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A fé vem pelo ouvir

Discipulado Radical (Palestra 2/3) Jonas Madureira.

Discipulado Radical (Palestra 2/3) Jonas Madureira.

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Graça e paz.
>> Conseguiram dormir bem com eu ontem?
>> Não,
>> não.
Esse aí deu problema, né?
Porque ele faz sentido, muito sentido
pro que a gente vai falar hoje. No
discipulado, a gente tem uma uma um
pressuposto importante que foi
estabelecido por Jesus, que é o negar-se
a si mesmo, né? Negar o seu eu, né? Mas
se você não sabe o que é o eu, como você
sabe que você tem que negar?
O que é que tem que ser negado se você
nem sabe o que é o?
Não é? Então, a reflexão de ontem é uma
reflexão que, em primeiro lugar, levanta
o problema filosófico,
problema filosófico
da consciência, do self, do si mesmo, do
eu.
Chegamos à conclusão ontem,
a partir do primeiro movimento da nossa
série de reflexões
que visam, em primeiro lugar, definir os
termos.
Ah, antes da gente
elucidar o conceito de discipulado
radical, começando primeiro com a
explicitação do sentido de radical que
vamos usar. Aristóteles dizia, se você
não explicitar os termos da proposição,
você não pode, você pode falar uma coisa
e o seu auditório entender outra
completamente diferente. Então, a
primeira coisa que fizemos ontem foi
chamar atenção para o fato de que o
termo radical que estamos usando não é o
termo costumeiramente usado para se
referir a alg um aspecto intransigente
ou a um aspecto extraordinário. Nenhum
dos dois. radical do latim radic e deve
ser entendido aqui como raiz. Portanto,
o discipulado radical não tem nada a ver
com extremismo e nem com algo fora do
comum, fora do ordinário. Tem a ver com
a raiz, o discipulado focado no trabalho
sobre o eu, a raiz de todas as
convicções religiosas profundas de uma
pessoa.
Vimos isso à luz a da teoria da
consciência em Doyvred, que tá presente
na sua antropologia no no ensaio que
ocupa o capítulo oito do livro No
Crepúsculo do Pensamento, um livro de
divulgação do pensamento deste filósofo
holandês. Hoje a gente vai dar um
segundo passo, não é? Segundo passo é
definir discipulado.
Definimos, em primeiro lugar
a chave que vamos usar para entender o
que é esse radical do discipulado
radical. Agora a gente vai se dedicar um
pouquinho mais ao discipulado. E aqui
nós vamos lançar mão
mais obviamente
a dos textos bíblicos que nos servem de
fundamento para entender o discipulado,
não apenas do ponto de vista da
doutrina, mas do ponto de vista da
teologia histórica, como o conceito de
discipulado, ele se tornou um conceito
importante para a eclesiologia moderna,
pra nossa eclesiologia, para
eclusiologia hoje.
Então, primeiro,
em geral parece que eh
a uma ideia comum, uma ideia já tomada
de partida, que o conceito bíblico de
discipulado esteja veiculado pelos
termos matetés e matetel, não é?
Lembrando, obviamente de Mateus 28,
especialmente o versículo 19,
que envolve o fazer discípulo,
né?
Óbvio que esse discipulado que tem em
vista o discípulo tem contornos
muito mais
relevantes para o contexto
em que os discípulos de Jesus viviam do
que os discípulos de Sócrates, os
discípulos de Platão, os discípulos de
Aristóteles.
Não se trata aqui meramente de
discípulos como aqueles que seguem um
determinado filósofo, um determinado
pensador, mas que seguem, de certa forma
um mestre de sabedoria.
Tem a ver, portanto, com a tradição da
literatura sapiencial, que nós muitas
vezes desprezamos esquecendo que a
Bíblia inteira ela está dialogando com a
sabedoria, óbvio, não de maneira direta,
mas de maneira às vezes direta, às vezes
de modo indireto.
Então, o primeiro movimento que a gente
faz é vamos buscar um termo bíblico que
corresponda discipulado.
E aí a gente toma a primeira rasteira,
né? Porque o termo que a gente usa hoje
para falar de discipulado na igreja não
corresponde com o termo propriamente
discípulo ou discipular na Bíblia.
Ele tem muito mais a ver com a nossa
tradição histórica.
especialmente herdada daquilo que nós
chamamos de discipulado medieval, que no
fundo, no fundo nem era chamado de
discipulado.
A palavra discipulado, para você ter
ideia, ela é uma palavra, um termo muito
mais moderno. A idade média que
consolida a ideia que vai servir de base
para o discipulado moderno é a doutrina
da imitácio Criste, o imitá criste, a
doutrina da imitação de Cristo.
Portanto, todas as vezes que os teólogos
medievais se perguntavam como a gente
pode depois que uma pessoa ah é batizada
no contexto dos medievais, certo? como
que ela pode desfrutar da fé cristã por
meio de um discipulado que na verdade é
imitat criste, que não é outra coisa
senão a imitação de Cristo. E essa
imitação veiculada por uma prática
apostólica. Pra gente poder entender
toda essa volta que eu dei, antes,
observe que a palavra mesmo imitação,
que às vezes a gente deixa de lado na
questão do discipulado, como se ela não
tivesse nada a ver com discipulado, é
justamente a palavra mais importante
para o discipulado moderno, aquilo que a
gente entende hoje para o discipulado.
