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A fé vem pelo ouvir

Murmuração ou Lamentação? Wilson Porte Jr.

Murmuração ou Lamentação?  Wilson Porte Jr.

Murmuração ou Lamentação? Wilson Porte Jr.

Igreja Batista Calvário (Uma Comunidade Reformada)
Rua Salgado Filho, 2659
Pinhais-PR (Região Metropolitana de Curitiba).

Legendas automáticas:

Bom dia, meus irmãos. Graça e paz.
Quero agradecer à igreja, os pastores
pelo convite para estar aqui com vocês.
Para mim é uma alegria muito grande
poder estar com a minha família e de
modo especial agora de manhã
compartilhando sobre um tema muito
especial que eu julgo ser quase que
urgente pra igreja de hoje em dia. De um
modo geral, a igreja aqui, a igreja lá,
onde moro, onde pastoreio, a igreja no
mundo todo, uma vez que temos
desaprendido a praticar eh esse hábito
espiritual, que é o hábito da
lamentação. O meu desejo é expor o texto
de eh Números 11 para vocês. Mas antes
de irmos para lá, eu gostaria de começar
com o Salmo 88. Então, se você quiser
deixar um dedinho no Salmo 11, um
dedinho no Salmo, perdão, no em Números
11 e um dedinho no Salmo 88, a gente vai
começar com a leitura deste salmo para
que depois então possamos ir a Números,
capítulo 11. Quantos irmãos abrem? Eu
gostaria de orar mais uma vez.
Senhor Deus, nós te louvamos porque o
Senhor ouve o clamor dos teus servos.
Dá-nos nessa hora, Pai, um coração
sincero para distinguir entre a
murmuração que te ofende da lamentação
que te agrada.
Ensina-nos como a Moisés a levar as
nossas frustrações e pressões à tua
presença, confiando que tu nos ouves e
respondes. Que a tua palavra também
possa nos consolar, nos corrigir, nos
dirigir. Nós pedimos isso, Pai, no nome
precioso do nosso Senhor Salvador Jesus
Cristo, que no Getsemmane nos ensinou a
lamentar sem pecar. No nome dele oramos.
Amém.
Salmo 88. Eu vi que os irmãos acompanham
aqui pela nova Almeida atualizada. Então
é a mesma versão que eu vou ler aqui.
Salmo 88.
Ó Senhor, Deus da minha salvação,
dia e noite clamo diante de ti. Chegue à
tua presença a minha oração. Inclina os
teus ouvidos ao meu clamor, pois a minha
alma está cheia de angústias e a minha
vida já se aproxima da morte.
Sou contado com os que descem ao abismo.
Sou como uma um homem sem força, atirado
entre os mortos, como os feridos de
morte que jazem na sepultura, dos quais
já não te lembras, pois foram
abandonados pelas tuas mãos.
Puseste-me na mais profunda cova, nos
lugares tenebrosos, nos abismos. Sobre
mim pesa a tua ira. Tu me abates com
todas as tuas ondas. Afasta afastes de
mim os meus conhecidos e me fizeste
objeto de abominação para com eles.
Estou preso e não vejo como sair. Os
meus olhos desfalecem de aflição. Dia
após dia. Venho clamando a ti, Senhor, e
a ti levanto as minhas mãos. Será que
farás maravilhas para os mortos? Ou será
que os finados se levantarão para te
louvar? A tua bondade será anunciada na
sepultura, a tua fidelidade nos abismos.
Acaso nas trevas se manifestam as tuas
maravilhas e a tua justiça na terra do
esquecimento? Mas eu, Senhor, clamo a ti
por socorro e de madrugada dirijo a ti a
minha oração. Porque rejeitas, Senhor, a
minha a minha alma e ocultas de mim o
teu rosto? Ando aflito e prestes a
morrer desde moço. Sob o peso dos teus
terrores, estou desorientado.
Sobre mim passou a tua ira e os teus
terrores acabaram comigo. O dia todo
eles me rodeiam como água e há um tempo
me circundam. Para longe de mim
afastaste os amigos e companheiros. Os
meus conhecidos agora são as trevas.
E assim termina o salmo 88. Esse é
conhecido como um dos salmos mais
sombrios das escrituras. Um salmo
escrito pelos filhos de Corá. Nós não
entendemos muito bem o contexto em que
ele foi escrito, mas é uma oração feita
por alguém que sofre. E muitas vezes em
nossos sofrimentos nós não temos,
talvez a palavra seja coragem ou talvez
a palavra seja medo mesmo, de dizer ao
Senhor palavras que nos parecem até
pecaminosas,
mas eh em meio a um contexto sombrio,
tenebroso, de dúvidas, de dor, de
sofrimento, de tribulações, que nós
vemos o salmista escrevendo palavras ou
os salmistas como essas aqui.
E para nossa surpresa, quando a gente
estuda sobre as orações de lamentação na
Bíblia, nós descobrimos que há mais
lamentações no livro de Salmos do que
hinos de ação de graças ou de adoração.
Existem lamentações em todo o Antigo
Testamento na boca de homens de Deus,
como nós veremos em Números 11. Existem
orações na boca do nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo, como nós veremos
também na vida dos apóstolos. Existe um
livro só de lamentações,
as lamentações de Jeremias. Na verdade
existe outro que é o livro do profeta
Abacuku, embora ele não seja conhecido
como livro das lamentações de Abacuku,
mas é um livro inteiro apenas disso. E
nós, eu creio, eu precisamos resgatar um
pouco ah desse exercício espiritual,
dessas orações, em momentos de pressão,
em momentos de frustração, em momentos
de oposição que nos fazem ao longo da
nossa vida. Agora sim, tendo em mente
que os salmistas falavam dessa forma e
oravam a Deus, expondo seus corações, se
derramando diante do Senhor com as suas
dores, com os seus medos, com as suas
dúvidas, eu gostaria que fôssemos a
Números 11 para que entendêssemos em que
contexto Moisés, enquanto liderava o
povo pelo deserto, ouve das queixas,
ouve das murmurações
e diante delas então levanta ao Senhor
uma palavra de lamentação desde o
início. Então, eu quero dizer para vocês
que há uma diferença muito clara entre
murmuração e lamentação. As duas coisas
são bastante parecidas, porque nas duas
você está se queixando de algo, nas duas
você está extravazando, nas duas você tá
falando do que você tá vivendo, nas duas
você tá pondo o seu coração para fora. E
nas duas você sente um certo alívio
quando você faz isso. Ufa, falei tudo
que eu tinha que falar.
A diferença entre a murmuração e a
lamentação é que a murmuração
normalmente é feita com pessoas. Quando
a gente se queixa às vezes de Deus,
quando a gente reclama de alguém e a
gente simplesmente extravaza e fala o
que tinha que falar e a gente diz depois
parece que eu tô me sentindo melhor e a
lamentação, ela é a mesma coisa, mas a
outra pessoa é Deus. A gente se queixa,
a gente fala o que tem que falar, a
gente se derrama, mas a gente faz isso
dizendo: "Deus meu". E aí então sai tudo
que tem que sair da nossa boca.
A murmuração é um pecado,
é algo que Deus abomina, é algo que Deus
odeia. A lamentação é algo que Deus nos
ensina a fazer, é algo que é agradável
aos ouvidos dele e é algo que ele espera
que nós façamos em contextos de
dificuldade.
Irmãos, antes da gente ler o texto aqui,
deixa eu dar um pouco do contexto para
vocês. Israel, depois que Abraão foi
escolhido por Deus para ser o pai dessa
nação, o pai de um povo do qual viria o
Messias, o Salvador, Abraão, então ele
vai para a terra de Canaã. Ele fica ali
durante bastante tempo. Deus promete que
ele seria dono de toda aquela terra, ele
e seus descendentes. Mas quando ele
morre, ele é dono só de uma caverna
chamada de caverna de Macpela, onde ele
enterrou a esposa dele e ele acabou
sendo enterrado também. Ele não tinha
nada. Ele morreu crendo que o Senhor um
dia aos seus descendentes daria toda
aquela terra que Deus chama de terra de
Deus, né? Terra dele. Depois, então, nós
temos o Isaque, onde Deus reafirma a
promessa. Então, Jacó, Deus reafirma a
promessa. Jacó tem os seus 12 filhos. Um
deles é vendido pelos irmãos como
escravo pros ismaelitas, que era um
grupo de árabes negociantes. Estes, por
sua vez, o revendem no Egito. E aí os
irmãos se lembram da história de José no
Egito e como Deus usou a vida dele por
meio de dons que Deus lhe deu para que
ele ascendesse política e socialmente e
se tornasse em tempos de crise como um
governador do Egito, abaixo apenas do
faraó, do grande rei, do grande reino do
antigo Egito, que era um reino
grandioso, era um dos maiores, senão o
maior do mundo na época. E ele era o
segundo debaixo só do faraó. Ele era o
grande administrador. José, filho de
Jacó, bisneto de Abraão. E quando chega
o tempo da fome, o tempo da seca, não é?
