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A fé vem pelo ouvir

A verdadeira ORIGEM DO EVANGELHO DE MATEUS com Rodrigo Silva

A verdadeira ORIGEM DO EVANGELHO DE MATEUS com Rodrigo Silva

A verdadeira ORIGEM DO EVANGELHO DE MATEUS com Rodrigo Silva

Quem escreveu o Evangelho de Mateus? A ausência do nome do autor no livro de Mateus alimenta séculos de debates, teorias e até mesmo acusações de que este livro da Bíblia seria uma fraude literária escrita muito depois dos eventos que narra.

Será que o Evangelho de Mateus é confiável? Neste estudo aprofundado sobre a verdadeira origem do Evangelho de Mateus, investigamos as principais evidências da arqueologia bíblica, manuscritos antigos e a própria estrutura textual da Bíblia.

Entenda quem realmente escreveu o primeiro livro do Novo Testamento da Bíblia e se as provas históricas e teológicas sustentam a autoria do apóstolo Mateus.

🔍 Principais Dúvidas Respondidas Neste Estudo:
1. Por que o nome de Mateus não aparece no Evangelho?
2. O Evangelho de Mateus foi escrito antes ou depois da destruição de Jerusalém?
3. O texto original de Mateus foi escrito em qual língua?

⏱️ Capítulos do Vídeo (Timestamps)
00:00 – Introdução: O Evangelho de Mateus
01:10 – Onde o Evangelho de Mateus foi escrito? A hipótese de Antioquia da Síria
08:12 – Por que Antioquia da Síria se tornou o centro do Cristianismo Primitivo?
23:35 – Quem escreveu o Evangelho de Mateus? Por que o nome de Mateus não está na Bíblia?
32:00 – A profecia da destruição de Jerusalém de Mateus 24
46:53 – O livro de Mateus foi escrito em Grego ou Hebraico?
53:48 – Quem foi Mateus? O cobrador de impostos e apóstolo
01:02:01 – A chave de leitura de Mateus: Midrash e a comparação de Jesus com Moisés
01:10:32 – Conclusão: A Graça que alcançou Mateus

📖 Glossário de Termos Teológicos
Sillybus (ou Sittybus): Etiqueta externa de identificação fixada nos rolos antigos com o título e autor da obra.
Vaticinium ex eventu: Expressão em latim para "profecia após o evento". É a teoria de que uma profecia foi escrita após o fato já ter acontecido.
Midrash: Método de interpretação textual judaico que explica a Escritura conectando eventos passados ao presente.
Tipologia: Estudo que conecta eventos ou pessoas do Antigo Testamento (tipo) como prefigurações de realidades no Novo Testamento (antítipo).
Septuaginta (LXX): A clássica tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego antigo.

Vamos juntos desvendar a Bíblia mais a fundo?

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Meu nome é Rodrigo Silva, sou cristão e casado com a Laura. Aqui eu compartilho um pouco das histórias da minha vida dedicada à Bíblia Sagrada, Estudo Bíblico e a Arqueologia. Desde tenra idade, fui fascinado pelo passado e pelas histórias que os artefatos e ruínas antigas podem contar. Minha jornada na arqueologia tem sido repleta de aventuras, descobertas emocionantes e uma profunda conexão com o passado. A cada escavação, a cada artefato encontrado, sinto-me mais grato por ter escolhido seguir essa paixão. Agradeço por me acompanhar nesta viagem!

#ExclusivoRodrigoSilva #rodrigosilva #rodrigosilvaarqueologia

Legendas automáticas:

