PODCAST VIDA NOVA #95 | REDESCOBRINDO A SABEDORIA CRISTÃ EM UMA ERA ONLINE – WILLY ROBERT
24/06/2026
PODCAST VIDA NOVA #95 | REDESCOBRINDO A SABEDORIA CRISTÃ EM UMA ERA ONLINE – WILLY ROBERT
🎙️ Está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!
Neste episódio, conversamos com Willy Robert sobre o livro Liturgias Digitais, de Samuel D. James.
Ao longo da conversa, exploramos como as tecnologias têm moldado silenciosamente nossos hábitos, desejos e formas de enxergar o mundo, abordando questões como:
📱 Como a vida digital influencia nossos comportamentos e hábitos diários?
🧠 De que forma as redes sociais e os dispositivos digitais moldam nossos desejos e nossa atenção?
⛪ Como a cultura digital afeta nosso relacionamento com Deus e a participação na vida da igreja?
🔍 É possível cultivar uma espiritualidade saudável em um mundo cada vez mais conectado?
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
E aí, eu sou Saor Lucena e seja bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. Você já analisou como o ambiente digital tem [música] moldado a nossa maneira de pensar, falar, agir, toda a nossa experiência com a vida. Você já percebeu como no nosso ambiente digital há uma cultura de consumismo, uma cultura de vergonha, como ele entrega demais muitas opções, mas acaba sem nos entregar o que mais importa, que é a ideia de sentido. E isso ele não tem como fazer, mas o cristianismo, o evangelho nos traz [música] algo que o ambiente digital não pode fazer. Se você quer entender mais a respeito de como se relacionar adequadamente com o [música] meio digital, com a internet, com as redes sociais, sem se deixar dominar por elas, mas ao mesmo tempo entendendo as liturgias digitais existentes em nossa vida, como elas têm exercido um grande papel no nosso dia a dia. E como usar isso pra glória de Deus, sem cair no pecado de nos deixar escravizar pelas redes [música] sociais e pelo ambiente digital. Então, o livro Liturgias Digitais, redescobrindo a sabedoria cristã em uma era online. Vai ser uma bênção para você. Esse livro que é Lançamento da Vida Nova, foi escrito pelo Samuel James. E além disso também você vai ser beneficiado por ouvir a nossa conversa de hoje aqui com o Willy Robert sobre esse livro e sobre esse assunto tão relevante. Se você gosta de assuntos assim, [música] então já se inscreva aí na sua plataforma de podcast preferida para não perder nenhum dos novos episódios que vão surgir por aí. Também assistir as dezenas que nós já temos gravado e também nos dar o seu feedback. com o seu like e o seu comentário. É isso aí, então vamos à nossa conversa. Willly, seja muito bem-vindo ao podcast da Vida Nova. É um prazer ter você aqui com a gente mais uma vez, meu irmão >> Saur, eu que agradeço pelo convite. É sempre um prazer estar aqui compartilhando aí sobre as leituras, conversando sobre os ótimos lançamentos que Edições da Nova tem feito aí e maravilhosas contribuições paraa nossa teologia no Brasil. Muito bom, meu irmão. E mais uma vez, por mais que essa seja a segunda vez, né, que você tá aqui com a gente, espero que é segunda, mas de muitas aí. Ah, eu queria pedir que você se apresentasse para o pessoal que tá chegando agora, que talvez ainda não te conheça. >> Sim, muito bem. Meu nome é Willly Robert, sou pastor Batista, pastor da Igreja Batista Redenção e Juiz Fora, [roncando] eh, e sou criador, eh, e apresentador do canal aí no YouTube Resenha Teológica, onde eu trago aí resenhas, dicas sobre literatura, livros de teologia, literatura e no geral. Sou casado, né, com a Rose, pai do AF, pai do Abner, dois lindos garotinhos aí que o Senhor nos concedeu. >> Muito bom, meu irmão. Muito bom, cara. Hoje a gente vai trazer aqui, né, uma conversa baseada no livro Liturgias Digitais, um dos livros que a Virva lançou recentemente, o Redescobrindo a sabedoria cristã em uma era online. E tem tudo a ver até com o seu perfil, né? Alguém que tá contribuindo pra internet, falando de livros. Ah, eu acho que é legal trazer a sua experiência como um pastor que tem a vida corrida e tem que entender a importância de, em meio a tanta conectividade, saber como se conectar acima de tudo ao Senhor e não a meras distrações. Nós vivemos, né, meu irmão, como num mundo que tá conectado o tempo todo, é, o celular, a televisão, a tablets, computadores, enfim, tecnologia tá aí em todo lugar. E essa tecnologia tem usada, tem sido usada para que a gente se conecte, mas muitas vezes de forma superficial. O que é que essa hiperconectividade tá formando em nós? E por que que o autor, o Samuel James, considera esse tema tão urgente ao ponto de ter escrito esse livro? >> Eu acho que a gente pode começar a nessa resposta a essa questão que você tá levantando com uma parte que me chamou muita atenção, que o próprio autor, né? Ele começa mencionando um discurso de formatura que o David Foss Wallace eh fez, em que ele conta uma fábulazinha, né, de dois peixinhos jovens nadando fundo do oceano e eles cruzam com um peixe mais velho, né? E o peixe mais velho pergunta assim: "Eh, e aí, como é que está a água?" E aí um peixinho mais novo olha pro outro e com aquela cara de espanto, né? E pergunta assim: "Água, o que que é água, né?" Ou seja, eles estão imersos naquilo. Aquilo é o cotidiano, aquilo faz parte da vida deles, mas eles não percebem isso, né? Então, acho que a a internet, a vida conectada, redes sociais e e essa dependência que a gente tem internet para tudo hoje, banco, eh, streaming, enfim, tudo, né? Nós estamos aqui usando inter estamos usando. Inclusive tivemos um corre por causa da internet, né? O socorro aí que foi marcamos um dia, a internet não funcionou, marcamos outro, você tinha se mudado, a internet ainda não tinha sido instalada [limpando a garganta] e aqui estamos nós, né? Então >> existem coisas boas. Existem coisas boas. >> Tem, tem sim. Dá para tirar o lado bom. Mas o ponto dele é exatamente esse, né? a as pessoas estão imersas nesse oceano, rodeados por essa por essa realidade, apesar depois a gente vai falar sobre como que ele lida com a a rede social e realidade, mas as pessoas não têm percebido o quanto que isso tem moldado, tem formado a sua cosmovisão e e não só a cosmovisão no sentido eh abstrato da coisa, né? Mas como que isso tem moldado o seu dia a dia? Como que as pessoas pensam, agem, reagem? E é baseadas na forma como a internet moldou a sua mente, moldou a sua visão da realidade, né? Então ele ele parte dessa ideia, desse pressuposto, identificando isso como um problema, vamos dizer assim, né? E é por causa disso, exatamente que ele escreve para moldar que a para mostrar, desculpa, que a internet ela é um ambiente formativo, ela não é simplesmente um canal, ela não é simplesmente um meio para se transmitir algo. Ela é um ambiente que forma, forma mente, forma vida, forma ação, reação, né? E por isso o título, né? Uma liturgia, né? liturgias digitais, ou seja, eh é essa repetição, eh é essa esse rito que acaba nos moldando completamente. >> Interessante. E você, então acha que nós não podemos considerar o ambiente digital como um ambiente neutro? Seria inadequado pensarmos dessa forma? >> Totalmente inadequado. Por quê? Qual que é o pensamento comum, né? é que a a internet ela depende daquilo que eu estou consumindo. Então, se eu estou consumindo coisas boas, ela é boa. Se eu estou consumindo coisas ruins, ela é ruim. Como se nós tivéssemos então nessa neutralidade e nós tivéssemos a liberdade de escolher ali o bom, usar o bom, usar o ruim. Só que, na verdade, eh, isso é uma, isso é um equívoco, porque, como o próprio autor demonstra, eh, não é simplesmente você fora do ambiente escolhendo o que você vai colher naquele ambiente, né? Você já está dentro, ela já moldou a sua forma de pensar, ela já moldou a sua forma de enxergar