Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 26/06

Davar Live – 26/06

Davar Live – 26/06

Legendas automáticas:

Fala pessoal, boa noite. Bem-vindos a
mais uma live. Estamos aí para conversar
um pouco sobre Bíblia, sobre religião,
sobre cultura, sobre o que que vocês
tiverem afim de conversar hoje, né? A
gente não teve live semana passada,
mas cá estamos nós. Então, bem-vindos aí
os que estão na na live hoje. Semana
passada, inclusive
teve jogo, né?
>> [risadas]
>> Também foi por isso que eu não fiz live,
não sabia se ia ter alguém para
assistir, mas não por mim, eu mesmo não
assisti o jogo na sexta, né? Eu não sou
tão ligado assim a futebol, mas de
qualquer forma nós estamos aí,
tá bom? É sexta-feira eu tava
sexta-feira passada eu tava muito mal da
garganta. Engraçado, né? Eu eu comecei a
ficar mal na segunda-feira, passei o fim
de semana muito ruim.
a semana, o fim de semana muito ruim e
até hoje ainda tô com a garganta mais ou
menos assim. Tô até com uma água aqui do
lado
para ir tomando de vez em quando eu não
verde.
Eh,
tá, o meu OBS deu um problema aqui. Eh,
Fábio de Jesus Correia, boa noite.
Evans, Evanston
e Rui Rui Glan, boa noite. Boa noite
para vocês. Tem um pessoal aí que eu não
lembro de outras lives, deve ser novos
aí ou pelo menos não costumam comentar.
Eh, o Henrique Menezes também deu um olá
aqui. Eh, o Carlos Muniz é Carlos, boa
noite. Deu uma travadinha, deu? O meu
OBS aqui aconteceu alguma coisa, mas ele
voltou a funcionar sozinho. Mas vamos
lá.
[limpando a garganta] Camila também.
Nossa, que legal encontrar uma live sua.
Obrigado, Camila. Estamos aí toda
sexta-feira à noite às 8:30 a gente
normalmente começa por aí, né? Hoje acho
que atrasou, né? Um minutinho, dois, mas
é 8:30, sexta-feira normalmente estamos
aí, tá bom?
Eh, boa noite pro Gil também, para pro
Gil ou paraa Gil. Não consigo ver aqui
pela imagem, muito pequenininha para mim
aparece.
Mas boa noite, gente. Eu tava pensando
no que falar com vocês hoje.
Eu dei uma olhada em algumas coisas,
algumas coisas eu acho que ia ser meio
que repetir coisas que já foram faladas
aqui há pouco tempo atrás, que eu tava
pensando em um tema
que talvez eu escreva depois numa forma
de sermão, né? Aí talvez em algum lugar
eu acabe pregando isso algum dia, não
sei. Normalmente eu eu gosto de gosto de
pensar sermão assim. Quando eu tô
pensando sobre um assunto, eu acho
bacana, olho no texto bíblico, acho umas
conexões que eu gosto, aí começo a
pensar naquele tema em forma de sermão.
Que a gente conversou aqui há um não faz
muito tempo sobre Primeiro Coríntios,
capítulo 13,
que fala do amor como o dom maior, né? E
uma coisa que sempre me pegou, sempre me
pegou nesse texto é que ele tá falando
do amor. A gente comentou, acho que isso
rapidamente esses tempos quando a gente
falou sobre esse texto.
É aquele texto famoso, né, para quem não
tá lembrando, ainda que eu falasse
língua dos homens, a língua dos anjos,
se não tiver amor, nada seria, etc e
tal.
Esse texto do amor, ele termina falando
sobre, parece que ele muda de assunto no
meio. Eh, então ele tá falando que o
amor todo suporta, o amor é paciente e
tal, não não não faz o mal e tal. Aí de
repente ele fala: "Eh, quando eu era
menino, eu falava como menino,
eu vivia como menino. Aí depois eu me
tornei adulto, me tornei homem e deixei
para trás as coisas de menino, né?
Eh, e eu sempre pensei qual é a conexão
dessa segunda parte com a primeira parte
do texto.
E uma coisa que eu tava pensando essa
semana é que normalmente aí para
entender essas questões de Paulo é
importante você saber
eh que Paulo tem uma questão assim, a
gente a gente costuma fragmentar muito o
texto bíblico, né? A gente dividiu o
texto em versículos para estudar melhor,
que foi uma coisa boa, para conseguir
encontrar eh
frases, pensamentos mais facilmente
dentro do texto para sistematizar mais o
estudo. Mas ao mesmo tempo isso deixou o
texto mais fragmentado. A gente costuma
a se referir a ideias bíblicas como
versos.
Então a gente pega só um versinho.
Aquele que não ama não conhece a Deus
porque pois Deus é amor. Primeira João
4:8. Tá, mas o que que ele tava falando
antes? o que que ele tá falando depois,
qual o que que isso significa dentro do
contexto do que ele tá falando?
E essa parte do amor, a conexão entre
essas duas partes, para mim tem a ver
com isso, porque Paulo costuma fazer eh
ele [limpando a garganta] costuma fazer
argumentos mais longos,
entende? Então os argumentos de Paulo
costumam se estender um pouco mais.
Então ele começa falando de uma coisa,
depois ele fala de outra, fala de outra,
depois ele retorna aquele argumento
inicial, porque ele não tá, ele não
mudou totalmente de assunto, ele tá
desenvolvendo ainda aquele primeiro
assunto que tá, sei lá, três, quatro
capítulos atrás, sabe?
>> [tosse]
>> Isso é bem comum dentro de Paulo, a
esses esses esse raciocínio que se
estende por muito mais do que só um
verso.
Por isso não é muito bom a gente
falar, comentar sobre Paulo citando
versos.
Normalmente o verso é só um pedaço de
uma coisa que ele quer falar, mas que
ele vai concluir de uma forma. E a
conclusão só faz sentido se você
entender todo a conexão dos argumentos,
da lógica que ele tá fazendo. Então
aqui em Primeiro Coríntios, capítulo 13,
essa segunda parte que fala, vamos abrir
o texto, né? Eu fico aqui falando um
monte sobre o texto e e eu gosto de ler
o texto com vocês.
Ah, devia ter aberto antes para já
deixar tudo certinho aqui, né? Fica mais
fácil. Então, Primeiro Coríntios,
capítulo 13.
Vocês vem que eu falo bastante
ultimamente desse verso, né? Eh, sabe
que
para mim esse verso,
deixa eu colocar a versão que eu gosto
aqui, Nova Almeida atualizada.
Eh, para mim, esse essa passagem toda,
né, de Primeiro Coríntios, capítulo 13,
é o argumento que eu uso contra quem não
gosta de Paulo. Porque tem gente que não
gosta de Paulo, fala: "Ah, não, Paulo
tem um pensamento muito diferente de
Jesus. Paulo fala contra as mulheres.
Paulo é eh eh eh Paulo que inventou sei
lá o que da graça. Pessoal faz, tem uns
argumentos aí contra Paulo, mas para
mim, primeiro Primeiro Coríntios,
capítulo 13 e
é um,
é uma, talvez seja o ápice,
é um dos textos que tá tocando no ápice
da revelação bíblica e é um texto de
Paulo. Assim, eu é que eu eu costumo
ficar em épocas refletindo sobre textos
específicos. Agora eu tô refletindo
sobre primeiro primeiro Coríntios 13. E
é difícil você pensar em outro texto tão
forte
quanto Primeiro Coríntios 13, inclusive
incluindo os evangelhos.
Parece que Paulo aqui ele sintetiza a o
pensamento de Jesus de uma forma muito
intensa,
né? Então, quando alguém fala que não
gosta de Paulo, eu eu normalmente
pergunto: "Ah, o que que você acha de
Primeiro Coríntios 13? Que que você faz
com esse texto? Como você tá falando de
Paulo? É porque para mim joga Paulo lá
em cima, né? Então vamos lá. Primeiro
Coríntios 13. Ainda que eu fale a língua
dos homens e dos anjos, se eu não tiver
amor, serei como o bronze que sou ou
como o símbolo que retine. Ainda que eu
tenha um dom de profetizar, que conheça
todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tamanha fé a ponto de
transportar montes, se eu não tiver
amor, nada serei.
Ainda que eu distribua todos os meus
bens entre os pobres, e ainda que
entregue o meu próprio corpo para ser
queimado, se não tiver amor, isso de
nada me adiantará.
O amor é paciente, o amor é bondoso, não
arde em ciúmes, não se envaidece.
Eh, aí vai lá pro 6 7 8, né? Não se
alegra com injustiça, tudo sofre, tudo
crê, tudo espera. E aí eu acho que aqui
ele começa um raciocínio novo aqui no
verso oito, o amor jamais acaba.
E eu vou, antes da gente continuar aqui,
eu vou entender um pouco o contexto de
Primeiro Coríntios 13, que a gente já
comentou da outra vez, mas é sempre bom
lembrar, ele tá vindo diretamente de
Primeiro Coríntios 12,
que é aquele texto que fala sobre os
dons espirituais
que o espírito envia
para eh
pro benefício da comunidade da igreja,
né? Então ele vai falar dos dons de dom
de língua, dom de profecia e etc e tal.
