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A fé vem pelo ouvir

Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?

Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?

Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?

Live Tesouro Azul

Por que tantas Altas Habilidades passam despercebidas?

Argene da Silva – Psicóloga, graduanda em Neuropsicologia e Vice-presidente do Mensa Brasil

Aline Cariri – Psicóloga, graduanda em Neuropsicologia e Mãe Atípica

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Legendas automáticas:

เฮ
[música]
>> [música]
[música]
>> Bom dia, boa tarde, boa noite a todos.
Sejam bem-vindos mais uma live do
projeto Tesouro Azul com apoio da IBNU.
Meu nome é Aline Cariri, sou psicóloga,
mãe atípica, graduando agora em
neuropsicologia
e fundadora do Tesouro Azul. Hoje a
gente vai ter uma live muito especial,
uma live que vai realmente trazer um
olhar, olhar para a pessoa, olhar para
aquela pessoa que merece todo o cuidado,
porque tantas altas habilidades passam
despercebidas. Você que tá aqui conosco
aqui no chat, coloca sua região, coloca
da onde vocês estão falando, coloca
também suas perguntas aqui para nós que
será um prazer respondê-las. Estou aqui
com a convidada muito especial, Argênia
da Silva, eh neuropsicóloga,
pósgraduando em neuropsicologia
e vice-presidente da Mensa Brasil. Seja
bem-vinda, meu amor. Se apresenta aqui
para nós.
>> Obrigada, Aline. Primeiro queria
agradecer, né, pelo convite. É sempre
uma honra e um privilégio estar aqui com
vocês. Adoro, assim, sou fã do do
projeto Tesouro Azul. Então, parabéns
pelo trabalho. Eh, e é isso. Eu sou, meu
nome é Argênio, eu sou advogada, sou
psicóloga pós eh
pós eh fazendo pós em neuropsicologia e
atualmente eu sou a vice-presidente da
Mensa Brasil, que é uma associação sem
fins lucrativas, sem fins lucrativos
voltado para eh pro público de Alto QI.
>> Uau! Ja, hoje a gente, eu gostaria de
fazer uma pergunta assim primeiro sobre
a definição, tá gente?
>> Uhum.
>> O que são altas habilidades
supertotação?
>> Eh, existem vários conceitos, né? Então,
vai depender muito de qual que é o
teórico que a gente vai utilizar para
fazer essa definição. Então, se a gente
for falar, por exemplo, a teoria de
Gardner, tem a teoria das múltiplas
inteligências. E a gente vai falar de
inteligência desde a cognitiva até
emocional, a espacial, a corporal,
enfim. tem as múltiplas atividades do
garder. Se a gente for falar do ganhé,
ele vem trazendo a definição da
diferença entre talento eh e dotação,
que aqui no Brasil a gente chama de
superdotação. Por exemplo, se a gente
for falar de do Renzuli, ele vai falar
das da teoria dos três anéis, que a
pessoa alé teria que ter eh uma
capacidade acima da média,
comprometimento com a com o assunto, com
a matéria e uma uma alta criatividade.
Então, cada teórico, ele vai trazer a
sua definição. Qual que é a teoria mais
aceita no campo científico? É a teoria
do CHC, que aí eles vêm com uma outra um
uma carga teórica diferenciada no
sentido de que é possível mensurar e é
possível lidar com aqueles temas de
forma escalável, né? Então, a a eh
consegue eh a mesma o mesmo teste ou a
mesma avaliação que for feito com o
indivíduo consegue se replicar para
outros indivíduos e chegar a conclusões
tecnicamente adequadas.
E aí, pelo CHC, ele vai ser analisado
tanto a teoria fluída, a teoria eh a
inteligência fluída, inteligência
cristalizada, a velocidade do
processamento eh e outros construtos
importantes para que de uma forma
mensurável consiga identificar a
capacidade daquele indivíduo.
Recentemente, acho que faz pouquíssimos
meses, agora em junho, 17 de junho de
2026, foi publicada uma lei que trata
sobre superdotação, tá? Então, esse
assunto também é objeto de lei. E de
acordo com lei, com essa lei aqui do
Brasil, eh, as altas habilidades, ela é
ela é considerada uma condição do
neurodesenvolvimento,
eh, caracterizada, entre outros fatores,
por potencial intelectual elevado,
intensa curiosidade, elevada capacidade
de aprendizagem, bem como um profundo
envolvimento em temas de interesse. E
aqui ele menciona inclusive a frequente
possibilidade de est acompanhado com uma
alta sensibilidade e intensidade
emocional. Então alta sensibilidade no
sentido sensorial e a intensidade
emocional porque é é possível que esses
indivíduos tenham essa essas
características também. Então acho que
essa acho que é uma explicação, apesar
de ser bastante superficial, né? Porque
vocês viram que eu falei de vários
teóricos, então a gente teria que falar
um por um para ser mais aprofundado, mas
em resumo a isso. Então, eh existem
muitas teorias sobre o tema. A mais eh
aplicada aqui no Brasil são foi essa que
eu falei do CHC. E a gente tem uma lei
que se for pensar no campo jurídico,
essa lei é a que se aplica atualmente,
né, que tá que acabou de ser de entrar
em vigor.
>> Qual é a lei? Vocês sabem me dizer,
Rélio? Como
>> a lei que que entrou em vigor,
>> a lei Sim, sim. É 15436
que foi publicada em 17 de junho de
2026.
>> Ótimo. Nossa, vamos fazer essa
publicação aí no nosso Instagram do
Tesouro Azul, hein? [risadas]
>> Legal. para explicar essa essa nova lei.
Excelente, Gen. Eh, é possível, é
correto, né, associar altas habilidades
apenas com quem é elevado ou quais
outros aspectos também são considerados?
Você tem como me explicar um pouco sobre
isso? É, é, é, é correto associar a
pessoa a pessoa que tem altas
habilidades, o QI dela é acima da média,
né?
Eh, de acordo com essa teoria que é a
mais tradicional em pensando assim eh
internacionalmente falando
para as altas habilidades, sim, a gente
entende que ali o Q é dentro de um
percentil mais elevado, realmente, tá?
Quando a gente tá falando do campo
pedagógico, eh, esse percentil ele é
mais flexibilizado por várias questões,
inclusive para dar maior, porque eh eh
na verdade, por exemplo, para para
ingresso na mensa tem que ser um
percentil de 98. é a forma de ingresso,
precisa comprovar o percentil 98, eh,
que seria, por exemplo, num teste de va
ou visc um Q de 130, a partir de 130 de
QI. Eh, claro que esse número de QI vai
variar de acordo com o teste que a
pessoa vai se submeter, porque aí tem
variações nos testes, mas o percentil
tem que ser no mínimo 98 para ingresso
na mensa. Só que uma pessoa com
percentil 95, ele já é acima da média. E
com base nisso de estar acima da média
no campo pedagógico paraas escolas, pro
MEC, por exemplo, para efeito de ter
direito a uma sala especial, para ter e
o o devido acompanhamento,
o devido, a devida suplementação
escolar, eh, já com um percentil menor é
o suficiente porque já está acima da
média. Então, então acho que acho que
não sei se foi essa a pergunta, mas
>> Sim. É porque muitas vezes a pessoa só
associa a pessoa com altas habilidades
somente com acima da média, mas não vê
outros repertórios daquela pessoa, né? A
habilidade social, a característica.
Você poderia me dar mais uma orientação
sobre isso?
>> Posso? Eh, sobre então aí a superdotação
ou aos autidades vai depender de qual é
o referencial teórico que o profissional
está utilizando para poder fazer essa
identificação, tá? Eh,
agora, então é isso. Outra coisa que eu
acho que é muito importante analisar
também é qual que é o elemento de
testagem. Uma avaliação psicológica, uma
não é só teste, né? O teste também é
utilizado, mas tem uma análise clínica,
você tem anamnese, você tem outras
formas de avaliar aquele aquele
indivíduo. Então, por exemplo, eh alguns
testes hoje de inteligência que são
considerados padrão ouro, ele é padrão
ouro para uma amostra específica da
população. Se eu quiser utilizar esse
teste de padrão porque é padrão ouro
para uma amostra que não é compatível, é
claro que não é o mais indicado. Então,
por exemplo, se se para fazer o VIS, o
VIS, a pessoa tem que tá fazendo
universidade. A amostra que foi
utilizada para esse teste de
inteligência é de pessoas que t curso
universitário. Se a pessoa é analfabeta,
se a pessoa não tem contato e eh com
assuntos acadêmicos, é natural que a
inteligência dela seja diferente, não
seja no campo acadêmico, seja em outras
áreas do conhecimento. Então, é utilizar
o V para uma pessoa que não é
universitário é um erro e é claro que a
pessoa eventualmente pode não ir bem
naquele teste, mas porque não é o teste
mais adequado para ela. Outro cuidado, a
gente, a maioria ou acho que a gente não
tem testes
eh específicos para uma população surda,
entende? para uma pessoa que tem alguma
outra deficiência que impossibilite de
fazer aqueles testes. Então aí o
profissional ele tem que se utilizar de
outros mecanismos para aplicar uma
testagem mais adequada para aquela
população. Então assim, normalmente
altas habilidades, a gente de alguma
forma vai estar sempre relacionado com a
inteligência, né, cognitiva. Eh, e qual
que é o problema que a gente vê, por
exemplo, quando é uma inteligência
musical ou uma inteligência espacial ou
uma inteligência corporal? É que a
gente, muitas vezes, a gente vê que a
pessoa tem aquela habilidade, muitas
vezes a gente vê que a pessoa é é genial
naquilo, a gente tá vendo é é
humanamente impossível. Ninguém mais
conseguiu fazer as coisas que aquela
pessoa faz, só que a gente não tem
instrumentos para mensurar. Então a
gente pode dizer muitas vezes: "Nossa, é
genial essa pessoa." É, ninguém mais
consegue fazer ter esse dom, essa
habilidade, mas em termos científicos,
eh, vai depender muito de qual que é o
referencial teórico que a pessoa vai
utilizar, entendeu? Porque a gente, eh,
eh, encontra-se outras barreiras e
pensando em instrumentos que pode ser
utilizado para fazer aquela ferição,
né? Mas assim,
>> pode falar,
>> falar, continua. Mas assim, em síntese,
eu diria que eh não existe nada melhor
do que um profissional fazendo uma
análise do conjunto, porque independente
da do referencial teórico que o
profissional vá vá se utilizar ali, o
que mais importa é o que ele está
colhendo de informação durante todo o
processo de avaliação. Porque o teste,
como a gente já sabe, né, Aline, o teste
é só um dos instrumentos de de análise,
de verificação, mas ele não é a
avaliação em si. que a avaliação tem uma
carga muito grande do que o
profissional, do conjunto, do que o
profissional tá analisando e não só da
análise clínica do que ele tá vendo, mas
do histórico de vida daqu daquele
indivíduo até aquele momento. Então,
como que é o comportamento, qual foi o
histórico, o que que ele já viveu, o que
que ele já produziu, como que é todo um
é todo um conjunto que vai ser analisado
e não só uma entrevista em si, mas todo
um histórico do que aquela pessoa é, do
que ela faz, de como faz, de por, como
ela sente o mundo, como ela reage para
as coisas do mundo. E aí o profissional
que tiver fazendo a avaliação vai ser o
mais indicado para para poder orientar
no caso concreto, né? Porque no caso
subjetivo, eh, eu também acho só tentar
assim tomar um cuidado para não ficar
também uma coisa banal, né, de de
enfim, de criar ali alguns equívocos na
análise, mas o profissional, a partir do
momento que ele conhece do tema e que
ele tá fazendo esse processo avaliativo,
ele vai analisar muito mais coisas,
desde qual que é o teste ideal para ser
aplicado no caso concreto até todas as
outras questões, que são muitas, né,
Line, que são muitas questões que não
vem O teste vai vir mesmo com a análise
do do da situação do do indivíduo,
histórico familiar, histórico escolar,
né?