E muitos vêm para o Egito para comprar
comida, no meio deles vem os irmãos de
José, mas não reconhecem José, porque
José já estava vestido, aparamentado,
pintado, enfim, com toda a aparência de
um egípcio de fato, não é? governante.
E, mas José os reconhece porque eles
eram como eles eram. Eles eram pastores,
nãoé? Eles eram pastoris, eles eram
pessoas que cuidavam do campo, eram
homens que José conhecia muito bem a
face dele, deles. E acontece tudo que
acontece, não é? Depois de alguma prova
que José faz com seus irmãos, ele se
revela aos seus irmãos, os seus irmãos
ficam desesperados, ele abraça os seus
irmãos, consola os seus irmãos, beija os
seus irmãos, pede para que o seu pai e
toda a sua família seja trazida, porque
ainda haveria alguns anos de seca e ele
gostaria que os seus irmãos ficassem ali
com ele no Egito, numa terra protegida e
nada lhes faltaria, porque o próprio
José garantiria que eles tivessem toda a
providência. E assim aconteceu. Jacó
veio, desceram 70 pessoas. Era toda a
família de Jacó, eram todos os
descendentes de Abraão, 70. Eles descem.
Jacó ainda já bem idoso, agora fala com
o próprio faraó. E depois de um momento,
eles ali se dividem
eh na terra de Gosem, onde eles acabam
morando um pouco em Goshem, um pouco em
Ramses, no norte do Egito, na parte
conhecida como delta do Nilo hoje em
dia. E ali eles ficam. José morre, o
faraó que vem logo em seguida não
conhece José. E a razão disso é por
causa de uma invasão ixa do povo ixo,
que ninguém sabe direito de onde vem. A
razão, a a a assim a a o chute, digamos
assim, mais provável, não é, é de que
eles sejam um povo do extremo oriente,
que cientes da extrema riqueza que agora
o Egito tinha, por causa da
administração de Josué, de José, eles
vêm para conquistar aquele território e
de fato eles conquistam e ficam ali
bastante tempo. Até que Tutmes ou
Tutmsés, primeiro, um faraó, começa a
expulsão deles, depois vem Amenofes e e
vários outros faraós que expulsam eles e
reganham, não é, a confiança e o poder
do Egito. Mas nesse tempo os ixos já
haviam feito os judeus escravos.
E o período em que os judeus ficaram no
Egito, eles desceram 70, não é? Foi de
cerca de 430 anos. E uma boa parte desse
período como escravos. Mas agora, 430
anos aproximadamente depois eles já eram
milhões de pessoas. Quando eles saem do
Egito, aqui nesse texto, inclusive a
gente vai ter um pouco dessa contagem,
mas já no logo no livro de Êxodo, eh, a
gente vê que eles eram 600.000 homens,
eh, sem contar as esposas. Então, você
imagina que cada um tinha uma esposa só,
embora o patriarca tinha mais do que
uma, né? Tinha quatro, não é? O o Jacó,
imagina que eles só tivessem uma esposa,
600.000 homens, já daria ali quanto?
100200, não é? Eh, 1000 pessoas. Imagina
que eles fossem um casal mais ou menos
moderno, que só tem dois filhos, embora
que eu já vi alguns irmãos com mais de
dois, já sobe para 2.hões400.000
pessoas. Agora você imagine que eles têm
um pouco mais de filhos, o quanto esse
número não sobe. E imagine
conforme Êxodo nos diz que quando os
judeus foram tirados do Egito após as 10
pragas, outros estrangeiros que não eram
egípcios, mas que estavam como escravos
ali também, eles saíram juntos. Imagina
a quantidade de pessoas que não saiu
junto com os judeus na peregrinação.
Foram alguns milhões de pessoas. E eles
só tinham um líder chamado Moisés. E
eles saem do Egito e eles vem o poder de
Deus. Eles vem as maravilhas do Senhor.
Eles vêm a ação de Yahé os guardando.
Quando eles saem do Egito, eles recebem
a direção do Senhor de não ir pelo
caminho normal, o caminho, a rota dos
reis, porque havia uma guerra entre os
egípcios e os filisteus ali. Eles tinham
que se desviar pro sul, o que fez com
que eles, nesse desvio ficassem paralelo
ao chamado Mar Vermelho, quando então o
faraó arrependido corre atrás deles. Mas
o Senhor mesmo que se manifestava diante
do povo como uma coluna de fogo à noite
e uma coluna de nuvem, não é, durante o
dia, os guiando por onde eles deveria
ir, deveriam ir, o Senhor então coloca
essa coluna de fogo atrás dos judeus e
na frente dos eh egípcios, não
permitindo que os egípcios avançassem,
protegendo o povo judeu. E todos viram
isso. Mas quando eles se viram
encurralados ali diante do mar, por trás
deles a montanha, atrás da montanha,
então tinha essa coluna de fogo, não é?
O próprio Senhor e os eh egípcios, eles
dizem para Moisés: "O que que por que
que o Senhor tirou a gente do Egito para
morrer aqui? Ou a gente morre no mar ou
a gente morre na mão dos egípcios. Era
melhor que a gente tivesse ficado lá.
Ali começou a murmuração.
E aí então acontece o grande milagre da
abertura do mar. Eles passam e quando
eles passam, o último passa, os egípcios
vêm atrás, Deus permite que eles venham
e depois Deus faz com que o mar se fecha
e todos eles morrem ali. Eles vêm o
poder de Deus sobrenatural.
E aí eles ficam com sede que eles
começam a se desviar ali descendo já pra
península do Sinai.
E aí então eles reclamam com Moisés mais
uma vez. Moisés então é orientado ao
Senhor nessa ocasião de bater na rocha.
Na segunda era para falar, mas nessa era
para bater. Ele bate na rocha e a rocha
começa a soltar água sobrenaturalmente e
milhões matam a sua sede. Depois eles
reclamam que não tinham o que comer,
porque provavelmente aquilo que eles
tinham consigo e que trouxeram do Egito
acabou. E Deus então começa a fazer
chover comida do céu todo dia. O famoso
maná.
Eles não tinham falta de comida. Deus
nunca permitiu que em 40 anos de
peregrinação no deserto os israelitas
passassem fome nunca. Aí eles chegam
diante das águas de Mará ou Mara. As
águas eram amargas. Mais uma vez Deus
usa Moisés para fazer um milagre. As
águas se tornam potáveis, doce. E eles
então bebem, matam a sede. Eles chegam
diante do monte Sinai e veio o monte eh
fervendo. Eles vêm Deus ali falando com
Moisés. Moisés descendo com as tábuas da
lei, o rosto de Moisés brilhando. Eles
viram tantos milagres. E cerca de 2 anos
depois que eles haviam começado essa
peregrinação rumo à terra prometida, que
levaria mais 38 anos, não é? Eh, aparece
Números, capítulo 11. Eles já estavam
acerca de 2 anos peregrinando no
deserto. E agora a murmuração é outra.
Vamos lê-la. Números 11, a partir do
verso 1, diz assim a palavra de Deus.
O povo se queixou da sua de sua sorte
aos ouvidos do Senhor. Quando o Senhor
ouviu as reclamações, sua ira se acendeu
e fogo do Senhor ardeu entre eles e
consumiu algumas extremidades do
arraial. Então o povo clamou a Moisés e
este orou ao Senhor e o fogo se apagou.
Por isso, aquele lugar eh foi chamado de
taberá, porque o fogo do Senhor se havia
acendido entre eles.
E o populacho, que estava no meio deles,
veio a ter grande desejo das comidas dos
egípcios. Também os filhos de Israel
começaram a chorar
outra vez, dizendo: "Quem nos dará carne
para comer?"
Lembramos dos peixes que comiam,
comíamos de graça no Egito, dos pepinos,
dos melões, dos alhos silvestres, das
cebolas e dos alhos. Mas agora a nossa
alma está seca e não vemos nada
[limpando a garganta] a não ser esse
maná.
Isso é a murmuração. Eles diziam isso um
pro outro. murmuração,
marchando e murmurando.
A reclamação
que trouxe ir ao coração do Senhor. Se
nós lêsemos os textos anteriores, nós
veríamos que essa queixa já havia
começado e por isso Deus havia feito com
que um fogo se acendesse no meio do
arraial. E o povo começou a ficar com
medo e pediu a Moisés que orasse ao
Senhor. Moisés orou e Deus apagou aquele
incêndio. Mas aí tão logo isso acontece,
eles voltam a reclamar de novo. O texto
diz que um populacho, no versículo 4, um
um uma parte do povo, não é o povo todo,
uma parte do povo, começou a reclamar
com saudade da comida do Egito. E o
texto no verso 4, no final diz que eles
começaram a chorar querendo comer carne.
Você já viu alguém chorando com vontade
de comer carne?
