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A fé vem pelo ouvir

Culto – Manhã de Domingo 09 de Agosto de 2026 em Jardim da Luz

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Culto – Manhã de Domingo 09 de Agosto de 2026 em Jardim da Luz

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Legendas automáticas:

Eh, hoje eu queria ver com vocês com
vocês um assunto sobre os reis de Israel
que eu tenho falado de vez em quando.
>> E quando eu tava meditando esse assunto
essa semana por acaso, e eu percebi que
há muitos momentos em que Deus permite
que aquilo que normalmente nos dá
sensação de segurança é retirado de nós.
Enquanto nós temos alguma coisa para nos
segurar, nós nos seguramos aquilo de uma
maneira incrível. Enquanto existe uma
porta aberta, nós sempre vamos correr
para ela. Enquanto nós temos dinheiro,
influência, experiência, força,
conseguimos sempre dizer que nós
confiamos em Deus. Ao mesmo tempo, nós
sempre queremos ter aquela coisa
garantida,
guardada ali junto com a gente, para
quando a gente precisar a gente pegar.
Mas existem momentos em que Deus, em sua
providência fecha essas portas. E quando
isso acontece, descobrimos algo
desconfortável sobre nós mesmos nesse
tipo de situação. Muitas vezes, aquilo
que chamávamos de fé era confiança em
Deus somada a várias outras seguranças
que nós temos no mundo. Confiamos em
Deus, mas também no dinheiro.
Confiávamos em Deus, como falávamos, mas
também nas pessoas que estão à nossa
volta. Confiávamos em Deus, mas também
na nossa capacidade de resolver as
situações. Então, vai chegar o dia em
que o dinheiro não resolve.
As pessoas não podem te ajudar e a nossa
capacidade chegou ao limite. E é nesse
lugar que começamos a aprender o que que
significa realmente descansar somente em
Deus. E é exatamente nesse momento e
nessa situação que nós encontramos a
história de Ezequias.
Quando nós chegamos em Segunda Reis 18,
Ezequias aparece como um dos grandes
reis de Judá. O texto diz que ele fez o
que era certo aos olhos do Senhor. O que
que ele fez no tempo dele? Ele removeu
os altares idólatras, destruiu os postes
sagrados, quebrou a serpente de bronze
porque o povo havia começado a
transformar ela num objeto de culto. E
mais do que isso, as escrituras dizem
que Ezequias confiou no Senhor. E isso é
importante porque às vezes construímos
uma ideia errada de vida cristã.
Pensamos que se estivermos andando com o
Senhor, obedecendo o Senhor, procurando
fazer o que que é certo, então grandes
crises deveriam ficar longe de nós. Mas
não é isso que acontece na nossa vida.
Ezequias está procurando ser fiel a Deus
e mesmo assim a Assíria chega em
Jerusalém. Talvez precisamos aprender
logo no início dessa passagem aqui que a
fidelidade que nós temos não nos torna
imune do cerco do inimigo. Às vezes é
justamente porque caminhamos com
fidelidade que encontramos momentos mais
difíceis da vida.
A Assíria aqui não era apenas o reino,
era uma grande potência militar daquele
tempo. Seu exército avançava sobre as
nações e deixava a destruição por onde
quer que ela passasse. Cidades
fortificadas caíam, reis eram
derrotados, povos eram levados pro
exílio. O reino do norte, Israel já
havia caído antes pros assírios. Samaria
tinha sido conquistada.
Agora Senaqueribe volta a sua atenção
para Judá. As cidades fortificadas de
Judá começaram a cair uma após a outra.
E Jerusalém percebe que o inimigo está
começando a chegar. Não era uma ameaça
distante. As notícias vinham chegando a
eles. As cidades ao redor já estavam
derrotadas. O exército assírio estava
avançando pouco a pouco e Jerusalém
começa a ficar sozinha ali. Aqui aparece
uma das primeiras grandes verdades aqui
dessa história.
Deus às vezes permite que seu povo seja
levado a um lugar em que as
possibilidades humanas começam a
desaparecer.
Não porque ele perdeu o controle, mas
para porque ele deseja mostrar onde a
nossa confiança realmente está aqui. É
fácil. Muitas vezes nós dizemos: "Deus é
o suficiente para mim". Quando ele não é
a única coisa que nós temos. É fácil nós
falarmos: "A minha esperança está no
Senhor". Enquanto o nosso banco está
cheio, a saúde está boa e todos os meus
planos estão funcionando.
A pergunta vai mudar quando Deus, se
Deus continua sendo Deus,
quando aquilo que nos dava segurança
começa a desaparecer.
Então descobrimos se Deus é realmente a
nossa esperança
ou parte dela. Ezequias vai aprender
isso de uma maneira dolorosa.
Antes da grande oração que nós podemos
ver em Segunda Reis 19, existe um
detalhe no capítulo 18 que nós não
podemos ignorar. Quando Senaquerb invade
Judá, Ezequias vai tentar resolver a
situação por meio de um acordo com
aquele rei. Ele manda uma mensagem ao
rei da Síria e oferece pagar aquilo que
Senaqueribe.
Senakeribe exige ouro e prata. E o que
que Ezequias faz? Ele entrega a prata
que havia no templo e no tesouro real.
Mais do que isso, ele retira o ouro que
revestia as portas e os batentes do
templo do Senhor. Pense nessa cena. O
rei que confiava no Senhor começa a
arrancar o ouro do templo para tentar
comprar a paz com a Síria. Isso mostra
que a Bíblia não transforma os seus
personagens até os melhores deles, como
Ezequias, em heróis reais. Ezequias é um
homem de fé.
Mas ele não é um homem de fé perfeita.
Ele conhece Deus, mas ele sente medo.
Ele confia no Senhor, mas ele ainda
tenta encontrar soluções que lhe
devolviam a ele uma sensação de controle
da situação.
