Murmuração ou Lamentação? Wilson Porte Jr.
04/06/2026
Murmuração ou Lamentação? Wilson Porte Jr.
Igreja Batista Calvário (Uma Comunidade Reformada)
Rua Salgado Filho, 2659
Pinhais-PR (Região Metropolitana de Curitiba).
Fonte: Escola Charles Spurgeon
Legendas automáticas:
Bom dia, meus irmãos. Graça e paz. Quero agradecer à igreja, os pastores pelo convite para estar aqui com vocês. Para mim é uma alegria muito grande poder estar com a minha família e de modo especial agora de manhã compartilhando sobre um tema muito especial que eu julgo ser quase que urgente pra igreja de hoje em dia. De um modo geral, a igreja aqui, a igreja lá, onde moro, onde pastoreio, a igreja no mundo todo, uma vez que temos desaprendido a praticar eh esse hábito espiritual, que é o hábito da lamentação. O meu desejo é expor o texto de eh Números 11 para vocês. Mas antes de irmos para lá, eu gostaria de começar com o Salmo 88. Então, se você quiser deixar um dedinho no Salmo 11, um dedinho no Salmo, perdão, no em Números 11 e um dedinho no Salmo 88, a gente vai começar com a leitura deste salmo para que depois então possamos ir a Números, capítulo 11. Quantos irmãos abrem? Eu gostaria de orar mais uma vez. Senhor Deus, nós te louvamos porque o Senhor ouve o clamor dos teus servos. Dá-nos nessa hora, Pai, um coração sincero para distinguir entre a murmuração que te ofende da lamentação que te agrada. Ensina-nos como a Moisés a levar as nossas frustrações e pressões à tua presença, confiando que tu nos ouves e respondes. Que a tua palavra também possa nos consolar, nos corrigir, nos dirigir. Nós pedimos isso, Pai, no nome precioso do nosso Senhor Salvador Jesus Cristo, que no Getsemmane nos ensinou a lamentar sem pecar. No nome dele oramos. Amém. Salmo 88. Eu vi que os irmãos acompanham aqui pela nova Almeida atualizada. Então é a mesma versão que eu vou ler aqui. Salmo 88. Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração. Inclina os teus ouvidos ao meu clamor, pois a minha alma está cheia de angústias e a minha vida já se aproxima da morte. Sou contado com os que descem ao abismo. Sou como uma um homem sem força, atirado entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras, pois foram abandonados pelas tuas mãos. Puseste-me na mais profunda cova, nos lugares tenebrosos, nos abismos. Sobre mim pesa a tua ira. Tu me abates com todas as tuas ondas. Afasta afastes de mim os meus conhecidos e me fizeste objeto de abominação para com eles. Estou preso e não vejo como sair. Os meus olhos desfalecem de aflição. Dia após dia. Venho clamando a ti, Senhor, e a ti levanto as minhas mãos. Será que farás maravilhas para os mortos? Ou será que os finados se levantarão para te louvar? A tua bondade será anunciada na sepultura, a tua fidelidade nos abismos. Acaso nas trevas se manifestam as tuas maravilhas e a tua justiça na terra do esquecimento? Mas eu, Senhor, clamo a ti por socorro e de madrugada dirijo a ti a minha oração. Porque rejeitas, Senhor, a minha a minha alma e ocultas de mim o teu rosto? Ando aflito e prestes a morrer desde moço. Sob o peso dos teus terrores, estou desorientado. Sobre mim passou a tua ira e os teus terrores acabaram comigo. O dia todo eles me rodeiam como água e há um tempo me circundam. Para longe de mim afastaste os amigos e companheiros. Os meus conhecidos agora são as trevas. E assim termina o salmo 88. Esse é conhecido como um dos salmos mais sombrios das escrituras. Um salmo escrito pelos filhos de Corá. Nós não entendemos muito bem o contexto em que ele foi escrito, mas é uma oração feita por alguém que sofre. E muitas vezes em nossos sofrimentos nós não temos, talvez a palavra seja coragem ou talvez a palavra seja medo mesmo, de dizer ao Senhor palavras que nos parecem até pecaminosas, mas eh em meio a um contexto sombrio, tenebroso, de dúvidas, de dor, de sofrimento, de tribulações, que nós vemos o salmista escrevendo palavras ou os salmistas como essas aqui. E para nossa surpresa, quando a gente estuda sobre as orações de lamentação na Bíblia, nós descobrimos que há mais lamentações no livro de Salmos do que hinos de ação de graças ou de adoração. Existem lamentações em todo o Antigo Testamento na boca de homens de Deus, como nós veremos em Números 11. Existem orações na boca do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como nós veremos também na vida dos apóstolos. Existe um livro só de lamentações, as lamentações de Jeremias. Na verdade existe outro que é o livro do profeta Abacuku, embora ele não seja conhecido como livro das lamentações de Abacuku, mas é um livro inteiro apenas disso. E nós, eu creio, eu precisamos resgatar um pouco ah desse exercício espiritual, dessas orações, em momentos de pressão, em momentos de frustração, em momentos de oposição que nos fazem ao longo da nossa vida. Agora sim, tendo em mente que os salmistas falavam dessa forma e oravam a Deus, expondo seus corações, se derramando diante do Senhor com as suas dores, com os seus medos, com as suas dúvidas, eu gostaria que fôssemos a Números 11 para que entendêssemos em que contexto Moisés, enquanto liderava o povo pelo deserto, ouve das queixas, ouve das murmurações e diante delas então levanta ao Senhor uma palavra de lamentação desde o início. Então, eu quero dizer para vocês que há uma diferença muito clara entre murmuração e lamentação. As duas coisas são bastante parecidas, porque nas duas você está se queixando de algo, nas duas você está extravazando, nas duas você tá falando do que você tá vivendo, nas duas você tá pondo o seu coração para fora. E nas duas você sente um certo alívio quando você faz isso. Ufa, falei tudo que eu tinha que falar. A diferença entre a murmuração e a lamentação é que a murmuração normalmente é feita com pessoas. Quando a gente se queixa às vezes de Deus, quando a gente reclama de alguém e a gente simplesmente extravaza e fala o que tinha que falar e a gente diz depois parece que eu tô me sentindo melhor e a lamentação, ela é a mesma coisa, mas a outra pessoa é Deus. A gente se queixa, a gente fala o que tem que falar, a gente se derrama, mas a gente faz isso dizendo: "Deus meu". E aí então sai tudo que tem que sair da nossa boca. A murmuração é um pecado, é algo que Deus abomina, é algo que Deus odeia. A lamentação é algo que Deus nos ensina a fazer, é algo que é agradável aos ouvidos dele e é algo que ele espera que nós façamos em contextos de dificuldade. Irmãos, antes da gente ler o texto aqui, deixa eu dar um pouco do contexto para vocês. Israel, depois que Abraão foi escolhido por Deus para ser o pai dessa nação, o pai de um povo do qual viria o Messias, o Salvador, Abraão, então ele vai para a terra de Canaã. Ele fica ali durante bastante tempo. Deus promete que ele seria dono de toda aquela terra, ele e seus descendentes. Mas quando ele morre, ele é dono só de uma caverna chamada de caverna de Macpela, onde ele enterrou a esposa dele e ele acabou sendo enterrado também. Ele não tinha nada. Ele morreu crendo que o Senhor um dia aos seus descendentes daria toda aquela terra que Deus chama de terra de Deus, né? Terra dele. Depois, então, nós temos o Isaque, onde Deus reafirma a promessa. Então, Jacó, Deus reafirma a promessa. Jacó tem os seus 12 filhos. Um deles é vendido pelos irmãos como escravo pros ismaelitas, que era um grupo de árabes negociantes. Estes, por sua vez, o revendem no Egito. E aí os irmãos se lembram da história de José no Egito e como Deus usou a vida dele por meio de dons que Deus lhe deu para que ele ascendesse política e socialmente e se tornasse em tempos de crise como um governador do Egito, abaixo apenas do faraó, do grande rei, do grande reino do antigo Egito, que era um reino grandioso, era um dos maiores, senão o maior do mundo na época. E ele era o segundo debaixo só do faraó. Ele era o