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A fé vem pelo ouvir

Você não precisa Fingir que está Bem | Josemar Bessa

Você não precisa Fingir que está Bem  | Josemar Bessa

Você não precisa Fingir que está Bem | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Na hora da nossa morte, se nós tivermos
que falar com pessoas, vamos querer
falar o essencial.
Jesus,
na noite em que ele foi traído, não é?
Menos de 24 horas antes de morrer,
estava conversando com os discípulos e
um tema, um dos temas centrais que ele
trouxe mostra a importância vital desse
tema para as nossas vidas. Em João
16:20,
Jesus diz: "Vocês se entristecerão". Mas
a tristeza de vocês se transformará em
alegria. Cristo nunca enganou seus
discípulos com uma felicidade barata.
Ele nunca vendeu uma fé feita de
sorrisos artificiais, frases leves e
promessas vazias. Ele nunca chamou
pecadores para segui-lo, dizendo que o
caminho seria simples, que as noites
seriam sempre tranquilas, que a alma
nunca seria esmagada, que a obediência
nunca custaria sangue e que a esperança
nunca seria testada pelo silêncio. Jesus
não é um vendedor de ilusões religiosas,
ele é o Senhor da verdade. E justamente
por isso, quando ele prepara seus
discípulos para o que está por ver, ele
não suaviza o golpe. Ele não diz vocês
não vão sofrer ele não diz vocês não vão
chorar. Ele não diz a fé de vocês
impedirá toda a angústia. Pelo
contrário, ele olha para aqueles homens
que o amavam, homens ainda frágeis,
ainda confusos, ainda incapazes de
entender a profundidade da cruz e diz:
"Vocês se entristecerão".
Isso é sério. O filho de Deus anuncia
tristeza aos seus próprios discípulos.
Não aos ímpios, não aos inimigos, não
aos que o rejeitaram,
aos seus, aos que caminharam com ele,
aos que ouviram sua voz, aos que viram
seus milagres, aos que deixaram tudo
para segui-lo. Jesus disse: "Vocês vão
chorar". Em João 16, o Senhor está
preparando os discípulos para a hora
mais escura da história. A cruz se
aproxima, a traição se aproxima, a
prisão se aproxima, o abandono se
aproxima, o sangue se aproxima, a
aparente derrota se aproxima e eles
ainda não conseguem compreender. Jesus
diz: "Um pouco de tempo e vocês não me
verão mais. Depois mais um pouco de
tempo e me verão. Eles se entreolharam.
Eles perguntam uns aos outros o que ele
quer dizer com isso? Eles não entendem.
E essa confusão também faz parte da dor,
porque
existem sofrimentos que machuca não
apenas pelo que sentimos, mas pelo que
não entendemos. Há dores que entram na
alma acompanhadas de perguntas: "Por que
agora? Por que assim? Por que comigo?
Porque Deus permitiu, porque o céu
parece em silêncio. Os discípulos
estavam entrando
nesse território, o território de um
pouco de tempo que parece uma
eternidade, o território da ausência, o
território em que Deus está fazendo algo
gigantesco, mas a alma ainda só consegue
enxergar perda.
Eles talvez esperassem uma manifestação
pública de glória. Talvez esperassem o
reino aparecendo em poder visível.
Talvez imaginassem que Jesus esmagaria
seus inimigos de modo imediato. Mas
Jesus fala de partida, fala de choro,
fala de lamento, fala de um mundo que se
alegraria enquanto eles chorariam. Vocês
chorarão e se lamentarão, mas o mundo se
alegrará.
Essa é uma das frases mais cortantes do
texto. Enquanto os discípulos chorariam,
o mundo celebraria. Enquanto os
discípulos ficariam atordoados diante da
cruz, os inimigos pensariam que
venceram. Enquanto o pequeno rebanho
seria ferido pela ausência do pastor, os
poderes das trevas pareceriam triunfar.
A cruz aos olhos humanos seria o fim da
esperança. Mas Jesus não para na
tristeza. Ele diz: "Vocês se
entristecerão, mas a tristeza de vocês
se transformará em alegria." Não é
apenas que a tristeza será substituída
por alegria. É mais profundo. A própria
tristeza será transformada.
Aquilo que parecia o fim se tornará o
caminho. Aquilo que parecia a derrota se
tornará vitória. Aquilo que parecia
abandono se tornará redenção.
A cruz que feriu o coração dos
discípulos seria a mesma cruz pela qual
Deus salvaria a alma deles.
A que está o centro da alegria cristã.
Ela não nasce em um mundo idealizado.
Ela nasce nesse mundo caído. Ela não
nasce porque a dor foi negada.
Ele nasce. Ela nasce porque Cristo
entrou na dor, atravessou a morte e
ressuscitou em glória. A alegria cristã
não é uma bolha emocional protegida da
realidade. Ela é uma certeza espiritual
plantada no meio da realidade mais dura.
Cristo morreu, Cristo ressuscitou,
Cristo reina, Cristo voltará. Por isso,
a fé cristã não depende de fingimento. A
Bíblia não nos chama para representar
uma peça de teatro espiritual. Ela não
ordena que o crente coloque um sorriso
no rosto enquanto a alma sangra por
dentro. Ela não diz que lágrimas são
sempre incredulidade. Ela não diz que
angústia é sempre fracasso. Ela não
disse que tristeza é incompatível com a
presença de Deus. O próprio Cristo
chorou. O próprio Cristo se angustiou, o
próprio Cristo foi homem de dores.
Então,
precisamos arrancar do coração essa
ideia superficial de que maturidade
cristã é acordar todos os dias
emocionalmente invencível, sorrindo para
tudo, leve em todas as manhãs, como se
nenhum peso pudesse tocar a a alma.
Há uma leitura rasa da fé que transforma
qualquer abatimento em culpa.
qualquer cansaço em acusação, qualquer
alegria em sinal de derrota espiritual.
Mas Jesus não fez isso. Ele disse:
"Vocês se entristecerão". Isso significa
que há tristeza, há tristezas que
pertencem ao caminho dos discípulos. Há
lágrimas que não negam a fé. Há noites
que eh não anulam a
adoção. Há pressões que não significam
abandono. Há manhães em que o crente
acorda ansioso, cansado, pesado, confuso
e ainda assim pertence a Cristo. O
problema não é chorar.
O problema é crer que o choro é
soberano. O problema não é atravessar
uma noite escura. O problema é acreditar
que a noite é eterna. O problema não é
sentir a dor da ausência, da perda, da
pressão,
da fraqueza. O problema é deixar que
essa dor pregue um falso evangelho à
alma, dizendo: "Cristo se foi para
sempre. Deus não está agindo. A
esperança acabou. A cruz venceu
a promessa, mas a cruz não venceu a
promessa. A cruz cumpriu a promessa.
Esse é o ponto que os discípulos ainda
não conseguiam ver.
Eles veriam Jesus ser levado, veriam ser
o seu mestre ser pregado no madeiro,
veram o sangue escorrendo, veriam o
corpo sendo colocado no túmulo e por um
pouco de tempo tudo pareceria perdido,
mas aquele pouco de tempo estava dentro
do plano eterno de Deus. O silêncio
entre a sexta-feira e o domingo não era
ausência de soberania, era o mistério da
redenção se cumprindo.
Assim também muitas vezes o crente vive
entre a sexta-feira e o domingo. Vive
entre a promessa e a manifestação, entre
o choro e a manhã, entre o vocês
se entristecerão e a o a tristeza se
transformará em alegria.
E nesse intervalo, a alma é provada,
porque é fácil falar de alegria quando
tudo está em ordem. É fácil cantar
quando o coração está leve. É fácil
dizer que Deus é bom quando os ventos
estão a favor, mas a alegria cristã é
revelada quando a noite chega. O salmo
diz: "O choro pode durar uma noite, mas
a alegria vem pela manhã". Isso não
significa que todo cristão triste
dormirá angustiado e acordará sorrindo
poucas horas depois. Se fosse assim,
muitos dos santos mais fiéis teriam de
concluir que a promessa falhou.
Há manhãs que ainda carregam o peso da
noite. Há dias em que a ansiedade acorda
antes de nós. Há momentos em que o corpo
levanta da cama, mas a alma parece
permanecer deitada sob o peso
das preocupações.
Então o que a promessa significa?
Significa que a noite tem limite.
Significa que o choro tem prazo.
Significa que a dor não é eterna.
Significa que para o filho de Deus a
tristeza pode ser real, profunda e
demorada, mas nunca será definitiva,
porque existe uma manhã decretada por
Deus, existe uma ressurreição, existe um
Cristo vivo, existe um reino que não
pode ser abalado, existe uma alegria
mais antiga que a nossa dor e mais
duradora que todas as nossas perdas.
A fé cristã não diz você não vai sofrer
ela diz seu sofrimento não será Deus.
Ela
não diz você nunca será ferido ela diz
sua ferida não será o seu senhor
não diz você nunca vai chorar. Ela diz
suas lágrimas serão recolhidas pelo Deus
que governa o fim da história.
Ela não diz a cruz não virá. Ela diz: "A
cruz não é maior que a ressurreição".
Essa é uma verdade profundamente
pastoral, porque há muitos filhos de
Deus vivendo debaixo de culpa por
estarem tristes. Eles não sofrem apenas
pela dor que carregam, sofrem também
porque acham que não deveriam sentir
dor. Eles estão cansados, mas se acusam
por estarem cansados. estão ansiosos,
mas eh se condenam por lutarem contra a
ansiedade. Estão quebrados, mas acham
que quebrantamento é sinal de que Deus
está distante.
Ouça
a palavra de Cristo, vocês se
entristecerão. Ele sabe. Ele não se
escandaliza com as lágrimas dos seus
discípulos. Ele não é um salvador
impaciente com a fragilidade do seu
povo. Ele não despreza a cama quebrada.
né? A cana quebrada, nem o pavio que
fumega. Ele não olha para o abatido e
diz: "Como você ousa está triste?" Ele
olha para os seus e diz: "Eu sei que
vocês vão chorar, mas a tristeza de
vocês se tformará em alegria." Essa
promessa não é pequena. Jesus não
promete apenas consolo emocional, ele
promete transformação.
A tristeza será transformada em alegria,
porque ele mesmo atravessará a morte e
voltará para eles. A alegria dos
discípulos não nascerá de circunstâncias
melhores, mas de um Cristo ressuscitado.
