Obra: Só | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU
30/07/2026
Obra: Só | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU
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[música] >> Olá. Sejam todos muito bem-vindos a mais uma live. Hoje é só de Machado de Assis, só. Então é um conto curto, né? Mas muito interessante. E vamos lá, né, Rina? Tudo com você? >> Oi, Bel, Lady Bel. Oi você que tá aí nos acompanhando em mais essa live. A Bel adiantou. Eu tô bem, Bel. Tô aqui. Eu não estou só, estou acompanhada de você e de quem tá aí eh conosco nessa live do Clube do Livro da IBN Euler para crer. Que eu por acaso agora por engano acabei de fechar o conto. Calma aí, minha gente. Deixa abrir de novo. Brincadeira, né, Rina amada? Bom, vamos lá, enquanto a gente vai abrindo aqui. Esse conto foi publicado em 1885. Veja, tem mais de 100 anos, né? É um conto bem curtinho do Machado e que fala sobre um homem que se chama Bonifácio. Ele tem 45 anos. E certa altura da vida ele decide que ele quer passar duas semanas sozinho, só. E olha Olha que interessante o título, né? A gente tá falando de Machado de Assis, então nada aqui é por acaso. O título não é solidão, o título não é solitude, o título é só. Porque a partir do momento em que você se vê só, você vai incorrer ou no estado de solidão ou no estado de solitude, a depender do que você tem de conteúdo interno, né, de repertório interno. Então, quando o Bonifácio decide se recolher, ter essa experiência, ele decide fazer isso muito influenciado pelo relato de um amigo dele que se chama Tobias, que era um homem de muita profundidade, eh um homem de mente filosófica e aí a certa altura, né, o o Bonifácio tava conversando com o Tobias e muito espantado, porque o Tobias cultivava esse recolhimento como um hábito, como uma prática, né? E não era uma coisa eh eh de ocorrência única na vida dele. Tanto que às vezes o Bonifácio ia visitá-lo e não conseguia falar com ele porque ele tava recolhido. Aí, certa vez, ele perguntando pro Tobias assim: "Mas como é que você consegue, né, ficar sozinho por tanto tempo e sem ninguém?" Aí o Tobias disse: "Sem ninguém não, né? Não, senhor. Eu trago um certo número de ideias e logo que fico só, divertindo, divirto-me diverto-me em conversar com elas. Por quê? Essas ideias não são ideias só de si. A gente tá falando de um homem, o Tobias, que tem uma mente filosófica, né? Que tem certamente um repertório literário muito grande. Então, quando ele vai, ele não vai sozinho. Ele vai com os seus livros, tantos que ele já leu, quantos que ele está lendo, né? Então, ele vai acompanhado de muitas vozes e de vozes muito significativas, né? De vozes que têm densidade, que tem, ah, reflexão por trás. Não são vozes que se pautam apenas em axiologia. Aí o Tobias diz pra ele: "Eu trago um certo número de ideias e logo que fico só, divirto-me em conversar com elas. Algumas já vêm grávidas de outras e dão à luz cinco, 10, 20. Todo esse povo salta, brinca, desce, sobe. Às vezes umas ideias lutam com outras, ferem-se, algumas ideias morrem e quando eu acordo de mim, lá se vão duas semanas, né? Quando o Tobias faz esse esse relato pro Bonifácio, o Bonifácio se questiona: "Poxa, será possível encontrar sabor na monotonia? Viver só duas semanas inteiras no mesmo espaço, com as mesmas coisas, sem andar de casa em casa, de rua em rua, não seria um deleite novo e raro? Então, o Bonifácio, que era um homem que vivia sempre cercado de pessoas, e vejam, numa primeira impressão, a gente pode pensar que eram todas companhias superficiais, o autor vem dizer que não. O autor diz que em algumas companhias, inclusive, ele tinha certa intimidade. Agora, em todas elas, é, eu não sei quanta intimidade ele tem, de fato, porque ele não ousava discordar. É, então, ele concordava com tudo, ouvia calado, não se dispunha com ninguém. Não sei quão profunda ou quão íntima, de fato, era, eram essas relações, porque em relações íntimas, você tem segurança para expor a sua discordância. Porque você sabe que você pode discordar, contraditar, questionar, sem ser punido por isso. Então, se você tá dentro de uma relação em que você não tem segurança para discordar, precisa questionar aí o quão íntima, de fato, é essa relação que você tá vivenciando, né? Então, seja como for, aqui, o Bonifácio diz o seguinte: "Olha, cansado dessa vida social, eu vou me recolher duas semanas". E ele faz isso. Então, o conto começa com ele entrando na casa, estando completamente só. No primeiro momento, ele fica muito ali entusiasmado, porque ele vai olhar, vai vistoriar o imóvel inteiro, e ele, é, detecta umas certas coisas que precisa fazer, janela, porta, é, piso que tá soltando, então, ele fica muito entretido ali com os afazeres da casa, né? Inclusive, quando ele tá entrando lá, é, o Machado vai fazer uma referência ao livro de Robinson Crusoé, né, do Daniel Defoe. Um livro de 1719, veja só, Machado publica em 1885, o Daniel Defoe em 1719, né? E Robson Crusoé é um livro que eu tenho muita vontade de trabalhar aqui. Só que é um livro bem extenso, né? A gente teria que fazer ele aí durante o ano todo. Quem sabe, né? Um dia ainda, porque é um livro especial, gente. Um livro importante. Não é por um acaso que Machado vai fazer essa vai mencionar o Robson aqui. Ah, e aí é até curioso, porque ele não põe o sobrenome do Robson, mas quando você tem transcurso literário, você entende. Por causa do tema, né? Do que está sendo levantado, está sendo dito da experiência que o personagem está tendo aqui. Ele cita o Robson, você sabe que isso aqui é Robson Crusoé que ele está falando. Tá. Ele entra, examina tudo, né? E ele passa a tarde toda, como vai dizer o Machado, se sentindo não mais do que proprietário. Examina tudo com paciência minuciosa, parede, teto, porta, vidraça, né? Árvores, porque ele está numa chácara. Então, ele tem um quintal muito amplo, tem uma cerca de espinhos, tal. Dessa forma, a tarde passa muito depressa. Só reparou bem que estava só quando lhe entraram em casa as aves-marias, um passarinho, um passarinho, né? Um tipo de passarinho. Com o seu ar de viúvas recentes, né? Então, assim, a gente está falando de um crepúsculo vespertino, do sol que está se pondo, a noite caindo, entram essas aves ali com seu canto melancólico e aí ele se lembra que ele está sozinho. Por quê? Porque ele não tem mais tarefa para fazer naquele momento. Então, ele não está mais acompanhado das tarefas. Muita gente, na dificuldade de estar só, acaba o que se dispersando em tarefas, enchendo a agenda. É, aquela coisa, né? Agenda cheia e coração vazio. Acaba se, ah, distraindo com muitos afazeres. Mas a certa altura do dia, ali ao final, quando você não tem mais como continuar fazendo, fazendo, fazendo. Você vai botar sua cabeça no travesseiro e não tem jeito. Você vai estar só. Hoje, qual que é o problema, né? Você tem os aplicativos, então as pessoas, elas acordam ouvindo coisas, elas vão