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A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 28/08

Davar Live – 28/08

Davar Live – 28/08

Legendas automáticas:

Fala pessoal, bem-vindos a mais uma live
aí. Boa noite para todos. Boa noite aqui
já pro Mateus que já tá aqui já
esperando, já tá comentando algumas
coisas aqui.
E bem-vindos aí mais uma live
do canal da VAR. Canal da VAR, que é o
canal da palavra, né? Palavra davar é a
palavra hebraica para palavra. Eh, e o
que é interessante
desse termo e é por isso que eu usei ele
como o
a palavra que que dar o nome pro canal,
a palavra palavra, porque basicamente é
o que a gente faz nesse canal, a gente
fala é palavra também remete a ideia da
palavra de Deus. Ah, a gente fala muito
sobre Bíblia aqui, sobre religião, essas
esse tipo de coisa. Então,
eh, a palavra davar em hebraico também é
uma palavra interessante, porque ela é
uma palavra assim com
um campo semântico bem amplo, né? Que
que eu quero dizer com isso? Quer dizer
que a Dav pode querer dizer várias
coisas, né? Ele, a palavra davar às
vezes aparece no sentido de uma ordem,
aparece até no sentido no hebraico mais
moderno, no sentido de coisa, de objeto,
né? Então, davar se torna uma palavra
bem ampla, que é a cara que a gente tá
tendo ultimamente aqui nessas lives do
canal. A gente tá meio que falando sobre
tudo, né? E bem-vindos aí vocês, então,
a mais uma sessão de davar, de palavras,
de coisas, de ideias,
de mandamentos, comentários sobre
mandamentos, de comentários de falação,
né? Eh, quem
estuda o Antigo Testamento sabe que uma
a frase que mais repete no peitateu é
vai da beira donar mochemor falou o
eterno e falou o senhor a Moisés e
disse, né? Eh, e é o verbo dabar que vem
de davar e vai daber e falou.
E essa frase e falou aparece com
frequência aí no texto bíblico,
principalmente no Pentateuco. Então é
isso, bem-vindos aí. Bem-vindo o Mateus
Dornelas que já tá colocou ali, já
alguns comentários aqui. Já vou começar
falando desses comentários aqui do
Mateus, que ele já colocou antes de
começar a live. Eh, vocês sabem que é um
assunto que eu gosto, então eu já vou
direto para isso daqui, né? Ele tá
falando aqui: "Não consegui participar
da live sobre o Senhor dos Anéis".
Mas eu queria falar sem que sempre que
reflito sobre o Smigle, eu fico triste.
Para mim, ele representa uma pessoa que
preferiu manter seus vícios, seu pecado,
viver uma vida em liberdade.
A gente consegue enxergar uma pequena
melhora quando ele expulsa a segunda
personalidade dele, o velho homem, e
começa a ajudar o Floran. Mas no último
minuto, quando ele olha para o anel pela
última vez, ele corre direto para ele.
Eh,
e aí o Mateus tá falando aqui, Smigle é
um personagem do do livro Senhor dos
Anéis, dos filmes também.
Que que eu acho do do Smigle, o Mateus?
Na verdade, assim como o anel
representa,
o anel representa
a ideia de tentação em si. E tem tem
mais mais coisas além do que isso, né?
Mas a ideia é que o anel, na verdade,
ninguém resiste ao anel. No final, o que
seria o grande o grande eh herói da
história, que é o Frodo,
ele também, no final, ele sucumbe ao
anel. Ninguém consegue resistir ao o
anel, que é a grande tentação. Ele
representa todo o poder. Eh, e o Smigle
é, digamos assim, uma vítima do anel.
Ele devia ter morrido há muitos séculos
antes, mas o anel o anel dá sobrevida a
ele e ao mesmo tempo o escraviza, o
escraviza nesse nesse desejo eh
nesse desejo que que o possui ele
completamente. Então tudo que ele faz,
ele faz pensando num anel. No filme
ainda tem esse diálogo, então tem parece
uma sensação de um conflito interno onde
ele tenta ser ser bonzinho por um tempo
e depois acontece. O filme coloca esse
aspecto a mais, mas no livro não tem
muito disso. Meio que ele ele sempre
quis na mente dele possuir o anel de uma
forma ou de outra.
E
por mais que existam conflitos, esses
conflitos estão sempre submetidos ao
anel.
Então eu vejo muito disso, da ideia da
de um e a a ideia que você colocou de
uma pessoa que que é viciada, né? Aquele
que preferiu manter seus vícios, eu acho
que ele nem preferiu, ele não consegue
não, ele não consegue fazer outra coisa,
sabe? é igual uma pessoa com um vício
tão forte
que essa pessoa não consegue tomar outra
decisão. Aliás, isso aqui é
interessante, né? O vício é um é um é um
bom paralelo à situação do Smigle,
porque ele é incapaz de fazer outra
coisa. A ideia de vício, inclusive, eh,
o vício acontece no mecanismo de
recompensa do cérebro, em que,
eh, existe uma discussão aí, por
exemplo, se a pessoa pode ser viciada em
comer doce, por exemplo.
Normalmente
pessoas que tm esse tipo de compulsão
são mais entendidas como uma compulsão
do que um vício, porque o vício
normalmente é entendido como um
mecanismo artificial. Por isso que você
tem que ser uma droga, porque ele te dá
uma recompensa, um prazer tão forte que
você não consegue mais nas coisas que
são naturais. E aí o que acontece lá nos
receptores dos seus neurônios, quando
você tem a sinapses, eles começam a se
enfraquecer. O estímulo é tão forte, o
estímulo de prazer é tão forte que os
receptores começam a enfraquecer, eles
vão diminuindo, eles vão se tornando
insensíveis, ou seja, eh, o cérebro
tenta
balancear esse estímulo de de prazer tão
forte que aí a pessoa sente uma
anedonia, que se fala, a pessoa começa a
não sentir mais prazer nas coisas
comuns. Isso é um mecanismo assim
fisiológico acontecendo no cérebro dela,
não é uma decisão dela. Ela se torna
incapaz de sentir prazer em coisas que
ela sentia prazer antes, porque ela tá
sempre esperando esse essa bomba de
prazer tão forte no cérebro dela que é o
uso do uso da droga, né?
Eh, é interessante o o Smigle ter um
processo tão parecido numa época que o o
vícios em drogas, bom, apesar que o
token morreu lá por volta dos anos 70,
né? Então ele já conhecia bem como que
era na prática esse vício em droga. Mas
é meio que de certa forma esse
anestesiamento é o que faz quando uma
pessoa ficou obsessiva com uma coisa,
quando a vida dela gira em torno de
buscar uma coisa específica, um prazer
específico. E é isso que acaba
acontecendo, né? Então para mim o Smigle
tá dentro dessa ideia aí. Eh, desculpa
aí, gente. Já começamos com um assunto
bem de nerd, bem específico. Quem não
conhece, não leu ou não gosta do senhor
Anéis, não, não, não vai se conectar
muito com isso daqui.
Bom, e aí temos aqui o Carlos.
Carlos já falando Devarim, né? O o
Devarim, que é o o livro de
Deuteronômios, né? Essas são as palavras
que vem da palavra davar também, né? Eh,
boa noite aí pro Carlos, boa noite pro
Aid.
Eh, pro Daniel que tá aí, Daniel Algo
Verde,
pro Rui
e pro Johnny.
Eh, o Carlos já tá falando que o som tá
normal aqui, né? Eh,
o Johnny tá falando que o som tá meio
baixo, né? É, eu não sei, Johnny, se se
alguém mais tiver com som baixo, me dá
um toque. Eu tô usando assim a
configuração zerada no normal, que eu tô
sempre usando aqui, então não tenho
certeza.
Eh,
eu não sei se daria para mexer muito,
mas vocês me avisam. Se tiver baixo, eu
tento dar um jeito aqui.
Bom, gente, então é isso. Eu tava
comecei aqui só com os comentários aqui
que o Mateus já colocou no começo e eu
gosto de falar sobre esse assunto e
acabei caindo nele. O senhor dos anéis
de novo, né? O senhor dos anéis é uma
obra interessante porque
o
o token era cristão, né? E por mais que
o Token tenha escrito muito sobre a
ideia de que ele não tá com o Senor
Zanéis fazendo um uma alegoria de nada,
ele não tá eh querendo, igual por
exemplo em Narnia, né, as crônicas de
Narnia, o CS Lubis, inclusive era amigo
conhecido do do do token. Eh, as
crônicas de Narnia são uma grande
alegoria pro evangelho. E o token se
preocupou em escrever, falando: "Olha,
eu não tô fazendo uma alegoria de nada,
não tô me referindo a nada específico."
Mas aí, eh, mesmo assim a gente percebei
que se refletem aí. Por exemplo, o Token
foi um veterano da Primeira Guerra e a
ideia de guerra é muito presente nos
senhores anéis, né? Eh, a
é meio que você percebe que é alguém que
teve em campo de batalha, que escreveu
esse livro, né? Então, tem várias ideias
interessantes aí.
Eh, o ID falando, "Eu tô na igreja
agora, vou ter que rever em casa o
episódio de hoje". Legal.
Eh, bom, boa noite aí pro Andrio. Andr
de Freitas, Malu Rocha, sou maior de
idade. Tá bom. Boa noite, R. Qual das
parábolas Jesus chama mais a sua
atenção? Para mim é do tesouro escondido
no campo. Diz aqui o o Patrick Schunk.
Patrick, poxa, tem tantas, né? Olha, eu
eu vou dizer que ah, que eu tenho eu
tenho
eu é que eu tenho um sermão sobre a
parábola do bom samaritano. Eu acho que
eu já até falei aqui o que que é o o meu
sermão.
Eu não sei se dizer que é a que eu gosto
mais ou que chama mais a minha atenção,
mas é uma das que eu mais me dediquei
para falar sobre ela, porque
tem algumas ideias interessantes aí na
parábola do bom samaritano, né?
Eh, tem um um detalhe
que acho que faz bastante diferença na
parábola, que é uma algo que tá meio que
pressuposto para quem tá no contexto ali
da época de Jesus e tal, eh, que é a
que o o tanto o sacerdote quanto o
levita, eles não podiam tocar em mortos.
A parábola, inclusive tá escrito lá,
tipo, claramente, a pessoa que foi
deixada na beira da estrada estava como
um morto. Ele tinha uma aparência de
morto. Então, quando o sacerdote, o
levita passam no outro lado da estrada,
eles não estão sendo só maldosos, eles
estão cumprindo uma lei.
E isso coloca uma perspectiva bem
interessante aí na parábolo, porque a
ideia no final das contas é
ã
a bom e desculpa, vamos lá, vamos
organizar a as ideias aqui. A parábola é
contada para responder uma pergunta:
quem é o meu próximo? Então, e ela não é
jogada, né? Ela vai, ela colocada dentro
desse contexto aqui.
O contexto da parábola é: "Quem é o meu
próximo?" E Jesus falou: "Bó, você tá me
perguntando quem é meu próximo? Então
deixa eu contar uma história para você."
