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A fé vem pelo ouvir

O Coração Não Vive de Ordens, Vive de Amores | Josemar Bessa

O Coração Não Vive de Ordens, Vive de Amores | Josemar Bessa

O Coração Não Vive de Ordens, Vive de Amores | Josemar Bessa

O coração não muda simplesmente porque recebeu novas ordens.

Podemos controlar comportamentos, criar disciplinas, mudar hábitos e reorganizar toda a aparência da vida. Mas nenhuma ordem humana consegue fabricar amor por Cristo.

A verdadeira transformação cristã vai mais fundo.

Nesta mensagem, refletimos sobre a diferença entre mudança externa e santificação verdadeira, confrontando duas maneiras radicalmente diferentes de compreender o homem, seus desejos, sua culpa e sua possibilidade de transformação.

Freud procurou explicar o homem olhando para dentro do próprio homem.

Jonathan Edwards enxergou algo diferente: somos profundamente moldados por aquilo que amamos e contemplamos.

E a Escritura vai ainda mais longe.

“Contemplando a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem.”

2 Coríntios 3:18.

A santificação não é simplesmente uma sequência de ordens obedecidas.

É fruto de uma nova vida.

É o Espírito Santo mudando nossos afetos.

É Cristo tornando-se mais precioso.

É uma semente viva crescendo lentamente até que aquilo que parecia impossível de mudar começa a ceder.

Algumas pedras parecem antigas demais.

Alguns medos parecem antigos demais.

Alguns pecados parecem antigos demais.

Alguns padrões parecem fazer parte de quem somos.

Mas a pergunta não é apenas:

“Quanto tempo essa pedra está aí?”

A pergunta é:

“Há vida?”

Porque onde Deus colocou vida, haverá crescimento.

Talvez lentamente.

Talvez através de invernos.

Talvez em meio a batalhas que parecem não terminar.

Mas aqueles que contemplam a glória de Cristo não permanecerão exatamente como eram.

Nesta mensagem:

Freud e Jonathan Edwards

a antropologia bíblica

pecado e responsabilidade

regeneração

santificação

mudança de hábitos

desejos e afetos

fruto do Espírito

contemplação da glória de Cristo

crescimento espiritual

identidade cristã

luta contra o pecado

transformação progressiva

Gálatas 5

Efésios 4

2 Coríntios 3:18

O coração não vive de ordens. Vive de amores.

E quando Cristo se torna mais belo, antigos senhores começam a perder seu poder.

#Santificação
#VidaCristã
#TeologiaReformada

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Legendas automáticas:

