COMO NASCEU A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER?
02/07/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
A confissão de fé de Westminster é talvez o documento cristão, depois da Bíblia, mais importante para a reforma protestante. Um documento que não nasceu em uma sala tranquila, com teólogos tomando café e debatendo ideias abstratas. A confissão de fé de Westminster nasceu em meio à guerra civil, em meio à crise política, nasceu no meio da disputa religiosa, no meio do medo, do sangue e do colapso nacional. Enquanto reis tentavam preservar o seu poder, enquanto o parlamento tentava reorganizar o país, igrejas disputavam seu futuro e a Inglaterra parecia rachada ao meio, alguns dos maiores teólogos protestantes da história se reuniram para responder a uma pergunta decisiva: no que é que a igreja deve crer? No que é que a igreja deve ensinar? O que é que a igreja deve confessar? [música] O resultado foi um dos documentos mais importantes da história do cristianismo reformado. Um texto que moldou igrejas, seminários, catecismos, famílias, >> [música] >> púlpitos e debates teológicos por quase quatro séculos. Mas a história da confissão de fé de Westminster é muito mais dramática do que muita gente imagina. Ela envolve política, guerra, perseguição, reis, um parlamento efervescente e debates entre puritanos, presbiterianos, anglicanos e independentes, em uma tentativa séria de organizar a fé bíblica em um tempo de profundo caos político. Você pode não ser um calvinista, mas ainda assim você é uma pessoa que foi influenciada [música] em algum nível pela teologia e pela construção teológica que provém da reforma. A reforma protestante avançou em muitos braços e um deles são justamente o calvinismo. Eu estou aqui em frente à Abadia de Westminster, que fica justamente no bairro que tem esse mesmo nome, o bairro de Westminster, que dá nome à confissão de fé, que é talvez a confissão de fé mais relevante da história do mundo, que é seguida pelos presbiterianos, por muitos reformados e que dá base para formulações históricas muito importantes sobre a fé em Cristo. Nesse vídeo, eu quero te contar como nasceu a confissão de fé de Westminster, por que ela foi escrita, quem estava por trás dela e por que esse documento continua sendo tão importante até hoje. >> [música] [música] >> Lembrando que o Teologia na Estrada é um programa que chega até você graças ao Instituto Schaeffer de Teologia e Cultura, o instituto de ensino e construção teológica que é ligado ao 2 Dedos de Teologia. 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Segundo a mitologia celta, este bosque era sagrado. O espinheiro era uma das árvores mais propensas, senão a mais provável a ser habitada ou protegida pelas fadas. Na Irlanda, a maioria das árvores isoladas ou os arbustos solitários, né, na paisagem, que eram habitadas por fadas, eram justamente os espinheiros. Essas árvores não podiam ser cortadas ou danificadas de forma nenhuma sem correr na ira, às vezes ira fatal, dos guardiões sobrenaturais. A chamada rainha das fadas, junto ao seu espinheiro, era vista como um tipo de representação de um arquétipo pré-cristão, lembrando de um culto centrado na deusa praticado por sacerdotisas em bosques sagrados de espinheiros, evocando um tipo de relação profunda entre natureza, espiritualidade e tradição ancestral. É bastante provável que a chegada dos monges tenha substituído essa mitologia, de modo que no terreno onde hoje fica a igreja havia somente um pequeno mosteiro que depois foi ampliado pelo rei Eduardo, o confessor, que reinou de 1042 a 1066. Ele construiu a abadia em homenagem ao apóstolo Pedro. Em 28 de dezembro de 1065, a abadia foi consagrada ao rei Eduardo e no Natal de 1066 ocorreu a primeira coroação registrada na abadia, a de Guilherme, o conquistador. 200 anos depois, em 1245, o rei Henrique III começou a construção da igreja atual, concluindo apenas em 1269. A gente pode notar aqui vários elementos da arquitetura gótica e características comuns a catedrais católicas. Em 1301, então, é construída a cadeira da coroação, utilizada em todas as coroações desde 1308. A rainha Elizabeth foi coroada aqui em 2 de junho de 1953. 