E aí ele conta a parábola do bom
samaritano. E aí no final, como eu tava
falando, o centro da da parábola é quem
foi o próximo da pessoa, tal, ou seja,
quem acabou fazendo a vontade de Deus,
por mais que esse termo não seja usado,
mas a ideia é quem faz a vontade de Deus
é mais
aquele que se dispõe a ser
misericordioso com o próximo, do que
aquele que tá seguindo estritamente as
as leis certinhas, sabe? Eh, nesse caso,
Jesus usa um caso em que seguir as leis
estritamente pode te afastar de fazer a
vontade de Deus. Seguir as leis, as leis
de Deus, cegamente, estritamente pode te
afastar de fazer a vontade de Deus.
Porque ao seguir as leis estritamente,
eu não posso tocar em mortos. Então, tô
vendo uma pessoa ali parece morta, eu
vou até passar longe, quando na verdade
a vontade de Deus seria você ser
misericordioso com essa pessoa, entende?
Eh,
esse é o primeiro ponto que é uma
discussão sobre a lei, a a lei
estritamente
literalmente escrita e a lei que é maior
do que ela. Aí vem a toda aquela
discussão que a gente já falou aqui, né?
Eh, aquela pergunta clássica, né? Se
você tivesse lá na Segunda Guerra
Mundial escondendo os judeus no seu
porão e alguém batesse na sua porta, um
oficial lá da SS batesse na sua porta e
falasse, perguntasse para você: "Você
está escondendo judeus no seu porão?" O
que seria moralmente correto nesse caso?
Falar a verdade ou mentir?
Então,
existem leis que devem ser quebradas em
contextos específicos para você manter
princípios mais importantes com a
misericórdias, com a bondade, como o
próprio amor e assim por diante.
Entende? Então, esse é um elemento que
tá na parábola que eu acho interessante.
E um segundo é que Jesus inverte a
pergunta, né? A pergunta era: "Quem é o
meu próximo?" E no final Jesus conta a
parábola do bom samaritano e vira lá
para pro fariseu e pergunta: "Bom, quem
foi o próximo dessa pessoa?" Ou seja, a
pergunta já tá errada. A pergunta não é:
"Quem é meu próximo? Eu vou reformular
essa pergunta para você. De quem você
está sendo próximo?"
E aí Jesus inverte essa pergunta,
reformula essa pergunta e e com a
parábola do bom samaritano como uma
moldura para essa reformulação da
pergunta: "Quem é meu próximo?" Então eu
eu acho eu gosto bastante dessa parábola
por todas essas questões aí que estão
envolvidas, entende? é a que tô é a
parábola que eu tô mais
eh que eu tenho me dedicado mais a falar
sobre ela, a pensar sobre ela nos
últimos tempos.
Bom, o
Johnny tava pergunt, eu não sei se é o
Dion ou a Dion,
eu leio aqui só Johnny da Rosa. Então eu
não sei qual é o qual é a pressão,
porque tinha que o Aid também no começo
eu pensava que era a AID. E aí depois
ele falou: "Não, eu sou o Aid." E aí a
gente acaba se confundindo, né? Eh,
aí ele pergunta aqui ou ela, o Dion,
qual vai ser eh o este o tema, qual vai
ser o tema dessa live aqui? Então, essa
live aqui, o que a gente tinha uma coisa
que a gente tinha deixado em aberto na
última live e que eu queria trazer para
essa live aqui é os textos que falam da
ideia do sacrifício feito desde a
fundação do mundo. A, o Dion, beleza,
fechou? Então, eh, o sacrifício que é
feito desde a fundação do mundo, mas
como vocês sabem, né, o tema que a gente
traz aqui é mais um argumento, um
argumento inicial, porque a gente vai
trazer um tema aqui pra gente começar
uma conversa que já tá começando aqui,
já começou, né? E aí a gente a gente vai
destrinchando, desdobrando ela, né, da
da BBTS de Curitiba, Betion de Curitiba.
Ah, legal, legal, Johnny. Eh, bom,
gente, como a gente tem feito
ultimamente, dando uma olhada aqui nos
comentários que tiveram essa semana,
não teve muita pergunta específica, né?
Eh, mas eh, por exemplo, a Maria
Conteszin coloca aqui, seria
interessante fazer uma live sobre a
interpretação tipológica do livro dos
cânticos de Salomão, se é que há. Aí a
minha questão aqui seria o que
exatamente ela quer dizer com uma
interpretação tipológica.
E aqui tem uma outra questão que eu que
a gente pode comentar também. Eh,
provavelmente o que ela tá falando dessa
tipologia talvez seja sobre isso, né?
uma tipologia de Cristo. Então, sobre o
o livro dos cânticos
ser uma uma espécie de uma alegoria à
pessoa de Cristo, né?
Eu eu não costumo olhar pro livro de de
Cantares dessa forma ou cântico dos
cânticos, né? Dessa forma. Eu gosto de
olhar pro livro dos cânticos como uma
celebração
do do amor de um homem para uma mulher,
de uma mulher para um homem. né, o a
celebração do amor erótico, digamos
assim, né, do amor EOS, como a gente
tinha comentado umas lives atrás, né,
desse tipo de amor romântico
ou até sexual, tem uma conotação sexual
aí em várias partes do livro. Eh, então
eu vejo o livro mais com uma como isso,
com uma celebração desse aspecto da
humanidade. Nossa, gente, deixa eu só
fechar a janela aqui porque tá um
barulho lá fora.
Hoje deu uma esquentada, né? Então, tá
difícil deixar as coisas fechadas aqui.
Talvez daqui a pouco eu abra de novo.
Eh, mas eu não gosto de ver o livro de,
enfim, eu não gosto de ver o livro de
Cantares como uma alegoria. Então, eh,
eu prefiro ver ele dessa forma, que é o
que tá mais explícito no texto. Olha,
normalmente,
normalmente eu não gosto de ver os
livros como uma alegoria, a não ser que
o livro seja muito explícito em falar
que ele é uma alegoria. O fato é que o
livro de Cantares muitas vezes ele é
interpretado como uma alegoria
porque o tema dele, o tema explícito do
livro é muito desconfortável para uma
certa tradição religiosa, entendeu? Que
é sexualidade,
que é o amor romântico sexual e essas
coisas, né? Então, por isso se alegoriza
tanto o livro de Cantares. Esse é um
aspecto. Um outro aspecto,
eh, que é um tema que há um tempo atrás
era um era uma polêmica mais comum na
internet, que é uma ideia, eu não sei,
gente, eu não sei direito, eu eu não sou
tão entenado nas tretas teológicas de
internet, então eu sei que tinha uma
treta aí, eu não sei exatamente como
começou, quem é que falou e quem é que
discordou sobre a ideia de Cristo ser a
chave, a chave hermenêutica do Antigo
Testamento. Cristo é a chave
hermenêutica do Antigo Testamento. Olha,
eu tô partindo aqui tudo do pressuposto
que essa pergunta sobre Cantares, essa
pergunta sobre interpretação tipológica
do livro de Cantares tá se referindo a a
a interpretar como a tipologia de
Cristo, como Cristo sendo eh o o
significado do livro de Cantébes, né?
Então
eu concordo e discordo ao mesmo tempo
dessa frase que Cristo é a chave
hermenêutica do Antigo Testamento.
Porque depende depende do que você quer
dizer como chave hermenêutica, do
depende do que você tá falando como
Antigo Testamento.
A ideia de que o Antigo Testamento como
um todo, ele ele deixa antecipada a
ideia da vinda do Messias, beleza? 100%
fechado com essa ideia. Ele deixa um um
uma ai, como que se fala? Uma
expectativa pra vinda do Messias 100%.
Então, nesse sentido,
eh, Cristo acaba sendo uma uma chave
hermenêutica do Antigo do Antigo
Testamento. Beleza? Mas por outro lado,
dependendo do que você tá querendo dizer
com essa frase, ela começa a ficar meio
non sense, porque, sei lá, o o a ideia
de que Cristo ele tá oculto em cada um
dos versos do Antigo Testamento já
começa a ficar meio sem sentido, sabe?
Porque quando eu pego, sei lá, um verso
raveiro ravalin, raccolo, raveiro, né,
um vaidade, vaidade, tudo é vaidade, a
frase lá central do livro de
Eclesiastes, tá? como Cristo me ajuda a
interpretar esse verso. Tipo, não tem
muito a ver. Por mais que Cristo seja o
centro da fé, da fé cristã, eh, isso é
importante, mas a Bíblia trata de vários
aspectos da fé, vários aspectos,
inclusive aspectos que não são tão
diretamente ligados a Cristo, né? ou
como a gente tinha comentado algumas
lives atrás, até a própria ideia de Deus
de forma explícita, o livro de Rute, por
exemplo, não tem a palavra Deus. Deus
não é mencionado no livro diretamente,
né? Então, eh, a Bíblia trata de muitos
aspectos da espiritualidade da vida
humana, do aspecto humano, da, da, do,
da, da da da experiência humana no
mundo.
Então, dizer que Cristo é a chave
hermenêutica de do Antigo Testamento
como um todo, como todas as ideias,
todos os as o o os versículos do Antigo
Testamento, de alguma forma Cristo vai
ajudar você a interpretar ele, aí eu já
acho meio viajado. E o problema é que
quando você fala que Cristo é a chave
hermenêutica do Antigo Testamento,
assim, de forma tão categórica, meio que
isso fica implícito, entende? Então, eh,
eu fiquei pensando nessa ideia quando eu
vi esse comentário aqui, né, sobre uma
interpretação tipológica do Cântico dos
Cânticos.
Então, é isso. Eh, [roncando] eu não tô
olhando aqui os comentários, não sei se
alguém tá falando sobre isso, né?
Eh,
tá. Não sobre isso não. Então, beleza,
vamos seguir. Eh, aí algumas outras
pessoas fizeram outras outros
comentários aqui. Não tem realmente como
atribuir literalidade quando o próprio
autor e e os números deixam claro que se
trata de símbolos e tal, né? Eh, um
comentário que a gente tá falando sobre
também essa ideia de de do que que é
literal e simbólico, tal. Eh,
de fato, e também não tem como atribuir
eh simbolismo quando o autor não dá
espaço pro simbolismo, quando o autor tá
sendo só literal. Só tá contando uma
história mesmo,
mesmo que a gente considere uma coisa
que é um morte aqui, que eu falo, mesmo
quando é literal também é simbólico,
beleza? O que não significa que é uma
alegoria, entende?
Eh, a gente de vez em quando volta de
novo nesse tema.
E aí o Daniel, o Daniel tá aqui na live,
né? O o Daniel Algo Verde coloca aqui,
Roney, não sei se já comentou
Eclesiastes 3 sobre o tempo, segundo o
ditado, o tempo cura tudo. Não nessa
perspectiva,
mas Eclesiastes 3 a gente de vez em
quando cai nele também. Aqui existem
alguns buracos negros em volta da gente
com puxando a gente o tempo todo. A
gente de vez em quando, alguns temas que
a gente de vez em quando cai neles e
para mim não tem problema repetir eles.