O apóstolo Paulo fala: "Contemplando
a glória do Senhor, somos transformados
na mesma imagem".
Há frases que parecem eh pequenas, mas
carregam uma teologia inteira. Eu sou
assim, é uma delas. Às vezes ela aparece
quase sem muito peso. Eu sou ansioso, eu
sou explosivo,
eu sou frio, eu sou medroso, eu sou
ressentido, eu sou uma pessoa difícil.
Eu sempre fui assim, minha família é
assim, minha história me fez assim, meu
temperamento é esse, meu temperamento é
assim.
E sem perceber, a pessoa transforma uma
luta em identidade, transforma um padrão
em natureza imutável,
transforma o pecado na sua identidade
final, transforma uma inclinação em
destino, transforma aquilo que deveria
ser trazido à luz de Deus em uma
sentença que parece encerrar a conversa.
Eu sou assim. Ponto. Mas o evangelho não
coloca um ponto onde Deus colocou uma
cruz. O evangelho não diz que o pecador
regenerado está condenado a permanecer
para sempre exatamente como ele era,
porque seria regenerado. O evangelho não
entra em uma vida apenas para mudar o
endereço eterno do homem enquanto deixa
intocados seus afetos, seus medos, seus
amores, seus impulsos, sua língua, sua
maneira de sofrer, sua forma de reagir,
sua relação com o dinheiro, sua
sexualidade, sua ira, sua ansiedade, sua
vaidade e seu orgulho. está em Cristo
é entrar em uma realidade de
transformação,
não instantânea em tudo, não teatral,
não igualmente perceptível em todos os
momentos, mas real, profunda,
progressiva e inevitável. Paulo descreve
essa realidade quando diz que aquele ou
aqueles que contemplam a glória do
Senhor são transformados na mesma imagem
de glória em glória pelo Espírito do
Senhor. Segunda Coríntios 3:18.
Observe a direção. Há uma glória
contemplada. Há uma imagem para o qual
para a qual somos conduzidos. Há um
espírito operando, há uma transformação
acontecendo. O cristianismo não é apenas
uma nova informação sobre Deus. É nova
vida diante de Deus. Não é apenas uma
declaração jurídica externa, embora a
justificação seja gloriosamente
jurídica, externa e completa, mas é
também a presença do espírito no homem
justificado, produzindo uma nova vida a
partir de uma nova raiz.
A justificação não cresce. Você não é
justificado 20% hoje, 40 amanhã e quem
sabe 100% depois de muitos anos. Cristo
não oferece uma justiça incompleta.
Aquele que crê é recebido por Deus por
causa da justiça perfeita de outro. Mas
a santificação cresce, a nova vida
amadurece, o fruto aparece, a árvore se
alarga, as raízes vão descendo cada vez
mais fundo e os galhos se estendem.
A sombra aumenta, o fruto amadurece. E é
justamente aqui que surge uma das
grandes batalhas do nosso tempo. Quem
tem o direito de explicar a alma? Quem
tem o direito de dizer o que o homem é?
Quem tem o direito de nomear culpa,
desejo, medo, rebelião, consciência,
responsabilidade, sofrimento, ansiedade
e mudança, a escritura ou uma visão do
homem construída sem Deus, porque não
existe
neutralidade nesse ponto. Toda
explicação da alma começa com algum
Deus. Pode ser o Deus vivo e pode ser o
próprio homem. Pode ser a natureza, pode
ser a cultura. Pode ser os desejos ou o
desejo, pode ser a sociedade, pode ser o
inconsciente, mas alguém ocupará o trono
interpretativo.
E quem ocupa esse trono decide o que é
pecado, decide o que é culpa, decide o
que é liberdade, decide o que é cura,
decide o que precisa morrer, decide o
que deve ser aceito,
decide o que precisa ser transformado,
decide até mesmo o que significa ser
humano. Por isso, a pergunta não é
pequena. Freud ou Jonathan Edwards não é
apenas uma disputa entre dois autores
antigos, é uma disputa entre duas
antropologias,
duas doutrinas do homem, duas
explicações da consciência, duas
leituras do desejo, duas formas de
entender a culpa, duas formas de pensar
a religião, duas formas de responder a
pergunta por fazemos o que fazemos.
E no fundo a oposição ainda é mais
profunda. É a sabedoria do homem ou a
palavra de Deus. É a mente em trevas
tentando interpretar a alma ou o Deus
que criou a alma dizendo o que ela é. É
a criatura examinando a si mesma sem se
submeter ao criador ou a criatura
recebendo do criador a verdade sobre sua
própria condição?
Paulo descreve
o homem caído em Efésios 4:17, a partir
do 17, né? Ele fala de mente vazia,
entendimento obscurecido, separação da
vida de Deus, ignorância, dureza de
coração, insensibilidade moral, entrega
crescente à impureza. E perceba a ordem,
o problema não começa apenas no
comportamento, começa na relação com
Deus. A mente está
escurecida porque o coração está
alienado da vida de Deus.
A ignorância não é apenas falta de
dados, é uma ignorância moral, uma
ignorância
que ama a escuridão, uma ignorância que
resiste ao Deus que fala: "O homem não é
apenas desinformado, ele é caído, não é
apenas ferido, ele é rebelde. Não é
apenas alguém a quem coisas ruins
aconteceram, é também alguém em quem o
pecado habita. Não é apenas vítima de
forças externas ou da sua biologia. é a
gente moral diante de Deus. Isso não
significa que sofrimento não exista.
Existe. A Bíblia está cheia dele. José
foi traído, Davi foi perseguido. Jó
perdeu quase tudo. Paulo carregou um
espinho. Cristo foi desprezado, traído,
espancado e assassinado numa cruz. A
escritura jamais precisa negar
sofrimento para afirmar
responsabilidade.
Ela consegue dizer as duas coisas:
homens podem pecar contra você e você
continua diante de Deus. O mundo pode
ferir você e seu coração continua sendo
chamado a responder a Deus. Você pode
receber injustiça e ainda assim não
recebe licença para transformar amargura
em identidade. Você pode ser traído e
ainda assim não recebe autorização para
fazer do ressentimento sua casa. Você
pode experimentar medo e ainda assim o
medo não ganha o direito de se tornar
seu senhor. Você pode ser tentado e
ainda assim a tentação não recebe o
direito de renomear você. A linguagem do
evangelho não é eu sou assim. A
linguagem do evangelho é: "Eu estava
morto, mas Deus me deu vida.
Eu era trevas, mas Deus brilhou em mim à
luz da sua glória na face de Cristo. Eu
era escravo, mas Cristo me libertou. Eu
era culpado, mas Cristo levou minha
culpa. Eu estava sem justiça,
estava debaixo da maldição, mas Cristo
se tornou minha justiça.
Eu era inimigo de Deus, mas fui
reconciliado. Eu era filho da ira, mas
fui adotado. Eu era estrangeiro, mas fui
aproximado. Eu era o velho homem, mas
fui revestido de novo. Então, não posso
dizer que nada em mim pode mudar, porque
o cristianismo começa com uma mudança
que eu jamais poderia produzir.
Regeneração, novo nascimento,
ressurreição espiritual.
O Deus que chama a luz das trevas já fez
no crente a coisa mais impossível. Ele
fez um morto viver, ele fez um cego ver,
ele fez o inimigo amar. Ele fez um um
coração de pedra receber vida. E depois
de fazer o impossível na raiz, ele
começa a trabalhar nos galhos. Por isso,
quando alguém diz que crê em Cristo, mas
descreve seus pecados, medos, ansiedades
e vícios como se fossem elementos fixos
de seu DNA espiritual, há uma
contradição séria. Não porque o cristão
não luta ou nunca luta, ele luta.
Gálatas 5 afirma isso claramente. A
carne cobiça contra o espírito e o
espírito deseja ou cubiça contra a
carne. A guerra. Mas guerra não é
capitulação.
Luta não é identidade. Tentação não é
senhorio. A presença da carne não
significa ausência do espírito, mas a
presença do espírito significa que a
carne não reina mais sem oposição. Há
uma nova força, há um novo amor, há uma
nova visão, há uma nova direção. E isso
muda tudo.
algo
revelador na maneira como uma cosmovisão
conta a história da religião. Se Deus
não existe, então eu preciso explicar
porque o homem insiste em falar de Deus.
Se o céu está vazio, porque as culturas
enchem o céu de nomes. Se não há
criador, porque a criatura olha para
cima. Freud,
Freud ofereceu uma resposta. Para ele,
Freud, religião não começa com
revelação.
Para ele, Deus não existe. É só matéria,
é só físico. Apesar de falar que ele eh
eh fala sobre a alma, ele não acredita
na alma como algo imaterial.
Ele está falando só sobre processos
físicos e químicos, porque o homem é só
matéria,
como uma pedra.
Então,
Freud ofereceu uma resposta para ele. A
religião não começa com revelação,
começa com medo. O homem primitivo, ele
diz, olhava para a natureza.
A terra tremia, o mar subia,
a tempestade destruía, a seca matava, a
doença invadia, a morte chegava. E o
homem descobre que é pequeno, descobre
que não controla o vento, não controla o
oceano, não controla o próprio corpo,
não controla
a hora final. A natureza
aparece então como uma força impessoal,
majestosa, cruel, inexorável.
E segundo essa leitura de Freud, o homem
fez uma manobra psicológica.
Ele personaliza aquilo que o assusta.
Porque é mais fácil, diz ele, negociar
com uma pessoa do que com um furacão.
Você pode pedir misericórdia a um
inimigo, pode bajular um governante,
pode oferecer serviço a alguém poderoso,
pode tentar persuadir uma pessoa
irada, mas como persuadir a chuva? Como
subornar o terremoto? Como pedir
compaixão ao mar? Como convencer um
vírus?
como negociar com a morte. Então,
nessa explicação de Freud, por exemplo,
para antropologia humana, né? O homem
inventa espíritos,
depois inventou deuses, depois um Deus
só.
Porque aí se o homem cria um Deus da
tempestade, a tempestade ganha vontade,
o mar ganha personalidade, a colheita
ganha uma divindade e a guerra ganha
outra. E com o tempo,
esse monte de Deus, o Deus da
tempestade, o Deus da colheita, o Deus
do mar, o Deus do fogo, toda essa
multiplicidade seria eh complicada, né,
você lidar com tantos deuses. Então ele
disse que isso foi concentrado em único
ser supremo.
E aí surgiu, segundo Freud, o
monoteísmo. O monoteísmo seria o
refinamento final de uma necessidade
psicológica antiga. Deus é o mero
problema psicológico do homem que o
homem inventou para lidar com esses
medos. O homem não teria sido criado por
Deus. Deus teria sido criado pelo homem.
É o que ele diz. A religião seria uma
espécie de infância da humanidade, uma
forma de sobreviver emocionalmente
em um universo indiferente.
Mas ele disse, quando o homem
amadurecesse, ele deixaria a religião
para trás.
Não precisaria mais de um pai no céu.
Não precisaria mais de providência, nem
precisaria mais de mandamentos vindos de
fora.
Não precisaria mais de culpa diante de
um juiz que não existe.
Essa história parece apenas uma teoria
sobre religião, mas ela reorganiza toda
a alma. Porque se Deus foi inventado, o
pecado também foi inventado. O bem e o
mal foi inventado. Eles não existem. Não
existe algo que seja realmente bom e
algo que seja realmente mau. É só uma
questão de preferência.
Se Deus não existe, culpa diante de Deus
não existe. É por isso que toda a teoria
de Freud fala: "Não tem culpa você não,
eu não vou fazer julgamentos morais".
Se não há um legislador santo, não há
uma lei moral absoluta que valha para
mim e para você, procedendo do caráter
de Deus. E se não há juiz, não há
condenação.
Se uma pessoa protege a vida ou tira uma
vida, no final não vai fazer diferença
nenhuma. Não é?
Se não há criador, o homem não precisa
prestar contas por aquilo que faz com o
corpo, com o próximo, com a verdade, com
o desejo, com o sexo, com o dinheiro ou
com o poder.
É como
é é a mera lei da evolução. O mais forte
atropela o mais fraco. Não tem certo
errado. A moralidade passa a ser uma
construção, uma convenção, um acordo
social, uma ferramenta para impedir que
a sociedade se despedace.
E é aqui que a diferença entre convenção
e moralidade precisa ser vista.
Convenções podem mudar, elas são muito
diferentes de moralidade,
né? Eh, eh, eh, eh, porque, por exemplo,
existem leis que são baseadas em
convenções,
o lado da rua em que nós dirigimos,
a cor usada para sinalizar o trânsito,
vermelho para, verde segue.
O formato de um documento, a maneira de
organizar uma fila, a linguagem usada
para determinada formalidade. Essas
coisas podem ser organizadas sem que a
consciência humana grite que o universo
moral foi violado.
Uma cidade poderia mudar a cor do sinal
e falar: "Ó, agora no vermelho vai, no
verde para." Ninguém dizer: "Não, isso
não pode." Pode. É só uma convenção.
Continuaria sendo convenção.
Um país dirige pela direita,
na Inglaterra dirigem pela esquerda.
Nenhum dos dois carrega por isso uma
culpa moral ou a consciência fica
acusando, eu estou dirigindo pelo lado
errado. Mas diga a uma sociedade que
trair é uma virtude. Agora, que agora
nós mudamos o conceito, que traição é
uma coisa virtuosa,
que o homem bom é aquele que trai.
Diga que mentir
para destruir um inocente agora é uma
coisa nobre. Dica que roubar o fraco
agora é uma coisa justa, porque a gente
decidiu igual o farol diga que
assassinar o vizinho por conveniência ou
o próximo agora é uma coisa correta,
nobre. Você pode mudar a lei escrita,
mas você não transforma a mentira em
verdade. Você pode chamar o mal de bem,
mas o novo nome não muda a natureza da
coisa. Você pode legalizar, pode
aplaudir, pode racionalizar, pode
ensinar uma geração inteira a repetir
outra linguagem. Ainda assim, o homem
continuará revelando que conhece a
diferença entre ser ferido e ser amado,
entre ser enganado e ser tratado com
verdade, entre ser traído e receber
fidelidade.
Você vê, você pode dizer que matar e ah,
não é certo ou errado. Agora a gente
decidiu que matar o outro por qualquer
razão é
é uma coisa boa. Mas quando alguém matar
alguém da sua família, você vai dizer:
"Tá errado, não é? Você pode dizer que
não existe certo, errado, mas quando
alguém rouba o seu dinheiro, você diz:
"Tá errado".
Você vê, não adianta
uma regra dizer: "Não, roubar agora não
é mais errado". ou não existe certo e
errado. Romanos 2 fala de uma obra
da lei escrita no coração e de uma
consciência que acusa ou defende. A
consciência pode ser educada mal, pode
ser cauterizada, pode ser escrupulosa em
coisas que Deus não ordenou, pode ser
treinada por tradições humanas, pode se
tornar fraca, pode chamar de pecado
aquilo que Deus não chamou de pecado,
pode parar de gritar em áreas nas quais
foi repetidamente violentada,
mas a existência dessa deformação não
apaga o fato de que o homem é uma
criatura moral diante de Deus. A
consciência não cria a lei de Deus. Ela
testemunha, ainda que imperfeitamente
que não somos animais moralmente
neutros. Não somos como uma pedra
que matar, que mentir, que trair é
errado. Mesmo que a gente convença que a
gente racionalize que nós tivemos
motivos. Você vê só a necessidade de
racionalizar mostra a nossa consciência
nos acusando.
Um leão não precisa racionalizar para
matar a zebra. O problema é que o homem
não quer apenas violar a consciência,
ele quer absolver a si mesmo, mesmo que
ele não aceite óbvio, aquilo do outro.
Por exemplo, se ele trai, ele tem uma
história para contar. Mas se alguém que
ele ama sua mulher, o seu marido, seu
cônjuge o trai, aí ele fala que tá
errado.
Por isso ele racionaliza. A
racionalização é uma palavra importante.
O pecado não quer apenas ser praticado.
Ele quer ser explicado, quer ser
desculpado, quer ser renomeado de forma
terapêutica, quer encontrar uma teoria
que o proteja, quer uma linguagem que
retire de seus ombros a palavra culpa.
Quero uma história na qual todos sejam
responsáveis por mim, menos eu.
Responsável por mim é meu pai, minha
mãe, a sociedade, é a igreja, são os
outros. Eu não sou responsável.
É, é minha biologia,
quer dizer, foi minha infância, foi
minha família, foi meu ambiente, foi meu
temperamento, foi a bioquímica do meu
cérebro, foi minha carência, foi a
sociedade, foi a pressão, foi a fase,
foi a necessidade, foi a química, foi
qualquer coisa, menos pecado,
menos rebelião, menos coração, menos eu
diante de Deus.
É assim que até palavras legítimas podem
ser usadas de maneira ilegítima
e é o que mais acontece. Ah, você pode
então dar nomes eh diferentes eh para as
coisas e explicar todo mal no coração
humano.
Ah, um ladrão pode ganhar uma categoria
e usar a categoria como argumento de
inocência. O problema não está
em reconhecer que a vida é cheia de
sofrimento. Isso o problema começa
quando qualquer explicação passa a
ocupar o lugar da pergunta bíblica
diante de Deus. O que meu coração está
fazendo com isso? A escritura não
permite que o sofrimento vire inocência,
nem que responsabilidade apague
sofrimento. Ela conhece ambos e mantém o
homem diante de Deus.
Esse impulso não começou em Viena,
começou no Éden. Adão não precisou de
Freud para culpar Eva. A Eva não
precisou de uma teoria moderna para
apontar para a serpente. Quando Deus
pergunta, o pecador aponta desde o
princípio. Quando a luz entra, ele
procura outra sombra, ele procura
escuridão. O homem amou as trevas porque
suas obras eram mais. Quando a culpa é
exposta, ele busca uma narrativa em que
apareça apenas como uma vítima. O
humanismo secular dá isso a ele. Por
isso ele enche
todos os as as
eh teorias e enche a igreja também dos
nossos dias. A contribuição de uma
cultura sem Deus não é criar a rebelião.
A rebelião já estava aqui. Não é criar a
mentira. O homem já mentia. Não é criar
egoísmo. O coração já se curvava sobre
si mesmo.
O problema com teorias como essa de
Freud é dar respeitabilidade intelectual
ao velho movimento do Éden.
E aqui uma palavra antiga da medicina
ajuda a entender a imagem.
E atrogenia
é quando algo que deveria tratar acaba
produzindo um dano associado ao próprio
tratamento.
Então, a comparação não significa que
Freud tenha criado a rebelião humana.
Ele não criou. Adão já se escondia antes
eh dele existir, de existir psicanálise.
Caim já culpava se sentia uma vítima.
Saul já racionalizava o que ele fazia.
Davi já tentou cobrir o próprio pecado.
O coração humano não precisou eh do
Iluminismo, nem das teorias eh do século
XIX e XX para aprender a fugir da
responsabilidade.
O dano é de outra ordem, é iatrogênico
no sentido de que uma linguagem
oferecida como cura eh acaba
fortalecendo aquilo que deveria revelar.
dá ao pecado um vocabulário respeitável,
transforma a fuga num diagnóstico final,
faz a racionalização que sempre esteve
lá parecer autoconhecimento. Pode
fornecer ao homem uma moldura
sofisticada para repetir a velha frase
do Éden: "A culpa está em outro lugar".
Freud não inventou pecado, mas uma
antropologia que não conhece Deus não
pode diagnosticar corretamente a
criatura feita para Deus. E quando o
diagnóstico fundamental está errado, a
cura proposta
não alcança a raiz.
é construir um vocabulário no qual a
irresponsabilidade
pareça profundidade.
É oferecer ao coração uma absolvição sem
sangue, uma inocência sem
arrependimento, uma paz sem
reconciliação, uma cura sem cruz.
E esse é o problema mais grave, porque
quando a culpa é apagada, a graça se
torna desnecessária. Se não sou culpado,
não preciso de justificação.
Se meu problema é apenas desajuste, não
preciso de substituto. Se meu pecado é
apenas um sintoma de alguma coisa, não
preciso de cordeiro. Se minha rebelião é
apenas condição, não preciso me
arrepender.
Se a ira, eu preciso ser tratado. Se a
ira de Deus é uma fantasia,
a cruz não tem mais nenhum sentido,
porque lá ele derramou sua ira sobre o
seu filho. Então, a redefinição do homem
nunca para no homem. Ela alcança Cristo
e faz dele uma mentira.
Mude a doutrina do pecado e você mudará
a doutrina da cruz. Mude a doutrina da
culpa e você mudará a doutrina da
justificação. Mude a doutrina do homem e
cedo ou tarde você terá de mudar. o
evangelho. Por isso, o confronto é
inevitável. A Bíblia não diz que o homem
sofre apenas por causa do pecado dos
outros. Diz que o pecado habita nele.
Não diz que o homem é um anjo que ficou
doente. Diz que nasceu em pecado, que é
filho da ira. Davi confessa no Salmo
51:5 a profundidade dessa corrupção
desde o início da existência.
Não é uma declaração de que crianças
sejam eh monstros caricaturais. É algo
mais sério. É afirmação de que ninguém
começa moralmente neutro diante de Deus.
Já nasce como seu inimigo. A raiz já
está inclinada. O coração precisa mais
do que de educação. Precisa de
regeneração,
mais do que autoestima. O coração
precisa de reconciliação.
O coração precisa mais do que um
ambiente melhor. Precisa de um novo
coração. Precisa mais do que aprender a
expressar seus desejos. Precisa aprender
a amar aquilo que Deus ama. Precisa mais
do que aliviar sua culpa.
Precisa ter culpa perdoada
por uma justiça satisfeita.
Isso explica porque a cultura
contemporânea pode trocar continuamente
os nomes e ainda continuar cada vez mais
confusa sobre a alma e mais deprimida e
cheia de medos e ansiedades.
Nomes não ressuscitam mortos. Rótulos
não crucificam a carne. Diagnósticos não
imputam justiça. Explicações não
reconciliam o pecador com Deus.
E quando uma igreja recebe de uma
cosmovisão sem Deus suas categorias
fundamentais para interpretar culpa,
desejo e mudança, não deveria se
surpreender ao colher os mesmos frutos
de uma cultura sem Deus, porque a raiz é
a mesma, a água é a mesma, o solo
interpretativo é o mesmo. Então, se
pergunta porque a árvore parece a mesma,
mas a escritura não nos deixa ali. Ela
não apenas demonstra e eh ao desmontar
uma falsa antropologia,
ela abre diante de nós uma nova
realidade. Uma realidade em que mudança
não é propaganda, é promessa. Não é
fabricação humana, é fruto do espírito.
Não é uma técnica para administrar
sintomas. É a vida de Cristo sendo
formada em nós. E é para essa vida que
Paulo nos leva quando abre
Gálatas. Cinco. Paulo não começa a sua
doutrina de transformação, dizendo ao
homem: "Descubra quem você é". Ele diz
algo muito mais perturbador.
Aprenda quem você era sem Cristo.
Efésios 4 não descreve uma humanidade
essencialmente boa, que apenas perdeu
algumas oportunidades de
desenvolvimento. Descreve uma humanidade
separada da vida de Deus. A mente está
afetada, os desejos estão afetados, a
consciência está afetada, a vontade está
afetada, não ficou nada sem ser afetado.
O corpo se torna um instrumento daquilo
que o coração ama. E o centro do
problema não é a falta de educação
psicológica, é dureza de coração. Ele
diz, essa é uma palavra que nosso tempo
gostaria de evitar, dureza. Porque
dureza fala de responsabilidade, fala de
resistência. fala de uma vontade que não
é simplesmente arrastada para longe de
Deus, mas que não quer Deus como Deus.
Paulo não não descreve o pecador como
alguém diante de uma porta que deseja
desesperadamente abrir, mas não tem a
chave. Ele tava querendo Deus, estava
querendo a santidade, mas ele não acha a
chave. Ele descreve o pecador como
alguém que prefere as trevas.
Como Jesus disse, a luz vê o mundo e o
homem amou as trevas e secou a João 3.
A luz veio ao mundo e os homens amaram
as trevas. Não apenas caíram nas trevas,
eles amaram. Aqui está uma das palavras
mais ofensivas da antropologia bíblica,
amor. O homem ama aquilo que o destrói,
ama a sua independência de Deus, ama a
sua suposta independência, né? Ama a sua
própria glória, ama poder dizer a última
palavra e achar que tem a última palavra
sobre a sua vida. Eu sou o capitão da
minha alma, o mestre do meu destino. Ama
um mundo em que Deus não julga.
Ama um universo em que a criatura
