Pra Onde Vou Se Eu Não Sei Nem Quem Eu Sou? – Gálatas 3 | Luiz Sayão | IBNU
29/06/2026
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Se eu nem sei quem eu sou, como saber para onde vou? É, esse é o título. Essa é a nossa base de reflexão hoje na palavra de Deus. Quando lemos o [música] ensino de Paulo na carta aos Gálatas, você é meu convidado para acompanhar essa mensagem para o seu coração. [música] E não se esqueça, olha, aperte o sininho, inscreva-se no canal da IBNU, seja você um parceiro para divulgar as mensagens da palavra de Deus na nossa [música] comunidade, deste canal para ser bênção na vida de tantas pessoas. e BNU, uma comunidade [música] saudável para o mundo melhor. Contamos com a sua amizade e com a sua parceria. Obrigado. [música] Deus abençoe. Para onde vou se eu não sei nem quem eu sou? Esse é o grande desafio que muita gente tem nossos dias, quando parece que uma das discussões mais importantes sobre a vida, sobre a nossa identidade e sobre a nossa trajetória marga muito o nosso tempo. E hoje, então, aqui nós vamos pensar e refletir sobre isso. Acho que todo mundo já tá bastante consciente de uma espécie de crise muito definida no nosso tempo, quando, né, os estudiosos da cultura, especialmente no nosso ambiente do mundo ocidental, eh fala-se muito, né, daquilo que tem a ver com os desdobramentos do mundo pós-moderno, né, ou que é chamado de modernidade líquida, quando aquilo que sempre foi meio paradigmático assim, foi meio que derretendo, né? E a gente, inclusive alguns falam que estamos na época da pósverdade, né? E e todo esse universo social, filosófico, gelatinoso, hoje tem causado uma série de questões assim que as pessoas de fato, olha, eu não sei se eu sou isso, não sei se eu sou aquilo. Nós temos crises tanto do ponto de vista de pessoas completamente vazias de referência, de identidade, até gente que caminha na busca de movimentos radicais, ultracionalistas, tentando definir, afinal de contas, onde é que eu me apoio na minha realidade existencial para caminhar na minha vida. E exatamente por causa desse vazio e que muitas pessoas ficam assim pensando, né? E então para que lado eu vou? Qual é a direção, né? Qual qual é o caminho, né? Qual é a jornada que a minha experiência, minha vida nesse mundo estabelece? Eu vejo muitas pessoas hoje com medo do futuro, eh, dizendo que a gente não tem esperança. Tem pessoas dizendo que nem vale a pena mais a gente e viver da maneira mais básica que a experiência humana sempre nos mostrou, por exemplo, viver em família, né, geração após geração, porque a gente não tá indo para lugar nenhum. Como é que a gente lida com isso? Vamos ver. Eu tava aqui lendo esses dias um trecho interessante que aparece numa carta que o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas e me parece que ela tem muita coisa para nos orientar sobre esse mundo meio confuso que se percebe nos dias de hoje. Capítulo 3 do livro de Gálatas, a partir do verso 21, a palavra de Deus diz o seguinte: "Então, a lei opõe-se às promessas de Deus de maneira nenhuma. Pois se tivesse sido dada uma lei que pudesse conceder vida, certamente a justiça viria da lei. Mas a escritura encerrou tudo debaixo do pecado, a fim de que a promessa que é pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos que creem. Antes que viesse essa fé, estávamos sob a custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo para que fôssemos justificados pela fé. Agora, porém, tendo chegado à fé, já não estamos mais sob o controle do tutor. Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados de Cristo se revestiram. Não há judeu, nem grego, escravo, nem livre, homem, nem mulher, pois todos são um em Cristo Jesus. E se vocês são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiros, segundo a promessa. Digo, porém, que enquanto o herdeiro é menor de idade, em nada difere de um escravo, embora seja dono de tudo. No entanto, ele está sujeito a guardiões e administradores até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós, quando éramos menores, estávamos escravizados aos princípios elementares do mundo. Mas quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E por vocês são filhos? Deus enviou o espírito de seu filho ao coração de vocês e ele clama: "A, pai! Assim você já não é mais escravo, mas filhos. E por ser filho também Deus também o tornou herdeiro. Que coisa impressionante a riqueza e o detalhamento desse texto especial da carta de Paulo aos Gálatas. Mas vamos entender o que que tá acontecendo aqui. Que história é essa de lei? Que história é essa de filho, de herdeiro, de dizer que não tem mais grego, nem judeu, nem homem, nem mulher? Como é que a gente pode entender esse texto? Então, vamos lá. Que que acontece? Nos tempos do primeiro século, a gente tinha uma presença marcante dos judeus no mundo greco-romano. E por que eles tinham uma presença marcante? Porque as pessoas de fora que vinham desse mundo marcado pelo paganismo politeísta, com vários grupos religiosos mais ou menos místicos ou ligados ou não ao culto imperial e assim por diante, eles olhavam para a realidade da sinagoga e eles olhavam e viam algumas coisas diferentes. Eles observavam, por exemplo, que ali não tinha nenhuma estátua. Todos os cultos pagãos tinham suas estátuas, os seus deuses representados e inclusive o desafio, né? Os romanos queriam colocar a estátua do imperador e dos deuses greco-romanos e os judeus não aceitavam isso e eles achavam curioso e diferente. Depois eles falavam desse Deus que é invisível e era um Deus só, ou contrário dos diversas divindades que estavam presentes no panteão do mundo marcado pelo paganismo. E a outra coisa que chamava atenção era a maneira de lidar com a comunidade. Então, a preocupação com pobres, com viúvas, com órfãos e essa essa relação social presente na tradição judaica, né, aquilo que envolve a Tsedacá, né, isso eh marcava de modo que nesse ambiente várias pessoas passaram a se interessar pelo judaísmo. Isso quer dizer o quê? que havia muitas pessoas que de fato se convertiam ao judaísmo. Esses eram chamados prosélitos. Várias vezes você vai encontrar no Novo Testamento essa referência aos prosélitos. E não só isso, mas havia aqueles que não estavam tão convencidos de que todo pacote do judaísmo predominante valia a pena. Então eles eram amigos da sinagoga. Eles eram chamados de tementes a Deus. É o caso de Cornélio, por exemplo, em Atos 10, de Lídia em Atos 16. E essa era a realidade. Que que acontece quando o apóstolo Paulo começa a anunciar o evangelho nesse mundo propriamente gentílico e pagão, várias pessoas ali e recebem o evangelho. Tudo começa na primeira viagem missionária, entre os anos 46 e 48, quando ele vai naquela região ali, né, do onde se falava o dialeto lica. Ele vai para L, vai para Listra, icônio, Derb, né, e anuncia o evangelho. E logo, não demora muito, Paulo vai escrever a carta aos Gálatas. Por quê? Porque quando esse pessoal recebe a fé em Jesus, surge um grupo de pessoas que eram seguidores de Jesus, mas de base farisaica, que chegaram à seguinte conclusão: [roncando] se esses indivíduos que agora receberam a fé não se tornarem praticantes do judaísmo como nós o entendemos, eles não podem eh fazer parte da comunidade da fé. Eles não podem ser considerados seguidores do Messias de Israel. Paulo vai ter um confronto com eles. E quando ele faz isso, [roncando] e Paulo vai deixar claro, olha, se você é judeu, a gente entende que certas coisas são pertinentes à sua caminhada, mas aqueles que vêm desse mundo gentílico, eles não podem ser colocados debaixo dessa postura de lidar com a tradição e com a lei, como acontece com os judeus. E ainda mais quando se pensa da maneira farisaica de pensar, que nem é consenso em todos os ambientes