Isso torna essa história aqui ainda mais
próxima de nós, porque nós fazemos a
mesma coisa. Quando a pressão aumenta,
começamos a arrancar os ouros da porta
nossa. Obviamente, não literalmente, mas
começamos a sacrificar coisas
importantes para manter a nossa sensação
de controle, tentando manipular as
circunstâncias, perdemos o nosso sono,
criamos estratégias e mais estratégias
porque acreditamos realmente que se
encontrarmos a combinação perfeita,
talvez conseguimos impedir aquilo que
nós tememos. Ezequias paga para isso,
mas Senakeribe continua vindo. E isso é
impressionante. Ele entregou ouro e a
Assíria não foi embora. Aquilo que
Ezequias tentou confiar não salvou ele.
E aqui existe uma misericórdia
escondida, porque às vezes uma das
coisas mais graciosas que Deus pode
fazer conosco é permitir que nossos
falsos salvadores fracassem na nossa
frente.
Nós não pensamos assim normalmente.
Quando alguma coisa que nós colocávamos,
a nossa esperança desmorona, pensamos
imediatamente o quê?
Deus me abandonou.
Mas talvez seja exatamente
o que Deus está fazendo ali. É o
contrário. Ele está te ensinando algo.
Talvez esteja libertando você da ilusão
de que aquilo poderia te salvar.
Às vezes Deus não eh Deus eh nesses
momentos Deus não está querendo
fortalecer a nossa as nossas seguranças
que nós temos nas coisas do mundo. E ele
deixa elas caírem, não é para nos
destruir, mas para nos mostrar que nunca
fomos realmente sustentados por ela. O
ouro não pode salvar Jerusalém. A
diplomacia não vai salvar Jerusalém. O
Egito não pode salvar Jerusalém. E agora
Ezequias precisa aprender aquilo que
todo o povo de Deus precisa aprender.
Quando a nossa força termina, a de Deus
não termina. E é nesse ponto que Rabsak
aparece. Senakerib envia seus
representantes até Jerusalém e Rabsak
começa a falar diante dos homens de
Ezequias e diante do próprio povo sobre
os muros. E é interessante perceber como
que ele vai atacar o povo nesse momento.
Ele não começa tentando derrubar as
muralhas e começando a guerra logo de
início. Ele tenta primeiro derrubar a
confiança daquelas pessoas. Essa é a
verdadeira batalha. Rabsak olha para
Jerusalém e pergunta em essência assim:
"Em quem vocês estão confiando?"
É uma pergunta profundamente espiritual
que ele tá falando. Porque você não
precisa destruir uma uma cidade eh se
primeiro você destruir a esperança
daquelas pessoas que estão lá dentro?
Então ele começa a desmontar todas as
possibilidades humanas que Judá pode se
agarrar. Se vocês estão confiando no
Egito, ele diz, o Egito é como uma cana
quebrada. E ele está certo, o Egito não
pode salvar Judá. Então ele ora paraa
capacidade militar do povo e
praticamente vai ridicularizar
Jerusalém.
Mesmo que a Síria, ele fala, oferecesse
milhares de cavalos para vocês, vocês
não vão ter cavaleiros o suficiente.
Mais uma vez, o argumento é forte para
as pessoas que estão amedrontadas dentro
dos muros da cidade. Judá é pequeno. A
Assíria que está ali fora, é enorme. O
exército de Jerusalém é limitado. O
exército de Senaqueribe já derrotou
nações inteiras. como Judá vai conseguir
se manter de pé. Mas então o discurso
dele muda um pouco. Rabsak deixa de
ridicularizar a capacidade de Judá e
começa a ridicularizar o Deus de Judá. E
aí percebemos que essa história é maior
do que apenas uma política internacional
que eu estou aplicando. É maior do que
uma guerra, é maior do que Senakeribe
contra Ezequias. A pergunta diante
daqueles muros é: o Senhor realmente é
capaz de cumprir a sua palavra? E Rabsak
começa a mencionar as outras nações.
Onde estão os deuses delas?
Onde estão os deuses das cidades
destruídas pela Síria?
Nenhuma delas conseguiu salvar o seu
povo. Então ele coloca o Senhor no mesmo
nível desses deuses. Vocês realmente
acreditam que o Deus de Jerusalém será
diferente?
Esse é o coração de toda tentação que
nós temos. E perceba como ela funciona.
Rabsak usa uns os fatos verdadeiros para
chegar em uma conclusão completamente
falsa. Era a verdade que Judá era fraco.
Era a verdade que a Assíria era
poderosa. Era a verdade que as outras
nações haviam caído diante dela. Era
verdade que os recursos de Ezequias eram
insuficientes naquela situação.
Tudo isso é verdade. A mentira estava na
conclusão que ele chegava. Portanto, o
Deus de vocês não pode salvar vocês.
Essa é uma das formas mais perigosas de
incredulidade. A incredulidade nem
sempre vai negar os fatos. Ela vai falar
muitas vezes coisas verdadeiras. Muitas
vezes
ela conhece muito bem os fatos que
aconteceram. O problema é que calcula
todos os fatos visíveis e deixa Deus
fora da equação. É exatamente isso que
nós fazemos. Nós olhamos paraa situação
e dizemos: "Não temos saída".
Talvez humanamente não haja mesmo.
Olhamos para o diagnóstico e dizemos:
"Isso é sério". E talvez realmente seja
sério. Olhamos para a nossa família,
para os nossos filhos, para o nosso
futuro, reconhecemos problemas reais que
nós temos. A fé não significa fingir que
esses problemas simplesmente não
existem.
Ezequias não precisava olhar para o
exército assírio e dizer: "Eu não estou
vendo soldados". Isso não seria fé,
seria um estado de negação que Ezequias
ia estar. Fé não é negar o tamanho que a
Assíria tem. Fé recusar-se medir Deus
pelo tamanho da Síria. A incredulidade
olha para Deus através das
circunstâncias.
A fé olha para as circunstâncias
através de Deus. E Rabsakc está dizendo
assim: "Olha para tudo que aconteceu.
Olha para tudo que nós já destruímos.
Agora digam como o Deus de vocês pode
salvar vocês." Mas a pergunta da fé é
outra. Que que ela fala? Quem é esse
exército diante de Deus que criou os
céus e a terra?
É por isso que a batalha ali naquele
local, naquele muro, começa no coração.
Antes de qualquer flecha seja lançada,
existe uma guerra pela interpretação da
realidade. Quem vai definir o que é
real? Os que os nossos olhos estão vendo
ou aquilo que Deus falou?