Vocês já viram? É difícil, né? Pode ser
que a pessoa esteja com saudade de comer
carne, porque e pode ser que seja uma
criança, uma irmãja mais difícil.
Imagina uma irmãja, um senhor assim, um
homem, um adulto já casado e a esposa
entrou na moda fit e aí é frango
grelhado, abobrinha, couve e flor e
cenoura todo dia. Low carb. E aí 15
dias, 20 dias, o cara fala: "Não dá pra
gente comprar um, sei lá, uma picanha,
um contrafilé, um entrecô, uma coisa,
né? Não, não dá". Aí o cara começa a
chorar. É meio esquisito, né? Eu acho
que não é muito comum, não é muito
natural. Eu nunca vi um homem, um adulto
chorar com vontade de comer carne.
Criança pode até ser, mas de novo, mãe,
esse ovo, esse frango, dá alguma coisa
diferente. Eu quero um nuggets, eu
quero, sei lá, uma parmegiana, não é? Eu
quero alguma coisa que começa com a. Já
viram aquele vídeo? Tudo que começa com
a é maravilhoso. Amizade, amor, a
parmegiana, a mussarela, não é? Ah, eh
lasanha. Tudo começa com a é bom. Eu
quero alguma coisa começa com a mãe, né?
Uma criança tudo bem, pode chorar. Mas
aqui o texto diz que adultos chorando
com saudade da comida que lá eles tinham
de graça, de graça, lhes era dado porque
eles eram escravos e eles precisam estar
fortes e saudáveis para fazer o serviço
que faziam, que era a fabricação de
tijolos para construção de cidades,
especialmente na cidade de Ramsés, que
existe até hoje no norte do Egito. Eles
trabalhavam duro. E chegou um tempo em
que eles não tinham nem a palha e o
barro. Eles tinham que ele mesmo, eles
mesmos irem atrás de tudo. Era pesado o
trabalho deles. E obviamente o Egito
concedia a eles alimentação, porque ele,
senão eles, se eles comessem eles não
trabalhavam, não é? Mas não, agora estão
livres com saudade da escravidão. O
verso sete continua descrevendo como era
o maná, porque a palavra maná eh não é o
nome de alguma coisa. Você não vai ir na
no mercado comprar maná. Maná, na
verdade é uma é uma pequena frase
hebraica que significa o que é isso? Se
você for para Israel hoje e olhar para
uma fruta, uma tâmara diferente, você
não souber o que que é aquilo, você pode
dizer maná. E a pessoa sabe que você tá
perguntando o que que é isso, né? Embora
hoje, eh, existe algumas outras formas
de dizer isso no hebraico mais moderno,
mas Maná recebeu esse nome porque quando
eles viram aquele negócio caindo do céu,
eles disseram: "O que é isso?" Ou seja,
eles disseram
maná e ficou o nome. Não eram nem um
pouco criativos, né? Podiam dar um outro
nome. Mas aí então o verso 7 diz: "O
maná era como semelhante à semente de
coentro. Sua aparência era semelhante a
deélio. O povo ia por toda parte e o
colhia. Eles o moíam em moinhos e o
socavam em pilões. Depois o cozinhavam
em panelas e dele faziam bolos. O sabor
do maná era como de bolos amassados com
azeite. Quando de noite descia o orvalho
sobre o arraial, sobre este também caía
o maná. Ou seja, não é que o maná era
uma coisa só, que tinha o mesmo gosto.
Eles poderiam fazer do maná coisas
diferentes, assim como a gente pega a
farinha e faz coisas diferentes dela,
assim era o maná. Ele poderia ter
diferentes gostos, poderiam fazer
diferentes coisas, ou seja, eles não
padeciam de fome nem de sede. Eles
tinham a provisão pro dia a dia.
Portanto, o problema deles não era a
fome. O problema deles era a vontade de
comer uma coisa diferente. Natural, a
viagem é cansativa, viagem é longa, já
tá durando bastante tempo. A razão pela
qual está durando bastante tempo é a
dureza do coração de vocês. Moisés não
poôde durar alguns poucos dias ali no
monte, no no monte Sinai. Vocês já
fizeram um bezerro de ouro para adorar.
Vocês são idólatras.
Deus os tirou do Egito, não porque vocês
merecem, mas porque ele fez uma promessa
para Abraão, que por 400 que que vocês
que os descendentes deles desceriam ao
Egito e que quatro séculos depois ele
lhes tiraria dali.
E Deus também foi fiel a si mesmo, a sua
promessa de fazer dessa nação uma nação
que possuiria aquela terra e que dali
viria o Messias. Não é porque vocês são
bons, não é porque vocês merecem. Embora
havia sim, sempre houve no meio do povo
alguns fiéis, o remanescente, aqueles
que clamavam a Deus, como o próprio
Moisés, como Josué, como Calebe e alguns
outros, mas a maioria do povo não. Tanto
é que desta geração que saiu do Egito,
Deus não permitiu que eles entrassem da
terra prometiva. Dois, mais de 2 milhões
e meio de pessoas.
Só entrou aqueles de 20 anos para baixo.
Os de 20 anos para cima morreram todos e
foram sepultados no deserto por causa de
um coração que murmurava, que reclamava
de tudo, que se queixava de tudo, que
não era grato por nada, apesar de verem
o poder e a mão de Deus o tempo todo.
Mas a boca era só reclamando, só
reclamando, só reclamando. E Deus odeia
isso. Tanto é que eles não viram a terra
prometida. Quem viu foram os novinhos
que saíram cedo
e aqueles que nasceram durante a
peregrinação do deserto e que quando
chegaram lá nas campinas de Moabe e
Moisés morre, entram com Josué na terra
prometida.
Mas o texto continua no verso 10
dizendo: "Então Moisés ouviu como o povo
chorava por famílias, cada um à porta de
sua tenda. O Senhor ficou muito irado e
Moisés também não gostou daquilo. Mas e
Moisés disse ao Senhor, antes da gente
ler a oração de Moisés, deixe-me dizer
uma coisa. A gente está prestes a ler
uma oração de lamentação,
assim como aquela que nós lemos no Salmo
88, que é o Salmo mais sombrio das
Escrituras. Nós temos outras outros
salmos de lamentação também, mas nenhum
termina daquele jeito, com o salmista
descrevendo a o seu estado, dizendo que
ele já se sente morto, dizendo que a sua
alma é só angústia, dizendo que ele sabe
que é o Senhor que está pesando a sua
mão sobre ele, dizendo que ele sabe que
é o Senhor que o colocou em disciplina e
dizendo, por fim, que os seus amigos são
trevas. E acalma o salmo. É o tipo de
salmo que a gente não lê no começo de um
culto, porque ninguém diz amém. É
difícil, a gente não entende. É um salmo
para expor, para explicar o contexto,
mas é um salmo de lamentação e a gente
precisa aprender a lamentar, irmãos. E
aqui Moisés está prestes a fazer uma
lamentação, uma oração muito bonita.
Vamos ler a oração de Moisés. Verso 11.
Moisés disse ao Senhor: [roncando]
"Por que fizeste mal a teu servo?
E por que não achei favor aos teus
olhos,
visto que puseste sobre mim a carga de
todo esse povo? Será que fui eu que
concebeu todo esse povo? Será que fui eu
quem o deu à luz para que me digas que o
leve no colo babá leva a criança que
mama até a terra que prometeste dar a
seus pais? Onde eu poderia conseguir
carne para dar para todo esse povo? Pois
chora diante de mim, dizendo: "Dê-nos
carne para comer. Eu sozinho não posso
levar.
Eu sozinho não posso levar a carga de
todo esse povo, pois é pesado demais
para mim. Se me tratas assim, mata-me de
uma vez. Se achei favor aos teus olhos,
peço que não me deixes ver a minha
miséria. Em nome de Jesus, amém.
Só não tenho em nome de Jesus. Amém. Não
é? O resto tá aí.
Bonita ou não essa oração? Eu disse que
era bonita, né? Poderia dizer que era
linda, mas aí era pegar pesado. Tem nada
de bonito aqui. O que nós temos é um
homem que já tinha mais de 80 anos de
idade. Lembre-se de que os primeiros 40
anos de Moisés foi na casa de Faraó.
Quando ele tinha cerca de 40 anos, ele
matou um egípcio para defender um judeu.
E quando o faraó soube disso, Moisés
fugiu dali. e foi pra terra de Midiã.
Acabou morando ali, casou com Quetura,
teve um filho chamado Gerson, que
significa: "Sou peregrino em terra
estrangeira". E viveu outros 40 anos
ali. E quando ele tinha 80 anos de
idade, é quando Deus aparece para ele na
sarça ardente e fala para ele voltar pro
Egito, porque aqueles que queriam
matá-lo já não viviam mais. E ele volta.
