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A fé vem pelo ouvir

CORTES CRENTES: SOBRE A FÉ VIRAR MERCADORIA, EU SER MERCADORIA, MINHA FILHA SER MERCADORIA, ETC…

CORTES CRENTES: SOBRE A FÉ VIRAR MERCADORIA, EU SER MERCADORIA, MINHA FILHA SER MERCADORIA, ETC…

CORTES CRENTES: SOBRE A FÉ VIRAR MERCADORIA, EU SER MERCADORIA, MINHA FILHA SER MERCADORIA, ETC…

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Legendas automáticas:

Estamos juntos. Fal. Termo capitalista é
um termo esquerdista. E eu e eu provo.
Pode provar. Prove à vontade. Não sei se
o termo, se do esquerdismo ou se do
capitalismo, mas prove.
Pergunta ponto exclamação. Você acha que
as religiões trazem risquícios de uma
sociedade que não trabalha na lógica do
mercado capitalista?
Felipe, você encontrou um elemento muito
importante.
Boa parte das contradições entre uma
tradição religiosa e é o desenvolvimento
das forças produtivas e das relações
sociais
são os elementos que permitem fissuras
e críticas a partir do âmbito religioso
à ordem social e mesmo forçam reformas
dentro do âmbito religioso para se
adequar ao âmbito social. Você encontrou
aí uma parada muito massa, cara. Aí é
sofisticação de pensamento, aí é
sofisticação de discussão legal, saca?
Isso é muito massa, muito massa.
Tem um elementinho aí muito muito
bacana. Tem um livro, infelizmente só
tem espanhol, do Franzin Kilamt, chamado
Ideologias del Desarrollo e Dialética
História, Ideologias do Desenvolvimento
e Dialética da História. Logo no início,
na introdução,
ele faz uma discussão sobre ideologia e
crítica da ideologia que passa por esse
elemento de conectar de de de perceber
como se desenvolve da crítica da
religião para a crítica da economia
política no pensamento de Marx essas
contradições. Ou seja, a religião, ela é
um elemento muito tradicional e que
necessita da reprodução de certos
padrões que tem valores que não
necessariamente estão adequados com o
desenvolvimento acelerado das forças
produtivas e das relações sociais,
deflagrado na modernidade, especialmente
a partir do capitalismo. Então, há uma
contradição clara entre esses elementos.
A religião, ela é forçada a se adequar a
essa reprodução social, que a gente já
vai falar disso, inclusive. E esta
reprodução social, ela não pode ficar
encachotada dentro da religião, então
ela tem que se separar dela. Por isso
que vai ter que ter um espaço que é
laico, um espaço em que essa religião
não entra, porque se depender dos
valores religiosos, vai frear o
desenvolvimento das forças produtivas e
mesmo das relações sociais. Só que o
desenvolvimento das das forças
produtivas e das relações sociais faz
com que a religião tenha que se adequar,
porque é muito mais forte que ela. Então
você tem essa contradição e essa tensão
constantes. Você tocou no elemento muito
muito massa.
É a mesma mensagem, cara. Mas pode
provar. Prove.
Provemos à vontade, façamos prova de
tudo.
Eh,
isso, cara, claro, claro. É o grande
lance é que uma pessoa religiosa, e a
gente vai falar sobre isso também, a
gente já até comentou na outra live,
um pastor conservador, por exemplo, ele
pode até dizer assim: "Olha, eu não
tenho intenção de transformar a mensagem
de Jesus numa mercadoria,
mas não há questão de intenção. Você é
obrigado a, porque o modo de produção e
reprodução da vida está baseado na forma
mercadoria e transforma tudo mercadoria
para ser trocada, consumida e vendida.
Então você não tem nenhuma opção,
você é forçado ainda que não seja a sua
intenção. E essa dinâmica tem a ver com
essas contradições e que o modo de
produção e o desenvolvimento da das
forças produtivas e das relações sociais
invade a igreja, não respeita a porta da
religião, né? O capitalismo passa na
frente, fala: "Ah, não, não, aqui é uma
igreja, não entro não, meu amigo. O
capitalismo é um demônio que não
respeita o ambiente do sagrado. Ele
entra ali faz o fuzuê. E você é
obrigado, obrigada a ter que se se
adequar a isso. Ah, mas eu não queria
ter que transformar o meu discurso
religioso, meu conteúdo em um produto a
ser vendido, uma mercadoria. Ótimo. Para
isso, então você tem que mudar as
relações sociais.
Simplesmente pela vontade não vai rolar.
Ah, agora entendi. Agora saquei. Saquei.
Cara, eu vou revelar. Eu vou revelar.
Vou revelar da seguinte maneira.
A revelação.
Será? Agora entendi. Agora entendi.
Para, para contextualizar, tá a galera,
minha gente, que é o seguinte.
