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Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 17 | Pentecostalismo I | Luiz Sayão

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 17 | Pentecostalismo I | Luiz Sayão

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 17 | Pentecostalismo I | Luiz Sayão

Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 17: Pentecostalismo I
Luiz Sayão

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>> Olá,
boa noite. Seja bem-vindo ao nosso curso
Macários, prosseguindo aí estudando as
diversas tradições históricas e
tradições teológicas da fé cristã. Então
fique aí sintonizado, já pode convidar
os amigos aí para participarem dessa
nossa aula que dá continuidade ao nosso
curso aí, que é, digamos assim, o nível
dois do Macaros. Você tem um curso
completo aí do nível um, né? Você tem
também muitos outros cursos que
antecedem ao Macários na IBNU, no nosso
canal e também aqui agora você tem a
oportunidade, né, de participar com a
gente nesse módulo que estuda as
diversas tradições
teológicas eclesiásticas
ligadas à cristandade, pra gente, né,
quando for omitir emitir alguma opinião,
a gente saber do que está dizendo. Então
vamos lá e se preparem. Daqui a pouco
nós vamos ter aí oportunidade para ah
conversar, né, fazer perguntas sobre
isso. Então hoje a nossa aula tem a ver
com o pentecostalismo, a tradição
pentecostal.
E nós vamos dividir essa aula em duas
partes, né? Nós vamos ter a primeira
parte agora e a segunda que será na
quinta-feira, daqui a dois dias, quando
eu vou dar continuidade. A primeira
parte tem a ver com a questão da
história pra gente entender esse
movimento e e depois então nós vamos
lidar propriamente com a parte
doutrinária na sequência aí na próxima
semana. Boa noite a todos. Sejam
bem-vindos aí. Vários dos nossos alunos
já estão sintonizados aqui no curso
MACAR. Então, vamos lá, vamos ver o
cenário histórico e contemporâneo. Quer
dizer, o pentecostalismo como movimento,
como nós, né, podemos assim defini-lo, é
na história da igreja um movimento
recente. Que quer dizer isso? que não
havia, ainda que a gente possa dizer que
em determinados momentos da história
aconteceram
certas movimentos, certas ações, né,
certas, vamos dizer, comunidades que
agiram a semelhança do que a gente vê no
mundo e no ambiente pentecostal. Nunca
houve um movimento como tal. Então se
fala, por exemplo, dos montanistas aí na
virada do segundo pro terceiro século. A
gente eh tem alguns movimentos
medievais, alguns profetas eh no
ambiente europeu, em lugares diferentes,
né, que parecem assim eh ter algo
semelhante, mas não é o caso. Nós
entendemos o movimento peculiar que se
estabeleceu nos tempos recentes como um
movimento que tem um pouco mais de 100
anos, né? Talvez no máximo aí uns 150,
160 anos. Já vamos explicar por esta
conta. Então vamos lá. É importante a
gente dar uma olhada aí na tradição
ah protestante,
a tradição protestante evangélica, né?
Eu gosto de mostrar esse quadro pra
gente ver os caminhos variados, né?
Então nós temos, desde a reforma
protestante, você tem uma tradição,
digamos assim, da reforma que se divide,
né, logo em dois, vamos dizer, duas
correntes soteriológicas principais, uma
que vai se chamar propriamente de
tradição reformada, né, que envolveu
assim, principalmente luteranos,
calvinistas, presbiterianos, reformados
e alguns batistas, né? e uma tradição
arminiana, né, que tem a ver com a
ênfase na responsabilidade humana,
diferente da ênfase maior da tradição
calvinista na soberania divina, aí você
tem a tradição que envolveu metodistas,
wesleianos, os chamados batistas do
livre arbítrio. A gente não tem esse
nome aqui no Brasil, no mundo de fala
inglês, é chamado Freewill Baptists, né?
E aí também ah os grupos que depois
serão renovados, pentecostais e
nazarenos.
[suspirando] Então dessa eh base
essencialmente arminiana, principalmente
surge um movimento que a gente vai
chamar de movimento pentecostal.
Ao mesmo tempo, né? Eh, nós vamos ter
teologicamente uma tradição
fundamentalista, evangélica, muito
conservadora, que vai influenciar também
o pentecostalismo.
E essa vertente pentecostal dá origem a
uma tradição carismática, né, que são
pentecostais e seus desdobramentos, né,
isso mais tarde tem uma conexão entre os
diversos grupos até formar o que a gente
chama de tradição evangelical. E nos
tempos mais recentes, nós temos uma
influência do mundo pós-moderno no qual
nós estamos inseridos hoje. E aí,
prosseguindo, a gente então precisa dar
uma olhada naquilo que tem a ver com o
crescimento da igreja brasileira. Então,
por que que isso é tão importante?
Porque nós vamos observar aqui qual que
é a repercussão, a influência, o
desdobramento do contexto pentecostal no
Brasil e não só no Brasil, em grande
parte da América Latina e também na
África, Ásia, em outros lugares também
na Europa e na América do Norte também,
mas não com talvez tanta intensidade
como em outros ambientes. Que que a
gente tem? Olha só, no Brasil calcula-se
hoje uma população evangélica de mais ou
menos 30% da população. E talvez você
fala: "Mas o SA não tá um pouquinho
evangelástico esse número? Talvez não
são o censo não apontou lá 26.9, 27%.
Pois é, mas acontece que o censo eh esse
recenciamento que foi apresentado do
público, ele ele coloca a população
acima de 10 anos de idade. Isso quer
dizer que as crianças
elas não foram incluídas. E quando a
gente olha para a população evangélica,
população de mais expressão de fé, via
de regra, elas têm mais eh filhos, mais
família, né? Então, é muito provável que
a avaliação mais exata esteja em torno
de 30%, o que, né, dá aproximadamente um
número de uns 60 bilhões de brasileiros.
Pessoal, isso é muita gente. Isso é
população da Itália, população da
França, né? E o que que é interessante é
que de 70 a 80%
dessa população
ah evangélica é de perfil pentecostal e
neopentecostal. Quer dizer, são as
igrejas que tiveram o grande crescimento
numérico e marcaram aí a história eh que
nós podemos
observar no Brasil. E aí a gente então
vamos dar uma olhada na questão
histórica. Para entender o
pentecostalismo, a gente precisa olhar o
que que acontece antes. A gente tem uma
herança, né, da reforma que se
caracterizou por uma herança muito
ligada a uma mudança teológica e
eclesiológica. Então a gente sabe, né, a
gente tem o os ambientes como Suíça,
como Alemanha,
eh, Holanda, eh,
Reino Unido, Inglaterra, Escócia, país
de Gales, os países da Escandinávia,
Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e
Islândia, né, um pouco também na
Hungria. Mas esses países tiveram um
grande impacto da reforma protestante, a
reforma calvinista, reforma luterana, a
reforma anglicana e a reforma
anabatista, medonita, batista, né? Os
grupos diferentes assim dos outros
reformados. Então, que que acontece?
Essa essa esse enfoque foi muito forte
na questão teológica e eclesiológica. Só
que uma vez que essas igrejas
protestantes se estabeleceram, não
demora muito. Isso se torna um
protestantismo também que vai adquirindo
características
eh de uma igreja, muitas vezes do estado
e que acaba se tornando também uma eh
tradição que favorece uma espécie
de postura nominal. você nasce num país
protestante, você é daquela igreja, né?
E aí então começa a haver uma busca por
uma espiritualidade em muitos movimentos
e isso vai se tornar forte num ambiente
efervescente
dos milhares de imigrantes da Europa que
vão paraas Américas, principalmente para
a América do Norte, especialmente para
os Estados Unidos. E aí, que que vai
acontecer? O movimento pentecostal que
chega ao Brasil, ele é de origem
norte-americana.