judaicos da época, por exemplo. E aí a grande discussão é o quê? Envolve a lei. Então, qual é a questão? A primeira discussão é, afinal de contas, o que que é a lei? Qual é o seu propósito? E tanto em Gálatas como em Romanos, Paulo vai deixar claro, pessoal, não tem nenhum problema na lei. A lei é a expressão da santidade de Deus. mostrando para nós aquilo que envolve a sua diretriz para nossa vida, né? E a gente vai ver isso, Jesus falando, né, da lei de maneira positiva e dizendo que a essência dela é amar Deus e amar o próximo. Então isso a lei enquanto revelação de Deus presente na Torá. Só que essa lei, ela não tinha condições de produzir a justiça de Deus na nossa vida. Ela apenas nos mostrava as diretrizes de Deus. E quando isso acontecia, em vez do resultado ser promissor, era mais problemático, que a pessoa simplesmente ia percebendo quão maior é a sua dívida e a sua incapacidade de estar dentro daquilo que a lei diz. Então, a lei, na verdade, ela não se opõe, verso 21, às promessas de Deus. De maneira nenhuma. a gente tem que entender direito qual é o seu papel. E aí que vem a questão, né? A lei não tinha o poder e a capacidade de produzir vida espiritual e justiça em nós, ainda que ela fosse expressão da diretriz de Deus para a humanidade. Então ele diz: "Pois se tivesse sido dada uma lei que pudesse conceder vida, certamente a justiça viria da lei. Mas quando a lei é dada, que que acontece? A escritura encerrou tudo debaixo do pecado para mostrar, por exemplo, olha, pessoal, a diretriz divina é essa. E veja, quando todo mundo entra no caminho de alinhar, enquadrar a sua vida naquilo que a lei diz, a gente percebe que todo mundo é reprovado. Por isso que o texto diz que tudo foi encerrado debaixo do pecado, a fim de que um princípio que faz parte da revelação da Torá. Por quê? Porque a maneira como a própria Torá, o Pentateuco, vai tratar da questão, começa lá em Gênesis 15 verso 6, quando Abraão creu em Deus e ele é chamado de justo. Isso ele é acreditado como justiça, como Romanos 4 vai reforçar. Então ele disse que essa promessa, que é a fé em Jesus Cristo, eh, fosse dada aos que creem. Então ele diz, percebe que a maneira como a gente tem um caminho promissor para estar em sintonia com a vontade divina não é a simples tentativa de leitura literal da lei e na força humana, tentando fazê-la como se a gente pudesse construir através da nossa justiça própria. Então o texto vai dizer que esse caminho é um caminho pela fé na redenção divina que aparece em Cristo Jesus. Aí ele diz: "Então, como é que é essa relação?" Olha que coisa bonita, interessante. Antes que viesse essa fé, nós estávamos sob custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a leve foi o nosso tutor até Cristo para que fôssemos justificados pela fé. Ou seja, diferentemente da ideia de que tudo o que aparece aqui simplesmente substitui e anula no sentido absoluto o que temos na lei, em vez de ter uma oposição absoluta entre a lei e aquilo que vai aparecer na nova aliança, na revelação em Cristo, a gente vê uma relação de conexão. Olha, a lei ela serviu de um tutor para chegar no seu ponto final, no seu ponto de conclusão, que é exatamente a fé em Cristo. Até porque Cristo é o cumprimento da lei. Jesus nunca pecou. Ele se submeteu completamente. Ele cumpriu de fato a lei por nós, sendo completamente justo. E por isso, quando somos justificados pela fé em Cristo, a justiça de Cristo é transferida a nós que nele cremos e nele temos esperança. Então, nesse sentido, nós agora fomos justificados pela fé. E tendo chegado à fé, já não estamos mais sob o controle do tutor. Ou seja, não quer dizer que a lei não tenha valor nenhum. Aliás, é bom entender aqui, né? Nós temos na lei eh vários mandamentos, ou melhor, diretrizes e instruções que são de perfil cerimonial, que apontam para Cristo o Messias, se cumprem nele e tem o seu