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Sermão: O estreito caminho da graça

Sermão: O estreito caminho da graça

Sermão: O estreito caminho da graça

Décimo sétimo sermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

[Música]
Terra, nosso pai, nosso
rei. Muito obrigado por Cristo
Jesus. Muito obrigado por tudo que ele
é. Muito obrigado por tudo que ele fez.
Muito obrigado por tudo que ele faz.
Muito obrigado por tudo que ele fará.
Que Cristo continue sendo o centro, o
alicece da nossa
fé e que através através do
espírito nós possamos continuar sendo
transformados à imagem
dele. É o que nós te imploramos em nome
dele, Jesus Cristo. Amém, Senhores.
Amém.
Bom
dia. É um poder, é um prazer poder falar
com vocês mais um pouquinho sobre a
graça. Foram 16 semanas seguidas, hoje é
a
17ª semana. Hoje a gente vai concluir
essa série, talvez, com certeza, a maior
série eh que eu já fiz sobre um tema que
com certeza é extremamente
importante. Na verdade, a gente veio
construindo essa ideia em algumas outras
séries, mas de alguma maneira a gente
sentiu
que era necessário ter um uma série
específica sobre isso para colocar,
digamos assim, um tijolo final ou um
tijolo definitivo nesse nessa construção
que a gente foi fazendo. a gente falou
bastante sobre essa questão da graça na
série Os Discípulos e O Reino, eh, o
Peixe e o Verme, a moabita, eh, exclusão
e abraço,
ah, em diverso, eh, incluídos,
excluídos, que também foi uma série bem
interessante. E a gente trabalhou vários
aspectos dessa graça e de como essa
graça funciona nessas outras
séries. E agora nesses últimos 16,
nessas últimas 16 semanas, a gente foi
empilhando mais uma série de histórias.
Então, quando você junta todas essas
séries e inclusive essa agora, a gente
percebe que tanto Antigo quanto Novo
Testamento constróem uma narrativa muito
sólida, com diversas histórias em
diversos lugares falando basicamente a
mesma coisa, que é essa graça abundante
de Deus que alcança toda e qualquer
pessoa em toda e qualquer
situação, que faz com que Deus ele
inclusive
pareça mudar para acolher, para
incluir, para salvar essa graça que tá
acima de toda e qualquer coisa e que
transforma toda e qualquer
pessoa. E
essa essa série que a gente fez, ela é
baseada livremente no livro de dois
teólogos, que são dois exegetas muito
importantes. do Christopher Reis, que é
o exegeta de Antigo Testamento, trabalha
bastante com arqueologia, com língua
hebraica, e o Richard Reis, que é o pai
do Christophe, Christopher, o Richard,
que é o pai dele, que é um exegeta de
Novo Testamento, eh, extremamente
conhecido e conceituado e trabalha
bastante com grego, tem livros
excelentes publicados e os dois se
juntaram para escrever esse livro que
numa tradução livre seria ampliando a
graça de Deus, né? Ampliando a graça de
Deus. E eles têm uma declaração que eu
achei muito interessante e eu vou ler
para vocês uma declaração que tá nesse
último capítulo. Diz
assim: "O trabalho do espírito está em
andamento e a exegese do texto não não
nos desculpa da necessidade de
reconhecer isso." E eu gostei muito
dessa frase porque são dois exegetas,
são duas pessoas que trabalham com texto
seriamente e são reconhecidas por isso,
mas eles deixam esse espaço
importantíssimo para entender que o
espírito trabalha para além da exegese,
que o espírito trabalha hoje, que o
espírito tá trabalhando entre as
pessoas.
