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Makários – Eclesiologia | Aula 2 | Desafios sobre a identidade da Igreja | Luiz Sayão

Makários – Eclesiologia | Aula 2 | Desafios sobre a identidade da Igreja | Luiz Sayão

Makários – Eclesiologia | Aula 2 | Desafios sobre a identidade da Igreja | Luiz Sayão

Makários II
Módulo II – Eclesiologia: entendendo as diferentes propostas de igreja

Aula 02 – Desafios sobre a identidade da Igreja

Luiz Sayão

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เ
Boa noite para todos que chegaram aqui
paraa nossa aula de hoje, a nossa aula
do curso de teologia Macários, esse que
é um novo módulo que iniciamos essa
semana. Então, aqui estamos na segunda
aula do terceiro módulo desse Macários
que a gente está desenvolvendo ao longo
de 2026. Então, a gente já teve aí uma
trajetória começando com o estudo da
carta aos Romanos, depois entendendo as
várias tradições cristãs teológicas que
se desenvolveram ao longo do tempo. E
esse que é um módulo para falar sobre a
vida prática da igreja, falando sobre
eclesiologia, entendendo as diferentes
propostas de igreja. E hoje, então, a
gente vai falar sobre esse tema, os
desafios, sobre a identidade da igreja.
E nós convidamos você que tá chegando
agora, talvez assistindo pela primeira
vez a aula do Macários, a acompanhar
esse módulo que a gente tá iniciando,
mas também olhar tudo aquilo que a gente
já fez nos últimos módulos e no último
ano, no ano passado. Então, a gente tem
um curso básico inteiro de teologia que
foi o Macários Zoom, e agora a gente tá
desenvolvendo esses módulos avançados no
Macário 2 ao longo de 2026. Então, muito
bem-vindo, muito bem-vinda. A gente
espera poder ajudar com todo esse
conteúdo que está sendo disponibilizado
e também com outras novidades que a
gente vai poder compartilhar na próxima
semana aí relacionado ao conteúdo desse
módulo. Então, a gente agradece quem já
chegou paraa aula e agradece também que
tá de volta aqui para dar mais uma aula
no Macários, falando agora sobre os
desafios da identidade da igreja. Boa
noite, Saião.
>> Boa noite, Áila. Boa noite todos os
amigos do Macários da IBNU. Sejam
bem-vindos aqui para uma reflexão hoje
sobre os desafios a respeito da
identidade da igreja.
>> Isso aí. Já vou passando então aqui a
palavra para o conteúdo da aula que o
Saião vai desenvolver. No final a gente
vai ter a parte de perguntas. Vocês que
já acompanham o Macáos conhecem, vão
colocando aí as perguntas no chat, no
final a gente vai ter um tempinho para
poder responder. Boa aula a todos.
Muito bem, pessoal. Eh, vamos refletir
sobre a realidade da igreja, né? Porque
eh vocês já tiveram uma primeira aula,
mas assim, se existe uma coisa que
parece ser bastante confusa na cabeça de
muita gente, o que que quer dizer
igreja, né? Algumas pessoas tratam
igreja assim basicamente como um CNPJ,
né? Uma ONG religiosa, né? Que faz
certas atividades ligadas à fé. E é
isso, né? Outras pessoas, assim, até de
tradição religiosa, tratam a igreja como
uma espécie de clube, né? Um ambiente
onde a gente encontra as pessoas
conhecidas do nosso círculo de
relacionamento e a coisa não passa
disso, né? E e com certeza, acho que uma
das coisas mais comuns é a pessoa pensar
na igreja como um espaço particularmente
sagrado, né? Ou seja, a igreja Deus vai
responder a oração na igreja, porque a
igreja, como se diz, não muito
compreensivamente,
né? A igreja é a casa de Deus, então é
o CEP de Deus se encontra lá, né? Então
essa percepção ela é eh equivocada, né?
é algo que não faz muito sentido. E
quando a gente pensa sobre isso, então a
gente precisa eh entender, né, o que que
se compreende, qual que é de fato a
identidade da igreja. Então,
na Bíblia, a o conceito, a ideia de
igreja é bastante assim, digamos, eh
especialmente extraordinário. A igreja,
ela é chamada do grande mistério de
Deus, por meio do qual ele reúne eh
gentius e judeus eh dentro daquilo que é
chamado ah de
a comunidade da fé, comunidade do povo
de Deus. aquilo que é chamado do corpo
de Cristo. É muito interessante observar
que a igreja ela é assim chamada, né,
por uma série de figuras e linguagens,
de metáforas assim que são eh
extraordinárias. Nós temos a ideia de
que ela é família de Deus. Ela é chamado
de noiva, de corpo de Cristo.
Ah, também tem a ideia de edifício, de
lavoura,
de casa de Deus, né? e é comparada com
um corpo, né? E assim, muitas dessas eh
expressões, elas apresentam muito essa
ideia de e interrelacionamento,
eh, de comunidade, né? E na verdade, se
a gente puder pensar em igreja, a gente
deve dizer que a igreja é a comunidade
de homens e mulheres, né, que receberam
a salvação que nos é oferecida em Cristo
Jesus.
Igreja é uma referência ao povo de Deus,
né, que eh sobre toda a terra, em
qualquer momento da história, e a
igreja, no seu sentido mais amplo,
envolve aqueles que já estão na vida
eterna e aqueles que estão aqui e que
vão formar aquilo que é chamado de eh
igreja no seu sentido. Vocês já viram um
pouco disso, né? Igreja universal, ah, e
igreja local. E é uma coisa que nem todo
mundo compreende muito bem. A igreja,
ela é descrita no Novo Testamento nesse
sentido mais amplo, nesse sentido de a
igreja de Cristo, né? Quando a Bíblia
fala, né, da noiva, quando a Bíblia fala
eh dessa linguagem, eh a igreja como um
todo que tem o sentido de igreja
invisível. É muito interessante, por
exemplo, quando a gente lê o livro de
Hebreus, capítulo 12, né? E ele vai
mostrar ali os desdobramentos quando é
que a gente eh chega, né, na grande
vitória da salvação perfeita em Cristo.