Então acontece algo simples aqui, mas
poderoso. Ezequias ouve, ele recebe as
palavras, ele rasga suas vestes e veste
um pano de saco e vai pro templo do
Senhor. E isso, se você vê, é muito
diferente do que ele fez anteriormente.
Antes, o que que ele procurou? Ele
procurou o tesouro, agora ele procura o
templo do Senhor. Antes ele tirou o ouro
das portas, agora ele vai se apresentar
diante de Deus. E não se engane, a crise
não mudou. Eu diria, ela se agravou, na
verdade, mas Ezequias está mudando.
Talvez seja justamente isso que Deus
estivesse fazendo desde o início aqui.
Nós pensamos que a grande obra de Deus é
sempre mudar as nossas circunstâncias.
Mas muitas vezes, antes de mudar as
nossas circunstâncias, Deus muda o lugar
onde nós apoiamos o nosso coração. Há
coisas que só aprendemos quando nós
ficamos de mão vazias.
Enquanto nós conseguimos carregar de
algum modo a situação, dificilmente
vamos entregar a situação a Deus.
Enquanto achamos que nós podemos
resolver, dificilmente nós vamos
descansar. Enquanto temos algum
controle, eu vou manter esse controle.
Então, Deus nos leva até o fim da nossa
força, não porque tenha prazer em ver a
nossa fraqueza, mas porque deseja a nos
mostrar
uma força maior que a nossa. A
verdadeira fé começa a aparecer quando
percebemos que não conseguimos salvar a
nós mesmos. Isso não significa que nós
vamos ficar em passividade.
Também não significa que nós nunca
devemos agir, planejar.
A Bíblia não nos ensina a ser
responsáveis.
O problema não é nós usarmos o meio que
nós temos. O problema é transformar os
nossos meios em nossos salvadores.
Existe uma diferença entre usar uma
ferramenta que Deus colocou nas nossas
mãos e descansar naquela ferramenta como
se Deus não existisse. Então chega uma
segunda mensagem de Senaqueribe e a
ameaça vai continuando. O rei da Síria
envia uma carta dizendo em essência:
"Não deixe o Deus de vocês enganar
vocês. Jerusalém não vai ser salva. E
segunda Reis e 19 nos mostra uma das
cenas mais bonitas dessa história.
Ezequias recebe a carta e lê ela. E o
que ele faz? Ele sobe ao templo, estende
a carta diante do Senhor e só isso já é
uma pregação enorme para cada um de nós.
Ele coloca a carta diante de Deus. Não
porque Deus não soubesse o que estava
escrito nela. Deus não precisava ser
informado do que estava acontecendo.
Ezequias é que ali precisava reconhecer
que diante de quem aquela carta deveria
estar. Há um tipo de oração que não é
simplesmente falar com Deus sobre o
problema, é colocar o problema diante de
Deus e dizer assim: "Senhor, eu não
consigo carregar isso".
E talvez exista alguma carta que você
esteja carregando atualmente. Obviamente
não em uma folha de papel. Talvez seja
uma notícia que chegou para você, uma
preocupação que você está tendo, uma
situação que repassa na sua mente
durante a madrugada. Você deita, mas a
mente continua a conversar com o
problema.
Talvez uma das perguntas dessa passagem
seja: por que você ainda está segurando
aquilo que você deveria ter estendido ao
Senhor? Ezequias abre aquela carta,
então ele ora.
Mas nós devemos perceber o como
ele vai orar
aqui. Ele não começa falando de
Senaqueribe, ele começa falando de Deus.
Ele reconhece que Deus é o Senhor de
Israel entronizado acima dos querubins.
Ele confessa que somente o Senhor é Deus
sobre os reinos da terra e que ele fez
os céus e a terra. E isso muda tudo. A
perspectiva de Ezequias mudou
completamente,
porque o coração não é apenas levar Deus
para dentro dos nossos problemas. A
oração é colocar novamente os nossos
problemas dentro da realidade de quem
Deus é. Quando não oramos, nossos
problemas começam a ocupar todo o nosso
horizonte.
Eles parecem enormes porque não existe
nada ao redor deles.
Mas quando olhamos e oramos
biblicamente,
não estamos diminuindo artificialmente
aquele problema, estamos devolvendo ele
a proporção correta que ele tem. Sim,
Senakeribe é poderoso, mais poderoso que
a gente, mas ele não criou os céus à
terra. Sim, a Assíria derrotou vários
reis, mas nenhum rei estava sendo eh
levado
sobre o trono do universo. Sim,
Jerusalém está completamente cercada,
mas o nosso Deus não está. Deus não está
cercado pela Síria. O povo de Deus pode
estar, a igreja pode estar pressionada
por algo. Uma família pode passar por
momentos difíceis, um crente pode chegar
à profunda fraqueza, mas Deus nunca
entra em pânico. Deus nunca recebe uma
notícia inesperada. Deus nunca olha para
uma circunstância e pensa: "Eu não previ
isso".
Ezequias começa a oração lembrando quem
Deus é depois ele apresenta o problema.
E o mais interessante é que ele não nega
o sucesso da Síria. Ele reconhece que o
rei que os reis assírios realmente
devastaram muitas nações. Reconhece que
lançaram os deuses daquele povo no fogo.
Mas então ele faz uma distinção
fundamental. Aqueles deuses não era
Deus. Eles eram de madeira e de pedra. A
assíria havia destruído ídolos, mas
agora ela cometeu um erro fatal.
Imaginou que o Deus de Israel era apenas
mais um deus entre muitos. Senakeribe
tinha uma teologia baseada em seu
histórico militar. Ele havia vencido
outras nações, portanto ele ia vencer
Jerusalém. Mas existe uma diferença
infinita entre destruir um ídolo feito
por mãos humanas e desafiar o Deus que
criou as mãos humanas. Ezequias pede
livramento, mas repare no objetivo da
sua oração. Ele deseja que todos os
reinos saibam que somente o Senhor é
Deus. Agora a crise está no lugar
correto.
Antes o grande problema parecia ser:
Ezequias vai sobreviver.
