Sermão: O estreito caminho da graça
29/05/2025
Sermão: O estreito caminho da graça
Décimo sétimo sermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
[Música] Terra, nosso pai, nosso rei. Muito obrigado por Cristo Jesus. Muito obrigado por tudo que ele é. Muito obrigado por tudo que ele fez. Muito obrigado por tudo que ele faz. Muito obrigado por tudo que ele fará. Que Cristo continue sendo o centro, o alicece da nossa fé e que através através do espírito nós possamos continuar sendo transformados à imagem dele. É o que nós te imploramos em nome dele, Jesus Cristo. Amém, Senhores. Amém. Bom dia. É um poder, é um prazer poder falar com vocês mais um pouquinho sobre a graça. Foram 16 semanas seguidas, hoje é a 17ª semana. Hoje a gente vai concluir essa série, talvez, com certeza, a maior série eh que eu já fiz sobre um tema que com certeza é extremamente importante. Na verdade, a gente veio construindo essa ideia em algumas outras séries, mas de alguma maneira a gente sentiu que era necessário ter um uma série específica sobre isso para colocar, digamos assim, um tijolo final ou um tijolo definitivo nesse nessa construção que a gente foi fazendo. a gente falou bastante sobre essa questão da graça na série Os Discípulos e O Reino, eh, o Peixe e o Verme, a moabita, eh, exclusão e abraço, ah, em diverso, eh, incluídos, excluídos, que também foi uma série bem interessante. E a gente trabalhou vários aspectos dessa graça e de como essa graça funciona nessas outras séries. E agora nesses últimos 16, nessas últimas 16 semanas, a gente foi empilhando mais uma série de histórias. Então, quando você junta todas essas séries e inclusive essa agora, a gente percebe que tanto Antigo quanto Novo Testamento constróem uma narrativa muito sólida, com diversas histórias em diversos lugares falando basicamente a mesma coisa, que é essa graça abundante de Deus que alcança toda e qualquer pessoa em toda e qualquer situação, que faz com que Deus ele inclusive pareça mudar para acolher, para incluir, para salvar essa graça que tá acima de toda e qualquer coisa e que transforma toda e qualquer pessoa. E essa essa série que a gente fez, ela é baseada livremente no livro de dois teólogos, que são dois exegetas muito importantes. do Christopher Reis, que é o exegeta de Antigo Testamento, trabalha bastante com arqueologia, com língua hebraica, e o Richard Reis, que é o pai do Christophe, Christopher, o Richard, que é o pai dele, que é um exegeta de Novo Testamento, eh, extremamente conhecido e conceituado e trabalha bastante com grego, tem livros excelentes publicados e os dois se juntaram para escrever esse livro que numa tradução livre seria ampliando a graça de Deus, né? Ampliando a graça de Deus. E eles têm uma declaração que eu achei muito interessante e eu vou ler para vocês uma declaração que tá nesse último capítulo. Diz assim: "O trabalho do espírito está em andamento e a exegese do texto não não nos desculpa da necessidade de reconhecer isso." E eu gostei muito dessa frase porque são dois exegetas, são duas pessoas que trabalham com texto seriamente e são reconhecidas por isso, mas eles deixam esse espaço importantíssimo para entender que o espírito trabalha para além da exegese, que o espírito trabalha hoje, que o espírito tá trabalhando entre as pessoas. E a comunidade ela basicamente, a nossa comunidade, ela basicamente tem esse mote, né, de que o espírito sopra onde quer, de que o espírito é livre, ele age onde quer e do jeito que ele quer. Então essa série, ela tem muito a ver com esse entendimento que a gente tem individual e coletivamente, de que o espírito de que o espírito trabalha atuando graciosamente, de maneira radicalmente inclusiva. E não importa eh eh sua etnia, sua raça, sua sexualidade, seu gênero, sua cor. Não importa nada. A graça de Deus está aí. à disposição. E eu queria nesse último momento, eh, nessa série, obviamente, ah, falar sobre um texto que a gente já falou aqui, mas que eu acho que é muito importante a gente resgatar. É um texto que