Ele diz lá no verso 22 o seguinte: "Mas
vocês chegaram ao monte Sião, a
Jerusalémse celestial,
a cidade do Deus vivo, chegaram aos
milhares e milhares de anjos em alegre
reunião a Igreja dos primogênitos. cujos
nomes estão escritos nos céus. Vocês
chegaram a Deus, juiz de todos os
homens, aos espíritos dos justos
aperfeiçoados, a Jesus, mediador de uma
nova aliança. A descrição aqui da igreja
é a igreja dos primogênitos, com os
nomes escritos nos céus. Então, é uma
coisa assim muito eh surpreendente,
especial quando a gente observa
essa realidade da Igreja Universal, que
é a igreja invisível, que tem a ver com
o corpo de Cristo, nós temos aí essa
chamada eh comunidade, né, do povo de
Deus. E aí, eh, ao mesmo tempo que a
igreja tem esse perfil no contexto
neotestamentário,
a igreja também ela é visível e ela é
uma igreja eh que a gente tem, né, a a
igreja que nós podemos observar, ver
aqui e a igreja que a gente não vê, que,
né, por exemplo, esse texto de Hebreus
fala dos que estãos nos céus, mas fazem
parte dessa igreja. E essa igreja que é
uma igreja que envolve gente de toda
parte, né, que é uma igreja universal,
conforme é descrita na especialmente nas
cartas do apóstolo Paulo, mas nós vemos
a as
cartas escritas a igrejas específicas.
Então, essas igrejas são locais. Isso
que muita gente às vezes tem dificuldade
de entender.
E no Novo Testamento existe uma sintonia
entre essa igreja visível, igreja
invisível e igreja universal e igreja
local. Isso significa que não é
aconselhável, não é saudável, não é
adequado que alguém que seja discípulo
de Jesus caminhe sozinho. Então a gente
e quando a gente diz isso, a gente não
quer dizer que a pessoa meramente
precisa frequentar um templo, né? Que
tem gente que fala isso. Ah, eu posso
buscar Deus na minha casa, eu posso orar
e ler a Bíblia e aprender e até ouvir
uma mensagem pela internet, né? Então,
por isso
preciso da igreja, mas a ideia é que
você faz parte de uma família, você faz
parte de uma comunidade,
você tem a aprender com seus irmãos e
você deve doar de si para a comunidade
para abençoar o reino de Deus. Então,
nesse sentido, ser parte da Igreja
Universal, da Igreja de Cristo, requer
que a pessoa seja parte da igreja local,
né? E aí a gente olha para isso e a
gente vai lá atrás e pensa no que
aconteceu na ruptura do ser humano com
Deus, na queda, né? Quando eh nós vemos
o texto bíblico falando do que acontece
no contexto de Adão e Eva
na queda e no pecado, o pecado não é uma
realidade que se restringe a relação com
Deus. Ele também eh restringe a relação
com o próximo, que imediatamente depois
do pecado, facilmente Adão culpa Eva,
né? A mulher que tu me deste. Então ele
se volta contra Deus e contra a mulher.
Aí a coisa pior em Gênesis 4, quando
você vê Caim matando Abel e logo em
seguida no dilúvio, a terra se enche de
violência. Então, nós temos a fratura
da fraternidade do universo relacional
entre os seres humanos. Por isso é tão
significativo que a redenção que nós
temos em Cristo não é somente a salvação
individual, não é somente o perdão dos
pecados, não é somente consertar a
relação com Deus, mas também com o
próximo, também com as pessoas. a nossa
volta com a comunidade da fé. Por isso a
igreja é esse grande desafio. Então é
interessante que essa ideia de
comunidade, de congregação, ela começa a
aparecer lá atrás. Quando você vai ver
no Antigo Testamento, você vai ver ali
entre o povo de Israel, né, a
comunidade, aquilo que era chamado de
Caral, né, que vai aparecer depois, né,
no Novo Testamento a partir inclusive da
influência de uma tradução grega, né,
como uma septuaginta,
ah, a palavra eclesia, que vai ser a
palavra que vai ser traduzida por igreja
eh em português. Então, eh o que nós
temos é essa ideia de que Deus não está
agindo
simplesmente no nível individual para
que cada pessoa venha entrar em contato
com ele. Mas Deus faz questão de formar
um povo, de formar uma comunidade, de
formar uma congregação.
E assim, esse aspecto, né, de
solidariedade, esse aspecto de
comunidade é a raiz do entendimento
daquilo que envolve a ideia da igreja. E
a igreja ela é, né, nas palavras que nós
temos lá de Efésios, a grande maravilha,
o grande propósito de Deus que tinha
sido, né, reservado para se apresentar,
né, na vinda, eh, de Cristo Jesus,
quando ela é na linguagem de Efésios 3,
ali apresentada
como eh esse mistério que esteve teve eh
oculto, guardado, né, até a manifestação
de que agora nessa comunidade da fé nós
temos essa união em Cristo de judeus e
gentius sob a mesma fé.
Mas quando a gente pensa sobre a
realidade da igreja, e aí a gente
precisa refletir um pouco sobre eh a
questão histórica, né? Porque os
primeiros seguidores de Jesus eram
especialmente em galileus, judeus. Essa
comunidade cresce, ela começa a atrair
pessoas de fora do ambiente israelita.
Então você tem os primeiros gentios, que
eram gentios próximos da sinagoga.
Depois esse caminho se amplia. Depois lá
de eh do Concílio de Jerusalém, em Atos
15, no ano 49, nós vamos ter uma
ampliação até que a igreja vai se
tornando eh predominantemente gentílica
e cada vez mais com a inclusão dos mais
diversificados povos, adquirindo a sua
característica universal. E o que
acontece é que essa caminhada faz com
que a igreja cresça ao ponto dela estar
agora cada vez mais presente nas
instâncias superiores
ah de determinados ambientes. Então, a
gente sabe, por exemplo, que ainda no
século
rei da Armênia,
ah, o rei da Geórgia, o rei da Etiópia e
o imperador romano vão eh se declarar
cristãos. E ainda no final do quto
século, o cristianismo se torna uma
religião dominante e até obrigatória,
por exemplo, no império romano, eh, a
partir daquilo que se decidia ali em
Constantinopla. E aí você imagina agora,
igreja tem o quê? tem poder, igreja tem
um domínio, igreja tá aí nessa eh
condição diferenciada
da sua origem. E aí então a gente pensa,
pera aí, mas será que isso não tem a ver
com o reino?
