Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 16 | Teologia da Libertação | Ákilla Nascimento
24/07/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 16 | Teologia da Libertação | Ákilla Nascimento
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 16: Teologia da Libertação
Ákilla Nascimento
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[música] Muito boa noite para todo mundo que já chegou para mais uma aula do nosso curso de teologia Macários. Bom saber que a gente tá começando a aula aqui já com o pessoal ligado aqui no chat. Você que tá acompanhando a nossa jornada aí através desse módulo uma sofé várias tradições. Como você que já assistiu as outras aulas sabe e para você que tá chegando agora vai ficar sabendo. Nós estamos estudando a maneira como essa mesma escritura, esse mesmo evangelho, essa mesma pessoa de Jesus, ela foi sendo compreendida, interpretada. E esse vasto conhecimento da revelação foi sendo sistematizado por diferentes tradições cristãs ao longo do tempo. Então nós falamos de coisas distantes no tempo. Já estamos falando sobre a realidade muito próxima ou contemporânea para a igreja cristã. E a gente tá se aproximando cada vez mais da nossa realidade brasileira. [limpando a garganta] Nós já falamos sobre vários sistemas doutrinários que têm pertinência para a nossa compreensão de igrejas evangélicas a no Brasil para além das tradições protestantes também. E hoje a gente vai falar sobre mais uma dessas teologias, eh, que tiveram e ainda tem impacto naquilo que é a realidade brasileira, que é a teologia da libertação. A teologia da libertação surge a partir de contribuição de teólogos tanto de viés protestante ou de história protestante, como também a faz parte da história da Igreja Católica. Mas de forma preponderante, aquilo que a gente enxerga na história da teologia da da libertação, é a sua, é o seu grande florescimento naquilo que é a Igreja Católica, em especial do continente da América do Sul, América Central, a realidade latino-americana. Então hoje a gente convida você a compreender um pouquinho aquilo que é a proposta da teologia da libertação. Vou só compartilhar aqui a tela com vocês. Deixa eu ver se vai aparecer aí. apareceu. Bom, a gente vai falar então hoje um pouco sobre a história e as principais ideias da teologia da libertação. Mas antes da gente começar aqui com o nosso conteúdo, dando o boa noite para todo mundo que sempre chega aqui pro comecinho da nossa aula, o Paulo, a Ana, o Samuel, a Terezinha, a Sandra, o Fred, a Cátia, a Marinilda, o Manuel, a Fernanda. Muito bom ter cada um de vocês no começo aqui da nossa aula e certamente você que tá assistindo depois. A teologia da libertação é o assunto da nossa 16ª aula. é uma abordagem teológica que centra não na crença correta, que seria tradicionalmente a compreensão do termo ortodoxia, mas na prática correta, ortopraxis ou ortopraxia. a gente vai reforçar e explicar essa inversão de diversos ângulos e de várias formas diferentes ao longo da da nossa aula, mas a ideia principal da teologia da da libertação é inverter a ênfase e a ordem. O que de fato deve nortear a compreensão ou o esforço da teologia cristã é a ortopraxia, a prática correta, e não tanto a ortodoxia, a crença correta, buscando transformar estruturas opressoras à luz da revelação divina. Como é que tradicionalmente a teologia se desenvolveu? Os sistemas teológicos tradicionais são predominantemente intelectuais. preocupados em organizar e apresentar a verdade de Deus de forma sistemática, centrados na crença correta. Então, a ortodoxia tem essa preocupação de organizar o conhecimento a respeito de Deus em a afirmações e em uma espécie de conhecimento compreensível e eh que possa ser entendido por meio da reflexão e da razão. A teologia da libertação tem um foco diferente. Segunda metade do século XX, viu surgir uma abordagem centrada na prática correta, ortopraxia, com forte ênfase na imanência divina, em parte como reação à ênfase radical de Cbart na transcendência divina. A gente estudou neortodoxia na última aula, teologia dialética, que vem principalmente da contribuição do teólogo alemão Calbart. E vocês já t aqui um período posterior da reflexão teológica, segunda metade do século XX, em que alguns teólogos estão reagindo a essa ênfase radical de Cbart na transcendência divina para retornar o foco na imanência, ao fato de que Deus se revela nos processos históricos humanos. Esta nova abordagem foi saudada como uma maneira completamente nova de fazer teologia, resultando em um conjunto de teologias focados em retificar as realidades concretas da opressão e não no pecado e redenção pessoais. A ideia da teologia da libertação não é desconsiderar a realidade do pecado e desconsiderar a realidade ou a necessidade da redenção, mas é principalmente na redefinição desses termos. De que forma se manifesta o pecado? E que tipo de redenção é essa que as as pessoas necessitam e que de acordo com a perspectiva da teologia da libertação, a Bíblia está pregando? Então, há uma compreensão absolutamente distinta dentro dessa proposta teológica do que nos demais sistemas doutrinários que a gente estudou aqui até aqui e da forma de interpretação a da maior parte da tradição cristã até esse momento em que a teologia da libertação passa a enxergar esses termos e essas categorias ou essas realidades de pecado e redenção. Dessa forma, ainda nesse tópico de ortodoxia versus ortopraxia, tem uma frase muito interessante desse autor que eu já citei várias