>> Então essa análise eh, Argênia,
geralmente dura mais ou menos quantas
sessões para essa análise?
>> Então, depende muito do profissional e
do que ele tá buscando ali com aquela
avaliação, tá? Então aqui a gente eh
primeiro é uma avaliação de uma
avaliação psicológica ou é uma avaliação
neuropsicológica? Porque um, você tá
analisando ali as questões psicológicas,
né, do de Sim, eu tô falando da
neuropsicológica para chegar a
neuropsicológica que aí você vai buscar
entender o funcionamento do cérebro e
eventualmente tentar ali buscar o
rastreio pra terra, para TDH e tal. Em
média
tem profissionais, eu já vi
profissionais que se utilizam de 10
consultas, 12 consultas, às vezes oito
consultas. Eh, vai depender muito do
caso concreto, porque às vezes a pessoa
só, entre aspas, vai fazer uma avaliação
neuropsicológica X. Às vezes o
profissional entende como sendo mais
adequado fazer um aprofundamento em
alguma questão, porque tem outras
hipóteses levantadas ali que é legal
analisar. Tem muitos profissionais que
enviam uma parte desses desses testes ou
desses eh instrumentos online. Então o o
modelo presencial acaba ficando menor,
porque aí você só vai presencialmente
pra sessão quando realmente precisa,
porque aquele teste vai ser presencial,
mas uma boa parte de todo o processo
avaliativo é possível fazer online e aí
só vai presencial quando não tem opção.
Alguns profissionais preferem fazer todo
o processo na modalidade presencial.
Então, vai depender muito de como que
cada profissional trabalha e qual que é
a demanda que tá se apresentando. Se é
criança, então, se a criança, eh,
normalmente o profissional quer falar
com a escola, quer falar com a família,
às vezes vai idealmente, né, vai até o
ambiente escolar para entender a
realidade daquela criança. Então é
difícil falar uma quantidade exata
porque não tem essa obrigação no CRP,
não tem essa vinculação de quantidade
porque cada caso vai ser um vai ser ali
de acordo tanto com o profissional, com
a forma de trabalho do profissional,
como a necessidade daquele cliente, né,
ou paciente que é criança e adulto, que
tem a demanda um pouquinho diferente
porque não tem o ambiente escolar, tem
um ambiente familiar que tem que ser
ouvido, tem que ser ouvido. ente é sua
fala, Argênia, porque assim tem vieram
muitos pais aqui no projeto Tesouro
Azul,
>> que o filho fez três atendimentos
com o profissional e ele já veio com
diagnóstico de altas habilidades. Você
viu a necessidade de uma equipe, equipe
multidisciplinar,
essa pesquisa com toda essa equipe
avaliativa, tanto na escola, conversar
com os pais demora mais ou menos uns 12,
sei lá, mas que não seja três ou quatro,
né? precisa ter uma avaliação mais
criteriosa
para você chegar com um laudo de altas
habilidades ou té espectro autista TDH,
mas precisa de ser pelo menos uma
avaliação criteriosa, né? De qualquer
jeito que faz, né? É, tem alguns
profissionais inclusive que só que
algumas pessoas vão atrás apenas do
laudo de altas habilidades ou
superdotação
>> e alguns profissionais fazem, né? Então
assim, não é a maioria, isso é muito
positivo, isso é muito bom. Não é a
maioria que faz isso. Por quê? Eh, é, é
bom você saber se você tem um autoqi.
Pode ser bom, porque é uma parte da
gente, é interessante a gente saber, mas
existe uma análise muito além do autoi,
muito mais completa do que o auti. A
gente sabe também que é, infelizmente,
não é acessível paraa maior parte da da
população fazer uma avaliação completa,
porque não é econômico, é caro, porque é
um profissional que estudou muito aquele
tema e ele vai tempo, né? Como eu falei,
são várias sessões, não são duas ou
três, são várias. Então é natural que
cobre que cobre um pouco mais, mas você
paga, mas você tem uma uma análise um
pouco mais ampla sobre sobre a gente
mesmo, né? Então não só o QI em si
sozinho, mas também outras coisas que
são muito importantes pra gente fechar
esse raciocínio e buscar uma qualidade
de vida melhor e maior pra gente dentro
da nossa da nossa especificidade, né?
que eu não sou igual a Aline, a Aline
não é igual, eh, entende? Então, uma um
mesmo tendo o mesmo que i, nós não somos
iguais, porque a gente vai ter as
características inerentes da da nossa
personalidade, da nossa eh enfim, né, do
nosso histórico e tudo mais.
Então, existe eh perfis diferentes de
altas habilidades,
porque aqui ó, tem uma pergunta aqui, ó,
diferentes perfis de altas habilidades,
como eles podem se manifestar?
>> Tá ali,
>> sim. Nesse conceito você quer saber
sobre a personalidade, né? Que é bem o
que eu acabei de falar de tipo eh a
gente tem na mensa, a partir de de um do
percentil 98 pode ingressar na mência. E
às vezes a gente tá conversando com um
colega que tem exatamente o mesmo QI,
mas é diferente da gente, porque a gente
é ou porque tem TDH, ou porque tem TEA,
ou porque tem uma outra dupla
excepcionalidade, ou simplesmente porque
é um ser humano e aí ele tem a sua
própria opinião sobre a vida, sobre o
funcionamento. Às vezes um é
extremamente sensível numa num eh eh
pensando em tato, o outro é extremamente
sensível em relação ao paladar. Então,
assim, não é o QI, é uma partezinha só.
da gente, né? É um dos construtos que
são analisados no processo de
neuroavaliação, mas a gente tem vários
outros construtos que é de atenção, de
memória, de linguagem, enfim, que também
são importantes e a gente também faz das
funções executivas. Às vezes a pessoa
tem o auto quei, mas ela precisa ali
fazer algum ajuste em relação às funções
executivas. Então o UQ é só um construto
dentro dessa imensidão que é o a
individualidade humana, né?
Agora, Eugênia, a gente vai entrar no
uma parte do nosso tema também, o que eh
pessoas que passam despercebidas, mesmo
com tantos estudos sobre o tema, porque
ainda há tantas crianças, adolescentes e
adultos que não são identificados.
Esse esse altas habilidades a gente vai
passando desapercebido durante um
período do tempo, só lá na fase adulta,
como foi você, que aí é percebida essa
altas habilidad nesse ser.
>> Eu acho que é por um conjunto de coisas.
Eu falaria dua duas coisas, pelo menos.
Uma que, por mais que a gente ache que
tá sendo bem mais falado, porque tá
muito, a gente tá falando muito mais do
tema hoje do que a gente falava 2 anos
atrás, 5 anos atrás, 10 anos que nunca
se falava uma coisa dessas. Então assim,
então hoje a gente tá falando muito mais
do que já foi um dia, mas ainda não tá
falando suficiente. Se a gente for e e
isso eu posso dizer assim, porque é uma
demanda muito constante dos pais das
crianças que estão na mensa. Eles chegam
na escola para falar sobre os seus
filhos e a escola na maioria das vezes
não sabe do que do que do assunto, não
sabe nem identificar uma criança com
autoqi. E se você já chega lá com laudo
falando: "Ó, meu filho tem superdotação,
tá aqui, tá aqui o laudo". E aí eles não
sabem como agir, não sabem o que fazer,
porque hoje ainda existe uma
subnotificação muito grande de pessoas
com autoquei na na sociedade. É muito
pouco. Se é se deveria ter de 2 a 5%
identificado,
basta a gente ver os índices e a gente
vê que não tem, mas mas não tem não tem,
sei lá, eh não tem, né? A gente não faz
um trabalho voltado para esse tema.
Então, primeira coisa, eu acho que a
gente não fala o suficiente sobre o tema
e quando fala, algumas pessoas acham
ainda que é presunçoso, é arrogante, que
tá tá querendo se mostrar. E não é sobre
isso, é sobre uma necessidade mesmo do
público, deste público que precisa, eh,
de um tratamento específico, que não é
melhor, é específico, porque a demanda
dele também é uma demanda eh diferente.
E eu também acho que um outro motivo é a
gente ter estereótipo. A gente tem um
monte de mito e tem estereótipo. Mito,
isso mesmo. Que ia perguntar. A gente
acha, é, a gente acha que uma pessoa com
autoqi, ela é perfeita, ela sabe tudo,
ela vai bem em tudo, ela não erra. Ela é
aquele padrão que usa óculos, senta na
primeira fileira da sala de aula, tira
10 em tudo. É
>> assim,
>> é que tipo, não dá trabalho pro
professor. E quando a gente vê na vida
real, a maioria das vezes são essas
pessoas que mais dão trabalho pro
professor, que mais bagunçam em sala de
aula, que menos tem paciência para ficar
dentro da sala de aula, ouvindo uma
coisa que ele já entendeu. Ele não quer
ficar sendo torturado ouvindo de novo
uma coisa para ele que não tá fazendo
mais sentido, porque ele já entendeu. É,
muitas vezes vai mal, vão mal na aula
porque estão entediados. Então existem
vários, tem sim o perfil clássico, que é
o que o sonho da maioria dos
professores, mas esse sonho da maioria
dos professores não é uma realidade que
acontece na prática 100% das vezes.
Muitas vezes não é esse perfil. E a
pessoa nem sempre sabe de tudo. Ele vai
saber o que interessa para ele. Se é um
assunto que ele não tem interesse em
aprender, ele não vai se dedicar aquilo,
porque o interesse dele é em outra área
que de repente faça mais sentido. Então
assim, existem alguns mitos e aí eh e aí
fora os mitos tem alguns preconceitos
também. Então, por exemplo, se é uma
menina, a menina quando vai bem nas na
quando ela é comportada e ela vai bem na
prova, ela não fez mais do que uma a
mera obrigação dela, de uma menina
dedicada, de uma menina estudiosa.
Quando é um menino, aí é diferente.
Quando o menino é top, o menino vai vai
perfeito em tudo aí. Ah, que legal, que
diferente esse menino que que que nota
10. Mas uma menina não fez mais do que a
obrigação dela. Eh, um uma a menina ela
também tem mais manejo assim nas emoções
em relação a se misturar. Se ela tá
vendo que tirar a nota 10 em tudo, tá
fazendo ela ser excluída de um grupo que
ela quer pertencer, ela faz algum ajuste
porque ela ela quer fazer parte de algum
grupo. Ela ela tem esse eh eh muitas
vezes, né, não é uma regra, mas muitas
vezes ela busca essa esse equilíbrio
para poder pertencer a alguns grupos.
Então, às vezes, ela camufla essa
inteligência, ela se permite não
demonstrar todo o potencial que ela tem,
porque ela sabe, se ela demonstrar o
potencial, ela pode eventualmente criar
um distanciamento sobre o namorado,
sobre o grupo, sobre a, né? Então,
também teria essa questão aí do
preconceito que as mulheres muitas vezes
não se vem na condição de seres
inteligentes. Hoje, na mensa, a gente
até tem mais mulheres do que foi um dia,
mas até pouquíssimo tempo dava para
contar as mulheres na nas mãos. Porque,
né, na com os dedos das mãos, porque o
qual que era o perfil até pouco tempo
que uma pessoa inteligente é homem,
branco e da engenharia ou de exatas.
