Gula – Quando o Desejo Devora Você | Josemar Bessa
24/06/2026
Gula – Quando o Desejo Devora Você | Josemar Bessa
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Fonte: Josemar Bessa
Legendas automáticas:
Há um tempo atrás eu fiz uma uma um comentário sobre o filme Seven falando sobre os sete pecados capitais, mas foi um vídeo só e eu tinha que falar sobre todos os pecados. Eh, naquele vídeo as pessoas pediram para mim falar sobre cada pecado separadamente, né? Então agora eu quero começar a fazer isso sem nenhuma eh um cronograma assim. Vou falando sobre um pecado, por exemplo, hoje vou falar sobre a gula e nem sei se vou acabar hoje. E depois a gente vai andando por todos os pecados, usando ainda e o o filme como um guia de de exemplos, né? O filme Seven é de 1995, né? Com Brad Pitt, que é um detetive chamado David Mills. Ele tá começando, então ele tá cheio de paixão, não é? de garra para resolver as coisas. E tem um outro detetive já veterano chamado William Summerset, que é feito pelo Morgan Freeman, que está na situação oposta. Aquele é o último caso dele. Ele nem queria participar porque ele vai se aposentar. Então, eh, é o último caso dele, ele tá louco para se ver livre daquele mundo, não é, de detetive, de crimes e etc. Tem a Gent Peltro, que é a esposa do do eh Brad Pitt, né? Trace MS e o assassino serial que é o Kevin Space John Do. Então o que acontece, eu não vou me ater muito a ao filme em partes que não são eh teológicas, né? Eh, há um assassino, né, um serial killer que está matando conforme eh os pecados capitais, os sete pecados capitais. E o primeiro eh no filme é a gula, não é? E a gente vai falar então primeiro sobre a gula em alguns vídeos, um ou dois, três, sei lá, e depois vamos seguindo eh os os pecados na mesma ordem que eh aparecem eh no filme. Então, o primeiro pecado apresentado em Seven não aparece em uma discussão filosófica, nem em uma confissão religiosa, nem em uma cena onde alguém tenta explicar o mal do mundo, não é? Ele aparece diante de uma mesa. Um homem eh está morto, mas ele não está morto de qualquer maneira. Ele não foi apenas assassinado. Ele foi transformado em sinal. Seu corpo enorme, né? gordo, pesado, humilhado, está ali como se a própria carne tivesse se tornado uma acusação. A casa é escura, abafada, suja, quase irrespirável o ambiente. A comida está presente não como comunhão, não como celebração, não como sustento, mas como instrumento de destruição. Ele foi forçado a comer. Comer além do limite, comer além da fome, comer além da dignidade, comer até que o corpo feito por Deus para receber alimento como dádiva fosse esmagado pelo próprio alimento. E essa imagem é repulsiva porque ela toca em algo mais profundo do que o estômago. Infelizmente, quando fala de gula, as pessoas às vezes nem sabem porque colocaram entre os sete pecados capitais. não é, que são a raiz de todos os outros pecados, tendo o orgulho como a raiz dos próprios pecados capitais e esses sendo os galhos de todos os outros pecados. Então, eh eh a imagem é repulsível porque ela toca em algo mais profundo do que o estômago. Ela não mostra apenas um homem que comeu demais. Ela mostra um homem reduzido ao seu apetite, [tosse] desculpa, ao desejo, ao seu apetite. Um homem diante de uma mesa que já não parece mesa, mas um um altar. E o que está sendo oferecido ali não é gratidão pelo alimento, não é vida, não é alegria, é morte. Esse é o primeiro sermão de John D, que é o serial killer, né? O Kevin Space. É um sermão sem púlpito, sem Bíblia, sem misericórdia, sem evangelho, mas ainda assim um sermão. Porque John Du não quer apenas matar, ele quer interpretar. Ele quer que cada morte diga alguma coisa, denuncie alguma coisa. Ele quer que cada corpo seja uma mensagem. Ele quer transformar pecadores em ilustrações grotescas de seus próprios pecados. E no caso da gula, a mensagem é simples e terrível. O homem devorou e agora foi devorado pelo seu apetite. Mas aqui precisamos tomar cuidado porque é muito fácil olhar para aquela cena e manter distância dela como se não tivesse nada a ver conosco. E a gente sabe que não é assim que o pecado realmente age, ele age igual sobre os homens. Não é? É fácil pensar que aquilo é extremo demais, grotesco demais, distante demais. Aí será que é? É fácil assistir aquele cadáver e dizer isso não tem nada a ver comigo. Afinal, a maioria das pessoas não será encontrada em uma eh cena de crime como aquela. A maioria das pessoas não morrerá daquele jeito. A maioria das pessoas consegue se convencer de que a gula é apenas o pecado de alguém sem disciplina, sem limite, sem controle físico. Mas a Bíblia nunca nos permite tratar o pecado apenas como uma caricatura. dos outros. Ela não não nos deixa assistir ao mal como espectadores confortáveis. Nenhum pecado, a Bíblia deixa a gente assistir só como espectador. Ela nos puxa para dentro da cena. Em Filipenses 3 18 19, Paulo escreve: "Pois como já lhes disse repetidas vezes e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição e o seu Deus é o estômago. E eles têm