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Sermão: Para além da Ceia

Sermão: Para além da Ceia

Sermão: Para além da Ceia

Sermão do Pr. Marcelo Rezende na Ceia da Comunidade. Para assistir o culto completo, acesse @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Nosso Deus, Pai bondoso, nós te louvamos
e agradecemos por essa oportunidade de
bênção, de vida que o Senhor nos
concede, nos trazendo aqui para nos
assentar à mesa de Jesus. E nós pedimos
que ao partir o pão aqui entre nós, que
haja revelação do Senhor em nossos
corações. Que nosso coração seja tocado
e aquecido, incendiado pela mensagem do
evangelho nessa manhã, nesse momento.
Que todos aqueles que estão recebendo o
que será realizado aqui, também sejam
abençoados de igual forma. Que o seu
espírito se derrame sobre todos. É o que
nós te pedimos e agradecemos em nome de
Jesus. Amém. Amém.
Bom dia. Feliz sábado para vocês que
estão aqui no Shopping Pátio
Higienópolis. Para você que acompanha
aqui a nossa transmissão, que Deus
também te abençoe com a paz do Senhor
Jesus. Nós estamos hoje reunidos aqui
para um momento muito especial.
Estamos assentados à mesa do Senhor.
Vamos participar do pão, do cálice. E eu
convido você que também está aqui
acompanhando a gente pelas redes sociais
da comunidade, participe com a gente,
separe aí o seu pão, separe aí o seu
vinho, o seu suco de uva para juntos nós
celebrarmos o significado do Senhor em
nossas vidas. Que hoje nós estamos aqui
na mesa de Jesus e todas as lógicas de
culto e adoração, elas são invertidas.
Geralmente a gente quando se reúne, como
nós estamos aqui agora, nós oramos
pedindo a presença do Senhor entre nós.
Só que hoje não é assim. Hoje ele não é
convidado aqui. Hoje ele é o
anfitrião. Nós somos convidados do
Senhor. Ele sabia que você vinha aqui
hoje. A sua presença aqui não é surpresa
para ele. E ele veio aqui, te trouxe
aqui para que você participasse desse
momento, para que você recebesse seu
momento como dádiva, como força, como
presença de Jesus na sua vida. Esse é o
significado da ceia. É assim que ela tem
que ser celebrada, com esse espírito de
presente, de graça. Todos aqui são
convidados a participar. Todos são,
foram trazidos pelo Senhor aqui nesse
momento para receber esse presente na
vida. E você que está acompanhando aí
também, da mesma forma, todos nós
estamos juntos à mesa do Senhor. E para
meditar um pouquinho sobre o significado
do que nós vamos realizar aqui agora, eu
quero ler com vocês o texto da palavra
que se encontra na primeira carta de
Paulo aos Coríntios.
Primeira carta de Paulo aos Coríntios,
capítulo 11, do verso 17 em diante. É
uma leitura um pouquinho longa e eu
quero que você acompanhe comigo. Se você
tiver aí sua Bíblia, tiver aí o seu
celular, tiver aí o seu tablet, enfim,
não importa. O importante é nós estarmos
juntos na leitura da palavra. Eu leio
aqui na Nova Almeida atualizada, é a
versão que eu tenho comigo, que diz
assim: "Mas nisto que agora prescrevo,
não posso elogiá-los, porque vocês se
reúnem não para melhor, e sim para pior.