E quanto tempo dura a peregrinação no
deserto? 40 anos. Ele morre com 120
anos, nos diz o final do livro de
Deuteronômio. De modo que a vida de
Moisés pode ser dividida em três partes
de 40. 40 anos vivendo no palácio de
faraó, 40 anos como peregrino na terra
de Midiã, 40 anos no deserto levando o
povo até a terra prometida. Foi com 80
anos de idade que Deus chamou Moisés pro
ministério.
Tem alguém aqui com 80 anos de idade? Se
tiver, pode levantar a mão. 80 anos
ou mais?
Ninguém. A gente vai chegar lá um dia,
não vai? Você quer chegar lá, você
levanta a mão. Todo mundo quer chegar.
Imagine que Deus te chame pro ministério
com 80 anos de idade. Com 80 anos Deus
vai te dar uma responsabilidade. Ali vai
começar a história da sua vida. Quando
todo mundo tá querendo parar, quando
todo mundo já tinha parado, já tava
descansando, aposentado, cuidando das
ovelhinhas, Moisés já tinha filho,
provavelmente neto. Vai saber. É bem
possível que com 80 anos de idade o
Gerson já tinha casado, né? Ele tinha
família. Mas é com 80 anos que isso tudo
começa. Com 80 anos você está levando
esse povo e ao invés desse povo ser
grato e manso como você é, paciente como
você é, porque Moisés era, não. O povo
reclama, reclama, reclama. Quanto tempo
você aguenta ouvindo essas reclamações?
Passaram-se do anos.
E Moisés ouviu e ouviu e ouviu.
Coloque-se no lugar dele um homem que
sabia que mesmo guiando uma multidão,
ele não levaria mais de dois meses para
chegar do Egito em Canaã. Não levaria
com o povo indo devagar por causa das
crianças, dos mais idosos, de alguns
animais que iam num passo lento. Ele
sabia que não levaria tanto tempo. 6
meses só se acontecesse uma tragédia,
mas já faziam do anos.
E ele sabia que era por causa do pecado
do povo. Imagine você aguentar isso. O
povo chorando com vontade de comer
carne. Será que esse povo não tem juízo
na cabeça? Você quer saber de uma coisa?
Vocês sabem como chegar em Canaã? E se
não souber, eu passo. Ó, vocês dão uma
volta aqui na na Campina, aqui na na
base da Península dos Sinis, vocês vão
passar pela terra de Midian, começa a
subir, vocês vão passar por e Cades, por
Barneia, você só mais um pouquinho,
chega em Moabe, do outro lado do mar
Vermelho, do Mar Morto, e aí de lá vocês
já estão pertinho de Jericó. E dali
vocês entram, mas chega, eu vou eu vou
cuidar da minha vida. Eu tenho mais o
que fazer. Com 80 e tantos anos de idade
eu vou ficar suportando um bando de
gente só reclama, só reclama, só
reclama.
Um povo abençoado, um povo que tem de
tudo, um povo que come, mas não tem, não
gasta um centavo para comer, bebe, não
gasta um centavo para beber. Um povo que
tem a promessa de Deus para eles e pros
seus filhos e pros seus netos, de que
eles vão morar em casa que não
construíram, vão ter vinhas que eles não
plantaram, olivais que eles não
cultivaram, animais que não são dele.
Deus vai dar tudo para eles. Uma terra
que dá leite, dá mel em abundância.
E esse povo tá reclamando com saudade da
escravidão. Sai fora, eu tenho mais o
que fazer na minha vida. Deus acabou
para mim. Não era natural que essa
sensação de frustração,
além da opressão, o povo reclamando,
enchessem o coração de Moisés? Para mim
é natural que fosse assim.
Era natural que talvez Moisés se
levantasse para reclamar também.
reclamar talvez pro seu irmão Arão,
talvez reclamar para outros amigos mais
próximos, outros anciãos,
mas não.
Quando ele sente essa pressão e vê a
tristeza da situação, ele busca a Deus
com toda a queixa do seu coração e diz:
"Deus, pera aí, meu Deus, pera aí. Fui
eu que dei a luz a esse povo? Fui eu que
escolhi Abraão. Fui eu que prometi dar
aquela terra para eles. Fui eu que quis
voltar. Eu nem queria.
O senhor lembra que eu falei que eu sou
pesado de linha? Eu sou gago, eu sou
meio diferente, eu não sei o que falar.
Vamos perguntar quem o senhor é. Que que
eu falo para eles? Ah, diga que o meu
nome é tal. Ah, Senhor, mas e se eles
diga Moisés.
E muito relutantemente Moisés foi.
Imagina o coração desse homem. Deus, não
fui eu que dei a luz a esse povo. Sou eu
que tenho que ficar como uma mamãe dando
leite para eles, dando carne? Senhor,
onde que eu vou arrumar carne para dar
para todo esse povo? Onde?
Pois choram diante de mim, dia e noite,
dizendo: "Dá-nos carne a comer ou o
Senhor me mata de uma vez?" Não foi isso
que ele disse em oração.
Ele teve pensamentos e desejos de morte.
Você já teve isso na sua vida? Mata-me
de uma vez. Não deixa eu ver a minha
miséria. Você deixa, ou seja, não deixa
eu continuar sofrendo como eu tô
sofrendo, Deus. Não deixa esse
sentimento de querer morrer,
essa tristeza profunda, esse abatimento,
esse vale da sombra da morte continuarem
na minha vida.
Irmãos, muitas vezes a gente passa por
situações assim também hoje, quando a
gente vê que tá tudo dando errado na
nossa vida, quando a gente já vê que as
coisas já estão mais ou menos
organizadas, pode ser, e a gente fala:
"Senhor, me leva de uma vez, não tem
porque eu continuar vivo aqui. Se o
Senhor quiser, me leva, porque meus
filhos já estão criados, já tá tudo
certo e se não tão também vai dar tudo
certo. Sei que o Senhor vai cuidar, para
que que eu vou continuar vivendo,
Senhor?"
E aí você com aqueles pensamentos de
morte, você pede a Deus isso. É o que
Moisés está fazendo aqui. Ou às vezes
você tem uma escatologia piedosa,
mentirosa. Sabe o que que é isso?
Escatologia é o estudo das coisas do
fim, não é? Voltadas à segunda vinda de
Jesus. E aí, piedosamente, entre aspas,
você diz: "Ah, eu não vejo a hora que
Jesus volta. Tomara que Jesus volte
logo. Você não quer que Jesus volte,
você quer morrer.
Você quer morrer. E se Jesus voltar
agora, era bom para você, porque você
não tem que pagar um monte de boleto.
Você não tem que tirar o seu nome de
certos lugares. Você você resolve seus
problemas, você acaba tuas aflições. É
isso que você quer. Você quer que tudo
fique bem. Você quer fugir dos
problemas. Você quer alívio. E tem
alguma coisa errada nisso? Não. Não tem
nada de errado nisso. Você quer paz e
tem alguma coisa errada em você querer
paz? Nada de errado. O problema é no
meio das nossas lutas, das nossas dores,
das nossas lágrimas.
O problema é com quem a gente tá
conversando.
Ou se é que a gente não tá conversando
com ninguém, a gente tá guardando aquela
amargura dentro do nosso próprio
coração.
E o autor de Hebreus já havia dito que
quando nós guardamos essa amargura
dentro do nosso coração, essa amargura
nos destrói.
Mas se nós não guardamos ela dentro de
nós, hoje em dia nós temos muitos
terapeutas, às vezes algunos
conselheiros também, que vão dizer:
"Não, bota para fora isso, fala tudo que
você tem que falar". E aí você vai lá e
fala tudo e é isso mesmo. Agora tô me
sentindo melhor porque falei tudo que
tinha que falar. E você se sente até
bem, porque esse mecanismo aparentemente
foi criado pelo próprio Deus, mas ele
não foi criado para ser usado entre dois
seres humanos.
Porque o outro para quem você extravaza,
não pode fazer nada pela sua vida. O
máximo que ele pode dizer ou fazer é
ouvir e dizer: "É, não é fácil, né?" Ou
dizer: "É, é complicado."
Ou é, eu vou orar por você. E aí? Nada.
Mas você pode fazer isso com Deus. O que
ocorre muitas vezes é que a gente tem
medo de dizer toda essas coisas para
Deus. A gente tem medo de dizer: "Deus
me mata. Vai, me mata porque vai que ele
mata, [risadas]
né? Você não quer que ele te mate."
Imagina se ele tivesse feito isso com
Moisés, do jeito que Moisés pediu. Elias
fez isso também. Vocês lembram em
Primeira Reis, capítulo 19, quando ele
eh depois que venceu os profetas de
Baal, ele recebe a promessa da Jezabel
dizendo que amanhã ele estaria morto.
Ele foge, ele foge muito, irmãos, mais
de 100 km pro sul, vai pro deserto de
Berceba, se deita debaixo de um zimbro e
pede a morte. Basta, Senhor, tira a
minha vida porque eu não sou melhor do
que ninguém.
Ele pede a morte e Deus não mata ele.