orgulho do que é vergonhoso. Só pensam nas coisas terrenas." Essa frase é devastadora. O seu Deus é o estômago. Paulo não está falando apenas de comida. Paulo está falando de adoração. Está dizendo que é possível um desejo corporal assumir um lugar espiritual, religioso. É possível o apetite se tornar Senhor. É possível o homem viver guiado não pela glória de Deus, mas pela exigência imediata da própria fome, do próprio desejo. E essa fome pode ter muitos nomes. Pode ser comida, pode ser prazer, pode ser conforto, pode ser consumo, pode ser sexo, pode ser descanso, pode ser entretenimento, pode ser aprovação, pode ser sensação constante de estar eh satisfeito, distraído, servido, protegido de qualquer desconforto. Ou seja, a gula é algo muito mais abrangente. Estômago em Paulo representa muito mais do que um órgão. Representa o homem governado por desejos terrenos. O homem que não olha para cima, o homem que não pergunta: "Isso glorifica Deus?" O homem que só pergunta: "Isso me satisfaz agora". E esse é o ponto em que Seven começa a ficar espiritualmente desconfortável, porque o cadáver diante da mesa é extremo, mas a lógica por trás dele é comum no mundo, nos homens, em todo homem. O homem caído vive tentando transformar a criação em Salvador. Ele pega aquilo que Deus criou, bom, e tenta extrair daquilo, eh, extrair dali aquilo que só Deus pode dar. Ele recebe alimento, mas quer que o alimento seja consolo para ele, consolo absoluto. Ele recebe prazer, mas quer que prazer seja redenção. Recebe descanso, mas quer que o descanso seja fuga da alma. recebe o mundo criado, mas exige que o mundo criado funcione com Deus. Todas as coisas, romance, sexo e o mundo criado não suporta esse peso. Nada criado consegue carregar o peso da adoração. Quando o homem transforma comida em Deus, a comida o escraviza. Quando transforma prazer em Deus, o prazer o consome. Quando transforma conforto em Deus, qualquer sofrimento vira uma ameaça insuportável. Quando transforma o corpo em Deus, envelhecer se torna terror. Quando transforma a sensação em Deus, o silêncio se torna inimigo. Agula, então, não é apenas sobre comer muito, é sobre ser governado por um desejo que perdeu o seu lugar legítimo. É sobre a alma tentando se alimentar de algo que nunca poderá salvá-la. E aqui a a Bíblia nos ajuda a enxergar com mais profundidade. O pecado nunca é apenas comportamento externo. Ele nasce em coração. Antes de aparecer na mesa, aparece no desejo. Antes de aparecer no prato, aparece na adoração. Antes de dominar o corpo, já começou a negociar com a alma. Tiago 1 14 15 diz: "Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido." Segula, né? Então, esse desejo, tendo concebido, dá a luz o pecado. E o pecado após ter sido consumado, gera morte. Essa é praticamente a anatomia espiritual daquela cena, não é? Da primeira cena do filme. Desejo, sedução, pecado, morte. Tiago não descreve o pecado como algo que simplesmente cai sobre o homem de fora para dentro. Ele mostra que existe algo dentro de nós que responde à tentação. É a concupiscência. A própria concupiscência tenta o homem. não precisa de nada fora dele. O desejo arrasta, o desejo seduz, o desejo promete, o desejo oferece uma versão de felicidade. E quando o homem se entrega, aquilo que parecia pequeno começa a crescer. O pecado concebido amadurece e quando amadurece acaba sempre em morte. A mesa de Svenem é horrível porque mostra o final de um caminho, mas a Bíblia nos obriga a olhar para o começo desse caminho. O começo é o coração querendo ser satisfeito longe de Deus. Essa é a tragédia do homem caído. Ele não é apenas alguém que sente fome, ele é alguém que tenta fazer da fome sua identidade. Ele não é apenas alguém que deseja, ele é alguém que confia no desejo como guia. como aquele que vai direcioná-lo. E quando o desejo assume governo, o homem não se torna mais livre, torna-se menos humano. Aquela cena mostra isso perfeitamente, porque liberdade na Bíblia não quer fazer tudo o que o apetite manda. Isso é escravidão com outro nome. O mundo moderno costuma chamar de de eh eh liberdade, a capacidade de obedecer imediatamente aos próprios impulsos e desejos. Se eu quero, devo ter. Se sinto, devo seguir. Se desejo, devo me expressar. Se me satisfaz, deve ser legítimo. Mas essa é uma das grandes mentiras do pecado. O pecado sempre se apresenta como libertador antes de se revelar como carcereiro. Ele diz: "Coma". Depois diz: "Continue comendo". Depois diz: "Você precisa disso." Depois diz: "Você não consegue parar". Depois diz: "Agora você é isso." É assim que os ídolos funcionam. Eles primeiro prometem servir ao homem, depois exigem ser servidos por ele. E isso torna o primeiro crime de Seven tão teologicamente forte. É isso que torna. A vítima está diante da comida, mas não está celebrando uma dádiva e agradecendo a Deus pelo alimento. Está sendo destruída por ela, pela dádiva. O alimento que deveria sustentar a vida foi transformada em instrumento de morte. A mesa que poderia ser lugar de comunhão, virou lugar de juízo. O corpo