Sermão: Para além da Ceia
05/06/2025
Sermão do Pr. Marcelo Rezende na Ceia da Comunidade. Para assistir o culto completo, acesse @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Nosso Deus, Pai bondoso, nós te louvamos e agradecemos por essa oportunidade de bênção, de vida que o Senhor nos concede, nos trazendo aqui para nos assentar à mesa de Jesus. E nós pedimos que ao partir o pão aqui entre nós, que haja revelação do Senhor em nossos corações. Que nosso coração seja tocado e aquecido, incendiado pela mensagem do evangelho nessa manhã, nesse momento. Que todos aqueles que estão recebendo o que será realizado aqui, também sejam abençoados de igual forma. Que o seu espírito se derrame sobre todos. É o que nós te pedimos e agradecemos em nome de Jesus. Amém. Amém. Bom dia. Feliz sábado para vocês que estão aqui no Shopping Pátio Higienópolis. Para você que acompanha aqui a nossa transmissão, que Deus também te abençoe com a paz do Senhor Jesus. Nós estamos hoje reunidos aqui para um momento muito especial. Estamos assentados à mesa do Senhor. Vamos participar do pão, do cálice. E eu convido você que também está aqui acompanhando a gente pelas redes sociais da comunidade, participe com a gente, separe aí o seu pão, separe aí o seu vinho, o seu suco de uva para juntos nós celebrarmos o significado do Senhor em nossas vidas. Que hoje nós estamos aqui na mesa de Jesus e todas as lógicas de culto e adoração, elas são invertidas. Geralmente a gente quando se reúne, como nós estamos aqui agora, nós oramos pedindo a presença do Senhor entre nós. Só que hoje não é assim. Hoje ele não é convidado aqui. Hoje ele é o anfitrião. Nós somos convidados do Senhor. Ele sabia que você vinha aqui hoje. A sua presença aqui não é surpresa para ele. E ele veio aqui, te trouxe aqui para que você participasse desse momento, para que você recebesse seu momento como dádiva, como força, como presença de Jesus na sua vida. Esse é o significado da ceia. É assim que ela tem que ser celebrada, com esse espírito de presente, de graça. Todos aqui são convidados a participar. Todos são, foram trazidos pelo Senhor aqui nesse momento para receber esse presente na vida. E você que está acompanhando aí também, da mesma forma, todos nós estamos juntos à mesa do Senhor. E para meditar um pouquinho sobre o significado do que nós vamos realizar aqui agora, eu quero ler com vocês o texto da palavra que se encontra na primeira carta de Paulo aos Coríntios. Primeira carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 11, do verso 17 em diante. É uma leitura um pouquinho longa e eu quero que você acompanhe comigo. Se você tiver aí sua Bíblia, tiver aí o seu celular, tiver aí o seu tablet, enfim, não importa. O importante é nós estarmos juntos na leitura da palavra. Eu leio aqui na Nova Almeida atualizada, é a versão que eu tenho comigo, que diz assim: "Mas nisto que agora prescrevo, não posso elogiá-los, porque vocês se reúnem não para melhor, e sim para pior. Porque antes de tudo, estou informado de que quando se reúne na igreja existem divisões entre vocês e eu em parte acredito que isso é verdade. E é até necessário que haja partidos entre vocês para que também os aprovados se tornem conhecidos entre vocês." Quando, pois, se reúnem no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que vocês comem. Porque quando comem, cada um toma, toma antecipadamente a sua própria ceia. E enquanto um fica com fome, o outro fica embriagado. Será que vocês não têm casas onde podem comer e beber? Ou menosprezam a igreja de Deus e envergonham os que nada têm? Que posso dizer a vocês? Devo elogiá-los? Nisto certamente não posso elogiá-los, porque eu recebi do Senhor o que também lhes entreguei, que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou um pão e, tendo dado graças, o partiu e disse: "Isto é o meu corpo que é dado por vocês. Façam isso em memória de mim". Do mesmo modo, depois da ceia, pegou também um cálice, dizendo: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Façam isso todas as vezes que o beberem em memória de mim, porque todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão, beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo e assim coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. É por isso que há entre vocês muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor para não sermos condenados com o mundo. Assim, meus irmãos, quando vocês se reúnem para comer, esperem uns pelos outros. Se alguém tem fome, que come em casa, a fim de que vocês não se reúnam para juízo. Quanto as demais coisas, eu as ordenarei quando for aí. O rito da Santa Ceia, cerimônia da Santa Ceia, a ceia do Senhor, como muitos chamam, Ceia de comunhão, ágape, ela tem vários nomes. É um rito original instituído por Jesus. O batismo e os demais outros ritos que nós realizamos como comunidade de fé, eles são derivados de outras práticas parecidas que já existiam no judaísmo daquela época. Mas a cerimônia da ceia, ela é única e ela é original de Jesus. Ao mesmo tempo é uma das cerimônias mais controversas na história do cristianismo, porque vários grupos cristãos durante toda a história tem debatido a respeito do significado da ceia, da forma como ela deve ser realizada, na frequência de como ela deve ser realizada. Alguns adotam uma ideia da transubstancia que o pão e o cálice eles são o corpo e o sangue de Jesus. Outros a teologia da presença. A presença de Jesus está nos elementos. Outros adotam uma ideia da cerimônia memorial. Enfim, tem várias teologias a respeito desse momento. Mas nos círculos evangélicos protestantes, a cerimônia da Santa Ceia, ela tem sido muitas vezes a cerimônia do terror, não é assim? É do terror. É a cerimônia da exclusão. É a cerimônia da culpa, onde você olha e fala assim: "Eu não sou digno de participar". E esse terror ele acontece porque nós realizamos uma espécie de triagem sagrada, né? Santa. Quem pode e quem não pode, quem é pecador e quem não é, né? E aí quando chega ali a data da ceia ou quando você sabe que vai ter a ceia, você começa a olhar para dentro de você e fazer aquela caça as bruxas, né, para saber se tem pecado, se não tem, se eu posso, se eu não posso, porque se eu comer o pãozinho vai ser umanureto sagrado que eu vou ingerir e aquilo vai acabar com a minha vida, assim, não é? Então eu não posso assim de jeito nenhum eu comer sem discernir o corpo, eu tô pecando. É assim. E aí aqueles que se aproximam desse momento e participam, fazem isso naquele espírito de santidade emulada com base nos seus próprios esforços, né? Não, eu fiz tudo certinho, eu posso. Então agora eu vou comer da seia, vou tomar da ceia, porque eu eu sou digno, né? Sim, tudo errado, tudo doença. Nada disso aqui é o que reflete o verdadeiro espírito desse momento. E essas maluquíes que as pessoas criam e engendram e e realizam esse terror espiritual em torno da ceia, na maioria das vezes, ele é fundamentado nesse texto que eu li aqui para vocês. Esse é um texto que durante toda a minha jornada como pastor, pouquíssimas vezes eu usei para poder fazer a Santa Ceia. E engraçado que a primeira que eu faço aqui com vocês, eu tô usando ele. Primeiro texto aqui que eu tô usando é esse daqui, porque esse texto ele é desfigurado no seu significado para poder exatamente colocar esse esse terrorismo no coração das pessoas. E a grande questão vem aqui do verso 29, que diz assim: "Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si". Esse é o texto que dá aqui esse medo, não é? Comer e beber sem discernir o corpo é comer e beber juízo para si. Mas aqui vem a questão. Tudo gira em torno da compreensão do que é o corpo do Senhor. Comer e beber sem discernir o corpo. Como que eu discerno o corpo? O que é o corpo do Senhor? É com base na compreensão disso que eu posso comer e beber como bênção ou como juízo paraa minha vida. Qual o significado que acontece aqui? Quando a gente olha aqui pro contexto do texto que eu li para vocês, a realidade aqui da igreja de Corinto é bem diferente da nossa. Hoje aqui a gente tem um um pãozinho aqui, essa bolachinha, né, que se o pão é símbolo do corpo, essa bolachinha é símbolo do símbolo, né? Porque é um negócio de nada aqui que a gente recebe aqui