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A fé vem pelo ouvir

Makários | Aula 01 | Uma só fé – tantas igrejas! |Luiz Sayão

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Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 01: Uma só fé – tantas igrejas!
Luiz Sayão

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>> [música]
[música]
>> Muito boa noite. Boa noite a todos que
estão chegando aqui paraa nossa aula um
do novo módulo do curso de teologia
Macários. Bom receber cada um de vocês.
A gente tem eh esse que é o curso de
teologia Macários promovido pela IBNU.
Ah, e a gente tem feito esse trabalho
desde o ano de 2025, o início do ano
passado 2025, quando a gente fez um
ciclo básico de formação teológica com
três módulos, um sobre teologia
propriamente dita, a teologia
sistemática, doutrina, a gente teve um
módulo de Bíblia e um módulo de teologia
prática. Esse ano a gente tem um novo
ciclo com aulas que começaram no
primeiro módulo sobre Bíblia, estudando
Romanos. Agora a gente vai iniciar esse
novo módulo falando sobre uma só fé,
muitas tradições. E a aula de hoje vai
ser quase que um panorama daquilo que a
gente vai aprofundar também ao longo das
próximas 25 aulas. Ah, e a gente vai ter
mais um módulo depois, eh, desses três
meses estudando o tema que a gente tá
iniciando hoje. Então, muito bem-vindo,
muito bem-vinda para eh esse encontro de
hoje. Boa noite, saião. Bem-vindo aí
também paraa nossa aula inaugural desse
módulo.
[limpando a garganta]
>> Boa noite, Áila. Boa noite a todos os
nossos queridos que estão aí
sintonizados com a gente. Fique ligado
que a aula vai ser muito interessante e
convide os amigos aí paraa nossa
conversa hoje à noite.
>> Saão vai dar essa aula inaugural. Mas
antes de iniciar o conteúdo da aula de
hoje, eu gostaria só de falar a proposta
do módulo. Ao falar sobre uma só fer,
muitas tradições, o que que a gente tá
querendo tratar? O fato de que o
cristianismo e a forma de entender,
interpretar as escrituras, a história da
igreja não começou ano passado, começou
aproximadamente 2000 anos atrás. E
também olhando para aquilo que é a
história de Israel, é um período ainda
maior, relevante pra gente compreender o
que nós entendemos como escrituras. Mas
olhando para esse período cristão, a
gente entende que ao longo do tempo
foram formadas muitas tradições
diferentes. E por isso, pra gente
entender e se situar no tempo que nós
nos encontramos, compreendendo as
diferentes formas de expressar essa fé,
a gente precisa entender essas várias
tradições. Então, o propósito do nosso
módulo é entender algumas das principais
tradições cristãs que foram formadas ao
longo da história da igreja. A, eu acho
que uma ressalva muito importante no
começo é a gente não quer simplesmente
eh defender o nosso modo de pensar. O
propósito desse módulo é permitir que
você entenda como outras pessoas pensam
e a diversidade do pensamento que existe
dentro da igreja. Com que propósito? Em
muitos casos, diminuir distância para
que você possa interagir dentro desse
cenário com mais clareza e compreensão
de como outras tradições pensam. O outro
objetivo também é que você possa
entender quando você está lidando com
realidades adversas, a como se
posicionar de uma forma respeitosa e
adequada dentro de um contexto. Uma
motivação pessoal talvez seja também uma
forma como o Saião entende isso e os
outros professores do módulo. Mas um uma
das motivações pessoais para o estudo
dessa questão é esse cenário bastante
divisivo que a gente vive hoje, em que a
gente às vezes está dentro de uma
realidade, entende uma determinada
maneira e não tem condições de conversar
com outras pessoas e entendê-las. E a
gente começa a perceber cada vez mais a
necessidade de fazer esse esforço, de
compreender a aquilo que outras pessoas
pensam. Então, só compartilhando a arte
aqui do nosso módulo, a gente tem
algumas figuras importantes aí, mas a
gente vai eh divulgar isso para que
vocês também possam compartilhar com
outras pessoas. Ah, e a gente inicia
essa trajetória hoje. Vamos falar sobre
os períodos históricos brevemente no
começo do nosso módulo. Depois vamos
falar sobre os principais eh sistemas
teológicos e por último a gente vai
falar sobre alguns movimentos recentes
da história do cristianismo. Então,
bem-vindos, bem-vindas. Ah, já passo a
bola aí para o professor Saião iniciar a
nossa aula de hoje.
Pois é, pessoal, eh sejam bem-vindos aí.
Vamos, eh, sintonizar, né, a nossa
reflexão. Então, o que que acontece? Nós
temos, né, na nossa fé cristã, aquilo
que tem início na pessoa de Jesus com os
discípulos ali no contexto da Galileia,
da Judeia, da terra de Israel, no começo
daquilo que é hoje chamado de Écles, tá?
E [limpando a garganta] aí esse, podemos
dizer assim, esse movimento, né, de fé
acaba se enraizando, se definindo
dentro do contexto do antigo império
romano e depois se torna uma fé que tem
um apelo extraordinário para tudo quanto
é eh etnia, grupo específico, atravessa
nações, continentes e hoje Hoje você vê,
né, a fé cristã como no seu sentido mais
amplo, né, a cristandade é o o perfil
religioso predominante, maior no mundo
todo, né? nós temos aí calcula-se pelo
menos 2 bilhões e meio, 2 bilhões 600
milhões de pessoas que se identificam no
eixo da cristandade. E aí nós vamos
tentar entender, né, por que essa fé e
como é que essa estrutura religiosa aí
se organizam, né, aí direitinho. Aí eu
sei que temos gente aí, eh, a Adri já tá
dizendo que era a primeira IBNU de
Yeralime aí que começou. Quem sabe, né?
Muito bem. Sejam bem-vindos, né? E
comecem aí já a preparar as suas
perguntas. Então, vamos lá. Que que a
gente pode falar da história do
cristianismo? Interessante que
inicialmente,
lendo o próprio Novo Testamento, a fé eh
cristã original, ela nem se vê como uma
nova religião, né? A própria palavra
cristão aparece três vezes no Novo
Testamento. Ela vê a si mesma como um
movimento que tá dando continuidade
àquilo que existe nas escrituras
hebraicas, no cumprimento das profecias,
né, ligadas à esperança messiânica. E
então, num certo sentido, a fé cristã
primitiva, ela era como se fosse um tipo
de judaísmo mais aberto. Os primeiros
discípulos eram todos judeus, a igreja
primitiva original era de contexto
judaico. E então aos poucos, né, essa fé
vai se abrindo para uma realidade que
vai além do próprio ah contexto judaico
antigo. E aí, que que a gente deve ver?
