Conversas sobre Cristo – BTCast 652
30/06/2026
Conversas sobre Cristo – BTCast 652
Muito bem, muito bem, muito bem! Está começando mais um BTCast! Diretamente da Conferência Escola Bibotalk de Teologia, Rodrigo Bibo recebe Victor Fontana e Alex Stahlhoefer para uma conversa profunda sobre Cristo.
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Vivemos em um tempo em que diferentes grupos tendem a enfatizar apenas alguns aspectos da pessoa e da obra de Jesus. Para uns, Cristo é apenas um mestre de moral; para outros, um revolucionário social; há quem o veja somente como Salvador individual ou apenas como Rei glorioso. Mas será que é possível compreender Jesus de forma fragmentada?
Neste episódio, os convidados mostram como as Escrituras apresentam um Cristo pleno: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador, Senhor, Profeta, Sacerdote e Rei. Ao longo da conversa, eles exploram como reduzir Jesus a apenas uma de suas funções empobrece o evangelho e afeta diretamente a vida da igreja, a missão e o discipulado cristão.
Como a igreja pode recuperar uma visão integral de Cristo? Quais são os perigos de moldarmos Jesus à nossa imagem? E o que significa, na prática, viver à luz daquele que é plenamente suficiente para a salvação e para toda a vida cristã?
Dê o play e contemple conosco a beleza do Cristo completo.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Começa agora o BTC. Teologia é nosso esporte. >> Muito bem, muito bem, muito bem. Começa mais um BTC de número >> 652. >> Eu sou Rodrigo Bibo e devemos pregar a Cristo e este ressurreto, viu? Não que Paulo, eu não quis mudar Paulo, mas eu sou estou ampliando Paulo, atualizando a Bíblia. Mentira. [risadas] Essa parte acho que a gente corta, né, Rafa? Melhor não, né? Mas mentira, eu estou estou brincando com Não, só piora. É isso aí. A gente pega Cristo. Pronto. >> Eu sou o Alex e Deus que não morre não é o Deus cristão. >> Tá muito bom, viu? Que humilhante as minhas entradas. Deus livre. Agora até o cronômetro ficou diferente aqui, meu. Nem sei voltar pro Enfim. Vai, continua, Víor. >> E eu sou o Víor Fontana. Esse é o meu canal. Ele pode ser um pouquinho seu. Desculpa, foi mal. >> Mas você curtia esse >> melhor canal do YouTube. >> Não acho, mas tudo vou ter uns canal legal, mano. >> Tem tem muito canal bom. Paulo Escola do Discípulo, o Dois em Teologia. >> Casé TV. >> Casé TV. [risadas] Ah, é de esporte, né? O que que é o G? Eu vejo da Globo. Eu vejo isso. É a tentativa da Globo de campear o casador. >> Deu certo, porque quando eu vou assistir futebol, tipo, uma vez um ano, é nesse que eu caio aí. Não, G. É. >> É isso aí. É, foi mal. Eu acho o narrador mais legal. >> Jorge Igor. >> Não sei quem é. >> É o narrador mais legal que você acha. >> É. Ah, então viu? É que eu eu gosto do Galvão, né? É terra. >> Mas o Jorge é Mas Jorge Igor é irmão. Ele é irmão. Ele é irmão. Irmão do Galvão. >> Não, irmão nosso. >> Ah, é crente >> em Cristo. Que legal. ressurreto. >> Ah, que bacana. Que legal. Gente, para quem não sabe, o Víor, ele sabe muito de futebol, tá? Ele não é só inteligente na teologia. A gente estava em Londres, desculpa. E ele estava, a gente tinha 40 minutos para chegar até o, a gente tava meio que no mato lá e era 40 minutos para chegar até a cidade e tal. Ele e o Cacau ficavam 40 minutos às vezes conversando. Um dos papos que eu consegui prestar atenção por 5 minutos era os melhores centroavantes do futebol nos últimos, sei lá, 40 anos. Eu nem sei o que é um centroavante, mas eles estavam, passaram 40 minutos falando sobre um monte e era, não era só do Brasil, é do mundo inteiro, centroavante e tal. É um é um nível de de expertise assim que é meio assustador. E depois era sobre música popular brasileira. Mano, eu só conheço o cálice do que nem sei o nome do cantor do É esse aí é >> Milton Nascimento Chico Boarque. Chico Boarque. Eu só conheço esse cara, entendeu? E aí os cara 40 minutos esse car pai >> é que a música da ditadura lá, >> tá? >> Enfim, >> eu sou Víor Fontana e essa é oficialmente a entrada mais longa da história do Betcast. >> Boa, boa, boa. Muito bem, nós estamos aqui ao vivo na primeira conferência teológica EBT. A galera tá curtindo [aplausos] >> e hoje pela manhã nós tivemos palestra novamente do Alexander Star Refa falando sobre o Cristo crucificado e o Víor Fontana falou sobre o Cristo ressurreto. Alex resume e em uma frase a sua pregação que está disponível para os alunos da escola Bibotal de Teologia. >> Deus morreu. >> Tá bom. Resume tu agora, Víor. >> Deus ressuscitou. [risadas] >> Pronto. Sensacional. Muito bom. [aplausos] E nos recados paroquiais dessa semana, segura aí que você já volta para este podcast gravado na conferência Escola Bibotalque de Teologia, aliás, uma baita conferência que vai acontecer todo ano, tá? Tivemos esse ano, foi um sucesso pra glória de Deus. Ano que vem já marca aí na sua agenda. Eh, depois do dia das mães tem conferência da Escola Bibotal de Teologia, tá? A escola Bibotal Teologia vai ter a segunda edição em maio do ano que vem, depois do Dia das Mães. Já pode comprar passagem a Éric, se Deus quiser e se permitir, a gente vai estar aqui, tá bom? Aliás, se você quiser estudar na Escola Bibotal de Teologia, a Turma 07 ainda está de portas abertas, só até o dia 30, tá bom, gente? Para de ficar vendo vídeo solto na internet, ah, eu vejo um vídeo aqui, um tema lá. Não, vem estudar na nossa escola. Por quê? Porque você vai ter várias disciplinas da teologia com professores da turma do Bibotal. E cara, e