabedoria.
Isso tem muito a ver com
comunicabilidade, se você quiser usar
esse tipo de termo. Então, Jesus,
ser humano, que é Deus,
num paradoxo
foi adquirindo sabedoria. Como num
paradoxo, eh, teve que aprender a mamar.
Eh, mães e pais de bebês, vocês sabem o
que que é o drama da amamentação no
comecinho? que a criança tá aprendendo a
pegar bico. Imagina o próprio Deus
como humano. Cadê a comunicabilidade aí
da onisciência para algo tão trivial
quanto se alimentar?
Mas a gente pode ser mais escatológico,
não sentido da teologia.
Ele teve que desfraudar a gente.
Chata essa fase, hein? Nossa,
ele teve que desfraudar,
sabe?
Então, quando a gente vai paraa teologia
bíblica, a gente chega em alguns pontos
em que a gente precisa reconhecer
cara ou quando a gente vai pra teologia
da escritura, principalmente, a gente
tem que reconhecer, cara, chegamos num
paradoxo aqui.
Chegamos num paradoxo que aponta pra
gente pra transcendência da mensagem,
não apenas de Deus.
A mensagem é transcendente. Então, às
vezes, essas discussões
que são importantes conciliares, elas
são muito imanentistas.
Elas depositam na capacidade do
intérprete a possibilidade
de resolver problemas de Deus.
>> Ou seja, imanentista é coisa da terra,
da imanência que resolver coisa da
transcendência.
Exatamente.
>> Mas não tô entendendo onde é que tá o
negócio da cruz da Bíblia e quem morreu.
Eu não tô conseguindo chegar.
>> O ponto é o seguinte, meu amigo. O texto
bíblico afirma que Jesus é Deus. Afirma.
O texto bíblico afirma que ele sofreu
como ser humano? Afirma também. Como que
resolve isso? A teologia da escritura
vai falar:
>> "Não resolve,
>> puxa o freio de mão.
>> Precisa resolver?
>> Não precisa,
>> né? Eh, eh, quando eu tô falando de
teologia da escritura, gente, eu tô
falando de puxar um freio de mão para
toda a atividade dogmática do Ocidente.
Quando a gente chega no século XX, esse
negócio da atividade dogmática do
Ocidente, de uma confiança excessiva no
intérprete, deu muito ruim, deu na
Primeira Guerra Mundial,
assim, [risadas] foi onde a coisa foi
parar, tá? Essa essa aposta de que o ser
humano consegue articular verbalmente
tudo que a gente precisa dizer em cada
detalhe a respeito da natureza de Deus.
Ela é uma proposta meio arrogantezinha.
>> É o polo ontológico do ser que o Bon
Refa critica.
>> Isso. Então, então quem vai resolver
isso pra gente é o Ben Hurfan, é o Emil
Bruner e é o o Carl Bart que eles vão
dizer: "Gente, pisa
>> não resolveu para vocês não continuem".
Não, mas assim, a resposta, a resposta
deles é simples no fundo. A resposta
simples deles é simples no fundo. Vamos
ficar só com até onde a Bíblia foi.
>> Boa. Isso aí.
>> Vamos ficar só até onde a Bíblia foi.
Vamos manter o teólogo como guardião do
mistério enquanto mistério. Vou ficar
com a música Nasceu.
>> Ah, não, não, não. Ótimo, ótimo. Porque
essa, essa música ela representa
em grande medida o que a gente precisa
fazer. Cara, você foi muito bem. Sabe
por quê? Porque é o seguinte,
quando você canta os homens e seus
espelhos mágicos, por mais que o autor
do Oficina G3 não tivesse a discussão da
neoortodoxia com a teologia liberal em
mente, por mais que ele não tivesse
[roncando] essa discussão em mente, ele
tá dizendo exatamente o seguinte: "Os
homens e os seus espelhos mágicos, eles
têm no espelho uma arrogância de achar
que eles vão resolver intelectualmente
todos os mistérios da face da Terra,
quando na verdade O verdadeiro mistério,
a verdadeira crise. Por isso, a teologia
da escritura é também chamada teologia
da crise. Essa crise no meio da qual a
gente tá, ela é essencialmente a crise
do Emil Bruna. Eh,
>> o caprichou não, porque tá entre os
alemães aqui. Tá boa a pronúncia.
>> Tá boa, né? Eu sei. Ele faz por tua por
tua causa ele faz.
É, eu assisti um vídeo em que alguém
ensina como fala, mas [risadas]
a crise que esses caras todos estão
falando é essa do da música da Oficina
G3. Se você tá tentando
colocar Deus no microscópio,
só o que você vai enxergar um espelho
mágico dizendo que você é mais bonito. É
a conclusão do Albert Schweitzer. na
prática,
na busca do Jesus histórico, né, no no
livro, né, A busca do Jesus histórico,
do do Schweizer, que ele vai dizer, tá
todo mundo procurando Jesus histórico,
no fundo, eles estão encontrando eles
mesmos, estão projetando em Jesus as
suas próprias ansiedades e percepções.
