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A fé vem pelo ouvir

Obra: Só | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU

Obra: Só | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU

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[música]
>> Olá.
Sejam todos muito bem-vindos a mais uma
live.
Hoje é só de Machado de Assis, só.
Então é um conto curto, né? Mas muito
interessante.
E vamos lá, né, Rina? Tudo com você?
>> Oi, Bel, Lady Bel. Oi você que tá aí nos
acompanhando em mais essa live.
A Bel adiantou. Eu tô bem, Bel. Tô aqui.
Eu não estou só, estou acompanhada de
você e de quem tá aí
eh conosco nessa live do Clube do Livro
da IBN Euler para crer.
Que eu por acaso agora por engano acabei
de fechar o conto. Calma aí, minha
gente. Deixa abrir de novo.
Brincadeira, né, Rina amada?
Bom, vamos lá, enquanto a gente vai
abrindo aqui.
Esse conto foi publicado em 1885. Veja,
tem mais de 100 anos, né? É um conto bem
curtinho do Machado
e que fala sobre um homem que se chama
Bonifácio. Ele tem 45 anos.
E certa altura da vida ele decide que
ele quer passar duas semanas
sozinho, só. E olha Olha que
interessante o título, né? A gente tá
falando de Machado de Assis, então nada
aqui é por acaso.
O título não é solidão, o título não é
solitude, o título é só.
Porque a partir do momento em que você
se vê só, você vai incorrer ou no estado
de solidão ou no estado de solitude, a
depender do que você tem de conteúdo
interno, né, de repertório interno.
Então, quando o Bonifácio decide se
recolher, ter essa experiência,
ele decide fazer isso muito influenciado
pelo relato de um amigo dele que se
chama Tobias, que era um homem de muita
profundidade,
eh um homem de mente filosófica e aí a
certa altura, né, o
o Bonifácio tava conversando com o
Tobias e muito espantado, porque o
Tobias cultivava esse recolhimento
como um hábito, como uma prática, né? E
não era uma coisa eh eh
de ocorrência única na vida dele. Tanto
que às vezes o Bonifácio ia visitá-lo e
não conseguia falar com ele porque ele
tava recolhido.
Aí, certa vez, ele perguntando pro
Tobias assim: "Mas
como é que você consegue, né, ficar
sozinho por tanto tempo e sem ninguém?"
Aí o Tobias disse: "Sem ninguém não,
né?
Não, senhor. Eu trago um certo número de
ideias
e logo que fico só, divertindo,
divirto-me diverto-me em conversar com
elas.
Por quê? Essas ideias não são ideias só
de si. A gente tá falando de um homem,
o Tobias, que tem uma mente filosófica,
né? Que tem certamente um repertório
literário muito grande. Então, quando
ele vai, ele não vai sozinho.
Ele vai com os seus livros, tantos que
ele já leu, quantos que ele está lendo,
né? Então, ele vai acompanhado de muitas
vozes e de vozes muito significativas,
né? De vozes que têm densidade,
que tem,
ah, reflexão por trás. Não são vozes que
se pautam apenas em axiologia. Aí o
Tobias diz pra ele: "Eu trago um certo
número de ideias e logo que fico só,
divirto-me em conversar com elas.
Algumas já vêm grávidas de outras e dão
à luz cinco, 10, 20. Todo esse povo
salta, brinca, desce, sobe.
Às vezes umas ideias lutam com outras,
ferem-se, algumas ideias morrem
e quando eu acordo de mim,
lá se vão duas semanas, né? Quando o
Tobias faz esse
esse relato pro Bonifácio, o Bonifácio
se questiona: "Poxa,
será possível encontrar
sabor na monotonia?
Viver só duas semanas inteiras no mesmo
espaço, com as mesmas coisas,
sem andar de casa em casa, de rua em
rua, não seria um deleite novo e raro?
Então, o Bonifácio, que era um homem que
vivia sempre cercado de pessoas,
e vejam, numa primeira impressão, a
gente pode pensar que eram todas
companhias superficiais, o autor vem
dizer que não.
O autor diz que em algumas companhias,
inclusive, ele tinha certa intimidade.
Agora, em todas elas,
é, eu não sei quanta intimidade ele tem,
de fato, porque ele não ousava
discordar.
É, então, ele concordava com tudo, ouvia
calado, não se dispunha com ninguém.
Não sei quão profunda ou quão íntima, de
fato, era, eram essas relações, porque
em relações íntimas, você tem segurança
para expor a sua discordância.
Porque você sabe que você pode
discordar, contraditar, questionar, sem
ser punido por isso. Então, se você tá
dentro de uma relação em que você não
tem segurança para discordar,
precisa questionar aí o
quão íntima, de fato, é essa relação que
você tá vivenciando, né?
Então,
seja como for, aqui, o Bonifácio diz o
seguinte: "Olha,
cansado dessa vida social,
eu vou me recolher duas semanas". E ele
faz isso. Então,
o conto começa com ele entrando na casa,
estando completamente só. No primeiro
momento, ele fica muito ali
entusiasmado, porque ele vai olhar, vai
vistoriar o imóvel inteiro, e ele, é,
detecta umas certas coisas que precisa
fazer, janela, porta, é, piso que tá
soltando, então, ele fica muito
entretido
ali com os afazeres da casa, né?
Inclusive, quando ele tá entrando lá,
é, o Machado vai fazer uma referência ao
livro de Robinson Crusoé, né, do Daniel
Defoe. Um livro de 1719, veja só,
Machado publica em 1885, o Daniel Defoe
em 1719,
né? E Robson Crusoé é um livro que eu
tenho muita vontade de trabalhar aqui.
Só que é um livro
bem extenso, né? A gente teria que fazer
ele aí durante o ano todo. Quem sabe,
né?
Um dia ainda, porque é um livro
especial, gente. Um livro importante.
Não é por um acaso que Machado vai fazer
essa
vai mencionar o Robson aqui.
Ah, e aí é até curioso, porque ele não
põe o sobrenome do Robson, mas quando
você tem transcurso literário, você
entende. Por causa do tema,
né? Do que está sendo levantado, está
sendo dito da experiência que o
personagem está tendo aqui. Ele cita o
Robson, você sabe que isso aqui é Robson
Crusoé que ele está falando.
Tá. Ele entra, examina tudo, né? E ele
passa a tarde toda, como vai dizer o
Machado,
se sentindo não mais do que
proprietário. Examina tudo com paciência
minuciosa, parede, teto, porta, vidraça,
né? Árvores, porque ele está numa
chácara.
Então, ele tem um quintal muito amplo,
tem uma cerca de espinhos, tal. Dessa
forma, a tarde passa muito depressa.
Só reparou bem que estava só
quando lhe entraram em casa as
aves-marias, um passarinho, um
passarinho, né? Um tipo de passarinho.
Com o seu ar de viúvas recentes,
né?
Então, assim, a gente está falando de um
crepúsculo vespertino, do sol que está
se pondo, a noite caindo, entram essas
aves ali com seu canto melancólico e aí
ele se lembra que ele está sozinho. Por
quê?
Porque ele não tem mais
tarefa para fazer naquele momento.
Então,
ele não está mais acompanhado das
tarefas.
Muita gente, na dificuldade de estar só,
acaba o que se dispersando em tarefas,
enchendo a agenda.
É, aquela coisa, né? Agenda cheia e
coração vazio.
Acaba se, ah, distraindo com muitos
afazeres.
Mas a certa altura do dia, ali ao final,
quando você não tem mais como continuar
fazendo, fazendo, fazendo.
Você vai botar sua cabeça no travesseiro
e não tem jeito.
Você vai estar só.
Hoje, qual que é o problema, né? Você
tem os aplicativos, então as pessoas,
elas acordam ouvindo coisas, elas vão
dormir ouvindo coisas.
Programa lá, põe um podcast, põe um
audiobook, né?
