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A fé vem pelo ouvir

A Estranheza Cativante dos Cristãos – Café Teológico 003 (Cynthia Muniz)

A Estranheza Cativante dos Cristãos – Café Teológico 003 (Cynthia Muniz)

A Estranheza Cativante dos Cristãos – Café Teológico 003 (Cynthia Muniz)

Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um Café Teológico! Neste episódio, Rodrigo Bibo e Fabrício Arendt recebem Cynthia Muniz para uma conversa fascinante sobre a estranheza cativante dos primeiros cristãos. O que havia naquela comunidade que, ao mesmo tempo, causava desconfiança e despertava admiração? Por que os seguidores de Jesus eram vistos como um povo tão diferente em meio ao Império Romano? E o que a Igreja de hoje pode aprender com esse testemunho?
Ao longo da conversa, Bibo, Fabrício e Cynthia exploram como os primeiros cristãos construíram uma identidade marcada pelo amor aos inimigos, pelo cuidado com os pobres, pela dignidade concedida às mulheres, pelo acolhimento dos vulneráveis, pela coragem diante da perseguição e por uma esperança que confrontava os valores do mundo ao seu redor. Uma fé que parecia estranha aos olhos da cultura, mas irresistivelmente atraente para quem buscava um novo modo de viver.

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– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
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Legendas automáticas:

[música]
O Thiago tem uma pergunta. Vem cá,
Thiago, fazer a pergunta. Então, que
bom, Thiago. Isso aí, Thiago se formando
agora. Vai tirar dúvida do TCC contigo,
Ciao. Vai.
Boa noite de novo, pessoal. Uma coisa
que eu fiquei pensando também, queria
agradecer a tua abordagem. Achei muito,
muito legal. Eh, um pouco desse
sofrimento que os primeiros cristãos
vivenciaram. Eu fiquei muito pensando
até através das citações ali, o que a
gente lê em Primeira Pedro. né? E o
quanto quanto isso foi marcante pros
primeiros cristãos, esse sofrimento que
fez com que a fé deles se consolidasse,
né? E a gente vê que é uma dimensão
essencial a ponto de primeira Pedro
falar que o sofrimento é uma parte da
vida do cristão, né? E e hoje nós
vivemos numa sociedade onde a gente não
necessariamente sofre por ser cristão,
às vezes só porque a gente não é
cristão, na verdade que a gente acaba
sofrendo, né? E e e como isso impacta o
nosso dia a dia em uma sociedade que
onde como cristãos a gente não sofre
mais como eles. E se isso era algo tão
central, tão que faz tão parte a ponto
de gerar um livro bíblico como primeira
Pedro que fala tanto desses
estrangeiros, né, e peregrinos, a como
isso nos impacta hoje como cristãos?
Como é que a gente vive isso? Como é que
a gente aplica esse conhecimento bíblico
que lá em Pedro tá daquela maneira para
como a gente vive hoje? Assim, né? Uma
pergunta um pouco ampla, mas se vocês
puderem comentar um pouco a partir de
Primeira Pedro e desse nosso contexto
hoje como cristãos numa sociedade que
foi marcada o ocidente expressivamente
pela fé cristã, né?
Eu
gosto muito da primeira carta de Pedro,
ã, justamente por esse aspecto de
trabalhar a ideia da identidade a dos
cristãos e também por trazer a ideia do
servo sofredor de Cristo como um modelo
a ser imitado, mas não somente um
modelo, né, no sentido que a gente pensa
da forma de viver, mas também no
sofrimento. E ele vai dizer que ser
cristão é sofrer também.
E aí tem várias coisas assim,
como é uma pergunta muito ampla, que são
mais assim, talvez inquietações minha e
e colocações também penso muito sobre
isso, do quanto de fato nós nos tornamos
acomodados na sociedade.
Porque será que ser cristão hoje envolve
tanto sofrimento assim?
Será que deveria ter um pouco mais de
sofrimento?
Ah, será que a gente perdeu a capacidade
de sentir a dor do outro?