Afinal de contas, Jesus não é o rei e
ele não vai reinar
entre nós e esse reino não acontece
juntamente com o seu corpo. Então, será
que agora nós temos nesse domínio
político e até econômico
aí, eh como manifestação do reino de
Deus? Então, é importante fazer uma
distinção. Atenção, a igreja não é o
reino de Deus. Igreja não se confunde
com o reino. E aí vale citar aqui, né, a
boa eh orientação nesse sentido do bom
teólogo do Novo Testamento, que é o
britânico George Led. George Led, que
tem um bom livro de escatologia, tem uma
boa teologia do Novo Testamento, ele vai
afirmar o seguinte: o reino é
primeiramente o governo dinâmico ou
domínio real de Deus, derivando dessa
ideia a estera na qual o domínio é
experimentado. Então, o reino é um
conceito amplo, um conceito genérico que
tem a ver com o fato de que Deus é
soberano,
ele é rei, ele tem o domínio sobre todo
o universo. Na linguagem bíblica, o
reino não é identificado
com os seus súditos. Ou seja, e o reino
não é a mesma coisa do que os seus
súditos, que, claro, são as pessoas que
estão dentro do contexto do reino porque
receberam o reino ou entraram no reino.
Eles são os súditos do reino. Ou seja,
para deixar claro, as pessoas que
receberam a Cristo e fazem parte da
igreja, eles são o povo do domínio de
Deus que adentram o reino, nele vivem e
por ele são governados. Então eles estão
na esfera do reino e eles se submetem,
submetem ao reino que é maior e superior
a eles. A igreja é a comunidade do
reino, mas não é o reino em si. Isso
ajuda muito a gente a não confundir, por
exemplo, a ideia que muita gente tem de
que a proposta essencial da igreja é,
por exemplo, tomar o poder e ali se
tornar eh dominadora a partir de certos
conceitos e ideias eh teológicas que
devem obrigar todo mundo a entrar nessa
mesma sintonia.
Ah, os discípulos de Jesus pertencem ao
reino, assim como o reino pertence a
eles. Todavia, eles não são o reino. O
reino é o domínio de Deus. A igreja é
uma sociedade de pessoas. Então, essa
distinção é importante porque o reino
tem a ver com esse domínio, né? Então, o
que acontece no universo, na natureza, a
nossa volta tem a ver com o fato de que
Deus domina sobre tudo e que nós nos
submetemos ao rei Jesus, nos tornamos
seus súditos e estamos no reino e o
reino tem a ver com a nossa realidade,
mas não se pode identificar um
diretamente com o outro. Portanto, o que
que a gente deve entender que a igreja
não é o reino, né? Você vai ver que no
livro de Atos, quando a igreja se
desenvolve, ela ela não é apresentada
como se reir eles estavam, por exemplo,
anunciando o reino, né? O reino é que
cria a igreja. Então o reino é mais
amplo, é maior do que a igreja, né? A
igreja, conforme, por exemplo, Mateus
24:14,
que se diz lá que o evangelho do reino
será anunciado, pregado a todas as
nações, então virá o fim. Aí você vê que
a igreja ali é testemunha do reino. A
igreja também é instrumento do reino,
conforme Mateus 10:8. E também, né,
naquele famoso texto de Mateus 16:19, a
igreja é guardiã do reino, mas é
necessário se estabelecer a distinção,
né, até porque o reino, né, é algo que
ao mesmo tempo é uma realidade já
presente, porque o rei Messias já veio.
O reino começa em nós quando nós nos
submetemos a Cristo e nos tornamos seus
súditos e passamos a ser seguidores e
discípulos de Jesus, né? E esse reino já
está presente, mas ele virá em plenitude
somente no desfecho da redenção na
segunda vinda de Cristo. Portanto, é
muito importante a gente compreender
essas distinções muito claras.
Ah, bom, você se prepar, daqui a pouco a
gente vai abrir, né, aqui para as
perguntas, para que você possa aí
participar e apresentar as suas
questões, as suas dúvidas e podermos
conversar adequadamente sobre essas
questões. Mas aí surge uma pergunta
muito significativa que muita gente faz
e que às vezes é motivo de conversa, de
até mesmo de debate entre eh grupos de
perspectivas diferentes, né? Como é que
a gente entende isso? Então, por
exemplo, se você perguntar
aleatoriamente para um grupo de pessoas
escutando
quando é que teve início à igreja?
Aí algumas pessoas vão dizer, talvez a
resposta mais comum que você vai ter
não. A igreja ela começa mesmo é no
Pentecoste, quando vem o Espírito Santo,
os discípulos estão ali, eles recebem o
Espírito, ali você vai ver a realidade
da igreja tendo início no Novo
Testamento. Então a igreja surge,
digamos assim, de atos em diante.
Ah, você chega para um outro grupo de
pessoas que t uma perspectiva um pouco
diferente, né? Eles dizem: "Não, pera
aí, a igreja não começa e a igreja
começa lá atrás. A igreja ela existe
antes da fundação do mundo. Na verdade,
a igreja já existe no Antigo Testamento.
O que existe no Novo é uma continuação.
E aí, como é que a gente entende, como é
que a gente lida com isso, né? com essa
realidade eh que nós podemos apresentar
sobre a igreja. Bom, pessoal, vamos lá.
Não tem dúvida que do ponto de vista,
atenção, do ponto de vista histórico,
é claro que a igreja não começa no
Antigo Testamento, até porque quando nós
lemos ali quando Jesus, né, conversa,
aquele famoso texto de Mateus, Jesus
conversando com Pedro, nós vamos ali
dizer, né, Jesus diz para Pedro, eu digo
a você que Você é Pedro, você é pedra. E
aí a famosa conversa sobre esta pedra.
Eu edificarei a minha igreja e as portas
do inferno não prevalecerão contra ela.