você vai estudar de forma organizada, sem contar que vai ter um grupo no WhatsApp para você tirar dúvidas. O Luiz, que é o nosso mentor e monitor, tá lá para te atender. Tem aulas ao vivo. Sério, não esquece, aplica o cupom EBT30 no plano anual. Mais instruções estão aqui na descrição deste podcast, tanto no YouTube quanto em bibotal.com. No nosso site, tá? no eh no Spotify dá para clicar talvez nesse primeiro link ali ainda e tal, mas no YouTube você tem a descrição mais completa. Eu te espero na Escola Bibotal de Teologia e eu te espero também saber onde. Atenção você de São Paulo, dia 1eo de agosto vai ter o lançamento do livro Igreja Sob Medida, um livro que eu escrevi com o Luís, nosso monitor da EBT e meu amigo, onde a gente fala sobre o que é uma igreja à medida do evangelho. Será que eu tô na igreja certa? Como saber se a minha igreja é bíblica? Como escolher uma boa igreja? Como construir uma boa igreja? Esse livro fala sobre tudo isso e no dia primeiro de agosto a gente vai ter um lançamento em São Paulo. E eu quero saber se você vai, porque eu preciso comprar os livros para poder vender lá por um preço bem legal na nossa pré no nosso lançamento em São Paulo. Dia 1eiro de agosto vai ter um formulário aqui. Sega de São Paulo e você quer ir no dia 1eo de agosto, é um sábado, sábado à noite às 19 horas, quero saber, preenche o formulário só pra gente ter uma ideia de quantos livros a gente vai comprar nessa nesse lançamento aí no dia 1eo de agosto em São Paulo. Eu espero vocês, de verdade, dia 1eo de agosto em São Paulo, se você puder ir nesse lançamento, vai deixar a gente muito feliz. Vai ser lá na ICC, nossa igreja parceira, onde a gente sempre faz o BTD, no bairro Tucuruvi, se eu não me engano, tá bom? Sábado à noite, a partir das 19 horas, vai ter o lançamento lá, vai ter um um podcast gravado ao vivo ali e depois a gente bate aquela foto, troca aquela ideia, mas eu preciso saber se você vai para poder fazer o pedido dos livros e a gente vai vender com preço bem especial, tá bom? O link, tá, para você preencher o formulário tá aqui também na descrição deste BTC no YouTube e também no nosso site. E também não quer perder nada, gente, do que tá rolando do Bibotalk, quando a gente vai estar na Bienal, se vai ter lançamento em outro lugar, simples, entra no nosso grupo de transmissão do Instagram ou do WhatsApp, entra nos dois e aí a gente sempre tá postando as coisas que estão acontecendo no nosso ministério por lá, tá bom? Deus abençoe vocês, até a próxima, se ele quiser, se permitir, e simbora para esse podcast que tá sensacional. Aliás, as palestras desse podcast, dessa conferência, vão ser disponibilizadas pros alunos da EBT. Então, até dia 30, a nossa porta tá aberta. vem que a gente tá te esperando. >> Mas eu quero começar com uma provocação que o Stot faz, né, na cristologia, que moldou muitas mentes. E o Stó começa com uma provocação, e eu queria eh provocá-los com a mesma provocação dele, porque nós temos alguns símbolos eh no cristianismo, como por exemplo, nós tivemos, né, a o peixe por um tempo era também um símbolo, a bacia e a toalha eh também eh poderia ser um bom símbolo do cristianismo, afinal mostra no lava pés o Deus que se, né, que se curva para lavar os nossos pés. a gente poderia ter inclusive a pedra da ressurreição, quem sabe, né, um túmulo vazio como símbolo do cristianismo, mas se popularizou a cruz como símbolo do cristianismo. Inclusive, aí eu cito Paulo eh na sua primeira carta aos Coríntios, no capítulo 1, versículo 23, se não me falha a memória. E ele prega Cristo e este crucificado. Por que a cruz se tornou o símbolo do cristianismo? E por que Paulo faz questão de falar tanto da cruz, ainda que ele vá falar da ressurreição, né, no capítulo 15 da sua carta aos Coríntios, mas ele começa a carta falando: "Olha, eu prego a Cristo e esse crucificado". E outra, a cruz é uma loucura, né? A cruz é uma loucura, né? Para judeus, para os gentius. Queria entender um pouquinho, né? essa ideia de Paulo, porque a cruz, o que que é essa loucura da cruz e por que ela era a pregação de Paulo? >> Olha, a como isso virou símbolo do cristianismo, eu acho que o Alex é muito mais qualificado que eu para dar uma perspectiva da história do cristianismo ou das origens do cristianismo para chegar nesse ponto em Paulo. Tem muito a ver com a minha palestra de hoje à noite do Jesus apocalíptico, tá? O que que acontece? A expectativa que existia a respeito do Messias era uma expectativa de restauração cósmica, mas que passava por uma vitória militar sobre o poder vigente, sobre o império que estivesse governando. Então a expectativa é que o verdadeiro Davi ou o verdadeiro Zorobabel, o grande líder que remetesse a uma nova vitória como aquela que nós tivemos contra os celucidas durante a revolução. >> Isso, só para ambientar esse lance, né? O povo eh foi cativo da volta do cativeiro, se tem aquele período ali de 400 anos antes do Novo Testamento. E nesse período o povo cria muitas, tem um reverdecimento aí da expectativa messiânica, ou seja, precisamos de um novo Davi, de um novo Salvador. É esse período ali, né, entre >> é esse período e tal. É, >> é eh eu diria que começa antes, eh, no pré-esílico existe uma frustração judaíta com os reis de Judá. Se os reis de Judá, que supostamente são os bons em comparação com Israel, são essa coisinha aí, >> ah, você tem alguns reis bons, como Josias, como Ezequias, tal, mas são insuficientes. Quando que vai vir um Davi suficiente? alguém que substitua Davi, ou seja, o verdadeiro