Deus manja, manda o anjo para cuidar
dele. Depois leva ele até o Orebbe, que
é perto aqui do Sinai,
40 dias e 40 noites caminhando. Chegar
lá, Deus não mata ele. E ele pedindo
para morrer.
Pedindo para morrer. Pedindo para
morrer. Vocês lembram como é que o Elias
morreu?
Como é que o Elias morreu? Ele não
morreu, gente. Nem isso Deus deu. Deus
deu pro coitado que tanto queria a
morte.
Porque no nosso coração nós não não
temos que ter vergonha de falar com Deus
aquilo que enche o nosso coração. Se é
se é tá difícil, se é um familiar, se é
o povo, se é um fale. Se é o trabalho,
se é um pecado, seja o que for, fale,
derrame-se diante dele. Os profetas
fizeram isso. Davi fez isso. Os filhos
de Corá fizeram isso. Moisés fez isso.
Elias, o maior profeta do Antigo
Testamento, fez isso. E Deus ouviu e
acolheu e respondeu a todos eles de
forma infinitamente melhor do que eles
pediram e acabou com a dor e deu
direção.
Jesus fez isso em várias vezes.
Ele fez isso no Getsêmane, na
quinta-feira da paixão. Pai, se
possível, passa de mim esse cálice,
mas não seja feita a minha vontade, mas
a tua. Ele chora em angústia. Ele diz:
"A minha alma está angustiada até a
morte".
na cruz. No dia seguinte, numa de suas
orações, ele diz: "Deus meu, Deus meu,
por
me desamparastes ou me abandonastes?"
Isso é uma lamentação do Salmo 22, verso
1, que começa com uma lamentação, salmo.
Ou seja, não há nada de errado, desde
que você diga: "Deus meu". Porque você
sabe que você está se derramando para
ele e você sabe que só ele tem o poder
de trazer a paz, a clareza e a direção
que você precisa.
E você o busca e você clama.
Imediatamente após a oração de
lamentação de Moisés, nós temos no verso
16 a resposta do Senhor. E é curioso,
irmãos, antes de lermos o verso 16 em
diante, que se você fizer um estudo
depois, eu já fiz isso há vários anos
atrás, eh um estudo muito curioso sobre
orações na Bíblia. E as orações elas são
respondidas imediatamente, ou elas
demoram certo tempo, ou elas demoram
muito tempo para serem respondidas. E
curiosamente eu eh descobri estudando
isso, que as orações de lamentação são
as orações mais imediatamente
respondidas da Bíblia, diferente de
outras. Não que tenha uma fórmula mágina
mágica nelas, não é? Mas talvez porque
elas sejam feitas quando de fato a gente
tá no fundo do poço, no vale da sombra
da morte, desesperados e a gente já nem
vontade de orar tem mais, nem forças
para orar. E muitas vezes a gente se
encontra numa situação que a gente tem
até medo de orar, porque se a gente for
orar, a gente vai falar coisas que não
devia para Deus, mas você deve falar
coisas que você não devia para Deus. Eu
me lembro de um colega pastor, hoje
pastor em São Paulo, numa outra eh
igreja, não é? Ele era pastor numa
favela há um tempo atrás, muitos anos
atrás. E a favela, vocês têm noção de
como é, né? Um uma senhora se converteu
há alguns anos e aí ela tava orando
pelos filhos. um dos filhos dela mexia
com o tráfico e tava se iniciando ali na
vida do tráfico
e e o filho havia se convertido e ele
queria deixar aquela vida, mas ele ainda
tava muito ligado. E naquela
quarta-feira tinha um culto na igreja e
ela estava ali e o menino foi com ela e
depois ele recebeu um um uma um
telefonema, ele teve que subir. Ah, e
ele pediu: "Mãe, ore por mim e isso tem
que acabar na minha vida". E ele subiu e
a mãe ficou e acabou o culto, desce
algum outro mensageiro lá da do comando,
né? E aí ele desce: "Olha, o seu filho,
infelizmente, ele foi abatido."
E aquela mulher começa a chorar, chorar,
porque ela sabia que o filho dela queria
sair daquela situação. E ela sabia que o
filho dela tinha entregue a vida para
Jesus, mas que o filho dela tinha tava
vivendo numa vida de desgraça, de
pecado, mas que agora havia entregue a
sua vida a Cristo e logo queria se ver
livre daquilo sem que ele fosse morto,
não é? pelos próprios companheiros de
tráfego. Tem um jeito de sair, mas não é
tão simples e tão rápido assim. E agora
morto e ela angustiada, desesperada,
cheia de dúvidas, ela começa a gritar
com pastor, que Deus é esse, pastor? E
ele: "Calma, irmã, vamos orar. Calma,
nada." E aí ela vai pra frente da igreja
e começa a orar a Deus e falar coisas
que o pastor, é isso o pastor disse para
mim, não é? Que ele ouvia ela falar com
Deus, ela dizia e ele no coração dele
pensava: "Pelo amor de Deus, não falar
isso para Deus, vai morrer você e eu
aqui juntos. tu vai alguma coisa aqui em
cima. E ela falando coisas para Deus que
eu não lembro o que que o pastor falou,
mas coisas assim muito sérias, sabe?
muito graves aos nossos olhos, com o
coração dela quebrado, cheio de dor e de
tristeza, de repente, no meio de toda
aquela ira e aquelas palavras que o
pastor jamais a aconselharia naquele
momento, porque depois ele mudou, a
dizer a Deus, ele começa ela ouvindo,
ele ele começa a ouvir ela dizendo
palavras de louvor, de gratidão, e ela
sorrindo com lágrimas nos olhos,
dizendo: "Eu Eu sei que ele tá com o
Senhor. Obrigado porque o Senhor salvou
a vida dele antes de tudo isso
acontecer.
E e aí ela descreve para ele que uma paz
encheu o coração dela enquanto ela se
derramava diante de Deus. E ela começa a
louvar, louvar, louvar e ela fica em
paz. Mas antes de ficar em paz, ela orou
uma lamentação.
Irmãos, essa experiência não é só dessa
senhora, é de muitas pessoas
que numa, enfim, nas encruzilhadas que a
vida nos coloca, momentos de pressão,
momentos de medo, momentos de dúvida, eu
não tenho tempo de orar, eu tenho que
pensar para eu tenho que resolver essa
situação. É quando você se encontra
nesses momentos que mais você tem que
parar tudo que você tem que fazer, que
você que você tá fazendo e você tem que
se derramar diante de Deus. Aqui a
partir do verso 16 nós lemos a resposta
de Deus para Moisés, que se divide em
duas partes.
O Senhor disse a Moisés:
"Reúna para mim 70 homens dos anciãos de
Israel, que você sabe que são anciãos e
superintendentes do povo. Traga-os
diante de mim da tenda diante eh diante
da tenda do encontro, para que estejam
ali com você. Então descerei e ali
falarei com você. Tirarei do espírito
que está sobre você e o porei sobre
eles, e eles ajudarão você a levar a
carga do povo para que você não tenha de
levá-la sozinho. OK? Mas sobre o que foi
a oração de Moisés?
Sobre o problema da carne, não foi? Deus
falou aqui da carne? Não. Sabe por quê?
Porque ah, Deus sabe mais do que a gente
precisa, do que a gente imagina. Sabe
aquilo que Paulo escreveu? Eh, ora aos
Efésios, aquele que é poderoso para nos
dar infinitamente mais do que tudo
quanto a ele pedimos ou pensamos, a ele
seja a glória em Cristo Jesus e na
igreja pelos séculos dos séculos. Amém.
Ele dá mais do que a gente pede ou
pensa. Deus sabia que o problema de
Moisés não era só aquele sobre o qual
ele trata na sua lamentação. Era o
problema de Moisés ser um líder único de
milhões de pessoas.
Deus sabia que Moisés estava cansado.
Deus sabia que Moisés precisava delegar
funções. Deus sabia que Moisés precisava
dividir as cargas. E aí Deus diz:
"Separe 70 pessoas,
eles vão ajudar você." Porque Deus sabe
que para além daquilo que Moisés orou,
Moisés tinha outras necessidades na
vida. Deus dá além. Mas aí a partir do
verso 18, Deus fala da carne. Então
vamos a a essa parte. Diga ao povo:
"Santifiquem-se para amanhã e vocês
comerão carne, porque vocês choraram aos
ouvidos do Senhor, dizendo: "Quem nos
dará carne para comer? A vida era melhor
no Egito. Por isso, o Senhor lhes dará
carne e vocês poderão comer. Não comerão
um dia, nem dois dias, nem cinco, nem
10, nem ainda 20, mas um mês inteiro,
até que saia pelo nariz,
até que fiquem com nojo dela, porque
vocês rejeitaram o Senhor que está no
meio de vocês e choraram diante dele,
dizendo: "Por que saímos do Egito?"
Deus disse: "Vocês vão comer. Pode se
preparar amanhã.