E a comunidade ela basicamente, a nossa
comunidade, ela basicamente tem esse
mote, né, de que o espírito sopra onde
quer, de que o espírito é livre, ele age
onde quer e do jeito que ele quer. Então
essa série, ela tem muito a ver com esse
entendimento que a gente tem individual
e coletivamente, de que o espírito de
que o espírito trabalha atuando
graciosamente, de maneira
radicalmente
inclusiva. E não importa eh eh sua
etnia, sua raça, sua sexualidade, seu
gênero, sua cor. Não importa nada. A
graça de Deus está aí. à
disposição. E eu queria nesse último
momento, eh, nessa série, obviamente,
ah, falar sobre um texto que a gente já
falou aqui, mas que eu acho que é muito
importante a gente resgatar. É um texto
que é, infelizmente, muito mal
utilizado dentro de um de uma conjuntura
religiosa. Eh, esse texto tá lá em
Mateus, no capítulo 7.
tá no no finalzinho ali do que a gente
chama de sermão do
monte, conforme narrado em Mateus, né? E
ele diz assim, capítulo 7 de Mateus,
verso 13 e
14, entrem pela porta estreita, pois
larga é a porta e amplo o caminho que
leva à perdição, e são muitos os que
entram por ela. Como é estreita a porta
e apertado o caminho que leva à vida,
são poucos os que a
encontram. Esse texto aqui, ele é o
texto que apresenta uma oposição, uma
oposição clássica.
eh entre duas portas. E aqui é
importante a gente entender que a
oposição é entre as portas, não entre os
caminhos. Porque se você escolher uma
porta, essa porta leva a um caminho. Se
você escolher aquela outra porta, leva a
outro caminho. E as portas são
estreitas, ou a porta é estreita ou a
porta é larga. E o caminho que vem
depois dessa porta, um leva pra perdição
e o outro leva pra vida, né? Pra vida.
Então, existe uma porta estreita e
existe uma porta
larga. E como geralmente a gente entende
isso? Como geralmente a gente aprende
isso? A gente aprende que a porta
estreita é a
porta da
renúncia, da renúncia do eu, não é? E
essa renúncia do eu, ela é muito clara.
Ela tem a ver, tem a ver com coisas que
você deixa de
fazer. Então, você deixa de fazer X,
você deixa de fazer Y, você deixa de
fazer Z. Tudo que você deixa de
fazer é o que te conduz para essa porta
estreita.
A porta estreita é a porta da renúncia
das coisas, da renúncia do eu, da
renúncia das coisas que te dão alegria,
que te dão prazer. Então, se você sente
alegria, se você sente prazer em alguma
coisa, você precisa renunciar à aquilo,
porque aquilo vai te levar pra perdição.
Se você ama demais uma coisa, você
precisa aprender a abandonar aquela
coisa, porque aquilo vai te levar à
perdição. E aí vocês já ouviram com
certeza alguém falando assim: "Não, Deus
pediu para que Abraão sacrificasse
Isaque, porque Abraão amava Isaque mais
que
tudo." E aí Deus quis dizer assim:
"Veja, você não pode amar o filho mais
do que a mim, então vai lá e mata seu
filho." Deus quis ensinar para Abraão
uma
lição de que só pode amar Deus. Não pode
amar tanto filho. Se amar o filho
demais, tem que abandonar também. Tem
que sa tem que tá disposto a sacrificar
até o filho para entrar por essa porta
estreita. E a porta larga, a porta
larga, ah, pode tudo, é isso aí, faz o
que você quiser e etc. Essa é a porta,
porta larga. E mais uma vez a gente
acaba num mundo, num universo que tem a
ver com
méritos, tem a ver com esse mérito, o
mérito daquilo que você consegue deixar,
o mérito daquilo que você consegue eh
fazer ou não fazer. Então, a escolha da
porta tem a ver com seus próprios
méritos, com a sua própria força de
vontade. Se você quiser, você vai
conseguir abandonar as coisas que te
afastam de
Deus. E se for a família, você
abandonará a família. E se for o
emprego, você abandonará emprego. E,
enfim, vocês entenderam?
E a gente comumente aprendeu a entender
essa porta estreita e essa porta larga
dessa maneira.
