Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 06 | Teologia da Igreja Ortodoxa | Jônatas Hübner
19/06/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 06 | Teologia da Igreja Ortodoxa | Jônatas Hübner
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 06: Teologia da Igreja Ortodoxa
Jônatas Hübner
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Fonte: Com IBNU
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เฮ [música] >> [música] [música] >> Que beleza, começamos já com a saída. Agora sim, muito boa noite a todos que nos acompanham aqui no nosso curso Macários, nosso curso no módulo XYZ. Eu estou até aqui com minha bola de basquete de tão frio que tá fazendo nessa cidade. São Paulo resolveu realmente pregar uma peça na gente. Só ver agora. Agora tá dando 12º aqui e nós estamos muito felizes em estar mais uma vez aqui com vocês no Macário. Se você ainda não se inscreveu no canal da IBNU, se inscreva nesse momento. É uma oportunidade para você participar com a gente aqui. É, enquanto eu vou ajustando aqui os últimos detalhes, eu dei uma demorada para entrar porque tive uns probleminhas técnicos, mas agora já tá tudo certo e eu estou com a câmera que está desse jeito. Por que que ela tá espelhada? Ah, agora ficou melhor. Agora ficou melhor. A câmera está do jeito que ela deve estar. Bom, meus queridos, nós vamos hoje falar sobre a igreja ortodoxa, mais especificamente a teologia da igreja ortodoxa. Eu tô vendo que um pessoal já colocou aqui de onde está falando, né? O Samuel tá dizendo que não vai participar ao vivo hoje, Samuel, que pena. Você é sempre bem-vindo, está com a gente aqui. Ah, Samuel tá dizendo que vai ter sorteio de livros. Não sei qual foi o professor que disse isso para ele, mas tô sabendo de nada. E aí tem gente de Itabuna na Bahia. Olha que legal, hein? Tem um pessoal de alguns lugares aqui que não estão falando de onde é, mas tudo bem. Vamos em frente, meus queridos. Nós vamos falar hoje sobre, como eu já afirmei para vocês, a igreja ortodoxa. O que que a gente vai ver dessa igreja ortodoxa? Deixa eu ver uma coisa aqui. Talvez isso aqui não atrapalhe em nada. Teologia, história e identidade. O que ela é e o que a distingue e porquê? A grande questão, a grande pergunta que se faz é a respeito da igreja que Jesus fundou. Qual foi essa igreja que o Senhor Jesus fundou? E por que que nós podemos dizer se pertencemos a essa igreja ou se não temos nada a ver com essa igreja? A realidade [roncando] é que Jesus em ele por si só, ele menciona da eclesia, né? Ele menciona da reunião das pessoas. Isso está lá em Mateus, capítulo 16, eh, quando ele vai perguntar para os os discípulos o que que as pessoas afirmavam sobre ele. Aí depois ele pergunta pros discípulos: "E vocês, o que que vocês acham que eu sou? Quem vocês acham que eu sou?" E Pedro tem aquela afirmação famosa, tu és o Cristo, filho do Deus vivo. Essa afirmação, especificamente, ela vai gerar uma situação lá na frente. Nós não estamos nela ainda, mas ela vai gerar uma situação lá na frente que vai causar muito problema. Por quê? Porque eh a igreja naquele momento estabelecida e especialmente o bispo que estava na cidade de Roma, vai trazer para si a a autoridade de ser o sucessor de Pedro. Então, quando ele fala, quando ele afirma isso, ele tá querendo dizer paraas outras igrejas, tá vendo? Pedro veio à nossa à nossa igreja e Pedro esteve aqui e ele morre aqui e o seu legado apostólico está aqui. Por isso que a Igreja Católica Romana, ela é apostólica, a Igreja Católica Apostólica Romana, não é? E então, por conta dessa ideia de que eles são a sucessão direta do apóstolo Pedro. Mas quando a gente vai pensar nas outras igrejas, a gente entra num num numa situação mais complicada, porque a gente vai falar: "Por que as outras estão erradas e a minha tá certa? Por que que os católicos estão certos e eu estou errado? Por que que a igreja ortodoxa está certa e eu estou errado?" Ou por que a minha igreja está certa e todas as outras estão erradas? É isso que a gente vai tentar entender um pouco nesse curso. E agora a gente vai falar um pouco sobre a doutrina da igreja ortodoxa. Quem é a igreja ortodoxa? Hoje uma comunhão, não uma hierarquia central. Essa é a grande diferença, talvez, da igreja ortodoxa paraa Igreja Católica. Nós temos um conceito na igreja ortodoxa que é chamada da autocefalia. Cefalos é cabeça, né? Cefália, né? cabeça, cada igreja sua própria cabeça. Isso gerou dentro da igreja ortodoxa já um problema gigantesco. A gente vai ver isso mais paraa frente. Mas a ideia central é que [roncando] cada uma, cada unidade da igreja ortodoxa, ela tem que ser autogerida. do que nós estamos falando aqui, ó, do grego autos próprio e que falê que é que é cabeça. Cada igreja nacional é independente em sua governança interna, elegendo seu próprio patriarca sem aprovação externa. Ou seja, eles decidem isso localmente, mas todas em plena unidade de fé, sacramentos e [roncando] liturgia. As principais igrejas alcéfalas que nós temos, o patriarcado ecumênico de Constantinopla, que fica em Istambul, apesar de ser de língua grega, está no meio do povo de fala túquica, o patriarcado russo, grego, sério, romeno, búlgaro, Geórgia, Antioquia, Damasco, Alexandria e Jerusalém. O patriarca de Constantinopla é chamado primos entre interpes, ou seja, é o primeiro entre iguais. Ele tem primazia de honra, mas não possui autoridade jurisdicional sobre as igrejas do as igrejas ortodoxas. Não há equivalente ao Papa na igreja ortodoxa. Ou seja, não é a figura desse papa e o o patriarca de Constantinopla não é superior aos outros patriarcas das igrejas nacionais. Essa é a grande distinção entre as duas, não é? A a inclusive existe um um um concílio, né, periódico que muda, vamos dizer assim, a liderança nos próximos, acho que é quinquênio, acho que é de cinco em 5 anos, essa liderança vai mudando, certo? Todas as igrejas autocéfalas celebram a mesma liturgia, confessam o mesmo credo e partilham os mesmos sacramentos sem uma sede central que as govern. Então essa é a característica atual da igreja. ortodoxa, certo? O que ortodoxa vai significar? O que que essa igreja acredita sobre si mesma, né? A igreja ortodoxa, ela vem do grego ortos, que é reto, correto e doxá, que é glória, crença. Ou seja, pode ser traduzido como a crença correta ou como a glória correta. Os ortodoxos, eles afirmam que os dois sentidos são intencionais e inseparáveis. Crer corretamente também é glorificar corretamente. Essa autocompreensão, ela é central. Ou seja, a ortodoxia não se entende como uma das expressões do cristianismo. Ela se entende como a continuação direta e ininterrupta da igreja fundada pelos apóstolos. Olha que importante isso aí. Então, na cabeça da igreja ortodoxa, eles têm a razão. Todos estão ali com algum desvio dentro da sua prática. Eles têm a razão de como deve ser esse procedimento que preservou intacta a fé dos concílios ecumênicos. [roncando] A fé que ela processa, professa, no caso, é, em sua autocompreensão, a mesma fé de Atanásio, dos Capadócios, de João Crisóstomo e dos sete concílios ecumênicos. Eles professam hoje a mesma fé desses concílios. Não há na ortodoxia equivalente à reforma ou a movimentos de revisão doutrinal. A estabilidade da tradição é a mesma, é é ela mesma um valor teológico, não rigidez, mas fidelidade. Essa é a lógica desse desse método de pensamento dele, certo? [limpando a garganta] Duas referências de fundo, Bizâncio e o cisma de 1054. São as duas chaves para a leitura. Primeiro, a questão do império bizantino. O oriente cristão cresceu dentro do império romano do Oriente, que a capital era Constantinopla, inclusive em nome, em homenagem ao imperador Constantino, com língua