Em nenhum momento
a pessoa consegue mais ficar só
consigo, com seus pensamentos, com as
suas reflexões, né? Que desconforto é
esse que a gente experimenta?
Como que eu posso me tornar para mim
mesmo uma companhia tão desejável a
ponto de de eu não querer me ouvir?
Né? Isso precisa de atenção.
Esse é o caso de Bonifácio. Só quando
ele para ali, ah,
interrompe a sua performance tarefeira
é que ele sente pela primeira vez que
ele está só e sente uma melancolia. Aqui
ele até faz uma outra
referência literária. Ele vai dizer
o seguinte, o Machado.
"Essa hora eloquente e profunda,
crepúsculo vespertino, que ninguém mais
cantará como o divino Dante". De novo,
ele não põe o sobrenome. Que Dante?
Dante Alighieri, na Divina Comédia, que
foi publicada ainda antes de Robinson
Crusoé.
Robinson Crusoé é 1719,
né? O Machado é 1885, o Dante é 1427.
Mas aqui ele está fazendo isso, ó.
A hora melancólica, crepúsculo
vespertino.
Dante Alighieri, na Divina Comédia.
Então ele fala assim, ele só conhecia
essa hora, essa hora que Dante descreve
também lá na Divina Comédia, Bonifácio
só conhecia pelo gás do jantar.
Pelo aspecto dos alimentos que eram
necessários ali para o seu jantar
diariamente, né? Pelo tinir dos pratos,
o reluzir dos copos. Então ele só se
dava conta
do crepúsculo vespertino quando era que
era do jantar. E ele tinha quem
providenciasse isso para ele, né?
Ali é diferente, ele não tem, porque ele
está sozinho numa casa, ele se retirou
para uma propriedade
onde ele está absolutamente só e ele
mesmo tem que preparar o seu jantar. E
olha que curioso, desde que ele chegou
desde esse primeiro momento aí ele fica
acabrunhado,
triste, abatido. E aí em vez de
olhar para esse sentimento, para essa
melancolia que ele experimenta ali, ele
corre, corre, acende a luz e vai fazer o
seu jantar, né?
Foge de entrar em contato com essa
melancolia.
Aí 8 horas da noite quando ele ia dar
corda no relógio, "Ah, não vou deixar,
vou dar corda no relógio não, porque eu
vou me desligar dessa divisão do tempo
para eu experimentar ali aquela solidão
que o Tobias eh
falou, apresentou como algo tão
revigorante e tão entusiasmante".
Então ele não, nem tem relógio mais
regulando as suas horas [roncando] e
antes de ir também ele suspendeu a
remessa dos jornais, dos jornais para
aquele eh endereço. Porque ele primeiro
para a casa dele, mas ele poderia ter
encaminhado para lá, só que ele também
não fez isso.
Isso equivale a dizer que Bonifácio foi
para essa casa sem celular.
Porque antigamente como é que você tinha
acesso às notícias?
Pelos, pelos jornais, né? Então ele vai
para lá sem jornal, sem nada, só com os
seus livros.
Para matar o tempo
já que ele Ele tinha mais os jornais
para ler ali depois do jantar e ele vai
o quê? Examinar as gavetas das moças.
Então ele vai
fazer uma limpa ali nas gavetas, ele
começa pelo grande, né? Vistoriando a
estrutura toda, o quintal, depois ele
vai limpar as gavetas. Vocês sabem como
é uma gaveta?
Você sabe como é que é, né?
Acha bilhetes de amigos, notas, flores,
cartas de jogar, pedaços de barbante, de
lacre, penas, contas antigas, releu o
bilhete, as notas e lá no fundo da
gaveta, de repente, numa caixinha de
tartaruga,
ele encontrou uma mecha de cabelo.
Com um papelzinho que dizia o seguinte:
"Cortados ontem, 5 de novembro de
manhã".
Bonifácio estremeceu.
Na hora ele exclama: "Carlota".
E quem era Carlota?
Era uma mulher
com quem ele tinha tido um romance
muito fugaz, mas, né, é, é,
fugaz no sentido de ser passageiro,
breve,
mas parece ter sido muito intenso.
E essa Carlota havia cortado uma mecha
do seu cabelo, feito um bilhetinho e
mandado para ele.
E aí, naquele molhozinho de cabelo,
Bonifácio vai reviver o quê?
Esse amor expresso nesse molhozinho,
esse amor que foi a grande data
memorável na vida dele. Veja, não foi só
mais um amor, só mais um caso, foi algo
que realmente impactou e ele repete
novamente: "Carlota".
Reclinado na cadeira, ele contemplava os
cabelos
como se fossem a própria Carlota. Ele
releu o bilhete, depois ele fechou os
olhos para recordar melhor,
né? Ficou ali pensando
na Carlota, reviveu aquele amor, a
carruagem, os ombros dela, os olhos
magníficos, os dedos, os anéis, a
ternura dela.
Ele ficou o quê?
Carlota,
né?
Rememorando,
relembrando, revivendo
esse amor que ele teve através dessa
mecha de cabelo que ele encontrou.
Aí veja, né?
Bonifácio já tá ali,
ah,
almoçado.
Ele chega, já já vistoriou a casa, já se
alimentou,
né? Já viu lá o mecha de cabelo de
Carlota, já ficou sem os jornais
e vai levando ali tranquilamente, porque
logo depois de ele ficar ali se
deslumbrando com as lembranças de
Carlota, ele vai fumar o seu charuto
e vai pensar também o seguinte: "Poxa, e
se Carlota aparecesse, né?"
Então, olha que curioso.
De um movimento pro passado, ele se
lança agora pro futuro.
Então assim, ela estava,
ela não está,
mas ele,
em vez de se ficar ali no porquê que ela
não está, né?
Como é que a gente se distanciou,
que caminho a vida tomou,
ele logo vai pro futuro e se ela voltar.
Né? E ele passa a acreditar que de
alguma forma, talvez ele tenha se
retirado, né? Sabe aquela mania que que
que os crentes tem de falar: "Ah, isso é
um sinal, né?"
Ah, que é mais um viés de confirmação
muitas vezes do que um sinal em si, ou
seja, a gente faz uma leitura de maneira
tendenciosa para confirmar aquilo que a
gente de fato deseja que seja
confirmado,
mesmo que pareça que não, porque muitas
vezes a gente nem tem plena consciência
do que nós de fato desejamos, né?
Então, o Bonifácio começa a pensar: "Ai,
será que
de repente eu não vim aqui fazer esse
retiro exatamente para me reencontrar
com ele? Então ele sai da casa,
né? Da da chácara ali, da da da cerca da
chácara e vai para a cerca e fica na
cerca vendo, esperando a Carlota passar.
Lógico, ela não passa,
né? Enquanto ele tá ali naquela
esperança,
ela começa a chover.
E aí ele precisa voltar para casa e se
recolher,
né?
Então,
quando começa a chuva a pescar, ele
corre direto para casa
e ele chega inclusive a ouvir assim:
"Ai, meu bem", né? É o quê? Ele
estremece de novo, mas era uma ilusão.
Uma ilusão
pelo desejo dele que ah, de repente nem
ele tinha consciência que estava tão
forte, por quê?
Quando você tá soterrado no seu
ativismo,
né? Quando você tá aí tomado pela sua
performance tarefeira, você perde
contato com você.
Você tem contato com tanta gente, com
tanto com desejo de tantas pessoas, com
as demandas de tantas pessoas que você
perde contato com os seus próprios
desejos.
Então, veja, ele começa inclusive a ter
ilusões auditivas, né? Assim, é é
percepções auditivas que não são
verdadeiras. Aquilo era muito forte. No
entanto,
tava guardado no fundo de uma gaveta na
qual ele não mexia há muito tempo,
porque tava ali na sua
na sua vida eh performática, né?
E aí,
ele já dentro de casa, a chuva caindo,
ele chega,
começa a se lembrar: "Lá na minha vida,
né? Na minha rotina, o que que eu
estaria fazendo a essa hora? Essa hora
eu estaria na porta da casa do Bernardo,
do Farani, vendo as pessoas passar, né?"