E nós temos nos Estados Unidos, no
século XVI e X
efervescência,
vamos dizer, migratória, sociológica e
ah religiosa. Então acontece o que são
chamados dois grandes despertamentos,
dois grandes avivamentos, muito estudado
pelos, são muito estudados pelos
estudiosos do assunto, né? Então aí você
tem, por exemplo, o primeiro grande
despertamento na Nova Inglaterra com
Jonathan Edwards e George Wfield, né? Aí
isso é no século XVI, né? E esse é um é
um avivamento assim de perfil mais
digamos calvinista, né? E aí um outro
momento de grande despertamento é do
Charles Grandson Finey, né? E e nesses
ambientes, o Finey já mais de perfil
mais arminiano, né? Ah, aí você vai ver
a coisa de uma busca de intensa de
oração, busca de santificação,
eh busca da presença de Deus, cultos
marcados por um forte tom emocional,
cultos que tentavam sair desse ambiente
ligado à maneira tradicional
das igrejas eh consideradas históricas,
né? E aí o que que a gente vai perceber
é que aí você pode ter, né, uma visão do
Jonathan Edwards e George Whitfield, o
Edwards mais conhecido pelos seus
escritos, porque ele também era um
grande estudioso, né? e o Charles
Finney, né, que é inclusive muito
admirado, valorizado e lido por muitos
da tradição pentecostal brasileira,
principalmente, por exemplo, ah, pelos
estudiosos das Assembleias de Deus, né?
E aí outra situação interessante que
merece um destaque especial foi o
movimento que trouxe o avivamento
metodista com os irmãos Wesley, né,
particularmente mais John Wesley, mas
também Charles Wesley, que era um grande
músico, né, um grande compositor e
sempre junto com o irmão. começam ali,
né, fazer diferença na Inglaterra, mas o
avivamento metodista vai eh também eh
ter um impacto muito grande nos Estados
Unidos. Inclusive o próprio Wesley, né,
teve contato com o o George Whitfield,
tinha uma certa eh proximidade, apesar
de pensarem indiferente um do outro, né?
E a gente sabe, né, o Wesley teve uma
conversão forte, né? Ah, ele veio para
os Estados Unidos, para as colônias, né,
da na América e e queria converter os os
indígenas nativos. E ele nem ele tinha
uma convicção de fé, foi muito
influenciado pelos irmãos moravianos. E
então ele se converte, né, e passa a
desenvolver todo uma proposta de
caminhada de fé que não só, né, eh tem
herança no grande avivamento, mas teve
muito impacto social, eh teve muita
preocupação com a santificação. é que
você tinha lá entre os metodistas
antigos o chamado clube santo, né, de
origem à chamada tradição Holiness, né,
e também foram muito ricos esses
movimentos,
eh, em termos de inódia, de composição
de hinos, né, e, e também os outros
movimentos avivalistas eram nessa
direção. Então você percebe que quando a
gente chega assim,
primeiro no século XVI e mais fortemente
no século XIX, essa busca de uma
espiritualidade intensa, ela tava no
horizonte eh do que se passava ali. E aí
o que que a gente vai descobrir na
sequência, né? Aí você vê o Wesley, né,
viveu aí um 88 anos, né, pregador que
pregou milhares de mensagens, sua ênfase
em em santidade evangelista.
A tradição esleana foi muito importante
para confrontar a escravidão na sua
época e e tiveram uma marca muito
relevante, né, no mundo, não só na
Inglaterra, mas no mundo de fala inglesa
também. E aí o que acontece? Essa
herança, né, a wesleyana e essa herança
do Charles Finney no ambiente
norteamericano,
ela foi a raiz, a base, vamos dizer, eh,
que permitiu assim a o surgimento do
movimento pentecostal.
Há alguns [roncando] grupos que
surgiram, se fala, por exemplo, da
igreja de Deus de Cleveland, que ela
surge eh antes do movimento propriamente
pentecostal que vai se espalhar. A gente
tem indícios disso, mas o movimento
pentecostal propriamente dito é na
literatura eh considerado
iniciando-se no começo do século XX.
havia movimentos menores, precursores,
que não tiveram tantos desdobramentos. E
aí é muito interessante que que tá
acontecendo.
Os Estados Unidos nessa época recebia
muitos imigrantes europeus por razões
óbvias, né? A situação de dificuldade em
vários países, depois você tem o momento
logo em seguida da Primeira Guerra
Mundial, né? Então tem muita
instabilidade na Europa nesse contexto,
na Primeira Guerra vai começar em 1914,
né? E muitos desses imigrantes lutavam
pela vida, eram imigrantes pobres, né?
Passavam por muitas dificuldades, né? E
e é também os Estados Unidos é o Estados
Unidos antigo de tremenda separação
racial, né? Então, nós temos toda uma
situação em que as comunidades
afro-americanas, elas vivem uma vida à
parte em relação àquilo que tinha a ver
com os eh americanos, principalmente de
perfil anglossaxão, né, mais
predominantemente vem da origem inglesa
e e irlandesa. Muitos irlandeses também
migraram, né? H, mas também muitos
alemães, inclusive muitos escandinavos
também foram pros Estados Unidos nesse
período aí, né? Então essa situação é
curiosa porque o movimento pentecostal
vai ter origem por um homem que esse
você vê na foto, esse de bigode aí, que
é o Charles Parhan. E se fala que eles
estavam reunidos, né, num momento ah
numa localidade no Kansas, em Topica,
né? E eles se reuniram numa casa lá
velha, eh, que era pertencia a um homem
chamado Senr. Stone e que a casa não
terminou. E eles passaram a dizer:
"Olha, nós temos que buscar a realidade
da vida da igreja primitiva, né? a
igreja ah que tinha ação do Espírito
Santo. Então eles começaram a buscar o
Espírito Santo, conforme o relato deles.
Até que na virada do ano do 1900 para
1901
aí, ah, conduzidos aí pelo Charles
Parhan, teve uma senhora chamada Agnes
Hosman. E ela então se afirma que ela
começa a falar em línguas e que isso é
entendido como algo que tem a ver com
aquilo que nós vemos em Atos 2, né, no
Novo Testamento. E a partir daí esse
movimento começa a crescer e vai eclodir
em Los Angeles, que é o famoso
movimento da rua Azuza. Interessante que
esse movimento teve a liderança de um
norte-americano
que era um afro-americano, que era esse
que vocês veem na foto junto do prédio
da rua Azusa em 1906,
eh, que era o o pastor William Seimor.
Então, a partir daí, desse movimento da
Rua Azus, as coisas começaram, vamos
dizer, a se multiplicar,
ah, de maneira impressionante, né? o que
que vai acontecer. Ah, esse movimento
fala de línguas, de interpretação de
línguas, de profecias, de curas, de
milagres. E como você pode ver ali, era
uma o que era considerado um chamado a
fé apostólica.
E o movimento se espalhou com força por
vários lugares. E é uma coisa
impressionante que em menos de 10 anos,
assim, na verdade até 5 anos, já tinha
se espalhado por vários lugares eh do
mundo, né? Uma coisa curiosa e
interessante no movimento pentecostal
raiz é que esse movimento pentecostal
ele faz uma coisa muito interessante.
