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A fé vem pelo ouvir

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 06 | Teologia da Igreja Ortodoxa | Jônatas Hübner

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Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 06 | Teologia da Igreja Ortodoxa | Jônatas Hübner

Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 06: Teologia da Igreja Ortodoxa
Jônatas Hübner

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เฮ
[música]
>> [música]
[música]
>> Que beleza, começamos já com a saída.
Agora sim, muito boa noite a todos que
nos acompanham aqui no nosso curso
Macários,
nosso curso no módulo
XYZ. Eu estou até aqui com minha bola de
basquete
de tão frio que tá fazendo nessa cidade.
São Paulo resolveu realmente pregar uma
peça na gente. Só ver agora. Agora tá
dando 12º aqui e nós estamos muito
felizes em estar mais uma vez aqui com
vocês no Macário. Se você ainda não se
inscreveu no canal da IBNU, se inscreva
nesse momento. É uma oportunidade para
você
participar com a gente aqui. É, enquanto
eu vou ajustando aqui os últimos
detalhes, eu dei uma demorada para
entrar porque tive uns probleminhas
técnicos, mas agora já tá tudo certo
e eu estou com a câmera que está desse
jeito. Por que que ela tá espelhada? Ah,
agora ficou melhor. Agora ficou melhor.
A câmera está do jeito que ela deve
estar. Bom, meus queridos, nós vamos
hoje falar sobre a igreja ortodoxa, mais
especificamente a teologia da igreja
ortodoxa. Eu tô vendo que um pessoal já
colocou aqui de onde está falando, né? O
Samuel tá dizendo que não vai participar
ao vivo hoje, Samuel, que pena. Você é
sempre bem-vindo, está com a gente aqui.
Ah,
Samuel tá dizendo que vai ter sorteio de
livros. Não sei qual foi o professor que
disse isso para ele, mas tô sabendo de
nada. E aí tem gente de Itabuna na
Bahia. Olha que legal, hein? Tem um
pessoal de alguns lugares aqui que não
estão falando de onde é, mas tudo bem.
Vamos em frente, meus queridos. Nós
vamos falar hoje sobre, como eu já
afirmei para vocês,
a
igreja
ortodoxa. O que que a gente vai ver
dessa igreja ortodoxa? Deixa eu ver uma
coisa aqui. Talvez isso aqui não
atrapalhe em nada.
Teologia, história e identidade. O que
ela é e o que a distingue e porquê? A
grande questão, a grande pergunta que se
faz é a respeito da igreja que Jesus
fundou. Qual foi essa igreja que o
Senhor Jesus fundou? E por que que nós
podemos dizer se pertencemos a essa
igreja ou se não temos nada a ver com
essa igreja? A realidade
[roncando]
é que Jesus em ele por si só, ele
menciona da eclesia, né? Ele menciona da
reunião das pessoas. Isso está lá em
Mateus, capítulo
16,
eh, quando ele vai perguntar para os os
discípulos o que que as pessoas
afirmavam sobre ele. Aí depois ele
pergunta pros discípulos: "E vocês, o
que que vocês acham que eu sou? Quem
vocês acham que eu sou?"
E Pedro tem aquela afirmação famosa, tu
és o Cristo, filho do Deus vivo. Essa
afirmação, especificamente,
ela vai gerar uma situação lá na frente.
Nós não estamos nela ainda, mas ela vai
gerar uma situação lá na frente que vai
causar muito problema. Por quê?
Porque eh
a igreja naquele momento estabelecida e
especialmente o bispo que estava na
cidade de Roma, vai trazer para si a
a autoridade
de ser o sucessor de Pedro. Então,
quando ele fala, quando ele afirma isso,
ele tá querendo dizer paraas outras
igrejas, tá vendo? Pedro veio à nossa à
nossa igreja e Pedro esteve aqui e ele
morre aqui e o seu legado apostólico
está aqui. Por isso que a Igreja
Católica Romana, ela é apostólica, a
Igreja Católica Apostólica Romana, não
é? E então, por conta dessa ideia de que
eles são a sucessão direta
do apóstolo Pedro. Mas quando a gente
vai pensar
nas outras igrejas, a gente entra num
num numa situação mais complicada,
porque a gente vai falar: "Por que as
outras estão erradas e a minha tá certa?
Por que que os católicos estão certos e
eu estou errado? Por que que a igreja
ortodoxa está certa e eu estou errado?"
Ou por que a minha igreja está certa e
todas as outras estão erradas? É isso
que a gente vai tentar entender um pouco
nesse curso. E agora a gente vai falar
um pouco sobre a doutrina da igreja
ortodoxa. Quem é a igreja ortodoxa? Hoje
uma comunhão, não uma hierarquia
central. Essa é a grande diferença,
talvez, da igreja ortodoxa paraa Igreja
Católica. Nós temos um conceito na
igreja ortodoxa que é chamada da
autocefalia. Cefalos é cabeça, né?
Cefália, né? cabeça, cada igreja sua
própria cabeça. Isso gerou dentro da
igreja ortodoxa já um problema
gigantesco. A gente vai ver isso mais
paraa frente. Mas a ideia central é que
[roncando] cada uma, cada unidade da
igreja ortodoxa, ela tem que ser
autogerida. do que nós estamos falando
aqui, ó, do grego autos próprio e que
falê que é que é cabeça. Cada igreja
nacional é independente em sua
governança interna, elegendo seu próprio
patriarca sem aprovação externa. Ou
seja, eles decidem isso localmente, mas
todas em plena unidade de fé,
sacramentos e [roncando] liturgia.
As principais igrejas alcéfalas que nós
temos, o patriarcado ecumênico de
Constantinopla, que fica em Istambul,
apesar de ser de língua grega, está no
meio do povo de fala túquica, o
patriarcado russo, grego, sério, romeno,
búlgaro, Geórgia, Antioquia, Damasco,
Alexandria e Jerusalém.
O patriarca de Constantinopla é chamado
primos entre interpes, ou seja, é o
primeiro entre iguais. Ele tem primazia
de honra, mas
não possui autoridade jurisdicional
sobre as igrejas do as igrejas
ortodoxas. Não há equivalente ao Papa na
igreja ortodoxa. Ou seja, não é a figura
desse papa e o o patriarca de
Constantinopla não é superior aos outros
patriarcas das igrejas nacionais.
Essa é a grande distinção entre as duas,
não é? A a inclusive existe um um um
concílio, né, periódico que muda, vamos
dizer assim, a liderança nos próximos,
acho que é quinquênio, acho que é de
cinco em 5 anos, essa liderança vai
mudando, certo? Todas as igrejas
autocéfalas celebram a mesma liturgia,
confessam o mesmo credo e partilham os
mesmos sacramentos sem uma sede central
que as govern. Então essa é a
característica atual da igreja.
ortodoxa, certo?
O que ortodoxa vai significar? O que que
essa igreja acredita sobre si mesma, né?
A igreja ortodoxa, ela vem do grego
ortos, que é reto, correto e doxá, que é
glória, crença. Ou seja, pode ser
traduzido como a crença correta ou como
a glória correta. Os ortodoxos, eles
afirmam que os dois sentidos são
intencionais e inseparáveis. Crer
corretamente também é glorificar
corretamente.
Essa autocompreensão, ela é central. Ou
seja, a ortodoxia não se entende como
uma das expressões do cristianismo. Ela
se entende como a continuação direta e
ininterrupta da igreja fundada pelos
apóstolos. Olha que importante isso aí.
Então, na cabeça da igreja ortodoxa,
eles têm a razão. Todos estão ali com
algum desvio dentro da sua prática. Eles
têm a razão de como deve ser esse
procedimento que preservou intacta a fé
dos concílios ecumênicos. [roncando]
A fé que ela processa, professa, no
caso, é, em sua autocompreensão, a mesma
fé de Atanásio, dos Capadócios, de João
Crisóstomo e dos sete concílios
ecumênicos. Eles professam hoje a mesma
fé desses concílios. Não há na ortodoxia
equivalente à reforma ou a movimentos de
revisão doutrinal. A estabilidade da
tradição é a mesma, é é ela mesma um
valor teológico, não rigidez, mas
fidelidade. Essa é a lógica
desse
desse método de pensamento dele, certo?
[limpando a garganta]
Duas referências de fundo, Bizâncio e o
cisma de 1054.
São as duas chaves para a leitura.