Falar: "Não, um dom não é mais
importante do que o outro e tal", né? E
vai falar como o corpo, né? Assim como o
corpo tem vários membros. Um membro não
é mais importante que o outro. Todos
eles fazem parte do corpo. Assim, todos
os dons são importantes. Eles fazem
parte aqui da igreja. Eh, e ele vai
terminar. Todo mundo tem o dom de curar,
todo mundo fala língua, todo mundo tem o
dom de interpretar essas línguas.
Procurem com zelo os melhores dons.
Inclusive, parece que aqui eh o
a discussão é trazida porque a igreja de
Corinto discutia sobre um dom ser mais
importante do que o outro. Provavelmente
eu acho que aqui é o dom de língua, se
eu não me engano, que parece que é o que
eles todo mundo achava que era o melhor
e tal. Todo mundo queria ter esse dom. E
Paulo vai terminar então essa parte do
do dos dons falando: "Olha, todos têm um
dom de curar, todos falam línguas, todos
têm o dom de interpretar essas línguas.
Entretanto, procurem com zelo os
melhores dons,
mas eu vou lhes mostrar um caminho ainda
mais excelente."
Então, ele tá falando dos diversos dons
que tem na igreja e ele fala: "Olha, eu
vou mostrar uma coisa ainda melhor para
vocês do que ficar buscando os melhores
dons". E aí a gente vai para Primeiro
Coríntios 13, né? Eh,
eu vou lhe mostrar um caminho ainda mais
excelente. Ainda que eu fale a língua
dos homens e dos anjos. Se eu não tiver
amor de de nada vai adiantar. Se eu
entregar meu corpo para ser queimado,
isso daí não vai fazer nenhuma diferença
e tal. Eh, e aí vai essa parte toda que
a gente falou, né? O amor não se alegra
com injustiça. O amor tudo sofre, tudo
crê, tudo espera, tudo suporta. Ele
jamais acaba. E aí o verso oito, o amor
jamais acaba. Havendo profecias,
desaparecerão. Lembra que ele tá falando
dos dons? Ele volta a falar dos dons de
novo. Havendo línguas, elas cessarão.
Havendo ciência, conhecimento, ele
passará.
Pois o nosso conhecimento é incompleto e
a nossa profecia é incompleta.
E aí vem a ideia, né? Mas quando vier o
completo, então o que é incompleto será
aniquilado. Quando eu era menino, eu
falava como menino, sentia como menino,
pensava como menino. Quando cheguei a
ser homem, desistir das coisas de
menino.
E essa parte é interessante, é porque
hoje a gente vê como se fosse num
espelho de forma obscura. O espelho é
ele faz parte das discussões platônicas
porque ele ele mostra ele mostra a
realidade, embora ele mesmo não seja a
realidade, entende? Você vê os objetos
no espelho, mas o que você tá vendo no
espelho não são os objetos reais. Os
objetos, os objetos reais estão fora do
espelho, né? Então ele vai falar, nós
vemos como num espelho de forma obscura.
A gente tá vendo uma coisa que a gente
acha que é realidade, mas não é. Mas
depois nós vamos ver face a face. Agora
meu conhecimento é incompleto, mas
depois eu vou conhecer assim como eu sou
conhecido. Agora, pois permanecem a fé,
a esperança e o amor, esses três, porém
o maior deles é o amor. A gente tinha
comentado da outra vez que a gente falou
desse texto de uma conexão aqui com o
livro de Jó, porque ele falava: "Olha,
eu te conhecia só de ouvir falar, agora
meus próprios olhos te vêm". ali no
final do livro de Jó, quando ele conhece
a quando ele reconhece a Deus através de
todas as perguntas que Deus joga para
ele.
Mas aqui acho que tem uma, tava pensando
essa semana sobre esse texto aí. Eu acho
que tem uma outra questão interessante
aqui também que é
[limpando a garganta]
todos os dons que são dados pra igreja
fazem parte de um mundo incompleto, de
uma realidade incompleta,
de um universo
que
falta alguma coisa.
Então, todos esses dons, eles são por
natureza incompletos.
Eu tenho dom de curar as pessoas, eu
encosto nelas, elas são curadas. Beleza?
Eh, trazendo uma reflexão aqui do
Kirkard, né? Você vai curar a pessoa,
mas daqui a 20, 30, 50 anos ela vai
morrer.
Fez diferença? Ah, eu sei interiu tenho
dom de línguas no sentido de que se
alguém falar uma língua estrangeira na
minha frente, eu consigo entender.
Eu consigo falar, conversar com ele na
minha própria língua e ele vai entender
como se fosse na língua dele. É um dom
espiritual, uma coisa sobrenatural.
Beleza?
Mas ele tá falando aqui um dia as
próprias línguas vão acabar, vai chegar
uma época que isso vai sair relevante.
Então o que ele tá falando que essa
discussão sobre os dons, quem tem os
melhores dons da igreja, essa discussão
ela faz parte de um de uma realidade que
que tá fad de existir.
Existe uma outra discussão que é mais
importante, que é o amor, porque o amor
não faz parte dessa realidade, desse
mundo. O pessoal tá jogando bola lá
fora, né? O amor não faz realidade, não
faz parte dessa realidade, desse mundo.
O amor faz parte de uma outra realidade.
O amor faz parte de um outro universo
que vai chegar, que vai ser quando tudo
vai ser completo.
E aí a gente vai ver as coisas de uma
outra forma. Então, quando eu era
criança, eu vi as coisas como como da
forma de criança de ver as coisas. Eu me
tornei adulto. Agora eu eu consigo
entender melhor as coisas. Eu vejo mais
do que eu vi.
vai chegar essa época, mas o amor faz
parte dessa época que vai chegar, não
faz parte do agora, entende? Então isso
que eu acho interessante. O amor coloca
uma perspectiva temporal nas coisas,
porque o amor dá sentido para uma coisa,
pra eternidade. Eu amei uma pessoa, eu
morri e ela morreu e deixamos de
existir. Aquele amor continua fazendo
sentido, mesmo que as pessoas deixaram
de existir, entendeu?
Então, eu não sei, tava refletindo sobre
essa conexão entre a primeira e a
segunda parte aqui de Primeiro
Coríntios, capítulo 13.
[limpando a garganta]
Aí eu lembro até do dos 13 atributos
divinos, né? Quando Moisés pede para ver
o para ver a Deus,
que a gente fala que ah, hoje a gente vê
em parte, um dia a gente vai ver face a
face. E Deus fala: "Olha, eu vou,
ninguém viu minha face, viveu e tal. Eu
vou revelar toda a minha toda a minha
bondade para você. E aí Deus passa
diante de Moisés e declara: "Senhor,
Senhor, Deus misericordioso, bondoso,
tardio em irar-se e tal". Então, o ver a
Deus
não é ver o rosto de Deus.
O ver
entender a bondade de Deus, é entender o
amor de Deus.
O amor é o que faz a gente ver face a
face. O amor é que conecta a gente nesse
tempo incompleto com um tempo futuro que
vai ser pleno, que vai ser completo,
entende? Então,
entre todos os dons possíveis,
sobrenaturais, dados pelo Espírito Santo
de Deus, o amor tá à disposição de todos
e é o único que dá sentido às coisas.
Ele que dá sentido. As os outros dons,
eu posso ter eles e não fazer sentido.
Cara, tem um dom sobrenatural, continua
sendo sem sentido. Se não tiver o amor
ali, ele perde o sentido. É o amor que
dá o sentido, porque ele conecta as eras
do mundo, essa era incompleta com a era
que vai vir, que é uma era completa, né?
Bom, é isso que eu tinha pensado, gente.
Eh, David Silva, boa noite. O que você
sente? que falta nos filmes e séries
sobre a vida de Jesus. Ah, legal, David.
Olha, eu [limpando a garganta] não
conheço muitos.
Eh, eu vi o The Chosen, não vi também
todo ele, apesar de ter eu ter gostado
bastante do The Chosen, sabe?
Mas eu eu não sei, quando eu leio a
Bíblia, é por causa da linguagem da
Bíblia também, que é uma linguagem
antiga e tal, mas eu tenho uma sensação
diferente de Jesus do que o que eu vejo
nas séries.
Eh, que acontece,
as séries tenta, para você criar uma
conexão com um personagem, as séries
normalmente
deixam esse personagem mais
contemporâneo. Então ele coloca
características que hoje são muito
importantes num personagem que viveu
numa época em um dia de essas
características não eram importantes.
Então que eu quero dizer com isso? Eh,
eu lembro um tempo atrás que teve uma
campanha de
uma campanha de de política. Eu quem que
era o cara? Romeu Tuma, eu não lembro
quem era o o político, mas que era um
cara que era é um cara que eu eu não
lembro se a carreira dele foi na
polícia, alguma coisa assim. Então ele
queria passar a ideia de que ele era um
cara duro, um cara firme, um cara forte,
né? Um cara
que agia de forma mais assertiva.
E aqui eu vou usar assertivo. Aliás,
isso daqui é uma militância pessoal
minha, viu, gente? A palavra assertivo
não quer dizer uma alguém que acerta
muito, tá? A palavra assertiva escrita
com dois Ss, porque ela não vem de
acertar, ela vem de asserção. Asserção
com dois Ss, que é você ser duro, ser
direto, ser incisivo. Isso é ser
assertivo e não ser uma pessoa certeira,
né? Certeiro é uma coisa, assertivo é
outra. Bom, fecho o parênteses, né? Mas
ele queria passar essa sensação de ser
uma pessoa mais dura, mais firme e tal,
eh, mais rígida. E aí ele não sorria na
no nos cartazes de campanha,
mas o fato dele não sorrir
eh foi muito ruim pra campanha dele.