é, infelizmente, muito mal utilizado dentro de um de uma conjuntura religiosa. Eh, esse texto tá lá em Mateus, no capítulo 7. tá no no finalzinho ali do que a gente chama de sermão do monte, conforme narrado em Mateus, né? E ele diz assim, capítulo 7 de Mateus, verso 13 e 14, entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, são poucos os que a encontram. Esse texto aqui, ele é o texto que apresenta uma oposição, uma oposição clássica. eh entre duas portas. E aqui é importante a gente entender que a oposição é entre as portas, não entre os caminhos. Porque se você escolher uma porta, essa porta leva a um caminho. Se você escolher aquela outra porta, leva a outro caminho. E as portas são estreitas, ou a porta é estreita ou a porta é larga. E o caminho que vem depois dessa porta, um leva pra perdição e o outro leva pra vida, né? Pra vida. Então, existe uma porta estreita e existe uma porta larga. E como geralmente a gente entende isso? Como geralmente a gente aprende isso? A gente aprende que a porta estreita é a porta da renúncia, da renúncia do eu, não é? E essa renúncia do eu, ela é muito clara. Ela tem a ver, tem a ver com coisas que você deixa de fazer. Então, você deixa de fazer X, você deixa de fazer Y, você deixa de fazer Z. Tudo que você deixa de fazer é o que te conduz para essa porta estreita. A porta estreita é a porta da renúncia das coisas, da renúncia do eu, da renúncia das coisas que te dão alegria, que te dão prazer. Então, se você sente alegria, se você sente prazer em alguma coisa, você precisa renunciar à aquilo, porque aquilo vai te levar pra perdição. Se você ama demais uma coisa, você precisa aprender a abandonar aquela coisa, porque aquilo vai te levar à perdição. E aí vocês já ouviram com certeza alguém falando assim: "Não, Deus pediu para que Abraão sacrificasse Isaque, porque Abraão amava Isaque mais que tudo." E aí Deus quis dizer assim: "Veja, você não pode amar o filho mais do que a mim, então vai lá e mata seu filho." Deus quis ensinar para Abraão uma lição de que só pode amar Deus. Não pode amar tanto filho. Se amar o filho demais, tem que abandonar também. Tem que sa tem que tá disposto a sacrificar até o filho para entrar por essa porta estreita. E a porta larga, a porta larga, ah, pode tudo, é isso aí, faz o que você quiser e etc. Essa é a porta, porta larga. E mais uma vez a gente acaba num mundo, num universo que tem a ver com méritos, tem a ver com esse mérito, o mérito daquilo que você consegue deixar, o mérito daquilo que você consegue eh fazer ou não fazer. Então, a escolha da porta tem a ver com seus próprios méritos, com a sua própria força de vontade. Se você quiser, você vai conseguir abandonar as coisas que te afastam de Deus. E se for a família, você abandonará a família. E se for o emprego, você abandonará emprego. E, enfim, vocês entenderam? E a gente comumente aprendeu a entender essa porta estreita e essa porta larga dessa maneira. Então, as pessoas muito zelosas, as pessoas muito piedosas, aquelas que conseguem acordar todo dia 5 da manhã para fazer uma, duas, 3 horas de oração antes de sair pro trabalho. As pessoas que conseguem se abster de bebida e comida, as pessoas que conseguem se abster daquilo e daquele outro, essas pessoas que renunciam a um monte de coisa, essas pessoas estão escolhendo o caminho estreito. E é o caminho, portanto, é um caminho de obras. né? E é um caminho que tem a ver com você, que é o que você consegue e o que você não consegue. E o caminho largo também tem a ver com você, quando você decide fazer o que você quiser. Só que a gente precisa entender que tem um contexto desse desse verso, obviamente, né? Tem um contexto todo dentro de um sermão inteiro, que é o sermão da montanha. E quando você vai ver o contexto imediatamente posterior, por exemplo, que é mais fácil, vamos começar com mais fácil, na sequência ele vai falar da árvore dos frutos. Lembra disso? A árvore boa dá bons frutos e a árvore má dá maus frutos. Lembram disso? Então, a árvore boa produz frutos