E talvez por isso a gente não se sinta
tão sofredor, porque a gente se
acostumou a ser mais individualista. A
coletividade é um aspecto daquelas
culturas, daquela sociedade, do mundo
bíblico, que é algo que a gente perde no
Ocidente. A gente é muito mais
individualista. Então, se eu tiver com a
minha casa, o meu carro, meu celular, o
meu computador e acesso à internet, tá
mais ou menos tudo bem e com aquele meu
círculo mais próximo. Mas os cristãos
tinham essa ideia mais, né, de família,
de comunidade, talvez uma coisa um pouco
mais forte do que a gente. E talvez se a
gente tivesse isso mais forte em nós,
nós sofreríamos um pouco mais, uma vez
que a dor do outro também seria a minha
dor. Ah, o que significa de fato ser
perseguido como cristão hoje? Como você
mesmo falou, tem um monte de coisa que é
boberagem, que não tem nada a ver com
perseguição, é, é coisas mais de
ideologia política e não sei o quê. Mas
aqueles cristãos de fato sofriam um
ostracismo. Eles não podiam eh eh viver
a vida comum dentro daquela realidade.
Eles tinham empimentos na família, no
comércio, na sociedade. Eram coisas que
realmente impactavam a vida deles. Eles
eram difamados.
O quanto isso é importante para nós
hoje, honra e reputação é uma
preocupação da carta de Pedro, trazer
honra pro nome de Deus. O quanto isso é
uma preocupação para aqueles que se
chamam cristãos hoje. Então, eu acho que
fazer esse paralelo é necessário, mas eu
confesso que realmente não é muito
fácil.
>> É, um outro ponto também e que eu
observo é o lance da identidade, né? Ou
seja, nós somos uma geração eleita, né?
Um povo sacerdotal. Eh, Pedro trabalha
muito essa ideia da casa espiritual que
nós somos. Eu acho que a gente também
com o denominacionalismo, né? Ou seja,
eh, a gente se preocupa muito com as
questões denominacionais. Aí até a
pergunta que o Nijai ele ele faz no
livro dele é se os nossos irmãos eh
primitivos, essa galera que de fato
morria, né? A gente a gente tem relatos
de cristãos que e o próprio período de
Nero, né? Matou muitos cristãos, né?
Enfim, só pelo fato de crer, a pessoa
era morta. Então tu imagina a o pró
Pedro, né, a comunidade ali
provavelmente estava para sofrer uma
grande perseguição ou já estava numa
perseguição social,
>> uma uma perseguição social. Ah, e ainda
assim Pedro fala, gente, não, né, sejam
diferente, né, do dos pagãos de da de do
das pessoas do mundo e tal, mas esse l
da casa espiritual, será que os leitores
de Pedro eles veriam uma casa espiritual
ou ele veriam mais grupos preocupados
com os seus templos, com as suas
hierarquias? Ah, será que os cristãos do
primeiro século eles veriam uma
semelhança com eles ou não? A gente de
novo voltou mais ou menos para um modelo
romano, né? Onde se tem autoridades,
onde se tem um templo. Eh, o sacrifício
não é derramar sangue, mas são outros
tipos de sacrifício, exigências. Será
que a gente tá ao redor do crucificado
ou a gente tá ao redor da teologia que
construímos ao redor do do crucificado?
E podem ser coisas diferentes, né? Eu
acho que Pedro e e essa reflexão dos
cristãos primitivos traz muito essa
ideia de que nós fomos perdendo com o
passar do tempo, justamente por nós já
nascermos num país cristão, por assim
dizer. A gente já nasce no cristianismo.
Ah, o o próprio ser evangélico virou
moda nos últimos 15 anos. Então, todo
mundo é evangélico, todo mundo canta,
todo mundo ora, todo mundo lê o
devocional, todo mundo, todo mundo. Mas
no fundo, e a gente às vezes é
perseguido, como ela falou, não por ser
eh não por causa do evangelho, mas por
ser evangélico e sermos esquisitos e
estranhos, mas não pelos motivos certos,
mas porque escolhemos errado as nossas
batalhas.
>> Posso só falar? Eh, eu entendo que há
cristãos pelo mundo que são perseguidos
ainda hoje, tá? portas abertas falando
do cristão, do cristianismo aqui no
Brasil. E sim, eh, ser esquisito
>> não é a mesma coisa que ser diferente,
né? E tem muito crente que é esquisito e
chato mesmo.
>> Eu ouço muito a questão, por exemplo, da
busca pela relevância, né? A gente quer
ser notado, digamos assim, e às vezes a
gente se esforça, o mundo cristão se
esforça para ser notado, sei lá, por ser
igual ou ser melhor do que o mundo aí
fora faz. matéria de espetáculo, matéria
de show, né? Me chamou muita atenção uma
frase que nós lemos num dos teus slides
ali, que diz assim que eles eram ah
perseguidos por todos e amavam a todos,
né? E será que essa é a pergunta ou será
que essa questão pra gente ser, digamos
assim, uma religião estranha para para
que o mundo nos estranhe e não nos
aplauda? De uma certa forma? Eu acho que
a gente busca muito o aplauso, o
reconhecimento, eh, quando que na
verdade a gente tem que buscar essa
essência. Não sei se é esse esse o
caminho.
