Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 18 | Pentecostalismo | Luiz Sayão
31/07/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 18 | Pentecostalismo | Luiz Sayão
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 18: Pentecostalismo II
Luiz Sayão
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[música] >> Olá, bem-vindos. Boa noite ou boa tarde ou bom dia. Sejam todos bem-vindos ao nosso curso Macários, aqui no nosso projeto de ensino da IBNU. Como nós estamos aí estudando, né? Vamos falando de diversas tradições ligadas a uma fé, que é a fé cristã. E agora, então, chegou o momento de estudarmos isso. Estamos estudando eh desde da última aula o pentecostalismo, o movimento pentecostal e seus desdobramentos. E hoje vamos falar um pouquinho mais dessa parte doutrinária, teológica, que envolve a perspectiva pentecostal e a maneira de entender a essa realidade, né? Considerando aí vários aspectos. Então, você pode já mandar, eu sei que tem gente mandando aí a sua mensagem. Já tem gente lá em Itabuna mandando mensagem para nós, né? Mandando paz de Deus, amém, né? Tita Silva. Aí temos Isabel, Manuel Alves, Vadilene, Feliveri Lopes, Paulo Prado, mandando shalom, gente de São Paulo, da Bahia. Pessoas chegando aí para a nossa aula dessa noite. Aí encaminhe também o link aí para os amigos, né? Para os colegas, as pessoas interessadas em estudar o assunto. Mas vamos lá, né? A gente tem a nossa primeira parte, né, da nossa aula. Ah, e vamos aí, ó, tem gente de Goiás, Paulo Prado também já em São Paulo, né? E então, a expectativa milhão. Vamos lá, pentecostalismo, Espírito Santo, dons espirituais, como é que a gente entende todo esse cenário que é pertinente a essa questão. Então, vamos aí prosseguir, né? Na nossa aula para entendermos mais desse assunto aí, que é, né, realmente empolgante, mexe com todo mundo. Então, vamos lá. Bom, a gente começa lembrando, bom, se nós estamos falando do pentecostalismo, né, nós vimos um pouco da história e na história, claro, o pentecostalismo tem a ver com a convicção ligada ao pentecoste, o movimento pentecostal que como nós vimos surge e se cristaliza no começo do século XX, nos Estados Unidos, a ideia fundamental é a seguinte: é que, o pentecoste descrito em Atos 2, como a gente vê aí, "chegando o dia de pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar, de repente veio do céu um som como de um vento muito forte" "e encheu toda a casa na qual estavam sentados e viram o que parecia línguas de fogo que se separaram e pousaram sobre cada um deles" "todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas conforme o Espírito os capacitava" a ideia pentecostal é uma ideia interessante porque ela tem uma um foco escatológico, o entendimento do movimento pentecostal na sua cristalização teológica foi o seguinte, o Espírito Santo foi derramado no começo, né, aí da igreja primitiva e esse Espírito veio com poder e agiu, né, no começo, no crescimento e no grande avivamento inicial da igreja ah, e o que acontece é que eles entenderam que quando, né, o Espírito ah, fosse derramado de igual maneira seria o sinal do fim dos tempos, uma ideia ligado ao texto de Oséias que fala da chuva de primavera e chuva de outono, né, a versão antiga falava temporã e serôdia, então que a ideia é que haveria uma grande colheita no reino de Deus que estaria ligado ao derramamento do Espírito e esse Espírito então seria derramado e o movimento pentecostal deu início a isso. Essa era a ideia. Então, nesse sentido, Pentecostes não é só um evento. Pentecostes não é só uma referência. O Pentecostes é a matriz ah, na qual se estabelece a base de toda uma maneira de compreender a realidade da igreja de Cristo, particularmente no que se entende no fim dos tempos. Então, olhando para isso, onde é que a coisa se define? O movimento pentecostal, então, aparece como dizendo: "Olha, a gente precisa buscar o poder e a ação do Espírito na nossa vida. E o que aconteceu na história foi que quando houve o início do movimento pentecostal, apareceram aí pessoas com a, né, a plena convicção de que eles estavam tendo a mesma ou as mesmas experiências que nós tivemos na igreja primitiva. Então, uma das marcas fundamentais foi que as pessoas, ao terem a experiência profunda com espíritos sobrenaturais, começavam a falar em línguas, historicamente acabou sendo chamada de línguas estranhas, né, por causa de uma versão antiga, né, ah, que nós tínhamos em português. Mas essa situação dos dons milagrosos que aparece no Novo Testamento gerou um debate teológico. E que debate é esse? Que dentro do ambiente evangélico mais amplo, nós temos três posições, assim, historicamente compreensíveis na interpretação do que nós vemos em 1 Coríntios, capítulo 13. Ah, claro, os carismáticos, né, que são um desdobramento do mundo movimento pentecostal. Eles vão afirmar os dons espirituais milagrosos não cessaram e não só não cessaram como eles são importantes e fundamentais para a igreja de hoje, né? Inclusive a ideia de buscar o dom de línguas, buscar essas manifestações, eh, poderosas, né? Então até tem hinos, cânticos que celebram isso desde o pentecostalismo mais clássico até ah, muito do recente também. Do outro lado surgiu um grupo de pessoas dizendo: "Não, olha, não existem mais dons espirituais milagrosos. Os dons espirituais milagrosos aconteceram na igreja primitiva porque havia uma finalidade para isso. Então eles cessaram na era apostólica e esses de perfil cessacionista entendem que os fenômenos pentecostais não são legítimos de jeito nenhum. Não quer dizer que eles não creiam que Deus pode responder a oração, que pode acontecer uma situação ou outra, assim, milagrosa, mas que não temos a nossa disposição a mesma referência de dons milagrosos que havia aí no contexto da igreja primitiva. E no meio do caminho tem o meio termo que envolve especialmente muitos evangélicos históricos que vão dizer o seguinte: "Olha, há uma indefinição sobre o tema, no sentido que não é verdade de que nós precisamos ter, eh, os dons milagrosos operando o tempo todo. Não quer dizer que isso é algo absolutamente indispensável para uma igreja bíblica, mas não quer dizer que não possa acontecer. Não quer dizer que não dá para defender que os dons cessaram e também não dá para pensar que esses dons sejam obrigatórios para todas as comunidades cristãs em qualquer lugar do mundo. Então, essa conversa, né, ela prossegue e aí a gente vai ver, dá uma olhada no texto de primeira Coríntios 13 para saber qual é a discussão, né? Quando o apóstolo Paulo escreve para igreja de Corinto, inclusive ele está tentando ajudar a igreja na condução aí da questão dos dons. Ele diz o quê, né? O amor nunca perece, mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos, em parte profetizamos, quando porém vier o que é perfeito. Essa é a frase. O que que é esse negócio do que é perfeito? O que é imperfeito desaparecerá. Então, a posição cessacionista é o seguinte, quando vier o que é perfeito, quer dizer, a revelação final de Deus para nós. Quando se completou a revelação bíblica, todo o texto do Novo Testamento, ou seja, esses dons de profecias e outros dons milagrosos não seriam mais necessários. Essa é a interpretação. Na interpretação pentecostal e até de muitos evangélicos históricos, não, o que é perfeito é apenas a vinda de Cristo. Então, enquanto Cristo não vier, esses dons podem estar operando. Essa é a maneira diferente de entender os textos. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para as trás para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro como espelho. Mas então veremos face a face. Agora conheço em parte, então conhecerei plenamente na mesma forma como sou plenamente conhecido. Então, aí é que tá a discussão, né? Por que que alguns grupos são tão eh, reativos, né, à ideia pentecostal e por que os pentecostais pensam como eles pensam. Mas vamos lá. Olhando para os dons espirituais, a gente faz uma pergunta, né? A pergunta é: os dons podem variar em poder e importância? A resposta é sim, porque nós temos vários dons. Temos listas de dons, principalmente em Romanos 12, 1ª Coríntios 12 e em Efésios 4 como listas principais que devem ser avaliadas. E os dons, sim, eles podem variar em poder. Existe, imagina, operação de milagres no Novo Testamento, né? Existe a ideia que certos dons são mais edificantes do que outros. Por exemplo, o dom de profetizar edifica mais do que falar em línguas. Os cristãos possuem os dons por um tempo ou de modo permanente? Então, veja bem. Aqui, agora, o posicionamento nosso da IBNU. Nós não somos cessacionistas, para dizer, olha, não existem mais milagres, nem dons, eh, de Deus atuando nos dias de hoje. Isso não, não faz sentido do ponto de vista exegético, no nosso entendimento, mas também nós não somos pentecostais no sentido em que entendemos que todas pessoas precisam falar em línguas e mostrar dons milagrosos na sua caminhada de fé. É. O que acontece é que entendemos que os dons, tudo indica, eles parecem ser permanentes no Novo Testamento. Não há base para a gente dizer, não, esse dom não existe mais. No entanto, há dons de uso permanente e outros dons manifestacionais. E a gente vai explicar que história é essa de dom manifestacional para entender bem. Vamos lá. 1ª Coríntios 12, onde nós temos uma lista de dons milagrosos, você vai lembrar, tem línguas, profecias, operação de milagres, nós temos dons de curar, né? Nós temos uma lista de vários dons ali são sobrenaturais. É interessante que quando você lê o capítulo e ler o verso de número sete, lá tá escrito o seguinte: Ah, tá sendo dito naquele texto que a manifestação do espírito é dada a cada um. Essa palavra manifestação, ela é muito interessante, porque ela nos indica, por exemplo, que esses dons, diferente de um dom, por exemplo, de ensino, é, um dom que a pessoa tem de administração, um dom de misericórdia, um dom de contribuição, que a pessoa tem esse dom vinculado ao que ela é na sua trajetória de vida. Já um dom como o dom de curar, um dom de milagre, não é uma coisa que a pessoa tem com ela o tempo todo, como se ela pudesse usar na hora que ela bem entender. Por isso que você vai ver coisas do tipo, por exemplo, Paulo, ele ora, é, por pessoas doentes que são curadas, ele curou o pai de Públio na ilha de Malta, ele orou até o Eutico que tinha morrido, ressuscitou. No entanto, Paulo não cura o Trófimo, que ele deixou em Mileto. Ele não cura Timóteo, que tinha dores no estômago. Então, se Paulo tem o dom de cura na mão dele, que ele pode toda hora botar o dedo e fazer funcionar, por que que nem sempre parece funcionar? Porque esses dons milagrosos são manifestacionais, mediante ação soberana de Deus, o poder, o propósito de Deus e a pessoa disponível pode manifestar esses dons. Então, nesse sentido, a gente não tem uma proposta eh sensacionalista e nem uma ideia que alguns grupos pentecostais possam ter eh de que você tem que ter esses dons obrigatoriamente e eles funcionando na hora que a gente bem entende, né? Falando sobre isso, a gente entra na discussão que envolve dom de línguas. Quando você lê o dom de línguas em 1ª Coríntios 12 e os detalhamentos que 1ª Coríntios 14 apresenta de como se deve usar o dom de línguas, particularmente no contexto do culto público, o que que a gente entende lá? Primeiro, não tem dúvida, pessoal, o dom de línguas no Novo Testamento é dom de Deus, né? Parece que essas línguas poderiam ser uma língua falada em êxtase, sem ser um idioma, né, que talvez seja a melhor maneira de entender o que está se vendo em Corinto, ou pode ser um idioma milagroso, como se vê em Atos 2, né? Agora, é claro que o Novo Testamento não quer dizer que dom de línguas é língua que a pessoa estudou, não é porque a pessoa é poliglota, não, é um algo milagroso, especial, feito pelo poder do Espírito Santo. Só que fica claro que esse dom não é o principal. É uma das coisas que talvez precisa ser repensado em alguns ambientes pentecostais, em que as pessoas estão valorizando demais esse dom e buscando, né, essa experiência acima de outras coisas. E esse dom de línguas, a gente vê no próprio texto bíblico, na própria igreja de Corinto, ele não é prova de espiritualidade, não é porque a pessoa fala em línguas que ela está numa condição de espiritualidade superior. Ela pode falar em línguas e ter uma atitude carnal. Ah, e esse dom de Deus, >> [roncando] >> que existe, se é o dom mesmo, precisa ser autêntica essa experiência. Ele não deve ter prioridade. Não é útil para os descrentes. Fica muito claro isso, inclusive igrejas pentecostais mais, digamos assim, equilibradas, elas não fazem, eh, reuniões assim, com grandes manifestações desse tipo num culto público, que é um culto quando se deve pregar a palavra, quando se deve anunciar o evangelho, expor a Bíblia, né? Porque não, realmente não, Paulo fala claramente para os Coríntios, olha, se o pessoal entrar aí, vão achar que vocês enlouqueceram, né? E fica claro que esse dom edifica apenas quem fala, né? Por isso, os outros dons que abençoam os outros são chamados de dons que mais edificam, né? E, ao mesmo tempo, Paulo disse, não proíbam o falar em línguas. Então, o dom não deve ser proibido, de acordo com o ensino de primeira Coríntios, mesmo para uma igreja com dificuldades nessa área. É interessante. E aí, no meio desses dons, e por que é importante isso? Porque muitas vezes, quem conhece, né, o ambiente pentecostal, sabe que aquela palavra que é trazida, como se diz, em