Porque para ser inteligente tem que
fazer cálculo como que um médico é
inteligente, gente,
antes, um psicólogo é inteligente,
gente, mas não tem cálculo, sabe? Então
assim, até pouíssimo tempo era branco,
>> eh, homem e de exatas. Aí de um tempo
para cá, a gente, graças a Deus, a gente
começou a a ampliar aumentar o número de
informações, a divulgação dos dados e e
fazer a aplicação de de teste de
admissão na mensa em outros ambientes,
em vários ambientes. E aí a gente
começou, então aí tem gente todas as
todas as áreas, desde a parte de exatas,
que é tradicional até a parte artística.
A gente tem muitos artistas dentro da
mensa, a gente tem muitas pessoas da das
ciências sociais, das ciências humanas.
Tem de todas as áreas. A gente aumentou
bastante o nosso número de mulheres,
então ainda não tá em 50%, mas acho que
a gente tá em perto de 30, 32%.
>> Tá chegando,
>> perto foi, né? tá melhor, mas a gente
tem que melhorar isso. Mas ainda assim,
eh, a gente vê que é uma constante das
mulheres não se vem nesse papel de
identificam os filhos, identificaam o
marido e ainda acha que a inteligência
do filho veio do marido, não veio dela.
E aí precisa acontecer alguma coisa para
que ela se submeta ao processo
avaliativo e descubra que ela ela tem
auto quei, ela também é inteligente e o
filho é inteligente porque ela veio da
mãe, é genético. E e comigo aconteceu
isso também quando a psicóloga falou que
o meu sobrinho tinha auto quei, que ele
era supordado
>> e e eu já era psicóloga. A e eu pensei:
"Bom, o aut é genético, então acho que
ele pegou do meu cunhado, porque a sen
não se vier da minha irmã existe uma
chance de eu ser e não é o caso." Então
assim, a gente não se enxerga. A gente é
tão perfeccionista às vezes, né? a gente
tem tanta autocrítica que a gente não se
enxerga como um ser que pode ter
inteligência, né, que tem uma
inteligência a ponto de ser por dotação.
Então, existem esses mitos, os
estereótipos, eh, e essa falta de
informação. Eu acho que à medida que a
gente vai divulgando informação, vai
mostrando casos reais, né, de de todas
as áreas do conhecimento, as pesso vai
começando a se torna um pouco mais
próximo da realidade de todo mundo. Não
fica uma coisa de que, nossa, ela tem
que ser perfeito, não. A gente erra, a
gente erra muito, muito. Eh, às vezes a
gente brinca humanos
é um inteligente assintomático. A gente
fala da gente mesmo, tá? A gente fala, a
gente fala tanta bobagem, a gente fica
pensando, gente, as pessoas acham que a
gente só fala aqui nos grupos sobre
coisas
difíceis, não é? É muita bobagem de
brincadeira, né, de uma de coisas leves.
E aí a gente brinca e é uma inteligência
assintomática, porque antes de qualquer
coisa são seres humanos que, né, sendo
sendo humanos.
E eu gostaria de saber os sinais da
exainfância, como quais são os sinais
para identificação de altas habilidades,
assim que o pai, a professora na escola
possa já tá já tá olhando com outro
olhar para essa criança para poder
ajudá-la na sua infância.
>> Eh, é uma coisa muito muito peculiar, a
gente vai analisar cada indivíduo mesmo,
mas alguns exemplos que a gente pode
pensar, tá? aquelas crianças que desde
muito cedo usam palavras difíceis, que
normalmente os colegas não usam aquelas
palavras e do nada sai uma palavra super
elaborada. Eh, uma criança muito curiosa
que pergunta tudo o tempo todo. Então,
às vezes ir assim, gente, eu às vezes eu
sai com o meu sobrinho, ele perguntava
tudo, tudo, tudo, tudo. chega uma hora
você fala: "Mas sério, e não não é pra
gente ficar bravo, a gente tem que
incentivar, porque isso faz parte do do
desenvolvimento, ainda mais se aquela
criança tiver superdotação, ela é
curiosa, ela vai querer entender, ela
quer saber o por as coisas funcionam
assim, ela não vai ela não vai
simplesmente aceitar uma ordem dos seus
pais ou do professor. Ele quer que
aquela ordem faça sentido, porque se não
fizer sentido, ele vai querer entender
por que tá sendo aplicada aquela regra
ou aquele castigo, se não faz sentido
lógico ou se é injusto. Poxa, tá lá
maltrado,
mas eu acho injusto. Então não é nem
problema daquela criança. que a criança
tá lá querendo discutir os direitos do
coleguinha, porque coleguinha,
>> ele também tem esse senso de justiça, de
querer saber o por que o meu colega, o
por que esse animalzinho tá sofrendo
isso. Isso não é justo. Por que fazer
assim? Então, a gente pode pensar desde
a linguagem de repertório, né, do
vocabulário dessa criança até essa busca
pelo que faz sentido e pela justiça. A
gente pode nas dúvidas, nas curiosidades
que sempre vão aparecer.
Eh, que mais? Eh, dessa necessidade de
de conhecimento, seja de leitura, seja
de outra fonte de conhecimento. Ou então
se a criança não tá conseguindo se
concentrar na aula, por que não tá? Ah,
tá muito chato, eu já aprendi tudo.
Então, por que que ela aprendeu tão mais
rápido do que o coleguinha? Então,
assim, são sinais que a gente pode
pensar como um alerta. E e detalhe, tá?
Esse confronto que essa criança ter com
tem com o professor ou com os pais não é
no sentido de ridicularizar ou de não
obedecer. A ideia dele não é ser
desobediente. A ideia dele é entender,
né? fazer sentido. Tanto que assim, se
ele vê que o professor ou pai ficou
chateado, constrangido, essa criança
imediatamente vai ficar triste, porque
não é o objetivo da criança. O objetivo
é não faz sentido. Então, me explica
melhor porque eu tô sendo castigado ou
me explica direito porque que eu sou
obrigado a escrever 120 vezes o meu nome
nesse caderno de caligrafia. Então, a
criança vai questionar as coisas de de
coisas que
>> todas as vezes eu fiz isso,
>> não é? [risadas]
Mas imagina se alguém nos obriga a fazer
isso de novo. A gente,
>> ai meu Deus,
>> a gente fala assim, não, né, colega,
isso é uma coisa. [risadas]
>> Uma coisa que curiosidade também, tá,
Gene? Eh, uma pessoa com com altas
habilidades, ela tem hiperfoco?
Ela
pode ter hiperfoco, mas não é uma
obrigatoriedade ter hiperfoco. O que a
literatura diz sobre eh pelo
principalmente o Renzul, né, ou outros
teóricos também fala sobre o
comprometimento com a matéria. Eu eu
acho, eu entendo o hiperfoco sendo uma
característica muito maior do TEA ou de
alguma outra questão ali pessoal daquele
indivíduo do que do que a superdotação
traga isso. Porque, por exemplo, falando
por mim e por vários dos meus colegas,
tá? A gente gosta de muitas coisas, mas
não é porfoca. A gente gosta esse ano, o
ano que vem já mudou o hobby, já é um
hobby diferente. Daqui 5 anos mudou um
pouquinho mais, mas se a gente for fazer
qualquer um, uma dessas coisas, a gente
vai ficar focado, a gente vai ficar
concentrado e a gente não vai querer
sair dali até terminar, até ficar do
jeitinho que a gente espera que fique.
Então a gente tem esse comprometimento
com o assunto, esse comprometimento com
a tarefa. Isso, isso é uma
característica que costuma estar
presente sempre quando a gente tá fal eh
eh não é eh não, né? Não dá para ser uma
coisa absoluta, a gente não é falar em
termos absolutos, mas é comum que tenha
o comprometimento com a tarefa quando a
gente tá falando de um auto QI ou da
superdotação.
É agora o hiperfoco como sendo uma coisa
constante a, né, por uma vida toda,
dinossaura, essas coisas assim, ó, por
exemplo, eu tenho um hiperfoco de
dinossauro,
>> mas é que teve, né,
>> né cedo assim, a criança com 5 anos tem
que que já tem diagnóstico de altas
habilidades e por foco com dinossauro,
Pokémon, essas coisas, sabe? Hum.
>> Eh, você acha que existe um tempo de de
gosto desse desse desses personagens ou
se por foco
somente a característica de Tra e TDH?
Eu então eu entendo que é uma questão
posta assim, eu diria que é uma questão
de é temporário. Então quando eu era
criança, eu tinha alguns hábitos que
eram moda e me agradavam muito naquela
época, então eu fazia muito. Mas durante
aquele x período, passou aquele x
período, mudou até os assuntos. Então,
por exemplo, agora, hoje eu posso falar
com você muito sobre um tema, mas se
você mudar do tema, a gente vai para um
outro tema. Então não precisa
necessariamente ser aquele único
caminho,
>> ficar naquela rigidez, né, da
>> ficar naquela rigidez de de que tá
fechado o assunto ou o hobby ou o que me
agrada. Então eu acho, principalmente
quando é criança, eu não sei dizer, eu
me dá a impressão de que tem uma vida
toda para dizer se a criança vai manter
gostando de dinossauro até enquanto
tiver viva ou é uma questão temporária,
né? Porque eu acredito que tem uma fase
de desenvolvimento também, né? fase de
desenvolvimento. Então, é claro que
gosta porque é novidade, então tudo que
é novidade eh causa uma curiosidade
acima do do da média e a gente fica um
tempo ali se dedicando àquele aos
dinossauros. Pokémon. Algo me diz que o
Pokémon é uma moda, né? Eu não sei, não
me parece que o Pokémon vai posso estar
enganada, mas não me parece que o
Pokémon vai durar por daqui os próximos
100 anos, né? Não, não f, né? É porque
aí vem outros personagens. É que eu não
lembro. Rem. É verdade.
>> Por exemplo, na minha época era o Rin,
tinha os bonequinhos do Rin. Agora o
Rou, mas quanto tempo a gente ficou sem
Rin? E eu até tinha esque
>> eu tinha esquecido que o Rin existia,
mas a minha época era Rin, era Jaspion.
>> E era uma fre na época. A gente
conseguia imaginar que ia acabar, mas
acabou. Agora pode até voltar. Mas e eh
então eu acho que o Pokémon é isso, é é
a novidade da das crianças.
e aí quando passar vai vir um outro um
outro personagem que vai também chamar
atenção. Agora eu acho que é farmar
aura, né, Aline? Eu acho que o Pokémon
tá perdendo para farmar aura. [risadas]
Então,
>> então é isso.
>> Eu aqui em casa tem Pokémon. Pacman é
Naruto.
[risadas]
Personagens que o meu personagem acabar
aqui mostrando mesmo. O meu personagem é
Pica-Pau.
>> Ai, então a da minha época o Pica-Pau. A
gente pica-pau, cavalo de fogo. A, então
assim, ah, mas é um hiperfoco, não. Eu
tinha um comprometimento com aquele
desenho que todos os dias eu assistia
aquele desenho porque era muito legal
para mim. Então eu não perdi o cavalo de
fogo, eu não perdi o pica-pau.
>> Ah, eu também amava cavalo de fogo.
Olha,
>> é, é um hiperfoco. Não sei, porque
quando parei de assistir a minha vida
foi tranquila. Eu não tanto que eu nem
sei quando que eu parei de assistir,
porque foi um movimento natural. A gente
gosta de algumas coisas hoje enquanto a
gente tá vivendo aquelas coisas. E se a
gente muda e vai para uma outra tarefa,
a gente aprende a gostar da nova outra
tarefa, um outro desenho, uma outra
moda, né? É diferente de você insistir
ali, você, se você substituir aquele
obrigatoriamente tem que ser um outro
parecido, né? Então eu não vejo assim
que tem essa rigidez, quando a gente tá
falando só de auto quei, tá? Eu acho que
não tem essa essa rigidez cognitiva. É
um comprometimento com a tarefa que
enquanto fizer sentido ele tá ali.