Olá, você que me segue no Rodrigo Silva
Arqueologia, nós estamos de volta com o
nosso bate-papo semanal sobre Bíblia,
Teologia, Religião e assuntos afins. E
hoje nós vamos estudar sobre o Evangelho
de Mateus. Muitas pessoas pediram:
"Olha, eu quero conhecer mais o Novo
Testamento, o que está por detrás dos
Evangelhos? Como é que nós sabemos que
foi Mateus que escreveu esse Evangelho?"
Boa pergunta, porque não tem o nome de
Mateus em nenhum lugar dele.
Então até há
críticos da Bíblia que dizem que o
Evangelho de Mateus não foi escrito por
Mateus, mas por uma comunidade mateana,
como eles chamam, e foi atribuído
artificialmente a Mateus, mas Mateus
nunca escreveu esse Evangelho. Será que
isso é verdade?
Vamos entender também
quem é o autor, quem é, qual a sua
personalidade, qual sua vivência com
Cristo e tirar lições práticas para a
nossa vida hoje, tá bem? Espero que você
esteja gostando sempre do conteúdo do
Rodrigo Silva Arqueologia e se você
gosta desse conteúdo, se inscreva no
canal, ative o sininho de notificações e
deixe seu comentário. Eu quero ouvir o
que que você acha de tudo isso, tá
certo?
Vamos começar então
falando do local onde Mateus foi
escrito.
Grande parte dos acadêmicos modernos
acredita que Mateus foi escrito na
cidade de Antioquia da Síria.
Essa cidade é mencionada várias vezes no
no Novo Testamento, no Evangelho, no
livro de Atos dos Apóstolos,
mas em que pese o nome Antioquia da
Síria,
atualmente ela fica na Turquia. Eu já
estive lá algumas vezes, vou mostrar
para vocês fotos desse lugar, mas vamos
começar primeiro com o mapa.
Aqui está, eu coloquei uma seta para
vocês verem uma seta amarela, a cidade
de Antioquia da Síria, que não não ser
confundida com a da Pisídia, que é
mencionada uma vez no no livro de Atos
dos Apóstolos.
Então, você vê que logo abaixo do mapa,
nós temos a região de
Israel, onde está Jerusalém,
depois vem Damasco,
que está na atual Síria.
Lembra que Paulo estava perseguindo os
cristãos que estavam indo, eh, ele
estava indo no caminho de Damasco para
perseguir os cristãos,
e Antioquia, que tá Antioquia,
é perto de Alepo, Alepo é na Síria,
mas Antioquia, na época romana,
pertencia à Síria.
Hoje pertence à Turquia, como falei com
vocês. E se você olhar um pouquinho à
esquerda, tem a cidade de Tarso, onde
Paulo nasceu, a cidade de Tarso. Lembra
que ele é chamado de Paulo de Tarso.
Pois bem,
na época romana, havia a província da
Síria,
e a capital da província da Síria era
Antioquia de Orontes.
Antioquia de Orontes, Orontes, foi
fundada por Seleuco Nicátor I,
que era um dos generais de Alexandre
Grande. Ele fundou a cidade de Antioquia
por volta do ano 300 antes de Cristo,
aproximadamente.
E essa cidade, na época romana, era a
capital da província da Síria,
por isso que Antioquia de Orontes
é a mesma Antioquia da Síria.
Eles costumavam colocar o nome das
cidades pela região que ela
representava. Por exemplo, você tem
Cesareia de Filipe, porque foi fundada
por Filipe, mas você tinha Cesareia
Marítima, que ficava lá na na beira do
do Mar Mediterrâneo. Tá bem bem ali na
cercania do Mar Mediterrâneo. Você tinha
Antioquia da Pisídia e tinha Antioquia
de Orontes, por causa do rio Orontes que
passa ali,
e depois veio a ser Antioquia da Síria.
Eh,
houve uma tragédia muito grande nessa
cidade.
Um terremoto em 2023 que abalou
completamente toda a estrutura local.
Vou mostrar para vocês uma situação da
cidade
de Antioquia. Olha aqui, essa é uma
única foto, mas eu poderia mostrar
outras.
Eh, eu tenho um aluno que trabalha ali
na Turquia há muito tempo e ele falou
que na época do terremoto, eles foram
com equipes de resgate e voluntários
para ajudar as pessoas. Milhares de
pessoas ficaram ah eh eh desabrigadas.
Parece que foram mais de 10.000 pessoas
afetadas. O número de mortos também foi
elevadíssimo. Olha a situação, parece um
estado de guerra. Parece que alguém
bombardeou a cidade, mas foi o último
terremoto que teve lá em 2023.
Eu não estive na cidade de Antioquia
depois do do terremoto.
Mas eh eu sei que o estrago foi muito
grande que aconteceu naquele lugar.
O que que dava para ver ali em do ponto
de vista arqueológico? Será que dá para
ver alguma coisa da época bíblica, já
que eu falei que Mateus foi escrito ali?
A única coisa que nós temos
eh
assim diretamente ligada à bíblica à
Bíblia, mas é um tanto
tradicional, para usar um eufemismo, é
esse local onde eles falam que ali havia
uma igreja cristã primitiva numa caverna
e essa caverna é atribuída a São Pedro,
a Paulo.
Pode ser que tenha tido uma comunidade
cristã ali, mas do ponto de vista
arqueológico, para ligar a essa caverna
à igreja apostólica que funcionou ali,
precisamos de mais elementos. É uma
tradição,
alguma alguns elementos ali de da época
bizantina, do período da Idade Média,
mas nada muito concreto que eu posso
falar aqui liga realmente ao local onde
os apóstolos estiveram. É uma
possibilidade, é uma tradição, mas nada
muito autêntico. O que eu tenho mais
antigo da época dos apóstolos
é que quando eles estavam construindo um
hotel ali,
na região de Hatay, porque olha, hoje
a região, a província chama-se Hatay.
E a capital da província de Hatay
é
Antáquia. E Antáquia é o nome moderno da
antiga Antioquia. Percebeu?
Repetindo, na época do Novo Testamento
Antioquia
era a capital da região romana da Síria.
Então você tinha a província da Síria,
capital Antioquia.
Hoje, que está no, na moderna Turquia,
você tem a região que se chama Hatay,
a província,
e a capital da província é Antáquia,
que é a antiga cidade de Antioquia.
E eles estavam construindo um hotel
e eles encontraram várias ruínas
da cidade de Antioquia, desde a época de
Nicátor, Seleuco Nicátor, até a época,
eh, bizantina e idade média.
Você tem período romano ali também e foi
uma coisa interessante, porque eles
construíram o hotel em cima das ruínas
e os hóspedes podem, dos quartos, ver as
ruínas lá embaixo. Eu vou mostrar apenas
uma foto desse hotel para vocês. Olha
que interessante. Eles colocaram umas
vigas de ferro
e os quartos estão lá em cima.
E embaixo está bem preservada a cidade.
Você tem ali ruas, ah, você tem restos
de casas, você tem mosaicos,
vários mosaicos lindos, romanos, gregos.
Não temos ainda nenhum indício direto da
presença cristã nesse lugar.
E você deve estar me perguntando aí, ah,
e com relação ao terremoto que houve em
2023, esse prédio também caiu? Não.
Esse hotel, ele estava muito bem feito
com as vigas de de ferro e ele já foi
estruturado para suportar terremotos.
Então, felizmente, o hotel foi
preservado, ah, o sítio arqueológico
também
e ele fechou durante um tempo por causa
das questões econômicas com o terremoto,
mas ele reabriu em 2024 e é um lugar que
até hoje recebe visitas do mundo
inteiro. É um lugar muito interessante
para ser conhecido.
Agora, você deve estar me perguntando:
"Tá bom, Rodrigo, interessante essa
questão de Antioquia,
mas por que se deduz que Mateus foi
escrito dali?"
É uma
é uma hipótese que é levantada, tá bem?
Nós não temos uma certeza absoluta, mas
como eu falei, muitos acadêmicos do Novo
Testamento, a maioria, acredita que
Mateus
foi escrito da cidade de Antioquia.
Há uma minoria que atribui a origem do
Evangelho de Mateus à cidade de Roma ou
Jerusalém, mas a maioria dos acadêmicos
pensa em Antioquia. Por qual razão?
Bom, a cidade de Antioquia, ela é
mostrada no livro de Atos dos Apóstolos
como sendo um grande centro
de divulgação da fé cristã
que surge depois da perseguição dos
cristãos em Jeru- Jerusalém. Eu vou
explicar para você. Olha o que
interessante que aconteceu.
Quando Jesus morre,
ressuscita
e sobe ao céu,
50 dias depois da sua ressurreição,
antes da sua ascensão, né?
Você tem o Pentecostes.
O Pentecostes é uma festa religiosa dos
judeus, onde Jerusalém estava apinhada
de peregrinos vindos de várias partes de
fora de Israel.
Você sabe, na época do Novo Testamento,
a maior parte dos judeus não moravam em
Jerusalém. Eles moravam nas regiões como
o Ponto, eh, regiões gregas na Ásia
Menor, na Babilônia, na atual Arábia
Saudita, na região da atual Arábia
Saudita, havia, eh, judeus no Iêmen,
judeus da Etiópia,
judeus espalhados por vários cantos.
Desde a época da do cativeiro da
Babilônia, os judeus foram espalhados,
antes até mesmo na época do cativeiro da
Assíria, os israelitas já foram