línguas, às vezes ela recebe uma interpretação. E essa interpretação equivale a uma profecia. Quando a gente lê a palavra profecia, às vezes a gente fica meio assim, na dúvida do que é que o texto bíblico tá falando. Então, nós temos, basicamente, a ideia de que o profeta é aquele que fala em nome de Deus. Então, é verdade que um pregador, alguém que ah, proclama, prega e até ensina a Bíblia, também tá profetizando no sentido de anunciar a palavra de Deus. Inclusive, às vezes mesmo, faz isso com a direção do Espírito. Mas, existe ah, uma profecia que é, por exemplo, a profecia que você vê em Ágabo, lá em Atos, né? 21, quando ele chega ali e, ah, encontrando Paulo, né? E lá em Cesaréia, com Filipe, ah, ele diz, né? Olha, o dono desse cinto vai ser preso em Jerusalém, vai passar por isso. Então, essa profecia não é uma pregação, é uma palavra da parte de Deus que era trazida por alguém que, vamos dizer, entrava nessa sintonia com o poder do Espírito. É uma profecia em êxtase, por isso que a gente chama ela de extática. Então, Saion, existe profecia? Sim, sim, pode existir. Não quer dizer que não exista pessoas que possam receber uma palavra da parte de Deus, uma palavra poderosa, alguma coisa assim. Mas, é bom tomar muito cuidado, porque nesse meio pode ser que uma coisa seja de Deus, pode ser que uma coisa seja invenção de alguém, pode ser que a coisa, ah, seja como o próprio pentecostal diz, profecia da carne, né? E pode ser, até mesmo, existem coisas assim que nem vem de Deus, né? Então, o que que a gente tem que entender? Ainda que seja, sim, possível que alguém tenha alguma direção de Deus por palavra, por sonho, por visão, por qualquer coisa sobrenatural, atenção, não se dirige a vida por profecia mántica, por profecia. Sabe aquele negócio? Tem gente que é assim, que a pessoa tem lá um irmão, uma irmã de oração e que tudo que ele vai fazer ele vai perguntar pra pessoa: "Ah, posso viajar pra tal lugar?" Né? Então esse tipo de coisa é meio estranho. Você não tem isso como uma maneira de conduzir a vida cristã no Novo Testamento. Então, se Deus quer trazer alguma coisa para, eh, o seu próprio povo, para o benefício, isso tem que ser alguma coisa ligada ao reino, não coisas meramente ligadas a, a, os desejos egoístas de alguém, né? E que isso fique claro e se confirme, né? E também não se entende que isso é uma coisa pra você lidar com a sua vida no dia a dia. Que que eu faço pra lidar com a minha vida no dia a dia? Usar os princípios de Deus na sua palavra como norma da vida. Então, como é que eu vou comprar algo que tá à minha disposição? Não preciso de uma revelação. Preciso ver se eu tenho um recurso, porque o princípio bíblico fala pra eu não assumir assumir dívida, porque isso não é um caminho promissor. Então, olhando para a realidade, né? Que que a gente vê no que aparece no, na questão do Espírito Santo no Pentecostes? A profecia de Joel, capítulo dois, que nos últimos dias Deus haveria de derramar o seu espírito sobre todos os povos. Filhos e filhas profetizariam, os jovens teriam visões, os velhos teriam sonhos, os servos e as servas iriam experimentar o derramamento do espírito e haveriam de profetizar. Então, essa profecia que se cumpre, que aparece no Pentecostes, é aí o que a gente vê em Joel, né? Joel fala da grande benção que chegaria no futuro, que não seria só uma benção de, né, conseguir benefícios materiais, benção de alimentação, agricultura, não, nós teremos uma benção realmente de derramamento do espírito sobre todos. E aí nós vamos ver a questão do espírito e a missão. Então, dê uma olhada nesse quadro, vou só pegar uma coisinha aqui e volto em 10 segundos. >> [roncando] >> Então, veja só a maneira como o livro de Atos se organiza. Atos todo tá preocupado com o Espírito Santo e a missão. Então, a divisão de Atos é muito interessante. É Pedro falando aos judeus com o foco em Jerusalém. E Atos 1 a 5, depois de 9 e a 12. Filipe falando com os samaritanos, o foco em Samaria, Atos de 6 a 8. E Paulo para os gentios, indo até os confins da terra, Atos 13 a 28. Então, observe o enfoque, né, do espírito. Isso é importante, porque o espírito tá agindo em sintonia com a proposta da missão. Então, vamos entender o Pentecostes. Qual que é a ideia teológica? Olha lá. Nós temos a era presente transcorrendo e havia experiência com o Espírito Santo desde o Antigo Testamento. O Espírito Santo é citado até na criação. E vários momentos, o espírito caía sobre os profetas. Temos muita coisa, mas eram experiências com o espírito num certo patamar na Antiga Aliança. Quando nós temos a vinda de Jesus e o Pentecostes, nós temos a inauguração dessa era vindoura. E aí nós temos essa experiência com o Espírito na nova aliança que ganha uma nova dimensão. Isso vai até a volta de Cristo, conforme a gente pode observar aí no quadro. Na sequência, então, agora a gente vai entender qual que é doutrinária e teologicamente a o enfoque pentecostal de como se entende essa questão da ação do Espírito que é diferente da maioria das igrejas históricas. Então, o que que o enfoque pentecostal ensina? Ensina a necessidade da segunda benção. A segunda benção é chamada de batismo do Espírito Santo. Então, a uma igreja pentecostal padrão, ela vai dizer o seguinte, ó, você se converteu, OK, você aceitou Jesus, você tá no caminho certo, você tá na igreja de Deus e agora você precisa buscar a experiência com o Espírito Santo. Aí, dependendo da denominação, do grupo, vão chamar por exemplo, buscar promessa, vão chamar de buscar o batismo do Espírito ou batismo com Espírito, batismo no Espírito, né? E e de qualquer maneira, se entende como uma experiência de poder para viver a vida cristã. E na verdade, é interessante, não só os pentecostais pensaram assim. Antigos hã avivalistas do passado de diversos grupos diferentes pensavam nisso, só que eles entendiam diferente. Alguns achavam, por exemplo, que essa experiência com o Espírito, ela tinha, especialmente, poder para a pessoa viver uma vida santificada. Hã os metodistas antigos pensavam sobre isso, né? Como é que você vai viver uma vida santa? Outras pessoas pensavam que era uma vida em que você manifestava o poder de Deus na sua vida. E mais, eh, vamos dizer, no contexto pentecostal, essa experiência também permitia manifestação de dons milagrosos. E a grande questão é que no pentecostalismo mais tradicional, o sinal do batismo com o Espírito Santo é o falar em línguas. Inclusive, até se fazia separação. Uma coisa era o sinal e outra coisa era o dom. Às vezes a pessoa tinha, ah, vamos dizer, a experiência, falava em línguas, não falava mais, não tinha recebido aquele dom. Só que isso cria um dilema na comunidade, onde os cristãos são divididos. Cristãos batizados no Espírito