Então, eh, talvez não deliberadamente,
essa canção da Oficina G3 é uma das
canções mais profundas teologicamente
que a gente produziu em língua
portuguesa. E o fato E o fato deles
concluírem, dizendo: "Não conhecem a
cruz vazia, pois ressuscitou".
É essencialmente a resposta que a gente
tá buscando nesse anseio de, cara, como
que a gente resgata a ressurreição para
esse debate? Vamos combinar que a fé
cristã tá fundamentada em cima de algo
que transcende a lógica humana, que é
aquilo que está biologicamente inerte e
volta a ter biologia.
Não é só um coração que voltou a bater,
eram células que estavam disfuncionais e
que voltaram a
a a pegar glicose e transformar em
energia. É mitocôndria que passou a
funcionar de novo e tava parada.
Eh, eh eu não sei se os teólogos vão
nesse nível de discutir as organelas,
mas eh eh eh mas é isso que aconteceu.
Então, vamos combinar que o começo dessa
conversa já é uma conversa que nos diz
que não apenas Deus é transcendente, mas
a própria mensagem o é. E há elementos
dessa mensagem para que se comprovem
transcendentais, precisam ser
paradoxais. caso não fossem,
poderiam ser comprimidas dentro do
intelecto humano e, portanto, seriam
limitadas. E então a gente não tá mais
falando de um Deus que é eterno,
infinito, etc. Mas um Deus que cabe
dentro da nossa cabeça inteiramente.
>> Mas e quem morreu daí?
>> Ninguém explica Deus.
>> Ninguém explica Deus. Deus é no fundo é
essa a conclusão mesmo, gente. Ó, foi só
duas perguntas e foi o podcast inteiro,
né? Eu queria uma palavra pastoral agora
pra gente que pro pessoal assim, meu
Deus, teologia realmente não. Eu vou eh
ler, eu vou pegar um devocional com café
que é muito melhor, né? Eu acho que eu
vou ficar mesmo, porque olha eu ouvindo
vocês aí, eu acho que eu vou ficar só no
devocionalzinho com café mesmo, porque
tá um pouco complicado, mas vamos lá.
Preciso de uma palavra pastoral agora
contigo, Alex. Primeiro vai, tu
consegue. Vamos, vem comigo. Me ajuda.
>> Mentira, o Víor pode ser primeiro se
quiser.
>> É. Eh, uma palavra pastoral para vocêudo
que a gente conversou agora e tal. Isso
pra gente sair pro almoço agora assim,
tipo, não, mano, vai valer a pena.
Já pensou
se as nossas discussões dogmáticas
estivessem mais concentradas em discutir
como Deus revela a sua missão e como a
gente participa disso do que discutir as
filigranas da natureza do próprio Deus.
>> Nossa. Nossa. Muito bom. Não sei o que é
filigranas, mas pareceu assim,
>> caramba, tipo, me dá a ideia de minúcia,
de é isso aí, né? Sensal.
>> Então o no fundo o que a gente tá
buscando é uma teologia, uma dogmática,
uma teologia sistemática que em primeiro
lugar se coloque de joelhos diante do
maravilhamento que é um Deus que escolhe
entrar na história e que escolhe ser
assassinado.
Quando a gente faz isso, a gente se
coloca de joelhos e a gente passa a
dizer: "Beleza,
Deus, o que que você tava querendo com
isso? Como a gente faz parte desse
negócio?" E aí a teologia ganha vida. Aí
é pastoral, aí a gente fica na vida
prática. E aí não é vida prática, no
fundo, é simplesmente o desenvolvimento
das implicações necessárias de acreditar
em alguma coisa. Pô, eu acredito que
Jesus ressuscitou. Eu acredito que Deus
topou ser assassinado. Que que isso
significa para mim? Sabe o que que isso
significa para mim,
cara?
Isso significa que a dor de uma mulher
violentada Jesus também sentiu
que quando o corpo da concubina do
levita foi despedaçado,
Deus escolheu ter o seu próprio também e
é solidário a ela nessa dor.
E quando Paulo diz, reverberando a
teologia sacerdotal, sede santos como
eu, o Senhor, teu Deus, sou santo. Se
você quer uma comunicabilidade dos
atributos de Deus para qualquer tipo de
humanidade,
que essa seja a comunicabilidade, ele é
santo, que a gente seja também. Paulo
traz isso pro Novo Testamento e diz:
"Sede meus imitadores, assim como eu sou
de Cristo. E se Cristo se permitiu ser
despedaçado? Assim como foi despedaçada
a concubína do levita, como eu sou o
imitador desse Cristo, faz parte da
minha missão me posicionar em
solidariedade a todo aquele que é
despedaçado.