Davi, ou que mais que isso, que substitua aquilo que Salomão não foi, saudades daquilo que a gente não viveu, já diria o poeta, né? Então, vai se criando uma grande expectativa já no pré-esílico, já numa ansiedade judaíta. Eu e Miqueias, eu acho que eu tava comentando com o Alex nos bastidores agora a pouco, acho que Miqueias é a melhor expressão disso, que ele tá olhando pra reforma em Jerusalém e ele tá dizendo muito legal que vocês estão fazendo uma reforma espiritual aí e abandonando a idolatria aí na capital. Mas e o resto? Porque eu olho aqui pro interior e tudo que eu vejo é injustiça. Quer saber de onde vai sair o rei verdadeiro? Não é aí da corte, não é Belém Efrata. Aí você entra em Miqueia 5, né? Então, eh, no pré-esílico você já tem essa ansiedade por um rei. >> O Antigo Testamento termina com esse gosto amargo, né? >> Isso aí a gente vai pro exílico. Essa ansiedade, esse anseio por um rei representativo se torna até um sonho, né? Quando Deus restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha, né? Então ela vira até um sonho, uma coisa assim quase sem condição de pegar. Volta do exílio sob domínio persa. E nessa volta do exílio sob domínio persa, existe um restabelecimento. Reconstrói o templo, reconstrói o muro, Esdras e Neemias. Vocês conhecem a história, mas principalmente a figura menos dita, porque não tem livro com o nome do cara, né? A figura de Zorobabel. Zacarias vai olhar ali para Zorobabel e vai dizer: "Vocês estavam esperando por um novo Davi? Zorobabel é esse cara". Só que você olha pra história de Zorobabel, ele faz um monte de besteira, faz coisa certas. é um personagem ambiguo, faz coisas certas, mas faz também alguma comete injustiças. Você fala assim: "Pô, é Zorobabel, não faz sentido". E mais que isso, Zorobabel nem rei não é, é governador. Josué ou Jesua que tá do lado do Zorobabel até é sumo sacerdote ofords, mas assim não tem entrada do Espírito no Santo dos Santos. O rei é só governador e os persas têm o verdadeiro rei até os persas serem depostos pelos macedônios. Alexandre Grande, quem sucede Alexandre na região do Levante é Celeuco. E os Celêucidas passam a governar aquele pedaço. E contra o Celêucidas tem uma revolta militar. Tô fazendo história longa, curta, mas já tá bem longo. >> Tem episódios sobre os Macabeus. Tá muito bom esse episódio do Betqué sobre os Macabeus. >> Essa revolta militar judaica contra o Celeucidas estabelece uma nova dinastia, que é a dinastia Rasmoneia, tá? E dentro desse contexto de uma dinastia rasmoneia, existe a esperança de um novo Davi. Esse novo Davi seria o cara que repetiria contra Roma a vitória que os judeus conquistaram em Macabeus contra os celúdas. Então, existe uma expectativa de um Messias militarizado que venceria Roma, >> que chutaria bundas romanas. >> Que chutaria a bunda dos romanos. Tal qual Asterix e Obelix, sem poção mágica. >> Aí, ó. Tá vendo? Sempre tem um próximo livro para você botar alguma coisa. E aí o que acontece? Quando Jesus vem, o que Paulo, respondendo a sua pergunta sobre Paulo, né? O que Paulo vai enxergar é Jesus derrotando o império romano quando ele vence o símbolo de opressão romano maior que é a cruz, que não é necessariamente o a pena de morte mais sofrida, mas ela é a simbolicamente mais dura. é aquela que acontece às vistas de todo o povo. Quem inventou a crucificação até onde a gente sabe, até onde a gente tem documento, foram os persas. Mas os romanos, eles pegam a cruz, não só os romanos, mas vou ficar só com eles agora. Os romanos pegam a cruz como um belíssimo instrumento de execução pública para fazer aquilo que o Alex nos disse na palestra dele. Como que a gente mostra para todo mundo que a gente não permite perturbadores da paz e da tranquilidade? Crucifica essas pessoas. Então, o que se vê é um possível Messias que lideraria uma revolta, uma revolução contra Roma. E aqueles que estão assistindo a crucificação dizem: "Acabou, Deus destruiu meus sonhos". Deus disse, >> mas vem o plote agora, vem o plote. >> E aí Paulo chega e fala o seguinte: "Não, gente, vocês entenderam o ponto? A cruz é um grande espetáculo. E você tava pensando que a cruz ser um espetáculo sobre principados e potestades era uma base para você declarar sua autoridade sobre os demônios regionais que a Rebeca Brown te ensinou. Se você não entendeu a referência, agradeça a Deus pela comunidade saudável que você cresceu. E embora a cruz seja a autoridade para que você expulse demônios de fato, e a autoridade para que você vença a batalha espiritual, ela não é sua, ela vem da cruz. Embora isso seja verdade, o que Paulo tá querendo dizer ali é que a cruz é, na verdade, não o símbolo de derrota do Messias frente à disputa dele com o imperador, mas é o símbolo de vitória desse Messias. Porque a cruz, que é o símbolo maior de interrupção de uma revolução, não impediu que a revolução continuasse. Então Paulo vai dizer o seguinte: "O Cristo crucificado é o símbolo maior de que todo o poder do império é insignificante diante do poder de Deus". Paulo remete a ideia lucana do caminho de Emaús. Por que que vocês estão assim tão tristes? Ah, vai dizer que você é o único que não sabe o que aconteceu. Nós preparamos antes. [risadas] Sabe Jesus de Nazaré, aqueles que uns diziam que era o Messias, e foi crucificado, foi morto. Ele perdeu. Ele perdeu. Aí Jesus, ah, é, ele perdeu. Deixa eu contar uma história para vocês. E aí Jesus faz a sua maior pregação expositiva em todos os que a gente vê nos evangelhos, mas é uma pregação expositiva cujo conteúdo