que manifestam esse sinal de línguas e os cristãos comuns. Eu tive muita gente amiga e irmã de coração em várias comunidades e eu via gente, por exemplo, que não conseguia ter experiência. Ele sempre se sentia um cristão de segunda classe, né? E às vezes você via pessoas com aquele sinal de experiência e que não parecia o cristão mais amadurecido da comunidade, né? Então, como é que funciona ela lá? O enfoque pentecostal. Os discípulos de Jesus eram crentes e foram orientados a esperar o batismo no Espírito. O batismo foi evidenciado com falar em línguas, de acordo com a interpretação pentecostal. Os cristãos, hoje assim como os apóstolos, devem pedir a Jesus um batismo no Espírito Santo. Essa é a maneira de entender as coisas na tradição pentecostal. Então, vamos olhar como é que isso deve ser entendido da nossa perspectiva agora, né? Batismo e plenitude do Espírito são a mesma coisa? Será que existe mesmo o batismo no Espírito Santo após da conversão? Batismo do Espírito é o mesmo que ser cheio do Espírito Santo? Então, vamos analisar isso para ver se podemos entender esse cenário diante das diversas perspectivas. Então, preste atenção. Quando a expressão batismo com o espírito ou no espírito do espírito, o grego é uma expressão só, aparece nos evangelhos, aí você tem o caso de Mateus 3:11. Ele, Jesus, vai dizer, vai vai ouvir, né, o que João Batista está dizendo o seguinte: "Eu lhes batizo com água para arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo". Olhando para esse texto, ele não está falando exatamente do que acontece no Pentecostes, ele não está falando de uma experiência de poder espiritual, dizendo que o reino de Deus chegou e ele chega pela ação do espírito. Então, quando esse reino chega, você tem que tomar uma decisão, porque não tem mais como você ficar no meio do caminho. Você precisa de arrependimento e de fé. E aqueles que se arrependerem creem, eles serão batizados com o espírito ou pelo espírito ou vocês vão receber o fogo, porque a sequência de Mateus fala de juízo, fala do fogo que a gente tem a palha separada do grão na eira. Então, o sentido aí não é exatamente uma ideia de busca de poder ou de avivamento quando a frase é usada princípio no Novo Testamento. Por isso é que quando você lê o livro de Atos, logo no começo, ele vai falar, na verdade, é de eles foram cheios do espírito quando isso acontece. E é interessante, por exemplo, quando você lê primeira Coríntios 12 e 13, que é um texto que diz o seguinte: "Que todos nós fomos batizados pelo espírito num só corpo". Já que a ideia de batizar é colocar dentro, é emergir, é afundar, então a ideia é que quando a pessoa se converte, ela é colocada, né, pelo ah, espírito no corpo de Cristo. Mas ao mesmo tempo que isso está claro, nós temos as diversas experiências com o Espírito Santo que aparecem em Atos 2, no Pentecostes, Atos 8 em Samaria, 10 e 11 com Cornélio e 19 com os discípulos de João Batista. E aí, como é que a gente entende isso? Vamos dar uma olhada nessas experiências. Olha lá. Atos 2, Pedro e os 120, Pentecostes, só tem judeus. O espírito age, inicia-se ali a igreja, né, o povo de Deus e eles têm poder para anunciar as grandezas de Deus. Em Atos 8 são os samaritanos, Pedro e João, eles vão incluir na igreja os não judeus agora, os samaritanos, e promovem a unidade na igreja. Em Atos 10, que é Cornélio e os seus parentes e amigos, Pedro e os irmãos que estão lá em Jope, eles vão incluir agora todas as nações, gentios, e promovem a unidade da igreja. Em Atos 19 é interessante, nós temos esses 12 discípulos ligados a João Batista. Eles são incluídos na igreja porque eles são crentes da antiga aliança, eles nem entenderam nada que aconteceu com a obra de Jesus, nunca nem tinham ouvido falar do Espírito Santo. Só eram discípulos de João. E mais uma vez se promove a unidade da igreja. Então, quando a gente olha essa situação, a gente então começa a entender que esses textos em Atos, eles têm uma clara ideia de que aquilo que aconteceu no Pentecostes judaico, acontece no samaritano, no gentílico e inclui os da antiga aliança, todo o tipo de pessoa é alcançado pelo poder do Espírito. Mas ao mesmo tempo, fica claro o quê? Que toda pessoa verdadeiramente convertida tem o Espírito Santo. Não é verdade que uma pessoa se converteu e não tem o Espírito. Por quê? Todos nós fomos batizados em um único Espírito, quer judeus, quer gregos, escravos, livres, todos nós foi dado beber de um único Espírito. Romanos 8:9 vai dizer: "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não pertence a Cristo". Efésios 1:13 fala que nós fomos selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança, o penhor da nossa herança. Então, nesse sentido, o Espírito Santo habita todo crente verdadeiramente convertido. Só que, que que acontece? Apesar de toda pessoa que creu em Jesus ter o Espírito Santo, e isso também era realidade no contexto da igreja primitiva, o que que chama atenção? Que as pessoas em Atos não tiveram só uma experiência que a gente poderia chamar de batismo do Espírito Santo. Quer ver? Olha só os próprios discípulos. Eles acabaram em Atos 2 de passar pelo grande momento do Pentecostes, quando o Espírito veio. Mas quando você lê Atos 4, um pouquinho depois, depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos e todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. Você percebe? Então, parece que, olhando para o Novo Testamento, e isso chama a nossa atenção, você não encontra em nenhuma carta de Paulo ou de outro apóstolo dizendo: "Pessoal, vocês precisam buscar a segunda benção. Vocês precisam ter uma experiência poderosa com o Espírito Santo". Isso não aparece. Mas em Atos aparecem essas pessoas tendo várias experiências com o Espírito. E quando eles têm, é isso é um enchimento que acontece numa única ocasião. Então, parece, no nosso entendimento, que nem as igrejas históricas mais fechadas estão com toda a verdade, nem as igrejas pentecostais. Possivelmente, a maneira pentecostal de exigir um batismo no Espírito com dom de línguas, talvez não seja tão fácil de defender nas escrituras. E, ao mesmo tempo, a posição mais fechada, que não aceita nada, não vá, é, compreender que pessoas na sua caminhada têm profundas experiências não de batismo, mas de enchimento do Espírito, que Deus usa conforme o seu poder e a sua ação soberana. Enquanto a gente observa isso, olha só o conselho de Efésios. Efésios é o único texto explícito que nos dá uma orientação do que que se deve fazer com relação ao Espírito Santo. Ele diz: "Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor". Como é que é o mundo pagão? As pessoas querem fugir da vida e ter alegria, elas se embriagam. Então, Paulo diz: "Não se embriaguem com vinho, que