pra gente comer. Naquele tempo aqui, a coisa era muito diferente, porque o que acontecia aqui nessa época era uma cerimônia de junta panela, por assim dizer. É uma refeição comunitária, onde quem tinha mais levava mais, quem tinha menos levava menos, quem não tinha nada levava a si mesmo. E era assim que as pessoas se reuniam, porque a igreja tinha como objetivo ser uma resposta contra tudo aquilo que era a realidade da sociedade perversa que acercava. É uma afirmação de protesto contra o preconceito, contra a desigualdade, contra a diferença. Essa essência do evangelho que era celebrada e deveria ser celebrada na ceia. O evangelho diz: "De graça você recebeu, de graça você dá". Eu recebi muitas coisas de graça do Senhor. Todo benefício, toda bênção, toda vida, tudo vem de Deus. O perdão de Deus. Tudo aquilo que eu recebo do Senhor em mim faz com que o meu olhar seja transformado para devolver paraa vida com o mesmo espírito tudo aquilo que eu tenho, tudo aquilo que eu sou. O foco não é o rito, não é o que acontece no momento. Era isso que Paulo queria ensinar. O rito é a celebração dessa percepção que deve ser vivida na vida. Porque eu sou o pão que deve ser entregue na vida pelo outro. Eu sou o pão que deve ser partido. Eu sou o pão que não deve se economizar. Eu sou o pão que deve ser entregue como benefício, como vida, como transmissão de graça que eu recebi na vida de outras pessoas. Esse é o ensino. Mas não era isso aqui que tava acontecendo aqui nesse texto. Paulo ele transmite exatamente a essência do significado da ceia que ele havia recebido. Como ele diz aqui, Jesus quando ele ele institui a Santa Ceia, ele faz isso no contexto do jantar da Páscoa judaica, o céder da pessa, como é chamado. E é interessante que quando a gente lê os relatos dos evangelhos, Jesus ele toma o pão e ele toma o cálice. Ele come pão e bebe o cálice e o vinho. Compartilha isso e se identifica nesses elementos, que é o que a gente faz aqui. Mas quando a gente lê os textos do Antigo Testamento, que vão narrar pra gente a história da Páscoa, a instituição da Páscoa, que é o contexto original da Santa Ceia, esses textos do Antigo Testamento falam do pão, mas não falam do vinho. lá fala do consumo do pão, todos os textos do Antigo Testamento que falam da pessar, mas o vinho ele vai aparecer só em textos posteriores. E dizem alguns especialistas, alguns estudiosos, que o vinho foi introduzido dentro da cerimônia do céder, da pesta dos judeus, naquela época lá do templo de Jesus, como resquício da influência helênica que eles receberam do domínio dos gregos sobre eles antes do período dos romanos. Os gregos eles tinham aquilo que eles chamavam de simpósio. Simpósio grego não tem nada a ver com o significado da palavra simpósio pra gente hoje. Era uma outra coisa. Era uma reunião onde eles comiam, basicamente os homens, né? Eles comiam e eles bebiam muito vinho. E o anfitrião recebia os convidados e havia toda uma sequência, uma cerimônia, uma ordem. E ali eles discutiam vários assuntos. falava sobre política, falava sobre filosofia, falava até poesia tinha no meio dessas reuniões. E havia momentos em que eles paravam, eles bebiam, tinha toda uma sequência ali de de de formalidades. E era costume também eles comerem e beberem reclinados. Eles meio que deitavam assim, comiam e bebiam. E e esses detalhes eles foram incorporados, segundo esses especialistas, no séder da pessa, que tinha essa influência do simpósio grego. E se isso for verdade, é muito bonito aqui e é uma coisa maravilhosa a gente imaginar que Jesus ele toma o pão, que é o símbolo da herança judaica da pessa, e ele toma o cálice, que é o símbolo da influência pagã, helênica, gentílica. E ele une essas duas realidades, judeus e gentios, como símbolo do corpo dele, do corpo novo do Messias. E mais ainda, o trigo e a uva, que são os elementos básicos do pão e do vinho, eles são esmagados, eles são mortos para que o pão e o vinho sejam produzidos. É o símbolo da morte que precede a vida. É a morte que gera vida e gera uma vida nova, unindo os opostos no corpo novo do Messias. Essa é a memória