a gente desconhece. Tudo que Lucas nos conta, >> sabia que eu tenho tu falou, eu lembrei agora de um e que eu lembrei que eu queria fazer um episódio a gente especulando qual foi essa pregação de Jesus. Eu acho que teria sido uma pregação parecida com a de Pedro em Atos 2, mas o que que Jesus pregou para essa galera? Eu queria especular sobre isso assim, só pensando, né? >> Não, e é uma >> é uma pregação legal. Exercício interessante, vamos fazer um dia um podcast. Tudo que Lucas nos conta é que ele foi contando aqueles discípulos tudo que o Antigo Testamento dizia a respeito dele próprio. E esses discípulos então o convidam para uma refeição. E depois dessa refeição tem um desejo de fica um pouco mais, que é um desejo de ficar um pouco mais que ressoa o desejo de fica um pouco mais do pai da concubina que pede pro levita ficar um pouco mais, mas isso é cena pros próximos capítulos. Ouça a pregação da Helena Raquel, depois eu conto a minha parte. >> Meu Deus, é muita informação. Calma, vai. Aí nós preparamos. >> Ah, mas nesse eco que eles falam para Jesus, fica um pouco mais. Jesus, tal qual o levita, ele vai embora. Mas no lugar de amaldiçoar todas as tribos e fazer um sangue contaminado, contaminar toda a terra de todas as tribos, ele faz o verdadeiro papel de levita e purifica Israel. Essa é a grande questão ali do que Jesus tá fazendo, né? E depois que ele vai embora, em vez de colocar no coração dos discípulos um desejo de revanche que vai provocar uma guerra civil, que é o que acontece no final de juízes depois que o levita amaldiçoa todas as tribos, o ardor no coração dos discípulos é um pouco diferente. Não é um desejo militarizado, mas é porventura não ardiam os nossos corações quando ele nos expõe as escrituras? Então, o que que acontece? A exposição das Escrituras e a continuidade da mensagem do Cristo mostram que um símbolo maior de autoridade do Império Romano não foi capaz de determo. A revolução já tinha começado. E é por isso que eu estou de acordo nesse ponto específico com o Tom Wright. Eu acredito que a cruz é o símbolo do cristianismo para Paulo, porque a cruz representa para nós o dia em que a revolução começou. Muito bom. Alex, quer falar alguma coisa sobre isso ou quer explicar quem morre na cruz? Deus, o homem? Como é que é? Deus morreu na cruz. Como é que a gente entende? Que é meio complicado isso, né? Tipo, Deus morreu na cruz, mas Deus pode morrer e aí se morre é Deus. A gente precisa primeiro que eh olhar de um ponto de vista dogmático quem é Jesus Cristo, tá? Para pra gente poder fazer essa afirmação, Deus morre na cruz, a gente precisa responder a pergunta: Quem é Jesus Cristo de um ponto de vista dogmático? Por que eu tô falando dogmático? Porque aqui a gente precisa pensar que é a a pergunta só surge porque alguém está dizendo: "Não, o cara que morreu na cruz foi só um ser humano, foi um o Jesus não é Deus. Então ele pode morrer na cruz." É >> ou Deus saiu fora antes, né? Tipo, chegou o martelo ali, meu Gibson levantou, Deus, né? >> Mas aí aí a questão é quem é Jesus? o Jesus que morreu na cruz. Então, teríamos a opção que o o Islã adota, que não foi Jesus, que foi um outro cara que foi pregado lá, que parecia Jesus, tá? Eh, teríamos a opção docética, >> o qual é o o Brian, né? Ou como é que é o do do pessoal do daquele humor lá inglês? Esqueci o Monte Python, >> a vida de Brian do Monte Python. >> Ex. Aí nós teremos a opção docética. Eh, Jesus é Deus, mas em aparência humana. Então, ele é um fantasminha. Então, chega lá na cruz, >> é um holograma, >> é um não tem morte porque Deus não pode morrer. Então, aquá foi um algum tipo de encenação, né? Então não tem morte de verdade. Eh, aí teríamos as opções. Ele é menor, ele é ele tem em si algo de divino, tipo adoceanismo, tá? Que é adotado como filho de Deus, adotado por Deus, >> foi dinamizado por Deus, mas super homem assim. Ex. Aí chega ali na no batismo, ele é adotado, passa a ser tomado por Deus no batismo. Quando chega na cruz, Deus diz: "Valeu, fiz minha parte. >> Foi bom usar o seu corpo, agora tô saindo fora. >> Agora morre aí pelo que você fez aí, que eu que a gente se se a gente se vê do outro lado, >> né? Eh, >> eu lavo as minhas mãos." Não, esse foi outro. >> É outro. Então, essas são as opções do mercado teológico dessa época, que as escolas de Antioquia e Alexandria estão debatendo, tá? Então, o que que são essas duas escolas? A escola Antioquena de Interpretação é uma escola que vem de um pano de fundo hebraico, eh, de um pano de fundo que valoriza a humanidade de Jesus. Pessoal, quando ele fala escola antioquena e alexandrina, a gente tá falando ali dos primeiros, né? Isso. Então assim, século ali 200, 300 depois de Cristo, né? Ou seja, tinha pensa, lembra que o Víor falou? Contingência teológica, maneiras de pensar diferente. Então tinha uma galera que era mais voltada pros hebreus, aí judaic, >> os antioquenos e os alexandrinos >> mais voltados à visão médio e depois neoplatônica. É, então são essas escolas que pensavam a fé no início do cristianismo. >> Exatamente. Então, os antioquenos focados no ser humano, os alexandrinos por causa da do logos eh de origens, eh um a cristologia do logos de origens, enfim. Daí, eu vou demorar muito tempo para explicar is é isso aí. É uma coisa mais etérea, né? Uma galera foca mais na carne, a outra galera mais no espírito, por exemplo, >> mais um espírito, etc. E isso, explicações são mais platônicas, tá? Isso. >> E aí cada um dessas cada uma dessas escolas tem seus momentos de verdade. Não