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A fé vem pelo ouvir

Desejo – O Pecado-Mãe | Josemar Bessa

Desejo – O Pecado-Mãe   | Josemar Bessa

Desejo – O Pecado-Mãe | Josemar Bessa

Você consegue celebrar sinceramente quando outra pessoa recebe aquilo que você tanto desejava?

A casa parecia suficiente, até você conhecer a casa do próximo.

O salário parecia uma bênção, até você descobrir quanto outra pessoa recebe.

Sua vida parecia boa, até ser comparada com a história de alguém.

A comparação pode destruir nossa alegria sem retirar absolutamente nada de nossas mãos. Ela olha para a bênção do próximo e a transforma em uma acusação contra a bondade de Deus.

“Se Deus fosse realmente bom comigo, eu também teria isso.”

“Se Ele me amasse como ama aquela pessoa, minha história seria diferente.”

“Não é justo.”

Neste sermão sobre o décimo mandamento — “Não cobiçarás” — veremos que a cobiça não começa nas mãos, mas no coração. Ela nasce quando transformamos desejos em direitos, expectativas em dívidas e a providência de Deus em um tribunal.

A cobiça não se limita ao dinheiro, às casas ou aos bens materiais.

Podemos cobiçar:

– o casamento de alguém;
– a família do próximo;
– a saúde de outra pessoa;
– sua aparência;
– sua inteligência;
– seu descanso;
– suas oportunidades;
– seu ministério;
– sua etapa da vida;
– sua história.

O problema não é simplesmente desejar.

Existem desejos legítimos: casamento, filhos, cura, trabalho, descanso, reconhecimento e justiça.

O problema começa quando um desejo passa a governar o coração e recebe um poder que somente Deus deveria possuir.

Quando pensamos:

“Sem isso, não posso ser feliz.”

“Sem isso, minha vida não tem valor.”

“Sem isso, Deus não pode ser bom comigo.”

“Sem isso, tenho direito de reclamar, ferir ou desobedecer.”

O décimo mandamento revela um pecado que nenhum tribunal humano consegue julgar. Ele entra no quarto interior do coração, examina os afetos, pesa os ressentimentos e confronta os desejos secretos.

Mas a mensagem não termina na condenação.

Ela nos conduz a Cristo.

Cristo nunca invejou.

Nunca se ressentiu da bondade do Pai.

Nunca transformou poder em autopromoção.

Nunca tentou tomar aquilo que não lhe havia sido dado.

Sua obediência foi perfeita, exterior e interiormente.

Na cruz, Ele carregou não apenas nossos pecados visíveis, mas também a culpa da comparação, da inveja, da ingratidão, da amargura e dos desejos desordenados que ninguém mais consegue enxergar.

O verdadeiro contentamento não é possuir tudo.

É possuir Cristo.

Quando Cristo se torna nossa porção, ainda podemos desejar, pedir, trabalhar, esperar e lamentar. Mas o “mais” perde sua autoridade sobre nós.

Já não precisamos transformar a vida do próximo em acusação contra Deus.

Podemos agradecer pela porção que recebemos.

Podemos celebrar a bênção colocada nas mãos do nosso irmão.

Podemos esperar sem abandonar a obediência.

Podemos descansar na certeza de que o Deus que não poupou o próprio Filho não é mesquinho, distraído ou cruel.

O coração contente não é aquele que parou de desejar, mas aquele cujos desejos foram libertos para agradecer, amar o próximo e esperar tudo em Cristo.

Assista até o final e compartilhe esta mensagem com alguém que esteja lutando contra comparação, inveja, insatisfação ou amargura.

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#Cobiça
#Comparação
#Contentamento

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Legendas automáticas:

Há uma frase comum a todos nós, mas que
é muito reveladora.
Não é justo. Essa frase aparece cedo em
nossos lábios. A criança compara
brinquedos, compara
permissões, compara tarefas, compara o
tamanho da porção, compara o tempo dado
ao irmão. E quando a conta parece
desigual, o coração ergue sua acusação.
Não é justo. Mas o problema não
desaparece
com a infância. Ele apenas
aprende linguagem adulta. Já não
disputamos o mesmo brinquedo,
disputamos posição, reconhecimento,
salário, atenção, aparência,
oportunidade, eh [roncando] descanso,
relacionamentos.
O coração continua olhando para o lado,
continua medindo, continua somando,
continua decidindo o que deveria ter
recebido ou que merecia ter recebido. A
casa eh parecia suficiente para nós até
que até vermos a reforma do vizinho. O
salário parecia uma bênção até sabermos
quanto outro recebe. O casamento parecia
precioso até ouvirmos o gesto romântico
eh de outro marido.
O corpo parecia suportável até
encontrarmos alguém que possui a
aparência desejada.
Quando isso acontece, a vida não piorou
objetivamente.
O olhar foi deslocado, a comparação
entrou e a gratidão saiu. Isso mostra
que a cobiça não começa na mão, começa
na interpretação.
Olha para a bênção do próximo e a
transforma em prova contra a bondade de
Deus. Ela diz: "Se Deus fosse realmente
bom comigo, eu teria aquilo. Se ele me
amasse como ama aquela pessoa, minha
história seria diferente. Se eu
recebesse o que mereço, minha vida não
seria assim".
É óbvio que não diz isso com palavras,
né? Na maioria das vezes, mas com
insatisfação.
A frase não é justo pode parecer de uma
eh eh
pode nascer de uma injustiça real. A
Bíblia não manda chamar o mal de bem.
Existem opressões, existem favoritismos
pecaminos. Existem perdas provocadas por
homens perversos, existem situações que
devem ser denunciadas, mas muitas vezes
o grito não nasce da justiça de Deus,
nasce do reino do eu. Nós perguntamos o
que é correto diante do Senhor? Não, não
perguntamos isso. Perguntamos por eu não
recebi o que outro recebeu. A cubiça usa
a linguagem da justiça para defender uma
exigência pessoal. Ela transforma desejo
em direito, transforma expectativa em
dívida. Por isso a ideia de justiça,
transforma a providência num tribunal e
coloca Deus no banco dos réus.
O 10o mandamento entra exatamente aí.
Ele não vigia apenas nossas mãos, ele
confronta o juiz secreto dentro do
peito. Não cobiçaris,
não farás da vida do próximo a medida da
fidelidade de Deus. Não decidiráis que o
Senhor falhou porque distribuiu seus
dons de maneira diferente.
Não permitirás que o bem concedido ao
outro se torne veneno dentro de você.
O evangelho nos convida a algo mais
profundo. Não apenas parar de reclamar,
mas descer do trono, reconhecer que
somos criaturas, receber a vida como dom
e olhar para Cristo que possuía toda a
glória, mas não considerou sua igualdade
com Deus algo a ser usado para si. Ele
desceu, serviu, entregou-se e na cruz
recebeu a injustiça dos homens para
satisfazer a justiça de Deus.
Diante dele, meu coração perde o direito
de exigir superioridade.
Diante dele, aprendo a receber apenas o
que realmente preciso, não é? Eh, graça.
Comparar
não é sempre pecaminoso. Podemos eh
observar, não é, diferenças.
Podemos
aprender com alguém, podemos reconhecer
uma habilidade, podemos admirar uma casa
bem cuidada, podemos agradecer pela
maturidade de um irmão, podemos ser
estimulados por um exemplo santo. A
escritura nos manda imitar a fé daqueles
que seguem a Cristo com fidelidade. O
problema,
o problema começa quando a observação se
transforma em reivindicação.
Não dizemos apenas ela recebe uma
oportunidade ou ela recebereu ou ele
recebeu uma oportunidade. Dizemos: "Eu
deveria ter recebido também". Não
pensamos apenas a família deles vive uma
estação tranquila. Concluímos, Deus me
deve a mesma tranquilidade.
Não reconhecemos apenas ele possui um
dom que eu não tenho. Passamos a sentir
minha vida vale menos por causa disso. A
cubiça fabrica direitos que Deus nunca
prometeu.
Ela escreve contratos que o Senhor nunca
assinou. Ela cria uma lista de
benefícios obrigatórios. Depois acusa
Deus por não cumprir nossa constituição
imaginária.
O 10o mandamento menciona o próximo, a
casa do próximo, a esposa do próximo, o
campo do próximo, os serros do próximo,
os animais do próximo, tudo o que
pertence ao próximo. Por quê? Porque
a proximidade alimenta a comparação. É
mais fácil invejar aquilo que
conseguimos enxergar. O desconhecido
parece distante, o vizinho parece
concorrente,
a amiga se casa, a irmã engravida, o
colega é promovido, o outro e eh
ministério cresce,
o parente compra, o conhecido viaja e o
coração pergunta: "Por que ele?"
A pergunta poderia ser humilde, poderia
buscar sabedoria, poderia nos levar à
oração, mas a cobiça a transforma em
acusação. Por que ele se eu sou tão
dedicado? Por que ela se eu esperei
mais? Por que aquela família se a minha
serve ao Senhor?
Perceba
a teologia escondida. A cubiça supõe que
sabemos distribuir providências melhor
do que Deus. Ela nos imagina capazes de
enxergar cada causa, cada consequência,
cada perigo, cada propósito, cada
futuro. Ela esquece que vemos uma
janela.
Deus vê a história inteira. Vemos o
presente do outro. Não vemos suas
lágrimas. Vemos a bênção que desejamos.
Não vemos o peso que a acompanha. Vemos
a colheita, não vemos todos os invernos.
A cobiça seleciona evidências, amplia o
que falta em nós, amplia o que existe no
outro e apaga as misericórdias
recebidas. Por isso, a comparação é tão
corrosiva. Ela não apenas distorce a
visão do próximo, distorce a visão de
Deus.
Faz a providência aparecer favoritismo,
faz a graça aparecer dívida, faz a
diferença apecer desprezo. Mas o Senhor
não distribui seus dons para organizar
uma competição.
Ele os distribui conforme sua sabedoria.
Na igreja, um recebe um dom, outro
recebe outro. Um planta, outro rega,
Deus dá o crescimento. Nenhum membro
possui tudo. Nenhum membro é
dispensável. Adversidade não é prova de
injustiça, é expressão de um corpo
governado por Cristo e de um mundo
também.
O filho não morreu para produzir cópias
em série, morreu para formar um povo em
que diferentes membros servem ao mesmo
Senhor. E a liberdade começa quando
deixamos de perguntar: "Porque não tenho
a porção do outro?" E começamos a
perguntar: "Como posso glorificar a
Cristo com a porção que recebi?"
Então, a comparação se torna cobiça
quando transforma a bênção do próximo em
um direito nosso e a liberdade de Deus
em uma dívida imaginária eh em nosso
coração.
E existe algo assustador na cobiça. Ela
pode destruir nossa alegria sem alterar
uma única circunstância.
A casa continua a mesma, o salário
continua chegando, a família continua
presente, a saúde continua sustentada, a
mesa continua alimentada, servida, mas
uma informação entra,
outro tem mais, outro vive algo
diferente, outro recebeu aquilo que
desejamos e de repente a bênção antiga
perde o sabor.
Nada foi tirado, nada foi retirado.
Mesmo assim parece que fomos roubados.
Isso mostra que o contentamento não
depende somente do que possuímos,
depende do Senhor que governa nossos
afetos.
A cubiça é capaz de pegar pão e fazê-lo
parecer pedra. Pega uma casa e a
transforma em vergonha. pega um trabalho
e o transforma em humilhação.
Pega um casamento real e o coloca sob o
julgamento de fantasias.
pega um corpo sustentado pela
providência e bondade de Deus e o
transforma em motivo de desprezo.
Pega uma vida cercada de misericórdias e
a descreve como abandono.
O coração cobiçoso não consegue receber,
ele apenas compara,
não consegue saborear, não consegue
agradecer, apenas enumera ausências.
Por isso a escritura relaciona
contentamento com piedade.
Não é resignação
apática, não é fingir que a dor não
existe, não é proibir desejos legítimos.
Contentamento
é a capacidade espiritual de reconhecer
a suficiência de Deus no meio de uma
providência incompleta e dizer: "Há
coisas que desejo, há perdas que
lamento, há pedidos que continuo
apresentando, mas Deus não deixou de ser
minha porção". Paulo conhecia
abundância, conhecia necessidade,
conhecia liberdade, conhecia prisão,
conhecia mesas cheias, conhecia fome e
disse que havia aprendido estar contente
em toda a situação. Ele não encontrou
uma técnica mental. Ele reconheceu uma
pessoa: "Tudo posso naquele que me
