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A fé vem pelo ouvir

Sofremos Porque Amamos Coisas Menores Como Se Fossem Maiores | Josemar Bessa

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#JesusCristo #Evangelho #TeologiaReformada #Justificação #Graça

Legendas automáticas:

Há dois textos próximos na Bíblia,
no mesmo capítulo,
que precisam sempre estar em nossos
corações,
eh, simultaneamente.
O primeiro é: "Portanto, agora nenhuma
condenação há para os que estão em
Cristo Jesus". Romanos 8:1.
O segundo
é:
"Se vocês viverem segundo a carne,
morrerão.
Mas se pelo espírito fizerem morrer
os atos do corpo,
viverão". Romanos 8:13.
Então,
o evangelho
não termina no tribunal,
apesar de já ter terminado com o
tribunal.
Há palavras que parecem encerrar tudo.
Romanos 8:1
é uma delas: "Nenhuma condenação". Para
o pecador que conhece sua culpa, que
sabe o que fez, que sabe o que pensou,
que
sabe o que desejou, essa frase soa como
uma porta se abrindo numa cela:
"Nenhuma condenação".
Não pouca condenação,
não uma condenação suspensa,
não uma sentença que talvez volte
amanhã, nenhuma.
Para os que estão em Cristo Jesus.
O tribunal já falou.
A acusação foi respondida. A dívida
foi paga. A justiça de outro foi
colocada sobre nós. A ira que merecíamos
não paira mais sobre nossa cabeça.
Cristo a recebeu.
E por isso, quem está em Cristo não vive
tentando convencer Deus a não
condená-lo.
Não vive negociando absolvição.
Não vive pagando parcelas de uma culpa
que o sangue de Jesus já
quitou.
Não vive acordando de manhã perguntando:
"Será que hoje
Deus me aceitará?
Será que no final do do dia eu ainda
estarei aceito por Deus?" Se você está
em Cristo, a resposta já foi dada.
Mas é exatamente aqui que muitos cometem
um erro fatal. Eles pensam
que se o tribunal terminou, a guerra
também terminou.
Pensam que se não há condenação
não há mais combate.
Pensam que a graça retirou a espada da
mão do cristão.
Romanos 8
não permite
isso. O mesmo capítulo que começa
dizendo nenhuma condenação, também diz:
"Se pelo espírito fizerem morrer os atos
do corpo, viverão". O mesmo Paulo
a mesma carta
o mesmo capítulo
a mesma graça.
Não há contradição
há uma ordem gloriosa. A absolvição não
encerra a santidade. Ela inaugura a
santidade em nossa vida.
A graça não transforma pecado em coisa
pequena.
Ela transforma o pecado
Ela transforma o pecador em inimigo do
pecado.
Cristo não nos salva do inferno para nos
deixar em paz com aquilo que o levou à
cruz
e à ira infinita de Deus.
Ele nos salva da culpa do pecado, do
domínio do pecado e um dia
nos salvará até da presença do pecado.
Então, entre a justificação e a
glorificação, há guerra.
Não uma guerra para conquistar adoção,
uma guerra porque fomos adotados.
Não uma guerra para entrar em Cristo,
uma guerra porque estamos em Cristo. Não
uma guerra para comprar a vida, uma
guerra porque a vida entrou em nós.
Nenhuma condenação
não é uma almofada para carne.
É o chão firme sobre o qual o santo se
levanta para lutar
para guerrear.
Se você retirar Romanos 8:1, a batalha,
toda ela, vira legalismo.
Se retirar Romanos 8:13, a graça vira
permissividade.
Paulo não retira nenhum dos dois.
Nem nós
devemos retirar. Nenhuma condenação,
nenhuma trégua. Essa
é a vida cristã.
E
há
sangue no centro da santidade.
A Bíblia
descreve a vida cristã de muitas
maneiras. Somos filhos, somos
lavradores, somos atletas, somos servos,
somos mordomos, somos discípulos, somos
peregrinos, somos soldados.
Várias imagens. Cada imagem mostra
alguma coisa.
A família mostra o quê? Pertencimento.
O campo mostra a paciência do lavrador,
não é? A corrida mostra a perseverança,
a mordomia mostra
a responsabilidade.
O discipulado mostra aprendizado e a
peregrinação mostra direção.
A guerra mostra perigo. E quando a
escritura se aproxima da luta direta
contra o pecado, a linguagem
fica dura.
A linguagem endurece. Morrer,
crucificar, mortificar, arrancar,
cortar, subjugar, combater.
Não é estilo dramático. Não é gosto por
palavras fortes.
É teologia.
Porque no centro da nossa libertação do
pecado, há um corpo ferido.
Um corpo partido, há uma cruz, há
sangue, há morte,
há um cálice.
Se o pecado pudesse ser resolvido por
aconselhamento, Cristo teria trazido
conselhos para nós.
Se pudesse ser vencido por educação,
Cristo teria trazido apenas informação,
ensino. Se fosse uma indisposição leve,
Deus teria enviado um remédio leve.
Mas o filho de Deus foi crucificado.
Isso nos diz alguma coisa sobre o
pecado. O pecado não é uma falha de
etiqueta cósmica, não é uma
irregularidade pequena, não é uma
simples
falta de ajuste.
Não é um distúrbio químico no cérebro.
É rebelião contra o Deus infinitamente
digno.
É troca de glória, é desprezo, é
preferência por outra coisa.
É uma força que habita em nós e tenta
novamente ocupar o trono.
É por isso que Pedro diz que Cristo
levou nossos pecados no corpo sobre o
madeiro, para que, ele diz, morrêssemos
para os pecados e vivêssemos para a
justiça. Primeira Pedro 2:24.
Observem a ordem. Ele morreu por nossos
pecados, nós morremos para os pecados
nele. Agora vivemos para a justiça.
Já Paulo diz em Romanos 6 que
nosso velho homem foi crucificado com
Cristo.
Mas em Gálatas 2:20, ele diz: "Fui
crucificado com Cristo".
Em Gálatas 5:24, que os que pertencem a
Cristo crucificaram a carne com suas
paixões e desejos.
Mas em Colossenses 3:3,
ele diz: "Vocês morreram". E então, dois
versos depois, dois versículos depois,
ele diz: "Façam morrer tudo que pertence
à natureza terrena". Parece estranho. Se
morremos, por que matar? Por que fazer
morrer?
Porque o pecado foi destronado, mas
ainda não foi removido.
Ele perdeu o direito de reinar, mas
ainda tenta governar.
Foi condenado na cruz, mas ainda se move
dentro da carne. É como um inimigo
derrotado que continua atirando durante
a retirada.
É como uma tirania que caiu, mas cujos
soldados ainda ocupam becos da cidade.
É como uma serpente cuja cabeça foi
esmagada,
mas
cujo corpo ainda se contorce.