>> Eu acho que o que os cristãos, os
primeiros cristãos nos ensinam, eh, e
como a gente já falou várias vezes aqui,
eles não eram perfeitos, tá? Aí a carta,
as cartas dos apóstolos para dizer isso,
mas eles tentavam tentavam ser
contraculturais. Eles realmente se
esforçavam para viver de uma forma
diferente dos valores dominantes. A
grande questão é: hoje em dia nós nos
esforçamos ou nós absorvemos estes
valores?
>> Porque quando você fala de uma cultura,
por exemplo, de relevância, isso sóaria
maravilhoso para um romano,
[risadas][suspirando] né? E aí a grande
questão é: a igreja está sendo
diferente? ela está mostrando algo
diferente ou nós estamos apenas
assimilando tudo o aquilo que a
sociedade está impondo. A gente tá
perdendo nesse
>> se a gente parar para para pensar na
questão da serpente, né? O que é a
serpente lá de Gênesis 3, em última
análise, o que o autor, né, o autor
bíblico tá querendo dizer para nós é que
em qualquer momento que você lê o texto
bíblico, há uma serpente te dizendo algo
que Deus não disse. Ah, o autor bíblico,
ele quer mais ou menos dizer o seguinte
para nós: "Olha, cada, em cada período,
o povo de Deus vai ser tentado pela
serpente." A serpente é aquela voz que é
contrária a Deus, é aquela voz que
deturpa a palavra de Deus. E muito
rapidamente a gente cai nesse erro de
nos adaptarmos ao mundo e adaptarmos a
mensagem do evangelho ao mundo que a
gente viu. Ou se a gente vai diluindo a
mensagem do evangelho para ser aceito. A
gente vai diluindo a mensagem do
evangelho para evitarmos perseguição. E
no Brasil mesmo, onde somos o povo do
jeitinho, né, onde a gente prefere fazer
acordos do que entrar numa guerra, o que
pode ser bom em alguns aspectos, mas
somos o povo do jeitinho. Esse jeitinho
às vezes também ele é maior que a nossa
fé e é maior que a que a ética que a
nossa fé muitas vezes pede. E eu acho
que às vezes a gente perde essa dimensão
também da peregrinação que era muito
forte dos primeiros cristãos. Eu acho
que esse é um grande ponto, é esse senso
de peregrinação que nós perdemos
>> e equilibrar esse senso de peregrinação
para não virar uma alienação.
>> Isso, isso é difícil, gente. A verdade é
essa. Isso é muito difícil porque às
vezes você olha uma pessoa que ela é ela
ela ama tanto a Jesus, ela que ela entra
num radicalismo. Então, nada pode, não
toque, não cheire, eh, você não pode
fazer isso, você não pode fazer aquilo,
não ouça aquilo e tal. Então tudo para
essa pessoa é contaminado. E e o
mosteiro, o monastério, [roncando] a
sabe essa vida monástica não é também o
que Deus pede pro seu povo. Não é não é
você se isolar do mundo. É maravilhoso
você poder ficar no mosteiro, né,
bebendo uma boa cerveja. Aqui pode falar
que bebe cerveja. Ah, não. Aqui é meu.
Que desculpa eu confundi. Tá. Então
assim, eh, ficar no mosteiro bebendo,
transcrevendo manuscrito, cara,
maravilhoso, orando, tendo as três
orações por dia e tal, show de Mas não é
isso que Deus pede. Não é a vida
monástica que Deus pede também é a vida
no meio. É, é onde você está no
cativeiro, é a presença fiel. Ore, né,
pela Babilônia, pela prosperidade,
construam casas. Ou seja, é no meio, né,
da escravidão e deste mundo que a gente
tem que viver. E aí eu já te dou a
palavra, porque eu lembrei de uma coisa
que o Nijai fala, que a escravidão, o
sentir-se escravo de Deus, é uma forma
de adoração que a gente às vezes perde.
