Davar Live – 28/08
29/08/2026
Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
Fala pessoal, bem-vindos a mais uma live aí. Boa noite para todos. Boa noite aqui já pro Mateus que já tá aqui já esperando, já tá comentando algumas coisas aqui. E bem-vindos aí mais uma live do canal da VAR. Canal da VAR, que é o canal da palavra, né? Palavra davar é a palavra hebraica para palavra. Eh, e o que é interessante desse termo e é por isso que eu usei ele como o a palavra que que dar o nome pro canal, a palavra palavra, porque basicamente é o que a gente faz nesse canal, a gente fala é palavra também remete a ideia da palavra de Deus. Ah, a gente fala muito sobre Bíblia aqui, sobre religião, essas esse tipo de coisa. Então, eh, a palavra davar em hebraico também é uma palavra interessante, porque ela é uma palavra assim com um campo semântico bem amplo, né? Que que eu quero dizer com isso? Quer dizer que a Dav pode querer dizer várias coisas, né? Ele, a palavra davar às vezes aparece no sentido de uma ordem, aparece até no sentido no hebraico mais moderno, no sentido de coisa, de objeto, né? Então, davar se torna uma palavra bem ampla, que é a cara que a gente tá tendo ultimamente aqui nessas lives do canal. A gente tá meio que falando sobre tudo, né? E bem-vindos aí vocês, então, a mais uma sessão de davar, de palavras, de coisas, de ideias, de mandamentos, comentários sobre mandamentos, de comentários de falação, né? Eh, quem estuda o Antigo Testamento sabe que uma a frase que mais repete no peitateu é vai da beira donar mochemor falou o eterno e falou o senhor a Moisés e disse, né? Eh, e é o verbo dabar que vem de davar e vai daber e falou. E essa frase e falou aparece com frequência aí no texto bíblico, principalmente no Pentateuco. Então é isso, bem-vindos aí. Bem-vindo o Mateus Dornelas que já tá colocou ali, já alguns comentários aqui. Já vou começar falando desses comentários aqui do Mateus, que ele já colocou antes de começar a live. Eh, vocês sabem que é um assunto que eu gosto, então eu já vou direto para isso daqui, né? Ele tá falando aqui: "Não consegui participar da live sobre o Senhor dos Anéis". Mas eu queria falar sem que sempre que reflito sobre o Smigle, eu fico triste. Para mim, ele representa uma pessoa que preferiu manter seus vícios, seu pecado, viver uma vida em liberdade. A gente consegue enxergar uma pequena melhora quando ele expulsa a segunda personalidade dele, o velho homem, e começa a ajudar o Floran. Mas no último minuto, quando ele olha para o anel pela última vez, ele corre direto para ele. Eh, e aí o Mateus tá falando aqui, Smigle é um personagem do do livro Senhor dos Anéis, dos filmes também. Que que eu acho do do Smigle, o Mateus? Na verdade, assim como o anel representa, o anel representa a ideia de tentação em si. E tem tem mais mais coisas além do que isso, né? Mas a ideia é que o anel, na verdade, ninguém resiste ao anel. No final, o que seria o grande o grande eh herói da história, que é o Frodo, ele também, no final, ele sucumbe ao anel. Ninguém consegue resistir ao o anel, que é a grande tentação. Ele representa todo o poder. Eh, e o Smigle é, digamos assim, uma vítima do anel. Ele devia ter morrido há muitos séculos antes, mas o anel o anel dá sobrevida a ele e ao mesmo tempo o escraviza, o escraviza nesse nesse desejo eh nesse desejo que que o possui ele completamente. Então tudo que ele faz, ele faz pensando num anel. No filme ainda tem esse diálogo, então tem parece uma sensação de um conflito interno onde ele tenta ser ser bonzinho por um tempo e depois acontece. O filme coloca esse aspecto a mais, mas no livro não tem muito disso. Meio que ele ele sempre quis na mente dele possuir o anel de uma forma ou de outra. E por mais que existam conflitos, esses conflitos estão sempre submetidos ao anel. Então eu vejo muito disso, da ideia da de um e a a ideia que você colocou de uma pessoa que que é viciada, né? Aquele que preferiu manter seus vícios, eu acho que ele nem preferiu, ele não consegue não, ele não consegue fazer outra coisa, sabe? é igual uma pessoa com um vício tão forte que essa pessoa não consegue tomar outra decisão. Aliás, isso aqui é interessante, né? O vício é um é um é um bom paralelo à situação do Smigle, porque ele é incapaz de fazer outra coisa. A ideia de vício, inclusive, eh, o vício acontece no mecanismo de recompensa do cérebro, em que, eh, existe uma discussão aí, por exemplo, se a pessoa pode ser viciada em comer doce, por exemplo. Normalmente pessoas que tm esse tipo de compulsão são mais entendidas como uma compulsão do que um vício, porque o vício normalmente é entendido como um mecanismo artificial. Por isso que você tem que ser uma droga, porque ele te dá uma recompensa, um prazer tão forte que você não consegue mais nas coisas que são naturais. E aí o que acontece lá nos receptores dos seus neurônios, quando você tem a sinapses, eles começam a se enfraquecer. O estímulo é tão forte, o estímulo de prazer é tão forte que os receptores começam a enfraquecer, eles vão diminuindo, eles vão se tornando insensíveis, ou seja, eh, o cérebro tenta balancear esse estímulo de de prazer tão forte que aí a pessoa sente uma anedonia, que se fala, a pessoa começa a não sentir mais prazer nas coisas comuns. Isso é um mecanismo assim fisiológico acontecendo no cérebro dela, não é uma decisão dela. Ela se torna incapaz de sentir prazer em coisas que ela sentia prazer antes, porque ela tá sempre esperando esse essa bomba de prazer tão forte no cérebro dela que é o uso do uso da droga, né? Eh, é interessante o o Smigle ter um processo tão parecido numa época que o o vícios em drogas, bom, apesar que o token morreu lá por volta dos anos 70, né? Então ele já conhecia bem como que era na prática esse vício em droga. Mas é meio que de certa forma esse anestesiamento é o que faz quando uma pessoa ficou obsessiva com uma coisa, quando a vida dela gira em torno de buscar uma coisa específica, um prazer específico. E é isso que acaba acontecendo, né? Então para mim o Smigle tá dentro dessa ideia aí. Eh, desculpa aí, gente. Já começamos com um assunto bem de nerd, bem específico. Quem não conhece, não leu ou não gosta do senhor Anéis, não, não, não vai se conectar muito com isso daqui. Bom, e aí temos aqui o Carlos. Carlos já falando Devarim, né? O o Devarim, que é o o livro de Deuteronômios, né? Essas são as palavras que vem da palavra davar também, né? Eh, boa noite aí pro Carlos, boa noite pro Aid. Eh, pro Daniel que tá aí, Daniel Algo Verde, pro Rui e pro Johnny. Eh, o Carlos já tá falando que o som tá normal aqui, né? Eh, o Johnny tá falando que o som tá meio baixo, né? É, eu não sei, Johnny, se se alguém mais tiver com som baixo, me dá um toque. Eu tô usando assim a configuração zerada no normal, que eu tô sempre usando aqui, então não tenho certeza. Eh, eu não sei se daria para mexer muito, mas vocês me avisam. Se tiver baixo, eu tento dar um jeito aqui. Bom, gente, então é isso. Eu tava comecei aqui só com os comentários aqui que o Mateus já colocou no começo e eu gosto de falar sobre esse assunto e acabei caindo nele. O senhor dos anéis de novo, né? O senhor dos anéis é uma obra interessante porque o o token era cristão, né? E por mais que o Token tenha escrito muito sobre a ideia de que ele não tá com o Senor Zanéis fazendo um uma alegoria de nada, ele não tá eh querendo, igual por exemplo em Narnia, né, as crônicas de Narnia, o CS Lubis, inclusive era amigo conhecido do do do token. Eh, as crônicas de Narnia são uma grande alegoria pro evangelho. E o token se preocupou em escrever, falando: "Olha, eu não tô fazendo uma alegoria de nada, não tô me referindo a nada específico." Mas aí, eh, mesmo assim a gente percebei que se refletem aí. Por exemplo, o Token foi um veterano da Primeira Guerra e a ideia de guerra é muito presente nos senhores anéis, né? Eh, a é meio que você percebe que é alguém que teve em campo de batalha, que escreveu esse livro, né? Então, tem várias ideias interessantes aí. Eh, o ID falando, "Eu tô na igreja agora, vou ter que rever em casa o episódio de hoje". Legal. Eh, bom, boa noite aí pro Andrio. Andr de Freitas, Malu Rocha, sou maior de idade. Tá bom. Boa noite, R. Qual das parábolas Jesus chama mais a sua atenção? Para mim é do tesouro escondido no campo. Diz aqui o o Patrick Schunk. Patrick, poxa, tem tantas, né? Olha, eu eu vou dizer que ah, que eu tenho eu tenho eu é que eu tenho um sermão sobre a parábola do bom samaritano. Eu acho que eu já até falei aqui o que que é o o meu sermão. Eu não sei se dizer que é a que eu gosto mais ou que chama mais a minha atenção, mas é uma das que eu mais me dediquei para falar sobre ela, porque tem algumas ideias interessantes aí na parábola do bom samaritano, né? Eh, tem um um detalhe que acho que faz bastante diferença na parábola, que é uma algo que tá meio que pressuposto para quem tá no contexto ali da época de Jesus e tal, eh, que é a que o o tanto o sacerdote quanto o levita, eles não podiam tocar em mortos. A parábola, inclusive tá escrito lá, tipo, claramente, a pessoa que foi deixada na beira da estrada estava como um morto. Ele tinha uma aparência de morto. Então, quando o sacerdote, o levita passam no outro lado da estrada, eles não estão sendo só maldosos, eles estão cumprindo uma lei. E isso coloca uma perspectiva bem interessante aí na parábolo, porque a ideia no final das contas é ã a bom e desculpa, vamos lá, vamos organizar a as ideias aqui. A parábola é contada para responder uma pergunta: quem é o meu próximo? Então, e ela não é jogada, né? Ela vai, ela colocada dentro desse contexto aqui. O contexto da parábola é: "Quem é o meu próximo?" E Jesus falou: "Bó, você tá me perguntando quem é meu próximo? Então deixa eu contar uma história para você." E aí ele conta a parábola do bom samaritano. E aí no final, como eu tava falando, o centro da da