tudo isso, né? Então, enfim, há há um um certo padrão de formação imperceptível, né? Imperceptível. forma como você lê, a forma como você enxerga tudo isso. Então, não é simplesmente, então, tipo assim, ah, tô escolhendo o bom e estou e não estou escolhendo o ruim. O próprio fato de eu estar num ponto onde eu me acho no no papel de escolher ou não, esse ponto ele já está moldado pela internet, ele já está moldado pelo digital, né? Então não é, enfim, não é neutro, né, de forma alguma. Interessante. Interessante. E as pessoas não percebem, né, como você falou, aquela história do do peixe, né, eh, tem a ver com uma outra frase que também é conhecida, que é a pior pessoa, né, o pior ser para você perguntar o que é estar molhado é o peixe, porque ele não sabe o que é estar molhado para dizer o que é estar molhado, né? Ele tá sempre naquele estado, ele nem percebe. É daí que vem essa fábula que você contou. E eu acho que esse é um problema que a gente vê das pessoas, elas estão tão imersas que elas nem sabem mais o que é não estar conectadas. E isso para um adolescente, para uma criança. Hoje crianças, os pais colocam telas já para, ah, vamos a um restaurante, coloca tela na frente de uma criancinha lá de 1 ano e meio, 2 anos e daí por diante você vê todo mundo com a cara no celular. Ah, principalmente essa geração mais nova que já tem crescido com celulares e até com inteligência artificial, né? Elas nem sabem o que é não ter a tecnologia à disposição. Eu e você, a gente vem de uma época que teve transições. A gente cresceu num mundo onde nós saíamos para correr na rua, não sujávamos de lama, passávamos o dia brincando, chegávamos em casa, tinha ali uma TV, às vezes tinha alguma coisa, mas não era aquela TV que a gente colocava no que a gente queria sempre, na hora que quisesse para assistir quantos episódios seguidos. tinha que esperar semanalmente às vezes aparecer o novo episódio do que a gente gostava. Era um pedacinho só do nosso dia e não o dia inteiro nisso, né? é muito diferente. Agora, a gente tem falado eh de como essa internet, esse ambiente digital nos molde e você falou, a molda fala, molda pensamento, mas tá de maneira mais prática, que que exemplos nós poderíamos dar de como é que elas estão moldando nossos pensamentos, nossos desejos, a maneira que nós enxergamos o mundo? >> Cara, muito boa sua pergunta. Eu acho que assim, eh, é algo, eh, como a gente tá nesse automático, né? Então os próprios exemplos eles parecem bobos, porque é como você falou, a gente tá nessa geração, nós somos essa última geração que viveu essa transição. Então, essa geração que vem agora, eles não vão saber mais, por exemplo, daqui alguns anos, o que é você ter uma dúvida e não ter um Google. O Google hoje em dia com inteligência artificial, o Google ficou até para trás, né? Na verdade é não, mas eu porque assim, você digita no Google e o próprio Gemin já te dá a resposta com inteligência artificial, né? Então assim, >> sim, sim, >> cara. [limpando a garganta] Então, então veja, eh, eh, eu ontem, por exemplo, eu tava no trabalho, aí eu precisava fazer um um cálculo lá de de do raio de um de um de um arame que eu trabalho. Aí eu fiquei assim, gente, como é que eu vou fazer isso daqui pensando? Falei simples. Eu tirei uma foto, joguei no chat GPT e falei assim, ó, esse arame tem um diâmetro de 25 cm. Eu preciso saber quantas voltas eu preciso cortar para ele ter 5 m de de comprimento. Cara, ele deu a resposta assim, ó, com um segundo, cara. Nossa, antigamente a gente ia ter que fazer um cálculo, né, de especialista, ligar para um engenheiro lá, [risadas] >> percebe? E assim, não é dizer assim: "Ah, mas é porque eu trabalho, não, o meu trabalho do dia a dia, eu trabalho como montador." Então, assim, sabe, é uma coisa, olha, olha onde a tecnologia já entrou e como que ela te formou. Então, eu tava mudei recentemente de cidade, você mencionou aí, aí eu quis, estava procurando bairros, né? Eu fiquei antigamente, como é que você faria isso? Você perguntaria para alguém, ó, qual um bairro, escola e tudo mais? Joguei no chat, ele me respondeu: bairro que proximidade de escola, proximidade de mercado, proximidade de farmácia, tudo para ajudar a escolher. Então, percebe? Ah, aí alguém pode ouvir esse exemplo prático e pensar assim: "Gente, mas isso é uma coisa boba normal." Sim, porque nós estamos completamente moldados já por essa realidade, né? Essa é a nossa realidade. Eu vi outro dia uma coisa que me cortou o coração, nós aí com os seus 30 aí, lavar bolinha, né? Uma enciclopédia Barça no lixo. >> Aham. Nossa, cara. Nossa. E aí eu passei, eu falei: "Rapaz, olha isso. Antigamente você pag dividir isso aqui para pagar, enfim, meses pagando isso daqui para ter uma >> patrimônio. Era >> era patrimônio. O eh o avô da minha esposa tinha uma barça dessa e o pessoal do bairro da casa dela, isso anos e anos atrás iam lá para consultar, cara. Então isso na época ainda da mãe dela, né? Mas os amigos da mãe da minha esposa iam lá para consultar porque o avô tinha uma barça e era algo que poucas pessoas tinham. Então bora lá para consultar para fazer uma atividade na casa. mesmo. >> É, se se tornou se tornou então o o nosso dia a dia, o nosso formativo. Você uma dúvida, você não pensa mais, poxa, biblioteca pública, vou ir lá conversar com o bibliotec o bibliotecário para ele me indicar tal livro. Com o celular na mão, você resolve isso. Então, assim, é esse comum que se tornou comum no nosso dia a dia, que já é assim uma forma de sermos moldados, né? E e assim, eu eu sei que a gente vai entrar nisso, mas já adiantando, né, para não parecer então que nós estamos advogando aqui uma antitecnologia, né, de forma alguma. >> É só é só e o autor também não faz isso, >> é só uma leitura da realidade que nós estamos inseridos, eh, reconhecendo que sim, isso está nos moldando, >> sim, >> isso está eh eh formando a nossa mente, formando, enfim, a nossa visão da realidade, né? Não, com certeza tem coisas boas. A gente tá usando aqui esse microfone, a internet, a tantas outras coisas, né? Você usou aí a inteligência artificial para fazer um cálculo, enfim, tem muitas coisas que a gente pode usufruir que são boas, realmente. Ah, mas a gente tem que perceber também certas moldagens da tecnologia na nossa vida que não nos fazem bem, né? Ontem mesmo, interessantemente, se conectou com o que a gente tá falando agora. Ontem eu estava no na igreja, a gente estava fazendo um encontro com os membros para dividir em pequenos grupos ao redor ali do ambiente e a gente estudar Romanos 12. Foi um dos últimos textos que eu preguei na série em Romanos. E a gente tava refletindo mais uma vez sobre o que aquele texto dizia, sobre o que nós aprendemos no sermão. E a parte, a segundo versículo de Romanos 12 diz sobre a gente não se deixar moldar. E essa é a ideia, né? Esse é o termo, não se deixar moldar pelo nosso século, pela sociedade à nossa volta. E a ideia ali é até, né, esse molde mesmo, como a gente pensa, por exemplo, uma caçamba de gelo, você coloca a água ali e ela vai ter aquele formato, né? Parênteses aqui, meu amigo, esses dias eu tenho corrido, machuquei o joelho, aí precisei comprar mais caçamba de gelo, que essa que eu tinha aqui não tava sendo suficiente não para colocar. Cara, tem 1 milhão de opções de formatos de cubo de gelo. Não é mais nem cubo, né? Formato de gelo. É de tudo que é for é redondo, é quadrado, é triângulo. Tem forma que eu nem lembro mais o nome, certo? Tem que perguntar pra inteligência artificial para lembrar. Mas voltando então essa ideia do molde e a gente vê esse molde na nossa vida, eu diria até você falou sobre ir até um bibliotecário para pegar a indicação de um livro. Cara, a gente não confia mais no bibliotecário para pegar a indicação de um livro. A gente não confia