vezes aqui, que tem sido a minha principal referência, pelo menos para as aulas, desse módulo, que é o James Soyer. E ele fala o seguinte: "As teologias da libertação, porque existe mais de uma expressão dentro da teologia da libertação. As teologias da libertação afirmam-se uma busca bíblica e profundamente cristológica por uma ortopraxis cristã genuína, uma ortopraxis que resulta da justa posição, da reflexão crítica sobre a atividade pastoral da igreja e sua interpretação histórica à luz da revelação divina. Então, é assim que a teologia da libertação se enxerga. Se enxerga como uma busca bíblica e profundamente cristológica por uma prática correta cristã genuína. Nós vamos estudar o método, os tópicos principais, a maneira como tudo isso surgiu ao longo da história. E você pode concordar ou discordar dessa perspectiva, mas é importante a gente sempre perceber e a gente compreender como é que esses pensadores, esses teólogos, esses cristãos que aderem a essa posição se enxergam, como é que eles entendem aquilo que eles mesmos estão fazendo. Então eles entendem que aquilo que eles estão buscando é algo bíblico e profundamente cristológico por uma prática cristã genuína correta, uma ortopraxis que resulta da justa posição da reflexão crítica sobre a atividade pastoral, aquilo que a igreja deve fazer na prática e sua interpretação histórica à luz da revelação divina. Existem dois pressupostos fundamentais dentro da teologia da libertação. A teologia historicamente ou a teologia é sempre historicamente condicionada e a realidade do pecado estrutural e institucional. As teologias da libertação, então, t essas duas pernas. Qual é a o significado desse primeiro pressuposto? Toda a teologia é e sempre foi historicamente e socialmente condicionada. Todo mundo é filho do seu próprio tempo. Os teólogos da libertação adotam uma consciência crítica ou pensamento dialético que submete até mesmo as próprias crenças e interesses à crítica, evitando o relativismo cognitivo radical. A ideia que é, ao meu ver, apropriada na avaliação da teologia da libertação e que nesse ponto é compartilhado por outros sistemas doutrinários, é todo mundo fala o que fala a partir da realidade que vive, a partir das pressões de seu tempo, dos instrumentos disponíveis, das questões que estão incomodando aquela geração. Então, tudo aquilo que acontece na teologia, em algum grau é condicionado pelo contexto em que essas coisas aconteceram. Ah, agora isso pode ser compreendido em diferentes níveis. Será que tudo o que se fala é absolutamente determinado pelo contexto? Só se falou aquilo porque aquele era o contexto. Se o contexto mudasse completamente nessa perspectiva, Jesus poderia ter dito ter dito algo completamente diferente do que ele efetivamente disse. O teólogo X Y Z, Calvino, Lutero, Armínio, eh, Wesley teria dito uma teologia completamente distinta do que eles escreveram e construíram, porque o contexto deles, o contexto deles foi absolutamente transformado. Perspectiva da teologia da libertação é, pelo menos, em parte dos seus proponentes, evitar esse relativismo absoluto, mas reconhecer que o contexto afeta diretamente aquilo que é produzido, aquilo que é entendido da revelação bíblica. O segundo pressuposto, o pecado estrutural institucional. O pecado é mais do que pessoal. a um aspecto estrutural e institucional ao pecado, ao mal e à opressão que vitimiza os pobres em benefício daqueles em posição de riqueza e poder. Uma coleção ou um conjunto de movimentos teológicos contemporâneos interpretando a salvação e a missão da igreja primariamente como a mudança de estruturas sociais opressora. É isso que define boa parte da teologia da libertação. Mudança de estruturas sociais opressoras, estruturas econômicas, políticas e sociais, ao invés da redenção da culpa e do pecados e do pecado pessoais. Novamente, não é que a realidade individual seja completamente ignorada pela teologia da libertação, mas existe uma mudança de foco para perceber que a principal necessidade da redenção acontece justamente na transformação dessas estruturas que impõem sofrimento para a vida das pessoas por meio de uma relação opressora. Então, a redenção se dá em boa medida e, em muitos casos, eh, muito mais dentro da realidade social, por meio da libertação econômica, política e social, do que dentro da realidade individual, trazendo perdão para os pecados individuais e redenção para a pessoa simplesmente. A teologia da esperança de Mmman, de Jurian Mmman, outro teólogo alemão, tem um papel muito importante aqui. Faltou uma imagem que foi feita, mas eh ficou o vazio aí no slide, depois eu vou corrigir isso. A teologia da esperança é um livro que foi escrito por Jorgen Mman, teve um papel muito importante na gênese da teologia da libertação, ainda que a teologia da libertação tenha florescido na América Latina, enquanto Mman escreve na realidade europeia, mas especificamente na realidade alemã. Jurg Mtman foi prisioneiro de guerra alemão em campos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial. Foi nesse contexto de sofrimento, incerteza e desumanização que ele descobriu de forma profunda que a esperança não é um ideal secundário, mas uma necessidade vital. A esperança se esfregou crua no arame farpado. Um homem não pode viver sem esperança. O que eu achei muito curioso assim nessa citação aqui no final desse parágrafo, a esperança se esfregou crua no arame farpado. Um homem não pode viver sem esperança. é que tem um outro pensador do mesmo período, da mesma região