Nunca confunda contorção com soberania,
mas também nunca confunda derrota com
inexistência. Cristo venceu, exatamente
porque Cristo venceu, lutamos. A
santificação é a guerra de um povo que
já pertence
ao
vencedor.
Então,
o que Paulo está dizendo e Pedro é: "Não
faça paz com um assassino".
O grande puritano inglês, né, John Owen,
ele condensou uma verdade paulina em uma
frase famosa: "Esteja matando o pecado
ou o pecado estará matando você".
Isso soa extremo apenas para quem ainda
imagina que o pecado quer negociar.
O pecado nunca quis coexistência.
Ele quer domínio.
Ele aceita um pequeno espaço hoje para
pedir a casa inteira amanhã.
Ele pede um olhar, depois pede
imaginação, depois pede consentimento,
depois pede repetição.
Depois chama repetição de hábito, depois
chama hábito de identidade.
Depois diz: "É assim que você é".
Ele pede uma cadeira e termina pedindo o
trono.
Então, não faça tratados de paz
com o inimigo que não reconhece
tratados. Não há acordo seguro com o
orgulho.
Não há quantidade controlada de inveja.
Não há adultério domesticado, não há
ganância inofensiva.
Não há amargura que aceite ficar
pequena.
Não há pornografia que diga: "Vou parar
exatamente aqui". Não há vaidade que um
dia anuncie: "Já recebi admiração
suficiente".
Não há ressentimento
que se satisfaça com uma memória.
O pecado é expansivo.
E por isso Jesus fala de olhos
arrancados
e mãos cortadas em Mateus 5.
Não porque ele esteja
ordenando mutilação física, mas porque
está destruindo a linguagem confortável
com que protegemos
aquilo que nos destrói. A linguagem da
racionalização, do humanismo secular, de
chamar nossos pecados de distúrbios,
né? De síndromes.
Se isso está levando você para o
inferno, trate como algo
que leva você para o inferno. É o que
ele está dizendo.
Essa é a força.
Nós frequentemente fazemos o oposto.
Tratamos doenças mortais como incômodos
leves.
Damos ao pecado nomes delicados, nomes
terapêuticos.
O orgulho vira personalidade forte,
cobiça vira ambição,
que todo homem deve ter, fofoca vira
preocupação,
ira vira franqueza,
luxúria vira carência,
inveja vira senso de justiça, preguiça
vira autocuidado,
controle vira responsabilidade, medo do
homem vira sensibilidade, medo do
amanhã,
a gente vai dizer que
é
medo do que vai acontecer,
é
ansiedade, mas não como a Bíblia diz, é
outra coisa, né? É um distúrbio só. E
então nos perguntamos por que não
vencemos.
Você não pode executar um inimigo que
continua chamando de amigo.
Não pode mortificar aquilo que protege
linguisticamente.
Você não pode matar aquilo que continua
alimentando em segredo.
A primeira seriedade da guerra é chamar
o pecado pelo nome.
Não para desesperar, mas porque já
existe nenhuma condenação em Cristo.
É justamente a segurança do evangelho
que nos permite ser brutais
na confissão.
Se minha aceitação dependesse da minha
inocência,
eu esconderia tudo.
Se dependesse do meu desempenho, eu
maquiaria.
Se dependesse de parecer santo, eu
mentiria.
Mas se Cristo é minha justiça, posso
dizer a verdade.
Posso olhar para algo feio em mim e
dizer: "Isso é pecado.
Isso é orgulho.
Isso é inveja.
Isso é fofoca.
Isso é amor ao dinheiro.
Isso é ansiedade.
Isso é pecado". Sem acrescentar: "Logo,
Deus deixou de me amar". A cruz me
impede de minimizar o pecado.
E a cruz me impede de absolutizar o
pecado também.
Ele é pior do que eu gostaria de
admitir, mas Cristo é melhor do que eu
consigo imaginar.
Por isso não há trégua.
E por isso não há desespero.
Então o pecado precisa aparecer tão feio
quanto é.
Por que a escritura fala do pecado com
tamanha gravidade?
Porque nós não vemos naturalmente a
feiura do pecado.
Não vemos naturalmente sua feiura, vemos
a consequência.
Vemos a vergonha, vemos a perda, vemos a
reputação quebrada,
vemos o casamento ferido,
vemos o ministério destruído, vemos a
saúde comprometida,
vemos a prisão, vemos a lágrima,
mas não vemos facilmente o pecado como
ofensa contra Deus.
Davi precisou dizer
no Salmo 51: "Contra ti,
contra ti somente pequei".
Não porque não tivesse pecado contra
pessoas, tinha, mas porque toda culpa
horizontal repousa sobre uma rebelião
vertical.
Então Romanos 3:23 diz que
todos pecaram
e carecem da glória de Deus, estão
destituídos dela. Pecado é uma questão
de glória. Romanos 1 mostra a troca.
A glória de Deus incorruptível é trocada
por imagens, ou seja, por qualquer
qualquer coisa na criação. A criatura
recebe o peso do criador, ou seja, a
glória do criador.
É por isso que o sofrimento do mundo é
tão grave.
Romanos 8 diz que a criação foi sujeita
à frustração.
Romanos 5 diz que a morte entrou pelo
pecado.
Isaías 53 mostra que nossa cura exigiu
que o servo fosse esmagado.
A lei levou séculos repetindo
sacrifícios.
Sangue, culpa, impureza, juízo, porque
nossa consciência é lenta.
Não precisamos ser ensinados a sentir é
é nós precisamos ser ensinados a sentir
a diferença
entre pecado e erro.
Erro pede correção. Pecado pede
expiação.
Erro pede informação.
Pecado pede sangue. Erro pode ser
resolvido com educação.
Pecado exigiu
o cordeiro de Deus, a cruz é
interpretação definitiva da gravidade do
pecado.
Se você quer saber quanto Deus odeia o
pecado,
não olhe primeiro para o inferno.
Olhe para o calvário e o que caiu sobre
o seu filho.
Ali o filho amado carregou ira infinita.
Carregou nossa culpa. Ali a santidade de
Deus não foi negociada.
Sem acordos. Ali a justiça não foi
colocada de lado para que o amor pudesse
entrar.
Ali o amor satisfez a justiça. Ali a
misericórdia não chamou o mal de bem.
Ela assumiu o custo infinito do mal.
Por isso a guerra cristã não é
puritanismo neurótico.
É uma resposta a Gólgota.
Nós queremos matar em nós aquilo que
matou nosso Senhor.
Não porque nossa mortificação complete a
cruz
ou
participe
da não condenação.
Nada completa a cruz.
Mas porque a cruz finalmente nos ensina
o que é pecado. Quando você vê o filho
de Deus crucificado, a pergunta deixa de
ser: "Até onde posso ir sem perder minha
salvação?"
E passa a ser: "Como posso abraçar
aquilo que colocou meu Salvador
naquele madeiro?"
A graça não abaixa a gravidade. A graça
revela a gravidade e fornece poder
para guerra.