Eh, primeiro que ele pela primeira vez
consegue, até onde se sabe, reunir
eh pessoas de contexto eh racial
totalmente diferentes. Então, nesse
primeiro movimento aqui, você vê
afro-americanos e euro-americanos, né,
pessoas diferentes, inclusive na maior
parte dos casos, pessoas de condição
social mais difícil, vulnerável. Então,
desde o começo, o movimento tinha esse
tom, né, de atingir pessoas numa
condição de vulnerabilidade,
pessoas de perfil, né, que sofriam essa
condição discriminatória comum, né,
nesse ambiente e que são irmanados por
uma proposta dessa que tinha a ver com
uma busca de uma espiritualidade
intensa. Então, por exemplo, uma coisa
que precisa ser compreendida é que esse
movimento pentecostal como surge, ele
vem com um elemento de influência
cultural da maneira de ser dos
afro-americanos.
É por isso também esse tom mais, vamos
dizer, cheio de emoção forte, de
expressão externa, né, fora daquela
postura mais cisuda encontrada nas
congregações e comunidades e igrejas
muito conectadas com a tradição europeia
da época, né? E aí o que que vai
acontecer na sequência? Esse movimento
pentecostal chega do Brasil. E é
interessante como ele chega e como é que
isso vai acontecer, né? Nós temos dois
grandes movimentos que vão marcar a
presença pentecostal no Brasil, eh, que
vão vir dos Estados Unidos, mas não,
digamos assim, de grupos que a gente
poderia imaginar. Ou seja, não foi uma
missão pentecostal organizada que foi
lá, se reuniu, fez um planejamento e
mandou os missionários para cá. Nós
temos duas eh vertentes, uma que vai dar
origem à congregação cristã no Brasil e
a outra asembleias de Deus. O que que é
interessante, né, que o o fundador da
congregação cristã no Brasil é um ítalo
americano chamado Luig Francescon, um
homem que na verdade era uma pessoa
relativamente simples, né? Os estudiosos
falam que a especialidade dele era lidar
com pisos, com assim com ornamentação,
né, de de construção.
E e ao mesmo tempo, enquanto ele tá
vindo para cá numa época próxima, dois
outros eh imigrantes, né? O interessante
que o Luigi Franciscon ele é um italiano
americano, quer dizer, ele ele já faz
parte de uma comunidade imigrante. Então
isso chama atenção. E da mesma maneira o
Daniel Berg e Gunnar Vingeres são suecos
mais radicados nos Estados Unidos. Na
época, muita gente da Escandinávia mudou
para especialmente estados no centro
norte dos Estados Unidos,
particularmente a região de Minnesota,
por exemplo, é um espaço muito marcado
pela presença dos escandinavos e eles
são suecos que também vem pro Brasil e
eles vão então assim numa postura muito
diferente, pessoas que sentiram, né, eh
uma direção que eles compreenderam que
vinha da parte de Deus e vieram para cá.
Inclusive o próprio Daniel Berg e o
Gunaving vieram, eles saíram da região
que eles moravam ali perto de Chicagua,
foram até Nova York e
tinham  com os quais eles pegaram um
navio e desceram em Belém do Pará. Então
vamos ver um pouco essa história eh mais
de perto.
O pentecostalismo,
como nós vimos, pra gente não esquecer,
né? O nascimento que a gente considera
oficial é na passagem de ano de 1900,
1901 em Kansas, no movimento de Charles
Bar. Agnes a primeira eh na, né,
explicação eh pentecostal a receber o
batismo no espírito nos tempos atuais,
conforme o relato eh do grupo. O
avivamento se espalha no Ze nos Estados
Unidos, depois que houve do que houve na
rua Zusa lá em Los Angeles em 1906.
E aí que que acontece? Luind de
Francescon, um ítalo-americano,
vem para São Paulo e pro Paraná. Ele
sai, ele a a Congregação Cristã no
Brasil tecnicamente é a igreja, né, de
perfil pentecostal primeira que é
fundada em 1910. E a questão é
interessante por São Paulo e Paraná
receberam uma quantidade muito
significativa de migrantes italianos.
E em Santo Antônio da Platina, no
Paraná, é para lá que ele vai. E depois
ele vai também eh ter muito do seu
trabalho feito em São Paulo. E a
princípio, olha que coisa interessante,
a congregação cristã no Brasil se
desenvolve no ambiente dos imigrantes
italianos, né? Nem todo mundo tem
consciência disso, mas, por exemplo,
estado de São Paulo nessa época, de cada
dois imigrantes que entravam aqui, um
era italiano. Inclusive, muito do jeito
de ser, especialmente da cultura
paulistana tem muita influência
italiana, às vezes até mais do que
portuguesa, né? E também isso é muito
forte no Paraná e em outras áreas do
Brasil. também nós temos um um
contingente significativo em Santa
Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito
Santo, um pouco também no Rio de Janeiro
e até outros estados, né? Então a a aqui
se estabelece e talvez a gente
entendendo agora um pouquinho disso, a
gente percebe porque eh um um a
Congregação Cristã no Brasil vai receber
uma aula particular, específica aqui no
nosso estudo, né? Mas a gente entende
porque ela é um pouco diferente das
outras tradições que estão presentes na
nossa realidade, né? Já os dois,
Gunarvinger e Danielberg, né? Que
afirmam que tiveram um sonho, revelação
com a palavra par, né? Eles, suecos
radigados, radicados nos Estados Unidos,
vão para o Brasil, chegam em Belém do
Pará, né? E aí é interessante porque na
época havia um missionário sueco batista
lá, conhecido, famoso Eurico Nelson,
muito celebrado pela tradição batista
brasileira, né?
E lá, eh, eles então recebem um
acolhimento, acabam ficando na igreja,
primeira igreja batista de Belém, mas
assim que eles conseguem se expressar e
dizer claramente o que estão pens que
pensam, eles acabam então entrando num
processo que divide a igreja. E essa
divisão de opiniões vai dar origem às
assembleias de Deus no Brasil, que vai
surgir, vão surgir em junho de 1911,
né? E é muito interessante porque
eh também ali nós vamos ter a primeira
brasileira, vamos dizer, eh assim, que
tem a mesma experiência similar ao que
aconteceu nos Estados Unidos, ah, que é
a primeira assembleana, né, conhecida
chamada Celina de Albuquerque, né? E aí
as Assembleias de Deus, interessante,
né? A Congregação Cristã no Brasil ficou
inicialmente muito no ambiente italiano
e com perfil próprio, mas as assembleias
começaram a crescer e se expandir mais
rapidamente. Uma das razões porque isso
acontece é que além de ser uma
comunidade, vamos dizer, no meu
entendimento, muito capaz de interagir
com o contexto brasileiro, né, diferente
de missões estrangeiras que tinham uma
maneira de ser bastante distanciada das
classes mais populares do país. Logo
asembleias de Deus desenvolveram líderes
próprios brasileiros que trabalharam
dentro do seu próprio contexto. E dois
que merecem destaque nos dois principais
ministérios das Assembleias de Deus são
Paulo Macalão e Cícero de Lima, que
foram importantíssimos na formação das
Assembleias de Deus no Brasil. E aí
então a gente, né, vê como é que isso se
caracterizou, né? não vai ser o foco da
nossa atenção hoje, eh, porque nós vamos
falar de doutrina, interpretação,
explicação, mas a gente precisa entender
pelo menos quais são as características
desse que a gente pode chamar de
pentecostalismo clássico, marcado pelas
Assembleias de Deus e pela Congregação
Cristã.
Algumas coisas marcam esse movimento.
Primeiro, a ênfase em dons de palavra.
