Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?
09/08/2026
Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?
Live Tesouro Azul
Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?
Argene da Silva – Psicóloga, graduanda em Neuropsicologia e Vice-presidente do Mensa Brasil
Aline Cariri – Psicóloga, graduanda em Neuropsicologia e Mãe Atípica
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Fonte: Com IBNU
Legendas automáticas:
เฮ [música] >> [música] [música] >> Bom dia, boa tarde, boa noite a todos. Sejam bem-vindos mais uma live do projeto Tesouro Azul com apoio da IBNU. Meu nome é Aline Cariri, sou psicóloga, mãe atípica, graduando agora em neuropsicologia e fundadora do Tesouro Azul. Hoje a gente vai ter uma live muito especial, uma live que vai realmente trazer um olhar, olhar para a pessoa, olhar para aquela pessoa que merece todo o cuidado, porque tantas altas habilidades passam despercebidas. Você que tá aqui conosco aqui no chat, coloca sua região, coloca da onde vocês estão falando, coloca também suas perguntas aqui para nós que será um prazer respondê-las. Estou aqui com a convidada muito especial, Argênia da Silva, eh neuropsicóloga, pósgraduando em neuropsicologia e vice-presidente da Mensa Brasil. Seja bem-vinda, meu amor. Se apresenta aqui para nós. >> Obrigada, Aline. Primeiro queria agradecer, né, pelo convite. É sempre uma honra e um privilégio estar aqui com vocês. Adoro, assim, sou fã do do projeto Tesouro Azul. Então, parabéns pelo trabalho. Eh, e é isso. Eu sou, meu nome é Argênio, eu sou advogada, sou psicóloga pós eh pós eh fazendo pós em neuropsicologia e atualmente eu sou a vice-presidente da Mensa Brasil, que é uma associação sem fins lucrativas, sem fins lucrativos voltado para eh pro público de Alto QI. >> Uau! Ja, hoje a gente, eu gostaria de fazer uma pergunta assim primeiro sobre a definição, tá gente? >> Uhum. >> O que são altas habilidades supertotação? >> Eh, existem vários conceitos, né? Então, vai depender muito de qual que é o teórico que a gente vai utilizar para fazer essa definição. Então, se a gente for falar, por exemplo, a teoria de Gardner, tem a teoria das múltiplas inteligências. E a gente vai falar de inteligência desde a cognitiva até emocional, a espacial, a corporal, enfim. tem as múltiplas atividades do garder. Se a gente for falar do ganhé, ele vem trazendo a definição da diferença entre talento eh e dotação, que aqui no Brasil a gente chama de superdotação. Por exemplo, se a gente for falar de do Renzuli, ele vai falar das da teoria dos três anéis, que a pessoa alé teria que ter eh uma capacidade acima da média, comprometimento com a com o assunto, com a matéria e uma uma alta criatividade. Então, cada teórico, ele vai trazer a sua definição. Qual que é a teoria mais aceita no campo científico? É a teoria do CHC, que aí eles vêm com uma outra um uma carga teórica diferenciada no sentido de que é possível mensurar e é possível lidar com aqueles temas de forma escalável, né? Então, a a eh consegue eh a mesma o mesmo teste ou a mesma avaliação que for feito com o indivíduo consegue se replicar para outros indivíduos e chegar a conclusões tecnicamente adequadas. E aí, pelo CHC, ele vai ser analisado tanto a teoria fluída, a teoria eh a inteligência fluída, inteligência cristalizada, a velocidade do processamento eh e outros construtos importantes para que de uma forma mensurável consiga identificar a capacidade daquele indivíduo. Recentemente, acho que faz pouquíssimos meses, agora em junho, 17 de junho de 2026, foi publicada uma lei que trata sobre superdotação, tá? Então, esse assunto também é objeto de lei. E de acordo com lei, com essa lei aqui do Brasil, eh, as altas habilidades, ela é ela é considerada uma condição do neurodesenvolvimento, eh, caracterizada, entre outros fatores, por potencial intelectual elevado, intensa curiosidade, elevada capacidade de aprendizagem, bem como um profundo envolvimento em temas de interesse. E aqui ele menciona inclusive a frequente possibilidade de est acompanhado com uma alta sensibilidade e intensidade emocional. Então alta sensibilidade no sentido sensorial e a intensidade emocional porque é é possível que esses indivíduos tenham essa essas características também. Então acho que essa acho que é uma explicação, apesar de ser bastante superficial, né? Porque vocês viram que eu falei de vários teóricos, então a gente teria que falar um por um para ser mais aprofundado, mas em resumo a isso. Então, eh existem muitas teorias sobre o tema. A mais eh aplicada aqui no Brasil são foi essa que eu falei do CHC. E a gente tem uma lei que se for pensar no campo jurídico, essa lei é a que se aplica atualmente, né, que tá que acabou de ser de entrar em vigor. >> Qual é a lei? Vocês sabem me dizer, Rélio? Como >> a lei que que entrou em vigor, >> a lei Sim, sim. É 15436 que foi publicada em 17 de junho de 2026. >> Ótimo. Nossa, vamos fazer essa publicação aí no nosso Instagram do Tesouro Azul, hein? [risadas] >> Legal. para explicar essa essa nova lei. Excelente, Gen. Eh, é possível, é correto, né, associar altas habilidades apenas com quem é elevado ou quais outros aspectos também são considerados? Você tem como me explicar um pouco sobre isso? É, é, é, é correto associar a pessoa a pessoa que tem altas habilidades, o QI dela é acima da média, né? Eh, de acordo com essa teoria que é a mais tradicional em pensando assim eh internacionalmente falando para as altas habilidades, sim, a gente entende que ali o Q é dentro de um percentil mais elevado, realmente, tá? Quando a gente tá falando do campo pedagógico, eh, esse percentil ele é mais flexibilizado por várias questões, inclusive para dar maior, porque eh eh na verdade, por exemplo, para para ingresso na mensa tem que ser um percentil de 98. é a forma de ingresso, precisa comprovar o percentil 98, eh, que seria, por exemplo, num teste de va ou visc um Q de 130, a partir de 130 de QI. Eh, claro que esse número de QI vai variar de acordo com o teste que a pessoa vai se submeter, porque aí tem variações nos testes, mas o percentil tem que ser no mínimo 98 para ingresso na mensa. Só que uma pessoa com percentil 95, ele já é acima da média. E com base nisso de estar acima da média no campo pedagógico paraas escolas, pro MEC, por exemplo, para efeito de ter direito a uma sala especial, para ter e o o devido acompanhamento, o devido, a devida suplementação escolar, eh, já com um percentil menor é o suficiente porque já está acima da média. Então, então acho que acho que não sei se foi essa a pergunta, mas >> Sim. É porque muitas vezes a pessoa só associa a pessoa com altas habilidades somente com acima da média, mas não vê outros repertórios daquela pessoa, né? A habilidade social, a característica. Você poderia me dar mais uma orientação sobre isso? >> Posso? Eh, sobre então aí a superdotação ou aos autidades vai depender de qual é o referencial teórico que o profissional está utilizando para poder fazer essa identificação, tá? Eh, agora, então é isso. Outra coisa que eu acho que é muito importante analisar também é qual que é o elemento de testagem. Uma avaliação psicológica, uma não é só teste, né? O teste também é utilizado, mas tem uma análise clínica, você tem anamnese, você tem outras formas de avaliar aquele aquele indivíduo. Então, por exemplo, eh alguns testes hoje de inteligência que são considerados padrão ouro, ele é padrão ouro para uma amostra específica da população. Se eu quiser utilizar esse teste de padrão porque é padrão ouro para uma amostra que não é compatível, é claro que não é o mais indicado. Então, por exemplo, se se para fazer o VIS, o VIS, a pessoa tem que tá fazendo universidade. A amostra que foi utilizada para esse teste de inteligência é de pessoas que t curso universitário. Se a pessoa é analfabeta, se a pessoa não tem contato e eh com assuntos acadêmicos, é natural que a inteligência dela seja diferente, não seja no campo acadêmico, seja em outras áreas do conhecimento. Então, é utilizar o V para uma pessoa que não é universitário é um erro e é claro que a pessoa eventualmente pode não ir bem naquele teste, mas porque não é o teste mais adequado para ela. Outro cuidado, a gente, a maioria ou acho que a gente não tem testes eh específicos para uma população surda, entende? para uma pessoa que tem alguma outra deficiência que impossibilite de fazer aqueles testes. Então aí o profissional ele tem que se utilizar de outros mecanismos para aplicar uma testagem mais adequada para aquela população. Então assim, normalmente altas habilidades, a gente de alguma forma vai estar sempre relacionado com a inteligência, né, cognitiva. Eh, e qual que é o problema que a gente vê, por exemplo, quando é uma inteligência musical ou uma inteligência espacial ou uma inteligência corporal? É que a gente, muitas vezes, a gente vê que a pessoa tem aquela habilidade, muitas vezes a gente vê que a pessoa é é genial naquilo, a gente tá vendo é é humanamente impossível. Ninguém mais conseguiu fazer as coisas que aquela pessoa faz, só que a gente não tem instrumentos para mensurar. Então a gente pode dizer muitas vezes: "Nossa, é genial essa pessoa." É, ninguém mais consegue fazer ter esse dom, essa habilidade, mas em termos científicos, eh, vai depender muito de qual que é o referencial teórico que a pessoa vai utilizar, entendeu? Porque a gente, eh, eh, encontra-se outras barreiras e pensando em instrumentos que pode ser utilizado para fazer aquela ferição, né? Mas assim, >> pode falar, >> falar, continua. Mas assim, em síntese, eu diria que eh não existe nada melhor do que um profissional fazendo uma análise do conjunto, porque independente da do referencial teórico que o profissional vá vá se utilizar ali, o que mais importa é o que ele está colhendo de informação durante todo o processo de avaliação. Porque o teste, como a gente já sabe, né, Aline, o teste é só um dos instrumentos de de análise, de verificação, mas ele não é a avaliação em si. que a avaliação tem uma carga muito grande do que o profissional, do conjunto, do que o profissional tá analisando e não só da análise clínica do que ele tá vendo, mas do histórico de vida daqu daquele indivíduo até aquele momento. Então, como que é o comportamento, qual foi o histórico, o que que ele já viveu, o que que ele já produziu, como que é todo um é todo um conjunto que vai ser analisado e não só uma entrevista em si, mas todo um histórico do que aquela pessoa é, do que ela faz, de como faz, de por, como ela sente o mundo, como ela reage para as coisas do mundo. E aí o profissional que tiver fazendo a avaliação vai ser o mais indicado para para poder orientar no caso concreto, né? Porque no caso subjetivo, eh, eu também acho só tentar assim tomar um cuidado para não ficar também uma coisa banal, né, de de enfim, de criar ali alguns equívocos na