Então Romanos 8:13 é para é quem ouviu
Romanos 8:1.
Aqui está uma das coisas mais
importantes da passagem. Paulo não muda
de público entre Romanos 8:1 e Romanos
8:13. Ele está falando com a igreja, com
santos, com pessoas chamadas para
pertencer a Cristo.
Com gente que ouviu falar do espírito de
adoção. Com pessoas a quem ele pode
dizer: "Vocês não receberam um espírito
que os escravize para novamente
temerem."
E essas mesmas pessoas, a elas,
a essas pessoas ele diz: "Se viverem
segundo a carne, morrerão." Muitos
pregadores modernos teriam dificuldade
em dizer isso. Parece perigoso, parece
ameaçador, parece capaz de perturbar a
segurança tão frágil das pessoas. Ah,
elas vão ficar é são
Paulo parece pensar o contrário, ah.
Ele não está fazendo terapia. Ele
entende que os avisos de Deus são um dos
meios pelos quais Deus preserva seus
filhos. O eleito não é alguém que não
precisa de advertência. É alguém que
ouve a advertência como misericórdia.
Ele escuta Romanos 8:13 e diz: "Meu pai
está falando comigo.
Meu capitão está me avisando sobre um
campo minado.
Meu pastor está me chamando para longe
do precipício.
O Deus que me justificou está usando sua
palavra para me levar para casa.
Essa é uma diferença enorme.
O incrédulo nominal
ouve o aviso e pensa, o cristão nominal,
né?
É
isso não é para mim, eu já sou cristão,
eu já fiz uma oração, eu já fui
batizado,
eu já professei fé, não dramatize a luta
contra o pecado. Graça é graça,
mas esse uso da graça é precisamente uma
recusa da graça bíblica.
Judas fala de homens que transformam a
graça em libertinagem.
Eles não têm uma compreensão superior da
graça.
Eles a perverteram.
A verdadeira graça não diz: "Cristo
morreu, então durma". Ela diz: "Cristo
morreu, portanto,
desperte".
Ela não diz: "Cristo lutou, então você
nunca lutará", mas "Cristo venceu,
portanto, lute a partir da vitória
dele".
Os avisos não contradizem a perseverança
dos santos, são instrumentos da
perseverança dos santos.
Um pai pode gritar para o filho: "Não
atravesse". O grito não prova
falta de amor, prova amor.
A cerca não prova que o pasto é
inseguro, prova que o pastor conhece o
abismo.
Romanos 8:13
é uma cerca de misericórdia e o coração
regenerado reconhece a voz do pastor
nela.
Então,
todo sermão
tem alguma coisa eterna em jogo.
Há uma maneira de de pensar a pregação
que divide tudo em duas categorias:
sermões para salvar, sermões para
edificar.
Primeiro você recebe o evangelho, depois
recebe dicas
para viver melhor.
Primeiro o grande assunto, depois os
assuntos menores. Paulo
não pensa assim.
Toda edificação verdadeira participa do
caminho pelo qual Deus preserva seu
povo.
Toda exortação bíblica serve a
perseverança. Toda promessa fortalece a
fé. Toda advertência desperta
vigilância. Toda visão da glória de
Cristo enfraquece
um ídolo.
Toda repreensão fiel coloca a luz
em um esconderijo.
Toda doutrina verdadeira arma a igreja,
por isso o domingo é sério.
Não sombrio, sério.
Há uma diferença. Uma sala de cirurgia é
séria porque há vida em jogo.
Uma mesa de casamento é séria porque
aliança está em jogo.
Um campo de batalha é sério porque o
inimigo é real. A reunião da igreja é
séria porque a eternidade está em jogo.
Quando isso desaparece, o culto pode se
tornar uma tentativa de provar que
cristianismo é divertido.
É um encontro social, não é?
A alegria vira entretenimento, a
reverência vira constrangimento. A
pregação vira conversa agradável,
terapia.
Vira papo de coach, não é?
Vira
a maneira que eu posso consertar as
coisas, é, que eu não tô gostando na
minha vida.
E a santidade vira sugestão.
O pecado vira assunto negativo demais
para, ah,
um domingo de manhã, não é? O pecado é,
é falar sobre o pecado, sobre a culpa é
tóxico
para muitos, para, usar a linguagem tão
cansativa dos nossos dias.
Mas se pecado mata, se Cristo morreu, se
o Espírito santifica, se a palavra
preserva, se santos perseveram por
meios, então domingo não é um intervalo
da guerra. É suprimento para a guerra.
A igreja se reúne cansada.
Alguns chegam feridos, alguns chegam
entorpecidos, alguns passaram a semana
alimentando um pecado secreto.
Alguns passaram a semana resistindo e
estão exaustos.
Alguns quase desistiram, alguns nem
perceberam o perigo.
Então a palavra é aberta, Cristo é
pregado, o pecado é nomeado, a promessa
anunciada, o aviso soa, o espírito toma
a verdade e faz aquilo que nenhum
entretenimento consegue fazer.
Ele sustenta santos.
Todo sermão fiel
é nesse sentido um sermão de
preservação.
Deus guarda seu povo pela verdade. O
domingo é eternamente sério.
E justamente por isso pode se tornar a
hora mais alegre da semana.
Porque o Deus que nos chama à guerra
é o Deus que nos promete vitória final
porque a vitória já foi conquistada em
nosso lugar.
Então
Hebreus 12:14 aparece para nós e diz:
"Busquem a santidade
sem a qual ninguém verá o Senhor".
Essa frase também incomoda.
Ela deveria incomodar.
Não porque ensine salvação por obras
mas porque destrói a ideia de uma
salvação que deixe o homem apaixonado
pelo mesmo pecado do qual diz
ter sido salvo.
A Bíblia não conhece justificação sem
santificação.
Não porque sejam a mesma coisa, não são.
A justificação é um ato de Deus por nós.
Não há nenhuma condenação.
A santificação é uma obra de Deus em
nós.
Na justificação a justiça de Cristo é
imputada, na santificação o espírito nos
transforma.
A primeira não é progressiva, a segunda
é.
A primeira não cresce, nenhuma
condenação.
A segunda cresce. A primeira é perfeita
no instante em que somos chamados
eficazmente. A segunda permanece
incompleta até a glória, ou seja, até
sermos glorificados.
Mas o Deus que dá uma,
dá a outra.
O Cristo que justifica não abandona seu
povo a carne.
O espírito que sela também santifica. A
fé que recebe perdão,
também recebe Cristo. A mesma fé,
mesmo dom da fé.
E Cristo nunca vem em partes. Você não
pode dizer: "Quero a justiça dele, mas
não quero o governo dele.
Não quero o caráter dele.
Quero a cruz, mas não quero o espírito
me santificando. Quero perdão, mas não
quero purificação. Quero o céu, mas não
quero santidade". Isso não é escolher
uma versão mais confortável do
cristianismo.