grega, filosofia grega e liturgia grega. Isso moldou profundamente a sua teologia em contraste com o ocidente latino. E aí, por conta disso, por conta dessa divisão inclusive de língua, um problema linguístico entre as duas tradições, houve uma ruptura irreparável naquele momento. Parece que houve uma conciliação há pouco tempo aí atrás, mas não houve volta, né? Não, a igreja não se unificou novamente, mas houve uma conversa de uma volta aí há um tempo atrás. Essa ruptura formal ocorreu em 1054 na cidade de Constantinopla. Foi uma ruptura entre o patriarcado de Constantinopla e o de Roma. Não foi um evento súbito, foi o ponto de chegada de séculos de afastamento progressivo entre dois mundos que pensavam, rezavam e governavam a igreja de maneiras cada vez mais diferentes. Ao longo dessa aula, nós vamos ver o que que foi divergido e porquê. Ou seja, a gente vai atrapalhar esse conceito. Essa imagem que vocês estão vendo aí, é o famoso Cristo Pantocrator, que está na igreja Ragia Sofia, a principal igreja da da da igreja ortodoxa ou do universo ortodoxo, que hoje inclusive foi transformada novamente numa mesquita. Ela tinha sido elevada ao título de museu. Ela era uma igreja. Aí os muçulmanos transformaram ela em o Atatur, né, o fundador a ilha da Turquia, ele transforma ela em museu para evitar brigas. Então não vai voltar, não vai ser mesquita, não vai ser igreja, vai ser nada, vai ser museu. Só que agora com o Erdoan no nos últimos 3 anos, ela voltou a ser uma mesquita. Inclusive o acesso a ela tá tá impedido, tem vários problemas lá e tudo mais, certo? A autoridade, escritura, tradição e os concílios. Quem que decide o que é verdade na igreja ortodoxa e nas igrejas de em geral, né? Quem tem a última palavra? Três respostas diferentes. Na igreja protestante nós temos a palavra que vem da escritura. Só a escritura é o carro chefe. Nada supera a Bíblia dentro dos do universo protestante. A escritura sozinha é autoridade suprema. A igreja interpreta, mas a Bíblia corrige a igreja. Nesse aspecto, nós temos sim uma variação interpretativa gigantesca vide quantidade de denominações protestantes que nós temos. Mas a ideia é justamente essa que tá no final da frase aí. A igreja não corrige o texto. A igreja não interpreta o texto corrigindo-o, como acontece nas outras tradições. A igreja é corrigida pelo texto. Ninguém supera o texto. Inclusive as revisões eh da praxis da igreja, elas são feitas em concílios também baseados no texto bíblico. Não existe a possibilidade de uma igreja dizer: "Não, agora a gente acredita nisso e acabou", né? E então assim, se tiver fora do do ordenamento bíblico, não tem futuro. Essa é a lógica do que nós estamos vendo aqui. Já no universo católico romano, você tem a escritura mais a tradição, sendo que em vários momentos a tradição suplanta a escritura. Eh, depende do papa que está no poder, depende da da forma como ele interpreta o texto, ele vai reposicionar ali a praxis da igreja [roncando] dentro da sua linha interpretativa, certo? E aí, o que que nós vamos ter? O Papa como intérprete final e infalível em matéria de fé e de moral. O grande problema para Lutero, aqui, a gente até falou sobre Lutero não tem muito tempo atrás, o grande problema que ele viveu foi justamente ver que papas se contradiziam. Ele falou: "Como é que o papa lá atrás falou uma coisa e o papa de agora tá falando outra? Que papa infalível é esse? Será que o outro não era infalível então? Ou esse não é infalível?" E Lutero questiona essa autoridade papal justamente porque ele não entende que ela responde a responde a essa realidade que tá sendo apresentada pelos próprios concílios papais, né? E aí o que que nós vamos ver? Nós vamos ver que no caso do mundo ortodoxo, ah, no caso do mundo ortodoxo, o que vai acontecer é que você tem a escritura e a tradição com a autoridade final pertencendo à igreja reunida em concílio. Ou seja, a igreja ortodoxa, diferente da igreja romana, que tem um homem que decide o futuro dessa igreja, ela confia nos concílios que já ocorreram e nos concílios que elas vão que eles vão realizar para resolver problemas de ordem. eh, moral e de ordem de fé, certo? Então, o que que acontece? Nenhum bispo individual decide sozinho o destino dessa igreja. Não tem como ele decidir isso. Para a ortodoxia, escritura e tradição não são duas fontes paralelas. A escritura nasce dentro da tradição, é produto da comunidade eclesial e só pode ser corretamente lido dentro dela. É uma lógica bem interessante, se a gente for pensar, não é? Mas assim, tem os seus problemas também. O que que a ortodoxia entende por tradição? Tradição da ortodoxia é a vida do Espírito Santo na igreja, a tradição viva e contínua da revelação de Deus desde os apóstolos. Não é o arquivo do passado, é um organismo vivo. Então o que que a tradição vai incluir? As Sagradas Escrituras lidas dentro da igreja, os credos que surgem dos concílios, né? especialmente o credo nisseno constantinopolitano, que é o principal credo da igreja ortodoxa, os decretos dos sete conselhos ecumênicos, que vão ter outros temas que vão ser tratados além da questão da da divindade de Jesus Cristo, que é o principal tema do Concílio de Niceia, os escritos dos padres da igreja, ou seja, a patrística grega, os cânones litúrgicos, oração como portadora de teologia e a arte sacra, que são os ícones. Isso a gente vai falar já já sobre essa guerra, batalha dos iconoclastas aí e tudo mais. A liturgia não ilustra a teologia, ela é a teologia em sua forma mais plena. O que a igreja ora é o que a igreja acredita. Quais são os padres centrais nessa tradição grega? Nós temos Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, Gregório Nazareno, João Crisóstomo, eh Máximo de o o confessor, que é o o último desses paders grandes dessa tradição grega aí, certo? Existem sete concílios ecumênicos. Esse que vocês estão vendo aí é o famoso concílio de Niceia. E é proposital esse ícone e essa imagem porque no centro do conselho de Niceia está nada mais nada menos do que Constantino. Ele é quem convoca o concílio e ele é quem preside o concílio. Não é ele quem determina o que vai ser dito no concílio. Mas existe muita crítica a esse concílio por ter sido presidido por um imperador e não por um papa, por um por um bispo da igreja, alguém que estivesse ali embuído de estudar as escrituras, certo? Então, Niceia 1, nós, no ano 325, o tema qual foi? A divinidade, a divindade de Cristo contra o arianismo, que dizia que que Cristo não era divino. Ele era um homem muito especial, ele era um homem de uma categoria superior, mas não era divino. Aí depois você vai ter em 381, concílio de Constantinopla, que vai falar agora da divindade do Espírito Santo e completando esse credo aí. Éfeso 431 vai ser um concílio eh convocado pelo imperador, assumi o nome do imperador, mas vai falar sobre Maria. É o famoso dilema do Teotocos. Maria como a portadora da divindade. Ou seja, é isso que teotocos significa, aquele é o é o é o vaso que que carrega a divindade. E era contra Nestor, né? O nestorianismo. Cacedônia vai vir logo depois as duas naturezas de Cristo, ou seja, a ruptura com os não calcedônicos, a ideia de que Cristo ele tem duas naturezas divina e humana em plena harmonia, famosa união hipostática. E aí vai travar esse conceito de que Cristo realmente possui essas duas naturezas, certo? Constantinopla segundo, a reafirmação do concílio de Calcedônia. Constantinopla 3. Cristo tem duas vontades contra o monoteletismo, ou seja, Cristo tem a vontade divina e a vontade humana. E aí [roncando] vem o Niceia 2, que é a legitimidade dos ícones, que é que encerra o problema do iconoclastismo, do iconoclasmo, vamos dizer assim, da destruição dos ícones