Quando cansar muda, muda. Se tiver um
outro mais atativo, muda. Mudou a idade,
mudou a fase, aí naturalmente que a
gente vai mudar o interesse, né?
A gente tem uma pergunta aqui que tá
dentro da nossa temática, eh, da Fabiana
Esperdião. Ela é do projeto Tesouro Azul
também, nossa preciosa. [risadas]
Eh, como diferenciar uma criança com
altas habilidades de uma criança que
apenas apresenta dificuldade ou
interesse por determinado assunto?
Como diferenciar a criança que
é porque a criança com altas
habilidades,
eh, eu não sei se eu entendi a a
pergunta,
>> como diferenciar uma criança quanto as
habilidades de uma criança que apenas a
presença apresenta facilidade ou
interesse por um determinado assunto.
>> Ah, facilidade. OK, agora eu entendi.
Perfeito. Que eu tava entendido que não
tem interesse por OK. Eh, ficou melhor
agora sim, eh, facilidade.
Eh, então por isso que vai depender
muito de qual que é o referencial
teórico. E aí, quando a gente tá
falando, por exemplo, do CHC, aí tem
toda uma forma de mensurar isso, eh,
porque é muito mais amplo, né? Você vai,
você vai analisar um construto de uma
forma mais científica. No dia a dia eu
vou eh
normalmente, tá, normalmente um
superdotado ele não gosta só de um
assunto, ele tem a tendência de ser
curioso, ele pode não gostar de tudo.
Então, por exemplo, eu não sou da área
de tecnologia, que até pouco tempo eu
falava informática, porque da minha
época eu chama, então assim, a parte de
tecnologia, eu não tenho nenhum
interesse, então dificilmente eu vou
estar me aventurando em coisas de
tecnologia porque não é a minha área de
interesse.
Mas eu estudei direito, eu estudei
psicologia, eu gosto muito de medicina,
eu gosto muito de muitas outras coisas
que sinaliza que eu sou uma pessoa
curiosa. É, ah, mas a pessoa precisa ser
assim. Pode ser por assuntos diferentes,
mas normalmente alguém com superdotação,
ela vai ter vários interesses, não é um
único interesse. E se for um único
interesse, ela vai buscar a perfeição de
de ir profundamente naquele tema. Então,
ainda que ela se dedique a uma coisa só,
mas não é de forma superficial, ela vai
estudar profundamente, então
possivelmente ela vai buscar um
mestrado, um doutorado, ela vai ser
especialista naquela área de atuação
dela, né? Então, é que é diferente de,
ah, eu só conheço isso porque eu só
gosto disso. Se ela só gosta daquilo,
provavelmente ela vai se aprofundar todo
o tempo que ela usaria para aprender
várias outras coisas, ela vai aprender
eh num único numa única área do
conhecimento, mas de uma forma com
excelência, assim, com uma expertise
muito grande. Eu não sei se eu respondi,
mas assim, ah, não é que você respondeu
sim, Je. Acredito assim que você
respondeu. E qual é a o aqui é qual é o
momento indicado para buscar uma
avaliação especializada? Qual é o melhor
momento? Qual é o período de idade que
você acha que seria necessário para essa
avaliação?
>> Tá, eu vou falar como psicóloga. Eu acho
que é chiquérrimo quem investe em
psicologia. Eu acho que é chiquérrimo a
gente poder investir, não é, Aline? Eu
acho que é assim, as pessoas famosas e e
ricas, elas falaram: "Ah, na minha
terapia, na minha análise, eu acho
chiquérima, porque a gente tem o hábito
de fazer eh exames periódicos para saber
fazer um checkup, para saber se a nossa
saúde tá boa. E a gente não cuida,
muitas vezes a gente não cuida da nossa
saúde mental e que deveria ser tão
importante quanto a saúde física, até
porque uma pode sim interferir na outra.
E a gente não tem essa cultura porque a
gente acha que tem que procurar um
psicólogo só quando tá com algum
problema, né? E quando eh eh eu acho que
a gente poderia procurar sempre. E aí eh
quando a gente procura um um
profissional da área de normal a gente
procura quando tá com algum problema,
né? E aí a gente tá falando aqui do Qi,
mas normalmente quem tem superdotação ou
altas habilidades ou aut, ele não vai
atrás para buscar o aute. Ninguém acorda
um dia e fala: "Ah, eu acho que eu sou
Albert Einstein dessa geração e eu vou
procurar um psicólogo para testar isso
para mim".
>> Ninguém faz isso. Normalmente a gente tá
com alguma outra demanda
>> e a gente procura um profissional que
faz um encaminhamento e aí às vezes faz
um encaminhamento para outra coisa. Eu
lembro que eu procurei um, eu tinha
procurado um médico, ele achou que eu
tava, que eu tivesse autismo, ele
encaminhou para outra coisa. Eu falei,
mas eu acho que não é autismo ele me
encaminhou e aí eu realmente não tenho
autismo. Eh, mas aí eu descobri o QI.
Então, normalmente, quando a gente
procura, não é para para identificar o
nosso QI, é para identificar outras
questões. Por exemplo, questão da
memória. Poxa, seria maravilhoso a gente
conseguir fazer uma avaliação
neuropsicológica, porque a gente vai
analisar memória, linguagem, atenção. E
a gente quando a gente tem uma uma visão
real e completa sobre o o funcionamento
do nosso cérebro, a gente consegue criar
hábitos mais saudáveis e estimular as
partes eh do cérebro que não estão
adequadas, que não estão funcionando
como deveria. E eh prevenir ou pelo
menos retardar
uma eventual demência, pensando em
adultos, né? Eventual demência. a gente,
se se a gente tá falando de uma criança,
eh, melhorar técnicas ali para melhorar
a atenção, para melhorar a memória.
Então, eu sou suspeita para falar o
melhor momento. É claro que normalmente
a gente procura quando a gente tá
precisando, né? A gente tá com algum
problema. Mas conversem, como a gente tá
falando de criança, conversem com suas
crianças, elas sabem, elas vão
orientando. Se elas não estão falando
verbalmente, pelas brincadeiras a gente
consegue ter uma ideia das necessidades
dessas crianças. pelo menos para
encaminhar, encaminhar para um fono,
encaminhar para um psicólogo, eh pedir
uma opinião médica. E aí, de acordo com
os sinais que as crianças estão
apresentando, a gente busca um
encaminhamento para ver se tem alguma
coisa que a gente possa fazer para
melhorar a qualidade de vida daquela
criança, assim como a gente faria com a
gente, né? Eu procurei, por exemplo,
quando a minha memória começou a ficar
muito ruim, eu comecei a ter a ter
brancos. Eu nunca na minha vida sabia o
que que era branco. E tipo, tô aqui
falando e eu esqueci o que eu ia. Nunca
tinha acontecido isso comigo. Então,
comecei a ter brancos, eu consigo
comecei a ter problema muito grande de
foco, eu não conseguia focar, coisa que
eu não sabia o que que era. E aí eu
procurei ajuda. De fato, eu tava com
burnout, de fato, eu eu precisava mesmo
de de cuidado. Eh, mas aí junto com isso
teve o laudo do Auto Qi. Então, por isso
que eu falo, às vezes a gente espera
estar precisando para buscar ajuda,
sendo que o ideal seria a gente tá nesse
acompanhamento e mesmo antes dessa desse
momento mais delicado, a gente já
conheceu o nosso funcionamento, né,
antes de de estar no momento dramático
da vida.
>> Então agora, Eugênia, a gente vai entrar
agora sobre a dupla espionalidade.
O que seria a dupla espionalidade?
A dupla excepcionalidade seria eh alguma
condição que esteja junto com a
superdotação ou altas habilidades.
Então, a superdotação ou altas
habilidades não é diagnóstico, porque
não é doença, tá? Então, é uma condição
do ser humano, ele nasceu daquela forma,
ele nasceu assim, eh, mas às vezes vem
junto com alguma algum outro transtorno
ou alguma outra questão ali de saúde
mental que está junto com a
superdotação. Então, a gente chama de
dupla excepcionalidade ou até tripla
excepcionalidade quando é mais do que
uma uma diagnóstico junto com a
superdotação. E aí esse fator às vezes e
eh pode ou não, né, dificultar um pouco
no diagnóstico porque ele tem um auto
Qi, ele tem um auto QI junto com uma
eventual dificuldade em de alguma forma,
né? E aí o aut ele pode criar
estratégias para camuflar essa segunda,
essa dupla excepcionalidade ou mesmo a
dupla excepcionalidade
pode
>> parar a superdotação, porque aí a pessoa
poderia ser brilhante e ela eh pelas
dificuldades que ela enfrenta com essa
segunda, essa dupla excepcionalidade, aí
fica mascarando aquele brilhantismo
daquela pessoa. E eu tô pensando assim,
mascarando no sentido de que se ela
soubesse que tem aquela dificuldade,
aquele outro transtorno e ela se
medicasse ou criasse técnicas eh
utilizasse técnicas específicas para
melhorar o funcionamento que tá sendo
dificultado pelo transtorno,
provavelmente aquele aquela alta
capacidade cognitiva ficaria com o
destaque que deveria ter, né, de de uma
maior eficácia, uma maior eficiência em
questão de processamento cognitivo.
>> Ah, então o a tusabilidade ela pode
coexistir tanto com T, TDAH, outras
condições de neurodesenvolvimento,
>> pode e também com com transtorno
específico de aprendizagem também, assim
como a pessoa pode eventualmente ter
outros transtornos psiquiátricos, algum
transtorno do humor. Então ela pode ser
bipolar, ela pode ter ser borderline,
ela pode ser
tudo que tá dentro ali do DSM é possível
que coexista com o auto QI, porque são
coisas diferentes. Então uma coisa a
gente falar do construto inteligência e
outra coisa é todo o resto que que que
está em volta do ser humano, né? Que
formas
>> menos com deficiência intelectual, né?
menos porque o deficiente intelectual
significa que ele tá num extremo. Eh,
quando a gente faz a mensuração da
inteligência, ele tá num extremo, então
ele tem uma deficiência intelectual,
então ele não poderia ter deficiência ao
mesmo tempo que ele tá acima da média.
Então ou ele tá acima da média ou ele
tem deficiência. Não é possível ter os
dois. Então isso é incompatível. Mas
transtorno de aprendizagem ele pode ter
>> dislexia, eh, discrafia, descalculia.
pode e acontece.
>> Acontece sim, acontece. E aí é também eh
é claro, né? Existem alguns sinais e aí
a família eh eh provavelmente perceba e
busque o acompanhamento. Mas também é
possível que por a criança ter ou mesmo
adulto, por ter um auto QI, ela consiga
criar estratégias para tentar minimizar
os impactos do transtorno específico de
aprendizagem. Mas a qual preço? Quanto
custa isso? Porque é um sofrimento paraa
criança. Se ela tem dislexia, por
exemplo, tem vários dislexia ou então
descalculia, tem vários impactos que
pode ter emocionalmente para aquela
criança que ela tá vendo a dificuldade
dela e ela não sabe explicar, ela não
sabe como resolver e aí ela cria
estratégias para
reduzir [roncando] os impactos disso.
Então, sei lá, por exemplo, dislexia,
criança vai ter grande dificuldade para
para ler e para escrever, por exemplo.
É, então ela pode focar muito no
auditivo, ela presta atenção no
professor, ela tem uma memória muito
boa, porque muito provavelmente essa
criança tem uma memória boa e aí ela
consegue não zerar na prova, mas ainda
assim a qual preço? Eventualmente vai
ter que fazer uma prova verbal, prova
oral. Então ela provavelmente vai bem na
prova oral, mas não na escrita, porque
ela vai ter dificuldade para escrever.
