A verdadeira ORIGEM DO EVANGELHO DE MATEUS com Rodrigo Silva
20/07/2026
A verdadeira ORIGEM DO EVANGELHO DE MATEUS com Rodrigo Silva
Quem escreveu o Evangelho de Mateus? A ausência do nome do autor no livro de Mateus alimenta séculos de debates, teorias e até mesmo acusações de que este livro da Bíblia seria uma fraude literária escrita muito depois dos eventos que narra.
Será que o Evangelho de Mateus é confiável? Neste estudo aprofundado sobre a verdadeira origem do Evangelho de Mateus, investigamos as principais evidências da arqueologia bíblica, manuscritos antigos e a própria estrutura textual da Bíblia.
Entenda quem realmente escreveu o primeiro livro do Novo Testamento da Bíblia e se as provas históricas e teológicas sustentam a autoria do apóstolo Mateus.
🔍 Principais Dúvidas Respondidas Neste Estudo:
1. Por que o nome de Mateus não aparece no Evangelho?
2. O Evangelho de Mateus foi escrito antes ou depois da destruição de Jerusalém?
3. O texto original de Mateus foi escrito em qual língua?
⏱️ Capítulos do Vídeo (Timestamps)
00:00 – Introdução: O Evangelho de Mateus
01:10 – Onde o Evangelho de Mateus foi escrito? A hipótese de Antioquia da Síria
08:12 – Por que Antioquia da Síria se tornou o centro do Cristianismo Primitivo?
23:35 – Quem escreveu o Evangelho de Mateus? Por que o nome de Mateus não está na Bíblia?
32:00 – A profecia da destruição de Jerusalém de Mateus 24
46:53 – O livro de Mateus foi escrito em Grego ou Hebraico?
53:48 – Quem foi Mateus? O cobrador de impostos e apóstolo
01:02:01 – A chave de leitura de Mateus: Midrash e a comparação de Jesus com Moisés
01:10:32 – Conclusão: A Graça que alcançou Mateus
📖 Glossário de Termos Teológicos
Sillybus (ou Sittybus): Etiqueta externa de identificação fixada nos rolos antigos com o título e autor da obra.
Vaticinium ex eventu: Expressão em latim para "profecia após o evento". É a teoria de que uma profecia foi escrita após o fato já ter acontecido.
Midrash: Método de interpretação textual judaico que explica a Escritura conectando eventos passados ao presente.
Tipologia: Estudo que conecta eventos ou pessoas do Antigo Testamento (tipo) como prefigurações de realidades no Novo Testamento (antítipo).
Septuaginta (LXX): A clássica tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego antigo.
Vamos juntos desvendar a Bíblia mais a fundo?
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Meu nome é Rodrigo Silva, sou cristão e casado com a Laura. Aqui eu compartilho um pouco das histórias da minha vida dedicada à Bíblia Sagrada, Estudo Bíblico e a Arqueologia. Desde tenra idade, fui fascinado pelo passado e pelas histórias que os artefatos e ruínas antigas podem contar. Minha jornada na arqueologia tem sido repleta de aventuras, descobertas emocionantes e uma profunda conexão com o passado. A cada escavação, a cada artefato encontrado, sinto-me mais grato por ter escolhido seguir essa paixão. Agradeço por me acompanhar nesta viagem!
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Fonte: Rodrigo Silva Arqueologia
Legendas automáticas:
Olá, você que me segue no Rodrigo Silva Arqueologia, nós estamos de volta com o nosso bate-papo semanal sobre Bíblia, Teologia, Religião e assuntos afins. E hoje nós vamos estudar sobre o Evangelho de Mateus. Muitas pessoas pediram: "Olha, eu quero conhecer mais o Novo Testamento, o que está por detrás dos Evangelhos? Como é que nós sabemos que foi Mateus que escreveu esse Evangelho?" Boa pergunta, porque não tem o nome de Mateus em nenhum lugar dele. Então até há críticos da Bíblia que dizem que o Evangelho de Mateus não foi escrito por Mateus, mas por uma comunidade mateana, como eles chamam, e foi atribuído artificialmente a Mateus, mas Mateus nunca escreveu esse Evangelho. Será que isso é verdade? Vamos entender também quem é o autor, quem é, qual a sua personalidade, qual sua vivência com Cristo e tirar lições práticas para a nossa vida hoje, tá bem? Espero que você esteja gostando sempre do conteúdo do Rodrigo Silva Arqueologia e se você gosta desse conteúdo, se inscreva no canal, ative o sininho de notificações e deixe seu comentário. Eu quero ouvir o que que você acha de tudo isso, tá certo? Vamos começar então falando do local onde Mateus foi escrito. Grande parte dos acadêmicos modernos acredita que Mateus foi escrito na cidade de Antioquia da Síria. Essa cidade é mencionada várias vezes no no Novo Testamento, no Evangelho, no livro de Atos dos Apóstolos, mas em que pese o nome Antioquia da Síria, atualmente ela fica na Turquia. Eu já estive lá algumas vezes, vou mostrar para vocês fotos desse lugar, mas vamos começar primeiro com o mapa. Aqui está, eu coloquei uma seta para vocês verem uma seta amarela, a cidade de Antioquia da Síria, que não não ser confundida com a da Pisídia, que é mencionada uma vez no no livro de Atos dos Apóstolos. Então, você vê que logo abaixo do mapa, nós temos a região de Israel, onde está Jerusalém, depois vem Damasco, que está na atual Síria. Lembra que Paulo estava perseguindo os cristãos que estavam indo, eh, ele estava indo no caminho de Damasco para perseguir os cristãos, e Antioquia, que tá Antioquia, é perto de Alepo, Alepo é na Síria, mas Antioquia, na época romana, pertencia à Síria. Hoje pertence à Turquia, como falei com vocês. E se você olhar um pouquinho à esquerda, tem a cidade de Tarso, onde Paulo nasceu, a cidade de Tarso. Lembra que ele é chamado de Paulo de Tarso. Pois bem, na época romana, havia a província da Síria, e a capital da província da Síria era Antioquia de Orontes. Antioquia de Orontes, Orontes, foi fundada por Seleuco Nicátor I, que era um dos generais de Alexandre Grande. Ele fundou a cidade de Antioquia por volta do ano 300 antes de Cristo, aproximadamente. E essa cidade, na época romana, era a capital da província da Síria, por isso que Antioquia de Orontes é a mesma Antioquia da Síria. Eles costumavam colocar o nome das cidades pela região que ela representava. Por exemplo, você tem Cesareia de Filipe, porque foi fundada por Filipe, mas você tinha Cesareia Marítima, que ficava lá na na beira do do Mar Mediterrâneo. Tá bem bem ali na cercania do Mar Mediterrâneo. Você tinha Antioquia da Pisídia e tinha Antioquia de Orontes, por causa do rio Orontes que passa ali, e depois veio a ser Antioquia da Síria. Eh, houve uma tragédia muito grande nessa cidade. Um terremoto em 2023 que abalou completamente toda a estrutura local. Vou mostrar para vocês uma situação da cidade de Antioquia. Olha aqui, essa é uma única foto, mas eu poderia mostrar outras. Eh, eu tenho um aluno que trabalha ali na Turquia há muito tempo e ele falou que na época do terremoto, eles foram com equipes de resgate e voluntários para ajudar as pessoas. Milhares de pessoas ficaram ah eh eh desabrigadas. Parece que foram mais de 10.000 pessoas afetadas. O número de mortos também foi elevadíssimo. Olha a situação, parece um estado de guerra. Parece que alguém bombardeou a cidade, mas foi o último terremoto que teve lá em 2023. Eu não estive na cidade de Antioquia depois do do terremoto. Mas eh eu sei que o estrago foi muito grande que aconteceu naquele lugar. O que que dava para ver ali em do ponto de vista arqueológico? Será que dá para ver alguma coisa da época bíblica, já que eu falei que Mateus foi escrito ali? A única coisa que nós temos eh assim diretamente ligada à bíblica à Bíblia, mas é um tanto tradicional, para usar um eufemismo, é esse local onde eles falam que ali havia uma igreja cristã primitiva numa caverna e essa caverna é atribuída a São Pedro, a Paulo. Pode ser