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PODCAST VIDA NOVA #95 | REDESCOBRINDO A SABEDORIA CRISTÃ EM UMA ERA ONLINE – WILLY ROBERT

PODCAST VIDA NOVA #95 | REDESCOBRINDO A SABEDORIA CRISTÃ EM UMA ERA ONLINE – WILLY ROBERT

PODCAST VIDA NOVA #95 | REDESCOBRINDO A SABEDORIA CRISTÃ EM UMA ERA ONLINE – WILLY ROBERT

🎙️ Está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!

Neste episódio, conversamos com Willy Robert sobre o livro Liturgias Digitais, de Samuel D. James.

Ao longo da conversa, exploramos como as tecnologias têm moldado silenciosamente nossos hábitos, desejos e formas de enxergar o mundo, abordando questões como:

📱 Como a vida digital influencia nossos comportamentos e hábitos diários?
🧠 De que forma as redes sociais e os dispositivos digitais moldam nossos desejos e nossa atenção?
⛪ Como a cultura digital afeta nosso relacionamento com Deus e a participação na vida da igreja?
🔍 É possível cultivar uma espiritualidade saudável em um mundo cada vez mais conectado?

Adquira o livro: https://bit.ly/3PdFzCw

#Discipulado #Cultura #Apologética #LiturgiaDigital #podcast #EdicoesVidaNova
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Legendas automáticas:

E aí, eu sou Saor Lucena e seja
bem-vindo ao podcast da editora Vida
Nova. Você já analisou como o ambiente
digital tem [música] moldado a nossa
maneira de pensar, falar, agir, toda a
nossa experiência com a vida. Você já
percebeu como no nosso ambiente digital
há uma cultura de consumismo, uma
cultura de vergonha, como ele entrega
demais muitas opções, mas acaba sem nos
entregar o que mais importa, que é a
ideia de sentido. E isso ele não tem
como fazer, mas o cristianismo, o
evangelho nos traz [música] algo que o
ambiente digital não pode fazer. Se você
quer entender mais a respeito de como se
relacionar adequadamente com o [música]
meio digital, com a internet, com as
redes sociais, sem se deixar dominar por
elas, mas ao mesmo tempo entendendo as
liturgias digitais existentes em nossa
vida, como elas têm exercido um grande
papel no nosso dia a dia. E como usar
isso pra glória de Deus, sem cair no
pecado de nos deixar escravizar pelas
redes [música] sociais e pelo ambiente
digital. Então, o livro Liturgias
Digitais, redescobrindo a sabedoria
cristã em uma era online. Vai ser uma
bênção para você. Esse livro que é
Lançamento da Vida Nova, foi escrito
pelo Samuel James. E além disso também
você vai ser beneficiado por ouvir a
nossa conversa de hoje aqui com o Willy
Robert sobre esse livro e sobre esse
assunto tão relevante. Se você gosta de
assuntos assim, [música] então já se
inscreva aí na sua plataforma de podcast
preferida para não perder nenhum dos
novos episódios que vão surgir por aí.
Também assistir as dezenas que nós já
temos gravado e também nos dar o seu
feedback. com o seu like e o seu
comentário. É isso aí, então vamos à
nossa conversa. Willly, seja muito
bem-vindo ao podcast da Vida Nova. É um
prazer ter você aqui com a gente mais
uma vez, meu irmão
>> Saur, eu que agradeço pelo convite. É
sempre um prazer estar aqui
compartilhando aí sobre as leituras,
conversando sobre os ótimos lançamentos
que Edições da Nova tem feito aí e
maravilhosas contribuições paraa nossa
teologia no Brasil.
Muito bom, meu irmão. E mais uma vez,
por mais que essa seja a segunda vez,
né, que você tá aqui com a gente, espero
que é segunda, mas de muitas aí. Ah, eu
queria pedir que você se apresentasse
para o pessoal que tá chegando agora,
que talvez ainda não te conheça.
>> Sim, muito bem. Meu nome é Willly
Robert, sou pastor Batista, pastor da
Igreja Batista Redenção e Juiz Fora,
[roncando] eh, e sou criador, eh, e
apresentador do canal aí no YouTube
Resenha Teológica, onde eu trago aí
resenhas, dicas sobre literatura, livros
de teologia, literatura e no geral. Sou
casado, né, com a Rose, pai do AF, pai
do Abner, dois lindos garotinhos aí que
o Senhor nos concedeu.
>> Muito bom, meu irmão. Muito bom, cara.
Hoje a gente vai trazer aqui, né, uma
conversa baseada no livro Liturgias
Digitais, um dos livros que a Virva
lançou recentemente, o Redescobrindo a
sabedoria cristã em uma era online. E
tem tudo a ver até com o seu perfil, né?
Alguém que tá contribuindo pra internet,
falando de livros. Ah, eu acho que é
legal trazer a sua experiência como um
pastor que tem a vida corrida e tem que
entender a importância de, em meio a
tanta conectividade, saber como se
conectar acima de tudo ao Senhor e não a
meras distrações. Nós vivemos, né, meu
irmão, como num mundo que tá conectado o
tempo todo, é, o celular, a televisão, a
tablets, computadores, enfim, tecnologia
tá aí em todo lugar. E essa tecnologia
tem usada, tem sido usada para que a
gente se conecte, mas muitas vezes de
forma superficial. O que é que essa
hiperconectividade
tá formando em nós? E por que que o
autor, o Samuel James, considera esse
tema tão urgente ao ponto de ter escrito
esse livro?
>> Eu acho que a gente pode começar a nessa
resposta a essa questão que você tá
levantando com uma parte que me chamou
muita atenção, que o próprio autor, né?
Ele começa mencionando um discurso de
formatura que o David Foss Wallace eh
fez, em que ele conta uma fábulazinha,
né, de dois peixinhos jovens nadando
fundo do oceano e eles cruzam com um
peixe mais velho, né? E o peixe mais
velho pergunta assim: "Eh, e aí, como é
que está a água?" E aí um peixinho mais
novo olha pro outro e com aquela cara de
espanto, né? E pergunta assim: "Água, o
que que é água, né?" Ou seja, eles estão
imersos naquilo. Aquilo é o cotidiano,
aquilo faz parte da vida deles, mas eles
não percebem isso, né? Então, acho que a
a internet,
a vida conectada, redes sociais e e essa
dependência que a gente tem internet
para tudo hoje, banco, eh, streaming,
enfim, tudo, né? Nós estamos aqui usando
inter estamos usando. Inclusive tivemos
um corre por causa da internet, né? O
socorro aí que foi marcamos um dia, a
internet não funcionou, marcamos outro,
você tinha se mudado, a internet ainda
não tinha sido instalada
[limpando a garganta]
e aqui estamos nós, né? Então
>> existem coisas boas. Existem coisas
boas.
>> Tem, tem sim. Dá para tirar o lado bom.
Mas o ponto dele é exatamente esse, né?
a as pessoas estão imersas nesse oceano,
rodeados por essa por essa realidade,
apesar depois a gente vai falar sobre
como que ele lida com a a rede social e
realidade, mas as pessoas não têm
percebido o quanto que isso tem moldado,
tem formado a sua cosmovisão e e não só
a cosmovisão no sentido eh abstrato da
coisa, né? Mas como que isso tem moldado
o seu dia a dia? Como que as pessoas
pensam, agem, reagem? E é baseadas na
forma como a internet moldou a sua
mente, moldou a sua visão da realidade,
né? Então ele ele parte dessa ideia,
desse pressuposto,
identificando isso como um problema,
vamos dizer assim, né? E é por causa
disso, exatamente que ele escreve para
moldar que a para mostrar, desculpa, que
a internet ela é um ambiente formativo,
ela não é simplesmente um canal, ela não
é simplesmente um meio para se
transmitir algo. Ela é um ambiente que
forma, forma mente, forma vida, forma
ação, reação, né? E por isso o título,
né? Uma liturgia, né? liturgias
digitais, ou seja, eh é essa repetição,
eh é essa esse rito que acaba nos
moldando completamente.
>> Interessante. E você, então acha que nós
não podemos considerar o ambiente
digital como um ambiente neutro? Seria
inadequado pensarmos dessa forma?
>> Totalmente inadequado. Por quê? Qual que
é o pensamento comum, né?
é que a a internet ela depende daquilo
que eu estou consumindo. Então, se eu
estou consumindo coisas boas, ela é boa.
Se eu estou consumindo coisas ruins, ela
é ruim. Como se nós tivéssemos então
nessa neutralidade e nós tivéssemos a
liberdade de escolher ali o bom, usar o
bom, usar o ruim.