Mas assim, qual que é o sofrimento de
uma criança que ela extremamente
inteligente, com o capacidade cognitiva
altíssima e ela não consegue escrever ou
não consegue ler porque mistura as
letras, as palavras e ela não consegue
ter a compreensão que ela tá vendo que o
colega consegue com facilidade e ela não
tá conseguindo. É desesperador, né? é
muito, cria outros impactos a longo
prazo para essa criança. Então, se a
criança tem eh ela precisa, se se existe
essa suspeita, essa hipótese, o ideal é
procurar um profissional, fazer
avaliação e e seguir a risca as
indicações do profissional, porque aí o
profissional vai dizer, né, vai
encaminhar, se precisar de um
medicamento, ele vai fazer o
encaminhamento para um médico, se for
necessário, eh vai conversar com a
escola para pensar em estratégias para
poder adaptar a realidade daquela
criança para que ela consiga ali
minimamente, pelo menos, eh, conseguir
consir eh ter o desempenho escolar
necessário, tá? Mas não eh infelizmente,
infelizmente assim, porque o ideal seria
que não acontecesse, mas pode sim
acontecer. E a gente dentro da mensa tem
alguns casos sim de pessoas com alto QI,
mas que tem dislexia, tem descalculia,
então vai mal em cálculo. Pessoa
brilhante para um monte de coisa,
brilhante para para tudo, mas não
consegue fazer cálculo. É uma
descalculia.
e assim vai, né? Então pode pode
acontecer,
>> pode acontecer, né? Uma coisa que que eu
tenho bastante dúvida assim, tá? Porque
a gente fala, a gente tá falando,
ai meu Deus, fugi agora o nome.
>> Especionalidade.
Menina, não saí aqui, tô precisando de
fono.
[risadas][suspirando] Então, uma uma uma
pessoa com altas habilidades, só altas
habilidades, ela pode ter dificuldade
social,
>> não é? uma característica do da super de
alguém com auto Qi. Ele não tem por si
só, tá pensando só no auto QI. Isso
>> isso isso não é motivo para ter
dificuldade de socialização, a não ser
que ele tenha outras, uma dupla
excepcionalidade ou uma outra questão eh
que a gente não tá considerando aqui. A
só o autoquei por si só, ele não gera
problema de sociabilidade. O que pode
acontecer? seletividade. Então, se
aquele assunto tá muito chato, ele só
não vai querer fazer parte. Eu já entrei
em festa que eu preferi ficar sozinha
sentada numa mesa, porque eu falei: "Ai,
meu Deus!" E aí as pessoas achavam que
eu tava chateada, que eu tava achando
péssimo, porque eu tava sozinha. Eu
pensando não, eu só quero ficar sozinha,
porque a gente eh se o assunto não tá
fluindo, então eh aí a pessoa tem uma
pode, dependendo do ambiente que ela tá,
ela pode ser seletiva. Então isso
acontece com criança. Já vi, por
exemplo, dentro da mensa uma mãe que foi
para um evento numa escola e aí era um
evento de criança de alto quei e aí
aquela mãe já tinha falado que ah, ela
não sabia mais o que fazer com o filho
porque o filho não interagia, tinha
problemas sociais e o psicólogo disse
que não era autismo e ela não sabia o
que fazer porque a criança não brincava,
não gostava da escola e aí levou o filho
dela pro evento. A criança da hora que
chegou até antes de ir embora, a criança
não parava de pular, de brincar, de
bagunçar, de correr, porque ela
encontrou outras crianças que faziam
sentido para ela, entendeu? Então,
porque quando a gente tá com um amigo e
até os nós adultos, né, Line, quando a
gente encontra alguém papo flui, a gente
a gente não quer ir embora, a gente
atrasa nosso compromisso, mas a gente
fica ali batendo papo naquele evento
porque tá agradável. quando o papo não
tá fluindo, quando a gente tá num grupo
que os assuntos são muito diferentes do
que a gente gostaria que fosse, então eh
não é tão agradável assim. E aí no
público de Autoquei a gente vê que
existe uma, pode existir essa
rigorosidade assim maior mesmo de
seleção, de falar: "Ah, eu não quero
participar desse grupo". Mesmo dentro da
mensa, dependendo do grupo que é, as
pessoas saem, fala: "Ah, tá muito chato
aqui". Mesmo estando dentro da mensa.
Por quê? Não é só ter auti, é o assunto
tá interessante. Interessante.
>> O assunto não tá interessante. Ah, não,
não. Esse grupo aqui eu vou sair, eu
entro lá no outro que tá melhor. É nesse
sentido. Não é o auto que por si só ele
não significa problema social, mas daí
precisa ver se a pessoa quer se
socializar. Quando não quer, acontece
isso. Ah, não quero participar desse
grupo e sai e ou senta isolado, porque é
melhor estar sozinha do que tá num grupo
que eventualmente não faz muito sentido.
>> Nossa, excelente. Ah, Fabiana falou aqui
que você respondeu a pergunta, a questão
dela, tá? [risadas]
>> E eu queria fazer a pergunta agora na
nos aspectos emocionais, tá G? Quais são
os desafios emocionais que costumam ser
frequentes em pessoas com altas
habilidades?
>> Tem vários, né? Eu vou vou falar só
pensando nas altas habilidades, sem
pensar em dupla excepcionalidade juntos.
>> Não, dupla excepcionalidade. A gente
vai, vamos entrar agora foco só
>> altas habilidades.
>> A gente tem uma questão que costuma eh
eh ser frequente, que é o perfeccionismo
ou autocrítica. Então, a gente sempre
busca fazer da melhor forma possível. se
não fica bom, a gente se critica muito,
a gente se, né, se culpa muito. Então,
existe essa essa questão. Eh, a
sensibilidade, então é tudo muito
intenso, é intenso e muito sensível.
Então, e a e a sensibilidade, a gente
pode falar tanto a sensorial quanto a
emocional mesmo. Então, de sentir com
uma dor um pouco diferente, né, de
sentir um pouco mais profundo ali
algumas coisas. E aí, como a a o
processamento cognitivo ele é muito
rápido, esse sofrimento ele vem muito
rápido também. Então a gente eh costuma
sentir padrões, assim, como que os
padrões acontecem, se alguma coisa foge
do padrão, a gente tem a tendência
perceber muito rápido que fugiu do
padrão e que tem alguma coisa
eventualmente errada. Então essa
sensibilidade
junto com essa autocrítica constante,
junto com com essa intensidade de
sofrer, sofre mais ou é mais feliz,
então tem essas intensidades,
eh,
costumam estar presentes, né? Tem outras
questões
>> busca perfeccionismo, essas coisas.
>> Como
>> busca perfeccionismo, a pessoa com altas
habilidades, a perfeição.
>> Sim.
>> No geral,
>> porque quando chega nessa fase assim, tô
buscando a perfeição, não tô tô tendo
bastante dificuldade de ansiedade porque
eu quero buscar como que lida com isso?
Você você tem me orientar sobre isso? Eu
[risadas]
acho que assim, no geral,
no geral a própria pessoa, ela busca
mecanismos para conseguir eh equilibrar
a situação e conseguir fazer o que
precisa ser feito. A procrastinação é o
melhor exemplo, né? Porque aí a pessoa
vai procrastinando, procrastinando. A
melhor forma de lidar com o problema,
enrola o máximo que pode. Isso é muito
presente.
>> Procrastinação tá sempre muito presente
nesse público de auto quei. Aí vai
enrolando, vai enrolando. Aí quando não
tem jeito que sair tá bom. Porque aí já
não tem mais tempo mesmo para fazer
melhor do que aquilo. E [risadas] então
a gente vai,
>> mas é importante procrastinar para
chegar lá na frente, falar: "Não vou
ficar perfeccion sendo perfeccionista
nesse assunto." [risadas]
>> Sim, mas
>> entregou, entrega logo.
É uma coisa que acontece no público a
procrastinação, mas não que seja uma
coisa boa, porque aí realmente eh o
ideal é a pessoa fazer com antecedência,
porque sempre é possível melhorar mesmo.
O ideal é que a gente tenha tempo para
fazer isso. Então, o que eu quero dizer
assim, a pessoa faz e faz da melhor
forma possível. Se vem uma crítica, ela
vai assumir essa crítica para ela e e
vai ser profundo porque, poxa, ela se
dedicou tanto e não ficou bom. Ou então
ela própria se critica, porque ainda eu
já fiz algumas coisas que assim, um
monte de gente elogiou e ainda sim eu
falei: "Poxa, mas se eu tivesse feito
tal coisa diferente, eh, teria sido
melhor". E aí o pessoal elogiando e eu
não tá bom, porque no meu, no meu filtro
não tava bom. no meu filtro, eu sabia
que eu poderia ter feito melhor. Então,
eh eh essa autocrítica é no sentido de
que sempre ela a gente tem uma uma, por
exemplo, eu tô falando com você, é muito
comum a gente ir fazendo um scan, né, e
e processando o que eu falei para ver o
que que tá de errado no que eu falei,
para tentar consertar o que eu falei. Aí
a gente fica em tempo real essa análise
crítica. E aí quando a gente percebe que
a gente falou, já aconteceu comigo,
falei e para eu corrigir vai ser pior do
que se eu não corrigisse. É, dói assim
no peito, putz, mas vai ficar errado
isso. Daí eu não tenho chance de de
corrigir porque vai ficar pior. Então
quando a gente faz e ao mesmo tempo que
a gente faz ou que a gente fala, a gente
tá ouvindo o que a gente fala ou a gente
tá vendo o que a gente faz. E se alguma
coisa não tá ali dentro do padrão que a
gente espera que esteja, a gente se
cobra de que, poxa, por que que eu usei
essa palavra que era inadequada ou por
que eu usei essa afirmação, sendo que
tem uma exceção para essa regra e eu
esqueci de falar da exceção e ficou só a
regra, entendeu? Então a gente acaba se
cobrando eh às vezes com maior
sofrimento, às vezes com menos
sofrimento, né? Não que isso seja um
grande problema, porque aí o que torna
um problema maior ou menor são outras
questões que a gente falou, né? O ser
humano ele é muito complexo. Então o que
eu tô falando é do auto quei, mas se eu
tenho um repertório no campo dos afetos
bem trabalhado, bem elaborado, eu vou me
acolher dentro desse sofrimento que aí
eu passa desapercebido. Só fico, poxa,
por que que eu eu falei da regra sem
explicar exceção? E aí, mas eu fico bem
porque, ah, eu tenho um repertório aqui
no campo do das emoções que que me
acolhe, que tá tudo certo, mas se a
pessoa não tem esse manejo, não tem não
tem esse eh eh
essa estratégia, aí ela sofre mais do
que o outro que conseguiu deixar passar
desapercebido por aquela aquele
problema.
>> E os relacionamentos da pessoa contra as
habilidades?
Então aí assim a gente eh a gente a
>> eu curiosa já querendo [risadas]
normal uma estatística que mostra que
pras principalmente paraas mulheres é
mulheres com autoquei t uma dificuldade
muito grande de se relacionar com um
homem que não tenha uma alta
inteligência. Então, normalmente, quando
a gente identifica uma mulher de
autoquei, existe uma grande
probabilidade do parceiro dela também
ter autoquei, porque se não tiver, não,
provavelmente não vai durar muito a
relação, porque a a mulher precisa de de
muita coisa, em demanda de muita coisa,
ela acaba sendo mais crítica para fazer
essa análise, né? E aí, eh, o, o é uma
população intensa, é uma população,
muitas vezes intensa, muitas vezes
eh muito sensível.
