CORTES CRENTES: SOBRE A FÉ VIRAR MERCADORIA, EU SER MERCADORIA, MINHA FILHA SER MERCADORIA, ETC…
12/06/2025
CORTES CRENTES: SOBRE A FÉ VIRAR MERCADORIA, EU SER MERCADORIA, MINHA FILHA SER MERCADORIA, ETC…
Pix: [email protected]
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Estamos juntos. Fal. Termo capitalista é um termo esquerdista. E eu e eu provo. Pode provar. Prove à vontade. Não sei se o termo, se do esquerdismo ou se do capitalismo, mas prove. Pergunta ponto exclamação. Você acha que as religiões trazem risquícios de uma sociedade que não trabalha na lógica do mercado capitalista? Felipe, você encontrou um elemento muito importante. Boa parte das contradições entre uma tradição religiosa e é o desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais são os elementos que permitem fissuras e críticas a partir do âmbito religioso à ordem social e mesmo forçam reformas dentro do âmbito religioso para se adequar ao âmbito social. Você encontrou aí uma parada muito massa, cara. Aí é sofisticação de pensamento, aí é sofisticação de discussão legal, saca? Isso é muito massa, muito massa. Tem um elementinho aí muito muito bacana. Tem um livro, infelizmente só tem espanhol, do Franzin Kilamt, chamado Ideologias del Desarrollo e Dialética História, Ideologias do Desenvolvimento e Dialética da História. Logo no início, na introdução, ele faz uma discussão sobre ideologia e crítica da ideologia que passa por esse elemento de conectar de de de perceber como se desenvolve da crítica da religião para a crítica da economia política no pensamento de Marx essas contradições. Ou seja, a religião, ela é um elemento muito tradicional e que necessita da reprodução de certos padrões que tem valores que não necessariamente estão adequados com o desenvolvimento acelerado das forças produtivas e das relações sociais, deflagrado na modernidade, especialmente a partir do capitalismo. Então, há uma contradição clara entre esses elementos. A religião, ela é forçada a se adequar a essa reprodução social, que a gente já vai falar disso, inclusive. E esta reprodução social, ela não pode ficar encachotada dentro da religião, então ela tem que se separar dela. Por isso que vai ter que ter um espaço que é laico, um espaço em que essa religião não entra, porque se depender dos valores religiosos, vai frear o desenvolvimento das forças produtivas e mesmo das relações sociais. Só que o desenvolvimento das das forças produtivas e das relações sociais faz com que a religião tenha que se adequar, porque é muito mais forte que ela. Então você tem essa contradição e essa tensão constantes. Você tocou no elemento muito muito massa. É a mesma mensagem, cara. Mas pode provar. Prove. Provemos à vontade, façamos prova de tudo. Eh, isso, cara, claro, claro. É o grande lance é que uma pessoa religiosa, e a gente vai falar sobre isso também, a gente já até comentou na outra live, um pastor conservador, por exemplo, ele pode até dizer assim: "Olha, eu não tenho intenção de transformar a mensagem de Jesus numa mercadoria, mas não há questão de intenção. Você é obrigado a, porque o modo de produção e reprodução da vida está baseado na forma mercadoria e transforma tudo mercadoria para ser trocada, consumida e vendida. Então você não tem nenhuma opção, você é forçado ainda que não seja a sua intenção. E essa dinâmica tem a ver com essas contradições e que o modo de produção e o desenvolvimento da das forças produtivas e das relações sociais invade a igreja, não respeita a porta da religião, né? O capitalismo passa na frente, fala: "Ah, não, não, aqui é uma igreja, não entro não, meu amigo. O capitalismo é um demônio que não respeita o ambiente do sagrado. Ele entra ali faz o fuzuê. E você é obrigado, obrigada a ter que se se adequar a isso. Ah, mas eu não queria ter que transformar o meu discurso religioso, meu conteúdo em um produto a ser vendido, uma mercadoria. Ótimo. Para isso, então você tem que mudar as relações sociais. Simplesmente pela vontade não vai rolar. Ah, agora entendi. Agora saquei. Saquei. Cara, eu vou revelar. Eu vou revelar. Vou revelar da seguinte maneira. A revelação. Será? Agora entendi. Agora entendi. Para, para contextualizar, tá a galera, minha gente, que é o seguinte. tem uma determinada um determinado programa de um determinado pastor, de uma determinada