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Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 16 | Teologia da Libertação | Ákilla Nascimento

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Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 16: Teologia da Libertação
Ákilla Nascimento

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[música]
Muito boa noite para todo mundo que já
chegou para mais uma aula do nosso curso
de teologia Macários. Bom saber que a
gente tá começando a aula aqui já com o
pessoal ligado aqui no chat. Você que tá
acompanhando a nossa jornada aí através
desse módulo uma sofé várias tradições.
Como você que já assistiu as outras
aulas sabe e para você que tá chegando
agora vai ficar sabendo. Nós estamos
estudando a maneira como essa mesma
escritura, esse mesmo evangelho, essa
mesma pessoa de Jesus, ela foi sendo
compreendida, interpretada. E esse vasto
conhecimento da revelação foi sendo
sistematizado por diferentes tradições
cristãs ao longo do tempo. Então nós
falamos de coisas distantes no tempo. Já
estamos falando sobre a realidade muito
próxima ou contemporânea
para a igreja cristã. E a gente tá se
aproximando cada vez mais da nossa
realidade brasileira.
[limpando a garganta]
Nós já falamos sobre vários sistemas
doutrinários que têm pertinência para a
nossa compreensão de igrejas evangélicas
a no Brasil para além das tradições
protestantes também. E hoje a gente vai
falar sobre mais uma dessas teologias,
eh, que tiveram e ainda tem impacto
naquilo que é a realidade brasileira,
que é a teologia da libertação. A
teologia da libertação surge a partir de
contribuição de teólogos tanto de viés
protestante ou de história protestante,
como também a faz parte da história da
Igreja Católica. Mas de forma
preponderante, aquilo que a gente
enxerga na história da teologia da da
libertação, é a sua, é o seu grande
florescimento naquilo que é a Igreja
Católica, em especial do continente da
América do Sul, América Central, a
realidade latino-americana. Então hoje a
gente convida você a compreender um
pouquinho aquilo que é a proposta da
teologia da libertação. Vou só
compartilhar aqui a tela com vocês.
Deixa eu ver se vai aparecer aí.
apareceu.
Bom, a gente vai falar então hoje um
pouco sobre a história e as principais
ideias da teologia da libertação. Mas
antes da gente começar aqui com o nosso
conteúdo, dando o boa noite para todo
mundo que sempre chega aqui pro
comecinho da nossa aula, o Paulo, a Ana,
o Samuel, a Terezinha, a Sandra, o Fred,
a Cátia, a Marinilda, o Manuel, a
Fernanda. Muito bom ter cada um de vocês
no começo aqui da nossa aula e
certamente você que tá assistindo
depois. A teologia da libertação é o
assunto da nossa 16ª aula. é uma
abordagem teológica que centra não na
crença correta, que seria
tradicionalmente a compreensão do termo
ortodoxia, mas na prática correta,
ortopraxis ou ortopraxia. a gente vai
reforçar e explicar essa inversão de
diversos ângulos e de várias formas
diferentes ao longo da da nossa aula,
mas a ideia principal da teologia da da
libertação é inverter a ênfase e a
ordem. O que de fato deve nortear a
compreensão ou o esforço da teologia
cristã é a ortopraxia, a prática
correta, e não tanto a ortodoxia, a
crença correta, buscando transformar
estruturas opressoras à luz da revelação
divina.
Como é que tradicionalmente a teologia
se desenvolveu? Os sistemas teológicos
tradicionais são predominantemente
intelectuais. preocupados em organizar e
apresentar a verdade de Deus de forma
sistemática, centrados na crença
correta. Então, a ortodoxia tem essa
preocupação de organizar o conhecimento
a respeito de Deus em a afirmações e em
uma espécie de conhecimento
compreensível e eh que possa ser
entendido por meio da reflexão e da
razão. A teologia da libertação tem um
foco diferente. Segunda metade do século
XX, viu surgir uma abordagem centrada na
prática correta, ortopraxia,
com forte ênfase na imanência divina, em
parte como reação à ênfase radical de
Cbart na transcendência divina. A gente
estudou neortodoxia na última aula,
teologia dialética, que vem
principalmente da contribuição do
teólogo alemão Calbart. E vocês já t
aqui um período posterior da reflexão
teológica, segunda metade do século XX,
em que alguns teólogos estão reagindo a
essa ênfase radical de Cbart na
transcendência divina para retornar o
foco na imanência, ao fato de que Deus
se revela nos processos históricos
humanos. Esta nova abordagem foi saudada
como uma maneira completamente nova de
fazer teologia, resultando em um
conjunto de teologias focados em
retificar as realidades concretas da
opressão e não no pecado e redenção
pessoais.
A ideia da teologia da libertação não é
desconsiderar a realidade do pecado e
desconsiderar a realidade ou a
necessidade da redenção, mas é
principalmente na redefinição desses
termos. De que forma se manifesta o
pecado? E que tipo de redenção é essa
que as as pessoas necessitam e que de
acordo com a perspectiva da teologia da
libertação, a Bíblia está pregando?
Então, há uma compreensão absolutamente
distinta dentro dessa proposta teológica
do que nos demais sistemas doutrinários
que a gente estudou aqui até aqui e da
forma de interpretação
a da maior parte da tradição cristã até
esse momento em que a teologia da
libertação passa a enxergar esses termos
e essas categorias ou essas realidades
de pecado e redenção. Dessa forma,
ainda nesse tópico de ortodoxia versus
ortopraxia, tem uma frase muito
interessante desse autor que eu já citei
várias vezes aqui, que tem sido a minha
principal referência, pelo menos para as
aulas, desse módulo, que é o James
Soyer. E ele fala o seguinte: "As
teologias da libertação, porque existe
mais de uma expressão dentro da teologia
da libertação. As teologias da
libertação afirmam-se uma busca bíblica
e profundamente cristológica por uma
ortopraxis
cristã genuína, uma ortopraxis que
resulta da justa posição, da reflexão
crítica sobre a atividade pastoral da
igreja e sua interpretação histórica à
luz da revelação divina. Então, é assim
que a teologia da libertação se enxerga.