É interessante que você vê nesse
cristianismo primitivo a uma devoção
total à pessoa de Jesus, uma
identificação com Cristo, uma conversão
muito definida. a maior parte das
pessoas de condição social
frágil num império, né, que
era bastante marcado por uma estrutura
ah cheia de escravos, né, e que dominava
um um grupo muito variado e
diversificado de povos, né? E a fé
cristã original, além dela ter uma
proposta fundamentada na morte,
ressurreição de Jesus e promessa de
salvação, ela também compartilhava com a
tradição ética que veio do ensino do
Antigo Testamento, a ideia de um Deus
único, a uma relação fraternal e social
muito desejável. E uma coisa que ia
muito além do que nós vínhamos no no
contexto judaico da época, que era muito
particularista. Essa fera se destinava a
qualquer tipo de pessoa independente da
sua etnia, né? O grande, vamos dizer,
avanço cristão é chamar uma pessoa que
não tem nada a ver com você de irmão,
né? E assim essa fé cresce. E é
interessante vocês olharem esse mapa
para vocês observarem aí por volta do
ano 300, né? Isso quer dizer dois
séculos depois do período apostólico, a
quantidade
de pessoas, né? Ah, aí eh que já estavam
seguindo a fé cristã. Então você tem,
por exemplo, em alguns lugares, como por
exemplo nessa parte verde onde tá a
província da Ásia e a região da Armênia
e algumas áreas do norte da África, uma
maioria cristã, uma minoria h
significativa nessas áreas que estão aí
em roxo, né? E as outras áreas você tem
presença cristã mais ainda pequena. Mas
veja só o avanço para uma fé que não tem
poder político, para uma fé que não tem
eh recurso financeiro, para uma fé que
vai passando de pessoa para pessoa, né,
na experiência de fé no contexto da
própria comunidade. E aí o que que
acontece, né? Você tem uma transição
importante na história, porque
se discute em que medida isso foi
autêntico ou não, mas no século
o imperador Constantino vai abraçar
formalmente a fé cristã, né? Ah, a fé
era perseguida, né? E no ano 325 ele se
converte ao cristianismo. Já tinha sido
eh promulgado o chamado edito de Milão
no ano 313, quando o cristianismo deixa
de ser uma fé ilegal e assim se ah para,
né, a a perseguição, né, mas ah só mais
tarde, um pouco mais tarde, Constantino
se converte. O cristianismo então é uma
religião agora permitida e vai crescer
inclusive ainda no até o final do quarto
século, vai ser a religião eh
predominante e e a religião oficial do
do império na época de Teodósio, por
exemplo, né? E algumas coisas, né,
acontece, né, eh nesse quto século aqui
vai ser adotado oficialmente o domingo
como dia de descanso semanal, né? E aí a
gente começa a entender o cenário.
Então, veja só que coisa importante
aqui. Quando a gente menciona esses dois
nomes, Niceia e Calcedônia, o que que
acontece?
Essa fé cristã primitiva é uma fé
espontânea, né? As pessoas ouvem falar
de Jesus, eh, a mensagem é pregada, eles
compartilham dessa fé que vai caminhando
espontaneamente na vida das pessoas.
Então, nesse sentido, esse cristianismo,
ele é muito espontâneo na sua caminhada
inicial. E mas só que chega uma hora em
que as pessoas começam a ter certas
questões, certas dúvidas. demora um
tempo, por exemplo, pra gente ter a
definição do canon neotestamentário, né,
que vai fechar aí também de maneira
definitiva no final do quto século. Mas
as questões que se levantam nesse
momento é a fé judaica monoteísta,
vamos dizer plena, né, ou mais, digamos,
radical, né, e o mundo greco romano e
outras religiões com seu perfil
politeísta, né? Então, qual é a
discussão? A gente precisa entender
direito quem Deus é quem Jesus é. Então
a gente começa a compreender esses
elementos que vão pautar agora, pensando
em termos de doutrina, de teologia e que
vai ajudar a caminhar na direção assim
de o que que se entende por
cristianismo, que vai ser considerado
autêntico e genuíno e cristianismo que
precisa de ser realinhado. Então, a
doutrina da trindade é um dos marcos de
praticamente quase qualquer ramo da
cristandade, com pouquíssimas exceções.
E qual que é a ideia? Existe um Deus só.
É um Deus único. Não são mais de um
Deus. Não existem
nada disso. Mas esse Deus
misteriosamente, sendo um só ser, ele
subsiste em três pessoas distintas. E aí
nós temos o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. A língua do cristianismo
primitivo predominante é grego, né?
Também logo nós vamos ter um
cristianismo, paralelamente, na verdade
até inicialmente aramaico, um
cristianismo copta Egito e Etiópia, um
cristianismo armênio
e um cristianismo no lado ocidental do
império que vai ser o cristianismo
latino, né? Então, vamos dizer, a
cristandade maior, ela vai est presente
nesses dois ambientes, digamos assim,
grego e latino, que vão marcar a
história. Então, qual é a discussão? Nós
precisamos definir muito claramente o
que que nós entendemos sobre Deus.
E também precisamos entender quem é
Jesus. Jesus é o quê? É o Messias? Sim.
Amém. Jesus é o profeta? Claro que sim.
Jesus é o sumo sacerdote que intercede
por nós para o perdão dos nossos
pecados. Com certeza.
Mas Jesus também precisa ser entendido
se esse profeta sacerdote ele é um homem
comum, né? um ser humano como os demais
ou se ele é como parece ser em muitos
textos divino. E se ele é isso ou
aquilo, como é que a gente entende isso?