igreja que responde perguntas praticando a tudodologia opnológica generalizada com perguntas enviadas pelos eh ouvintes ou pelas ouvintes por e-mail. E aí a gente jogou um bait, o cara caiu no bait, né, que a gente contestou ali se realmente seriam pessoas, seam perguntas inventadas pela produção. E aí o pastor tá respondendo, né, coisas ali que foram escadas que ele criou para ele mesmo. digamos que seja de uma igreja que tem um pastor, da mesma igreja em que tem um pastor que já convidou duas vezes o menino pavanato, que foi atropelado por Gustavo Machado num debate pro seu podcast, isento e sem política. Isento, isento podcast isento. Aí é do mesmo da igreja de um mesmo pastor que convidou duas vezes o o menino Pavanato para ir lá no podcast. Porque não basta você errar uma vez, tem que errar duas vezes com muita convicção. Não basta convidar uma vez esse esse menino, tem que convidar duas, né? Menino que inclusive no primeiro podcast diante de dois pastores disse que a ditadura não fez o trabalho direito perseguindo os esquerdistas e nenhum dos dois pastores disse: "Menino, lava a boca antes de falar". O que parece que eles coadunaram com essa posição. Então, mais um ponto aí pra gente ficar atento, né? Atento aí. Turutum, rapaz. Pode provar. Prove. Faça degustação. Aprove. Deguste que o tempo capitalismo é um termo esquerdista. Prove. Mas eu não sei se você vai provar o do esquerdismo, provar do capitalismo. Mas prove, prove, faça a degustação das coisas. importante e também não sei qual é a relevância disso, mas tamos junto. Estamos junto, Walter. E que bom que você tá aqui. É pegar essa frase, por exemplo, se alguém não quiser trabalhar também não coma, que é a frase bíblica e soltar na cara do humano, né? Te lascar. E a gente teve que ver pastor que reproduziu isso, né? Ah, Nicolas Ferreira também reproduziu isso. Você vê como o discurso é um problema da cá estamos. Exatamente. Comunismo é materialista. A água e o óleo também. Estamos chegando aí em grandes conclusões. Bom dia, Guinho. Bom dia, gente. Quem não conhece Guinho, vá até o canal do Guinho e acompanhe o canal do Guinho. Valeu o canal do Guinho. Vá ver o canal do Guinho porque lá tem lives em horários adequados. Diferente do nosso canal que o horário é completamente inadequado pela manhã numa quarta-feira. Mas o canal do Guin não tem lives de horários adequados. Vá acompanhar o canal do Guin. Um beijo, Guin. Tamamos junto, pô. Exatamente. A gente comentou isso, né? Não, vamos transformar a fé em mercadoria. E o cara tá simplesmente vendendo a mercadoria, seja no TikTok, seja no Instagram, seja mesmo no culto, né? OK? Ele tá ofertando que é isso, a dinâmica não é o que ele, não é o que ele deseja, não é a intenção do pastor. Ele tá ofertando um produto paraos seus consumidores dentro da igreja e ele disputa esses consumidores, esses clientes da igreja com outras, com outras denominações, com outras igrejas e e tenta criar coisas cada vez mais atrativas. Ele é obrigado, não é não é a intenção do pastor, ele é obrigado a ter que fazer isso pelo modo como nós organizamos a produção, reprodução da vida. Perceber isso é muito importante e esse é um papo legal de ter com quem é conservador, com a pessoa que fala: "Cara, eu não sou de esquerda, não sou marxista, não sou nada disso". Eh, mas eu quero ter uma conduta de fé adequada e condicente com aquilo que eu acredito. Muito massa. Não quero transformar minha fé em mercadoria. Excelente. Logo, não dá para ser capitalista, né, meu amigo? Não dá para manter aí esse modo de produção e reprodução da vida, porque ele não tem limites. Se a gente vai limitar esse capitalismo, eu tô contigo. Estamos juntos intervenções sistemáticas nesse mercado e nessas regras. Essas intervenções sistemáticas no mercado e nessas regras exigem que nós criamos criemos um outro projeto de sociedade, né? que nós criamos em outro projeto e criemos ele. Esse projeto alternativo precisa de certos critérios para estabelecer limites sistemáticos para o mercado. Começamos um passo interessante aí para arrumar para um canto legal. Então fica a dica aí que é massa. Exato. Exato. Carapa tem toda a razão nessa discussão muito bacana aqui no chat. Tô acompanhando aí, minha gente. Eh, é isso. E eu tô aqui vendendo essa mercad. Eu estou me vendendo como