Se para vocês ficarem muito repetid
muito repetitivo, vocês podem comentar à
vontade, tá bom? Eh, mas eu gosto da
perspectiva lá de Eclesiastes 3,
quando ele vai falar, é que eu acho que
o ponto não é que o tempo cura tudo, o
ponto é mais existe um tempo para tudo.
Inclusive, existe um tempo para cura e
existe tempo para se ferir também.
Ou seja, a experiência humana acontece
dentro do tempo. E é a dimensão do tempo
que estende essa experiência, que faz
essa experiência se ramificar
em vários aspectos, em várias
perspectivas, né? É porque a gente tem
um certo tempo de vida que a gente vê
guerra e a gente vê paz, que a gente vê
o abraço e o se afastar de de abraçar,
que a gente vê o nascimento e a gente vê
morte.
Então é a dimensão do tempo
que dá existência para essa experiência
humana, né? Então eu acho que é mais
nesse sentido lá Eclesiastes 3, né? E
aquela ideia também que Deus colocou a
eternidade no coração do homem também. A
gente já comentou disso aqui um tempo
atrás que tá muito mais no sentido de
Deus colocou algo muito maior no coração
do homem do que a experiência que ele
consegue observar. Porque o homem ele
tem uma uma perspectiva de infinito,
embora ele seja finito. Então ele olha
para as coisas, ele não consegue
entender tudo do começo até o fim.
Embora ele perceba que exista um começo
e um fim, ele ele experimenta só uma
parte, o tempo que ele vive, né? Porque
esse é o verso lá de Eclesiastes 3, que
normalmente as pessoas falam só da de um
pedaço do verso, não falam da outra
parte do verso. Vou até abrir aqui pra
gente ver
que eu gosto de falar desse assunto
também.
É, Eclesiastes é um grande buraco negro
que a gente sempre é sugado para ele
aqui. Eh, o verso 11, né? Eclesiastes 3,
verso 11. Deus foi todo formoso no seu
devido tempo. Também pôs a eternidade no
coração do ser humano, sem que esse
possa descobrir as obras que Deus fez
desde o princípio até o fim. Então,
existe o o a a ideia de Deus colocar a
eternidade no coração do homem tá dentro
da perspectiva de que o homem não
consegue experimentar
a obra de Deus do começo até o fim. ele
experimenta só um pedaço, uma parte, a
parte que que ele é limitado no tempo e
e no espaço para conseguir experimentar.
Então, a apesar de ele ter uma ideia de
infinito,
ele só vê parte, né? E também tem um um
outro aspecto bem interessante aqui, que
é a
o a palavra que aqui é colocada como o
infinito, a eternidade ou o universo ou
o mundo. São todas essas possíveis
traduções paraa palavra olam no
hebraico, né? Universo, mundo infinito,
eternidade,
eh, digamos assim, é tudo que é
conhecido tanto no tempo quanto no
espaço. Isso é olam. Inclusive a palavra
mundo cabe aí também, porque você nessa
na época em que esse texto foi escrito,
você não tinha uma ideia separada de
mundo e de universo, como se o universo
fosse em vários mundos. Eh, isso é uma
ideia
muito posterior, né? Isso é uma ideia
que vai vir lá com o o
Ah, gente, eu odeio esquecer o nome das
coisas e eu faço isso com frequência
aqui na live. o nome do cientista, de um
dos maiores cientistas que que já
existiram, os o cara que descobre lá a
gravidade, o Newton, tá? Eh, não
descobriu a a gravidade, ele ele,
digamos assim, ele
organizou a ideia de gravidade em termos
científicos, como a gente conhece hoje,
né? É, é mais na época de Newton que a
gente começa a entender o universo
como uma junção de vários mundos. É
nessa época também que você tá começando
a entender mais o o que o o o planeta
Terra não é o centro do universo. E com
a ideia de gravidade de Newton, a gente
não é nem o que tá embaixo e o que tá em
cima. A gente é só uma esfera que atrai
coisas. Existem outras esferas flutuando
no espaço também atraem coisas, né?
Então,
só nessa época que se começa a pensar o
mundo diferente da ideia de universos,
que a gente vive num mundo específico,
existem outros mundos, eh, e existe um
universo muito grande, né? Até aí é tudo
a mesma coisa. Por isso, voltando, né, a
palavra olam significa todas essas
coisas ao mesmo tempo. E a palavra olam
também tem uma conotação. O Rechel vai
comentar disso, se eu não me engano, era
no livro do dele do Shabat. é que a
palavra olam
a gente consegue entender, por exemplo,
no no árabe alam, que seria um cognato
do olam, que significa também mistério.
Existe uma conotação de mistério na
palavra olama. Então, quando Deus coloca
eternidade, ele quer dizer no sentido de
ele colocou algo que é muito grande para
se entender. E é por isso que o homem
não entende as obras que Deus fez desde
o princípio até o fim. Então, a ideia de
Deus colocar o universo no coração do
homem é Deus colocar uma incógnita
imensa, infinita, no coração do homem.
Então, tem essa conotação também. Eu
gosto de pensar esse verso nesse
sentido. Então, não fica restrito aquela
ideia de que, ah, a gente, Deus colocou
um infinito no coração do homem, então o
homem sempre sente um vazio que só pode
ser preenchido por Deus. Para mim, esse
verso não tá falando disso, né? Eu sei
que essa é uma interpretação bastante
comum, bastante popular desse verso, mas
para mim não é disso que o verso tá
falando, né?
Eh, bom,
passamos Eclesiastes 3 aqui, então vamos
seguir. Eh,
bom, é isso do de forma geral, é isso
que a gente teve de comentários essa
semana. Então, vamos lá.
Já vê que o pessoal já tem várias vários
comentários aqui, né? Eh,
este é o eh é o cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo. Ele sabia que
Jesus morreria, certo? Olha, Carlos,
eu não sei exatamente
se por esse verso dá pra gente ter essa
certeza.
Isso é muito curioso.
Parece que exatamente o que Jesus ia
fazer, apesar de parecer pra gente muito
óbvio hoje, olhando em retrospectiva
e tendo a interpretação dos textos do
Antigo Testamento que a gente tem hoje,
parece muito óbvio que Jesus iria vir
sofrer e morrer, mas parece que na época
não era tão óbvio assim. Então assim, é
interessante a gente pensar que
personagens bíblicos anteriores e até
que conviveram com Jesus não tinham essa
ideia de Messias que a gente tem hoje.
Imagina, por exemplo, tipo, o que que
Moisés pensava sobre a ideia de Messias?
Eu imagino que muito pouca coisa.
Eh, pelo menos olhando pros textos que
são atribuídos a Moisés, né?
Eh, você olha pro Pentateuco, olha, se a
gente olhar para pro Pentateuco
sem entender ele como sendo de uma
autoria de Moisés, só vendo o personagem
Moisés, ele não tem nenhuma indicação
que Moisés tinha algum conhecimento eh
do do personagem Moisés que é descrito
no Pentateuco, que ele tinha algum
conhecimento da ideia de Messias que a
gente tem hoje como cristão, eh como um
Messias que sofre e morre para espiar os
pecados.
E mesmo você sendo generoso, falando:
"Não, Moisés escreveu todo o Pentateuco.
Ele é o único autor do Pentateuco
inteiro. Então tudo foi escrito. Mesmo
assim ainda não é tão clara assim a
ideia de um Messias sofredor.
Por mais que tenha um ou outro verso que
dê essa indicação, não fica tão claro.
Então assim, eu olho para personagens do
Antigo Testamento, mesmo que escreveram
um texto bíblico, mesmo que escreveram
textos que são messiânicos. Davi, que
escreveu salmos messiânicos,
talvez o próprio Isaías, para eles, na
cabeça deles, não me parece tão claro
essa ideia do Messias tão sistematizado
como a gente entendeu depois de Jesus,
entende?
Então, eu diria que João Batista não
sabia exatamente que Jesus ia de fato
morrer como um um cordeiro sacrificial.
Talvez João Batista estivesse se
referindo a Jesus como o cordeiro que
tira o pecado do mundo de uma forma mais
alegórica, mais geral. Ah, ele tira o
pecado do mundo tanto quanto um cordeiro
que é sacrificado tirava o pecado, mas
talvez ele não tivesse essa relação de
ele também será sacrificado como
cordeiro, entende? Então eu não sei se
dá para
eu não se eu não acho que o texto é
claro em relação a isso, né? É que tá, a
gente tá falando aqui de um de uma coisa
mais especulativa. O texto não fala isso
abertamente, então em de forma
especulativa, eu diria que não,
mas o texto não deixa claro, né?
Bom, vamos lá pro pro tema então que a
gente comentou aqui, seria o tema de
hoje, né?
Existem algumas coisas no Novo
Testamento que são tratadas como coisas
que acontecem antes da fundação do
mundo, né?
A ideia de salvação
que antecede a fundação do mundo é uma
ideia que é comum no Novo Testamento.
Então, vamos ver aqui alguns exemplos,
por exemplo, né? Vamos lá para Efésios
capítulo 1. O livro de Efésios já começa
com essa ideia praticamente.
Então, quando a gente vai lá para
Efésios capítulo 1,
ele vai começar ali o verso 3 e verso 4.
Vai, vou ler o verso três e o verso até
o seis, vai. E bendito seja o Deus Pai.
Deixa eu colocar aqui. Não, já tá. Nova
Almeida atualizada. Eu gosto dessa
versão. Bendito seja o Deus, pai de
nosso Senhor Jesus Cristo, que nos
abençoou com todas as bênçãos
espirituais nas regiões celestiais em
Cristo. É bonito essa essa esse começo
do livro, né? Depois dele fazer o
prefácio, ele começa: "Bendito seja o
Deus Pai",
né?
eh essa essa bênção em relação a Deus
também, inclusive, só abrindo um
parênteses,
ela é muito comum dentro do judaísmo eh
a ideia de bênção. Então, a ideia de
você,
várias ações no judaísmo moderno estão
relacionadas com uma bênção específica.
Você faz uma bênção para fazer coisas
específicas. Você acorda, você faz uma
bênção. Você come, você faz uma bênção.
Você eh você lava a mão, você faz uma
bênção. Você sai de casa, você faz uma
bção. Tem. Então tem várias bênçãos. E
essas bênçãos estão dentro de uma
fórmula no judaísmo que é eh começa
sempre com barur atá Adonai, né? Eh,
bendito sejas tu, Senhor, né? Adonai
aqui seria o nome de Deus, né? Eh, Yahé.
Mas como no judaísmo esse nome não é
pronunciado, então bendito sejas tu,
Hashem, que é o nome ou Senhor ou o
Eterno, eh, algum nome que se refira a a
Deus, né? Um título que se refira a
Deus. Eh, normalmente essa bção é um
pouquinho mais entendida como baru
ratadona.