Somos escravos de Deus. E isso é um
absurdo, né, na nossa mentalidade. Tipo,
eu sou escravo, sim, você é escravo de
Deus. E aí, e isso reforça, né, esse
nosso senso de peregrinação. A gente
perdeu essa ideia de que a gente tá aqui
de passagem. A gente perdeu essa ideia
dos últimos tempos, que é o que eu falei
que da uma das estranhezas ali. A gente
tá vivendo no fundo o mesmo calendário
do mundo. A gente vive os mesmos anseios
do mundo. Meu Deus, já é janeiro. Meu
Deus, né? A gente põe até aquela
figurinha, né? Janeiro e a pessoa morta
já de cansado. Por quê? Porque a gente
tá sendo moído pelo mesmo calendário
secular. Quando, na verdade, a gente não
tem calendário, a gente tem uma promessa
de uma volta e que muda e deveria moldar
o mundo, a forma com que a gente vive no
mundo, não sendo esquisito, estranho,
mas é difícil calibrar mesmo, sabe? É
difícil. Por isso que qual é a voz da
serpente no seu trabalho, na sua escola,
na sua profissão, na sua família? O que
que a serpente tá te dizendo que você
precisa agora contrastar e voltar pra
lei do Senhor? E está disposto a abrir
mão de privilégios de conforto? Porque
Deus, no fundo, pede algumas coisas
radicais pro seu povo. A gente às vezes
não quer aceitar isso porque não, isso é
demais, isso é legalismo, isso é coisa,
entendeu? Ou às vezes a gente se perde
no legalismo também, que também é
contrário à graça, né? Cria um monte de
regra que no fundo não tem efeito algum
contra a sexualidade ou contra os
pecados da carne, como Paulo vai falar
em Colossenses capítulo 3. Cria um monte
de regra. Não, essa é a forma de viver.
Não toque, não cheire, não manusei. Não,
também não é o jeito de viver. cristão.
O jeito de ver cristão é uma consciência
de que ele vai voltar, de que eu sou
salvo pela graça e que eu tenho um reino
para testemunhar. Ou seja, é uma
consciência, não uma regra imposta, mas
é difícil achar o equilíbrio mesmo.
>> A gente tem eh associado a isso uma
dificuldade com o conceito de liberdade.
A gente acha que a liberdade é uma
liberdade de, mas na verdade a liberdade
cristão é uma liberdade para, né, para o
compromisso, para amar, para se
envolver, né? E a Gabriele, ela coloca
aqui pra gente eh uma pergunta. O livro
mostra que os cristãos atraíam pessoas
mais pelo modo de viver do que pelos
discursos. Como podemos aplicar isso na
realidade atual? E eu também com uma
outra pergunta que veio aqui do Éric.
Como um povo que já foi conhecido por
sua compaixão e serviço passou a ser tão
mal visto, esquisito pela sociedade?
Só perguntas tranquilas e bem fáceis de
[risadas] Então, gente, a solução é essa
aqui.
>> Era tão bom quando não tinha pergunta,
né? Era,
>> eu acho que é justamente esse o ponto,
eh, que livros como esse e que olhar
pros textos antigos da igreja e que
olhar paraa igreja antiga no nos levam,
eh, em primeiro lugar, uma consciência.
Tudo começa com uma consciência, um
reconhecimento do problema. E aqui a
gente não tá simplesmente criticando a
igreja como muita gente de fora critica
a igreja. Nós somos de dentro, nós
amamos a igreja, nós somos igreja, mas
nós precisamos reconhecer que temos
problemas. E nós precisamos reconhecer
que estamos longe de sermos esse ideal
que estava sendo ali pregado ali pelos
primeiros cristãos, pelos pais da
igreja, esses distintivos que a igreja
possuía. Eu acho que o primeiro ponto é
esse reconhecimento e pensar de que
forma a igreja pode ser aquilo que ela
foi chamada para ser. Ou seja, um povo
que representa a Deus, um povo. Eu gosto
muito de uma teóloga Carmen Joyim, que
ela fala: "Nós somos o povo que
carregamos o nome de Deus. Nós somos
portadores do nome de Deus no mundo." E
o que isso significa na prática? O que
isso significa para essa igreja aqui em
Joinville 2026? Porque os desafios são
diversos. Então, como vocês podem ser
essa igreja? Quais são os problemas e as
demandas que a igreja poderia se
envolver mais? Porque, né, a gente sabe
que, por exemplo, até foi falado, né, na
pergunta, ah, os cristãos eles eram
compassivos, eles lidavam com questões
de de violência e tal. E de repente
parece que a gente não pode mais falar
sobre essas coisas. Então, eh, justiça
social, eh, o cuidado com os
vulneráveis, tudo isso daí virou, parece
que é pauta política quando a Bíblia já
fala sobre isso, muito antes de de ter
partido X, Y ou Z, né? o cuidado com os
mais vulneráveis. A Bíblia inteira, a
verdadeira religião, cuidar do órfão e
da viúva nas suas necessidades. E aí de
repente a gente perde a mão nisso, a
gente abre a mão de sermos cocuidadores
da criação, porque meio ambiente é pauta
de política. E aí a gente abreu mão de
um monte de coisa, mas aí ao mesmo tempo
a gente insere lógica de mercado, eh eh
lógica midiática e de repente um monte
de coisa que não deveria estar no nosso
meio tá aqui também. Então eu acho que o
primeiro caminho é a consciência dessas
coisas.
