Sofremos Porque Amamos Coisas Menores Como Se Fossem Maiores | Josemar Bessa
10/09/2026
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#JesusCristo #Evangelho #TeologiaReformada #Justificação #Graça
Fonte: Josemar Bessa
Legendas automáticas:
Há dois textos próximos na Bíblia, no mesmo capítulo, que precisam sempre estar em nossos corações, eh, simultaneamente. O primeiro é: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". Romanos 8:1. O segundo é: "Se vocês viverem segundo a carne, morrerão. Mas se pelo espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão". Romanos 8:13. Então, o evangelho não termina no tribunal, apesar de já ter terminado com o tribunal. Há palavras que parecem encerrar tudo. Romanos 8:1 é uma delas: "Nenhuma condenação". Para o pecador que conhece sua culpa, que sabe o que fez, que sabe o que pensou, que sabe o que desejou, essa frase soa como uma porta se abrindo numa cela: "Nenhuma condenação". Não pouca condenação, não uma condenação suspensa, não uma sentença que talvez volte amanhã, nenhuma. Para os que estão em Cristo Jesus. O tribunal já falou. A acusação foi respondida. A dívida foi paga. A justiça de outro foi colocada sobre nós. A ira que merecíamos não paira mais sobre nossa cabeça. Cristo a recebeu. E por isso, quem está em Cristo não vive tentando convencer Deus a não condená-lo. Não vive negociando absolvição. Não vive pagando parcelas de uma culpa que o sangue de Jesus já quitou. Não vive acordando de manhã perguntando: "Será que hoje Deus me aceitará? Será que no final do do dia eu ainda estarei aceito por Deus?" Se você está em Cristo, a resposta já foi dada. Mas é exatamente aqui que muitos cometem um erro fatal. Eles pensam que se o tribunal terminou, a guerra também terminou. Pensam que se não há condenação não há mais combate. Pensam que a graça retirou a espada da mão do cristão. Romanos 8 não permite isso. O mesmo capítulo que começa dizendo nenhuma condenação, também diz: "Se pelo espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão". O mesmo Paulo a mesma carta o mesmo capítulo a mesma graça. Não há contradição há uma ordem gloriosa. A absolvição não encerra a santidade. Ela inaugura a santidade em nossa vida. A graça não transforma pecado em coisa pequena. Ela transforma o pecado Ela transforma o pecador em inimigo do pecado. Cristo não nos salva do inferno para nos deixar em paz com aquilo que o levou à cruz e à ira infinita de Deus. Ele nos salva da culpa do pecado, do domínio do pecado e um dia nos salvará até da presença do pecado. Então, entre a justificação e a glorificação, há guerra. Não uma guerra para conquistar adoção, uma guerra porque fomos adotados. Não uma guerra para entrar em Cristo, uma guerra porque estamos em Cristo. Não uma guerra para comprar a vida, uma guerra porque a vida entrou em nós. Nenhuma condenação não é uma almofada para carne. É o chão firme sobre o qual o santo se levanta para lutar para guerrear. Se você retirar Romanos 8:1, a batalha, toda ela, vira legalismo. Se retirar Romanos 8:13, a graça vira permissividade. Paulo não retira nenhum dos dois. Nem nós devemos retirar. Nenhuma condenação, nenhuma trégua. Essa é a vida cristã. E há sangue no centro da santidade. A Bíblia descreve a vida cristã de muitas maneiras. Somos filhos, somos lavradores, somos atletas, somos servos, somos mordomos, somos discípulos, somos peregrinos, somos soldados. Várias imagens. Cada imagem mostra alguma coisa. A família mostra o quê? Pertencimento. O campo mostra a paciência do lavrador, não é? A corrida mostra a perseverança, a mordomia mostra a responsabilidade. O discipulado mostra aprendizado e a peregrinação mostra direção. A guerra mostra perigo. E quando a escritura se aproxima da luta direta contra o pecado, a linguagem fica dura. A linguagem endurece. Morrer, crucificar, mortificar, arrancar, cortar, subjugar, combater. Não é estilo dramático. Não é gosto por palavras fortes. É teologia. Porque no centro da nossa libertação do pecado, há um corpo ferido. Um corpo partido, há uma cruz, há sangue, há morte, há um cálice. Se o pecado pudesse ser resolvido por aconselhamento, Cristo teria trazido conselhos para nós. Se pudesse ser vencido por educação, Cristo teria trazido apenas informação, ensino. Se fosse uma indisposição leve, Deus teria enviado um remédio leve. Mas o filho de Deus foi crucificado. Isso nos diz alguma coisa sobre o pecado. O pecado não é uma falha de etiqueta cósmica, não é uma irregularidade pequena, não é uma simples falta de ajuste. Não é um distúrbio químico no cérebro. É rebelião contra o Deus infinitamente digno. É troca de glória, é desprezo, é preferência por outra coisa. É uma força que habita em nós e tenta novamente ocupar o trono. É por isso que Pedro diz que Cristo levou nossos pecados no corpo sobre o madeiro, para que, ele diz, morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça. Primeira Pedro 2:24. Observem a ordem. Ele morreu por nossos pecados, nós morremos para os pecados nele. Agora vivemos para a justiça. Já Paulo diz em Romanos 6 que nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Mas em Gálatas 2:20, ele diz: "Fui crucificado com Cristo". Em Gálatas 5:24, que os que pertencem a Cristo crucificaram a carne com suas paixões e desejos. Mas em Colossenses 3:3, ele diz: "Vocês morreram". E então, dois versos depois, dois versículos depois, ele diz: "Façam morrer tudo que pertence à natureza terrena". Parece estranho. Se morremos, por que matar? Por que fazer morrer? Porque o pecado foi destronado, mas ainda não foi removido. Ele perdeu o direito de reinar, mas ainda tenta governar. Foi condenado na cruz, mas ainda se move dentro da carne. É como um inimigo derrotado que continua atirando durante a retirada. É como uma tirania que caiu, mas cujos soldados ainda ocupam becos da cidade. É como uma serpente cuja cabeça foi esmagada, mas cujo corpo ainda se contorce. Nunca confunda contorção com soberania, mas também nunca confunda derrota com inexistência. Cristo venceu, exatamente porque