da Europa, ainda que não na Alemanha, acho que ele é austríaco, que é a o trabalho de Victor Frankel, o pai da logoterapia, eh, que trata da condição humana a partir de uma perspectiva muito parecida com aquilo que é a o trabalho teológico de Yurgemultman, porque a logoterapia também estabelece essa razão da existência humana como É a fonte, a fonte de esperança para o indivíduo é aquilo que o faz superar toda a forma de adversidade. No momento em que o sujeito ele perde a esperança ou o sentido de vida, algo além dele mesmo e maior que ele mesmo, que justifique a existência, ele entrega os pontos, né? Isso, isso tudo é discutido dentro da realidade dos campos de concentração. Então, tanto Mman quanto eh Frankel, eles foram capazes de observar que a capacidade de preservar a esperança ou um sentido para a existência além daquilo que eles estavam vivendo naquele eh campo de concentração ou naqueles campos de concentração, é o que em muitos casos determinava se a pessoa ia viver ou morrer, se ele ia conseguir enfrentar a condição desumana, que foram os campos de concentração ou não. Essa experiência marcou decisivamente sua teologia. Para MMA, a fé cristã não se limita a interpretar o presente. Ela abre o olhar para o futuro prometido por Deus e sustenta a vida mesmo em meio à dor, ao cativeiro e à ameaça da morte. A esperança assim tornou-se o eixo de sua reflexão, o ponto estruturante do pensamento de M, mas justamente a esperança, uma confiança ativa no Deus que vem ao encontro da história e que orienta o cristão a viver em expectativa do reino de Deus. E para elaborar esse trabalho, ele teve duas influências muito significativas. uma conhecida nossa, uma influência que é conhecida nossa, que é o Cbart, e outro que não está no campo propriamente da teologia, mas sim da filosofia, que é o Ernest Block. A teologia da esperança de MMA é o resultado de uma profunda interação com duas correntes teológicas e filosóficas distintas, mas que ele habilmente sintetizou, mais uma vez aparecendo aí a ideia de síntese, teologia dialética, hipótese, antítese e síntese, eh ele sintetizou para formar uma visão única do futuro e da ação de Deus na história. Cbart, de que forma ele influenciou Multim? através do cristocentrismo que a gente explicou na aula passada e também da escatologia. Multman absorveu profundamente o cristocentrismo radical de Bart que enfatiza Jesus Cristo como o centro de toda revelação e ação divina. No entanto, ele sentiu a necessidade de ir além de uma teologia focada primariamente na transcendência de Deus e na proclamação. Só para relembrar o contexto, Bart veio de uma escola liberal, formado no contexto liberal, e havia uma associação, quase que uma equivalência entre a bondade ou o aperfeiçoamento humano, a ascensão do ser humano por meio desse processo histórico que está sempre evoluindo e tornando as pessoas e as sociedades melhores. Essa identificação entre Deus revelado nos processos históricos e a humanidade que vai se tornando melhor. O homem que é capaz de fazer o bem e que está se tornando cada vez mais capaz de expressar a bondade. Isso entrou em colapso com a primeira e a segunda Guerra Mundial e Bart viu que era completamente eh falido o pensamento liberal no qual ele foi formado. Por isso que ele rompeu com essa ideia de um Deus imanente que pode ser conhecido basicamente olhando para os processos históricos e enfatizou que a Bíblia traz um Deus completamente transcendente. Ele é o oposto àilo que nós somos ou melhor colocado, ele é completamente diferente daquilo que nós somos. Então, isso que a gente tá vendo aí nas guerras, a gente não pode explicar como sendo uma falha de Deus, como sendo uma revelação de um Deus que é, na verdade, eh, cruel ou que é um Deus eh distante e e desapaixonado ou completamente divorciado da realidade humana. Não, isso que nós estamos produzindo é porque o coração do homem é mau e Deus é absolutamente diferente da gente. Então você tem a ênfase na transcendência. Só que mais ou menos como pêndulo que a gente já falou a respeito da teologia dialética, essa esse pêndulo se move para o outro lado depois daquilo que foi a teologia de de Bart. E nessa relação da teologia da libertação, é, a gente não pode olhar simplesmente para Deus como algo absolutamente transcendente, sem perceber ele presente na história, porque a gente tem pessoas que estão eh morrendo de fome e a gente tem países em que essas sociedades são oprimidas a séculos e a gente não tem condições de pregar o evangelho para essas pessoas, apontando apenas para um Deus que é transcendente, mas que não se revela na história, que não se manifesta concretamente na história. Então, é só para recuperar um pouco esse contexto de por que Multma ele é influenciado por Bart, mas ele discorda de Bart nesse ponto. Eh, ele não tem uma teologia focada primariamente na transcendência e sim ele volta a valorizar aspectos da imanência de Deus. Mmma infundi o pensamento de Bart com uma orientação escatológico histórica, realçando a ideia de que a fé cristã não é apenas sobre o passado da salvação, mas intensamente voltada para o futuro prometido por Deus e o estabelecimento do seu reino. A esperança para multima não é uma passividade, mas um motor para a transformação que antecipa o reino futuro. Se o sujeito tem essa esperança de que o reino de Deus vai ser estabelecido na terra de forma plena no futuro, isso não é apenas algo capaz de fazê-lo suportar os sofrimentos do tempo presente, mas de alguma forma de movê-lo na