determina o bem e o mal. Foi essa a
primeira tentação. Vocês
conhecerão o bem e o mal. Ou seja, vocês
vão definir o que é bom e o que é mau
para vocês. Ama os presentes de Deus
quando pode recebê-los sem receber o
próprio Deus. Ama prazer sem santidade.
Ama a segurança sem providência, ama
autoestima sem arrependimento. Ama
aceitação sem reconciliação.
Ama um Cristo que consola desde que não
reine.
E por isso o pecado é tão eh irracional.
Ele não é apenas um erro de cálculo, ele
é uma afeição desordenada. O pecador
olha para a fonte da água viva e cava
cisternas rachadas.
Ele prefere outra coisa. Olha para a luz
e escolhe a noite. Olha para o rei, mas
deseja o trono do rei. Olha para o pão e
prefere fome, desde que possa dizer que
a fome é sua. Isso significa que mudança
cristã não pode ser apenas mudança de
hábito. Se o problema fosse apenas
comportamento,
bastaria disciplina externa. Se fosse
apenas informação, bastaria aula. Se
fosse apenas desorganização,
bastaria método. Se fosse apenas falta
de incentivo, bastaria motivação.
Mas o problema chega ao amor e ninguém
muda o amor do coração por um decreto
humano ou por vontade. Você pode obrigar
um homem a sentar, não pode obrigá-lo a
adorar. Você pode controlar suas mãos,
não pode criar afeição santa. Você pode
fechar uma porta, não pode fazer Cristo
parecer belo. Você pode remover uma
oportunidade de pecado, não pode
produzir amor pela santidade. Pode
colocar o corpo em um mosteiro, não pode
colocar o reino de Deus no coração do
homem. É por isso que o novo nascimento
é tão radical. A regeneração não é Deus
oferecendo ao velho homem uma versão
melhor de si mesmo.
Eu esqueço meu café esfria. É Deus
fazendo nascer aquilo que não existia.
Paulo diz em Efésios 2 que estávamos
mortos em transgressões e pecados. Morto
não precisa de conselho, precisa de
vida.
Morto não precisa de maquiagem, precisa
de ressurreição. Morto não precisa de
uma nova etiqueta,
um novo entendimento psicológico.
Precisa que Deus diga: "Viva!" E Deus
faz isso soberanamente. Mas Deus, essas
duas palavras mudam tudo em Efésios 2. O
homem está morto, mas Deus que é rico em
misericórdia.
O homem segue o curso deste mundo. Paulo
diz: "Mas Deus intervém. O homem está
sob a ira, mas Deus ama com um grande
amor. O homem não sobe até Cristo. Deus
o vivifica
colocando-o em Cristo. A origem da nova
vida não está no morto, está naquele que
ressuscita os mortos. Isso nos protege
de dois erros opostos. O primeiro é
imaginar que transformação cristã é
autoaperfeiçoamento,
não é? O segundo é imaginar que por não
podemos ressuscitar a nós mesmos? Depois
de ressuscitados, permaneceremos
imóveis. Também não. Porque a graça que
dá a vida, que vivifica, também
santifica, produz o querer e o efetuar.
O espírito que regenera também produz
fruto. O Cristo que justifica também une
o crente a si mesmo. E dessa união vem
vida.
É aqui que Gálatas 5 se torna tão
importante. Paulo não fala eh a homens
tentando fabricar espiritualidade.
Fala a homens nos quais o Espírito Santo
habita.
Se o Espírito não habita, nada do que
ele fala é para essa pessoa. Ele diz:
"Vivam pelo Espírito". A ordem repousa
sobre uma realidade já concedida. O
crente não cria o espírito pelo modo
como vive. Ele vive porque recebeu o
espírito. Não produz a raiz por causa do
fruto. Produz fruto porque a raiz.
Não compra vida pela santificação.
Santifica-se porque recebeu vida. Essa
ordem precisa permanecer completamente
intocada. Caso contrário, a mensagem
sobre mudança se transforma em
moralismo, legalismo. Faça mais, tente
mais, controle-se mais, prometa mais.
Sinta mais culpa, construa uma pilha
maior. Mas Paulo não diz o fruto do
esforço religioso é amor, alegria e paz.
Diz o fruto do espírito.
O sujeito profundo da transformação é
Deus. O poder da transformação é do
espírito. O padrão da transformação é
Cristo. O ambiente da transformação é a
união com Cristo. O meio da
transformação inclui a palavra, a
oração, a comunhão, a ceia, a
disciplina, o sofrimento, a providência
e todos os meios pelos quais o espírito
nos faz olhar novamente para Cristo. E o
resultado é fruto, não pintura. fruto.
Não, ornamentação colocada sobre galhos
mortos. Fruto não. Plástico preso a
árvore para parecer viva. É fruto, é
vida saindo de dentro. Essa diferença é
decisiva, porque há pessoas que mudam
muito sem jamais serem transformadas
pelo espírito. Um homem pode abandonar
um vício porque encontrou outro amor
natural mais forte.
Pode se tornar disciplinado porque
deseja aprovação. Pode controlar a ira
porque descobriu que a ira prejudica sua
carreira. Pode aprender gentileza porque
gentileza abre portas.
Pode servir pessoas porque quer ser
admirado. Pode estudar a Bíblia porque
ama a sensação de dominar conhecimento.
Pode pregar porque ama o púlpito. Pode
cantar porque ama ser ouvido. Pode dar
dinheiro porque ama ser visto como
generoso. Pode jejuar porque ama
sentir-se superior.
Pode abandonar comportamentos
escandalosos e continuar adorando a si
mesmo. O pecado é suficientemente
religioso para fazer isso. Ele pode
vestir hábito de monge, pode aprender
grego, pode citar Agostinho, pode
defender doutrina correta, pode odiar
heresias, pode trabalhar por missões e
continuar sendo pecado governando uma
vida religiosa. Isso assusta.
deveria assustar, porque Jesus disse que
haverá homens no último dia apontando
para obras feitas em seu nome,
atividades religiosas
e ouvirão. Nunca os conhecia. Mateus 7
22, 23. O problema não é que nada
aconteceu ao redor deles. Aconteceu. O
problema é que Cristo nunca os conheceu
salvadoramente.
O exterior pode ser impressionante. O
interior pode permanecer morto. Por
isso, a pergunta correta não é apenas o
que mudou na sua agenda desde que você
entrou na igreja, conheceu o evangelho,
mas o que está crescendo
em seu coração. Você pode trocar o bar
pelo prédio da igreja e continuar
adorando a aprovação humana. Pode trocar
conversas vulgares e morais por
discussões teológicas e continuar
dominado pelo orgulho de vencer
naquele assunto. Pode trocar noites de
descontrole
por noites de estudo e continuar amando
a si mesmo acima de Deus. Você pode
trocar a reputação de rebelde pela
reputação de piedoso e apenas ter
descoberto uma forma mais sofisticada de
orgulho. O evangelho vai mais fundo, vai
à raiz, vai ao amor, vai à glória que
você contempla, vai ao tesouro que
governa você, que governa seu coração,
vai aquilo que seu coração chama de
belo, aonde seu coração vê beleza.
E é justamente por isso que Paulo pode
falar de uma batalha entre carne e
espírito. A carne não é apenas uma lista
de ações ruins, é uma antiga orientação
do desejo.
O espírito não é apenas uma ajuda para
você executar uma lista melhor. Ele
inaugura uma nova orientação do coração.
A carne diz: "Você precisa disso para
viver. O espírito mostra Cristo. A carne
diz: "Você precisa vencer essa
discussão. O espírito mostra Cristo." A
carne diz: "Você precisa ser
reconhecido". O espírito mostra Cristo.
A carne diz: "Sem esse romance você não
será feliz". O espírito mostra Cristo. A
carne diz: "Sem dinheiro suficiente você
não pode descansar. Você tem que ficar
ansioso mesmo. O espírito mostra Cristo.
A carne diz: "Revide".
O espírito mostra Cristo. A carne diz:
"Proteja o seu nome, o espírito mostra
Cristo." A carne diz: "Obedeça apenas
quando você entender, o espírito mostra
Cristo." E quando Cristo se torna mais
belo, os antigos senhores começam a
perder seu poder. É por isso que ao
contemplarmos a glória de Deus na face
de Cristo, somos transformados de um
grau de glória para outro. na mesma
imagem dele. Não porque eh eh esses
senhores começam a perder seu poder, não
porque deixem imediatamente de gritar,
de lutar, mas porque o amor maior entrou
na casa.
Então,
há uma tensão que precisa ser
preservada. A transformação cristã é
radical e a transformação cristã, ao
mesmo tempo, é gradual. Se você
confundir essas duas coisas, cairá em um
de dois abismos. Ou esperará uma
santificação instantânea e irá se
desesperar, ou aceitará uma vida sem
transformação e chamará estagnação de
graça. A Bíblia não permite nenhum dos
dois abismos. Existe uma mudança
instantânea, regeneração. O homem estava
morto, agora vive. Estava cego, agora
vê. Estava sem o espírito, agora é
habitado pelo espírito. Estava em Adão,
agora está em Cristo. Estava sob
condenação. Agora não há condenação para
aqueles que estão em Cristo Jesus.
Romanos 8:1. Ele estava sem acesso,
agora se aproxima do Pai. Estava sem
herança, agora é filho. Estava a, enfim,
essa passagem é de um reino para outro.
Não é lenta, não é uma melhora
percentual,
não é uma transição na qual o morto vai
ficando um pouco menos morto. Não
existe, né, menos morto é vida. Deus não
acende 10% da luz espiritual e promete
aumentar a voltagem no ano seguinte. Ele
diz: "Haja luz e a luz brilha". Então
Paulo descreve isso em segunda Coríntios
4:6. O mesmo Deus que disse que a luz
brilhasse das trevas resplandeceu em
nossos corações para dar o conhecimento
da glória de Deus na face de Cristo.
Criação, nova criação. Trevas, luz.
Ignorância, conhecimento. Cegueira,
faceo.
Essa é a ruptura.
Mas o homem que recebe olhos não vê
imediatamente tudo com a mesma clareza
ou tudo ao mesmo tempo. O homem que
recebe vida não amadurece em uma tarde.
Um bebê está vivo, mas vai demorar um
pouco ele ser um homem adulto. A criança
nasce inteira como criança, uma um ser
humano inteiro, mas não nasce adulta. A
semente é realmente semente viva, mas
não é ainda a árvore frondosa.
A regeneração é radical, a santificação
é gradual. Pedro usa exatamente a imagem
da semente. Fomos regenerados não de
semente perecível ou corruptível que
pode morrer, mas de uma impercível,
incorruptível, imortal pela palavra viva
e permanente de Deus. Primeira Pedro
1:23.
Semente imperecível.
Pense
nessas duas palavras juntas. Semente
imortal.
Semente pequena,
oculta. Começo, potencial de
crescimento,
mais imperecível. Não morre.
Não é uma vida experimental que Deus
talvez abandone, talvez vença. Não é uma
semente que pode ser viva hoje e voltar
a ser pedra amanhã. Há algo nela que
veio de Deus e que é eterno.
Não pode morrer.
E aquilo que Deus gera carrega o poder
de uma vida que continua. É por isso que
o crescimento cristão precisa ser
gradual e ao mesmo tempo inevitável.
gradual para que o crente não se
desespere quando olha para si e ainda vê
tanta imaturidade
inevitável para que não faça aliança com
a imaturidade e a transforme em
identidade.
Gradual para que tenha paciência.
Inevitável para que não tenha desculpa.
Gradual para que não confunda a luta com
ausência de vida. Inevitável para que
não confunda a ausência de fruto com
vida espiritual.
gradual
para que aprenda a esperar em Deus.
Inevitável para que examine se de fato
está em Cristo. As duas verdades
precisam andar juntas. A árvore não
explode do chão pronta, mas cresce. O
bebê não adormece com 50 cm e acorda com
1,80 m, mas cresce.
A santificação não acontece em saltos
cinematográficos constante
constantes, né? Mas cresce.
E talvez seja justamente aqui que nossa
geração tem dificuldade.
Nós
nós fomos treinados para esperar o
instantâneo. Uma tela muda com um toque.
Uma mensagem atravessa o planeta em
segundos e a resposta chega para nós.
Uma compra chega rapidamente, uma imagem
aparece imediatamente
e carregamos a lógica da velocidade para
a alma. Queremos um sermão que resolva
anos de orgulho,
uma conferência que cure década décadas
de hábitos que eh criaram problemas
conjugais.
Uma oração que elimine de uma vez toda a
impaciência.
Só isso já é impaciência, né?
Um momento que faça desaparecer toda a
luta. Deus pode dar libertações
surpreendentes, pode haver momentos de
enorme avanço, pode arrancar de uma vez
um padrão que parecia antigo. Ele é
soberano, mas o padrão ordinário das
imagens bíblicas é crescimento, árvore,
semente, fruto, infância, maturidade,
colheita, estações. Tudo isso nos obriga
a desacelerar.
O salmo um não diz que o justo é como
fogos de artifício. Brilha por alguns
segundos e desaparece.
Diz que é como árvore plantada junto a
correntes de águas. A lugar, a raiz, a
água, a tempo, há fruto em sua estação.
A folha sustentada, a permanência. Uma
árvore antiga possui uma glória que
nenhuma explosão pode imitar. Ela levou
anos para se tornar aquilo. Tempestades
passaram, verões queimaram, invernos
chegaram, galhos foram podados, raízes
cresceram, chuvas vieram, secas testaram
a vida e a vida continuou trabalhando em
silêncio. Assim é a santificação. Muito
do que Deus faz em você
não vem acompanhado de sensação
correspondente. Você não sente uma raiz
descendo, não sente paciência crescendo
2 mm, não percebe uma nova fibra de
mansidão sendo formada na terça-feira às
15 horas,
não termina uma oração dizendo: "Cresci
0,4%
em humildade." Como você não consegue
ver uma árvore crescendo? Você olha,
pode ficar olhando o dia inteiro, você
não vê ela crescer, mas depois de meses,
de um ano, você vê ela tá maior. Você
não vê seu filho crescer, você não está
olhando para o seu filho, de repente
diz: "Ih, ele cresceu ali, eu vi agora
ele crescer". Você não consegue enxergar
o crescimento do seu filho. Você
consegue depois de meses ver como ele
cresceu.
Então, o crescimento é real, mas
normalmente ele não é percebido enquanto
acontece. no momento que está
acontecendo. Então você não vê seu filho
crescer, você vê que ele cresceu.
Essa diferença é preciosa. Se você se
sentar diante de uma criança e olhar
durante uma hora, não verá os ossos se
alongando.
Mas
volte à marca na parede depois de mês. A
gente tinha maneia de marcar, né, a a
parede ou então a porta assim. Aí depois
de meses ou um ano a gente ia lá, a
gente já tinha crescido um pedaço
a distância. A antiga marca agora está
mais baixa. Algo aconteceu todos os
dias, todos os instantes.
Um crescimento estava acontecendo,
mas era invisível para nós.
Ele aconteceu quando nós estávamos
andando, comendo, dormindo, brincando,
acordando, vivendo.
E um dia a medida revela aquilo que o
olho não viu acontecer. Com a alma
ocorre algo semelhante, a palavra entra.
Você não sente crescimento
na hora do culto, na hora do sermão ou
agora quando está ouvindo isso. Você
ora, não sente crescimento, porque na
hora que você está orando, você
participa da comunhão dos santos. Não
sente crescimento. Você se assenta à
mesa do Senhor.
Não sente crescimento. Você sofre,
chora, é corrigido. Perdoa com
dificuldade, confessa pecado, volta à
escritura, ouve mais um sermão, luta
contra a carne, cai, se arrepende,
levanta,
olha outra vez para Cristo e parece que
nada extraordinário aconteceu. Mas anos
depois chega uma prova,
a mesma espécie de prova que teria
destruído você antes. E algo está
diferente. Você ainda chora, mas não
amaldiçoa.
Ainda sente medo, mas quando sente, não
corre para uma explicação humanista.
Você corre para o pai. Você lança sobre
ele, ainda sofre a ofensa, mas não passa
semanas alimentando ressentimento.
Ainda percebe o desejo antigo, mas ele
já não fala com a mesma autoridade.
Ainda é tentado a controlar pessoas,
coisas, mas agora consegue dizer mais
cedo, tu sabes,
a prova funciona como a fita métrica na
parede, não é? Como a marca na parede,
você não viu o crescimento, mas a marca
mostra que você cresceu.
Por isso, Thago pode dizer que provações
produzem perseverança. Não é que na hora
que eu estou sendo provado, eu sinto a
perseverança crescendo. Por isso Pedro
fala de fé provada pelo fogo. Por isso
Paulo fala de tribulação produzindo
perseverança, caráter aprovado e
esperança. As provas não são
interrupções
da santificação. frequentemente são os
instrumentos dela e também revelações
dela. São com a marca nova lá na parede
ou na porta mostrando, olha,
Deus mede a árvore com vento, mede a
raiz com seca, mede a paciência com
atraso,
mede o perdão com ofensa, mede a
mansidão com provocação,
mede a paz com incerteza, que antes
geraria ansiedade. Mas agora você
percebe, agora eu lido com isso com com
pais, não como eu lidava antes. Mede o
domínio próprio com desejo.
Há um desejo, mas agora você tem um
domínio próprio sobre aquilo, muito
maior do que antes. Mede a humildade com
humilhação. A mesma situação que
deixaria você de um jeito, agora já não
deixa mais. mede a fidelidade com o
custo,
mede o amor quando
ama ou amar deixa de ser conveniente.
Quando amar é difícil,
você poderia imaginar que está cheio de
paciência, porque ninguém te
encontraria. Poderia imaginar que tem
paz só porque tudo que acontece acontece
como você planejou. Você pode achar que
não tem ansiedade. Poderia imaginar que
é humilde enquanto todo mundo tá te
elogiando. Poderia imaginar que perdoa
facilmente enquanto ninguém fere você
profundamente. Então Deus permite a
prova.
Não para descobrir algo que ele não
saiba, ele sabe, mas para mostrar a
você, para amadurecer, para podar, para
aprofundar, para fazer a raiz buscar
água mais abaixo. Você sentir que
no na sua humildade você precisa de
raízes mais fundas no cordeiro manso.
E muitas vezes para que você pare de
confundir folhas com fruto.
E uma das
uma das crueldades que podemos praticar
contra a nossa própria alma é exigir
dela uma primavera permanente. Queremos
flores o tempo todo. Queremos sentir
avanço o tempo todo. Queremos perceber
fervor o tempo todo. Queremos que cada
semana apareça espiritualmente maior do
que a semana anterior. Mas nenhuma
árvore vive assim. Há estações, há
épocas em que os galhos se enchem, há
épocas em que o fruto aparece de modo
visível, há épocas em que mudanças
parecem acontecer com velocidade.
Surpreendente, não é primavera. Há
momentos em que um texto bíblico abre
uma janela inteira.
Um pecado antigo é visto com clareza
nova. Uma verdade que conhecemos há
anos, de repente pesa sobre o nosso
coração. Uma área da vida começa a se
reorganizar
a primavera, mas a inverno. No inverno
folhas caem, a paisagem parece menor. A
árvore que estava cheia, verde, parece
meio vazia. Em lugares mais frios, todas
as folhas caem. Ela parece até que não
tá tão viva. Quem não entende de
botânica pode olhar pra árvore e dizer e
morreu. Tem mais folha, só tem uns
galhos. Mas a vida não abandonou a
árvore no inverno. Ela continua ali
trabalhando onde os olhos não vêm. A
raiz permanece, o tronco permanece. A
seiva continua obedecendo leis que não
fazem barulho. O inverno não é o oposto
da vida, faz parte do ciclo da vida.
Isso não significa que todo esfriamento
espiritual deve ser chamado de estação
legítima. Há pecado que precisa ser
confessado sempre. Há negligência que
precisa ser abandonada. Há amor que
esfriou porque outro amor ocupou o seu
lugar.
A oração que foi abandonada, a palavra
fechada, a comunhão desprezada,
mundanismo alimentado. Tudo isso precisa
ser tratado como aquilo que é. Mas
existe também a experiência do santo
fiel, que continua usando os meios de
graça e ainda assim não percebe a mesma
doçura de outros períodos. Ele ora, lê,
ouve, serve, confessa, permanece e
parece haver menos flores.
Não conclua. depressa que Deus parou de
trabalhar.
A fé
precisa aprender a crer também no
trabalho silencioso do espírito. O
lavrador não fica desenterrando a
semente toda manhã para conferir se ela
está viva. Se fizesse isso, ia destruir
o processo que deseja acompanhar. Ele
planta, rega, espera.
olha o céu, confia naquilo que ele não
controla, a chuva, a temperatura.
A santificação exige essa espécie de
paciência, não passividade. Você o
agricultor não é passivo. Paciência não
indiferença, perseverança. Não dizer
Deus fará tudo, então não farei nada,
mas dizer porque Deus opera em mim tanto
querer quanto o realizar, trabalharei
com temor e tremor. Filipenses 2:12. A
soberania de Deus não paralisa o santo,
o sustenta. O agricultor trabalha porque
há vida na semente. Se não houvesse todo
trabalho dele era inútil.
Ele eh ele não trabalha para fabricar
vida na semente. Ele remove ervas, cuida
do solo, protege, poda, rega, mas sabe
que não pode ordenar uma célula que se
divida.
Ele não pode fabricar a energia da vida.
Não pode colocar dentro da semente
aquilo que a torna semente.
Assim também é o cristão. Ele mortifica
o pecado, foge da tentação, enche a
mente com a palavra, ora, busca a
comunhão dos santos, recebe correção,
confessa, vigia, serve, descansa, mas
sabe que se amor por Cristo cresce, isso
é um milagre do Espírito.
Se a ira perde espaço, isso é fruto do
espírito. Se o coração se torna mais
paciente, isso é fruto do espírito. Se a
paz permanece quando o chão treme, isso
é fruto do espírito. Se a língua aprende
a não ferir tão rapidamente, isso é
fruto do espírito. Se o homem que
precisava sempre vencer, agora consegue
ceder pro amor, isso é fruto do
espírito.
E o fruto não precisa anunciar sua
chegada com trombetas. Às vezes ele
aparece justamente quando você achava
que não havia nada. Você atravessa uma
estação difícil, não sente grande
fervor, não sente que está prendendo,
não sente que está avançando, então
alguém fere você e para sua surpresa,
você ora antes de atacar. ou uma notícia
chega e para sua surpresa você chora sem
perder o chão, sem desespero.
Um plano seu cai e você percebe que
embora frustrado, não está dizendo a
Deus que ele perdeu o controle ou agindo
como se ele tivesse perdido em
ansiedade.
ou alguém recebe aquilo que você
desejava, queria e a inveja ainda tenta
falar, mas encontra menos espaço do que
encontraria 5 anos antes. Essa é aquela
marca na parede do crescimento. O
crescimento estava acontecendo enquanto
você não sentia.
Por isso, testemunhos precisam ser
contados com sabedoria.
Gostamos de testemunhos dramáticos. Eu
era isso e então aconteceu aquilo e
nunca mais fui o mesmo. Há testemunhos
assim. Deus pode fazer mudanças
abruptas. A conversão de um homem pode
reorganizar aspectos visíveis da vida de
modo impressionante.
Uma pessoa pode abandonar imediatamente
práticas que antes dominavam sua agenda.
Nós não devemos transformar exceções
dramáticas no padrão pelo qual julgamos
toda santificação. A conversão é algo
radical, a regeneração, o amadurecimento
é ordinariamente lento.
Por isso sempre é comparado, na maior
parte das vezes, a crescimento
vegetal, por exemplo, não é? Um homem
pode abandonar a embriaguez em uma
noite, mas pode levar anos aprendendo
humildade.
Pode jogar fora aquilo que alimentava a
sua luxúria
e ainda precisa de longa disciplina para
aprender a amar de maneira sacrificial.
O homem pode romper com um ambiente de
pecado e descobrir meses depois que o
orgulho viajou junto com ele. Ele pode
mudar de cidade e levar o coração na
mala. pode mudar de círculo social e
levar a vaidade junto.
Pode trocar hábitos públicos e ainda ter
de aprender lentamente como morrer para
si mesmo. É por isso que santificação
não pode ser medida apenas por grandes
rupturas. Ela aparece em 1 pequenas
mortes
na resposta que você não deu, no elogio
que não exigiu, na ofensa que não
cultivou em ressentimento, na compra que
deixou de fazer porque queria servir
alguém,
na confissão que não tentou
racionalizar, suavizar, explicar, só
confessou na conversa em que você ouviu