Só que, na verdade, eh, isso é uma, isso
é um equívoco, porque, como o próprio
autor demonstra, eh, não é simplesmente
você fora do ambiente escolhendo o que
você vai colher naquele ambiente, né?
Você já está dentro, ela já moldou a sua
forma de pensar, ela já moldou a sua
forma de enxergar tudo isso, né? Então,
enfim, há há um um certo padrão de
formação imperceptível, né?
Imperceptível. forma como você lê, a
forma como você enxerga tudo isso.
Então, não é simplesmente, então, tipo
assim, ah, tô escolhendo o bom e estou e
não estou escolhendo o ruim. O próprio
fato de eu estar num ponto onde eu me
acho no no papel de escolher ou não,
esse ponto ele já está moldado pela
internet, ele já está moldado pelo
digital, né? Então não é, enfim, não é
neutro, né, de forma alguma.
Interessante. Interessante. E as pessoas
não percebem, né, como você falou,
aquela história do do peixe, né, eh, tem
a ver com uma outra frase que também é
conhecida, que é a pior pessoa, né, o
pior ser para você perguntar o que é
estar molhado é o peixe, porque ele não
sabe o que é estar molhado para dizer o
que é estar molhado, né? Ele tá sempre
naquele estado, ele nem percebe. É daí
que vem essa fábula que você contou. E
eu acho que esse é um problema que a
gente vê das pessoas, elas estão tão
imersas que elas nem sabem mais o que é
não estar conectadas. E isso para um
adolescente, para uma criança. Hoje
crianças, os pais colocam telas já para,
ah, vamos a um restaurante, coloca tela
na frente de uma criancinha lá de 1 ano
e meio, 2 anos e daí por diante você vê
todo mundo com a cara no celular. Ah,
principalmente essa geração mais nova
que já tem crescido com celulares e até
com inteligência artificial, né? Elas
nem sabem o que é não ter a tecnologia à
disposição. Eu e você, a gente vem de
uma época que teve transições. A gente
cresceu num mundo onde nós saíamos para
correr na rua, não sujávamos de lama,
passávamos o dia brincando, chegávamos
em casa, tinha ali uma TV, às vezes
tinha alguma coisa, mas não era aquela
TV que a gente colocava no que a gente
queria sempre, na hora que quisesse para
assistir quantos episódios seguidos.
tinha que esperar semanalmente às vezes
aparecer o novo episódio do que a gente
gostava. Era um pedacinho só do nosso
dia e não o dia inteiro nisso, né? é
muito diferente. Agora, a gente tem
falado eh de como essa internet, esse
ambiente digital nos molde e você falou,
a molda fala, molda pensamento, mas tá
de maneira mais prática, que que
exemplos nós poderíamos dar de como é
que elas estão moldando nossos
pensamentos, nossos desejos, a maneira
que nós enxergamos o mundo?
>> Cara, muito boa sua pergunta. Eu acho
que assim, eh, é algo, eh, como a gente
tá nesse automático, né? Então os
próprios exemplos eles parecem bobos,
porque é como você falou, a gente tá
nessa geração, nós somos essa última
geração que viveu essa transição. Então,
essa geração que vem agora, eles não vão
saber mais, por exemplo, daqui alguns
anos, o que é você ter uma dúvida e não
ter um Google.
O Google hoje em dia com inteligência
artificial, o Google ficou até para
trás, né? Na verdade é não, mas eu
porque assim, você digita no Google e o
próprio Gemin já te dá a resposta com
inteligência artificial, né? Então
assim,
>> sim, sim,
>> cara. [limpando a garganta]
Então, então veja, eh, eh, eu ontem, por
exemplo, eu tava no trabalho, aí eu
precisava fazer um um cálculo lá de de
do raio de um de um de um arame que eu
trabalho. Aí eu fiquei assim, gente,
como é que eu vou fazer isso daqui
pensando? Falei simples. Eu tirei uma
foto, joguei no chat GPT e falei assim,
ó, esse arame tem um diâmetro de 25 cm.
Eu preciso saber quantas voltas eu
preciso cortar para ele ter 5 m de de
comprimento. Cara, ele deu a resposta
assim, ó, com um segundo, cara. Nossa,
antigamente a gente ia ter que fazer um
cálculo, né, de especialista, ligar para
um engenheiro lá, [risadas]
>> percebe? E assim, não é dizer assim:
"Ah, mas é porque eu trabalho, não, o
meu trabalho do dia a dia, eu trabalho
como montador." Então, assim, sabe, é
uma coisa, olha, olha onde a tecnologia
já entrou e como que ela te formou.
Então, eu tava mudei recentemente de
cidade, você mencionou aí, aí eu quis,
estava procurando bairros, né? Eu fiquei
antigamente, como é que você faria isso?
Você perguntaria para alguém, ó, qual um
bairro, escola e tudo mais? Joguei no
chat, ele me respondeu: bairro que
proximidade de escola, proximidade de
mercado, proximidade de farmácia, tudo
para ajudar a escolher. Então, percebe?
Ah, aí alguém pode ouvir esse exemplo
prático e pensar assim: "Gente, mas isso
é uma coisa boba normal." Sim, porque
nós estamos completamente moldados já
por essa realidade, né? Essa é a nossa
realidade. Eu vi outro dia uma coisa que
me cortou o coração, nós aí com os seus
30 aí, lavar bolinha, né? Uma
enciclopédia Barça no lixo.
>> Aham. Nossa, cara. Nossa. E aí eu
passei, eu falei: "Rapaz, olha isso.
Antigamente você pag dividir isso aqui
para pagar, enfim, meses pagando isso
daqui para ter uma
>> patrimônio. Era
>> era patrimônio. O eh o avô da minha
esposa tinha uma barça dessa e o pessoal
do bairro da casa dela, isso anos e anos
atrás iam lá para consultar, cara. Então
isso na época ainda da mãe dela, né? Mas
os amigos da mãe da minha esposa iam lá
para consultar porque o avô tinha uma
barça e era algo que poucas pessoas
tinham. Então bora lá para consultar
para fazer uma atividade na casa.
mesmo.
>> É, se se tornou se tornou então o o
nosso dia a dia, o nosso formativo. Você
uma dúvida, você não pensa mais, poxa,
biblioteca pública, vou ir lá conversar
com o bibliotec o bibliotecário para ele
me indicar tal livro. Com o celular na
mão, você resolve isso. Então, assim, é
esse comum que se tornou comum no nosso
dia a dia, que já é assim uma forma de
sermos moldados, né? E e assim, eu eu
sei que a gente vai entrar nisso, mas já
adiantando, né, para não parecer então
que nós estamos advogando aqui uma
antitecnologia, né, de forma alguma.
>> É só é só e o autor também não faz isso,
>> é só uma leitura da realidade que nós
estamos inseridos, eh, reconhecendo que
sim, isso está nos moldando,
>> sim,
>> isso está eh eh formando a nossa mente,
formando, enfim, a nossa visão da
realidade, né?
Não, com certeza tem coisas boas. A
gente tá usando aqui esse microfone, a
internet, a tantas outras coisas, né?
Você usou aí a inteligência artificial
para fazer um cálculo, enfim, tem muitas
coisas que a gente pode usufruir que são
boas, realmente. Ah, mas a gente tem que
perceber também certas moldagens da
tecnologia na nossa vida que não nos
fazem bem, né? Ontem mesmo,
interessantemente, se conectou com o que
a gente tá falando agora. Ontem eu
estava no na igreja, a gente estava
fazendo um encontro com os membros para
dividir em pequenos grupos ao redor ali
do ambiente e a gente estudar Romanos
12. Foi um dos últimos textos que eu
preguei na série em Romanos. E a gente
tava refletindo mais uma vez sobre o que
aquele texto dizia, sobre o que nós
aprendemos no sermão. E a parte, a
segundo versículo de Romanos 12 diz
sobre a gente não se deixar moldar. E
essa é a ideia, né? Esse é o termo, não
se deixar moldar pelo nosso século, pela
sociedade à nossa volta. E a ideia ali é
até, né, esse molde mesmo, como a gente
pensa, por exemplo, uma caçamba de gelo,
você coloca a água ali e ela vai ter
aquele formato, né? Parênteses aqui, meu
amigo, esses dias eu tenho corrido,
machuquei o joelho, aí precisei comprar
mais caçamba de gelo, que essa que eu
tinha aqui não tava sendo suficiente não
para colocar. Cara, tem 1 milhão de
opções de formatos de cubo de gelo. Não
é mais nem cubo, né? Formato de gelo. É
de tudo que é for é redondo, é quadrado,
é triângulo. Tem forma que eu nem lembro
mais o nome, certo? Tem que perguntar
pra inteligência artificial para
lembrar. Mas voltando então essa ideia
do molde e a gente vê esse molde na
nossa vida, eu diria até você falou
sobre ir até um bibliotecário para pegar
a indicação de um livro. Cara, a gente
não confia mais no bibliotecário para
pegar a indicação de um livro. A gente
não confia mais nas pessoas. Isso é um
exemplo de um molde, porque ah, eu vou
perguntar para ele, ele não sabe mais do
que a inteligência artificial. Sobre
quais livros falam sobre isso? Vou
perguntar para pra inteligência
artificial ou a ideia do da cultura do
cancelamento. Uma outra forma que a
tecnologia tem nos moldado, né? Se
aquilo não está do jeito que nos convém,
vamos eh desistir dele, vamos difamá-lo,
inclusive vamos criar todo o movimento
para ir contra quantas vezes a gente faz
isso. E isso tem a ver com esse molde da
internet, do ambiente digital pra gente.