Então, eu quero chamar sua atenção para
algumas passagens. A maioria delas,
obviamente, remetendo ao apóstolo Paulo.
Por exemplo, Efésios 5:1. Sede, pois
imitadores de Deus como filhos amados.
Me imetai.
Admoesto-vos, portanto, a que sejais
meus imitadores.
Primeira Coríntios 4:16.
Sede meus imitadores, como também eu sou
de Cristo. Primeira Coríntios 11:1.
Filipenses 3:17. Irmãos,
sede imitadores meus e observai os que
andam segundo, observe o modelo,
não é? Que tendes em vós, em nós.
Primeira Tessalonicenses 1, versículo 6
e 7.
vos tornastes imitadores
nossos e do Senhor, tendo recebido a
palavra, posto que em meio de muita
tribulação com alegria do Espírito
Santo, de sorte que vos tornastes
tipon modelo
para todos os crentes na Macedônia e na
Acaia.
Primeira Tessalonicenses 2:14. Tanto é
assim, irmãos, que vos tornastes
imitadores
das igrejas de Deus existentes na
Judeia, em Cristo Jesus. Cada um desses
textos tem o seu contexto e tem a o seu
próprio ambiente de interpretação. Mas o
que chama atenção nessa amostragem é a
consistência do uso do termo mímes
dedicado, portanto, à imitação. E a
imitação, ela sempre vai pressupor
modelos. Essa palavra mímesis, ela não é
uma palavra que surge meramente quando a
gente estuda as origens etimológicas da
palavra mêmese. Não é só por isso. Ela
descreve a natureza do aprendizado.
Quantos aqui tocam instrumento musical?
Pode levantar a mão, irmão. Não é pecado
não. Ainda não. OK. Você já parou para
imaginar
que para você aprender a tocar um
instrumento musical não basta alguém
apenas te dar teoria,
apenas explicar para você, precisa
fazer, mostrar e você precisa observar.
E na observação o que que você faz?
Imita. Tenta aprender qualquer coisa
nessa vida, você vai perceber que é uma
condição da natureza. intelectual do ser
humano aprender por meio da imitação.
Desde a antiguidade, os filósofos estão
preocupados com a maneira com a qual as
pessoas aprendem e eles, portanto, vão
desenvolver tratados e tratados sobre a
imitação, mostrando o quanto a imitação
faz parte não só das artes,
mas faz parte da própria maneira como o
sujeito aprende. a gente aprende
imitando.
Entretanto,
a imitação ela envolve modelo,
ela envolve referência.
Uma outra pergunta agora, quem aqui tem
filhos?
Ótimo. Alguns aqui já encontraram um
filho ou uma filha
vestindo a roupa do papai ou da mamãe?
Já viram ou não?
Imitando o papai e a mamãe. O jeito de
falar, jeito de andar. Às vezes nem é o
papai, nem a mamãe. Às vezes na família
tem um tio maravilhoso.
E ali o rapazinho imita o tio. O jeito
de falar, a camisa.
Eu quero a camisa igual do tio Alfredo.
Pronto. Você entende o que eu tô
dizendo?
Parece que todas as tentativas de a
gente realizar alguma coisa pela
imitação vai sempre requerer um modelo,
vai requerer sempre um tipo. A gente
sempre tem que ter uma referência para
poder praticar imitação. E isso a gente
não precisa fazer uma faculdade de
filosofia para descobrir. A vida nos
ensina que a gente aprende
seguindo modelos.
Sejam bons modelos,
sejam maus modelos,
todos nós temos em nossa vivência as
marcas da influência desses modelos.
Deixa eu colocar a questão em outra
chave para você perceber o quanto isso
envolve a questão que começamos a
trabalhar ontem, que é a questão da
identidade, a questão sobre quem nós
somos.
Você já parou para imaginar como hoje,
mais do que nunca há um papel
preponderante dos influências na
sociedade?
Por que que há esse papel tão poderoso?
Porque um influenciador
é alguém que modela desejos,
que modela intenções,
que modela comportamentos,
que pauta comportamentos. Até hoje eu
não entendi. Eu queria que os
especialistas aí me explicasse qual é a
relação entre um aparelho de barbear e
um jogador de futebol.
Você consegue me explicar isso? Você
olha assim, mas por que que por que que
bota um jogador X incrível para fazer
uma propaganda de um aparelho de
barbear? Por que que não me apresentam
só o aparelho de barbear?
Por que que não tem que ter só o
aparelho para mim? Põe lá o aparelho diz
assim: "Esse aparelho é muito bom. De
acordo com as últimas pesquisas
científicas, tecnológicas, blá blá blá
blá blá blá blá, nada. Não me dão
teoria, não me explicam nada,
simplesmente me dizem:
"Neymar usa prestobarba".