bons, a árvore má produz frutos maus. E aí é lógica, é óbvio. Aí Jesus vai falar assim: "A árvore boa não pode dar frutos maus e a árvore má não pode dar frutos bons. Pelos seus frutos vocês vão conhecer, lógico. Mas aí Jesus, como sempre, a gente já falou disso aqui, ele complica essas coisas. As coisas que parecem muito óbvias, Jesus fala: "Sim, não é bem assim". E as coisas que parecem muito complexas, ele simplifica. É interessante como Jesus funciona. E aqui ele diz assim: "Por isso, naquele dia, as pessoas que se achegarem até mim vão dizer assim: "Ah, Senhor, em teu nome nós curamos, em teu nome nós expulsamos demônio, em teu nome nós profetizamos e tal". Jesus falou: "Eu não conheço vocês". Aí você fala: "Bom, parecem todos bons frutos". A gente já falou isso aqui. Parecem todos bons frutos. E Jesus fala que esses bons frutos não são bons frutos. Não vieram de uma boa árvore. F assim: "Ah, os bons frutos são, é fazer a vontade do meu pai". E é isso. Mas esses que aparentam ser bons frutos, pregar, profetizar, curar, expulsar demônios, etc. e tal, esses que aparentam ser bons frutos, Jesus fala que não são. Ele rejeita esses frutos. Ou seja, aqui ele tem dois grupos. um grupo que faz coisas em nome dele e que aparentemente são bons frutos, mas que não são bons frutos. E tem um outro grupo que parece que Jesus não diz que eles fazem muita coisa aqui nesse texto, pelo menos, mas que eles fazem a vontade de Deus. Vai saber qual que é a vontade de Deus aqui nesse contexto. Mas são dois grupos. E na verdade essa eh a essa oposição é uma coisa que tá acontecendo no sermão da montanha o tempo todo. Jesus ele começa o sermão da montanha em Mateus com as famosas bem-aventuranças já criando uma oposição. Então você tem os bem-aventurados e eles são os que choram, eles são os simples, eles são os pobres, eles são os mansos, eles são os humildes e tal, e eles são os perseguidos. perseguidos por causa da justiça. E essa justiça no texto lá em Mateus 5 é o amor. É o amor com que eles amam os inimigos e eles por causa disso, são perseguidos. Então tem dois grupos, os que são perseguidos e os que perseguem. Os que perseguem perseguem por causa da lei e os que são perseguidos são perseguidos por causa do amor. E aí você vai ter ao longo do do sermão da montanha outras oposições. Você tem aqueles que se preocupam com tudo e você tem aqueles que não se preocupam com nada. Você tem aqueles que buscam riquezas, você tem aqueles que não buscam nada. Então você tem uma série de oposições que estão sendo construídas e uma delas tá no início do capítulo 7, que vem antes desse texto, que é justamente sobre o julgamento do próximo, aqueles que julgam o próximo e aqueles que não julgam o próximo. Então, essas oposições constrem o caminho até essa oposição da porta estreita. E no conjunto de oposições, quando você junta todas as oposições numa sequência, elas estão dizendo alguma coisa. Existe uma religião que é uma religião exterior, que é uma religião de ações pros outros verem, uma religião que é aparente, uma religião que faz coisas em nome de Deus, uma religião preocupada com performance, preocupada com ritual, uma religião preocupada com ações. ações que são vistas e, portanto, são julgadas, mas ao mesmo tempo você tem uma religião que é interna, que é escondida, digamos assim, que tá oculta. Uma religião que não tem apenas a ver com ações, mas tem a ver com coração. Uma religião que tem a ver com o amor, com uma tendência ao amor. Uma religião que não julga. E quando você constrói essa gama de oposições, o que o texto parece guiar a gente é o seguinte, de que essa porta estreita é a porta daqueles que escolheram amar. Amar os inimigos, amar os que perseguem, não julgar o próximo. Quando for orar, quando eles vão orar, eles se retiram no privado. Eles não fazem grandes demonstrações públicas da sua fé. Eles não se preocupam em mostrar o que a mão direita fez para todo mundo, nem o que a esquerda. Eles fazem quietinhos. Eles estão preocupados com valores que t a ver com