70 anos depois, em 6 de maio de 2023, o seu filho, Charles III, herdou o trono. E as únicas exceções de coroação aqui são os reis Eduardo V, em 1483, e Eduardo VIII, em 1936, que abdicaram ao trono. Agora, aqui é um espaço realmente interessante. Se um dia houver um apocalipse zumbi, você não quer vir para cá, tá? Há cerca de 3300 pessoas enterradas aqui na abadia, incluindo 30 reis e rainhas. O físico Isaac Newton, Charles Darwin tá enterrado aqui, Jane Austen e a princesa Diana estão enterradas na abadia. Aqui também tá sepultado um chamado soldado desconhecido, como um memorial a todos que pereceram na Primeira Guerra Mundial. Desde 1919, foi consolidada a tradição também dos casamentos da realeza britânica acontecerem aqui. 16 casamentos da realeza já foram celebrados aqui, incluindo o George IV com Lady Elizabeth, a chamada rainha-mãe. Em 1947, a rainha Elizabeth II se casou com o tenente Philip Mountbatten. E em 2011, o príncipe William e a Kate Middleton Kate aqui. Essas estátuas na porta oeste da abadia foram adicionadas em 1998 como memorial a mártires cristãos do século XX. Dentre eles estão Martin Luther King e Dietrich Bonhoeffer. Acaba não. Eu não sabia que demorava tanto. Quase três minutos já. De sino. Acaba não. Fica para sempre aí. Acabaram de me informar que vai passar uma hora tocando esses sinos aí. Uma hora. Esperei por 21 minutos e não parou. E me falaram que é a Páscoa. Que bom, legal. Não é um som muito agradável, é muito alto. Não sei que tipo de homenagem é essa. Querem deixar todo mundo irritado, sei lá. Morar aqui deve ser difícil. Mas tudo bem. Que bom. Vamos, vou, vou almoçar e depois volto. É o jeito. Coisas de Londres. >> [música] >> Uma hora depois. Eu adoro esse negócio de uma hora depois, botar aquela telinha de uma hora depois, tirada do Bob Esponja. Foi realmente uma hora depois. Eu literalmente saí, fiquei uma hora na, no, no cafeteria para poder voltar para cá. >> [música] [música] >> Elaboração da Confissão de Fé de Westminster ocorreu em 12 de junho de 1643, com o título "Convocação dos lordes e comuns do parlamento para convocação de uma assembleia de teólogos e outros com vistas a serem consultados pelo parlamento para estabelecimento do governo e liturgia da igreja da Inglaterra e purificação da doutrina da dita igreja das falsas aspersões e interpretações". É um título bem grande. Ao todo, 121 ministros e 30 representantes do parlamento se reuniram para deliberar sobre os assuntos de fé diante do que estava acontecendo ali na Inglaterra. Não se engane, era um tempo que estado laico não era uma coisa muito bem estabelecida no mundo, Inglaterra nunca foi um estado realmente laico, então não era uma reunião simplesmente teológica e religiosa, era uma religião também política. O que é que estava acontecendo nesse momento na Inglaterra? O rei Carlos I, ele governou simultaneamente a Inglaterra e a Escócia entre 1625 e 1649. Ele começou a aderir ao sistema episcopal, que era comum entre os monarcas do período e buscou implementar o mesmo sistema nas igrejas da Escócia. Os escoceses resistiram a isso, que levou à assinatura de um pacto nacional e o início de um conflito armado contra o rei. E para financiar o enfrentamento das forças rebeldes, o Carlos convocou eleições parlamentares na Inglaterra que acabaram culminando na formação de um tipo de de parlamento predominantemente puritano, calvinista. Os puritanos tinham surgido como um tipo de resposta à igreja anglicana, né? O seu objetivo era purificar a doutrina porque eles consideravam que a igreja anglicana era um tipo de deturpação da doutrina realmente bíblica, realmente sã. Eles também queriam restabelecer os valores do reino na área da política para que os ingleses pudessem viver a fé de uma mais correta e tudo mais. Houve várias tentativas do rei Carlos de dissolver esse parlamento e isso