Se enxerga como uma busca bíblica e
profundamente cristológica por uma
prática correta cristã genuína.
Nós vamos estudar o método, os tópicos
principais, a maneira como tudo isso
surgiu ao longo da história. E você pode
concordar ou discordar dessa
perspectiva, mas é importante a gente
sempre perceber e a gente compreender
como é que esses pensadores, esses
teólogos, esses cristãos que aderem a
essa posição se enxergam, como é que
eles entendem aquilo que eles mesmos
estão fazendo. Então eles entendem que
aquilo que eles estão buscando é algo
bíblico e profundamente cristológico por
uma prática cristã genuína correta, uma
ortopraxis que resulta da justa posição
da reflexão crítica sobre a atividade
pastoral, aquilo que a igreja deve fazer
na prática e sua interpretação histórica
à luz da revelação divina.
Existem dois pressupostos fundamentais
dentro da teologia da libertação. A
teologia historicamente ou a teologia é
sempre historicamente condicionada e a
realidade do pecado estrutural e
institucional. As teologias da
libertação, então, t essas duas pernas.
Qual é a o significado desse primeiro
pressuposto? Toda a teologia é e sempre
foi historicamente e socialmente
condicionada. Todo mundo é filho do seu
próprio tempo. Os teólogos da libertação
adotam uma consciência crítica ou
pensamento dialético que submete até
mesmo as próprias crenças e interesses à
crítica,
evitando o relativismo cognitivo
radical. A ideia que é, ao meu ver,
apropriada na avaliação da teologia da
libertação e que nesse ponto é
compartilhado por outros sistemas
doutrinários, é todo mundo fala o que
fala a partir da realidade que vive, a
partir das pressões de seu tempo, dos
instrumentos disponíveis, das questões
que estão incomodando aquela geração.
Então, tudo aquilo que acontece na
teologia, em algum grau é condicionado
pelo contexto em que essas coisas
aconteceram.
Ah, agora isso pode ser compreendido em
diferentes níveis. Será que tudo o que
se fala é absolutamente determinado pelo
contexto? Só se falou aquilo porque
aquele era o contexto. Se o contexto
mudasse completamente nessa perspectiva,
Jesus poderia ter dito ter dito algo
completamente diferente do que ele
efetivamente disse. O teólogo X Y Z,
Calvino, Lutero,
Armínio, eh, Wesley teria dito uma
teologia completamente distinta do que
eles escreveram e construíram, porque o
contexto deles, o contexto deles foi
absolutamente transformado. Perspectiva
da teologia da libertação é, pelo menos,
em parte dos seus proponentes, evitar
esse relativismo absoluto, mas
reconhecer que o contexto afeta
diretamente aquilo que é produzido,
aquilo que é entendido da revelação
bíblica. O segundo pressuposto, o pecado
estrutural institucional. O pecado é
mais do que pessoal. a um aspecto
estrutural e institucional ao pecado, ao
mal e à opressão que vitimiza os pobres
em benefício daqueles em posição de
riqueza e poder. Uma coleção ou um
conjunto de movimentos teológicos
contemporâneos interpretando a salvação
e a missão da igreja primariamente como
a mudança de estruturas sociais
opressora. É isso que define boa parte
da teologia da libertação.
Mudança de estruturas sociais
opressoras, estruturas econômicas,
políticas e sociais, ao invés da
redenção da culpa e do pecados e do
pecado pessoais.
Novamente, não é que a realidade
individual seja completamente ignorada
pela teologia da libertação, mas existe
uma mudança de foco para perceber que a
principal necessidade
da redenção
acontece justamente na transformação
dessas estruturas que impõem sofrimento
para a vida das pessoas por meio de uma
relação opressora. Então, a redenção se
dá em boa medida e, em muitos casos, eh,
muito mais dentro da realidade social,
por meio da libertação econômica,
política e social,
do que dentro da realidade individual,
trazendo perdão para os pecados
individuais e redenção para a pessoa
simplesmente.
A teologia da esperança de Mmman, de
Jurian Mmman, outro teólogo alemão, tem
um papel muito importante aqui. Faltou
uma imagem que foi feita, mas eh ficou o
vazio aí no slide, depois eu vou
corrigir isso.
A teologia da esperança é um livro que
foi escrito por Jorgen Mman, teve um
papel muito importante na gênese da
teologia da libertação, ainda que a
teologia da libertação tenha florescido
na América Latina, enquanto Mman escreve
na realidade europeia, mas
especificamente na realidade alemã. Jurg
Mtman foi prisioneiro de guerra alemão
em campos britânicos durante a Segunda
Guerra Mundial. Foi nesse contexto de
sofrimento, incerteza e desumanização
que ele descobriu de forma profunda que
a esperança não é um ideal secundário,
mas uma necessidade vital. A esperança
se esfregou crua no arame farpado. Um
homem não pode viver sem esperança. O
que eu achei muito curioso assim nessa
citação aqui no final desse parágrafo, a
esperança se esfregou crua no arame
farpado. Um homem não pode viver sem
esperança. é que tem um outro pensador
do mesmo período, da mesma região da
Europa, ainda que não na Alemanha, acho
que ele é austríaco, que é a o trabalho
de Victor Frankel, o pai da logoterapia,
eh, que trata da condição humana a
partir de uma perspectiva muito parecida
com aquilo que é a o trabalho teológico
de Yurgemultman, porque a logoterapia
também estabelece essa razão da
existência humana como É a fonte,
a fonte de esperança para o indivíduo é
aquilo que o faz superar toda a forma de
adversidade. No momento em que o sujeito
ele perde a esperança ou o sentido de
vida, algo além dele mesmo e maior que
ele mesmo, que justifique a existência,
ele entrega os pontos, né? Isso, isso
tudo é discutido dentro da realidade dos
campos de concentração. Então, tanto
Mman quanto eh Frankel, eles foram
capazes de observar que a capacidade de
preservar a esperança ou um sentido para
a existência além daquilo que eles
estavam vivendo naquele eh campo de
concentração ou naqueles campos de
concentração,
é o que em muitos casos determinava se a
pessoa ia viver ou morrer, se ele ia
conseguir enfrentar a condição desumana,
que foram os campos de concentração ou
não.