que deveria ser recebido como criação de Deus foi reduzido a palco de degradação. Mas o serial killer, né, John Drew, não entende a profundidade disso. Ele vê o pecado, mas não vê o pecador como alguém que precisa de graça. Ele vê a deformidade, mas não conhece redenção. Ele vi a culpa, mas não sabe o que fazer com ela, além de puni-la. E essa é uma diferença essencial entre o moralismo sombrio de John Do e o evangelho de Cristo. John Do olha para o guloso e diz: "Morra pelo seu pecado". O evangelho olha para o pecador e diz: "Cristo morreu por pecadores." Isso não diminui a gravidade da gula. Pelo contrário, a cruz jamais diminui a gravidade do pecado. Ela revela que o pecado é tão grave que exigiu sangue, sangue de Deus, sangue puro. Mas a cruz também revela algo que John Du jamais poderia oferecer. Misericórdia santa. Não só misericórdia, não é? O grande enigma é oferecer uma misericórdia que seja santa, que não ofenda a justiça. Não uma misericórdia que finge que o pecado não importa ou que não é tão sério, mas uma misericórdia que julga o pecado em Cristo para salvar aqueles que pertencem a Cristo. O cadáver diante da mesa mostra o que o pecado faz. A cruz mostra o que Deus fez para salvar pecadores do pecado. E essa diferença muda tudo. Porque sem evangelho, a percepção do pecado só produz duas coisas: desespero ou crueldade. Alguns veem o pecado e desistem do mundo. Outros vem o pecado e querem punir o mundo. Nesse caso, John, que é o seral Kir, escolhe a segunda opção. Ele não é um profeta, ele é um assassino com linguagem religiosa. Ele não chama pecadores ao arrependimento. Ele os transforma em monumentos de condenação. Ele não oferece verdade com lágrimas, oferece morte com método. Paulo em Filipenses fala dos inimigos da cruz com lágrimas. John Du fala dos pecadores com desprezo. Essa diferença importa porque a teologia bíblica, quando é realmente bíblica, nunca nos ensina a olhar para o pecado humano com inocência ou com compreensão ou chamá-lo por nomes humanistas seculares, terapêuticos, mas também nunca nos autoriza a olhar para pecadores com prazer na destruição. Ela nos ensina que o homem é mais corrupto do que admite, mais escravizado do que percebe, mais culpado do que gostaria de admitir. E ainda assim a graça de Deus é mais soberana, mais profunda e mais poderosa do que o pecado de seus eleitos. A cena da Gul então nos coloca diante de uma pergunta que vai além do filme. O que governa o homem? Não o que ele diz que governa, não o que ele posta, não o que ele canta no domingo, não o que ele afirma em uma conversa religiosa, mas o que realmente o conduz quando ninguém está olhando. O que ele busca como consolo ou para consolo, para onde corre quando está vazio, o que ele sente que precisa para se sentir melhor, o que precisa ter para sentir que consegue continuar. O que se Deus tirar, fará seu coração acusar Deus de falta de bondade, injustiça. Ou se não tiver coragem de acusar, vai dizer: "Não estou entendendo". Essas perguntas revelam nossos altares. Porque o Deus de alguém não é apenas aquilo que ele confessa com a boca. muitas vezes é aquilo que ele obedece com o corpo, protege com a agenda, justifica com a mente e busca com desespero quando a alma está inquieta. Por isso, a gula é um começo perfeito para Seven. Ela é primitiva, corporal, imediata, quase animalesca, mas ao mesmo tempo profundamente espiritual. Ela mostra que o pecado não vive apenas nas ideias, vive nos apetites, não apenas em grandes crimes. O pecado aparece na forma como lidamos com as coisas simples, a comida, o conforto, o prazer, o excesso, o só mais um pouco, o eu mereço, o não consigo ficar sem isso. E quando o coração se acostuma a obedecer ao apetite, ele começa a chamar escravidão de necessidade. Esse é o horror da gula. Não é apenas comer, é ser comido pelo próprio desejo. Ser devorado pelo desejo. Não é apenas consumir, é ser consumido. Não é apenas sentar-se à mesa. É transformar a mesa em altar e depois descobrir que o Deus servido ali não dá vida. Ele cobra. Ele exige, ele devora. E diante daquele primeiro cadáver, Sven nos força a encarar uma verdade que a escritura já havia revelado muito antes. O homem longe de Deus não sabe usar corretamente nem as dádivas mais simples como a comida. Ele pega o pão e tenta fazer dele um salvador. Pega um prazer e tenta fazer dele um refúgio. Pega o corpo e tenta fazer dele um reino. Mas tudo aquilo que é colocado no lugar de Deus se volta contra o homem. A gula é apenas a primeira porta. Atrás dela está o coração humano. E esse coração, se não for resgatado pela graça, continuará fazendo a mesma coisa até o fim, procurando vida onde só encontrará morte. E o horror da primeira morte em Seven não está apenas no excesso, está na inversão. A comida que deveria sustentar a vida foi transformada em instrumento de morte. A mesa que poderia ser lugar de comunhão, virou cenário de degradação. O corpo que deveria ser cuidado como criação de Deus foi usado como palco de humilhação a escravização do desejo. E isso é importante