tem uma determinada um determinado
programa de um determinado pastor, de
uma determinada igreja que responde
perguntas praticando a tudodologia
opnológica generalizada
com perguntas enviadas pelos eh ouvintes
ou pelas ouvintes por e-mail. E aí a
gente jogou um bait, o cara caiu no
bait, né, que a gente contestou ali se
realmente seriam pessoas, seam perguntas
inventadas pela produção. E aí o pastor
tá respondendo, né, coisas ali que foram
escadas que ele criou para ele mesmo.
digamos que seja de uma igreja que tem
um pastor,
da mesma igreja em que tem um pastor que
já convidou
duas vezes
o menino pavanato, que foi atropelado
por Gustavo Machado num debate
pro seu podcast,
isento e sem política. Isento, isento
podcast isento. Aí é do mesmo da igreja
de um mesmo pastor que convidou duas
vezes o o menino Pavanato
para ir lá no podcast. Porque não basta
você errar uma vez, tem que errar duas
vezes com muita convicção. Não basta
convidar uma vez esse esse menino, tem
que convidar duas, né? Menino que
inclusive no primeiro podcast diante de
dois pastores disse que a ditadura não
fez o trabalho direito perseguindo os
esquerdistas e nenhum dos dois pastores
disse: "Menino, lava a boca antes de
falar". O que parece que eles coadunaram
com essa posição. Então,
mais um ponto aí pra gente ficar atento,
né? Atento aí.
Turutum, rapaz. Pode provar. Prove. Faça
degustação.
Aprove. Deguste que o tempo capitalismo
é um termo esquerdista.
Prove. Mas eu não sei se você vai provar
o do esquerdismo, provar do capitalismo.
Mas prove, prove, faça a degustação das
coisas. importante e também não sei qual
é a relevância disso, mas tamos junto.
Estamos junto, Walter. E que bom que
você tá aqui.
É pegar essa frase, por exemplo, se
alguém não quiser trabalhar também não
coma, que é a frase bíblica e soltar na
cara do humano,
né? Te lascar. E a gente teve que ver
pastor que reproduziu isso, né? Ah,
Nicolas Ferreira também reproduziu isso.
Você vê como o discurso é um problema da
cá estamos.
Exatamente. Comunismo é materialista. A
água e o óleo também.
Estamos chegando aí em grandes
conclusões.
Bom dia, Guinho. Bom dia, gente. Quem
não conhece Guinho, vá até o canal do
Guinho e acompanhe o canal do Guinho.
Valeu o canal do Guinho. Vá ver o canal
do Guinho porque lá tem lives em
horários adequados. Diferente do nosso
canal que o horário é completamente
inadequado pela manhã numa quarta-feira.
Mas o canal do Guin não tem lives de
horários adequados. Vá acompanhar o
canal do Guin. Um beijo, Guin. Tamamos
junto, pô.
Exatamente. A gente comentou isso, né?
Não, vamos transformar a fé em
mercadoria. E o cara tá simplesmente
vendendo a mercadoria, seja no TikTok,
seja no Instagram, seja mesmo no culto,
né? OK? Ele tá ofertando que é isso, a
dinâmica não é o que ele, não é o que
ele deseja, não é a intenção do pastor.
Ele tá ofertando um produto paraos seus
consumidores dentro da igreja e ele
disputa esses consumidores, esses
clientes da igreja com outras, com
outras denominações, com outras igrejas
e e tenta criar coisas cada vez mais
atrativas. Ele é obrigado, não é não é a
intenção do pastor, ele é obrigado a ter
que fazer isso pelo modo como nós
organizamos a produção, reprodução da
vida.
Perceber isso é muito importante e esse
é um papo legal de ter com quem é
conservador, com a pessoa que fala:
"Cara, eu não sou de esquerda, não sou
marxista, não sou nada disso". Eh, mas
eu quero ter uma conduta de fé adequada
e condicente com aquilo que eu acredito.
Muito massa. Não quero transformar minha
fé em mercadoria. Excelente. Logo, não
dá para ser capitalista, né, meu amigo?
Não dá para manter aí esse modo de
produção e reprodução da vida, porque
ele não tem limites. Se a gente vai
limitar esse capitalismo, eu tô contigo.
Estamos juntos intervenções sistemáticas
nesse mercado e nessas regras. Essas
intervenções sistemáticas no mercado e
nessas regras exigem que nós criamos
criemos um outro projeto de sociedade,
né? que nós criamos em outro projeto e
criemos ele. Esse projeto alternativo
precisa de certos critérios para
estabelecer limites sistemáticos para o
mercado.
Começamos um passo interessante aí para
arrumar para um canto legal. Então fica
a dica aí que é massa.
Exato. Exato. Carapa tem toda a razão
nessa discussão muito bacana aqui no
chat. Tô acompanhando aí, minha gente.
Eh, é isso. E eu tô aqui vendendo essa
mercad. Eu estou me vendendo como