direção de transformar o tempo presente à luz do que ele acredita que vai ser plenamente feito no tempo futuro. A outra influência muito diferente é Ernest Block, a filosofia da esperança. A segunda, a essa segunda grande influência foi um filósofo ateu, judaico marxista. Veja todas as credenciais como são distintas daquilo que era Calvart. autor da monumental obra O princípio da Esperança. Bloco propunha que a esperança é uma categoria central da existência humana, um impulso inerente que nos move em direção a um ainda não utópico e transformador. Apesar de Ernest Block ser ateu, ele utiliza a história e a teologia, as escrituras judaicistãs, para demonstrar como essa necessidade, como a esperança é uma necessidade do ser humano que é capaz de impulsioná-lo em direção a essa utopia e a essa ação transformadora. Mtman reconheceu a força da análise de Block sobre a esperança como um princípio fundamental, mas rejeitou seu ateísmo. Para MMA, a esperança não é uma projeção vazia, mas tem seu fundamento e cumprimento nas promessas de Deus reveladas em Cristo. Assim, ele cristianizou o conceito de utopia de bloque, fundamentando na promessa de Deus e na ressurreição. A síntese teológica, então de Mman integra tanto a transcendência cristocêntrica de Bart com a paixão pelo futuro de Block, resultando em uma teologia que vê a esperança como a força motriz da fé e da ação. E é por isso que a gente chega então nessa obra intitulada e bastante conhecida, inclusive em português, a teologia da esperança. Esperança cristã se torna uma paixão pelo futuro que inspira engajamento ativo na transformação do mundo e não uma fuga da realidade presente. Essa ênfase na esperança ativa que projeta um futuro de justiça e paz prometido por Deus ressoa profundamente com as teologias da libertação que buscam aplicar a fé cristã para desafiar e transformar as estruturas de opressão no tempo presente. Por que é que a teologia da libertação e do ponto de vista assim mais metodológico ou das das motivações teológicas iniciais surgem lá na Europa, na Alemanha e eh em contexto próximo, mas floresce aqui no contexto latino-americano por algumas razões, conquista e colonização. as conquistas espanhola e portuguesa na América Latina com aprovação tácita da igreja, e aqui igreja uma referência à Igreja Católica, que era a religião oficial tanto da Espanha quanto de Portugal. Essa aprovação tácita subjugaram povos indígenas desde o início do século X. A Igreja Católica foi cúmplice dessa dominação e até do extermínio das populações nativas. Quando a gente coloca nesses termos que a Igreja Católica foi cúmplice eh dessa dominação e até do extermínio das populações nativas, primeiro, a gente não está fazendo análise simplesmente como uma espécie assim de oposição religiosa, porque protestantes falando sobre católicos é que tem esse tom. Mas é uma realidade que a história do Brasil, assim como a história de outras nações da América do Sul apontam com muita clareza. Mas porque também os próprios teólogos da libertação admitem que essa foi a realidade da igreja, que eles faziam parte ao longo dos séculos, desde que as duas principais nações colonizadoras desembarcaram aqui na América do Sul. A outra coisa é a realidade de um sistema de opressão. Desde os tempos coloniais, o sistema político latino-americano manteve uma vasta maioria economicamente e politicamente oprimida sob o domínio de uma minoria pequena, mas incrivelmente rica. aquilo que é a realidade do Brasil e de outros países do nosso continente até os dias de hoje, que é você tem uma quantidade muito eh considerável de riqueza natural e produzida, mas a concentração de renda aqui é muito maior do que em vários países, em especial os países que a gente tá falando que eh foram os proponentes da teologia até esse momento, os países europeus e depois também os Estados Unidos. Então, a realidade da concentração de renda aqui é algo eh absolutamente eh desconhecido na história recente de muitos desses países. Violência institucional. A opressão é sistêmica e pervasiva. As próprias estruturas da sociedade são projetadas para manter os pobres na pobreza, análogo ao sistema de escravidão econômica das empresas mineradoras dos Estados Unidos do século XIX. Esse é um exemplo específico em que alguns historiadores e teólogos da libertação apontam como até nos Estados Unidos, um país que é sim a reconhecido pelo seu liberalismo econômico. Teve um período em que mineradores, por exemplo, eles trabalhavam carga horárias extenuantes e eles não recebiam seu salário em dólares, mas em sim ticketes que só poderiam ser utilizados nas eh vendas, nas lojas da própria empresa que fazia exploração mineral. Então ele só podia comprar no mercado da empresa que o empregava. Então ele não tinha liberdade econômica para fazer qualquer compra fora daquilo que era imposto pelo próprio mercado, pela própria empresa. E os preços dos alimentos eram colocados acima daquilo que era a média eh salarial daqueles próprios mineradores. Então, obviamente, eles não podiam comprar em outro lugar e comprando ali, eles estavam sempre endividados. Isso é um exemplo da realidade dos Estados Unidos, mas a gente pode falar sobre muitas eh histórias e muitos capítulos da história do Brasil que falam sobre a escravidão que durou muito tempo, séculos ah da nossa história colonial e até o período do século do final do século XIX, assim como as consequências desse período de escravização até os dias atuais. Então, a teologia da libertação traz um foco