dormir ouvindo coisas. Programa lá, põe um podcast, põe um audiobook, né? Em nenhum momento a pessoa consegue mais ficar só consigo, com seus pensamentos, com as suas reflexões, né? Que desconforto é esse que a gente experimenta? Como que eu posso me tornar para mim mesmo uma companhia tão desejável a ponto de de eu não querer me ouvir? Né? Isso precisa de atenção. Esse é o caso de Bonifácio. Só quando ele para ali, ah, interrompe a sua performance tarefeira é que ele sente pela primeira vez que ele está só e sente uma melancolia. Aqui ele até faz uma outra referência literária. Ele vai dizer o seguinte, o Machado. "Essa hora eloquente e profunda, crepúsculo vespertino, que ninguém mais cantará como o divino Dante". De novo, ele não põe o sobrenome. Que Dante? Dante Alighieri, na Divina Comédia, que foi publicada ainda antes de Robinson Crusoé. Robinson Crusoé é 1719, né? O Machado é 1885, o Dante é 1427. Mas aqui ele está fazendo isso, ó. A hora melancólica, crepúsculo vespertino. Dante Alighieri, na Divina Comédia. Então ele fala assim, ele só conhecia essa hora, essa hora que Dante descreve também lá na Divina Comédia, Bonifácio só conhecia pelo gás do jantar. Pelo aspecto dos alimentos que eram necessários ali para o seu jantar diariamente, né? Pelo tinir dos pratos, o reluzir dos copos. Então ele só se dava conta do crepúsculo vespertino quando era que era do jantar. E ele tinha quem providenciasse isso para ele, né? Ali é diferente, ele não tem, porque ele está sozinho numa casa, ele se retirou para uma propriedade onde ele está absolutamente só e ele mesmo tem que preparar o seu jantar. E olha que curioso, desde que ele chegou desde esse primeiro momento aí ele fica acabrunhado, triste, abatido. E aí em vez de olhar para esse sentimento, para essa melancolia que ele experimenta ali, ele corre, corre, acende a luz e vai fazer o seu jantar, né? Foge de entrar em contato com essa melancolia. Aí 8 horas da noite quando ele ia dar corda no relógio, "Ah, não vou deixar, vou dar corda no relógio não, porque eu vou me desligar dessa divisão do tempo para eu experimentar ali aquela solidão que o Tobias eh falou, apresentou como algo tão revigorante e tão entusiasmante". Então ele não, nem tem relógio mais regulando as suas horas [roncando] e antes de ir também ele suspendeu a remessa dos jornais, dos jornais para aquele eh endereço. Porque ele primeiro para a casa dele, mas ele poderia ter encaminhado para lá, só que ele também não fez isso. Isso equivale a dizer que Bonifácio foi para essa casa sem celular. Porque antigamente como é que você tinha acesso às notícias? Pelos, pelos jornais, né? Então ele vai para lá sem jornal, sem nada, só com os seus livros. Para matar o tempo já que ele Ele tinha mais os jornais para ler ali depois do jantar e ele vai o quê? Examinar as gavetas das moças. Então ele vai fazer uma limpa ali nas gavetas, ele começa pelo grande, né? Vistoriando a estrutura toda, o quintal, depois ele vai limpar as gavetas. Vocês sabem como é uma gaveta? Você sabe como é que é, né? Acha bilhetes de amigos, notas, flores, cartas de jogar, pedaços de barbante, de lacre, penas, contas antigas, releu o bilhete, as notas e lá no fundo da gaveta, de repente, numa caixinha de tartaruga, ele encontrou uma mecha de cabelo. Com um papelzinho que dizia o seguinte: "Cortados ontem, 5 de novembro de manhã". Bonifácio estremeceu. Na hora ele exclama: "Carlota". E quem era Carlota? Era uma mulher com quem ele tinha tido um romance muito fugaz, mas, né, é, é, fugaz no sentido de ser passageiro, breve, mas parece ter sido muito intenso. E essa Carlota havia cortado uma mecha do seu cabelo, feito um bilhetinho e mandado para ele. E aí, naquele molhozinho de cabelo, Bonifácio vai reviver o quê? Esse amor expresso nesse molhozinho, esse amor que foi a grande data memorável na vida dele. Veja, não foi só mais um amor, só mais um caso, foi algo que realmente impactou e ele repete novamente: "Carlota". Reclinado na cadeira, ele contemplava os cabelos como se fossem a própria Carlota. Ele releu o bilhete, depois ele fechou os olhos para recordar melhor, né? Ficou ali pensando na Carlota, reviveu aquele amor, a carruagem, os ombros dela, os olhos magníficos, os dedos, os anéis, a ternura dela. Ele ficou o quê? Carlota, né? Rememorando, relembrando, revivendo esse amor que ele teve através dessa mecha de cabelo que ele encontrou. Aí veja, né? Bonifácio já tá ali, ah, almoçado. Ele chega, já já vistoriou a casa, já se alimentou, né? Já viu lá o mecha de cabelo de Carlota, já ficou sem os jornais e vai levando ali tranquilamente, porque logo depois de ele ficar ali se deslumbrando com as lembranças de Carlota, ele vai fumar o seu charuto e vai pensar também o seguinte: "Poxa, e se Carlota aparecesse, né?" Então, olha que curioso. De um movimento pro passado, ele se lança agora pro futuro. Então assim, ela estava, ela não está, mas ele, em vez de se ficar ali no porquê que ela não está, né? Como é que a gente se distanciou, que caminho a vida tomou, ele logo vai pro futuro e se ela voltar. Né? E ele passa a acreditar que de alguma forma, talvez ele tenha se retirado, né? Sabe aquela mania que que que os crentes tem de falar: "Ah, isso é um sinal, né?" Ah, que é mais um viés de confirmação muitas vezes do que um sinal em si, ou seja, a gente faz uma leitura de maneira tendenciosa para confirmar aquilo que a gente de fato deseja que seja confirmado, mesmo que pareça que não, porque muitas vezes a gente nem tem plena consciência do que nós de fato desejamos, né? Então, o Bonifácio começa a pensar: "Ai, será que de repente eu não vim aqui fazer esse retiro exatamente para me reencontrar com ele? Então ele sai da casa, né? Da da chácara ali, da da da cerca da chácara e vai para a cerca e fica na cerca vendo, esperando a Carlota passar. Lógico, ela não passa, né? Enquanto ele tá ali naquela esperança, ela começa a chover. E aí ele precisa voltar para casa e se recolher, né? Então, quando começa a chuva a pescar, ele corre direto para casa e ele chega inclusive a ouvir assim: "Ai, meu bem", né? É o quê? Ele estremece de novo, mas era uma ilusão. Uma ilusão pelo desejo dele que ah, de repente nem ele tinha consciência que estava tão forte, por quê? Quando você tá soterrado no seu ativismo, né? Quando você tá aí tomado pela sua performance tarefeira, você perde contato com você. Você tem contato com tanta gente, com tanto com desejo de tantas pessoas, com as demandas de tantas pessoas que você perde contato com os seus próprios desejos. Então, veja, ele começa inclusive a ter ilusões auditivas, né? Assim, é é percepções auditivas que não são verdadeiras. Aquilo era muito forte. No entanto, tava guardado no fundo de uma gaveta na qual ele não mexia há muito tempo, porque tava ali na sua na sua vida eh performática, né? E aí, ele já dentro de casa, a chuva caindo, ele chega, começa a se lembrar: "Lá na minha vida, né? Na