porque quando olhamos para aquela cena, podemos cair em um erro antigo. imaginar que o problema está na matéria, no corpo, no alimento, no prazer, na fome. Mas esse não é o diagnóstico bíblico. A Bíblia não trata o corpo como inimigo da alma, não ensina que a comida é impura em si mesma, não apresenta o prazer legítimo, seja ele qual for, não é? Comer, beber, sexo não apresenta o prazer legítimo como algo necessariamente suspeito. A fé cristã não é uma espiritualidade de desprezo pela criação. O Deus da Bíblia não é um Deus frio, distante, incapaz de se agradar da beleza, do sabor, da textura, do descanso, da celebração, da mesa cheia, do pão partido, do vinho servido, da comunhão ao redor de uma refeição. Foi ele que criou todas essas coisas. O problema não é que o homem tem corpo. O problema é que o homem caído quer fazer do corpo seu senhor. O problema não é que o homem sente fome. O problema é que o a fome depois da queda pode deixar de serva e começar a governar. O problema não é a dádiva, não são os prazeres que Deus concedeu. O problema é quando a dádiva ocupa o lugar do doador. Essa distinção é essencial, porque sem ela podemos interpretar a gula de maneira superficial. Podemos imaginar que o caminho da santidade é simplesmente negar tudo que dá prazer, como se o pecado estivesse nas coisas criadas e não no coração que as distorce. Mas a verdade de Deus sempre preservou isso claramente. Deus criou um mundo bom. A queda nos transformou eh eh não transformou a criação em algo essencialmente mau. Ela corrompeu o modo como o homem se relaciona com a criação. Em Gênesis 1:31 a gente lê: "E Deus viu tudo que havia feito e tudo havia ficado muito bom. Tudo era muito bom". Essa frase vem antes da queda, antes da culpa, antes da morte, antes da vergonha, antes do pecado, entrar na experiência humana. Deus olha para o mundo que fez e declara que tudo era muito bom. Não apenas a alma, não apenas o invisível, não apenas aquilo que chamamos de espiritual, tudo. A terra, o céu, os animais, as árvores, os rios, os frutos, o corpo humano, os sentidos, a capacidade de provar, tocar, ver, ouvir, trabalhar, descansar, comer e desfrutar. Isso significa que a comida em sua origem não é uma armadilha, é uma dádiva. O corpo não é um acidente, é criação. O prazer legítimo não é uma sujeira, é parte de um mundo que saiu das mãos do Deus como algo muito bom. E é justamente por isso que o pecado é tão grave, que o pecado não cria um mundo próprio nada. Ele pega o que Deus fez e distorce. Pega uma coisa boa e desorganiza. Pega uma dádiva e a transforma em ídolo. Pega um apetite legítimo e o transforma em tirano. Pega o pão que deveria nos lembrar da bondade de Deus e comermos e bebermos para sua glória e o transforma em um falso salvador. Essa é a tragédia da gula. Ela não é apenas uma fraqueza de disciplina, não é só sobre comida. Ela é uma mentira sobre a criação. Ela diz ao coração humano: "Esta comida pode consolar você como Deus não consola". esse relacionamento, essa conquista, esse prazer, este prazer pode preencher você como Deus não preenche. Essa sensação pode proteger você do vazio. Esse relacionamento pode proteger sua alma do vazio. Esse excesso pode silenciar sua alma angustiada. esta próxima mordida, este próximo gole, este próximo prazer, este próximo relacionamento, este próximo alívio, talvez finalmente entregue aquilo que você está buscando, procurando, mas nunca entrega. Porque a criação não foi feita para ser Deus, ela foi feita para apontar para Deus. Quando o homem recebe a criação com gratidão, ela se torna ocasião de adoração. Mas quando o homem exige da criação aquilo que só o criador pode dar, ela se torna ocasião de escravidão. Por isso, a mesa em Seven é tão perturbadora, ela mostra uma criação arrancada do seu propósito. O alimento está ali, mas não há gratidão. Há abundância, mas não há alegria. Há consumo, mas não há comunhão. Há corpo, mas não há dignidade. Tudo que poderia apontar para a bondade de Deus foi reorganizado em torno da morte. E é isso que o pecado faz. O pecado não precisa destruir imediatamente uma coisa boa para torná-la perigosa. Às vezes ele apenas muda seu lugar. Ele não precisa remover a comida, basta fazer dela um Deus. Não precisa remover o prazer, basta fazer dele uma identidade. Não precisa remover o descanso, basta fazer dele uma fuga. Não precisa remover o corpo, basta fazer dele o centro da existência. O pecado é muitas vezes uma questão de senhorio. Quem governa? Quem manda? Quem define o limite? Quem recebe a glória? Quem diz sim? Quem diz basta? Quem está no trono? Essa é a pergunta que a gula nos obriga a fazer. Porque um apetite não é mal simplesmente por existir. Fome é parte da nossa humanidade. Deus fez o homem como criatura dependente. O ser humano precisa comer, precisa dormir, precisa respirar, precisa de descanso, precisa de água. Essa dependência precisa do outro, né? Essa dependência não é consequência do pecado, ela faz parte da condição de criatura. Adão, antes de pecar não era autossuficiente. Ele precisava