parábola é quem foi o próximo da pessoa, tal, ou seja, quem acabou fazendo a vontade de Deus, por mais que esse termo não seja usado, mas a ideia é quem faz a vontade de Deus é mais aquele que se dispõe a ser misericordioso com o próximo, do que aquele que tá seguindo estritamente as as leis certinhas, sabe? Eh, nesse caso, Jesus usa um caso em que seguir as leis estritamente pode te afastar de fazer a vontade de Deus. Seguir as leis, as leis de Deus, cegamente, estritamente pode te afastar de fazer a vontade de Deus. Porque ao seguir as leis estritamente, eu não posso tocar em mortos. Então, tô vendo uma pessoa ali parece morta, eu vou até passar longe, quando na verdade a vontade de Deus seria você ser misericordioso com essa pessoa, entende? Eh, esse é o primeiro ponto que é uma discussão sobre a lei, a a lei estritamente literalmente escrita e a lei que é maior do que ela. Aí vem a toda aquela discussão que a gente já falou aqui, né? Eh, aquela pergunta clássica, né? Se você tivesse lá na Segunda Guerra Mundial escondendo os judeus no seu porão e alguém batesse na sua porta, um oficial lá da SS batesse na sua porta e falasse, perguntasse para você: "Você está escondendo judeus no seu porão?" O que seria moralmente correto nesse caso? Falar a verdade ou mentir? Então, existem leis que devem ser quebradas em contextos específicos para você manter princípios mais importantes com a misericórdias, com a bondade, como o próprio amor e assim por diante. Entende? Então, esse é um elemento que tá na parábola que eu acho interessante. E um segundo é que Jesus inverte a pergunta, né? A pergunta era: "Quem é o meu próximo?" E no final Jesus conta a parábola do bom samaritano e vira lá para pro fariseu e pergunta: "Bom, quem foi o próximo dessa pessoa?" Ou seja, a pergunta já tá errada. A pergunta não é: "Quem é meu próximo? Eu vou reformular essa pergunta para você. De quem você está sendo próximo?" E aí Jesus inverte essa pergunta, reformula essa pergunta e e com a parábola do bom samaritano como uma moldura para essa reformulação da pergunta: "Quem é meu próximo?" Então eu eu acho eu gosto bastante dessa parábola por todas essas questões aí que estão envolvidas, entende? é a que tô é a parábola que eu tô mais eh que eu tenho me dedicado mais a falar sobre ela, a pensar sobre ela nos últimos tempos. Bom, o Johnny tava pergunt, eu não sei se é o Dion ou a Dion, eu leio aqui só Johnny da Rosa. Então eu não sei qual é o qual é a pressão, porque tinha que o Aid também no começo eu pensava que era a AID. E aí depois ele falou: "Não, eu sou o Aid." E aí a gente acaba se confundindo, né? Eh, aí ele pergunta aqui ou ela, o Dion, qual vai ser eh o este o tema, qual vai ser o tema dessa live aqui? Então, essa live aqui, o que a gente tinha uma coisa que a gente tinha deixado em aberto na última live e que eu queria trazer para essa live aqui é os textos que falam da ideia do sacrifício feito desde a fundação do mundo. A, o Dion, beleza, fechou? Então, eh, o sacrifício que é feito desde a fundação do mundo, mas como vocês sabem, né, o tema que a gente traz aqui é mais um argumento, um argumento inicial, porque a gente vai trazer um tema aqui pra gente começar uma conversa que já tá começando aqui, já começou, né? E aí a gente a gente vai destrinchando, desdobrando ela, né, da da BBTS de Curitiba, Betion de Curitiba. Ah, legal, legal, Johnny. Eh, bom, gente, como a gente tem feito ultimamente, dando uma olhada aqui nos comentários que tiveram essa semana, não teve muita pergunta específica, né? Eh, mas eh, por exemplo, a Maria Conteszin coloca aqui, seria interessante fazer uma live sobre a interpretação tipológica do livro dos cânticos de Salomão, se é que há. Aí a minha questão aqui seria o que exatamente ela quer dizer com uma interpretação tipológica. E aqui tem uma outra questão que eu que a gente pode comentar também. Eh, provavelmente o que ela tá falando dessa tipologia talvez seja sobre isso, né? uma tipologia de Cristo. Então, sobre o o livro dos cânticos ser uma uma espécie de uma alegoria à pessoa de Cristo, né? Eu eu não costumo olhar pro livro de de Cantares dessa forma ou cântico dos cânticos, né? Dessa forma. Eu gosto de olhar pro livro dos cânticos como uma celebração do do amor de um homem para uma mulher, de uma mulher para um homem. né, o a celebração do amor erótico, digamos assim, né, do amor EOS, como a gente tinha comentado umas lives atrás, né, desse tipo de amor romântico ou até sexual, tem uma conotação sexual aí em várias partes do livro. Eh, então eu vejo o livro mais com uma como isso, com uma celebração desse aspecto da humanidade. Nossa, gente, deixa eu só fechar a janela aqui porque tá um barulho lá fora. Hoje deu uma esquentada, né? Então, tá difícil deixar as coisas fechadas aqui. Talvez daqui a pouco eu abra de novo. Eh, mas eu não gosto de ver o livro de, enfim, eu não gosto de ver o livro de Cantares como uma alegoria. Então, eh, eu prefiro ver ele dessa forma, que é o que tá mais explícito no texto. Olha, normalmente, normalmente eu não gosto de ver os livros como uma alegoria, a não ser que o livro seja muito explícito em falar que ele é uma alegoria. O fato é que o livro de Cantares muitas vezes ele é interpretado como uma alegoria porque o tema dele, o tema explícito do livro é muito desconfortável para uma certa tradição religiosa, entendeu? Que é sexualidade, que é o amor romântico sexual e essas coisas, né? Então, por isso se alegoriza tanto o livro de Cantares. Esse é um aspecto. Um outro aspecto, eh, que é um tema que há um tempo atrás era um era uma polêmica mais comum na internet, que é uma ideia, eu não sei, gente, eu não sei direito, eu eu não sou tão entenado nas tretas teológicas de internet, então eu sei que tinha uma treta aí, eu não sei exatamente como começou, quem é que falou e quem é que discordou sobre a ideia de Cristo ser a chave, a chave hermenêutica do Antigo Testamento. Cristo é a chave hermenêutica do Antigo Testamento. Olha, eu tô partindo aqui tudo do pressuposto que essa pergunta sobre Cantares, essa pergunta sobre interpretação tipológica do livro de Cantares tá se referindo a a a interpretar como a tipologia de Cristo, como Cristo sendo eh o o significado do livro de Cantébes, né? Então eu concordo e discordo ao mesmo tempo dessa frase que Cristo é a chave hermenêutica do Antigo Testamento. Porque depende depende do que você quer dizer como chave hermenêutica, do depende do que você tá falando como Antigo Testamento. A ideia de que o Antigo Testamento como um todo, ele ele deixa antecipada a ideia da vinda do Messias, beleza? 100% fechado com essa ideia. Ele deixa um um uma ai, como que se fala? Uma expectativa pra vinda do Messias 100%. Então, nesse sentido, eh, Cristo acaba sendo uma uma chave hermenêutica do Antigo do Antigo Testamento. Beleza? Mas por outro lado, dependendo do que você tá querendo dizer com essa frase, ela começa a ficar meio non sense, porque, sei lá, o o a ideia de que Cristo ele tá oculto em cada um dos versos do Antigo Testamento já começa a ficar meio sem sentido, sabe? Porque quando eu pego, sei lá, um verso raveiro ravalin, raccolo, raveiro, né, um vaidade, vaidade, tudo é vaidade, a frase lá central do livro de Eclesiastes, tá? como Cristo me ajuda a interpretar esse verso. Tipo, não tem muito a ver. Por mais que Cristo seja o centro da fé, da fé cristã, eh, isso é importante, mas a Bíblia trata de vários aspectos da fé, vários aspectos, inclusive aspectos que não são tão diretamente ligados a Cristo, né? ou como a gente tinha comentado algumas lives atrás, até a própria ideia de Deus de forma explícita, o livro de Rute, por exemplo, não tem a palavra Deus. Deus não é mencionado no livro diretamente, né? Então, eh, a Bíblia trata de muitos aspectos da espiritualidade da vida humana, do aspecto humano, da, da, do, da, da da da experiência humana no mundo. Então, dizer que Cristo é a chave hermenêutica de do Antigo Testamento como um todo, como todas as ideias, todos os as o o os versículos do Antigo Testamento, de alguma forma Cristo vai ajudar você a interpretar ele, aí eu já acho meio viajado. E o problema é que quando você fala que Cristo é a chave hermenêutica do Antigo Testamento, assim, de forma tão categórica, meio que isso fica implícito, entende? Então, eh, eu fiquei pensando nessa ideia quando eu vi esse comentário aqui, né, sobre uma interpretação tipológica do Cântico dos Cânticos. Então, é isso. Eh, [roncando] eu não tô olhando aqui os comentários, não sei se alguém tá falando sobre isso, né? Eh, tá. Não sobre isso não. Então, beleza, vamos seguir. Eh, aí algumas outras pessoas fizeram outras outros comentários aqui. Não tem realmente como atribuir literalidade quando o próprio autor e e os números deixam claro que se trata de símbolos e tal, né? Eh, um comentário que a gente tá falando sobre também essa ideia de de do que que é literal e simbólico, tal. Eh, de fato, e também não tem como atribuir eh simbolismo quando o autor não dá espaço pro simbolismo, quando o autor tá sendo só literal. Só tá contando uma história mesmo, mesmo que a gente considere uma coisa que é um morte aqui, que eu falo, mesmo quando é literal também é simbólico, beleza? O que não significa que é uma alegoria, entende? Eh, a gente de vez em quando volta de novo nesse tema. E aí o Daniel, o Daniel tá aqui na live, né? O o Daniel Algo Verde coloca aqui, Roney, não sei se já comentou Eclesiastes 3 sobre o tempo, segundo o ditado, o tempo cura tudo. Não nessa perspectiva, mas Eclesiastes 3 a gente de vez em quando cai nele também. Aqui existem alguns buracos negros em volta da gente com puxando a gente o tempo todo. A gente de vez em quando, alguns temas que a gente de vez em quando cai neles e para mim não tem problema repetir eles. Se para vocês ficarem muito repetid muito repetitivo, vocês podem comentar à vontade, tá