E aquele aquilo ele começou a se lembrar
de naquele momento que ele estaria
fazendo se ele estivesse no meio de
pessoas ou em meio às pessoas e não só.
A impressão do silêncio, principalmente,
afligia mais do que o da solidão. Por
quê? Porque é que Bonifácio ele estava
cheio de gente dentro de si.
Então, a impressão do silêncio afligia
mais do que a solidão. Por quê?
Eu tô cheio de gente dentro de mim, eu
tô com Carlota, eu tô com Farani, eu tô
com Bernard, eu ainda tenho muitas
memórias, memórias muito eh vívidas,
pessoas muito presentes.
Ainda eu não tô só comigo, né?
Aí ele tenta ler.
Ele fala: "Bom, já que eu tô aqui, tá
chovendo, não dá para ficar na cerca
esperando para ver se Carlota vem ou
não".
Que Carlota
não era impossível que ela passasse por
ali, né? Porque ela morava próximo, a
toda a dizer.
Aí ele vai tentar [roncando] ler. Quis
ler e não pôde.
Foi reler as cartas e examinar as contas
velhas. Ele não pôde. Não pôde, por quê?
Porque ele não conseguiu.
Né? De tão inquieto que ele tava.
Pegou os livros, tinha lá as suas a sua
vela, né? Mas tava muito quieto. Então,
foi reler cartas, examinar contas
velhas, estava impaciente, zangado,
nervoso e a chuva não parava.
A chuva continuava lá,
regular,
consistente, parecendo que ia durar
dias. Bonifácio andou, Bonifácio andou,
voltou, foi de lado para o outro,
começou a se achar ridículo.
Que horas eram? Ele nem sabia, porque
ele não tinha dado corda no relógio
mais.
E assim,
as lembranças de fora, as coisas e
pessoas vinham se agitando em volta
dele,
falando, rindo, fazendo-lhe companhia.
Bonifácio
passou a recompor
a sua imaginação, na sua lembrança, toda
a sua vida exterior.
Veja como ele ainda estava
muito acompanhado, né? O seu mundo
psíquico.
Por fim, ele cansou e aí ele tentou ler
de novo.
Princípio
o espírito soltava, saltava fora da
página atrás de uma notícia qualquer,
né? Então ele pega, você já passou por
isso? Você pegava vamos supor sentar
aqui para ler, né? Aí
seu espírito salta ali da página e você
vai pegar o celular para ver uma
notícia, você vai perguntar a alguém,
você vai ligar a TV, né? No caso do
Bonifácio provavelmente consultaria os
jornais, só que não tinha mais jornal,
jornal ali.
E aí
ele então consegue ler nem na primeira
tentativa,
embora não tenha nem chegado a abrir um
livro, aqui na segunda ele chega a abrir
um livro, mas também não consegue. Ele
vai jantar, jantar mal
e para se consolar ele bebe muito.
Se lembra das cartas, aí ele volta lá
nas cartas, agora não são cartas eh
escritas, mas de de jogar, né? E ele
fala: "Ah, vou fazer um vou jogar carta
então, vou jogar baralho, né?" Era um
recurso para o quê? Para tentar escapar
de todas essas memórias que no princípio
eh foram para eles prazerosas, sobretudo
as memórias de Carlota, mas depois
passam a afligi-lo, né? Então ele fala:
"Vou jogar carta".
Com o tempo ali
jogando carta ele cai no sono, dormiu ao
som da chuva e teve um pesadelo.
Esse pesadelo dele é muito interessante,
gente, e a gente não vai eh se estender
nele porque não é o alvo da live, mas é
é muito significativo, né?
Ele sonha que ele sobre a presença de
Deus
e ouve de Deus que Deus agora vai fazer
chover
por todos os séculos restantes.
Bonifácio pergunta: "Mas quantos mais?"
O Senhor responde: "A cabeça humana é
inferior às matemáticas divinas".
Coisa bonita, né? A cabeça humana é
inferior às matemáticas divinas.
Mas posso te dar uma ideia remota e
vaga.
Faz o seguinte, Bonifácio, multiplica as
estrelas do céu por
todos os grãos da areia do mar e você
vai ter uma partícula dos séculos
pelos quais essa água cairá. É por aí
que vai chover.
E ele fala, né, o Bonifácio, mas se eu
onde irá cair a água?
Mas não vai cair só água, Bonifácio. Aí
o sonho vai se tornar interessante. Vai
chover também borgonha e cabelos de
mulheres bonitas, né?
O sonho interessante porque a gente é
medo
e sobretudo desejo é matéria-prima do
sonho que a gente tem, né? Você vai usar
a mente nossa muitas vezes, vai recorrer
a restos diurnos,
coisas que aconteceram ali no dia a dia,
referências conscientes
ou ou ou inconscientes.
Usa isso para o quê?
Para a noite
trazer a a ao seu conhecimento
qual é o seu desejo, qual é o seu medo.
Muitas vezes parece que é óbvio isso, a
gente falou há pouco, mas não é, né?
Aqui o sonho dele está muito relacionado
a desejo. Mas veja, não cai ca não não
cai cabelo de Carlota, né? Cai cabelos
de mulheres bonitas, cai também muito
borgonha, muito vinho.
Para o quê? Embriagar, né? Anestesiar,
enfim. A gente conversa sobre esse sonho
é num outro momento. E aí
Bonifácio agradece a Deus que descontou
isso para ele, ele olha para o ar e vê,
de fato, que está chovendo muito cabelo
de mulher bonita, muito vinho, além da
água, né? Tudo isso acumulando lá no
abismo que ele via lá de cima e de
repente, quando ele tá se inclinando pra
ver se abismo,
ele vê se debatendo com essa água toda
lá embaixo, né, ah, a Carlota.
A Carlota aqui e aí ele quer descer pra
salvá-la e e levanta os olhos, olha pra
Deus e Deus já não está, né, e no lugar
de Deus, quem ele vê?
Ele vê Tobias.
O amigo filósofo dele que falou da
satisfação de estar só. Aí Bonifácio
acorda assustado porque sobre Tobias tá
olhando pra ele e rindo com um sorriso
é irônico.
Aí, veja, a gente não tá falando mais de
desejo, talvez de medo,
né? Ele tinha medo de retornar e
e dar o relato pra Tobias de como tava
sendo a experiência dele, que não tava
sendo nada,
é, perto do que Tobias experimentava,
né? Olha que ele vê Tobias rindo
ironicamente pra ele, né, Bonifácio dá
um grito e
acorda. Ele vai pra janela, vê que
continua chovendo.
De novo reclama porque não achou os
jornais, ou seja, não tem nada para
distraí-lo, para aliená-lo desse
mal-estar que ele tava experimentando,
né? E pareceu já que ele tava um século
separado da cidade. Nós estamos falando
de 48 horas.
Deus propôs duas semanas, tinha só dois
dias,
né?
E aí ele começa a pensar: "Ah, mas se
morreu alguém?
Mas se algum ministério tiver caído? Né,
eu não tô sabendo de nada e quer saber
de uma coisa? Essas horas estão aqui
cada vez mais, é, lentas no seu
transcurso, parecem intermináveis.
E ah, mas eu vou resistir mais um
pouco". Ele ainda tenta, né? Ele vai
fumar e vai de novo recorrer às cartas
ali.
Aí agora ele também se lembra de de um
de de outro tipo de carta, né?
Manuscrito, então ele vai tentar
responder algumas cartas, escrever
algumas cartas,
mas apenas pôde acabar
uma, só uma.
Ele não podia ler,
não podia estar
e ia de um lado para o outro, sonolento,
cansado, resmungando,
fazer planos de outras obras da casa, se
agitava, se agitava, mas não dominava
nada.
Não dominava nada.