Primeiro, a questão do império
bizantino. O oriente cristão cresceu
dentro do império romano do Oriente, que
a capital era Constantinopla,
inclusive em nome, em homenagem ao
imperador Constantino, com língua grega,
filosofia grega e liturgia grega. Isso
moldou profundamente a sua teologia em
contraste com o ocidente latino. E aí,
por conta disso, por conta dessa divisão
inclusive de língua, um problema
linguístico entre as duas tradições,
houve uma ruptura irreparável naquele
momento. Parece que houve uma
conciliação há pouco tempo aí atrás, mas
não houve volta, né? Não, a igreja não
se unificou novamente,
mas houve uma conversa de uma volta aí
há um tempo atrás.
Essa ruptura formal ocorreu em 1054 na
cidade de Constantinopla. Foi uma
ruptura entre o patriarcado de
Constantinopla e o de Roma. Não foi um
evento súbito, foi o ponto de chegada de
séculos de afastamento progressivo entre
dois mundos que pensavam, rezavam e
governavam a igreja de maneiras cada vez
mais diferentes.
Ao longo dessa aula, nós vamos ver o que
que foi divergido e porquê. Ou seja, a
gente vai atrapalhar esse conceito. Essa
imagem que vocês estão vendo aí, é o
famoso Cristo Pantocrator, que está na
igreja Ragia Sofia, a principal igreja
da da da igreja ortodoxa ou do universo
ortodoxo, que hoje inclusive foi
transformada novamente numa mesquita.
Ela tinha sido elevada ao título de
museu.
Ela era uma igreja. Aí os muçulmanos
transformaram ela em o Atatur, né, o
fundador a ilha da Turquia, ele
transforma ela em museu para evitar
brigas. Então não vai voltar, não vai
ser mesquita, não vai ser igreja, vai
ser nada, vai ser museu. Só que agora
com o Erdoan no nos últimos 3 anos, ela
voltou a ser uma mesquita. Inclusive o
acesso a ela tá tá impedido, tem vários
problemas lá e tudo mais, certo?
A autoridade, escritura, tradição e os
concílios. Quem que decide o que é
verdade na igreja ortodoxa e nas igrejas
de em geral, né? Quem tem a última
palavra? Três respostas diferentes. Na
igreja protestante nós temos a palavra
que vem da escritura. Só a escritura é o
carro chefe. Nada supera a Bíblia dentro
dos do universo protestante. A escritura
sozinha é autoridade suprema. A igreja
interpreta, mas a Bíblia corrige a
igreja. Nesse aspecto, nós temos sim uma
variação interpretativa gigantesca vide
quantidade de denominações protestantes
que nós temos. Mas a ideia é justamente
essa que tá no final da frase aí. A
igreja não corrige o texto. A igreja não
interpreta o texto corrigindo-o, como
acontece nas outras tradições. A igreja
é corrigida pelo texto. Ninguém supera o
texto. Inclusive as revisões
eh
da praxis da igreja, elas são feitas em
concílios também baseados no texto
bíblico. Não existe a possibilidade de
uma igreja dizer: "Não, agora a gente
acredita nisso e acabou", né? E então
assim, se tiver fora do do ordenamento
bíblico, não tem futuro. Essa é a lógica
do que nós estamos vendo aqui. Já no
universo católico romano, você tem a
escritura mais a tradição, sendo que em
vários momentos a tradição suplanta a
escritura. Eh, depende do papa que está
no poder, depende da da forma como ele
interpreta o texto, ele vai reposicionar
ali a praxis da igreja [roncando] dentro
da sua linha interpretativa,
certo? E aí, o que que nós vamos ter? O
Papa como intérprete final e infalível
em matéria de fé e de moral. O grande
problema para Lutero, aqui, a gente até
falou sobre Lutero não tem muito tempo
atrás, o grande problema que ele viveu
foi justamente ver que papas se
contradiziam. Ele falou: "Como é que o
papa lá atrás falou uma coisa e o papa
de agora tá falando outra? Que papa
infalível é esse? Será que o outro não
era infalível então? Ou esse não é
infalível?" E Lutero questiona essa
autoridade papal justamente porque ele
não entende que ela responde a
responde a essa realidade
que tá sendo apresentada pelos próprios
concílios papais, né? E aí o que que nós
vamos ver?
Nós vamos ver que no caso do mundo
ortodoxo,
ah,
no caso do mundo ortodoxo, o que vai
acontecer é que você tem a escritura e a
tradição com a autoridade final
pertencendo à igreja reunida em
concílio. Ou seja, a igreja ortodoxa,
diferente da igreja romana, que tem um
homem que decide o futuro dessa igreja,
ela confia nos concílios que já
ocorreram e nos concílios que elas vão
que eles vão realizar para resolver
problemas de ordem.
eh, moral e de ordem de fé, certo?
Então, o que que acontece? Nenhum bispo
individual decide sozinho o destino
dessa igreja. Não tem como ele decidir
isso. Para a ortodoxia, escritura e
tradição não são duas fontes paralelas.
A escritura nasce dentro da tradição, é
produto da comunidade eclesial e só pode
ser corretamente lido dentro dela. É uma
lógica bem interessante, se a gente for
pensar, não é? Mas assim, tem os seus
problemas também.
O que que a ortodoxia entende por
tradição? Tradição da ortodoxia é a vida
do Espírito Santo na igreja, a tradição
viva e contínua da revelação de Deus
desde os apóstolos. Não é o arquivo do
passado, é um organismo vivo. Então o
que que a tradição vai incluir? As
Sagradas Escrituras lidas dentro da
igreja, os credos que surgem dos
concílios, né? especialmente o credo
nisseno constantinopolitano, que é o
principal credo da igreja ortodoxa, os
decretos dos sete conselhos ecumênicos,
que vão ter outros temas que vão ser
tratados além da questão da da divindade
de Jesus Cristo, que é o principal tema
do Concílio de Niceia, os escritos dos
padres da igreja, ou seja, a patrística
grega, os cânones litúrgicos, oração
como portadora de teologia e a arte
sacra, que são os ícones. Isso a gente
vai falar já já sobre essa guerra,
batalha dos iconoclastas aí e tudo mais.
A liturgia não ilustra a teologia, ela é
a teologia em sua forma mais plena. O
que a igreja ora é o que a igreja
acredita. Quais são os padres centrais
nessa tradição grega? Nós temos Atanásio
de Alexandria, Basílio de Cesareia,
Gregório de Nissa, Gregório Nazareno,
João Crisóstomo, eh Máximo de o o
confessor, que é o o último desses
paders grandes dessa tradição grega aí,
certo?
Existem sete concílios ecumênicos. Esse
que vocês estão vendo aí é o famoso
concílio de Niceia. E é proposital esse
ícone e essa imagem porque no centro do
conselho de Niceia está nada mais nada
menos do que Constantino. Ele é quem
convoca o concílio e ele é quem preside
o concílio. Não é ele quem determina o
que vai ser dito no concílio. Mas existe
muita crítica a esse concílio por ter
sido presidido por um imperador e não
por um papa, por um por um bispo da
igreja, alguém que estivesse ali embuído
de estudar as escrituras, certo? Então,
Niceia 1, nós, no ano 325, o tema qual
foi? A divinidade, a divindade de Cristo
contra o arianismo, que dizia que que
Cristo não era divino. Ele era um homem
muito especial, ele era um homem de uma
categoria superior, mas não era divino.
Aí depois você vai ter em 381, concílio
de Constantinopla, que vai falar agora
da divindade do Espírito Santo e
completando esse credo aí. Éfeso 431
vai ser um concílio eh
convocado pelo imperador,
assumi o nome do imperador, mas vai
falar sobre Maria. É o famoso dilema do
Teotocos. Maria como a portadora
da divindade. Ou seja, é isso que
teotocos significa, aquele é o é o é o
vaso que que carrega a divindade. E era
contra Nestor, né? O nestorianismo.
Cacedônia vai vir logo depois as duas
naturezas de Cristo, ou seja, a ruptura
com os não calcedônicos, a ideia de que
Cristo ele tem duas naturezas divina e
humana em plena harmonia, famosa união
hipostática.
E aí vai travar esse conceito de que
Cristo realmente possui essas duas
naturezas, certo? Constantinopla
segundo, a reafirmação do concílio de
Calcedônia. Constantinopla 3. Cristo tem
duas vontades contra o monoteletismo,
ou seja, Cristo tem a vontade divina e a
vontade humana. E aí [roncando] vem o
Niceia 2, que é a legitimidade dos
ícones, que é que encerra o problema do
iconoclastismo, do iconoclasmo, vamos
dizer assim, da destruição dos ícones
das imagens, né? Qual é a diferença
crucial aqui? Roma reconhece esses sete
e acrescenta mais 14 concílios
posteriores. O protestantismo não
reconhece nem os concílios como
autoridade normativa, apenas como uma
referência histórica. Então ele não
considera nem os concílios ortodoxos,
nem os romanos. Todos são referência
histórica das discussões daquele
momento, daquela época. Certo?