Porque antes de tudo, estou informado de
que quando se reúne na igreja existem
divisões entre vocês e eu em parte
acredito que isso é verdade. E é até
necessário que haja partidos entre vocês
para que também os aprovados se tornem
conhecidos entre vocês." Quando, pois,
se reúnem no mesmo lugar, não é a ceia
do Senhor que vocês comem. Porque quando
comem, cada um toma, toma
antecipadamente a sua própria ceia. E
enquanto um fica com fome, o outro fica
embriagado. Será que vocês não têm casas
onde podem comer e beber? Ou menosprezam
a igreja de Deus e envergonham os que
nada têm? Que posso dizer a vocês? Devo
elogiá-los? Nisto certamente não posso
elogiá-los, porque eu recebi do Senhor o
que também lhes entreguei, que o Senhor
Jesus, na noite em que foi traído, pegou
um pão e, tendo dado graças, o partiu e
disse: "Isto é o meu corpo que é dado
por vocês. Façam isso em memória de
mim". Do mesmo modo, depois da ceia,
pegou também um cálice, dizendo: "Este
cálice é a nova aliança no meu sangue.
Façam isso todas as vezes que o beberem
em memória de mim, porque todas as vezes
que comerem este pão e beberem o cálice,
vocês anunciam a morte do Senhor até que
ele venha. Por isso, aquele que comer o
pão, beber o cálice do Senhor
indignamente, será réu do corpo e do
sangue do Senhor. Que cada um examine a
si mesmo e assim coma do pão e beba do
cálice. Pois quem come e bebe, sem
discernir o corpo, come e bebe juízo
para si. É por isso que há entre vocês
muitos fracos e doentes, e não poucos
que dormem. Porque se julgássemos a nós
mesmos, não seríamos julgados. Mas
quando julgados, somos disciplinados
pelo Senhor para não sermos condenados
com o mundo. Assim, meus irmãos, quando
vocês se reúnem para comer, esperem uns
pelos outros. Se alguém tem fome, que
come em casa, a fim de que vocês não se
reúnam para juízo. Quanto as demais
coisas, eu as ordenarei quando for aí.
O rito da Santa Ceia, cerimônia da Santa
Ceia, a ceia do Senhor, como muitos
chamam, Ceia de comunhão, ágape, ela tem
vários nomes. É um rito original
instituído por Jesus. O batismo e os
demais outros ritos que nós realizamos
como comunidade de fé, eles são
derivados de outras práticas parecidas
que já existiam no judaísmo daquela
época. Mas a cerimônia da ceia, ela é
única e ela é original de Jesus.
Ao mesmo tempo é uma das cerimônias mais
controversas na história do
cristianismo, porque vários grupos
cristãos durante toda a história tem
debatido a respeito do significado da
ceia, da forma como ela deve ser
realizada, na frequência de como ela
deve ser realizada. Alguns adotam uma
ideia da transubstancia que o pão e o
cálice eles são o corpo e o sangue de
Jesus. Outros a teologia da presença. A
presença de Jesus está nos elementos.
Outros adotam uma ideia da cerimônia
memorial. Enfim, tem várias teologias a
respeito desse momento. Mas nos círculos
evangélicos protestantes, a cerimônia da
Santa Ceia, ela tem sido muitas vezes a
cerimônia do terror, não é assim? É do
terror. É a cerimônia da exclusão. É a
cerimônia da culpa, onde você olha e
fala assim: "Eu não sou digno de
participar". E esse terror ele acontece
porque nós realizamos uma espécie de
triagem sagrada, né? Santa. Quem pode e
quem não pode, quem é pecador e quem não
é, né? E aí quando chega ali a data da
ceia ou quando você sabe que vai ter a
ceia, você começa a olhar para dentro de
você e fazer aquela caça as bruxas, né,
para saber se tem pecado, se não tem, se
eu posso, se eu não posso, porque se eu
comer o pãozinho vai ser umanureto
sagrado que eu vou ingerir e aquilo vai
acabar com a minha vida, assim, não é?