análise, mas o profissional, a partir do momento que ele conhece do tema e que ele tá fazendo esse processo avaliativo, ele vai analisar muito mais coisas, desde qual que é o teste ideal para ser aplicado no caso concreto até todas as outras questões, que são muitas, né, Line, que são muitas questões que não vem O teste vai vir mesmo com a análise do do da situação do do indivíduo, histórico familiar, histórico escolar, né? >> Então essa análise eh, Argênia, geralmente dura mais ou menos quantas sessões para essa análise? >> Então, depende muito do profissional e do que ele tá buscando ali com aquela avaliação, tá? Então aqui a gente eh primeiro é uma avaliação de uma avaliação psicológica ou é uma avaliação neuropsicológica? Porque um, você tá analisando ali as questões psicológicas, né, do de Sim, eu tô falando da neuropsicológica para chegar a neuropsicológica que aí você vai buscar entender o funcionamento do cérebro e eventualmente tentar ali buscar o rastreio pra terra, para TDH e tal. Em média tem profissionais, eu já vi profissionais que se utilizam de 10 consultas, 12 consultas, às vezes oito consultas. Eh, vai depender muito do caso concreto, porque às vezes a pessoa só, entre aspas, vai fazer uma avaliação neuropsicológica X. Às vezes o profissional entende como sendo mais adequado fazer um aprofundamento em alguma questão, porque tem outras hipóteses levantadas ali que é legal analisar. Tem muitos profissionais que enviam uma parte desses desses testes ou desses eh instrumentos online. Então o o modelo presencial acaba ficando menor, porque aí você só vai presencialmente pra sessão quando realmente precisa, porque aquele teste vai ser presencial, mas uma boa parte de todo o processo avaliativo é possível fazer online e aí só vai presencial quando não tem opção. Alguns profissionais preferem fazer todo o processo na modalidade presencial. Então, vai depender muito de como que cada profissional trabalha e qual que é a demanda que tá se apresentando. Se é criança, então, se a criança, eh, normalmente o profissional quer falar com a escola, quer falar com a família, às vezes vai idealmente, né, vai até o ambiente escolar para entender a realidade daquela criança. Então é difícil falar uma quantidade exata porque não tem essa obrigação no CRP, não tem essa vinculação de quantidade porque cada caso vai ser um vai ser ali de acordo tanto com o profissional, com a forma de trabalho do profissional, como a necessidade daquele cliente, né, ou paciente que é criança e adulto, que tem a demanda um pouquinho diferente porque não tem o ambiente escolar, tem um ambiente familiar que tem que ser ouvido, tem que ser ouvido. ente é sua fala, Argênia, porque assim tem vieram muitos pais aqui no projeto Tesouro Azul, >> que o filho fez três atendimentos com o profissional e ele já veio com diagnóstico de altas habilidades. Você viu a necessidade de uma equipe, equipe multidisciplinar, essa pesquisa com toda essa equipe avaliativa, tanto na escola, conversar com os pais demora mais ou menos uns 12, sei lá, mas que não seja três ou quatro, né? precisa ter uma avaliação mais criteriosa para você chegar com um laudo de altas habilidades ou té espectro autista TDH, mas precisa de ser pelo menos uma avaliação criteriosa, né? De qualquer jeito que faz, né? É, tem alguns profissionais inclusive que só que algumas pessoas vão atrás apenas do laudo de altas habilidades ou superdotação >> e alguns profissionais fazem, né? Então assim, não é a maioria, isso é muito positivo, isso é muito bom. Não é a maioria que faz isso. Por quê? Eh, é, é bom você saber se você tem um autoqi. Pode ser bom, porque é uma parte da gente, é interessante a gente saber, mas existe uma análise muito além do autoi, muito mais completa do que o auti. A gente sabe também que é, infelizmente, não é acessível paraa maior parte da da população fazer uma avaliação completa, porque não é econômico, é caro, porque é um profissional que estudou muito aquele tema e ele vai tempo, né? Como eu falei, são várias sessões, não são duas ou três, são várias. Então é natural que cobre que cobre um pouco mais, mas você paga, mas você tem uma uma análise um pouco mais ampla sobre sobre a gente mesmo, né? Então não só o QI em si sozinho, mas também outras coisas que são muito importantes pra gente fechar esse raciocínio e buscar uma qualidade de vida melhor e maior pra gente dentro da nossa da nossa especificidade, né? que eu não sou igual a Aline, a Aline não é igual, eh, entende? Então, uma um mesmo tendo o mesmo que i, nós não somos iguais, porque a gente vai ter as características inerentes da da nossa personalidade, da nossa eh enfim, né, do nosso histórico e tudo mais. Então, existe eh perfis diferentes de altas habilidades, porque aqui ó, tem uma pergunta aqui, ó, diferentes perfis de altas habilidades, como eles podem se manifestar? >> Tá ali, >> sim. Nesse conceito você quer saber sobre a personalidade, né? Que é bem o que eu acabei de falar de tipo eh a gente tem na mensa, a partir de de um do percentil 98 pode ingressar na mência. E às vezes a gente tá conversando com um colega que tem exatamente o mesmo QI, mas é diferente da gente, porque a gente é ou porque tem TDH, ou porque tem TEA, ou porque tem uma outra dupla excepcionalidade, ou simplesmente porque é um ser humano e aí ele tem a sua própria opinião sobre a vida, sobre o funcionamento. Às vezes um é extremamente sensível numa num eh eh pensando em tato, o outro é extremamente sensível em relação ao paladar. Então, assim, não é o QI, é uma partezinha só. da gente, né? É um dos construtos que são analisados no processo de neuroavaliação, mas a gente tem vários outros construtos que é de atenção, de memória, de linguagem, enfim, que também são importantes e a gente também faz das funções executivas. Às vezes a pessoa tem o auto quei, mas ela precisa ali fazer algum ajuste em relação às funções executivas. Então o UQ é só um construto dentro dessa imensidão que é o a individualidade humana, né? Agora, Eugênia, a gente vai entrar no uma parte do nosso tema também, o que eh pessoas que passam despercebidas, mesmo com tantos estudos sobre o tema, porque ainda há tantas crianças, adolescentes e adultos que não são identificados. Esse esse altas habilidades a gente vai passando desapercebido durante um período do tempo, só lá na fase adulta, como foi você, que aí é percebida essa altas habilidad nesse ser. >> Eu acho que é por um conjunto de coisas. Eu falaria dua duas coisas, pelo menos. Uma que, por mais que a gente ache que tá sendo bem mais falado, porque tá muito, a gente tá falando muito mais do tema hoje do que a gente falava 2 anos atrás, 5 anos atrás, 10 anos que nunca se falava uma coisa dessas. Então assim, então hoje a gente tá falando muito mais do que já foi um dia, mas ainda não tá falando suficiente. Se a gente for e e isso eu posso dizer assim, porque é uma demanda muito constante dos pais das crianças que estão na mensa. Eles chegam na escola para falar sobre os seus filhos e a escola na maioria das vezes não sabe do que do que do assunto, não sabe nem identificar uma criança com autoqi. E se você já chega lá com laudo falando: "Ó, meu filho tem superdotação, tá aqui, tá aqui o laudo". E aí eles não sabem como agir, não sabem o que fazer, porque hoje ainda existe uma subnotificação muito grande de pessoas com autoquei na na sociedade. É muito pouco. Se é se deveria ter de 2 a 5% identificado, basta a gente ver os índices e a gente vê que não tem, mas mas não tem não tem, sei lá, eh não tem, né? A gente não faz um trabalho voltado para esse tema. Então, primeira coisa, eu acho que a gente não fala o suficiente sobre o tema e quando fala, algumas pessoas acham ainda que é presunçoso, é arrogante, que tá tá querendo se mostrar. E não é sobre isso, é sobre uma necessidade mesmo do público, deste público que precisa, eh, de um tratamento específico, que não é melhor, é específico, porque a demanda dele também é uma demanda eh diferente. E eu também acho que um outro motivo é a gente ter estereótipo. A gente tem um monte de mito e tem estereótipo. Mito, isso mesmo. Que ia perguntar. A gente acha, é, a gente acha que uma pessoa com autoqi, ela é perfeita, ela sabe tudo, ela vai bem em tudo, ela não erra. Ela é aquele padrão que usa óculos, senta na primeira fileira da sala de aula, tira 10 em tudo. É >> assim, >> é que tipo, não dá trabalho pro professor. E quando a gente vê na vida real, a maioria das vezes são essas pessoas que mais dão trabalho pro professor, que mais bagunçam em sala de aula, que menos tem paciência para ficar dentro da sala de aula, ouvindo uma coisa que ele já entendeu. Ele não quer ficar sendo torturado ouvindo de novo uma coisa para ele que não tá fazendo mais sentido, porque ele já entendeu. É, muitas vezes vai mal, vão mal na aula porque estão entediados. Então existem vários, tem sim o perfil clássico, que é o que o sonho da maioria dos professores, mas esse sonho da maioria dos professores não é uma realidade que acontece na prática 100% das vezes. Muitas vezes não é esse perfil. E a pessoa nem sempre sabe de tudo. Ele vai saber o que interessa para ele. Se é um assunto que ele não tem interesse em aprender, ele não vai se dedicar aquilo, porque o interesse dele é em outra área que de repente faça mais sentido. Então assim, existem alguns mitos e aí eh e aí fora os mitos tem alguns preconceitos também. Então, por exemplo, se é uma menina, a menina quando vai bem nas na quando ela é comportada e ela vai bem na prova, ela não fez mais do que uma a mera obrigação dela, de uma menina dedicada, de uma menina estudiosa. Quando é um menino, aí é diferente. Quando o menino é top, o menino vai vai perfeito em tudo aí. Ah, que legal, que diferente esse menino que que que nota 10. Mas uma menina não fez mais do que a obrigação dela. Eh, um uma a menina ela também tem mais manejo assim nas emoções em relação a se misturar. Se ela tá vendo que tirar a nota 10 em tudo, tá fazendo ela ser excluída de um grupo que ela quer pertencer, ela faz algum ajuste porque ela ela quer fazer parte de algum grupo. Ela ela tem esse eh eh muitas vezes, né, não é uma regra, mas muitas vezes ela busca essa esse equilíbrio para poder pertencer a alguns grupos. Então, às vezes, ela camufla essa inteligência, ela se permite não demonstrar todo o potencial que ela tem, porque ela sabe, se ela demonstrar o potencial, ela pode eventualmente criar um distanciamento sobre o namorado, sobre o grupo, sobre a, né? Então, também teria essa questão aí do preconceito que as mulheres muitas vezes não se vem na condição de seres inteligentes. Hoje, na mensa, a gente até tem mais mulheres do que foi um dia, mas até pouquíssimo tempo dava para contar as mulheres na nas mãos. Porque, né, na com os dedos das mãos, porque o qual que era o perfil até pouco tempo que uma