A solidão, como paredes de um cárcere
misterioso,
ia apertando
Bonifácio ao derredor dele, em derredor,
e não tardaria a esmagá-lo, né? E ele
nesse aperto
que a solidão tava, eh,
para o a solidão tava
enredando ele, né, nesse aperto,
ele começa a perceber o seguinte,
que tem dois dentro dele, é a sensação
que ele tem.
Ele se desdobrava em dois homens,
um dos quais
provava o outro que estava fazendo uma
tolice. Porque você começa a conversar,
né, com você mesmo. Lembra aquelas
repartições que a gente tem dentro da
gente? É ego,
o eu, o superego, né? O isso, ele começa
a falar: "Poxa, mas isso que você tá
fazendo é uma tolice,
uma bobagem, né? Isso se você já ir para
a rua, deixa isso para lá". E
provavelmente o outro: "Não, mas eu
disse".
Porque ele quando vai se retirar, ele
avisa as pessoas, né, do seu intento.
O outro: "Não, mas eu disse que eu me
retiraria e eu fiz esse propósito, eu
vou ficar". Ele fica nessa luta, né?
Veja que importante isso aqui.
Parte desse conflito que ele experimenta
não tá só no fato dele se retirar,
dele tentar algo
Tá no fato de ele fazer isso de maneira
autoiludida.
Muito autoenganado. Uma percepção de si
muito além do que ele era capaz de
suportar. Porque veja,
se você é uma pessoa que vive cercado de
outras pessoas, né, como era o caso do
Tobias, extremamente do do do Bonifácio,
extremamente sociável e tal,
e você nunca passou pela experiência de
se recolher plenamente,
como que você se propõe
na primeira experiência fazer isso por
duas semanas?
Isso é um salto. Isso não é um passo.
Veja, se ele tivesse se proposto um
final de semana, ele teria conseguido,
né? E isso fortaleceria
a sua autoestima, a sua autopercepção, o
seu autoconceito,
de maneira que ele se sentiria motivado,
reforçado positivamente,
para voltar e falar: "Bom, acho que
semana que vem eu vou fazer de novo",
né? Aí depois o quê? Três dias? Vai
emendar um feriado? Vai pegar uma ponte?
Mas não, né? O Bonifácio é como eu e
você, de repente, que acha que a gente
dá conta de coisas que a gente não dá,
né? Que tem uma percepção de si
muito além daquilo de fato. Nós nos
achamos incríveis, né? E nós não somos.
Nós somos pessoas comuns,
né? Que é é é temos os nossos conflitos,
como todo mundo, temos potências,
sim, temos, né? Mas também temos
fragilidades.
Então,
o Tobias, o o Bonifácio aqui, ah,
ele colocou para si uma meta irreal.
Será que o problema
era me recolher?
Ou era me recolher por duas semanas, já
que eu nunca tinha feito isso? Você já
colocou metas irreais para você?
Né? Você já quis
sair da inércia
e
para dar um salto olímpico? Né? Não,
gente. Não são saltos, são passos.
Né? São, é,
um dia de cada vez.
É grão de mostarda, é pequena Belém,
cidade da Judeia. Não é coisa grandiosa,
é, de uma vez para nós, né? Porque nós
precisamos
é,
lidar,
dar conta de que aquilo que pensa, que
tá de pé, a gente a gente sempre traz
esse versículo aqui. Toma cuidado para
não cair. De fato, a gente sempre vai
continuar lembrando disso, porque eu
falo para vocês, minha boca tá mais
perto do meu ouvido, eu me escuto
primeiro, né? Poxa, quantas vezes,
é, eu me frustrei muito, por quê?
Coloquei metas irreais, né? E aí você
vai ficando com uma autoestima cada vez
mais achatada, porque são metas
cada vez mais irreais, né? O que como?
Então, faça uma meta modesta,
dê um pequeno passo,
porque assim a chance de você atingir o
seu alvo é muito maior. Isso vai
provocar em você,
é, o
vai fortalecer sua seu autoconceito. Por
quê? Porque é um reforço positivo. Você
não vai sair desanimado, porque mais uma
vez você fez um voto, você
prometeu algo, você fez um plano, um
projeto, um sonho, dê o nome que você
quiser, você não conseguiu, né?
Então, assim, ali,
agora totalmente desmotivado,
por quê? Se for o seu final de semana,
ele tá eu acho, maravilha, consegui duas
semanas, né? Ou só dois dias.
Dá umas 3 horas da tarde, Bonifácio
fala: "Não aguento mais. Vou sair".
E ele sai,
né?
Ele sai,
ele vai para a rua e no dia seguinte,
que ele sai pra casa, ele vai na casa de
Tobias pra contar pra Tobias como tinha
sido a experiência dele.
Mas o Tobias, naquele momento, ele está
em recolhimento e ao contrário de
Bonifácio, Tobias já cultivava essa
prática, já estava fortalecido nela,
então
é, ele nem
nem interrompe o seu recolhimento e nem
se deixa interromper, então Bonifácio
não consegue falar com ele. Passou se o
tempo.
É, duas semanas depois, o Bonifácio tá
numa barca,
lá cruzando,
entrando na barca ali,
de Niterói, né, pra ir pro Rio,
ele percebe a silhueta de Tobias e ele
vai falar com Tobias
e conta tudo pra Tobias.
Confessa tudo, né, que ele fosse e
retirou porque ele tava fatigado,
cansado dos amigos,
que ele tinha porque o plano de duas
semanas conseguia ficar
só dois dias e ainda assim com
dificuldade.
Tobias ouve tudo calado, né, prestando
muita atenção e depois
começa a pedir
para o Bonifácio
detalhes minuciosos,
a descrição de todas as suas sensações,
as mais íntimas, né, ele falou: "Olha,
não, não, não deixa de me contar nada do
que você sentiu".
Tobias tava
perscrutando
não só o externo de Bonifácio, mas o
interno, que Bonifácio falava todo o
externo,
né?
"Eu fiz isso, eu fiz assim, depois fiz
assado e tal e aí mas foi muito
difícil".
O relato interno, ele se limita a dizer:
"Foi muito difícil". Aí o Tobias falou:
"Não, pera aí, deixa eu ouvir você, o
seu relato interno". Porque a gente tem
duas realidades, né, né,
Temos a realidade exterior, que é o
objetivo,
e temos a realidade interior, que é a
subjetiva.
E aí, quando alguém nos pergunta, quando
nós, como nós estamos, observem, a gente
começa a relatar a realidade objetiva,
né?
Ai, menino, tô preocupado, porque
aconteceu isso, isso, isso, isso, isso.
A gente se detém muito pouco na nossa
realidade, eh, subjetiva.
Alguns por proteção, pode ser, mas
suspeito que a
maior, a maioria de nós, uma parte de
nós, é por alienação de si mesmo, né?
E aí, no fim, ele fala assim: "Ah, eu
tive um pesadelo".
Viu, Tobias? No fim, olhando por cima
do, do, não, desculpa, o Tobias, no fim,
olhando por cima dos óculos lá e, e
perguntando pro,
pro Bonifácio, ouvindo o Bonifácio
contar os detalhes.
Aí, tal como o Tobias havia sonhado, o
Bonifácio olha para ele e,
né, e fala assim: "Você quer saber,
Bonifácio,
por que que para você foi tão
desconfortável,
tão infrutífero
esse recolhimento? Porque você se
esqueceu
de levar o principal
na sua bagagem,
que são o quê?
As ideias".
Bonifácio olhou, achou graça, riu,
né?
Não dimensionou o que o Tobias estava
dizendo ali. Por quê? Porque não é um
homem de ideias.
E aí, o Tobias, também rindo, dá um
piparote assim, né, na, na testa dele,
faz assim.
Em seguida,
o Boni, o, o Tobias pede notícias
pro Bonifácio. Ah, então, tá bom, né?
Já, já fez o relato.