do mundo que Deus havia feito. Precisava do jardim, precisava do fruto, precisava da presença de Deus. A diferença é que antes da queda a dependência era vivida como adoração. Depois da queda a dependência é frequentemente vivida como idolatria. O homem continua precisando das dádivas, mas agora tenta usá-las sem submissão ao doador. Continua recebendo o mundo de Deus, mas quer interpretá-lo sem Deus ou substituindo Deus ou somando a Deus. continua comendo o pão que Deus permite, mas quer comer como se fosse dono absoluto da mesa. Essa é uma das marcas mais profundas do pecado. Receber tudo de Deus e agir como se nada viesse dele e como se tudo fosse a respeito de nós. O pecador respira ar emprestado e usa esse fôlego para se exaltar. Come alimento sustentado pela providência e usa essa força para fugir de Deus. Vive em um corpo tecido pelo Criador e usa esse corpo como instrumento de rebelião. Desfruta de prazeres que só existem porque Deus é generoso e depois transforma esses prazeres em desculpas para esquecer o próprio Deus. É por isso que a ingratidão está no centro de tantos pecados. A gula raramente começa com ódio declarado contra Deus. Muitas vezes começa com gratidão, começa quando o coração deixa de receber e começa a exigir. Deixa de agradecer e começa a consumir. Deixa de reconhecer o doador e passa a olhar para a dádiva como se ela existisse apenas para servir aos seus impulsos. Paulo corrige isso em primeira Timóteo 4 4 e 5. Pois tudo que Deus criou é bom e nada deve ser rejeitado se for recebido com ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração. Essa passagem é importante porque impede dois erros. O primeiro erro é tratar a criação como má. O segundo erro é tratar a criação como absoluta. Paulo não diz que a comida deve ser rejeitada para que sejamos espirituais. Ele diz que aquilo que Deus criou é bom e deve ser recebido com ação de graças. Mas também não diz que devemos receber as coisas como animais governados por instinto, desejos, hormônios. A dádiva deve ser recebida diante de Deus pela palavra, com oração, com gratidão, com consciência de que nada pertence a nós de forma independente. Ação de graças é mais do que uma formalidade antes, por exemplo, de uma refeição. É uma postura diante da realidade. É o coração dizendo: "Isto não é meu por direito absoluto. Isso veio de Deus. Isto deve ser usado diante de Deus. Isto não pode tomar o lugar de Deus. Isto deve me levar a Deus. A gratidão protege a criação da idolatria. Quando agradecemos de verdade, a dádiva volta para o seu lugar. Ela deixa de ser um Deus e volta a ser presente. Deixa de ser senhor e volta a ser serva. Deixa de ser fim último e volta a ser sinal da bondade divina. Mas o homem caído não quer apenas receber, ele quer possuir, ele quer dominar, ele quer consumir sem prestar contas. Por isso, a gula tem uma relação tão íntima com a ausência de gratidão. O guloso não é simplesmente alguém que aprecia comida. Apreciar comida pode ser santo. Comer com alegria diante de Deus pode ser expressão legítima de gratidão. Uma mesa pode ser lugar de comunhão, hospitalidade, celebração e amor. O problema surge quando a comida deixa de ser recebida e começa a ser usada como substituto de Deus. Qualquer desejo que substitua Deus, não é? É um desejo guloso, não importa sobre o quê. A gula é o apetite sem duxologia, o apetite sem adoração. Eh, fome sem adoração, sede sem adoração, eh desejo de romance sem adoração, sexo, né? É o prazer sem gratidão, é o corpo sem submissão, é a mesa sem Deus. A gula é a mesa sem Deus. É uma mesa sem Deus cedo ou tarde. Qualquer mesa sem Deus, cedo ou tarde deixa de ser comunhão e se torna um cativeiro da prisão. Isso não aparece apenas no excesso visível. Às vezes a gula se manifesta de formas eh socialmente aceitáveis. Pode aparecer no refinamento do paladar como identidade. Pode aparecer na necessidade de conforto constante, pode aparecer na incapacidade de dizer não a si mesmo em qualquer prazer. Pode aparecer na irritação quando a vontade é contrariada em qualquer situação. Pode aparecer na ansiedade de sempre precisar de alguma sensação para suportar a vida. pode aparecer na relação secreta com comida, bebida, compras, séries, telas, prazeres, sex ou qualquer coisa que prometa alívio imediato. O coração humano é muito habilidoso em disfarçar seus altares. Ele pode transformar até autocuidado em idolatria. Pode transformar descanso em fuga. Pode transformar prazer legítimo em escravidão secreta. Pode transformar uma refeição em consolo supremo. Pode transformar disciplina alimentar em orgulho espiritual. Porque o pecado é mais profundo do que o objeto. Duas pessoas podem estar diante da mesma mesa, comendo o mesmo alimento e espiritualmente fazendo coisas completamente diferentes. Uma come gratidão, reconhecendo a bondade de Deus. A outra come alguém tentando medicar a alma. Uma recebe, a outra se curva e adora. Uma desfruta, a outra obedece como a um senhor ao apetite. Uma vê o alimento como dádiva, a outra exige que o alimento seja