Cristo venceu, lutamos. A santificação é a guerra de um povo que já pertence ao vencedor. Então, o que Paulo está dizendo e Pedro é: "Não faça paz com um assassino". O grande puritano inglês, né, John Owen, ele condensou uma verdade paulina em uma frase famosa: "Esteja matando o pecado ou o pecado estará matando você". Isso soa extremo apenas para quem ainda imagina que o pecado quer negociar. O pecado nunca quis coexistência. Ele quer domínio. Ele aceita um pequeno espaço hoje para pedir a casa inteira amanhã. Ele pede um olhar, depois pede imaginação, depois pede consentimento, depois pede repetição. Depois chama repetição de hábito, depois chama hábito de identidade. Depois diz: "É assim que você é". Ele pede uma cadeira e termina pedindo o trono. Então, não faça tratados de paz com o inimigo que não reconhece tratados. Não há acordo seguro com o orgulho. Não há quantidade controlada de inveja. Não há adultério domesticado, não há ganância inofensiva. Não há amargura que aceite ficar pequena. Não há pornografia que diga: "Vou parar exatamente aqui". Não há vaidade que um dia anuncie: "Já recebi admiração suficiente". Não há ressentimento que se satisfaça com uma memória. O pecado é expansivo. E por isso Jesus fala de olhos arrancados e mãos cortadas em Mateus 5. Não porque ele esteja ordenando mutilação física, mas porque está destruindo a linguagem confortável com que protegemos aquilo que nos destrói. A linguagem da racionalização, do humanismo secular, de chamar nossos pecados de distúrbios, né? De síndromes. Se isso está levando você para o inferno, trate como algo que leva você para o inferno. É o que ele está dizendo. Essa é a força. Nós frequentemente fazemos o oposto. Tratamos doenças mortais como incômodos leves. Damos ao pecado nomes delicados, nomes terapêuticos. O orgulho vira personalidade forte, cobiça vira ambição, que todo homem deve ter, fofoca vira preocupação, ira vira franqueza, luxúria vira carência, inveja vira senso de justiça, preguiça vira autocuidado, controle vira responsabilidade, medo do homem vira sensibilidade, medo do amanhã, a gente vai dizer que é medo do que vai acontecer, é ansiedade, mas não como a Bíblia diz, é outra coisa, né? É um distúrbio só. E então nos perguntamos por que não vencemos. Você não pode executar um inimigo que continua chamando de amigo. Não pode mortificar aquilo que protege linguisticamente. Você não pode matar aquilo que continua alimentando em segredo. A primeira seriedade da guerra é chamar o pecado pelo nome. Não para desesperar, mas porque já existe nenhuma condenação em Cristo. É justamente a segurança do evangelho que nos permite ser brutais na confissão. Se minha aceitação dependesse da minha inocência, eu esconderia tudo. Se dependesse do meu desempenho, eu maquiaria. Se dependesse de parecer santo, eu mentiria. Mas se Cristo é minha justiça, posso dizer a verdade. Posso olhar para algo feio em mim e dizer: "Isso é pecado. Isso é orgulho. Isso é inveja. Isso é fofoca. Isso é amor ao dinheiro. Isso é ansiedade. Isso é pecado". Sem acrescentar: "Logo, Deus deixou de me amar". A cruz me impede de minimizar o pecado. E a cruz me impede de absolutizar o pecado também. Ele é pior do que eu gostaria de admitir, mas Cristo é melhor do que eu consigo imaginar. Por isso não há trégua. E por isso não há desespero. Então o pecado precisa aparecer tão feio quanto é. Por que a escritura fala do pecado com tamanha gravidade? Porque nós não vemos naturalmente a feiura do pecado. Não vemos naturalmente sua feiura, vemos a consequência. Vemos a vergonha, vemos a perda, vemos a reputação quebrada, vemos o casamento ferido, vemos o ministério destruído, vemos a saúde comprometida, vemos a prisão, vemos a lágrima, mas não vemos facilmente o pecado como ofensa contra Deus. Davi precisou dizer no Salmo 51: "Contra ti, contra ti somente pequei". Não porque não tivesse pecado contra pessoas, tinha, mas porque toda culpa horizontal repousa sobre uma rebelião vertical. Então Romanos 3:23 diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus, estão destituídos dela. Pecado é uma questão de glória. Romanos 1 mostra a troca. A glória de Deus incorruptível é trocada por imagens, ou seja, por qualquer qualquer coisa na criação. A criatura recebe o peso do criador, ou seja, a glória do criador. É por isso que o sofrimento do mundo é tão grave. Romanos 8 diz que a criação foi sujeita à frustração. Romanos 5 diz que a morte entrou pelo pecado. Isaías 53 mostra que nossa cura exigiu que o servo fosse esmagado. A lei levou séculos repetindo sacrifícios. Sangue, culpa, impureza, juízo, porque nossa consciência é lenta. Não precisamos ser ensinados a sentir é é nós precisamos ser ensinados a sentir a diferença entre pecado e erro. Erro pede correção. Pecado pede expiação. Erro pede informação. Pecado pede sangue. Erro pode ser resolvido com educação. Pecado exigiu o cordeiro de Deus, a cruz é interpretação definitiva da gravidade do pecado. Se você quer saber quanto Deus odeia o pecado, não olhe primeiro para o inferno. Olhe para o calvário e o que caiu sobre o seu filho. Ali o filho amado carregou ira infinita. Carregou nossa culpa. Ali a santidade de Deus não foi negociada. Sem acordos. Ali a justiça não foi colocada de lado para que o amor pudesse entrar. Ali o amor satisfez a justiça. Ali a misericórdia não chamou o mal de bem. Ela assumiu o custo infinito do mal. Por isso a guerra cristã não é puritanismo neurótico. É uma resposta a Gólgota. Nós queremos matar em nós aquilo que matou nosso Senhor. Não porque nossa mortificação complete a cruz ou participe da não condenação. Nada completa a cruz. Mas porque a cruz finalmente nos ensina o que é pecado. Quando você vê o filho de Deus crucificado, a pergunta deixa de ser: "Até onde posso ir sem perder minha salvação?" E passa a ser: "Como posso abraçar aquilo que colocou meu Salvador naquele madeiro?" A graça não abaixa a gravidade. A graça revela a gravidade e fornece poder para guerra. Então Romanos 8:13 é para é quem ouviu Romanos 8:1. Aqui