Todo mundo sabe, né, que o a proposta
pentecostal é que os dons carismáticos
milagrosos
descritos no Novo Testamento estão
disponíveis hoje da mesma forma. Só que
a ênfase muito nítida, né, na
Congregação Cristã do Brasil se fala em
receber a promessa, né? Nas assembleias
de Deus se falava em batismo do Espírito
Santo. Os dons muitas vezes
presentes e marcantes eram línguas e
profecias. Inclusive na própria
Assembleia de Deus, a ideia de línguas
como sinal desse batismo do Espírito
Santo e a presença de profecias, de
palavra na congregação cristã. Isso é
muito forte também. a ideia de que a
pessoa ali na liderança, né, da
comunidade abre a Bíblia e fala uma
palavra que é percebida como conteúdo de
uma revelação peculiar que ajuda o
indivíduo a
entender a direção de Deus na sua vida.
Nesse momento também essas igrejas, pelo
seu perfil particular, elas têm um
contexto de isolamento das igrejas
tradicionais. Então, igrejas mais
antigas, como metodista, Presbiteriana,
batista, congregacional, assim, cada um
no seu canto. Não existe uma relação de
proximidade e, na verdade, nem de
comunhão ou até mesmo de mútuo
entendimento. Uma coisa que marcou essas
comunidades foi o que é chamado, né? A
gente, pessoal comenta muito, usa muito
a expressão de usos e costumes, né? Mas
uma proposta de rigidez de conduta, quer
dizer o quê? Que as roupas, né, que não
poderiam ser muito modernas, que não
podiam ser extravagantes, que não
poderiam ser sensuais,
costumes, hábitos, né? Então,
historicamente, essas igrejas mais
assim, por exemplo, preferiam que os
seus membros não usassem barba, vigode,
andasse com o cabelo cortado. As
mulheres deveriam ter o cabelo longo e
não cortar, de preferência. No caso da
Congregação Cristã do Brasil, o uso de
véu, especialmente nos momentos eh
propriamente cúticos, né? Então assim,
esse essa atenção para elementos de
conduta do que você pode ou não pode
fazer, os usos e costumes específicos,
foi muito marcante dentro desses eh
contextos das igrejas pentecostais
clássicas, né? E uma coisa interessante
que essas igrejas
tiveram um crescimento forte entre a
população mais vulnerável, entre os mais
simples da população. as igrejas
históricas, tendo essa herança de um
protestantismo, que a gente pode chamar
de perfil mais influência
intelectualista, mais iluminista, né,
como consideram alguns autores, né, elas
eh tinham um perfil que elas apelavam
mais para classe média e média alta e
até alguns casos classe alta, né, na
época a ideia, né, né, que existia
assim, ó, se você é de tradição
protestante, você é a favor do
progresso, você não tem um raciocínio
medieval, você não tem uma mentalidade
católica [limpando a garganta]
e arcaica, antiga, né?
Era assim que se entendia. Mas essas
igrejas vêm com um perfil muito peculiar
e diferente e elas crescem em ambientes
muito simples. Então é muito comum você
ver, né, eh
lugares assim eh congregações em lugares
muito necessitados, em em zonas simples,
lugares distantes. É, e e atendendo
classe mais desfavorecida da população.
Aí o que que acontece? Esse movimento
pentecostal cresce, se desenvolve com
relativamente força, né, até a década de
50. E na década de 50 a gente vai ter
uma mudança no cenário, porque vai
chegar ou podemos chamar assim um outro
tipo de pentecostalismo, um
pentecostalismo que não vai ser do mesmo
perfil das duas maiores tradições
históricas. E na verdade, muita gente,
inclusive sai especialmente das
Assembleias de Deus e passa a fazer
parte desses novos movimentos. Que que
acontece?
Ah, o Brasil tinha
influência histórica, né, colonial de
Portugal, né, desde o século XIX tinha
aberto as portas paraa imigração
estrangeira, com muita gente eh da
Europa vindo para cá, não só de outros
lugares também, mas a influência
europeia era muito forte, a influência
na educação brasileira francesa era
forte, influência inglesa até certo
ponto alemã também, muitos imigrantes
aqui. E quando a gente chega no período
pós-guerra, aumenta intensamente até
pela condição europeia, né, a influência
americana no Brasil depois da Segunda
Guerra Mundial. Então, o que que
acontece? Afervescência religiosa que a
gente via nos Estados Unidos e os
Estados Unidos passa a desempenhar um
papel eh cada vez mais protagonista,
principalmente nas Américas. Então,
muitos, vamos dizer, representantes
desse novo perfil começam a chegar aqui
como missionários e vão ser fundadas
igrejas diferentes e algumas delas
merecem uma atenção especial. a que
merece aí o nosso olhar aí é a igreja
quadrangular, igreja do evangelho
quadrangular, né, que é Marf Square
Gospel, eh, que foi fundada,
curiosamente por uma mulher, né, numa
época em que a gente não imaginaria isso
na década aí de 40 para 50, né, uma eh
evangelista que inclusive se afirmava eh
com um dom de cura, né? Ela era
canadense, mas se fixou nos Estados
Unidos e era uma pessoa curiosa porque
além de ser mulher, ela era muito
moderna paraa época. A Mimp Mcferson
usava calças compridas, ela tinha
amizade com pessoas que tinham ali a sua
eh presença em Hollywood. era uma pessoa
diferente e ao mesmo tempo, eh, muito
empolgada e dedicada à proclamação do
Evangelho. E os missionários da igreja
quadrangular chegar ao Brasil em 1951,
particularmente em São Paulo, né? Então
nós tivemos aí ah indivíduos como
William Boltri, né?
Ah, e eles chegam e vão fundar uma
igreja que é fundamentada, não só em
línguas e profecias, mas também muito
ligadas à questão de cura divina e
exorcismo.
E essa igreja chega, né? Então você tem
porque a igreja quadrangular, Jesus
Cristo salva, cura, batiza com o
Espírito Santo e ele voltará.
A igreja tem bastante impacto, né?
Começa a crescer e abre um caminho que
favorece a formação de novas igrejas,
inclusive igrejas agora totalmente
brasileiras. destaque para duas delas, a
Igreja, O Brasil para Cristo, que teve
um impacto enorme, fundado em São Paulo,
ali na Pompeia, rua Carlos Vicari, 324,
a Igreja Brasil para Cristo, fundada em
1955 pelo missionário Manuel de Melo,
né, que fez, é muito interessante a
história dele, bem diferente. Ele ao
mesmo tempo tinha todo um contato com
grupos religiosos muito variados. Ele
visitou o Conselho Mundial de Igrejas.
Ele foi um dos primeiros a fazer grandes
reuniões evangélicas em estádio. Na
época se dizia que um bom evangélico nem
podia ir no estádio. Então, uma mudança
muito grande. E também um pouco depois
disso, um chamado missionário Davi
Miranda em junho de 62, né? Davi Martins
Miranda vai fundar uma das igrejas que
também vai ter um impacto enorme,
especialmente através do que eles
fizeram pela rádio, né, que era a Igreja
Pentecostal Deus e Amor. E nesse
período, os anos 60, 70, surgem várias
igrejas. Igreja Pentecostal da Bíblia no
Brasil, igreja
Nova Vida no Rio de Janeiro. Ah, e
vários grupos, Igreja Avivamento
Bíblico, é incontável. Começam a surgir
uma série de mais nesse tom diferente,
essas igrejas não têm mais aquele perfil
das igrejas clássicas. Olha que coisa
interessante. Essas igrejas, por
exemplo, começaram a enfatizar cura
divina e exorcismos nas tendas. Por quê?