Por isso, nós vamos ter uma conversa
importante [suspirando] que vai eh
sinalizar com direção muito nítida
aquilo que vai ser um consenso de toda a
tradição cristã praticamente a respeito
de Deus e de Cristo. E o ponto primeiro
na história que marca isso é o famoso
concílio de Niceia, né? Isso quer dizer
que aquilo que é decidido em Niceia
sobre Deus existir numa só pessoa, num
só ser, num só Deus, em três pessoas
distintas e ao mesmo tempo, entendendo
que Jesus é divino e humano, isso vai
ser um marco teológico e doutrinário da
tradição cristã. Para vocês entenderem,
tanto a tradição protestante evangélica,
como a tradição católica romana, como a
tradição eh ortodoxa grega, concordam
plenamente e a maioria dos grupos
cristãos minoritários que não se
encaixam aí também tem essa convicção.
Então é uma referência comum a toda a
cristandade. Iseia acontece no ano 325,
um concílio que demorou mais de 2 meses,
né, com 318 bispos, na verdade mais de
2.000 pessoas no total, né? E a duração
aí 41 dias, assim, foi um negócio
impressionante. E é a discussão maior
foi causada pela dúvida da divindade de
Cristo. [roncando]
Uma vez que isso é definido, depois
[limpando a garganta] de Niceia tem um
momento importante e esse momento
importante e vai ser o concílio de de
Éfeso e o concílio de Calcedônia, né? E
aí nós vamos ter, especialmente
calcedônia número 451,
a definição aí nítida da divindade,
humanidade de Jesus. Jesus é totalmente
humano, Jesus é totalmente divino. As
duas naturezas, né, elas estão aí eh
interrelacionadas por aquilo que é
chamado de uma união hipostática delas.
E a gente não pode separar do fato de
que ele é 100% divino e 100% humano ao
mesmo tempo, o que é fundamental
inclusive para entender a soterologia, a
própria redenção. Mas o que que vai
acontecer? Aí a gente começa a perceber
alguns elementos por a cristandade vai
em direções distintas. E aí nós temos
alguns motivos paraa gente pensar sobre
isso. Uma das razões porque isso
acontece
e tem a ver com o que a gente pode
chamar de aspecto
geográfico,
histórico e cultural. Então, veja lá,
você tem uma tradição cristã original
que surge no ambiente semita de Israel.
[suspirando]
Aí essa tradição ela se desenvolve na
direção do Oriente Médio. As igrejas que
vão falar aramaico, que predominaram na
Síria, no Iraque, no Líbano, em outras
regiões. É claro que esse pessoal tem
perfil peculiar, tem uma maneira de ser,
de pensar, se vai ter um cristianismo
árabe antigo de um jeito. Isso vai pro
mundo grego. grego cheio de filosofia,
com a tradição platônica, aristotélica,
vai receber isso de uma maneira. esse
mapa que você vê, a expansão da fé
cristã agora indo além do império
romano. Então, nós temos aí as missões
que eh tivemos na Europa com a a
alcance, né, de germânicos e de celtas,
né, ou seja, os germânicos da a atual
Alemanha, da Germânia, né, e depois a
expansão, alcançando as ilhas
britânicas, particularmente os celtas na
Escócia, na Irlanda, né? Então, eh,
quando essa fé se define num certo
lugar, a gente pode esperar o quê?
Contornos geográficos, contornos
culturais e linguísticos
que favorece, vamos dizer, um caminho de
certo distanciamento em relação à outra
realidade. Então, o que que acontece? A
gente vai agora, por exemplo, entender,
nós temos, né, esse esse conceito,
vamos dizer, geográfico, histórico,
cultural, nós temos um elemento que
começa a surgir de discussão
institucional, uma vez que você não tem
mais um cristianismo espontâneo
perseguido, mas um cristianismo de
estado.
E vamos supor, né, surgindo um outro
estado que não tá debaixo da hegemonia
desse, que agora tem a fé cristã como a
religião oficial, o que que aquele
pessoal vai dizer? Então você imagine
cristianismo que cresce na Etiópia, que
cresce na Armênia ou que se desenvolve
em lados diferentes do império, eles vão
tender a discutir
quem é que tá com a autoridade para
definir qual é o caminho mais adequado.
O outro elemento tem a ver com liturgia,
com o jeito de organizar os os cultos, a
maneira de ser. Claro que algo que
acontece na Etiópia vai ser diferente
daquilo que acontece na Rússia, né? E
claro, nós vamos ter também as famosas
discussões
teológicas.
Então, esses elementos estão presentes,
né? E com o tempo nós vamos ver aqui
onde é que tá os pontos que assim causam
um realinhamento de caminhos. Então, a
primeira grande, vamos dizer,
divisão, apesar de que nós tivemos, né,
tradições cristãs menores caminhando
paralelamente, como é no mundo aramaico,
no mundo eh armênio, no mundo eh etípe,
né, e egípcio, né, o que que acontece? A
cristandade
especialmente herdeira daquilo que se
tornou a cristandade do Império Romano,
na verdade ela tem dois perfis muito
distintos. A cristandade grega, né, com
a sua referência maior em
Constantinopla, que era chamada Nova
Roma. Hoje é a cidade de Istambul
e a cidade de Roma, que a cidade de Roma
representava o centro da cristandade
latina. Então, as diferenças, os
descompassos, aquilo que se tornou
maneira principal de entender a fé, de
começar a organizar a teologia, começa a
haver uma distinção maior. Existem
conflitos de natureza política. até que
isso entra num processo de ah
conflito mais aberto, de modo que a
gente vai ter o chamado grande cisma,
né, da cristandade do antigo império
romano, onde você vai ter essa separação
eh da igreja ortodoxa grega, da igreja
seja a católica romana, né? Isso se dá
no século X. Então você vê, né? Não,
você tem o cristianismo primitivo até o
final do o ano 400, esse cristianismo se
estabelece
[suspirando]
aí, ah, ali você tem uma referência de
como a hermenêutica foi predominante.
Quando você chega na metade da idade
média, você tem essa cisão que vai
marcar essa diferença que surge aí. E
pouco tempo depois nós vamos ter uma
divisão que vai trazer
aquilo que vai dar origem a chamada
tradição protestante. Então que veio,
vamos dar uma olhada nesse nosso quadro
aí, né? Ah, o cristianismo vem num
perfil razoavelmente
unido [suspirando] e você tem, né, essa
divisão que vai acontecer. Já existe um
desentendimento dos cristãos do
ocidente, do oriente. Lembre-se que
[suspirando] o que Roma no ocidente vai
cair nas mãos dos bárbaros, né? 476,
com a invasão que vai acontecer lá na
conquista, né, de Alarico e depois de
Odoacro.