Então, bendito sejas tu, Senhor, nosso
Deus, Rei do universo, que nos ordenaste
tal coisa, que nos mantiveste, que nos
Essa eu adoro, que é sempre em em tempos
festivos essa bênção que é feita pelos
judeus, né?
Rigiano lasman. Bendito és tu, Senhor,
nosso Deus, sei do universo, que nos
conservaste em vida, nos mantiveste e
nos fizeste chegar a esse tempo festivo.
Eu gosto muito dessa dessa bção, acho
muito bonita, né? Então, tem várias
bênçãos assim. Baronam
bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus,
rei do universo, que faz brotar o pão da
terra.
Borf,
bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus,
rei do universo, que que criador do
fruto da vida. E então para cada coisa
você tem uma bênção. E essa bênção, o
que é interessante no no judaísmo
e é o que aparece aqui nesse texto, é
que
a bênção,
eh, o que que é uma bênção, né? Vamos
falar sobre isso. Isso que é, acho que é
um parênteses interessante aqui nesse
nesse texto, nesse tema todo que a gente
tá falando.
Bênção é uma coisa boa, é uma dádiva
boa. Então,
uma coisa também que eu mudei minha
percepção em relação a isso, a gente
sempre tá acostumado a fazer uma oração
para abençoar o alimento,
mas essa é uma compreensão errada,
equivocada das coisas.
Provavelmente essa ideia de a gente tem
que fazer uma oração para abençoar o
alimento vem de um texto que fala que
Jesus fez a bênção e partiu o pão e tal.
Quando ele fala isso, não, ele não fez,
ele não abençoou o alimento. Ele abençoa
a Deus que deu o alimento, né? Que
provavelmente foi essa bênção que eu
falei aqui ou alguma coisa parecida. Eu
não sei se na época de Jesus essa bênção
já era organizada dessa forma como é no
judaísmo moderno, né? Baru
bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus,
rei do universo, que faz brotar o pão da
terra. Eh, hoje no judaísmo, no partir
do pão, na cerimônia de partir do pão,
essa bênção é pronunciada. Então, quando
Jesus faz uma bênção, ele não tá
abençoando o pão, porque dentro da
compreensão judaica, isso faz muito
sentido, o pão já é uma bênção.
Então, você é abençoado pelo pão, não é
você que abençoa o pão. Então, você
agradece a Deus pela bênção que é o
alimento. O alimento é uma bênção. Você
não abençoa o alimento. Ele é uma bênção
para você.
Então,
eh, a ideia de bênção às vezes a gente
confunde. E aí tem uma coisa que é
estranha nessa história, porque se a
bênção é uma coisa boa, é uma dádiva,
como que você abençoa a Deus? Como um
homem olha para Deus e fala: "Bendito és
tu, Senhor, abençoado seja Deus."
Eh, inclusive em algumas tradições
judaicas, quando você fala bar atadonai,
dentro da liturgia do sábado, você se
curva, porque é uma ousadia você
abençoar o próprio Deus, que é o o a
fonte de todas as bênçãos. Então, a
ideia é que você não tá abençoando Deus,
a Deus, mas você tá reconhecimento, eh,
você tá reconhecendo aquele que é a
fonte de toda bênção. Então, você
reconhece Deus como o bendito, como o
abençoado, né?
Então, fecha o grande parênteses da
ideia de bênção e voltamos aqui. Então,
bendito seja o Deus e pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou
com todas as bênçãos espirituais nas
regiões celestiais em Cristo. Então, ele
tá sendo grato por todas as bênçãos que
Deus, o pai, Deus e pai de nosso Senhor
Jesus Cristo, nos abençoou. Todas as
bênçãos que são bênçãos espirituais nas
regiões celestiais em Cristo, né?
E aí o verso 4, que aí vamos voltamos
pro nosso tema aqui. Antes da fundação
do mundo, Deus nos escolheu nele para
sermos santos e irrepreensíveis diante
dele em amor. Nos predestinou para ele,
para sermos adotados como seus filhos
por meio de Jesus Cristo, segundo o
propósito da sua vontade. Então, a ideia
aqui
é que todo aquele que aceita a esse
Deus, aceita o seu filho Jesus, eh, ele
ele reconhece que ele foi escolhido
desde a fundação do mundo. É como se
Deus tivesse escolhido todos. É porque
aqui, só abrindo um outro parênteses,
existe uma toda uma discussão sobre
predestinação de duas correntes dentro
do cristianismo moderno, né? A gente já
falou sobre isso daqui em outra ocasião.
O calvinismo e armenianismo. É uma
discussão meio técnica, não é muito a
minha praia esse tipo de discussão,
porque aí o pessoal vai pegar uns textos
e entender como historicamente esse
texto foi interpretado e tal dentro da
história do cristianismo. Já não curto
tanto essa pegada, mas o ponto é, eu não
sou um calvinista clássico no sentido de
que eh o calvinista vai achar que se
você foi salvo, você já tava
predestinado para ser salvo desde o
início. E se você se perdeu, você tava
se já tava predestinado para a perdição
desde o início.
Eh, existe toda uma discussão sobre
livre arbítrio. Aí também a gente também
pode falar que livre arbítrio não é
necessariamente
um conceito bíblico da forma como a
gente entende, ele é vem mais de uma
tradição. O próprio termo livro arbítrio
não existe na Bíblia. Mas de qualquer
forma, eu tendo a interpretar esse
texto, mais como ele não tá falando de
pessoas específicas que foram escolhidas
para salvação, mas que Deus eh escolheu
toda a humanidade, predestinou toda a
humanidade paraa salvação, ainda que
alguns,
digamos assim, virem à costas para essa
salvação que lhes foi oferecida, que foi
dada a eles desde a fundação do mundo.
Então,
qual que é essa ideia? Desde a fundação
do mundo, existe uma uma salvação,
existe uma eleição e uma uma
predestinação para para salvação,
né? Eh,
eu vou propor aqui uma interpretação em
relação a isso, tá bom, gente?
Provavelmente existem outras, quer
dizer, com certeza existem outras, mas
uma que eu gosto, que é meio filosófica
assim, a gente vai por essa linha, tá?
Eh,
a mesma ideia vai aparecer aqui em em na
segunda carta de Timóteo.
Segunda Timóteo, no capítulo 1, também
logo no começo, no verso 9.
Portanto, eu vou ler a partir do verso
8ito. Portanto, não se envergonhe do
testemunho de nosso Senhor, nem do seu
prisioneiro, que sou eu. Pelo contrário,
participe comigo dos sofrimentos a favor
do Evangelho, segundo o poder de Deus,
que nos nos salvou e nos chamou com
santa convocação, não segundo nossas
obras, mas conforme sua própria
determinação e graça que nos foi dada em
Cristo antes dos tempos eternos. Então,
eh,
essa determinação de salvação e essa
graça foi dada a nós por em Cristo antes
de tempo dos tempos eternos, antes da
fundação do mundo, né, digamos assim. A
gente vai ter também aqui, eu vou ler
aqui diretamente no que eu tinha
escolhido aqui, eh, em Tito e em Mateus
25 verso 34. Então, título 1 do diz em
esperança da vida eterna, a qual Deus,
que não pode mentir prometeu antes dos
tempos dos séculos. E também então dirá
o rei aos que estiverem à sua direita:
"Vinde bendice do meu pai, possui com
herança o reino que vos está preparado
desde a fundação do mundo."
Então, existe uma ideia de que
há algo fora do tempo, né? Se o próprio
pecado não existia desde a fundação do
mundo, como que a salvação já existe
desde a fundação do mundo? Não é nem só
a salvação, mas o chamado e a eleição, a
escolha das pessoas para serem salvas
desde a fundação do mundo, né?
Aí a gente vai aqui para um outros
textos que são eh
que são mais interessantes nesse
sentido, né? Primeiro vai tá lá em
Hebreus capítulo 9. A gente vai ler
vários textos hoje aqui, tá bom, gente?
Hebreus capítulo 9.
a gente vai ler lá os versos 25 e 26.
Eh, vocês sabem que eu gosto de de às
vezes tratar de temas maiores. Aqui a
gente tá tratando de um tema muito
específico. Então, nesse caso, acho que
faz sentido ler alguns versos só, porque
a gente tá vendo só essa expressão
específica, essa ideia específica dentro
de uma argumentação que é mais longa.
Então, assim, o livro de Hebreus é um
dos livros que, assim como os escritos
de Paulo, eles ele tem argumentações
longas também. Ele ele tem uma retórica
que ele faz um caminho longo para chegar
na conclusão dele. Então, a gente não tá
concluindo aqui, lendo esses versos,
sobre o que que Hebreus tá falando sobre
um assunto específico, mas a gente tá
passando por um por uma lógica que ele
faz, tá bom? Eu tô fazendo esse
disclaimer porque eh eu já falei aqui
algumas vezes, eu não gosto muito desse
tipo de estudo que fica pensando um
verso aqui, outro verso ali. Existem
casos específicos que eu acho que é esse
caso é um deles que dá para fazer isso,
porque a gente tá falando de uma
expressão específica, de uma ideia muito
específica, que ela não é desenvolvida
em um texto, mas ela aparece algumas
vezes no meio de de de alguns textos que
estão seguindo suas próprios caminhos,
suas próprias argumentações, tem seu
seus próprios contextos, mas essa ideia
de repente aparece aqui e ali, tá bom?
Então vamos lá nessa daqui. Eh, Hebreus
capítulo
vou ler a partir do 24,
eh, Hebreus 9:24. Porque Cristo não
entrou em um santuário feito por mãos
humanas, figura do verdadeiro santuário,
porém no próprio céu para comparecer
agora por nós diante de Deus. Ele não
entrou para oferecer a si mesmo muitas
vezes como o sumo sacerdote entra todos
os anos santos dos santos com sangue
alheio. Se fosse assim, ele precisaria
ter sofrido muitas vezes desde a
fundação do mundo. Agora, porém, ao
chegar ao fim dos tempos, ele se
manifestou uma vez por todas para
aniquilar o pecado por meio do
sacrifício de si mesmo. E eu vou ler o
27 e 28 também. Assim como aos homens
está ordenado morrerem uma só vez, vindo
depois disso o juízo, assim também
Cristo, tendo se oferecido uma vez por
todas para tirar os pecados do mundo,
aparecerá uma segunda vez, não para
tirar os pecados do mundo, mas para
salvar aqueles que esperam por ele.
Então, qual que é a ideia aqui? Vamos,
eu vou comentar um pouco o que que é que
Hebreus tá argumentando nesse nesse
ponto. Ele tá comparando Cristo ao
sacrifício,
mas ele tá falando, existe uma diferença
entre o sacrifício do santuário e
Cristo, porque o sacrifício do santuário
precisava se repetir, ele acontecia
todos os dias, né? Inclusive tem uma
expressão que é chamada o tamid, que se
refere ao sacrifício tamid, ao
sacrifício que acontecia todos os dias,
né? Eh, mas a todo o serviço do
santuário que acontecia todos os dias,
era um era um serviço repetitivo que
começava e terminava com sacrifícios.