propósito final. Isso era sombra daquilo que haveria de vir. Mas nós temos ou diretrizes da lei que são morais e teológicas. É claro que promiscuidade, ã, assassinato, né, roubo, continuam sendo errados. Não é porque estamos no Novo Testamento que essas coisas não são mais consideradas equivocadas e erradas. Claro que são. E nós temos princípios para a sociedade, para a vida, que não são necessariamente aplicáveis literalmente, mas o princípio tem validade, como por exemplo, cuidado de necessitados e outras coisas semelhantes. Então, é interessante a gente observar que agora não estamos nesse sentido sobre o controle do tutor. E aí que vem a questão, por será que esse pessoal religioso não só tinha feito um caminho de dizer o seguinte: "Olha, nós temos que olhar as exigências da lei literalmente como estão lá e nós temos que acrescentar um peso maior sobre isso". E eles começaram a desenvolver tradições maiores que iam além do próprio sentido da lei e também faziam aí uma coisa meio seletiva. Alguns mandamentos tinham validade muito importante e outros não. E aí a coisa começou a ficar confusa. E por que que a gente faz isso, pessoal? A pessoa faz isso quando sem entender o propósito que tá lá, faz disso a base, vamos dizer, existencial da sua própria vida. É como se aquilo definisse a sua identidade de maneira absoluta. É como se fosse uma espécie de salvaguarda de mim mesmo, o lugar onde eu possa colocar os meus pés e me firmar. Por isso, daí surge uma coisa complicada que não é exclusividade da tradição judaica, mas também tá na tradição cristã, em outras tradições religiosas, que é uma espécie de orgulho religioso. Quando a pessoa diz: "Olha, eu sou uma pessoa, eu faço isso, a minha tradição é tal", você vê que o aquilo vira o centro da identidade da pessoa, a pertinência de um grupo que supostamente se enquadra da melhor maneira possível naquilo que deve ser a razão de ser da vida. Então, o que que acontece? Por isso Paulo chega e entra num caminho interessante, que parece vir do nada, mas que tem relação absolutamente nítida. O que que ele diz no verso 26? Ele prossegue e diz: "Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados de Cristo se revestiram." Então o que que ele vai dizer? Ele vai dar esse grito [roncando] espetacular para dizer pra gente assim, ó, primeira coisa que vocês têm que saber é o que de fato vocês são, ou melhor, quem vocês são, porque se eu não sei quem eu sou, eu nem sei para onde vou. Claro que eu não tenho como organizar a vida. Claro que eu não tenho como definir o sentido, a direção, o propósito. Por isso esse marasmo vazio. E aqui ele vai dizer, você quer saber de uma coisa? Você quer, se quer uma referência maior daquilo que define quem a gente é, a referência máxima do universo é o próprio criador, o próprio Deus, a razão de ser de todas as coisas no tempo e no espaço, na criação e na história. Então ele diz: "Olha, pessoal, vocês que encontraram a fé em Jesus, vocês que encontraram essa salvação gratuita pela fé que chega a nós com o seu poder em nosso coração, vocês são filhos de Deus". Quer dizer, ele poderia dizer coisas diferentes. Você já reparou? Podia dizer assim: "Vocês são as pessoas que agem da maneira certa. Vocês são o grupo que Deus define como sendo o mais adequado de todos. Vocês são as pessoas que estão na trajetória que é mais promissora. Ele não entra com um argumento assim de vantagem, ele não entra com um argumento eh de perfil de quem tá pisando no quadrado da maneira que se espera. Ele diz: "Vocês são filhos de Deus". Isso é muito especial. Por quê? Porque é uma linguagem relacional. É uma linguagem que evoca as relações mais profundas que nós temos na nossa constelação familiar. E é uma relação de intimidade, de pertinência, que estabelece de maneira psicológica e sociológica nossa verdadeira identidade. Então, somos filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. Depois que em Cristo foi batizado, a linguagem muito bonita, né? Você se revestiu como quem trocou, pegou roupas antigas, tirou tudo, fez uma espécie de novo guarda-roupa que da fé, se revestiu de Cristo, realinhando a sua identidade. Aí sim ele vai entrar no âmago da questão. Por quê? O que que é importante para as pessoas? A gente vê orgulho racial, orgulho ligado ao nacionalismo, orgulho de herança religiosa, orgulho de gênero, orgulho de qualquer tipo de coisa que pretende ser a referência maior da nossa identidade. Por isso ele diz, escuta, agora que você entendeu que você é filho de Deus em Cristo, saiba que não há judeu nem grego. Então, Sa quer dizer que agora não tem ninguém, quer dizer, não tem mais brasileiro, nem argentino, não tem mais americano, nem chinês, não tem mais russo, nem alemão, não tem mais angolano, nem moçambicano. Como assim? Não é bem o caso. É claro que essas coisas existem. Paulo não tá dizendo aqui, ainda mais nesse mundo, não. Olha, o pessoal não tem mais escravo. Como não tem? Pessoal que tá recebendo a mensagem é escravo. Ah, não tem homem nem mulher. Lógico que tem. Que que acontece? Ele diz que essas categorias que marcam a maneira das pessoas construírem a sua fonte de identidade principal, aquilo que sustenta a sua realidade existencial e até espiritual, não tem nenhum tipo de sustentação. Então, nesse sentido, não faz da diferença em relação à salvação dada em Cristo para nós. A fé em Cristo que nos salva e nos coloca como filhos de Deus nesse sentido profundo de identidade espiritual, não faz diferença se você é judeu ou grego. E o judeu tinha toda uma compreensão, né, de um uma espécie de identidade religiosa e étnica fundamental. O grego também como paradigma do conhecimento, da filosofia, tudo isso era muito forte. Então, Deus desafia as identidades étnicas como fundamento daquilo que nós somos. Porque se a gente se prende a esse particularismo, pessoal, a gente nunca vai entender de fato os outros seres humanos. Ficaremos presos dentro da nossa realidade circunscrita, limitada. Então não importa se você é coreano, se você é alemão, se você é mongol, se você é paraguaios, se você é mexicanos, se você é da Guinebal ou do Marrocos ou do Brasil, isso não vai fazer diferença no sentido pleno e nem critérios sociais ou sociológicos, por exemplo, não há escravo nem livre. Olha que coisa interessante. Você percebe que o mundo hoje é um mundo de conflitos raciais, conflitos de etnia, conflitos de classe social. Quer dizer, pessoas querendo colocar sempre um grupo contra o outro e usando isso como massa de manobra. Gálatas vai exatamente na direção oposta. Pessoal, agora essas diferenças elas estão ofuscadas, elas estão num espaço secundário, elas estão numa relação periférica em relação à nossa identidade de ser filho de Deus em Cristo Jesus. Não precisa ter guerra entre os gêneros, porque em relação à salvação em Deus também não existe homem nem deles é mais importante ou melhor do que o outro. discursos machistas e feministas desaparecem diante do poder do evangelho. Olha lá. Pois todos são um em Cristo Jesus. Olha que coisa impressionante. Isso é espetacular. Por quê? Porque esse mundo do primeiro século é totalmente dividido. É um mundo de opressão do Império Romano. É um mundo demarcado por quem? Para quem é cidadão romano e quem não é. É um mundo cheio de escravos e de povos dominados. É um mundo no ambiente judaico altamente restritivo para quem é de fora. É o mundo que enfrenta essa realidade de um mundo grego que se entende acima dos demais. E então o texto vai dizer: "Olha, se vocês são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiro segundo a promessa." Importante isso. Por quê? Porque o argumento desses judaisantes para com esses Gálatas, que são gentios, é muito simples. Olha, você não pode ser considerado alguém que tem