APATIA É PECADO? – LUCAS SABATIER
17/07/2026
APATIA É PECADO? – LUCAS SABATIER
Na perspectiva bíblica, a apatia revela que algo da boa criação de Deus foi afetado. Ela pode ser compreendida como uma expressão da shalom corrompida, em que nossos afetos deixam de refletir aquilo para o qual fomos criados. Neste vídeo, Lucas Sabatier explica como a apatia se relaciona com a realidade da queda e por que o evangelho oferece um caminho de restauração para nossos desejos e nossa vida espiritual.
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
Nossa, é forte mesmo. Inclusive uma outra expressão forte que foi dada na primeira definição que você apresentou é a de pecado, né? Não é qualquer coisa, mas ela é um pecado. E aí eu eu trago para você a pergunta que é, acho importante a gente definir para o pessoal que é é, por que que essa apatia é pecado? Por que que a apatia é um problema? Qual é o problema da apatia? >> Uhum. O autor faz um tratado, ah, no final desse capítulo dois ainda ah, sobre a definição de pecado, né? Porque se a gente, ah corriqueiramente nos nossos meios evangélicos, a gente tende a pensar em pecado como aquilo que é agido e deliberado, né? >> Uhum, uhum. >> Então [limpando a garganta] >> o apático, ele não para, ele não acorda um dia e fala assim ah, hoje eu vou ficar apático, né? Ele simplesmente é. >> Aham. >> Porque ele tá, ah com toda a ironia que carrega essa afirmação, ele tá afetado >> Aham. >> pela realidade de um jeito que que que a gente chama pecado, né? A a condição caída o afeta de tal forma que ele não consegue mais ser afetado por aquilo que ele foi feito para ser afetado, Deus. >> Olha só. >> Né? >> Aham. >> Então, ah, dentro da condição da nossa, da maldição do pecado a a a achalom foi, eh, corrompida, né? Ele fala aqui sobre, ah, o a rebelião humana como disruptiva em termos de shalom, né? >> Uhum. >> Ah, então o o pecado que ele coloca aqui não é simplesmente, ah, para descrever uma ação deliberada da pessoa que sofre de apatia, mas de uma corrupção que lhe aflige, né? E pela qual sim, essa pessoa é responsável. A a Bíblia trata de pecado em termos que vão além da deliberação e da escolha, né? >> Claro. >> A gente olha para o Antigo Testamento e a gente vê os pecados não intencionais que também exigiam sacrifícios e e expiação, né? >> Uhum. >> Então, a muito do que a gente lida em termos de emoção não são a escolhas processadas cognitivamente, né? São resultados de um ser que tá corrompido, que tem o o o o shalom a a a a completude e a perfeição para a qual foi criado para desfrutar, de alguma maneira a a afetada, né? Então, nesse sentido é que ele coloca que a apatia é pecado. >> É você deixar de se encantar com Deus e com as coisas de Deus, né? É, no final das contas você deixa inclusive de cumprir mandamentos do Senhor, como alegrem-se no Senhor, né? Cantai com júbilo ao Senhor e tantas a e não só a questão da alegria em si, né? Que é talvez uma das maiores respostas que a gente possa pensar quando a gente pensa em apatia, a gente pensa o contraste aquela pessoa alegre, mas não só isso, é a questão talvez de uma tristeza diante do pecado, né? De de você não ser essa pedra de gelo espiritual, nessa frieza espiritual. E até bom enfatizar, né? Aqui a a gente tá falando não só de uma perspectiva, ah, pentecostal ou algo do tipo. Ah, como reformado, por exemplo, a apatia é pecado. Nós não devemos viver numa frieza espiritual, mesmo sendo, sei lá, presbiterianos, batistas, reformados ou o que for, nós temos que nos encantar com a beleza do Senhor, né? Agora, o que é interessante também, o que me desperta é a atenção nesse livro é que ele vai se focar principalmente na apatia espiritual, mas ele não tá olhando somente para ela, ele tá falando de um nível de apatia que existe com relação à vida, né? Eh, com coisas em geral. E aí, ah, onde que nós podemos ver essa apatia no nosso dia a dia, Lucas? >> Ah, eu eu a