mansidão, com paz, com bondade. Essa é a porta estreita. E a porta larga é a porta da religião meritocrática, da religião que busca mostrar o que faz e deixa de fazer, do que guarda e deixa de guardar. Da religião que julga e condena as pessoas. Essa é a porta larga, porque ela é a religião da lógica. Ela é a religião da lógica, da nossa lógica, da lógica, da lógica da nossa cabeça. Por isso ela é mais fácil. E essa religião da lógica é religião em que todo mundo entra. Mas existe uma religião que não tá nessa lógica. Existe uma espiritualidade que não tá nessa lógica, que tá numa outra lógica. em que a renúncia do eu não é o que eu abdico de fazer, as leis que eu guardo e deixo de guardar, mas é o entender que eu sou servo e não senhor. É entender que eu sou perseguido e não perseguidor. É entender que eu vou amar os que me perseguem, amar os meus inimigos. Eu vou me colocar numa outra posição. Esse é o carregar a cruz de Cristo. Esse é o carregar a cruz de Cristo. É carregar a decisão de amar a tal ponto de morrer pelos inimigos, de morrer pelos que matam, de morrer pelo que são pelos que são violentos. Essa é a cruz difícil de carregar. Jesus diz em outro momento, amar os amigos é fácil. Essa é a lógica. Mas a minha lógica é outra, é amar os inimigos. Essa é a porta estreita. É a porta que junta pessoas opostas e diferentes, diversas, plurais. em amor. E quando a gente vai ver o Novo Testamento, essa a construção que tá sendo feita. Essa é a briga da igreja. A briga da igreja é entre essas duas oposições, a porta larga e a porta estreita. Qual é a porta larga, galera? Vamos continuar fazendo o que a gente sempre fez. Não vamos inventar moda, pô. Para seguir Jesus, tem que guardar o que ele guardava, tem que fazer o que ele fazia. É isso aí. É guardar os mandamentos, é guardar a lei, é fazer isso, fazer aquilo. Essa é a porta larga. É o mérito, meu amigo. Como assim você vai sem fazer nada, chegar e sentar e dizer: "Ah, acredito em Jesus" e tal. Não, não, não, não. Tem que ter um esquema aqui. Tem que ter uma prova de que você realmente seguidor de Jesus, que você guarda todas as coisas. E aí vem a porta estreita. E qual que é a porta estreita? A igreja decide, pô, tem que fazer isso, isso e isso. E já era, já tava tirando um monte de coisa que precisava fazer. Sobraram quatro. E aí vem Paulo e fala assim: "Não, nem essas quatro, que a parada é a seguinte: o reino de Deus é maior que tudo isso. E por que que é a porta estreita? Chuta! Por que que é a porta estreita? Quantos entram? Quantos apoiam o Paulo? Quantos apoiam Paulo? Ninguém, bicho. O cara é perseguido. Aonde ele vai, ele é perseguido. Ele é perseguido por judeus? Ele é perseguido por cristãos. A igreja abandona Paulo, mano. Essa é uma realidade que a gente não gosta de falar, né? Porque a igreja primitiva é maneira, mas a igreja fala assim: "Esse cara é muito problemático, mano. Deixa ele lá, vai pregar lá. Aí quando ele vai ser preso e tal, depois morto, ela fala: "Pô, graças a Deus resolver um problema". A gente esquece desses detalhes. Paulo não é chamado para se explicar diante do concílio lá, porque ele tava ensinando a galera a guardar a lei. Paulo é chamado para se explicar, porque ele tava dizendo assim: "A graça é maior que tudo isso". É isso que Paulo tá sendo chamado para explicar. E quantos são chamados para explicar isso? Paulo. Sim. A porta larga é para muitos e a porta estreita para poucos. Vocês estão percebendo? Paulo é chamado para se explicar paraa igreja várias vezes que a igreja fala: "Paulo, você tá exagerando, bicho. Essa parada dessa graça aí que você tá pregando, desse Jesus aí não é assim, mano. Tem que ter limite nessa parada." E Paulo sofre até morrer. Aí eu te pergunto, qual que é a porta larga e qual que é a porta estreita? Quantos estão lá falando assim: "Não pode isso, não pode aquilo, não pode aquele outro, não sei o que lá e tal". Para tá aqui tem que ser assim. Quantos? Todo mundo. E aí tem um cara pregando, dizendo assim: "Não, o reino de Deus é maior