É pedir uma salvação que Deus nunca
revelou.
Romanos 8:13 não substitui a graça por
mérito.
Mostra como a graça opera,
pelo espírito. Essa expressão muda tudo.
Não diz: "Se pela força de vontade",
não diz: "Se pela vergonha", não diz:
"Se pelo medo da opinião dos outros",
não diz: "Se por disciplina sem Cristo",
diz: "Se pelo Espírito Santo". A
mortificação cristã é sobrenatural.
O espírito aplica a obra de Cristo,
mostrando a beleza de Cristo. O espírito
ilumina a palavra, o espírito torna a
promessa real no coração, cria afeições
santas.
O espírito expõe a mentira.
O espírito mostra a beleza superior de
Deus, o espírito fortalece a vontade
renovada. Nós agimos, mas agimos porque
Ele age em nós.
Ele age o querer e o efetuar.
Nós matamos, mas matamos pelo espírito.
Nós perseveramos, mas somos guardados
pelo poder de Deus
mediante a fé.
Essa é a santidade sem a qual ninguém
verá o Senhor. Não mérito que compra
Deus, graça que transforma quem Deus
comprou
soberanamente.
Então não corte
o fruto e deixe a raiz.
Aqui nós chegamos
a pergunta prática.
Como o pecado morre? Muita gente começa
pela flor,
pelo comportamento visível.
A pessoa grita,
então decide: preciso parar de gritar. A
pessoa mente: preciso parar de mentir.
A pessoa olha pornografia: preciso
bloquear sites.
A pessoa gosta, é é
A pessoa gasta
descontroladamente:
preciso cortar o cartão.
E
assim vai.
Ah, em certos momentos há valor em
fugir, há valor em cortar acesso,
não é? Mas se tudo terminar no
comportamento, a raiz continua
alimentada. Você pode podar uma árvore
ruim por anos, ela continua sendo uma
árvore ruim.
Pode impedir certos frutos, pode reduzir
dano social, pode até produzir reputação
respeitável, mas moralidade externa não
é santificação.
Jesus diz: façam a árvore boa e o fruto
será bom.
Em Mateus 12: 33. O pecado tem sistema
radicular.
Não é? Um sistema de raízes. Um ato de
luxúria não nasce
no segundo do ato.
Uma explosão de ira não começa na boca.
Uma mentira não nasce na língua. Uma
fofoca não com não não não começa
naquela conversa.
Uma crise de inveja não começa quando
você vê a foto de alguém. Raízes,
desejos, tesouros, medos, crenças,
preferências,
adorações.
O comportamento é a superfície de uma
liturgia interior.
Por isso Paulo não quer apenas frutos
diferentes, ele quer outro centro.
Romanos 8 chama isso de vida segundo o
espírito.
Colossenses 3 não diz apenas: "Não façam
certas coisas". Diz: "Vocês morreram
e a vida de vocês está escondida com
Cristo em Deus".
Depois diz: "Façam morrer". Identidade
antes de mortificação. União antes de
guerra. Cristo antes de corte.
Mas corte real depois de Cristo. A raiz
não é removida com slogans. Ela precisa
ser exposta.
E o grande diagnóstico de Romanos 1 a 3
é este:
Na raiz,
pecado é preferir qualquer coisa acima
de Deus. É colocar valor supremo, o dar
peso ou glória,
colocar valor supremo em algo que não é
supremo.
É sentir mais encanto por um substituto
do que pelo próprio Deus.
É olhar para a glória e trocá-la.
É isso que precisamos matar.
É isso que ele está dizendo.
O pecado na raiz é uma questão de valor.
Nós costumamos pensar no pecado,
principalmente, como violação de regras.
A Bíblia vai muito mais fundo.
Por que quebramos regras?
Porque alguma coisa parece mais valiosa
naquele momento do que obedecer a Deus.
Pecado é uma questão de valor. A mentira
promete proteção
e nós achamos que teremos mais proteção
ali do que em Deus. A luxúria promete
prazer e nós acreditamos que teremos
mais prazer ali do que em Deus. A
ganância promete segurança e nós
acreditamos que o dinheiro vai nos dar
segurança e não Deus. A vaidade promete
importância.
A vingança promete justiça controlada
por nós mesmos.
A fofoca promete superioridade.
O controle promete segurança, a preguiça
promete descanso sem confiança.
A ansiedade e não adianta tentar
trazer outras definições. A ansiedade
promete uma forma de vigilância que
dispensa a providência divina.
O pecado chega
carregando promessas.
Ele nunca diz apenas:
"Faça o mal porque é mal". Diz: "Isso é
melhor, isso vai te satisfazer,
isso vai proteger você,
isso vai elevar,
isso vai consolar você,
isso vai salvar".
Por isso matar pecado não é simplesmente
aprender a dizer não,
é aprender a dizer um sim mais forte
para outra coisa.
Você não derrota um prazer enganoso
apenas com a ausência de prazer.
Precisa de prazer superior.
Você não derrota um tesouro falso apenas
com vazio.
Precisa de tesouro maior. Você não mata
adoração desviada apenas
proibindo a adoração.
Precisa recolocar Deus no centro.
Romanos 1 diz que o homem trocou a
glória de Deus por imagens,
pela criação.
A solução precisa desfazer a troca.
Precisamos ver a glória novamente.
Não apenas saber que Deus existe e que
ele é glorioso.
Demônios sabem.
Não apenas saber doutrina sobre Deus.
Fariseus conheciam os textos.
Precisamos conhecer Deus como ele é.
Verdadeiro, belo, santo, suficiente,
desejável, digno,
mais precioso do que tudo o que o pecado
oferece
ou tenta oferecer.
É por isso que a batalha contra o pecado
é também a batalha por visão.
O coração peca porque ficou
impressionado com outra glória.
Santificação acontece
quando a a glória superior volta a
ocupar todo o horizonte.
Então,
é é
o problema é que as pessoas é estão
se relacionando com pecados, com
doutorado, com conhecimento escolar
primário de Deus.
A cristão tentando a a
cristãos tentando
combater pecados sofisticados com uma
visão infantil de Deus.
Pecados de doutorado.
Conhecimento escolar de Deus,
conhecimento do primário de Deus.
No pecado são doutores.
Tentação foi refinada durante anos.
Desejos foram treinados por décadas.
Humanismo secular nada mais é do que dar
um doutorado para o pecado.
Ídolos aprenderam a falar nossa língua.
A carne conhece nossas fraquezas. O
mundo investe bilhões para capturar
atenção, desejo, fantasia,
identidade. E muitos cristãos enfrentam
tudo isso com quatro frases genéricas
sobre Deus. Deus é bom, Deus me ama,
preciso confiar.
Tudo verdadeiro,
mas pouco saboreado, pouco contemplado,
pouco enraizado, pouco visto.
Não é falta de informação apenas, é
falta de visão espiritual.
É possível ler sobre Deus por 40 anos
e ainda tratá-lo como um conceito.