Mas aí no coração de Moisés, ele deve
ter feito as contas, carne, milhões de
pessoas.
Onde será que a gente vai ver no deserto
aparecer uma manada de de bois ou sei
lá, ovelhas vindo ou aves vindo ou
peixes pulando do mar? Que que vai
acontecer? Da onde vai vir toda essa
carne? Aí Moisés continua a lamentação
no verso 23, aliás 21. Moisés, porém
respondeu: "Esse povo no meio do qual
estou é de 600.000 homens em pé, fora as
mulheres, fora as crianças, por isso os
milhões. E tu dizes: "Eu lhes darei
carne e eles a comerão durante um mês
inteiro". Quantos rebanhos de ovelha e
de gado teríamos de matar para que
tivessem o suficiente? Ou será que
bastaria se ajuntássemos para eles todos
os peixes do mar? Ou seja, Senhor, não
tem, não tem como o Senhor fazer isso.
Porém, o Senhor respondeu a Moisés:
"Será que a mão do Senhor se encurtou?
Agora mesmo você verá se a minha palavra
se cumprirá ou não. Talvez hoje, se Deus
fosse brasileiro, ele diria: "Moisés,
manda quem pode, obedece, quem tem
juízo, vai e faz o que eu tô falando,
Moisés". Naquele tempo, a coisa era
diferente. Será que a minha mão se
encurtou? Agora vai, agora mesmo você
verá que se a minha palavra se cumprirá
ou não. Então, Moisés saiu e contou ao
povo as palavras do Senhor. Ele reuniu
70 homens dos anciãos do povo e os pôs
ao redor da tenda. Então o Senhor desceu
na nuvem, falou com Moisés e tirando do
espírito que estava sobre Moisés, o pôs
sobre aqueles 70 anciãos. E quando o
espírito repousou sobre eles,
profetizaram,
mas isto nunca mais se repetiu. OK?
Vamos pular a parte do Eldade, do
Meudade, que vai do 30, e vamos direto
ao 31, onde Deus dá a carne.
Verso 31. Então soprou um vento do
Senhor e trouxe codornizes do mar e as
espalhou pelo arraial em todas as
direções, numa extensão de cerca de um
dia de caminhada, a uma altura de quase
1 m sobre a terra. Vamos entender esse
verso. Deus soprou um vento. De onde?
Bom, se veio codornises do mar, esse
vento soprou do mar. Pode ser o mar
Mediterrâneo que estava perto acima e
pode ser do mar mais abaixo, o golfo
pérsico ali ou golfo arábico do mar de
juncos chamado de mar vermelho, não é?
Os mares que estavam próximos ali. A
essas aves, a codornis, ela é da da
família da a da ah da codorna. Codorna
que dá o ovinho, né? Deu um branco
agora. Codorna. Ovinho de codorna. Isso
é da mesma família. Eu nunca comi
codorna. Não sei se é bom ou não. E
muito menos codornis. Mas dizem que a a
carne dela é muito saborosa e é muito
comum na região do Mediterrâneo. E eles
viviam muito próximos ao Mediterrâneo
ali no Egito. E eles comiam
provavelmente sabiam quão saborosa essa
era essa carne. O fato é que Deus mandou
soprar um vento, veio essas aves para lá
e elas simplesmente caíram ali ao redor
do arraial. Lembra que Deus disse pro
povo se santificar e ficarem eh como que
num círculo no meio do arraial? Porque
no dia seguinte Deus mandaria a carne?
Eles fizeram isso. Agora você imagina um
círculo de mais de 2 ou 3 milhões de
pessoas. Quantos habitantes tem
Curitiba?
Tem 2 milhões.
Imagina que tenha.
Imagina que tem até um pouco mais.
Imagina que Curitiba inteira com as
cidades aqui ao redor se juntem.
É, esse é o grupo, é muita gente.
E aí Deus manda essa cordoniza. E aqui
diz que eh ao redor do arraial, ou seja,
em um círculo, ah, como se fosse um
anel, porque no meio estava o povo, ao
redor, como se fosse um anel, essas aves
elas caíram com a distância de um um dia
de caminhada nas medidas e pesos e
medidas bíblicas, não é? Um dia de
caminhada se traduz por cerca de 40 km.
Então, daqui onde estamos, 40 km dá até
mais ou menos onde?
Araucária
ou outra cidade. Mas vocês têm dimensão
40 km. É longe, né? É mais ou menos uma
maratona. É longe. Imagina 40 km de
carne. E o texto diz que estava 1 m de
altura. Dois côvados. 1 m de altura. É
carne, né, gente? Só que era 40 km para
lá, 40 para lá, 40 para lá, 40 para lá,
40 para lá. Ao redor de todo o arraial,
esses 40 km com 1 m de altura, vocês vão
comer carne. Não é só um dia, nem dois,
nem 5, nem 10, nem 20, mas um mês
inteiro até que saia a carne pelo nariz.
É o que Deus diz para eles. Deus, ele
tem uns jeitos de falar que são
interessantes, né, às vezes.
E aí, então, quando o povo começa a
comer essa carne, verso 32,
todo aquele dia e toda aquela noite, e
também no dia seguinte o povo se
levantou e recolheu as codornizes. O que
menos recolheu teve 10 montões e as
estenderam para si ao redor do arraial,
enquanto a carne ainda estava entre os
seus dentes. Antes que fosse mastigada,
a ira do Senhor se acendeu contra o povo
e o feriu com uma terrível praga. Por
isso, aquele lugar foi chamado de
Kibrotataavá,
porque ali foi sepultado o povo que teve
o desejo das comidas dos egípcios. de
que brot ratava, o povo partiu para
Razerote e ali ficou.
Sabe o que que significa que brotatava?
É uma frase em hebraico. Tá escrito aí.
Que que tá escrito aí? Pode falar.
É isso aí. Sepultura dos do desejo. Na
verdade, sepultura da dos cobiçosos ou
sepultura dos gulosos.
Esse é o nome que foi dado para aquele
lugar. Fundou-se uma cidade
e na fundação da cidade, cidade nasceu
no cemitério. Qual o nome do cemitério?
Eh, da cidade, cemitério dos gulosos. Só
que ao invés de traduzir assim, eles
deixaram bonitinho, né? Que brot ratavá,
parece o nome de cidade, né? Que brot
ratavá, mas literalmente o cemitério dos
cobiçosos, dos gulosos, dos desejosos,
daqueles que desejam aquilo que não
devem.
Não porque não sejam dignos. É lógico
que são dignos. Deus já disse que eles
teriam tudo isso, mas porque a
ingratidão e a murmuração estavam em
seus corações. Deus não tem nenhum
problema de ouvir a oração de Moisés. O
povo pediu carne e ele não deu. Moisés
lamentou por carne e Deus deu.
Provavelmente Moisés comeu a carne. Uma
boa parte do povo comeu carne também,
porque nem todo mundo morreu. Foi uma
parte de algumas dezenas de milhares que
morreram. Mas não foi todos os milhões
que morreram. Talvez aqueles que haviam
chorado na tenda. Talvez
[limpando a garganta] aqueles cuja
motivação do coração era terrivelmente
murmuradora e reclamadora e queixosa.
Foram estes que morreram e foram algumas
milhares de pessoas. Você imagina depois
disso você colocar um pedaço de carne na
boca de novo? Você vira vegetariano na
hora? Fala nunca mais. Porque vai quê,
né? Fica com medo de comer carne, fica
com medo de comer qualquer coisa. Não,
agora de hoje é só maná. Nunca mais
reclamo. Nunca mais reclamo. Leiam o
livro de Números ao longo desse dia e
vocês verão que depois dessa situação
eles eles se esquecem rapidamente e
volta a reclamar de outras coisas,
inclusive de comida, pouco tempo depois.
Tanto é que num dos salmos, os salmistas
se lembram dessa situação quando eles
diziam: "Pode acaso Deus preparar-nos
mesa no deserto?" Ou seja, além de tudo,
havia uma incredulidade
na providência, no cuidado, na bondade
do Senhor. E justamente por causa disso,
a ira do Senhor se levanta contra eles.
Por causa de um murmúrio que é dirigido
contra Deus ou contra a sua providência,
questionando a sua bondade.
Diferente da lamentação de Moisés, que é
dirigida a Deus com confiança,
expressando dor, mas sem acusar o
caráter do Senhor.
Moisés pergunta: "Fui eu quem concebeu
todo esse povo?" Ele usa a linguagem do
parto, não é? Uma das mais vívidas
lamentações no Antigo Testamento é essa.
A gente encontra ela em lamentações, em
trechos de Jeremias também, no livro de
Abacu e outros lugares. Mas ele honra a
Deus porque ele fala com Deus. Ele não
fala com ninguém. Ele busca o Senhor
porque ele sabe que Deus é o único que
pode levar o seu fardo. Ele sabe que o
Senhor é o único que pode dar paz, que
pode carregar com ele essa carga. E no
momento em que ele se encontra frustrado
por ainda não ter chegado à terra
prometida e pressionado pel um povo que
chora à sua porta, ele sabe que a
direção, que a sabedoria, que a luz
e que a resposta só pode vir do Senhor.