isso leva à libertinagem". Mas o quê? Literalmente, no grego diz: "Deixem-se encher pelo espírito". Ou deixem-se ser enchidos pelo espírito. Ou seja, a ideia é dar lugar ao espírito na vida. E isso está ligado com o quê? Com o espírito de louvor e de gratidão na vida da pessoa. Por isso ele diz: "Falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais", que promove a unidade da igreja, "cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas em nome do Senhor Jesus Cristo". E aí é interessante, ele prossegue e diz: "Sujeitem-se uns aos outros por temor a Cristo". Mostrando para a gente uma coisa muito interessante. O enchimento do espírito é diferente. Você é batizado pelo espírito no corpo quando se converte, você tem o Espírito Santo. E você pode desenvolver dons espirituais por causa disso. Mas na sua caminhada você é chamado a dar lugar para o espírito para que ele controle a sua vida e Deus pode providenciar experiências poderosas com o espírito diferentes e variadas de pessoa para pessoa. Nem todo o mundo vai falar em línguas, nem todo o mundo vai profetizar, nem todo o mundo vai manifestar dom de cura, nem todo o mundo vai ter discernimento espiritual, nem todo o mundo vai ter condições de lidar com pessoas possessas, nem todo o mundo vai ter, então os dons serão variáveis. E é muito importante no reino de Deus. Mas o que é muito importante e significativo é entender que aquilo que o espírito traz na vida de uma pessoa é um espírito de Agora não sei se vocês vão querer ouvir, submissão. Por isso ele diz: "Submetam-se uns aos outros, sujeitem-se uns aos outros". E aí você vai ver a continuação, né? Marido e mulher, mulher e marido. A gente vê pais e filhos, filhos e pais, senhores e servos. Por quê? Porque essa atitude submissa é semelhante à de Jesus. Se o espírito age na nossa vida, essa atitude é a marca da presença do espírito de Cristo em nós. Então, o enchimento do espírito envolve dar lugar ao espírito de Deus, preenche o coração mais do que qualquer coisa do que o vinho e é a vontade do Senhor. Daí, o que que a gente entende, então? Que ah, o Espírito Santo é vital na nossa vida. Que o movimento pentecostal tem muita gente sincera, gente querida da parte de Deus, gente que foi movida por Deus. Muita coisa tem acontecido realmente por intervenção de vida, mas nem tudo é autêntico. As próprias pessoas de contexto pentecostal sabem disso, que tem muita coisa que não tem consistência. Segundo, uma busca de espiritualidade e de profundidade na na vida com Deus não nos afasta de conhecer e de estudar a palavra e de ter uma vida equilibrada, né? Terceiro, Deus sim pode usar pessoas com dons sobrenaturais. Nós não temos como dizer para Deus o que que ele pode ou não pode fazer, onde ele deve ou não atuar. Eu já vi coisas extraordinárias na minha vida que eu não tenho explicação racional. Então, isso acontece. Nós dificilmente poderemos concordar com a doutrina pentecostal de batismo do espírito, segundo a peça, em que a pessoa precisa ter aquela experiência com a necessidade de falar em línguas. Não achamos que seja assim. O que não quer dizer que muitas pessoas venham a ter experiências profundas com Espírito Santo na sua vida e que elas tenham manifestações, perfis e situações específicas e particulares da pessoa com Deus na sua caminhada de fé. E finalmente ninguém tem, aí sim, ninguém tem a condições de acumular reserva espiritual, de modo que essa pessoa não precise depender de Deus a cada dia. Um dos perigos da mentalidade de que você achar que você é cheio do Espírito, que você tem poder, que você tem dom, que você acha que você tem, né? Uma condição de caminhar, eu já enchi o tanque, então eu posso caminhar bastante, isso não existe. A gente tem que sempre voltar e dizer o pão nosso de cada dia nos dá hoje, mas a gente não pode tirar o joelho do chão. A gente depende da graça de Deus. Ninguém é forte e capaz suficiente de prosseguir sozinho na sua caminhada com base numa espiritualidade acumulada. E não dá para a gente dividir as pessoas num grupo, né? Que é o problema das igrejas históricas, que parecem querer dividir entre os que parecem mais sábios, né? E estudados e os mais eh simples. E no outro ambiente você tem os mais carismáticos, mais cheios de dom, né? E de expressão externa e os mais simples, não funciona assim. Todo o corpo é importante. Todo um depende do outro e sem um não tem o outro. Uma coisa que é proeminente, nem sempre é algo que realmente é o mais importante. E que Deus então nos ajude, nos abençoe a caminhar na direção certa, no entendimento da doutrina do Espírito Santo, quando a gente olha a distinção entre uma visão pentecostal e uma visão histórica e até uma visão cessacionista. OK? Então, vamos aí prosseguir e acho que agora a professora Suzi tá chegando aí com a gente para a continuar e vamos ver, Suzi, temos aí perguntas. Agora chegou o momento do pessoal apresentar as suas dúvidas, perguntas e questões sobre o tema. >> Vamos lá, que eu não encontrei nenhuma aqui ainda. Podem fazer suas perguntas. Se não tiver, a gente termina mais cedo, né, Saulo? >> [risadas] >> É isso aí, pessoal. Vamos lá. Se você tem perguntas ou respostas, ou dúvidas, é agora. >> Pê mandou aqui. Para ser submissa, tenho que ser humilde e obedecer igual Jesus? >> Então, a ideia de submissão é quando você tem uma visão real da sua, do seu lugar no mundo, diante de Deus e dos outros. A gente é chamado para ser o quê, pessoal? Servo, né? Já deu para entender tudo. Se o foco de Deus na sua vida é fazer você servir no reino, então você tá nessa posição, né? Por isso que Jesus falou: "Deixa eu lavar os pés de vocês". Esse é o foco. Então, o que que é? A submissão é quando você se coloca no lugar do outro para entender o outro e servir o outro. Esse que é o desafio. Por isso que, por exemplo, a a a a mulher, quando diz que ela deve ser submissa ao marido, é que ela deve ouvir e acatar o que o marido tem a dizer e o marido deve amar como Cristo amou a igreja, que é uma maneira de ele se submeter à realidade da esposa. Como é que o filho obedece, é, como é que o filho, ah, ama e se submete aos pais? Ouvindo, atendendo, obedecendo. E como é que os pais fazem? E não causando ira e atitudes injustas contra os seus filhos. É a mesma coisa. Então, essa atitude serviu, amorosa, benigna, ela é o o caminho de Cristo. Então, é muito mais do que obediência, né? É uma atitude que é semelhante à própria atitude de Jesus quando ele mostrou a nós como viver na caminhada ministerial. >> Saiam. Ah, ontem nós, ah, semana, ah, terça-feira, né? Aula passada nós já falamos um pouco, mas você já teve alguma experiência em expulsar demônios? Se sim, como foi? >> Ah, sim, várias, muitas delas. Inclusive, eh, assim, se