é assim que ah, então é qual é a herética e qual é a certa? Não, pera. Cada uma delas tem o seu momento de verdade. Veja bem, um origens é um exegeta fora de série. Nos legou instrumentos para a história da interpretação bíblica sensacionais. Várias coisas que nós adotamos como dogma vem de origens. Hum. Mas origens não é pai da igreja. Oigens >> não da ocidental. >> Não do ocidental, pelo menos. Eh, origens escorregou em um monte de coisa, tá? Eh, eu ia fazer uma piada, mas não ia fazer uma piada dois desde que é isso. Exato. Exato. Deixa ele, deixa ele. Eh, na escola antioquena acontece a mesma coisa. Doutrina das duas naturezas nasce de dentro da escola antioquena. Mas o que que eles fazem? Misturam a natureza humana e a natureza divina. produzem um espécie de eh de um de um Jesus Cristo, onde você não consegue mais distinguir nele o que é humano, o que é divino. >> Daí que surgiu união hipostática. Exatamente. Então, nesse debate entre essas escolas surge a eh primeiro, em resposta ário, que Jesus Cristo é da mesma essência de do pai. Então, ele é romouzios com o pai, da mesma essência com o pai e da mesma essência nossa por causa de Maria. Então ele é tanto plenamente humano, homous eh, topatri e homozius eh acho que é tu ou toma, se eu não me engano, eh meu grego não é tão tão bom como deles, >> sabe? Sabe esse lance que a gente fala assim, não, Jesus é 100% homem, 100% Deus, a gente fala isso direto para chegar nessa conclusão, olha, foi a galera suou, tá? muito. Eh, eh, e, e é um pouquinho mais quando a gente fala de união hipostática, ele é 100% homem, ele é 100% Deus, ao mesmo tempo a partir da encarnação eternamente. >> Isso dali pra frente não muda mais. Então, ele continua sendo 100% homem lá no céu também, né? >> Por isso eu falei do antigo testamento, ainda não tinha Jesus, >> porque não tinha encarnação, >> mas a partir da encarnação e dali paraa frente até a eternidade é Deus. Esse ser humano, ponto final. Isso aí. Por isso que quando ele tá com os discípulos em Emaús, já ressurreto, ele come peixe. Isso é >> aí a pergunta. Ah, ok. Então, como é que funciona isso? Algumas coisas nós podemos perceber. Por exemplo, Jesus ressurr peixe. O >> atravessa a parede. >> At. Calma. >> Nós não sabemos, né? Mas eu gosto de pensar na >> Ele tem >> acho legal, mano. >> Ele tem necessidades humanas. Ele tem necessidades humanas, mas ele pode atravessar a parede. Ele faz milagres, ele foi ressuscitado, ele ascendeu aos céus, ele concede dons. Ou seja, coisas que são próprias da natureza humana estão presentes e coisas que são próprias da natureza divina estão presentes em um único Cristo. O mesmo o mesmo Jesus que atravessa a parede tem as feridas que Tomé toca. Exato. >> Isso. >> Então é um único Cristo, o Cristo completo, que inclusive é o tema da conferência, o Cristo complet desconto na IBT, tema da conferência. >> E aí, ou seja, tudo aquilo que pode acontecer a natureza humana pode ser transferido para a natureza divina. Ih, exato. Por quê? Porque é a união hipostática. É um Cristo. Porque daí eles vão dizer assim: "Ah, mas são dois Cristos dentro de uma única pessoa. São duas pessoas fundidas. E aí duas pessoas fundidas quer dizer, então só a parte humana morre e a divina não morre. Ih, não é um Cristo. Portanto, esse um Cristo morreu. Logo, o que vale para humana vale para a divina. O que vale para a divina vale para a humana. Ele morre de verdade e é ressuscitado de verdade. >> Então Deus morreu. >> Então Deus, >> a segunda pessoa da trindade morreu. >> O pai não morreu, o espírito não morreu, mas o filho morreu. >> Pois é. >> É, o povo ficou quieto agora. >> É que isso é o Guilherme Nunes tá lá até até o Guilherme Nunes tá lá até começou a tremer já. [risadas] Guilherme, você quer vir aqui defender o outro lado? Não >> é? Você [risadas] quiser vir aqui que você pode você tá medicado ou não? >> Não, >> não suficiente. Ok. À noite você, você Mas é é que isso aí é quem que é é o MMA que vai um pouco nessa pegada também, né? >> Vai ser o dogma calcedoniano, na verdade. >> Ó, ó. E aí, ó, jogou calcedone na mesa. >> É 451. >> Mais ou menos. Mais ou menos. Enfim, Víor, você quer, você tem, você concorda com o Alex? Deus morreu sem, ou seja, Deus morreu na cruz, >> a segunda pessoa da trindade, no caso. Mas como é que fica aí a comunicabilidade com a outras pessoas da trindade? Se o pai e o filho são um, o espírito aí é uma rompimento da trindade. Um abraço pro não, o tá sendo homenajado. Exatamente. >> E aí a gente tem que saber que toda articulação teológica é linguisticamente contingente. >> Isso. Ex. Tudo isso, tudo isso que a gente tá conversando, a gente tá tentando colocar dentro de linguagem, dentro de semântica, eh, categorias que são pertencentes à transcendência, à eternidade, a crise. E não existe teologia sem crise, pelo menos não, pessoal, >> pelo menos eh, pelo menos não depois de 1914, assim, eh, o que que eu tô querendo dizer? >> Como é que é? Eu fiz uma alusão à neoortodoxia. >> Ah, ok. Um abraço pro B. >> Tá. Mas assim, ó, eh, só para eu colocar o que eu tô querendo dizer, todas essas formulações, tanto as alexandrinas quanto as antioquenas, elas são profundamente dependentes de categorias exógenas ao texto bíblico. Uhum. >> Tá? Então, onde esses pais da igreja vão buscar jeitos de falar a respeito de Deus para poder ter essas discussões na filosofia grega e fundamentalmente vão desenvolver esses dogmas em grego e latim. Em outras palavras, se se a gente sabe entre dois idiomas modernos que quando você traz