E aí o que que nós vamos ter? Por conta
desse concílio que a gente mencionou
aqui, que é o concílio das duas
naturezas de Cristo, várias igrejas se
separaram. Aí começam os primeiros
perrengues que a gente vai encontrar
históricos aqui na igreja ortodoxa,
certo? Cacedônia e as igrejas não
calcedônicas. É o primeiro grande cisma,
a grande racha que acontece no império
bizantino, na igreja bizantina, que aqui
não havia divisão entre igreja ortodoxa
e igreja romana, certo? Então, como se
relaciona a natureza divina e a natureza
humana de Cristo? Nestor, o grande
nestoriano, perdão, não é Nestoran
Nestoriano, vai criar um conceito que é
conhecido como nestorianismo. Ele vai
ser condenado no concílio de Éfeso em
471, dizendo que Cristo tem duas pessoas
distintas, a pessoa humana e a pessoa
divina, certo? E apenas moralmente
unidas. Maria seria mãe só do homem
Jesus e não dous. O cristotocos é o que
ele queria dizer. É por isso que surge o
dom a a a discussão sobre Maria mãe de
Deus também. Monofisismo, ou seja,
condenado em Calcedone em 451, Cristo
teria apenas uma natureza. A divina
absorveu a natureza humana associado ao
mongeutiquis e aos patriar e ao
patriarca dióscoro de Alexandria.
Monofisismo também foi rompido. E aí o
que que Cacedônia afirmou? Cristo é uma
pessoa com duas naturezas, completamente
divino e completamente humano, sem
confusão, sem mudança, sem divisão, sem
separação. É a fórmula dos quatro
advérbios, como nós falamos, sem
confusão, sem mudança, sem divisão e sem
separação, definindo exatamente
[roncando]
essa natureza de Cristo, certo? Essa não
era uma discussão acadêmica. A resposta
define o que aconteceu na encarnação, se
a salvação é realmente possível para o
ser humano e o que significa dizer Deus
se fez homem. Então, a ideia está
justamente por trás disso aí, certo?
E aí, o que que nós vamos ter na
sequência?
A igreja se divide, essa igreja rompe. E
aí nós vamos ter, já vim até pro lado de
cá pra gente ler ali, essas duas, esses
dois corpos de igrejas. Primeiro,
igrejas orientais ortodoxas. Quem são
elas? Por que que elas rejeitam calced?
Não necessariamente por defender o
monofisismo de Étics, mas por desconfiar
da linguagem do concílio e por tensões
políticas e culturais. Elas preferem o
termo miafisismo para descrever a sua
posição. Então, quem que vai ficar
separado ali depois do concelho de
Calcedônia? A igreja Copta Ortodoxa que
tá do Egito, a igreja Etíope, a igreja
da Eritreia, eh a igreja Armênia
Apostólica, a Igreja Síria Ortodoxa e
essa igreja da Índia que existia desde
muito tempo anterior, né? E quais são as
línguas litúrgicas? Ou seja, no caso da
Igreja Ortodoxa Egípcia é o copta árabe,
na Etiópia é o guês, né? na Etiópia, na
Eritreia, na Armênia é o Armênio
clássico, [roncando] na Síria é o
siríaco
e lá na Índia é o síco que esse malaial
que é uma das línguas da Índia, né?
Então, ah,
essa igreja ortodoxa e as igrejas
ortodoxas orientais são dois nomes
parecidos, mas só que são duas famílias
distintas, elas não estão em plena
comunhão entre si. Essa igreja
especificamente aqui é a igreja que está
lá no Cairo. É uma igreja chamada igreja
suspensa, porque ela foi construída em
cima de palafitas de madeira. Eh, tem
toda uma história por trás dessa
construção aí. Ela é muito famosa. Você
hoje pode visitar essa igreja, você vê o
o os alicerces dela lá embaixo. É bem
interessante essa igreja aqui, tá bom?
E o que que nós temos mais?
Por que que calcedônia é a base de
todos? Em Caucedônia, a ortodoxia fixou
não só o que Cristo é, fixou o que o ser
humano pode se tornar. Ou seja, a lógica
interna qual era? Se Cristo é
verdadeiramente humano, a carne, a
matéria e o visível podem ser
santificados. Se Cristo é
verdadeiramente divino, esse contato com
a carne humana não diminui Deus.
Revela-o.
Ou seja,
[roncando]
os ícones são possíveis e legítimos.
Isso tá lá no bloco oito, a gente vai
ver já já. A teosis, ou seja, a
definição, deificação do ser humano, é
possível a ideia de que nós receberemos
corpos glorificados.
Portanto, os sacramentos e os mistérios
têm eficácia real. Isso vai direcionar a
praxis da igreja. Ele vai dizer como que
a igreja vai lidar aí com a sua a sua
liturgia, certo? Por conta dessas
definições que nós estamos vendo aqui no
concílio de Calcedônia. E a encarnação é
o fundamento de tudo. Toda a
espiritualidade, a mística e a teologia
ortodoxa dependem de uma única
afirmação. Deus realmente entrou na
matéria. Se sim, tudo se segue. Se ele
não entrou, o coração do Oriente Cristão
desaparece. Ou seja, tudo que o Oriente
Cristão acreditava não valia de nada.
Calcedônia não foi apenas uma decisão
doutrinária, foi a fundação
arquitetônica de todo o edifício
teológico ortodoxo. Precisava eh que
essa afirmação fosse real. Cristo, ele é
o homem e Deus eh santificou o o a
carne, a a matéria, para que isso também
pudesse acontecer
com as outras pessoas. E aí você vai ter
a questão dos sacramentos. os
sacramentos vão eh [roncando]
aparecer eh para justamente ter esse
poder, no caso, né, o poder eh de de
santificar as pessoas. Então, quando
você participa de uma ceia, quando você
recebe a extrema unção, quando você
recebe alguns dos sacramentos, você tem
a sua realidade modificada. É isso que
acredita a doutrina ortodoxa, certo? E
aí nós temos esse problema do grego
versus o latim, a trindade e o filho que
são os grandes problemas linguísticos
que geraram problemas estruturais nessa
igreja, certo?
Ai
uma coisa que eu não falei no início da
aula, podem surgir dúvidas. Se você
tiver alguma dúvida, você pode colocar
aqui no nosso chat que a gente vai
responder, tá bom?
dois universos, dois mundos que pensavam
em Deus em línguas diferentes. O
universo latino do império romano
anterior e o inverso agora bizantino do
império bizantino, certo? O oriente
grego é herdeiro da filosofia grega, da
coinê do Novo Testamento e dos grandes
padres capadócios. Qual é a abordagem
principal? Mistério, apofatismo. Você
tem dois duas formas de afirmar as
realidades de Deus, a apofática e a
catafática, né? O apofatismo é
justamente esse essa essa modalidade de
você afirmar coisas eh você você limita
a afirmação sobre Deus. Você diz que
Deus é transcendente, que ele ele é ele
é quase inatingível, né? Contemplação. A
teologia ela é experienciada.
Já o ocidente que é latino, ele é
herdeiro de Roma, do direito romano, de
Tertoliano, de Ambrosio, de Agostinho,
de Ipona. Qual é a abordagem? Definição,
analogia, sistematização. A teologia ela
é construída, ela não é experienciada.
Quais são as questões principais? Deus.
Para os gregos, ele é um mistério. Você
não consegue definir Deus. Então, Deus
está tão inatingível que você não
consegue nunca defini-lo. Então, o
latim, ele passa pela definição e pela
analogia. Então, você sempre vai fazer
analogia sobre Deus, que é o catafático.
Como é que é a questão do pecado
original? Ele corrompe e traz a
mortalidade
na já no no no na lógica latina, ela é a
culpa jurídica herdada, porque tá
baseado no direito romano. Como que é a
salvação? É a deificação. É o teus
chamado
no latino. É a santificação da justiça.
O que que é a igreja? Comunhão
conciliar. Já no latino, a ideia de uma
instituição hierárquica. Você tem o
líder e você tem os liderados. E assim a
coisa eh segue, certo? A barreira
crescente a partir do século VI, o
conhecimento mútuo do grego no ocidente
e do latim no Oriente foi declinando. Ou
seja, aqueles que falavam latim falavam
cada vez mais latim e menos grego.