que tudo isso, bicho. O reino de Deus é maior que essas paradas aí. Fica tranquilo. Sabe qual o negócio? Não julga. Se você guarda, guarda. Se você não guarda, não precisa guardar, tá? O negócio é Cristo. Quem que é perseguido? Bem-aventurados sois quando vocês forem perseguidos pela minha justiça, pela minha graça. Quem que é perseguido? Quem que é a porta estreita? Vocês estão entendendo o pensamento? Vocês estão entendendo o raciocínio? Quando você começa a pensar nesses termos, as coisas mudam um pouquinho de figura. Elas ganham um outro contorno, elas ganham uma outra realidade, porque a porta larga é a porta da lógica. Que lógica? Eu faço, eu ganho. Eu faço, eu recebo. Eu faço, Deus me abençoa. Eu cumpro, eu ganho dinheiro, eu ganho carro, eu ganho posição, eu ganho aplauso da galera. E quando eu não faço, eu não ganho. E ai, mas aí eu preciso me arrepender. Essa é a lógica da porta larga, porque é a lógica que tem a ver com comigo. E aí a gente já falou sobre isso. Levítico 26, Deuteronômio. E aí tem um monte de textos que lidam com essa lógica lógica humana. Aqui é a lógica do mérito, é a lógica da obra. Vamos colocar um termo mais teológico, né? A lógica da obra, das boas obras. As minhas obras determinam meu caminho. E a porta estreita é a porta onde eu não tenho controle. E a porta onde eu preciso amar todas as pessoas. É a porta da graça. É a que recebe todo mundo diferente, diferente de mim, inclusive. Essa é a porta estreita. E é interessante porque esse é o pensamento das pessoas quando você começa a falar dessa questão da graça. A primeira reação das pessoas, e eu vou ser aqui, infelizmente duro, mas a primeira reação, uma reação, não sei se eu uso essa palavra, Vanessa vai brigar comigo depois. Vaness vai brigar comigo. É uma reação, vou dizer assim, não inteligente. Ah, então pode tudo. Ah, aí a igreja que pode tudo, não sei o que lá. Aí liberou geral, eu vou fazer o que eu quero. Isso é reação não inteligente que é acompanhada de uma outra reação, que é a seguinte: "Ah, tá fazendo isso para ganhar like. Isso daí é para receber aplauso da galera e tal. E aí tem um exercício interessante você fazer. Eu acho que você não deveria fazer porque talvez isso deixe você triste, mas é interessante você fazer. Você vai ver assim o vídeo, eu não vou fazer propaganda, né? Mas o vídeo da comunidade falando sobre graça, o mais visto, sei lá, 7.000 views, 8.000 views. Aí você vai pegar o vídeo do cara criticando que a gente fala sobre graça, 100.000 views. Você onde é que tá o like, né? Onde é que tá o reconhecimento e os aplausos? E aí vem essa mentalidade. Ah, não é isso daí porque é é efeito manada. É é não sei o que lá. É para agradar as pessoas. A gente desagrada. Falou de graça, meu amigo, desde a época diante de Jesus, mas principalmente na época de Jesus, desagrada. As pessoas vão embora. Você perde gente, você perde dinheiro, você perde eh você perde, sei lá, imagem moral que vocês quiserem colocar, você perde. Você perde. Tem gente, inclusive, que não pode nem tirar foto com você, porque se tirar foto com você vai se queimar. É a realidade. Tem gente que não pode tirar foto comigo que se queima. Eu não tô falando de de uma denominação, não. Tô falando de várias denominações, cara. Pô, gosto para caramba de você, tal. Falei, vai lá na comunidade, pô. Não posso. Se eu for lá, tô lascado. Aí a gente se encontra para almoçar. Aí o cara, ó, vou tirar uma foto aqui, mas eu não vou postar não, tá? Porque você sabe, né? Vai me queimar. Fal, tá tranquilo, bicho. Tá de boa. Aí eu pergunto, quem que tá ganhando aplauso? Vocês entenderam? Quem que tá ganhando projeção? Quem que é a porta larga, onde todo mundo entra? E onde é que tá a porta estreita? a porta do que é difícil fazer, porque fácil é você continuar como tá todo mundo continuando. Difícil é você mudar o caminho e entrar por um caminho que ninguém entra. E aí vem um negócio que que essa semana, no último capítulo, me chamou muita atenção, o último capítulo do livro. Essa série é baseada