bom? Eh, mas eu gosto da perspectiva lá de Eclesiastes 3, quando ele vai falar, é que eu acho que o ponto não é que o tempo cura tudo, o ponto é mais existe um tempo para tudo. Inclusive, existe um tempo para cura e existe tempo para se ferir também. Ou seja, a experiência humana acontece dentro do tempo. E é a dimensão do tempo que estende essa experiência, que faz essa experiência se ramificar em vários aspectos, em várias perspectivas, né? É porque a gente tem um certo tempo de vida que a gente vê guerra e a gente vê paz, que a gente vê o abraço e o se afastar de de abraçar, que a gente vê o nascimento e a gente vê morte. Então é a dimensão do tempo que dá existência para essa experiência humana, né? Então eu acho que é mais nesse sentido lá Eclesiastes 3, né? E aquela ideia também que Deus colocou a eternidade no coração do homem também. A gente já comentou disso aqui um tempo atrás que tá muito mais no sentido de Deus colocou algo muito maior no coração do homem do que a experiência que ele consegue observar. Porque o homem ele tem uma uma perspectiva de infinito, embora ele seja finito. Então ele olha para as coisas, ele não consegue entender tudo do começo até o fim. Embora ele perceba que exista um começo e um fim, ele ele experimenta só uma parte, o tempo que ele vive, né? Porque esse é o verso lá de Eclesiastes 3, que normalmente as pessoas falam só da de um pedaço do verso, não falam da outra parte do verso. Vou até abrir aqui pra gente ver que eu gosto de falar desse assunto também. É, Eclesiastes é um grande buraco negro que a gente sempre é sugado para ele aqui. Eh, o verso 11, né? Eclesiastes 3, verso 11. Deus foi todo formoso no seu devido tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano, sem que esse possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim. Então, existe o o a a ideia de Deus colocar a eternidade no coração do homem tá dentro da perspectiva de que o homem não consegue experimentar a obra de Deus do começo até o fim. ele experimenta só um pedaço, uma parte, a parte que que ele é limitado no tempo e e no espaço para conseguir experimentar. Então, a apesar de ele ter uma ideia de infinito, ele só vê parte, né? E também tem um um outro aspecto bem interessante aqui, que é a o a palavra que aqui é colocada como o infinito, a eternidade ou o universo ou o mundo. São todas essas possíveis traduções paraa palavra olam no hebraico, né? Universo, mundo infinito, eternidade, eh, digamos assim, é tudo que é conhecido tanto no tempo quanto no espaço. Isso é olam. Inclusive a palavra mundo cabe aí também, porque você nessa na época em que esse texto foi escrito, você não tinha uma ideia separada de mundo e de universo, como se o universo fosse em vários mundos. Eh, isso é uma ideia muito posterior, né? Isso é uma ideia que vai vir lá com o o Ah, gente, eu odeio esquecer o nome das coisas e eu faço isso com frequência aqui na live. o nome do cientista, de um dos maiores cientistas que que já existiram, os o cara que descobre lá a gravidade, o Newton, tá? Eh, não descobriu a a gravidade, ele ele, digamos assim, ele organizou a ideia de gravidade em termos científicos, como a gente conhece hoje, né? É, é mais na época de Newton que a gente começa a entender o universo como uma junção de vários mundos. É nessa época também que você tá começando a entender mais o o que o o o planeta Terra não é o centro do universo. E com a ideia de gravidade de Newton, a gente não é nem o que tá embaixo e o que tá em cima. A gente é só uma esfera que atrai coisas. Existem outras esferas flutuando no espaço também atraem coisas, né? Então, só nessa época que se começa a pensar o mundo diferente da ideia de universos, que a gente vive num mundo específico, existem outros mundos, eh, e existe um universo muito grande, né? Até aí é tudo a mesma coisa. Por isso, voltando, né, a palavra olam significa todas essas coisas ao mesmo tempo. E a palavra olam também tem uma conotação. O Rechel vai comentar disso, se eu não me engano, era no livro do dele do Shabat. é que a palavra olam a gente consegue entender, por exemplo, no no árabe alam, que seria um cognato do olam, que significa também mistério. Existe uma conotação de mistério na palavra olama. Então, quando Deus coloca eternidade, ele quer dizer no sentido de ele colocou algo que é muito grande para se entender. E é por isso que o homem não entende as obras que Deus fez desde o princípio até o fim. Então, a ideia de Deus colocar o universo no coração do homem é Deus colocar uma incógnita imensa, infinita, no coração do homem. Então, tem essa conotação também. Eu gosto de pensar esse verso nesse sentido. Então, não fica restrito aquela ideia de que, ah, a gente, Deus colocou um infinito no coração do homem, então o homem sempre sente um vazio que só pode ser preenchido por Deus. Para mim, esse verso não tá falando disso, né? Eu sei que essa é uma interpretação bastante comum, bastante popular desse verso, mas para mim não é disso que o verso tá falando, né? Eh, bom, passamos Eclesiastes 3 aqui, então vamos seguir. Eh, bom, é isso do de forma geral, é isso que a gente teve de comentários essa semana. Então, vamos lá. Já vê que o pessoal já tem várias vários comentários aqui, né? Eh, este é o eh é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele sabia que Jesus morreria, certo? Olha, Carlos, eu não sei exatamente se por esse verso dá pra gente ter essa certeza. Isso é muito curioso. Parece que exatamente o que Jesus ia fazer, apesar de parecer pra gente muito óbvio hoje, olhando em retrospectiva e tendo a interpretação dos textos do Antigo Testamento que a gente tem hoje, parece muito óbvio que Jesus iria vir sofrer e morrer, mas parece que na época não era tão óbvio assim. Então assim, é interessante a gente pensar que personagens bíblicos anteriores e até que conviveram com Jesus não tinham essa ideia de Messias que a gente tem hoje. Imagina, por exemplo, tipo, o que que Moisés pensava sobre a ideia de Messias? Eu imagino que muito pouca coisa. Eh, pelo menos olhando pros textos que são atribuídos a Moisés, né? Eh, você olha pro Pentateuco, olha, se a gente olhar para pro Pentateuco sem entender ele como sendo de uma autoria de Moisés, só vendo o personagem Moisés, ele não tem nenhuma indicação que Moisés tinha algum conhecimento eh do do personagem Moisés que é descrito no Pentateuco, que ele tinha algum conhecimento da ideia de Messias que a gente tem hoje como cristão, eh como um Messias que sofre e morre para espiar os pecados. E mesmo você sendo generoso, falando: "Não, Moisés escreveu todo o Pentateuco. Ele é o único autor do Pentateuco inteiro. Então tudo foi escrito. Mesmo assim ainda não é tão clara assim a ideia de um Messias sofredor. Por mais que tenha um ou outro verso que dê essa indicação, não fica tão claro. Então assim, eu olho para personagens do Antigo Testamento, mesmo que escreveram um texto bíblico, mesmo que escreveram textos que são messiânicos. Davi, que escreveu salmos messiânicos, talvez o próprio Isaías, para eles, na cabeça deles, não me parece tão claro essa ideia do Messias tão sistematizado como a gente entendeu depois de Jesus, entende? Então, eu diria que João Batista não sabia exatamente que Jesus ia de fato morrer como um um cordeiro sacrificial. Talvez João Batista estivesse se referindo a Jesus como o cordeiro que tira o pecado do mundo de uma forma mais alegórica, mais geral. Ah, ele tira o pecado do mundo tanto quanto um cordeiro que é sacrificado tirava o pecado, mas talvez ele não tivesse essa relação de ele também será sacrificado como cordeiro, entende? Então eu não sei se dá para eu não se eu não acho que o texto é claro em relação a isso, né? É que tá, a gente tá falando aqui de um de uma coisa mais especulativa. O texto não fala isso abertamente, então em de forma especulativa, eu diria que não, mas o texto não deixa claro, né? Bom, vamos lá pro pro tema então que a gente comentou aqui, seria o tema de hoje, né? Existem algumas coisas no Novo Testamento que são tratadas como coisas que acontecem antes da fundação do mundo, né? A ideia de salvação que antecede a fundação do mundo é uma ideia que é comum no Novo Testamento. Então, vamos ver aqui alguns exemplos, por exemplo, né? Vamos lá para Efésios capítulo 1. O livro de Efésios já começa com essa ideia praticamente. Então, quando a gente vai lá para Efésios capítulo 1, ele vai começar ali o verso 3 e verso 4. Vai, vou ler o verso três e o verso até o seis, vai. E bendito seja o Deus Pai. Deixa eu colocar aqui. Não, já tá. Nova Almeida atualizada. Eu gosto dessa versão. Bendito seja o Deus, pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. É bonito essa essa esse começo do livro, né? Depois dele fazer o prefácio, ele começa: "Bendito seja o Deus Pai", né? eh essa essa bênção em relação a Deus também, inclusive, só abrindo um parênteses, ela é muito comum dentro do judaísmo eh a ideia de bênção. Então, a ideia de você, várias ações no judaísmo moderno estão relacionadas com uma bênção específica. Você faz uma bênção para fazer coisas específicas. Você acorda, você faz uma bênção. Você come, você faz uma bênção. Você eh você lava a mão, você faz uma bênção. Você sai de casa, você faz uma bção. Tem. Então tem várias bênçãos. E essas bênçãos estão dentro de uma fórmula no judaísmo que é eh começa sempre com barur atá Adonai, né? Eh, bendito sejas tu, Senhor, né? Adonai aqui seria o nome de Deus, né? Eh, Yahé. Mas como no judaísmo esse nome não é pronunciado, então bendito sejas tu, Hashem, que é o nome ou Senhor ou o Eterno, eh, algum nome que se refira a a Deus, né? Um título que se refira a Deus. Eh, normalmente essa bção é um pouquinho mais entendida como baru ratadona. Então, bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus, Rei do universo, que nos ordenaste tal coisa, que nos mantiveste, que nos Essa eu