E é impressionante
porque quem descobriu a força
dos modelos
no mar no no na vida das pessoas foi o
marketing.
Todas as vezes que você coloca uma
pessoa e ela tem um nome, o garoto
propaganda,
é porque ele tem uma função aqui
modelar, de modelação dos desejos, de
representação de intenções,
de pauta mesmo, de pautar.
Então, ninguém diga eh eh pode ficar,
digamos assim, eh num numa posição
ingênua com relação a aos modelos. Eles
estão aí para modelar comportamentos,
para apresentar maneiras de viver no
mundo, modos de viver no mundo.
Quando a gente volta para esses textos
do apóstolo Paulo, e aqui a genialidade
de Paulo se aflora,
porque ninguém mais do que ele sabe que
uma cultura é modelada pelos seus
heróis.
Os heróis modelam as culturas. Desde
sempre foi assim. Você não precisa ir
muito longe.
Na Anatólica se estudava Homero, se
conhecia Homero, se conhecia todas as
histórias dos gregos, dos seus heróis e
como aquelas histórias modelam
comportamentos, modelam ética, modelam
maneiras de ver o mundo.
Então, quando o apóstolo Paulo oferece
pra gente
a dinâmica da imitação e do modelo,
a dinâmica da imitação e da referência,
ele está mostrando que a igreja ela não
pode crescer sem referências.
Ela cresce com referências.
Essas referências são marcos importantes
de não só de determinação de
comportamento, mas também de
aprendizagem. As pessoas aprendem
observando modelos.
Portanto, todo movimento de imitação
apostólica
não tinha como objetivo
nos transformar em apóstolos.
A imitação apostólica
não nos transformem em apóstolos tanto
quanto a imitação de Cristo não nos
torna não transforma. Por exemplo, Paulo
em Cristo.
A confusão precisa ser desfeita.
Imitar os atos dos apóstolos não
significa se tornar um apóstolo.
Isso que a gente tem que tomar cuidado,
porque hoje em dia parece que a gente
não consegue mais imitar sem levar em
consideração o fato de que a imitação
não nos torna aquilo que está sendo
imitado ou aquele que está sendo
imitado.
Essa confusão tem de ser desfeita. A
imitação dos Atos dos Apóstolos não
significa se tornar um apóstolo ou poder
fazer tudo o que os apóstolos faziam.
Então, quando um apóstolo, como Paulo
diz, sede meus imitadores, o que ele
quer dizer com isso?
O que se quer dizer com imitadores de
Deus?
O que se quer dizer
com imitadores das igrejas de Deus? Que
se quer dizer com modelos a serem
imitados?
Se quer dizer, obviamente muito mais do
que simplesmente repetir padrões. E aqui
eu preciso fazer uma observação bem
rápida.
Você já parou para pensar como isso na
religião, nos aspectos religiosos,
acontece da maneira mais eh, eu diria
assim, eh, visível?
Determinados líderes religiosos
são imitados ao ponto das pessoas usarem
a mesma roupa, falar do mesmo jeito e
até se o sujeito tem alguma, sei lá,
alguma situação que sofreu um acidente e
a mão do sujeito ficou meio atrofeada, o
sujeito vai,
não é, em nome de Jesus. Aí você vai
ali, tá tudo igualzinho.
Então você tem a produção em série de
gestos, da voz, da roupa.
Nunca percebeu isso? Não.
Você nunca percebeu
em contextos talvez mais íntimos,
amigos ou amigas
que de repente passam a imitar você?
Aí você fica um pouco preocupado,
preocupada, né? Porque das duas pode,
das duas uma. Ou é admiração
ou é inveja. A linha é tênue.
A linha é muito tênue.
Sabe? Há de eu sempre gosto de de olhar
pra inveja
como a ferrugem.
Em tese, Deus não cria a ferrugem,
porque o que Deus cria é o ferro. A
ferrugem é ferro.
Não é oxidado,
corrompido,
caído.
Inveja é amor
que perdeu a graça,
caiu,
enferrujou,
apodreceu.
A admiração,
ela está dada na manutenção do padrão.
Admiração faz você olhar para modelo,
imitar o modelo
a ponto
de querer apenas imitá-lo.
Porque no momento em que você não quer
mais imitá-lo,
mas você quer selo,
aí a coisa muda de figura. Você passa do
amor
à inveja. Talvez esse seja o movimento
adâmico mais patente que a gente pode
encontrar. A diferença entre ser a
imagem de Deus
e ser Deus.
São coisas distintas. Você amar uma
pessoa a ponto de você admirar essa
pessoa e imitá-la, não significa que
você vai tomar o seu lugar, vai perder a
sua própria identidade, o seu próprio
ser para se tornar alguém que você não
é.
Clarissa tem um um fragmento dela que
ela diz algo mais ou menos assim:
"Eu estava com raiva de mim mesmo, daí
quis ser os outros.
Quando eu me tornei os outros,
descobri que o outro dos outros era eu
mesma".
Ou seja, todas as vezes que o indivíduo
tenta se tornar o outro que ele não é,
ele sempre vai ter um outro,
ele sempre vai ter uma outra referência.