espalhados, os judeus na época da
Babilônia,
e a maior parte deles nunca voltou a
morar em Israel. Aliás, até hoje, para
você ter uma noção,
grande parte dos judeus não moram em em
Israel. Você tem uma comunidade judaica
enorme nos Estados Unidos, no Brasil, na
Argentina.
Eu encontrei comunidade judaica até no
Irã.
Então, a maior parte dos judeus até hoje
moram fora do território de Israel. E no
Novo Testamento também é assim, era
assim.
Mas como havia as festas religiosas,
Páscoa, Shavuot, Sukkot,
os judeus vinham para
para Jerusalém.
E,
na época do Pentecostes, era uma dessas
festas, o vários judeus vieram a
Jerusalém. Tanto é que quando você vai
ler o livro de Atos,
ao falar da descida do Espírito Santo
sobre os a igreja cristã primitiva,
diz que o seguinte, eu vou ler para
vocês aqui, olha.
Ah,
só um minuto, Atos Apóstolos,
capítulo dois,
ah, eu quero pegar aqui a parte que fala
onde os os judeus, aqui achei. Atos
Apóstolos, capítulo dois, versículo
nove, quando a multidão fica
impressionada ao ver os discípulos
pregando em outros idiomas,
eles dizem assim: "Somos partos, medos,
elamitas, os naturais da Mesopotâmia,
Judeia, Capadócia, Ponto, Ásia, da
Frígia, da Panfília, do Egito e das
regiões da Líbia, nas imediações de
Serene e romanos que residem aqui. Tanto
os judeus como prosélitos, cretenses e
árabes. Como é que nós ouvimos essas
grandezas de Deus em nossas próprias
línguas?
Todos atônitos e perpe, perpe,
perplexos, perguntavam uns aos outros:
"O que será que isso quer dizer?"
Então, Jerusalém tinha judeus de várias
nacionalidades ali. Ok.
Eh, quando
ele, Jo, eh, Pedro prega que Jesus é o
Messias,
você tem milhares de judeus que
reconhecem isso e são batizados ali no
templo de Jerusalém.
Acontece que depois desse episódio,
muitos desses judeus, reconhecendo Jesus
como o Messias, voltaram para as suas
províncias. Outros acabaram ficando em
Jerusalém.
Os próprios judeus, eh, perdão,
apóstolos de Jesus que haviam vindo da
Galileia,
resolveram ficar em Jerusalém.
Ficaram ali.
E acabaram acomodando-se ali. Olha o que
o livro de Atos diz com relação à
permanência deles
em Jerusalém.
Eh, Atos 2:42.
"E perseveravam na doutrina dos
apóstolos, na comunhão e no partir do
pão e nas orações. E cada alma tinha
temor e muitos prodígios eram feitos por
meio dos apóstolos".
Então, como havia muitos prodígios,
muitos ficavam ali. E diz o verso 46:
"Diariamente perseveravam unânimes no
templo,
partindo o pão de casa em casa e tomavam
suas refeições com alegria e singeleza
de coração".
No, a, o livro de Atos não é claro em
dizer por que que os cristãos ficaram em
Jerusalém.
Uma dedução é que talvez eles esperavam
que Jesus, prometendo que haveria de
regressar, ele viria para Jerusalém.
Então, queriam ficar ali para receber
Jesus.
Ficando em Jerusalém,
eh, a igreja acabou ficando meio
limitada.
O Espírito Santo permitiu então algo que
Deus não faz por sadismo,
mas às vezes para permitir um progresso,
uma
uma maturidade,
aprovação.
E a provação veio com o apedrejamento de
Estevão e a perseguição
tendo entre seus líderes
Saulo de Tarso, que depois viraria Paulo
de Tarso.
Quando Estevão foi apedrejado em
Jerusalém,
os outros cristãos ficaram com medo da
perseguição também se alastrar para
eles. Digo, cristãos que estavam em
Jerusalém. E de fato muitos foram
perseguidos.
Porque acendeu o pavio.
Estevão foi martirizado, apedrejado e
vários outros cristãos começaram a
receber reprimendas em Jerusalém. Então
eles fugiram de Jerusalém. A maior parte
daqueles que estavam concentrados ali,
fugiram de Jerusalém.
A gente vai ver isso em Atos ah, dos
Apóstolos,
no capítulo
13, perdão, no capítulo
11.
Ah, que diz assim, verso 19.
Os que foram dispersos
a partir da perseguição que começou com
a morte de Estevão,
onde é que as pessoas estavam? Em
Jerusalém.
Eles foram dispersos a partir da
perseguição que começou com a morte de
Estevão.
Se espalharam até a Fenícia, Chipre e
Antioquia.
Vou mostrar no mapa para vocês isso
aqui.
Olha de novo Antioquia, que eu já
mencionei para vocês, que hoje está na
Turquia.
Os cristãos, então, eles fogem de
Jerusalém
e vão para a Fenícia, Chipre e
Antioquia. E Antioquia é o lugar que vai
ah se destacar como um novo centro do
cristianismo. E a Bíblia fala que
eles foram para Antioquia, não
anunciando a palavra a ninguém
que não fosse judeu.
Então aqueles judeus que se converteram
ao cristianismo, eles
ou pelo menos que as aceitaram Jesus
como Messias, eu tenho que explicar isso
aqui.
Converteram ao cristianismo é uma frase
anacrônica,
porque o cristianismo nessa época ainda
não estava organizado.
Nem os apóstolos entendiam que agora
eles não eram mais da religião judaica,
que uma nova religião surgira, não.
Eles continuaram judeus,
principalmente aqueles de Jerusalém.
Vê, lembra o livro que eu acabei de ler
para vocês, o texto de Atos, eles
perseveravam no templo, em oração,
seguindo as festas religiosas.
Então Pedro, ah Tiago, que era um líder
da igreja, outros que estavam ali em
Jerusalém, eles estavam cumprindo os
requisitos judaicos. E aqueles judeus
que permaneceram em Jerusalém
aguardando a segunda vinda de Cristo,
também continuavam judeus,
com a diferença que eles reconheceram
Jesus de Nazaré como Messias.
Quando houve a perseguição, eles fogem
de Jerusalém, vão para Chipre, para
Fenícia, que é o atual Líbano, e muitos
sobem para Antioquia. Sobem para
Antioquia. Mas em Antioquia,
eles só pregam para judeus.
Porém acontece uma coisa. Eu vou ler
para vocês a continuidade do livro do
livro de Atos. Eles subiram então para
Fenícia, Chipre e Antioquia, não
anunciando a palavra de Deus a ninguém
que não fosse judeu.
Verso 20, Atos 11, verso 20.
Alguns deles, porém,
que eram de Chipre
e de Cirene,
e que foram até Antioquia,
falavam também aos gregos,
anunciando-lhes o evangelho do Senhor
Jesus.
A mão do Senhor estava com eles e muitos
crendo se converteram ao Senhor.
Então, nesse momento, Antioquia começa a
ter um fenômeno diferente de Jerusalém.
Jerusalém tinha uma igreja
majoritariamente,
vou dizer, quase que 100%,
senão 98% da igreja que estava em
Jerusalém
era formada de judeus que reconheceram
Jesus como Messias.
Houve a perseguição, esses judeus fogem.
Uma parte desses judeus vão para
Antioquia e pregam apenas para judeus,
enquanto uma outra parte que era de
origem de Chipre
vão também para Antioquia, mas eles
pregam para para gregos.
E muitos gregos começam a aceitar o
evangelho.
E agora nós temos em Antioquia uma
comunidade cristã, formada por judeus
e gregos.
Judeus que reconheceram que Jesus era o
Messias e e e gregos que aceitaram a
mesma verdade.
Aquilo causou uma situação interessante.
E a notícia chegou em Jerusalém.
Quando a notícia chegou a Jerusalém,
eles enviaram, de acordo com o livro de
Atos, Barnabé
e Paulo para lá para pregar.
Então, Barnabé e Paulo
foram até Tarso, foram foram até até
Antioquia e começaram a pregar para
essas pessoas lá. E a Bíblia diz assim:
Ah, verso 25, depois Barnabé foi a Tarso
à procura de Saulo
e quando o encontrou, levou-o para
Antioquia.
E durante um ano inteiro se reuniram
naquela igreja e ensinaram numerosa
multidão. Em Antioquia, os discípulos
foram pela primeira vez chamados de
cristãos.
Então, olha, os cris Aí há ter uma uma
uma divergência entre os especialistas.
Muitos pensam que esses cristãos, eh,
esse nome foi uma alcunha dada pelos
pagãos, que significa, ah, os malucos
por Cristo.
Outros pensam, não, que a palavra
cristão
vem do latim cristiani, servos de
Cristo.
Servos de Cristo ou obedientes a Cristo
ou aqueles que vivem por Cristo.
Aí surgiu o nome cristãos.
E essa igreja foi crescendo, crescendo,
pegando força
e estavam Barnabé e Paulo
ajudando aquela aquela situação ali.
Pedro, depois, vai também para
Antioquia.
Ele vai para Antioquia.
E Pedro ali fica admirado também como
tem muitos não judeus aceitando Jesus
como Messias.
Só que aí tem uma questão.
Esses não judeus
não tinham as práticas do judaísmo.
Entre elas, a circuncisão.
Depois disso surge, então, uma polêmica.
Devemos exigir desses gregos que se
converteram a Jesus que eles sejam
circuncidados como nós judeus o somos?
Foi essa polêmica que ensejou o Concílio
de Jerusalém.
O Concílio de Jerusalém aconteceu pelo
que estava, eh, ocorrendo em Antioquia.
Tá certo?