Então, a palavra igreja aparece antes de
Atos, né? E fica claro que Jesus tá
falando no futuro. Quer dizer que essa a
igreja que é essa comunidade dos
discípulos seguidores de Jesus que
receberam a salvação, que isso é uma
realidade
eh futura em relação ao momento em que
Jesus diz. Então, nesse sentido,
historicamente, tá claro que não tem
dúvida essa igreja que é o que é o corpo
de Cristo, que essa família de Deus e
que ela tem características muito
nítidas, ela é fundamentada na doutrina
dos apóstolos, né? um quadro nítido,
assim, você vê em Atos 2:42, ela é
marcada por essa relação de comunhão
entre as partes, né, entre os que fazem
parte da família da fé. É a igreja que
celebra juntos aquilo que é chamado do
partir do pão, né, já que a partir da
Páscoa, do pessar, né, se define aquilo
que vai ser marcado como a Santa Ceia ou
a ceia do Senhor, né? e também uma
comunidade marcada eh eh por pelas
orações e por um chamado missionário
evangelístico que está presente. Então,
nesse sentido, a gente há de concordar
que a igreja, como nós a compreendemos e
entendemos historicamente, ela surge
sim, né, aí com a comunidade dos
discípulos de Jesus no final dos
evangelhos, no começo do livro de Atos.
E nesse sentido, eh, isso tá bastante
claro, né, quando a gente olha o Novo
Testamento. Tanto é que toda a discussão
que vai surgir, né, eh, aí
historicamente, é onde é que tá, vamos
dizer, a legitimidade da igreja, onde é
que tá aquilo que a gente pode de fato
marcar como a sua identidade maior.
Então você vê, por exemplo, e se você
pega as tradições que estão entre nós e
que se apresentam mais antigas, né? Se
você pensar na igreja dos armênios, na
igreja dos copitas do Egito, da Etiópia,
ou dos gregos, né, das chamadas igrejas
ortodoxas, ou dos latinos, que é igreja
romana, católica romana, ou mesmo as
igrejas de tradição aramaica. Se você
for conversar com cada um desses grupos,
eles vão dizer: "Nós somos o a raiz mais
antiga. Nós somos a igreja mais
original. Se você for buscar a raiz lá
atrás, a primeira é nossa, né? Eu tive
oportunidade de conversar, por exemplo,
com alguns armênios, né, fora do Brasil,
eles dizem: "Não, primeira nação cristã,
muito antes de qualquer uma, eh,
Armênia, né?" Então, por que isso? A
ideia é qual é a igreja que de fato tá
mais próxima do Novo Testamento. Só que
o critério, né, de que você tem
antiguidade, que você tem raiz mais
antiga, não necessariamente garante
fidelidade, porque na trajetória
histórica as coisas podem ter mudado e
pode ter se afastado. E aí vem o
questionamento desse argumento dizendo:
"Pera aí, a gente simplesmente segue uma
linha histórica ou a gente segue a
essência original?" E aí vem toda a
discussão, né? que faz parte de toda a
tradição evangélica e protestante,
dizendo: "Não, igreja é igreja
fundamentada na doutrina dos apóstolos,
fundamentada na escritura, fundamentada
na palavra de Deus, fundamentada no
cristianismo raiz, no cristianismo
original. Pois é. Mas então, como é que
fica essa história? sai da igreja,
ela tá ligada
a existe alguma coisa como pré-igreja?
Existe alguma razão porque que algumas
pessoas falam que a igreja já existe no
Antigo Testamento? E aí nós vamos
discutir a questão. Claro, e aí já não é
um argumento histórico, é um argumento
teológico. Então, por exemplo, se você
pegar o grupo ah de perfil teológico
dentro da daquilo que é chamado área
pré-milenista de perfil mais
dispensacionalista,
eles vão fazer uma distinção muito forte
entre, por exemplo, igreja e Israel. O
que é Israel? Israel, que é igreja?
igreja não mistura os dois nunca. E
nesse sentido eles dizem: "Nunca existiu
nada de igreja no Antigo Testamento". Se
você pega um pessoal que pensa o oposto
do outro lado, eles vão dizer o
seguinte: "Não, eh, na verdade não
existia bem Israel no Antigo Testamento.
O que existia era a comunidade do povo
de Deus, que naquele momento tava
essencialmente restrita aos israelitas,
mas o que existia era a igreja do Antigo
Testamento. Então, a a proposta desse
tipo de pensamento, que é mais comum em
ambientes que se autodenominam
reformados, né? E eles vão eh dizer que
existe uma linha de continuidade de
igreja, né? Continuando sendo igreja
ali,
no do Antigo para o Novo Testamento.
Então, o que que a gente entra aqui? a
gente entra na discussão, né, sobre onde
que a igreja começou e nessa conversa
que nem sempre é muito equilibrada entre
a discussão de Israel, igreja, povo
judeu e o povo gentil. Então, o que que
acontece nessa compreensão?
Ah, segundo alguns grupos, nós temos
na perspectiva de alguns, uma separação
absoluta entre Israel e Igreja. E qual é
o raciocínio? O raciocínio é o seguinte:
as alianças e as promessas que Deus fez
ao Israel étnico, ou seja, aos
israelitas lá no Antigo Testamento, de
maneira nenhuma são transferidas ou têm
qualquer
eh conexão ou relação com a igreja.
Aquilo é especificamente ligado apenas a
Israel.
A igreja é uma nova realidade
espiritual,
novo contexto, com um propósito
e um destino específico, eh, que não é
igual. Então, nesse sentido, e se
estabelece aqui uma separação absoluta,
quase assim, uma ideia de que, eh, Deus
tem dois povos e que a coisa funciona
com um de um jeito e com outro funciona
de outro jeito, né? às vezes, alguns se
chegam a ser muito radicais em relação a
essa distinção.
Ah, do outro lado você se desenvolveu
uma ideia, não, olha, eh, que,
ah, a igreja eh Israel, né, eles são,
né, absolutamente
separados.
Mas agora a o o a perspectiva oposta
desenvolveu aquilo que a gente chama de
teologia da substituição.
O que que é a teologia da substituição?