grande administrador. José, filho de Jacó, bisneto de Abraão. E quando chega o tempo da fome, o tempo da seca, não é? E muitos vêm para o Egito para comprar comida, no meio deles vem os irmãos de José, mas não reconhecem José, porque José já estava vestido, aparamentado, pintado, enfim, com toda a aparência de um egípcio de fato, não é? governante. E, mas José os reconhece porque eles eram como eles eram. Eles eram pastores, nãoé? Eles eram pastoris, eles eram pessoas que cuidavam do campo, eram homens que José conhecia muito bem a face dele, deles. E acontece tudo que acontece, não é? Depois de alguma prova que José faz com seus irmãos, ele se revela aos seus irmãos, os seus irmãos ficam desesperados, ele abraça os seus irmãos, consola os seus irmãos, beija os seus irmãos, pede para que o seu pai e toda a sua família seja trazida, porque ainda haveria alguns anos de seca e ele gostaria que os seus irmãos ficassem ali com ele no Egito, numa terra protegida e nada lhes faltaria, porque o próprio José garantiria que eles tivessem toda a providência. E assim aconteceu. Jacó veio, desceram 70 pessoas. Era toda a família de Jacó, eram todos os descendentes de Abraão, 70. Eles descem. Jacó ainda já bem idoso, agora fala com o próprio faraó. E depois de um momento, eles ali se dividem eh na terra de Gosem, onde eles acabam morando um pouco em Goshem, um pouco em Ramses, no norte do Egito, na parte conhecida como delta do Nilo hoje em dia. E ali eles ficam. José morre, o faraó que vem logo em seguida não conhece José. E a razão disso é por causa de uma invasão ixa do povo ixo, que ninguém sabe direito de onde vem. A razão, a a a assim a a o chute, digamos assim, mais provável, não é, é de que eles sejam um povo do extremo oriente, que cientes da extrema riqueza que agora o Egito tinha, por causa da administração de Josué, de José, eles vêm para conquistar aquele território e de fato eles conquistam e ficam ali bastante tempo. Até que Tutmes ou Tutmsés, primeiro, um faraó, começa a expulsão deles, depois vem Amenofes e e vários outros faraós que expulsam eles e reganham, não é, a confiança e o poder do Egito. Mas nesse tempo os ixos já haviam feito os judeus escravos. E o período em que os judeus ficaram no Egito, eles desceram 70, não é? Foi de cerca de 430 anos. E uma boa parte desse período como escravos. Mas agora, 430 anos aproximadamente depois eles já eram milhões de pessoas. Quando eles saem do Egito, aqui nesse texto, inclusive a gente vai ter um pouco dessa contagem, mas já no logo no livro de Êxodo, eh, a gente vê que eles eram 600.000 homens, eh, sem contar as esposas. Então, você imagina que cada um tinha uma esposa só, embora o patriarca tinha mais do que uma, né? Tinha quatro, não é? O o Jacó, imagina que eles só tivessem uma esposa, 600.000 homens, já daria ali quanto? 100200, não é? Eh, 1000 pessoas. Imagina que eles fossem um casal mais ou menos moderno, que só tem dois filhos, embora que eu já vi alguns irmãos com mais de dois, já sobe para 2.hões400.000 pessoas. Agora você imagine que eles têm um pouco mais de filhos, o quanto esse número não sobe. E imagine conforme Êxodo nos diz que quando os judeus foram tirados do Egito após as 10 pragas, outros estrangeiros que não eram egípcios, mas que estavam como escravos ali também, eles saíram juntos. Imagina a quantidade de pessoas que não saiu junto com os judeus na peregrinação. Foram alguns milhões de pessoas. E eles só tinham um líder chamado Moisés. E eles saem do Egito e eles vem o poder de Deus. Eles vem as maravilhas do Senhor. Eles vêm a ação de Yahé os guardando. Quando eles saem do Egito, eles recebem a direção do Senhor de não ir pelo caminho normal, o caminho, a rota dos reis, porque havia uma guerra entre os egípcios e os filisteus ali. Eles tinham que se desviar pro sul, o que fez com que eles, nesse desvio ficassem paralelo ao chamado Mar Vermelho, quando então o faraó arrependido corre atrás deles. Mas o Senhor mesmo que se manifestava diante do povo como uma coluna de fogo à noite e uma coluna de nuvem, não é, durante o dia, os guiando por onde eles deveria ir, deveriam ir, o Senhor então coloca essa coluna de fogo atrás dos judeus e na frente dos eh egípcios, não permitindo que os egípcios avançassem, protegendo o povo judeu. E todos viram isso. Mas quando eles se viram encurralados ali diante do mar, por trás deles a montanha, atrás da montanha, então tinha essa coluna de fogo, não é? O próprio Senhor e os eh egípcios, eles dizem para Moisés: "O que que por que que o Senhor tirou a gente do Egito para morrer aqui? Ou a gente morre no mar ou a gente morre na mão dos egípcios. Era melhor que a gente tivesse ficado lá. Ali começou a murmuração. E aí então acontece o grande milagre da abertura do mar. Eles passam e quando eles passam, o último passa, os egípcios vêm atrás, Deus permite que eles venham e depois Deus faz com que o mar se fecha e todos eles morrem ali. Eles vêm o poder de Deus sobrenatural. E aí eles ficam com sede que eles começam a se desviar ali descendo já pra península do Sinai. E aí então eles reclamam com Moisés mais uma vez. Moisés então é orientado ao Senhor nessa ocasião de bater na rocha. Na segunda era para falar, mas nessa era para bater. Ele bate na rocha e a rocha começa a soltar água sobrenaturalmente e milhões matam a sua sede. Depois eles reclamam que não tinham o que comer, porque provavelmente aquilo que eles tinham consigo e que trouxeram do Egito acabou. E Deus então começa a fazer chover comida do céu todo dia. O famoso maná. Eles não tinham falta de comida. Deus nunca permitiu que em 40 anos de peregrinação no deserto os israelitas passassem fome nunca. Aí eles chegam diante das águas de Mará ou Mara. As águas eram amargas. Mais uma vez Deus usa Moisés para fazer um milagre. As águas se tornam potáveis, doce. E eles então bebem, matam a sede. Eles chegam diante do monte Sinai e veio o monte eh fervendo. Eles vêm Deus ali falando com Moisés. Moisés descendo com as tábuas da lei, o rosto de Moisés brilhando. Eles viram tantos milagres. E cerca de 2 anos depois que eles haviam começado essa peregrinação rumo à terra prometida, que levaria mais 38 anos, não é? Eh, aparece Números, capítulo 11. Eles já estavam acerca de 2 anos peregrinando no deserto. E agora a murmuração é outra. Vamos lê-la. Números 11, a partir do verso 1, diz assim a palavra de Deus. O povo se queixou da sua de sua sorte aos ouvidos do Senhor. Quando o Senhor ouviu as reclamações, sua ira se acendeu e fogo do Senhor ardeu entre eles e consumiu algumas extremidades do arraial. Então o povo clamou a Moisés e este orou ao Senhor e o fogo se apagou. Por isso, aquele lugar eh foi chamado de taberá, porque o fogo do Senhor se havia acendido entre eles. E o populacho, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios. Também os filhos de Israel começaram a chorar outra vez, dizendo: "Quem nos dará carne para comer?" Lembramos dos peixes que comiam, comíamos de graça no Egito, dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Mas agora a nossa alma está seca e não vemos nada [limpando a garganta] a não ser esse maná. Isso é a murmuração. Eles diziam isso um pro outro. murmuração, marchando e murmurando. A reclamação que trouxe ir ao coração do Senhor. Se nós lêsemos os textos anteriores, nós veríamos que essa queixa já havia começado e por isso Deus havia feito com que um fogo se acendesse no meio do arraial. E o povo começou a ficar com medo e pediu a Moisés que orasse ao Senhor. Moisés orou e Deus apagou aquele incêndio. Mas aí tão logo isso acontece, eles voltam a reclamar de novo. O texto diz que um populacho, no versículo 4, um um uma parte do povo, não é o povo todo, uma parte do povo, começou a reclamar com saudade da comida do Egito. E o texto no verso 4, no final diz que eles