E depois você tem a formação daquilo que
é chamado o Sacro Império Romano
Gerermânico, né? Enquanto isso, o
Ocidente, eh com a sua condição nova, no
Oriente as coisas caminham normalmente,
né, com a cristandade grega. E esse
desentendimento acontece em 1054.
1054,
uma data aí marcada, 16 de julho de
1054.
E aí você vai ter o quê? a divisão da
cristandade entre católicos latinos e
ortodoxos gregos, né? As divisões assim
teológicas não são tão profundas, mas
assim cada um dos grupos vai dizer: "Ó,
nós somos, vamos dizer, a referência
eh original, né? Primeira. Então, quando
você conversa, por exemplo, com alguém
muito convicto da tradição católica, ele
vai dizer: "Não, nós somos diretamente,
né, originários de Jesus e dos
apóstolos. E a sucessão eh
permanentemente é católica desde o
começo." Se você conversar com os gregos
ortodoxos, não, de jeito nenhum. A
tradição latina vem depois. A gente é
que tá na sintonia direta lá, né? essa
essa ideia de tentar valorizar a
sucessão como um elemento determinador
da autoridade institucional, né? Por
isso a coisa vai em direções diferentes.
E o que que acontece? A Igreja Católica
Medievaleval, no final da Idade Média,
ela começa a ter uma série de
questionamentos e dificuldades de
enfrentar um novo cenário econômico,
político, social e até mesmo filosófico,
intelectual. Isso abre um caminho de
novos horizontes que vão acabar abrindo
o espaço paraa formação da tradição
protestante evangélica, principalmente a
partir do século X. Então aí você vê,
né, os protestantes, particularmente
luteranos, calvinistas, também
anglicanos. E depois a gente vai falar
da reforma chamada mais eh radical, né,
A na Batista e Batista que acontece no
cenário. E aqui, olha, eu vou só deixar
isso para vocês, pros alunos do curso,
né? Vocês podem se divertir aí com
a base, né? Essa árvore é muito
interessante porque ela começa lá, né? O
judaísmo, Jesus, uma igreja, grande
divisão. Aí de um lado para cá, armênios
e coptas, né?
>> [limpando a garganta]
>> Reformadores radicais, ruteritas,
menonitas, Igreja dos irmãos.
Tradição ortodoxa
especialmente marcada com russos e
gregos de um lado, Igreja Católica do
outro. E aí no ramo luterano, subindo
pros protestantes, aí você vai ter os
anabatista, os reformados,
presbiterianos, congregacionais, dos
batistas, né, com pietismo luterano, vai
ter Moraviano, Quaker e assim por
diante, né? E do lado de cá, a partir do
ramo metodista que sai dos anglicanos,
todas as tradições pentecostais
principais. Pessoal, não falta
comunidade diferente e grupos
religiosos. Aí depois vocês tendo acesso
a esse material poderão aí olhar com
atenção. Então, o que que acontece?
>> [suspirando]
>> Bom, a gente falou, olha, a questão
fundamental eh tem a ver, né, com os
diferentes ambientes onde a fé cristã se
desenvolve, os solos [roncando]
diferentes vão criar igrejas que têm
perfis peculiares. Isso vai trazer a
discussão da instituição que se entende
como referência eh hegemônica
e válida.
a gente vai ver as discussões de
natureza teológica e doutrinária. Claro
que na hora de romper um com o outro, a
justificativa quase sempre se apresenta
como principalmente teológica.
E também os contornos, vamos dizer
propriamente eclesiológicos, como é que
se estrutura a liturgia e outros
elementos, sacramentos, um algo ligado
dentro dessa área eclesiológica. E aí o
que que acontece? quando surge a
reforma. É, por que que vamos falar um
pouco sobre a reforma?
Porque nós, né, que
[limpando a garganta] somos aqui no
contexto da IBNU, somos de, digamos,
tradição batista que tem a um grande
parte da sua teologia vindo da reforma.
Apesar do que o movimento batista não é
exatamente a mesma coisa que os outros
movimentos da reforma, existe uma certa
distinção.
E ah, do ponto de vista da história, eh
nós temos aí, vamos dizer, um elemento
um pouquinho paralelo. Temos alguma
similaridade com os anabatistas, temos
um movimento um pouco à parte, mas muito
da teologia da reforma tá presente no
contexto das igrejas chamadas batistas.
>> [suspirando]
>> E quais são os princípios? E aí a gente
vai ver eh qual que é a diferença.
movimento que aparece nesse contexto
europeu do século XV e X entre os
precursores e os outros, eles eh vão
dizer o seguinte:
"Olha, até agora nós estamos vendo uma
cristandade que se afastou muito da raiz
e uma das razões é porque essa
cristandade priorizou a instituição e
estabeleceu
definições teológicas. que acabam se
confirmando mais pela tradição do que
pela referência maior. Então, o que que
a a reforma vai enfatizar dizendo:
"Olha, a gente quando constrói nossa
caminhada de igreja de Cristo, alguns
princípios são inegociáveis. Então eles
vão falar solo a escritura, né? Isso é
claramente nítido em Lutero, em Calvino,
em toda a tradição da das reformas, né?
Quer dizer que nada pode competir com a
escritura em termos de autoridade. Só la
grácia, que a pessoa é salva por meio da
graça de Deus, né? Contra uma teologia
de obras e negociação.
Solafide, quer dizer, somente a fé.
Pessoa é salva pela fé e não por meio de
sacramentos e outras práticas
militórias. somente Cristo. Não haverá
outro paralelo que possa concorrer na
intermediação com Cristo. E solo deu
glória, somente a Deus toda a glória. E
um conceito muito significativo
que vai marcar, né, essa realidade da
tradição protestante, que é o sacerdócio
universal dos crentes. Quer dizer,
rejeitando a ideia que você precisa de
alguém para intermediar sua relação com
Deus. Todos são elevados à condição de
um sacerdócio
muito direto. Então,
[suspirando][limpando a garganta]
que que acontece nesse cenário? Surgem
ah os chamados anabatistas. Quem são?
Eles são chamados de reforma radical.
Por quê?
Esses diversos grupos que surgiram,
especialmente na Alemanha, na Suíça e na
Holanda,
eles e também na Áustria, eles vão dizer
o seguinte: "Olha, ah, a coisa tá tão
diferente do padrão original que a gente
precisa pegar a coisa lá na raiz".