Então teve um momento que deu uma
guinada em toda a imagem de campanha
dele que ele passou a distribuir um
monte de cartaz na época acho que ainda
tinha outdoor em São Paulo. Então tinha
um monte de outdoor dele sorrindo, feliz
e tal. Tiveram que mudar isso para mudar
a sensação da campanha dele. Que que eu
acho interessante nisso? A gente hoje
se conecta muito com o sorriso. É uma
coisa característica da nossa época.
Você pega e eh imagens de pessoas
antigamente, até quando começou a tirar
a tirar fotos, as pessoas não costumavam
sorrir pra foto. Hoje você tá parado,
você não tá achando graça em nada, você
não está particularmente feliz, mas na
hora de tirar uma foto, você dá um
sorriso. Por que que você quer mostrar
uma expressão específica na hora de
registrar o seu rosto?
Então é uma questão cultural. Isso é
porque hoje essa expressão cria uma
conexão maior com as pessoas. Isso não
era no passado. Então
um uma foto de uma pessoa sem sorrir era
mais comum no passado. Onde eu quero
chegar com tudo isso? Eu acho que a
gente transforma Jesus muito numa peça
publicitária moderna.
Eh, eu não acho que necessariamente
Jesus era tão sorridente, o que não
significa que ele era uma pessoa chata,
que ele era uma pessoa de mal com a
vida. Eu acho que é uma característica
mais da época. A gente não tem textos
bíblicos de falando de Jesus rindo, a
gente tem Jesus chorando, né? Eh, lá no
na naquela
na ressurreição de Lázaro, né? Eh, mas
eu não sei, eu acho que eu tenho uma
impressão muito moderna dos dos Jesuses,
das das dos filmes e séries hoje. E eu
penso nele como um sábio da da
antiguidade do judaísmo do primeiro
século. E eu não vejo ele fazendo piada.
Não que isso seja ruim, viu? Talvez se
Jesus viesse hoje, ele ia ser fazer
piada, ia ser mais sorridente. Mas esse
transporte quebra um pouco a minha,
pessoal de gaming que fala, quebrou
minha imersão, né? Às vezes quebra um
pouco a minha imersão que me parece uma
pessoa muito moderna do jeito no jeito
dela agir, sabe? É bobagem minha. Isso
não é o mais importante. Isso daí, sem
dúvida nenhuma, não é o mais importante.
E claro que se fizesse um Jesus desse
jeito que eu tô falando, talvez eu ia
gostar e mais ninguém, né? Mas essa é
uma coisa que eu
essa é uma coisa específica que eu não
sei. Eu crio menos conexão com Jesus de
série e de filme por causa disso. Ele me
parece muito
muito ele age como uma pessoa moderna e
eu esperava que ele agisse como uma
pessoa da antiguidade, entende? O jeito
de se relacionar com as pessoas e tal. E
acho que falta um pouco também de um
Jesus mais
eu, como que eu vou expressar isso?
Eu
vou usar um um um outro exemplo.
Quando saiu o Senhor Anéis, uma coisa
que me chamou muito atenção é porque
você tinha um personagem que era idoso,
o que não é comum em filmes de ação,
obviamente. Eh, e era um personagem
extremamente carismático, que é o
Gandalf,
porque ele era um sujeito bom, ele tá
lá, é um herói, só que ele é um herói
que dá bronca, que tem coisas que ele
não aceita, entende?
Ele vê uma coisa, ele ele fala: "Não, lá
o Bilbo que Bilb o Bilbo não, o Pipping,
né? Eh, o que vivia fazendo besteira lá
e dava uma bronca assim do caramba. Você
até ficava meio constrange: "Nossa, mas
que bronca! Será que precisava de tanto
assim?" Eh, mas ele, quando você vê esse
personagens, se identifica um pouco com
as figuras, né, que você tinha na
infância, sei lá, com um avô seu que
você gostava muito. A minha avó, no meu
caso, né? Eh, a minha avó por parte de
pai, que era uma pessoa mais dura, mas
isso fazia parte de uma personalidade
dela que a gente gostava, sabe? Então,
não, não é que eu queria um Jesus mais
duro, mas eu acho que falta nesses
nesses
Jesus de série, um Jesus que tipo dá uma
resposta séria
e que dá autoridade para ele quando ele
fala, o cara tipo fica até sem graça de
responder, sabe? Isso. Eu tenho essa
sensação várias vezes quando eu li o
texto bíblico que ele deu uma resposta
tão forte que o cara fica até meio sem
graça, porque ele foi muito, ele foi
muito direto naquilo que ele falou,
entendeu? Então,
e eu não sei, é difícil explicar como
seria isso em termos de atuação e tal,
mas eu eu não tenho tanto essa impressão
de que é uma coisa que aparece de vez em
quando no texto bíblico, ah, Jesus era
diferente dos outros porque ele falava
com autoridade aquilo que ele falava.
Então, não sei, pensava num Jesus talvez
até maior fisicamente, que se impusesse
mais em alguns discursos, não em todos,
né? Não quero um Jesus macho alfa, né?
Mas que em algumas situações, alguns
discursos, ele fala de uma forma assim
com muita certeza do que ele tá falando,
que confere muito a autoridade, sabe?
A gente tem muitos Jesus que
cada época você cria uma uma sensação
sobre Jesus, né? E eu acho que por muito
tempo a gente teve uma sensação muito do
aspecto da sensibilidade de Jesus, que
faz parte do texto bíblico também. Jesus
era uma pessoa extremamente sensível,
mas esse aspecto da dureza também, eu
acho que eu sinto falta às vezes,
mas é difícil também, né? você, a gente
hoje esse aspecto da dureza tá muito eh
tá muito popular entre um discurso que
eu discordo também muito, né, que é o
que é justamente o pessoal do
Jesus Macho Alfa que ah, não, Jesus eh,
lembra lá, Jesus saiu derrubando todo
mundo lá no templo e tal e tal. O
pessoal sempre cita esse exemplo para
para justificar atitudes que as pessoas
mesmo mesmo têm, que é de passar por
cima de todo mundo, sabe? Não, porque
ser cristão é isso daqui, sabe? E eu
acho também equivocado essa essa
percepção. Então, é difícil explicar
essa impressão de Jesus que eu tenho
lendo o texto, que não é nem esse lado,
nem aquele também, mas ao mesmo tempo
que você ouve ele falando, você dá
autoridade para aquele cara, ele não é
um um sujeito duro, ele também é
sensível. É difícil explicar.
Eh, mas eu não, dificilmente eu tive
essa sensação vendo Jesus em série ou em
filme.
Eu vou dar uma puladinha aqui, eh, pra
gente continuar no mesmo tempo. Depois
eu vou voltar. Acho o Carlos coloca
aqui, acho Jesus do Jen muito
nervosinho, impaciente, sem controle das
situações.
Talvez, talvez seja, talvez seja isso,
Carlos, que eu esteja falando. É muito,
muito emocional. Não que o Jesus da
Bíblia não seja emocional, claro que ele
era também, mas
talvez [limpando a garganta] não tão
emotivo, não tão levado pelas emoções,
que é uma característica da nossa época
também, né? A gente valoriza muito a
pessoa
fazer tudo por emoção. Isso é uma
característica muito forte da nossa
época, né? Então, quando a pessoa chora
e ri e tal, ela cria muito mais conexão
com as pessoas do que alguém que tá mais
contemplativo, mais pensativo, que pensa
antes de falar e tal. Normalmente as
pessoas criam mais conexão com quem é
mais espontâneo no sentido emocional
mesmo. É mais de chorar e de rir e de
gritar de nervoso. Eh, essas coisas as
pessoas costumam criar mais conexão com
com pessoas mais emotivas. fazendo
emotiva, não só no sentido de chorar,
mas no sentido de demonstrar todas as
emoções eh escancaradamente, né?
>> [limpando a garganta]
>> Aí o Carlos também coloca aqui, as
pessoas não sorriam nas fotos antigas
porque elas demoravam para ser tiradas,
não eram instantâneas como hoje.
E eu acho que também pode ser, Carlos,
mas também tem uma questão de de
cultura, porque, por exemplo, quando as
pessoas pintavam as pessoas antes da
foto, eh, era mais comum elas serem
retratadas sérias do que sorrindo. Por
mais que você não precisasse ficar
sorrindo o tempo inteiro quando a pessoa
fosse te pintar, a pessoa te pintava não
você parado exatamente na mesma pose o
tempo todo, porque você olhava pro lado,
você se mexia um pouco e tal, mas ele
retratava a a sensação que as pessoas
queriam passar sobre elas.
Então, o sorriso é uma coisa muito mais
moderna. Eh, a a ideia de você querer
ser registrado sorrindo é uma ideia mais
moderna.
por mais que tenham essas questões
técnicas também, mas o sorriso em si é
um é uma é uma expressão
que que tem eh no nosso tempo, ela tem
muito mais força, assim, é sempre o a
imagem da pessoa é sempre ela sorrindo,
entende?
Aí o Fábio coloca aqui: "Acredito que a
série pode ajude a aproximar Jesus para
pessoas que estão começando na sua
caminhada cristã ou pessoas que ainda
tenham dificuldade de ler com
consistência a Bíblia". Ah, sem dúvida.