Então, o ideal é buscar, existe uma
probabilidade, inclusive de
de que essas pessoas tenham uma grande
empatia, né? Então, muito uma grande
empatia que se não tomar cuidado com
essa empatia, ela pode berar o
disfuncional. E qual que é o problema
disso? ter relações com narcisistas, com
pessoas que eventualmente venham trazer
mais problemas para essas pessoas que
por excesso de empatia, né, a pessoa se
coloca ali em alguns riscos porque ela
não vê aquela maldade que que, né? Eh,
então
eu acho que assim, assim como qualquer
ser humano, né, qualquer ser humano, as
dificuldades existem dentro dos
relacionamentos. Com isso, ainda assim a
gente vê dentro da mensa muitos casais
que aparente, porque casamento é a gente
pode falar de aparência, né?
Aparentemente são relacionamentos muito
bons, muito saudáveis. Então,
aparentemente o público da mensa, eu não
vejo grandes diferenças em termos de
relacionamentos em relação a a outras
pessoas por aí. O que eu trago é mais
assim algumas características que eu
vejo da intensidade, do excesso de
empatia. E aí essa empatia às vezes
coloca a pessoa em risco de estar em
relações com narcisistas ou ou outros
tipos de de manipulações e aí o o
relacionamento se encerra, mas há um
custo alto para esse superdotado, porque
ele é muito intenso, né? E ele sente de
uma e ele acha que é injusto e aí ele
fica questionando se é justo, se não é
injusto. E não é sobre isso, porque a
gente tá falando de um narcisismo, então
não é sobre justiça, é sobre diagnóstico
psiquiátrico, né? Então, mas assim, eu
diria que o ideal para essas pessoas,
principalmente para as mulheres, é
buscar parceiros que esteja ali entre os
seus pares, né? Ainda que não tenham que
ir lá no percentil que a mensa pede, mas
que sejam pessoas que tenham um
repertório que acompanhe minimamente
essas mulheres, né?
>> Sim, excelente. Eu fiquei curiosa,
falei: "Ah, vou perguntar". [risadas]
>> É uma é uma pergunta delicada, né? É, é
lind curiosa. É lind mesmo. Tô curiosa.
[risadas]
Aia, agora a gente vai entrar no
contexto escolar, tá? Com qual o papel
da escola na identificação e no
desenvolvimento dessa desses estudantes
de altas habilidades?
>> Eu acho que é total. Eu acho que é
extremamente importante, porque é claro
que a família poderia já observar muitas
coisas, mas a gente também sabe que a
maioria não tem conhecimento suficiente
para fazer esse tipo de análise. E na
escola que as crianças, na maioria das
vezes, vão aprender as coisas, ou a ler
e escrever, ou a um assunto específico,
ou a fazer cálculo, ou a a brincar,
muitas coisas as crianças vão aprender
na escola. E ali o professor,
principalmente se ele for um um tiver
qualificação nesse olhar, né, em relação
a esse a essa identificação de de das
necessidades das crianças, ele consegue
ver diferenças entre uma criança e
outra. ele consegue ter pelo menos para
poder fazer um encaminhamento. Porque
quando um professor identifica que uma
criança ela tá com desenvolvimento acima
da média, ele não precisa de laudo
psicológico para fazer o encaminhamento.
Ele pode apenas levar pra equipe
pedagógica e falar: "Olha, essa criança
precisa de atendimento especial. Ela tá
com com uma performance acima da média.
Eu quero que essa criança, ela se
envolva em outras atividades escolares,
porque ela tá demandando isso, ela tem
um desempenho altíssimo e mesmo sem
estudar, não presta atenção, fica
bagunçando, fica atrapalhando a aula. Eu
tô vendo que ela tá aprendendo tudo,
mesmo não participando, ela tira uma
nota boa em tudo. Eh, então assim, o
professor fazendo essa identificação é
maravilhoso. Eu acho que quanto antes
uma uma um indivíduo descobre sobre quem
ele é, como ele funciona, melhor para
ele identificar mecanismos para ele ter
uma qualidade de vida maior, né? Então,
a uma criança e eu vou falar por mim, eu
vou falar por por inúmeros relatos que
eu ouço dentro da mensa para quem se é
identificado só na na vida adulta.
É muito sofrimento na escola e muitas
vezes a gente não tem noção desse
sofrimento porque a gente não sabe que
era possível não ter esse sofrimento,
porque a gente acha que a gente é
estranho, que a gente que é errado, que
a gente é chato. E por isso que os
colegas não gostam da gente, porque o
problema tá na gente. Então a gente não
sabe as crianças, né? mal conseguiria
pedir ajuda pros pais porque acha que o
problema tá nele. Então, se a professora
identifica isso, ela faz o
encaminhamento,
eh, tiraria um peso dessas crianças
durante uma vida toda para cri para não
precisar da desse adulto, tá no momento
de vulnerabilidade emocional, com
burnout, com depressão, com síndrome do
pânico, com uma tag, com outras questões
mais sérias para daí sim vai procurar
ajuda. E aí descobrem que ela tinha
altas habilidades desde sempre e nunca
ninguém olhou para isso. Eu já tive pós,
que eu eu lembro que eu fiz uma
apresentação em sala de aula na pós e aí
o professor pediu para eu redigir aquilo
em forma de artigo e eu sabia de cabeça.
Então, tipo, eh, eu fiz em em duas horas
eu escrevi um artigo. Em duas horas eu
escrevi um artigo científico, foi
publicado em três revistas no renomadas
assim do direito
>> e ninguém pensou que pudesse ser uma
coisa que foge do normal, que não é o
comum que que alguém redija a primeira,
sabe? Mandando e-mail,
>> entendeu? E aí eu fiz, mas eu fiz, eu
quando e quando eu escrevi, eu nem sabia
para que que era. Ah, para publicar, mas
nem sei o que que é isso. Na época eu
nem eu não tinha muito contato com isso
porque não era a minha realidade, porque
eu não tava ali envolvida no mundo
acadêmico de falar: "Ai, vou viver
disso". Então, só fiz o artigo que ele
pediu, mandei e foi publicado em três
revistas de renomes dentro da área
jurídica. E aí, e assim e várias, várias
vezes aconteceram coisas na escola, na
faculdade, na pós e nunca ninguém me
encaminhou para fazer uma análise dessa,
entende? Então o professor se ele tem
uma visão qualificada é bom porque ele
consegue melhorar a vida de centenas de
pessoas. Aqui eu tô falando da
superdotação, mas pode ser um TEA, pode
ser um TDAH, pode ser uma dislexia, pode
ser um problema de visão. Às vezes a
criança não tá conseguindo enxergar a
lousa e ninguém vê que ela precisa de
óculos. Então assim, quando o professor
ele ele tem e e claro, gente, eu tô
falando de uma forma bem
>> olharoso, né?
>> É, eu tô falando dentro de um mundo
ideal, porque eu também sei como que é a
vida do professor. Sei não, né? Eu tenho
uma ideia que não é muito desafio, desde
falta de tempo, desde falta de mão de
obra, porque tem poucos professores para
a necessidade do que a gente precisa. A
remuneração não é o ideal e ainda muitos
professores têm que pagar do próprio
dinheiro para eu fazer as atividades
mais interessantes que eles poderiam
fazer. Então a gente sabe dessa
realidade dos professores, tá? Mas a
gente também vai falar do mundo ideal,
porque se for possível chegar no mundo
ideal, eu acho que que seria o ideal,
né?
>> E a na você falou no início, mas eu
gostaria de se que você me trouxesse a
legislação que assegura as pessoas com
altas habilidades, tá? Pra gente colocar
aqui de novo, para as pessoas que
entraram aqui conosco terem essa visão
desse direito, né? Na escola tem esse
direito, como que é? Tem, tem sim,
porque essa lei é a que saiu este ano,
mas tem várias outras leis que depois eu
posso te mandar o o conjunto de normas
para você publicar junto. A gente faz um
artigo de de tudo que tem aí no campo, a
gente faz,
>> é, por exemplo, que não precisa de la
claro que se tem um laudo melhor, mas o
professor ele não precisa de laudo
psicológico e nem encaminhamento médico,
até porque não é doença, mas a partir do
momento que o professor identifica que
aquele aluno ele tá tendo um auto
desesempenho, que ele está precisando de
mais alimento cognitivo, ele já pode
encaminhar pro atendimento especial. E
detalhe, quando a escola faz um
encaminhamento pro atendimento especial
pela FUNDEB, ele tem a a escola ele tem
direito de receber 1.4 a mais de
dinheiro por aquela criança, porque ele
precisa de recursos especiais. Então
assim, se normalmente a escola recebe X
por aluno, ela vai receber 140% a mais
por esse mesmo aluno. Então ela vai
receber o dobro e um pouco mais por esse
aluno. E então assim, pra escola vale a
pena fazer essa identificação, porque
além de ela mudar a vida daquela
criança, né, ou de pelo menos pensar
nessa nessa direção, ela também vai
receber mais dinheiro para ela poder
investir. Então ela não vai só ter um
gato contexto, né?
>> É. Então, vale muito a pena a escola
encaminhar paraa educação especializada,
educação especial, para que essa criança
receba mais recursos lá. Depois a gente
tem outros problemas lá, tá gente?
Porque infelizmente quando a escola
muitas vezes, né, às vezes a escola faz
isso e não faz a forma mais adequada.
Então aí tenho aulas extras para aqueles
alunos, mas de repente é uma aula que
aquele aluno não quer e aí vai forçar o
aluno a fazer uma aula que ele não quer,
é pior ainda. Então é claro que o ideal
é que a escola tenha um repertório ali e
veja a necessidade daquele público. Não
adianta eu fingir que eu tô mesma coisa
na mensa. Não adianta, ah, eu vou vou
fazer x atividade, Dane-se se eles
querem ou não. Não, não é assim. eu
quero fazer tal atividade, mas é o que
eles querem, porque é um público
seletivo. É um público seletivo. Não
adianta eu querer inventar uma uma
atividade super chata para para o
público e e ainda ficar brava de que ai
não apareceu ninguém. E às vezes isso
acontece na escola, né, na quando quer
atender esse público eh de alto quei e
aí eh mas aí são outros problemas, né?
Mas tendo esse começo, tendo mais
visibilidade para causa, a gente
consegue pensar até no na forma como a
escola vai operacionalizar depois. O
problema é a gente não ter nem público.
A escola identifica dois, três na escola
inteira. Qual que é o interesse da da
equipe de planejar melhor para que eles
fiquem felizes com a forma como tá sendo
conduzido, né? Então, precisaria ter uma
representatividade maior e aí a gente
brigaria com mais força.
>> É isso. Realmente a gente vai precisar
de muitas políticas públicas, né,
>> para essa mudança
>> que a gente gostaria tanto esse
idealizar esse contexto escolar, né? E a
pessoa comabilidade no contexto escolar
pode ter uma sobrecarga?
Pode. E também depois não só no contexto
escolar, mas também no contexto
profissional, depois da vida adulta, né?
No contexto escolar, porque a gente tem
algumas coisas que são fáceis pra gente,
né? E aí a gente, por ser fácil, a gente
se compromete de fazer e a gente vai
fazendo, vai fazendo, vai fazendo,
porque tudo é fácil, mas o problema é
que tudo é muita coisa. E às vezes a
gente perde essa dimensão de que é muita
coisa, eu preciso de um tempo livre para
pro ósseo, para não fazer nada. E aí, e
principalmente a criança, a gente tem
que ter um cuidado, porque a criança
precisa brincar, criança precisa do
ósseo, criança precisa de dormir,
criança precisa ser criança. E algumas
pessoas eh eu acho que é a minoria, mas
algumas pessoas acham que quando
identificam que a criança tem alto QI,
quer que essa criança seja o novo Albert
Einstein, quer que tire ideias em tudo,
quer que descubra alguma coisa. E assim,
primeira primeira coisa que a gente tem
que pensar é na qualidade de saúde
mental desse indivíduo. Então, eh, ele
naturalmente vai encontrar o que que é o
caminho dele. E aí a gente vai dando
alimento de acordo com o que ele tá
pedindo. Então, se ele já tem bastante
atribuição, para que que vai dar mais?