é a ideia de que todas as alianças, as
promessas, o que Deus deu a Israel no
Antigo Testamento, você vai ver lá a
alianças, o que Deus faz com Abraão,
o que Deus vai eh falar, ah, né, depois
também com Davi, né, aquilo que envolve
aliança com Moisés no Sinai, tudo isso é
absolutamente
transferido pra igreja gentílica. Ou
seja, Israel, enquanto depositário de
alguma espécie de eh promessa e aliança
divina, não existe mais. Existe uma
absolutização
daquilo que vai ser chamado a igreja, é
o Israel de Deus. Em vez de entender
isso como uma metáfora para que os
cristãos entendessem que eles faziam
parte de uma realidade, de uma fé que
tinha vindo de Israel e já tinha uma
caminhada de pé, não. Os judeus só vão
ter qualquer conexão, relação com Deus
se fizerem parte da, digamos, grande
igreja gentílica. Nesse sentido, Israel
desaparece. Então você percebe que
existe aqui uma oposição absoluta, né?
Ou Deus tem dois povos, o que Deus falou
para Israel é Israel acabou. E falou pra
igreja gentílica aqui acabou e fechou.
Ah, ou então o que Deus disse para
Israel não tem mais nenhum sentido. Tudo
aquilo deve ser espiritualizado,
reenquadrado e cumprido especificamente
na igreja, né? o que é uma posição muito
radical.
Eu acho que as duas não se sustentam.
Então, o que é que a gente deve
perceber? Primeiro,
é interessante que essa ideia de
comunidade do povo de Deus, que é o
embrião daquilo que vai se tornar a
igreja, a igreja histórica, ela começa
no Antigo Testamento e com certeza você
vai ver lá a comunidade do povo de
Israel na aliança com Deus. E ao mesmo
tempo que essa aliança é feita com o que
a gente pode chamar de Israel étnico,
mas duas coisas precisam ser observadas.
Esse Israel étnico não era um Israel tão
étnico assim. Você vai ver que em vários
momentos da história bíblica do Antigo
Testamento, pessoas que não são, vamos
dizer, eh, étnicas em termos israelitas,
elas fazem parte dessa realidade. Você
vai ver a história de Namã, você vai ver
a história de Rute, a Moabita, você vai
ver, ah, por exemplo, José do Egito, né,
que eh ali vai se casar com a filha do
sacerdote ali do Egito. Ah, você vai ver
que os filhos de Jacó vão casar com
mulheres que também não são parte do
povo propriamente dito. Então você vai
ver muitas vezes e eh vários gentios,
né, como mostra Êxodo capítulo 12 verso
40, fazendo parte dessa comunidade da
fé. Então não era exatamente uma
barreira racial, né? Você tinha isso. E
também essa comunidade de Israel, ela
tinha uma função, né, de cantar entre as
nações a sua glória, entre todos os
povos as suas maravilhas, que ela tinha
uma função missiológica. Então, a coisa
não é tão radical assim como algumas
pessoas pensam, olha aqui, falou para
Israel, é só Israel, a coisa já tem um
elemento meio mesclado, né? E quando
você chega no Novo Testamento e aí e
você vai ver que e eh essas duas
posições elas acabam perdendo força. Por
quê? Porque não dá pra gente mediante o
Novo Testamento, especialmente lendo
Paulo, lendo Romanos, eh, capítulo 11,
eh, e quando Deus revela que ele tem
planos para Israel, que ele falou,
aquilo não deixará de se cumprir. E
dizer que Israel acabou e que agora só
existe a realidade com o mundo gentílico
dessa chamada igreja neotestamentária.
Isso não aparece de jeito nenhum. Não
existe uma ideia assim e também não
existe esse conceito de uma eh separação
absoluta, né, que tem coisa aqui que só
serve para um ou serve para outro. Então
o equilíbrio faz mais sentido. Por isso
que existe uma outra proposta
interessante que faz mais sentido, que é
chamado a teologia do remanescente. Que
quer dizer isso? Porque lá quando Paulo
fala, né, do que aconteceu com os
israelitas que não creram, ele diz uma
coisa interessante que Deus nunca deixou
de deixar ali na sua história um
remanescente. Sempre houve um
remanescente que se manteve fiel. Então,
o que que acontece?
A igreja predominantemente gentílica
dessa comunidade, né, dos
seguidores de Jesus entre as nações, ela
participa,
ela compartilha
das alianças e das promessas que Deus
deu a Israel, que vai se cumprir eh
essencialmente entre os remanescentes. E
e esse remanescente, que vamos dizer
muitas vezes na história aparece
pequeno, é um remanescente que vai
chegar à sua plenitude na promessa de
Romanos quando diz que todo Israel será
salvo, quando fala eh dessa expectativa
de uma redenção completa da nação, uma
nação que é eh eh
tá debaixo dessa palavra divina, que
volta paraa sua terra e que tem uma
restauração espiritual.
Ah, os cristãos gentílicos devem sim se
identificar com esse Israel
remanescente. Isso é importante pra
gente, porque as pessoas aceitando ou
não, Jesus é judeu.
Toda a base do pensamento bíblico é um
pensamento judaico, hebraico. H, todos
os praticamente autores da Bíblia são
desse contexto judaico. é uma fé
essencialmente hebraica na sua
abordagem. Então, nesse sentido, quando
a igreja rompe com essas raízes, ela
acaba tomando outros rumos que serão
certamente distintos. Então, nem uma
radicalidade dizendo, olha, existe
igreja desde lá do início de tudo e
nunca houve simplesmente Israel é igreja
do antigo que continuou no novo. Não
existe uma separação absoluta. Igreja é
uma coisa, Israel é outra. Você nunca
pode misturar os dois também não. É
muito mais razoável entender que aquilo
que Deus promete para Israel permanece
porque os seus dons e a sua palavra não
vão falhar e que essa bênção de Israel,
ela tinha a intenção de ampliar-se, né,
de extravazar-se
para atingir também as nações. Nesse
sentido, essa comunidade de seguidores
de Jesus, sejam do ambiente gentílico ou
do ambiente judaico, fazem parte desse
corpo de Cristo numa relação de unidade
e também com elementos peculiares e
distintos. Então aqui nós temos aí um
resumo, né, da nossa compreensão a
respeito desses desafios que t a ver com
a identidade da igreja. Como a gente já
caminhou um bom tempo aí, já estamos
chegando aí a quase 40 e poucos minutos
na nossa aula, nós vamos então agora
abrir caminho espaço aqui para que os
nossos queridos, como é que eu posso
chamar, macarienses
ou maarianos, né, possam fazer as suas
perguntas, as suas dúvidas aí para a
nossa conversa desta noite.