Então, né? Houve um um tal de Andrés
Carl Stat na Alemanha, Thomas Munster
Munza, que não foi nenhum movimento lá
muito saudável, muito controvertido,
mas eh nós tivemos nesse contexto dos
anabatistaas assim chamados porque
batizavam de novo, né? E por isso eram
inclusive perseguidos e mortos por coisa
por conta disso, porque o protestantismo
europeu também era religião estatal, né?
E se você não fosse os primeiros
anabatiscordavam
com a mistura de igreja com estado. Mas
destaque importante para Menosimons, que
deu origem à tradição menonita, que
existe até hoje inclusive no Brasil, né?
e alguns nomes importantes, Félix Mants,
né, que foi afogado em Zurique pelas
suas [suspirando] convicções eh
anavatisas e Jacob Huter, né, que teve a
sua presença em Insbrook, na Áustria,
né, se eles são os antepassados dos
batistas em muito sentido, sim, ainda
que tivéssemos diferenças e não há uma
conexão direta, mas eles fazem parte
desse contexto
ah de questionamento do tipo de
expressão religiosa que nós tínhamos na
Europa, especialmente no século X e X7.
Como você pode imaginar,
grande parte desses anabatis e seus
descendentes e batistas acabaram fugindo
da Europa. Muitos foram para a antiga
região da Rússia, eh para outros países
e muita gente microu inclusive paraa
América do Sul e especialmente pra
América do Norte. Por isso que a gente
teve um crescimento grande dessas
comunidades fora do ambiente europeu. E
o que que os anabatistas
diziam e pensavam, né, nessa discussão?
Voltar ao ideal da igreja primitiva. Tá
vendo esse negócio da
institucionalização,
do controle da entidade maior, a maneira
mecânica como as coisas passaram a
acontecer, inclusive do ponto de vista
do controle. legal do Estado, ah, a
maneira como a fé passou a ser algo
ligado, né, a um determinado grupo X que
simplesmente pertence à aquele aquela
fé, porque ele é daquela etnia, daquele
lugar, daquele país, né? E outros
elementos que trazem dificuldades na
relação entre fé e poder e manipulação
de recursos e outros elementos de
natureza política. Então, houve uma
busca numa direção diferente disso, né?
Então, a ideia é voltar ao ideal da
igreja primitiva, separar a igreja do
estado. O batismo tinha que ser de
adultos por imersão. A ideia era de
afastar-se do mundo, buscar uma espécie
de pureza de vida maior, uma busca no
caminho de fraternidade e igualdade
entre as pessoas. Alguns desses grupos,
inclusive praticaram um igualitarismo
radical, né? pacifismo, como é o caso,
por exemplo, dos melonitas, que proibiam
porte de arma, serviço militar, alguns
grupos, eles queriam romper com a
estrutura do estado, né? E muitos
caminharam na direção de vida
comunitária em colônias agrícolas, né?
Então, para você ter uma ideia aí do que
que aconteceu no cenário, esse quadro
ele é interessante.
No contexto, na idade moderna, que que
você tem? um exercício maior da busca da
razão para entender a realidade. Então,
a Europa toda passa por processos de
mudança na área de educação,
cresce, né, o a ideia do uso da razão,
inclusive para entender a própria fé.
você tem uma diversidade de ambientes,
então toda essa efervescência, né,
lembre-se que você tem movimentos
filosóficos do racionalismo,
do eh próprio empirismo, depois do
Iluminismo, na Itália vem o renascimento
italiano, né, e as diversas reformas.
Isso abre uma espécie de espaço para uma
ampliação
ah de diversidade dentro da cristandade.
Então, o que que acontece? A tradição
teológica reformada
primeira que se consolida é a chamada
tradição reformada, que é também chamada
de tradição calvinista.
[suspirando]
Calvino e Zuinglo na Suíça, mas também
Farel, John KX, Beda, vão marcar, né,
uma maneira de entender especialmente
numa numa oposição à teologia católica
medieval e numa ideia de centralizar,
né, eh, vamos dizer, já com Lutero
também isso acontece, né, a glória
de Cristo, a glória da cruz contra um
antropocentrismo, uma soberania divina.
Então isso vai ter bastante influência,
né, eh, no mundo luterano, no mundo
calvinista, presbiteriano, diversos
grupos reformados e também muitas
igrejas batistas que vão herdar essa
teologia.
Mas essa ênfase na soberania de Deus
trouxe uma reação do outro lado que foi
chamado tradição arminiana, que enfatiza
a responsabilidade humana, né? teólogo
Jacob Armíos holandês, influenciou muito
daquilo que haveria de estar presente na
tradição posterior dos metodistas, dos
wesleianos, que são um outro tipo de
metodista, dos batistas do livre
arbítrio, como eles são chamados, e os
grupos renovados pentecostais
e nazarenos acabam eh herdando também
essa tradição.
né? E aí que acontece esse elemento todo
gera, né, essas duas divisões principais
com as diversas tradições reformadas.
Você tem principalmente anglicanos,
calvinistas,
luteranos e gente da tradição
anabatista. linhas teológicas mais
fortes. De certa forma, você tem uma
tradição luterana específica que em
parte coincide com vários elementos da
tradição calvinista que tem o seu perfil
e a tradição armeniana.
Quando a gente chega, [roncando]
especialmente no século XVI por X,
muito valor, a importância da razão em
função do Iluminismo traz pra gente o
surgimento da tradição liberal. O que
que é a tradição liberal? Liberal no
sentido teológico do termo. Os liberais
eles diziam o seguinte: "A fé cristã é
importante do ponto de vista ético e
social, mas não dá para acreditar em
milagres. Isso não acontece. Não dá pra
gente acreditar nas coisas que a Bíblia
diz do ponto de vista histórico. A
Bíblia é um documento religioso e o seu
ponto importante é ético e social. Então
essa tradição liberal, ela surgiu e teve
muito impacto no mundo de fala alemã e
no mundo de fala inglesa e se espalhou
por vários ambientes protestantes.
Como reação a isso, principalmente nos
Estados Unidos no século XX, surgi deu
uma tradição que foi chamada tradição
fundamentalista, que seria uma tradição
muito conservadora, por uma reação ao
movimento liberal. Então essa tradição
dizer, não, olha, Bíblia fala um
negócio, a gente nem pensa, não discute,
é assim e acabou. e de preferência
leiam-se os textos de modo literal e não
considere outras eh reflexões a esse
respeito. Então, surgiu todo esse
distanciamento e oposição.