minha rotina, o que que eu estaria fazendo a essa hora? Essa hora eu estaria na porta da casa do Bernardo, do Farani, vendo as pessoas passar, né?" E aquele aquilo ele começou a se lembrar de naquele momento que ele estaria fazendo se ele estivesse no meio de pessoas ou em meio às pessoas e não só. A impressão do silêncio, principalmente, afligia mais do que o da solidão. Por quê? Porque é que Bonifácio ele estava cheio de gente dentro de si. Então, a impressão do silêncio afligia mais do que a solidão. Por quê? Eu tô cheio de gente dentro de mim, eu tô com Carlota, eu tô com Farani, eu tô com Bernard, eu ainda tenho muitas memórias, memórias muito eh vívidas, pessoas muito presentes. Ainda eu não tô só comigo, né? Aí ele tenta ler. Ele fala: "Bom, já que eu tô aqui, tá chovendo, não dá para ficar na cerca esperando para ver se Carlota vem ou não". Que Carlota não era impossível que ela passasse por ali, né? Porque ela morava próximo, a toda a dizer. Aí ele vai tentar [roncando] ler. Quis ler e não pôde. Foi reler as cartas e examinar as contas velhas. Ele não pôde. Não pôde, por quê? Porque ele não conseguiu. Né? De tão inquieto que ele tava. Pegou os livros, tinha lá as suas a sua vela, né? Mas tava muito quieto. Então, foi reler cartas, examinar contas velhas, estava impaciente, zangado, nervoso e a chuva não parava. A chuva continuava lá, regular, consistente, parecendo que ia durar dias. Bonifácio andou, Bonifácio andou, voltou, foi de lado para o outro, começou a se achar ridículo. Que horas eram? Ele nem sabia, porque ele não tinha dado corda no relógio mais. E assim, as lembranças de fora, as coisas e pessoas vinham se agitando em volta dele, falando, rindo, fazendo-lhe companhia. Bonifácio passou a recompor a sua imaginação, na sua lembrança, toda a sua vida exterior. Veja como ele ainda estava muito acompanhado, né? O seu mundo psíquico. Por fim, ele cansou e aí ele tentou ler de novo. Princípio o espírito soltava, saltava fora da página atrás de uma notícia qualquer, né? Então ele pega, você já passou por isso? Você pegava vamos supor sentar aqui para ler, né? Aí seu espírito salta ali da página e você vai pegar o celular para ver uma notícia, você vai perguntar a alguém, você vai ligar a TV, né? No caso do Bonifácio provavelmente consultaria os jornais, só que não tinha mais jornal, jornal ali. E aí ele então consegue ler nem na primeira tentativa, embora não tenha nem chegado a abrir um livro, aqui na segunda ele chega a abrir um livro, mas também não consegue. Ele vai jantar, jantar mal e para se consolar ele bebe muito. Se lembra das cartas, aí ele volta lá nas cartas, agora não são cartas eh escritas, mas de de jogar, né? E ele fala: "Ah, vou fazer um vou jogar carta então, vou jogar baralho, né?" Era um recurso para o quê? Para tentar escapar de todas essas memórias que no princípio eh foram para eles prazerosas, sobretudo as memórias de Carlota, mas depois passam a afligi-lo, né? Então ele fala: "Vou jogar carta". Com o tempo ali jogando carta ele cai no sono, dormiu ao som da chuva e teve um pesadelo. Esse pesadelo dele é muito interessante, gente, e a gente não vai eh se estender nele porque não é o alvo da live, mas é é muito significativo, né? Ele sonha que ele sobre a presença de Deus e ouve de Deus que Deus agora vai fazer chover por todos os séculos restantes. Bonifácio pergunta: "Mas quantos mais?" O Senhor responde: "A cabeça humana é inferior às matemáticas divinas". Coisa bonita, né? A cabeça humana é inferior às matemáticas divinas. Mas posso te dar uma ideia remota e vaga. Faz o seguinte, Bonifácio, multiplica as estrelas do céu por todos os grãos da areia do mar e você vai ter uma partícula dos séculos pelos quais essa água cairá. É por aí que vai chover. E ele fala, né, o Bonifácio, mas se eu onde irá cair a água? Mas não vai cair só água, Bonifácio. Aí o sonho vai se tornar interessante. Vai chover também borgonha e cabelos de mulheres bonitas, né? O sonho interessante porque a gente é medo e sobretudo desejo é matéria-prima do sonho que a gente tem, né? Você vai usar a mente nossa muitas vezes, vai recorrer a restos diurnos, coisas que aconteceram ali no dia a dia, referências conscientes ou ou ou inconscientes. Usa isso para o quê? Para a noite trazer a a ao seu conhecimento qual é o seu desejo, qual é o seu medo. Muitas vezes parece que é óbvio isso, a gente falou há pouco, mas não é, né? Aqui o sonho dele está muito relacionado a desejo. Mas veja, não cai ca não não cai cabelo de Carlota, né? Cai cabelos de mulheres bonitas, cai também muito borgonha, muito vinho. Para o quê? Embriagar, né? Anestesiar, enfim. A gente conversa sobre esse sonho é num outro momento. E aí Bonifácio agradece a Deus que descontou isso para ele, ele olha para o ar e vê, de fato, que está chovendo muito cabelo de mulher bonita, muito vinho, além da água, né? Tudo isso acumulando lá no abismo que ele via lá de cima e de repente, quando ele tá se inclinando pra ver se abismo, ele vê se debatendo com essa água toda lá embaixo, né, ah, a Carlota. A Carlota aqui e aí ele quer descer pra salvá-la e e levanta os olhos, olha pra Deus e Deus já não está, né, e no lugar de Deus, quem ele vê? Ele vê Tobias. O amigo filósofo dele que falou da satisfação de estar só. Aí Bonifácio acorda assustado porque sobre Tobias tá olhando pra ele e rindo com um sorriso é irônico. Aí, veja, a gente não tá falando mais de desejo, talvez de medo, né? Ele tinha medo de retornar e e dar o relato pra Tobias de como tava sendo a experiência dele, que não tava sendo nada, é, perto do que Tobias experimentava, né? Olha que ele vê Tobias rindo ironicamente pra ele, né, Bonifácio dá um grito e acorda. Ele vai pra janela, vê que continua chovendo. De novo reclama porque não achou os jornais, ou seja, não tem nada para distraí-lo, para aliená-lo desse mal-estar que ele tava experimentando, né? E pareceu já que ele tava um século separado da cidade. Nós estamos falando de 48 horas. Deus propôs duas semanas, tinha só dois dias, né? E aí ele começa a pensar: "Ah, mas se morreu alguém? Mas se algum ministério tiver caído? Né, eu não tô sabendo de nada e quer saber de uma coisa? Essas horas estão aqui cada vez mais, é, lentas no seu transcurso, parecem intermináveis. E ah, mas eu vou resistir mais um pouco". Ele ainda tenta, né? Ele vai fumar e vai de novo recorrer às cartas ali. Aí agora ele também se lembra de de um de de outro tipo de carta, né? Manuscrito, então ele vai tentar responder algumas cartas, escrever algumas cartas, mas apenas pôde acabar uma, só uma. Ele não podia ler, não podia estar e ia de um lado para o outro, sonolento, cansado, resmungando, fazer planos de outras obras da casa, se agitava, se agitava, mas não dominava nada. Não dominava nada. A solidão, como paredes de um cárcere misterioso, ia apertando Bonifácio ao derredor dele, em derredor, e não tardaria a esmagá-lo, né? E ele nesse aperto que a