>> Vamos lá, S. Uma pergunta.
Ah, já que a gente tá falando de
eclesiologia, tem algumas perguntas
relacionadas diretamente ao tema da aula
e outros sobre o tema do módulo. Uma
questão sobre autoridade na igreja. Qual
é o tanto de autoridade que um pastor
tem sobre o membro de uma igreja?
Bom, eh, em primeiro lugar, eh, a gente,
eh, deve entender o conceito de
autoridade estabelecido por Jesus, né?
Porque muitas vezes uma pessoa quando
pensa em autoridade
eh ela acaba,
agindo de uma maneira assim conforme a
cultura, né? Então, o seguinte, ó, a
autoridade é tipo coronel, né? Então o
pastor ele é o chefão, ele é o cassite,
ele é o dono da igreja. Então se ele
determinou, é assim, eu eu encontro
pessoa dizendo: "Olha, saião, o eu
faltei na minha comunidade religiosa lá
dois domingos, aí o pastor me proibiu de
tomar ceia". Que negócio diferente é
esse, né? E o que que a gente precisa
entender? autoridade da igreja pertence
a Cristo.
Eh, nós somos chamados a a vamos dizer,
a dirigir o rebanho de Deus, não como
dominadores, né? A comunidade cristã
saudável é um espaço onde as pessoas
podem opnar, pode interagir um ambiente
de liberdade, um ambiente democrático.
Claro que não é um caos, não é assim a
cada pessoa faz o que dá vontade. Por
quê? Porque a igreja tá, eh, vamos
dizer, todo mundo na mesma página, no
sentido do que significa doutrina e
prática, conforme os ensinos bíblicos, o
ensino dos apóstolos, o ensino do Novo
Testamento.
Então, que que acontece? Se uma pessoa
comete uma falha muito problemática,
muito ameaçadora, muito eh prejudicial
pro corpo, muito assim problemática de
fato,
eh há liderança espiritual que precisa
sempre entender que tá na função de
servo, não é? como Jesus o ensinou, deve
procurar essa pessoa com a intenção de
resgatar, de dizer: "Ó, fulano, pera aí,
ó. Imagina quando um pai e uma mãe vê
que um filho tá por um caminho assim,
que que ele vai fazer?"
Ele pode até falar de maneira mais
incisiva, mas o objetivo é o que eu
quero trazer de volta esse que tá por um
caminho que não é adequado. E essa
pessoa que tá em franca, vamos dizer,
ruptura, né, de um princípio ético, de
uma comportamento inadequado ou de uma
postura até doutrinária absurda, aí sim,
aí se reúne a liderança da igreja, né,
que é constituída democraticamente e se
toma uma decisão às vezes disciplinar.
Mas esse negócio de um líder espiritual
dominar sua vida, dizer o que você deve
fazer, o que você não deve fazer, com
toda a sinceridade, isso não é bíblico.
Você tem que andar com a sua consciência
e com a sua responsabilidade cristã. Se
você precisar de alguém que queira
substituir o Espírito Santo para
determinar sua vida, nós estamos num num
caminho complicado.
A pergunta aqui da Fernanda. Podemos
dizer então que a igreja é todo aquele
que crê e faz a vontade de Deus? Digo
generalizada. Eu sempre ouvi que igreja
igual a eclesia, que é igual a sair para
fora, levar o evangelho.
Não, a igreja não se restringe a uma
pessoa que crê e faz a vontade de Deus,
como alguém pode imaginar. Ah, porque
nessa vontade de Deus está viver em
comunidade. Pessoal, como é que você vai
recitar o Pai Nosso se você vive uma
vida individualizada? Você tem que mudar
a oração. É pai meu, não tem nosso. Como
é que você vai perdoar? Como é que você
vai fazer qualquer coisa? Como é que
você vai inclusive fazer a missão se
você não tiver? Então, igreja é
comunidade, é o povo de Deus junto. Não
é aquele negócio que muitas pessoas
pensam assim, ó, se a pessoa entende a
doutrina e ela obedece, né, o que Deus
faz, aí o restante é é secundário e isso
não faz sentido. Agora, essa comunidade
dos discípulos de Jesus, claro, elas
eles são convocados para a missão. Eles
são chamados para dar testemunho das
boas novas, com certeza.
Opa, tava fechado meu microfone. São,
boa noite. Qual o seu entendimento sobre
as igrejas judaicas messiânicas?
>> Ah, a gente tem uma tradição
no Brasil, por exemplo, de uma
influência cristã histórica muito forte
da Europa e dos Estados Unidos. Então, o
que você entende, por exemplo, como uma
coisa normal de igreja, se você for ver
a história, ah, isso aqui começou na
Inglaterra, começou na Alemanha, na
Suíça, nos Estados Unidos, na Holanda,
né? Só que a gente tem uma cultura
predominantemente dessa influência, a
gente acha normal quando você vai para
ambientes culturais muito
diversificados, né? Você vai por uma
tribo indígena, você vai para alguns
países da África, pro Oriente Médio, pra
Índia ou pro extremo oriente. Você
percebe que essa maneira de a gente ser
eh é muito estranho para eles. E de
igual modo, a mesma coisa acontece no
ambiente judaico. Os judeus não são só
um povo que a gente vai entender
teologicamente. Eles são uma outra
cultura.
Eles têm,
datas específicas, algumas delas são
bíblicas, outras não estão explicitadas
na Bíblia. Eles têm comida própria, eles
têm um jeito de ser. Então, assim como
você tem uma compreensão
de que uma igreja no mundo árabe, uma
igreja na Índia, na África, é diferente
de uma igreja americana ou de uma igreja
suíça, da mesma maneira, uma comunidade
de seguidores de Jesus também e é é
diferente
de uma comunidade judaica. E aí, como os
judeus já conhecem a Bíblia hebraica, no
Velho Testamento, no original, como eles
têm uma série de tradições e como el tem
toda uma história muito difícil na
relação com a cristandade, os judeus
messiânicos são judeus que entenderam
que Jesus é o Messias
e que eles compreendem isso, mas querem
seguir Jesus dentro do contexto cultural
da tradição judaica. E isso é
absolutamente normal, pertinente, né?