Vice-versa, aqueles que falavam grego
falavam cada vez mais grego e menos
latim.
Quando os teólogos encontraram, eh, a
não falavam a mesma língua literalmente.
Essa que era a realidade que eles
estavam enfrentando nesse momento da
história.
E aí vai começar os problemas dos
concílios, porque eles acrescentaram
algumas palavras nos credos que geraram
problemas na questão tradutológica.
Por exemplo, qual era a formulação
original do concílio 381, que é o
concílio de Calcedônia, de de
Constantina, perdão, e [roncando] o
espírito senhor e vivificador que
procede do pai. O latim, os latinos,
eles acrescentaram
eh o espírito senhor e vivificador que
procede do pai e do filho. Eles
colocaram essa palavra latina chamada
filioque.
E aí, qual é a origem desse acréscimo
que vai mudar toda essa teologia? A
partir desse credo começa em círculos
hispânicos e francos que são mais
afastados, são na região mais a leste,
perdão, mais a oeste do império, ou
seja, lá na região ocidental
pelo século VI e 7. Quem adotou foi
Carlos Magno, o grande imperador Carlos
Magno dos Carolines, os imperadores que
vão aí dominar a a o império franco por
muitos anos e depois vão fundar o Sacro
Império Franco-Germânico, né?
A inserção formal aconteceu em Roma,
provavelmente por volta do século X.
Nenhum concílio ecumênico autorizou essa
mudança, por isso foi rejeitado. Os
ortodoxos não tm um filho na sua
formulação do credo de Niceia, o credo
Niceeno Constantinopolitano, certo?
Quais são os dois problemas? Primeiro,
doutrinário. A ortodoxia sustenta que o
espírito procede somente do Pai. É a
única fonte e princípio da trindade. O
filho que compromete a monarquia do pai.
E o segundo processo é eclesiástico, ou
seja, alterar o credo unilateralmente é
para a ortodoxia uma usurpação. Prova
que Roma já se comportava como se
tivesse autoridade sobre toda a igreja,
que a gente vai ter esse problema do ano
1054, como nós vimos. O que que
Agostinho escreveu sobre isso? Agostinho
desenvolveu a sua teologia, a teologia
na qual o espírito procede do Pai e do
Filho como do amor mútuo entre eles. É a
base teológica para o filho, ou seja, a
ideia de que o espírito surge do amor
infinito do pai pelo filho e do filho
pelo pai. A ortodoxia não o condena como
herege, mas o trata com ressalvas
significativas. Nós que somos da
teologia latina, nós não temos problema
com o filho nós acreditamos que o pai e
o filho e o espírito são do mesmo e o
filho e o e o espírito procede do pai e
do filho. Nós abraçamos isso porque nós
somos derivados da igreja romana. Se nós
fôssemos derivados da igreja ortodoxa,
nós não teríamos essa certeza e teríamos
dificuldade com Agostinho de Ipona,
certo?
Eh,
e aí nós tivemos o ensaio geral e depois
o ponto da chegada, né? Fócio foi
nomeado patriarca de Constantinopla em
85.
Papa Nicolau I recusou reconhecê-lo e
afirmou jurisdição sobre nomeações
patriarcais orientais. Fócio respondeu
com um sínodo que atacou fortemente o
filho como heresia. O padrão da ruptura
já estava estabelecido. Isso nós estamos
falando em 867, certo?
E aí vem o grande cisma. Cardeal
Humberto depositou uma bula de
excomunhão sobre o altar de Ragia Sofia
contra o o patriarca Miguel Cerulário,
que era o patriarca de Ragia Sofia.
Cerulário pegou, respondeu, escomungando
os legados romanos que estavam na cidade
para poder participar de um concílio. As
excomunhões
mútuas foram levadas levantadas
formalmente em 1964. Falei para vocês
que teve uma uma conciliação há pouco
tempo atrás e eles foram eh
desescomungados. Agora todos fazem parte
da mesma igreja de Cristo, porém cada um
na sua praia, né? Então não houve
comunhão sacramental restaurada, certo?
Que que estava em jogo? o filho como nós
falamos, que é uma doutrina e acréscimo
unilateral ao credo, a pretensão papal
de jurisdição universal, o uso de pão
áimo ou fermentado na eucaristia, porque
antes era utilizado um pão comum, certo?
Celibato clerical obrigatório para o
Ocidente e opcional para o Oriente. Eu
já até acabei de responder a pergunta da
Tita. Tita Silva. Tita, é isso mesmo?
Seu nome?
Padre pode ser casado ou não. Eles
também não tem um papa como seu
superior. Exatamente. Aqui acabei de
responder. O celibato é opcional na
igreja ortodoxa. Você pode ser
celibatário, sim, mas não precisa. E aí
vai ser o motivo da quarta cruzada.
Pessoal, vocês lembram que as cruzadas
foram um movimento cristão europeu,
principalmente do império franco, eh
movimentando ali as populações europeias
para reconquistar Jerusalém,
reconquistar a Terra Santa. Só que um
desses desses eh
um desses uma dessas cruzadas vai ser um
ataque cristão contra cristão a
Constantinopla, que acontece em 1204.
Cruzados ocidentais saqueiam
Constantinopla. Para muitos ortodoxos,
essa ferida nunca cicatrizou. 1054 não
foi uma ruptura, foi o o atestado de
óbito de uma unidade que já havia
morrido aos poucos. O filho foi o
símbolo, a língua foi o abismo e o poder
foi o gatilho. Ou seja, as três
ferramentas aí
eh apresentadas
para ruptura geral, né? Que mais nós
vamos ver na estrutura daqui que nós
estamos vendo? Como a ortodoxia pensa a
Deus? Dois caminhos para falar de Deus é
a posição ortodoxa. Primeiro, havia a
catafática, que é a afirmação a respeito
de Deus. fala de Deus pelo que ele é.
Deus é bom, Deus é poderoso, Deus é
amor. O caminho predominante na teologia
ocidental, especialmente na escolástica
latina, Tomás de Aquino e a analogia do
ser. Aí você tem a via apofática, que é
uma via de negação, ou seja, falar de
Deus pelo que ele não é. Deus não é
limitado, Deus não é compreensível. Deus
não é um ser entre outros seres. Ou
seja, é o caminho predominantemente na
teologia oriental. Então eu não posso,
por exemplo, afirmar, como a gente diz
ali, que Deus é bom. Por quê? Porque o
meu conceito de bondade é limitado pela
minha capacidade de imaginar a bondade
de Deus. Então eu digo que Deus não é
não bom. Eu faço uma dupla negativa ou
que Deus é amor, porque o meu conceito
de amor também é limitado pela minha
relação de amor. Agora, eu posso dizer
que Deus não é não amor. Ou seja, nós
sabemos que tem amor em Deus e que Deus
é amor, mas eu não posso estipular o
tamanho desse amor. Então eu nunca vou
afirmar que Deus é amor para eu não
limitá-lo. Essa que é a ideia, né? Eh, o
caminho predominante na teologia
oriental, nos padres Capadócios e em
Pseudodionísio Areopagita, certo? que é
aquele [roncando] na Bíblia citado o que
o Dionísio Areopagita se converte do
discurso de Paulo lá na no Areópago, né?
E aí você tem um pseudo Dinísio, porque
séculos mais tarde ele vai escrever
vários estudos, vários escritos como o
nome do Ariopagita. Então a gente sabe
que não era o mesmo porque nem que o
cara tivesse uma saúde de ferro não ia
viver século, certo?
Como é que é a posição ortodoxa? As duas
vias são complementares, mas a apofática
deve vir primeiro e fundamentar a
catafática. Quando dizemos que Deus é
bom, estamos usando uma palavra humana
para uma realidade que supera
infinitamente o que essa palavra pode
conter. Qual é o risco ocidental?
Afirmar sem negar primeiro é para a
ortodoxia reduzir Deus a uma categoria
humana, domesticar o mistério. Aquele
que pensa que entendeu Deus, não
entendeu Deus. ideia amplamente
atribuída a Agostinho, mas não
verificada de forma exata.
E aí nós temos essa distinção entre
essência e energias que vai ser
desenvolvida por Gregório Palamas,
certo? Qual é a distinção? ousia, que é
a essência, a natureza íntima de Deus, o
que Deus é em si mesmo. Ela nunca é
acessível, nem agora e nem na
eternidade. Isso faz muito sentido. A
gente quando chegar na eternidade não
vai ter aí a capacidade de compreender
plenamente quem Deus é. Ele sempre é
maior que a criação, né? O criador
sempre vai ser maior que a criação.