Agora a pergunta é: o nome de Deus vai
ser gloriado no final?
Isso é o crescimento espiritual. Quando
a nossa oração começa conosco e termina
em Deus. Quando ainda sentimos dor,
ainda nós vemos o perigo, ainda
desejamos o livramento, mas existe uma
coisa maior do que simplesmente o nosso
conforto. Senhor, glorifica o teu nome.
E é nesse contexto que Deus vai
responder. E a resposta vem por meio do
profeta Isaías. Deus mostra que ouviu a
oração de Ezequias e mais do que isso,
responde diretamente à arrogância de
Sanaqueribe. O rei assírio acreditava
que a sua força havia produzido as suas
conquistas. Olhava para tudo que havia
feito e dizia: "Eu fiz, eu conquistei,
eu destruí". Mas Deus mostra uma
realidade que Senaqueribe nunca havia
considerado.
Ele não era o Senhor da história, era
uma criatura debaixo do governo do
Senhor da história. E isso é a
providência de Deus. E aqui precisamos
pensar com cuidado. A a soberania de
Deus não significa que os homens deixam
de ser responsáveis pelos seus atos.
Senakeribe é arrogante, ele é cruel e
ele é culpado, mas ao mesmo tempo suas
ações nunca escaparam do governo de
Deus. E essa é uma das verdades mais
profundas das escrituras. Os homens
fazem escolhas reais, agem segundo os
seus desejos, são moralmente
responsáveis por aquilo e ainda assim,
mesmo fazendo tudo isso, nunca conseguem
colocar o universo fora do controle de
Deus. A Bíblia não nos oferece um Deus
que apenas reage ao que os homens fazem.
Ela nos oferece um Deus que reina. E
isso significa que até mesmo aquilo que
parece caótico para nós continua debaixo
da providência de Deus. O mal não se
torna bom, a dor não deixa de doer, o
pecado não deixa de ser pecado, mas nada
consegue frustrar o propósito final de
Deus. Então, chegamos a uma das, eu
diria, frases centrais dessa passagem.
Deus declara que vai defender Jerusalém
e salvar por amor a si mesmo, por amor a
Davi, o seu servo. Pare nessa resposta
por um momento. Por que que Jerusalém
vai ser salva? Porque seu exército é
poderoso?
Não. Porque Ezequias tomou sempre as
decisões perfeitas, políticas para
resolver os problemas. Nós já vimos que
isso também não aconteceu, porque o povo
de Jerusalém é moralmente superior
também não é. Deus aponta para si mesmo
por amor a mim e aponta paraa sua
promessa. E isso muda a forma como nós
entendemos a segurança do povo de Deus.
Jerusalém não está sendo sustentada, em
última análise pela capacidade de
Jerusalém.
está sustentando, sendo sustentada pelo
compromisso de Deus com o seu próprio
nome e com a sua própria aliança. E aqui
começamos a enxergar o coração da
eleição soberana de Deus. Algumas
pessoas ouvem a palavra eleição e
imediatamente começam a pensar numa
discussão fria, um debate teológico,
perguntas difíceis, mas veja onde essa
verdade
aparece. Ela aparece numa cidade
cercada.
Aparece quando o povo não tem força.
Aparece quando não existe uma saída
visível. Aparece quando a pergunta é:
"Quem vai nos guardar?
E é nesse contexto que a soberania de
Deus se torna um consolo para nós. A
eleição biblicamente entendida significa
a causa final da graça, que a que
significa que a causa a causa final da
graça de Deus não está em nós, nem no
que nós fazemos. está nele, assim como
Jerusalém só tinha ele. Deus não olha
paraa humanidade caída e encontra
algumas pessoas naturalmente mais sábias
ou mais espirituais.
A escritura apresenta todos nós como
dependentes da graça de Deus. Efésios 1
diz que Deus nos escolheu em Cristo
antes da fundação do mundo, segundo o
propósito da sua vontade. A fonte toda
está nele, não em nós. E isso humilha
profundamente o orgulho humano, porque
significa eh que ninguém vai chegar aos
céus e poder dizer: "Eu percebi o que os
outros não perceberam." Ninguém vai
poder dizer: "Eu era espiritualmente
melhor do que os outros". Se fomos
salvos, fomos salvos pela graça, do
começo ao fim. Mas essa verdade, ela
destrói o nosso orgulho, ela também
destrói o nosso desespero. Porque se a
causa decisiva da salvação estivesse em
cada um de nós, a nossa segurança
dependeria da nossa estabilidade.
Se a salvação começasse, porque eu fui
bom o suficiente, então eu ia precisar
continuar bom o suficiente.
Se começasse porque minha fé foi forte o
suficiente, então eu teria que mantê-la
sempre forte o suficiente. Mas se a
salvação começa na graça soberana de
Deus, existe uma esperança muito mais
profunda para nós. O Deus que inicia a
obra é também o Deus que conduz ela até
o fim. Isso não significa que o cristão
se torna alguém passivo. Não significa
que a perseverança nossa não importa.
não significa que nós podemos conviver
tranquilamente com o pecado. A Bíblia
chama o povo de Deus a santidade, a fé,
a obediência e a perseverança. Mas essa
perseverança acontece porque Deus
continua operando no seu povo. Nós
perseveramos porque é porque nós somos,
no final das contas, preservados por
ele. Essas duas verdade caminham juntas.
Deus guarda os seus.
E justamente por isso os seus continuam
crendo. Romanos 8 apresenta essa
segurança de uma maneira impressionante.
Paulo mostra eh uma corrente que começa
no propósito de Deus e termina na
glorificação do seu povo. A força está
em perceber que a mesma mão está
presente do início ao fim.
Deus não inicia a salvação e depois
entrega o restante do caminho. Vai lá,
começa, faz o restante. Ele não diz: "Eu
fiz minha parte, agora veremos se vocês
serão capazes de chegar no fim". Não. A
graça que escolhe é a graça que chama. A
graça que chama é a graça que justifica.
E a graça que justifica é a graça que
persevera.
E é isso que transforma a eleição em um
consolo. Quando Jerusalém olha para si
mesma, ela devia sentir medo. Quando ela
olha pra Síria, ela deve sentir medo.