Assim, o brasileiro ele comemora o 7 de
setembro, ele gosta de quindim, goiabada
e brigadeiro. E a por isso que isso faz
dele mais ou menos cristão. Agora, o que
é estranho, aí é uma coisa mais
complicada, o que é estranho é às vezes
eh
uma pessoa que não é de tradição, de
cultura judaica, nada disso, essa pessoa
querer, eh, vamos dizer, eh, ficar,
virar judeu sem ser judeu, sem ter
qualquer conexão com isso. E aí sim você
vai ver, por exemplo, que Paulo, quando
ele fala com Timóteo, que é de família
judaica, que tem mãe judia, vó judia,
ele fala para Timóteo, Timóteo, você não
fez circuncisão ainda? Vai lá. mandou
ele circuncidar, porque isso era
importante na sua conexão com a sua
própria, o seu próprio povo. Já quando
os Gálatas, que não tinham nada a ver
com isso, o pessoal começou a insistir
que eles tinham que ser circuncidados,
o Paulo diz: "Não, de jeito nenhum.
Vocês não imaginem que vocês precisam de
circuncisão para ter salvação". Então,
Paulo eh reforçou que Timóteo deveria
ser circuncidado por razões que não
tinham nada a ver com salvação e disse
pros gálatas que eles não deveriam de
jeito nenhum. Então, é preciso entender
essa peculiaridade e entender que os
nossos irmãos judeus que permanecem
culturalmente judeus, seguidores de
Jesus, tdo o direito e até a
responsabilidade
de manter a sua tradição cultural com a
fé em Jesus.
>> Ah, uma pergunta aqui sobre confissão de
pecados. A questão de confessar os
pecados para ser perdoado. Essa
confissão deve ser feita para pessoa
envolvida ou pode ser feita no seio da
igreja com algum irmão de confiança? E
eu até poderia só emendar aqui, precisa
ser confessado junto com outras pessoas
ou eu posso confessar sozinho diante de
Deus?
>> Bom, pessoal, depende muito, né? Eh,
porque o pessoal fala isso, né? Depois
vocês podem até olhar a mensagem
específica lá sobre Thaago, que a gente
fala, né, quando o texto bíblico eh diz,
né, a lá no final de Thago, eh confesse
os seus pecados uns aos outros, né, para
eh serem curados. E aí a oração de fé,
né, salvará o doente. Ele será ungido
com óleo, né? Então assim, o que que é
confessar os pecados para ser perdoado?
Então, primeiro lugar, não é verdade que
todo pecado particular, pessoal, seu,
precisa ser confessado para alguém para
você ser perdoado. E se for esse o caso,
você tá transformando uma outra pessoa
numa espécie de sacerdote para você
chegar a Deus. Então, se você cometeu um
pecado, um erro, sei lá, você tava
nervoso no trânsito, o cara passou, te
assustou, você xingou o indivíduo, não
precisa chamar uma, duas pessoas, não
sei quem, não. Você, Senhor, me
desculpa, perdi a paciência, falei o que
não devia e desejei mal pro indivíduo.
Então, você pede perdão do seu pecado.
Agora, quando a gente fala de confessar
pecado para outras pessoas, às vezes a
necessidade existe porque a pessoa não
consegue lidar com algum tipo de erro
que ela cometeu. Às vezes o erro é
grave, às vezes a pessoa tem fragilidade
emocional e tem excesso de culpa
e a pessoa não sabe lidar com isso.
Então, atenção, não fale sobre os seus
deus com qualquer pessoa.
Isso pode ser problemático e pior,
porque às vezes você nem conhece a
pessoa e você fala lá o que você
eh teve de dificuldade quando vê a
pessoas não entendeu direito, aí depois
fala com outra pessoa e vira uma
confusão. Então você procure pessoas
maduras, líderes confiáveis, pessoas que
de fato vão trabalhar eticamente essa
situação, né? Você sabe que um um um
conselheiro, um terapeuta e um líder eh
espiritual maduro, ele tem a
responsabilidade de não compartilhar o
segredo de ninguém, porque isso não vai
ajudar. Agora, quando é que o pecado
deve ser confessado e confessado para
outras pessoas? Quando atingir a outra
pessoa? Aí sim, vamos supor que eu vou
lá e roubo a carteira do AC lá, quando
ele distrai lá na IBNU e aí de repente
eu vou saindo e sou pego no flagra. E aí
não, então não, aí eu tenho que lá e
dizer ah aquilo, olha, desculpa, eu tava
vi que tava sobrando dinheiro na
carteira ali, né? e fiquei meio animado.
Eu tô precisando pagar umas contas. Aí
eu tive a tentação na hora, peguei, mas
aí fui eu mesmo, peço perdão. Então,
quando
o pecado atinge uma outra pessoa, você
feriu uma pessoa, você caluniou uma
pessoa, você ofendeu uma pessoa, aí você
vai e pede perdão pra pessoa que você
feriu. Aí não tá certo você chegar no
quarto e falar: "Deus, desculpa, porque
eu roubei a carteira do Aquela e que
Deus o abençoe". Não, aí você acerta com
a pessoa. É igual o indivíduo que fez
mal o outro e e simplesmente não
reconhece o que fez e pede e precisa
pedir perdão. Ah, em alguns casos a
coisa é grave, né? Então, por exemplo,
surge um problema muito sério que vira,
podemos chamar assim, um escândalo
público, aí a coisa precisa ser tratada
publicamente, porque aí vamos dizer, a
coisa já virou algo que toda a
comunidade precisa de um esclarecimento,
mas é sempre bom terato, bom senso e
equilíbrio ao lidar com isso.
Vale lembrar que os exemplos eles são
meramente ilustrativos e do que me diz
respeito, esse é um exemplo que não
corresponde a realidade. Então, S falou
aqui de carteira cheio de dinheiro. Isso
é apenas para ilustrar o ponto, viu,
pessoal?
Eh, mas
>> você não quis dizer que eu tava, no meu
caso, só ilustrando também, né?
É, é importante.
Eh, a gente ainda tem uma pergunta que
eu acho que surgiu, Saon, como
consequência do assunto que você tava
tratando agora do Fagner, que é boa
noite, Saião. Perdão e reconciliação são
distintos ou está em detrimento um do
outro ou uma coisa leva à outra, né?