muito grande para essa violência institucional, como o sistema político e econômico, ele foi desenvolvido para preservar essas distinções. As realidades da pobreza, aqui a gente traz duas citações de dois teólogos da libertação. Um deles ainda é um expoente da teologia da libertação. já abandonou em boa medida aquilo que é a teologia da libertação, que são os irmãos Bof, Leonardo Boff e Clodovis Boff. Leonardo Bof, até hoje mais conhecido e associado à teologia da libertação. E Clodovis Boff, apesar de ter dado uma contribuição eh significativa para os pilares da teologia da libertação a partir do Brasil, ele abandonou em boa medida muitas das convicções que ele possuía no início desse movimento. Mas é reconhecido o relato que os dois trazem eh que refletem as realidades mortais da América Latina. Ainda falando aí do começo da segunda metade do século XX, né, em especial eh dos anos 60 para cá, uma mulher de 40 anos, que parecia ter [música] 70, explicou ao padre após a missa que havia comungado sem confissão. Eh, explicou ao padre após a missa por havia comungado sem confissão. Há três dias só tomei água e não comi nada. Estou morrendo de fome. Quando vi você distribuindo as hóstas aqueles pedacinhos de pão branco, fui à comunhão só por fome daquele pedaço de pão. Um outro relato é Manuel, catequista de uma comunidade de base. Então, quem é brasileiro certamente já se deparou com essa expressão as comunidades eclesiais de base, que foi um movimento de ensino e de difusão a da teologia por parte em especial dos teólogos da libertação dentro da Igreja Católica. Então, Manuel, catequista de uma comunidade de base, disse: "Padre, esta comunidade e outras da região estão chegando ao fim. As pessoas estão morrendo de fome, não tem forças para caminhar até aqui, tem que ficar em suas casas para economizar energia. Isso mostra pra gente aquilo que eh era uma realidade nos anos e nas décadas em que a teologia da libertação surge aqui no Brasil e na verdade surge primeiro em outros países da América do Sul e chega logo aqui também ao Brasil e demonstra como o problema da fome alterava eh de uma maneira muito significativa a maneira como a igreja se entendia e deveria se colocar naquela aquela comunidade na perspectiva desses teólogos. Quem são os pobres para a teologia da libertação? Existem os pobres socioeconômicos e os pobres evangélicos. Os pobres socioeconômicos são aqueles que carecem ou são privados das necessidades básicas da vida, os que são injustamente pobres por exploração do trabalho, os discriminados por raça, por gênero ou por cultura, em especial os povos indígenas. Os pobres evangélicos são aqueles que, vendo a opressão de seus vizinhos socioeconomicamente pobres, identificaram-se com seu sofrimento. Eles mesmos não eram carentes dessas coisas, mas eles se identificaram com aqueles que eram. Idealmente, isso envolve a renúncia dos bens materiais e um compromisso de trabalhar em favor dos pobres socioeconômicos. A teologia da libertação identifica duas categorias distintas de pobreza. Uma estrutural e material, e outra é a pobreza de escolha ética e espiritual de solidariedade. Ou o sujeito é pobre porque não tem, ou é pobre porque não quer se solidarizar pelos que não tem. Então existem essas duas categorias. ou a forma positiva, aquele que não é pobre evangé ou aquele que se faz pobre evangélico, perdão, é aquele que se solidariza pelo próximo que está em necessidade. Qual foi o histórico da formalização da da do surgimento da teologia da libertação? Em 1968, teve uma conferência de bispos católicos romanos em Medelim, na Colômbia. E essa, nessa conferência alguns teólogos, de forma mais contundente, ainda que isso tivesse acontecido antes, agora parece formar uma massa crítica, uma influência maior, porque contava com um apoio mais substancial de bispos. Condou a aliança tradicional da igreja com os poderes políticos e descreveu a situação como uma violência institucionalizada. vozes críticas e de denúncia contra essa relação entre a Igreja Católica e os poderes dominantes que sustentava a exploração e a opressão dos pobres existia há muito tempo. Mas isso não ganhou tração, isso não mobilizou grande número de autoridades dentro e de teólogos dentro da igreja, lideranças de forma geral. Isso muda nessa conferência de bispos. 3 anos depois, em 1971, Gustavo Gutierres, teólogo peruano, publica Uma teologia da libertação, uma obra fundacional paraa Teologia da libertação, um texto seminal, né, o texto primário do movimento. Insiste que a teologia deve ser parte do processo de transformação do mundo. E aí depois você tem a a sedimentação de uma hermenêutica da suspeita. O que é que a gente quer dizer com isso? A teologia da libertação busca trazer as duras realidades da vida em diálogo crítico com a Escritura, questionando a tradição interpretativa recebida, suspeitando da cultura e dos métodos exegéticos e não do texto bíblico. Então, pera aí. Se o nosso contexto é diferente do contexto desses teólogos europeus, americanos, que nos transmitiram todas essas tradições teológicas, a gente precisa ler de uma forma diferente esses mesmos textos bíblicos. Não se suspeita que o texto bíblico seja normativo e autoritativo, mas se suspeita da teologia que nos entregaram e que nos convenceram até aqui. o nosso contexto é diferente, a nossa leitura também é diferente e passa a se olhar com maior suspeita para eh esses textos e e esses sistemas doutrinários que influenciaram a igreja cristã até o o tempo em que esses teólogos