começaram a chorar querendo comer carne. Você já viu alguém chorando com vontade de comer carne? Vocês já viram? É difícil, né? Pode ser que a pessoa esteja com saudade de comer carne, porque e pode ser que seja uma criança, uma irmãja mais difícil. Imagina uma irmãja, um senhor assim, um homem, um adulto já casado e a esposa entrou na moda fit e aí é frango grelhado, abobrinha, couve e flor e cenoura todo dia. Low carb. E aí 15 dias, 20 dias, o cara fala: "Não dá pra gente comprar um, sei lá, uma picanha, um contrafilé, um entrecô, uma coisa, né? Não, não dá". Aí o cara começa a chorar. É meio esquisito, né? Eu acho que não é muito comum, não é muito natural. Eu nunca vi um homem, um adulto chorar com vontade de comer carne. Criança pode até ser, mas de novo, mãe, esse ovo, esse frango, dá alguma coisa diferente. Eu quero um nuggets, eu quero, sei lá, uma parmegiana, não é? Eu quero alguma coisa que começa com a. Já viram aquele vídeo? Tudo que começa com a é maravilhoso. Amizade, amor, a parmegiana, a mussarela, não é? Ah, eh lasanha. Tudo começa com a é bom. Eu quero alguma coisa começa com a mãe, né? Uma criança tudo bem, pode chorar. Mas aqui o texto diz que adultos chorando com saudade da comida que lá eles tinham de graça, de graça, lhes era dado porque eles eram escravos e eles precisam estar fortes e saudáveis para fazer o serviço que faziam, que era a fabricação de tijolos para construção de cidades, especialmente na cidade de Ramsés, que existe até hoje no norte do Egito. Eles trabalhavam duro. E chegou um tempo em que eles não tinham nem a palha e o barro. Eles tinham que ele mesmo, eles mesmos irem atrás de tudo. Era pesado o trabalho deles. E obviamente o Egito concedia a eles alimentação, porque ele, senão eles, se eles comessem eles não trabalhavam, não é? Mas não, agora estão livres com saudade da escravidão. O verso sete continua descrevendo como era o maná, porque a palavra maná eh não é o nome de alguma coisa. Você não vai ir na no mercado comprar maná. Maná, na verdade é uma é uma pequena frase hebraica que significa o que é isso? Se você for para Israel hoje e olhar para uma fruta, uma tâmara diferente, você não souber o que que é aquilo, você pode dizer maná. E a pessoa sabe que você tá perguntando o que que é isso, né? Embora hoje, eh, existe algumas outras formas de dizer isso no hebraico mais moderno, mas Maná recebeu esse nome porque quando eles viram aquele negócio caindo do céu, eles disseram: "O que é isso?" Ou seja, eles disseram maná e ficou o nome. Não eram nem um pouco criativos, né? Podiam dar um outro nome. Mas aí então o verso 7 diz: "O maná era como semelhante à semente de coentro. Sua aparência era semelhante a deélio. O povo ia por toda parte e o colhia. Eles o moíam em moinhos e o socavam em pilões. Depois o cozinhavam em panelas e dele faziam bolos. O sabor do maná era como de bolos amassados com azeite. Quando de noite descia o orvalho sobre o arraial, sobre este também caía o maná. Ou seja, não é que o maná era uma coisa só, que tinha o mesmo gosto. Eles poderiam fazer do maná coisas diferentes, assim como a gente pega a farinha e faz coisas diferentes dela, assim era o maná. Ele poderia ter diferentes gostos, poderiam fazer diferentes coisas, ou seja, eles não padeciam de fome nem de sede. Eles tinham a provisão pro dia a dia. Portanto, o problema deles não era a fome. O problema deles era a vontade de comer uma coisa diferente. Natural, a viagem é cansativa, viagem é longa, já tá durando bastante tempo. A razão pela qual está durando bastante tempo é a dureza do coração de vocês. Moisés não poôde durar alguns poucos dias ali no monte, no no monte Sinai. Vocês já fizeram um bezerro de ouro para adorar. Vocês são idólatras. Deus os tirou do Egito, não porque vocês merecem, mas porque ele fez uma promessa para Abraão, que por 400 que que vocês que os descendentes deles desceriam ao Egito e que quatro séculos depois ele lhes tiraria dali. E Deus também foi fiel a si mesmo, a sua promessa de fazer dessa nação uma nação que possuiria aquela terra e que dali viria o Messias. Não é porque vocês são bons, não é porque vocês merecem. Embora havia sim, sempre houve no meio do povo alguns fiéis, o remanescente, aqueles que clamavam a Deus, como o próprio Moisés, como Josué, como Calebe e alguns outros, mas a maioria do povo não. Tanto é que desta geração que saiu do Egito, Deus não permitiu que eles entrassem da terra prometiva. Dois, mais de 2 milhões e meio de pessoas. Só entrou aqueles de 20 anos para baixo. Os de 20 anos para cima morreram todos e foram sepultados no deserto por causa de um coração que murmurava, que reclamava de tudo, que se queixava de tudo, que não era grato por nada, apesar de verem o poder e a mão de Deus o tempo todo. Mas a boca era só reclamando, só reclamando, só reclamando. E Deus odeia isso. Tanto é que eles não viram a terra prometida. Quem viu foram os novinhos que saíram cedo e aqueles que nasceram durante a peregrinação do deserto e que quando chegaram lá nas campinas de Moabe e Moisés morre, entram com Josué na terra prometida. Mas o texto continua no verso 10 dizendo: "Então Moisés ouviu como o povo chorava por famílias, cada um à porta de sua tenda. O Senhor ficou muito irado e Moisés também não gostou daquilo. Mas e Moisés disse ao Senhor, antes da gente ler a oração de Moisés, deixe-me dizer uma coisa. A gente está prestes a ler uma oração de lamentação, assim como aquela que nós lemos no Salmo 88, que é o Salmo mais sombrio das Escrituras. Nós temos outras outros salmos de lamentação também, mas nenhum termina daquele jeito, com o salmista descrevendo a o seu estado, dizendo que ele já se sente morto, dizendo que a sua alma é só angústia, dizendo que ele sabe que é o Senhor que está pesando a sua mão sobre ele, dizendo que ele sabe que é o Senhor que o colocou em disciplina e dizendo, por fim, que os seus amigos são trevas. E acalma o salmo. É o tipo de salmo que a gente não lê no começo de um culto, porque ninguém diz amém. É difícil, a gente não entende. É um salmo para expor, para explicar o contexto, mas é um salmo de lamentação e a gente precisa aprender a lamentar, irmãos. E aqui Moisés está prestes a fazer uma lamentação, uma oração muito bonita. Vamos ler a oração de Moisés. Verso 11. Moisés disse ao Senhor: [roncando] "Por que fizeste mal a teu servo? E por que não achei favor aos teus olhos, visto que puseste sobre mim a carga de todo esse povo? Será que fui eu que concebeu todo esse povo? Será que fui eu quem o deu à luz para que me digas que o leve no colo babá leva a criança que mama até a terra que prometeste dar a seus pais? Onde eu poderia conseguir carne para dar para todo esse povo? Pois chora diante de mim, dizendo: "Dê-nos carne para comer. Eu sozinho não posso levar. Eu sozinho não posso levar a carga de todo esse povo, pois é pesado demais para mim. Se me tratas assim, mata-me de uma vez. Se achei favor aos teus olhos, peço que não me deixes ver a minha miséria. Em nome de Jesus, amém. Só não tenho em nome de Jesus. Amém. Não é? O resto tá aí. Bonita ou não essa oração? Eu disse que era bonita, né? Poderia dizer que era linda, mas aí era pegar pesado. Tem nada de bonito aqui. O que nós temos é um homem que já tinha mais de 80 anos de idade. Lembre-se de que os primeiros 40 anos de Moisés foi na casa de Faraó. Quando ele tinha cerca de 40 anos, ele matou um egípcio para defender um judeu. E quando o faraó soube disso, Moisés fugiu dali. e foi pra terra de Midiã. Acabou morando ali, casou com Quetura, teve um filho chamado Gerson, que significa: "Sou peregrino em terra estrangeira". E viveu outros 40 anos ali. E quando ele tinha 80 anos de idade, é quando Deus aparece para ele na sarça ardente e fala para ele voltar pro Egito, porque aqueles que queriam matá-lo já não viviam mais. E ele volta. E quanto tempo dura a peregrinação no deserto? 