Então, logo de manhã, o sacerdote
acordava, entrava no santuário. A
primeira coisa que ele fazia era já era
oferecer um sacrifício, assim do nada,
não precisava ter nada específico, ele
já oferecia um sacrifício, fazia parte
do desse serviço do santuário. Então,
ele ofereceu um sacrifício de manhã, um
de tarde, eh um um de manhã, um meio-dia
e um ao entardecer. São os três
sacrifícios diários que acontecem, que
fazem parte desse desse, desse serviço
contínuo do santuário, tá?
Então, eh,
esse aspecto do sacrifício é que Hebreus
vai dizer que é diferente de Cristo,
porque o sacrifício ele tinha que se
repetir o tempo todo. Então, mesmo que
ninguém fosse oferecer um sacrifício
específico no santuário, esse sacrifício
já estava se repetindo. Ainda assim, a
pessoa ia ia oferecer um sacrifício pelo
pecado ou um sacrifício pacífico ou
vocês sabem diversos tipos de sacrifício
por motivos diferentes, né? Basicamente,
aliás, o israelita oferecia era a forma
como o israelita se relacionava com Deus
através dos sacrifícios. Então o
sacrifício era o tempo todo, não era só
pelo pecado, não era só para espiar
pecados, embora o tema aqui seja
expiação de pecados. Eh, mas tudo que
aconteceu na vida dos doelita, ele
oferece um sacrifício. Ele tá feliz,
oferece um sacrifício. Fez um voto,
oferece um sacrifício. É data festiva,
oferece um sacrifício. Nasceu um filho,
oferece um sacrifício. Morreu alguém da
família, oferece um sacrifício. Então, o
sacrifício faz parte da vida religiosa
do israelitas.
Eh, e aí o que Hebreus tá falando é o
sacrifício de Cristo é superior,
porque ele não precisa se repetir.
Eh, inclusive a gente podia ter
terminado com esse texto de Hebreus, que
acho que talvez até conclia melhor a
nossa linha de pensamento aqui, mas é
porque o texto de Hebreus deixa isso bem
explicado nesses versos. Hebreus 9 do
verso 22 ao 28. Eh, ele não precisa se
repetir, ele acontece uma vez só. E o
efeito dele é eterno.
Eh, inclusive,
eh, ele não fala aqui nessa nessa parte,
mas ele vai falar que o o o esse
sacrifício de Cristo espiou inclusive os
antigos israelitas,
porque a gente já falou isso aqui em
outra ocasião,
eh o livro de Hebreus diz que o sangue
de bodes e de cordeiros nunca teve poder
para espiar pecado nenhum.
Então o que a gente conclui é que mesmo
lá os antigos israelitas, quem estava
perdoando os pecados deles não eram
sacrifício do santuário, era o
sacrifício de Cristo que viria séculos
depois. Então o que a gente tá vendo
aqui é que esse sacrifício de Cristo,
ele meio que acontece de uma forma
cósmica. Os efeitos dele são cósmicos.
Ele serve para as pessoas do mundo
inteiro,
em qualquer época.
Ele acontece de uma vez só e ele tira
todos os pecados de uma vez só, tanto os
que acontecem antes quanto os que
acontecem naquela época, quanto os que
acontecem depois. é um evento cósmico, é
um evento que eh os efeitos deles são
permanentes, eles duram até o final dos
tempos e eles começam desde a fundação
do mundo. E aí eu gosto de de usar esse
texto de Hebreus que vai usar essa essa
ideia do da da eh ele precisaria ter
sofrido muitas vezes desde a fundação do
mundo. E ele vai usar essa expressão. É,
mas ele fala que ele se ofereceu de uma
vez só para tirar os pecados de muitos
lá no verso 28. Então ele não se
ofereceu muitas vezes desde a fundação
do mundo. Ele se ofereceu de uma vez só
desde a fundação do mundo, entende?
Então essa ideia é o que vai aparecer,
por exemplo, aquiem em Primeira Pedro,
capítulo 1, verso 19 e 20.
E aí depois a gente vai pro texto que é
mais conhecido, que é o texto de
Apocalipse, né? Então, a primeira carta
de Pedro
no capítulo um,
e a gente vai ver aqui,
eu vou começar pelo 17 pra gente pegar a
ideia um pouco mais. Se vocês invocam
como pai aquele que sem parcialidade
julga segundo as obras de cada um, vivam
vivam em temor diante eh durante o tempo
da peregrinação de vocês, sabendo que
não foi mediante coisas perecíveis como
prata e ouro que vocês foram resgatados
para a vida inútil que seus pais lhe
legaram, mas pelo sangue precioso de
Cristo como de cordeiro, sem defeito e
sem mácula. Ele foi conhecido antes da
fundação do mundo, mas foi manifestado
nesses últimos tempos em favor de vocês.
Por meio dele, vocês creem em Deus, o
qual ressuscitou dentre os mortos e lhe
deu glória, para que a fé e a esperança
de vocês estejam em Deus. Então, esse
cordeiro que tem esse sacrifício, que é
conhecido desde a fundação do mundo, mas
foi só manifestado nesses últimos
tempos, eh, esse é o que faz o
sacrifício que tem os efeitos cósmicos.
E aí a gente vai pro pro texto de
Apocalipse, porque esse texto de
apocalipse tem mais de uma interpretação
possível, mas quando a gente vê ele no
contexto desses vários outros textos que
falam dessa escolha, desse sacrifício
que vem desde a fundação do mundo, aí a
gente consegue interpretar ele desse
jeito aqui, ó, que Apocalipse 13 verso
8, né? Ele tá falando da da besta, né?
Eh, vou ler a partir do verso 6 aqui. A
besta abriu a boca em blasfêmias contra
Deus para lhe difamar o nome e difamar o
tabernáculo, a saber os que habitam no
céu. Foi-lhe permitido também que
lutasse contra os santos e os vencesse.
Foi-lhe dada ainda autoridade sobre cada
tribo, povo, língua e nação.
E ela será adorada por todos os que
habitam sobre a terra, aqueles que desde
a fundação do mundo, eh, ah, a minha
tradução aqui muda a ordem das coisas.
Eu vou ler qual seria a ordem normal
aqui. E ela será adorada, adorada por
todos aqueles que habitam sobre a terra,
aqueles que não tiveram seus nomes
escritos na na no livro da vida do
cordeiro, que foi morto desde a fundação
do mundo, né? Então,
qual são as duas interpretações?
Quando ele tá falando sobre aqueles que
não tiveram os seus nomes escritos no
livro da vida do cordeiro que foi morto
desde a fundação do mundo, você pode
interpretar que os nomes foram escritos
no livro da vida desde a fundação do
mundo ou que o cordeiro foi morto desde
a fundação do mundo.
Eh, você vê que essa tradução aqui que
eu gosto, a Nova Almeida Atualizada, ela
já coloca o texto num formato para você
entender que que não é isso.
é é os que aqueles que não tiveram seus
nomes escritos no livro da vida desde a
fundação do mundo. Mas o texto parece
dar a entender também que o cordeiro foi
morto desde a fundação do mundo. Então,
qual seria essa outra interpretação que
a gente tá montando aqui baseado em
todos esses textos que a gente leu?
O sacrifício de Jesus, sendo ele
cósmico, ele não precisa se repetir
igual ao sacrifício do santuário. Eh,
ele abrange toda a história da
humanidade.
Ele perdoa todos os pecados, desde o
pecado de Adão até o último pecado que
foi cometido agora. e os que vão ser
cometidos no futuro, eh, todos eles
podem ser perdoados e confessados diante
do sangue desse cordeiro. Portanto,
no sentido de efeitos, esse cordeiro foi
morto desde a fundação do mundo,
entende?
É como se ele fosse o grande cordeiro
por trás de todos os cordeiros que foram
mortos desde a fundação do mundo, porque
o efeito dele eh abrange todos os
outros.
O sacrifício de Cristo, então ele é
atemporal, ele é cósmico. Quando você
hoje confessa um pecado,
eh
pede perdão para Deus em nome de Cristo,
em nome do seu sacrifício, é como se ele
tivesse morrido agora por você.
Ele acabou de morrer por você. Assim
como acontecia lá no no santuário, você
confessava o seu pecado colocando a mão
na cabeça do cordeiro e então ele era
morto. Então, cada vez que você confessa
o seu pecado, é como se Cristo tivesse
sido morto. E isso acontece desde a
fundação do mundo, desde o início de
tudo. Todos os pecados estão debaixo
desse grande sacrifício do cordeiro que
eh a gente estava falando aqui da
palavra olam, né, que é a palavra
infinita. Isso cabe muito bem aqui. Esse
sacrifício é olam. Ele cobre todas as
dimensões possíveis da experiência
humana. Eu já tô usando a palavra
experiência humana aqui muitas vezes
nessa live, né? Mas ele cobre todas as
perspectivas, todas as as dimensões
possíveis eh do do
de toda a necessidade de sacrifício que
a humanidade teve desde o início até o
final.
E é isso, gente. É isso daí. Deixa eu
ver aqui os comentários. Então,
eu não sei se vocês acham que eu tô
viajando muito aqui.
Não, não tem muitos comentários não. Eh,
então aí vai a essa pergunta do Patrick
Schunk aqui, né? Jesus morreu duas vezes
antes da fundação do mundo e depois na
cruz. Isso realmente confunde. É como se
Cristo tivesse morrido uma vez só e essa
vez estivesse acontecendo desde o começo
até o final, né?
O Dion coloca aqui o conceito de machia
foi desenvolvido no 200 anos da era
comum no judaísmo. Isso é,
eu entendo o que você quer dizer, mas
assim, se a gente for ver que o conceito
de Messias já tá sendo desenvolvido no
texto bíblico, a gente pode dizer que
ele é anterior, mas a gente pode dizer
assim que no judaísmo rabínico
expressamente com esse nome, aí a gente
pode dizer que acontece nessa época
específica, mas a ideia em si de Masivez
não tivesse esse nome, inclusive é
curioso que no Antigo Testamento,
acho que o único texto que eu conheço
que usa a expressão são Messias para se
que a gente entende como um texto
messiânico é o texto de Daniel 9 que
fala do Masiid, o o príncipe ungido, né?
Eh, porque,
por exemplo, Isaías 53, ele tá falando
do sacrifício, mas ele não usa a palavra
machia, ele vai falar do aved, o servo,
né? Eh, a gente tem aqui as ideias de
sacrifícios todos, não tem a palavra
machir, né? Então, eh, o conceito já tá
lá, embora não seja essa palavra que tá
sendo usada, né?
FH Batista, se eu não me engano, já
existia uma linha que entendia o Messias
como sofredor. Se não me engano, os
enênios, eles seram entendido como
messianismo catastrófico ou algo assim.