solidão tava, eh, para o a solidão tava enredando ele, né, nesse aperto, ele começa a perceber o seguinte, que tem dois dentro dele, é a sensação que ele tem. Ele se desdobrava em dois homens, um dos quais provava o outro que estava fazendo uma tolice. Porque você começa a conversar, né, com você mesmo. Lembra aquelas repartições que a gente tem dentro da gente? É ego, o eu, o superego, né? O isso, ele começa a falar: "Poxa, mas isso que você tá fazendo é uma tolice, uma bobagem, né? Isso se você já ir para a rua, deixa isso para lá". E provavelmente o outro: "Não, mas eu disse". Porque ele quando vai se retirar, ele avisa as pessoas, né, do seu intento. O outro: "Não, mas eu disse que eu me retiraria e eu fiz esse propósito, eu vou ficar". Ele fica nessa luta, né? Veja que importante isso aqui. Parte desse conflito que ele experimenta não tá só no fato dele se retirar, dele tentar algo Tá no fato de ele fazer isso de maneira autoiludida. Muito autoenganado. Uma percepção de si muito além do que ele era capaz de suportar. Porque veja, se você é uma pessoa que vive cercado de outras pessoas, né, como era o caso do Tobias, extremamente do do do Bonifácio, extremamente sociável e tal, e você nunca passou pela experiência de se recolher plenamente, como que você se propõe na primeira experiência fazer isso por duas semanas? Isso é um salto. Isso não é um passo. Veja, se ele tivesse se proposto um final de semana, ele teria conseguido, né? E isso fortaleceria a sua autoestima, a sua autopercepção, o seu autoconceito, de maneira que ele se sentiria motivado, reforçado positivamente, para voltar e falar: "Bom, acho que semana que vem eu vou fazer de novo", né? Aí depois o quê? Três dias? Vai emendar um feriado? Vai pegar uma ponte? Mas não, né? O Bonifácio é como eu e você, de repente, que acha que a gente dá conta de coisas que a gente não dá, né? Que tem uma percepção de si muito além daquilo de fato. Nós nos achamos incríveis, né? E nós não somos. Nós somos pessoas comuns, né? Que é é é temos os nossos conflitos, como todo mundo, temos potências, sim, temos, né? Mas também temos fragilidades. Então, o Tobias, o o Bonifácio aqui, ah, ele colocou para si uma meta irreal. Será que o problema era me recolher? Ou era me recolher por duas semanas, já que eu nunca tinha feito isso? Você já colocou metas irreais para você? Né? Você já quis sair da inércia e para dar um salto olímpico? Né? Não, gente. Não são saltos, são passos. Né? São, é, um dia de cada vez. É grão de mostarda, é pequena Belém, cidade da Judeia. Não é coisa grandiosa, é, de uma vez para nós, né? Porque nós precisamos é, lidar, dar conta de que aquilo que pensa, que tá de pé, a gente a gente sempre traz esse versículo aqui. Toma cuidado para não cair. De fato, a gente sempre vai continuar lembrando disso, porque eu falo para vocês, minha boca tá mais perto do meu ouvido, eu me escuto primeiro, né? Poxa, quantas vezes, é, eu me frustrei muito, por quê? Coloquei metas irreais, né? E aí você vai ficando com uma autoestima cada vez mais achatada, porque são metas cada vez mais irreais, né? O que como? Então, faça uma meta modesta, dê um pequeno passo, porque assim a chance de você atingir o seu alvo é muito maior. Isso vai provocar em você, é, o vai fortalecer sua seu autoconceito. Por quê? Porque é um reforço positivo. Você não vai sair desanimado, porque mais uma vez você fez um voto, você prometeu algo, você fez um plano, um projeto, um sonho, dê o nome que você quiser, você não conseguiu, né? Então, assim, ali, agora totalmente desmotivado, por quê? Se for o seu final de semana, ele tá eu acho, maravilha, consegui duas semanas, né? Ou só dois dias. Dá umas 3 horas da tarde, Bonifácio fala: "Não aguento mais. Vou sair". E ele sai, né? Ele sai, ele vai para a rua e no dia seguinte, que ele sai pra casa, ele vai na casa de Tobias pra contar pra Tobias como tinha sido a experiência dele. Mas o Tobias, naquele momento, ele está em recolhimento e ao contrário de Bonifácio, Tobias já cultivava essa prática, já estava fortalecido nela, então é, ele nem nem interrompe o seu recolhimento e nem se deixa interromper, então Bonifácio não consegue falar com ele. Passou se o tempo. É, duas semanas depois, o Bonifácio tá numa barca, lá cruzando, entrando na barca ali, de Niterói, né, pra ir pro Rio, ele percebe a silhueta de Tobias e ele vai falar com Tobias e conta tudo pra Tobias. Confessa tudo, né, que ele fosse e retirou porque ele tava fatigado, cansado dos amigos, que ele tinha porque o plano de duas semanas conseguia ficar só dois dias e ainda assim com dificuldade. Tobias ouve tudo calado, né, prestando muita atenção e depois começa a pedir para o Bonifácio detalhes minuciosos, a descrição de todas as suas sensações, as mais íntimas, né, ele falou: "Olha, não, não, não deixa de me contar nada do que você sentiu". Tobias tava perscrutando não só o externo de Bonifácio, mas o interno, que Bonifácio falava todo o externo, né? "Eu fiz isso, eu fiz assim, depois fiz assado e tal e aí mas foi muito difícil". O relato interno, ele se limita a dizer: "Foi muito difícil". Aí o Tobias falou: "Não, pera aí, deixa eu ouvir você, o seu relato interno". Porque a gente tem duas realidades, né, né, Temos a realidade exterior, que é o objetivo, e temos a realidade interior, que é a subjetiva. E aí, quando alguém nos pergunta, quando nós, como nós estamos, observem, a gente começa a relatar a realidade objetiva, né? Ai, menino, tô preocupado, porque aconteceu isso, isso, isso, isso, isso. A gente se detém muito pouco na nossa realidade, eh, subjetiva. Alguns por proteção, pode ser, mas suspeito que a maior, a maioria de nós, uma parte de nós, é por alienação de si mesmo, né? E aí, no fim, ele fala assim: "Ah, eu tive um pesadelo". Viu, Tobias? No fim, olhando por cima do, do, não, desculpa, o Tobias, no fim, olhando por cima dos óculos lá e, e perguntando pro, pro Bonifácio, ouvindo o Bonifácio contar os detalhes. Aí, tal como o Tobias havia sonhado, o Bonifácio olha para ele e, né, e fala assim: "Você quer saber, Bonifácio, por que que para você foi tão desconfortável, tão infrutífero esse recolhimento? Porque você se esqueceu de levar o principal na sua bagagem, que são o quê? As ideias". Bonifácio olhou, achou graça, riu, né? Não dimensionou o que o Tobias estava dizendo ali. Por quê? Porque não é um homem de ideias. E aí, o Tobias, também rindo, dá um piparote assim, né, na, na testa dele, faz assim. Em seguida, o Boni, o, o Tobias pede notícias pro Bonifácio. Ah, então, tá bom, né? Já, já fez o relato. O Tobias já mandou a mensagem. O Bonifácio só pensou: "Ah, então, tá bom, então, me conte aí notícias, né? Aí o Bonifácio deu notícias de toda espécie, grandes e pequenas, fatos e boatos, isso e aquilo. O velho Tobias ouviu com os olhos meio cerrados pensando em outra coisa. Eu fiquei pensando no que que Tobias estava pensando, né? Porque é, veja só, quando ele pede