mais nas pessoas. Isso é um exemplo de um molde, porque ah, eu vou perguntar para ele, ele não sabe mais do que a inteligência artificial. Sobre quais livros falam sobre isso? Vou perguntar para pra inteligência artificial ou a ideia do da cultura do cancelamento. Uma outra forma que a tecnologia tem nos moldado, né? Se aquilo não está do jeito que nos convém, vamos eh desistir dele, vamos difamá-lo, inclusive vamos criar todo o movimento para ir contra quantas vezes a gente faz isso. E isso tem a ver com esse molde da internet, do ambiente digital pra gente. E tantos outros que a gente poderia falar até a questão do ser tão conectado e ao mesmo tempo tão antissocial. Esses dias eu tava na academia e eu tava precisando usar um step que tava eh apoiado na parede e tinha um celular e uma garrafa em cima. E eu cheguei assim, procurei [roncando] para ver quem era. Aí tinha uma moça lá, eu cheguei para ela, fiz só assim, acenei, ela tava com fone de ouvido, né? Mais tecnologia aí que nos exclui do mundo. Mas aí eu dei uma cenada assim, fiz: "Ah, isso aqui é seu?" Cara, ela olhou para mim, lançou aquele olhar frio assim de quem é você para falar comigo? Como assim? Você está se referindo a mim? Pegou as coisas e foi embora. As pessoas não falam mais. >> É isso aí. Você já experimentou algo parecido, Will? >> Sim, sim. A a é o é aquela famosa frase, né? A a conectividade, ela nos aproxima de quem está longe, ela nos distancia de que de quem tá na nossa frente, né? E é e é isso, né? a a você fica ali dependente, conectado o tempo todo, mas perde a conexão real com o mundo real, né? Eh eh o o autor trabalha um pouco disso aqui no livro também, que é a questão da realidade, né? A a existe uma realidade concreta criada por Deus. E aí a gente acrescenta aqui família, interação social, pessoas à nossa volta, né? Mas essa conectividade eh eh enfim, massante, ela nos inclui, ela nos adiciona numa outra realidade, né? Se se a gente pode chamar isso de realidade, né? E e assim é é uma realidade, é um mundo, então, em que você pode, entre aspas, ser o que quiser, você pode agir como quiser. E o mais impressionante, mais impressionante como que as pessoas são diferentes, como que a pessoa é de um jeito na rede social, se comporta de um jeito no mundo conectado e pessoalmente parece outra pessoa. Pessoalmente, sabe? Eh, eh, eh, é assim, você conversa, fal assim, mas esa lá, não é, não é a mesma pessoa, ela não está aqui, então, argumentando com aquela mesma ferocidade, né? Ou o contrário, né? Ela não demonstra toda aquela amabilidade, né? Porque é é um mundo, é uma realidade, entre aspas, de faz de conta, né? Perdoem aí o o paradoxo, né? [risadas] Não, não, mas é isso mesmo. É isso mesmo. E é interessante então que o autor ele percebe várias formas em que a o ambiente digital tem nos moldado, em suas liturgias, em seus padrões que nós repetimos e vamos ali seguindo. Mas ele destaca principalmente cinco exemplos, né? E um desses temas que ele aborda é a ideia da autenticidade. O que é que ele quer dizer com isso, né? O que é que essa ideia de autenticidade ensina e por que que ela é tão atraente paraa nossa cultura contemporânea? Boa questão. Eu achei bastante interessante como que o autor trabalha isso. Eh, o ele mostra, né, que a o roteiro dos filmes da Disney e a letra das principais canções das paradas de sucesso aí são letras que evidenciam exatamente essa ideia. Seja você mesmo, você pode tudo que você quiser, você consegue e tal. É aquela ideia então de que o eu ele é a medida de todas as coisas. >> Uhum. >> E isso já é verdade no mundo real. Por quê? >> Eh eh naturalmente todo indivíduo ele mede o mundo da sua própria perspectiva, né? Não tem como eu ver o mundo, né? Da sua perspectiva, porque eu não sou, né? >> Certo. Uhum. E no mundo digital isso é aumentado, aumentado, [limpando a garganta] mas assim muito, muito, muito, porque além de ser um indivíduo que enxerga todo o resto da sua própria perspectiva dentro dessa naturalidade que eu acabei de dizer, isso se expande pro mundo da internet que ele é muito mais amplo. Enquanto, por exemplo, aqui nós estamos conversando, duas pessoas aqui conversando, um perfil de rede social, você tem ali quantas pessoas, quantas milhares de pessoas ali ao mesmo tempo, né? E aí, ou seja, nesse ambiente múltiplo e vasto, eh, prevalece cada vez mais, então, essa ideia de que eu tenho que ser eu, eu tenho que ser diferente. A minha verdade é que tem que prevalecer, a minha visão da realidade é que tem que prevalecer. É, é, é a minha vontade, sabe? O, o eu, então, ele se torna o padrão, ele aumenta ainda mais nessa ideia de ser o padrão de tudo, né? >> Uhum. Sim, sim. É verdade, meu amigo. E aí a gente entra em complicações, né? a gente vê numa sociedade atual essa questão de já que você tem que ser uma versão tão única, as pessoas estão tentando até mesmo criar versões exageradas de si mesmo ou até versões completamente diferentes da existência para que elas sejam únicas. Então é gente se dizendo animal, >> porque aí olha como eu sou único, né? é, >> eh, gente se dizendo, enfim, são tantas loucuras por aí e que que essa ideia de autenticidade se transforma numa busca por algo que acaba deixando de ser você. >> Exatamente. É interessante acrescentar aqui também, Saul, um outro elemento que tá conectado com esse, que é o elemento tribal, né? Que sentido que eu digo isso? Sou autêntico, tenho a minha percepção das coisas. Aí tenho aqui, por exemplo, o meu perfil na rede social. E aí eu vou ser cercado. Então, enquanto no mundo real eu sou cercado por pai, irmão, amigos, poucas pessoas. No mundo digital eu sou cercado, então, por milhares de pessoas. dessas milhares de pessoas que acompanham então esse meu perfil, a grande maioria são pessoas que concordam comigo, então são pessoas que vão validar aquilo que eu penso, vão validar aquilo que eu produzo, vão validar as minhas ideias. E olha, olha que olha que fascinante. Fascinante aqui não no bom sentido, né, obviamente. Eh, enquanto no mundo real as minhas ideias opostas, as minhas ideias, desculpa, elas são opostas, ou seja, vão existir pessoas que vão concordar ou não e você vai ter que lidar com isso? No mundo digital é muito simples. Se você então está no meu perfil e discorda do meu posicionamento, o que que eu faço? Eu te bloqueio, cara. E aí, cada vez mais eu estou sendo cercado de pessoas que estão só batendo palma e dando joinha para aquilo que eu tô fazendo. E todo o contraditório eu tô excluindo, eu tô bloqueando, eu tô deixando de lado. Por quê? Porque é o meu mundo, é a minha verdade, é a minha autenticidade, né? Cercado aí por outros que, enfim, estão ali contribuindo com isso, né? É verdade. Então, nisso a gente acaba criando cada dia mais essa utopia do eu, né, criando a nossa própria esfera de realidade. E a tecnologia tem muito a ver com isso. As próprias inteligências artificiais funcionam muitas vezes como esses bajuladores eternos que estão ali sempre para afirmar que nós estamos certos, nós somos lindos, né? Fizemos algo incrível. Sei, >> quando muitas vezes nós poderíamos aprender com outras pessoas que estão ali fazendo correções úteis para o nosso crescimento, mas a sociedade não tá mais em busca disso, né? E aí, nesse criar um novo mundo, seria, você concorda que a ideia de autenticidade, uma busca incessante por ser eu mesmo, acaba se tornando, ao invés de liberdade uma prisão do eu? >> Com toda certeza. Você fez a leitura corretíssima. Com certeza. Por quê? Porque veja, na na vida real é muito difícil você sustentar um personagem. >> Uhum. >> Né? Por quê? Porque, meu amigo, o mundo real tá aí, as coisas e estão aí, os compromissos, a família, tá tá tá tudo aí. Você tem que lidar com todas essas coisas. No mundo digital, você pode sustentar um