40 anos. Ele morre com 120 anos, nos diz o final do livro de Deuteronômio. De modo que a vida de Moisés pode ser dividida em três partes de 40. 40 anos vivendo no palácio de faraó, 40 anos como peregrino na terra de Midiã, 40 anos no deserto levando o povo até a terra prometida. Foi com 80 anos de idade que Deus chamou Moisés pro ministério. Tem alguém aqui com 80 anos de idade? Se tiver, pode levantar a mão. 80 anos ou mais? Ninguém. A gente vai chegar lá um dia, não vai? Você quer chegar lá, você levanta a mão. Todo mundo quer chegar. Imagine que Deus te chame pro ministério com 80 anos de idade. Com 80 anos Deus vai te dar uma responsabilidade. Ali vai começar a história da sua vida. Quando todo mundo tá querendo parar, quando todo mundo já tinha parado, já tava descansando, aposentado, cuidando das ovelhinhas, Moisés já tinha filho, provavelmente neto. Vai saber. É bem possível que com 80 anos de idade o Gerson já tinha casado, né? Ele tinha família. Mas é com 80 anos que isso tudo começa. Com 80 anos você está levando esse povo e ao invés desse povo ser grato e manso como você é, paciente como você é, porque Moisés era, não. O povo reclama, reclama, reclama. Quanto tempo você aguenta ouvindo essas reclamações? Passaram-se do anos. E Moisés ouviu e ouviu e ouviu. Coloque-se no lugar dele um homem que sabia que mesmo guiando uma multidão, ele não levaria mais de dois meses para chegar do Egito em Canaã. Não levaria com o povo indo devagar por causa das crianças, dos mais idosos, de alguns animais que iam num passo lento. Ele sabia que não levaria tanto tempo. 6 meses só se acontecesse uma tragédia, mas já faziam do anos. E ele sabia que era por causa do pecado do povo. Imagine você aguentar isso. O povo chorando com vontade de comer carne. Será que esse povo não tem juízo na cabeça? Você quer saber de uma coisa? Vocês sabem como chegar em Canaã? E se não souber, eu passo. Ó, vocês dão uma volta aqui na na Campina, aqui na na base da Península dos Sinis, vocês vão passar pela terra de Midian, começa a subir, vocês vão passar por e Cades, por Barneia, você só mais um pouquinho, chega em Moabe, do outro lado do mar Vermelho, do Mar Morto, e aí de lá vocês já estão pertinho de Jericó. E dali vocês entram, mas chega, eu vou eu vou cuidar da minha vida. Eu tenho mais o que fazer. Com 80 e tantos anos de idade eu vou ficar suportando um bando de gente só reclama, só reclama, só reclama. Um povo abençoado, um povo que tem de tudo, um povo que come, mas não tem, não gasta um centavo para comer, bebe, não gasta um centavo para beber. Um povo que tem a promessa de Deus para eles e pros seus filhos e pros seus netos, de que eles vão morar em casa que não construíram, vão ter vinhas que eles não plantaram, olivais que eles não cultivaram, animais que não são dele. Deus vai dar tudo para eles. Uma terra que dá leite, dá mel em abundância. E esse povo tá reclamando com saudade da escravidão. Sai fora, eu tenho mais o que fazer na minha vida. Deus acabou para mim. Não era natural que essa sensação de frustração, além da opressão, o povo reclamando, enchessem o coração de Moisés? Para mim é natural que fosse assim. Era natural que talvez Moisés se levantasse para reclamar também. reclamar talvez pro seu irmão Arão, talvez reclamar para outros amigos mais próximos, outros anciãos, mas não. Quando ele sente essa pressão e vê a tristeza da situação, ele busca a Deus com toda a queixa do seu coração e diz: "Deus, pera aí, meu Deus, pera aí. Fui eu que dei a luz a esse povo? Fui eu que escolhi Abraão. Fui eu que prometi dar aquela terra para eles. Fui eu que quis voltar. Eu nem queria. O senhor lembra que eu falei que eu sou pesado de linha? Eu sou gago, eu sou meio diferente, eu não sei o que falar. Vamos perguntar quem o senhor é. Que que eu falo para eles? Ah, diga que o meu nome é tal. Ah, Senhor, mas e se eles diga Moisés. E muito relutantemente Moisés foi. Imagina o coração desse homem. Deus, não fui eu que dei a luz a esse povo. Sou eu que tenho que ficar como uma mamãe dando leite para eles, dando carne? Senhor, onde que eu vou arrumar carne para dar para todo esse povo? Onde? Pois choram diante de mim, dia e noite, dizendo: "Dá-nos carne a comer ou o Senhor me mata de uma vez?" Não foi isso que ele disse em oração. Ele teve pensamentos e desejos de morte. Você já teve isso na sua vida? Mata-me de uma vez. Não deixa eu ver a minha miséria. Você deixa, ou seja, não deixa eu continuar sofrendo como eu tô sofrendo, Deus. Não deixa esse sentimento de querer morrer, essa tristeza profunda, esse abatimento, esse vale da sombra da morte continuarem na minha vida. Irmãos, muitas vezes a gente passa por situações assim também hoje, quando a gente vê que tá tudo dando errado na nossa vida, quando a gente já vê que as coisas já estão mais ou menos organizadas, pode ser, e a gente fala: "Senhor, me leva de uma vez, não tem porque eu continuar vivo aqui. Se o Senhor quiser, me leva, porque meus filhos já estão criados, já tá tudo certo e se não tão também vai dar tudo certo. Sei que o Senhor vai cuidar, para que que eu vou continuar vivendo, Senhor?" E aí você com aqueles pensamentos de morte, você pede a Deus isso. É o que Moisés está fazendo aqui. Ou às vezes você tem uma escatologia piedosa, mentirosa. Sabe o que que é isso? Escatologia é o estudo das coisas do fim, não é? Voltadas à segunda vinda de Jesus. E aí, piedosamente, entre aspas, você diz: "Ah, eu não vejo a hora que Jesus volta. Tomara que Jesus volte logo. Você não quer que Jesus volte, você quer morrer. Você quer morrer. E se Jesus voltar agora, era bom para você, porque você não tem que pagar um monte de boleto. Você não tem que tirar o seu nome de certos lugares. Você você resolve seus problemas, você acaba tuas aflições. É isso que você quer. Você quer que tudo fique bem. Você quer fugir dos problemas. Você quer alívio. E tem alguma coisa errada nisso? Não. Não tem nada de errado nisso. Você quer paz e tem alguma coisa errada em você querer paz? Nada de errado. O problema é no meio das nossas lutas, das nossas dores, das nossas lágrimas. O problema é com quem a gente tá conversando. Ou se é que a gente não tá conversando com ninguém, a gente tá guardando aquela amargura dentro do nosso próprio coração. E o autor de Hebreus já havia dito que quando nós guardamos essa amargura dentro do nosso coração, essa amargura nos destrói. Mas se nós não guardamos ela dentro de nós, hoje em dia nós temos muitos terapeutas, às vezes algunos conselheiros também, que vão dizer: "Não, bota para fora isso, fala tudo que você tem que falar". E aí você vai lá e fala tudo e é isso mesmo. Agora tô me sentindo melhor porque falei tudo que tinha que falar. E você se sente até bem, porque esse mecanismo aparentemente foi criado pelo próprio Deus, mas ele não foi criado para ser usado entre dois seres humanos. Porque o outro para quem você extravaza, não pode fazer nada pela sua vida. O máximo que ele pode dizer ou fazer é ouvir e dizer: "É, não é fácil, né?" Ou dizer: "É, é complicado." Ou é, eu vou orar por você. E aí? Nada. Mas você pode fazer isso com Deus. O que ocorre muitas vezes é que a gente tem medo de dizer toda essas coisas para Deus. A gente tem medo de dizer: "Deus me mata. Vai, me mata porque vai que ele mata, [risadas] né? Você não quer que ele te mate." Imagina se ele tivesse feito isso com Moisés, do jeito que Moisés pediu. Elias fez isso também. Vocês lembram em Primeira Reis, capítulo 19, quando ele eh depois que venceu os profetas de Baal, ele recebe a promessa da Jezabel dizendo que amanhã ele estaria morto. Ele foge, ele foge muito, irmãos, mais de 100 km pro sul, vai pro deserto de Berceba, se deita debaixo de um zimbro e pede a