E tantos outros que a gente poderia
falar até a questão do ser tão conectado
e ao mesmo tempo tão antissocial. Esses
dias eu tava na academia e eu tava
precisando usar um step que tava eh
apoiado na parede e tinha um celular e
uma garrafa em cima. E eu cheguei assim,
procurei [roncando] para ver quem era.
Aí tinha uma moça lá, eu cheguei para
ela, fiz só assim, acenei, ela tava com
fone de ouvido, né? Mais tecnologia aí
que nos exclui do mundo. Mas aí eu dei
uma cenada assim, fiz: "Ah, isso aqui é
seu?" Cara, ela olhou para mim, lançou
aquele olhar frio assim de quem é você
para falar comigo? Como assim? Você está
se referindo a mim? Pegou as coisas e
foi embora. As pessoas não falam mais.
>> É isso aí. Você já experimentou algo
parecido, Will?
>> Sim, sim. A a é o é aquela famosa frase,
né? A a conectividade, ela nos aproxima
de quem está longe, ela nos distancia de
que de quem tá na nossa frente, né? E é
e é isso, né? a a você fica ali
dependente, conectado o tempo todo, mas
perde a conexão real com o mundo real,
né? Eh eh o o autor trabalha um pouco
disso aqui no livro também,
que é a questão da realidade, né? A a
existe uma realidade concreta criada por
Deus. E aí a gente acrescenta aqui
família, interação social, pessoas à
nossa volta, né? Mas essa conectividade
eh eh enfim, massante, ela nos inclui,
ela nos adiciona numa outra realidade,
né? Se se a gente pode chamar isso de
realidade, né?
E e assim é é uma realidade, é um mundo,
então, em que
você pode, entre aspas, ser o que
quiser,
você pode agir como quiser. E o mais
impressionante, mais impressionante como
que as pessoas são diferentes,
como que a pessoa é de um jeito na rede
social, se comporta de um jeito no mundo
conectado e pessoalmente
parece outra pessoa.
Pessoalmente, sabe? Eh, eh, eh, é assim,
você conversa, fal assim, mas esa lá,
não é, não é a mesma pessoa, ela não
está aqui, então, argumentando com
aquela mesma ferocidade, né? Ou o
contrário, né? Ela não demonstra toda
aquela amabilidade, né? Porque é é um
mundo, é uma realidade,
entre aspas, de faz de conta, né?
Perdoem aí o o paradoxo, né? [risadas]
Não, não, mas é isso mesmo. É isso
mesmo. E é interessante então que o
autor ele percebe várias formas em que a
o ambiente digital tem nos moldado, em
suas liturgias, em seus padrões que nós
repetimos e vamos ali seguindo. Mas ele
destaca principalmente cinco exemplos,
né? E um desses temas que ele aborda é a
ideia da autenticidade.
O que é que ele quer dizer com isso, né?
O que é que essa ideia de autenticidade
ensina e por que que ela é tão atraente
paraa nossa cultura contemporânea?
Boa questão. Eu achei bastante
interessante como que o autor trabalha
isso. Eh, o
ele mostra, né, que a o roteiro dos
filmes da Disney e a letra das
principais canções das paradas de
sucesso aí são letras que evidenciam
exatamente essa ideia. Seja você mesmo,
você pode tudo que você quiser, você
consegue e tal. É aquela ideia então de
que o eu ele é a medida de todas as
coisas.
>> Uhum.
>> E isso já é verdade no mundo real. Por
quê?
>> Eh eh naturalmente
todo indivíduo ele mede o mundo da sua
própria perspectiva, né? Não tem como eu
ver o mundo, né? Da sua perspectiva,
porque eu não sou, né?
>> Certo. Uhum. E no mundo digital
isso é aumentado, aumentado,
[limpando a garganta]
mas assim muito, muito, muito, porque
além de ser um indivíduo que enxerga
todo o resto da sua própria perspectiva
dentro dessa naturalidade que eu acabei
de dizer, isso se expande pro mundo da
internet que ele é muito mais amplo.
Enquanto, por exemplo, aqui nós estamos
conversando, duas pessoas aqui
conversando, um perfil de rede social,
você tem ali quantas pessoas, quantas
milhares de pessoas ali ao mesmo tempo,
né? E aí, ou seja, nesse ambiente
múltiplo e vasto, eh, prevalece cada vez
mais, então, essa ideia de que eu tenho
que ser eu, eu tenho que ser diferente.
A minha verdade é que tem que
prevalecer, a minha visão da realidade é
que tem que prevalecer. É, é, é a minha
vontade, sabe? O, o eu, então, ele se
torna o padrão, ele aumenta ainda mais
nessa ideia de ser o padrão de tudo, né?
>> Uhum. Sim, sim. É verdade, meu amigo. E
aí a gente entra em complicações, né? a
gente vê numa
sociedade atual essa questão de já que
você tem que ser uma versão tão única,
as pessoas estão tentando até mesmo
criar versões exageradas de si mesmo ou
até versões completamente diferentes da
existência para que elas sejam únicas.
Então é gente se dizendo animal,
>> porque aí olha como eu sou único, né? é,
>> eh, gente se dizendo, enfim, são tantas
loucuras por aí e que que essa ideia de
autenticidade se transforma numa busca
por algo que acaba deixando de ser você.
>> Exatamente. É interessante acrescentar
aqui também, Saul, um outro elemento que
tá conectado com esse, que é o elemento
tribal, né? Que sentido que eu digo
isso?
Sou autêntico, tenho a minha percepção
das coisas. Aí tenho aqui, por exemplo,
o meu perfil na rede social.
E aí eu vou ser cercado. Então, enquanto
no mundo real eu sou cercado por pai,
irmão, amigos, poucas pessoas. No mundo
digital eu sou cercado, então, por
milhares de pessoas.
dessas milhares de pessoas que
acompanham então esse meu perfil, a
grande maioria são pessoas que concordam
comigo,
então são pessoas que vão validar aquilo
que eu penso, vão validar aquilo que eu
produzo, vão validar as minhas ideias. E
olha, olha que olha que fascinante.
Fascinante aqui não no bom sentido, né,
obviamente.
Eh, enquanto no mundo real as minhas
ideias opostas, as minhas ideias,
desculpa, elas são opostas, ou seja, vão
existir pessoas que vão concordar ou não
e você vai ter que lidar com isso? No
mundo digital é muito simples. Se você
então está no meu perfil e discorda do
meu posicionamento, o que que eu faço?
Eu te bloqueio, cara.
E aí, cada vez mais eu estou sendo
cercado de pessoas que estão só batendo
palma e dando joinha para aquilo que eu
tô fazendo. E todo o contraditório eu tô
excluindo, eu tô bloqueando, eu tô
deixando de lado. Por quê? Porque é o
meu mundo, é a minha verdade, é a minha
autenticidade, né? Cercado aí por outros
que, enfim, estão ali contribuindo com
isso, né? É verdade. Então, nisso a
gente acaba
criando cada dia mais essa utopia do eu,
né, criando a nossa própria esfera de
realidade. E a tecnologia tem muito a
ver com isso. As próprias inteligências
artificiais funcionam muitas vezes como
esses bajuladores eternos que estão ali
sempre para afirmar que nós estamos
certos, nós somos lindos, né? Fizemos
algo incrível. Sei,
>> quando muitas vezes nós poderíamos
aprender com outras pessoas que estão
ali fazendo correções úteis para o nosso
crescimento, mas a sociedade não tá mais
em busca disso, né? E aí, nesse criar um
novo mundo, seria, você concorda que a
ideia de autenticidade, uma busca
incessante por ser eu mesmo, acaba se
tornando, ao invés de liberdade uma
prisão do eu?
>> Com toda certeza. Você fez a leitura
corretíssima. Com certeza. Por quê?