está uma das coisas mais importantes da passagem. Paulo não muda de público entre Romanos 8:1 e Romanos 8:13. Ele está falando com a igreja, com santos, com pessoas chamadas para pertencer a Cristo. Com gente que ouviu falar do espírito de adoção. Com pessoas a quem ele pode dizer: "Vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem." E essas mesmas pessoas, a elas, a essas pessoas ele diz: "Se viverem segundo a carne, morrerão." Muitos pregadores modernos teriam dificuldade em dizer isso. Parece perigoso, parece ameaçador, parece capaz de perturbar a segurança tão frágil das pessoas. Ah, elas vão ficar é são Paulo parece pensar o contrário, ah. Ele não está fazendo terapia. Ele entende que os avisos de Deus são um dos meios pelos quais Deus preserva seus filhos. O eleito não é alguém que não precisa de advertência. É alguém que ouve a advertência como misericórdia. Ele escuta Romanos 8:13 e diz: "Meu pai está falando comigo. Meu capitão está me avisando sobre um campo minado. Meu pastor está me chamando para longe do precipício. O Deus que me justificou está usando sua palavra para me levar para casa. Essa é uma diferença enorme. O incrédulo nominal ouve o aviso e pensa, o cristão nominal, né? É isso não é para mim, eu já sou cristão, eu já fiz uma oração, eu já fui batizado, eu já professei fé, não dramatize a luta contra o pecado. Graça é graça, mas esse uso da graça é precisamente uma recusa da graça bíblica. Judas fala de homens que transformam a graça em libertinagem. Eles não têm uma compreensão superior da graça. Eles a perverteram. A verdadeira graça não diz: "Cristo morreu, então durma". Ela diz: "Cristo morreu, portanto, desperte". Ela não diz: "Cristo lutou, então você nunca lutará", mas "Cristo venceu, portanto, lute a partir da vitória dele". Os avisos não contradizem a perseverança dos santos, são instrumentos da perseverança dos santos. Um pai pode gritar para o filho: "Não atravesse". O grito não prova falta de amor, prova amor. A cerca não prova que o pasto é inseguro, prova que o pastor conhece o abismo. Romanos 8:13 é uma cerca de misericórdia e o coração regenerado reconhece a voz do pastor nela. Então, todo sermão tem alguma coisa eterna em jogo. Há uma maneira de de pensar a pregação que divide tudo em duas categorias: sermões para salvar, sermões para edificar. Primeiro você recebe o evangelho, depois recebe dicas para viver melhor. Primeiro o grande assunto, depois os assuntos menores. Paulo não pensa assim. Toda edificação verdadeira participa do caminho pelo qual Deus preserva seu povo. Toda exortação bíblica serve a perseverança. Toda promessa fortalece a fé. Toda advertência desperta vigilância. Toda visão da glória de Cristo enfraquece um ídolo. Toda repreensão fiel coloca a luz em um esconderijo. Toda doutrina verdadeira arma a igreja, por isso o domingo é sério. Não sombrio, sério. Há uma diferença. Uma sala de cirurgia é séria porque há vida em jogo. Uma mesa de casamento é séria porque aliança está em jogo. Um campo de batalha é sério porque o inimigo é real. A reunião da igreja é séria porque a eternidade está em jogo. Quando isso desaparece, o culto pode se tornar uma tentativa de provar que cristianismo é divertido. É um encontro social, não é? A alegria vira entretenimento, a reverência vira constrangimento. A pregação vira conversa agradável, terapia. Vira papo de coach, não é? Vira a maneira que eu posso consertar as coisas, é, que eu não tô gostando na minha vida. E a santidade vira sugestão. O pecado vira assunto negativo demais para, ah, um domingo de manhã, não é? O pecado é, é falar sobre o pecado, sobre a culpa é tóxico para muitos, para, usar a linguagem tão cansativa dos nossos dias. Mas se pecado mata, se Cristo morreu, se o Espírito santifica, se a palavra preserva, se santos perseveram por meios, então domingo não é um intervalo da guerra. É suprimento para a guerra. A igreja se reúne cansada. Alguns chegam feridos, alguns chegam entorpecidos, alguns passaram a semana alimentando um pecado secreto. Alguns passaram a semana resistindo e estão exaustos. Alguns quase desistiram, alguns nem perceberam o perigo. Então a palavra é aberta, Cristo é pregado, o pecado é nomeado, a promessa anunciada, o aviso soa, o espírito toma a verdade e faz aquilo que nenhum entretenimento consegue fazer. Ele sustenta santos. Todo sermão fiel é nesse sentido um sermão de preservação. Deus guarda seu povo pela verdade. O domingo é eternamente sério. E justamente por isso pode se tornar a hora mais alegre da semana. Porque o Deus que nos chama à guerra é o Deus que nos promete vitória final porque a vitória já foi conquistada em nosso lugar. Então Hebreus 12:14 aparece para nós e diz: "Busquem a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor". Essa frase também incomoda. Ela deveria incomodar. Não porque ensine salvação por obras mas porque destrói a ideia de uma salvação que deixe o homem apaixonado pelo mesmo pecado do qual diz ter sido salvo. A Bíblia não conhece justificação sem santificação. Não porque sejam a mesma coisa, não são. A justificação é um ato de Deus por nós. Não há nenhuma condenação. A santificação é uma obra de Deus em nós. Na justificação a justiça de Cristo é imputada, na santificação o espírito nos transforma. A primeira não é progressiva, a segunda é. A primeira não cresce, nenhuma condenação. A segunda cresce. A primeira é perfeita no instante em que somos chamados eficazmente. A segunda permanece incompleta até a glória, ou seja, até sermos glorificados. Mas o Deus que dá uma, dá a outra. O Cristo que justifica não abandona seu povo a carne. O espírito que sela também santifica. A fé que recebe perdão, também recebe Cristo. A mesma fé, mesmo dom da fé. E Cristo nunca vem em partes. Você não pode dizer: "Quero a justiça dele, mas não quero o governo dele. Não quero o caráter dele. Quero a cruz, mas não quero o espírito me santificando. Quero perdão, mas não quero purificação. Quero o céu, mas não quero santidade". Isso não é escolher uma versão mais confortável do