salvador. Por isso, não basta perguntar o que o homem consome. Eu preciso perguntar o que o consome, o que domina seus pensamentos, o que governa as suas escolhas. desejo extinto, o que ele protege com suas desculpas e racionalizações com o humanismo secular, o que ele não suporta perder, o que ele chama de necessidade, mas talvez seja senhorio, de algo sobre ele, o que ele usa para não encarar Deus. Essa é uma das grandes contribuições, né? Eh, por exemplo, da teologia reformada paraa leitura do pecado. Ela não nos deixa parar na superfície. Ela não trata o homem como uma máquina de comportamentos isolados. Ela ela olha para o coração como centro de adoração. O coração é um centro de adoração. O ser humano não é apenas um agente moral que toma decisões. Ele é um adorador. Seus desejos têm direção. Seus hábitos revelam devoções. Seus excessos denunciam esperanças. Seus vícios mostra onde ele tentou encontrar vida. O problema da gula, então não é que alguém amou comida, é que amou comida de modo errado. Amou como refúgio, amou como senhor, amou como consolo final, amou como fuga da dor, amou como substituto da presença de Deus. E sempre que um amor criado assume proporções divinas, não importa o quê, ele começa a destruir. Isso vale para comida, mas é óbvio, não termina nela, porque a gula é apenas uma porta para todos os apetites. Tá falando como nós lidamos com todos os apetites. O pecado da gula nos ensina como o coração funciona diante de qualquer prazer. Primeiro ele recebe algo bom, depois deseja aquilo com uma força crescente, cada vez mais crescente. Depois começa a justificar, depois negocia limites, depois se irrita quando é impedido de ter. Depois se acostuma à escravidão, depois chama a escravidão de personalidade, necessidade ou direito. E quando alguém tenta confrontar, o coração responde: "Mas eu preciso disso. Mas isso me ajuda, mas isso é a única coisa que me acalma. Mas Deus entende, mas não é tão grave. Mas todo mundo tem alguma coisa. Essas frases parecem pequenas, mas revelam uma guerra de senhoria, de governo. Porque tudo aquilo que eu preciso de maneira absoluta começou a disputar o lugar de Deus. Tudo aquilo que eu não consigo entregar nas mãos do Senhor, sem acusá-lo de crueldade ou me desesperar em ansiedade, talvez já tenha se tornado mais do que uma dádiva, um presente. Tudo aquilo que eu uso para sobreviver espiritualmente no lugar de Cristo se tornou um falso pão. Só que só ele é o pão da vida. É por isso que Paulo diz em Primeira Coríntios 10:31: "Assim quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para glória de Deus". Todas as coisas que Deus criou, eh, não podem governar vocês por, eh, apetites extintos. Esse versículo é imenso porque pega uma das coisas mais comuns da vida, comer e beber, e coloca diante da glória de Deus. Paulo não disse: "Quando vocês pregarem, façam para a glória de Deus". Embora isso seja verdade. Ele não diz apenas: "Quando vocês orarem, façam para a glória de Deus". Embora isso também seja verdade. Ele diz: "Quando comerem, quando beberem, quando fizerem qualquer outra coisa". Ou seja, não existe uma parte neutra da vida humana. Não existe uma área onde o homem pode dizer: "Aqui Deus não entra. Aqui isso é mais importante do que Deus". A glória de Deus alcança a mesa, o prato, o corpo, o copo, a cama, o descanso, o prazer, o romance, o trabalho, a rotina, o uso do tempo, a forma como gastamos dinheiro, a forma como buscamos alívio, a forma como lidamos com desejos, apetites. Isso desmonta a falsa separação entre vida espiritual e vida comum. Para a Bíblia, até comer é teológico, até beber é espiritual, até o modo como lidamos com o corpo revela quem é nosso Senhor. Isso é profundamente eh eh sondador dos nossos corações, porque se Deus é soberano sobre todas as coisas, então nada pertence a uma zona independente. Se Cristo é Senhor, ele não reina apenas sobre o culto de domingo, mas sobre a mesa de segunda-feira. Ele não governa apenas nossas doutrinas, mas nossos apetites, nossos desejos. Ele não governa apenas nossas palavras públicas, mas nossos desejos secretos. Não apenas nossa confissão de fé, mas aquilo que buscamos quando estamos cansados, ansiosos, sozinhos ou frustrados. A pergunta não é se vamos comer, vamos comer. A pergunta é se comeremos como criaturas agradecidas ou como adoradores desordenados? A pergunta não é se teremos corpo. Temos corpo. A pergunta é se o corpo será apresentado a Deus como um sacrifício vivo ou entregue ao governo dos desejos, prazeres e apetites. A pergunta não é se sentiremos prazer. Sentiremos. A pergunta é se o prazer será recebido dentro da ordem de Deus ou usado como uma tentativa de escapar dele e nos dar o que só ele pode dar. É nesse ponto que John Doom erra de maneira profunda. Ele olha para o pecado da gula e transforma o corpo em inimigo. Ele não vê uma criação boa distorcida pelo pecado. Ele vê uma carne que precisa ser castigada. Sua resposta ao pecado não é redenção, mas espetáculo. Ele não procura restaurar a ordem, ele encena a condenação. Ele