se levantaram para apresentar suas as suas ah resistências a esse modelo de pensamento e também ah para propor uma nova forma de leitura, justificação teológica e método. Então, se é isso que eles estão rejeitando, o que é que eles estão propondo? Os defensores da teologia da libertação reconhecem que sua abordagem representa um afastamento metodológico radical dos paradigmas tradicionais. Não é acidental e não é inconsciente esse distanciamento que os teólogos da libertação têm dos paradigmas tradicionais de teologia. Quais são as justificativas para esse afastamento? Três. Primeiro, Deus como defensor dos pobres. A escritura retrata Deus como impelido a socorrer os pobres. E aqui alguns textos que na perspectiva deles fundamenta essa visão. E uma frase, eu não lembro se foi Gustavo Gutierrez, eu não coloquei o autor aqui, mas que é conhecido, na verdade foi de um dos irmãos Bof, o Leonardo Clodovis. A, ao optar pelos pobres, a igreja imita nosso Pai que está nos céus. É daí que surge a expressão e o fundamento da teologia da libertação, que é a opção preferencial pelos pobres. Deus, ele se inclina em uma disputa entre ricos e pobres, entre opressor e oprimido. Eh, na sua preferência de quem deverá ouvir primeiro e ser alcançado prioritariamente pelo evangelho, Deus opta pelos pobres. É, é, é nessa direção que se estabelece o conceito de a opção preferencial pelos pobres. O exemplo e o ensino de Cristo. Cristo fez dos pobres os principais destinatários de sua mensagem. Em Mateus 25 31 a 46, a aceitação ou rejeição dos pobres será fator decisivo no julgamento final. Isso é muito interessante. Existe uma consequência escatológica para aquilo que se faz no tempo presente em relação aos pobres. E três, motivação apostólica. A igreja primitiva mantinha tudo em comum. Atos capítulo 2. E Paulo foi encarregado de lembrar-se dos pobres. Gálatas 2:10. Então, esses são alguns dos textos e algumas das ou as principais razões pelas quais os teólogos da libertação eles estão se afastando ou no início, desde o surgimento desse movimento, eles se afastaram de um paradigma tradicional de se fazer e pensar teologia. O método praxis antes da teoria. Isso a gente começou a aula afirmando e agora nós estamos retomando. A praxis é o que deve ser o foco da teologia, da vida cristã, da vida pastoral, da vida das comunidades. Fazer a coisa certa antes de entender e procurar compreender o que é a coisa certa. A teologia torna-se ortopraxia. Teologia é uma reflexão crítica sobre a praxis à luz da palavra de Deus. Então, primeiro você pratica e depois você reflete. O compromisso precede o entendimento. Deus é conhecido entrando em compromisso obediente com seu projeto histórico, os pobres. algumas a das afirmações ou das posturas determinantes da teologia da libertação. A praxis antes da teoria, ou seja, a ação antes da reflexão, compreender Deus através do engajamento obediente com os pobres. Então, como é que eu posso entender qual a vontade de Deus, o que ele está dizendo, revelando para o nosso tempo? ou nesse texto, eu só posso fazer isso primeiro e prioritariamente pelo engajamento com os pobres. A teologia emerge da experiência vivida e do compromisso. O método inverte a abordagem teológica tradicional, porque tradicionalmente primeiro se coloca a necessidade de compreender e depois de se fazer. E essa é uma inversão característica da teologia da libertação. Primeiro a gente faz e depois a gente entende. Ou enquanto a gente faz, mas especialmente refletindo sobre o que se fez, é que a gente entende o que é a vontade de Deus. Uma frase de Samuel Escobal: "O compromisso deve preceder a compreensão porquê." E aqui abre aspas para Samuel Escobar. Não existe verdade fora ou além dos eventos históricos concretos nos quais os homens estão envolvidos como agentes. Portanto, não há conhecimento, a não ser na própria ação. Portanto, não há conhecimento, a não ser na própria ação, no processo de transformação do mundo, por meio da participação na história. Ninguém pode ninguém pode conhecer realmente a verdade se não se envolver no processo de transformação da história, em especial na transformação da realidade dos oprimidos. Essa é a perspectiva de Samuel Escobá, um dos principais nomes da teologia da libertação. Quais são algumas ferramentas de construção dessa teologia? É, principalmente a um conjunto de ferramentas de análise social. A teologia da libertação adota ferramentas específicas para compreender e transformar as estruturas sociais. Eles utilizam uma linha de interpretação social baseada no marxismo, não comunismo, como ferramenta de análise social. Vocês talvez estejam familiarizados ou não, mas o marxismo ele se desmembra em diferentes expressões e aquilo que é utilizado como matriz interpretativa, como ferramenta interpretativa da realidade, é sim o marxismo, ainda que não na sua forma de expressão do comunismo. Marxismo como ferramenta de análise social. Na perspectiva da teologia da libertação, o capitalismo é visto como inerentemente opressor. A análise crítica das estruturas econômicas é parte fundamental da elaboração teológica. É preciso compreender como elas funcionam, denunciar as estruturas econômicas associadas ao capitalismo e transformar essas estruturas em uma estrutura socialista. O socialismo é visto como uma forma ideal de sistema político econômico. O objetivo dessa ortopraxia é transformar radicalmente a ordem econômica existente. Então, a prática e a reflexão da teologia da libertação chegam ou levam à conclusão eh