Então, as pessoas muito zelosas, as
pessoas muito piedosas, aquelas que
conseguem acordar todo dia 5 da manhã
para fazer uma, duas, 3 horas de oração
antes de sair pro
trabalho. As pessoas que conseguem se
abster de bebida e comida, as pessoas
que conseguem se abster daquilo e
daquele outro, essas pessoas que
renunciam a um monte de coisa, essas
pessoas estão escolhendo o caminho
estreito. E é o caminho, portanto, é um
caminho de obras.
né? E é um caminho que tem a ver com
você, que é o que você consegue e o que
você não
consegue. E o caminho largo também tem a
ver com você, quando você decide fazer o
que você
quiser. Só que a gente precisa entender
que tem um contexto desse desse verso,
obviamente, né? Tem um contexto todo
dentro de um sermão inteiro, que é o
sermão da montanha.
E quando você vai ver o contexto
imediatamente posterior, por exemplo,
que é mais fácil, vamos começar com mais
fácil, na sequência ele vai falar da
árvore dos frutos. Lembra disso? A
árvore boa dá bons frutos e a árvore má
dá maus frutos. Lembram disso? Então, a
árvore boa produz frutos bons, a árvore
má produz frutos maus. E aí é
lógica, é
óbvio. Aí Jesus vai falar assim: "A
árvore boa não pode dar frutos maus e a
árvore má não pode dar frutos bons.
Pelos seus frutos vocês vão conhecer,
lógico. Mas aí Jesus, como sempre, a
gente já falou disso aqui, ele complica
essas coisas. As coisas que parecem
muito óbvias, Jesus fala: "Sim, não é
bem assim". E as coisas que parecem
muito complexas, ele simplifica. É
interessante como Jesus funciona. E aqui
ele diz assim: "Por isso, naquele
dia, as pessoas que se achegarem até mim
vão dizer assim: "Ah, Senhor, em teu
nome nós curamos, em teu nome nós
expulsamos demônio, em teu nome nós
profetizamos e tal". Jesus falou: "Eu
não conheço
vocês". Aí você fala: "Bom, parecem
todos bons frutos". A gente já falou
isso aqui. Parecem todos bons frutos. E
Jesus fala que esses bons
frutos não são bons frutos. Não vieram
de uma boa
árvore. F assim: "Ah, os bons frutos
são, é fazer a vontade do meu pai". E é
isso. Mas esses que aparentam ser bons
frutos, pregar, profetizar, curar,
expulsar demônios, etc. e tal, esses que
aparentam ser bons frutos, Jesus fala
que não são. Ele rejeita esses frutos.
Ou seja, aqui ele tem dois grupos.
um grupo que faz coisas em nome dele e
que aparentemente são bons frutos, mas
que não são bons frutos. E tem um outro
grupo que parece que Jesus não diz que
eles fazem muita coisa aqui nesse texto,
pelo menos, mas que eles fazem a vontade
de Deus. Vai saber qual que é a vontade
de Deus aqui nesse contexto. Mas são
dois grupos. E na verdade
essa eh a essa oposição é uma coisa que
tá acontecendo no sermão da montanha o
tempo todo. Jesus ele começa o sermão da
montanha em Mateus com as famosas
bem-aventuranças já criando uma
oposição. Então você tem os
bem-aventurados e eles são os que
choram, eles são os simples, eles são os
pobres, eles são os mansos, eles são os
humildes e
tal, e eles são os perseguidos.
perseguidos por causa da justiça. E essa
justiça no texto lá em Mateus 5 é o
amor. É o amor com que eles amam os
inimigos e eles por causa disso, são
perseguidos. Então tem dois grupos, os
que são perseguidos e os que perseguem.
Os que perseguem perseguem por causa da
lei e os que são perseguidos são
perseguidos por causa do amor. E aí você
vai ter ao longo do do sermão da
montanha outras oposições. Você tem
aqueles que se preocupam com tudo e você
tem aqueles que não se preocupam com
nada. Você tem aqueles que buscam
riquezas, você tem aqueles que não
buscam nada.
Então você tem uma série de oposições
que estão sendo construídas e uma delas
tá no início do capítulo 7, que vem
antes desse texto, que é justamente
sobre o julgamento do próximo, aqueles
que julgam o próximo e aqueles que não
julgam o
próximo. Então, essas oposições constrem
o caminho até essa oposição da porta
estreita.