para Bonifácio falar de si, Bonifácio ele não faz isso espontaneamente, ele precisa ser bem estimulado, especificamente estimulado. Quando ele termina o seu relato, Tobias vem fazer o contraponto falando: "Olha, você esqueceu de levar na mala ideias, né? Tudo que você tinha lá era lembranças para você ficar se apegando, ou ilusões a respeito de um futuro, de um passado que já foi, que ah, quem sabe volta, né? Mas você foi totalmente desprovido de ideias, de reflexões, de repertório interno, né? Que que Bonifácio faz quando ele recebe esse esse feedback, né? Esse retorno do do Tobias? Ah, acha graça e ou seja, não tem profundidade. Então, é Aí, quando o Tobias em seguida fala: "Então me dá também, então me fala dos fatos, dos boatos". Aí Bonifácio desembesta a falar, né? Porque o que que é? Fatos, boatos, vida dos outros, movimentação, é, é mundo externo, isso eu tenho muito que dizer. Por quê? Porque é só repetição, né? Mas a reflexão, lógico que parte aí de ideias de outras pessoas, de leitura, de repertório, mas você vai chegar às próprias conclusões de como aplicar essas ideias na sua vida, nas suas relações, nos dilemas que você enfrenta, né? Mas se nem ideia você tem, que que é, que que são ideias? Essas ideias que eles estão falando, a gente não tá falando de invencionice, a gente tá falando das grandes ideias, das grandes mentes humanas, né? Tobias era um homem de mente filosófica. Então assim, esses grandes pensamentos humanos, eles são matéria prima para que você viva hoje a sua vida com mais profundidade e qualidade. Quando você não tem esse repertório, e aqui a gente pode falar inclusive do repertório bíblico, você conhece as grandes mentes dos grandes autores bíblicos, né? Tão ouvindo barulho aí? Mas enfim, vou conti, tão ouvindo barulho, bem? Ah, então tá ótimo. É, então o seguinte, é, você conhece a mente de cada autor bíblico, lógico, lógico, o grande autor é Deus, a escritura é toda inspirada por ele, né? Mas aqueles homens que Deus usou, quais são as ideias que eles têm, cada um? É, então, e e isso, gente, ajuda a gente a compreender como é que Cristo conseguiu passar por tantos momentos tão difíceis na vida dele só? Porque ele estava cheio das ideias de Deus. Ele estava cheio dos pensamentos dos profetas, dos pensamentos dos dos homens de Deus que o antecederam. E isso você vê em toda a vida dele, por quê? Em situações, nas situações mais dra, desde as mais simples, corriqueiras, como as mais dramáticas, que Cristo fazia? Ele reproduzia a fala do que já tinha escrito. A fa, tanto que ele falava, né? Está escrito, está escrito. E isso não foi só lá no deserto, na tentação, mas inclusive lá do alto da cruz, né, quando ele vai fazer referência ao salmo 69, quando ele fala, ah, tendo em vista a escritura vai dizer, né, depois que tu, tendo em vista, ah, quando todas essas coisas se cumpriram, né, aí ele diz, tenho sede. Então, assim, ah, só é possível você atravessar momentos de grande dramaticidade, dificuldade na sua vida, se você tiver conteúdo interno robusto para te sustentar nisso aí, né? Então, aí a gente volta para o começo do livro. Estar só para alguns vai significar solidão, para outros vai significar solitude. Uma característica, dependendo do seu conteúdo interno, uma característica que diferencia uma coisa de outra, a gente pode pensar primeiro que a solitude é esse recolhimento que você faz de maneira voluntária, né? E a solidão não é voluntária. Ele é por imposição, você foi escanteado de um grupo ou por condição. Você é um biólogo que vai trabalhar na Patagônia, né? Provavelmente você vai experimentar ali uma grande solidão, que vai um ou outro com você e olhe lá. Então, primeira coisa, solidão, ah, não é fruto de volição, né, é uma imposição, fruto de imposição ou condição. Também pode ser uma condição, por quê? Dependendo das escolhas que você foi fazendo ao longo da vida, você chegou nesse estado de solidão. É, se você não, se você implodiu a rede de apoio que você tinha, inclusive não sendo, não integrando, não participando de rede de apoio para ninguém, então, assim, é uma imposição ou uma condição, você vai ter que avaliar. E quais são os efeitos de um e de outra? Como que eu sei que eu tô só e é solidão e é solitude? Você vai observar pelo efeito que isso causa sobre você. A solitude ela funciona assim, é, recolhimento, renovação e retorno. É. Quem experimenta esses períodos de solitude é exatamente como Tobias descreve lá. Você volta a renovado. Por quê? Porque você conjugou ideias, você fez reflexões, algumas ideias morreram, você vê que não se aplicam, não se aplicam mais a você, à sua condição, à sua situação, né? Outras ideias vão nascer das associações que você vai fazendo, porque Deus pode te dar coisas novas enquanto você medita nas coisas antigas, né? Então, [roncando] a a a solitude, ela te reabastece. Você volta pro coletivo muito renovado, muito reabastecido. A solidão não. Né? Então, a solitude ela te eleva, a solidão ela te rebaixa, a solitude te vivi vivifica, a solidão te mortifica, é, então, pelo efeito, né? Uma que causa uma grande vontade de viver, outra que vai causando vai aumentando um grande, é, uma falta, um grande desânimo com a vida, né? A solitude você sai querendo viver, a solidão você vai perdendo o sabor pela vida, o paladar para a vida. A vida vai perdendo o sabor para você porque você vai perdendo o paladar para a vida. É. E aí, a respeito disso, gente, quero finalizar aqui com o Jean-Jacques Rousseau, né? Com um texto do Lavelle, na consciência de si, impressionante sobre a solidão. Diz o seguinte: >> [limpando a garganta] >> É, ele tá falando na terceira pessoa, né? Eu vou, eu vou ler na segunda porque estou falando com você que está aí nos ouvindo. Se é tão difícil para você viver na solidão é porque a vaidade o atrai para fora e o dispersa em meio a todos os objetos que o cercam que te cercam. E se ao contrário, né? Primeiro é difícil viver na solidão, mas agora se se é difícil sair da solidão é porque você reduz tudo a si mesmo. Experimenta diante de si um sentimento de orgulho do qual você só consegue desfrutar bem sozinho, ou seja, não depende de ninguém. Acho curioso quando alguém chega e fala assim: "Ah, eu não dependo de ninguém". Bom você mora no mato? Você já comprou sua arroba de feijão? Até para comprar arroba de feijão está dependendo do vendedor, né? Mas você vai ter que plantar o seu feijão. Você vai ter que produzir a sua iluminação, sua eletricidade, né? Então, como é que você não depende de ninguém? Se você acordou, ligou o celular, você está dependendo da rede elétrica que alguém precisou fazer manutenção. Você comeu pão? Você se alimentou? Bebeu água potável? Está dependendo de milhares de pessoas. Não existe isso, né? Mas aí a pessoa ela não consegue sair da solidão. É por quê? Porque ela reduziu tudo a si mesmo e ela experimenta ali um orgulho de não depender de ninguém. Aí o padre continua. A solidão, ao