É, é um, é um buraco bem fundo esse aí
mesmo. Mas eu acho que eu também sempre
gosto de fazer essa ressalva, porque de
fato se a gente para para pensar os
evangélicos no Brasil, cara, quais
evangélicos, né? Quem existe uma massa
evangélica midiática, que, né, ganha
ganha os noticiários, que ganha notícias
e que nem sempre representa, geralmente
não representa os ideais de Jesus, mas
os evangélicos são muito grandes, assim,
é um povo e geralmente é esse povo que a
gente nem sabe, mas é um povo preto,
pobre, pentecostal. O evangélico do
Brasil é basicamente esse, preto, pobre,
pentecostal. E graças a muitas dessas
igrejas, pessoas têm vida transformada.
Então a igreja também faz muito bem, né,
para o mundo, né? Até a gente estava
agora h semana, duas semanas atrás ou
semana, sei lá, semana passada, eh,
falando sobre como a igreja ela é
importante em tragédias, por exemplo,
né? Então hoje você tem desastres
naturais e a primeira turma que chega lá
geralmente são igrejas, né, instituições
religiosas. A própria Aliança Evangélica
Brasileira faz um trabalho incrível.
Então assim, tem muita gente fazendo
muita coisa pela igreja e muita coisa
boa, tá? E e a igreja sendo realmente
sal e luz. Então não dá para dizer: "Ah,
igreja brasileira não é sal e luz". Mas
qual igreja? De quem que a gente tá
falando? E aí, se a gente também ficar
muito nesse genérico, a igreja é isso, a
igreja aquilo, tá? Então vamos olhar
paraa nossa igreja, vamos olhar para mim
como igreja
assim. Ou seja, o primeiro passo é se
reconhecer como parte do problema. É
como alguém disse: "Olha, a primeiro o
primeiro passo para ver a luz no fim do
túnel é reconhecer que tá dentro do
túnel". Então assim, OK, como que eu
estou deixando de manifestar a Cristo?
Onde eu estou dando ouvido à serpente?
Onde eu não estou, sabe, condizendo com
aquilo que o evangelho pede mim? A
verdade é que a gente nem sabe o que o
evangelho pede muitas vezes, porque não
conhecemos as escrituras
e quando conhecemos já é mediada por uma
coisa esquisita, uma teologia esquisita.
>> Eh, eh, tem uma pergunta aqui do Kéber,
né? Diz o seguinte: "Um dos aspectos
abordados sobre os cristãos primitivos é
o fato deles serem de muitas formas
contraculturais."
Pegando o gancho sobre o sofrimento,
será que a falta de sofrimento de hoje é
a nossa conformidade de muitos modos com
a mente do século? Eh, e pensando nisso,
quanto o sincretismo dentro da igreja é
a causa dessa conformidade?
Eu
costumo ter, tem uma brincadeira minha
que eu costumo dizer que tem muita gente
que acha que é um bom cristão, mas no
fundo é um bom cidadão romano,
porque segue mais ou menos a lógica
daquilo tudo que a gente estava falando
ali, uma religião utilitarista,
hierarquias.
Você falou, por exemplo, a liberdade,
né? Liberdade para o poder também se
define da mesma forma. Poder é para e
não sobre. Mas dentro da igreja tem
gente que transforma o poder numa
ferramenta contra o outro.
E aí você tem igrejas sendo abusivas,
igrejas eh onde não tem um lugar seguro
para mulheres, não são um lugar seguro
para mulheres. E isso é totalmente
absurdo, porque era justamente o que o
cristianismo era. Era um lugar seguro
para mulheres, para crianças, para os
escravos, para os pobres, ainda que
rissem deles. Olha o tipo de gente que
frequenta a igreja.