a gente for contar aqui, acaba a aula, né? Mas eu vou contar talvez só uma mais problemática e difícil. Tínhamos, estávamos num lugar, num ambiente, alguém disse: "Olha lá, naquela casa tem uma pessoa que tá muito mal, né? Que ela tá enlouquecida e tal. E parece que ninguém consegue lidar com ela". Eu tava com algumas pessoas comigo, né? E aí, vamos lá, eh, pra ver a situação. E nós entramos, né, na casa. A a senhora tava ali. E quando ela nos viu, né, imediatamente ela começou a urrar feito uma fera, né? E dizer, né? Ah, o que vocês estão fazendo aqui? Odeio vocês. Vão embora desse lugar. E tal, né? E aí eu fiquei, hum, me deu um um frio na na espinha na ocasião, né? E aí tinha um rapaz que tava próximo, quando eu olhei, ele tinha subido, que ele ficou muito assustado, porque ela estava totalmente descontrolada e ela veio, se aproximou de mim, me atacou. Quando ela atacou, ela pegou aqui na na camisa e puxou e rasgou, inclusive, né? Cortou, saiu, quebraram os botões. E aí, na hora, eu tive, né, misericórdia de Deus, a condição de dizer: "Você Você lembra da da vitória do Senhor na cruz, como ele morreu, venceu e ressuscitou e o seu nome está acima de todo o nome?" Aí, ela virou o pescoço assim, de lado, e urrou, gritando: "Não fala isso, eu não posso ouvir isso". E aí, a gente orou e tal, né? E ficamos ali durante um tempo em oração, ela foi se contorcendo, urrando e tal e eu falei: "Bom, nós temos fé e cremos que, pelo poder do Espírito de Deus, ele >> [roncando] >> eh será vencedor na vida dela. Então, vamos embora, porque ela vai ser libertada". A gente saiu. Quando a gente saiu, demos dois passos, a pessoa falou: "Opa, a mulher tá chamando lá". A gente voltou. Quando a gente voltou, impressionante, ela parou assim, olhou, falou: "Oi, gente, quem são vocês? Que que vocês estão fazendo aqui?" Ela me viu com a camisa rasgada, inclusive, até molhado aqui. E ela olhou e falou: "Oh, pessoal, desculpa qualquer coisa aí, que às vezes acontece umas coisas comigo que eu não entendo, né? Então, eu peço desculpa por qualquer situação". E ela, assim, totalmente outra coisa. E a gente trabalhou na vida dela e ela, finalmente, ficou liberta daquelas coisas. Mas eu tive muitas ocasiões, não só comigo, né, e com pessoas junto, orando por gente assim, como outras experiências que eu contemplei e vi de perto. >> Pois é, muito importante a gente saber, né? Eh Daniela pergunta: "Os sinais seguirão aos que creem". Isso se refere a esses dons? >> Então, esse texto é importante, é o texto de Marcos 16, né? E aí, que sinais que aparecem lá? Diz que os, né, os discípulos de Jesus, eles falariam novas línguas, eles pegariam em serpentes, eles beberiam veneno e não lhes faria mal nenhum. Qual é o problema de interpretar esse texto errado? É imaginar que aquele texto tá prometendo a cada cristão na história humana que eles precisam falar em línguas, beber veneno e pegar em serpente. A, o sentido daquele versículo não é individual. Ele tá falando de que essas realidades vão marcar a história da igreja. E tanto que marca que Paulo pega em serpente. A gente tem, inclusive, muitas histórias de pessoas que foram envenenadas e o veneno não fez efeito. Mas não quer dizer que cada pessoa precisa fazer isso. Teve um grupo maluco nos Estados Unidos que eles encheram uma igreja de cobra venenosa e todo mundo era obrigado lá a pegar nas cobras, inclusive o líder morreu por uma picada de serpente. A polícia interveio e tirou as crianças de lá, né? Então, o o texto não diz cada um de vocês faça isso, ele diz que os sinais seguiriam a igreja de Jesus, estariam presente na na realidade do avanço do reino, e não como uma coisa individual de cada um. E por isso é que causa tanta confusão, entendimento errado do tema. >> Tem aqui a Fê mandando: "Mandei só um para não perder o costume". O Rodolfo fala: "A aula foi tão completa que ficou até ruim de fazer pergunta". Mas temos [limpando a garganta] aqui, vai sair um. Na maioria de suas pregações, você se emociona. Esse choro vem da sua erudição por conhecer profundamente o texto >> [risadas] >> ou devido a unção, o senhor seria um pentecostal reformado? >> [risadas] >> Então Marcos, olha eu eu não acho que eu sou nem pentecostal e nem que eu sou reformado, né? Eu acho que eu sou uma pessoa que a a graça de Deus abençoou. Sabe, eu eu não sei porque é assim, a gente não programa nenhum choro, né? A gente não pensa nisso. E e eu não sei se dá para separar, porque às vezes a compreensão de certas coisas tem às vezes você vai estudar o texto com profundidade e de repente você acha uma pérola ali, um negócio assim inimaginável, né? Então na minha experiência de estudo de e de entendimento da Bíblia, às vezes eu descobri cada coisa, eu falei: "Meu, não é possível, olha que coisa". E aquilo é muito forte. Mas às vezes é um negócio daquele momento, uma coisa que é visita de Deus e eu não sei, não dá para para assim, né, monitorar esse negócio. Às vezes eu tenho uma situação assim que eu diria que tá tão favorável para eu estar fortemente emocionado e não acontece. E às vezes de uma maneira inesperada tem uma coisa assim de Deus, eu realmente há há uma uma coisa assim que tá fora do controle da gente, tá? Então essa pergunta eu fico devendo, eu também não sei. >> [risadas][suspirando] >> Tem outra pergunta: você acredita que existem objetos amaldiçoados? Acredita em maldição hereditária, que é muito difundida aí no meio neopentecostal? >> Então, essa é uma pergunta mais complexa. A gente tem até vídeo, né, sobre maldição hereditária. Então, do jeito que as pessoas falam de maldição hereditária, é com certeza não é um ensinamento bíblico, né? O que que o pessoal diz? Ah, não, se o sujeito é muito nervoso, ele costuma bater nos amigos, é porque tem uma maldição, né? Na família dele, aí ele faz isso. É, então porque tem um espírito mau que tá dominando a vida dele, então você tem que expulsar o espírito, ele não bate mais em ninguém. Mas aí quando a polícia chega, o espírito fica mais calmo, então a coisa não não funciona desse jeito. Agora, ao mesmo tempo, é verdade que nós temos um monte de problema na nossa vida que é de origem hereditária, né? Por quê? Porque o ser humano é imperfeito, porque a raça humana é caída, então eu tenho problemas na minha vida, sejam eles de natureza às vezes psiquiátrica, orgânica, física, que é de origem hereditária, né? E e essas coisas o pessoal não costuma querer tirar. O cara tem tendência diabética porque o pai dele, o avô dele tinha. Então num certo sentido existe sim males que atravessam gerações, mas não é verdade que comportamentos morais, que coisas que precisam de arrependimento e perdão precisem de libertação de maldição hereditária. Porque se fosse esse o caso, se