das imagens, né? Qual é a diferença crucial aqui? Roma reconhece esses sete e acrescenta mais 14 concílios posteriores. O protestantismo não reconhece nem os concílios como autoridade normativa, apenas como uma referência histórica. Então ele não considera nem os concílios ortodoxos, nem os romanos. Todos são referência histórica das discussões daquele momento, daquela época. Certo? E aí o que que nós vamos ter? Por conta desse concílio que a gente mencionou aqui, que é o concílio das duas naturezas de Cristo, várias igrejas se separaram. Aí começam os primeiros perrengues que a gente vai encontrar históricos aqui na igreja ortodoxa, certo? Cacedônia e as igrejas não calcedônicas. É o primeiro grande cisma, a grande racha que acontece no império bizantino, na igreja bizantina, que aqui não havia divisão entre igreja ortodoxa e igreja romana, certo? Então, como se relaciona a natureza divina e a natureza humana de Cristo? Nestor, o grande nestoriano, perdão, não é Nestoran Nestoriano, vai criar um conceito que é conhecido como nestorianismo. Ele vai ser condenado no concílio de Éfeso em 471, dizendo que Cristo tem duas pessoas distintas, a pessoa humana e a pessoa divina, certo? E apenas moralmente unidas. Maria seria mãe só do homem Jesus e não dous. O cristotocos é o que ele queria dizer. É por isso que surge o dom a a a discussão sobre Maria mãe de Deus também. Monofisismo, ou seja, condenado em Calcedone em 451, Cristo teria apenas uma natureza. A divina absorveu a natureza humana associado ao mongeutiquis e aos patriar e ao patriarca dióscoro de Alexandria. Monofisismo também foi rompido. E aí o que que Cacedônia afirmou? Cristo é uma pessoa com duas naturezas, completamente divino e completamente humano, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. É a fórmula dos quatro advérbios, como nós falamos, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação, definindo exatamente [roncando] essa natureza de Cristo, certo? Essa não era uma discussão acadêmica. A resposta define o que aconteceu na encarnação, se a salvação é realmente possível para o ser humano e o que significa dizer Deus se fez homem. Então, a ideia está justamente por trás disso aí, certo? E aí, o que que nós vamos ter na sequência? A igreja se divide, essa igreja rompe. E aí nós vamos ter, já vim até pro lado de cá pra gente ler ali, essas duas, esses dois corpos de igrejas. Primeiro, igrejas orientais ortodoxas. Quem são elas? Por que que elas rejeitam calced? Não necessariamente por defender o monofisismo de Étics, mas por desconfiar da linguagem do concílio e por tensões políticas e culturais. Elas preferem o termo miafisismo para descrever a sua posição. Então, quem que vai ficar separado ali depois do concelho de Calcedônia? A igreja Copta Ortodoxa que tá do Egito, a igreja Etíope, a igreja da Eritreia, eh a igreja Armênia Apostólica, a Igreja Síria Ortodoxa e essa igreja da Índia que existia desde muito tempo anterior, né? E quais são as línguas litúrgicas? Ou seja, no caso da Igreja Ortodoxa Egípcia é o copta árabe, na Etiópia é o guês, né? na Etiópia, na Eritreia, na Armênia é o Armênio clássico, [roncando] na Síria é o siríaco e lá na Índia é o síco que esse malaial que é uma das línguas da Índia, né? Então, ah, essa igreja ortodoxa e as igrejas ortodoxas orientais são dois nomes parecidos, mas só que são duas famílias distintas, elas não estão em plena comunhão entre si. Essa igreja especificamente aqui é a igreja que está lá no Cairo. É uma igreja chamada igreja suspensa, porque ela foi construída em cima de palafitas de madeira. Eh, tem toda uma história por trás dessa construção aí. Ela é muito famosa. Você hoje pode visitar essa igreja, você vê o o os alicerces dela lá embaixo. É bem interessante essa igreja aqui, tá bom? E o que que nós temos mais? Por que que calcedônia é a base de todos? Em Caucedônia, a ortodoxia fixou não só o que Cristo é, fixou o que o ser humano pode se tornar. Ou seja, a lógica interna qual era? Se Cristo é verdadeiramente humano, a carne, a matéria e o visível podem ser santificados. Se Cristo é verdadeiramente divino, esse contato com a carne humana não diminui Deus. Revela-o. Ou seja, [roncando] os ícones são possíveis e legítimos. Isso tá lá no bloco oito, a gente vai ver já já. A teosis, ou seja, a definição, deificação do ser humano, é possível a ideia de que nós receberemos corpos glorificados. Portanto, os sacramentos e os mistérios têm eficácia real. Isso vai direcionar a praxis da igreja. Ele vai dizer como que a igreja vai lidar aí com a sua a sua liturgia, certo? Por conta dessas definições que nós estamos vendo aqui no concílio de Calcedônia. E a encarnação é o fundamento de tudo. Toda a espiritualidade, a mística e a teologia ortodoxa dependem de uma única afirmação. Deus realmente entrou na matéria. Se sim, tudo se segue. Se ele não entrou, o coração do Oriente Cristão desaparece. Ou seja, tudo que o Oriente Cristão acreditava não valia de nada. Calcedônia não foi apenas uma decisão doutrinária, foi a fundação arquitetônica de todo o edifício teológico ortodoxo. Precisava eh que essa afirmação fosse real. Cristo, ele é o homem e Deus eh santificou o o a carne, a a matéria, para que isso também pudesse acontecer com as outras pessoas. E aí você vai ter a questão dos sacramentos. os sacramentos vão eh [roncando] aparecer eh para justamente ter esse poder, no caso, né, o poder eh de de santificar as pessoas. Então, quando você participa de uma ceia, quando você recebe a extrema unção, quando você recebe alguns dos sacramentos, você tem a sua realidade modificada. É isso que acredita a doutrina ortodoxa, certo? E aí nós temos esse problema do grego versus o latim, a trindade e o filho que são os grandes problemas linguísticos que geraram problemas estruturais nessa igreja, certo? Ai uma coisa que eu não falei no início da aula, podem surgir dúvidas. Se você tiver alguma dúvida, você pode colocar aqui no nosso chat que a gente vai responder, tá bom? dois universos, dois mundos que pensavam em Deus em línguas diferentes. O universo latino do império romano anterior e o inverso agora bizantino do império bizantino, certo? O oriente grego é herdeiro da filosofia grega, da coinê do Novo Testamento e dos grandes padres capadócios. Qual é a abordagem principal? Mistério, apofatismo. Você tem dois duas formas de afirmar as realidades de Deus, a apofática e a catafática, né? O apofatismo é justamente esse essa essa modalidade de você afirmar coisas eh você você limita a afirmação sobre Deus. Você diz que Deus é transcendente, que ele ele é ele é quase inatingível, né? Contemplação. A teologia ela é experienciada. Já o ocidente que é latino, ele é herdeiro de Roma, do direito romano, de Tertoliano, de Ambrosio, de Agostinho, de Ipona. Qual é a abordagem? Definição, analogia, sistematização. A teologia ela é construída, ela não é experienciada. Quais são as questões principais? Deus. Para os gregos, ele é um mistério. Você não consegue definir Deus. Então, Deus está tão inatingível que você não consegue nunca defini-lo. Então, o latim, ele passa pela definição e pela analogia. Então, você sempre vai fazer analogia sobre Deus, que é o catafático. Como é que é a questão do pecado original? Ele corrompe e traz a mortalidade na já no no no na lógica latina, ela é a culpa jurídica herdada, porque tá baseado no direito romano. Como que é a salvação? É a deificação. É o teus chamado no latino. É a santificação da justiça. O que que é a igreja? Comunhão conciliar. Já no latino, a ideia de uma instituição hierárquica. Você tem o líder e você tem os liderados. E assim a coisa eh segue, certo? A barreira crescente a partir do século VI, o conhecimento mútuo