Então, eu conheço, eh, já vi várias
pessoas, né? A criança estuda em período
integral e aí à noite ainda tem que ir
pro pra aula de violino, pra aula do
balé, pra aula de natação, pra aula de
tudo. E aí você pensa, mas qual que é o
tempo que essa criança tem para não
fazer nada, para só dormir, para só
brincar, para só falar bobagem?
>> Sobrecarga, né? Ninguém aguenta, nem a
gente aguenta, né?
>> É uma sobrecarga pra criança porque ela
tem auto que e gente aí o o autoqi que
era para ser uma bênção, vira um
castigo, entende? Então, eh, essa
sobrecarga a gente tem que tomar
cuidado. Depois na vida adulta isso
também acontece, mas eventualmente não
na escola, mas eh ou pode até se
envolver, né, pessoal? Já vi muita gente
no doutorado em burnout, porque junta ao
doutorado que tem uma carga muito pesada
junto com o trabalho, junto com filhos
pequenos para que que demandam coisa,
né, demandam tarefas e junto com outra,
poxa, aí a pessoa às vezes não aguenta.
Então, por quê? Porque quando ela pensa
individualmente, ah, isso aqui é fácil,
isso aqui eu tiro de letra, isso aqui é
tranquilo para mim. E é verdade, mas
quando soma tudo junto e ele só tem 24
horas por dia, aí sobrecarrega, porque
aí ele percebe que ele não tem tempo
para dormir, porque ele tem que fazer
tudo que ele se comprometeu. Então, a
gente tem que tomar cuidado sim com essa
sobrecarga.
>> Esse bornout também, né?
>> Muito comum.
>> É.
Eh,
ah, Argênia, você tava falando aqui de
da gente não sobrecarregar essa criança,
pegar o dia inteiro, levar essa cria,
vai pra escola, depois vai para pro
balé, natação.
A gente tá recebendo bastante casos aqui
no Tesouro Azul com pais que recebem o
diagnóstico do seu filho de altas
habilidades. A gente sabe que um
diagnóstico muitas vezes pode ser um
alívio, né? Dá saber o a situação do seu
filho, entender como se fosse o nossa,
eu tô aliviada, agora eu sei como eu
posso ajudar meu filho. Mas tem muitas
pais que quando recebe o diagnóstico de
altas habilidades do filho, é como se
tivesse ganhado um prêmio, um prêmio
assim na na loteria e olhar para aquela
criança como se ela fosse a que vai
trazer o recurso para casa, sabe?
Então, como que a gente pode trazer para
esse pai que essa criança continua sendo
bênção de qualquer diante de qualquer
diagnóstico, né?
>> Mas que essa criança precisa ser
criança. Essa criança tem que saber
>> qual o entender o limite dela, né? as
pessoas entenderem o limite dessa
criança, não força, forçá-la a ler um
livro de pega aqui um livro aqui, por
exemplo, vou pegar um livro aqui de o
corpo fala: "Meu filho que tem 5 anos,
quero que ele leia esse livro. Filho,
você vai ler esse livro e você vai me
dar um estudo sobre esse livro". Então,
muitas vezes a gente tá vendo os pais
fazendo isso com essas crianças, tá?
Isso para meu ver, no meu meu ver, tá?
Isso é crime para essa criança, né?
Porque essa criança tem que brincar, ela
tá na fase de desenvolvimento,
ela precisa falar não quando ela não tá
fim. Ela ela na hora quer brincar, quer
curtir o Pokémon, qualquer brinquedinho,
ela que ela aproveite a infância, né?
Mas muitos pais quando parece que ganhou
troféu, quer que o filho lê o livro? Vai
ler esse livro.
Como lidar com essas emoções desses
pais?
É, eh, [risadas]
tem um amigo da mensa que ele fala que a
inteligência é super estimada. Eu diria
que que é verdade. Quando a gente tá
falando aqui durante toda essa live e
nas próximas que virão e e as que já
passaram, a gente sempre fala sobre o
tema, mas pensando na qualidade de vida
do indivíduo e não para que ele brilhe
porque ele é melhor do que alguém,
porque não somos melhores. A gente é um
ser humano como qualquer outro. Se a
gente for pensar em quem é melhor do que
o outro, melhor assim em termos de
produtividade, né? Se for pensar em ser
melhor, a gente tem que ver como que tá
sendo usado a inteligência e não qual é
o tamanho da inteligência, porque você
pode ter uma auto inteligência e não
usar para nada. E aí também e eu eu
tenho outro que de repente ele não é não
tem auto quei, mas ele tem uma
disciplina tão boa pros estudos e ele
ele é voltar é tão disciplinado e ele
foca num projeto tão bacana que ele fica
ele ele ele traz muito mais coisas
benéficas paraa sociedade do que aquele
outro que não se dedicou a isso. Então,
quando a gente traz aqui esses temas, é
pensando na qualidade de vida do
indivíduo para que ele seja mais feliz,
até para que ele encontre o que faz
sentido para ele como ser humano, como
como missão de vida dele, porque a minha
missão de vida provavelmente seja
diferente da Aline, que é provavelmente
diferente de de outras pessoas, porque
somos seres únicos, cada um tem a sua
visão do que que é o mundo ideal e de
qual que é o nosso papel no mundo
também. Os pais é muito comum os pais
terem ideias ou ideologia do que ele
quer do filho e aí ele fica idealizando
um filho. Tanto que é muito comum quando
descobre, por exemplo, que o filho tem
autismo, aí tem o luto. Quando
dependendo da família se descobre que o
filho é da comunidade LGBT, a é um outro
luto. Então assim, às vezes a gente cria
alguns papéis para colocar os nossos
filhos e nem sempre aquele papel serve
pro nosso filho e ele vai seguir a vida
dele. Quando eu soube da e e assim,
gente, a gente não controla nem a nossa
vida, a gente não tem controle nem no
nosso próprio corpo. A gente não pode
decidir nem qual é o momento que o nosso
coração vai parar de bater ou não. Nem
isso a gente controla, como que a gente
vai exigir ou definir como será a vida
de um outro ser pensante,
>> é
>> que vai viver da forma dele, porque
aquela criança, ela tem que ser
respeitada assim nas vontades e nos
desejos. é uma criança. O máximo que a
gente pode fazer é criar condições para
que aquela criança se desenvolva na área
que aquela criança decidiu, porque ele
tem em algum momento da vida dele, ele
vai começando a ter consciência do que
ele quer e isso deve ser respeitado. E
essa independência de de liberdade para
decidir é muito discutido inclusive no
direito médico da criança poder decidir
sobre muitas coisas até no direito
médico, quanto mais sobre a no que
profissionalmente ela vai querer fazer
da vida. E aí até antes de começar a
live eu tava conversando com a Line que
eu eu fui identificada super tarde, né?
foi no final de 2024, então faz pouco
tempo, então foi uma identificação
tardia e para mim, apesar do luto,
porque demorou para entender, demorou
para cair a ficha, demorou para eu
aceitar esse essa condição de auto quei,
mas eu senti um alívio gigantesco de
isso só ter acontecido depois que eu já
era adulta, porque eu fiquei pensando,
graças a Deus, ninguém ficou me enchendo
o saco para eu fazer nada da minha vida,
ninguém ficou querendo corrigir os meus
erros. Eu pude errar todos os meus
erros, eu pude fazer tudo que eu quis.
Eu pude fazer as minhas escolhas sem
pressão do meu pai, sem pressão do
professor, sem pressão de ninguém. Então
eu, apesar do luto natural, porque a
gente demora um pouquinho para, né, para
processar a informação, eh, mas eu
fiquei muito aliviada porque ninguém
ficou a minha vida toda me dizendo o que
que era para eu fazer.
E se alguma vez ficou, eu e consegui
ignorar, porque não era ali meu pai e
minha mãe exigindo, né? Então, como não
foi meu pai e minha mãe exigindo, outro
que palpite a gente só releva ainda. Se
eu falasse alguma coisa do tipo a minha
mãe, a minha mãe, para com isso, menina,
essa é a sua decisão, essa é a sua
escolha. Então, assim,
>> linda, mãe, parabéns para sua mãe.
>> Ah, minha mãe é uma fofa e o meu pai
também sempre me deixou muito livre para
eu ser eu, né? E então é isso. Então o
que eu poderia dizer pros pais para
buscar terapia, porque isso eu peço para
todo mundo, não é uma crítica, é um
privilégio. Já disse que é um privilégio
fazer terapia. Então para esses pais eu
acho que é maravilhoso poder fazer
terapia e poder cuidar da própria saúde
mental até para que as nossas questões
pessoais não sejam transportadas para
virar um problema para as nossas
crianças, né? Cada um com seus
problemas. Então deixa as crianças com
problema deles, não com o dos pais, né?
Porque é senão fica uma carga muito
pesada.
>> É, seria muito pesar para essa criança,
né? Imagine a sua infância, você tem que
estudar, estudar, estudar, estudar e o
brincar
>> não e sai da escola e continua tendo que
brincar e continua tendo que estudar.
Claro que eventualmente essa criança não
queira brincar por conta do das questões
que eu tinha falado antes, porque é um é
uma não encontrou seus pares, não
encontrou gente legal que ela tenha
motivação para aquilo, mas aí é tem que
partir da criança. Se a criança não for
brincar, ela também tem o direito de não
brincar, né? Então não tô falando, ah,
força a criança brincar, não. A a
>> deixa a criança ser a criança, né?
>> Deixa a criança falar. própria decisão.
Se não brincar, eu tô afim, eu vou
estudar. Criança escolhe,
>> né? Criança comabilidade,
>> ela pode escolher o que ela quer, né?
Mas que não sejam forçados os pais, né?
>> Os pais não projete o que eles queriam
para eles, para o seu filho, né?
Projetar pro seu filho. Isso não é bom.
[risadas] Vocês que estão aqui nos
assistindo, coloca aqui as suas
perguntas aqui no chat pra gente fazer
aqui para Argênia, que a gente já tem
uns 10 minutinhos aí para vocês. Fique à
vontade. Coloca a sua região também aqui
no nosso chat e também siga nosso
Instagram, Tesouraz oficial. Siga o
Instagram da Ibenil São Paulo e também
segue o Instagram da Argênia. Argênia,
fala seu seu Instagram. Argên Silva
>> e do Mensa, do Mensa também. Pode só
difícil, só é difícil memorizar o
Argênia porque o Silva é fácil depois
>> práticrar
o meu nome, aí a pessoa já espera um
sobrenome sofisticado, né? Não é o mais
brasileiro possível.
>> Mais brasileiro possível. E da mensa,
como que qual é o o o Instagram da
mensa?
Eh, é mensa. Eu só digito mensa e já dá
certo. Deixa eu ver se se como que tá
aqui. Eu já confirmo para você
rapidinho.
>> Mensa Brasil.
>> Mensa Brasil. Só digitar Mensa Brasil
que já vai direto pro Instagram, né?
