CORRA! — Há Pecados Que Você Não Deve Enfrentar | Josemar Bessa
15/08/2026
CORRA! — Há Pecados Que Você Não Deve Enfrentar | Josemar Bessa
Não fique para descobrir o quanto você aguenta.
José estava longe de casa.
A casa estava vazia.
A oportunidade estava diante dele.
A mulher de Potifar o agarrou.
E José correu.
Ele não permaneceu para provar que era forte. Não tentou descobrir até onde poderia chegar sem pecar. Não transformou a tentação em uma oportunidade para demonstrar domínio próprio.
Ele deixou o manto e fugiu.
Gênesis 39 nos apresenta uma das mais poderosas lições bíblicas sobre tentação, santidade, vigilância e temor de Deus.
José havia prosperado na casa de Potifar. Recebera confiança, autoridade e responsabilidade. Mas justamente no lugar de sua prosperidade surgiu uma nova batalha. A bênção não eliminou a necessidade de vigilância. Pelo contrário: novas oportunidades também trouxeram novas tentações.
Quando a mulher de Potifar o tentou, José respondeu:
“Como eu faria tamanha maldade e pecaria contra Deus?”
Essa pergunta revela o centro de sua resistência.
José não estava simplesmente preocupado em proteger sua reputação. Ele sabia que, acima de Potifar, acima daquela mulher e acima das circunstâncias, estava Deus.
E isso muda tudo.
O pecado tenta diminuir a si mesmo:
“É só uma conversa.”
“É só olhar.”
“É só curiosidade.”
“É só uma vez.”
“Eu consigo controlar.”
José faz exatamente o contrário.
Ele chama o pecado pelo nome.
Ele reconhece sua gravidade.
E então procura a saída.
A tentação também não veio apenas uma vez. A Bíblia mostra uma pressão repetida — dia após dia. Antes da fuga dramática houve uma longa sequência de pequenas recusas. José não aprendeu a fugir apenas no momento decisivo; ele vinha treinando seu coração para não negociar com aquilo que poderia destruí-lo.
Então a casa ficou vazia.
Ela o agarrou.
E José não iniciou uma discussão.
Não tentou demonstrar maturidade.
Não permaneceu para descobrir o limite de sua resistência.
Ele fugiu.
Há momentos em que a decisão mais espiritual que podemos tomar é profundamente prática:
sair.
fechar.
desligar.
bloquear.
mudar o caminho.
ir embora.
Porque a fé também possui pernas.
Esta mensagem é sobre José, mas também é sobre nós.
Sobre os pecados dos quais tentamos permanecer próximos.
Sobre ocasiões de queda que insistimos em administrar.
Sobre a falsa confiança de imaginar que maturidade espiritual significa poder permanecer perto de qualquer tentação sem ser vencido.
Fugir do pecado não é necessariamente covardia.
Às vezes, fugir é exatamente como a fé luta.
José preferiu perder o manto a perder a pureza. Depois perderia sua posição, sua reputação e sua liberdade. Sua obediência não tornou sua vida imediatamente mais fácil — mas preservou sua consciência diante de Deus.
Neste vídeo, veremos:
— por que a tentação pode chegar justamente depois da prosperidade;
— como o temor de Deus transforma nossa maneira de enxergar o pecado;
— por que pequenas concessões treinam o coração para grandes quedas;
— como a repetição da tentação produz cansaço espiritual;
— por que José não ficou para testar sua força;
— a diferença entre resistência e fuga;
— quando fugir é sabedoria e quando permanecer é dever;
— a diferença entre fé e presunção;
— e por que verdadeira santidade continua existindo quando ninguém está olhando.