O Tobias já mandou a mensagem. O
Bonifácio só pensou: "Ah, então, tá bom,
então, me conte aí notícias, né?
Aí o Bonifácio deu notícias de toda
espécie, grandes e pequenas, fatos e
boatos, isso e aquilo.
O velho Tobias ouviu com os olhos meio
cerrados
pensando em outra coisa.
Eu fiquei pensando no que que Tobias
estava pensando, né?
Porque é, veja só, quando ele pede para
Bonifácio falar de si,
Bonifácio ele não faz isso
espontaneamente, ele precisa ser bem
estimulado, especificamente estimulado.
Quando ele termina o seu relato, Tobias
vem fazer o contraponto falando: "Olha,
você
esqueceu de levar na mala ideias,
né?
Tudo que você tinha lá era lembranças
para você ficar se apegando, ou ilusões
a respeito de um futuro, de um passado
que já foi, que ah, quem sabe volta, né?
Mas você foi totalmente desprovido
de ideias, de reflexões, de repertório
interno,
né?
Que que Bonifácio faz quando ele recebe
esse
esse feedback, né? Esse retorno do
do Tobias? Ah,
acha graça e
ou seja, não tem profundidade.
Então, é
Aí, quando o Tobias em seguida fala:
"Então me dá também, então me fala dos
fatos, dos boatos". Aí
Bonifácio
desembesta a falar, né? Porque o que que
é?
Fatos, boatos, vida dos outros,
movimentação, é, é
mundo externo, isso eu tenho muito que
dizer. Por quê? Porque é só repetição,
né?
Mas a reflexão, lógico que parte aí de
ideias de outras pessoas,
de leitura, de repertório, mas você vai
chegar às próprias conclusões
de como aplicar essas ideias na sua
vida, nas suas relações, nos dilemas que
você enfrenta,
né?
Mas se nem ideia você tem, que que é,
que que são ideias? Essas ideias que
eles estão falando, a gente não tá
falando de invencionice,
a gente tá falando das grandes ideias,
das grandes mentes humanas, né? Tobias
era um homem de mente filosófica.
Então assim,
esses grandes pensamentos humanos, eles
são matéria prima
para que você viva hoje a sua vida com
mais profundidade e qualidade.
Quando você não tem esse repertório, e
aqui a gente pode falar inclusive do
repertório bíblico,
você conhece as grandes mentes dos
grandes autores bíblicos, né?
Tão ouvindo barulho aí? Mas enfim,
vou conti, tão ouvindo barulho, bem?
Ah, então tá ótimo.
É, então o seguinte, é, você conhece a
mente
de cada autor bíblico, lógico, lógico, o
grande autor é Deus, a escritura é toda
inspirada por ele, né?
Mas aqueles homens que Deus usou, quais
são as ideias que eles têm, cada um?
É, então,
e e isso, gente, ajuda a gente a
compreender como é que Cristo
conseguiu passar por tantos momentos tão
difíceis na vida dele
só?
Porque ele estava cheio das ideias de
Deus.
Ele estava cheio dos pensamentos dos
profetas,
dos pensamentos dos
dos homens de Deus que o antecederam.
E isso você vê em toda a vida dele, por
quê?
Em situações, nas situações mais dra,
desde as mais simples, corriqueiras,
como as mais dramáticas,
que Cristo fazia?
Ele reproduzia
a fala do que já tinha escrito.
A fa, tanto que ele falava, né? Está
escrito, está escrito.
E isso não foi só lá no deserto, na
tentação, mas inclusive lá do alto da
cruz, né, quando ele vai fazer
referência ao salmo
69, quando ele fala, ah,
tendo em vista a escritura vai dizer,
né, depois que tu, tendo em vista, ah,
quando todas essas coisas se cumpriram,
né, aí ele diz, tenho sede. Então,
assim,
ah, só é possível você atravessar
momentos de grande dramaticidade,
dificuldade na sua vida,
se você tiver conteúdo interno robusto
para te sustentar nisso aí, né?
Então, aí a gente volta para o começo do
livro.
Estar só
para alguns vai significar solidão, para
outros vai
significar solitude.
Uma característica, dependendo do seu
conteúdo interno, uma característica que
diferencia uma coisa de outra, a gente
pode pensar primeiro
que a solitude é esse recolhimento que
você faz de maneira voluntária,
né? E a solidão
não é voluntária.
Ele é por imposição, você foi escanteado
de um grupo ou por condição. Você é um
biólogo que vai trabalhar na Patagônia,
né? Provavelmente você vai experimentar
ali uma grande solidão,
que vai um ou outro com você e olhe lá.
Então, primeira coisa, solidão, ah,
não é fruto de volição, né, é uma
imposição, fruto de imposição ou
condição.
Também pode ser uma condição, por quê?
Dependendo das escolhas que você foi
fazendo ao longo da vida,
você chegou nesse estado de solidão.
É, se você não, se você implodiu a rede
de apoio que você tinha, inclusive não
sendo, não integrando, não participando
de rede de apoio para ninguém,
então, assim, é uma imposição ou uma
condição, você vai ter que avaliar.
E quais são os efeitos de um e de outra?
Como que eu sei
que eu tô só e é solidão e é solitude?
Você vai observar pelo efeito que isso
causa sobre você.
A solitude
ela funciona assim, é,
recolhimento,
renovação
e retorno.
É.
Quem experimenta esses períodos de
solitude é exatamente como Tobias
descreve lá.
Você volta a
renovado. Por quê? Porque você conjugou
ideias, você fez reflexões, algumas
ideias morreram, você vê que não se
aplicam, não se aplicam mais a você, à
sua condição, à sua situação, né? Outras
ideias vão nascer das associações que
você vai fazendo, porque Deus pode te
dar coisas novas enquanto você medita
nas coisas antigas,
né?
Então, [roncando] a a a solitude, ela te
reabastece.
Você volta pro coletivo muito renovado,
muito reabastecido.
A solidão não.
Né? Então, a solitude ela te eleva, a
solidão ela te rebaixa, a solitude te
vivi
vivifica,
a solidão te mortifica,
é, então, pelo efeito, né? Uma que causa
uma grande vontade de viver, outra que
vai causando
vai aumentando um grande, é, uma falta,
um grande desânimo com a vida, né? A
solitude você sai querendo viver,
a solidão você vai
perdendo o sabor pela vida, o paladar
para a vida. A vida vai perdendo o sabor
para você porque você vai perdendo o
paladar para a vida.
É. E aí, a respeito disso, gente, quero
finalizar aqui com o Jean-Jacques
Rousseau, né?
Com um texto do Lavelle, na consciência
de si,
impressionante sobre a solidão. Diz o
seguinte:
>> [limpando a garganta]
>> É, ele tá falando na terceira pessoa,
né? Eu vou, eu vou
ler na segunda porque
estou falando com você que está aí nos
ouvindo. Se
é tão difícil para você viver na solidão
é porque a vaidade o atrai para fora
e o dispersa
em meio a todos os objetos que o cercam
que te cercam.
E se
ao contrário, né? Primeiro é difícil
viver na solidão, mas agora se se é
difícil sair da solidão
é porque você reduz tudo a si mesmo.
Experimenta diante de si um sentimento
de orgulho do qual você só consegue
desfrutar bem sozinho, ou seja, não
depende de ninguém.
Acho curioso quando alguém chega e fala
assim: "Ah, eu não dependo de ninguém".
Bom
você mora no mato?
Você já comprou sua arroba de feijão?
Até para comprar arroba de feijão está
dependendo do vendedor, né? Mas você vai
ter que plantar o seu feijão.
Você vai ter que produzir a sua
iluminação, sua eletricidade, né? Então,
como é que você não depende de ninguém?
Se você acordou, ligou o celular, você
está dependendo da rede elétrica que
alguém precisou fazer manutenção. Você
comeu pão? Você se alimentou? Bebeu água
potável? Está dependendo de
milhares de pessoas. Não existe isso,
né? Mas aí a pessoa
ela não consegue sair da solidão. É por
quê? Porque ela reduziu tudo a si mesmo
e ela experimenta ali um orgulho de não
depender de ninguém. Aí o padre
continua.