mais do que falou,
na oração em que pediu a vontade de Deus
e não apenas a sua, no momento em que
percebeu a inveja e a levou
imediatamente à cruz antes de
transformá-la em fofoca.
No instante em que a ansiedade começou a
subir e você lembrou que não é o Senhor
do amanhã.
Na hora em que poderia manipular a
impressão de alguém e escolheu
integridade.
Essas coisas parecem pequenas, mas uma
árvore gigante também cresce. em
incrementos que ninguém percebe, ninguém
vê uma árvore gigante crescer. Como ela
se tornou gigante? Não, não percebemos.
Cada vez passava meses, anos, a gente
via ela maior, mas a gente mesmo não via
o crescimento. Então, não despreze
a lentidão da graça, mas não use a
lentidão da graça para justificar a
ausência de crescimento.
Essa é a outra borda da verdade.
A árvore cresce lentamente, mas cresce.
A criança cresce lentamente, mas cresce.
A semente cresce silenciosamente, mas
cresce. Onde há vida, há movimento. Não
necessariamente movimento barulhento,
mas movimento.
Não necessariamente mudança que
impressiona a multidão, mas mudança. Não
necessariamente uma nova personalidade,
mas uma nova direção moral e espiritual.
O tímido, regenerado pode continuar
tímido, mas a timidez não terá o mesmo
direito de impedi-lo, de obedecer a
Deus.
O expansivo regenerado pode continuar
expansivo, mas a extroversão não terá o
mesmo direito de dominar os outros. O
homem naturalmente organizado pode
continuar organizado, mas a organização
começará a ser serva e não um Deus.
O homem naturalmente sensível pode
continuar sensível,
mas a sensibilidade começará a aprender
perdão e firmeza.
Graça não apaga necessariamente todo
traço criado de temperamento. Ela
santifica a pessoa inteira. Ela
confronta aquilo em nós
que em nós servia ao ego e não a Deus.
Ela redireciona dons, ela mortifica
deformações, ela produz
Cristo em personalidades diferentes. Por
isso, todos os santos não viram cópias
psicológicas uns dos outros, mas todos
caminham paraa mesma imagem moral,
Cristo.
Um Pedro santificado não precisa virar
João. Um João santificado não precisa
virar Paulo. Mas Pedro, João e Paulo são
conformados ao Filho. A mesma santidade,
a mesma humildade, o mesmo amor, a mesma
fidelidade, a mesma alegria em Deus
expressa por homens diferentes.
Isso também nos ensina a medir
corretamente.
Você não mede crescimento eh comparando
sua árvore com a árvore do vizinho. Uma
figueira não cresce como um cedro. Um
cedro não frutifica como uma videira.
Você mede comparando a nova marca com a
antiga marca.
Quando eu marcava na porta a minha
altura, depois eu media a nova marca com
a minha marca antiga, não com a marca do
meu irmão.
onde eu estava, como eu respondia, o que
me dominava,
quanto eu precisava de aprovação, quanto
tempo eu alimentava uma ofensa,
quão rapidamente eu me justificava, quão
pouco eu orava antes de decidir,
quão profundamente eu temia perder
coisas em ansiedade e medos. O que
acontece hoje quando as mesmas pressões
chegam?
Não para cultivar autocelebração, mas
gratidão.
Se há crescimento, o jardineiro merece
glória. Se há fruto, o espírito merece
glória.
Se a árvore permaneceu, Cristo merece
glória.
Se você não é o que era, a graça merece
toda a glória. E se ainda há tanto a ser
mudado, a promessa de Deus sustenta a
esperança.
Imagine uma sepultura antiga, séculos,
ah,
sob uma pedra,
uma tampa de mármore espessa, pesada
demais para um homem levantar ou vários
homens levantarem sozinhos.
Talvez homens tenham precisado trabalhar
juntos quando colocaram aquela tampa
pesada de mármore naquela sepultura há
um século, dois séculos atrás.
Talvez hoje fosse necessária uma
máquina, mármore, peso, dureza e
mobilidade.
Agora coloque ao lado dessa laje uma
semente pequena, leve, quase ridícula
diante da pedra. Se alguém perguntasse
qual das duas é mais forte, a resposta
pareceria óbvia. A pedra, ela pesa
centenas de quilos.
A semente cabe entre dois dedos.
A pedra pode esmagar a semente. A
semente não parece capaz de fazer nada
contra a pedra, mas há uma diferença,
uma uma diferença invisível. A pedra é
forte e morta. A semente é frágil e
viva. A vida possui uma força que o peso
não possui. Imagine que sobre aquela
antiga sepultura uma semente encontre
espaço, brote, uma raiz
desça e um caule comece a subir. Não há
uma explosão, não há barulho, não há
martelo, não há dinamite, há
crescimento.
Um pouco hoje, outro pouco amanhã.
pressão quase imperceptível. Dia após
dia, ano após ano, a vida insiste. A
pedra não cresce, a semente cresce. A
pedra permanece exatamente como era. A
semente não. Ela se torna raiz, caule,
tronco, galho, árvore. E chega o dia em
que aquilo que parecia invencível racha,
o mármore cede, não porque a semente
fosse mais pesada, mas porque estava
viva. Aquela árvore cresceu,
aquela árvore rachou
o mármore, aquela árvore subiu para o
céu. Essa imagem concentra uma das
verdades mais encorajadoras
da santificação. Há coisas na sua vida
que parecem mármore, hábitos antigos,
medos antigos, ansiedades antigas,
orgulho antigo, formas antigas de
interpretar as pessoas, ressentimentos
que parecem ter criado raízes antes da
graça, desejos repetidos, padrões
familiares, reações tão conhecidas que
você quase consegue prever a si mesmo.
A provocação chega, você sabe o que
fará. A perda aparece, você sabe como
entrará em pânico. A crítica vem, você
sabe quanto tempo passará se defendendo
por dentro, justificando.
O desejo chama. Você conhece a rota
inteira. Então, olha para tudo isso e
pensa: "É pedra. A pedra é forte
demais". Eu sempre fui assim. Mas a
pergunta não é apenas quão pesada é a
pedra ou mármore, a pergunta é: a vida?
Se você está em Cristo, há uma semente
imortal. O espírito habita em você.
Cristo não começou uma obra para
abandoná-la diante do mármore.
Aquele que começou a boa obra a levará
até o fim. Filipenses 1:6. Isso não
transforma a santificação em passividade
triunfalista.
A semente não cruza os braços, ela
cresce. A vida trabalha, a guerra, a
mortificação, a disciplina, a poda, há
feridas, há arrependimento. Há noites em
que a pedra parece não ter se movido 1
milímetro, mas a vida continua sendo
vida. Isso significa que o cristão não
tem o direito de fazer paz com a pedra.
Não pode olhar para um padrão pecaminoso
e dizer: "Isso sou eu". Pode dizer:
"Isso ainda está em mim. Isso ainda luta
em mim. Isso ainda me humilha. Isso
ainda me faz correr para Cristo. Isso
ainda precisa morrer. Mas não é meu rei.
Não é meu nome final. Não é minha
identidade última, não é mais forte do
que a vida de Deus em mim. A carne pode
ser velha, o espírito é Deus. O pecado
pode ter memória longa, a graça é
eterna. O hábito pode ter décadas, a
semente é imortal. A pedra pode ter
séculos, a vida vence. Essa é a
inevitabilidade da santificação. Não
perfeição instantânea,
inevitabilidade,
não ausência de recaídas, direção. Não
crescimento uniformemente rápido,
permanência da vida. Jesus fala de fruto
porque fruto revela natureza. Uma árvore
boa produz fruto segundo sua própria
natureza.
Não compra a natureza produzindo fruto,
revela a natureza. O fruto não faz a
árvore viver. A vida da árvore produz o
fruto. Por isso, a ausência persistente
de fruto é séria. Não podemos consolar
uma árvore morta dizendo que ela apenas
cresce devagar.
Lentidão e morte são coisas diferentes.
Uma árvore lenta ainda mostra sinais de
vida. Uma árvore morta permanece morta
para sempre. Pode conservar forma de
árvore por algum tempo. Pode continuar
em pé. Pode parecer respeitável. Pode
ter galhos impressionantes.
Mas não há nenhum novo broto. Não há
raiz trabalhando, não há fruto. Da mesma
forma, a atividade religiosa não pode
substituir vida.
É possível ter forma, nome, história,
cargo, conhecimento,
vocabulário,
rotina e nenhuma semente. Essa
possibilidade é uma das razões pelas
quais o Novo Testamento chama os homens
a examinarem a si mesmos, não para
viverem em neurose espiritual
permanente, mas porque falsa segurança é
cruel. Uma segurança construída sobre
atividade externa é areia movediça. Uma
segurança construída sobre uma decisão
antiga, sem qualquer evidência de vida
presente, é areia. Uma segurança
construída sobre emoção passada, sem
amor crescente por Cristo, é areia. Uma
segurança construída sobre o fato de que
outras pessoas foram ajudadas por você é
areia. O fundamento, o fundamento
objetivo da salvação é Cristo, sua obra,
sua justiça, seu sangue, sua
ressurreição.
Mas o Cristo que salva une o salvo a si
mesmo. A união como a pessoa viva produz
vida.
Não olhamos para o fruto para substituir
Cristo como fundamento. Olhamos para o
fruto como evidência de que estamos
nele. A diferença é decisiva. Se você
transforma fruto em fundamento, vira
legalista. Se você declara que fruto é
irrelevante, vira antinomiano. O
evangelho rejeita os dois. Cristo é
fundamento. O fruto é evidência. Cristo
é justiça. O fruto é obra do espírito
naquele que foi unido à justiça de
Cristo. Cristo é a raiz da nossa
aceitação. O fruto é a manifestação da
vida dele em nós. Assim, quando o
cristão vê crescimento, não diz Deus me
aceita porque melhorei diz porque Deus
me aceitou em Cristo. Seu espírito não
me deixou como eu era. E quando vê
fraqueza, não diz, preciso melhorar para
que Cristo me ame. Diz porque Cristo me
amou quando eu era inimigo. Posso trazer
minha fraqueza à luz e lutar sem medo de
ser abandonado. A cruz tira a
santificação do mercado. Você não compra
o amor de Deus com progresso. O amor de
Deus em Cristo produz progresso.
Você não paga pela adoção com frutos. O
espírito de adoção produz fruto. Você
não conquista o Pai vencendo a pedra,
porque o Pai já o recebeu em Cristo. A
vida que ele colocou em você pressiona a
pedra todos os dias. Isso muda a luta.
O desespero, ele diz: "A pedra é grande
demais". A graça diz: "A semente está
viva". O orgulho diz: "Eu vou quebrar
essa pedra com minhas mãos". A graça
diz: "O espírito produz vida". A
preguiça diz: "Se a semente está viva,
não preciso lutar". A graça diz: "A vida
luta porque vive".
A incredulidade diz: "Nada aconteceu
porque eu não vi". A fé diz: "Deus
trabalha também quando meus olhos não
acompanham".
O perfeccionismo diz: "Se a pedra ainda
existe, não há vida". A escritura diz:
"A semente pode levar um tempo, mas
crescerá
e partirá a pedra". A presunção diz:
"Não importa se você nunca cresce". A
escritura diz: "Onde há vida, há fruto
gradual, inevitável". Essas duas
palavras precisam permanecer juntas.
Elas protegem o santo do desespero e
protegem o hipócrita da falsa paz.
Agora [roncando] a pergunta se
aprofunda. Se crescimento existe, como
sabemos que o crescimento é espiritual e
não é outro tipo de crescimento?
Porque nem toda mudança é santificação,
nem toda disciplina é fruto, nem toda
atividade é vida, nem toda aparência de
maturidade nasceu do Espírito Santo.
Acrescimento mecânico e acrescimento
orgânico.
Pense numa pilha de pedras. Coloque uma
pedra no chão, depois outra, depois
outra, depois outra. A pilha cresce.
Hoje tem 10 pedras, amanhã 20, no mês
seguinte 100, depois tem 1000, cresceu,
ficou enorme.
Ela ficou maior, mas nada dentro dela se
tornou vivo. Ainda é uma pilha de pedra.
A primeira pedra continua sendo pedra. A
milésima pedra também continua sendo
pedra. Há aumento de quantidade, não há
vida. Há altura crescendo, não há raiz.
Há volume, não há fruto.
Há acúmulo, não há transformação
orgânica.
Uma árvore cresce de modo totalmente
diferente de um crescimento mecânico.
Não recebe galhos prontos, colados
externamente, que você vai empilhando um
por cima do outro. Não recebe folhas
grampeadas, não recebe frutos pendurados
por fios.
A vida interna organiza tudo. A raiz se
relaciona com o tronco. O tronco
sustenta os galhos. Os galhos conduzem a
seiva. Folhas recebem luz. Frutos
aparecem. Cada parte está ligada às
outras. Não são como aquela pilha de
pedra que cresceu, mas cada uma é uma
pedra independente.
A árvore se torna mais complexa à medida
que amadurece. Ela não é apenas um
acúmulo de coisas. A aquela pilha de
pedra não se torna mais complexa. Ainda
é a mesma coisa do início.
Mas já a vida ela diz e a a a
o crescimento da vida vegetal, por
exemplo, ele vai se tornando mais
complexo à medida que cresce,
ou seja, a vida se desenvolve. Essa
distinção expõe uma enorme quantidade de
religiosidade. Você pode adicionar
pedras durante anos, mais leitura, mais
reuniões, mais cursos, mais cargos, mais
horas de oração, mais jejunes, mais
livros, mais ministérios, mais viagens
missionárias, mais sermões pregados,
mais pessoas aconselhadas, mais doutrina
aprendida, mais reconhecimento,
mais responsabilidades. A pilha ficou
enorme, mas a pergunta continua: "A
fruto? Você é mais amável, mais humilde,
mais paciente, mais fiel, mais disposto
a perdoar,
mais livre da necessidade de aplauso e
reconhecimento,
mas capaz de perder sem desmoronar,
mas capaz de enfrentar o futuro incerto
sem ficar com ansiedade crescente, mas
pronto a confessar sem construir
autodefesa com justificativas,
mais íntegro quando ninguém está vendo,
mais alegre em Deus, mais manso
quando está sob provocação, mais
corajoso quando fidelidade custa alguma
coisa, mais dominado por Cristo do que
por desejos imediatos. senão talvez a
pilha tenha crescido e a árvore não.
Martim Lutero
oferece uma imagem histórica poderosa
dessa diferença. Antes de compreender a
justificação pela fé e antes de a luz do
evangelho romper de modo decisivo em sua
compreensão, sua vida religiosa já havia
mudado muito. Ele já havia sido muito
mudado.
O estudante tornou-se um monge. A rotina
mudou, a disciplina mudou, o corpo foi
submetido a rigores que muitos jamais
suportariam.
Havia oração, confissão, jejum, estudo,
ensino, obras de misericórdia.
Havia dedicação religiosa suficiente
para constranger muitos cristãos
contemporâneos.
A pilha crescia, mais horas, mais
esforços, mais penitências, mais oração,
mais seriedade, mais atividades.
Mas enquanto o coração buscava construir
uma justiça capaz de torná-lo aceitável
diante de Deus, o crescimento era
mecânico.
A religião estava sendo acumulada sobre
um homem que ainda precisava ser
libertado da tentativa de justificar a
si mesmo. Isso é importante porque a
atividade religiosa pode ser produzida
por motivos completamente contrários ao
evangelho.
Medo pode produzir disciplina, orgulho
pode produzir disciplina, culpa não
tratada pode produzir disciplina,
necessidade de aprovação pode produzir
disciplina,
competição pode produzir disciplina,
desejo de controle pode produzir
disciplina. O homem pode orar muito
porque pensa que sua oração compra
segurança. Pode jejuar porque quer
sentir-se superior.
Pode estudar porque precisa vencer
debates.
Pode servir porque não sabe existir sem
ser necessário. Pode aconselhar porque
ama ter poder sobre histórias alheias.
Pode liderar porque o título alimenta
seu ego. Pode dar porque ama a reputação
de ser generoso. Pode pregar porque a
atenção de uma congregação o embriaga.
pode cantar, porque o palco satisfaz
algo que ele chama de ministério.
Pode defender ortodoxia porque o combate
oferece uma identidade que ele ama mais
do que ama Cristo.
Todas essas pedras podem ser verdadeiras
atividades religiosas e ainda assim
forma apenas uma pilha morta.
Primeira Coríntios 13 é
assustador, não é? justamente porque
Paulo retira de nós a possibilidade de
usar atividade mesmo extraordinária,
como um certificado
automático de vida espiritual,
línguas angelicais, conhecer mistérios,
ter conhecimento impressionante,
possuir fé capaz de mover montanhas,
distribuir todos os bens,
entregar o próprio corpo. Paulo empilha
coisas enormes. Então diz, sem amor não
é nada,
não pouca coisa, nada.
O barulho pode ser impressionante,
mas ainda ser apenas um bronze que soa,
um sino que tine. A igreja de Corinto
era cheia de manifestações cheias de
dons e cheias de disputas,
cheia de partidos, cheia de gente
querendo ser vista, cheia de atividade
e
pobre naquela qualidade interna que
demonstra a obra do espírito. Por isso
Paulo descreve o amor não como um
sentimentalismo,
mas com caráter paciente, bondoso, sem
inveja, sem vanglória, sem orgulho, sem
grosseria.
O amor é eh sem ele é sem insistência
egoísta, buscando seu próprio querer,
sem irritação acumulada, sem prazer na
injustiça.
O amor é perseverante. Essa lista invade
a vida cotidiana. Você pode conhecer
todos os mistérios e ser rude com sua
esposa.
Pode defender a trindade e ser incapaz
de pedir perdão a um filho. Pode ensinar
romanos e guardar ofensa por meses,
destilar veneno contra alguém por anos.
Pode pregar sobre soberania e entrar em
pânico e ansiedade quando perde controle
de qualquer coisa.
Pode falar sobre graça e tratar as
pessoas como ferramentas.
Pode falar sobre graça,
como o perdão é sem merecimento e nunca
querer perdoar alguém.
Pode escrever sobre humildade e não
suportar ser corrigido. Pode denunciar o
mundo todo e amar a aprovação do seu
pequeno mundo religioso. A pilha pode
ser teologicamente sofisticada, mas
continua sendo uma pilha.
Cristianismo não é o número de pedras
que nós juntamos umas sobre as outras
até fazer uma coisa enorme. É vida de
Cristo no homem.
Jesus faz o mesmo corte em Mateus 7. Os
homens que aparecem diante dele não
dizem: "Senhor, nunca fizemos nada".
Eles dizem o oposto. Fizemos. Fizemos em
teu nome. Fizemos coisas
extraordinárias. Fizemos coisas que
influenciaram outros. E a resposta de
Cristo não examina o currículo, a pilha.
Vai no relacionamento nunca te conhecer.
É possível que pessoas sejam afetadas
por algo que você faz e isso não prove
que você é espiritualmente vivo. Essa
verdade
destrói uma das formas mais perigosas de
falsa segurança ministerial. Deus me
usa. Talvez Deus usou Balaão. Deus usou
um jumento. Deus pode fazer sua palavra
atingir alguém apesar da condição moral
do mensageiro. A eficácia de uma verdade
não santifica automaticamente a boca que
a falou. Você pode entregar uma Bíblia a
alguém e essa pessoa ser regenerada. A
conversão dela não é fruto do espírito
em você. é misericórdia de Deus com ela.
Você pode aconselhar alguém corretamente
e continuar desobedecendo ao mesmo
conselho. Ah, você deve perdoar, mas
você não perdoa. Pode pregar um sermão
sobre perdão que liberte alguém enquanto
carrega amargura secreta.
Pode explicar paz a uma congregação ou a
amigos ou a irmãos e passar a semana
inteira tentando controlar tudo ao seu
redor.
Pode ensinar santidade e proteger
pecados escondidos. Pode escrever coisas
que transformam leitores e continuar
pessoalmente inalterado. Por isso, o
ministério não pode ser usado como
substituto
da vida.
Impacto não é fruto. Alcance não é
fruto. Números não são frutos.
Aplauso não é fruto. O fato de outros
dizerem que foram abençoados não é
fruto. O fruto do espírito é aquilo que
o espírito produz dentro de você. amor,
alegria, paz, paciência, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio. E
essas coisas aparecem quando não há
palco. Talvez apareçam ainda mais
claramente quando não há palco.
Integridade é ser o mesmo homem quando a
porta fecha.
É ser o mesmo diante da multidão e
sozinho. Isso é integridade. É ser o
mesmo no domingo e na segunda-feira.
É não precisar de um público para
obedecer. É ser o mesmo diante da igreja
com a sua esposa, com o seu esposo, em
casa, com seus filhos. José no Egito não
tinha uma plateia de crentes, não havia
grupo pequeno assistindo, não havia
pastor por perto, não havia reputação
evangélica a preservar, havia uma
mulher, uma oportunidade, um segredo
possível e Deus
e ele diz: "Como poderia eu cometer
tamanha maldade e pecar contra Deus?"
Gênesis 39:9.
Essa frase revela vida interna.
José não está apenas calculando
consequências sociais. Ele não diz
Potifar pode descobrir, ele não diz isso
pode prejudicar meu futuro e minha
carreira.
Ele não diz as pessoas podem pensar mal
de mim. Ele está diante de Deus. Essa é
a integridade. Deus é real quando
ninguém mais está olhando.
Integridade é isso. O pecado continua
sendo pecado quando ninguém descobriria
jamais. A santidade continua sendo bela,
sem que nenhum ser humano reconheça, sem
reconhecimento.
O homem espiritual vive corandel diante
da face de Deus. Por isso, a
transformação interna reduzida a
comportamento observável. Dois homens
podem praticar exatamente a mesma ação
por razões opostas.
Dois homens podem recusar o mesmo
pecado, um por amor a Deus, outro por
medo de perder a reputação.
Dois homens podem ser silenciosos diante
de uma provocação, um por mansidão,
outro por covardia.
Eh, mansidão não é eh fraqueza,
é poder sob controle, é Jesus indo para
a cruz.
Ele sustentava aqueles que o matavam.
Nele eles existiam, respiravam e se
moviam. Então, mansidão não é quando eh
eh eu sei que sou fraco naquela
situação. Isso é covardia.
Mansidão é quando eu podia, mas não vou
fazer.
Então, dois homens podem dar dinheiro,
um por generosidade, outro por vaidade.
Dois homens podem parecer pacientes, um
porque descansa em Deus, outro porque
não se importa com ninguém e com nada.
Dois homens podem parecer humildes, um
porque viu a grandeza de Deus, outro
porque aprendeu a linguagem da falsa
modéstia.
O espírito vai à fonte. Ele não produz
apenas comportamento semelhante ao de
Cristo, produz afetos que tornam esse
comportamento uma expressão de vida.
Esse é o ponto,
não é? eh,
de Jonath Edwards, por exemplo, quando
ele insiste na natureza das afeições
santas,
ele diz: "Não basta ver emoção, não
basta ver intensidade, não basta ver
experiências, não basta haver palavras,
não basta haver zelo." A pergunta é:
qual é a natureza espiritual disso? De
onde vem? Para onde aponta? O que produz
junto? Como reage quando é provado? Uma
experiência pode ser intensa e carnal.
Uma disciplina pode ser rigorosa e
carnal. Um ministério pode ser grande e
carnal. Uma ortodoxia verbal pode ser
exata e carnal. O que o Espírito produz
tem cheiro de Cristo e não apenas
em um canto da vida.
Essa observação nos conduz a,
eu diria, a quarta característica da
mudança. Ela é gradual. é inevitável, é
interna e é simétrica. Ou usando uma
palavra ainda mais precisa, ela é
concatenada.
Eh,
Paulo escolheu uma palavra curiosa em
Gálatas 5, fruto singular. Aí depois ele
apresenta uma lista: amor, alegria, paz,
paciência, benignidade, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Por que fruto singular? Por que não os
frutos?
Porque Paulo não está descrevendo uma
banca de mercado na feira, na qual você
escolhe aquilo que gosta?
Um pouco de paz, nenhuma paciência pelo
tem paciência. Duas porções de
gentileza,
zero domínio próprio, muito amor, desde
que ninguém me contrarie, mansidão, mas
só quando estou descansado, sem estar
com estresse. Fidelidade, se não custar
a minha reputação, não é fruto uma vida,
uma obra do espírito, múltiplas
manifestações
inseparavelmente relacionadas umas às
outras.
Jonathan usa uma palavra que ajuda a
perceber isso, concatenação,
não apenas conexão.
Concatenação sugere elos, não é? Uma
corrente, coisas ligadas de tal forma
que não podem ser entendidas
isoladamente.
As graças cristãs não apenas moram no
mesmo bairro, elas dependem umas das