No meio desse caminho de discussão muito
[roncando] ligada à razão, no começo do
século XX surge a tradição carismática,
que vai dar origem ao movimento
pentecostal.
Que tem qual ideia? Olha, o importante
mesmo é a dimensão da fé intensa a
partir da experiência profunda.
Experiência profunda com o Espírito
Santo. Então, com a ênfase em dons
espirituais, em batismo no Espírito
Santo, essa tradição se tornou muito
forte. Hoje, com mais de um século, ela
tem feito diferença de maneira eh
significativa em vários ambientes, né?
Depois de todo esse negócio,
especialmente aí eu diria,
na metade dos anos 60 e os anos 70 se
consolida o que se chama assim a um
consenso da tradição evangélica que vai
ser chamada a tradição evangelical.
Vamos, vamos conversar sério. A ideia
era essa. Olha, a gente pode ter batismo
um pouco diferente, a gente pode ter
eclesiologia um pouco diferente, a gente
pode pensar no Espírito Santo um pouco
diferente, a gente pode ter liturgias
distintas, mas naquilo que é fundamental
e essencial todos nós concordamos.
Então, uma das marcas disso, por
exemplo, é o movimento de Lausani,
a partir de 1974,
onde diversos grupos evangélicos são
aproximados numa situação de comunhão
internacional. De um ponto de vista
menos conservador, surge um movimento
semelhante do Concílio Mundial de
Igrejas, tentando fazer uma aproximação
em diversos grupos da cristandade, muito
mais amplo do que a o os grupos de
tradição evangélica, né? E mais
recentemente, né, no alvorecer do século
XX, nós temos aí, digamos, um uma
presença
específica do chamado mundo pós-moderno,
que tem trazido aí grupos novos como
neopentecostais,
igrejas e grupos peculiares com
tradições diferentes e ao mesmo tempo
quando surgem também eh vamos dizer
grupos mais recentes da cristandade que
não se encaixam na cristandade padrão e
que costumam trabalhar de maneira mais
solitária e com perfil inclusive
teológico particular e peculiar também.
[limpando a garganta] Então vamos aí pra
gente ver como é que a gente entende
isso, pessoal. Olha lá como a gente vê,
né? Diferenças culturais, elementos
históricos, geográficos.
Por que que tem tantos grupos diferentes
da reforma protestante? se a Bíblia é um
só, porque esses movimentos surgem em
lugares diferentes. Então, o que
acontece na Inglaterra não é o mesmo que
acontece na Alemanha, não é o mesmo que
acontece e na antiga Boia lá em Praga,
não é o que vai acontecer na Suíça, não
é o que vai acontecer na França, não é o
que vai acontecer na Alemanha. Quer
dizer, surgem lugares diferentes e vai
ter peculiaridades a partir da própria
liderança, a partir de como ele se
define, né? Aí nós temos a questão da
instituição, nós temos a questão
eclesiológica, temos a questão cultural.
Então você vai tendo diversificações
em função desses diversos elementos aí.
Mas o que que a gente pode dizer que é
um consenso
no ambiente da realidade, especialmente
das igrejas protestantes e evangélicas?
Que que a gente pode dizer?
>> [suspirando]
>> Durante o nosso curso, nós vamos olhar
todas as tradições e ver pontos de
contato e pontos de diferenças em
aspectos eh peculiares, né? A teologia
fundamental da cristandade, atenção, vem
dos pais da igreja. E aí não importa se
o indivíduo é ortodoxo, se ele é
católico romano, se ele é protestante,
se ele é evangélico, se ele é
protestante calvinista, se ele é
meniniano, se ele é de linha batista, se
ele é pentecostal. Praticamente todas as
linhas da cristandade
concordam com a cristologia básica, a
doutrina de Deus que nós temos em
Niceia e Calcedônia. Então, não há
dúvida sobre isso. Agora, quando a gente
olha sobre a soteriologia, ou seja, a
doutrina da salvação e a bibliologia, o
que nós entendemos sobre as escrituras
sagradas,
quase toda a totalidade das igrejas
protestantes e evangélicas
que procedem teologicamente da reforma
vão concordar com Lutero e Calvino. Em
que sentido? que a salvação é pela graça
e pela fé, unicamente através da fé no
sacrifício de Cristo Jesus em nosso
lugar e que somente as escrituras são a
autoridade final sobre a fé. Nesse
sentido, outros grupos da cristandade
colocam a escritura
lado a lado com a tradição. E às vezes
até mesmo dizem que a escritura só vai
poder ser usada se for devidamente
interpretada
pela instituição maior. Então, a maneira
eh teológica de entender isso das
comunidades protestantes e evangélicas
não concorda com esse com esse olhar
desses grupos. Agora, nós temos outras
coisas, mas que coisas são essas? São
coisas, atenção, menos fundamentais,
não essenciais. Quais? a eclesiologia, a
pneumatologia e a escatologia. Quer
dizer, como é que organizo a igreja? Ela
é mais congregacional, ela é mais
episcopal, ela tem bispos, ela tem
pastores, ela tem diáconos. Como é que é
isso? Pneumatologia, como é que é o
papel do Espírito Santo? Existem dons
milagrosos hoje? Não. A pessoa precisa
de experiência? Não precisa. A
escatologia, a pessoa é milenista,
pré-milenista, pós-milenista.
OK? Essas diversas áreas na história,
elas tiveram contribuição de batistas,
metodistas, pentecostais, mas
elas não são fundamentais e essenciais
tanto quanto a compreensão
da cristologia e teologia propriamente
dita. e também a o que se entende sobre
a Bíblia e sobre a salvação. Elas são
importantes, mas não
tão decisivo assim. E que que a gente
vai então entender? Olha como é
importante a gente, mesmo que a gente
tenha tantos grupos diferentes da
cristandade, isso por si só não é um
problema. Essa diversidade, ela não
necessariamente ameaça a unidade, né? De
um lado, é claro, se qualquer grupo
cristão for incluído numa relação de
fraternidade
e de concordância, a gente não tem,
vamos dizer, salvaguarda contra coisas
estranhas, esquisitas. Por exemplo, um
indivíduo surge por aí, fala: "Ó,
pessoal, eu sou Jesus Cristo que voltou
e eu quero agora fazer parte do grupo e
me juntar vocês para que vocês venham me
reconhecer". Claro que isso é um ponto
teológico innegociável, não é possível
isso. Então, existem limites teológicos
fundamentais. Por outro lado, diferenças
menores, elas não impedem a unidade no
corpo de Cristo, sendo que cada
comunidade ou grupo ou denominação
trabalha dentro da sua tradição. E isso
não prejudica o reino de Deus. Então,
veja lá, quando nós temos questões
teológicas a serem discutidas, elas têm
graus diferentes. Tem coisa, por
exemplo, que é essencial à salvação.