fortalece". Cristo era o segredo,
não uma força genérica, não um
pensamento positivo, não uma negação da
dor. Cristo presente, Cristo suficiente,
Cristo sustentando, Cristo prometendo
ressurreição.
A cobiça diz: "Quando eu tiver aquilo,
finalmente viverei." O evangelho diz:
"Em Cristo você já recebeu vida eterna".
A cubiça diz: "Quando minha história se
parecer quando o outro, terei paz." O
evangelho diz: "Justificados pela fé,
temos paz com Deus". A cubiça diz:
"Minha alegria está do outro lado da
cerca." Cristo diz: "Minha graça te
basta". Isso não torna todo sofrimento
pequeno, torna a Cristo maior. Não
elimina todos os desejos, mas os ordena.
Não remove toda a espera, enche a espera
de presença. A gratidão volta quando o
coração percebe que a maior bênção não
está na mão do vizinho, está sentada à
direita do Pai. Cristo foi dado por nós.
E aquele que não poupou o próprio filho
não nos abandonará no restante do
caminho.
A cobiça azeda bênçãos sem retirar nada.
Já o contentamento encontra em Cristo
uma riqueza que nenhuma comparação pode
eh diminuir.
Algumas pessoas ouvem uma mensagem sobre
cobiça e concluem que o desejo é um
inimigo. Pensam que maturidade significa
não querer nada, não esperar nada, não
desejar mudanças, não sonhar com frutos,
não pedir cura. Não ansiar por
casamento, não desejar filhos, não
procurar trabalho, não clamar por
justiça. Mas a Bíblia não apresenta uma
espiritualidade sem desejos.
Os salmos estão cheios de sede. Os
profetas estão cheios de expectativa, os
apóstolos estão cheios de anseios. O
próprio Cristo desejou, ele desejou
celebrar a Páscoa com seus discípulos.
Desejou reunir Jerusalém como a galinha
reúne seus pintinhos. desejou que seus
discípulos estivessem com ele para
contemplar sua glória. O problema não é
a intensidade do desejo, é seu objeto,
seu lugar, seu governo, seu método, seu
senhor.
Podemos desejar algo bom de maneira má.
Podemos desejar algo permitido como se
fosse indispensável.
Podemos desejar uma bênção acima do
próprio abençoador. Podemos pedir um
presente com um punho fechado contra o
doador. A cobiça não é simplesmente
querer, é querer de forma desordenada.
É atribuir ao objeto desejado um poder
que ele não possui.
Eh, dizer, sem isso, Deus não pode me
fazer feliz. Sem isso, minha vida não
possui sentido. Sem isso, não consigo
obedecer. Sem isso, tenho licença para
pecar.
Um desejo legítimo
pode ocupar o trono. A saúde é boa, mas
pode se tornar salvador. O casamento é
bom, mas pode se tornar identidade. Os
filhos são dádivas de Deus, mas podem se
tornar justificadores.
Nosso trabalho é vocação, mas pode se
tornar um altar. O descanso é
necessário, mas pode se tornar senhor. A
beleza é um dom, mas pode se tornar um
tribunal.
A pergunta, então, não é apenas o que eu
quero, é também o que acredito que isso
fará por mim? Que promessa estou
atribuindo a essa coisa criada, a essa
criatura? Que lugar ela ocupa em minha
imaginação?
Que pecado estou justificando quando ela
me é negada?
A Bíblia não nos manda esvaziar o
coração, manda enchê-lo com amores
santos. Desejai ardentemente os dons
espirituais. Desejai o puro leite
espiritual. Como a corça anseia por
águas, assim a minha alma anseia por ti.
Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça. O evangelho não produz
pessoas sem paixão, produzas cuja paixão
foi redimida. O pecado
nos faz desejar pouco, mesmo quando
desejamos intensamente. Queremos
conforto quando fomos criados para Deus.
Queremos aprovação humana quando
poderíamos conhecer adoção. Queremos
posse quando nos é oferecida herança
eterna. Queremos superioridade quando
Cristo nos chama à comunhão. A graça ela
amplia o horizonte. Ela não diz pare
coma lixo
não diz pare de beber diz venha as
águas. A graça não diz pare de buscar
vida diz eu sou o caminho, a verdade e a
vida. O evangelho não destrói o desejo.
Ele o liberta de objetos pequenos
e o conduz ao Deus para quem o coração
foi criado. Eh, realmente
a escritura,
a escritura chama Deus de zeloso.
Seu nome é zeloso.
Isso pode nos causar estranheza, não é?
Porque a mesma palavra é traduzida como
zeloso e se ciumento. Ele é um Deus
ciumento porque é a mesma palavra mesmo.
Conhecemos o ciúme humano, conhecemos a
posse insegura, conhecemos a inveja que
se ressente, conhecemos o medo de perder
posição. Mas o zelo de Deus não nasce da
carência. Deus não teme concorrentes,
não precisa proteger sua autoestima. Não
depende de nossa adoração para completar
sua felicidade. Ele é pleno em si mesmo,
Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente
benditos. Seu zelo é santo porque deseja
para sua criatura o único bem capaz de
sustentá-la.
Quando Deus exige nosso coração, não
está roubando liberdade, está nos
libertando da escravidão. Quando proíbe
outros deuses, ele não está inseguro,
está protegendo a nós mesmos de
mentiras. Quando ordena adoração
exclusiva, não está buscando preencher
um vazio. Está nos chamando a fonte da
vida. Os falsos deuses prometem muito,
entregam pouco, pedem tudo, devolvem aem
morte. O Senhor nos fez para si.
Por isso, qualquer amor supremo colocado
sobre a criatura termina esmagando a
criatura e esvaziando o adorador. Então,
o zelo de Deus é semelhante ao amor e do
esposo fiel por sua esposa. Cristo amou
a igreja e se entregou por ela.
Purificou-a com sua palavra, comprou-a
com sangue. Ele não a resgatou para
vê-la voltar aos antigos senhores.
Seu zelo é a chama da aliança.
Ele não divide a noiva com os ídolos que
a destruiriam.
A cubiça também deseja exclusividade,
mas sua lógica é oposta. A cubista diz:
"Esse objeto deve ser meu, porque eu
preciso ser completo." O zelo de Deus
diz: "Você deve ser meu, porque somente
em mim existe plenitude."
A cobiça usa pessoas. O amor de Deus
entrega a si mesmo. A cobiça
consome o próximo. Cristo é consumido em
nosso lugar. A cubiça transforma o outro
em meio. Cristo trata pecadores como
povo comprado. Isso redefine nossos
desejos. Não buscamos apenas aquilo que
nos agrada. Buscamos aquilo que agrada
ao Senhor. Não perguntamos eh somente
isso me fará feliz. perguntamos: "Isso
me ajudará a amar a Deus e servir ao
próximo?" Não perguntamos apenas: "Posso
conseguir?" Perguntamos: "Posso receber
isso com gratidão, sem transformar isso
em Senhor?" O desejo santo não é um
desejo fraco,
é um desejo crucificado.
Passou pela morte do ego soberano, foi
ressuscitado para a glória de Deus. Pode
pedir com fervor, pode esperar com
lágrimas, pode trabalhar com diligência,
pode lamentar
uma negativa, mas não rompe a aliança
quando não recebe o que pediu. Ele diz
com Cristo: "Não seja feita a minha
vontade, mas a tua".
Essa não é isso não é passividade, é
confiança filial. O filho desejou que o
cálice passasse, mas desejou mais
profundamente a vontade do Pai e a
redenção do seu povo eleito.
Nele vemos o desejo perfeitamente
ordenado.
Nele aprendemos que submissão não é
ausência de intensidade, é intensidade
governada pelo amor. Então, o Deus
zeloso não quer eh empobrecer nossos
afetos, quer resgatar nossos afetos de
amores que prometem vida, mas são
totalmente incapazes de dar vida. Então,
se a gente olhar pros primeiros,
os primeiros mandamentos, eles já
confrontam ações, não é? É o que eles
fazem, não matar, não adulterar, não
furtar, não mentir. Esses pecados podem
deixar provas, podem produzir
testemunhas, podem chegar a tribunais,
mas o 10o mandamento
entra onde nenhum juízo humano alcança.
Não cobiçaráis.
Ele atravessa a porta fechada, entra no
quarto interior, examina a imaginação,
pesa os afetos, sonda ressentimentos,
interroga desejos. Nenhum vizinho
precisa saber, nenhuma compra precisa
acontecer, nenhum adultério precisa ser
consumado, nenhum objeto precisa ser
furtado. O pecado já está vivo, já pode
estar vivo. A lei de Deus não pergunta
apenas o que você fez, pergunta o que
você amou, o que você desejou possuir,
porque o bem do próximo entristeceu
você, porque a porção recebida pareceu
tão pequena ou desprezível aos teus
olhos? Porque a vontade de Deus não
pareceu suficiente para você.
Paulo disse que não teria conhecido a
cobiça se a lei não dissesse não
cobiçaris
mandamento derrubou sua justiça externa.
Ele podia apresentar disciplina,
tradição, zelo, obediência visível, mas
o 10º mandamento acendeu luz no coração.