do grego no ocidente e do latim no Oriente foi declinando. Ou seja, aqueles que falavam latim falavam cada vez mais latim e menos grego. Vice-versa, aqueles que falavam grego falavam cada vez mais grego e menos latim. Quando os teólogos encontraram, eh, a não falavam a mesma língua literalmente. Essa que era a realidade que eles estavam enfrentando nesse momento da história. E aí vai começar os problemas dos concílios, porque eles acrescentaram algumas palavras nos credos que geraram problemas na questão tradutológica. Por exemplo, qual era a formulação original do concílio 381, que é o concílio de Calcedônia, de de Constantina, perdão, e [roncando] o espírito senhor e vivificador que procede do pai. O latim, os latinos, eles acrescentaram eh o espírito senhor e vivificador que procede do pai e do filho. Eles colocaram essa palavra latina chamada filioque. E aí, qual é a origem desse acréscimo que vai mudar toda essa teologia? A partir desse credo começa em círculos hispânicos e francos que são mais afastados, são na região mais a leste, perdão, mais a oeste do império, ou seja, lá na região ocidental pelo século VI e 7. Quem adotou foi Carlos Magno, o grande imperador Carlos Magno dos Carolines, os imperadores que vão aí dominar a a o império franco por muitos anos e depois vão fundar o Sacro Império Franco-Germânico, né? A inserção formal aconteceu em Roma, provavelmente por volta do século X. Nenhum concílio ecumênico autorizou essa mudança, por isso foi rejeitado. Os ortodoxos não tm um filho na sua formulação do credo de Niceia, o credo Niceeno Constantinopolitano, certo? Quais são os dois problemas? Primeiro, doutrinário. A ortodoxia sustenta que o espírito procede somente do Pai. É a única fonte e princípio da trindade. O filho que compromete a monarquia do pai. E o segundo processo é eclesiástico, ou seja, alterar o credo unilateralmente é para a ortodoxia uma usurpação. Prova que Roma já se comportava como se tivesse autoridade sobre toda a igreja, que a gente vai ter esse problema do ano 1054, como nós vimos. O que que Agostinho escreveu sobre isso? Agostinho desenvolveu a sua teologia, a teologia na qual o espírito procede do Pai e do Filho como do amor mútuo entre eles. É a base teológica para o filho, ou seja, a ideia de que o espírito surge do amor infinito do pai pelo filho e do filho pelo pai. A ortodoxia não o condena como herege, mas o trata com ressalvas significativas. Nós que somos da teologia latina, nós não temos problema com o filho nós acreditamos que o pai e o filho e o espírito são do mesmo e o filho e o e o espírito procede do pai e do filho. Nós abraçamos isso porque nós somos derivados da igreja romana. Se nós fôssemos derivados da igreja ortodoxa, nós não teríamos essa certeza e teríamos dificuldade com Agostinho de Ipona, certo? Eh, e aí nós tivemos o ensaio geral e depois o ponto da chegada, né? Fócio foi nomeado patriarca de Constantinopla em 85. Papa Nicolau I recusou reconhecê-lo e afirmou jurisdição sobre nomeações patriarcais orientais. Fócio respondeu com um sínodo que atacou fortemente o filho como heresia. O padrão da ruptura já estava estabelecido. Isso nós estamos falando em 867, certo? E aí vem o grande cisma. Cardeal Humberto depositou uma bula de excomunhão sobre o altar de Ragia Sofia contra o o patriarca Miguel Cerulário, que era o patriarca de Ragia Sofia. Cerulário pegou, respondeu, escomungando os legados romanos que estavam na cidade para poder participar de um concílio. As excomunhões mútuas foram levadas levantadas formalmente em 1964. Falei para vocês que teve uma uma conciliação há pouco tempo atrás e eles foram eh desescomungados. Agora todos fazem parte da mesma igreja de Cristo, porém cada um na sua praia, né? Então não houve comunhão sacramental restaurada, certo? Que que estava em jogo? o filho como nós falamos, que é uma doutrina e acréscimo unilateral ao credo, a pretensão papal de jurisdição universal, o uso de pão áimo ou fermentado na eucaristia, porque antes era utilizado um pão comum, certo? Celibato clerical obrigatório para o Ocidente e opcional para o Oriente. Eu já até acabei de responder a pergunta da Tita. Tita Silva. Tita, é isso mesmo? Seu nome? Padre pode ser casado ou não. Eles também não tem um papa como seu superior. Exatamente. Aqui acabei de responder. O celibato é opcional na igreja ortodoxa. Você pode ser celibatário, sim, mas não precisa. E aí vai ser o motivo da quarta cruzada. Pessoal, vocês lembram que as cruzadas foram um movimento cristão europeu, principalmente do império franco, eh movimentando ali as populações europeias para reconquistar Jerusalém, reconquistar a Terra Santa. Só que um desses desses eh um desses uma dessas cruzadas vai ser um ataque cristão contra cristão a Constantinopla, que acontece em 1204. Cruzados ocidentais saqueiam Constantinopla. Para muitos ortodoxos, essa ferida nunca cicatrizou. 1054 não foi uma ruptura, foi o o atestado de óbito de uma unidade que já havia morrido aos poucos. O filho foi o símbolo, a língua foi o abismo e o poder foi o gatilho. Ou seja, as três ferramentas aí eh apresentadas para ruptura geral, né? Que mais nós vamos ver na estrutura daqui que nós estamos vendo? Como a ortodoxia pensa a Deus? Dois caminhos para falar de Deus é a posição ortodoxa. Primeiro, havia a catafática, que é a afirmação a respeito de Deus. fala de Deus pelo que ele é. Deus é bom, Deus é poderoso, Deus é amor. O caminho predominante na teologia ocidental, especialmente na escolástica latina, Tomás de Aquino e a analogia do ser. Aí você tem a via apofática, que é uma via de negação, ou seja, falar de Deus pelo que ele não é. Deus não é limitado, Deus não é compreensível. Deus não é um ser entre outros seres. Ou seja, é o caminho predominantemente na teologia oriental. Então eu não posso, por exemplo, afirmar, como a gente diz ali, que Deus é bom. Por quê? Porque o meu conceito de bondade é limitado pela minha capacidade de imaginar a bondade de Deus. Então eu digo que Deus não é não bom. Eu faço uma dupla negativa ou que Deus é amor, porque o meu conceito de amor também é limitado pela minha relação de amor. Agora, eu posso dizer que Deus não é não amor. Ou seja, nós sabemos que tem amor em Deus e que Deus é amor, mas eu não posso estipular o tamanho desse amor. Então eu nunca vou afirmar que Deus é amor para eu não limitá-lo. Essa que é a ideia, né? Eh, o caminho predominante na teologia oriental, nos padres Capadócios e em Pseudodionísio Areopagita, certo? que é aquele [roncando] na Bíblia citado o que o Dionísio Areopagita se converte do discurso de Paulo lá na no Areópago, né? E aí você tem um pseudo Dinísio, porque séculos mais tarde ele vai escrever vários estudos, vários escritos como o nome do Ariopagita. Então a gente sabe que não era o mesmo porque nem que o cara tivesse uma saúde de ferro não ia viver século, certo? Como é que é a posição ortodoxa? As duas vias são complementares, mas a apofática deve vir primeiro e fundamentar a catafática. Quando dizemos que Deus é bom, estamos usando uma palavra humana para uma realidade que supera infinitamente o que essa palavra pode conter. Qual é o risco ocidental? Afirmar sem negar primeiro é para a ortodoxia reduzir Deus a uma categoria humana, domesticar o mistério. Aquele que pensa que entendeu Deus, não entendeu Deus. ideia amplamente atribuída a Agostinho, mas não verificada de forma exata. E aí nós temos essa distinção entre essência e energias que vai ser desenvolvida por Gregório Palamas, certo? Qual é a distinção? ousia, que é a essência, a natureza íntima de Deus, o que Deus é em si mesmo. Ela nunca é acessível, nem agora e nem na eternidade. Isso faz muito sentido. A gente quando chegar na