que tenha tido uma comunidade cristã ali, mas do ponto de vista arqueológico, para ligar a essa caverna à igreja apostólica que funcionou ali, precisamos de mais elementos. É uma tradição, alguma alguns elementos ali de da época bizantina, do período da Idade Média, mas nada muito concreto que eu posso falar aqui liga realmente ao local onde os apóstolos estiveram. É uma possibilidade, é uma tradição, mas nada muito autêntico. O que eu tenho mais antigo da época dos apóstolos é que quando eles estavam construindo um hotel ali, na região de Hatay, porque olha, hoje a região, a província chama-se Hatay. E a capital da província de Hatay é Antáquia. E Antáquia é o nome moderno da antiga Antioquia. Percebeu? Repetindo, na época do Novo Testamento Antioquia era a capital da região romana da Síria. Então você tinha a província da Síria, capital Antioquia. Hoje, que está no, na moderna Turquia, você tem a região que se chama Hatay, a província, e a capital da província é Antáquia, que é a antiga cidade de Antioquia. E eles estavam construindo um hotel e eles encontraram várias ruínas da cidade de Antioquia, desde a época de Nicátor, Seleuco Nicátor, até a época, eh, bizantina e idade média. Você tem período romano ali também e foi uma coisa interessante, porque eles construíram o hotel em cima das ruínas e os hóspedes podem, dos quartos, ver as ruínas lá embaixo. Eu vou mostrar apenas uma foto desse hotel para vocês. Olha que interessante. Eles colocaram umas vigas de ferro e os quartos estão lá em cima. E embaixo está bem preservada a cidade. Você tem ali ruas, ah, você tem restos de casas, você tem mosaicos, vários mosaicos lindos, romanos, gregos. Não temos ainda nenhum indício direto da presença cristã nesse lugar. E você deve estar me perguntando aí, ah, e com relação ao terremoto que houve em 2023, esse prédio também caiu? Não. Esse hotel, ele estava muito bem feito com as vigas de de ferro e ele já foi estruturado para suportar terremotos. Então, felizmente, o hotel foi preservado, ah, o sítio arqueológico também e ele fechou durante um tempo por causa das questões econômicas com o terremoto, mas ele reabriu em 2024 e é um lugar que até hoje recebe visitas do mundo inteiro. É um lugar muito interessante para ser conhecido. Agora, você deve estar me perguntando: "Tá bom, Rodrigo, interessante essa questão de Antioquia, mas por que se deduz que Mateus foi escrito dali?" É uma é uma hipótese que é levantada, tá bem? Nós não temos uma certeza absoluta, mas como eu falei, muitos acadêmicos do Novo Testamento, a maioria, acredita que Mateus foi escrito da cidade de Antioquia. Há uma minoria que atribui a origem do Evangelho de Mateus à cidade de Roma ou Jerusalém, mas a maioria dos acadêmicos pensa em Antioquia. Por qual razão? Bom, a cidade de Antioquia, ela é mostrada no livro de Atos dos Apóstolos como sendo um grande centro de divulgação da fé cristã que surge depois da perseguição dos cristãos em Jeru- Jerusalém. Eu vou explicar para você. Olha o que interessante que aconteceu. Quando Jesus morre, ressuscita e sobe ao céu, 50 dias depois da sua ressurreição, antes da sua ascensão, né? Você tem o Pentecostes. O Pentecostes é uma festa religiosa dos judeus, onde Jerusalém estava apinhada de peregrinos vindos de várias partes de fora de Israel. Você sabe, na época do Novo Testamento, a maior parte dos judeus não moravam em Jerusalém. Eles moravam nas regiões como o Ponto, eh, regiões gregas na Ásia Menor, na Babilônia, na atual Arábia Saudita, na região da atual Arábia Saudita, havia, eh, judeus no Iêmen, judeus da Etiópia, judeus espalhados por vários cantos. Desde a época da do cativeiro da Babilônia, os judeus foram espalhados, antes até mesmo na época do cativeiro da Assíria, os israelitas já foram espalhados, os judeus na época da Babilônia, e a maior parte deles nunca voltou a morar em Israel. Aliás, até hoje, para você ter uma noção, grande parte dos judeus não moram em em Israel. Você tem uma comunidade judaica enorme nos Estados Unidos, no Brasil, na Argentina. Eu encontrei comunidade judaica até no Irã. Então, a maior parte dos judeus até hoje moram fora do território de Israel. E no Novo Testamento também é assim, era assim. Mas como havia as festas religiosas, Páscoa, Shavuot, Sukkot, os judeus vinham para para Jerusalém. E, na época do Pentecostes, era uma dessas festas, o vários judeus vieram a Jerusalém. Tanto é que quando você vai ler o livro de Atos, ao falar da descida do Espírito Santo sobre os a igreja cristã primitiva, diz que o seguinte, eu vou ler para vocês aqui, olha. Ah, só um minuto, Atos Apóstolos, capítulo dois, ah, eu quero pegar aqui a parte que fala onde os os judeus, aqui achei. Atos Apóstolos, capítulo dois, versículo nove, quando a multidão fica impressionada ao ver os discípulos pregando em outros idiomas, eles dizem assim: "Somos partos, medos, elamitas, os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto, Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Serene e romanos que residem aqui. Tanto os judeus como prosélitos, cretenses e árabes. Como é que nós ouvimos essas grandezas de Deus em nossas próprias línguas? Todos atônitos e perpe, perpe, perplexos, perguntavam uns aos outros: "O que será que isso quer dizer?" Então, Jerusalém tinha judeus de várias nacionalidades ali. Ok. Eh, quando ele, Jo, eh, Pedro prega que Jesus é o Messias, você tem milhares de judeus que reconhecem isso e são batizados ali no templo de Jerusalém. Acontece que depois desse episódio, muitos desses judeus, reconhecendo Jesus como o Messias, voltaram para as suas províncias. Outros acabaram ficando em Jerusalém. Os próprios judeus, eh, perdão, apóstolos de Jesus que haviam vindo da Galileia, resolveram ficar em Jerusalém. Ficaram ali. E acabaram acomodando-se ali. Olha o que o livro de Atos diz com relação à permanência deles em Jerusalém. Eh, Atos 2:42. "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão e no partir do pão e nas orações. E cada alma tinha temor e muitos prodígios eram feitos por meio dos apóstolos". Então, como havia muitos prodígios, muitos ficavam ali. E diz o verso 46: "Diariamente perseveravam unânimes no templo, partindo o pão de casa em casa e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração". No, a, o livro de Atos não é claro em dizer por que que os cristãos ficaram em Jerusalém. Uma dedução é que talvez eles esperavam que Jesus, prometendo que haveria de regressar, ele viria para Jerusalém. Então, queriam ficar ali para receber Jesus. Ficando em Jerusalém, eh, a igreja acabou ficando meio limitada. O Espírito Santo permitiu então algo que Deus não faz por sadismo, mas às vezes para permitir um progresso, uma uma maturidade, aprovação. E a provação veio com o apedrejamento de Estevão e a perseguição tendo entre seus líderes Saulo de Tarso, que depois viraria Paulo de Tarso. Quando Estevão foi apedrejado em Jerusalém, os outros cristãos ficaram com medo da perseguição também se alastrar para eles. Digo, cristãos que estavam em Jerusalém. E de fato muitos foram perseguidos. Porque acendeu o pavio. Estevão foi martirizado, apedrejado e vários outros cristãos começaram a receber reprimendas em Jerusalém. Então eles fugiram de Jerusalém. A maior parte daqueles que estavam concentrados ali, fugiram de Jerusalém. A gente vai ver isso em Atos ah, dos Apóstolos, no capítulo 13, perdão, no capítulo 11. Ah, que diz assim, verso 19. Os que foram dispersos a partir da perseguição que começou com a morte de Estevão, onde é que as pessoas estavam? Em Jerusalém. Eles