deveria explicar, esperar que Paulo tivesse fazendo isso com as pessoas que se converteu no ambiente do Novo Testamento pagão. Paulo diz: "Olha, pessoal, vocês aí tão com problema aí de de manifestações carnais, OK, então vocês procure aí na árvore, em algum lugar deve ter algum objeto enterrado". Ele não fala nada disso. Então é muito difícil acreditar. Agora, existe objetos enfeitiçados? Sim e não. Não em que sentido? No sentido que se uma pessoa é servo de Jesus, seguidor de Jesus e ele tem o Espírito Santo, esses elementos não terão poder sobre ele, porque maior é o que está em nós do que o que tá fora. Então tem um pessoal neurótico, por exemplo, que nunca leu o que Paulo escreveu para os Coríntios. Ó, "Comam de tudo que se vende no mercado sem perguntar por causa da consciência". Ou seja, se tudo eu achar, olha, aquele negócio tem algum símbolo do mal, olha, não, esse ônibus aqui eu vi que a roda dele parece meio Nova Era, eu não vou entrar nele, né? Esse tipo de atitude neurótica não faz o mínimo sentido, né? Ah, agora, pessoas espiritualmente desprotegidas, pessoas com envolvimento com coisas do mal, essas pessoas recebem alguma coisa que tem um vínculo com uma atuação espiritual do mal, pode atingir essas pessoas? Podem. E aí sim, você tem uma outra realidade que precisa ser considerada. Então eu, por exemplo, eu lidei com uma pessoa possessa uma vez que ela tinha uma série de objetos que ela tinha estabelecidos de ah, né? Conexões com determinados poderes espirituais que estavam aprisionando a vida dela. Que que ela fez? Ela deu fim a esses objetos. E aí ela teve uma libertação mais ah, clara e nítida. Então aqueles objetos, por exemplo, para mim não influenciavam em absolutamente nada, mas na vida dela estavam trazendo dificuldades espirituais muito sérias. >> Tem outra pergunta aqui do Eduardo. Ah, então os irmãos que estavam em Pentecostes eram judeus que habitavam naquelas nações. Mas quando a Pedro pregou, ele pregou em hebraico ou grego? >> Então, é interessante, né? Porque o texto não dá detalhes para a gente. Esses esses irmãos são judeus. Mas você vê que eles são judeus que vêm de diversos lugares, de toda a região em torno, né, de Jerusalém e da terra de Israel. Vem gente da Pérsia, vem gente de Roma, de Grécia, da Grécia, do Egito, da região da Anatólia. E aí, a gente não sabe, né? Pode ser, pode ser que Pedro tenha pregado, tenha falado em aramaico. Que aramaico era a língua corrente, mais comum. Mas talvez não, porque se veio gente de Roma e da Grécia, muitos desses judeus da diáspora não eram fluentes em hebraico e grego, né? Hebraico e aramaico. Então, é possível que ele tenha falado em grego mesmo. >> Bom. Eh. Aqui. Deixa eu só perguntar, aqui a outra pergunta. Eh, obrigada pela aula. Pode comentar um pouco sobre o fenômeno da convergência entre pentecostalismo e a teologia reformada? >> Então, isso é interessante, né? Porque assim, eh, é curioso porque a, a tradição reformada, ela é muito, às vezes, enfatizada por algumas pessoas do ponto de vista mais da teologia. Mas existe toda uma tradição forte de espiritualidade profunda, né, envolvendo pessoas como Jonathan Edwards ou como George Whitefield, né? Você tem assim, muitas figuras, né, que eram dedicadas, assim, a uma busca profunda da relação com Deus, né? Inclusive, uma das figuras importantes na tradição reformada é o próprio Martyn Lloyd Jones. E o Martyn Lloyd Jones, se você for ler o, os escritos dele, inclusive ligados à questão do Espírito Santo, Ele acreditava num tipo de batismo do Espírito. E se você for ler o próprio diário do Simonton, né? Eu acho Bel Green Simonton, que começou que fundou, né, a Igreja Presbiteriana do Brasil na metade do século XIX, também ele tinha uma perspectiva aberta para essa busca do Espírito. Então, a a pergunta é, né? Como é que fica isso? Então, aqueles da tradição reformada que buscaram um pouco mais dessa intensidade de espiritualidade e conexão com Deus, abriram um caminho. E esse caminho, eles não não se tornaram, porque a maior parte das igrejas pentecostais herdaram uma eh tradição teológica mais arminiana e muito dispensacionalista, o que não sintoniza muito com a tradição reformada. Mas o que que acontece? O pessoal passou a prestar atenção nessas experiências e abriram um caminho. Então, existe hoje, sim, né? Ah, gente de perfil reformado e que é não é sensacionista, aberto para os dons e até mesmo dons carismáticos. Eu acho que isso teve muito impacto depois que o pessoal descobriu que o Gordon Fee, que era professor, né, lá no Gordon Conwell, é que ele era de perfil carismático, né? E o pessoal não imaginava, né, que uma pessoa assim, de perfil erudito e de teologia essencialmente reformada, fosse aberto para essas experiências. Então, isso existe no Brasil, claro que é bem eh limitado, né? Geralmente, esses ambientes estão meio distanciados, mas é uma realidade. Tá sem som, Suzi. Eu não tô >> Pergunta aqui de Las Banas. É, professor, é correto no culto cantar hinos dizendo "Vem Espírito Santo", sendo que ele já habita em nós? >> Então, veja. Não, não é que, é, quando a gente tá num culto, a gente invoca, né? Porque Deus já está conosco, então faz sentido a gente orar, "Ó Pai, venha nos abençoar aqui, né?" Então, é o seguinte, não existe no Novo Testamento muito uma ah, uma ideia de uma oração ao Espírito Santo. Mas, ah, o consenso teológico de toda a tradição cristã é, é, é de apresentar hinos trinitarianos, né? Quando se faz um hino numa estrofe falando do Pai, inclusive uma invocação, né, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Então, não é um problema. Eu acho que o problema não poderia ser se a gente tivesse uma ênfase exagerada nisso. A própria tradição, por exemplo, das igrejas batistas, o famoso hino 116 do Cantor Cristão, dizia o quê, né? "Vem Espírito Divino, terno ensinador, vem descobre as nossas almas Cristo Salvador". Então, assim, não vejo nenhum problema nisso. Isso você não vai reduzir a ação do Espírito a uma limitação lógica dizendo, "O Espírito já tá comigo, então, né?" O Pai também está com você. Cristo Jesus também está conosco, então essa invocação não é uma contradição em relação à presença dele na nossa vida e no seio da comunidade da fé. >> É, tem outra pergunta aqui do Daniel. É, se é possível resistir à graça, como ensinam os arminianos, então o Espírito Santo não foi capaz de convencer homem do pecado, justiça e juízo? >> Então, aí a gente já começa a mudar de assunto e entrar de novo, né, na nossa problemática ocidental limitadora de colocar a soberania de Deus em choque com a, a responsabilidade humana, né? Então, assim, é muito, muito básico você dizer "resistir ao Espírito Santo". Que tipo de resistência? Significa que você não