inequívoca de que a transformação da ordem econômica é urgente, é necessária e ela é inegociável quando se busca viver de forma coerente a fé bíblica, como revelado nos Evangelhos. Quais são os temas chaves da teologia da libertação? Fé viva e libertação. A fé viva inclui prática da libertação. O Deus vivo está do lado dos oprimidos contra os faraós deste mundo. O texto principal de referência narrativa para a teologia da libertação é o êxodo, a libertação do povo de Israel da opressão do Egito. O reino como projeto. O reino é o projeto de Deus na história e na eternidade. Jesus assumiu a opressão para nos libertar. O Espírito Santo, pai dos pobres, está presente nas lutas dos oprimidos. A igreja como instrumento. A igreja é sinal e instrumento de libertação. Os direitos dos pobres são os direitos de Deus. O potencial humano libertado, torna-se libertador. Escatologia e revolução. Rejeita-se o desenvolvimentismo gradual. O objetivo é uma mudança radical nas estruturas da sociedade, uma revolução social contínua, uma nova maneira permanente de ser. Então, existe diversidade de posição dentro da teologia da libertação, mas também é perceptível uma ênfase, pelo menos nas nas na formulação inicial da teologia da da libertação, essa necessidade de uma mudança radical e não simplesmente gradual das estruturas da sociedade. A teologia da libertação opera em três níveis: profissional, que são os teólogos e professores, pastoral, que são os ministros e líderes leigos, e comunitário, que são as comunidades eclesiais de base, que já viveram tempos de maior popularidade no Brasil. Apesar de existirem, elas tiveram uma força muito maior até a década de 90. Cada um com método, lógica e produção próprios, conforme Bof Bof aqui, que são os dois irmãos, eh, Leonardo e Clodovis Boff. Algumas críticas eh de teólogos que interpretaram a teologia da libertação e não compartilharam de todos os seus pressupostos e métodos. tanto a hermenêutica quanto a prática da teologia da libertação na realidade latino-americana. Primeiro, o perigo hermenêutico. As teologias de libertação apresentam uma questão hermenêutica profunda. Há um perigo duplo. Primeiro, a questão em pauta facilmente se torna um leito de proscuto. osculto dentro da mitologia grega era aquele que, por colocar as pessoas em uma cama reduzida demais, cortavam os membros que sobravam para eh forçar que aquelas pessoas coubessem dentro daquele leito. Existe uma maneira muito mais apropriada de contar e e a analogia se torna mais pertinente, mas é a ideia de que o que não cabe aqui a gente corta e joga fora. A questão em pauta facilmente se torna um leito de proscuto e todos os textos que não abordam a questão são descartados, ou seja, é a ideia de encontrar um canân dentro do canon. Os textos que são pertinentes para nossa teologia a gente preserva. Aqueles que não são, a gente deixa de lado. Segundo, a escritura torna-se uma ferramenta para avançar uma causa em vez da palavra de Deus com uma mensagem coerente. Estabelece-se um canon dentro do canon, como eu acabei de mencionar, e o teólogo ouve o que quer ouvir em vez de ser confrontado pelo todo, a ao invés de ser confrontado por todo o conselho de Deus, ao invés de ser confrontado pela totalidade das Escrituras. Segundo o problema ideológico do marxismo. Na teologia da libertação latino-americana, o uso do marxismo para analisar a pobreza levou à conclusão de que o capitalismo é inerentemente mau e o socialismo é o sistema ideal. O marxismo não é uma ferramenta livre de valores. Sua ideia de alienação econômica está ligada à visão de Marx da pessoa como autocção através do trabalho, não como criação de Deus. A filosofia corre como o risco, a filosofia corre o risco de se tornar mestre em vez de servo. Como a gente já se deparou com esse problema várias vezes, muitos intérpretes das escrituras mostraram o perigo de utilizar a filosofia não apenas como uma ferramenta ao longo do processo de interpretação, mas a base, o solo do qual se constrói ou no qual se constrói toda a interpretação bíblica. E muitos acusam que é justamente isso que a teologia da libertação fez a utilizar o ferramental e a perspectiva marxista de interpretação dos sistemas político-econômicos. Praxis antes da reflexão é altamente problemática a afirmação de que praxis precede a reflexão. Como pode alguém ter praxis ou prática correta sem uma visão prévia do que é de fato correto? Esse autor, esse teólogo Andrew Kirk argumenta que o método de Gutierres deve ser invertido. Se isso não acontecer, a ideologia humana em vez da escritura se torna a norma última. A práxis correta depende, em última instância, da teoria correta. Todo mundo que faz, faz alguma coisa porque acredita em algo. Acredita que algo é certo, é necessário. Como é que a gente pode convocar as pessoas a uma prática correta sem ter nenhum tipo de discernimento? Que prática correta é essa? Então, ainda que todo mundo vá concordar, acredito, pelo menos que a maioria das pessoas irão concordar que é impossível compreender a realidade do evangelho, o significado do texto bíblico, apenas na clausura do seu quarto, do seu escritório, pensando sobre as coisas da fé. É preciso se envolver com a prática da fé. É preciso se relacionar diretamente com Deus. Essa ênfase deliberada teologia da libertação que a Praxis precede e é a única coisa que nos permite alcançar alguma forma de conhecimento verdadeiro da revelação de Deus, da vontade de Deus e das Escrituras. é algo que também precisa ser eh colocado sobre