adoro, que é sempre em em tempos festivos essa bênção que é feita pelos judeus, né? Rigiano lasman. Bendito és tu, Senhor, nosso Deus, sei do universo, que nos conservaste em vida, nos mantiveste e nos fizeste chegar a esse tempo festivo. Eu gosto muito dessa dessa bção, acho muito bonita, né? Então, tem várias bênçãos assim. Baronam bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que faz brotar o pão da terra. Borf, bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que que criador do fruto da vida. E então para cada coisa você tem uma bênção. E essa bênção, o que é interessante no no judaísmo e é o que aparece aqui nesse texto, é que a bênção, eh, o que que é uma bênção, né? Vamos falar sobre isso. Isso que é, acho que é um parênteses interessante aqui nesse nesse texto, nesse tema todo que a gente tá falando. Bênção é uma coisa boa, é uma dádiva boa. Então, uma coisa também que eu mudei minha percepção em relação a isso, a gente sempre tá acostumado a fazer uma oração para abençoar o alimento, mas essa é uma compreensão errada, equivocada das coisas. Provavelmente essa ideia de a gente tem que fazer uma oração para abençoar o alimento vem de um texto que fala que Jesus fez a bênção e partiu o pão e tal. Quando ele fala isso, não, ele não fez, ele não abençoou o alimento. Ele abençoa a Deus que deu o alimento, né? Que provavelmente foi essa bênção que eu falei aqui ou alguma coisa parecida. Eu não sei se na época de Jesus essa bênção já era organizada dessa forma como é no judaísmo moderno, né? Baru bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que faz brotar o pão da terra. Eh, hoje no judaísmo, no partir do pão, na cerimônia de partir do pão, essa bênção é pronunciada. Então, quando Jesus faz uma bênção, ele não tá abençoando o pão, porque dentro da compreensão judaica, isso faz muito sentido, o pão já é uma bênção. Então, você é abençoado pelo pão, não é você que abençoa o pão. Então, você agradece a Deus pela bênção que é o alimento. O alimento é uma bênção. Você não abençoa o alimento. Ele é uma bênção para você. Então, eh, a ideia de bênção às vezes a gente confunde. E aí tem uma coisa que é estranha nessa história, porque se a bênção é uma coisa boa, é uma dádiva, como que você abençoa a Deus? Como um homem olha para Deus e fala: "Bendito és tu, Senhor, abençoado seja Deus." Eh, inclusive em algumas tradições judaicas, quando você fala bar atadonai, dentro da liturgia do sábado, você se curva, porque é uma ousadia você abençoar o próprio Deus, que é o o a fonte de todas as bênçãos. Então, a ideia é que você não tá abençoando Deus, a Deus, mas você tá reconhecimento, eh, você tá reconhecendo aquele que é a fonte de toda bênção. Então, você reconhece Deus como o bendito, como o abençoado, né? Então, fecha o grande parênteses da ideia de bênção e voltamos aqui. Então, bendito seja o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Então, ele tá sendo grato por todas as bênçãos que Deus, o pai, Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, nos abençoou. Todas as bênçãos que são bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo, né? E aí o verso 4, que aí vamos voltamos pro nosso tema aqui. Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu nele para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. Nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito da sua vontade. Então, a ideia aqui é que todo aquele que aceita a esse Deus, aceita o seu filho Jesus, eh, ele ele reconhece que ele foi escolhido desde a fundação do mundo. É como se Deus tivesse escolhido todos. É porque aqui, só abrindo um outro parênteses, existe uma toda uma discussão sobre predestinação de duas correntes dentro do cristianismo moderno, né? A gente já falou sobre isso daqui em outra ocasião. O calvinismo e armenianismo. É uma discussão meio técnica, não é muito a minha praia esse tipo de discussão, porque aí o pessoal vai pegar uns textos e entender como historicamente esse texto foi interpretado e tal dentro da história do cristianismo. Já não curto tanto essa pegada, mas o ponto é, eu não sou um calvinista clássico no sentido de que eh o calvinista vai achar que se você foi salvo, você já tava predestinado para ser salvo desde o início. E se você se perdeu, você tava se já tava predestinado para a perdição desde o início. Eh, existe toda uma discussão sobre livre arbítrio. Aí também a gente também pode falar que livre arbítrio não é necessariamente um conceito bíblico da forma como a gente entende, ele é vem mais de uma tradição. O próprio termo livro arbítrio não existe na Bíblia. Mas de qualquer forma, eu tendo a interpretar esse texto, mais como ele não tá falando de pessoas específicas que foram escolhidas para salvação, mas que Deus eh escolheu toda a humanidade, predestinou toda a humanidade paraa salvação, ainda que alguns, digamos assim, virem à costas para essa salvação que lhes foi oferecida, que foi dada a eles desde a fundação do mundo. Então, qual que é essa ideia? Desde a fundação do mundo, existe uma uma salvação, existe uma eleição e uma uma predestinação para para salvação, né? Eh, eu vou propor aqui uma interpretação em relação a isso, tá bom, gente? Provavelmente existem outras, quer dizer, com certeza existem outras, mas uma que eu gosto, que é meio filosófica assim, a gente vai por essa linha, tá? Eh, a mesma ideia vai aparecer aqui em em na segunda carta de Timóteo. Segunda Timóteo, no capítulo 1, também logo no começo, no verso 9. Portanto, eu vou ler a partir do verso 8ito. Portanto, não se envergonhe do testemunho de nosso Senhor, nem do seu prisioneiro, que sou eu. Pelo contrário, participe comigo dos sofrimentos a favor do Evangelho, segundo o poder de Deus, que nos nos salvou e nos chamou com santa convocação, não segundo nossas obras, mas conforme sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo antes dos tempos eternos. Então, eh, essa determinação de salvação e essa graça foi dada a nós por em Cristo antes de tempo dos tempos eternos, antes da fundação do mundo, né, digamos assim. A gente vai ter também aqui, eu vou ler aqui diretamente no que eu tinha escolhido aqui, eh, em Tito e em Mateus 25 verso 34. Então, título 1 do diz em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir prometeu antes dos tempos dos séculos. E também então dirá o rei aos que estiverem à sua direita: "Vinde bendice do meu pai, possui com herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Então, existe uma ideia de que há algo fora do tempo, né? Se o próprio pecado não existia desde a fundação do mundo, como que a salvação já existe desde a fundação do mundo? Não é nem só a salvação, mas o chamado e a eleição, a escolha das pessoas para serem salvas desde a fundação do mundo, né? Aí a gente vai aqui para um outros textos que são eh que são mais interessantes nesse sentido, né? Primeiro vai tá lá em Hebreus capítulo 9. A gente vai ler vários textos hoje aqui, tá bom, gente? Hebreus capítulo 9. a gente vai ler lá os versos 25 e 26. Eh, vocês sabem que eu gosto de de às vezes tratar de temas maiores. Aqui a gente tá tratando de um tema muito específico. Então, nesse caso, acho que faz sentido ler alguns versos só, porque a gente tá vendo só essa expressão específica, essa ideia específica dentro de uma argumentação que é mais longa. Então, assim, o livro de Hebreus é um dos livros que, assim como os escritos de Paulo, eles ele tem argumentações longas também. Ele ele tem uma retórica que ele faz um caminho longo para chegar na conclusão dele. Então, a gente não tá concluindo aqui, lendo esses versos, sobre o que que Hebreus tá falando sobre um assunto específico, mas a gente tá passando por um por uma lógica que ele faz, tá bom? Eu tô fazendo esse disclaimer porque eh eu já falei aqui algumas vezes, eu não gosto muito desse tipo de estudo que fica pensando um verso aqui, outro verso ali. Existem casos específicos que eu acho que é esse caso é um deles que dá para fazer isso, porque a gente tá falando de uma expressão específica, de uma ideia muito específica, que ela não é desenvolvida em um texto, mas ela aparece algumas vezes no meio de de de alguns textos que estão seguindo suas próprios caminhos, suas próprias argumentações, tem seu seus próprios contextos, mas essa ideia de repente aparece aqui e ali, tá bom? Então vamos lá nessa daqui. Eh, Hebreus capítulo vou ler a partir do 24, eh, Hebreus 9:24. Porque Cristo não entrou em um santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro santuário, porém no próprio céu para comparecer agora por nós diante de Deus. Ele não entrou para oferecer a si mesmo muitas vezes como o sumo sacerdote entra todos os anos santos dos santos com sangue alheio. Se fosse assim, ele precisaria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo. Agora, porém, ao chegar ao fim dos tempos, ele se manifestou uma vez por todas para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo. E eu vou ler o 27 e 28 também. Assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, tendo se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados do mundo, aparecerá uma segunda vez, não para tirar os pecados do mundo, mas para salvar aqueles que esperam por ele. Então, qual que é a ideia aqui? Vamos, eu vou comentar um pouco o que que é que Hebreus tá argumentando nesse nesse ponto. Ele tá comparando Cristo ao sacrifício, mas ele tá falando, existe uma diferença entre o sacrifício do santuário e Cristo, porque o sacrifício do santuário precisava se repetir, ele acontecia todos os dias, né? Inclusive tem uma expressão que é chamada o tamid, que se refere ao sacrifício tamid, ao sacrifício que acontecia todos os dias, né? Eh, mas a todo o serviço do santuário que acontecia todos os dias, era um era um serviço repetitivo que começava e terminava com sacrifícios. Então, logo de manhã, o sacerdote acordava, entrava no