Então eu não posso assim de jeito nenhum
eu comer sem discernir o corpo, eu tô
pecando. É assim. E aí aqueles que se
aproximam desse momento e participam,
fazem isso naquele espírito de santidade
emulada com base nos seus próprios
esforços, né? Não, eu fiz tudo certinho,
eu posso. Então agora eu vou comer da
seia, vou tomar da ceia, porque eu eu
sou digno, né? Sim, tudo errado, tudo
doença. Nada disso aqui é o que reflete
o verdadeiro espírito desse momento. E
essas maluquíes que as pessoas criam e
engendram e e realizam esse terror
espiritual em torno da ceia, na maioria
das vezes, ele é fundamentado nesse
texto que eu li aqui para vocês. Esse é
um texto que durante toda a minha
jornada como pastor, pouquíssimas vezes
eu usei para poder fazer a Santa Ceia. E
engraçado que a primeira que eu faço
aqui com vocês, eu tô usando ele.
Primeiro texto aqui que eu tô usando é
esse daqui, porque esse texto ele é
desfigurado no seu significado para
poder exatamente colocar esse esse
terrorismo no coração das pessoas. E a
grande questão vem aqui do verso 29, que
diz assim: "Pois quem come e bebe sem
discernir o corpo, come e bebe juízo
para si". Esse é o texto que dá aqui
esse medo, não é? Comer e beber sem
discernir o corpo é comer e beber juízo
para si. Mas aqui vem a questão. Tudo
gira em torno da compreensão do que é o
corpo do Senhor. Comer e beber sem
discernir o corpo. Como que eu discerno
o corpo? O que é o corpo do Senhor? É
com base na compreensão disso que eu
posso comer e beber como bênção ou como
juízo paraa minha
vida. Qual o significado que acontece
aqui? Quando a gente olha aqui pro
contexto do texto que eu li para vocês,
a realidade aqui da igreja de Corinto é
bem diferente da nossa.
Hoje aqui a gente tem um um pãozinho
aqui, essa bolachinha, né, que se o pão
é símbolo do corpo, essa bolachinha é
símbolo do símbolo, né? Porque é um
negócio de nada aqui que a gente recebe
aqui pra gente comer. Naquele tempo
aqui, a coisa era muito diferente,
porque o que acontecia aqui nessa época
era uma cerimônia de junta panela, por
assim dizer. É uma refeição comunitária,
onde quem tinha mais levava mais, quem
tinha menos levava menos, quem não tinha
nada levava a si mesmo. E era assim que
as pessoas se reuniam, porque a igreja
tinha como objetivo ser uma resposta
contra tudo aquilo que era a realidade
da sociedade perversa que acercava. É
uma afirmação de protesto contra o
preconceito, contra a desigualdade,
contra a
diferença. Essa essência do evangelho
que era celebrada e deveria ser
celebrada na ceia. O evangelho diz: "De
graça você recebeu, de graça você dá".
Eu recebi muitas coisas de graça do
Senhor. Todo benefício, toda bênção,
toda vida, tudo vem de Deus. O perdão de
Deus. Tudo aquilo que eu recebo do
Senhor em mim faz com que o meu olhar
seja transformado para devolver paraa
vida com o mesmo espírito tudo aquilo
que eu tenho, tudo aquilo que eu
sou. O foco não é o rito, não é o que
acontece no momento. Era isso que Paulo
queria ensinar. O rito é a celebração
dessa percepção que deve ser vivida na
vida. Porque eu sou o pão que deve ser
entregue na vida pelo outro. Eu sou o
pão que deve ser partido. Eu sou o pão
que não deve se economizar. Eu sou o pão
que deve ser entregue como benefício,
como vida, como transmissão de graça que
eu recebi na vida de outras pessoas.