Mas quando ela olha pra promessa de
Deus, ela encontra o descanso. E isso
não é presunção. Resunção seria
Jerusalém dizer assim: "Somos fortes
demais para cair." A fé diz: "Nós somos
fracos, mas Deus é fiel". Essas duas
frases pertencem a mundos completamente
diferentes. O orgulho vai dizer assim:
"Eu não vou cair porque eu sou forte". A
fé diz: "Eu não tenho força o
suficiente, mas pertence, pertenço a um
Deus que não abandona o seu propósito. E
é por isso que a eleição jamais devia
produzir arrogância, como as pessoas
pensam que poderia produzir. Se a nossa
compreensão da eleição nos faz olhar
para as outras pessoas com
superioridade,
nós não entendemos o que que ela é. A
eleição nos coloca no chão,
tira das nossas mãos qualquer motivo de
orgulho que nós possamos ter, faz cada
um de nós perguntar: "Por que eu?" E a
resposta final não pode ser: "Porque
havia alguma coisa especial em mim". A
resposta é a graça livre, soberana e
imerecida.
E essa mesma graça que nos leva ao chão
diante do Deus.
eh ali diante de Deus e nos permite
levantar a cabeça diante do inimigo.
Porque a nossa segurança não depende do
que nós encontramos em nós, depende de
quem Deus é.
Segunda Reis 19 traz ainda uma imagem
muito bonita ali.
Deus fala sobre os remanescentes de
Judá, criando raízes para baixo e
produzindo frutos para cima. Pense nessa
figura que Deus está falando. Assíria
olhava para Judá e via uma árvore quase
quebrada, cidades destruídas, território
perdida, Jerusalém sitiada.
Aos olhos humanos, tudo parecia prestes
a acabar, mas Deus via raízes ali. Essa
é uma imagem maravilhosa da
perseverança. Há momentos em que nós
olhamos para a nossa própria vida e o
que que nós pensamos? Minha fé está
fraca. Estou cansado. Eu não sei como
vou continuar. É claro, não devemos
romantizar a nossa fraqueza. Precisamos
buscar Deus. ouvir a palavra de Deus,
orar e permanecer na comunhão da igreja.
Mas nunca devemos concluir
que porque nossa força está pequena, o
poder de Deus também está. A árvore pode
parecer pequena, mas existe raízes e
Deus sabe preservar aquilo que ele
plantou.
O povo de Deus
já passou por momentos em que parecia
impossível
que aquela promessa que ele havia feito
continuasse. Israel esteve diante do mar
com o exército de faraó vindo atrás. A
família da promessa esteve escravizada
no Egito e agora Jerusalém está cercada
pela Síria. E em cada momento existe a
mesma verdade. A promessa de Deus não é
sustentada pela força humana. Deus
preserva aquilo que ele decidiu cumprir.
E isso também evita outro erro nosso.
Eleição não significa eh que os meios
deixam de empotar.
Ezequias ora,
Isaías profetiza, o povo precisava ali e
precisa ouvir. A fé ali é exercida. Mas
por trás de todos esses meios
eh que estão ali, existe um Deus
soberano conduzindo o seu propósito. A
soberania de Deus não torna a nossa ação
inútil, ela dá o fundamento à nossa
ação. Nós oramos porque o nosso Deus
reina, pregamos porque o nosso Deus
salva, perseveramos porque o nosso Deus
guarda, descansamos porque o resultado
final não está suspenso na fragilidade
da nossa mão. Então, chega a noite, o
exército assírio está todo ao redor.
Humanamente a gente pode dizer, a
matemática continua a favor de
Senakeribe. Nada indica que Judá
descobriu uma nova arma para agir ali.
Nenhum grande aliado pode aparecer
agora. Nenhuma estratégia militar
brilhante é apresentada para eles
fazerem. E então Deus age. O texto diz
que o anjo do Senhor sai e atinge
185.000
1 homens no acampamento assírio. Quando
o povo se levanta pela manhã, a ameaça
do dia anterior
acabou.
Existe algo profundamente
eh intencional na forma como essa
vitória acontece. Judá não pode tomar
crédito nenhum do que aconteceu.
Ezequias não pode falar da sua
genialidade militar. Os soldados não
podem voltar e dizer: "Nós vencemos
porque lutamos melhor". A batalha que
eles não podiam vencer foi vencida numa
noite por Deus. Enquanto Jerusalém
dormia, Deus estava agindo. E quando o
sol nasce, a única explicação possível
é: "O Senhor fez isso". E isso é graça
do Senhor. Graça não é Deus ajudando
pessoas fortes a ficarem um pouco mais
fortes. Graça é Deus fazendo pessoas imp
para pessoas impotentes aquilo que elas
jamais poderiam fazer por si mesmas.
E aqui nós começamos a perceber que essa
história aponta para algo muito maior,
porque por mais terrível que a Síria
fosse,
ela não era o nosso maior inimigo. Por
mais ameaçador que Senakeribe fosse,
existe uma promessa, uma eh ameaça muito
mais profunda sobre cada um de nós. Nós
não nascemos apenas em um mundo
perigoso, nascemos debaixo da realidade
do pecado.
O pecado não é apenas um conjunto de
comportamentos ruins. É a condição do
nosso coração. É a nossa rebelião contra
Deus. É a tendência de colocar a
criatura no lugar do Criador e buscar
uma vida longe daquele que é a fonte da
vida. É por causa do que o pecado
existe, que a nossa culpa é real diante
do Deus santo. Se não entendermos a
gravidade do problema, jamais poderemos
entender a grandeza da nossa salvação. O
evangelho não diz que éramos pessoas
basicamente boas, precisando de uma
certa orientação. Diz que precisávamos
de vida. Não precisávamos apenas de um
professor, precisávamos de salvador. Não
precisávamos apenas de um exemplo,
precisávamos de um substituto completo.
Jerusalém tinha sequerib diante dos seus
muros. Nós temos o pecado, a culpa e a
morte. E não havia tributo que
pudéssemos pagar.