Eu não tenho dúvida nenhuma disso. Eu
não tenho dúvida nenhuma disso. Eh,
inclusive o próprio The Chosen, acho que
ele faz um bom serviço nisso para
quebrar a impressão, porque o é é
difícil, né?
Ah,
as pessoas já, como que eu vou falar?
Isso é uma coisa que também é um assunto
recorrente aqui. Quando o Novo
Testamento foi escrito, o grande desafio
do cristianismo era fazer Jesus se
tornar conhecido,
que as pessoas não conheciam, nunca
tinham ouvido falar de Jesus. Ah, então
vamos pregar a mensagem de Jesus. Hoje
no mundo ocidental o desafio não é esse.
As pessoas já conhecem Jesus, os avós
conheciam, os tataravós conheciam e as
pessoas já não querem mais nem saber.
mais disso. Então, a gente não vive numa
era pagã, onde as pessoas têm outras
religiões e não conhecem o cristianismo,
mas a gente vive numa era pós-cristã,
onde o cristianismo
eh já foi o padrão, tá deixando de ser.
Eh, e não porque tem exatamente outra
religião tomando lugar, mas porque ele
tá cansando.
Então, assim, todo mundo já ouviu falar
de Jesus, todo mundo conhece um aspecto
de Jesus, mas pouca gente leu os
evangelhos para saber exatamente por que
as pessoas gostam tanto de Jesus,
né? O que que Jesus falou e que você
achava que não, eu não pensava que Jesus
diria uma coisa dessa, né? Acho que todo
mundo quando começa a ler a Bíblia mais
a sério vai se pegar em algumas
passagens, nossa, não sabia que Jesus
chegava a falar isso daqui, né? É sempre
interessante isso. E acho que essas
séries ajudam muito a isso para as
pessoas terem uma, pelo menos as que são
mais bíblicas, né? Terem uma impressão
de um Jesus que é mais que que é o Jesus
que tá sendo descrito na Bíblia e que
não é normalmente o que as pessoas
esperam de Jesus. As pessoas pensam
muito nos cristãos quando pensam em
Jesus. E quando elas olham pro Jesus da
Bíblia, elas vem que o Jesus não tem
nada a ver com os cristãos, como também
não tem nada a ver com os não cristãos.
É, ele é divino, ele age de uma outra
forma, né? Eh, então eu eu eu concordo
plenamente aqui que
eh filmes, séries ajudam, podem ajudar
as pessoas a se aproximarem de Jesus,
né? Sabe o que eu lembro? Que eu tinha
visto num lugar que quando o pessoal fez
aquele primeiro filme do Benhur, que é
foi um filme muito importante na época,
porque tinha um uma escala épica que não
era muito comum e tal. E e o sujeito
queria fazer a história de um de um
homem que de vez em que ele passava pela
história de Jesus. Só que ele queria
fazer isso de uma forma crítica ao
cristianismo, mas para isso ele precisou
entrar em contato com o material
e começou a ler a Bíblia, né? O o
diretor roteirista, não sei exatamente,
eu ouvi falar essa história, eu nem
tenho certeza se é verdade. Tô
espalhando aqui coisas sem eu saber se é
verdade. Mas quando ele leu o texto
bíblico, ele mudou a impressão que ele
tinha sobre Jesus. E ele ele retratou de
um jeito diferente naquele filme
original lá de sei lá, 1960, não sei de
quando é o o Ben eh, o que é
interessante que Jesus nunca aparece o
rosto de Jesus, ele sempre aparece de
costas, né?
Eh, que é um jeito que eu gosto muito de
retratar Jesus.
eh ter uma ideia do Deus que não tem
rosto, do Deus que não que não eh que
não se restringe a uma forma humana, ao
mesmo tempo que é um homem também, né?
Bom, de qualquer forma, eh, então eu
acho que o que qualquer coisa que faz as
pessoas entrarem em contato com Jesus,
que muitas vezes não vai ser dentro de
uma igreja,
podem fazer elas terem uma percepção
diferente de Jesus, né?
Se for o Jesus da Bíblia, for o Jesus
que tá descrito na Bíblia, é legal, né?
Porque Jesus pode ser qualquer coisa,
né? Infelizmente Jesus pode ser qualquer
coisa.
A pessoa pode, sei lá, o cara é um
militante político. Então Jesus é esse
militante aqui igual eu. Aí faz um Jesus
que é igualzinho ele ali, que é
militante de direita conservador ou de
esquerda revolucionária, sei lá, tanto
faz. Eh, não, mas Jesus não era isso.
Jesus era. Então, você, as pessoas
sempre tentam projetar o que que elas
pensam, o que que elas gostam em Jesus,
porque afinal das contas Jesus é Deus, é
tudo de bom. Então, o o que eu gosto é
Jesus.
Mas eh e aí não é interessante, né?
Porque tem filmes também que fazem um
que tentam contar a história de Jesus de
uma de uma forma que que é muito da
visão do diretor, que não tem nada a
ver, que a proposta não é ter a ver com
Jesus bíblico, né? De vez em quando
aparece um filme assim que pá polêmico e
tal,
mas aí para mim perde a graça, né?
Porque aí que que é Jesus? Jesus é
qualquer coisa, né?
É interessante você ter um uma
referência, um lastro quando você tá
falando de Jesus. Sabe que essa é uma
das críticas que eu tenho, por exemplo,
com o Caio Fábio, que ele é muito
crítico ao texto bíblico. Eu até entendo
até certo ponto a crítica que ele tem,
as pessoas ficarem presas a um texto
bíblico e não terem um relacionamento de
verdade com Deus.
Mas eu acho que ele dá um passo a mais e
ele é crítico à ideia de texto bíblico
em si de um jeito que beleza, se eu
tirar o texto bíblico da jogada, quem é
Jesus? Então de que Jesus eu tô falando?
Porque Jesus não é o que tá escrito no
texto. Jesus é aquilo que eu acho que
ele é. Então Jesus não é uma descrição
histórica de 2000 anos de pessoas que
conviveram com alguém. Não. Jesus é um
fruto de uma imaginação. Eu imagino o
que é Jesus. né? Aí eu me relaciono com
o fruto da minha imaginação. Se eu não
tenho um lastro,
um que que esteja fora de mim para me
relacionar com Jesus, eu não tô me
relacionando com Jesus, tô me
relacionando com uma ideia minha, né?
Aí o Daniel também coloca aqui: "Jesus
dos filmes não parece fisicamente com um
com um judeu da época". É, realmente,
talvez esse do The Chosen seja o que eu
lembro pelo menos que mais se parece com
um judeu, né? Com alguém que tem um
tem um semblante de alguém do do Oriente
Médio, alguma coisa assim.
Eh,
sobre Jesus se destacar fisicamente dos
demais.
Não acredito que
que eu não acredito
a luz a luz de Isaías. Acredito que ele
tinha um rosto e compleão física bem
negativa. Desculpa, tava lendo aqui, aí
começou a descer o negócio. Me perdi
sobre Jesus se destacar fisicamente dos
demais. Não acredito a luz de Isaías.
Acredito que ele tinha um rosto e uma
compleão física bem comuns.
Eh, entendo, eu entendo,
não é? Quando eu digo, talvez um ator
até maior e tal, eh, não é porque eu
acho que Jesus era fisicamente uma
pessoa extraordinária. Eu acho que eu
também entendo, de acordo com Isaías e
até a própria ausência total de qualquer
descrição física de Jesus na Bíblia,
eh, devia ser que Jesus devia ser o mais
comum dos comuns, o que desaparece na
multidão, que você olha e é só qualquer
um no meio da multidão. Também acho
isso. Mas quando ele abria a boca,
as coisas mudavam, entende? Então é
difícil um ator passar isso sem ter um
pouco de de físico, entendeu? Eh, no
sentido de que essa essa autoridade que
davam para Jesus nos discursos dele é é
como termina o sermão do monte, né?
Quando o sermão do monte termina, eh,
Mateus faz um comentário, olha, todo
mundo ficou maravilhado porque ele era
diferente dos outros, porque ele falava
com autoridade.
Então, eu acho que isso é mais do jeito
de falar do que necessariamente do corpo
físico, mas como um uma ferramenta
eh de
teledramaturgia,
digamos assim, o físico ajuda a compor
essa figura, né? Não que eu não tô
falando de um Jesus necessariamente
fiel historicamente, mas que passe essa
impressão, né?
Eh,
deixa eu voltar um pouco então, porque o
pessoal tinha feito uns outros
comentários de outras coisas.
Eh, e aí, deixa eu ver aqui.
Aí o Ricardo coloca aqui: "O que você
acha da King James?"
Olha, eu não sei, Ricardo, eu tenho
coisas que eu não entendo muito bem da
King James, que a King a King James é
uma versão em inglês da Bíblia, uma
versão clássica em inglês da Bíblia. Eu
não sei exatamente por os protestantes
americanos, ingleses,
eles meio que sacralizaram essa tradução
no sentido de que, nossa, tem isso, eu
já vi, já vi gente falando, não é só a
impressão que eu tenho, já vi gente
falando, não, a tradução real da Bíblia
é a King James, qualquer outra tradução
pro inglês tá errada e tal. Então tem um
negócio assim, uma aura que criaram
que eu já não gosto.