cristianismo. É pedir uma salvação que Deus nunca revelou. Romanos 8:13 não substitui a graça por mérito. Mostra como a graça opera, pelo espírito. Essa expressão muda tudo. Não diz: "Se pela força de vontade", não diz: "Se pela vergonha", não diz: "Se pelo medo da opinião dos outros", não diz: "Se por disciplina sem Cristo", diz: "Se pelo Espírito Santo". A mortificação cristã é sobrenatural. O espírito aplica a obra de Cristo, mostrando a beleza de Cristo. O espírito ilumina a palavra, o espírito torna a promessa real no coração, cria afeições santas. O espírito expõe a mentira. O espírito mostra a beleza superior de Deus, o espírito fortalece a vontade renovada. Nós agimos, mas agimos porque Ele age em nós. Ele age o querer e o efetuar. Nós matamos, mas matamos pelo espírito. Nós perseveramos, mas somos guardados pelo poder de Deus mediante a fé. Essa é a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor. Não mérito que compra Deus, graça que transforma quem Deus comprou soberanamente. Então não corte o fruto e deixe a raiz. Aqui nós chegamos a pergunta prática. Como o pecado morre? Muita gente começa pela flor, pelo comportamento visível. A pessoa grita, então decide: preciso parar de gritar. A pessoa mente: preciso parar de mentir. A pessoa olha pornografia: preciso bloquear sites. A pessoa gosta, é é A pessoa gasta descontroladamente: preciso cortar o cartão. E assim vai. Ah, em certos momentos há valor em fugir, há valor em cortar acesso, não é? Mas se tudo terminar no comportamento, a raiz continua alimentada. Você pode podar uma árvore ruim por anos, ela continua sendo uma árvore ruim. Pode impedir certos frutos, pode reduzir dano social, pode até produzir reputação respeitável, mas moralidade externa não é santificação. Jesus diz: façam a árvore boa e o fruto será bom. Em Mateus 12: 33. O pecado tem sistema radicular. Não é? Um sistema de raízes. Um ato de luxúria não nasce no segundo do ato. Uma explosão de ira não começa na boca. Uma mentira não nasce na língua. Uma fofoca não com não não não começa naquela conversa. Uma crise de inveja não começa quando você vê a foto de alguém. Raízes, desejos, tesouros, medos, crenças, preferências, adorações. O comportamento é a superfície de uma liturgia interior. Por isso Paulo não quer apenas frutos diferentes, ele quer outro centro. Romanos 8 chama isso de vida segundo o espírito. Colossenses 3 não diz apenas: "Não façam certas coisas". Diz: "Vocês morreram e a vida de vocês está escondida com Cristo em Deus". Depois diz: "Façam morrer". Identidade antes de mortificação. União antes de guerra. Cristo antes de corte. Mas corte real depois de Cristo. A raiz não é removida com slogans. Ela precisa ser exposta. E o grande diagnóstico de Romanos 1 a 3 é este: Na raiz, pecado é preferir qualquer coisa acima de Deus. É colocar valor supremo, o dar peso ou glória, colocar valor supremo em algo que não é supremo. É sentir mais encanto por um substituto do que pelo próprio Deus. É olhar para a glória e trocá-la. É isso que precisamos matar. É isso que ele está dizendo. O pecado na raiz é uma questão de valor. Nós costumamos pensar no pecado, principalmente, como violação de regras. A Bíblia vai muito mais fundo. Por que quebramos regras? Porque alguma coisa parece mais valiosa naquele momento do que obedecer a Deus. Pecado é uma questão de valor. A mentira promete proteção e nós achamos que teremos mais proteção ali do que em Deus. A luxúria promete prazer e nós acreditamos que teremos mais prazer ali do que em Deus. A ganância promete segurança e nós acreditamos que o dinheiro vai nos dar segurança e não Deus. A vaidade promete importância. A vingança promete justiça controlada por nós mesmos. A fofoca promete superioridade. O controle promete segurança, a preguiça promete descanso sem confiança. A ansiedade e não adianta tentar trazer outras definições. A ansiedade promete uma forma de vigilância que dispensa a providência divina. O pecado chega carregando promessas. Ele nunca diz apenas: "Faça o mal porque é mal". Diz: "Isso é melhor, isso vai te satisfazer, isso vai proteger você, isso vai elevar, isso vai consolar você, isso vai salvar". Por isso matar pecado não é simplesmente aprender a dizer não, é aprender a dizer um sim mais forte para outra coisa. Você não derrota um prazer enganoso apenas com a ausência de prazer. Precisa de prazer superior. Você não derrota um tesouro falso apenas com vazio. Precisa de tesouro maior. Você não mata adoração desviada apenas proibindo a adoração. Precisa recolocar Deus no centro. Romanos 1 diz que o homem trocou a glória de Deus por imagens, pela criação. A solução precisa desfazer a troca. Precisamos ver a glória novamente. Não apenas saber que Deus existe e que ele é glorioso. Demônios sabem. Não apenas saber doutrina sobre Deus. Fariseus conheciam os textos. Precisamos conhecer Deus como ele é. Verdadeiro, belo, santo, suficiente, desejável, digno, mais precioso do que tudo o que o pecado oferece ou tenta oferecer. É por isso que a batalha contra o pecado é também a batalha por visão. O coração peca porque ficou impressionado com outra glória. Santificação acontece quando a a glória superior volta a ocupar todo o horizonte. Então, é é o problema é que as pessoas é estão se relacionando com pecados, com doutorado, com conhecimento escolar primário de Deus. A cristão tentando a a cristãos tentando combater pecados sofisticados com uma visão infantil de Deus. Pecados de doutorado. Conhecimento escolar de Deus, conhecimento do primário de Deus. No pecado são doutores. Tentação foi refinada durante anos. Desejos foram treinados por décadas. Humanismo secular nada mais é do que dar um doutorado para o pecado. Ídolos aprenderam a falar nossa língua. A carne conhece nossas fraquezas. O mundo investe bilhões para capturar atenção, desejo, fantasia, identidade. E muitos cristãos enfrentam tudo isso com quatro frases genéricas sobre Deus. Deus é bom, Deus me ama, preciso confiar. Tudo verdadeiro, mas pouco saboreado, pouco contemplado, pouco