livremente num livro chamado, eh, em português, a tradução seria Ampliando a graça de Deus, escrito por um uma dupla pai e filho. O filho é o Christopher Reis, que é exegeta de Antigo Testamento, professor de hebraico, arqueologia e tal, cara muito, muito relevante. Mas o pai é o Richard Hay. E o Richard Heis, ele é o exegeto de Novo Testamento, talvez nos últimos anos aí o mais conceituado, mais bem quisto. E eles escreveram esse livro para falar sobre a graça de Deus. E é muito interessante porque o Richard Heis, ele é um cara assim, como é que eu posso dizer? Ele é ele é famoso no meio acadêmico. Aqui no meio acadêmico, né? Não, a fama é diferente, não é? Não é um monte de gente, é uma galerinha. Mas assim, se você pega os principais caras de Novo Testamento, tô falando de acadêmico de Novo Testamento, todos eles citam Richard Heis, entendeu? O cara é referência, referência. E esse cara escreveu um tempo atrás um artigo de que saiu num livro, um capítulo de um livro, em que ele tinha uma posição específica sobre homossexualidade. E esse artigo foi usado para detonar a presença de homossexuais nas igrejas. Tá vendo? Não temos argumentos bíblicos e usavam Richard Reis. Isso incomodou o Richard Rey de uma tal maneira que nesse livro Widening, né, God's Grace, ampliando a graça de Deus, o epílogo, o último texto escrito deles no livro é uma carta do Richard pedindo desculpas, se arrependendo do que ele escreveu. Eu pergunto para um cara desse, com a moral que ele tinha, com o nome que ele tinha, ele precisava fazer isso? Essa é a porta larga ou a porta estreita? O cara perdeu moral, deixou de ser chamado em congresso, ficou queimado, morreu no início desse ano. Ano passado ele passou tentando se explicar o que que tinha acontecido, que a galera tava batendo nele, qual que é a porta larga e a porta estreita. E aí ele escreveu essa frase e essa frase tem um peso justamente por essa história toda que eu contei. Ele diz assim: "O trabalho do espírito está em andamento e a exegese do texto não nos desculpa da necessidade de reconhecer isso." E por que que isso é impactante? Porque são dois exegetas que escreveram o texto. Exegeta é o cara que faz que destrincha o texto bíblico. Dois exegetos, dois caras que destrincham texto diz assim: "A exegés do texto não nos tira a necessidade de reconhecer que o espírito continua atuando, que o espírito continua se movendo. Então, a comunidade surge, a nossa comunidade surge porque a gente acredita piamente nessa ideia de que o espírito só para onde ele quer, do jeito que ele crê, sobre quem ele quer. E não há ser humano que possa colocar limite sobre a atuação do espírito. Nem igreja, nem pastor, nem padre, nem qualquer coisa que vocês quiserem colocar aí. O espírito é incontrolável e a graça, como diz Paulo, tá para além de toda e qualquer limitação, porque o reino de Deus é maior que comida, que bebida, que qualquer coisa que vocês possam discutir. Vai fazer exegese? Vai, faz exegese. Mas lembra o seguinte, o reino de Deus é maior que a exegese, porque o espírito sobra onde quer, o espírito faz o que quer. E é por isso que surge a comunidade, por essa ideia. E as pessoas ficam, né, pô, então agora pode tudo, liberou geral, não sei o que lá. Pô, novamente, não seja não inteligente. Meu amigo, eu sou homem de uma só mulher. Não consigo comer um monte de coisa de Levític 11 porque eu cresci assim. Sou sabatista. Tem um monte de coisa na minha na minha confecção como ser humano que eu me limitei porque eu enxergo que essa é a vontade de Deus para mim, mas não é para você, bicho. Vocês conseguem entender isso? Se para você Levítico 11 é importante que seja, só não julga o coleguinha, porque para ele Levítico 11 não é importante. Isso é igreja primitiva. Isso é igreja sendo movida pelo espírito. Se você não toma o chazinho X, não julgue o coleguinha que toma o chazinho X. E é curioso porque quando a gente vai para Gálatas 5, por exemplo, vai falar do fruto do espírito, falar do fruto do mundo, né, do fruto do do do da