E aí o pessoal vem e faz uma King James
em português. Aqui para mim não faz
nenhum sentido, que a King James é uma
tradução em inglês. Eu vou fazer uma
King James em português. Não, eu eu não
preciso traduzir da King James em
português, traduzo dos originais. Então,
não sei exatamente qual é a proposta da
King James em português.
Eh, não sei se eles querem seguir a
mesma lógica da King James para traduzir
o texto bíblico, mas por que qual é a
lógica da King James que é melhor do que
as outras? Então assim, eu nunca li a
King James em inglês, não tenho um
inglês eh tão natural que eu
que sei lá, que eu perceberia talvez
alguma coisa muito especial numa
tradução ou outra em inglês, até porque
a King James é uma tradução mais antiga,
né? Tem uns termos mais difíceis em
inglês.
Mas então eu não tenho assim uma uma
opinião muito específica da King James.
A minha opinião é mais uma dúvida. Por
que que a King James é tão especial? Não
sei. De fato, eu não sei. Talvez seja
uma tradução realmente muito boa, mas eu
não sei, né? Eu eu, por exemplo, eu
gosto da Ferreira de Almeida,
mas eu entendo totalmente a limitação
dela. Eu con reconheço vários problemas
na na Ferreira de Almeida e e gosto
muito de outras propostas de tradução
também.
Então, para mim, não faz sentido a gente
sacralizar uma tradução. O texto
original é o que foi escrito. A tradução
é o que ajuda a gente entender o texto
original. Então, não, traduções não são
o ponto, né?
O Ozel falou o quê? Feliz aniversário.
É, no domingo passado foi meu
aniversário. Obrigado, Oziel. Eh, o
Fábio fala que eh podemos pensar com
amor ágape, que é o que eh a gente tá
falando do amor de Primeiro Coríntios
13. Deixa eu até confirmar uma coisa,
eh, Fábio, porque eu acho que o amor,
inclusive, quando ele fala aqui
[roncando] o amor, eu acho que inclusive
no grego é a palavra ágape que ele usa
em Primeiro Coríntios, capítulo 13.
Eh,
eu tenho quase certeza disso. Se não
for, eu vou ficar assim surpreso.
Mas só pra gente saber,
Primeiro Coríntios, capítulo 13.
Deixa eu ver aqui o
Strongs
agapem. É, então não é nem que a gente
pode pensar com amor ágape. A palavra
que foi traduzida como amor,
literalmente em primeiro Coríntios,
capítulo 13, é a palavra ágape, né? O
que o Fábio provavelmente tá se
referindo aqui é que existe mais de uma
palavra em grego que a gente traduz como
amor, né? Eus, fil, eh,
não lembro das outras palavras, mas são
aspectos diferentes de amor. E
normalmente a palavra ágape é que se usa
para falar desse amor divino, né? E é
exatamente isso que Primeiro Coríntios
13, a palavra usada para amor é a
palavra ágape, né? Então é isso mesmo,
confirmado.
Eh, tá aí. Vamos voltar aqui que a gente
tava falando das séries, né? Aí o Fábio
coloca aqui. Acredito que não, isso
daqui a gente já leu.
O o Rui, o Rui ou a Rui, eu não tenho
certeza. Rui Glan. Também precisamos
considerar que o Jesus escrito nos
evangelhos representa a percepção dos
escritores. Ser duro ou ser mais
empático nos foi transmitido pelos olhos
deles também. É, sem dúvida. Sem dúvida.
Boa noite. Você acha que nossos
professores e pastores não deveriam não
deveriam participar de debates para
defender a verdade? Será que a ausência
não passa uma imagem negativa?
Ah, Glarisson, olha,
é boa pergunta, viu?
Eu
vejo debates na internet,
mas eu eu mesmo não sei se eu
participaria de um debate. Depende
muito,
depende muito de de algumas coisas,
porque eh debate nos moldes que a gente
tem debate. Então o cristão versus o
ateu debatendo sobre a existência de
Deus. Um defende a existência, outro
defende a não existência. Então, esse
tipo de debate,
eu acho interessante participar para
aprender alguma coisa, mas eu não sei se
é uma coisa muito construtiva, porque o
que acontece,
tem uma coisa que a gente chama de viés,
né? Então, sei lá, eu sou cristão, então
já vejo umas as coisas com um viés, eu
já parto de um pressuposto quando vejo
uma coisa.
Eh, quando eu eu assumo a a a figura de
cristão, ainda vou debater,
muito dificilmente eu vou eu vou tratar
as coisas de forma
eh de forma racional dentro do do
debate, porque eu já tô assumindo um
papel dentro daquele debate, então vou
ter sempre que defender a mesma coisa,
entende? Então, o que eu quero
[limpando a garganta] dizer é que
existem argumentos dos ateus
que não são maus argumentos e que talvez
nem existem boas respostas para ele
e que dificilmente alguém que vai num
debate ouvir um argumento desse falar:
"Não, isso é um excelente argumento, é
isso, não tenho resposta não, ele vai
ter que inventar uma resposta, sabe?" E
a mesma coisa do outro lado. Existiam
bons argumentos sobre Jesus, sobre Mas
quem tá debatendo numa posição contra,
ele vai. Então assim, o debate ele fica
muito engessado. Eu não gosto de de
conversar desse jeito. Eu gosto de
quando conver quando eu converso também
fazer concessões, sabe? Eh, sobre coisas
que eu acredito ou não. Se eu tivesse
conversando com um ateu, ele falasse uma
coisa que eu discordo, eu falar: "Não,
isso faz muito sentido. É legítimo
pensar assim. Eu discordo, talvez eu nem
tenha um argumento ainda para pensar
disso. Eu tenho uma intuição de que não
faz muito sentido, mas eu nunca parei
para pensar nesse assim, mano. Tá bom,
tá ótimo, aceito seu argumento. Entendi.
Porque eu acho que não,
essas questões da como é que você
colocou aqui para defender a verdade? A
verdade,
eu acho que [limpando a garganta] a
verdade não é tão simples e tão clara e
defensável do ponto de vista retórico
assim, sabe?
Eh, existem coisas que são questões
difíceis.
Eu já eu já tive muito,
eu já entrei muito em
parafuso, pensando muitas coisas sobre
cristianismo e não achando respostas
para bons argumentos ateus. Eh, por que
que Deus agiu desse jeito e não daquele?
Muita coisa realmente não faz sentido.
Não adianta a gente tentar achar um
sentido que não faz. Isso significa que
tá errado, que a Bíblia tá errada, que
Deus não existe. Não. Isso significa que
se a gente tá falando sobre um Deus que
tá além da própria compreensão da da do
própria percepção racional humana, vai
ter coisas necessariamente que ele vai
fazer que não vão fazer sentido pra
gente. Se tudo que Deus faz sentido,
então Deus é menor do que a capacidade
do raciocínio humano. Entende o que eu
quero dizer? Então, acreditar em Deus,
eu acho que também é tipo abrir mão de
querer ter resposta para tudo. Se você
acredita em Deus, então você nesse Deus
que tá descrito na Bíblia, então você
também acredita que tem coisas na Bíblia
que são inexplicáveis, que não tem bons
argumentos. E acabou. O cara pode
brigar, falar que é, não é e tal. Is
única que você vai fazer é bom, você tem
um bom argumento, tem um bom ponto aí,
mas é, né?
Eh, questões difíceis, como, por
exemplo, ah, como é que Deus prega o
genocídio dos midianitas?
Bom, não sei. Eu eu se eu tivesse no
lugar de Deus, eu não faria isso. Mas
quem sou eu? Não entendi. Eh, eu consigo
assim
quebrar alguns contraargumentos, mas eu
não consigo dar uma resposta definitiva,
entende? A pessoa para para aceitar
aquele texto, ela tem que tá de boa
vontade. Se ele não estiver de boa
vontade, ele não consegue aceitar aquele
texto, porque ele é um texto difícil
mesmo. Tem vários textos difíceis na
Bíblia que você só aceita se você tiver
de boa vontade e
não tem jeito, entende? Então eu não sei
até que ponto esse tipo de discussão é
realmente
você eh levar a verdade adiante. Eu vou
eu vou dar um outro exemplo.
Tem um um
teólogo que eu gosto, né? Um teólogo da
minha igreja chamado Jax Ducan. Ele é
ele é um judeu argelino, argino, se eu
não me engano. E ele é de família
judaica. ele começou a fazer, né, o o
que seria o o o seminário eh judaico,
né, Maia Shivá, para se tornar rabino e
tal. E depois, por várias coisas, ele
acabou eh se tornando cristão e tal.
Eh, mas ele
e ele se tornou um grande teólogo, né? E
aí ele dava uma aula que era sobre o
Messias e ele mostrava vários aspectos
do Antigo Testamento e mostrava como
eles apontam para Jesus. E ele tava
contando uma vez que um um aluno chegou
e falou: "Nossa, é muito interessante
isso. Como é que os judeus não aceitam a
Jesus? É tão claro?"
E aí ele virou pro cara e falou: "Não,
mas pera aí, você já era cristão antes
de você ver essa palestra, não era?"
Era. Então você não virou cristão por
causa disso daqui, não é isso que torna
as pessoas cristãs.
E ele começou a falar: "Olha, o os
judeus que eu conheço que se tornaram
cristãos, eles não se tornaram cristãos
porque alguém deu um argumento racional
para ele bíblico e que era irrefutável".
Não, eles se tornaram cristãos porque
eles foram eh às vezes um ato muito
grande de bondade de um cristão quebrou
ele.