outras.
Elas explicam umas às outras, protegem
umas as outras de falsificações, porque
elas crescem juntas, não mesmo grau
exato em todos os momentos. Há
imaturidade real, há áreas que aparecem
mais fracas, há diferenças de
temperamento que tornam certos aspectos
mais visíveis, mas a vida do espírito
não produz uma graça santa que
contradiga frontalmente as demais. Paz
espiritual não cresce a partir de
orgulho.
Gentileza espiritual não cresce a partir
de covardia.
Domínio próprio espiritual não cresce a
partir de vaidade. Humildade espiritual
não cresce a partir de amor à própria
imagem. Alegria espiritual não cresce
destruindo a fidelidade.
Amor espiritual não cresce odiando
aquilo que Cristo ama.
É aqui que muitas falsificações são
descobertas. Alguém diz: "Eu tenho
pais". Ótimo. De onde ela vem? Outra
pessoa diz: "Eu sou muito gentil".
Ótimo. Essa gentileza anda com coragem e
verdade?
Outra diz: "Eu tenho domínio próprio".
Ótimo. Esse domínio próprio anda com
alegria em Deus ou nasce de medo,
orgulho e necessidade de aprovação?
Outro diz: "Eu amo a Deus". ótimo. E
amma os irmãos que Deus gerou.
João é brutalmente simples. Quem diz que
ama a Deus e odeia seu irmão é
mentiroso. Primeira João 4:20. Ele não
diz apenas está desequilibrado.
Não diz possui uma graça muito
desenvolvida e outra ausente. Ele diz
mentiroso. Por quê? Porque o amor de
Deus no homem não pode ser separado
indefinidamente do amor aqueles que
pertencem a Deus.
O mesmo espírito que abre os olhos para
a beleza de Cristo cria afeição por
aquilo que pertence a Cristo. Uma pessoa
pode ter dificuldades reais em comunhão,
pode ser imatura,
pode sofrer conflitos, pode precisar
aprender perdão, mas não pode
transformar desprezo pela igreja em
espiritualidade superior. Eu amo Jesus,
só não gosto do povo de Jesus. João não
aceita. Cristo não é a cabeça
desencarnada.
Ama seu corpo. Quem ama o noivo aprende
a amar a noiva.
A concatenação expõe slogans religiosos
e também expõe temperamentos naturais
que podem parecer graça. Uma pessoa nace
mais tranquila,
outra mais expansiva.
Uma é naturalmente cordial, outra
naturalmente reservada. Uma já gosta de
conflito, outra foge dele. Nenhum desses
traços é automaticamente fruto do
espírito. A pessoa tranquila pode
parecer pacífica e ser apenas
indiferente. A pessoa cordial pode
parecer amorosa e ser movida por
necessidade de agradar.
A pessoa firme pode parecer fiel e ser
apenas agressiva.
A pessoa silenciosa pode parecer mansa e
ser dominada por medo. A pessoa
organizada pode parecer disciplinada e
adorar controle.
A pessoa que é espontânea pode parecer
alegre e ser incapaz de perseverar. Por
isso, uma graça testa a outra graça. A
paz testa a humildade, a gentileza testa
a fidelidade. A alegria testa o domínio
próprio. O amor testa a paciência, a
integridade testa a necessidade de
aprovação. A mansidão testa a coragem. A
bondade testa a verdade. A fidelidade
testa o custo.
O espírito produz
um Cristo inteiro no caráter do crente.
Não pedaços de Cristo colados. a uma
velha vida intocada.
Paz é uma das palavras mais falsificadas
da vida espiritual, porque quase
qualquer homem pode sentir tranquilidade
em determinadas circunstâncias.
O rico insensato da parábola de Jesus
estava tranquilo. Os celeiros estavam
cheios. A colheita tinha sido grande, o
futuro parecia garantido.
Ele fala com a própria alma como quem
fala com alguém. finalmente protegido.
Descanse, coma, beba, aproveite. Não há
pânico na cena, não há ansiedade, não há
tremor,
não há ansiedade aparente. Há paz, mas
Deus o chama de louco. Naquela noite,
sua alma seria requerida. Então, aquela
tranquilidade não era fruto do espírito,
era a segurança construída sobre
circunstâncias favoráveis. Era a paz
produzida pela ilusão de que ele estava
no controle. O homem olhou para celeiros
cheios e concluiu que o amanhã estava
garantido. Mas Tiago 4 diz que não
sabemos nem o que acontecerá amanhã.
Somos neblina, aparecemos por um pouco e
desaparecemos. A arrogância diz: "Hoje
farei isso, amanhã aquilo, irei a tal
cidade, ficarei lá, negociarei,
ganharei". A humildade aprende a dizer,
se o Senhor quiser. Essa frase pode se
tornar um clichê religioso, né? Mas pode
ser colocada no final de planos porque
ela se tornam um clichê, porque ela pode
ser colocada no final de planos sem
transformar nada. Mas quando é fruto do
espírito, ela representa uma revolução
no coração. Se o Senhor quiser,
significa eu não sou Deus, eu não
conheço amanhã. Eu não conheço todas as
relações entre os acontecimentos e minha
paz também não depende de eu conhecer
isso. Eu não sei o que me preservará
daquilo que mais ameaça a minha alma. Eu
não sei quais perdas me aproximarão de
Cristo. Eu não sei quais portas fechadas
impedirão minha ruína. Eu não sei quais
espinhos serão instrumentos de
santidade. Eu não sei quais atrasos são
misericórdia. Eu não sei quais sucessos
seriam perigosos para mim. Eu não sei
quais fracassos me salvarão de mim
mesmo. Eu não sei, mas tu sabes.
Essa é a raiz da paz espiritual.
Humildade.
A preocupação pecaminosa possui muitas
vezes uma pretensão escondida. Ela sabe
como a história deveria ser, sabe quando
algo deveria acontecer,
sabe como as pessoas deveriam responder,
sabe quanto dinheiro deveria haver para
ela ficar tranquila, sabe que tipo de
saúde deveria conservar, sabe quanto
reconhecimento ela merece, ela sabe qual
caminho seria o melhor. E quando a
providência de Deus não segue roteiro, o
coração entra em um tribunal contra
Deus. Quando a preocupação tenta
governar a alma, a questão é teológica.
Ela não é apenas uma sensação.
Ela se transforma em pretensão de saber
o que Deus deveria fazer e não está
fazendo. Saber o que Deus deveria fazer,
quando deveria fazer e qual história
seria aceitável para nós. Quem sabe o
que deveria acontecer? Quem é Deus? Quem
governa? Quem possui o amanhã? Quem
determina a duração de uma vida? Quem
conhece o fim desde o princípio, a
humildade responde corretamente: "Tu
sabes, eu não."
José não sabia que o Egito era caminho
para salvar uma família.
Se pudesse ler apenas o capítulo da
cisterna, diria errado. Se pudesse ler
apenas o capítulo da escravidão, diria
injusto. Se pudesse ler apenas o
capítulo da falsa acusação, diria
errado. Tá errado. Se pudesse ler apenas
o capítulo da prisão, diria errado. Mas
Gênesis 50 abre a arquitetura.
Os irmãos intentaram mal. Deus intentou
bem. Não, dois acontecimentos, o mesmo
acontecimento dentro de duas intenções
morais. Os homens culpados, Deus santo.
Os homens responsáveis, Deus soberano.
José não precisava chamar o mal de bem
para confiar na providência. Precisava
saber que o mal não escapou do governo
soberano de Deus. Essa é a paz que nasce
da humildade, que é fruto do espírito.
Ela não exige compreender todos os
porquês,
exige conhecer quem reina. Paulo pediu
que o espin fosse retirado três vezes.
Não há pecado em pedir alívio.
Não há espiritualidade em fingir que a
dor não dói. Mas a resposta divina
reorganizou sua leitura. Minha graça te
basta. Minha graça é suficiente. Meu
poder se aperfeiçoa na fraqueza. Então
Paulo faz algo impossível à carne. Ele
passa a se gloriar, não só aceitar. Ele
passa a se gloriar nas fraquezas. Não
porque fraqueza seja agradável em si
mesma, mas porque Deus revelou uma
finalidade superior. O espinho que ele
teria removido é mantido pelo pai que
sabe mais.
Humildade diz: "Eu teria escolhido outro
caminho. Eu tiraria o espinho, mas não
vejo o que tu vês. Eu teria tirado o
espinho, mas tu conheces a ameaça que eu
não conheço. Eu teria aberto a porta,
mas talvez tua misericórdia esteja
justamente em mantê-la fechada. Eu teria
curado agora, mas tu conheces a glória
que pretende produzir. Eu teria poupado
Pedro do martírio, mas Cristo disse que
a morte de Pedro glorificaria Deus.
Eu teria tirado Paulo da prisão
imediatamente, mas da prisão saíram
cartas que alimentariam a igreja por
séculos.
Eu teria impedido a cruz e aí me
perderia. Eu teria impedido a cruz e
perderia a redenção.
Aqui a humildade chega ao Calvário. Se
existe um lugar no qual toda leitura
superficial da providência de Deus é
destruída, é a cruz. O filho perfeito
está sendo condenado. O santo está sendo
tratado como culpado. O rei está sob
cuspe, sob escárnio. O autor da vida
morre. Se você pudesse congelar a
história na sexta-feira e julgar apenas
pela aparência, a providência de Deus
concluiria que o mal venceu.
Mas Atos 12:23 declara que Cristo foi
entregue segundo o propósito determinado
e a preciência de Deus.
E ainda assim, homens iníquos foram
responsáveis por crucificá-lo. A cruz
não é um acidente que Deus transformou
depois em vitória. Ela é o centro do
plano redentor.
A pior injustiça humana se torna o lugar
da maior manifestação da justiça e graça
divinas. Se Deus sabe o que faz no
Calvário, pode saber o que faz na sua
terça-feira, na sua vida, no seu
nascimento e na sua morte.
Se a mão que governou a morte do seu
filho, se a mão que governou a cruz,
governa a tua história, você não precisa
compreender tudo para descansar, para
ter paz, para não viver ansioso, precisa
pregar o evangelho para si mesmo.
A paz cristã não nasce da ideia de que
nada ruim acontecerá.
Jesus não tinha paz porque achava que
não ia ter cruz.
Então, a paz cristã não nasce da ideia
de que nada ruim vai acontecer, nasce da
certeza de que nada escapará das mãos
daquele que deu o filho por nós. Então,
Romanos 8 não promete a ausência do
sofrimento. Promete que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus e foram chamados segundo o seu
propósito soberano. E define esse bem em
direção. Que bem é esse? Todas as coisas
vão comperar para o bem. Que bem?
é a conformidade com o filho.
O pai está decidido a nos tornar
semelhantes a Cristo. Por isso, a paz
espiritual é a humildade.
A paz espiritual e a humildade elas
caminham juntas.
É o orgulho que tira a paz, que produz
ansiedade.
Então, a paz diz, ele governa. A
humildade diz, eu não então paz.
espiritual
liga-se, é concatenada a humildade
espiritual. Porque a paz diz isso, olha,
ele governa e a humildade diz: "Eu não
governo". A paz diz: "Ele sabe." A
humildade diz, "Eu não sei." A paz diz:
"Ele é bom". A humildade, o fruto da que
a humildade diz: "Meu julgamento é
pequeno."
A paz diz: "O futuro está com ele." A
humildade diz: "Não preciso possuir o
futuro para ter paz".
Veja Paulo em Filipenses 1, ele está
preso, não sabe exatamente qual será o
resultado. Pode viver, pode morrer. E
diz algo que só faz sentido quando a paz
e a humildade já se abraçaram. Para mim,
o viver é Cristo e o morrer é lucro.
Como ameaçar um homem assim? Se vive,
Cristo. Se morre, Cristo. Se a porta
abre, Cristo. Se a espada cai, Cristo. A
paz não está na previsão do que vai
acontecer,
na previsão do resultado. Está no valor
de Cristo em todos os resultados. Esse é
o segredo.
A paz do mundo precisa que as
circunstâncias sustentem sua narrativa.
A paz do espírito precisa de Cristo e
mais nada. Enquanto Cristo for
suficiente, a paz espiritual possui
chão. Nabuco do Nozour oferece o
contraste. Ele anda sobre a grande
Babilônia, olha para aquilo que ele
construiu. Então ele vê poder,
arquitetura, império, economia, glória e
diz em essência: "Eu fiz isso, meu
poder, minha majestade." Ele está em
paz, não é? O império funciona, a
máquina responde, a cidade está de pé,
ele é o homem mais poderoso do mundo,
mas a palavra ainda está na sua boca
quando o céu fala: "O reino é tirado de
você". Até a sua racionalidade,
como nós achamos que nossa mente, nossa
inteligência, nossa capacidade de
entender, de ser diferente de um cavalo,
de um boi, a gente acha que isso é
nosso, né? Nós somos assim. Mas até a
racionalidade Nabuco Nozor, que ele
provavelmente considerava propriedade
pessoal,
se mostra como um dom contingente.
Deus tira esse dom. O grande rei vai
comer capim com boi. Aquele que pensava
controlar as nações descobre que não
controla a própria mente. Quando Deus
retira um dom, a lição é devastadora
para nossa arrogância. Você não controla
as mil condições que permitem que seu
dia pareça normal. Você não escolheu
nascer, não escolheu seus pais, não
escolheu a época histórica em que
nasceu, não fabrica cada batimento do
coração, não ordena ao cérebro que
preserve lucidez,
não garante que o caminho para o
trabalho estará aberto. Você não
controla a economia mundial, não governa
a mutação de uma célula, de um vírus,
não sabe que conversa mudará sua vida,
não conhece o acidente que não aconteceu
porque Deus o impediu. Não sabe quantos
perigos foram desviados sem que você
percebesse. E ainda assim fala como
proprietário autônomo do amanhã e baseia
uma paz falsa nisso. E quando acha em
algumas coisas que não está no controle,
então a ansiedade
explode.
Mas nós nunca estivemos no controle de
nada. A graça nos devolve à realidade.
Dependemos sempre dependemos. Quando
tudo vai bem, dependemos quando tudo vai
mal. Dependemos. A diferença é que a
prosperidade frequentemente esconde a
dependência enquanto a aflição a expõe.
Por isso, uma paz que existe apenas
quando o celeiro está cheio não é paz
espiritual, é circunstância favorável, é
circunstância confortável. A paz do
espírito, que é fruto do espírito,
aparece também quando o celeiro fica
vazio. Não sem lágrimas, não sem
perguntas, não sem luta, mas com uma
âncora que permanece. Tu sabes, tu
reinas, tu deste teu filho. Tu não
abandonarás tua obra.
O mesmo princípio aparece entre alegria
e domínio próprio. Há uma concatenação
entre eles. Muitas pessoas possuem
formas impressionantes de autocontrole.
Atletas, por exemplo, controlam dieta
por uma medalha. Executivos controlam
hábitos por uma carreira. Pessoas
controlam emoções para preservar uma
imagem. Deixa eu ver aqui quanto tempo
eu tô aqui já, né?
Ai, meu Deus.
Então, pessoas controlam emoções para
preservar uma imagem. Alguém pode evitar
determinado pecado apenas porque teme
ser descoberto. Pode desligar uma tela
quando houve passos no corredor. Ele
dizia que ele estava olhando para aquela
tela porque ele não conseguia desligar.
Mas aí euou vi uns passos, ele
conseguiu. Ele pode interromper uma
conversa quando percebe que alguém
chegou. pode esconder uma mensagem, pode
controlar o corpo diante de testemunhas.
Isso demonstra que algum tipo de
controle é possível, mas não prova fruto
do espírito. A pergunta é novamente: de
onde vem? Um homem pode recusar uma
tentação por orgulho.
Eu não sou esse tipo de pessoa que faz
isso. Pode recusá-la por medo, isso
destruiria minha reputação.
Pode recusá-la por ambição, isso
atrapalharia meus planos. Pode recusá-la
por interesse. Tenho algo melhor para
ganhar. Tudo isso pode produzir
comportamento correto externamente, mas
o espírito produz domínio próprio de
outra raiz. Alegria em Deus. Quando
Cristo se torna tesouro, outras
promessas começam a empalidecer.
Toda tentação é uma propaganda. Toda
tentação faz propaganda. A luxúria faz
propaganda. A vingança faz propaganda. A
ganância faz propaganda. A vaidade faz
propaganda, o ressentimento faz
propaganda. Cada pecado promete uma
alegria. Se vingue, você vai se sentir
melhor. Fale mal dele para as pessoas e
você vai se sentir melhor. Todo pecado
faz propaganda. Promete alívio, promete
prazer, promete poder, promete justiça
imediata, promete controle,
promete que se você ceder, finalmente
terá aquilo de que precisa. A carne é
uma máquina de marketing do inferno.
Ela não diz: "Faça isso e destrua a sua
alma". Diz: "Faça isso e viva". Não diz
guarde rancor e se torne escravo. Diz
guarde rancor e preserve sua dignidade.
Não diz veja a pornografia e treine o
coração a transformar pessoas em
objetos. Diz, veja e sinta prazer sem
custo. Não diz, acumule dinheiro e deixe
o medo governar você. Diz acumule e
finalmente descanse.
Não diz procure aprovação e viva como
escravo da opinião. Diz: "Se todos
gostarem de você, você estará seguro. A
carne oferece falsos evangelhos,
notícias de alegria, né?
E ele, a carne oferece falsos evangelhos
o dia inteiro.
E como o espírito combate isso? Não
apenas gritando não. Ele mostra algo
melhor. Cristo. O espírito glorifica
Cristo. Ao contemplarmos sua glória,
somos transformados.
Jesus diz em João 15:26 que o espírito
da verdade testemunhará a seu respeito.
E em João 16 ele diz que o Espírito
glorificará.
Essa é a obra central do Espírito na
santificação. Ele não nos torna
fascinados conosco mesmos. Eu estou
assim, eu estou assado, estou melhor,
estou pior. Torna a Cristo fascinante.
Abre os olhos, aprofunda a visão da
beleza. Traz a memória a palavra. faz a
beleza do filho pesar mais do que
qualquer outra coisa que tá se mostrando
como beleza para nós. E quando uma
alegria superior nasce, o domínio
próprio deixa de ser apenas repressão,
torna-se escolha de tesouro.
José diante da mulher de Potifar não diz
apenas isso é proibido.
Ele diz como faria tamanha maldade
contra Deus. Deus está na sala. Deus é
real para ele naquela sala, tão real
quanto aquela mulher.
Deus é mais valioso do que o prazer
secreto que aquela mulher quer oferecer
a ele. A comunhão com Deus importa mais
do que a oportunidade.
Esse é o domínio próprio fruto do
espírito. Esse é o domínio próprio
nascido de uma afeição santa, como
Jonatheda gosta de chamar. Não significa
que a tentação não seja forte, significa
que o amor mais profundo luta contra
ela. É exatamente
a linguagem de Gálatas 5. A carne
cobiça, deseja e o espírito deseja.
Desejo contra desejo, afeição contra
afeição, promessa contra promessa,
glória contra glória. A santificação não
é apenas aprender a dizer não, é
aprender a dizer um sim tão profundo a
Cristo que muitos
nãos, muitos nãos começam a se tornar
possíveis. Sim, a beleza de Cristo. Sim,
a comunhão com Cristo, sim, a aprovação
de Cristo. Sim, a promessa de Cristo,
sim, a presença de Cristo. Sim, a
alegria de Cristo. Sim, é o reino de
Cristo. Então, a luxúria perde o brilho,
a vingança perde o sabor, a aprovação
humana perde peso, o dinheiro perde sua
divindade, o controle perde necessidade.
O apóstolo Paulo descreve esse movimento
em Filipenses 3, quando considera perda
aquilo que antes ele achava que era
lucro por causa da sublimidade do
conhecimento de Cristo. O que aconteceu?
As coisas mudaram.
As coisas não mudaram apenas de lugar na
lista. Que isto ficou mais importante,
isso aqui menos. O valor de Cristo
explodiu as coisas.
Eles consider, ele considerou elas nada
comparado a Cristo. E diante desse
valor, outros tesouros foram
reclassificados. E como foram
reclassificados? Tesouros menores,
esterco. Não porque tudo que existia em
sua antiga vida fosse mal. Não, não era
mal em si mesmo. Mas porque qualquer
coisa usada para competir com Cristo se
torna um nada, se torna perda.
É assim que a alegria produz o domínio
próprio. Você não precisa beber toda
promessa de prazer que aparece, que o
mundo oferece, que a carne oferece,
porque já encontrou uma fonte. Você não
precisa transformar cada pessoa num
instrumento de satisfação, porque Cristo
já se deu a você.
Você não precisa ganhar toda discussão,
porque sua justiça não depende da
vitória verbal sobre as pessoas. Você
não precisa ser admirado por todos,
reconhecido, porque já foi recebido no
amado.
Não precisa possuir tudo, porque todas
as bênçãos espirituais estão em Cristo.
Você não precisa responder a toda
ofensa, porque aquele que foi ofendido
infinitamente por você, por sua causa,
te perdoou. Você não precisa controlar o
amanhã, porque seu Salvador ressuscitado
reina sobre ele. O domínio próprio
cristão não é rigidez histórica, é
liberdade produzida por alegria
superior.
A pessoa rigidamente controlada,
legalista, pode estar mais escravizada
do que imagina. Ela controla porque tem
medo, controla porque precisa manter a
imagem, controla porque despreza os
fracos, controla porque quer se sentir
superior moralmente.
Seu domínio próprio, entre aspas,
alimenta o seu orgulho. Então, não é
fruto do espírito, é fruto do eh eh
do próprio orgulho. O fruto é
concatenado.
O verdadeiro domínio próprio cresce
junto com humildade, com alegria, com
mansidão, com amor, com paz. O homem
controlado pelo espírito não se torna
uma pedra fria, torna-se mais humano,
mais capaz de amar, mais livre para
chorar, mais livre para rir, mas livre
para sofrer sem procurar anestesia
pecaminosa ou
eh justificativas
humanistas, mas livre para perder sem
destruir os outros, mas livre para dizer
não ao pecado, porque pode dizer sim. a
Cristo. Outra falsificação aparece
quando uma qualidade natural é
confundida com graça porque parece
bonita. Há pessoas naturalmente doces,
falam baixo, evitam confronto, sorriem
com facilidade, são agradáveis em quase
todos os ambientes. As pessoas gostam,
as pessoas gostam delas rapidamente.
Isso pode ser um traço maravilhoso de
temperamento, mas não é automaticamente
mansidão cristã. Porque mansidão não é
covardia bem educada. Mansidão é força
submetida a Deus. É poder que não
precisa esmagar.
É firmeza
sem brutalidade. É coragem sem
arrogância. É capacidade de dizer a
verdade sem usar a verdade como uma arma
para exaltar a si mesmo. Se alguém é
gentil enquanto gentileza não custa
nada, ainda não sabemos muito. O teste
chega quando fidelidade exige firmeza,
quando todos ao redor chamam o mal de
bem. Quando permanecer calado,
preservaria a reputação. Quando falar
com amor pode produzir perda. Quando
lealdade a Cristo cria tensão. A pessoa
naturalmente doce pode dizer: "Não quero
me envolver. Não quero que ninguém fique
chateado comigo. Não quero ser visto
como alguém difícil. Quero paz."
Mas talvez o nome disso não seja paz.
Talvez seja amor próprio,
amor à própria tranquilidade.
Talvez não seja mansidão, talvez seja
medo, [roncando] talvez não seja
gentileza espiritual, talvez seja uma
estratégia para continuar aprovado por
todos. O fruto do espírito é
concatenado. Gentileza anda com
fidelidade.
Fidelidade exige lealdade. Lealdade
frequentemente exige coragem. Então,
quando a doçura desaparece diante da
necessidade de defender a verdade, ela
era falsa. E quando a coragem aparece
como agressão sem amor, também é falsa.
Há homens que se chamam corajosos porque
gostam de ferir, gostam de confronto,
gostam de humilhar, gostam de dizer que
apenas falam a verdade. Mas a verdade de
Cristo nunca precisa ser
ou nunca precisa da carnalidade do
mensageiro. Jesus é cheio de graça e
verdade. Não 50% graça e 50% verdade.
Ele é cheio das duas.
O mesmo Cristo que chama Herodes de
raposa acolhe crianças. O mesmo Cristo
que pronuncia ais sobre hipócritas,
chora sobre Jerusalém. O mesmo Cristo
que expulsa cambistas recebe uma mulher
quebrantada. A santidade de Cristo não o
torna menos amoroso. O amor de Cristo
não o torna menos santo. Nele as graças
não competem, são perfeitas.
É para essa imagem que o Espírito Santo
nos conduz de glória em glória. Por
isso, a pergunta não é: sou gentil, mas
minha gentileza carrega verdade,
coragem, fidelidade, humildade e amor? A
mesma análise vale para alegria. Há
pessoas naturalmente expansivas. Entram
em lugar e enchem um ambiente.
Fazem amigos rapidamente, contam