Eles não se alegrarão porque a cruz foi
evitada. Eles se alegrarão porque a cruz
foi vencida por dentro. Eles não se
alegrarão porque a dor não aconteceu.
Eles se alegrarão porque Deus usou a
própria dor como caminho
da redenção. Isso muda tudo. Porque se
Deus transformou a cruz em salvação, ele
pode transformar lágrimas em cântico. Se
Deus transformou o túmulo em anúncio de
vitória, ele pode transformar noites e
manhãs. Se Deus colocou
a maior tristeza da história a serviço
da maior alegria da eternidade, então
nenhuma tristeza do seu povo estará fora
do alcance da sua graça soberana.
Crente,
irmão, sua tristeza não é senhora sobre
você. Cristo é. Sua ansiedade não é
senhora sobre você. Cristo é sua perda
não é senhora sobre você. O texto é:
"Sua noite não é sem hora sobre você". E
se Cristo é Senhor, então a tristeza
pode entrar, mas não pode reinar. Ela
pode ferir, mas não pode definir. Ela
pode durar uma noite, mas não pode
impedir amanhã que Deus prometeu. Ela
pode fazer o discípulo chorar por um
pouco de tempo, mas não pode apagar a
voz do Salvador que diz: "Eu os verei
outra vez e vocês se alegrarão".
A alegria cristão, portanto, não começa
quando tudo melhora. Ela começa quando a
alma entende que Cristo é maior que
tudo, maior que a ausência sentida,
maior que a confusão presente, maior que
o luto, maior que a pressão, maior que a
ansiedade da manhã, maior que as
lágrimas da noite. E essa é a primeira
coisa que precisamos aprender.
A alegria cristã não começa quando a
tempestade passa, ela começa quando o
Cristo se torna maior que a tempestade.
Então, João 16:22 diz: "Eu os verei
outra vez e vocês se alegrarão".
Alegria não é enfeite da vida cristã, é
fruto da presença de Deus na alma.
Alegria.
Que palavra estranha para gente cansada.
Que palavra quase ofensiva para quem
acorda pesado.
Que palavra difícil para quem aprendeu a
viver apertado por dentro, administrando
medos, escondendo fraquezas. carregando
pressões, tentando parecer firme
enquanto a alma arrange em
silêncio.
alegria, muita gente
a diminui, transforma a alegria em
temperamento,
em eh processo químico,
em sorriso fácil, em personalidade leve,
em disposição natural, em traço de gente
que nasceu mais ensolarada, menos
ferida, menos intensa, menos quebrada
por dentro. Então, muitos cristãos ouvem
essa palavra e pensam: "Isso não é para
mim, é para os fortes, é para os
simples, é para os que não pensam
demais, é para os que não carregam
memórias difíceis, é para os que não
acordam ansiosos, é para os que
conseguem cantar sem lutar contra o
próprio coração." Mas Jesus não fala
assim. Ele está diante de discípulos
prestes a desabar, homens que em pouco
tempo veram o mestre preso, veriam a
injustiça vencer por ouro algumas horas,
alguns dias, veriam o corpo santo
pendurado no madeiro, veram o mundo se
alegrando enquanto eles choravam,
veram
a única esperança deles envolta em
sangue, silêncio e sepultura. E é nesse
contexto que Jesus diz: "Eu os verei
outra vez e vocês se alegrarão". Não,
talvez, não alguns, não quem tem a
química certa, não quem tem o
temperamento certo, não os de olhar eh
eh eh otimista, não os de melhor
estrutura emocional,
não os que tiveram uma fé mais estética,
não os que foram naturalmente otimistas.
vocês, vocês se alegrarão. Isso é muito
importante, porque Jesus não apresenta a
alegria como privilégio de uma elite
espiritual. Ele não a trata como luxo
devocional. Ele não a coloca como adorno
na vida cristã, como se alguns crentes,
depois de aprenderem o básico, pudessem
acrescentar um pouco de alegria à fé.
Não, a alegria pertence à essência da
vida cristã. Não porque a vida cristã
seja sem dor, não porque o crente seja
superficial, não porque o discípulo
caminhe acima das tragédias do mundo
como se nada o tocasse,
mas porque o cristão foi unido a Cristo
e quem é unido a Cristo é trazido para
dentro da comunhão com o Deus vivo. Aqui
precisamos descer, porque o problema é
que muitos pensam na salvação apenas
como mudança de destino.
E ela é isso. Graças a Deus, ela é isso.
O condenado é absolvido, o culpado é
perdoado. O perdido é resgatado. O
inimigo é reconciliado. O órfão é
adotado. Mas a salvação não é apenas
mudança de destino, é mudança de
comunhão. Deus não apenas muda o lugar
para onde você vai. Deus muda a
realidade à qual você pertence. Você é
enxertado em Cristo. Você é habitado
pelo Espírito, você é reconciliado com o
Pai. Você é trazido para perto. E nessa
proximidade algo começa a passar de Deus
para a alma. Não a essência divina como
se deixássemos de ser criaturas. Não a
glória incomunicável como se pudéssemos
nos tornar deuses. Não. Mas Deus
comunica ao seu povo por graça reflexos
reais de quem ele é. Deus ama e o crente
começa a amar. Deus é santo e o crente
começa a ser santificado. Deus é
paciente e o crente começa a aprender
paciência. Deus é bondoso e a bondade
começa a nascer em lugares antes
dominados por dureza.
Deus é fiel e a fidelidade começa a
fincar raízes em pessoas antes
instáveis.
E Deus é alegre. Sim, Deus é alegre.
Talvez essa frase precisa precise ficar
sozinha diante de nós por um tempo, por
um instante. Deus é alegre porque muitos
carregam dentro de si uma imagem torta
de Deus. Um Deus apenas severo, apenas
distante, apenas irritado, apenas
solene, um Deus de rosto fechado,
um Deus que tolera os salvos com má
vontade, um Deus que perdoa, mas não se
deleita. Um Deus que absolve, mas não
abraça. Um Deus que aceita por obrigação
teológica, mas não com prazer santo. E
por isso, muitos cristãos vivem como se
Deus os suportasse.
Oram como réus tolerados, servem como
empregados assustados, obedecem como
quem tenta impedir Deus de desistir
deles. Confessam a graça, mas respiram
medo. Falam de adoção, mas vivem como
órfãos. Dizem que estão em Cristo, mas
imaginam o Pai olhando para eles como
quem vê um problema permanente.
Mas esse não é o Deus da Escritura. Deus
não é sombrio. Deus não é amargo. Deus
não é emocionalmente pobre. Sua
santidade não é tristeza. Sua majestade
não é frieza, sua soberania não é
carrancuda. Deus é infinitamente santo,
infinitamente bem-aventurado ou
infinitamente feliz. O Deus Macários, o
Deus alegre, diz Paulo. Ele é puro sem
ser seco, é glorioso sem ser distante.
Ele é majestoso, mas sem ser morto por
dentro. É solene, sem ser sombrio.
Antes de existir dor, havia alegria em
Deus. Antes de existir pecado, havia
deleite em Deus. Antes de existir mundo,
já havia plenitude em Deus. O pai, o
Filho e o espírito não criaram o
universo para resolver uma solidão
eterna. Deus não tinha falta, Deus não
tinha carência. Deus não precisava do
homem para se tornar completo, feliz,
alegre. A criação não nasceu de um vazio
em Deus, mas de uma plenitude
transbordante. Deus cria não porque está
faminto, mas porque é generoso, porque
transborda. Não porque está incompleto,
mas porque é glorioso. Não porque
precisa receber vida, mas porque a vida
flui dele,
comunica vida.
E a escritura nos deixa ver algo disso
em Provérbios 8. A sabedoria aparece
junto de Deus na criação, deleitando-se
diante dele, alegrando-se em sua
presença, exultando na obra de suas
mãos. E quando a escritura inteira
ilumina esse texto, somos levados a
Cristo, a sabedoria eterna de Deus. Não
uma criatura,
não um ser menor, não alguém que
começou, mas o filho eterno, por meio de
quem todas as coisas foram feitas. Nele,
a sabedoria de Deus não é uma ideia
abstrata, é pessoa, é glória, é comunhão
eterna, é deleite diante do Pai. O mundo
foi criado por meio daquele que não é
apenas poderoso, mas bem-aventurado,
bendito, macários, feliz. Isso muda a
forma como vemos Deus. A alegria de Deus
não é vulgar, não é riso frívolo, não é
distração, não é leveza carnal, não é
alegria de quem ignora a dor, porque é
superficial demais para senti-la. A
alegria de Deus é santa, majestosa,
inabalável, eterna. É a alegria daquele
que vê o fim desde o começo. A alegria
daquele cuja glória não pode ser
ameaçada. A alegria daquele cuja bondade
não depende de circunstâncias.
alegria daquele que é em si mesmo
plenitude sem sombra. E se esse Deus
habita no crente pelo espírito, como a
alegria poderia ser opcional?
Como poderia ser apenas um detalhe? Como
poderia ser apenas estilo de
personalidade,
processo químico? Alegria cristã é
essencial ao cristão, porque a alegria é
essencial a Deus.
Mas ainda há algo mais espantoso.
A Bíblia não diz apenas que Deus tem
alegria em si mesmo. Ele diz que Deus se
alegra sobre o seu povo. Sofonias 3:17
diz que o Senhor está no meio do seu
povo poderoso para salvar, que ele se
deleitará em nós com alegria, que se
aquiietará em seu amor, que exultará
sobre nós com cânticos.
Isso é quase demais para suportar. O
Deus que salva se alegra em salvar. O
Deus que perdoa se deleita no povo
perdoado. O Deus que redime não recebe
os seus como um juiz cansado, assinando
papéis de
absolvição. Ele canta sobre eles. Canta.
O Deus santo canta sobre pecadores
redimidos. Não porque encontrou neles
dignidade
natural, não porque a obediência deles
comprou esse deleite, não porque eles se
eles se tornaram belos fora de Cristo,
mas porque estão em Cristo, escolhidos
em Cristo, comprados por Cristo, lavados
no sangue de Cristo, vestidos da justiça
de Cristo, selados pelo Espírito de
Cristo.
A alegria de Deus sobre o seu povo
repousa sobre a obra perfeita do seu
filho. Isso é libertador, porque se a
alegria de Deus sobre mim dependesse da
minha semana, eu estaria perdido. Se
dependesse da firmeza da minha oração,
eu estaria perdido. Se dependesse da
pureza do meu amor, eu estaria perdido.