“Ele deixou o manto nas mãos dela, fugiu e saiu da casa.” — Gênesis 39:12
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#José #Tentação #Santidade #Gênesis39 #VidaCristã
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Fonte: Josemar Bessa
Legendas automáticas:
Ele deixou o manto nas mãos dela, fugiu e saiu da casa. Gênesis 39:12. José José conhecia o fundo do poço antes de conhecer os corredores da casa de Potifar. Ele foi traído pelos próprios irmãos, vendido como mercadoria, levado para uma terra que não era sua e colocado debaixo da autoridade de homens que não o conheciam. Seu futuro parecia ter sido arrancado dele pela violência de outros. Então a providência de Deus começou a abrir espaço dentro da própria escravidão. Potifar percebeu que havia algo diferente naquele jovem hebreu. O trabalho prosperava em suas mãos. A confiança cresceu. Responsabilidades foram entregues. Pouco a pouco o escravo tornou-se administrador e foi precisamente ali que a tentação chegou. Isso importa? Nem sempre. Nem sempre o perigo aparece quando tudo está desabando. Às vezes ele chega quando finalmente começamos a respirar, quando uma porta se abre, quando uma benção chega, quando somos reconhecidos, quando a vida parece menos hostil, quando começamos a sentir que conseguimos nos mover com segurança naquele ambiente. A prosperidade pode trazer alívio e ao mesmo tempo afrouxar vigilância. José era jovem, tinha autoridade suficiente para circular pela casa, tinha a confiança do senhor e de repente aquilo que parecia apenas promoção tornou-se cenário de uma guerra moral. A mulher de Potifar lançou os olhos sobre ele. A tentação a tentação surgiu no olhar dela e logo veio a proposta clara e direta, sem a névoa de ambiguidade. Não havia necessidade de José interpretar sinais. Não precisava perguntar a si mesmo se estava imaginando coisas. O pecado foi colocado diante dele com palavras. E havia um agravante. Ela não era uma mulher qualquer dentro daquela casa. Era sua senhora. Recusar não significava apenas frustrar um desejo, poderia produzir hostilidade. Poderia destruir sua posição, poderia tornar insuportável o lugar em que ele trabalhava. Poderia transformar a mulher que o desejava na pessoa que o acusaria. Por isso, Gênesis 39 não é a história de um homem enfrentando uma sugestão inconveniente. É a história de alguém cercado por desejo, oportunidade, pressão, autoridade e risco. A santidade de José não nasce da ausência de pressão. Ela aparece porque quando a pressão chega, há alguma coisa dentro dele que pesa mais do que a ocasião. E a pergunta começa a se formar. Quando o pecado deixa de ser apenas uma possibilidade distante e começa a respirar perto do rosto, o que governa nossos passos? Há ainda uma ironia providencial que não deve ser perdida. A casa de Potifar era ao mesmo tempo lugar de benção e lugar de prova. Deus fez prosperar o trabalho de José ali. Isso não significava que cada circunstância daquele ambiente fosse segura. A mesma casa em que a providência abriu portas continha uma porta que José precisava fechar. Isso nos livra de outro engano. Imaginar que porque Deus nos colocou em determinada posição, tudo o que ali aparece deve ser recebido como parte legítima da benção. Uma promoção pode trazer novas tentações. Maior liberdade pode trazer novos riscos. Mais dinheiro pode ampliar possibilidades de cobiça. Mais influência pode despertar vaidade. Mais privacidade pode retirar controles A benção de Deus não cancela a necessidade de vigilância, às vezes aumenta. José não confunde prosperidade com permissão. Ele sabe receber responsabilidade sem transformar oportunidade em licença. E talvez seja precisamente quando a vida melhora que precisamos perguntar com mais cuidado que tentações ficaram possíveis agora que antes não estavam ao meu alcance. José não responde a mulher de Potifar como quem está tentando descobrir até onde pode ir sem ultrapassar uma linha. Ele não transforma a proposta em negociação. Não pergunta quais partes poderiam ser mantidas sem chegar ao ato final. Não tenta conservar a proximidade, a atenção, o flerte, o ambiente e apenas remover aquilo que seria claramente condenável. Sua resposta começa com uma lembrança. Meu senhor confiou tudo a mim. A casa está em minhas mãos. Nada me foi negado exceto você, porque você é mulher dele. José sabe que o pecado não seria apenas uma satisfação privada. Seria traição contra o homem que depositou