pessoa inteligente é homem, branco e da engenharia ou de exatas. Porque para ser inteligente tem que fazer cálculo como que um médico é inteligente, gente, antes, um psicólogo é inteligente, gente, mas não tem cálculo, sabe? Então assim, até pouíssimo tempo era branco, >> eh, homem e de exatas. Aí de um tempo para cá, a gente, graças a Deus, a gente começou a a ampliar aumentar o número de informações, a divulgação dos dados e e fazer a aplicação de de teste de admissão na mensa em outros ambientes, em vários ambientes. E aí a gente começou, então aí tem gente todas as todas as áreas, desde a parte de exatas, que é tradicional até a parte artística. A gente tem muitos artistas dentro da mensa, a gente tem muitas pessoas da das ciências sociais, das ciências humanas. Tem de todas as áreas. A gente aumentou bastante o nosso número de mulheres, então ainda não tá em 50%, mas acho que a gente tá em perto de 30, 32%. >> Tá chegando, >> perto foi, né? tá melhor, mas a gente tem que melhorar isso. Mas ainda assim, eh, a gente vê que é uma constante das mulheres não se vem nesse papel de identificam os filhos, identificaam o marido e ainda acha que a inteligência do filho veio do marido, não veio dela. E aí precisa acontecer alguma coisa para que ela se submeta ao processo avaliativo e descubra que ela ela tem auto quei, ela também é inteligente e o filho é inteligente porque ela veio da mãe, é genético. E e comigo aconteceu isso também quando a psicóloga falou que o meu sobrinho tinha auto quei, que ele era supordado >> e e eu já era psicóloga. A e eu pensei: "Bom, o aut é genético, então acho que ele pegou do meu cunhado, porque a sen não se vier da minha irmã existe uma chance de eu ser e não é o caso." Então assim, a gente não se enxerga. A gente é tão perfeccionista às vezes, né? a gente tem tanta autocrítica que a gente não se enxerga como um ser que pode ter inteligência, né, que tem uma inteligência a ponto de ser por dotação. Então, existem esses mitos, os estereótipos, eh, e essa falta de informação. Eu acho que à medida que a gente vai divulgando informação, vai mostrando casos reais, né, de de todas as áreas do conhecimento, as pesso vai começando a se torna um pouco mais próximo da realidade de todo mundo. Não fica uma coisa de que, nossa, ela tem que ser perfeito, não. A gente erra, a gente erra muito, muito. Eh, às vezes a gente brinca humanos é um inteligente assintomático. A gente fala da gente mesmo, tá? A gente fala, a gente fala tanta bobagem, a gente fica pensando, gente, as pessoas acham que a gente só fala aqui nos grupos sobre coisas difíceis, não é? É muita bobagem de brincadeira, né, de uma de coisas leves. E aí a gente brinca e é uma inteligência assintomática, porque antes de qualquer coisa são seres humanos que, né, sendo sendo humanos. E eu gostaria de saber os sinais da exainfância, como quais são os sinais para identificação de altas habilidades, assim que o pai, a professora na escola possa já tá já tá olhando com outro olhar para essa criança para poder ajudá-la na sua infância. >> Eh, é uma coisa muito muito peculiar, a gente vai analisar cada indivíduo mesmo, mas alguns exemplos que a gente pode pensar, tá? aquelas crianças que desde muito cedo usam palavras difíceis, que normalmente os colegas não usam aquelas palavras e do nada sai uma palavra super elaborada. Eh, uma criança muito curiosa que pergunta tudo o tempo todo. Então, às vezes ir assim, gente, eu às vezes eu sai com o meu sobrinho, ele perguntava tudo, tudo, tudo, tudo. chega uma hora você fala: "Mas sério, e não não é pra gente ficar bravo, a gente tem que incentivar, porque isso faz parte do do desenvolvimento, ainda mais se aquela criança tiver superdotação, ela é curiosa, ela vai querer entender, ela quer saber o por as coisas funcionam assim, ela não vai ela não vai simplesmente aceitar uma ordem dos seus pais ou do professor. Ele quer que aquela ordem faça sentido, porque se não fizer sentido, ele vai querer entender por que tá sendo aplicada aquela regra ou aquele castigo, se não faz sentido lógico ou se é injusto. Poxa, tá lá maltrado, mas eu acho injusto. Então não é nem problema daquela criança. que a criança tá lá querendo discutir os direitos do coleguinha, porque coleguinha, >> ele também tem esse senso de justiça, de querer saber o por que o meu colega, o por que esse animalzinho tá sofrendo isso. Isso não é justo. Por que fazer assim? Então, a gente pode pensar desde a linguagem de repertório, né, do vocabulário dessa criança até essa busca pelo que faz sentido e pela justiça. A gente pode nas dúvidas, nas curiosidades que sempre vão aparecer. Eh, que mais? Eh, dessa necessidade de de conhecimento, seja de leitura, seja de outra fonte de conhecimento. Ou então se a criança não tá conseguindo se concentrar na aula, por que não tá? Ah, tá muito chato, eu já aprendi tudo. Então, por que que ela aprendeu tão mais rápido do que o coleguinha? Então, assim, são sinais que a gente pode pensar como um alerta. E e detalhe, tá? Esse confronto que essa criança ter com tem com o professor ou com os pais não é no sentido de ridicularizar ou de não obedecer. A ideia dele não é ser desobediente. A ideia dele é entender, né? fazer sentido. Tanto que assim, se ele vê que o professor ou pai ficou chateado, constrangido, essa criança imediatamente vai ficar triste, porque não é o objetivo da criança. O objetivo é não faz sentido. Então, me explica melhor porque eu tô sendo castigado ou me explica direito porque que eu sou obrigado a escrever 120 vezes o meu nome nesse caderno de caligrafia. Então, a criança vai questionar as coisas de de coisas que >> todas as vezes eu fiz isso, >> não é? [risadas] Mas imagina se alguém nos obriga a fazer isso de novo. A gente, >> ai meu Deus, >> a gente fala assim, não, né, colega, isso é uma coisa. [risadas] >> Uma coisa que curiosidade também, tá, Gene? Eh, uma pessoa com com altas habilidades, ela tem hiperfoco? Ela pode ter hiperfoco, mas não é uma obrigatoriedade ter hiperfoco. O que a literatura diz sobre eh pelo principalmente o Renzul, né, ou outros teóricos também fala sobre o comprometimento com a matéria. Eu eu acho, eu entendo o hiperfoco sendo uma característica muito maior do TEA ou de alguma outra questão ali pessoal daquele indivíduo do que do que a superdotação traga isso. Porque, por exemplo, falando por mim e por vários dos meus colegas, tá? A gente gosta de muitas coisas, mas não é porfoca. A gente gosta esse ano, o ano que vem já mudou o hobby, já é um hobby diferente. Daqui 5 anos mudou um pouquinho mais, mas se a gente for fazer qualquer um, uma dessas coisas, a gente vai ficar focado, a gente vai ficar concentrado e a gente não vai querer sair dali até terminar, até ficar do jeitinho que a gente espera que fique. Então a gente tem esse comprometimento com o assunto, esse comprometimento com a tarefa. Isso, isso é uma característica que costuma estar presente sempre quando a gente tá fal eh eh não é eh não, né? Não dá para ser uma coisa absoluta, a gente não é falar em termos absolutos, mas é comum que tenha o comprometimento com a tarefa quando a gente tá falando de um auto QI ou da superdotação. É agora o hiperfoco como sendo uma coisa constante a, né, por uma vida toda, dinossaura, essas coisas assim, ó, por exemplo, eu tenho um hiperfoco de dinossauro, >> mas é que teve, né, >> né cedo assim, a criança com 5 anos tem que que já tem diagnóstico de altas habilidades e por foco com dinossauro, Pokémon, essas coisas, sabe? Hum. >> Eh, você acha que existe um tempo de de gosto desse desse desses personagens ou se por foco somente a característica de Tra e TDH? Eu então eu entendo que é uma questão posta assim, eu diria que é uma questão de é temporário. Então quando eu era criança, eu tinha alguns hábitos que eram moda e me agradavam muito naquela época, então eu fazia muito. Mas durante aquele x período, passou aquele x período, mudou até os assuntos. Então, por exemplo, agora, hoje eu posso falar com você muito sobre um tema, mas se você mudar do tema, a gente vai para um outro tema. Então não precisa necessariamente ser aquele único caminho, >> ficar naquela rigidez, né, da >> ficar naquela rigidez de de que tá fechado o assunto ou o hobby ou o que me agrada. Então eu acho, principalmente quando é criança, eu não sei dizer, eu me dá a impressão de que tem uma vida toda para dizer se a criança vai manter gostando de dinossauro até enquanto tiver viva ou é uma questão temporária, né? Porque eu acredito que tem uma fase de desenvolvimento também, né? fase de desenvolvimento. Então, é claro que gosta porque é novidade, então tudo que é novidade eh causa uma curiosidade acima do do da média e a gente fica um tempo ali se dedicando àquele aos dinossauros. Pokémon. Algo me diz que o Pokémon é uma moda, né? Eu não sei, não me parece que o Pokémon vai posso estar enganada, mas não me parece que o Pokémon vai durar por daqui os próximos 100 anos, né? Não, não f, né? É porque aí vem outros personagens. É que eu não lembro. Rem. É verdade. >> Por exemplo, na minha época era o Rin, tinha os bonequinhos do Rin. Agora o Rou, mas quanto tempo a gente ficou sem Rin? E eu até tinha esque >> eu tinha esquecido que o Rin existia, mas a minha época era Rin, era Jaspion. >> E era uma fre na época. A gente conseguia imaginar que ia acabar, mas acabou. Agora pode até voltar. Mas e eh então eu acho que o Pokémon é isso, é é a novidade da das crianças. e aí quando passar vai vir um outro um outro personagem que vai também chamar atenção. Agora eu acho que é farmar aura, né, Aline? Eu acho que o Pokémon tá perdendo para farmar aura. [risadas] Então, >> então é isso. >> Eu aqui em casa tem Pokémon. Pacman é Naruto. [risadas] Personagens que o meu personagem acabar aqui mostrando mesmo. O meu personagem é Pica-Pau. >> Ai, então a da minha época o Pica-Pau. A gente pica-pau, cavalo de fogo. A, então assim, ah, mas é um hiperfoco, não. Eu tinha um comprometimento com aquele desenho que todos os dias eu assistia aquele desenho porque era muito legal para mim. Então eu não perdi o cavalo de fogo, eu não perdi o pica-pau. >> Ah, eu também amava cavalo de fogo. Olha, >> é, é um hiperfoco. Não sei, porque quando parei de assistir a minha vida foi tranquila. Eu não tanto que eu nem sei quando que eu parei de assistir, porque foi um movimento natural. A gente gosta de algumas coisas hoje enquanto a gente tá vivendo aquelas coisas. E se a gente muda e vai para uma outra tarefa, a gente aprende a gostar da nova outra tarefa, um outro desenho, uma outra moda, né? É diferente de você insistir ali, você, se você substituir aquele obrigatoriamente tem que ser um outro parecido, né? Então eu não vejo assim que tem essa rigidez, quando a gente tá falando só de auto quei, tá? Eu acho que não tem essa essa rigidez cognitiva. É um comprometimento com