Se dependesse da estabilidade do meu
coração, eu estaria perdido. Mas Deus se
alegra sobre o seu povo em Cristo. E
Cristo
não oscila. Cristo não falha. Cristo não
diminui, Cristo não perde valor, Cristo
não se torna menos agradável ao Pai.
Então o crente precisa parar de imaginar
que Deus apenas o tolera.
Precisa parar de viver como se o Pai
olhasse para ele em Cristo e dissesse:
"Está bem, eu aceito, mas com desgosto.
Não. Em Cristo Deus recebe. Em Cristo
Deus abraça. Em Cristo Deus põe em seu
nome. Em Cristo Deus se agrada. Em
Cristo, Deus canta sobre o seu povo.
Então, a alegria cristã começa quando
isso deixa de ser apenas doutrina
organizada na mente e começa a descer
como luz sobre a alma. Quando o crente
entende que não está tentando arrancar a
alegria de um Deus relutante, não está
tentando convencer um pai frio a ser
bom, não está tentando produzir uma vida
aceitável para finalmente receber um
sorriso, o sorriso do pai já veio sobre
ele em Cristo. A face de Deus já
resplandeceu sobre ele em Cristo. A
condenação já caiu sobre Cristo. A
adoção já foi concedida em Cristo. O
favor já foi comprado em Cristo. Então,
a alegria cristã não é fabricada por
esforço emocional, ela é recebida pela
fé. Ela nasce quando a alma vê Cristo de
novo. Eu os verei outra vez e vocês se
alegrarão. Essa é a ordem. Cristo
primeiro, alegria depois. Não alegria
como técnica, não alegria como teatro,
não alegria como cobrança. Cristo, o
Cristo crucificado, o Cristo
ressuscitado, o Cristo vivo, o Cristo
que volta a seu rusto para discípulos em
lágrimas e promete que a tristeza deles
não será
eterna.
Questão, você não foi chamado para uma
religião sem deleite. Você foi chamado
para Deus. E Deus não é apenas dever,
não. Deus não é apenas mandamento. Deus
não é apenas tribunal. Deus não é apenas
doutrina correta. Deus é o bem supremo.
É a fonte da vida, é a plenitude da
alegria. É o deleite eterno da alma
redimida. Se Deus fosse apenas dever, a
vida cristã seria peso. Mas Deus é
deleite. E quem conhece esse Deus pode
chorar profundamente, mas não pode
permanecer
sem alegria.
E Lucas 2:10 diz: "Estou lhes trazendo
boas novas de grande alegria". O
evangelho não é conselho
religioso para pessoas fortes. É notícia
de alegria para pecadores perdidos.
Essa diferença muda tudo. Conselho diz o
que você precisa fazer. Notícia anuncia
algo que aconteceu.
Conselho coloca o peso sobre os seus
ombros. Notícia chega de fora e muda a
realidade antes mesmo que você tenha
forças para se levantar.
Conselho diz: "Organize-se, melhore,
suba, alcance, conquiste, prove, faça
por merecer". Notícia diz: "Algo foi
feito, algo aconteceu, uma vitória foi
conquistada, um rei veio, um salvador
nasceu, uma cruz foi levantada, um
túmulo ficou vazio.
É por isso que o evangelho é chamado de
boas novas, não de boas ideias, não bons
princípios, não bons sentimentos, boas
novas. O cristianismo não é não começa
com um homem subindo até Deus, começa
com Deus descendo até o homem. Não
começa com pecadores fortes encontrando
um caminho para o céu.
Começa com o filho eterno entrando na
miséria de pecadores fracos. Não começa
com a alma dizendo: "Eu consegui
chegar". Começa com o céu anunciando:
"Cristo veio até você".
Essa é a razão pela qual o evangelho
produz alegria. Ele não é uma carga nova
colocada sobre a alma cansada. Ele é a
notícia de que em Cristo Deus fez por
pecadores aquilo que pecadores jamais
poderiam fazer por si mesmos. A alegria
cristã nasce quando a alma para de
tentar fabricar salvação e começa a
ouvir com fé o anúncio da salvação
já consumada.
Mas isso precisa ser dito com cuidado,
porque muitos transformam o cristianismo
em outra coisa.
Eh, transformaram em conselho
espiritual, transformaram em sistema
moral, transformaram em tradição
familiar, transformaram em identidade
cultural, transformaram em técnica para
viver melhor, para conseguir coisas,
transformaram em esforço religioso para
parecer mais digno diante de Deus e dos
homens. E então se perguntam, por que
não há alegria?
Porque conselho sem notícia não salva.
Moral sem Cristo não vivifica. Tradição
sem evangelho não sustenta a alma.
Religião eh sem obediência pode
organizar a vida por fora, mas não
ressuscita o coração por dentro. O
evangelho é notícia
e notícia precisa ser ouvida.
Foi assim no nascimento de Cristo. O
anjo não aparece aos pastores dizendo:
"Estou trazendo uma nova escada para
vocês subirem". Ele não disse: "Estou
trazendo exigências para que vocês, se
forem suficientemente fiéis, talvez
alcancem o favor de Deus".
Ele disse: "Estou lhes trazendo boas
novas de grande alegria." E qual era a
notícia? Hoje na cidade de Davi nasceu o
Salvador. Nasceu. Não apenas foi
prometido, não apenas foi imaginado, não
apenas foi desejado, nasceu. A alegria
vem porque Deus entrou na história. Ono
tomou carne, a luz veio ao mundo. O
Salvador não ficou à distância esperando
que miseráveis encontrassem o caminho.
Ele veio ao encontro deles, veio ao
nosso pó, veio à nossa noite, veio a
nossa culpa. veio a nossa morte.
Em João 16, Jesus está preparando seus
discípulos para o ponto mais escuro
dessa notícia, porque a boa notícia
passaria paradoxalmente pela pior cena
que eles já tinham visto. A cruz
pareceria o fracasso absoluto. O Messias
seria preso, o santo seria condenado. O
justo seria tratado como criminoso.
Aquele que abriu olhos dos cegos teria o
rosto ferido. Aquele que chamou mortos
para fora do túmulo seria colocado
dentro de um túmulo. Aquele que falou do
reino pareceria esmagado pelos reinos
deste mundo. E Jesus dise que
enquanto os discípulos chorariam, o
mundo se alegraria.
Essa
é a inversão, a inversão terrível da
sexta-feira. O mundo olharia para a cruz
e pensaria: "Acabou". Os líderes
religiosos pensariam: "Vencemos". Roma
pensaria: "Mais um crucificado."
O inferno pareceria sorrir. Os
discípulos, confusos e quebrados não
conseguiriam enxergar a salvação naquele
madeiro. Para eles, naquele momento, a
cruz parecia a morte da esperança, mas
era exatamente ali que Deus estava
realizando a redenção. A aparente
vitória das trevas era o palco da
vitória de Deus. A aparente derrota do
filho era o cumprimento do plano eterno
do pai. O sangue que parecia provar
fraqueza estava comprando a paz. O
abandono que parecia escândalo estava
carregando a maldição. A morte que
parecia o fim estava abrindo o caminho
da vida. Aqui está o coração da alegria
cristã. Deus transformou a pior notícia
que o mundo poderia imaginar na melhor
notícia que pecadores poderiam ouvir.
Cristo morreu, mas não morreu como
vítima de um acidente. Morreu como
cordeiro, morreu como substituto, morreu
levando culpa, morreu carregando juízo,
morreu no lugar
de pecadores.
E Cristo
ressuscitou não como símbolo inspirador,
não como memória religiosa, não como
ideia bonita para consolar gente
sensível.
Ressuscitou em corpo, ressuscitou em
glória, ressuscitou como Senhor,
ressuscitou como o primeiro fruto da
nova criação. Ressuscitou para declarar
que a dívida foi paga, a morte foi
vencida. O pecado não tem a palavra
final e a tristeza dos filhos de Deus
perder o direito de reinar, de ser
eterna, de governar suas vidas.
Essa é a grande notícia. E essa notícia
tem uma força que nenhuma outra história
possui. É verdade que o coração humano
sempre amou histórias de resgate,
histórias em que a escuridão parece
vencer, mas uma luz inesperada surge.
Histórias em que o herói desce ao
perigo, toma sobre si o risco, enfrenta
o mal, parece derrotado, mas arranca
vitória da boca da morte.
histórias de sacrifício, de retorno, de
reino restaurado, de lágrimas que se
tornam cântico. Nós amamos essas
histórias porque fomos feitos para a
verdadeira história.
Mas o evangelho não é apenas mais uma
delas. O evangelho é a história para a
qual todas as outras apontam sem
conseguir substituí-la.
É o grande enredo que se torna o fato. É
a verdade no centro da realidade. É
escapismo para quem tem medo do mundo. É
a explicação mais profunda do mundo. É a
notícia de que o nosso desespero não é
último. O pecado não é soberano. A morte
não é invencível. E Deus não abandonou a
criação, as trevas. O herói veio, mas
veio de modo mais humilde do que
esperávamos. Nasceu em manjedoura,
cresceu sem aparência de glória terrena,
eh tocou em leprosos, recebeu pecadores,
chorou diante da morte, foi rejeitado
pelos seus, foi traído por um amigo, foi
condenado por injustos, foi levantado
numa cruz, pareceu derrotado, mas no
terceiro dia a morte descobriu que tinha
engolido o autor da vida. O túmulo não
conseguiu segurá-lo. A pedra foi
removida. Amanhã chegou e a alegria
cristã nasceu de um fato que ninguém
pode desfazer.
Por isso, quando a igreja perde alegria,
muitas vezes o problema não é que ela
precise de novidades.
O que ela esqueceu
foi da notícia. É que ela esqueceu a
notícia. A alma começa a secar quando o
evangelho vira pressuposto distante,
quando Cristo vira apenas tema
conhecido, quando a cruz vira símbolo
decorativo, quando a ressurreição vira
doutrina arquivada, o coração se
torna pesado, não apenas porque a vida é
difícil, mas porque as boas novas deixam
de ser o chão sobre o qual ele pisa.