santuário. A primeira coisa que ele fazia era já era oferecer um sacrifício, assim do nada, não precisava ter nada específico, ele já oferecia um sacrifício, fazia parte do desse serviço do santuário. Então, ele ofereceu um sacrifício de manhã, um de tarde, eh um um de manhã, um meio-dia e um ao entardecer. São os três sacrifícios diários que acontecem, que fazem parte desse desse, desse serviço contínuo do santuário, tá? Então, eh, esse aspecto do sacrifício é que Hebreus vai dizer que é diferente de Cristo, porque o sacrifício ele tinha que se repetir o tempo todo. Então, mesmo que ninguém fosse oferecer um sacrifício específico no santuário, esse sacrifício já estava se repetindo. Ainda assim, a pessoa ia ia oferecer um sacrifício pelo pecado ou um sacrifício pacífico ou vocês sabem diversos tipos de sacrifício por motivos diferentes, né? Basicamente, aliás, o israelita oferecia era a forma como o israelita se relacionava com Deus através dos sacrifícios. Então o sacrifício era o tempo todo, não era só pelo pecado, não era só para espiar pecados, embora o tema aqui seja expiação de pecados. Eh, mas tudo que aconteceu na vida dos doelita, ele oferece um sacrifício. Ele tá feliz, oferece um sacrifício. Fez um voto, oferece um sacrifício. É data festiva, oferece um sacrifício. Nasceu um filho, oferece um sacrifício. Morreu alguém da família, oferece um sacrifício. Então, o sacrifício faz parte da vida religiosa do israelitas. Eh, e aí o que Hebreus tá falando é o sacrifício de Cristo é superior, porque ele não precisa se repetir. Eh, inclusive a gente podia ter terminado com esse texto de Hebreus, que acho que talvez até conclia melhor a nossa linha de pensamento aqui, mas é porque o texto de Hebreus deixa isso bem explicado nesses versos. Hebreus 9 do verso 22 ao 28. Eh, ele não precisa se repetir, ele acontece uma vez só. E o efeito dele é eterno. Eh, inclusive, eh, ele não fala aqui nessa nessa parte, mas ele vai falar que o o o esse sacrifício de Cristo espiou inclusive os antigos israelitas, porque a gente já falou isso aqui em outra ocasião, eh o livro de Hebreus diz que o sangue de bodes e de cordeiros nunca teve poder para espiar pecado nenhum. Então o que a gente conclui é que mesmo lá os antigos israelitas, quem estava perdoando os pecados deles não eram sacrifício do santuário, era o sacrifício de Cristo que viria séculos depois. Então o que a gente tá vendo aqui é que esse sacrifício de Cristo, ele meio que acontece de uma forma cósmica. Os efeitos dele são cósmicos. Ele serve para as pessoas do mundo inteiro, em qualquer época. Ele acontece de uma vez só e ele tira todos os pecados de uma vez só, tanto os que acontecem antes quanto os que acontecem naquela época, quanto os que acontecem depois. é um evento cósmico, é um evento que eh os efeitos deles são permanentes, eles duram até o final dos tempos e eles começam desde a fundação do mundo. E aí eu gosto de de usar esse texto de Hebreus que vai usar essa essa ideia do da da eh ele precisaria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo. E ele vai usar essa expressão. É, mas ele fala que ele se ofereceu de uma vez só para tirar os pecados de muitos lá no verso 28. Então ele não se ofereceu muitas vezes desde a fundação do mundo. Ele se ofereceu de uma vez só desde a fundação do mundo, entende? Então essa ideia é o que vai aparecer, por exemplo, aquiem em Primeira Pedro, capítulo 1, verso 19 e 20. E aí depois a gente vai pro texto que é mais conhecido, que é o texto de Apocalipse, né? Então, a primeira carta de Pedro no capítulo um, e a gente vai ver aqui, eu vou começar pelo 17 pra gente pegar a ideia um pouco mais. Se vocês invocam como pai aquele que sem parcialidade julga segundo as obras de cada um, vivam vivam em temor diante eh durante o tempo da peregrinação de vocês, sabendo que não foi mediante coisas perecíveis como prata e ouro que vocês foram resgatados para a vida inútil que seus pais lhe legaram, mas pelo sangue precioso de Cristo como de cordeiro, sem defeito e sem mácula. Ele foi conhecido antes da fundação do mundo, mas foi manifestado nesses últimos tempos em favor de vocês. Por meio dele, vocês creem em Deus, o qual ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, para que a fé e a esperança de vocês estejam em Deus. Então, esse cordeiro que tem esse sacrifício, que é conhecido desde a fundação do mundo, mas foi só manifestado nesses últimos tempos, eh, esse é o que faz o sacrifício que tem os efeitos cósmicos. E aí a gente vai pro pro texto de Apocalipse, porque esse texto de apocalipse tem mais de uma interpretação possível, mas quando a gente vê ele no contexto desses vários outros textos que falam dessa escolha, desse sacrifício que vem desde a fundação do mundo, aí a gente consegue interpretar ele desse jeito aqui, ó, que Apocalipse 13 verso 8, né? Ele tá falando da da besta, né? Eh, vou ler a partir do verso 6 aqui. A besta abriu a boca em blasfêmias contra Deus para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber os que habitam no céu. Foi-lhe permitido também que lutasse contra os santos e os vencesse. Foi-lhe dada ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação. E ela será adorada por todos os que habitam sobre a terra, aqueles que desde a fundação do mundo, eh, ah, a minha tradução aqui muda a ordem das coisas. Eu vou ler qual seria a ordem normal aqui. E ela será adorada, adorada por todos aqueles que habitam sobre a terra, aqueles que não tiveram seus nomes escritos na na no livro da vida do cordeiro, que foi morto desde a fundação do mundo, né? Então, qual são as duas interpretações? Quando ele tá falando sobre aqueles que não tiveram os seus nomes escritos no livro da vida do cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, você pode interpretar que os nomes foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo ou que o cordeiro foi morto desde a fundação do mundo. Eh, você vê que essa tradução aqui que eu gosto, a Nova Almeida Atualizada, ela já coloca o texto num formato para você entender que que não é isso. é é os que aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida desde a fundação do mundo. Mas o texto parece dar a entender também que o cordeiro foi morto desde a fundação do mundo. Então, qual seria essa outra interpretação que a gente tá montando aqui baseado em todos esses textos que a gente leu? O sacrifício de Jesus, sendo ele cósmico, ele não precisa se repetir igual ao sacrifício do santuário. Eh, ele abrange toda a história da humanidade. Ele perdoa todos os pecados, desde o pecado de Adão até o último pecado que foi cometido agora. e os que vão ser cometidos no futuro, eh, todos eles podem ser perdoados e confessados diante do sangue desse cordeiro. Portanto, no sentido de efeitos, esse cordeiro foi morto desde a fundação do mundo, entende? É como se ele fosse o grande cordeiro por trás de todos os cordeiros que foram mortos desde a fundação do mundo, porque o efeito dele eh abrange todos os outros. O sacrifício de Cristo, então ele é atemporal, ele é cósmico. Quando você hoje confessa um pecado, eh pede perdão para Deus em nome de Cristo, em nome do seu sacrifício, é como se ele tivesse morrido agora por você. Ele acabou de morrer por você. Assim como acontecia lá no no santuário, você confessava o seu pecado colocando a mão na cabeça do cordeiro e então ele era morto. Então, cada vez que você confessa o seu pecado, é como se Cristo tivesse sido morto. E isso acontece desde a fundação do mundo, desde o início de tudo. Todos os pecados estão debaixo desse grande sacrifício do cordeiro que eh a gente estava falando aqui da palavra olam, né, que é a palavra infinita. Isso cabe muito bem aqui. Esse sacrifício é olam. Ele cobre todas as dimensões possíveis da experiência humana. Eu já tô usando a palavra experiência humana aqui muitas vezes nessa live, né? Mas ele cobre todas as perspectivas, todas as as dimensões possíveis eh do do de toda a necessidade de sacrifício que a humanidade teve desde o início até o final. E é isso, gente. É isso daí. Deixa eu ver aqui os comentários. Então, eu não sei se vocês acham que eu tô viajando muito aqui. Não, não tem muitos comentários não. Eh, então aí vai a essa pergunta do Patrick Schunk aqui, né? Jesus morreu duas vezes antes da fundação do mundo e depois na cruz. Isso realmente confunde. É como se Cristo tivesse morrido uma vez só e essa vez estivesse acontecendo desde o começo até o final, né? O Dion coloca aqui o conceito de machia foi desenvolvido no 200 anos da era comum no judaísmo. Isso é, eu entendo o que você quer dizer, mas assim, se a gente for ver que o conceito de Messias já tá sendo desenvolvido no texto bíblico, a gente pode dizer que ele é anterior, mas a gente pode dizer assim que no judaísmo rabínico expressamente com esse nome, aí a gente pode dizer que acontece nessa época específica, mas a ideia em si de Masivez não tivesse esse nome, inclusive é curioso que no Antigo Testamento, acho que o único texto que eu conheço que usa a expressão são Messias para se que a gente entende como um texto messiânico é o texto de Daniel 9 que fala do Masiid, o o príncipe ungido, né? Eh, porque, por exemplo, Isaías 53, ele tá falando do sacrifício, mas ele não usa a palavra machia, ele vai falar do aved, o servo, né? Eh, a gente tem aqui as ideias de sacrifícios todos, não tem a palavra machir, né? Então, eh, o conceito já tá lá, embora não seja essa palavra que tá sendo usada, né? FH Batista, se eu não me engano, já existia uma linha que entendia o Messias como sofredor. Se não me engano, os enênios, eles seram entendido como messianismo catastrófico ou algo assim. A gente já entra nisso daí. Eh, o sacrifício de Cristo foi com seu próprio sangue. Isso, Daniel. Pois é, o livro de Hebreus vai argumentar que Jesus é ao mesmo tempo sacrifício e é ao mesmo tempo sacerdote. Ele e ele vai