A gente já entra nisso daí. Eh,
o sacrifício de Cristo foi com seu
próprio sangue. Isso, Daniel. Pois é, o
livro de Hebreus vai argumentar que
Jesus é ao mesmo tempo sacrifício e é ao
mesmo tempo sacerdote. Ele e ele vai
argumentar, ele é um sacerdote superior
porque os sacerdotes tinham que oferecer
sacrifícios pelos seus próprios pecados
e Jesus não precisava oferecer porque
ele era perfeito.
E ele é um sacrifício superior. Por, e
aí vai entrar no texto que a gente leu,
porque ele ele ele se ofereceu como
sacrifício apenas uma vez e esse
sacrifício tem efeitos eh eternos, né?
Então, eh, tanto como sacrifício como
sacerdote, ele é superior ao sistema
anterior e
principalmente pelo fato de que ele se
oferece a si mesmo como sacrifício. O
fato dele ser tanto sacrifício como
sacerdote ao mesmo tempo já o torna
superior aos sacrifícios e aos
sacerdotes que existiam lá no Antigo
Testamento, né? Esse vai ser, na
verdade, o grande argumento do livro de
de Hebreus. Eh, como Cristo é, o
sacrifício de Cristo é superior ao aos
aos outros sacrifícios. O livro de
Hebreus, ele ele preenche uma lacuna
importante no Novo Testamento, porque
você tem a ideia da Cristo vindo como um
Messias. Eh, ele tem a ideia de Cristo,
eh, do sofrimento de Cristo, mostrando a
injustiça do mundo, etc e tal. Mas se a
gente tira o livro de Hebreus da Bíblia,
fica uma lacuna sobre como é para que
que servia então todo aquele sistema
sacrificial e como se isso se relaciona
com Cristo. Porque não tem um outro
livro da Bíblia, não tem um outro texto
que explique assim tão exaustivamente,
eh, tão sistematicamente,
a relação de do da morte de Cristo com o
sacrifícios do Antigo Testamento, como o
livro de Hebreus. ele que vai trazer
essa essa ideia, até porque essa ideia
também foi desenvolvida no tempo.
Eh, assim que o a igreja começa a se
organizar,
as pessoas ainda faziam sacrifícios na
igreja. Não sei se vocês lembram, Paulo
fala: "Olha, as pessoas estão falando aí
que a gente não segue a lei." Então,
vamos fazer o seguinte, vamos cumprir
nossos votos de Naziri ou ele mesmo e
vamos lá no no santuário oferecer
sacrifícios para mostrar para as pessoas
que nós somos judeus que cumprem a lei.
Sim, e tal. Então eles ofereciam
sacrifícios também. Eh, provavelmente o
que acontece é que quando o santuário é
destruído lá no ano 70,
tanto o cristianismo quanto o judaísmo
tiveram que reorganizar as suas a sua
teologia em relação ao sacrifício,
porque o sacrifício tem que ser feito no
santuário. Isso é uma lei bíblica, né?
Você não pode, é proibido você oferecer
sacrifício em algum lugar que não seja o
santuário. Isso aparece diversas vezes
na Bíblia. É por isso, inclusive, que os
judeus não fazem sacrifício hoje. Se o
santuário tá destruído, a gente não pode
oferecer sacrifício. Então, como a gente
vai ter o pecado espiado se o santuário
tá destruído? Entende? Então, o judaísmo
vai entender baseado em alguns textos de
Oséias que eu quero misericórdia e não
sacrifícios. Então a gente, então é a
misericórdia que substitui os
sacrifícios. Então a gente tem que fazer
obras de caridade, etc e tal. Isso vai
substituir os sacrifícios. Isso e as
orações. As orações e a e a cedak, né?
As obras de caridade, elas substituem o
sacrifício do santuário. Então é assim
que a gente vai ter os pecados
perdoados. Agora
dentro do cristianismo, a resposta é ao
livro de Hebreus. como a gente vai ter o
pecado perdoado se agora destruir o
santuário? Aí o livro de Hebreus vai
trazer essa resposta. Não, na verdade o
o sacrifício de Cristo é através dele
que a gente vai ter os os pecados
perdoados. inclusive já era através
dele. Ele é superior a ele é até
superior ao santuário que se tinha que
foi destruído. É até melhor assim,
porque o santuário destruído a gente
para de se eh de se dedicar e de e de se
eh distrair com elementos que eram só
simbólicos, que não eram realmente o que
perdoava pecados. Agora a gente vai
poder se concentrar no grande sacrifício
que realmente perdoa os pecados, né?
Então, é mais ou menos essa ideia que
vai trazer aí o livro de Hebreus.
Eh, como conhecemos hoje, foi o herdamos
dos escritores de primeiro e segundo
Enoque, que dá para datar com segurança
como sendo do segundo século antes da
era comum. De essênios, a visão de
bachia dele era sacerdotal e régio?
Sim, mas Messias era para reis e
sacerdotes, não como um ser humano.
Isso, né? O Johnny tá falando aqui da da
ideia de Messias que foi desenvolvida
ali, como ele tá colocando aqui no ano
200 antes da era comum, né? Eh, isso,
exato. A gente vai, a gente chama de
Messias, que é a palavra ungido, que na
Bíblia, no texto bíblico é usado para
rez e sacerdotes. Exato, né?
Eh, a gente vai extrapolar esse sentido
e e se referir a um a o ungido, o grande
ungido, o grande rei e o grande
sacerdote ao mesmo tempo, né? Para essa
figura aí que tá. A ideia de Messias é
uma ideia complicada porque ela junta
uma série de profecias que estavam em
aberto em uma figura só.
Porque quando você olha pro texto
bíblico, não parece existir muita
relação entre Isaías 53, por exemplo, e
Daniel capítulo 7. Isaías 53 é aquele
texto que fala porque ele foi desprezado
entre os homens, um homem de dor que
sabe que quer sofrer. Ele foi, ele eh eh
o o castigo que nos traz a paz estava
sobre ele, tal. que ele vai falar toda
da ideia de um sacrifício,
de um sacrifício
expiatório, um sacrifício que que que
limpa os pecados em volta dessa figura
do servo. E ao mesmo tempo lá em Daniel
9, ele tá falando de um grande rei que
viria trazer justiça ao mundo. Então,
qual que é a relação entre um e o outro?
Parece não haver relação, né? Eu tô
usando só dois exemplos aqui, mas se a
gente pegar todos os textos messiânicos
da Bíblia, era difícil você conseguir
pegar todos esses textos se referindo a
uma mesma figura que parecem querer
dizer coisas diferentes. Poxa, ele vai
reinar para sempre e um reino eterno e
que nunca vai passar, mas ele vai morrer
também. Então, como que ele vai reinar
para sempre se ele vai morrer?
Ele vai reinar. Depois que ele reinar,
ele morre, mas o reino dele não vai
acabar. Como que é isso? Então, é na
figura de Jesus que a gente entende
melhor essa ideia. Ele morre e ele
ressuscita, ele toma de volta a sua
própria vida como um um uma ideia de
derrota da própria morte, né? E aí o
Novo Testamento vai trabalhar isso, vai
falar como o o símbolo da de todos os de
toda a ressurreição e tal. Eh, a
ressurreição de Cristo é a primícia das
ressurreições e tal.
Eh, e aí então ele volta uma segunda vez
e estabeleceu reino. Então o
cristianismo vai sistematizar essas
várias profecias na figura de uma mesma
pessoa dessa forma, na ideia de Cristo,
dessas duas vindas, uma vinda humilde
como morte e ressurreição, e uma segunda
vinda gloriosa para estabelecer o reino
de Deus de uma vez por todas, né? eh
trazer o juízo divino.
Tá bom, gente?
Deixa eu só comentar aqui então o que o
o
FH tinha comentado aqui. Se eu não me
engano, existia já uma linha que
entendia o Messias como sofredor. Se não
me engano, os enênios era entendido como
messiânico catastrófico ou algo assim.
Então, FH, existia essa ideia por causa
desses desses textos que tem no Antigo
Testamento que fala sobre uma figura
sofredora com o próprio Isaías 53. O
texto de Isaías 53 hoje ele foi
interpretado de uma outra forma pelos
judeus por causa do cristianismo. Para
esse texto não parecer estar se
referindo à ideia de um Messias
sofredor.
Então isso é uma coisa do judaísmo
moderno. Essa reinterpretação não é só
do judaísmo moderno, para ser honesto,
né? Eh, o judaísmo sempre teve um monte
de interpretação sobre vários textos.
Então, o judaísmo moderno escolheu essas
interpretações históricas e deixou de
lado outras, porque existem outras
interpretações eh no Talmud falando que
o o servo sofredor Isaías 53 é o
Messias, né? Mas hoje o judaísmo já não
interpreta assim, ele meio que deixa de
lado essas interpretações. Ele vai falar
que o servo sofredor Isaías 53 é o
próprio povo de Israel e tal. Então ele
vai para outras linhas. Então
na história,
o judaísmo eh já entendia essa figura
sofredora como uma expectativa de alguém
que viria e já existia uma uma tentativa
de coesão dessas coisas todas sobre o
título de Messias. Então, a ideia de
Messias já tava se formando na própria
época do texto bíblico, como a gente
estava falando aqui, inclusive como um
sofredor também, porque tem esses
textos, texto 53, aquele que
transpassaram as mãos e os pés, né? Que
feridas são essas nas mãos e nos pés? Eu
fui ferido na casa dos meus amigos, etc
e tal. Então, o que que vai acontecer? O
judaísmo
vai desenvolver uma figura
dupla, então, de Messias,
que ele vai chamar de o Messias Ben
David, que seria esse Messias clássico,
vamos dizer assim, esse Messias que vem
e estabelece a paz, um grande líder, eh,
que traz juízo, estabelece a paz e o
reino de Deus para sempre. Mas também
existe uma outra figura para abranger
essas outras profecias que ficam em
aberto, que é o Masia Ben Josf, o
Messias, filho de José. Então, no
judaísmo, isso não é um tema muito comum
ser discutido, até porque abre espaço
para eh pro cristianismo se apropriar
dessas ideias. Mas no judaísmo existem
dois Messias, o Messias, filho de Davi,
e o Messias, filhos de José.
Se você perguntar para um rabino que
estuda mais esse assunto, ele vai te
dizer isso. Eh, existe isso, tá
claramente no talmolde. O Messias, filho
de José. O que o judaísmo
eh moderno vai entender sobre essa ideia
é que o Messias, filho de José, é um
Messias que viria antes do Messias,
filho de Davi. Ele meio que prepararia o
caminho e ele e ele pode morrer ou não.
Então, seria, digamos assim, seriam
profecias que são condicionais,
né? E ele
eh e ele seria mais eh ele é chamado
também de o Messias leproso, eh porque
ele sofre e morre. Então tem tem todas
essas ideias. A ideia de Messias é uma
ideia complexa do próprio judaísmo. Aí
que tá, né? Só pra gente terminar com
isso daqui,
quando alguém fala que, ah, no judaísmo
se pensa desse jeito, sempre cabe a
pergunta: qual o judaísmo?