Então essa energia, né? Ou seja, você
tem essência energia ou energa, energia
são as ações e manifestações de Deus no
mundo. A graça, a luz tabórica, o amor.
A luz tabórica é a luz do monte Tabor,
né? O amor. E elas são acessíveis por
meio delas, é que nós participamos de
Deus. Aqui vocês vão ver uma imagem que
é está lá na igreja do Monte Tabor.
Existe uma igreja ortodoxa no Monte
Tabor em Israel que fica no Vale de
Gesreel. E esse é o ícone da
transfiguração de Cristo com Moisés de
um lado. Esse aqui, por exemplo, é Elias
e Moisés tá do lado de cá. Elias tá
desse lado e Moisés tá desse lado. E
aqui estão os três discípulos, Pedro,
Tiago e João, tentando fazer uma tenda
para dormir ali. Um já até capotou aqui
do lado, Tadinho, tá dormindo. Então
essa é a ideia por trás das duas formas
de energia e de essência que está ali na
doutrina da igreja ortodoxa. Qual é o
ponto central aqui? Participar das
energias divinas é participar do próprio
Deus. Não é um intermediário ou uma
criatura. Deus permanece transcendente
em sua essência, mas não fechado em si
mesmo. Isso aqui vai ter uma discussão
no período medieval fantástica. São
Tomás de Aquino vai tocar nesse ponto e
a teologia, a filosofia judaica também
vai tocar nesse ponto. Eh, Maimôides vai
falar sobre isso, Rasdai Crescas vai
falar sobre isso e até mesmo eh Baruca
Espinoza, anos mais tarde também vai
falar sobre esse tema dentro da teologia
e da do aristotelismo sendo traduzido
dentro da interpretação bíblica, certo?
definida como doutrina ortodoxa nos
concílios de Constantinopla de 1341 e
1351.
Não é aceita pelo catolicismo romano em
sua formulação palamita, que é o nome do
do Gregório Palamas aí, certo?
Ah,
por que que isso importa? Porque você
tem três visões de como Deus é
conhecido. Você tem a visão ortodoxa, ou
seja, que é um mistério apofatismo, né?
eh participação em Deus pelas energias
divinas incriadas. Ou seja, elas
energias não são são essência de Deus e
a forma como Deus se comunica com a
criação ali, né? Então você tem a meta
do TS, que é a divina divinização do
organismo, do corpo. A oração
contemplativa tem valor cognóstico real,
ou seja, você através da oração
contemplativa, você pode acessar essas
energias de Deus. O que que o
catolicismo romano vai escrever no
primeiro momento? Razão e analogia. Ou
seja, Tomás Jaquino vai escrever sobre
isso. Graça como força criada. A meta é
a beatitude, ou seja, a visão de Deus. A
essência divina é absolutamente simples.
Não há distinção palamita na teologia
romana. E o protestantismo, como que ele
trabalha isso? Palavra, revelação
escritural. A relação com Deus medida
mediada pela fé e pela escritura. Qual é
a meta? Justificação e santificação. A
mística contemplativa é tratada com
cautela. Ou seja, existem até alguns
movimentos protestantes modernos que
querem trabalhar essa ideia da mística
contemplativa, né? Existe a lecto
divina, existem alguns outros movimentos
que trabalham esse tema da da mística
dentro do protestantismo. E aí aqui eu
ponho cautela com muita cautela mesmo,
porque existem
eh possibilidades de formulações aí
mirabolantes e e eh,
vamos dizer assim,
antibíblicas,
mesmo sem perceber, porque ceder a
contemplação, ceder a mística
contemplativa pode ceder também aos as
expressões
emocionais, as expressões internas do
ser humano. E essas expressões podem
impulsionar a formulação, formulações
doutrinárias individuais que não
encontram eh respaldo justamente no que
nós estamos falando aqui da escritura,
da palavra e da revelação escritural,
que é para nós o eixo máximo aí de
autoridade. Ninguém tem mais autoridade
que a escritura, certo? Quais são as
implicações que tudo isso atravessa? A
distinção, essência e energia sustenta
toda a espiritualidade ortodoxa. Os
sacramentos comunicam as energias
divinas, não apenas a graça criada. Os
ícones representam as pessoas
transformadas por essas energias. E
aosis é a realidade ontológica, não
apenas metafórica. Ou seja, o seu
objetivo é realmente transformar a sua
realidade através da da da
elevação do seu da sua matéria para uma
divinização dela, certo? A salvação
começais, né? Ou seja, deificação, a
afirmação mais ousada do cristianismo
oriental. O que está de errado com o ser
humano?
Dois diagnósticos diferentes. Primeiro,
diagnóstico ocidental de Agostinho. Adão
pecou e transmitiu à humanidade uma
culpa jurídica e uma natureza
corrompida.
O problema central é a culpa diante de
um Deus justo. A salvação precisa
resolver essa culpa, seja pela
satisfação vicária, que é o catolicismo,
seja pela imputação da justiça de
Cristo, que é o protestantismo. Qual é o
modelo jurídico e forense? Ou seja, você
é culpado e você precisa que alguém
pague a sua culpa. ou você mesmo ou
alguém, que é o que acontece no
protestantismo, certo?
Qual o diagnóstico oriental da
patrística grega? Adão pecou e
introduziu na natureza humana a
corrupção e a mortalidade. O problema
central é a doença ontológica. O ser
humano perdeu a participação da vida
divina. O pecado individual é
consequência dessa condição, modelo
médico e ontológico. Ou seja, a ideia é
que em vez de eu já ter imputada sobre
mim uma culpa no nascimento, eu
desenvolvo essa culpa pela condição
ontológica que eu recebi. É um problema
de doença, vamos dizer assim, certo?
Deus se fez homem para que o homem se
tornasse Deus. Atanás e Alexandria vai
escrever isso. Uma das frases mais
citadas na Patrística, atribuição
amplamente aceita, certo?
O que que é tornar-se Deus dentro da
ortodoxia eh oriental? É a thosis, é um
processo gradual de transformação, não o
evento pontual. A restauração da imagem
de Deus levada à sua plenitude, o famoso
imagodei, né? Deus fez a um homem a
imagem e semelhança.
Participação nas energias divinas, luz,
amor, vida, santidade. Começa nessa vida
através da oração, dos sacramentos e da
acese, ou seja, de você ser uma pessoa
que busca purificação. O destino para
qual todo ser humano foi criado. O que
teoses não é uma fusão com Deus. O ser
humano não perde a sua identidade. Não é
um panteísmo, ou seja, o ser humano não
se torna Deus em essência. é apenas uma
metáfora espiritual,
uma realidade que não é apenas também
uma metáfora espiritual, ela é uma
realidade ontológica
e é um mérito acumulado, não é a
resposta é a iniciativa divina, certo?
É uma sinergia, ou seja, ortodoxia
rejeita tanto pelagianismo, o ser humano
se salva pelo esforço próprio, quanto o
determinismo extremo, Deus salva
independente da vontade humana. Resposta
é a sinergia, cooperação real entre a
graça divina e a liberdade humana. Deus
não salva o ser humano sem o ser humano.
Essa é a ideia por trás da ortodoxia.
Por isso que ortodoxia tem que a pessoa
que está que que que segue essa
doutrina, ela precisa participar dos dos
dos sacramentos, dos eventos e tudo mais
para poder ter essa transformação
acontecendo na sua vida. Para o ocidente
cristão, a pergunta é: "Como é que eu
sou perdoado?" Para ortodoxia é: "Como
me torno o que fui criado para ser?"
Essa é a lógica. a mudança da da do
pensamento ali ortodoxo, certo?