Então, eh, depende um pouco, porque acho
que nem sempre uma coisa precisa
de reconciliação. As coisas, os
conceitos são próximos, mas não são
exatamente iguais, né?
O perdão você pede para alguém quando
você de alguma maneira machucou, feriu
uma pessoa. Então, pô, eu conheço gente
que tá chateado, magoado, aborrecido com
alguém, mas a pessoa não está numa
posição irreconciliável.
Então a pessoa chega e fala: "Olha,
desculpa, por exemplo, é muito comum
você vê nos relacionamentos familiares,
de amigos ou até mesmo na igreja, uma
pessoa se exalta, ela perde a paciência,
ela se desequilibra, ela fala mais do
que dizia e naquele calor da coisa ela
machuca alguém. Depois baixou a
temperatura, entrou água na fervura, a
pessoa parou ali, ela chega e fala:
"Puxa, eu pisei na bola". Falou: "Ô,
fulano, desculpa aí, eu tava meio
nervoso naquela hora, tal, pessoa tá
perdoada". A reconciliação envolve uma
ideia mais séria, que é algo que
estabeleceu realmente uma ruptura. E a
pessoa diz, "Eu uma vez eu frequentei
uma igreja onde havia duas pessoas em
conflito e eles fizeram o seguinte. Eles
avisavam quando uma pessoa ia, a outra
não ia. Não ia na igreja de jeito nenhum
se a outra fulana tivesse lá. E é uma
coisa de louco, né? e as duas se diziam
cristãs e assim por diante. Nesse caso,
precisaria sim de reconciliação.
E aí envolve uma situação que vai, né,
além do perdão. Nesse caso, de fato, eh,
essa situação é é um pecado grave, né?
Você agora veja, não quer dizer que
quando você, por exemplo, teve uma
situação difícil com alguém, um
desentendimento,
ah, porque teve qualquer tipo de atrito,
dificuldade e você perdoa, eh,
reconcilia, se for o caso, que você
agora é obrigado a passar a noite na
casa da pessoa. Que tem uma coisa também
que o pessoal às vezes fala: "Ah, não,
mas se a pessoa perdoou agora, ele tem
que mostrar isso." Então, eh, é como se
a pessoa tivesse uma obrigatoriedade de
desenvolver uma amizade íntima com outra
pessoa que nem sempre tem
o perfil adequado para isso. Não é o
caso, né? Então, tem pessoas que falam,
por exemplo, eh, eu conheço até casos de
pessoas que foram casadas, tiveram
conflito sério, se separaram e depois
entram numa relação pacífica, se
encontram, né? pacificamente.
E aí diz: "Ah, então você perdoou agora
você precisa sair para tomar um café com
a pessoa". Não, não, não é o caso.
Então, nem sempre você deve, né, numa
situação em que até as pessoas entram
numa relação de atrito, porque elas têm
ideias, pensamentos, perspectivas,
propostas, maneiras de ser e de agir
muito distintas. Então, não há nenhum
problema. Você não pode ter
ressentimento,
aborrecimento, desejar o mal com a
pessoa e guardar rancor no coração.
Bom, saião, acredito que a gente
respondeu a maior parte das perguntas.
Eu vou até explicar também que já a
gente tem o discipulado aqui que a gente
promove na RBNU. Sa vai estar presente.
Ah, mas eu vou aproveitar, São, só os
minutinhos finais para poder
compartilhar com o pessoal questão aqui
da nossa página do Macários, tá? Todo
mundo que tá assistindo a aula agora ou
então você que tá assistindo em algum
momento do futuro, entra nessa página
aqui. Vou colocar aqui no chat, mas é
muito fácil. ensino.ibibnu.com.br.
Por quê? É aqui nessa página que a gente
reúne tudo que nós já fizemos do
Macários. Então, assim que você digita
esse endereço, você vai cair aqui.
Rolando um pouquinho a página para
baixo, você encontra o Macarios 1 e
Macarios 2. O que que é Macarius 1? É
tudo que a gente fez em 2025, que é o
curso básico de teologia. São três
módulos. O Macarius 2 é tudo que nós
fizemos e estamos fazendo esse ano.
Então esse que a gente começou agora, o
módulo que a gente começou essa semana,
que é o de eclesiologia, é o terceiro
módulo do Macários 2. E aqui para
facilitar a gente coloca em destaque o
módulo em andamento. Então você vai
entrar aqui nesse módulo de
eclesiologia, clicar nele. Vamos ver se
a internet tá funcionando mesmo. Acho
que tá assim. E você vai começar agora.
Se você já tem um cadastro, então você
vai poder fazer isso a partir do
cadastro anterior. Então faz o seu
cadastro rapidinho no site, é gratuito,
tanto o cadastro quanto esse curso aqui
especificamente. E aqui a gente vai
fazer o quê? Vai colocar as aulas que
estão disponíveis também no YouTube,
material de leitura quando disponível e
perguntas sobre as aulas que foram
dadas. Então isso tudo já está
disponível pra aula um. A aula dois está
acontecendo agora. A gente vai
disponibilizar algumas perguntas depois
também para que vocês possam aí
verificar o conteúdo que conseguiram
entender adequadamente da da aula de
hoje, tá? Então, nosso pedido, você que
tá assistindo tanto a aula ao vivo
quanto em algum momento depois, entra no
site ensino.ibibnew.com.br
BR, se inscreve nesses nesse módulo
aqui, nesse curso de eclesiologia e a
gente vai poder compartilhar outras
coisas com vocês além do conteúdo de
vídeo da aula, tá? Então, só esse aviso
aqui pra gente. Ah, bom, pessoal, eu
agradeço vocês que acompanharam a nossa
aula, que estão iniciando essa jornada
aqui desse módulo conosco. Temos um
caminho aí ao longo de setembro, outubro
e novembro juntos. Vamos falar sobre
muitas questões práticas da vida da
igreja e a gente espera então poder
contar com a participação de vocês. Sa,
obrigado, valeu mesmo pela aula de hoje,
pelas dúvidas esclarecidas. Até o
próximo encontro contigo também.
>> Obrigado, Áilan. Obrigado você que faz
parte do nosso Macários. Não se esqueça
de se inscrever no canal e divulgar pros
amigos, né? E seja você sempre parceiro
na nossa IBNU. Deus abençoe a todos.

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