personagem porque você se apresenta como quer, você posta aquilo que quer. É, é, é aquela velha máxima que eu tenho visto >> quando quer, né? >> E quando quer, exatamente que eu tenho visto pastores falarem muito sobre isso. E eu também como pastor já orientei bastante a igreja sobre isso, que é o seguinte, na na no mundo digital tudo é perfeito, cara. Todo mundo é muito bonito, todo mundo é muito feliz, tudo tá dando muito certo. O trabalho ele é o melhor que existe, a família ela é a melhor que existe. Todo mundo lê só coisas legais. As leituras são maravilhosas, os filmes que estão se vendo são coisas maravilas, as férias, tudo, a paisagem é, sabe? Ah, povo posso estar aqui foto de uma paisagem, que coisa legal, que coisa bonita e tal. Mas por quê? Porque tudo isso é fabricado, tudo isso é produzido, tudo isso é feito e é óbvio, ninguém vai ficar postando coisa ruim, coisa feia, né? Isso, isso, isso é é como dizer, é mais uma questão natural, mas que também mostra como a gente tá moldado por isso. E aí, se eu só posto leitura legal, férias bacanas, comidas legais, restaurantes legais, paisagens bonitas, isso vai validar o quê? Só pessoas curtindo, só pessoas validando, só pessoas dizendo: "Uau, que legal, que pessoa bacana, que pessoa maravilhosa, que que vida legal, que vida perfeita que esse indivíduo tem." E e aí você gera os dois efeitos, continuar validando esse faz de conta, entre aspas, esse mundo fabricado daquele que está produzindo e gera no outro também, no espectador, aquela ideia assim: "Gente, minha vida é horrível. Minha vida é horrível, porque as minhas férias não são tão legais assim, as minhas leituras não são tão legais assim. Tem livro ruim que eu demoro a acabar ou que às vezes eu deixo para lá. Essa pessoa não, essa pessoa lê todos até o final, né? Ah, o trabalho. Poxa, meu trabalho é tão ruim. Olha o trabalho dessa pessoa, que coisa bacana. A família, nossa, eu tenho tantos dilemas com pai, com mãe, com irmãos, com filhos. Olha que família perfeita, sabe? acaba fazendo então que enquanto valida o eu, o ego de um, faz com que o outro entre numa espécie de, sei lá, de de depressão da sua própria realidade, né? Não entendendo que de novo, vida digital, gente, é [roncando] vida fabricada, né? É vida que que enfim >> é vida selecionada ali, né? Você só coloca os melhores momentos. Até o que eu falei da ideia do não só escolher o que postar, mas quando postar, porque tem aquele dia que você não tá com energia para encarnar o personagem e aí você não posta, mas no dia que você tá, você vai lá e posta, >> né? >> E essa é a prisão do eu que você mencionou. Por quê? Porque quem tá produzindo isso, ele começa a receber validação e aí ele tem um dia de frustração. Quer dizer, um dia ele tem vários momentos de frustração, mas ele precisa produzir na rede aquele aquela vida ideal, aquela vida perfeita. E, enfim, ele fica preso nisso, né? preso, preso, preso. >> Então, mesmo quando ele tá mal, então, ao invés de poder ter a liberdade de expressar, né, esse momento de de estar mais para baixo, ele tem que encarnar esse personagem e nessa prisão ser carregado pelas correntes para se postar novamente nas redes sociais, né? É aqueles vídeos que quase todo mundo já viu, né, que as pessoas pegam aquele flagra, né, das pessoas que fazem aquela pose, aquele sorriso, tira a foto, aí depois todo mundo cai o semblante como se tivesse, sei lá, sendo torturado, [risadas] né? >> Não é verdade? Nossa, verdade. Verdade. Quantas vezes nós fazemos isso, né? A, >> e hoje, nesse mesmo aspecto dessa [roncando] autenticidade existe e tá totalmente ligado ao que a gente tem falado do se postar e tudo mais, quase que uma pressuposição de que todos nós estamos constantemente sendo incentivados a expressar as nossas opiniões únicas, né? Já que somos os únicos, >> temos que expressar as nossas opiniões. >> E no mundo que leva a democratização a um exagero, muitas vezes tóxico, não não importa se você eh está pronto ou não para dar a sua opinião. Todos têm que dar a opinião, porque todos têm opinião para dar, né? E aí, como é que isso afeta o lado oposto? Se, já que eu tô falando tanto, como isso afeta a minha audição, a minha capacidade de ouvir, de ao invés de me colocar como um especialista de YouTube, né, a minha a minha habilidade de aprender, cultivar a humildade, me colocar ali como um aprendiz e não como um professor, porque todo mundo é professor de todo mundo no Instagram, nas redes sociais, né? Mas como essa incentivação do expressar opiniões acaba afetando essa minha capacidade de ouvir, de aprender, de ser humilde. >> Afeta completamente por o esse mundo de validação, ele faz com que o indivíduo se torne impaciente. E se tem uma coisa que você precisa ter para ser empático, né, é paciência. Você precisa ouvir o outro. Você precisa a a analisar a realidade da perspectiva do outro. Então, vou te dar um exemplo. Todo mundo fica nervoso no trânsito, né? Por quê? Porque todo mundo >> ali, o pecado age com mais força, irmão, [risadas] >> né? Por quê? Porque todo mundo encara o trânsito dentro da sua própria realidade, dentro da sua própria necessidade. >> Então, se eu estou compressa, eu tenho lá o meu motivo para estar com pressa e tal, às vezes e eh é trabalho, é tô levando uma pessoa doente pro hospital e tudo mais, eu expresso a minha revolta com os outros que estão ali, não sei como estão, mas estão ali no trânsito também. E aí eu tô com pressa, imagina então tô levando a criança no médico, tô com pressa, quero passar e uma pessoa me fecha, não me deixa passar, aquela coisa toda. Beleza? Agora imagine que você é o que tá no outro carro. Eu estou agora na minha vez tranquilo, passeando e tem alguém vindo e quer passar e aquela coisa toda e ao mesmo e aí isso vai gerar em mim o quê? Revolta que pessoa apressada que não espera e tudo mais. O que que eu tô querendo dizer com esses dois exemplos? Um tem o seu motivo de estar compressa, tem a sua urgência, o outro precisa pensar o quê? Então, poxa, essa pessoa que tá aqui nessa nessa pressa toda, ele deve ter um motivo. Mas veja o exercício que eu tenho que fazer para eu chegar nesse raciocínio e ser então o quê? Empático, né? Agora, transferindo isso paraa rede social, cara, a rede social, o mundo digital, você perde completamente essa essa capacidade de ser empático e de ter paciência. Por quê? é a validação do eu todo a todo tempo. Então, não importa o que o outro tá pensando, o que o outro está sentindo, o que o outro está vivendo. Se não está de acordo com a meu pensamento, se não está concordando com a minha postagem, ele vai ser detonado. Eu não tô nem aí para ouvir o que ele tem, o que ele sente. Tem que ser o eu, tem que alimentar o eu, tem que, sabe, tem que trazer a a a minha realidade à tona tem que prevalecer. Então, eu acho que é um pouco disso. A gente eh a a essa formação então que a rede social, que o mundo digital coloca na nossa mente, tira essa nossa capacidade de enxergar então o outro como um ser também, assim como eu, que tem também dilemas assim como eu, que tem também problemas assim como eu, que precisa também de ajuda assim como eu, sabe? E e acaba vivendo, então, virando o quê? Então, só o eu, eu, eu, eu, eu, eu, os outros que se adequam à minha realidade, à minha verdade. Quem não se adequar, eu bloqueio, eu eu excluo e eu vivo nesse mundo de faz de conta o tempo todo, em que eu sou endeusado, né? E e é uma vida que ela traz mais, sei lá, usando o jargão aí, né? Ela traz mais dopamina, né? Ela traz mais validação, né? Então o pensa num adolescente que às vezes tá lidando com problemas na escola, com problema com os amigos e tudo mais. Na no mundo social ele não tem isso. No mundo social ele se fecha no seu mundo, no seu organismo, al mundo digital, né? >> No seu mundo