Revelou que o pecado não era apenas
transgressão pública externa, era desejo
rebelde. Isso significa que a lei fecha
nossa boca. Não conseguimos nos
justificar dizendo que nunca tomamos a
casa eh eh do próximo. Talvez tenhamos
construído uma casa imaginária com tudo
o que pertence a ele. Não conseguimos
nos declarar inocentes porque nunca
atraímos fisicamente. Talvez tenhamos
desejado a atenção, à intimidade, à
admiração que pertencem a outro vínculo.
Não conseguimos dizer que amamos o irmão
se sua alegria nos fere ou o próximo.
A cubi se expõe a profundidade da queda.
Precisamos de mais que reforma exterior.
Precisamos de novo coração. Precisamos
de uma justiça que venha de fora de nós.
Precisamos de Cristo. Ele não apenas
evitou atos pecaminosos. Seu desejo foi
santo em cada instante. Nunca invejou,
nunca se ressentiu da bondade do Pai,
nunca olhou para a porção do outro com
amargura, nunca buscou tomar o que não
lhe foi dado. Nunca transformou o poder
em autopromoção, nunca usou pessoas para
preencher carências. Sua obediência foi
interna, perfeita, completa. E essa
justiça é imputada àeles que creem na
cruz.
E na cruz ele também carregou a culpa de
nossos desejos secretos. A culpa da
comparação, a culpa do ressentimento, a
culpa da fantasia, a culpa da reclamação
silenciosa, a culpa do coração que
acusou Deus. O 10o mandamento nos
humilha, mas também nos conduz ao fim da
lei para justiça. Cristo é esse fim.
Nele não precisamos fingir pureza.
Podemos confessar o que ninguém vê.
Podemos nomear o desejo vergonhoso.
Podemos trazer a inveja à luz. Podemos
abandonar a autodefesa, porque o
veredito não depende de nossa capacidade
de parecer inocentes, depende da justiça
do cordeiro.
Então, o 10o mandamento
entra onde nenhum tribunal alcança para
mostrar que precisamos não apenas de
mãos limpas, mas de coração novo que
somente Cristo pode eh conceder eh
soberanamente.
A cubiça
costuma apresentar uma explicação
simples. Estou assim por causa da minha
situação. Se o trabalho mudasse, eu
seria grato. Se eu tivesse ajuda, eu
seria paciente. Se minha casa fosse
maior, eu receberia pessoas com alegria.
Se meu corpo fosse diferente, eu não me
compararia.
Se eu me casasse, eu descansaria. Se
tivesse filhos, eu pararia de reclamar.
Mas a escritura não permite essa
conclusão. Jesus disse que do coração
procedem os maus pensamentos, as
invejas, a soberba, a insensatez. O
ambiente pode pressionar, pode revelar,
pode criar ocasião, mas não fabrica o
pecado do nada. A água amarga sai porque
a fonte está contaminada.
A cubista é um padrão interior. Ela não
precisa do mesmo objeto para sobreviver.
Quem desejava um emprego pode recebê-lo
e começar a desejar outro cargo. Quem
desejava casamento pode casar e começar
a cobiçar o casamento alheio. Quem
desejava filhos pode recebê-los e passar
a desejar filhos com outro temperamento.
Quem desejava uma casa pode comprá-la e
logo precisar de uma reforma. Quem
desejava o descanso pode receber férias
e passar a reclamar porque a viagem não
foi perfeita.
O objeto muda, a fome permanece. Isso
explica porque a obtenção raramente cura
a cobiça. Mas se o coração eh não for
transformado,
cada conquista apenas amplia o campo de
exigências.
Salomão, ele experimentou isso, né?
Negou a si mesmo quase nada. Ele diz:
"Eu não neguei nada a mim mesmo.
Construiu, plantou, acumulou, ouviu
música, possuiu riqueza, se cercou de
prazeres e quando olhou para tudo, viu o
vento. A mão estava cheia, a alma
permanecia vazia. O problema não era a
falta de acesso, era tentar extrair
eternidade de coisas temporais. A cubiça
sempre faz essa promessa impossível.
Mais um pouco, mais uma conquista, mais
uma experiência, mais um reconhecimento,
mais uma viagem. Então você descansará,
mas o descanso não chega, porque a
criatura não foi criada para sustentar o
peso de Deus. E todas as coisas
cubiçadas aqui, você vê são criaturas,
não é? Isso não significa que mudanças
sejam inúteis. Há situações que devem
ser mudadas. Há abusos que exigem saída.
Há trabalhos que podem ser trocados. Há
tratamentos que devem ser buscados. Há
portas pelas quais devemos bater. A fé
não é inércia, mas nenhuma mudança
externa substitui arrependimento
interno.
Podemos sair do Egito levando o Egito no
coração. Podemos atravessar o mar e
ainda desejar as panelas da escravidão.
Podemos receber maná e desprezar o pão
do céu. A cura começa quando paramos de
dizer: "Minha vida será boa quando tudo
mudar".
E então confessarmos: "Meu coração
precisa ser mudado, mesmo que algumas
circunstâncias permaneçam e jamais
mudem". Cristo não veio apenas
reorganizar nosso cenário, vem fazer
novas todas as coisas, começando por
nós. Ele não promete que receberemos
cada item desejado. Promete que quem vem
a ele não terá fome da mesma maneira.
Então, nele, eh, aprendemos a usar
coisas sem pedir que sejam salvadores.
Aprendemos a receber presentes sem
transformá-los em deuses. Aprendemos a
perder sem perder nosso fundamento. A
mudança que finalmente quebra a cobiça
não é a chegada do objeto desejado, mas
a chegada de Cristo ao centro dos nossos
afetos.
Por isso,
a cobiça não permanece apenas entre nós
e as coisas, ela invade relacionamentos.
O próximo passa a ser visto por aquilo
que possui. Sua alegria se torna
provocação. Seu testemunho se torna
exibição. Sua conquista se torna ameaça.
Sua presença se torna lembrança de que
pensamos
do do que pensamos está faltando.
Então, surge algo perverso.
A pessoa não nos fez mal. Mesmo assim
sentimos resistência contra ela. Ela não
nos roubou. Mesmo assim, parece carregar
algo que deveria ser nosso. Ela não nos
desprezou. Mesmo assim, seu sucesso
parece nos humilhar.
A cobiça transforma eh inocentes em
inimigos.
Por isso, ela é o oposto do amor. Amar o
próximo como a nós mesmos inclui desejar
seu bem, inclui se alegrar com sua
alegria, inclui agradecer pelos dons que
Deus deu a ele, inclui honrar a obra da
graça em sua vida. A cubiça não consegue
fazer isso. Ela sofre quando o outro
prospera.
Ela procura defeitos para diminuir a
bênção. Ela explica o sucesso do outro
pela sorte, pelo privilégio, pela
aparência, pela ajuda recebida. Qualquer
explicação serve, desde que não precise
celebrar, se alegrar.
Às vezes
a cobiça
eh veste roupa de discernimento. Estou
apenas sendo realista. Nem tudo é tão
bonito quanto parece. Essa oportunidade
também eh tem problemas. Esse casamento
não deve ser tão bom assim. Pode haver
verdade em algumas observações, mas a
pergunta é: por que precisamos dizê-las
exatamente quando o outro se alegra?
Porque sentimos necessidade de colocar
sombra sobre sua luz, talvez porque sua
alegria esteja revelando a nossa
idolatria.
Os exemplos são eh cotidianos.
Uma
criança
ouve eh sobre o acampamento de férias da
Amiga e diminui eh eh a experiência para
não sentir falta. Ah, eu não gosto de
viagens,
não é? Uma estudante recebe nota boa,
mas perde toda a alegria ao descobrir
que alguém recebeu uma nota maior. Ela
tava feliz com a nota dela, é alta, mas
alguém tem uma maior. Uma pessoa
solteira ouve sobre uma gravidez e se
afasta porque a notícia tocou sua
ferida.
Uma esposa compara horários e encontra
no marido da vizinha uma arma para ferir
o próprio marido. Uma pessoa idosa vê a
família de outro presente e recusa a
comunhão porque a ausência da sua
família dói. Uma pessoa não consegue
celebrar festas, né, Natal, tal, por
quê? Porque os outros estão se alegrando
em família e, sei lá, os seus pais já
morreram.
A dor pode ser real, a espera pode ser
longa, a perda pode ser profunda. O
evangelho não zomba dessas lágrimas.
Jesus chorou. Cristo conhece solidão,
Cristo conhece rejeição, mas a dor não
nos concede licença para punir quem
recebeu outra porção.
O bem do próximo não é violência contra
nós. Sua colheita não é prova de nosso
abandono. Seu dom não diminui nosso
lugar no corpo. Seu testemunho não
cancela a nossa história. A graça nos
ensina a fazer algo sobrenatural.
Chorar nossa falta sem amaldiçoar a
plenitude do outro. Orar por nosso
desejo sem transformar o próximo em
rival. Esperar no Senhor e ainda
celebrar sua bondade em outra casa.
Isso só é possível quando nossa
identidade não depende de possuir a
mesma coisa.
Em Cristo, a alegria do irmão pode se
tornar nossa alegria. Somos membros uns
dos outros. A honra de um membro não