Porque veja, na na vida real é muito
difícil você sustentar um personagem.
>> Uhum.
>> Né? Por quê? Porque, meu amigo, o mundo
real tá aí, as coisas e estão aí, os
compromissos, a família, tá tá tá tudo
aí. Você tem que lidar com todas essas
coisas.
No mundo digital, você pode sustentar um
personagem porque você se apresenta como
quer, você posta aquilo que quer. É, é,
é aquela velha máxima que eu tenho visto
>> quando quer, né?
>> E quando quer, exatamente que eu tenho
visto pastores falarem muito sobre isso.
E eu também como pastor já orientei
bastante a igreja sobre isso, que é o
seguinte, na na no mundo digital tudo é
perfeito, cara. Todo mundo é muito
bonito, todo mundo é muito feliz, tudo
tá dando muito certo. O trabalho ele é o
melhor que existe, a família ela é a
melhor que existe. Todo mundo lê só
coisas legais. As leituras são
maravilhosas, os filmes que estão se
vendo são coisas maravilas, as férias,
tudo, a paisagem é, sabe? Ah, povo posso
estar aqui foto de uma paisagem, que
coisa legal, que coisa bonita e tal. Mas
por quê? Porque tudo isso é fabricado,
tudo isso é produzido, tudo isso é feito
e é óbvio, ninguém vai ficar postando
coisa ruim, coisa feia, né? Isso, isso,
isso é é como dizer, é mais uma questão
natural, mas que também mostra como a
gente tá moldado por isso. E aí, se eu
só posto leitura legal, férias bacanas,
comidas legais, restaurantes legais,
paisagens bonitas, isso vai validar o
quê? Só pessoas curtindo, só pessoas
validando, só pessoas dizendo: "Uau, que
legal, que pessoa bacana, que pessoa
maravilhosa, que que vida legal, que
vida perfeita que esse indivíduo tem." E
e aí você gera os dois efeitos,
continuar validando esse
faz de conta, entre aspas, esse mundo
fabricado daquele que está produzindo e
gera no outro também, no espectador,
aquela ideia assim: "Gente, minha vida é
horrível.
Minha vida é horrível, porque as minhas
férias não são tão legais assim, as
minhas leituras não são tão legais
assim. Tem livro ruim que eu demoro a
acabar ou que às vezes eu deixo para lá.
Essa pessoa não, essa pessoa lê todos
até o final, né? Ah, o trabalho. Poxa,
meu trabalho é tão ruim. Olha o trabalho
dessa pessoa, que coisa bacana. A
família, nossa, eu tenho tantos dilemas
com pai, com mãe, com irmãos, com
filhos. Olha que família perfeita, sabe?
acaba fazendo então que enquanto valida
o eu, o ego de um, faz com que o outro
entre numa espécie de, sei lá, de de
depressão
da sua própria realidade, né? Não
entendendo que de novo, vida digital,
gente, é [roncando] vida fabricada, né?
É vida que que enfim
>> é vida selecionada ali, né? Você só
coloca os melhores momentos. Até o que
eu falei da ideia do não só escolher o
que postar, mas quando postar, porque
tem aquele dia que você não tá com
energia para encarnar o personagem e aí
você não posta, mas no dia que você tá,
você vai lá e posta,
>> né?
>> E essa é a prisão do eu que você
mencionou. Por quê? Porque quem tá
produzindo isso, ele começa a receber
validação e aí ele tem um dia de
frustração.
Quer dizer, um dia ele tem vários
momentos de frustração, mas ele precisa
produzir na rede aquele aquela vida
ideal, aquela vida perfeita. E, enfim,
ele fica preso nisso, né? preso, preso,
preso.
>> Então, mesmo quando ele tá mal, então,
ao invés de poder ter a liberdade de
expressar, né, esse momento de de estar
mais para baixo, ele tem que encarnar
esse personagem e nessa prisão ser
carregado pelas correntes para se postar
novamente nas redes sociais, né? É
aqueles vídeos que quase todo mundo já
viu, né, que as pessoas pegam aquele
flagra, né, das pessoas que fazem aquela
pose, aquele sorriso, tira a foto, aí
depois todo mundo cai o semblante como
se tivesse, sei lá, sendo torturado,
[risadas] né?
>> Não é verdade? Nossa, verdade. Verdade.
Quantas vezes nós fazemos isso, né? A,
>> e hoje, nesse mesmo aspecto
dessa [roncando]
autenticidade
existe e tá totalmente ligado ao que a
gente tem falado do se postar e tudo
mais, quase que uma pressuposição de que
todos nós estamos constantemente sendo
incentivados a expressar as nossas
opiniões únicas, né? Já que somos os
únicos,
>> temos que expressar as nossas opiniões.
>> E no mundo que leva a democratização
a um exagero, muitas vezes tóxico, não
não importa se você eh está pronto ou
não para dar a sua opinião. Todos têm
que dar a opinião, porque todos têm
opinião para dar, né? E aí, como é que
isso afeta o lado oposto? Se, já que eu
tô falando tanto, como isso afeta a
minha audição, a minha capacidade de
ouvir, de ao invés de me colocar como um
especialista de YouTube, né, a minha a
minha habilidade de aprender, cultivar a
humildade, me colocar ali como um
aprendiz e não como um professor, porque
todo mundo é professor de todo mundo no
Instagram, nas redes sociais, né? Mas
como essa incentivação
do expressar opiniões acaba afetando
essa minha capacidade de ouvir, de
aprender, de ser humilde.
>> Afeta completamente por o esse mundo de
validação, ele faz com que o indivíduo
se torne impaciente.
E se tem uma coisa que você precisa ter
para ser empático, né, é paciência. Você
precisa ouvir o outro. Você precisa a a
analisar a realidade da perspectiva do
outro. Então, vou te dar um exemplo.
Todo mundo fica nervoso no trânsito, né?
Por quê? Porque todo mundo
>> ali, o pecado age com mais força, irmão,
[risadas]
>> né? Por quê? Porque todo mundo encara o
trânsito dentro da sua própria
realidade, dentro da sua própria
necessidade.
>> Então, se eu estou compressa, eu tenho
lá o meu motivo para estar com pressa e
tal, às vezes e eh é trabalho, é tô
levando uma pessoa doente pro hospital e
tudo mais, eu expresso a minha revolta
com os outros que estão ali, não sei
como estão, mas estão ali no trânsito
também.
E aí eu tô com pressa, imagina então tô
levando a criança no médico, tô com
pressa, quero passar e uma pessoa me
fecha, não me deixa passar, aquela coisa
toda. Beleza? Agora imagine que você é o
que tá no outro carro. Eu estou agora na
minha vez tranquilo, passeando e tem
alguém vindo e quer passar e aquela
coisa toda e ao mesmo e aí isso vai
gerar em mim o quê? Revolta que pessoa
apressada que não espera e tudo mais. O
que que eu tô querendo dizer com esses
dois exemplos?
Um tem o seu motivo de estar compressa,
tem a sua urgência,
o outro precisa pensar o quê? Então,
poxa, essa pessoa que tá aqui nessa
nessa pressa toda, ele deve ter um
motivo.
Mas veja o exercício que eu tenho que
fazer para eu chegar nesse raciocínio e
ser então o quê? Empático, né? Agora,
transferindo isso paraa rede social,
cara, a rede social, o mundo digital,
você perde completamente essa essa
capacidade de ser empático e de ter
paciência. Por quê? é a validação do eu
todo a todo tempo. Então, não importa o
que o outro tá pensando, o que o outro
está sentindo, o que o outro está
vivendo. Se não está de acordo com a meu
pensamento, se não está concordando com
a minha postagem, ele vai ser detonado.
Eu não tô nem aí para ouvir o que ele
tem, o que ele sente. Tem que ser o eu,
tem que alimentar o eu, tem que, sabe,
tem que trazer a a a minha realidade à
tona tem que prevalecer. Então, eu acho
que é um pouco disso. A gente eh a a
essa formação então que a rede social,
que o mundo digital coloca na nossa
mente, tira essa nossa capacidade de
enxergar então o outro como um ser
também, assim como eu, que tem também
dilemas assim como eu, que tem também
problemas assim como eu, que precisa
também de ajuda assim como eu, sabe? E e
acaba vivendo, então, virando o quê?
Então, só o eu, eu, eu, eu, eu, eu, os
outros que se adequam à minha realidade,
à minha verdade. Quem não se adequar, eu
bloqueio, eu eu excluo e eu vivo nesse
mundo de faz de conta o tempo todo, em
que eu sou endeusado, né? E e é uma vida
que ela traz mais, sei lá, usando o
jargão aí, né? Ela traz mais dopamina,
né? Ela traz mais validação, né?