a tarefa que enquanto fizer sentido ele tá ali. Quando cansar muda, muda. Se tiver um outro mais atativo, muda. Mudou a idade, mudou a fase, aí naturalmente que a gente vai mudar o interesse, né? A gente tem uma pergunta aqui que tá dentro da nossa temática, eh, da Fabiana Esperdião. Ela é do projeto Tesouro Azul também, nossa preciosa. [risadas] Eh, como diferenciar uma criança com altas habilidades de uma criança que apenas apresenta dificuldade ou interesse por determinado assunto? Como diferenciar a criança que é porque a criança com altas habilidades, eh, eu não sei se eu entendi a a pergunta, >> como diferenciar uma criança quanto as habilidades de uma criança que apenas a presença apresenta facilidade ou interesse por um determinado assunto. >> Ah, facilidade. OK, agora eu entendi. Perfeito. Que eu tava entendido que não tem interesse por OK. Eh, ficou melhor agora sim, eh, facilidade. Eh, então por isso que vai depender muito de qual que é o referencial teórico. E aí, quando a gente tá falando, por exemplo, do CHC, aí tem toda uma forma de mensurar isso, eh, porque é muito mais amplo, né? Você vai, você vai analisar um construto de uma forma mais científica. No dia a dia eu vou eh normalmente, tá, normalmente um superdotado ele não gosta só de um assunto, ele tem a tendência de ser curioso, ele pode não gostar de tudo. Então, por exemplo, eu não sou da área de tecnologia, que até pouco tempo eu falava informática, porque da minha época eu chama, então assim, a parte de tecnologia, eu não tenho nenhum interesse, então dificilmente eu vou estar me aventurando em coisas de tecnologia porque não é a minha área de interesse. Mas eu estudei direito, eu estudei psicologia, eu gosto muito de medicina, eu gosto muito de muitas outras coisas que sinaliza que eu sou uma pessoa curiosa. É, ah, mas a pessoa precisa ser assim. Pode ser por assuntos diferentes, mas normalmente alguém com superdotação, ela vai ter vários interesses, não é um único interesse. E se for um único interesse, ela vai buscar a perfeição de de ir profundamente naquele tema. Então, ainda que ela se dedique a uma coisa só, mas não é de forma superficial, ela vai estudar profundamente, então possivelmente ela vai buscar um mestrado, um doutorado, ela vai ser especialista naquela área de atuação dela, né? Então, é que é diferente de, ah, eu só conheço isso porque eu só gosto disso. Se ela só gosta daquilo, provavelmente ela vai se aprofundar todo o tempo que ela usaria para aprender várias outras coisas, ela vai aprender eh num único numa única área do conhecimento, mas de uma forma com excelência, assim, com uma expertise muito grande. Eu não sei se eu respondi, mas assim, ah, não é que você respondeu sim, Je. Acredito assim que você respondeu. E qual é a o aqui é qual é o momento indicado para buscar uma avaliação especializada? Qual é o melhor momento? Qual é o período de idade que você acha que seria necessário para essa avaliação? >> Tá, eu vou falar como psicóloga. Eu acho que é chiquérrimo quem investe em psicologia. Eu acho que é chiquérrimo a gente poder investir, não é, Aline? Eu acho que é assim, as pessoas famosas e e ricas, elas falaram: "Ah, na minha terapia, na minha análise, eu acho chiquérima, porque a gente tem o hábito de fazer eh exames periódicos para saber fazer um checkup, para saber se a nossa saúde tá boa. E a gente não cuida, muitas vezes a gente não cuida da nossa saúde mental e que deveria ser tão importante quanto a saúde física, até porque uma pode sim interferir na outra. E a gente não tem essa cultura porque a gente acha que tem que procurar um psicólogo só quando tá com algum problema, né? E quando eh eh eu acho que a gente poderia procurar sempre. E aí eh quando a gente procura um um profissional da área de normal a gente procura quando tá com algum problema, né? E aí a gente tá falando aqui do Qi, mas normalmente quem tem superdotação ou altas habilidades ou aut, ele não vai atrás para buscar o aute. Ninguém acorda um dia e fala: "Ah, eu acho que eu sou Albert Einstein dessa geração e eu vou procurar um psicólogo para testar isso para mim". >> Ninguém faz isso. Normalmente a gente tá com alguma outra demanda >> e a gente procura um profissional que faz um encaminhamento e aí às vezes faz um encaminhamento para outra coisa. Eu lembro que eu procurei um, eu tinha procurado um médico, ele achou que eu tava, que eu tivesse autismo, ele encaminhou para outra coisa. Eu falei, mas eu acho que não é autismo ele me encaminhou e aí eu realmente não tenho autismo. Eh, mas aí eu descobri o QI. Então, normalmente, quando a gente procura, não é para para identificar o nosso QI, é para identificar outras questões. Por exemplo, questão da memória. Poxa, seria maravilhoso a gente conseguir fazer uma avaliação neuropsicológica, porque a gente vai analisar memória, linguagem, atenção. E a gente quando a gente tem uma uma visão real e completa sobre o o funcionamento do nosso cérebro, a gente consegue criar hábitos mais saudáveis e estimular as partes eh do cérebro que não estão adequadas, que não estão funcionando como deveria. E eh prevenir ou pelo menos retardar uma eventual demência, pensando em adultos, né? Eventual demência. a gente, se se a gente tá falando de uma criança, eh, melhorar técnicas ali para melhorar a atenção, para melhorar a memória. Então, eu sou suspeita para falar o melhor momento. É claro que normalmente a gente procura quando a gente tá precisando, né? A gente tá com algum problema. Mas conversem, como a gente tá falando de criança, conversem com suas crianças, elas sabem, elas vão orientando. Se elas não estão falando verbalmente, pelas brincadeiras a gente consegue ter uma ideia das necessidades dessas crianças. pelo menos para encaminhar, encaminhar para um fono, encaminhar para um psicólogo, eh pedir uma opinião médica. E aí, de acordo com os sinais que as crianças estão apresentando, a gente busca um encaminhamento para ver se tem alguma coisa que a gente possa fazer para melhorar a qualidade de vida daquela criança, assim como a gente faria com a gente, né? Eu procurei, por exemplo, quando a minha memória começou a ficar muito ruim, eu comecei a ter a ter brancos. Eu nunca na minha vida sabia o que que era branco. E tipo, tô aqui falando e eu esqueci o que eu ia. Nunca tinha acontecido isso comigo. Então, comecei a ter brancos, eu consigo comecei a ter problema muito grande de foco, eu não conseguia focar, coisa que eu não sabia o que que era. E aí eu procurei ajuda. De fato, eu tava com burnout, de fato, eu eu precisava mesmo de de cuidado. Eh, mas aí junto com isso teve o laudo do Auto Qi. Então, por isso que eu falo, às vezes a gente espera estar precisando para buscar ajuda, sendo que o ideal seria a gente tá nesse acompanhamento e mesmo antes dessa desse momento mais delicado, a gente já conheceu o nosso funcionamento, né, antes de de estar no momento dramático da vida. >> Então agora, Eugênia, a gente vai entrar agora sobre a dupla espionalidade. O que seria a dupla espionalidade? A dupla excepcionalidade seria eh alguma condição que esteja junto com a superdotação ou altas habilidades. Então, a superdotação ou altas habilidades não é diagnóstico, porque não é doença, tá? Então, é uma condição do ser humano, ele nasceu daquela forma, ele nasceu assim, eh, mas às vezes vem junto com alguma algum outro transtorno ou alguma outra questão ali de saúde mental que está junto com a superdotação. Então, a gente chama de dupla excepcionalidade ou até tripla excepcionalidade quando é mais do que uma uma diagnóstico junto com a superdotação. E aí esse fator às vezes e eh pode ou não, né, dificultar um pouco no diagnóstico porque ele tem um auto Qi, ele tem um auto QI junto com uma eventual dificuldade em de alguma forma, né? E aí o aut ele pode criar estratégias para camuflar essa segunda, essa dupla excepcionalidade ou mesmo a dupla excepcionalidade pode >> parar a superdotação, porque aí a pessoa poderia ser brilhante e ela eh pelas dificuldades que ela enfrenta com essa segunda, essa dupla excepcionalidade, aí fica mascarando aquele brilhantismo daquela pessoa. E eu tô pensando assim, mascarando no sentido de que se ela soubesse que tem aquela dificuldade, aquele outro transtorno e ela se medicasse ou criasse técnicas eh utilizasse técnicas específicas para melhorar o funcionamento que tá sendo dificultado pelo transtorno, provavelmente aquele aquela alta capacidade cognitiva ficaria com o destaque que deveria ter, né, de de uma maior eficácia, uma maior eficiência em questão de processamento cognitivo. >> Ah, então o a tusabilidade ela pode coexistir tanto com T, TDAH, outras condições de neurodesenvolvimento, >> pode e também com com transtorno específico de aprendizagem também, assim como a pessoa pode eventualmente ter outros transtornos psiquiátricos, algum transtorno do humor. Então ela pode ser bipolar, ela pode ter ser borderline, ela pode ser tudo que tá dentro ali do DSM é possível que coexista com o auto QI, porque são coisas diferentes. Então uma coisa a gente falar do construto inteligência e outra coisa é todo o resto que que que está em volta do ser humano, né? Que formas >> menos com deficiência intelectual, né? menos porque o deficiente intelectual significa que ele tá num extremo. Eh, quando a gente faz a mensuração da inteligência, ele tá num extremo, então ele tem uma deficiência intelectual, então ele não poderia ter deficiência ao mesmo tempo que ele tá acima da média. Então ou ele tá acima da média ou ele tem deficiência. Não é possível ter os dois. Então isso é incompatível. Mas transtorno de aprendizagem ele pode ter >> dislexia, eh, discrafia, descalculia. pode e acontece. >> Acontece sim, acontece. E aí é também eh é claro, né? Existem alguns sinais e aí a família eh eh provavelmente perceba e busque o acompanhamento. Mas também é possível que por a criança ter ou mesmo adulto, por ter um auto QI, ela consiga criar estratégias para tentar minimizar os impactos do transtorno específico de aprendizagem. Mas a qual preço? Quanto custa isso? Porque é um sofrimento paraa criança. Se ela tem dislexia, por exemplo, tem vários dislexia ou então descalculia, tem vários impactos que pode ter emocionalmente para aquela criança que ela tá vendo a dificuldade dela e ela não sabe explicar, ela não sabe como resolver e aí ela cria estratégias para reduzir [roncando] os impactos disso. Então, sei lá, por exemplo, dislexia, criança vai ter grande dificuldade para para ler e para escrever, por exemplo. É, então ela pode focar muito no auditivo, ela presta atenção no professor, ela tem uma memória muito boa, porque muito provavelmente essa criança tem uma memória boa e aí ela consegue não zerar na prova, mas ainda assim a qual preço? Eventualmente vai ter que fazer uma prova verbal, prova oral. Então ela provavelmente vai bem na