precisa ser ameaça aos demais. Quando
Cristo é o cabeça, o corpo não vive em
competição, vive em comunhão. Então, a
cobiça faz o próximo parecer culpado por
ter sido abençoado.
O amor de Cristo nos ensina a celebrar o
bem do outro sem negar a dor da nossa
própria espera ou da nossa perda, não é?
E a cobiça parece silenciosa
e por isso parece menos grave que
violência, mentira, adultério
ou roubo.
Ela não produz imediatamente uma cena
pública. Pode permanecer escondida por
muito tempo. Pode se sentar no culto,
pode cantar hinos, pode servir em
ministérios,
pode manter aparência respeitável, mas a
escritura a trata com solenidade, porque
a cubiça não fica sozinha, ela concebe,
ela dá luz.
Tiago descreve o processo. Cada pessoa é
atraída e seduzida pelo próprio desejo.
Depois, o desejo concebe, dá à luz o
pecado e o pecado amadurecido produz
morte.
O desejo não governado é como uma
gestação secreta, uma gravidez secreta.
Talvez ninguém perceba no início, mas
algo está sendo formado. A cobiça pelo
dinheiro pode dar à luz fraude
ou insatisfação sem fim. A cobiça por
reconhecimento pode dar a luz mentira ou
uma performance falsa. A cubiça por
conforto pode dar a luz negligência. A
cubiça por controle pode dar a luz a
manipulação.
A cobiça por prazer pode dar luz a
adultério e a um monte de coisas.
A cubiça, pela aprovação, pode dar luz à
hipocrisia, a eh abrirmos mão da verdade
de Deus para recebermos uma visão das
pessoas, uma aceitação. A coba, pela
vida do outro, pode dar luz a difamação,
querermos mostrar as coisas negativas a
respeito daquela pessoa. A cobiça por
segurança pode dar a luz à avareza.
Thomas Watson, né, o grande puritano,
chamou a cobiça de pecado mãe.
Ela empurra o coração para quebrar todos
os mandamentos. O 10o mandamento, né? O
primeiro mandamento cai quando o objeto
desejado se torna Deus. O segundo
mandamento cai quando fabricamos uma
imagem de Deus que existe para atender
nossas exigências.
O terceiro cai quando usamos o nome do
Senhor para legitimar a nossa ambição
pessoal. O quarto mandamento cai quando
não conseguimos descansar porque o
desejo exige uma produção contínua.
O quinto cai quando desprezamos
autoridades que frustram nossos planos.
O sexto cai quando odiamos quem possui o
que queremos.
O sétimo cai quando desejamos aquilo que
pertence a outra aliança, a outra
pessoa. O oitavo cai quando tomamos o
que não nos dado, nem por Deus, nem por
ninguém. O nono cai quando torcemos a
verdade para proteger nossa imagem. E o
décimo revela a raiz que alimentou todos
os outros.
Isso torna o combate urgente para todos
nós. Não podemos tratar inveja como
pequeno desconforto. Não podemos chamar
ressentimento de personalidade. Não
podemos chamar comparação de simples
curiosidade. Não podemos alimentar
fantasias e esperar pureza nas ações. O
pecado deve ser mortificado quando ainda
está no desejo.
[tosse]
Já é pecado ali. Antes de virar palavra,
antes de virar mensagem, antes de virar
compra, antes de virar encontro, antes
de virar decisão, antes de virar
ruptura,
Cristo fala com seriedade sobre arrancar
o olho e cortar a mão. Não porque o
corpo seja um inimigo, mas porque o
pecado não pode ser acariciado. É o que
ele quer dizer. A graça que perdoa
também nos ensina a dizer não. O
espírito não apenas consola, ele
guerreia contra a carne.
E essa guerra acontece na região dos
afetos. Ele guerrar contra a carne é
guerrear contra a parte de nós.
Perguntamos: "Que desejo está concebendo
dentro de mim? Que pecado ele produzirá
se eu continuar alimentando?
Que promessa de Deus preciso crer agora?
Que prática devo abandonar? Que irmão
maduro deve conhecer minha luta? A cruz
mostra a gravidade do processo. Nosso
pecado concebeu morte, mas Cristo
recebeu essa morte. Agora, unidos a ele,
podemos matar o pecado antes que ele
destrua comunhão, família, testemunho e
paz.
A cobiça parece pequena enquanto
permanece escondida. Mas é uma mãe
extremamente fértil. Por isso, a graça
nos chama a mortificá-la antes que seus
filhos ocupem toda a a casa, não é?
E a cobiça também não pertence a uma
idade específica.
Você vê que a criança diz: "É meu". O
adolescente diz todos t. O jovem adulto
diz: "Estou ficando para trás". O pai
diz: "Meus filhos precisam se destacar".
A pessoa madura diz: "Eu deveria ter
chegado mais longe".
O idoso diz: "Os outros ainda não, ainda
são lembrados e eu já tô meio
esquecido."
A linguagem você vê da criança até o
idoso muda, mas o Senhor permanece.
Desde cedo, o coração relaciona a posse
com identidade. A criança toma o
brinquedo porque acredita que perder o
objeto é perder o prazer.
O adolescente copia o grupo porque
acredita que diferença é exclusão.
O adulto mede conquistas porque acredita
que atraso é fracasso.
O pai usa o desempenho do filho porque
acredita que a reputação da família é
sua justiça,
a sua justificação.
O idoso se fecha porque a atenção dada
aos outros parece confirmar o seu
esquecimento. Em cada fase, a cobiça
encontra um ponto sensível. Ela
pergunta: "O que você precisa ter para
provar que sua vida valeu?"
Depois oferece objetos diferentes,
experiências, inteligência, beleza,
casamento, filhos, sono, saúde, tempo,
dinheiro, influência,
amizades,
ministério, memória, independência. O
coração coloca a sua esperança naquilo
que outro possui.
Isso explica porque a maturidade
biológica não garante maturidade
espiritual.
>> [roncando]
>> Podemos aprender boas maneiras sem
aprender contentamento, né? Podemos
deixar de arrancar o brinquedo da mão do
amiguinho e passar a arrancar a alegria
do outro com uma frase amarga.
Podemos deixar de gritar, mas aprender a
punir com silêncio. Podemos sorrir
diante da notícia e desmoronar por
dentro. Podemos elogiar publicamente e
diminuir
em conversas privadas.
Eh, sabe usar análise, sabe usar
preocupação, sabe usar espiritualidade,
pode dizer: "Estou apenas orando para
que ela não se orgulhe." Quando na
verdade não suportamos é a sua honra.
A pessoa pode dizer: "Esse ministério
precisa ter cuidado. Quando na verdade
queríamos seus frutos. A pessoa pode
dizer: "Não valorizo essas coisas
materiais quando na verdade não
conseguimos tê-las ou alcançá-las".
O evangelho chama cada idade a uma
liberdade correspondente. A criança
ensina a receber e compartilhar. Ao
jovem ensina que sua vida não está
atrasada nas mãos do pai. Ao adulto
ensina que carreira não é ressurreição.
Aos pais ensina que filhos não são
projetos de glória pessoal.
Para o idoso ensina que a herança
incorruptível não diminui com a fraqueza
do corpo. Cristo encontra pessoas em
todas as estações da vida e ele é
suficiente na infância, na juventude, na
espera, na produtividade. Ele é
suficiente na perda, na velice. Ele não
oferece a mesma circunstância a todos.
Ele oferece a si mesmo, a todo o seu
povo. E porque ele não muda, nenhuma
fase precisa ser governada pelo medo de
ficar para trás.
Então, a cobiça muda de vocabulário em
cada fase da vida, mas Cristo permanece
o mesmo, a mesma porção suficiente da
infância até a velice. E isso é o que
deve ocupar nosso horizonte.
Quando [roncando]
quando ouvimos a palavra cobiça,
pensamos em dinheiro, casas, carros,
roupas, viagens, objetos visíveis,
tudo isso pode ser cobiçado.
Mas o 10º mandamento diz: "Coisa alguma
que pertença ao próximo". Isso amplia o
campo. Podemos cobiçar o sono de alguém,
a disposição física, a facilidade de
aprender, a memória, a espontaneidade, a
personalidade, a família presente, a
ajuda dos avós, a estabilidade
emocional. Podemos cobizar a capacidade
de falar, o tempo disponível, a etapa da
vida, a ausência de determinada dor.
Podemos começar uma história. Eu
gostaria de ter crescido naquela casa.
Eu queria ter recebido aquelas
oportunidades.
Eu queria que meu casamento tivesse
começado assim. Eu queria possuir o
testemunho daquela pessoa.
Podemos começar até sofrimentos que
parecem nobres. desejar uma história
dramática, porque ela produz atenção.
Desejar um chamado visível porque ele
produz admiração.
Desejar uma luta que pareça espiritual
porque nossas dores comuns eh nos
parecem pequenas. O coração é criativo.
Ele transforma qualquer coisa em
material de comparação. Uma mãe exausta
cobiça uma noite inteira de sono. Isso
não significa que desejar descanso seja
pecado. O pecado aparece quando a
ausência de descanso se torna