uma coisa de um idioma para outro, você já tem perda de sentido e significado, que dirá entre categorias eternas e uma linguagem vai ter perda. E do hebraico e do grego para o latim também haverá perda. E quando a gente começa a discutir essas coisas em português, tem mais perda ainda >> em emoji. Aí, nossa. >> Então, [risadas] então ontem a gente estava conversando se Jesus podia pecar. Cara, a palavra, o verbo poder em português tem um campo semântico diferente da capabilidade que a gente encontra no latim. que é onde a maioria dessas doutrinas foram formuladas. Então, vou exemplificar para ficar mais fácil. O Maradona podia ter cheirado antes da Copa de 94? Não podia, gente, mas cheirou. Caiu no antidoping. É diferente de eu dizer, o Schumacher podia ter ficado em casa em vez de esquiar? podia, mas não ficou também. Mas são dois jeitos de usar o verbo poder, porque um deles é o podia no sentido de poderia, a gente aventa uma possibilidade. O outro tem a ver com o poder da capabilidade relativa a uma norma. São duas coisas completamente diferentes. Então, do jeito que a gente formula a pergunta, condiciona a resposta. E aí, quando a gente formula a pergunta de um jeito, >> só queria saber, [risadas] >> seja bem-vindo à dogmática. Por isso que eu sou bíblico. Na área bíblica não tem esses esses problemas não. A gente vai discutir como que tava na Septoaginta e como que tava na na no texto massorético. É muito mais fácil. [risadas] Agora, dogmática é isso. >> Mas quem morreu ali, gente, >> né? >> Foi tentado ou não, gente? Só me responde aí, pelo amor de Deus. >> Sabe aquele negocinho do carro? Vou me dar um negocinho para segurar aqui, gente. >> Mas assim, ó, o que o Fontana tá falando é que desde a igreja antiga até hoje, nós temos uma grande dificuldade de lidar com o finitum capx infinite, que é o eh o finito é capaz do infinito. >> O o presta atenção no KX que ele falou que é o importante. >> Aliás, eu adoro esse filme com Kevin Space, Kpex, adoro. Maravilhoso, >> filmaço. E aí, eh, essa grande dificuldade se liga com a ideia aqui da comunicação idiomática entre as duas naturezas. é como se relacionam a natureza humana e divina em um único Cristo completo. Aí, se você considera que há essa possibilidade de o que é terreno mortal, finito, conter aquilo que é infinito, então Cristo Deus pode morrer. >> Queenos. Agora, se você diz: "Não, o finito não é capaz do infinito, então a consequência lógica é: o Cristo Deus não pode morrer, então não pode haver cisão na trindade. Só que são duas categorias filosóficas insolúveis e as nossas tradições se sindem aqui e cada uma vai tentar responder de uma maneira. Então a >> agora entendi, vocês entenderam? Ficou claro agora para mim que >> é agora o seguinte, por isso que eu digo assim, ó, eu sou luterano, eu posso dizer isso tranquilamente, porque eu considero que o finito é capaz do infinito. Aos meus irmãos reformados que dizem o contrário, vão chegar na conclusão contrária. >> Exato. >> E a gente vai ter que lidar com a tensão, que é uma tensão de 15 anos na dogmática, >> que não resolveu esse problema. É, e a teologia bíblica vai oferecer uma versão alternativa, mas não discordante. Isso é uma coisa interessante. >> E qual que é a versão bíblica? A gente quer >> teologia bíblica. Assim, você quando você e eh veja só, a teologia bíblica, que também é uma articulação, às vezes ela é pretensamente uma coisa assim, ah, nós somos a exegés, a gente é a Bíblia de verdade também temologia, tem várias coisas. Então o que acontece? A teologia bíblica, ela vai oferecer uma, vou vou dizer mais, uma teologia, >> disse é outra, mano. A gente calma, vai devagar. A teologia da escritura, a teologia da escritura vai oferecer uma resposta alternativa e não discordante nem do luteranismo, nem nem do eh da teologia reformada nesse nesse quesito, que é a seguinte: quando a gente olha pro relato evangélico, pro relato dos evangelhos, pro pros sinóticos essencialmente, Lucas nos oferece uma informação muito interessante. de que Jesus foi adquirindo sabedoria. Isso tem muito a ver com comunicabilidade, se você quiser usar esse tipo de termo. Então, Jesus, ser humano, que é Deus, num paradoxo foi adquirindo sabedoria. Como num paradoxo, eh, teve que aprender a mamar. Eh, mães e pais de bebês, vocês sabem o que que é o drama da amamentação no comecinho? que a criança tá aprendendo a pegar bico. Imagina o próprio Deus como humano. Cadê a comunicabilidade aí da onisciência para algo tão trivial quanto se alimentar? Mas a gente pode ser mais escatológico, não sentido da teologia. Ele teve que desfraudar a gente. Chata essa fase, hein? Nossa, ele teve que desfraudar, sabe? Então, quando a gente vai paraa teologia bíblica, a gente chega em alguns pontos em que a gente precisa reconhecer cara ou quando a gente vai pra teologia da escritura, principalmente, a gente tem que reconhecer, cara, chegamos num paradoxo aqui. Chegamos num paradoxo que aponta pra gente pra transcendência da mensagem, não apenas de Deus. A mensagem é transcendente. Então, às vezes, essas discussões que são importantes conciliares, elas são muito imanentistas. Elas depositam na capacidade do intérprete a possibilidade de resolver problemas de Deus. >> Ou seja, imanentista é coisa da terra, da imanência que resolver coisa da transcendência. Exatamente. >> Mas não tô entendendo onde é que tá o negócio da cruz da Bíblia e quem morreu. Eu não tô conseguindo chegar. >> O ponto é o seguinte, meu amigo. O texto bíblico afirma que Jesus é