É possível possuir uma biblioteca
teológica e continuar desejando a
aprovação humana mais do que a aprovação
do pai.
É possível, é,
explicar
atributos divinos
sem sentir o peso deles sobre
a sua alma.
É possível defender a soberania sem
dizer, é, descansar
na providência. Falar sobre a soberania
de Deus e viver ansioso.
Não viu a glória da soberania.
A glória da providência para descansar
sobre ela.
Então o coração não descansa.
É possível defender a suficiência de
Cristo e viver como se carreira fosse
suficiente. É possível pregar graça e
ainda construir identidade sobre o
aplauso.
É possível falar da glória de Deus e
viver para a glória própria.
Isso é assustador
mas necessário ser visto por nós.
Conhecer Deus biblicamente não é apenas
acumular
proposições corretas.
É ter a mente iluminada pela verdade e o
coração capturado pelo valor da verdade.
Paulo ora
em Efésios 1, para que os olhos do
coração sejam iluminados.
Os olhos do coração.
Não apenas a memória, não apenas o
raciocínio.
Visão.
Ou seja,
percepção espiritual.
Em 2 Coríntios 4:6,
ele diz que o Deus que ordenou que a luz
brilhasse nas trevas, brilhou
em nossos corações
para a iluminação do conhecimento da
glória de Deus
na face de Cristo.
É criação.
Das trevas resplandeça a luz. É assim
que um pecador começa a ver. E é assim
que um santo continua sendo
transformado.
Nós precisamos eh eh eh
de mais do que
mais do que regras contra desejos.
Precisamos que Cristo se torne maior
diante dos olhos da alma.
E
Paulo, por exemplo,
ele
Deixa eu beber aqui um pouquinho.
Paulo
combate
imoralidade sexual, em primeira
Tessalonicenses 4, de uma maneira
reveladora.
Ele disse que a vontade de Deus é nossa
santificação.
Que devemos nos afastar da imoralidade
sexual.
Que cada um deve controlar o corpo em
santidade e honra.
E então descreve os gentios como aqueles
que vivem em paixão de desejo
desenfreado.
Aí ele diz por que não conhecem a Deus.
Essa frase não é do coração, é um
diagnóstico.
Por que a luxúria domina?
Por que Deus não ocupa o centro do
sistema? Porque não conhecem a Deus.
Imagine uma alma
como um sistema solar.
Alguma coisa
sempre será o sol. Alguma coisa
fornecerá gravidade. Alguma coisa puxará
pensamentos, energia, tempo, dinheiro,
fantasia, medo, projetos
para sua órbita.
Quando Deus é apenas um pequeno cometa
atravessando ocasionalmente o céu, o
sexo pode se tornar o sol.
A carreira pode se tornar sol.
O casamento pode se tornar sol. Filhos
podem se tornar sol.
Ministério pode se tornar sol. Política
pode se tornar sol.
Reputação pode se tornar sol, sofrimento
pode se tornar sol.
Até a própria batalha contra o pecado
pode se tornar sol.
Se você pensar mais no seu desempenho
espiritual
do que em Cristo.
Então santificação não é colocar
dezenas de planetas em órbita por
disciplina externa. É restaurar o sol
verdadeiro.
Quando Deus é visto em sua beleza, as
coisas criadas voltam ao seu tamanho
correto.
Sexo volta a ser dom de Deus, usado como
Deus determinou e não um Deus.
Trabalho volta a ser vocação, não
identidade. Entende?
Sexo volta a ser dom e não Deus.
Trabalho volta a ser vocação e não
identidade. Dinheiro volta a ser
ferramenta.
Não segurança.
Não fonte de paz.
De segurança.
Casamento volta a ser uma aliança, não a
salvação
da minha vida.
Ministério volta a ser serviço, não um
pedestal.
Teologia volta a ser conhecimento de
Deus, não combustível para vaidade.
O problema do pecado não é que coisas
boas existem. É que coisas boas recebem
órbitas erradas.
E o evangelho não destrói criação.
Ele reordena criação ao redor
do criador.
Então
se
a raiz do pecado é preferir outra coisa
a Deus,
então ameaças e sozinhas não podem
produzir santidade.
Medo pode conter comportamento. Pressão
pode reduzir oportunidade. Vergonha pode
criar silêncio.
Consequências podem interromper atos,
mas avisos,
aviso não cria beleza.
Uma placa dizendo precipício não faz
você amar o caminho seguro.
Ela mostra que o outro caminho mata.
Isso é misericórdia.
A Bíblia mistura maravilhas e
advertências,
promessas e ameaça,
consolo e repreensão, beleza e perigo.
Por quê?
Porque avisos podem não dar visão, mas
podem informar
que você está cego, que estamos cegos.
Imagine um homem cego caminhando para
uma escada
quebrada.
Seria crueldade dizer: "Não quero ser
negativo".
Amor grita. Amor interrompe. Amor
desagrada por um minuto para impedir
destruição.
O problema não está em advertir,
está em advertir sem mostrar Deus.
Se toda a pregação é: "Não faça,
não toque,
pare, cuidado,
você vai sofrer,
vai destruir seu casamento, vai destruir
aquilo", então o povo pode aprender a
temer a punição
ou o resultado sem amar
santidade.
Pode se tornar moralmente contido e
espiritualmente vazio.
Mas se toda a pregação é apenas: "Deus
ama, tudo ficará bem, você é aceito, não
se preocupe", sem avisos,
ela cria pessoas sonolentas à beira do
abismo.
A Bíblia faz algo melhor.
Ela mostra o precipício e mostra Cristo.
Ela mostra a morte do pecado e mostra a
beleza da santidade.
Ela mostra a ira e mostra a propiciação
da ira.
Ela mostra o inferno e mostra o
cordeiro.
Ela mostra o perigo de amar o mundo e
mostra uma glória capaz de tornar o
mundo pequeno e insignificante.
A advertência diz: "Você está cego".
O evangelho, ora, Senhor,
abre meus olhos.
Então, quando Jesus
comissiona Paulo em Atos 26, a linguagem
é impressionante.
Ele o envia para abrir olhos, para
converter pessoas das trevas
para a luz,
do poder de Satanás para Deus,
para que recebam perdão e herança entre
os santificados pela fé em Cristo.
Perdão e santificação aparecem juntos.
Luz e libertação aparecem juntos. Ver e
ser transformado aparecem juntos.
Esse é o chamado da igreja. Não podemos
produzir visão, mas fomos enviados para
anunciar luz. Não podemos ressuscitar
coração morto, mas fomos enviados para
pregar Cristo.
Não podemos fazer alguém saborear Deus,
mas podemos colocar diante dele, com
fidelidade bíblica,
a beleza de Deus
em suas palavras, em suas obras, em seus
caminhos e supremamente na face
de Jesus Cristo.
O ministério da palavra é humanamente
impossível.