morte. Basta, Senhor, tira a minha vida porque eu não sou melhor do que ninguém. Ele pede a morte e Deus não mata ele. Deus manja, manda o anjo para cuidar dele. Depois leva ele até o Orebbe, que é perto aqui do Sinai, 40 dias e 40 noites caminhando. Chegar lá, Deus não mata ele. E ele pedindo para morrer. Pedindo para morrer. Pedindo para morrer. Vocês lembram como é que o Elias morreu? Como é que o Elias morreu? Ele não morreu, gente. Nem isso Deus deu. Deus deu pro coitado que tanto queria a morte. Porque no nosso coração nós não não temos que ter vergonha de falar com Deus aquilo que enche o nosso coração. Se é se é tá difícil, se é um familiar, se é o povo, se é um fale. Se é o trabalho, se é um pecado, seja o que for, fale, derrame-se diante dele. Os profetas fizeram isso. Davi fez isso. Os filhos de Corá fizeram isso. Moisés fez isso. Elias, o maior profeta do Antigo Testamento, fez isso. E Deus ouviu e acolheu e respondeu a todos eles de forma infinitamente melhor do que eles pediram e acabou com a dor e deu direção. Jesus fez isso em várias vezes. Ele fez isso no Getsêmane, na quinta-feira da paixão. Pai, se possível, passa de mim esse cálice, mas não seja feita a minha vontade, mas a tua. Ele chora em angústia. Ele diz: "A minha alma está angustiada até a morte". na cruz. No dia seguinte, numa de suas orações, ele diz: "Deus meu, Deus meu, por me desamparastes ou me abandonastes?" Isso é uma lamentação do Salmo 22, verso 1, que começa com uma lamentação, salmo. Ou seja, não há nada de errado, desde que você diga: "Deus meu". Porque você sabe que você está se derramando para ele e você sabe que só ele tem o poder de trazer a paz, a clareza e a direção que você precisa. E você o busca e você clama. Imediatamente após a oração de lamentação de Moisés, nós temos no verso 16 a resposta do Senhor. E é curioso, irmãos, antes de lermos o verso 16 em diante, que se você fizer um estudo depois, eu já fiz isso há vários anos atrás, eh um estudo muito curioso sobre orações na Bíblia. E as orações elas são respondidas imediatamente, ou elas demoram certo tempo, ou elas demoram muito tempo para serem respondidas. E curiosamente eu eh descobri estudando isso, que as orações de lamentação são as orações mais imediatamente respondidas da Bíblia, diferente de outras. Não que tenha uma fórmula mágina mágica nelas, não é? Mas talvez porque elas sejam feitas quando de fato a gente tá no fundo do poço, no vale da sombra da morte, desesperados e a gente já nem vontade de orar tem mais, nem forças para orar. E muitas vezes a gente se encontra numa situação que a gente tem até medo de orar, porque se a gente for orar, a gente vai falar coisas que não devia para Deus, mas você deve falar coisas que você não devia para Deus. Eu me lembro de um colega pastor, hoje pastor em São Paulo, numa outra eh igreja, não é? Ele era pastor numa favela há um tempo atrás, muitos anos atrás. E a favela, vocês têm noção de como é, né? Um uma senhora se converteu há alguns anos e aí ela tava orando pelos filhos. um dos filhos dela mexia com o tráfico e tava se iniciando ali na vida do tráfico e e o filho havia se convertido e ele queria deixar aquela vida, mas ele ainda tava muito ligado. E naquela quarta-feira tinha um culto na igreja e ela estava ali e o menino foi com ela e depois ele recebeu um um uma um telefonema, ele teve que subir. Ah, e ele pediu: "Mãe, ore por mim e isso tem que acabar na minha vida". E ele subiu e a mãe ficou e acabou o culto, desce algum outro mensageiro lá da do comando, né? E aí ele desce: "Olha, o seu filho, infelizmente, ele foi abatido." E aquela mulher começa a chorar, chorar, porque ela sabia que o filho dela queria sair daquela situação. E ela sabia que o filho dela tinha entregue a vida para Jesus, mas que o filho dela tinha tava vivendo numa vida de desgraça, de pecado, mas que agora havia entregue a sua vida a Cristo e logo queria se ver livre daquilo sem que ele fosse morto, não é? pelos próprios companheiros de tráfego. Tem um jeito de sair, mas não é tão simples e tão rápido assim. E agora morto e ela angustiada, desesperada, cheia de dúvidas, ela começa a gritar com pastor, que Deus é esse, pastor? E ele: "Calma, irmã, vamos orar. Calma, nada." E aí ela vai pra frente da igreja e começa a orar a Deus e falar coisas que o pastor, é isso o pastor disse para mim, não é? Que ele ouvia ela falar com Deus, ela dizia e ele no coração dele pensava: "Pelo amor de Deus, não falar isso para Deus, vai morrer você e eu aqui juntos. tu vai alguma coisa aqui em cima. E ela falando coisas para Deus que eu não lembro o que que o pastor falou, mas coisas assim muito sérias, sabe? muito graves aos nossos olhos, com o coração dela quebrado, cheio de dor e de tristeza, de repente, no meio de toda aquela ira e aquelas palavras que o pastor jamais a aconselharia naquele momento, porque depois ele mudou, a dizer a Deus, ele começa ela ouvindo, ele ele começa a ouvir ela dizendo palavras de louvor, de gratidão, e ela sorrindo com lágrimas nos olhos, dizendo: "Eu Eu sei que ele tá com o Senhor. Obrigado porque o Senhor salvou a vida dele antes de tudo isso acontecer. E e aí ela descreve para ele que uma paz encheu o coração dela enquanto ela se derramava diante de Deus. E ela começa a louvar, louvar, louvar e ela fica em paz. Mas antes de ficar em paz, ela orou uma lamentação. Irmãos, essa experiência não é só dessa senhora, é de muitas pessoas que numa, enfim, nas encruzilhadas que a vida nos coloca, momentos de pressão, momentos de medo, momentos de dúvida, eu não tenho tempo de orar, eu tenho que pensar para eu tenho que resolver essa situação. É quando você se encontra nesses momentos que mais você tem que parar tudo que você tem que fazer, que você que você tá fazendo e você tem que se derramar diante de Deus. Aqui a partir do verso 16 nós lemos a resposta de Deus para Moisés, que se divide em duas partes. O Senhor disse a Moisés: "Reúna para mim 70 homens dos anciãos de Israel, que você sabe que são anciãos e superintendentes do povo. Traga-os diante de mim da tenda diante eh diante da tenda do encontro, para que estejam ali com você. Então descerei e ali falarei com você. Tirarei do espírito que está sobre você e o porei sobre eles, e eles ajudarão você a levar a carga do povo para que você não tenha de levá-la sozinho. OK? Mas sobre o que foi a oração de Moisés? Sobre o problema da carne, não foi? Deus falou aqui da carne? Não. Sabe por quê? Porque ah, Deus sabe mais do que a gente precisa, do que a gente imagina. Sabe aquilo que Paulo escreveu? Eh, ora aos Efésios, aquele que é poderoso para nos dar infinitamente mais do que tudo quanto a ele pedimos ou pensamos, a ele seja a glória em Cristo Jesus e na igreja pelos séculos dos séculos. Amém. Ele dá mais do que a gente pede ou pensa. Deus sabia que o problema de Moisés não era só aquele sobre o qual ele trata na sua lamentação. Era o problema de Moisés ser um líder único de milhões de pessoas. Deus sabia que Moisés estava cansado. Deus sabia que Moisés precisava delegar funções. Deus sabia que Moisés precisava dividir as cargas. E aí Deus diz: "Separe 70 pessoas, eles vão ajudar você." Porque Deus sabe que para além daquilo que Moisés orou, Moisés tinha outras necessidades na vida. Deus dá além. Mas aí a partir do verso 18, Deus fala da carne. Então vamos a a essa parte. Diga ao povo: "Santifiquem-se para amanhã e vocês comerão carne, porque vocês choraram aos ouvidos do Senhor, dizendo: "Quem nos dará carne para comer? A vida era melhor no Egito. Por isso, o Senhor lhes dará carne e vocês poderão comer. Não comerão um dia, nem dois dias, nem cinco, nem 10, nem ainda 20, mas um mês inteiro, até que saia pelo nariz, até que fiquem com nojo dela, porque vocês rejeitaram o Senhor que está no meio de vocês e choraram diante