livrar você de todas as solicitações exteriores, as demandas exteriores, ela leva você de volta ao centro de si próprio e faz nascer em você mil forças desconhecidas e miraculosas que transformam para você a figura do mundo, a imagem do mundo e colocam você em pé de igualdade com seu destino. Aqui ele tá chamando de solidão, que a gente pode considerar o quê? Como uma solitude. Que é essa coisa que livra você das demandas dos outros, né? O tempo todo, faz você voltar para si mesmo, se conectar com essas mil forças desconhecidas e não acionadas dentro de você, porque elas só são, elas só serão acionadas quando você estiver em total contato consigo, né? E a partir do acesso a essas forças, você passa a ver as coisas de uma forma diferente e assim colocar em pé de igualdade com seu destino, no sentido de dizer: "Eu tô pronto para o que der e vier". Eu não sei o que vai ser, né? Mas eu tô aqui para o que der e vier. O valor de uma pessoa se mede pela potência, essa frase dele é muito conhecida. O valor de uma pessoa se mede pela potência de solidão que nela subsiste. Ou seja, ah, quanto de solidão ou de solitude, de estar só, quanto de estar só você é capaz de suportar? O valor da sua potência tá aí, né? Você quer saber o quão madura uma pessoa é? Dá uma sondada na relação que ela tem consigo mesma, se ela tem prazer na própria companhia ou se ela precisa escorar na companhia dos outros o tempo todo, né? Tem pavor de ficar consigo mesmo. Gente, uma pessoa que se tolera, que não se tolera, você acha que ela vai tolerar você? Não vai durar muito tempo. De maneira saudável não vai, pode durar muito tempo aí em guerra, né? Em, em beligerância, em conflito, mas de maneira saudável não vai, porque quem não dá conta de ficar consigo não dá conta de ficar com ninguém. Aí o Lavelle diz o seguinte, para terminar: "Quem desejaria a companhia de uma pessoa que só busca os outros por ser uma carga para si mesmo? Como alguém que faz a sua própria infelicidade poderia fazer a felicidade alheia? Você já percebeu? Tem gente que pega lá o WhatsApp e manda a mesma mensagem para você, ele manda para os 20 lá, né? Não tem 20 mais, não sei se pode lá mandar para 20, para 10, para 100, enfim. Manda para o máximo que ele consegue lá, por quê? Ele tá lá naquele mal-estar que o bonde faz tava experimentando. Tô precisando de uma distração de mim mesmo. Aí o primeiro que responde é tá ótimo. Ele quer falar com você? Não, não tem nem teu nome. Coisa de corrente que ele vai lá mandando. Gente, não tá falando de anúncios em grupos de trabalho ou de ministério, não é isso, tá? Em comunicados. A gente tá falando de coisas que escapam disso aí. Então a pessoa manda para você e para mais cinco, por quê? Que ela não tá dando conta de estar só ali com ela. Então qualquer voz que entrar vai aliená-la de si, vai aplacar mesmo que temporariamente essa solidão que ela tá experimentando, né? Então é é eu eu quero falar com vocês que eu fiquei impressionada. Aí aí você tá aí, você não respondeu na hora, demorei para responder. Como é que a solidão de alguém, o mal-estar de alguém estar consigo mesmo pode causar tamanha pressão em você? Né? Ai, não respondi. E vou dizer para você, quando chega para mim desse jeito, não tô falando isso aqui para você copiar, tá? Eu não sou a régua do mundo. Só para você refletir na maneira como você lida com isso. Se for servir para você, ótimo, se não servir, você descarta. Diz assim, é, veio para você e para mais 10, a pessoa não quer falar com você. Ela quer falar com qualquer um que a tire ali daquele contato que ela tá tendo consigo, por quê? Para ela é muito desconfortável. Ela não se gosta, então qualquer pessoa que a aliená-la de si mesma, para ela tá valendo. E você fica aí eternamente pressionado porque não respondeu, porque demorou para responder, porque ai meu Deus, você acha que eu não respondo, gente? Não respondo. Eh, desculpa, você tem um trabalho interno para fazer e eu não posso me responsabilizar por isso, porque eu tenho também o meu trabalho interno para fazer, né? Então às vezes a melhor coisa que a gente pode fazer pelo outro é deixar que ele fique só. Porque é que sabe ele não vai perceber isso aqui que o Labelle tá fazendo, que ele tá desejando a companhia de uma pessoa, que ele tá buscando outras pessoas, só por quê? Porque ele se percebe como uma carga para si mesmo. Né? E como alguém que faz a sua própria infelicidade, que não tem alegria de estar consigo, pode proporcionar alegria a alguém. É só quando sabemos desfrutar do estar só que outras pessoas podem desfrutar do estar conosco. Então, eh, a gente encerra esse conto, né? Deixando esse pensamento, essa reflexão aí para você. Quando você está só, você experimenta a solitude ou solidão? Se você experimenta a solidão, procure ajuda. Existem várias formas de você entrar em contato consigo de maneira mediada, inclusive, por pessoas que, ah, mas se se é para a mediação, não é algo que vai ficar ali estancado permanente. A mediação deve ser algo que virá e se retirará, virá e se retirará, mas alguém que pode ajudar você a fazer isso, que de maneira realista e não iludida, como o Boniface tem que fazer. Ai, eu ouvi lá a live, achei bom, então eu também vou ficar duas semanas, li o conto lá, vou ficar duas semanas. Sei, né? Será que você não vai tá aumentando a sua frustração? Não vai tá aumentando a sua dor? A ideia, gente, aqui é não é simplesmente dizer: "Você tem, você não se tolera e que pena isso, né?" Não, é de pensar assim, por que é que eu tenho tanto medo de ficar comigo? Por que é que eu preciso sempre dormir com uma coisa ligada? É, quais são as vozes que eu escuto dentro de mim? Qual é a maneira que eu lido comigo? Será que e por que é que eu tenho tantos pensamentos autodepreciativos? Por que é que eu sinto tanta culpa, experimento tanta condenação? É. Por que é que eu não ouço a bondade de Deus dentro de mim, a voz compassiva de Cristo dentro de mim? Porque veja, a escritura diz que o Senhor, né, o espírito de Deus habita em nós. E aí fica querendo conversar com a gente, né? E a gente não está querendo ouvir outra coisa. Ah, mas é pregação. Pois é, mas a pregação está na voz do outro. O espírito de Deus habita em você, dentro de você que ele vai falar sem a mediação da voz do outro. Ah, mas eu não vou ter a voz do outro. Né? Então é é, deixa deixa essas perguntas para que você se reconcilie consigo. É, porque Cristo veio para promover quatro reconciliações, né? Da gente com Deus, da gente com o meio ambiente, da gente com o outro e da gente com a gente mesmo. Então, talvez você precise fazer as pazes consigo, se reconciliar consigo. Talvez você já tenha se reconciliado com o seu meio ambiente, com o outro, o evangelho já tenha te alcançado ali, mas com você mesmo e com Deus que habita dentro de você, você que é templo, você ainda está brigado, né? E por isso você não tem prazer na própria companhia. Que Deus o