foram dispersos a partir da perseguição que começou com a morte de Estevão. Se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia. Vou mostrar no mapa para vocês isso aqui. Olha de novo Antioquia, que eu já mencionei para vocês, que hoje está na Turquia. Os cristãos, então, eles fogem de Jerusalém e vão para a Fenícia, Chipre e Antioquia. E Antioquia é o lugar que vai ah se destacar como um novo centro do cristianismo. E a Bíblia fala que eles foram para Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém que não fosse judeu. Então aqueles judeus que se converteram ao cristianismo, eles ou pelo menos que as aceitaram Jesus como Messias, eu tenho que explicar isso aqui. Converteram ao cristianismo é uma frase anacrônica, porque o cristianismo nessa época ainda não estava organizado. Nem os apóstolos entendiam que agora eles não eram mais da religião judaica, que uma nova religião surgira, não. Eles continuaram judeus, principalmente aqueles de Jerusalém. Vê, lembra o livro que eu acabei de ler para vocês, o texto de Atos, eles perseveravam no templo, em oração, seguindo as festas religiosas. Então Pedro, ah Tiago, que era um líder da igreja, outros que estavam ali em Jerusalém, eles estavam cumprindo os requisitos judaicos. E aqueles judeus que permaneceram em Jerusalém aguardando a segunda vinda de Cristo, também continuavam judeus, com a diferença que eles reconheceram Jesus de Nazaré como Messias. Quando houve a perseguição, eles fogem de Jerusalém, vão para Chipre, para Fenícia, que é o atual Líbano, e muitos sobem para Antioquia. Sobem para Antioquia. Mas em Antioquia, eles só pregam para judeus. Porém acontece uma coisa. Eu vou ler para vocês a continuidade do livro do livro de Atos. Eles subiram então para Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra de Deus a ninguém que não fosse judeu. Verso 20, Atos 11, verso 20. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles e muitos crendo se converteram ao Senhor. Então, nesse momento, Antioquia começa a ter um fenômeno diferente de Jerusalém. Jerusalém tinha uma igreja majoritariamente, vou dizer, quase que 100%, senão 98% da igreja que estava em Jerusalém era formada de judeus que reconheceram Jesus como Messias. Houve a perseguição, esses judeus fogem. Uma parte desses judeus vão para Antioquia e pregam apenas para judeus, enquanto uma outra parte que era de origem de Chipre vão também para Antioquia, mas eles pregam para para gregos. E muitos gregos começam a aceitar o evangelho. E agora nós temos em Antioquia uma comunidade cristã, formada por judeus e gregos. Judeus que reconheceram que Jesus era o Messias e e e gregos que aceitaram a mesma verdade. Aquilo causou uma situação interessante. E a notícia chegou em Jerusalém. Quando a notícia chegou a Jerusalém, eles enviaram, de acordo com o livro de Atos, Barnabé e Paulo para lá para pregar. Então, Barnabé e Paulo foram até Tarso, foram foram até até Antioquia e começaram a pregar para essas pessoas lá. E a Bíblia diz assim: Ah, verso 25, depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo e quando o encontrou, levou-o para Antioquia. E durante um ano inteiro se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados de cristãos. Então, olha, os cris Aí há ter uma uma uma divergência entre os especialistas. Muitos pensam que esses cristãos, eh, esse nome foi uma alcunha dada pelos pagãos, que significa, ah, os malucos por Cristo. Outros pensam, não, que a palavra cristão vem do latim cristiani, servos de Cristo. Servos de Cristo ou obedientes a Cristo ou aqueles que vivem por Cristo. Aí surgiu o nome cristãos. E essa igreja foi crescendo, crescendo, pegando força e estavam Barnabé e Paulo ajudando aquela aquela situação ali. Pedro, depois, vai também para Antioquia. Ele vai para Antioquia. E Pedro ali fica admirado também como tem muitos não judeus aceitando Jesus como Messias. Só que aí tem uma questão. Esses não judeus não tinham as práticas do judaísmo. Entre elas, a circuncisão. Depois disso surge, então, uma polêmica. Devemos exigir desses gregos que se converteram a Jesus que eles sejam circuncidados como nós judeus o somos? Foi essa polêmica que ensejou o Concílio de Jerusalém. O Concílio de Jerusalém aconteceu pelo que estava, eh, ocorrendo em Antioquia. Tá certo? Paulo também, em Gálatas, quando ele repreende Pedro, fala assim: "Quando Pedro veio até Antioquia, eu resisti face a face porque o seu caráter se tornou reprovável". Essa polêmica entre Pedro e Paulo, eh, >> [limpando a garganta] >> que está no capítulo dois de Gálatas, verso 11, "Quando, porém, Cefas, que é Pedro, veio a Antioquia, resisti-lhe face a face porque havia se tornado repreensível". Por quê? Quando Quando Pedro chegou a Antioquia, Pedro viu aquela comunidade grande ali de não não judeus e ele comia com eles, numa boa, sem nenhum preconceito e tudo mais. Porém, quando uma delegação vinda de Jerusalém chegou até ali, Pedro começou a se afastar dos não judeus para evitar ah, não não quero que falem mal de mim, que o assunto ainda está polêmico. Aí Paulo falou assim: "Engraçado, antes da delegação chegar, você comia com os não judeus, agora você está cheio de dedos? Você está errado, Pedro". E Paulo então pregava àqueles não judeus. Aquele debate que depois você vai ver no Novo Testamento sobre se o cristão deve ser circuncidado ou não, livro de Atos dos Apóstolos, Primeira Coríntios, esse debate começa pela igreja que surge em Antioquia. Então, com essa igreja, pela primeira vez, é forte em judeus e não judeus, muita coisa acontece. Só para você ter uma noção, as três viagens missionárias de Paulo partem de Antioquia e voltam para Antioquia. Olha como é que o lugar virou virou um centro do cristianismo, de distribuição da fé cristã. A a chegou uma época que Antioquia tinha mais força cristã do que Jerusalém. Mais força. OK. Nesse contexto, muitos acreditam que Antioquia então seria o lugar propício para Mateus ter escrito o seu evangelho. Mateus escreveu ali porque ele estava com uma igreja dividida entre gregos e judeus, ou judeus e não judeus. E Mateus escreve o evangelho provavelmente dali para responder a uma situação do que estava acontecendo em Jerusalém e noutras partes. É, nós não temos nenhuma comprovação patrística, nenhuma tradição antiga fala que foi de Antioquia que Mateus escreveu o evangelho, mas por esses dados muitos levantam, olha Antioquia então era um centro e como muita gente foi para lá é provável que ali Mateus tenha escrito o seu o seu evangelho. Agora, aquela pergunta que muita gente faz é quem seria esse Mateus que escreveu o evangelho? É, daqui a pouco eu vou trabalhar com vocês a ideia do do das pessoas que negam que foi Mateus que teria escrito. É, aliás eu vou responder isso aqui. Por que que o nome de Mateus não aparece no evangelho de Mateus? Vou procurar um slide aqui e vocês vão entender. Por que que o nome de Mateus não aparece ali? De fato, em nenhum dos 28 capítulos do livro você tem quem o escreveu. Mas nós temos uma tradição antiga a preservada em, ah Papias é um dos mais antigos que fala que foi Mateus que escreveu. Mateus, e eu vou ler o texto de Papias daqui a pouquinho para vocês. Você tem isso preservado também em Inácio de Antioquia, que é um autor antigo do segundo século, Clemente de de Alexandria, Clemente de Roma ah, Irineu de Lyon, vários autores do passado atribuem o evangelho de Mateus a Levi Mateus, que foi um dos apóstolos de Jesus. Tá Rodrigo, mas se foi Levi Mateus por que que não tem o nome dele lá? Pela seguinte razão, olha essa imagem aqui, ó. Essa