Eclesiologia, conciliaridade versus
primazia papal. Pirâmide ou círculo,
dois modelos de autoridade. Na visão
católica romana, a igreja é una e
visível com uma estrutura hierárquica
que tem o Papa no seu vértice. O Papa
possui primazia de jurisdição,
autoridade real e direta sobre toda a
igreja. Em matéria de fé e moral, pode
pode definir dogmas excátedra, de forma
infalível, independentemente de um
concílio, ou seja, um modelo de
pirâmide, a autoridade desce do topo. Na
visão ortodoxa, a igreja é uma comunhão,
ou seja, coinonia de igrejas locais,
cada uma plenamente igreja. A autoridade
reside na igreja reunida, no episcopado
em comunhão. Nenhum bispo tem jurisdição
sobre as outras igrejas. Verdades de fé
são definidas por concílios ecumênicos e
recebidas pela igreja como um todo. Qual
é o modelo? É um círculo. Comunhão entre
iguais, certo? Nos primeiros séculos,
Roma tinha primazia de honra,
reconhecida como primeira entre os
patriarcados por razões históricas. Mas
essa primazia nunca foi entendida como
jurisdição universal do oriente. No
oriente. A pretensão papal é para
ortodoxia uma inovação medieval.
e sobornoste, a autoridade que pertence
à igreja inteira. Eh, o que que
significa esse princípio da sobornost? A
palavra estava para conciliaridade,
eh, eslava, perdão, estava não, eslava
para conciliaridade e colegialidade. A
igreja toma decisões e preserva a
verdade de forma coletiva e orgânica. O
concílio ecumênico exige a recepção pela
igreja como um todo para ter autoridade
plena, um concílio que defina algo que a
igreja não reconheça como sua fé. não é
verdadeiramente ecumênico.
Qual o exemplo? O Ferrara em Florença.
Ele tentou reunir, reunificar o
Ocidente, o Oriente. Foi formalmente
aceito pelos bispos orientais presentes,
mas rejeitado pela base da Igreja
Ortodoxa. Ou seja, depois que os bispos
orientais foram lá e concordaram, quando
foi trazido para o Oriente, eles
rejeitaram. Para a ortodoxia, essa
rejeição confirma o princípio. A
recepção pelo povo de Deus é parte do
processo da autoridade.
Vaticano I, 1980, 1870, perdão,
afirma a infalabilidade.
Infabilidade, infalibilidade.
Tem essa palavra, a gente tem que ver
depois como é que é. Papal. Quando o
Papa fala excátra, definida doutrina da
fé ou moral, suas definições são
infalíveis por si mesmas,
independentemente de consentimento da
igreja. Para a ortodoxia, a
infalibilidade
eh pertence à igreja como um todo, não a
nenhum bispo individual. Nenhum ser
humano, por mais sagrado seu ofício,
está acima da possibilidade de erro.
Para Roma, a unidade precisa ser de um
centro jurisdicional visível.
Para ortodoxia, a unidade é a comunhão
do mesmo espírito na mesma fé e nos
mesmos sacramentos.
Aí você tem um problema da iconoclastia.
Esse é um problema seríssimo. O que foi
o iconoclasmo ou as guerras
iconoclásticas? E por quê?
Eh,
e por
ele não está aparecendo
a imagem.
Só um momento.
Eu tinha conseguido essa imagem.
Deu algum problema aqui?
Iconoclastas.
Deixa eu ver se eu consigo.
Vamos ver se eu consegui resolver.
Ah, cadê vocês? Estou aqui.
Ah, apareceu.
Então, olha só, essa imagem é muito
importante. Por isso que eu queria que
ela aparecesse, porque essa imagem é de
um saltério. Um saltério na cidade de
Rudov. E isso aqui que vocês estão vendo
na cruz não é Cristo, é um iconoclasta.
É alguém que era do Império Romano e que
decidiu destruir as imagens e os ícones.
E aí eles foram, Império Romano não, ele
era da ele era contra as imagens, na
verdade, ele era talvez até do império
bizantino mesmo. E aí eles tiveram uma
batalha e eles foram mortos pelos
defensores dos ícones, certo? Então,
olha só, em 1000 em 726 730, o imperador
Leão I ordenou a remoção e destruição de
ícones por todo o império. Foi um
período de perseguição. Monges, teólogos
e fiéis foram exilados, torturados e
mortos. Quais eram os argumentos dos
iconoclastas? Primeiro, o segundo
mandamento proíbe imagens, certo?
Representar Cristo é ou impossível ou
herético. Esse era um outro ponto. A
veneração de ícones é idolatria,
influência pagã, possível influência do
islã e do judaísmo nessa decisão. Ambos
rigorosamente
aniconistas, ou seja, não possui nenhum
ícone e nenhuma imagem, certo? A
primeira fase ocorreu ali por volta de
726, foi encerrada no concílio de
Niceia, o segundo Concílio de Niceia. E
a segunda fase foi o triunfo da
ortodoxia, quando eles venceram as
batalhas e aí eles partiram para cima de
quem tava destruindo tudo, fazendo isso
aí que vocês estão vendo, certo? E aí o
que que acontece? João da Maceno vai
gerar aí uma doutrina para defender os
ícones. Ele, qual é o argumento central
dele? No Antigo Testamento, Deus pro
imagens porque Deus não havia sido
visto. Representá-lo seria inventar uma
forma para o invisível. Mas na
encarnação Deus se tornou visível,
tornou carne humana, teve rosto, foi
tocado e visto. Portanto, fazer ícone de
Cristo não é violar o mandamento, é
afirmar a encarnação. Então, qual era a
lógica? Se o ícone é ilegítimo, a
humanidade de Cristo não é real. Se a
humanidade de Cristo não é real, a
salvação é impossível. Essa foi a lógica
que eles desenvolveram. E esse é o
famoso
Cristo Pantorcrator que está lá no
mosteiro ortodoxo grego, no Monte Sinai
lá no Egito, Monte Santa Catarina, o o
mosteiro de Santa Catarina lá no Monte
Sinai. Esse Jesus está lá como
pantocrator, todo poderoso. Certo?
Adoração não é veneração. A resposta do
argumento da idolatria. Primeiro você
tem esses dois termos, o latreia, certo?
e o prosquinesis
timétic, adoração, culto absoluto,
somente a trindade. Aí o o prosquinesis,
ou seja,
é a veneração, que é uma reverência, é
uma honra, ou seja, são aos ícones, aos
santos e às relíquias. Você não adora os
ícones, você reverencia os ícones. O
princípio é a honra prestada ao ícone
ícone para passa para o seu protótipo.
Ou seja, venerar o ícone de Cristo é
venerar Cristo, não a madeira e a tinta
definida pelo segundo concílio de
Niceia, foi a primeira fase que foi
parada ali. Como é que a gente vê isso
nas outras religiões? O Irã, o Irã, o
Islã é completamente aniconístico, ou
seja, ele tem um aniconismo absoluto.
Qualquer representação figurativa é
proibida.
No judaísmo também a a a proibição
veterotestamentária de imagens no culto.
Protestantismo calvinista eliminou a
imagem das igrejas. Os argumentos muito
próximos dos iconoclastas. O luteranismo
tolerou imagens com uso mais devocional
e já o catolicismo romano usa imagens e
estátuas, mas a ênfase é teológica
diferente da ortodoxa. O ícone ortodoxo
não é arte devocional no sentido
ocidental, é a teologia visual com
regras precisas de composição.
Ícone como teologia. E o que cada
elemento significa? Isso aí é o chamado
de iconostase, certo? É uma é uma é um
quadro de ícones. Inclusive, quando a
gente visita a igreja de Santa Maria lá
em Vittemberg, onde Lutero pregava,
existe um iconostase igual a esse aí,
tá? Igual a esse, não, um pouco menor,
mas é muito parecido com esse, certo?
Como é que funciona o fundo dourado? A
luz encriada, ou seja, é a luz divina.
Todas essas imagens que tem fundo
dourado é porque a luz divina tá
brilhando atrás dele. O personagem
existe no espaço da eternidade. A
perspectiva invertida. As linhas
convergem para o espectador. O ícone
olha para fora. Janela da eternidade ao
mundo. Ausência de sombras. A luz emana
do personagem. A luz da Teoses, ou seja,
não é luz natural. Esse personagem
conseguiu atingir aquilo que nós estamos
falando, que é a divinização da matéria.
Certo? Olhos grandes, boca pequena. a
ênfase na contemplação, redução do
sensorial, ampliação do espiritual,
cores das vestes de Cristo, o azul da
humanidade, vermelho da divindade, eh as
duas naturezas, eh, duas cores. E a
inscrição no nome, sem nome não é ícone.
A identidade pessoal é sempre preservada
e afirmada.
Qual é o triunfo da ortodoxia? Como nós
vamos ver aqui, R, fui lá para cima. Eh,
e o que o iconoclasmo revelou sobre a
pé? A imperatriz Teodora 843, regente
pelo filho menor Miguel I restaurou a
veneração dos ícones. O evento é
celebrado até hoje na ortodoxia na
primeira semana da grande quaresma.
O domingo do triunfo da grande ortodox o
triunfo da ortodoxia. Sai aqui, vai
dormir. Eh, os fiéis carregam ícones em
procissão. Ó, ela aqui, ó, o filho dela,
que era o imperador, e ela como regente
restaurando os ícones. Isso aqui é o
ícone do triunfo da ortodoxia que está
no British Museum lá em Londres.