prova oral, mas não na escrita, porque ela vai ter dificuldade para escrever. Mas assim, qual que é o sofrimento de uma criança que ela extremamente inteligente, com o capacidade cognitiva altíssima e ela não consegue escrever ou não consegue ler porque mistura as letras, as palavras e ela não consegue ter a compreensão que ela tá vendo que o colega consegue com facilidade e ela não tá conseguindo. É desesperador, né? é muito, cria outros impactos a longo prazo para essa criança. Então, se a criança tem eh ela precisa, se se existe essa suspeita, essa hipótese, o ideal é procurar um profissional, fazer avaliação e e seguir a risca as indicações do profissional, porque aí o profissional vai dizer, né, vai encaminhar, se precisar de um medicamento, ele vai fazer o encaminhamento para um médico, se for necessário, eh vai conversar com a escola para pensar em estratégias para poder adaptar a realidade daquela criança para que ela consiga ali minimamente, pelo menos, eh, conseguir consir eh ter o desempenho escolar necessário, tá? Mas não eh infelizmente, infelizmente assim, porque o ideal seria que não acontecesse, mas pode sim acontecer. E a gente dentro da mensa tem alguns casos sim de pessoas com alto QI, mas que tem dislexia, tem descalculia, então vai mal em cálculo. Pessoa brilhante para um monte de coisa, brilhante para para tudo, mas não consegue fazer cálculo. É uma descalculia. e assim vai, né? Então pode pode acontecer, >> pode acontecer, né? Uma coisa que que eu tenho bastante dúvida assim, tá? Porque a gente fala, a gente tá falando, ai meu Deus, fugi agora o nome. >> Especionalidade. Menina, não saí aqui, tô precisando de fono. [risadas][suspirando] Então, uma uma uma pessoa com altas habilidades, só altas habilidades, ela pode ter dificuldade social, >> não é? uma característica do da super de alguém com auto Qi. Ele não tem por si só, tá pensando só no auto QI. Isso >> isso isso não é motivo para ter dificuldade de socialização, a não ser que ele tenha outras, uma dupla excepcionalidade ou uma outra questão eh que a gente não tá considerando aqui. A só o autoquei por si só, ele não gera problema de sociabilidade. O que pode acontecer? seletividade. Então, se aquele assunto tá muito chato, ele só não vai querer fazer parte. Eu já entrei em festa que eu preferi ficar sozinha sentada numa mesa, porque eu falei: "Ai, meu Deus!" E aí as pessoas achavam que eu tava chateada, que eu tava achando péssimo, porque eu tava sozinha. Eu pensando não, eu só quero ficar sozinha, porque a gente eh se o assunto não tá fluindo, então eh aí a pessoa tem uma pode, dependendo do ambiente que ela tá, ela pode ser seletiva. Então isso acontece com criança. Já vi, por exemplo, dentro da mensa uma mãe que foi para um evento numa escola e aí era um evento de criança de alto quei e aí aquela mãe já tinha falado que ah, ela não sabia mais o que fazer com o filho porque o filho não interagia, tinha problemas sociais e o psicólogo disse que não era autismo e ela não sabia o que fazer porque a criança não brincava, não gostava da escola e aí levou o filho dela pro evento. A criança da hora que chegou até antes de ir embora, a criança não parava de pular, de brincar, de bagunçar, de correr, porque ela encontrou outras crianças que faziam sentido para ela, entendeu? Então, porque quando a gente tá com um amigo e até os nós adultos, né, Line, quando a gente encontra alguém papo flui, a gente a gente não quer ir embora, a gente atrasa nosso compromisso, mas a gente fica ali batendo papo naquele evento porque tá agradável. quando o papo não tá fluindo, quando a gente tá num grupo que os assuntos são muito diferentes do que a gente gostaria que fosse, então eh não é tão agradável assim. E aí no público de Autoquei a gente vê que existe uma, pode existir essa rigorosidade assim maior mesmo de seleção, de falar: "Ah, eu não quero participar desse grupo". Mesmo dentro da mensa, dependendo do grupo que é, as pessoas saem, fala: "Ah, tá muito chato aqui". Mesmo estando dentro da mensa. Por quê? Não é só ter auti, é o assunto tá interessante. Interessante. >> O assunto não tá interessante. Ah, não, não. Esse grupo aqui eu vou sair, eu entro lá no outro que tá melhor. É nesse sentido. Não é o auto que por si só ele não significa problema social, mas daí precisa ver se a pessoa quer se socializar. Quando não quer, acontece isso. Ah, não quero participar desse grupo e sai e ou senta isolado, porque é melhor estar sozinha do que tá num grupo que eventualmente não faz muito sentido. >> Nossa, excelente. Ah, Fabiana falou aqui que você respondeu a pergunta, a questão dela, tá? [risadas] >> E eu queria fazer a pergunta agora na nos aspectos emocionais, tá G? Quais são os desafios emocionais que costumam ser frequentes em pessoas com altas habilidades? >> Tem vários, né? Eu vou vou falar só pensando nas altas habilidades, sem pensar em dupla excepcionalidade juntos. >> Não, dupla excepcionalidade. A gente vai, vamos entrar agora foco só >> altas habilidades. >> A gente tem uma questão que costuma eh eh ser frequente, que é o perfeccionismo ou autocrítica. Então, a gente sempre busca fazer da melhor forma possível. se não fica bom, a gente se critica muito, a gente se, né, se culpa muito. Então, existe essa essa questão. Eh, a sensibilidade, então é tudo muito intenso, é intenso e muito sensível. Então, e a e a sensibilidade, a gente pode falar tanto a sensorial quanto a emocional mesmo. Então, de sentir com uma dor um pouco diferente, né, de sentir um pouco mais profundo ali algumas coisas. E aí, como a a o processamento cognitivo ele é muito rápido, esse sofrimento ele vem muito rápido também. Então a gente eh costuma sentir padrões, assim, como que os padrões acontecem, se alguma coisa foge do padrão, a gente tem a tendência perceber muito rápido que fugiu do padrão e que tem alguma coisa eventualmente errada. Então essa sensibilidade junto com essa autocrítica constante, junto com com essa intensidade de sofrer, sofre mais ou é mais feliz, então tem essas intensidades, eh, costumam estar presentes, né? Tem outras questões >> busca perfeccionismo, essas coisas. >> Como >> busca perfeccionismo, a pessoa com altas habilidades, a perfeição. >> Sim. >> No geral, >> porque quando chega nessa fase assim, tô buscando a perfeição, não tô tô tendo bastante dificuldade de ansiedade porque eu quero buscar como que lida com isso? Você você tem me orientar sobre isso? Eu [risadas] acho que assim, no geral, no geral a própria pessoa, ela busca mecanismos para conseguir eh equilibrar a situação e conseguir fazer o que precisa ser feito. A procrastinação é o melhor exemplo, né? Porque aí a pessoa vai procrastinando, procrastinando. A melhor forma de lidar com o problema, enrola o máximo que pode. Isso é muito presente. >> Procrastinação tá sempre muito presente nesse público de auto quei. Aí vai enrolando, vai enrolando. Aí quando não tem jeito que sair tá bom. Porque aí já não tem mais tempo mesmo para fazer melhor do que aquilo. E [risadas] então a gente vai, >> mas é importante procrastinar para chegar lá na frente, falar: "Não vou ficar perfeccion sendo perfeccionista nesse assunto." [risadas] >> Sim, mas >> entregou, entrega logo. É uma coisa que acontece no público a procrastinação, mas não que seja uma coisa boa, porque aí realmente eh o ideal é a pessoa fazer com antecedência, porque sempre é possível melhorar mesmo. O ideal é que a gente tenha tempo para fazer isso. Então, o que eu quero dizer assim, a pessoa faz e faz da melhor forma possível. Se vem uma crítica, ela vai assumir essa crítica para ela e e vai ser profundo porque, poxa, ela se dedicou tanto e não ficou bom. Ou então ela própria se critica, porque ainda eu já fiz algumas coisas que assim, um monte de gente elogiou e ainda sim eu falei: "Poxa, mas se eu tivesse feito tal coisa diferente, eh, teria sido melhor". E aí o pessoal elogiando e eu não tá bom, porque no meu, no meu filtro não tava bom. no meu filtro, eu sabia que eu poderia ter feito melhor. Então, eh eh essa autocrítica é no sentido de que sempre ela a gente tem uma uma, por exemplo, eu tô falando com você, é muito comum a gente ir fazendo um scan, né, e e processando o que eu falei para ver o que que tá de errado no que eu falei, para tentar consertar o que eu falei. Aí a gente fica em tempo real essa análise crítica. E aí quando a gente percebe que a gente falou, já aconteceu comigo, falei e para eu corrigir vai ser pior do que se eu não corrigisse. É, dói assim no peito, putz, mas vai ficar errado isso. Daí eu não tenho chance de de corrigir porque vai ficar pior. Então quando a gente faz e ao mesmo tempo que a gente faz ou que a gente fala, a gente tá ouvindo o que a gente fala ou a gente tá vendo o que a gente faz. E se alguma coisa não tá ali dentro do padrão que a gente espera que esteja, a gente se cobra de que, poxa, por que que eu usei essa palavra que era inadequada ou por que eu usei essa afirmação, sendo que tem uma exceção para essa regra e eu esqueci de falar da exceção e ficou só a regra, entendeu? Então a gente acaba se cobrando eh às vezes com maior sofrimento, às vezes com menos sofrimento, né? Não que isso seja um grande problema, porque aí o que torna um problema maior ou menor são outras questões que a gente falou, né? O ser humano ele é muito complexo. Então o que eu tô falando é do auto quei, mas se eu tenho um repertório no campo dos afetos bem trabalhado, bem elaborado, eu vou me acolher dentro desse sofrimento que aí eu passa desapercebido. Só fico, poxa, por que que eu eu falei da regra sem explicar exceção? E aí, mas eu fico bem porque, ah, eu tenho um repertório aqui no campo do das emoções que que me acolhe, que tá tudo certo, mas se a pessoa não tem esse manejo, não tem não tem esse eh eh essa estratégia, aí ela sofre mais do que o outro que conseguiu deixar passar desapercebido por aquela aquele problema. >> E os relacionamentos da pessoa contra as habilidades? Então aí assim a gente eh a gente a >> eu curiosa já querendo [risadas] normal uma estatística que mostra que pras principalmente paraas mulheres é mulheres com autoquei t uma dificuldade muito grande de se relacionar com um homem que não tenha uma alta inteligência. Então, normalmente, quando a gente identifica uma mulher de autoquei, existe uma grande probabilidade do parceiro dela também ter autoquei, porque se não tiver, não, provavelmente não vai durar muito a relação, porque a a mulher precisa de de muita coisa, em demanda de muita coisa, ela acaba sendo mais crítica para fazer essa análise, né? E aí, eh, o, o é uma população intensa, é uma população, muitas vezes intensa, muitas vezes eh muito sensível. Então, o ideal é buscar, existe uma probabilidade, inclusive de de que essas pessoas tenham uma grande empatia, né? Então, muito uma grande empatia que se não tomar cuidado