Paulo também, em Gálatas, quando ele
repreende Pedro, fala assim: "Quando
Pedro veio até Antioquia, eu resisti
face a face porque o seu caráter se
tornou reprovável". Essa polêmica entre
Pedro e Paulo,
eh,
>> [limpando a garganta]
>> que está no capítulo dois de Gálatas,
verso 11,
"Quando, porém, Cefas, que é Pedro, veio
a Antioquia, resisti-lhe face a face
porque havia se tornado repreensível".
Por quê? Quando Quando Pedro chegou a
Antioquia,
Pedro viu aquela comunidade grande ali
de
não não judeus
e ele comia com eles, numa boa,
sem nenhum preconceito e tudo mais.
Porém, quando uma delegação
vinda de Jerusalém chegou até ali,
Pedro começou a se afastar dos não
judeus para evitar ah, não não quero que
falem mal de mim, que o assunto ainda
está polêmico.
Aí Paulo falou assim: "Engraçado, antes
da delegação chegar, você comia com os
não judeus, agora você está cheio de
dedos?
Você está errado, Pedro".
E Paulo então pregava àqueles não
judeus.
Aquele debate que depois você vai ver no
Novo Testamento sobre se o cristão deve
ser circuncidado ou não, livro de Atos
dos Apóstolos, Primeira Coríntios,
esse debate começa
pela igreja que surge em Antioquia.
Então, com essa igreja, pela primeira
vez,
é forte em judeus
e não judeus,
muita coisa acontece.
Só para você ter uma noção, as três
viagens missionárias de Paulo
partem de Antioquia e voltam para
Antioquia.
Olha como é que o lugar virou virou um
centro do cristianismo, de distribuição
da fé cristã.
A a chegou uma época que Antioquia tinha
mais força cristã do que Jerusalém.
Mais força.
OK.
Nesse contexto, muitos acreditam que
Antioquia então seria o lugar propício
para Mateus ter escrito o seu evangelho.
Mateus escreveu ali porque ele estava
com uma igreja dividida entre gregos e
judeus, ou judeus e não judeus.
E Mateus escreve o evangelho
provavelmente dali
para responder a uma situação do que
estava acontecendo em Jerusalém e
noutras partes.
É, nós não temos nenhuma comprovação
patrística, nenhuma tradição antiga fala
que foi de Antioquia que Mateus escreveu
o evangelho, mas por esses dados muitos
levantam, olha
Antioquia então era um centro e como
muita gente foi para lá
é provável que ali Mateus tenha escrito
o seu o seu evangelho.
Agora, aquela pergunta que muita gente
faz
é
quem seria esse Mateus que escreveu o
evangelho?
É, daqui a pouco eu vou trabalhar com
vocês a ideia do do das pessoas que
negam que foi Mateus que teria escrito.
É, aliás eu vou responder isso aqui. Por
que que o nome de Mateus não aparece no
evangelho de Mateus? Vou procurar um
slide aqui e vocês vão entender.
Por que que o nome de Mateus não aparece
ali?
De fato, em nenhum dos 28 capítulos do
livro você tem quem o escreveu.
Mas nós temos uma tradição antiga
a preservada em, ah
Papias
é um dos mais antigos que fala que foi
Mateus que escreveu. Mateus, e eu vou
ler o texto de Papias daqui a pouquinho
para vocês. Você tem isso preservado
também em Inácio de Antioquia, que é um
autor antigo do segundo século, Clemente
de de Alexandria, Clemente de Roma
ah, Irineu de Lyon,
vários autores do passado
atribuem o evangelho de Mateus a Levi
Mateus, que foi um dos apóstolos de
Jesus.
Tá Rodrigo, mas se foi Levi Mateus
por que que não tem o nome dele lá?
Pela seguinte razão, olha essa imagem
aqui, ó.
Essa é uma imagem, é artística, de como
seria uma biblioteca da época
greco-romana. A biblioteca, por exemplo,
de Alexandria.
Os livros não eram nesse formato que
você tá vendo aqui, olha, de caderno.
Os livros
eram rolos.
E esses rolos ficavam colocados assim,
nessa posição nas prateleiras.
E no rolo,
do lado de fora, tinha uma etiqueta.
Vocês estão vendo que todos os rolos
estão com uma etiqueta, ah, quase no
formato de um triângulo?
Essa etiqueta é que trazia o título do
livro e o seu autor. Então, por exemplo,
aqui eu tenho um desenho de Pompeia.
Esse desenho é muito interessante, é um
mural de prédica de Júlia Félix, é
datado do primeiro século, está no Museu
Nacional de Nápoles, na,
eh, na Itália.
Pertence a um, a fresco de um mural ali,
de uma casa. E nesse afresco você tem
de, desenhado vários elementos usados
para escrever um livro.
Então, quando você olha, por exemplo, na
prateleira de baixo, da direita para
esquerda, você tem, no meio, um caderno
de madeira, que eles usavam, esse
caderno era forrado de cera,
para fazer o rascunho.
Então, eles escreviam na cera, na cera
eles faziam o rascunho, depois de ler e
reler o rascunho,
se encontrasse qualquer erro, você
apagava aquela cera, raspava a cera e
escrevia por cima, não tinha problema
corrigir. E depois de lido, relido e
corrigido o rascunho na cera, aí que
passava para o papiro.
Ou para o pergaminho,
que era em forma de rolo, tá vendo?
Então, como o papiro ou pergaminho era
muito caro,
muito caro, você não podia
desperdiçá-lo, por exemplo, fazendo o
rascunho. Daí a razão de fazer o
rascunho naquelas tabuletas de, eh,
forradas de cera.
Quando você tinha aquele papel muito
caro, você tinha que aproveitar cada
cantinho para escrever o seu texto.
Então, gastar parte preciosa de dentro
do documento, escrevendo o título e o
nome do autor,
você já estava perdendo uma ou duas
linhas.
Era um espaço muito precioso, lembrando
que os títulos eram grandes.
Então, olha que eu coloquei uma seta
azul mostrando que esse papiro tem na
ponta dele
uma uma etiqueta.
Olha aqui, ó.
Mais ampliado. Estão vendo? Ali está um
tinteiro com uma um lápis, uma caneta,
melhor dizendo, e você tem aqui uma uma
etiqueta no papiro. Essas etiquetas são
chamadas de sítibus ou sílibus em latim
eh em grego. Aqui nós temos
um desenho também de de Pompeia,
onde você tem um casal, eles estão
eh posando para uma fotografia, vamos
dizer assim, uma pintura,
e a mulher está com daqueles cadernos de
madeira que eu falei com vocês, forrado
de cera, e ela está com um lápis aqui na
na boca indicando que é uma mulher
culta. E assim, como isso era um
material muito caro, era chique você
fazer
pinturas de si mesmo ou
pinturas de si mesmo segurando uma
caneta, um tinteiro, um papiro ou um
livro desses para fazer o rascunho.
E o homem está carregando um rolo, um
livro
ou um documento. E note que o documento
tem uma
uma etiquetazinha vermelha, que é onde
estaria o seu título e o seu a sua
autoria. Aqui nós temos, por exemplo,
um fragmento
eh escrito em grego, que traz o nome de
Baquílides,
que é um poeta do quinto século antes de
Cristo, com o título da obra
de tírambus, de tírambus.
Então, de tírambus está escrito embaixo
e Baquílides, Baquílides escrito em
cima.
Baquílido. Na verdade, aí em grego está
Baquílido, de Baquílides,
ou seja, pertencente a ele, ou de
autoria dele.
Nós temos outro
aqui para mostrar para vocês um outro
syllabus
do século 1 ou 2 de nossa era
preservando uma cópia do livro 9 9 de
Emarros contra Empédocles.
Então você tem a tira ali.
Por essa razão é provável que o
evangelho original de Mateus fora
escrito em rolo
e esse rolo então tinha uma etiqueta com
o nome de Mateus. E isso gente não é
apenas com relação à Bíblia não, vários
livros da antiguidade eram assim, a
Eneida de Virgílio, a tetralogia é é
esqueci agora de de Aristóteles, a ética
a Nicômaco, é
vários livros que eu podia citar aqui,
os poemas, todos esses livros tinham
aquela etiqueta.
Agora é lógico que no manuseio a
primeira coisa que se perde é aquela
etiqueta. Aí você fala tá, e quando
perdi a etiqueta, como é que você sabia
de quem era o livro? Aí você apela para
tradição.
Porque os doutos, os cultos conheciam
muito bem os livros e os seus autores.
Por exemplo,
hoje se eu citar é a música
Eu sei que vou te amar
por toda a minha vida eu vou te amar
a cada despedida eu vou te amar
desesperadamente eu sei que vou te amar.
Se se alguém que conhece a literatura e
a poesia brasileira encontrar esse
texto, mesmo que ele esteja anônimo,
você já sabe
é de
Tom Jobim
essa essa letra e e
nossa esqueci o o outro companheiro lá.
O Tom Jobim que escreveu, não precisa ir
muito longe, já sabe que é de Tom Jobim.
Se você encontra um determinado poema de
Carlos Drummond de Andrade
quem entende de literatura brasileira
sabe que é de Carlos Drummond de
Andrade, não precisa de ter o nome dele
ali.
Você reconhece a Adélia Prado, Cecília
Meireles. Se eu encontrar um trecho
enorme do Sítio do Picapau Amarelo,
mesmo que o livro não tiver a capa