Deus. Afirma. O texto bíblico afirma que ele sofreu como ser humano? Afirma também. Como que resolve isso? A teologia da escritura vai falar: >> "Não resolve, >> puxa o freio de mão. >> Precisa resolver? >> Não precisa, >> né? Eh, eh, quando eu tô falando de teologia da escritura, gente, eu tô falando de puxar um freio de mão para toda a atividade dogmática do Ocidente. Quando a gente chega no século XX, esse negócio da atividade dogmática do Ocidente, de uma confiança excessiva no intérprete, deu muito ruim, deu na Primeira Guerra Mundial, assim, [risadas] foi onde a coisa foi parar, tá? Essa essa aposta de que o ser humano consegue articular verbalmente tudo que a gente precisa dizer em cada detalhe a respeito da natureza de Deus. Ela é uma proposta meio arrogantezinha. >> É o polo ontológico do ser que o Bon Refa critica. >> Isso. Então, então quem vai resolver isso pra gente é o Ben Hurfan, é o Emil Bruner e é o o Carl Bart que eles vão dizer: "Gente, pisa >> não resolveu para vocês não continuem". Não, mas assim, a resposta, a resposta deles é simples no fundo. A resposta simples deles é simples no fundo. Vamos ficar só com até onde a Bíblia foi. >> Boa. Isso aí. >> Vamos ficar só até onde a Bíblia foi. Vamos manter o teólogo como guardião do mistério enquanto mistério. Vou ficar com a música Nasceu. >> Ah, não, não, não. Ótimo, ótimo. Porque essa, essa música ela representa em grande medida o que a gente precisa fazer. Cara, você foi muito bem. Sabe por quê? Porque é o seguinte, quando você canta os homens e seus espelhos mágicos, por mais que o autor do Oficina G3 não tivesse a discussão da neoortodoxia com a teologia liberal em mente, por mais que ele não tivesse [roncando] essa discussão em mente, ele tá dizendo exatamente o seguinte: "Os homens e os seus espelhos mágicos, eles têm no espelho uma arrogância de achar que eles vão resolver intelectualmente todos os mistérios da face da Terra, quando na verdade O verdadeiro mistério, a verdadeira crise. Por isso, a teologia da escritura é também chamada teologia da crise. Essa crise no meio da qual a gente tá, ela é essencialmente a crise do Emil Bruna. Eh, >> o caprichou não, porque tá entre os alemães aqui. Tá boa a pronúncia. >> Tá boa, né? Eu sei. Ele faz por tua por tua causa ele faz. É, eu assisti um vídeo em que alguém ensina como fala, mas [risadas] a crise que esses caras todos estão falando é essa do da música da Oficina G3. Se você tá tentando colocar Deus no microscópio, só o que você vai enxergar um espelho mágico dizendo que você é mais bonito. É a conclusão do Albert Schweitzer. na prática, na busca do Jesus histórico, né, no no livro, né, A busca do Jesus histórico, do do Schweizer, que ele vai dizer, tá todo mundo procurando Jesus histórico, no fundo, eles estão encontrando eles mesmos, estão projetando em Jesus as suas próprias ansiedades e percepções. Então, eh, talvez não deliberadamente, essa canção da Oficina G3 é uma das canções mais profundas teologicamente que a gente produziu em língua portuguesa. E o fato E o fato deles concluírem, dizendo: "Não conhecem a cruz vazia, pois ressuscitou". É essencialmente a resposta que a gente tá buscando nesse anseio de, cara, como que a gente resgata a ressurreição para esse debate? Vamos combinar que a fé cristã tá fundamentada em cima de algo que transcende a lógica humana, que é aquilo que está biologicamente inerte e volta a ter biologia. Não é só um coração que voltou a bater, eram células que estavam disfuncionais e que voltaram a a a pegar glicose e transformar em energia. É mitocôndria que passou a funcionar de novo e tava parada. Eh, eh eu não sei se os teólogos vão nesse nível de discutir as organelas, mas eh eh eh mas é isso que aconteceu. Então, vamos combinar que o começo dessa conversa já é uma conversa que nos diz que não apenas Deus é transcendente, mas a própria mensagem o é. E há elementos dessa mensagem para que se comprovem transcendentais, precisam ser paradoxais. caso não fossem, poderiam ser comprimidas dentro do intelecto humano e, portanto, seriam limitadas. E então a gente não tá mais falando de um Deus que é eterno, infinito, etc. Mas um Deus que cabe dentro da nossa cabeça inteiramente. >> Mas e quem morreu daí? >> Ninguém explica Deus. >> Ninguém explica Deus. Deus é no fundo é essa a conclusão mesmo, gente. Ó, foi só duas perguntas e foi o podcast inteiro, né? Eu queria uma palavra pastoral agora pra gente que pro pessoal assim, meu Deus, teologia realmente não. Eu vou eh ler, eu vou pegar um devocional com café que é muito melhor, né? Eu acho que eu vou ficar mesmo, porque olha eu ouvindo vocês aí, eu acho que eu vou ficar só no devocionalzinho com café mesmo, porque tá um pouco complicado, mas vamos lá. Preciso de uma palavra pastoral agora contigo, Alex. Primeiro vai, tu consegue. Vamos, vem comigo. Me ajuda. >> Mentira, o Víor pode ser primeiro se quiser. >> É. Eh, uma palavra pastoral para vocêudo que a gente conversou agora e tal. Isso pra gente sair pro almoço agora assim, tipo, não, mano, vai valer a pena. Já pensou se as nossas discussões dogmáticas estivessem mais concentradas em discutir como Deus revela a sua missão e como a gente participa disso do que discutir as filigranas da natureza do próprio Deus. >> Nossa. Nossa. Muito bom. Não sei o que é filigranas, mas pareceu assim, >> caramba, tipo, me dá a ideia de minúcia, de é isso aí, né? Sensal. >> Então o no fundo o que a gente tá buscando é uma teologia, uma dogmática, uma teologia sistemática que em primeiro lugar se