direito à promessa que Deus fez a Abraão, porque você não está enquadrado no legalismo que estamos exigindo de vocês. E Paulo vai dizer, pessoal, o que que Deus falou para Abraão? que Abraão, sim ia ser pai de uma grande nação, que Abraão, sim, através da sua descendência com Isaque, com Jacó, o povo de Israel, a bênção de Deus que atinge a nação judaica de maneira muito clara, mas Abraão também tá claro que ele haveria de ser bênção para todas as famílias, todas as tribos, as etnias da terra. E agora isso aparece nessa inclusão dos gentios aqui. Portanto, eles também são descendência de Abraão no sentido espiritual do termo e herdeiros segundo a promessa. Ou seja, olha que coisa interessante. Agora, preste atenção. Eu me lembro até hoje quando eu recebi o evangelho, foi alcançado pela graça de Deus em Cristo Jesus. A coisa mais forte que eu senti na minha vida, no meu coração, foi exatamente isso. Como é que podia ser [roncando] que o criador do universo, o Deus de toda a terra, de toda a imensidão do tempo e do espaço, como é que ele podia me amar e fazer o que fez em meu favor em Cristo Jesus? Aquilo me deu um senso de pertinência, um senso de amor incondicional no coração que redirecionou minha vida para sempre. A minha identidade se concretizou em Cristo. Ali eu não me importava mais o que eu era aqui, ali. O importante era agora ter passado por cima de todas as fronteiras que distanciam as pessoas por causa de Cristo Jesus e pelo fato de sermos filhos de Deus. herdeiros da fé que havia em Abraão e também herdeiros a partir dessa promessa. E Paulo prossegue, diz: "Digo, porém, enquanto o herdeiro que enquanto o herdeiro é menor de idade, nada difere de um escravo, embora seja dono de tudo, né, essa linguagem, né, um herdeiro, ele tá aguardando a sua herança, ele é menor, não pode usufruir dela. Apesar de ser esse herdeiro, ele é como um escravo que não tem direito a nada. No entanto, ele está sujeito quem a guardiões administradores até o tempo determinado pro seu pai. Assim também nós quando éramos menores, estávamos escravizados aos princípios elementares do mundo. Ou seja, Paulo diz assim: "Pessoal, Deus estava preparando um negócio muito legal. tava preparando essa promessa que tava sendo assim trabalhada no eixo da história. E enquanto isso vocês estavam na vulnerabilidade da experiência de vocês. Qual era a vida de vocês nesse mundo sem Deus? com a presença dos poderes espirituais da maldade, que são discutidos, por exemplo, em Efésios, em Colossenses, esses chamados princípios elementares do mundo, uma referência aos espíritos maus que na linguagem de Efésios estão nas regiões celestiais, ou seja, no mundo espiritual. Mas quando chegou a plenitude do tempo, e é isso que tá sendo celebrado agora, Deus enviou, olha que bonito, né? Seu filho, eu acho tão espetacular, porque ele fala de coisas espirituais poderosas, fortes, assim, impactantes. E aí ele entra nessa intimidade, nessa particularidade, na presença divina concreta, invadindo o tempo nessa intimidade próxima de nós. Ele diz: "Deus enviou seu filho." Poderia dizer: "Deus enviou o grande redentor. Deus enviou o seu salvador, aquele que cumpriu o seu propósito." Não, seu filho nascido de mulher, olha a linguagem, né? e nascido debaixo da lei, no momento em que a única coisa que a gente tinha que nos orientava a respeito de quem Deus é e como é que ele se apresenta diante de nós, era a lei. a fim de redimir os que estavam sob a lei, que tinha esse papel até chegar à plena redenção, numa conexão entre as partes e não num conflito entre elas, para que recebêsemos a adoção de filhos. E aí, que coisa interessante. E por que vocês são filhos? Tudo muda. Então, a minha pergunta para você que tem caminhado na fé, qual é a sua identidade do que que você gosta de ser chamado? O que que marca você é o quê? A sua herança familiar é o mais importante. A