Essa experiência marcou decisivamente
sua teologia. Para MMA, a fé cristã não
se limita a interpretar o presente. Ela
abre o olhar para o futuro prometido por
Deus e sustenta a vida mesmo em meio à
dor, ao cativeiro e à ameaça da morte. A
esperança assim tornou-se o eixo de sua
reflexão, o ponto estruturante do
pensamento de M, mas justamente a
esperança, uma confiança ativa no Deus
que vem ao encontro da história e que
orienta o cristão a viver em expectativa
do reino de Deus. E para elaborar esse
trabalho, ele teve duas influências
muito significativas. uma conhecida
nossa, uma influência que é conhecida
nossa, que é o Cbart, e outro que não
está no campo propriamente da teologia,
mas sim da filosofia, que é o Ernest
Block.
A teologia da esperança de MMA é o
resultado de uma profunda interação com
duas correntes teológicas e filosóficas
distintas, mas que ele habilmente
sintetizou, mais uma vez aparecendo aí a
ideia de síntese, teologia dialética,
hipótese, antítese e síntese, eh ele
sintetizou para formar uma visão única
do futuro e da ação de Deus na história.
Cbart, de que forma ele influenciou
Multim? através do
cristocentrismo que a gente explicou na
aula passada e também da escatologia.
Multman absorveu profundamente o
cristocentrismo radical de Bart que
enfatiza Jesus Cristo como o centro de
toda revelação e ação divina. No
entanto, ele sentiu a necessidade de ir
além de uma teologia focada
primariamente na transcendência de Deus
e na proclamação. Só para relembrar o
contexto, Bart
veio de uma escola liberal, formado no
contexto liberal, e havia uma
associação, quase que uma equivalência
entre a bondade ou o aperfeiçoamento
humano, a ascensão do ser humano por
meio desse processo histórico que está
sempre evoluindo e tornando as pessoas e
as sociedades melhores.
Essa identificação entre Deus revelado
nos processos históricos e a humanidade
que vai se tornando melhor. O homem que
é capaz de fazer o bem e que está se
tornando cada vez mais capaz de
expressar a bondade. Isso entrou em
colapso com a primeira e a segunda
Guerra Mundial e Bart viu que era
completamente eh falido o pensamento
liberal no qual ele foi formado. Por
isso que ele rompeu com essa ideia de um
Deus imanente que pode ser conhecido
basicamente olhando para os processos
históricos e enfatizou que a Bíblia traz
um Deus completamente transcendente. Ele
é o oposto àilo que nós somos ou melhor
colocado, ele é completamente diferente
daquilo que nós somos. Então, isso que a
gente tá vendo aí nas guerras, a gente
não pode explicar como sendo uma falha
de Deus, como sendo uma revelação
de um Deus que é, na verdade, eh,
cruel ou que é um Deus eh distante e e
desapaixonado ou completamente
divorciado da realidade humana. Não,
isso que nós estamos produzindo é porque
o coração do homem é mau e Deus é
absolutamente diferente da gente. Então
você tem a ênfase na transcendência.
Só que mais ou menos como pêndulo que a
gente já falou a respeito da teologia
dialética, essa esse pêndulo se move
para o outro lado depois daquilo que foi
a teologia de de Bart. E nessa relação
da teologia da libertação, é, a gente
não pode olhar simplesmente para Deus
como algo absolutamente transcendente,
sem perceber ele presente na história,
porque a gente tem pessoas que estão eh
morrendo de fome e a gente tem países em
que essas sociedades são oprimidas a
séculos e a gente não tem condições de
pregar o evangelho para essas pessoas,
apontando apenas para um Deus que é
transcendente, mas que não se revela na
história, que não se manifesta
concretamente na história. Então, é só
para recuperar um pouco esse contexto de
por que Multma
ele é influenciado por Bart, mas ele
discorda de Bart nesse ponto. Eh, ele
não tem uma teologia focada
primariamente na transcendência e sim
ele volta a valorizar aspectos da
imanência de Deus. Mmma infundi o
pensamento de Bart com uma orientação
escatológico histórica, realçando a
ideia de que a fé cristã não é apenas
sobre o passado da salvação,
mas intensamente voltada para o futuro
prometido por Deus e o estabelecimento
do seu reino. A esperança para multima
não é uma passividade, mas um motor para
a transformação que antecipa o reino
futuro. Se o sujeito tem essa esperança
de que o reino de Deus vai ser
estabelecido na terra de forma plena no
futuro, isso não é apenas algo capaz de
fazê-lo suportar os sofrimentos do tempo
presente, mas de alguma forma de movê-lo
na direção de transformar o tempo
presente à luz do que ele acredita que
vai ser plenamente feito no tempo
futuro. A outra influência muito
diferente é Ernest Block, a filosofia da
esperança. A segunda, a essa segunda
grande influência foi um filósofo ateu,
judaico marxista. Veja todas as
credenciais como são distintas daquilo
que era Calvart. autor da monumental
obra O princípio da Esperança. Bloco
propunha que a esperança é uma categoria
central da existência humana, um impulso
inerente que nos move em direção a um
ainda não utópico e transformador.