eternidade não vai ter aí a capacidade de compreender plenamente quem Deus é. Ele sempre é maior que a criação, né? O criador sempre vai ser maior que a criação. Então essa energia, né? Ou seja, você tem essência energia ou energa, energia são as ações e manifestações de Deus no mundo. A graça, a luz tabórica, o amor. A luz tabórica é a luz do monte Tabor, né? O amor. E elas são acessíveis por meio delas, é que nós participamos de Deus. Aqui vocês vão ver uma imagem que é está lá na igreja do Monte Tabor. Existe uma igreja ortodoxa no Monte Tabor em Israel que fica no Vale de Gesreel. E esse é o ícone da transfiguração de Cristo com Moisés de um lado. Esse aqui, por exemplo, é Elias e Moisés tá do lado de cá. Elias tá desse lado e Moisés tá desse lado. E aqui estão os três discípulos, Pedro, Tiago e João, tentando fazer uma tenda para dormir ali. Um já até capotou aqui do lado, Tadinho, tá dormindo. Então essa é a ideia por trás das duas formas de energia e de essência que está ali na doutrina da igreja ortodoxa. Qual é o ponto central aqui? Participar das energias divinas é participar do próprio Deus. Não é um intermediário ou uma criatura. Deus permanece transcendente em sua essência, mas não fechado em si mesmo. Isso aqui vai ter uma discussão no período medieval fantástica. São Tomás de Aquino vai tocar nesse ponto e a teologia, a filosofia judaica também vai tocar nesse ponto. Eh, Maimôides vai falar sobre isso, Rasdai Crescas vai falar sobre isso e até mesmo eh Baruca Espinoza, anos mais tarde também vai falar sobre esse tema dentro da teologia e da do aristotelismo sendo traduzido dentro da interpretação bíblica, certo? definida como doutrina ortodoxa nos concílios de Constantinopla de 1341 e 1351. Não é aceita pelo catolicismo romano em sua formulação palamita, que é o nome do do Gregório Palamas aí, certo? Ah, por que que isso importa? Porque você tem três visões de como Deus é conhecido. Você tem a visão ortodoxa, ou seja, que é um mistério apofatismo, né? eh participação em Deus pelas energias divinas incriadas. Ou seja, elas energias não são são essência de Deus e a forma como Deus se comunica com a criação ali, né? Então você tem a meta do TS, que é a divina divinização do organismo, do corpo. A oração contemplativa tem valor cognóstico real, ou seja, você através da oração contemplativa, você pode acessar essas energias de Deus. O que que o catolicismo romano vai escrever no primeiro momento? Razão e analogia. Ou seja, Tomás Jaquino vai escrever sobre isso. Graça como força criada. A meta é a beatitude, ou seja, a visão de Deus. A essência divina é absolutamente simples. Não há distinção palamita na teologia romana. E o protestantismo, como que ele trabalha isso? Palavra, revelação escritural. A relação com Deus medida mediada pela fé e pela escritura. Qual é a meta? Justificação e santificação. A mística contemplativa é tratada com cautela. Ou seja, existem até alguns movimentos protestantes modernos que querem trabalhar essa ideia da mística contemplativa, né? Existe a lecto divina, existem alguns outros movimentos que trabalham esse tema da da mística dentro do protestantismo. E aí aqui eu ponho cautela com muita cautela mesmo, porque existem eh possibilidades de formulações aí mirabolantes e e eh, vamos dizer assim, antibíblicas, mesmo sem perceber, porque ceder a contemplação, ceder a mística contemplativa pode ceder também aos as expressões emocionais, as expressões internas do ser humano. E essas expressões podem impulsionar a formulação, formulações doutrinárias individuais que não encontram eh respaldo justamente no que nós estamos falando aqui da escritura, da palavra e da revelação escritural, que é para nós o eixo máximo aí de autoridade. Ninguém tem mais autoridade que a escritura, certo? Quais são as implicações que tudo isso atravessa? A distinção, essência e energia sustenta toda a espiritualidade ortodoxa. Os sacramentos comunicam as energias divinas, não apenas a graça criada. Os ícones representam as pessoas transformadas por essas energias. E aosis é a realidade ontológica, não apenas metafórica. Ou seja, o seu objetivo é realmente transformar a sua realidade através da da da elevação do seu da sua matéria para uma divinização dela, certo? A salvação começais, né? Ou seja, deificação, a afirmação mais ousada do cristianismo oriental. O que está de errado com o ser humano? Dois diagnósticos diferentes. Primeiro, diagnóstico ocidental de Agostinho. Adão pecou e transmitiu à humanidade uma culpa jurídica e uma natureza corrompida. O problema central é a culpa diante de um Deus justo. A salvação precisa resolver essa culpa, seja pela satisfação vicária, que é o catolicismo, seja pela imputação da justiça de Cristo, que é o protestantismo. Qual é o modelo jurídico e forense? Ou seja, você é culpado e você precisa que alguém pague a sua culpa. ou você mesmo ou alguém, que é o que acontece no protestantismo, certo? Qual o diagnóstico oriental da patrística grega? Adão pecou e introduziu na natureza humana a corrupção e a mortalidade. O problema central é a doença ontológica. O ser humano perdeu a participação da vida divina. O pecado individual é consequência dessa condição, modelo médico e ontológico. Ou seja, a ideia é que em vez de eu já ter imputada sobre mim uma culpa no nascimento, eu desenvolvo essa culpa pela condição ontológica que eu recebi. É um problema de doença, vamos dizer assim, certo? Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Atanás e Alexandria vai escrever isso. Uma das frases mais citadas na Patrística, atribuição amplamente aceita, certo? O que que é tornar-se Deus dentro da ortodoxia eh oriental? É a thosis, é um processo gradual de transformação, não o evento pontual. A restauração da imagem de Deus levada à sua plenitude, o famoso imagodei, né? Deus fez a um homem a imagem e semelhança. Participação nas energias divinas, luz, amor, vida, santidade. Começa nessa vida através da oração, dos sacramentos e da acese, ou seja, de você ser uma pessoa que busca purificação. O destino para qual todo ser humano foi criado. O que teoses não é uma fusão com Deus. O ser humano não perde a sua identidade. Não é um panteísmo, ou seja, o ser humano não se torna Deus em essência. é apenas uma metáfora espiritual, uma realidade que não é apenas também uma metáfora espiritual, ela é uma realidade ontológica e é um mérito acumulado, não é a resposta é a iniciativa divina, certo? É uma sinergia, ou seja, ortodoxia rejeita tanto pelagianismo, o ser humano se salva pelo esforço próprio, quanto o determinismo extremo, Deus salva independente da vontade humana. Resposta é a sinergia, cooperação real entre a graça divina e a liberdade humana. Deus não salva o ser humano sem o ser humano. Essa é a ideia por trás da ortodoxia. Por isso que ortodoxia tem que a pessoa que está que que que segue essa doutrina, ela precisa participar dos dos dos sacramentos, dos eventos e tudo mais para poder ter essa transformação acontecendo na sua vida. Para o ocidente cristão, a pergunta é: "Como é que eu sou perdoado?" Para ortodoxia é: "Como me torno o que fui criado para ser?" Essa é a lógica. a mudança da da do pensamento ali ortodoxo, certo? Eclesiologia, conciliaridade versus primazia papal. Pirâmide ou círculo, dois modelos de autoridade. Na visão católica romana, a igreja é una e visível com uma estrutura hierárquica que tem o Papa no seu vértice. O Papa possui primazia de jurisdição, autoridade real e direta sobre toda a igreja. Em matéria de fé e moral, pode pode definir dogmas excátedra, de forma infalível, independentemente de um concílio, ou seja, um modelo de pirâmide, a autoridade desce do topo. Na visão ortodoxa, a igreja é uma comunhão, ou