histórias, riem, parecem leves. É fácil
chamar isso de alegria espiritual, mas
espere. A verdadeira alegria do espírito
anda com paciência, com mansidão, com
fidelidade, com amor, com domínio
próprio. É concatenada, né? Uma pessoa
pode fazer amizades em 10 minutos e
destruí-las em 10 semanas.
encanta rapidamente e se ofende
rapidamente.
Se aproxima rapidamente, mas também
rompe rapidamente.
Ama intensamente enquanto recebe o que
esperava ou a resposta desejada. depois
se torna amarga e só fala coisas amargas
daquela pessoa. Muda de grupo, muda de
igreja, muda de círculo. Em todo lugar
começa com entusiasmo, com empolgação.
Em todo lugar termina contando como foi
ferida.
Nesse caso, a expansividade não era
necessariamente alegria do espírito,
porque a alegria do espírito aprende
longanimidade.
Não precisa que todos, que todas as
pessoas se ajustem a ela. Não exige que
toda amizade confirme sua importância.
não transforma a cada frustração em
prova de desamor.
O fruto cresce junto. A alegria que vem
de Cristo torna o homem mais capaz de
suportar imperfeições alheias, porque
ele próprio vive de misericórdia.
Torna o mais pronto a perdoar porque ele
conhece um perdão muito maior. Torna o
menos sensível à própria glória, porque
outra glória o capturou. torna o mais
estável, porque sua fonte não é a
resposta social imediata.
Assim, a verdadeira alegria não é apenas
facilidade para sorrir, é uma satisfação
profunda em Deus, capaz de sobreviver ao
atrito da comunhão.
Comunhão dos santos é um laboratório do
fruto. É fácil se imaginar amoroso
sozinho.
sozinho. Ninguém interrompe você,
ninguém esquece seu aniversário, ninguém
chega atrasado, ninguém discorda,
ninguém ocupa seu lugar, ninguém fala
algo que poderia ter falado de outra
maneira, ninguém exige paciência, mas
Deus coloca santos ao lado de santos,
pecadores perdoados ao lado de pecadores
perdoados,
gente em processo, ao lado de gente em
processo. E então o fruto começa a ser
medido. Amor precisa de pessoas reais.
Paciência precisa de atraso real. Perdão
precisa de ofensa real. Mansidão precisa
de provocação real. Fidelidade precisa
de custo real. Generosidade precisa de
necessidades reais.
A igreja não é um obstáculo acidental. A
santificação é um dos ambientes em que o
espírito expõe
nossa falsa espiritualidade e forma
Cristo em nós.
Quem diz amar um Cristo invisível
enquanto despreza persistentemente
irmãos visíveis precisa ouvir João.
Quem diz amar doutrina, mas trata
pessoas como nada, precisa ouvir Paulo.
Quem diz amar santidade, mas se alimenta
de superioridade, precisa olhar para
Cristo, santo e humilde. Quem diz amar
graça, mas nunca suporta ser
contrariado, precisa lembrar que graça
não é um conceito para vencer debates.
É aquilo de que vive. Integridade também
aparece aqui. A palavra significa
inteireza, não fragmentação. O homem
íntegro não possui uma pessoa para cada
plateia, não muda de moral conforme o
ambiente. Não precisa administrar 10
versões de si mesmo. Uma para casa, uma
para a igreja, uma para o trabalho, uma
para os amigos, uma para a esposa. Não é
uma pessoa diante de quem
é admira e outra pessoa diante de quem
considera
irrelevante.
Não é piedoso quando há olhos e
descuidado quando a porta fecha. Não é
corajoso na internet e covarde em casa.
Não é generoso no palco e avarento em
segredo. Não é paciente com
desconhecidos e cruel com a família. é
inteiro.
Essa integridade depende da concatenação
das graças.
Precisa de domínio próprio para não
obedecer a cada impulso. Precisa de
alegria em Cristo para
não depender de cada aplauso.
Precisa de humildade para não construir
a imagem.
Hã, precisa de coragem para dizer a
mesma verdade em lugares diferentes que
vão reagir de maneiras diferentes.
Precisa de paz para não manipular
pessoas a fim de controlar os
resultados.
Precisa de amor para usar sinceridade
sem crueldade.
Uma graça sustenta a outra graça. Elas
são concatenadas.
E onde um onde uma aparente graça
contradiz constantemente todas as
demais.
É preciso perguntar se não estamos
diante de temperamento, técnica ou
pecado vestido de virtude.
Até a tolerância pode ser falsificada.
Nossa época considera não julgar uma das
maiores virtudes possíveis.
E há uma espécie de disposição paciente,
humilde e misericordiosa que é
profundamente cristã. O homem que
conhece o próprio pecado não trata o
caído com superioridade
ou o pecado nos outros com
superioridade.
Restaura com mansidão, carrega fardos,
chora com o arrependido, dá tempo,
perdoa, não exige perfeição de ninguém,
mas existe outra tolerância. Uma
tolerância que nasce não do amor, mas do
descompromisso com a santidade. A pessoa
é compreensível, entre aspas, com todo
pecado, porque precisa que todos sejam
compreensivos com os seus pecados.
Não quer que a luz seja forte demais em
nenhuma casa, porque não quer luz forte
na sua própria. Quando alguém confessa a
rebelião, ela rapidamente diz: "Todo
mundo faz isso, é normal, é uma fase,
não se cobre tanto".
E talvez não esteja oferecendo nenhuma
graça, talvez esteja oferecendo uma
anestesia paraa consciência de ambos, do
outro e dela mesma. A misericórdia
bíblica nunca precisa chamar trevas de
luz. Cristo pode dizer à mulher: "Nem eu
te condeno e também vá e não peques
mais".
Perdão e santidade não são inimigos. A
graça que não condena em Cristo também
ensina a renunciar em piedade. Por isso,
bondade espiritual precisa andar com
santidade, com verdade, com fidelidade,
com amor à glória de Deus. Se minha
bondade me faz pouco me importar com
aquilo que ofende de Deus, ela não é a
bondade do espírito, não é o fruto, é
sentimentalismo.
A concateração também expõe dois
extremos que parecem opostos.
ingenuidade e sinismo. O ingênuo olha
paraa maldade humana e diz: "Não consigo
entender como alguém faz isso.
Não entende traição, não entende
corrupção, não entende violência, não
entende mentira.
Há uma inocência legítima que não
pratica o mal, mas há uma ingenuidade
orgulhosa que se recusa a aprender a
antropologia bíblica sobre o seu próprio
coração. Ela imagina um mundo que a
escritura nunca descreveu. Esquece
Gênesis 6, esquece Jeremias 17, esquece
Romanos 3, não há quem faça o bem.
Esquece que o coração humano entregue a
si mesmo não caminha naturalmente para
Deus. E muitas vezes essa ingenuidade
guarda uma opinião elevada de si mesma.
Eu jamais faria isso. Tem certeza?
Pedro tinha certezas sobre Pedro antes
da fogueira no pátio. A graça torna um
homem realista sobre o pecado humano,
porque o torna realista sobre o próprio
coração. Ele não olha para um criminoso
e diz: "Somos espécies diferentes".
olha e diz: "Se Deus me entregasse
inteiramente a corrupção que habita na
minha carne, eu não sei até onde iria".
Isso não relativiza a culpa, aprofunda a
humildade. O cínico, por outro lado,
suspeita de todo mundo. Sempre existe
uma segunda intenção, sempre existe algo
escondido, sempre existe um motivo ruim.
Ele chama isso de discernimento. Mas
Paulo diz que o amor não fica
contabilizando mal e não vive
alimentando suspeita maliciosa. O amor
não suspeita mal, ele não vive
suspeitando de tudo e de todos. O cínico
também tem orgulho apenas de forma
diferente. Todos são ruins, todos são
manipuladores, todos mentem, todos são
tóxicos, todos têm segundas intenções.
Curiosamente, eles coloca fora da
análise.
Ele é o único que enxerga, é o único
lúcido, o único que não é como os
demais, o único que não é tóxico.
ingenuidade e sinismo podem nascer da
mesma falta de humildade. Um subestima o
pecado porque não conhece o coração. O
outro enxerga pecado em todos porque não
conhece o próprio pecado, o próprio
coração. A maturidade cristã não é
ingênua, mas também não é cínica. Ela
conhece depravação, mas também conhece a
graça. Sabe que homens são capazes de
mal terrível e sabe que o espírito pode
transformar homens terrivelmente maus.
Não idolatra ninguém, mas não abandona
esperança sobre ninguém. Não confia na
carne, mas confia em Deus totalmente.
Não confia na sua carne, não confia na
carne, não chama pecado de inocência,
mas não chama pecador regenerado de caso
perdido, porque viu a semente quebrar o
mármore.
E
agora nós chegamos ao coração do
processo. Como o espírito produz esse
espírito? Como paz, alegria, amor,
mansidão, fidelidade, domínio próprio
crescem.
Como a semente pressiona o mármore, como
a árvore recebe vida suficiente para
atravessar as estações, verão, inverno.
Como o homem religioso deixa de apenas
empilhar pedras? A resposta final não é
olhando para si mesmo, é olhando para
Cristo. Paulo nos dá essa chave em
segunda Coríntios 3:18. Contemplando a
glória do Senhor, somos transformados na
mesma imagem. Contemplação,
transformação, imagem, espírito. Essas
palavras pertencem à mesma frase. A
mudança cristã acontece porque o
espírito abre os olhos para uma glória
que antes nós não víamos.
É por isso que segunda Coríntios 4:6
fala de Deus resplandecendo em nossos
corações para o conhecimento da glória
de Deus na face de Cristo. O problema do
homem natural não é apenas que ele não
conheça, não conheça ou não conhece
fatos sobre Jesus. Ele pode conhecer
fatos. Pode saber que Jesus nasceu em
Belém, que foi crucificado sob a
autoridade romana, que os cristãos
afirmam sua ressurreição, pode estudar
cristologia academicamente, pode decorar
credos, pode discutir duas naturezas e
uma pessoa e continuar sem ver glória.
Ver glória é outra coisa. Olhar para
Cristo e perceber valor, beleza, peso,
suficiência, majestade, santidade,
graça, doçura, poder, é o coração
eh começando a dizer, ele é melhor,
melhor do que aquilo, melhor do que a
aprovação, melhor do que a vingança,
melhor do que o ressentimento,
melhor do que a luxúria, melhor do que
controle.
Ele é melhor do que ser reconhecido. Ele
é melhor do que vencer. Ele é melhor do
que conservar tudo. É melhor até do que
a própria vida. Foi isso que aconteceu
com Paulo. Não apenas aprendeu novos
mandamentos, ele viu uma nova glória.
Aquilo que era lucro se tornou perda por
causa de Cristo. Não porque a lei
simplesmente acrescentou uma proibição
mais pesada, mas porque Cristo
reorganizou a escala de valor do
coração.
É isso que o Espírito faz. Jesus disse
que o Espírito glorificará. O espírito
não veio construir um culto à
experiência do espírito. A um
misticismo, veio tornar o filho
conhecido.
Veio pegar aquilo que pertence a Cristo
e anunciar aos seus e encantá-los com
sua beleza. Veio testemunhar de Cristo.
Veio manter a noiva olhando para o
noivo, amando cada vez mais, se
encantando cada vez mais. A imagem é
bela. A igreja é noiva. Cristo é o noivo
e o espírito é aquele que desde o
primeiro instante da nova vida abre os
olhos da noiva para a beleza do noivo.
Nós não escolhemos Cristo porque nossa
velha natureza avaliou opções
espirituais com neutralidade, livre
arbítrio e concluiu que ele era melhor.
Estávamos cegos, o espírito abriu os
nossos olhos, estávamos mortos, o
espírito deu vida. Estávamos hostis, o
espírito derramou amor. Estávamos
fascinados como outras glórias. O
espírito fez Cristo resplandecer. E ele
continua fazendo isso.
A obra que começou na regeneração se
torna o padrão da santificação.
Como fomos despertados vendo Cristo pela
obra do espírito? Como crescemos vendo
mais de Cristo pela obra do espírito?
Como serem seremos finalmente
glorificados quando o veremos como ele é
e seremos semelhantes a ele? Primeira
João 3:2. A vida cristã inteira é
cercada pela visão de Cristo. No início,
o Espírito abre os olhos. No caminho, o
espírito limpa
o espelho. No fim a fé se torna visão.
Por isso, uma espiritualidade centrada
no eu, inevitavelmente
empobrece e é falsa. Olha mais para
dentro, analisa cada movimento,
mede cada sensação,
faz da sua alma o centro do inverso.
Você pode passar a vida inteira
examinando a própria escuridão e nunca
produzir luz. O espírito faz algo
diferente. Ele acende a luz de Cristo. E
a luz de Cristo, a essa luz você começa
a ver a si mesmo corretamente. A
santidade de Cristo expõe seu pecado. A
mansidão de Cristo expõe sua dureza. A
generosidade de Cristo expõe sua
avareza,
seu amor ao dinheiro.
A coragem de Cristo expõe sua covardia.
A paciência de Cristo expõe sua
irritação.
A fidelidade de Cristo expõe sua
instabilidade.
A humildade de Cristo expõe seu orgulho.
Mas a mesma visão que expõe também cura.
Porque você não vê apenas um padrão que
te condena, vê um salvador que cumpriu o
padrão por você.
Não vê apenas santidade inalcançável. Vê
santidade que se deu em substituição.
Não vê apenas um
um exemplo que esmaga.
Vê um cordeiro esmagado. Não vê apenas
alguém que viveu como você deveria
viver. Vi alguém que morreu à morte que
sua culpa merecia e viveu a vida que
você devia ter vivido. É por isso que
contemplar Cristo não vira moralismo
sofisticado. Se Cristo fosse apenas um
exemplo, olhar para ele poderia esmagar.
Ele é perfeito, você não. Ele nunca
pecou, você ainda luta. Ele amou
perfeitamente, você ama de forma
quebrada.
Ele obedeceu até a morte, você tropeça
em pequenas obediências. Mas o evangelho
diz que esse Cristo perfeito é também o
seu substituto. Sua justiça é recebida
pela fé. Sua condenação caiu sobre ele.
A vida perfeita dele é atribuída a você.
Sua aceitação não depende de imitar
Cristo bem o suficiente para ser
recebido. Você é ser você é recebido em
Cristo. Exatamente. Por estar seguro
nele, pode olhar para a sua santidade
sem fugir. Pode confessar sem maquiagem.
pode dizer: "Sou pior do que eu gostaria
de admitir e também sou mais amado em
Cristo do que eu poderia imaginar". Essa
combinação mata tanto orgulho quanto
desespero. O orgulho morre porque a cruz
diz que seu pecado exigiu a morte do
filho de Deus. Nenhum pecado em você é
pequeno. Todos precisaram ser espiados
pelo sangue. Todos esmagaram Cristo. O
desespero morre porque a cruz diz que o
filho veio voluntariamente ser esmagado
no seu lugar. O orgulho morre porque não
há justiça própria para você apresentar
a Deus. O desespero morre porque há
justiça perfeita imputada a você. O
orgulho morre porque você não se salvou,
não começou sua salvação, não manteve
sua salvação e não chegou ao fim.
O desespero morre porque Cristo salva
completamente.
Então o espírito mostra Cristo e cria um
ambiente no qual santificação pode
crescer sem virar compra de amor ou de
merecimento.
Você já é amado, agora aprende a amar.
Já é recebido, agora aprende a obedecer.
Já é justificado, agora é santificado.
Já tem paz com Deus por meio do sangue
de Cristo. Agora o fruto da paz começa a
tornar sua experiência. Já recebeu o
espírito de adoção, agora aprende a
viver como um filho.
E como o espírito faz isso em situações
concretas?
Ele mostra Cristo novamente. A carne
diz: "Revide". Aquela pessoa precisa
sentir o que ela fez.
Faça com que ela pague. Fale dela para
todo mundo. Difame ela. Humilhe. Retenha
o perdão. O espírito aponta para Cristo.
Olhe para o noivo. Ouça-o na cruz. Pai,
perdoe-lhes.
Veja-o sendo insultado sem devolver
insulto.
Veja-o entregando-se àele que julga
justamente. Veja a beleza dessa força, a
beleza da santidade. Veja a majestade
dessa mansidão. Então o coração
pergunta: "Como posso me alimentar de
vingança enquanto pertenço a esse
Cristo?"
Contemplamos então a glória de Deus na
face dele. Somos mudados de um grau de
glória para outro. Não é apenas uma lei
dizendo: "Não se vingue." É o noivo se
tornando mais belo do que a vingança. A
carne diz: "Você precisa de prazer
agora. Ninguém verá.
Seu corpo pede, sua imaginação pede,
você merece algum alívio. O espírito
aponta para Cristo. Olhe para ele. Olhe
paraa pureza. Olhe para aquele que amou
sua noiva sem usá-la. Olhe para aquele
que entregou o corpo por ela. Olhe para
aquele em quem existem prazeres eternos.
Olhe para a herança. Olhe para a
comunhão. Olhe para o preço pelo qual
você foi comprado. Você não pertence a
si mesmo. E uma alegria superior começa
a lutar contra a promessa inferior. A
carne diz: "Controle. Se você não
controlar as coisas, tudo dará errado.
Pense em todas as possibilidades.
Antecipe o risco. Não descanse. Viva
ansioso. O espírito aponta para Cristo.
Olhe para aquele que está à direita do
Pai. Olhe para o bom pastor. Olhe para
aquele que deu a própria vida pelas
ovelhas. Você realmente acha que ele
derramou o sangue para depois abandonar
você na providência de uma segunda-feira
ou terça-feira? Você acha que a cruz
prova amor, mas o amanhã escapa de suas
mãos? Você acha que ele intercede por
você no céu, mas esqueceu do exame, da
conta, da enfermidade, da porta fechada?
Olhe,
a paz começa a nascer
a vitória sobre a ansiedade, não porque
o risco desapareceu, mas porque Cristo
se tornou maior do que o risco.
A carne diz: "Proteja a sua reputação,
faça a todos gostarem de você. Não diga
o que pode custar aprovação. Construa
uma versão de si mesmo para cada
ambiente. O espírito aponta para Cristo.
A aprovação dele não basta. Você foi
aceito no amado. O juiz do universo
recebe por causa dele, do filho. Por que
viver como mendigo diante da opinião
humana? Se o mundo inteiro aplaudir e
Cristo reprovar, o que você ganha? O que
você ganhou? Agora, se o mundo inteiro
reprovar e Cristo disser: "Servo bom e
fiel, o que você perdeu?"
Então, a integridade começa a crescer,
esse fruto, não porque o cristão deixa
de sentir dor diante da rejeição, mas
porque outra aprovação tem mais peso,
tem mais glória.
A carne diz: "Desista, você já sofreu
demais, não vale a pena permanecer fiel.
Abandone a promessa. O espírito aponta
para Cristo. Veja o Getsêmane. Veja o
suor como gotas de sangue. Veja a alma
angustiada até a morte. Veja o filho
dizer: "Não a minha vontade, mas a tua".
Veja o levantar, ir adiante, receber o
cálice, ser fiel até o fim. A fidelidade
de Cristo se torna beleza. E o espírito
diz: "Esse é o seu o seu noivo".
Porque você abandonaria a fidelidade por
um alívio momentâneo?
A carne diz: "Exalta-se, exalte-se."
Você precisa ser visto, ser reconhecido,
precisa mostrar que sabe, precisa ocupar
o centro. O espírito aponta para Cristo.
Aquele que existindo em forma de Deus se
esvaziou, assumiu forma de servo e se
humilhou até a morte e morte de cruz.
Filipenses 2 5, né?
Veja a descida, o espírito mostra glória
eterna, serviço, obediência, cruz.
Exatamente por isso o Pai o exaltou.
Humildade não é desprezar a si mesmo, é
ser tão capturado por Cristo que não
precisa estar no centro.
A carne diz: "Você não consegue amar
essas pessoas, elas são difíceis." O
espírito aponta para Cristo. Ele amou
você quando você era inimigo. Não quando
você estava finalmente agradável. Não
quando aprendeu a responder
corretamente, não quando se tornou útil.
Cristo morreu por ímpios. Se o amor dele
entrou em você, o impossível começa a
mudar de nome. Não vira fácil, mas deixa
de ser impossível. A carne diz: "Você
precisa condenar a si mesmo para mudar.
precisa se odiar o suficiente, precisa
viver esmagado. O espírito aponta para
Cristo. Não há condenação para os que
estão nele. A culpa foi julgada, o
castigo caiu, a dívida foi paga. Agora
lute, mas lute como filho, não como réu,
tentando
escapar ou comprar absolvição.
É assim que o fruto cresce. Cristo
diante dos olhos, Cristo diante da
culpa. Cristo diante da tentação, Cristo
diante do medo, Cristo diante da ofensa,
Cristo diante da perda, Cristo diante da
morte. O espírito não se cansa desse
tema. Cristo, Cristo, Cristo. Porque
todas as graças
que ele deseja produzir já estão
perfeitamente belas no filho.
Quer ensinar mansidão, mostre Cristo.
Quer ensinar fidelidade, mostra Cristo.
É isso que o Espírito faz. Ele quer
produzir alegria, mostra Cristo. Quer
produzir paz, mostra Cristo. Quer
produzir domínio próprio, mostra Cristo.
Quer produzir amor? Mostra Cristo,
Cristo crucificado.
Quer produzir esperança, mostra Cristo
ressuscitado. Quer produzir
perseverança, mostra a Cristo
intercedendo.
Quer produzir humildade, mostra Cristo
servindo, morrendo. Quer produzir
coragem? Mostra a Cristo diante de
Pilatos.
O Espírito quer produzir compaixão,
mostra a Cristo diante das multidões.
O Espírito quer produzir santidade,
mostra a Cristo em sua beleza sem
mancha.
A santificação é profundamente
cristológica, porque o espírito é
profundamente comprometido com a glória
do filho. E isso explica porque simples
moralismo não consegue produzir o fruto.
E como o legalismo é exatamente o oposto
do evangelho. A lei pode apontar o
caminho, pode definir pecado, pode expor
culpa, pode mostrar a beleza da vontade
de Deus, mas não pode dar vida. O Sinai
pode dizer o que é santo e condenar o
que não é.
Não pode ressuscitar o coração.
Por isso Paulo não diz que o fruto é
produto da lei. O fruto é fruto do
espírito. O espírito usa a palavra,
escreve a lei no coração, mostra a
Cristo como cumprimento
e beleza dessa santidade e transforma
obediência de tentativa de compra em
resposta de amor. Se vocês me amam,
guardarão meus mandamentos. Não guardem
para fazê-lo amar. Guardem amam aquele
que os amou primeiro. Essa ordem é o
evangelho. Exatamente essa ordem que
preserva a transformação de se tornar
outra forma
de orgulho. Voltemos à frase do início.
Eu sou assim. Depois de tudo, ela parece
ainda mais séria, porque talvez você a
tenha usado para descrever algo que Deus
chama de algo que Deus chamou para
guerra.
Talvez tenha transformado ansiedade em
sobrenome, ira em temperamento
intocável, sensibilidade em licença para
guardar ofensa e mágoa, medo em
identidade, luxúria em necessidade,
orgulho em personalidade forte, covardia
em gentileza,
controle em responsabilidade, cinismo em
discernimento,
ingenuidade em pureza, indisciplina em
espontaneidade,
Frieza em objetividade, vaidade em
excelência. E quando damos ao pecado um
nome suficientemente elegante, paramos
de levá-lo à cruz. O nome vira abrigo.
Eu sou assim. Significa muitas vezes não
me espere diferente. Não me confronte.
Não coloque a palavra sobre isso. O
sermão não é para mim. Se for para mim,
eu fico ofendido. Não me peça
arrependimento.
Aprenda a conviver com minha versão da
carne. Mas o espírito não ensina esse
tratado de paz. Ele cobiça contra a
carne. A carne cobiça contra o espírito.
A oposição, porque os dois princípios
são opostos. Há dois princípios em
conflito. E se você está em Cristo, a
guerra não é sinal de que tudo deu
errado. É sinal de que algo radical já
aconteceu.
O morto não guerreia, a pedra não luta.
A carne reinava antes sem rival. Então o
espírito entrou e agora aquilo que antes
era a casa se tornou um campo de
batalha.
Isso muda a forma como o cristão fala de
si mesmo. Ele pode ser brutalmente
honesto sem ser fatalista. Pode dizer:
"Eu luto com o medo, mas não. Medo não é
meu senhor. Pode dizer: "Tenho sido uma
pessoa controladora,
mas não. Controle é minha natureza
imutável." Isso ele não pode dizer. Ele
pode dizer: "Minha história está cheia
de ira". Mas não pode dizer: "Portanto,
serei uma pessoa irada".
Ele pode dizer: "Tenho padrões profundos
de impureza". Mas não pode dizer: "A
impureza me define."
Ele pode dizer ainda vejo em mim orgulho
terrível. Mas não pode dizer orgulho
possui a palavra final. A honestidade do