Esse é o ensino. Mas não era isso aqui
que tava acontecendo aqui nesse
texto. Paulo ele transmite exatamente a
essência do significado da ceia que ele
havia recebido. Como ele diz aqui, Jesus
quando ele ele institui a Santa Ceia,
ele faz isso no contexto do jantar da
Páscoa judaica, o céder da pessa, como é
chamado. E é interessante que quando a
gente lê os relatos dos evangelhos,
Jesus ele toma o pão e ele toma o
cálice. Ele come pão e bebe o cálice e o
vinho. Compartilha isso e se identifica
nesses elementos, que é o que a gente
faz aqui. Mas quando a gente lê os
textos do Antigo Testamento, que vão
narrar pra gente a história da Páscoa, a
instituição da Páscoa, que é o contexto
original da Santa Ceia, esses textos do
Antigo Testamento falam do pão, mas não
falam do vinho. lá fala do consumo do
pão, todos os textos do Antigo
Testamento que falam da pessar, mas o
vinho ele vai aparecer só em textos
posteriores. E dizem alguns
especialistas, alguns estudiosos, que o
vinho foi introduzido dentro da
cerimônia do céder, da pesta dos judeus,
naquela época lá do templo de Jesus,
como resquício da influência helênica
que eles receberam do domínio dos gregos
sobre eles antes do período dos romanos.
Os gregos eles tinham aquilo que eles
chamavam de simpósio. Simpósio grego não
tem nada a ver com o significado da
palavra simpósio pra gente hoje. Era uma
outra coisa. Era uma reunião onde eles
comiam, basicamente os homens, né? Eles
comiam e eles bebiam muito vinho. E o
anfitrião recebia os convidados e havia
toda uma sequência, uma cerimônia, uma
ordem. E ali eles discutiam vários
assuntos. falava sobre política, falava
sobre filosofia, falava até poesia tinha
no meio dessas reuniões. E havia
momentos em que eles paravam, eles
bebiam, tinha toda uma sequência ali de
de de formalidades. E era costume também
eles comerem e beberem reclinados. Eles
meio que deitavam assim, comiam e
bebiam. E e esses detalhes eles foram
incorporados, segundo esses
especialistas, no séder da pessa, que
tinha essa influência do simpósio grego.
E se isso for verdade, é muito bonito
aqui e é uma coisa maravilhosa a gente
imaginar que Jesus ele toma o pão, que é
o símbolo da herança judaica da pessa, e
ele toma o cálice, que é o símbolo da
influência pagã, helênica, gentílica. E
ele une essas duas realidades, judeus e
gentios, como símbolo do corpo dele, do
corpo novo do Messias. E mais ainda, o
trigo e a uva, que são os elementos
básicos do pão e do vinho, eles são
esmagados, eles são mortos para que o
pão e o vinho sejam produzidos. É o
símbolo da morte que precede a vida. É a
morte que gera vida e gera uma vida
nova, unindo os opostos no corpo novo do
Messias. Essa é a memória que Paulo diz
aqui que deveria de estar, que Jesus
diz: "Façam isso em memória de mim". Não
é uma lembrança romântica de um passado,
de uma cerimônia, de um jantar que Jesus
teve com os discípulos. é a atualização
dessa história que molda a nossa vida,
que molda a nossa identidade. É a
lembrança presente que é atualizada do
Jesus histórico, que se reunia nas mesas
com as pessoas as mais diversas e
diferentes que ele trazia pra comunhão
dele, desde os fariseus religiosos até
os pares, os marginalizados da sociedade
que ele trazia pra mesa para comer com
ele. Essa é a lembrança de Jesus que
deve ser atualizada quando a gente se
reúne para fazer a mesma coisa.
Esse é o significado. Só que não era
isso que acontecia aqui em Corinto. Que
acontecia aqui era totalmente diferente.
As pessoas se reuniam e os mais
abastados traziam os seus pães lindos,
cheirosos,
deliciosos. Traziam as suas carnes,
traziam suas coxas de aves, trazia seus
vinhos de safra. E aí a galera comia,
bebia no gargalo, bebia, como Paulo fala
que até ficar bêbado, até chamar Jesus
de Genésio, né, como a gente fala, né?