O legado permanente. O iconoclasmo
forçou ortodoxia a articular o que antes
era vivido intuitivamente. Consolidou a
teologia de João Damaceno. Estabeleceu o
segundo concílio de Nisséia em 787 como
o sétimo e último concílio ecumênico,
reconhecido pela ortodoxia. A pergunta
que o iconoclasmo respondeu: Deus
realmente entrou na matéria? Se sim, o
ícone é possível. A theoses é possível.
Os sacramentos comungam graça real e a
carne humana pode ser transfigurada.
senão oriente cristão perdeu todo o seu
coração. Liturgia e sacramentos, onde a
teologia deixa de ser abstrata e se
torna experiência do reino.
Ah,
liturgia como centro de tudo. A
celebração da da igreja ortodoxa, a mais
utilizada é a liturgia de São João
Crisóstomo. Em ocasiões especiais, você
usa a liturgia de São Basílio. A
estrutura é a mesma em toda a comunhão
ortodoxa, da Grécia à Rússia, da Líbia,
do Líbano à América. Todos estão a mesma
liturgia.
Já no protestantismo, o culto é centrado
na pregação da palavra. Na ortodoxia, o
culto é centrado na eucaristia. Uma
reunião sem eucaristia não é liturgia
plena. E com o catolicismo, ambos
centram na eucaristia. As diferenças são
de forma e atmosfera. A liturgia
ortodoxa é mais longa, mais cantada e
mais mistérica. A ortodoxia nunca passou
por reforma litúrgica equivalente ao
Vaticano II que aconteceu, como nós já
falamos em 1800 bolinha ali, certo? Uma
porta para o eterno. A liturgia
entendida entendida como a participação
terrena na liturgia celestial eterna. Os
fiéis não apenas assistem, mas eles
participam de uma realidade que os
transcend, certo? Quais são os sete
mistérios da Igreja Ortodoxa? Bismo,
imersão tripla em água, morte e
ressurreição de Cristo. Já na qual é a
particularidade? A menção completa,
inclusive de bebês. Você pode ser
batizado adulto e bebê também, seguindo
imediatamente de crismação e eucaristia,
certo? Que que é a crismação? É a unção
do santo, com o santo Myron, o dom do
Espírito Santo. Imediatamente após o
batismo, não adiada para a adolescência.
A eucaristia, pão e vinho que se tornam
corpo e sangue de Cristo. O pão é
fermentado comum, eh, comunhão sobre
duas espécies para todos, inclusive para
crianças. Confissão, reconciliação com
Deus diante do sacerdote. O padre é
testemunha, não juiz. Cristo é o
confessor.
Eh, unção dos enfermos, unção com óleo e
oração pelos doentes. Não é a extrema
unção, é a cura para qualquer enfermo.
Ordem sacra. Consagração dos bispos,
presbíteros e diáconos. Bispos são
celibatários. Os monges, os presbíteros
podem ser casados antes da ordenação.
Matrimônio: União de homem e mulher em
Cristo. A cerimônia das coroas, que é o
Stefanoma. Os nubentes são coroados como
reis e rainhas. Na liturgia, a teologia
ortodoxa inteira se integra. A
integração. Eh, a teologia apofática se
realiza. Centramos, cantamos ao Deus que
não pode, não podemos contemplar,
perdão. A Teoses avança, recebemos as
energias divinas na Eucaristia. A
eclesiologia conciliar se manifesta. a
igreja reunida ao redor do mesmo do
bispo. Os ícones enquadram o espaço, ou
seja, os santos participam da mesma
celebração. E a cristologia calcedônica
se afirma:
Cristo verdadeiramente Deus e
verdadeiramente humano.
A a liturgia ortodoxa aponta para
plenitude do reino. Aponta para e
antecipa a plenitude do reino. Quando a
igreja celebra a liturgia, ela não está
apenas lembrando o passado ou aguardando
o futuro. Ela está entrando no eterno
presente de Deus. Na ortodoxia, a
teologia não precede a liturgia, nasce
dela. O que se ora é o que se crê. E o
que se crê é que na liturgia o céu e a
terra se tocam. Vamos fazer um mapa
comparativo rapidamente aqui. Então nós
temos na ortodoxia autoridade da
escritura, mas tradição, mais concílios.
Na Igreja Católica Romana, tradição,
escritura e papa. da protestantismo
geral, sola escritura, não calcedônico,
escritura, tradição e concílios até o
concílio 449, que eles não aceitam os
concílios posteriores. Cristologia na
ortodoxia, calcedônia, duas naturezas,
uma pessoa. Católica romana também é
calcedônia. Protestantismo também é
calcedônia. Já na calcedônica é o
miafisismo, que é uma natureza unida.
A trindade, o filho espírito procede só
do pai na ortodoxia. Católica romana.
Eh, espírito procede do pai e do filho.
Como eu falei para vocês, a maioria
protestante, tem um outro que não
aceita, mas a maioria protestante é
filhoque também. E na não calcedônica
também o espírito procede só do pai. Na
salvação é o teus naedificação pela
ortodoxia. No caso da católica romana,
justificação e santificação. Eh,
protestantismo geral é justificação pela
fé. E na não caedônica, a terminologia
próxima à ortodoxa, certo? Graça e
liberdade, elas são sinérgicas com
cooperação real. Católica romana, você
tem cooperação com a graça. Eh, e o
protestantismo, você tem a variação do
monergismo e a sinergia. Ou seja, o
monergismo é Deus que realiza tudo e a
sinergia você participa também. A
nãocedônica é sinérgica também. E a
igreja, ela é a comunhão conciliar.
Católica romana é a hierarquia sobre o
papa. Protestante você tem vários
modelos, episcopal, congregacional e
tudo mais. E aí a não calcedônica é a
comunhão independente, certo? Você não
tem a comunhão conciliar porque elas são
independentes.
Parte dois, sacramentos, sete mistérios,
graça real ontológica. Católica também
tem os sete sacramentos, graça real.
Protestantes, eles têm duas ordenanças,
que é o batismo e a ceia, mas não
são sacramentos. E no anglicanismo ele
tem sete, que é um anglicanismo alto,
mas o anglicanismo copiou tudo isso da
Igreja Católica. Não caidônica também
tem os sete mistérios. Eucaristia, corpo
e sangue reais, pão fermentado, ou seja,
o corpo transmuta para o corpo de Cristo
e o sangue também. Igreja Católica
também, corpo e sangue reais na
transubstânciação, só que é o pão ásimo,
né?
No caso do luteranismo é presença real e
memorial para os batistas e outras
denominações.
E na não caedônica também corpo e sangue
reais. Maria Teotocos, ela é a mãe de
Deus venerada. Teotocos Imaculada
Conceição, mas a Assunção se tornaram do
ela quase vira uma quarta pessoa da
trindade dentro da doutrina católica. No
protestantismo geral, ela é respeitada,
ela não é venerada na maioria dos casos.
E no caso da não caedônica, que é
próxima da ortodoxa, também ela é
venerada, certo? Ícones, imagens,
veneração teológica, que é o queê, eh,
a católica romana, imagens e estátuas
têm devoção, no caso do calvinismo
rejeitadas e nos outros protestantistas,
protestantes eh luteranos e outros, ela
também é tolerada. Não [roncando]
concedônica veneração. O clero, bispo
celibato, presbíteros podem casar. Eh,
no no rito latino, todos são celibatos
obrigatórios.
Protestantismo varia, mas a maioria
permite casamento. E no calcedônico
também, bispo, celibatários, os
presbíteros podem casar. língua
litúrgica, grega, eslava, árabe, romana,
depende da região, no caso da ortodoxa.
No Vaticano mudou um pouco na Igreja
Católica, mas até o Vaticano II todas
eram latim. Depois virou aí línguas
locais, né? Protestantismo é vernáculo e
no caso da não calcedônica é copta,
Giríaco e Armênio em geral, certo?
Como que a ortodoxia se lida com o
judaísmo? Compartilha o monoteismo
abraâmico, base do Antigo Testamento,
lido intensamente na liturgia ortodoxa.
Divergem: Jesus não é o Messias para o
judaísmo, obviamente. A Torá é a
revelação definitiva e suficiente. Para
a ortodoxia, o antigo testamento é a
preparação e a prefiguração do Novo
Testamento cumprida em Cristo. A
trindade é impensável para o judaísmo.