é uma imagem, é artística, de como seria uma biblioteca da época greco-romana. A biblioteca, por exemplo, de Alexandria. Os livros não eram nesse formato que você tá vendo aqui, olha, de caderno. Os livros eram rolos. E esses rolos ficavam colocados assim, nessa posição nas prateleiras. E no rolo, do lado de fora, tinha uma etiqueta. Vocês estão vendo que todos os rolos estão com uma etiqueta, ah, quase no formato de um triângulo? Essa etiqueta é que trazia o título do livro e o seu autor. Então, por exemplo, aqui eu tenho um desenho de Pompeia. Esse desenho é muito interessante, é um mural de prédica de Júlia Félix, é datado do primeiro século, está no Museu Nacional de Nápoles, na, eh, na Itália. Pertence a um, a fresco de um mural ali, de uma casa. E nesse afresco você tem de, desenhado vários elementos usados para escrever um livro. Então, quando você olha, por exemplo, na prateleira de baixo, da direita para esquerda, você tem, no meio, um caderno de madeira, que eles usavam, esse caderno era forrado de cera, para fazer o rascunho. Então, eles escreviam na cera, na cera eles faziam o rascunho, depois de ler e reler o rascunho, se encontrasse qualquer erro, você apagava aquela cera, raspava a cera e escrevia por cima, não tinha problema corrigir. E depois de lido, relido e corrigido o rascunho na cera, aí que passava para o papiro. Ou para o pergaminho, que era em forma de rolo, tá vendo? Então, como o papiro ou pergaminho era muito caro, muito caro, você não podia desperdiçá-lo, por exemplo, fazendo o rascunho. Daí a razão de fazer o rascunho naquelas tabuletas de, eh, forradas de cera. Quando você tinha aquele papel muito caro, você tinha que aproveitar cada cantinho para escrever o seu texto. Então, gastar parte preciosa de dentro do documento, escrevendo o título e o nome do autor, você já estava perdendo uma ou duas linhas. Era um espaço muito precioso, lembrando que os títulos eram grandes. Então, olha que eu coloquei uma seta azul mostrando que esse papiro tem na ponta dele uma uma etiqueta. Olha aqui, ó. Mais ampliado. Estão vendo? Ali está um tinteiro com uma um lápis, uma caneta, melhor dizendo, e você tem aqui uma uma etiqueta no papiro. Essas etiquetas são chamadas de sítibus ou sílibus em latim eh em grego. Aqui nós temos um desenho também de de Pompeia, onde você tem um casal, eles estão eh posando para uma fotografia, vamos dizer assim, uma pintura, e a mulher está com daqueles cadernos de madeira que eu falei com vocês, forrado de cera, e ela está com um lápis aqui na na boca indicando que é uma mulher culta. E assim, como isso era um material muito caro, era chique você fazer pinturas de si mesmo ou pinturas de si mesmo segurando uma caneta, um tinteiro, um papiro ou um livro desses para fazer o rascunho. E o homem está carregando um rolo, um livro ou um documento. E note que o documento tem uma uma etiquetazinha vermelha, que é onde estaria o seu título e o seu a sua autoria. Aqui nós temos, por exemplo, um fragmento eh escrito em grego, que traz o nome de Baquílides, que é um poeta do quinto século antes de Cristo, com o título da obra de tírambus, de tírambus. Então, de tírambus está escrito embaixo e Baquílides, Baquílides escrito em cima. Baquílido. Na verdade, aí em grego está Baquílido, de Baquílides, ou seja, pertencente a ele, ou de autoria dele. Nós temos outro aqui para mostrar para vocês um outro syllabus do século 1 ou 2 de nossa era preservando uma cópia do livro 9 9 de Emarros contra Empédocles. Então você tem a tira ali. Por essa razão é provável que o evangelho original de Mateus fora escrito em rolo e esse rolo então tinha uma etiqueta com o nome de Mateus. E isso gente não é apenas com relação à Bíblia não, vários livros da antiguidade eram assim, a Eneida de Virgílio, a tetralogia é é esqueci agora de de Aristóteles, a ética a Nicômaco, é vários livros que eu podia citar aqui, os poemas, todos esses livros tinham aquela etiqueta. Agora é lógico que no manuseio a primeira coisa que se perde é aquela etiqueta. Aí você fala tá, e quando perdi a etiqueta, como é que você sabia de quem era o livro? Aí você apela para tradição. Porque os doutos, os cultos conheciam muito bem os livros e os seus autores. Por exemplo, hoje se eu citar é a música Eu sei que vou te amar por toda a minha vida eu vou te amar a cada despedida eu vou te amar desesperadamente eu sei que vou te amar. Se se alguém que conhece a literatura e a poesia brasileira encontrar esse texto, mesmo que ele esteja anônimo, você já sabe é de Tom Jobim essa essa letra e e nossa esqueci o o outro companheiro lá. O Tom Jobim que escreveu, não precisa ir muito longe, já sabe que é de Tom Jobim. Se você encontra um determinado poema de Carlos Drummond de Andrade quem entende de literatura brasileira sabe que é de Carlos Drummond de Andrade, não precisa de ter o nome dele ali. Você reconhece a Adélia Prado, Cecília Meireles. Se eu encontrar um trecho enorme do Sítio do Picapau Amarelo, mesmo que o livro não tiver a capa e a folha de rosto, eu sei que é de Monteiro Lobato. Por que que eu sei? Porque de longa data eu li, ouvi a história de Narizinho, Emília, Visconde de Sabugosa e sei que é de Monteiro Lobato. Então, quando essa autoria já cai em domínio público, você não precisa mais de uma de uma especificação, porque você já sabe que é dele. Então, dessa forma, embora nós não temos no Evangelho de Mateus nenhuma parte dizendo "Isso aqui foi escrito por Mateus, por por Mateus", eu sei pela tradição preservada por a Inácio de Antioquia, Papias, eh Irineu de Lyon e outros, que era o Evangelho de Mateus. Então, pronto, é de Mateus, não tem mais conversa. Aí vem agora alguns críticos modernos "Não, esse aqui foi de uma de uma comunidade mateana do final do primeiro século". Eu não acredito nisso. O Evangelho é de Mateus. Ah, daqui a pouquinho eu vou dizer por que que eles eh duvidam que seja de Mateus ou atribuem a uma uma questão muito tardia. Na verdade, acho que eu vou falar isso de uma vez para ficar didático. Por que que eles falam que o Evangelho não pode ser de Mateus e que seria um Evangelho tardio? O corte que eles colocam é que esse Evangelho foi escrito depois do ano 70 de nossa era. E por que que a grande parte dos críticos colocam que o Evangelho foi escrito após o ano 70 de nossa era? Por uma coisa muito simples. Mateus, capítulo 24. Porque aqui Jesus profetiza com uma exatidão absoluta a destruição de Jerusalém pelas forças romanas no ano 70 de nossa era. Então, como grande parte desses críticos não acredita na inspiração bíblica, que a Bíblia foi divinamente inspirada por Deus, como grande parte desses críticos não acredita que Jesus fez profecias reais, eles atribuem tudo a um a um mero uma mera coincidência ou vaticínio ex evento, um termo latino bonito, elaborado para dizer que a Bíblia é uma mentira. É. Eu sei que muitos críticos vão vão falar: "Não, mas Jesus não fala que é uma mentira". Não fala, mas usa um eufemismo que para mim é uma mentira. Porque o que que é o vaticínio ex evento? O vaticínio ex evento é quando você faz uma afirmação depois que o evento aconteceu, mas faz aquela afirmação num tom profético e artificialmente coloca como se ela fosse escrita antes. Por exemplo, é como se eu pegasse agora um texto escrevesse assim: Eh, em no mês de setembro, no dia 11 de setembro, duas grandes torres americanas cairão abatidas por um avião. Assinado, Pedro Álvares Cabral. Ou eh eh Pedro Álvares Cabral, pronto. Aí eu pego aquele documento e falo: "Olha, Pedro Álvares Cabral profetizou em 1500 sobre