não chama o pecador a voltar ao criador. Ele esmaga o pecador debaixo da própria deformidade. Mas Deus não trata as suas dádivas assim. Deus não odeia o corpo. Foi ele quem criou o corpo. Deus não odeia a mesa. Ele mesmo usou mesas como lugares de comunhão, aliança, provisão e promessa. Deus não odeia o pão. Cristo multiplicou o pão, partiu o pão, ensinou seus discípulos a pedir o pão diário e se apresentou como o pão da vida. O problema não é o pão. O problema é quando o homem quer pão sem Deus. O problema não é o prazer. O problema é quando o prazer exige autonomia. O problema não é o corpo. O problema é quando o corpo deixa de ser instrumento de adoração e se torna trono de desejos caídos. Essa visão nos livra tanto do aceticismo orgulhoso e legalista, quanto do hedonismo escravizador. Um aceto orgulhoso olha para as dádivas de Deus e diz: "Sou mais santo porque rejeito". O hedonista olha para as dádivas e diz: "Sou mais livre porque consumo, satisfazço meu apetite". O evangelho olha para as dádivas e diz: "Receba com gratidão, use com santidade, submita tudo à glória de Deus". Essa é a liberdade cristã. Não a liberdade para ser dominado. É liberdade para receber sem adorar. Liberdade para desfrutar sem se curvar. Liberdade para agradecer sem absolutizar aquilo na sua vida. Liberdade para dizer sim quando Deus permite e dizer não quando o desejo quer governar. O cristão não precisa ter medo da criação, mas precisa desconfiar do próprio coração. Porque a criação é boa, mas o coração caído é enganoso. A comida é boa, mas pode ser idolatrada. O prazer é dádiva, mas pode se tornar senhor. O descanso é necessário, mas pode virar fuga. A beleza é dom, mas pode virar obsessão. O corpo é criação, mas pode virar altar do ego. Por isso, a vida cristã exige vigilância. Não uma vigilância neurótica, como se cada prazer fosse necessariamente suspeito. A suspeita está sobre o nosso coração, não é? Então, não como se cada prazer fosse necessariamente suspeito, mas uma vigilância humilde, consciente de que ainda carregamos desejos que precisam ser disciplinados pela graça. O crente não é salvo por dominar seus apetites, mas o Deus que salva também começa a santificar. seus apetites. A graça que perdoa é a mesma graça que reordena o coração, os desejos, os afetos, cria novas afeições. E essa reordenação não acontece apenas por proibição, acontece por adoração. O coração não abandona ídolos simplesmente porque alguém disse que eles são ruins. O coração abandona ídolos quando começa a enxergar a glória superior de Deus. Um prazer menor só perde o domínio quando um prazer maior, mais santo e mais profundo toma seu lugar. A alma não é curada apenas ficando vazia. Ela precisa ser preenchida por aquilo para o qual ela foi criada. E por isso que a resposta gula não é apenas comer menos. Alguém pode comer menos e continuar idólatra, ou seja, continuar no pecado da gula. Pode controlar a dieta e adorar o controle. Pode vencer o excesso de comida e se tornar escravo da aparência. Gula pode abandonar um prazer grosseiro e substituí-lo por um prazer socialmente respeitável e ficar dependente. Gula. Pode trocar gula por eh vaidade, indisciplina, por orgulho, compulsão, por superioridade moral. O coração é capaz de transformar até vitórias externas em ídolos internos. Por isso o evangelho vai mais fundo. Ele não pergunta apenas quanto você come, ele pergunta: "Quem você adora? O que seus apetites contam sobre você?" Não pergunta apenas: "Você tem controle?" pergunta a quem pertence o seu corpo. Não pergunta apenas você consegue dizer não? Pergunta qual sim governa a sua vida? Porque a santidade bíblica não é apenas ausência de excesso, é presença de adoração verdadeira. Não é apenas negar apetites desordenados, é entregar o corpo, a mente, o desejo e a mesa ao Senhor. Nesse sentido, a primeira cena de Seven continua nos confrontando. Aquele homem morreu diante de uma mesa, mas sua morte aponta para uma realidade maior. O homem pode se perder não apenas em coisas claramente mais, mas também em coisas boas usadas de forma errada. Ele pode se destruir com dádivas quando tenta transformá-las em deuses. Pode afundar não apenas no que Deus proibiu, mas no que Deus permitiu, criou e deu quando recebe sem gratidão e consome sem submissão. Essa é uma das sutilezas do pecado. Ele nem sempre começa nos convidando a odiar Deus. às vezes começa nos convidando a desfrutar as coisas de Deus sem Deus. Comer sem gratidão, beber sem reverência, descansar sem confiança, comprar sem contentamento, desejar sem limites, viver sem referência à glória divina, se relacionar com alguém sem referência à glória divina. Então, os próprios desejos estão controlando os próprios apetites e estão prometendo, óbvio, algo maior do que Deus. Por isso a pessoa está disposta a seguir os apetites. Então, pouco a pouco a alma vai sendo treinada a buscar no mundo, nas coisas, aquilo que deveria buscar no Senhor. O apetite fica mais forte, a consciência mais fraca, a gratidão desaparece, o limite parece opressão. O limite que