Então, o cristianismo vira dever, vira
rotina, vira cobrança, vira comparação,
vira moralismo, vira desempenho,
vira uma tentativa cansada de provar a
Deus, aos outros e a si mesmo que ainda
somos alguma coisa. E a alegria se vai,
porque a alegria não floresce onde o
evangelho é tratado como nota de rodapé
e humanismo secular é abraçado.
Ela floresce onde Cristo crucificado e
ressuscitado volta a ser o centro, onde
a alma escuta de novo: Você não se
salvou. Cristo salvou. Você não abriu o
caminho, Cristo abriu. Você não venceu a
morte, Cristo venceu. Você não comprou o
favor do Pai, Cristo comprou com sangue.
Você não carrega a última palavra sobre
sua vida. Cristo carrega. Essa notícia
precisa descer até os lugares concretos
da alma. Quando as manchetes assustam, o
evangelho diz: "O rei vive". Quando o
humor das pessoas muda, o evangelho diz:
"O favor final do Pai está em Cristo".
Quando o saldo bancário treme, o
evangelho diz: "Sua herança não pode ser
destruída".
Quando a aprovação humana desaparece, o
evangelho diz: "Você foi recebido no
amado". Quando a culpa acusa, o
evangelho diz: "O cordeiro foi ferido".
Quando a morte se aproxima,
o evangelho diz: "O túmulo já foi
vencido". Não é pensamento positivo.
Pensamento positivo tenta convencer a
alma de que as coisas talvez melhorem. O
evangelho anuncia que as coisas, a coisa
decisiva já aconteceu.
Pensamento positivo depende da força da
minha imaginação. O evangelho depende da
fidelidade de Deus na história.
Pensamento positivo diz: "Olhe para
dentro e encontre coragem". O evangelho
diz: "Olhe para fora, para Cristo e veja
o que Deus fez". Por isso o evangelho
produz alegria. Não uma alegria rasa,
não uma alegria barulhenta para esconder
medo. Não uma alegria que nega lágrimas,
mas uma alegria com raízes profundas,
porque está plantada em fatos eternos.
Cristo morreu por pecadores. Cristo
ressuscitou. Cristo reina. Cristo
voltará. E quando essa notícia deixa de
ser apenas informação religiosa e se
torna o chão da alma, a tristeza ainda
pode bater a porta. mas já não encontra
um trono vazio para ocupar. A alegria
cristã não é fabricada por pensamento
positivo. Ela é acesa por uma notícia. O
túmulo está vazio, o rei está vivo e a
nossa tristeza perdeu o trono.
Então, em João 16:21 diz: "A mulher que
está dando a luz". É como Jesus eh dá
uma figura para o que ele está dizendo.
A mulher que está dando a luz sente
dores porque chegou a sua hora, mas
quando o bebê nasce esquece a angústia
por causa da alegria de ter vindo ao
mundo um menino. A Bíblia não chama de
fé anestesia da alma.
Ela não nos manda parar de sentir para
provar que cremos. não nos chama a uma
espiritualidade sem lágrimas, sem
tremores, sem noites
escuras, densas, sem perguntas, sem
gemidos. A fé cristã é uma cirurgia que
remove a sensibilidade do coração. Pelo
contrário, muitas vezes
ela faz o coração sentir mais, não
menos. Ela não torna alma de pedra, ela
torna viva. Por isso, precisamos ouvir
com cuidado a imagem que Jesus usa. Ele
fala de uma mulher em trabalho de parto.
Ela sente dores porque chegou a sua
hora. Jesus não nega a dor, não suaviza
a cena, não diz que a dor era pequena,
imaginária,
exagerada ou indigna de atenção. Ele não
faz aquilo que tantas religiões falsas e
tantas espiritualidades até cristãs
superficiais tentam fazer transformar
sofrimento em ilusão, fraqueza ou falta
de evolução interior. Ah, não. A mulher
sente dor, dor real, dor intensa, dor
que envolve o corpo inteiro, dor que
toma atenção, aperta a respiração,
domina o momento. Jesus sabe disso e
justamente por saber, escolhe essa
imagem. Ele não escolhe uma dor
decorativa, não escolhe um incômodo
leve, escolhe uma dor profunda, mas uma
dor que não é sem sentido, uma dor
atravessada por promessa, uma dor que
está dando lugar. a uma vida. Aqui está
a sabedoria da metáfora. Jesus não disse
que quando a criança nasce, a dor nunca
existiu
ou que ela some. Ele diz que a alegria
reorganiza a experiência da dor.
A mulher não olha para o filho e conclui
que a angústia foi falsa, que a dor foi
falsa. Ela sabe que sofreu, sabe que seu
corpo foi rasgado por aquele momento,
mas uma alegria maior entrou em cena. E
essa alegria não apaga a história da
dor, ela a coloca dentro de uma história
maior.
A dor permanece como memória, mas já não
permanece como senhora.
Isso é profundamente cristão. Porque a
alegria que Cristo promete não é uma
alegria que cancela a tristeza, como se
o crente fosse obrigado a viver numa
superfície sorridente. É uma alegria que
entra mais fundo do que a tristeza. Ela
não nega a ferida. Ela impede que a
ferida defina o destino da vida, da
alma, da mente, do coração. Ela não diz
que o parto não doeu, ela diz que nasceu
uma criança. Ela não disse que a cruz
não foi terrível, ela diz que a cruz se
tornou o caminho da redenção. Muitos
erram aqui. Uns erram por triunfalismo.
Dizem: "Se você tem fé, não deve sofrer
assim".
Tratam tristeza como escândalo, lamento
como fraqueza, angústia como derrota
espiritual. Parece piedade, mas é
crueldade vestida de religião.
Coloca sobre o ferido um peso que Cristo
não colocou. Obriga a alma a esconder
lágrimas debaixo de frases corretas.
Ensina pessoas a sorrirem por fora
enquanto sangram sozinhas por dentro.
Outros erram por desespero. Dizem: "Se
você sofre assim, então não há alegria
verdadeira em você.
Confundem dor com a ausência de Deus,
confundem lágrimas com abandono,
confundem inverno
da alma com morte espiritual. Quando a
tristeza vem, conclu depressa demais que
tudo se perdeu, que a promessa falhou,
que Cristo está distante, que a alegria
era a ilusão. Mas Jesus não,
Jesus nos dá uma uma verdade mais
profunda.
A alegria cristã pode coexistir com dor
real. O cristão pode estar ferido e
sustentado ao mesmo tempo. Pode chorar e
adorar. Pode lamentar e esperar. Pode
sentir o peso da noite e ainda pertencer
amanhã. Pode não entender o pouco tempo
de Deus e ainda descansar no Cristo que
prometeu ser visto outra vez. A
escritura inteira confirma isso.
Jó recebeu notícias devastadoras. Perdeu
bens, filhos, saúde, estabilidade,
honra.
explicações. E quando a dor caiu sobre
ele, ele não respondeu como alguém
anestesiado. Ele rasgou o manto, raspou
a cabeça, lançou seu chão. Seu lamento
foi intenso, sua linguagem em muitos
momentos foi pesada. A alma dele não
ficou imóvel diante do sofrimento. E
ainda assim a escritura diz que em tudo
isso, Jó não pecou atribuindo a Deus
falta alguma.
Isso precisa corrigir nossa imaginação
espiritual. Há lamentos que não são
incredulidade. Há lágrimas que não são
rebelião. Há quedas no chão que não são
abandono da fé. Há dores profundas, tão
profundas, que o corpo precisa expressar
o que a alma não consegue organizar em
frases. E Deus não se assusta com isso.
Ele não trata todo gemido como ofensa.
Ele sabe distinguir lamento de
blasfêmia, fraqueza de apostasia,
sofrimento de incredulidade.
Paulo também conhecia esse paradoxo. Ele
fala de si e dos seus cooperadores como
entristecidos, mas sempre alegres. Não
entristecidos em aparência e alegres de
verdade, como se a tristeza fosse falsa.
Não entristecidos, mas sempre alegres.
As duas realidades ocupando a mesma
alma, mas não com o mesmo peso final. A
tristeza estava ali, mas havia algo mais
fundo. Havia Cristo, havia esperança,
havia promessa, havia o peso eterno de
glória, tornando as aflições presentes
leves em comparação.
Pedro segue o mesmo caminho. Ele fala de
crentes que se alegram, embora agora,
por um pouco de tempo seja entristecido
por todo tipo de provação. A alegria não
aparece depois que toda a provação
termina. Ela aparece dentro da provação,
não como negação da tristeza,
mas como ouro no fogo. A fé é provada, o
coração é apertado, a alma sente, mas
Deus está purificando, sustentando e
preservando. E acima de todos está
Cristo, o homem de dores. O Salvador não
foi menos santo porque chorou, não foi
menos obediente porque se angustiou, não
foi menos filho porque suou como gotas
de sangue no jardim.
Não foi menos perfeito, porque disse: "A
minha alma está profundamente triste até
a morte".
Ele não representou uma espiritualidade
de gelo. Ele entrou em nossa dor com
alma humana verdadeira. Sentiu sem
pecar, chorou sem duvidar da bondade do
Pai, sofreu sem deixar de obedecer.
Então, não transforme tristeza em prova
automática de fracasso espiritual. O
próprio Cristo foi homem de dores. E
aqui precisamos entender algo sobre a
conversão. Quando Deus
salva alguém, ele não endurece seu
coração para que sofra menos. Ele tira o
coração de pedra e dá coração de carne.
E o coração de carne sente, sente a
própria culpa com mais seriedade. Sente
o pecado com mais repulsa, sente a
miséria do mundo com mais compaixão.
Sente a dor dos outros com mais
proximidade,
sente a própria fraqueza com menos
ilusão. Antes, o homem sem Deus muitas
vezes sobrevive endurecendo-se.
Ele aprende a não olhar fundo demais,
aprende a distrair-se, aprende a
racionalizar o pecado, psicologizar o
pecado. Aprende a dizer: "Não me
importo". Aprende a anestesiar a
consciência,
eu não sou culpado. Aprende a rir do que
deveria fazer o tremer. Aprende a chamar
dureza de força. Mas a graça amolece. A
graça abre os olhos. A graça devolve
sensibilidade.