que Paulo diz aqui que deveria de estar, que Jesus diz: "Façam isso em memória de mim". Não é uma lembrança romântica de um passado, de uma cerimônia, de um jantar que Jesus teve com os discípulos. é a atualização dessa história que molda a nossa vida, que molda a nossa identidade. É a lembrança presente que é atualizada do Jesus histórico, que se reunia nas mesas com as pessoas as mais diversas e diferentes que ele trazia pra comunhão dele, desde os fariseus religiosos até os pares, os marginalizados da sociedade que ele trazia pra mesa para comer com ele. Essa é a lembrança de Jesus que deve ser atualizada quando a gente se reúne para fazer a mesma coisa. Esse é o significado. Só que não era isso que acontecia aqui em Corinto. Que acontecia aqui era totalmente diferente. As pessoas se reuniam e os mais abastados traziam os seus pães lindos, cheirosos, deliciosos. Traziam as suas carnes, traziam suas coxas de aves, trazia seus vinhos de safra. E aí a galera comia, bebia no gargalo, bebia, como Paulo fala que até ficar bêbado, até chamar Jesus de Genésio, né, como a gente fala, né? Esse era o resultado da ceia. O pessoal saía trançando as pernas no final da ceia e aí comia e pegava aquelas coxas, né? E comiam que nem aqueles reis medievais, sabe? Não é? Aqueles bárbaros melados assim, né? E isso era a ceia do Senhor para esse povo aqui. Enquanto isso, eles reunidos numa sala especial chamada Triclínum, onde as a o jantar acontecia, os desfavorecidos, aqueles que não levavam quase nada, que levava coisinha assim, levava um pãozinho igual esse que a gente tem aqui assim, sabe? Chegava lá com pãozinho, esse ficava do lado de fora, ficava ali olhando, ficava com fome, só vendo a galera comer. E era isso que acontecia. E Paulo diz assim: "É por isso o que vocês estão fazendo?" Ele diz assim: "Isso tá fazendo mal para vocês". No verso 30 ele diz: "É por isso que há entre vocês muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque o que esse povo fazia era comer a desigualdade, era introjetar dentro deles o preconceito, é comer e beber a diferença. E quem faz isso deflaga dentro de si processos de morte, entende? É uma verdade básica. O juízo aqui não é um castigo sobrenatural de Deus, o dedo de Deus pesando sobre as pessoas, não. É o mal que a gente faz. Quando eu entendo o que é graça, quando eu recebo aquilo que é bondade, quando eu entendo aquilo que é misericórdia e conscientemente eu vou agir na minha vida contra essa graça, contra a misericórdia, contra a bondade, eu adoeço nesse processo. Eu fico doente. Isso somatiza a maldade dentro de mim. Isso me enfraquece espiritualmente, isso me fragiliza emocionalmente, isso acaba com o meu psicológico, conscientemente agindo contra toda a bondade que eu sei que eu recebi na minha vida. Isso transforma a gente quando eu entendo o que é o bom, recebo o que é bom e trabalho conscientemente contra o bom, contra o bem, introjetando o que é ruim dentro de mim, eu me transformo num luciferzinho, não é? Porque é isso que acontece de acordo com a tradição cristã. Onde é que o diabo nasceu? No inferno. Onde que ele nasceu? No céu, na presença de Deus. Então, quando eu sou cercado por toda essa bondade, misericórdia e graça, e aquilo não se transforma em nada na minha vida, quando eu continuo impermeável a tudo isso, isso faz mal para mim. É isso que Paulo fala. Aí a gente olha e fala assim: "Não, mas nós estamos salvos disso porque nós temos aqui o nosso kit. Então aqui o copinho já é medido, o pãozinho já é medido. Então eu tô garantido que não vai acontecer essa bagunça que tá aqui em Corinto. Aqui não acontece. E de fato, pelo rito nosso aqui, nós estamos salvos disso. Mas o problema, meus queridos, como Paulo ensina aqui, não é o rito, é o olhar que a gente carrega na vida. Porque se no rito aqui eles executavam toda essa diferença e esse preconceito, essas separações, se isso estava presente diante deles, imagina como é que eles viviam isso no dia a dia, na vida deles. Porque o rito traz aquilo que a gente carrega lá fora na vida. E essa aqui que é a lição que Paulo coloca aqui pra