E no conjunto de oposições, quando você
junta todas as
oposições numa
sequência, elas estão dizendo alguma
coisa.
Existe uma religião que é uma
religião exterior, que é uma religião de
ações pros outros verem, uma religião
que é aparente, uma religião que faz
coisas em nome de Deus, uma religião
preocupada com
performance, preocupada com
ritual, uma religião preocupada
com ações.
ações que são vistas e, portanto, são
julgadas, mas ao mesmo tempo você tem
uma religião que
é
interna, que
é escondida, digamos assim, que tá
oculta. Uma religião que não tem apenas
a ver com ações, mas tem a ver com
coração. Uma religião que tem a ver com
o amor, com uma tendência ao amor. Uma
religião que não
julga. E quando você constrói essa gama
de
oposições, o que o texto parece guiar a
gente é o seguinte, de que essa porta
estreita é a porta daqueles que
escolheram amar.
Amar os
inimigos, amar os que
perseguem, não julgar o
próximo. Quando for orar, quando eles
vão orar, eles se retiram no privado.
Eles não fazem grandes demonstrações
públicas da sua
fé. Eles não se preocupam em mostrar o
que a mão direita fez para todo mundo,
nem o que a esquerda. Eles fazem
quietinhos.
Eles estão preocupados com valores que t
a ver
com mansidão, com paz, com
bondade. Essa é a porta
estreita. E a porta larga é a porta da
religião meritocrática, da religião que
busca mostrar o que faz e deixa de
fazer, do que guarda e deixa de
guardar. Da religião que julga e condena
as pessoas.
Essa é a porta
larga, porque ela é a religião da
lógica. Ela é a religião da lógica, da
nossa lógica, da lógica, da lógica da
nossa
cabeça. Por isso ela é mais
fácil. E essa religião da lógica é
religião em que todo mundo
entra. Mas existe uma religião que não
tá nessa
lógica. Existe uma espiritualidade que
não tá nessa lógica, que tá numa outra
lógica.
em que a renúncia do eu não é o que eu
abdico de fazer, as leis que eu guardo e
deixo de
guardar, mas é o entender que eu sou
servo e não
senhor. É entender que eu sou perseguido
e não
perseguidor. É entender que eu vou amar
os que me perseguem, amar os meus
inimigos.
Eu vou me colocar numa outra
posição. Esse é o carregar a cruz de
Cristo. Esse é o carregar a cruz de
Cristo. É carregar a decisão de amar a
tal ponto de
morrer pelos inimigos, de
morrer pelos que
matam, de morrer pelo que são pelos que
são violentos.
Essa é a cruz difícil de
carregar. Jesus diz em outro momento,
amar os amigos é
fácil. Essa é a
lógica. Mas a minha lógica é outra, é
amar os
inimigos. Essa é a porta
estreita. É a porta que
junta pessoas opostas e
diferentes, diversas, plurais.
em
amor. E quando a gente vai ver o Novo
Testamento, essa a construção que tá
sendo feita. Essa é a briga da
igreja. A briga da igreja é entre essas
duas oposições, a porta larga e a porta
estreita. Qual é a porta larga, galera?
Vamos continuar fazendo o que a gente
sempre
fez. Não vamos inventar
moda, pô. Para seguir Jesus, tem que
guardar o que ele guardava, tem que
fazer o que ele fazia. É isso aí. É
guardar os mandamentos, é guardar a lei,
é fazer isso, fazer aquilo. Essa é a
porta
larga. É o mérito, meu amigo. Como assim
você vai sem fazer nada, chegar e sentar
e dizer: "Ah, acredito em Jesus" e tal.
Não, não, não,
não. Tem que ter um esquema aqui. Tem
que ter uma prova de que você realmente
seguidor de Jesus, que você guarda todas
as
coisas. E aí vem a porta
estreita. E qual que é a porta estreita?
A igreja decide, pô, tem que fazer isso,
isso e isso. E já era, já tava tirando
um monte de coisa que precisava fazer.
