Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

A amizade para o cristão é diferente // Jonas Madureira

A amizade para o cristão é diferente // Jonas Madureira

A amizade para o cristão é diferente // Jonas Madureira

Não somos bons amigos por causa da nossa virtuosidade, mas somente por aquele que detém todas as virtudes.

Trecho retirado da palestra "O declínio da amizade e a cultura do cancelamento", de Jonas Madureira na Conferência Fiel Jovens 2020.
Para assistir ao conteúdo completo, acesse a plataforma Fiel digital.
https://fieldigital.com.br/tabs/confer%C3%AAncias/videos/45855

MINISTÉRIO FIEL —————————————-
Ministério Fiel: http://ministeriofiel.com.br/
Editora Fiel: http://editorafiel.com.br/
Conferências: http://ministeriofiel.com.br/eventos/
MAP: http://adoteumpastor.com.br/
CFL: https://ministeriofiel.com.br/cursos/
Blog: https://voltemosaoevangelho.com/

Facebook: http://facebook.com/MinisterioFiel
Twitter: http://twitter.com/MinisterioFiel
Instagram: http://instagram.com/ministeriofiel/
Telegram: https://fiel.in/telegram
Aplicativo: https://fiel.in/aplicativo

Legendas automáticas:

Em especial nos livros 8 e 9 da ética
Nicoma, o Aristóteles se dedica a tratar
da amizade
e mostra que a amizade ela deveria ser
compreendida de três maneiras.
Primeiro, a amizade entendida no sentido
utilitarista.
Então, eh, o amigo seria aquele que é,
em alguma medida, útil para você, aquilo
que hoje a gente chamaria facilmente de
network. a sua lista de contatos que não
são bem amigos, mas são amizades úteis.
Por outro lado, ele entende que há
também uma amizade baseada nos afetos,
uma amizade afetiva, uma uma amizade
baseada no prazer. Então, você tem
amigos que são aqueles que te fazem bem,
são aquelas pessoas que te te agradam,
seja por afinidades, seja por uma
maneira de pensar que é muito semelhante
à sua. Então, essas pessoas que fazem
tão bem para você, essas pessoas que te
querem tão bem, tudo isso faz com que
você ah, também escolha amigos pela
afetividade, pelo prazer que essa
amizade e deleite que essa amizade essa
amizade lhe proporciona.
Mas há um terceiro tipo de amizade. E
este tipo de amizade, Aristóteles, vai
dizer que é uma amizade mais rara de a
gente viver, porque é amizade virtuosa,
é a amizade justamente verdadeira,
aquela que é baseada na areté, aquela
que é baseada na virtude, na vida
virtuosa. Portanto, é amizade que só
pode ser vivida por pessoas virtuosas,
por pessoas que são justas, prudentes,
corajosas e temperantes. mínimo essas
pessoas virtuosas é que poderiam
vivenciar uma amizade verdadeira, que
seria uma amizade em que a felicidade do
outro, ela é colocada também como um
critério importante ah pra amizade.
Então, com isso, [roncando] Aristóteles
vai dizer que as duas primeiras amizades
que ele não vai negar, ele não vai dizer
que elas são falsas, ele não vai dizer
que elas não são amizades, ele só vai
dizer que essas amizades são baseadas
por um motivo, que é ou a utilidade ou o
prazer ou os afetos. Mas essa outra
amizade, ela independe dos afetos, ela
independe da utilidade, ela tem uma
outra razão de ser e ela só é possível
entre pessoas virtuosas. E por isso esse
tipo de amizade é tão rara. Daí
Aristóteles dizer que essa amizade
virtuosa não é uma amizade que você
poderia cultivar entre muitas pessoas,
mas é aquela amizade que você tem apenas
entre poucas pessoas.
Cêneca, um outro filósofo importante,
agora não do cenário grego, mas do
cenário romano.
Ele vive ali no primeiro século da
depois de Cristo, né?
Ele escreve 124 cartas que são famosas a
Lucílio, que é o governador da Sicília,
um governador romano da Sicília nesse
momento. E ele escreve essas cartas
falando sobre várias e várias coisas,
sobretudo relacionadas à ética. Muito
parecido os temas com aqueles que ele
trata na ética que Aristóteles tratou na
ética anicômaco.
Cneeca em uma de suas cartas, ah, a
chamada carta três, uma carta que ele se
dedica a falar sobre a verdadeira e a