evangelho não diminui o pecado e a
esperança do evangelho não diminui a
graça. As duas se encontram se encontram
na cruz. Na cruz você vê quão grave seu
pecado é. Exigi o sangue de Deus, como
Paulo diz, e vê quão poderosa a graça é.
O sangue foi derramado. Na cruz você
perde o direito de chamar pecado de
detalhe, dar nomes terapêuticos,
distúrbios, e perde o direito de dizer
que pecado é maior do que Cristo. Na
cruz toda desculpa morre, mas todo
desespero morre também.
Por isso o arrependimento cristão é
muito diferente de autopunição.
Autopunição continua centrada no eu. Eu
me odeio, eu me desprezo. Eu preciso
sofrer bastante para compensar. Eu
preciso sentir uma quantidade suficiente
de culpa para considerar a conta paga.
Isso ainda é justiça própria. Apenas
vestida de tristeza, arrependimento.
Olha para Deus.
Contra ti eu pequei. Olha para Cristo,
ele levou minha culpa. Olha pro pecado,
quero matá-lo porque ele deshonra aquele
que amo. Olha paraa graça, posso
confessar porque meu mediador não foge
quando sou exposto. Ele me cobre. Olha
para o espírito, não luto sozinho.
Essa postura produz transformação real.
O homem deixa de proteger o pecado com a
própria identidade.
Ele o entrega, traz a luz, nomeia
biblicamente,
não com humanismo secular, confessa sem
eufemismos,
sem atenuantes
e então volta os olhos para Cristo. Isso
precisa ser repetido, porque nossa época
faz exatamente o contrário. Ela oferece
frequentemente uma identidade capaz de
proteger o desejo da necessidade de
transformação.
A escritura oferece uma identidade em
Cristo forte o suficiente para expor o
desejo e transformá-lo. Uma diz:
"Descubra em seus impulsos quem você
realmente é".
Isso é o que o mundo diz, não é? A
cultura. A outra diz: "Você morreu e sua
vida está escondida com Cristo em Deus".
Colossenses 3:3.
Uma diz: "Se o desejo é profundo, então
é verdadeiro". A outra pergunta: Esse
desejo procede da carne ou do espírito?
Uma diz: "Autenticidade é expressar
aquilo que você sente." A outra diz
santidade é submeter até os desejos ao
senhorio de Cristo.
Uma diz: "Não negue a si mesmo". Cristo
diz: "Negue-se, tome sua cruz e
siga-me". Mas veja, negar a si mesmo não
significa destruir sua humanidade,
significa libertá-la da tirania do falso
Deus que ocupa o centro, o ego. O homem
que vive para si não se encontra, se
perde, perde, se perde de si mesmo
e se perde totalmente. Aquele que perde
a vida por Cristo a encontra. Esse
paradoxo atravessa o evangelho. A carne
promete liberdade e entrega escravidão.
Cristo ordena a cruz e entrega vida. A
carne promete identidade e torna o homem
refém de impulsos. Cristo dá nova
identidade e começa a libertá-lo de tudo
que o dominava antes. A carne diz: "Seja
fiel a si mesmo". Cristo diz: "Seja
meu". E ser de Cristo é infinitamente
melhor do que ser entregue a nós mesmos,
porque isso seria o nosso inferno.
Porque o si mesmo que a cultura manda
obedecer não é neutro, é um coração que
precisa ser renovado. Por isso, Romanos
12 fala de transformação pela renovação
da mente. A mente precisa aprender outra
realidade. Não é a realidade de um
universo sem Deus, em que você precisa
carregar o peso e construir significado
e controlar o futuro, mas a realidade do
Pai, do Filho, do espírito, da criação,
da queda, da redenção, da providência,
da ressurreição, da consumação.
A doutrina cristã não é decoração
intelectual colocada sobre a vida, é o
mapa do mundo real. Se você acredita que
o universo pessoal como Freud, ansiedade
encontra solo fértil. Tudo depende de
forças que não conhecem seu nome. Se
acredita que Deus existe apenas para
cumprir seus projetos, a ansiedade
também floresce quando ele não obedece.
Mas se Deus é pai por meio de Cristo,
soberano, sábio e bom, a alma aprende
outra postura. Tu sabes, tu reinas, tu
amas. Eu pertenço a ti. Se você acredita
que moralidade é convenção, culpa vira
apenas desconforto social a ser
administrado. Mas se Deus é santo, culpa
é algo real. E se Cristo é substituto,
perdão também é real. Não precisamos
apagar a culpa inventando inocência,
racionalizações,
culpando o mundo, as pessoas, a
sociedade, a igreja. Podemos ter a culpa
verdadeiramente removida por expiação.
Que liberdade existe nisso? A cultura
precisa dizer ao culpado: "Talvez você
não seja culpado. Culpado é seu pai, sua
mãe, sua criação, as pessoas". O
evangelho pode dizer: "Você é mais
culpado do que gostaria de admitir, mas
existe sangue suficiente para sua
culpa". A cultura precisa proteger o ego
da condenação. O evangelho crucifica o
ego e justifica o pecador.
A cultura precisa transformar pecado em
distúrbios,
em condição para preservar sua
autoestima. O evangelho pode chamar
pecado de pecado, porque nossa esperança
não está em provar que somos bons. Estar
em Cristo ser bom em nosso lugar, bom
por nós. Essa é uma diferença enorme. O
homem que precisa justificar a si mesmo,
será sempre inimigo da verdade sobre si.
Porque quando ele se sente condenado,
então ele está condenado.
Toda verdade será uma ameaça. Toda
correção será ataque. Toda exposição
será humilhação intolerável.
tóxica.
Mas o homem justificado por Cristo pode
dizer: "Sim, isso é pecado. Sim, isso é
mal. Sim, isso veio de dentro de mim.
Sem mais, sem culpar outra pessoa, sem
inventar uma biografia que absolva uma
história, sem precisar parecer melhor,
porque seu veredito final não depende de
ganhar o processo contra as acusações da
mente, da consciência humanas. depende
da justiça de Cristo. A justificação
cria o ambiente mais seguro do universo
para a honestidade.
O pai já conhece tudo, o filho já pagou,
o espírito já habita, então pare de
esconder. A luz que expõe é a mesma luz
na qual há comunhão e purificação pelo
sangue de Jesus. Primeira João 17. Essa
é a transformação cristã. Não
gerenciamento de imagem, não construção
de uma versão aceitável de si, não troca
de rótulo, é vida diante de Deus. E vida
diante de Deus cresce. E a pergunta
final, então, não é apenas se você
deseja mudar. Quase todo mundo deseja
mudar alguma coisa. O orgulhoso deseja
mudar as circunstâncias que ferem seu
orgulho. O ansioso deseja mudar aquilo
que ameaça seu controle. O irado deseja
mudar as pessoas que o irritam. O
invejoso deseja mudar a distribuição dos
presentes de Deus. O impuro deseja mudar
as consequências sem necessariamente
mudar o amor pelo pecado. O religioso
deseja mudar sua sensação de culpa sem
abandonar a justiça própria. Então, a
pergunta é mais profunda. Não é se nós
queremos mudar. Que espécie de mudança
você deseja e por qual poder? Quer
apenas uma vida mais confortável?
Ou quer Cristo formado em você,
quer menos consequências ou mais
santidade, quer sentir-se melhor consigo
mesmo ou quer ser transformado na imagem
daquele que é infinitamente melhor do
que você? Quer uma técnica para
administrar a carne ou quer o espírito
quer que o espírito mortifique a carne
enquanto faz seu coração amar mais a
beleza do filho? Essa diferença ser para
dois mundos. O mundo pergunta: "Como
posso funcionar melhor mantendo o eu
centro?" O evangelho pergunta: "Como o
eu pode sair do trono para que Cristo
seja tudo?" O mundo procura alívio. O
evangelho oferece ressurreição. O mundo
procura absolvição sem juiz, sem
julgamento, sem ira, sem santidade. O
evangelho oferece justificação diante do
juiz.
O mundo procura paz por controle. O
evangelho oferece paz por reconciliação
e providência soberana. O mundo procura
identidade dentro do desejo. O evangelho
dá identidade em Cristo e começa a
reordenar os desejos.
O mundo chama a maturidade, a capacidade
de aceitar a si mesmo sem juízo de
valor. O evangelho chama maturidade
ser conformado ao filho.
E isso acontece de glória em glória, não
de técnica em técnica, não de
diagnóstico em diagnóstico e uma nova
terapia, não de desculpa em desculpa,
não de glória em glória, porque o
coração humano é governado por glória.
Nós nos tornamos parecidos com aquilo
que contemplamos como glorioso, como
supremo. O idólatra se torna semelhante
ao ídolo. O adorador é moldado pelo
objeto da sua adoração. aquilo que você
chama de tesouro começa a reorganizar
seu corpo, seu tempo, sua imaginação,
seus afetos.
Se dinheiro é glória, as decisões vão se
curvar ao dinheiro. Se aprovação é
glória, palavras se curvam à aprovação.
Se prazer é glória, o corpo se curva ao
prazer. Se controle é glória,
relacionamentos se curvam ao controle.
Se o eu é glória, tudo se torna o
instrumento do eu. Mas quando o espírito
mostra Cristo, uma nova gravidade entra
na alma. Cristo pesa mais, tem glória,
peso. Isso não acontece de maneira
uniforme. Há dias de visão clara, há
dias em que nuvens aparecem espessas, há
momentos de intensa alegria. Há momentos
em que a fé anda sem sensação, mas o
espírito não muda de tema. Ele continua
testemunhando o único tema, Cristo. E a
igreja madura aprende a fazer o mesmo.
Pregação que santifica não transforma o
púlpito em espelho infinito do ouvinte.
em mera moralismo mostra Cristo.
Aconselhamento que santifica não faz a
alma girar eternamente em torno da sua
própria história. Por isso que o
humanismo secular não pode ser misturado
a um aconselhamento que se diz bíblico.
Porque aconselhamento que santifica não
faz, como eu disse, a alma girar
eternamente em torno da sua própria
história. Leva a história à luz de
Cristo. Discipulado que santifica não
cria dependência do discipulador, do
pastor, de alguém. Ensina o discípulo a
olhar para Cristo. Música que santifica
não busca apenas produzir estado
emocional, coloca a verdade sobre Cristo
na boca do povo. A ceia não é um
monumento ao nosso desempenho. Mostra o
corpo e o sangue que foram entregues.
O batismo não celebra a nossa capacidade
de nos salvar. aponta para a união com
Cristo na sua morte e ressurreição. A
palavra não é uma coleção de princípios
para otimizar a vida. É revelação do
Deus que culmina no filho. Tudo converge
Cristo. É por isso que uma igreja pode
falar muito de mudança e produzir pouco
fruto se Cristo não for o centro real.
Pode falar de hábitos, pode falar de
casamentos transformados, pode falar de
dinheiro, pode falar de emoções, pode
falar de propósito, pode falar de
disciplina, pode falar de liderança,
pode falar de feminilidade,
masculinidade, pode falar de
produtividade, pode falar de família,
pode falar de masculinidade, como eu
falei, né? E pode falar de cultura
e o povo aprender sem técnicas enquanto
continua pouco maravilhado com Cristo.
Então a mudança será mecânica.
Mas pedras, pilhas de percursos,
métodos, seminários, planos, protocolos.
Mas se o espírito usa a palavra para
fazer Cristo resplandecer, a raiz é
atingida. Porque o coração não vive
apenas de ordens, vive de amores.
A ordem sem beleza pode conter o corpo
por algum tempo. A beleza de Cristo
captura o coração. E quando o coração é
capturado, a obediência deixa de ser
apenas contenção, torna-se resposta, não
perfeita ainda, mas real. Como eu
poderia fazer isso contra Deus? Para mim
o viver é Cristo. Quem tenho eu no céu
senão a ti? Teu amor é melhor do que a
vida. Essas frases não são técnicas de
comportamento, são linguagem de amor, de
afeição. E a verdadeira santificação é
cheia dela. Jonath Edwards entendeu isso
profundamente.
Ele diz: "A verdadeira espiritualidade
envolve afeições santas.
Não emoção pela emoção, não intensidade
sem verdade, mas o coração inteiro sendo
movido pela excelência de Deus. Por
isso, Freud e Jonath Edwards representam
muito mais do que dois nomes na
história.
Uma leitura começa com o homem tentando
explicar Deus. A outra começa com Deus
revelando o homem e revelando a si
mesmo. Então o homem pode conhecer Deus
e sua alma. Uma leitura diz que religião
nasce da necessidade humana de
personalizar forças impessoais para
poder negociar com o Deus do furacão, já
que ele não podia negociar com o
furacão.
A outra diz que o homem vive porque o
Deus pessoal falou primeiro.
Um diz que o homem criou um pai no céu
para lidar com seu medo. O outro diz que
o pai enviou o filho quando éramos
inimigos. Uma dissolve culpa em
construção cultural. Culpa não existe, é
construção cultural. A outra leva a
culpa pro Calvário.
Uma tenta libertar o homem do juízo,
removendo Deus.
A outra anuncia libertação do juízo,
porque Deus julgou o pecado em Cristo.
Uma explica a consciência de baixo para
cima, a outra a coloca diante do
Criador. Uma vê religião como projeção
humana. Freud. A outra vê a revelação.
Uma vê desejo com energia a interpretar.
A outra vê desejo em guerra e pergunta a
qual reino o desejo pertence. Aquele
desejo. Uma oferece categorias nas quais
o homem pode continuar no centro.
Tudo é sobre ele. A outra termina com o
homem prostrado diante da glória de
Cristo. Não precisamos
demonizar a eh todo o conhecimento comum
eh
por causa do fundamento. Homens podem
observar padrões verdadeiros na criação,
podem descrever fenômenos, podem
produzir técnicas úteis em muitas áreas.
E
mas quando uma antropologia começa
negando o criador, não pode receber
autoridade
para definir a criatura diante do
criador. O telescópio não pode
substituir o céu, o mapa não pode criar
o território, a criatura não pode
convocar Deus ao tribunal e depois
declarar que a ausência de Deus em seu
sistema prova que Deus não existe. A
igreja precisa recuperar coragem para
deixar a escritura nomear a alma.
O que a alma precisa e como ela pode ser
tratada. pecado, culpa, consciência,
arrependimento, fé, carne, espírito,
santidade, idolatria, providência,
humildade, justificação, adoção,
mortificação, glória. Essas não são
palavras primitivas a serem abandonadas
quando a cultura produz um vocabulário
mais moderno, humanista secular,
síndromes. São categorias dadas pelo
Deus que conhece o coração sem precisar
adivinhar e tentar descobrir. Quando a
Bíblia diz carne, ela não está tentando
ser menos sofisticada do que nós. Está
revelando algo que nossas categorias
naturais jamais descobririam por
autonomia.
Quando diz que o espírito deseja contra
a carne, cobiça contra carne, não se
está descrevendo o mecanismo
superficial, está mostrando a guerra
central da vida regenerada. Quando
fruto, não está escolhendo uma metáfora
bonita ao acaso. Está dizendo que
santificação é orgânica.
Quando usa singular, está dizendo que as
graças pertencem a uma vida única, são
concatenadas. Quando diz contemplação da
glória de Cristo, está revelando o
mecanismo profundo da transformação da
alma humana. Não devemos nos envergonhar
dessas categorias. Devemos habitá-las,
deixar que elas reorganizem nossa
leitura
de nós mesmos, dos nossos corações,
defin, seus problemas. Isso significa
que quando a ansiedade moral cresce, a
pergunta não é apenas como faço parar a
ansiedade, mas o que estou tentando
governar que pertence a Deus que está
gerando isso? Que futuro estou exigindo?
Que perda estou declarando que é
insuportável?
Que promessa de Cristo estou tratando
como insuficiente?
Onde preciso dizer novamente, tu sabes?
Quando ira cresce, a pergunta não é
apenas como controlo o meu temperamento,
as reações químicas? Mas que direito
estou defendendo como algo absoluto? Que
glória minha foi tocada?
Porque a vingança parece mais bela do
que Cristo que me perdoou. Quando a
impureza chama, a pergunta não é apenas
como bloquear o acesso, que técnica vou
usar? Como lidar com essa bioquímica do
meu corpo? bloqueios podem ser sábios.
Fugir às vezes bíblico, mas também que
alegria estou procurando aqui? Porque
essa promessa parece melhor do que
Cristo? Como o Espírito quer fazer o
filho resplandecer justamente nesse
ponto? Quando a necessidade de aprovação
domina, a pergunta não é apenas como ser
mais confiante, mais porque o veredito
humano das pessoas pesa mais do que a
justificação de Cristo em Cristo. Porque
ser recebido pelo Pai parece menor do
que ser aprovado por essa pessoa.
Quando o amor ao dinheiro aparece, a
pergunta não é apenas quanto devo doar,
mas que segurança o dinheiro está
prometendo que pertence a Deus.
Porque seer os cheios parecem mais
sólidos do que a providência do pai.
Quando o sinismo cresce, a pergunta não
é apenas como confiar mais nas pessoas,
mas por que me coloquei fora da doutrina
da queda? Porque interpreto todos como
pecadores e a mim como um juiz lúcido?
Quando ingenuidade aparece, a pergunta
é: por que minha opinião sobre a
humanidade é mais elevada do que a
escritura diz que o homem é caído e
totalmente depravado? Em todos esses
lugares, o Espírito leva a verdade
bíblica a teu coração, não para criar
introspecção infinita, mas para remover
obstáculos a visão de Cristo, deixar
nossos olhos mais claros para ver. A luz
mostra a sujeira para que a sujeira seja
tratada, não para que possamos eh
passemos a adorar a sujeira. Confissão
termina em purificação. Arrependimento
termina em retorno. Convicção termina em
Cristo. A disciplina do Pai termina em
fruto pacífico de justiça. A poda
termina em mais fruto. Tudo aponta
adiante, de glória em glória. E aqui
está outra razão para esperança. Aqueles
ou aquele que hoje vê pouco, não verá
sempre pouco. O espírito não abandona ou
abandonará a obra. Aquele que hoje luta
com uma paz fraca, não terá paz fraca
para sempre. Aquele que hoje tem amor
imaturo, não permanecerá para sempre
nessa medida. Aquele que hoje tropeça em
coragem não será para sempre criança.
Aquele que hoje precisa confessar o
mesmo padrão novamente, não deve fazer
aliança com ele. Mas também não precisa
concluir que Cristo perdeu o controle de
sua história. A semente continua viva, o
jardineiro continua trabalhando, o
espírito continua mostrando Cristo. E o
destino final do crente não é apenas
melhorar bastante, é ser conformado à
imagem do filho. Romanos 8 coloca isso
dentro do propósito eterno de Deus.
Aquele que de antemão conheceu também os
predestinou para serem conformes a
imagem do seu filho. O alvo da
predestinação não é apenas não, não é
apenas não, não é chegar ao céu, é
chegar à semelhança de Cristo. O Pai
decretou isso, decidiu isso, o Filho
comprou isso, o espírito aplica isso.
Toda a trindade comprometida com a
transformação do povo de Deus.
Pense no peso dessa verdade contra a
frase: "Eu sou assim". O Pai diz: "Eu
predestinei você para outra imagem". O
filho disse: "Eu comprei você com meu
sangue." O espírito diz: "Eu habitarei
em você e produzirei fruto". E você diz:
"Eu sou assim". Que palavra é mais
forte? Sua história ou o propósito
eterno? Seu hábito ou o sangue do
cordeiro? Seu temperamento ou o espírito
de Deus? sua pedra ou a semente
incorruptível imortal. Não use soberania
para imaginar que crescimento acontecerá
sem meios. O Deus que ordena o fim
ordena os meios. Ele transforma pela
palavra, pela oração, pela comunhão com
os santos, pela mesa, pela correção,
pelo serviço, pelo sofrimento, pela
contemplação de Cristo em toda a
escritura e em todas as situações.
Então, abre a Bíblia, não como
superstição, não para cumprir uma
tabela, lê tantos, lê uma vez por ano a
Bíblia, abra para ver Cristo. Ore, não
apenas para descarregar pedidos, ore
para conhecer o Pai em Cristo. Participe
da comunhão. Não apenas porque crente
vai à igreja. Participe porque Cristo
distribui graça no corpo. Receba a ceia.
Lembre do corpo dado, do sangue
derramado, da nova aliança. Confesse.
Não esconda a pedra. Ponha diante da
luz. Fuja. Não negocie com tentações que
Deus mandou abandonar. Mortifique. Não
acaricie aquilo que crucificou o seu
Senhor. Espere, porque árvores não
crescem em uma noite. Examine, porque
árvores vivas crescem. E olhe, olhe para
Cristo sempre, outra vez. Quando estiver
forte, olhe para Cristo. Quando estiver
fraco, olhe para Cristo. Quando tiver
vencido uma tentação, olhe para não
transformar a vitória em orgulho. Quando
tiver caído, olhe para não transformar
queda em desespero. Quando estiver
alegre, olhe para Cristo para saber de
onde vem a alegria. Quando estiver
sofrendo, olho para Cristo para lembrar
que o homem de dores conhece seu
caminho. Quando estiver morrendo, olhe
para o ressuscitado.
A última transformação está ligada à
última visão. Quando virmos como ele é,
seremos semelhantes a ele. Até lá, o
espírito nos,
o espírito nos dá antecipações,
vislumbres, graus de glória,
uma paz um pouco mais firme, uma alegria
um pouco mais profunda, uma língua um
pouco mais mansa, uma coragem um pouco
mais limpa de ego, um perdão um pouco
mais rápido, uma necessidade de
aprovação um pouco menor, uma disposição
um pouco maior para dizer, tu sabes? E
esses pequenos movimentos são gigantes
quando lembramos contra o que lutam. A
pedra é pesada, a semente é pequena, mas
ela tem uma vida imortal.
Há uma última armadilha antes de
chegarmos ao fim. Confundir sensação
espiritual com medida espiritual. Nós
sentimos muitas coisas. Sentimos fervor,
sentimos frieza, sentimos coragem,
sentimos medo, sentimos paz, sentimos
inquietação,
sentimos que estamos perto de Deus.
Sentimos que estamos longe e porque
vivemos dentro dessas sensações, somos
tentados a transformá-las no termômetro
definitivo da vida com Deus. Mas uma
árvore não sabe sua altura porque sente
que cresceu.
Uma criança não mede desenvolvimento
pela intensidade com que percebe o
próprio corpo. Crescimento precisa ser
aferido por realidade. Na vida cristã, a
escritura fornece as marcas amor,
alegria, paz, paciência, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio.
não como lista para construir mérito,
como descrição do que o espírito produz.
Isso significa que um dia de emoção
intensa pode não representar grande
crescimento e um dia espiritualmente
aparentemente seco, pode estar dentro de
uma estação em que raízes estão descendo
mais profundamente. Um culto em que você
chorou muito pode ter sido precioso, mas
lágrimas não são automaticamente fruto.
Um culto em que você não sentiu nada
extraordinário pode ter alimentado uma
verdade que aparecerá meses depois
diante de uma prova.
Sensação é real, mas não é soberona. A
palavra interpreta a sensação, não. A
sensação interpreta a palavra. Por isso,
precisamos aprender a perguntar de
maneira mais bíblica não apenas o que
senti, mas como respondi quando fui
contrariado.
Quanto tempo levei para confessar? O que
aconteceu quando ninguém viu? Minha paz
permaneceu quando meus planos caíram.
Minha gentileza permaneceu quando dizer
a verdade custou.
Meu domínio próprio permaneceu quando a
oportunidade parecia
secreta. Minha alegria permaneceu quando
outra pessoa recebeu o que eu queria.
Meu amor permaneceu quando não houve
reciprocidade.
Minha fidelidade permaneceu quando
obedecer trouxe perda. Minha humildade
apareceu quando eu fui corrigido. Essas
perguntas não podem ser respondidas em
um laboratório sem vida. Precisam de
providência. Deus coloca a fita métrica
dentro dos acontecimentos da vida. Você
gostaria de saber se cresceu em
paciência? Ele não precisa enviar um
certificado, ele envia uma demora. Você
gostaria de saber se cresceu em
humildade? Ele pode permitir que alguém
veja uma falha sua? Você gostaria de
saber se cresceu em paz? Ele pode deixar
uma porta importante fechada por mais
tempo do que você queria. Você gostaria
de saber se cresceu em generosidade? Ele