digital. Exatamente. E ali é perfeito. Ali é perfeito para ele. >> Uhum. É verdade, cara. essa questão de todo mundo querer dar sua opinião e ao invés de entender a importância de aprender, ela se vê muito nitidamente realmente na nas redes sociais. Eu lembro que após alguns anos já produzindo vídeos paraa internet, tal, trabalhando com isso, até com outras outros parceiros, enfim, eu lembro que algumas pessoas mandavam mensagem para mim e pensavam e diziam assim: "Olha, me converti agora faz pouco tempo, tô pensando em começar um canal para falar sobre a minha fé, sobre teologia, para evangelizar a minha família e não sei o quê". E eu falava: "Mas esa aí, você acabou de me dizer que se converteu faz pouco tempo, como assim você já tá querendo fazer um canal [risadas] para [limpando a garganta] ensinar outras pessoas sobre teologia e tal?" Ah, não, mas é porque eu tenho que evangelizar as outras pessoas. Digo, "Tá bom, por que você não evangeliza aí no seu círculo [risadas] social? Por que que [limpando a garganta] você não vai evangelizar ali conversando com as pessoas à sua volta?" Porque tem que ser na internet, >> né? E as pessoas recém-convertidas, isso a gente pode pegar para qualquer área, né? a pessoa não tá ali nem preparada para aquilo de maneira alguma e ela já quer trazer as opiniões dela, ela já quer trazer os insightes dela. >> Eh, eu lá na igreja, vez por outra eu encontro pessoas que mal chegaram, já estão pensando em ir para o seminário, fazer teologia, dar virar pastor, ser missionário e ser apologeto. É uma mistura de coisas. E cadê, cadê esse aspecto do Pera, pera, deixa eu aprender aqui antes, deixa eu ser cuidado aqui. >> É >> claro que a gente nunca vai estar 100% pronto para ensinar e também não pode dizer, então, ah, então nunca vou ensinar. Não, não é esse aspecto, mas existe o momento principal de você realmente ficar mais focado nisso. Ao longo da sua vida você vai aprender, mas existe um momento principal de você, pera aí, eu não tenho que ser precipitado em dar minha opinião, >> né? E até sobre eventos que acontecem, tem gente que qualquer evento que sai já dá uma opinião sobre aquilo, né? Vira comentarista de notícias. Então, problemas. >> Sim. E e e a e de novo [limpando a garganta] a gente bate nessa tecla porque isso tem de fato formado a mentalidade das pessoas. É a corrida para ser viral, né? Então olha o número, o tanto de postagens que a gente tá vendo sobre futebol recentemente. Por quê? na no mês da Copa. Então, sei lá, a pessoa tem um um um trabalha com culinária, ela vai postar alguma coisa da Copa. O camarada trabalha com, sei lá, endocrinologia. Ele vai postar alguma coisa da copa do futebol, sabe por quê? Porque tem que alcançar o viral. E aí entra no que você tá dizendo. Por quê? Porque, cara, às vezes, a maioria são pessoas que não fazem ideia de de de quantos lados tem uma bola, né? >> [risadas] >> E e e sabe, ah, aconteceu, sei lá, vamos pegar os últimos eventos aí, quando estourou a guerra da Rússia com a Ucrânia uns anos atrás, todo mundo virou especialista de guerra. Impressionante. Todo mundo, todos os canais falando sobre guerra, falando sobre tudo aí, sei lá, Palestina, Israel, todo mundo é especialista em conflitos no Oriente Médio. O próximo evento que vai que acontecer aí viral, já vai ter todo mundo especialista nisso. São os famosos tudólogos, né? E por que isso? Porque de novo é uma câmera, tô diante de uma câmera, tô falando e vou receber a validação, vou receber aqueles que vão aplaudir o apoio, né, a tribo e enfim, é muito complicado isso, né? >> É verdade, meu amigo, é verdade. Inclusive, não basta ter uma opinião, é uma opinião forte, né? Porque aquela opinião assim que você defende o seu lado como se ele fosse a coisa mais lógica do mundo. 2 + 2 ig, não há como discordar disso. E qualquer um deveria ser capaz de perceber isso. E uma indignação então extrema com quem pensa diferente. E aí vem um outro aspecto da dessa sociedade digital, né, essa indignação e tal. Como é que um cristão pode discernir, meu irmão, entre a diferença entre uma indignação alimentada meramente por uma raiva constante que a sociedade inspira em nós, mas também uma indignação que é justa. Porque há indignações justas, há indignações que a palavra mesmo, que a escritura mesmo louva, né? Como é que a gente pode discernir o que é uma indignação justa com o que é uma indignação contra o diferente? ou contra o que falo que eu não quero ouvir. >> Ótima questão. E e ela é uma questão que eu acho que ela ela ela traz o o definidor de todas as coisas. Se a gente tá falando então que o ambiente digital ele não é neutro, que ele é formativo e que ele molda eh a nossa mente, a nossa reação, o para nós cristãos, isso isso não se na verdade isso não se encaixa para ninguém, mas para nós cristãos, principalmente, por quê? Porque o que nos molda é a Bíblia, é a palavra de Deus. Independentemente do ambiente onde eu estou, independentemente do contexto onde eu estou, eu como cristão, eu sempre devo ser moldado pela palavra de Deus. Quem me influencia a minha cosmovisão, o óculos pelo qual eu enxergo todas as demais coisas são as escrituras sagradas. Então, nesse sentido, ao invés de eu entrar numa revolta coletiva e faz e dar mais voz a um couro, a um couro, desculpa, dar mais voz a um couro de indignação coletiva nas redes sociais, eu vou analisar aquele evento, aquela situação específica a partir da ótica bíblica. E se eu vou expressar então a minha opinião, ela deve ser fundamentada na palavra de Deus, ainda que isso vá na contramão de toda a indignação coletiva que tá viralizando nas redes sociais. E aí a gente entra eh eh nos contrastes. Por exemplo, a indignação eh eh antibíblica do mundo digital, ela é impulsiva, ela não tem compromisso nenhum com a restauração, ela é simplesmente de momento. A indignação bíblica, ela visa, primeiro lugar a justiça divina, manifestar ali a justiça que está eh registrada na Escritura Sagrada. Então, por que tal coisa é errado? É errada. Ela é errada porque a palavra de Deus diz isso sobre essa coisa. Ponto. Tal indivíduo que está praticando essa ação errada, ele deve ser confrontado à luz da Escritura Sagrada. E a escritura sagrada, ao confrontar um erro, seja ele qual for, ela confronta do ponto de vista da restauração, de apresentar, então em Cristo restauração, perdão, graça, como aconteceu com todos nós. As pessoas às vezes esquecem que todos nós temos na nossa natureza a capacidade de ser muito pior do que aquele indivíduo que nós estamos indignados. O que nos difere? Graça de Deus. E a mesma graça de Deus, então, que veio sobre nós e que nos preservou de praticar tais maldades, deve ser oferecida ao outro também. Então, quando eu apresento a minha indignação, a minha revolta justa, [roncando] ela deve estar fundamentada na Escritura Sagrada e ela deve visar a restauração. Então, no mundo, você mencionou a aí, né, a questão do cancelamento, né? Olha só, alguém faz alguma coisa errada, isso viraliza, todo mundo expõe ali suas opiniões contrárias, os seus vídeos raivosos e tal. Passa uma semana, acabou, ninguém lembra mais. E o que que aconteceu com aquela pessoa? Houve uma restauração, houve, sabe, houve uma busca por recon. Ninguém quer saber. Por quê? Porque agora a gente já tá lembrando, >> percebe? E agora a gente já tá preocupado com o próximo, o próximo viral que nós vamos aí apresentar nossa indignação. A indignação bíblica ela não é assim, né? Ela busca o quê? Restaurar esse indivíduo, trazê-lo de volta à luz. Me lembro ali do apóstolo Paulo quando escreve aos Coríntios, né, na sua carta, apresentando aquele indivíduo que estava em pecado grave, né? E na segunda carta ele orienta a uma restauração daquele indivíduo, né? A a comunhão. Então veja, >> restauração, indignação, erro, sendo