Se a pessoa não acredita na salvação
pela fé em Cristo Jesus, na sua morte,
na ressurreição, aí fica muito difícil
de entrar em sintonia teológica com
alguém que pensa assim. Tem coisa que
não é essencial a salvação, mas é
essencial paraa doutrina, né? Se a
pessoa
negar
a centralidade das escrituras, eu não
vou dizer que a pessoa para ser salva,
ela precisa entender totalmente
a doutrina das escrituras, mas se ela
colocar, né, a escritura num pé de
igualdade com a experiência dela, por
exemplo, ou com a determinação de um
grupo X de pessoas na história,
fica difícil, né? Eh, nós estamos
falando de uma coisa essencial para
doutrina e não dá para abrir mão disso.
Agora, tem coisa que é importante, mas
não essencial. Por exemplo, se você tem
uma posição escatológica, ela é
importante. Se uma pessoa, por exemplo,
acha, né, que Jesus vai voltar amanhã e
então ele vai parar de fazer qualquer
coisa e ele vai, né,
cair inclusive na reprimenda do apóstolo
Paulo, que ele que não quer trabalhar
num coma também. Então, a doutrina
escatológica não é a coisa mais
essencial, mas é importante, porque o
entendimento equivocado traz
desdobramentos práticos, problemáticos,
né? Agora, tem coisa que é sem
importância. Ah, mas o cristão deve
fazer o culto de manhã ou à noite, né?
Ah, o cristão deveria usar a roupa azul
ou roxa, né? a pessoa eh deve fazer a
ceia do Senhor ou a Santa Ceia num copo
grande ou pequeno. Tem que ser cálice de
madeira, de oliveira, ou pode ser copo
de plástico. Quer dizer, tem muita gente
discutindo coisas inú, secundárias,
irrelevante, desnecessárias, como coisa
que se tivesse importância. Às vezes são
só costumes, usos e costumes
desnecessários. E tem coisa que
literalmente, meus queridos, né? Viagem
na maionese é pura especulação. Pessoas
falando de coisas, não, talvez tenha
vido em outros planetas e a Bíblia fala
alguma coisa sobre isso. Quer dizer, não
dá, né? A gente então tem que fazer uma
distinção.
Aqueles que estiverem fazendo o curso
vão poder ter os slides
disponibilizados, só para informar todos
aí que estão bastante, né? Então, o que
que a gente pode dizer? que apesar de
tanta diversidade, aqueles que estão
nessa ampla
tradição evangélica, eles acreditam em
algumas coisas muito básicas, no Deus
triuno da Bíblia, [suspirando]
em Jesus Cristo, totalmente divino,
totalmente humano, na Bíblia como
palavra de Deus, na salvação em Cristo
pela graça e pela fé e na vida eterna e
volta de Cristo. Se a gente pudesse
fazer a doutrina mais resumida possível,
eu diria, olha, esses cinco pontos, eles
marcam o que a gente pode chamar de
essência daquilo que envolve a nossa fé
cristã.
Então, diante desse cenário, a gente
interrompe aqui o nosso PowerPoint e
encerra esse momento dizendo o seguinte:
"Olha, é muito importante a gente na
nossa caminhada ter convicções muito
claras. Você precisa estudar, conhecer e
entender, entender a sua fé em Jesus,
aquilo que é a doutrina fundamental e
juntar, né, a a sua convicção de fé com
a devoção de vida no coração e com a
prática da fé no âmbito da comunidade.
Nós precisamos, ao mesmo tempo em que
temos convicção,
eh, fazermos uma distinção naquilo que é
muito fundamental e essencial e aquilo
que é secundário, pelo qual não vale a
pena discutir nem brigar.
>> [limpando a garganta]
>> No mundo de hoje, tão confuso e tão
polêmico, muito importante que, apesar
de termos convicção muito firme na fé, a
gente tenha a condição de conversar com
pessoas de posicionamento diferente
dentro da cristandade e fora da
cristandade, de maneira respeitosa,
amorosa e ao mesmo tempo autêntica.
E também entender que certas coisas que
surgem em outras tradições, elas surgem
em certos ambientes que a gente não
entende aquilo até que a gente olhe com
atenção de perto para entender o que tá
acontecendo. Por exemplo, se você vai
para alguns lugares do mundo, na Ásia,
na África, é comum você ver pessoas na
hora de estar num culto, ah, louvando a
Deus, estarem dançando assim muito,
vamos dizer, ah, entusiasticamente.
E, por exemplo, eu, na minha tradição de
fé, nunca a dança fez parte do momento
de culto. Então, o primeiro momento você
olha isso, você fala: "Nossa, que coisa
meio esquisita". Porque a gente não
associa a dança com o que é sagrado, né?
Pois então, lá a gente vai entender como
isso tem uma pertinência cultural que é
diferente da nossa realidade aqui, né?
A gente vai, por exemplo, visitar alguns
lugares do mundo, do cristianismo, do
da tradição ortodoxa, aí você vai ver
algo que você não vê na tradição
evangélica protestante. Quer dizer,
muitas figuras, desenhos, igrejas com
pinturas e mosaicos, né? E você pensa:
"Puxa, mas não é pra gente fazer imagem
de nada". Aí quando você conversa com
eles, eles dizem: "Olha, os povos
antigos que foram evangelizados aqui,
eles não tinham escrita. O único jeito
de anunciar o evangelho
era desenhar e pintar, porque não dava
tempo até traduzir, mostrar a Bíblia
para eles." Então, criou-se toda uma
tradição
icônica para falar da fé. Então, não
necessariamente aquelas pessoas que
fazem aquela arte estão eh praticando um
ato de adoração diretamente. Eles estão
também trabalhando aquilo de maneira
didática. Só para dar dois exemplos como
uma coisa, né, diferente
paraa gente. E a gente depois que
entende o cenário histórico e entende
certas configurações, a gente não
precisa nem concordar paraa pessoa com a
pessoa, mas a gente vai compreender. E
essa conversa amigável e ao mesmo tempo
marcada por pessoas que têm a sua
convicção muito nítida, elas certamente
serão pacíficas e promissoras. para
abençoar todas as pessoas que Deus ama e
deseja abençoar com o evangelho, tanto
na cristandade como fora dela, através
do poderoso nome de Cristo Jesus, nosso
Senhor. Então, a gente termina aqui a
nossa exposição. Acho que o Áila deve
est na sintonia aí pra gente poder
conversar com os queridos aí que estão
junto com a gente.