Porque nas igrejas antigas, numa
congregação cristã no Brasil e numa nas
Assembleias de Deus, você tem o templo
da igreja. O templo é o santuário, o
lugar sagrado. As pessoas, templos
inclusive são construídos com esse
enfoque e aí todos os cultos, as
reuniões importantes são lá. É verdade
que existem reuniões nos lares, existe
cultos em lugares assim, mas ali é o
lugar. Essas novas igrejas elas elas
rompem com esse paradigma. Eles começam
a fazer uma tenda como se fosse tenda de
circo. E lá tem as suas reuniões de
libertação, reuniões eh de cura, né? E a
coisa é explícita. Olha, venha para
aquela semana especial de cura, venha
para noite da libertação. Então isso
ganha muito espaço diferente, né? E como
essas igrejas são de uma nova época,
onde os costumes começam a mudar, né,
com influências que chegam a
especialmente do da sociedade
norte-americana da época, então eh
começa-se a ter uma flexibilidade
maior quanto a usos e costumes. uma
igreja quadrangular não se compara com
uma igreja Assembleia de Deus antiga,
mas ao mesmo tempo e curiosamente
algumas igrejas se tornam mais fechadas
ainda, como o caso da igreja de Deus em
Amor, mas amplia-se, muda-se um pouco.
Então você vai começar a ver
pentecostais, mulheres que cortam o
cabelo, que usam um roupa, não perfil
mais antigo, que até às vezes
utilizariam calças compridas e assim por
diante. Esse perfil começa a mudar. E
uma coisa interessante, né, como esse
novo modelo pentecostal em algumas
igrejas específicas
começa a a ampliar os horizontes, começa
a alcançar a classe média, que antes era
uma coisa mais difícil no ambiente das
igrejas históricas, né? E uma mudança
significativa.
Que que acontece? As igrejas antigas,
né? Por exemplo, até hoje a Congregação
Cristã no Brasil tem uma orquestra, tem
uma banda, instrumentos assim que tocam
hinos clássicos, Assembleia de Deus
tradicional também, né? A famosa arpa
cristã. Quando chega nesse momento, a
gente vai ter uma inovação musical. Quer
dizer, o pessoal começa a cantar que é
chamado de corinhos, de cânticos, com
batendo palmas em ritmo assim de
marchinha, eh, totalmente diferente, né,
e com um apelo muito mais popular, né, e
aparece então um cenário de diversidade
do louvor.
E aí o que acontece? A gente não vai
entrar nisso hoje porque não é o foco da
nossa aula, mas é importante mencionar.
Por quê? Porque quando a gente fala de
pentecostal,
muita gente fala assim de uma maneira
genérica: "Ah, não, porque os
pentecostais falam isso. Ah, não, porque
aquela igreja lá é de perfil
pentecostal". Pois é. Uma coisa é o
pentecostalismo clássico histórico, que
também passou por muitas modificações.
Assembleias de Deus de 1920, 1930
não são a mesma coisa do que elas eram
nos anos 80 e muito menos hoje.
Assembleia de Deus hoje é uma
denominação que tem diversos seminários,
institutos bíblicos. Ela tem eh editoras
que publica materiais teológicos. Elas
estudam a Bíblia de uma maneira muito
mais intensa do que no passado. A
congregação cristã no Brasil também tem
passado por momentos de reflexão em
função de uma série de elementos que
trazem, né, uma reflexão eh diante do
novo cenário que nós nos encontramos,
né? H, mas eh essas igrejas de qualquer
maneira tem um perfil que é distinto do
que acontece com o movimento pentecostal
de cura divina, especialmente
significativo
na década de 60 e 70. Que que acontece
antes dos anos 80? A data mais adequada
do ponto de vista dos estudiosos é 1977.
Nós temos o surgimento do
neopentecostalismo.
Neopentecostalismo, então, é um novo
perfil, é um grupo de igrejas que vocês
podem olhar aí, você tem a influência
ah de alguns americanos, né, que eh
marcaram a história, né? você tem aí o o
Kenneth Haagen, né, que foi uma das
referências de eh que marcou esse
momento, né? Ah, e também aí as figuras
que talvez sejam as mais marcantes, né,
que nós temos na nossa história, que é a
figura eh do fundador da Igreja
Universal do Reino de Deus, né?
Eh, exatamente. O bispo chamado Edi
Macedo e também do RR Soares, da Igreja
Internacional da Graça. São talvez os
que marcam o movimento neopentecostal
mais, vamos dizer, emblemático e
marcante
da realidade brasileira. E isso já se
completa em torno de 50 anos, né? O
movimento cresce muito, especialmente
porque enquanto os pentecostais de cura
divina tiveram impacto muito grande pelo
rádio, esses movimentos tiveram um
impacto enorme pela televisão. Aí você
tem o Copeland e o Hegen, que são os
dois
principais influenciadores teológicos do
neopentecostalismo, que entra num
caminho diferente de teologia da
prosperidade, confissão positiva e
outras coisas que na aula específica vão
ser trabalhadas aqui no nosso curso. E
mais recentemente, né, pra gente
completar, eu diria que a gente tem o
que a gente chama de um de um pós um pós
pentecostalismo.
fragmentário
digital pós-moderno. Ou seja, as igrejas
que têm alguma raiz na tradição
pentecostal hoje, elas entraram num
caminho de extrema diversidade, com
grupos muito diferentes,
muito variados. E hoje nós temos esse
contexto do mundo digital. Então, nós
temos uma enormidade. Existe hoje
centenas de denominações de grupos de
igrejas, algumas autônomas, que um
movimento meio diferente que tem a ver
com a realidade pós-moderna, que a gente
vai tratar quando for na aula
específica. Mas muito bem, já deu paraa
gente caminhar bastante aí para poder
ter esse cenário do pano de fundo
histórico para entender de onde saiu,
como é que caminhou e onde chegou o
neopentecostalismo. Então vamos agora
passar para o momento de perguntas e
respostas. Se eu vou pedir aqui hoje
temos a assessoria especial da
professora Suzi, professora não pôde
estar conosco ao vivo hoje. Então,
professora Suzi, boa noite. Bem-vinda à
nossa aula.
Boa noite. Bom estar aqui com vocês. Faz
tempo que eu não, né, não apareço por
aqui.
Muito boa aula, saiu. E a Fê pergunta
aqui, há poucos anos teve um movimento
desse tipo dos Estados Unidos, seria uma
segunda vez. Outra coisa, Pentecostes
não foi exclusividade em Atos dois.
Bom, a Felivi
Felivveri, né? Eu não sei o que que ela
quer dizer com há pouco tempo. Houve um
outro movimento desse tipo, né? Então,
porque na verdade assim, eh, depende,
né, o que a gente chama de movimento,
né? sempre tem coisa, vamos dizer, nova
aparecendo, mas não necessariamente isso
é um movimento. Os Estados Unidos é um
ambiente de muita efervescência
religiosa, né? Tá ligado com a história
do país, com a história da imigração e
com uma série de outros fatores. Então,
assim, eu diria que não é que teve um
segundo, tem vários, né? Então, a gente
tem ondas eh de certas coisas que
começam a acontecer em certas áreas dos
Estados Unidos, não só. Por exemplo,
surgiu um movimento uns anos atrás
chamado Toronto Blessing, né, que seria
uma dita unção que veio da cidade de
Toronto, no Canadá, né? Mas tem coisas
muito variadas, dependendo de onde. Nem
sempre os movimentos chegam aqui, mas
alguns chegam também. Agora veja, nós
vamos falar com detalhe sobre isso. O
Pentecoste
não foi só Atos 2. Sim, foi só Atos 2.
Mesmo nenhum pentecostal vai dizer que o
que ele tá fazendo é tendo um outro
Pentecoste igual Atos 2. O que ele quer
dizer
é que aquele Pentecoste é um padrão, né,
de que o espírito foi derramado, mas que
cada pessoa na sua vida para ter ação
devida do espírito na sua vida, ele
precisa passar por uma experiência
poderosa com o Espírito Santo. Assim
como o calvário é uma coisa só e mas
todo mundo precisa crer e se converter,
o Pentecoste é uma coisa só e a pessoa
precisa passar por essa experiência.