e a folha de rosto, eu sei que é de
Monteiro Lobato.
Por que que eu sei? Porque de longa data
eu li,
ouvi a história de Narizinho, Emília,
Visconde de Sabugosa e sei que é de
Monteiro Lobato. Então, quando essa
autoria já cai em domínio público,
você não precisa mais de uma
de uma especificação, porque você já
sabe que é dele.
Então, dessa forma, embora nós não temos
no Evangelho de Mateus
nenhuma parte dizendo "Isso aqui foi
escrito por Mateus, por por Mateus",
eu sei pela tradição preservada por a
Inácio de Antioquia, Papias, eh Irineu
de Lyon e outros, que era o Evangelho de
Mateus.
Então, pronto, é de Mateus, não tem mais
conversa.
Aí vem agora alguns críticos modernos
"Não, esse aqui foi de uma de uma
comunidade mateana do final do primeiro
século". Eu não acredito nisso. O
Evangelho é de Mateus.
Ah, daqui a pouquinho eu vou dizer por
que que eles eh duvidam que seja de
Mateus ou atribuem a uma uma questão
muito tardia.
Na verdade, acho que eu vou falar isso
de uma vez para ficar didático.
Por que que eles falam que o Evangelho
não pode ser de Mateus
e que seria um Evangelho tardio?
O corte que eles colocam é que esse
Evangelho foi escrito depois do ano 70
de nossa era.
E por que que a grande parte dos
críticos colocam que o Evangelho foi
escrito após o ano 70 de nossa era? Por
uma coisa muito simples.
Mateus, capítulo 24.
Porque aqui
Jesus profetiza com uma exatidão
absoluta
a destruição de Jerusalém pelas forças
romanas
no ano 70 de nossa era.
Então, como grande parte desses críticos
não acredita
na inspiração
bíblica, que a Bíblia foi divinamente
inspirada por Deus,
como grande parte desses críticos não
acredita que Jesus fez profecias reais,
eles atribuem tudo a um
a um mero uma mera coincidência
ou
vaticínio ex evento, um termo latino
bonito, elaborado para dizer que a
Bíblia é uma mentira.
É.
Eu sei que muitos críticos vão vão
falar: "Não, mas Jesus não fala que é
uma mentira".
Não fala, mas usa um eufemismo que para
mim é uma mentira.
Porque o que que é o vaticínio ex
evento?
O vaticínio ex evento
é quando você faz
uma afirmação
depois que o evento aconteceu,
mas faz aquela afirmação num tom
profético e artificialmente
coloca como se ela fosse escrita antes.
Por exemplo,
é como se eu pegasse agora um texto
escrevesse assim:
Eh,
em no mês de setembro,
no dia 11 de setembro,
duas grandes torres
americanas
cairão
abatidas por um avião.
Assinado,
Pedro Álvares Cabral.
Ou
eh eh Pedro Álvares Cabral, pronto.
Aí eu pego aquele documento
e falo: "Olha, Pedro Álvares Cabral
profetizou em 1500
sobre as a queda das Torres Gêmeas de
Nova York".
Porque olha, Pedro Álvares Cabral falou
que no dia 11 de setembro
duas grandes torres americanas cairiam
aba a abatidas por um avião.
Aí alguém fala: "Não,
Pedro Álvares Cabral não poderia ter
escrito isso, porque isso aconteceu
recentemente.
O o Pedro Álvares Cabral viveu séculos
antes.
Então isso aí é um vaticinium ex eventu.
É uma coisa, uma profecia que você
escreveu depois que as Torres Gêmeas
caíram
e atribuiu artificialmente a Pedro
Álvares Cabral.
Então eles colocam que o Evangelho de
Mateus foi escrito depois da destruição
de Jerusalém
e artificialmente
atribuído
a Mateus
e a Jesus. Mateus como autor, Jesus como
o proferidor da profecia.
Isso é vaticinium ex eventu.
É uma profecia que é escrita depois que
o evento cumpriu.
Só que na minha concepção, é só uma
maneira educada e elaborada de chamar a
Bíblia de mentirosa.
Simples assim.
Ou de negar que Jesus tinha capacidade
de profetizar o futuro.
Tá, Rodrigo.
Então essa é a razão pela qual eles
colocam o Evangelho depois do ano 70. A
principal delas é
Mas eu posso
dar argumentações para você de que
Mateus provavelmente não foi escrito
depois do ano 70. Veja bem.
Quando você lê a profecia de Mateus
capítulo 24, porque os argumentos são
todos internos.
Tá certo? Não tem nada que escreva:
"Olha, foi aqui que Mateus foi foi
escrito". Não. Eles usam argumentos
internos do livro
para dizer que ele foi escrito depois do
ano 70. Um dos argumentos é esse. O
livro traz profeticamente a destruição
de Jerusalém. Como Jerusalém foi escrita
no ano 70 e profecia de verdade não
existe, então ele foi escrito depois.
Simples assim.
Só que
é curioso que se Mateus 24 houvesse sido
escrito depois do ano 70,
nós temos vários problemas aqui. Letra
A.
Por que que o autor não colocou o
cumprimento da profecia?
Porque o livro só coloca a profecia, mas
Mas põe o cumprimento dela.
Mateus não fala nada
da destruição do templo.
Só fala a profecia.
Seria uma oportunidade áurea para ele
falar: "Olha, isso aqui aconteceu
cumprindo aquela profecia de Jesus que
dizia isso, isso e isso". Como aliás é a
característica de Mateus. Mateus sempre
fala: "Isso aconteceu para que se
cumprisse o que fora dito por intermédio
de Isaías".
Então ele está admitindo
que algo aconteceu depois que Isaías
profetizou e ele lançando o olhar no
passado fala: "Esse acontecimento que eu
estou descrevendo passado, ele aconteceu
para que se cumprisse o que fora dito
por meio de Isaías".
Então o correto aqui, seguindo a lógica,
o estilo literário de Mateus, se ele foi
escrito depois do ano 70, seria
escrever: "Jerusalém foi destruída pelas
forças romanas e isso aconteceu para que
se cumprisse o que fora dito por
intermédio de Cristo".
Não.
Ele coloca Cristo
profetizando o evento sem falar nada do
seu cumprimento. Estranho para alguém
que supostamente teria sido teria
escrito esse evangelho depois do ano 70.
Um outro detalhe.
Há imprecisões na profecia de Jesus
que seriam corrigidas se o texto fosse
escrito depois do ano 70. Quando eu digo
imprecisões, você calma que eu vou
explicar.
Não significa que Jesus errou na
profecia dele. Não.
Quando eu digo imprecisões, é no sentido
que
Jesus não demonstrou todos os detalhes
do que haveria de acontecer. E lembre-se
faz parte da crença cristã entender que
embora Jesus fosse Deus
quando ele estava na no encarnado como
ser humano na terra, Jesus continua
encarnado no céu, mas eu digo por
ocasião dos da sua encarnação na terra,
quando o verbo se fez carne e habitou no
meio de nós
Jesus não perdeu a sua onisciência, nem
a sua onipresença, mas Jesus deixou de
usá-las.
Jesus, enquanto estava aqui na Terra,
ele não estava em vários lugares ao
mesmo tempo.
Se Jesus estava na Galileia, ele não
estaria em Jerusalém.
Se ele estivesse em em Jerusalém, ele
não estaria em Betânia.
E a onisciência também foi suspensa,
tanto é que ao falar da sua vinda, Jesus
fala:
"É, quanto a esse dia, ninguém sabe, nem
os filho, nem os anjos, senão somente o
pai". Nem o filho sabe. Como é que ele
não saberia o dia da volta dele?
Jesus também falou: "Eu nada posso fazer
de mim mesmo, a não ser aquilo que o pai
me colocar para fazer.
Eu nada sei de mim mesmo, a não ser
aquilo que o pai revela".
Então, Jesus, ao proferir a profecia de
Mateus 24, Jesus estava proferindo
conforme o pai estava lhe revelando. E
uma característica do Espírito Santo de
Deus para o profeta é que ele não revela
todos os detalhes.
O Espírito Santo dá uma
uma ideia do que vai acontecer, uma
ideia forte, mas não detalhada.
Sendo assim,
em Mateus, capítulo 24, quando Jesus
fala de Jerusalém cercada pelos
exércitos e tudo mais, ele diz no verso
20: "Orem para que a fuga de vocês não
aconteça no inverno,
nem no shabat.
Orem para que a fuga de vocês
não aconteça no inverno".
Curioso que os historiadores colocam
três datas
para o cumprimento da profecia de Jesus.
Uma delas
seria no ano 66, quando começaram as
guerras
ah, judaicas em Jerusalém, e você tem
Céstios Galos,
que é um general romano que vem para
sufocar
a rebeldia dos judeus, ele vem com a a
a 12ª ou 11ª legião fretenses.
Ele vem para sufocar, só que ele chegou
em outubro.
Outubro não é época do inverno, é época
do outono.
Outros historiadores pensam que a
destruição de Jerusalém que Jesus falou
foi aquela acontecida em Tisha Beav
que seria aproximadamente no mês de
julho, quando o templo foi destruído.
Nove de Av, Tisha
Tisha Beav.
Nove de Av, seria o mês de
julho, agosto, mais ou menos ali pelo
nosso calendário.
Que é a época do verão.
O templo foi destruído na época do
verão.
E a a fuga dos dos discípulos poderia
ter acontecido
ou em outubro de 66, porque veio o o
Galo cerca a cidade, depois o exército