>> Isso aí. Se você que tá assistindo a
aula tem alguma dúvida, algum
questionamento, pode colocar no chat que
a gente vai separar os próximos minutos
para falar um pouquinho com vocês.
Algumas informações que a gente colocou
no começo e outras complementares, mas
como muitas pessoas chegaram ao longo da
aula, vou retomar aqui. O nosso curso,
ele vai durar esse módulo 3 meses. Vão
ser 26 aulas. A aula de hoje mais 25
aulas divididas em três etapas. a gente
vai falar sobre os períodos históricos
da tradição cristã. Então, a gente vai
falar sobre pais da igreja, período da
idade média, período da idade do da
reforma protestante e depois idade
moderna junto com o período
contemporâneo. Nós vamos falar sobre os
principais sistemas teológicos e esse
vai ser o maior bloco das nossas aulas.
Então, a teologia da Igreja Católica
Ortodoxa,
a teologia reformada, teologia wesleiana
arminiana, dispensacionalismo, vamos
falar sobre teologia liberal,
neoortodoxia, vamos falar também sobre
pentecostalismo. E aí já é a ponte para
o nosso terceiro bloco, que é os são os
movimentos mais recentes eh dentro do
cristianismo. Então, a gente vai ter
esse terceiro momento para falar de
movimentos recentes, em especial
daqueles com maior relevância na
realidade brasileira. Esse é o corpo do
que a gente vai tratar nas 26 aulas
desse módulo. Nós vamos disponibilizar
essa ementa no nosso site de ensino, o
ensino.ibibnu.com.br.
Ah, até o a próxima aula a gente vai
estar com tudo já. preparado ali para
colocar a ementa, o acesso às aulas, aos
questionários. Eh, e também você vai
poder acompanhar qualquer outra
informação que a gente disponibilize
sobre o nosso ah sobre o nosso curso.
Gostaria de reforçar algo que Saon já
falou, que é os slides dessa aula vão
ser compartilhados. Como a gente vai
compartilhar por lá, tá bom? Então, a
gente vai colocar na nossa plataforma de
ensino. Só para retomar aqui, a gente
fez essa imagem bonita, interessante
para divulgação. Eu vou pedir para que
vocês, a gente vai divulgar isso nas
redes sociais da IBU, saiam já divulgou
no seu próprio perfil pessoal aí também.
Então, se você puder ajudar a gente a
divulgar esse módulo, vai nos ajudar
muito a poder alcançar outras pessoas,
tá? Muito obrigado aí para todo mundo
que já deu seu boa noite, que chegaram
depois do iniciozinho da aula e falaram
aqui no chat.
E a gente então vai seguir aqui com
vocês no que vocês colocaram
no chat. Vamos ver aqui só uma outra
pergunta já nessa parte de avisos que
surgiu. Conseguimos acessar as aulas
passadas? Se sim, como acessar, Carla? É
possível por dois caminhos. Você pode
acessar direto no canal da IBNU no
YouTube. Nós temos playlists com as
aulas do Macários do ano passado por
módulo, módulo 1, 2 e 3. E também desse
ano. A gente já concluiu o módulo de
romanos e todas as aulas estão na
playlist do Macários Romanos. Essa aula
também vai ficar disponível lá. A outra
maneira de acessar não só a aula, mas o
conteúdo do curso é entrando nesse site
que a gente já falou e colocou aqui no
chat, ensino.com.br.
Deixa eu ver mais o que aqui.
[roncando] Eh, bom, a gente não teve
muitas perguntas sobre o conteúdo. A Bet
só perguntou se é aqui no chat mesmo que
pode perguntar. É isso, Bet. Mas a gente
eh vai então a esperar aí só para ver se
teremos alguma outra questão em
particular. E eu quero dar uma eh
reforçada no que Saião colocou no fim da
aula, que vai ser o assunto da nossa
próxima aula. A gente vai falar sobre os
pais da igreja na aula que vem, o
período patrístico, que vai de
aproximadamente do ano 100 do período
cristão até o ano 430, 450 do período
cristão. Então, eh nosso convite aqui
para todo mundo poder eh retomar a as
aulas do nosso curso a partir do próximo
encontro. Bom, saião, eu acredito que a
gente vai caminhando para o fim do nosso
encontro de hoje. Gostaria muito de
agradecer a sua aula, reforçar que esse
é um tema de implicações práticas muito
diretas, é a possibilidade de entender o
pensamento e a fé de outras pessoas e
realizar um dos ministérios mais
relevantes para esse momento de tensões
e de muitas cisões que vivemos, que é
poder construir aproximações com pessoas
de tradições diferentes, ainda que tenha
em muitos casos a mesma fé que nós
temos, né? Então, obrigado, Saião, por
essa aula inicial que nos deu um
panorama de tudo isso e a nosso convite
para que todo mundo retorne aí para as
próximas aulas.
>> Bom, então muito obrigado, Áila.
Acho que tá fazendo eco.
>> Desculpa, vou cortar aqui.
>> Opa, obrigado, Áila. Obrigado a todos
vocês. Eh, fiquem então sintonizados com
a IBNU. Inscrevam-se aí no canal,
divulguem, né? Alguns que assistiram a
aula, você pode se inscrever nesse curso
gratuitamente, né? E depois também mande
as suas perguntas. Vamos ter muitas
aulas, toda essa eh questão, né, tão
importante para esse entendimento
histórico, teológico e doutrinário e
fraternal, né, e também com as devidas
distinções, serão muito importantes para
todos. Então, grande abraço para todos.
Obrigado, Áila.
Eh, obrigado todos que estão em sintonia
conosco e Deus abençoe. Boa noite,

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