Eh, Celso, um um filósofo da época, um
crítica, ele vai dizer: "Olha que
ridículo, mulher, criança, ó, o tipo de
gente que tem aí". E Justino Marte vai
dizer: "Exatamente, é isso aí mesmo. O
povo de Deus é exatamente esse." Somos
formados por diversos tipos de pessoas
que vocês podem considerar como nada,
mas que nós consideramos como pessoas
importantes. Então, a questão é, será
que a gente tá assimilando isso? Eu acho
que nem a questão de sincretismo,
não vou nem entrar no âmbito de outras
religiões, de outras, eu acho que a
gente tem, na verdade, uma questão de
conformidade com práticas culturais, com
ideias que o cristianismo lutou para
superar e parece que a gente regrediu,
porque parece que a gente, essas pessoas
que eram, né, que foram tornadas iguais,
primeiro por Jesus, depois pelos pelos
apóstolos, agora criou uma hierarquia
tudo de novo lá dentro. a tal ponto de
uma igreja, você tem um lugar cometendo
abuso.
Então, eh, eu acho que é uma
conformidade com os valores do mundo.
Sim.
>> Alguém havia citado uma pergunta aqui
bem fácil, assim, como é que e o cristão
tendo o livre arbítrio, ele é chamado de
escravo de Deus, digamos assim?
>> É que ele não tem livre arbítrio, né?
[risadas]
A a questão é essa, ele não, você não
tem esse livre arbítrio que você acha
que você tem. Ou você é escravo de Deus
ou você é escravo do pecado. Isso é
Romanos capítulo 6. Você não tem essa
tal liberdade que você acha que pode ir
e vir, não. Você é um ser determinado
pelo pecado que tá dentro de você, pela
cultura. Você não tem essa liberdade.
Então, é bom ser escravo de Deus, não
dar, não dar, não dar lugar à carne. E,
no fundo, é um privilégio poder ser um
escravo de Deus, né? Porque é para os
seus é sinal que ele é o nosso
libertador, é o nosso Senhor. E eu
prefiro ser escravo de Deus do que ser
escravo dos meus desejos ou da cultura,
né? Isso é uma forma de adoração, como o
Nijai vai falar. Então não tem essa
liberdade. Você pode escolher não seguir
a Deus, OK? Então isso é o livre
arbítrio, mas você vai seguir o quê, né?
Você vai seguir,
>> você sempre é escravo de alguma
ideologia, de algum pensamento.
>> Você sempre é escravo de alguma coisa,
de uma ideologia, de uma coisa.
>> Somos seres que adoram, somos seres que
precisam ter crença em alguma coisa.
Todo mundo tem crença em alguma coisa.
Até o ateu tem suas crenças fundamentais
nas quais ele se agarra.
>> Eh, ainda que ele não chame isso de
natureza religiosa. E algo que a gente,
claro, que falar escravo, escravidão num
país onde passamos por escravidão ainda
sofremos as consequências disso, claro
que é a palavra pesada. É,
>> mas a verdade é que Paulo fala a partir
do próprio modelo de Jesus lá em
Filipenses, no hino paulino de
Filipenses, quando ele fala sobre a
natureza de Jesus, ele fala de um Deus
que se esvaziou e se tornou escravo. E
quando Jesus ele dá o modelo, né, do que
é ser essa comunidade cristã, ele lava
os pés uns dos outros, que era o papel
do escravo.
Então, o nosso Deus subverte lógicas,
o nosso Deus subverte hierarquias, é um
Deus que lava os pés na posição de um
escravo e pede pra gente fazer o mesmo.
>> E até exatamente é o que eu ia trazer
agora, né? Ou seja, o caminho para o Pai
passa pelos pés dos meus irmãos, né?
João capítulo 13. Então, é, vão e faço o
mesmo. É, é, é, é o básico, né? O amor é
essa, é essa linha que costura toda a
prática cristã, né? do no do no do no do
Antigo ao Novo Testamento. Ou seja, a
relação de Deus com o povo tem como o o
fio condutor é o amor, o amor de Deus
para o seu povo e o amor que ele pede
que o seu povo demonstre já no Antigo
Testamento. Amar o inimigo não é coisa
de Jesus, já é coisa de Deus no Antigo
Testamento. E é isso que vai costurando.
E aí se você vai lendo atos, ou seja, a
galera vai fazendo o bem. Era
basicamente acolher, fazer o bem,
entende? Não tô dizendo que evangelismo
é fazer o bem, mas a igreja faz parte,
faz parte do evangelho fazer o bem,
acolher, né? A verdadeira religião é
acolher os órfãos, as viúvas, ou seja,
os necessitados.
>> Thiago fala bem claramente de que que
adianta você ver o teu irmão passando
fome, eh, passando necessidade, você
fala: "Ai, Deus te abençoe e vai para
casa".
>> Exato. Botar a mãozinha, né, do no
WhatsApp assim, estourando por você, né?