argumentar, ele é um sacerdote superior porque os sacerdotes tinham que oferecer sacrifícios pelos seus próprios pecados e Jesus não precisava oferecer porque ele era perfeito. E ele é um sacrifício superior. Por, e aí vai entrar no texto que a gente leu, porque ele ele ele se ofereceu como sacrifício apenas uma vez e esse sacrifício tem efeitos eh eternos, né? Então, eh, tanto como sacrifício como sacerdote, ele é superior ao sistema anterior e principalmente pelo fato de que ele se oferece a si mesmo como sacrifício. O fato dele ser tanto sacrifício como sacerdote ao mesmo tempo já o torna superior aos sacrifícios e aos sacerdotes que existiam lá no Antigo Testamento, né? Esse vai ser, na verdade, o grande argumento do livro de de Hebreus. Eh, como Cristo é, o sacrifício de Cristo é superior ao aos aos outros sacrifícios. O livro de Hebreus, ele ele preenche uma lacuna importante no Novo Testamento, porque você tem a ideia da Cristo vindo como um Messias. Eh, ele tem a ideia de Cristo, eh, do sofrimento de Cristo, mostrando a injustiça do mundo, etc e tal. Mas se a gente tira o livro de Hebreus da Bíblia, fica uma lacuna sobre como é para que que servia então todo aquele sistema sacrificial e como se isso se relaciona com Cristo. Porque não tem um outro livro da Bíblia, não tem um outro texto que explique assim tão exaustivamente, eh, tão sistematicamente, a relação de do da morte de Cristo com o sacrifícios do Antigo Testamento, como o livro de Hebreus. ele que vai trazer essa essa ideia, até porque essa ideia também foi desenvolvida no tempo. Eh, assim que o a igreja começa a se organizar, as pessoas ainda faziam sacrifícios na igreja. Não sei se vocês lembram, Paulo fala: "Olha, as pessoas estão falando aí que a gente não segue a lei." Então, vamos fazer o seguinte, vamos cumprir nossos votos de Naziri ou ele mesmo e vamos lá no no santuário oferecer sacrifícios para mostrar para as pessoas que nós somos judeus que cumprem a lei. Sim, e tal. Então eles ofereciam sacrifícios também. Eh, provavelmente o que acontece é que quando o santuário é destruído lá no ano 70, tanto o cristianismo quanto o judaísmo tiveram que reorganizar as suas a sua teologia em relação ao sacrifício, porque o sacrifício tem que ser feito no santuário. Isso é uma lei bíblica, né? Você não pode, é proibido você oferecer sacrifício em algum lugar que não seja o santuário. Isso aparece diversas vezes na Bíblia. É por isso, inclusive, que os judeus não fazem sacrifício hoje. Se o santuário tá destruído, a gente não pode oferecer sacrifício. Então, como a gente vai ter o pecado espiado se o santuário tá destruído? Entende? Então, o judaísmo vai entender baseado em alguns textos de Oséias que eu quero misericórdia e não sacrifícios. Então a gente, então é a misericórdia que substitui os sacrifícios. Então a gente tem que fazer obras de caridade, etc e tal. Isso vai substituir os sacrifícios. Isso e as orações. As orações e a e a cedak, né? As obras de caridade, elas substituem o sacrifício do santuário. Então é assim que a gente vai ter os pecados perdoados. Agora dentro do cristianismo, a resposta é ao livro de Hebreus. como a gente vai ter o pecado perdoado se agora destruir o santuário? Aí o livro de Hebreus vai trazer essa resposta. Não, na verdade o o sacrifício de Cristo é através dele que a gente vai ter os os pecados perdoados. inclusive já era através dele. Ele é superior a ele é até superior ao santuário que se tinha que foi destruído. É até melhor assim, porque o santuário destruído a gente para de se eh de se dedicar e de e de se eh distrair com elementos que eram só simbólicos, que não eram realmente o que perdoava pecados. Agora a gente vai poder se concentrar no grande sacrifício que realmente perdoa os pecados, né? Então, é mais ou menos essa ideia que vai trazer aí o livro de Hebreus. Eh, como conhecemos hoje, foi o herdamos dos escritores de primeiro e segundo Enoque, que dá para datar com segurança como sendo do segundo século antes da era comum. De essênios, a visão de bachia dele era sacerdotal e régio? Sim, mas Messias era para reis e sacerdotes, não como um ser humano. Isso, né? O Johnny tá falando aqui da da ideia de Messias que foi desenvolvida ali, como ele tá colocando aqui no ano 200 antes da era comum, né? Eh, isso, exato. A gente vai, a gente chama de Messias, que é a palavra ungido, que na Bíblia, no texto bíblico é usado para rez e sacerdotes. Exato, né? Eh, a gente vai extrapolar esse sentido e e se referir a um a o ungido, o grande ungido, o grande rei e o grande sacerdote ao mesmo tempo, né? Para essa figura aí que tá. A ideia de Messias é uma ideia complicada porque ela junta uma série de profecias que estavam em aberto em uma figura só. Porque quando você olha pro texto bíblico, não parece existir muita relação entre Isaías 53, por exemplo, e Daniel capítulo 7. Isaías 53 é aquele texto que fala porque ele foi desprezado entre os homens, um homem de dor que sabe que quer sofrer. Ele foi, ele eh eh o o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, tal. que ele vai falar toda da ideia de um sacrifício, de um sacrifício expiatório, um sacrifício que que que limpa os pecados em volta dessa figura do servo. E ao mesmo tempo lá em Daniel 9, ele tá falando de um grande rei que viria trazer justiça ao mundo. Então, qual que é a relação entre um e o outro? Parece não haver relação, né? Eu tô usando só dois exemplos aqui, mas se a gente pegar todos os textos messiânicos da Bíblia, era difícil você conseguir pegar todos esses textos se referindo a uma mesma figura que parecem querer dizer coisas diferentes. Poxa, ele vai reinar para sempre e um reino eterno e que nunca vai passar, mas ele vai morrer também. Então, como que ele vai reinar para sempre se ele vai morrer? Ele vai reinar. Depois que ele reinar, ele morre, mas o reino dele não vai acabar. Como que é isso? Então, é na figura de Jesus que a gente entende melhor essa ideia. Ele morre e ele ressuscita, ele toma de volta a sua própria vida como um um uma ideia de derrota da própria morte, né? E aí o Novo Testamento vai trabalhar isso, vai falar como o o símbolo da de todos os de toda a ressurreição e tal. Eh, a ressurreição de Cristo é a primícia das ressurreições e tal. Eh, e aí então ele volta uma segunda vez e estabeleceu reino. Então o cristianismo vai sistematizar essas várias profecias na figura de uma mesma pessoa dessa forma, na ideia de Cristo, dessas duas vindas, uma vinda humilde como morte e ressurreição, e uma segunda vinda gloriosa para estabelecer o reino de Deus de uma vez por todas, né? eh trazer o juízo divino. Tá bom, gente? Deixa eu só comentar aqui então o que o o FH tinha comentado aqui. Se eu não me engano, existia já uma linha que entendia o Messias como sofredor. Se não me engano, os enênios era entendido como messiânico catastrófico ou algo assim. Então, FH, existia essa ideia por causa desses desses textos que tem no Antigo Testamento que fala sobre uma figura sofredora com o próprio Isaías 53. O texto de Isaías 53 hoje ele foi interpretado de uma outra forma pelos judeus por causa do cristianismo. Para esse texto não parecer estar se referindo à ideia de um Messias sofredor. Então isso é uma coisa do judaísmo moderno. Essa reinterpretação não é só do judaísmo moderno, para ser honesto, né? Eh, o judaísmo sempre teve um monte de interpretação sobre vários textos. Então, o judaísmo moderno escolheu essas interpretações históricas e deixou de lado outras, porque existem outras interpretações eh no Talmud falando que o o servo sofredor Isaías 53 é o Messias, né? Mas hoje o judaísmo já não interpreta assim, ele meio que deixa de lado essas interpretações. Ele vai falar que o servo sofredor Isaías 53 é o próprio povo de Israel e tal. Então ele vai para outras linhas. Então na história, o judaísmo eh já entendia essa figura sofredora como uma expectativa de alguém que viria e já existia uma uma tentativa de coesão dessas coisas todas sobre o título de Messias. Então, a ideia de Messias já tava se formando na própria época do texto bíblico, como a gente estava falando aqui, inclusive como um sofredor também, porque tem esses textos, texto 53, aquele que transpassaram as mãos e os pés, né? Que feridas são essas nas mãos e nos pés? Eu fui ferido na casa dos meus amigos, etc e tal. Então, o que que vai acontecer? O judaísmo vai desenvolver uma figura dupla, então, de Messias, que ele vai chamar de o Messias Ben David, que seria esse Messias clássico, vamos dizer assim, esse Messias que vem e estabelece a paz, um grande líder, eh, que traz juízo, estabelece a paz e o reino de Deus para sempre. Mas também existe uma outra figura para abranger essas outras profecias que ficam em aberto, que é o Masia Ben Josf, o Messias, filho de José. Então, no judaísmo, isso não é um tema muito comum ser discutido, até porque abre espaço para eh pro cristianismo se apropriar dessas ideias. Mas no judaísmo existem dois Messias, o Messias, filho de Davi, e o Messias, filhos de José. Se você perguntar para um rabino que estuda mais esse assunto, ele vai te dizer isso. Eh, existe isso, tá claramente no talmolde. O Messias, filho de José. O que o judaísmo eh moderno vai entender sobre essa ideia é que o Messias, filho de José, é um Messias que viria antes do Messias, filho de Davi. Ele meio que prepararia o caminho e ele e ele pode morrer ou não. Então, seria, digamos assim, seriam profecias que são condicionais, né? E ele eh e ele seria mais eh ele é chamado também de o Messias leproso, eh porque ele sofre e morre. Então tem tem todas essas ideias. A ideia de Messias é uma ideia complexa do próprio judaísmo. Aí que tá, né? Só pra gente terminar com isso daqui, quando alguém fala que, ah, no judaísmo se pensa desse jeito, sempre cabe a pergunta: qual o judaísmo? Entende? É a mesma coisa falar: "Ah, no cristianismo, qual o