com essa empatia, ela pode berar o disfuncional. E qual que é o problema disso? ter relações com narcisistas, com pessoas que eventualmente venham trazer mais problemas para essas pessoas que por excesso de empatia, né, a pessoa se coloca ali em alguns riscos porque ela não vê aquela maldade que que, né? Eh, então eu acho que assim, assim como qualquer ser humano, né, qualquer ser humano, as dificuldades existem dentro dos relacionamentos. Com isso, ainda assim a gente vê dentro da mensa muitos casais que aparente, porque casamento é a gente pode falar de aparência, né? Aparentemente são relacionamentos muito bons, muito saudáveis. Então, aparentemente o público da mensa, eu não vejo grandes diferenças em termos de relacionamentos em relação a a outras pessoas por aí. O que eu trago é mais assim algumas características que eu vejo da intensidade, do excesso de empatia. E aí essa empatia às vezes coloca a pessoa em risco de estar em relações com narcisistas ou ou outros tipos de de manipulações e aí o o relacionamento se encerra, mas há um custo alto para esse superdotado, porque ele é muito intenso, né? E ele sente de uma e ele acha que é injusto e aí ele fica questionando se é justo, se não é injusto. E não é sobre isso, porque a gente tá falando de um narcisismo, então não é sobre justiça, é sobre diagnóstico psiquiátrico, né? Então, mas assim, eu diria que o ideal para essas pessoas, principalmente para as mulheres, é buscar parceiros que esteja ali entre os seus pares, né? Ainda que não tenham que ir lá no percentil que a mensa pede, mas que sejam pessoas que tenham um repertório que acompanhe minimamente essas mulheres, né? >> Sim, excelente. Eu fiquei curiosa, falei: "Ah, vou perguntar". [risadas] >> É uma é uma pergunta delicada, né? É, é lind curiosa. É lind mesmo. Tô curiosa. [risadas] Aia, agora a gente vai entrar no contexto escolar, tá? Com qual o papel da escola na identificação e no desenvolvimento dessa desses estudantes de altas habilidades? >> Eu acho que é total. Eu acho que é extremamente importante, porque é claro que a família poderia já observar muitas coisas, mas a gente também sabe que a maioria não tem conhecimento suficiente para fazer esse tipo de análise. E na escola que as crianças, na maioria das vezes, vão aprender as coisas, ou a ler e escrever, ou a um assunto específico, ou a fazer cálculo, ou a a brincar, muitas coisas as crianças vão aprender na escola. E ali o professor, principalmente se ele for um um tiver qualificação nesse olhar, né, em relação a esse a essa identificação de de das necessidades das crianças, ele consegue ver diferenças entre uma criança e outra. ele consegue ter pelo menos para poder fazer um encaminhamento. Porque quando um professor identifica que uma criança ela tá com desenvolvimento acima da média, ele não precisa de laudo psicológico para fazer o encaminhamento. Ele pode apenas levar pra equipe pedagógica e falar: "Olha, essa criança precisa de atendimento especial. Ela tá com com uma performance acima da média. Eu quero que essa criança, ela se envolva em outras atividades escolares, porque ela tá demandando isso, ela tem um desempenho altíssimo e mesmo sem estudar, não presta atenção, fica bagunçando, fica atrapalhando a aula. Eu tô vendo que ela tá aprendendo tudo, mesmo não participando, ela tira uma nota boa em tudo. Eh, então assim, o professor fazendo essa identificação é maravilhoso. Eu acho que quanto antes uma uma um indivíduo descobre sobre quem ele é, como ele funciona, melhor para ele identificar mecanismos para ele ter uma qualidade de vida maior, né? Então, a uma criança e eu vou falar por mim, eu vou falar por por inúmeros relatos que eu ouço dentro da mensa para quem se é identificado só na na vida adulta. É muito sofrimento na escola e muitas vezes a gente não tem noção desse sofrimento porque a gente não sabe que era possível não ter esse sofrimento, porque a gente acha que a gente é estranho, que a gente que é errado, que a gente é chato. E por isso que os colegas não gostam da gente, porque o problema tá na gente. Então a gente não sabe as crianças, né? mal conseguiria pedir ajuda pros pais porque acha que o problema tá nele. Então, se a professora identifica isso, ela faz o encaminhamento, eh, tiraria um peso dessas crianças durante uma vida toda para cri para não precisar da desse adulto, tá no momento de vulnerabilidade emocional, com burnout, com depressão, com síndrome do pânico, com uma tag, com outras questões mais sérias para daí sim vai procurar ajuda. E aí descobrem que ela tinha altas habilidades desde sempre e nunca ninguém olhou para isso. Eu já tive pós, que eu eu lembro que eu fiz uma apresentação em sala de aula na pós e aí o professor pediu para eu redigir aquilo em forma de artigo e eu sabia de cabeça. Então, tipo, eh, eu fiz em em duas horas eu escrevi um artigo. Em duas horas eu escrevi um artigo científico, foi publicado em três revistas no renomadas assim do direito >> e ninguém pensou que pudesse ser uma coisa que foge do normal, que não é o comum que que alguém redija a primeira, sabe? Mandando e-mail, >> entendeu? E aí eu fiz, mas eu fiz, eu quando e quando eu escrevi, eu nem sabia para que que era. Ah, para publicar, mas nem sei o que que é isso. Na época eu nem eu não tinha muito contato com isso porque não era a minha realidade, porque eu não tava ali envolvida no mundo acadêmico de falar: "Ai, vou viver disso". Então, só fiz o artigo que ele pediu, mandei e foi publicado em três revistas de renomes dentro da área jurídica. E aí, e assim e várias, várias vezes aconteceram coisas na escola, na faculdade, na pós e nunca ninguém me encaminhou para fazer uma análise dessa, entende? Então o professor se ele tem uma visão qualificada é bom porque ele consegue melhorar a vida de centenas de pessoas. Aqui eu tô falando da superdotação, mas pode ser um TEA, pode ser um TDAH, pode ser uma dislexia, pode ser um problema de visão. Às vezes a criança não tá conseguindo enxergar a lousa e ninguém vê que ela precisa de óculos. Então assim, quando o professor ele ele tem e e claro, gente, eu tô falando de uma forma bem >> olharoso, né? >> É, eu tô falando dentro de um mundo ideal, porque eu também sei como que é a vida do professor. Sei não, né? Eu tenho uma ideia que não é muito desafio, desde falta de tempo, desde falta de mão de obra, porque tem poucos professores para a necessidade do que a gente precisa. A remuneração não é o ideal e ainda muitos professores têm que pagar do próprio dinheiro para eu fazer as atividades mais interessantes que eles poderiam fazer. Então a gente sabe dessa realidade dos professores, tá? Mas a gente também vai falar do mundo ideal, porque se for possível chegar no mundo ideal, eu acho que que seria o ideal, né? >> E a na você falou no início, mas eu gostaria de se que você me trouxesse a legislação que assegura as pessoas com altas habilidades, tá? Pra gente colocar aqui de novo, para as pessoas que entraram aqui conosco terem essa visão desse direito, né? Na escola tem esse direito, como que é? Tem, tem sim, porque essa lei é a que saiu este ano, mas tem várias outras leis que depois eu posso te mandar o o conjunto de normas para você publicar junto. A gente faz um artigo de de tudo que tem aí no campo, a gente faz, >> é, por exemplo, que não precisa de la claro que se tem um laudo melhor, mas o professor ele não precisa de laudo psicológico e nem encaminhamento médico, até porque não é doença, mas a partir do momento que o professor identifica que aquele aluno ele tá tendo um auto desesempenho, que ele está precisando de mais alimento cognitivo, ele já pode encaminhar pro atendimento especial. E detalhe, quando a escola faz um encaminhamento pro atendimento especial pela FUNDEB, ele tem a a escola ele tem direito de receber 1.4 a mais de dinheiro por aquela criança, porque ele precisa de recursos especiais. Então assim, se normalmente a escola recebe X por aluno, ela vai receber 140% a mais por esse mesmo aluno. Então ela vai receber o dobro e um pouco mais por esse aluno. E então assim, pra escola vale a pena fazer essa identificação, porque além de ela mudar a vida daquela criança, né, ou de pelo menos pensar nessa nessa direção, ela também vai receber mais dinheiro para ela poder investir. Então ela não vai só ter um gato contexto, né? >> É. Então, vale muito a pena a escola encaminhar paraa educação especializada, educação especial, para que essa criança receba mais recursos lá. Depois a gente tem outros problemas lá, tá gente? Porque infelizmente quando a escola muitas vezes, né, às vezes a escola faz isso e não faz a forma mais adequada. Então aí tenho aulas extras para aqueles alunos, mas de repente é uma aula que aquele aluno não quer e aí vai forçar o aluno a fazer uma aula que ele não quer, é pior ainda. Então é claro que o ideal é que a escola tenha um repertório ali e veja a necessidade daquele público. Não adianta eu fingir que eu tô mesma coisa na mensa. Não adianta, ah, eu vou vou fazer x atividade, Dane-se se eles querem ou não. Não, não é assim. eu quero fazer tal atividade, mas é o que eles querem, porque é um público seletivo. É um público seletivo. Não adianta eu querer inventar uma uma atividade super chata para para o público e e ainda ficar brava de que ai não apareceu ninguém. E às vezes isso acontece na escola, né, na quando quer atender esse público eh de alto quei e aí eh mas aí são outros problemas, né? Mas tendo esse começo, tendo mais visibilidade para causa, a gente consegue pensar até no na forma como a escola vai operacionalizar depois. O problema é a gente não ter nem público. A escola identifica dois, três na escola inteira. Qual que é o interesse da da equipe de planejar melhor para que eles fiquem felizes com a forma como tá sendo conduzido, né? Então, precisaria ter uma representatividade maior e aí a gente brigaria com mais força. >> É isso. Realmente a gente vai precisar de muitas políticas públicas, né, >> para essa mudança >> que a gente gostaria tanto esse idealizar esse contexto escolar, né? E a pessoa comabilidade no contexto escolar pode ter uma sobrecarga? Pode. E também depois não só no contexto escolar, mas também no contexto profissional, depois da vida adulta, né? No contexto escolar, porque a gente tem algumas coisas que são fáceis pra gente, né? E aí a gente, por ser fácil, a gente se compromete de fazer e a gente vai fazendo, vai fazendo, vai fazendo, porque tudo é fácil, mas o problema é que tudo é muita coisa. E às vezes a gente perde essa dimensão de que é muita coisa, eu preciso de um tempo livre para pro ósseo, para não fazer nada. E aí, e principalmente a criança, a gente tem que ter um cuidado, porque a criança precisa brincar, criança precisa do ósseo, criança precisa de dormir, criança precisa ser criança. E algumas pessoas eh eu acho que é a minoria, mas