Então o pensa num adolescente que às
vezes tá lidando com problemas na
escola, com problema com os amigos e
tudo mais. Na no mundo social ele não
tem isso. No mundo social ele se fecha
no seu mundo, no seu organismo, al mundo
digital, né?
>> No seu mundo digital. Exatamente. E ali
é perfeito. Ali é perfeito para ele.
>> Uhum. É verdade, cara. essa questão de
todo mundo querer dar sua opinião e ao
invés de entender a importância de
aprender, ela se vê muito nitidamente
realmente na nas redes sociais. Eu
lembro que após alguns anos já
produzindo vídeos paraa internet, tal,
trabalhando com isso, até com outras
outros parceiros, enfim, eu lembro que
algumas pessoas mandavam mensagem para
mim e pensavam e diziam assim: "Olha, me
converti agora faz pouco tempo, tô
pensando em começar um canal para falar
sobre a minha fé, sobre teologia, para
evangelizar a minha família e não sei o
quê".
E eu falava: "Mas esa aí, você acabou de
me dizer que se converteu faz pouco
tempo, como assim você já tá querendo
fazer um canal [risadas] para
[limpando a garganta] ensinar outras
pessoas sobre teologia e tal?" Ah, não,
mas é porque eu tenho que evangelizar as
outras pessoas. Digo, "Tá bom, por que
você não evangeliza aí no seu círculo
[risadas] social? Por que que
[limpando a garganta] você não vai
evangelizar ali conversando com as
pessoas à sua volta?" Porque tem que ser
na internet,
>> né? E as pessoas
recém-convertidas,
isso a gente pode pegar para qualquer
área, né? a pessoa não tá ali nem
preparada para aquilo de maneira alguma
e ela já quer trazer as opiniões dela,
ela já quer trazer os insightes dela.
>> Eh, eu lá na igreja, vez por outra eu
encontro pessoas que mal chegaram, já
estão pensando em ir para o seminário,
fazer teologia, dar virar pastor, ser
missionário e ser apologeto. É uma
mistura de coisas. E cadê, cadê esse
aspecto do Pera, pera, deixa eu aprender
aqui antes, deixa eu ser cuidado aqui.
>> É
>> claro que a gente nunca vai estar 100%
pronto para ensinar e também não pode
dizer, então, ah, então nunca vou
ensinar. Não, não é esse aspecto, mas
existe o momento principal de você
realmente ficar mais focado nisso. Ao
longo da sua vida você vai aprender, mas
existe um momento principal de você,
pera aí, eu não tenho que ser
precipitado em dar minha opinião,
>> né? E até sobre eventos que acontecem,
tem gente que qualquer evento que sai já
dá uma opinião sobre aquilo, né? Vira
comentarista de notícias. Então,
problemas.
>> Sim. E e e a e de novo
[limpando a garganta] a gente bate nessa
tecla porque isso tem de fato formado a
mentalidade das pessoas. É a corrida
para ser viral, né? Então
olha o número, o tanto de postagens que
a gente tá vendo sobre futebol
recentemente.
Por quê? na no mês da Copa. Então, sei
lá, a pessoa tem um um um
trabalha com culinária, ela vai postar
alguma coisa da Copa. O camarada
trabalha com, sei lá, endocrinologia.
Ele vai postar alguma coisa da copa do
futebol, sabe por quê? Porque tem que
alcançar o viral. E aí entra no que você
tá dizendo. Por quê? Porque, cara, às
vezes, a maioria são pessoas que não
fazem ideia de de de quantos lados tem
uma bola, né?
>> [risadas]
>> E e e sabe, ah, aconteceu, sei lá, vamos
pegar os últimos eventos aí, quando
estourou a guerra da Rússia com a
Ucrânia uns anos atrás, todo mundo virou
especialista de guerra. Impressionante.
Todo mundo, todos os canais falando
sobre guerra, falando sobre tudo aí, sei
lá, Palestina, Israel, todo mundo é
especialista em conflitos no Oriente
Médio. O próximo evento que vai que
acontecer aí viral, já vai ter todo
mundo especialista nisso. São os famosos
tudólogos, né? E por que isso? Porque de
novo é uma câmera, tô diante de uma
câmera, tô falando e vou receber a
validação, vou receber aqueles que vão
aplaudir o apoio, né, a tribo e enfim, é
muito complicado isso, né?
>> É verdade, meu amigo, é verdade.
Inclusive, não basta ter uma opinião, é
uma opinião forte, né? Porque aquela
opinião assim que você defende o seu
lado como se ele fosse a coisa mais
lógica do mundo. 2 + 2 ig, não há como
discordar disso. E qualquer um deveria
ser capaz de perceber isso. E uma
indignação então extrema com quem pensa
diferente.
E aí vem um outro aspecto da dessa
sociedade digital, né, essa indignação e
tal. Como é que um cristão pode
discernir, meu irmão, entre a diferença
entre uma indignação alimentada
meramente por uma raiva constante que a
sociedade inspira em nós, mas também uma
indignação que é justa. Porque há
indignações justas, há indignações que a
palavra mesmo, que a escritura mesmo
louva, né? Como é que a gente pode
discernir o que é uma indignação justa
com o que é uma indignação contra o
diferente? ou contra o que falo que eu
não quero ouvir.
>> Ótima questão. E e ela é uma questão que
eu acho que ela ela ela traz o o
definidor de todas as coisas. Se a gente
tá falando então que o ambiente digital
ele não é neutro, que ele é formativo
e que ele molda eh a nossa mente, a
nossa reação, o para nós cristãos, isso
isso não se na verdade isso não se
encaixa para ninguém, mas para nós
cristãos, principalmente, por quê?
Porque o que nos molda é a Bíblia, é a
palavra de Deus.
Independentemente do ambiente onde eu
estou, independentemente do contexto
onde eu estou, eu como cristão, eu
sempre devo ser moldado pela palavra de
Deus. Quem me influencia a minha
cosmovisão, o óculos pelo qual eu
enxergo todas as demais coisas são as
escrituras sagradas.
Então, nesse sentido,
ao invés de eu entrar numa revolta
coletiva e faz e dar mais voz a um
couro, a um couro, desculpa, dar mais
voz a um couro de indignação coletiva
nas redes sociais, eu vou analisar
aquele evento, aquela situação
específica a partir da ótica bíblica. E
se eu vou expressar então a minha
opinião, ela deve ser fundamentada na
palavra de Deus, ainda que isso vá na
contramão de toda a indignação coletiva
que tá viralizando nas redes sociais. E
aí a gente entra eh eh nos contrastes.
Por exemplo, a indignação eh eh
antibíblica do mundo digital, ela é
impulsiva, ela não tem compromisso
nenhum com a restauração, ela é
simplesmente de momento. A indignação
bíblica, ela visa, primeiro lugar a
justiça divina,
manifestar ali a justiça que está eh
registrada na Escritura Sagrada. Então,
por que tal coisa é errado? É errada.
Ela é errada porque a palavra de Deus
diz isso sobre essa coisa. Ponto. Tal
indivíduo que está praticando essa ação
errada, ele deve ser confrontado à luz
da Escritura Sagrada. E a escritura
sagrada, ao confrontar um erro, seja ele
qual for, ela confronta do ponto de
vista da restauração,
de apresentar, então em Cristo
restauração, perdão, graça, como
aconteceu com todos nós. As pessoas às
vezes esquecem que todos nós temos na
nossa natureza a capacidade de ser muito
pior do que aquele indivíduo que nós
estamos indignados. O que nos difere?
Graça de Deus. E a mesma graça de Deus,
então, que veio sobre nós e que nos
preservou de praticar tais maldades,
deve ser oferecida ao outro também.
Então, quando eu apresento a minha
indignação, a minha revolta justa,
[roncando] ela deve estar fundamentada
na Escritura Sagrada e ela deve visar a
restauração. Então, no mundo, você
mencionou a aí, né, a questão do
cancelamento, né? Olha só, alguém faz
alguma coisa errada, isso viraliza, todo
mundo expõe ali suas opiniões
contrárias, os seus vídeos raivosos e
tal. Passa uma semana, acabou, ninguém
lembra mais. E o que que aconteceu com
aquela pessoa? Houve uma restauração,
houve, sabe, houve uma busca por recon.
Ninguém quer saber. Por quê? Porque
agora a gente já tá lembrando,
>> percebe? E agora a gente já tá
preocupado com o próximo, o próximo
viral que nós vamos aí apresentar nossa
indignação. A indignação bíblica ela não
é assim, né?