Sobraram quatro. E aí vem Paulo e fala
assim:
"Não, nem essas quatro, que a parada é a
seguinte: o reino de Deus é maior que
tudo
isso. E por que que é a porta
estreita? Chuta! Por que que é a porta
estreita?
Quantos
entram? Quantos apoiam o
Paulo? Quantos apoiam
Paulo? Ninguém, bicho. O cara é
perseguido. Aonde ele vai, ele é
perseguido. Ele é perseguido por judeus?
Ele é perseguido por
cristãos. A igreja abandona Paulo,
mano. Essa é uma realidade que a gente
não gosta de falar, né? Porque a igreja
primitiva é maneira, mas a igreja fala
assim: "Esse cara é muito problemático,
mano. Deixa ele lá, vai pregar lá. Aí
quando ele vai ser preso e tal, depois
morto, ela fala: "Pô, graças a Deus
resolver um
problema". A gente esquece desses
detalhes. Paulo não é chamado para se
explicar diante do concílio lá, porque
ele tava ensinando a galera a guardar a
lei. Paulo é chamado para se explicar,
porque ele tava dizendo assim: "A graça
é maior que tudo isso". É isso que Paulo
tá sendo chamado para explicar. E
quantos são chamados para explicar isso?
Paulo. Sim. A porta larga é para muitos
e a porta
estreita para poucos. Vocês estão
percebendo?
Paulo é chamado para se explicar paraa
igreja várias
vezes que a igreja fala: "Paulo, você tá
exagerando, bicho. Essa parada dessa
graça aí que você tá pregando, desse
Jesus aí não é assim, mano. Tem que ter
limite nessa
parada." E Paulo sofre até
morrer. Aí eu te pergunto, qual que é a
porta larga e qual que é a porta
estreita?
Quantos estão lá falando assim: "Não
pode isso, não pode aquilo, não pode
aquele outro, não sei o que lá e tal".
Para tá aqui tem que ser
assim. Quantos? Todo
mundo. E aí tem um cara pregando,
dizendo assim: "Não, o reino de Deus é
maior que tudo isso, bicho. O reino de
Deus é maior que essas paradas aí. Fica
tranquilo. Sabe qual o negócio? Não
julga. Se você guarda, guarda. Se você
não guarda, não precisa guardar, tá? O
negócio é Cristo. Quem que é perseguido?
Bem-aventurados sois quando vocês forem
perseguidos pela minha justiça, pela
minha graça. Quem que é
perseguido? Quem que é a porta estreita?
Vocês estão entendendo o pensamento?
Vocês estão entendendo o raciocínio?
Quando você começa a pensar nesses
termos, as coisas mudam um pouquinho de
figura.
Elas ganham um outro contorno, elas
ganham uma outra
realidade, porque a porta larga é a
porta da lógica. Que lógica? Eu faço, eu
ganho. Eu faço, eu recebo. Eu faço, Deus
me
abençoa. Eu
cumpro, eu ganho dinheiro, eu ganho
carro, eu ganho posição, eu ganho
aplauso da galera.
E quando eu não faço, eu não
ganho. E ai, mas aí eu preciso me
arrepender. Essa é a lógica da porta
larga, porque é a lógica que tem a ver
com
comigo. E aí a gente já falou sobre
isso. Levítico
26,
Deuteronômio. E aí tem um monte de
textos que lidam com essa lógica lógica
humana. Aqui é a lógica do mérito, é a
lógica da obra.
Vamos colocar um termo mais teológico,
né? A lógica da
obra, das boas obras. As minhas obras
determinam meu caminho. E a porta
estreita é a porta onde eu não tenho
controle. E a porta onde eu preciso amar
todas as pessoas. É a porta da graça. É
a que recebe todo mundo
diferente, diferente de mim, inclusive.
Essa é a porta
estreita. E é interessante
porque esse é o pensamento das pessoas
quando você começa a falar dessa questão
da graça. A primeira reação das pessoas,
e eu vou ser aqui, infelizmente duro,
mas a primeira reação, uma
reação, não sei se eu uso essa palavra,
Vanessa vai brigar comigo depois.