Essa é a base de explicação
ah dessa doutrina do batismo do Espírito
Santo, que na verdade é uma doutrina que
antecede o pentecostalismo, mas o
pentecostalismo ela vai ter um um
contorno diferente. Então a conversa que
a gente vai ter na quinta-feira é se
esse tipo de formulação doutrinária é
bastante clara no Novo Testamento.
>> Tá certo? Eh, aqui o Marcos pergunta:
"Professor, parabéns pela aula. Na sua
opinião, por que os pentecostais são a
grande maioria dos evangélicos no
Brasil?"
>> Muito bom, Marcos. Pergunta importante,
né? O que que acontece?
Às vezes a gente pensa o seguinte: "Ah,
bom, se você perguntar para um
pentecostal médio, né, porque as igrejas
crescem?" Talvez muitos deles vão dizer
o seguinte: "A cresce porque ela busca o
poder de Deus". O poder do Espírito
Santo é uma igreja consagrada, né? Só
que você tem igrejas pentecostais
antigas no Brasil e essas igrejas não
cresceram. Não é o fato de que todas as
igrejas pentecostais
cresceram de maneira significativa.
Eh, tem muita igreja antiga e pequena. E
aí, por que as igrejas cresceram? Claro
que quando você pega uma igreja
pentecostal média, eh, pela própria
proposta de chamada a consagração, a
dedicação, ela com certeza deve ter mais
desdobramentos. Então, as igrejas
pentecostais, diferente de muitas
igrejas históricas que o sujeito vai uma
vez na igreja por semana, no domingo, e
mesmo assim ele vai um, falta o outro,
essas igrejas têm uma postura muito
maior. Existe igrejas que tem tipo culto
todo dia, né, e cultos diferentes.
Então, o pessoal tem um dia que tem
círculo de oração, outro dia tem eh
culto de doutrina, o outro dia
tem culto eh vamos dizer aberto
evangelístico, né? Então, eh, isso é,
mas na minha opinião, o que acontece é o
seguinte, a maneira como as igrejas
históricas eh acabaram chegando no
Brasil eh teve a ver com os missionários
estrangeiros, missionários
principalmente americanos, mas também eh
ingleses, alemães, suíços, de outros
países, coceses, canadenses, né?
E essas igrejas, elas tinham muito um
perfil ligado à tradição de origem
desses missionários. De modo que quando
você pegava um brasileiro padrão, um Zé
da Silva que gosta de um café preto, né,
de ver a final do futebol e de contar
causo com amigo e ele entrava naquele
estilão dessas igrejas, principalmente
na maioria do sul dos Estados Unidos.
Aquilo não tem pertinência, a música, o
jeito de ser. Então, o ponto de contato
cultural era muito menor. Quando
os assembleanos e depois os outros
pentecostais entram no cenário,
primeiro, a pregação deles não é uma
aula complicada e difícil. Não tem uma
sequência lógica que alguém precisa ter
um pouco de treinamento
intelectual para acompanhar. Pense no
Brasil de 70, 60, 80 anos atrás, o grau
de formação, educação das pessoas.
Imagina um missionário estrangeiro
falando com sotaque
e explicando as coisas. Ponto um, ponto
dois, conclusão. E compara isso com uma
igreja pentecostal onde o cara ia lá na
frente chorar, dando testemunho. Falou:
"Meus irmãos, Jesus me livou da cachaça.
Eu antes eu batia na minha mulher e eu
brigava com meus filhos, mas agora, oh!
Aleluia! Que coisa! Então isso teve
muito mais impacto, muito mais conexão,
mesmo que fosse um pessoal mais simples,
sem grandes preocupações teológicas,
a coisa ela até pela liderança
brasileira do perfil comum que entrou no
cenário, isso teve grande impacto. E
você vai ver que as igrejas dos anos 50
e 60, elas deixaram aqueles hinos mais
tradicionais e começaram cantar. Eu
caminhando
para a cidade santa, eu a minha alma
está cheia de pai. P. Então você
imagina, né? Então você percebe que teve
pertinência e a coisa se avolumou e teve
um impacto significativo.
Bom, saião, agora a pergunta é: qual é o
o maior problema da teologia pentecostal
ao seu ver?
Então, eh, veja, é um pouco difícil
responder essa pergunta, como a gente tá
dizendo, porque existe muitas
igrejas pentecostais de perfil
diferente, mas eu posso, de modo geral,
dizer o seguinte: uma parte das igrejas
de tradição pentecostal
tem um problema
achar eh que o estudo aprofundado
teológico é um problema paraa
espiritualidade. verdadeira. Sabe aquele
negócio assim, a letra mata, o espírito,
né, vivifica mal interpretado, achando
que tem a ver com o estudo. Algumas
comunidades no passado e algumas ainda
no presente diz: "Olha, esse negócio de
estudar, de aprender teologia, isso não
tem nada a ver. Eu quero ver a joelho no
chão, jejum e oração." Pois é, não
precisa ser uma coisa contra outra.
Então, algumas igrejas correm o risco de
ir para um obscurantismo. Um outro grupo
de igrejas, ah, tem um problema onde
você tem um excesso de emocionalismo.
E às vezes esse processo favorece a
manipulação das pessoas por vias
emocionais, porque as pessoas vão, né,
entrando naquela esfera emocional
mística muito acentuada, de modo que a
pessoa pode realmente fazer loucuras,
né? E eu vi igrejas muito
desequilibradas onde de fato que até os
próprios pentecostais
mais, vamos dizer amadurecidos falavam:
"Não, olha, professor Saão, pastor Saão,
isso aí é uma profetada, isso nem é
profecia de verdade, né? Então existe um
pouco o perigo, né? E esse tipo de coisa
favorece também o surgimento e o
crescimento de heresias. Quando você tem
um sujeito mal intencionado e vê o
pessoal totalmente dominado pelas
emoções, ele pode desencaminhar as
pessoas de maneira indevida, né? E e
finalmente aí não é todo o movimento
pentecostal, mas mais esses grupos mais
recentes que a gente corre o risco de
entrar numa postura exagerada de eh,
vamos dizer, eh, ter uma atitude assim
próxima do jeito mágico de entender a
vida. Então, olha, você precisa aqui
passar o o o óleo ungido, se você não
usar o avental abençoado, se você não
levar a a flor da bênção para sua casa,
a sua vida não vai melhorar. É difícil a
gente imaginar que esse tipo de proposta
seja muito promissora. Então, nesse
caso, a há desequilíbrios que até mesmo
eh causam, né, questionamento do próprio
ambiente pentecostal.
>> Bom, professor, e agora o senhor já teve
alguma experiência pentecostal, como
falar em línguas, sonhos, visão?
>> Então, ah, eu não sei se eu poderia
chamar isso de experiência pentecostal.
Se você quiser perguntar se você já teve
alguma experiência milagrosa, nossa, e
muitas e muito impressionante. Eu já
tive, já tive sonhos que se cumpriram
uma pouco tempo depois. Eu tive uma
ocasião em que eu tava tentando
evangelizar um homem que tinha uma
situação muito difícil, muito rebelde,
difícil e eu precisava encontrar com ele
para levá-lo, inclusive num ambiente que
a gente ia orar por ele, tava numa
situação muito complicada e eu dormi
naquela noite eu dormi cansado e no
sonho à noite uma voz falou bem alto:
"São 5 horas e eu acordei, pessoal,
sinceramente, Gente, eram quando eu
peguei o relógio, fui ver, era 5:1
e eu acordei imediatamente,
encontrei com o homem, saí na época,
peguei um ônibus, fui encontrar com ele,
fomos para um encontro especial de
oração e naquele dia o homem se
converteu.