Aquilo que eu considero, por exemplo, um
bom resumo daquilo que é a missão de na
na boca de Jesus. Marcos 10 45 vai dizer
assim: "Porque o filho do homem não veio
para ser servido, mas para servir e dar
a sua vida em resgate por muitos, né?"
Eh, o Ma fez uma pergunta.
>> Obrigado, Ma.
A gente é amigo por causa disso.
>> Eh, dá para fazer uma relação de
estranheza dos cristãos também na
produção do Novo Testamento em uma
escrita popular, Coinê, em detrimento de
uma sofisticação literária romana,
do que é professora de Novo Testamento.
É que tem escrito que é nem o coinê, mas
tem coinê que é difícil também, né? Tem
textos mais apurados assim, tipo, acho
que o qual que é o o texto do Novo
Testamento que é bem requitado?
>> O mais elaborado é Hebreus, o mais
simples é João.
>> Isso.
>> Ah, não sei. Eu confesso que eu nunca
pensei pergunta lá que eu nem sei
responder essa daí. Se isso gerou uma
estranheza, isso gerou uma estranheza,
>> agora com certeza o evangelho foi uma
estranheza, né? Porque de fato eles usam
um gênero, né? Que era pro imperador e
aquilo que era para o imperador passa.
Não, iso, na verdade, é de Jesus Cristo,
né? Não é de
>> Sim. Eh, na construção do Novo
Testamento, você tem apropriação de de
gêneros e de coisas que eram comuns
daquela época. Ah, a gente não pode
dizer simplesmente que o evangelho era
uma biografia,
porque hoje em dia a gente pensa numa
biografia de outro jeito. Uma biografia
do mundo antigo era diferente. Era meio
que a história de um herói que não
pegava a vida toda dele. Por isso, os
evangelhos às vezes, tipo Marcos, já
começa com Jesus se batizando e vai
além. Você não sabe nada da infância e
tal. Então, tem tem esse esses aspectos
literários, essas ferramentas. Você tem
vários tipos de gregos sendo utilizado,
desde gregos, muito simples, eh, que
variava conforme o autor, às vezes a
escrita do amanuense, que era uma figura
importante. Naquela época nem todo mundo
escrevia. Você tinha, inclusive Paulo
vai dizer muitas vezes que essa carta tá
sendo escrita por Silvano. Eh, então aí
tem as características daquele que
escreve. E esse escritor, ele não era só
alguém que que ficava lá você ditando e
ele escrevendo. Ele ele editava esse
texto. Tinha um trabalho de edição
também, um pouco da identidade dele. Ah,
mas no meio disso tudo, o que realmente
chama a atenção é o fato, isso foi uma
grande eh as grandes eh questões
teológicas do século passado era a ideia
do Jesus histórico e como que a gente
encontra o Jesus verdadeiro no meio de
tudo isso e tal. Eu acho que o grande
distintivo do Novo Testamento é que ele
é um texto que ele é histórico, ele se
localiza na história a partir de pessoas
reais e de eventos reais, mas ele é um
testemunho de fé. Esse é o grande
distintivo. E por isso que essa busca de
Jesus histórico, ficar separando uma
coisa da outra é sempre muito
artificial, porque as pessoas estão
falando a partir de um testemunho de fé.
Eu não sei se eu consegui responder
alguma coisa, mas é uma pergunta bem
lusitada.
>> Eu tenho uma outra pergunta aqui, a
última também, né? eh fala justamente o
seguinte: "Vocês acreditam que a
religião atualmente possa ter colocado o
tema família tradicional em uma atenção
de prioridade ou quase idolatria? Além
disso, a família tradicional, entre
aspas, poderia também nos isentar de
maneira muito sutil de cuidar dos nossos
demais irmãos da fé por nos fecharmos em
um núcleo familiar."
Cara, a grande pergunta é quando você
diz uma família tradicional, qual é o
teu exemplo? Uma vez a gente ouviu uma
palestra e o o palestrante falando: "A
família tradicional, a família
tradicional, família tradicional". E o
meu amigo falou assim: "Só um
instantinho, quando você fala família
tradicional, quem da Bíblia você tá
pensando?" Daí ele falou, ele engasgou e
aí depois ele falou: "Abraão e Sara". Eu
pensei comigo, a Sara que pegou a
escrava dela e deu pro marido para poder
conceber um filho. Que família a gente
tá falando? A família da época dos
patriarcas
que tinha Lirato depois na na nas tribos
de Israel, a família no mundo romano,
onde a mulher era considerada
ontologicamente inferior ao homem. De
que família estamos falando? Então,
primeira coisa, precisamos entender que
existem famílias
distintas na Bíblia, porque é um livro
que perpassa culturas e épocas.