Não existe a possibilidade de você se
livrar desta centralidade chamada eu. E
as pessoas podem odiar-se a si mesmas de
uma tal maneira que elas podem não mais
querer ser elas mesmas.
Veja, meu filho me dá um exemplo quando
ele era bem pequenininho, muito claro de
como o filho de Adão já desde pequeno é
uma pessoa angustiada, infeliz.
Meu filho dizia assim: "Papai, quando eu
crescer,
eu quero ser o Batman".
Você vê felicidade dele?
Ele não consegue ser feliz em ser o que
ele é.
A declaração dele já está revelando
angústia do nada, que ele já está
constatando. Sou um nada, mas um dia eu
quero ser. Quantos aqui já não ouviram
esse tipo de comentário? Quando eu
crescer, eu quero ser igual fulano.
Quando eu crescer, eu quero ser X.
A gente vai olhar para modelos o tempo
todo e os modelos estão a ir como
referenciais.
dos quais nós tomamos como modelo de
imitação.
No entanto,
imitar alguém ainda não é se tornar
alguém. Na verdade, é a imitação que nos
salva da inveja.
Só a imitação nos mantém distantes
o suficiente da loucura de querer tomar
o lugar do outro, a vida do outro,
a mesa do outro, o ministério do outro,
o esposo do da outra, a esposa do outro.
Entende isso ou não?
Às vezes a gente acredita que se a gente
tiver aquelas coisas que o outro tem, a
gente vai conseguir se tornar o que o
outro é.
Todos esses movimentos têm um único
nome, se chama autoengano.
O autoengano é toda a expressão da
tentativa do ser humano se tornar o
referencial que ele admira e não
consegue ser e acredita que será
possuindo as coisas que ele possui.
Portanto, voltando,
a imitação,
ela jamais pode ser confundida com um
tornar-se o outro. Imitar alguém não é
se tornar alguém.
A imitação permite, portanto, que estas
fronteiras estejam bem distantes, o
outro e quem nós somos.
Antes da gente prosseguir, a pergunta
que deve nos nortear para o próximo
passo é: "E o que tudo isso tem a ver
com o discipulado?"
Veja,
todas as vezes que nós encontramos Jesus
e seus discípulos,
o que nós encontramos?
Um padrão de imitação. Concordam?
Veja, esse padrão de imitação aparece em
momentos eh em cenas muito emblemáticas
da nossa dos evangelhos. Por exemplo,
vocês lembram quando Pedro nega Jesus?
Vocês lembram qual é o contexto?
Oh, eu acho que você tava com Jesus,
hein? Não, imagina quem é Jesus. Não sei
nem quem é o seu
jeito de falar,
não é? Te denuncia.
Ou seja, até o jeito de falar denuncia.
Portanto, há
no ato de seguir a Jesus
uma imitação de Cristo
que influencia até o vocabulário desses
discípulos de Jesus,
a maneira deles se comunicarem, as
palavras que eles usam, tudo isso é
influenciado pela convivência que eles
tiveram com Jesus.
Então, o discipulado
quando ele é visto não apenas na chave
de um mestre que ensina conteúdos, mas
de um modelo paraa vida,
a gente ganha muita coisa. Você sabe que
quem descobriu isso de uma maneira muito
interessante foi Lutero.
Ele inventou uma palavra
no alemão. Não existia essa palavra. Ele
inventou essa palavra porque ele não
conseguia uma palavra em alemão para
traduzir o seguir após mim de Jesus.
Daí ele inventou uma palavra chamada
narfolg,
que virou um substantivo, mas que na
época era, eles usavam como verbo. Ele
misturou verbo, fez ali toda a a mudança
morfológica da palavra e ela se tornou
um substantivo para explicar o quê? O
ato de seguir após Jesus, de ter Jesus
sempre à frente, olhando para Jesus como
um mestre, que você vai seguir os seus
passos, você vai, obviamente, não é a
literalidade,
mas é a compreensão do discipulado como
um mestre a ser seguido. Não apenas um
conteúdo a ser assimilado, mas uma vida
a ser imitada.
E é isso que leva pra gente o problema
eh de equívoco sobre o discipulado.
Porque às vezes o discipulado ele vira
algo dentro do nosso contexto
focado apenas numa relação professor e
aluno, mestre e discípulo e conteúdos a
serem ensinados. E o sujeito que precisa
aprender aqueles conteúdos.
Quando, na verdade, o discipulado ele
está relacionado a um movimento que não
diz respeito meramente a informações que
você assimila de um mestre, mas uma vida
que você reproduz, uma vivência que você
reproduz.
Seminário é uma bção, meus irmãos. Eu
sou um dos maiores incentivadores de
seminário.
Seminário ajuda a gente a entender
muitas coisas, ajuda a gente estudar a
Bíblia, que é a maior referência para
alguém que quer servir a Deus.
Mas você só vai aprender a ser pastor,
meu irmão, se você tiver do lado de um
outro pastor.
Não adianta a pessoa fazer uma teoria do
pastor para você.