sua identidade, o seu pertencimento a um grupo social qualquer com qual você se identifica? Eu acho interessante a maneira curiosa do nosso tempo. Eu conheço pessoas, por exemplo, que são fanáticas por algum tipo de esporte, principalmente, por exemplo, torcedores de futebol. Mas a questão não é se a pessoa torce, é que a identidade dessas pessoas está marcada. Por isso, eu conheço gente que é tão fanática pro futebol que o sujeito se pinta, ele tem as camisas, o quarto dele é lotado daqueles símbolos. Eh, quando ele vai ao estádio, aquilo parece um verdadeiro culto. Eles choram, eles gritam, eles rimem, eles cantam, eles pintam a cara, eles desfiguram até a aparência por causa da sua identificação máxima na vida com o seu time de futebol. Inclusive, se você ousar questionar ou discutir algo sobre o time, a pessoa vira uma fera, aquilo se tornou sua identidade. Eu conheço gente fechando a identidade, em particularidade de gênero, fechando a sua identidade na sua origem étnica, como se a sua origem ética de alguma maneira fosse mais importante do que as outras. Ou na sua postura nacionalista, porque o meu país é assim, porque eu sou de tal lugar, ou até na sua cidade, ou até no seu regionalismo, a pessoa é capaz de dizer assim: "Eu sou máximo porque na minha terra se come tal coisa". Pessoal, que doideira, que loucura é essa? Nós somos todos criados por Deus. Somos meramente seres humanos com as nossas limitações e agora não só criados, mas na nova criação, redimidos e passamos a ter a nossa identidade como filhos de Deus. E isso é o que importa. E por isso o texto vai nessa direção. Eu fico pensando lá, né? Gálatas, pagãos, gente de ambientes étnicos variáveis, pessoas de perfil romano, outro grego, judeu, judeu, mais ligado à tradição religiosa ferrenha, como foi o caso de Paulo, outros judeus de perfil um pouco diferente. E agora, porque vocês são filhos? Olha que bonito aqui. Deus enviou o espírito de seu filho ao coração de vocês. E aí você vê essa dimensão que eu acho interessante, né? Porque quando a gente pensa em identidade, a gente pensa em identidade ligada principalmente ao grupo social. Você é o quê, né? Você é de que país? Você é de que etnia? Você é de que região? Fala aí para eu sentir o seu sotaque, né? a gente marca assim, mas a identidade profunda que a dor da sociedade de hoje, ela é emocional, ela é existencial, ela é psicológica, ela é espiritual. E quando a gente não percebe o abraço poderoso do criador, que é o pai celestial da sua vida, da minha vida em Cristo Jesus, a gente nunca vai encontrar um espaço de descanso e tranquilidade para alma. E se aqui não tiver tranquilo? Se a gente não tiver esse afago que redefine quem nós somos, a gente sempre vai procurar um substituto de qualquer tipo para definir, olha, eu sou isso. Você não é nada daquilo que a nossa sociedade confusa, perdida, pósverdade, atrapalhada, pretende emprestar provisoriamente paraa sua vida. Não, Deus enviou o espírito do seu filho ao coração de vocês e ele clama: "Aba, pai". Isso que é a coisa interessante. Por quê? Porque a gente pode pensar em Deus sobre muitas coisas. Eu já participei de encontros teológicos, filosóficos e aí se fala sobre Deus. Deus, conforme o motor de Aristóteles, o que a filosofia antiga diz, o encontro do pensamento platônico com a tradição da igreja primitiva, o Deus todo poderoso do Antigo Testamento, o El Shadai, o criador do universo, o Deus que existe fora do tempo, do espaço, o Deus que precisa ser descrito na linguagem da filosofia mais profunda. A gente tem tantas possibilidades de descrever a Deus quando a definição de identidade para saber quem de fato eu sou, que vai definir para onde eu vou, ela se dá na revelação ao coração de alguém que agora com uma ousadia diferenciada chama Deus de abapai. Eu acho legal, sabe por quê? Porque Paulo [risadas] faz questão. Eu tenho impressão