Nenhuma quantidade de boas obras que nós
poderíamos fazer. poderia comprar a
nossa paz com Deus. Nenhuma religião
poderia apagar a nossa culpa. Nenhuma
moralidade que nós tivéssemos poderia
produzir uma justiça perfeita que Deus
exige. Talvez pudéssem eh pudéssemos nos
comparar às outras pessoas e assim nos
sentimos um pouquinho melhores. Mas a
pergunta nunca foi em momento nenhum se
somos melhores que as outras pessoas. A
pergunta é se somos santos diante de um
Deus perfeitamente santo? E aí todos
ficamos em silêncio, todos pecaram e
estão destituídos da glória de Deus.
Esse é o cerco universal de toda a
humanidade. Nós não conseguimos salvar a
nós mesmos. Talvez agora consigamos
enxergar porque a história de Ezequias é
tão poderosa. Deus precisava fazer por
Jerusalém aquilo que Jerusalém não podia
fazer por si mesma. E foi exatamente
isso que Deus fez eh por nós em Cristo.
Mas exige algo muito mais profundo aqui.
Naquela noite em Jerusalém, o juízo de
Deus caiu sobre os inimigos do povo. No
calvário acontece algo surpreendente. O
juízo também fora ali dos muros de
Jerusalém deveria cair, que deveria cair
sobre pecadores culpados.
cai sobre Cristo em favor do seu povo.
Essa é a diferença que transforma tudo.
Jesus não aparece apenas como um rei
mais forte que Ezequias. Ele é o rei
perfeito. Ezequias falhou. Jesus não
falhou. Ezequias teve momentos em que
procurou outras soluções.
Jesus confiou perfeitamente no seu pai.
Ezequias precisou ser salvo. Jesus veio
salvar.
Ezequias entrou no templo com uma carta
nas mãos. Jesus entrou na história
carregando sobre si a culpa do seu povo.
E quando chegou à cruz, enfrentou
inimigos que nenhum de nós poderia
derrotar. Ele derrotou o pecado, a morte
e a condenação. Ele não fugiu ali. Ele
não negociou ali. Ele não procurou outra
saída.
Ele entregou-se voluntariamente.
Na cruz, Jesus recebeu a punição que o
seu povo merecia. O servo foi
traspassado por nossas transgressões e
esmagado pelas nossas iniquidades.
Então, chegamos ao coração do evangelho.
A mesma soberania de Deus que preserva
Jerusalém por causa da sua promessa,
aparece de maneira infinitamente mais
gloriosa no plano da redenção. A cruz
não foi um acidente,
não foi Deus tentando consertar um plano
que saiu do controle.
Antes da fundação do mundo, Deus já
tinha estabelecido o seu propósito
redentor
em Cristo. E no tempo determinado, o
filho veio, viveu a vida que nós
deveríamos viver, obedeceu onde nós
desobedecemos, cumpriu a justiça que não
poderíamos cumprir e morreu a morte que
nós merecíamos.
Isso significa que a segurança do povo
de Deus não está baseada numa sensação
interna que nós temos. Ela está baseada
num acontecimento objetivo. A cruz
aconteceu, Cristo morreu, o preço foi
pago e o túmulo ficou vazio. E se a
nossa salvação está ancorada numa obra
realizada por Cristo, então a nossa
esperança não precisaar, oscilar na
mesma medida que os nossos sentimentos
estão oscilando. Existem dias e vão
existir que sentimos a nossa fé forte e
existem outros que também vão existir
que quase não conseguimos levantar a
nossa cabeça. Existem dias que nós
conseguimos orar com confiança e outros
que a oração, que as orações parecem
pequenas, mas Cristo não morreu apenas
nos dias em que nós sentimos mais
fortes. A obra dele permanece o tempo
inteiro. Isso não significa que os
nossos sentimentos não importam.
significa que eles não podem nunca ser o
nosso fundamento. O nosso fundamento
é Cristo. E agora entendemos ainda
melhor o consolo da eleição. Se o Pai
escolheu um povo em Cristo, se o Filho
deu a sua vida para esse povo, se o
espírito aplica a obra de Cristo no
coração, então a salvação é do início ao
fim a obra da graça de Deus.
E isso não nos transforma em meros
espectadores do que tá acontecendo,
transforma cada um de nós em adoradores.
Porque começamos a enxergar assim que
até a nossa resposta a Deus é fruto da
misericórdia dele operando em nós. Isso
significa que no último dia não haverá
um único redimido no trono diante do
trono de Deus, podendo dizer: "Uma parte
dessa glória pertence a mim. Toda a
glória pertencerá
a ele." Essa doutrina muda a maneira
como enfrentamos o cerco da nossa vida.
Talvez alguém possa dizer: "Mas eu ainda
tenho medo". Ezequias também teve.
A questão não é se você nunca sentirá
medo. A questão é para onde você vai
levar esse medo. Você vai arrancar o
ouro das portas novamente
ou vai levar a carta diante de Deus?
Essa é uma diferença decisiva para cada
um de nós. A fé não é ausência de temor.
A fé é saber para onde correr
quando estamos tremendo.
Talvez Deus esteja usando algum cerco na
nosso, na sua vida para ensinar
exatamente isso aqui. Talvez você tenha
pedido, Senhor, tira essa situação
talvez de Deus tire. Ele é poderoso para
fazer isso. Mas talvez antes de retirar
da situação, Deus esteja retirando dela
o poder dela governar o seu coração.
Talvez você pensasse que a sua segurança
dependia de uma determinada resposta.
Então, Deus está ensinando que a sua
segurança depende de algo muito maior,
não de você saber como a história
termina.
mas de saber quem governa a história.
Cristãos não são pessoas que sempre
sabem o que Deus está fazendo. Cristãos
são pessoas que aprendem pela palavra
quem Deus é.
Há uma diferença. Nós nem sempre
recebemos uma explicação detalhada do
por estamos sofrendo. Ezequias recebeu
uma palavra específica por meio de
Isaías.
Nós temos algo que ainda que ele não
tinha na sua plenitude. Nós temos a
cruz. E a cruz responde a pergunta mais
profunda que o sofrimento tenta colocar
em nosso coração. Deus realmente é por
mim?
Olhe pro Calvário. Olhe pra cruz.
Deus abandonará aquilo que pertence a
Cristo. Olhe pro Calvário.