enraizado, pouco visto. Não é falta de informação apenas, é falta de visão espiritual. É possível ler sobre Deus por 40 anos e ainda tratá-lo como um conceito. É possível possuir uma biblioteca teológica e continuar desejando a aprovação humana mais do que a aprovação do pai. É possível, é, explicar atributos divinos sem sentir o peso deles sobre a sua alma. É possível defender a soberania sem dizer, é, descansar na providência. Falar sobre a soberania de Deus e viver ansioso. Não viu a glória da soberania. A glória da providência para descansar sobre ela. Então o coração não descansa. É possível defender a suficiência de Cristo e viver como se carreira fosse suficiente. É possível pregar graça e ainda construir identidade sobre o aplauso. É possível falar da glória de Deus e viver para a glória própria. Isso é assustador mas necessário ser visto por nós. Conhecer Deus biblicamente não é apenas acumular proposições corretas. É ter a mente iluminada pela verdade e o coração capturado pelo valor da verdade. Paulo ora em Efésios 1, para que os olhos do coração sejam iluminados. Os olhos do coração. Não apenas a memória, não apenas o raciocínio. Visão. Ou seja, percepção espiritual. Em 2 Coríntios 4:6, ele diz que o Deus que ordenou que a luz brilhasse nas trevas, brilhou em nossos corações para a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. É criação. Das trevas resplandeça a luz. É assim que um pecador começa a ver. E é assim que um santo continua sendo transformado. Nós precisamos eh eh eh de mais do que mais do que regras contra desejos. Precisamos que Cristo se torne maior diante dos olhos da alma. E Paulo, por exemplo, ele Deixa eu beber aqui um pouquinho. Paulo combate imoralidade sexual, em primeira Tessalonicenses 4, de uma maneira reveladora. Ele disse que a vontade de Deus é nossa santificação. Que devemos nos afastar da imoralidade sexual. Que cada um deve controlar o corpo em santidade e honra. E então descreve os gentios como aqueles que vivem em paixão de desejo desenfreado. Aí ele diz por que não conhecem a Deus. Essa frase não é do coração, é um diagnóstico. Por que a luxúria domina? Por que Deus não ocupa o centro do sistema? Porque não conhecem a Deus. Imagine uma alma como um sistema solar. Alguma coisa sempre será o sol. Alguma coisa fornecerá gravidade. Alguma coisa puxará pensamentos, energia, tempo, dinheiro, fantasia, medo, projetos para sua órbita. Quando Deus é apenas um pequeno cometa atravessando ocasionalmente o céu, o sexo pode se tornar o sol. A carreira pode se tornar sol. O casamento pode se tornar sol. Filhos podem se tornar sol. Ministério pode se tornar sol. Política pode se tornar sol. Reputação pode se tornar sol, sofrimento pode se tornar sol. Até a própria batalha contra o pecado pode se tornar sol. Se você pensar mais no seu desempenho espiritual do que em Cristo. Então santificação não é colocar dezenas de planetas em órbita por disciplina externa. É restaurar o sol verdadeiro. Quando Deus é visto em sua beleza, as coisas criadas voltam ao seu tamanho correto. Sexo volta a ser dom de Deus, usado como Deus determinou e não um Deus. Trabalho volta a ser vocação, não identidade. Entende? Sexo volta a ser dom e não Deus. Trabalho volta a ser vocação e não identidade. Dinheiro volta a ser ferramenta. Não segurança. Não fonte de paz. De segurança. Casamento volta a ser uma aliança, não a salvação da minha vida. Ministério volta a ser serviço, não um pedestal. Teologia volta a ser conhecimento de Deus, não combustível para vaidade. O problema do pecado não é que coisas boas existem. É que coisas boas recebem órbitas erradas. E o evangelho não destrói criação. Ele reordena criação ao redor do criador. Então se a raiz do pecado é preferir outra coisa a Deus, então ameaças e sozinhas não podem produzir santidade. Medo pode conter comportamento. Pressão pode reduzir oportunidade. Vergonha pode criar silêncio. Consequências podem interromper atos, mas avisos, aviso não cria beleza. Uma placa dizendo precipício não faz você amar o caminho seguro. Ela mostra que o outro caminho mata. Isso é misericórdia. A Bíblia mistura maravilhas e advertências, promessas e ameaça, consolo e repreensão, beleza e perigo. Por quê? Porque avisos podem não dar visão, mas podem informar que você está cego, que estamos cegos. Imagine um homem cego caminhando para uma escada quebrada. Seria crueldade dizer: "Não quero ser negativo". Amor grita. Amor interrompe. Amor desagrada por um minuto para impedir destruição. O problema não está em advertir, está em advertir sem mostrar Deus. Se toda a pregação é: "Não faça, não toque, pare, cuidado, você vai sofrer, vai destruir seu casamento, vai destruir aquilo", então o povo pode aprender a temer a punição ou o resultado sem amar santidade. Pode se tornar moralmente contido e espiritualmente vazio. Mas se toda a pregação é apenas: "Deus ama, tudo ficará bem, você é aceito, não se preocupe", sem avisos, ela cria pessoas sonolentas à beira do abismo. A Bíblia faz algo melhor. Ela mostra o precipício e mostra Cristo. Ela mostra a morte do pecado e mostra a beleza da santidade. Ela mostra a ira e mostra a propiciação da ira. Ela mostra o inferno e mostra o cordeiro. Ela mostra o perigo de amar o mundo e mostra uma glória capaz de tornar o mundo pequeno e insignificante. A advertência diz: "Você está cego". O evangelho, ora, Senhor, abre meus olhos. Então, quando Jesus comissiona Paulo em Atos 26, a linguagem é impressionante. Ele o envia para abrir olhos, para converter pessoas das trevas para a luz, do poder de Satanás para Deus, para que recebam perdão e herança entre os santificados pela fé em Cristo. Perdão e santificação aparecem juntos. Luz e libertação aparecem juntos. Ver e ser transformado aparecem juntos. Esse é o chamado da igreja. Não podemos produzir visão, mas fomos enviados para anunciar luz. Não podemos ressuscitar coração morto, mas fomos enviados para pregar Cristo. Não podemos fazer alguém saborear Deus, mas podemos colocar diante dele, com fidelidade bíblica, a beleza de Deus em suas palavras, em suas obras, em seus caminhos e supremamente na face de Jesus Cristo. O ministério da palavra é humanamente impossível. Isso deveria nos humilhar. Você pode elaborar a melhor estrutura, pode escolher as melhores palavras, pode dominar exegese, pode ter voz poderosa, pode construir ilustrações memoráveis e ainda assim nenhum morto levanta por eloquência. Nenhum cego vê por retórica. Nenhum coração de pedra ama Deus porque um pregador foi inteligente. Deus talvez lhes conceda o arrependimento, 2 Timóteo 2:25. É por isso que pregamos. Deus talvez lhes conceda o arrependimento. Deus concede. Por isso Atos 6 coloca lado a lado oração e ministério da palavra. Não oração ou palavra, oração e palavra. Pregamos porque Deus ordenou meios. Oramos porque somente Deus dá vida aos meios. Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua palavra. Salmo 119:18, né? Essa oração deveria viver dentro de todo sermão. Abre meus olhos enquanto estudo. Abre meus olhos enquanto prego. Abre os meus olhos, abre os olhos do teu povo enquanto eles ouvem. Faz Cristo parecer tão glorioso quanto ele é realmente. Faz o pecador parecer tão miserável quanto ele é. Faz o mundo perder o brilho falso. Faz tua promessa adquirir peso. Faz teus filhos verem tua glória. Porque quando os olhos se abrem, ídolos começam a encolher diante de nós. Então chegamos ao centro. Como Deus vence nossa preferência por outras coisas? Ele não responde apenas com mandamentos maiores. Ele nos dá seu filho. Cristo não é apenas a base jurídica da nossa justificação. Ele é também a beleza que o espírito apresenta ao coração é regenerado. Na cruz vemos santidade que não negocia pecado. Vemos amor que paga o preço. Vemos justiça satisfeita. Vemos misericórdia correndo para culpados. Vemos o filho obediente. Vemos o pai que não poupou o próprio filho. Vemos seriedade, a seriedade do pecado. Vemos a grandeza da graça. Tudo converge ali. Se eu quero alimentar a luxúria, a cruz pergunta: "Você chamará de pequeno aquilo que exigiu esse sangue?" Se eu quero alimentar o orgulho, a cruz mostra o Senhor da glória humilhado. Se eu quero alimentar a amargura, a cruz mostra perdão comprado para um inimigo como eu. Se eu quero viver para dinheiro, a cruz mostra um salvador que se fez pobre por amor de nós. Se eu quero viver de aprovação do mundo, das pessoas, a cruz mostra o filho rejeitado por homens e recebido pelo pai. Se eu quero controlar tudo, a cruz mostra Jesus entregando-se à vontade do pai. Se eu temo o sofrimento, a cruz não promete ausência de dor, mostra um Deus que entrou na dor e transformou maldição em caminho de glória. O evangelho mortifica pecado por reordenar amores. Não apenas isso é proibido, mas Cristo é melhor. Não apenas isso vai ferir você, mas você já possui algo infinitamente mais precioso. Não apenas não adore isso, mas olhe para ele. O Espírito não nos santifica desviando nosso olhar de Cristo para nossa santidade. Ele nos santifica fazendo Cristo dominar todo o horizonte diante de nós. Segunda Coríntios 3:18 diz que contemplando a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória. Contemplando, transformados. A visão alimenta a transformação, a beleza enfraquece o substituto, a glória mata a idolatria. Há uma maneira de falar da graça que a reduz ao começo da vida cristã. Graça perdoa, depois a disciplina assume no lugar da graça. Graça nos coloca dentro, depois força de vontade nos mantém. Graça resolve o passado, depois nós cuidamos do futuro até o fim. Isso não é Paulo. A graça que justifica também reina. Tito 2 diz que a graça de Deus se manifestou trazendo salvação e que essa mesma graça nos ensina a renunciar a impiedade e as paixões mundanas. A graça ensina, a graça treina, a graça forma, a graça disciplina desejos. Ela não é apenas a porta da casa, ela é o ar da casa. Não apenas o recibo da dívida paga, é o poder presente de Deus em favor do seu povo. Isso importa porque há dois erros opostos na mortificação. O primeiro é tentar matar pecado para fazer Deus nos amar. Isso é legalismo. Não importa quanto você está usando a Bíblia ou inventando regras. Você luta, ora, jejua, confessa, se disciplina porque acredita que no final do dia Deus olhará seu desempenho e decidirá se você merece carinho. Essa guerra produz escravos, mesmo quando vence comportamentos, alimenta o orgulho ou então o desespero. Se você tem uma semana boa, sente-se superior. Se tem uma semana ruim, pensa que perdeu Deus. Em ambos os casos, Cristo deixou de ser o fundamento. O segundo erro é dizer: "Já que Deus me ama pela graça, minha luta não importa tanto". Isso é graça transformada em permissão. Você não luta para ser amado. Verdade, mas o amor que recebeu cria luta. Você não luta para produzir união com Cristo, verdade, mas união com Cristo produz morte para o pecado. Você não luta para conquistar o espírito, verdade, mas quando recebeu o espírito não pode fazer paz com a carne. A graça bíblica destrói os dois erros de uma vez. A graça diz: você é aceito em Cristo e então agora levante-se. Ela diz: seu pai não vai abandoná-lo e então por isso não volte para a escravidão. Ela diz: Cristo é sua justiça e então por isso apresente seus membros a Deus como instrumentos de justiça. Romanos 6 faz exatamente isso. Paulo não diz: vocês morreram com Cristo, portanto o que fizerem agora é irrelevante. Ele diz: considerem-se mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Depois não deixem o pecado reinar. Observe, reinar. O pecado ainda pode tentar, pode gritar, pode ameaçar, pode prometer, pode ferir, mas não tem direito ao trono. A santificação consiste em viver de acordo com a mudança de reino que já aconteceu. O cristão não diz: preciso destronar o pecado para que Cristo talvez reine. Ele diz: Cristo reina, portanto este usurpador não ficará sentado aqui. Essa é uma diferença enorme. Você entra na batalha não como alguém tentando decidir quem será rei. O rei já foi entronizado. Você entra para expulsar bolsões de resistência ao rei. E até a sua força