Eu já orei por pessoas possessas com
demônios assim terríveis. Eu já orei por
pessoas que foram curadas de uma maneira
que eu mesmo levei um susto, né? não
tinha entendido aquilo em muitas
situações, aliás, com todo consideração,
a gente não deve falar bem de se mesmo,
mas assim, pessoal, a minha vida é um
milagre do começo ao fim, é doideira. Eu
não tenho nem razão para est vivo aqui
falando com vocês. Então, eh, sim, né?
Mas eu não vou dizer que essa
experiência ela é exclusivamente
pentecostal. experiência de Deus na
minha vida, de muitas pessoas acontece
isso e que são experiências da graça e
do poder de Deus na vida da gente. Não
que eu seja gente boa e nem que eu tenha
feito nada para merecer.
>> Eh, eu acho que não dá para fechar Deus
em nenhuma caixinha, né? Deus vai agir
de várias formas, inclusive através de
sonhos e visões e outras coisas. Bom,
aqui o Marcos pergunta, né? Eh, porque
alguns pentecostais não gostam de
estudar teologia. Tem alguns que dizem
que se estudar muito, principalmente a
filosofia, corre grande risco se de se
desviar da fé.
>> Então, de um lado eles têm razão, do
outro lado eles não têm. Por que que de
um lado eles têm razão? Porque é
verdade. Você pega um indivíduo simples,
que ama Deus, que recebeu Jesus na sua
vida, que viu coisas maravilhosas da
parte de Deus e de repente ele encontra
um indivíduo lá que se apresenta como
teólogo,
alguém que se disse conhecedor e
formador de opinião a partir do estudo
técnico da teologia. Daí ele começa a
ver as coisas que o indivíduo tá
falando, o que ele tá fazendo e como é
que muitos deles nessa caminhada
intelectual perderam a fé. Ele diz:
"Esse negócio não é de Deus, não". E de
fato, muita gente que estuda teologia
academicamente
nunca teve experiência de fé e nem
conhece Cristo Jesus na sua vida. Então,
quando você vê alguns pentecostais, né,
olhando para isso, ele fala: "Puxa, já
que esse é o caminho, então é melhor
não, né? Agora veja, você vai ter que
ler a Bíblia. E a Bíblia é palavra de
Deus e ela tá escrita com palavras que
você precisa ler e entender. E se Deus
deixou palavras pra gente, ele precisa
ler e entender direitinho. E não dá para
entender isso só na boa vontade. Você
precisa saber se é isso mesmo que o
texto diz. Então você tem que conhecer o
o sentido do que tava escrito no
original. Você tem que conhecer o
contexto, senão você vai entender tudo
errado. Imagina, muitas pessoas fizeram
loucuras em nome de Deus porque
entenderam um texto bíblico errado.
Imagina, sujeito foi lá, bom, Jesus
disse, se a tua mão faz pecar, corta. O
cara vai lá e corta. Eu já conheci
pessoas que fizeram loucuras porque
leram um texto bíblico fora de contexto.
Imagina o indivíduo recém-convertido
abre o salmo e diz: "Feliz aquele que
pegar os teus filhos e despedaçá-lo
contra as pedras". Que que ele vai fazer
com esse versículo? Então não tem como
você fugir. Então, nesse sentido,
aqueles que acham que o estudo bíblico
teológico não é adequado, precisam
repensar e precisam
com o coração humilde, buscando Deus na
sua vida, comprometidos com a missão,
procurar entender o que Deus tem para
nós. E para isso você precisa fazer esse
estudo bíblico, teológico.
Bom, mais uma pergunta do Marcos. As
línguas estranhas de dos pentecostais
têm a ver com a língua dos anjos
mencionadas em Primeira Coríntios 13?
>> Então, eh, aí é é uma conversa longa,
né? E acho que teria mais pertinência na
próxima aula. Se você perguntar para
alguns pentecostais, nem todos, eles vão
dizer: "Não, isso aí sim é língua dos
anjos".
Só que é o seguinte, quando você estuda
tecnicamente a questão das línguas, você
tem dois enfoques. Um é entender
as línguas como idiomas milagrosamente,
né, falados pelo poder do Espírito
Santo. Como você vem atos, todo mundo
começou a entender que estavam falando
na sua língua materna ou uma língua que
não é propriamente um idioma, mas a
pessoa entra em êxtase dominado pelo
espírito e fala coisas que podem ser
interpretadas pelo poder do espírito.
Nenhum texto diz claramente
que qualquer uma dessas é língua de
anjos.
Primeira Coríntios 13:1, ele vai usar um
termo que precisa ser visto com atenção,
ainda que eu falasse a língua dos anjos,
não tá nem dizendo que ninguém fala.
Talvez seja somente uma hipótese. Ele
diz: "Olha, se eu tivesse tão cheio do
poder de Deus que eu fosse capaz de
falar a língua dos anjos
e então e eu não tivesse amor, nada
seria". Então, quer dizer, não tem
nenhum texto dizendo, ó, vocês devem
falar a língua dos anjos. Nenhum texto
dizendo que as línguas que estão sendo
faladas são dos anjos. Só tem o texto
que fala que é uma hipótese. Por isso,
no meu entender, não é adequado ouvir o
que nós ouvimos hoje de línguas em
êxtase em ambientes de perfil
pentecostal e dizer: "Olha, tá vendo?
Isso aí é língua angelical".
Bom,
vamos aqui. Pera aí. A Rita pergunta:
"Qual a influência do bispo Roberto
McAlister no sentido de dons de cura
divina que exercita universal e Igreja
da Graça, além de outras com o mesmo
perfil?"
>> A influência e a importância é grande,
né? Para quem não conhece, o bispo
Robert McAllister, ele é um missionário
que veio do Canadá, né, e chegou eh no
Brasil e foi se radicar no Rio de
Janeiro e deu início à igreja Nova Vida,
que teve um impacto significativo aí nos
anos 70, né, e que a gente pode encaixar
como o que a gente chama de
pentecostalismo, de cura divina. A coisa
diferente do do da igreja Nova Vida,
como ela se
instala no bairro do Botafogo, no Rio de
Janeiro, ela teve um impacto
significativo em gente de classe média e
média alta, né? e teve um
desdobramentozim. Então é verdade que o
trabalho dele, né, que inclusive foi
muito dedicado, ele vendeu a casa dele
que ele tinha no Canadá, aplicou os
recursos aqui, a aquilo que e eles
começam a fazer, que é um trabalho forte
de libertação, é que teve uma influência
direta do trabalho inicial do bispo Edir
Macedo, que começa a Igreja Universal em
1977,
né? Então, teve sim impacto e tem até
uma conexão também entre o bispo Ed
Macedo e o missionário RR Soares, né? De
modo que ah eles tiveram um impacto
significativo. Mais tarde,
posteriormente, né, a Igreja Nova Vida,
ela acabou eh tendo o divisões, né, do
do própria igreja em em grupos
distintos. Inclusive, parte dessa
igreja, ela eh caminhou na direção de
uma ênfase mais teológica no seu caminho
de reorganização depois ah do do novo
momento que eles estavam vivendo aqui no
Brasil.
>> Bom,
eh aí vamos voltar pro Marcos. O senhor
já recebeu alguma revelação? seja uma
profecia que algum irmão ou irmão
profetizou na sua vida e aconteceu.