dele, dizendo: "Por que saímos do Egito?" Deus disse: "Vocês vão comer. Pode se preparar amanhã. Mas aí no coração de Moisés, ele deve ter feito as contas, carne, milhões de pessoas. Onde será que a gente vai ver no deserto aparecer uma manada de de bois ou sei lá, ovelhas vindo ou aves vindo ou peixes pulando do mar? Que que vai acontecer? Da onde vai vir toda essa carne? Aí Moisés continua a lamentação no verso 23, aliás 21. Moisés, porém respondeu: "Esse povo no meio do qual estou é de 600.000 homens em pé, fora as mulheres, fora as crianças, por isso os milhões. E tu dizes: "Eu lhes darei carne e eles a comerão durante um mês inteiro". Quantos rebanhos de ovelha e de gado teríamos de matar para que tivessem o suficiente? Ou será que bastaria se ajuntássemos para eles todos os peixes do mar? Ou seja, Senhor, não tem, não tem como o Senhor fazer isso. Porém, o Senhor respondeu a Moisés: "Será que a mão do Senhor se encurtou? Agora mesmo você verá se a minha palavra se cumprirá ou não. Talvez hoje, se Deus fosse brasileiro, ele diria: "Moisés, manda quem pode, obedece, quem tem juízo, vai e faz o que eu tô falando, Moisés". Naquele tempo, a coisa era diferente. Será que a minha mão se encurtou? Agora vai, agora mesmo você verá que se a minha palavra se cumprirá ou não. Então, Moisés saiu e contou ao povo as palavras do Senhor. Ele reuniu 70 homens dos anciãos do povo e os pôs ao redor da tenda. Então o Senhor desceu na nuvem, falou com Moisés e tirando do espírito que estava sobre Moisés, o pôs sobre aqueles 70 anciãos. E quando o espírito repousou sobre eles, profetizaram, mas isto nunca mais se repetiu. OK? Vamos pular a parte do Eldade, do Meudade, que vai do 30, e vamos direto ao 31, onde Deus dá a carne. Verso 31. Então soprou um vento do Senhor e trouxe codornizes do mar e as espalhou pelo arraial em todas as direções, numa extensão de cerca de um dia de caminhada, a uma altura de quase 1 m sobre a terra. Vamos entender esse verso. Deus soprou um vento. De onde? Bom, se veio codornises do mar, esse vento soprou do mar. Pode ser o mar Mediterrâneo que estava perto acima e pode ser do mar mais abaixo, o golfo pérsico ali ou golfo arábico do mar de juncos chamado de mar vermelho, não é? Os mares que estavam próximos ali. A essas aves, a codornis, ela é da da família da a da ah da codorna. Codorna que dá o ovinho, né? Deu um branco agora. Codorna. Ovinho de codorna. Isso é da mesma família. Eu nunca comi codorna. Não sei se é bom ou não. E muito menos codornis. Mas dizem que a a carne dela é muito saborosa e é muito comum na região do Mediterrâneo. E eles viviam muito próximos ao Mediterrâneo ali no Egito. E eles comiam provavelmente sabiam quão saborosa essa era essa carne. O fato é que Deus mandou soprar um vento, veio essas aves para lá e elas simplesmente caíram ali ao redor do arraial. Lembra que Deus disse pro povo se santificar e ficarem eh como que num círculo no meio do arraial? Porque no dia seguinte Deus mandaria a carne? Eles fizeram isso. Agora você imagina um círculo de mais de 2 ou 3 milhões de pessoas. Quantos habitantes tem Curitiba? Tem 2 milhões. Imagina que tenha. Imagina que tem até um pouco mais. Imagina que Curitiba inteira com as cidades aqui ao redor se juntem. É, esse é o grupo, é muita gente. E aí Deus manda essa cordoniza. E aqui diz que eh ao redor do arraial, ou seja, em um círculo, ah, como se fosse um anel, porque no meio estava o povo, ao redor, como se fosse um anel, essas aves elas caíram com a distância de um um dia de caminhada nas medidas e pesos e medidas bíblicas, não é? Um dia de caminhada se traduz por cerca de 40 km. Então, daqui onde estamos, 40 km dá até mais ou menos onde? Araucária ou outra cidade. Mas vocês têm dimensão 40 km. É longe, né? É mais ou menos uma maratona. É longe. Imagina 40 km de carne. E o texto diz que estava 1 m de altura. Dois côvados. 1 m de altura. É carne, né, gente? Só que era 40 km para lá, 40 para lá, 40 para lá, 40 para lá, 40 para lá. Ao redor de todo o arraial, esses 40 km com 1 m de altura, vocês vão comer carne. Não é só um dia, nem dois, nem 5, nem 10, nem 20, mas um mês inteiro até que saia a carne pelo nariz. É o que Deus diz para eles. Deus, ele tem uns jeitos de falar que são interessantes, né, às vezes. E aí, então, quando o povo começa a comer essa carne, verso 32, todo aquele dia e toda aquela noite, e também no dia seguinte o povo se levantou e recolheu as codornizes. O que menos recolheu teve 10 montões e as estenderam para si ao redor do arraial, enquanto a carne ainda estava entre os seus dentes. Antes que fosse mastigada, a ira do Senhor se acendeu contra o povo e o feriu com uma terrível praga. Por isso, aquele lugar foi chamado de Kibrotataavá, porque ali foi sepultado o povo que teve o desejo das comidas dos egípcios. de que brot ratava, o povo partiu para Razerote e ali ficou. Sabe o que que significa que brotatava? É uma frase em hebraico. Tá escrito aí. Que que tá escrito aí? Pode falar. É isso aí. Sepultura dos do desejo. Na verdade, sepultura da dos cobiçosos ou sepultura dos gulosos. Esse é o nome que foi dado para aquele lugar. Fundou-se uma cidade e na fundação da cidade, cidade nasceu no cemitério. Qual o nome do cemitério? Eh, da cidade, cemitério dos gulosos. Só que ao invés de traduzir assim, eles deixaram bonitinho, né? Que brot ratavá, parece o nome de cidade, né? Que brot ratavá, mas literalmente o cemitério dos cobiçosos, dos gulosos, dos desejosos, daqueles que desejam aquilo que não devem. Não porque não sejam dignos. É lógico que são dignos. Deus já disse que eles teriam tudo isso, mas porque a ingratidão e a murmuração estavam em seus corações. Deus não tem nenhum problema de ouvir a oração de Moisés. O povo pediu carne e ele não deu. Moisés lamentou por carne e Deus deu. Provavelmente Moisés comeu a carne. Uma boa parte do povo comeu carne também, porque nem todo mundo morreu. Foi uma parte de algumas dezenas de milhares que morreram. Mas não foi todos os milhões que morreram. Talvez aqueles que haviam chorado na tenda. Talvez [limpando a garganta] aqueles cuja motivação do coração era terrivelmente murmuradora e reclamadora e queixosa. Foram estes que morreram e foram algumas milhares de pessoas. Você imagina depois disso você colocar um pedaço de carne na boca de novo? Você vira vegetariano na hora? Fala nunca mais. Porque vai quê, né? Fica com medo de comer carne, fica com medo de comer qualquer coisa. Não, agora de hoje é só maná. Nunca mais reclamo. Nunca mais reclamo. Leiam o livro de Números ao longo desse dia e vocês verão que depois dessa situação eles eles se esquecem rapidamente e volta a reclamar de outras coisas, inclusive de comida, pouco tempo depois. Tanto é que num dos salmos, os salmistas se lembram dessa situação quando eles diziam: "Pode acaso Deus preparar-nos mesa no deserto?" Ou seja, além de tudo, havia uma incredulidade na providência, no cuidado, na bondade do Senhor. E justamente por causa disso, a ira do Senhor se levanta contra eles. Por causa de um murmúrio que é dirigido contra Deus ou contra a sua providência, questionando a sua bondade. Diferente da lamentação de Moisés, que é dirigida a Deus com confiança, expressando dor, mas sem acusar o caráter do Senhor. Moisés pergunta: "Fui eu quem concebeu todo esse povo?" Ele usa a linguagem do parto, não é? Uma das mais vívidas lamentações no Antigo Testamento é essa. A gente encontra ela em lamentações, em trechos de Jeremias também, no livro de Abacu e outros lugares. Mas ele honra a Deus porque ele fala com Deus. Ele não fala com ninguém. Ele busca o Senhor porque ele sabe que Deus é o único que pode levar o seu fardo. Ele sabe que o Senhor é o único que pode dar paz, que pode carregar com ele essa carga. E no momento em que ele se encontra frustrado por ainda não ter