Às vezes ele conviveu com cristãos
falou: "Nossa, eu queria ser igual a
essas pessoas". Então o que converte as
pessoas não são necessariamente
argumentos racionais, ainda que a gente
tá fazendo uma de ainda que a gente
esteja falando de uma racionalidade
dentro da teologia, né? de argumentos
teológicos muito bem embasados, porque a
gente, eu não me tornei cristão porque
encontrei argumentos
teológicos muito bem embasados a favor
do cristianismo, entende? São outras
coisas que fazem a gente ter a nossa fé.
Então,
então eu penso mais nisso. A verdade não
é necessariamente
um argumento lógico. Eu eu tô falando a
verdade. Aqui você falou para defender a
verdade. Essa a verdade
eh essa a verdade religiosa não é um
argumento,
um argumento muito bem embasado
teologicamente, não é isso que é a
verdade.
Eh, a Bíblia fala dessa verdade,
mas ela não se restringe a um argumento
teológico, entende? Ela vai mais do que
isso. Eh, ela vai, ela vai para além da
Bíblia
e às vezes ela vem antes da Bíblia.
[limpando a garganta]
Por isso que
a gente tem a parábola do bom
samaritano, por exemplo,
que o sujeito eh
a gente pode um dia falar mais
detidamente, a gente pode, eu acho que
ia ser legal, um dia a gente fala melhor
da palavra da parábola do bom
samaritano. Nossa, hoje eu tô embolado
com as palavras. Eh, o sujeito
era sacerdote
no caminho entre Jerusalém e Jericó, ou
seja, um sacerdote que oficiava no
templo. Ele vê um sujeito que, de acordo
lá com o texto de Lucas, tava igual
morto na beira da estrada. E a obrigação
dele como sacerdote era não encostar num
morto.
A obrigação dele lá em Levítico 21, se
eu não me engano, quando a gente for
falar desse texto mais especificamente,
a gente pega todas as passagens e vê
isso. Não podia encostar em morto. Ele
tava cumprindo a obrigação dele. O
levita quando passa, ele não tinha a
mesma obrigação do sacerdote, mas se ele
tocasse no morto, ele não podia eh
participar do templo,
né? Ele não podia cumprir as suas
funções dentro do templo, então ele
também não deveria encostar no morto.
[tosse]
Só um segundo.
Então eles tinham argumentos bíblicos
para não encostar, para não chegar perto
daquela pessoa que parecia estar morta.
O que o texto vai falar é quem que fez a
vontade de Deus? O que cumpriu o que
estava escrito na Bíblia.
ou o sujeito que é pode ser todo
equivocado teologicamente, que era o
caso dos samaritanos,
mas que fez o que o que que era
realmente a vontade de Deus naquele
momento. Então, quem cumpriu a vontade
de Deus,
né? Então, é por isso que eu digo que eu
não quero cair no que eu que eu falei
agora a pouco do Caio Fábio, né, de
ignorar absolutamente o texto bíblico,
mas que vai para além do texto. Se você
ficar preso só no texto, você não tá
falando da verdade, você não tá
encostando na verdade, entende?
Eh, para usar uma linguagem
comportamental aqui da psicologia
comportamental, você não tá tateando a
verdade,
você tá falando sobre um conceito. A
verdade não é um conceito,
um conceito lógico, um conceito
racional, é mais do que isso, entende?
A, a, aí as pessoas podem falar: "A
verdade é uma pessoa, é Cristo." É, mas
ao mesmo tempo,
eh,
você pode estar falando da verdade sem
necessariamente falar, tá falando da
pessoa de Cristo, como muitos textos
bíblicos mostram a verdade, falam sobre
a verdade, mas não estão falando
diretamente sobre Jesus, entende? Então,
Jesus é a verdade,
mas a verdade ela ela não se reduz a a
uma explicação lógica assim, ah, é
Jesus, verdade é igual a Jesus e pronto,
acabou. Não, as coisas são mais
complexas do que isso. Tem a ver com
relacionamento com Deus.
Me estendi bastante aqui. Eu não sei se
eu fui claro também, porque eu acho que
não é claro, esse assunto não é fácil,
porque a gente não tá falando só de
conexões racionais, lógicas e diretas,
entende? Eh, eu acho que é esse o ponto.
Eu acho que defender a verdade é muito
mais o sujeito deixar cuspirem na cara
dele e não revidar do que ele ir num
debate e vencer no argumento, entende?
Eh, é mais nesse sentido que eu quero
dizer.
Isso falta para alguns pastores e para
alguns líderes,
tipo perder.
Não, eu não tenho problema de perder,
eh, porque
a minha vitória não não é essa, entende?
Eu acho que esse que é o ponto. Eu acho
que esse é o ponto.
Eh, aí o Osel até fala aqui, acho que em
resposta, quando o alguém comenta lá em
cima que são quatro evangelhos, né?
que cada um tem a sua visão sobre
Cristo. Da mesma forma também não existe
um evangelho definitivo. São quatro, são
quatro perspectivas diferentes, né? Isso
é bem interessante.
Muitas vezes, tendo como exemplo essa
visão romantizada da bondade de Jesus,
eu acabei fugindo de conflitos com a
desculpa de ser pacífico, confundindo
bondade com covardia. Poxa, Eduardo,
isso é esse o ponto. Puxa, é isso. É
muito difícil.
O que eu acho interessante que a Bíblia
descreve é um Jesus que é forte e
bondoso ao mesmo tempo. E essas coisas
não estão em contradição. Ele é
fortemente bondoso,
entende? Eh, Jesus não foge do conflito,
pelo contrário, se alguém fala alguma
coisa, ele revida. Mas ele também sabe o
momento de ficar calado. Quando ele tava
lá diante de Pilatos também bateram,
cuspiro e tal e ele ficou quieto. Mas
não é porque ele tinha medo ali, não era
por covardia, pelo contrário, aquilo era
uma mais uma prova de coragem.
Estar em silêncio naquele momento era um
era uma prova de coragem. Então eu acho
que isso é um é um é uma
bondade que não é covarde. Eu acho que
você usou o termo aí excelente. Ser
bondoso, ser amoroso sem ser covarde. Eu
acho que isso descreve muito esse Jesus
que eu imagino que eu não tava
conseguindo descrever direito. Ótima sua
descrição aqui. Acho que é isso. Acho
que é isso. Muitas vezes a gente
confunde bondade com covardia, né? Eu
acho engraçado, tem um texto que fala:
"Os tímidos não herdaram o reino". Eh, e
eu não sei exatamente o termo em grego,
deve ter alguma explicação mais hum
muito melhor do que a que eu vou dar
aqui, mas eu penso nessa timidez no
sentido de não se posicionar em relação
à aquilo que é certo e o que é errado.
Às vezes a bondade é você confrontar,
você confrontar, por exemplo, quem tá
causando o mal para alguém.
E ser bondoso não é chegar e dar um
abraço nele, não é confrontar
diretamente. Você tem que parar de fazer
isso com essa pessoa. Eu não aceito que
você faça essa maldade com essa pessoa,
né? E é difícil a gente achar esse
equilíbrio, né? Eh, eu adoro o texto que
Jesus fala: "Olha, vocês têm que ser
eh astutos como a serpente." E a astúcia
da serpente é é o é o termo que aparece
em Gênesis para se referir diretamente a
Satanás. Você tem que ser igual Satanás
nesse aspecto.
Eh, você tem que ser astuto como a
serpente, ao mesmo tempo sem malícia
como a pomba.
Você não tem que ser astuto como a
pomba, né, dentro do do contexto que tá
se falando, que é um animal bobo. Não é
para você ser bobo, é para você ser
esperto, ser astuto, ser firme,
inclusive às vezes. Mas ao mesmo tempo
não é para você ser e ter a malícia da
serpente.
Então, é difícil conciliar as duas
coisas. é a bondade da pomba e a astúcia
da serpente.
[limpando a garganta] O Fábio de Jesus
coloca aqui: "A face de Cristo está
descrito em Primeiro Coríntios 13. Fato
é os romances televisíbos esquecem de
retratar essa imagem como cerne
principal." É, muitas vezes, muitas
vezes. Eh,
o Carlos coloca aqui ág ágap, filel,
erros e store. Não lembro desse stor que
que era, mas são as várias palavras em
grego que a gente traduz como amor, né?
N fil seria o amor mais
eh fraternal, né? Que acho que inclusive
é o termo em latim fraternos, né? Ero
seria o amor, mais o amor lá de
Cantares, o amor de homem e mulher, né?
Da onde vem a palavra erótico também.
Eh, esse storio eu não sei de onde é.
Eh, Eduardo, para nós,
o o
esse DJ, ah, ele falou comigo lá no
e é o Alex, se eu não me engano. Eh,
Eduardo, para nós homens pode ser algo
negativo mesmo. No meu caso, eu aprendi
a ver Cristo sobre as várias faces.
leão, príncipe, rei, guerreiro, juiz,
são arquétipos masculinos fundamentais.
É, acontece às vezes da gente
necessariamente
ver Cristo como uma figura feminina.
Inclusive, muitas vezes ele é retratado
na nas imagens como uma figura feminina.
E não é necessariamente uma coisa ruim,
porque
gente, vocês estão me vendo? Ah, voltou,
caiu e voltou.
Bom, voltando aqui, eh, Jesus muitas
vezes é retratado como uma figura
feminina nos quadros mesmo.