confiança nele. Mas ele não para ali. A razão mais profunda vem depois. Como eu faria tamanha a e pecaria contra Deus. É isso que a tentação tenta apagar. O pecado gosta de reduzir o universo ao que está imediatamente diante de nós. O corpo, o desejo, a oportunidade, o medo de perder algo, o prazer prometido e a pressão do momento. José recusa essa redução. Há uma mulher diante dele. Há um senhor humano acima dele, mas acima de ambos há Deus. A santidade começa quando Deus volta a ter peso na hora concreta da decisão. Não apenas no culto ou numa confissão doutrinária, mas quando ninguém mais parece capaz de nos impedir. A pergunta de José não é o que acontecerá se descobrirem, mas como eu faria isso diante de Deus? Como eu cometeria tal maldade diante de Deus? Essa diferença muda tudo dentro da tentação. O medo da descoberta humana pode produzir cautela enquanto houver câmeras, testemunhas, reputação ou risco social. O temor de Deus alcança o quarto fechado, alcança a tela privada, alcança a madrugada, alcança o pensamento que nunca será contado. Alcança o desejo antes de adquirir forma pública. José entende ainda outra coisa. Pecado não é pequeno simplesmente porque aparece como oportunidade agradável. Ele o chama de grande maldade. A tentação sempre trabalha para diminuir o nome do pecado. É só uma conversa, é só curiosidade, é só olhar, é só ficar mais um pouco. É só uma vez. Você saberá parar. José fez o movimento contrário. Ele chama o pecado pelo tamanho que ele possui diante de Deus. Isso prepara a ação que virá depois. Quem enxerga o pecado como um grande mal, não sente necessidade de ter que estar a distância mínima segura. Procura a saída. Observe também que José não reduz pecado a ofensa contra si mesmo. Ele não pergunta se aquilo lhe faria bem, se seria emocionalmente agradável ou se poderia ser administrado sem dano pessoal. Sua linguagem é teocêntrica. Pecado é pecado contra Deus. Essa consciência impede que o desejo se torne juiz do próprio caso. Quando o coração é o tribunal final, tudo pode ser reinterpretado segundo conveniência. Mas quando Deus é reconhecido como Senhor, a pergunta muda de eixo. Não é mais o que eu quero, mas o que ele chama de mal. Essa é uma das razões pelas quais a palavra precisa habitar em nós antes da hora da pressão. No instante da pressão, José não consulta uma opinião recém formada. Responde a partir de uma convicção já assentada. A hora da tentação raramente é o melhor momento para descobrir do zero uma teologia do pecado. É hora de obedecer a verdade que já aprendemos a amar. Então a mulher de Potifar não tentou José uma única vez. O texto insiste que ela falava com ele dia após dia. Há tentações que vem como relâmpago. Há outras que funcionam como água sobre pedra. Não dependem de um ataque extraordinário, apostam na repetição. Hoje uma palavra, amanhã outra, depois uma brincadeira, depois uma aproximação que antes pareceria inadequada, depois uma situação em que a consciência já não reage com a mesma força. O pecado sabe trabalhar com o cansaço, sabe explorar familiaridade, sabe transformar o que inicialmente assustava em parte da paisagem. É por isso que a perseverança de José é tão importante quanto sua fuga final. Antes do momento dramático em que ele deixa a capa nas mãos dela, existe uma história silenciosa de recusas. Dia após dia ele não ouve. Dia após dia ele não se é é deita com ela. Dia após dia ele não procura permanecer perto dela. A vitória pública do versículo 12 foi preparada por uma disciplina repetida antes do versículo 12. Ninguém aprende a fugir no momento máximo da tentação se passou somente treinando a alma permanecer perto da tentação. Essa é uma das ilusões mais perigosas do coração. Imaginamos que podemos cultivar proximidade e quando chegar o instante decisivo acionaremos subitamente uma força moral extraordinária. Mas hábitos são ensaios, proximidades são treinamentos, concessões pequenas educam a vontade. Toda vez que alguém permanece desnecessariamente diante daquilo que inflama sua corrupção, está ensinando a si mesmo alguma coisa. Talvez diga: "Não fiz nada, mas ficou". Talvez diga: "Não atravessei a linha, mas aprendi a gostar da beirada". Talvez diga: "Eu consigo controlar", mas está acostumando o coração à presença daquilo que deveria temer. José não apenas recusa o ato. O texto diz que ele não quis nem estar com ela. A estratégia não é demonstrar força, é reduzir exposição. Isso