apresentado, sendo mostrado, mas visando restauração. Nas redes não é assim. >> Nas redes é só o indivíduo da vez que é alvo da nossa raiva impulsiva e depois a gente parte para outro e depois parte para outro e é só assim, né? um looping praticamente >> é realmente complicado. Só que ao mesmo tempo que tem todo esse aspecto do indignação e do se achar superior e mais justo, existe também um outro assunto destacado pelo autor da nossa sociedade que é a vergonha, né? como é que a internet produz uma cultura de vergonha em nós. >> A gente tá falando aqui dos indivíduos, então, que expressam a sua raiva, a sua revolta, eh, e tal. A, a, a ideia da vergonha, ela tá na perspectiva do outro, né? Porque veja, quando aparece na internet uma acusação, então sei lá, deixa eu pegar um exemplo bem bem bem grave, bem chocante, né? A fulano de tal é um criminoso. Aí todo mundo criminoso, criminoso, criminoso. Mas vem um ponto, será que é verdade? Por quê? Porque existe muito linchamento virtual, digital que não se sustenta, na verdade são são histórias fabricadas, são ideias fabricadas e as pess e e muitas pessoas então acabam sendo vítimas do que a o ambiente digital com fake news, né? Notícias falsas, né? Até, cara, pegando um exemplo aí, você falou de um exemplo forte e tal, existem documentários sobre casos em que a mulheres ou mesmo jovens ali começaram a difamar um homem dizendo que ele havia abusado delas. >> Uhum. >> E toda a sociedade então automaticamente começou a defendê-las e a condenar aquele homem. E realmente se houvesse algo, eh, tem que defender e tem que realmente haver um tipo de justiça. >> Mas o problema é que depois se percebeu que aquele homem não havia abusado da da jovem. E o problema é que quando se percebeu isso, não houve uma tentativa de restauração e de perdão e de arrependimento. E na verdade a vida daquele homem já havia sido destruída. A esposa havia largado, os filhos não queriam mais saber dele, a perdeu o emprego, a sociedade o escanteou e ali já estava feito o estrago e apenas algumas poucas pessoas agora reconheceram que ele era inocente. Então é o que você é um exemplo aí do que você tá falando, né, de desse aspecto do ser precipitado em em trazer uma condenação e aí traz a vergonha e depois deixa nisso. >> Sim. E exatamente por esse ponto, porque como a gente tá falando, como o mundo digital funciona eh eh fundamentado na indignação da vez, a pesquisa de fato para saber a veracidade daquela acusação, ela ela raramente é feita. E a pessoa que é eh alvo dessas eh notícias falsas, acusações falsas, ela permanece como um vilão, ainda que inocente. E aí vamos a a abrindo um pouco eh o leque dessa questão, voltando a falar da questões de da questão de jovens e adolescentes, né? Eh, para jovens e adolescentes isso também é muito agravado, porque já é uma fase da vida mais difícil, mais sensível de formação, de de personalidade e tudo mais. Às vezes é muito bullying é feito eh eh digital, né? E a pessoa acaba se fechando, então na retraída por aquelas questões e não só acusações, mas eh sei lá, esse tribalismo, né? alguém que não se encaixa ali naquele grupinho, seja de escola, seja do que for, e acaba sempre sendo ali massacrado, massacrado, massacrado. E infelizmente, infelizmente isso causa mortes, tá? Isso causa mortes, isso tira vidas. Essa vergonha por essa exposição, ela é fatal em vários casos. Isso precisa ser analisado com muito cuidado, né? É verdade, é verdade. É, meu amigo, então é esse é um dos outros problemas do ambiente digital. Um outro que o autor destaca é que no universo online nós lidamos com o desejo do consumo. >> Sim. Aos poucos somos ensinados a concluir que tudo deve ser consumido. E a gente quer comprar algo novo, a gente quer usar algo que é novo, a gente quer fazer parte de desse ambiente que fala de novidades o tempo todo e de pessoas adquirindo e consumindo. E quando isso começa a impactar como nós tratamos com Deus, a a igreja, a espiritualidade como produtos, como é que nós vemos essa conexão acontecer? que exemplos então mostram essa transição do consumismo de da sociedade e a maneira de olhar para coisas simplesmente como produtos para serem consumidos, passando para para como nós tratamos com Deus, com a igreja e mesmo com outras pessoas. >> Uhum. Eh, existe um aspecto natural da do mundo digital. Eh, e digo natural porque, por exemplo, sei lá, você quer comprar um celular novo, né? Aí você vai e faz uma busca na internet por um aparelho. Você começa a ver uns vídeos de de unboxing, react, né, e tal, sobre aqueles aparelhos para ver, enfim, melhor câmera, capacidade, processador, aquela coisa toda. O algoritmo capta isso e o algoritmo, meu amigo, ele começa a te bombardear ali de celular, vídeo patrocinado, aquele monte de coisa. Ou seja, você acaba eh sendo alimentado então por aquele desejo. E às vezes um desejo, uma simples curiosidade, ela alimenta em você um desejo, um desejo por uma necessidade que você não tem. >> Uhum. >> Né? Numa cidade que você não tem. E aí, aí no o final dessa conta, na maioria das vezes, é o quê? você comprando algo que você não precisa, porque você tá sendo bombardeado, bombardeado, bombardeado. Isso faz com que a gente veja tudo então com essa facilidade de ter informação, de consumir, de obter e e aquela coisa toda. A isso passa pros relacionamentos também, né? Então, pensa famosos. Eu vi essa eh ontem um vídeo de uma de uma menina que é famosa na internet. contando assim aos prantos, né? Ela estava no velório da avó e por ela ser influente e ser famosa, uma pessoa chegou e pediu para tirar uma foto. Você imagina ela no velório da avó ali chorando porque a avó morreu. A avó ali num caixão sendo velado e uma pessoa chega: "Você é a famosa fulana de tal, vamos tirar uma foto comigo." Quer dizer, ela a a essa pessoa não enxergou ali um uma outra pessoa triste, quebrada por tá perdendo um ente querido. Ela enxergou o quê? Uma oportunidade de algo que ela está consumindo constantemente na rede social. E aí veja, a gente passou de um produto, então celular para uma pessoa que é vista como objeto de consumo. E agora chegando no ponto que você falou, igrejas, espiritualidade acaba entrando nessa mesma questão. O que que o que que deveria levar uma pessoa, por exemplo, a procurar uma igreja, a querer se mudar de igreja, procurar uma nova igreja, um exemplo, teologia, né? Olha, eu quero uma igreja mais fundamentada na escritura sagrada. Estou entendendo que o ambiente onde eu estou não está assim. Vou procurar algo desse jeito, né? Então, hoje o que que leva as pessoas a procurarem uma igreja? Maioria das pessoas, obviamente a gente não tá generalizando, né? É o a forma como aquela igreja é apresentada nas redes sociais. E muita gente entendeu isso. Então, muita gente tem feito aí nas redes sociais a a ao invés de ser um local paraa igreja apresentar ali a sua teologia, a sua boa teologia, uma vitrine para expor então todas as suas qualidades ali e eh e alimentar ainda mais esse consumismo das pessoas, né? E e assim como a nossa mente tá formada, tá moldada por isso, as pessoas não percebem que elas estão estão então procurando igrejas por causa dessa, dessa mentalidade de consumo que tá sendo alimentada nas redes sociais, procurando pessoas para responder as perguntas, não porque querem de fato uma boa resposta, entendem que aquela pessoa tem uma boas uma boa resposta, mas porque aquela pessoa tem muitos seguidores nas redes sociais, então provavelmente se ela tem muitos seguidores, é alguém que é digno de ser ouvido, né? E e a realidade mostra que isso nem sempre é verdade. E aí a individualidade eh com Deus, vamos pensar assim, intimidade com Deus, vida com Deus, vira um consumo também, né? Porque é é a foto no momento de oração, né? Demonstrando aquela