papel de Maria no cristianismo?" Aí você pergunta: "Tá, mas de qual cristianismo você tá falando?" Porque no cristianismo católico tem um papel, no cristianismo protestante tem outro papel, né? Eh, a mesma coisa todas as perguntas em relação ao judaísmo. O judaísmo é tão diverso, até mais do que o cristianismo, né? Acontece que hoje o o existe uma linha do judaísmo que é mais eh que se tornou mais comum, digamos assim. Então, ah, o igual as pessoas costumam falar por ele, noo judaísmo, ele não é um um uma figura que se opõe a Deus e tal. o o o diabo, o Satan, né? O Rassatan, ele é um um um anjo de Deus que tem a função de tentar o homem e tal. Aí, beleza, essa é uma linha de um judaísmo que se tornou predominante hoje. Mas se você olha pro próprio Tmud, que é a junção das discussões das tradições judaicas, você vai ver outras interpretações sobre quem é Rassatan, quem é a serpente do Éden. Existem diversas interpretações no judaísmo sobre quem é a serpente no Éden. Existe uma predominante hoje, mas no judaísmo historicamente existem diversas interpretações. Então, que que é o Messias? Existe uma forma predominante de se entender o Messias hoje. Mas na história, nas diversas linhas do judaísmo, existem várias ideias diferentes sobre o Messias, entende? Então, esse é o ponto. Eh, não entendeu o judaísmo como uma coisa só. não entendeu o judaísmo como uma coisa homogênea. Não é nem hoje ele é homogêneo. É que existe, digamos assim, no ocidente uma linha predominante ou uma linha que que faz mais propaganda, né? Que que seria eh esses que a gente chama dos judeus ortodoxos, os os eh os racídicos, né? são os que que, digamos assim, tem uma propaganda melhor sobre o que que é o judaísmo, mas existem diversas outras linhas de judaísmo, que tem diversas outras ideias, eh, e que durante a história sempre discutiram, sempre discordaram, né, eh, e fora as diversas linhas que já existiram e já deixaram de existir, ideias que já hoje já não são mais mais eh usadas no cristianismo, mas que existiram muito fortemente na história. e inclusive no período bíblico, né? Então é sempre importante pensar nisso. Existe uma diversidade no judaísmo. Se a gente pegar só o recorte da época de hoje, já existe uma diversidade imensa. Se a gente pega um um uma perspectiva histórica, então essa diversidade ela é potencializada. Existem diversos judaísmos, né? Diversos judaísmos das mais diversas ideias. Aí o o Johnny coloca aqui também, pois quero saber sua opinião sobre o adorador no tempo da Bíblia hebraica. Será que ele via como nós vemos hoje? Ele compreendeu? Será que ele eh ele compreendeu? Será o que estava fazendo? Eu acredito que não. Mas tinha fé na palavra. Isso, Johnny. Eu entendo dessa forma também eh essa compreensão, porque assim me parece que na Bíblia quando isso vai ficar claro mesmo, é no caminho de Emaús. É no caminho de Emaú que Jesus voltando, falando com os discípulos, falou: "Ah, pera aí, vocês não entenderam ainda?" Então vamos lá, eu vou explicar para vocês. Depois que Jesus já tinha ressuscitado, tava andando com eles, né? E aí ele vai começa a explicar e o texto fala que ele explica para eles eh, né, partindo da lei e até os profetas e até os escritos, ou seja, todo o Antigo Testamento, eh ele vai ele explica qual era a a missão do Messias, passando por todos os textos bíblicos. Se eu pudesse voltar no tempo e estar em um em em um uma aula teológica, eu queria estar nessa daí. É Jesus explicando pros pros discípulos toda a função do Messias baseado em nos textos bíblicos de todo Antigo Testamento. Eu queria muito ver isso. Pena que o texto bíblico não registrou isso. Só fala que Jesus explicou para eles, mas não fala qual qual é exatamente a explicação. Eh, falando que o Messias havia de padecer e ressuscitar, etc e tal, né? Então, parece que é só ness nesse momento que existe uma uma sistematização desse conhecimento. Parece que até aí ainda não tá claro na Bíblia eh o que fazer com essa diversidade de textos e de e de profecias acerca do Messias, entende? Então eu acho, eu também, para mim, assim, olhando pro texto bíblico, fica bem claro que as pessoas não tinham essa mesma visão sobre Messias que a gente tem hoje. Essa essa visão é é moderna. Eh, essa isso vai acontecer num cristianismo, eu diria até pós destruição do templo, apesar de Jesus ter falado pros discípulos naquela época, isso vai só ser registrado no e e vai se tornar predominante dentro do, né, do desse cristianismo que tá surgindo, mas mais paraa frente, né? Mas é isso, eu eu tô mais com você aí, viu Johnny? Eu acho que eles não tinham uma compreensão exata do que seria, iam na fé, mesmo do mesmo jeito que a gente sobre o fim do mundo. A gente acha que a gente sabe exatamente como vai ser, mas o próprio texto bíblico fala que muita gente vai ser enganada, que vai ser uma época confusa. Então a gente também tá, né, no mesmo barco. A gente tem fé de que no final das contas vai acontecer aquilo que Deus está planejando. A gente não sabe exatamente como, apesar da gente ter ali algumas ideias sobre o que que vai acontecer. Então, é, é meio que essa mesma ideia, tá certo? Eh, aí o Daniel coloca: "Cristo voltará como rei, sacerdote e profeta". Isso. Isso, né? De certa forma, como sacerdote, a primeira vinda, como a gente tá falando aqui no livro de Hebreus, já atribui um papel sacerdotal a Cristo, como ele oferecendo seu próprio sacrifício, mas não deixa de ser, né? é que esses papéis eles são cumpridos de certa forma eh alguns aspectos nas duas vindas, entende? Então, de certa forma, Cristo já é rei também, inclusive de forma irônica, né? Jesus Nazareno o rei dos judeus. Aquela plaquinha na na na na cruz de Cristo é uma forma irônica que foi usada, mas que Jesus já era reconhecido como já vai passar a ser reconhecido como um rei desse reino que o cristianismo está inaugurando, né? Então Jesus já é rei na primeira vinda, mas ele não ele não ele não vem com o papel de rei daquele rei que vem trazer juízo, digamos assim. Ele é um rei que tá vindo estabelecer um reino. Ele é sacerdote, mas o sacerdote que ofereceu a si mesmo como um sacrifício, mas não como que ele vai trazer a purificação. Ele é profeta também, já foi profeta no sentido de que ele trouxe a palavra de Deus, mas ele também vai ser entendido como um profeta, porque ele vai trazer o cumprimento dessa palavra também. Então assim, essas funções todas elas meio que aparecem, alguns aspectos delas aparecem na primeira e na segunda vinda, eu diria. Não que eu discorde de você em relação a isso, porque de fato como um rei reinando, né, vai ser na segunda vinda, mas já tem um aspecto de reina primeira também. O dispensacionalismo cristão define falso eh falso Messias Ben Yosef como eh como anticristo? Eh, eu acho que não. Acho que não. O conceito de Messias Ben Josf é um conceito judaico que é estranho ao cristianismo e ainda dentro do do próprio judaísmo é um conceito muito pouco conhecido. Então não é a mesma coisa. Acho que não dá para fazer essa ponte não. O Lê Madruga aí, opa, boa noite. Chegou no finalzinho. Estamos terminando aqui. Já estamos terminando nossa live de hoje, né, gente? Apesar que eu vejo que quando chega nessa hora que eu tô terminando a live, começa a a aumentar o número de pessoas entrando na live, né? Pena que assim, eu eu vou acordar amanhã eu acordo cedo, né? Eu vou pra igreja no sábado, então eu acordo cedo, gosto de ler Bíblia, gosto de me preparar e tal para eh para ir. Então não sou muito de dormir tarde na sexta-feira, não. Mas se tivesse mais algum assunto aí vindo, dava para dá para dava para estender um pouco mais aí. Aí o Dion coloca aqui, imagina estar ao pé da cruz olhando um corpo sem vida e pensar: "Este é meu Salvador, eu fico maravilhado ao pensar". É, Johnny, olha a cruz, eh, a cruz é paradoxal em diversos aspectos. Eh, não é à toa que o Cristianis ganhou a força [roncando] que ganhou, porque o a cruz tem essa a cruz tem esse esse esse Vamos lá, vamos falar sobre significados aqui mais uma vez, né? Quando eu falo a palavra celular, eu tô me referindo a esse objeto. Então, a palavra celular é uma palavra eh que, apesar dela também ter outros aspectos, ela também pode querer dizer outras coisas. aquilo que é relativo à célula, eh, ela tá, quando eu falo celular, de forma geral, tô me referindo a esse objeto aqui. Então, eu uso um som, a palavra, eh, o som celular, essa junção de fonemas, esse som que eu faço com a boca, para me referir a um objeto concreto no mundo, a um objeto específico. Eh, ou seja, eu tenho um um um símbolo me referindo a um significado específico, né? Então eu, se eu tô falando celular, eu mostro isso daqui, você vai falar: "Isso é um celular". Mas se eu mostro isso aqui, o meu mouse, você vai falar: "Não, isso não é um celular, isso é um mouse, é outra coisa". Gente, eu derrubei a live. Ah, eu apertei aqui alguma coisa no Tá, acho que não. Eu acho que eu tô na live ainda. Vocês me avisam aí porque eu fui pegar o o o mouse e apertei alguma coisa aqui e fechou a minha página. Bom, de qualquer forma, eu acho que eu tô aqui de volta normal. De qualquer forma, eh, eu tô usando o caso do celular para falar que essa palavra, nesse uso, ela se refere a um objeto específico e não a outros. Então, não tem eh não tem muita abertura para para significados quando eu falo isso, né? E é claro, eu eu tô eu tô sendo superficial aqui, porque como eu disse, a palavra celular tem outros significados, né? Quando você tá falando do núcleo celular, você tá falando do núcleo da célula. Quando você tá falando do de de do da fisiologia celular, você tá falando da célula do corpo, né? A palavra, a própria palavra célula no no latim, ela ela se refere a um quarto, um quarto, um cômodo de uma casa. Daí que vem a palavra celular. Eu nem sei por no o aparelho telefônico móvel a gente chama de celular. Não sei por também não sei como foi