pode parecer pouco heroico para uma cultura que admira a autoconfiança. Mas biblicamente é sabedoria. Há pecados que vencemos resistindo. Há ocasiões que vencemos saindo. Confundir as duas coisas pode custar caro. O jovem que imagina que maturidade significa poder sentar-se tranquilamente ao lado de toda tentação ainda não entendeu sua própria carne. José não mede santidade pela quantidade de perigo que consegue suportar. Ele mede fidelidade pela prontidão em obedecer. E por isso quando chega o dia em que a tentação o agarra pela roupa, ele já sabe em qual direção seus pés devem correr. A repetição também revela outra estratégia. A tentação tenta transformar resistência em cansaço. Depois de muitas recusas surge a voz interior: "Você já provou que é forte. Talvez agora possa relaxar". É exatamente aí que a vigilância precisa continuar. Perseverança não é apenas sobreviver a um grande dia. É recusar-se a negociar quando a luta se torna tediosa. Muitos não caem apenas, é, não caem porque mudaram de convicção, mas porque se cansaram de mantê-la. O coração começa a tratar fidelidade como desgaste e concessão como descanso. José mostra o contrário. Ele não chama de exagero aquilo que precisa repetir diariamente. Enquanto o perigo permanece, a cautela permanece. Isso vale para qualquer pecado insistente. Se a tentação volta, a resposta piedosa também precisa voltar. Não há vergonha em usar a mesma porta de fuga muitas vezes. A sabedoria em não reinventar uma saída quando Deus já mostrou qual saída funciona. Chega o momento em que o cenário muda. Os outros homens da casa não estão presentes. A oportunidade de segredo se abre. A tentação que antes vinha acompanhada do risco de ser vista agora oferece algo novo. Anonimato. Ninguém saberá. Essa frase nunca aparece literalmente no relato, mas toda a arquitetura do momento grita sua possibilidade. A casa está vazia. A mulher está decidida. José está perto e é exatamente nessa hora que se revela o tipo de santidade que existe nele. Há pessoas que parecem puras enquanto o ambiente as contém. A estrutura ajuda, a família está perto, a igreja observa, o cônjuge pode descobrir, os amigos conhecem a reputação. O telefone está desbloqueado para alguém. O histórico pode ser visto. Mas retire os olhos humanos e uma pergunta mais profunda aparece. Quem somos quando a oportunidade promete segredo total? José não precisa de testemunhas humanas para continuar temendo a Deus. Sua consciência não depende de plateia. O mesmo Deus contra quem ele se recusava a pecar quando havia gente por perto continua sendo o Deus quando a casa está vazia. Então a mulher o agarra. Nesse ponto José não faz discurso. Não oferece uma segunda explicação. Não inicia um debate. Não tenta persuadi-la a respeitar suas convicções. Não permanece para demonstrar domínio próprio. Ele foge. E deixa a capa. Isso é importante porque a capa se torna um símbolo de uma prioridade. Há coisas que podemos perder para não perder algo maior. José José perde uma peça de roupa. Depois perderá a reputação. Perderá a posição, perderá a liberdade. Será acusado justamente por aquilo que recusou fazer. A fuga não o protegerá da aflição imediata, mas preservará sua consciência diante de Deus. Santidade não é uma técnica para garantir que nada doloroso aconteça conosco. Às vezes obedecer custa caro. A alternativa, porém, custaria mais. José prefere ser preso inocente a permanecer livre como traidor. Prefere perder a capa a perder a pureza. Prefere sair da casa sem explicações a ficar dentro dela tentando controlar um incêndio que já alcançou sua roupa. Há momentos em que a decisão mais espiritual é surpreendentemente física. Levantar, fechar, desligar, ir embora, bloquear, cancelar, mudar o caminho, sair. A fé possui pernas. E algumas das orações mais sinceras contra a tentação terminam com os pés correndo para longe dela. E note o paradoxo. A ausência de testemunhas humanas não reduz a responsabilidade. Apenas revela qual testemunha realmente importa para nós. Há pecados que nossa reputação consegue conter, mas o temor de Deus vai muito mais fundo. Se nossa obediência desaparece quando desaparecem os olhos das pessoas, talvez não estivéssemos obedecendo a Deus, mas administrando nossa imagem. O segredo possui essa função reveladora. Ali a fé deixa de ser performance social e religiosa e se torna consciência diante do Deus que vê. José, longe de casa, sem pai, sem irmãos piedosos