Esse era o resultado da ceia. O pessoal
saía trançando as pernas no final da
ceia e aí comia e pegava aquelas coxas,
né? E comiam que nem aqueles reis
medievais, sabe? Não é? Aqueles bárbaros
melados
assim, né? E isso era a ceia do Senhor
para esse povo aqui. Enquanto isso, eles
reunidos numa sala especial chamada
Triclínum, onde as a o jantar acontecia,
os desfavorecidos, aqueles que não
levavam quase nada, que levava coisinha
assim, levava um pãozinho igual esse que
a gente tem aqui assim, sabe? Chegava lá
com pãozinho, esse ficava do lado de
fora, ficava ali olhando, ficava com
fome, só vendo a galera comer. E era
isso que acontecia. E Paulo diz assim:
"É por isso o que vocês estão fazendo?"
Ele diz assim: "Isso tá fazendo mal para
vocês". No verso 30 ele diz: "É por isso
que há entre vocês muitos fracos e
doentes e não poucos que
dormem. Porque o que esse povo fazia era
comer a desigualdade, era introjetar
dentro deles o preconceito, é comer e
beber a diferença. E quem faz isso
deflaga dentro de si processos de morte,
entende? É uma verdade básica. O juízo
aqui não é um castigo sobrenatural de
Deus, o dedo de Deus pesando sobre as
pessoas, não. É o mal que a gente faz.
Quando eu entendo o que é graça, quando
eu recebo aquilo que é bondade, quando
eu entendo aquilo que é misericórdia e
conscientemente eu vou agir na minha
vida contra essa graça, contra a
misericórdia, contra a bondade, eu
adoeço nesse processo. Eu fico doente.
Isso somatiza a maldade dentro de mim.
Isso me enfraquece espiritualmente, isso
me fragiliza emocionalmente, isso acaba
com o meu
psicológico, conscientemente agindo
contra toda a bondade que eu sei que eu
recebi na minha
vida. Isso transforma a gente quando eu
entendo o que é o bom, recebo o que é
bom e trabalho conscientemente contra o
bom, contra o bem, introjetando o que é
ruim dentro de mim, eu me transformo num
luciferzinho, não é? Porque é isso que
acontece de acordo com a tradição
cristã. Onde é que o diabo nasceu? No
inferno. Onde que ele nasceu? No céu, na
presença de Deus. Então, quando eu sou
cercado por toda essa bondade,
misericórdia e graça, e aquilo não se
transforma em nada na minha vida, quando
eu continuo impermeável a tudo isso,
isso faz mal para mim. É isso que Paulo
fala.
Aí a gente olha e fala assim: "Não, mas
nós estamos salvos disso porque nós
temos aqui o nosso
kit. Então aqui o copinho já é medido, o
pãozinho já é medido. Então eu tô
garantido que não vai acontecer essa
bagunça que tá aqui em Corinto. Aqui não
acontece. E de fato, pelo rito nosso
aqui, nós estamos salvos disso. Mas o
problema, meus queridos, como Paulo
ensina aqui, não é o rito, é o olhar que
a gente carrega na vida.
Porque se no rito aqui eles executavam
toda essa diferença e esse
preconceito, essas separações, se isso
estava presente diante deles, imagina
como é que eles viviam isso no dia a
dia, na vida
deles. Porque o rito traz aquilo que a
gente carrega lá fora na vida.
E essa aqui que é a lição que Paulo
coloca aqui pra
gente. Eu
sou a Eucaristia, usando uma palavra
tradicional, né? A Eucaristia significa
dar graças. Eu sou a gratidão da vida.
Eu sou o pão eucarístico da vida. Você é
o pão eucarístico na
vida. Eu sou salvo dessa maldade
entendendo o que é o corpo de Cristo. E
o que é o corpo de Cristo? Paulo
responde isso no capítulo 10 aqui, um
pouquinho antes, no verso 16, ele diz
assim: "Não é fato que o cálice da
bênção que abençoamos é a comunhão no
sangue de Cristo e não é fato que o pão
que partimos é a comunhão no corpo de
Cristo? Porque nós, embora muitos, somos
unicamente um pão, um só corpo, porque
todos participamos do único pão. Eu sou
o pão. Você é o pão. Nós somos o pão. Eu
sou o pão entregue na vida. Eu sou o
cálice entregue na vida. E mais ainda,
todo ser humano, toda forma de vida,
toda forma de vida existente carrega em
si o corpo e o sangue do Senhor
Jesus. Quando eu entendo isso, eu vejo a
vida toda como essa dádiva eucarística,
misteriosa, cósmica,
mística, porque tudo existe
nele. Ele criou todas as coisas.