algumas pessoas acham que quando identificam que a criança tem alto QI, quer que essa criança seja o novo Albert Einstein, quer que tire ideias em tudo, quer que descubra alguma coisa. E assim, primeira primeira coisa que a gente tem que pensar é na qualidade de saúde mental desse indivíduo. Então, eh, ele naturalmente vai encontrar o que que é o caminho dele. E aí a gente vai dando alimento de acordo com o que ele tá pedindo. Então, se ele já tem bastante atribuição, para que que vai dar mais? Então, eu conheço, eh, já vi várias pessoas, né? A criança estuda em período integral e aí à noite ainda tem que ir pro pra aula de violino, pra aula do balé, pra aula de natação, pra aula de tudo. E aí você pensa, mas qual que é o tempo que essa criança tem para não fazer nada, para só dormir, para só brincar, para só falar bobagem? >> Sobrecarga, né? Ninguém aguenta, nem a gente aguenta, né? >> É uma sobrecarga pra criança porque ela tem auto que e gente aí o o autoqi que era para ser uma bênção, vira um castigo, entende? Então, eh, essa sobrecarga a gente tem que tomar cuidado. Depois na vida adulta isso também acontece, mas eventualmente não na escola, mas eh ou pode até se envolver, né, pessoal? Já vi muita gente no doutorado em burnout, porque junta ao doutorado que tem uma carga muito pesada junto com o trabalho, junto com filhos pequenos para que que demandam coisa, né, demandam tarefas e junto com outra, poxa, aí a pessoa às vezes não aguenta. Então, por quê? Porque quando ela pensa individualmente, ah, isso aqui é fácil, isso aqui eu tiro de letra, isso aqui é tranquilo para mim. E é verdade, mas quando soma tudo junto e ele só tem 24 horas por dia, aí sobrecarrega, porque aí ele percebe que ele não tem tempo para dormir, porque ele tem que fazer tudo que ele se comprometeu. Então, a gente tem que tomar cuidado sim com essa sobrecarga. >> Esse bornout também, né? >> Muito comum. >> É. Eh, ah, Argênia, você tava falando aqui de da gente não sobrecarregar essa criança, pegar o dia inteiro, levar essa cria, vai pra escola, depois vai para pro balé, natação. A gente tá recebendo bastante casos aqui no Tesouro Azul com pais que recebem o diagnóstico do seu filho de altas habilidades. A gente sabe que um diagnóstico muitas vezes pode ser um alívio, né? Dá saber o a situação do seu filho, entender como se fosse o nossa, eu tô aliviada, agora eu sei como eu posso ajudar meu filho. Mas tem muitas pais que quando recebe o diagnóstico de altas habilidades do filho, é como se tivesse ganhado um prêmio, um prêmio assim na na loteria e olhar para aquela criança como se ela fosse a que vai trazer o recurso para casa, sabe? Então, como que a gente pode trazer para esse pai que essa criança continua sendo bênção de qualquer diante de qualquer diagnóstico, né? >> Mas que essa criança precisa ser criança. Essa criança tem que saber >> qual o entender o limite dela, né? as pessoas entenderem o limite dessa criança, não força, forçá-la a ler um livro de pega aqui um livro aqui, por exemplo, vou pegar um livro aqui de o corpo fala: "Meu filho que tem 5 anos, quero que ele leia esse livro. Filho, você vai ler esse livro e você vai me dar um estudo sobre esse livro". Então, muitas vezes a gente tá vendo os pais fazendo isso com essas crianças, tá? Isso para meu ver, no meu meu ver, tá? Isso é crime para essa criança, né? Porque essa criança tem que brincar, ela tá na fase de desenvolvimento, ela precisa falar não quando ela não tá fim. Ela ela na hora quer brincar, quer curtir o Pokémon, qualquer brinquedinho, ela que ela aproveite a infância, né? Mas muitos pais quando parece que ganhou troféu, quer que o filho lê o livro? Vai ler esse livro. Como lidar com essas emoções desses pais? É, eh, [risadas] tem um amigo da mensa que ele fala que a inteligência é super estimada. Eu diria que que é verdade. Quando a gente tá falando aqui durante toda essa live e nas próximas que virão e e as que já passaram, a gente sempre fala sobre o tema, mas pensando na qualidade de vida do indivíduo e não para que ele brilhe porque ele é melhor do que alguém, porque não somos melhores. A gente é um ser humano como qualquer outro. Se a gente for pensar em quem é melhor do que o outro, melhor assim em termos de produtividade, né? Se for pensar em ser melhor, a gente tem que ver como que tá sendo usado a inteligência e não qual é o tamanho da inteligência, porque você pode ter uma auto inteligência e não usar para nada. E aí também e eu eu tenho outro que de repente ele não é não tem auto quei, mas ele tem uma disciplina tão boa pros estudos e ele ele é voltar é tão disciplinado e ele foca num projeto tão bacana que ele fica ele ele ele traz muito mais coisas benéficas paraa sociedade do que aquele outro que não se dedicou a isso. Então, quando a gente traz aqui esses temas, é pensando na qualidade de vida do indivíduo para que ele seja mais feliz, até para que ele encontre o que faz sentido para ele como ser humano, como como missão de vida dele, porque a minha missão de vida provavelmente seja diferente da Aline, que é provavelmente diferente de de outras pessoas, porque somos seres únicos, cada um tem a sua visão do que que é o mundo ideal e de qual que é o nosso papel no mundo também. Os pais é muito comum os pais terem ideias ou ideologia do que ele quer do filho e aí ele fica idealizando um filho. Tanto que é muito comum quando descobre, por exemplo, que o filho tem autismo, aí tem o luto. Quando dependendo da família se descobre que o filho é da comunidade LGBT, a é um outro luto. Então assim, às vezes a gente cria alguns papéis para colocar os nossos filhos e nem sempre aquele papel serve pro nosso filho e ele vai seguir a vida dele. Quando eu soube da e e assim, gente, a gente não controla nem a nossa vida, a gente não tem controle nem no nosso próprio corpo. A gente não pode decidir nem qual é o momento que o nosso coração vai parar de bater ou não. Nem isso a gente controla, como que a gente vai exigir ou definir como será a vida de um outro ser pensante, >> é >> que vai viver da forma dele, porque aquela criança, ela tem que ser respeitada assim nas vontades e nos desejos. é uma criança. O máximo que a gente pode fazer é criar condições para que aquela criança se desenvolva na área que aquela criança decidiu, porque ele tem em algum momento da vida dele, ele vai começando a ter consciência do que ele quer e isso deve ser respeitado. E essa independência de de liberdade para decidir é muito discutido inclusive no direito médico da criança poder decidir sobre muitas coisas até no direito médico, quanto mais sobre a no que profissionalmente ela vai querer fazer da vida. E aí até antes de começar a live eu tava conversando com a Line que eu eu fui identificada super tarde, né? foi no final de 2024, então faz pouco tempo, então foi uma identificação tardia e para mim, apesar do luto, porque demorou para entender, demorou para cair a ficha, demorou para eu aceitar esse essa condição de auto quei, mas eu senti um alívio gigantesco de isso só ter acontecido depois que eu já era adulta, porque eu fiquei pensando, graças a Deus, ninguém ficou me enchendo o saco para eu fazer nada da minha vida, ninguém ficou querendo corrigir os meus erros. Eu pude errar todos os meus erros, eu pude fazer tudo que eu quis. Eu pude fazer as minhas escolhas sem pressão do meu pai, sem pressão do professor, sem pressão de ninguém. Então eu, apesar do luto natural, porque a gente demora um pouquinho para, né, para processar a informação, eh, mas eu fiquei muito aliviada porque ninguém ficou a minha vida toda me dizendo o que que era para eu fazer. E se alguma vez ficou, eu e consegui ignorar, porque não era ali meu pai e minha mãe exigindo, né? Então, como não foi meu pai e minha mãe exigindo, outro que palpite a gente só releva ainda. Se eu falasse alguma coisa do tipo a minha mãe, a minha mãe, para com isso, menina, essa é a sua decisão, essa é a sua escolha. Então, assim, >> linda, mãe, parabéns para sua mãe. >> Ah, minha mãe é uma fofa e o meu pai também sempre me deixou muito livre para eu ser eu, né? E então é isso. Então o que eu poderia dizer pros pais para buscar terapia, porque isso eu peço para todo mundo, não é uma crítica, é um privilégio. Já disse que é um privilégio fazer terapia. Então para esses pais eu acho que é maravilhoso poder fazer terapia e poder cuidar da própria saúde mental até para que as nossas questões pessoais não sejam transportadas para virar um problema para as nossas crianças, né? Cada um com seus problemas. Então deixa as crianças com problema deles, não com o dos pais, né? Porque é senão fica uma carga muito pesada. >> É, seria muito pesar para essa criança, né? Imagine a sua infância, você tem que estudar, estudar, estudar, estudar e o brincar >> não e sai da escola e continua tendo que brincar e continua tendo que estudar. Claro que eventualmente essa criança não queira brincar por conta do das questões que eu tinha falado antes, porque é um é uma não encontrou seus pares, não encontrou gente legal que ela tenha motivação para aquilo, mas aí é tem que partir da criança. Se a criança não for brincar, ela também tem o direito de não brincar, né? Então não tô falando, ah, força a criança brincar, não. A a >> deixa a criança ser a criança, né? >> Deixa a criança falar. própria decisão. Se não brincar, eu tô afim, eu vou estudar. Criança escolhe, >> né? Criança comabilidade, >> ela pode escolher o que ela quer, né? Mas que não sejam forçados os pais, né? >> Os pais não projete o que eles queriam para eles, para o seu filho, né? Projetar pro seu filho. Isso não é bom. [risadas] Vocês que estão aqui nos assistindo, coloca aqui as suas perguntas aqui no chat pra gente fazer aqui para Argênia, que a gente já tem uns 10 minutinhos aí para vocês. Fique à vontade. Coloca a sua região também aqui no nosso chat e também siga nosso Instagram, Tesouraz oficial. Siga o Instagram da Ibenil São Paulo e também segue o Instagram da Argênia. Argênia, fala seu seu Instagram. Argên Silva >> e do Mensa, do Mensa também. Pode só difícil, só é difícil memorizar o Argênia porque o Silva é fácil depois >> práticrar o meu nome, aí a pessoa já espera um sobrenome sofisticado, né? Não é o mais brasileiro possível. >> Mais brasileiro possível. E da mensa, como que qual é o o o Instagram da mensa? Eh, é mensa. Eu só digito mensa e já dá certo. Deixa eu ver se se como que tá aqui. Eu já confirmo para você rapidinho. >> Mensa Brasil. >> Mensa Brasil. Só digitar Mensa Brasil que já vai direto pro Instagram, né? >> É, esse no mês passado a gente fez 24 anos aqui no Brasil. Eh, mundo porque ó, a Mensa é uma associação sem fins lucrativas. Sem fins lucrativos. Ela foi fundada na década de 40, no momento pós-guerra mundial. Então, a ideia quando foi fundada lá na Inglaterra em 1946, a ideia é reunir pessoas