Apesar de Ernest Block ser ateu, ele
utiliza a história e a teologia, as
escrituras judaicistãs,
para demonstrar como essa necessidade,
como a esperança é uma necessidade do
ser humano que é capaz de impulsioná-lo
em direção a essa utopia e a essa ação
transformadora. Mtman reconheceu a força
da análise de Block sobre a esperança
como um princípio fundamental, mas
rejeitou seu ateísmo. Para MMA, a
esperança não é uma projeção vazia, mas
tem seu fundamento e cumprimento nas
promessas de Deus reveladas em Cristo.
Assim, ele cristianizou o conceito de
utopia de bloque, fundamentando na
promessa de Deus e na ressurreição.
A síntese teológica, então de Mman
integra tanto a transcendência
cristocêntrica de Bart com a paixão pelo
futuro de Block, resultando em uma
teologia que vê a esperança como a força
motriz da fé e da ação. E é por isso que
a gente chega então nessa obra
intitulada e bastante conhecida,
inclusive em português, a teologia da
esperança. Esperança cristã se torna uma
paixão pelo futuro que inspira
engajamento ativo na transformação do
mundo e não uma fuga da realidade
presente. Essa ênfase na esperança ativa
que projeta um futuro de justiça e paz
prometido por Deus ressoa profundamente
com as teologias da libertação que
buscam aplicar a fé cristã para desafiar
e transformar as estruturas de opressão
no tempo presente.
Por que é que a teologia da libertação e
do ponto de vista assim mais
metodológico ou das das motivações
teológicas iniciais surgem lá na Europa,
na Alemanha e eh em contexto próximo,
mas floresce aqui no contexto
latino-americano por algumas razões,
conquista e colonização. as conquistas
espanhola e portuguesa na América Latina
com aprovação tácita da igreja, e aqui
igreja uma referência à Igreja Católica,
que era a religião oficial tanto da
Espanha quanto de Portugal.
Essa aprovação tácita subjugaram povos
indígenas desde o início do século X. A
Igreja Católica foi cúmplice dessa
dominação e até do extermínio das
populações nativas. Quando a gente
coloca nesses termos que a Igreja
Católica foi cúmplice eh dessa dominação
e até do extermínio das populações
nativas, primeiro, a gente não está
fazendo análise simplesmente como uma
espécie assim de oposição religiosa,
porque protestantes falando sobre
católicos é que tem esse tom. Mas é uma
realidade que a história do Brasil,
assim como a história de outras nações
da América do Sul apontam com muita
clareza. Mas porque também os próprios
teólogos da libertação admitem que essa
foi a realidade da igreja, que eles
faziam parte ao longo dos séculos, desde
que as duas principais nações
colonizadoras desembarcaram aqui na
América do Sul. A outra coisa é a
realidade de um sistema de opressão.
Desde os tempos coloniais, o sistema
político latino-americano manteve uma
vasta maioria economicamente e
politicamente oprimida sob o domínio de
uma minoria pequena, mas incrivelmente
rica. aquilo que é a realidade do Brasil
e de outros países do nosso continente
até os dias de hoje, que é você tem uma
quantidade muito eh considerável de
riqueza natural e produzida, mas a
concentração de renda aqui é muito maior
do que em vários países, em especial os
países que a gente tá falando que eh
foram os proponentes da teologia até
esse momento, os países europeus e
depois também os Estados Unidos. Então,
a realidade da concentração de renda
aqui é algo eh absolutamente
eh desconhecido na história recente de
muitos desses países. Violência
institucional. A opressão é sistêmica e
pervasiva. As próprias estruturas da
sociedade são projetadas para manter os
pobres na pobreza, análogo ao sistema de
escravidão econômica das empresas
mineradoras dos Estados Unidos do século
XIX. Esse é um exemplo específico em que
alguns historiadores e teólogos da
libertação apontam como até nos Estados
Unidos, um país que é sim a reconhecido
pelo seu liberalismo econômico. Teve um
período em que mineradores, por exemplo,
eles trabalhavam carga horárias
extenuantes e eles não recebiam seu
salário em dólares, mas em sim ticketes
que só poderiam ser utilizados nas eh
vendas, nas lojas da própria empresa que
fazia exploração mineral. Então ele só
podia comprar no mercado da empresa que
o empregava. Então ele não tinha
liberdade econômica para fazer qualquer
compra fora daquilo que era imposto pelo
próprio mercado, pela própria empresa. E
os preços dos alimentos eram colocados
acima daquilo que era a média eh
salarial daqueles próprios mineradores.
Então, obviamente, eles não podiam
comprar em outro lugar e comprando ali,
eles estavam sempre endividados. Isso é
um exemplo da realidade dos Estados
Unidos, mas a gente pode falar sobre
muitas eh
histórias e muitos capítulos da história
do Brasil que falam sobre a escravidão
que durou muito tempo, séculos ah da
nossa história colonial e até o período
do século do final do século XIX, assim
como as consequências desse período de
escravização
até os dias atuais. Então, a teologia da
libertação traz um foco muito grande
para essa violência institucional, como
o sistema político e econômico, ele foi
desenvolvido para preservar essas
distinções.
As realidades da pobreza, aqui a gente
traz duas citações de dois teólogos da
libertação.