coloque de joelhos diante do maravilhamento que é um Deus que escolhe entrar na história e que escolhe ser assassinado. Quando a gente faz isso, a gente se coloca de joelhos e a gente passa a dizer: "Beleza, Deus, o que que você tava querendo com isso? Como a gente faz parte desse negócio?" E aí a teologia ganha vida. Aí é pastoral, aí a gente fica na vida prática. E aí não é vida prática, no fundo, é simplesmente o desenvolvimento das implicações necessárias de acreditar em alguma coisa. Pô, eu acredito que Jesus ressuscitou. Eu acredito que Deus topou ser assassinado. Que que isso significa para mim? Sabe o que que isso significa para mim, cara? Isso significa que a dor de uma mulher violentada Jesus também sentiu que quando o corpo da concubina do levita foi despedaçado, Deus escolheu ter o seu próprio também e é solidário a ela nessa dor. E quando Paulo diz, reverberando a teologia sacerdotal, sede santos como eu, o Senhor, teu Deus, sou santo. Se você quer uma comunicabilidade dos atributos de Deus para qualquer tipo de humanidade, que essa seja a comunicabilidade, ele é santo, que a gente seja também. Paulo traz isso pro Novo Testamento e diz: "Sede meus imitadores, assim como eu sou de Cristo. E se Cristo se permitiu ser despedaçado? Assim como foi despedaçada a concubína do levita, como eu sou o imitador desse Cristo, faz parte da minha missão me posicionar em solidariedade a todo aquele que é despedaçado. Então, essa é uma palavra pastoral de reposicionamento da atividade teológica. O reposicionamento da atividade teológica faz o seguinte, beleza? Onde a teologia começa? na doxologia é de joelhos adorando um senhor maravilhoso que fez um negócio impensável. O absurdo que o Alex nos expôs hoje de manhã, onde termina a teologia? Na doxologia. De joelhos de novo. De joelhos de novo. Porque vamos ser honesto, eu não consigo me colocar à disposição do sacrifício como Jesus se colocou. E aí, e aí eu tô colocando como exemplo a questão da concubina do levita simplesmente por ser a questão que está em voga nas últimas semanas, mas serve para tudo. Serve para todo aquele que em algo é despedaçado. Aquele que foi despedaçado porque creu na redenção de um casamento e casamento não foi feito para redimir. E quando chegou no casamento, o sonho se desfez. Ah, mas foi ele que creu errado. Não interessa. A hora que despedaçou, Deus conhece a realidade despedaçada. E eu me coloco junto com aquela pessoa lá. Daquele que teve o daquele que teve o sonho despedaçado porque estudou, estudou, estudou e não passou num vestibular. E você diria: "Cara, isso é tão pequeno perto do despedaçamento que você acabou de falar antes." Mas ele tá ali. É a verdade, é a realidade dele ali naquele momento. Tá despedaçado. Jesus tá com ele, a gente tem que estar com ele também. E a gente se entrega e a gente tenta entender que pra gente que já passou por isso, isso é pequeno, para ele ali não é. A teologia leva a gente para esse lugar, de joelho para joelho, porque vamos ser honesto, a gente não consegue fazer. E aí, ainda para reverberar a concupida do levita por uma última vez? Você só entende o discurso de Paulo sobre submissão feminina? Se esse discurso passar pela cruz, se esse discurso não passar pela cruz, você não entende. Por quê? Porque quando o livro de Efésios fala pra gente assim: "Sujeitem-se um uns aos outros em amor". Hipotaso é o verbo. Sujeitem-se uns aos outros em amor, mulheres aos seus maridos. O verbo tá no versículo anterior. Mulheres, aos seus maridos, eu conheço mulheres submissas aos seus maridos. Eu nunca conheci nenhum marido que amou a sua esposa como Cristo amou a igreja. Nenhum. E essa é a sequência da coisa. E por que que eu não o conheço? Porque Jesus entregou o seu corpo para que fosse despedaçado, como foi o da concumbina do levita. E a gente não tem no limite essa disposição. Ainda assim, ele chega para você e fala: "Agora foi a tua fé em si mesmo que se despedaçou? Não tem problema, eu tô com você. Eu te perdoo. Vem cá, você é meu filho amado. Vem cá que a gente vai te trabalhar junto até você chegar tão perto quanto for possível. Não julgo tê-lo alcançado, mas continuo caminhando. Faz sentido, teologia paulina? A hora que a gente joga a crucificação no meio, a hora que a gente joga a ressurreição no início, aí a gente tá falando de submissão feminina e a gente vai falar também não há mulher que tenha se entregue ao seu marido de maneira como Jesus se entregou pela igreja. Porque esse mandamento ao marido, ame a sua esposa como Cristo amou a igreja, ele na verdade é um mandamento. Ele é uma orientação para mim e pro Alex, pro Bib, pro Bíblia e pro Alex. O próprio Jesus diz: "Amor maior não há do que entregar a vida pelos seus amigos". Quando a gente coloca toda essa discussão debaixo de uma conversa sobre como uma comunidade de amigos se ama tão profundamente que a gente tá disposto a colocar o nosso pescoço em risco por causa do outro, a gente acaba com qualquer pecha militante, lacradora, anticristã, porque você tá falando de submissão. Eu tô falando de submissão, gente, porque a gente tá falando de uma comunidade de amigos. É outra parada. Aí você pode ir no Globo News falar, você pode ir na GNT, no saia justa. Ah, vai ter resistência? Claro que vai. É óbvio, é o evangelho, mas não vão poder te chamar de cruel, não vão poder te chamar de maligno. Muito bom. Encerrão, né? Tudo bem? >> Vamos almoçar? A gente finaliza esse betcash assim, pianinho. Semana que vem tem mais episódios. É isso. Deus abençoe. Amém. >> [aplausos]