O cristão passa a enxergar mais e por
enxergar mais também sofre mais em
certos sentidos. Ele já não consegue
tratar o pecado como brinquedo. Já não
consegue olhar para o mundo quebrado
como se fosse normal. Já não consegue
assistir a destruição das almas sem
sentir peso. Já não consegue justificar
facilmente sua própria maldade, seu
pecado. Não usa o humanismo secular para
fazer isso. Deus lhe deu um coração mais
vivo,
mais junto com essa sensibilidade. Deus
dá uma alegria mais profunda. Não uma
alegria que ignora a tristeza, uma
alegria que atravessa, atravessa a
tristeza. Não uma alegria que paira
acima da vida real. Uma alegria que
desce ao fundo da alma e permanece ali
como uma fonte subterrânea.
Essa é a imagem que precisamos guardar.
Há águas que correm na superfície e
desaparecem quando o sol aperta, mas há
fontes profundas que continuam brotando,
mesmo quando a terra
está seca. A alegria cristã
é assim. Em dias de paz, ela canta. Em
dias de dor, ela sustenta. Em dias de
perda, ela impede o desespero de tomar o
trono. Em dias de confusão, ela sussurra
que Cristo ainda vive, ainda reina,
ainda vê, ainda voltará. Por isso,
quando a tristeza chegar, não finja que
ela não chegou. Leve-a a Deus. Olhe com
ela. Lamente diante do Pai, abra a alma
sem encenar força. A fé não precisa
mentir para ser fé. Diga como os salmos
dizem, chore como os santos choraram.
Cai aos pés do Senhor como alguém que
não tem outro lugar para ir. Mas não
deixe a tristeza pregar para você.
Esfregue esperança nela, leve o
evangelho para dentro dela. Diga a sua
dor que Cristo ressuscitou. Diga a sua
ansiedade que o Pai reina. Diga as suas
lágrimas que há uma manhã prometida.
Diga ao seu luto que ele não é eterno.
Diga à sua alma que o Cristo que
anunciou tristeza também prometeu
alegria. A alegria de Cristo não é uma
tinta fina passada sobre a dor, é uma
fonte subterrânea.
A tristeza lança as
lança pedras sobre ela, mas não consegue
fazê-la parar.
E Jesus diz: "Ninguém tirará de vocês
essa alegria".
João 16:22.
Toda alegria sustentada por coisas
frágeis será uma alegria frágil. Essa é
uma das verdades mais simples e mais
dolorosas da vida. O homem procura
alegria em muitas coisas e nem todas
elas são mais.
Há alegria na saúde, a alegria no amor
humano, a alegria no trabalho bem feito,
a alegria na amizade, na família, no
reconhecimento, no descanso, na beleza
do mundo, né, da natureza, na
estabilidade da casa, na mesa posta,
na notícia boa, no abraço que chega na
hora certa. Seria ingratidão negar isso.
Deus criou um mundo onde muitas coisas
ainda carregam sinais.
da sua bondade. Mas é um problema. Tudo
isso pode ser tirado. A saúde pode
enfraquecer, o dinheiro pode acabar, a
reputação pode ser manchada, o
relacionamento pode se quebrar, a
juventude pode passar, o sucesso pode
virar memória, a estabilidade pode
desmoronar
numa ligação, num exame,
numa demissão, numa traição, numa
notícia que chega sem pedir licença.
Aquilo que hoje parece firme pode amanhã
tremer debaixo dos nossos pés. E se a
nossa alegria final estiver apoiada
nessas coisas, ela tremerá junto. Esse é
o ponto. O problema não é receber as
bênçãos de Deus com gratidão. O problema
é exigir que as bênçãos façam o papel de
Deus. O problema não é amar pessoas,
desfrutar dons, trabalhar com zelo,
desejar estabilidade, alegrar-se com
boas notícias. O problema é entregar a
essas coisas o peso último da nossa
alma. Quando uma bênção se torna
fundamento, ela deixa de ser apenas
bênção e começa a funcionar como um
ídolo. E ídolos sempre prometem mais do
que podem sustentar.
Eles oferecem alegria, mas não conseguem
protegê-la. oferecem identidade, mas não
conseguem firmá-la. Oferecem paz, mas
não conseguem mantê-la quando a
tempestade chega.
Eles nos dão momentos de levação, mas
nos deixam vulneráveis ao pânico, porque
lá no fundo
sabemos que aquilo pode escapar das
nossas mãos. Por isso, tantas pessoas
vivem assustadas, mesmo quando tem
muito. Tem afeto, mas medo de perder.
Tem sucesso, mas medo de cair. Tem
reputação, mas medo de serem
descobertas.
Tem estabilidade, mas medo do próximo
abalo. Tem beleza, mas medo do tempo.
Tem dinheiro, mas medo da insuficiência.
Tem admiração, mas medo do esquecimento.
Não é que não exista alegria nessas
coisas, existe, mas é uma alegria
vulnerável, porque está presa a coisas
vulneráveis. E Jesus em João 16 promete
algo de outra ordem. Ele não diz apenas:
"Vocês terão momentos melhores". Ele não
diz algumas circunstâncias voltarão a
sorrir. Ele diz: "Eu os verei outra vez
e vocês se alegrarão e ninguém tirará de
vocês essa alegria. Ninguém.
Essa palavra precisa pesar em nossos
corações. Precisamos sentir o peso de
glória dela. Jesus não está prometendo
uma emoção superficial que nunca será
atacada.
Ele não está dizendo que os discípulos
nunca mais sentirão medo, cansaço,
tristeza ou pressão. Ele já disse que
eles chorariam, já disse que se
entristeceriam, já disse que o mundo se
alegraria enquanto eles lamentariam.
Então essa alegria que ninguém pode
tirar não é uma alegria sem lágrimas. É
uma alegria que lágrimas não conseguem
arrancar pela raiz. Por quê? Porque ela
nasce de Cristo. Eu os verei outra vez.
A alegria dos discípulos não estaria
fundada na permanência de tudo ao redor
deles. Estaria fundada na permanência do
próprio Cristo. Eles se alegrariam
porque o Cristo
crucificado viveria, porque a morte não
teria a última palavra, porque aquele
que seria colocado no túmulo voltaria
para eles como Senhor ressuscitado.
O fundamento da alegria cristã não é
tudo em minha vida vai permanecer. O
fundamento é Cristo permanece.
Essa diferença muda, muda tudo. Se minha
alegria final depende de circunstâncias
estáveis,
eu serei refém das circunstâncias. Se
depende da aprovação das pessoas, eu
serei escravo
dos rostos humanos.
Se depende do sucesso, viverei debaixo
da ameaça constante do fracasso. Se
depende da saúde, qualquer fraqueza
aparecerá o fim do mundo. Se depende de
uma pessoa, farei dessa pessoa um
salvador que ela nunca poderá ser. Mas
se minha alegria final está em Cristo,
então homens podem ferir, perdas podem
esmagar, circunstâncias podem mudar e
ainda assim algo permanece tocado no
fundo da alma. Não porque eu sou forte,
porque Cristo é. A alegria cristã é
permanente, porque Cristo é imutável.
Deus não muda. Eu, o Senhor não mudo.
Essa não é uma afirmação abstrata para
discussões teológicas frias.
É uma âncora para a alma em dias de
abalo. Se Deus mudasse, nada estaria
seguro. Se o amor dele oscilasse como o
nosso, se sua promessa dependesse de
humores, se sua aliança pudesse
envelhecer, se sua graça pudesse ser
revogada, se sua obra pudesse perder
eficácia, então não haveria alegria
sólida para nenhum pecador.
Mas Deus não muda. Cristo não muda. Sua
cruz não muda. O sangue derramado não
perde poder. A expiação não envelhece. A
justiça satisfeita não precisa ser
refeita. A sentença de absolvição não é
escrita a lápis.
A ressurreição não pode ser
desacontecida.
O túmulo vazio não pode ser fechado de
novo. A intercessão de Cristo não se
cansa. Sua aliança não vence. Sua
promessa não apodrece. Sua graça
soberana não depende da estabilidade das
nossas emoções.
Aqui está a firmeza da alegria cristã.
Ninguém pode apagar a cruz. Ninguém pode
destrorar o Cristo ressuscitado. Ninguém
pode desfazer a adoção comprada pelo
Filho. Ninguém pode arrancar do pai
aqueles que ele deu ao Filho. Ninguém
pode cancelar o decreto da graça. O
mundo pode tirar muito. Pode tirar
conforto, pode tirar reputação, pode
tirar oportunidades, pode tirar bens,
pode tirar amizades, pode tirar saúde.
Em alguns casos pode até tirar a vida,
mas não pode tirar Cristo. E se não pode
tirar Cristo, não pode tirar a alegria
final de quem está em Cristo. Isso não
significa que o crente sempre sentirá
essa alegria com a mesma intensidade. Há
dias em que ela parece coberta por
poeira, escondida debaixo de cansaço,
abafada por lágrimas, pressionada por
medos.
Há dias em que o coração sabe a verdade,
mas mal consegue cantá-la. Há dias em
que a alma precisa ser lembrada como
quem acorda dentro de uma neblina e
precisa reaprender a enxergar.
Mas uma coisa é a intensidade sentida da
alegria. Outra coisa é o fundamento real
da alegria. O fundamento permanece.
Cristo permanece. Por isso, precisamos
fazer uma pergunta pastoral, mas
perigosa.
O que tem tido poder de roubar sua
alegria? Não responda depressa demais.
Nem use essa pergunta para se esmagar
com culpa. A intenção não é colocar mais
peso sobre uma alma já cansada, é
conduzir o coração de volta ao
fundamento. Porque aquilo que tem poder
absoluto de roubar sua alegria, talvez
esteja revelando onde sua alegria foi
depositada.
Se a crítica destrói
você por inteiro, talvez sua alegria
esteja descansando demais na aprovação
humana.
Se uma perda financeira apaga toda a sua
esperança, talvez sua segurança esteja
apoiada demais na estabilidade material.
Se ausência de reconhecimento transforma
seu serviço em amargura, talvez você
esteja buscando no olhar dos homens
aquilo que só o Pai pode dar.
Se a instabilidade de uma pessoa faz sua
alma desabar completamente, talvez essa
pessoa tenha recebido um peso que só
Cristo pode carregar.
Veja bem, o problema não é amar essas
coisas, o problema é exigir que elas
sejam Deus. O evangelho não nos chama a
desprezar as bênçãos, ele nos chama a
recolocá-las no lugar certo. Receba com
gratidão o amor humano, mas não faça do
amor humano o seu Salvador. Trabalhe com
zelo, mas não faça do sucesso no
trabalho sua justiça.