>> É, esse no mês passado a gente fez 24
anos aqui no Brasil. Eh, mundo porque ó,
a Mensa é uma associação sem fins
lucrativas. Sem fins lucrativos. Ela foi
fundada na década de 40, no momento
pós-guerra mundial. Então, a ideia
quando foi fundada lá na Inglaterra em
1946,
a ideia é reunir pessoas com alta
inteligência para colocar essa
inteligência a serviço do mundo,
pensando em criar qualquer coisa ou
qualquer solução, projeto para
beneficiar a sociedade de uma forma
geral. Então, é um projeto muito bonito,
muito legal. O que que a gente vê que
acontece hoje na prática, tá? A gente
acaba usando muito a mensa para
encontrar nossos pares, então assim,
para buscar um momento de acolhimento,
de trocar ideia, ver o que acontece com
a gente, se aconteceu com o nosso colega
também, eh como foi o meu passado, se é
parecido com o passado do meu colega
também, se as minhas emoções, meu, como
que é? E aí a gente vê que as histórias
se repetem muito e a gente, claro, é um
recorte da sociedade, então claro que
vai ter pessoas que a gente vai gostar
mais, vai ter pessoas que a gente tem
menos afinidade naturalmente, mas quando
acontece de a gente criar conexão, são
conexões instantâneas e são profundas e
parece que a gente conhece a pessoa
desde sempre. Então, eh, seria a gente
essa ideia, né, de a gente encontrar os
nossos pares, encontrar pessoas que têm
ali um processamento parecido com o
nosso e, claro, respeitando as
diferenças de cada um, porque cada um
tem ali a sua personalidade, as suas
questões e tudo mais, mas o
processamento cognitivo é muito
parecido, então acaba sendo um lugar de
acolhimento. E aí na mensa a gente faz,
a gente tá fazendo palestras com
frequência, inclusive na próxima semana
que vai ser, vai ter o dia do advogado.
dia 11 de agosto, dia do advogado.
Então, a gente vai fazer,
>> porque a Luna também vai estar com
vocês, né? A nossa aluna.
>> Ah, a Luna. A Luna exuna que é do
projeto Tesouro Azul, que ela é
brilhante, advogada brilhante, ela vai
est palestrando pra gente para falar
sobre os direitos do dos de pessoas que
têm autismo. Então vai ser uma semana
inteira só gente boa assim de qualidade
técnica para falar sobre assuntos que
são importantes pra mensa, mas que eh
paraa mensa sim, porque pra mensa é
muito importante debater aqueles temas.
Então, a gente vai falar sobre o ECA
digital, porque a gente tem muita
criança na mensa
>> e as crianças estão nas redes sociais,
então a gente precisa falar sobre isso,
principalmente com a a implementação do
ECA digital no final do ano passado. A
gente vai falar sobre LGPD, eh,
inclusive porque a Mensa trata, trabalha
com muitos dados sensíveis, inclusive,
e, e são temas que raramente a gente vê
de forma aberta, assim, de
gratuitamente. É muito difícil encontrar
um profissional dessa área. A gente vai
ter na semana jurídica. O primeiro dia
vai ser um advogado especialista em
direito para a população com
superdotação. E aí ele vai falar de de
educação inclusiva.
E aí a gente tem outros temas todos
lotados para essas áreas que eu falei
que são assuntos interessantes paraa
mensa e claro que para muita gente,
porque quem tem eh quem tem o autismo ou
algum parente que tenha é muito
interessante de assistir a palestra.
Para quem tem superdotação ou conhece
alguém que tenha também é interessante
assistir. Esse é uma semana maravilhosa.
Semana que vem vai ser a semana
jurídica, na semana seguinte é a semana
da psicologia. Então a gente também vai
ter uma sequência de palestras todos
voltados para saúde mental e vai ser
gratuito. Então já fica o convite para
todos. Fica o convite para todos aí.
para ficar disponível na no Instagram da
mensa, então é só acessar e participar
com a gente.
>> Ai, ótimo. Tô até o palmas aqui para
mensa.
Que semana abençoada, a semana com a
Luna, depois vai a semana da psicologia
vai enriquecer muito a nossa sociedade,
né? Ah, é um ensino, a gente aprende
sobre o outro através da informação.
Então, a informação vem conscientização,
né, Argentine? Eh, até a semana, até o a
gestão anterior, né, até o ano passado,
a mensa não fazia as eventos públicos,
né, não os nossos eventos eram muito
fechados só paraa nossa associação por
entender que, enfim, era essa
interpretação que tinha. Mas a gente
então nessa gestão a gente começa a a
expandir, a gente começou o ano com um
congresso científico aberto paraa
sociedade e a gente tem tentado trazer a
sociedade para esse debate sobre esses
temas que a gente entende como sendo
muito importantes, porque é a melhor
forma das pessoas entenderem a nossas a
nossa realidade e sem estereótipo, sem
essa história de mito, sem achar que a
gente tá acima de ninguém, porque a
gente definitivamente não estamos, a
gente só é diferente no processamento
cognitivo. Só todo o resto a gente é um
ser humano como qualquer outro ser
humano. E a gente quer continuar errando
os nossos erros porque a gente é um ser
humano que eventualmente vai errar
mesmo. Aliás, a gente erra igual a todo
mundo. Então, a melhor forma da gente
fazer isso é convidando a população
paraas nossas pros nossos eventos.
Claro, não tem alguns que são realmente
reservados porque realmente precisa que
seja associado, mas sempre que possível
a gente pretende sim chamar a população
para essa conversa. até para eh fomentar
uma uma informação mais científica, mais
técnica, sem sem muito mito, sem
estereótipos, sem preconceitos.
Então, vai ser vai ser é um prazer,
gente, vocês participarem dos nossos
eventos, vai ser um prazer, com certeza.
>> Então, ó, gente, entra no Instagram do
Mensa Brasil e se inscreve nas
palestras. Vai ser um prazer de vocês
aprenderem mais a informação para essa
conscientização.
Então, entra na mensa, depois
compartilha conosco, a gente vai
compartilhando com outras pessoas, tá
gente?
>> Isso é importante, a gente fazer essa
parceria que é uma parceria abençoa a
vida do outro e, né, que nem todo mundo,
nem tudo o tesouroz,
então a gente precisa de parceiros, né?
Então a parcerias é essa forma de
trazer, olha, entra, entra no Insta, vai
lá, faz a inscrição e participe.
>> E a melhor forma de divulgar informação
é a união, né? A gente
para projetos positivos e bons e começar
começar o trabalho todos unindo em prol
do próximo, né? Isso que é importante,
né?
Meu amor, eu gostaria agora nas suas
considerações finais, Argênia. Realmente
essa live foi enriquecedora, meu amor.
>> Ai, que bom. trouxe, trouxe bastante
informação, formações tanto para pros
pais, profissionais na área da saúde,
profissionais da área da educação e
também mudou o nosso olhar, né, também,
né, da gente tirar os mitos, os rótulos,
isso traz muita enriqueceu. A, eu amei
essa live.
>> Ai, que bom. Foi muito feliz. muito
preciosa, você sabe, sou muito preciosa
para ah fazer teu coraçãozinho.
[risadas]
>> Você poderia fazer suas considerações
finais, meu amor?
>> Sim. Primeiro eu queria agradecer
novamente ao convite, a oportunidade de
estar aqui de novo. Admiro muito o
trabalho do tesouro azul e todo, né,
tudo que a Aline representa enquanto eh
fundadora aí do projeto e e de forma
muito ativa, né, trabalhando de forma
muito ativa. Então, muito obrigada. É um
prazer táar aqui. Obrigada a todo mundo
que tá participando. Eh, eu gostaria,
como últimas palavras, eu diria o
seguinte: eh, em termos de altas
habilidades e superdotação,
é um processamento cognitivo
diferenciado, mas ele não é só isso, né?
A nós somos seres humanos como qualquer
outro, a gente vai errar também, a gente
tem as nossas fragilidades também.
eventualmente a gente pode sim ter
questões eh de dupla excepcionalidade ou
eh de algum transtorno psiquiátrico.
Isso é só ser humano, né? Não significa
que é bom e nem que é ruim. Significa só
que temos que analisar quem somos. ou
não tem nada disso, mas a gente tem a
nossa própria personalidade, a nossa
própria missão de vida, o nosso próprio
propósito de vida, a eh a nossa própria
forma de nos expressar e que tá tudo
tudo bem, assim como estaria bem com
qualquer outro ser humano. Então, a
ideia é que a gente pense no assunto sem
mistificar, sem muitos mitos, sem muito
estereótipo. Então aqui quando a gente
fala da da superdotação, a gente tá
falando de um processamento cognitivo, a
gente tá falando de uma inteligência.
Ponto, né? E aí quando a gente vai falar
de outras questões, aí são outros
assuntos que pode estar junto ou pode
não estar. Independente disso, gente,
eh, a melhor coisa, a acho que a melhor
o melhor caminho que a gente pode dizer,
se a gente não sabe como fazer
identificação, é acolher, acolher as
nossas crianças, acolher os nossos
adolescentes, seja com a parte boa ou
com a parte mais dificultosa nas
atividades deles, porque eles só
precisam ser eles, né? E aí a gente, o
nosso papel é buscar a melhor forma de
instrumentalizar que eles sejam eles.
Então se é buscando ajuda profissional,
a gente busca. se é dando mais alimento
cognitivo e pensando em uma aula que ele
pediu, um curso diferente, a gente se se
tiver ao nosso alcance a gente propiciar
e ou se não tem como dar o curso, mas
pensar em outras alternativas que que
facilite aquilo que essa criança tá
pedindo. Então é isso, a gente fazer
esse acolhimento com para com o outro,
não presumir que seja uma doença ou que
seja não presumir nada, buscar sempre
uma análise técnica sobre o assunto e
independente da análise técnica, acolher
enquanto outro ser humano. Um outro ser
humano que tem direito de ser quem ele
quiser ser. Não é a gente que vai dizer
quem ele é, é ele que vai dizer o que
ele é, quem ele é e o que ele quer ser,
né? Então eu diria isso. Muito obrigada
novamente, Aline. Muito obrigada quem tá
assistindo e e vocês estão todos
convidados a participar dos eventos da
mensa que a gente vai disponibilizando
lá nas nossas redes sociais, tá bom?
Obrigada, gente.
>> Gia aqui a a Fabi, ela falou uma
mensagem aqui que eu quero ler para
você, tá?
>> Gostei muito das dicas para identificar
essas características,
principalmente nas crianças do ambiente
escolar. Foi um momento de muito
aprendizado. Deus abençoe vocês.
Parabéns, Argênia. Você é um instrumento
de Deus nas nossas vidas. Louva a Deus
paraa sua vida e você sabe o quanto é
amada e preciosa aqui pro nosso projeto
tesouração. Obrigada, Lini. É muito
recíproco, viu? Muito obrigada.
>> [risadas]
>> Então, eu quero agradecer também a todos
que estão aqui nos assistindo.
Compartilhem a nossa live, eh, marca o
sininho aqui para vocês receberem
notificações as lives da IBNU também.
Compartilhe com as pessoas que vocês
queiram que ela aprenda um pouco mais
sobre altas habilidades, que a gente tá
ajudando essas famílias, essas crianças,
esses adolescentes, esses adultos a se
pra gente olhar para eles com maior
cuidado, né? Muitas vezes precisa, como
a Argênia falou aqui, tirar os fótulos,
tirar os mitos e olhar para eles de
qualquer diagnóstico. Olhar como pessoa,
como um ser que tem emoção, emoções,
sentimentos
e tem tanto a nos ensinar, né? Que Deus
abençoe. Uma ótima semana. Daqui um mês
a gente volta com outro, uma outra live
e dessa vez a live vai vir pro pessoal
do Japão, hein, gente. Então fiquem,
fica no aguardo. Deus abençoe.
Ótimo final de semana. Só pensar.

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