abandona a cidade, então pode ser nesse
momento que os cristãos fugiram para
Pela, porque lembraram da profecia de
Jesus.
Ou quando Tito veio a primeira vez
também
na época da Páscoa
que é o mês de abril.
Novamente, primavera não é inverno.
Ou seja, a fuga dos cristãos de
Jerusalém
não aconteceu
ou ou ela aconteceu na primavera
ou no verão ou no outono.
Mas ela definitivamente não aconteceu no
inverno.
Ora, se Mateus houvesse escrito o
evangelho dele depois do ano 70, ele
sabia
que a fuga não se se deu no inverno. Não
faz sentido manter essa palavra de
Jesus: "Orem para que a fuga de vocês
não se dê no inverno, no inverno".
Outro detalhe, quando a gente lê
Mateus, você vê que Mateus foi escrito
numa época em que o templo ainda estava
em funcionamento. É, quando você vai
para Mateus capítulo 22, verso 7, por
exemplo
não, Mateus 17, verso 24.
Mateus 17, verso 24.
Olha o que diz assim: "Quando Jesus e os
discípulos entrar, chegaram a Cafarnaum,
os que cobravam impostos das duas
dracmas,
essa tradução em português não está boa.
Os que cobravam impostos,
no grego,
a tra, a, que nós temos um particípio
presente ativo.
O sentido é: os que cobram
as duas dracmas, que ainda estão
cobrando. E o que são essas duas
dracmas?
São o imposto do templo.
Então Mateus escreve sob a perspectiva
de alguém que ainda está vivendo
com o templo em funcionamento.
Ele descreve Jesus assim: "Quando Jesus
e os discípulos chegaram em Jerusalém,
os que cobram
o imposto do templo chegaram a Jesus".
Cobram,
na época que eu tô escrevendo. Ou seja,
é como se eu falasse assim: "Olha,
contando a minha experiência passada,
é, em 2017,
quando chegou a hora
em que o governo
cobra o imposto de renda,
ali pelo mês de março, abril,
eu tive que fazer minha declaração".
Então veja, embora eu esteja falando de
algo passado,
quando eu tive que fazer a declaração,
eu apontei para algo que acontece até
hoje.
A época em que o governo cobra o
imposto.
Então Mateus escreveu numa época que o
templo estava em funcionamento. Quando
você vai também para Mateus, capítulo 5,
Jesus fala: "Olha, é, se você tiver
um problema contra o seu irmão e está
levando uma oferta para o altar,
deixa a oferta no altar,
vá se reconciliar com seu irmão, depois
você volta". Aqui, olha, capítulo 5,
verso 24: "Deixe diante do altar a sua
oferta".
O altar ficava no, no santuário, no
templo em Jerusalém. Então, o templo
estava em pleno funcionamento.
Eh, quando a gente vai também no
capítulo 2, verso
17,
nós encontramos também uma uma coisa
interessante.
Eh,
"Assim, diga-nos o Senhor o que acha: É
lícito pagar imposto a César ou não?"
Novamente, uma situação
eh, antes da destruição do templo.
Esses elementos mostram que Mateus foi
escrito com o templo ainda em
funcionamento,
não depois.
Ah, mas eles argumentam, além disso, a
cristologia de Mateus, ela é muito bem
elaborada. Você tem aqui no final de
Mateus, no capítulo 28, Jesus dizendo
para irem pregar o evangelho a todo
mundo, batizando-os em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo, e a Trindade.
Isso aqui só foi elaborado pela igreja
lá no final do primeiro século, início
do segundo.
É uma cristologia muito elaborada, muito
desenvolvida. Jesus não era entendido
como Deus ali, naquela época antiga.
Será que não? Quando você vai para 1ª
Coríntios, capítulo 8, versículo 6,
que os próprios críticos da Bíblia
acreditam que esse texto aqui é
pré-paulino, pré-paulino,
8, verso 6, diz assim:
Vou ler para vocês.
"Para nós, porém, há um só Deus, o Pai,
de quem todas as coisas
de quem são todas as coisas e para quem
existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo,
por meio de quem todas as coisas existem
e por meio de quem nós existimos. Um só
Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus
Cristo." Mesmo os críticos admitem que
aqui
Paulo está usando uma um hino
ou uma confissão de fé cristã
pré-paulina, anterior a Paulo, anterior
ao ano 55 de nossa era, que já colocava
Jesus como Deus.
Então, se Paulo já explicita
numa das suas primeiras cartas
a divindade de Cristo numa ideia que é
pré-paulina, por que que eu sou obrigado
a entender que Mateus é posterior, só
porque ele tem uma cristologia muito
avançada, uma ideia de divindade de
Jesus muito avançada?
Então, eu trabalho com a possibilidade
que Mateus é um evangelho anterior ao
ano 70,
ali por volta dos anos 50, 60, no
máximo, no máximo, e que Mateus havia
escrito esse evangelho
provavelmente de Antioquia.
Antioquia
de Orontes, Antioquia da Síria.
Agora,
algumas pessoas já me perguntaram:
"Rodrigo, o evangelho de Mateus foi
escrito em grego
ou em hebraico? Porque eu já ouvi que
foi escrito em hebraico".
Deixa eu explicar isso para vocês. Na
verdade,
é, quem afirma isso está se baseando num
texto de Papias,
que é um texto que não diz que Mateus
foi escrito em hebraico.
Papias
usa a expressão a hebraite
a dialectique.
E essa expressão pode significar tanto
hebraico quanto aramaico.
E o que Papias escreveu foi o seguinte:
"Por esse tempo, Mateus recolheu os
ditos uns ditos do Senhor, uns ditos do
Senhor, em língua hebraica ou aramaica,
que cada um interpretou conforme o seu
conhecimento".
Então, vamos com calma. O que Papias
está dizendo é que Mateus recolheu os
ditos do Senhor.
Papias não disse que Mateus escreveu o
evangelho em hebraico aramaico. Ele
recolheu os ditos dos do Senhor em
hebraico ou aramaico.
O que Papias está descrevendo? Muitos
judeus da época de Jesus, rabinos,
professores itinerantes, tinham o hábito
de trazer consigo um escriba que anotava
as suas palavras enquanto eles as
proferiam.
Isso era muito comum. Nós temos várias
eh
eh eh evidências disso, vários
documentos antigos.
E muitos rabinos eram pobres.
E mesmo sendo pobres, eles conseguiam
ter um secretário
letrado
que copiava naquelas Lembra a tabuleta
que eu falei com vocês forrada de cera?
O secretário ficava
ouvindo tudo que ele falava e anotava na
tabuleta de cera as suas principais
frases, seus principais eh estilos e
anotava muitas vezes
a velocidade com a qual o rabino falava.
Já ouviu falar em taquigrafia?
Que a pessoa vai eh na época os
taquígrafos ficavam em em tribunais
antes de ter o
o o
Como é que fala? O gravador. Mesmo na
era do gravador ainda havia taquígrafos.
Eles conseguiam copiar com símbolos
tudo o que você tava falando e o símbolo
substituía uma palavra, então ele
conseguia copiar rapidamente.
E os rabinos tinham esses taquígrafos,
vamos dizer assim,
ou amanuenses, ou escribas, ou
secretários, dê o nome que você quiser,
que com a sua tabuletinha de madeira
forrada de cera, ficava anotando os
principais ensinos do mestre enquanto
esses ensinos eram proferidos.
Talvez Mateus,
por ser um
um homem que sabia ler e escrever, ele
era cobrador de impostos,
ele anotava as palavras do Senhor
enquanto Jesus falava.
E de fato
>> [limpando a garganta]
>> alguns textos de Mateus que parecem ter
tido sido quase que um ditado.
Então Mateus, lembra do livro The
Chosen, do filme The Chosen, que o o
Mateus fica com sempre com a
tabuletazinha anotando tudo que Jesus
falou? É aquela cena ali.
Então provavelmente foi a isso que
Papias se referiu quando disse: Mateus
reuniu, colecionou os ditos do Senhor em
língua aramaica, porque Jesus falava
aramaico ou hebraico, Jesus também
falava hebraico.
E cada um
interpretou ou traduziu como bem
entendeu.
Então Mateus pegou esses ditos,
fez esses ditos, esses essa coleção de
ditos de Cristo,
é o que os teólogos chamam de documento
Q,
que vem do alemão Quelle, que significa
fonte.
Foi esse documento Q, que serviu de base
para Marcos escrever o seu evangelho.
E o Mateus que nós conhecemos,
ao produzir o seu evangelho em grego,
ele usou duas fontes.
A fonte Q
e o evangelho de Marcos. Mas ele
escreveu o evangelho em grego.
Os que apontam
é o texto de Papias, soltam às vezes
assim, já vi isso na internet. Não, nós
temos comprovado que Mateus foi escrito
em em hebraico porque
Papias, é, Inácio de Antioquia,
Irineu de Lyon, Orígenes, todos
mencionam isso.
Não, calma.
Na verdade, até o Eusébio de Cesareia
também que eu podia mencionar, Eusébio
de Cesareia, Irineu,
Orígenes não menciona isso.
E
e é e e o Inácio de Antioquia, eles
apenas replicam
a informação de Papias.
Que como eu disse, não é uma informação
certa que Mateus escrevia em hebraico.