chegado à terra prometida e pressionado pel um povo que chora à sua porta, ele sabe que a direção, que a sabedoria, que a luz e que a resposta só pode vir do Senhor. Então, por que que eu vou perder tempo fazendo outra coisa? Eu vou gastar meu tempo orando. Eu vou gastar meu tempo lamentando. Eu vou gastar meu tempo abrindo a boca, rasgando o verbo, falando tudo que eu tenho que falar com o Senhor, sem medo, dizendo: "Senhor, por que que o Senhor me abandonou?" Jesus fez isso. Os filhos de Corá fizeram isso. Davi fez isso. Elias fez isso. E Deus os abençoou. Deus os honrou. Dizer coisas assim ao Senhor não é ofensa a ele, é honra a ele. Porque você reconhece que você quer a presença dele, porque você sabe que quem vai resolver a sua vida não é um agiota. Quem vai resolver a sua vida não é um médico especialista. Quem vai resolver a sua vida não é um fármaco novo que surgiu no mercado. Antes de tudo, você reconhece o Senhor. O Senhor é o dono da minha vida. A minha confiança está posta em ti, primeiramente. Se surgir alguém para me ajudar, eu sei que vai ser o Senhor antes de qualquer coisa. E por isso você lamenta. É como aquela senhora, eu sempre conto essa história. Eu nem lembro de quem eu ouvi, mas foi de um pastor há muito tempo atrás. E eu acho fantástica e é uma história real. Uma senhora que ficou viúva e depois uma senhora bastante pobre. E a igreja ajudava muito, porque ela tinha um filho ainda muito pequeno, adolescente, quase da pré-adolescência para adolescência. E ele tentava ajudar ela, ela já tinha uma certa idade, tiveram filhos já com uma certa idade, não lembro se o filho era adotado, mas eu sei que a situação era essa. E ela também não tinha muita eh saúde para trabalhar. E a igreja ajudava demais eles, mas você chegou uma uma tempo que a igreja esqueceu, alguma coisa aconteceu que eles passaram apertado. E tinha ali na rua algumas pessoas que mexiam com algumas religiões aí que eles eh falaram: "Olha, vamos vamos entregar uma uma cesta, mas não vamos fazer como a igreja tá fazendo, não". Vamos entregar, sabe? A gente vai entregar carne, a gente vai ver se ela tá precisando de geladeira, a gente vai dar alguma geladeira. Se cortaram a luz, a gente vai pagar a luz e a gente vai trazer chocolate. A gente não vai dar cesta básica. A gente vai dar uma cesta de abundância para ele. Na hora que ela perguntar quem é que deu, a gente vai falar: "Foi o diabo". E vamos ver o que ela vai falar. E fizeram isso e foram, bateram na casa dela. Ô, meus filhos, que alegria ver vocês aqui. Tá tudo bem com vocês? Tá tudo bem com a família de vocês? Tudo bem, senhora. Graças a Deus. Pois não. Como posso ajudar vocês? Feliz mesmo vivendo. Já tava com uns dois, três dias sem ter o que comer. Não, a gente eh trouxe uma coisa aqui pra senhora. Uma pessoa mandou a gente trazer uma coisa aqui pra senhora. A gente sabe que a senhora tá passando por um momento difícil. Seu uma falecido marido, eh, recentemente passou, não é? E a gente gostaria de deixar aqui pra senhora aquilo que uma pessoa mandou a gente entregar, uma pessoa muito querida, não é? que eh gosta muito da senhora e quer muito seu bem. E eh e ela falou: "Nossa, que bênção, muito obrigado, não é? Eh, realmente eu tô precisando, eu fico muito feliz com isso." E aí começa a descarregar e entra na casa dela e coloca todas as coisas. Aí vão pro portão, ela fecha o portão e sabe aquele momento constrangedor que eles ficam olhando pra cara dela, ela fica olhando pra cara deles, né? Tipo, vocês vão ou não vão, né? E aí ela fica naquela situação e aí eles ficam naquela situação. Aí eles perguntam para ela: "Senhora, não vai perguntar o nome da pessoa que falou pra senhora pra gente entregar tudo isso para essa pra senhora?" Ela ficou um pouco em silêncio. Ela falou: "Olha, sabe, eu não preciso saber, porque quando o meu Deus manda, até o diabo obedece". Então, eu sei que Deus tocou no coração dessa pessoa e vocês estão aqui eh cumprindo a vontade dele. Irmãos, lamente, ore, fale, porque Deus faz o que ele move céus e terra para nos dar aquilo que nós precisamos, para trazer ao nosso coração a paz que precisamos, a luz, a direção que carecemos. Jó, vocês lembram de Jó quando perdeu todos os filhos, quando ele perdeu toda a sua saúde? O livro de Jó, no capítulo um, ainda diz que Jó chegou a amaldiçoar o dia do seu nascimento, mas ele não pecou com seus lábios. No capítulo dois, Deus ainda honra Jó diante de Satanás. Mesmo ele tendo falado palavras duras a respeito da sua própria vida, ele continuou dizendo: "Bendito seja o Senhor, o Senhor o deu. O Senhor tomou. O Senhor é o dono de tudo. Eu sei que ele vai cuidar. Um pouco mais adiante, quando os amigos de Jó chegam, né, e falam coisas terríveis para ele, ele diz: "Eu sei que o meu redentor vive e eu sei que por fim ele se levantará sobre a terra". Ele cria. Se a gente lê os Salmos 42, 43, 77, 88 e tantos outros. Jeremias em lamentações, ele diz: "Ele me encheu de amargura, mas ainda assim esperarei. Quero trazer a memória aquilo que me pode dar esperança. Grande é a sua fidelidade." As misericórdias do Senhor são a razão de não sermos consumidos. Mas ele vai dizer isso no capítulo três, depois de tudo que ele falou no um e no dois. Abacu, que fez a mesma coisa quando ele no capítulo um, ele vai dizer: "Até quando, Senhor, clamarei e tu não me escutarás? Até quando?" Mas no final ele vai dizer: "Olha, ainda que a terra fale, ainda que a oliveira minta, ainda que os animais sejam eh tirados do curral, eu esperarei no Senhor." Mas ele descreve a situação e ele faz perguntas para Deus. Ele lamenta Jesus no Getsemane, ele lamenta Paulo também em segunda Coríntios 1, ele diz: "Tivemos sobre nós a sentença de morte". Tem um momento nessa carta ainda que ele vai dizer, chegamos a um momento em em prisões e açoites que ele sofreu na Ásia, ele diz, "Nós desesperamos da própria vida". É até difícil dizer o que que isso realmente significa nos tempos modernos, porque isso pode dar ideia errada para alguns. Aí ele teve momentos difíceis e pensamentos perigosos diante de situações terríveis que ele passou. Quando a gente olha para os nossos irmãos do passado, os puritanos, Thomas Watson, por exemplo, um grande puritano, ele vai dizer que Deus às vezes permite o nosso sofrimento e aceita a nossa queixa, mas a não a queixa amarga, aquela queixa vazia, mas aquela queixa que é feita com a fé. A fé que pode reclamar sem contestar o caráter de Deus, que reclama, que dispõe, que fala, que se abre, mas que diz: "Deus meu, Deus meu, como Jesus na cruz, como tantos outros". John Owen, maior teólogo dos puritanos, ele disse: "A minha alma que suspira por Deus em meio à escuridão, oferece um sacrifício mais precioso do que mil canções alegres, sem provação nenhuma. Tipo, você não tem nenhuma provação, tá tudo bem na sua vida, você vem na igreja e louva. Esse louvor ele pode ser até verdadeiro, mas quando você passa por uma luta terrível e a sua alma suspira por Deus e você lamenta diante do Senhor e sente a paz que excede todo o entendimento te guardando, o teu louvor é outro. É como se você experimentasse essa paz que na vida de alguns é apenas um conceito, é algo que eles nunca souberam que de fato é na vida deles. Como é que nós aplicamos isso isso paraa nossa vida hoje, meus irmãos? Eu quero dizer para vocês, terminando, que nós precisamos aprender a distinguir entre murmuração e lamentação. Muitas vezes a nossa boca é cheia de reclamação. A gente reclama da comida, a gente reclama da temperatura, a gente reclama das pessoas, a gente reclama de tudo. E a gente faz isso com outras pessoas. Eu quero dizer para vocês, Deus Deus não gosta de ver isso na nossa vida. Deus não se alegra com essas palavras na nossa boca. Ah, então é errado ficar reclamando. É errado. Por quê? Porque ele