ao redor, sem comunidade hebraica observando, continua sendo o mesmo homem. Isso torna a sua fuga ainda mais bela. Ele não precisa da memória de Jacó funcionando como câmera. A presença de Deus basta. A santidade madura chega ao ponto de preferir ser mal interpretado por homens a ser infiel diante do Senhor. Há uma ideia de coragem que pode nos tornar imprudentes. Ela diz que o forte é aquele que permanece perto do perigo e demonstra que não não será vencido. Em algumas guerras isso pode parecer bravura. Na guerra contra o pecado muitas vezes é presunção. José foge como alguém fugiria de um assassino porque moralmente era isso que estava diante dele. O pecado prometia prazer, mas carregava a morte. Prometia segredo, mas produziria culpa. Prometia um momento, mas queria uma vida inteira de consequências. Quem enxerga apenas a superfície acha exagerado correr. Quem enxerga o que o pecado é entende a pressa. Se uma casa estivesse em chamas, ninguém elogiaria o homem que permanecesse na sala para provar que suporta o calor. Se o animal feroz estivesse solto, é não chamaríamos de maturidade a aproximação dele para testar nosso controle emocional. Se uma ponte estivesse desabando, não seria sabedoria caminhar até a rachadura só para descobrir o ponto exato em que o chão deixa de aguentar. Por que tratamos a tentação de maneira diferente? Por que não acreditamos plenamente naquilo que dizemos sobre o pecado? Chamamos de perigoso, mas queremos proximidade. Chamamos de mortal, mas negociamos distância. Chamamos de inimigo, mas perguntamos quanto tempo podemos permanecer ao lado dele sem que nada aconteça. José não precisa provar nada a si mesmo. Ele não diz: "Sou homem de Deus, consigo ficar aqui". Sua percepção de fraqueza não é incredulidade, é parte da sua sabedoria. Há uma falsa espiritualidade que confunde confiança em Deus com confiança no próprio coração. Mas o Deus que promete socorro também ordena vigilância. O Deus que dá graça também manda fugir das paixões. O Deus que sustenta seus filhos não os convida a transformar sua fidelidade em desculpa para brincar com ocasião de queda. Fugir pode ser um ato de fé porque reconhece duas coisas ao mesmo tempo: Deus é santo, eu sou fraco. Essa combinação produz distância, não porque a criação seja má, não porque todo ambiente seja proibido, não porque santidade seja medo supersticioso de qualquer prazer, mas porque existem situações concretas em que sabemos que nossa carne encontra combustível. E quando sabemos disso, permanecer não é neutralidade, é exposição voluntária. A pergunta não é apenas: "Isto é pecado?" Às vezes, a pergunta anterior é mais sábia: "Por que eu quero ficar tão perto daquilo que tantas vezes me leva ao pecado?" A fuga, portanto, não é ausência de resistência, é uma forma de resistência. Tiago diz para resistirmos ao diabo. Paulo diz para fugirmos da imoralidade. As duas ordens não competem. Há tentações diante das quais resistimos, precisamente recusando permanecer no alcance delas. Um soldado não é covarde porque sai de uma posição em que o inimigo o cercou para continuar a batalha em terreno mais seguro. Covardia seria entregar-se. José não abandona a santidade, abandona o espaço em que a santidade estava sendo atacada. Esse princípio ajuda a desmontar a fantasia de que disciplina espiritual precisa aparecer heroica. Às vezes ela parece simplesmente chata. Não ir, não responder, não olhar, não permanecer, não abrir. O reino frequentemente é protegido por por decisões que ninguém aplaude. Mas o céu não mede coragem pela teatralidade do gesto. Mede fidelidade. Então é possível transformar qualquer princípio verdadeiro em caricatura. Por isso é necessário acrescentar uma distinção. Nem toda exposição à tentação pode ser evitada. Há situações em que o próprio dever nos leva para lugares difíceis. Paulo sabia que prisões e aflições o aguardavam em Jerusalém e ainda assim avançou porque obedecer exigia aquele caminho. Neemias se recusou a fugir quando a fuga significaria abandonar a responsabilidade que Deus havia colocado sobre ele. Os apóstolos entraram em cidades hostis sabendo que o evangelho provocaria oposição. Um cristão pode trabalhar num ambiente moralmente difícil. Pode precisar cuidar de alguém que constantemente testa sua paciência. Pode ocupar uma função em que dinheiro, autoridade, prestígio ou oposição aumentam tentações específicas. Pode ser chamado a permanecer onde seria mais confortável