Tudo existe nele, tudo foi feito por
ele, tudo foi feito para ele. Essa é a
verdade da criação. E mais ainda, até o
próprio corpo físico de Jesus, que
também é exemplificado pelo pão e pelo
cálice, também estava potencialmente
presente lá na formação inicial do
universo. Porque hoje a gente entende
que todos os elementos físico-químicos
que deram origem a tudo aquilo que a
gente vê estavam lá no início
presente. Tudo isso que a gente vê veio
lá da do do momento inicial da
criação. As grandes estrelas vermelhas
que explodiram formando galáxias,
sistemas solares,
planetas. Os elementos que elas
derramaram pelo universo foram a
matériapra que Deus usou para criar vida
aqui no nosso planeta. E tudo isso que
estava lá no cosmos estava presente no
corpo de
Jesus. O ferro no núcleo das estrelas
corria no sangue, nas veias de Jesus.
o cálcio, o fósforo, nitrogênio,
carbono, tudo que mantinha o corpo dele
vivo, saudável, funcionando, está
presente aí no universo. De forma,
quando a gente entende isso, a gente
compreende que o universo é um grande
pão
eucarístico, é um cálice transbordante
de bênçãos.
E todo pecado que eu executo contra a
vida, todo preconceito que eu engendro,
toda maldade que eu perpetuo, toda
diferença que eu
ressalto, tudo isso que eu faço é pecar
contra o corpo e o sangue do Senhor,
entende? Então, quando eu entendo o que
é o corpo e o sangue do Senhor, eu vou
comer e beber bênção na minha vida.
Porque eu fui chamado e você foi chamado
para ser elemento de
reconciliação. Reconciliação com tudo e
com todos para trazer, para abrigar,
para
incluir, para entender que na
vida tudo aquilo que a gente faz a um
dos pequeninos, como o Senhor diz, é a
mim que vocês
fazem. Porque todos somos, todos são o
corpo e o sangue do Senhor Jesus. Por
isso que na vida a gente tem que viver
esse espírito, como diz aqui o texto,
não é só no rito que eu tenho que
esperar uns pelos outros, como Paulo
fala aqui, mas é em tudo que a gente
faz. Se você tem
mais, tenha paciência com quem tem
menos. Se você sabe mais, tenha
paciência. Espere por quem sabe menos.
Se você tem menos também, agradeça a
Deus, porque você também não está
eximido da misericórdia que você recebeu
na sua vida, que ele também te
deu. Essa é a consciência do amor, que
vence a diferença, que vence a
desigualdade, que vence os
partidarismos.
Porque Cristo não nos chamou para
vivermos na diferença, nos partidos
opostos, na desigualdade. Muito pelo
contrário, ele nos reuniu para que todos
nós fôssemos um só corpo, guiados por um
só
pastor. Isso é vida, isso é a graça que
a gente celebra aqui agora em nome de
Jesus. Amém. Amém. Senhor Jesus, muito
obrigado pela oportunidade que temos de
celebrar a tua vida em nós, de receber o
pão, receber o cálice, que simbolizam a
tua entrega e a nossa entrega e saber
que nós juntos aqui somos um pão. Toda a
vida pertence ao teu corpo e nós estamos
aqui para celebrar a sacralidade da tua
vida na existência. Que nós sejamos
todos aqui, Senhor, instrumentos de
reconciliação, de perdão e de inclusão.
É o que te pedimos em teu nome, Senhor.
Amém. Amém.

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