gente. Eu sou a Eucaristia, usando uma palavra tradicional, né? A Eucaristia significa dar graças. Eu sou a gratidão da vida. Eu sou o pão eucarístico da vida. Você é o pão eucarístico na vida. Eu sou salvo dessa maldade entendendo o que é o corpo de Cristo. E o que é o corpo de Cristo? Paulo responde isso no capítulo 10 aqui, um pouquinho antes, no verso 16, ele diz assim: "Não é fato que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão no sangue de Cristo e não é fato que o pão que partimos é a comunhão no corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo, porque todos participamos do único pão. Eu sou o pão. Você é o pão. Nós somos o pão. Eu sou o pão entregue na vida. Eu sou o cálice entregue na vida. E mais ainda, todo ser humano, toda forma de vida, toda forma de vida existente carrega em si o corpo e o sangue do Senhor Jesus. Quando eu entendo isso, eu vejo a vida toda como essa dádiva eucarística, misteriosa, cósmica, mística, porque tudo existe nele. Ele criou todas as coisas. Tudo existe nele, tudo foi feito por ele, tudo foi feito para ele. Essa é a verdade da criação. E mais ainda, até o próprio corpo físico de Jesus, que também é exemplificado pelo pão e pelo cálice, também estava potencialmente presente lá na formação inicial do universo. Porque hoje a gente entende que todos os elementos físico-químicos que deram origem a tudo aquilo que a gente vê estavam lá no início presente. Tudo isso que a gente vê veio lá da do do momento inicial da criação. As grandes estrelas vermelhas que explodiram formando galáxias, sistemas solares, planetas. Os elementos que elas derramaram pelo universo foram a matériapra que Deus usou para criar vida aqui no nosso planeta. E tudo isso que estava lá no cosmos estava presente no corpo de Jesus. O ferro no núcleo das estrelas corria no sangue, nas veias de Jesus. o cálcio, o fósforo, nitrogênio, carbono, tudo que mantinha o corpo dele vivo, saudável, funcionando, está presente aí no universo. De forma, quando a gente entende isso, a gente compreende que o universo é um grande pão eucarístico, é um cálice transbordante de bênçãos. E todo pecado que eu executo contra a vida, todo preconceito que eu engendro, toda maldade que eu perpetuo, toda diferença que eu ressalto, tudo isso que eu faço é pecar contra o corpo e o sangue do Senhor, entende? Então, quando eu entendo o que é o corpo e o sangue do Senhor, eu vou comer e beber bênção na minha vida. Porque eu fui chamado e você foi chamado para ser elemento de reconciliação. Reconciliação com tudo e com todos para trazer, para abrigar, para incluir, para entender que na vida tudo aquilo que a gente faz a um dos pequeninos, como o Senhor diz, é a mim que vocês fazem. Porque todos somos, todos são o corpo e o sangue do Senhor Jesus. Por isso que na vida a gente tem que viver esse espírito, como diz aqui o texto, não é só no rito que eu tenho que esperar uns pelos outros, como Paulo fala aqui, mas é em tudo que a gente faz. Se você tem mais, tenha paciência com quem tem menos. Se você sabe mais, tenha paciência. Espere por quem sabe menos. Se você tem menos também, agradeça a Deus, porque você também não está eximido da misericórdia que você recebeu na sua vida, que ele também te deu. Essa é a consciência do amor, que vence a diferença, que vence a desigualdade, que vence os partidarismos. Porque Cristo não nos chamou para vivermos na diferença, nos partidos opostos, na desigualdade. Muito pelo contrário, ele nos reuniu para que todos nós fôssemos um só corpo, guiados por um só pastor. Isso é vida, isso é a graça que a gente celebra aqui agora em nome de Jesus. Amém. Amém. Senhor Jesus, muito obrigado pela oportunidade que temos de celebrar a tua vida em nós, de receber o pão, receber o cálice, que simbolizam a tua entrega e a nossa entrega e saber que nós juntos aqui somos um pão. Toda a vida pertence ao teu corpo e nós estamos aqui para celebrar a sacralidade da tua vida na existência. Que nós sejamos todos aqui, Senhor, instrumentos de reconciliação, de perdão e de inclusão. É o que te pedimos em teu nome, Senhor. Amém. Amém.