Ele tem aspectos femininos de delicadeza
e de e de sensibilidade e tal. Eh, o que
não é necessariamente uma coisa ruim,
porque esses aspectos existiam também em
Jesus.
Mas a gente tá numa época que a a
própria masculinidade tá muito em
discussão, né?
E muita gente vê a masculinidade em si
como uma coisa negativa, embora tem
aspectos da masculinidade que são
negativos e precisam ser calibrados,
digamos assim. Mas é difícil achar esse
esse ponto. Como vê Cristo como uma
figura forte, até masculina, entre
aspas, eh ao mesmo tempo de não deturpar
o que é o Jesus bíblico. Se alguém te
bater numa face, oferece a outra. É
engraçado isso, né? pensar nessa
expressão como uma como uma expressão de
de afirmação eh
mais enfática, não necessariamente de
fraqueza. Eu, se alguém bater na minha
face, eu vou oferecer a outra face com
coragem, com força, não por covardia,
não por medo, mas por convicção e por
amor, por esse amor religioso, né? Eh, e
isso não é necessariamente uma coisa
masculina, né? Tipo, acho isso, acho que
isso vale também para paraas mulheres,
para pessoas que são mais femininas, né?
Eh, por que Jesus não respondeu a
Pilatos quando ele perguntou o que era a
verdade?
Boa pergunta. [risadas]
Boa pergunta. Eu nem sei se a pergunta
de Pilatos era de fato uma pergunta ou
era mais uma
retórica, sabe? Uma pergunta retórica.
É.
Mas tem gente, se se não me engano, Niet
diz que são as passagens, das melhores
passagens bíblicas, tá? Beleza. A
verdade, que que é a verdade do ponto de
vista de de
eh filosófico,
tá? A gente defende a verdade, a verdade
tá, tá, mas o que que é a verdade? Ah,
isso é extremamente legítimo, né? A
gente tá defendendo o tempo todo esse
valor. A verdade, ah, mas o que que é a
verdade? Já parou para pensar sobre isso
antes de sair defendendo a verdade? É
legítimo, né?
O João coloca aqui: "Cheguei atrasado.
Boa noite. Esse texto ajudou no que você
está falando. Evita discussões
insensatas, genealogias, contendas,
debates sobre a lei, porque não tem
utilidade e são fúteis.
É, eu acho que o o João tá falando aqui,
talvez talvez de quando a gente tava
falando sobre a sobre a verdade, né? eh
sobre participar de debates para
defender a verdade.
Eu acho que pode ser, João, mas eu acho
que no caso
Paulo tava falando mais sobre eh
discussões dentro da igreja,
dentro da igreja. Eh, e essa é uma
grande coisa. [risadas] Olha,
eh, esse texto, acho que quem não
participa de uma igreja não consegue
entender bem o que que ele quer dizer,
porque muitas vezes dentro das igrejas a
gente perde um tempo imenso, perde um
tempo, perde uma energia
e participando de discussões
absolutamente sem sentido infrutíferas,
sem motivo nenhum para existir. E as
pessoas perdem um tempo com aquilo,
perdem uma energia com aquilo. Olha,
isso é comum. Eu acho que qualquer
igreja, porque todas que eu frequentei,
né, eh, em algum aspecto tinha isso, né?
Hoje eu frequento uma igreja que eu
gosto bastante, tem menos, bem menos
disso daí. Eh, a igreja, eu digo, a
congregação em si, né? Não, a a a
denominação.
Eh, eu sempre fui da mesma denominação,
mas acho que em todas as denominações
vai ter isso. Acho que todas as igrejas,
todas as congregações, vai ter um pouco
disso. Gente que fica discutindo coisas
que tá beleza, mas esse não é o ponto,
entende? Eu acho que é isso que Paulo tá
falando.
Eh, discussões insensatas, genealogias,
contendas, debates sobre a lei, não tem,
não tem utilidades, são fúteis. É um
pode e não pode que, meu amigo, faz o
que você quiser, deixa o outro em paz.
Eh, é uma discussão sobre o que que
sabe,
quem é de igreja sabe do que eu tô
falando.
Aí o DJ fala aqui, Davi um bom, exemplo,
guerreiro, rei, mas poeta e músico
também.
É, mas eu acho que talvez Cristo, eh, o
próprio Jesus é um grande exemplo disso,
porque assim,
Davi, no final das contas, apesar de ser
um homem segundo o coração de Deus, ele
também é impedido de construir o
santuário porque a mão, as mãos dele
estavam cheias de sangue.
Então ele, o fato dele ser um guerreiro
muito habilidoso
trouxe muita prosperidade para Israel,
mas ao mesmo tempo não é esse o caminho
que Deus acha o ideal.
Então eu gosto de pensar em Cristo nesse
aspecto que a gente tá falando, sabe? de
eh porque [tosse]
quando a gente passa por essas
discussões, né, o que que é ser mulher,
o que que é ser homem, Cristo é um bom
exemplo para todos os aspectos, porque é
alguém que cuida dos outros, que tá
preocupado,
eh, e que sabe ceder, sabe servir, mas
servir com convicção. Eu tô aqui para
servir todo mundo. Eu tô aqui para lavar
o teu pé. Não, não, eu que vou lavar.
Não, se você não deixar eu lavar teu pé,
você não tem parte comigo. Eh, é ser
direto às vezes em algumas coisas, é
defender o que é justo, né, de forma
enfática,
mas isso sempre agindo a favor de quem é
injustiçado.
Então, eu não sei. Eu acho que quando a
gente pensa masculinidade, esses
aspectos tem que tem que tá em em voga.
a gente tem um problema hoje com, acho
que um problema que a gente tem muito
sério com masculinidade hoje,
eh, é a falta de serviço.
Eh, porque muitos dos discursos que a
gente tem aí de um grande exemplo de
masculinidade é uma masculinidade que é
servida.
Eu quero uma mulher que saiba me servir,
né? Porque eu sustento ela e ela me
serve.
Mas esse sustentar no sentido de dar
dinheiro e tal, eh, não é cuidar.
Então, uma crítica que se faz muito à
masculinidade, eu concordo com ela, é
que homens desaprenderam a cuidar das
pessoas.
Normalmente, quando isso eu eu fiz
estágio em uma escola
eh no no nesse semestre que passou, né?
Tô estudando psicologia.
Eh, e a gente tava conversando sobre as
crianças com
eh com algum tipo de transtorno e tal na
escola.
Isso todo mundo que trabalha na escola
fala: "Olha, um problema que a gente tem
é que quando a criança apresenta algum
transtorno, é muito comum o pai sair
fora e quem cuida daquela criança no dia
a dia tem que resolver os problemas é a
mãe." Então, pode ser até que o pai
pague ali a pensão, pague as obrigações,
mas eh
pagar conta diferente de cuidar e o
homem tem que reaprender a cuidar,
porque essa não era uma a ideia de que o
homem não é quem cuida. É uma coisa que
a gente inventou hoje. Não é assim. Foi
assim na história,
eh, saber cuidar das pessoas, saber
perder tempo para cuidar de alguém, eh,
eh,
saber ter paciência para cuidar de
alguém que que às vezes nem merece ser
cuidado, que não sabe eh que não tem
percepção de que está sendo cuidado,
sabe essas coisas. Eh, esse é um
elemento da masculinidade que tá em
falta hoje, né? Isso é uma crítica que
eu acho que é bem pertinente a à
masculinidade moderna.
E é um assunto que tá muito em voga
hoje, né? As pessoas falam muito de
masculinidade,
mas eu acho que as pessoas falam muito
de masculinidade em termos que não fazem
sentido, não são esses, né? Eh, e
principalmente bíblica, né? E
[limpando a garganta] talvez seja esse
um aspecto. O homem que cuida dos
outros, isso é ser homem de verdade com
H maiúsculo, sabe? Eu acho, pelo menos.
E eu percebo essa falta quando o cara
não sabe cuidar de alguém para isso não
é o homem mesmo de verdade de valor.
Bom, gente, é muito redpill essa
conversa ou antirpill, né?
Eh, o Daniel coloca aqui: "Verdade é
realidade, revelação e a pessoa de
Deus".
É,
eh, mas é, eu concordo.
E tem alguns outros aspectos aí também.
A palavra verdade no Antigo Testamento
normalmente não seria traduzida como
verdade. A palavra é met.
muitas vezes ela traduzida como
fidelidade.
Então, eh, é meio que a ideia de que
algo que você possa contar.
[limpando a garganta] Um exemplo bem
clássico é o pôr do sol. Pera aí.
É o nascer do sol, aliás, né? Um exemplo
bem clássico é o nascer do sol. Porque
por mais que esteja de noite,
você sabe que o sol vai nascer, porque
ele sempre nasceu e ele vai nascer. E
por mais que o céu esteja nublado, o sol
vai est nascendo ali. Por mais que você
não consiga ver, ele vai tá, ele vai
nascer. Então essa certeza que você tem
que o sol vai nascer, a ideia dessa
certeza é o é é esse conceito hebraico
de em. Por isso que é traduzido como
fidelidade também, que é algo que você
pode contar com aquilo, você não tem
dúvida sobre aquilo.
Independente das ideias, das discussões,
das das eh eh das eh das teorias e tudo,
aquilo vai acontecer.
