QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A VISÃO PROTESTANTE E A VISÃO CATÓLICA SOBRE MARIA? – PEDRO DULCI
01/06/2026
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A VISÃO PROTESTANTE E A VISÃO CATÓLICA SOBRE MARIA? – PEDRO DULCI
Enquanto no catolicismo Maria ocupa um lugar de grande destaque, essa devoção é frequentemente resumida pela ideia de que ela é admirada, não adorada. Pedro Dulci explica como cada tradição entende o papel de Maria e quais são as principais diferenças entre a perspectiva católica e protestante sobre esse tema.
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Fonte: Edições Vida Nova
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Agora vamos falar do assunto que é onde o pessoal também faz a diferença. Tanto o alguns protestantes, né, nos extremos, tanto alguns protestantes têm o preconceito quanto alguns católicos têm o preconceito, que é qual é o papel de Maria, né, para para muitos católicos, a barreira com o protestantismo é: "Mas vocês não gostam de Maria?" Que é isso mesmo, a gente não gosta de Maria, o protestante? Eh, a gente não acredita. Eu já ouvi essa, né? Protestante não acredita em Maria. o qual é a distinção de maneira geral, né? A gente não tem como descer aos detalhes, mas de maneira geral entre a visão protestante de do papel de Maria e a visão católica a respeito dela. >> Muito bom. Eh, eu acho que isso, principalmente no contexto brasileiro, que é muito eh centrado na devoção a Maria, ele é ele isso é diferente em outros contextos. Eu não, eu não sei se vocês se lembrem, quem tá nos ouvindo não se lembra, mas uma das primeiras declarações do atual papa, eh, que chamou muita atenção das pessoas, era que era era sobre a não ênfase na intervenção e na mediação de santos, mas na exclusividade de Cristo. E eu lembro que eu recebi isso muito de vários amigos, assim, gente, gente católica, tal, tá vendo? Eu falei primeira coisa, eu falei assim, calma lá, não pense que também o ensino oficial sobre Maria caiu, porque não caiu >> o papa se converteu. O papa se converteu. >> Eu falei: "Calma lá, vamos devagar". Mas ele chamou atenção e isso é uma distinção do catolicismo eh do norte do catolicismo do sul. catolicismo do sul muito idólatra nesse aspecto, enquanto os os ingleses, os norte-americanos são bem mais centrados em Cristo novamente. Então, se a gente tá falando do ensino oficial da igreja. No ensino oficial da igreja, Maria é uma intercessora, ela tem uma natureza divina também por ter sido escolhida por Deus para ser a mãe de Deus. E aqui tem uma expressão muito forte e que a gente precisa qualificá-la pra gente não cair em dois extremos. a expressão Teotópos, que é ah, Maria é mãe de Deus. E aí, para isso ela precisa de natureza divina também. Os protestantes questionam, então primeira coisa, os protestantes gostam da Maria, não tem nada contra Maria, acreditam na Maria, precisam que uma jovem chamada Maria tenha existido ali por volta do primeiro século, que tem engravidado, que tenha dado a luz a Jesus, porque o a nossa fé ela é histórica. A gente precisa que o segundo Adão, da mesma maneira que o primeiro Adão, seja um ser humano histórico, concreto no tempo e no espaço, como dizia o Shefer. Então, Maria muito importante para nós quanto a isso. >> Nós admiramos, admiramos inclusive a fé que ela teve, é a sua obediência, o exis-me aqui, né? Então, exatamente, ela é ela é junto, ela ela é um membro do povo de Deus. A gente não crê que a igreja surgiu no Novo Testamento. A igreja sempre surgiu, ela era membro do povo de Deus. Então, OK. Por outro lado, a gente não crê que para ser mãe de Deus, porque a gente não separa a dupla natureza do redentor, isso é um ponto que às vezes é difícil pra gente entender, porque a gente não tem muitas coisas na realidade que tem duas naturezas sobre a mesma mesmo aspecto e ao mesmo tempo, como Cristo. Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Eu nem gosto do 100% homem, 100% Deus. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem. sobre o mesmo aspecto e ao mesmo tempo. >> Uhum. >> Eh, então, Maria, mãe de Jesus, ela, a gente não tá errado em dizer que ela é mãe de Deus por causa da natureza do redentor e não da natureza dela. Porque se a gente diz que não, que ela ela foi a mãe do menino homem, Jesus, da natureza humana, e depois de alguma maneira a natureza divina veio para cima de Jesus. Não. E isso isso é uma heresia. E aí a importância de estudar a história do dogma, isso é uma heresia antiga chamada nestorianismo. Tinha um cara chamado Nest que defendia exatamente isso. Na teologia às vezes a a gente tem que fazer essas concessões, porque se a gente, por exemplo, nega essa expressão porque ela parece católica demais para nós, mãe de Deus, a gente acaba caindo numa heresia muito pior. É >> melhor qualificá-la. A gente acredita que Maria é a mãe de Deus. Sim. Não por causa da natureza dela divina, mas por causa da natureza divina do redentor. >> Perfeito. E aqui eu só quero fazer esse parêntese aqui, depois você pode continuar, mas eh como aqui a gente vê um um ponto em que nós respeitamos a tradição e a sua relevância, né? Então esse debate onde nós vemos o nestorianismo ser condenado como heresia ao ponto de até hoje nós entendermos que não devemos fazer esse tipo de separação entre a natureza humana e a divina de Cristo. Isso é algo que foi aprendido, né, ou desenvolvido a partir da escritura, mas pela tradição, por homens do Senhor e tudo mais. Então, eh nós nós aprendemos, né, nós temos os concílios ecumênicos no sentido de que tanto os católicos quanto os protestantes concordam, enfim, né? Então esse parêntese é relevante pra gente dar um exemplo claro, né, do que a gente citou antes. Mas continue aí à vontade. >> Veja a import. É isso. Eu também concordo plenamente com você. Veja a importância da gente saber, porque às vezes a gente só defende e só nega, porque a gente não quer parecer com católico, mas como a gente não conhece a história, aí a gente a gente fica parecendo com here que é que é que é tão tão ruim quanto. Então a gente tem que tomar muito cuidado. Foi condenado, foi condenado por um concílio ecumênico da igreja que a gente acha que a condenação foi correta, é uma heresia mesmo. Então é preciso eh fazer essas qualificações. Maria foi obediente. O aonde está o valor de Maria? O próprio Senhor Jesus diz quando quando o questionário sua mãe tá aqui com seus irmãos e ele pergunta: "Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? Senão todos aqueles que ouvem a palavra e obedecem?" Então a dignidade da Maria não tá em ela ter sido escolhida como a mãe do Messias, tá na fé dela. Nissado. >> O que a salvou foi isso, né? Que a salvou foi isso. Ela não tem >> a fé não foi o ter sido mãe, né? O o parto não foi uma obra salvífica, mas a fé em Cristo. >> A fé. Exato. Então é aí que a gente vê a dignidade dela, como a gente vê a dignidade de todos aqueles que estão em Cristo. E claro que vamos pensar do ponto de vista histórico para pr paraa Maria que era mãe de Jesus e pros irmãos de Jesus que viram Jesus, que eh foram reconhecendo o seu ministério depois e depois crendo. Imagina, deve ter sido eh uma experiência muito diferente daquelas pessoas que simplesmente conheceram Jesus já. pregando, fazendo milagres, eh apresentando o reino de Deus. É muito bonito quando Judas, por exemplo, que era meio irmão de Jesus, e a gente inclusive chama de meio irmão por causa disso, né? Dessa a gente não crê que Maria foi mãe só de Jesus, que ela se tornou eh eh imaculada no sentido de que foi só essa gestação messiânica. Não, a tem pelo menos a notícia de quatro outros outros irmãos de Jesus e tá no plural a a os termos no ah a palavra grega é prima, no uso ali primo prima, no uso do canon, todo mundo tá falando de irmãos. Para que que vai falar que é primo? E aí a gente vê Judas, por exemplo, falando assim, olha, apresentando na epístola dele, eh, Judas, servo de Cristo, irmão de Tiago. Ele se apresenta assim, irmão de Jesus, Judas, irmão, porque isso pra igreja seria uma carterirada excelente, né? Eu sou irmão do Messias, >> não, servo de Cristo. Aonde que tá a dignidade dele também? Na fé dele em servo do Messias. E aí sim ele quer, ele quer trazer credibilidade canônica pro escrito bíblico dele. Eu tô ligado a uma grande liderança da igreja. Eu sou irmão de Thiago. Eu reconheço a liderança de Thago. Veja como essas coisas estão lá na escritura. A gente só precisa adequadamente ter atenção quanto a isso. >> [música]