carne, os frutos da carne tem lá sexualidade, inveja, egoísmo, não sei o que lá, andar uma vida dissoluta. Tem todas essas paradas lá no fruto da carne. Mas quando vai falar do fruto do espírito, não tem essas mesmas coisas, tem outras coisas. Tem amor, tem bondade, tem mansidão, tem não julgar. Tá lá no fruto do espírito. Fruto do espírito não é deixar de comer. Fruto do espírito não é deixar, não é ser heterossexual, não tá lá. Fruto do espírito é ser hétero. Não tem lá. Ah, mas no fruto da carne tem a questão, a imoralidade sexual é. vai analisar a palavra, analisa a questão, analisa a construção. Ele tá falando de uma sexualidade desenfreada, ele tá falando de promiscuidade. E aí promiscuidade e sexualidade desenfriada pode ser hétero, pode ser homo. Eu vou repetir um negócio para vocês. Não há nenhum texto no no Antigo Testamento e no Novo Testamento que trate sobre questões de gênero de uma pessoa que nasceu homossexual. vai falar de uma sexualidade desenfreada, abusiva, tóxica, violenta. Isso vai falar. Mas aí você pode aplicar para homem e para hétero. Se fosse tão importante era heterossexual, tava lá escrito, o fruto do espírito é seja heterossexual. É isso. De preferência, escute música de branco também. Seu cabelo não pode ser para cima, não pode ser afro. Você não pode usar roupa muito colorida. não pode ser alegre na igreja. Mas estaria tudo isso lá no fruto do espírito, mas não tá, bicho, tá amor, bondade, assim por diante. E a gente termina com João, primeira epístola de João, capítulo 2, verso 7 em diante. Amados, não lhes escrevam o mandamento novo, mas um mandamento antigo que vocês têm desde o princípio, a mensagem que ouviram. No entanto, que lhes escrevam, é um mandamento novo, não é, mas é o qual é verdadeiro nele e em vocês, pois as trevas estão se dissipando e já brilha a verdadeira luz. Quem afirma está na luz, mas odeia o seu irmão, continua nas trevas. Quem ama o seu irmão permanece na luz e nele não há causa de tropeço. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas e sabe para onde vai. Caminho largo ou porta larga e porta estreita. Quem odeia seu irmão vai para onde? Paraa perdição. Quem ama seu irmão vai pro caminho de luz. Capítulo 4 da mesma epístola de João, primeira. Amados, amema-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Verso 11. Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros. Verso 16. Assim conhecemos o amor de Deus que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor e todo aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. E continua aqui essa igreja que Deus quer construir em nós, conosco e através de nós. E é por isso, é por isso que a missão da comunidade é a seguinte, eu vou ler para vocês. Missão da comunidade, ser uma comunidade guiada pelo Espírito que ama a Deus e segue os passos de Jesus, onde cada pessoa é amada, reconhecida e valorizada como parte do corpo de Cristo, como parte da família de Cristo. cada pessoa. Não importa que dia você guarda, não importa o que você come, não importa de quem você gosta, não importa raça, cor, etnia, sexualidade, gênero, nada, porque o espírito age em quem ele quer e o fruto do espírito aparece em quem ele quer. E a graça de Deus é estendida a todos através de Cristo. E é sobre Cristo que nós vamos construir essa comunidade. É sobre a graça de Cristo e sobre a ação ilimitada do Espírito Santo. Ena nosso pai e nosso rei. Senhor, é reconfortante saber que somos amados, mas é imperioso que a gente entenda que por sermos amados necessariamente precisamos amar. que esse amor que a gente recebeu, esse amor que nos transformou, que nos transforma, que nos acolheu, que nos acolhe, que esse amor ele seja não somente vivido, mas repartido entre nós. E que toda e qualquer pessoa, de toda e qualquer origem, de toda e qualquer realidade, receba esse amor que nós recebemos e entenda que é parte dessa família e desse corpo que não é o nosso, é de Cristo. A gente te agradece por isso e a gente te pede por isso também nos méritos de Jesus. Amém. M.