Posso confiar nele mesmo quando eu não
entendo? A resposta é: olhe pro
Calvário. Paulo chega exatamente a essa
conclusão em Romanos 8. Se Deus não
poupou o seu próprio filho, mas o
entregou por nós, como não nos dará
justamente ele aquilo que é necessário
para cumprir o seu propósito? Consegue
perceber a lógica que Paulo tá botando
aqui? Paulo não diz que nós sabemos e
saberemos explicar tudo. Ele diz que
existe uma coisa que já sabemos. Deus
entregou seu filho. Então, aquilo que
nós não entendemos
precisa ser interpretado à luz daquilo
que Deus já revelou de uma maneira
definitiva.
O Rabsaquec queria que Jerusalém
interpretasse Deus à luz do exército
imenso da Síria que estava em volta de
Jerusalém. O evangelho nos ensina a
interpretar o nosso eh os nossos
exércitos à luz da cruz de Cristo.
O mundo pode dizer assim: "Olhe para as
circunstâncias e conclua quem Deus é".
Mas a nossa fé diz: "Olhe para Cristo e
a partir dele enfrente as
circunstâncias".
E isso cria uma estabilidade que o mundo
nunca vai conduzir, conseguir produzir
para nós. Não é a estabilidade de quem
sabe que tudo dará certo exatamente da
maneira que nós desejamos, porque aí a
nossa estabilidade está no que
acontecer. é algo maior. É a
estabilidade de quem sabe que Deus não
perderá nenhum daqueles que pertence a
Cristo. Jesus diz que as suas ovelhas
ouvem a sua voz.
Ele as conhece e elas o seguem e afirma
que lhes dá a vida eterna e ninguém pode
arrancar elas da sua mão. Que imagem é
essa para nós? Nós normalmente pensamos
na segurança cristã perguntando assim:
"Será que vou eh conseguir continuar
segurando a mão de Cristo?" Mas Jesus
nos leva à outra pergunta: quem pode me
arrancar da mão dele?
Isso não enfraquece a nossa
perseverança, ela fortalece ela. Porque
agora eu continuo não para tentar me
tornar alguém que finalmente vai merecer
ser guardado. Eu continuo porque eu
pertenço àele que me guarda. Obedeço não
para comprar o amor dele. Obedeço porque
eu fui amado por ele. lutro contra o
pecado, não para convencer Deus que vale
a pena me adotar. Luto como um filho
dele. Procuro a santidade não para criar
uma eleição e para eu merecer uma
eleição. Procuro santidade porque a
graça que salva também transforma. E
assim a eleição e a preservação
não produzem indiferença, produzem, na
verdade no fim humildade. Produzem uma
gratidão em nós, produz uma adoração,
produz um verdadeiro descanso em Deus.
Talvez essa seja uma das coisas mais que
nós mais precisamos aprender. Descansar
em Deus não é cruzar os braços e não
fazer nada. É parar de tentar ocupar o
lugar que pertence somente a ele.
Existe uma exaustão que vem não do
excesso de trabalho, mas do excesso de
uma soberania imaginária que você tem.
Tentamos controlar aquilo que não nos
foi dado a ser controlado. Tentamos
prever tudo, tentamos garantir tudo,
tentamos proteger tudo. E quando
percebemos que não conseguimos,
a ansiedade chegou.
Mas nunca
recebemos esse trono. Deus não pediu que
você governasse o universo. Ele chamou
você a confiar naquilo que
que ele governa. E isso existe de nó
exige de nós a rendição a essa situação.
Porque nós dizemos que queremos paz, mas
muitas vezes a paz que você tá dizendo
que você quer, na verdade, é outra
palavra. é controle. Queremos saber
exatamente o que vai acontecer, quando
vai acontecer, como vai acontecer.
Queremos garantias visíveis diante de
nós. E Deus muitas vezes nos responde
não dando todas as informações, mas
dando a si mesmo, falando: "Eu estarei
com você".
Para a fé verdadeira, isso precisa ser
suficiente.
Não porque as perguntas desaparecem,
mas porque a presença de Deus se torna
maior do que qualquer pergunta que nós
temos.
Agora volte um instante para Jerusalém
naquela noite. Imagine aqueles muros, as
famílias dentro da cidade, os soldados
nos portões olhando as tochas do
exército assírio do lado de fora. Eles
provavelmente não sabiam exatamente como
Deus os salvaria. Não tinham como
imaginar o que aconteceria à noite, mas
a promessa havia sido dada. Eu
defenderei essa cidade. Então,
precisamos atravessar a noite
sustentados por uma palavra. É assim que
grande parte da vida cristã acontece.
Essa é a promessa. E amanhã ainda vemos
as luzes do acampamento, ainda ouvimos
alguns sons, ainda sentimos o nosso
coração acelerar só de pensar no que vai
acontecer.
Mas o nosso Deus falou, existe uma manhã
chegando para o cristão. Essa manhã
final não é apenas a solução de uma
crise temporária,
é a ressurreição. Porque até mesmo
quando o último inimigo, a morte chegar,
ela não tem a capacidade de dar a
palavra final. Cristo ressuscitou e
porque ele vive, aquele que estão unidos
a ele também vão viver. Essa é a
preservação levada até a sua conclusão
mais gloriosa.
Deus não promete simplesmente preservar
a nossa vida confortável. Ele promete
preservar cada um de nós para a glória.
Talvez percamos coisas aqui. Os
apóstolos perderam, os mártires
perderam, cristãos fiéis atravessaram
sofrimentos terríveis.
A preservação dos santos não significa
que Deus vai impedir as dores desse
mundo. Significa algo maior. Nenhuma dor
que você sentir poderá destruir o
propósito redentor de Deus para aqueles
que estão em Cristo. Nem tribulação, nem
perseguição, nem perigo. Nada poderá
separar o povo de Deus do amor de Deus
que está em Cristo Jesus.
Essa é a segurança, não a segurança das
circunstâncias, a segurança da aliança.
Não a promessa de que nunca entraremos
no vale.
A promessa de que nenhum vale vai poder
nos separar do nosso pastor. E tudo isso
nos leva de volta à frase central dessa
passagem. A verdadeira fé nasce quando
Deus leva o homem ao fim da sua própria
força.