Isso deveria nos humilhar. Você pode
elaborar a melhor estrutura, pode
escolher as melhores palavras, pode
dominar exegese,
pode ter voz poderosa, pode construir
ilustrações memoráveis
e ainda assim nenhum morto levanta por
eloquência. Nenhum cego vê por retórica.
Nenhum coração de pedra ama Deus porque
um pregador foi inteligente.
Deus talvez lhes conceda o
arrependimento, 2 Timóteo 2:25. É por
isso que pregamos. Deus talvez lhes
conceda o arrependimento. Deus concede.
Por isso Atos 6 coloca lado a lado
oração e ministério da palavra.
Não oração ou palavra, oração e palavra.
Pregamos porque Deus ordenou meios.
Oramos porque somente Deus dá vida aos
meios.
Abre os meus olhos para que eu veja as
maravilhas da tua palavra.
Salmo 119:18, né?
Essa oração deveria viver dentro de todo
sermão.
Abre meus olhos enquanto estudo.
Abre meus olhos enquanto prego.
Abre os meus olhos, abre os olhos do teu
povo enquanto eles ouvem.
Faz Cristo parecer tão glorioso quanto
ele é realmente.
Faz o pecador parecer tão miserável
quanto ele é.
Faz o mundo perder o brilho falso.
Faz tua promessa adquirir peso. Faz teus
filhos verem tua glória. Porque
quando os olhos se abrem, ídolos começam
a
encolher diante de nós.
Então
chegamos ao centro.
Como Deus vence nossa preferência por
outras coisas?
Ele não responde apenas com mandamentos
maiores.
Ele nos dá seu filho.
Cristo não é apenas a base jurídica da
nossa justificação.
Ele é também a beleza que o espírito
apresenta ao coração
é regenerado.
Na cruz vemos santidade que não negocia
pecado. Vemos amor que paga o preço.
Vemos justiça satisfeita. Vemos
misericórdia correndo para culpados.
Vemos o filho obediente.
Vemos o pai que não poupou o próprio
filho.
Vemos seriedade, a seriedade do pecado.
Vemos a grandeza da graça.
Tudo converge ali.
Se eu quero alimentar a luxúria, a cruz
pergunta: "Você chamará de pequeno
aquilo
que exigiu esse sangue?"
Se eu quero alimentar o orgulho, a cruz
mostra o Senhor da glória humilhado.
Se eu quero alimentar a amargura, a cruz
mostra perdão comprado
para um inimigo como eu.
Se eu quero viver para dinheiro,
a cruz mostra
um salvador que se fez pobre por amor de
nós.
Se eu quero viver de aprovação do mundo,
das pessoas, a cruz mostra o filho
rejeitado por homens e recebido pelo
pai.
Se eu quero controlar tudo, a cruz
mostra Jesus entregando-se à vontade do
pai.
Se eu temo o sofrimento, a cruz não
promete ausência de dor, mostra um Deus
que entrou na dor e transformou maldição
em caminho de glória.
O evangelho
mortifica pecado por reordenar amores.
Não apenas isso é proibido, mas Cristo é
melhor. Não apenas isso vai ferir você,
mas você já possui algo infinitamente
mais precioso.
Não apenas não adore isso, mas olhe para
ele. O Espírito não nos santifica
desviando nosso olhar de Cristo para
nossa santidade.
Ele nos santifica fazendo Cristo dominar
todo o horizonte diante de nós.
Segunda Coríntios 3:18 diz que
contemplando a glória do Senhor, somos
transformados de glória em glória.
Contemplando,
transformados. A visão alimenta a
transformação, a beleza enfraquece
o substituto, a glória mata
a idolatria.
Há
uma maneira de falar da graça que a
reduz
ao começo da vida cristã.
Graça perdoa,
depois a disciplina assume no lugar da
graça.
Graça nos coloca dentro, depois força de
vontade nos mantém.
Graça resolve o passado, depois nós
cuidamos do futuro até o fim.
Isso não é Paulo.
A graça que justifica também reina. Tito
2 diz que a graça de Deus se manifestou
trazendo salvação e que essa mesma graça
nos ensina a renunciar a impiedade e as
paixões mundanas. A graça ensina, a
graça treina, a graça forma,
a graça disciplina desejos.
Ela não é apenas a porta da casa, ela é
o ar
da casa.
Não apenas o recibo da dívida paga, é o
poder presente de Deus em favor do seu
povo.
Isso importa porque há dois erros
opostos na mortificação. O primeiro é
tentar matar pecado para fazer Deus nos
amar.
Isso é legalismo.
Não importa quanto você está usando a
Bíblia ou inventando regras. Você luta,
ora, jejua, confessa, se disciplina
porque acredita que no final do dia Deus
olhará seu desempenho e decidirá se você
merece
carinho.
Essa guerra produz escravos, mesmo
quando
vence comportamentos, alimenta o orgulho
ou então o desespero.
Se você tem uma semana boa, sente-se
superior.
Se tem uma semana ruim, pensa que perdeu
Deus.
Em ambos os casos, Cristo deixou de ser
o fundamento.
O segundo erro é dizer: "Já que Deus me
ama pela graça, minha luta não importa
tanto".
Isso é graça transformada em
permissão.
Você não luta para ser amado.
Verdade, mas o amor que recebeu cria
luta.
Você não luta para produzir união com
Cristo, verdade, mas união com Cristo
produz morte para o pecado.
Você não luta para conquistar o
espírito, verdade,
mas quando recebeu o espírito não pode
fazer paz com a carne.
A graça bíblica destrói os dois erros de
uma vez.
A graça diz: você é aceito em Cristo e
então agora levante-se.
Ela diz: seu pai não vai abandoná-lo e
então por isso não volte para a
escravidão.
Ela diz: Cristo é sua justiça e então
por isso apresente seus membros a Deus
como instrumentos de justiça.
Romanos 6
faz exatamente isso.
Paulo não diz: vocês morreram com
Cristo, portanto o que fizerem agora é
irrelevante. Ele diz:
considerem-se mortos para o pecado e
vivos para Deus em Cristo Jesus.
Depois não deixem o pecado reinar.
Observe, reinar.
O pecado ainda pode tentar, pode gritar,
pode ameaçar, pode prometer, pode ferir,
mas não tem direito ao trono. A
santificação consiste em viver de acordo
com a mudança de reino
que já aconteceu.
O cristão não diz: preciso destronar o
pecado para que Cristo talvez reine. Ele
diz: Cristo reina, portanto este
usurpador não ficará sentado aqui.
Essa é uma diferença enorme.
Você entra na batalha não como alguém
tentando decidir quem será rei.
O rei já foi entronizado. Você entra
para expulsar bolsões de resistência ao
rei.
E até a sua força para expulsá-los vem
do rei.
É por isso que Paulo pode dizer em
Filipenses 2: desenvolva a salvação de
vocês com temor e tremor, pois é Deus
quem efetua em vocês tanto querer
quanto o realizar.