Deus estabelece parece opressão. O desejo começa a suar como voz de autoridade. É o que eu sou, é o meu temperamento. E quando percebemos, já não estamos apenas usando uma dádiva, estamos servindo a um Senhor. Ah, isso é são os processos do meu corpo. Essa é a grande questão. O apetite não é o problema final. O senhorio é quem manda na mesa, quem manda no corpo, quem manda no prazer, quem manda na fome, quem manda quando o desejo grita? Quem manda quando a alma está vazia? Quem manda quando o coração quer compensar dor com excesso ou com um prazer? Quem encontrar um descanso em algum prazer desses? Quem manda quando Deus diz basta, mas o apetite diz mais? A resposta a essas perguntas revela se a dádiva continua sendo dádiva ou se já se tornou ídolo. E o evangelho nos chama de volta à ordem correta. Deus, acima de tudo, deleite nele. A criação recebida com gratidão, o corpo entregue em santidade, o prazer submetido à glória divina. A mesa transformada novamente em lugar de reconhecimento, não de escravidão. Porque em Cristo o homem não é salvo para desprezar a criação, mas para finalmente recebê-la de modo certo. O pecado nos faz consumir como órfã desesperados, como se não houvesse pai, como se a última migalha fosse nossa única esperança. como se cada prazer precisasse carregar o peso da salvação. Mas a graça nos ensina a receber tudo como filhos. Filhos não precisam transformar pão em Deus. Filhos recebem o pão das mãos do Pai. Filhos agradecem, filhos confiam. Filhos aprendem a dizer não porque sabem que o Pai é melhor do que o apetite. Filhos aprendem a dizer sim, sem culpa, quando a dádiva é recebida. em santidade. Filhos aprendem que a criação é boa, mas não é suprema. E talvez seja exatamente isso que torna a gula tão reveladora. Ela mostra o que acontece quando o homem esquece que é filho ou se recusa a ser criatura dependente e tenta fazer do mundo criado sua fonte final de vida. A mesa de Sevem é uma mesa sem pai, uma mesa sem gratidão, uma mesa sem glória, uma mesa onde o alimento deixou de ser sinal da bondade divina e se tornou instrumento de condenação. Mas a mesa cristã aponta para outra realidade. Ela nos lembra que o pão vem de Deus, que o corpo pertence a Deus, que o prazer deve voltar para Deus, que tudo até comer e o beber deve ser feito para a glória de Deus. E quando essa ordem é restaurada, a comida volta a ser comida apenas. O corpo volta a ser corpo, o prazer volta a ser prazer, a dádiva volta a ser dádiva. E Deus volta a ocupar o lugar que jamais deveria ter sido entregue a qualquer apetite. O Salvador, o que dá paz, o que satisfaz. Essa é a liberdade que a gula destrói. E essa é a liberdade que a graça começa a restaurar. Como eu disse, a gente vai precisar continuar falando ainda sobre gula um dois ou três vídeos, não é? E vamos fazer assim com cada um desses pecados. Nós vamos ver como eles estão amaranhados em toda a nossa vida e como eles mostram o que o evangelho tem feito ou o que nós não temos experimentado da verdade de Deus em nossos corações. Então nós ainda vamos olhar para a gula. Amém. Queridos. Santo Deus, eu [canto] me aproximo sem defesa, sem razão. Tu me vês nos detalhes, [canto] no segredo do coração, nos pequenos [música] pensamentos, nas palavras que eu soltei. [canto] Teu espírito [música] me chama, confessa. E eu confessei, não escondo [canto] minha culpa, não [música] maquio minha dor. Contra ti eu pequei [canto] contra [música] o teu santo amor. Mas que atos [canto] minha raiz, um querer desalinhado. [música] Eu preciso de limpeza. Eu preciso [canto] ser lavado. [música] Cordeiro, minha justiça, fim do meu tribunal. Eu largo a autojustiça, [canto] me rendo ao teu final. Jesus, tem [canto] misericórdia. [música] Jesus, vem me [música][canto] purificar. Teu sangue fala mais alto [canto] que o meu pecado a gritar. [grito] Minha [música] única defesa [canto] é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua graça. [canto] Eu descanso no teu amor. [música] >> Tua misericórdia é [canto] melhor. [música] Tua misericórdia [canto] é meu lar. >> Rei dos reis, eu me [música] prostro. Tu [canto] és luz e eu sou pó. Quando [música] eu tento ser meu dono, eu não terco em mim só. Autonomia é mentira, [canto] autossuficiência [música] também. Tu és [música] fonte, tu és vida. [canto] Sem ti nada me sustém. Eu não [música][canto] venho com rico, venho com mãos sem ter. Não confio no meu choro, [canto] nem o meu vou vencer. [música] Eu confio na firmeza [canto] do teu pacto, ó [música] Senhor. Tua aliança é selada no cordeiro [canto] redentor. [música] Restaura [canto] minha alegria, [música] tua salvação em mim. Sustenta-me [música] com espírito [canto] pronto até o fim. [música] Jesus tem misericórdia. [canto] Jesus vem me purificar. Teu sangue fula mais alto que [música] o meu pecado a gritar. A minha única [música] defesa [canto] é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua graça. [canto] Eu descanso no teu [canto] amor. [música] Inclina o [canto] meu coração. [música] Ensina-me a obedecer. D um espírito.