>> Ah, sim,
>> sim. Eu diria que a maior parte das
coisas nesse sentido, eh, que,
eh, eu vi na minha vida, eh, eu acho que
uma boa parte é uma boa vontade da
pessoa. A pessoa, ele fala algo que ele
acha que é de Deus, não quer dizer que
ele esteja enganando ninguém, não quer
dizer que não tenha gente que faça isso,
né? A pessoa tem uma intuição própria e
apresenta como uma palavra divina, mas
isso não acontece, né? Não tem nada a
ver, né? E eu acho que tem que tomar
cuidado, porque tem coisa que acontece
com cara de sendo uma coisa milagrosa de
Deus e tá longe disso. Pode ser até uma
coisa negativa mesmo, ruim, né, até do
mal, mas existe eh coisas que são
dirigida por Deus, né? Muitos anos atrás
eu conheci uma irmã, né? Eu poderia
contar várias histórias aqui, mas
conheci uma irmã muito dedicada de
oração, que tava condenada à morte e ela
eh teve uma experiência poderosa de cura
sobrenatural na sua vida. Ela sentiu de
fato o agir de Deus assim, ela tinha
poucos dias de vida e ela foi uma pessoa
muito simples, muito humilde, que fazia
maior parte das coisas na sua casa e
também na igreja que ela frequentava,
né? E eu tive muitas oportunidades de
vê-la aí sendo usada por Deus,
libertando pessoas, né? E um belo dia eu
fui numa reunião de oração lá e aí eu eu
tinha na ocasião o quê? 18 anos de
idade, não um pouco mais do que isso.
Nessa época é talvez 20 anos, alguma
coisa assim. E aí ela chegou e fez uma
oração e falou: "Olha, você fique
preparado porque um dia Deus vai te
levar para fazer diferença
no reino de Deus em diversos países do
mundo." Eu ouvi isso naquele tempo,
pessoal, naquele tempo eu tinha dinheiro
para pegar o ônibus, né? E eu escutei
aquilo, falei: "Bom, amém, que Deus
abençoe, né?" Então, hoje, depois de uma
jornada de vida, o Saião conhece 65
países, né? e aquilo que ela disse aí há
mais de de 40 anos atrás. E aquilo que
Deus eh trouxe através da minha eh
trajetória hoje, de fato, tá se
multiplicando em vários lugares do
mundo. Naquele tempo, isso seria algo
completamente
fora da realidade.
>> Amém. [risadas]
Eh, Eduard, o que aconteceu com Cornélio
e a família em Atos 10? É a mesma língua
de Atos 2, Atos 19, quando Paulo
pergunta aos discípulos eh de João que
se já receberam o Espírito Santo. Eh,
será que essa era o mesmo?
>> Pessoal, vocês estão antecipando a
próxima aula, né? Mas vamos lá. Ah, Atos
2 é o Pentecoste que atinge só judeus.
E aí, lembre como é que a lógica de Atos
18, o Evangelho vai chegar onde? Em
Jerusalém, em Judeia, Samaria, com fins
da terra. Atos 2 atinge judeus,
Jerusalém e Judeia. Atos 8, isso vai se
cumprir com Samaria.
E Atos 10 tem a ver com o Cornélio, que
é o primeiro gentil alcançado. E aí você
tem o Pentecoste. Esse Pentecostes é
muito importante. Por quê? Porque ele
mostra para aqueles discípulos de
formação e mentalidade judaica restrita
que Deus estava aceitando samaritanos e
gentios no corpo de Cristo. E aí você
tem a pergunta, mas e o Atos 19 que fala
dos discípulos de João Batista ali é
interessante.
Aquele texto faz referência à aqueles
que estão, né, entre a antiga e a nova
aliança, como quem diz, quem tá no
Antigo Testamento e não chegou no novo,
porque eles conhecem só a mensagem de
João Batista e nem entendem quem é Jesus
e o que foi que aconteceu.
Por isso é que vocês receberam o
espírito, não nem ouvimos falar nada
disso. Aí eles são batizados em nome do
Senhor Jesus e acontece também o
Pentecoste com eles. Então, tem toda uma
razão de ser teológica e missionógica
nos diferentes pentecostes de Atos, que
são, na verdade, a ampliação do
Pentecoste primeiro para cumprir essa
proposta de atos de sair de Jerusalém e
Judeia para alcançar o ah confins da
terra. Tá bom,
>> pessoal do Japão mandando abraço direto
de lá.
que joia. Obrigado. Um abração para
você.
Quem puder tá convidado aí na IBNU no
próximo sábado aí, um grande evento aí
voltado para Jesus no Japão.
>> É, sábado e domingo tá recheadinho, né,
IBN, né? Então,
>> é, vai ser esse domingo também tem um
encontro especial de casais com almoço,
um grande momento. Entrem em contato aí
para ver os detalhes,
>> tá? Ótimo. Saí.
>> Vamos orar pelo Japão, né? Japão teve um
terremoto sério, né? A pouco
>> sério
>> vamos estar em oração pelo Japão.
>> A Jude pergunta, eh, falou que tem uma
amiga que fala: "Quem quem muito sabe,
muito lhe será cobrado". Pensei, mas
esta não é a interpretação certa. Estou
certa?
>> Ah, então veja, num certo sentido, eh,
tem razão, né? Aquilo, meus irmãos,
muitos de vocês não sejam mestres, né?
porque os mestres vão receber
uma cobrança maior, um juízo maior. E
tem razão, né? Porque você como mestre,
né, pensa no médico, né? O médico, o
conhecimento dele vai influenciar muitos
outros. Então, se você tá numa posição
de quem ensina, seja muito responsável
pelo que você faz, porque você tá
afetando a vida das outras pessoas.
Então isso faz sentido assim, né, a
gente pensar na importância dessa
realidade.
>> Mas S, vamos chegar pro final só paraa
última pergunta aí que
>> só
saludo desde Paraguai. Vem,
>> graças, [risadas]
Amém. Amém.
>> Bom, Rodolfo, tem uma pergunta aqui,
pode ser a última. Eh, por que os
pentecostais buscam tanto dom de
línguas, né?
Então, eh, isso é uma coisa
interessante, porque eu vai vou assustar
alguns hoje, porque pro pentecostal o
dom de línguas não é só o dom de
línguas. Essa que é a questão.
A teologia pentecostal raiz, né, e que
ela predomina em muitos ambientes, ela
diz o seguinte: uma coisa é só o dom de
línguas, outra coisa é línguas como
sinal do batismo do Espírito Santo
então, na verdade, os pentecostais não
estão só buscando o dom de língua, eles
estão buscando esse chamado batismo do
espírito. Por quê? Porque aí tem uma
história longa que a gente vai ver na
quinta-feira, é que a ideia é que e essa
experiência profunda com o Espírito
Santo garantiria
eh uma um poder espiritual,
uma capacidade de testemunhar e uma vida
santificada.
E aí eles entendiam que se a pessoa
tivesse a experiência e o sinal do
batismo do espírito, ele então tava num
patamar de espiritualidade diferenciada.
A essa pessoa poderia depois continuar
com o dom ou não, mas o dom sozinho, ah,
de fato, não é a única coisa que
importa. Agora, é claro, a gente tem
comunidades e comunidades, igrejas e
igrejas e algumas delas podem, de fato,
entrar numa caminhada mais
desequilibrada e enfatizar demais só a
prática de línguas mesmo.
>> Bom, é isso aí, pessoal mandando muitas
saudações, agradecendo muito pela aula,
né? E o pessoal falando, ó, que tá
esperando já a aula de quinta,
[risadas]
>> então apareçam aí, eh, porque a aula eh
tem muita coisa para ser conversada, tá
bom, pessoal?
>> Então, é isso. Deus abençoe muito. Boa
noite a todos.
>> Obrigado. Bom descanso. Amém.

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