mercadoria.
Esse é o desespero. No modo de produção
capitalista, eu sou obrigado a fazer
isso para eu poder ter meu trabalho.
Fala assim, ó, que é o conteúdo que você
tá fazendo aqui na internet, que você
fala sobre religião, critico o
capitalismo, mas você tá se vendendo aí,
vendendo o curso no no para quem é
membro, membra membro do canalzinho,
cara, entra lá e tem um tem um a chance
de assistir seu curso. Você tá ganhando
com a dissência do do Google, uma
merreca aí, pá. Isso aí você tá sendo
contraditório, meu amigo. Se eu não
tiver fazendo fazendo isso, eu estou
fazendo uma outra coisa que eu também
faço, que é vender esse corpinho que eu
tenho aqui no mercado.
Isso é uma base do sistema capitalista,
do modo de produção do sobre o capital.
O ser humano, a força de trabalho que
nós temos, quem nós somos,
é obrigado a se reduzir à forma da
mercadoria, ainda que eu não queira.
Então eu tenho que chegar lá e me vender
diariamente no mercado de trabalho. O
salário que me pagam é o preço da
mercadoria da minha força de trabalho,
que não é decidida pelo meu patrão, não
é decidida, é decidida pelas pelo
sistema desse mercado, entre muitas
aspas, automatizado,
em que ao colocar a força de trabalho
como mais uma mercadoria igual a todas
as outras, põe nós lutando uns com os
outros pelos postos de trabalho
disponíveis. Ou seja, nós não somos
aproveitados enquanto força de trabalho,
enquanto riqueza e potencial de riqueza
material. Nós não somos aproveitados.
Somos colocados uns contra os outros
porque estamos disputando colocar o
nosso preço no mercado. Ou seja, eu
aceito que baixem o meu salário e baixem
o meu preço de força de trabalho para eu
poder ter alguma vantagem em relação ao
outro, porque eu não tenho mais nada a
oferecer a não ser meu trabalho. Eu não
tenho nada a oferecer além disso. Essa é
a diferença de quem é dono de meio de
produção e pode contratar os
trabalhadores e colocá-los como força de
trabalho em seu meio de produção. E quem
não tem esse meio de produção e não tem
como fazer isso, então tem que se
vender, vender a sua força de trabalho,
vender o seu tempo, seu corpinho.
Então nós nos submetemos a forma
mercadoria, a sermos mercadorias que se
vendem, ainda que nós sejamos sujeitos e
não sejamos objetos, mas do ponto de
vista da divisão social do trabalho, nós
somos objetos que se vendem e que estão
disponíveis as flutuações do mercado,
sem nenhuma capacidade de decidir sobre
ele. Ou seja, esse mercado, essas
relações são sujeito e nós somos os
objetos.
E aí, se eu tenho um filho, se eu tenho
uma filha, no caso, tenho uma filha, por
exemplo, eu quero que ela possa ter uma
escola legal, eu quero que ela possa eh
no futuro se desenvolver e qualificar
o seu trabalho, ou seja, estudando, indo
pra faculdade, eh especializando os asas
capacidades que ela tem. Para quê? Por
que que eu quero que ela faça isso?
Porque eu sei que nesse mercado de
trabalho ela tem que valorizar o passe
dela.
Eu não quero que a minha filha seja uma
mercadoria, mas esse modo de produção
faz com que eu a prepare para ser uma
mercadoria que custe mais que as outras.
Isso é terrível,
isso é deprimente.
Se a gente defende sagrado, se a gente
defende algo de vida humana, dignidade,
é disso que a gente tá tratando, de não
deixar que as pessoas submetam à forma
mercadoria em que a gente se venda, em
que eu prepare crianças para serem força
de de força de trabalho para só para
substituir as peças que estão ficando
velha.
Só que a lógica do mercado do capital
obriga. Então, eu tô aqui obrigado a ter
que vender esse tipo de conteúdo. Eu sou
obrigado a mandar meu currículo para lá
e para cá. Sou obrigado a a ter que
fazer isso para ter condições de viver
minimamente, de garantir a produção e
reprodução da vida. Isso porque ainda eu
consegui ter tempo e condições e
recursos para qualificar o meu trabalho
e hoje tenho algum recurso que
possibilite que eu não esteja totalmente
lascado e na merda.
Agora coloca esse mesmo tipo de lógica
para quem não tem esses recursos, não
tem essas condições, para quem não teve
esses privilégio nessa dinâmica. Então o
problema está como nós organizamos e
produzimos e reproduzimos as nossas
vidas diariamente.
Então isso é muito sério, cara. Isso é
um papo muito sério, muito sério mesmo.
Te agradeço, Carapa por fazer esse
comentário, Felipe.

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