Nunca me esqueço. Dia que cheguei pro
Dr. Shed, perguntei para ele, Dr. Ched,
como é que foi a sua vocação ministerial
pro pastorado,
né? Aí ele me contou uma história muito
interessante, a história de quando ele
foi eh prestou o concílio, um dos
examinadores perguntou para ele como é
que foi a sua vocação pro ministério
pastoral. E ele disse assim: "Irmão, eu
não fui chamado,
não veio uma voz do céu, não ouvi Deus
falar comigo,
não teve luzes, não teve fogo, não teve
chamas, não veio aquela voz aveludada de
um Sid Moreira dizendo:
"Ced,
[risadas]
não teve".
Então, como foi? Eu eu tava na igreja
e eu comecei a observar um bom pastor
e quando eu comecei a ver ele no dia a
dia, um dia eu dobrei meus joelhos no
meu quarto e disse assim: "Deus, me
deixa ser um pastor".
Você tá entendendo?
Ou seja, você só vai conseguir
aprender determinadas vivências
se você
tiver exemplos. Deixa eu colocar isso
agora no campo do discipulado. Como é
que a gente vai ter outros cristãos
se a gente tiver um discipulado pautado
nos modelos? Deixa eu colocar isso da
maneira mais explícita possível.
Todas as vezes que nós reduzimos o
discipulado, há uma mera relação entre
um mestre que ensina conteúdos e um
discípulo que aprende conteúdos. A gente
perde vista a formação do caráter. Perde
vista.
E a gente cai num modelo gnóstico de
discipulado. Por que modelo gnóstico de
discipulado? Porque ele é baseado na
crença de que se você entendeu, tá tudo
resolvido.
Se você compreendeu as verdades, se você
compreendeu o que precisava ser
compreendido, tá tudo resolvido. Você
pode ser um mau caráter,
você pode ser uma pessoa imoral,
você pode ser uma pessoa grossa, uma
pessoa sem coração, mas você tem
doutrina,
você defende a reta da doutrina, você
sabe todos os artigos de fé que um
teólogo reformado deveria saber. Você é
um leão defendendo a fé evangélica em
tudo quanto é lugar, mas é um mau
caráter.
O caráter está mal formado.
E a pergunta é por quê?
Porque veja, o discipulado com Cristo
não é só conteúdos que você aprende, mas
é uma modelação dos seus atos, da sua
vida. Por isso, se o discipulado for só
entendimento, a gente vai ter um monte
de gente que quando abre a boca você
fala: "Olha pelo discurso, você é
crente". Mas as ações, o dia a dia não
não reflete o seu próprio discurso.
Então, quando é que o discipulado
acontece de maneira real na igreja?
Quando nós vemos crentes, irmãos em
ação,
a gente consegue imitar crentes cristãos
olhando uns aos outros nas suas ações,
nos seus atos, nas suas vivências.
A gente precisa de exemplo para
vivenciar o discipulado.
Então, você percebeu que a gente tá
diante de um equívoco?
Então, a palavra discipulado parece
veicular dois sentidos.
Um refere-se ao ato de seguir Jesus.
O outro não é o ato de ajudar alguém a
seguir Jesus.
Então, as pessoas podem entender
discipulado como: "Eu estou olhando para
Jesus como meu modelo e vou seguir a
Jesus".
em contrapartida, o outro pode dizer:
"Estou ajudando uma pessoa a seguir
Jesus". E chamo isso também de
discipulado.
Isso é mais ou menos o que a gente chama
de homonímia. Quando a gente tem duas
coisas distintas com o mesmo nome. Por
exemplo, eu falo manga. O que vem na sua
mente?
Ou a fruta, ou o pedaço de roupa, ou o
pastor, né?
Depende como você tá chamando de manga,
né? Manga nome de uma pessoa, manga
roupa, manga fruta.
São coisas absolutamente diferentes.
Alguém aqui já confundiu uma manga com
uma manga de uma manga de roupa com a
fruta? Deu uma mordida na sua roupa, já
deu. Não, você não confunde essas
coisas. Você só vai confundir
se alguém fala manga e não te dá um
contexto,
porque é o mesmo nome para coisas
absolutamente distintas e que você
jamais jamais confundiria. Na lógica,
quando a gente estuda as homonímas, a
gente não estuda estas palavras, que são
as mais fáceis da gente resolver os
equívocos. Quando a gente tem homonímeas
dessa natureza, que é o mesmo nome para
coisas absolutamente diferentes, a gente
resolve facilmente a equivocidade
dizendo: "Existe manga que é a roupa,
existe manga que é fruta,
mas existem outras equivocações que
dizem respeito a coisas que são muito
parecidas e tem o mesmo nome. E aí eu
acabo chamando pelo mesmo nome coisas
que são muito parecidas, mas não são as
mesmas coisas. por exemplo, seguir a
Jesus e ajudar alguém a seguir Jesus.
São muito parecidas as coisas, mas não
são as mesmas coisas. Eu chamo esses
dois atos de discipulado, mas estes dois
atos não são os mesmos atos. Uma coisa é
você seguir a Jesus, outra coisa é você
ajudar outra pessoa a seguir Jesus.