Como que ela se relaciona com o Islã? O
islã surge no século VI em contato
direto com o mundo bizantino. João
Damaceno foi um dos primeiros teólogos
cristãos a analisar o Islã criticamente,
tratando como uma heresia cristã,
posição histórica que vale
contextualizar também. Eh, tem
divergências radicais. A trindade é
shirk, associação pecado máximo no Islã.
Eh, o Jesus é profeta issa, mas ele não
é divino. Segundo a maioria das
interpretações. A encarnação é
impensável. o um o aniconismo é
absoluto, não você tem ícone para nada
lá no Islã, certo? Então, a theosis, a
participação real na natureza divina é
radicalmente específica do cristianismo
oriental. No islã e no judaísmo, a
distância entre Deus e o ser humano é
estrutural e permanente. Para a
ortodoxia, essa distância foi
atravessada pela encarnação.
Estamos finalizando. O que que é
inconfundível na teologia ortodoxa?
Primeiro, a encarnação como fundamento
de tudo. Não apenas um evento histórico,
é o princípio que torna possíveis os
ícones, até oses, os sacramentos e a
transfiguração da matéria. Se a
encarnação é real, tudo muda.
Auses como destino humano, não apenas
perdão, apenas não apenas vida eterna,
mas participação real na vida divina. O
ser humano foi criado para ser
deificado. A afirmação mais ousada do
cristianismo ocidental. Apofatismo como
postura fundamental. Deus é conhecido,
mas nunca esgotado pelo conceito. O
silêncio, a contemplação e o mistério
não são falhas do pensamento teológico,
são sua forma mais elevada. Tradição
como organismo vivo, não um arquivo do
passado. A vida do espírito nas na
igreja através do tempo. A estabilidade
não é rigidez. A fidelidade a algo maior
do que qualquer geração. Liturgia como
teologia encarnada. A verdade não é
apenas pensada, ela é cantada, ela é
celebrada. saboreada e tocada. A divina
liturgia é onde a teologia deixa de ser
abstrata e torna-se a experiência do
reino tudo junto. Nenhuma dessas cinco
características é exclusiva. O que é
inconfundível é a combinação de todas
num sistema coeso, vívido e de 1000
anos, mais de 1000 anos de história, na
verdade, né? Então nós temos que essa
igreja antiga no mundo moderno, ela
atravessou 15 séculos de controvérsias,
de sismas, perseguições do iconoclasmo a
invasões mongólicas, eh, mongóleis, né,
do mundo otomano até o ateísmo
soviético, sem reformar sua liturgia,
sem definir seus dogmas, redefinir no
caso, sem eleger um papa. Isso pode
parecer um imobilismo para ela é
fidelidade.
Entendê-la não exige concordar com ela,
mas exige levá-la a sério. Como diz
Atanásio, Deus se fez homem para que o
homem se tornasse Deus. Assim terminamos
a nossa aula
falando sobre a ortodoxia. Temos
perguntas aqui no final. Deixa eu ver se
tem mais alguma aqui no meio. Não temos.
Ah.
Ah,
tem essa informação muito importante
aqui que as mulheres usam o velho e
também o homem tira o sapato. Isso é
verdade. Eu já estive em algumas igrejas
ortodoxas, principalmente ortodoxas
gregas, e você tinha que tirar o sapato
para entrar em alguns lugares e tudo
mais. Lugar que é muito turístico, não,
né? Tem uns monastérios de meteora lá na
Grécia, que é um negócio assim
espetacular, igrejas construídas no meio
da rocha, assim, um negócio assim
absurdo, é lindo demais. Eh, eles têm
umas igrejas muito bonitas, certo? Eh, a
Sandra tá falando da aula aqui. Aula
excelente, professor. Muito obrigado. As
aulas da plataforma DBNU sobre história
da igreja estão me ajudando muito
também. Nós temos, tá, pessoal, um curso
inteiro sobre história da igreja.
Obrigado por frisar isso aqui. Sandra,
boa noite, professor. Muito obrigado.
Eh, se Pedro é o primeiro papa da Igreja
Católica e o mesmo era casado, porque os
padres atualmente não podem ser casado
na igreja romana? Isso foi uma decisão
posterior. Eh, algumas pessoas dizem que
tem a ver com a herança da igreja,
porque a igreja começou a acumular muito
capital e aí eles tinham medo de que se
os padres tivessem filhos, eles poderiam
entrar, por exemplo, para exigir
herança, entendeu? Então eles resolveram
aí limitar isso. Tem essa doutrina aí.
Eles vão dizer que o o apóstolo Paulo
também não tinha m esposa, como ele vai
falar, por exemplo, lá aos Coríntios, no
capítulo 9, né? Eh, no primeira carta
aos Coríntios, capítulo 9. Então você
tem todas essas essas questões aí que
estão sendo trabalhadas, tá bom? Eh, é
mais é uma questão muito interessante.
Ah, no protestantismo as duas visões são
aceitáveis, calvinismo e armianismo, ou
seja, monerdismo e sinergismo.
Exatamente. Depende de qual a sua linha
você vai abraçar. E tem gente,
inclusive, que não aceita nenhuma das
duas como absoluta, né? Assim, essa essa
a gente chama, tem uma teologia que a
gente chama de teologia do paradoxo, né?
que Deus faz e o homem faz ao mesmo
tempo. Eh, tem algumas pessoas que
defendem essa essa linha aí, por
exemplo, como seria a escatologia da
igreja ortodoxa? Seria pós-bulacionista?
Eu vou ter que pesquisar essa
informação, eu não tenho nesse momento,
mas uma pergunta muito interessante é a
ideia de que você vai ter o seu corpo
divinizado, né, que é essa ideia da
teoses, né? Mas assim, como que é a
questão da tribulação? Eu realmente não
parei para para pesquisar isso, porque
isso também eu acho que não é algo que
eles divulgam muito. Acho que é uma
coisa mais tem que ser mais cavucada aí.
Tá bom. Eu não tenho como responder isso
aqui nessa aula. Vamos ver.
Ah,
esses guitarristas, vou falar, indica
livros falando dos concílios.
livros para falar dos concílios. Você
vai ter que pegar um livro aí do
os livros sobre a história da da igreja
primitiva, né, do do do período dos dos
patrística, período da patrística.
Tem um livro, vou mostrar aqui. Ah,
vai cachorro.
Sempre que eu quero mostrar um livro
para vocês, eu não acho,
porque eles se escondem.
É um livro do Rusto Gonzales,
História ilustrada do cristianismo. É um
conjunto, são dois volumes e eu tenho
esses dois volumes, eu não tô achando.
Se bem que eu posso ter emprestado isso
para alguém ou doei ele para alguém,
agora eu tô na dúvida. Certo? Eh,
mas esse livro do Rusto Gonzáes, ele
fala sobre a história da igreja, é um
dos melhores livros, assim, é ampassan,
tá? Ele vai falar dos concílios e tudo
mais. Eh, mas
e eh e tem outros livros que falam sobre
eles. Eu sei que o Hans King, se eu não
me engano, tinha alguma coisa também que
falava sobre concílios, tá? Mas eu
poderia
livro Pais Apostólicos,
desconosco. Não conheço esse livro
especificamente, tá? Mas eu se alguém,
eu vou procurar depois eu posso
responder. Eh, mas falar sobre a
história da igreja são os melhores, né?
Existe o livro do do
J de JM Mcullor que fala sobre a reforma
e ele tem um material sobre a história
da igreja muito bom que ele fez com a
BBC de Londres, né? falando sobre a
história da igreja, da igreja cristã
como um todo. Ele é um padre anglicano,
então assim, é muito bom o material
dele, tá? Se vocês quiserem aprender,
vale a pena procurar isso aí, tá bom?
Meus queridos?
Uma alegria incomensurável estar com
vocês nessa noite fria aqui em São
Paulo. Tá 12º agora e vai chegar até 10,
né? Tô com pena das minhas cachorras que
dormem do lado de fora. Mas assim, nós
estamos aqui nessa caminhada
da
uma só fé, múltiplas tradições, né?
muitas tradições. Então, se você ainda
não fez a inscrição no canal da IBNU,
faça essa inscrição, divulgue esse
conteúdo, ative o sininho para você
também receber as notificações. Se você
não se inscreveu, na plataforma, lá nós
temos a o conjunto de todas as aulas e
também das outros módulos do Macários
que você pode começar ainda hoje, saindo
daqui e entrando lá no próximo módulo
para você fazer sua aula, tá bom? Deus
os abençoe ricamente e nós nos vemos
numa próxima aula. quando assim cair no
meu colo, tá? Um forte abraço e até lá.

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