Ela busca o quê? Restaurar esse
indivíduo, trazê-lo de volta à luz. Me
lembro ali do apóstolo Paulo quando
escreve aos Coríntios, né, na sua carta,
apresentando aquele indivíduo que estava
em pecado grave, né? E na segunda carta
ele orienta a uma restauração daquele
indivíduo, né? A a comunhão. Então veja,
>> restauração,
indignação, erro, sendo apresentado,
sendo mostrado, mas visando restauração.
Nas redes não é assim.
>> Nas redes é só o indivíduo da vez que é
alvo da nossa raiva impulsiva e depois a
gente parte para outro e depois parte
para outro e é só assim, né? um looping
praticamente
>> é realmente complicado. Só que ao mesmo
tempo que tem todo esse aspecto do
indignação e do se achar superior e mais
justo, existe também um outro assunto
destacado pelo autor da nossa sociedade
que é a vergonha, né? como é que a
internet produz uma cultura de vergonha
em nós.
>> A gente tá falando aqui dos indivíduos,
então, que expressam a sua raiva, a sua
revolta, eh, e tal. A, a, a ideia da
vergonha, ela tá na perspectiva do
outro, né?
Porque veja, quando aparece na internet
uma acusação,
então sei lá, deixa eu pegar um exemplo
bem bem bem grave, bem chocante, né? A
fulano de tal é um criminoso.
Aí todo mundo criminoso, criminoso,
criminoso. Mas vem um ponto, será que é
verdade?
Por quê? Porque existe muito linchamento
virtual, digital que não se sustenta, na
verdade são são histórias fabricadas,
são ideias fabricadas
e as pess e e muitas pessoas então
acabam sendo vítimas do que a o ambiente
digital com fake news, né? Notícias
falsas, né? Até, cara, pegando um
exemplo aí, você falou de um exemplo
forte e tal, existem documentários sobre
casos em que a mulheres ou mesmo jovens
ali
começaram a difamar um homem dizendo que
ele havia abusado delas.
>> Uhum.
>> E toda a sociedade então automaticamente
começou a defendê-las e a condenar
aquele homem. E realmente se houvesse
algo, eh, tem que defender e tem que
realmente haver um tipo de justiça.
>> Mas o problema é que depois se percebeu
que aquele homem não havia abusado da da
jovem.
E o problema é que quando se percebeu
isso, não houve uma tentativa de
restauração e de perdão e de
arrependimento.
E na verdade a vida daquele homem já
havia sido destruída. A esposa havia
largado, os filhos não queriam mais
saber dele, a perdeu o emprego, a
sociedade o escanteou
e ali já estava feito o estrago e apenas
algumas poucas pessoas agora
reconheceram que ele era inocente. Então
é o que você é um exemplo aí do que você
tá falando, né, de desse aspecto do ser
precipitado em em trazer uma condenação
e aí traz a vergonha e depois deixa
nisso.
>> Sim. E exatamente por esse ponto, porque
como a gente tá falando, como o mundo
digital funciona eh eh fundamentado na
indignação da vez, a pesquisa de fato
para saber a veracidade daquela
acusação, ela ela raramente é feita. E a
pessoa que é eh alvo dessas eh notícias
falsas, acusações falsas, ela permanece
como um vilão, ainda que inocente. E aí
vamos a a abrindo um pouco eh o leque
dessa questão, voltando a falar da
questões de da questão de jovens e
adolescentes, né? Eh, para jovens e
adolescentes isso também é muito
agravado, porque já é uma fase da vida
mais difícil, mais sensível de formação,
de de personalidade e tudo mais. Às
vezes é muito bullying é feito eh eh
digital, né? E a pessoa acaba se
fechando, então na retraída por aquelas
questões e não só acusações, mas eh sei
lá, esse tribalismo, né? alguém que não
se encaixa ali naquele grupinho, seja de
escola, seja do que for, e acaba sempre
sendo ali massacrado, massacrado,
massacrado. E infelizmente,
infelizmente isso causa mortes, tá? Isso
causa mortes, isso tira vidas. Essa
vergonha por essa exposição, ela é fatal
em vários casos. Isso precisa ser
analisado com muito cuidado, né?
É verdade, é verdade. É, meu amigo,
então é esse é um dos outros problemas
do ambiente digital. Um outro que o
autor destaca é que no universo online
nós lidamos com o desejo do consumo.
>> Sim. Aos poucos somos ensinados a
concluir que tudo deve ser consumido. E
a gente quer comprar algo novo, a gente
quer usar algo que é novo, a gente quer
fazer parte de desse ambiente que fala
de novidades o tempo todo e de pessoas
adquirindo e consumindo. E quando isso
começa a impactar como nós tratamos com
Deus, a a igreja, a espiritualidade como
produtos, como é que nós vemos essa
conexão acontecer? que exemplos então
mostram essa transição do consumismo de
da sociedade e a maneira de olhar para
coisas simplesmente como produtos para
serem consumidos, passando para para
como nós tratamos com Deus, com a igreja
e mesmo com outras pessoas.
>> Uhum. Eh, existe um aspecto natural da
do mundo digital.
Eh, e digo natural porque, por exemplo,
sei lá, você quer comprar um celular
novo, né? Aí você vai e faz uma busca na
internet por um aparelho. Você começa a
ver uns vídeos de de unboxing, react,
né, e tal, sobre aqueles aparelhos para
ver, enfim, melhor câmera, capacidade,
processador, aquela coisa toda. O
algoritmo capta isso e o algoritmo, meu
amigo, ele começa a te bombardear ali de
celular, vídeo patrocinado, aquele monte
de coisa. Ou seja, você acaba eh sendo
alimentado então por aquele desejo. E às
vezes um desejo, uma simples
curiosidade, ela alimenta em você um
desejo, um desejo por uma necessidade
que você não tem.
>> Uhum.
>> Né? Numa cidade que você não tem. E aí,
aí no o final dessa conta, na maioria
das vezes, é o quê? você comprando algo
que você não precisa,
porque você tá sendo bombardeado,
bombardeado, bombardeado.
Isso faz com que a gente veja tudo então
com essa facilidade de ter informação,
de consumir, de obter e e aquela coisa
toda. A isso passa pros relacionamentos
também, né? Então, pensa famosos. Eu vi
essa eh ontem um vídeo de uma de uma
menina que é famosa na internet.
contando assim aos prantos, né? Ela
estava no velório da avó e por ela ser
influente e ser famosa, uma pessoa
chegou e pediu para tirar uma foto. Você
imagina ela no velório da avó ali
chorando porque a avó morreu. A avó ali
num caixão sendo velado e uma pessoa
chega: "Você é a famosa fulana de tal,
vamos tirar uma foto comigo." Quer
dizer, ela a a essa pessoa não enxergou
ali um uma outra pessoa triste, quebrada
por tá perdendo um ente querido. Ela
enxergou o quê? Uma oportunidade de algo
que ela está consumindo constantemente
na rede social.
E aí veja, a gente passou de um produto,
então celular para uma pessoa que é
vista como objeto de consumo. E agora
chegando no ponto que você falou,
igrejas, espiritualidade acaba entrando
nessa mesma questão. O que que o que que
deveria levar uma pessoa, por exemplo, a
procurar uma igreja, a querer se mudar
de igreja, procurar uma nova igreja, um
exemplo, teologia, né? Olha, eu quero
uma igreja mais fundamentada na
escritura sagrada. Estou entendendo que
o ambiente onde eu estou não está assim.
Vou procurar algo desse jeito, né?
Então,
hoje o que que leva as pessoas a
procurarem uma igreja? Maioria das
pessoas, obviamente a gente não tá
generalizando, né? É o a forma como
aquela igreja é apresentada nas redes
sociais. E muita gente entendeu isso.
Então, muita gente tem feito aí nas
redes sociais a a ao invés de ser
um local paraa igreja apresentar ali a
sua teologia, a sua boa teologia, uma
vitrine para expor então todas as suas
qualidades ali e eh e alimentar ainda
mais esse consumismo das pessoas, né? E
e assim como a nossa mente tá formada,
tá moldada por isso, as pessoas não
percebem que elas estão estão então
procurando igrejas por causa dessa,
dessa mentalidade de consumo que tá
sendo alimentada nas redes sociais,
procurando pessoas para responder as
perguntas, não porque querem de fato uma
boa resposta, entendem que aquela pessoa
tem uma boas uma boa resposta, mas
porque aquela pessoa tem muitos
seguidores nas redes sociais, então
provavelmente se ela tem muitos
seguidores, é alguém que é digno de ser
ouvido, né? E e a realidade mostra que
isso nem sempre é verdade. E aí
a individualidade
eh com Deus, vamos pensar assim,
intimidade com Deus, vida com Deus, vira
um consumo também, né? Porque é é a foto
no momento de oração, né? Demonstrando
aquela espiritualidade toda e tudo mais.