Nós queremos
Deus opera o querer.
Nós realizamos, Deus opera o realizar.
Nós lutamos, Deus sustenta a luta. Nós
matamos pelo espírito.
Isso não torna a ação humana fictícia.
A torna dependente completamente.
O cristão não fica sentado esperando a
santidade cair do céu, mas também não
corre sozinho para o campo com uma
espada de madeira.
Ele depende, ora, obedece,
corta provisões, memoriza promessas,
memoriza o evangelho, confessa, busca
ajuda, foge da ocasião e em tudo isso
diz: "Se o Senhor não sustentar minha
mão, eu cairei".
"Se o Senhor não edificar a casa, em vão
trabalham as que edificam". A graça não
é apenas o perdão do guerreiro,
é o poder para a guerra.
E
aqui talvez
aqui está talvez
a implicação
pastoral mais importante
de tudo isso.
Se a raiz do pecado é preferir alguma
coisa acima de Deus, então a cura não
pode ser apenas repetir proibições.
A proibição tem lugar, o mandamento é
santo, a advertência é necessária, mas o
coração não abandona um tesouro
simplesmente porque alguém gritou: "Isso
não é um tesouro".
Ele precisa ver um tesouro maior.
Imagine uma criança segurando na mão um
pedaço de vidro quebrado. Ele brilha.
Ela acha que o vidro bonito.
Você pode ordenar: "Solte". Talvez seja
necessário.
Pode avisar: "Vai cortar sua mão".
Também necessário.
Mas se ela vê uma joia verdadeira, o
vidro perde parte do seu encanto.
O pecado é um pedaço de vidro que
aprendeu a refletir luz suficiente para
enganar corações cegos.
A pregação cristã precisa fazer mais do
que bater na mão,
sabe? Da criança. Precisa abrir a caixa
do tesouro, precisa mostrar Cristo.
Mostrar sua pessoa, sua beleza moral,
sua santidade sem frieza, sua compaixão
sem permissividade,
sua autoridade sem tirania,
sua coragem sem orgulho, sua mansidão
sem fraqueza,
sua obediência perfeita, seu amor pelos
indignos,
sua ira contra o mal,
contra o pecado, sua disposição de tocar
leprosos, sua liberdade diante da
aprovação humana,
sua submissão ao pai, sua cruz, sua
ressurreição, sua intercessão, seu
reinado, sua volta. Não existe
mortificação cristã madura
sem cristologia viva.
Quanto mais superficial nossa visão de
Cristo, mais poder
as substituições
dele terão.
Se Cristo é apenas aquele que me ajuda,
carreira ainda pode parecer mais
concreta.
Se Cristo é apenas aquele que me perdoa,
sexo ainda pode parecer mais prazeroso.
Se Cristo é apenas aquele que me leva
para o céu, aprovação humana ainda pode
parecer mais urgente.
Mas quando o Cristo começa a aparecer
como o próprio tesouro, algo muda.
Não instantaneamente em todas as áreas.
Não sem luta, não sem lágrimas, mas
muda.
Moisés considerou o opróbrio de Cristo
maior riqueza do que os tesouros do
Egito. Observe a linguagem de valor,
maior riqueza,
maior beleza. Hebreus 11 não diz apenas
que Moisés sabia que o Egito era errado.
Ele avaliou os dois tesouros e Cristo
pesou mais, ou seja, teve mais glória.
É isso que precisa acontecer no coração.
Pecado é uma balança moral desregulada.
Santificação é o espírito recalibrando
peso e glória.
O mundo diz: "Veja isso". O espírito
diz: "Veja Cristo".
A carne diz: "Você precisa disso agora".
A promessa diz: "Em tua presença há
plenitude de alegria". O pecado diz:
"Sem mim você perderá". O evangelho diz:
"Quem perder a vida por causa de Cristo
a encontrará".
O ídolo diz: "Eu sou o segurança".
Cristo diz: "Ninguém arrancará minhas
ovelhas da minha mão". A aprovação
humana diz:
"Se eles não gostarem de você, você não
é ninguém".
O pai diz em Cristo: "Você é meu filho".
A culpa diz: "Se esconda". O sangue diz:
"Aproxime-se com confiança".
A morte diz: "Tudo termina aqui". A
ressurreição diz: "Eu sou a ressurreição
e a vida".
É assim que a santidade cresce.
Não por anestesia de desejos, mas por
conversão de desejos.
Não por transformar o cristão em pedra,
mas por
ensinar o coração a desejar melhor.
Agostinho entendeu isso quando descreveu
a vida humana como uma questão de amores
ordenados.
Nós sofremos porque amamos coisas
menores como se fossem maiores.
A graça
não nos torna incapazes de amar.
Ela cura a ordem do amor.
Por isso
a grande tarefa do pastor não é apenas
fabricar pessoas comportadas.
É colocar diante delas um Deus tão
biblicamente verdadeiro, tão santo, tão
grande, tão belo em Cristo que os
pequenos sóis comecem a perder
gravidade.
O pregador não pode produzir esse
milagre, mas pode se recusar a
substituir o tesouro por entretenimento,
por humanismo secular, por psicologia
secular.
Pode abrir o texto, pode mostrar Cristo,
pode orar, pode esperar no espírito,
pode insistir semana após semana. Olhem.
Olhem.
Olhem, porque fé vem pelo ouvir
e transformação vem enquanto
contemplamos a glória do Senhor.
A pregação que mata pecado não é
a que apenas torna o pecado assustador,
condena o pecado,
é a que torna Deus supremamente
desejável.
À primeira vista, mortificação soa como
uma palavra escura, guerra, morte,
espada, corte, vigilância,
tudo sério.
E é.
Mas a batalha cristã não termina numa
alma cinzenta, sem prazer, sem desejo,
sem beleza. O objetivo é matar aquilo
que mata nossa alegria em Deus.
Pecado promete prazer, mas diminui
capacidade de prazer santo.
Promete liberdade, mas acorrenta.
Promete expansão, mas encolhe. Promete
identidade, mas fragmenta.
Promete descanso, mas produz
inquietação. Promete glória, mas termina
em vergonha.
Santidade faz o contrário.
Ela às vezes custa lágrimas, às vezes
custa rompimentos, às vezes exige fuga,
às vezes exige confissão pública, às
vezes exige cortar acesso, encerrar
relação,
abandonar dinheiro, renunciar
oportunidade,
expor mentira,
pedir ajuda, mas santidade não é perda
final, é recuperação.
Recuperação do gosto por Deus,
recuperação da liberdade de obedecer,
recuperação de uma consciência limpa,
recuperação da capacidade de olhar para
Cristo sem fugir,
recuperação da alegria que pecado vinha
anestesiando.
Por isso os santos são um povo
estranhamente sério
e profundamente feliz.
Não brincamos com pecado, mas podemos
rir de nós mesmos.