Vaness vai brigar
comigo. É uma reação, vou dizer assim,
não
inteligente. Ah, então pode tudo. Ah, aí
a igreja que pode tudo, não sei o que
lá. Aí liberou geral, eu vou fazer o que
eu quero. Isso é reação não
inteligente que é acompanhada de uma
outra reação, que é a seguinte: "Ah, tá
fazendo isso para ganhar like.
Isso daí é para receber aplauso da
galera e
tal. E aí tem um exercício interessante
você fazer. Eu acho que você não deveria
fazer porque talvez isso deixe você
triste, mas é interessante você
fazer. Você vai ver
assim o
vídeo, eu não vou fazer propaganda, né?
Mas o vídeo da
comunidade falando sobre graça, o mais
visto, sei lá, 7.000 views, 8.000
views. Aí você vai pegar o vídeo do cara
criticando que a gente fala sobre graça,
100.000 views. Você onde é que tá o
like,
né? Onde é que tá o reconhecimento e os
aplausos?
E aí vem essa
mentalidade. Ah, não é isso daí porque é
é efeito manada. É é não sei o que lá. É
para agradar as pessoas. A gente
desagrada. Falou de graça, meu amigo,
desde a época diante de Jesus, mas
principalmente na época de Jesus,
desagrada. As pessoas vão
embora. Você perde gente, você perde
dinheiro, você perde eh você perde, sei
lá, imagem moral que vocês quiserem
colocar, você perde. Você perde. Tem
gente, inclusive, que não pode nem tirar
foto com
você, porque se tirar foto com você vai
se
queimar. É a realidade. Tem gente que
não pode tirar foto comigo que se
queima. Eu não tô falando de de uma
denominação, não. Tô falando de várias
denominações, cara. Pô, gosto para
caramba de você, tal. Falei, vai lá na
comunidade, pô. Não
posso. Se eu for lá, tô lascado. Aí a
gente se encontra para almoçar. Aí o
cara, ó, vou tirar uma foto aqui, mas eu
não vou postar não, tá? Porque você
sabe, né? Vai me queimar. Fal, tá
tranquilo, bicho. Tá de
boa. Aí eu pergunto, quem que tá
ganhando
aplauso? Vocês entenderam? Quem que tá
ganhando projeção? Quem que é a porta
larga, onde todo mundo
entra? E onde é que tá a porta estreita?
a porta do que é difícil
fazer, porque fácil é você continuar
como tá todo mundo continuando. Difícil
é você mudar o
caminho e entrar por um caminho que
ninguém
entra. E aí vem um negócio que
que essa semana, no último capítulo, me
chamou muita atenção, o último capítulo
do livro.
Essa série é baseada livremente num
livro
chamado, eh, em português, a tradução
seria Ampliando a graça de Deus, escrito
por um uma dupla pai e filho. O filho é
o Christopher Reis, que é exegeta de
Antigo Testamento, professor de
hebraico, arqueologia e tal, cara muito,
muito relevante. Mas o pai é o Richard
Hay. E o Richard Heis, ele é o exegeto
de Novo Testamento, talvez nos últimos
anos aí o mais conceituado, mais bem
quisto. E eles escreveram esse livro
para falar sobre a graça de Deus. E é
muito
interessante porque o Richard Heis, ele
é um cara
assim, como é que eu posso dizer? Ele é
ele é famoso no meio acadêmico. Aqui no
meio acadêmico, né? Não, a fama é
diferente, não é? Não é um monte de
gente, é uma galerinha. Mas assim, se
você pega os principais caras de Novo
Testamento, tô falando de acadêmico de
Novo Testamento, todos eles citam
Richard Heis, entendeu? O cara é
referência,
referência. E esse cara escreveu um
tempo atrás um artigo de que saiu num
livro, um capítulo de um livro, em que
ele tinha uma posição específica sobre
homossexualidade. E esse artigo foi
usado para detonar a presença de
homossexuais nas igrejas. Tá vendo? Não
temos argumentos bíblicos e usavam
Richard
Reis. Isso incomodou o Richard Rey de
uma tal maneira que nesse livro
Widening, né, God's Grace, ampliando a
graça de Deus, o epílogo, o último texto
escrito deles no livro é uma carta do
Richard pedindo
desculpas, se arrependendo do que ele
escreveu. Eu pergunto para um cara
desse, com a moral que ele tinha, com o
nome que ele tinha, ele precisava fazer
isso?