abençoe, que ele te ajude a ficar de bem com você mesmo e a desfrutar do prazer, sabe que eh tava atendendo uma pessoa, né? Aí ela falou o seguinte, muita dor, com muito sofrimento, ela disse: "Rena, eu quero fugir para um lugar onde eu não estou". Né? Onde eu não consigo estar. E ela me disse isso chorando muito, né? E eu falei: "Você perderia a oportunidade de desfrutar da melhor companhia que você pode ter, que é a sua mesma". Então, querido, primeiro não tem jeito da gente fugir para um lugar onde a gente não esteja. É, onde é que a gente vai, onde para onde a gente for, a gente vai junto com a gente e Deus que está dentro de nós vai junto também, ele que é o presente. E mesmo se tivesse, seria muito triste, sabe por quê? A melhor companhia para sua vida pode ser você mesmo. Aliás, é a única companhia que vai ficar com você do seu primeiro dia de vida até o fim dele, em todos os momentos. Por isso, se reconcilie consigo. Em Cristo você vai encontrar esse caminho, você vai parar de ouvir essa voz acusadora e depreciativa e culpabilizadora, você vai encontrar uma voz de bondade, de perdão, de esperança. Cristo tem reconciliação para você com você mesmo. É o que nós te desejamos de todo o coração. Que Deus te abençoe. Agora a gente vai ouvir a Bel um pouquinho a experiência dela com o livro, né, Bel? Bel, não tô te ouvindo. >> Ligar o microfone, né? Senão não dá para não dá para falar. Então, foi muito interessante para mim, porque eu fiquei pensando da outra de o outro lado, né? Que fugir para o campo não apaga nossos pensamentos, né? Eu acho que o silêncio externo só aumenta nossa confusão mental assim, sabe? Então, eu sei que às vezes a gente precisa de um tempo nosso e eu amo esse esse tempo meu meu só com o senhor, meu só, sabe assim de ah, tá, eu não vou não vou fazer nada. Mas eu acho que essa fuga, essa essa fugir, nós precisamos da sociedade, nós precisamos uns dos outros, né? Nós precisamos a conviver, a saber conviver, né? Relacionamentos fazem parte da nossa vida, né? Mesmo com e com seus desafios e eu acho que isso que a gente precisa aprender, né? Esse ter esses desafios, porque fugir não resolve, né? Fugir para >> que quando você usa o recolhimento, tem uma diferença entre recolher-se e fugir. Eh, Cristo se recolhia. >> Uhum. >> Ele ficava só, ele procurava ele se retirou, ele foi ficar sozinho. Às vezes até despachava os discípulos "Vai na frente, eu vou para o monte orar". Então, assim, a saúde não tá em você se esconder, né? >> Uhum. >> E não está também você não se recolher. >> Uhum. >> Porque é isso que você vê em Cristo, você precisa do silêncio para ordenar os seus pensamentos. >> Uhum. >> Com outras pessoas você pode acrescentar mais pensamentos aos seus e é importante que os seus escrituras vai dizer "Não deixe de congregar como é costume de alguns". Então, essa é a vida comunitária, nós somos seres gregários. Então, a gente é comunitário, gregário, precisa. Mas nós também precisamos nos recolher, por isso que a solitude é uma disciplina espiritual. Por isso que Cristo tantas vezes se retirava para ficar sozinho. >> Uhum. Então a saúde está nesse movimento de eu me expor e me recolher, de eu me expor e me recolher, de eu me expor e me recolher, que é o que o Tobias fazia e que o Bonifácio não fazia, porque ele não sabia se recolher. Se se o Bonifácio fosse Cristo, ele ia só ficar no meio dos discípulos, no meio dos discípulos, no meio dos discípulos, né? Não, Cristo ele se recolhia, ele voltava, ele voltava. Então é eu acho que tem uma diferença, sabe, Bel? E o exemplo de Cristo quando a solitude é alçada a disciplina espiritual. Acho que é por isso, eh Deus quer às vezes estar a sós conosco. Né? E era assim com Cristo, imagina, como Cristo era assim, né? Com a gente. Acho que não. Acho que se Cristo precisava estar a sós com Deus, quanto mais nós precisamos desses momentos e sobre tudo numa época de excesso de estímulo, de excesso de informação e excesso de notificação, como a gente está vivendo. É curioso, gente, porque a escritura, quanto mais o tempo passa, mais atual ela se torna. A disciplina espiritual da solitude nunca foi tão necessária como nos dias de hoje, porque nós nunca estivemos estivemos tão atolados de demandas, de notificações, de mensagens, de presença, né? Como hoje, com o advento aí do do smartphone. Então é a gente está muito cercado de gente e de novo, né? Com a agenda social cheia e um coração vazio. Uma lista de tarefas cheias e uma espiritualidade vazia, e a gente está perdido aí nessa fusão. Eh tem uma coisa, você pode se misturar, mas não fusionar-se com o outro, né? Então quando você se mistura, é igual óleo e água, você pode misturar, mas é possível separar. A fusão não, se você fundir o ouro branco com o ouro amarelo, você vai ter ali o rosé, né? Aí depois você tenta separar, você não consegue mais. Então assim, a vida é comunitária, congregacional, ela é uma vida em que a gente precisa se misturar com o outro. Mas fusionar-se é só com Deus. Fusionar-se é só com Deus. Na relação com o outro a gente precisa saber quando estar só e quando estar junto. Aliás, quando estar eh eh eh junto e quando estar só. E a gente precisa saber esse movimento, ter esse movimento aí para a gente alcançar uma vida equilibrada, saudável, como Cristo era, né? Então eu concordo com você, Bel, que a vida comunitária, ela é importante e que faz parte, né, de você ir e voltar, ir e voltar para você ter saúde. >> Sim, é mas é exatamente isso, você precisa você tem o Foi isso que eu quis dizer, né? A gente precisa ter os nossos momentos, eu entendi de solitude, mas eu a vida em sociedade faz parte da nossa vida, né? Nós precisamos conviver com os outros e o que me encanta são os desafios de você conversava hoje com o Saion sobre isso. Como é como é difícil a gente a convivência com o outro, né? Como é difícil você conviver com o outro. Que às vezes você tem vontade, você tem vontade de fugir para ficar falar assim, eu não quero um eu quero desligar meu smartphone, porque eu não quero receber mensagens, porque eu não quero dialogar sobre mais isso, porque você já está esgotado de argumentos, né? De ou com alguma que algumas pessoas sempre são mais complicadas do que outras, né? E às vezes trazem sua carga emocional para você tamanha que te acabam acaba pesando isso na sua vida, que você precisa realmente desses momentos que você fala assim, não, eu não quero nada agora, eu vou você se, semana passada eu fiz um um, isso em uma manhã. Eu simplesmente coloquei o meu telefone, nem coloquei no, no, para vibrar nem nada. Eu coloquei o simplesmente total no silencioso. E sabe o que eu fiz? Eu fui dormir. >> Que ótimo para se recolher, né? >> [risadas] >> Pois é, eu me recolhi. Naquela manhã inteira tinha 300 mensagens quando, quando eu Isso, e quando eu voltei eu fiz todas as minhas coisas que eu precisava fazer, que eu deveria ter feito naquele tempo. Aí veio aquela culpa assim: "Ai, mas você tinha um monte de coisa". Eu falei: "Mas eu precisava disso". Eu mesma falei para mim mesma, sabe? E eu fiz isso. E aí eu fui ver as mensagens, as mensagens que eram assim importantes que eu respondesse naquele momento, eu respondi. E as outras eu fui respondendo ao longo do dia. Então eu me permiti esse momento meu, sabe assim, de eu não vou fazer isso. Porque normalmente a, a, alguém me fez uma pergunta agora de uma editora sobre uma informação, eu respondi imediatamente. Aí a pessoa falou: "Nossa, que rápida". Ok, eu estava disponível, eu respondi. Mas eu estou aprendendo a não, a, a priorizar as coisas, né? Então é isso que eu quero, é mais assim, eu sei que faz parte também desse, dessa, disso, com a nossa solitude a gente aprende isso, essas coisas, né? >> É, e você voltou melhor, né? Porque como você falou, conviver é difícil. Eu, o Bonifácio, é, ele, mesmo convivendo com os amigos, certo momento ele falou: "Estou cansado de tanta gente, de tantas vozes, de tantas demandas, né"? E olha só, com amigos, imagina no trabalho, imagina no ministério, né? Então, é, imagina nos trabalhos voluntários também. Então, é, cansa mesmo. E aí, Bia, é importante fazer isso que você fez: "Eu preciso me recolher". Porque é esse recolhimento que vai te devolver melhor para o coletivo depois. Aí tem uma outra questão que você traz na sua fala que é importante, né? É, depois do recolhimento vem aquela culpa. >> Uhum. >> Hoje em dia há uma deturpação do mandamento divino, que é você guardar o sábado. Guardar o dia de descanso. Eu nunca vi, né, as pessoas eh não roubam e se orgulham de não roubar, porque estão cumprindo a escritura. Não adulteram e se orgulham de não não adulterar, porque mas ninguém observa mais o descanso. E isso é um mandamento tanto quanto os outros nove. Mas aí, se descansa um pouquinho, >> [risadas] >> ai meu Deus do céu, mas eu não fiz, mas eu não Percebe como a gente tá dentro de um momento histórico, eh e numa cultura muito perversa para deturpar o seu descanso. Por que que o sábado, gente, quando é que o sábado é instituído? O sábado é instituído quando saiu, tá ali, ó, atravessando, saiu do Egito, vai entrar em Canaã. Então ele fala assim, olha, vocês vão ter um dia de descanso para que vocês se lembrem que que vocês são livres. Lá no Egito, é que você trabalhava sete dias, eh a escala era sete, eh sete por sete, né, que era sete dias da semana trabalhando. Então o descanso é o momento que você tem para se lembrar que você é livre. E que quem rege a sua agenda é Deus. O outro não pode vir sequestrar a sua agenda, sequestrar o seu repouso dessa forma. Você não pode se tornar refém do outro desse jeito. Mas não, a gente esquece. Aí a gente não cumpre o shabat, o descanso, né, mas acha que a gente tá bombando, porque a gente não rouba, não mata, não adultera. Você, há todo um espírito de época e há uma questão ali que não é só um acaso, um acidente. Nós vivemos dias muito difíceis mesmo, em que as pessoas violam o mandamento do descanso e ainda se orgulham disso, tá? Outro dia eu tava E aí, tá corrido? Eu falei, não. Pessoa não soube não o que fazer, né? Eu falei, não. Ainda não, eu tô mantendo meu ritmo. Agora, isso a duras penas. Né? Porque é isso aqui pra gente o quê? Ser sequestrado, começar a correr, a performar, a ser o quê? Marta, né? Corre aqui, vamos, chegou gente, vamos fazer. E aí, você ouve e vira pra Maria e fala, né? Pra Maria não, vira pra Marta e fala, Marta, Maria escolheu a melhor parte. Porque não é essa correria performática aí que é a melhor parte, a melhor parte é você parar para ouvir a Deus. E veja, o Senhor não está dizendo que ter ritmo, ter compromissos é ruim, porque ele não fala assim, Marta, Maria escolheu a boa parte. Não, ele qualifica, a melhor, né? Você vai rezar ali, os textos vão trabalhar com o advérbio de intensidade. Assim, é bom você ter ritmo, é bom você ter tarefas, mas é fundamental você ter descanso. É por isso que o Shabat, o descanso vem como mandamento divino. Tá entre os 10, gente. Pode questionar tudo o resto, mas os 10 não dá pra questionar, né? E a gente faz o quê? A gente viola o descanso. E aí a gente fica orgulhosinho disso. Ou seja, a gente precisa realmente é voltar, né? Pra escritura, o nosso coração pra escritura e nos reconciliar, inclusive, com a maneira como nós lidamos com o tempo. O Senhor tenha misericórdia de nós, né, Bel? E nos ajude aí, porque, é, eu sei que tá todo mundo muito sequestrado atualmente pelo vício com a tela. Bel tá aí, tá chegando a mensagem, ela tá respondendo, né? >> Tô lendo. Trabalhando. >> Eu vou, eu vou acabar aqui, vou sair correndo pra outro compromisso. Então, eu já tô respondendo pra não ter que responder depois, é de trabalho. Hum. >> Pois é, tá lá em casa. >> Hum. Mas é isso, Bento, a gente encerra, né, se você não tiver mais nada para acrescentar. >> Isso. Só queria lembrá-los que tem Jesus para o Japão nesse sábado, de manhã, o dia inteiro, lá na IBNU. Tá lindo, estivemos hoje lá organizando e tá bem lindo. Esse é nosso convidado especial. Se precisarem do link, é só entrar nos canais da IBNU que tem lá o link para fazer a inscrição. Vai ser um evento muito gostoso. Vocês todos são convidados. >> Sábado, de 8 às 17, tá, gente? Começa 8 da manhã. Então, >> Rina vai tá lá também, gente. >> Eu vou lá, minha filha. Estarei lá servindo a Deus com alegria, né? E só vou, só é possível estar lá no sábado agora por quê? É porque eu vou ter o meu tempo de recolhimento. Não tem como a gente tá pronto para atender o coletivo, sobretudo nós que trabalhamos com grandes coletivos, como no caso da igreja, seja a Bia que trabalha formalmente, eu que trabalho voluntariamente, não tem como você tá bem para atender as pessoas se você não tiver tido recolhimento para ficar a sós com Deus. É por isso que Cristo se retirava. Os que quer aprender como viver com saúde, é só olhar para o mestre. É só olhar para o mestre, né? Aí, e assim, é curioso porque a gente tem um dia cansativo, a gente vai se ver em série, não sei o quê. Cristo, ele se retirava para ficar a sós com Deus. O descanso dele era para sozinho com o pai. Descanso de filho para sozinho com o pai, para sozinho ali. Que coisa mais preciosa. Que Deus nos ajude, né, a a a mantermos aí o descanso e o repouso e as pausas e os recolhimentos necessários para que nós possamos retornar ao coletivo muito melhores do que se não fizéssemos aí esse recolhimento. Que Deus abençoe todos vocês. um grande abraço. Bel, muito obrigada pela presença, pela participação. Ah, e até a próxima. Vamos vamos lá nos expor, porque depois a gente se recolhe para se expor de novo com com a com a é nutrido, né? Nutrido e e e com os recursos necessários para abençoar o coletivo. >> É isso aí. Então, fiquem com Deus, tudo de bom para vocês. Final de mês a gente está aqui de novo. >> Um abraço para vocês, gente. Obrigada por ter ficado conosco e até a próxima. Tchau, tchau.