Então, por que que eu vou perder tempo
fazendo outra coisa? Eu vou gastar meu
tempo orando. Eu vou gastar meu tempo
lamentando. Eu vou gastar meu tempo
abrindo a boca, rasgando o verbo,
falando tudo que eu tenho que falar com
o Senhor, sem medo, dizendo: "Senhor,
por que que o Senhor me abandonou?"
Jesus fez isso. Os filhos de Corá
fizeram isso. Davi fez isso. Elias fez
isso. E Deus os abençoou. Deus os
honrou. Dizer coisas assim ao Senhor não
é ofensa a ele, é honra a ele. Porque
você reconhece que você quer a presença
dele, porque você sabe que quem vai
resolver a sua vida não é um agiota.
Quem vai resolver a sua vida não é um
médico especialista. Quem vai resolver a
sua vida não é um fármaco novo que
surgiu no mercado. Antes de tudo, você
reconhece o Senhor. O Senhor é o dono da
minha vida.
A minha confiança está posta em ti,
primeiramente. Se surgir alguém para me
ajudar, eu sei que vai ser o Senhor
antes de qualquer coisa. E por isso você
lamenta. É como aquela senhora, eu
sempre conto essa história. Eu nem
lembro de quem eu ouvi, mas foi de um
pastor há muito tempo atrás. E eu acho
fantástica e é uma história real. Uma
senhora que ficou viúva e depois uma
senhora bastante pobre. E a igreja
ajudava muito, porque ela tinha um filho
ainda muito pequeno, adolescente, quase
da pré-adolescência para adolescência. E
ele tentava ajudar ela, ela já tinha uma
certa idade, tiveram filhos já com uma
certa idade, não lembro se o filho era
adotado, mas eu sei que a situação era
essa. E ela também não tinha muita eh
saúde para trabalhar. E a igreja ajudava
demais eles, mas você chegou uma uma
tempo que a igreja esqueceu, alguma
coisa aconteceu que eles passaram
apertado. E tinha ali na rua algumas
pessoas que mexiam com algumas religiões
aí que eles eh falaram: "Olha, vamos
vamos entregar uma uma cesta, mas não
vamos fazer como a igreja tá fazendo,
não". Vamos entregar, sabe? A gente vai
entregar carne, a gente vai ver se ela
tá precisando de geladeira, a gente vai
dar alguma geladeira. Se cortaram a luz,
a gente vai pagar a luz e a gente vai
trazer chocolate. A gente não vai dar
cesta básica. A gente vai dar uma cesta
de abundância para ele. Na hora que ela
perguntar quem é que deu, a gente vai
falar: "Foi o diabo". E vamos ver o que
ela vai falar. E fizeram isso e foram,
bateram na casa dela. Ô, meus filhos,
que alegria ver vocês aqui. Tá tudo bem
com vocês? Tá tudo bem com a família de
vocês? Tudo bem, senhora. Graças a Deus.
Pois não. Como posso ajudar vocês? Feliz
mesmo vivendo. Já tava com uns dois,
três dias sem ter o que comer. Não, a
gente eh trouxe uma coisa aqui pra
senhora. Uma pessoa mandou a gente
trazer uma coisa aqui pra senhora. A
gente sabe que a senhora tá passando por
um momento difícil. Seu uma falecido
marido, eh, recentemente passou, não é?
E a gente gostaria de deixar aqui pra
senhora aquilo que uma pessoa mandou a
gente entregar, uma pessoa muito
querida, não é? que eh gosta muito da
senhora e quer muito seu bem. E eh e ela
falou: "Nossa, que bênção, muito
obrigado, não é? Eh, realmente eu tô
precisando, eu fico muito feliz com
isso." E aí começa a descarregar e entra
na casa dela e coloca todas as coisas.
Aí vão pro portão, ela fecha o portão e
sabe aquele momento constrangedor que
eles ficam olhando pra cara dela, ela
fica olhando pra cara deles, né? Tipo,
vocês vão ou não vão, né? E aí ela fica
naquela situação e aí eles ficam naquela
situação. Aí eles perguntam para ela:
"Senhora, não vai perguntar o nome da
pessoa que falou pra senhora pra gente
entregar tudo isso para essa pra
senhora?" Ela ficou um pouco em
silêncio. Ela falou: "Olha, sabe, eu não
preciso saber, porque quando o meu Deus
manda, até o diabo obedece".
Então, eu sei que Deus tocou no coração
dessa pessoa e vocês estão aqui eh
cumprindo a vontade dele.
Irmãos, lamente, ore, fale, porque Deus
faz o que ele move céus e terra para nos
dar aquilo que nós precisamos, para
trazer ao nosso coração a paz que
precisamos, a luz, a direção que
carecemos. Jó, vocês lembram de Jó
quando perdeu todos os filhos, quando
ele perdeu toda a sua saúde?
O livro de Jó, no capítulo um, ainda diz
que Jó chegou a amaldiçoar o dia do seu
nascimento, mas ele não pecou com seus
lábios.
No capítulo dois, Deus ainda honra Jó
diante de Satanás. Mesmo ele tendo
falado palavras duras a respeito da sua
própria vida, ele continuou dizendo:
"Bendito seja o Senhor, o Senhor o deu.
O Senhor tomou.
O Senhor é o dono de tudo. Eu sei que
ele vai cuidar. Um pouco mais adiante,
quando os amigos de Jó chegam, né, e
falam coisas terríveis para ele, ele
diz: "Eu sei que o meu redentor vive e
eu sei que por fim ele se levantará
sobre a terra".
Ele cria. Se a gente lê os Salmos 42,
43,
77, 88 e tantos outros. Jeremias em
lamentações, ele diz: "Ele me encheu de
amargura, mas ainda assim esperarei.
Quero trazer a memória aquilo que me
pode dar esperança.
Grande é a sua fidelidade."
As misericórdias do Senhor são a razão
de não sermos consumidos. Mas ele vai
dizer isso no capítulo três, depois de
tudo que ele falou no um e no dois.
Abacu, que fez a mesma coisa quando ele
no capítulo um, ele vai dizer: "Até
quando, Senhor, clamarei e tu não me
escutarás? Até quando?" Mas no final ele
vai dizer: "Olha, ainda que a terra
fale, ainda que a oliveira minta, ainda
que os animais sejam eh tirados do
curral, eu esperarei no Senhor."
Mas ele descreve a situação e ele faz
perguntas para Deus. Ele lamenta Jesus
no Getsemane, ele lamenta Paulo também
em segunda Coríntios 1, ele diz:
"Tivemos sobre nós a sentença de morte".
Tem um momento nessa carta ainda que ele
vai dizer, chegamos a um momento em em
prisões e açoites que ele sofreu na
Ásia, ele diz, "Nós desesperamos da
própria vida". É até difícil dizer o que
que isso realmente significa nos tempos
modernos, porque isso pode dar ideia
errada para alguns. Aí ele teve momentos
difíceis e pensamentos perigosos
diante de situações terríveis que ele
passou. Quando a gente olha para os
nossos irmãos do passado, os puritanos,
Thomas Watson, por exemplo, um grande
puritano, ele vai dizer que Deus às
vezes permite o nosso sofrimento e
aceita a nossa queixa, mas a não a
queixa amarga, aquela queixa vazia, mas
aquela queixa que é feita com a fé. A fé
que pode reclamar sem contestar o
caráter de Deus, que reclama, que
dispõe, que fala, que se abre, mas que
diz: "Deus meu, Deus meu,
como Jesus na cruz, como tantos outros".
John Owen,
maior teólogo dos puritanos, ele disse:
"A minha alma que suspira por Deus em
meio à escuridão,
oferece um sacrifício mais precioso do
que mil canções alegres, sem provação
nenhuma. Tipo, você não tem nenhuma
provação, tá tudo bem na sua vida, você
vem na igreja e louva. Esse louvor ele
pode ser até verdadeiro, mas quando você
passa por uma luta terrível e a sua alma
suspira por Deus e você lamenta diante
do Senhor e sente a paz que excede todo
o entendimento te guardando, o teu
louvor é outro.
É como se você experimentasse essa paz
que na vida de alguns é apenas um
conceito, é algo que eles nunca souberam
que de fato é na vida deles.
Como é que nós aplicamos isso isso paraa
nossa vida hoje, meus irmãos? Eu quero
dizer para vocês, terminando, que nós
precisamos aprender a distinguir entre
murmuração e lamentação.
Muitas vezes a nossa boca é cheia de
reclamação. A gente reclama da comida, a
gente reclama da temperatura, a gente
reclama das pessoas, a gente reclama de
tudo.
E a gente faz isso com outras pessoas.