intensificou muito as tensões daquele tempo, levando ambos os lados à guerra civil. Mas o parlamento permaneceu e convocou a chamada assembleia de Westminster com o objetivo de reformar a igreja anglicana. Depois da convocação, a assembleia iniciou os seus trabalhos em 1º de junho de 1643 e depois, diante das dificuldades enfrentadas pelo parlamento na guerra civil, foi solicitado auxílio aos escoceses. Por determinação deles, ambos os grupos firmaram um pacto solene que garantiu à Igreja da Escócia o direito de enviar representantes a essa assembleia, que exerceram influência significativa sobre o andamento dos trabalhos, mas eles não podiam votar, tá? Eles eram café com leite. Eles Eles podiam participar, podiam falar, influenciar, mas não podiam exercer voto. O parlamento se reuniu de 1643 até 1653 para elaborar documentos como o Catecismo Menor e Maior de Westminster, o Saltério, a Confissão de Fé de Westminster e tomar várias outras decisões. Para vocês terem uma ideia, até 1648, cerca de 1160 reuniões plenárias foram realizadas aqui. Foi nesse mesmo ano que a escrita da Confissão de Fé foi encerrada. A partir dessa data, de 1649, as reuniões começaram a visar decidir e escolher os candidatos ao ministério. Depois que os documentos foram concluídos, cada documento foi revisado pelo parlamento e assim se constituíram os documentos de fé que a Igreja Presbiteriana e vários outros reformados do mundo possuem hoje. A gente não pôde filmar lá dentro, mas eu e minha esposa pudemos participar do Evensong na Abadia de Westminster, que é um culto vespertino cantado da tradição anglicana, que combina orações, leituras bíblicas, salmos, música coral, conduzido geralmente pelo coro da Abadia, mas tinha um coro convidado no dia, que é uma forma litúrgica de encerrar o dia em adoração, com um tom muito solene, contemplativo, marcado pela tradição musical inglesa. É meio como a oração da tarde cantada. É É um ciclo de oração plus, sabe? Muito formal. A gente podia entrar na Abadia, conhecer lá dentro, um espaço muito bonito. A gente não pôde filmar nada. Eles pedem para você não filmar e eu sou geralmente um visitante obediente. Mas no YouTube da Abadia de Westminster, você geralmente tem algumas gravações lá, você pode ficar com um trechinho de uma delas. >> [música] >> Escrita em 33 capítulos, a Confissão de Fé de Westminster organiza a fé cristã de modo sistemático, [música] começando pela revelação de Deus, passando pela doutrina da salvação, pela vida cristã, pela Igreja, pelos sacramentos e terminando com escatologia. Os capítulos 1 a 5 estabelecem a base do conhecimento cristão, falando sobre o fundamento da fé. São capítulos que falam sobre a escritura, sobre [música] o que é a Bíblia, sobre Deus, a Trindade, os decretos eternos de Deus, criação e providência. [música] Os capítulos 6 e 7 explicam a queda do homem no pecado e as suas consequências e introduz a estrutura da aliança, onde Deus se relaciona com o homem por meio do seu pacto. Nos capítulos 8 a 18, nós temos o bloco mais diretamente soteriológico, onde Cristo como mediador é apresentado, onde então questões como livre-arbítrio, chamada eficaz, [música] justificação, adoção, santificação, fé salvadora, arrependimento, boas obras, [música] perseverança dos santos, certeza da salvação e outros temas relacionados são tratados. Nos capítulos 19 a 22, a Confissão de Fé de Westminster vai mostrar como é que o salvo deve viver diante de Deus. Então trata sobre a lei de Deus, a liberdade cristã, a liberdade de consciência, o culto religioso, os dias do Senhor, juramentos, votos lícitos e como viver de forma que glorifique a Deus. Os capítulos 23 e 24 falam da vida social, civil e familiar, lidando com o magistrado civil, reconhecendo a autoridade legítima do governo e seus limites diante de Deus, casamento, divórcio, geração de filhos e pureza moral. Nos capítulos 25 a 29, nós temos a doutrina da igreja, onde a igreja é apresentada como católica, universal, composta por todos os eleitos, [música] visível, reunida