pode fazer absolutamente nada, então você vira um robô completo diante da ação do Espírito? Ou significa a capacidade de, eh, colocar longe de você toda e qualquer atuação do Espírito? Essa resistência é uma coisa só? É um ponto mais amplo? Tem variações sobre ela? Então, assim, esse é o tipo de coisa que a gente não chega em lugar nenhum porque não é uma questão é que se resolva numa limitação lógica. A mesma coisa, bom, se Jesus é totalmente divino, ele criou o universo, então não é possível que ele vá caber num corpo humano, muito menos que ele vá nascer num bebê, eh, lá em Belém. Não cabe uma coisa com outra. Pessoas que não acreditam num Jesus divino e humano vão dizer isso. "Ah, se Jesus é totalmente humano, não é possível que ele criou o universo". Então, "se Deus é um, não pode ser três. Se ele é três, não pode ser um". Então, esses exercícios lógicos simplistas não entram na equação que podem explicar a, a realidade paralela de que a soberania divina acontece junto com a responsabilidade humana. >> Certo. Eh, interessante a forma como o seu exemplo, né, da libertação da irmã em questão, eh, foi uma forma respeitosa. É um pouco diferente do que a gente já vê por aí, né? Eh, existe, não existe uma regra, certo? >> Olha, ah, existem parâmetros, né? É, então, por exemplo, você vê Jesus, de modo geral, ah, ele expulsava os espíritos maus por meio da sua palavra. Às vezes ele tocava na pessoa, às vezes impunha as mãos, né? Então, claro, que não tem, não tem uma fórmula que você fala, faz passo um, dois, três e todo o demônio vai sair. Geralmente, a pessoa quando faz isso, ela também vai ter o que a gente pode chamar de uma direção do espírito, um discernimento naquele momento, naquela situação. Mas assim, o que que a gente precisa entender? Primeiro, lidar com pessoas possessas nunca é promover espetáculo. Então, por exemplo, é o que pode acontecer em algumas comunidades, né? A pessoa vai lá, então, manda o o o espírito sentar, ficar de pé, né? Então, não se faz isso, né? Segundo, tem que ter misericórdia e procurar o bem-estar da pessoa, o livramento da pessoa acima de tudo. Ah, terceiro, a gente precisa, é, ter toda a a sabedoria de não permitir que esses espíritos sorrateiramente acabem dominando a situação, como, por exemplo, pessoas começam a conversar com o espírito mau. E aí o espírito diz, né? Ah, não, olha, se você não fizer tal coisa, eu não vou sair. E a pessoa, ih, é verdade, né? Eu me lembro de um grupo que chegou para orar por um indivíduo, uma pessoa que estava possessa, e aí a pessoa falou, ah, mas eu não vou sair não, porque ele ali esqueceu de jejuar. O cara falou, é verdade, eu esqueci, eu saí de casa e tomei café. Aí eles largaram a pessoa lá e foram embora, né? Então, ah, tem pessoas que fazem rituais que são orientação do espírito. O espírito mau fala: "Olha, eu vou sair só se você for no cemitério e desenterrar não sei o quê que tá lá, senão eu não saio". E o cara vai lá e obedece, né? Então, você não pode, né, dar espaço, você não pode ser manipulado, você não pode humilhar pessoa, você tem que procurar o bem-estar da pessoa e não pode transformar isso em espetáculo. >> Bom. Eh, vou pegar só essa aqui, ó. Eh, alguns irmãos clamam ao Espírito Santo durante a oração. Isso é correto? >> Então, não é o padrão. A gente, assim, se a pessoa clama: "Ó Espírito, abençoa", é uma coisa que, vamos dizer, é aceitável, mas o padrão a gente sempre orar ao Pai em nome de Jesus pelo poder do Espírito. Você não tem, né, o orar ao Espírito em nome do Pai e por meio de Jesus. Não tem essa ordem. Então, é importante eh tá sintonizado com esse com essa referência que aparece nas escrituras. Tem uma pergunta aí, Susy, que eu achei interessante, que é essa aqui, os homens que diziam que os apóstolos estavam embriagados no Pentecostes seriam eles galileus, não entenderam aquelas línguas, conhecendo que os apóstolos eram galileus? Então, a questão é é é é o que tava acontecendo com eles. Não é só porque eles estão falando em línguas, mas aquela alegria esfuziante, né, do poder do Espírito neles. Então, eles olham e falam: "Nossa, o pessoal tá alegre demais. Mas que que esse pessoal tá tão alegre aí desse jeito a essa hora? Não é possível". Por isso que a resposta, olha, escuta, essa hora da manhã não deu pro pessoal ter tomado nada e ter ficado fora de si, né? E aí que que ela acontece? Galileu é uma espécie de de termo de menosprezo, né? Porque você tá em Jerusalém, você tá no lugar do centro cultural e o Galileu, assim, na época tipo um bicho do mato, né? Então, você fala, e é o Galileu, lembra? Ele tem um sotaque. Lembra que Pedro, né? Eh, quando negou Jesus, foi dito lá pela a serva lá, falou: "Olha, o o sotaque dele é Galileu, né?" E ele, então, sabia que Jesus andava seguido de pescadores Galileus. Então, quer dizer, esse pessoal não é Galileu, né? Então, se evidencia e se mostra uma atitude de menosprezo, né? Pelo o que eles estão demonstrando ali. >> Saion, eh, o o Fred pede um uma indicação de livro para se aprofundar nesse conteúdo. Você tem alguma coisa para indicar? >> Olha, tem um um artigo, né? Que eu escrevi, eh, que talvez você ache, acho que na própria revista da Pioneira ou em algum lugar na internet, que é Os Pentecostais e Neopentecostais, uma análise histórica, que você deve encontrar em algum contexto aí, né? Ah, existe um livro muito bom que, infelizmente, eu acho que você não encontra mais, que chama Teologia do Espírito Santo, Frederick Dale Bruner, Frederick Bruner, Bruner com dois Ns, que foi publicado pela, ah, editora Vida Nova alguns anos atrás, mas o livro saiu de circulação, né? É um material muito bom, né? E, e assim, a gente também tem no nosso canal, né? Exposição completa de de Efésios, tem uma série de de materiais assim que que favorecem e ajudam a entender esse cenário. >> Bom, Saion, eu acho que eu pedi para para a gente ir fechando aqui, né? É, você quer dar uma última palavra aí falando sobre essa, esse tema? >> Bom, a gente agradece, né, a participação de todos no curso Macários, não se esqueçam aí, né, ah, que de se inscrever no canal, né, de, eh, divulgar para os amigos e de prosseguir no curso, né? A gente até reforça, aí alguém perguntou se tem alguma forma específica de orar, não, a oração Deus vai ouvir pela sinceridade do seu coração e em nome de Jesus, a posição nem sempre precisa ser do mesmo jeito. E a gente convida você, né, a caminhar nisso com a gente aqui e buscar, de fato, um espaço na sua vida para o espírito de Deus abençoar isso, que sempre vai acontecer, o que acontecer, você vai ser canal de bênção e vai ser usado para o benefício da expansão do reino e da missão. Boa noite a todos. >> Deus abençoe. >> Boa noite, Deus. >> Deus abençoe. Amém.