Então, essa é uma palavra pastoral de
reposicionamento da atividade teológica.
O reposicionamento da atividade
teológica faz o seguinte, beleza?
Onde a teologia começa? na doxologia é
de joelhos adorando um senhor
maravilhoso que fez um negócio
impensável. O absurdo que o Alex nos
expôs hoje de manhã, onde termina a
teologia? Na doxologia. De joelhos de
novo. De joelhos de novo. Porque vamos
ser honesto, eu não consigo
me colocar à disposição do sacrifício
como Jesus se colocou. E aí,
e aí eu tô colocando como exemplo
a questão da concubina do levita
simplesmente por ser a questão que está
em voga nas últimas semanas, mas serve
para tudo. Serve para todo aquele que em
algo é despedaçado.
Aquele que foi despedaçado porque creu
na redenção de um casamento e casamento
não foi feito para redimir.
E quando chegou no casamento, o sonho se
desfez.
Ah, mas foi ele que creu errado. Não
interessa. A hora que despedaçou, Deus
conhece a realidade despedaçada.
E eu me coloco junto com aquela pessoa
lá.
Daquele que teve o daquele que teve o
sonho despedaçado
porque estudou, estudou, estudou e não
passou num vestibular. E você diria:
"Cara, isso é tão pequeno perto do
despedaçamento que você acabou de falar
antes." Mas ele tá ali. É a verdade, é a
realidade dele ali naquele momento. Tá
despedaçado. Jesus tá com ele, a gente
tem que estar com ele também.
E a gente se entrega e a gente tenta
entender que pra gente que já passou por
isso, isso é pequeno, para ele ali não
é.
A teologia leva a gente para esse lugar,
de joelho para joelho, porque vamos ser
honesto, a gente não consegue fazer.
E aí, ainda para reverberar a concupida
do levita por uma última vez?
Você só entende o discurso de Paulo
sobre submissão feminina?
Se esse discurso passar pela cruz,
se esse discurso não passar pela cruz,
você não entende.
Por quê?
Porque quando o livro de Efésios fala
pra gente assim:
"Sujeitem-se um uns aos outros em amor".
Hipotaso é o verbo.
Sujeitem-se uns aos outros em amor,
mulheres aos seus maridos.
O verbo tá no versículo anterior.
Mulheres, aos seus maridos,
eu conheço mulheres submissas aos seus
maridos.
Eu nunca conheci nenhum marido que amou
a sua esposa como Cristo amou a igreja.
Nenhum. E essa é a sequência da coisa.
E por que que eu não o conheço?
Porque Jesus
entregou o seu corpo para que fosse
despedaçado,
como foi o da concumbina do levita.
E a gente não tem
no limite
essa disposição. Ainda assim, ele chega
para você e fala:
"Agora foi a tua fé em si mesmo que se
despedaçou?
Não tem problema, eu tô com você. Eu te
perdoo. Vem cá, você é meu filho amado.
Vem cá que a gente vai te trabalhar
junto até você chegar tão perto quanto
for possível. Não julgo tê-lo alcançado,
mas continuo caminhando.
Faz sentido, teologia paulina? A hora
que a gente joga a crucificação
no meio,
a hora que a gente joga a ressurreição
no início,
aí a gente tá falando de submissão
feminina e a gente vai falar também não
há mulher que tenha se entregue ao seu
marido de maneira
como Jesus se entregou pela igreja.
Porque esse mandamento ao marido,
ame a sua esposa como Cristo amou a
igreja,
ele na verdade é um mandamento. Ele é
uma orientação
para mim e pro Alex, pro Bib, pro Bíblia
e pro Alex.
O próprio Jesus diz:
"Amor
maior não há do que entregar a vida
pelos seus amigos".
Quando a gente coloca toda essa
discussão
debaixo de uma conversa sobre como uma
comunidade de amigos se ama tão
profundamente que a gente tá disposto a
colocar o nosso pescoço em risco por
causa do outro, a gente acaba com
qualquer pecha
militante, lacradora,
anticristã, porque você tá falando de
submissão. Eu
tô falando de submissão, gente, porque a
gente tá falando de uma comunidade de
amigos. É outra parada. Aí você pode ir
no Globo News falar,
você pode ir na GNT, no saia justa.
Ah, vai ter resistência? Claro que vai.
É óbvio, é o evangelho,
mas não vão poder te chamar de cruel,
não vão poder te chamar de maligno.
Muito bom.
Encerrão, né?
Tudo bem?
>> Vamos almoçar?
A gente finaliza esse betcash assim,
pianinho. Semana que vem tem mais
episódios.
É isso. Deus abençoe. Amém.
>> [aplausos]

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