em comunidades concretas. É apresentado os sacramentos como o batismo e a ceia. Então, capítulos 30 a 33, que são os capítulos finais da Confissão de Fé de Westminster, trata do governo e doutrina da igreja, fala da disciplina, fala dos sínodos e encerra [música] com escatologia, falando do juízo final. A ordem teológica da Confissão é muito [música] clara e até para quem não segue totalmente as suas interpretações, ela ainda serve como excelente guia de doutrina cristã. >> [música] [música] >> Oliver Cromwell liderou a guerra civil que ocorreu de 1642 a 1651 contra o rei e levou suas tropas à vitória. O rei Carlos foi executado em 1649 e a república Commonwealth foi estabelecida, mas não duraria muito tempo. Em 1660, a monarquia foi restaurada pelo Carlos II e a igreja da Inglaterra volta a ser episcopal e a perseguir os puritanos. Mas por causa da aliança com os escoceses, eles puderam fugir para a Escócia e assim as doutrinas estabelecidas em Westminster chegaram à Irlanda do Norte, aos Estados Unidos, ao Canadá, à Austrália, à Nova Zelândia, à África do Sul, ao Brasil e a vários outros países. Mas você me pergunta: "Mas Iago, eu não sou ligado aí no no mundo reformado, o que é essa confissão de fé de Westminster?" A confissão de fé de Westminster, assim como várias outras confissões de fé, são o compêndio do entendimento de um grupo de teólogos sobre as doutrinas que a Bíblia ensina, apresentadas de uma forma didática e sistemática. Uma confissão de fé é uma declaração do que é que aquele grupo crê sobre pecados, sobre Deus, sobre salvação, sobre governo de igreja, sobre o ser humano, sobre batismo, ceia, escatologia e tudo mais. A confissão de fé de Westminster, por exemplo, tem 33 capítulos e aborda quem é Deus, que é as escrituras, qual o fim do ser humano, tudo isso a partir de entendimentos teológicos com várias bases bíblicas, tentando resumir e organizar elementos centrais à fé cristã. Todo mundo possui uma confissão de fé. Não tem como você não ter confissão de fé. Ela pode estar escrita, ela pode estar só na sua cabeça. Pode ser um documento histórico ou um documento [música] recente. Pode ser um documento que várias igrejas abraçam ou pode ser a confissão de fé da sua comunidade que vocês mesmos escreveram e aprovaram ou alguma coisa assim. A verdade é que todos nós possuímos crenças e doutrinas que baseiam a nossa vida com Deus. O que é importante é que essas doutrinas sejam baseadas na escritura, [música] sejam organizadas em uma confissão de fé histórica, clássica ou não. Existem, claro, muitas vantagens em seguir confissões de fé históricas. A confissão de fé de Westminster e os catecismos são riquíssimos, sendo usados não só pelos presbiterianos, mas gente do mundo inteiro. E Paulo nos ensina a dar honra a quem merece honra. A confissão de fé de Westminster foi usada como base para a elaboração de várias outras confissões de fé da história, inclusive algumas confissões de fé batistas e cristãos de todas as tradições precisam reconhecer que foi um trabalho tão bem feito que influencia a fé e confissões de várias outras tradições. Nos dias de hoje, né, nesse tempo em que qualquer pessoa pode emitir sua opinião sobre qualquer tema, sobre qualquer coisa, porque às vezes não importa tanto se está baseado na verdade ou não, a gente tem que lembrar o que é que nos ensina a confissão de fé de Westminster quando diz que o juiz supremo pelo qual todas as controvérsias religiosas tem de ser determinadas >> [música] >> e por quem são examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões particulares, o juiz supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando >> [música] >> nas Escrituras. E aí, o que que você achou do programa de hoje? Achou legal entender um pouco mais sobre a confissão de fé de Westminster, sua história e a sua relevância? Não deixe de se inscrever no canal, clicar nas notificações para você ficar sabendo sempre que houver outro Teologia na Estrada. 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