justificativa para crueldade.
Quando o sono de outro faz sua
reclamação parecer maior, quando a
providência de Deus é interpretada como
descuido.
Uma solteira deseja casamento, isso pode
ser santo, mas a cobiça aparece quando
cada anúncio de noivado se transforma
numa ferida no coração.
Quando ela se afasta de amigas, quando
aceita meios contrários à palavra para
ser feliz, quando considera a obediência
impossível sem receber um marido.
Um casal deseja filhos e é um desejo
precioso, mas pode se tornar cobiça
quando a gravidez do outro produz
amargura, tristeza,
desânimo. Quando o casamento é consumido
por um único pedido, quando Deus passa a
ser amado apenas como meio para
concepção.
Um trabalhador deseja reconhecimento.
Pode ser justo que seu esforço seja
visto, mas o desejo se desordena quando
a promoção do colega se torna motivo de
difamação,
quando o trabalho se transforma num
tribunal, quando o salário decide o
valor da pessoa,
a amplitude da
cobiça exige exame cuidadoso. Não basta
perguntar, quero alguma coisa material?
Pergunte o que aspecto da vida do outro
mais ocupa minha imaginação?
Que notícia tenho dificuldade de
celebrar? Que ausência parece tornar
minhas a minha obediência impossível?
Ou [tosse]
que experiência
trato como prova de valor?
Que sofrimento do próximo minimizo
porque ele possui algo que eu desejo?
Essas perguntas revelam objetos
invisíveis, mas Cristo também é capaz de
libertar das cobiças invisíveis. Ele
conhece a região do coração que nenhuma
vitrine mostra. Ele oferece descanso ao
cansado, família ao solitário, sabedoria
ao simples, esperança ao inutado,
identidade ao esquecido. Não
necessariamente removendo toda falta
agora, mas dando sua presença dentro.
dessas faltas. A cobiça não se limita ao
que pode ser comprado. Ela deseja
histórias, capacidades e épocas,
estações da vida, mas nenhuma dessas
coisas pode ocupar
o lugar de Cristo, né? Deixa eu me
ajeitar aqui. E as costas já estão
doendo.
E a cobiça
não termina em tristeza particular. Ela
escapa, entra na voz, entra no rosto,
entra no silêncio, entra nas escolhas,
entra nos relacionamentos. Uma menina
ouve a amiga falar sobre um mês de
acampamento, de férias ou de viagem. Sua
própria programação parece pequena perto
daquilo. Então ela diminui o
acampamento, diminui a viagem.
Fala de insetos, do calor. Ah, nesse
lugar aí eu não gosto de montanha ou não
gosto de praia, da distância. Ela não
ganhou a experiência desejada, mas
conseguiu retirar um pouco da alegria da
amiga. Um estudante recebe uma boa nota,
fica satisfeita até sabia que a colega
recebeu nota melhor. Então a conquista
deixa de ser presente. Ela virou uma
derrota.
Ela recusa o convite para celebrar,
né? Comer a pizza ali. Depois procura
alguém para ouvir comentários amargos.
Uma mulher, um homem solteiro, ama uma
amiga casada, mas cada anúncio de
gravidez parece empurrá-la para trás.
Ela começa a evitar encontros, não
porque deixou de amar completamente, mas
porque a alegria da amiga expõe a força
do desejo.
Um esposo, eh, ou uma esposa passa um
dia exaustivo, o marido chega tarde, ela
pensa na vizinha, cujo esposo janta
todos os dias em casa.
A compração não resolve a solidão,
apenas fornece munição. Quando o marido
chega, não encontra uma conversa,
encontra um julgamento acumulado.
Uma mulher envelhece ou o homem
envelhece e vê corpos mais jovens. gasta
energia, dinheiro e tempo na tentativa
de recuperar uma identidade que o
espelho não tá podendo mais garantir.
O cuidado legítimo do corpo vira uma
escravidão.
Uma idosa, um idoso vê outro ou outra
moradora receber visitas frequentes. Sua
própria família está distante. Quando é
convidada para compartilhar uma
refeição, recusa.
A cobiça prefere isolamento, às vezes
a graça de receber uma forma diferente
de amor. Então, essas histórias revelam
um padrão. Primeiro comparamos, depois
nos sentimos diminuídos,
depois responsabilizamos alguém, depois
punimos, talvez com palavras, talvez com
afastamento, talvez com frieza, talvez
com gastos imprudentes,
talvez com exigências, talvez com
desprezo.
A pessoa cobiçada se torna um alvo, o
cônjuge se torna culpado, o filho se
torna projeto, o amigo se torna ameaça,
o próprio corpo se torna um inimigo. A
cobiça promete que o problema é aquilo
que não temos, mas logo mostra que o
problema está na forma como tratamos
quem temos. Por isso, o arrependimento
precisa ser concreto. Não basta dizer:
"Tem lutado com comparação". Preciso
perguntar quem feri porque estava
comparando. De quem retirei alegria?
Quem recebeu minha frieza? Quem foi
usado para satisfazer minha carência?
Que palavras precisam ser confessadas?
Que restituição relacional é necessária?
A graça não nos deixa em generalidades.
Ela nos conduz à luz. Cristo não morreu
por uma inveja abstrata, morreu por
pecados reais
e ressuscitou para produzir amor real
também. Ele nos ensina a voltar, pedir
perdão, celebrar o próximo, servir quem
invejamos, orar pelo crescimento de quem
nos ameaça, dar graças pela dádiva
colocada em outra mão. Isso fere o
orgulho, mas enfraquece o ídolo.
A comparação que começa como tristeza
silenciosa frequentemente termina
ferindo pessoas
e Deus.
A graça nos chama a confessar não apenas
o desejo, mas também os danos que esse
desejo eh
produziu no eh processo, não é? Então,
eh o primeiro exame é direto. O objeto
desejado é permitido por Deus.
Há desejos cuja própria direção já é
pecaminosa.
Desejar qualquer coisa que Deus proibiu
já é pecado.
Hoje em dia as pessoas quer dizer que o
desejo por algo pecaminoso não é pecado,
mas o desejo por algo que não pode ser
concretizado para a glória de Deus já é
pecado. Não é? É o 10o mandamento.
Desejar o cônjug do próximo, desejar
vingança, desejar enriquecer por fraude,
desejar aprovação por mentira, desejar
liberdade para abandonar deveres claros.
Nesses casos, não precisamos de longas
análises. A palavra já falou, a vontade
revelada de Deus não precisa ser
negociada com nossos sentimentos.
Eva viu o fruto, o considerou desejável,
mas o Senhor havia dito não. O desejo
prometia sabedoria, prometia expansão,
prometia vida,
mas desejava aquilo que Deus proibira.
Toda cobiça carrega algo do Éden. A
criatura olha para o limite e o
interpreta como privação.
E aí a serpente pergunta: Deus realmente
é bom se não permite isso ou se não te
dá isso? O coração responde tomando. Mas
nem todo desejo pecaminoso possui objeto
errado. Às vezes o objeto é bom e o meio
é mau. Casamento é bom, mas manipulação
não. Hospitalidade é boa, mas eh dívida
imprudente não. Estabilidade financeira
é boa, mas negligenciar a família,
igreja e saúde para alcançá-la? Não,
filhos são bênção, mas controlar
pessoas, usar tratamentos sem sabedoria
ou destruir o casamento para conseguir
um resultado revela desordem.
Sara desejava o filho prometido. O fim
era bom. Havia promessa divina, mas ela
tentou fabricar o cumprimento por meio
de H.
A impaciência transformou promessa em
projeto humano e o projeto produziu
desprezo, abuso e conflito.
O coração que confia pode trabalhar
diligentemente, pode procurar caminhos
legítimos, pode pedir conselho, pode
insistir [roncando]
em oração, mas não precisa pecar para
ajudar Deus a cumprir sua palavra.
Este é um teste claro. Estou disposto a
desobedecer a Deus para obter o que
desejo?
Estou disposto a mentir, a me endividar
sem responsabilidade,
a seduzir, a negligenciar, a ferir,
a ferir com minhas palavras, a romper
comunhão, a manipular. Se o desejo exige
sacrifícios que Deus proíbe, ele já está
funcionando como Deus.
O ídolo sempre cobra obediência, sempre
apresenta urgência, sempre diz: "Você
não pode esperar, você precisa garantir.
Deus talvez não faça." A fé responde
olhando para Cristo. Ele recusou os
atalhos do deserto. Não transformou
pedras em pão para provar filiação. Não
se lançou do templo para forçar
proteção. Não se curvou a Satanás para
receber os reinos sem cruz. Ele escolheu
o caminho do Pai. Mesmo quando esse
caminho passou pelo sofrimento,
nele recebemos perdão pelos atalhos
tomados e força para obedecer quando o
caminho legítimo parece mais lento.
Então, o desejo se torna cobiça quando o
seu objeto contradiz
ou quando estamos dispostos a
desobedecer a Deus para alcançá-lo ou
não conseguimos mais ser gratos e nos
deleitar em Deus e nos alegrar nele,