A solidão,
ao livrar você de todas as solicitações
exteriores, as demandas exteriores, ela
leva você de volta ao centro de si
próprio
e faz nascer em você mil forças
desconhecidas e miraculosas que
transformam
para você a figura do mundo, a imagem do
mundo e colocam você em pé de igualdade
com seu destino. Aqui ele tá chamando de
solidão, que a gente pode considerar o
quê? Como uma solitude.
Que é essa coisa
que livra você das demandas dos outros,
né? O tempo todo, faz você voltar para
si mesmo,
se conectar com essas mil forças
desconhecidas e não acionadas dentro de
você, porque elas só são, elas só serão
acionadas quando você estiver em total
contato consigo, né? E a partir
do acesso a essas forças, você passa a
ver as coisas de uma forma diferente
e assim colocar em pé de igualdade com
seu destino, no sentido de dizer: "Eu tô
pronto para o que der e vier".
Eu não sei o que vai ser, né? Mas eu tô
aqui para o que der e vier.
O valor de uma pessoa se mede pela
potência, essa frase dele é muito
conhecida.
O valor de uma pessoa se mede
pela potência de solidão que nela
subsiste.
Ou seja, ah, quanto de solidão
ou de solitude, de estar só, quanto de
estar só você é capaz de suportar?
O valor da sua potência tá aí, né? Você
quer saber o quão madura uma pessoa é?
Dá uma sondada
na relação que ela tem consigo mesma, se
ela tem prazer na própria companhia ou
se ela precisa escorar na companhia dos
outros o tempo todo, né? Tem pavor de
ficar consigo mesmo. Gente, uma pessoa
que se tolera, que não se tolera,
você acha que ela vai tolerar você?
Não vai durar muito tempo.
De maneira saudável não vai, pode durar
muito tempo aí
em guerra, né? Em, em
beligerância, em conflito, mas de
maneira saudável não vai, porque quem
não dá conta de ficar consigo não dá
conta de ficar com ninguém.
Aí o Lavelle
diz o seguinte, para terminar:
"Quem desejaria a companhia de uma
pessoa que só busca os outros
por ser uma carga para si mesmo?
Como alguém que faz a sua própria
infelicidade poderia fazer a felicidade
alheia?
Você já percebeu? Tem gente que pega lá
o WhatsApp e manda a mesma mensagem para
você, ele manda para os 20 lá, né? Não
tem 20 mais, não sei se pode lá mandar
para 20, para 10, para 100, enfim. Manda
para o máximo que ele consegue lá, por
quê?
Ele tá lá naquele mal-estar que o bonde
faz tava experimentando. Tô precisando
de uma distração de mim mesmo. Aí o
primeiro que responde é tá ótimo.
Ele quer falar com você? Não, não tem
nem teu nome. Coisa de corrente que ele
vai lá mandando. Gente, não tá falando
de anúncios em grupos de trabalho ou de
ministério, não é isso, tá? Em
comunicados. A gente tá falando de
coisas que escapam disso aí.
Então a pessoa manda para você e para
mais cinco, por quê?
Que ela não tá dando conta de estar só
ali com ela. Então qualquer voz que
entrar vai aliená-la de si,
vai aplacar mesmo que temporariamente
essa solidão que ela tá experimentando,
né? Então é é eu eu
quero falar com vocês que eu fiquei
impressionada. Aí
aí você tá aí, você não respondeu na
hora, demorei para responder.
Como é
que a solidão de alguém, o mal-estar de
alguém estar consigo mesmo pode causar
tamanha pressão em você?
Né? Ai, não respondi.
E vou dizer para você,
quando chega para mim desse jeito,
não tô falando isso aqui para você
copiar, tá? Eu não sou a régua do mundo.
Só para você refletir na maneira como
você lida com isso. Se for servir para
você, ótimo, se não servir, você
descarta.
Diz assim,
é, veio para você e para mais 10, a
pessoa não quer falar com você.
Ela quer falar com qualquer um
que a tire ali daquele contato que ela
tá tendo consigo, por quê? Para ela é
muito desconfortável. Ela não se gosta,
então qualquer pessoa que a aliená-la de
si mesma, para ela tá valendo. E você
fica aí eternamente pressionado porque
não respondeu, porque demorou para
responder, porque ai meu Deus, você acha
que eu não respondo, gente?
Não respondo.
Eh, desculpa, você tem um trabalho
interno para fazer e eu não posso
me responsabilizar por isso, porque eu
tenho também o meu trabalho interno para
fazer,
né? Então às vezes a melhor coisa que a
gente pode fazer pelo outro é deixar que
ele fique só.
Porque é que sabe ele não vai perceber
isso aqui que o Labelle tá fazendo, que
ele tá desejando a companhia de uma
pessoa, que ele tá buscando outras
pessoas, só por quê? Porque ele se
percebe como uma carga para si mesmo.
Né? E como alguém que faz a sua própria
infelicidade, que não tem alegria de
estar consigo,
pode proporcionar alegria a alguém.
É só quando sabemos desfrutar
do estar só
que outras pessoas
podem desfrutar
do estar conosco.
Então, eh,
a gente encerra esse conto, né?
Deixando esse pensamento, essa reflexão
aí para você. Quando você está só, você
experimenta a solitude ou solidão?
Se você experimenta a solidão,
procure ajuda.
Existem várias formas de você entrar em
contato consigo de maneira mediada,
inclusive, por pessoas que, ah, mas se
se é para
a mediação, não é algo que vai ficar ali
estancado permanente.
A mediação deve ser algo que virá e se
retirará, virá e se retirará, mas alguém
que pode ajudar você a fazer isso, que
de maneira realista
e não iludida, como o Boniface tem que
fazer. Ai, eu ouvi lá a live, achei bom,
então eu também vou ficar duas semanas,
li o conto lá, vou ficar duas semanas.
Sei, né? Será que você não vai tá
aumentando
a sua frustração?
Não vai tá aumentando a sua dor?
A ideia, gente, aqui é não é
simplesmente dizer: "Você tem, você não
se tolera
e que pena isso, né?" Não, é de pensar
assim, por que é que eu tenho tanto medo
de ficar comigo?
Por que é que eu preciso sempre dormir
com uma coisa ligada?
É, quais são as vozes que eu escuto
dentro de mim?
Qual é a maneira que eu lido comigo?
Será que e por que é que eu tenho tantos
pensamentos autodepreciativos?
Por que é que eu sinto tanta culpa,
experimento tanta condenação?
É.
Por que é que eu não ouço a bondade de
Deus dentro de mim, a voz compassiva de
Cristo dentro de mim? Porque veja,
a escritura diz que o Senhor, né, o
espírito de Deus habita em nós.
E aí fica querendo conversar com a
gente, né? E a gente não está querendo
ouvir outra coisa.
Ah, mas é pregação. Pois é, mas a
pregação está na voz do outro. O
espírito de Deus habita em você, dentro
de você que ele vai falar sem a mediação
da voz do outro. Ah, mas eu não vou ter
a voz do outro.
Né?
Então é
é, deixa deixa essas perguntas para que
você se reconcilie consigo.
É, porque Cristo veio para promover
quatro reconciliações, né?
Da gente com Deus,
da gente com o meio ambiente,
da gente com o outro e da gente com a
gente mesmo.
Então,
talvez você precise fazer as pazes
consigo,
se reconciliar consigo. Talvez você já
tenha se reconciliado com o seu meio
ambiente, com o outro, o evangelho já
tenha te alcançado ali,
mas com você mesmo e com Deus que habita
dentro de você, você que é templo,
você ainda está brigado,
né? E por isso você
não tem prazer na própria companhia. Que
Deus o abençoe,
que ele te ajude a
ficar de bem com você mesmo e a
desfrutar
do prazer, sabe que eh tava atendendo
uma pessoa, né?