Depende do que você acha, do que eu
acho, de tudo que você fala. Aquilo a
gente que a gente sabe que vai
acontecer. O sol vai nascer amanhã. Isso
é em Emet. E por isso Deus é em, porque
Deus vai continuar sendo o que ele
sempre foi e o que ele é e o que ele vai
ser sempre, entende? Então Deus é met
nesse sentido. Deus é o que ele é da
mesma forma como que o sol nasce todo
dia. Então independendo do que você
acha, do que eu acho e das discussões,
das teorias e tal.
Então esse é um conceito de met que eu
eu gosto, eu gosto dessa explicação que
é verdade e ao mesmo tempo fidelidade,
no sentido que você pode contar com
aquilo. Aquilo não é uma coisa que você
vai pisar naquele chão e ele vai ceder,
não. Aquilo é rocha firme. Você sabe o
que esperar daquilo.
Então [limpando a garganta] a ideia de
verdade é uma ideia composta de muitas
camadas. Então eu concordo aqui,
verdade, realidade,
eh, realidade também, acho que até em um
conceito até meio platônico de
realidade, é revelação.
Concordo, e é a pessoa de Deus também,
né? Eh, é essas três coisas, mas tem
mais camadas sobre o que que é a
verdade.
O que eu falei também é mais uma camada
o conceito de met, mas tem mais coisas
que é verdade também. De certa forma
bondade é uma verdade
que ela ela resiste a coisas que outras
coisas não resistem, né?
Aí o João coloca aqui: "Ouvi um
historiador da história da igreja
dizendo que a Igreja oriental, a visão
sobre o Espírito Santo é feminina.
Já ouviu a respeito?
Não ouvi falar na Igreja Oriental.
Eh, eu não sei direito como funciona
aqui no grego, na
expressão pneuma.
Eh, eu sei que tem que os substantivos
no grego também tem masculino e
feminino.
Eh, mas o que eu sei e o que é
interessante é que em hebraico a palavra
espírito, o espírito de Deus,
eh, a palavra espírito é é no feminino,
palavra rua, né? Então,
eu acho
verímilio isso daí. Não sei se é
verdade, mas é verossímio que exista uma
compreensão sobre o espírito de Deus,
sendo como uma expressão feminina de
Deus. Acho que é sim. Acho que sim.
E é engraçado, a gente comenta tanto de
masculinidade e femininidade, né? Eh,
para trazer um dado aqui mais mais
[roncando]
da de ciência e psicologia e tal, o fato
é o seguinte, eh, existem diferenças
entre homem e mulher. Isso daí tem muito
debate e tal. Então vou dizer até onde
eu sei é que existem diferenças
que são tão sutis
que elas elas se dissolvem na na
população em geral. Então a diferença
entre os indivíduos é maior do que a
diferença média entre homens e mulheres,
entende? Então, por exemplo, eh homens
costumam ser mais agressivos.
Quando você pega uma média geral, você
percebe uma diferençazinha de de
agressividade masculina. Eh, mas ao
mesmo tempo entre indivíduos essa
diferença é muito maior. Por exemplo, eu
sou um homem que eu não sou uma pessoa
agressiva. Eh, inclusive me falta
agressividade em algumas coisas. Algumas
coisas eu devia ser mais enfático e tal.
Talvez eu seja em outras, né? né?
Agressividade também é um é um é uma
ideia meio difícil,
mas de fato eu conheço muita muitas
mulheres que são mais duras, mais
diretas, né? Eh, que é uma
característica que a gente costuma
associar a masculinidade. Conheço muitas
mulheres que são mais do que eu, pelo
menos na forma de se expressar.
Eh, e muitas vezes eu também não vejo
sentido em ser duro, ser direto, uma
coisa que eu não acho que vai dar
resultado. Então, eu desisto facilmente
de ser agressivo quando eu não vejo não
vejo resultado.
Então, não é da minha característica
mesmo, apesar de eu ser obviamente um
homem. Eh, mas ao mesmo tempo que essa
diferença entre os indivíduos é muito
pequena, quando você pega os indivíduos
mais agressivos da sociedade, quando
você vai pro extremo, aí você tem, sei
lá, as pessoas que cometem os crimes
mais 10 pessoas que cometem crimes mais
violentos da sociedade, normalmente são
tipo 100% homens ou 90% homens. Então
existem características que na média da
população elas somem, não faz muita
diferença homem e mulher.
Eh, mas quando você vai pros extremos,
você vê uma ênfase mais no masculino e
feminino e tal.
A aí a grande pergunta é: essas
características são características
biológicas de homens e mulheres ou são
características
sociais? É a pergunta que não adianta a
gente debater aqui, ninguém tem essa
resposta. Não tem como fazer um
experimento e dizer com certeza isso,
né? O fato é que existem algumas
diferenças sutis, mas existem algumas
diferenças na anatomia
neurológica entre homens e mulheres, em
algumas estruturas específicas ligadas a
à sobrevivência. Inclusive, eu não
lembro o nome da da estrutura, mas tem
uma estrutura que normalmente os homens
na nos no cérebro masculino essa
estrutura é muito maior do que no
cérebro feminino e tal. E isso se
manifesta de alguma forma no na no
comportamento, eu não sei dizer, né? Mas
muito dessa discussão do que quer ser
homem é uma discussão artificial, é uma
discussão que não tem um um contraponto
no mundo real, é só uma coisa que tá
dentro da nossa cabeça. No final a gente
é ser humano, entende que eu quero
dizer? Não que não exista homem, né? Mas
que muito do que a gente entende ser
homem faz diferença.
Faz diferença.
Então, talvez a própria discussão de o
que que é ser homem, o que que é a
função do homem e tal, talvez grande
parte dessa discussão seja só perda de
tempo também, seja igual a gente estava
falando aqui, discussões insensatas
genealogias contendas e debates sobre a
lei, entende? Eh, então pode ser pode
ser que muito disso é
é só uma discussão cultural, mas que não
é realmente não tem um
só faz diferença para quem tá inserido
dentro dela, entende?
Bom, gente, é isso. Eu acho minha
garganta não aguenta muito mais não.
[limpando a garganta] Vocês estão vendo,
né, que eu tô de vez em quando bebendo
água aqui.
Minha garganta também tá meio assim. Não
sei se a gente, a discussão de hoje
também foi meio
meio [limpando a garganta] sem pé nem
cabeça para vocês.
Eh, mas é isso. Eu gosto, eu gosto
sempre de fazer essa live aqui, de
conversar com você, sempre questões que
para mim são interessantes.
Mas é isso. Eu acho que então a gente se
vê na semana que vem.
Eu vou pensar alguma coisa aí pra gente
falar. Talvez a gente possa falar sobre
a parábola do bom samaritano, né?
Que que vocês acham? Gente, eu sempre
falo coisas que a gente pode falar
e esqueço.
[risadas]
É, é uma característica minha, viu? Eh,
sempre tem coisas que eu acabo
esquecendo depois, né? O Eduardo coloca
aqui, mas tem uma passagem de onde Davi
diz ao seu filho, seja homem. Eu
[limpando a garganta] não conheço essa
passagem, mas não não duvido. Posso
posso ter, mas eu acho que
isso depende muito da cultura de
qualquer forma, entendeu?
Esse seja homem, que que ele quer dizer
com isso? Eh, quer dizer, o que que é o
conceito de homem na época? Eh, seja
homem, seja um bom ser humano, eh, seja
o que se espera de que um homem deveria
ser. Eu não sei exatamente, não sei se
isso,
isso é um um elemento que fala: "Não,
essa discussão não está restrita a
cultura". Acho que não sei.
Então tá, gente. [limpando a garganta]
Então a gente se vê então semana que
vem,
se eu me lembrar a gente conversa sobre
a a parábola do bom samaritano. Hoje a
gente não conversou também, não não
tiveram assim questões muito específicas
na nenhum comentário essa semana. Então
assim, eu vejo, eu sempre leio os
comentários que são colocados no
eh se alguém responde, comenta algum
algum vídeo que tem no no canal, eu
sempre dou uma olhada. Às vezes eu não
respondo, eu não paro para responder. Às
vezes eu eu vejo quando, sei lá, eu tô
no ônibus, aí eu penso, não vou escrever
agora, depois escreve e tal e aí eu
acabo não respondendo. Mas eu vejo todos
os comentários. Essa semana não tinha
nenhum comentário que eu achava que era
um assunto pra live aqui, mas se alguém
tiver alguma dúvida, algum assunto,
alguma coisa que
queira comentar, pode comentar em
qualquer vídeo que não seja só o
comentário aqui da dentro do chat da
live, eh porque aí eu não eu não vejo
esses comentários no mesmo lugar onde eu
vejo todos os comentários do do de que
são feitos em qualquer vídeo, mas fiquem
à vontade para comentar alguma coisa pra
gente trazer aí semana que vem. Se tiver
alguma questão que tiver aí incomodando
vocês, vocês querem que a gente comente
aqui. Não necessariamente que eu vou
trazer uma resposta definitiva e correta
sobre o assunto, mas pelo menos a gente
pode conversar um pouco sobre ela. Então
fiquem à vontade e aí a gente se vê
semana que vem. Obrigado aí para todo
mundo que participou. Teve bastante
gente participando hoje, né? Teve um
pessoal até que eu nem vejo sempre aqui,
mas é legal estar com vocês. Uma boa
noite para todo mundo e então e até
semana que vem. Uma boa semana, um bom
sábado e até mais. Ciao. Ciao.

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