pode colocar uma necessidade diante de
seus recursos. Você gostaria de saber se
cresceu em fidelidade?
Ele pode fazer a verdade custar alguma
coisa a você. A prova mede enquanto mede
continua formando. Essa é uma das
maravilhas da providência. O mesmo
acontecimento que revela a raiz também
aprofunda raiz. O vento mostra que a
árvore possui raízes e faz a árvore
aprofundar as raízes. A oposição mostra
a qualidade da mansidão e cria uma
oportunidade para aprender mais
mansidão.
A perda mostra onde estava o nosso
tesouro e pode eh desprender o coração
de tesouros falsos.
A espera mostra quanta arrogância havia
no nosso planejamento e ensina a dizer:
"Se o Senhor quiser". Assim Deus
transforma o mundo inteiro em sala de
santificação.
Não apenas o culto, mas o trânsito, a
cozinha, o escritório, a conta
inesperada, a relação do casamento com
os filhos, a criança que interrompe, o
cônjuge que não reage como você
imaginou, a mensagem que não foi
respondida, a crítica, o sucesso de
outro, a doença, o cansaço, a
oportunidade de pecar em segredo e medo
do futuro. Tudo pode se tornar lugar em
que a carne e espírito se opõem. Isso
também impede que reduzamos santificação
a ambientes
religiosos, a pessoas que parecem santas
quando o contexto facilita. No culto são
ternas, em casa impacientes. Na reunião
humildes, no trabalho, dominadoras,
ambiciosas, com desconhecidos, educadas,
com a família áspera, na internet,
corajosas diante de alguém que pode
prejudicá-las silenciosas.
Essa fragmentação revela que ainda há
muito crescimento mecânico. O espírito
busca inteza, integridade, concatenação.
O mesmo Cristo em todos os cômodos. A
mesma verdade quando há aplauso e quando
há pedradas. A mesma fidelidade quando a
porta
aberta e quando a porta é fechada. Por
isso, comunhão é indispensável. Sozinho
você pode editar a versão de si que você
examina. Na comunidade, irmãos, vem
ângulos que você não vê. Eles percebem
padrões. Podem dizer: "Você reage sempre
assim quando é contrariado. Você
desaparece quando não recebe
reconhecimento. Você fala de paz, mas
controla todos ao redor. Você chama isso
de firmeza, mas está sendo rude. Você
chama isso de gentileza, mas está com
medo. Você chama isso de discernimento,
mas vive suspeitando de todo mundo. Isso
é sinismo. Uma igreja saudável é o lugar
onde essa verdade pode ser dita dentro
de amor e evangelho. Não para criar
policiamento da alma, mas porque
crescimento é comunitário. Hebreus manda
exortar uns aos outros para que ninguém
seja endurecido pelo engano do pecado. O
pecado engana, nos engana. se engana
significa que frequentemente a pessoa
enganada não sabe que está sendo
enganado. Ninguém que está sendo
enganado sabe que está sendo enganado.
Precisa de palavra, precisa de irmãos,
precisa de correção, precisa de
pregação, precisa de pastoreio, precisa
de uma mesa em que se lembre novamente
que vive por causa do corpo e do sangue
de outro e vive disso. A cultura do eu
sou assim odeia esse tipo de comunidade.
Porque a identidade autodefinida exige
que os outros confirmem o que eu acho de
mim. O evangelho cria uma comunidade que
pode amar sem confirmar mentiras na
minha vida. Pode abraçar e confrontar.
Pode carregar, mas corrigir. Pode ser
paciente sem chamar o pecado de virtude.
Trevas de luz. Pode dizer: "Eu estou com
você". E também isso precisa morrer,
porque nenhum irmão é salvador do outro.
Cristo é. E nenhum confronto fiel
precisa carregar a condenação final.
Cristo já levou à condenação dos seus.
Então, medir crescimento não significa
viver obsecado consigo mesmo.
Essa seria outra forma de egocentrismo.
Há cristãos que transformam autoexame em
contemplação de si. Todo dia escavam,
todo dia medem, todo dia perguntam se
sentiram o suficiente, todo dia olham
para a semente em vez do sol. Mas a
função da medida é levar de volta a
Cristo. Se descobriu crescimento, Cristo
é fiel. Se descobriu fraqueza, Cristo é
suficiente. Se descobriu pecado, Cristo
é advogado. Se descobriu imaturidade,
Cristo é pastor.
Se descobriu fruto, Cristo merece toda a
glória. Se descobriu ausência
preocupante de fruto, não invente
segurança. Corra para Cristo. O alto
exame cristão começa e termina fora de
nós. Começa com a palavra que define e
termina com Cristo que salva. No meio, o
espírito ilumina o coração. Isso é muito
diferente de viver encarcerado em
introspecção. O agricultor mede a
árvore, mas não passa o ano inteiro
abraçado a uma régua. Ele volta a
cuidar, rega, poda, protege, espera o
sol. Na vida cristã, depois de medir,
voltamos aos meios de graça. Voltamos à
escritura, voltamos à oração, voltamos à
comunhão, voltamos à mesa, voltamos ao
serviço, voltamos à mortificação,
voltamos sobretudo à contemplação de
Cristo. E há uma libertação enorme em
entender isso. Você não precisa sentir
crescimento para crescer. Precisa estar
vivo e permanecer nos meios pelos quais
Deus alimenta a vida. Você não precisa
produzir uma experiência para provar que
o espírito está trabalhando. Precisa
andar pelo espírito. Você não precisa
fabricar fruto de plástico para
tranquilizar a consciência. Precisa
permanecer em Cristo.
Jesus usa outra imagem botânica em João
15, né? Videra e ramos. O ramo não geme
tentando produzir vida independente,
permanece. A vida vem da videira.
Separado nada pode fazer. Unido,
frutifica. E o pai poda o ramo que
frutifica para que produza mais fruto.
Veja como tudo se encontra. União, poda,
fruto, tempo, dependência. A
santificação inteira está dentro dessa
imagem. A poda dói, mas não é rejeição,
é cuidado do pai. A poda remove coisas
que pareciam parte de nós. Um plano, uma
segurança, uma reputação, uma relação,
uma facilidade. E o ramo talvez não
entenda, mas o agricultor sabe o que
faz. Outra vez tu sabes, a paz nasce da
humildade. A humildade sustenta a
paciência. A paciência permite
permanecer. Fidelidade. A alegria em
Cristo sustenta domínio próprio. O amor
sustenta a fidelidade. Tudo concatenado,
tudo vivo, tudo vindo da mesma seiva,
tudo apontando para a mesma imagem,
Cristo.
E ainda uma pedra que nenhum crescimento
moral, nenhuma disciplina, nenhuma
medicina e nenhuma civilização conseguiu
remover. Freud chamou a morte de um
enigma penoso
e nesse ponto, sua honestidade percebeu
algo que toda geração precisa enfrentar.
A morte não aceita negociação. Você não
suborda a sepultura, não convence o
corpo a permanecer para sempre, não
oferece dinheiro à morte em troca de
mais um século. O furacão pode passar, a
doença pode ser tratada, a pobreza pode
mudar, mas se Cristo não voltar antes,
todos morreremos. A civilização inteira
vive construindo formas de esquecer
isso. Melhores hospitais, melhores
alimentos, melhor tecnologia, mais
ginástica, mais conforto, mais
distração. Tudo pode ser dádiva. Nada é
ressurreição. A morte continua sendo a
grande laje, pesada, fria, antiga. Desde
Adão, geração após geração, ela fecha
túmulos. E se o evangelho fosse apenas
um método de transformação moral,
falharia justamente diante do maior
problema, do maior inimigo. Você poderia
tornar-se mais paciente e morrer, mais
disciplinado em morrer, mais gentil em
morrer, mais equilibrado em morrer. Se
Cristo apenas melhorasse a vida antes da
sepultura, ainda seríamos os mais
miseráveis. Mas o centro da fé cristã
não é apenas que Jesus ensina a viver, é
que Jesus morreu e ressuscitou. A pedra
foi colocada, o corpo foi deitado, a
morte parecia ter feito o que sempre
fazia. Sexta-feira, silêncio, sábado,
silêncio. Então, o primeiro dia, a vida
não metáfora, ressurreição.
Uma pedra removida. Não porque Cristo
precisava de ajuda para sair, mas como
testemunho de que o túmulo não podia
retê-lo, a morte encontrou pela primeira
vez um homem sobre quem não possuía
direito. O santo entrou voluntariamente
no reino da morte, carregando pecados
que não eram seus e saiu porque a dívida
foi paga. A ressurreição é a declaração
do Pai sobre a obra perfeita do Filho,
aceita, completa, vitoriosa. Isso
significa que toda santificação cristã
acontece entre duas ressurreições. A
ressurreição espiritual da regeneração e
a ressurreição corporal do último dia.
Fomos vivificados interiormente. Seremos
vivificados corporalmente. Hoje o
espírito produz fruto em corpos ainda
sujeitos à fraqueza. Um dia aquele que
ressuscitou Jesus dará vida também aos
nossos corpos mortais por seu espírito
que habita em nós. Romanos 8:11. Hoje a
semente quebra mármores do caráter. Um
dia Cristo quebrará a própria sepultura
de todos os seus santos. Hoje o orgulho
racha. Um dia, a morte racha. Hoje a ira
perde território. Um dia a corrupção
perderá o corpo inteiro. Hoje aprendemos
paz em meio à aflição. Um dia não haverá
aflição. Hoje aprendemos alegria com
lágrimas. Um dia Deus enxugará toda
lágrima. Hoje o fruto cresce entre
espinhos. Um dia não haverá mais
maldição. Essa esperança impede que
santificação se torne projeto pequeno de
autoaperfeiçoamento. Estamos sendo
preparados para ver Deus. Estamos sendo
conformados ao primogênito de uma nova
humanidade. Estamos a caminho de uma
cidade em que nada impuro entrará.
Estamos sendo treinados para um mundo
que virá. Por isso, santidade não é
acessório, não é? é a direção da nova
criação já começando em nós. O espírito
é o penhor. Primeiros frutos,
antecipação. A presença dele em nós é a
promessa de que Deus não abandonará o
corpo na sepultura, nem a alma na
imaturidade.
A obra vai terminar. Ele termina o que
começou. Isso dá outra força, a
inevitabilidade.
Não crescemos porque somos naturalmente
melhores. Crescemos porque pertencemos a
uma história que já tem final decidido
em Cristo, cumprido em Cristo. E o
Cristo ressuscitado não perderá nenhum
daqueles que o Pai lhe deu. Ele
intercede. Hebreus o apresenta vivo para
sempre para interceder pelos que se
aproximam de Deus por meio dele. Pense
nisso quando olhar para sua fraqueza,
seu progresso não depende de Cristo
lembrar de você apenas quando você se
lembra dele. Há um sacerdote vivo. Ele
não dorme, não se distrai, não abandona
casos difíceis, não descobre um pecado
seu e se surpreende. Ele conhecia o
preço antes de comprar. sabia de cada
queda, de cada fraqueza, de cada estação
de inverno e foi a cruz a si mesmo.
Agora intercede. Isso não torna um
pecado leve, torna a perseverança
segura.
O mesmo Cristo que diz a Pedro que
Satanás o pediu para peneirar,
acrescenta: "Eu orei por você para que a
sua fé não desfaleça." Pedro cai
terrivelmente, mas não cai finalmente.
Chora, volta, é restaurado. Aprende
humildade em um lugar que jamais teria
escolhido aprender a humildade. A
semente passa por uma noite que parece
morte, mas continua viva. Talvez você
esteja em uma estação em que só consegue
ver a laje. Veja também o Cristo que
intercede. Talvez esteja cansado de uma
luta antiga. Veja também a semente
incorruptível. Talvez uma prova tenha
mostrado que você cresceu menos do que
imaginava. Agradeça pela medida de
crescimento. Confesse. Volte à água.
Talvez uma vitória tenha mostrado que
Deus fez mais do que você percebia.
Agradeça sem transformar o fruto em um
mérito seu. Talvez tenha descoberto que
sua paz era controle ótimo que a luz
entrou agora e te mostrou. Agora procure
a paz que nasce da humildade. Talvez
descobriu que sua gentileza era medo.
Ótimo, que a luz entrou. Agora peça
mansidão com coragem.
Talvez descobriu que seu domínio próprio
era orgulho. Ótimo que a luz entrou.
Agora procure alegria em Cristo que te
liberta. Talvez descobriu que sua
atividade religiosa era a pilha de
pedras. Não coloque mais uma pedra para
esconder a descoberta. Corra para
Cristo. Você não precisa construir uma
árvore, precisa de vida. E vida está no
filho. Aquele que tem o filho tem a
vida. Essa é a grande separação. Não
Freud ou Edwards como heróis humanos.
Não uma escola contra outra, como se
salvação fosse escolher o um homem ou
outro, mas a verdade que flui de Deus. A
separação final é mais profunda. Cristo
ou homem, revelação ou autonomia,
espírito ou carne, vida ou morte, luz ou
trevas, o filho ou um universo sem
filho. É por isso que o evangelho jamais
pode ser reduzido a uma visão mais útil
da psicologia humana. Ele é notícia de
um acontecimento. O filho de Deus veio,
viveu, morreu, ressuscitou, reina,
intercede,
voltará. E agora envia-se o espírito
para habitar em homens e mulheres que
jamais poderiam transformar a si mesmos.
O espírito abre olhos, dá vida, une a
Cristo, produz fé, derrama amor, luta
contra a carne, produz fruto, mantém a
noiva olhando para o noivo cada vez mais
apaixonada e a transforma devagar. Às
vezes tão devagar que ela não percebe,
mas realmente transforma,
inevitavelmente transforma, de dentro
para fora, de maneira concatenada até o
fim.
Então, talvez a frase mais cristã diante
de sua fraqueza não seja: "Eu sou assim,
mas eu ainda não sou o que serei". Isso
é diferente. Eu ainda não sou o que
serei. Ainda há pecado, mas não haverá
para sempre. Ainda há medo, mas não
reinará para sempre. Ainda há orgulho,
mas não sobreviverá a glória. Ainda há
lágrimas, mas não existirão no fim.
Ainda há carne, mas haverá ressurreição.
Ainda vejo como um espelho, mas verei
face a face. Ainda conheço em parte, mas
a história caminha para a plenitude.
Estou
ainda, estou sendo transformado de
glória em glória. E quem faz isso é o
espírito do Senhor. Não a minha força,
não a minha inteligência, não a minha
capacidade de renovar a mim mesmo, o
espírito do Senhor. Isso significa que a
última palavra sobre o cristão não
pertence ao seu passado, não pertence ao
pecado que o humilha, não pertence ao
diagnóstico que ele transformou em
identidade, não pertence ao medo, não
pertence à pedra, pertence a Deus. O Pai
diz: "Semelhante ao meu filho". O pai
predestina isso. O filho diz: "Comprei
com meu sangue". O espírito diz:
"Transformarei". E a sepultura no fim
terá de devolver aquilo que Cristo
comprou. Então, olhe novamente paraa
pequena semente. Você quase não a vê na
mão. Depois olhe para o mármore grande,
pesado, antigo. Se você julgar apenas
pelo peso, apostará na pedra. Mas nós já
sabemos o segredo.
A pedra é enorme, mas está morta. A
semente é pequena, mas vive. O pecado
parece pesado. A história parece pesada.
A carne parece pesada. A morte parece
mais pesada do que tudo. Mas Cristo
vive. E porque ele vive, sua vida está
em seus santos. A semente cresce, a
pedra racha, a árvore sobrem, o fruto
aparece. O espírito continua dizendo:
"Olho para Cristo, olho para Cristo,
olhe para Cristo". Até o dia em que fé
não precisará mais olhar através da
promessa, porque veremos face a face e a
obra terminará sem ansiedade, sem
orgulho, sem impureza, sem
ressentimento, sem covardia, sem
vaidade,
sem morte.
Somente a beleza do filho refletida em
um povo finalmente inteiro. A noiva
pronta, a árvore madura, a colheita
completa, a pedra quebrada, a sepultura
vazia e toda a glória para Deus. Talvez
seja isso que precisamos guardar quando
todas as outras frases se apagarem. Tudo
que eu disse, a vida é mais forte. Não a
vida como energia abstrata, a vida de
Cristo. A vida que venceu a morte, a
vida encriada, a vida comunicada pelo
Espírito, a vida que não nasceu de nossa
decisão
autônoma. A vida que veio de cima
soberanamente, a vida que encontrou um
coração morto e não pediu cooperação, a
morte para ressuscitá-lo.
A vida que falou, a luz que brilhou, a
semente que foi plantada e agora cresce.
Há dias em que você virá mais pedra do
que semente. A pedra faz barulho quando
cai. A semente quase nunca faz. A pedra
impressiona pelo peso. A semente exige
fé na vida que está escondida nela. Seu
pecado pode fazer barulho. Uma queda
pode parecer mais visível do que sem
pequenas obediências. Uma explosão de
ira pode ocupar a memória mais do que
meses em que a graça tornou sua língua
mais lenta. Uma noite de medo pode
parecer mais real do que anos nas quais
Deus sustentou você. sem que percebesse.
Uma tentação antiga pode parecer e
sussurrar. Nada mudou.
Olhe com mais cuidado. Não para fabricar
progresso imaginário, mas para não negar
a graça real. Você volta mais rápido,
confessa mais honestamente,
a desculpa dura menos, Cristo se torna
mais rapidamente seu refúgio. Você
percebe o pecado mais rápido, a ofensa
permanece menos tempo, a aprovação dos
homens perdeu algum peso, a palavra
entrou em áreas que antes não entrava.
Você aprendeu a dizer: "Eu pequei". Sem
colocar uma explicação depois. Você
consegue se alegrar
um pouco mais quando o outro recebe
aquilo que você queria. Consegue ouvir
correção sem reconstruir imediatamente
um tribunal para se defender. Consegue
sofrer sem concluir automaticamente que
Deus o abandonou. Consegue perder
qualquer coisa sem perder Cristo. Talvez
a marca na parede tenha mudado,
sabe? A marca da altura. Talvez você não
tenha visto. O espírito não trabalha
para que você se torne admirador do seu
próprio crescimento, trabalha para que
você admire Cristo. Por isso, quanto
mais amadurece, menos o santo costuma
parecer impressionado consigo mesmo. A
luz cresceu e como a luz, com essa luz
que cresceu, ele vê mais poeira. A
santidade de Cristo se tornou maior e
por isso o seu próprio pecado parece
mais ofensivo. Isso pode gerar um
paradoxo. Você cresceu e sente-se menor.
Está mais santo e percebe mais
profundamente quando precisa de graça.
Está mais firme e fala menos sobre sua
força. Conhece mais e está mais disposto
a dizer não sei. Venceu batalhas e
confia cada vez menos na carne. Isso
também é fruto. Humildade crescendo com
tudo, concatenação.
A graça não produz um homem que olha
para a árvore e diz: "Vejam como eu
cresci". Produz o homem que olha para o
jardineiro e diz: "Como foste fiel! Eu
teria secado, tu regaste. Eu teria
desistido, tu sustentaste. Eu teria
escolhido caminhos que me destruiriam.
Tu perdoaste, podaste.
Eu teria feito paz com pecados antigos.
Tu não fizeste paz com eles. Eu teria
confundido pedras empilhadas com
maturidade. Tu expuseste. Eu teria
chamado meu medo de identidade. Tu
chamaste pelo nome e depois mostraste
Cristo. Eu teria chamado meu orgulho de
prudência. Tu me humilhaste com amor. Eu
teria chamado minha covardia de
mansidão. Tu me ensinaste que fidelidade
também precisa de coragem. Eu teria
chamado meu controle de
responsabilidade. Tu me mostraste a
providência. Eu teria chamado minha
falsa paz de espiritualidade. Tu
derrubaste meus celeiros. Eu teria
chamado minha atividade de fruto. Tu me
mostraste que era uma pilha de pedras.
Eu teria olhado para mim até o
desespero. Tu disseste: "Olhe para
Cristo". E foi olhando que começamos. E
é olhando que continuamos. E é olhando
que terminaremos.
O Espírito abre os olhos do morto para a
glória de Cristo. O Espírito mantém os
olhos do santo na glória de Cristo. E um
dia não haverá mais vé, espelho,
distância, nem fé lutando para ver.
Haverá face. A face que hoje conhecemos
pela palavra, a face que foi cuspida, a
face diante da qual soldados zombaram, a
face sobre a qual caiu a sombra da cruz,
a face do ressuscitado, a face do rei. E
quando a virmos, toda transformação que
hoje acontece lentamente, chegará de uma
vez a sua consumação.
Nenhuma carne restante, nenhum amor
dividido, nenhuma paz falsificada,
nenhuma alegria dependente de
circunstância, nenhuma gentileza
covarde, nenhuma coragem orgulhosa,
nenhuma obediência mecânica, nenhuma
pilha de pedras, somente e vida
perfeita, o fruto maduro, a imagem
completa, o propósito do pai comprido, a
compra do filho plenamente manifestada,
a obra do espírito consumada. Por isso,
não termine olhando para o mármore. Ele
é real, mas não é eterno. Não termine
olhando para a carne. Ela luta, mas foi
condenada na cruz e não tem futuro. Não
termine olhando para sua história. Ela
explica muita coisa, mas não governa o
propósito de Deus. Não termine olhando
para Freud. Nenhuma teoria humana pode
dar ressurreição. Não termine nem mesmo
olhando
para qualquer homem piedoso.
Eles apenas apontaram com extraordinária
lucidez homens como Jonath para que
vieram de outro lugar. Termide onde o
espírito termina.
Cristo. Cristo justificado diante do
mundo por sua ressurreição. Cristo
crucificado por pecadores. Cristo
ressuscitado para nunca mais morrer.
Cristo à direita do Pai. Cristo
intercedendo. Cristo governando. Cristo
vindo. Cristo belo, Cristo suficiente.
Cristo mais precioso do que aquilo que a
carne promete, Cristo mais firme do que
o futuro que você tentava controlar.
Cristo mais doce do que a vingança,
Cristo mais seguro do que os celeiros,
Cristo mais puro do que a luxúria,
Cristo mais duradouro do que a
reputação, Cristo mais forte do que a
pedra. E porque ele vive, aqueles que
estão nele viverão. E porque vivem,
crescerão. E porque o espírito os
transforma contemplando sua glória, não
permanecerão como eram.
Talvez devagar, talvez através de
invernos, talvez sob pressões que
parecem mármore, mas não permanecerão
como eram. A graça não entrou para
decorar a pedra, entrou como semente e a
semente está viva e viva para sempre. Tu
conheces [música] o que eu nem no meio,
[canto]
o orgulho vestido de razão e a [música]
fumaça dos altares [canto]
falsos que levantei em minha devoção.
[música]
Meu pecado é mais que meus tropeços.
[canto]
É raiz doente a [música] florescer.
É a alma desejando [canto]
independência, o peito querendo se
reger.
Quantas vezes troquei [música]
tua [canto] beleza por um reino feito
por mim, [música] mas o homem longe da
tua [canto] face sempre volta ao pó do
[música] próprio fim.
Mas tua luz não vem para ferir, nem
[canto] tua voz me chama para expor.
[música]
Tu descobres a ferida escondida porque
queres restaurar com teu amor.
Tem [canto] piedade de mim, Jesus.
Não me deixes nas mãos do meu querer.
[canto]
Se eu [música] desabo ser a minha rocha,
se eu me perco,
vem me recolher.
>> [canto]
>> Tua cruz desfaz meu falso abrigo.
Teu perdão [canto] me ensina a respirar.
[canto] E o sangue
que verteu do teu [canto] lado
é o que pode um pecador lavar.
Já tentei [música] juntar meus próprios
cacos com promessas feitas na aflição.
Já tentei [canto]
comprar de volta a [música] paz com
tristeza, esforço e devoção. [canto]
Mas a culpa [música] não recua ao
pranto, nem se curva o peso da minha
voz. Ela cai [música] somente diante
[canto]
do cordeiro que morreu e ressuscitou por
nós. Tu és santo, eterno, incontornável.
Eu sou o pó tentando [canto] me exaltar.
Sou um ramo seco sem a [música] videira.
Sou um barco cego em alto mar. Toda
estrada [canto] sem o teu governo tem
aparência, mas não tem saída. [música]
É deserto se chamando liberdade. [canto]
É ruína [música] se vestindo de vida.
Inclina, pois meu coração, Senhor.
Quebra em mim o encanto pelo mal. Põe
temor [música][canto]
onde cresceu soberba, põe doçura onde eu
ergui. Tribunal. [canto]
Tem piedade de mim, Jesus.
>> [música]
>> Não me deixes nas mãos do meu querer.
[canto]
Se eu desabo ser a [música] minha rocha,
se eu me perco,
vem me recolher.
Tua cruz desfaz.
Meu falso
abrigo,
teu perdão me [canto] ensina a respirar.
E o [música] sangue
que verteu do teu lado
é o que pode um pecador lavar. Ah.

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