as a queda das Torres Gêmeas de Nova York". Porque olha, Pedro Álvares Cabral falou que no dia 11 de setembro duas grandes torres americanas cairiam aba a abatidas por um avião. Aí alguém fala: "Não, Pedro Álvares Cabral não poderia ter escrito isso, porque isso aconteceu recentemente. O o Pedro Álvares Cabral viveu séculos antes. Então isso aí é um vaticinium ex eventu. É uma coisa, uma profecia que você escreveu depois que as Torres Gêmeas caíram e atribuiu artificialmente a Pedro Álvares Cabral. Então eles colocam que o Evangelho de Mateus foi escrito depois da destruição de Jerusalém e artificialmente atribuído a Mateus e a Jesus. Mateus como autor, Jesus como o proferidor da profecia. Isso é vaticinium ex eventu. É uma profecia que é escrita depois que o evento cumpriu. Só que na minha concepção, é só uma maneira educada e elaborada de chamar a Bíblia de mentirosa. Simples assim. Ou de negar que Jesus tinha capacidade de profetizar o futuro. Tá, Rodrigo. Então essa é a razão pela qual eles colocam o Evangelho depois do ano 70. A principal delas é Mas eu posso dar argumentações para você de que Mateus provavelmente não foi escrito depois do ano 70. Veja bem. Quando você lê a profecia de Mateus capítulo 24, porque os argumentos são todos internos. Tá certo? Não tem nada que escreva: "Olha, foi aqui que Mateus foi foi escrito". Não. Eles usam argumentos internos do livro para dizer que ele foi escrito depois do ano 70. Um dos argumentos é esse. O livro traz profeticamente a destruição de Jerusalém. Como Jerusalém foi escrita no ano 70 e profecia de verdade não existe, então ele foi escrito depois. Simples assim. Só que é curioso que se Mateus 24 houvesse sido escrito depois do ano 70, nós temos vários problemas aqui. Letra A. Por que que o autor não colocou o cumprimento da profecia? Porque o livro só coloca a profecia, mas Mas põe o cumprimento dela. Mateus não fala nada da destruição do templo. Só fala a profecia. Seria uma oportunidade áurea para ele falar: "Olha, isso aqui aconteceu cumprindo aquela profecia de Jesus que dizia isso, isso e isso". Como aliás é a característica de Mateus. Mateus sempre fala: "Isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito por intermédio de Isaías". Então ele está admitindo que algo aconteceu depois que Isaías profetizou e ele lançando o olhar no passado fala: "Esse acontecimento que eu estou descrevendo passado, ele aconteceu para que se cumprisse o que fora dito por meio de Isaías". Então o correto aqui, seguindo a lógica, o estilo literário de Mateus, se ele foi escrito depois do ano 70, seria escrever: "Jerusalém foi destruída pelas forças romanas e isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito por intermédio de Cristo". Não. Ele coloca Cristo profetizando o evento sem falar nada do seu cumprimento. Estranho para alguém que supostamente teria sido teria escrito esse evangelho depois do ano 70. Um outro detalhe. Há imprecisões na profecia de Jesus que seriam corrigidas se o texto fosse escrito depois do ano 70. Quando eu digo imprecisões, você calma que eu vou explicar. Não significa que Jesus errou na profecia dele. Não. Quando eu digo imprecisões, é no sentido que Jesus não demonstrou todos os detalhes do que haveria de acontecer. E lembre-se faz parte da crença cristã entender que embora Jesus fosse Deus quando ele estava na no encarnado como ser humano na terra, Jesus continua encarnado no céu, mas eu digo por ocasião dos da sua encarnação na terra, quando o verbo se fez carne e habitou no meio de nós Jesus não perdeu a sua onisciência, nem a sua onipresença, mas Jesus deixou de usá-las. Jesus, enquanto estava aqui na Terra, ele não estava em vários lugares ao mesmo tempo. Se Jesus estava na Galileia, ele não estaria em Jerusalém. Se ele estivesse em em Jerusalém, ele não estaria em Betânia. E a onisciência também foi suspensa, tanto é que ao falar da sua vinda, Jesus fala: "É, quanto a esse dia, ninguém sabe, nem os filho, nem os anjos, senão somente o pai". Nem o filho sabe. Como é que ele não saberia o dia da volta dele? Jesus também falou: "Eu nada posso fazer de mim mesmo, a não ser aquilo que o pai me colocar para fazer. Eu nada sei de mim mesmo, a não ser aquilo que o pai revela". Então, Jesus, ao proferir a profecia de Mateus 24, Jesus estava proferindo conforme o pai estava lhe revelando. E uma característica do Espírito Santo de Deus para o profeta é que ele não revela todos os detalhes. O Espírito Santo dá uma uma ideia do que vai acontecer, uma ideia forte, mas não detalhada. Sendo assim, em Mateus, capítulo 24, quando Jesus fala de Jerusalém cercada pelos exércitos e tudo mais, ele diz no verso 20: "Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno, nem no shabat. Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno". Curioso que os historiadores colocam três datas para o cumprimento da profecia de Jesus. Uma delas seria no ano 66, quando começaram as guerras ah, judaicas em Jerusalém, e você tem Céstios Galos, que é um general romano que vem para sufocar a rebeldia dos judeus, ele vem com a a a 12ª ou 11ª legião fretenses. Ele vem para sufocar, só que ele chegou em outubro. Outubro não é época do inverno, é época do outono. Outros historiadores pensam que a destruição de Jerusalém que Jesus falou foi aquela acontecida em Tisha Beav que seria aproximadamente no mês de julho, quando o templo foi destruído. Nove de Av, Tisha Tisha Beav. Nove de Av, seria o mês de julho, agosto, mais ou menos ali pelo nosso calendário. Que é a época do verão. O templo foi destruído na época do verão. E a a fuga dos dos discípulos poderia ter acontecido ou em outubro de 66, porque veio o o Galo cerca a cidade, depois o exército abandona a cidade, então pode ser nesse momento que os cristãos fugiram para Pela, porque lembraram da profecia de Jesus. Ou quando Tito veio a primeira vez também na época da Páscoa que é o mês de abril. Novamente, primavera não é inverno. Ou seja, a fuga dos cristãos de Jerusalém não aconteceu ou ou ela aconteceu na primavera ou no verão ou no outono. Mas ela definitivamente não aconteceu no inverno. Ora, se Mateus houvesse escrito o evangelho dele depois do ano 70, ele sabia que a fuga não se se deu no inverno. Não faz sentido manter essa palavra de Jesus: "Orem para que a fuga de vocês não se dê no inverno, no inverno". Outro detalhe, quando a gente lê Mateus, você vê que Mateus foi escrito numa época em que o templo ainda estava em funcionamento. É, quando você vai para Mateus capítulo 22, verso 7, por exemplo não, Mateus 17, verso 24. Mateus 17, verso 24. Olha o que diz assim: "Quando Jesus e os discípulos entrar, chegaram a Cafarnaum, os que cobravam impostos das duas dracmas, essa tradução em português não está boa. Os que cobravam impostos, no grego, a tra, a, que nós temos um particípio presente ativo. O sentido é: os que cobram as duas dracmas, que ainda estão cobrando. E o que são essas duas dracmas? São o imposto do templo. Então Mateus escreve sob a perspectiva de alguém que ainda está vivendo com o templo em funcionamento. Ele descreve Jesus assim: "Quando Jesus e os discípulos chegaram em Jerusalém, os que cobram o imposto do templo chegaram a Jesus". Cobram, na época que eu tô escrevendo. Ou seja, é como se eu falasse assim: "Olha, contando a minha experiência passada, é, em 2017, quando chegou a hora em que o governo cobra o imposto de renda, ali pelo mês de março, abril, eu tive que fazer minha declaração". Então veja, embora eu esteja falando de algo passado, quando eu tive que fazer a declaração, eu