mercadoria. Esse é o desespero. No modo de produção capitalista, eu sou obrigado a fazer isso para eu poder ter meu trabalho. Fala assim, ó, que é o conteúdo que você tá fazendo aqui na internet, que você fala sobre religião, critico o capitalismo, mas você tá se vendendo aí, vendendo o curso no no para quem é membro, membra membro do canalzinho, cara, entra lá e tem um tem um a chance de assistir seu curso. Você tá ganhando com a dissência do do Google, uma merreca aí, pá. Isso aí você tá sendo contraditório, meu amigo. Se eu não tiver fazendo fazendo isso, eu estou fazendo uma outra coisa que eu também faço, que é vender esse corpinho que eu tenho aqui no mercado. Isso é uma base do sistema capitalista, do modo de produção do sobre o capital. O ser humano, a força de trabalho que nós temos, quem nós somos, é obrigado a se reduzir à forma da mercadoria, ainda que eu não queira. Então eu tenho que chegar lá e me vender diariamente no mercado de trabalho. O salário que me pagam é o preço da mercadoria da minha força de trabalho, que não é decidida pelo meu patrão, não é decidida, é decidida pelas pelo sistema desse mercado, entre muitas aspas, automatizado, em que ao colocar a força de trabalho como mais uma mercadoria igual a todas as outras, põe nós lutando uns com os outros pelos postos de trabalho disponíveis. Ou seja, nós não somos aproveitados enquanto força de trabalho, enquanto riqueza e potencial de riqueza material. Nós não somos aproveitados. Somos colocados uns contra os outros porque estamos disputando colocar o nosso preço no mercado. Ou seja, eu aceito que baixem o meu salário e baixem o meu preço de força de trabalho para eu poder ter alguma vantagem em relação ao outro, porque eu não tenho mais nada a oferecer a não ser meu trabalho. Eu não tenho nada a oferecer além disso. Essa é a diferença de quem é dono de meio de produção e pode contratar os trabalhadores e colocá-los como força de trabalho em seu meio de produção. E quem não tem esse meio de produção e não tem como fazer isso, então tem que se vender, vender a sua força de trabalho, vender o seu tempo, seu corpinho. Então nós nos submetemos a forma mercadoria, a sermos mercadorias que se vendem, ainda que nós sejamos sujeitos e não sejamos objetos, mas do ponto de vista da divisão social do trabalho, nós somos objetos que se vendem e que estão disponíveis as flutuações do mercado, sem nenhuma capacidade de decidir sobre ele. Ou seja, esse mercado, essas relações são sujeito e nós somos os objetos. E aí, se eu tenho um filho, se eu tenho uma filha, no caso, tenho uma filha, por exemplo, eu quero que ela possa ter uma escola legal, eu quero que ela possa eh no futuro se desenvolver e qualificar o seu trabalho, ou seja, estudando, indo pra faculdade, eh especializando os asas capacidades que ela tem. Para quê? Por que que eu quero que ela faça isso? Porque eu sei que nesse mercado de trabalho ela tem que valorizar o passe dela. Eu não quero que a minha filha seja uma mercadoria, mas esse modo de produção faz com que eu a prepare para ser uma mercadoria que custe mais que as outras. Isso é terrível, isso é deprimente. Se a gente defende sagrado, se a gente defende algo de vida humana, dignidade, é disso que a gente tá tratando, de não deixar que as pessoas submetam à forma mercadoria em que a gente se venda, em que eu prepare crianças para serem força de de força de trabalho para só para substituir as peças que estão ficando velha. Só que a lógica do mercado do capital obriga. Então, eu tô aqui obrigado a ter que vender esse tipo de conteúdo. Eu sou obrigado a mandar meu currículo para lá e para cá. Sou obrigado a a ter que fazer isso para ter condições de viver minimamente, de garantir a produção e reprodução da vida. Isso porque ainda eu consegui ter tempo e condições e recursos para qualificar o meu trabalho e hoje tenho algum recurso que possibilite que eu não esteja totalmente lascado e na merda. Agora coloca esse mesmo tipo de lógica para quem não tem esses recursos, não tem essas condições, para quem não teve esses privilégio nessa dinâmica. Então o problema está como nós organizamos e produzimos e reproduzimos as nossas vidas diariamente. Então isso é muito sério, cara. Isso é um papo muito sério, muito sério mesmo. Te agradeço, Carapa por fazer esse comentário, Felipe.