que ele ficou pensando assim, que que eu vou escrever aqui? E aí ele foi buscar lá no aramaico barra hebraico, né? Ele poderia ter colocado simplesmente pater em grego, mas não, ele faz questão. Até porque essa linguagem também usada em Romanos 8 de maneira especial. Ele diz: "Aba, Pai". E aí ele diz: "Pessoal, afinal de contas, a maioria de vocês, Gálatas, gentius, limitados, pobres, a maioria de uma situação escrava ou análoga a escravidão, ele diz assim: "Você já não é mais escravo, mas filho." E por ser filho, Deus também o tornou herdeiro. A maior força e segurança que existe no coração de uma pessoa vem daquilo que está no profundo do seu coração, do seu interior. Uma construção de uma espiritualidade verdadeira, inabalável, significativa e definidora da nossa vida. A gente pode mudar as coisas sociais. Eu percebo pessoas, aliás, eu vejo pessoas em busca de identidade, inclusive, curiosamente, mudando de caminho em cada momento da vida, inclusive, inclusive mudando até de compreensão teológica da realidade. A pessoa fala: "Olha, se eu for mais assim, eu acho que eu tô mais no naquilo que eu deveria ser." Daqui a pouco ele descobre uma grama mais verde do outro lado. Ele fala: "Olha, então eu acho que esse caminho aqui é melhor". Olha, você percebe todo esse descaminho confuso de busca de alguma coisa maior envolve uma sede profunda, que é uma sede que tenta descobrir quem eu sou para eu poder saber para onde eu vou. E aí eu olho pra vida do apóstolo Paulo. Eu olho para tantas pessoas da igreja primitiva. Se tinha alguém que podia ter definido a sua identidade de maneira absolutamente completa, ele tinha várias opções. Ele poderia dizer o que ele disse, inclusive, eu sou judeu de judeus, sou fariseu de fariseus, eu tenho uma identidade religiosa marcante, definida, promissora. É isso aqui. Paulo diz, olha, eu olhei para isso, não deu em nada. A minha etnia, pessoal, eu tenho o nome do rei Saul, eu sei até a minha tribo. Eu sou da tribo de Benjamim. Eu poderia me firmar nisso, pessoal. Eu tenho a melhor formação possível. Eu fiz a Harvard, a Sorvone, ã, Heidelberg da época, eu tinha a maior referência, porque eu tive educação grega. Eu conheço a literatura grega com profundidade, inclusive a filosofia. Posso conversar com esse pessoal? Pessoal, eu tenho o melhor passaporte de todos. Eu sou cidadão romano. Eu tenho condições de mostrar quem eu sou num mundo onde pouca gente tem essa capacidade. Paulo diz: "Ó, nem judeu, nem grego, nem romano, nem a minha tradição de fé ou minha identidade étnica são capazes de definir quem eu sou. Portanto, o que eu sou, eu sou em Cristo Jesus". A maravilha do evangelho não envolve apenas o perdão dos pecados, apenas a salvação pela fé, apenas a compreensão do que Deus fez na história, apenas a esperança da vida eterna, apenas a vida em comunidade, o grande impacto transformador que muda tudo, envolve a nossa nova identidade em Cristo Jesus como filhos de Deus. Quando isso se estabelece, se firma no nosso coração, a gente não vê mais nada à nossa volta, a não ser aquele que é irmão. Aí a gente tem condição de ter verdadeira comunhão. E na vida a gente acha a direção. Paulo achou a direção na sua proposta de servir a Deus para aquilo que ele foi chamado. E aí não importa a circunstância, os elementos mais ameaçadores, externos, nunca vão poder abalar quem tem plena convicção de quem é e para onde está indo, porque é filho de Deus através da fé em Cristo Jesus. Deus abençoe a sua vida. Deus permita que você chegue a essa conclusão de se tornar filho de Deus pela fé em Cristo Jesus, entregando a sua vida e colocando todos os ídolos que a gente constrói na vida de lado, para que a gente de fato entenda de fato quem a gente é e a gente possa dizer: "Puxa, finalmente agora eu sei quem eu sou, portanto sei para onde vou. Deus abençoe a nossa vida e o nosso coração. Amém. [música]