Essa é a porta larga ou a porta
estreita? O cara perdeu moral, deixou de
ser chamado em
congresso, ficou queimado, morreu no
início desse ano. Ano passado ele passou
tentando se explicar o que que tinha
acontecido, que a galera tava batendo
nele, qual que é a porta larga e a porta
estreita.
E aí ele escreveu essa frase e essa
frase tem um peso justamente por essa
história toda que eu contei. Ele diz
assim: "O trabalho do espírito está em
andamento e a exegese do texto não nos
desculpa da necessidade de reconhecer
isso." E por que que isso é impactante?
Porque são dois exegetas que escreveram
o
texto. Exegeta é o cara que faz que
destrincha o texto
bíblico. Dois exegetos, dois caras que
destrincham texto diz assim: "A exegés
do texto
não nos tira a necessidade de reconhecer
que o espírito continua atuando, que o
espírito continua se
movendo. Então,
a comunidade surge, a nossa comunidade
surge porque a gente acredita piamente
nessa ideia de que o espírito só para
onde ele quer, do jeito que ele crê,
sobre quem ele
quer. E não há ser humano que possa
colocar limite sobre a atuação do
espírito. Nem igreja, nem pastor, nem
padre, nem qualquer coisa que vocês
quiserem colocar aí.
O espírito é
incontrolável e a graça, como diz Paulo,
tá para além de toda e qualquer
limitação, porque o reino de Deus é
maior que comida, que bebida, que
qualquer coisa que vocês possam
discutir. Vai fazer exegese? Vai, faz
exegese. Mas lembra o seguinte, o reino
de Deus é maior que a exegese, porque o
espírito sobra onde quer, o espírito faz
o que
quer. E é por isso que surge a
comunidade, por essa ideia.
E as pessoas ficam, né, pô, então agora
pode tudo, liberou geral, não sei o que
lá. Pô, novamente, não seja não
inteligente. Meu
amigo, eu sou homem de uma só
mulher. Não consigo comer um monte de
coisa de Levític 11 porque eu cresci
assim. Sou sabatista.
Tem um monte de coisa na minha na minha
confecção como ser humano que eu me
limitei porque eu enxergo que essa é a
vontade de Deus para mim, mas não é para
você,
bicho. Vocês conseguem entender isso?
Se para você Levítico 11 é importante
que
seja, só não julga o
coleguinha, porque para ele Levítico 11
não é importante. Isso é igreja
primitiva. Isso é igreja sendo movida
pelo espírito. Se você não toma o
chazinho
X, não julgue o coleguinha que toma o
chazinho X.
E é curioso porque quando a gente vai
para Gálatas 5, por exemplo, vai falar
do fruto do espírito, falar do fruto do
mundo, né, do fruto do do do da carne,
os frutos da carne tem lá
sexualidade, inveja, egoísmo, não sei o
que lá, andar uma vida dissoluta. Tem
todas essas paradas lá no fruto da
carne. Mas quando vai falar do fruto do
espírito, não tem essas mesmas coisas,
tem outras coisas. Tem amor, tem
bondade, tem
mansidão, tem não
julgar. Tá lá no fruto do
espírito. Fruto do espírito não é deixar
de comer. Fruto do espírito não é
deixar, não é ser heterossexual, não tá
lá. Fruto do espírito é ser
hétero. Não tem
lá. Ah, mas no fruto da carne tem a
questão, a imoralidade sexual é. vai
analisar a palavra, analisa a questão,
analisa a construção. Ele tá falando de
uma sexualidade desenfreada, ele tá
falando de
promiscuidade. E aí promiscuidade e
sexualidade desenfriada pode ser hétero,
pode ser homo. Eu vou repetir um negócio
para vocês. Não há nenhum texto no no
Antigo Testamento e no Novo Testamento
que trate sobre questões de
gênero de uma pessoa que
nasceu homossexual.