apontei para algo que acontece até hoje. A época em que o governo cobra o imposto. Então Mateus escreveu numa época que o templo estava em funcionamento. Quando você vai também para Mateus, capítulo 5, Jesus fala: "Olha, é, se você tiver um problema contra o seu irmão e está levando uma oferta para o altar, deixa a oferta no altar, vá se reconciliar com seu irmão, depois você volta". Aqui, olha, capítulo 5, verso 24: "Deixe diante do altar a sua oferta". O altar ficava no, no santuário, no templo em Jerusalém. Então, o templo estava em pleno funcionamento. Eh, quando a gente vai também no capítulo 2, verso 17, nós encontramos também uma uma coisa interessante. Eh, "Assim, diga-nos o Senhor o que acha: É lícito pagar imposto a César ou não?" Novamente, uma situação eh, antes da destruição do templo. Esses elementos mostram que Mateus foi escrito com o templo ainda em funcionamento, não depois. Ah, mas eles argumentam, além disso, a cristologia de Mateus, ela é muito bem elaborada. Você tem aqui no final de Mateus, no capítulo 28, Jesus dizendo para irem pregar o evangelho a todo mundo, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e a Trindade. Isso aqui só foi elaborado pela igreja lá no final do primeiro século, início do segundo. É uma cristologia muito elaborada, muito desenvolvida. Jesus não era entendido como Deus ali, naquela época antiga. Será que não? Quando você vai para 1ª Coríntios, capítulo 8, versículo 6, que os próprios críticos da Bíblia acreditam que esse texto aqui é pré-paulino, pré-paulino, 8, verso 6, diz assim: Vou ler para vocês. "Para nós, porém, há um só Deus, o Pai, de quem todas as coisas de quem são todas as coisas e para quem existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas existem e por meio de quem nós existimos. Um só Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus Cristo." Mesmo os críticos admitem que aqui Paulo está usando uma um hino ou uma confissão de fé cristã pré-paulina, anterior a Paulo, anterior ao ano 55 de nossa era, que já colocava Jesus como Deus. Então, se Paulo já explicita numa das suas primeiras cartas a divindade de Cristo numa ideia que é pré-paulina, por que que eu sou obrigado a entender que Mateus é posterior, só porque ele tem uma cristologia muito avançada, uma ideia de divindade de Jesus muito avançada? Então, eu trabalho com a possibilidade que Mateus é um evangelho anterior ao ano 70, ali por volta dos anos 50, 60, no máximo, no máximo, e que Mateus havia escrito esse evangelho provavelmente de Antioquia. Antioquia de Orontes, Antioquia da Síria. Agora, algumas pessoas já me perguntaram: "Rodrigo, o evangelho de Mateus foi escrito em grego ou em hebraico? Porque eu já ouvi que foi escrito em hebraico". Deixa eu explicar isso para vocês. Na verdade, é, quem afirma isso está se baseando num texto de Papias, que é um texto que não diz que Mateus foi escrito em hebraico. Papias usa a expressão a hebraite a dialectique. E essa expressão pode significar tanto hebraico quanto aramaico. E o que Papias escreveu foi o seguinte: "Por esse tempo, Mateus recolheu os ditos uns ditos do Senhor, uns ditos do Senhor, em língua hebraica ou aramaica, que cada um interpretou conforme o seu conhecimento". Então, vamos com calma. O que Papias está dizendo é que Mateus recolheu os ditos do Senhor. Papias não disse que Mateus escreveu o evangelho em hebraico aramaico. Ele recolheu os ditos dos do Senhor em hebraico ou aramaico. O que Papias está descrevendo? Muitos judeus da época de Jesus, rabinos, professores itinerantes, tinham o hábito de trazer consigo um escriba que anotava as suas palavras enquanto eles as proferiam. Isso era muito comum. Nós temos várias eh eh eh evidências disso, vários documentos antigos. E muitos rabinos eram pobres. E mesmo sendo pobres, eles conseguiam ter um secretário letrado que copiava naquelas Lembra a tabuleta que eu falei com vocês forrada de cera? O secretário ficava ouvindo tudo que ele falava e anotava na tabuleta de cera as suas principais frases, seus principais eh estilos e anotava muitas vezes a velocidade com a qual o rabino falava. Já ouviu falar em taquigrafia? Que a pessoa vai eh na época os taquígrafos ficavam em em tribunais antes de ter o o o Como é que fala? O gravador. Mesmo na era do gravador ainda havia taquígrafos. Eles conseguiam copiar com símbolos tudo o que você tava falando e o símbolo substituía uma palavra, então ele conseguia copiar rapidamente. E os rabinos tinham esses taquígrafos, vamos dizer assim, ou amanuenses, ou escribas, ou secretários, dê o nome que você quiser, que com a sua tabuletinha de madeira forrada de cera, ficava anotando os principais ensinos do mestre enquanto esses ensinos eram proferidos. Talvez Mateus, por ser um um homem que sabia ler e escrever, ele era cobrador de impostos, ele anotava as palavras do Senhor enquanto Jesus falava. E de fato >> [limpando a garganta] >> alguns textos de Mateus que parecem ter tido sido quase que um ditado. Então Mateus, lembra do livro The Chosen, do filme The Chosen, que o o Mateus fica com sempre com a tabuletazinha anotando tudo que Jesus falou? É aquela cena ali. Então provavelmente foi a isso que Papias se referiu quando disse: Mateus reuniu, colecionou os ditos do Senhor em língua aramaica, porque Jesus falava aramaico ou hebraico, Jesus também falava hebraico. E cada um interpretou ou traduziu como bem entendeu. Então Mateus pegou esses ditos, fez esses ditos, esses essa coleção de ditos de Cristo, é o que os teólogos chamam de documento Q, que vem do alemão Quelle, que significa fonte. Foi esse documento Q, que serviu de base para Marcos escrever o seu evangelho. E o Mateus que nós conhecemos, ao produzir o seu evangelho em grego, ele usou duas fontes. A fonte Q e o evangelho de Marcos. Mas ele escreveu o evangelho em grego. Os que apontam é o texto de Papias, soltam às vezes assim, já vi isso na internet. Não, nós temos comprovado que Mateus foi escrito em em hebraico porque Papias, é, Inácio de Antioquia, Irineu de Lyon, Orígenes, todos mencionam isso. Não, calma. Na verdade, até o Eusébio de Cesareia também que eu podia mencionar, Eusébio de Cesareia, Irineu, Orígenes não menciona isso. E e é e e o Inácio de Antioquia, eles apenas replicam a informação de Papias. Que como eu disse, não é uma informação certa que Mateus escrevia em hebraico. Outra coisa que chama atenção é que várias vezes, na maior parte das vezes que Mateus cita passagens do Antigo Testamento, ele cita de acordo com a tradução da Septuaginta, que é a tradução judaica do Antigo Testamento para o grego. Fica, se Mateus tivesse sido escrito em hebraico, as versões do do do texto do Antigo Testamento estariam em hebraico. Estão exatamente como a Septuaginta, ou Septuaginta, escrita em grego. Outro detalhe, Mateus segue 80% do seu texto baseado em Marcos, que por sua vez foi escrito em grego. Outro detalhe, não existe nenhum fragmento, por menor que seja, de Mateus em hebraico ou aramaico. Nós temos hoje mais de 5.800 cópias do Novo Testamento grego. Mais de 5.800. Fora as várias traduções que você tem para o copta, para o latim, para o siríaco, e não tem nenhuma versão em aramaico ou hebraico. Ah, Rodrigo, mas e a Peshitta siríaca? A Peshitta é do quinto século e o siríaco não é exatamente o aramaico da época de Jesus, muito menos o hebraico. O siríaco é um dialeto do aramaico e um dialeto tardio. Tá certo? Alguém uma vez falou assim: "Tá, mas e o e o e o texto de Mateus que foi encontrado na Idade Média em hebraico?" Deixa eu explicar isso para vocês. Havia