falou. Veja, pessoas reclamaram por causa de carne. É errado querer comer carne? Não é errado como é carne. Mas o problema é que no coração dessas pessoas havia uma ingratidão tão grande. Eles tinham tanta coisa para agradecer, mas o contentamento era menor do que o descontentamento. E o descontentamento revela um coração ingrato e incrédulo. E é o descontentamento que nos leva a ficar reclamando de tudo. Por isso que tem gente que quando você chega, a pessoa nem pergunta se está tudo bem, ela só dá bom dia e bom dia e vai. Porque se perguntar se tá tudo bem, ela sabe que você vai ficar. Nunca tá bem. Nunca. Mas a semana passada você reclamou de uma coisa. Hoje você tá reclamando do filho. Semana que vem do marido. Na outra semana é do governo. Na outra semana é da vizinha, na outra semana é de outra coisa. Então a pessoa fica com medo porque toda vez que pergunta não tá bem. Ah, então quer dizer que eu não posso compartilhar minhas dores? Claro que pode, mas o problema é que você não tá compartilhando dores. A sua vida é um queixume e não tem quem aguenta isso. Estou eu aqui em nome do Senhor para dizer para você a verdade. Ninguém aguenta isso. Nem Deus. Vocês viram que Deus não aguenta isso, né? Nem Deus aguenta isso. E é por isso que muitas vezes as pessoas se afastam de nós, porque a nossa vida é amarga, a nossa vida é reclamação, a nossa vida é veneno, sabe? A nossa vida é intragável. as pessoas ficam mal perto da gente. Isso não significa que a sua vida é uma maravilha e que todas as vezes que eh você conversa com alguém, você está feliz pulando, você ganhou, você recebeu, você foi abençoado, etc. Um milagre aconteceu. Não é isso. Mas precisamos saber distinguir entre a murmuração e a lamentação. E precisamos aprender a dirigir as nossas lamentações a Deus, como é feito no Salmo 88. como é feito em Números, capítulo 11, é precisando. E aqui é um assim uma dica prática que eu dou para vocês. Compra um caderninho, caderno, caderno de papel mesmo, sabe? E compra uma caneta, não sei se você lembra o que é, né? Eh, compra uma caneta, um lápis, escreva suas lamentações. Faça um diário de lamentação. Escreva como Moisés diante do Senhor. Escreva. Depois leia aquilo, ore ao Senhor e depois descreva nesse mesmo diário aquilo que você sente no coração após tudo isso ou quando a resposta do Senhor vier diante da tua lamentação e aprenda a lamentar em comunidade. E aí vem os mandamentos recíprocos. Por exemplo, mandamentos recíprocos é são todos aqueles que uns aos outros, sabe? Em Romanos capítulo 12 verso 15, nós lemos: "Chorai com os que choram". Então, nós precisamos lamentar uns com os outros. Nós precisamos falar daquilo que aflige o nosso coração. Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram. Então, quando uma pessoa começar a chorar e lamentar e falar de os problemas que ela está vivendo com você, você que não está vivendo os problemas dela, você internaliza aquilo e você lamenta com ela. Você não pode dizer para ela simp, né? Pode deixar que eu vou estar orando por você e virar as costas embora. Não, se ela compartilha isso com você, talvez seja porque ela não está tendo forças para levar isso ao Senhor. Leve com ela isto ao Senhor. Chore com ela diante do Senhor. Isso é uma comunidade que lamenta. E nós somos essa comunidade que lamenta, que pode correr o risco de se tornar uma comunidade que fofoca, porque não é uma comunidade que chora e lamenta uns com os outros, mas uma comunidade que ouve, depois espalha, depois conta pro outro, depois o que primeiro falou ficar triste porque não queria que o outro soubesse, mas chegou daquele que confiou, que só espalhou porque queria que a igreja orasse, quando na verdade era algo que alguém queria só compartilhar com outra pessoa. Uma igreja que é protegida da do vício, do pecado, da fofoca, não é? É uma igreja que aprende a chorar com os que choram. E quando alguém recebe a queixa de alguém, aprende a levar diante do Senhor tudo isso em oração. Igrejas que não sabem lamentar vão produzir membros que murmuram escondidos. Igrejas que não vivem a lamentar com aqueles que percebem que estão sofrendo. Muitas vezes está deixando alguém sozinho, isolado com seus problemas e inevitavelmente essa pessoa se tornará, talvez alguém que começará a murmurar escondido, porque nós não fomos, não abraçamos e não choramos com ele. Povo aqui, irmãos, indo já para minha conclusão, sentia a falta da cebola do Egito, do alho poró, das do da carne, etc. A gente também, a vida sem Deus, ela pode ter cebolas, carnes, picanhas, prazeres, prazeres efêmeros, que às vezes a nossa memória romantiza e a gente quer voltar aquela vida que a gente tinha quando a gente não havia entregue a nossa vida ao Senhor ainda. A gente quer viver como no pecado vivíamos. A gente quer desfrutar das coisas que no nosso Egito a gente vivia. E a gente tem saudade de como era a nossa casa da escravidão passada. A gente tem as promessas da Canaã celestial, mas lá parece que tá tão longe, parece que vai demorar tanto, parece que a nossa vida é um deserto, parece que a nossa vida é tão cansativa. Que que a gente faz até lá? A gente pode fazer duas coisas. O livro de Números ensina isso. A gente pode ficar reclamando de tudo, da política, do político, da polícia, do bandido, da temperatura, do vizinho, da da igreja, de tudo. Ou a gente pode aprender a lamentar. Se nós lamentarmos, chegaremos à Canaã celestial. Se vivermos de queixas, reclamações, etc., Certamente lá não será o nosso lar, porque lá só entrará aqueles que confiam na graça, que dependem do Senhor, que falam tudo o que têm de falar a aquele a quem chamam de Deus meu. Deus meu. Por quê? E falam tudo que tem que falar. Mas antes de tudo dizem: "Tu és o meu Deus. Eu sei com quem eu tô falando e eu nunca vou te deixar. Mas se eu não falar, o Senhor sabe o que tá aqui dentro. E é o Senhor quem me manda colocar isso para fora. A gente não pode maquiar a nossa dor. A gente não pode nunca duvidar do amor de Deus. A gente não pode também se isolar como Moisés. Nós temos que levar as nossas queixas ao Senhor e não ao tribunal do acampamento, não é? reclamando por causa disso ou por causa daquilo. Um dia, gente, o maior lamentador de todos, que foi Jesus, que chorou sobre Jerusalém, que chorou sobre Jerusalém, ele disse: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes? Este vai enxugar dos nossos olhos toda a dor, toda lágrima. Ele vai transformar todas as nossas lamentações em dança, em alegria, em louvor na sua presença, em júbilo. Mas até lá, irmãos, é deserto. E é no deserto que as lágrimas santas são permitidas e serão vividas. Mas ele promete, eu vou enxulgar todas elas, mas vocês têm que vir falar comigo. Vocês têm que estar comigo, porque sou eu quem sustento vocês. Quando vocês passarem pelo vale da sombra da morte, é o meu cajado e a minha vara que consolarão vocês. Sou eu. Sozinhos vocês vão reclamar de tudo, mas comigo vocês terão uma paz que excede todo o entendimento. Minha paz eu darei a vocês. Não a paz do mundo, mas essa paz que é extra mundo, essa paz que é de outro mundo, essa paz que é celestial, que é a paz do próprio Deus. Vamos falar com ele. [roncando] Senhor, nós te damos graças porque mesmo em meio ao deserto desse mundo em que vivemos, tu não nos deixas sem resposta, mas, Senhor, nos ajude a sair daqui com a liberdade santa de te trazer todas as nossas dores, sem medo de parecermos fracos. Que a gente não romantize as cebolas do Egito, que a gente não sinta saudade dos prazeres do pecado passado, que a gente não se afogue na cobiça e que também a gente aprenda a lamentar e que ao lamentarmos nós encontremos sempre o teu consolo e a tua provisão e a tua paz, em nome do Senhor Jesus, o homem de dores que aprendeu a obediência pelo que sofreu. No nome dele nós oramos. Amém.