seja, coinonia de igrejas locais, cada uma plenamente igreja. A autoridade reside na igreja reunida, no episcopado em comunhão. Nenhum bispo tem jurisdição sobre as outras igrejas. Verdades de fé são definidas por concílios ecumênicos e recebidas pela igreja como um todo. Qual é o modelo? É um círculo. Comunhão entre iguais, certo? Nos primeiros séculos, Roma tinha primazia de honra, reconhecida como primeira entre os patriarcados por razões históricas. Mas essa primazia nunca foi entendida como jurisdição universal do oriente. No oriente. A pretensão papal é para ortodoxia uma inovação medieval. e sobornoste, a autoridade que pertence à igreja inteira. Eh, o que que significa esse princípio da sobornost? A palavra estava para conciliaridade, eh, eslava, perdão, estava não, eslava para conciliaridade e colegialidade. A igreja toma decisões e preserva a verdade de forma coletiva e orgânica. O concílio ecumênico exige a recepção pela igreja como um todo para ter autoridade plena, um concílio que defina algo que a igreja não reconheça como sua fé. não é verdadeiramente ecumênico. Qual o exemplo? O Ferrara em Florença. Ele tentou reunir, reunificar o Ocidente, o Oriente. Foi formalmente aceito pelos bispos orientais presentes, mas rejeitado pela base da Igreja Ortodoxa. Ou seja, depois que os bispos orientais foram lá e concordaram, quando foi trazido para o Oriente, eles rejeitaram. Para a ortodoxia, essa rejeição confirma o princípio. A recepção pelo povo de Deus é parte do processo da autoridade. Vaticano I, 1980, 1870, perdão, afirma a infalabilidade. Infabilidade, infalibilidade. Tem essa palavra, a gente tem que ver depois como é que é. Papal. Quando o Papa fala excátra, definida doutrina da fé ou moral, suas definições são infalíveis por si mesmas, independentemente de consentimento da igreja. Para a ortodoxia, a infalibilidade eh pertence à igreja como um todo, não a nenhum bispo individual. Nenhum ser humano, por mais sagrado seu ofício, está acima da possibilidade de erro. Para Roma, a unidade precisa ser de um centro jurisdicional visível. Para ortodoxia, a unidade é a comunhão do mesmo espírito na mesma fé e nos mesmos sacramentos. Aí você tem um problema da iconoclastia. Esse é um problema seríssimo. O que foi o iconoclasmo ou as guerras iconoclásticas? E por quê? Eh, e por ele não está aparecendo a imagem. Só um momento. Eu tinha conseguido essa imagem. Deu algum problema aqui? Iconoclastas. Deixa eu ver se eu consigo. Vamos ver se eu consegui resolver. Ah, cadê vocês? Estou aqui. Ah, apareceu. Então, olha só, essa imagem é muito importante. Por isso que eu queria que ela aparecesse, porque essa imagem é de um saltério. Um saltério na cidade de Rudov. E isso aqui que vocês estão vendo na cruz não é Cristo, é um iconoclasta. É alguém que era do Império Romano e que decidiu destruir as imagens e os ícones. E aí eles foram, Império Romano não, ele era da ele era contra as imagens, na verdade, ele era talvez até do império bizantino mesmo. E aí eles tiveram uma batalha e eles foram mortos pelos defensores dos ícones, certo? Então, olha só, em 1000 em 726 730, o imperador Leão I ordenou a remoção e destruição de ícones por todo o império. Foi um período de perseguição. Monges, teólogos e fiéis foram exilados, torturados e mortos. Quais eram os argumentos dos iconoclastas? Primeiro, o segundo mandamento proíbe imagens, certo? Representar Cristo é ou impossível ou herético. Esse era um outro ponto. A veneração de ícones é idolatria, influência pagã, possível influência do islã e do judaísmo nessa decisão. Ambos rigorosamente aniconistas, ou seja, não possui nenhum ícone e nenhuma imagem, certo? A primeira fase ocorreu ali por volta de 726, foi encerrada no concílio de Niceia, o segundo Concílio de Niceia. E a segunda fase foi o triunfo da ortodoxia, quando eles venceram as batalhas e aí eles partiram para cima de quem tava destruindo tudo, fazendo isso aí que vocês estão vendo, certo? E aí o que que acontece? João da Maceno vai gerar aí uma doutrina para defender os ícones. Ele, qual é o argumento central dele? No Antigo Testamento, Deus pro imagens porque Deus não havia sido visto. Representá-lo seria inventar uma forma para o invisível. Mas na encarnação Deus se tornou visível, tornou carne humana, teve rosto, foi tocado e visto. Portanto, fazer ícone de Cristo não é violar o mandamento, é afirmar a encarnação. Então, qual era a lógica? Se o ícone é ilegítimo, a humanidade de Cristo não é real. Se a humanidade de Cristo não é real, a salvação é impossível. Essa foi a lógica que eles desenvolveram. E esse é o famoso Cristo Pantorcrator que está lá no mosteiro ortodoxo grego, no Monte Sinai lá no Egito, Monte Santa Catarina, o o mosteiro de Santa Catarina lá no Monte Sinai. Esse Jesus está lá como pantocrator, todo poderoso. Certo? Adoração não é veneração. A resposta do argumento da idolatria. Primeiro você tem esses dois termos, o latreia, certo? e o prosquinesis timétic, adoração, culto absoluto, somente a trindade. Aí o o prosquinesis, ou seja, é a veneração, que é uma reverência, é uma honra, ou seja, são aos ícones, aos santos e às relíquias. Você não adora os ícones, você reverencia os ícones. O princípio é a honra prestada ao ícone ícone para passa para o seu protótipo. Ou seja, venerar o ícone de Cristo é venerar Cristo, não a madeira e a tinta definida pelo segundo concílio de Niceia, foi a primeira fase que foi parada ali. Como é que a gente vê isso nas outras religiões? O Irã, o Irã, o Islã é completamente aniconístico, ou seja, ele tem um aniconismo absoluto. Qualquer representação figurativa é proibida. No judaísmo também a a a proibição veterotestamentária de imagens no culto. Protestantismo calvinista eliminou a imagem das igrejas. Os argumentos muito próximos dos iconoclastas. O luteranismo tolerou imagens com uso mais devocional e já o catolicismo romano usa imagens e estátuas, mas a ênfase é teológica diferente da ortodoxa. O ícone ortodoxo não é arte devocional no sentido ocidental, é a teologia visual com regras precisas de composição. Ícone como teologia. E o que cada elemento significa? Isso aí é o chamado de iconostase, certo? É uma é uma é um quadro de ícones. Inclusive, quando a gente visita a igreja de Santa Maria lá em Vittemberg, onde Lutero pregava, existe um iconostase igual a esse aí, tá? Igual a esse, não, um pouco menor, mas é muito parecido com esse, certo? Como é que funciona o fundo dourado? A luz encriada, ou seja, é a luz divina. Todas essas imagens que tem fundo dourado é porque a luz divina tá brilhando atrás dele. O personagem existe no espaço da eternidade. A perspectiva invertida. As linhas convergem para o espectador. O ícone olha para fora. Janela da eternidade ao mundo. Ausência de sombras. A luz emana do personagem. A luz da Teoses, ou seja, não é luz natural. Esse personagem conseguiu atingir aquilo que nós estamos falando, que é a divinização da matéria. Certo? Olhos grandes, boca pequena. a ênfase na contemplação, redução do sensorial, ampliação do espiritual, cores das vestes de Cristo, o azul da humanidade, vermelho da divindade, eh as duas naturezas, eh, duas cores. E a inscrição no nome, sem nome não é ícone. A identidade pessoal é sempre preservada e afirmada. Qual é o triunfo da ortodoxia? Como nós vamos ver aqui, R, fui lá para cima. Eh, e o que o iconoclasmo revelou sobre a pé? A imperatriz Teodora 843, regente pelo filho menor Miguel I restaurou a veneração dos ícones. O evento é celebrado até hoje na ortodoxia na primeira semana da grande quaresma. O domingo do triunfo da grande ortodox o triunfo da ortodoxia. Sai aqui, vai dormir. Eh, os fiéis carregam ícones em procissão. Ó, ela aqui, ó, o filho