Eu quero dizer para vocês, Deus Deus não
gosta de ver isso na nossa vida. Deus
não se alegra com essas palavras na
nossa boca. Ah, então é errado ficar
reclamando. É errado. Por quê? Porque
ele falou.
Veja, pessoas reclamaram por causa de
carne. É errado querer comer carne? Não
é errado como é carne.
Mas o problema é que no coração dessas
pessoas havia uma ingratidão tão grande.
Eles tinham tanta coisa para agradecer,
mas o contentamento era menor do que o
descontentamento.
E o descontentamento
revela um coração ingrato e incrédulo. E
é o descontentamento que nos leva a
ficar reclamando de tudo. Por isso que
tem gente que quando você chega, a
pessoa nem pergunta se está tudo bem,
ela só dá bom dia e bom dia e vai.
Porque se perguntar se tá tudo bem, ela
sabe que você vai ficar. Nunca tá bem.
Nunca. Mas a semana passada você
reclamou de uma coisa. Hoje você tá
reclamando do filho. Semana que vem do
marido. Na outra semana é do governo. Na
outra semana é da vizinha, na outra
semana é de outra coisa. Então a pessoa
fica com medo porque toda vez que
pergunta não tá bem.
Ah, então quer dizer que eu não posso
compartilhar minhas dores? Claro que
pode, mas o problema é que você não tá
compartilhando dores. A sua vida é um
queixume e não tem quem aguenta isso.
Estou eu aqui em nome do Senhor para
dizer para você a verdade. Ninguém
aguenta isso. Nem Deus. Vocês viram que
Deus não aguenta isso, né? Nem Deus
aguenta isso. E é por isso que muitas
vezes as pessoas se afastam de nós,
porque a nossa vida é amarga, a nossa
vida é reclamação, a nossa vida é
veneno, sabe? A nossa vida é intragável.
as pessoas ficam mal perto da gente.
Isso não significa que a sua vida é uma
maravilha e que todas as vezes que eh
você conversa com alguém, você está
feliz pulando, você ganhou, você
recebeu, você foi abençoado, etc. Um
milagre aconteceu. Não é isso. Mas
precisamos saber distinguir entre a
murmuração
e a lamentação.
E precisamos aprender a dirigir as
nossas lamentações a Deus, como é feito
no Salmo 88. como é feito em Números,
capítulo 11, é precisando. E aqui é um
assim uma dica prática que eu dou para
vocês. Compra um caderninho,
caderno, caderno de papel mesmo, sabe? E
compra uma caneta, não sei se você
lembra o que é, né? Eh, compra uma
caneta, um lápis, escreva suas
lamentações.
Faça um diário de lamentação. Escreva
como Moisés diante do Senhor. Escreva.
Depois leia aquilo, ore ao Senhor
e depois descreva nesse mesmo diário
aquilo que você sente no coração após
tudo isso ou quando a resposta do Senhor
vier diante da tua lamentação e aprenda
a lamentar em comunidade. E aí vem os
mandamentos recíprocos.
Por exemplo, mandamentos recíprocos é
são todos aqueles que uns aos outros,
sabe? Em Romanos capítulo 12 verso 15,
nós lemos: "Chorai com os que choram".
Então, nós precisamos lamentar uns com
os outros. Nós precisamos falar daquilo
que aflige o nosso coração. Alegrem-se
com os que se alegram e chorem com os
que choram. Então, quando uma pessoa
começar a chorar e lamentar e falar de
os problemas que ela está vivendo com
você, você que não está vivendo os
problemas dela, você internaliza aquilo
e você lamenta com ela. Você não pode
dizer para ela simp, né? Pode deixar que
eu vou estar orando por você e virar as
costas embora. Não, se ela compartilha
isso com você, talvez seja porque ela
não está tendo forças para levar isso ao
Senhor. Leve com ela isto ao Senhor.
Chore com ela diante do Senhor. Isso é
uma comunidade que lamenta. E nós somos
essa comunidade que lamenta, que pode
correr o risco de se tornar uma
comunidade que fofoca,
porque não é uma comunidade que chora e
lamenta uns com os outros, mas uma
comunidade que ouve, depois espalha,
depois conta pro outro, depois o que
primeiro falou ficar triste porque não
queria que o outro soubesse, mas chegou
daquele que confiou, que só espalhou
porque queria que a igreja orasse,
quando na verdade era algo que alguém
queria só compartilhar com outra pessoa.
Uma igreja que é protegida da do vício,
do pecado, da fofoca, não é? É uma
igreja que aprende a chorar com os que
choram. E quando alguém recebe a queixa
de alguém, aprende a levar diante do
Senhor tudo isso em oração. Igrejas que
não sabem lamentar vão produzir membros
que murmuram escondidos.
Igrejas que não vivem a lamentar com
aqueles que percebem que estão sofrendo.
Muitas vezes está deixando alguém
sozinho, isolado com seus problemas e
inevitavelmente essa pessoa se tornará,
talvez alguém que começará a murmurar
escondido, porque nós não fomos, não
abraçamos e não choramos com ele.
Povo aqui, irmãos, indo já para minha
conclusão, sentia a falta da cebola do
Egito, do alho poró,
das do da carne,
etc. A gente também,
a vida sem Deus, ela pode ter cebolas,
carnes, picanhas, prazeres,
prazeres efêmeros, que às vezes a nossa
memória romantiza e a gente quer voltar
aquela vida que a gente tinha quando a
gente não havia entregue a nossa vida ao
Senhor ainda. A gente quer viver como no
pecado vivíamos. A gente quer desfrutar
das coisas que no nosso Egito
a gente vivia. E a gente tem saudade de
como era a nossa casa da escravidão
passada. A gente tem as promessas da
Canaã celestial, mas lá parece que tá
tão longe, parece que vai demorar tanto,
parece que a nossa vida é um deserto,
parece que a nossa vida é tão cansativa.
Que que a gente faz até lá? A gente pode
fazer duas coisas. O livro de Números
ensina isso. A gente pode ficar
reclamando de tudo, da política, do
político, da polícia, do bandido, da
temperatura, do vizinho, da da igreja,
de tudo. Ou a gente pode aprender a
lamentar. Se nós lamentarmos, chegaremos
à Canaã celestial. Se vivermos de
queixas, reclamações, etc., Certamente
lá não será o nosso lar, porque lá só
entrará aqueles que confiam na graça,
que dependem do Senhor, que falam tudo o
que têm de falar a aquele a quem chamam
de Deus meu. Deus meu. Por quê? E falam
tudo que tem que falar. Mas antes de
tudo dizem: "Tu és o meu Deus. Eu sei
com quem eu tô falando e eu nunca vou te
deixar. Mas se eu não falar, o Senhor
sabe o que tá aqui dentro. E é o Senhor
quem me manda colocar isso para fora. A
gente não pode maquiar a nossa dor.
A gente não pode nunca duvidar do amor
de Deus. A gente não pode também se
isolar
como Moisés. Nós temos que levar as
nossas queixas ao Senhor e não ao
tribunal do acampamento, não é?
reclamando por causa disso ou por causa
daquilo. Um dia, gente, o maior
lamentador de todos, que foi Jesus, que
chorou sobre Jerusalém,
que chorou sobre Jerusalém, ele disse:
"Deus meu, Deus meu, por que me
abandonastes?
Este vai enxugar dos nossos olhos toda a
dor, toda lágrima. Ele vai transformar
todas as nossas lamentações em dança, em
alegria, em louvor na sua presença, em
júbilo. Mas até lá, irmãos,
é deserto.
E é no deserto que as lágrimas santas
são permitidas e serão vividas.
Mas ele promete, eu vou enxulgar todas
elas, mas vocês têm que vir falar
comigo. Vocês têm que estar comigo,
porque sou eu quem sustento vocês.
Quando vocês passarem pelo vale da
sombra da morte, é o meu cajado e a
minha vara que consolarão vocês. Sou eu.
Sozinhos vocês vão reclamar de tudo, mas
comigo vocês terão uma paz que excede
todo o entendimento. Minha paz eu darei
a vocês. Não a paz do mundo, mas essa
paz que é extra mundo, essa paz que é de
outro mundo, essa paz que é celestial,
que é a paz do próprio Deus. Vamos falar
com ele. [roncando]
Senhor, nós te damos graças porque mesmo
em meio ao deserto desse mundo em que
vivemos, tu não nos deixas
sem resposta,
mas, Senhor, nos ajude a sair daqui com
a liberdade santa de te trazer todas as
nossas dores, sem medo de parecermos
fracos.
Que a gente não romantize as cebolas do
Egito, que a gente não sinta saudade
dos prazeres do pecado passado, que a
gente não se afogue na cobiça
e que também a gente aprenda a lamentar
e que ao lamentarmos nós encontremos
sempre o teu consolo e a tua provisão e
a tua paz, em nome do Senhor Jesus, o
homem de dores que aprendeu a obediência
pelo que sofreu.
No nome dele nós oramos. Amém.

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