E veja, eu não sou contra de nenhuma
dessas coisas, né? A gente só tá
dialogando aqui e vendo como que isso
então é o resultado de uma mente moldada
pela rede social, pela internet e de uma
mente moldada pelo consumismo.
É consumo, igreja, coisas, pessoas, vida
espiritual. Ou seja, e não é mais uma um
uma experiência com Deus, experiência
aqui entre muitas aspas, né, que eu sei
que esse termo ele tem as suas
problemáticas aí, mas é o que agora é um
momento para eu expor algo, porque eu
quero fazer parte dessa dessa tribo,
dessa trupe, porque eu estou consumindo,
consumindo, consumindo, consumindo,
consumindo. Não é mais uma pessoa,
então, ali de carne e osso, é alguém que
eu vou usar por algum motivo. Não é mais
uma igreja para eu criar minha família
nos caminhos do Senhor e aprender a
palavra de Deus. É mais um momento que
eu estou alimentando esse desejo de
consumismo, né?
É isso. E é por isso que, como o autor
mesmo destaca, o ambiente digital,
ambiente digital entrega muitas coisas,
mas no final das contas acaba nos dando
um sentimento de ausência de sentido. As
coisas parecem não fazer sentido no
final das contas. Então, como é que a
narrativa cristã oferece um senso de
significado que a cultura digital não
consegue sustentar?
Cara, isso é muito bom, porque veja,
o o ambiente digital, por mais que ele
seja uma realidade,
eu digo realidade porque ele existe, né,
mas ele carece de de concretude,
né? E aí que entra então a questão que
você tá levantando, porque veja, a o
evangelho, a a vida de fato real com
Deus, ela é algo ela ela é física, né?
Eh, em que sentido que ela é física? Ela
não tá dentro de um aparelho, né? Eh,
ela não tá numa rede invisível, né? Ela
tá ali no lado a lado com as pessoas,
né? Ela [roncando] tá ali exatamente em
chorar com os que choram, né? Ela está
ali exatamente em oferecer suporte, né?
E suporte no sentido de colocar o ombro
debaixo da carga junto, né? Para ajudar
a carregar, né? Esse essa ideia original
de suporte, né? E e o evangelho é quem
oferece isso, né? A vida digital não
consegue oferecer isso. Por quê? Porque
uma hora você precisa desligar o
celular. precisa desligar o computador,
né? E e toda essa essa realidade
[limpando a garganta]
digital, ela eh enfim, ela acaba quando
a energia acaba, né? Eh, quer dizer, a a
vida real com Deus na igreja que a
palavra de Deus oferece, ela é uma vida
de fato, ela contempla
de fato todos os os as nuances aí, todos
os detalhes que o indivíduo eh carece,
né? Então pensa,
eu citei da menina no velório, né, que
enfim foi tido como um consumismo, né,
gente, quem vai estar do nosso lado
nesse momento de perda é o povo de Deus,
é a igreja real, física.
eh num momento de uma doença terminal,
ainda que um uma inteligência artificial
te dê ali uma uma resposta, sei lá, te
fale alguma coisa, mas são as pessoas
que vão lá te abraçar. É, é um pastor
que vai lá te aconselhar, levar a
esperança que a palavra de Deus traz,
sabe? e e as pessoas têm perdido muito
dessa vida real, então, eh, por causa
dessas fragilidades que a vida digital
oferece. Então, quer ver uma coisa que
tem se tornado clichê, mas que é a mais
profunda verdade?
Gente, as pessoas têm perdido tempo com
filhos, com esposa, tem perdido momentos
ali de jantar, de café da manhã, de um
passeio com a família, com os amigos,
pelo celular.
Coisa mais comum é você estar então numa
pizzaria, numa sorveteria, numa praça e
ver ali quatro pessoas sentadas numa
mesa, todas as quatro com celular.
É, é a coisa mais comum. Eu tenho, eu
tenho um amigo que é assim, você tá ali
do lado dele conversando com ele, ele tá
conversando com você assim, ó. Aham.
Aham. Quer dizer, eh, sabe, eh, gente,
isso isso isso não sustenta,
isso não sustenta, isso não traz a a
base, o fundamento pra realidade que a
gente precisa. Eh, então é preciso
voltar o olhar de fato para essa
concretude que a palavra de Deus traz
pra gente na vida real, na vida com a
igreja, no mundo real que Deus criou. O
mundo então que ele é conectado não por
cabos, por fins, mas por pessoas, né?
Então, poxa, de valorizar então um tempo
com filho. Poxa, é meu filho, é um tempo
que eu tenho com ele de passear, de dar
risada, de brincar, sabe? Ah, conselhos
e por mais que eu faça uso também,
diversas pessoas muito boas façam uso,
gente, não busque conselhos paraa sua
vida em caixinhas de pergunta na rede
social. procura uma pessoa, é legal,
algumas perguntas, algumas dúvidas ali
funciona de fato, mas isso não deve se
tornar o fundamento de toda a sua
pesquisa, de toda a sua procura, né? Eu
recebo às vezes, agora não tenho feito
tanto, mas quando fazia mais perguntas
ali no Instagram,
recebi umas perguntas que eu respondia:
"Meu amigo, essa resposta você precisa
procurar uma igreja, procurar um pastor,
alguém que te conhece, alguém que te
olha nos olhos, alguém que sabe que vai
caminhar com você para ajudar você nessa
questão. Não sou eu aqui que você nunca
viu, que não tenho de certa forma nenhum
compromisso com a sua vida, que vou te
ajudar nesse problema, né? e e tem-se
feito muito isso. Então, assim, eh eu
acho que a narrativa cristã ela ela
oferece então esse significado que essa
cultura digital ela nunca vai conseguir
suprir, né? E
quando a gente vê tudo isso, como é que
pais, como é que líderes da igreja, né,
pastores,
podem ajudar a nova geração a
desenvolver uma relação mais saudável
com a internet, as redes sociais e vou
até mais além, não simplesmente a nova
geração, mas a nossa geração, a nossa
sociedade, porque ainda que isso seja
mais intenso e predominante nos mais
jovens,
Cara, é gente de 70 anos que tá também
com a cara enfiada no celular o dia
inteiro, né? Não é só o menino de sete
não.
>> Cara, a sua pergunta ela é muito boa
e assim eu vou eu vou dizer é muito
difícil, tá? Por que que é muito
difícil? Porque eu acho que um um dos
acertos que o autor faz no livro, que
que pelo menos que me chamou muita
atenção, é exatamente é exatamente esse
diagnóstico de que isso então não é uma
coisa neutra, de que rede social não é
uma coisa neutra, internet não é uma
coisa neutra, já formou toda uma
mentalidade, por isso que é difícil. Mas
vamos lá,
é necessário conversa.
Eh, e é necessário eh proximidade.
Eu não diria que a resposta é sair da
internet, mas eu entendo que em alguns
casos, alguns casos, é necessário sim
que pais tomem esse celular dessa desse
filho, desse jovem. É necessário que
pessoas mais maduras, e você fez bem a
leitura, isso não é um problema só dos
jovens, é necessário que a gente chegue
um momento que a pessoa para e pensa:
"Ó, isso daqui tá me prejudicando.
Deixa eu dar uma pausa nesse negócio por
um tempo, sei lá, desconectar
e eh guardar isso numa gaveta para eu
sabe e eh limpar aqui o meu meu meu
>> fazer uma desintoxicação
de dopamina, não é um detox de dopamina,
como o pessoal tem dito aí.
>> É, é isso aí. Em alguns casos, eu acho
que isso é necessário, sim. E e aí
quando a gente,
>> eu acho, eu acho, sabe, Willy, eh esse
pegando só esse conselho específico, eu
acho que em algum sentido isso tem a ver
até com o que Jesus falou. Claro, ele
trouxe de uma maneira ah mais ligada
especificamente à salvação. Mas se seu
olho, sua mão tá te fazendo pecar, né,
corta. Se as redes sociais estão te
dominando e escravizando e se tornando
algo que tá te afastando daquilo que
realmente importa, corta por um tempo,
né? Né? Eh, de novo, a mão não é ruim, o
olho não é ruim e o ambiente digital não
é necessariamente ruim, mas se ele está
nos causando problemas, a gente precisa
tirar para um momento até que a gente
saiba lidar com eles de uma maneira
adequada.
>> Sim. Sim. E e e veja,
olha só o o algo que deve ser pensado,
né? A vida do cristão anos atrás era o
quê? acordou,
faz uma oração. Geralmente ali na
cabeceira teria uma Bíblia ou um livro
devocional que está sendo lido. Então a
pessoa fazia aquela leitura, depois ia,
tomava seu café, tal, tinha, enfim,
seguia pro trabalho. Hoje o quadro é o
quê? O relógio desperta já não é mais um
relógio, né, trinando ali aquele
sininho, é o celular.