falsa amizade, ele diz exatamente o
seguinte a Lucílio.
Se você considera qualquer homem um
amigo em quem você não confia, como você
confia em si mesmo,
você está muito enganado e você não
entende o suficiente o que significa a
verdadeira amizade. Então, a verdadeira
amizade pra Cêca, ela além de ser
relacionada, está relacionada a essa
questão dos dos virtuosos,
ela parte do pressuposto de que a
confiança
é a base da amizade. Você só tem uma
amizade verdadeira com pessoas que você
tem plena confiança.
Bom, com esses dois grandes filósofos,
um representando a a influência grega e
o outro a influência romana na história
do conceito de amizade, ah, no Ocidente,
a gente chega a um entendimento básico
de amizade como a um, pensando
obviamente a amizade verdadeira como
aquela que é centrada nas pessoas
virtuosas. Ou seja, somente pessoas
virtuosas podem cultivar a verdadeira
amizade. E somente pessoas que confiam
plenamente e que e são motivadas por
essa confiança plena, é que poderiam
vivenciar uma amizade verdadeira.
A história muda um pouco com as
contribuições do cristianismo para a
história do conceito de amizade. O
cristianismo traz outros elementos para
a discussão ocidental acerca da amizade.
E o cristianismo traz de uma maneira em
que as escrituras, se a gente pudesse eh
pensar a visão bíblica da amizade, a
gente chegaria à conclusão de que as
escrituras ah veriam
na visão da amizade cultivada tanto por
Aristóteles como por Cêneca, uma visão
bastante ingênua. A pergunta é: onde
estaria a ingenuidade? Imagina, não é
não é pouca coisa chamar Aristóteles de
ingênuo, não é pouca coisa chamar cênca
de ingênuo. Então a gente precisa saber
onde estaria essa ingenuidade do ponto
de vista bíblico.
[roncando][suspirando]
Se a gente pudesse tomar como modelo, e
é isso que a gente na verdade deveria
fazer se somos cristãos.
A palavra de Deus, sem sombra de
dúvidas, a fala de Jesus sobre a
amizade,
ela tem um poder de nos fazer repensar
toda essa tradição sobre a amizade, não
medida em que ela estaria completamente
equivocada ou errada, mas na medida em
que, pelo menos um dos seus pressupostos
é um pressuposto falso.
Para isso, eu queria lembrar uma
passagem de João, capítulo 15, versículo
13, em que Jesus, ele diz exatamente aos
seus discípulos:
"Ninguém tem maior amor do que aquele
que dá a própria vida pelos seus
amigos."
Há uma diferença de base conceitual da
amizade no contexto greco romano, da
amizade no conceito bíblico e eu me
refiro em especial ao conceito eh
cristão de amizade, que é a noção do
amor como a base da amizade, mas não o
amor meramente, mas o amor sacrificial,
o amor que se sacrifica pelo outro,
tanto em doa
como na capacidade de perder
para que o outro possa então alcançar o
êxito. Então, se de um lado temos uma
tradição greco-romana que estabelece a
amizade com base na virtude e diz o
seguinte: "Só poderemos vivenciar uma
verdadeira amizade se formos virtuosos.
Se tanto eu como o meu amigo verdadeiro
formos virtuosos?"
Os cristãos vão dizer: "Não, a amizade
verdadeira não depende da virtuosidade
dos amigos, mas depende do amor."
O evangelho então
nos ensina que o olhar
pagão da amizade é um olhar que não
consegue contemplar
a visão ingênua acerca do homem como
alguém virtuoso.
O evangelho, nesse sentido, nos mostra
uma visão do ser humano muito mais
realista,
uma visão do ser humano que não
colocaria a amizade sob a base nem
confiança, nem das virtudes.
É possível amar um traidor. O
cristianismo nos ensina. É possível
chamar de amigo aquele que nos dá o
beijo da traição. É possível chamar de
amigo aquele que em poucos minutos irá
negar que o conhece, irá negar a sua
própria amizade.
O cristianismo não ensina que a amizade
só pode acontecer entre pessoas
virtuosas. Não, a amizade acontece e é
possível de ser vivenciada entre pessoas
quebradas, entre pessoas que estão
lutando para serem aquilo que Cristo
quer que elas sejam. M.

Tags: