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APATIA É PECADO? – LUCAS SABATIER

APATIA É PECADO? – LUCAS SABATIER

APATIA É PECADO? – LUCAS SABATIER

Na perspectiva bíblica, a apatia revela que algo da boa criação de Deus foi afetado. Ela pode ser compreendida como uma expressão da shalom corrompida, em que nossos afetos deixam de refletir aquilo para o qual fomos criados. Neste vídeo, Lucas Sabatier explica como a apatia se relaciona com a realidade da queda e por que o evangelho oferece um caminho de restauração para nossos desejos e nossa vida espiritual.

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Legendas automáticas:

Nossa, é forte mesmo. Inclusive uma
outra expressão forte que foi dada na
primeira definição que você apresentou
é a de pecado, né? Não é qualquer coisa,
mas ela é um pecado. E aí eu eu trago
para você a pergunta que é, acho
importante a gente definir para o
pessoal que é
é, por que que essa apatia é pecado? Por
que que a apatia é um problema? Qual é o
problema da apatia?
>> Uhum.
O autor faz um tratado, ah, no final
desse capítulo dois ainda
ah, sobre a definição de pecado, né?
Porque se a gente, ah
corriqueiramente nos nossos meios
evangélicos, a gente tende a pensar em
pecado
como aquilo que é agido e deliberado,
né?
>> Uhum, uhum.
>> Então [limpando a garganta]
>> o apático, ele não para, ele não acorda
um dia e fala assim
ah, hoje eu vou ficar apático, né? Ele
simplesmente é.
>> Aham.
>> Porque ele tá, ah
com toda a ironia que carrega essa
afirmação, ele tá afetado
>> Aham.
>> pela realidade de um jeito que
que
que a gente chama pecado, né? A a
condição caída o afeta de tal forma
que ele não consegue mais ser afetado
por aquilo que ele foi feito para ser
afetado, Deus.
>> Olha só.
>> Né?
>> Aham.
>> Então, ah, dentro da condição da nossa,
da maldição do pecado
a a a achalom foi, eh, corrompida, né?
Ele fala aqui sobre, ah, o a rebelião
humana como disruptiva em termos de
shalom, né?
>> Uhum.
>> Ah, então o o pecado que ele coloca aqui
não é simplesmente, ah, para descrever
uma ação deliberada da pessoa que sofre
de apatia,
mas de uma corrupção que lhe aflige,
né? E pela qual sim, essa pessoa é
responsável.
A a Bíblia trata de pecado
em termos que vão além da deliberação e
da escolha, né?
>> Claro.
>> A gente olha para o Antigo Testamento e
a gente vê os pecados não intencionais
que também exigiam sacrifícios e e
expiação, né?
>> Uhum.
>> Então, a muito do que a gente lida em
termos de emoção
não são a
escolhas processadas cognitivamente, né?
São resultados de um
ser que tá corrompido, que tem o o o
o shalom a a a
a completude e a perfeição para a qual
foi criado para desfrutar, de alguma
maneira a a afetada, né?
Então, nesse sentido é que ele coloca
que a apatia é pecado.
>> É você deixar de se encantar com Deus e
com as coisas de Deus, né? É, no final
das contas você deixa inclusive de
cumprir mandamentos do Senhor, como
alegrem-se no Senhor, né? Cantai com
júbilo ao Senhor e tantas
a e não só a questão da alegria em si,
né? Que é talvez uma das maiores
respostas que a gente possa pensar
quando a gente pensa em apatia, a gente
pensa o contraste aquela pessoa alegre,
mas não só isso, é a questão talvez de
uma tristeza diante do pecado, né? De de
você não ser essa pedra de gelo
espiritual, nessa frieza espiritual. E
até bom enfatizar, né? Aqui a a gente tá
falando não só de uma perspectiva, ah,
pentecostal ou algo do tipo. Ah, como
reformado, por exemplo, a apatia é
pecado. Nós não devemos viver numa
frieza espiritual, mesmo sendo, sei lá,
presbiterianos, batistas, reformados ou
o que for, nós temos que nos encantar
com a beleza do Senhor, né?
Agora, o que é interessante também, o
que me desperta é a atenção nesse livro
é que ele vai se focar principalmente na
apatia espiritual,
mas ele não tá olhando somente para ela,
ele tá falando de um nível de apatia que
existe com relação à vida, né? Eh, com
coisas em geral. E aí, ah, onde que nós
podemos ver essa apatia no nosso dia a
dia, Lucas?
>> Ah, eu eu a aproximação da da apatia com
a preguiça faz muito sentido, né?
Então ele fala
aqui, por exemplo, que ela se manifesta
num desassossego, numa incapacidade de
terminar um livro, de passar um tempo
bom em oração e concluir uma tarefa, ah,
de uma
de quando existe produtividade, essa
produtividade é acompanhada de raiva ou
tédio em relações às
que as coisas que devem ser feitas, ah,
uma inclinação ao sono, à comida, à
preocupação e à distração, né? Então a a
as maneiras em que a apatia se
manifesta,
ah,
e e evidenciam que que que ela não tá só
presente no no no
no aspecto teológico ou com relação a
Deus, mas ah, esse aspecto teológico,
ele se desdobra
ah, em aspectos que dizem respeito à
criação e à vida no no mundo que Deus
criou, né?
Ah,
se o mundo foi criado por Deus, né, e a
preguiça que o o Shea aqui coloca é em
relação a Deus, às coisas de Deus e a
vida de Deus em nós, né?
A o segundo elemento são as coisas de
Deus,
né? Mundo fei o o o Deus fez o mundo
para que nós ah, usufruíssemos da
beleza,
ah, do dos sabores,
ah,
do descanso
e e enxergássemos todas essas coisas
como graças, né?
Ah, dadas por ele, o pai das luzes,
desfrutássemos dessas coisas e
enxergássemos beleza e benção em tudo
isso. O apático não consegue, né?
Ele não consegue, ele ele ele não
consegue ver a beleza da natureza, ele
não consegue ver a beleza de uma obra de
arte, ele não consegue desfrutar do
sabor, porque ele não é afetado, né? Nem
por Deus e nem pelas coisas de Deus.
Ah, em, então ele, ele permanece, é tipo
o azulejo, né? Ele não absorve.
Ele não, ele, ele, ele, ah, ele, ele
bate a água ali e desliza, ah, sem, sem
qualquer tipo de afetação.
Ah, é basicamente isso, né? A, o, a
reação apática que às vezes a gente
demonstra para com a realidade de criada
por Deus.
>> Sim, sim.
É verdade, a gente tem que perceber que,
por mais que,
até na definição dele, ele, ele enfatiza
esse aspecto contínuo,
mas existe algum outro sentido que a
gente possa dizer que,
ah, nós também, ah, ao longo do dia
podemos ter momentos de apatia, né?
Momentos dessa frieza, às vezes num
culto ao Senhor,
ah, é,
eu recentemente estava conversando com o
pessoal da igreja sobre isso, como às
vezes é triste
você tá ali cantando a música, dizendo,
né? É, alegrai-vos com júbilo ao Senhor,
né? E, e a pessoa tá cantando isso e ela
tá, alegrai-vos com júbilo ao Senhor,
né? Aquela coisa assim fria, sem prestar
atenção, tal. Isso é um dos tipos de
manifestação de apatia que nós vemos no
contexto mais relacionado a, a Deus.
Uma frieza no louvor ao Senhor, no
adorar a Deus, não é verdade?
>> E, e de fato, Saulo, eu acho que muitas
vezes no, no, nos nossos círculos
reformados isso acaba sendo mais
verdade, né?
Porque a gente reage
[limpando a garganta]
a, a, ao emocionalismo
de, que é adotado em alguns cultos,
onde o sentimento do participante da
celebração ou da liturgia é, é, é,
a prioridade absoluta, né?
>> É.
>> E ali você tem um êxtase de emoções.
>> Sim.
>> Porque tudo é, gira em torno em afetar
os sentimentos, né?
>> Sim.
>> Ah.
>> A luz, a música, tudo.
>> Isso.
E, só que no, o, o culto a Deus, ele não
pode ser marcado,
nem por um exagero emocionalista, mas
também ele não deveria ser marcado por
uma apatia, né?
>> Sim.
>> Porque
tudo o que se faz no culto,
como corpo de Cristo reunido, na
presença de Cristo e para adoração de
Cristo, deveria absolutamente nos
afetar.
>> É verdade.
>> Ah, então não existe nada mais glorioso
do que você sentar do lado de alguém que
respeitosamente
ah, canta alto, de tão empolgado que ele
tá.
>> Aham.
>> Ah, de alguém que reage para, para o
pregador, quando você diz algo que é
glorioso e você vê os sorrisos se
abrindo no auditório, ou quando você diz
algo que é confrontativo, ou algo que é
de fato, ah, consolador e você vê as
lágrimas escorrendo.
>> Sim. Verdade.
>> Porque a verdade impacta o coração, ela
deve impactar. A comunhão e a presença
com Deus deve nos afetar.
>> [música]

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