vai falar de uma sexualidade
desenfreada, abusiva, tóxica,
violenta. Isso vai falar. Mas aí você
pode aplicar para homem e para
hétero. Se fosse tão importante era
heterossexual, tava lá escrito, o fruto
do espírito é seja
heterossexual. É isso. De preferência,
escute música de branco também. Seu
cabelo não pode ser para cima, não pode
ser
afro. Você não pode usar roupa muito
colorida. não pode ser alegre na igreja.
Mas estaria tudo isso lá no fruto do
espírito, mas não tá, bicho, tá amor,
bondade, assim por
diante. E a gente
termina com
João, primeira epístola de João,
capítulo
2, verso 7 em diante. Amados, não lhes
escrevam o mandamento novo, mas um
mandamento antigo que vocês têm desde o
princípio, a mensagem que ouviram. No
entanto, que lhes escrevam, é um
mandamento novo, não é, mas é o qual é
verdadeiro nele e em vocês, pois as
trevas estão se dissipando e já brilha a
verdadeira luz. Quem afirma está na luz,
mas odeia o seu irmão, continua nas
trevas. Quem ama o seu irmão permanece
na luz e nele não há causa de tropeço.
Mas quem odeia seu irmão está nas trevas
e anda nas trevas e sabe para onde
vai. Caminho largo ou porta larga e
porta estreita.
Quem odeia seu irmão vai para onde?
Paraa perdição. Quem ama seu irmão vai
pro caminho de
luz. Capítulo
4 da mesma epístola de João,
primeira. Amados, amema-nos uns aos
outros, pois o amor procede de Deus.
Aquele que ama é nascido de Deus e
conhece a Deus.
Quem não ama não conhece a Deus, porque
Deus é
amor. Verso 11. Amados, visto que Deus
assim nos amou, nós também devemos amar
uns aos
outros. Verso 16. Assim conhecemos o
amor de Deus que Deus tem por nós e
confiamos nesse amor. Deus é amor e todo
aquele que permanece no amor permanece
em Deus e Deus nele. E continua
aqui essa igreja que Deus quer
construir em
nós, conosco e através de nós. E é por
isso, é por isso que a missão da
comunidade é a seguinte, eu vou ler para
vocês.
Missão da
comunidade, ser uma comunidade guiada
pelo Espírito que ama a Deus e segue os
passos de Jesus, onde cada pessoa é
amada, reconhecida e valorizada como
parte do corpo de Cristo, como parte da
família de
Cristo. cada
pessoa. Não importa que dia você guarda,
não importa o que você come, não importa
de quem você
gosta, não importa raça, cor, etnia,
sexualidade, gênero,
nada, porque o
espírito age em quem ele
quer e o fruto do espírito aparece em
quem ele
quer. E a graça de Deus é estendida a
todos através de Cristo. E é sobre
Cristo que nós vamos construir essa
comunidade. É sobre a graça de Cristo e
sobre a ação
ilimitada do Espírito
Santo. Ena nosso pai e nosso rei.
Senhor,
é reconfortante saber que somos
amados, mas é imperioso que a gente
entenda que por sermos
amados necessariamente precisamos amar.
que esse amor que a gente
recebeu, esse amor que nos transformou,
que nos transforma, que nos acolheu, que
nos
acolhe, que esse amor ele
seja não somente vivido, mas repartido
entre nós.
E que toda e qualquer
pessoa, de toda e qualquer origem, de
toda e qualquer
realidade, receba esse amor que nós
recebemos e entenda que é
parte dessa família e desse corpo que
não é o nosso, é de
Cristo. A gente te agradece por isso e a
gente te pede por isso também nos
méritos de Jesus. Amém. M.

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