Então, ao pegar o celular para desligar
ali o despertador, automaticamente
Instagram,
X, Facebook, YouTube, já é aquela
>> WhatsApp, já é aquela, né, rolagem ali.
>> E aí fica ali vários vários minutos. Aí
de repente levanta correndo porque o
horário tá apertado, aquela coisa toda.
Uma pausa que deu às vezes no ônibus, no
Uber, indo pro trabalho, celular, chega
no trabalho, trabalho. Uma pausa que deu
no trabalho, celular, no almoço,
celular. Isso quando
>> nem ser pausa nos negócios, né, cara? É,
é a pausa de tipo, eu vou ali tomar uma
água, celular. É, é pausa de segundos,
>> o celular sai aí do bolso e a gente já
vai ver, né? Impressionante.
>> É, olha, um dos um dos sinais sonoros
que mais inquietam o indivíduo moderno é
o o o toque de notificação do celular,
porque é aquela ânsia de saber o que é,
é uma mensagem, é, é eh sabe, é uma
postagem nova e tudo mais. E aí eu tô
dizendo isso por quê? Porque quando a
gente falou dos jovens, quando você
indivíduo mais maduro, percebe que você
entrou nessa situação, eu acho que é o
momento de fazer exatamente isso,
desintoxicar,
sabe? Porque já tá num quadro muito
muito grave, né? Muito grave. Eh, o
autor menciona isso no livro e eu achei
muito interessante.
Antigamente você sentava para ler um
livro e você ia, lia, e tinha aquele
deleite, aquela coisa toda e tal. Hoje é
o livro numa mão, o celular perto,
várias vezes a leitura interrompida pela
notificação e várias vezes um simples eh
eh uma simples checagem de notificação é
transformada em minutos ali que está se
perdendo. O foco no que o livro tá
falando já foi embora há muito tempo,
sabe? E ele mostra como que então esse
mundo digital impacta até a leitura
leitura de um livro. E é interessante
que
>> fora fora quando, Willly, a pessoa até
para na boa boa intenção. Eu vou
compartilhar essa frase aqui e não há
nenhum problema nisso. É bom e tal, mas
a pessoa vai compartilhar a frase agora,
ela vai gastar uns 15 minutos criando o
post perfeito
>> e depois ela se perde nas notificações
restantes ali do negócio e fica, né? E o
livro que ela tá mostrando que leu super
edificante. Ela leu, na verdade 2
minutos, achou a frase e postou.
>> É isso aí. E eu acho interessante que
ele mesmo confessa, né, que para na
escrita do livro ele usou um aplicativo
de de atenção ali, né, não é bem esse
termo que ele usa, né, mas exatamente
para ele ficar focado ali naquilo que
ele tava fazendo, né? Então assim, eu
acho que de novo, voltando à sua
pergunta, a sua questão, pais precisam
ter esse cuidado com seus filhos, esse
cuidado consigo mesmo para ver se eles
já não estão inseridos nessa nessa
dinâmica, nessa rotina. E sim,
não é uma não é advogar abandonar as
redes sociais, mas em alguns casos
específicos, sim, isso é necessário.
>> É isso aí. é saber saber usar, né, e
voltar realmente ao foco. A gente tá
falando aqui mais do livro de liturgias
digitais, mas tudo que a gente tá
falando tá me lembrando um pouco até do
que eu conversei com o Lucas Sabatê
sobre o livro Superando a Apatia. E ele
mostra como as distrações que nós temos
no mundo, inclusive nas redes sociais,
nos distraem demais daquilo que importa.
E a gente precisa realmente focar, focar
no evangelho, focar naquilo que importa
para que a gente não se entupa só do de
coisas de baixo valor, né? Eh, aquela
coisa, ah, um chicletezinho não vai
matar ninguém. Agora, quando você tá se
entupindo de chiclete e fica sem espaço
para sem fome para almoçar, aí lascou,
entendeu? Então você fica desnutrido.
>> Ex.
>> Meu irmão, muito obrigado pela conversa,
Will. Foi muito bom a gente bater esse
papo. Eh, eu queria te pedir que você
fizesse um uma última recomendação aqui,
então, para quem é que vai se beneficiar
da leitura desse livro. Olha, gente, eu
assim, todos
se beneficiam porque esse ambiente e
esse diagnóstico aqui é um diagnóstico
da nossa época, da nossa era, do nosso
século. Todos estão de fato muito
influenciados pelas redes sociais, pela
internet. Não se faz nada sem internet
hoje. Hoje você usa internet para
comprar remédio, para comprar comida,
para sabe para tudo, para pesquisar a a
diagnósticos, né? Eh, eu me lembro que a
o nosso bebezinho mais novo, Azaf, tem
um ano e pouquinho, ele tem síndrome de
Down, né? E eu lembro que eu descobri o
diagnóstico antes da médica cravar,
porque a gente pegou o resultado do
cariótipo, que é o exame genético, e eu
naquela ânsia eu falei: "Cara, deixa eu
jogar". Havia suspeita, né, de que ele
tinha alguma síndrome, falei: "Deixa eu
jogar isso aqui no chat". Joguei no
chat, o chat respondeu lá. Esse
diagnóstico corresponde com a síndrome
de Down, antes mesmo do médico dar a eh
o diagnóstico. Então, assim, esse é o
nosso mundo. Esse é o nosso mundo e aí
sim existem coisas boas nele,
excelentes. Nós estamos aqui usando
isso, né, de uma forma muito positiva.
Eh, vários exemplos de usos positivos,
mas é preciso cuidado. É preciso cuidado
para o modo então como esse ambiente tem
influenciado a nossa maneira de pensar,
a nossa maneira de agir, a nossa maneira
de lidar com o outro. e que o autor faz
muito bem esse diagnóstico aqui, ele
mostra muito bem esses perigos aqui, a
busca pela autenticidade, a questão da
nossa expressão de revolta, a vergonha,
o consumo, a perda de sentido, são as
cinco liturgias que ele mostra, que ele
mostra aqui. Então, tudo isso são coisas
que a gente precisa analisar com
cuidado. E o diagnóstico, a a desculpa,
a resposta, o remédio que ele apresenta
para lidar com tudo isso é se voltar pra
sabedoria bíblica, pra palavra de Deus,
é ter a palavra de Deus como fundamento.
Então assim, é um livro excelente, um
livro que vai te ajudar muito e muito a
analisar você mesmo da perspectiva das
questões que ele tá apresentando aqui, a
fazer o autodiagnóstico
e aplicar, obviamente, o remédio que ele
traz aqui. Muito bom. Vida Nova acerta
mais uma vez num livro que fala muito a
nossa atualidade, né?
>> Muito bom, meu irmão. É isso, cara.
Obrigado mais uma vez. Que Deus continue
te abençoando e te usando aí e te
resguardando nesse ambiente digital para
que você seja luz ao invés de como
muitas vezes a gente acaba tendencioso,
né, sendo dombinado por essas
distrações.
>> Sim, Saur, eu que agradeço. Muito
obrigado. Que Deus nos abençoe e nos
ajude, né? Um desafio para nós e
principalmente para as novas gerações
que, como você muito bem pontuou, nós
somos a última geração que vive essa
transição, né? Os mais novos aí já não
sabem mais o que já não sabem o que é
uma vida desconectada, né? Então eles já
não sabem mais o que é não estar
molhado, né?
>> Não sabem. [risadas] Estão os peixinhos
lá. Coitado essa geração de peixe. Tá
difícil. É isso aí. É isso aí, meu
irmão. Obrigadão, cara. Você aí de casa
que nos ouviu, que gostou dessa
conversa, se interessou pelo livro,
adquira, leia. Um ótimo exercício para
você se ver desintox. icando dessa desse
ambiente digital é parar um pouco com
ele. Ó, terminou aqui o podcast, parou
agora o ambiente digital, aí você pega o
livro e aí você vai ler com calma,
concentrado ali. Quando você
desintoxicar, aí você já volta, vai pros
próximos episódios, que nós temos
dezenas de bons episódios aqui de
podcast da Vida Nova para você. Se
inscreva na sua plataforma, tome cuidado
com as notificações para elas não
atrapalharem sua vida, mas se inscreva
aí na sua principal plataforma de
podcast para não perder os novos
episódios falando sobre coisas
edificantes para você, usando também o
lado positivo do ambiente digital paraa
glória de Deus. [música]
E até a próxima. Deus abençoe.

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