Aí ela falou o seguinte,
muita dor, com muito sofrimento, ela
disse: "Rena,
eu quero fugir para um lugar onde eu não
estou".
Né?
Onde eu não consigo estar.
E ela me disse isso chorando muito, né?
E eu falei:
"Você perderia a oportunidade
de desfrutar da melhor companhia que
você pode ter,
que é a sua mesma".
Então, querido, primeiro não tem jeito
da gente fugir para um lugar onde a
gente não esteja.
É, onde é que a gente vai, onde para
onde a gente for,
a gente vai junto com a gente e Deus que
está dentro de nós vai junto também, ele
que é o presente.
E mesmo se tivesse, seria muito triste,
sabe por quê? A melhor companhia para
sua vida pode ser você mesmo.
Aliás, é a única companhia que vai ficar
com você do seu primeiro dia de vida até
o fim dele, em todos os momentos. Por
isso, se reconcilie consigo.
Em Cristo você vai encontrar esse
caminho, você vai parar de ouvir essa
voz acusadora e depreciativa
e culpabilizadora, você vai encontrar
uma voz
de bondade, de perdão, de esperança.
Cristo tem reconciliação para você com
você mesmo.
É o que nós te desejamos de todo o
coração. Que Deus te abençoe.
Agora a gente vai ouvir a Bel um
pouquinho a experiência dela com o
livro, né, Bel?
Bel, não tô te ouvindo.
>> Ligar o microfone, né? Senão não dá para
não dá para falar.
Então, foi muito interessante para mim,
porque eu fiquei pensando
da outra de o outro lado, né?
Que fugir para o campo não apaga nossos
pensamentos, né? Eu acho que o silêncio
externo só aumenta nossa confusão mental
assim, sabe? Então, eu sei que às vezes
a gente precisa de um tempo nosso e eu
amo esse esse tempo meu meu só com o
senhor, meu só, sabe assim de ah, tá, eu
não vou não vou fazer nada.
Mas eu acho que essa fuga, essa essa
fugir,
nós precisamos da sociedade, nós
precisamos uns dos outros, né? Nós
precisamos a conviver, a saber conviver,
né?
Relacionamentos fazem parte da nossa
vida, né? Mesmo com e com seus desafios
e eu acho que isso que a gente precisa
aprender, né? Esse ter esses
desafios, porque fugir
não resolve, né?
Fugir para
>> que quando você usa o recolhimento, tem
uma diferença entre recolher-se e fugir.
Eh, Cristo se recolhia.
>> Uhum.
>> Ele ficava só, ele procurava ele se
retirou, ele foi ficar sozinho. Às vezes
até despachava os discípulos "Vai na
frente, eu vou para o monte orar".
Então, assim, a saúde não tá em você se
esconder,
né?
>> Uhum.
>> E não está também você não se recolher.
>> Uhum.
>> Porque é isso que você vê em Cristo,
você precisa do silêncio para ordenar os
seus pensamentos.
>> Uhum.
>> Com outras pessoas você pode acrescentar
mais pensamentos aos seus e é importante
que os seus escrituras vai dizer "Não
deixe de congregar como é costume de
alguns". Então, essa é a vida
comunitária, nós somos seres gregários.
Então, a gente é comunitário, gregário,
precisa.
Mas nós também precisamos nos recolher,
por isso que a solitude é uma disciplina
espiritual.
Por isso que Cristo
tantas vezes se retirava para ficar
sozinho.
>> Uhum. Então a saúde está nesse movimento
de eu me expor e me recolher, de eu me
expor e me recolher, de eu me expor e me
recolher, que é o que o Tobias fazia
e que o Bonifácio não fazia, porque ele
não sabia se recolher.
Se se o Bonifácio fosse Cristo, ele ia
só ficar no meio dos discípulos, no meio
dos discípulos, no meio dos discípulos,
né?
Não, Cristo ele se recolhia, ele
voltava, ele voltava.
Então é eu acho que tem uma diferença,
sabe, Bel? E o exemplo de Cristo quando
a solitude é alçada a disciplina
espiritual.
Acho que é por isso, eh Deus quer às
vezes estar a sós conosco.
Né? E era assim com Cristo, imagina,
como Cristo era assim, né? Com a gente.
Acho que não.
Acho que se Cristo precisava estar a sós
com Deus, quanto mais nós
precisamos desses momentos e sobre tudo
numa época de excesso de estímulo, de
excesso de informação e excesso de
notificação, como a gente está vivendo.
É curioso, gente, porque a escritura,
quanto mais o tempo passa,
mais atual ela se torna.
A disciplina espiritual da solitude
nunca foi tão necessária como nos dias
de hoje,
porque nós nunca estivemos estivemos tão
atolados de demandas, de notificações,
de mensagens, de presença, né?
Como hoje, com o advento aí do do
smartphone.
Então é
a gente está muito cercado de gente e
de novo, né? Com a agenda social cheia e
um coração vazio.
Uma lista de tarefas cheias e uma
espiritualidade vazia, e a gente está
perdido aí nessa
fusão.
Eh tem uma coisa, você pode se misturar,
mas não fusionar-se com o outro, né?
Então quando você
se mistura, é igual óleo e água, você
pode misturar, mas
é possível separar.
A fusão não, se você fundir o ouro
branco com o ouro amarelo, você vai ter
ali o rosé, né? Aí depois você tenta
separar, você não consegue mais.
Então assim, a vida é comunitária,
congregacional, ela é uma vida em que a
gente precisa se misturar com o outro.
Mas fusionar-se
é só com Deus.
Fusionar-se é só com Deus. Na relação
com o outro a gente precisa saber quando
estar só
e quando estar junto. Aliás, quando
estar eh eh eh
junto e quando estar só. E a gente
precisa saber esse movimento, ter esse
movimento aí para a gente
alcançar uma vida equilibrada, saudável,
como Cristo era, né? Então eu concordo
com você, Bel, que
a vida comunitária, ela é importante e
que faz parte, né, de você ir e voltar,
ir e voltar para você ter saúde.
>> Sim, é mas é exatamente isso, você
precisa você tem o Foi isso que eu quis
dizer, né? A gente precisa ter os nossos
momentos, eu entendi de solitude, mas eu
a vida em sociedade faz parte da nossa
vida, né? Nós precisamos conviver com os
outros e o que me encanta são os
desafios de você conversava hoje com o
Saion sobre isso. Como é
como é difícil a gente a convivência com
o outro, né? Como é difícil você
conviver com o outro. Que às vezes você
tem vontade, você tem vontade de fugir
para ficar falar assim, eu não quero um
eu quero desligar meu smartphone, porque
eu não quero receber mensagens, porque
eu não quero dialogar
sobre mais isso, porque você já está
esgotado de argumentos, né? De
ou com alguma que algumas pessoas sempre
são mais complicadas do que outras, né?
E às vezes trazem sua carga emocional
para você tamanha que te acabam acaba
pesando isso na sua vida, que você
precisa realmente desses momentos que
você fala assim, não, eu não quero nada
agora, eu vou você se, semana passada eu
fiz um um, isso em uma manhã. Eu
simplesmente coloquei o meu telefone,
nem coloquei no, no, para vibrar nem
nada. Eu coloquei o simplesmente total
no silencioso. E sabe o que eu fiz? Eu
fui dormir.
>> Que ótimo para se recolher, né?
>> [risadas]
>> Pois é, eu me recolhi. Naquela manhã
inteira tinha 300 mensagens quando,
quando eu
Isso, e quando eu voltei
eu fiz todas as minhas coisas que eu
precisava fazer, que eu deveria ter
feito naquele tempo. Aí veio aquela
culpa assim: "Ai, mas você tinha um
monte de coisa". Eu falei: "Mas eu
precisava disso". Eu mesma falei para
mim mesma, sabe?