dela, que era o imperador, e ela como regente restaurando os ícones. Isso aqui é o ícone do triunfo da ortodoxia que está no British Museum lá em Londres. O legado permanente. O iconoclasmo forçou ortodoxia a articular o que antes era vivido intuitivamente. Consolidou a teologia de João Damaceno. Estabeleceu o segundo concílio de Nisséia em 787 como o sétimo e último concílio ecumênico, reconhecido pela ortodoxia. A pergunta que o iconoclasmo respondeu: Deus realmente entrou na matéria? Se sim, o ícone é possível. A theoses é possível. Os sacramentos comungam graça real e a carne humana pode ser transfigurada. senão oriente cristão perdeu todo o seu coração. Liturgia e sacramentos, onde a teologia deixa de ser abstrata e se torna experiência do reino. Ah, liturgia como centro de tudo. A celebração da da igreja ortodoxa, a mais utilizada é a liturgia de São João Crisóstomo. Em ocasiões especiais, você usa a liturgia de São Basílio. A estrutura é a mesma em toda a comunhão ortodoxa, da Grécia à Rússia, da Líbia, do Líbano à América. Todos estão a mesma liturgia. Já no protestantismo, o culto é centrado na pregação da palavra. Na ortodoxia, o culto é centrado na eucaristia. Uma reunião sem eucaristia não é liturgia plena. E com o catolicismo, ambos centram na eucaristia. As diferenças são de forma e atmosfera. A liturgia ortodoxa é mais longa, mais cantada e mais mistérica. A ortodoxia nunca passou por reforma litúrgica equivalente ao Vaticano II que aconteceu, como nós já falamos em 1800 bolinha ali, certo? Uma porta para o eterno. A liturgia entendida entendida como a participação terrena na liturgia celestial eterna. Os fiéis não apenas assistem, mas eles participam de uma realidade que os transcend, certo? Quais são os sete mistérios da Igreja Ortodoxa? Bismo, imersão tripla em água, morte e ressurreição de Cristo. Já na qual é a particularidade? A menção completa, inclusive de bebês. Você pode ser batizado adulto e bebê também, seguindo imediatamente de crismação e eucaristia, certo? Que que é a crismação? É a unção do santo, com o santo Myron, o dom do Espírito Santo. Imediatamente após o batismo, não adiada para a adolescência. A eucaristia, pão e vinho que se tornam corpo e sangue de Cristo. O pão é fermentado comum, eh, comunhão sobre duas espécies para todos, inclusive para crianças. Confissão, reconciliação com Deus diante do sacerdote. O padre é testemunha, não juiz. Cristo é o confessor. Eh, unção dos enfermos, unção com óleo e oração pelos doentes. Não é a extrema unção, é a cura para qualquer enfermo. Ordem sacra. Consagração dos bispos, presbíteros e diáconos. Bispos são celibatários. Os monges, os presbíteros podem ser casados antes da ordenação. Matrimônio: União de homem e mulher em Cristo. A cerimônia das coroas, que é o Stefanoma. Os nubentes são coroados como reis e rainhas. Na liturgia, a teologia ortodoxa inteira se integra. A integração. Eh, a teologia apofática se realiza. Centramos, cantamos ao Deus que não pode, não podemos contemplar, perdão. A Teoses avança, recebemos as energias divinas na Eucaristia. A eclesiologia conciliar se manifesta. a igreja reunida ao redor do mesmo do bispo. Os ícones enquadram o espaço, ou seja, os santos participam da mesma celebração. E a cristologia calcedônica se afirma: Cristo verdadeiramente Deus e verdadeiramente humano. A a liturgia ortodoxa aponta para plenitude do reino. Aponta para e antecipa a plenitude do reino. Quando a igreja celebra a liturgia, ela não está apenas lembrando o passado ou aguardando o futuro. Ela está entrando no eterno presente de Deus. Na ortodoxia, a teologia não precede a liturgia, nasce dela. O que se ora é o que se crê. E o que se crê é que na liturgia o céu e a terra se tocam. Vamos fazer um mapa comparativo rapidamente aqui. Então nós temos na ortodoxia autoridade da escritura, mas tradição, mais concílios. Na Igreja Católica Romana, tradição, escritura e papa. da protestantismo geral, sola escritura, não calcedônico, escritura, tradição e concílios até o concílio 449, que eles não aceitam os concílios posteriores. Cristologia na ortodoxia, calcedônia, duas naturezas, uma pessoa. Católica romana também é calcedônia. Protestantismo também é calcedônia. Já na calcedônica é o miafisismo, que é uma natureza unida. A trindade, o filho espírito procede só do pai na ortodoxia. Católica romana. Eh, espírito procede do pai e do filho. Como eu falei para vocês, a maioria protestante, tem um outro que não aceita, mas a maioria protestante é filhoque também. E na não calcedônica também o espírito procede só do pai. Na salvação é o teus naedificação pela ortodoxia. No caso da católica romana, justificação e santificação. Eh, protestantismo geral é justificação pela fé. E na não caedônica, a terminologia próxima à ortodoxa, certo? Graça e liberdade, elas são sinérgicas com cooperação real. Católica romana, você tem cooperação com a graça. Eh, e o protestantismo, você tem a variação do monergismo e a sinergia. Ou seja, o monergismo é Deus que realiza tudo e a sinergia você participa também. A nãocedônica é sinérgica também. E a igreja, ela é a comunhão conciliar. Católica romana é a hierarquia sobre o papa. Protestante você tem vários modelos, episcopal, congregacional e tudo mais. E aí a não calcedônica é a comunhão independente, certo? Você não tem a comunhão conciliar porque elas são independentes. Parte dois, sacramentos, sete mistérios, graça real ontológica. Católica também tem os sete sacramentos, graça real. Protestantes, eles têm duas ordenanças, que é o batismo e a ceia, mas não são sacramentos. E no anglicanismo ele tem sete, que é um anglicanismo alto, mas o anglicanismo copiou tudo isso da Igreja Católica. Não caidônica também tem os sete mistérios. Eucaristia, corpo e sangue reais, pão fermentado, ou seja, o corpo transmuta para o corpo de Cristo e o sangue também. Igreja Católica também, corpo e sangue reais na transubstânciação, só que é o pão ásimo, né? No caso do luteranismo é presença real e memorial para os batistas e outras denominações. E na não caedônica também corpo e sangue reais. Maria Teotocos, ela é a mãe de Deus venerada. Teotocos Imaculada Conceição, mas a Assunção se tornaram do ela quase vira uma quarta pessoa da trindade dentro da doutrina católica. No protestantismo geral, ela é respeitada, ela não é venerada na maioria dos casos. E no caso da não caedônica, que é próxima da ortodoxa, também ela é venerada, certo? Ícones, imagens, veneração teológica, que é o queê, eh, a católica romana, imagens e estátuas têm devoção, no caso do calvinismo rejeitadas e nos outros protestantistas, protestantes eh luteranos e outros, ela também é tolerada. Não [roncando] concedônica veneração. O clero, bispo celibato, presbíteros podem casar. Eh, no no rito latino, todos são celibatos obrigatórios. Protestantismo varia, mas a maioria permite casamento. E no calcedônico também, bispo, celibatários, os presbíteros podem casar. língua litúrgica, grega, eslava, árabe, romana, depende da região, no caso da ortodoxa. No Vaticano mudou um pouco na Igreja Católica, mas até o Vaticano II todas eram latim. Depois virou aí línguas locais, né? Protestantismo é vernáculo e no caso da não calcedônica é copta, Giríaco e Armênio em geral, certo? Como que a ortodoxia se lida com o judaísmo? Compartilha o monoteismo abraâmico, base do Antigo Testamento, lido intensamente na liturgia ortodoxa. Divergem: Jesus não é o Messias para o judaísmo, obviamente. A Torá é a revelação definitiva e suficiente. Para a ortodoxia, o antigo testamento é a preparação e a prefiguração do Novo Testamento cumprida em Cristo. A trindade é impensável para o judaísmo. Como que ela se relaciona com o Islã? O islã