Cuide do corpo, mas não faça da saúde
sua esperança final.
Agradeça pelo reconhecimento, mas não
faça dele seu verdadeiro veredito
definitivo.
Ame profundamente, mas não entregue a
criatura, não não entregue a criatura,
criaturas frágeis, o trono que pertence
ao Cristo imutável. A alegria que Cristo
dá não pode ser roubada, porque Cristo
não pode ser roubado do seu povo. Essa é
a esperança.
Não há nada.
Não é que nada
mudará ao nosso redor. As coisas mudam.
Muita coisa mudará. Algumas mudanças
nos farão sorrir, outras nos farão
chorar. O mundo continuará instável.
Pessoas continuarão limitadas. Nosso
corpo continuará frágil. Nossas
circunstâncias continuarão vulneráveis.
Mas no centro da vida cristã há uma
realidade que não se move.
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e
para sempre.
Então, volte ao fundamento, volte à
cruz, volte ao túmulo vazio, volte à
promessa, volte ao Cristo que disse: "Eu
os verei outra vez e vocês se alegrarão
e ninguém tirará de vocês essa alegria."
A alegria que nasce do mundo, morre com
o mundo. A alegria que nasce de Cristo
atravessa o mundo, atravessa a morte e
chega intacta à eternidade.
No Salmo 16 verso 11 diz: "Tu me farás
conhecer a vereda da vida, alegria plena
da tua presença." Nem toda euforia é
alegria. Às vezes é apenas idolatria
satisfeita por algum tempo, por alguns
minutos.
Essa frase precisa nos incomodar, porque
nem tudo que nos levanta por dentro vem
de Deus.
Nem todo alívio é liberdade, nem toda
sensação de plenitude é sinal de saúde
espiritual. Há momentos em que o coração
parece respirar, não porque encontrou o
Senhor, mas porque seu ídolo recebeu
alimento.
Há uma alegria que não vem da comunhão
com Deus, mas da sensação temporária de
que aquilo que mais desejamos finalmente
se aproximou de nossas mãos. A Bíblia
não nos chama a desconfiar das bênçãos
de Deus como se fossem mais. O problema
não está nas bênçãos. O problema está no
lugar que elas ocupam. Carreira,
família, amor, humano, dinheiro,
reconhecimento, saúde, estabilidade,
ministério, beleza, descanso, amizade.
Tudo isso pode ser recebido com gratidão
diante de Deus.
Mas tudo isso se torna perigoso quando
deixa de ser dádiva e passa a ser
fundamento, quando deixa de ser motivo
de gratidão e passa a ser fonte última
de identidade, segurança
e alegria. Há uma alegria falsa que
surge quando conseguimos aquilo que
julgávamos indispensável.
A carreira entrega uma promoção e a alma
se sente abençoada.
A aprovação humana entrega elogios e a
alma se sente viva. O romance entrega
atenção.
Os cachorros latiro aqui de repente até
um susto. O romance entrega atenção e a
alma se sente
escolhida.
O dinheiro entrega sensação de controle
e a alma se sente segura.
O ministério entrega
reconhecimento e a alma se sente
necessária.
A família entrega harmonia e a alma se
sente inteira. E por um tempo tudo
parece funcionar, o coração fica leve, o
mundo parece mais suportável,
a oração talvez até fique mais fácil. A
vida parece ter voltado para o lugar. A
pessoa pensa: "Agora sim, agora estou
bem, agora posso descansar.
Mas
precisamos perguntar, que descanso é
esse? É descanso em Deus ou descanso em
algo que pode desaparecer amanhã? É
alegria no abençoador ou alegria na
bênção isolada do abençoador?
É gratidão humilde ou uma dependência
secreta daquelas coisas? É louvor ou
idolatria perfumada? Porque todo ídolo
que abençoa também amaldiçoa.
Essa é a parte que a alma demora a
aceitar. O ídolo parece generoso quando
entrega o que prometeu, mas ele se torna
cruel quando retém. Se a promoção vem, a
carreira sorri e diz: "Você tem valor".
Mas se a promoção não vem, ela condena e
diz: "Você ficou para trás". Se o elogio
chega, a aprovação humana abraça e diz:
"Você importa". Mas se o elogio
desaparece, ela acusa e diz: "Você é
invisível".
Se a pessoa amada se aproxima, o romance
canta e diz: "Você é desejável".
Mas se ela se afasta, o romance rasga a
alma e diz: "Você não é suficiente". Se
o dinheiro aumenta,
a falsa segurança sussurra: "Você está
protegido". Mas se ele diminui, a mesma
voz grita: "Você está perdido". Ídolos
são assim. Eles acariciam antes de
escravizar. Eles prometem vida antes de
exigir adoração.
Eles dão um pouco de euforia antes de
cobrar a alma inteira. E por isso,
tantas alegrias humanas quando
absolutizadas tornam-se instáveis. Não
porque as coisas criadas sejam mais em
si mesmas, mas porque foram feitas para
apontar para Deus, não para
substituí-lo.
A bênção é boa quando nos conduz ao
abençoador. Torna-se prisão quando tenta
ocupar o lugar dele. Aqui o Salmo 16 nos
ensina o caminho. Davi não diz: "Tu me
farás conhecer a vereda da vida, a
alegria plena das tuas dádivas." Ele diz
alegria plena da tua presença.
Não é que as dádivas sejam desprezadas.
O próprio salmo fala da herança, porção,
segurança, caminho, conselho, descanso.
Mas tudo isso encontra seu centro na
presença de Deus. A alegria plena não
está nas mãos de Deus, separada da face
de Deus. Está no próprio Deus, na sua
face. Essa é a diferença entre a alegria
verdadeira e a falsa alegria. A falsa
alegria pega as bênçãos de Deus e tenta
extrair delas uma plenitude que só Deus
pode dar. Alegria verdadeira recebe as
bênçãos, agradece por elas, desfruta
delas com humildade,
mas não para, não para ali. Ela sabe.
Ela atravessa o dom e chega ao doador.
Ela olha para o pão e agradece ao pai.
Olha para a amizade e vê misericórdia.
Olha para o trabalho e vê providência.
Olha para a família e vê graça. Olha
para a criação e vê glória. Olha para
cada bem e diz: "Isso é bom, mas não é
meu Deus". O coração precisa aprender
essa distinção, porque até coisas santas
podem virar ídolos.
Ministério pode virar ídolo quando o
serviço a Deus se torna a fonte última
da identidade. A alma já não serve em
liberdade, serve para existir. Se o
trabalho cresce, sente-se amada. Se
ninguém nota, amarga. Se há fruto
visível, descansa. Se há silêncio, entra
em crise.
Aquilo que deveria ser oferta se torna
tribunal. Família pode virar ídolo. Um
dom precioso de Deus. pode ser
transformado em chão absoluto da alma.
Então, qualquer ameaça, a harmonia
doméstica parece o fim de tudo. O amor
pelos filhos pode se tornar necessidade
de controle. O casamento pode ser
pressionado a fornecer a paz que só
Cristo pode dar. A casa deixa de ser
bênção e vira salvador funcional.
Estabilidade pode virar. A pessoa chama
de prudência, o que muitas vezes é
apenas medo de perder o controle.
Precisa que tudo esteja previsível para
conseguir [roncando]
respirar. Quando a vida muda, a alma
desaba. Não apenas porque a mudança dói,
mas porque a estabilidade tinha sido
colocada no lugar de Deus.
Até crescimento espiritual
percebido pode virar ídolo. A pessoa
começa a descansar não em Cristo, mas na
sensação de estar indo bem. Ora mais, lê
mais, serve mais e sem perceber passa a
encontrar alegria, não graça, mas na
própria performance religiosa. Então,
quando falha, não corre para Cristo,
entra em desespero, porque o Deus da
performance deixou de abençoá-la.
percebe como o coração é sutil.
Ele pode transformar qualquer coisa em
altar, até coisa boa, até coisa bíblica,
é até coisa que veio de Deus. Por isso,
a luta pela alegria verdadeira é também
uma luta contra a idolatria.
Não uma luta para desprezar as coisas
criadas, mas para recolocá-las no lugar
certo. A maturidade cristã não consiste
em amar dádivas de Deus. de modo frio e
ingrato. Consiste em amá-las em Deus,
por Deus e para Deus, sem exigir delas o
que só o Senhor pode ser.
Alma precisa aprender a orar
assim: "Senhor, eu te agradeço pelas
tuas dádivas, mas não permitas que eu
ame tuas dádivas mais do que amo a ti."
Essa oração é necessária porque o
coração se apega e se apega de pressa.
Basta um pouco de conforto e queremos
fazer dele nossa casa.
Basta um pouco de reconhecimento e
queremos fazer dele nosso nome. Basta um
pouco de controle e queremos fazer dele
nossa paz.
Basta um pouco de afeto e queremos fazer
dele nossa salvação. Mas Deus é
misericordioso demais para permitir que
seus filhos encontrem descanso
em coisas pequenas demais. Às vezes ele
abala aquilo que transformamos em
fundamento, não para nos destruir, mas
para nos libertar. tira o peso excessivo
das bênçãos para que elas voltem a ser
bênçãos apenas.
desmonta falsos falsos altares para que
a alma volte ao Deus vivo. Expõe nossa
dependência secreta para nos ensinar a
dizer novamente: "Tu és o meu Senhor.
Não tenho bem nenhum além de ti." Isso
pode doer, mas é graça. Porque a pior
coisa que poderia acontecer conosco
seria Deus nos entregar definitivamente
as nossas falsas alegrias. Seria
permitir que passássemos a vida inteira
satisfeitos com ídolos pequenos,
confundindo euforia com comunhão, alívio
com salvação, sucesso com favor, aplauso
com identidade, romance com redenção,
estabilidade com paz. Cristo veio nos
dar algo maior.
Ele não veio apenas melhorar nossas
circunstâncias, veio nos reconciliar com
Deus. Não veio apenas nos entregar
bênçãos, veio nos levar ao abençoador.
Não veio apenas colocar coisas boas em
nossas mãos. Veio abrir para nós o
caminho da presença de Deus. Pela sua
cruz removeu a culpa. Pela sua
ressurreição, abriu a vereda da vida.
pela sua intercessão contínua, sustenta
nosso acesso. Pelo seu espírito nos
ensina a provar que a alegria plena está
na presença do Senhor. Então, receba as
bênçãos, mas não adore as bênçãos.