Um deles ainda é um expoente da teologia
da libertação. já abandonou em boa
medida aquilo que é a teologia da
libertação, que são os irmãos Bof,
Leonardo Boff e Clodovis Boff. Leonardo
Bof, até hoje mais conhecido e associado
à teologia da libertação. E Clodovis
Boff, apesar de ter dado uma
contribuição eh significativa para os
pilares da teologia da libertação a
partir do Brasil, ele abandonou em boa
medida muitas das convicções que ele
possuía no início desse movimento. Mas é
reconhecido o relato que os dois trazem
eh que refletem as realidades mortais da
América Latina. Ainda falando aí do
começo da segunda metade do século XX,
né, em especial eh dos anos 60 para cá,
uma mulher de 40 anos, que parecia ter
[música] 70, explicou ao padre após a
missa que havia comungado sem confissão.
Eh, explicou ao padre após a missa por
havia comungado sem confissão. Há três
dias só tomei água e não comi nada.
Estou morrendo de fome. Quando vi você
distribuindo as hóstas aqueles
pedacinhos de pão branco, fui à comunhão
só por fome daquele pedaço de pão.
Um outro relato é Manuel, catequista de
uma comunidade de base. Então, quem é
brasileiro certamente já se deparou com
essa expressão as comunidades eclesiais
de base, que foi um movimento de ensino
e de difusão a da teologia por parte em
especial dos teólogos da libertação
dentro da Igreja Católica. Então,
Manuel, catequista de uma comunidade de
base, disse: "Padre, esta comunidade e
outras da região estão chegando ao fim.
As pessoas estão morrendo de fome, não
tem forças para caminhar até aqui, tem
que ficar em suas casas para economizar
energia.
Isso mostra pra gente aquilo que eh era
uma realidade nos anos e nas décadas em
que a teologia da libertação surge aqui
no Brasil e na verdade surge primeiro em
outros países da América do Sul e chega
logo aqui também ao Brasil e demonstra
como o problema da fome
alterava eh de uma maneira muito
significativa a maneira como a igreja se
entendia e deveria se colocar naquela
aquela comunidade na perspectiva desses
teólogos. Quem são os pobres para a
teologia da libertação? Existem os
pobres socioeconômicos e os pobres
evangélicos. Os pobres socioeconômicos
são aqueles que carecem ou são privados
das necessidades básicas da vida, os que
são injustamente pobres por exploração
do trabalho, os discriminados por raça,
por gênero ou por cultura, em especial
os povos indígenas. Os pobres
evangélicos são aqueles que, vendo a
opressão de seus vizinhos
socioeconomicamente pobres,
identificaram-se com seu sofrimento.
Eles mesmos não eram carentes dessas
coisas, mas eles se identificaram com
aqueles que eram. Idealmente, isso
envolve a renúncia dos bens materiais e
um compromisso de trabalhar em favor dos
pobres socioeconômicos.
A teologia da libertação identifica duas
categorias distintas de pobreza. Uma
estrutural e material, e outra é a
pobreza de escolha ética e espiritual de
solidariedade.
Ou o sujeito é pobre porque não tem, ou
é pobre porque não quer se solidarizar
pelos que não tem. Então existem essas
duas categorias. ou a forma positiva,
aquele que não é pobre evangé ou aquele
que se faz pobre evangélico, perdão, é
aquele que se solidariza pelo próximo
que está em necessidade. Qual foi o
histórico da formalização da da do
surgimento da teologia da libertação? Em
1968, teve uma conferência de bispos
católicos romanos em Medelim, na
Colômbia. E essa, nessa conferência
alguns teólogos, de forma mais
contundente, ainda que isso tivesse
acontecido antes, agora parece formar
uma massa crítica, uma influência maior,
porque contava com um apoio mais
substancial de bispos. Condou a aliança
tradicional da igreja com os poderes
políticos e descreveu a situação como
uma violência institucionalizada.
vozes críticas e de denúncia contra essa
relação entre a Igreja Católica e os
poderes dominantes que sustentava a
exploração e a opressão dos pobres
existia há muito tempo. Mas isso não
ganhou tração, isso não mobilizou grande
número de autoridades dentro e de
teólogos dentro da igreja, lideranças de
forma geral. Isso muda nessa conferência
de bispos. 3 anos depois, em 1971,
Gustavo Gutierres, teólogo peruano,
publica Uma teologia da libertação, uma
obra fundacional paraa Teologia da
libertação, um texto seminal, né, o
texto primário do movimento. Insiste que
a teologia deve ser parte do processo de
transformação do mundo.
E aí depois você tem a a sedimentação de
uma hermenêutica da suspeita. O que é
que a gente quer dizer com isso? A
teologia da libertação busca trazer as
duras realidades da vida em diálogo
crítico com a Escritura, questionando
a tradição interpretativa recebida,
suspeitando da cultura e dos métodos
exegéticos e não do texto bíblico.
Então, pera aí. Se o nosso contexto é
diferente do contexto desses teólogos
europeus, americanos, que nos
transmitiram todas essas tradições
teológicas, a gente precisa ler de uma
forma diferente esses mesmos textos
bíblicos. Não se suspeita que o texto
bíblico seja normativo e autoritativo,
mas se suspeita da teologia que nos
entregaram e que nos convenceram até
aqui. o nosso contexto é diferente, a
nossa leitura também é diferente e passa
a se olhar com maior suspeita para eh
esses textos e e esses sistemas
doutrinários que influenciaram a igreja
cristã até o o tempo em que esses
teólogos se levantaram para apresentar
suas as suas ah resistências a esse
modelo de pensamento e também ah para
propor uma nova forma de leitura,
justificação teológica e método. Então,
se é isso que eles estão rejeitando, o
que é que eles estão propondo? Os
defensores da teologia da libertação
reconhecem que sua abordagem representa
um afastamento
metodológico
radical dos paradigmas tradicionais.