Então, por exemplo, no português, a
gente tem discipulado para as duas
coisas, mas só para dar um exemplo para
você, no contexto alemão, quando eu
descobri isso, eu fiquei muito
impressionado, porque de um lado você
tem a palavra narfolg para discipulado,
mas você tem uma outra palavra
yungershaft para falar de discipulado
como ato de ajudar pessoas a seguirem a
Jesus. Então você tem os livros N Folg e
os livros Yugenshaft.
Estes daqui, por exemplo, um dos livros
conhecidíssimos
de discipulado chama-se Discipulado
Night Folg do Bom Hof. Já leram esse
livro? Alguém já viu esse livro por aí?
Discipular do Bonfield.
Esse livro ele está tratando sobre o ato
de seguir a Jesus. O sujeito compra o
livro
e aí diz assim: "Uau, um livro sobre
discipulado. Vou ajudar os irmãos da
igreja a seguirem Jesus. Vou ter um
método que vai me ajudar a, sei lá, a
praticar o discipulado na igreja. E
quando lê o livro não vê nada disso,
porque não é discipulado desses termos
que você está compreendendo. Ele está
ali falando só sobre o que significa
seguir a Jesus, qual o custo de seguir a
Jesus, o que acontece com uma pessoa que
segue a Jesus, como são os passos dados
por alguém que segue a Jesus.
Já
o discipulado como ato de ajudar pessoas
a seguir a Jesus, por exemplo, você pega
o livro do Mark dever, discipulado, é um
livro em que ele está preocupado não em
falar sobre o ato de seguir a Jesus, ele
está preocupado em como os membros da
minha igreja podem se ajudar uns aos
outros a seguirem a Jesus. Perceberam a
diferença?
Essas coisas parecem ser triviais,
mas elas não são. Dizer que é fácil
seguir a Jesus não é algo tão simples
assim. Se fosse algo tão simples assim,
a gente não teria um dos maiores
equívocos, não é, eh, já publicados
e que
vendeu 50 milhões de exemplares, como é
o caso em 1897,
do famoso livro do Charles Sheldon.
Alguém já conhece aqui, já deve ter
lido. Em seus passos,
você leu, né?
Em seus passos, o que faria Jesus?
Então, foi um bestseller incrível,
vendeu muito e etc, mas a proposta dele
é uma proposta puramente especulativa.
A proposta dele é a seguinte: "Me
disseram que eu preciso seguir Jesus.
Como eu faço para seguir a Jesus?" A
pergunta é essa: em seus passos, né?
O que faria
Jesus? Percebeu o que tá sendo dito?
O que Jesus faria hoje? Essa é a
pergunta do livro. Totalmente
especulativa.
Sujeito hoje que vai responder o
discipulado como ato de seguir a Jesus
nesses termos, ele fica imaginando.
Caramba, meu chefe pediu para que eu
dissesse que ele não está. E ele está.
Eu tô olhando para ele, ele tá dizendo:
"Fala que eu não tô". E você tá assim,
Sheldon. em seus passos. O que faria
Jesus?
Se Jesus estivesse aqui, ele mentiria ou
não mentiria?
Sabe aquelas discussões éticas
polêmicas? Por exemplo, se chega uma
pessoa, você tá escondendo, sei lá,
pessoas que são inocentes de, sei lá,
pessoas malvadas que querem matá-las e
você esconde dentro da sua casa, alguém
bate lá na porta e assim: "Ei, fulano,
belano, cano tá aí em seus passos".
O que faria Jesus? Aí você tem que
pensar, se Jesus estivesse no meu lugar,
o que ele faria?
Então, todas as nossas reflexões éticas
de vida, de prática, elas estão pautadas
na especulação. Eu fico imaginando o que
que Jesus faria.
E se hoje existisse uma grande
conferência X que envolvesse XPTO,
a pergunta é: em seus passos,
o que faria Jesus?
A gente especula.
Jesus iria, Jesus não iria,
Jesus
viraria a mesa das igrejas hoje ou Jesus
estaria
junto com os irmãos da igreja cantando?
Então, todos esses movimentos, você
percebe, são movimentos especulativos
que eles sempre são colocados nesses
termos. O que Jesus faria? Então, a
maior parte do discipulado moderno se
pautou nesse problema. Temos, de um lado
o ato de seguir a Jesus, temos do outro
lado a tarefa de ajudar pessoas a
seguirem a Jesus. Mas qual é o
fundamento para seguir a Jesus? A
especulação. Eu tenho que me colocar em
questões em que eu pense o que Jesus
faria agora. Não, Jesus daria outra
face.
Não, Jesus não xingaria.
Não, Jesus não falaria alto, não. Jesus
não falaria baixo. Não, Jesus não diria
isso. Jesus não diria aquilo. Tudo
diria, faria. Percebeu isso? Pensaria.
tudo da ordem da especulação.
Então, o discipulado se tornou
especulativo.