E eu fiz isso. E aí eu fui ver as
mensagens, as mensagens que eram assim
importantes que eu respondesse naquele
momento, eu respondi. E as outras eu fui
respondendo ao longo do dia. Então eu me
permiti esse momento meu, sabe assim, de
eu não vou fazer isso. Porque
normalmente a, a, alguém me fez uma
pergunta agora de uma editora sobre uma
informação, eu respondi imediatamente.
Aí a pessoa falou: "Nossa, que rápida".
Ok, eu estava disponível, eu respondi.
Mas eu estou aprendendo a não, a,
a priorizar as coisas, né? Então é isso
que eu quero, é mais assim, eu sei que
faz parte também desse, dessa, disso,
com a nossa solitude a gente aprende
isso, essas coisas, né?
>> É, e você voltou melhor, né? Porque como
você falou, conviver é difícil. Eu, o
Bonifácio,
é, ele, mesmo convivendo com os amigos,
certo momento ele falou: "Estou cansado
de tanta gente, de tantas vozes, de
tantas demandas, né"? E olha só, com
amigos, imagina no trabalho, imagina no
ministério, né? Então, é, imagina nos
trabalhos voluntários também. Então, é,
cansa mesmo. E aí, Bia, é importante
fazer isso que você fez: "Eu preciso me
recolher".
Porque é esse recolhimento que vai te
devolver melhor para o coletivo depois.
Aí tem uma outra questão que você traz
na sua fala que é importante, né? É,
depois do recolhimento vem aquela culpa.
>> Uhum.
>> Hoje em dia há uma deturpação
do mandamento divino, que é você guardar
o sábado. Guardar o dia de descanso.
Eu nunca vi, né, as pessoas
eh
não roubam e se orgulham de não roubar,
porque estão cumprindo a escritura. Não
adulteram e se orgulham de não
não adulterar, porque mas ninguém
observa mais o descanso.
E isso é um mandamento tanto quanto
os outros nove. Mas aí, se descansa um
pouquinho,
>> [risadas]
>> ai meu Deus do céu, mas eu não fiz, mas
eu não
Percebe como a gente tá dentro de um
momento histórico, eh e numa cultura
muito perversa
para deturpar o seu descanso. Por que
que o sábado, gente, quando é que o
sábado é instituído? O sábado é
instituído quando saiu, tá ali, ó,
atravessando, saiu do Egito, vai entrar
em Canaã. Então ele fala assim, olha,
vocês vão ter um dia de descanso para
que vocês se lembrem que que vocês são
livres.
Lá no Egito, é que você trabalhava sete
dias, eh a escala era sete, eh sete por
sete,
né, que era sete dias da semana
trabalhando.
Então o descanso é o momento que você
tem para se lembrar que você é livre.
E que quem rege a sua agenda é Deus.
O outro não pode vir sequestrar a sua
agenda, sequestrar o seu repouso dessa
forma. Você não pode se tornar refém do
outro desse jeito.
Mas não, a gente esquece. Aí a gente não
cumpre o shabat, o descanso, né, mas
acha que a gente tá bombando, porque a
gente não rouba, não mata, não adultera.
Você, há todo um espírito de época e há
uma questão ali que não é só
um acaso, um acidente. Nós vivemos dias
muito difíceis mesmo, em que as pessoas
violam o mandamento do descanso e ainda
se orgulham disso, tá? Outro dia
eu tava
E aí, tá corrido? Eu falei, não.
Pessoa não soube não o que fazer, né? Eu
falei, não.
Ainda não, eu tô
mantendo meu ritmo. Agora, isso a duras
penas.
Né? Porque é isso aqui pra gente o quê?
Ser sequestrado, começar a correr, a
performar, a ser o quê? Marta, né? Corre
aqui, vamos, chegou gente, vamos fazer.
E aí, você ouve e vira pra Maria e fala,
né?
Pra Maria não, vira pra Marta e fala,
Marta,
Maria escolheu a melhor parte.
Porque não é essa correria performática
aí que é a melhor parte, a melhor parte
é você parar para ouvir
a Deus. E veja, o Senhor não está
dizendo
que ter ritmo, ter compromissos é ruim,
porque ele não fala assim, Marta, Maria
escolheu a boa parte. Não, ele
qualifica, a melhor, né? Você vai rezar
ali, os textos vão trabalhar com o
advérbio de intensidade. Assim, é bom
você ter ritmo, é bom você ter tarefas,
mas é fundamental você ter descanso. É
por isso
que o Shabat, o descanso vem como
mandamento divino. Tá entre os 10,
gente.
Pode questionar tudo o resto, mas os 10
não dá pra questionar,
né?
E a gente faz o quê? A gente viola o
descanso.
E aí a gente fica orgulhosinho disso. Ou
seja, a gente precisa realmente é
voltar, né? Pra escritura, o nosso
coração pra escritura e nos reconciliar,
inclusive, com a maneira como nós
lidamos com o tempo.
O Senhor tenha misericórdia de nós, né,
Bel?
E nos ajude aí, porque,
é,
eu sei que tá todo mundo muito
sequestrado atualmente pelo vício com a
tela. Bel tá aí, tá chegando a mensagem,
ela tá respondendo, né?
>> Tô lendo.
Trabalhando.
>> Eu vou, eu vou acabar aqui, vou sair
correndo pra outro compromisso. Então,
eu já tô respondendo pra não ter que
responder depois, é de trabalho.
Hum.
>> Pois é, tá lá em casa.
>> Hum. Mas é isso, Bento, a gente encerra,
né, se você não tiver mais nada para
acrescentar.
>> Isso.
Só queria lembrá-los que tem Jesus para
o Japão nesse sábado, de manhã, o dia
inteiro, lá na IBNU. Tá lindo, estivemos
hoje lá organizando e tá bem lindo. Esse
é nosso convidado especial. Se
precisarem do link, é só entrar nos
canais da IBNU que tem lá o link para
fazer a inscrição. Vai ser um evento
muito gostoso. Vocês todos são
convidados.
>> Sábado, de 8 às 17, tá, gente? Começa 8
da manhã. Então,
>> Rina vai tá lá também, gente.
>> Eu vou lá, minha filha. Estarei lá
servindo a Deus com alegria, né? E só
vou, só é possível estar lá no sábado
agora por quê? É porque eu vou
ter o meu tempo de recolhimento. Não tem
como a gente tá pronto para atender o
coletivo, sobretudo nós que trabalhamos
com grandes coletivos, como no caso da
igreja, seja a Bia que trabalha
formalmente, eu que trabalho
voluntariamente, não tem como você tá
bem para atender as pessoas se você não
tiver tido recolhimento para ficar a sós
com Deus. É por isso que Cristo se
retirava.
Os que quer aprender como viver com
saúde, é só olhar para o mestre. É só
olhar para o mestre, né? Aí, e assim, é
curioso porque
a gente tem um dia cansativo, a gente
vai se ver em série, não sei o quê.
Cristo, ele se retirava para ficar a sós
com Deus.
O descanso dele era para sozinho com o
pai. Descanso de filho
para sozinho com o pai, para sozinho
ali.
Que coisa mais preciosa. Que Deus nos
ajude, né, a a a mantermos aí
o descanso e o repouso e as pausas e os
recolhimentos necessários para que nós
possamos retornar ao coletivo
muito melhores do que se não fizéssemos
aí esse recolhimento. Que Deus abençoe
todos vocês. um grande abraço. Bel,
muito obrigada pela presença, pela
participação.
Ah, e até a próxima. Vamos vamos lá nos
expor, porque depois a gente se recolhe
para se expor de novo com
com a com a
é nutrido, né? Nutrido e e e com os
recursos necessários para abençoar o
coletivo.
>> É isso aí.
Então, fiquem com Deus, tudo de bom para
vocês. Final de mês a gente está aqui de
novo.
>> Um abraço para vocês, gente. Obrigada
por ter ficado conosco e até a próxima.
Tchau, tchau.

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