Não é acidental e não é inconsciente
esse distanciamento que os teólogos da
libertação têm dos paradigmas
tradicionais de teologia.
Quais são as justificativas para esse
afastamento? Três. Primeiro, Deus como
defensor dos pobres. A escritura retrata
Deus como impelido a socorrer os pobres.
E aqui alguns textos que na perspectiva
deles fundamenta essa visão. E uma
frase, eu não lembro se foi Gustavo
Gutierrez, eu não coloquei o autor aqui,
mas que é conhecido, na verdade foi de
um dos irmãos Bof, o Leonardo Clodovis.
A, ao optar pelos pobres, a igreja imita
nosso Pai que está nos céus. É daí que
surge a expressão e o fundamento da
teologia da libertação, que é a opção
preferencial pelos pobres.
Deus, ele se inclina em uma disputa
entre ricos e pobres, entre opressor e
oprimido.
Eh, na sua preferência de quem deverá
ouvir primeiro e ser alcançado
prioritariamente pelo evangelho, Deus
opta pelos pobres. É, é, é nessa direção
que se estabelece o conceito de a opção
preferencial pelos pobres.
O exemplo e o ensino de Cristo. Cristo
fez dos pobres os principais
destinatários de sua mensagem. Em Mateus
25 31 a 46, a aceitação ou rejeição dos
pobres será fator decisivo no julgamento
final. Isso é muito interessante. Existe
uma consequência escatológica
para aquilo que se faz no tempo presente
em relação aos pobres.
E três, motivação apostólica. A igreja
primitiva mantinha tudo em comum. Atos
capítulo 2. E Paulo foi encarregado de
lembrar-se dos pobres. Gálatas 2:10.
Então, esses são alguns dos textos e
algumas das ou as principais razões
pelas quais os teólogos da libertação
eles estão se afastando ou no início,
desde o surgimento desse movimento, eles
se afastaram de um paradigma tradicional
de se fazer e pensar teologia. O método
praxis antes da teoria.
Isso a gente começou a aula afirmando e
agora nós estamos retomando. A praxis é
o que deve ser o foco da teologia, da
vida cristã, da vida pastoral, da vida
das comunidades. Fazer a coisa certa
antes de entender e procurar compreender
o que é a coisa certa. A teologia
torna-se ortopraxia. Teologia é uma
reflexão crítica sobre a praxis à luz da
palavra de Deus. Então, primeiro você
pratica e depois você reflete. O
compromisso precede o entendimento.
Deus é conhecido entrando em compromisso
obediente com seu projeto histórico, os
pobres.
algumas a das afirmações ou das posturas
determinantes
da teologia da libertação. A praxis
antes da teoria, ou seja, a ação antes
da reflexão, compreender Deus através do
engajamento obediente com os pobres.
Então, como é que eu posso entender qual
a vontade de Deus, o que ele está
dizendo, revelando para o nosso tempo?
ou nesse texto, eu só posso fazer isso
primeiro e prioritariamente pelo
engajamento com os pobres. A teologia
emerge da experiência vivida e do
compromisso. O método inverte a
abordagem teológica tradicional, porque
tradicionalmente primeiro se coloca a
necessidade de compreender e depois de
se fazer. E essa é uma inversão
característica da teologia da
libertação. Primeiro a gente faz e
depois a gente entende. Ou enquanto a
gente faz, mas especialmente refletindo
sobre o que se fez, é que a gente
entende o que é a vontade de Deus. Uma
frase de Samuel Escobal: "O compromisso
deve preceder a compreensão porquê." E
aqui abre aspas para Samuel Escobar. Não
existe verdade fora ou além dos eventos
históricos concretos nos quais os homens
estão envolvidos como agentes. Portanto,
não há conhecimento, a não ser na
própria ação. Portanto, não há
conhecimento, a não ser na própria ação,
no processo de transformação do mundo,
por meio da participação na história.
Ninguém pode ninguém pode conhecer
realmente a verdade se não se envolver
no processo de transformação da
história, em especial na transformação
da realidade dos oprimidos. Essa é a
perspectiva de Samuel Escobá, um dos
principais nomes da teologia da
libertação. Quais são algumas
ferramentas de construção dessa
teologia? É, principalmente a um
conjunto de ferramentas de análise
social. A teologia da libertação adota
ferramentas específicas para compreender
e transformar as estruturas sociais.
Eles utilizam uma linha de interpretação
social baseada no marxismo, não
comunismo, como ferramenta de análise
social. Vocês talvez estejam
familiarizados ou não, mas o marxismo
ele se desmembra em diferentes
expressões e aquilo que é utilizado como
matriz interpretativa, como ferramenta
interpretativa da realidade, é sim o
marxismo, ainda que não na sua forma de
expressão do comunismo. Marxismo como
ferramenta de análise social. Na
perspectiva da teologia da libertação, o
capitalismo é visto como inerentemente
opressor.
A análise crítica das estruturas
econômicas é parte fundamental da
elaboração teológica. É preciso
compreender como elas funcionam,
denunciar as estruturas econômicas
associadas ao capitalismo
e transformar essas estruturas em uma
estrutura socialista. O socialismo é
visto como uma forma ideal de sistema
político econômico.
O objetivo
dessa ortopraxia é transformar
radicalmente a ordem econômica
existente. Então, a prática e a reflexão
da teologia da libertação chegam ou
levam à conclusão eh inequívoca de que a
transformação da ordem econômica é
urgente, é necessária e ela é
inegociável
quando se busca viver de forma coerente
a fé bíblica, como revelado nos
Evangelhos. Quais são os temas chaves da
teologia da libertação?