Outra coisa que chama atenção é que
várias vezes, na maior parte das vezes
que Mateus cita passagens do Antigo
Testamento,
ele cita de acordo com a tradução da
Septuaginta,
que é a tradução judaica do Antigo
Testamento para o grego.
Fica, se Mateus tivesse sido escrito em
hebraico, as versões do do do texto
do Antigo Testamento estariam em
hebraico. Estão exatamente como a
Septuaginta, ou Septuaginta, escrita em
grego. Outro detalhe, Mateus segue 80%
do seu texto baseado em Marcos, que por
sua vez foi escrito em grego.
Outro detalhe, não existe nenhum
fragmento, por menor que seja, de Mateus
em hebraico ou aramaico.
Nós temos hoje mais de 5.800 cópias do
Novo Testamento grego.
Mais de 5.800.
Fora as várias traduções que você tem
para o copta, para o latim, para o
siríaco, e não tem nenhuma versão em
aramaico ou hebraico.
Ah, Rodrigo, mas e a Peshitta siríaca? A
Peshitta é do quinto século
e o siríaco não é exatamente o aramaico
da época de Jesus, muito menos o
hebraico. O siríaco é um dialeto do
aramaico e um dialeto tardio.
Tá certo?
Alguém uma vez falou assim: "Tá, mas e o
e o e o texto de Mateus que foi
encontrado na Idade Média em hebraico?"
Deixa eu explicar isso para vocês.
Havia um rabino judeu, apologista contra
o cristianismo, que escreveu um tratado
contra o cristianismo e ele anotou tudo
em hebraico. Esse rabino chamava-se Shem
Tob.
E eu, Shem Tob,
redigiu todo o Evangelho de Mateus em
hebraico, mas foi o Shem Tob que fez
isso.
E não que ele tinha acesso ao manuscrito
em hebraico. Tá certo? Mateus foi
escrito em grego.
Agora vamos falar um pouquinho sobre a
pessoa do próprio Mateus.
Olha que interessante.
Quando ele foi chamado, todo mundo já
sabe que Mateus era coletor de impostos,
tá certo? Essa informação é é típica.
Mas chamou a minha atenção um detalhe
aqui no evangelho. Antes de falar desse
detalhe,
vamos falar o que acontecia com os
cobradores de impostos.
Eram os cidadãos mais odiados de toda a
sociedade judaica.
Mais odiados.
Eu não sei quem era mais odiado, se era
o samaritano ou cobrador de impostos.
Tanto é que na Mishná diz que se um
ladrão entrasse na sua casa,
depois que o ladrão fosse expulso ou
desaparecesse, você tinha que purificar
aquele lugar por onde o ladrão passou.
Preste atenção.
Se o ladrão entrou em minha casa e ele
só foi até o pátio,
eu tenho que purificar o pátio.
Se o ladrão entrou na minha casa e
entrou no meu quarto de dormir, eu tenho
que purificar o quarto de dormir.
Mas se um cobrador de impostos entrasse
na minha casa, eu tinha que purificar a
casa inteira, mesmo os cômodos por onde
ele não passou.
Ou seja, o cobrador de impostos era pior
do que o ladrão.
Ninguém gostava do cobrador de impostos.
Tanto é que quando Jesus vai falar dos
pecadores, fala: "Publicanos e
pecadores". O publicano é o cobrador de
impostos.
Publicanos e pecadores.
Porque eles roubavam mesmo das pessoas,
roubavam.
Roma exigia assim: "Eu quero
x de imposto".
Só que ele cobrava do pessoal três vezes
mais e Roma fazia vista grossa. Se Roma
falasse assim: "Olha, dessa região eu
quero ah
mil denários de imposto,
de imposto, mil denários",
ele cobrava do posto
2.500 denários. Ele embo, ele emboçava
1.500 denários para si e Roma não se
importava.
Porque os 1.000 denários dela já estavam
garantidos.
Tanto é que havia eh licitação
para quem seria o cobrador de impostos
daquela região.
E ele tinha obrigação de entregar a Roma
o mínimo que Roma pediu. Quanto que ele
ia cobrar mais, problema dele. Assim
Roma não tinha a indisposição de ter que
colocar um romano para cobrar
eh
imposto dos judeus, colocavam um deles.
Como eles odiavam o publicano, problema
deles. É tudo judeu brigando contra
judeu.
Mateus então foi alguém que recebeu
muito preconceito, principalmente de
outros apóstolos.
Olha que curioso. Mateus capítulo 10,
quando fala do chamado dos 12 apóstolos,
uma coisa me chama atenção.
No verso dois diz:
"Ora, o nome dos 12 apóstolos são esses.
Primeiro Simão, chamado Pedro, e André,
seu irmão".
Beleza? André, seu irmão.
"Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu
irmão.
Filipe e Bartolomeu.
Tomé e Mateus, o publicano.
Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu".
Olha que interessante.
Tiago, filho de Alfeu.
Quando a gente vai para Marcos capítulo
dois, versículo 14,
Marcos me dá uma informação que chama
bastante atenção.
Marcos dois,
verso 14.
Quando fala que Jesus chamou, Mateus diz
assim:
"Achando-se Jesus à mesa na casa de
Levi,
muitos vieram estar com ele".
Tá certo? Então Mateus também tinha o o
o alcunha de Levi.
Mas olha o que diz Marcos capítulo dois,
verso 13. "De novo Jesus foi levado para
junto do mar e toda a multidão vinha ao
encontro dele e ele os ensinava. Quando
ia passando, viu
filho de Alfeu.
Pera aí.
Mateus então também é filho de Alfeu?
Vamos voltar para Mateus 10.
Simão, chamado Pedro, e André, seu
irmão.
Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu
irmão.
Mateus, o publicano,
e Tiago, filho de Alfeu.
Pela sequência da forma como Mateus
escreveu os outros, deveria ser assim:
Simão, filho de Pedro, perdão, Simão
chamado Pedro, e André, seu irmão.
Eh, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu
irmão.
Mateus,
filho de Alfeu, e Tiago, seu irmão.
Deveria vir assim.
Mas não veio.
Mateus, o publicano,
e Tiago, filho de Alfeu.
Quem conta que Mateus também era filho
de Alfeu foi Marcos. E embora ele
dependesse muito de Marcos, ele não
reproduziu essa parte da sua própria
biografia.
Que que a gente deduz? Letra A: ele foi
deserdado pelo próprio pai quando se
tornou cobrador de impostos. E letra B:
talvez até o seu, até Tiago,
o seu irmão, tinha dificuldade de
aceitá-lo.
Ou seja, ali no grupo de apóstolos de
Jesus, também havia muitas barreiras,
eh, eh, de um para com o outro.
Isso é forte, né?
Lucas, capítulo 5, verso 27.
Lucas, capítulo 5, verso 27, diz assim:
"Depois disso, Jesus saiu e viu um
publicano chamado Levi, sentado na
coletoria".
Então, Levi Mateus. Mateus,
Matitial, significa presente do Senhor.
Mas a única coisa que ele não se sentia
era um presente do Senhor, porque
olha, ele nem pôde falar que ele era
filho de Alfeu.
Talvez Alfeu não aceitasse.
E foi esse Mateus que escreveu o
evangelho.
Provavelmente o evangelho dele foi
escrito em Antioquia, como eu falei,
naquela naquela eh
situação de cristãos
e e judeus, não é isso? Ou ou perdão,
eh cristãos de origem judaica e cristãos
de origem grega.
É curioso que Mateus, quando ele
escreve, talvez ele já bebe um pouco da
perseguição que tinha começado em
Jerusalém
contra
a igreja cristã primitiva.
Tanto é que em várias vezes
já eh Mateus, quando vai falar do do das
sinagogas, por exemplo, ele fala deles.
Eu vou ler para vocês uma dessas
passagens.
Há outras, mas eu vou ler algumas para
vocês aqui.
Eh quando Mateus termina o sermão da
montanha
de Jesus,
ele termina dizendo assim, olha:
Mateus, capítulo 7, verso 28.
Quando Jesus acabou de proferir essas
palavras, as multidões estavam
maravilhadas com a sua doutrina, porque
ele as ensinava como quem tem autoridade
e não como os escribas.
Assim está na minha tradução, mas no
grego está: ensinava não como os
escribas deles.
Deles,
dos judeus.
Por esse tempo parou Jesus de
eh seguiu Jesus para a sinagoga deles,
dos judeus.
Jesus falou: "A vossa sinagoga se
tornará vazia".
Quando eu falo assim: "Ah, por esse
tempo eh eu parei de ir à igreja
adventista deles",
significa que eu já não estou mais me
identificando tanto com aquele ambiente
ali.
Então, muitos pensam que Mateus mostra,
de certa forma,
ao mesmo tempo que ele mostra uma
ruptura entre a igreja e a sinagoga, em
que sentido?
Os cristãos estavam sendo perseguidos
por líderes judeus de Jerusalém, então
eu vou mostrar também essa ruptura aqui.
Segundo,
nós agora não somos exclusivamente
judeus, porque há gregos também em nosso
meio.
Mas a despeito disso,
Mateus, ele não rompe com o judaísmo de
maneira nenhuma. Quando ele apresenta
Jesus, ele deixa Jesus eh declarando de
maneira muito clara,
Mateus 5:17,
"Não pensem que vim revogar a lei e os
profetas. Não vim para revogar, mas vim
para cumprir. Porque em verdade vos
digo, até que o céu e a terra passem,
nem um i, nem um til jamais passará da
lei até que tudo se cumpra".
Ou seja, Jesus era profundamente judeu.
Tanto é que para terminar,