Abrace as dádivas, mas não se prenda a
elas como se fossem Deus.
Agradeça pelo amor humano, mas não
descanse nele. Descanse no amor eterno.
Agradeça pelo pão, mas viva da palavra
de Deus. Agradeça pela casa, mas busque
a presença, a face.
Agradeça pelo ministério, mas permaneça
em Cristo. Agradeça pelo reconhecimento,
mas firme sua identidade no filho amado.
A bênção sem Deus se torna prisão.
Mas quando Deus é a alegria da alma, até
as bênçãos pequenas se tornam janelas
para glória. Eh,
nós enxergamos cada vez mais
profundamente isso. João 15
verso 10.
Jesus disse: "Ten-lhes dito essas
palavras para que a minha alegria esteja
em vocês e a alegria de vocês seja
completa." A alegria não floresce onde a
alma faz paz com aquilo que entristece o
espírito.
Essa é uma palavra séria
e precisa ser dita com cuidado, porque é
muito fácil transformar esse tema em
moralismo. É muito fácil dizer ao crente
ferido, você não tem alegria porque não
está fazendo bastante. É muito fácil
trocar o evangelho por cobrança, trocar
a graça por desempenho, trocar Cristo
por uma lista de tarefas espirituais.
Mas também seria uma falsa misericórdia
fingir que pecado protegido,
desobediência cultivada e comunhão
negligenciada não afetam a alegria da
alma. Afetam não porque a alegria seja
comprada por obediência.
Não porque Deus nos ame mais quando
estamos indo bem. Não porque a aceitação
do Pai depende da qualidade da nossa
semana.
O crente é aceito em Cristo, vestido da
justiça de Cristo, guardado pela graça
de Cristo. Isso vem primeiro. Isso é
fundamento. Isso não pode ser negociado.
Mas uma coisa é ser aceito por Deus em
Cristo. Outra coisa é desfrutar com
consciência limpa a doçura dessa
comunhão. Uma coisa é pertencer à casa,
outra coisa é andar pela casa fugindo do
olhar do pai.
Uma coisa é ser filho, outra coisa é
viver escondendo
da luz aquilo que sabemos que precisa
ser confessado.
A consciência ferida funciona como
vazamento na alma. A alegria entra, mas
não permanece cheia. A palavra é ouvida,
mas não desce com a mesma força. A
oração é feita, mas parece atravessar
uma parede. O louvor sai da boca, mas
algo por dentro está dividido.
A pessoa conhece as promessas, mas há um
peso secreto drenando a coragem. Há
pecado não confessado, a perdão
recusado, a obediência adiada, a
duplicidade sustentada.
Há uma área do coração dizendo a Cristo:
"Aqui não."
E onde há um aqui não, a alegria
enfraquece.
Porque Cristo não veio apenas nos
consolar no pecado, veio nos libertar
dele. Não veio apenas aliviar a culpa
enquanto mantemos as correntes. Veio
quebrar as correntes.
Não veio apenas nos dar paz psicológica,
veio nos reconciliar com Deus e nos
conduzir numa vida nova.
A alegria cristã não cresce onde o
pecado é tratado como hóspede
permanente.
Ela cresce onde o pecado é trazido à
luz, confessado, abandonado e colocado
debaixo do sangue de Cristo. Por isso
Jesus liga amor, obediência e alegria em
João 15. Ele diz: "Se vocês obedecerem
os meus mandamentos, permanecerão no meu
amor. Tenho-lhes dito estas palavras
para que a minha alegria esteja em vocês
e a alegria de vocês seja completa.
Perceba a ordem. Cristo não diz:
"Obedeçam para que eu comece a amar
vocês". Ele não coloca o amor como
salário da obediência. Ele fala a
discípulos que já foram amados, já foram
chamados, já foram limpos pela palavra.
A obediência não compra o amor. A
obediência permanece no ambiente do
amor. Isso muda tudo. O legalismo diz:
"Obedeça para ser aceito." O evangelho
diz: "Você foi aceito em Cristo agora
obedeça como filho amado." O legalismo
usa mandamento como escada para tentar
subir até Deus, ganhar créditos. O
evangelho recebe os mandamentos com o
caminho de comunhão com Deus que já
desceu até nós em Cristo. O legalismo
produzo,
comparação e orgulho quando acha que
conseguiu ou desespero quando percebe
que falhou. A obediência cristã nasce da
graça e conduz ao gozo da comunhão.
Não comprom alegria com obediência.
Caminhamos no caminho onde a alegria de
Cristo é desfrutada.
É como abrir as janelas de uma casa.
Abrir a janela não cria o sol, mas
permite que a luz entre. A obediência
não cria a graça, não produz a obra
consumada de Cristo, não fabrica o amor
do Pai, mas ela abre a vida para o
desfrute, como o abrir da janela daquilo
que a graça já nos deu. Quando o crente
anda em rebeldia protegida, ele fecha as
janelas e depois se pergunta: "Por que a
casa está escura?
Há muitos cristãos vivendo assim. Não
abandonaram a fé, não negaram as
doutrinas, não deixaram a igreja, ainda
falam de Deus, ainda conhecem os textos,
ainda sabem as respostas certas, mas
carregam dentro de si pequenos quartos
trancados, pequenas áreas reservadas,
pequenas desobediências tratadas como
inevitáveis,
como problemas psicológicos,
como problemas eh
químicos. pequenas amarguras
alimentadas, pequenas mentiras
preservadas, pequenos ídolos defendidos
com linguagem aceitável
do humanismo secular. E a alegria vai
ficando baixa, não desaparece
completamente porque Cristo não abandona
os seus, mas perde vigor, perde
liberdade, perde cântico. A alma
continua tendo água, mas bebe pouco.
Continua tendo pão, mas come mal.
continua tendo acesso ao pais, mas se
aproxima com vergonha escondida, não com
confissão humilde. Por isso, a pergunta
precisa vir, mas sem desespero. Há algo
drenando sua alegria. Há pecado que você
está protegendo. Há perdão que você se
recusa a pedir, a dar. A obediência que
você está adiando.
Adiar obediência é desobediência.
Há reconciliação que você evita, há
hábito secreto que você já aprendeu a
justificar. Há uma área da vida onde
você sabe exatamente o que Cristo está
chamando você a fazer, mas continua
dizendo depois.
Não responda como quem está diante de um
carrasco.
Responda como filho diante do pai. A
confissão não é caminho para condenação,
é caminho para restauração. O mesmo
Cristo que chama você a obediência
morreu por sua desobediência.
Por sua desobediência. Morreu por
desobedientes.
O mesmo Senhor que expõe o pecado é
aquele que derramou sangue para
perdoá-lo. Ele não traz luz para
destruir seus filhos. Ele traz luz para
curar. Mas a alegria não cresce apenas
em consciência limpa e obediência, ela
cresce também em comunhão.
Jesus diz em João 16: "Eu os verei outra
vez e vocês se alegrarão". A visão de
Cristo é a fonte da alegria. Os
discípulos se alegrariam ao ver o
ressuscitado.
Hoje não vemos fisicamente como eles
viram depois da ressurreição, mas pela
fé contemplamos Cristo na palavra e na
oração. A oração é mais do que
apresentar pedidos. É voltar à face para
Deus. É recolocar a alma diante daquele
que é sua vida. é deixar de viver
espalhado entre mil vozes e voltar ao
centro. É dizer: "Senhor, eu não preciso
apenas das tuas dádivas, eu preciso de
ti." Muitas vezes a alegria definiação,
pois o crente permanece em Cristo, mas
longe em experiência, em atenção, em
desejo, em busca. A pessoa sabe falar de
Deus, mas pouco fala com Deus.
Sabe defender doutrinas, mas quase não
derrama a alma. Sabe servir, mas não
sabe descansar. Sabe trabalhar no campo,
mas quase não se senta à mesa. Então se
cansa. Porque até serviço cristão sem
comunhão vira peso. Até ortodoxia sem
oração fica seca.
Até disciplina sem deleite pode se
tornar uma engrenagem fria. Deus não nos
chamou apenas para funcionar
corretamente.
Nos chamou para permanecer em Cristo.
Volte à palavra como quem procura a face
de Cristo. Volte à oração como quem
volta para casa. Volte à confissão como
quem sai do esconderijo. Volte à
obediência como quem caminha no amor.
Não espere sentir tudo para obedecer.
Muitas vezes o sentir vem no caminho.
Não espere a alma estar forte para orar.
Muitas vezes ela é fortalecida enquanto
você ora.
Não espere estar limpo para correr a
Cristo. Corra a Cristo para ser limpo. A
alegria não é encontrada longe de
Cristo. Ela cresce quando a alma volta
para casa, arrependida, perdoada,
obediente e novamente sentada aos pés do
Senhor.
E é isso que faz parar toda a drenagem
de alegria em nós.
Falei muito sem beber, fiquei com a boca
seca.
Romanos 5 a partir do verso 3 diz: "A
esperança não nos decepciona, porque
Deus derramou seu amor em nossos
corações por meio do Espírito Santo que
ele nos concedeu.
O inferno da alma não é sentir dor, é
sentir dor sem esperança. A dor por si
só já pesa. Ela aperta o corpo, confunde
a mente, torna os dias mais longos, faz
o coração andar mais devagar, mas quando
a dor vem sem esperança, ela se torna
outra coisa. Ela deixa de ser apenas
sofrimento e começa a aparecer sentença.
Deixa de ser vale e começa a aparecer
destino. Deixa de ser noite e começa a
aparecer eternidade. É por isso que a
escritura não trata a esperança como um
detalhe bonito da vida cristã.
Esperança não é um ornamento opcional,
ornamento devocional. Não é frase de
consolo para momentos difíceis,
não é tentativa religiosa de amenizar a
realidade. Esperança é uma das grandes
forças que impedem a tristeza de se
transformar em desespero. O cristão
sofre, mas não sofre como quem não tem
esperança. Essa é a diferença. Não é que
o cristão tenha menos motivos para
chorar. Às vezes ele enxerga mais
motivos, vê o pecado com mais
sinceridade e seriedade,
sente a miséria do mundo com mais
profundidade, percebe a própria fraqueza
com menos ilusão, racionalização,
psicologização,
chora por coisas que antes talvez
ignorasse. A graça não produz uma alma
anestesiada, ela produz uma alma
desperta. Mas essa alma desperta não
está sozinha no escuro, ela tem
esperança. Paulo diz em Romanos 5 que
nos gloriamos também nas tribulações
porque sabemos que a tribulação produz
perseverança. A perseverança um caráter
aprovado. E o caráter aprovado,
esperança. Essa sequência precisa ser
entendida com cuidado.