Fé viva e libertação. A fé viva inclui
prática da libertação. O Deus vivo está
do lado dos oprimidos contra os faraós
deste mundo. O texto principal de
referência narrativa para a teologia da
libertação é o êxodo, a libertação do
povo de Israel da opressão do Egito. O
reino como projeto. O reino é o projeto
de Deus na história e na eternidade.
Jesus assumiu a opressão para nos
libertar. O Espírito Santo, pai dos
pobres, está presente nas lutas dos
oprimidos. A igreja como instrumento. A
igreja é sinal e instrumento de
libertação.
Os direitos dos pobres são os direitos
de Deus. O potencial humano libertado,
torna-se libertador. Escatologia e
revolução. Rejeita-se o
desenvolvimentismo
gradual. O objetivo é uma mudança
radical nas estruturas da sociedade, uma
revolução social contínua, uma nova
maneira permanente de ser. Então, existe
diversidade de posição dentro da
teologia da libertação, mas também é
perceptível uma ênfase, pelo menos nas
nas na formulação inicial da teologia da
da libertação, essa necessidade de uma
mudança radical e não simplesmente
gradual das estruturas da sociedade. A
teologia da libertação opera em três
níveis: profissional, que são os
teólogos e professores, pastoral, que
são os ministros e líderes leigos, e
comunitário, que são as comunidades
eclesiais de base, que já viveram tempos
de maior popularidade no Brasil. Apesar
de existirem, elas tiveram uma força
muito maior até a década de 90. Cada um
com método, lógica e produção próprios,
conforme Bof Bof aqui, que são os dois
irmãos, eh, Leonardo e Clodovis Boff.
Algumas críticas eh de teólogos que
interpretaram a teologia da libertação e
não compartilharam de todos os seus
pressupostos e métodos. tanto a
hermenêutica quanto a prática da
teologia da libertação na realidade
latino-americana. Primeiro, o perigo
hermenêutico. As teologias de libertação
apresentam uma questão hermenêutica
profunda. Há um perigo duplo. Primeiro,
a questão em pauta facilmente se torna
um leito de proscuto. osculto dentro da
mitologia grega era aquele que, por
colocar as pessoas em uma cama reduzida
demais, cortavam os membros que sobravam
para eh
forçar que aquelas pessoas coubessem
dentro daquele leito. Existe uma maneira
muito mais apropriada de contar e e a
analogia se torna mais pertinente, mas é
a ideia de que o que não cabe aqui a
gente corta e joga fora.
A questão em pauta facilmente se torna
um leito de proscuto e todos os textos
que não abordam a questão são
descartados,
ou seja, é a ideia de encontrar um canân
dentro do canon. Os textos que são
pertinentes para nossa teologia a gente
preserva. Aqueles que não são, a gente
deixa de lado. Segundo, a escritura
torna-se uma ferramenta para avançar uma
causa em vez da palavra de Deus com uma
mensagem coerente. Estabelece-se um
canon dentro do canon, como eu acabei de
mencionar, e o teólogo ouve o que quer
ouvir em vez de ser confrontado pelo
todo, a ao invés de ser confrontado por
todo o conselho de Deus, ao invés de ser
confrontado pela totalidade das
Escrituras.
Segundo o problema ideológico do
marxismo. Na teologia da libertação
latino-americana, o uso do marxismo para
analisar a pobreza levou à conclusão de
que o capitalismo é inerentemente mau e
o socialismo é o sistema ideal. O
marxismo não é uma ferramenta livre de
valores. Sua ideia de alienação
econômica está ligada à visão de Marx da
pessoa como autocção
através do trabalho, não como criação de
Deus. A filosofia corre como o risco, a
filosofia corre o risco de se tornar
mestre em vez de servo. Como a gente já
se deparou com esse problema várias
vezes, muitos intérpretes das escrituras
mostraram o perigo de utilizar a
filosofia não apenas como uma ferramenta
ao longo do processo de interpretação,
mas a base, o solo do qual se constrói
ou no qual se constrói toda a
interpretação bíblica. E muitos acusam
que é justamente isso que a teologia da
libertação fez a utilizar o ferramental
e a perspectiva marxista de
interpretação dos sistemas
político-econômicos.
Praxis antes da reflexão é altamente
problemática a afirmação de que praxis
precede a reflexão. Como pode alguém ter
praxis ou prática correta sem uma visão
prévia do que é de fato correto? Esse
autor, esse teólogo Andrew Kirk
argumenta que o método de Gutierres deve
ser invertido. Se isso não acontecer, a
ideologia humana em vez da escritura se
torna a norma última. A práxis correta
depende, em última instância, da teoria
correta. Todo mundo que faz, faz alguma
coisa porque acredita em algo. Acredita
que algo é certo, é necessário. Como é
que a gente pode convocar as pessoas a
uma prática correta sem ter nenhum tipo
de discernimento? Que prática correta é
essa? Então, ainda que todo mundo vá
concordar, acredito, pelo menos que a
maioria das pessoas irão concordar que é
impossível
compreender a realidade do evangelho, o
significado do texto bíblico, apenas na
clausura do seu quarto, do seu
escritório, pensando sobre as coisas da
fé. É preciso se envolver com a prática
da fé. É preciso se relacionar
diretamente com Deus. Essa ênfase
deliberada teologia da libertação que a
Praxis precede e é a única coisa que nos
permite alcançar alguma forma de
conhecimento verdadeiro da revelação de
Deus, da vontade de Deus e das
Escrituras. é algo que também precisa
ser eh colocado sobre suspeita, é algo
que eh não
parece ser sustentável diante da
necessidade de discernir o que se deve
fazer.