porque aquilo não é possuído por nós.
O terceiro exame pergunta pela
motivação. Por que esse desejo surgiu?
talvez não existissem ontem, não é?
Então, alguém contou uma experiência,
mostrou uma compra, anunciou uma
conquista, compartilhou uma oportunidade
e aquilo que nunca nos faltara passou a
parecer indispensável.
A comparação cria desejos emprestados.
Desejamos não porque Deus nos conduziu,
desejamos porque todos parecem possuir
aquilo.
Escolhemos uma escola porque outras
famílias escolheram. Buscamos
determinado bairro porque representa
sucesso. Desejamos uma viagem porque as
fotografias do outro fizeram nossa
rotina parecer vazia e chata.
Queremos o ministério visível, porque o
serviço escondido não produz a mesma
admiração.
Queremos determinado corpo, não apenas
por saúde, mas para vencer uma
competição imaginária na nossa cabeça.
Nesse caminho, o próximo passa a
escrever nossa vocação. A multidão
define nossas metas. A propaganda
catequiza nossos afetos. A rede social
organiza nossa lista de necessidades e a
voz de Deus. se torna baixa, cada vez
mais baixa, no meio de tantas vitrines.
Israel, por exemplo, pediu um rei. A
monarquia não era necessariamente
contrária ao plano futuro de Deus, mas o
motivo daquele pedido estava doente.
Queremos ser como todas as nações. Eles
olharam ao redor, viram estruturas
visíveis, viram poder centralizado,
viram prestígio político e desprezaram a
singularidade de serem governados pelo
Senhor.
Samuel advertiu, o rei tomaria filhos,
tomaria filhas, tomaria campos com
impostos, tomaria servos, tomaria
colheitas, mas a comparação havia
endurecido o coração. Eles preferiam
perdas conhecidas a continuar
diferentes. Eles queriam ser iguais.
Esse é o poder do desejo emprestado.
Ele nos faz pagar caro por algo que
nunca recebemos de Deus como vocação.
Por isso, precisamos silenciar a
multidão,
perguntar diante da palavra: "Este
desejo nasceu de amor? Serve ao reino de
Deus? Corresponde aos dons e deveres que
recebi? Continuaria desejando isso se
ninguém pudesse ver? Eu buscaria a mesma
coisa sem aplausos, sem fotografias, sem
comparação?
A resposta pode revelar muito. Cristo
viveu livre da multidão, não moldou sua
missão pela expectativa popular. Quando
quiseram fazê-lo rei, se retirou. Quando
exigiram sinais, não se submeteu ao
espetáculo.
Quando discípulos sugeriram caminhos de
glória, ele imediatamente começou a
falar da cruz. Seu alimento era fazer a
vontade do Pai. Unidos a ele, não
precisamos copiar a vida alheia.
Recebemos uma vocação particular dentro
do mesmo reino. Podemos agradecer pela
história do outro sem roubá-la para nós.
Muitos desejos parecem pessoais, mas
foram fabricados pela comparação.
A liberdade começa quando a vontade do
Pai pesa mais que a aprovação
e a aparência da multidão
do que nos eh nos cerca, não é? O outro
exame observa a atitude da espera.
Talvez o objeto desejado seja bom.
Talvez os meios sejam legítimos. Talvez
a motivação tenha elementos
sinceros. Mesmo assim, [tosse]
a espera pode revelar idolatria. Como
reagimos quando Deus demora?
Com oração ou com acusação ou com
desânimo? com tristeza humilde ou com
amargura, com perseverança ou com
manipulação, com gratidão ou com
cegueira.
A atitude não é detalhe, ela mostra o
lugar do desejo. Podemos pedir casamento
e continuar servindo ou transformar cada
ano em ressentimento. Podemos pedir cura
e lamentar, honestamente, ou decidir que
Deus deixou de ser bom por não nos
curar.
Podemos buscar trabalho e usar os meios
disponíveis para ir trabalhando ali no
que no que dá ou tratar todos ao redor
como culpados por nossa frustração.
Podemos orar por filhos e derramar
lágrimas diante do Senhor por eles ou
permitir que um pedido engula casamento,
amizades, culto e esperança. A cubiça
não consegue esperar porque transformou
o objeto em Salvador. Todo atraso parece
ameaça de morte. Toda negativa parece
uma condenação.
Toda bênção presente parece irrelevante
perto do que falta.
As crianças diante do campo ilustram
essa e esse eh eh coração de diante de
de um parque, né? Você tem escorregador,
você tem balanço, você tem uma caixa de
areia, espaço seguro, mas eh muitas
crianças eh numa situação assim, às
vezes estão lá junto da cerca olhando
para um lugar proibido, um lugar até a
cerca, não pode passar da cerca. Ali no
parquinho tinha tudo, mas eles perdem o
parque. O parque foi concedido, ó. vocês
tem que ficar aqui no parque, mas não
pode passar daquela cerca lá porque
estavam ocupadas com aquilo que era
negado.
A gente parece eh quando olha para
crianças fazendo isso, a gente pode
achar normal, mas a gente faz o mesmo,
né? E a achar e eh estranho, né? Mas a
gente faz, faz o mesmo. Deus dá pão
diário, comunhão, palavra, perdão,
presença, serviço, pequenas alegrias da
da vida cotidiana, mas ficamos juntos à
cerca. A vida inteira parece suspensa
por aquilo que não recebemos.
Israel. Israel recebeu maná, recebeu
direção, recebeu água, recebeu
libertação
recente. Mesmo assim, idealizou as
panelas do Egito. A cobiça edita a
memória, esquece os açoites, lembra a
carne, esquece a escravidão, lembra o
sabor da comida. E prefere voltar ao
cativeiro a depender diariamente de
Deus.
O contentamento não proíbe o lamento. Os
salmos perguntam até quando, mas
perguntam diante de Deus. A fé leva a
dor ao Senhor. A cobiça transforma a dor
em licença para
eh abandoná-lo ou para pecar contra ele,
né? Cristo esperou, esperou 30 anos pela
manifestação pública, caminhou na
direção da hora determinada, recusou a
antecipar o plano do Pai
e na cruz confiou seu espírito à mãos
daquele que parecia oculto.
Não parecia estar fazendo nada. Nele nós
aprendemos espera filial, não uma espera
sem lágrimas, uma espera sem apostasia,
não é? A espera
revela se o desejo permanece como pedido
diante de Deus ou já se tornou um senhor
que exige gratificação. E é por isso que
aquela frase isso não é justo fica tão
eh eh tão fácil nos lábios, não é?
Então,
por baixo da comparação existe teologia,
por baixo da reclamação existe crença.
Por baixo da inveja existe uma conclusão
sobre Deus. A cubiça diz: "Deus não é
suficiente
suficientemente bom. Deus sem isso, não
é suficiente para fazer eu ser
completo."
Ou a gente acusa: "Deus distribui mal".
Ou ele esqueceu minha necessidade, ou
ele deu a outro o que deveria ser meu.
Ou eu não posso confiar em Deus no tempo
de Deus, porque eu não sei se ele sabe
administrar o tempo. Preciso cuidar de
mim mesmo. Por isso, a batalha não se
vence apenas tentando reclamar menos,
porque a gente pode controlar palavras e
continuarmos acusando no coração.
Podemos sorrir sem confiar, podemos
evitar compras sem abandonar o amor ao
dinheiro. O problema central é
incredulidade.
Não acreditamos plenamente na bondade,
na sabedoria, na presença e mais na
suficiência de Deus.
O Éden começou assim: A serpente não
ofereceu apenas fruto, ofereceu uma
interpretação
do Pai. Deus está retendo algo bom. Seu
limite não é amor. Você será mais plena
se tomar o controle nas suas próprias
mãos. Eva desejou fruto porque primeiro
suspeitou do doador. Toda cobiça repete
essa suspeita. [roncando] A cura exige
contemplar quem Deus é. Eu pai sábio,
não confunde presentes,
não perde [roncando] endereços e entrega
no endereço errado, não distribui por
capricho. Ele conhece o fim desde o
princípio. Conhece aquilo que nos faria
mal se recebido cedo. Conhece aquilo que
nos destruiria se recebido sem limites.
Conhece aquilo que usará para formar
Cristo em nós.
E ele também é generoso, não é? Então
pense, você pode pensar, por que Jesus
tinha que esperar 30 anos? Ele não podia
fazer muito mais coisas, então,
por causa da sabedoria infinita do pai.
Então, o mundo existe porque Deus dá.
Ele é generoso.
Se ele não desse, nada existia. O fôlego
é dádiva, a chuva é dádiva, o pão é
dádiva, a amizade é dádiva, o
funcionamento do seu cérebro é dádiva,
seus pensamentos, a igreja é dádiva, a
salvação é dádiva e a prova suprema está
no filho. Aquele que não poupou o
próprio filho não é um pai mesquinho.
A cruz encerra a acusação de que Deus
reteve o seu melhor. Ele deu o seu
melhor. Ele deu Cristo, deu perdão, deu
adoção em Cristo, né? Ele deu todas
essas coisas, deu o espírito, deu
promessa de ressurreição, deu herança
eterna. Talvez não tenha dado a mesma
circunstância do próximo, mas deu a si