Talvez eh
é é ali naquela situação,
porque quando as nossas forças terminam,
descobrimos que a força de Deus eh
nunca esteve dependendo da nossa.
Ezequias podia dormir porque Deus não
dorme.
Jerusalém podia ser fraca porque o Deus
dela não era. As muralhas poderiam
parecer pequenas porque a promessa de
Deus era grande. E nós podemos descansar
não porque somos espiritualmente
impressionantes, mas porque Cristo é o
nosso salvador perfeito. Esse é o
evangelho. O evangelho não diz: "Seja
forte o suficiente para Deus aceitá-lo."
Ele diz Cristo foi forte por você.
Ele não diz construa uma justiça
suficiente para apresentar-se diante de
Deus. Diz que Cristo é a nossa justiça.
Não diz derrote a morte. diz que Cristo
entrou na morte e venceu. Talvez você
esteja diante de uma Síria agora. Talvez
a sua pergunta
tenha sido:
Talvez exista uma pergunta interior em
você. Onde a minha confiança está
descansando?
Talvez Deus resolva a situação que você
espera.
Talvez não.
Mas se você pertence a Cristo, existe
uma coisa que o cerco que está ao redor
da sua vida não pode fazer. Ele não pode
desfazer o propósito eterno de Deus. Não
pode apagar o sangue do filho de Deus.
Não pode quebrar o selo do espírito. Não
pode revogar as promessas de Deus. Não
pode arrancar você das mãos de Cristo.
Então, descanse. Não porque a Síria seja
pequena, mas porque Deus é grande. Não
porque você seja forte, mas porque
Cristo é o suficiente. E quando o
inimigo perguntar em quem você tá
baseando essa sua confiança? A nossa
resposta final não será na minha
capacidade, também não vai ser na minha
fé perfeita, nem na minha história de
obediência. Nossa resposta será Cristo.
Jerusalém acordou naquela manhã e
descobriu que Deus havia vencido a
batalha, que ela não poderia ter
vencido. O cristão olha pro túmulo vazio
e descobre a mesma verdade em proporções
eternas. A batalha que nós não
poderíamos vencer foi vencida. A dívida
que nós não poderíamos pagar foi paga. A
justiça que não poderíamos produzir foi
providenciada.
A morte que não poderíamos derrotar foi
derrotada.
E tudo isso não porque somos dignos, mas
porque o nosso Deus é gracioso. Essa é a
eleição soberana. Não uma doutrina para
inflar as cabeças, uma verdade para
dobrar os nossos joelhos e botar a nossa
carta diante dele. Não uma doutrina para
produzir orgulho, uma verdade para matar
o orgulho. Não uma doutrina para tornar
a igreja fria, uma verdade pra igreja
fazer ela adorar, porque no final de
tudo, a história da nossa salvação não
será a história de como nós seguramos a
mão de Deus com força suficiente. Será a
história de como Deus em Cristo
segurou pecadores fracos e não abandonou
eles. Talvez seja por isso que Deus, de
tempos em tempos, permita que as nossas
mãos fiquem vazias, porque enquanto
estão cheias de pequenas seguranças, não
percebemos quem realmente está nos
segurando. Mas quando o nosso ouro
acaba, quando o Egito não responde,
quando os muros parecem pequenos e
quando a voz do inimigo fica alta, Deus
nos chama de volta para a pergunta
antiga. E ali, quem está no trono? E ele
nos responde: "Eu sou Deus". Então,
coloque a sua carta diante dele. Para de
fingir que você consegue carregar aquilo
que somente Deus pode carregar. Ore,
confie, obedeça aquilo que você já sabe.
Descanse naquilo que somente Deus pode
fazer. Porque a segurança do povo de
Deus nunca esteve nas forças das
muralhas, sempre esteve na fidelidade de
Deus a sua promessa. E agora essa
promessa tem um rosto, tem Cristo na
cruz, lá no Calvário. Deus mostrou até
onde iria para salvar o seu povo. O
filho recebeu a nossa culpa, carregou
nossa condenação, experimentou a morte e
ressuscitou. Por isso, quando todas as
nossas esperanças terminarem,
a esperança verdadeira ainda está em
nós. Quando a nossa força acabar, ainda
haverá uma força. Quando a nossa
fidelidade
fidelidade parecer pequena, haverá uma
fidelidade perfeita, a do nosso Deus. E
é por isso que o povo de Deus pode
atravessar a noite, pode haver um
exército lá de fora, pode haver lágrimas
dentro da cidade, pode haver perguntas
sem resposta, mas existe uma cruz
atrás de nós. Existe um trono acima de
nós, existe um salvador intercedendo por
nós, existe uma ressurreição diante de
nós. Então, a fé finalmente aprende a
dizer: "Eu não sei como Deus vai fazer.
Eu não tenho ideia de quando ele vai
fazer.
Eu não sei por quais caminhos Deus vai
conduzir, mas eu sei quem Deus é nele eu
posso descansar. E às vezes
isso é tudo que teremos.
Mas para aquele que conhece o Deus
soberano, fiel e gracioso, revelado em
Jesus Cristo,
isso é mais do que o suficiente. Porque
quando a fé chega ao fim de si mesma,
ela descobre aquilo que deveria ter
saber desde o início. Nossa esperança
nunca esteve em nós, nunca esteve nas
muralhas, nunca esteve no ouro, nunca
esteve nos reis. Nossa esperança estava
e está e sempre esteve somente em Deus.
E esse Deus mostrou a sua fidelidade de
maneira definitiva no Calvário. Ali o
rei venceu o inimigo que jamais
venceríamos. Ali a graça triunfou sobre
a nossa culpa. Ali Cristo garantiu a
redenção do seu povo. E porque ele
morreu e ressuscitou, todos aqueles que
pertencem a ele estão seguros até o fim.
Não porque sejam fortes, não porque eles
possam fazer qualquer coisa, mas porque
o Salvador deles é forte. Não porque
sejam dignos, mas porque ele é gracioso.
Não porque consigam guardar a si mesmos,
mas porque aquele que os chamou é fiel e
ele os guardará até

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