surge no século VI em contato direto com o mundo bizantino. João Damaceno foi um dos primeiros teólogos cristãos a analisar o Islã criticamente, tratando como uma heresia cristã, posição histórica que vale contextualizar também. Eh, tem divergências radicais. A trindade é shirk, associação pecado máximo no Islã. Eh, o Jesus é profeta issa, mas ele não é divino. Segundo a maioria das interpretações. A encarnação é impensável. o um o aniconismo é absoluto, não você tem ícone para nada lá no Islã, certo? Então, a theosis, a participação real na natureza divina é radicalmente específica do cristianismo oriental. No islã e no judaísmo, a distância entre Deus e o ser humano é estrutural e permanente. Para a ortodoxia, essa distância foi atravessada pela encarnação. Estamos finalizando. O que que é inconfundível na teologia ortodoxa? Primeiro, a encarnação como fundamento de tudo. Não apenas um evento histórico, é o princípio que torna possíveis os ícones, até oses, os sacramentos e a transfiguração da matéria. Se a encarnação é real, tudo muda. Auses como destino humano, não apenas perdão, apenas não apenas vida eterna, mas participação real na vida divina. O ser humano foi criado para ser deificado. A afirmação mais ousada do cristianismo ocidental. Apofatismo como postura fundamental. Deus é conhecido, mas nunca esgotado pelo conceito. O silêncio, a contemplação e o mistério não são falhas do pensamento teológico, são sua forma mais elevada. Tradição como organismo vivo, não um arquivo do passado. A vida do espírito nas na igreja através do tempo. A estabilidade não é rigidez. A fidelidade a algo maior do que qualquer geração. Liturgia como teologia encarnada. A verdade não é apenas pensada, ela é cantada, ela é celebrada. saboreada e tocada. A divina liturgia é onde a teologia deixa de ser abstrata e torna-se a experiência do reino tudo junto. Nenhuma dessas cinco características é exclusiva. O que é inconfundível é a combinação de todas num sistema coeso, vívido e de 1000 anos, mais de 1000 anos de história, na verdade, né? Então nós temos que essa igreja antiga no mundo moderno, ela atravessou 15 séculos de controvérsias, de sismas, perseguições do iconoclasmo a invasões mongólicas, eh, mongóleis, né, do mundo otomano até o ateísmo soviético, sem reformar sua liturgia, sem definir seus dogmas, redefinir no caso, sem eleger um papa. Isso pode parecer um imobilismo para ela é fidelidade. Entendê-la não exige concordar com ela, mas exige levá-la a sério. Como diz Atanásio, Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Assim terminamos a nossa aula falando sobre a ortodoxia. Temos perguntas aqui no final. Deixa eu ver se tem mais alguma aqui no meio. Não temos. Ah. Ah, tem essa informação muito importante aqui que as mulheres usam o velho e também o homem tira o sapato. Isso é verdade. Eu já estive em algumas igrejas ortodoxas, principalmente ortodoxas gregas, e você tinha que tirar o sapato para entrar em alguns lugares e tudo mais. Lugar que é muito turístico, não, né? Tem uns monastérios de meteora lá na Grécia, que é um negócio assim espetacular, igrejas construídas no meio da rocha, assim, um negócio assim absurdo, é lindo demais. Eh, eles têm umas igrejas muito bonitas, certo? Eh, a Sandra tá falando da aula aqui. Aula excelente, professor. Muito obrigado. As aulas da plataforma DBNU sobre história da igreja estão me ajudando muito também. Nós temos, tá, pessoal, um curso inteiro sobre história da igreja. Obrigado por frisar isso aqui. Sandra, boa noite, professor. Muito obrigado. Eh, se Pedro é o primeiro papa da Igreja Católica e o mesmo era casado, porque os padres atualmente não podem ser casado na igreja romana? Isso foi uma decisão posterior. Eh, algumas pessoas dizem que tem a ver com a herança da igreja, porque a igreja começou a acumular muito capital e aí eles tinham medo de que se os padres tivessem filhos, eles poderiam entrar, por exemplo, para exigir herança, entendeu? Então eles resolveram aí limitar isso. Tem essa doutrina aí. Eles vão dizer que o o apóstolo Paulo também não tinha m esposa, como ele vai falar, por exemplo, lá aos Coríntios, no capítulo 9, né? Eh, no primeira carta aos Coríntios, capítulo 9. Então você tem todas essas essas questões aí que estão sendo trabalhadas, tá bom? Eh, é mais é uma questão muito interessante. Ah, no protestantismo as duas visões são aceitáveis, calvinismo e armianismo, ou seja, monerdismo e sinergismo. Exatamente. Depende de qual a sua linha você vai abraçar. E tem gente, inclusive, que não aceita nenhuma das duas como absoluta, né? Assim, essa essa a gente chama, tem uma teologia que a gente chama de teologia do paradoxo, né? que Deus faz e o homem faz ao mesmo tempo. Eh, tem algumas pessoas que defendem essa essa linha aí, por exemplo, como seria a escatologia da igreja ortodoxa? Seria pós-bulacionista? Eu vou ter que pesquisar essa informação, eu não tenho nesse momento, mas uma pergunta muito interessante é a ideia de que você vai ter o seu corpo divinizado, né, que é essa ideia da teoses, né? Mas assim, como que é a questão da tribulação? Eu realmente não parei para para pesquisar isso, porque isso também eu acho que não é algo que eles divulgam muito. Acho que é uma coisa mais tem que ser mais cavucada aí. Tá bom. Eu não tenho como responder isso aqui nessa aula. Vamos ver. Ah, esses guitarristas, vou falar, indica livros falando dos concílios. livros para falar dos concílios. Você vai ter que pegar um livro aí do os livros sobre a história da da igreja primitiva, né, do do do período dos dos patrística, período da patrística. Tem um livro, vou mostrar aqui. Ah, vai cachorro. Sempre que eu quero mostrar um livro para vocês, eu não acho, porque eles se escondem. É um livro do Rusto Gonzales, História ilustrada do cristianismo. É um conjunto, são dois volumes e eu tenho esses dois volumes, eu não tô achando. Se bem que eu posso ter emprestado isso para alguém ou doei ele para alguém, agora eu tô na dúvida. Certo? Eh, mas esse livro do Rusto Gonzáes, ele fala sobre a história da igreja, é um dos melhores livros, assim, é ampassan, tá? Ele vai falar dos concílios e tudo mais. Eh, mas e eh e tem outros livros que falam sobre eles. Eu sei que o Hans King, se eu não me engano, tinha alguma coisa também que falava sobre concílios, tá? Mas eu poderia livro Pais Apostólicos, desconosco. Não conheço esse livro especificamente, tá? Mas eu se alguém, eu vou procurar depois eu posso responder. Eh, mas falar sobre a história da igreja são os melhores, né? Existe o livro do do J de JM Mcullor que fala sobre a reforma e ele tem um material sobre a história da igreja muito bom que ele fez com a BBC de Londres, né? falando sobre a história da igreja, da igreja cristã como um todo. Ele é um padre anglicano, então assim, é muito bom o material dele, tá? Se vocês quiserem aprender, vale a pena procurar isso aí, tá bom? Meus queridos? Uma alegria incomensurável estar com vocês nessa noite fria aqui em São Paulo. Tá 12º agora e vai chegar até 10, né? Tô com pena das minhas cachorras que dormem do lado de fora. Mas assim, nós estamos aqui nessa caminhada da uma só fé, múltiplas tradições, né? muitas tradições. Então, se você ainda não fez a inscrição no canal da IBNU, faça essa inscrição, divulgue esse conteúdo, ative o sininho para você também receber as notificações. Se você não se inscreveu, na plataforma, lá nós temos a o conjunto de todas as aulas e também das outros módulos do Macários que você pode começar ainda hoje, saindo daqui e entrando lá no próximo módulo para você fazer sua aula, tá bom? Deus os abençoe ricamente e nós nos vemos numa próxima aula. quando assim cair no meu colo, tá? Um forte abraço e até lá.