Entende? É a mesma coisa falar: "Ah, no
cristianismo, qual o papel de Maria no
cristianismo?" Aí você pergunta: "Tá,
mas de qual cristianismo você tá
falando?" Porque no cristianismo
católico tem um papel, no cristianismo
protestante tem outro papel, né? Eh, a
mesma coisa todas as perguntas em
relação ao judaísmo. O judaísmo é tão
diverso, até mais do que o cristianismo,
né? Acontece que hoje o o existe uma
linha do judaísmo que é mais eh que se
tornou mais comum, digamos assim. Então,
ah, o igual as pessoas costumam falar
por ele, noo judaísmo, ele não é um um
uma figura que se opõe a Deus e tal. o o
o diabo, o Satan, né? O Rassatan, ele é
um um um anjo de Deus que tem a função
de tentar o homem e tal. Aí, beleza,
essa é uma linha de um judaísmo que se
tornou predominante hoje. Mas se você
olha pro próprio Tmud, que é a junção
das discussões das tradições judaicas,
você vai ver outras interpretações sobre
quem é Rassatan, quem é a serpente do
Éden. Existem diversas interpretações no
judaísmo sobre quem é a serpente no
Éden. Existe uma predominante hoje, mas
no judaísmo historicamente existem
diversas interpretações. Então, que que
é o Messias? Existe uma forma
predominante de se entender o Messias
hoje. Mas na história, nas diversas
linhas do judaísmo, existem várias
ideias diferentes sobre o Messias,
entende? Então, esse é o ponto. Eh, não
entendeu o judaísmo como uma coisa só.
não entendeu o judaísmo como uma coisa
homogênea. Não é nem hoje ele é
homogêneo. É que existe, digamos assim,
no ocidente uma linha predominante ou
uma linha que que faz mais propaganda,
né? Que que seria eh esses que a gente
chama dos judeus ortodoxos, os os eh
os racídicos, né? são os que que,
digamos assim, tem uma propaganda melhor
sobre o que que é o judaísmo, mas
existem diversas outras linhas de
judaísmo, que tem diversas outras
ideias, eh, e que durante a história
sempre discutiram, sempre discordaram,
né, eh, e fora as diversas linhas que já
existiram e já deixaram de existir,
ideias que já hoje já não são mais mais
eh usadas no cristianismo, mas que
existiram muito fortemente na história.
e inclusive no período bíblico, né?
Então é sempre importante pensar nisso.
Existe uma diversidade no judaísmo. Se a
gente pegar só o recorte da época de
hoje, já existe uma diversidade imensa.
Se a gente pega um um uma perspectiva
histórica, então essa diversidade ela é
potencializada. Existem diversos
judaísmos, né? Diversos judaísmos das
mais diversas ideias.
Aí o o Johnny coloca aqui também, pois
quero saber sua opinião sobre o adorador
no tempo da Bíblia hebraica. Será que
ele via como nós vemos hoje? Ele
compreendeu? Será que ele eh ele
compreendeu? Será o que estava fazendo?
Eu acredito que não. Mas tinha fé na
palavra. Isso, Johnny. Eu entendo dessa
forma também eh essa compreensão, porque
assim me parece
que
na Bíblia quando isso vai ficar claro
mesmo, é no caminho de Emaús. É no
caminho de Emaú que Jesus voltando,
falando com os discípulos, falou: "Ah,
pera aí, vocês não entenderam ainda?"
Então vamos lá, eu vou explicar para
vocês. Depois que Jesus já tinha
ressuscitado, tava andando com eles, né?
E aí ele vai começa a explicar e o texto
fala que ele explica para eles eh, né,
partindo da lei e até os profetas e até
os escritos, ou seja, todo o Antigo
Testamento, eh ele vai ele explica qual
era a a missão do Messias, passando por
todos os textos bíblicos. Se eu pudesse
voltar no tempo e estar em um em em um
uma aula teológica, eu queria estar
nessa daí. É Jesus explicando pros pros
discípulos toda a função do Messias
baseado em nos textos bíblicos de todo
Antigo Testamento. Eu queria muito ver
isso. Pena que o texto bíblico não
registrou isso. Só fala que Jesus
explicou para eles, mas não fala qual
qual é exatamente a explicação.
Eh, falando que o Messias havia de
padecer e ressuscitar, etc e tal, né?
Então, parece que é só ness nesse
momento que existe uma uma
sistematização desse conhecimento.
Parece que até aí ainda não tá claro na
Bíblia eh o que fazer com essa
diversidade de textos e de e de
profecias acerca do Messias, entende?
Então eu acho, eu também, para mim,
assim, olhando pro texto bíblico, fica
bem claro que as pessoas não tinham essa
mesma visão sobre Messias que a gente
tem hoje. Essa
essa visão é é
moderna. Eh, essa isso vai acontecer num
cristianismo, eu diria até pós
destruição do templo, apesar de Jesus
ter falado pros discípulos naquela
época, isso vai só ser registrado no e e
vai se tornar predominante dentro do,
né, do desse cristianismo que tá
surgindo, mas mais paraa frente, né?
Mas é isso, eu eu tô mais com você aí,
viu Johnny? Eu acho que eles não tinham
uma compreensão exata do que seria, iam
na fé, mesmo do mesmo jeito que a gente
sobre o fim do mundo. A gente acha que a
gente sabe exatamente como vai ser, mas
o próprio texto bíblico fala que muita
gente vai ser enganada,
que vai ser uma época confusa. Então a
gente também tá, né, no mesmo barco. A
gente tem fé de que no final das contas
vai acontecer aquilo que Deus está
planejando. A gente não sabe exatamente
como, apesar da gente ter ali algumas
ideias sobre o que que vai acontecer.
Então, é, é meio que essa mesma ideia,
tá certo?
Eh, aí o Daniel coloca: "Cristo voltará
como rei, sacerdote e profeta". Isso.
Isso, né? De certa forma, como
sacerdote, a primeira vinda, como a
gente tá falando aqui no livro de
Hebreus, já atribui um papel sacerdotal
a Cristo, como ele oferecendo seu
próprio sacrifício, mas não deixa de
ser, né? é que
esses papéis eles são cumpridos de certa
forma eh
alguns aspectos nas duas vindas,
entende? Então, de certa forma, Cristo
já é rei também,
inclusive de forma irônica, né? Jesus
Nazareno o rei dos judeus. Aquela
plaquinha na na na na cruz de Cristo é
uma forma irônica que foi usada, mas que
Jesus já era reconhecido como já vai
passar a ser reconhecido como um rei
desse reino que o cristianismo está
inaugurando, né? Então Jesus já é rei na
primeira vinda, mas ele não ele não ele
não vem com o papel de rei daquele rei
que vem trazer juízo, digamos assim. Ele
é um rei que tá vindo estabelecer um
reino. Ele é sacerdote, mas o sacerdote
que ofereceu a si mesmo como um
sacrifício, mas não como que ele vai
trazer a purificação. Ele é profeta
também, já foi profeta no sentido de que
ele trouxe a palavra de Deus, mas ele
também vai ser entendido como um
profeta, porque ele vai trazer o
cumprimento dessa palavra também. Então
assim, essas funções todas elas meio que
aparecem, alguns aspectos delas aparecem
na primeira e na segunda vinda, eu
diria. Não que eu discorde de você em
relação a isso, porque de fato como um
rei reinando, né, vai ser na segunda
vinda, mas já tem um aspecto de reina
primeira também.
O dispensacionalismo
cristão define falso eh falso Messias
Ben Yosef como eh como anticristo?
Eh, eu acho que não. Acho que não. O
conceito de Messias Ben Josf é um
conceito judaico que é estranho ao
cristianismo e ainda dentro do do
próprio judaísmo é um conceito muito
pouco conhecido. Então não é a mesma
coisa. Acho que não dá para fazer essa
ponte não.
O Lê Madruga aí, opa, boa noite. Chegou
no finalzinho. Estamos terminando aqui.
Já estamos terminando nossa live de
hoje, né, gente? Apesar que eu vejo que
quando chega nessa hora que eu tô
terminando a live, começa a a aumentar o
número de pessoas entrando na live, né?
Pena que assim, eu eu vou acordar amanhã
eu acordo cedo, né? Eu vou pra igreja no
sábado, então eu acordo cedo, gosto de
ler Bíblia, gosto de me preparar e tal
para eh para ir. Então não sou muito de
dormir tarde na sexta-feira, não.
Mas
se tivesse mais algum assunto aí vindo,
dava para
dá para dava para estender um pouco mais
aí.
Aí o Dion coloca aqui, imagina estar ao
pé da cruz olhando um corpo sem vida e
pensar: "Este é meu Salvador, eu fico
maravilhado ao pensar". É, Johnny, olha
a cruz,
eh, a cruz é paradoxal em diversos
aspectos.
Eh, não é à toa que o Cristianis ganhou
a força [roncando] que ganhou, porque o
a cruz tem essa
a cruz tem esse esse esse Vamos lá,
vamos falar sobre significados aqui mais
uma vez, né?
Quando eu falo a palavra celular,
eu tô me referindo a esse objeto.
Então, a palavra celular é uma palavra
eh
que, apesar dela também ter outros
aspectos, ela também pode querer dizer
outras coisas. aquilo que é relativo à
célula, eh, ela tá, quando eu falo
celular, de forma geral, tô me referindo
a esse objeto aqui. Então, eu uso um
som, a palavra, eh, o som celular, essa
junção de fonemas, esse som que eu faço
com a boca, para me referir a um objeto
concreto no mundo, a um objeto
específico.
Eh, ou seja, eu tenho um um um símbolo
me referindo a um significado
específico,
né? Então eu, se eu tô falando celular,
eu mostro isso daqui, você vai falar:
"Isso é um celular". Mas se eu mostro
isso aqui, o meu mouse, você vai falar:
"Não, isso não é um celular, isso é um
mouse, é outra coisa".
Gente, eu derrubei a live.
Ah, eu apertei aqui alguma coisa no
Tá, acho que não.
Eu acho que eu tô na live ainda. Vocês
me avisam aí porque eu fui pegar o o o
mouse e apertei alguma coisa aqui e
fechou a minha página. Bom, de qualquer
forma, eu acho que eu tô aqui de volta
normal.