para expulsá-los vem do rei. É por isso que Paulo pode dizer em Filipenses 2: desenvolva a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto querer quanto o realizar. Nós queremos Deus opera o querer. Nós realizamos, Deus opera o realizar. Nós lutamos, Deus sustenta a luta. Nós matamos pelo espírito. Isso não torna a ação humana fictícia. A torna dependente completamente. O cristão não fica sentado esperando a santidade cair do céu, mas também não corre sozinho para o campo com uma espada de madeira. Ele depende, ora, obedece, corta provisões, memoriza promessas, memoriza o evangelho, confessa, busca ajuda, foge da ocasião e em tudo isso diz: "Se o Senhor não sustentar minha mão, eu cairei". "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham as que edificam". A graça não é apenas o perdão do guerreiro, é o poder para a guerra. E aqui talvez aqui está talvez a implicação pastoral mais importante de tudo isso. Se a raiz do pecado é preferir alguma coisa acima de Deus, então a cura não pode ser apenas repetir proibições. A proibição tem lugar, o mandamento é santo, a advertência é necessária, mas o coração não abandona um tesouro simplesmente porque alguém gritou: "Isso não é um tesouro". Ele precisa ver um tesouro maior. Imagine uma criança segurando na mão um pedaço de vidro quebrado. Ele brilha. Ela acha que o vidro bonito. Você pode ordenar: "Solte". Talvez seja necessário. Pode avisar: "Vai cortar sua mão". Também necessário. Mas se ela vê uma joia verdadeira, o vidro perde parte do seu encanto. O pecado é um pedaço de vidro que aprendeu a refletir luz suficiente para enganar corações cegos. A pregação cristã precisa fazer mais do que bater na mão, sabe? Da criança. Precisa abrir a caixa do tesouro, precisa mostrar Cristo. Mostrar sua pessoa, sua beleza moral, sua santidade sem frieza, sua compaixão sem permissividade, sua autoridade sem tirania, sua coragem sem orgulho, sua mansidão sem fraqueza, sua obediência perfeita, seu amor pelos indignos, sua ira contra o mal, contra o pecado, sua disposição de tocar leprosos, sua liberdade diante da aprovação humana, sua submissão ao pai, sua cruz, sua ressurreição, sua intercessão, seu reinado, sua volta. Não existe mortificação cristã madura sem cristologia viva. Quanto mais superficial nossa visão de Cristo, mais poder as substituições dele terão. Se Cristo é apenas aquele que me ajuda, carreira ainda pode parecer mais concreta. Se Cristo é apenas aquele que me perdoa, sexo ainda pode parecer mais prazeroso. Se Cristo é apenas aquele que me leva para o céu, aprovação humana ainda pode parecer mais urgente. Mas quando o Cristo começa a aparecer como o próprio tesouro, algo muda. Não instantaneamente em todas as áreas. Não sem luta, não sem lágrimas, mas muda. Moisés considerou o opróbrio de Cristo maior riqueza do que os tesouros do Egito. Observe a linguagem de valor, maior riqueza, maior beleza. Hebreus 11 não diz apenas que Moisés sabia que o Egito era errado. Ele avaliou os dois tesouros e Cristo pesou mais, ou seja, teve mais glória. É isso que precisa acontecer no coração. Pecado é uma balança moral desregulada. Santificação é o espírito recalibrando peso e glória. O mundo diz: "Veja isso". O espírito diz: "Veja Cristo". A carne diz: "Você precisa disso agora". A promessa diz: "Em tua presença há plenitude de alegria". O pecado diz: "Sem mim você perderá". O evangelho diz: "Quem perder a vida por causa de Cristo a encontrará". O ídolo diz: "Eu sou o segurança". Cristo diz: "Ninguém arrancará minhas ovelhas da minha mão". A aprovação humana diz: "Se eles não gostarem de você, você não é ninguém". O pai diz em Cristo: "Você é meu filho". A culpa diz: "Se esconda". O sangue diz: "Aproxime-se com confiança". A morte diz: "Tudo termina aqui". A ressurreição diz: "Eu sou a ressurreição e a vida". É assim que a santidade cresce. Não por anestesia de desejos, mas por conversão de desejos. Não por transformar o cristão em pedra, mas por ensinar o coração a desejar melhor. Agostinho entendeu isso quando descreveu a vida humana como uma questão de amores ordenados. Nós sofremos porque amamos coisas menores como se fossem maiores. A graça não nos torna incapazes de amar. Ela cura a ordem do amor. Por isso a grande tarefa do pastor não é apenas fabricar pessoas comportadas. É colocar diante delas um Deus tão biblicamente verdadeiro, tão santo, tão grande, tão belo em Cristo que os pequenos sóis comecem a perder gravidade. O pregador não pode produzir esse milagre, mas pode se recusar a substituir o tesouro por entretenimento, por humanismo secular, por psicologia secular. Pode abrir o texto, pode mostrar Cristo, pode orar, pode esperar no espírito, pode insistir semana após semana. Olhem. Olhem. Olhem, porque fé vem pelo ouvir e transformação vem enquanto contemplamos a glória do Senhor. A pregação que mata pecado não é a que apenas torna o pecado assustador, condena o pecado, é a que torna Deus supremamente desejável. À primeira vista, mortificação soa como uma palavra escura, guerra, morte, espada, corte, vigilância, tudo sério. E é. Mas a batalha cristã não termina numa alma cinzenta, sem prazer, sem desejo, sem beleza. O objetivo é matar aquilo que mata nossa alegria em Deus. Pecado promete prazer, mas diminui capacidade de prazer santo. Promete liberdade, mas acorrenta. Promete expansão, mas encolhe. Promete identidade, mas fragmenta. Promete descanso, mas produz inquietação. Promete glória, mas termina em vergonha. Santidade faz o contrário. Ela às vezes custa lágrimas, às vezes custa rompimentos, às vezes exige fuga, às vezes exige confissão pública, às vezes exige cortar acesso, encerrar relação, abandonar dinheiro, renunciar oportunidade, expor mentira, pedir ajuda, mas santidade não é perda final, é recuperação. Recuperação do gosto por Deus, recuperação da liberdade de obedecer, recuperação de uma consciência limpa, recuperação da capacidade de olhar para Cristo sem fugir, recuperação da alegria que pecado vinha anestesiando. Por isso os santos são um povo estranhamente