E quando o discipulado se torna
especulativo,
o ato de seguir a Jesus faz de Jesus um
modelo moral
para observarmos
a partir desse modelo moral o que
faríamos hoje.
contrapartida, e aqui eu volto às
palavras de Paulo,
ele não fusa os condicionamentos
especulativos,
mas imperativos.
ser imitador.
E ser imitador parte do pressuposto de
que o desafio do discipulado na chave da
imitação, ele já tem uma referência, não
pode ser especulativo.
Aí o discipulado precisa mudar o seu
critério em vez de em seus passos o que
faria Jesus. O discipulado que presta
atenção no que Paulo está dizendo vai
mudar a pergunta. Não vai ser mais em
seus passos o que faria Jesus, mas em
seus passos
o que Jesus fez.
É exegese,
é interpretação bíblica,
é leitura bíblica, é conhecimento das
escrituras que tá faltando pro
discipulado moderno.
A gente tá com muita especulação,
é muita imaginação,
é muito the chosen na cabeça.
Cadê a água aqui?
Antes que você brigue comigo, gente,
você é dá para ficar, se você se sentiu
emocionado vendo Jesus, fica em paz,
irmão. Você não pecou, não, fica
tranquilo.
Mas tem gente
que está fazendo da especulação do The
Chosen, o substituto da Bíblia. O cara
nem mais lê a Bíblia, ele não cita mais
a Bíblia. fala no chen,
[risadas]
meu senhor.
Mas o o The Chosen tá dizendo outra
coisa.
Então, o referencial se tornou
especulativo.
Não temos autorização para mexer no
padrão.
Quando Paulo estabelece o padrão
imitativo, ele está estabelecendo a
partir de um princípio apostólico.
Gente, tem que levar isso muito a sério.
Eu sei que a gente vai ler Paulo como
teólogo,
mas o dia que você esquecer que Paulo é
Bíblia,
você vai ter um cano dentro do cano.
Você vai olhar as palavras vermelhas de
Jesus e vai dizer: "Essas aqui são
maiores do que as de Paulo".
É mais Bíblia
do que Paulo? Não tem. As palavras de
Paulo são tão autoritativas pra igreja
quanto as palavras de Jesus. Porque
Paulo também é Bíblia.
Você entende a figura apostólica. Por
isso que as pessoas queriam se passar
por apóstolo. Naquela época tinha essas
coisas, hoje não tem. Mas naquela época
as pessoas queriam ser apóstolos. Não
era por causa disso aqui não, viu? Elas
querem por outras razões. Elas querem o
poder da influência,
o poder da normatização do padrão de
fiéis.
Ou seja, os apóstolos, eles tinham
a prerrogativa
do modelo, do tipon. Eles são tipon de
cristão. É como um cristão tem de viver.
E depois os pastores não vão ser outra
coisa senão mimetizadores dos apóstolos.
Eles não podem acrescentar nada. Eles
têm de pregar a pregação dos apóstolos,
imitar a pregação dos apóstolos. Essa
imitação que não para até hoje e que só
se sustenta pelo rigor das escrituras.
Por isso, não pode ter discipulado fiel
numa igreja sem Bíblia.
>> Não dá para você ter discipulado
poderoso numa igreja se não tiver
cultura de leitura bíblica na igreja. Aí
a gente entende o que eram os de fato
discípulos de Jesus.
Portanto, meus irmãos,
o discipulado é imitação de Cristo,
mas segundo as escrituras, não segundo
nossa especulação, não o Jesus fabricado
pela sua criatividade.
Jesus que você especulou não sangrou
naquela cruz. É produto da sua
imaginação. Você está seguindo uma
ficção.
Só o Jesus das Escrituras deve ser
seguido a risca
naquilo que ele fez, não naquilo que ele
faria. Lá eu vou saber o que Jesus
faria. Quem de nós aqui pensa
arrogância?
O que que Jesus faria?
Ô meu, você tem que ser um absurdo para
você falar um negócio desse. É claro que
não é possível você saber o que Jesus
faria. A única coisa que Deus te deu foi
o que Jesus fez. E é suficiente
pra gente viver uma vida feliz.
Mas o Jesus fabricado,
ele é modelo
de cristãos genéricos.
de cristãos que parecem,
de cristãos que tem um discurso. Você
entende?
Um Jesus fabricado
não pode nos salvar,
porque o Jesus fabricado
é um Jesus que você pode seguir.
Por isso que você fabrica esse Jesus,
porque ele tem a sua opinião. Ele pensa
igual a você e ele coloca o padrão de
vida assim, ó, no nível que você olha
diz assim: "Isso aqui eu consigo.
O Jesus fabricado não te humilha.
O Jesus fabricado não te deixa pequeno.
O Jesus fabricado não faz você olhar e
dizer assim: "Tá tão, eu tô tão longe,
Senhor".
O Jesus fabricado não cria em você
desespero.
O Jesus fabricado não te desespera.
Só o verdadeiro Jesus te desespera.
Só o Cristo das Escrituras faz você
olhar para ele dizer assim: "Como eu
estou longe de ser como o meu Jesus!"
E é nessa hora que Deus nos dá a graça,
porque é com ela que a gente se torna
como Jesus.