com alta inteligência para colocar essa inteligência a serviço do mundo, pensando em criar qualquer coisa ou qualquer solução, projeto para beneficiar a sociedade de uma forma geral. Então, é um projeto muito bonito, muito legal. O que que a gente vê que acontece hoje na prática, tá? A gente acaba usando muito a mensa para encontrar nossos pares, então assim, para buscar um momento de acolhimento, de trocar ideia, ver o que acontece com a gente, se aconteceu com o nosso colega também, eh como foi o meu passado, se é parecido com o passado do meu colega também, se as minhas emoções, meu, como que é? E aí a gente vê que as histórias se repetem muito e a gente, claro, é um recorte da sociedade, então claro que vai ter pessoas que a gente vai gostar mais, vai ter pessoas que a gente tem menos afinidade naturalmente, mas quando acontece de a gente criar conexão, são conexões instantâneas e são profundas e parece que a gente conhece a pessoa desde sempre. Então, eh, seria a gente essa ideia, né, de a gente encontrar os nossos pares, encontrar pessoas que têm ali um processamento parecido com o nosso e, claro, respeitando as diferenças de cada um, porque cada um tem ali a sua personalidade, as suas questões e tudo mais, mas o processamento cognitivo é muito parecido, então acaba sendo um lugar de acolhimento. E aí na mensa a gente faz, a gente tá fazendo palestras com frequência, inclusive na próxima semana que vai ser, vai ter o dia do advogado. dia 11 de agosto, dia do advogado. Então, a gente vai fazer, >> porque a Luna também vai estar com vocês, né? A nossa aluna. >> Ah, a Luna. A Luna exuna que é do projeto Tesouro Azul, que ela é brilhante, advogada brilhante, ela vai est palestrando pra gente para falar sobre os direitos do dos de pessoas que têm autismo. Então vai ser uma semana inteira só gente boa assim de qualidade técnica para falar sobre assuntos que são importantes pra mensa, mas que eh paraa mensa sim, porque pra mensa é muito importante debater aqueles temas. Então, a gente vai falar sobre o ECA digital, porque a gente tem muita criança na mensa >> e as crianças estão nas redes sociais, então a gente precisa falar sobre isso, principalmente com a a implementação do ECA digital no final do ano passado. A gente vai falar sobre LGPD, eh, inclusive porque a Mensa trata, trabalha com muitos dados sensíveis, inclusive, e, e são temas que raramente a gente vê de forma aberta, assim, de gratuitamente. É muito difícil encontrar um profissional dessa área. A gente vai ter na semana jurídica. O primeiro dia vai ser um advogado especialista em direito para a população com superdotação. E aí ele vai falar de de educação inclusiva. E aí a gente tem outros temas todos lotados para essas áreas que eu falei que são assuntos interessantes paraa mensa e claro que para muita gente, porque quem tem eh quem tem o autismo ou algum parente que tenha é muito interessante de assistir a palestra. Para quem tem superdotação ou conhece alguém que tenha também é interessante assistir. Esse é uma semana maravilhosa. Semana que vem vai ser a semana jurídica, na semana seguinte é a semana da psicologia. Então a gente também vai ter uma sequência de palestras todos voltados para saúde mental e vai ser gratuito. Então já fica o convite para todos. Fica o convite para todos aí. para ficar disponível na no Instagram da mensa, então é só acessar e participar com a gente. >> Ai, ótimo. Tô até o palmas aqui para mensa. Que semana abençoada, a semana com a Luna, depois vai a semana da psicologia vai enriquecer muito a nossa sociedade, né? Ah, é um ensino, a gente aprende sobre o outro através da informação. Então, a informação vem conscientização, né, Argentine? Eh, até a semana, até o a gestão anterior, né, até o ano passado, a mensa não fazia as eventos públicos, né, não os nossos eventos eram muito fechados só paraa nossa associação por entender que, enfim, era essa interpretação que tinha. Mas a gente então nessa gestão a gente começa a a expandir, a gente começou o ano com um congresso científico aberto paraa sociedade e a gente tem tentado trazer a sociedade para esse debate sobre esses temas que a gente entende como sendo muito importantes, porque é a melhor forma das pessoas entenderem a nossas a nossa realidade e sem estereótipo, sem essa história de mito, sem achar que a gente tá acima de ninguém, porque a gente definitivamente não estamos, a gente só é diferente no processamento cognitivo. Só todo o resto a gente é um ser humano como qualquer outro ser humano. E a gente quer continuar errando os nossos erros porque a gente é um ser humano que eventualmente vai errar mesmo. Aliás, a gente erra igual a todo mundo. Então, a melhor forma da gente fazer isso é convidando a população paraas nossas pros nossos eventos. Claro, não tem alguns que são realmente reservados porque realmente precisa que seja associado, mas sempre que possível a gente pretende sim chamar a população para essa conversa. até para eh fomentar uma uma informação mais científica, mais técnica, sem sem muito mito, sem estereótipos, sem preconceitos. Então, vai ser vai ser é um prazer, gente, vocês participarem dos nossos eventos, vai ser um prazer, com certeza. >> Então, ó, gente, entra no Instagram do Mensa Brasil e se inscreve nas palestras. Vai ser um prazer de vocês aprenderem mais a informação para essa conscientização. Então, entra na mensa, depois compartilha conosco, a gente vai compartilhando com outras pessoas, tá gente? >> Isso é importante, a gente fazer essa parceria que é uma parceria abençoa a vida do outro e, né, que nem todo mundo, nem tudo o tesouroz, então a gente precisa de parceiros, né? Então a parcerias é essa forma de trazer, olha, entra, entra no Insta, vai lá, faz a inscrição e participe. >> E a melhor forma de divulgar informação é a união, né? A gente para projetos positivos e bons e começar começar o trabalho todos unindo em prol do próximo, né? Isso que é importante, né? Meu amor, eu gostaria agora nas suas considerações finais, Argênia. Realmente essa live foi enriquecedora, meu amor. >> Ai, que bom. trouxe, trouxe bastante informação, formações tanto para pros pais, profissionais na área da saúde, profissionais da área da educação e também mudou o nosso olhar, né, também, né, da gente tirar os mitos, os rótulos, isso traz muita enriqueceu. A, eu amei essa live. >> Ai, que bom. Foi muito feliz. muito preciosa, você sabe, sou muito preciosa para ah fazer teu coraçãozinho. [risadas] >> Você poderia fazer suas considerações finais, meu amor? >> Sim. Primeiro eu queria agradecer novamente ao convite, a oportunidade de estar aqui de novo. Admiro muito o trabalho do tesouro azul e todo, né, tudo que a Aline representa enquanto eh fundadora aí do projeto e e de forma muito ativa, né, trabalhando de forma muito ativa. Então, muito obrigada. É um prazer táar aqui. Obrigada a todo mundo que tá participando. Eh, eu gostaria, como últimas palavras, eu diria o seguinte: eh, em termos de altas habilidades e superdotação, é um processamento cognitivo diferenciado, mas ele não é só isso, né? A nós somos seres humanos como qualquer outro, a gente vai errar também, a gente tem as nossas fragilidades também. eventualmente a gente pode sim ter questões eh de dupla excepcionalidade ou eh de algum transtorno psiquiátrico. Isso é só ser humano, né? Não significa que é bom e nem que é ruim. Significa só que temos que analisar quem somos. ou não tem nada disso, mas a gente tem a nossa própria personalidade, a nossa própria missão de vida, o nosso próprio propósito de vida, a eh a nossa própria forma de nos expressar e que tá tudo tudo bem, assim como estaria bem com qualquer outro ser humano. Então, a ideia é que a gente pense no assunto sem mistificar, sem muitos mitos, sem muito estereótipo. Então aqui quando a gente fala da da superdotação, a gente tá falando de um processamento cognitivo, a gente tá falando de uma inteligência. Ponto, né? E aí quando a gente vai falar de outras questões, aí são outros assuntos que pode estar junto ou pode não estar. Independente disso, gente, eh, a melhor coisa, a acho que a melhor o melhor caminho que a gente pode dizer, se a gente não sabe como fazer identificação, é acolher, acolher as nossas crianças, acolher os nossos adolescentes, seja com a parte boa ou com a parte mais dificultosa nas atividades deles, porque eles só precisam ser eles, né? E aí a gente, o nosso papel é buscar a melhor forma de instrumentalizar que eles sejam eles. Então se é buscando ajuda profissional, a gente busca. se é dando mais alimento cognitivo e pensando em uma aula que ele pediu, um curso diferente, a gente se se tiver ao nosso alcance a gente propiciar e ou se não tem como dar o curso, mas pensar em outras alternativas que que facilite aquilo que essa criança tá pedindo. Então é isso, a gente fazer esse acolhimento com para com o outro, não presumir que seja uma doença ou que seja não presumir nada, buscar sempre uma análise técnica sobre o assunto e independente da análise técnica, acolher enquanto outro ser humano. Um outro ser humano que tem direito de ser quem ele quiser ser. Não é a gente que vai dizer quem ele é, é ele que vai dizer o que ele é, quem ele é e o que ele quer ser, né? Então eu diria isso. Muito obrigada novamente, Aline. Muito obrigada quem tá assistindo e e vocês estão todos convidados a participar dos eventos da mensa que a gente vai disponibilizando lá nas nossas redes sociais, tá bom? Obrigada, gente. >> Gia aqui a a Fabi, ela falou uma mensagem aqui que eu quero ler para você, tá? >> Gostei muito das dicas para identificar essas características, principalmente nas crianças do ambiente escolar. Foi um momento de muito aprendizado. Deus abençoe vocês. Parabéns, Argênia. Você é um instrumento de Deus nas nossas vidas. Louva a Deus paraa sua vida e você sabe o quanto é amada e preciosa aqui pro nosso projeto tesouração. Obrigada, Lini. É muito recíproco, viu? Muito obrigada. >> [risadas] >> Então, eu quero agradecer também a todos que estão aqui nos assistindo. Compartilhem a nossa live, eh, marca o sininho aqui para vocês receberem notificações as lives da IBNU também. Compartilhe com as pessoas que vocês queiram que ela aprenda um pouco mais sobre altas habilidades, que a gente tá ajudando essas famílias, essas crianças, esses adolescentes, esses adultos a se pra gente olhar para eles com maior cuidado, né? Muitas vezes precisa, como a Argênia falou aqui, tirar os fótulos, tirar os mitos e olhar para eles de qualquer diagnóstico. Olhar como pessoa, como um ser que tem emoção, emoções, sentimentos e tem tanto a nos ensinar, né? Que Deus abençoe. Uma ótima semana. Daqui um mês a gente volta com outro, uma outra live e dessa vez a live vai vir pro pessoal do Japão, hein, gente. Então fiquem, fica no aguardo. Deus abençoe. Ótimo final de semana. Só pensar.