suspeita, é algo que eh não parece ser sustentável diante da necessidade de discernir o que se deve fazer. Agora, é também preciso considerar que há perspectivas positivas para aquilo que foi a as ênfases, para aquilo que foram as denúncias, para aquilo que foi a a construção da teologia da libertação em nosso continente. De uma perspectiva positiva, as várias teologias de libertação reconheceram um problema que frequentemente caracterizou as teologias tradicionais. tornaram-se ortodoxia sem ortopraxia necessária. E essa acusação é válida e esse problema é sério. Ter uma compreensão adequada, coerente, consistente do ponto de vista lógico. qualquer critério teórico que você apresentar, eh, a sua teologia pode ser aprovada. No momento em que isso está divorciado da forma de vida, da ortopraxia, da coerência com a qual se vive a partir daquilo que se crê, toda a boa teologia, ela vai pro ralo, ela perde validade, ela deixa de ter uma razão de ser. Muitos teólogos podem ser caracterizados como ouvintes da palavra sem serem praticantes. Além disso, os teólogos da libertação viram corretamente os elementos sociais e estruturais do pecado, tão frequentemente negligenciados na história teológica. É verdade que a gente tem em Calvino, como a gente já falou, em Lutero, nos pais da igreja, na igreja, na teologia da igreja ortodoxa, uma fonte profunda e rica que não pode ser desconsiderada, mas a gente não tem como entender todas as implicações do evangelho para a realidade brasileira, olhando apenas para a contribuição de teólogos que viveram em um passado distante ou em uma realidade muito diferente daquilo que é a realidade brasileira. Não dá para entender o que se deve pregar e o que se deve fazer na realidade da igreja local, lendo e tomando como referência apenas os teólogos que vivem na Europa ou nos Estados Unidos, ainda que a gente precise reconhecer o valor que essas coisas não apenas tiveram, mas continuam tendo paraa nossa reflexão hoje, porque o nosso contexto é diferente e as implicações do evangelho também traz trazem a demandas e exigências diferentes na nossa realidade. Implicações do evangelho. As implicações do evangelho são mais profundas do que pode ser estabelecido pela exegese histórico-gramatical, como demonstrado pelo reconhecimento final da igreja da imoralidade da escravidão, baseado em raça. O alerta hermenêutico. A tarefa da teologia moderna deve ser uma reflexão crítica consciente sobre a palavra de Deus à luz de uma praxis, uma prática contemporânea de libertação. Não o inverso é da Bíblia para a prática. A palavra de Deus deve permanecer como norma última daquilo que são as nossas decisões sobre uma praxis, uma prática coerente que responda às demandas e às necessidades do nosso tempo. Historicamente, a teologia da libertação já viveu tempos de maior influência, de maior pertinência dentro da realidade brasileira. a gente está olhando para um fenômeno que aqui no Brasil e nos países latino-americanos foi prioritariamente eh da Igreja Católica, ainda que isso tenha tido contribuição, diálogos e perspectivas de teólogos ah protestantes, a resposta protestante a esse movimento foi um pouco diferente ou em algumas medidas, em alguns aspectos bastante distintos. Eh, e a própria Igreja Católica passou a ver algumas dessas alegações, algumas das reivindicações dos teólogos liberais como absolutamente contrários àquilo que vinha sendo o ensino histórico da Igreja Católica Apostólica Romana. E por isso as lideranças de dioceses importantes do Brasil foram substituídas por lideranças mais conservadores que não aderiam à teologia da libertação. E com isso o espaço da teologia da libertação dentro da própria Igreja Católica diminuiu ao longo do tempo. Então, ainda que isso seja uma teologia muito importante, é possível ver a sua forte influência nos meios acadêmicos até hoje. a gente também precisa reconhecer que o espaço institucional que essa teologia eh recebe diminuiu ao longo do tempo, tá bom? Mas eh é fundamental a gente entender a realidade da teologia da libertação pra gente compreender também aquilo que é a um fenômeno aqui da nossa igreja evangélica e da igreja cristã no Brasil. Tá bom, pessoal? Bom, eh, olhando aqui para o chat, eu não sei se a gente teve perguntas ou dúvidas. Tô olhando aqui a interação do pessoal, mas creio que não tivemos perguntas até agora. Se você tiver aí rapidinho alguma coisa que queira colocar, pontuar, a gente vai eh responder, senão a gente vai em breve terminar a aula. Um aviso para a nossa próxima semana. a gente vai entrar num dos capítulos mais importantes do nosso curso, que é a igreja pentecostal ou a teologia pentecostal e os movimentos pentecostais no Brasil. Teremos duas aulas sobre esse assunto. As duas aulas serão ministradas por Saão. Então, na próxima terça e quinta, a gente vai falar primeiro sobre a história do pentecostalismo, que teve várias fases diferentes, assim como falar sobre a teologia pentecostal, que obviamente é o maior grupo evangélico brasileiro. Então, ninguém consegue entender minimamente o fenômeno da Igreja Evangélica Brasileira sem compreender a história e a teologia da Igreja Pentecostal. Tá bom? Então, nosso convite para você persistir e continuar com a gente aqui na semana que vem eh paraas nossas aulas 17 18. Um forte abraço para todos que eh tiveram aí a persistência de continuar até o fim da aula de hoje e a nosso agradecimento para você que dedicou esse tempo. Até nossa próxima aula. Um abraço para vocês, bons estudos e até mais.