um rabino judeu, apologista contra o cristianismo, que escreveu um tratado contra o cristianismo e ele anotou tudo em hebraico. Esse rabino chamava-se Shem Tob. E eu, Shem Tob, redigiu todo o Evangelho de Mateus em hebraico, mas foi o Shem Tob que fez isso. E não que ele tinha acesso ao manuscrito em hebraico. Tá certo? Mateus foi escrito em grego. Agora vamos falar um pouquinho sobre a pessoa do próprio Mateus. Olha que interessante. Quando ele foi chamado, todo mundo já sabe que Mateus era coletor de impostos, tá certo? Essa informação é é típica. Mas chamou a minha atenção um detalhe aqui no evangelho. Antes de falar desse detalhe, vamos falar o que acontecia com os cobradores de impostos. Eram os cidadãos mais odiados de toda a sociedade judaica. Mais odiados. Eu não sei quem era mais odiado, se era o samaritano ou cobrador de impostos. Tanto é que na Mishná diz que se um ladrão entrasse na sua casa, depois que o ladrão fosse expulso ou desaparecesse, você tinha que purificar aquele lugar por onde o ladrão passou. Preste atenção. Se o ladrão entrou em minha casa e ele só foi até o pátio, eu tenho que purificar o pátio. Se o ladrão entrou na minha casa e entrou no meu quarto de dormir, eu tenho que purificar o quarto de dormir. Mas se um cobrador de impostos entrasse na minha casa, eu tinha que purificar a casa inteira, mesmo os cômodos por onde ele não passou. Ou seja, o cobrador de impostos era pior do que o ladrão. Ninguém gostava do cobrador de impostos. Tanto é que quando Jesus vai falar dos pecadores, fala: "Publicanos e pecadores". O publicano é o cobrador de impostos. Publicanos e pecadores. Porque eles roubavam mesmo das pessoas, roubavam. Roma exigia assim: "Eu quero x de imposto". Só que ele cobrava do pessoal três vezes mais e Roma fazia vista grossa. Se Roma falasse assim: "Olha, dessa região eu quero ah mil denários de imposto, de imposto, mil denários", ele cobrava do posto 2.500 denários. Ele embo, ele emboçava 1.500 denários para si e Roma não se importava. Porque os 1.000 denários dela já estavam garantidos. Tanto é que havia eh licitação para quem seria o cobrador de impostos daquela região. E ele tinha obrigação de entregar a Roma o mínimo que Roma pediu. Quanto que ele ia cobrar mais, problema dele. Assim Roma não tinha a indisposição de ter que colocar um romano para cobrar eh imposto dos judeus, colocavam um deles. Como eles odiavam o publicano, problema deles. É tudo judeu brigando contra judeu. Mateus então foi alguém que recebeu muito preconceito, principalmente de outros apóstolos. Olha que curioso. Mateus capítulo 10, quando fala do chamado dos 12 apóstolos, uma coisa me chama atenção. No verso dois diz: "Ora, o nome dos 12 apóstolos são esses. Primeiro Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão". Beleza? André, seu irmão. "Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu". Olha que interessante. Tiago, filho de Alfeu. Quando a gente vai para Marcos capítulo dois, versículo 14, Marcos me dá uma informação que chama bastante atenção. Marcos dois, verso 14. Quando fala que Jesus chamou, Mateus diz assim: "Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, muitos vieram estar com ele". Tá certo? Então Mateus também tinha o o o alcunha de Levi. Mas olha o que diz Marcos capítulo dois, verso 13. "De novo Jesus foi levado para junto do mar e toda a multidão vinha ao encontro dele e ele os ensinava. Quando ia passando, viu filho de Alfeu. Pera aí. Mateus então também é filho de Alfeu? Vamos voltar para Mateus 10. Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Mateus, o publicano, e Tiago, filho de Alfeu. Pela sequência da forma como Mateus escreveu os outros, deveria ser assim: Simão, filho de Pedro, perdão, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão. Eh, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Mateus, filho de Alfeu, e Tiago, seu irmão. Deveria vir assim. Mas não veio. Mateus, o publicano, e Tiago, filho de Alfeu. Quem conta que Mateus também era filho de Alfeu foi Marcos. E embora ele dependesse muito de Marcos, ele não reproduziu essa parte da sua própria biografia. Que que a gente deduz? Letra A: ele foi deserdado pelo próprio pai quando se tornou cobrador de impostos. E letra B: talvez até o seu, até Tiago, o seu irmão, tinha dificuldade de aceitá-lo. Ou seja, ali no grupo de apóstolos de Jesus, também havia muitas barreiras, eh, eh, de um para com o outro. Isso é forte, né? Lucas, capítulo 5, verso 27. Lucas, capítulo 5, verso 27, diz assim: "Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano chamado Levi, sentado na coletoria". Então, Levi Mateus. Mateus, Matitial, significa presente do Senhor. Mas a única coisa que ele não se sentia era um presente do Senhor, porque olha, ele nem pôde falar que ele era filho de Alfeu. Talvez Alfeu não aceitasse. E foi esse Mateus que escreveu o evangelho. Provavelmente o evangelho dele foi escrito em Antioquia, como eu falei, naquela naquela eh situação de cristãos e e judeus, não é isso? Ou ou perdão, eh cristãos de origem judaica e cristãos de origem grega. É curioso que Mateus, quando ele escreve, talvez ele já bebe um pouco da perseguição que tinha começado em Jerusalém contra a igreja cristã primitiva. Tanto é que em várias vezes já eh Mateus, quando vai falar do do das sinagogas, por exemplo, ele fala deles. Eu vou ler para vocês uma dessas passagens. Há outras, mas eu vou ler algumas para vocês aqui. Eh quando Mateus termina o sermão da montanha de Jesus, ele termina dizendo assim, olha: Mateus, capítulo 7, verso 28. Quando Jesus acabou de proferir essas palavras, as multidões estavam maravilhadas com a sua doutrina, porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. Assim está na minha tradução, mas no grego está: ensinava não como os escribas deles. Deles, dos judeus. Por esse tempo parou Jesus de eh seguiu Jesus para a sinagoga deles, dos judeus. Jesus falou: "A vossa sinagoga se tornará vazia". Quando eu falo assim: "Ah, por esse tempo eh eu parei de ir à igreja adventista deles", significa que eu já não estou mais me identificando tanto com aquele ambiente ali. Então, muitos pensam que Mateus mostra, de certa forma, ao mesmo tempo que ele mostra uma ruptura entre a igreja e a sinagoga, em que sentido? Os cristãos estavam sendo perseguidos por líderes judeus de Jerusalém, então eu vou mostrar também essa ruptura aqui. Segundo, nós agora não somos exclusivamente judeus, porque há gregos também em nosso meio. Mas a despeito disso, Mateus, ele não rompe com o judaísmo de maneira nenhuma. Quando ele apresenta Jesus, ele deixa Jesus eh declarando de maneira muito clara, Mateus 5:17, "Não pensem que vim revogar a lei e os profetas. Não vim para revogar, mas vim para cumprir. Porque em verdade vos digo, até que o céu e a terra passem, nem um i, nem um til jamais passará da lei até que tudo se cumpra". Ou seja, Jesus era profundamente judeu. Tanto é que para terminar, a maneira curiosa que Mateus usa para escrever o seu evangelho é aquilo que nós chamamos por duas palavras técnicas, Midrash, Midrash e tipologia. Vou explicar cada uma delas para você. Ah, o Midrash é quando você pega uma um acontecimento do passado, especialmente um acontecimento sagrado, e usa para interpretar o presente ou para lançar luz no presente. Você faz uma comparação do passado com hoje. A psicologia mostra isso. Por exemplo, ah, você tem muitos psicólogos que trabalham a questão de eh analisa a árvore genealógica da sua família, porque a tendência de muitos filhos é repetir o padrão eh patológico do