De qualquer forma, eh,
eu tô usando o caso do celular para
falar que essa palavra, nesse uso, ela
se refere a um objeto específico e não a
outros. Então, não tem eh não tem muita
abertura para para significados quando
eu falo isso, né? E é claro, eu eu tô eu
tô sendo superficial aqui, porque como
eu disse, a palavra celular tem outros
significados, né? Quando você tá falando
do núcleo celular, você tá falando do
núcleo da célula. Quando você tá falando
do de de do da fisiologia celular, você
tá falando da célula do corpo, né? A
palavra, a própria palavra célula no no
latim, ela ela se refere a um quarto, um
quarto, um cômodo de uma casa. Daí que
vem a palavra celular. Eu nem sei por no
o aparelho telefônico móvel a gente
chama de celular. Não sei por também não
sei como foi parar aí a palavra, mas de
qualquer forma o que eu tô dizendo é,
existem palavras que têm significados
mais objetivos e fechados, né? Eh, eu eu
não eu não consigo pensar em muitas
conceitos abstratos quando eu uso a
palavra celular, ou melhor, vou usar a
palavra smartphone, que aí acho que fica
bem mais fechado, tá bom? Vamos usar
essa palavra. Então, nesse sentido,
quando uso a palavra smartphone, eu não
consigo pensar em muitos conceitos
abstratos. Ela tá se referindo a um
objeto específico. Pode até ter um
aparelho, um aparelho, um smartphone tão
esquisito que você começa a questionar,
bom, é um smartphone ou já é um min um
mini computador? É um smartphone ou é,
sei lá, uma uma câmera fotográfica com
outras funções? Podem ter aparelhos que
como chegam no limear do que quer dizer
esse significado, mas tudo bem, já tô
estendendo demais aqui essa essa essa
ideia. O ponto é,
existem coisas que normalmente são
coisas relacionadas à arte que o
significado delas não é fechado dessa
forma. O significado dela abre, o
significado delas abre para muitas
coisas, né? Então a cruz seria uma
dessas.
Quando eu falo cruz, quando eu falo da
da ideia da cruz,
eh, eu tô me referindo a diversas coisas
ao mesmo tempo.
Deixa eu só fazer um parênteses aqui,
porque acho que o Carlos tá explicando
porque chama celular aqui. Cada uma das
torres que você vê pela cidade são
tecnicamente nomeados como célula e uma
se comunica com a outra para seu
telefone não perder a conexão, seja de
voz ou de dados. Tá beleza? [risadas]
Entendi. Então, por isso é um telefone
celular, porque ele desconecta essas
células, né, a essas partes, né, né, mas
que também já é uma uma derivação
estranha da do do célula do latim. Tudo
bem? Eh, mas voltando aqui, quando a
gente tá falando de cruz, então,
eh, a gente, eh, a gente se refere a uma
uma gama de significados e até não só
significados específicos, mas até de
ideias, de sentimentos que são
contraditórios, paradoxais até. Então,
por exemplo, a cruz é triste ou é feliz?
Entende? é os dois ao mesmo tempo. Não,
não é não, não é nem um pouco triste ou
pouco feliz. Ela é a pior desgraça
possível, é a pior injustiça imaginável.
Ela é o o ser humano matando Deus. é o é
o é a criação finita, pecadora, decaída,
eh, moralmente
distorcida,
matando aquilo que é perfeito, absoluto,
sublime e eterno. Então, assim, é uma
desgraça absoluta, é a desgraça total, é
a maior desgraça imaginável, a maior é a
maior e injustiça imaginável. Então, a
cruz é horrorosa, é a pior coisa
possível que se poderia imaginar.
Ao mesmo tempo, a cruz é a melhor coisa
possível que você poderia imaginar.
Por quê? Porque ao mesmo tempo é essa
dádiva que foi dada na cruz é o que
possibilita você que é um ser finito,
que você que é um ser eh imperfeito,
alcançar
o o infinito, alcançar aquilo que é
perfeito, né? Ele te deu algo que que tá
acima de você, te deu algo que você
nunca alcançaria sozinho, algo que tá
muito além da sua própria vida, a vida
eterna.
Então eu tô pegando um aspecto
específico. Então é o dia pior dia da
história da humanidade e é o melhor dia
da história da humanidade ao mesmo
tempo. Eh, a cruz e então ela ela vai
trazer todas essas ideias, sabe? Eh, a
própria ideia da morte de Deus, aquele
que doou a vida, que criou todo o
universo, que é absolutamente eh
soberano
e sem limitações,
ele morre.
Eh, a cruz é a morte daquilo que é
absolutamente imortal, que tá
absolutamente acima da morte. Eh, mas ao
mesmo tempo ele também toma a própria
vida de volta.
Ou seja, ao mesmo tempo que seria a
grande vitória da morte, que a morte faz
alcança aquilo que é inalcançável pra
morte, a morte também é derrotada,
porque a morte perde toda a sua força.
Aí é a partir da cruz de Cristo que a
morte deixa de ser uma sentença para
toda a humanidade. Você que é um ser
mortal pode se tornar agora imortal,
alcança a vida eterna.
Eh,
então tem todos esses aspectos na cruz.
Eh, é por isso que o o fato da cruz ser
o símbolo do cristianismo, isso torna
isso tão absurdamente profundo, porque
tem tantas camadas isso, isso pode ser
visto de tantas perspectivas diferentes,
entende? Não é igual o smartphone, é só
isso daqui. O smartphone. Eu não me
refiro a outra coisa, não tem vários
aspectos, é só isso, é só um objeto. Eh,
é só o mesmo objeto. Ele não tem
não tem muito, muita diversidade,
eh, não tem muita subjetividade, não tem
muit muita elasticidade de significado.
Então, a cruz, ela se torna esse negócio
absolutamente infindável. É por isso, e
agora voltando ao tema que a gente tinha
falado, é por isso que ao mesmo tempo a
cruz é um evento específico e limitado
no tempo e ao mesmo tempo é um evento
infinito.
Até do ponto de vista temporal, a cruz é
paradoxial. É paradoxal porque ela é um
evento. Ao mesmo tempo ela não é um
evento, ela é um estado da eternidade.
A cruz ela acontece uma vez, mas ao
mesmo tempo ela ela continua acontecendo
por toda a eternidade paraa frente e
para trás, né? Ela é um evento que tá
continuando e paraa frente para trás.
Ele começou e terminou naquele momento,
mas ao mesmo tempo ainda tá acontecendo.
Não é muito doido isso? Então, eh,
por isso que é é muito doido. A gente
tinha comentado aqui outro dia que
imagina alguém bate da na porta da sua
casa e falou: "Ah, a gente veio aqui
falar sobre a nossa religião." Aí você
olha, os caras estão com uma uma
camiseta assim com um cara numa cadeira
elétrica.
Ah, tá aqui, ó, um estandarte com uma
cadeira elétrica. Você entra na na
igreja deles, tem uma cadeira elétrica
com uma pessoa morta. Nossa, que bizarro
esses caras. Que que é isso aqui? A
gente esquece de quão bizarra é a nossa
fé, porque a cadeira elétrica da do
período do da de Roma era cruz. Então,
a nossa fé é bizarra, a nossa fé é
esquisitíssima.
A nossa fé é mórbida demais, é grotesca
a nossa fé, porque a a o grande símbolo
da nossa fé é um homem torturado,
sangrando, morto. E a gente tá todo
mundo feliz dentro da igreja, cantando,
eh ensinando as crianças e tem lá o
cara, uma pessoa sangrando, morta,
torturada lá na frente. Então é
absurdamente bizarro. É, e é importante
a gente também
não não
perder o contato com o quão grotesco é
isso, né? Mas ao mesmo tempo tem um
sentido dentro disso. Tem um sentido
dentro disso. A ideia da valorização do
sacrifício, que é uma ideia que tá sendo
construída em todo o texto bíblico,
entende? Desde lá do começo você tem a
ideia do sacrifício como sendo um uma
ideia que tá sendo construída. O
sacrifício é a morte, é o essa coisa
grotesca de tirar a vida de de de um, de
um outro ser que te conecta com a fonte
da vida, né? O próprio paradoxo de vida
e morte. A gente ganha vida eterna
através da morte, da pior morte que que
já existiu.
Eh eh essa morte
a morte daquele que era imortal que
livra a gente de toda a morte.
né? A a ideia de morte e vida, elas elas
ela se junta num paradoxo tão intenso na
cruz que é uma coisa que inexplicável,
né? Então, eh, a cruz ela ela é para ser
uma coisa assombrável, é para você ficar
assombrado quando você olha pra cruz,
eh, porque todas essas coisas estão ali
ao mesmo tempo. Tudo isso está ali ao
mesmo tempo, né? A cruz é terrível, é
horrorosa e a cruz é é ao mesmo tempo
maravilhosa.
É assombroso. Tem você, se você não se
assombra quando você tá diante da cruz,
você tem que repensar sua
espiritualidade, porque é uma coisa
assombrosa, entende?
E quando eu digo se assombrar, eu tô
dizendo também nos diversos significados
da palavra assombrar, porque a gente
normalmente usa a palavra assombrar num
significado negativo, né? Eh, é na
assombração, é você ficar com medo,
querer fugir e tal, mas você também pode
se assombrar com uma coisa muito
maravilhosa. Nossa, eu estou assombrado
de de quão bonito esse pô do sol. Eu tô
assombrado de que quão boa é a minha
vida. Então, eh, se você não se assombra
nesse sentido, com todas essas
perspectivas, eh, você esqueceu o
significado do que que é o cristianismo.
Tá bom, gente?
Para mim é uma estaca de execução, mas o
que é impressionante, o criador do
universo ali. Isso, né? Que paradoxo.
Também acho isso. Feliz por não estar
sozinho. É, não tá em tese, você tá
junto com todas as pessoas que aceitam
esse sacrifício,
se assombram diante dele, né?
Então tá, gente, eu acho que é isso. A
gente se vê aí numa próxima live. Eh, só
mais ler esse comentário. Quando
compreendemos que era para ser a nossa
morte, é que começamos a compreender
isso. Ela representa a nossa morte
também. A cruz é como se todo mundo
tivesse sendo crucificado ali. É a morte
que todo mundo merecia, né? É a morte
que tava reservada para todo mundo.
Eh, então
a alegria da cruz é que aquela morte foi
dada em substituição da minha. A alegria
da cruz é que eh eu estou evitando a
cruz através da cruz.
Eu eu estou evitando essa morte através
da morte de Cristo, né?
Eh, tá vendo quantos aspectos? É uma
coisa muito louca. Se a gente vai para
esse caminho, olha, e eh não é à toa que
essa ideia é tão poderosa,
porque é o grande paradoxo, é o paradoxo
dos paradoxos,
é a encruzilhada de significados de
todos os significados mais intensos da
humanidade, entende?
Então, eh, não tem como, não tem como.
Bom, gente, eh,
então tá, a gente se vê, então, na
semana que vem. Obrigado aí para quem
ficou até aqui na live. Um abraço aí pro
pessoal. O Jonat colocou aqui um abraço
ao seu Elias, meu pai. Ah, legal. Não
sei se con chegou a conhecer ele. Eh, eu
mando um abraço para ele quando eu
vê-lo. Eh, obrigado aí pela participação
de todo mundo. Foi bacana aí mais uma
vez conversar com vocês
e a gente se vê aí na próxima live, né?
Acho que na sexta que vem, provavelmente
a gente se encontra. Aí eu também
marquei aqui de última hora que ia ter
live. Esqueci, esqueci de colocar antes
que ia ter live hoje, mas tudo bem,
funcionou, estamos aí. Então até uma
próxima aí, gente. Valeu, obrigado. Boa
noite para todo mundo aí e a gente se vê
aí na na próxima live.

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