sério e profundamente feliz. Não brincamos com pecado, mas podemos rir de nós mesmos. Não tratamos o inferno como uma metáfora vazia, mas sabemos que nenhuma condenação há em Cristo. Não pensamos que a batalha é leve, mas sabemos quem já venceu a guerra decisiva. Não confiamos em nossa força, mas temos o espírito. Não temos perfeição presente, mas temos uma promessa de perfeição futura. Não temos paz com pecado, mas temos paz com Deus. E essa paz é a razão pela qual podemos continuar lutando. Então, voltemos ao início. Romanos 8:1: nenhuma condenação. Romanos 8:13: façam morrer. Não coloque essas frases em lados opostos. Elas pertencem uma à outra. A primeira retira o terror servil. A segunda destrói a complacência carnal. A primeira diz: "Você não luta para ser aceito". A segunda diz: "Se você foi aceito em Cristo, lute". A primeira diz: "O inferno não é mais sua sentença". A segunda diz: "Não faça amizade com o caminho que leva ao inferno". A primeira diz: "Cristo morreu por você". A segunda diz: "Mate aquilo que o matou". A primeira diz: "O espírito é espírito de adoção". A segunda diz: "Pelo espírito façam morrer". A primeira então dá segurança inabalável, a segunda dá urgência. Juntas produzem perseverança. É o que o espírito produz através delas. Talvez você esteja cansado da batalha. Você pensou que depois de tantos anos certas tentações deveriam ter desaparecido. Talvez tenha vergonha de ainda lutar. Então ouça Romanos 1, nenhuma condenação há. Sua luta não prova que Cristo abandonou você. Muitas vezes a luta é a evidência de que há vida. Cadáveres não luta contra pecado. Talvez você esteja confortável demais. Há meses você alimenta algo que sabe ser pecado. Criou uma teologia humanista para proteger esse pecado. Usa a graça como escudo contra exortação. Então ouça Romanos 8:13. Se viver segundo a carne, morrerá. Não brinque, não adie. Não chame misericórdia de exagero. Porque a espada deve ser tomada. Pegue a espada. Corte provisões, confesse, fuja, ora. Ore, leia. Volte seus olhos para Cristo. Alimente a fé, mate a mentira na raiz. Pergunte: "O que estou preferindo no lugar de Deus?" Pergunte: "Que promessa do pecado me parece mais verdadeira do que a promessa de Cristo?" Pergunte: "Que glória criada se tornou o meu sol no lugar do criador?" Então olhe outra vez para a face de Cristo. Não por alguns segundos. Olhe até o substituto perder o brilho. Olhe até a cruz tornar o pecado amargo. Olhe até a ressurreição tornar a obediência possível. Olhe até a adoção tornar o medo menor. Olhe até a promessa tornar a perda suportável. Olhe até o espírito fazer a verdade descer da mente para o coração. Essa é a guerra. Não é uma força de vontade. Não autoaperfeiçoamento. Não gestão de imagem religiosa. É Cristo confiando. É espírito dependendo. Palavra saturando. Deus saboreando. Pecado matando. Vida cristã. Um dia a guerra terminará. Não porque faremos paz. Porque o inimigo não existirá mais. Não haverá carne disputando o coração. Não haverá desejo desordenado. Não haverá imagem competindo com a glória. Não haverá noite dentro de nós. Não haverá necessidade de mortificação. Não haverá Romanos 8:13 como aviso. Porque a obra de Romanos 8 chegará à sua consumação. Os filhos de Deus serão revelados em glória. A criação será liberta ou libertada da corrupção. Nossos corpos serão redimidos. Veremos Cristo e seremos semelhantes a ele. Até lá a espada. Mas há cântico. Há vigilância, mas há adoção. Há combate, mas não há nenhuma condenação. Há pecado restante, mas há espírito presente. Há quedas que nos humilham. Mas há um advogado que nunca falha. Há dias em que avançamos pouco. Mas há um capitão que nos leva para casa. E talvez talvez seja isso que precisamos recuperar. A vida cristã não é uma excursão tranquila por um terreno neutro. É uma marcha para casa através de território ocupado. O rei já venceu a batalha decisiva. A cruz está vazia. O túmulo está vazio. Cristo reina. O espírito habita em nós. A palavra está em nossas mãos. O pai nos chama de filhos e por isso podemos lutar sem terror. Podemos confessar sem fugir. Podemos cortar sem negociar. Podemos perder coisas sem perder Deus. Podemos dizer não porque encontramos um sim maior. Podemos matar pecado porque Cristo nos deu vida. Nenhuma condenação. Nenhuma trégua. Até que a fé se torne visão. A espada caia da mão e a guerra termine em alegria perfeita diante da face de Deus. >> Se tua graça é um dom porque ela tem olhos porque ela me olha de volta. >> [música] >> Eu tratei tua graça como conceito, algo que cabia [canto] na minha definição. [música] Mas ela sangra, ela chama, ela invade, ela tem nome e rompe a abstração. Não é ideia, [música] encontro. [canto] Não é teoria, presença. É o infinito se curvando pra habitar minha [música][canto] carência. E quanto mais eu vejo, [canto] mais eu deixo de ver a mim. Cristo, a forma invisível da graça em mim, [canto] o invisível se tornando assim. >> [música] >> Cristo, [música] não algo que recebo de ti mas o próprio Deus vindo a mim. >> [canto] >> E E eu penso que entendi [música] tua graça me desfaz [canto] outra vez. >> [música] >> Dá-me graça pra sentir o abismo entre eu e ti, não pra me perder nele, mas pra te ver descendo até aqui. Dá-me graça pra pedir mesmo quando a voz falhar, porque até o meu clamor precisa de ti pra começar. Dá-me graça [música] pra acolher o peso eterno do teu [canto] amor que desmonta o que eu era e me refaz, [música] meu criador. E quanto mais tu cresces, mais eu aprendo a assumir >> [canto] >> Cristo, a graça que me encontra antes de mim. O começo [canto] antes do >> [música] >> meu sim. Cristo, [canto] a resposta antes do clamor, o fim de mim, o início do amor. E tudo em mim que quer permanecer [canto] [música] é confrontado pelo teu viver. Se até minha fome vem [canto] de ti, [música] então não há parte em mim que seja livre de >> [canto] >> ti. Se eu peço é graça. Se eu recebo [canto] é graça. Se eu respiro em ti, ainda é graça. E quando penso que uso tua [canto] graça sou eu sendo usado por ela.