pai. Realmente, você já viu que tem umas famílias assim que o pai é um é um é um perdedor, o filho é, o neto também é. Não é um determinismo, mas é uma tendência. Há famílias assim que o o todo mundo é genial, genial. Então, às vezes o ecossistema que você está ambientado, ele vai reproduzindo caracteres muito parecidos. No Antigo Testamento a gente vê Isaque mentindo sobre a sua esposa, tal qual fez Abraão. A gente vê eh eh José perdoando os irmãos, tal qual o seu tio perdoou o seu pai. Então o Midrash aproveitava e fazia esse paralelo. E Mateus faz um Midrash, por exemplo, comparando Jesus, eh, a Israel. Por exemplo, quando ele fala aqui, eh, do, de Jesus indo para, para o Egito, faz assim, olha, ah, Mateus, capítulo dois, versículo 15. Jesus ficou no Egito até a morte de Herodes, isso para cumprir o que fora dito pelo Senhor por meio do profeta, do Egito chamei o meu filho. Mas, na verdade, quando fala do Egito chamei meu filho, chamei Israel. Mas Jesus se identifica com Israel. Israel é quase que uma analogia do que Cristo seria. Tanto é que muitas passagens relacionadas a Israel também são lidas em relação ao Messias por vários autores judeus. Tá certo? Isso é um Midrash. Você pega e dá um significado mais profundo. Muito parecido com o Midrash, assim, quase idêntico, é a tipologia. A tipologia é quando você tem uma profecia, que ela se cumpre quase literalmente numa pessoa, eh, no, no, numa coisa que tá acontecendo hoje. Por exemplo, ah, você tem Isaías, quando ele fala, eis que a virgem, eh, conceberá e dará à luz a um filho. Você tem um cumprimento da época de Isaías, que ele tava falando talvez do filho da própria esposa dele ou de um filho prometido ao rei. E essa tipologia se cumpre em Maria, dando à luz a Jesus. Então a tipologia é quando um evento do passado se torna uma coisa de aplicação ao passado e quase que um ato profético em relação ao que está acontecendo hoje. E o Midrash é quando você lê o passado fazendo dele uma forma de entender melhor o presente. E assim Mateus vai construindo essa literatura. Então vou dar um exemplo de uma de uma de um midrash, até quase uma tipologia, que Mateus faz entre Jesus e Moisés. Olha como Mateus vai escolhendo ao pé da letra os elementos para contar a história de Jesus. Ele conta que Jesus nasce de Maria. Um rei tirano tenta matar as crianças na época de Jesus. Jesus escapa. Outras crianças não. As crianças de Belém. Quando Jesus escapa, ele escapa para ir para ir para onde? Para o Egito. Isso lembra que história do Antigo Testamento? Moisés. Quando Moisés nasce, um rei tirano, o faraó, tenta matar várias crianças, Moisés escapa e quando Moisés escapa, Moisés vai para onde? Justamente para o Egito, para a casa da filha de faraó. Jesus vai para o Egito, Moisés vai para o Egito. Jesus escapa do massacre, Moisés escapa do massacre. Quando Jesus sai do Egito, Mateus apresenta Jesus sendo batizado no rio Jordão. Jesus passa pelas águas. Moisés tira o povo de Israel eh do Egito e passa pelo mar vermelho. Aí, quando Jesus passa pelas águas, Jesus tem 40 dias no deserto sendo tentado pelo diabo. O povo de Israel fica 40 anos no deserto da provação. E você vê um paralelo muito grande entre a tentação de Jesus e Deuteronômio 8. Quando Jesus sai do período de tentação, Jesus sobe no monte e ele dá uma nova lei. Assim como Moisés em meio aos 40 anos do deserto sobe ao monte e traz os 10 mandamentos. Percebeu a semelhança? O que é que Mateus quer dizer? Que Jesus é o novo Moisés. Aí você pode falar: "Rodrigo, mas é forçado, então isso não aconteceu de verdade? Mateus artificialmente ficou pegando elementos da vida de Jesus e fazendo passar que ele era igualzinho Moisés, mas isso não aconteceu, é muita coincidência". Não. Você pode pegar alguns elementos da vida da pessoa para usar de ilustração com outra pessoa. Por exemplo, eu posso fazer isso comparando a vida de Napoleão Bonaparte e Hitler. Veja, Napoleão não era francês. Ele era de origem italiana. Hitler não era alemão, era de origem austríaca. Napoleão queria unificar a Europa, Hitler queria unificar a Europa. O principal inimigo de Napoleão Bonaparte foi a Inglaterra com o bloqueio continental. O principal inimigo de Hitler foi a Inglaterra com Winston Churchill. O que derrotou Napoleão Bonaparte foi o inverno da atual Rússia. O inverno russo, que as tropas de Napoleão não aguentaram. O que derrotou grandemente Hitler foi o inverno da Rússia. Napoleão tinha uma relação muito estranha com a mulher chamada Josefina. Hitler também tinha uma relação muito confusa com Eva Braun. Percebeu? Ah, Napoleão odiava os judeus e os prendeu em guetos. Hitler também odiava os judeus e os prendeu em guetos. Agora é claro, é lógico que eu não inventei nenhum desses elementos. Estou falando de dois personagens que viveram em épocas diferentes, Hitler no século XX, Napoleão no século XVIII. E tem muita semelhança entre eles. Eu que foi uma espécie de um midrash que eu fiz entre Hitler e Napoleão. Agora é lógico também que se você pegar uma biografia exaustiva de Hitler e uma biografia exaustiva de Napoleão, você vai ver que essas coincidências são apenas uma um arranjo poético, mas tem muita diferença entre a vida de Napoleão e de Hitler. De igual maneira, tem muita diferença entre a vida de Moisés e de Jesus. Moisés subiu no Monte Sinai logo depois da travessia do Mar Vermelho. Jesus sobe ao monte para dar os novos 10 mandamentos, se eu posso dizer assim, as leis do reino, após os 40 dias de deserto. Moisés foi no começo dos 40 anos. Moisés passou dois períodos de 40 anos no deserto, quando ele mata o egípcio e foge e quando ele liberta o povo hebreu. Jesus passa apenas um período de 40 dias no deserto. Então você vê que há um arranjo de algumas semelhanças para ensinar que Jesus é o novo Moisés, mas não um arranjo artificial. E há vários outros elementos curiosos em Mateus. Mateus, por exemplo, é o mais judaico de todos os evangelistas, apesar de mostrar a ruptura entre a igreja e a sinagoga. E Mateus talvez termina o evangelho dele com aquela comissão evangélica aí, de portanto, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele estava justamente ali, umbicado em Antioquia, que era o centro missionário da igreja para o mundo gentílico, o mundo não judeu. Interessante. A tradução, a tradição diz, eu não posso provar, que Mateus morreu como mártir na Etiópia. Pode ser. Não tenho afirmações sobre isso. Mas uma coisa eu posso dizer com certeza absoluta. Mateus amava profundamente o seu Senhor. Aquele que o acolheu quando todos o rejeitavam. E talvez você hoje se sinta um publicano, como Mateus. Olha, publicanos e pecadores. Lembra que um publicano subiu ao templo para orar e um fariseu, e o fariseu obrigado que eu não sou como esse publicano. Eu imagino quantas caras e bocas Mateus recebia durante os três anos e meio de de ministério de Jesus ao lado de Pedro que deveria odiar os os cobradores de impostos como o De Souza mostra ao lado de a de Simão Zelota um dos discípulos de Jesus que era Zelota que era o opositor máximo dos cobradores de impostos quem sabe diante do seu outro irmão Tiago filho de Alfeu que talvez não o aceitava muito como irmão sei lá mas ele amou Jesus e conheceu a graça do Senhor que a mesma graça atinja você hoje se você gostou desse conteúdo tem muito mais esperando você na plataforma Bíblia Comentada é só você se inscrever no link que está abaixo desse vídeo se tornar meu aluno e conhecer muito mais com profundidade e clareza sobre a palavra de Deus um grande abraço e até o nosso próximo encontro tchau tchau