aproximação da da apatia com a preguiça faz muito sentido, né? Então ele fala aqui, por exemplo, que ela se manifesta num desassossego, numa incapacidade de terminar um livro, de passar um tempo bom em oração e concluir uma tarefa, ah, de uma de quando existe produtividade, essa produtividade é acompanhada de raiva ou tédio em relações às que as coisas que devem ser feitas, ah, uma inclinação ao sono, à comida, à preocupação e à distração, né? Então a a as maneiras em que a apatia se manifesta, ah, e e evidenciam que que que ela não tá só presente no no no no aspecto teológico ou com relação a Deus, mas ah, esse aspecto teológico, ele se desdobra ah, em aspectos que dizem respeito à criação e à vida no no mundo que Deus criou, né? Ah, se o mundo foi criado por Deus, né, e a preguiça que o o Shea aqui coloca é em relação a Deus, às coisas de Deus e a vida de Deus em nós, né? A o segundo elemento são as coisas de Deus, né? Mundo fei o o o Deus fez o mundo para que nós ah, usufruíssemos da beleza, ah, do dos sabores, ah, do descanso e e enxergássemos todas essas coisas como graças, né? Ah, dadas por ele, o pai das luzes, desfrutássemos dessas coisas e enxergássemos beleza e benção em tudo isso. O apático não consegue, né? Ele não consegue, ele ele ele não consegue ver a beleza da natureza, ele não consegue ver a beleza de uma obra de arte, ele não consegue desfrutar do sabor, porque ele não é afetado, né? Nem por Deus e nem pelas coisas de Deus. Ah, em, então ele, ele permanece, é tipo o azulejo, né? Ele não absorve. Ele não, ele, ele, ele, ah, ele, ele bate a água ali e desliza, ah, sem, sem qualquer tipo de afetação. Ah, é basicamente isso, né? A, o, a reação apática que às vezes a gente demonstra para com a realidade de criada por Deus. >> Sim, sim. É verdade, a gente tem que perceber que, por mais que, até na definição dele, ele, ele enfatiza esse aspecto contínuo, mas existe algum outro sentido que a gente possa dizer que, ah, nós também, ah, ao longo do dia podemos ter momentos de apatia, né? Momentos dessa frieza, às vezes num culto ao Senhor, ah, é, eu recentemente estava conversando com o pessoal da igreja sobre isso, como às vezes é triste você tá ali cantando a música, dizendo, né? É, alegrai-vos com júbilo ao Senhor, né? E, e a pessoa tá cantando isso e ela tá, alegrai-vos com júbilo ao Senhor, né? Aquela coisa assim fria, sem prestar atenção, tal. Isso é um dos tipos de manifestação de apatia que nós vemos no contexto mais relacionado a, a Deus. Uma frieza no louvor ao Senhor, no adorar a Deus, não é verdade? >> E, e de fato, Saulo, eu acho que muitas vezes no, no, nos nossos círculos reformados isso acaba sendo mais verdade, né? Porque a gente reage [limpando a garganta] a, a, ao emocionalismo de, que é adotado em alguns cultos, onde o sentimento do participante da celebração ou da liturgia é, é, é, a prioridade absoluta, né? >> É. >> E ali você tem um êxtase de emoções. >> Sim. >> Porque tudo é, gira em torno em afetar os sentimentos, né? >> Sim. >> Ah. >> A luz, a música, tudo. >> Isso. E, só que no, o, o culto a Deus, ele não pode ser marcado, nem por um exagero emocionalista, mas também ele não deveria ser marcado por uma apatia, né? >> Sim. >> Porque tudo o que se faz no culto, como corpo de Cristo reunido, na presença de Cristo e para adoração de Cristo, deveria absolutamente nos afetar. >> É verdade. >> Ah, então não existe nada mais glorioso do que você sentar do lado de alguém que respeitosamente ah, canta alto, de tão empolgado que ele tá. >> Aham. >> Ah, de alguém que reage para, para o pregador, quando você diz algo que é glorioso e você vê os sorrisos se abrindo no auditório, ou quando você diz algo que é confrontativo, ou algo que é de fato, ah, consolador e você vê as lágrimas escorrendo. >> Sim. Verdade. >> Porque a verdade impacta o coração, ela deve impactar. A comunhão e a presença com Deus deve nos afetar. >> [música]