parar aí a palavra, mas de qualquer forma o que eu tô dizendo é, existem palavras que têm significados mais objetivos e fechados, né? Eh, eu eu não eu não consigo pensar em muitas conceitos abstratos quando eu uso a palavra celular, ou melhor, vou usar a palavra smartphone, que aí acho que fica bem mais fechado, tá bom? Vamos usar essa palavra. Então, nesse sentido, quando uso a palavra smartphone, eu não consigo pensar em muitos conceitos abstratos. Ela tá se referindo a um objeto específico. Pode até ter um aparelho, um aparelho, um smartphone tão esquisito que você começa a questionar, bom, é um smartphone ou já é um min um mini computador? É um smartphone ou é, sei lá, uma uma câmera fotográfica com outras funções? Podem ter aparelhos que como chegam no limear do que quer dizer esse significado, mas tudo bem, já tô estendendo demais aqui essa essa essa ideia. O ponto é, existem coisas que normalmente são coisas relacionadas à arte que o significado delas não é fechado dessa forma. O significado dela abre, o significado delas abre para muitas coisas, né? Então a cruz seria uma dessas. Quando eu falo cruz, quando eu falo da da ideia da cruz, eh, eu tô me referindo a diversas coisas ao mesmo tempo. Deixa eu só fazer um parênteses aqui, porque acho que o Carlos tá explicando porque chama celular aqui. Cada uma das torres que você vê pela cidade são tecnicamente nomeados como célula e uma se comunica com a outra para seu telefone não perder a conexão, seja de voz ou de dados. Tá beleza? [risadas] Entendi. Então, por isso é um telefone celular, porque ele desconecta essas células, né, a essas partes, né, né, mas que também já é uma uma derivação estranha da do do célula do latim. Tudo bem? Eh, mas voltando aqui, quando a gente tá falando de cruz, então, eh, a gente, eh, a gente se refere a uma uma gama de significados e até não só significados específicos, mas até de ideias, de sentimentos que são contraditórios, paradoxais até. Então, por exemplo, a cruz é triste ou é feliz? Entende? é os dois ao mesmo tempo. Não, não é não, não é nem um pouco triste ou pouco feliz. Ela é a pior desgraça possível, é a pior injustiça imaginável. Ela é o o ser humano matando Deus. é o é o é a criação finita, pecadora, decaída, eh, moralmente distorcida, matando aquilo que é perfeito, absoluto, sublime e eterno. Então, assim, é uma desgraça absoluta, é a desgraça total, é a maior desgraça imaginável, a maior é a maior e injustiça imaginável. Então, a cruz é horrorosa, é a pior coisa possível que se poderia imaginar. Ao mesmo tempo, a cruz é a melhor coisa possível que você poderia imaginar. Por quê? Porque ao mesmo tempo é essa dádiva que foi dada na cruz é o que possibilita você que é um ser finito, que você que é um ser eh imperfeito, alcançar o o infinito, alcançar aquilo que é perfeito, né? Ele te deu algo que que tá acima de você, te deu algo que você nunca alcançaria sozinho, algo que tá muito além da sua própria vida, a vida eterna. Então eu tô pegando um aspecto específico. Então é o dia pior dia da história da humanidade e é o melhor dia da história da humanidade ao mesmo tempo. Eh, a cruz e então ela ela vai trazer todas essas ideias, sabe? Eh, a própria ideia da morte de Deus, aquele que doou a vida, que criou todo o universo, que é absolutamente eh soberano e sem limitações, ele morre. Eh, a cruz é a morte daquilo que é absolutamente imortal, que tá absolutamente acima da morte. Eh, mas ao mesmo tempo ele também toma a própria vida de volta. Ou seja, ao mesmo tempo que seria a grande vitória da morte, que a morte faz alcança aquilo que é inalcançável pra morte, a morte também é derrotada, porque a morte perde toda a sua força. Aí é a partir da cruz de Cristo que a morte deixa de ser uma sentença para toda a humanidade. Você que é um ser mortal pode se tornar agora imortal, alcança a vida eterna. Eh, então tem todos esses aspectos na cruz. Eh, é por isso que o o fato da cruz ser o símbolo do cristianismo, isso torna isso tão absurdamente profundo, porque tem tantas camadas isso, isso pode ser visto de tantas perspectivas diferentes, entende? Não é igual o smartphone, é só isso daqui. O smartphone. Eu não me refiro a outra coisa, não tem vários aspectos, é só isso, é só um objeto. Eh, é só o mesmo objeto. Ele não tem não tem muito, muita diversidade, eh, não tem muita subjetividade, não tem muit muita elasticidade de significado. Então, a cruz, ela se torna esse negócio absolutamente infindável. É por isso, e agora voltando ao tema que a gente tinha falado, é por isso que ao mesmo tempo a cruz é um evento específico e limitado no tempo e ao mesmo tempo é um evento infinito. Até do ponto de vista temporal, a cruz é paradoxial. É paradoxal porque ela é um evento. Ao mesmo tempo ela não é um evento, ela é um estado da eternidade. A cruz ela acontece uma vez, mas ao mesmo tempo ela ela continua acontecendo por toda a eternidade paraa frente e para trás, né? Ela é um evento que tá continuando e paraa frente para trás. Ele começou e terminou naquele momento, mas ao mesmo tempo ainda tá acontecendo. Não é muito doido isso? Então, eh, por isso que é é muito doido. A gente tinha comentado aqui outro dia que imagina alguém bate da na porta da sua casa e falou: "Ah, a gente veio aqui falar sobre a nossa religião." Aí você olha, os caras estão com uma uma camiseta assim com um cara numa cadeira elétrica. Ah, tá aqui, ó, um estandarte com uma cadeira elétrica. Você entra na na igreja deles, tem uma cadeira elétrica com uma pessoa morta. Nossa, que bizarro esses caras. Que que é isso aqui? A gente esquece de quão bizarra é a nossa fé, porque a cadeira elétrica da do período do da de Roma era cruz. Então, a nossa fé é bizarra, a nossa fé é esquisitíssima. A nossa fé é mórbida demais, é grotesca a nossa fé, porque a a o grande símbolo da nossa fé é um homem torturado, sangrando, morto. E a gente tá todo mundo feliz dentro da igreja, cantando, eh ensinando as crianças e tem lá o cara, uma pessoa sangrando, morta, torturada lá na frente. Então é absurdamente bizarro. É, e é importante a gente também não não perder o contato com o quão grotesco é isso, né? Mas ao mesmo tempo tem um sentido dentro disso. Tem um sentido dentro disso. A ideia da valorização do sacrifício, que é uma ideia que tá sendo construída em todo o texto bíblico, entende? Desde lá do começo você tem a ideia do sacrifício como sendo um uma ideia que tá sendo construída. O sacrifício é a morte, é o essa coisa grotesca de tirar a vida de de de um, de um outro ser que te conecta com a fonte da vida, né? O próprio paradoxo de vida e morte. A gente ganha vida eterna através da morte, da pior morte que que já existiu. Eh eh essa morte a morte daquele que era imortal que livra a gente de toda a morte. né? A a ideia de morte e vida, elas elas ela se junta num paradoxo tão intenso na cruz que é uma coisa que inexplicável, né? Então, eh, a cruz ela ela é para ser uma coisa assombrável, é para você ficar assombrado quando você olha pra cruz, eh, porque todas essas coisas estão ali ao mesmo tempo. Tudo isso está ali ao mesmo tempo, né? A cruz é terrível, é horrorosa e a cruz é é ao mesmo tempo maravilhosa. É assombroso. Tem você, se você não se assombra quando você tá diante da cruz, você tem que repensar sua espiritualidade, porque é uma coisa assombrosa, entende? E quando eu digo se assombrar, eu tô dizendo também nos diversos significados da palavra assombrar, porque a gente normalmente usa a palavra assombrar num significado negativo, né? Eh, é na assombração, é você ficar com medo, querer fugir e tal, mas você também pode se assombrar com uma coisa muito maravilhosa. Nossa, eu estou assombrado de de quão bonito esse pô do sol. Eu tô assombrado de que quão boa é a minha vida. Então, eh, se você não se assombra nesse sentido, com todas essas perspectivas, eh, você esqueceu o significado do que que é o cristianismo. Tá bom, gente? Para mim é uma estaca de execução, mas o que é impressionante, o criador do universo ali. Isso, né? Que paradoxo. Também acho isso. Feliz por não estar sozinho. É, não tá em tese, você tá junto com todas as pessoas que aceitam esse sacrifício, se assombram diante dele, né? Então tá, gente, eu acho que é isso. A gente se vê aí numa próxima live. Eh, só mais ler esse comentário. Quando compreendemos que era para ser a nossa morte, é que começamos a compreender isso. Ela representa a nossa morte também. A cruz é como se todo mundo tivesse sendo crucificado ali. É a morte que todo mundo merecia, né? É a morte que tava reservada para todo mundo. Eh, então a alegria da cruz é que aquela morte foi dada em substituição da minha. A alegria da cruz é que eh eu estou evitando a cruz através da cruz. Eu eu estou evitando essa morte através da morte de Cristo, né? Eh, tá vendo quantos aspectos? É uma coisa muito louca. Se a gente vai para esse caminho, olha, e eh não é à toa que essa ideia é tão poderosa, porque é o grande paradoxo, é o paradoxo dos paradoxos, é a encruzilhada de significados de todos os significados mais intensos da humanidade, entende? Então, eh, não tem como, não tem como. Bom, gente, eh, então tá, a gente se vê, então, na semana que vem. Obrigado aí para quem ficou até aqui na live. Um abraço aí pro pessoal. O Jonat colocou aqui um abraço ao seu Elias, meu pai. Ah, legal. Não sei se con chegou a conhecer ele. Eh, eu mando um abraço para ele quando eu vê-lo. Eh, obrigado aí pela participação de todo mundo. Foi bacana aí mais uma vez conversar com vocês e a gente se vê aí na próxima live, né? Acho que na sexta que vem, provavelmente a gente se encontra. Aí eu também marquei aqui de última hora que ia ter live. Esqueci, esqueci de colocar antes que ia ter live hoje, mas tudo bem, funcionou, estamos aí. Então até uma próxima aí, gente. Valeu, obrigado. Boa noite para todo mundo aí e a gente se vê aí na na próxima live.