E nem tudo que tá escrito ali tá dizendo
para dizer pra gente que é o ideal. A
história dos patriarcas não é escrita de
uma maneira romântica. Não é para você
desejar viver a mesma coisa que eles. Tá
escrito ali para mostrar a graça de um
Deus misericordioso que, apesar de gente
muito louca,
eh, usa essas pessoas e usa até a gente
para construir a sua história. Um Deus
tremendo que não desiste da sua criação,
mas não para você encontrar modelos de
perfeição ali. Então, assim, quando a
gente fala de uma família cristã, para
quais textos a gente tá olhando?
Por exemplo, quando se fala de
casamento, que textos que a gente tá
olhando? Porque tem gente que gosta só
de pegar Efésios e interpretar com uma
submissão da mulher ao homem, mas não
vai para Primeiro Coríntios 7 e fala da
mutualidade entre homem e mulher. Aquele
texto é maravilhoso,
principalmente naquela sociedade onde o
homem poderia trair, que nem era
considerado traição.
A mulher era para a reprodução, a
esposa, as outras mulheres eram de livre
acesso para ele. Paulo tá dizendo:
"Cabou, mulher é pro marido, o marido é
pra esposa."
Então, eu acho que a gente tem bons
exemplos, só que a gente muitas vezes
olha pros exemplos errados ou a gente
está fantasiando
a partir de questões tradicionais e
muitas vezes questões tradicionais que
nem pertencem à nossa realidade. Costumo
dizer que a família doriana
eh é um ideal muitas vezes do
norte-americano branco de classe média
alta.
Como que você explica essa família?
perfeita, ideal do imaginário da galera
para as 11 milhões de mães solteiras
aqui no Brasil que estão ralando para
criar seus filhos.
E pros muitos pais que inclusive são
evangélicos e abandonaram esses filhos
também. Pros evangélicos que batem nas
suas esposas. Eu sei, gente, que são
coisas pesadas e que é lógico que eu não
estou generalizando. Graças a Deus, toda
a igreja, como o Bíblia falou, toda a
igreja não é assim, mas são dados
>> e não são poucos dados.
>> E não são poucos.
>> Esse que é o problema, né? Então, eu
acho que a gente precisa olhar pra
Bíblia, mas olhar do jeito certo e saber
diferenciar questões culturais daquilo
que de fato é o cerne do evangelho.
>> Amém.
Amém. Gente, mais alguma pergunta? É
isso. Vamos ficando por aqui então nesse
nosso café teológico. Obrigado, Cíntia,
por ter aceito o nosso convite.
Obrigado, pastor Fabrício, por permitir
também que a gente faça aqui. E obrigado
principalmente a vocês, né, que vem aqui
sempre no nosso café teológico, toda Jum
e a galera. Obrigado mais uma vez o
pessoal que fez o café. Tá bom, gente?
Deus abençoe. E é isso. Vamos orar
então. Vamos finalizar com uma oração,
tá? Curve sua cabeça. Vamos orar. Pai,
em nome de Jesus, nós queremos te
agradecer porque o Senhor tem feito
história e tem nos convidado para fazer
essa história junto contigo. Obrigado,
porque sempre tens um povo que não se
dobra a Baal. sempre tens um povo que
está ali procurando se manter fiel a ti
e ao que tu espera do teu povo. Nós
precisamos do teu Espírito Santo,
Senhor, nos dinamizando, nos dando
poder. Nós não queremos ser como a
igreja primitiva, Senhor. Nós queremos
ser como o Senhor. Nós queremos parecer
com o Senhor. Nós queremos crescer e ter
a estatura deste homem que foi o Senhor,
este homem perfeito, essa humanidade
redimida. Nós precisamos ser como o
Senhor. Então, Pai, em nome de Jesus,
que tu nos ensine a ser como tu. Homens
e mulheres que se pareçam contigo, que
testemunham de ti. Queremos ser sal,
queremos ser luz neste mundo. Para isso
que o Senhor nos ajude a termos mais
intimidade com a tua palavra, mais amor,
mais paciência, mais respeito, mais
engajamento, Senhor, com aquilo que
realmente importa. E que nós possamos
ser araltos do teu reino, da tua
mensagem. Que nós possamos ser cartas
abertas, porque as pessoas não estão
lendo a Bíblia, mas que elas possam ler
a nossa vida e encontrar algo de ti nas
nossas vidas para a glória do teu nome,
em nome de Jesus. Amém.

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