espiritualidade toda e tudo mais. E veja, eu não sou contra de nenhuma dessas coisas, né? A gente só tá dialogando aqui e vendo como que isso então é o resultado de uma mente moldada pela rede social, pela internet e de uma mente moldada pelo consumismo. É consumo, igreja, coisas, pessoas, vida espiritual. Ou seja, e não é mais uma um uma experiência com Deus, experiência aqui entre muitas aspas, né, que eu sei que esse termo ele tem as suas problemáticas aí, mas é o que agora é um momento para eu expor algo, porque eu quero fazer parte dessa dessa tribo, dessa trupe, porque eu estou consumindo, consumindo, consumindo, consumindo, consumindo. Não é mais uma pessoa, então, ali de carne e osso, é alguém que eu vou usar por algum motivo. Não é mais uma igreja para eu criar minha família nos caminhos do Senhor e aprender a palavra de Deus. É mais um momento que eu estou alimentando esse desejo de consumismo, né? É isso. E é por isso que, como o autor mesmo destaca, o ambiente digital, ambiente digital entrega muitas coisas, mas no final das contas acaba nos dando um sentimento de ausência de sentido. As coisas parecem não fazer sentido no final das contas. Então, como é que a narrativa cristã oferece um senso de significado que a cultura digital não consegue sustentar? Cara, isso é muito bom, porque veja, o o ambiente digital, por mais que ele seja uma realidade, eu digo realidade porque ele existe, né, mas ele carece de de concretude, né? E aí que entra então a questão que você tá levantando, porque veja, a o evangelho, a a vida de fato real com Deus, ela é algo ela ela é física, né? Eh, em que sentido que ela é física? Ela não tá dentro de um aparelho, né? Eh, ela não tá numa rede invisível, né? Ela tá ali no lado a lado com as pessoas, né? Ela [roncando] tá ali exatamente em chorar com os que choram, né? Ela está ali exatamente em oferecer suporte, né? E suporte no sentido de colocar o ombro debaixo da carga junto, né? Para ajudar a carregar, né? Esse essa ideia original de suporte, né? E e o evangelho é quem oferece isso, né? A vida digital não consegue oferecer isso. Por quê? Porque uma hora você precisa desligar o celular. precisa desligar o computador, né? E e toda essa essa realidade [limpando a garganta] digital, ela eh enfim, ela acaba quando a energia acaba, né? Eh, quer dizer, a a vida real com Deus na igreja que a palavra de Deus oferece, ela é uma vida de fato, ela contempla de fato todos os os as nuances aí, todos os detalhes que o indivíduo eh carece, né? Então pensa, eu citei da menina no velório, né, que enfim foi tido como um consumismo, né, gente, quem vai estar do nosso lado nesse momento de perda é o povo de Deus, é a igreja real, física. eh num momento de uma doença terminal, ainda que um uma inteligência artificial te dê ali uma uma resposta, sei lá, te fale alguma coisa, mas são as pessoas que vão lá te abraçar. É, é um pastor que vai lá te aconselhar, levar a esperança que a palavra de Deus traz, sabe? e e as pessoas têm perdido muito dessa vida real, então, eh, por causa dessas fragilidades que a vida digital oferece. Então, quer ver uma coisa que tem se tornado clichê, mas que é a mais profunda verdade? Gente, as pessoas têm perdido tempo com filhos, com esposa, tem perdido momentos ali de jantar, de café da manhã, de um passeio com a família, com os amigos, pelo celular. Coisa mais comum é você estar então numa pizzaria, numa sorveteria, numa praça e ver ali quatro pessoas sentadas numa mesa, todas as quatro com celular. É, é a coisa mais comum. Eu tenho, eu tenho um amigo que é assim, você tá ali do lado dele conversando com ele, ele tá conversando com você assim, ó. Aham. Aham. Quer dizer, eh, sabe, eh, gente, isso isso isso não sustenta, isso não sustenta, isso não traz a a base, o fundamento pra realidade que a gente precisa. Eh, então é preciso voltar o olhar de fato para essa concretude que a palavra de Deus traz pra gente na vida real, na vida com a igreja, no mundo real que Deus criou. O mundo então que ele é conectado não por cabos, por fins, mas por pessoas, né? Então, poxa, de valorizar então um tempo com filho. Poxa, é meu filho, é um tempo que eu tenho com ele de passear, de dar risada, de brincar, sabe? Ah, conselhos e por mais que eu faça uso também, diversas pessoas muito boas façam uso, gente, não busque conselhos paraa sua vida em caixinhas de pergunta na rede social. procura uma pessoa, é legal, algumas perguntas, algumas dúvidas ali funciona de fato, mas isso não deve se tornar o fundamento de toda a sua pesquisa, de toda a sua procura, né? Eu recebo às vezes, agora não tenho feito tanto, mas quando fazia mais perguntas ali no Instagram, recebi umas perguntas que eu respondia: "Meu amigo, essa resposta você precisa procurar uma igreja, procurar um pastor, alguém que te conhece, alguém que te olha nos olhos, alguém que sabe que vai caminhar com você para ajudar você nessa questão. Não sou eu aqui que você nunca viu, que não tenho de certa forma nenhum compromisso com a sua vida, que vou te ajudar nesse problema, né? e e tem-se feito muito isso. Então, assim, eh eu acho que a narrativa cristã ela ela oferece então esse significado que essa cultura digital ela nunca vai conseguir suprir, né? E quando a gente vê tudo isso, como é que pais, como é que líderes da igreja, né, pastores, podem ajudar a nova geração a desenvolver uma relação mais saudável com a internet, as redes sociais e vou até mais além, não simplesmente a nova geração, mas a nossa geração, a nossa sociedade, porque ainda que isso seja mais intenso e predominante nos mais jovens, Cara, é gente de 70 anos que tá também com a cara enfiada no celular o dia inteiro, né? Não é só o menino de sete não. >> Cara, a sua pergunta ela é muito boa e assim eu vou eu vou dizer é muito difícil, tá? Por que que é muito difícil? Porque eu acho que um um dos acertos que o autor faz no livro, que que pelo menos que me chamou muita atenção, é exatamente é exatamente esse diagnóstico de que isso então não é uma coisa neutra, de que rede social não é uma coisa neutra, internet não é uma coisa neutra, já formou toda uma mentalidade, por isso que é difícil. Mas vamos lá, é necessário conversa. Eh, e é necessário eh proximidade. Eu não diria que a resposta é sair da internet, mas eu entendo que em alguns casos, alguns casos, é necessário sim que pais tomem esse celular dessa desse filho, desse jovem. É necessário que pessoas mais maduras, e você fez bem a leitura, isso não é um problema só dos jovens, é necessário que a gente chegue um momento que a pessoa para e pensa: "Ó, isso daqui tá me prejudicando. Deixa eu dar uma pausa nesse negócio por um tempo, sei lá, desconectar e eh guardar isso numa gaveta para eu sabe e eh limpar aqui o meu meu meu >> fazer uma desintoxicação de dopamina, não é um detox de dopamina, como o pessoal tem dito aí. >> É, é isso aí. Em alguns casos, eu acho que isso é necessário, sim. E e aí quando a gente, >> eu acho, eu acho, sabe, Willy, eh esse pegando só esse conselho específico, eu acho que em algum sentido isso tem a ver até com o que Jesus falou. Claro, ele trouxe de uma maneira ah mais ligada especificamente à salvação. Mas se seu olho, sua mão tá te fazendo pecar, né, corta. Se as redes sociais estão te dominando e escravizando e se tornando algo que tá te afastando daquilo que realmente importa, corta por um tempo, né? Né? Eh, de novo, a mão não é ruim, o olho não é ruim e o ambiente digital não é necessariamente ruim, mas se ele está nos causando problemas, a gente precisa tirar para um momento até que a gente saiba lidar com eles de uma maneira adequada. >> Sim. Sim. E e e veja, olha só o o algo que deve ser pensado, né? A vida do cristão anos atrás era o quê? acordou, faz uma oração. Geralmente ali na cabeceira teria uma Bíblia ou um livro devocional que está sendo lido. Então a pessoa fazia aquela leitura, depois ia, tomava seu café, tal, tinha, enfim, seguia pro trabalho. Hoje o quadro é o quê? O relógio desperta já não é mais um relógio, né, trinando ali aquele sininho, é o celular. Então, ao pegar o celular para desligar ali o despertador, automaticamente Instagram, X, Facebook, YouTube, já é aquela >> WhatsApp, já é aquela, né, rolagem ali. >> E aí fica ali vários vários minutos. Aí de repente levanta correndo porque o horário tá apertado, aquela coisa toda. Uma pausa que deu às vezes no ônibus, no Uber, indo pro trabalho, celular, chega no trabalho, trabalho. Uma pausa que deu no trabalho, celular, no almoço, celular. Isso quando >> nem ser pausa nos negócios, né, cara? É, é a pausa de tipo, eu vou ali tomar uma água, celular. É, é pausa de segundos, >> o celular sai aí do bolso e a gente já vai ver, né? Impressionante. >> É, olha, um dos um dos sinais sonoros que mais inquietam o indivíduo moderno é o o o toque de notificação do celular, porque é aquela ânsia de saber o que é, é uma mensagem, é, é eh sabe, é uma postagem nova e tudo mais. E aí eu tô dizendo isso por quê? Porque quando a gente falou dos jovens, quando você indivíduo mais maduro, percebe que você entrou nessa situação, eu acho que é o momento de fazer exatamente isso, desintoxicar, sabe? Porque já tá num quadro muito muito grave, né? Muito grave. Eh, o autor menciona isso no livro e eu achei muito interessante. Antigamente você sentava para ler um livro e você ia, lia, e tinha aquele deleite, aquela coisa toda e tal. Hoje é o livro numa mão, o celular perto, várias vezes a leitura interrompida pela notificação e várias vezes um simples eh eh uma simples checagem de notificação é transformada em minutos ali que está se perdendo. O foco no que o livro tá falando já foi embora há muito tempo, sabe? E ele mostra como que então esse mundo digital impacta até a leitura leitura de um livro. E é interessante que >> fora fora quando, Willly, a pessoa até para na boa boa intenção. Eu vou compartilhar essa frase aqui e não há nenhum problema nisso. É bom e tal, mas a pessoa vai compartilhar a frase agora, ela vai gastar uns 15 minutos criando o post perfeito >> e depois ela se perde nas notificações restantes ali do negócio e fica, né? E o livro que ela tá mostrando que leu super edificante. Ela leu, na verdade 2 minutos, achou a frase e postou. >> É isso aí. E eu acho interessante que ele mesmo confessa, né, que para na escrita do livro ele usou um aplicativo de de atenção ali, né, não é bem esse termo que ele usa, né, mas exatamente para ele ficar focado ali naquilo que ele tava fazendo, né? Então assim, eu acho que de novo, voltando à sua pergunta, a sua questão, pais precisam ter esse cuidado com seus filhos, esse cuidado consigo mesmo para ver se eles já não estão inseridos nessa nessa dinâmica, nessa rotina. E sim, não é uma não é advogar abandonar as redes sociais, mas em alguns casos específicos, sim, isso é necessário. >> É isso aí. é saber saber usar, né, e voltar realmente ao foco. A gente tá falando aqui mais do livro de liturgias digitais, mas tudo que a gente tá falando tá me lembrando um pouco até do que eu conversei com o Lucas Sabatê sobre o livro Superando a Apatia. E ele mostra como as distrações que nós temos no mundo, inclusive nas redes sociais, nos distraem demais daquilo que importa. E a gente precisa realmente focar, focar no evangelho, focar naquilo que importa para que a gente não se entupa só do de coisas de baixo valor, né? Eh, aquela coisa, ah, um chicletezinho não vai matar ninguém. Agora, quando você tá se entupindo de chiclete e fica sem espaço para sem fome para almoçar, aí lascou, entendeu? Então você fica desnutrido. >> Ex. >> Meu irmão, muito obrigado pela conversa, Will. Foi muito bom a gente bater esse papo. Eh, eu queria te pedir que você fizesse um uma última recomendação aqui, então, para quem é que vai se beneficiar da leitura desse livro. Olha, gente, eu assim, todos se beneficiam porque esse ambiente e esse diagnóstico aqui é um diagnóstico da nossa época, da nossa era, do nosso século. Todos estão de fato muito influenciados pelas redes sociais, pela internet. Não se faz nada sem internet hoje. Hoje você usa internet para comprar remédio, para comprar comida, para sabe para tudo, para pesquisar a a diagnósticos, né? Eh, eu me lembro que a o nosso bebezinho mais novo, Azaf, tem um ano e pouquinho, ele tem síndrome de Down, né? E eu lembro que eu descobri o diagnóstico antes da médica cravar, porque a gente pegou o resultado do cariótipo, que é o exame genético, e eu naquela ânsia eu falei: "Cara, deixa eu jogar". Havia suspeita, né, de que ele tinha alguma síndrome, falei: "Deixa eu jogar isso aqui no chat". Joguei no chat, o chat respondeu lá. Esse diagnóstico corresponde com a síndrome de Down, antes mesmo do médico dar a eh o diagnóstico. Então, assim, esse é o nosso mundo. Esse é o nosso mundo e aí sim existem coisas boas nele, excelentes. Nós estamos aqui usando isso, né, de uma forma muito positiva. Eh, vários exemplos de usos positivos, mas é preciso cuidado. É preciso cuidado para o modo então como esse ambiente tem influenciado a nossa maneira de pensar, a nossa maneira de agir, a nossa maneira de lidar com o outro. e que o autor faz muito bem esse diagnóstico aqui, ele mostra muito bem esses perigos aqui, a busca pela autenticidade, a questão da nossa expressão de revolta, a vergonha, o consumo, a perda de sentido, são as cinco liturgias que ele mostra, que ele mostra aqui. Então, tudo isso são coisas que a gente precisa analisar com cuidado. E o diagnóstico, a a desculpa, a resposta, o remédio que ele apresenta para lidar com tudo isso é se voltar pra sabedoria bíblica, pra palavra de Deus, é ter a palavra de Deus como fundamento. Então assim, é um livro excelente, um livro que vai te ajudar muito e muito a analisar você mesmo da perspectiva das questões que ele tá apresentando aqui, a fazer o autodiagnóstico e aplicar, obviamente, o remédio que ele traz aqui. Muito bom. Vida Nova acerta mais uma vez num livro que fala muito a nossa atualidade, né? >> Muito bom, meu irmão. É isso, cara. Obrigado mais uma vez. Que Deus continue te abençoando e te usando aí e te resguardando nesse ambiente digital para que você seja luz ao invés de como muitas vezes a gente acaba tendencioso, né, sendo dombinado por essas distrações. >> Sim, Saur, eu que agradeço. Muito obrigado. Que Deus nos abençoe e nos ajude, né? Um desafio para nós e principalmente para as novas gerações que, como você muito bem pontuou, nós somos a última geração que vive essa transição, né? Os mais novos aí já não sabem mais o que já não sabem o que é uma vida desconectada, né? Então eles já não sabem mais o que é não estar molhado, né? >> Não sabem. [risadas] Estão os peixinhos lá. Coitado essa geração de peixe. Tá difícil. É isso aí. É isso aí, meu irmão. Obrigadão, cara. Você aí de casa que nos ouviu, que gostou dessa conversa, se interessou pelo livro, adquira, leia. Um ótimo exercício para você se ver desintox. icando dessa desse ambiente digital é parar um pouco com ele. Ó, terminou aqui o podcast, parou agora o ambiente digital, aí você pega o livro e aí você vai ler com calma, concentrado ali. Quando você desintoxicar, aí você já volta, vai pros próximos episódios, que nós temos dezenas de bons episódios aqui de podcast da Vida Nova para você. Se inscreva na sua plataforma, tome cuidado com as notificações para elas não atrapalharem sua vida, mas se inscreva aí na sua principal plataforma de podcast para não perder os novos episódios falando sobre coisas edificantes para você, usando também o lado positivo do ambiente digital paraa glória de Deus. [música] E até a próxima. Deus abençoe.