Não tratamos o inferno como uma metáfora
vazia, mas sabemos que nenhuma
condenação há
em Cristo.
Não pensamos que a batalha é leve, mas
sabemos quem já venceu a guerra
decisiva.
Não confiamos em nossa força,
mas temos o espírito.
Não temos perfeição presente, mas temos
uma promessa
de perfeição futura.
Não temos paz com pecado, mas temos paz
com Deus.
E essa paz é a razão pela qual podemos
continuar
lutando.
Então,
voltemos ao início. Romanos 8:1: nenhuma
condenação. Romanos 8:13: façam morrer.
Não coloque essas frases em lados
opostos.
Elas pertencem uma à outra.
A primeira retira o terror servil.
A segunda destrói a complacência carnal.
A primeira diz:
"Você não luta para ser aceito". A
segunda diz: "Se você foi aceito em
Cristo, lute".
A primeira diz: "O inferno não é mais
sua sentença".
A segunda diz: "Não faça amizade com o
caminho que leva ao inferno".
A primeira diz: "Cristo morreu por
você".
A segunda diz: "Mate aquilo que o
matou".
A primeira diz: "O espírito é espírito
de adoção".
A segunda diz: "Pelo espírito
façam morrer".
A primeira então dá segurança
inabalável, a segunda dá urgência.
Juntas produzem
perseverança.
É o que o espírito produz através delas.
Talvez você esteja cansado da batalha.
Você pensou que depois de tantos anos
certas tentações deveriam ter
desaparecido.
Talvez tenha vergonha de ainda lutar.
Então ouça Romanos 1, nenhuma condenação
há.
Sua luta não prova que Cristo abandonou
você.
Muitas vezes a luta é a evidência de que
há vida.
Cadáveres não luta contra pecado. Talvez
você esteja confortável demais.
Há meses você alimenta algo que sabe ser
pecado.
Criou uma teologia humanista para
proteger esse pecado.
Usa a graça como escudo contra
exortação.
Então ouça Romanos 8:13. Se viver
segundo a carne, morrerá. Não brinque,
não adie.
Não chame misericórdia de exagero.
Porque a espada
deve ser
tomada. Pegue a espada.
Corte provisões, confesse, fuja, ora.
Ore, leia.
Volte seus olhos para Cristo.
Alimente a fé, mate a mentira na raiz.
Pergunte: "O que estou preferindo
no lugar de Deus?"
Pergunte: "Que promessa do pecado me
parece mais verdadeira do que a promessa
de Cristo?" Pergunte: "Que glória criada
se tornou o meu sol no lugar do
criador?"
Então olhe outra vez para a face de
Cristo.
Não por alguns segundos.
Olhe até o substituto perder o brilho.
Olhe até a cruz tornar o pecado amargo.
Olhe até a ressurreição tornar a
obediência possível.
Olhe até a adoção tornar o medo menor.
Olhe até a promessa tornar a perda
suportável.
Olhe até o espírito fazer a verdade
descer da mente para o coração.
Essa é a guerra.
Não é uma força de vontade.
Não autoaperfeiçoamento.
Não gestão de imagem religiosa.
É Cristo
confiando.
É espírito dependendo.
Palavra saturando.
Deus saboreando.
Pecado matando.
Vida cristã.
Um dia
a guerra terminará.
Não porque faremos paz.
Porque o inimigo não existirá mais. Não
haverá carne disputando o coração. Não
haverá desejo desordenado. Não haverá
imagem competindo com a glória.
Não haverá noite dentro de nós. Não
haverá
necessidade de mortificação. Não haverá
Romanos 8:13 como aviso. Porque a obra
de Romanos 8 chegará à sua consumação.
Os filhos de Deus serão revelados em
glória.
A criação será liberta ou libertada da
corrupção. Nossos corpos serão
redimidos. Veremos Cristo e seremos
semelhantes a ele.
Até lá
a espada.
Mas há cântico.
Há vigilância, mas há adoção.
Há combate, mas
não há nenhuma condenação.
Há pecado restante, mas há espírito
presente.
Há quedas que nos humilham.
Mas há um advogado que nunca falha.
Há dias em que avançamos pouco.
Mas há um capitão que nos leva para
casa.
E talvez
talvez seja isso que precisamos
recuperar. A vida cristã não é uma
excursão tranquila por um terreno
neutro. É uma marcha para casa através
de território ocupado. O rei já venceu
a batalha decisiva.
A cruz está vazia. O túmulo está vazio.
Cristo reina.
O espírito habita em nós. A palavra está
em nossas mãos. O pai nos chama de
filhos e por isso
podemos lutar
sem terror.
Podemos confessar sem fugir. Podemos
cortar sem negociar.
Podemos perder coisas sem perder Deus.
Podemos dizer não porque encontramos um
sim maior.
Podemos matar pecado porque Cristo nos
deu vida.
Nenhuma condenação.
Nenhuma trégua.
Até que a fé se torne visão.
A espada
caia da mão e a guerra termine
em alegria perfeita
diante
da face de Deus.
>> Se tua graça é um dom
porque ela tem olhos
porque ela me olha de volta.
>> [música]
>> Eu tratei tua graça como conceito, algo
que cabia [canto] na minha definição.
[música]
Mas ela sangra, ela chama, ela invade,
ela tem nome
e rompe a abstração.
Não é ideia, [música] encontro. [canto]
Não é teoria, presença.
É o infinito se curvando
pra habitar minha [música][canto]
carência.
E quanto mais eu vejo, [canto]
mais eu deixo de ver a mim.
Cristo,
a forma invisível da graça em mim,
[canto]
o invisível se tornando assim.
>> [música]
>> Cristo, [música]
não algo que recebo de ti
mas o próprio Deus vindo
a mim.
>> [canto]
>> E E eu penso que entendi [música]
tua graça me desfaz [canto] outra vez.
>> [música]
>> Dá-me graça pra sentir o abismo entre eu
e ti, não pra me perder nele, mas pra te
ver descendo até aqui. Dá-me graça pra
pedir mesmo quando a voz falhar, porque
até o meu clamor precisa de ti pra
começar. Dá-me graça [música] pra
acolher o peso eterno do teu [canto]
amor que desmonta o que eu era e me
refaz, [música] meu criador. E quanto
mais tu cresces, mais eu aprendo a
assumir
>> [canto]
>> Cristo,
a graça que me encontra antes de mim.
O começo [canto] antes do
>> [música]
>> meu
sim.
Cristo, [canto]
a resposta antes do clamor, o fim de
mim, o início do
amor.
E tudo em mim que quer permanecer
[canto]
[música] é confrontado pelo teu viver.
Se até minha fome vem [canto] de ti,
[música] então não há parte em mim que
seja livre
de
>> [canto]
>> ti. Se eu peço é graça.
Se eu recebo [canto] é graça.
Se eu respiro em ti,
ainda é graça.
E quando penso que uso tua [canto]
graça
sou eu sendo usado por ela.

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