mesmo. E o coração começa a descansar
quando mede a bondade de Deus, não pela
facilidade do dia, mas pelo sangue do
calvário.
Então, podemos confessar, não entendo
essa distribuição.
Eh, tenho lutado nessa espera, não
escolhi essa perda, mas não eh chamarei
meu pai de
atrasado, cruel ou qualquer coisa com as
minhas atitudes e sentimentos.
A fé não possui todas as respostas,
possui o caráter daquele que governa.
Então, a cobiça perde força quando a
cruz corrige sua mentira central e nos
mostra que Deus que deu o filho não é
mesquinho, distraído, nem cruel. Hã?
E a cobiça, a gente precisa ver, procura
identidade por aquisição.
Eu sou o que tenho. Eu sou o que
alcancei. Eu sou o que os outros admiram
em mim. Eu sou a etapa em que eu
consegui chegar. Eu sou o corpo que
apresento. Eu sou a família que eu
construí. Quando essas coisas vacilam, o
eu parece desaparecer,
mas o evangelho vem e apresenta Cristo.
Ele possuía toda riqueza celestial. Por
amor de nós, se fez pobre. Não deixou de
ser Deus, mas assumiu condição de servo.
Nasceu sem prestígio, viveu sem
patrimônio, não tinha onde reclinar a
cabeça. Foi rejeitado despido exposto,
crucificado entre criminosos. Os
soldados repartiram suas vestes. O mundo
tomou tudo o que podia tomar. cuspiu
nele, bateu nele, [roncando] insultou
ele, debochou dele, mas não conseguiu
retirar sua filiação. O pai ainda era
seu pai, sua missão ainda era santa, sua
obediência ainda era perfeita.
Na cruz, ele carregou a culpa
da cobiça de todos os eleitos. a
acusação contra Deus, a inveja contra o
próximo, a ingratidão, os meios
pecaminosos,
tudo isso está naquelas marcas em seu
corpo. A amargura na espera, ele recebeu
a condenação que nossos desejos
desordenados produziram e mereciam. E
então ressuscitou. Agora, quem está
unido a ele recebe nova identidade. Não
somos justificados pela casa, pelo
salário, pelo casamento, pelos filhos.
pelo corpo, pelo currículo, pela
aprovação. Somos justificados pela fé em
Cristo. Seu veredito não aumenta quando
conquistamos, não diminui quando
perdemos.
Isso não torna as dádivas sem
importância. Torna as dádivas, não é?
Dádivas de verdade. Dádivas, sabe? Não é
aquela coisa, não é justo. São dádivas.
Podemos desfrutar sem impedir que as
dádivas nos definam, porque o doador nos
define. Podemos trabalhar sem
transformar desempenho em justiça.
Podemos amar a família sem exigir que
ela prove o nosso valor. Podemos cuidar
do corpo sem fazer dele um altar.
Podemos lamentar as perdas sem concluir
que deixamos de ser amados ou não temos
como ser plenos, completos e cheios de
alegria. O contentamento cristão não é
autossuficiência,
é suficiência recebida. Paulo não disse:
"Aprendi que não preciso de ninguém, ele
disse: "Posso enfrentar todas as
situações naquele que me fortalece".
Cristo era sua riqueza na pobreza, sua
humildade na abundância. Cristo precisa
ser eh eh na pobreza a nossa riqueza,
mas precisa ser nossa humildade na
abundância. Ele tem que ser tudo. Ele
tem que ser eh Jesus era a companhia de
Paulo na prisão, era a esperança de
Paulo diante da morte. Quando Cristo é a
porção, quando ele é tudo, o mais perde
a autoridade. Ainda podemos desejar, mas
não precisamos morrer se não recebemos,
porque já morremos com Cristo e nossa
vida está escondida com ele em Deus.
Cristo foi despojado na cruz e
ressuscitou em glória para que nossa
identidade não dependesse do que
conseguimos segurar, mas daquele que nos
segura. Essa é a riqueza incomparável
dada a nós. Toda proibição de Deus
protege um bem.
Não cobiçarais não significa apenas pare
de olhar, significa receba sua porção
com gratidão.
Se alegre com o bem do próximo, deseje
aquilo que glorifica a Deus. Espere sem
abandonar a obediência. Confie no Pai.
O cateicismo não fala apenas dos pecados
proibidos, fala do dever requerido.
Contentamento pleno com nossa condição,
disposição caridosa para com o próximo.
Afeta os santos em relação a tudo que
pertence a outro.
Isso é mais que ausência de inveja, é
presença de amor. O coração renovado
aprende a dizer: "Senhor, obrigado pelo
que colocaste em minhas mãos. Obrigado
pelo que colocaste nas mãos dos meus
irmãos. Me ensine a servir com minha
porção. Me ensine a celebrar a porção
deles.
Essa vida é impossível pela força
natural. A carne compara. O espírito
produz amor e alegria, paz, paciência,
bondade, fidelidade, mansidão e domínio
próprio. Tudo o oposto da comparação,
não é? O fruto não depende do cenário
perfeito. Pelo contrário, não é? Eh,
paciência,
domínio próprio, mansidão. Ele não
depende, senão ele nem precisava.
Cresce porque a raiz está em Cristo. É
por isso que esses frutos crescem.
Podemos praticar caminhos concretos, dar
graça diariamente, nomear misericórdias
específicas, limitar exposições que
alimentam comparação, orar por quem
invejamos, servir essa pessoa, celebrar
sua conquista sem ironia, confessar
ressentimento diante de Deus, recusar
conversas que diminuem o próximo,
dar generosamente, descansar no dia do
Senhor. lembrar que não somos
proprietários absolutos. Tudo pertence a
Deus. Essas práticas não compram
contentamento. São meios pelos quais a
fé respira e o espírito produz
contentamento em nós.
O coração também olha para o futuro.
Grande parte da cobiça nasce da sensação
de que esta vida é tudo.
Se não tivermos agora, perdemos para
sempre. Mas o cristão espera novos céus
e nova terra. Espera a ressurreição do
corpo. Espera a comunhão sem inveja.
Espera uma cidade em que nada falta.
Espera contemplar Cristo na glória.
Não disputaremos porções. Cada santo
estará plenamente satisfeito na beleza
do cordeiro. A herança não será
ameaçada, não envelhecerá, não será
roubada, não dependerá de nenhuma
comparação.
Até aquele dia, continuamos desejando,
continuamos orando, continuamos
chorando, mas recusamos transformar a
vida do outro em acusação contra Deus ou
em ingratidão.
Quando o coração disser não é justo,
levaremos essa voz à cruz. Ali veremos
justiça perfeita. Nosso pecado condenado
em Cristo, nossa dívida paga, nossa
adoção garantida. E perguntaremos: "Se
recebi misericórdia tão grande, como
posso tratar a graça como dívida?"
Cristo basta,
não como frase decorativa,
mas como pão diário, o pão de cada dia,
como justiça para o culpado, como
companhia para o solitário.
Deus disse: "Eu serei o pai dos órfãos
como companhia para o solitário, como
força para quem espera, como herança
para o pobre, como esperança para os
moribundos.
O coração contente não é aquele que
parou de desejar, mas aquele cujos
desejos,
os desejos foram libertos para
agradecer, amar o próximo e esperar tudo
em Cristo. Em Cristo somente. Amém,
queridos.
Amém.
>> Se tua graça é um dom,
porque ela tem olhos.
Porque ela me olha de volta.
Eu
[música]
tratei tua graça como [canto] conceito,
algo que cabia na minha definição.
Mas ela [música] sangra, ela chama, ela
[canto] invade, ela tem nome e rompe
[música] a abstração.
Não é ideia, é encontro,
não é teoria, [canto]
é presença.
é o infinito [música]
se curvando
para habitar minha [música] carência.
E quanto mais eu vejo, [canto] mais eu
deixo de ver a mim.
[música]
Cristo,
a forma invisível da graça em mim, o
indivisível se tornando [música]
assim.
>> [música]
>> Cristo,
não há algo que recebo de ti,
mas o próprio Deus vindo
a mim. [canto]
E quando penso que entendi,
tua graça me desfaz outra vez.
>> [música]
>> Dá-me graça para sentir o abismo entre
[canto] eu e ti. Não para me perder
nele, mas para te ver descendo até aqui.
Dá-me graça para pedir mesmo quando a
voz falhar, porque até o meu clamor
precisa de ti. Para começar, dá-me graça
para colher o peso eterno do teu amor,
[canto] que desmonto o [música] que eu
era e me refaz, meu criador. E quanto
mais tu cresces, mais eu aprendo assumir
Cristo, [música]
a graça que me encontra antes de mim,
[canto]
o começo antes do [música]
meu
ser.
>> [canto]
>> Cristo, a resposta antes do clamor. O
fim de mim, o início do amor. [grito]
E tudo em mim que quer permanecer é
[música] confrontado pelo [canto]
teu viver. Se até minha fome vem de ti,
[música] então não há parte em mim que
seja livre.
de ti. [canto] Se eu peço, é graça.
Se eu recebo, [canto] é graça.
Se eu respiro em ti,
ainda é graça.
Quando penso
>> [canto][música]

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