a maneira curiosa que Mateus usa para
escrever o seu evangelho é aquilo que
nós chamamos por duas palavras técnicas,
Midrash,
Midrash e tipologia.
Vou explicar cada uma delas para você.
Ah, o Midrash é quando você pega
uma um acontecimento do passado,
especialmente um acontecimento
sagrado,
e usa
para interpretar o presente ou para
lançar luz no presente.
Você faz uma comparação do passado com
hoje. A psicologia mostra isso.
Por exemplo, ah, você tem muitos
psicólogos que trabalham a questão de
eh analisa a árvore genealógica da sua
família, porque a tendência de muitos
filhos é repetir o padrão
eh patológico do pai.
Realmente, você já viu que tem umas
famílias assim que o pai é um é um é um
perdedor, o filho é, o neto também é.
Não é um determinismo, mas é uma
tendência.
Há famílias assim que o o todo mundo é
genial,
genial.
Então, às vezes o ecossistema que você
está ambientado, ele vai reproduzindo
caracteres muito parecidos. No Antigo
Testamento a gente vê Isaque mentindo
sobre a sua esposa, tal qual fez Abraão.
A gente vê eh eh
José perdoando os irmãos, tal qual o seu
tio perdoou o seu pai.
Então o Midrash aproveitava e fazia esse
paralelo.
E Mateus faz um Midrash, por exemplo,
comparando Jesus,
eh,
a Israel.
Por exemplo, quando ele fala aqui,
eh,
do,
de Jesus indo para, para o Egito, faz
assim, olha,
ah,
Mateus, capítulo dois,
versículo 15.
Jesus ficou no Egito até a morte de
Herodes, isso para cumprir o que fora
dito pelo Senhor por meio do profeta, do
Egito chamei o meu filho. Mas, na
verdade,
quando fala do Egito chamei meu filho,
chamei Israel.
Mas Jesus se identifica com Israel.
Israel é quase que uma analogia do que
Cristo seria.
Tanto é que muitas passagens
relacionadas a Israel também são lidas
em relação ao Messias por vários autores
judeus.
Tá certo? Isso é um Midrash. Você pega e
dá um significado mais profundo.
Muito parecido com o Midrash, assim,
quase idêntico, é a tipologia.
A tipologia é quando você tem uma
profecia,
que ela se cumpre quase literalmente
numa pessoa, eh, no, no, numa coisa que
tá acontecendo hoje. Por exemplo, ah,
você tem Isaías,
quando ele fala, eis que a virgem, eh,
conceberá e dará à luz a um filho.
Você tem um cumprimento da época de
Isaías, que ele tava falando talvez do
filho da própria esposa dele ou de um
filho prometido ao rei.
E essa
tipologia se cumpre em Maria,
dando à luz a Jesus.
Então a tipologia é quando um evento do
passado se torna uma coisa de aplicação
ao passado e quase que um ato profético
em relação ao que está acontecendo hoje.
E o Midrash é quando você lê
o passado fazendo dele uma forma de
entender melhor o presente.
E assim Mateus vai construindo essa
literatura. Então vou dar um exemplo de
uma de uma de um midrash, até quase uma
tipologia, que Mateus faz entre Jesus e
Moisés.
Olha como Mateus vai escolhendo ao pé da
letra os elementos para contar a
história de Jesus.
Ele conta que Jesus
nasce de Maria.
Um rei tirano
tenta matar as crianças na época de
Jesus.
Jesus escapa.
Outras crianças não.
As crianças de Belém.
Quando Jesus escapa, ele escapa para ir
para ir para onde? Para o Egito.
Isso lembra que história do Antigo
Testamento? Moisés. Quando Moisés nasce,
um rei tirano, o faraó, tenta matar
várias crianças, Moisés escapa e quando
Moisés escapa, Moisés vai para onde?
Justamente para o Egito, para a casa da
filha de faraó.
Jesus vai para o Egito, Moisés vai para
o Egito. Jesus escapa do massacre,
Moisés escapa do massacre.
Quando Jesus sai do Egito, Mateus
apresenta Jesus sendo batizado no rio
Jordão. Jesus passa pelas águas.
Moisés tira o povo de Israel
eh do Egito e passa pelo mar vermelho.
Aí, quando Jesus passa pelas águas,
Jesus tem 40 dias
no deserto sendo tentado pelo diabo. O
povo de Israel fica 40 anos no deserto
da provação.
E você vê um paralelo muito grande entre
a tentação de Jesus e Deuteronômio 8.
Quando Jesus sai do período de tentação,
Jesus sobe no monte
e ele dá uma nova lei. Assim como Moisés
em meio aos 40 anos do deserto sobe ao
monte
e traz os 10 mandamentos.
Percebeu a semelhança? O que é que
Mateus quer dizer? Que Jesus é o novo
Moisés.
Aí você pode falar: "Rodrigo, mas é
forçado, então isso não aconteceu de
verdade? Mateus artificialmente ficou
pegando elementos da vida de Jesus e
fazendo passar que ele era igualzinho
Moisés, mas isso não aconteceu, é muita
coincidência". Não.
Você pode pegar alguns elementos da vida
da pessoa para usar de ilustração com
outra pessoa.
Por exemplo, eu posso fazer isso
comparando a vida de Napoleão Bonaparte
e Hitler.
Veja, Napoleão
não era francês.
Ele era de origem italiana.
Hitler não era alemão, era de origem
austríaca.
Napoleão queria unificar a Europa,
Hitler queria unificar a Europa. O
principal inimigo de Napoleão Bonaparte
foi a Inglaterra com o bloqueio
continental. O principal inimigo de
Hitler foi a Inglaterra com Winston
Churchill.
O que derrotou Napoleão Bonaparte foi o
inverno
da atual Rússia.
O inverno russo, que as tropas de
Napoleão não aguentaram. O que derrotou
grandemente Hitler foi o inverno da
Rússia.
Napoleão tinha uma relação muito
estranha com a mulher chamada Josefina.
Hitler também tinha uma relação muito
confusa com Eva Braun.
Percebeu?
Ah, Napoleão odiava os judeus e os
prendeu em guetos. Hitler também odiava
os judeus e os prendeu em guetos. Agora
é claro, é lógico
que eu não inventei nenhum desses
elementos.
Estou falando de dois personagens que
viveram em épocas diferentes, Hitler no
século XX, Napoleão no século XVIII.
E tem muita semelhança entre eles.
Eu que foi uma espécie de um midrash que
eu fiz entre Hitler e Napoleão.
Agora é lógico também que se você pegar
uma biografia exaustiva de Hitler e uma
biografia exaustiva de Napoleão, você
vai ver que essas coincidências são
apenas uma um arranjo
poético, mas tem muita diferença entre a
vida de Napoleão e de Hitler. De igual
maneira, tem muita diferença entre a
vida de Moisés e de Jesus. Moisés subiu
no Monte Sinai
logo depois da travessia do Mar
Vermelho. Jesus sobe ao monte para dar
os novos 10 mandamentos, se eu posso
dizer assim, as leis do reino, após os
40 dias de deserto.
Moisés foi no começo dos 40 anos.
Moisés passou dois períodos de 40 anos
no deserto,
quando ele mata o egípcio e foge e
quando ele liberta o povo hebreu. Jesus
passa apenas um período de 40 dias no
deserto.
Então você vê que
há um arranjo de algumas semelhanças
para ensinar que Jesus é o novo Moisés,
mas não um arranjo artificial.
E há vários outros elementos curiosos em
Mateus. Mateus, por exemplo, é o mais
judaico de todos os evangelistas, apesar
de mostrar a ruptura entre a igreja e a
sinagoga.
E Mateus talvez termina o evangelho dele
com aquela comissão evangélica aí, de
portanto, fazer discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo.
Ele estava justamente
ali, umbicado em Antioquia, que era o
centro missionário da igreja para o
mundo gentílico, o mundo não judeu.
Interessante. A tradução, a tradição
diz, eu não posso provar,
que Mateus morreu como mártir na
Etiópia.
Pode ser.
Não tenho afirmações sobre isso.
Mas uma coisa eu posso dizer com certeza
absoluta.
Mateus amava profundamente o seu Senhor.
Aquele que o acolheu quando todos o
rejeitavam. E talvez você hoje se sinta
um publicano,
como Mateus. Olha, publicanos e
pecadores.
Lembra que um publicano subiu ao templo
para orar e um fariseu, e o fariseu
obrigado que eu não sou como esse
publicano.
Eu imagino quantas caras e bocas Mateus
recebia durante os três anos e meio de
de ministério de Jesus
ao lado de Pedro que deveria odiar os
os cobradores de impostos como o De
Souza mostra
ao lado de
a
de Simão Zelota um dos discípulos de
Jesus que era Zelota que era o opositor
máximo dos cobradores de impostos
quem sabe diante do seu outro irmão
Tiago
filho de Alfeu
que talvez não
o aceitava muito como irmão
sei lá
mas ele amou Jesus
e conheceu a graça do Senhor que a mesma
graça atinja você hoje se você gostou
desse conteúdo tem muito mais esperando
você na plataforma Bíblia Comentada é só
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abaixo desse vídeo se tornar meu aluno e
conhecer muito mais com profundidade e
clareza sobre a palavra de Deus um
grande abraço e até o nosso próximo
encontro tchau tchau

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