É nessa hora que a gente descobre que
ninguém vai seguir Jesus com suas
próprias pernas, que a gente segue a
Jesus pela graça, pelo Espírito de Deus.
Ninguém pode seguir a Jesus se não for
pelo Espírito de Deus, se não for por
Cristo Jesus.
Por isso, seguir a Jesus é o maior
desafio de um cristão. Porque não é só
saber tudo sobre o Jesus histórico e o
Cristo da fé.
é imitar o Cristo das Escrituras. Mas
como
a gente vai conhecer o Cristo das
Escrituras?
Se a gente não estuda as Escrituras,
tudo que você precisa saber sobre Jesus
está nos Evangelhos, está também nas
epístolas paulinas, está em toda a
Bíblia.
Ninguém compreendeu melhor Jesus do que
Paulo. Ninguém compreendeu melhor Jesus
do que Tiago. Ninguém compreendeu melhor
Jesus do que Pedro. O que eles
compreenderam pode não ser tudo sobre
Jesus, mas é o suficiente para fazer
você um cristão salvo pela graça e
misericórdia de Jesus.
Como a gente termina
com crise de identidade?
Porque a gente tem que voltar a
pergunta: quem eu sou? O que esse
discipulado tem a ver com a raiz do meu
eu? Discipulado é seguir a Jesus, mas
não nos meus termos. Eu queria seguir
Jesus nos meus termos, mas não. O
discipulado é nos termos de Jesus. E
dizer que o discipulado é nos termos de
Jesus é dizer nos termos da escritura.
Tenho de conhecer Jesus nas Escrituras.
Tenho de ler as Escrituras para seguir
Jesus,
a fim de ajudar outras pessoas a também
seguirem a Jesus nos termos de Jesus.
Então, qual é a definição discipulado
que a gente defende aqui hoje?
Discipulado é seguir a Jesus nos termos
de Jesus, a fim de ajudar outras pessoas
a seguirem a Jesus nos termos de Jesus.
Lindo isso, né? Bom, a imitação de
Cristo mediada pela pregação dos
apóstolos
não comprometeria a autenticidade, a
originalidade do discípulo.
Quem sou eu?
Se agora
tudo que eu tenho de ser é
o que me é apresentado como modelo e o
principal modelo que é Cristo Jesus.
Hoje a gente vive a cultura da
autenticidade. Seja autêntico.
Como assim eu vou imitar alguém?
Eu tenho vontade própria. Eu tenho
personalidade.
Como assim imitar? Não seria a imitação
de Cristo uma forma justamente de
inautenticidade
ou até mesmo uma tentativa de fuga do
compromisso inescapável de dar conta da
nossa própria identidade? Não é isso que
você escuta todos os dias os dias? Seja
você mesmo.
Por que que você vai se tornar um outro?
Assuma sua verdadeira identidade.
Se você precisa abrir mão de costumes e
culturas e etc, faça tudo em nome da sua
identidade.
E daí? Se o seu corpo é diferente do que
você é,
o que importa é o seu eu.
Se você está num corpo que não
corresponde mais ao seu eu, pior corpo,
não é isso que se diz por aí?
Então, diante de uma mensagem que diz
que você tem de ser quem você é,
qual a resposta do discipulado quando
nos oferece
que justamente o caminho da nossa
perdição está em ser quem nós queremos
ser?
E se a felicidade
e a maior revelação da nossa identidade
for justamente
não ser quem queremos ser e muito menos
muito menos o que os outros querem que a
gente seja.
E se a nossa verdadeira identidade
não for outra senão aquela
pela qual Deus nos chama pelo nome,
aquela que Deus conhece,
aquela que reflete
a consciência do salmista quando diz:
"Senhor, sonda o meu coração,
prova os meus
pensamentos.
Existe um eu
que não pode caminhar com Jesus.
Ele precisa ser abandonado.
Mas a pergunta continua:
que eu é esse?
que eu precisa ser negado para que a
gente possa seguir a Jesus nos termos de
Jesus e ajudar pessoas a seguirem a
Jesus nos termos de Jesus. As cenas dos
próximos capítulos só amanhã.
Vamos orar. Pai querido, nos dê graça
para aceitarmos o discipulado como um
grande desafio.
O desafio, em primeiro lugar, de ter a
tua palavra como referência. Não a nossa
especulação, não o que a gente acha que
Jesus é, não o que a gente pensa que
Jesus seria,
mas o que a tua Bíblia diz que ele é, o
que a tua Bíblia diz que ele fez, o que
a tua Bíblia diz que ele realizou.
nos ajude, Senhor,
a olhar para Jesus e nos sentindo tão
pequenos e incapaz de ser como eles,
como ele, contar com a tua graça,
porque se não é tua graça,
a gente não consegue seguir o Senhor.
Pedimos então, Pai, que diante da
grandeza de Jesus,
a grandeza da graça seja do tamanho de
Jesus,
para que a gente possa ter perna
para sempre seguir e ter ele no nosso
horizonte.
Em nome de Jesus oramos. Amém. Yeah.

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