Paulo não está dizendo que o sofrimento
é bom em si mesmo. Ele não está
romantizando a dor, não está
chamando o mal de bem, nem colocando
poesia onde há sangue, perda e gemido. O
sofrimento em si mesmo é parte de um
mundo quebrado. Mas Deus é tão soberano,
tão sábio e tão cheio de graça, que nem
mesmo o sofrimento dos seus filhos
permanece solto. A dor não governa a
história, o caos não governa a alma. As
tribulações não são deuses. Deus as
torna
em outra coisa. Deus as toma
em suas mãos e as submete ao seu
propósito.
Ele não desperdiça lágrimas, não perde
gemidos, não permite que a aflição toque
os seus sem que misteriosamente
até ela seja obrigada a servir ao bem
final dos que amam a Deus.
A tribulação produz perseverança,
não automaticamente, como se toda dor
melhorasse qualquer pessoa. A dor também
pode esmagar, endurecer, deformar,
deprimir.
Mas nas mãos de Deus, o sofrimento
ensina o crente a permanecer quando já
não pode se apoiar em facilidade.
Ensina a continuar quando a emoção
diminui. Ensina a obedecer quando o
caminho parece seco. Ensina a orar
quando a oração não vem com doçura
imediata. Ensina a alma a descobrir que
Cristo é suficiente, não apenas nos dias
claros, mas também quando tudo dentro
dela parece pedir fuga.
A perseverança produz caráter aprovado.
O fogo revela o metal. A pressão mostra
o que estava escondido. A aprovação
não informa a Deus sobre quem somos,
porque Deus já sabe todas as coisas. Mas
ela revela a nós a realidade da fé que
ele mesmo plantou aos poucos.
O crente aprende que foi sustentado
quando pensou que cairia. Descobre que a
graça o manteve quando sua força acabou.
Percebe que Cristo não era a teoria,
porque quando o chão tremeu, ele
permaneceu. E o caráter aprovado produz
esperança. Não uma esperança vaga, não
um desejo inseguro, não talvez tudo
termine bem.
A esperança cristã não é otimismo
temperamental. Ela não depende da nossa
capacidade de imaginar cenários
melhores. Ela está fundada na obra de
Cristo e confirmada pelo amor de Deus,
derramada em nossos corações pelo
Espírito Santo. Então Paulo disse: "A
esperança não nos decepciona.
Por quê? Porque o amor de Deus foi
derramado em nossos corações, não
pingado, derramado. Deus não apenas nos
deu argumentos externos, ele nos deu o
seu espírito. O espírito toma a obra
objetiva de Cristo e aplica a alma. Ele
nos faz saber de modo profundo que não
estamos abandonados. Ele testemunha com
o nosso espírito que somos filhos de
Deus. Ele traz a consciência e o amor
que foi provado na cruz.
Então, a esperança deixa de ser apenas
conclusão teológica e começa a se tornar
força interior. Isso não significa que o
crente sempre sente esperança com a
mesma intensidade. Há dias em que a
esperança parece pequena. Há dias em que
a alma mal consegue repetir as
promessas.
Há dias em que a pessoa continua de pé,
não porque sente muito, mas porque sabe
para onde deve olhar.
E isso também é fé. Fé não é sempre
sentir a força da da verdade. Muitas
vezes é segurar a verdade enquanto o
sentimento a os sentimentos ainda não
voltaram para casa.
Por isso Paulo diz em outro lugar que
não devemos nos entristecer como os que
não têm esperança. Ele não diz não se
entristeçam, ele diz não se entristeçam
como os que não têm esperança a
diferença é imensa.
O cristão chora, mas sua lágrima não é
órfão. O cristão lamenta, mas seu
lamento não é sem céu. O cristão enterra
seus mortos, mas não como quem acredita
que a morte é soberana. O cristão sente
a ferida.
Mas esfrega esperança nela, na ferida. E
esperança na ferida arde, mas preserva.
Ela não nega a dor. Não diz que a perda
foi pequena, não exige que a alma fingja
estar inteira, mas impede que a tristeza
apodreça em desespero,
em depressão. A esperança entra na dor
como o sal numa ferida. Machuca porque
nos obriga a lembrar que ainda não
estamos em casa, mas preserva porque nos
impede de crer que a dor é o fim da
história.
A cruz vem antes da coroa. Essa ordem é
difícil, mas é cristã. O próprio Cristo
passou pela cruz antes da glória. E se
seguimos o crucificado, não devemos nos
espantar quando a vida cristã tem luta,
disciplina, espera, oração seca,
obediência custosa. Segunda-feira comum,
dever antes de deleite pleno. Há dias.
Tem que seguir Cristo. Não parece
poesia, parece
permanecer. Parece abrir a Bíblia sem
sentir fome e pedir que Deus devolva o
apetite. Parece confessar o pecado de
novo. Parece perdoar quando a carne quer
guardar a ofensa.
Parece obedecer quando ninguém aplaude.
Parece continuar, mas aos poucos algo
acontece. O evangelho começa a
transformar dever em prazer. A
obediência começa a se tornar saudade de
Deus. A disciplina começa a se tornar
liberdade. A oração que às vezes parecia
apenas luta, volta a ser respiração. A
palavra que às vezes parecia seca volta
a abrir fontes. O coração antes
encalhado começa a ser levantado.
A maré da graça levanta o barco
encalhado. Nem sempre percebemos o
minuto exato. Não sabemos apontar o dia
e a hora em que a alegria voltou a
respirar com mais força, mas continuamos
seguindo, continuamos ouvindo,
continuamos confessando, continuamos
orando, continuamos voltando ao
evangelho.
E quando olhamos de novo, já não estamos
presos no mesmo lugar.
Então,
irmão cansado, né, crente cansado,
continue seguindo Cristo. Talvez hoje
pareça apenas dever, siga. Talvez a
alegria ainda apareça distante, siga.
Talvez a oração esteja seca, ore.
Talvez a consciência esteja pesada,
confesse.
Talvez a obediência esteja custando
caro, obedeça.
Talvez a esperança apareça pequena,
volte ao evangelho.
Não porque sua caminhada compra o amor
de Deus, mas porque Cristo já comprou
você. Não porque sua perseverança cria a
graça, mas porque a graça preserva você
enquanto te faz perseverar. Não porque a
alegria final depende da força da sua
mão segurando Cristo, mas porque Cristo
segura você com mão infinitamente mais
forte. E um dia a esperança levantará a
alma para sempre. Não apenas um pouco,
não apenas por uma estação, não apenas
em momentos de culto, oração ou consolo,
para sempre.
O pouco tempo terminará, a fé se tornará
visão, a esperança se tornará posse. O
Cristo que hoje contemplamos pela
palavra e pelo espírito será visto face
a face. Então, entenderemos que todo
choro tinha prazo, toda noite tinha
limite, toda a cruz estava a caminho da
coroa, toda disciplina estava sendo
governada por amor, toda espera estava
sendo conduzida pela fidelidade de Deus.
Cristo não prometeu uma alegria pequena.
Ele prometeu uma alegria que ninguém
pode tomar.
E começando agora e no último dia,
quando o virmos face a face,
entenderemos que toda a tristeza dos
filhos de Deus estava sendo conduzida
pela mão soberana de Cristo, que um dia
foi pregada na cruz para uma alegria
eterna.
Esse é o fruto do espírito,
a alegria. E é produzido por ele, por
isso que é o fruto dele, a alegria. E
ninguém, Jesus diz, poderá tirar elas,
ela de vocês. Amém, queridos. Amém.
Santo Deus, eu me aproximo sem defesa,
sem razão.
Tu me vês nos detalhes, [canto]
no segredo do coração,
nos pequenos [música] pensamentos,
[canto]
nas palavras que eu soltei.
Teu espírito me [música][canto] chama,
confessa.
E eu confessei,
não escondo minha culpa,
não maquio [música][canto]
minha dor.
Contra ti eu pequei
contra [música][canto] o teu santo amor.
Mas que atos minha raiz, [música]
um querer [canto] desalinhado.
Eu preciso de limpeza. Eu [música]
preciso ser [canto]
lavado.
Cordeiro, [música]
[canto] minha justiça,
fim do meu tribunal.
Eu largo a autojustiça,
[canto]
me rendo ao teu final.
[canto] Jesus
tem misericórdia. [música]
Jesus,
vem me purificar. [música]
[canto]
Teu sangue fala mais alto que o meu
[música] pecado a gritar.
[grito]
Minha única defesa [canto]
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
[música] graça.
Eu [canto] descanso no teu amor.
[música]
>> Tua misericórdia [canto] é melhor.
[música]
Tua misericórdia
[canto] é meu lar.
>> Rei dos reis, [música] eu me prostro.
Tu és [canto] luz e eu sou pó.
Quando eu tento ser neudo, [música]
eu não terco em mim [canto]
só.
Autonomia é mentira,
autossuficiência
[canto]
também.
[música] Tu és fonte, tu [canto] és
vida.
Sem ti nada me sustém.
Eu
não [música][canto] venho com rico,
venho com mãos sem ter. Não confio no
meu [canto] choro, nem o meu
vencer. Eu confio na firmeza do teu
[música][canto] pacto, ó Senhor.
Tua aliança é selada no [canto] cordeiro
redentor.
[música]
Restaura minha alegria, [canto]
tua [música] salvação em mim.
Sustenta-me com espírito
[canto]
pronto até o fim.
[música]
Jesus
tem misericórdia. [canto]
Jesus [música]
vem me [canto] purificar.
Teu sangue fula mais alto que o meu
pecado a gritar.
A minha única defesa
é a cruz, [música] é o teu favor. Eu
adoro a tua graça.
Eu descanso [canto][música]
no teu amor.
Inclina [música] o meu coração. [canto]
Ensina-me a obedecer.
Dá-me um [música] espírito [canto]
pronto, mais doce do meu querer.
Guarda-me na tentação,
na rotina e [canto] na aflição.
[música]
Tua graça me [canto] carrega.
Ah.
>> [música]

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