Agora, é também preciso considerar que
há perspectivas positivas para aquilo
que foi a as ênfases, para aquilo que
foram as denúncias, para aquilo que foi
a a construção da teologia da libertação
em nosso continente. De uma perspectiva
positiva, as várias teologias de
libertação reconheceram um problema que
frequentemente caracterizou as teologias
tradicionais. tornaram-se ortodoxia sem
ortopraxia necessária. E essa acusação é
válida e esse problema é sério. Ter uma
compreensão adequada, coerente,
consistente do ponto de vista lógico.
qualquer critério teórico que você
apresentar,
eh,
a sua teologia pode ser aprovada. No
momento em que isso está divorciado da
forma de vida, da ortopraxia, da
coerência com a qual se vive a partir
daquilo que se crê, toda a boa teologia,
ela vai pro ralo, ela perde validade,
ela deixa de ter uma razão de ser.
Muitos teólogos podem ser caracterizados
como ouvintes da palavra sem serem
praticantes. Além disso, os teólogos da
libertação viram corretamente os
elementos sociais e estruturais do
pecado, tão frequentemente
negligenciados na história teológica. É
verdade que a gente tem em Calvino, como
a gente já falou, em Lutero, nos pais da
igreja, na igreja, na teologia da igreja
ortodoxa, uma fonte
profunda e rica que não pode ser
desconsiderada,
mas a gente não tem como entender todas
as implicações do evangelho para a
realidade brasileira, olhando apenas
para a contribuição de teólogos que
viveram em um passado distante ou em uma
realidade muito diferente daquilo que é
a realidade brasileira. Não dá para
entender o que se deve pregar e o que se
deve fazer na realidade da igreja local,
lendo e tomando como referência apenas
os teólogos que vivem na Europa ou nos
Estados Unidos, ainda que a gente
precise reconhecer o valor que essas
coisas não apenas tiveram, mas continuam
tendo paraa nossa reflexão hoje,
porque o nosso contexto é diferente e as
implicações do evangelho também traz
trazem a
demandas e exigências diferentes na
nossa realidade. Implicações do
evangelho. As implicações do evangelho
são mais profundas do que pode ser
estabelecido pela exegese
histórico-gramatical, como demonstrado
pelo reconhecimento final da igreja da
imoralidade da escravidão, baseado em
raça.
O alerta hermenêutico. A tarefa da
teologia moderna deve ser uma reflexão
crítica consciente sobre a palavra de
Deus à luz de uma praxis, uma prática
contemporânea de libertação.
Não o inverso é da Bíblia para a
prática. A palavra de Deus deve
permanecer como norma última daquilo que
são as nossas decisões sobre uma praxis,
uma prática coerente que responda às
demandas e às necessidades do nosso
tempo. Historicamente, a teologia da
libertação já viveu tempos de maior
influência, de maior pertinência dentro
da realidade brasileira. a gente está
olhando para um fenômeno que aqui no
Brasil e nos países latino-americanos
foi prioritariamente eh da Igreja
Católica, ainda que isso tenha tido
contribuição, diálogos e perspectivas de
teólogos ah protestantes, a resposta
protestante a esse movimento foi um
pouco diferente ou em algumas medidas,
em alguns aspectos bastante distintos.
Eh,
e a própria Igreja Católica passou a ver
algumas dessas alegações, algumas das
reivindicações dos teólogos liberais
como absolutamente contrários àquilo que
vinha sendo o ensino histórico da Igreja
Católica Apostólica Romana.
E por isso as lideranças de dioceses
importantes do Brasil foram substituídas
por lideranças mais conservadores que
não aderiam à teologia da libertação. E
com isso o espaço da teologia da
libertação dentro da própria Igreja
Católica diminuiu ao longo do tempo.
Então, ainda que isso seja uma teologia
muito importante, é possível ver a sua
forte influência nos meios acadêmicos
até hoje. a gente também precisa
reconhecer que o espaço institucional
que essa teologia eh recebe diminuiu ao
longo do tempo, tá bom? Mas eh é
fundamental a gente entender a realidade
da teologia da libertação pra gente
compreender também aquilo que é a um
fenômeno aqui da nossa igreja evangélica
e da igreja cristã no Brasil. Tá bom,
pessoal? Bom, eh, olhando aqui para o
chat, eu não sei se a gente teve
perguntas ou dúvidas. Tô olhando aqui a
interação do pessoal, mas creio que não
tivemos perguntas até agora. Se você
tiver aí rapidinho alguma coisa que
queira colocar, pontuar, a gente vai eh
responder, senão a gente vai em breve
terminar a aula. Um aviso para a nossa
próxima semana. a gente vai entrar num
dos capítulos mais importantes do nosso
curso, que é a igreja pentecostal ou a
teologia pentecostal e os movimentos
pentecostais no Brasil.
Teremos duas aulas sobre esse assunto.
As duas aulas serão ministradas por
Saão. Então, na próxima terça e quinta,
a gente vai falar primeiro sobre a
história do pentecostalismo, que teve
várias fases diferentes, assim como
falar sobre a teologia pentecostal, que
obviamente é o maior grupo evangélico
brasileiro. Então, ninguém consegue
entender minimamente o fenômeno da
Igreja Evangélica Brasileira sem
compreender a história e a teologia da
Igreja Pentecostal. Tá bom? Então, nosso
convite para você persistir e continuar
com a gente aqui na semana que vem eh
paraas nossas aulas 17 18. Um forte
abraço para todos que eh tiveram aí a
persistência de continuar até o fim da
aula de hoje e a nosso agradecimento
para você que dedicou esse tempo. Até
nossa próxima aula. Um abraço para
vocês, bons estudos e até mais.

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