sair. Nesses casos, a pergunta não é simplesmente há tentação aqui. A pergunta é: Deus me que a estar aqui? Isso a natureza da exposição. Há uma diferença entre entrar num campo de batalha porque seu rei o enviou e passear entre os tiros porque você gosta da sensação de perigo. Há uma diferença entre enfrentar uma tentação no caminho da obediência e fabricar uma tentação no caminho da curiosidade. Quando o dever nos coloca numa situação difícil, podemos pedir com confiança o auxílio necessário para permanecer fiéis. A segurança não está na facilidade do ambiente, está na obediência. Mas quando não há chamado, obrigação, responsabilidade ou necessidade real, a exposição voluntária assume outro caráter. Não podemos invocar a proteção de Deus para justificar a imprudência que nós escolhemos. Não é fé dizer: "Deus me guardará" enquanto ignoramos deliberadamente as saídas que sua sabedoria já colocou diante de nós. Jesus recusou transformar confiança no pai em espetáculo no pináculo do templo. A promessa de cuidado não autoriza a lançar-se desnecessariamente do alto. Da mesma forma, dizer: "Deus é fiel" enquanto escolhemos permanecer num ambiente que sabemos ser ocasião recorrente de queda pode ser uma forma religiosa de presunção. A distinção, portanto, é simples e exigente. Quando a obediência exige permanência, permaneça confiando. Quando a obediência permite fuga, não faça da permanência uma demonstração de força. José tinha trabalho naquela casa, mas no instante em que está naquela sala, deixou de ser serviço e se tornou ocasião direta de pecado, ele saiu. A fidelidade sabe permanecer e a fidelidade sabe correr. Essa distinção também impede que fugir da tentação se transforme em desculpa para fugir de responsabilidades difíceis. O homem iracundo não pode abandonar toda a convivência humana e chamar isso de santidade. Um pai não pode fugir de conflitos inevitáveis com os filhos. O pastor não pode evitar pessoas difíceis para preservar a própria paz. Uma pessoa cobiçosa não pode simplesmente parar de lidar com dinheiro se sua vocação exige administração. O chamado é fugir do que é ocasião desnecessária, não do dever. A sabedoria pergunta: "Estou aqui porque obedecer exige ou porque meu desejo gosta de risco ou minha ambição me faz ficar?" Essa pergunta separa coragem de presunção. José não abandonou o trabalho enquanto trabalhar significava servir. Saiu do trabalho quando permanecer naquele instante significava oferecer à tentação uma vantagem que o dever não exigia. É dessa sabedoria que nós precisamos. E então devemos correr quando necessário. Amém, querido. Amém. >> Cristo é o canal por [música] onde flui a graça. O óleo da misericórdia [canto][música] derrama-nos, abraça. >> [música] >> Cristo é tudo em tudo, tesouro celestial. [canto] >> [música] >> Riquezas espirituais, nele é bem [música] total. Ele [música] dissipa nossos medos, [canto] remove nossos fardos. >> [música] >> Supre nossas necessidades, [canto] seu amor é raro. Cristo é o maior [canto] bem, nada se compara [canto] a Ele. Quem tem [música] a Cristo não precisa de mais. Ele é o mar imenso. [canto] Não precisamos [música] de cisternas. Em Cristo [canto][música] toda plenitude. Em Cristo [música][canto] tudo está. Cristo é beleza que adorna, ouro que enriquece. [canto] >> [música] >> Bálsamo [música][canto] que cura, pão que fortalece. [música] Ele é o vinho que consola, [canto] salvação que coroa. Cristo adoça nossas bênçãos, [canto] seu amor nos abençoa. Cristo é o maior bem, nada se [canto] compara a Ele. Quem tem a Cristo não precisa de mais. >> [música] >> Cristo santifica [música][canto] cruzes, remédio para a alma, >> [música] [canto] >> trabalha o pecado fora. A graça [canto] traz [música] calma, calma no fogo da aflição, nada [música] perdemos, só impurezas. [canto] Cristo é joia rara, [canto] poucos tem essa riqueza. >> [música] >> Sem Cristo [canto] nada é bom, saúde vira tentação, riquezas são armadilhas, [canto] [música] sem Cristo perdição. Um, Cristo é o maior bem, [canto] nada se compara a ele, quem tem a Cristo [música][canto] não precisa de mais. Cristo é tudo nos [canto] afetos, >> [música] >> nada mais devemos desejar. >> [música] >> Cristo é [canto] o bem supremo, nossa alma deve amar. Amor é a joia mais rica [música][canto] que podemos entregar. >> [música] >> Cristo merece todo o [canto] amor que podemos ofertar. Cristo é o vice do Senhor, [canto] a estrela da manhã.